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JeováEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
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O argumento apresentado por longo tempo era o de que os escritores inspirados das Escrituras Gregas Cristãs citaram as Escrituras Hebraicas à base da Septuaginta, e que, visto que esta versão substituíra o Tetragrama por Ký·ri·os ou The·ós, esses escritores não empregaram o nome Jeová. Como se tem demonstrado, este argumento já não é mais válido. Comentando que os fragmentos mais antigos da Septuaginta grega deveras contêm o nome divino em sua forma hebraica, o Dr. P. Kahle diz: “Sabemos agora que o texto grego da Bíblia [a Septuaginta], no que tange a ter sido escrito por judeus para judeus, não traduziu o nome divino por kyrios, mas o Tetragrama escrito com letras hebraicas ou gregas foi retido em tais MSS [manuscritos]. Foram os cristãos que substituíram o Tetragrama por kyrios, quando o nome divino em letras hebraicas não era mais entendido.” (The Cairo Geniza [A Genizá do Cairo], Oxford, 1959, p. 222) Quando é que ocorreu esta mudança nas traduções gregas das Escrituras Hebraicas?
Evidentemente ocorreu nos séculos que se seguiram à morte de Jesus e de seus apóstolos. Na versão grega de Áquila, que data do segundo século EC, o Tetragrama ainda aparecia em caracteres hebraicos. Por volta de 245 EC, o famoso perito Orígenes produziu sua Hexapla, uma reprodução em seis colunas das inspiradas Escrituras Hebraicas: (1) no hebraico e aramaico original, acompanhado por (2) uma transliteração para o grego, e pelas versões gregas (3) de Áquila, (4) de Símaco, (5) da Septuaginta e (6) de Teodócio. À base da evidência das cópias fragmentárias agora conhecidas, o professor W. G. Waddell diz: “Na Hexapla de Orígenes . . . as versões gregas de Áquila, de Símaco, da LXX [Septuaginta], todas representaram JHVH [IHVH] por ΠΙΠΙ; na segunda coluna da Hexapla, o Tetragrama foi escrito em caracteres hebraicos.” (The Journal of Theological Studies [A Revista de Estudos Teológicos], Oxford, Vol. XLV, 1944, pp. 158, 159) Outros creem que o texto original da Hexapla de Orígenes usava caracteres hebraicos para o Tetragrama em todas as suas colunas. O próprio Orígenes, nos seus comentários sobre o Salmo 2:2, declarou que “nos manuscritos mais fiéis, O NOME está escrito em caracteres hebraicos, contudo, não nos [caracteres] hebraicos atuais, mas nos mais antigos”. — Patrologia Graeca [Patrologia Grega], Paris, 1862, Vol. XII, col. 1104.
Ainda no quarto século EC, Jerônimo, o tradutor da Vulgata latina, diz no seu prólogo dos livros de Samuel e de Reis: “E encontramos o nome de Deus, o Tetragrama [i.e., יהוה], em certos volumes gregos mesmo hoje, expresso em letras antigas.” Numa carta escrita em Roma, em 384 EC, Jerônimo declara: “O nono [nome de Deus] é o Tetragrama, que eles consideravam [a·nek·fó·ne·ton], isto é, inefável, e se encontra escrito nestas letras: Iode, Hê, Vau, Hê. Certos ignorantes, devido à similaridade dos caracteres quando as encontravam nos livros gregos, estavam acostumados a ler ΠΙΠΙ [letras gregas que correspondiam às romanas PIPI].” — Papyrus Grecs Bibliques (Papiros Bíblicos Gregos), de F. Dunand, Cairo, 1966, p. 47, n. 4.
Portanto, os chamados “cristãos” que “substituíram o Tetragrama por kyrios” nas cópias da Septuaginta não foram os primitivos discípulos de Jesus. Foram pessoas de séculos posteriores, quando a predita apostasia já estava bem desenvolvida e havia corrompido a pureza dos ensinos cristãos. — 2Te 2:3; 1Ti 4:1.
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JeováEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
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Por que, então, não consta o nome nos manuscritos agora existentes das Escrituras Gregas Cristãs ou do chamado Novo Testamento? Evidentemente, porque na época em que essas cópias agora existentes foram feitas (a partir do terceiro século EC), o texto original dos escritos dos apóstolos e discípulos já havia sido alterado. De modo que copistas posteriores, sem dúvida, substituíram o nome divino na forma do Tetragrama por Ký·ri·os e The·ós. (FOTO, Vol. 1, p. 324) Isto é precisamente o que os fatos mostram ter sido feito em cópias posteriores da tradução Septuaginta das Escrituras Hebraicas.
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