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O que se deve saber sobre o ciúmeA Sentinela — 1995 | 15 de setembro
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O que se deve saber sobre o ciúme
O QUE é ciúme? É uma emoção forte, que pode fazer a pessoa sentir-se ansiosa, triste ou irada. É possível que sintamos ciúme quando alguém parece sair-se melhor numa tarefa do que nós. Ou então quando um amigo recebe mais elogios do que nós. Mas é sempre errado sentir ciúme?
Os ciumentos tendem a suspeitar de rivais em potencial. O Rei Saul, do Israel antigo, foi um exemplo disso. No começo, ele queria bem a seu escudeiro, Davi, até mesmo promovendo-o a líder do exército. (1 Samuel 16:21; 18:5) Então, certo dia, o Rei Saul ouviu mulheres louvando a Davi com as palavras: “Saul golpeou os seus milhares, e Davi as suas dezenas de milhares.” (1 Samuel 18:7) Saul não devia ter permitido que isso afetasse seu bom relacionamento com Davi. Mas ele se ofendeu. “Daquele dia em diante Saul olhava continuamente com suspeita para Davi.” — 1 Samuel 18:9.
Quem é ciumento talvez não deseje o mal para outra pessoa. Talvez apenas se ressinta do êxito dum companheiro, e almeje ter as mesmas qualidades ou estar na mesma situação. Por outro lado, a inveja é uma forma especialmente negativa de ciúme. O invejoso talvez negue secretamente algo de bom àquele que lhe causa ciúme, ou talvez deseje que lhe sobrevenha algum mal. Às vezes, o invejoso não consegue esconder seus sentimentos. Pode sentir-se impelido a prejudicar abertamente o outro, assim como o Rei Saul, que tentou assassinar a Davi. Em mais de uma ocasião, Saul arremessou uma lança, na tentativa de “cravar Davi na parede”. — 1 Samuel 18:11; 19:10.
Talvez diga: ‘Mas eu não sou uma pessoa ciumenta.’ É verdade que o ciúme talvez não controle a sua vida. Até certo ponto, porém, todos nós somos afetados pelo ciúme — tanto o ciúme de nossa parte como o ciúme por parte de outros. Embora notemos prontamente o ciúme nos outros, talvez não o enxerguemos tão prontamente em nós mesmos.
“A tendência de invejar”
O registro da natureza pecaminosa do homem, conforme revelado na Palavra de Deus, a Bíblia, com freqüência destaca pecados de inveja. Lembra-se do relato sobre Caim e Abel? Esses dois filhos de Adão e Eva ofereceram sacrifícios a Deus. Abel o fez por ser homem de fé. (Hebreus 11:4) Ele tinha fé na capacidade de Deus cumprir Seu grandioso propósito com respeito à Terra. (Gênesis 1:28; 3:15; Hebreus 11:1) Abel acreditava também que Deus recompensaria humanos fiéis com vida no vindouro Paraíso terrestre. (Hebreus 11:6) Por isso, Deus mostrou que tinha prazer no sacrifício de Abel. Se Caim realmente amasse seu irmão, teria ficado feliz por Deus ter abençoado Abel. Em vez disso, “acendeu-se muito a ira de Caim”. — Gênesis 4:5.
Deus exortou Caim a fazer o bem, para que também pudesse receber uma bênção. Então, Deus advertiu: “Se não te voltares para fazer o bem, há o pecado agachado à entrada e tem desejo ardente de ti; e conseguirás tu dominá-lo?” (Gênesis 4:7) Lamentavelmente, Caim não conseguiu dominar sua ira ciumenta. Ela o levou a matar seu irmão justo. (1 João 3:12) Desde então, lutas e guerras têm ceifado centenas de milhões de vidas. “Algumas causas básicas das guerras são o desejo de mais terras, de mais riquezas, de mais poder, ou então o de segurança”, explica a Enciclopédia Delta Universal.
Os verdadeiros cristãos não participam nas guerras do mundo. (João 17:16) Lamentavelmente, porém, alguns cristãos às vezes se envolvem em altercações. Quando outros membros da congregação tomam partido, essas altercações podem transformar-se em prejudiciais “guerras” verbais. “Donde procedem as guerras e donde vêm as lutas entre vós?”, perguntou o escritor bíblico Tiago a concrentes. (Tiago 4:1) Ele respondeu a esta pergunta expondo a ganância materialista deles e acrescentou: “Prosseguis . . . cobiçando”, ou sendo “ciumentos”. (Tiago 4:2, nota) Deveras, o materialismo pode levar alguém a cobiçar e a ter ciúme dos que parecem estar em melhor situação. Por isso, Tiago advertiu contra “a tendência de invejar”, dos humanos. — Tiago 4:5.
Que proveito tiramos de analisar as causas do ciúme? Isso pode ajudar-nos a fazer um auto-exame e a promover um relacionamento melhor com os outros. Pode também ajudar-nos a ser mais compreensivos, tolerantes e perdoadores. O mais importante é que torna clara a necessidade desesperada que o homem tem da amorosa provisão de Deus, de salvá-lo e resgatá-lo das pecaminosas tendências humanas. — Romanos 7:24, 25.
Um mundo sem ciúme
Do ponto de vista humano, pode parecer impossível haver um mundo sem ciúme. O autor Rom Landau admitiu: “A sabedoria acumulada através de muitas eras, com tudo o que os filósofos . . . e os psicólogos têm dito sobre o assunto, não fornece nenhuma orientação ao homem atormentado pelo ciúme. . . . Será que já houve um médico que tenha curado um homem do ciúme?”
Mas a Palavra de Deus oferece a esperança de vida humana perfeita num novo mundo, em que ninguém mais será afligido pelo ciúme ou pela inveja, que não são qualidades divinas. Além disso, a paz desse novo mundo não será desfeita por pessoas que demonstrem essas características más. — Gálatas 5:19-21; 2 Pedro 3:13.
Embora o ciúme seja impróprio e prejudicial, o zelo não é. De fato, quando a Bíblia diz que Jeová “é um Deus ciumento”, ela usa uma palavra hebraica que pode ser traduzida tanto por “ciúme” como por “zelo”. (Êxodo 34:14) O que significa isso? O que a Bíblia diz sobre o zelo? E como a pessoa pode dominar o ciúme? Veja os artigos que se seguem.
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O ciúme quase arruinou minha vidaA Sentinela — 1995 | 15 de setembro
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O ciúme quase arruinou minha vida
O CIÚME passou a afetar-me seriamente quando me casei com o meu segundo marido, Marcos.a Nós dois tínhamos de cuidar de vários enteados e ter tratos com nossos ex-cônjuges. Às vezes, a situação era insuportável. Sempre que havia um confronto na família, parecia que Marcos não tomava o meu lado. Passei a achar que ele ainda amava sua ex-esposa. Em vez de controlar meu ciúme, permiti que tomasse conta da minha vida. Sentia-me ameaçada toda vez que a ex-esposa de Marcos estava por perto.
Eu vigiava constantemente o Marcos, observando até mesmo seus olhos para ver o que estava olhando. Atribuía aos seus olhares coisas que nem passavam pela imaginação dele. Às vezes, eu o acusava abertamente de ainda estar apaixonado por sua ex-esposa. Numa ocasião, ele ficou tão aflito com isso que se levantou e se retirou de uma assembléia cristã. Senti-me culpada perante Jeová. Eu tornava muito infeliz a vida da minha família, porque, no fim das contas, isto afetava também os filhos. Odiava a mim mesma pelo que estava fazendo, mas, não importava quanto eu tentasse, simplesmente não conseguia controlar meu ciúme.
Em vez de me ajudar, Marcos começou a retaliar. Quando eu o acusava, ele gritava: “Você está com ciúmes; você é uma ciumenta.” Até parecia que fazia questão de provocar ciúme em mim. Talvez pensasse que isto acabaria com o meu ciúme, mas só piorava as coisas. Ele começou a olhar para outras mulheres, fazendo comentários sobre como elas eram bonitas. Isto me fazia sentir ainda pior e indesejável. Chegou a ponto de começar a surgir outra emoção pior — o ódio. Neste ponto, fiquei tão confusa que simplesmente queria que ele e sua família sumissem da minha vida.
Quando a Bíblia diz que “o ciúme é podridão para os ossos”, é isso mesmo. (Provérbios 14:30) Isso começou então a afetar minha saúde. Fiquei com úlceras gástricas, que levaram muito tempo para sarar. Continuei a tornar minha vida muito infeliz por suspeitar de tudo o que Marcos fazia. Eu vasculhava seus bolsos e, quando encontrava um número de telefone, ligava para ver quem atendia. Bem no íntimo, sentia-me tão envergonhada que chorava de vergonha diante de Jeová. Mesmo assim, não conseguia parar. Eu era meu pior inimigo.
Minha espiritualidade deteriorou tanto que não conseguia mais orar. Eu amava a Jeová e realmente queria fazer o que é direito. Conhecia todos os textos sobre o relacionamento entre marido e mulher, mas não conseguia aplicá-los. Pela primeira vez na minha vida, não queria mais viver, apesar de ter filhos maravilhosos.
Os anciãos na congregação cristã eram muito encorajadores e faziam o máximo para me ajudar. Mas, quando tocavam no assunto do meu ciúme, eu o negava por sentir-me embaraçada, não querendo admitir que tivesse esse problema.
Por fim, minha saúde piorou tanto que tive de ir ao hospital para submeter-me a uma cirurgia. Enquanto ali, dei-me conta de que a vida não podia continuar assim. Marcos e eu decidimos separar-nos por uns três meses, para examinar nossa situação sem muito envolvimento emocional. Durante este tempo, aconteceu algo maravilhoso. A revista Despertai! publicou o artigo “Ajuda Para os Filhos Adultos de Alcoólatras”.b
Acontece que minha mãe era alcoólatra. Embora eu não tivesse sofrido abusos físicos, meus pais nunca mostraram afeto um pelo outro nem por mim. Não me lembro de minha mãe ter-me segurado nos braços ou de ter ouvido dela alguma palavra de afeto. De modo que cresci sem realmente aprender a amar ou, o que é igualmente importante, a ser amada.
Minha mãe sempre me contava os casos de meu pai e que ela não podia confiar nele. Assim, acho que cresci sem confiar nos homens em geral. Por causa do modo como fui criada, sempre me sentia inferior aos outros, especialmente a outras mulheres. Aquele artigo de Despertai! ajudou-me a compreender a importância dessas coisas. Pela primeira vez, compreendi a raiz do meu problema com o ciúme.
Mostrei o artigo de Despertai! a meu marido, Marcos, e isto também o ajudou a me compreender melhor. Logo ambos pudemos seguir o conselho bíblico dado a casais que pensam em separar-se. Reconciliamo-nos. (1 Coríntios 7:10, 11) Agora, nosso casamento está melhor do que nunca. Fazemos a maioria das coisas juntos, em especial as atividades cristãs. Marcos mostra mais empatia. Quase todos os dias ele me diz quanto me ama, e eu agora realmente acredito nisso.
Quando fico sabendo que iremos entrar em contato com a ex-esposa de Marcos, oro a Jeová pedindo força, para que me ajude a me comportar como cristã madura. E funciona. Até meus sentimentos de animosidade para com ela estão desaparecendo. Não mais fico remoendo pensamentos negativos, nem dou asas à imaginação.
Às vezes ainda tenho sentimentos impróprios de ciúme. Somente a vida perfeita no novo mundo de Deus os eliminará completamente. No ínterim, aprendi a controlar o ciúme, em vez de deixar que ele me controle. Deveras, o ciúme quase arruinou minha vida, mas, graças a Jeová e à sua organização, sou agora uma pessoa muito mais feliz, e minha saúde voltou ao normal. Tenho novamente uma relação forte com meu Deus, Jeová. — Contribuído.
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O invejosoA Sentinela — 1995 | 15 de setembro
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O invejoso
A LÍNGUA hebraica tem apenas um radical para “ciúme” e “zelo”. Referindo-se a humanos pecadores, certas palavras hebraicas com esta derivação podem ser traduzidas “inveja” ou “rivalidade”. (Gênesis 26:14; Eclesiastes 4:4) A língua grega, porém, tem mais de uma palavra para “ciúme”. A palavra zé·los, assim como a sua equivalente hebraica, pode referir-se tanto ao ciúme próprio (zelo pelo que é certo) como ao ciúme impróprio (característica da pecaminosidade). Outra palavra grega, fthó·nos, tem um sentido puramente negativo. Na Tradução do Novo Mundo, ela é sempre traduzida “inveja”.
Como a palavra fthó·nos era usada no grego antigo? The Anchor Bible Dictionary declara: “Dessemelhante do homem ganancioso, o homem afligido por fthonos não necessariamente quer os bens que uma outra pessoa possui, fato que lhe causa despeito; ele simplesmente não quer que essa pessoa os possua. Ele difere do homem competitivo no sentido de que seu objetivo, dessemelhante daquele do homem competitivo, não é vencer, mas impedir que outros vençam.”
O invejoso muitas vezes nem se dá conta de que sua própria atitude é a causa principal dos seus problemas. “Uma das particularidades de fthonos”, explica o mesmo dicionário, “é a falta de conhecimento de si próprio. O homem fthoneros, quando exortado a justificar sua conduta, dirá sempre a si mesmo e aos outros que as pessoas a quem ele ataca merecem isso e que a situação injusta é que o induz a criticar. Quando lhe perguntam como ele consegue falar dum amigo desse jeito, ele diz que sua crítica visa os melhores interesses do amigo”.
Mateus e Marcos, escritores de Evangelhos, usam a palavra grega fthó·nos para descrever a motivação dos responsáveis pelo assassinato de Jesus. (Mateus 27:18; Marcos 15:10) Sim, estes foram induzidos pela inveja. A mesma emoção prejudicial faz com que os apóstatas se tornem ferrenhos odiadores dos que antes eram seus irmãos. (1 Timóteo 6:3-5) Não é de admirar que homens invejosos sejam impedidos de entrar no Reino de Deus! Jeová Deus decretou que todos os que continuam a estar “cheios de inveja . . . merecem a morte”. — Romanos 1:29, 32; Gálatas 5:21.
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Zelosos pela adoração pura de JeováA Sentinela — 1995 | 15 de setembro
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Zelosos pela adoração pura de Jeová
“Jeová, cujo nome é Ciumento, é um Deus ciumento.” — ÊXODO 34:14.
1. Qual é a qualidade predominante de Deus, e que relação há entre essa qualidade e o seu ciúme?
JEOVÁ chama a si mesmo de “Deus ciumento”. Talvez se pergunte por que, visto que a palavra “ciúme” tem conotações negativas. Naturalmente, a qualidade predominante de Deus é o amor. (1 João 4:8) Quaisquer sentimentos de ciúme da sua parte, portanto, devem ser para o bem da humanidade. De fato, veremos que o ciúme de Deus é vital para a paz e a harmonia do Universo.
2. Quais são algumas das formas de traduzir as palavras hebraicas para “ciúme”?
2 As palavras hebraicas aparentadas para “ciúme” ocorrem mais de 80 vezes nas Escrituras Hebraicas. Quase metade destas referências tem a ver com Jeová Deus. “Quando aplicado a Deus”, explica G. H. Livingston, “o conceito de ciúme não tem o sentido de emoção deturpada, mas de insistência na exclusividade da adoração de Jeová”. (The Pentateuch in Its Cultural Environment [O Pentateuco na sua Ambiência Cultural]) Portanto, a Tradução do Novo Mundo às vezes traduz o substantivo hebraico por “insistência em devoção exclusiva”. (Ezequiel 5:13) Outras traduções apropriadas são “fervor” ou “zelo”. — Salmo 79:5; Isaías 9:7.
3. Em que sentidos o ciúme às vezes tem uma finalidade boa?
3 O homem foi criado com a capacidade de ter ciúme, mas a queda da humanidade no pecado resultou numa distorção do ciúme. Não obstante, o ciúme humano pode ser uma força a favor do bem. Pode induzir a pessoa a proteger um ente querido contra más influências. Além disso, os humanos podem mostrar corretamente um tipo de ciúme de Jeová e Sua adoração. (1 Reis 19:10) Para se transmitir o sentido correto de tal ciúme de Jeová, o substantivo hebraico pode ser traduzido ‘não tolerar rivalidade para com Jeová’. — 2 Reis 10:16.
O bezerro de ouro
4. Que ordem, que envolvia o ciúme próprio, se destacava na Lei de Deus para Israel?
4 Um exemplo de ciúme próprio é o que aconteceu depois de os israelitas terem recebido a Lei no monte Sinai. Haviam sido repetidas vezes advertidos de não adorar deuses feitos por homens. Jeová dissera-lhes: “Eu, Jeová, teu Deus, sou um Deus que exige devoção exclusiva [ou: “um Deus ciumento (zeloso); um Deus que não tolera rivalidade”].” (Êxodo 20:5, nota; compare isso com Êxodo 20:22, 23; 22:20; 23:13, 24, 32, 33.) Jeová fez um pacto com os israelitas, prometendo abençoá-los e levá-los à Terra Prometida. (Êxodo 23:22, 31) E o povo disse: “Tudo o que Jeová falou estamos dispostos a fazer e a ser obedientes.” — Êxodo 24:7.
5, 6. (a) Que pecado grave os israelitas cometeram enquanto estavam acampados no monte Sinai? (b) Como Jeová e seus adoradores leais mostraram zelo pela adoração pura no Sinai?
5 No entanto, pouco depois, os israelitas pecaram contra Deus. Ainda estavam acampados ao sopé do monte Sinai. Moisés estava havia muitos dias no monte, recebendo instruções adicionais de Deus, e o povo pressionava o irmão de Moisés, Arão, a fazer-lhes um deus. Arão cedeu e fez um bezerro com o ouro que o povo forneceu. Afirmaram que este ídolo representava a Jeová. (Salmo 106:20) No dia seguinte, ofereceram sacrifícios e persistiram “em curvar-se diante dele”. Depois passaram a “se divertir”. — Êxodo 32:1, 4, 6, 8, 17-19.
6 Moisés desceu do monte enquanto os israelitas celebravam. Vendo a conduta vergonhosa deles, exclamou: “Quem está do lado de Jeová?” (Êxodo 32:25, 26) Os filhos de Levi juntaram-se a Moisés, e ele mandou que tomassem espadas e executassem os foliões idólatras. Os levitas, demonstrando zelo pela adoração pura de Deus, mataram cerca de 3.000 dos seus irmãos culpados. Jeová reforçou esta ação por enviar uma praga sobre os sobreviventes. (Êxodo 32:28, 35) Depois, Deus repetiu a ordem: “Não deves prostrar-te diante de qualquer outro deus, porque Jeová, cujo nome é Ciumento, é um Deus ciumento.” — Êxodo 34:14.
Baal de Peor
7, 8. (a) Como se envolveram muitos israelitas em grave idolatria relacionada com Baal de Peor? (b) Como veio a ter fim o flagelo da parte de Jeová?
7 Quarenta anos mais tarde, quando a nação de Israel estava prestes a entrar na Terra Prometida, lindas mulheres moabitas e midianitas engodaram muitos israelitas a se chegar e a usufruir sua hospitalidade. Esses homens deviam ter rejeitado a associação íntima com adoradoras de deuses falsos. (Êxodo 34:12, 15) Em vez disso, correram como ‘touros para o abate’, cometendo fornicação com as mulheres e juntando-se a elas em se curvar diante de Baal de Peor. — Provérbios 7:21, 22; Números 25:1-3.
8 Jeová enviou um flagelo para matar os que se envolveram nesta vergonhosa adoração do sexo. Deus ordenou também que os israelitas inocentes matassem seus irmãos culpados. Em flagrante desafio, um maioral de Israel, de nome Zinri, levou uma princesa midianita à sua tenda, para ter relações sexuais com ela. Notando isso, o sacerdote Finéias, temente a Deus, executou o casal imoral. Com isto, o flagelo cessou, e Deus declarou: “Pinhás [Finéias] . . . afastou meu furor dos filhos de Israel, mostrando-se, no meio deles, ciumento no meu lugar. Por isso não exterminei os filhos de Israel sob os golpes do meu ciúme.” (Números 25:11, Bíblia — Tradução Ecumênica) Embora a nação fosse poupada da destruição, pelo menos 23.000 israelitas morreram. (1 Coríntios 10:8) Não alcançaram a esperança muito anelada de entrar na Terra Prometida.
Lição de advertência
9. O que sobreveio ao povo de Israel e de Judá por não ter zelo pela adoração pura de Jeová?
9 Lamentavelmente, os israelitas logo se esqueceram dessas lições. Não tiveram zelo pela adoração pura de Jeová. “Persistiram em [incitar a Deus] ao ciúme [“zelo”, Almeida] com as suas imagens entalhadas.” (Salmo 78:58) Em resultado disso, Jeová permitiu que dez tribos de Israel fossem levadas cativas pelos assírios, em 740 AEC. O remanescente reino de Judá, de duas tribos, sofreu uma punição similar quando sua capital, Jerusalém, foi destruída no ano 607 AEC. Muitos foram mortos, e os sobreviventes foram levados cativos a Babilônia. Que exemplo de advertência para todos os cristãos hoje em dia! — 1 Coríntios 10:6, 11.
10. O que acontecerá aos idólatras impenitentes?
10 Um terço da população da Terra hoje — cerca de 1.900.000.000 — professa ser cristãos. (1994 Britannica Book of the Year) A maioria pertence a igrejas que usam ícones, imagens e cruzes na adoração. Jeová não poupou os do seu próprio povo quando o incitaram ao ciúme com a idolatria. Tampouco poupará os professos cristãos que praticam a adoração com a ajuda de objetos materiais. “Deus é Espírito, e os que o adoram têm de adorá-lo com espírito e verdade”, disse Jesus Cristo. (João 4:24) Além disso, a Bíblia adverte os cristãos contra a idolatria. (1 João 5:21) Os idólatras impenitentes estão entre os que não herdarão o Reino de Deus. — Gálatas 5:20, 21.
11. Como poderia o cristão tornar-se culpado de idolatria sem se curvar diante dum ídolo, e o que o ajudará a afastar-se desse tipo de idolatria? (Efésios 5:5)
11 Embora o verdadeiro cristão nunca se curve diante dum ídolo, precisa afastar-se de tudo o que Deus encara como idólatra, impuro e pecaminoso. Por exemplo, a Bíblia adverte: “Amortecei . . . os membros do vosso corpo que estão na terra, com respeito a fornicação, impureza, apetite sexual, desejo nocivo e cobiça, que é idolatria. Por causa destas coisas é que vem o furor de Deus.” (Colossenses 3:5, 6) Obedecer a estas palavras exige que se rejeite o comportamento imoral. Isto requer que se evitem diversões destinadas a despertar apetites sexuais impuros. Em vez de satisfazerem tal apetite, os verdadeiros cristãos têm zelo pela adoração pura de Deus.
Exemplos posteriores de zelo pela adoração de Deus
12, 13. Que exemplo notável deu Jesus de zelo pela adoração pura de Jeová?
12 O exemplo mais notável de um homem que mostrou zelo pela adoração pura de Deus foi Jesus Cristo. No primeiro ano do seu ministério, ele notou que comerciantes gananciosos estavam atuando nos pátios do templo. Judeus visitantes talvez precisassem dos serviços de cambistas, para trocar moedas estrangeiras em moeda aceitável como imposto do templo. Precisavam também comprar animais e aves para oferecer os sacrifícios prescritos pela Lei de Deus. Essas transações comerciais deviam ser realizadas fora dos pátios do templo. Pior ainda, os comerciantes evidentemente se aproveitavam das necessidades religiosas dos seus irmãos por cobrar preços exorbitantes. Imbuído de zelo pela adoração pura de Deus, Jesus usou um chicote para expulsar as ovelhas e o gado. Derrubou também as mesas dos cambistas, dizendo: “Parai de fazer da casa de meu Pai uma casa de comércio!” (João 2:14-16) Jesus cumpriu assim as palavras do Salmo 69:9: “Consumiu-me o puro zelo [ou: “ciúme”, Byington] pela tua casa.”
13 Três anos mais tarde, Jesus mais uma vez viu comerciantes gananciosos fazendo transações comerciais no templo de Jeová. Iria limpá-lo uma segunda vez? Seu zelo pela adoração pura de Deus era tão forte então como foi ao iniciar seu ministério. Expulsou tanto os vendedores como os compradores. E apresentou um motivo ainda mais forte para a sua ação, dizendo: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações’? Mas vós fizestes dela um covil de salteadores.” (Marcos 11:17) Que maravilhoso exemplo de persistência em mostrar zelo pela adoração de Deus!
14. Como o zelo de Jesus pela adoração pura nos deve afetar?
14 A personalidade do agora glorificado Senhor Jesus Cristo não mudou. (Hebreus 13:8) Neste século 20, ele é tão zeloso pela adoração pura de seu Pai como foi quando esteve na Terra. Isto se pode ver nas mensagens de Jesus às sete congregações, registradas no livro de Revelação (Apocalipse). Elas têm aplicação principalmente agora, “no dia do Senhor”. (Revelação 1:10; 2:1-3:22) O apóstolo João observou em visão o glorificado Jesus Cristo com “olhos como chama ardente”. (Revelação 1:14) Isto indica que nada deixa de ser notado por Cristo, ao passo que inspeciona as congregações para certificar-se de que continuem puras e aptas para o serviço de Jeová. Os atuais cristãos precisam lembrar-se da advertência de Jesus, de não tentar servir a dois amos — a Deus e às riquezas. (Mateus 6:24) Jesus disse a membros materialistas da congregação laodicense: “Porque és morno, e não és nem quente nem frio, vou vomitar-te da minha boca. . . . Sê zeloso e arrepende-te.” (Revelação 3:14-19) Os anciãos designados da congregação devem ajudar os concrentes, por palavras e exemplos, a não cair na armadilha do materialismo. Os anciãos precisam também proteger o rebanho contra a corrupção moral deste mundo voltado para o sexo. E o povo de Deus não pode nunca tolerar uma influência tipo Jezabel na congregação. — Hebreus 12:14, 15; Revelação 2:20.
15. Como o apóstolo Paulo imitou a Jesus em mostrar zelo pela adoração de Jeová?
15 O apóstolo Paulo foi imitador de Cristo. Para proteger cristãos recém-batizados contra influências espiritualmente nocivas, ele disse: “Estou ciumento de vós com ciúme piedoso.” (2 Coríntios 11:2) Anteriormente, o zelo pela adoração pura induzira Paulo a mandar que a mesma congregação desassociasse um fornicador impenitente, que era uma influência contaminadora. As instruções inspiradas, dadas naquela ocasião, são de muita ajuda para os anciãos hoje em dia, ao passo que eles se esforçam a manter limpas as mais de 75.500 congregações das Testemunhas de Jeová. — 1 Coríntios 5:1, 9-13.
O zelo de Jeová beneficia seu povo
16, 17. (a) Quando Deus puniu o Judá antigo, qual foi a atitude das outras nações? (b) Depois dos 70 anos de cativeiro de Judá, como Jeová demonstrou seu zelo por Jerusalém?
16 O povo de Judá foi alvo de zombaria quando Deus os puniu, permitindo que fossem levados cativos a Babilônia. (Salmo 137:3) Os edomitas, num ódio ciumento, até mesmo ajudaram os babilônios a causar calamidade ao povo de Deus, e Jeová reparou isso. (Ezequiel 35:11; 36:15) No cativeiro, os sobreviventes se arrependeram, e, depois de 70 anos, Jeová os restabeleceu na terra deles.
17 No começo, o povo de Judá estava em desesperados apuros. A cidade de Jerusalém e seu templo jaziam em ruínas. Mas as nações circunvizinhas se opunham a todos os esforços de reconstruir o templo. (Esdras 4:4, 23, 24) O que Jeová achou disso? O registro inspirado declara: “Assim disse Jeová dos exércitos: ‘Com grande ciúme fui ciumento [“com grande zelo estou zelando”, Almeida] de Jerusalém e de Sião. Com grande indignação estou indignado contra as nações despreocupadas; pois eu, da minha parte, indignei-me um pouco, mas elas, da sua parte, ajudaram à calamidade.’ Portanto, assim disse Jeová: ‘Certamente retornarei a Jerusalém com misericórdias. Minha própria casa será construída nela’, é a pronunciação de Jeová dos exércitos.” (Zacarias 1:14-16) Fiel à sua promessa, o templo e a cidade de Jerusalém foram reconstruídos com êxito.
18. Pelo que os verdadeiros cristãos passaram durante a Primeira Guerra Mundial?
18 A verdadeira congregação cristã passou por algo similar neste século 20. Durante a Primeira Guerra Mundial, Jeová disciplinou seu povo, porque este não ficara estritamente neutro naquele conflito mundial. (João 17:16) Deus permitiu que os poderes políticos oprimissem os do seu povo, e os clérigos da cristandade se alegraram com esta calamidade. Na realidade, os clérigos tomaram a dianteira em induzir os elementos políticos a proscrever a obra dos Estudantes da Bíblia, como as Testemunhas de Jeová então se chamavam. — Revelação 11:7, 10.
19. Como Jeová tem mostrado zelo pela Sua adoração desde 1919?
19 No entanto, Jeová teve zelo pela sua adoração e restabeleceu seu povo arrependido no seu favor, no ano de após-guerra de 1919. (Revelação 11:11, 12) Em resultado disso, o número de louvadores de Jeová tem aumentado, e passou de menos de 4.000, em 1918, para cerca de 5 milhões hoje em dia. (Isaías 60:22) Dentro em breve, o zelo de Jeová pela sua adoração pura se manifestará de forma mais dramática.
Atos futuros de zelo divino
20. O que Deus fará em breve para mostrar seu zelo pela adoração pura?
20 Durante séculos, as igrejas da cristandade têm seguido o proceder dos judeus apóstatas, que fizeram com que Jeová expressasse seu zelo pela adoração pura. (Ezequiel 8:3, 17, 18) Dentro em breve, Jeová Deus agirá por colocar um pensamento drástico no coração de membros das Nações Unidas. Isso induzirá esses poderes políticos a desolar a cristandade e as demais religiões falsas. (Revelação 17:16, 17) Os verdadeiros adoradores sobreviverão a esta terrível execução da sentença divina. Corresponderão às palavras das criaturas celestiais: “Louvai a Jah! . . . Pois ele executou o julgamento na grande meretriz [a religião falsa] que corrompia a terra com a sua fornicação [seus ensinos falsos e seu apoio à política corrupta], e das mãos dela vingou o sangue dos seus escravos.” — Revelação 19:1, 2.
21. (a) O que Satanás e seu sistema farão depois da destruição da religião falsa? (b) Como Deus reagirá?
21 O que acontecerá depois da destruição do império mundial da religião falsa? Satanás incitará os poderes políticos a armar um ataque global contra o povo de Jeová. Como reagirá o verdadeiro Deus a esta tentativa de Satanás, de eliminar a adoração pura da face da Terra? Ezequiel 38:19-23 nos diz: “[Eu, Jeová,] terei de falar no meu fervor [ou: zelo], no fogo da minha fúria. . . . E vou pôr-me em julgamento contra ele [Satanás], com peste e com sangue; e farei cair um aguaceiro inundante e pedras de saraiva, fogo e enxofre sobre ele, e sobre as suas tropas, e sobre os muitos povos com ele. E eu hei de magnificar-me, e santificar-me, e dar-me a conhecer aos olhos de muitas nações; e terão de saber que eu sou Jeová.” — Veja também Sofonias 1:18; 3:8.
22. Como podemos mostrar que temos zelo pela adoração pura de Jeová?
22 Como é consolador saber que o Soberano do Universo cuida com zelo dos seus verdadeiros adoradores! Sejamos zelosos pela adoração pura de Jeová Deus, em profundo apreço pela sua benignidade imerecida. Continuemos com dedicação a pregar as boas novas e a aguardar com confiança o grande dia em que Jeová magnificará e santificará seu grandioso nome. — Mateus 24:14.
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Zelosos pela adoração pura de JeováA Sentinela — 1995 | 15 de setembro
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[Quadro na página 12]
O amor não é ciumento
O ERUDITO bíblico Albert Barnes, do século 19, escreveu a respeito da inveja: “É uma das manifestações mais comuns de iniqüidade e mostra claramente a profunda depravação do homem.” Disse ainda: “Quem remontasse à origem de todas as guerras, e contendas, e planos do mundo — todas as tramas e objetivos, mesmo de professos cristãos, que contribuem tanto para macular sua religião e dar-lhes uma mentalidade mundana — ficaria surpreso de descobrir quanto a inveja teve parte nisso. Dói-nos ver pessoas mais prósperas do que nós; queremos ter aquilo que os outros possuem, embora não tenhamos direito de fazer isso; e isso leva a diversas atuações culpáveis, usadas para diminuir o usufruto que eles têm dessas coisas, ou para nós mesmos as obtermos, ou para mostrar que eles não possuem tanto quanto se supõem que tenham. . . . porque assim se agradará o espírito de inveja no nosso íntimo.” — Romanos 1:29; Tiago 4:5.
Em contraste, Barnes fez uma declaração interessante a respeito do amor, que “não é invejoso”. (1 Coríntios 13:4, Imprensa Bíblica Brasileira) Ele escreveu: “O amor não inveja a felicidade que os outros têm, deleita-se com o bem-estar deles; e, ao passo que a felicidade deles é aumentada . . ., os que são influenciados pelo amor . . . não a diminuiriam; não os embaraçariam por terem essas posses; não minariam essa felicidade; não murmurariam, nem se lamentariam por não ser tão altamente favorecidos. . . . Se amássemos os outros — se nos alegrássemos com a sua felicidade, não os invejaríamos.”
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O amor vence o ciúmeA Sentinela — 1995 | 15 de setembro
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O amor vence o ciúme
“O amor não é ciumento.” — 1 CORÍNTIOS 13:4.
1, 2. (a) O que Jesus disse aos discípulos a respeito do amor? (b) Que relação há entre o amor e o ciúme, tanto no sentido positivo como no sentido negativo, e por que responde assim?
O AMOR é sinal identificador do verdadeiro cristianismo. “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós”, disse Jesus Cristo. (João 13:35) O apóstolo Paulo foi inspirado a explicar que o amor deve influir no relacionamento entre cristãos. Entre outras coisas, ele escreveu: “O amor não é ciumento.” — 1 Coríntios 13:4.
2 Quando Paulo escreveu essas palavras, ele frisava quanto o ciúme é impróprio. Usando o sentido positivo da mesma palavra grega, mais tarde ele escreveu à mesma congregação: “Estou ciumento de vós com ciúme piedoso.” (2 Coríntios 11:2) Seu “ciúme piedoso” foi despertado por causa de homens que eram uma influência corrompedora na congregação. Isto induziu Paulo a escrever aos cristãos coríntios uma segunda carta inspirada, com muitos conselhos amorosos. — 2 Coríntios 11:3-5.
Ciúme entre cristãos
3. Como surgiu entre os cristãos coríntios um problema que se relacionava com o ciúme?
3 Na sua primeira carta aos coríntios, Paulo teve de tratar dum problema que impedia esses novos cristãos de se dar bem. Eles davam destaque a certos homens, estando “enfunados a favor de um contra o outro”. Isto levava a divisões dentro da congregação, dizendo uns e outros: “Eu pertenço a Paulo”, “mas eu a Apolo”, “mas eu a Cefas”. (1 Coríntios 1:12; 4:6) Sob orientação do espírito santo, o apóstolo Paulo chegou à raiz do problema. Os coríntios agiam como pessoas de mentalidade carnal, não como “homens espirituais”. De modo que Paulo escreveu: “Ainda sois carnais. Porque, considerando que há entre vós ciúme e rixa, não sois carnais e não estais andando como homens?” — 1 Coríntios 3:1-3.
4. Que ilustração Paulo usou para ajudar seus irmãos a ter o conceito correto uns sobre os outros, e que lição aprendemos disso?
4 Paulo ajudou os coríntios a ter o conceito correto dos talentos e das habilidades dos diversos irmãos na congregação. Perguntou: “Quem te faz diferir de outro? Deveras, o que tens que não tenhas recebido? Se, agora, deveras o tens recebido, por que te jactas como se não o tivesses recebido?” (1 Coríntios 4:7) No capítulo 12 de 1 Coríntios, Paulo explicou que os que faziam parte da congregação eram como os diversos membros do corpo humano, tais como a mão, o olho e o ouvido. Salientou que Deus fizera os membros do corpo de modo tal que cuidassem uns dos outros. Paulo escreveu também: “Se um membro é glorificado, todos os outros membros se alegram com ele.” (1 Coríntios 12:26) Todos os servos de Deus hoje devem aplicar este princípio no relacionamento entre si. Em vez de termos ciúme de alguém por causa da sua designação ou das suas realizações no serviço de Deus, devemos alegrar-nos com ele.
5. O que é revelado em Tiago 4:5, e como as Escrituras destacam a veracidade destas palavras?
5 Precisamos admitir que é mais fácil falar do que fazer. Tiago, o escritor bíblico, lembra-nos que todo humano pecaminoso tem “a tendência de invejar”. (Tiago 4:5) A primeira morte humana resultou de Caim ter cedido ao ciúme. Os filisteus perseguiam Isaque por invejar sua crescente prosperidade. Raquel tinha ciúme da sua irmã por esta dar à luz filhos. Os filhos de Jacó tinham ciúme do favor demonstrado a seu irmão mais novo, José. Evidentemente, Miriã tinha ciúme de sua cunhada não-israelita. Corá, Datã e Abirão, invejosos, tramaram uma conspiração contra Moisés e Arão. O Rei Saul ficou com ciúme dos êxitos militares de Davi. Sem dúvida, o ciúme foi também um fator que fez com que os discípulos de Jesus repetidas vezes discutissem quem era o maior entre eles. Acontece que nenhum humano imperfeito está totalmente livre da pecaminosa “tendência de invejar”. — Gênesis 4:4-8; 26:14; 30:1; 37:11; Números 12:1, 2; 16:1-3; Salmo 106:16; 1 Samuel 18:7-9; Mateus 20:21, 24; Marcos 9:33, 34; Lucas 22:24.
Na congregação
6. Como podem os anciãos manter sob controle a tendência de invejar?
6 Todos os cristãos precisam guardar-se da inveja e do ciúme. Isto inclui os corpos de anciãos, designados para cuidar das congregações do povo de Deus. O ancião de mentalidade humilde não procurará ambiciosamente sobressair aos outros. Por outro lado, caso certo ancião tenha habilidades excepcionais como organizador ou como orador, os outros se alegrarão, encarando isso como uma bênção para a congregação. (Romanos 12:15, 16) Outro irmão talvez faça bom progresso, evidenciando que produz os frutos do espírito de Deus na sua vida. Ao considerarem as suas qualificações, os anciãos devem ter cuidado de não exagerar alguma falha menor, a fim de justificar não o recomendarem como servo ministerial ou como ancião. Isto mostraria falta de amor e de razoabilidade.
7. Que problema pode surgir quando um cristão recebe uma designação teocrática?
7 Quando alguém recebe uma designação teocrática ou uma bênção espiritual, os demais na congregação precisam guardar-se da inveja. Por exemplo, uma irmã hábil talvez seja usada mais vezes do que outra para fazer demonstrações nas reuniões cristãs. Isso pode fazer com que algumas irmãs tenham ciúme. É possível que um problema similar tenha existido entre Evódia e Síntique, da congregação filipense. Mulheres assim, hoje em dia, talvez precisem de um encorajamento bondoso dos anciãos para ser humildes e “da mesma mentalidade no Senhor”. — Filipenses 2:2, 3; 4:2, 3.
8. O ciúme pode levar a que atos pecaminosos?
8 Um cristão talvez saiba duma falha, no passado, de alguém que agora é abençoado com privilégios na congregação. (Tiago 3:2) Por ciúme, ele talvez se sinta tentado a contar isso a outros e a questionar a designação de serviço que aquele irmão tem na congregação. Isto contraria o amor, que “cobre uma multidão de pecados”. (1 Pedro 4:8) A conversa ciumenta pode perturbar a paz na congregação. “Se tiverdes ciúme amargo e briga nos vossos corações”, advertiu o discípulo Tiago, “não vos jacteis e não mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce de cima, mas é a terrena, animalesca, demoníaca”. — Tiago 3:14, 15.
Na sua família
9. Como podem os cônjuges controlar o ciúme?
9 Muitos casamentos fracassam por causa do ciúme. Não é amoroso mostrar falta de confiança no cônjuge. (1 Coríntios 13:7) Por outro lado, um dos cônjuges talvez seja insensível ao ciúme do outro. Por exemplo, a esposa talvez tenha ciúme por causa da atenção que o esposo dá a alguém do sexo oposto. Ou o marido talvez fique com ciúme por causa do tempo que a esposa gasta em cuidar dum parente necessitado. Sentindo-se embaraçados com tais sentimentos, os cônjuges talvez não falem deles e mostrem sua frustração dum modo que complica o problema. Em vez disso, o cônjuge que sente ciúme deve comunicar-se e expressar sinceramente os seus sentimentos. O outro cônjuge, por sua vez, precisa mostrar compreensão e reafirmar seu amor. (Efésios 5:28, 29) Ambos talvez tenham de diminuir o ciúme não se colocando em situações que possam causar ciúme no outro. Às vezes, o superintendente cristão precisa ajudar a esposa a compreender que ele está dando atenção limitada e correta a membros do sexo oposto para cumprir com sua responsabilidade de pastor do rebanho de Deus. (Isaías 32:2) Naturalmente, o ancião precisa ter cuidado de nunca dar motivo válido para ciúme. Isto requer que ele use de equilíbrio, certificando-se de gastar tempo em fortalecer os vínculos de seu próprio casamento. — 1 Timóteo 3:5; 5:1, 2.
10. Como podem os pais ajudar os filhos a lidar com o ciúme?
10 Também os pais precisam ajudar os filhos a compreender o que é o ciúme. As crianças muitas vezes se envolvem em discussões que se transformam em brigas. A causa básica disso freqüentemente é o ciúme. Visto que as necessidades de cada criança são peculiares, não se pode tratar todas de forma idêntica. Além disso, as crianças precisam compreender que cada uma delas tem forças e fraquezas diferentes. Quando sempre se incentiva uma criança a sair-se tão bem como outra, isto pode gerar inveja em uma e orgulho na outra. Por isso, os pais devem treinar os filhos para medir seu progresso por considerar os exemplos na Palavra de Deus, não por competir um com o outro. A Bíblia diz: “Não fiquemos egotistas, atiçando competição entre uns e outros, invejando-nos uns aos outros.” Em vez disso, “prove cada um quais são as suas próprias obras, e então terá causa para exultação, apenas com respeito a si próprio e não em comparação com outra pessoa”. (Gálatas 5:26; 6:4) O que é de máxima importância é que os pais ajudem os filhos por meio dum estudo bíblico regular, salientando os exemplos bons e os exemplos maus contidos na Palavra de Deus. — 2 Timóteo 3:15.
Exemplos de como dominar o ciúme
11. Que exemplo excelente deu Moisés em controlar o ciúme?
11 Dessemelhante dos líderes deste mundo, ávidos de poder, “Moisés era em muito o mais manso de todos os homens na superfície do solo”. (Números 12:3) Quando ficou pesado demais para Moisés liderar sozinho os israelitas, Jeová fez Seu espírito operar em mais 70 israelitas, habilitando-os a ajudar Moisés. Quando dois destes homens começaram a comportar-se como profetas, Josué achou que isso refletia de forma imprópria na liderança de Moisés. Josué quis refrear esses homens, mas Moisés arrazoou de modo humilde: “Tens ciúmes em meu lugar? Não; quisera eu que todo o povo de Jeová fosse profeta, porque Jeová poria seu espírito sobre eles!” (Números 11:29) Sim, Moisés sentia-se feliz quando outros recebiam privilégios de serviço. Não queria, de modo ciumento, ter a glória para si.
12. O que habilitou Jonatã a não ter ciúme?
12 Um belo exemplo de como o amor prevalece sobre o ciúme foi dado por Jonatã, filho do rei israelita Saul. Jonatã era o herdeiro direto do trono de seu pai, mas Jeová escolhera a Davi, filho de Jessé, como próximo rei. Muitos na situação de Jonatã teriam tido ciúme de Davi, encarando-o como rival. O amor que Jonatã tinha a Davi, porém, impediu que tal sentimento o dominasse. Davi, ao saber da morte de Jonatã, disse: “Estou aflito por ti, meu irmão Jonatã, Tu me eras muito agradável. Teu amor a mim era mais maravilhoso do que o amor das mulheres.” — 2 Samuel 1:26.
Os exemplos mais notáveis
13. Quem é o maior exemplo na questão do ciúme, e por quê?
13 Jeová Deus é o exemplo mais notável de quem controla até mesmo o ciúme correto. Ele controla perfeitamente tais sentimentos. Toda forte manifestação de ciúme divino está sempre em harmonia com o amor, a justiça e a sabedoria de Deus. — Isaías 42:13, 14.
14. Que exemplo deu Jesus, em contraste com Satanás?
14 O outro exemplo notável disso é o Filho amado de Deus, Jesus Cristo. “Embora existisse em forma de Deus”, Jesus “não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus”. (Filipenses 2:6) Que nítido contraste com o proceder adotado pelo ambicioso anjo que se tornou Satanás, o Diabo! Igual ao “rei de Babilônia”, Satanás, com ciúme, desejou ‘assemelhar-se ao Altíssimo’ por se arvorar em deus rival, em oposição a Jeová. (Isaías 14:4, 14; 2 Coríntios 4:4) Satanás tentou até mesmo fazer Jesus ‘prostrar-se e lhe fazer um ato de adoração’. (Mateus 4:9) Mas nada podia desviar Jesus do seu proceder humilde de submissão à soberania de Jeová. Jesus, em contraste com Satanás, “se esvaziou e assumiu a forma de escravo, vindo a ser na semelhança dos homens. Mais do que isso, quando se achou na feição de homem, humilhou-se e tornou-se obediente até à morte, sim, morte numa estaca de tortura”. Jesus sustentou a legitimidade do governo de seu Pai, rejeitando totalmente o proceder orgulhoso e ciumento do Diabo. Pela fidelidade de Jesus, “Deus o enalteceu a uma posição superior e lhe deu bondosamente o nome que está acima de todo outro nome, a fim de que, no nome de Jesus, se dobre todo joelho dos no céu, e dos na terra, e dos debaixo do chão, e toda língua reconheça abertamente que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus, o Pai”. — Filipenses 2:7-11.
Domine o ciúme
15. Por que temos de estar atentos a reprimir o ciúme?
15 Dessemelhantes de Deus e de Cristo, os cristãos são imperfeitos. Por serem pecaminosos, ocasionalmente talvez ajam por ciúme. Portanto, em vez de deixarmos que o ciúme nos induza a criticar um concrente por causa de alguma pequena falha ou de um mal imaginário, é importante que meditemos nas seguintes palavras inspiradas: “Não fiques justo demais, nem te mostres excessivamente sábio. Por que devias causar a ti mesmo a desolação?” — Eclesiastes 7:16.
16. Que excelente conselho sobre o zelo pelo que é certo foi dado num número antigo desta revista?
16 Referente ao zelo pelo que é certo, The Watch Tower (A Sentinela) de 15 de março de 1911 acautelou: “Embora devamos ser muito zelosos pela causa do Senhor, devemos certificar-nos de que não se trata dum assunto particular; e devemos ver se estamos ou não sendo ‘intrometidos’. Devemos também ver se é próprio que o assunto seja tratado pelos anciãos e se temos mesmo o dever de informar isso aos anciãos. Todos devemos ter muito zelo pela causa do Senhor e pela obra do Senhor, mas também ter muito cuidado para que esse zelo não seja do tipo amargo . . . em outras palavras, devemos estar bem certos de que não seja ciúme da pessoa, mas zelo pela pessoa, pelos seus interesses e pelo seu bem-estar.” — 1 Pedro 4:15.
17. Do que precisamos para não praticar as coisas que o ciúme leva a pessoa a fazer?
17 Como é que nós, cristãos, podemos deixar de lado o orgulho, o ciúme e a inveja? A solução está em permitir o livre fluxo do espírito santo de Deus em nossa vida. Por exemplo, precisamos orar pedindo o espírito de Deus e ajuda para demonstrar seus bons frutos. (Lucas 11:13) Precisamos assistir às reuniões cristãs, que são iniciadas com oração e têm o espírito e a bênção de Deus. Além disso, precisamos estudar a Bíblia, que foi inspirada por Deus. (2 Timóteo 3:16) E precisamos participar na pregação do Reino, feita com o poder do espírito santo de Jeová. (Atos 1:8) Ajudar a concristãos que se sentem acabrunhados por algum mal que lhes aconteceu é outra maneira de aceitar a boa influência do espírito de Deus. (Isaías 57:15; 1 João 3:15-17) Cumprirmos zelosamente todas essas obrigações cristãs será uma ajuda para nos proteger das coisas que o ciúme leva a pessoa a fazer, pois a Palavra de Deus declara: “Persisti em andar por espírito, e não executareis nenhum desejo carnal.” — Gálatas 5:16.
18. Por que não teremos de lutar para sempre contra o ciúme?
18 O amor é alistado como o primeiro dos frutos do espírito de Deus. (Gálatas 5:22, 23) O amor nos ajuda a controlar as tendências pecaminosas agora. Mas o que dizer do futuro? Milhões de servos de Jeová têm a esperança de viver no vindouro Paraíso terrestre, em que serão elevados à perfeição humana. Naquele novo mundo prevalecerá o amor, e ninguém sucumbirá ao ciúme, porque “a própria criação também será liberta da escravização à corrupção e terá a liberdade gloriosa dos filhos de Deus”. — Romanos 8:21.
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