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  • “Atemorizante poder”
    Achegue-se a Jeová
    • Luz do sol brilhando através das nuvens.

      SEÇÃO 1

      “Atemorizante poder”

      Nesta seção examinaremos relatos bíblicos que atestam o poder de Jeová de criar, destruir, proteger e restaurar. Entender como Jeová Deus, que tem “atemorizante poder”, usa a sua “imensa energia dinâmica” encherá o nosso coração de coragem e esperança. — Isaías 40:26.

  • “Jeová é . . . grande em poder”
    Achegue-se a Jeová
    • Elias numa caverna observando demonstrações do poder de Jeová. Ele vê os efeitos de um vento forte, um terremoto e um fogo.

      CAPÍTULO 4

      “Jeová é . . . grande em poder”

      1, 2. Que coisas espantosas Elias já havia visto, mas que eventos espetaculares presenciou à entrada de uma caverna no monte Horebe?

      ELIAS já havia visto coisas espantosas: corvos lhe trouxeram comida duas vezes por dia, enquanto vivia num esconderijo; dois recipientes supriram farinha e azeite sem nunca esvaziar durante uma fome prolongada; até mesmo fogo caiu do céu em resposta à sua oração. (1 Reis, capítulos 17, 18) Mas Elias nunca havia visto nada como o que se segue.

      2 Abrigado à entrada de uma caverna no monte Horebe, ele presenciou uma série de eventos espetaculares. Primeiro, um vento. Deve ter causado um ruído ensurdecedor, pois, de tão forte, “partia montes e despedaçava rochedos”. Depois houve um terremoto, que liberou forças tremendas confinadas na crosta terrestre. Em seguida, fogo. Enquanto esse ardia, Elias deve ter sentido o sopro de seu calor escaldante. — 1 Reis 19:8-12.

      3. Elias presenciou evidências de que qualidade divina e onde podemos ver evidências dessa mesma qualidade?

      3 Todos esses eventos de naturezas diversas, presenciados por Elias, tiveram algo em comum — eram demonstrações do grande poder de Jeová. Naturalmente, não é preciso ver um milagre para discernir que Deus tem essa qualidade. Ela é óbvia. A Bíblia diz que a criação é prova do “poder eterno e Divindade” de Jeová. (Romanos 1:20) Pense nos clarões e estrondos de uma tempestade, na majestosa precipitação das águas de uma cachoeira, na estonteante vastidão de um céu estrelado! Não vê nessas manifestações o poder de Deus? No entanto, poucos no mundo atual realmente reconhecem o poder divino. Menos ainda encaram de maneira apropriada esse poder. Entender essa qualidade divina, porém, nos dá muitos motivos para nos achegar a Jeová. Nesta seção, vamos realizar um estudo detalhado do poder inigualável de Jeová.

      “Jeová estava passando”

      Qualidade essencial de Jeová

      4, 5. (a) O que a Bíblia diz sobre o nome de Jeová? (b) Por que é apropriado que Jeová tenha escolhido o touro como símbolo de seu poder?

      4 Jeová é incomparável em poder. Jeremias 10:6 diz: “Ninguém é como tu, ó Jeová. Tu és grande, e o teu nome é grande e poderoso.” Note que o nome de Jeová é descrito como grande e poderoso. Lembre-se de que esse nome evidentemente significa “Ele faz com que venha a ser”. O que habilita Jeová a criar qualquer coisa que ele queira e se tornar o que quer que ele deseje se tornar? O poder. Sim, Jeová tem capacidade ilimitada para agir, para cumprir a sua vontade. Esse poder é uma de suas qualidades essenciais.

      5 Visto que jamais poderíamos entender a plenitude de seu poder, Jeová usa ilustrações para nos ajudar. Como já vimos, ele usa o touro como símbolo de poder. (Ezequiel 1:4-10) É uma escolha apropriada, pois mesmo o touro domesticado é uma criatura grande e poderosa. O povo da Palestina nos tempos bíblicos raramente, se é que alguma vez, se confrontava com algum animal mais forte. Mas eles conheciam, sim, um tipo de touro ainda mais temível — o touro selvagem, ou auroque, hoje extinto. (Jó 39:9-12) Júlio César, um governante romano, disse certa vez que os touros selvagens eram quase do tamanho de elefantes. “É grande a força deles”, escreveu, “e é grande a sua velocidade”. Imagine como você se sentiria pequeno e fraco perto de uma criatura dessas!

      6. Por que somente Jeová é chamado de “o Todo-Poderoso”?

      6 Similarmente, o homem é bem pequeno e fraco em comparação com o Deus de poder, Jeová. Para este, até mesmo nações poderosas são como mera camada fina de pó numa balança. (Isaías 40:15) Diferentemente de qualquer criatura, o poder de Jeová é ilimitado, pois só ele é chamado de “o Todo-Poderoso”.a (Apocalipse 15:3) Jeová tem “atemorizante poder” e “imensa energia dinâmica”. (Isaías 40:26) Ele é a Fonte perene, inesgotável, de força e de poder. Ele não depende de uma fonte externa de energia, pois “a força pertence a Deus”. (Salmo 62:11) De que maneiras, porém, Jeová usa seu poder?

      Como Jeová usa seu poder

      7. O que é o espírito santo de Jeová, e que ideia transmitem as palavras dos idiomas originais usadas na Bíblia?

      7 Espírito santo emana de Jeová em quantidade ilimitada. É o poder de Deus em ação. De fato, em Gênesis 1:2 a Bíblia refere-se ao espírito santo como “força ativa” de Deus. As palavras hebraica e grega originais vertidas “espírito” podem, em outros contextos, ser traduzidas por “vento”, “fôlego” e “sopro”. Segundo os lexicógrafos, as palavras dos idiomas originais transmitem a ideia de uma força invisível em ação. Assim como o vento, o espírito de Deus é invisível para nós, mas seus efeitos são reais e discerníveis.

      8. Que expressões simbólicas a Bíblia usa para referir-se ao espírito santo, e por que são apropriadas?

      8 O espírito santo de Deus é infinitamente versátil. Jeová pode usá-lo para realizar qualquer propósito que tenha em mente. É apropriado, pois, que na Bíblia o espírito santo seja simbolicamente chamado de “dedo”, “mão poderosa” ou “braço estendido” de Deus. (Lucas 11:20; Deuteronômio 5:15; Salmo 8:3) Assim como o homem pode usar as mãos para realizar uma grande variedade de tarefas que exigem diferentes graus de força ou de destreza, Deus podia, e ainda pode, usar seu espírito para realizar qualquer coisa — como criar o infinitésimo átomo, partir o mar Vermelho ou capacitar os cristãos do primeiro século a falar em línguas.

      9. Até que ponto vai o poder de comando de Jeová?

      9 Jeová também usa o poder no exercício de sua autoridade como Soberano Universal. Consegue imaginar ter sob seu comando milhões e milhões de súditos inteligentes e capazes, ansiosos de cumprir as suas ordens? Jeová tem tal poder de comando. Ele tem servos humanos, que as Escrituras muitas vezes comparam a um exército. (Salmo 68:11; 110:3) No entanto, o ser humano é uma criatura fraca, em comparação com um anjo. Ora, quando os soldados assírios atacaram o povo de Deus, um único anjo matou 185 mil deles numa só noite! (2 Reis 19:35) Os anjos de Deus são “fortes e poderosos”. — Salmo 103:19, 20.

      10. (a) Por que o Todo-Poderoso é chamado de Jeová dos exércitos? (b) Quem é a criatura mais poderosa de Jeová?

      10 Quantos anjos existem? O profeta Daniel, numa visão que teve do céu, observou bem mais de 100 milhões de criaturas espirituais perante o trono de Jeová. Mas nada indica que ele tenha visto a totalidade dos anjos. (Daniel 7:10) Portanto, talvez existam centenas de milhões de anjos. De modo que Deus é chamado de Jeová dos exércitos. Esse título indica sua posição poderosa de Comandante de uma vasta e organizada formação de anjos poderosos. Acima de todas essas criaturas espirituais ele colocou alguém como responsável, seu Filho amado, “o primogênito de toda a criação”. (Colossenses 1:15) Como arcanjo — superior a todos os anjos, serafins e querubins —, Jesus é a criatura mais poderosa de Jeová.

      11, 12. (a) De que maneiras a palavra de Deus exerce poder? (b) Como Jesus atestou a grandeza do poder de Jeová?

      11 Mas Jeová usa o poder ainda de outras maneiras. Hebreus 4:12 diz: “A palavra de Deus é viva e exerce poder.” Já observou o poder fenomenal da palavra de Deus, a mensagem inspirada pelo espírito, preservada na Bíblia? Ela pode nos fortalecer, edificar a nossa fé e nos ajudar a fazer grandes mudanças pessoais. O apóstolo Paulo alertou concrentes contra indivíduos que levavam uma vida crassamente imoral. Daí acrescentou: “No entanto, isso é o que alguns de vocês foram.” (1 Coríntios 6:9-11) Sim, “a palavra de Deus” havia exercido seu poder sobre eles e os ajudado a fazer mudanças.

      12 O poder de Jeová é tão imenso, e seus meios de usá-lo são tão eficazes, que nada pode impedi-lo. Jesus disse: “Para Deus todas as coisas são possíveis.” (Mateus 19:26) Com que objetivos Jeová usa seu poder?

      Poder guiado por um propósito

      13, 14. (a) Por que se pode dizer que Jeová não é uma fonte impessoal de energia ou poder? (b) De que maneiras Jeová usa seu poder?

      13 O espírito de Jeová é muito superior a qualquer força física; e Jeová não é uma força impessoal, uma mera fonte de energia. É um Deus pessoal, no pleno controle de seu próprio poder. O que, então, o induz a usá-lo?

      14 Como veremos, Deus usa seu poder para criar, destruir, proteger e restaurar — em suma, para fazer tudo o que se enquadra nos seus propósitos perfeitos. (Isaías 46:10) Em certos casos, Jeová usa o poder para revelar aspectos importantes de sua personalidade e de seus padrões. Acima de tudo, ele o usa para cumprir Sua vontade — santificar seu santo nome por meio do Reino messiânico, mostrando que Seu modo de governar é o melhor. Nada pode frustrar esse propósito.

      15. Com que propósito relacionado com os seus servos Jeová usa o seu poder, e como se viu isso no caso de Elias?

      15 Jeová também usa seu poder para nos beneficiar pessoalmente. Note o que diz 2 Crônicas 16:9: “Os olhos de Jeová percorrem toda a terra, para mostrar a sua força a favor daqueles que têm o coração pleno para com ele.” O que aconteceu com Elias, conforme mencionado no início, ilustra isso. Por que Jeová lhe fez aquelas demonstrações assombrosas de poder divino? Bem, a perversa Rainha Jezabel havia jurado matar Elias. O profeta estava fugindo para salvar a vida. Ele se sentia sozinho, assustado e desanimado — como se todo o seu trabalho árduo tivesse sido em vão. Para consolar esse homem aflito, Jeová lembrou-o vividamente da grandeza do poder divino. O vento, o terremoto e o fogo indicavam que o Ser mais poderoso do Universo apoiava Elias. Por que deveria ter medo de Jezabel, tendo o apoio do Deus Todo-Poderoso? — 1 Reis 19:1-12.b

      16. Quando meditamos no grande poder de Jeová, por que isso nos consola?

      16 Embora atualmente não seja sua época de fazer milagres, Jeová não mudou desde os dias de Elias. (1 Coríntios 13:8) Ele está tão desejoso como sempre esteve de usar seu poder em favor dos que o amam. É verdade que ele reside num elevado domínio espiritual, mas não está longe de nós. Seu poder é ilimitado, de modo que a distância não é nenhum obstáculo. Na verdade, “Jeová está perto de todos os que o invocam”. (Salmo 145:18) Certa vez, quando o profeta Daniel orou a Jeová pedindo ajuda, um anjo lhe apareceu antes mesmo de ele terminar de orar! (Daniel 9:20-23) Nada pode impedir Jeová de ajudar e fortalecer aqueles a quem ele ama. — Salmo 118:6.

      O grande poder de Deus o torna inacessível?

      17. Em que sentido o poder de Jeová nos inspira temor, mas que tipo de temor não inspira?

      17 Será que deveríamos temer a Deus por causa do seu poder? A única resposta possível é sim e não. Sim, no sentido de que tal qualidade nos dá amplos motivos para termos temor reverente, aquele profundo respeito que consideramos brevemente no capítulo anterior. Esse temor, diz a Bíblia, é “o princípio da sabedoria”. (Salmo 111:10) Mas também respondemos não, no sentido de que o poder de Deus não nos dá motivo para ter pavor dele ou evitar nos dirigir a ele.

      18. (a) Por que muitos não confiam em pessoas poderosas? (b) Que certeza temos de que o poder de Jeová não pode corrompê-lo?

      18 “O poder tende a corromper; o poder absoluto corrompe absolutamente.” Assim escreveu o historiador inglês Lorde Acton, em 1887. Essa declaração já foi citada muitas vezes, talvez porque tantas pessoas veem nela uma verdade inegável. Humanos imperfeitos costumam abusar do poder, como a História confirma vez após vez. (Eclesiastes 4:1; 8:9) Por isso, muitos não confiam nos poderosos e se afastam deles. Tendo em vista que o poder de Jeová é absoluto, será que isso o corrompeu de alguma maneira? Certamente que não! Como já vimos, ele é santo, absolutamente incorruptível. Jeová é diferente dos imperfeitos homens e mulheres de poder neste mundo corrupto. Ele nunca abusou de seu poder, e jamais o fará!

      19, 20. (a) Jeová sempre usa seu poder em harmonia com que outras qualidades, e por que isso é reanimador? (b) Como você ilustraria o autocontrole de Jeová, e por que isso o atrai?

      19 Lembre-se de que o poder não é a única qualidade de Jeová. Ainda estudaremos sua justiça, sua sabedoria e seu amor. Mas não pense que as qualidades de Jeová se manifestam de modo rígido ou mecânico, como se ele exercesse apenas uma delas por vez. Ao contrário, veremos nos próximos capítulos que Jeová sempre usa seu poder em harmonia com a justiça, a sabedoria e o amor. Considere ainda outra qualidade de Deus, rara entre os governantes do mundo — o autocontrole.

      20 Imagine encontrar um homem tão alto e tão forte que você se sinta intimidado por ele. Com o tempo, porém, você percebe que ele parece ser gentil. Está sempre disposto e ansioso para usar seu poder para ajudar e proteger as pessoas, em especial os indefesos e vulneráveis. Ele jamais abusa de sua força. Você o vê ser caluniado sem justa causa e ainda assim o comportamento dele é firme, porém calmo, digno, até mesmo bondoso. Talvez fique imaginando se seria capaz de mostrar a mesma mansidão e autocontrole, em especial se fosse tão forte quanto ele! À medida que fosse conhecendo melhor esse homem, não teria vontade de se achegar mais a ele? Temos muitos outros motivos para nos achegar ao todo-poderoso Jeová. Note a sentença inteira em que se baseia o título deste capítulo: “Jeová é paciente e grande em poder.” (Naum 1:3) Jeová não se apressa em usar seu poder contra as pessoas, nem mesmo contra os perversos. Ele é brando e bondoso. Mostrou ser “paciente” diante de muitas provocações. — Salmo 78:37-41.

      21. Por que Jeová não obriga as pessoas a fazer a Sua vontade, e o que isso nos ensina a respeito dele?

      21 Considere o autocontrole de Jeová de outro ângulo. Se você tivesse poder ilimitado, acha que se sentiria, às vezes, tentado a obrigar as pessoas a fazer as coisas do seu jeito? Jeová, com todo o seu poder, não compele as pessoas a servi-lo. Embora servir a Deus seja o único caminho para a vida eterna, ele não nos obriga a prestar-lhe tal serviço. Em vez disso, bondosamente dignifica cada pessoa com a liberdade de escolha. Ele alerta contra as consequências das escolhas erradas e fala das recompensas das escolhas certas. Mas nós é que temos de escolher. (Deuteronômio 30:19, 20) Jeová simplesmente não tem interesse em que seus servos o obedeçam por obrigação, ou por temor mórbido de seu assombroso poder. Ele procura os que se oferecem voluntariamente para servi-lo, por amor. — 2 Coríntios 9:7.

      22, 23. (a) Que indicações há de que Jeová se agrada em dar poder a outros? (b) O que consideraremos no próximo capítulo?

      22 Vejamos mais um motivo pelo qual não precisamos ter pavor do Deus Todo-Poderoso. Humanos poderosos, em geral, temem partilhar o poder. Jeová, no entanto, se agrada em dar poder a seus adoradores leais. Ele delega grande autoridade a outros, como a seu Filho, por exemplo. (Mateus 28:18) Jeová também dá poder a seus servos de outra maneira. A Bíblia explica: “Teus, ó Jeová, são a grandeza, o poder, a glória, o esplendor e a majestade; pois tudo o que há nos céus e na terra pertence a ti. . . . Nas tuas mãos há força e poder, e nas tuas mãos há a capacidade para engrandecer e para fortalecer a todos.” — 1 Crônicas 29:11, 12.

      23 Sim, Jeová terá prazer em lhe dar força. Ele até mesmo confere “poder além do normal” aos que desejam servi-lo. (2 Coríntios 4:7) Não se sente atraído a esse Deus dinâmico, que usa seu poder de modo tão bondoso e correto? No próximo capítulo, focalizaremos como Jeová usa seu poder para criar.

      a A palavra grega traduzida por “Todo-Poderoso” literalmente significa “Governante de todos; Aquele que tem todo o poder”.

      b A Bíblia diz que ‘Jeová não estava no vento, no terremoto ou no fogo’. Ao contrário dos adoradores de míticos deuses da natureza, os servos de Jeová não o procuram dentro das forças da natureza. Ele é grandioso demais para ficar confinado em algo que ele mesmo criou. — 1 Reis 8:27.

      Perguntas para Meditação

      • 2 Crônicas 16:7-13 De que modo o exemplo do Rei Asa mostra a seriedade de não confiar no poder de Jeová?

      • Salmo 89:6-18 O poder de Jeová tem que efeito sobre seus adoradores?

      • Isaías 40:10-31 Como se descreve aqui o poder de Jeová? Como é descrita a grandeza desse poder e como ele pode beneficiar-nos pessoalmente?

      • Apocalipse 11:16-18 O que Jeová promete fazer mediante o seu poder no futuro? Por que isso anima os cristãos verdadeiros?

  • Poder criativo — “Aquele que fez o céu e a terra”
    Achegue-se a Jeová
    • O Sol nascendo sobre um campo de trigo.

      CAPÍTULO 5

      Poder criativo — “Aquele que fez o céu e a terra”

      1, 2. De que modo o Sol demonstra o poder criativo de Jeová?

      JÁ FICOU alguma vez perto do fogo numa noite fria? Talvez tenha mantido as mãos na distância certa das chamas, para sentir seu calor agradável. Se você momentaneamente chegou perto demais, o calor ficou insuportável. E, caso tenha se afastado demais, o ar gelado da noite o fez sentir frio.

      2 Existe um “fogo” que esquenta o nosso corpo durante o dia. Está a uma distância de uns 150 milhões de quilômetros.a Para que sintamos o calor do Sol de uma distância tão grande, que tremenda energia ele precisa ter! Mas a Terra orbita essa assombrosa fornalha termonuclear na distância exata. Perto demais, as águas da Terra evaporariam; longe demais, congelariam. Ambos os extremos eliminariam a vida no nosso planeta. Essencial para a vida na Terra, a luz solar é também limpa e eficiente, além de agradável. — Eclesiastes 11:7.

      3. O Sol confirma que verdade importante?

      3 No entanto, a maioria das pessoas encara o Sol como algo corriqueiro, embora dependam dele para viver. Com isso, deixam de aprender uma lição importante. A Bíblia diz a respeito de Jeová: “Fizeste a luz e o sol.” (Salmo 74:16) Sim, o Sol honra a Jeová, “Aquele que fez o céu e a terra”. (Salmo 19:1; 146:6) Ele é apenas um dos incontáveis corpos celestes que nos conscientizam do tremendo poder criativo de Jeová. Vamos examinar alguns desses e depois voltaremos nossa atenção para a Terra e sua grande variedade de vida.

      ‘Jeová fez a luz e o sol’

      “Ergam os olhos para o céu e vejam”

      4, 5. Qual é a capacidade e o tamanho do Sol, mas como se compara isso com outras estrelas?

      4 Como sem dúvida sabe, o Sol é uma estrela. Ele parece ser maior do que as estrelas noturnas, pois está bem mais perto de nós. Qual é a sua capacidade? No núcleo, sua temperatura é de uns 15 milhões de graus Celsius. Se você pudesse apanhar do núcleo do Sol um pedacinho do tamanho de uma cabeça de alfinete e trazê-lo aqui para a Terra, ninguém estaria seguro a menos de 140 quilômetros distante dessa minúscula fonte de calor! A cada segundo, o Sol emite energia equivalente à explosão de muitas centenas de milhões de bombas nucleares.

      5 O Sol é tão grande que, dentro dele, caberiam mais de 1 milhão e 300 mil Terras. Mas será que ele é uma estrela excepcionalmente grande? Não, os astrônomos chamam-na de anã amarela. O apóstolo Paulo escreveu que “uma estrela difere de outra estrela em glória”. (1 Coríntios 15:41) Ele nem tinha noção de como essas palavras inspiradas eram verdadeiras. Existe uma estrela tão grande que, se fosse colocada no lugar do Sol, a Terra ficaria dentro dela. Se fosse feita a mesma coisa com outra estrela gigante, essa ocuparia todo o espaço até Saturno — embora esse planeta esteja tão distante da Terra que uma espaçonave, viajando 40 vezes mais rápido do que uma bala de fuzil, levou quatro anos para chegar lá!

      6. Como a Bíblia mostra que o número de estrelas é vasto do ponto de vista humano?

      6 Ainda mais assombroso do que o tamanho das estrelas é a sua quantidade. De fato, a Bíblia sugere que as estrelas são praticamente inumeráveis, tão difíceis de contar como a “areia do mar”. (Jeremias 33:22) Isso subentende que há muito mais estrelas do que se pode ver a olho nu. Afinal, se um escritor bíblico, como Jeremias, erguesse os olhos e tentasse contar as estrelas à noite, teria contado apenas umas três mil — o total que se pode detectar a olho nu numa noite estrelada. Isso é comparável ao número de grãos num mero punhado de areia. Na realidade, porém, o número de estrelas é inimaginável, como o de grãos de areia do mar.b Quem seria capaz de contá-lo?

      Uma imagem de telescópio mostrando estrelas e galáxias brilhantes.

      “Ele chama a todas elas por nome”

      7. O que se pode dizer sobre o número de estrelas na nossa galáxia ou sobre o número de galáxias no Universo?

      7 Isaías 40:26 responde: “Ergam os olhos para o céu e vejam. Quem criou estas coisas? Foi Aquele que as faz sair como um exército, por número; ele chama a todas elas por nome.” O Salmo 147:4 diz: “Ele conta o número das estrelas.” Qual é “o número das estrelas”? Não é uma pergunta fácil de ser respondida. Os astrônomos calculam que há mais de 100 bilhões delas só na nossa galáxia, a Via Láctea.c Alguns dizem que há muito mais. Mas a nossa galáxia é apenas uma dentre muitas outras, muitas das quais fervilham com mais estrelas ainda. Quantas galáxias existem? Astrônomos dizem centenas de bilhões, até mesmo trilhões. Parece que o homem ainda não consegue determinar nem mesmo o número de galáxias e muito menos o total exato dos bilhões de estrelas que elas contêm. Mas Jeová sabe quantas são. Além disso, ele dá um nome a cada estrela!

      8. (a) Como se pode ter uma ideia do tamanho da galáxia Via Láctea? (b) Por que meios Jeová controla os movimentos dos corpos celestes?

      8 A nossa reverência só pode aumentar quando pensamos no tamanho das galáxias. Calcula-se que a extensão da Via Láctea seja de uns 100 mil anos-luz. Imagine um raio de luz viajando à tremenda velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Esse raio levaria 100 mil anos para cruzar a nossa galáxia! E há galáxias muito maiores do que a nossa. A Bíblia diz que Jeová estende “os céus” como se fossem um simples tecido. (Salmo 104:2) Ele também controla os movimentos dessas criações. Desde a menor partícula de poeira interestelar até a mais poderosa galáxia, tudo se move segundo leis físicas formuladas e aplicadas por Deus. (Jó 38:31-33) Assim, alguns cientistas comparam os movimentos precisos dos corpos celestes à coreografia de um complexo balé. Pense, então, Naquele que criou essas coisas. Não sente profunda reverência pelo Deus de tamanho poder criativo?

      “Aquele que fez a terra com o seu poder”

      9, 10. De que maneiras é evidente o poder de Jeová no posicionamento do sistema solar, de Júpiter, da Terra e da Lua?

      9 O poder criativo de Jeová é evidente em nosso lar, a Terra. Ele a situou com muita precisão dentro do vasto Universo. Alguns cientistas acreditam que muitas galáxias sejam inóspitas para um planeta em que há vida, como o nosso. A maior parte da Via Láctea evidentemente não foi projetada para sustentar vida. O centro galáctico está coalhado de estrelas. A radiação é alta e quase colisões entre estrelas são comuns. Nas extremidades da galáxia não existem muitos dos elementos essenciais à vida. O nosso sistema solar se localiza no ponto ideal, entre esses extremos.

      10 A Terra se beneficia de um remoto, porém gigante, protetor — o planeta Júpiter. Mais de mil vezes maior do que a Terra, Júpiter exerce uma tremenda influência gravitacional. O resultado? Ele absorve ou desvia objetos que cruzam o espaço. Os cientistas calculam que, se não fosse Júpiter, a chuva de projéteis maciços que atingem a Terra seria 10 mil vezes maior do que é no presente. Mais perto, a Terra é abençoada com um satélite incomum — a Lua. Mais do que um ornamento e fonte de “luz noturna”, a Lua mantém a Terra numa inclinação constante e firme. Essa inclinação produz aqui estações previsíveis e estáveis — outro fator importante que favorece a vida.

      11. Como a atmosfera da Terra foi projetada para servir de escudo protetor?

      11 O poder criativo de Jeová é evidente em todas as facetas do projeto da Terra. Veja a atmosfera, que serve como um grande escudo. O Sol emite tanto raios benéficos como mortíferos. Ao atingirem a parte superior da atmosfera, os raios letais transformam o oxigênio comum em ozônio. A resultante camada de ozônio, por sua vez, absorve a maioria desses raios. Assim, nosso planeta tem seu próprio “guarda-chuva” protetor.

      12. Como o ciclo de água atmosférico ilustra o poder criativo de Jeová?

      12 Esse é apenas um dos aspectos da atmosfera, uma complexa mistura de gases, ideal para sustentar a vida das criaturas na superfície da Terra ou perto dela. Outra maravilha da atmosfera é o ciclo da água. Todo ano, o sol faz mais de 400 mil quilômetros cúbicos de água evaporar dos oceanos e mares da Terra. Essas águas formam nuvens, que os ventos atmosféricos espalham por toda a parte. Depois, filtradas e purificadas, elas caem como chuva, neve ou gelo, reabastecendo os suprimentos de água. É exatamente como diz Eclesiastes 1:7: “Todos os rios correm para o mar; mesmo assim, o mar não fica cheio. Os rios voltam para o lugar de onde saíram, a fim de correr novamente.” Somente Jeová poderia ter acionado tal ciclo.

      13. Que evidências do poder do Criador vemos na vegetação e no solo da Terra?

      13 Onde existe vida, há evidência do poder do Criador. Desde as majestosas sequoias-sempre-verdes (mais altas do que um prédio de 30 andares) até as plantas microscópicas que pululam nos oceanos e suprem grande parte do oxigênio que respiramos, o poder criativo de Jeová é evidente. O próprio solo fervilha de coisas vivas — minhocas, fungos e micróbios, todos interagindo de maneiras complexas que ajudam no crescimento das plantas. Apropriadamente, a Bíblia fala do solo como tendo “poder”. — Gênesis 4:12, nota.

      14. Que poder latente existe até mesmo no minúsculo átomo?

      14 Sem dúvida, é Jeová “Aquele que fez a terra com o seu poder”. (Jeremias 10:12) O poder de Deus é evidente até mesmo nas menores criações. Por exemplo, um milhão de átomos colocados lado a lado não atingiriam a espessura de um fio de cabelo humano. E, mesmo se um átomo fosse aumentado até a altura de um prédio de 14 andares, seu núcleo seria do tamanho de um mero grão de sal no sétimo andar. No entanto, esse infinitésimo núcleo é a fonte da espantosa energia liberada numa explosão nuclear!

      “Tudo que respira”

      15. Ao referir-se a vários animais selvagens, que lição Jeová ensinou a Jó?

      15 Outra prova vívida do poder criativo de Jeová é a abundância de vida animal na Terra. Entre as muitas coisas que louvam a Jeová, alistadas no Salmo 148, o versículo 10 inclui “animais selvagens e todos os animais domésticos”. Para mostrar por que o homem deve ter reverência pelo Criador, Jeová falou certa vez a Jó a respeito de animais como o leão, a zebra, o touro selvagem, o Beemote (ou hipopótamo) e o Leviatã (pelo visto, o crocodilo). Qual era o ponto em questão? Se o homem se admira dessas criaturas fortes, temíveis e indomáveis, como deveria se sentir com relação ao Criador delas? — Jó, capítulos 38-41.

      16. O que o impressiona a respeito de algumas aves criadas por Jeová?

      16 O Salmo 148:10 menciona também “pássaros”. Pense na enorme variedade! Jeová falou a Jó da avestruz, que “ri do cavalo e do cavaleiro”. De fato, essa ave de 2,5 metros de altura talvez não saiba voar, mas pode correr a 65 quilômetros por hora, com passadas de até uns 4 metros! (Jó 39:13, 18) O albatroz, por sua vez, é um planador nato que passa a maior parte da vida no ar, sobre os oceanos. Essa ave tem uns 3 metros de envergadura e pode planar por horas a fio sem bater as asas. Em contraste, o beija-flor-abelha, de apenas uns 5 centímetros de comprimento, é a menor ave do mundo. Ele pode bater as asas 80 vezes por segundo! Beija-flores, reluzentes como pequeninas gemas aladas, podem pairar no ar como helicópteros e até voar de marcha a ré.

      17. Qual é o tamanho da baleia-azul? A que conclusão natural devemos chegar ao meditar nos animais que Jeová criou?

      17 O Salmo 148:7 diz que até mesmo os “grandes criaturas marinhas” louvam a Jeová. Considere o que em geral é considerado o maior animal que já viveu neste planeta, a baleia-azul. Essa criatura que nada em “águas profundas” pode chegar a mais de 30 metros de comprimento. Pode igualar-se ao peso de uma manada de 30 elefantes adultos. Só a sua língua tem o peso de um elefante. O coração é do tamanho de um carro popular. Esse enorme órgão bate apenas 9 vezes por minuto — em contraste com o coração do beija-flor, que pode bater umas 1.200 vezes por minuto. Pelo menos um dos vasos sanguíneos da baleia-azul é tão grande que uma criança poderia se arrastar por dentro dele. Com certeza, nosso coração nos induz a repetir a exortação final do livro dos Salmos: “Tudo que respira, louve a Jah.” — Salmo 150:6.

      Aprendamos do poder criativo de Jeová

      18, 19. Até que ponto chega a diversidade das coisas vivas feitas por Jeová na Terra, e o que a criação nos ensina a respeito de Sua soberania?

      18 O que nos ensina o uso do poder criativo de Jeová? A diversidade da criação nos assombra. Certo salmista exclamou: “Quantas são as tuas obras, ó Jeová! . . . A terra está cheia dos teus trabalhos.” (Salmo 104:24) É verdade! Os biólogos já identificaram bem mais de um milhão de espécies de coisas vivas na Terra; mas as opiniões variam em relação a quantos milhões mais de espécies podem existir. Um artista humano pode achar que às vezes esgota a sua criatividade. Em contraste, a criatividade de Jeová — seu poder de inventar e criar coisas diversificadas — é obviamente inesgotável.

      19 O uso que Jeová faz de seu poder criativo nos ensina algo a respeito de Sua soberania. A própria palavra “Criador” distingue Jeová de qualquer outra coisa no Universo, onde tudo o que existe é “criação”. Até mesmo o Filho unigênito de Jeová, que serviu como “trabalhador perito” durante a criação, jamais é chamado de Criador, ou de Cocriador, na Bíblia. (Provérbios 8:30; Mateus 19:4) Em vez disso, ele é “o primogênito de toda a criação”. (Colossenses 1:15) A posição de Jeová como Criador dá a ele o direito inerente de exercer exclusivo poder soberano sobre todo o Universo. — Romanos 1:20; Apocalipse 4:11.

      20. Em que sentido Jeová descansou depois de terminar sua criação terrestre?

      20 Será que Jeová parou de usar seu poder criativo? Bem, a Bíblia diz que Jeová “passou a descansar, no sétimo dia, de toda a obra que fez” nos anteriores seis dias criativos. (Gênesis 2:2) O apóstolo Paulo indicou que a duração desse sétimo “dia” é de milhares de anos, pois ainda estava em curso nos seus dias. (Hebreus 4:3-6) Mas será que “descansar” significa que Jeová parou totalmente de trabalhar? Não, Jeová nunca para de trabalhar. (Salmo 92:4; João 5:17) Portanto, seu descanso deve simplesmente significar que ele encerrou suas obras criativas materiais com relação à Terra. As obras para cumprir os seus propósitos, porém, têm continuado sem interrupção. Essas obras incluem a inspiração das Escrituras Sagradas e até mesmo “uma nova criação”, assunto que será abordado no Capítulo 19. — 2 Coríntios 5:17.

      21. Como o poder criativo de Jeová afetará os humanos fiéis por toda a eternidade?

      21 Quando o dia de descanso de Jeová chegar ao fim, ele poderá classificar de “muito bom” tudo o que fez com relação à Terra, assim como fez no fim de cada um dos seis dias criativos. (Gênesis 1:31) Como ele vai decidir usar o seu ilimitado poder criativo depois disso, resta ver. Seja como for, podemos ter certeza de que o uso do poder criativo de Deus continuará a nos fascinar. Por toda a eternidade, aprenderemos mais coisas a respeito de Jeová por meio de suas criações. (Eclesiastes 3:11) Quanto mais aprendermos sobre ele, mais profunda será a nossa reverência — e mais nos achegaremos ao nosso Grandioso Criador.

      a Para ter uma ideia da enormidade desse número, imagine: cobrir essa distância de carro — a 160 quilômetros por hora, 24 horas por dia — levaria mais de cem anos!

      b Alguns acham que os antigos, nos tempos bíblicos, devem ter usado algum tipo de telescópio primitivo. Senão, ponderam, como as pessoas daquele tempo poderiam saber que o número de estrelas é tão vasto e incontável do ponto de vista humano? Essa especulação infundada não leva em conta Jeová, o Autor da Bíblia. — 2 Timóteo 3:16.

      c Sabe quanto tempo você levaria apenas para contar 100 bilhões de estrelas? Se pudesse contar uma por segundo — 24 horas por dia —, levaria 3.171 anos!

      Perguntas para Meditação

      • Salmo 8:3-9 Como as criações de Jeová podem ensinar-nos a ser humildes?

      • Salmo 19:1-6 O que o poder criativo de Jeová pode incitar-nos a fazer? Por quê?

      • Mateus 6:25-34 Como meditar no poder criativo de Jeová pode ajudar-nos a combater a ansiedade e a estabelecer prioridades corretas na vida?

      • Atos 17:22-31 De que modo o uso do poder criativo de Jeová nos ensina que a idolatria é errada e que Deus não está longe de nós?

  • Poder de destruição — “Jeová é um poderoso guerreiro”
    Achegue-se a Jeová
    • Faraó e o exército egípcio se afogando no Mar Vermelho.

      CAPÍTULO 6

      Poder de destruição — “Jeová é um poderoso guerreiro”

      1-3. (a) Que ameaça dos egípcios os israelitas enfrentaram? (b) Como Jeová lutou pelo seu povo?

      OS ISRAELITAS estavam encurralados — espremidos entre rochedos íngremes de um lado e um mar intransponível de outro. O exército egípcio, uma cruel máquina de matança, os perseguia a todo o vapor, decidido a aniquilá-los.a Apesar disso, Moisés exortou o povo de Deus a não perder a esperança. “O próprio Jeová lutará por vocês”, garantiu-lhes. — Êxodo 14:14.

      2 Mesmo assim, Moisés pelo visto invocou a Jeová, que lhe respondeu: ‘Por que você persiste em clamar a mim? Erga o seu bastão, estenda a mão sobre o mar e divida-o.’ (Êxodo 14:15, 16) Imagine o desenrolar dos eventos. Jeová imediatamente deu ordens ao seu anjo e, assim, a coluna de nuvem passou para a retaguarda de Israel, talvez se estendendo como uma parede e bloqueando a linha de ataque egípcia. (Êxodo 14:19, 20; Salmo 105:39) Moisés estendeu a mão. Impelido por um vento forte, o mar se abriu. As águas de alguma maneira ficaram estáticas e se ergueram como muralhas, abrindo uma passagem suficientemente larga para a nação inteira! — Êxodo 14:21; 15:8.

      3 Diante dessa prova de poder, Faraó deveria ter ordenado o recuo de suas tropas. Mas ele era orgulhoso demais para isso e mandou atacar. (Êxodo 14:23) Os egípcios lançaram-se ao leito do mar atrás dos israelitas, mas a caçada logo virou um caos, porque as rodas dos carros de guerra começaram a se desprender. Quando os israelitas estavam seguros na outra margem, Jeová ordenou a Moisés: “Estenda a mão sobre o mar, para que as águas voltem sobre os egípcios, sobre seus carros de guerra e seus cavaleiros.” As muralhas de água desabaram, afogando Faraó e suas forças. — Êxodo 14:24-28; Salmo 136:15.

      4. (a) O que Jeová mostrou ser no mar Vermelho? (b) Como alguns talvez reajam ao saber que Jeová é descrito dessa maneira?

      4 A salvação do povo de Israel no mar Vermelho foi um evento momentoso na história dos tratos de Deus com a humanidade. Naquela ocasião, Jeová mostrou ser “um poderoso guerreiro”. (Êxodo 15:3) Mas como reage ao saber que Jeová às vezes é descrito dessa maneira? Na verdade, as guerras têm causado muitas dores e sofrimento para a humanidade. Acha, então, que o poder de destruição de Deus parece mais um obstáculo do que um incentivo para se achegar a ele?

      No mar Vermelho, Jeová mostrou ser “um poderoso guerreiro”

      Guerras divinas versus conflitos humanos

      5, 6. (a) Por que Deus é chamado apropriadamente de “Jeová dos exércitos”? (b) Em que diferem as guerras divinas das guerras humanas?

      5 Umas duzentas e sessenta vezes nas Escrituras Hebraicas, e duas vezes nas Escrituras Gregas Cristãs, Deus é chamado de “Jeová dos exércitos”. (1 Samuel 1:11) Como Governante Soberano, Jeová comanda um vasto exército de forças angélicas. (Josué 5:13-15; 1 Reis 22:19) O potencial de destruição desse exército é assombroso. (Isaías 37:36) A ideia de destruir seres humanos não é agradável. Mas cabe lembrar que as guerras divinas são diferentes dos mesquinhos conflitos humanos. Líderes militares e políticos talvez tentem atribuir motivos nobres à sua agressão. Mas as guerras humanas são sempre marcadas pela ganância e pelo egoísmo.

      6 Em contraste com isso, Jeová não se guia pela emoção cega. Deuteronômio 32:4 diz: “A Rocha — perfeito é tudo o que ele faz, pois todos os seus caminhos são justos. Deus de fidelidade, que nunca é injusto; justo e reto é ele.” A Palavra de Deus condena a fúria, a crueldade e a violência desenfreadas. (Gênesis 49:7; Salmo 11:5) Portanto, Jeová jamais age sem motivos. Seu poder de destruição é usado com moderação e como último recurso. É como ele declarou por meio de seu profeta Ezequiel: “‘Por acaso eu tenho algum prazer na morte de uma pessoa má?’ diz o Soberano Senhor Jeová. ‘Não prefiro que ele abandone os seus caminhos e continue vivo?’” — Ezequiel 18:23.

      7, 8. (a) O que Jó concluiu erroneamente a respeito de seus sofrimentos? (b) Como Eliú corrigiu o raciocínio de Jó nesse respeito? (c) Que lição podemos aprender daquilo que Jó passou?

      7 Por que, então, Jeová usa o poder de destruição? Antes de responder, convém lembrar-nos de Jó, um homem justo. Satanás duvidava de que Jó — na realidade de que qualquer ser humano — se manteria íntegro sob provação. Jeová aceitou o desafio, permitindo que Satanás testasse a integridade de Jó. Em resultado disso, Jó sofreu doenças, perda dos bens e dos filhos. (Jó 1:1–2:8) Sem saber das questões envolvidas, Jó concluiu erroneamente que seu sofrimento era uma punição injusta da parte de Deus. Ele perguntou a Deus por que fizera dele um “alvo”, um “inimigo”. — Jó 7:20; 13:24.

      8 Um jovem chamado Eliú expôs a falha do raciocínio de Jó, dizendo: “Será que você está tão convicto de que está certo a ponto de dizer: ‘Sou mais justo do que Deus’?” (Jó 35:2) Sim, é insensato pensar que sabemos mais do que Deus, ou supor que ele tenha agido com injustiça. “O verdadeiro Deus jamais faria o que é mau, o Todo-Poderoso nunca faria o que é errado!”, disse Eliú. Mais adiante, acrescentou: “Entender o Todo-Poderoso está além do nosso alcance; ele é grande em poder e nunca viola sua justiça e sua abundante retidão.” (Jó 34:10; 36:22, 23; 37:23) Podemos ter certeza de que Deus, quando luta, tem bons motivos para fazê-lo. Com isso em mente, analisemos algumas das razões de o Deus de paz às vezes vestir o manto de guerreiro. — 1 Coríntios 14:33.

      Por que o Deus de paz é impelido a lutar

      9. Por que o Deus de santidade às vezes precisa lutar?

      9 Depois de louvar a Deus como “um poderoso guerreiro”, Moisés declarou: “Quem entre os deuses é semelhante a ti, ó Jeová? Quem se mostra supremo em santidade como tu?” (Êxodo 15:11) O profeta Habacuque também escreveu: “Teus olhos são puros demais para ver o que é mau; não podes tolerar a maldade.” (Habacuque 1:13) Embora Jeová seja um Deus de amor, ele é também um Deus de santidade, de retidão e de justiça. Às vezes, tais qualidades o impelem a usar o seu poder de destruição. (Isaías 59:15-19; Lucas 18:7) Portanto, Deus não macula a sua santidade quando luta. Na verdade, ele luta porque é santo. — Êxodo 39:30.

      10. De que única maneira poderia ser resolvida a inimizade predita em Gênesis 3:15 e com que benefícios para os humanos justos?

      10 Considere a situação que surgiu depois que o primeiro casal humano, Adão e Eva, se rebelou contra Deus. (Gênesis 3:1-6) Se tivesse tolerado a iniquidade deles, Jeová teria minado sua posição como Soberano Universal. Como Deus justo, foi obrigado a condená-los à morte. (Romanos 6:23) Na primeira profecia bíblica, ele predisse inimizade entre seus servos e os seguidores da “serpente”, Satanás. (Apocalipse 12:9; Gênesis 3:15) Essa inimizade só poderia ser definitivamente resolvida pelo esmagamento de Satanás. (Romanos 16:20) Mas executar esse julgamento resultaria em grandes bênçãos para os humanos justos, livrando a Terra da influência de Satanás e abrindo o caminho para um paraíso global. (Mateus 19:28) Até chegar esse dia, os partidários de Satanás constituiriam uma ameaça constante ao bem-estar físico e espiritual do povo de Deus. Vez por outra, Jeová teria de intervir.

      Deus age para eliminar a perversidade

      11. Por que Deus se viu na obrigação de provocar um dilúvio global?

      11 O Dilúvio dos dias de Noé é um exemplo dessa intervenção. Gênesis 6:11, 12 diz: “A terra tinha ficado arruinada à vista do verdadeiro Deus, e a terra estava cheia de violência. Sim, Deus olhou para a terra e viu que estava arruinada; toda a humanidade havia arruinado seu caminho na terra.” Será que Deus permitiria que os perversos apagassem o último vestígio de boa moral na Terra? Não. Jeová viu-se obrigado a provocar um dilúvio global para livrar a Terra das pessoas fortemente propensas à violência e à imoralidade.

      12. (a) O que Jeová predissera a respeito do “descendente” de Abraão? (b) Por que os amorreus tinham de ser exterminados?

      12 A situação era similar no caso da condenação divina dos cananeus. Jeová havia revelado que Abraão teria um “descendente”, por meio do qual todas as famílias da Terra abençoariam a si mesmas. Em harmonia com esse propósito, Deus decretou que a descendência de Abraão receberia a terra de Canaã, que era habitada por um povo chamado de amorreus. Que justificativa Deus teria para expulsar essas pessoas de sua terra? Jeová predisse que a expulsão só ocorreria depois de uns 400 anos — só depois de ‘o erro dos amorreus atingir a plena medida’.b (Gênesis 12:1-3; 13:14, 15; 15:13, 16; 22:18) Nesse período, aquele povo se afundou cada vez mais na corrupção moral. Canaã tornou-se uma terra de idolatria, derramamento de sangue e práticas sexuais degradantes. (Êxodo 23:24; 34:12, 13; Números 33:52) Os habitantes do país até mesmo matavam crianças em fogos sacrificiais. Poderia um Deus santo expor seu povo a tais perversidades? Não! Ele declarou: “A terra é impura, e eu trarei sobre ela punição pelo seu erro, e a terra vomitará os seus habitantes.” (Levítico 18:21-25) Mas Jeová não executou as pessoas indiscriminadamente. Cananeus de índole justa, como Raabe e os gibeonitas, foram poupados. — Josué 6:25; 9:3-27.

      Deus luta em favor de Seu nome

      13, 14. (a) Por que Jeová se viu na obrigação de santificar o seu nome? (b) Como Jeová limpou seu nome?

      13 Visto que Jeová é santo, seu nome também é santo. (Levítico 22:32) Jesus ensinou seus discípulos a orar: “Santificado seja o teu nome.” (Mateus 6:9) A rebelião no Éden profanou o nome de Deus, lançando dúvidas sobre Sua reputação e maneira de governar. Jeová jamais poderia tolerar essa calúnia e rebelião. Ele viu-se na obrigação de limpar seu nome de toda a desonra. — Isaías 48:11.

      14 Considere, mais uma vez, o caso dos israelitas. Enquanto eram escravos no Egito, a promessa de Deus a Abraão — de que por meio de sua descendência todas as famílias da Terra abençoariam a si mesmas — parecia sem sentido. Mas, ao libertá-los e fazer deles uma nação, Jeová limpou seu nome. Assim, o profeta Daniel se dirigiu ao seu Deus em oração com as seguintes palavras: “Ó Jeová, nosso Deus, que tiraste teu povo da terra do Egito com mão poderosa e fizeste para ti um nome.” — Daniel 9:15.

      15. Por que Jeová libertou os judeus do cativeiro em Babilônia?

      15 Curiosamente, Daniel fez essa oração numa época em que os judeus precisavam que Jeová agisse de novo pela causa de Seu nome. Os judeus desobedientes estavam no cativeiro, dessa vez em Babilônia. A capital deles, Jerusalém, estava em ruínas. Daniel sabia que a volta dos judeus para sua terra natal magnificaria o nome de Jeová. De modo que orou: “Ó Jeová, perdoa. Ó Jeová, presta atenção e age! Não demores, por tua própria causa, ó meu Deus, pois a tua cidade e o teu povo levam o teu nome.” — Daniel 9:18, 19.

      Deus luta pelo seu povo

      16. Explique por que o interesse de Jeová em defender o seu nome não significa que ele seja frio e egocêntrico.

      16 Será que o interesse de Jeová em defender o seu nome indica que ele é frio e egocêntrico? Não, porque agindo de acordo com a sua santidade e seu amor à justiça, Deus protege o seu povo. Analise Gênesis, capítulo 14. Lemos ali que quatro reis invasores raptaram o sobrinho de Abraão, Ló, junto com a família deste. Com a ajuda de Deus, Abraão impôs uma derrota colossal a forças imensamente superiores! O relato dessa vitória provavelmente foi o primeiro registro no “Livro das Guerras de Jeová”, que pelo visto era um livro que documentava também alguns embates militares não registrados na Bíblia. (Números 21:14) Muitas outras vitórias se seguiriam.

      17. Que indicação há de que Jeová lutou pelos israelitas depois de terem entrado na terra de Canaã? Dê exemplos.

      17 Pouco antes de os israelitas entrarem na terra de Canaã, Moisés garantiu-lhes: “Jeová, seu Deus, irá na sua frente e lutará por vocês, assim como fez no Egito.” (Deuteronômio 1:30; 20:1) Começando com o sucessor de Moisés, Josué, e continuando por todo o período dos juízes e dos reinados de reis fiéis de Judá, Jeová realmente lutou pelo seu povo, dando-lhe muitas vitórias espetaculares sobre seus inimigos. — Josué 10:1-14; Juízes 4:12-17; 2 Samuel 5:17-21.

      18. (a) Por que podemos ser gratos de que Jeová não mudou? (b) O que acontecerá quando a inimizade mencionada em Gênesis 3:15 chegar ao clímax?

      18 Jeová não mudou; tampouco mudou o seu propósito de fazer deste planeta um pacífico paraíso. (Gênesis 1:27, 28) Deus ainda odeia a perversidade. Ao mesmo tempo, ele ama ternamente o seu povo e agirá em breve em favor dele. (Salmo 11:7) De fato, a inimizade mencionada em Gênesis 3:15 deve chegar a um ponto dramático e violento no futuro próximo. Para santificar seu nome e proteger seu povo, Jeová de novo se tornará “um poderoso guerreiro”! — Zacarias 14:3; Apocalipse 16:14, 16.

      19. (a) Ilustre por que o uso do poder de destruição de Deus pode nos achegar a ele. (b) Que efeito deve ter sobre nós a disposição de Deus de lutar?

      19 Veja uma ilustração: suponha que uma mãe e seus filhos estivessem sendo atacados por um animal feroz e que o pai entrasse na luta e matasse o violento animal. Acha que esse ato afastaria dele a esposa e os filhos? Ao contrário, seria de se esperar que eles se comovessem com o amor abnegado do pai. De modo similar, não devemos nos afastar de Deus por ele usar seu poder de destruição. Sua disposição de lutar para nos proteger deve aumentar nosso amor a ele. E deve aprofundar nosso respeito pelo seu poder ilimitado. Assim, podemos “prestar a Deus serviço sagrado de modo aceitável, com temor e reverência”. — Hebreus 12:28.

      Achegue-se ao “poderoso guerreiro”

      20. Ao ler relatos bíblicos de guerras divinas que talvez não entendamos plenamente, como devemos reagir? Por quê?

      20 Naturalmente, a Bíblia não explica em cada caso todos os detalhes das decisões de Jeová a respeito de guerras divinas. Mas de uma coisa podemos estar certos: Jeová jamais usa o poder de destruição de modo injusto, leviano ou cruel. Muitas vezes, considerar o contexto de um relato bíblico, ou certas informações de fundo, nos ajuda a colocar as coisas na perspectiva correta. (Provérbios 18:13) Mesmo se não tivermos todos os detalhes, simplesmente aprender mais sobre Jeová e meditar nas suas preciosas qualidades pode nos ajudar a dirimir qualquer dúvida que surja. Se fizermos isso, veremos que temos amplos motivos para confiar em nosso Deus, Jeová. — Jó 34:12.

      21. Embora às vezes seja “um poderoso guerreiro”, o que Jeová é no coração?

      21 Embora Jeová seja “um poderoso guerreiro” quando a situação exige, isso não significa que ele tenha um coração de guerreiro. Na visão que Ezequiel teve do carro celestial, Jeová é retratado como estando pronto para lutar contra seus inimigos. No entanto, Ezequiel viu Deus rodeado de um arco-íris — um símbolo da paz. (Gênesis 9:13; Ezequiel 1:28; Apocalipse 4:3) Obviamente, Jeová é sereno e pacífico. “Deus é amor”, escreveu o apóstolo João. (1 João 4:8) Todas as qualidades de Jeová existem em perfeito equilíbrio. Portanto, como é grande o nosso privilégio de podermos nos achegar a um Deus de tamanho poder, porém amoroso!

      a Segundo o historiador judeu Josefo, os hebreus foram perseguidos por “seiscentos carros de guerra, cinquenta mil cavaleiros e duzentos mil homens de infantaria bem armados”. — Antiguidades Judaicas, Volume 1, p. 244.

      b Ao que tudo indica, o termo “amorreus” aqui inclui todos os povos de Canaã. — Deuteronômio 1:6-8, 19-21, 27; Josué 24:15, 18.

      Perguntas para Meditação

      • 2 Reis 6:8-17 Como o papel de Deus como “Jeová dos exércitos” pode nos encorajar em tempos de aflição?

      • Ezequiel 33:10-20 Antes de usar seu poder de destruição, que oportunidade Jeová estende misericordiosamente aos que violam suas leis?

      • 2 Tessalonicenses 1:6-10 Que alívio a vindoura destruição dos perversos trará para os servos fiéis de Deus?

      • 2 Pedro 2:4-13 O que leva Jeová a exercer seu poder de destruição e isso dá que lição para toda a humanidade?

  • Poder protetor — “Deus é nosso refúgio”
    Achegue-se a Jeová
    • Um pastor segurando um cordeiro no colo.

      CAPÍTULO 7

      Poder protetor — “Deus é nosso refúgio”

      1, 2. Que perigo os israelitas corriam ao entrar na região do Sinai em 1513 AEC, e que encorajamento Jeová lhes deu?

      OS ISRAELITAS corriam perigo ao entrar na região do Sinai, no início de 1513 AEC. Tinham à frente uma jornada assustadora, por um “enorme e perigoso deserto, cheio de cobras venenosas e escorpiões”. (Deuteronômio 8:15, Bíblia na Linguagem de Hoje) Havia também a ameaça de ataque de nações hostis. Jeová havia levado seu povo a essa situação. Como Deus deles, poderia protegê-los?

      2 As palavras de Jeová eram muito animadoras: “Vocês viram com os seus próprios olhos o que fiz ao Egito, e como carreguei vocês sobre asas de águias e os trouxe a mim.” (Êxodo 19:4) Jeová lembrou ao seu povo que ele os havia libertado dos egípcios, usando águias, por assim dizer, para levá-los à segurança. Mas há outros motivos pelos quais “asas de águias” ilustram bem a proteção divina.

      3. Por que “asas de águias” ilustram bem a proteção divina?

      3 A águia não usa suas asas largas e fortes apenas para planar nas alturas. No calor do dia, a mãe águia arqueia as asas — que podem se estender até dois metros — formando uma sombra que protege os filhotinhos do sol escaldante. Outras vezes, ela encobre os filhotes com as asas para protegê-los do vento frio. Assim como a águia os protege, Jeová havia defendido e protegido a jovem nação de Israel. Então no deserto, seu povo continuaria a se refugiar à sombra de Suas asas poderosas, desde que permanecesse fiel. (Deuteronômio 32:9-11; Salmo 36:7) Mas, e nós hoje, podemos contar com a proteção de Deus?

      A promessa de proteção divina

      4, 5. Por que podemos ter confiança absoluta na promessa de proteção divina?

      4 Jeová certamente é capaz de proteger seus servos. Ele é o “Deus Todo-Poderoso” — um título que indica que seu poder é insuperável. (Gênesis 17:1) Como uma indomável onda do mar, é impossível impedir o poder aplicado de Jeová. Visto que Ele pode fazer tudo o que dita a sua vontade, nos perguntamos: ‘É da vontade de Jeová usar seu poder para proteger seu povo?’

      5 A resposta é bem simples: sim! Jeová nos garante que protegerá seu povo. “Deus é nosso refúgio e nossa força, uma ajuda encontrada prontamente em tempos de aflição”, diz o Salmo 46:1. Visto que Deus “não pode mentir”, podemos ter confiança absoluta na sua promessa de proteção. (Tito 1:2) Vejamos alguns vívidos exemplos da linguagem figurada que Jeová usa para descrever seus cuidados protetores.

      6, 7. (a) Que proteção o pastor nos tempos bíblicos dava às ovelhas? (b) Como a Bíblia ilustra o desejo sincero de Jeová de proteger suas ovelhas e zelar por elas?

      6 Jeová é nosso Pastor, e nós “somos o seu povo e as ovelhas do seu pasto”. (Salmo 23:1; 100:3) Poucos animais são tão indefesos como a ovelha doméstica. O pastor dos tempos bíblicos tinha de ser corajoso para proteger as ovelhas contra leões, lobos e ursos, bem como contra ladrões. (1 Samuel 17:34, 35; João 10:12, 13) Mas havia momentos em que proteger as ovelhas exigia ternura. Se uma delas desse à luz longe do curral, o prestimoso pastor acudiria o animal nesses momentos difíceis, apanharia o filhote indefeso e o levaria até o curral.

      Um pastor segurando um cordeiro no colo.

      ‘Ele os carregará no colo’

      7 Comparando-se a um pastor, Jeová nos garante seu desejo sincero de nos proteger. (Ezequiel 34:11-16) Lembre-se do que se diz sobre Jeová em Isaías 40:11, considerado no Capítulo 2 deste livro: “Como um pastor ele cuidará do seu rebanho. Com o seu braço reunirá os cordeiros e os carregará no colo.” Como é que um cordeirinho viria a estar no “colo” do pastor — nas dobras na parte superior de sua roupa? Ele talvez se aproximasse do pastor, até mesmo tocando de leve nas suas pernas. Mas é o pastor que precisaria se abaixar, pegar o cordeirinho e delicadamente acomodá-lo na segurança do colo. Que terna representação da disposição de nosso Grandioso Pastor de nos defender e proteger!

      8. (a) A quem se estende a promessa divina de proteção, e como Provérbios 18:10 indica isso? (b) O que está envolvido em encontrar refúgio no nome de Deus?

      8 A promessa de proteção divina é condicional — só a recebe quem se achega a Jeová. Provérbios 18:10 diz: “O nome de Jeová é uma torre forte. O justo corre para dentro dela e recebe proteção.” Nos tempos bíblicos, às vezes se construíam torres nos lugares desabitados como locais de refúgio. Mas cabia a quem estivesse em perigo fugir até a torre em busca de segurança. É similar no caso de encontrar refúgio no nome de Deus. Isso envolve mais do que apenas repeti-lo; o nome divino em si não é um talismã. Em vez disso, temos de conhecer o Portador desse nome, confiar Nele e viver de acordo com os seus padrões justos. Quanta bondade da parte de Jeová em nos garantir que, se o buscarmos com fé, ele se tornará uma torre de proteção para nós!

      ‘Nosso Deus pode nos salvar’

      9. De que modo Jeová tem feito mais do que apenas prometer proteção?

      9 Jeová tem feito mais do que apenas prometer proteção. Nos tempos bíblicos, ele mostrou de maneiras milagrosas que pode proteger seu povo. Durante a história de Israel, a “mão” de Jeová muitas vezes reprimiu inimigos poderosos. (Êxodo 7:4) Mas Jeová também usou seu poder protetor em favor de indivíduos.

      10, 11. Que exemplos bíblicos mostram como Jeová usou seu poder protetor em favor de indivíduos?

      10 Quando três jovens hebreus — conhecidos como Sadraque, Mesaque e Abednego — se recusaram a curvar-se perante a imagem de ouro do Rei Nabucodonosor, o rei furioso ameaçou lançá-los numa fornalha superaquecida. “Quem é o deus que pode salvá-los das minhas mãos?”, zombou Nabucodonosor, o monarca mais poderoso da Terra. (Daniel 3:15) Os três rapazes tinham confiança absoluta no poder de seu Deus para os proteger, mas não pressupunham que ele faria isso. Assim, responderam: “Se tiver de ser assim, nosso Deus, a quem servimos, pode nos salvar.” (Daniel 3:17) Ora, aquela fornalha, mesmo que aquecida sete vezes mais do que o normal, não representava nenhum desafio para o Deus todo-poderoso. Ele realmente protegeu os três hebreus, e o rei foi obrigado a reconhecer: “Não há outro deus que possa salvar como esse.” — Daniel 3:29.

      11 Jeová fez também uma demonstração realmente notável de seu poder protetor ao transferir a vida de seu Filho unigênito para o ventre da virgem judia Maria. Um anjo disse a Maria que ela ‘ficaria grávida e daria à luz um filho’. O anjo explicou: “Espírito santo virá sobre você e poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra.” (Lucas 1:31, 35) Pelo visto, o Filho de Deus nunca havia estado tão vulnerável. Será que o pecado e a imperfeição da mãe humana maculariam o embrião? Satanás seria capaz de ferir ou matar esse Filho antes que nascesse? Impossível! Na verdade, a partir do momento da concepção, Jeová como que cercou Maria de uma muralha protetora, de modo que nada — imperfeição, força prejudicial, assassino humano ou algum demônio — poderia prejudicar o desenvolvimento do embrião. Jeová continuou a proteger Jesus durante sua juventude. (Mateus 2:1-15) Até que chegasse o tempo marcado por Deus, seu amado Filho seria inatacável.

      12. Por que Jeová protegeu milagrosamente algumas pessoas nos tempos bíblicos?

      12 Por que Jeová protegeu algumas pessoas de tais maneiras milagrosas? Em muitos casos, ele fez isso a fim de proteger algo muito mais importante: a realização de Seu propósito. Por exemplo, a sobrevivência do menino Jesus era essencial para o cumprimento do propósito de Deus, que, por fim, beneficiaria toda a humanidade. O registro das muitas demonstrações de poder protetor faz parte das Escrituras inspiradas, “escritas para a nossa instrução, a fim de que, por meio da nossa perseverança e por meio do consolo das Escrituras, [tenhamos] esperança”. (Romanos 15:4) Sem dúvida, esses exemplos fortalecem nossa fé no Deus todo-poderoso. Mas que proteção podemos esperar de Deus hoje?

      Que tipo de proteção divina não se pode esperar

      13. Jeová é obrigado a realizar milagres em nosso favor? Explique.

      13 A promessa de proteção divina não significa que Jeová seja obrigado a fazer milagres em nosso favor. Não, nosso Deus não nos garante uma vida sem problemas neste velho sistema. Muitos servos fiéis de Jeová sofrem severas adversidades, incluindo pobreza, guerras, doenças e morte. Jesus disse claramente a seus discípulos que, como indivíduos, poderiam ser mortos por causa de sua fé. É por isso que Jesus frisou a necessidade de perseverar até o fim. (Mateus 24:9, 13) Se Jeová usasse seu poder de efetuar libertações milagrosas em todos os casos, Satanás sem dúvida zombaria dele e questionaria a genuinidade de nossa devoção a Deus. — Jó 1:9, 10.

      14. Que exemplos mostram que Jeová nem sempre protege todos os seus servos de maneiras idênticas?

      14 Mesmo nos tempos bíblicos, Jeová não usou seu poder protetor para poupar da morte prematura cada um de seus servos. Por exemplo, o apóstolo Tiago foi executado por Herodes, por volta de 44 EC; no entanto, pouco tempo depois, Pedro foi livrado “das mãos de Herodes”. (Atos 12:1-11) E João, irmão de Tiago, viveu mais do que Pedro e Tiago. Obviamente, não podemos esperar que Deus proteja todos os seus servos de maneiras idênticas. Além disso, “o tempo e o imprevisto” sobrevêm a todos nós. (Eclesiastes 9:11) Como, então, Jeová nos protege hoje em dia?

      Jeová dá proteção física

      15, 16. (a) Qual é a evidência de que Jeová dá proteção física para seus adoradores como grupo? (b) Por que podemos confiar que Jeová protegerá seus servos agora e durante a “grande tribulação”?

      15 Considere, primeiro, o aspecto da proteção física. Nós, adoradores de Jeová, podemos ter certeza de que ele nos protegerá como grupo. Do contrário, seríamos presa fácil de Satanás. Pense nisso: Satanás, “o governante deste mundo”, teria o maior prazer em eliminar a adoração verdadeira. (João 12:31; Apocalipse 12:17) Alguns dos mais poderosos governantes da Terra proibiram nossa obra de pregação e tentaram nos exterminar. No entanto, o povo de Jeová permanece firme e continua a pregar sem cessar! Por que nações poderosas não conseguiram parar a atividade desse grupo de cristãos relativamente pequeno e aparentemente indefeso? Porque Jeová, de modo simbólico, nos protege com suas poderosas asas! — Salmo 17:7, 8.

      16 Podemos esperar ter proteção física durante a vindoura “grande tribulação”? Não precisamos temer a execução dos julgamentos de Deus. Afinal, “Jeová sabe livrar da provação os que têm devoção a ele, mas reservar os injustos para serem destruídos no dia do julgamento”. (Apocalipse 7:14; 2 Pedro 2:9) Nesse meio-tempo, podemos sempre estar certos de duas coisas. Primeiro, Jeová jamais permitirá que seus servos leais sejam varridos da Terra. Segundo, ele recompensará os íntegros com vida eterna no seu novo mundo justo — se necessário, por meio da ressurreição. Para os que morrem, não existe lugar mais seguro do que estar na memória de Deus. — João 5:28, 29.

      17. Como Jeová nos protege por meio de sua Palavra?

      17 Mesmo agora, Jeová nos protege por meio de sua “palavra” viva, cuja força motiva as pessoas, curando seu coração e ajudando-as a mudar de vida. (Hebreus 4:12) Pela aplicação de seus princípios podemos, em certos sentidos, ser protegidos contra danos físicos. ‘Eu, Jeová, ensino o que é melhor para você’, diz Isaías 48:17. Sem dúvida, viver em harmonia com a Palavra de Deus pode melhorar nossa saúde e prolongar a vida. Por exemplo, se aplicarmos o conselho bíblico de evitar a imoralidade sexual e nos ‘purificar de toda a imundície’, evitaremos práticas impuras e hábitos nocivos que causam estragos na vida de muitos que não temem a Deus. (Atos 15:29; 2 Coríntios 7:1) Como somos gratos pela proteção da Palavra de Deus!

      Jeová nos protege espiritualmente

      18. Que proteção espiritual Jeová nos dá?

      18 O mais importante é que Jeová nos dá proteção espiritual. Nosso Deus amoroso nos protege contra o dano espiritual, fornecendo-nos o que precisamos para suportar provações e preservar nossa relação com ele. Desse modo, Jeová age para preservar nossa vida, não apenas por alguns anos, mas pela eternidade. Considere algumas das provisões de Deus que podem proteger-nos espiritualmente.

      19. Como o espírito de Jeová pode nos ajudar a enfrentar qualquer provação?

      19 Jeová é o “Ouvinte de oração”. (Salmo 65:2) Quando as pressões da vida parecerem esmagadoras, abrir nosso coração a ele pode nos dar muito alívio. (Filipenses 4:6, 7) Jeová talvez não acabe milagrosamente com as provações, mas, em resposta a nossas orações sinceras, ele pode nos dar a sabedoria para lidar com elas. (Tiago 1:5, 6) Mais do que isso, Jeová dá espírito santo aos que lhe pedem. (Lucas 11:13) Esse poderoso espírito nos ajuda a enfrentar qualquer provação ou problema que tenhamos. Pode dar-nos “poder além do normal” para suportarmos todos os problemas dolorosos até que Jeová os remova no novo mundo tão próximo. — 2 Coríntios 4:7.

      20. Como o poder protetor de Jeová é expresso por meio de nossos irmãos cristãos?

      20 Às vezes, o poder protetor de Jeová é expresso por meio de nossos irmãos cristãos. Jeová reuniu seu povo numa “fraternidade” mundial. (1 Pedro 2:17; João 6:44) O amor que caracteriza essa fraternidade é um testemunho vivo do poder do espírito santo de Deus de influenciar pessoas para o bem. Esse espírito produz frutos em nós — belas e preciosas qualidades, como o amor, a bondade e a benignidade. (Gálatas 5:22, 23) Assim, quando estamos angustiados e um concrente se sente movido a nos dar conselhos úteis, ou a expressar palavras de encorajamento muito necessárias, podemos agradecer a Jeová por tais expressões de Seu cuidado protetor.

      21. (a) Que alimento espiritual oportuno Jeová fornece por meio do “escravo fiel e prudente”? (b) Que benefícios você já derivou das provisões de Jeová para nossa proteção espiritual?

      21 Jeová nos dá algo mais para nos proteger: alimento espiritual oportuno. Para nos ajudar a derivar força de sua Palavra, Jeová encarregou o “escravo fiel e prudente” de distribuir alimento espiritual. Esse escravo fiel usa publicações, como as revistas A Sentinela e Despertai!, bem como nosso site jw.org, reuniões, assembleias e congressos, para nos fornecer “alimento no tempo apropriado” — o que necessitamos e quando o necessitamos. (Mateus 24:45) Já ouviu alguma vez numa reunião cristã — num comentário, num discurso, ou mesmo numa oração — algo que lhe deu exatamente a força e o encorajamento de que precisava? Já lhe aconteceu de um artigo específico de nossas revistas lhe tocar profundamente? Lembre-se, Jeová faz todas essas provisões para nos proteger espiritualmente.

      22. De que maneiras Jeová sempre usa seu poder? Por que isso é nos nossos melhores interesses?

      22 Jeová é certamente um escudo “para todos os que se refugiam nele”. (Salmo 18:30) Entendemos que ele não usa seu poder protetor para nos defender de toda calamidade agora. Mas ele sempre o usa para garantir a realização de seu propósito. A longo prazo, isso resulta nos melhores interesses de seu povo. Se nos achegarmos a ele e permanecermos no seu amor, Jeová nos dará uma eternidade de vida perfeita. Com essa perspectiva em mente, podemos de fato encarar qualquer sofrimento neste sistema como “momentâneo e leve”. — 2 Coríntios 4:17.

      Perguntas para Meditação

      • Salmo 23:1-6 Como Grandioso Pastor, de que maneira Jeová protege e cuida de seu povo comparável a ovelhas?

      • Salmo 91:1-16 Como Jeová nos protege contra a calamidade espiritual, e o que temos de fazer para recebermos a sua proteção?

      • Daniel 6:16-22, 25-27 Que demonstração de seu poder protetor Jeová fez a um rei do passado? O que podemos aprender desse exemplo?

      • Mateus 10:16-22, 28-31 Que oposição podemos esperar, mas por que não devemos temer os opositores?

  • Poder de restauração — Jeová ‘está fazendo novas todas as coisas’
    Achegue-se a Jeová
    • Uma viúva abraçando alegremente seu filhinho ressuscitado.

      CAPÍTULO 8

      Poder de restauração — Jeová ‘está fazendo novas todas as coisas’

      1, 2. Que perdas afligem a família humana hoje, e como nos afetam?

      JÁ VIU uma criança chorar de tristeza por ter perdido ou quebrado seu brinquedo preferido? É de partir o coração! Mas quando o pai ou a mãe encontra o brinquedo ou o conserta, o rosto da criança se ilumina com um sorriso! Para os pais, talvez tenha sido uma tarefa simples. Mas a criança fica muito contente e admirada. O que parecia perdido para sempre foi recuperado!

      2 Jeová, o Pai supremo, tem o poder de recuperar, ou restaurar, o que seus filhos terrestres talvez encarem como perda irremediável. Naturalmente, não estamos falando de meros brinquedos. Nestes “tempos críticos, difíceis de suportar”, enfrentamos perdas muito mais sérias. (2 Timóteo 3:1-5) Muitas das coisas que as pessoas têm em alta estima parecem estar sempre em perigo — a casa, os bens, o emprego, até mesmo a saúde. Também nos entristece ver a destruição do meio ambiente e a extinção de muitas espécies de coisas vivas. No entanto, nada nos atinge mais duramente do que a morte de uma pessoa amada. Os sentimentos de perda e de impotência podem ser esmagadores. — 2 Samuel 18:33.

      3. Que perspectiva consoladora apresenta Atos 3:21, e que meios Jeová usará para isso?

      3 Portanto, como é consolador aprender a respeito do poder de restauração de Jeová! Conforme veremos, o número de coisas que Deus pode e vai restaurar para seus filhos terrestres é espantosamente grande. De fato, a Bíblia mostra que Jeová deseja o “restabelecimento de todas as coisas”. (Atos 3:21) Para isso, ele usará o Reino messiânico, governado por seu Filho, Jesus Cristo. As evidências mostram que esse Reino começou a governar em 1914.a (Mateus 24:3-14) O que será restabelecido, ou restaurado? Vejamos alguns dos grandiosos atos de restauração de Jeová. Um desses já podemos ver e sentir. Outros ocorrerão em larga escala no futuro.

      A restauração da adoração pura

      4, 5. O que aconteceu com o povo de Deus em 607 AEC, e que esperança Jeová lhes deu?

      4 Uma das coisas já restauradas por Jeová é a adoração pura. Para entendermos o que isso significa, examinemos brevemente a História do reino de Judá. Isso nos dará uma emocionante visão do poder de restauração de Jeová em ação. — Romanos 15:4.

      5 Tente imaginar como os judeus fiéis se sentiram em 607 AEC, quando Jerusalém foi destruída. A amada cidade deles foi arruinada, suas muralhas foram derrubadas. Pior ainda, o glorioso templo construído por Salomão, que era o único centro da adoração pura de Jeová na Terra, ficou em ruínas. (Salmo 79:1) Os sobreviventes foram exilados para Babilônia, e a terra natal deles virou um desolado refúgio de animais selvagens. (Jeremias 9:11) Do ponto de vista humano, tudo parecia perdido. (Salmo 137:1) Mas Jeová, que muito antes havia predito essa destruição, apresentou a esperança de um futuro período de restauração.

      6-8. (a) Que tema recorrente se encontra nos escritos dos profetas hebreus, e que cumprimento inicial tiveram essas profecias? (b) Nos tempos modernos, como se cumpriram no povo de Deus muitas profecias de restauração?

      6 Realmente, a restauração era um tema recorrente nos escritos dos profetas hebreus.b Por meio deles, Jeová prometera uma terra restaurada e repovoada, fértil, protegida contra animais selvagens e ataques de inimigos. Sua descrição da terra restaurada era de um autêntico paraíso! (Isaías 65:25; Ezequiel 34:25; 36:35) Acima de tudo, a adoração pura seria restabelecida e o templo, reconstruído. (Miqueias 4:1-5) Essas profecias deram esperança para os judeus exilados, ajudando-os a suportar o cativeiro de 70 anos em Babilônia.

      7 Finalmente, chegara o tempo de restauração. Libertados de Babilônia, os judeus retornaram para Jerusalém e reconstruíram o templo de Jeová ali. (Esdras 1:1, 2) Enquanto praticavam a adoração pura, Jeová os abençoava e fazia com que a terra deles fosse fértil e próspera. Ele os protegia contra inimigos e os animais selvagens que, por décadas, haviam ocupado a terra. Quanta alegria deve ter-lhes dado o poder de restauração de Jeová! Mas esses acontecimentos eram apenas um cumprimento inicial e limitado das profecias de restauração. Viria um cumprimento maior “na parte final dos dias”, nos nossos tempos, quando o Herdeiro do Rei Davi, há muito prometido, estaria entronizado. — Isaías 2:2-4; 9:6, 7.

      8 Pouco depois de ter sido entronizado no Reino celestial em 1914, Jesus passou a suprir as necessidades espirituais do povo fiel de Deus na Terra. Assim como o conquistador persa Ciro libertou um restante de judeus de Babilônia em 537 AEC, Jesus libertou um restante de judeus espirituais — seguidores de suas pisadas — da influência de “Babilônia, a Grande”, o império mundial da religião falsa. (Apocalipse 18:1-5; Romanos 2:29) De 1919 em diante, a adoração pura voltou a ocupar o lugar correto na vida dos cristãos genuínos. (Malaquias 3:1-5) Desde então, o povo de Jeová o adora no Seu templo espiritual purificado — Seu sistema de adoração pura. Por que isso é importante para nós hoje?

      Restauração espiritual — Por que é importante?

      9. Depois da era apostólica, como as religiões da cristandade deturparam a adoração divina, mas o que Jeová fez em nossos dias?

      9 Analise a História. Os cristãos no primeiro século tiveram muitas bênçãos espirituais. Mas Jesus e os apóstolos predisseram que a adoração verdadeira seria corrompida e desapareceria. (Mateus 13:24-30; Atos 20:29, 30) Depois da era apostólica, surgiu a cristandade. Seu clero adotou ensinos e práticas pagãs. Além disso, tornou praticamente impossível achegar-se a Deus, retratando-o como uma incompreensível Trindade, ensinando o povo a confessar pecados a sacerdotes e a orar a Maria e a vários “santos”, em vez de a Jeová. Essa falsidade persistiu por muitos séculos, mas o que Jeová fez então? No meio do mundo atual — abarrotado de mentiras religiosas e poluído por práticas pecaminosas —, ele interveio e restaurou a adoração pura! Pode-se dizer, sem exagero, que essa restauração é um dos acontecimentos mais importantes dos tempos modernos.

      10, 11. (a) O paraíso espiritual abrange que dois aspectos e como isso o afeta? (b) Que tipo de pessoas Jeová tem trazido ao paraíso espiritual, e o que elas terão o privilégio de presenciar?

      10 Por isso, os cristãos verdadeiros na atualidade desfrutam um paraíso espiritual que está sempre melhorando, sempre se desenvolvendo. O que esse paraíso abrange? Primariamente, dois aspectos. O primeiro é a adoração pura do Deus verdadeiro, Jeová. Ele nos abençoou com uma forma de adoração sem mentiras e distorções. E também nos abençoou com alimento espiritual. Assim, podemos aprender a respeito de nosso Pai celestial, agradá-lo e nos achegar a ele. (João 4:24) O segundo aspecto do paraíso espiritual envolve pessoas. Conforme Isaías predisse, “na parte final dos dias” Jeová ensina seus adoradores a serem pacíficos. Ele aboliu a guerra entre nós. Apesar de nossas imperfeições, ele nos ajuda a desenvolver a “nova personalidade”. Abençoa nossos esforços dando-nos seu espírito santo, que produz excelentes qualidades em nós. (Efésios 4:22-24; Gálatas 5:22, 23) Se você age em harmonia com o espírito de Deus, realmente faz parte do paraíso espiritual.

      11 Jeová tem trazido a esse paraíso espiritual o tipo de pessoas que ele ama — pessoas que o amam, que amam a paz e têm “consciência de sua necessidade espiritual”. (Mateus 5:3) Elas terão o privilégio de presenciar uma restauração ainda mais espetacular — da humanidade e da Terra inteira.

      “Veja! Estou fazendo novas todas as coisas”

      12, 13. (a) Por que as profecias de restauração ainda terão de ter outro cumprimento? (b) Qual é o propósito de Jeová para a Terra, conforme declarado no Éden, e por que isso nos dá esperança?

      12 Muitas das profecias de restauração se referem a mais do que apenas uma restauração espiritual. Isaías, por exemplo, escreveu a respeito de um tempo em que doentes, deficientes físicos, cegos e surdos seriam curados e até mesmo a morte seria eliminada para sempre. (Isaías 25:8; 35:1-7) Tais promessas não se cumpriram literalmente no Israel antigo. E, embora elas se cumpram em nossos dias em sentido espiritual, há todos os motivos para crer que, no futuro, haverá um cumprimento literal em plena escala. Como sabemos disso?

      13 Lá no Éden, Jeová deixou claro qual era seu propósito para a Terra: ser habitada por uma família humana feliz, sadia e unida. O homem e a mulher cuidariam deste planeta e de todas as suas criaturas, transformando todo ele num paraíso. (Gênesis 1:28) Isso é bem diferente de como as coisas são hoje em dia. Mas você pode estar certo disto: os propósitos de Jeová nunca falham. (Isaías 55:10, 11) Jesus, como Rei messiânico designado por Jeová, tornará realidade esse Paraíso global. — Lucas 23:43.

      14, 15. (a) Como Jeová fará “novas todas as coisas”? (b) Como será a vida no Paraíso, e que aspecto mais o atrai?

      14 Imagine ver a Terra inteira ser transformada num Paraíso! Jeová diz a respeito daquele tempo: “Veja! Estou fazendo novas todas as coisas.” (Apocalipse 21:5) Pense no que isso significará. Depois de Jeová ter usado seu poder de destruição contra este perverso velho sistema, existirão “novos céus e uma nova terra”. Isso significa que um novo governo regerá do céu uma nova sociedade terrestre composta de pessoas que amam a Jeová e fazem a Sua vontade. (2 Pedro 3:13) Satanás e seus demônios estarão fora de ação. (Apocalipse 20:3) Pela primeira vez em milhares de anos, a humanidade ficará livre dessa influência corrompedora, odiosa e prejudicial. Que sensação de alívio!

      15 Finalmente, poderemos cuidar deste belo planeta como deveria ter sido desde o princípio. A Terra tem capacidades naturais de recuperação. Lagos e rios poluídos limparão a si mesmos se a fonte da poluição for eliminada; paisagens danificadas pela guerra podem se recuperar, se os conflitos cessarem. Que prazer será trabalhar em harmonia com as leis naturais da Terra, ajudando a transformá-la num parque ajardinado, um Éden global de infinita variedade! Em vez de levianamente exterminar espécies animais e vegetais, o homem estará em paz com toda a criação na Terra. Nem mesmo as crianças terão qualquer temor dos animais selvagens. — Isaías 9:6, 7; 11:1-9.

      16. No Paraíso, que restauração afetará todas as pessoas fiéis?

      16 Teremos uma restauração também em nível pessoal. Após o Armagedom, os sobreviventes presenciarão curas milagrosas em escala global. Como fez quando esteve na Terra, Jesus usará o poder divino para restaurar a visão aos cegos, a audição aos surdos e corpos sadios e normais aos deficientes físicos e aos doentes. (Mateus 15:30) Os idosos ficarão felizes ao recuperar a força, a saúde e o vigor da juventude. (Jó 33:25) As rugas desaparecerão, os membros se regenerarão e os músculos recuperarão o vigor. Todos os humanos obedientes sentirão os efeitos do pecado e da imperfeição diminuir gradativamente, até desaparecer. Quanta gratidão sentiremos a Jeová Deus por seu maravilhoso poder de restauração! Focalizemos agora um aspecto especialmente animador desse emocionante tempo de restauração.

      Mortos voltarão a viver

      17, 18. (a) Por que Jesus repreendeu os saduceus? (b) Que circunstâncias levaram Elias a pedir a Jeová que realizasse uma ressurreição?

      17 No primeiro século EC, alguns líderes religiosos, chamados saduceus, não criam na ressurreição. Jesus os repreendeu com as palavras: “Vocês estão enganados, porque não conhecem nem as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mateus 22:29) Sim, as Escrituras revelam que Jeová tem esse poder de restauração. Como assim?

      18 Visualize o que aconteceu nos dias de Elias. Uma viúva segurava nos braços o corpo inerte de seu filho único. O menino estava morto. O profeta Elias, que havia sido hóspede dela por algum tempo, com certeza estava chocado. Anteriormente, ele havia ajudado a salvar essa criança da inanição. É provável que Elias tivesse se apegado ao garoto. A mãe estava arrasada. O menino era a única lembrança viva de seu falecido esposo. Ela talvez esperasse que esse filho cuidasse dela na velhice. Desolada, a viúva temia estar sendo punida por algum erro do passado. Elias não suportou ver essa tragédia. Com cuidado, apanhou o cadáver do colo da mãe, subiu ao seu quarto e pediu a Jeová que restaurasse a vida da criança. — 1 Reis 17:8-21.

      19, 20. (a) Como Abraão mostrou que tinha fé no poder de restauração de Jeová, e qual era a base dessa fé? (b) Como Jeová recompensou a Elias por sua fé?

      19 Elias não foi a primeira pessoa a crer na ressurreição. Séculos antes, Abraão já acreditava que Jeová tem tal poder de restauração — e com bons motivos. Quando Abraão tinha 100 anos de idade e Sara tinha 90, Jeová restaurou as faculdades reprodutivas do casal, tornando possível que Sara milagrosamente tivesse um filho. (Gênesis 17:17; 21:2, 3) Mais tarde, quando o filho já era adulto, Jeová pediu a Abraão que o sacrificasse. Abraão mostrou fé, reconhecendo que Jeová poderia restaurar a vida de seu amado Isaque. (Hebreus 11:17-19) Essa forte fé talvez explique por que Abraão, antes de subir ao monte para oferecer seu filho, garantiu aos seus servos que ele e Isaque voltariam juntos. — Gênesis 22:5.

      Uma viúva abraçando alegremente seu filhinho ressuscitado; Elias está olhando para os dois.

      “Veja! Seu filho está vivo!”

      20 Jeová poupou Isaque, de modo que não foi preciso uma ressurreição naquela ocasião. No caso de Elias, porém, o filho da viúva já estava morto — mas não por muito tempo. Jeová recompensou a fé do profeta ressuscitando a criança. Em seguida, Elias entregou o menino à mãe, com estas palavras inesquecíveis: “Veja! Seu filho está vivo!” — 1 Reis 17:22-24.

      21, 22. (a) Qual foi o objetivo das ressurreições registradas nas Escrituras? (b) Qual será a extensão da ressurreição no Paraíso e quem a realizará?

      21 Essa é a primeira vez, no registro bíblico, em que vemos Jeová usar seu poder para restaurar uma vida humana. Mais tarde, Jeová também capacitou Eliseu, Jesus, Paulo e Pedro para ressuscitar mortos. Naturalmente, os que foram ressuscitados por fim morreram de novo. Mas esses relatos bíblicos indicam maravilhosas perspectivas para o futuro.

      22 No Paraíso, Jesus cumprirá seu papel de ser “a ressurreição e a vida”. (João 11:25) Ele ressuscitará incontáveis milhões de pessoas, dando-lhes a oportunidade de viverem para sempre no Paraíso na Terra. (João 5:28, 29) Imagine o reencontro de amigos e parentes, há muito separados pela morte, ao se abraçarem — quase fora de si de tanta alegria! Toda a humanidade louvará a Jeová por esse poder de restauração.

      23. Qual foi a maior de todas as demonstrações do poder de Jeová? Que garantia isso nos dá para o futuro?

      23 Jeová forneceu uma garantia sólida como uma rocha de que tais esperanças são seguras. Na maior de todas as demonstrações de poder, ele ressuscitou seu Filho, Jesus, como poderosa criatura espiritual, colocando-o numa posição inferior apenas à Sua própria. O ressuscitado Jesus apareceu a centenas de testemunhas oculares. (1 Coríntios 15:5, 6) Até mesmo para os cépticos, essa evidência deve ser conclusiva. Jeová tem o poder de restaurar a vida.

      24. Por que podemos ter certeza de que Jeová ressuscitará os mortos? Que esperança cada um de nós pode prezar?

      24 Jeová não apenas tem o poder de ressuscitar os mortos, mas também o desejo de fazer isso. Pelo que o fiel Jó foi inspirado a dizer podemos deduzir que Jeová realmente anseia ressuscitar os mortos. (Jó 14:15, nota) Não se sente atraído ao nosso Deus, que está ansioso de usar seu poder de restauração de maneira tão amorosa? Lembre-se, porém, de que a ressurreição é apenas um dos aspectos da futura grande obra de restauração de Jeová. Ao se achegar cada vez mais a ele, preze sempre a preciosa esperança de poder estar presente para ver Jeová “fazendo novas todas as coisas”. — Apocalipse 21:5.

      a “O tempo do restabelecimento de todas as coisas” começou quando o Reino messiânico foi estabelecido, tendo no trono um herdeiro do fiel Rei Davi. Jeová havia prometido a Davi que um herdeiro seu seria rei para sempre. (Salmo 89:35-37) Mas, depois que Babilônia destruiu Jerusalém, em 607 AEC, nenhum descendente humano de Davi ocupou o trono de Deus. Após algum tempo, Jesus nasceu na Terra como herdeiro de Davi. Quando foi entronizado no céu, Jesus tornou-se aquele Rei há muito prometido.

      b Por exemplo, Moisés, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oseias, Joel, Amós, Obadias, Miqueias e Sofonias abordaram esse tema.

      Perguntas para Meditação

      • 2 Reis 5:1-15 Por ter cultivado a humildade, como certo homem nos tempos bíblicos se beneficiou do poder de restauração de Jeová?

      • Jó 14:12-15 Que confiança Jó tinha? Como esses versículos podem influir na nossa própria esperança?

      • Salmo 126:1-6 Que sentimentos os cristãos hoje podem ter a respeito da restauração da adoração pura e de sua participação nisso?

      • Romanos 4:16-25 Por que é importante ter fé no poder de restauração de Jeová?

  • “Cristo é o poder de Deus”
    Achegue-se a Jeová
    • Jesus no mar da Galileia numa noite escura, com tempestade.

      CAPÍTULO 9

      “Cristo é o poder de Deus”

      1-3. (a) Que situação assustadora os discípulos enfrentaram no mar da Galileia, e o que Jesus fez? (b) Por que foi apropriado o apóstolo Paulo dizer que “Cristo é o poder de Deus”?

      OS DISCÍPULOS estavam apavorados. Quando atravessavam o mar da Galileia, também conhecido como lago de Genesaré, uma tempestade começou de repente. Sem dúvida, eles já haviam enfrentado tempestades naquele lago, afinal alguns deles eram pescadores experientes.a (Mateus 4:18, 19) Mas essa era “uma violenta tempestade” que rapidamente agitou as águas, deixando o mar em fúria. Os homens faziam de tudo para controlar a embarcação, mas a tempestade era forte demais. Ondas altas “se lançavam sobre o barco”, inundando-o. Apesar de toda essa agitação, Jesus dormia profundamente na popa, exausto depois de um dia ensinando as multidões. Temendo por suas vidas, os discípulos acordaram-no e imploraram: “Senhor, salve-nos, pois estamos prestes a morrer!” — Marcos 4:35-38; Mateus 8:23-25.

      2 Jesus não demonstrou nenhum medo. Com total confiança, censurou o vento e disse ao mar: “Silêncio! Cale-se!” Ambos obedeceram imediatamente — a tempestade cessou, as ondas desapareceram e “houve uma grande calmaria”. Os discípulos ficaram muito assustados. “Quem é realmente este homem?”, cochicharam entre si. De fato, que homem era esse que censurava o vento e o mar como se repreendesse uma criança levada? — Marcos 4:39-41; Mateus 8:26, 27.

      3 Jesus não era um homem qualquer. Jeová demonstrou poder a favor dele e por meio dele de maneiras extraordinárias. O apóstolo Paulo disse apropriadamente, sob inspiração: “Cristo é o poder de Deus.” (1 Coríntios 1:24) De que maneiras o poder de Deus se manifestou em Jesus? E como o modo de Jesus usar o poder deve influenciar nossa vida?

      O poder do Filho unigênito de Deus

      4, 5. (a) Que poder e autoridade Jeová delegou para seu Filho unigênito? (b) Como o Filho conseguiu executar as tarefas criativas de que o Pai lhe incumbiu?

      4 Pense no poder que Jesus tinha durante sua existência pré-humana. Jeová exerceu seu “poder eterno” quando criou seu Filho unigênito, que veio a ser conhecido como Jesus Cristo. (Romanos 1:20; Colossenses 1:15) Depois, Jeová delegou grande poder e autoridade ao Filho para, por meio dele, criar tudo o que existe. A respeito do Filho, a Bíblia diz: “Todas as coisas vieram a existir por meio dele, e sem ele nem mesmo uma só coisa veio a existir.” — João 1:3.

      5 Nós nem fazemos ideia da grandiosidade dessa incumbência. Imagine o poder necessário para criar milhões de anjos poderosos, o Universo físico com seus bilhões de galáxias e a Terra com sua enorme variedade de formas de vida! Para realizar essas tarefas, o Filho unigênito tinha à disposição a força mais poderosa do Universo: o espírito santo de Deus. O Filho teve muito prazer em ser o trabalhador perito usado por Jeová para criar todas as outras coisas. — Provérbios 8:22-31.

      6. Após sua morte e ressurreição, que poder e autoridade Jesus recebeu?

      6 Será que o Filho unigênito receberia ainda mais poder e autoridade? Depois de sua morte e ressurreição, Jesus disse: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.” (Mateus 28:18) Portanto, foram concedidos a Jesus tanto a capacidade como o direito de exercer poder em todo o Universo. Como “Rei dos reis e Senhor dos senhores”, ele recebeu autorização de reduzir “a nada todo governo, toda autoridade e poder” — visível ou invisível — que se oponha ao seu Pai. (Apocalipse 19:16; 1 Coríntios 15:24-26) Deus “não deixou nada que não ficasse sujeito” a Jesus, exceto, é claro, ele próprio, Jeová. — Hebreus 2:8; 1 Coríntios 15:27.

      7. Por que podemos ter certeza de que Jesus nunca usará mal o poder que Jeová lhe concedeu?

      7 Será que precisamos ficar preocupados que Jesus use mal seu poder? De modo algum! Jesus ama de verdade o seu Pai e nunca faria nada para desagradá-lo. (João 8:29; 14:31) Ele sabe que Jeová nunca usa mal seu poder ilimitado. Observou de primeira mão como o Criador procura oportunidades de “mostrar a sua força a favor daqueles que têm o coração pleno para com ele”. (2 Crônicas 16:9) De fato, Jesus, assim como seu Pai, ama muito a humanidade, de modo que podemos ter confiança de que ele sempre usará seu poder para o bem. (João 13:1) As ações de Jesus no passado confirmam isso. Ele jamais usou mal o poder. Vamos analisar o poder que ele tinha quando estava na Terra e como se sentiu motivado a usá-lo.

      “Poderoso em . . . palavras”

      8. Depois de ser ungido, que poder Jesus recebeu e como o usou?

      8 Evidentemente, Jesus não realizou milagres quando era menino e crescia em Nazaré. Mas isso mudou depois que ele foi batizado em 29 EC, com cerca de 30 anos de idade. (Lucas 3:21-23) A Bíblia nos diz: “Deus o ungiu com espírito santo e poder; e ele andou por toda a região fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo Diabo.” (Atos 10:38) “Fazendo o bem” — isso indica que Jesus usou corretamente o poder, não acha? Depois de ser ungido, ele “foi um profeta poderoso em ações e palavras”. — Lucas 24:19.

      9-11. (a) Onde Jesus realizou a maior parte da sua obra de ensinar e por que isso era um desafio? (b) Por que as multidões ficaram maravilhadas com o modo de Jesus ensinar?

      9 Em que sentido Jesus era poderoso em palavras? Ele muitas vezes ensinava ao ar livre: à beira de lagos, nas colinas, nas ruas e nas praças. (Marcos 6:53-56; Lucas 5:1-3; 13:26) Ou seja, seus ouvintes poderiam simplesmente ir embora se suas palavras não prendessem a atenção. Naquela época, em que não havia livros impressos, os ouvintes apreciativos tinham de guardar as palavras dele na mente e no coração. De modo que o ensino de Jesus tinha de prender a atenção, ser fácil de entender e de lembrar. Mas isso não era problema para ele. Veja um exemplo: o Sermão do Monte.

      10 Certa manhã, no início do ano 31 EC, uma multidão se reuniu numa colina perto do mar da Galileia. Alguns haviam vindo da Judeia e de Jerusalém, que ficavam à distância de 100 a 110 quilômetros dali. Outros haviam vindo da região costeira de Tiro e Sídon, ao norte. Muitos doentes se aproximaram de Jesus para tocá-lo e ele curou a todos. Quando já não havia nenhuma pessoa gravemente doente entre eles, ele começou a ensinar. (Lucas 6:17-19) Quando terminou de falar algum tempo depois, as pessoas estavam fascinadas com o que tinham ouvido. Por quê?

      11 Anos depois, alguém que havia ouvido aquele sermão escreveu: “As multidões ficaram maravilhadas com seu modo de ensinar, pois ele as ensinava como quem tinha autoridade.” (Mateus 7:28, 29) As pessoas sentiam o poder de Jesus quando ele falava como representante divino, baseando seu ensino na autoridade da Palavra de Deus. (João 7:16) As declarações de Jesus eram claras, suas exortações, persuasivas; e seus argumentos, irrefutáveis. Suas palavras chegavam ao âmago das questões e tocavam o coração dos ouvintes. Ele os ensinou a encontrar felicidade, a orar, a buscar o Reino de Deus e a ter um futuro seguro. (Mateus 5:3–7:27) Suas palavras estimulavam o coração dos que tinham fome da verdade e da justiça. Esses se dispunham a ‘negar’ a si mesmos e a abandonar tudo para segui-lo. (Mateus 16:24; Lucas 5:10, 11) Que demonstração do poder das palavras de Jesus!

      “Poderoso em ações”

      12, 13. Por que se diz que Jesus era “poderoso em ações”, e em que sentidos seus milagres eram variados?

      12 Jesus também era “poderoso em ações”. (Lucas 24:19) Os Evangelhos relatam mais de 30 milagres específicos que ele realizou — todos pelo “poder de Jeová”.b (Lucas 5:17) Os milagres de Jesus beneficiaram milhares de pessoas. Em apenas dois desses milagres — quando ele alimentou primeiro 5 mil homens e mais tarde 4 mil homens. Com mulheres e crianças, as multidões provavelmente incluíram muitos outros milhares de pessoas. — Mateus 14:13-21; 15:32-38.

      13 Os milagres de Jesus eram bem variados. Ele tinha autoridade sobre demônios, expulsando-os facilmente. (Lucas 9:37-43) Tinha poder sobre elementos físicos, transformando água em vinho. (João 2:1-11) Imagine a surpresa dos discípulos quando eles “viram Jesus andando sobre o mar”. (João 6:18, 19) Tinha o poder de curar todo tipo de defeitos físicos, de doenças crônicas, ou potencialmente fatais. (Marcos 3:1-5; João 4:46-54) As maneiras de ele curar também variavam. Alguns foram curados à distância; outros foram tocados diretamente por Jesus. (Mateus 8:2, 3, 5-13) Alguns foram curados na hora; outros, aos poucos. — Marcos 8:22-25; Lucas 8:43, 44.

      “Viram Jesus andando sobre o mar”

      14. Em que circunstâncias Jesus demonstrou que tinha o poder de anular a morte?

      14 Além disso, Jesus tinha uma habilidade notável: o poder de anular a morte. Há registros de três ocasiões em que ele ressuscitou mortos: devolveu uma menina de 12 anos aos pais; um filho único à mãe, que era viúva; e um irmão muito querido às suas irmãs. (Lucas 7:11-15; 8:49-56; João 11:38-44) Para ele, nenhuma circunstância era tão difícil que o impedisse de realizar uma ressurreição. A menina de 12 anos, por exemplo, foi trazida de volta à vida pouco depois de ter morrido. Já o filho da viúva foi ressuscitado quando era transportado no seu esquife, sem dúvida no mesmo dia em que morreu. E a ressurreição de Lázaro se deu quatro dias depois de ele ter morrido.

      Poder usado de forma altruísta, responsável e compassiva

      15, 16. O que demonstra que Jesus usava o poder de forma altruísta?

      15 Consegue imaginar o que aconteceria se o poder de Jesus caísse nas mãos de um governante imperfeito? Possivelmente, haveria abuso de poder. Mas Jesus não tinha pecado. (1 Pedro 2:22) Ele se recusou a ser manchado pelo egoísmo, pela ambição e pela ganância que levam os humanos imperfeitos a usar o poder para prejudicar outros.

      16 Jesus usava o poder de forma altruísta, nunca para obter vantagens pessoais. Quando estava faminto, recusou-se a transformar pedras em pão, em proveito próprio. (Mateus 4:1-4) Ele tinha poucos bens, o que demonstra claramente que não usava o poder para obter lucros materiais. (Mateus 8:20) Há outro fato que prova que suas obras poderosas não tinham motivação egoísta. Realizar milagres lhe custava algo. Quando curava doentes, saía poder dele. Ele sentia isso até quando curava uma única pessoa. (Marcos 5:25-34) Mesmo assim, deixava que multidões o tocassem, e elas eram curadas. (Lucas 6:19) Que abnegação!

      17. Como Jesus mostrou que usava o poder de modo responsável?

      17 Jesus usava o poder de modo responsável. Ele nunca fez obras poderosas só para se mostrar ou por exibicionismo, sem um propósito. (Mateus 4:5-7) Ele se recusou a realizar sinais só para satisfazer a curiosidade de Herodes, que tinha motivações erradas. (Lucas 23:8, 9) Em vez de propagar os seus feitos aos quatro ventos, Jesus muitas vezes dizia aos curados que não contassem nada a ninguém. (Marcos 5:43; 7:36) Não queria que as pessoas tirassem conclusões a seu respeito com base em relatos sensacionalistas. — Mateus 12:15-19.

      18-20. (a) O que influenciava o modo de Jesus usar o poder? (b) O que você acha do modo de Jesus curar um surdo?

      18 Jesus era um homem poderoso, mas era bem diferente de certos governantes que exercem o poder de forma insensível, sem levar em conta as necessidades e o sofrimento dos outros. Jesus se preocupava com as pessoas. Só de ver os aflitos, ele sentia tanta compaixão que simplesmente tinha de aliviar seu sofrimento. (Mateus 14:14) Ele levava em consideração seus sentimentos e necessidades, e essa preocupação amorosa influenciava seu modo de usar o poder. Em Marcos 7:31-37 encontra-se um exemplo comovente disso.

      19 Naquela ocasião, grandes multidões encontraram Jesus e trouxeram-lhe muitos doentes, e ele curou a todos. (Mateus 15:29, 30) Mas Jesus mostrou consideração especial por um homem surdo que mal conseguia falar. Talvez ele tenha percebido que o homem estava muito nervoso ou embaraçado. Bondosamente, levou o homem para longe da multidão. Daí, em particular, usou sinais para explicar ao homem o que faria. Então, “pôs os dedos nos ouvidos do homem e, depois de cuspir, tocou na língua dele”.c (Marcos 7:33) Depois, Jesus olhou para o céu e suspirou. Com essas ações, ele queria dizer ao homem: “O que vou fazer por você se deve ao poder de Deus.” Por fim, Jesus disse: “Abra-se.” (Marcos 7:34) Com isso, a audição do homem foi restaurada e ele começou a falar normalmente.

      20 Como é emocionante pensar que, mesmo quando usava o poder dado por Deus para curar os aflitos, Jesus mostrava empatia e consideração pelos sentimentos deles! Não ficamos mais tranquilos de saber que Jeová colocou o Reino messiânico nas mãos de um Governante tão bondoso e compassivo?

      Prenúncio do futuro

      21, 22. (a) O que os milagres de Jesus indicavam para o futuro? (b) Visto que Jesus tem controle sobre as forças da natureza, o que podemos esperar sob seu domínio no Reino?

      21 As obras poderosas que Jesus realizou na Terra dão apenas uma ideia das bênçãos muito maiores que haverá sob seu reinado. No novo mundo de Deus, Jesus novamente fará milagres, mas em escala mundial. Veja quais são algumas das perspectivas emocionantes para o futuro.

      22 Jesus restaurará o equilíbrio ecológico da Terra. Lembre-se de que ele acalmou um vendaval, o que demonstra que ele tem controle sobre as forças da natureza. Sem dúvida, então, sob o seu domínio no Reino, a humanidade não precisará ter medo de tufões, terremotos, erupções vulcânicas ou outras calamidades naturais. Visto que foi o trabalhador perito usado por Jeová para criar a Terra e todas as formas de vida nela, Jesus entende plenamente a constituição do planeta. Sabe como usar seus recursos de forma apropriada. Sob seu domínio, a Terra inteira será transformada num Paraíso. — Lucas 23:43.

      23. Como Rei, de que formas Jesus satisfará as necessidades da humanidade?

      23 E as necessidades da humanidade? Usando poucas provisões, Jesus forneceu alimento mais do que suficiente a milhares de pessoas. Isso nos assegura que, sob seu domínio, a fome desaparecerá. De fato, haverá muito alimento, que será distribuído de forma justa, eliminando a fome para sempre. (Salmo 72:16) Como ele é capaz de curar doenças, podemos ter certeza de que os enfermos, cegos, surdos, mutilados e deficientes físicos serão curados de forma completa e permanente. (Isaías 33:24; 35:5, 6) E ele também tem a habilidade de trazer os mortos de volta à vida! Portanto, podemos ter certeza de que, como poderoso Rei celestial, ele ressuscitará os incontáveis milhões que seu Pai guarda na memória. — João 5:28, 29.

      24. Ao refletirmos no poder de Jesus, o que é bom termos em mente, e por quê?

      24 Ao refletirmos no poder de Jesus, é bom termos em mente que ele imita seu Pai de forma perfeita. (João 14:9) Assim, o modo como o Filho usa o poder mostra-nos claramente como Jeová também o usa. Por exemplo, pense em como Jesus mostrou consideração ao curar um leproso. Cheio de compaixão, Jesus tocou no homem e disse: “Eu quero!” (Marcos 1:40-42) Em relatos como esse, é como se Jeová nos dissesse: “É assim que eu uso o poder!” Não sente vontade de louvar nosso Deus todo-poderoso e agradecer-lhe por usar seu poder de modo tão amoroso?

      a Tempestades súbitas são comuns no mar da Galileia, que fica numa depressão (uns 200 metros abaixo do nível do mar). O ar ali é muito mais quente do que nas regiões ao redor, o que gera perturbações atmosféricas. Ventos fortes descem o vale do Jordão vindos do monte Hermom, que fica ao norte. Num momento, tudo está calmo; no outro, pode começar uma tempestade violenta.

      b Além disso, os Evangelhos às vezes agrupam muitos milagres sob uma única descrição geral. Por exemplo, em certa ocasião uma “cidade toda” foi vê-lo e ele curou “muitos” doentes. — Marcos 1:32-34.

      c Cuspir era um método ou sinal de cura conhecido tanto por judeus como por gentios, e o uso de saliva em curas está registrado em escritos rabínicos. Possivelmente, Jesus cuspiu apenas para mostrar ao homem que ele ia ser curado. Seja como for, Jesus não usou a saliva como substância curativa natural.

      Perguntas para Meditação

      • Isaías 11:1-5 Como Jesus manifesta “o espírito de . . . poder” e, por causa disso, que confiança podemos ter a respeito do domínio dele?

      • Marcos 2:1-12 As curas milagrosas de Jesus demonstram que ele recebeu que autoridade?

      • João 6:25-27 Embora Jesus satisfizesse de forma milagrosa as necessidades físicas das pessoas, qual era o objetivo principal do seu ministério?

      • João 12:37-43 Por que algumas testemunhas oculares dos milagres de Jesus não depositaram fé nele, e o que podemos aprender disso?

  • “Tornem-se imitadores de Deus” no uso do poder
    Achegue-se a Jeová
    • Duas Testemunhas de Jeová pregando a uma mulher na casa dela.

      CAPÍTULO 10

      “Tornem-se imitadores de Deus” no uso do poder

      1. Com frequência, os humanos, que são imperfeitos, caem em que laço sutil?

      “NÃO há poder sem sutil laço.” Essas palavras de uma poetisa do século 19 revelam um perigo insidioso: o mau uso do poder. Infelizmente, com muita frequência os humanos, que são imperfeitos, caem nesse laço. De fato, ao longo de toda a História, “homem domina homem para o seu prejuízo”. (Eclesiastes 8:9) O poder exercido sem amor tem resultado em indescritível sofrimento para a humanidade.

      2, 3. (a) O que é notável quanto ao modo de Jeová usar o poder? (b) O que está incluído no nosso poder e como devemos usá-lo?

      2 Não acha notável, então, que Jeová Deus nunca use mal seu poder ilimitado? Como notamos nos capítulos anteriores, ele sempre usa seu poder — criativo, de destruição, protetor ou de restauração — em harmonia com seus propósitos amorosos. Se analisarmos seu modo de usar o poder, sentiremos o desejo de nos achegar a ele. Isso, por sua vez, nos motivará a nos tornarmos “imitadores de Deus” ao usar nosso poder. (Efésios 5:1) Mas que poder nós, humanos frágeis, possuímos?

      3 Lembre-se de que os humanos foram criados “à imagem de Deus” e à Sua semelhança. (Gênesis 1:26, 27) De modo que também temos certa medida de poder: o poder de fazer coisas, de trabalhar; o controle ou a autoridade sobre outros; a habilidade de influenciar outros, em especial os que nos amam; a força física (vigor); ou os recursos materiais. O salmista disse o seguinte a respeito de Jeová: “Contigo está a fonte da vida.” (Salmo 36:9) Portanto, direta ou indiretamente, Deus é a fonte de todo poder legítimo que possamos ter. Assim, devemos usá-lo de forma a agradar a Ele. Como fazer isso?

      O segredo é o amor

      4, 5. (a) Qual é o segredo para usar corretamente o poder, e como o exemplo do próprio Deus demonstra isso? (b) Como o amor nos ajudará a usar corretamente nosso poder?

      4 O segredo para usarmos corretamente o poder é o amor. O exemplo do próprio Deus demonstra isso. Lembre-se dos quatro atributos principais de Deus, analisados no Capítulo 1: poder, justiça, sabedoria e amor. Qual é a mais destacada dessas quatro qualidades? O amor. “Deus é amor”, diz 1 João 4:8. Na verdade, o amor é a própria essência do que Jeová é e influencia tudo o que ele faz. Assim, quando usa seu poder, o Criador sempre é motivado pelo amor e tem por objetivo final o bem dos que o amam.

      5 O amor também nos ajudará a usar corretamente o poder. Afinal, a Bíblia diz que o amor é “bondoso” e “não procura os seus próprios interesses”. (1 Coríntios 13:4, 5) Assim, ele não nos deixará agir de modo duro ou cruel para com os que estão debaixo de nossa autoridade. Pelo contrário, trataremos os outros com dignidade e colocaremos suas necessidades e sentimentos à frente dos nossos. — Filipenses 2:3, 4.

      6, 7. (a) O que é o temor de Deus e por que essa qualidade nos ajudará a evitar usar mal o poder? (b) Ilustre a ligação que existe entre o temor de desagradar a Deus e o amor a Ele.

      6 O amor está relacionado a outra qualidade que nos ajuda a usar bem o poder: o temor de Deus. Por que essa qualidade é importante? “Por temer a Jeová a pessoa se afasta do mal”, diz Provérbios 16:6. O uso incorreto do poder sem dúvida está incluído entre as coisas más das quais devemos nos afastar. O temor de Deus impedirá que tratemos mal aqueles que estão sob nossa autoridade. Por quê? Um dos motivos é que sabemos que teremos de prestar contas a Deus pelo modo como os tratamos. (Neemias 5:1-7, 15) Mas o temor de Deus envolve mais do que isso. Os termos para “temor” nas línguas originais muitas vezes se referem à profunda reverência a Deus e à admiração por ele. Assim, a Bíblia associa o temor com o amor a Deus. (Deuteronômio 10:12, 13) Essa admiração reverente inclui o temor saudável de desagradar a Deus, não apenas porque temos medo das consequências, mas porque realmente o amamos.

      7 Para ilustrar: pense no bom relacionamento entre um garotinho e seu pai. O menino sente o interesse carinhoso e amoroso do pai por ele. Mas também sabe o que o pai exige dele e que vai discipliná-lo se ele se comportar mal. O menino não vive com um medo mórbido do pai. Pelo contrário, ele o ama muito. Procura agir de um modo que venha a ter a aprovação do pai. O mesmo se dá com o temor de Deus. Visto que amamos a Jeová, nosso Pai celestial, tememos fazer algo que ‘entristeça seu coração’. (Gênesis 6:6) Temos muita vontade de alegrar o coração Dele. (Provérbios 27:11) É por isso que nos esforçamos para usar corretamente nosso poder. Vamos analisar em mais detalhes como podemos fazer isso.

      Na família

      8. (a) Que autoridade o marido tem na família, e como se espera que ele a exerça? (b) Como o marido pode mostrar que honra a esposa?

      8 Analisemos primeiro o círculo familiar. “O marido é cabeça da esposa”, diz Efésios 5:23. Como o marido deve exercer a autoridade que recebeu de Deus? A Bíblia diz que os maridos devem morar com a esposa “segundo o conhecimento”. E devem ‘dar-lhe honra como a um vaso mais frágil’. (1 Pedro 3:7) O substantivo grego traduzido “honra” significa “preço, valor, . . . respeito”. Algumas formas dessa palavra são traduzidas como “presentes” e “precioso”. (Atos 28:10; 1 Pedro 2:7) O marido que honra a esposa nunca a ataca fisicamente, nem a humilha ou rebaixa, fazendo com que se sinta inútil. Ao contrário, ele reconhece o valor dela e a trata com respeito. Mostra por suas palavras e ações — em público e em particular — que ela é preciosa para ele. (Provérbios 31:28) O marido que age assim não só obtém o amor e o respeito da esposa, mas também, o que é mais importante, a aprovação de Deus.

      Marido e esposa andando de mãos dadas.

      Maridos e esposas usam corretamente seu poder tratando um ao outro com amor e respeito

      9. (a) Que poder a esposa tem na família? (b) O que ajudará a esposa a usar suas habilidades para apoiar o marido, e com que resultado?

      9 A esposa também tem certo poder na família. A Bíblia menciona mulheres tementes a Deus que, sem desrespeitar a chefia, tomaram a iniciativa, influenciando o marido de modo positivo ou ajudando-o a não cometer erros de critério. (Gênesis 21:9-12; 27:46–28:2) A esposa talvez tenha um raciocínio mais rápido do que o do marido, ou outras habilidades que ele não possui. Mesmo assim, ela deve ter “profundo respeito” por ele e ‘estar sujeita’ a ele “como ao Senhor”. (Efésios 5:22, 33) O desejo de agradar a Deus a ajudará a usar suas habilidades para apoiar o marido, em vez de rebaixá-lo ou tentar dominá-lo. Essa “mulher realmente sábia” coopera com o marido para edificar a família. Assim, ela mantém a paz com Deus. — Provérbios 14:1.

      10. (a) Que autoridade Deus concedeu aos pais? (b) Qual é o sentido da palavra “disciplina” e como deve ser administrada? (Veja também a nota.)

      10 Os pais também têm autoridade dada por Deus. A Bíblia incentiva: “Pais, não irritem os seus filhos, mas continuem a criá-los na disciplina e na instrução de Jeová.” (Efésios 6:4) Na Bíblia, a palavra “disciplina” pode significar “criação, treinamento, instrução”. As crianças precisam de disciplina; elas crescem felizes quando têm orientações, restrições e limites claros. A Bíblia associa essa disciplina, ou instrução, com o amor. (Provérbios 13:24) Portanto, “a vara da disciplina” nunca deve ser usada de forma abusiva, quer em sentido emocional quer físico.a (Provérbios 22:15; 29:15) Pais que disciplinam de forma rígida, cruel ou desamorosa estão abusando da autoridade e podem esmagar o espírito da criança. (Colossenses 3:21) Por outro lado, a disciplina equilibrada e administrada de forma correta demonstra para a criança que os pais a amam e se preocupam com o tipo de pessoa que ela está se tornando.

      11. Como os filhos podem usar corretamente o seu poder?

      11 E os filhos? Como podem usar corretamente o seu poder? “A glória dos jovens é a sua força”, diz Provérbios 20:29. Sem dúvida, o melhor modo de os jovens usarem sua força e seu vigor é servindo ao nosso “Grandioso Criador”. (Eclesiastes 12:1) É bom que os jovens se lembrem de que suas ações podem afetar os sentimentos dos pais. (Provérbios 23:24, 25) Quando os filhos obedecem aos pais tementes a Deus e seguem o caminho correto, alegram o coração dos pais. (Efésios 6:1) Agir assim é algo “agradável ao Senhor”. — Colossenses 3:20.

      Na congregação

      12, 13. (a) Como os anciãos devem encarar sua autoridade na congregação? (b) Ilustre por que os anciãos devem tratar o rebanho com bondade.

      12 Jeová providenciou que superintendentes tomassem a dianteira na congregação cristã verdadeira. (Hebreus 13:17) Esses homens qualificados devem usar a autoridade concedida por Deus para dar a ajuda necessária e contribuir para o bem-estar do rebanho. Será que, devido à sua posição, os anciãos têm o direito de dominar sobre os concrentes? De modo algum! Esses homens devem ter um conceito equilibrado e humilde sobre o seu papel na congregação. (1 Pedro 5:2, 3) A Bíblia diz aos superintendentes: “[Pastoreiem] a congregação de Deus, que ele comprou com o sangue do seu próprio Filho.” (Atos 20:28) Esta última expressão revela uma razão muito importante para tratar cada membro do rebanho com bondade.

      13 Para ilustrar isso, digamos que um grande amigo lhe pedisse para cuidar de um bem precioso. Você sabe que o seu amigo pagou um preço muito alto por ele. Não o trataria com delicadeza, com extremo cuidado? De modo similar, Deus encarregou os anciãos da responsabilidade de cuidar de um bem muito valioso: a congregação, cujos membros são comparados a ovelhas. (João 21:16, 17) Jeová considera suas ovelhas tão preciosas que as comprou com o sangue valioso do seu Filho unigênito, Jesus Cristo — o preço mais alto que Ele poderia ter pago por elas. Anciãos humildes não se esquecem disso e tratam as ovelhas de Jeová concordemente.

      O “poder da língua”

      14. Que poder tem a língua?

      14 “Morte e vida estão no poder da língua”, diz a Bíblia. (Provérbios 18:21) De fato, a língua pode causar grandes estragos. Quem de nós nunca se sentiu magoado por um comentário impensado ou depreciativo? Mas a língua também tem o poder de curar. “A língua dos sábios é uma cura”, diz Provérbios 12:18. De fato, palavras positivas e benéficas são comparáveis a uma pomada suavizante e curativa para o coração. Veja alguns exemplos.

      15, 16. De que maneiras podemos usar a língua para animar outros?

      15 “Consolem os que estão deprimidos”, incentiva 1 Tessalonicenses 5:14. Até servos fiéis de Jeová vez por outra talvez tenham de lutar contra a depressão. Como podemos ajudá-los? Dê elogios sinceros a respeito de pontos específicos que os ajudem a ver como são preciosos aos olhos de Jeová. Leia com eles trechos das Escrituras que revelam como Jeová ama e se importa com os “que têm coração quebrantado” e “espírito esmagado”. (Salmo 34:18) Quando usamos o poder da língua para consolar outros, imitamos nosso Deus compassivo, “que consola os desanimados”. — 2 Coríntios 7:6.

      16 Também podemos usar o poder da língua para dar a outros o incentivo de que precisam. Conhece um concrente que perdeu uma pessoa querida? Palavras compassivas que expressem nossa preocupação ajudarão a consolar o coração do enlutado. Um irmão idoso está se sentindo inútil? Palavras compreensivas podem reanimar os idosos, assegurando-lhes que são valiosos e apreciados. Sabe de alguém que está lutando contra uma doença crônica? Palavras bondosas em um bilhete, ditas pelo telefone ou pessoalmente podem contribuir muito para melhorar a disposição de ânimo do adoentado. Como nosso Criador deve ficar contente quando usamos o poder da fala para proferir “o que for bom para a edificação”! — Efésios 4:29.

      17. De que maneira importante podemos usar a língua para o benefício de outros e por que devemos fazer isso?

      17 Mas a maneira mais importante de usarmos o poder da língua é transmitindo as boas novas do Reino de Deus a outros. “Não deixe de fazer o bem a quem você deve fazê-lo, se estiver ao seu alcance ajudar”, diz Provérbios 3:27. É nossa obrigação transmitir a outros as boas novas de salvação. Não seria correto guardar para nós mesmos a mensagem urgente que Jeová nos transmitiu de forma tão generosa. (1 Coríntios 9:16, 22) Mas até que ponto Jeová espera que participemos dessa obra?

      Transmitir as boas novas — um modo excelente de usar nosso poder

      Sirvamos a Jeová com ‘toda a nossa força’

      18. O que Jeová espera de nós?

      18 O amor por Jeová nos leva a participar plenamente no ministério cristão. O que ele espera de nós nesse respeito? Algo que todos nós, não importa a situação na vida, podemos dar: “O que for que fizerem, trabalhem nisso de toda a alma, como para Jeová, e não para homens.” (Colossenses 3:23) Segundo Jesus, o maior mandamento de todos é: “Ame a Jeová, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua mente e de toda a sua força.” (Marcos 12:30) De modo que aquilo que Jeová espera de cada um de nós é que o amemos e o sirvamos de toda a alma.

      19, 20. (a) Visto que a alma abrange o coração, a mente e a força, por que se mencionam essas outras faculdades em Marcos 12:30? (b) O que significa servir a Jeová de toda a alma?

      19 O que significa servir a Deus de toda a alma? A alma se refere à pessoa como um todo, com todas as suas habilidades físicas e mentais. Visto que a alma abrange o coração, a mente e a força, por que se mencionam essas outras faculdades em Marcos 12:30? A seguinte ilustração nos ajudará a entender: nos tempos bíblicos, a pessoa podia vender a si mesma (a sua alma) como escrava. Mas o escravo talvez não servisse ao dono de todo o coração; é possível que não usasse toda sua energia ou todas as suas habilidades mentais em benefício do dono. (Colossenses 3:22) Assim, provavelmente Jesus mencionou essas outras faculdades para enfatizar que não devemos reter nada de Deus no nosso serviço a Ele. Servi-lo de toda a alma significa dar de nós mesmos, usando nossa força e energias ao máximo possível no seu serviço.

      20 Será que o serviço de toda a alma significa que todos temos de gastar a mesma quantidade de tempo e energia no ministério? Isso seria impossível, porque as circunstâncias e habilidades diferem de pessoa para pessoa. Por exemplo, um jovem com boa saúde e vigor físico talvez possa gastar mais tempo na pregação do que aqueles cuja força diminuiu devido à idade avançada. Uma pessoa solteira, livre de obrigações familiares, possivelmente conseguirá realizar mais do que aqueles que têm uma família para cuidar. Se nossa força e circunstâncias nos permitem fazer muito no ministério, devemos ser gratos por isso. Naturalmente, não devemos nos tornar críticos, comparando-nos com outros nessas questões. (Romanos 14:10-12) Em vez disso, queremos usar nosso poder para incentivar outros.

      21. Qual é a melhor e mais importante maneira de usar nosso poder?

      21 Jeová deu o exemplo perfeito em usar o poder corretamente. Nós, humanos imperfeitos, devemos nos esforçar para imitá-lo da melhor maneira possível. Podemos usar bem o poder tratando com dignidade os que estão sob nossa autoridade. Além disso, queremos realizar de toda a alma a obra salvadora de que Jeová nos incumbiu: a pregação. (Romanos 10:13, 14) Jeová fica muito contente quando vê que você — sua alma — está dando o seu melhor. Não se sente motivado de coração a fazer tudo o que pode no serviço desse Deus amoroso e compreensivo? Não existe maneira melhor ou mais importante de usar nosso poder.

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