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  • Por que precisa Jeová de Testemunhas?
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 1

      Por que precisa Jeová de Testemunhas?

      AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ são conhecidas mundialmente pela sua persistência em falar às pessoas em toda a parte sobre Jeová Deus e seu Reino. Gozam também da reputação de ser pessoas que se apegam às suas crenças, apesar de toda sorte de oposição, até mesmo a morte.

      “As principais vítimas da perseguição religiosa nos Estados Unidos no século vinte foram as Testemunhas de Jeová”, diz o livro The Court and the Constitution (O Tribunal e a Constituição), de Archibald Cox (1987). “As Testemunhas de Jeová . . . têm sido molestadas e perseguidas por governos no mundo inteiro”, diz Tony Hodges. “Na Alemanha nazista, foram arrebanhadas e enviadas para os campos de concentração. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Sociedade [Torre de Vigia] foi proscrita na Austrália e no Canadá. . . . Hoje [na década de 70] as Testemunhas de Jeová estão sendo acossadas na África.” — Jehovah’s Witnesses in Africa, Edição de 1985.

      Por que essa perseguição? Qual é o objetivo da pregação? Foram as Testemunhas de Jeová realmente comissionadas por Deus? Por que afinal precisa Jeová ter testemunhas — e além do mais testemunhas humanas imperfeitas? As respostas têm a ver com questões em litígio num processo jurídico universal — decididamente o caso mais crítico já pleiteado. Precisamos examinar essas questões para entendermos por que Jeová tem testemunhas e por que essas testemunhas estão dispostas a suportar até mesmo a mais intensa oposição.

      Contestada a soberania de Jeová

      Essas questões de suma importância têm a ver com a legitimidade da soberania, ou governo supremo, de Jeová Deus. Ele é o Soberano Universal em razão de ser Criador, Deus e Todo-Poderoso. (Gên. 17:1; Êxo. 6:3; Rev. 4:11) Por conseguinte, é legítima a sua dominação sobre tudo, no céu e na Terra. (1 Crô. 29:12, nota) Mas, ele sempre administra sua soberania com amor. (Veja Jeremias 9:24.) O que, pois, pede ele em troca disso de suas criaturas inteligentes? Que o amem e mostrem apreço pela Sua soberania. (Sal. 84:10) Contudo, milhares de anos atrás a soberania legítima de Jeová foi contestada. Como? Por quem? Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, lança luz sobre o assunto.

      Relata que Deus criou o primeiro casal humano, Adão e Eva, e lhe deu um lindo lar ajardinado. Ordenou também o seguinte: “De toda árvore do jardim podes comer à vontade. Mas, quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” (Gên. 2:16, 17) O que era a “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”, e o que significaria comer de seu fruto?

      Era uma árvore real, mas Deus a usou com objetivo simbólico. Chamando-a de “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau” e ordenando ao primeiro casal humano que não comesse dela, essa árvore simbolizava apropriadamente o direito de Deus decidir para os humanos o que é “bom” (o que agrada a Deus) e o que é “mau” (o que desagrada a Deus). De modo que a presença dessa árvore testava o respeito do homem pela soberania de Deus. Infelizmente, o primeiro casal humano desobedeceu a Deus e comeu do fruto proibido. Saiu-se mal neste simples, porém profundo, teste de obediência e apreço. — Gên. 3:1-6.

      Este aparentemente pequeno ato constituiu rebelião contra a soberania de Jeová. De que modo? Entender como nós, humanos, fomos feitos é a chave para compreender o significado do que Adão e Eva fizeram. Ao criar o primeiro casal humano, Jeová deu-lhe uma notável dádiva — o livre-arbítrio. Complementando essa dádiva, Jeová os dotou de faculdades mentais que incluíam a capacidade de percepção, de raciocínio e de critério. (Heb. 5:14) Não eram como robôs que não pensam; nem como animais que agem essencialmente por instinto. Sua liberdade era, porém, relativa, sujeita aos regulamentos das leis divinas. (Compare com Jeremias 10:23, 24.) Adão e Eva escolheram comer do fruto proibido. Isto foi, portanto, um abuso de sua liberdade. O que fez que agissem assim?

      A Bíblia explica que uma criatura espiritual de Deus adotou, de livre vontade, um proceder de oposição e resistência a Ele. Tal criatura, que mais tarde veio a ser conhecida como Satanás, falou por intermédio de uma serpente, no Éden, e levou Eva e, por intermédio dela, Adão a se desviarem da sujeição à soberania de Deus. (Rev. 12:9) Comendo do fruto, Adão e Eva colocaram o seu critério acima do de Deus, indicando assim que queriam julgar por si mesmos o que é bom e o que é mau. — Gên. 3:22.

      Portanto, a questão suscitada foi: tem Jeová o direito de governar a humanidade, e exerce ele sua soberania para o máximo benefício de seus súditos? Essa questão estava claramente implícita nas palavras que a Serpente dirigiu a Eva: “É realmente assim que Deus disse, que não deveis comer de toda árvore do jardim?” Deu-se a entender que Deus estava injustamente retendo algo de bom da mulher e de seu marido. — Gên. 3:1.

      A rebelião no Éden levantou outra questão: podem os humanos, quando testados, ser fiéis a Deus? Essa questão relacionada foi esclarecida 24 séculos mais tarde com respeito ao fiel Jó. Satanás, a ‘voz’ por trás da serpente, desafiou a Jeová abertamente, dizendo: “Acaso é por nada que Jó teme a Deus?” Satanás acusou: “Não puseste tu mesmo uma sebe em volta dele, e em volta da sua casa, e em volta de tudo o que ele tem? Abençoaste o trabalho das suas mãos, e o próprio gado dele se tem espalhado pela terra.” De modo que Satanás insinuou que a retidão de Jó era motivada por interesse egoísta. Ele afirmou ainda mais: “Pele por pele, e tudo o que o homem tem dará pela sua alma.” Visto que, como Jeová dissera, ‘não havia ninguém igual a ele [Jó] na terra’, Satanás realmente sustentava que podia quebrar a integridade de qualquer servo de Deus. (Jó 1:8-11; 2:4) Indiretamente, contestou-se assim a integridade e lealdade de todos os servos de Deus para com a Sua soberania.

      Uma vez suscitadas, essas questões tinham de ser resolvidas. A passagem do tempo — cerca de 6.000 anos agora — e o infeliz fracasso dos governos humanos manifestarão claramente que os humanos necessitam da soberania de Deus. Mas, será que a desejam? Existem humanos que demonstrarão reconhecimento sincero da justa soberania de Jeová? Sim! Jeová tem suas testemunhas! Mas, antes de considerarmos seu testemunho, examinemos primeiro o que está envolvido em alguém ser uma testemunha.

      O que significa ser testemunha

      As palavras nos idiomas originais, traduzidas por “testemunha”, suprem entendimento sobre o que significa ser testemunha a favor de Jeová. Nas Escrituras Hebraicas, o substantivo traduzido por “testemunho” (ʽedh) deriva-se de um verbo (ʽudh) que significa “retornar” ou “repetir, fazer de novo”. Quanto ao substantivo (ʽedh), a obra Theological Wordbook of the Old Testament (Manual Teológico de Termos do Velho Testamento) diz: “Testemunha é alguém que, por reiteração, afirma enfaticamente seu testemunho. A palavra [ʽedh] é um termo familiar em linguagem de tribunal.” A obra A Comprehensive Etymological Dictionary of the Hebrew Language for Readers of English (Dicionário Etimológico Exaustivo da Língua Hebraica para os Que Lêem Inglês) acrescenta: “O significado orig[inal] [do verbo ʽudh] provavel[mente] era ‘ele disse repetida e vigorosamente’.”

      Nas Escrituras cristãs, as palavras gregas traduzidas “testemunho” (már·tys) e “testemunhar” (mar·ty·ré·o) também tinham uma conotação jurídica, ainda que, com o tempo, viessem a assumir um significado mais amplo. Segundo o Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento), “o conceito do testemunho [é empregado] tanto no sentido de testemunho de fatos certificáveis como de testemunho de verdades, i.e., de tornar conhecidas e confessar convicções”. Portanto, uma testemunha relata fatos com conhecimento pessoal direto, ou proclama conceitos ou verdades dos quais está convicta.a

      O proceder fiel dos cristãos do primeiro século ampliou ainda mais o significado de “testemunha”. Muitos daqueles primitivos cristãos deram testemunho sob perseguição e em face da morte. (Atos 22:20; Rev. 2:13) Em resultado disso, por volta do segundo século EC, a palavra grega para testemunha (már·tys, da qual se derivou também a palavra “mártir”) adquiriu o significado aplicado a pessoas que estavam dispostas a “selar a seriedade de seu testemunho, ou confissão, com a morte”. Não foram chamadas de testemunhas porque morreram; elas morreram porque eram testemunhas leais.

      Quem foram, pois, as primeiras testemunhas de Jeová? Quem eram os que estavam dispostos a proclamar “repetida e vigorosamente” — com palavras e com o seu modo de viver — que Jeová é o legítimo e digno Soberano? Quem eram os que estavam dispostos a manter-se íntegros para com Deus, mesmo até à morte?

      As primitivas testemunhas de Jeová

      O apóstolo Paulo diz: “Temos a rodear-nos uma tão grande nuvem [gr.: né·fos, denotando massa de nuvens] de testemunhas.” (Heb. 12:1) Essa ‘massa de nuvens’ de testemunhas começou a se formar pouco depois da rebelião contra a soberania de Deus no Éden.

      Em Hebreus 11:4, Paulo identifica Abel como a primeira testemunha de Jeová, dizendo: “Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício de maior valor do que Caim, sendo por esta fé que se lhe deu testemunho de que era justo, dando Deus testemunho com respeito a suas dádivas; e por intermédio dela, embora morto, ainda fala.” De que modo serviu Abel como testemunha a favor de Jeová? A resposta gira em torno da razão pela qual o sacrifício de Abel era de “maior valor” do que o de Caim.

      Declarado de modo simples, Abel fez a oferta certa com motivo certo e sustentou-a com obras certas. Como dádiva, ele deu um sacrifício de sangue, representando a vida das primícias de seu rebanho — ao passo que Caim ofereceu produtos sem vida. (Gên. 4:3, 4) O sacrifício de Caim não tinha aquilo que motivara a fé que fez com que a oferta de Abel fosse aceitável. Caim precisava mudar sua adoração. Em vez disso, ele manifestou sua má atitude de coração, rejeitando o conselho e o aviso de Deus e assassinando o fiel Abel. — Gên. 4:6-8; 1 João 3:11, 12.

      Abel demonstrou ter a fé que faltou a seus pais. Mediante seu proceder fiel, ele tornou conhecida a sua convicção de que a soberania de Jeová é justa e digna. Durante o período de mais ou menos um século que viveu, Abel demonstrou que o homem pode ser fiel a Deus a ponto de selar seu testemunho com a morte. E o sangue de Abel ainda ‘fala’, pois o registro inspirado de seu martírio foi preservado na Bíblia para as gerações futuras!

      Uns cinco séculos após a morte de Abel, Enoque começou a ‘andar com Deus’, seguindo um proceder em harmonia com as normas de Jeová sobre o que é bom e o que é mau. (Gên. 5:24) A essa altura, a rejeição da soberania de Deus tinha levado à proliferação de práticas ímpias entre a humanidade. Enoque estava convencido de que o Supremo Soberano agiria contra as pessoas ímpias, e o espírito de Deus o impeliu a proclamar a destruição futura delas. (Judas 14, 15) Enoque permaneceu uma testemunha fiel mesmo até a morte, pois Jeová “o tomou”, pelo que parece, poupando-o de morte violenta às mãos de seus inimigos. (Heb. 11:5) Assim, o nome de Enoque pôde ser acrescentado na crescente lista da ‘grande nuvem de testemunhas’ da era pré-cristã.

      Um espírito de impiedade continuou a permear os assuntos humanos. Nos dias de Noé, que nasceu cerca de 70 anos depois da morte de Enoque, filhos angélicos de Deus vieram à Terra, materializando-se evidentemente em forma humana, e coabitaram com mulheres atraentes. A prole que produziram era conhecida como nefilins; eles eram gigantes entre os homens. (Gên. 6:1-4) Qual foi o resultado dessa união desnatural de criaturas espirituais com humanos e da raça híbrida assim produzida? O registro inspirado responde: “Por conseguinte, Jeová viu que a maldade do homem era abundante na terra e que toda inclinação dos pensamentos do seu coração era só má, todo o tempo. Deus viu, pois, a terra e eis que estava arruinada, porque toda a carne havia arruinado seu caminho na terra.” (Gên. 6:5, 12) Que lástima que a Terra, o escabelo de Deus, estava “cheia de violência”! — Gên. 6:13; Isa. 66:1.

      Em contraste com isso, “Noé era homem justo”, e “mostrou-se sem defeito entre os seus contemporâneos”. (Gên. 6:9) Demonstrou sua submissão à soberania de Deus, fazendo ‘exatamente o que Deus lhe mandara’. (Gên. 6:22) Agindo com fé, “construiu uma arca para a salvação de sua família”. (Heb. 11:7) Mas Noé era mais do que um construtor; como “pregador [ou arauto] da justiça”, ele avisou sobre a vindoura destruição. (2 Ped. 2:5) Mas, apesar do corajoso testemunho de Noé, os daquela geração má “não fizeram caso, até que veio o dilúvio e os varreu a todos”. — Mat. 24:37-39.

      Após os dias de Noé, Jeová tinha testemunhas entre os patriarcas do após-Dilúvio. Abraão, Isaque, Jacó e José são mencionados como parte antiga da nuvem de testemunhas pré-cristãs. (Heb. 11:8-22; 12:1) Eles demonstraram seu apoio à soberania de Jeová, mantendo-se íntegros. (Gên. 18:18, 19) Contribuíram assim para a santificação do nome de Jeová. Em vez de buscarem segurança em algum reino terrestre, “declararam publicamente que eram estranhos e residentes temporários no país” e, com fé, ‘aguardavam a cidade que tem verdadeiros alicerces, cujo construtor e fazedor é Deus’. (Heb. 11:10, 13) Aceitaram a Jeová como Governante, ancorando sua fé no prometido Reino celestial como expressão de Sua legítima soberania.

      No século 16 AEC, os descendentes de Abraão eram escravos em necessidade de libertar-se do jugo egípcio. Foi então que Moisés e seu irmão Arão se tornaram figuras-chaves numa ‘batalha dos deuses’. Compareceram diante de Faraó e apresentaram o ultimato de Jeová: “Manda embora meu povo.” Mas o orgulhoso Faraó endureceu seu coração; ele não queria perder uma enorme nação de trabalhadores escravos. “Quem é Jeová”, replicou ele, “que eu deva obedecer à sua voz para mandar Israel embora? Não conheço Jeová, e ainda mais, não vou mandar Israel embora”. (Êxo. 5:1, 2) Com essa resposta de desprezo, Faraó, que era crido ser ele próprio um deus vivo, recusou reconhecer que Jeová é Deus.

      Uma vez suscitada a questão quanto a quem era Deus, Jeová passou a provar que ele é o verdadeiro Deus. Faraó, por meio de seus sacerdotes-magos, convocou todo o poder dos deuses do Egito em desafio ao poder de Jeová. Mas Jeová enviou dez pragas, cada uma delas anunciada por Moisés e Arão, para demonstrar Sua dominação sobre os elementos e as criaturas da Terra, bem como Sua supremacia sobre os deuses do Egito. (Êxo. 9:13-16; 12:12) Após a décima praga, Jeová tirou Israel do Egito por meio de “forte mão”. — Êxo. 13:9.

      Exigiu muita coragem e fé da parte de Moisés, “o mais manso de todos os homens”, comparecer diante de Faraó não apenas uma, mas muitas vezes. (Núm. 12:3) Contudo, Moisés nunca diluiu a mensagem que Jeová lhe ordenou que levasse a Faraó. Nem mesmo a ameaça de morte pôde silenciar seu testemunho! (Êxo. 10:28, 29; Heb. 11:27) Moisés era testemunha no verdadeiro sentido da palavra; ele testificou “repetida e vigorosamente” que Jeová é Deus.

      Em seguida àquela libertação da escravidão no Egito, em 1513 AEC, Moisés escreveu o livro de Gênesis. Começou assim uma nova era — a era da escrita da Bíblia. Visto que Moisés evidentemente escreveu o livro de Jó, ele tinha alguma compreensão da questão em litígio entre Deus e Satanás. Mas, com o prosseguimento da escrita da Bíblia, as questões relacionadas com a soberania de Deus e de manter-se o homem íntegro seriam claramente registradas; assim todos os interessados poderiam obter pleno conhecimento das grandes questões envolvidas. No ínterim, em 1513 AEC, Jeová lançou o alicerce para produzir uma nação de testemunhas.

      Uma nação de testemunhas

      No terceiro mês após terem deixado o Egito, Jeová levou os israelitas a uma exclusiva relação pactuada com ele, tornando-os sua “propriedade especial”. (Êxo. 19:5, 6) Através de Moisés, ele passou a ter tratos com eles como nação, dando-lhes um governo teocrático fundado sobre o pacto da Lei como sua constituição nacional. (Isa. 33:22) Eram o povo escolhido de Jeová, organizado para o representarem como seu Soberano Senhor.

      Entretanto, nos séculos que se seguiram, essa nação nem sempre reconheceu a soberania de Jeová. Depois de se estabelecer na Terra Prometida, Israel, às vezes, desviou-se para a adoração dos deuses demoníacos das nações. Por deixarem de obedecer-lhe como legítimo Soberano, Jeová permitiu que eles fossem saqueados, parecendo assim que os deuses das nações eram mais fortes do que Jeová. (Isa. 42:18-25) Mas, no oitavo século AEC, Jeová desafiou abertamente os deuses das nações para eliminar a impressão errada e resolver a questão: quem é o verdadeiro Deus?

      Por intermédio do profeta Isaías, Jeová lançou o desafio: “Quem dentre eles [os deuses das nações] pode contar isso [profetizar com precisão]? Ou podem fazer-nos ouvir mesmo as primeiras coisas [isto é, coisas com antecedência]? Forneçam [como deuses] as suas testemunhas, para que sejam declarados justos, ou [os povos das nações] ouçam e digam: ‘É verdade!’” (Isa. 43:9) Sim, que os deuses das nações forneçam testemunhas que possam testificar a respeito da profecia de seus deuses: “É verdade!” Mas nenhum desses deuses pôde produzir verdadeiras testemunhas que testificassem que eles eram realmente deuses!

      Jeová tornou clara à nação de Israel a responsabilidade que esta tinha na solução da questão: quem é o verdadeiro Deus? Ele disse: “Vós sois as minhas testemunhas . . . sim, meu servo a quem escolhi, para que saibais e tenhais fé em mim, e para que entendais que eu sou o Mesmo. Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum. Eu é que sou Jeová, e além de mim não há salvador. Eu mesmo o comuniquei, e salvei, e fiz que fosse ouvido, quando entre vós não havia nenhum deus estranho. Portanto, vós sois as minhas testemunhas . . . e eu sou Deus.” — Isa. 43:10-12.

      Portanto, Israel, o povo de Jeová, constituía uma nação de testemunhas. Podiam afirmar enfaticamente a legitimidade e dignidade da soberania de Jeová. Com base em suas experiências passadas, podiam proclamar com convicção que Jeová é o Grande Libertador de seu povo e o Deus da profecia verdadeira.

      Testemunho concernente ao Messias

      Apesar do abundante testemunho daquela ‘massa de nuvens’ de testemunhas pré-cristãs, o lado de Deus nas questões ainda não tinha sido completamente resolvido. Por que não? Porque, no devido tempo de Deus, depois de se demonstrar claramente que os humanos precisam do governo de Jeová e que não conseguem de modo autônomo governar com êxito, Jeová executará, pois, a sentença contra todos os que recusam respeitar Sua legítima autoridade. Ademais, as questões suscitadas vão muito além da esfera humana. Visto que um anjo se rebelara no Éden, a questão de se manter íntegro para com a soberania de Deus chegou a atingir e envolver as criaturas celestiais de Deus. Por conseguinte, Jeová propôs que um filho espiritual viesse à Terra, onde Satanás teria plena oportunidade de pô-lo à prova. Esse filho espiritual receberia a oportunidade de resolver, de modo perfeito, a questão: ficará alguém fiel a Deus sob qualquer provação que lhe for imposta? Provando assim a sua lealdade, este filho de Deus seria habilitado, como o grande vindicador de Jeová, para destruir os iníquos e cumprir plenamente o propósito original de Deus com respeito à Terra.

      Mas, como seria esse identificado? No Éden, Jeová havia prometido um “descendente” (semente) que machucaria a cabeça do Adversário serpentino e vindicaria a soberania de Deus. (Gên. 3:15) Por meio dos profetas hebreus, Jeová forneceu muitos pormenores sobre esse “descendente” messiânico — seus antecedentes e suas atividades, até mesmo o tempo em que apareceria. — Gên. 12:1-3; 22:15-18; 49:10; 2 Sam. 7:12-16; Isa. 7:14; Dan. 9:24-27; Miq. 5:2.

      Já em meados do quinto século AEC, uma vez completadas as Escrituras Hebraicas, as profecias estavam assentadas por escrito, à espera da chegada do Messias para as cumprir. O testemunho desta testemunha — de fato, a maior testemunha de Deus — será considerado no capítulo seguinte.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Por exemplo, alguns cristãos do primeiro século podiam dar testemunho dos fatos históricos a respeito de Jesus — concernentes a sua vida, morte e ressurreição — com conhecimento direto. (Atos 1:21, 22; 10:40, 41) Entretanto, pessoas que mais tarde depositaram fé em Jesus podiam dar testemunho proclamando a outros a importância de sua vida, morte e ressurreição. — Atos 22:15.

  • Jesus Cristo, a Testemunha Fiel
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 2

      Jesus Cristo, a Testemunha Fiel

      POR uns 4.000 anos, uma longa lista de testemunhas pré-cristãs havia dado seu testemunho. Mas as questões sobre a soberania de Deus e sobre seus servos se manterem íntegros estavam longe de serem solucionadas. Chegara então o tempo de aparecer na Terra o prometido “descendente” (literalmente: “semente”) régio, o Messias. — Gên. 3:15.

      Dentre todos os milhões de filhos espirituais, a quem escolheu Jeová para essa incumbência? Todos eles haviam presenciado o que acontecera no Éden e estavam sem dúvida cientes das questões universais ali suscitadas. Mas quem estava mais ansioso de se empenhar em limpar o nome de Jeová e vindicar a Sua soberania? Quem poderia fornecer a resposta mais conclusiva ao desafio de Satanás de que ninguém se manteria, sob teste, íntegro à soberania de Deus? O escolhido por Jeová foi seu Primogênito, seu Filho unigênito, Jesus. — João 3:16; Col. 1:15.

      Jesus aceitou com zelo e humildade essa incumbência, embora significasse deixar o lar celeste que partilhava com seu Pai por mais tempo do que qualquer outro. (João 8:23, 58; Fil. 2:5-8) O que o motivou? O profundo amor a Jeová e seu ardente desejo de ver Seu nome absolvido de toda acusação. (João 14:31) Jesus agiu também por amor à humanidade. (Pro. 8:30, 31; compare com João 15:13.) Seu nascimento na Terra, em princípios do outono do ano 2 AEC, foi possível mediante o espírito santo — por meio do qual Jeová transferiu a vida de Jesus do céu para o ventre da virgem judia Maria. (Mat. 1:18; Luc. 1:26-38) De modo que Jesus nasceu na nação de Israel. — Gál. 4:4.

      Mais do que qualquer outro israelita, Jesus sabia que ele tinha de ser uma testemunha de Jeová. Por quê? Porque ele era membro daquela nação à qual Jeová, por meio do profeta Isaías, dissera: “Vós sois as minhas testemunhas.” (Isa. 43:10) Além disso, no batismo de Jesus no rio Jordão, em 29 EC, Jeová o ungira com espírito santo. (Mat. 3:16) Assim, Jesus foi autorizado, conforme testificou mais tarde, a “proclamar o ano de boa vontade da parte de Jeová”. — Isa. 61:1, 2; Luc. 4:16-19.

      Jesus cumpriu fielmente a sua incumbência e tornou-se a maior testemunha de Jeová que já houve na Terra. Com toda a razão, pois, o apóstolo João, que estava perto de Jesus quando este morreu, chama-o de “Testemunha Fiel”. (Rev. 1:5) E, em Revelação (Apocalipse) 3:14, o glorificado Jesus chama a si mesmo de “o Amém” e “a testemunha fiel e verdadeira”. Que testemunho deu essa “Testemunha Fiel”?

      ‘Deu testemunho da verdade’

      Quando estava sendo julgado perante o governador romano Pilatos, Jesus declarou: “Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que está do lado da verdade escuta a minha voz.” (João 18:37) De que verdade deu Jesus testemunho? Da verdade de Deus, a revelação dos propósitos eternos de Jeová. — João 18:33-36.

      Como, porém, deu Jesus testemunho dessa verdade? O verbo grego para “dar testemunho” significa também “declarar, confirmar, testificar favoravelmente, falar bem (de), aprovar”. Nos antigos papiros gregos, a ocorrência comum de outra forma do verbo (mar·ty·ró) vinha depois de uma assinatura, como em transações comerciais. Por meio de seu ministério, pois, Jesus tinha de confirmar a verdade de Deus. Isto certamente requeria que ele declarasse, ou pregasse, essa verdade a outros. Entretanto, era necessário muito mais do que falar.

      “Eu sou . . . a verdade”, disse Jesus. (João 14:6) Sim, ele vivia de forma tal que cumprisse a verdade de Deus. O propósito de Deus em relação com o Reino e seu Governante messiânico havia sido detalhado na profecia. Jesus, por tudo o que empreendeu na vida terrestre, que culminou em morte sacrificial, cumpriu todas as coisas profetizadas a seu respeito. Ele confirmou e garantiu assim a verdade da palavra profética de Jeová. Por isso, o apóstolo Paulo podia dizer: “Não importa quantas sejam as promessas de Deus, elas se tornaram Sim por meio dele. Portanto, também por intermédio dele se diz o ‘amém’ [que significa “assim seja”, ou “certamente”] a Deus, para glória por nosso intermédio.” (2 Cor. 1:20) Sim, Jesus é aquele em quem se cumprem as promessas de Deus. — Rev. 3:14.

      Testemunho a favor do nome de Deus

      Jesus ensinou seus seguidores a orar: “Nosso Pai nos céus, santificado seja [ou “seja tido por sagrado; seja tratado como santo”] o teu nome.” (Mat. 6:9, nota) Na última noite de sua vida terrestre, em oração a seu Pai celestial, Jesus disse também: “Tenho feito manifesto o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus e tu mos deste, e eles têm observado a tua palavra. E eu lhes tenho dado a conhecer o teu nome e o hei de dar a conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu em união com eles.” (João 17:6, 26) Este era, de fato, o principal propósito de Jesus vir à Terra. O que estava envolvido em ele dar a conhecer o nome de Deus?

      Os seguidores de Jesus já conheciam e usavam o nome de Deus. Eles o haviam visto e lido nos rolos da Bíblia hebraica, disponíveis nas suas sinagogas. Também o haviam visto e lido na Septuaginta — uma tradução grega das Escrituras Hebraicas que eles usavam ao ensinarem e escreverem. Em que sentido Jesus manifestou ou deu a conhecer o nome divino se já o conheciam?

      Nos tempos bíblicos, os nomes não eram meros rótulos. Diz A Greek-English Lexicon of the New Testament (Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento), de J. H. Thayer: “O nome de Deus no N[ovo] T[estamento] é usado para descrever todas aquelas qualidades que para seus adoradores estão encerradas nesse nome, e pelo qual Deus se dá a conhecer aos homens.” Jesus deu a conhecer o nome de Deus não apenas o usando, mas revelando a Pessoa por trás desse nome — seus propósitos, atividades e qualidades. Tendo ‘estado na posição junto ao seio do Pai’, Jesus podia revelar o Pai de uma forma como nenhum outro podia. (João 1:18) Além disso, Jesus refletia tão perfeitamente a seu Pai que os discípulos de Jesus podiam ‘ver’ o Pai no Filho. (João 14:9) Por aquilo que ele disse e fez, Jesus deu testemunho a favor do nome de Deus.

      Deu testemunho a respeito do Reino de Deus

      Como “a Testemunha Fiel”, Jesus era notável proclamador do Reino de Deus. Enfaticamente ele disse: “Tenho de declarar as boas novas do reino de Deus . . ., porque fui enviado para isso.” (Luc. 4:43) Ele proclamou esse Reino celestial por toda a Palestina, percorrendo centenas de quilômetros a pé. Pregava onde quer que houvesse pessoas que ouviam: às margens de lagos, nas encostas de colinas, nas cidades e aldeias, nas sinagogas e no templo, nas feiras e nas casas das pessoas. Mas Jesus sabia que havia um limite na área que ele podia cobrir e no número de pessoas a quem podia dar testemunho. (Veja João 14:12.) Portanto, tendo em vista abranger o campo mundial, Jesus treinou seus discípulos e os enviou como proclamadores do Reino. — Mat. 10:5-7; 13:38; Luc. 10:1, 8, 9.

      Jesus era uma testemunha diligente e zelosa, e não se deixou desviar de seu propósito. Embora mostrasse preocupação pessoal pelas necessidades do povo, não ficou tão absorto em fazer coisas que trariam alívio a curto prazo a ponto de negligenciar a incumbência dada por Deus de indicar para as pessoas a solução duradoura de seus problemas — o Reino de Deus. Certa vez, depois de ter alimentado miraculosamente cerca de 5.000 homens (talvez bem mais de 10.000 pessoas, incluindo-se as mulheres e as crianças), um grupo de judeus queria apanhá-lo e fazer dele um rei terrestre. Que fez Jesus? “Retirou-se novamente para o monte, sozinho.” (João 6:1-15; compare com Lucas 19:11, 12; Atos 1:6-9.) Embora realizasse muitos milagres de cura, Jesus não era principalmente conhecido como Operador de Milagres, mas, antes, era reconhecido tanto pelos crentes como pelos descrentes como “Instrutor”. — Mat. 8:19; 9:11; 12:38; 19:16; 22:16, 24, 36; João 3:2.

      Claramente, a obra mais importante que Jesus podia fazer era dar testemunho do Reino de Deus. É a vontade de Jeová que toda pessoa saiba o que o Seu Reino vem a ser e como este cumprirá Seus propósitos. Deus o preza muito em seu coração, pois é o meio pelo qual santificará Seu nome, limpando-o de todo vitupério. Jesus sabia disso, de modo que fez desse Reino o tema de sua pregação. (Mat. 4:17) Participando de todo o coração em proclamá-lo, Jesus sustentou a legítima soberania de Jeová.

      Uma testemunha fiel mesmo até a morte

      Ninguém poderia amar a Jeová e a Sua soberania mais do que Jesus. Como “primogênito de toda a criação”, Jesus ‘conhecia plenamente’ o Pai, devido à sua estreita associação com ele como criatura espiritual no céu. (Col. 1:15; Mat. 11:27) Ele se sujeitara voluntariamente à soberania de Deus durante incontáveis eras antes da criação do primeiro homem e da primeira mulher. (Veja João 8:29, 58.) Quão profundamente magoado deve ter ficado quando Adão e Eva deram as costas à soberania de Deus! Contudo, esperou com paciência nos céus por uns 4.000 anos, e, por fim, chegou o tempo para ele servir como a maior testemunha de Jeová que já houve na Terra!

      Jesus estava plenamente ciente de que as questões universais o envolviam diretamente. Podia parecer que Jeová havia posto uma sebe em volta dele. (Compare com Jó 1:9-11.) É verdade que ele havia demonstrado sua fidelidade e devoção nos céus, mas será que se manteria íntegro como humano na Terra sob qualquer tipo de teste? Poderia resistir a Satanás numa situação em que seu inimigo aparentemente levava vantagem?

      O Adversário serpentino não perdeu tempo. Pouco depois do batismo e da unção de Jesus, Satanás o tentou a demonstrar egoísmo, a se exaltar e a finalmente rejeitar a soberania de seu Pai. Mas a inequívoca declaração de Jesus a Satanás: “É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado”, mostrou qual era a sua posição nas questões suscitadas. Quão diferente de Adão! — Mat. 4:1-10.

      O proceder reservado para Jesus significava sofrimento e morte, e Jesus bem sabia disso. (Luc. 12:50; Heb. 5:7-9) Contudo, “quando se achou na feição de homem, humilhou-se e tornou-se obediente até à morte, sim, morte numa estaca de tortura”. (Fil. 2:7, 8) Jesus provou assim que Satanás é um monstruoso mentiroso, resolvendo completamente a questão: Manter-se-ia alguém íntegro à soberania de Deus caso se permitisse a Satanás submetê-lo à prova? A morte de Jesus, porém, realizou muito mais do que isso.

      Por meio de sua morte na estaca de tortura, Jesus também deu “sua alma como resgate em troca de muitos”. (Mat. 20:28; Mar. 10:45) Sua vida humana perfeita tinha valor sacrificial. Ter Jesus sacrificado sua vida não só possibilita recebermos o perdão de pecados, mas abre também para nós a oportunidade da vida eterna numa Terra paradísica, em harmonia com o propósito original de Deus. — Luc. 23:43; Atos 13:38, 39; Heb. 9:13, 14; Rev. 21:3, 4.

      Jeová mostrou que amava e aprovava Jesus como “a Testemunha Fiel” ressuscitando-o no terceiro dia. Isto confirmou que o testemunho que Jesus havia dado a respeito do Reino era verdadeiro. (Atos 2:31-36; 4:10; 10:36-43; 17:31) Depois de permanecer na vizinhança da Terra por 40 dias, período em que ele apareceu a seus apóstolos em diversas ocasiões, Jesus ascendeu ao céu. — Atos 1:1-3, 9.

      Jesus havia indicado que o estabelecimento do Reino messiânico de Deus se daria num futuro muito distante. (Luc. 19:11-27) Esse evento marcaria também o início da ‘presença de Jesus e da terminação do sistema de coisas’. (Mat. 24:3) Mas, como poderiam seus seguidores na Terra discernir quando estas coisas ocorreriam? Jesus lhes deu um “sinal” — um sinal composto que abrange muitas evidências, que incluem guerras, terremotos, escassez de alimentos, pestilências e aumento de anarquia. Uma parte significativa desse sinal também era que as boas novas do Reino seriam pregadas em toda a Terra habitada como testemunho a todas as nações. Todas as características desse notável sinal podem ser vistas em nossos dias, o que indica que vivemos no tempo da presença de Jesus como Rei celestial e da terminação deste sistema de coisas.a — Mat. 24:3-14.

      Que dizer, porém, dos seguidores de Jesus? Durante este tempo da presença de Jesus, indivíduos que pertencem a muitas diferentes religiões dizem estar seguindo a Cristo. (Mat. 7:22) Contudo, a Bíblia diz que há “uma só fé”. (Efé. 4:5) Então, como se pode identificar a verdadeira congregação cristã, aquela que conta com a aprovação e direção de Deus? Pode-se fazer isso examinando o que a Bíblia diz sobre a congregação cristã do primeiro século e daí ver quem hoje segue o mesmo padrão.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja o capítulo 10, “Uma Profecia Bíblica Cujo Cumprimento Presenciamos”, no livro A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

  • Jesus Cristo, a Testemunha Fiel
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • [Gravura de página inteira na página 23]

  • Testemunhas Cristãs de Jeová do primeiro século
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 3

      Testemunhas Cristãs de Jeová do primeiro século

      “SEREIS testemunhas de mim . . . até à parte mais distante da terra.” (Atos 1:8) Com estas palavras de despedida, Jesus comissionou seus discípulos para serem testemunhas. Mas, testemunhas de quem? “Testemunhas de mim”, disse Jesus. Significam essas palavras que não seriam testemunhas de Jeová? Longe disso!

      Na realidade, os discípulos de Jesus receberam um privilégio sem precedentes — o de serem testemunhas tanto de Jeová como de Jesus. Quais fiéis judeus, os primeiros discípulos de Jesus já eram testemunhas de Jeová. (Isa. 43:10-12) Mas agora haviam de ser também testemunhas do papel vital desempenhado por Jesus na santificação do nome de Jeová por meio de Seu Reino messiânico. O testemunho que davam a respeito de Jesus visava, pois, à glorificação de Jeová. (Rom. 16:25-27; Fil. 2:9-11) Testificavam que Jeová não mentira, que depois de mais de 4.000 anos por fim suscitara o há muito prometido Messias ou Cristo!

      As testemunhas cristãs de Jeová do primeiro século também receberam uma responsabilidade ímpar — responsabilidade esta que recai sobre os cristãos genuínos até hoje.

      “Ide . . . fazei discípulos”

      Depois da ressurreição de Jesus dentre os mortos, ele apareceu a seus discípulos que se haviam reunido num monte da Galiléia. Ali, Jesus esboçou a responsabilidade deles: “Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” (Mat. 28:19, 20) Considere o que envolvia essa pesada incumbência.

      “Ide”, disse Jesus. Mas ir a quem? A “pessoas de todas as nações”. Tratava-se de um mandamento novo, especialmente desafiador para os crentes judeus. (Veja Atos 10:9-16, 28.) Antes dos dias de Jesus, os gentios eram bem acolhidos quando eles vinham a Israel por interesse na adoração verdadeira. (1 Reis 8:41-43) Mais cedo em seu ministério, Jesus havia dito aos apóstolos que ‘fossem pregar’, mas apenas “às ovelhas perdidas da casa de Israel”. (Mat. 10:1, 6, 7) Agora a ordem era ir a pessoas de todas as nações. Com que objetivo?

      “Fazei discípulos”, ordenou Jesus. Sim, seus discípulos foram incumbidos de fazer discípulos. O que implica isso? Um discípulo é um aprendiz, alguém ensinado — não apenas um aluno, mas um aderente. Um discípulo aceita a autoridade de Jesus não só no íntimo, crendo nele, mas externamente, obedecendo-lhe. Segundo o Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento), a palavra grega traduzida por “discípulo” (ma·the·tés) “implica a existência de um apego pessoal que molda a inteira vida daquele descrito como [discípulo]”.

      “Ensinando-as”, acrescentou Jesus, “a observar todas as coisas que vos ordenei”. Para desenvolver apego pessoal a Jesus, a pessoa precisa ser ensinada “a observar todas as coisas” que Cristo ordenou, incluindo a ordem de pregar as “boas novas do reino”. (Mat. 24:14) Só assim poderá tornar-se discípulo no verdadeiro sentido da palavra. E apenas os que aceitam esse ensinamento e se tornam discípulos genuínos é que são batizados.

      “Estou convosco”, assegurou-lhes Jesus, “todos os dias, até à terminação do sistema de coisas”. O ensinamento de Jesus é sempre pertinente, jamais antiquado. Nessa base, até hoje os cristãos têm a obrigação de fazer discípulos.

      De modo que se confiou aos seguidores de Cristo uma incumbência de grande responsabilidade, a saber, efetuar uma obra de fazer discípulos entre todas as nações. Para fazerem discípulos de Cristo, porém, tinham de dar testemunho a respeito do nome e do Reino de Jeová, pois foi isso que fez Jesus, seu Exemplo. (Luc. 4:43; João 17:26) Os que aceitaram o ensinamento de Cristo e se tornaram discípulos vieram assim a ser testemunhas cristãs de Jeová. Tornar-se alguém uma testemunha de Jeová não mais se dava por nascença — na nação judaica — mas por opção. Os que se tornaram testemunhas fizeram isso porque amavam a Jeová e desejavam sinceramente submeter-se ao Seu governo soberano. — 1 João 5:3.

      Mas, será que as testemunhas cristãs de Jeová do primeiro século cumpriram a sua comissão de servir quais testemunhas de Deus e de Cristo e de ‘fazer discípulos de pessoas de todas as nações’?

      “Até à parte mais distante da terra”

      Pouco depois de ter comissionado seus discípulos, Jesus retornou à corte celeste de seu Pai. (Atos 1:9-11) Dez dias mais tarde, no Pentecostes de 33 EC, começou a extensiva obra de fazer discípulos. Jesus derramou o prometido espírito santo sobre seus discípulos que estavam à espera. (Atos 2:1-4; compare com Lucas 24:49 e Atos 1:4, 5.) Isto lhes infundiu zelo para pregarem a respeito do ressuscitado Cristo e sua futura volta investido do poder do Reino.

      Seguindo as instruções de Jesus, aqueles discípulos do primeiro século começaram ali mesmo em Jerusalém a dar testemunho sobre Deus e sobre Cristo. (Atos 1:8) Tomando a dianteira, na Festividade de Pentecostes, o apóstolo Pedro ‘deu cabalmente testemunho’ a milhares de celebrantes judeus procedentes de muitas nações. (Atos 2:5-11, 40) Só o número de crentes varões logo ascendeu a uns 5.000. (Atos 4:4; 6:7) Mais tarde, Filipe declarou aos samaritanos “as boas novas do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo”. — Atos 8:12.

      Mas havia muito mais trabalho a ser feito. A partir de 36 EC, com a conversão de Cornélio, um gentio incircunciso, as boas novas passaram a ser divulgadas a não-judeus de todas as nações. (Atos, cap. 10) De fato, foi tão rápida a divulgação que, por volta de 60 EC, o apóstolo Paulo podia dizer que as boas novas haviam sido “pregadas em toda a criação debaixo do céu”. (Col. 1:23) Assim, até o fim do primeiro século, os fiéis seguidores de Jesus haviam feito discípulos em todo o Império Romano — na Ásia, Europa e África!

      Visto que as testemunhas cristãs de Jeová no primeiro século realizaram tanto em tão pouco tempo, surgem as perguntas: Estavam organizadas? Em caso afirmativo, de que maneira?

      Organização da congregação cristã

      Desde o tempo de Moisés a nação judaica tinha uma posição ímpar — servia como congregação de Deus. Essa congregação fora altamente organizada por Deus para funcionar sob a direção de anciãos, cabeças, juízes e oficiais. (Jos. 23:1, 2) Mas a nação judaica perdeu sua posição privilegiada porque rejeitou o Filho de Jeová. (Mat. 21:42, 43; 23:37, 38; Atos 4:24-28) No Pentecostes de 33 EC, a congregação de Israel foi substituída pela congregação cristã de Deus.a Como estava organizada essa congregação cristã?

      Já no dia de Pentecostes, os discípulos ‘devotaram-se ao ensino dos apóstolos’, o que indica que começaram com uma união baseada em ensinos. A partir daquele primeiro dia, eles se reuniam “de comum acordo”. (Atos 2:42, 46) À medida que se expandia a obra de fazer discípulos, começavam a se formar congregações de crentes, primeiro em Jerusalém e depois fora dela. (Atos 8:1; 9:31; 11:19-21; 14:21-23) Costumavam reunir-se em lugares públicos, bem como em residências. — Atos 19:8, 9; Rom. 16:3, 5; Col. 4:15.

      O que impediu que a crescente congregação cristã se tornasse uma associação desagregada de congregações locais independentes? Elas estavam unidas sob a direção de um só Líder. Desde o início, Jesus Cristo era o nomeado Senhor e Cabeça da congregação, e assim reconhecido por todas as congregações. (Atos 2:34-36; Efé. 1:22) A partir do céu, Cristo dirigia ativamente os assuntos de sua congregação na Terra. De que maneira? Por meio do espírito santo e dos anjos que Jeová colocara à sua disposição. — Atos 2:33; compare com Atos 5:19, 20; 8:26; 1 Ped. 3:22.

      Cristo tinha algo mais à sua disposição para manter a união da congregação cristã — um corpo governante visível. De início, o corpo governante era composto dos fiéis apóstolos de Jesus. Mais tarde, incluía outros anciãos da congregação de Jerusalém, bem como o apóstolo Paulo, embora não residisse em Jerusalém. Cada congregação reconhecia a autoridade desse corpo central de anciãos e buscava a sua orientação quando surgiam questões organizacionais ou doutrinais. (Atos 2:42; 6:1-6; 8:14-17; 11:22; 15:1-31) Com que resultado? “Portanto, as congregações continuavam deveras a ser firmadas na fé e a aumentar em número, dia a dia.” — Atos 16:4, 5.

      O corpo governante, sob a orientação do espírito santo, supervisionava a nomeação de superintendentes e de seus ajudantes, os servos ministeriais, para cuidarem de cada congregação. Eram homens que tinham qualificações espirituais aplicáveis em todas as congregações, não sendo apenas normas estabelecidas localmente. (1 Tim. 3:1-13; Tito 1:5-9; 1 Ped. 5:1-3) Instava-se com os superintendentes que seguissem as Escrituras e fossem submissos à orientação do espírito santo. (Atos 20:28; Tito 1:9) Todos nas congregações eram incentivados a ‘ser obedientes aos que tomavam a dianteira’. (Heb. 13:17) Assim, mantinha-se a união não só no âmbito de cada congregação, mas também no da congregação cristã como um todo.

      Embora alguns homens ocupassem cargos de responsabilidade, não havia distinção de clérigos e leigos entre as testemunhas cristãs de Jeová do primeiro século. Todos eles eram irmãos; havia apenas um Líder, o Cristo. — Mat. 23:8, 10.

      Identificados por conduta santa e amor

      O testemunho das testemunhas de Jeová do primeiro século não se limitava ao “fruto dos lábios”. (Heb. 13:15) O discipulado moldava a inteira vida de uma testemunha cristã. Por conseguinte, aqueles cristãos não só proclamavam suas crenças, mas estas transformavam a sua vida. Despiram-se de sua velha personalidade com suas práticas pecaminosas e se esforçaram em revestir-se da nova personalidade criada segundo a vontade de Deus. (Col. 3:5-10) Eram verazes e honestos, bem como laboriosos e fidedignos. (Efé. 4:25, 28) Eram moralmente limpos — a imoralidade sexual era rigorosamente proibida. Também a bebedice e a idolatria. (Gál. 5:19-21) Com boa razão, pois, o cristianismo tornou-se conhecido como “O Caminho”, um caminho ou modo de viver que girava em torno da fé em Jesus, seguindo de perto as suas pegadas. — Atos 9:1, 2; 1 Ped. 2:21, 22.

      Uma qualidade, porém, se destaca acima de todas — a do amor. Os primitivos cristãos demonstravam preocupação amorosa pelas necessidades de concrentes. (Rom. 15:26; Gál. 2:10) Amavam uns aos outros não como a si mesmos, porém mais do que a si mesmos. (Compare com Filipenses 2:25-30.) Estavam até mesmo dispostos a morrer uns pelos outros. Mas isto não era de surpreender. Não se dispusera Jesus a morrer por eles? (João 15:13; compare com Lucas 6:40.) Ele pôde dizer a seus discípulos: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:34, 35) Cristo ordenou a seus seguidores que mostrassem esse amor abnegado; e seus discípulos do primeiro século seguiram de perto essa ordem. — Mat. 28:20.

      ‘Não faziam parte do mundo’

      Para cumprirem sua responsabilidade de fazer discípulos e de serem testemunhas de Deus e de Cristo, os cristãos do primeiro século não podiam deixar-se desviar por assuntos do mundo; tinham de manter a sua comissão em nítido foco. Jesus fez realmente isso. Ele disse a Pilatos: “Meu reino não faz parte deste mundo.” (João 18:36) E declarara explicitamente a seus discípulos: “Não fazeis parte do mundo.” (João 15:19) Como Jesus, os primitivos cristãos se mantiveram separados do mundo; não se envolveram na política nem nas guerras. (João 6:15) Tampouco ficaram enlaçados nos caminhos do mundo — sua ávida busca de coisas materiais e excessiva dedicação aos prazeres. — Luc. 12:29-31; Rom. 12:2; 1 Ped. 4:3, 4.

      Visto que se mantiveram separadas do mundo, as testemunhas cristãs do primeiro século eram pessoas que se distinguiam. Diz o historiador E. G. Hardy em seu livro Christianity and the Roman Government (Cristianismo e o Governo Romano): “Os cristãos eram estranhos e peregrinos no mundo ao seu redor; sua cidadania era do céu; o reino que aguardavam não era deste mundo. O conseqüente desinteresse pelos assuntos públicos tornou-se assim desde o início uma particularidade notável do cristianismo.”

      Perseguidos por causa de seu amor à justiça

      “O escravo não é maior do que o seu amo”, avisou Jesus. “Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós.” (João 15:20) Antes de sua morte na estaca de tortura, Jesus sofreu severa perseguição. (Mat. 26:67; 27:26-31, 38-44) E, exatamente como avisara, seus discípulos logo sofreram tratamento similar. (Mat. 10:22, 23) Mas por quê?

      Não levou muito tempo para os primitivos cristãos serem notados. Eram pessoas de elevados princípios de moral e integridade. Efetuavam com grande franqueza e zelo um serviço de fazer discípulos; em resultado disso, literalmente milhares de pessoas abandonaram os sistemas da religião falsa e se tornaram cristãos. Recusaram-se a se envolver em assuntos do mundo. Não participavam em adorar o imperador. Não é de surpreender, pois, que prontamente se tornassem alvo de cruel perseguição instigada pelos líderes da religião falsa e por governantes políticos mal informados. (Atos 12:1-5; 13:45, 50; 14:1-7; 16:19-24) Esses, porém, eram apenas agentes humanos do verdadeiro perseguidor — “a serpente original”, Satanás. (Rev. 12:9; compare com Revelação 12:12, 17.) Seu objetivo? A supressão do cristianismo e do destemido testemunho deste.

      Mas, perseguição alguma podia calar as testemunhas cristãs de Jeová do primeiro século! A incumbência de pregar lhes fora dada por Deus, por meio de Cristo, e elas estavam decididas a obedecer a Deus antes que aos homens. (Atos 4:19, 20, 29; 5:27-32) Confiavam na força de Jeová, certas de que ele recompensaria suas testemunhas leais por causa da perseverança delas. — Mat. 5:10; Rom. 8:35-39; 15:5.

      A História confirma que a perseguição por parte de autoridades do Império Romano não conseguiu acabar com as primitivas testemunhas cristãs de Jeová. Josefo, historiador judeu do primeiro século EC, diz: “E a tribo dos cristãos, que derivam seu nome de [Jesus], ainda não desapareceu até hoje [cerca de 93 EC].” — Jewish Antiquities (Antiguidades Judaicas), XVIII, 64 (iii, 3).

      A história do testemunho dado pelas testemunhas cristãs de Jeová do primeiro século revela, pois, diversas características claramente identificáveis: elas cumpriram com destemor e zelo a incumbência de dar testemunho a respeito de Deus e de Cristo e de efetuar uma obra de fazer discípulos; tinham uma estrutura organizacional na qual todos eram irmãos, sem distinção de clérigos e leigos; apegavam-se a elevados princípios morais e amavam uns aos outros; mantinham-se separadas dos caminhos e dos assuntos do mundo; e eram perseguidas por causa de seu amor à justiça.

      Em fins do primeiro século, porém, essa unida e una congregação cristã estava ameaçada de um grave e insidioso perigo.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Nas Escrituras Gregas Cristãs, “congregação” é às vezes usada em sentido coletivo, referindo-se à congregação cristã em geral (1 Cor. 12:28); pode também referir-se a um grupo local em alguma cidade ou no lar de alguém. — Atos 8:1; Rom. 16:5.

      [Destaque na página 26]

      Os novos discípulos tinham de ser não meros crentes passivos, mas seguidores obedientes.

      [Destaque na página 27]

      Tornar-se testemunha de Jeová não mais era por nascença, mas por opção.

      [Destaque na página 28]

      Até o fim do primeiro século, as testemunhas cristãs de Jeová haviam feito discípulos na Ásia, Europa e África!

      [Destaque na página 29]

      Não havia distinção de clérigos e leigos entre os cristãos do primeiro século.

      [Quadro na página 27]

      O cristianismo difundiu-se por meio de pregação zelosa

      Com ardente e inextinguível zelo, as primitivas testemunhas cristãs de Jeová dedicaram o máximo de vigor à mais ampla proclamação possível das boas novas. Edward Gibbon, em “The Decline and Fall of the Roman Empire” (Declínio e Queda do Império Romano), diz que o “zelo dos cristãos . . . os espalhava a toda província e a quase toda cidade do império [romano]”. O professor J. W. Thompson, em “History of the Middle Ages” (História da Idade Média), diz: “O cristianismo se difundiu com notável rapidez no mundo romano. Já no ano 100 provavelmente toda província que confinava com o Mediterrâneo tinha uma comunidade cristã.”

      [Quadro na página 30]

      ‘Os triunfos do cristianismo’

      Fontes extra-bíblicas confirmam a excelente conduta e o amor que caracterizavam os primitivos cristãos. O historiador John Lord disse: “Os verdadeiros triunfos do cristianismo foram transformar em homens bons os que professavam suas doutrinas. . . . Temos testemunho em favor de sua vida inculpe, de sua moral irrepreensível, de serem bons cidadãos e de suas virtudes cristãs.” — “The Old Roman World” (O Antigo Mundo Romano).

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