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O que significa conhecer o verdadeiro Deus?Haverá Algum Dia um Mundo sem Guerra?
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3. De que modo quase se perdeu um importante aspecto da Bíblia em resultado da tradição?
3 Um aspecto notável da Bíblia, quase perdido em resultado da tradição, é o do estabelecimento duma relação com Deus, nosso Pai celestial e Criador, nos mais pessoais dos termos, por nos dirigirmos a ele pelo Seu nome. Quem é que, tendo um amigo querido e amado, se recusa a usar ou até mesmo a mencionar o nome desse amigo quando indagado a respeito? Em geral, só um inimigo é tão desprezado, que se prefere deixar de honrá-lo por nem mesmo mencionar seu nome. A relação especial que existia entre o antigo Israel e seu Deus — através da qual o conheciam por nome — é belamente expressa pelo antigo salmista: “Visto que ele se devotou a Mim eu o livrarei; eu o manterei seguro, pois ele conhece Meu nome.” — Salmo 91:14.
Devemos Usar o Nome Divino?
4, 5. Qual é o significado do nome de Deus?
4 Do ponto de vista da Bíblia, nunca houve dúvida sobre o nome do verdadeiro Deus. Quando Deus falou a Moisés, explicando que o usaria para libertar a nação de Israel da escravidão egípcia, Moisés fez uma pergunta lógica: “Quando eu chegar aos israelitas e lhes disser: ‘O Deus de vossos antepassados enviou-me a vós’, e eles me perguntarem: ‘Qual é o Seu nome?’, o que hei de dizer a eles?” Deus respondeu: “Assim dirás aos israelitas: O SENHOR [hebraico: יהוה = YHWH = Yahweh, ou, desde o século 13 EC, Jeová], o Deus de vossos antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, enviou-me a vós: Este será Meu nome para sempre, esta Minha designação [recordação, JP] por toda a eternidade.” — Êxodo 3:13, 15, o grifo é nosso.
5 Este nome está repleto de significado para quem fala o idioma hebraico. Deriva da raiz hebraica básica הוה, h·w·h, que significa “tornar-se”. Contudo, o nome está na forma causativa, Hif·ʽíl, segundo a gramática hebraica. Por conseguinte, seu sentido básico não se relaciona com a existência eterna de Deus, mas sim com ele fazer com que as coisas venham a ser ou a ocorrer. Isso se dá especialmente de forma ímpar no que tange aos seus propósitos. Assim como ele se propôs libertar sua nação escolhida da escravidão egípcia, ele causou que isso ocorresse. Nenhum poder podia impedir a realização de sua vontade expressa. Jeová é o Deus que faz com que seus propósitos se cumpram. Ele faz assim com que ele mesmo se torne o Cumpridor de suas promessas. Isso também se deu com seu propósito de libertar sua nação do cativeiro em Babilônia. O mesmo se dá com respeito ao seu propósito de estabelecer condições paradísicas nesta Terra. Seu próprio nome torna significativas e garante essas promessas. — Isaías 41:21-24; 43:10-13; 46:9, 10.
6-9. (a) Como sabemos que Deus não proíbe o uso do seu nome? (b) Como e quando tornou-se parte do judaísmo a proibição do uso do nome de Deus?
6 Mas não proíbem os Dez Mandamentos pronunciar o nome de Deus? De modo algum! Embora muitos tenham interpretado dessa forma o terceiro mandamento, note o que a Encyclopaedia Judaica comenta: “A escusa de pronunciar o nome YHWH . . . foi causada por uma má compreensão do Terceiro Mandamento (Êxo. 20:7; Deut. 5:11), como se significasse ‘Não deves tomar o nome de YHWH teu Deus em vão’, quando realmente significa ‘Não deves jurar falsamente em nome de YHWH, teu Deus.’”5 Note que o texto não proíbe ‘tomar’ ou pronunciar o nome de Deus. Contudo, mesmo que significasse tomar o nome de Deus “em vão”, note o que o léxico hebraico de Koehler e Baumgartner declara sobre o termo hebraico traduzido “em vão” (hebraico: lash·sháwʼ): “mencionar um nome sem motivo . . . usar erroneamente um nome”.6 Por conseguinte, este mandamento não proíbe o uso do nome de Deus, mas, antes, seu emprego incorreto.
7 Mas, que dizer do argumento de que o nome de Deus é “sagrado demais para ser pronunciado”? Bem, não parece razoável que, para começar, se Deus encarasse seu nome como sagrado demais para os homens pronunciarem ele nem o teria revelado? O próprio fato de que no texto original das Escrituras Hebraicas o nome pessoal de Deus aparece mais de 6.800 vezes indica que ele deseja que os homens O conheçam e usem seu nome. Longe de restringir o uso do seu nome para evitar o desrespeito, Deus repetidas vezes incentiva e até ordena seu povo a usar Seu nome e a torná-lo conhecido. Fazer isso evidenciava sua relação achegada com ele, bem como seu amor a ele. (Salmo 91:14) O profeta Isaías mostrou claramente qual é a vontade de Deus nesse respeito quando declarou: “Louvai ao SENHOR [hebraico: יהוה = YHWH = Jeová], proclamai Seu nome. Tornai conhecidas entre os povos as Suas ações; declarai que Seu nome é enaltecido.” — Isaías 12:4. Veja também Miquéias 4:5; Malaquias 3:16; Salmo 79:6; 105:1; Provérbios 18:10.
8 Se Jeová não quisesse que os homens pronunciassem seu nome, poderia tê-lo proibido explicitamente. Contudo, em parte alguma a Bíblia proíbe usar apropriadamente ou pronunciar o seu nome. Homens fiéis dos tempos bíblicos usavam liberalmente o seu nome. (Gênesis 12:8; Rute 2:4; 4:11, 14) De fato, Deus repetidas vezes condenou aqueles que faziam o povo esquecer seu santo nome. — Jeremias 23:26, 27; Salmo 44:21, 22 (44:20, 21, NM).
9 Mas como é que essa proibição passou a fazer parte do pensamento judaico, visto que tão claramente não faz parte da Bíblia? Os comentários do Dr. A. Cohen, rabino e autor do livro Everyman’s Talmud (O Talmude de Todos), mostram que a tradição se arraigou aos poucos, no decorrer de muitos séculos. O Dr. Cohen escreve: “No período bíblico parece não ter havido escrúpulo algum contra o seu uso na linguagem cotidiana. O acréscimo de Jah ou Jahu a nomes pessoais, que persistiu entre os judeus mesmo após o exílio em Babilônia, é um indício de que não havia proibição ao emprego do Nome composto de quatro letras. Mas, no início do período rabínico a pronúncia do Nome foi restrita ao serviço do Templo.” Sobre acontecimentos adicionais durante esse período, ele comenta: “Em vez de JHVH, o Nome era pronunciado Adonai (meu Senhor) no ofício na Sinagoga; mas há uma tradição de que a pronúncia original era periodicamente transmitida pelos Sábios aos discípulos — uma ou duas vezes a cada sete anos (Kiddushin 71a). Até mesmo essa prática cessou após algum tempo, e o método de pronunciar o Nome não mais é conhecido ao certo.”7 Esse foi o efeito do “mandamento de homens”. — Isaías 29:13; Deuteronômio 4:2; veja a seção “A Bíblia — Inspirada por Deus?,” parágrafos 15,16.
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