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    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 10

      Crescimento no conhecimento exato da verdade

      AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ não têm procurado iniciar novas doutrinas, uma nova forma de adoração, uma nova religião. Em vez disso, sua história dos tempos atuais reflete seu esforço consciente no sentido de ensinar o que está na Bíblia, a inspirada Palavra de Deus. Apontam para ela como a base de todas as suas crenças e de seu modo de vida. Em vez de desenvolverem crenças que reflitam as tendências permissivas do mundo atual, elas têm procurado harmonizar-se cada vez mais de perto com os ensinamentos bíblicos e práticas do cristianismo do primeiro século.

      Em princípios da década de 1870, Charles Taze Russell e seus associados passaram a se dedicar a um diligente estudo da Bíblia. Tornou-se óbvio para eles que a cristandade se desviara muito dos ensinamentos e das práticas do primitivo cristianismo. O irmão Russell não alegou ser o primeiro a discernir isto, e reconheceu abertamente estar endividado com outros pela ajuda que prestaram durante seus primeiros anos de estudo das Escrituras. Falou com apreço da boa obra que vários movimentos da Reforma fizeram visando deixar brilhar a verdade cada vez mais. Ele citou nominalmente certos homens de mais idade, como Jonas Wendell, George Stetson, George Storrs e Nelson Barbour, que contribuíram pessoalmente de vários modos para seu entendimento da Palavra de Deus.a

      Ele declarou também: “Diversas doutrinas que apoiamos e que parecem tão novas, atuais e diferentes eram sustentadas de alguma forma muito tempo atrás: por exemplo — Eleição, Graça Gratuita, Restauração, Justificação, Santificação, Glorificação, Ressurreição.” Com freqüência, porém, um grupo religioso se distinguia pelo entendimento mais claro de certa verdade bíblica; outro grupo, por outra verdade. O progresso adicional deles era muitas vezes impedido porque estavam presos a doutrinas e credos que continham crenças originárias da antiga Babilônia e Egito ou haviam sido emprestadas dos filósofos gregos.

      Mas, que grupo, com a ajuda do espírito de Deus, paulatinamente se apegaria de novo ao inteiro “modelo de palavras salutares”, prezado pelos cristãos do primeiro século? (2 Tim. 1:13) No caso de quem revelaria ser sua vereda “como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido”? (Pro. 4:18) Quem realmente faria a obra ordenada por Jesus, ao dizer: “Sereis testemunhas de mim . . . até à parte mais distante da terra”? Quem não só faria discípulos, mas também ‘os ensinaria a observar todas as coisas’ que Jesus ordenara? (Atos 1:8; Mat. 28:19, 20) Deveras, estava próximo o tempo em que o Senhor faria uma clara distinção entre os cristãos verdadeiros, que ele assemelhou ao trigo, e os de imitação, aos quais se referiu como joio (realmente um tipo de erva daninha que até amadurecer se parece muito com o trigo)?b (Mat. 13:24-30, 36-43) Quem provaria ser “o escravo fiel e discreto” a quem o Amo, Jesus Cristo, na sua presença, empossado no Reino, confiaria maiores responsabilidades relacionadas com a obra predita para a terminação deste sistema de coisas? — Mat. 24:3, 45-47.

      Deixar brilhar a luz

      Jesus instruiu seus discípulos no sentido de partilharem com outros a luz da verdade divina que receberam dele. “Vós sois a luz do mundo”, disse ele. “Deixai brilhar a vossa luz perante os homens.” (Mat. 5:14-16; Atos 13:47) Charles Taze Russell e seus associados reconheciam que tinham a obrigação de fazer isso.

      Achavam eles que tinham todas as respostas, a plena luz da verdade? A essa pergunta o irmão Russell respondeu de modo explícito: “Certamente que não; tampouco as teremos até o ‘dia perfeito’.” (Pro. 4:18, Almeida) Referiam-se com freqüência às suas crenças bíblicas como “a verdade atual” — não com a idéia de que a verdade em si mudasse, mas sim no sentido de que o entendimento por parte deles era progressivo.

      Esses zelosos estudantes da Bíblia não se esquivavam da idéia de que, em matéria de religião, existe a verdade. Reconheciam a Jeová como “Deus da verdade” e a Bíblia como sua Palavra veraz. (Sal. 31:5; Jos. 21:45; João 17:17) Davam-se conta de que ainda havia muita coisa que não conheciam, mas não deixavam de declarar com convicção o que haviam aprendido da Bíblia. E, quando doutrinas e práticas religiosas tradicionais contradiziam o que eles encontravam claramente expresso na inspirada Palavra de Deus, então, imitando a Jesus Cristo, eles expunham a falsidade, embora isso lhes acarretasse ridicularização e ódio da parte do clero. — Mat. 15:3-9.

      Para alcançar e alimentar outros espiritualmente, C. T. Russell começou a publicar, em julho de 1879, a revista Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence.

      A Bíblia — realmente a Palavra de Deus

      A confiança que Charles Taze Russell tinha na Bíblia não era meramente aceitar um ponto de vista tradicional que estivesse em voga na época. Ao contrário, o comumente aceito naquela época era a alta crítica. Os que a aceitavam desafiavam a confiabilidade do registro bíblico.

      Quando jovem, Russell se filiara à Igreja Congregacional onde veio a ser ativo, mas a irracionalidade dos dogmas tradicionais o levaram a se tornar céptico. Ele descobriu que o que lhe fora ensinado não podia ser defendido de modo satisfatório pela Bíblia. Portanto, abandonou os dogmas dos credos da igreja e, junto com tais, a Bíblia. Daí, pesquisou as principais religiões orientais, mas essas também se mostraram insatisfatórias. Então, começou a se perguntar se a Bíblia estava sendo talvez mal representada pelos credos da cristandade. Incentivado pelo que ouvira certa noite numa reunião adventista, começou a fazer um estudo sistemático das Escrituras. O que ele viu desvendar-se diante de si era deveras a inspirada Palavra de Deus.

      Ficou profundamente impressionado com a harmonia da própria Bíblia e com a personalidade Daquele identificado como seu Autor Divino. Para ajudar outros a tirar proveito disto, ele mais tarde escreveu o livro The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras), que publicou em 1886. Nele incluiu uma extensiva análise sobre o assunto “A Bíblia Como Revelação Divina Considerada à Luz da Razão”. Perto do fim do capítulo, ele declarou inequivocamente: “A profundeza, e o poder, e a sabedoria, e o escopo do testemunho da Bíblia nos convencem de que o autor dos planos e das revelações que ela engloba não é o homem, mas sim o Deus Todo-Poderoso.”

      A confiança na Bíblia inteira como a Palavra de Deus continua sendo o fundamento das crenças das Testemunhas de Jeová hoje. Em todo o mundo, elas têm compêndios bíblicos que as habilitam a examinar pessoalmente a evidência de sua inspiração. Aspectos deste assunto são freqüentemente considerados nas suas revistas. Em 1969, publicaram o livro É a Bíblia Realmente a Palavra de Deus? Vinte anos mais tarde, o livro A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem? considerou com novo enfoque a autenticidade da Bíblia, chamou atenção para as evidências adicionais e chegou à mesma conclusão: a Bíblia é, realmente, a inspirada Palavra de Deus. Outro de seus livros, publicado primeiro em 1963 e atualizado em 1990, é “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”. Mais pormenores acham-se na sua enciclopédia bíblica Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada em 1988.

      Pelo estudo pessoal e congregacional dessa matéria, convenceram-se de que, embora cerca de 40 homens, durante um período de 16 séculos, fossem usados para escrever o que se acha nos 66 livros da Bíblia, o próprio Deus orientou ativamente a escrita mediante seu espírito. O apóstolo Paulo escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus.” (2 Tim. 3:16; 2 Ped. 1:20, 21) Esta convicção é um poderoso fator na vida das Testemunhas de Jeová. Comentando isso, um jornal britânico observou: “Por trás de tudo o que uma Testemunha [de Jeová] faz há uma razão bíblica. Deveras, seu único princípio fundamental é reconhecer a Bíblia como . . . verdadeira.”

      Conhecimento do verdadeiro Deus

      Ao passo que o irmão Russell e seus associados estudavam as Escrituras, não levou muito tempo para entenderem que o Deus apresentado na Bíblia não é o deus da cristandade. Isto foi um assunto importante, pois, conforme Jesus Cristo disse, a perspectiva de vida eterna das pessoas depende de conhecerem o único Deus verdadeiro e aquele que ele enviou, seu Agente Principal da salvação. (João 17:3; Heb. 2:10) C. T. Russell e o grupo que participava com ele no estudo da Bíblia discerniram que a justiça de Deus está em perfeito equilíbrio com a Sua sabedoria, amor e poder, e que estes atributos são manifestos em todas as suas obras. Com base no conhecimento que eles tinham então sobre o propósito de Deus, prepararam uma análise sobre por que se permite o mal e a incluíram numa de suas primeiras e mais distribuídas publicações, o livro de 162 páginas Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos), lançado primeiro como edição especial da Zion’s Watch Tower em setembro de 1881.

      Seu estudo da Palavra de Deus os ajudou a compreender que o Criador tem um nome pessoal e que torna possível a humanos conhecê-lo e gozar de estreita relação com ele. (1 Crô. 28:9; Isa. 55:6; Tia. 4:8) A Watch Tower de outubro-novembro de 1881 destacava: “JEOVÁ é o nome que identifica nenhum outro senão o Ser Supremo — nosso Pai e aquele a quem Jesus chamou de Pai e Deus.” — Sal. 83:18; João 20:17.

      No ano seguinte, em resposta à pergunta: “Afirmais que a Bíblia não ensina que há três pessoas em um só Deus?” foi dito: “Sim: ao contrário, ela nos diz de fato que há um só Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo de quem são todas as coisas (ou que criou todas as coisas). Cremos assim em Um só Deus e Pai, e também em um só Senhor Jesus Cristo . . . Mas estes são dois, e não um só ser. Eles são um apenas no sentido de estarem em harmonia. Cremos também num espírito de Deus . . . Mas não é uma pessoa, como o espírito de demônios, o espírito do Mundo e o espírito do Anticristo tampouco são pessoas.” — Zion’s Watch Tower, de junho de 1882; João 17:20-22.

      Crescente apreço pelo nome de Deus

      Aos poucos, esses Estudantes da Bíblia ficaram cada vez mais apercebidos do destaque que as inspiradas Escrituras dão ao nome pessoal de Deus. Este nome foi obscurecido em inglês pelas traduções católica romana Douay e protestante King James da Bíblia, como se deu mais tarde com a maioria das traduções em muitos idiomas no século 20. Mas diversas traduções, bem como obras bíblicas de referência, atestaram que o nome Jeová ocorre no texto, no idioma original, milhares de vezes — na realidade, mais vezes do que qualquer outro nome, e mais vezes do que o total conjunto de vezes em que aparecem títulos tais como Deus e Senhor. Como “povo para o seu nome”, seu próprio apreço pelo nome divino aumentou. (Atos 15:14) Na Watch Tower de 1.º de janeiro de 1926, apresentaram o que reconheciam ser uma questão que toda pessoa precisa enfrentar, a saber, “Quem Honrará a Jeová?”.

      A ênfase que deram ao nome de Deus não era simplesmente uma questão de conhecimento religioso. Segundo explicado no livro Prophecy (publicado em 1929), a questão de superlativa importância com que toda criação inteligente se confronta envolve o nome e a palavra de Jeová Deus. As Testemunhas de Jeová frisam que a Bíblia mostra que toda pessoa precisa conhecer o nome de Deus e tratá-lo como algo sagrado. (Mat. 6:9; Eze. 39:7) Tem de ser limpo de todo vitupério lançado sobre ele não só por aqueles que desafiaram abertamente a Jeová, mas também por aqueles que o representaram mal por meio de suas doutrinas e ações. (Eze. 38:23; Rom. 2:24) Com base nas Escrituras, as Testemunhas reconhecem que o bem-estar de todo o Universo e seus habitantes depende da santificação do nome de Jeová.

      Compreendem que, antes de Jeová tomar ação para destruir os iníquos, é dever e privilégio de suas testemunhas falar a verdade a respeito dele a outros. As Testemunhas de Jeová vêm fazendo isso em toda a Terra. Tão zelosas têm sido em desincumbir-se dessa responsabilidade que, no mundo todo, qualquer pessoa que freqüentemente usa o nome Jeová é logo reconhecida como Testemunha de Jeová.

      Exposta a Trindade

      Quais testemunhas de Jeová, C. T. Russell e seus associados compreendiam que tinham a grande responsabilidade de expor os ensinamentos que representavam mal a Deus, para ajudar os amantes da verdade a compreender que tais não se baseiam na Bíblia. Eles não foram os primeiros a reconhecer que a Trindade não é bíblica,c mas reconheciam que, se haviam de ser servos fiéis de Deus, tinham a responsabilidade de tornar conhecida a verdade sobre isso. Corajosamente, em benefício dos amantes da verdade, expuseram as raízes pagãs dessa doutrina central da cristandade.

      A Watch Tower de junho de 1882 dizia: “Muitos filósofos pagãos, descobrindo que seria boa política juntar-se à religião emergente [uma forma de cristianismo apóstata endossado pelos imperadores romanos do quarto século EC], passaram a preparar um terreno fácil para ela, tentando descobrir correspondências entre o cristianismo e o paganismo, e assim mesclar os dois. Conseguiram fazer isso com êxito. . . . Visto que a antiga teologia tinha diversos deuses principais, com muitos semideuses de ambos os sexos, os pagano-cristãos (se é que podemos cunhar tal palavra) passaram a reconstruir a lista da nova teologia. Nessa ocasião, portanto, inventou-se a doutrina de três Deuses — Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.”

      Alguns dos clérigos se empenharam em dar um colorido bíblico ao seu ensinamento, citando passagens como de 1 João 5:7, mas o irmão Russell apresentou evidência que mostrava ser de amplo conhecimento dos eruditos que um trecho desse texto era uma interpolação, uma inserção espúria, feita por um escriba em apoio de um ensinamento que não se encontra nas Escrituras. Outros apologistas da Trindade recorreram a João 1:1, mas a Watch Tower analisou essa passagem com base tanto no conteúdo como no contexto para mostrar que isto de forma alguma apoiava a crença da Trindade. Em harmonia com isto, a Watch Tower de julho de 1883 dizia: “Mais estudo da Bíblia e menos teologia de hinário teria tornado o assunto mais claro para todos. A doutrina da trindade é totalmente contrária à Escritura.”

      O irmão Russell expôs abertamente a insensatez de afirmar crer na Bíblia e, ao mesmo tempo, ensinar uma doutrina como a Trindade que contradiz a Bíblia. De modo que escreveu: “Em que embrulhada de contradições e confusão se acham os que dizem que Jesus e o Pai são um só Deus! Isto daria a idéia de que nosso Senhor Jesus foi hipócrita quando esteve na Terra e que simplesmente fingia dirigir-se a Deus em oração, sendo Ele Próprio o mesmo Deus. . . . Também, o Pai sempre foi imortal, por conseguinte, não podia morrer. Então, como podia Jesus morrer? Todos os Apóstolos foram testemunhas falsas ao falarem da morte e da ressurreição de Jesus, se é que Ele não morreu. As Escrituras declaram, porém, que Ele morreu realmente.”d

      Assim, cedo na sua história moderna, as Testemunhas de Jeová rejeitaram terminantemente o dogma da Trindade, da cristandade, a favor do ensinamento lógico e animador da própria Bíblia.e O trabalho que têm feito em divulgar essas verdades e em dar às pessoas em toda a parte a oportunidade de ouvi-las tem assumido proporções nunca antes alcançadas por qualquer indivíduo ou grupo, no passado ou no presente.

      Qual é a condição dos mortos?

      O que o futuro reservava para os que não aceitaram a provisão divina de salvação era uma profunda preocupação para C. T. Russell desde jovem. Quando menino, ele acreditava no que os clérigos diziam sobre o inferno de fogo; pensava que eles pregavam a Palavra de Deus. Ele saía de noite para escrever com giz passagens da Bíblia em lugares visíveis para que operários que passassem por lá fossem avisados e salvos da terrível condenação ao tormento eterno.

      Mais tarde, depois de ter constatado pessoalmente o que a Bíblia realmente ensina, foi citado por um de seus associados como tendo dito: “Se a Bíblia realmente ensina que a tortura eterna é o destino de todos exceto dos santos, isto deve ser pregado — sim, gritado do alto das casas a cada semana, dia e hora; se ela não ensina isso, deve-se dar a conhecer esse fato, e a sórdida mancha que macula o nome santo de Deus deve ser removida.”

      No início de seu estudo da Bíblia, C. T. Russell viu claramente que o inferno não é um lugar de tormento para as almas após a morte. Ele foi bem provavelmente ajudado nisto por George Storrs, editor da Bible Examiner, a quem o irmão Russell mencionava com caloroso apreço nos seus escritos e que havia escrito muito sobre o que tinha discernido da Bíblia a respeito da condição dos mortos.

      Mas o que dizer da alma? Apoiavam os Estudantes da Bíblia a crença de que ela é uma parte espiritual do homem, algo que sobrevive à morte do corpo? Ao contrário, em 1903, a Watch Tower dizia: “Precisamos notar cuidadosamente que o ponto em questão não é que o homem tem uma alma, mas sim que o homem é uma alma, ou ser. Usemos uma ilustração da natureza — o ar que respiramos: ele é composto de oxigênio e nitrogênio, mas nenhum destes é atmosfera, ou ar; porém, quando os dois são juntados, em proporções químicas adequadas, resulta em atmosfera. Assim se dá com a alma. Deus fala de nós deste ponto de vista, de cada um de nós ser uma alma. Ele não se dirige aos nossos corpos nem ao nosso fôlego de vida, mas dirige-se realmente a nós como seres inteligentes, ou almas. Ao declarar a penalidade pela violação de sua lei, ele não se dirigiu especificamente ao corpo de Adão, mas ao homem, a alma, o ser inteligente: ‘Tu!’ ‘No dia em que tu comeres dela, certamente tu morrerás.’ ‘A alma que pecar, essa morrerá.’ — Gên. 2:17; Eze. 18:20.” Isto estava em harmonia com o que a Watch Tower havia declarado já em abril de 1881.f

      Como se desenvolveu então a crença na imortalidade inerente da alma humana? Quem foi seu autor? Após examinar cuidadosamente tanto a Bíblia como a história religiosa, o irmão Russell escreveu na Watch Tower de 15 de abril de 1894: “Evidentemente não partiu da Bíblia . . . A Bíblia declara distintamente que o homem é mortal, que a morte lhe é possível. . . . Examinando as páginas da história, descobrimos que, embora a doutrina da imortalidade humana não seja ensinada pelas testemunhas inspiradas por Deus, é a própria essência de todas as religiões pagãs. . . . Não é verdade, portanto, que Sócrates e Platão foram os primeiros a ensinar essa doutrina: ela teve um instrutor anterior a esses dois, e ainda mais capaz. . . . O primeiro registro deste ensinamento falso se acha na mais antiga história conhecida pelo homem — a Bíblia. O instrutor falso foi Satanás.”g

      Apontando a “mangueira” contra o inferno

      Em harmonia com o forte desejo do irmão Russell de remover do nome de Deus a sórdida mancha resultante do ensinamento do tormento eterno no inferno de fogo, ele escreveu um tratado sobre o assunto: “Ensinam as Escrituras que o Tormento Eterno É o Salário do Pecado?” (The Old Theology [A Velha Teologia], 1889) Nele ele dizia:

      “A teoria do tormento eterno teve origem pagã, embora no conceito dos pagãos não fosse aquela doutrina sem misericórdia como veio a ser depois, quando começou gradativamente a se ligar ao cristianismo nominal no período em que tal cristianismo se mesclou com filosofias pagãs, no segundo século. Foi a grande apostasia que acrescentou à filosofia pagã os horríveis pormenores agora tão geralmente cridos, que os pintou nas paredes das igrejas, como fez na Europa, que os escreveu nos seus credos e hinos e perverteu tanto a Palavra de Deus para dar um aparente apoio divino a essa blasfêmia que desonra a Deus. Por conseguinte, a credulidade de hoje a recebe não como um legado do Senhor, ou dos apóstolos, ou dos profetas, mas do espírito de transigência que sacrificou a verdade e a lógica e vergonhosamente perverteu as doutrinas do cristianismo, por causa de ambição profana e luta por poder, riqueza e números. O tormento eterno como penalidade pelo pecado era desconhecido dos patriarcas dos tempos antigos; era desconhecido dos profetas da era judaica; e era desconhecido do Senhor e dos apóstolos; mas tem sido a principal doutrina do Cristianismo Nominal desde a grande apostasia — o flagelo por meio do qual os crédulos, os ignorantes e os supersticiosos do mundo têm sido levados a uma obediência servil à tirania. O tormento eterno era a condenação proferida contra todos os que resistissem à autoridade de Roma ou a repelissem, e a punição começava na vida atual sempre que ela [a Igreja] retinha o poder.”

      O irmão Russell estava bem ciente de que a maioria das pessoas sensatas não cria realmente na doutrina do inferno de fogo. Mas, conforme ele disse, em 1896, no folheto What Say the Scriptures About Hell? (Que Dizem as Escrituras Sobre o Inferno?), “já que pensam que a Bíblia o ensina, todo passo dado por eles em direção à verdadeira inteligência e benignidade fraterna . . . é na maioria dos casos um passo em sentido oposto da Palavra de Deus que falsamente acusam de ensinar tal doutrina”.

      Para atrair essas pessoas refletidas de volta à Palavra de Deus, ele apresentou nesse folheto todas as passagens da King James Version em que se encontrava a palavra inferno, para que os leitores pudessem ver por si mesmos o que diziam, e daí declarou: “Graças a Deus, não encontramos tal lugar de tortura eterna que os credos, os hinários e muitos sermões do púlpito erroneamente ensinam. Entretanto, encontramos um ‘inferno’, seol, hades, ao qual toda a raça humana foi condenada por causa do pecado de Adão, e do qual todos são remidos pela morte de nosso Senhor; e esse ‘inferno’ é o túmulo — a condição de morte. E encontramos outro ‘inferno’ (geena — a segunda morte — a destruição total) para o qual se chama nossa atenção como a penalidade final de todos os que, depois de serem remidos e levados a um pleno conhecimento da verdade, e a uma plena capacidade de obedecer, escolherem não obstante a morte decidindo seguir um proceder de oposição a Deus e à justiça. E nosso coração diz: Amém. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? pois só tu és santo; por isso todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos.” — Rev. 15:3, 4, Almeida, atualizada.

      O que ele ensinava era fonte de irritação e embaraço para o clero da cristandade. Em 1903, ele foi desafiado para um debate público. A condição dos mortos foi um dos pontos da série de debates entre C. T. Russell e o Dr. E. L. Eaton que servia como porta-voz de uma aliança extra-oficial de ministros protestantes do oeste de Pensilvânia.

      Durante esses debates, o irmão Russell defendeu firmemente a proposição de que a “morte é morte, que nossos entes queridos, ao nos deixarem, estão realmente mortos e não vivos nem com os anjos nem com os demônios num lugar de desespero”. Em apoio disso, ele citou passagens bíblicas tais como Eclesiastes 9:5, 10; Romanos 5:12; 6:23; e Gênesis 2:17. Também disse: “As escrituras estão em plena harmonia com o que vós e eu e qualquer outra pessoa sensata e racional no mundo admitirá que é o caráter razoável e próprio de nosso Deus. O que está declarado sobre nosso Pai celestial? Que ele é justo, que ele é sábio, que ele é amoroso, que ele é poderoso. Todo cristão reconhecerá estes atributos do caráter divino. Se assim for, podemos imaginar, em algum sentido da palavra, que Deus seja justo e ao mesmo tempo castigue uma criatura, produto de Suas próprias mãos, por toda a eternidade, não importa qual tenha sido seu pecado? Não sou apologista do pecado; eu mesmo não vivo no pecado, e nunca prego o pecado. . . . Mas eu vos digo que todas essas pessoas a nossa volta aqui que nosso irmão [o Dr. Eaton] diz que falam irreverentemente, blasfemando a Deus e o santo nome de Jesus Cristo, são todas elas pessoas a quem se ensinou esta doutrina do tormento eterno. E a todos os assassinos, ladrões e malfeitores nas penitenciárias se ensinou essa doutrina. . . . São doutrinas ruins; prejudicaram o mundo por todo esse tempo; absolutamente não fazem parte do ensinamento do Senhor, e nosso prezado irmão ainda não retirou a nuvem do obscurantismo de seus olhos.”

      Relatou-se que, depois do debate, um clérigo que estava na assistência se aproximou de Russell e disse: “Estou contente de vê-lo apontar a mangueira contra o inferno e apagar o fogo.”

      Para dar ainda mais ampla publicidade à verdade sobre a condição dos mortos, o irmão Russell participou duma extensiva série de congressos de um dia de duração, entre 1905 e 1907, em que proferiu o discurso público “Ida e Volta do Inferno! Quem Está Lá? A Esperança do Retorno de Muitos”. O título era curioso e atraía muita atenção. As pessoas superlotavam os salões de assembléia nas cidades, tanto grandes como pequenas, nos Estados Unidos e no Canadá, para ouvir o discurso.

      Entre os que ficaram profundamente impressionados com o que a Bíblia diz sobre a condição dos mortos estava um estudante universitário em Cincinnati, Ohio, que se preparava para se tornar pastor presbiteriano. Em 1913, ele recebeu de seu irmão carnal o folheto Onde Estão os Mortos?, escrito por John Edgar, um Estudante da Bíblia que era médico na Escócia. O estudante que recebeu esse folheto foi Frederick Franz. Depois de o ler cuidadosamente, disse com firmeza: “Esta é a verdade.” Sem hesitação, mudou seus alvos na vida e entrou no ministério de tempo integral como evangelizador colportor. Em 1920, tornou-se membro da equipe da sede da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Muitos anos depois, tornou-se membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová e, mais tarde, presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA).

      O sacrifício de resgate de Jesus Cristo

      Em 1872, em relação com sua pesquisa das Escrituras, o irmão Russell e seus associados reexaminaram o assunto da restauração, do ponto de vista do resgate provido por Jesus Cristo. (Atos 3:21, Imprensa Bíblica Brasileira) Ele ficou radiante ao ver em Hebreus 2:9 que ‘Jesus, pela graça de Deus, provou a morte por todo homem’. Isso não o levou a crer na salvação universal, pois ele sabia que as Escrituras também dizem que a pessoa precisa exercer fé em Jesus Cristo para ser salva. (Atos 4:12; 16:31) Mas começou a entender — embora não duma só vez — a maravilhosa oportunidade que o sacrifício de resgate de Jesus Cristo tornou possível para a humanidade. Abriu o caminho para ela ter o que Adão perdeu, a perspectiva da vida eterna em perfeição humana. O irmão Russell não era passivo sobre o assunto; ele discerniu o profundo significado do resgate e vigorosamente o defendeu, mesmo quando associados íntimos se deixaram corromper em seu raciocínio por conceitos filosóficos.

      Em meados de 1878, o irmão Russell já era, por cerca de um ano e meio, co-editor da revista Herald of the Morning (Arauto da Aurora), da qual N. H. Barbour era o editor principal. Mas, quando Barbour, na edição de agosto de 1878 dessa revista, desprezou o ensinamento bíblico do resgate, Russell respondeu com uma vigorosa defesa dessa verdade bíblica vital.

      Sob o título “A Expiação”, Barbour ilustrara o que ele achava desse ensinamento, dizendo: “Digo a meu filho, ou a um dos criados: se o Jaime morder sua irmã, apanhe uma mosca, espete um alfinete no corpo desta e prenda-a na parede, e eu perdoarei ao Jaime. Isto ilustra a doutrina da substituição.” Embora professasse crer no resgate, Barbour dizia que a idéia de que Cristo, pela sua morte, pagou a penalidade pelo pecado para a descendência de Adão era “antibíblica e repugnante a todo o nosso conceito de justiça”.h

      Logo no número seguinte de Herald of the Morning (setembro de 1878), o irmão Russell discordou fortemente daquilo que Barbour havia escrito. Russell analisou o que as Escrituras realmente diziam e sua harmonia com “a perfeição da justiça [de Deus], e finalmente sua grande misericórdia e amor”, segundo expressos por meio da provisão do resgate. (1 Cor. 15:3; 2 Cor. 5:18, 19; 1 Ped. 2:24; 3:18; 1 João 2:2) Na primavera seguinte, após repetidos esforços de ajudar Barbour a ver as coisas de modo bíblico, Russell retirou seu apoio à revista Herald; e, a partir da edição de junho de 1879, seu nome não aparecia mais como co-editor dessa publicação. Sua corajosa e intransigente posição quanto a este ensinamento central da Bíblia teve efeitos de grande alcance.

      Em toda a sua história moderna, as Testemunhas de Jeová têm coerentemente defendido o ensinamento bíblico do resgate. Já a primeira edição da Zion’s Watch Tower (julho de 1879) salientava que “o mérito perante Deus está . . . no sacrifício perfeito de Cristo”. Em 1919, num congresso patrocinado pela Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, em Cedar Point, Ohio, EUA, o programa impresso trazia em destaque as palavras “Bem-vindos! Todos os Que Crêem no Grandioso Sacrifício de Resgate”. Na contracapa de A Sentinela continua-se a chamar atenção para o resgate, onde se diz a respeito do objetivo da revista: “Exorta à fé em Jesus Cristo, o agora reinante Rei designado por Deus, cujo sangue derramado abre o caminho para a humanidade obter vida eterna.”

      Progressivos, não presos a credos

      O entendimento claro da Palavra de Deus não foi obtido de uma vez. Não raro, os Estudantes da Bíblia captavam um pormenor do padrão geral da verdade, mas não entendiam a questão toda. No entanto, estavam dispostos a aprender. Não estavam presos a credos; eram progressivos. O que aprendiam, partilhavam com outros. Não atribuíam a si o mérito pelo que ensinavam; procuravam ser “ensinados por Jeová”. (João 6:45) E reconheceram que Jeová torna possível o entendimento dos pormenores de seu propósito na devida época e de sua própria maneira. — Dan. 12:9; compare com João 16:12, 13.

      Aprender coisas novas requer ajustes de pontos de vista. Admitir erros e fazer mudanças benéficas exige humildade. Essa qualidade e seus frutos são desejáveis a Jeová, e tal proceder atrai fortemente aos que amam a verdade. (Sof. 3:12) Mas é ridicularizado pelos que se glorificam em credos que têm permanecido imutáveis por muitos séculos, embora formulados por homens imperfeitos.

      A maneira da volta do Senhor

      Foi em meados da década de 1870 que o irmão Russell e os que com ele examinavam diligentemente as Escrituras discerniram que, na sua volta, o Senhor seria invisível aos olhos humanos. — João 14:3, 19.

      O irmão Russell disse mais tarde: “Sentimo-nos muito tristes diante do erro dos adventistas, que esperavam Cristo na carne e ensinavam que o mundo e tudo o que há nele, exceto os adventistas, seriam queimados em 1873 ou 1874, cuja fixação de datas e desapontamentos e idéias geralmente vagas sobre o objetivo e a maneira de sua vinda trouxeram até certo ponto descrédito sobre nós e sobre todos os que aguardavam e proclamavam seu vindouro Reino. Esses conceitos errados, tão generalizados, tanto sobre o objetivo como sobre a maneira da volta do Senhor, levaram-me a escrever um panfleto — ‘The Object and Manner of Our Lord’s Return’ (O Objetivo e a Maneira da Volta de Nosso Senhor).” Esse panfleto foi publicado em 1877. O irmão Russell mandou imprimir e distribuir uns 50.000 exemplares dele.

      Nesse panfleto, ele escreveu: “Cremos que as escrituras ensinam que, na Sua vinda e por algum tempo depois de ter vindo, Ele permanecerá invisível, manifestando-Se depois ou mostrando-Se em julgamentos e várias formas, de modo que ‘todo olho O verá’.” Em apoio disso, considerou textos tais como Atos 1:11 (‘ele virá da mesma maneira em que o observastes ir’ — isto é, não visto pelo mundo) e João 14:19, (“ainda um pouco, e o mundo não me verá mais”). O irmão Russell referiu-se também ao fato de que The Emphatic Diaglott, que em 1864 fora publicada pela primeira vez em forma completa, com tradução interlinear palavra por palavra, em inglês, dava evidência de que a expressão grega pa·rou·sí·a significava “presença”. Ao analisar o uso bíblico desse termo, Russell explicou nesse panfleto: “A palavra grega geralmente usada para se referir ao segundo advento — Parousia, muitas vezes traduzida por vinda — significa invariavelmente presença pessoal, como já tendo vindo, chegado, e nunca significa estar a caminho, como na palavra chegando.”

      Ao considerar o objetivo da presença de Cristo, Russell tornou claro que não se tratava de algo que se realizaria num único momento de abalar o mundo. “O segundo advento, como o primeiro”, escreveu ele, “abrange um período, e não é um evento momentâneo”. Nesse período, escreveu ele, os do “pequeno rebanho” receberiam sua recompensa junto com o Senhor como co-herdeiros no Seu Reino; outros, talvez bilhões de pessoas, receberiam a oportunidade de uma vida perfeita na Terra restaurada em beleza edênica. — Luc. 12:32.

      Em apenas alguns anos, com base num estudo adicional das Escrituras, Russell compreendeu que Cristo não só voltaria de modo invisível, mas também permaneceria invisível, mesmo ao manifestar sua presença executando a sentença contra os iníquos.

      Em 1876, quando Russell leu pela primeira vez um exemplar de Herald of the Morning, ficou sabendo de outro grupo que cria que a volta de Cristo seria invisível e relacionava essa volta com as bênçãos para todas as famílias da Terra. Por meio do Sr. Barbour, editor daquela publicação, Russell também ficou persuadido de que a presença invisível de Cristo começara em 1874.i Mais tarde, chamou-se atenção para isso mediante o subtítulo “Arauto da Presença de Cristo” que aparecia na capa da revista Zion’s Watch Tower.

      O reconhecimento de que a presença de Cristo seria invisível tornou-se um importante fundamento sobre o qual se basearia o entendimento de muitas profecias bíblicas. Aqueles primeiros Estudantes da Bíblia entenderam que a presença do Senhor devia ser de interesse primário para todos os verdadeiros cristãos. (Mar. 13:33-37) Estavam vividamente interessados na volta do Amo e atentos ao fato de que tinham o dever de divulgar isso, mas ainda não discerniam bem todos os pormenores. Contudo, foi realmente notável o que o espírito de Deus bem no início já os habilitou a entender. Uma dessas verdades dizia respeito a uma data muito significativa apontada nas profecias bíblicas.

      Fim dos Tempos dos Gentios

      O assunto sobre cronologia bíblica tinha sido por muito tempo de grande interesse para os estudantes da Bíblia. Comentaristas haviam apresentado vários conceitos sobre a profecia de Jesus a respeito dos “tempos dos gentios” e do relato do profeta Daniel sobre o sonho de Nabucodonosor dum toco de árvore que ficou atado por “sete tempos”. — Luc. 21:24, Al; Dan. 4:10-17.

      Já em 1823, John A. Brown, cuja obra foi publicada em Londres, Inglaterra, calculara os “sete tempos” de Daniel 4 como sendo de 2.520 anos de duração. Mas ele não discerniu claramente a data em que o período profético começou, ou quando terminaria. Contudo, relacionou esses “sete tempos” com os Tempos dos Gentios de Lucas 21:24. Em 1844, E. B. Elliott, um clérigo britânico, chamou atenção para 1914 como possível data do fim dos “sete tempos” de Daniel, mas apresentou também um conceito alternativo que apontava para o tempo da Revolução Francesa. Robert Seeley, de Londres, em 1849, considerou o assunto de modo similar. O mais tardar em 1870, uma publicação de Joseph Seiss e seus associados, impressa em Filadélfia, Pensilvânia, apresentava cálculos que indicavam 1914 como data importante, embora o raciocínio contido se baseasse numa cronologia que C. T. Russell mais tarde rejeitou.

      Depois, nas edições de Herald of the Morning, de agosto, setembro e outubro de 1875, N. H. Barbour ajudou a harmonizar pormenores indicados por outros. Usando a cronologia compilada por Christopher Bowen, um clérigo da Inglaterra, e publicada por E. B. Elliott, Barbour identificou o início dos Tempos dos Gentios com a remoção do Rei Zedequias do reinado, conforme predita em Ezequiel 21:25, 26, e apontou para 1914 como marcando o fim dos Tempos dos Gentios.

      Em princípios de 1876, C. T. Russell recebeu um exemplar de Herald of the Morning. Ele escreveu prontamente para Barbour e daí passou algum tempo com ele em Filadélfia durante o verão, quando consideraram, entre outras coisas, os tempos proféticos. Pouco depois, num artigo intitulado “Os Tempos dos Gentios: Quando Terminam?” Russell também raciocinou sobre o assunto com base nas Escrituras e disse que a evidência mostrava que “os sete tempos terminarão em 1914 EC”. Esse artigo foi impresso na edição de outubro de 1876 da Bible Examiner.j O livro Three Worlds, and the Harvest of This World (Três Mundos e a Colheita Deste Mundo), produzido em 1877 por N. H. Barbour com a cooperação de C. T. Russell, apresentava a mesma conclusão. Depois, alguns dos primeiros números da Watch Tower, como os de dezembro de 1879 e de julho de 1880, chamavam atenção para 1914 EC como um ano altamente significativo do ponto de vista das profecias bíblicas. Em 1889, o inteiro quarto capítulo do Volume II de Millennial Dawn (Aurora do Milênio), mais tarde chamado Studies in the Scriptures, fez um estudo sobre “Os Tempos dos Gentios”. Mas o que significaria o fim dos Tempos dos Gentios?

      Os Estudantes da Bíblia não estavam plenamente seguros do que aconteceria. Estavam convencidos de que não resultaria na queima da Terra nem no desaparecimento da vida humana. Mas sabiam que marcaria um ponto significativo com respeito ao governo divino. De início, pensaram que nessa data o Reino de Deus teria assumido pleno controle universal. Quando isso não aconteceu, sua confiança nas profecias bíblicas que marcavam essa data não vacilou. Concluíram que, em vez disso, a data marcava apenas um ponto de partida quanto ao domínio do Reino.

      Similarmente, pensaram também de início que as dificuldades globais, que culminariam numa anarquia (entendiam que esta estaria associada com a guerra do “grande dia de Deus, o Todo-poderoso”), precederiam essa data. (Rev. 16:14) Mas, depois, dez anos antes de 1914, a Watch Tower sugeria que um tumulto mundial que resultaria no aniquilamento das instituições humanas ocorreria logo após o fim dos Tempos dos Gentios. Esperavam que o ano de 1914 marcasse um significativo momento decisivo para Jerusalém, pois a profecia dizia que ‘Jerusalém seria pisada’ até terminarem os Tempos dos Gentios. Quando viram que 1914 estava terminando e eles ainda não tinham morrido quais humanos nem sido ‘arrebatados nas nuvens’ para se encontrarem com o Senhor — segundo as expectativas anteriores — passaram a esperar sinceramente que sua mudança se daria no fim dos Tempos dos Gentios. — 1 Tes. 4:17.

      Com o passar dos anos, examinando e reexaminando as Escrituras, sua fé nas profecias permaneceu firme, e eles não deixaram de declarar o que esperavam que ocorresse. Com variados graus de êxito, esforçaram-se em evitar ser dogmáticos a respeito de pormenores não declarados explicitamente nas Escrituras.

      Será que o “despertador” tocou cedo demais?

      Um grande tumulto certamente irrompeu no mundo em 1914 com a deflagração da Primeira Guerra Mundial, que por muitos anos foi chamada simplesmente de a Grande Guerra, mas não conduziu imediatamente à queda de todos os governos humanos existentes. Com o desenrolar dos eventos relacionados com a Palestina após 1914, os Estudantes da Bíblia achavam ter visto evidência de mudanças significativas para Israel. Mas, passaram meses e depois anos, e os Estudantes da Bíblia não receberam a recompensa celestial na época que esperavam. Como reagiram a isso?

      A Watch Tower de 1.º de fevereiro de 1916 chamava especificamente atenção para 1.º de outubro de 1914 e dizia: “Este foi o último ponto relacionado com tempo que a cronologia bíblica nos indicava com respeito às experiências da Igreja. Disse o Senhor que seríamos levados para lá [para o céu]? Não. O que disse Ele? Sua Palavra e o cumprimento das profecias pareciam indicar inequivocamente que essa data marcou o fim dos Tempos dos Gentios. Nós deduzimos disso que a ‘mudança’ da Igreja se daria nessa data ou antes. Mas Deus não nos disse que seria assim. Ele permitiu que fizéssemos essa dedução; e cremos que revelou ser um necessário teste dos estimados santos de Deus em toda parte.” Mas mostraram esses acontecimentos que sua gloriosa esperança foi em vão? Não. Simplesmente significava que nem tudo estava acontecendo tão cedo como esperavam.

      Alguns anos antes de 1914, Russell havia escrito: “A cronologia (as profecias cronológicas em geral) evidentemente não se destinava a dar ao povo de Deus informações cronológicas exatas todo o tempo através dos séculos. Evidentemente, destinava-se mais a servir como despertador para acordar e energizar o povo do Senhor no tempo certo. . . . Mas, suponhamos, por exemplo, que outubro de 1914 passe e não ocorra nenhuma queda séria do poder gentio. O que provará ou deixará de provar isso? Não deixará de provar nenhuma parte do Plano Divino das Eras. O preço de resgate consumado no Calvário ainda permanecerá como garantia do cumprimento final do grande Programa Divino para a restauração humana. A ‘sublime chamada’ da Igreja para sofrer com o Redentor e ser glorificada com ele quais membros seus ou Noiva ainda será a mesma. . . . A única coisa afetada pela cronologia será o tempo do cumprimento dessas gloriosas esperanças para a Igreja e para o mundo. . . . E, se essa data passar, provará meramente que a nossa cronologia, o nosso ‘despertador’, tocou um pouco antes da hora. Consideraríamos uma grande calamidade se nosso despertador nos acordasse alguns momentos mais cedo na manhã de um grande dia cheio de alegria e prazer? Certamente que não!”

      Mas esse “despertador” não tocou cedo demais. Na realidade, foram as coisas para as quais o “despertador” os acordara que não eram exatamente o que eles esperavam.

      Anos mais tarde, quando a luz se tornou mais clara, eles reconheceram: “Muitos dos estimados santos pensavam que todo o trabalho já estava feito. . . . Regozijaram-se por causa da clara prova de que o mundo terminara, que o reino do céu estava próximo, e que o dia de sua libertação era iminente. Mas desperceberam outra coisa que precisava ser feita. As boas novas que haviam recebido tinham de ser divulgadas; porque Jesus ordenara: ‘Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim.’ (Mateus 24:14)” — The Watch Tower de 1.º de maio de 1925.

      Quando começaram a se desenrolar os eventos após 1914 e os Estudantes da Bíblia compararam esses com o que o Amo predissera, compreenderam gradativamente que estavam vivendo nos últimos dias do velho sistema, e isso desde 1914. Compreenderam também que no ano de 1914 começou a presença invisível de Cristo e que isso se deu não mediante ele voltar em pessoa (nem mesmo invisivelmente) à vizinhança da Terra, mas por voltar a sua atenção à Terra como Rei reinante. Entenderam e aceitaram sua responsabilidade vital de proclamar “estas boas novas do Reino” para testemunho a todas as nações neste período crítico da história humana. — Mat. 24:3-14.

      O que era precisamente a mensagem a respeito do Reino que tinham de pregar? Era de algum modo diferente da mensagem dos cristãos do primeiro século?

      O Reino de Deus, a única esperança da humanidade

      Em resultado do estudo meticuloso da Palavra de Deus, os Estudantes da Bíblia associados com o irmão Russell entenderam que o Reino de Deus era o governo que Jeová prometera estabelecer por meio de seu Filho para a bênção da humanidade. Jesus Cristo, no céu, teria um “pequeno rebanho” de associados quais governantes selecionados por Deus dentre a humanidade. Entenderam que esse governo seria representado por homens fiéis da antiguidade que serviriam como príncipes em toda a Terra. Estes eram chamados os “dignos da antiguidade”. — Luc. 12:32; Dan. 7:27; Rev. 20:6; Sal. 45:16.

      A cristandade por muito tempo ensinou ‘o direito divino dos reis’ como meio de manter o povo em sujeição. Mas esses Estudantes da Bíblia compreenderam pelas Escrituras que o futuro dos governos humanos não era assegurado por nenhuma garantia divina. Em harmonia com o que aprendiam, a Watch Tower de dezembro de 1881 declarava: “O estabelecimento desse reino obviamente significará a queda de todos os reinos da Terra, pois todos eles — mesmo os melhores — fundam-se na injustiça e nos direitos desiguais, bem como na opressão de muitos a favor de poucos — conforme lemos: ‘Esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre.’” — Dan. 2:44.

      Quanto a como esses reinos opressivos seriam esmagados, os Estudantes da Bíblia ainda tinham muito que aprender. Ainda não entendiam claramente como os benefícios do Reino de Deus alcançariam toda a humanidade. Mas não confundiam o Reino de Deus com um sentimento vago no coração ou com o governo de uma hierarquia religiosa que usasse o Estado secular como braço.

      Até 1914, os fiéis servos pré-cristãos de Deus não haviam sido ressuscitados na Terra quais representantes principescos do Reino messiânico, conforme se esperava, tampouco foram os do restante do “pequeno rebanho” juntados a Cristo no Reino celestial naquele ano. Contudo, a Watch Tower de 15 de fevereiro de 1915 dizia confiantemente que 1914 era o tempo devido “para nosso Senhor assumir Seu grande poder e reino”, terminando assim os milênios da ininterrupta dominação gentia. No número de 1.º de julho de 1920, a Watch Tower reafirmava essa posição e ligava a isso as boas novas que, segundo predissera Jesus, seriam proclamadas em toda a Terra antes do fim. (Mat. 24:14) No congresso dos Estudantes da Bíblia, em Cedar Point, Ohio, EUA, em 1922, esse entendimento foi reafirmado numa resolução geral, e o irmão Rutherford instou com os congressistas: “Anunciai, anunciai, anunciai o Rei e seu reino.”

      Entretanto, naquela época os Estudantes da Bíblia achavam que o estabelecimento do Reino, sua plena instituição no céu, não ocorreria até que os últimos membros da noiva de Cristo fossem glorificados. Marcou época, portanto, em 1925, a publicação do artigo “Nascimento de Uma Nação” na Watch Tower de 1.º de março. O artigo fazia um estudo esclarecedor sobre Revelação (Apocalipse), capítulo 12. Apresentava evidências de que o Reino messiânico nascera — fora estabelecido — em 1914, que Cristo começara então a governar no seu trono celestial e que, depois disso, Satanás fora precipitado do céu para a vizinhança da Terra. Estas eram as boas novas que tinham de ser proclamadas, as novas de que o Reino de Deus já estava operando. Quanto este entendimento aclarado estimulou esses proclamadores do Reino a pregar até os confins da Terra!

      Por todos os meios adequados, o povo de Jeová deu testemunho de que só o Reino de Deus podia trazer duradouro alívio e resolver os entranhados problemas que afligiam a humanidade. Em 1931, essa mensagem foi apresentada em transmissão radiofônica por J. F. Rutherford através da maior cadeia internacional de rádio que já se montara. Além disso, o texto transmitido foi publicado em muitos idiomas no folheto The Kingdom, the Hope of the World (em português sob o título O Reino de Deus É a Felicidade do Povo) — dos quais milhões de exemplares foram distribuídos em poucos meses. Além da ampla distribuição ao público, fez-se esforço especial para fazê-los chegar a políticos, a destacados homens de negócios e a clérigos.

      Entre outras coisas, o folheto dizia: “Os atuais governos injustos do mundo não podem apresentar nenhuma esperança ao povo. O juízo divino contra eles declara que eles têm de ser destruídos. Portanto, a esperança deste mundo, e a única, é o justo reino ou governo de Deus, tendo Cristo Jesus como Governador invisível.” Tal Reino, compreenderam eles, traria a verdadeira paz e segurança à humanidade. Sob tal governo, a Terra se tornaria um verdadeiro paraíso, e a doença e a morte não mais existiriam. — Rev. 21:4, 5.

      As boas novas do Reino de Deus continuam a ser parte essencial das crenças das Testemunhas de Jeová. Desde o número de 1.º de março de 1939, sua principal revista, agora publicada em mais de 110 idiomas, leva o título The Watchtower Announcing Jehovah’s Kingdom (A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová).

      Mas, antes que a dominação do Reino transforme a Terra num paraíso, o atual sistema ímpio precisa desaparecer. Como se dará isso?

      A guerra do grande dia de Deus, o Todo-Poderoso

      A guerra mundial que começou em 1914 abalou os alicerces do existente sistema. Por algum tempo, parecia que os eventos ocorreriam como os Estudantes da Bíblia esperavam.

      Em agosto de 1880, o irmão Russell escrevera: “Entendemos que antes que a família humana seja restaurada, ou até mesmo comece a ser abençoada, os atuais reinos da Terra que escravizam e oprimem a humanidade serão todos derrubados e que o reino de Deus assumirá o controle, e que a bênção e a restauração virão através do novo reino.” Como aconteceria tal ‘derrubada dos reinos’? Com base nas condições que ele via desenvolverem-se no mundo naquela época, Russell acreditava que na guerra do Armagedom Deus usaria facções da humanidade em disputa para derrubar as instituições existentes. Ele disse: “A obra de demolição do império humano está começando. O poder que os derrubará está operando. O povo já está reunindo suas forças sob o nome de comunistas, socialistas, niilistas, etc.”

      O livro The Day of Vengeance (O Dia da Vingança; chamado mais tarde de The Battle of Armageddon, A Batalha do Armagedom), publicado em 1897, ampliou ainda mais o modo como os Estudantes da Bíblia entendiam o assunto na época, dizendo: “O Senhor, por meio de sua providência preponderante, assumirá um domínio geral deste grande exército de descontentes — patriotas, reformadores, socialistas, moralistas, anarquistas, ignorantes e desesperançados — e usará suas esperanças, seus temores, suas loucuras e seu egoísmo, segundo Sua sabedoria divina, a fim de cumprir seu grandioso propósito de derrubar as atuais instituições, para a preparação do homem para o Reino de Justiça.” Assim, entendiam que a guerra do Armagedom estaria associada com uma violenta revolução social.

      Mas, seria o Armagedom meramente uma luta entre as facções disputantes da humanidade, uma revolução social que Deus usaria para derrubar as instituições existentes? Num estudo adicional das passagens bíblicas sobre esse assunto, a Watch Tower de 15 de julho de 1925 chamava atenção para Zacarias 14:1-3 dizendo: “Por meio disso entendemos que todas as nações da Terra, sob a direção de Satanás, serão ajuntadas para a batalha contra a classe de Jerusalém, a saber, os que se colocam do lado do Senhor . . . Revelação 16:14, 16.”

      No ano seguinte, no livro Libertação, focalizou-se a atenção no verdadeiro objetivo dessa guerra, dizendo: “Agora, de acordo com a sua Palavra, Jeová fará uma demonstração do seu poder que será tão clara e incontestável que o povo reconhecerá e ficará convencido do seu procedimento ímpio e perverso, compreendendo então que Jeová é Deus. Foi por esta razão que Deus trouxe o dilúvio, derrubou a Torre de Babel, destruiu o exército de Senaqueribe, o rei da Assíria, e derrotou os egípcios; e também é a razão por que ele vai trazer outra grande tribulação sobre o mundo. As outras calamidades foram apenas sombras daquela que agora está próxima. A reunião é para o grande dia de Deus Todo-Poderoso. É de fato, ‘o grande e terrível dia do Senhor’ (Joel 2:31), quando Deus fizer para si o seu nome. Neste grande conflito final os povos de todas as nações aprenderão que Jeová é o Deus Todo-Poderoso, justo e sábio.” Mas os servos de Jeová na Terra foram advertidos: “Nesta grande batalha nenhum cristão dará um golpe. A razão disto é porque Jeová disse: ‘Pois a peleja não é vossa, mas sim de Deus.’” A guerra em questão aqui definitivamente não era aquela travada entre as nações, que começou em 1914. Ela ainda estava por vir.

      Ainda outras perguntas precisavam ser respondidas com base nas Escrituras. Uma dessas dizia respeito à identidade da Jerusalém que seria pisoteada até o fim dos Tempos dos Gentios, como diz em Lucas 21:24; e com isto estava relacionada a identificação do Israel ao qual se faz alusão em muitas das profecias sobre a restauração.

      Traria Deus os judeus de volta à Palestina?

      Os Estudantes da Bíblia estavam bem cientes das muitas profecias sobre a restauração enunciadas ao antigo Israel pelos profetas de Deus. (Jer. 30:18; 31:8-10; Amós 9:14, 15; Rom. 11:25, 26) Até 1932, entendiam que se aplicavam especificamente aos judeus naturais. Assim, acreditavam que Deus mostraria de novo favor a Israel, trazendo gradualmente os judeus de volta à Palestina, abrindo-lhes os olhos para a verdade com respeito a Jesus qual Redentor e Rei messiânico e usando-os como instrumento para estender bênçãos a todas as nações. Com tal entendimento, o irmão Russell falou a grandes audiências de judeus em Nova Iorque e na Europa sobre o assunto “Sionismo na Profecia”, e o irmão Rutherford escreveu, em 1925, o livro Comfort for the Jews (Conforto Para os Judeus).

      Mas, aos poucos, tornou-se evidente que o que estava acontecendo na Palestina com respeito aos judeus não era o cumprimento das grandiosas profecias de Jeová sobre a restauração. A desolação sobreveio à Jerusalém do primeiro século porque os judeus rejeitaram o Filho de Deus, o Messias, aquele que fora enviado em nome de Jeová. (Dan. 9:25-27; Mat. 23:38, 39) Tornava-se cada vez mais óbvio que, como povo, não haviam mudado de atitude. Não houve arrependimento da ação injusta cometida pelos seus antepassados. O retorno de alguns à Palestina não foi motivado pelo amor a Deus ou pelo desejo de que Seu nome fosse magnificado mediante o cumprimento de sua Palavra. Isto foi claramente explicado no segundo volume de Vindication, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados em 1932.k Que esse entendimento era correto foi confirmado em 1949, quando o Estado de Israel, na época recentemente formado como nação e pátria dos judeus, se tornou membro das Nações Unidas, mostrando assim que não confiavam em Jeová, mas sim nas nações políticas do mundo.

      O que vinha acontecendo em cumprimento dessas profecias de restauração apontava para outra direção. Os servos de Jeová começaram a compreender que se tratava do Israel espiritual, “o Israel de Deus”, composto de cristãos ungidos pelo espírito, que, em cumprimento do propósito de Deus, gozavam de paz com Deus por meio de Jesus Cristo. (Gál. 6:16) Seus olhos foram então abertos para discernirem, nos tratos de Deus com tais cristãos verdadeiros, um maravilhoso cumprimento espiritual daquelas promessas de restauração. Com o tempo, chegaram também a compreender que a Jerusalém exaltada no fim dos Tempos dos Gentios não era mera cidade terrestre, tampouco um povo na Terra representado por essa cidade, mas, antes, a “Jerusalém celestial”, onde, em 1914, Jeová empossara seu Filho, Jesus Cristo, com autoridade governante. — Heb. 12:22.

      Uma vez esclarecidos esses assuntos, as Testemunhas de Jeová tinham melhores condições de cumprir, sem parcialidade para com qualquer grupo que fosse, a incumbência de pregar as boas novas do Reino “em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações”. — Mat. 24:14.

      A quem cabe o mérito de todas essas explicações da Bíblia que têm aparecido nas publicações da Torre de Vigia?

      Os meios pelos quais os servos de Jeová são ensinados

      Jesus Cristo predisse que depois de retornar ao céu ele enviaria o espírito santo sobre seus discípulos. Isto serviria como ajudador, guiando-os em “toda a verdade”. (João 14:26; 16:7, 13) Jesus disse também que, como Senhor ou Amo dos cristãos verdadeiros, ele teria um “escravo fiel e discreto”, um “mordomo fiel”, que daria o “alimento [espiritual] no tempo apropriado” aos domésticos, os trabalhadores na família da fé. (Mat. 24:45-47; Luc. 12:42) Quem é este escravo fiel e discreto?

      Logo o primeiro número da Watch Tower fazia alusão a Mateus 24:45-47 ao dizer que o objetivo dos editores dessa revista era manterem-se atentos aos eventos relacionados com a presença de Cristo e darem ‘o sustento espiritual a seu tempo’ à família da fé. Mas o editor da revista não alegava ser ele próprio o escravo fiel e discreto, ou o “servo fiel e prudente” (segundo a tradução Almeida).

      Assim, no número de outubro-novembro de 1881 dessa revista, C. T. Russell disse: “Cremos que todo membro deste corpo de Cristo está empenhado no abençoado trabalho, quer direta, quer indiretamente, de dar sustento a seu tempo aos da família da fé. ‘Quem é, pois, esse servo fiel e prudente a quem seu Senhor constituiu sobre a sua casa’ para dar o sustento a seu tempo? Não é esse ‘pequeno rebanho’ de servos consagrados que vêm fielmente cumprindo seus votos de consagração — o corpo de Cristo — e não é o inteiro corpo individual e coletivamente que dá o sustento a seu tempo aos da família da fé — a grande companhia dos que crêem? Bendito é esse servo (o inteiro corpo de Cristo) a quem seu Senhor ao chegar (gr.: elthon) o encontrar fazendo assim. ‘Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.’”

      Mais de uma década depois, porém, a esposa do irmão Russell expressou publicamente a idéia de que o próprio Russell era o servo fiel e prudente.l O conceito que ela expressara sobre a identidade do ‘servo fiel’ chegou a ser sustentado de modo geral pelos Estudantes da Bíblia por uns 30 anos. O irmão Russell não rejeitou o conceito deles, mas pessoalmente evitou fazer tal aplicação do texto, o que salientava a sua oposição à idéia de uma classe clerical comissionada a ensinar a Palavra de Deus em contraste com uma classe leiga não comissionada assim. O entendimento expresso pelo irmão Russell em 1881 de que o servo fiel e prudente era na realidade um servo coletivo, composto de todos os membros ungidos pelo espírito, que constituem o corpo de Cristo na Terra, foi reafirmado na Watch Tower de 15 de fevereiro de 1927. — Compare com Isaías 43:10.

      Como considerava o irmão Russell o papel que ele desempenhava? Afirmava ele ter alguma revelação especial de Deus? Na Watch Tower de 15 de julho de 1906 (página 229), Russell humildemente respondeu: “Não, caros amigos, não alego nenhuma superioridade, nem poder sobrenatural, nem dignidade ou autoridade; tampouco pretendo exaltar a mim mesmo na estima de meus irmãos da família da fé, exceto no sentido daquilo que o Amo instou, dizendo: ‘Qualquer que entre vós quiser ser grande seja vosso servo.’ (Mat. 20:27) . . . As verdades que apresento, como porta-voz de Deus, não foram reveladas em visões ou sonhos, tampouco pela voz audível de Deus, nem todas elas de uma só vez, mas gradativamente . . . Tampouco é este claro desvendamento da verdade devido a qualquer habilidade ou grande percepção humana, mas por causa do simples fato de que chegou o tempo devido de Deus; e, se eu não falasse e não se pudesse achar outro instrumento, as próprias pedras clamariam.”

      Os leitores da Watch Tower foram incentivados a olhar para Jeová como seu Grandioso Instrutor, como se dá hoje com todas as Testemunhas de Jeová. (Isa. 30:20) Isto foi fortemente enfatizado na Watchtower de 1.º de novembro de 1931, no artigo “Ensinados por Deus”, que dizia: “The Watchtower reconhece que a verdade pertence a Jeová, não a alguma criatura. The Watchtower não é instrumento de algum homem ou grupo de homens, tampouco é publicada segundo o desejo de homens. . . . Jeová Deus é o grandioso Instrutor de seus filhos. Realmente, a publicação dessas verdades é feita por homens imperfeitos, e por este motivo elas não são absolutamente perfeitas em forma; mas são apresentadas de tal modo que refletem a verdade que Deus ensina a seus filhos.”

      No primeiro século, quando surgiam perguntas sobre doutrina ou procedimento, essas eram apresentadas a um corpo governante central, composto de homens mais idosos, em sentido espiritual. As decisões eram feitas depois de se considerar o que as Escrituras diziam, bem como a evidência de atividade que estivesse em harmonia com essas Escrituras e que prosperasse em resultado da operação do espírito santo. As decisões eram transmitidas por escrito às congregações. (Atos 15:1-16:5) Esse mesmo proceder está em operação entre as Testemunhas de Jeová hoje.

      Fornece-se instrução espiritual por meio de artigos de revistas, livros, congressos e esboços de discursos para congregações — tudo isso preparado sob a orientação do Corpo Governante do escravo fiel e discreto. Seu conteúdo demonstra claramente que o que Jesus predisse é verdade hoje — que ele realmente tem uma classe do escravo fiel e discreto que ensina lealmente ‘todas as coisas que ele ordenou’; que esse instrumento está ‘vigilante’, atento aos eventos, em cumprimento da profecia bíblica e especialmente com respeito à presença de Cristo; que está ajudando os tementes a Deus a entender o que significa ‘observar’ as coisas ordenadas por Jesus e assim provar que são realmente seus discípulos. — Mat. 24:42; 28:20; João 8:31, 32.

      Progressivamente, com o passar dos anos, foram eliminadas práticas que pudessem ter o efeito de atrair indevida atenção a certas pessoas no que tange à preparação de alimento espiritual. Até a morte de C. T. Russell, seu nome como editor constava em quase todos os números da Watch Tower. Com freqüência, o nome ou as iniciais de outros colaboradores apareciam no fim dos artigos que escreviam. Depois, a partir da edição de 1.º de dezembro de 1916, em vez de constar o nome de um só homem como editor, The Watch Tower alistava os nomes de uma comissão editora. No número de 15 de outubro de 1931, até mesmo essa lista foi eliminada, sendo substituída por Isaías 54:13. Citado da Versão Brasileira, reza: “Todos os teus filhos serão ensinados de Jeová; e grande será a paz de teus filhos.” Desde 1942 tem sido regra geral as publicações da Sociedade Torre de Vigia não chamarem atenção para nenhuma pessoa como escritor.a Sob a supervisão do Corpo Governante, cristãos dedicados na América do Norte e do Sul, na Europa, na África, na Ásia e nas ilhas do mar têm participado em preparar a matéria para o uso das congregações das Testemunhas de Jeová mundialmente. Mas todo o mérito é atribuído a Jeová Deus.

      A luz brilha cada vez mais

      Segundo reflete a sua história moderna, a experiência das Testemunhas de Jeová tem sido como a descrita em Provérbios 4:18: “A vereda dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido.” A luz tem clareado progressivamente, assim como a aurora é seguida pelo nascer do sol e a plena luz de um novo dia. Considerando os assuntos à luz do conhecimento disponível na época, elas tinham às vezes conceitos incompletos, até mesmo inexatos. Por mais que se esforçassem, simplesmente não podiam entender certas profecias até que estas começassem a se cumprir. Ao passo que Jeová tem lançado mais luz sobre a sua Palavra por meio de seu espírito, seus servos têm estado dispostos humildemente a fazer os necessários ajustes.

      Tal entendimento progressivo não se limitou ao período inicial de sua história moderna. Continua até o presente. Por exemplo, em 1962, houve um ajuste de entendimento sobre “as autoridades superiores”, em Romanos 13:1-7.

      Por muitos anos, os Estudantes da Bíblia haviam ensinado que “as autoridades superiores” eram Jeová Deus e Jesus Cristo. Por quê? Na Watch Tower de 1.º e 15 de junho de 1929, citou-se uma variedade de leis seculares e mostrou-se que o que era permitido num país era proibido em outro. Chamou-se também atenção para leis seculares que exigiam que as pessoas fizessem o que Deus proibia, ou que proibiam o que Deus ordenava que seus servos fizessem. Por causa de seu desejo sincero de mostrar respeito à autoridade suprema de Deus, parecia aos Estudantes da Bíblia que “as autoridades superiores” tinham de ser Jeová Deus e Jesus Cristo. Continuavam a obedecer às leis seculares, mas frisava-se a obediência primeiro a Deus. Foi uma lição importante, uma lição que os fortaleceu durante os anos de tumulto mundial que se seguiram. Mas não entendiam claramente o que Romanos 13:1-7 dizia.

      Anos mais tarde, fez-se um cuidadoso reexame desse texto junto com seu contexto e seu significado à luz do resto da Bíblia. Assim, em 1962, compreendeu-se que “as autoridades superiores” são os governantes seculares, mas, com a ajuda da Tradução do Novo Mundo, discerniu-se claramente o princípio da sujeição relativa.b Isto não exigiu nenhuma mudança de vulto na atitude das Testemunhas de Jeová para com os governos do mundo, mas corrigiu seu entendimento de um trecho importante das Escrituras. Deu oportunidade para as Testemunhas individualmente considerarem com cuidado se estavam de fato vivendo à altura de suas responsabilidades tanto para com Deus como para com as autoridades seculares. Esse claro entendimento das “autoridades superiores” tem servido de proteção para as Testemunhas de Jeová, especialmente nos países em que ondas de nacionalismo e clamores por maior liberdade resultaram em violência e na formação de novos governos.

      No ano seguinte, 1963, apresentou-se uma aplicação mais abrangente de “Babilônia, a Grande”.c (Rev. 17:5) Um exame da história secular e religiosa levou à conclusão de que a influência da antiga Babilônia permeou não só a cristandade, mas todas as partes da Terra. Entendeu-se assim que Babilônia, a Grande, é o inteiro império mundial da religião falsa. O conhecimento disso tem habilitado as Testemunhas de Jeová a ajudar muito mais pessoas de diferentes formações a acatar a ordem bíblica: “Saí dela, povo meu.” — Rev. 18:4.

      De fato, o desenrolar dos eventos preditos no inteiro livro de Revelação tem fornecido grande esclarecimento espiritual. Em 1917, publicou-se no livro The Finished Mystery (O Mistério Consumado) um estudo sobre Revelação. Mas o “dia do Senhor”, mencionado em Revelação 1:10, nessa época mal começava; muitas das coisas preditas ainda não haviam acontecido e não eram claramente entendidas. Entretanto, os acontecimentos nos anos posteriores lançaram mais luz sobre o significado dessa parte da Bíblia, e esses eventos tiveram um profundo efeito sobre o estudo muito esclarecedor de Revelação, publicado em 1930, em dois volumes intitulados Light (Luz). Na década de 60, mais conhecimento atualizado foi apresentado nos livros “Caiu Babilônia, a Grande!” O Reino de Deus já Domina! e “Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus”. Duas décadas depois, fez-se outro estudo profundo dessa parte da Bíblia. A linguagem figurativa de Revelação foi cuidadosamente analisada à luz de expressões similares em outras partes da Bíblia. (1 Cor. 2:10-13) Foram examinados os eventos do século vinte em cumprimento das profecias. Os resultados foram publicados em 1988 no empolgante livro Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo!.

      Nos primórdios de sua história moderna lançavam-se os alicerces. Supriu-se muito alimento espiritual de grande valor. Em anos recentes, uma diversidade maior de matéria de estudo bíblico foi providenciada para atender tanto às necessidades de cristãos maduros como de novos estudantes de variadas formações. O estudo contínuo das Escrituras, junto com o cumprimento das profecias divinas, tem em muitos casos tornado possível definir ensinamentos bíblicos com maior clareza. Visto que seu estudo da Palavra de Deus é progressivo, as Testemunhas de Jeová têm fartura de alimento espiritual, uma situação predita nas Escrituras para os servos de Deus. (Isa. 65:13, 14) Ajustes de conceitos nunca são feitos para torná-los mais aceitáveis ao mundo adotando-se seus valores morais em decadência. Ao contrário, a história das Testemunhas de Jeová mostra que as mudanças visam fazê-las aderir ainda mais de perto à Bíblia, torná-las ainda mais semelhantes aos cristãos fiéis do primeiro século e, assim, tornarem-se mais aceitáveis a Deus.

      Portanto, a experiência das Testemunhas de Jeová harmoniza-se com a oração do apóstolo Paulo, que escreveu a concristãos: “Não cessamos de orar por vós e de pedir que fiqueis cheios do conhecimento exato da sua vontade, em toda a sabedoria e compreensão espiritual, para andardes dignamente de Jeová, com o fim de lhe agradardes plenamente, ao prosseguirdes em dar fruto em toda boa obra e em aumentar no conhecimento exato de Deus.” — Col. 1:9, 10.

      Esse aumento do conhecimento exato de Deus tinha também que ver com o seu nome — Testemunhas de Jeová.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Revista Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo, hoje A Sentinela), de 15 de julho de 1906, pp. 229-31.

      b Veja Estudo Perspicaz das Escrituras, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, Volume 1, página 828.

      c Por exemplo: (1) Já no século 16, eram fortes na Europa os movimentos antitrinitários. Ferenc Dávid (1510-79), húngaro, sabia e ensinava que o dogma da Trindade não era bíblico. Por causa de suas crenças, ele morreu na prisão. (2) A Igreja Reformada Menor, que prosperou na Polônia por cerca de cem anos durante os séculos 16 e 17, também rejeitava a Trindade, e os aderentes dessa igreja espalharam publicações por toda a Europa até que os jesuítas conseguiram fazer com que fossem banidos da Polônia. (3) Sir Isaac Newton (1642-1727), na Inglaterra, rejeitou a doutrina da Trindade e escreveu pormenorizadas razões históricas e bíblicas para isso, mas não mandou publicá-las em vida, evidentemente por medo das conseqüências. (4) Entre outros na América, Henry Grew expôs a Trindade como antibíblica. Em 1824, considerou o assunto extensivamente em An Examination of the Divine Testimony Concerning the Character of the Son of God (Um Exame do Testemunho Divino Concernente ao Caráter do Filho de Deus).

      d Veja também Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras), Série V, páginas 41-82.

      e Estudos completos sobre a evidência histórica e bíblica em apoio deste assunto foram publicados em várias ocasiões pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Veja “O Verbo” — Quem É Ele Segundo João? (1962), ‘Coisas em Que É Impossível Que Deus Minta’ (1965), Raciocínios à Base das Escrituras (1985) e Deve-se Crer na Trindade? (1989).

      f O que as Escrituras dizem sobre a alma é do conhecimento tanto dos eruditos judeus como dos da cristandade, mas isso é raramente ensinado nos seus locais de adoração. Veja New Catholic Encyclopedia (1967), Volume XIII, páginas 449-50; The Eerdmans Bible Dictionary (1987), páginas 964-5; The Interpreter’s Dictionary of the Bible, editado por G. Buttrick (1962), Volume 1, página 802; The Jewish Encyclopedia (1910), Volume VI, página 564.

      g Num exame mais pormenorizado do assunto, em 1955, o folheto Que Dizem as Escrituras Acerca da “Sobrevivência Após a Morte”? indicou que o relato bíblico mostra que Satanás realmente incentivou Eva a crer que ela não morreria na carne em resultado de desconsiderar a proibição imposta por Deus quanto a comer do fruto da “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. (Gên. 2:16, 17; 3:4) Com o tempo, isso obviamente revelou ser falso, mas houve desenvolvimentos posteriores que tiveram origem naquela primeira mentira. As pessoas adotaram o conceito de que uma parte invisível do homem continuava viva. Após o Dilúvio dos dias de Noé, isto foi fortalecido por práticas espíritas demoníacas originárias de Babilônia. — Isa. 47:1, 12; Deut. 18:10, 11.

      h Barbour afirmava crer no resgate, que Cristo morreu por nós. O que ele rejeitava era a idéia da “substituição” — que Cristo morreu em lugar de nós, que, por meio de sua morte, Cristo pagou a penalidade do pecado para a descendência de Adão.

      i Isso foi influenciado pela crença de que o sétimo milênio da história humana começara em 1873 e que um período de desfavor divino (de duração igual ao período anterior considerado ser de favor) sobre o Israel natural terminaria em 1878. A cronologia estava errada por se basear numa tradução inexata de Atos 13:20, na King James Version, crendo-se que havia um erro de transcrição em 1 Reis 6:1, e por não se levar em conta os sincronismos bíblicos na datação dos reinados dos reis de Judá e de Israel. Um entendimento mais claro da cronologia bíblica foi publicado em 1943 no livro “A Verdade Vos Tornará Livres” e refinado no ano seguinte no livro “Está Próximo o Reino”, bem como em publicações posteriores.

      j Revista publicada por George Storrs, Brooklyn, Nova Iorque.

      k Em 1978, quando interrogado pela imprensa sobre a posição das Testemunhas de Jeová a respeito do sionismo, o Corpo Governante disse: “As Testemunhas de Jeová continuam na sua posição bíblica de neutralidade para com todos os movimentos e governos políticos. Estão convencidas de que nenhum movimento humano conseguirá fazer o que apenas o reino celestial de Deus pode realizar.”

      l Infelizmente, foi pouco depois disso que ela o abandonou por causa de seu próprio desejo de destaque pessoal.

      a Nos países onde a lei exige, porém, um representante local pode ser mencionado como responsável por aquilo que é publicado.

      b A Sentinela de 1.º e 15 de junho e de 1.º de julho de 1963.

      c A Sentinela, 15 de maio e 1.º de junho de 1964.

      [Destaque na página 120]

      C. T. Russell reconheceu abertamente a ajuda que outros prestaram durante seus primeiros anos de estudo da Bíblia.

      [Destaque na página 122]

      Examinaram pessoalmente a evidência de que a Bíblia é realmente a Palavra de Deus.

      [Destaque na página 123]

      Os Estudantes da Bíblia discerniram que a justiça de Deus está em perfeito equilíbrio com sua sabedoria, seu amor e poder.

      [Destaque na página 127]

      Russell viu claramente que o inferno não é um lugar de tormento após a morte.

      [Destaque na página 129]

      A maioria das pessoas sensatas não acreditava na doutrina do inferno de fogo.

      [Destaque na página 132]

      A posição firme de Russell sobre o resgate teve efeitos de grande alcance.

      [Destaque na página 134]

      Entenderam que 1914 estava claramente marcado pelas profecias bíblicas.

      [Destaque na página 136]

      Nem tudo aconteceu tão cedo como esperavam.

      [Destaque na página 139]

      As boas novas a serem proclamadas: O Reino de Deus já está em funcionamento!

      [Destaque na página 140]

      Seria o Armagedom meramente uma revolução social?

      [Destaque na página 141]

      Finalmente, em 1932, o verdadeiro “Israel de Deus” foi identificado.

      [Destaque na página 143]

      “O escravo fiel e discreto” — uma pessoa ou uma classe de pessoas?

      [Destaque na página 146]

      Aos poucos, eliminaram-se práticas que atraíssem indevida atenção para certos homens.

      [Destaque na página 148]

      As mudanças visam uma aderência ainda maior à Palavra de Deus.

      [Quadro na página 124]

      Tornar conhecido o nome de Deus

      ◆ Desde 1931, o nome Testemunhas de Jeová tem sido usado para designar os que adoram e servem a Jeová como o único Deus verdadeiro.

      ◆ Desde 15 de outubro de 1931, o nome pessoal de Deus, Jeová, tem aparecido na capa de cada número da revista “A Sentinela”.

      ◆ Numa época em que o nome pessoal de Deus estava sendo omitido da maioria das traduções modernas da Bíblia, as Testemunhas de Jeová começaram a publicar, em 1950, a “Tradução do Novo Mundo”, que restaurou o nome divino no seu devido lugar.

      ◆ Além da própria Bíblia, muitas outras publicações têm sido publicadas pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados para focalizar atenção especial no nome divino — por exemplo, os livros “Jeová” (1934), “Santificado Seja o Teu Nome” (1961) e “‘As Nações Terão de Saber que Eu Sou Jeová’ — Como?” (1971), bem como a brochura “O Nome Divino Que Durará Para Sempre” (1984).

      [Quadro na página 126]

      ‘Devemos contradizer o próprio Cristo?’

      Depois de expor a doutrina da Trindade como antibíblica e ilógica, C. T. Russell expressou justa indignação quando perguntou: “Devemos contradizer assim os Apóstolos e os Profetas e o próprio Jesus, e desconsiderar a lógica e o bom senso, para nos apegar a um dogma que nos foi transmitido desde um passado obscuro e supersticioso por uma Igreja corrupta e apóstata? Não! ‘À Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva.’” — “The Watch Tower” de 15 de agosto de 1915.

      [Quadro na página 133]

      A verdade progressiva

      Em 1882, C. T. Russell escreveu: “A Bíblia é o nosso único padrão, e seus ensinamentos, o nosso único credo, e, reconhecendo o caráter progressivo do desvendamento das verdades bíblicas, estamos prontos e preparados para aumentar ou modificar nosso credo (fé — crença) à medida que recebemos mais luz de nosso Padrão.” — “Watch Tower” de abril de 1882, p. 7.

      [Quadro nas páginas 144, 145]

      As crenças das Testemunhas de Jeová

      ◆ A Bíblia é a inspirada Palavra de Deus. (2 Tim. 3:16, 17)

      Seu conteúdo não é mera história ou opinião humana, mas sim a palavra de Deus, registrada para nosso benefício. (2 Ped. 1:21; Rom. 15:4; 1 Cor. 10:11)

      ◆ Jeová é o único Deus verdadeiro. (Sal. 83:18; Deut. 4:39)

      Jeová é o Criador de todas as coisas, e como tal, só ele merece ser adorado. (Rev. 4:11; Luc. 4:8)

      Jeová é o Soberano Universal a quem devemos plena obediência. (Atos 4:24; Dan. 4:17; Atos 5:29)

      ◆ Jesus Cristo é o Filho unigênito de Deus, o único criado diretamente pelo próprio Deus. (1 João 4:9; Col. 1:13-16)

      Jesus foi o primeiro dentre as criações de Deus; portanto, antes de ser concebido e nascer como humano, Jesus vivia no céu. (Rev. 3:14; João 8:23, 58)

      Jesus adora seu Pai como o único Deus verdadeiro; Jesus nunca afirmou ser igual a Deus. (João 17:3; 20:17; 14:28)

      Jesus deu a sua vida humana perfeita como resgate pela humanidade. Seu sacrifício torna possível a vida eterna para todos os que realmente exercem fé nele. (Mar. 10:45; João 3:16, 36)

      Jesus foi ressuscitado dentre os mortos como espírito imortal. (1 Ped. 3:18; Rom. 6:9)

      Jesus voltou (tendo dirigido sua atenção como Rei para a Terra) e está agora presente como glorioso espírito. (Mat. 24:3, 23-27; 25:31-33; João 14:19)

      ◆ Satanás é o invisível “governante deste mundo”. (João 12:31; 1 João 5:19)

      Originalmente, ele era um filho perfeito de Deus, mas permitiu que sentimentos de presunção se desenvolvessem em seu coração, ansiou uma adoração que pertencia só a Jeová e engodou Adão e Eva a obedecerem a ele próprio em vez de escutarem a Deus. Assim ele fez de si mesmo Satanás, que significa “Adversário”. (João 8:44; Gên. 3:1-5; compare com Deuteronômio 32:4, 5; Tiago 1:14, 15; Lucas 4:5-7.)

      Satanás “está desencaminhando toda a terra habitada”; ele e seus demônios são responsáveis pela crescente angústia na Terra neste tempo do fim. (Rev. 12:7-9, 12)

      No tempo marcado por Deus, Satanás e seus demônios serão destruídos para sempre. (Rev. 20:10; 21:8)

      ◆ O Reino de Deus, sob Cristo, substituirá todos os governos humanos e se tornará o único governo sobre toda a humanidade. (Dan. 7:13, 14)

      O presente sistema iníquo será completamente destruído. (Dan. 2:44; Rev. 16:14, 16; Isa. 34:2)

      O Reino de Deus governará com justiça e trará verdadeira paz a seus súditos. (Isa. 9:6, 7; 11:1-5; 32:17; Sal. 85:10-12)

      Os iníquos serão eliminados para sempre, e os adoradores de Jeová gozarão de segurança duradoura. (Pro. 2:21, 22; Sal. 37:9-11; Mat. 25:41-46; 2 Tes. 1:6-9; Miq. 4:3-5)

      ◆ Vivemos agora, desde 1914,d no “tempo do fim” deste mundo iníquo. (Mat. 24:3-14; 2 Tim. 3:1-5; Dan. 12:4)

      Neste ínterim, está sendo dado um testemunho a todas as nações; depois virá o fim, não do globo, mas do sistema iníquo e das pessoas ímpias. (Mat. 24:3, 14; 2 Ped. 3:7; Ecl. 1:4)

      ◆ Existe apenas um caminho para a vida; nem todas as religiões ou práticas religiosas são aprovadas por Deus. (Mat. 7:13, 14; João 4:23, 24; Efé. 4:4, 5)

      A adoração verdadeira enfatiza não um ritual e uma exibição externa, mas um genuíno amor a Deus, demonstrado pela obediência a seus mandamentos e pelo amor ao próximo. (Mat. 15:8, 9; 1 João 5:3; 3:10-18; 4:21; João 13:34, 35)

      Pessoas de todas as nações, raças e grupos lingüísticos podem servir a Jeová e ter a Sua aprovação. (Atos 10:34, 35; Rev. 7:9-17)

      A oração deve ser dirigida só a Jeová por intermédio de Jesus; as imagens não devem ser usadas como objetos de devoção nem como ajuda na adoração. (Mat. 6:9; João 14:6, 13, 14; 1 João 5:21; 2 Cor. 5:7; 6:16; Isa. 42:8)

      As práticas espíritas têm de ser rejeitadas. (Gál. 5:19-21; Deut. 18:10-12; Rev. 21:8)

      Não há distinção de clero e leigos entre os cristãos verdadeiros. (Mat. 20:25-27; 23:8-12)

      O cristianismo verdadeiro não inclui guardar um sábado semanal ou satisfazer outros requisitos da Lei mosaica para se ganhar a salvação; fazer isso seria rejeitar a Cristo, que cumpriu a Lei. (Gál. 5:4; Rom. 10:4; Col. 2:13-17)

      Os que praticam a adoração verdadeira não se empenham em ecumenismo. (2 Cor. 6:14-17; Rev. 18:4)

      Todos os que são realmente discípulos de Jesus são batizados por imersão total. (Mat. 28:19, 20; Mar. 1:9, 10; Atos 8:36-38)

      Todos os que seguem o exemplo de Jesus e obedecem a seus mandamentos dão testemunho a outros sobre o Reino de Deus. (Luc. 4:43; 8:1; Mat. 10:7; 24:14)

      ◆ A morte resulta de se ter herdado de Adão o pecado. (Rom. 5:12; 6:23)

      Na morte, é a própria alma que morre. (Eze. 18:4)

      Os mortos não estão cônscios de nada. (Sal. 146:4; Ecl. 9:5, 10)

      O inferno (seol, hades) é a sepultura comum da humanidade. (Jó 14:13, “Douay”; Rev. 20:13, 14, “Almeida”)

      O ‘lago de fogo’ para onde são destinados os incorrigivelmente iníquos, segundo diz a própria Bíblia, é “a segunda morte”, a morte eterna. (Rev. 21:8)

      A ressurreição é a esperança para os mortos e para os que perderam entes queridos na morte. (1 Cor. 15:20-22; João 5:28, 29; compare com João 11:25, 26, 38-44; Marcos 5:35-42.)

      A morte em conseqüência do pecado adâmico não existirá mais. (1 Cor. 15:26; Isa. 25:8; Rev. 21:4)

      ◆ Um “pequeno rebanho”, apenas 144.000, irá para o céu. (Luc. 12:32; Rev. 14:1, 3)

      Esses são os que ‘nascem de novo’ quais filhos espirituais de Deus. (João 3:3; 1 Ped. 1:3, 4)

      Deus seleciona estes dentre todos os povos e nações para governarem quais reis com Cristo no Reino. (Rev. 5:9, 10; 20:6)

      ◆ Outros que têm a aprovação de Deus viverão para sempre sobre a Terra. (Sal. 37:29; Mat. 5:5; 2 Ped. 3:13)

      A Terra nunca será destruída ou despovoada. (Sal. 104:5; Isa. 45:18)

      Em harmonia com o propósito original de Deus, toda a Terra se tornará um paraíso. (Gên. 1:27, 28; 2:8, 9; Luc. 23:42, 43)

      Haverá moradias adequadas e fartura de alimentos para o usufruto de todos. (Isa. 65:21-23; Sal. 72:16)

      As doenças, todas as formas de incapacidade física e a própria morte se tornarão coisas do passado. (Rev. 21:3, 4; Isa. 35:5, 6)

      ◆ As autoridades seculares devem ser tratadas com o devido respeito. (Rom. 13:1-7; Tito 3:1, 2)

      Os cristãos verdadeiros não participam de rebelião contra as autoridades governamentais. (Pro. 24:21, 22; Rom. 13:1)

      Obedecem a todas as leis que não conflitam com a lei de Deus, mas a obediência a Deus vem primeiro. (Atos 5:29)

      Imitam a Jesus mantendo-se neutros em assuntos políticos. (Mat. 22:15-21; João 6:15)

      ◆ Os cristãos precisam harmonizar-se com as normas da Bíblia no que diz respeito ao sangue, bem como à moralidade sexual. (Atos 15:28, 29)

      Introduzir sangue no corpo, quer pela boca, quer pelas veias, é violação da lei de Deus. (Gên. 9:3-6; Atos 15:19, 20)

      Os cristãos têm de ser moralmente puros; a fornicação, o adultério e o homossexualismo não podem ter lugar em sua vida, tampouco a bebedice ou o abuso de drogas. (1 Cor. 6:9-11; 2 Cor. 7:1)

      ◆ A honestidade pessoal e a fidelidade nas responsabilidades maritais e familiares são importantes para os cristãos. (1 Tim. 5:8; Col. 3:18-21; Heb. 13:4)

      A desonestidade em palavra ou nos negócios e ser hipócrita não são compatíveis com ser cristão. (Pro. 6:16-19; Efé. 4:25; Mat. 6:5; Sal. 26:4)

      ◆ A adoração aceitável de Jeová requer que o amemos acima de tudo. (Luc. 10:27; Deut. 5:9)

      Fazer a vontade de Jeová, trazendo assim honra ao Seu nome, é a coisa mais importante na vida de um cristão verdadeiro. (João 4:34; Col. 3:23; 1 Ped. 2:12)

      Ao passo que fazem o bem a toda pessoa na medida do possível, os cristãos reconhecem que têm uma obrigação especial para com seus conservos de Deus; portanto, prestam ajuda especialmente a estes em casos de doença e calamidade. (Gál. 6:10; 1 João 3:16-18)

      O amor a Deus requer dos cristãos verdadeiros não só que obedeçam ao mandamento de amar o próximo, mas também que não amem o modo de vida imoral e materialista do mundo. Os cristãos verdadeiros não fazem parte do mundo e, por isso, evitam atividades que os identificariam como compartilhando seu espírito. (Rom. 13:8, 9; 1 João 2:15-17; João 15:19; Tia. 4:4)

      [Nota(s) de rodapé]

      d Para pormenores, veja o livro “Venha o Teu Reino”.

      [Foto na página 121]

      C. T. Russell começou a publicar a “Zion’s Watch Tower” em 1879, quando tinha 27 anos.

      [Fotos na página 125]

      Sir Isaac Newton e Henry Grew estavam entre os que já haviam rejeitado a Trindade como antibíblica.

      [Fotos na página 128]

      Num debate público, Russell argumentou que os mortos estão realmente mortos, não vivos com os anjos nem com os demônios num lugar de desespero.

      Carnegie Hall, em Allegheny, Pensilvânia — onde foi realizado o debate.

      [Foto na página 130]

      Russell viajou para cidades grandes e pequenas com o fim de falar a verdade sobre o inferno.

      [Foto na página 131]

      Quando Frederick Franz, um estudante universitário, aprendeu a verdade a respeito da condição dos mortos, mudou completamente seus alvos na vida.

      [Foto na página 135]

      1914 como fim dos Tempos dos Gentios foi amplamente divulgado pelos Estudantes da Bíblia, como neste tratado da I.B.S.A. que distribuíram em 1914.

      [Fotos na página 137]

      Em 1931, fazendo uso da maior cadeia de rádio que já se montara, J. F. Rutherford mostrou que só o Reino de Deus pode trazer alívio duradouro para a humanidade.

      O discurso “O Reino, a Esperança do Mundo”, foi transmitido simultaneamente por 163 emissoras de rádio e mais tarde por mais 340 emissoras.

      [Foto na página 142]

      A. H. Macmillan foi enviado de navio para a Palestina em 1925 por causa de interesse especial no papel dos judeus com respeito às profecias bíblicas.

  • Como viemos a ser conhecidos quais Testemunhas de Jeová
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 11

      Como viemos a ser conhecidos quais Testemunhas de Jeová

      NAS primeiras décadas de sua história moderna, eles eram com freqüência chamados simplesmente de Estudantes da Bíblia. Quando as pessoas perguntavam sobre o nome da organização, nossos irmãos não raro respondiam: “Somos cristãos.” O irmão Russell respondeu a essa pergunta, dizendo, na Watch Tower (hoje A Sentinela): “Não nos separamos de outros cristãos tomando qualquer nome distintivo ou peculiar. Estamos satisfeitos com o nome, cristãos, pelo qual os primitivos santos eram conhecidos.” — Edição de setembro de 1888.

      Como, então, viemos a ser hoje conhecidos quais Testemunhas de Jeová?

      O nome cristão

      Os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo, tanto do primeiro século como dos tempos atuais, têm chamado a si mesmos e a seus concrentes de “irmãos”, “amigos” e “a congregação de Deus”. (Atos 11:29; 3 João 14; 1 Cor. 1:2) Além disso, eles têm-se referido a Cristo como “o Amo” e a si mesmos como “escravos de Cristo Jesus” e “escravos de Deus”. (Col. 3:24; Fil. 1:1; 1 Ped. 2:16) Tais designações têm sido usadas amplamente dentro da congregação, e com boa compreensão.

      No primeiro século, a maneira de viver centralizada na fé em Jesus Cristo (e, por extensão, a própria congregação) era chamada “O Caminho”. (Atos 9:2; 19:9) Diversas traduções de Atos 18:25 indicam que foi também chamada “o caminho de Jeová”.a Por outro lado, alguns de fora da congregação desdenhosamente a chamavam de “seita dos nazarenos”. — Atos 24:5.

      Em 44 EC ou não muito tempo depois, os fiéis seguidores de Jesus Cristo começaram a ser conhecidos por cristãos. Há quem diga que foram os de fora que os apelidaram de cristãos, de modo depreciativo. Entretanto, diversos lexicógrafos e comentaristas bíblicos dizem que um verbo empregado em Atos 11:26 dá a entender orientação ou revelação divina. Assim, na Tradução do Novo Mundo, essa passagem reza: “Foi primeiro em Antioquia que os discípulos, por providência divina, foram chamados cristãos.” (Encontram-se traduções similares em Literal Translation of the Holy Bible [Tradução Literal da Bíblia Sagrada], de Robert Young, Edição Revisada, de 1898; The Simple English Bible [A Bíblia em Inglês Simplificado], de 1981; e no New Testament [Novo Testamento] de Hugo McCord, de 1988.) Em cerca de 58 EC, o nome cristão era bem conhecido até mesmo de autoridades romanas. — Atos 26:28.

      Enquanto os apóstolos de Cristo ainda viviam, o nome cristão era distintivo e específico. (1 Ped. 4:16) Todos os que professavam ser cristãos, mas cujas crenças ou conduta negavam isso, eram expulsos da comunidade cristã. Todavia, conforme Jesus predissera, após a morte dos apóstolos, Satanás lançou sementes que produziram cristãos falsos. Esses produtos de falsificação também usavam o nome de cristão. (Mat. 13:24, 25, 37-39) Quando o cristianismo apóstata recorreu a conversões forçadas, alguns professaram ser cristãos simplesmente para evitar perseguição. Com o tempo, qualquer europeu que não professasse ser judeu, muçulmano ou ateu era com freqüência considerado cristão, quaisquer que fossem suas crenças ou sua conduta.

      Apelidos escarnecedores

      A partir do século 16, essa situação criou um problema para os reformadores. Visto que o nome cristão era usado tão amplamente, como podiam eles distinguir-se dos demais que afirmavam ser cristãos?

      Com freqüência, simplesmente anuíam ao uso de um apelido escarnecedor que lhes era dado pelos inimigos. Assim, os oponentes teológicos de Martinho Lutero, na Alemanha, foram os primeiros a chamar seus seguidores pelo seu nome, chamando-os de luteranos. Os que se associaram com John Wesley, na Inglaterra, foram chamados de metodistas porque eram incomumente precisos e metódicos na observância dos deveres religiosos. Os batistas de início resistiram ao apelido anabatista (que significa “rebatizante”), mas, aos poucos, adotaram o nome batista até certo ponto como concessão.

      Que dizer dos Estudantes da Bíblia? Foram chamados de russelitas e rutherfordistas pelo clero. Mas a adoção de tal nome teria promovido um espírito sectário. Teria sido incoerente com a repreensão dada aos primitivos cristãos pelo apóstolo Paulo que escreveu: “Quando um diz: ‘Eu pertenço a Paulo’, mas outro diz: ‘Eu a Apolo’, não sois simples homens [isto é, carnais no conceito em vez de espirituais]?” (1 Cor. 3:4) Algumas pessoas os chamavam de “auroristas do milênio”; mas o Reino Milenar de Cristo era apenas um de seus ensinamentos. Outros os chamavam de “povo da Torre de Vigia”; mas isso também era inadequado, pois a Watch Tower (A Torre de Vigia, hoje A Sentinela) era meramente uma das publicações que usavam para disseminar a verdade bíblica.

      A necessidade de um nome distintivo

      Com o tempo, tornou-se cada vez mais evidente que além do nome cristão, a congregação dos servos de Jeová precisava realmente de um nome que a distinguisse. O significado do nome cristão deturpara-se na mente do público por causa dos que afirmavam ser cristãos que não raro tinham pouca ou nenhuma idéia sobre quem era Jesus Cristo, o que ele ensinara e o que deviam fazer para serem realmente seus seguidores. Além disso, à medida que nossos irmãos progrediam no seu entendimento da Palavra de Deus, viam claramente a necessidade de estarem separados e de serem diferentes dos sistemas religiosos que fraudulentamente afirmavam ser cristãos.

      É verdade que nossos irmãos muitas vezes se referiam a si mesmos como Estudantes da Bíblia e, a partir de 1910, usaram o nome Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia com referência às suas reuniões. Em 1914, para evitarem ser confundidos com a sua recém-formada sociedade legal chamada Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, adotaram para seus grupos locais o nome Estudantes da Bíblia Associados. Mas a adoração que praticavam envolvia mais do que o estudo da Bíblia. Além do mais, havia outros que também estudavam a Bíblia — alguns, com devoção; outros, como críticos; e não poucos a estudavam porque a consideravam simplesmente uma bela literatura. Daí, após a morte do irmão Russell, alguns ex-associados recusaram cooperar com a Sociedade Torre de Vigia e com a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, opondo-se até mesmo à obra dessas sociedades. Tais grupos fragmentados usavam diversos nomes, aderindo alguns deles ao nome Estudantes da Bíblia Associados. Isto causou mais confusão.

      Todavia, em 1931, adotamos o nome que realmente nos distingue: Testemunhas de Jeová. O escritor Chandler W. Sterling chama isso de “o maior golpe de gênio” da parte de J. F. Rutherford, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Na opinião desse escritor, foi um passo inteligente que não só forneceu um nome oficial para esse grupo, mas também facilitou a interpretação de todas as referências bíblicas a “testemunho” e “testemunhar” como aplicando-se especificamente às Testemunhas de Jeová. Em contraste, A. H. Macmillan, um colaborador administrativo de três presidentes da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), disse a respeito do anúncio feito pelo irmão Rutherford: “Não há dúvida alguma em minha mente — nem naquele tempo nem agora — de que o Senhor o guiou nisso, e de que é o nome que Jeová deseja que levemos, e estamos felicíssimos e muito contentes de tê-lo.” Qual desses pontos de vista é apoiado pelos fatos? Foi esse nome ‘um golpe de gênio’ da parte do irmão Rutherford, ou foi providência divina?

      Desenvolvimentos que apontaram para esse nome

      Foi no oitavo século AEC que Jeová fez com que Isaías escrevesse: “‘Vós sois as minhas testemunhas’ é a pronunciação de Jeová, ‘sim, meu servo a quem escolhi, para que saibais e tenhais fé em mim, e para que entendais que eu sou o Mesmo. Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum. . . . Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu sou Deus.’” (Isa. 43:10, 12) Conforme indicado nas Escrituras Gregas Cristãs, muitas profecias registradas por Isaías têm cumprimento em relação com a congregação cristã. (Compare Isaías 8:18 com Hebreus 2:10-13; Isaías 66:22 com Revelação [Apocalipse] 21:1, 2.) Contudo, Isaías 43:10, 12 nunca fora considerado em pormenores na Watch Tower nos seus primeiros 40 anos de publicação.

      Depois disso, porém, o estudo das Escrituras dirigiu a atenção dos servos de Jeová para novos desenvolvimentos significativos. O Reino de Deus, tendo a Jesus como Rei messiânico, nascera nos céus em 1914. Em 1925, ano em que isto foi esclarecido na Watch Tower, a ordem profética, em Isaías, capítulo 43, para serem testemunhas de Jeová, recebeu atenção em 11 diferentes edições da revista.

      Em The Watch Tower, de 1.º de janeiro de 1926, o artigo principal trazia a pergunta desafiadora: “Quem Honrará a Jeová?” Nos cinco anos que se seguiram, The Watch Tower considerou partes de Isaías 43:10-12 em 46 diferentes edições da revista, e todas as vezes fez aplicação disso aos cristãos verdadeiros.b Em 1929, indicou-se que a questão principal que confronta toda a criação inteligente envolve honrar o nome de Jeová. E com relação à responsabilidade que os servos de Jeová têm nesta questão, repetidamente foi considerada a passagem de Isaías 43:10-12.

      Assim, os fatos mostram que, em resultado de estudo da Bíblia, repetidamente se chamava atenção para a sua obrigação de ser testemunhas de Jeová. O assunto em consideração não era o nome de um grupo, mas a obra que haviam de fazer.

      Mas, com que nome deviam essas testemunhas ser conhecidas? O que seria apropriado em vista da obra que efetuavam? A que conclusão apontava a própria Palavra de Deus? Esse assunto foi considerado num congresso em Columbus, Ohio, EUA, de 24 a 30 de julho de 1931.

      Um novo nome

      As grandes letras JW apareciam destacadamente na capa do programa do congresso. O que significavam? Foi só no domingo, 26 de julho, que se explicou seu significado. Naquele dia, o irmão Rutherford proferiu o discurso público “O Reino, a Esperança do Mundo”. Nesse discurso, ao identificar os que são proclamadores do Reino de Deus, o orador fez menção especial do nome Jehovah’s Witnesses (Testemunhas de Jeová).

      Mais tarde naquele dia o irmão Rutherford complementou isso com outro discurso em que considerou os motivos de se precisar de um nome distintivo.c Que nome indicavam as próprias Escrituras? O orador citou Atos 15:14, que dirige atenção para o propósito de Deus de tirar das nações “um povo para seu nome”. No seu discurso, ele salientou que, conforme declarado em Revelação 3:14, Jesus Cristo é “a testemunha fiel e verdadeira”. Citou João 18:37, onde Jesus disse: “Para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.” Ele dirigiu a atenção para 1 Pedro 2:9, 10, que diz que os servos de Deus devem ‘divulgar as excelências daquele que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz’. Considerou diversas passagens de Isaías, não sendo todas claramente entendidas naquele tempo, mas, daí, culminou sua apresentação com Isaías 43:8-12, que inclui a comissão divina: “‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu sou Deus.’” A que conclusão, então, os levava a própria Palavra de Jeová? Que nome estaria em harmonia com a maneira em que Deus efetivamente os usava?

      A resposta óbvia foi incluída numa resolução adotada entusiasticamente nessa ocasião.d Essa resolução, em parte, dizia:

      “A fim de que a nossa verdadeira posição fique conhecida, e crendo que isto se harmoniza com a vontade de Deus, como se acha expressa na sua Palavra, RESOLVE-SE, o seguinte, a saber:

      “QUE, apesar de termos grande amor pelo irmão Charles T. Russell, por causa do seu serviço, e reconhecermos gratamente que o Senhor o usou e abençoou grandemente seu trabalho, todavia, para estarmos em harmonia com a Palavra de Deus, não podemos consentir ser chamados pelo nome de ‘russelitas’; que a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia e a Associação do Púlpito do Povo são apenas nomes de sociedades que nós, como grupo de cristãos, temos, dirigimos e usamos para efetuar o nosso trabalho, em obediência aos mandamentos de Deus, entretanto, nenhum desses nomes se referem ou se aplicam corretamente a nós como grupo de cristãos seguidores das pisadas de nosso Senhor e Mestre, Cristo Jesus; que somos estudantes da Bíblia, mas, como grupo de cristãos que compõem uma associação, recusamos adotar ou ser chamados pelo nome de ‘estudantes da Bíblia’ ou por quaisquer nomes semelhantes como meio de identificar a nossa devida posição perante o Senhor; recusamos levar o nome ou ser chamados pelo nome de qualquer homem;

      “QUE, tendo sido comprados com o precioso sangue de Jesus Cristo, nosso Senhor e Redentor, justificados e gerados por Jeová Deus e chamados para o seu reino, nós, sem hesitação, declaramos nossa inteira lealdade e devoção a Jeová Deus e ao seu reino; que somos servos de Jeová Deus, comissionados a trabalhar em seu nome, e, em obediência ao seu mandamento, a dar testemunho de Jesus Cristo e tornar conhecido às pessoas que Jeová é o Deus verdadeiro e Todo-Poderoso; portanto, é com alegria que aceitamos e levamos o nome pelo qual a boca do Senhor Deus nos chamou, e desejamos ser conhecidos e chamados pelo nome, a saber, Testemunhas de Jeová. — Isa. 43:10-12.”e

      Os estrondosos e prolongados aplausos que se seguiram a essa apresentação da inteira resolução indicaram o pleno acordo da assistência com o que se declarou.

      Aceitação da responsabilidade

      Que honra é levar o nome do único Deus verdadeiro, o Soberano do Universo! Mas isso vem acompanhado de uma responsabilidade. É uma responsabilidade que outros grupos religiosos não querem assumir. Como disse o irmão Rutherford no seu discurso: “Felizes são os que podem levar um nome que ninguém na Terra deseja, exceto os que estão plena e incondicionalmente devotados a Jeová.” Todavia, quão apropriado é que os servos de Jeová levem o nome pessoal de Deus, que o tornem conhecido e que ele esteja proeminentemente associado com a proclamação de Seu propósito!

      Qualquer grupo ou indivíduo que fale em nome de Jeová se coloca sob a obrigação de transmitir Sua palavra com veracidade. (Jer. 23:26-28) Precisa tornar conhecidos não só as provisões de Jeová para a bênção dos que amam a justiça, mas também Seus julgamentos sobre os que praticam a injustiça. Como Jeová ordenou a seus profetas no passado, também hoje, suas testemunhas não devem omitir nada da palavra de Deus, deixando de torná-la conhecida. (Jer. 1:17; 26:2; Eze. 3:1-11) Precisam proclamar tanto “o ano de boa vontade da parte de Jeová” como “o dia de vingança da parte de nosso Deus”. (Isa. 61:1, 2) Os que adotaram a resolução acima reconheceram essa responsabilidade, e na parte final da resolução, declararam:

      “Como testemunhas de Jeová, nosso único e exclusivo propósito é ser inteiramente obedientes aos seus mandamentos; dar a conhecer que ele é o único Deus verdadeiro e Todo-Poderoso; que a sua Palavra é verdadeira e que o seu nome é digno de toda honra e glória; que Cristo é o Rei escolhido por Deus a quem este colocou sobre o seu trono de autoridade; que é vindo agora o seu reino, e, em obediência aos mandamentos do Senhor, temos de declarar agora estas boas novas, como notificação ou testemunho às nações, e informar os governantes e o povo acerca da cruel e opressora organização de Satanás, especialmente com referência à ‘cristandade’, que é a parte mais perversa dessa organização visível, e também a respeito do propósito divino de destruir em breve a organização de Satanás, o que será um ato grandioso a ser seguido logo do ato de Cristo, o Rei, de trazer aos povos obedientes da Terra paz e prosperidade, liberdade e saúde, felicidade e vida eterna; que o reino de Deus é a esperança do mundo e não há outra e que esta mensagem tem de ser proclamada por todos aqueles que se identificam como testemunhas de Jeová.

      “Convidamos humildemente todas as pessoas que se acham inteiramente devotadas a Jeová e ao seu reino a se juntarem na proclamação destas boas novas aos outros, a fim de que o justo estandarte do Senhor seja gloriosamente arvorado e todos os povos do mundo saibam onde se encontra a verdade e a esperança confortadoras; e, acima de tudo, para que o santo e excelso nome de Jeová Deus seja vindicado e exaltado.”

      Não foi só em Columbus, Ohio, nos Estados Unidos, mas até na longínqua Austrália que os ouvintes irromperam em aplausos diante do anúncio desse novo nome. No Japão, depois de horas de esforço, apenas uma breve parte do programa foi captada em rádio de ondas curtas no meio da noite. Foi imediatamente traduzida. Assim, o pequeno grupo ali ouviu a resolução e os estrondosos aplausos. Matsue Ishii estava presente, e, segundo ela escreveu mais tarde, eles ‘clamaram de alegria em harmonia com seus irmãos na América’. Após o congresso em Columbus, assembléias e congressos das Testemunhas de Jeová em todos os países onde realizavam seu ministério expressaram estar de pleno acordo com essa resolução. Da Noruega, para se citar apenas um exemplo, veio este relatório: “No nosso congresso anual . . . em Oslo, todos nós nos pusemos de pé e com grande entusiasmo clamamos ‘Ja’ [Sim], ao adotarmos nosso novo nome ‘testemunhas de Jeová’.”

      Mais do que um rótulo

      Ficaria o mundo em geral sabendo que nossos irmãos adotaram esse novo nome? Sim, deveras! O discurso em que foi feito o anúncio do nome foi proferido através da maior cadeia de rádio já formada até aquele tempo. Além disso, a resolução que apresentava o novo nome foi incluída no folheto The Kingdom, the Hope of the World (em português: O Reino de Deus É a Felicidade do Povo). Após o congresso, as Testemunhas de Jeová distribuíram milhões de exemplares desse folheto em muitos idiomas na América do Norte e do Sul, Europa, África, Ásia e nas ilhas do mar. Além de oferecerem exemplares de casa em casa, fizeram esforço especial de entregar um exemplar a toda autoridade governamental, homem de negócios e clérigo. Alguns que ainda vivem em 1992 se lembram bem de terem participado daquela importante campanha.

      Nem todos receberam com agrado o folheto. Eva Abbott relembra que, ao deixar a casa de um clérigo nos Estados Unidos, o folheto veio voando por cima de sua cabeça e caiu no chão. Ela não queria deixá-lo ali, de modo que se abaixou para apanhá-lo; mas um enorme cão, rosnando, arrancou-o de sua mão e o levou a seu dono, o pastor. Disse ela: “O que eu não consegui entregar, o cão entregou!”

      Martin Poetzinger, que mais tarde serviu como membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, lembrava: “A cada porta viam-se rostos surpresos quando nos apresentávamos com as palavras: ‘Venho visitá-lo hoje como uma das Testemunhas de Jeová.’ As pessoas meneavam a cabeça ou perguntavam: ‘Mas vocês ainda são estudantes da Bíblia, não são? Ou ingressaram numa nova seita?’” Aos poucos a situação mudou. Várias décadas depois de terem começado a usar o nome distintivo, o irmão Poetzinger escreveu: “Que mudança! Antes de eu começar a falar, as pessoas dizem: ‘Deve ser uma Testemunha de Jeová.’” Sim, agora elas conhecem o nome.

      Esse nome não é mero rótulo. Sejam jovens ou idosos, homens ou mulheres, todas as Testemunhas de Jeová tomam parte na obra de dar testemunho a respeito de Jeová e seu grandioso propósito. Em resultado disso, C. S. Braden, professor de história religiosa, escreveu: “As Testemunhas de Jeová cobriram literalmente a Terra com seu testemunho.” — These Also Believe (Estes Também Crêem).

      Embora o testemunho dado pelos nossos irmãos antes de adotarem o nome Testemunhas de Jeová abrangesse o globo inteiro, em retrospecto, parece que Jeová os estava preparando para uma obra ainda maior — o ajuntamento de uma grande multidão que seria preservada viva através do Armagedom, com a oportunidade de viver para sempre numa Terra paradísica.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas; A Literal Translation of the New Testament . . . From the Text of the Vatican Manuscript, de Herman Heinfetter; e seis traduções para o hebraico. Veja também a nota ao pé da página sobre Atos 19:23 na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

      b Entre os principais artigos na Watch Tower, publicados durante esse período, estavam “Jeová e Suas Obras”, “Honrai Seu Nome”, “Um Povo Para Seu Nome”, “Enaltecido o Seu Nome”, “A Testemunha Verdadeira e Fiel”, “Louvai a Jeová!” “Deleitai-vos em Jeová”, “Jeová, o Supremo”, “Vindicação de Seu Nome”, “Seu Nome” e “Cantai a Jeová”.

      c Veja o artigo “Um Novo Nome”, em The Watch Tower de 1.º de outubro de 1931.

      d The Watch Tower de 15 de setembro de 1931, pp. 278-9.

      e Embora a evidência indique persuasivamente a orientação de Jeová na escolha do nome Testemunhas de Jeová, A Sentinela (de dezembro de 1944, pp. 189-90, e de 15 de março de 1958, pp. 190-1) e o livro “Novos Céus e Uma Nova Terra” (pp. 238-45) indicaram mais tarde que esse nome não é o “novo nome” mencionado em Isaías 62:2; 65:15; e em Revelação 2:17, ainda que o nome se harmonize com a nova relação mencionada nos dois textos de Isaías.

      [Destaque na página 149]

      “Os discípulos, por providência divina, foram chamados cristãos.”

      [Destaque na página 150]

      O nome cristão deturpara-se na mente do público.

      [Destaque na página 151]

      Eles eram mais do que Estudantes da Bíblia.

      [Destaque na página 157]

      “‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu sou Deus.’”

      [Quadro na página 151]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      O Nome Testemunhas de Jeová nas Américas

      Árabe ش‍هود ‍ي‍هوه‍

      Armênio Եհովայի Վկաներ

      Chinês 耶和華見證人

      Coreano 여호와의증인

      Espanhol Testigos de Jehová

      Francês Témoins de Jéhovah

      Grego Μάρτυρες του Ιεχωβά

      Groenlandês Jehovap Nalunaajaasui

      Inglês Jehovah’s Witnesses

      Italiano Testimoni di Geova

      Japonês エホバの証人

      Papiamento Testigonan di Jehova

      Polonês Świadkowie Jehowy

      Português Testemunhas de Jeová

      Samoano Molimau a Ieova

      Sranantongo Jehovah Kotoigi

      Tagalo Mga Saksi ni Jehova

      Vietnamita Nhân-chứng Giê-hô-va

      [Quadro na página 152]

      Outros compreenderam

      Não foi só “A Sentinela” que indicou com base na Bíblia que Jeová teria testemunhas na Terra. Como exemplo disso, H. A. Ironside, no livro “Lectures on Daniel the Prophet” (Discursos Sobre Daniel, o Profeta, publicado originalmente em 1911), mencionou aqueles em quem se cumpririam as preciosas promessas de Isaías, capítulo 43, e disse: “Estes serão testemunhas de Jeová, atestando o poder e a glória do único Deus verdadeiro, quando a cristandade apóstata tiver sido entregue à grande ilusão de crer na mentira do Anticristo.”

      [Quadro na página 153]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      O nome Testemunhas de Jeová no Oriente e nas ilhas do Pacífico

      Bengali যিহোবার সাক্ষিরা

      Bicol, cebuano, hiligaino,

      samareno, tagalo Mga Saksi ni Jehova

      Bislama Ol Wetnes blong Jeova

      Canarês ಯೆಹೋವನ ಸಾಕ್ಷಿಗಳು

      Chinês 耶和華見證人

      Cingalês යෙහෝවාගේ සාක්ෂිකරුවෝ

      Coreano 여호와의 증인

      Fijiano Vakadinadina i Jiova

      Guzerate યહોવાહના સાક્ષીઓ

      Hindi यहोवा के साक्षी

      Hiri motu Iehova ena Witness Taudia

      Ilocano Dagiti Saksi ni Jehova

      Indonésio Saksi-Saksi Yehuwa

      Inglês Jehovah’s Witnesses

      Japonês エホバの証人

      Malaiala യഹോവയുടെ സാക്ഷികൾ

      Marata यहोवाचे साक्षीदार

      Marshallês Dri Kennan ro an Jeova

      Mianmar ယေဟောဝါသက်သေများ

      Nepali यहोवाका साक्षीहरू

      Niueano Tau Fakamoli a Iehova

      Palauan reSioning er a Jehovah

      Pangasino Saray Tasi nen Jehova

      Pidgin da Nova Guiné Ol Witnes Bilong Jehova

      Pidgin das ilhas Salomão all’gether Jehovah’s Witness

      Ponapean Sounkadehde kan en Siohwa

      Rarotonganês Au Kite o Iehova

      Russo Свидетели Иеговы

      Samoano, tuvaluano Molimau a Ieova

      Tai พยานพระยะโฮวา

      Taitiano Ite no Iehova

      Tâmil யெகோவாவின் சாட்சிகள்

      Télugo యెహోవాసాక్షులు

      Tonganês Fakamo‘oni ‘a Sihova

      Trukese Ekkewe Chon Pwarata Jiowa

      Urdu

      Vietnamita Nhân-chứng Giê-hô-va

      Yapese Pi Mich Rok Jehovah

      [Quadro na página 154]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      O nome Testemunhas de Jeová na África

      Africâner Jehovah se Getuies

      Amárico የይሖዋ ምሥክሮች

      Árabe ش‍هود ‍ي‍هوه‍

      Chicheva Mboni za Yehova

      Chona Zvapupu zvaJehovha

      Cibemba Inte sha kwa Yehova

      Efique Mme Ntiense Jehovah

      Eve Yehowa Ðasefowo

      Francês Témoins de Jéhovah

      Ga Yehowa Odasefoi

      Gun Kunnudetọ Jehovah tọn lẹ

      Haussá Shaidun Jehovah

      Ibo Ndịàmà Jehova

      Inglês Jehovah’s Witnesses

      Ioruba Ẹlẹ́rìí Jehofa

      Kiluba Ba Tumoni twa Yehova

      Kinyarwanda Abahamya ba Yehova

      Kirundi Ivyabona vya Yehova

      Kisi Seiyaa Jɛhowaa

      Kwanyama Eendombwedi daJehova

      Lingala Batemwe ya Jéhovah

      Luganda Abajulirwa ba Yakuwa

      Malgaxe Vavolombelon’i Jehovah

      Mouro A Zeova Kaset rãmba

      Ndonga Oonzapo dhaJehova

      Português Testemunhas de Jeová

      Sango A-Témoin ti Jéhovah

      Sepedi Dihlatse tša Jehofa

      Sesoto Lipaki tsa Jehova

      Silozi Lipaki za Jehova

      Suaíli Mashahidi wa Yehova

      Tchiluba Bantemu ba Yehowa

      Tigrinia ናይ የሆዋ መሰኻኽር

      Tsonga Timbhoni ta Yehova

      Tsvana Basupi ba ga Jehofa

      Tvi Yehowa Adansefo

      Venda Ṱhanzi dza Yehova

      Xosa amaNgqina kaYehova

      Zulu oFakazi BakaJehova

      O nome Testemunhas de Jeová na Europa e no Oriente Médio

      Albanês Dëshmitarët e Jehovait

      Alemão Jehovas Zeugen

      Árabe ش‍هود ‍ي‍هوه‍

      Armênio Եհովայի Վկաներ

      Búlgaro Свидетелите на Йехова

      Croácio Jehovini svjedoci

      Dinamarquês Jehovas Vidner

      Eslovaco Jehovovi svedkovia

      Esloveno Jehovove priče

      Espanhol Testigos de Jehová

      Estoniano Jehoova tunnistajad

      Finlandês Jehovan todistajat

      Francês Témoins de Jéhovah

      Grego Μάρτυρες του Ιεχωβά

      Hebraico עדי־יהוה

      Holandês Jehovah’s Getuigen

      Húngaro Jehova Tanúi

      Inglês Jehovah’s Witnesses

      Islandês Vottar Jehóva

      Italiano Testimoni di Geova

      Macedônio,

      sérvio Јеховини сведоци

      Maltês Xhieda ta’ Jehovah

      Norueguês Jehovas vitner

      Polonês Świadkowie Jehowy

      Português Testemunhas de Jeová

      Romeno Martorii lui Iehova

      Russo Свидетели Иеговы

      Sueco Jehovas vittnen

      Tcheco svĕdkové Jehovovi

      Turco Yehova’nın Şahitleri

      Ucraniano Свідки Єгови

  • A grande multidão viverá no céu? ou na terra?
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 12

      A grande multidão viverá no céu? ou na terra?

      EM CONTRASTE com os membros das religiões da cristandade, a maioria das Testemunhas de Jeová espera ganhar vida eterna não no céu, mas na Terra. Por quê?

      Nem sempre foi assim. Os cristãos do primeiro século esperavam um dia governar com Jesus Cristo quais reis celestiais. (Mat. 11:12; Luc. 22:28-30) Jesus lhes havia dito, porém, que os herdeiros do Reino seriam apenas um “pequeno rebanho”. (Luc. 12:32) Quem seria incluído? Quantos haveria? Não souberam dos pormenores senão mais tarde.

      No Pentecostes de 33 EC, os primeiros discípulos judeus de Jesus foram ungidos com espírito santo para serem co-herdeiros de Cristo. No ano 36 EC, a operação do espírito de Deus tornou claro que os gentios incircuncisos também teriam parte nessa herança. (Atos 15:7-9; Efé. 3:5, 6) Passaram-se mais 60 anos antes de ser revelado ao apóstolo João que apenas 144.000 seriam tomados da Terra para terem parte no Reino celestial com Cristo. — Rev. 7:4-8; 14:1-3.

      Charles Taze Russell e seus associados tinham essa esperança, como a maioria das Testemunhas de Jeová até meados da década de 30. Sabiam também, com base nos seus estudos das Escrituras, que a unção com espírito santo significava não só que tais pessoas serviriam no futuro quais reis e sacerdotes com Cristo nos céus, mas também que tinham um trabalho especial a fazer enquanto ainda estavam na carne. (1 Ped. 1:3, 4; 2:9; Rev. 20:6) Que trabalho? Eles conheciam bem e citavam muitas vezes Isaías 61:1, que diz: “O espírito do Soberano Senhor Jeová está sobre mim, visto que Jeová me ungiu para anunciar boas novas aos mansos.”

      Pregação com que objetivo?

      Embora fossem poucos, esforçavam-se a transmitir a toda pessoa possível a verdade a respeito de Deus e seu propósito. Imprimiam e distribuíam enormes quantidades de publicações que anunciavam as boas novas sobre a provisão divina de salvação por meio de Cristo. Mas seu objetivo não era de forma alguma a conversão de todos os a quem pregavam. Então, por que lhes pregavam? A Watch Tower (A Sentinela) de julho de 1889 explicava: “Somos representantes [de Jeová] na Terra; a honra de seu nome será vindicada na presença de seus inimigos e diante de muitos de seus filhos desencaminhados; seu glorioso plano será amplamente divulgado em oposição a todos os projetos dos sábios do mundo que os homens estão tentando e tentaram inventar.”

      Deu-se atenção especial aos que professavam ser o povo do Senhor, muitos dos quais eram membros das igrejas da cristandade. Qual era o objetivo de pregar a esses? Conforme o irmão Russell muitas vezes explicou, o desejo dos primeiros Estudantes da Bíblia não era atrair membros de igrejas para alguma outra organização, mas ajudá-los a se aproximarem mais do Senhor como membros da igreja una e verdadeira. Os Estudantes da Bíblia sabiam, porém, que, em obediência a Revelação (Apocalipse) 18:4, essas pessoas tinham que sair de “Babilônia”, que, segundo entendiam, era manifestada na igreja nominal, o conjunto de igrejas da cristandade com todos os seus ensinamentos antibíblicos e divisões sectárias. Já no primeiro número da Watch Tower (julho de 1879), o irmão Russell disse: “Entendemos que o objetivo do testemunho dado atualmente é ‘tirar um povo para Seu nome’ — a Igreja — que na vinda de Cristo está unido a Ele e recebe Seu nome. Rev. iii. 12.”

      Eles compreenderam que, naquele tempo, apenas uma ‘chamada’ estava sendo feita a todos os verdadeiros cristãos. Era um convite para serem membros da noiva de Cristo, cujo número por fim seria de apenas 144.000. (Efé. 4:4; Rev. 14:1-5) Procuravam incentivar todos os que professassem fé no sacrifício de resgate de Cristo, quer fossem membros de uma igreja, quer não, a apreciar as “promessas preciosas e mui grandiosas” de Deus. (2 Ped. 1:4; Efé. 1:18) Empenhavam-se em instar com eles para se ajustarem, com zelo, aos requisitos para o pequeno rebanho de herdeiros do Reino. Para o fortalecimento espiritual de todos esses que, segundo achavam, constituíam ‘os aparentados na fé’ (porque professavam ter fé no resgate), o irmão Russell e seus associados procuravam diligentemente tornar disponível o alimento espiritual “a seu tempo” por meio das colunas da Sentinela e de outras publicações baseadas na Bíblia. — Gál. 6:10; Mat. 24:45, 46, Almeida.

      Eles podiam ver, porém, que nem todos os que professavam ter feito uma “consagração” (ou: ‘ter-se entregado plenamente ao Senhor’, conforme entendiam que significava) continuavam depois disso a levar uma vida de abnegação espontânea, fazendo do serviço do Senhor seu principal interesse na vida. Contudo, segundo explicavam, os cristãos consagrados haviam concordado de livre vontade em renunciar à natureza humana, tendo em vista uma herança celestial; não havia retorno; se não ganhassem vida no domínio espiritual, a segunda morte os aguardaria. (Heb. 6:4-6; 10:26-29) Mas, muitos cristãos supostamente consagrados estavam seguindo o caminho fácil, não manifestando o verdadeiro zelo pela causa do Senhor e evitando a abnegação. Entretanto, aparentemente não haviam repudiado o resgate, e levavam uma vida razoavelmente limpa. O que aconteceria com tais pessoas?

      Durante muitos anos os Estudantes da Bíblia pensavam que se tratava do grupo descrito em Revelação 7:9, 14, que menciona “uma grande multidão” que sai da grande tribulação e está de pé “diante do trono” de Deus e diante do Cordeiro, Jesus Cristo. Arrazoavam que, embora esses evitassem uma vida de abnegação, se confrontariam com testes de fé que culminariam em morte durante um período de tribulação após a glorificação dos últimos membros da noiva de Cristo. Pensavam que, se esses mencionados como sendo a grande multidão permanecessem fiéis naquele tempo, seriam ressuscitados para a vida celestial — não para governarem como reis, mas para tomarem posição diante do trono. Julgava-se que receberiam tais posições secundárias porque seu amor pelo Senhor não fora suficientemente ardente, porque não haviam mostrado bastante zelo. Pensava-se que eram pessoas geradas pelo espírito de Deus, mas que haviam sido negligentes em obedecer a Deus, apegando-se possivelmente ainda às igrejas da cristandade.

      Pensavam também que talvez — apenas talvez — os “dignos da antiguidade” que iriam servir quais príncipes na Terra durante a era do milênio fossem, no fim desse período, de algum modo agraciados com a vida celestial. (Sal. 45:16) Ponderavam que uma perspectiva similar talvez aguardasse a quaisquer que se “consagrassem” depois de terem sido finalmente escolhidos os 144.000 herdeiros do Reino, mas antes do tempo de começar a restauração na Terra. Até certo ponto, isso era uma reminiscência do conceito da cristandade de que todos os suficientemente bons vão para o céu. Mas havia uma crença, baseada nas Escrituras, que os Estudantes da Bíblia prezavam e que os distinguiu de toda a cristandade. Qual era essa crença?

      Viver na Terra para sempre com perfeição

      Eles compreendiam que, ao passo que a um número limitado dentre a humanidade se daria a vida celestial, haveria muitos mais que seriam favorecidos com a vida eterna na Terra, em condições similares às que existiam no Paraíso do Éden. Jesus ensinara seus seguidores a orar: “Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” Também havia dito: “Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra.” — Mat. 5:5; Mat. 6:10.

      Em harmonia com isso, uma tabelaa publicada como suplemento na Watch Tower de julho-agosto de 1881 indicava que haveria muitos dentre a humanidade que ganhariam o favor de Deus durante o Reino Milenar de Cristo e que constituiriam “o mundo da humanidade levada à vida e perfeição humana”. Essa tabela foi usada por muitos anos como base para discursos perante grupos grandes e pequenos.

      Em que condições viveriam as pessoas na Terra durante essa era do milênio? The Watch Tower de 1.º de julho de 1912 explicou: “Antes de ter entrado o pecado no mundo, a provisão divina para nossos primeiros pais era o Jardim do Éden. Ao pensarmos sobre isso, voltemos nossa mente para o futuro, orientados pela Palavra de Deus; em visão mental vemos o Paraíso restaurado — não simplesmente um jardim, mas a Terra inteira tornada bela, frutífera, sem pecado, feliz. Daí, lembramos a promessa inspirada com a qual estamos tão familiarizados — ‘E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor’, pois as coisas anteriores, o pecado e a morte, terão passado, e todas as coisas terão sido feitas novas! — Rev. 21:4, 5.”

      Quem haveria de viver para sempre na Terra?

      O irmão Russell não pensava que Deus estivesse oferecendo à humanidade uma escolha — a vida no céu para os que a desejassem e a vida numa Terra paradísica para os que preferissem isso. A Watch Tower de 15 de setembro de 1905 dizia: “Nossos sentimentos ou aspirações não são a chamada. Do contrário, daria a entender que nós é que fazemos nossa própria chamada. Falando sobre nosso sacerdócio, o Apóstolo diz: ‘Ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus’ (Heb. 5:4, Almeida, ed. rev. e corr.), e não é nos nossos sentimentos que devemos buscar certeza quanto a qual é a chamada de Deus, mas sim na própria Palavra de revelação de Deus.”

      Quanto à oportunidade de viver num restaurado paraíso terrestre, os Estudantes da Bíblia criam que ela se estenderia às pessoas só depois de todo o pequeno rebanho ter recebido a sua recompensa e de ter iniciado plenamente a era do milênio. Entendiam que esse seria o tempo da “restauração de todas as coisas”, mencionada em Atos 3:21. (Imprensa Bíblica Brasileira) Até mesmo os mortos seriam então ressuscitados para que todos pudessem partilhar dessa provisão amorosa. Os irmãos imaginavam que toda a humanidade (exceto os chamados para a vida no céu) receberia nessa época a oportunidade de escolher a vida. Segundo entendiam, esse seria o tempo em que Cristo, no seu trono celestial, separaria as pessoas umas das outras, como um pastor separa as ovelhas dos cabritos. (Mat. 25:31-46) Os obedientes, quer nascidos como judeus, quer como gentios, revelariam ser “as outras ovelhas” do Senhor. — João 10:16.b

      Uma vez terminados os Tempos dos Gentios, eles achavam que o tempo da restauração estava muito próximo; portanto, de 1918 a 1925, proclamavam: “Milhões que agora vivem jamais morrerão.” Sim, entendiam que as pessoas que viviam naquele tempo — a humanidade em geral — tinham a oportunidade de sobreviver, de entrar no tempo da restauração e receber então instruções concernentes aos requisitos de Jeová para a vida. Sendo obedientes, atingiriam gradativamente a perfeição humana. Sendo rebeldes, seriam, com o tempo, destruídos para sempre.

      Naqueles anos primordiais, os irmãos não podiam imaginar que a mensagem do Reino seria proclamada tão extensivamente e por tantos anos como tem sido. Mas continuaram a examinar as Escrituras e esforçavam-se a acatar o que estas indicavam quanto a que obra Deus queria que eles fizessem.

      As “ovelhas” à direita de Cristo

      Um passo realmente importante no entendimento do propósito de Jeová girava em torno da parábola de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos, em Mateus 25:31-46. Nessa parábola, Jesus disse: “Quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos, então se assentará no seu trono glorioso. E diante dele serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à sua esquerda.” Segundo a parábola passa a mostrar, as “ovelhas” são os que ajudam os “irmãos” de Cristo, procurando até mesmo socorrê-los quando são perseguidos e estão na prisão.

      Por muito tempo se pensava que esta parábola se aplicasse durante a era do milênio, no tempo da restauração, e que o julgamento final mencionado na parábola fosse aquele que ocorreria no fim do milênio. Mas, em 1923, foram apresentadas razões para outro conceito sobre o assunto por J. F. Rutherford, presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), num discurso esclarecedor proferido em Los Angeles, Califórnia. Essa matéria foi publicada mais tarde naquele ano na edição de 15 de outubro da Watch Tower.

      Ao considerar o tempo em que essa parábola profética se cumpriria, o artigo mostrava que Jesus a incluíra como parte de sua resposta à pergunta sobre ‘o sinal da sua presença e da terminação do sistema de coisas’. (Mat. 24:3) O artigo explicava por que os “irmãos” mencionados na parábola não podiam ser os judeus da era do Evangelho nem humanos que demonstrassem fé durante o período de teste e de julgamento, no milênio, mas sim os herdeiros com Cristo do Reino celestial; daí a razão pela qual o cumprimento da parábola tinha de se dar num tempo em que alguns dos co-herdeiros de Cristo ainda estivessem na carne. — Compare com Hebreus 2:10, 11.

      O que esses ungidos irmãos de Cristo vivenciaram ao se empenharem em dar testemunho ao clero e ao povo associado com as igrejas da cristandade indicou também que a profecia encerrada na parábola de Jesus já estava tendo cumprimento. De que modo? A reação de muitos clérigos e membros destacados de suas igrejas era de hostilidade — não houve um revigorante copo de água, quer literal, quer figurativo; em vez disso, alguns desses instigaram turbas a rasgar a roupa dos irmãos e a bater neles, ou exigiram que as autoridades os lançassem na prisão. (Mat. 25:41-43) Em contraste com isso, muitos humildes membros de igreja receberam a mensagem do Reino com alegria, ofereceram refrigério para os que a traziam, e fizeram tudo ao seu alcance para ajudá-los, mesmo quando os ungidos estavam na prisão por causa das boas novas. — Mat. 25:34-36.

      Segundo o que os Estudantes da Bíblia podiam entender, os a quem Jesus chamou de ovelhas ainda estavam nas igrejas da cristandade. Imaginavam que eram os que não professavam ser consagrados ao Senhor, mas que tinham grande respeito por Jesus Cristo e pelo seu povo. Mas, podiam eles permanecer nas igrejas?

      Posição firme a favor da adoração verdadeira

      Um estudo das profecias do livro bíblico de Ezequiel lançou luz sobre isso. O primeiro dos três volumes de comentários a respeito, intitulados Vindication (Vindicação), foi publicado em 1931. Explicava o significado daquilo que Ezequiel escreveu sobre a ira de Jeová contra as antigas Judá e Jerusalém apóstatas. Embora o povo de Judá afirmasse servir o Deus vivente e verdadeiro, adotaram os ritos religiosos das nações vizinhas, ofereceram incenso a ídolos sem vida e colocaram imoralmente sua confiança em alianças políticas, em vez de demonstrarem fé em Jeová. (Eze. 8:5-18; 16:26, 28, 29; 20:32) Em tudo isso, eram exatamente como a cristandade; portanto, coerentemente, Jeová executaria a sentença de julgamento contra a cristandade assim como fez contra Judá e Jerusalém infiéis. Mas o capítulo 9 de Ezequiel mostra que, antes da execução divina de julgamento, alguns seriam marcados para serem preservados. Quem são esses?

      A profecia diz que os marcados seriam os que “suspiram e gemem por causa de todas as coisas detestáveis que se fazem no meio” da cristandade, ou Jerusalém antitípica. (Eze. 9:4) Certamente, pois, não podiam participar deliberadamente dessas coisas detestáveis. Por conseguinte, o primeiro volume de Vindication identificava os que tinham o sinal como sendo aqueles que recusavam fazer parte das organizações eclesiásticas da cristandade e que de alguma forma tomavam posição ao lado do Senhor.

      A essa matéria seguiu-se, em 1932, um estudo do relato bíblico sobre Jeú e Jonadabe e seus significados proféticos. Jeú foi comissionado por Jeová para ser rei sobre o reino de Israel de dez tribos e para executar o julgamento de Jeová sobre a iníqua casa de Acabe e de Jezabel. Quando Jeú estava a caminho de Samaria para erradicar a adoração de Baal, Jonadabe, filho de Recabe, foi ao seu encontro. Jeú perguntou a Jonadabe: “É teu coração reto para comigo?” e Jonadabe respondeu: “É.” “Dá-me deveras a tua mão”, solicitou Jeú, conduzindo Jonadabe para dentro de seu carro. Daí, Jeú instou: “Vem deveras comigo e vê como não tolero rivalidade para com Jeová.” (2 Reis 10:15-28) Jonadabe, embora não fosse israelita, concordou com o que Jeú estava fazendo; ele sabia que se devia dar devoção exclusiva a Jeová, o Deus verdadeiro. (Êxo. 20:4, 5) Séculos depois, os descendentes de Jonadabe ainda demonstravam um espírito que Jeová aprovava, de modo que Ele prometeu: “De Jonadabe, filho de Recabe, não se decepará homem, impedindo-o de ficar de pé diante de mim para sempre.” (Jer. 35:19) Surgiu então a pergunta: há na Terra hoje pessoas que não são israelitas espirituais cujo galardão é celestial, mas que são como Jonadabe?

      The Watchtower de 1.º de agosto de 1932 explicava: “Jonadabe representou ou prefigurou a classe de pessoas hoje na Terra . . . [que] estão em desarmonia com a organização de Satanás, que tomam a sua posição do lado da justiça, e são aqueles a quem o Senhor resguardará durante o Armagedom, e os fará sobreviver àquela tribulação e lhes dará a vida eterna na Terra. Esses constituem a classe das ‘ovelhas’ que favorecem os ungidos de Deus, porque sabem que os ungidos do Senhor estão fazendo a obra do Senhor.” Os que manifestavam esse espírito foram convidados a participar em levar a mensagem do Reino a outros, assim como os ungidos. — Rev. 22:17.

      Havia alguns (embora relativamente poucos naquele tempo) associados com as Testemunhas de Jeová que reconheciam que o espírito de Deus não havia gerado neles a esperança da vida celestial. Chegaram a ser conhecidos por jonadabes, pois, como o antigo Jonadabe, consideravam um privilégio ser identificados com os servos ungidos de Jeová, e alegravam-se em participar dos privilégios que a Palavra de Deus lhes indicava. Será que tais pessoas que tinham a perspectiva de nunca morrer se tornariam numerosos antes do Armagedom? Seria possível, conforme se havia dito, tornarem-se milhões?

      Os da “grande multidão” — quem são?

      Quando se fez o anúncio das providências tomadas para a realização de um congresso das Testemunhas de Jeová em Washington, DC, de 30 de maio a 3 de junho de 1935, The Watchtower dizia: “Até agora não são muitos os jonadabes que tiveram o privilégio de assistir a um congresso, e o congresso de Washington poderá ser um verdadeiro consolo e benefício para eles.” Certamente revelou ser assim.

      Naquele congresso, considerou-se de modo especial Revelação 7:9, 10, que diz: “Depois destas coisas eu vi, e, eis uma grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, trajados de compridas vestes brancas; e havia palmas nas suas mãos. E gritavam com voz alta, dizendo: ‘Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.’” De quem se compõe essa grande multidão?

      Por muitos anos, até 1935, não se entendia que eles eram os mesmos da parábola de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos. Como já mencionado, pensava-se que fossem uma classe celestial secundária — secundária por terem sido negligentes em obedecer a Deus.

      Todavia, esse conceito suscitava contínuas perguntas. Algumas dessas foram consideradas em princípios de 1935, durante o almoço, na sede da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Alguns dos que se expressaram naquela ocasião sugeriram que a grande multidão era uma classe terrestre. Grant Suiter, que mais tarde se tornou membro do Corpo Governante, lembrava: “Num estudo em Betel, dirigido pelo irmão T. J. Sullivan, perguntei: ‘Visto que a grande multidão ganhará a vida eterna, será que os que constituem esse grupo mantêm a integridade?’ Houve muitos comentários, mas nenhuma resposta definitiva.” Bem, na sexta-feira, 31 de maio de 1935, no congresso de Washington, DC, foi dada uma resposta satisfatória. O irmão Suiter estava sentado na galeria olhando por cima da multidão, e quão emocionado ficou ao ouvir o desenrolar do discurso!

      Pouco depois do congresso, The Watchtower, nas suas edições de 1.º e de 15 de agosto de 1935, publicou o que foi declarado naquele discurso. Indicava que um fator importante para a compreensão correta de assuntos é reconhecer o fato de que o principal propósito de Jeová não é a salvação do homem, mas a vindicação de Seu próprio nome (ou, como diríamos hoje, a vindicação de sua soberania). Assim, a aprovação de Jeová está sobre os que mantêm a integridade para com ele; ele não recompensa os que concordam em fazer a Sua vontade, mas depois trazem vitupério sobre seu nome transigindo com a organização do Diabo. Este requisito de fidelidade se aplica a todos os que desejam a aprovação de Deus.

      Em harmonia com isto, The Watchtower dizia: “Revelação 7:15 é realmente a chave para identificar a grande multidão. . . . A descrição, em Revelação, dos que compõem a grande multidão é que ‘estão diante do trono de Deus e o servem publicamente’ . . . Eles vêem, entendem e obedecem as palavras de Jesus, o Cordeiro de Deus, que lhes diz: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás’; palavras estas que se aplicam a todas as criaturas que Jeová aprova.” (Mat. 4:10) Portanto, o que a Bíblia diz sobre a grande multidão não podia ser explicado corretamente como provendo uma recompensa alternativa para pessoas que professassem amar a Deus, mas que fossem indiferentes em fazer a Sua vontade.

      É, então, a grande multidão uma classe celestial? The Watchtower mostrou que a linguagem do texto não indicava tal conclusão. Quanto à sua localização “diante do trono”, mostrava que Mateus 25:31, 32 fala sobre todas as nações serem ajuntadas diante do trono de Cristo, contudo essas nações estão na Terra. A grande multidão, porém, está “em pé” diante do trono porque tem a aprovação Daquele que está no trono. — Compare com Jeremias 35:19.

      Mas, onde se podia encontrar tal grupo de pessoas — pessoas “de todas as nações” que não fazem parte do Israel espiritual (descrito anteriormente em Revelação 7:4-8), pessoas que têm fé no resgate (tendo figurativamente lavado suas vestes no sangue do Cordeiro), pessoas que aclamam a Cristo como Rei (com ramos de palmeira nas mãos, como a multidão que saudou a Jesus qual Rei quando ele entrou em Jerusalém), pessoas que se apresentam realmente diante do trono de Jeová para o servirem? Existia tal grupo de pessoas na Terra?

      Cumprindo a sua palavra profética, o próprio Jeová forneceu a resposta. Webster Roe, que estava no congresso de Washington, lembrava que no ponto culminante de seu discurso, o irmão Rutherford solicitou: “Queiram todos os que têm esperança de viver para sempre na Terra pôr-se de pé.” Segundo o irmão Roe, “mais da metade da assistência pôs-se de pé”. Em harmonia com isso, The Watchtower de 15 de agosto de 1935 dizia: “Vemos agora um grupo que se enquadra exatamente na descrição feita em Revelação, [capítulo] sete, concernente à grande multidão. Em anos recentes, e dentro do período em que ‘este evangelho do reino é pregado como testemunho’, grande número de pessoas se apresentaram (e ainda estão vindo) que confessam que o Senhor Jesus é seu Salvador e Jeová, seu Deus, a quem adoram em espírito e em verdade e servem alegremente. Esses são também chamados ‘os jonadabes’. Estes estão sendo batizados em símbolo, atestando assim que . . . tomaram a sua posição do lado de Jeová e servem a ele e a seu Rei.”

      Compreendeu-se naquele tempo que os da grande multidão, de Revelação 7:9, 10, estão incluídos entre as “outras ovelhas” mencionadas por Jesus (João 10:16); são os que ajudam os “irmãos” de Cristo (Mat. 25:33-40); são os marcados para a sobrevivência, porque estão horrorizados devido às coisas detestáveis feitas dentro da cristandade e as evitam (Eze. 9:4); são como Jonadabe, que se identificou abertamente com o servo ungido de Jeová em levar avante a comissão que este servo recebera de Deus (2 Reis 10:15, 16). As Testemunhas de Jeová entendem que se trata de servos leais a Deus que sobreviverão ao Armagedom com a perspectiva de vida eterna numa Terra levada de volta à condição de Paraíso.

      Trabalho urgente a ser feito

      Seu entendimento desses textos teve efeitos de grande alcance na atividade dos servos de Jeová. Compreenderam que não eram os que selecionariam e ajuntariam os membros da grande multidão; não lhes cabia dizer às pessoas se a sua esperança devia ser celestial ou terrestre. O Senhor dirigiria os assuntos em harmonia com a sua vontade. Mas, quais Testemunhas de Jeová, tinham uma séria responsabilidade. Tinham de servir quais proclamadores da Palavra de Deus, partilhando as verdades que Ele os habilitara a entender, de modo que as pessoas conhecessem as provisões de Jeová e tivessem a oportunidade de acolhê-las com apreço.

      Além do mais, reconheciam que havia grande urgência em seu serviço. Numa série de artigos intitulados “Ajuntamento da Multidão”, publicados em 1936, The Watchtower explicava: “As Escrituras sustentam fortemente a conclusão de que no Armagedom Jeová destruirá os povos da Terra e salvará apenas os que obedecem a Seus mandamentos de tomar posição ao lado de sua organização. No passado, muitos milhões de pessoas desceram à cova sem terem ouvido sobre Deus e Cristo, e esses, no devido tempo, precisam ser despertados da morte e receber conhecimento da verdade para poderem fazer uma escolha. A situação é diferente, porém, com respeito às pessoas hoje na Terra. . . . Os da grande multidão precisam receber esta mensagem do evangelho antes do dia da batalha do grande dia do Deus Todo-Poderoso, que é o Armagedom. Se a grande multidão não receber agora a mensagem da verdade, será tarde demais quando começar a obra de matança.” — Veja 2 Reis 10:25; Ezequiel 9:5-10; Sofonias 2:1-3; Mateus 24:21; 25:46.

      Em resultado deste entendimento das Escrituras, as Testemunhas de Jeová ficaram imbuídas de renovado zelo pela obra de dar testemunho. Leo Kallio, que mais tarde serviu como superintendente viajante na Finlândia, disse: “Não me lembro de ter sentido alguma vez maior alegria e zelo do que naquele tempo, tampouco me lembro de ter pedalado mais rapidamente a minha bicicleta do que naqueles dias, quando me apressava a levar aos interessados as novas de que, por causa da benignidade imerecida de Jeová, se lhes oferecia a vida eterna na Terra.”

      Nos cinco anos seguintes, à medida que o número de Testemunhas de Jeová aumentava, diminuía gradativamente o número dos que participavam dos emblemas na Comemoração anual da morte de Cristo. Contudo, a afluência dos da grande multidão não foi tão rápida quanto o irmão Rutherford esperava que fosse. Certa vez, ele até mesmo disse a Fred Franz, que se tornou o quarto presidente da Sociedade: “Parece que a ‘grande multidão’, afinal, não vai ser tão grande assim.” Mas, desde então, o número de Testemunhas de Jeová subiu vertiginosamente para milhões, ao passo que o número dos que esperam uma herança celestial continuou em geral a diminuir.

      Um só rebanho sob um só pastor

      Não há rivalidade entre a classe ungida e a grande multidão. Os que têm esperança celestial não desprezam os que ansiosamente esperam ganhar a vida eterna num paraíso terrestre. Cada um deles aceita com gratidão os privilégios concedidos por Deus, não achando que a sua posição de certa forma o torne melhor ou de alguma maneira inferior aos outros. (Mat. 11:11; 1 Cor. 4:7) Conforme predisse Jesus, os dois grupos se tornaram verdadeiramente “um só rebanho”, servindo com submissão a ele como seu “um só pastor”. — João 10:16.

      O sentimento que os irmãos ungidos de Cristo têm para com seus companheiros da grande multidão está bem expresso no livro Segurança Mundial sob o “Príncipe da Paz”: “Desde a Segunda Guerra Mundial, o cumprimento da profecia de Jesus a respeito da ‘terminação do sistema de coisas’ se deve na maior parte ao papel desempenhado pelos da ‘grande multidão’ das ‘outras ovelhas’. A iluminação provida pelas lâmpadas acesas do restante lhes tem aclarado os olhos do coração, e eles foram ajudados a refletir essa luz sobre outros que ainda permanecem na escuridão deste mundo. . . . Tornaram-se companheiros inseparáveis do restante da classe da noiva. . . . Cabem assim profusos agradecimentos à ‘grande multidão’ internacional, multilíngüe, pelo papel sobrepujante que tem desempenhado no cumprimento da profecia do Noivo, em Mateus 24:14!”

      Entretanto, à medida que as Testemunhas de Jeová, incluindo-se a grande multidão, têm unidamente participado em proclamar as gloriosas novas do Reino de Deus, o público chegou a notá-las por outra coisa além de seu zeloso testemunho.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Essa “Tabela das Eras” foi mais tarde reproduzida no livro The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras).

      b Zion’s Watch Tower de 15 de março de 1905, pp. 88-91.

      [Destaque na página 159]

      A maioria das Testemunhas de Jeová espera ter vida eterna na Terra.

      [Destaque na página 161]

      Uma crença que os distinguiu de toda a cristandade.

      [Destaque na página 164]

      Tempo do cumprimento da parábola das ovelhas e dos cabritos

      [Destaque na página 165]

      Vieram a ser conhecidos por jonadabes.

      [Destaque na página 166]

      Em 31 de maio de 1935, a “grande multidão” foi claramente identificada.

      [Destaque na página 170]

      Uma esperança celestial ou terrestre — quem a determina?

      [Foto na página 167]

      No congresso de Washington, DC, 840 foram batizados.

      [Foto/Quadro na página 168]

      A Terra, o lar eterno do homem

      Qual era o propósito original de Deus para a humanidade?

      “Deus os abençoou e Deus lhes disse: ‘Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.’” — Gên. 1:28.

      Mudou o propósito de Deus para com a Terra?

      “A minha palavra . . . não voltará a mim sem resultados, mas certamente fará aquilo em que me agradei e terá êxito certo naquilo para que a enviei.” — Isa. 55:11.

      “Assim disse Jeová, o Criador dos céus, Ele, o verdadeiro Deus, o Formador da terra e Aquele que a fez, Aquele que a estabeleceu firmemente, que não a criou simplesmente para nada, que a formou mesmo para ser habitada: ‘Eu sou Jeová, e não há outro.’” — Isa. 45:18.

      “Portanto, tendes de orar do seguinte modo: ‘Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.’” — Mat. 6:9, 10.

      “Os próprios malfeitores serão decepados, mas os que esperam em Jeová são os que possuirão a terra. Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre.” — Sal. 37:9, 29.

      Que condições existirão na Terra sob o Reino de Deus?

      “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” — 2 Ped. 3:13.

      “Não levantarão espada, nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra. E realmente sentar-se-ão, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os faça tremer; porque a própria boca de Jeová dos exércitos falou isso.” — Miq. 4:3, 4.

      “Hão de construir casas e as ocuparão; e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos. Não construirão e outro terá morada; não plantarão e outro comerá. Porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore; e meus escolhidos usufruirão plenamente o trabalho das suas próprias mãos.” — Isa. 65:21, 22.

      “Nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’” — Isa. 33:24.

      “O próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Rev. 21:3, 4; veja também João 3:16.

      “Quem realmente não te temerá, Jeová, e glorificará o teu nome, porque só tu és leal? Pois virão todas as nações e adorarão perante ti, porque os teus justos decretos foram manifestos.” — Rev. 15:4.

      [Foto/Quadro na página 169]

      Os que vão para o céu

      Quantos humanos irão para o céu?

      “Não temas, pequeno rebanho, porque vosso Pai aprovou dar-vos o reino.” — Luc. 12:32.

      “E eu vi, e eis o Cordeiro [Jesus Cristo] em pé no monte Sião [celestial], e com ele cento e quarenta e quatro mil, que têm o nome dele e o nome de seu Pai escrito nas suas testas. E estão cantando como que um novo cântico diante do trono e diante das quatro criaturas viventes e dos anciãos; e ninguém podia aprender esse cântico, exceto os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.” — Rev. 14:1, 3.

      São os 144.000 todos judeus?

      “Não há nem judeu nem grego, não há nem escravo nem homem livre, não há nem macho nem fêmea; pois todos vós sois um só em união com Cristo Jesus. Além disso, se pertenceis a Cristo, sois realmente descendente de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa.” — Gál. 3:28, 29.

      “Não é judeu aquele que o é por fora, nem é circuncisão aquela que a é por fora, na carne. Mas judeu é aquele que o é no íntimo, e a sua circuncisão é a do coração, por espírito, e não por um código escrito.” — Rom. 2:28, 29.

      Por que leva Deus alguns para o céu?

      “Serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos.” — Rev. 20:6.

      [Gráfico na página 171]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Relatório sobre a Comemoração

      Participantes

      Assistência

      1.500.000

      1.250.000

      1.000.000

      750.000

      500.000

      250.000

      1935 1940 1945 1950 1955 1960

      Em 25 anos, o número dos que assistiam à Comemoração já era mais de 100 vezes o número dos participantes.

      [Quadro na página 160]

      Tempo para entendimento

      Mais de 250 anos atrás, Sir Isaac Newton escreveu um interessante artigo sobre o entendimento de profecias, incluindo aquela a respeito da “grande multidão” de Revelação 7:9, 10. Em sua obra “Observations Upon the Prophecies of Daniel, and the Apocalypse of St. John,” publicada em 1733, ele disse: “Essas Profecias de Daniel e de João não serão entendidas até o tempo do fim: mas naquela época, alguns hão de profetizar a respeito disso em condição de aflição e de pranto por muito tempo, e de modo obscuro para converter só a poucos. . . . Depois, diz Daniel, muitos correrão de um lado a outro, e o conhecimento aumentará. Pois o Evangelho tem de ser pregado em todas as nações antes da grande tribulação e do fim do mundo. A multidão com palmas nas mãos, que sai dessa grande tribulação, não pode tornar-se inumerável dentre todas as nações, a não ser que assim se torne pela pregação do Evangelho antes que essa tribulação ocorra.”

  • Somos reconhecidos pela nossa conduta
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 13

      Somos reconhecidos pela nossa conduta

      VIVEMOS numa era em que as normas morais outrora respeitadas têm sido rejeitadas por grandes segmentos da humanidade. A maioria das religiões da cristandade tem feito o mesmo, quer em nome da tolerância, quer argumentando que os tempos mudaram e os tabus das gerações anteriores não mais se aplicam. Quanto ao resultado, Samuel Miller, deão da Escola de Teologia de Harvard, disse: “A igreja simplesmente não tem voz ativa. Ela aceitou a cultura do nosso tempo e a absorveu.” Tem sido devastador o efeito disso na vida dos que olhavam para essas religiões em busca de orientação.

      Em contraste com isso, num exame sobre as Testemunhas de Jeová, L’Eglise de Montréal, boletim semanal da arquidiocese católica de Montreal, Canadá, dizia: “Elas têm notáveis valores morais.” Numerosos professores, empregadores e autoridades concordam com isso. Qual o motivo de tal reputação?

      Ser Testemunha de Jeová significa muito mais do que apegar-se a certa estrutura de crenças doutrinais e dar testemunho sobre essas crenças a outros. O primitivo cristianismo era conhecido como “O Caminho”, e as Testemunhas de Jeová reconhecem que a verdadeira religião hoje precisa ser um modo de vida. (Atos 9:2) Como no caso de outras coisas, porém, as Testemunhas hodiernas não tiveram de imediato um apreço equilibrado do que isto significa.

      “Caráter ou pacto — qual?”

      Embora iniciassem com sólidos conselhos bíblicos sobre a necessidade de serem como Cristo, a ênfase que alguns dos primeiros Estudantes da Bíblia davam ao “desenvolvimento de caráter”, como o chamavam, tendia a minimizar certos aspectos do verdadeiro cristianismo. Alguns pareciam ser da opinião de que por serem polidos — parecendo sempre amáveis e bons, usando fala macia, evitando qualquer demonstração de ira e lendo diariamente as Escrituras — isso garantiria a sua entrada no céu. Mas estes perderam de vista o fato de que Cristo deu a seus seguidores um trabalho a fazer.

      Esse problema foi abordado com rigor no artigo “Caráter ou Pacto — Qual?” na edição de 1.º de maio de 1926 de The Watch Tower (A Sentinela).a Mostrava que os esforços para o desenvolvimento de um “caráter perfeito”, enquanto na carne, faziam com que alguns desistissem por desânimo, mas, ao mesmo tempo, levavam outros a julgar-se “mais santos”, tendendo a fazer com que perdessem de vista o mérito do sacrifício de Cristo. Após enfatizar a fé no sangue derramado de Cristo, o artigo destacava a importância de a pessoa ‘fazer coisas’ no serviço ativo a Deus, para dar evidência de estar seguindo um proceder que agrade a ele. (2 Ped. 1:5-10) Naquele tempo, quando grande parte da cristandade ainda aparentava apegar-se às normas morais da Bíblia, esta ênfase sobre a atividade sublinhou o contraste entre as Testemunhas de Jeová e a cristandade. O contraste se tornou ainda mais evidente ao passo que as questões morais que se tornavam comuns tinham de ser tratadas por todos os que professavam ser cristãos.

      ‘Abstende-vos da fornicação’

      A norma cristã a respeito da moralidade sexual foi há muito estabelecida em linguagem clara na Bíblia. “Isto é o que Deus quer, a vossa santificação, que vos abstenhais de fornicação . . . Pois Deus nos chamou, não como uma concessão para impureza, mas em conexão com a santificação. Assim, pois, quem mostra falta de consideração, não desconsidera o homem, mas a Deus.” (1 Tes. 4:3-8) “O matrimônio seja honroso entre todos e o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros.” (Heb. 13:4) “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não sejais desencaminhados. Nem fornicadores, . . . nem adúlteros, nem homens mantidos para propósitos desnaturais, nem homens que se deitam com homens . . . herdarão o reino de Deus.” — 1 Cor. 6:9, 10.

      Na Watch Tower, chamou-se atenção a esta norma para os cristãos verdadeiros já em novembro de 1879. Mas não foi considerada repetidas vezes nem extensivamente como se esse fosse um problema grande entre os primeiros Estudantes da Bíblia. Entretanto, ao se tornar mais permissiva a atitude do mundo, chamou-se cada vez mais atenção para esse requisito, especialmente nos anos que cercaram a Segunda Guerra Mundial. Isto foi necessário porque alguns entre as Testemunhas de Jeová estavam adotando o conceito de que, conquanto se ocupassem com o testemunho, um pouco de relaxamento na moralidade sexual era mero assunto pessoal. É verdade que The Watchtower de 1.º março de 1935 já tinha dito claramente que a participação no ministério de campo não dava licença para conduta imoral. Mas, nem todos levaram isso a sério. Portanto, na edição de julho de 1941, A Atalaia (agora A Sentinela) considerou de novo esse assunto, e de modo bastante extenso, num artigo intitulado “Dia de Noé”. Esclareceu que a devassidão sexual nos dias de Noé foi um dos motivos de Deus destruir o mundo daquele tempo, e mostrou que o que Deus fez naquele tempo estabeleceu um padrão do que fará em nossos dias. Em linguagem clara, advertia que um servo íntegro de Deus não podia dedicar parte do dia a fazer a vontade do Senhor e daí, depois das horas de serviço, entregar-se às “obras da carne”. (Gál. 5:17-21) Isto foi complementado, em The Watchtower de 1.º de julho de 1942, com outro artigo que condenava a conduta que estivesse em desarmonia com as normas morais da Bíblia para solteiros e casados. Ninguém devia concluir que a participação na pregação pública da mensagem do Reino como Testemunha de Jeová lhe dava direito a uma vida devassa. (1 Cor. 9:27) Com o tempo, medidas ainda mais firmes seriam tomadas para resguardar a pureza moral da organização.

      Alguns que naquele tempo expressavam o desejo de ser Testemunhas de Jeová haviam sido criados em lugares em que o casamento experimental era aceito, onde as relações sexuais entre noivos eram toleradas ou onde as relações consensuais entre pessoas não casadas eram consideradas normais. Alguns casados se esforçavam em abster-se de relações sexuais. Outras pessoas, embora não divorciadas, estavam imprudentemente separadas de seus cônjuges. Para fornecer a necessária orientação, A Sentinela, durante a década de 50, abordou todas essas situações, considerou as responsabilidades maritais, enfatizou que a Bíblia proíbe a fornicação e explicou o que é fornicação, de modo que não houvesse entendimento errado.b — Atos 15:19, 20; 1 Cor. 6:18.

      Em lugares onde as pessoas que começavam a se associar com a organização de Jeová não levavam a sério as normas morais da Bíblia, isso recebeu atenção especial. Assim, em 1945, quando N. H. Knorr, o terceiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), visitou Costa Rica, proferiu um discurso sobre a moralidade cristã em que ele disse: “Dou um conselho a todos vocês aqui presentes esta noite que vivem com uma mulher, mas não registraram legalmente seu casamento. Vão à Igreja Católica e alistem-se como membros dela, porque lá vocês podem praticar tais coisas. Mas esta é a organização de Deus, e vocês não podem praticar essas coisas aqui.”

      A partir da década de 60, quando os homossexuais passaram a assumir mais suas práticas, muitas igrejas debateram o assunto e daí os aceitaram como membros. Algumas igrejas agora até mesmo ordenam homossexuais como clérigos. Para ajudar as pessoas sinceras que tinham perguntas sobre esses assuntos, as publicações das Testemunhas de Jeová consideraram também essas questões. Mas, entre as Testemunhas, nunca houve dúvida sobre como considerar o homossexualismo. Por quê? Porque não consideram os requisitos da Bíblia como se fossem meramente opiniões de homens de outra época. (1 Tes. 2:13) Comprazem-se em dirigir estudos bíblicos com homossexuais para que estes possam aprender os requisitos de Jeová, e tais pessoas podem assistir às reuniões das Testemunhas de Jeová para ouvir, mas ninguém que continue a praticar o homossexualismo pode ser Testemunha de Jeová. — 1 Cor. 6:9-11; Judas 7.

      Em anos recentes, a permissividade sexual por parte de jovens solteiros tornou-se comum no mundo. Jovens nas famílias de Testemunhas de Jeová sentiram a pressão, e alguns começaram a adotar o proceder do mundo em volta deles. Como lidou a organização com essa situação? A Sentinela e Despertai! publicaram artigos visando ajudar os pais e os jovens a considerar as coisas de modo bíblico. Dramas baseados na vida real foram apresentados em congressos para ajudar a todos a se conscientizarem dos frutos resultantes da rejeição das normas morais da Bíblia e dos benefícios da obediência aos mandamentos de Deus. Um dos primeiros dramas, encenado em 1969, intitulava-se “Espinhos e Laços Estão no Caminho Daquele Que É Independente”. Livros especiais foram preparados para ajudar os jovens a reconhecer a sabedoria dos conselhos bíblicos. Entre eles: Sua Juventude — O Melhor Modo de Usufruí-la (publicado em 1976) e Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas (publicado em 1989). Anciãos locais deram ajuda espiritual a indivíduos e a famílias. As congregações das Testemunhas de Jeová foram também resguardadas mediante a expulsão dos transgressores impenitentes.

      O colapso moral do mundo não levou a um conceito mais permissivo entre as Testemunhas de Jeová. Pelo contrário, o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová tem dado crescente ênfase à necessidade de evitar não só atos sexuais ilícitos, mas também influências e situações que corrompem os valores morais. Nas últimas três décadas, tem fornecido instrução para fortalecer pessoas contra “pecados ocultos”, como a masturbação, e alertá-las sobre o perigo da pornografia, das novelas e da música degradante. Assim, ao passo que a moral do mundo vem decaindo, a das Testemunhas de Jeová se eleva.

      Vida familiar governada por normas divinas

      O firme apego às normas bíblicas da moralidade sexual tem beneficiado grandemente a vida familiar das Testemunhas de Jeová. Mas, ser Testemunha de Jeová não é garantia de que tal pessoa nunca terá problemas domésticos. Contudo, as Testemunhas estão convencidas de que a Palavra de Deus fornece os melhores conselhos sobre como enfrentar tais problemas. Têm à sua disposição muitas provisões da organização para ajudá-las a pôr em prática tais conselhos; e, quando os seguem, os resultados são deveras benéficos.

      Já em 1904, o sexto volume de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras) trazia uma extensiva consideração sobre responsabilidades maritais e obrigações parentais. Desde então, centenas de artigos foram publicados e muitos discursos foram proferidos em todas as congregações das Testemunhas de Jeová para ajudar a cada membro de família a reconhecer o papel que lhe foi confiado por Deus. Essa educação na vida familiar sadia não é meramente para recém-casados, mas é um programa contínuo que envolve a congregação inteira. — Efé. 5:22-6:4; Col. 3:18-21.

      Seria aceita a poligamia?

      Embora os costumes relacionados com o casamento e a vida em família difiram de um país para outro, as Testemunhas de Jeová reconhecem que as normas estabelecidas na Bíblia se aplicam em toda a parte. À medida que a sua obra se desenvolvia na África neste século 20, as Testemunhas ensinavam, como o fazem em toda a parte, que o casamento cristão permite um só cônjuge. (Mat. 19:4, 5; 1 Cor. 7:2; 1 Tim. 3:2) Entretanto, houve centenas de pessoas que aceitaram a denúncia da Bíblia contra a idolatria e prazerosamente aceitaram o que as Testemunhas de Jeová lhes ensinaram sobre o Reino de Deus, mas foram batizadas sem abandonar a poligamia. Para corrigir essa situação, A Sentinela, de abril de 1947, salientou que o cristianismo não permite a poligamia, não importa qual o costume local. Uma carta enviada às congregações notificava que a quaisquer pessoas que professassem ser Testemunhas de Jeová, mas que fossem polígamas, dava-se o prazo de seis meses para harmonizarem seus assuntos maritais com a norma bíblica. Isto foi reforçado por um discurso do irmão Knorr por ocasião de sua visita à África naquele mesmo ano.

      Na Nigéria, muitas pessoas do mundo predisseram que os esforços para abolir a poligamia entre as Testemunhas de Jeová significaria o fim dessas. E é verdade que nem todos os polígamos que haviam sido batizados como Testemunhas de Jeová fizeram as exigidas mudanças mesmo em 1947. Por exemplo, Asuquo Akpabio, um superintendente viajante, relata que uma Testemunha em cuja casa estava hospedado em Ifiayong o despertou à meia-noite e exigiu que mudasse o que fora anunciado a respeito do requisito da monogamia. Por recusar-se a fazer isso, seu hospedeiro o pôs para fora da casa naquela mesma noite debaixo de chuva torrencial.

      Mas o amor a Jeová deu a outros a necessária força para obedecerem a seus mandamentos. A seguir, veja apenas alguns exemplos. No Zaire, um homem, que fora tanto católico como polígamo, despediu duas de suas esposas para poder ser Testemunha de Jeová, embora fosse uma dura prova de sua fé despedir a que mais amava, pois ela não era a ‘esposa de sua mocidade’. (Pro. 5:18) Em Daomé (agora Benin), um ex-metodista que ainda tinha cinco esposas transpôs dificílimos obstáculos legais para obter os necessários divórcios a fim de se qualificar para o batismo. Todavia, ele continuou a sustentar suas ex-esposas e seus filhos, como fizeram outros que despediram esposas secundárias. Warigbani Whittington, uma nigeriana, era a segunda das duas esposas de seu marido. Quando decidiu que agradar a Jeová, o Deus verdadeiro, era a coisa mais importante para ela, enfrentou a ira do marido e depois a de sua própria família. O marido deixou que ela partisse junto com seus dois filhos, mas sem dar ajuda financeira — nem mesmo para transporte. Contudo, ela disse: ‘Nenhum benefício material que abandonei pode comparar-se com agradar a Jeová.’

      Que dizer sobre o divórcio?

      Nos países ocidentais, a poligamia não é amplamente praticada, mas estão em voga outras atitudes que conflitam com as Escrituras. Uma dessas é a idéia de que é melhor divorciar-se do que perpetuar um casamento infeliz. Em anos recentes, algumas Testemunhas de Jeová começaram a imitar esse espírito, pedindo divórcio por motivos tais como “incompatibilidade”. Como têm as Testemunhas enfrentado isso? Uma vigorosa campanha de educação sobre o que Jeová acha do divórcio é feita regularmente pela organização para beneficiar tanto as Testemunhas antigas como as centenas de milhares que a cada ano se juntam às suas fileiras.

      Para que orientações bíblicas tem A Sentinela chamado atenção? Entre outras, para a seguinte: no relato bíblico sobre o primeiro casamento humano, salienta-se a unicidade do marido e da esposa; diz ali: ‘O homem tem de se apegar à sua esposa, e eles têm de tornar-se uma só carne.’ (Gên. 2:24) Mais tarde, em Israel, a Lei proibia o adultério e condenava à morte qualquer pessoa que o cometesse. (Deut. 22:22-24) O divórcio por razões outras que não o adultério era permitido, mas apenas ‘por causa da dureza do coração deles’, conforme Jesus explicou. (Mat. 19:7, 8) Como considerava Jeová o costume de abandonar o cônjuge para se casar com outro? Malaquias 2:16 declara: “Ele tem odiado o divórcio.” Entretanto, ele permitiu que os que obtinham divórcio permanecessem na congregação de Israel. Ali, se aceitassem a disciplina que Jeová administrava a seu povo, seu coração de pedra poderia com o tempo ser substituído por um coração mais mole que pudesse expressar genuíno amor pelos Seus caminhos. — Veja Ezequiel 11:19, 20.

      A Sentinela tem muitas vezes dito que Jesus, ao falar sobre o divórcio segundo praticado no Israel antigo, mostrou que uma norma mais elevada havia de ser instituída entre seus seguidores. Ele disse que, se alguém se divorciasse da esposa, a não ser por motivo de fornicação (por·neí·a, “relações sexuais ilícitas”), e se casasse com outra, estaria cometendo adultério; e, mesmo se não se casasse, exporia sua esposa ao adultério. (Mat. 5:32; 19:9) Assim, A Sentinela tem mostrado que, para os cristãos, o divórcio é um assunto muito mais sério do que era em Israel. Embora as Escrituras não ordenem que toda pessoa que se divorcie seja expulsa da congregação, os que também cometem adultério e são impenitentes são desassociados pelas congregações das Testemunhas de Jeová. — 1 Cor. 6:9, 10.

      Mudanças revolucionárias têm acontecido nos últimos anos nas atitudes do mundo concernentes ao casamento e à vida familiar. Apesar disso, as Testemunhas de Jeová continuam a aderir às normas de Deus, o Originador do casamento, normas estas esboçadas na Bíblia. Usando essas orientações, têm procurado ajudar as pessoas de coração honesto a vencer as circunstâncias difíceis em que muitas se encontram.

      Em resultado disso, muitos que aceitaram a instrução bíblica ministrada pelas Testemunhas de Jeová fizeram mudanças notáveis em sua vida. Homens que antes batiam na esposa, homens que não arcavam com suas responsabilidades, homens que proviam materialmente, mas não em sentido emocional e espiritual — muitos milhares deles se tornaram maridos e pais amorosos que cuidam bem da família. Mulheres que eram extremamente independentes, mulheres que negligenciavam seus filhos e não cuidavam de si mesmas nem de sua casa — muitas dessas se tornaram esposas que respeitam a chefia e seguem um proceder que faz com que sejam muito amadas pelo marido e pelos filhos. Jovens que eram descaradamente desobedientes a seus pais e rebeldes contra a sociedade em geral, jovens que arruinavam sua vida por meio de coisas que praticavam, causando assim angústia a seus pais — muitos desses vieram a ter um objetivo piedoso na vida, e isso os tem ajudado a transformar sua personalidade.

      Naturalmente, um fator importante no êxito no círculo familiar é a honestidade uns com os outros. A honestidade é também vital em outros relacionamentos.

      Até que ponto se exige honestidade?

      As Testemunhas de Jeová reconhecem que se exige honestidade em tudo o que fazem. Como base de seu conceito, indicam textos bíblicos tais como: Jeová é “o Deus da verdade”. (Sal. 31:5) Por outro lado, como disse Jesus, o Diabo é “o pai da mentira”. (João 8:44) Compreensivelmente, pois, entre as coisas que Jeová odeia está a “língua falsa”. (Pro. 6:16, 17) Sua Palavra nos diz: “Sendo que agora pusestes de lado a falsidade, falai a verdade.” (Efé. 4:25) E não só devem os cristãos falar a verdade, mas, como o apóstolo Paulo, precisam ‘comportar-se honestamente em todas as coisas’. (Heb. 13:18) Não existem aspectos na vida em que as Testemunhas de Jeová possam legitimamente ter outros valores.

      Quando Jesus visitou a casa do coletor de impostos Zaqueu, este admitiu que suas práticas comerciais haviam sido impróprias, e deu passos para corrigir seus anteriores atos de extorsão. (Luc. 19:8) Em anos recentes, para terem uma consciência limpa perante Deus, algumas pessoas que começaram a se associar com as Testemunhas de Jeová têm tomado ação similar. Por exemplo, na Espanha, um ladrão inveterado começou a estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová. Logo sua consciência começou a perturbá-lo; de modo que devolveu objetos roubados a seu ex-empregador e a vizinhos, e outros à Polícia. Exigiu-se que pagasse uma multa e ficou preso por um curto período, mas agora ele tem uma consciência limpa. Na Inglaterra, depois de estudar a Bíblia com uma Testemunha de Jeová por apenas dois meses, um ex-ladrão de diamantes entregou-se à Polícia que ficou espantada; ele vinha sendo procurado já por uns seis meses. Daí, durante os dois anos e meio que passou na prisão, ele estudou a Bíblia diligentemente e aprendeu a partilhar as verdades bíblicas com outros. Depois de ser solto, apresentou-se para o batismo como Testemunha de Jeová. — Efé. 4:28.

      A reputação de honestidade das Testemunhas de Jeová é bem conhecida. Muitos patrões já sabem que as Testemunhas não só não roubam deles, mas tampouco mentem nem falsificam registros por ordem de seus patrões — não, nem mesmo se ameaçadas de perder o emprego. Para as Testemunhas de Jeová, uma boa relação com Deus é muito mais importante do que a aprovação de qualquer homem. E reconhecem que, não importa onde estejam ou o que quer que façam, “todas as coisas estão nuas e abertamente expostas aos olhos daquele com quem temos uma prestação de contas”. — Heb. 4:13; Pro. 15:3.

      Na Itália, o jornal La Stampa disse a respeito das Testemunhas de Jeová: “Elas praticam o que pregam . . . Os ideais morais do amor ao próximo, recusa de poder, não-violência e a honestidade pessoal (que para a maioria dos cristãos são ‘regras dominicais’, boas apenas para serem pregadas do púlpito) incorporam-se no seu modo de vida ‘diário’.” E nos Estados Unidos, Louis Cassells, editor de assuntos religiosos da United Press International, Washington, DC, escreveu: “As Testemunhas aderem às suas crenças com grande fidelidade, mesmo quando fazer isso lhes custe muito caro.”

      Por que a jogatina não tem sido um problema entre elas

      Em tempos idos, a honestidade relacionava-se em geral com a disposição de trabalhar arduamente. A jogatina, isto é, arriscar dinheiro numa aposta sobre o resultado de um jogo ou de outro evento, era malvista pela sociedade em geral. Mas, quando o século 20 começou a ser invadido por um espírito de egoísmo e de querer enriquecer, a jogatina — legal e ilegal — tornou-se comum. É patrocinada não só pelo submundo, mas, não raro, também por igrejas e governos seculares para angariarem fundos. Como lidam as Testemunhas de Jeová com essa mudança de atitude na sociedade? À base de princípios bíblicos.

      Segundo tem sido indicado em suas publicações, não há uma ordem específica na Bíblia que diga: não deves jogar. Mas os frutos da jogatina são sempre maus, e esses frutos podres têm sido expostos em A Sentinela e Despertai! já por meio século. Além disso, essas revistas têm mostrado que a jogatina de qualquer espécie envolve atitudes contra as quais a Bíblia adverte. Por exemplo, o amor ao dinheiro: “O amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais.” (1 Tim. 6:10) E o egoísmo: “Nem deves almejar egoistamente . . . qualquer coisa que pertença ao teu próximo.” (Deut. 5:21; compare com 1 Coríntios 10:24.) Também a ganância: “[Cessai] de ter convivência com qualquer que se chame irmão, que for . . . ganancioso.” (1 Cor. 5:11) Além disso, a Bíblia avisa contra recorrer à “Boa Sorte”, como se fosse uma espécie de força sobrenatural que concedesse favores. (Isa. 65:11) Por levarem a sério esses avisos bíblicos, as Testemunhas de Jeová evitam terminantemente a jogatina. E desde 1976 têm feito esforço especial para evitar ter em seu meio qualquer pessoa cujo emprego a identifique claramente qual parte de algum estabelecimento de jogatina.

      A jogatina nunca foi uma grande questão entre as Testemunhas de Jeová. Sabem que, em vez de promover um espírito de ganhar à custa dos outros, a Bíblia as incentiva a trabalhar com suas mãos, a ser fiéis em cuidar do que lhes foi confiado, a ser generosas, a partilhar com os que estão em necessidade. (Efé. 4:28; Luc. 16:10; Rom. 12:13; 1 Tim. 6:18) É isto prontamente reconhecido pelos outros que têm tratos com elas? Sim, especialmente por aqueles com quem têm tratos comerciais. Não é incomum empregadores seculares procurarem Testemunhas de Jeová para contratá-las por saberem que elas são conscienciosas e fidedignas. Reconhecem que é a religião das Testemunhas que as torna a espécie de pessoas que são.

      Que dizer do fumo e do abuso de drogas?

      A Bíblia não menciona o fumo (tabaco), tampouco as muitas outras drogas usadas com abuso hoje em dia. Mas ela fornece orientações que têm ajudado as Testemunhas de Jeová a determinar qual a conduta que agrada a Deus. Assim, já em 1895, quando a Watch Tower comentava o uso do fumo, chamou atenção para 2 Coríntios 7:1, que diz: “Portanto, amados, visto que temos estas promessas, purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade em temor de Deus.”

      Por muitos anos, esse conselho parecia o suficiente. Mas, quando as fábricas de cigarro começaram a fazer propaganda para glamorizar o fumar e, depois, quando se tornou comum o abuso de drogas “ilegais”, foi preciso fazer mais. Outros princípios da Bíblia foram destacados: o respeito por Jeová, o Dador da vida (Atos 17:24, 25); o amor ao próximo (Tia. 2:8) e o fato de que uma pessoa que não ama seu próximo não ama realmente a Deus (1 João 4:20); também a obediência aos governantes seculares (Tito 3:1). Mostrou-se que a palavra grega far·ma·kí·a, que significa basicamente “drogaria”, foi usada pelos escritores da Bíblia para se referir à “prática do espiritismo” por causa do uso de drogas nas práticas espíritas. — Gál. 5:20.

      Já em 1946, a revista Consolação expunha a natureza muitas vezes fraudulenta dos depoimentos pagos usados na propaganda de cigarros. Quando se tornou disponível a evidência científica, Despertai!, sucessora de Consolação, também publicou provas de que o uso do fumo causa câncer, doenças cardíacas, danos ao nascituro de uma mulher grávida e danos aos não-fumantes que são obrigados a inalar ar cheio de fumaça, bem como evidências de que a nicotina vicia. Chamou-se atenção para o efeito entorpecente da maconha e a evidência de que seu uso pode resultar em dano cerebral. Da mesma forma, os graves perigos de outras drogas viciadoras foram considerados repetidas vezes em benefício dos leitores das publicações da Torre de Vigia.

      Muito antes de órgãos governamentais chegarem a um acordo quanto até que ponto deviam alertar as pessoas sobre os danos do uso do fumo, The Watchtower, na sua edição de 1.º de março de 1935, tornou claro que nenhum usuário de tabaco podia ser membro da equipe da sede da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) nem ser um de seus representantes nomeados. Depois que todos os servos nas congregações das Testemunhas de Jeová passaram a ser designados pela Sociedade (sistema iniciado em 1938), The Watchtower de 1.º de julho de 1942 dizia que a proibição do fumo se aplicava também a todos esses servos designados. Em algumas regiões, levou vários anos para que isso fosse plenamente implantado. Entretanto, a maioria das Testemunhas de Jeová acatou esse conselho bíblico e o bom exemplo dos que tomavam a liderança entre elas.

      Como passo adicional na aplicação coerente desse conselho bíblico, a partir de 1973 nenhuma pessoa que ainda fumava foi aceita para o batismo. Nos meses que se seguiram, os que estavam ativamente envolvidos na produção de fumo ou em promover a venda de produtos de fumo foram ajudados a compreender que não podiam continuar a fazer isso e ser aceitos como Testemunhas de Jeová. O conselho da Palavra de Deus tem de ser aplicado coerentemente a todos os aspectos da vida. Essa aplicação dos princípios bíblicos ao uso de tabaco, da maconha e das chamadas drogas pesadas tem protegido as Testemunhas. Com o uso das Escrituras, puderam também ajudar muitos milhares de pessoas cuja vida estava sendo arruinada pelo abuso de drogas.

      São diferentes as bebidas alcoólicas?

      As publicações da Torre de Vigia não adotaram o conceito de que o uso de bebidas alcoólicas seja o mesmo que o abuso de drogas. Por que não? Elas explicam: o Criador sabe como somos feitos, e sua Palavra permite o uso moderado de bebidas alcoólicas. (Sal. 104:15; 1 Tim. 5:23) Mas a Bíblia avisa também contra ‘o excesso no beber’, e condena fortemente a embriaguez. — Pro. 23:20, 21, 29, 30; 1 Cor. 6:9, 10; Efé. 5:18.

      Visto que o consumo imoderado de bebidas inebriantes estava arruinando a vida de muitas pessoas, Charles Taze Russell era a favor da abstinência total. Contudo, ele reconhecia que Jesus fez uso de vinho. Durante o século 19 e no início do século 20, havia muita agitação pública a favor da proibição legal de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos. A Watch Tower expressou abertamente solidariedade para com os que tentavam combater os danos resultantes de bebidas alcoólicas, mas não aderiu à campanha deles para se baixarem leis proibitivas. Entretanto, a revista mostrou firmemente o dano resultante de beber demais e muitas vezes disse que seria melhor abster-se totalmente de vinho ou de outras bebidas alcoólicas. Os que achavam que podiam fazer uso moderado de bebidas alcoólicas foram incentivados a considerar Romanos 14:21 que diz: “É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer algo que faça teu irmão tropeçar.”

      Todavia, em 1930, quando o superintendente da Liga de Temperança nos Estados Unidos foi ao ponto de afirmar publicamente que sua organização “nasceu de Deus”, J. F. Rutherford, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), usou a ocasião para dar discursos pelo rádio, mostrando que tal afirmativa era uma calúnia contra Deus. Por quê? Porque a Palavra de Deus não proíbe totalmente o uso de vinho; porque a lei seca não estava pondo fim à bebedice que Deus deveras condena; e porque a lei seca havia, ao contrário, causado a produção e distribuição ilegal de bebidas alcoólicas e a corrupção governamental.

      O uso de bebidas alcoólicas ou a abstinência delas é considerado pelas Testemunhas de Jeová um assunto pessoal. Mas aderem ao requisito bíblico de que os superintendentes devem ser “moderados nos hábitos”. Essa expressão é traduzida do grego ne·fá·li·on, que literalmente significa ‘sóbrio, temperado; que se abstém de vinho, quer totalmente, quer, pelo menos, do uso imoderado’. Os servos ministeriais também precisam ser homens “não dados a muito vinho”. (1 Tim. 3:2, 3, 8) Portanto, os que bebem em excesso não se qualificam para privilégios especiais de serviço. O fato de que os que tomam a liderança entre as Testemunhas de Jeová dão bom exemplo lhes propicia liberdade de falar ao ajudarem outros que talvez tenham a tendência de recorrer a bebidas alcoólicas para combater o estresse ou que na realidade precisem ser totalmente abstêmios para permanecerem sóbrios. Quais são os resultados?

      Por exemplo, certa notícia da África centro-sul dizia: “Segundo a opinião geral, aquelas regiões em que as Testemunhas de Jeová são mais fortes entre os africanos são agora regiões com menos problemas do que a média. Certamente, elas têm sido ativas contra agitadores, contra a feitiçaria, a bebedice e a violência de toda sorte.” — The Northern News (Zâmbia).

      Outra maneira importante em que a conduta das Testemunhas de Jeová difere da do mundo é no que toca ao —

      Respeito pela vida

      Tal respeito vem do reconhecimento do fato de que a vida é um dom de Deus. (Sal. 36:9; Atos 17:24, 25) Inclui reconhecimento de que mesmo a vida do nascituro é preciosa aos olhos de Deus. (Êxo. 21:22-25; Sal. 139:1, 16) Leva em conta que “cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus”. — Rom. 14:12.

      Em harmonia com esses princípios bíblicos, as Testemunhas de Jeová têm coerentemente evitado a prática do aborto. Para fornecer sólida orientação a seus leitores, a revista Despertai! tem-nas ajudado a reconhecer que a castidade é um requisito divino; tem considerado extensivamente as maravilhas do processo de procriação, bem como os fatores psicológicos e fisiológicos envolvidos no parto. Na era após a Segunda Guerra Mundial, à medida que os abortos se tornaram mais comuns, A Sentinela mostrou claramente que essa prática é contrária à Palavra de Deus. Sem rodeios, a edição de 15 de junho de 1970 dizia: “Um aborto simplesmente para se livrar dum filho indesejável é igual a se tirar deliberadamente uma vida humana.”

      Por que recusam transfusões de sangue

      O respeito pela vida que as Testemunhas de Jeová têm influiu também na sua posição com relação às transfusões de sangue. Quando se viram confrontadas com a questão das transfusões de sangue, The Watchtower de 1.º de julho de 1945 explicou em pormenores o conceito cristão a respeito da santidade do sangue.c Mostrou que tanto o sangue animal como o dos humanos estavam incluídos na proibição divina que se tornou obrigatória para Noé e todos os seus descendentes. (Gên. 9:3-6) Mostrou que este requisito foi salientado novamente no primeiro século na ordem de ‘se absterem de sangue’ dada aos cristãos. (Atos 15:28, 29) Esse mesmo artigo tornava claro, à base das Escrituras, que só o uso sacrificial do sangue era aprovado por Deus, e que, visto que os sacrifícios animais oferecidos sob a Lei mosaica prefiguravam o sacrifício de Cristo, a desconsideração do requisito para os cristãos ‘se absterem de sangue’ seria evidência de crasso desrespeito pelo sacrifício de resgate de Jesus Cristo. (Lev. 17:11, 12; Heb. 9:11-14, 22) Coerente com esse entendimento da questão, a partir de 1961, quem quer que desconsiderasse esse requisito divino, aceitando transfusão de sangue, e manifestasse uma atitude impenitente seria desassociado da congregação das Testemunhas de Jeová.

      De início, os efeitos colaterais físicos das transfusões de sangue não foram considerados nas publicações da Torre de Vigia. Mais tarde, quando essas informações se tornaram disponíveis, essas também foram publicadas — não como a razão de as Testemunhas de Jeová recusarem transfusões de sangue, mas para fortalecer seu apreço pela proibição que o próprio Deus impôs sobre o uso do sangue. (Isa. 48:17) Para esse fim, em 1961 foi publicado o folheto cuidadosamente documentado O Sangue, a Medicina e a Lei de Deus. Em 1977, publicou-se outro folheto. Este, intitulado As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue, salientou de novo o fato de que a posição tomada pelas Testemunhas de Jeová é religiosa, baseada no que a Bíblia diz, e não depende de fatores de risco clínico. Outra atualização do assunto foi apresentada em 1990 na brochura Como Pode o Sangue Salvar Sua Vida?. Com o uso dessas publicações, as Testemunhas de Jeová têm feito muito esforço para conseguir a cooperação dos médicos e ajudá-los a entender a posição delas. Entretanto, por muitos anos, o uso de transfusões de sangue tem gozado de elevada estima da classe médica.

      Embora as Testemunhas de Jeová dissessem aos médicos que não tinham objeção religiosa a tratamentos alternativos, não foi fácil recusar transfusões de sangue. Muitas vezes, fez-se muita pressão sobre as Testemunhas e suas famílias para que se submetessem àquilo que era então o procedimento médico de praxe. Em Porto Rico, em novembro de 1976, Ana Paz de Rosario, de 45 anos, concordou em submeter-se a uma cirurgia e à necessária medicação, mas solicitou que, em razão de suas crenças religiosas, não se usasse sangue. Contudo, munidos de ordem judicial, cinco policiais e três enfermeiras foram ao seu quarto no hospital, depois da meia-noite, amarram-na ao leito e administraram-lhe à força uma transfusão de sangue, contrária ao seu desejo e ao de seu marido e filhos. Ela entrou em choque e morreu. Este de forma alguma é um caso isolado, e não foi só em Porto Rico que tais violências ocorreram.

      Na Dinamarca, pais Testemunhas de Jeová foram perseguidos pela polícia, em 1975, porque recusaram permitir uma transfusão de sangue forçada a seu filho, buscando, em vez disso, um tratamento alternativo. Na Itália, em 1982, um casal, que amorosamente procurou assistência médica em quatro países para sua filha incuravelmente enferma, foi condenado a 14 anos de prisão sob a acusação de homicídio depois de a filha morrer enquanto recebia uma transfusão por ordem judicial.

      Não raro, com relação a tentativas de impor transfusões a filhos menores de Testemunhas de Jeová, tem sido incitada grande hostilidade pública através da imprensa. Em alguns casos, até mesmo sem uma audiência em que os pais pudessem falar, juízes têm emitido ordens para administrar transfusões a filhos de Testemunhas. Em mais de 40 casos no Canadá, porém, as crianças que receberam transfusões foram devolvidas mortas a seus pais.

      Nem todos os médicos e juízes concordam com tais métodos arbitrários. Alguns começaram a instar por uma atitude mais prestativa. Alguns médicos empregaram suas habilidades em fornecer tratamento sem sangue. Nesse processo, ganharam muita experiência com todos os tipos de cirurgia sem sangue. Demonstrou-se aos poucos que todos os tipos de cirurgia podiam ser realizados com êxito, tanto em adultos como em crianças, sem transfusões de sangue.d

      Para evitar desnecessárias confrontações em casos de emergência, as Testemunhas de Jeová, em princípios da década de 60, começaram a fazer visitas especiais a seus médicos para considerar com eles a sua posição e fornecer-lhes literatura apropriada. Mais tarde, solicitaram que uma declaração por escrito fosse colocada nos seus respectivos prontuários, na qual se declara que não lhes sejam administradas transfusões de sangue. Na década de 70, tomaram por hábito carregar consigo um cartão para notificar à classe médica que não lhes sejam administradas transfusões de sangue em nenhuma circunstância. Depois de consultarem médicos e advogados, o estilo do cartão foi ajustado para torná-lo um documento legal.

      Com o fim de amparar as Testemunhas de Jeová na sua determinação de evitar que lhes sejam dadas transfusões de sangue e para eliminar equívocos da parte de médicos e hospitais, bem como estabelecer um espírito mais cooperativo entre as instituições médicas e pacientes Testemunhas de Jeová, formaram-se Comissões de Ligação com Hospitais sob a direção do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. De um punhado de tais comissões, em 1979, elas aumentaram para mais de 800 em mais de 70 países. Anciãos selecionados foram treinados e prestam esse serviço na América do Norte, no Extremo Oriente, nos principais países do Pacífico Sul, na Europa e na América Latina. Além de explicarem a posição das Testemunhas de Jeová, esses anciãos alertam as equipes hospitalares sobre o fato de que existem alternativas válidas para infusões de sangue. Em casos de emergência, eles ajudam a providenciar que haja contatos entre o médico inicialmente consultado e cirurgiões que já trataram de casos similares em Testemunhas sem o uso de sangue. Quando necessário, essas comissões têm visitado não só equipes hospitalares, mas também juízes envolvidos em casos em que os hospitais procuraram ordens judiciais para administrar transfusões.

      Nos casos em que o respeito pela sua crença religiosa sobre a santidade do sangue não pôde ser assegurado por outros meios, as Testemunhas de Jeová têm ocasionalmente processado médicos e hospitais. Elas têm geralmente procurado simplesmente uma ordem de restrição ou um interdito. Em anos recentes, porém, têm até mesmo instaurado processos de indenização contra médicos e hospitais que agiram arbitrariamente. Em 1990, o Tribunal de Recursos de Ontário, no Canadá, deu respaldo a tal processo de indenização por danos em razão de ter o médico desconsiderado um cartão na bolsa da paciente em que se dizia claramente que a Testemunha não aceitaria transfusão de sangue em circunstância alguma. Nos Estados Unidos, desde 1985, pelo menos dez desses processos de indenização por danos foram instaurados em várias partes do país, e freqüentemente os processados têm decidido resolver a questão à parte do tribunal com uma determinada importância, em vez de enfrentarem a possibilidade de um júri estipular mais para a indenização por danos. As Testemunhas de Jeová estão terminantemente decididas a obedecer à proibição divina ao uso de sangue. Preferem não processar médicos, mas farão isso, se for necessário, para impedi-los de administrar à força um tratamento que lhes é moralmente repugnante.

      O público se torna cada vez mais ciente dos perigos inerentes de transfusões de sangue. Isto se dá, em parte, por causa do medo da AIDS. As Testemunhas, porém, são motivadas pelo seu desejo sincero de agradar a Deus. Em 1987, o diário médico francês Le Quotidien du Médecin dizia: “Talvez as Testemunhas de Jeová estejam certas em recusar produtos que contenham sangue, pois é verdade que considerável número de agentes patogênicos podem ser transmitidos pelo sangue transfundido.”

      A posição das Testemunhas de Jeová não se baseia em conhecimento médico superior que se originasse delas. Simplesmente confiam que a maneira de Jeová é certa e que ele ‘não reterá nada de bom’ de seus servos leais. (Sal. 19:7, 11; 84:11) Mesmo se uma Testemunha morrer em resultado de perda de sangue — e isso tem acontecido ocasionalmente — as Testemunhas de Jeová confiam plenamente que Deus não se esquece dos que lhe são fiéis, e lhes restituirá a vida por meio da ressurreição. — Atos 24:15.

      Quando as pessoas decidem desconsiderar as normas bíblicas

      Milhões de pessoas estudaram a Bíblia com as Testemunhas de Jeová, mas nem todas se tornaram Testemunhas. Quando certas pessoas aprendem as elevadas normas que precisam seguir, decidem que não é a espécie de vida que desejam. Todos os que chegam a ser batizados recebem primeiro uma instrução cabal sobre os ensinamentos fundamentais da Bíblia, e depois (especialmente desde 1967) os anciãos na congregação recapitulam esses ensinamentos com cada candidato ao batismo. Faz-se todo o esforço para se certificar de que os batizandos entendam claramente não só a doutrina, mas também o que realmente significa a conduta cristã. Entretanto, que dizer se alguns desses mais tarde permitirem que o amor ao mundo os engode a cometer grave transgressão?

      Já em 1904, no livro The New Creation (A Nova Criação), chamou-se atenção para a necessidade de tomar a devida ação para não permitir a desmoralização da congregação. O entendimento que os Estudantes da Bíblia tinham sobre as medidas a tomar no caso de transgressores, esboçadas em Mateus 18:15-17, foi considerado ali. Em harmonia com isso, houve em raras ocasiões ‘julgamentos na igreja’ em que se apresentou à inteira congregação a evidência de transgressão em casos graves. Anos mais tarde, A Sentinela, de abril de 1945, recapitulou o assunto à luz da Bíblia inteira e mostrou que tais assuntos que envolviam a congregação deviam ser tratados por irmãos encarregados de supervisão na congregação. (1 Cor. 5:1-13; compare com Deuteronômio 21:18-21.) Isto foi seguido, na Sentinela de dezembro de 1952 e de janeiro de 1953, de artigos que enfatizavam não só o proceder correto, mas a necessidade de se tomarem medidas para manter limpa a organização. Repetidamente desde então, deu-se consideração a esse assunto. Mas os objetivos sempre permaneceram os mesmos: (1) manter limpa a organização e (2) inculcar no transgressor a necessidade de sincero arrependimento, visando sua recuperação.

      No primeiro século, houve alguns que abandonaram a fé em troca de uma vida devassa. Outros se desviaram por causa de doutrinas apóstatas. (1 João 2:19) A mesma coisa continua a acontecer entre as Testemunhas de Jeová neste século 20. Infelizmente, em tempos recentes foi necessário desassociar dezenas de milhares de transgressores impenitentes a cada ano. Houve entre esses até mesmo anciãos preeminentes. Os mesmos requisitos bíblicos se aplicam a todos. (Tia. 3:17) As Testemunhas de Jeová compreendem que é vital conservar a organização moralmente limpa para se continuar a ter a aprovação de Jeová.

      Revestir-se da nova personalidade

      Jesus instou com as pessoas para que fossem limpas não só externamente, mas também no íntimo. (Luc. 11:38-41) Ele mostrou que as coisas que dizemos e fazemos são um reflexo daquilo que há em nosso coração. (Mat. 15:18, 19) Segundo explicou o apóstolo Paulo, se formos realmente ensinados por Cristo, seremos ‘feitos novos na força que ativa a nossa mente’, e ‘nos revestiremos da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade’. (Efé. 4:17-24) Os que estão sendo ensinados por Cristo buscam adquirir “a mesma atitude mental que Cristo Jesus teve”, portanto, pensam e agem como ele. (Rom. 15:5) A conduta das Testemunhas de Jeová quais indivíduos reflete até que ponto fizeram realmente isso.

      As Testemunhas de Jeová não dizem que sua conduta seja impecável. Mas são sinceras nos seus esforços de imitar a Cristo ao passo que se harmonizam com a elevada norma bíblica de conduta. Não negam que haja outras pessoas que aplicam elevadas normas morais em sua vida. Mas, no caso das Testemunhas de Jeová, não é só quais indivíduos, mas como organização internacional que são prontamente reconhecidas por causa de sua conduta que se harmoniza com as normas da Bíblia. São motivadas pelo conselho inspirado, registrado em 1 Pedro 2:12: “Mantende a vossa conduta excelente entre as nações, para que . . . em resultado das vossas obras excelentes, das quais são testemunhas oculares, glorifiquem a Deus.”

      [Nota(s) de rodapé]

      a  Em The Watchtower de 15 de outubro de 1941, esse assunto tornou a ser considerado, de forma um tanto abreviada, sob o título “Caráter ou Integridade — Qual?”.

      b  A Sentinela de novembro de 1951 definiu a fornicação como “relações sexuais voluntárias por parte de uma pessoa solteira com uma pessoa do sexo oposto”. The Watchtower de 1.º de janeiro de 1952 acrescentou que o termo bíblico podia também aplicar-se à imoralidade sexual da parte de uma pessoa casada.

      c  Considerações anteriores sobre a santidade do sangue apareceram em The Watch Tower de 15 de dezembro de 1927, bem como na Watchtower de 1.º de dezembro de 1944, que mencionaram especificamente as transfusões de sangue.

      d  Contemporary Surgery, de março de 1990, pp. 45-9; The American Surgeon, de junho de 1987, pp. 350-6; Miami Medicine, de janeiro de 1981, p. 25; New York State Journal of Medicine, de 15 de outubro de 1972, pp. 2524-7; The Journal of the American Medical Association, de 27 de novembro de 1981, pp. 2471-2; Cardiovascular News, de fevereiro de 1984, p. 5; Circulation, de setembro de 1984.

      [Destaque na página 172]

      “Elas têm notáveis valores morais.”

      [Destaque na página 174]

      Houve alguma vez dúvida sobre como considerar o homossexualismo?

      [Destaque na página 175]

      O colapso moral no mundo não fez com que as Testemunhas se tornassem permissivas.

      [Destaque na página 176]

      Alguns tentaram ser Testemunhas sem abandonar a poligamia.

      [Destaque na página 177]

      Vigoroso programa para ensinar o conceito de Jeová sobre o divórcio.

      [Destaque na página 178]

      Mudanças notáveis na vida das pessoas

      [Destaque na página 181]

      Fumar — Não!

      [Destaque na página 182]

      Bebidas alcoólicas — moderadamente, se é que fazem uso de tais.

      [Destaque na página 183]

      Terminantemente decididas a não aceitar sangue.

      [Destaque na página 187]

      Desassociação — para manter moralmente limpa a organização.

      [Quadro na página 173]

      ‘Desenvolvimento do caráter’ — os frutos nem sempre foram bons

      Um relatório da Dinamarca: ‘Muitos, especialmente entre os irmãos mais antigos, nos seus sinceros esforços de se revestir de uma personalidade cristã, procuravam evitar tudo o que tivesse a mínima mancha de mundanismo e deste modo tornar-se mais dignos do Reino celestial. Não raro, considerava-se impróprio sorrir durante as reuniões, e muitos dos irmãos mais antigos só usavam ternos pretos, sapatos pretos, gravatas pretas. Contentavam-se com freqüência em levar uma vida calma e pacífica no Senhor. Achavam que bastava realizar reuniões e deixar que os colportores fizessem a pregação.’

      [Quadro na página 179]

      O que outros observam nas Testemunhas

      ◆ “Münchner Merkur”, um jornal alemão, noticiava a respeito das Testemunhas de Jeová: “São os mais honestos e mais pontuais contribuintes de impostos da República Federal. Sua obediência às leis pode ser vista na maneira em que dirigem automóvel, bem como nas estatísticas sobre crimes. . . . Obedecem aos em autoridade (pais, professores, governo). . . . A Bíblia, a base de todas as suas ações, é seu apoio.”

      ◆ O prefeito de Lens, França, disse às Testemunhas, depois de usarem o estádio municipal para um de seus congressos: “O que gosto é que cumprem a palavra e os acordos, e além disto, são limpos, disciplinados e organizados. Gosto de sua sociedade. Sou contra a desordem, e não gosto de pessoas que andam por aí sujando e quebrando as coisas.”

      ◆ O livro “Voices From the Holocaust” (Vozes do Holocausto) contém memórias de uma sobrevivente polonesa dos campos de concentração de Auschwitz e de Ravensbrück, que escreveu: “Vi pessoas que se tornaram muito, muito boas e pessoas que se tornaram totalmente más. O grupo mais agradável era o das Testemunhas de Jeová. Tiro o chapéu diante dessas pessoas. . . . Fizeram coisas maravilhosas para os outros. Ajudaram os doentes, repartiram o seu pão e deram consolo espiritual a todos os perto delas. Os alemães as odiavam e as respeitavam ao mesmo tempo. Davam-lhes os piores trabalhos, mas elas os aceitavam de cabeça erguida.”

  • “Não fazem parte do mundo”
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 14

      “Não fazem parte do mundo”

      ATUALMENTE, as religiões, na maioria, fazem em grande medida parte do mundo, pois participam nas celebrações do mundo e refletem seu espírito de nacionalismo. Seus clérigos não raro reconhecem esse fato, e muitos dentre eles gostam que assim seja. Em nítido contraste, Jesus disse sobre seus verdadeiros seguidores: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” — João 17:16.

      O que revelam os antecedentes das Testemunhas de Jeová neste respeito? Dão evidência convincente de que não fazem parte do mundo?

      Atitude para com o próximo

      Os antigos Estudantes da Bíblia estavam bem cientes de que os cristãos verdadeiros não fariam parte do mundo. The Watch Tower (A Sentinela) explicou que, por serem os seguidores ungidos de Cristo santificados e gerados pelo espírito santo para poderem participar do Reino celestial, foram por meio desse ato de Deus apartados do mundo. Além disso, indicou que tinham a obrigação de evitar o espírito do mundo — seus objetivos, suas ambições e esperanças, bem como seus caminhos egoístas. — 1 João 2:15-17.

      Influiu isso na atitude dos Estudantes da Bíblia para com os que não partilhavam suas crenças? Certamente não os tornou reclusos. Mas os que realmente aplicavam o que aprendiam das Escrituras não procuravam companheirismo com pessoas mundanas para partilhar seu modo de vida. The Watch Tower apresentou aos servos de Deus o conselho da Bíblia no sentido de ‘fazerem o que é bom para com todos’. Aconselhou também que, quando perseguidos, deviam procurar evitar o espírito de vingança, mas, ao contrário, como Jesus disse, deviam ‘amar os seus inimigos’. (Gál. 6:10; Mat. 5:44-48) Em especial, instou com eles a partilhar com outros a preciosa verdade a respeito da provisão divina de salvação.

      Fazendo essas coisas, compreensivelmente o mundo os consideraria diferentes. Mas, não fazer parte do mundo envolve mais do que isso — muito mais.

      Separadas e distintas de Babilônia, a Grande

      Para não fazerem parte do mundo, não podiam fazer parte dos sistemas religiosos profundamente envolvidos nos assuntos do mundo e cujas doutrinas e costumes se originaram da antiga Babilônia, inimiga de longa data da adoração verdadeira. (Jer. 50:29) Quando estourou a Primeira Guerra Mundial, por décadas os Estudantes da Bíblia vinham expondo as raízes pagãs de doutrinas da cristandade tais como a Trindade, a imortalidade da alma humana e do inferno de fogo. Haviam também exposto os antecedentes das igrejas em tentar manobrar os governos para seus próprios fins egoístas. Por causa das doutrinas e práticas da cristandade, os Estudantes da Bíblia a haviam identificado com “Babilônia, a Grande”. (Rev. 18:2) Mostraram que ela misturara a verdade com o erro, o cristianismo pouco zeloso com o mundanismo descarado, e que o nome bíblico “Babilônia” (que significa “Confusão”) descrevia bem essa condição. Instaram com os amantes de Deus a sair de “Babilônia”. (Rev. 18:4) Com esse objetivo, em fins de dezembro de 1917 e início de 1918, distribuíram 10.000.000 de exemplares da edição de The Bible Students Monthly (O Mensário dos Estudantes da Bíblia) que trazia o assunto “A Queda de Babilônia”, que foi uma pungente exposição da cristandade. Isto, por sua vez, resultou em amarga inimizade da parte do clero que aproveitou a histeria do tempo de guerra para tentar esmagar a obra das Testemunhas de Jeová.

      Forçosamente, sair de Babilônia, a Grande, envolvia deixar de ser membro de organizações que ensinavam suas doutrinas falsas. Os Estudantes da Bíblia fizeram isso, embora por muitos anos considerassem como irmãos cristãos àqueles nas igrejas que professavam plena consagração e fé no resgate. Contudo, não só os Estudantes da Bíblia escreviam cartas pedindo para serem excluídos como membros das igrejas da cristandade, mas, quando possível, alguns liam suas cartas em voz alta nas reuniões da igreja onde era costume os membros se expressarem. Quando isso não era possível, enviavam uma cópia de sua carta pedindo exclusão — carta bondosa que continha testemunho apropriado — a todos os membros da congregação.

      Asseguravam-se também de não levar consigo quaisquer dos costumes e práticas não piedosas dessas organizações? Qual era a situação no período até a Primeira Guerra Mundial?

      Devia a religião mesclar-se na política?

      No campo político, os governantes de muitas das principais nações, por causa de suas ligações com uma igreja, católica ou protestante, por muito tempo vinham sustentando que governavam ‘por direito divino’ quais representantes do Reino de Deus e que eram agraciados de modo especial por Deus. A igreja dava sua bênção ao governo; este, por sua vez, apoiava a igreja. Agiam assim também os Estudantes da Bíblia?

      Em vez de imitarem as igrejas da cristandade, procuravam aprender dos ensinamentos e do exemplo de Jesus Cristo e de seus apóstolos. O que lhes revelou seu estudo da Bíblia? As antigas publicações da Torre de Vigia mostram que eles estavam cientes de que, quando interrogado pelo governador romano Pôncio Pilatos, Jesus dissera: “Meu reino não faz parte deste mundo.” Em resposta à pergunta sobre qual era o papel desempenhado por Jesus, este disse ao governador: “Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.” (João 18:36, 37) Os Estudantes da Bíblia sabiam que Jesus se apegava sem vacilar a essa tarefa. Quando o Diabo lhe ofereceu todos os reinos do mundo e sua glória, ele rejeitou isso. Quando as pessoas quiseram fazer dele um rei, ele se retirou. (Mat. 4:8-10; João 6:15) Os Estudantes da Bíblia não passaram por alto o fato de Jesus se referir ao Diabo como “o governante do mundo” e de dizer que o Diabo ‘não tinha nenhum poder sobre ele’. (João 14:30) Podiam notar que Jesus não procurava envolvimento, nem para si nem para seus seguidores, no sistema político de Roma, mas estava plenamente ocupado em declarar as “boas novas do reino de Deus”. — Luc. 4:43.

      Será que o fato de crerem nessas coisas escritas na Palavra de Deus fomentou desrespeito pela autoridade governamental? Não, de forma alguma. Ao contrário, ajudou-os a entender por que os problemas enfrentados pelos governantes são tão grandes, por que há tanta anarquia e por que os programas governamentais para melhorar a situação das pessoas não raro são frustrados. Sua crença fez com que fossem pacientes em face de dificuldades, porque confiavam que Deus, no seu devido tempo, traria alívio permanente por meio de seu Reino. Naquela época, eles entendiam que “as autoridades superiores”, mencionadas em Romanos 13:1-7, eram os governantes seculares. Em harmonia com isso, instavam mostrar respeito pelas autoridades governamentais. Ao considerar Romanos 13:7, C. T. Russell disse, no livro The New Creation (A Nova Criação, publicado em 1904), que os verdadeiros cristãos “devem naturalmente ser os mais sinceros no seu reconhecimento dos grandes deste mundo, e os mais obedientes às leis e às exigências da lei, salvo estas estejam em conflito com as ordens e os mandamentos celestiais. Poucos governantes terrestres em nossos dias, se é que alguns, acharão falta em reconhecermos um Criador supremo e em nossa suprema lealdade a seus mandamentos. Por conseguinte, [os cristãos verdadeiros] devem estar entre os que no tempo atual melhor acatam as leis — não devem ser agitadores, nem briguentos, nem críticos”.

      Quais cristãos, os Estudantes da Bíblia sabiam que a obra à qual tinham de devotar-se era a pregação do Reino de Deus. E, segundo declarado no primeiro volume de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras), “se isso for feito fielmente, não haverá tempo nem inclinação para se mesclar na política dos governos atuais”.

      Neste respeito, eram bastante semelhantes aos primitivos cristãos descritos por Augustus Neander no livro The History of the Christian Religion and Church, During the Three First Centuries (História da Religião e da Igreja Cristã nos Três Primeiros Séculos): “Os cristãos se mantinham alheios e separados do estado, . . . e o cristianismo parecia capaz de influenciar a vida civil apenas desse modo, sendo este, é preciso confessar, o mais puro, por praticamente se esforçarem a incutir mais e mais o sentimento sagrado nos cidadãos do estado.”

      Quando o mundo entrou em guerra

      Em todo o globo os eventos da Primeira Guerra Mundial testaram severamente as afirmações dos que professavam ser cristãos. Foi a mais horrível guerra travada até então; quase a população inteira do mundo ficou envolvida de uma forma ou outra.

      O Papa Benedito XV, apesar da simpatia do Vaticano pelas Potências do Eixo, procurou manter uma aparência de neutralidade. Entretanto, em nenhuma nação o clero, quer católico, quer protestante, manteve tal posição de neutralidade. Com respeito à situação nos Estados Unidos, o Dr. Ray Abrams escreveu no seu livro Preachers Present Arms (Pregadores Apresentam Armas): “As igrejas assumiram uma união de propósito até então desconhecida nos anais religiosos. . . . Os líderes não perderam tempo para se organizarem cabalmente numa base de tempo de guerra. Dentro de vinte e quatro horas após a declaração de guerra, o Conselho Federal das Igrejas de Cristo na América fez planos para a mais plena cooperação. . . . A Igreja Católica Romana, organizada para um serviço similar, sob o Conselho Nacional Católico de Guerra, dirigido por quatorze arcebispos e tendo o Cardeal Gibbons como presidente, demonstrou igual devoção à causa da guerra. . . . Muitas das igrejas foram ainda mais longe do que o que se lhes pediu. Tornaram-se centros de recrutamento para o alistamento de soldados.” O que fizeram os Estudantes da Bíblia?

      Embora se empenhassem em fazer o que achavam que agradava a Deus, sua posição nem sempre foi de estrita neutralidade. O que fizeram foi influenciado pela crença, partilhada em comum com outros cristãos professos, de que “as autoridades superiores” eram “ordenadas por Deus”, segundo a fraseologia da King James Version. (Rom. 13:1) Assim, em concordância com uma proclamação feita pelo presidente dos Estados Unidos, The Watch Tower instou com os Estudantes da Bíblia que participassem em observar 30 de maio de 1918 como um dia de orações e súplicas com respeito ao resultado da guerra mundial.a

      Durante os anos de guerra, as circunstâncias em que cada Estudante da Bíblia foi impelido eram variadas. A maneira de agirem em tais situações foi também variada. Sentindo-se obrigados a obedecer às “autoridades existentes”, já que se referiam aos governantes seculares, alguns entraram nas trincheiras das linhas de combate com fuzis e baionetas. Mas, tendo em mente o texto: “Não matarás”, atiravam no ar ou tentavam simplesmente derrubar a arma das mãos do inimigo. (Êxo. 20:13, Almeida) Alguns, como Remigio Cuminetti, na Itália, se recusaram a usar uniforme militar. O governo italiano naquele tempo não fazia exceção a quem quer que fosse que por motivos de consciência recusasse pegar em armas. Ele foi julgado cinco vezes, sendo lançado em prisões e numa instituição para doentes mentais, mas sua fé e sua determinação permaneceram inabaláveis. Na Inglaterra, alguns que requereram isenção foram designados a trabalhos de importância nacional ou a corpos de soldados não-combatentes. Outros, como Pryce Hughes, adotaram uma posição de estrita neutralidade, não obstante as conseqüências para si.

      Nessa ocasião, pelo menos, os antecedentes de modo geral dos Estudantes da Bíblia não eram bem como os dos primitivos cristãos descritos por E. W. Barnes, em The Rise of Christianity (A Ascensão do Cristianismo), que escreveu: “Uma cuidadosa análise de toda a informação disponível mostra que, até o tempo de Marco Aurélio [imperador romano de 161 a 180 EC], nenhum cristão se tornou soldado; e nenhum soldado, depois de tornar-se cristão, permaneceu no serviço militar.”

      Mas, depois, no fim da Primeira Guerra Mundial, surgiu outra situação que requeria que os grupos religiosos mostrassem onde estava a sua lealdade.

      Uma expressão política do Reino de Deus?

      Um tratado de paz, que incluía o Pacto da Liga das Nações, foi assinado em Versalhes, França, em 28 de junho de 1919. Mesmo antes de ser assinado esse tratado de paz, o Conselho Federal das Igrejas de Cristo na América entrou nas notícias por proclamar que a Liga seria “a expressão política do Reino de Deus na Terra”. E o Senado dos EUA recebeu uma avalanche de cartas de grupos religiosos que instavam que ratificasse o Pacto da Liga das Nações.

      As Testemunhas de Jeová não aderiram a essa campanha. Mesmo antes de ser ratificado o tratado de paz (em outubro), J. F. Rutherford proferiu um discurso em Cedar Point, Ohio, em 7 de setembro de 1919, em que ele mostrou que não a Liga das Nações, mas sim o Reino estabelecido pelo próprio Deus era a única esperança para a humanidade angustiada. Apesar de reconhecerem que uma aliança humana para melhorar as condições pudesse realizar muitas coisas boas, aqueles Estudantes da Bíblia não viraram as costas para o Reino de Deus em troca de um expediente político estabelecido por políticos e abençoado pelo clero. Em vez disso, empreenderam a obra de dar um testemunho global sobre o Reino que Deus colocara nas mãos de Jesus Cristo. (Rev. 11:15; 12:10) Em The Watch Tower de 1.º de julho de 1920, explicou-se que esta era a obra predita por Jesus, em Mateus 24:14.

      De novo, após a Segunda Guerra Mundial, os cristãos se viram confrontados com uma questão similar. Desta vez, relacionava-se com as Nações Unidas, uma organização sucessora da Liga. Enquanto continuava a Segunda Guerra Mundial, em 1942, as Testemunhas de Jeová já haviam discernido, com base na Bíblia, em Revelação (Apocalipse) 17:8, que a organização de paz mundial surgiria de novo, também que fracassaria em trazer paz permanente. Isto foi explicado por N. H. Knorr, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), no discurso proferido num congresso: “Paz — Pode Durar?”. As Testemunhas de Jeová proclamaram destemidamente esse conceito sobre a situação mundial em curso. Por outro lado, líderes católicos, protestantes e judaicos participaram realmente nas deliberações em São Francisco, EUA, em 1945, durante as quais foi redigida a Carta da ONU. Aos observadores desses acontecimentos, ficou claro quem desejava ser “amigo do mundo” e quem eram os que se esforçavam a ‘não fazer parte do mundo’, segundo Jesus havia dito que se daria com os seus discípulos. — Tia. 4:4; João 17:14.

      Antecedentes de neutralidade cristã

      Embora as Testemunhas de Jeová logo discernissem algumas questões que envolviam a relação dos cristãos com o mundo, outros assuntos precisavam de mais tempo. Todavia, quando a Segunda Guerra Mundial ganhava ímpeto na Europa, um importante artigo em A Torre de Vigia (agora A Sentinela) de fevereiro de 1940, ajudou-as a compreender o que significava a neutralidade cristã. Os seguidores de Jesus Cristo, dizia o artigo, têm obrigação perante Deus de estar totalmente devotados a ele e a seu Reino, a Teocracia. Suas orações devem ser a favor do Reino de Deus, não do mundo. (Mat. 6:10, 33) À luz daquilo que Jesus revelou com respeito à identidade do governante invisível do mundo (João 12:31; 14:30), o artigo raciocinava: como poderia alguém devotado ao Reino de Deus favorecer um lado ou outro num conflito entre facções do mundo? Não havia Jesus dito sobre seus seguidores: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo”? (João 17:16) Esta posição de neutralidade cristã não seria entendida de modo geral pelo mundo. Mas viveriam realmente as Testemunhas de Jeová à altura disso?

      Sua neutralidade foi posta a uma severa prova durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente na Alemanha. O historiador Brian Dunn disse: ‘As Testemunhas de Jeová eram incompatíveis com o nazismo. A mais importante das objeções do nazismo contra elas era a sua atitude de neutralidade política. Isto significava que nenhum crente portaria armas, nem ocuparia um cargo político, nem tomaria parte em festas públicas, tampouco faria qualquer saudação de lealdade.’ (The Churches’ Response to the Holocaust [A Resposta das Igrejas ao Holocausto], 1986) Em A History of Christianity, Paul Johnson disse mais: “Muitos foram sentenciados à morte por recusarem prestar serviço militar . . . ou foram levados a Dachau ou a manicômios.” Quantas Testemunhas na Alemanha foram presas? As Testemunhas de Jeová relataram depois que 6.262 foram presas e 2.074 dessas foram postas em campos de concentração. Os escritores seculares geralmente optam por números mais elevados.

      Na Grã-Bretanha, onde tanto homens como mulheres foram convocados, a lei tinha provisão de isenção; mas isto foi recusado às Testemunhas de Jeová por muitos tribunais, e os juízes lhes impuseram termos de prisão de mais de 600 anos, no total. Nos Estados Unidos, centenas de Testemunhas de Jeová quais ministros cristãos receberam isenção do serviço militar. A mais de 4.000 outras, negou-se a isenção provida pela Lei do Serviço de Recrutamento, sendo presas e encarceradas durante períodos de até cinco anos. Em todos os países da Terra, as Testemunhas de Jeová mantiveram a mesma posição de neutralidade cristã.

      Contudo, o teste da genuinidade de sua neutralidade não cessou com o fim da guerra. Embora a crise de 1939-45 tivesse terminado, surgiram outros conflitos; e mesmo em tempos de relativa paz, muitas nações decidiram conservar o serviço militar obrigatório. As Testemunhas de Jeová, quais ministros cristãos, continuaram a enfrentar prisões quando não se lhes concedia a isenção. Em 1949, quando John Tsukaris e George Orphanidis se recusaram a pegar em armas contra seus semelhantes, o governo grego ordenou a execução deles. O tratamento (de várias formas) dado às Testemunhas de Jeová na Grécia foi repetidamente tão cruel que com o tempo o Conselho da Europa (O Comitê dos Direitos Humanos) se empenhou em usar sua influência a favor delas, mas, em resultado de pressão da parte da Igreja Ortodoxa Grega, até 1992, suas instâncias, com poucas exceções, foram malogradas. Contudo, alguns governos acharam repulsivo continuar a punir as Testemunhas de Jeová por causa de suas conscienciosas crenças religiosas. Na década de 90, em alguns países, como na Suécia, Finlândia, Polônia, Países Baixos e Argentina, o governo não pressionava as Testemunhas ativas a fazer o serviço militar ou serviço nacional alternativo compulsório, embora cada caso fosse examinado cuidadosamente.

      Num lugar após outro, as Testemunhas de Jeová viram-se confrontadas com situações que desafiavam sua neutralidade cristã. Os governos no poder na América Latina, África, Oriente Médio, Irlanda do Norte e em outras partes têm enfrentado violenta oposição de forças revolucionárias. Em resultado disso, tanto os governos como as forças da oposição têm pressionado as Testemunhas de Jeová a dar apoio ativo. Mas as Testemunhas de Jeová têm mantido completa neutralidade. Algumas delas foram cruelmente espancadas, até mesmo executadas, por causa da posição que tomaram. Não raro, porém, a genuína neutralidade cristã das Testemunhas de Jeová lhes granjeou o respeito das autoridades de ambos os lados, e permite-se às Testemunhas prosseguir sem molestação sua obra de falar a outros sobre as boas novas do Reino de Jeová.

      Nas décadas de 60 e 70, a neutralidade das Testemunhas sofreu testes brutais em relação com a exigência feita para que todos os cidadãos de Malaui comprassem um cartão que os identificasse como membros do partido político no poder. As Testemunhas de Jeová consideraram que a participação nisso seria contrária às suas crenças cristãs. Como resultado, sofreram perseguição sem precedentes em crueldade sádica. Dezenas de milhares foram forçadas a fugir do país, e muitas delas foram com o tempo repatriadas a força para enfrentarem mais brutalidade.

      Embora violentamente perseguidas, as Testemunhas de Jeová não reagem com espírito de rebelião. Suas crenças não põem em perigo nenhum governo sob o qual vivem. Em contraste com isso, o Conselho Mundial de Igrejas tem ajudado a custear revoluções, e sacerdotes católicos têm apoiado forças de guerrilhas. Mas, se uma Testemunha de Jeová participasse em atividade subversiva, isso seria o mesmo que renunciar à sua fé.

      É fato que as Testemunhas de Jeová acreditam que todos os governos humanos serão eliminados pelo Reino de Deus. Isto é o que a Bíblia diz, em Daniel 2:44. Mas, conforme as Testemunhas mostram, em vez de dizer que humanos estabelecerão esse Reino, o texto declara que “o Deus do céu estabelecerá um reino”. Da mesma forma, explicam que esse texto não diz que humanos estejam autorizados por Deus a abrir o caminho para esse Reino eliminando os governos humanos. As Testemunhas de Jeová reconhecem que a obra dos cristãos verdadeiros é pregar e ensinar. (Mat. 24:14; 28:19, 20) Em harmonia com seu respeito pela Palavra de Deus, seus antecedentes mostram que nenhuma delas jamais tentou derrubar um governo de espécie alguma no mundo, tampouco jamais fizeram algum complô para prejudicar alguma autoridade pública. O jornal italiano La Stampa dizia a respeito das Testemunhas de Jeová: “São os cidadãos mais leais que se possa desejar: não sonegam impostos nem procuram esquivar-se de leis inconvenientes a seus próprios lucros.” Todavia, por reconhecer a seriedade do assunto aos olhos de Deus, cada uma delas está firmemente decidida a ‘não fazer parte do mundo’. — João 15:19; Tia. 4:4.

      Quando emblemas nacionais se tornaram objetos de devoção

      Com a ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha, houve uma onda de histeria patriótica no mundo. Para arregimentar as pessoas, tornou-se compulsória a participação em cerimônias patrióticas. Na Alemanha, exigia-se de toda pessoa que fizesse determinada continência e bradasse: “Heil Hitler!” Isto significava enaltecer Hitler como salvador; tinha por objetivo transmitir a idéia de que todas as esperanças das pessoas se centralizavam na liderança dele. Mas as Testemunhas de Jeová não podiam compartilhar tais sentimentos. Sabiam que só podiam prestar adoração a Jeová e que Ele suscitara a Jesus Cristo como Salvador da humanidade. — Luc. 4:8; 1 João 4:14.

      Mesmo antes de Hitler tornar-se ditador na Alemanha, as Testemunhas de Jeová, no folheto The Kingdom, the Hope of the World (publicado em 1931, com título em português O Reino de Deus É a Felicidade do Povo), consideraram o exemplo bíblico dos três corajosos companheiros hebreus do profeta Daniel em Babilônia. Quando o rei lhes ordenou que se curvassem diante de uma imagem ao toque de certa música, aqueles fiéis hebreus recusaram transigir, e Jeová mostrou claramente sua aprovação libertando-os. (Dan. 3:1-26) O folheto indicava que as Testemunhas de Jeová enfrentaram nos tempos modernos cerimônias patrióticas com similar desafio de sua fidelidade.

      Aos poucos, a agitação a favor de cerimônias patrióticas compulsórias se alastrou para além da Alemanha. Em 3 de junho de 1935, num congresso em Washington, DC, quando se pediu a J. F. Rutherford que fizesse comentário sobre a saudação à bandeira nas escolas, ele frisou a questão da fidelidade a Deus. Alguns meses mais tarde, quando Carleton B. Nichols Jr., de oito anos, em Lynn, Massachusetts, se recusou a saudar a bandeira americana e cantar um hino patriótico, isso foi noticiado nos jornais no país inteiro.

      Para explicar a questão, o irmão Rutherford deu um discurso pelo rádio, em 6 de outubro, sobre o tema “Saudação à Bandeira”, em que ele disse: “Para muitas pessoas a saudação à bandeira é simples formalismo e tem pouco ou nenhum significado. Para os que sinceramente a consideram do ponto de vista bíblico, significa muito.

      “A bandeira representa os poderes governamentais visíveis. Tentar por meio da lei obrigar um cidadão ou um filho menor de um cidadão a saudar qualquer objeto ou coisa que seja, ou cantar os chamados ‘hinos patrióticos’, é inteiramente injusto e errado. As leis são feitas e impostas para prevenir o cometimento de atos manifestos que resultem em dano a outros, e não são feitas para obrigar alguém a violar sua consciência, especialmente quando essa consciência é orientada em harmonia com a Palavra de Jeová Deus.

      “A recusa de saudar a bandeira e o fato de se manter calado, como fez esse menino, não podem causar dano a ninguém. Se a pessoa sinceramente crê que o mandamento de Deus é contra a saudação a bandeiras, então compeli-la a saudar uma bandeira, o que está em conflito com a Palavra de Deus e é contrário à sua consciência, causa grande dano a tal pessoa. O Estado não tem direito, por lei ou de outra forma, de causar dano às pessoas.”

      Uma explicação adicional das razões da posição adotada pelas Testemunhas de Jeová foi fornecida no folheto Loyalty (Lealdade), publicado também em 1935. Chamou-se atenção para os seguintes textos: Êxodo 20:3-7, que ordena que só se deve adorar a Jeová e diz que os servos de Deus não devem fazer imagem alguma ou semelhança de coisa alguma, quer no céu, quer na Terra, nem curvar-se diante dela; Lucas 20:25, onde Jesus Cristo orientou que não só se deviam pagar a César as coisas de César, mas o que pertence a Deus deve ser dado a Ele; e Atos 5:29, onde os apóstolos firmemente declararam: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.”

      Nos Estados Unidos, foi levada perante a justiça a questão quanto a se é correto compelir alguém a saudar a bandeira. Em 14 de junho de 1943, o Supremo Tribunal dos EUA revogou a sua própria decisão anterior e, no caso da Junta de Educação do Estado de Virgínia do Oeste v. Barnette, decidiu que a saudação compulsória à bandeira era incoerente com a garantia da liberdade concedida pela própria constituição daquela nação.b

      A questão que envolvia cerimônias nacionalísticas não se limitava de forma alguma à Alemanha e aos Estados Unidos. Na América do Norte e do Sul, Europa, África e Ásia, as Testemunhas de Jeová têm sido cruelmente perseguidas por causa de sua não-participação, muito embora se conservem de pé respeitosamente durante as cerimônias de saudação à bandeira ou similares. Crianças têm sido espancadas; muitas delas foram expulsas das escolas. Muitos casos foram debatidos em tribunais.

      Os observadores se sentiram impelidos a reconhecer, porém, que neste e em outros assuntos as Testemunhas de Jeová têm revelado ser como os primitivos cristãos. Contudo, segundo declarado no livro The American Character (O Caráter Americano): “Para a sobrepujante maioria . . ., as objeções das Testemunhas eram tão incompreensíveis quanto eram para Trajano e Plínio as objeções dos cristãos [no Império Romano] a fazer sacrifício formal ao Imperador Divino.” Isso era de esperar, pois as Testemunhas de Jeová, como os cristãos primitivos, consideram as coisas não como o mundo, mas segundo os princípios bíblicos.

      Sua posição claramente expressa

      Depois de as Testemunhas de Jeová passarem por terríveis testes de sua neutralidade cristã por muitos anos, A Sentinela de 1.º de junho de 1980 reafirmou a posição delas. Explicou também a razão da ação tomada pelas Testemunhas individualmente, ao dizer: “Em resultado de um cuidadoso estudo da Palavra de Deus, estes jovens cristãos puderam tomar uma decisão. Ninguém fez esta decisão por eles. Puderam fazê-la individualmente baseados na sua consciência treinada pela Bíblia. A decisão deles foi refrear-se de atos de ódio e de violência contra seu próximo em outras nações. Sim, acreditavam e desejavam participar no cumprimento da bem conhecida profecia de Isaías: ‘Terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.’ (Isa. 2:4) Estes jovens de todas as nações fizeram justamente isso.”

      Durante os anos em que foi provada a sua lealdade para com a neutralidade cristã, um reexame do que a Bíblia diz, em Romanos 13:1-7, sobre “as autoridades superiores”, levou a uma declaração mais clara da relação das Testemunhas com os governos seculares. Isto foi publicado nas edições de A Sentinela de 1.º e 15 de junho e de 1.º de julho de 1963, sendo reafirmado no número de 1.º de novembro de 1990. Esses artigos frisaram a posição de Jeová Deus como “o Supremo”, ao passo que indicaram que os governantes seculares são “autoridades superiores” apenas em relação com outros humanos e na esfera de atividade em que Deus lhes permite agir no atual sistema de coisas. Os artigos mostraram a necessidade de cristãos verdadeiros honrarem conscienciosamente tais governantes seculares e lhes obedecerem em tudo o que não conflite com a lei de Deus e sua consciência treinada pela Bíblia. — Dan. 7:18; Mat. 22:21; Atos 5:29; Rom. 13:5.

      O firme apego a essas normas bíblicas por parte das Testemunhas de Jeová lhes granjeou a reputação de estarem separadas do mundo, o que faz lembrar os primitivos cristãos.

      Quando o mundo guarda feriados

      Quando as Testemunhas de Jeová rejeitaram ensinamentos religiosos que têm raízes pagãs, abandonaram também muitos costumes similarmente corrompidos. Mas, por algum tempo, certos feriados não foram cuidadosamente examinados como precisavam ser. Um desses foi o Natal.

      Esse feriado era celebrado anualmente até mesmo por membros da equipe da sede da Torre de Vigia no Lar de Betel de Brooklyn, Nova Iorque. Por muitos anos, sabiam que 25 de dezembro não era a data certa, mas arrazoavam que a data já por muito tempo havia sido associada popularmente com o nascimento do Salvador e que era apropriado fazer o bem a outros em qualquer data. Entretanto, depois de uma investigação mais a fundo do assunto, os membros da equipe da sede da Sociedade, bem como as equipes das filiais da Sociedade na Inglaterra e na Suíça, decidiram deixar de participar das festividades do Natal, de modo que nunca mais se celebrou ali o Natal depois de 1926.

      R. H. Barber, um membro da equipe da sede que fez uma investigação cabal da origem dos costumes do Natal e dos frutos que produziam, apresentou os resultados numa transmissão por rádio. Essa informação foi também publicada na revista The Golden Age de 12 de dezembro de 1928. Foi uma exposição cabal das raízes do Natal que desonram a Deus. Desde então, as raízes pagãs dos costumes do Natal têm sido de conhecimento público em geral, mas poucas pessoas fazem mudanças em sua vida em resultado disso. Por outro lado, as Testemunhas de Jeová estavam dispostas a fazer as necessárias mudanças para se tornarem servos de Jeová mais aceitáveis.

      Ao se lhes demonstrar que a celebração do nascimento de Jesus se tornara realmente de maior interesse às pessoas do que o resgate fornecido pela sua morte; que a orgia do feriado e o espírito em que muitos presentes eram dados não honravam a Deus; que os magos, cuja dádiva de presentes se imitava, eram realmente astrólogos inspirados por demônios; que os pais davam mau exemplo a seus filhos em mentir sobre o que lhes contavam a respeito de Papai Noel; que “São Nicolau” (Papai Noel) era confessamente outro nome do próprio Diabo; e que tais festividades eram, conforme admitiu o Cardeal Newman, em seu Essay on the Development of Christian Doctrine (Ensaio Sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã), “instrumentos e acessórios da própria adoração de demônios”, adotados pela igreja — ao ficarem cientes dessas coisas, as Testemunhas de Jeová pronta e permanentemente abandonaram toda e qualquer participação nas celebrações do Natal.

      As Testemunhas de Jeová passam momentos agradáveis com suas famílias e amigos. Mas não participam de feriados e celebrações relacionados com deuses pagãos (como se dá com feriados tais como a Páscoa da cristandade, o Ano-Novo, a Festa da Primavera, o Dia das Mães). (2 Cor. 6:14-17) Como os primitivos cristãos,c nem mesmo celebram aniversários natalícios. Também, refreiam-se respeitosamente de participar de feriados nacionais que comemoram eventos políticos ou militares e evitam prestar honra adorativa a heróis nacionais. Por quê? Porque as Testemunhas de Jeová não fazem parte do mundo.

      Ajuda ao próximo

      A reverência aos deuses girava em torno da vida social e cultural do Império Romano. Visto que os cristãos se abstinham de participar de qualquer coisa que fosse corrompida por deuses pagãos, o povo considerava o cristianismo um insulto ao seu modo de vida; e, segundo o historiador Tácito, os cristãos eram considerados odiadores da humanidade. Revelando espírito similar, Minúcio Félix, nos seus escritos, cita um romano que disse a um conhecido cristão: “Não vais a espetáculos; não participas de procissões . . . detestas jogos sagrados.” O povo no antigo mundo romano pouco compreendia os cristãos.

      Da mesma forma hoje, as Testemunhas de Jeová não são compreendidas por muitos no mundo. As pessoas talvez admirem as elevadas normas morais das Testemunhas, mas acham que estas deviam fazer parte do mundo que as cerca e de suas atividades, envolvendo-se em ajudar a fazer do mundo um lugar melhor. Entretanto, os que chegam a conhecer as Testemunhas de Jeová logo ficam sabendo que há uma razão bíblica para tudo o que fazem.

      Longe de se afastarem do resto da humanidade, as Testemunhas de Jeová devotam sua vida a ajudar seu próximo do modo como Jesus Cristo deu exemplo. Ajudam as pessoas a aprender a enfrentar com êxito os problemas da vida agora, familiarizando-as com o Criador e as regras para a vida esboçadas na Sua Palavra inspirada. Partilham gratuitamente com seus vizinhos as verdades bíblicas que podem transformar o inteiro conceito de uma pessoa sobre a vida. Uma parte central de sua crença é compreender que “o mundo está passando”, que em breve Deus intervirá para pôr fim ao atual sistema iníquo, e que um glorioso futuro aguarda os que continuam a não fazer parte do mundo e têm plena fé no Reino de Deus. — 1 João 2:17.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Watch Tower de 1.º de junho de 1918, p. 174.

      b Para mais pormenores, veja o Capítulo 30, “‘Defendendo e estabelecendo legalmente as boas novas’”.

      c The History of the Christian Religion and Church, During the Three First Centuries, de Augustus Neander, p. 190.

      [Destaque na página 188]

      Não são reclusos, contudo não tomam parte no modo de vida do mundo.

      [Destaque na página 189]

      Abandonaram as igrejas da cristandade.

      [Destaque na página 190]

      “Os cristãos se mantinham alheios e separados do estado.”

      [Destaque na página 194]

      Posta à prova a neutralidade cristã.

      [Destaque na página 198]

      ‘Ninguém fez a decisão por eles.’

      [Destaque na página 199]

      Por que deixaram de celebrar o Natal.

      [Fotos na página 189]

      Dez milhões de exemplares foram distribuídos.

      [Fotos na página 191]

      Alguns foram às trincheiras com fuzis, mas outros, incluindo A. P. Hughes, da Inglaterra, e R. Cuminetti, da Itália, recusaram tal envolvimento.

      [Fotos na página 193]

      As Testemunhas de Jeová recusaram-se a endossar a Liga das Nações ou a ONU como procedente de Deus, mas advogaram apenas o Reino de Deus por meio de Cristo.

      [Foto na página 197]

      Carleton e Flora Nichols. Quando o filho deles recusou saudar a bandeira, isto se tornou notícia nacional.

      [Fotos/Quadro nas páginas 200, 201]

      Práticas que foram abandonadas

      Esta foi a sua última celebração do Natal no Betel de Brooklyn, em 1926. Os Estudantes da Bíblia chegaram a reconhecer aos poucos que nem a origem desse feriado nem as práticas associadas com ele honravam a Deus.

      Por muitos anos, os Estudantes da Bíblia usavam uma cruz e coroa como insígnia para os identificar, e esse símbolo achava-se na capa da “Watch Tower” de 1891 a 1931. Mas, em 1928, sublinhou-se que não um símbolo decorativo, mas sim a atividade de alguém como testemunha indicava que ele era cristão. Em 1936, apresentou-se a evidência de que Cristo morreu numa estaca, não numa cruz com duas vigas.

      No seu livro “Daily Manna” (Maná Diário), os Estudantes da Bíblia guardavam uma lista de aniversários natalícios. Mas, depois de terem abandonado a celebração do Natal e quando compreenderam que as celebrações de aniversários natalícios davam indevida honra a criaturas (um dos motivos de os primitivos cristãos nunca celebrarem aniversários natalícios), os Estudantes da Bíblia abandonaram também esse costume.

      Por uns 35 anos, o Pastor Russell pensava que a Grande Pirâmide de Gizé fosse a pedra de testemunho de Deus que confirmava períodos bíblicos. (Isa. 19:19) Mas as Testemunhas de Jeová abandonaram a idéia de que uma pirâmide egípcia tenha algo que ver com a adoração verdadeira. (Veja os números de 15 de novembro e de 1.º de dezembro de 1928 da “Watchtower”.)

      [Quadro na página 195]

      Não representam perigo para nenhum governo

      ◆ Num artigo sobre o tratamento dado às Testemunhas de Jeová num país da América Latina, um editorial do “World- Herald” de Omaha, Nebraska, EUA, dizia: “É preciso uma imaginação fanática e paranóica para crer que as Testemunhas de Jeová representam alguma espécie de perigo para qualquer regime político; são um grupo religioso tão não-subversivo e amante da paz quanto é possível ser, e apenas pedem ser deixadas em paz para praticarem a sua crença do modo como desejam.”

      ◆ “Il Corriere di Trieste”, um jornal italiano, dizia: “As Testemunhas de Jeová devem ser admiradas pela sua firmeza e coerência. Ao contrário de outras religiões, sua união como grupo de pessoas impede que orem ao mesmo Deus, em nome do mesmo Cristo, para que abençoe dois lados oponentes de um conflito, ou que misturem a política com a religião para servirem os interesses de Chefes de Estado ou partidos políticos. Por último na ordem, mas não em importância, estão dispostas a enfrentar a morte antes que violar . . . a ordem NÃO MATARÁS!”

      ◆ Depois de as Testemunhas de Jeová terem suportado 40 anos de proscrição na Tchecoslováquia, o jornal “Nová Svoboda” dizia, em 1990: “A crença das Testemunhas de Jeová proíbe o uso de armas contra humanos, e os que recusaram fazer serviço militar básico e os que não foram trabalhar nas minas de carvão foram presos, por termos de até quatro anos. Só disto se pode ver claramente que elas têm uma tremenda força moral. Poderíamos usar tais pessoas altruístas até mesmo nos mais elevados cargos políticos — mas nunca conseguiremos levá-las a isso. . . . Naturalmente, reconhecem as autoridades governamentais, mas crêem que só o Reino de Deus é capaz de solucionar todos os problemas humanos. Mas, uma coisa é certa — não são fanáticas. São pessoas absorvidas em humanitarismo.”

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