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    Existe um Criador Que Se Importa com Você?
    • Capítulo Sete

      O que um livro pode ensinar-lhe a respeito do Criador?

      PROVAVELMENTE você concorda que um livro informativo e interessante é de grande valor. A Bíblia é um livro assim. Nele você encontra cativantes histórias reais que destacam elevados valores morais. Encontra também ilustrações vívidas de verdades importantes. Um de seus escritores, famoso por sua sabedoria, disse que “procurou achar palavras deleitosas e a escrita de palavras corretas de verdade”. — Eclesiastes 12:10.

      O livro que chamamos de “Bíblia” é, na verdade, uma coleção de 66 livros menores escritos num espaço de mais de 1.500 anos. Por exemplo, entre 1513 e 1473 AEC Moisés escreveu os primeiros cinco livros, começando com Gênesis. João, um apóstolo de Jesus, foi o último escritor bíblico. Ele escreveu um relato da vida de Jesus (O Evangelho de João), além de cartas mais breves e o livro de Apocalipse (ou Revelação), que aparece como último livro na maioria das Bíblias.

      Durante os 1.500 anos desde Moisés até João, umas 40 pessoas participaram na escrita da Bíblia. Eram homens sinceros e devotos, interessados em ajudar outros a aprender sobre o Criador. Seus escritos ajudam-nos a conhecer a personalidade de Deus e a aprender como agradá-lo. A Bíblia esclarece também por que existe tanta perversidade no mundo e como será eliminada. Os escritores bíblicos apontaram para o tempo em que a humanidade viverá mais diretamente sob o domínio de Deus, e descreveram algumas das condições emocionantes que poderemos usufruir então. — Salmo 37:10, 11; Isaías 2:2-4; 65:17-25; Revelação 21:3-5.

      Provavelmente você sabe que muitos desprezam a Bíblia, considerando-a um livro antigo de sabedoria humana. Contudo, milhões de pessoas estão convictas de que seu verdadeiro Autor é Deus, que ele guiou os pensamentos de seus escritores. (2 Pedro 1:20, 21) Como se pode saber se aquilo que os escritores bíblicos escreveram realmente vem de Deus?

      Bem, há diversas linhas de evidência convergentes que podem ser consideradas. Muitos fizeram isso e concluíram que a Bíblia é mais do que um mero livro humano e que a sua fonte é sobre-humana. Ilustremos isso com uma única linha de evidência. Ao fazermos isso, podemos aprender mais acerca do Criador do Universo, a Fonte da vida humana.

      Predições cumpridas

      Muitos dos escritores bíblicos registraram profecias. Longe de afirmarem que podiam pessoalmente prever o futuro, esses escritores atribuíram o crédito ao Criador. Por exemplo, Isaías identificou a Deus como “Aquele que desde o princípio conta o final”. (Isaías 1:1; 42:8, 9; 46:8-11) A capacidade de predizer eventos com décadas, ou mesmo séculos, de antecedência distingue o Deus de Isaías como único. Ele não é mero ídolo, como aqueles que as pessoas no passado e no presente têm adorado. As profecias da Bíblia nos dão provas convincentes de que ela não é de autoria humana. Veja como o livro de Isaías confirma isso.

      Uma comparação do conteúdo de Isaías com os dados históricos mostra que esse livro foi escrito por volta de 732 AEC. Isaías predisse calamidades para os habitantes de Jerusalém e de Judá, porque eram culpados de derramamento de sangue e de idolatria. Predisse também que a terra deles seria devastada, que Jerusalém e seu templo seriam destruídos e que os sobreviventes seriam levados como prisioneiros para Babilônia. Mas Isaías profetizou também que Deus não se esqueceria dessa nação prisioneira. O livro predisse que um rei estrangeiro, chamado Ciro, conquistaria Babilônia e libertaria os judeus para que retornassem à sua terra natal. De fato, Isaías refere-se a Deus como “Aquele que diz a respeito de Ciro: ‘Ele é meu pastor e executará completamente tudo aquilo em que me agrado’; dizendo eu de Jerusalém: ‘Ela será reconstruída’, e do templo: ‘Lançar-se-á teu alicerce.’” — Isaías 2:8; 24:1; 39:5-7; 43:14; 44:24-28; 45:1.

      Nos dias de Isaías, no oitavo século AEC, tais predições podiam parecer inacreditáveis. Naquele tempo, Babilônia não era nem mesmo uma potência militar significativa. Estava sujeita à verdadeira potência mundial da época, o Império Assírio. Deve ter sido estranha também a ideia de que um povo conquistado, que fora levado a uma terra distante como exilados, pudesse ser libertado e recuperar a sua terra. “Quem é que já ouviu uma coisa destas?”, Isaías escreveu. — Isaías 66:8.

      No entanto, o que vemos se avançarmos dois séculos? A história posterior dos judeus antigos provou que a profecia de Isaías cumpriu-se em detalhes. Babilônia de fato tornou-se poderosa, e destruiu Jerusalém. O nome do rei persa (Ciro), a sua posterior conquista de Babilônia e o retorno dos judeus são fatos históricos aceitos. Os detalhes profetizados cumpriram-se com tanta precisão que, no século 19, alguns críticos afirmavam que o livro de Isaías era uma farsa. Com efeito, diziam: ‘Isaías talvez tenha escrito os primeiros capítulos; mas um escritor posterior, nos dias do Rei Ciro, completou a escrita do livro de modo que parecesse profético.’ Alguém pode fazer esses comentários depreciativos, mas quais são os fatos?

      Predições genuínas?

      As predições no livro de Isaías não se limitam a eventos envolvendo Ciro e os judeus exilados. Ele predisse também a situação final de Babilônia, e seu livro forneceu muitos detalhes sobre um vindouro Messias, ou Libertador, que sofreria e depois seria glorificado. Pode-se provar que essas predições foram escritas com muita antecedência, sendo, portanto, profecias genuínas?

      Considere o seguinte. Isaías escreveu sobre a situação final de Babilônia: “Babilônia, ornato dos reinos, beleza do orgulho dos caldeus, terá de tornar-se como quando Deus derrubou Sodoma e Gomorra. Nunca mais será habitada, nem residirá ela por geração após geração.” (Isaías 13:19, 20; capítulo 47) O que realmente aconteceu?

      Os fatos mostram que Babilônia por muito tempo dependia de um complexo sistema de irrigação, formado por represas e canais entre os rios Tigre e Eufrates. Pelo visto, esse sistema aquático foi danificado por volta de 140 AEC, na destrutiva conquista de Babilônia pela Pártia, e ficou praticamente arruinado. Com que resultado? A The Encyclopedia Americana explica: “O solo ficou saturado de sais minerais, e formou-se uma crosta de álcali sobre a superfície, impossibilitando o seu uso agrícola.” Uns 200 anos depois, Babilônia ainda era uma cidade populosa, mas isso não durou muito tempo. (Note 1 Pedro 5:13.) Por volta do terceiro século EC, o historiador Dio Cássio (c. 150-235 EC) falou de um visitante que só encontrou “montes de terra, pedras e ruínas” em Babilônia. (LXVIII, 30) Significativamente, nessa época Isaías já estava morto e seu livro completo já circulava havia séculos. E, se você visitar Babilônia hoje em dia, verá apenas ruínas dessa ex-cidade gloriosa. Embora cidades antigas como Roma, Jerusalém e Atenas existam até os nossos dias, Babilônia jaz desolada, desabitada, uma ruína; exatamente como Isaías predisse. A predição cumpriu-se.

      Focalizemos agora o que Isaías disse acerca do vindouro Messias. Segundo Isaías 52:13, esse servo especial de Deus por fim ‘alcançaria um alto posto e seria muitíssimo exaltado’. Contudo, o capítulo seguinte (Isaías 53) profetizou que, antes de sua exaltação, o Messias passaria por uma experiência espantosamente diferente. Você talvez se surpreenda com os detalhes registrados nesse capítulo, amplamente reconhecido como profecia messiânica.

      Como poderá ler ali, o Messias seria desprezado por seus compatriotas. Certo de que isso ocorreria, Isaías escreveu como se já tivesse acontecido: “Ele foi desprezado e evitado pelos homens.” (Versículo 3) Esses maus-tratos seriam totalmente injustificados, pois o Messias faria o bem ao povo. “Foram as nossas doenças que ele mesmo carregou”, foi como Isaías descreveu as curas do Messias. (Versículo 4) Apesar disso, o Messias seria julgado e condenado injustamente, permanecendo, no entanto, em silêncio perante seus acusadores. (Versículos 7, 8) Ele se deixaria entregar para ser morto ao lado de criminosos; durante a sua execução, seu corpo seria traspassado. (Versículos 5, 12) Apesar de morrer como se fosse criminoso, seria sepultado como rico. (Versículo 9) E Isaías declarou repetidas vezes que a morte injusta do Messias teria valor expiatório, cobrindo os pecados de outros humanos. — Versículos 5, 8, 11, 12.

      Tudo isso realmente aconteceu. Os eventos registrados por contemporâneos de Jesus — Mateus, Marcos, Lucas e João — confirmam que as predições de Isaías realmente aconteceram. Alguns dos eventos ocorreram depois da morte de Jesus, de modo que este não poderia ter manipulado as situações. (Mateus 8:16, 17; 26:67; 27:14, 39-44, 57-60; João 19:1, 34) O cumprimento total das profecias messiânicas de Isaías tem tido um efeito poderoso sobre os leitores sinceros da Bíblia ao longo dos séculos, incluindo alguns que antes não aceitavam Jesus. O erudito William Urwick observa: “Muitos judeus, ao porem por escrito a razão de sua conversão ao cristianismo, reconheceram que foi a leitura atenta desse capítulo [Isaías 53] que abalou a fé que tinham nos seus velhos credos e mestres.” — The Servant of Jehovah.a

      Urwick fez essa observação em fins dos anos 1800, quando alguns talvez ainda duvidassem que o capítulo 53 de Isaías realmente tivesse sido escrito séculos antes do nascimento de Jesus. Contudo, descobertas posteriores removeram essencialmente qualquer base para dúvida. Em 1947, perto do mar Morto, um pastor beduíno encontrou um antigo rolo do livro inteiro de Isaías. Peritos em escrita antiga concluíram que o rolo era de uma data entre 125 e 100 AEC. Daí, em 1990, uma análise à base de carbono 14 fixou o período de 202 a 107 AEC. Sim, esse famoso rolo de Isaías já era bem antigo quando Jesus nasceu. O que revela uma comparação dele com as Bíblias modernas?

      Se você visitar Jerusalém, poderá ver fragmentos dos Rolos do Mar Morto. Numa gravação, o arqueólogo e professor Yigael Yadin explica: “Não se passaram mais do que uns quinhentos ou seiscentos anos entre o proferimento das palavras de Isaías e a cópia nesse rolo, feita no segundo século AC. É espantoso que — embora tenha mais de 2 mil anos — esse rolo original no museu tenha tanta similaridade com a Bíblia que lemos hoje, seja em hebraico, seja nas traduções do original.”

      Obviamente, isso devia afetar o nosso conceito. A respeito de quê? Bem, não devia restar nenhuma dúvida crítica de que o livro de Isaías não é profecia escrita depois do acontecido. Existem hoje provas científicas de que uma cópia dos escritos de Isaías foi feita bem mais de cem anos antes de Jesus nascer, e muito antes da desolação de Babilônia. Assim, que dúvida pode haver de que os escritos de Isaías predisseram tanto o destino final de Babilônia como os sofrimentos injustos, o tipo de morte e o tratamento dispensado ao Messias? E os fatos históricos eliminam qualquer base para negar que Isaías tenha predito com exatidão o cativeiro dos judeus e sua libertação de Babilônia. Essas predições cumpridas constituem apenas uma das muitas linhas de evidência de que o verdadeiro autor da Bíblia é o Criador, e de que a Bíblia é “inspirada por Deus”. — 2 Timóteo 3:16.

      Há muitas outras indicações de que a Bíblia é de autoria divina. Entre estas, a exatidão da Bíblia em astronomia, geologia e medicina; a harmonia interna de seus livros, escritos por dezenas de homens ao longo de centenas de anos; sua harmonia com muitos fatos da história secular e da arqueologia; e seu código moral que era superior aos códigos de povos vizinhos daqueles tempos, e que ainda hoje é reconhecido como sem igual. Estas e outras linhas de evidência têm convencido inúmeras pessoas diligentes e sinceras de que a Bíblia é legitimamente um livro que procede do nosso Criador.b

      Isso também pode ajudar-nos a tirar algumas conclusões válidas a respeito do Criador — ajudando-nos a conhecer as suas qualidades. Não prova a sua capacidade de olhar à frente no tempo que ele tem capacidades perceptivas que nós, humanos, não temos? Os humanos não sabem o que acontecerá no futuro distante, tampouco podem controlá-lo. O Criador pode. Ele pode tanto prever o futuro como ordenar os eventos para que se cumpra a sua vontade. Apropriadamente, Isaías descreve o Criador como “Aquele que desde o princípio conta o final e desde outrora as coisas que não se fizeram; Aquele que diz: ‘Meu próprio conselho ficará de pé e farei tudo o que for do meu agrado.’” — Isaías 46:10; 55:11.

      Conheça melhor o Autor

      Nós chegamos a conhecer uma pessoa conversando com ela e vendo como ela reage a diferentes circunstâncias. Esses dois métodos são possíveis quando se trata de conhecer outros humanos, mas como conhecer o Criador? Não podemos conversar diretamente com ele. Mas, como já vimos, ele revela muito sobre si mesmo na Bíblia — tanto pelo que disse como pelo que fez. Ademais, esse livro ímpar realmente nos convida a cultivar uma relação com o Criador. Ele nos exorta: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” — Tiago 2:23; 4:8.

      Considere um passo inicial: se você deseja ser amigo de alguém, com certeza desejará saber o seu nome. Bem, qual é o nome do Criador, e o que seu nome revela a Seu respeito?

      A parte da Bíblia em hebraico (em geral chamada de Velho Testamento) fornece-nos o nome ímpar do Criador. É representado nos manuscritos antigos por quatro consoantes hebraicas que podem ser transliteradas por YHWH ou JHVH. O nome do Criador aparece cerca de 7 mil vezes, muito mais vezes do que os títulos Deus ou Senhor. Por muitos séculos, quem lia a Bíblia em hebraico usava esse nome pessoal. Com o tempo, porém, muitos judeus desenvolveram um medo supersticioso de pronunciar o nome divino, de modo que não preservaram a sua pronúncia.

      “A pronúncia original acabou se perdendo; tentativas modernas de recuperação são conjecturais”, diz um comentário judaico sobre Êxodo. Admitidamente, não podemos saber ao certo como Moisés pronunciava o nome divino, que encontramos em Êxodo 3:16 e 6:3. Mas quem, objetivamente falando, se sentiria hoje obrigado a tentar pronunciar o nome de Moisés ou o de Jesus com o som e a entonação exatos usados quando eles estiveram na Terra? Não obstante, não deixamos de nos referir a Moisés e a Jesus por nome. O ponto é: em vez de nos interessarmos demais em saber exatamente como um povo antigo que falava outro idioma pronunciava o nome de Deus, por que não usar a pronúncia comum no nosso idioma? Por exemplo, “Jehovah” ou “Jeová” é usado há séculos em português, e ainda é amplamente aceito como o nome do Criador.

      Mas existe algo mais significativo do que detalhes acerca da pronúncia do nome. Trata-se de seu significado. O nome em hebraico é uma forma causativa do verbo ha·wáh, que significa “tornar-se” ou “mostrar ser”. (Gênesis 27:29; Eclesiastes 11:3) A obra The Oxford Companion to the Bible dá o significado de “‘ele causa’ ou ‘causará que seja’”. Assim, podemos dizer que o nome pessoal do Criador significa literalmente “Ele Causa que Venha a Ser”. Note que a ênfase não está nas atividades do Criador no passado remoto, como alguns talvez tenham em mente ao usarem a expressão “Causa Primária”. Por que não?

      Porque o nome divino relaciona-se com o que o Criador tenciona fazer. Os verbos hebraicos têm basicamente apenas dois estados, e o estado envolvido no nome do Criador “denota ações . . . em processo de desenvolvimento. Não expressa mera continuidade de uma ação . . . mas o seu desenrolar desde o seu princípio até o término”. (A Short Account of the Hebrew Tenses) Sim, por meio de seu nome, Jeová revela a si mesmo como ativo cumpridor de objetivos. Aprendemos assim que — com ação progressiva — ele se torna o Cumpridor de promessas. Muitos consideram uma alegria e um revigoramento saber que o Criador sempre cumpre os Seus objetivos.

      O objetivo Dele — e o nosso

      Ao passo que o nome de Deus reflete objetivo, muitos acham difícil ver um objetivo real na sua própria existência. Eles observam a humanidade passar de uma crise para outra — guerras, desastres naturais, epidemias, pobreza e crime. Mesmo os poucos privilegiados que de alguma forma escapam dos efeitos de tais catástrofes não raro admitem ter dúvidas atormentadoras a respeito do futuro e do sentido de suas vidas.

      A Bíblia observa: “O mundo físico foi sujeito à frustração, não por seu próprio desejo, mas pela vontade do Criador, que, ao assim fazer, deu-lhe esperança de que um dia poderá ser libertado . . . e ser levado a participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus.” (Romanos 8:20, 21, The New Testament Letters, de J. W. C. Wand) O relato em Gênesis mostra que houve um tempo em que os humanos estavam em paz com o seu Criador. Reagindo à má conduta humana, Deus com justiça sujeitou a humanidade a uma situação que, de certa forma, produziu frustração. Vejamos como isso aconteceu, o que revela acerca do Criador e o que podemos esperar do futuro.

      Segundo essa história escrita, que de muitas maneiras mostrou ser comprovável, os primeiros humanos criados foram chamados de Adão e Eva. O relato mostra que eles não foram deixados às cegas, sem objetivo nem instruções a respeito da vontade de Deus. Como até mesmo qualquer pai humano prestimoso faria com seus filhos, o Criador deu à humanidade instruções úteis. Ele lhes disse: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.” — Gênesis 1:28.

      Assim, os primeiros humanos tinham um objetivo significativo na vida. Isso incluía cuidar da ecologia da Terra e encher o globo com humanos responsáveis. (Note Isaías 11:9.) Ninguém pode com justiça culpar o Criador pelo presente estado de nosso planeta poluído, como se Ele tivesse dado aos humanos uma desculpa para explorar e arruinar o globo. A palavra “sujeitar” não autorizava a exploração. Significava cultivar e cuidar do planeta, confiado aos cuidados dos humanos. (Gênesis 2:15) Ademais, eles teriam um futuro permanente para realizar essa tarefa significativa. A sua perspectiva de nunca morrer é coerente com o fato de que a capacidade cerebral dos humanos excede em muito o que se pode utilizar plenamente numa vida de 70, 80, ou até 100 anos. O cérebro foi feito para ser usado indefinidamente.

      O Deus Jeová, como produtor e diretor de sua criação, deu aos humanos certa liberdade de ação com respeito a como cumpririam o Seu objetivo para com a Terra e a humanidade. Não foi exigente nem restritivo demais. Por exemplo, ele confiou a Adão o que seria a alegria de um zoólogo — a missão de estudar e dar nome aos animais. Depois de observar as suas características, Adão deu nomes, muitos deles descritivos. (Gênesis 2:19) Esse é apenas um exemplo de como os humanos poderiam usar seus talentos e habilidades em conformidade com o propósito de Deus.

      Não é difícil entender que o sábio Criador de todo o Universo poderia facilmente manter o controle de qualquer situação na Terra, mesmo se os humanos escolhessem um proceder tolo ou prejudicial. O registro histórico nos diz que Deus deu uma só ordem restritiva a Adão: “De toda árvore do jardim podes comer à vontade. Mas, quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” — Gênesis 2:16, 17.

      Essa ordem exigia que a humanidade reconhecesse o direito de Deus de ser obedecido. Os humanos, desde o tempo de Adão até hoje, têm sido obrigados a aceitar a lei da gravidade e a viver em harmonia com ela. Seria tolo e prejudicial não fazer isso. Assim, por que deviam os humanos rejeitar viver em harmonia com outra lei, ou ordem, da parte do generoso Criador? Ele deixou claro quais seriam as consequências de se rejeitar sua lei, mas deu a Adão e Eva a opção de obedecer-lhe voluntariamente. É fácil perceber nos relatos da primitiva história do homem que o Criador permite aos humanos a liberdade de escolha. Mas ele deseja que suas criaturas sejam supremamente felizes, o que é uma consequência natural de viver em harmonia com as Suas boas leis.

      Num capítulo anterior vimos que o Criador produziu criaturas inteligentes invisíveis — criaturas espirituais. A história do começo da humanidade revela que um desses espíritos ficou obcecado com a ideia de usurpar a posição de Deus. (Note Ezequiel 28:13-15.) Ele abusou da liberdade de escolha que Deus permite e incitou os primeiros humanos ao que só podemos chamar de franca rebelião. Por meio de um desafiador ato de desobediência direta — comerem da “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau” — o primeiro casal reivindicou sua independência do domínio de Deus. Mais ainda, a atitude deles revelou que endossavam a afirmação de que o Criador privava os humanos do que é bom. Era como se Adão e Eva exigissem decidir sozinhos o que é bom e o que é mau — independentemente da avaliação do Criador.

      Que contrassenso seria se homens e mulheres decidissem que não gostam da lei da gravidade e a desrespeitassem! Foi igualmente irracional da parte de Adão e Eva terem rejeitado os padrões morais do Criador. Os humanos certamente devem esperar consequências negativas de violar a lei básica de Deus que exige obediência, da mesma forma que a lei da gravidade traz más consequências sobre quem a viola.

      A História nos diz que Jeová agiu. No “dia” em que Adão e Eva rejeitaram a vontade do Criador eles entraram em decadência, o que os levou à morte, como Deus advertira. (Note 2 Pedro 3:8.) Isso revela mais um aspecto da personalidade do Criador. Ele é um Deus justo, que não ignora covardemente a desobediência flagrante. Ele tem e segue padrões sábios e justos.

      Coerente com as suas notáveis qualidades, Deus com misericórdia não eliminou de imediato a vida humana. Por que não? Por consideração à posteridade de Adão e Eva, que ainda não havia nem sido concebida, e não era diretamente responsável pelo proceder pecaminoso de seus ancestrais. Ter Deus se preocupado com a vida ainda a ser concebida revela-nos que tipo de Criador ele é. Não é um juiz implacável, sem sentimentos. Ele é justo, disposto a dar a todos uma oportunidade, e mostra respeito pela santidade da vida humana.

      Isso não significa que as gerações humanas futuras viveriam sob as mesmas circunstâncias deleitosas que o primeiro casal vivia. Pelo fato de o Criador ter permitido que a descendência de Adão entrasse em cena, “o mundo físico foi sujeito à frustração”. Mas não era uma frustração ou desesperança total. Lembre-se de que Romanos 8:20, 21 diz também que o Criador “deu-lhe esperança de que um dia poderá ser libertado”. Isso é algo que nos deve interessar.

      Poderá encontrá-Lo?

      Na Bíblia, o inimigo que induziu o primeiro casal humano à rebelião chama-se Satanás, o Diabo, que significa “Opositor” e “Caluniador”. Na sentença proferida contra esse principal instigador de rebelião, Deus o classificou de inimigo, mas lançou uma base para que os humanos futuros tivessem esperança. Deus disse: “Porei inimizade entre ti [Satanás] e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.” (Gênesis 3:15) Obviamente, trata-se de uma linguagem figurativa, ou ilustrativa. O que significava a futura vinda de um “descendente”?

      Outras partes da Bíblia lançam luz sobre esse intrigante versículo. Elas mostram que se relaciona com Jeová estar à altura de seu nome e ‘tornar-se’ o que for necessário para cumprir seu objetivo com relação aos humanos na Terra. Ao fazer isso, ele usou uma nação específica, e a história de seus tratos com essa nação antiga constitui uma parte significativa da Bíblia. Consideremos brevemente essa história importante. Com isso, poderemos aprender mais sobre as qualidades do Criador. De fato, podemos aprender muitas coisas inestimáveis a Seu respeito fazendo um exame adicional do livro que ele proveu para a humanidade, a Bíblia.

  • O Criador se revela — em nosso benefício!
    Existe um Criador Que Se Importa com Você?
    • Capítulo Oito

      O Criador se revela — em nosso benefício!

      ENTRE trovões e relâmpagos, cerca de 3 milhões de pessoas estavam de pé diante de uma montanha, na península do Sinai. Nuvens cobriam o monte Sinai, e o solo tremia. Nessas circunstâncias memoráveis, Moisés levou o Israel antigo a uma relação formal com o Criador do céu e da Terra. — Êxodo, capítulo 19; Isaías 45:18.

      Mas por que o Criador do Universo se revelaria de forma especial a uma determinada nação, ainda mais comparativamente pequena? Moisés esclareceu: “Foi por Jeová vos amar e por ele cumprir a declaração juramentada que fizera aos vossos antepassados.” — Deuteronômio 7:6-8.

      Essa declaração indica que na Bíblia há muito mais informações do que apenas fatos sobre a origem do Universo e a vida na Terra. Ela tem muito a dizer sobre os tratos do Criador com os humanos — no passado, no presente e no futuro. A Bíblia é o livro mais estudado e de maior circulação no mundo, de modo que toda pessoa que preza a educação devia conhecer o seu conteúdo. Façamos um apanhado geral do conteúdo da Bíblia, primeiro da parte mais conhecida como Velho Testamento. Ao fazermos isso, obteremos também uma valiosa compreensão da personalidade do Criador do Universo e Autor da Bíblia.

      No Capítulo 6, “Um antigo registro da criação — pode-se confiar nele?”, vimos que o relato bíblico da criação apresenta fatos exclusivos acerca de nossos primeiros ancestrais — as nossas origens. Esse primeiro livro bíblico contém muito mais. Exemplos?

      A mitologia grega e outras falam de uma época em que deuses e semideuses tinham tratos com os humanos. Também, segundo os antropólogos, ao redor do globo existem lendas sobre um antigo dilúvio que aniquilou a maior parte da humanidade. Você pode, com razão, descartar tais mitos. No entanto, sabia que apenas o livro de Gênesis revela-nos os fatos históricos básicos que mais tarde encontraram eco nesses mitos e lendas? — Gênesis, capítulos 6, 7.a

      No livro de Gênesis pode-se ler também acerca de homens e mulheres — pessoas fidedignas com quem podemos nos identificar — que sabiam da existência do Criador e levavam em conta a Sua vontade nas suas vidas. Temos a obrigação de saber a respeito de homens como Abraão, Isaque e Jacó, que estavam entre os “antepassados” mencionados por Moisés. O Criador veio a conhecer a Abraão e chamou-o de “meu amigo”. (Isaías 41:8; Gênesis 18:18, 19) Por quê? Jeová havia observado e adquirido confiança em Abraão como homem de fé. (Hebreus 11:8-10, 17-19; Tiago 2:23) O caso de Abraão mostra que Deus é acessível. Seu poder e capacidade são espantosos, mas ele não é mera força ou causa impessoal. Ele é uma pessoa real com quem humanos como nós podem cultivar uma relação respeitosa — para nosso benefício eterno.

      Jeová prometeu a Abraão: “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente.” (Gênesis 22:18) Isso amplia, ou estende, a promessa feita nos dias de Adão a respeito de um futuro “descendente”. (Gênesis 3:15) Sim, o que Jeová disse a Abraão confirmou a esperança de que alguém — o Descendente — viria no devido tempo e colocaria à disposição de todos os povos uma bênção. Verá que esse é o tema central que permeia toda a Bíblia, confirmando que ela não é uma coleção de diversos escritos humanos. E conhecer o tema da Bíblia ajudará você a entender que Deus usou uma nação antiga — com o alvo de abençoar todas as nações. — Salmo 147:19, 20.

      Ter tido esse objetivo ao lidar com Israel indica que Jeová ‘não é parcial’. (Atos 10:34; Gálatas 3:14) Ademais, mesmo quando Deus lidava primariamente com os descendentes de Abraão, pessoas de outras nações eram bem-vindas para também servirem a Jeová. (1 Reis 8:41-43) E, como veremos mais adiante, a imparcialidade de Deus é de tal ordem que todos nós hoje — seja qual for a nossa formação nacional ou étnica — podemos conhecê-lo e agradá-lo.

      Podemos aprender muito da história da nação com a qual o Criador lidou por séculos. Vamos dividi-la em três partes. Ao considerarmos essas partes, note como Jeová sempre agiu à altura do significado de seu nome, “Ele Causa que Venha a Ser”, e como a sua personalidade se manifestou nos seus tratos com pessoas reais.

      Parte Um — uma nação governada pelo Criador

      Os descendentes de Abraão tornaram-se escravos no Egito. Por fim Deus convocou Moisés, que os levou à liberdade em 1513 AEC. Quando Israel tornou-se uma nação, Deus era seu governante. Mas, em 1117 AEC, o povo quis ter um rei humano.

      Que acontecimentos levaram Israel a estar com Moisés no monte Sinai? O livro bíblico de Gênesis fornece o fundo histórico. Tempos antes, quando Jacó (também chamado de Israel) vivia ao nordeste do Egito, ocorreu uma fome em todo o mundo então conhecido. O zelo por sua família levou Jacó a buscar alimentos no Egito, onde havia um grande estoque de cereais. Ele descobriu que o administrador dos alimentos era na verdade seu filho José, que Jacó achava que tinha morrido anos antes. Jacó e sua família mudaram-se para o Egito e foram convidados a permanecer ali. (Gênesis 45:25–46:5; 47:5-12) No entanto, depois da morte de José, um novo Faraó arregimentou os descendentes de Jacó para trabalho forçado e ‘amargurava-lhes a vida com dura escravidão, em argamassa argilosa e em tijolos’. (Êxodo 1:8-14) Poderá ler esse vívido relato, e muito mais, no segundo livro bíblico, Êxodo.

      Os israelitas sofreram maus-tratos por décadas, e ‘seu clamor por ajuda ascendia ao Deus verdadeiro’. Recorrer a Jeová era o proceder sábio. Ele estava interessado nos descendentes de Abraão e decidido a cumprir o Seu objetivo de prover uma bênção futura para todos os povos. Jeová ‘ouviu os gemidos de Israel e reparou neles’, indicando que o Criador se compadece dos oprimidos e sofredores. (Êxodo 2:23-25) Ele escolheu Moisés para liderar a libertação de Israel da escravidão. Mas quando Moisés e seu irmão, Arão, pediram ao Faraó do Egito permissão para que esse povo escravizado partisse, ele respondeu desafiadoramente: “Quem é Jeová, que eu deva obedecer à sua voz para mandar Israel embora?” — Êxodo 5:2.

      Poderia imaginar o Criador do Universo deixar-se intimidar por esse desafio, mesmo da parte do governante da maior potência militar da época? Deus golpeou Faraó e os egípcios com uma série de pragas. Finalmente, depois da décima praga, Faraó concordou em libertar os israelitas. (Êxodo 12:29-32) Assim, os descendentes de Abraão vieram a conhecer a Jeová como pessoa real — que traz a liberdade no Seu devido tempo. Sim, como seu nome indica, Jeová tornou-se cumpridor de suas promessas de uma maneira dramática. (Êxodo 6:3) Mas tanto Faraó como os israelitas aprenderiam ainda mais a respeito desse nome.

      Isso aconteceu porque Faraó logo mudou de ideia. Ele liderou seu exército numa feroz caçada aos escravos que partiam, alcançando-os perto do mar Vermelho. Os israelitas ficaram encurralados entre o mar e o exército egípcio. Jeová interveio, abrindo uma passagem pelo mar Vermelho. Faraó devia ter reconhecido nisso uma demonstração do poder invencível de Deus. Em vez disso, lançou as suas forças contra os israelitas — e morreu afogado junto com o seu exército quando Deus fez com que o mar voltasse à sua posição normal. O relato em Êxodo não diz exatamente como Deus realizou esses feitos. Podemos chamá-los corretamente de milagres, pois as ações e seu momento para acontecer fugiam ao controle humano. Certamente, tais ações não seriam impossíveis para Quem criou tanto o Universo como todas as suas leis. — Êxodo 14:1-31.

      Esse evento demonstrou para os israelitas — e deve incutir em nós também — que Jeová é um Salvador que age à altura de seu nome. Contudo, devemos discernir desse relato ainda outros aspectos dos caminhos de Deus. Por exemplo, ele agiu com justiça contra uma nação opressiva e foi benévolo com Seu povo, através do qual viria o Descendente. A respeito deste último, o que lemos em Êxodo é obviamente muito mais do que história antiga; relaciona-se com o propósito de Deus de colocar uma bênção à disposição de todos.

      Para uma terra prometida

      Saindo do Egito, Moisés e o povo marcharam pelo deserto até o monte Sinai. Os eventos ali estabeleceram a base para os tratos de Deus com a nação por séculos à frente. Ele proveu leis. Naturalmente, eras antes disso o Criador já formulara as leis que governam a matéria no Universo, que ainda vigoram. Mas, no monte Sinai, ele usou Moisés para fornecer leis nacionais. Podemos ler o que Deus fez, bem como a Lei que ele forneceu, no livro de Êxodo e nos três livros que se seguem — Levítico, Números e Deuteronômio. Os eruditos acreditam que Moisés também escreveu o livro de Jó. Consideraremos alguns pontos de seu importante conteúdo no Capítulo 10.

      Até hoje, milhões de pessoas em todo o mundo conhecem e procuram obedecer aos Dez Mandamentos, a orientação moral, central, da Lei inteira. Esta Lei, porém, contém muitas outras diretrizes, que são admiradas por sua excelência. Compreensivelmente, muitos regulamentos centralizavam-se na vida israelita daquele tempo, tais como regras sobre higiene, saneamento e doenças. Embora dadas inicialmente a um povo antigo, tais leis refletem conhecimento sobre fatos científicos que os especialistas humanos só descobriram a partir do último século. (Levítico 13:46, 52; 15:4-13; Números 19:11-20; Deuteronômio 23:12, 13) Pode-se muito bem perguntar: Como podiam as leis dadas ao Israel antigo refletir conhecimentos e sabedoria muito superiores ao que era conhecido por nações contemporâneas? Uma resposta razoável é que essas leis originaram-se do Criador.

      Essas leis serviam também para preservar as sucessões familiares e prescreveram deveres religiosos que os israelitas deviam cumprir até a chegada do Descendente. Por concordarem em fazer tudo o que Deus lhes pedia, eles se comprometiam a obedecer a essa Lei. (Deuteronômio 27:26; 30:17-20) Eles não conseguiriam obedecer à Lei com perfeição, é verdade. No entanto, mesmo isso serviria a um bom objetivo. Mais tarde, um perito em leis explicou que a Lei ‘tornou manifestas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem se fizera a promessa’. (Gálatas 3:19, 24) Portanto, a Lei fez deles um povo à parte, lembrou-lhes que necessitavam do Descendente, ou Messias, e preparou-os para acolhê-lo.

      Os israelitas, reunidos no monte Sinai, concordaram em seguir a Lei de Deus. Desse modo, eles passaram a entrar no que a Bíblia chama de pacto, ou acordo. O pacto foi entre aquela nação e Deus. Apesar de terem entrado voluntariamente nesse pacto, mostraram ser um povo obstinado. Por exemplo, fizeram um bezerro de ouro para representar a Deus. Fazerem isso era pecado, pois a adoração de ídolos violava diretamente os Dez Mandamentos. (Êxodo 20:4-6) Ademais, eles se queixaram das provisões divinas, rebelaram-se contra o líder designado por Deus (Moisés) e tiveram relações imorais com mulheres estrangeiras, adoradoras de ídolos. Mas de que interesse é isso para nós, que vivemos tão distante dos dias de Moisés?

      Novamente, não se trata de simples história antiga. Os relatos bíblicos a respeito da ingratidão de Israel e das reações de Deus mostram que ele realmente se importa. A Bíblia diz que os israelitas punham Jeová à prova “vez após vez”, fazendo-o sentir-se “magoado” e ‘penado’. (Salmo 78:40, 41) Isso nos dá certeza de que o Criador tem sentimentos e se importa com o que os humanos fazem.

      De nosso ponto de vista, talvez pudéssemos pensar que as transgressões de Israel levariam Deus a cancelar o seu pacto e, talvez, selecionar outra nação para cumprir a sua promessa. Mas ele não fez isso. Em vez disso, puniu os transgressores flagrantes, mas foi misericordioso com a nação delinquente como um todo. Sim, Deus permaneceu leal à promessa feita ao seu fiel amigo Abraão.

      Não muito tempo depois, Israel chegou perto de Canaã, que a Bíblia chama de Terra Prometida. Era habitada por um povo poderoso, mergulhado em práticas moralmente degradantes. O Criador havia concedido que se passassem 400 anos sem intervir na vida deles, mas agora, com justiça, decidiu dar a terra deles ao Israel antigo. (Gênesis 15:16; veja também “Em que sentido um Deus ciumento?”, nas páginas 132-133.) Como preparativo, Moisés enviou 12 espiões à terra. Dez deles mostraram falta de fé no poder salvador de Jeová. Seu relatório levou o povo a murmurar contra Deus e a conspirar para retornar ao Egito. Em resultado, Deus sentenciou o povo a vaguear no ermo por 40 anos. — Números 14:1-4, 26-34.

      Em que resultou esse julgamento? Antes de sua morte, Moisés admoestou os filhos de Israel a se lembrarem daqueles anos durante os quais Jeová os havia humilhado. Moisés disse-lhes: “Bem sabes no teu próprio coração que Jeová, teu Deus, te corrigia assim como um homem corrige seu filho.” (Deuteronômio 8:1-5) Apesar de o terem insultado, Jeová os sustentara, demonstrando que eles dependiam dele. Por exemplo, eles sobreviveram porque ele proveu a nação de maná, uma substância comestível com sabor de “bolachas de mel”. Obviamente, eles deviam ter aprendido muito de sua experiência no ermo. Devia ter sido provada a importância de obedecer ao seu Deus misericordioso e de confiar nele. — Êxodo 16:13-16, 31; 34:6, 7.

      Após a morte de Moisés, Deus encarregou Josué de liderar Israel. Esse homem valente e leal conduziu a nação até Canaã e corajosamente empreendeu a conquista da terra. Em pouco tempo, Josué derrotou 31 reis e ocupou a maior parte da Terra Prometida. Essa história emocionante encontra-se no livro de Josué.

      Governo sem rei humano

      Durante a jornada no ermo e os primeiros anos na Terra Prometida, a nação tinha como líder Moisés e depois Josué. Os israelitas não precisavam de um rei humano, pois Jeová era seu Soberano. Ele providenciou que anciãos fossem designados para tratar de ações jurídicas nos portões da cidade. Eles preservavam a ordem e ajudavam o povo espiritualmente. (Deuteronômio 16:18; 21:18-20) O livro de Rute apresenta uma visão fascinante de como tais anciãos resolveram uma causa com base na lei em Deuteronômio 25:7-9.

      No decorrer dos anos, a nação muitas vezes caiu no desfavor de Deus, desobedecendo-o repetidas vezes e recorrendo a deuses cananeus. Mesmo assim, quando ela se metia em sérios apuros e invocava a sua ajuda, Jeová a socorria. Ele convocava juízes para liderar na libertação de Israel, salvando-a de povos vizinhos opressores. O livro chamado Juízes apresenta vividamente as proezas de 12 desses corajosos juízes. — Juízes 2:11-19; Neemias 9:27.

      O registro diz: “Naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um costumava fazer o que era direito aos seus próprios olhos.” (Juízes 21:25) A nação tinha os padrões estabelecidos na Lei, portanto, com a ajuda dos anciãos e do ensino dos sacerdotes, as pessoas tinham uma base para “fazer o que era direito aos seus próprios olhos”, com segurança. Ademais, a Lei provia um tabernáculo, ou templo portátil, onde se ofereciam sacrifícios. A adoração verdadeira centralizava-se ali e isso ajudava a unir a nação naquele tempo.

      Parte Dois — prosperidade sob o domínio de reis

      Quando Samuel era juiz em Israel, o povo exigiu um rei humano. Os três primeiros reis — Saul, Davi e Salomão — reinaram 40 anos cada um, de 1117 a 997 AEC. Israel atingiu seu pináculo de riqueza e glória, e o Criador tomou medidas importantes em preparação do reinado do vindouro Descendente.

      Como juiz e profeta, Samuel zelou pelo bem-estar espiritual de Israel, mas seus filhos eram diferentes. O povo por fim exigiu de Samuel: “Designa-nos deveras um rei para nos julgar, igual a todas as nações.” Jeová explicou a Samuel o sentido do pedido deles: “Escuta a voz do povo . . . pois, não é a ti que rejeitaram, mas é a mim que rejeitaram como rei sobre eles.” Jeová previu as consequências tristes dessa nova situação. (1 Samuel 8:1-9) No entanto, segundo a exigência deles, Deus nomeou um rei sobre Israel e o escolhido foi Saul, um homem modesto. Apesar de seu começo promissor, depois de tornar-se rei, Saul revelou tendências rebeldes e infringiu os mandamentos de Deus. O profeta de Deus anunciou que o reinado seria dado a um homem de quem Jeová se agradasse. Isso nos deve fazer ver quanto o Criador valoriza a obediência de coração. — 1 Samuel 15:22, 23.

      Davi, que viria a ser o próximo rei de Israel, era o filho mais novo de uma família da tribo de Judá. Sobre essa escolha surpreendente, Deus disse a Samuel: “O mero homem vê o que aparece aos olhos, mas quanto a Jeová, ele vê o que o coração é.” (1 Samuel 16:7) Não é animador saber que o Criador olha o que somos no íntimo e não as aparências? Mas Saul tinha as suas próprias ideias. Desde que Jeová escolhera Davi como futuro rei, Saul ficou obcecado com a ideia de eliminar Davi. Jeová não permitiu isso, e Saul e seus filhos acabaram morrendo numa batalha contra um povo beligerante, os filisteus.

      Davi reinava na cidade de Hébron. Depois, ele capturou Jerusalém, para onde mudou a sua capital. Ele também estendeu as fronteiras de Israel até o pleno limite da terra que Deus prometera dar aos descendentes de Abraão. Poderá ler sobre esse período (e a história de reis posteriores) em seis livros históricos da Bíblia.b Eles revelam que a vida de Davi não foi uma vida sem problemas. Por exemplo, sucumbindo ao desejo humano, ele cometeu adultério com a bela Bate-Seba e daí cometeu outros erros para encobrir o seu pecado. Como Deus justo, Jeová não poderia simplesmente ignorar o erro de Davi. Mas, devido ao seu arrependimento sincero, Deus não exigiu a aplicação rígida da penalidade da Lei. Ainda assim, Davi viria a ter muitos problemas familiares em resultado de seus pecados.

      Durante todas essas crises, Davi veio a conhecer a Deus como pessoa — alguém com sentimentos. Ele escreveu: “Jeová está perto de todos os que o invocam . . . e ouvirá seu clamor por ajuda.” (Salmo 145:18-20) A sinceridade e a devoção de Davi estão claramente expressas nos lindos cânticos que ele compôs, que constituem cerca da metade do livro de Salmos. Milhões têm derivado consolo e encorajamento dessa poesia. Considere a intimidade de Davi com Deus, como reflete o Salmo 139:1-4: “Ó Jeová, tu me esquadrinhaste e me conheces. Tu mesmo chegaste a conhecer meu assentar e meu levantar. De longe consideraste meu pensamento. . . . Pois não há palavra na minha língua, mas eis que tu, ó Jeová, já sabes de tudo.”

      Davi conhecia em especial o poder salvador de Deus. (Salmo 20:6; 28:9; 34:7, 9; 37:39) Toda vez que ele o experimentava, a sua confiança em Jeová aumentava. Você pode ver evidências disso no Salmo 30:5; 62:8 e 103:9. Ou leia o Salmo 51, que Davi compôs depois de ter sido censurado pelo pecado com Bate-Seba. Como é reanimador saber que podemos prontamente expressar nossos sentimentos ao Criador, certos de que ele não é arrogante, mas humildemente se dispõe a ouvir! (Salmo 18:35; 69:33; 86:1-8) Davi não chegou a tal apreço apenas pela experiência. “Meditei em toda a tua atuação”, escreveu, “mantive-me voluntariamente preocupado com o trabalho das tuas próprias mãos”. — Salmo 63:6; 143:5.

      Jeová fez um pacto especial com Davi, referente a um reino eterno. Davi provavelmente não entendia o pleno alcance desse pacto, mas, à base de detalhes registrados na Bíblia mais tarde, vemos que Deus estava indicando que o Descendente prometido viria da linhagem de Davi. — 2 Samuel 7:16.

      O sábio Rei Salomão e o sentido da vida

      Salomão, filho de Davi, ficou famoso por sua sabedoria, e podemos nos beneficiar dela lendo os livros muito práticos de Provérbios e Eclesiastes.c (1 Reis 10:23-25) Este último é especialmente útil para quem busca um sentido na vida, como fez o sábio Rei Salomão. Como primeiro rei israelita nascido numa família real, Salomão tinha amplas perspectivas diante de si. Ele fez construções majestosas, podia saborear uma variedade impressionante de alimentos, apreciava a música e a companhia de pessoas notáveis. No entanto, ele escreveu: “Eu, sim, eu me virei para todos os meus trabalhos que minhas mãos tinham feito e para a labuta em que eu tinha trabalhado arduamente para a realizar, e eis que tudo era vaidade [ou, futilidade].” (Eclesiastes 2:3-9, 11) A que conclusão isso levou?

      Salomão escreveu: “A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem. Pois o próprio verdadeiro Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau.” (Eclesiastes 12:13, 14) Em harmonia com isso, Salomão empreendeu a construção de um templo glorioso, que levou sete anos, onde as pessoas podiam adorar a Deus. — 1 Reis, capítulo 6.

      Por muitos anos, o reinado de Salomão foi marcado por paz e abundância. (1 Reis 4:20-25) Mesmo assim, seu coração não mostrou ser tão pleno para com Jeová como o de Davi. Salomão arranjou muitas esposas estrangeiras e permitiu que estas desviassem seu coração para os deuses delas. Jeová disse, por fim: “Sem falta arrancarei de ti o reino . . . Darei uma tribo ao teu filho, por causa de Davi, meu servo, e por causa de Jerusalém.” — 1 Reis 11:4, 11-13.

      Parte Três — o reino dividido

      Depois da morte de Salomão, em 997 AEC, dez tribos do norte se separaram. Estas formaram o reino de Israel, que os assírios conquistaram em 740 AEC. Os reis em Jerusalém reinavam sobre duas tribos. Este reino, Judá, durou até que os babilônios conquistaram Jerusalém (em 607 AEC) e levaram seus habitantes como prisioneiros. Judá ficou desolado por 70 anos.

      Quando Salomão morreu, seu filho Roboão assumiu o poder e tornou dura a vida do povo. Isso resultou numa revolta, e dez tribos se separaram formando o reino de Israel. (1 Reis 12:1-4, 16-20) No decorrer dos anos, esse reino do norte não permaneceu fiel ao Deus verdadeiro. O povo não raro se curvava perante ídolos em forma de bezerro de ouro, ou praticava outras formas de adoração falsa. Alguns reis foram assassinados e suas dinastias, derrubadas por usurpadores. Jeová mostrou grande paciência, enviando repetidas vezes profetas para alertar a nação de uma futura tragédia caso continuasse com a sua apostasia. Os livros de Oseias e Amós foram escritos por profetas cujas mensagens centralizavam-se nesse reino do norte. Por fim, em 740 AEC, os assírios causaram a tragédia que os profetas de Deus haviam predito.

      No sul, 19 reis sucessivos da casa de Davi reinaram em Judá até 607 AEC. Os reis Asa, Jeosafá, Ezequias e Josias governaram como seu antepassado Davi, e ganharam o favor de Jeová. (1 Reis 15:9-11; 2 Reis 18:1-7; 22:1, 2; 2 Crônicas 17:1-6) Durante o reinado desses reis, Jeová abençoou a nação. A The Englishman’s Critical and Expository Bible Cyclopædia observa: “O grande fator conservador de J[udá] foi o seu templo estabelecido por Deus, o sacerdócio, a lei escrita e o reconhecimento do único Deus verdadeiro, Jeová, como seu verdadeiro rei teocrático. . . . Essa obediência à lei . . . produziu uma sucessão de reis com muitos monarcas sábios e bons . . . Assim, J[udá] sobreviveu mais tempo do que a sua irmã do norte, mais populosa.” O número de reis bons foi muito inferior ao daqueles que não andaram nos caminhos de Davi. Mesmo assim, Jeová guiou as coisas de modo que ‘Davi, seu servo, continuasse a ter sempre uma lâmpada diante de Si em Jerusalém, a cidade que Deus escolhera para pôr o Seu nome’. — 1 Reis 11:36.

      Para a destruição

      Manassés foi um dos reis de Judá que se afastou da adoração verdadeira. “Ele fez o seu próprio filho passar pelo fogo, e praticou a magia e procurou presságios, e constituiu médiuns espíritas e prognosticadores profissionais de eventos. Fez em grande escala o que era mau aos olhos de Jeová, para o ofender.” (2 Reis 21:6, 16) O Rei Manassés levou seu povo a ‘fazer pior do que as nações que Jeová aniquilara’. Depois de repetidas vezes advertir Manassés e seu povo, o Criador declarou: “Vou esfregar Jerusalém até ficar limpa, assim como se esfrega um tacho sem asas.” — 2 Crônicas 33:9, 10; 2 Reis 21:10-13.

      Como prelúdio disso, Jeová permitiu que os assírios capturassem Manassés e o levassem preso com grilhões de cobre. (2 Crônicas 33:11) No exílio, Manassés caiu em si e “continuou a humilhar-se grandemente por causa do Deus de seus antepassados”. Como reagiu Jeová? “[Deus] ouviu seu pedido de favor, e restaurou-o a Jerusalém ao seu reinado; e Manassés veio a saber que Jeová é o verdadeiro Deus.” Tanto o Rei Manassés como seu neto, o Rei Josias, realizaram reformas necessárias. Mesmo assim, a nação não abandonou permanentemente a vasta degradação moral e religiosa. — 2 Crônicas 33:1-20; 34:1–35:25; 2 Reis, capítulo 22.

      Significativamente, Jeová enviou profetas zelosos para declararem o que ele achava a respeito do que estava acontecendo.d Jeremias transmitiu as palavras de Jeová: “Desde o dia em que os vossos antepassados saíram da terra do Egito até o dia de hoje . . . continuei a enviar-vos todos os meus servos, os profetas, diariamente levantando-me cedo e enviando-os.” Mas as pessoas não escutavam a Deus. Agiam pior do que seus antepassados! (Jeremias 7:25, 26) Deus as advertia repetidas vezes ‘porque tinha compaixão do seu povo’. Mesmo assim, elas não correspondiam. De modo que Deus permitiu que os babilônios destruíssem Jerusalém e desolassem a terra em 607 AEC. Por 70 anos ela ficou abandonada. — 2 Crônicas 36:15, 16; Jeremias 25:4-11.

      Esse breve retrospecto das ações de Deus devia ajudar-nos a reconhecer o interesse de Jeová por Sua nação e seus tratos justos com ela. Ele não ficou simplesmente à espera para ver o que o povo faria, como se não fizesse diferença para ele. Ele tentou ativamente ajudá-lo. Você pode compreender por que Isaías disse: “Ó Jeová, tu és nosso Pai. . . . Todos nós somos trabalho da tua mão.” (Isaías 64:8) Concordemente, muitos hoje chamam o Criador de “Pai”, pois ele é sensível como um pai humano amoroso e interessado. Contudo, ele também reconhece que temos de assumir a responsabilidade pelo nosso proceder e por seus resultados.

      Depois de a nação ter passado 70 anos no cativeiro em Babilônia, Jeová Deus cumpriu sua profecia de restaurar Jerusalém. O povo foi libertado e permitiu-se que retornasse à sua terra natal para ‘reconstruir a casa de Jeová, que havia em Jerusalém’. (Esdras 1:1-4; Isaías 44:24–45:7) Vários livros bíblicose abordam essa restauração, a reconstrução do templo, ou os eventos que se seguiram. Um deles, Daniel, é particularmente interessante porque profetizou exatamente quando viria o Descendente, ou Messias, e predisse acontecimentos mundiais em nossos tempos.

      O templo foi finalmente reconstruído, mas a situação de Jerusalém era deplorável. Suas muralhas e seus portões estavam em ruínas. De modo que Deus suscitou homens como Neemias, para encorajar e organizar os judeus. Uma oração que podemos ler em Neemias, capítulo 9, resume muito bem os tratos de Jeová com os israelitas. Apresenta Jeová como “Deus de atos de perdão, clemente e misericordioso, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência”. Essa oração mostra também que Jeová age em harmonia com seu padrão de justiça perfeito. Mesmo quando tem bons motivos para usar seu poder para executar um julgamento ele sempre tempera a justiça com o amor. Fazer isso de modo equilibrado e excelente exige sabedoria. Obviamente, os tratos do Criador com a nação de Israel devem atrair-nos a ele e motivar-nos a nos interessar em fazer a Sua vontade.

      Quando essa parte da Bíblia (o Velho Testamento) termina, Judá, com seu templo em Jerusalém, havia sido restaurado mas estava sob domínio pagão. Assim, como poderia cumprir-se o pacto de Deus com Davi a respeito de um ‘descendente’ que governaria “para todo o sempre”? (Salmo 89:3, 4; 132:11, 12) Os judeus ainda aguardavam o aparecimento do “Messias, o Líder”, que libertaria o povo de Deus e estabeleceria um reino teocrático (governado por Deus) na Terra. (Daniel 9:24, 25) Mas era esse o propósito de Jeová? Se não era, de que modo o prometido Messias traria a libertação? E como isso nos afeta hoje? O capítulo seguinte considerará essas perguntas vitais.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Os nomes dos livros bíblicos estão em negrito para facilitar a identificação de seu conteúdo.

      b Esses são 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas e 2 Crônicas.

      c Ele também escreveu Cântico de Salomão, um poema de amor sobre a lealdade de uma moça a um humilde pastor.

      d Um bom número de livros bíblicos contém essas mensagens proféticas inspiradas. Entre eles Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Joel, Miqueias, Habacuque, Sofonias. Os livros de Obadias, Jonas e Naum focalizaram nações vizinhas cujas ações afetavam o povo de Deus.

      e Esses livros de história e de profecias incluem Esdras, Neemias, Ester, Ageu, Zacarias e Malaquias.

      [Quadro nas páginas 126, 127]

      Pode-se crer em milagres?

      “É impossível usar a luz elétrica, as comunicações sem fio ou servir-nos das modernas descobertas médicas e cirúrgicas e, ao mesmo tempo, crer no mundo de espíritos e de milagres do Novo Testamento.” Essas palavras do teólogo alemão Rudolf Bultmann refletem o que muitos hoje acham a respeito de milagres. É isso o que você pensa a respeito dos milagres registrados na Bíblia, como aquele em que Deus dividiu as águas do mar Vermelho?

      O Concise Oxford Dictionary define “milagre” como “evento extraordinário atribuído a alguma atividade sobrenatural”. Tal evento extraordinário envolve uma interrupção da ordem natural, razão pela qual muitos não se inclinam a crer em milagres. Contudo, o que parece ser uma violação da lei natural pode ser facilmente explicado à luz das outras leis da natureza envolvidas.

      Para ilustrar, a revista New Scientist publicou que dois físicos da Universidade de Tóquio aplicaram um campo magnético extremamente forte num tubo horizontal parcialmente cheio de água. A água foi forçada para as extremidades do tubo, deixando seca a parte do meio. O fenômeno, descoberto em 1994, acontece porque a água é ligeiramente diamagnética, ou seja, um ímã a repele. O confirmado fenômeno de a água deslocar-se de onde um campo magnético é muito forte para onde ele é mais fraco, foi apelidado de Efeito Moisés. A New Scientist observou: “Deslocar a água é fácil — se você tiver um ímã suficientemente grande. Se tiver, praticamente tudo será possível.”

      Naturalmente, não se pode dizer com absoluta certeza que processo Deus usou quando partiu o mar Vermelho para os israelitas. Mas o Criador conhece nos mínimos detalhes todas as leis da natureza. Ele poderia facilmente controlar certos aspectos de uma lei empregando outra lei dentre as que ele criou. Para os humanos, o resultado poderia parecer milagroso, especialmente se não entendessem bem as leis envolvidas.

      Quanto aos milagres na Bíblia, Akira Yamada, professor emérito da Universidade de Kyoto, no Japão, diz: “Embora seja correto dizer que [um milagre] não pode ser entendido por ora à base do ponto de vista da ciência em que a pessoa esteja envolvida (ou à base do status quo da ciência), é errado concluir que ele não aconteceu, simplesmente com base na autoridade da avançada física moderna ou da avançada Bibliologia moderna. Daqui a dez anos, a ciência moderna de hoje será uma ciência do passado. Quanto mais rapidamente a ciência progredir, maior a possibilidade de os cientistas de hoje se tornarem alvo de piadas, tais como ‘os cientistas dez anos atrás criam seriamente nisso ou naquilo’.” — Gods in the Age of Science.

      Como Criador, capaz de coordenar todas as leis da natureza, Jeová pode usar seu poder para fazer milagres.

      [Quadro nas páginas 132, 133]

      Em que sentido um Deus ciumento?

      “Jeová, cujo nome é Ciumento, é um Deus ciumento.” Lemos esse comentário em Êxodo 34:14, mas o que significa?

      A palavra hebraica traduzida por “ciumento” pode significar “que exige devoção exclusiva, que não tolera rivalidade”. Em sentido positivo isso beneficia suas criaturas, pois Jeová é ciumento com respeito ao seu nome e a sua adoração. (Ezequiel 39:25) Seu zelo em cumprir o que seu nome representa significa que ele cumprirá seu objetivo para com a humanidade.

      Considere, por exemplo, sua condenação dos povos que viviam na terra de Canaã. Certo erudito faz esta descrição chocante: “O culto de Baal, de Astorete e de outros deuses dos cananeus consistia nas mais extravagantes orgias; seus templos eram centros de depravação. . . . Os cananeus prestavam seu culto, praticando a licenciosidade, . . . e também assassinando seus primogênitos, como sacrifício aos mesmos deuses.” Os arqueólogos descobriram jarros contendo despojos de crianças sacrificadas. Embora Deus observasse o erro dos cananeus nos dias de Abraão, ele foi paciente com eles por 400 anos, concedendo-lhes bastante tempo para mudar. — Gênesis 15:16.

      Tinham os cananeus uma percepção clara da gravidade de seu erro? Bem, eles possuíam a faculdade humana da consciência, reconhecida pelos juristas como base universal para moralidade e justiça. (Romanos 2:12-15) Apesar disso, os cananeus persistiram nos detestáveis sacrifícios de crianças e nas práticas sexuais degradantes.

      Jeová, no seu equilíbrio de justiça, determinou que aquela terra tinha de ser saneada. Não era genocídio. Cananeus individuais (como Raabe) ou grupos inteiros (como os gibeonitas), que aceitaram voluntariamente as elevadas normas morais de Deus, foram poupados. (Josué 6:25; 9:3-15) Raabe tornou-se um elo na genealogia real que levou ao Messias, e descendentes de gibeonitas foram privilegiados de ministrar no templo de Jeová. — Josué 9:27; Esdras 8:20; Mateus 1:1, 5-16.

      Portanto, quando procuramos ver o quadro completo e claro, baseado em fatos, é fácil perceber que Jeová é um Deus admirável e justo, ciumento no bom sentido, de uma maneira que beneficia suas criaturas fiéis.

  • Um Grande Instrutor nos revela mais a respeito do Criador
    Existe um Criador Que Se Importa com Você?
    • Capítulo Nove

      Um Grande Instrutor nos revela mais a respeito do Criador

      AS PESSOAS do primeiro século, na Palestina, “estavam em expectativa”. De quê? Do “Cristo”, ou “Messias”, predito pelos profetas de Deus com séculos de antecedência. Elas tinham convicção de que a Bíblia fora escrita sob a orientação de Deus e que continha informações antecipadas sobre o futuro. Uma dessas, no livro de Daniel, indicava que o Messias apareceria na parte inicial daquele século. — Lucas 3:15; Daniel 9:24-26.

      Era necessário ter cautela, porém, pois surgiriam falsos messias. (Mateus 24:5) O historiador judaico Josefo menciona alguns: Teudas, que conduziu seus seguidores ao rio Jordão, afirmando que suas águas seriam divididas; um homem do Egito que conduziu as pessoas ao monte das Oliveiras, dizendo que o muro de Jerusalém cairia à sua ordem; e um impostor contemporâneo do governador Festo, que prometeu trazer alívio dos problemas. — Note Atos 5:36; 21:38.

      Em contraste com os seguidores iludidos de tais homens, um grupo que veio a ser chamado “cristãos” reconheceu que Jesus de Nazaré era um grande instrutor e o verdadeiro Messias. (Atos 11:26; Marcos 10:47) Jesus não era um impostor; ele tinha sólidas credenciais, como é amplamente confirmado nos quatro livros históricos chamados de Evangelhos.a Por exemplo, os judeus sabiam que o Messias nasceria em Belém, na linhagem de Davi, e realizaria obras maravilhosas. Jesus cumpriu todas essas profecias, conforme até mesmo opositores atestaram. Sem dúvida, Jesus satisfez as qualificações do Messias predito na Bíblia. — Mateus 2:3-6; 22:41-45; João 7:31, 42.

      As multidões que conheceram a Jesus e observaram suas obras notáveis, que ouviram suas inigualáveis palavras de sabedoria e reconheceram sua capacidade de previsão convenceram-se de que ele era o Messias. No decorrer de seu ministério (29-33 EC), acumularam-se evidências que comprovaram ser ele o Messias. Na realidade, ele era mais do que isso. Um discípulo conhecedor dos fatos concluiu: “Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.”b — João 20:31.

      Por ter tal relação achegada com Deus, Jesus podia explicar e revelar a personalidade de nosso Criador. (Lucas 10:22; João 1:18) Jesus confirmou que sua relação achegada com seu Pai começou no céu, onde colaborou com Ele na criação de todas as outras coisas, animadas e inanimadas. — João 3:13; 6:38; 8:23, 42; 13:3; Colossenses 1:15, 16.

      A Bíblia diz que o Filho foi transferido do domínio espiritual e veio “a ser na semelhança dos homens”. (Filipenses 2:5-8) Não se trata de um acontecimento normal, mas será que é possível? Os cientistas confirmam que um elemento natural, como o urânio, pode ser transformado em outro; eles até calculam os resultados da transformação de massa em energia (E=mc2). Então, por que devíamos nós duvidar quando a Bíblia diz que uma criatura espiritual foi transformada para viver como criatura humana?

      Ilustrando isso de outra forma, pense no que alguns médicos realizam com a fertilização in vitro. A vida que começa num “tubo de ensaio” é transferida para dentro de uma mulher e mais tarde nasce como um bebê. No caso de Jesus, a Bíblia nos assegura que pelo “poder do Altíssimo”, sua vida foi transferida para o ventre de uma virgem chamada Maria. Ela era da linhagem de Davi, de modo que Jesus podia ser o herdeiro permanente do Reino messiânico prometido a Davi. — Lucas 1:26-38; 3:23-38; Mateus 1:23.

      Por ter uma relação achegada com o Criador, e por ser semelhante a Ele, Jesus disse: “Quem me tem visto, tem visto também o Pai.” (João 14:9) Ele disse também: “Quem o Pai é, ninguém sabe exceto o Filho, e aquele a quem o Filho estiver disposto a revelá-lo.” (Lucas 10:22) Assim, ao aprendermos sobre o que Jesus ensinou e realizou na Terra, podemos ver mais claramente a personalidade do Criador. Consideremos isso, usando as experiências de homens e mulheres que tiveram tratos com Jesus.

      A samaritana

      “Será que este é o Cristo?”, perguntou uma samaritana depois de conversar com Jesus por alguns instantes. (João 4:29) Ela até incentivou outros da cidade de Sicar a conhecer a Jesus. O que a motivou a aceitar a Jesus como o Messias?

      Essa mulher encontrou Jesus enquanto ele descansava, depois de ter andado a manhã inteira nas estradas poeirentas das colinas de Samaria. Embora cansado, Jesus falou com ela. Notando o seu grande interesse espiritual, Jesus transmitiu-lhe verdades profundas, salientando a necessidade de ‘adorar o Pai com espírito e verdade’. Depois revelou que ele era realmente o Cristo, fato que ainda não havia admitido em público. — João 4:3-26.

      Para a samaritana, o encontro com Jesus foi muito significativo. Suas anteriores atividades religiosas se centralizavam na adoração no monte Gerizim e baseavam-se apenas nos primeiros cinco livros da Bíblia. Os judeus evitavam os samaritanos, muitos dos quais descendiam da miscigenação entre as dez tribos de Israel com outros povos. Que atitude diferente demonstrou Jesus! Embora tivesse sido enviado “às ovelhas perdidas da casa de Israel”, ele de muito bom grado ensinou a samaritana. (Mateus 15:24) Com isso, Jesus refletiu a disposição de Jeová de aceitar pessoas sinceras de todas as nações. (1 Reis 8:41-43) De fato, ambos, Jesus e Jeová, estão acima da preconceituosa hostilidade religiosa que permeia o mundo hoje. Sabermos disso devia atrair-nos ao Criador e ao seu Filho.

      Há outra lição que podemos aprender da disposição de Jesus de ensinar essa mulher. Na época ela vivia com um homem que não era seu marido. (João 4:16-19) Mas nem por isso Jesus deixou de dirigir-lhe a palavra. Imagine como ela deve ter apreciado ser tratada com dignidade! E ela não foi a única a receber esse tratamento. Quando alguns líderes judeus (fariseus) criticaram Jesus por tomar uma refeição com pecadores arrependidos, ele disse: “As pessoas com saúde não precisam de médico, mas sim os enfermos. Ide, pois, e aprendei o que significa: ‘Misericórdia quero, e não sacrifício.’ Pois eu não vim chamar os que são justos, mas pecadores.” (Mateus 9:10-13) Jesus ajudou pessoas que se sentiam oprimidas pelo fardo de seus pecados, por terem violado a lei ou os padrões de Deus. Como é reanimador saber que Deus e seu Filho estão dispostos a ajudar os que sofrem as consequências de sua conduta no passado! — Mateus 11:28-30.c

      Não despercebamos o fato de que nessa ocasião, em Samaria, Jesus falou de forma bondosa e prestimosa com uma mulher. Por que isso é significativo? Naquele tempo, os homens judeus eram ensinados a evitar conversar com mulheres em público, até mesmo com a própria esposa. Os rabinos judeus achavam que as mulheres não tinham capacidade de compreender instruções espirituais profundas, considerando-as de “mente frívola”. Alguns chegaram a dizer: “Antes queimar as palavras da lei do que ensiná-las a mulheres.” Os discípulos de Jesus haviam sido criados em tal ambiente; assim, quando retornaram, eles “começaram a admirar-se, porque [ele] falava com uma mulher”. (João 4:27) Esse relato — apenas um entre muitos — ilustra que Jesus refletia as qualidades de seu Pai, que criou e dignificou tanto o homem como a mulher. — Gênesis 2:18.

      Depois disso a samaritana convenceu as pessoas de sua cidade a ouvir a Jesus. Muitos examinaram os fatos e tornaram-se crentes, dizendo: “Sabemos que este homem certamente é o salvador do mundo.” (João 4:39-42) Visto que nós somos parte do “mundo” da humanidade, Jesus é também de importância vital para o nosso futuro.

      O ponto de vista de um pescador

      Consideremos agora Jesus através dos olhos de duas pessoas que conviveram bastante com ele: Pedro e depois João. Esses homens comuns, pescadores, estavam entre os seus primeiros seguidores. (Mateus 4:13-22; João 1:35-42) Os fariseus os encaravam como “homens indoutos e comuns”, parte do ‘povo da terra’ (ʽam- ha·ʼaʹrets), pessoas desprezadas por não haverem recebido a instrução dos rabinos. (Atos 4:13; João 7:49) Muitas dessas pessoas, que ‘labutavam e estavam sobrecarregadas’ sob o jugo dos tradicionalistas religiosos, ansiavam receber esclarecimento espiritual. O professor Charles Guignebert, da Sorbonne, comentou que “o coração [dessas pessoas] era totalmente devotado a Javé [Jeová]”. Jesus não desprezou esses humildes, favorecendo os ricos ou os influentes. Ao contrário, através de seus ensinos e pela maneira com que os tratou, ele lhes deu a conhecer o Pai. — Mateus 11:25-28.

      Pedro sentiu de perto essa empatia de Jesus. Logo depois que começou a participar com Jesus no ministério, a sogra dele adoeceu com febre. Indo à casa de Pedro, Jesus a segurou pela mão, e a febre passou! Talvez não saibamos exatamente como ocorreu essa cura, assim como os médicos hoje não conseguem explicar plenamente como ocorrem algumas curas, mas a febre deixou essa mulher. Mais importante do que conhecer seu método de cura é reconhecer que, por curar os doentes e os afligidos, Jesus demonstrou compaixão por eles. Ele realmente queria ajudar as pessoas, assim como seu Pai. (Marcos 1:29-31, 40-43; 6:34) De sua convivência com Jesus, Pedro podia ver que o Criador considera cada pessoa como merecedora de atenção e cuidados. — 1 Pedro 5:7.

      Numa ocasião posterior, Jesus estava no Pátio das Mulheres, no templo em Jerusalém. Ele observou pessoas colocarem contribuições nos cofres do tesouro. Os ricos colocavam muitas moedas. Prestando detida atenção, Jesus viu uma viúva pobre colocar duas moedas de muito pouco valor. Jesus disse a Pedro, João, e a outros: “Deveras, eu vos digo que esta viúva pobre lançou neles mais do que todos estes que lançam dinheiro nos cofres do tesouro; pois todos eles lançaram neles dos seus excedentes, mas ela, de sua carência, lançou neles tudo o que tinha.” — Marcos 12:41-44.

      Podemos notar que Jesus observava as boas qualidades das pessoas e apreciava os esforços de cada um. Que efeito acha que isso teve sobre Pedro e os outros apóstolos? Percebendo do exemplo de Jesus como Jeová é, Pedro mais tarde citou um salmo: “Os olhos de Jeová estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos às súplicas deles.” (1 Pedro 3:12; Salmo 34:15, 16) Não se sente atraído ao Criador e ao seu Filho que procuram boas qualidades em você e que se dispõem a ouvir as suas súplicas?

      Após uns dois anos de convivência com Jesus, Pedro tinha certeza de que Jesus era o Messias. Certa vez, Jesus perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” Cada um respondeu uma coisa. Ele então lhes perguntou: “Vós, porém, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu com confiança: “Tu és o Cristo.” Você talvez ache estranho o que Jesus fez a seguir. Ele “os advertiu estritamente que não dissessem isso a ninguém”. (Marcos 8:27-30; 9:30; Mateus 12:16) Por que fez isso? Jesus estava ali pessoalmente, de modo que não queria que as pessoas tirassem conclusões à base do que ouvissem dizer. Isso tem lógica, não acha? (João 10:24-26) O ponto é: nosso Criador igualmente quer que tenhamos conhecimento dele mediante nossa própria investigação de sólidas evidências. Ele espera que nossas convicções sejam baseadas em fatos. — Atos 17:27.

      Como você pode imaginar, alguns dos conterrâneos de Jesus não o aceitaram, apesar de amplas evidências de que ele tinha o apoio do Criador. Esse Messias sincero, mas humilde, não era exatamente o que muitos, preocupados com sua posição ou com objetivos políticos, queriam. Quase no fim de seu ministério, Jesus disse: “Jerusalém, Jerusalém, matadora dos profetas e apedrejadora dos que lhe são enviados — quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos . . . Mas vós não o quisestes. Eis que a vossa casa vos fica abandonada.” (Mateus 23:37, 38) Essa mudança de situação para aquela nação foi um passo significativo na realização do propósito de Deus de abençoar todas as nações.

      Logo após isso, Pedro e três outros apóstolos ouviram Jesus fazer uma profecia detalhada sobre a “terminação do sistema de coisas”.d O que Jesus predisse teve um cumprimento inicial quando os romanos atacaram Jerusalém e a destruíram, em 66-70 EC. A História mostra que a predição de Jesus se cumpriu. Pedro testemunhou muitas coisas que Jesus predisse, como mostram 1 e 2 Pedro, dois livros que Pedro escreveu. — 1 Pedro 1:13; 4:7; 5:7, 8; 2 Pedro 3:1-3, 11, 12.

      Durante seu ministério, Jesus tratava os judeus com paciência e bondade. Mas ele não hesitou em condenar a iniquidade. Isso ajudou Pedro, e devia ajudar a todos nós, a entender nosso Criador mais plenamente. Ao ver outras coisas em cumprimento da profecia de Jesus, Pedro escreveu que os cristãos deviam ter “bem em mente a presença do dia de Jeová”. Ele disse também: “Jeová não é vagaroso com respeito à sua promessa, conforme alguns consideram a vagarosidade, mas ele é paciente convosco, porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” Daí acrescentou algumas palavras de encorajamento, falando sobre ‘novos céus e uma nova terra, em que habitaria a justiça’. (2 Pedro 3:3-13) Será que nós, assim como Pedro, conseguimos enxergar as qualidades de Deus refletidas em Jesus, e demonstramos que confiamos nas suas promessas para o futuro?

      Por que Jesus morreu?

      Na sua última noite com os apóstolos, Jesus tomou uma refeição especial com eles. Nessas ocasiões, era costume entre os judeus o anfitrião demonstrar hospitalidade por lavar os pés dos convidados, que talvez tivessem caminhado de sandálias por estradas poeirentas. Mas ninguém se ofereceu a fazer isso por Jesus. Assim, ele se levantou humildemente, pegou uma toalha e uma bacia, e começou a lavar os pés dos apóstolos. Quando chegou a sua vez, Pedro ficou envergonhado de aceitar esse serviço de Jesus. Ele disse: “Certamente nunca lavarás os meus pés.” Jesus respondeu-lhe: “A menos que eu te lave, não tens parte comigo.” Sabendo que iria morrer em breve, Jesus acrescentou: “Se eu, embora Senhor e Instrutor, lavei os vossos pés, vós também deveis lavar os pés uns dos outros. Pois estabeleci o modelo para vós, a fim de que, assim como eu vos fiz, vós também façais.” — João 13:5-17.

      Décadas mais tarde Pedro incentivou os cristãos a imitar a Jesus, não por realizar um ritual de lava-pés, mas por servir com humildade a outros em vez de ‘dominá-los’. Pedro também reconheceu que o exemplo de Jesus provava que “Deus se opõe aos soberbos, mas dá benignidade imerecida aos humildes”. Que lição a respeito do Criador! (1 Pedro 5:1-5; Salmo 18:35) Todavia, Pedro aprendeu mais.

      Depois daquela refeição final, Judas Iscariotes, que era apóstolo, mas se tornou ladrão, conduziu um bando de homens armados para prender Jesus. Pedro reagiu. Ele puxou da espada e feriu um homem da turba. Jesus corrigiu a Pedro: “Devolve a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada perecerão pela espada.” Daí, à vista de Pedro, Jesus tocou no homem, curando-o. (Mateus 26:47-52; Lucas 22:49-51) Obviamente, Jesus viveu à altura de seus ensinamentos, de ‘continuar a amar os inimigos’, em imitação de seu Pai, que “faz o seu sol levantar-se sobre iníquos e sobre bons, e faz chover sobre justos e sobre injustos”. — Mateus 5:44, 45.

      Naquela noite estressante, Jesus foi conduzido às pressas a uma audiência no supremo tribunal judaico. Foi acusado falsamente de blasfêmia, levado ao governador romano e, daí, injustamente entregue para a execução. Judeus e romanos caçoaram dele. Foi submetido a maus-tratos brutais e finalmente pregado na estaca. Grande parte do tratamento cruel a que foi submetido cumpriu profecias escritas com séculos de antecedência. Até mesmo soldados que viram Jesus na estaca de tortura admitiram: “Certamente este era o Filho de Deus.” — Mateus 26:57–27:54; João 18:12–19:37.

      Esses acontecimentos devem ter levado Pedro e outros a perguntar-se: ‘Por que o Cristo teve de morrer?’ Foi apenas mais tarde que eles entenderam. Por um lado, tais eventos cumpriram a profecia de Isaías, capítulo 53, que mostrava que o Cristo tornaria possível o livramento não só para os judeus, mas para toda a humanidade. Pedro escreveu: “Ele mesmo levou os nossos pecados no seu próprio corpo, no madeiro, a fim de que acabássemos com os pecados e vivêssemos para a justiça. E ‘pelos seus vergões [fomos] sarados’.” (1 Pedro 2:21-25) Pedro compreendeu o sentido da verdade que Jesus havia apresentado: “O Filho do homem não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos.” (Mateus 20:28) Jesus tinha de renunciar ao seu direito à vida como humano perfeito a fim de livrar a humanidade da condição pecaminosa herdada de Adão. Trata-se de um dos ensinos fundamentais da Bíblia — o resgate.

      O que envolve o resgate? A seguinte ilustração poderá ajudá-lo: suponhamos que você tivesse um computador, mas um dos arquivos eletrônicos estivesse danificado por um vírus que alguém introduziu num programa perfeito. Isso ilustra o efeito do que Adão fez quando deliberadamente desobedeceu a Deus, ou pecou. Voltando à ilustração, quaisquer cópias que fizesse do arquivo eletrônico corrompido seriam afetadas. Mas nem tudo estaria forçosamente perdido. Com um programa especial, você poderia detectar e eliminar a contaminação dos arquivos de seu computador. De forma comparável, a humanidade recebeu um “vírus”, o pecado, de Adão e Eva, e precisamos de ajuda de fora para eliminá-lo. (Romanos 5:12) Segundo a Bíblia, Deus providenciou essa limpeza para nós mediante a morte de Jesus. Trata-se de uma provisão amorosa da qual podemos nos beneficiar. — 1 Coríntios 15:22.

      Reconhecendo o que Jesus realizou, Pedro sentiu-se motivado a “viver o resto de seu tempo na carne, não mais para os desejos dos homens, mas para a vontade de Deus”. Para Pedro, bem como para nós, isso significa evitar hábitos corruptos e estilos de vida imorais. Outros talvez tentem dificultar as coisas para quem se esforça em fazer a “vontade de Deus”. Mas a pessoa verá que sua vida será mais rica, mais significativa. (1 Pedro 4:1-3, 7-10, 15, 16) Isso se deu no caso de Pedro, e o mesmo pode se dar conosco se ‘encomendarmos as nossas almas, ou vidas, ao fiel Criador ao passo que fazemos o bem’. — 1 Pedro 4:19.

      Um discípulo que reconheceu o amor de Deus

      O apóstolo João foi outro discípulo que teve bastante convivência com Jesus e que, portanto, pode ajudar-nos a entender melhor o Criador. João escreveu um Evangelho e três cartas (1, 2 e 3 João). Numa destas, ele nos explicou: “Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu capacidade intelectual para podermos obter conhecimento do verdadeiro [o Criador]. E nós estamos em união com o verdadeiro, por meio do seu Filho Jesus Cristo. Esse é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” — 1 João 5:20.

      João havia adquirido conhecimento “do verdadeiro” por usar sua “capacidade intelectual”. O que ele discerniu sobre as qualidades do Criador? “Deus é amor”, escreveu, “e quem permanece no amor permanece em união com Deus”. Como podia João ter certeza disso? “O amor é neste sentido, não que nós tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou e enviou seu Filho” como resgate para nós. (1 João 4:10, 16) Assim como Pedro, João também reconheceu o amor que Deus demonstrou ao enviar seu Filho para morrer em nosso favor.

      João, tendo convivido tão de perto com Jesus, podia perceber os sentimentos dele. Um incidente em Betânia, perto de Jerusalém, impressionou profundamente a João. Ao saber que seu amigo Lázaro estava muito doente, Jesus viajou a Betânia. Quando ele e os apóstolos chegaram, Lázaro já estava morto havia pelo menos quatro dias. João sabia que o Criador, a Fonte da vida humana, dava poder a Jesus. Portanto, será que Jesus podia ressuscitar a Lázaro? (Lucas 7:11-17; 8:41, 42, 49-56) Jesus disse a Marta, irmã de Lázaro: “Teu irmão se levantará.” — João 11:1-23.

      Daí João viu a outra irmã de Lázaro, Maria, vir ao encontro de Jesus. Como Jesus reagiu? Ele “gemeu no espírito e ficou aflito”. Para descrever a reação de Jesus, João usou uma palavra grega (traduzida “gemeu”) que tinha o sentido de fortes emoções que emanam da dor sentida no coração. João pôde ver que Jesus ficou “aflito”, ou que suas emoções estavam agitadas, com grande pesar. Jesus não era indiferente ou insensível. Ele ‘entregou-se ao choro’. (João 11:30-37) Obviamente, Jesus tinha profundos e ternos sentimentos, que ajudaram João a avaliar os sentimentos do Criador, e isso nos devia ajudar de forma similar.

      João sabia que os sentimentos de Jesus o induziam a agir de forma positiva, pois ele ouviu Jesus clamar: “Lázaro, vem para fora!” E isso aconteceu. Lázaro voltou a viver e saiu do túmulo. Que alegria devem ter sentido as suas irmãs e os outros observadores! Muitos então depositaram fé em Jesus. Seus inimigos não podiam negar que ele havia realizado essa ressurreição; mas, quando a notícia sobre isso se espalhou, eles ‘deliberaram matar a Lázaro’ bem como a Jesus. — João 11:43; 12:9-11.

      A Bíblia descreve Jesus como ‘a representação exata do próprio ser do Criador’. (Hebreus 1:3) Assim, o ministério de Jesus fornece amplas provas do forte interesse que ele e seu Pai tinham e têm de desfazer os danos causados pela doença e pela morte. E isso não se restringe às poucas ressurreições registradas na Bíblia. De fato, João estava presente quando Jesus disse: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz [a do Filho] e sairão.” (João 5:28, 29) Note que em vez de usar a palavra comum para sepultura, João usou aqui uma palavra traduzida por “túmulos memoriais”. Por quê?

      Porque a memória de Deus está envolvida. Certamente o Criador do vasto Universo consegue lembrar-se de todo detalhe de cada um de nossos entes queridos falecidos, incluindo não só as características inerentes, como também as adquiridas. (Note Isaías 40:26.) E não é só o fato de que ele pode lembrar-se. Tanto ele como seu Filho querem fazer isso. Com relação à maravilhosa perspectiva da ressurreição, o fiel Jó disse a respeito de Deus: “Morrendo o varão vigoroso, pode ele viver novamente? . . . Tu [Jeová] chamarás e eu mesmo te responderei. Terás saudades do trabalho das tuas mãos.” (Jó 14:14, 15; Marcos 1:40-42) Que maravilhoso Criador temos, digno de nossa adoração!

      O ressuscitado Jesus — a chave para uma vida significativa

      O amado discípulo João observou Jesus de perto até a morte deste. Mais do que isso, João registrou a maior ressurreição já ocorrida, um evento que lança um firme alicerce para que possamos ter uma vida permanente e significativa.

      Os inimigos de Jesus fizeram com que ele fosse executado, pregado numa estaca como criminoso comum. Os observadores — incluindo líderes religiosos — caçoaram dele enquanto ele passou por horas de sofrimento. Mesmo em agonia na estaca, ao ver sua mãe, Jesus disse-lhe a respeito de João: “Mulher, eis o teu filho!” É provável que Maria a essa altura fosse viúva, e seus outros filhos ainda não eram discípulos.e Assim, Jesus confiou sua mãe idosa aos cuidados de seu discípulo João. Esse gesto também refletia o conceito do Criador, que diz que devemos cuidar das viúvas e dos órfãos. — João 7:5; 19:12-30; Marcos 15:16-39; Tiago 1:27.

      Mas, estando morto, como podia Jesus cumprir seu papel de “descendente”, através de quem ‘todas as nações da terra haveriam de abençoar a si mesmas’? (Gênesis 22:18) Com a sua morte, naquela tarde de abril de 33 EC, Jesus entregou sua vida como base para o resgate. Para seu compassivo Pai, deve ter sido muito doloroso ver a agonia de seu Filho inocente. Contudo, dessa forma, fez-se a provisão para o preço de resgate necessário para livrar a humanidade da escravização ao pecado e à morte. (João 3:16; 1 João 1:7) Estava pronto o cenário para um grandioso desfecho.

      Visto que Jesus Cristo desempenha um papel vital na realização do propósito de Deus, ele tinha de voltar a viver. Foi isso que ocorreu, e João foi testemunha. No terceiro dia após a morte e sepultamento de Jesus, bem cedo de manhã, alguns discípulos foram ao túmulo. Estava vazio. Aquilo os deixou intrigados, até que Jesus apareceu a vários deles. Maria Madalena disse: “Tenho visto o Senhor!” Os discípulos não aceitaram o testemunho dela. Mais tarde eles se reuniram num aposento trancado e Jesus apareceu de novo, e até conversou com eles. Em questão de dias, mais de 500 homens e mulheres tornaram-se testemunhas oculares de que Jesus deveras estava vivo. Pessoas daquele tempo que talvez fossem cépticas podiam indagar dessas testemunhas confiáveis e comprovar os fatos. Os cristãos podiam estar certos de que Jesus havia sido ressuscitado e estava vivo qual criatura espiritual, assim como o Criador. A evidência disso era tão abundante e confiável que muitos preferiram enfrentar a morte a negar que Jesus havia sido ressuscitado. — João 20:1-29; Lucas 24:46-48; 1 Coríntios 15:3-8.f

      O apóstolo João também sofreu perseguição por dar testemunho sobre a ressurreição de Jesus. (Revelação 1:9) Mas quando estava no exílio, ele recebeu uma recompensa incomum. Jesus fez com que ele tivesse uma série de visões que nos revelam o Criador mais claramente e mostram o que o futuro trará. Encontrará isso no livro de Apocalipse (Revelação), que usa muitos simbolismos. Jesus Cristo é ali representado como Rei vitorioso que em breve completará a vitória sobre seus inimigos. Esses inimigos incluem a morte (um inimigo de todos nós) e a criatura espiritual corrupta chamada Satanás. — Revelação 6:1, 2; 12:7-9; 19:19–20:3, 13, 14.

      Perto do fim de sua mensagem apocalíptica, João teve uma visão do tempo em que a Terra será um paraíso. Uma voz descreveu as condições que prevalecerão então: “O próprio Deus estará com [a humanidade]. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” (Revelação 21:3, 4) No desenrolar do propósito de Deus, a sua promessa feita a Abraão será cumprida. — Gênesis 12:3; 18:18.

      A vida então será a “verdadeira vida”, comparável ao que Adão tinha diante de si quando foi criado. (1 Timóteo 6:19) A humanidade nunca mais terá de tatear para encontrar o Criador e entender sua relação com ele. Contudo, você talvez pergunte: ‘Quando é que isso vai acontecer? E por que o Criador, que se importa com a humanidade, permite a existência do mal e do sofrimento até hoje?’ Consideraremos a seguir essas perguntas.

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