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O nascimento do Reino no céuO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 2
O nascimento do Reino no céu
1, 2. Qual foi o maior acontecimento da história do mundo, e por que não é de surpreender que nenhum humano o tenha visto?
VOCÊ já tentou se imaginar vivendo numa época em que aconteceu algo que mudou a História? Muitos já fizeram isso. Mas pense no seguinte: mesmo que você tivesse vivido numa época marcante assim, será que teria visto pessoalmente os acontecimentos decisivos que levaram àquela mudança? Talvez não. Os acontecimentos que resultam na queda de governos e enchem os livros de História geralmente ocorrem fora da vista do público. Em certo sentido, grande parte do que acontece na História se deve a decisões tomadas nos bastidores — por reis, políticos e outras autoridades. Mesmo assim, mudanças desse tipo afetam milhões de pessoas.
2 Que dizer do maior acontecimento de todos os tempos da história do mundo? Esse acontecimento teve um impacto em milhões de vidas. Mas ele não pôde ser visto por olhos humanos. Estamos nos referindo, naturalmente, ao nascimento no céu do Reino de Deus, o governo messiânico que tinha sido prometido havia muito tempo e que em breve acabará com o mundo atual. (Leia Daniel 2:34, 35, 44, 45.) Visto que nenhum humano viu esse momento marcante, será que devemos concluir que Jeová o escondeu da humanidade? Ou será que ele preparou seu povo leal para essa ocasião? Vejamos.
“Meu mensageiro . . . terá de desobstruir o caminho diante de mim”
3-5. (a) Quem era “o mensageiro do pacto” mencionado em Malaquias 3:1? (b) O que aconteceria antes que “o mensageiro do pacto” viesse ao templo?
3 Desde os tempos antigos, fazia parte do propósito de Jeová preparar seu povo para o nascimento do Reino messiânico. Por exemplo, considere a profecia de Malaquias 3:1: “Eis que envio o meu mensageiro e ele terá de desobstruir o caminho diante de mim. E repentinamente virá ao Seu templo o verdadeiro Senhor, a quem procurais, e o mensageiro do pacto, em quem vos agradais.”
4 No cumprimento moderno, quando foi que Jeová, “o verdadeiro Senhor”, veio inspecionar os que serviam no pátio terrestre de seu templo espiritual? A profecia explica que Jeová viria com “o mensageiro do pacto”. Quem era esse mensageiro? O próprio Rei messiânico, Jesus Cristo. (Luc. 1:68-73) Como Governante recém-empossado, ele inspecionaria e refinaria o povo de Deus na Terra. — 1 Ped. 4:17.
5 Mas quem era o outro “mensageiro”, o primeiro mencionado em Malaquias 3:1? Esse personagem profético entraria em cena bem antes da presença do Rei messiânico. Será que alguém ‘desobstruiu o caminho’ diante do Rei messiânico nas décadas antes de 1914?
6. Quem agiu como o predito “mensageiro” que preparou o povo de Deus para os acontecimentos à frente?
6 Neste livro, encontraremos respostas a essas e outras perguntas sobre a empolgante história do povo de Jeová em nossos dias. Essa história mostra que, no final do século 19, um pequeno grupo de pessoas fiéis surgiu como os únicos cristãos verdadeiros em meio a um enorme número de cristãos de imitação. Aquele grupo veio a ser conhecido como Estudantes da Bíblia. Os que tomavam a dianteira — Charles Russell e seus associados — realmente agiram como o predito “mensageiro”, dando orientação espiritual ao povo de Deus e preparando-o para acontecimentos futuros. Vejamos quatro maneiras pelas quais esse “mensageiro” fez isso.
Adorando em verdade
7, 8. (a) Durante o século 19, quem começou a expor a falsidade da doutrina da imortalidade da alma? (b) Que outras doutrinas Charles Russell e seus associados expuseram como falsas?
7 Aqueles Estudantes da Bíblia estudavam as Escrituras com oração; eles chegavam a um consenso sobre doutrinas bíblicas claras, reuniam as verdades e depois as publicavam. Por séculos, o mundo da cristandade havia ficado mergulhado em escuridão espiritual; muitos de seus ensinamentos tinham origem pagã. Um exemplo clássico disso é a doutrina da imortalidade da alma. No entanto, durante o século 19, alguns estudantes sinceros da Bíblia pesquisaram a fundo essa doutrina e viram que ela não tem o apoio da Palavra de Deus. Henry Grew, George Stetson e George Storrs escreveram e discursaram corajosamente sobre esse assunto, expondo essa mentira satânica.a A obra deles, por sua vez, teve um grande impacto em Charles Russell e seus associados.
8 O pequeno grupo de Estudantes da Bíblia descobriu que outras doutrinas relacionadas com a imortalidade da alma também eram confusas e falsas — por exemplo, a crença de que todos os bons vão para o céu ou de que Deus castiga a alma imortal dos maus num inferno de fogo. Russell e seus associados expuseram com coragem essas mentiras em vários artigos, livros, livretos, folhetos e sermões publicados.
9. Como a revista A Sentinela expôs a doutrina da Trindade como falsa?
9 Os Estudantes da Bíblia também expuseram como falsa a amplamente venerada doutrina da Trindade. Em 1887, a revista A Sentinelab comentou: “As Escrituras são bem claras com respeito à individualidade distinta e à relação exata entre Jeová e nosso Senhor Jesus.” Daí o artigo observou que era surpreendente que “a ideia de um Deus trino — três Deuses em um e, ao mesmo tempo, um Deus em três — chegasse a ter proeminência e aceitação geral. Mas o fato de isso ser assim serve para mostrar como foi profundo o sono da igreja enquanto o inimigo a amarrou com as correntes do erro”.
10. Como a revista A Sentinela indicou que 1914 seria um ano especial?
10 Como sugeria o título original de A Sentinela, Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo), a revista tinha profundo interesse em profecias relacionadas com a presença de Cristo. Os fiéis irmãos ungidos que escreviam para essa revista viram que a profecia de Daniel sobre os “sete tempos” lançava luz sobre quando se cumpririam os propósitos de Deus em relação ao Reino messiânico. Na década de 1870, eles já diziam que esses sete tempos acabariam em 1914. (Dan. 4:25; Luc. 21:24) Embora nossos irmãos naquela época ainda não entendessem o significado completo daquele ano especial, eles proclamaram o que sabiam sobre a verdade bíblica aos quatro ventos, o que teve implicações de longo alcance.
11, 12. (a) A quem o irmão Russell dava crédito pelas coisas que ensinava? (b) Que importância teve a obra realizada por Russell e seus associados nas décadas antes de 1914?
11 Nem o irmão Russell nem seus fiéis associados alegavam ter mérito em descobrir e entender essas verdades vitais. Russell deu muito crédito a outros que tinham buscado a verdade antes dele. Acima de tudo, ele deu crédito a Jeová Deus, que é responsável não só por ensinar a Seu povo o que eles precisam saber, mas também por ensinar isso na hora certa. Não há dúvida de que Jeová abençoou os esforços de Russell e seus associados para separar a verdade da falsidade. Com o passar dos anos, eles foram se afastando e se diferenciando cada vez mais da cristandade.
O irmão Russell e seus associados defendiam as verdades bíblicas
12 Os esforços daqueles homens fiéis em defender verdades doutrinais nas décadas antes de 1914 foram mais do que incríveis! A revista A Sentinela de 1.º de novembro de 1917 comentou: “Milhões de pessoas hoje estão livres do fardo do medo, que lhes havia sido imposto pelo ensinamento do inferno de fogo e de outras doutrinas falsas . . . A maré da Verdade, que começou mais de quarenta anos atrás, ainda está avançando constantemente e continuará a avançar até que encha toda a Terra; e os esforços de seus adversários em impedir que as ondas da Verdade se espalhem pela Terra inteira são comparáveis às tentativas de alguém que usa uma vassoura para fazer recuar as ondas de um poderoso oceano.”
13, 14. (a) Como o “mensageiro” ajudou a preparar o caminho para o Rei messiânico? (b) O que podemos aprender de nossos irmãos de mais de um século atrás?
13 Pense nisto: será que o povo de Deus estaria preparado para o início da presença de Cristo se não conseguisse distinguir Jesus de seu Pai, Jeová? É claro que não! Ele também não estaria preparado se achasse que a imortalidade é um direito garantido de todos, em vez de um presente valioso concedido a relativamente poucos seguidores de Cristo; ou então se acreditasse que Deus castiga pessoas num inferno de fogo por toda a eternidade sem a esperança de alívio. Sem dúvida, o “mensageiro” preparou o caminho para o Rei messiânico.
14 Que dizer de nós hoje? O que podemos aprender daqueles nossos irmãos de mais de um século atrás? Nós também precisamos estudar e ler a Palavra de Deus com profundo interesse. (João 17:3) À medida que este mundo materialista definha espiritualmente, que o nosso apetite por alimento espiritual fique cada vez mais forte! — Leia 1 Timóteo 4:15.
“Saí dela, povo meu”
15. Os Estudantes da Bíblia chegaram aos poucos a que conclusão? (Veja também a nota.)
15 Os Estudantes da Bíblia ensinavam que era necessário cortar laços com as igrejas do mundo. Em 1879, A Sentinela fez referência à “igreja babilônica”. Será que ela estava falando do papado? Da Igreja Católica Romana? Por séculos, religiões protestantes diziam que Babilônia, mencionada na profecia bíblica, representava a Igreja Católica. Mas os Estudantes da Bíblia entenderam aos poucos que todas as igrejas da cristandade faziam parte da “Babilônia” moderna. Por quê? Porque todas ensinavam mentiras doutrinais, como as já citadas neste capítulo.c Com o tempo, nossas publicações passaram a dizer de forma cada vez mais direta o que os membros sinceros das igrejas de Babilônia deviam fazer.
16, 17. (a) Que forte incentivo o Volume III de Aurora do Milênio e A Sentinela deram sobre cortar laços com a religião falsa? (b) Que fator enfraqueceu esses alertas iniciais? (Veja a nota.)
16 Por exemplo, em 1891, o Volume III de Millennial Dawn (Aurora do Milênio) analisou a rejeição da moderna Babilônia por parte de Deus e comentou: “Todo o sistema — um sistema de sistemas — foi rejeitado.” O livro acrescentou que todos os que “não concordam com suas falsas doutrinas estão sendo convocados a se separar dela”.
17 Em janeiro de 1900, A Sentinela deu um conselho aos que ainda estavam afiliados às igrejas da cristandade e que justificavam isso dizendo: “Eu dou apoio total à verdade e raramente vou a outras reuniões religiosas.” O artigo perguntou: “Mas está certo fazer isso — estar com um pé dentro de Babilônia e outro fora? É essa a obediência que Deus quer . . . a que lhe agrada e lhe é aceitável? É claro que não. Ele [o membro da igreja] entrou publicamente num pacto com a denominação quando passou a fazer parte dela, e deve fielmente cumprir todas as condições desse pacto até que ele . . . publicamente renuncie ou cancele sua afiliação.” Com o passar dos anos, essa mensagem ficou mais forte.d Os servos de Jeová deviam cortar todos os laços com a religião falsa.
18. Por que era preciso que as pessoas saíssem de Babilônia, a Grande?
18 Se esses avisos para sair de Babilônia, a Grande, não tivessem sido dados com regularidade, será que Cristo, como Rei recém-empossado, teria encontrado um corpo de servos ungidos preparados na Terra? Com certeza não, visto que apenas os cristãos que estão livres das garras de Babilônia podem adorar a Jeová “com espírito e verdade”. (João 4:24) E nós, será que estamos decididos a nos manter afastados da religião falsa? Que continuemos obedecendo ao mandamento: “Saí dela, povo meu”! — Leia Revelação 18:4.
Reunindo-se para adoração
19, 20. Como A Sentinela incentivou o povo de Deus a se reunir para adoração?
19 Os Estudantes da Bíblia ensinavam que, onde possível, era preciso se reunir para adoração. Para os cristãos verdadeiros, não basta sair da religião falsa; é vital participar na adoração pura. Desde os primeiros números, A Sentinela incentivou seus leitores a se reunir para adoração. Por exemplo, em julho de 1880, o irmão Russell escreveu sobre uma série de viagens que ele tinha feito para proferir discursos, descrevendo como as muitas reuniões haviam sido encorajadoras. Daí, incentivou os leitores a enviar num cartão postal informações sobre seu progresso — e alguns desses comentários seriam publicados na revista. Com que objetivo? “Queremos saber . . . como o Senhor os tem abençoado; se estão assistindo às reuniões com os que têm a mesma preciosa fé que vocês.”
Charles Russell com alguns dos primeiros Estudantes da Bíblia em Copenhague, Dinamarca, em 1909
20 Em 1882, um artigo de A Sentinela sobre a importância de nos reunir orientou os cristãos a realizar reuniões “para edificação, encorajamento e fortalecimento mútuo”. O artigo disse: “Não importa se existe alguém instruído ou talentoso entre vocês. Que cada um traga sua própria Bíblia, papel e lápis, e faça uso de todas as ajudas [para estudo] . . . à sua disposição. Escolha um assunto; peça a orientação do Espírito para ajudá-lo a entender; daí, leia, pense e compare texto bíblico com texto bíblico, e, sem dúvida, será guiado à verdade.”
21. A congregação em Pensilvânia deixou que exemplo no que diz respeito a se reunir e pastorear?
21 Os Estudantes da Bíblia tinham sua sede em Allegheny, Pensilvânia, EUA. Ali, deixaram um excelente exemplo por obedecer ao conselho inspirado de se reunir, registrado em Hebreus 10:24, 25. (Leia.) Muito tempo depois, um irmão idoso chamado Charles Capen se lembrou daquelas reuniões a que assistiu quando criança. Ele escreveu: “Ainda me lembro de um dos textos bíblicos pintados na parede do salão de assembleias da Sociedade. ‘Um é o vosso Mestre, o Christo; todos vós sois irmãos.’ Nunca me esqueci desse texto — não há distinção entre clérigos e leigos no povo de Jeová.” (Mat. 23:8) O irmão Capen também se recordou das reuniões animadoras, do encorajamento e dos esforços diligentes do irmão Russell em pastorear pessoalmente cada membro da congregação.
22. Como os fiéis reagiram à instrução de assistir às reuniões, e o que aprendemos disso?
22 Os fiéis reagiram bem a esse exemplo e à instrução recebida. Formaram-se congregações em outros estados, como Ohio e Michigan, e depois em toda a América do Norte e outros países. Pense nisto: será que os fiéis poderiam estar realmente preparados para a presença de Cristo se não tivessem sido ensinados a obedecer ao conselho inspirado de se reunir para adoração? Certamente que não! Que dizer de nós hoje? Precisamos ter a mesma determinação de assistir às reuniões cristãs, aproveitando todas as oportunidades para adorar a Jeová juntos e nos edificar espiritualmente.
Pregação zelosa
23. Como A Sentinela deixou claro que todos os ungidos deviam ser pregadores da verdade?
23 Os Estudantes da Bíblia ensinavam que todos os ungidos deviam ser pregadores da verdade. Em 1885, A Sentinela comentou: “Não devemos esquecer que cada membro do corpo de ungidos é ungido para pregar (Isa. 61:1), convocado para o ministério.” Um número de 1888 explicou: “Nossa comissão é clara . . . Se a ignorarmos e nos escusarmos, certamente seremos servos indolentes, mostrando-nos indignos da elevada posição à qual fomos convocados.”
24, 25. (a) De que forma Russell e seus associados fizeram mais do que incentivar outros a pregar? (b) Como certo colportor descreveu sua pregação?
24 O irmão Russell e seus associados fizeram mais do que incentivar outros a pregar. Eles começaram a produzir folhetos chamados Bible Students’ Tracts (Tratados dos Estudantes da Bíblia), que mais tarde foram chamados Old Theology Quarterly (Publicação Trimestral da Antiga Teologia). Os leitores de A Sentinela recebiam esses folhetos para distribuir ao público gratuitamente.
Faríamos bem em nos perguntar: ‘A obra de pregação é a coisa principal da minha vida?’
25 Os que se dedicavam ao ministério por tempo integral eram chamados colportores. Charles Capen, já mencionado, foi um deles. Mais tarde, ele recordou: “Eu usava mapas feitos pelo Centro de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos como ajuda para cobrir o território em Pensilvânia. Aqueles mapas mostravam todas as ruas; era possível assim chegar a pé a todas as partes de cada condado. Às vezes, depois de uma viagem de três dias pelo interior anotando pedidos de livros da série Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras), eu alugava um cavalo e uma carroça para conseguir fazer as entregas. Eu costumava passar a noite na casa de fazendeiros. Naquela época, os carros eram algo raro.”
Um colportor. Note a Chart of the Ages (Tabela das Eras) pintada no lado da carroça
26. (a) Por que o povo de Deus precisava participar na pregação a fim de se preparar para o reinado de Cristo? (b) Que perguntas seria bom nos fazer?
26 Esses esforços iniciais na pregação sem dúvida exigiram coragem e zelo. Será que os cristãos verdadeiros estariam preparados para o reinado de Cristo se não tivessem sido ensinados sobre a importância da obra de pregação? É claro que não! Afinal, aquela obra se tornaria um aspecto marcante da presença de Cristo. (Mat. 24:14) O povo de Deus tinha de estar preparado para fazer daquela obra salvadora a coisa principal de sua vida. Hoje, faríamos bem em nos perguntar: ‘A obra de pregação é a coisa principal da minha vida? Faço sacrifícios a fim de ter uma participação plena nela?’
Nasce o Reino de Deus!
27, 28. Que visão o apóstolo João teve, e como Satanás e seus demônios reagiram ao nascimento do Reino?
27 Finalmente, chegou o marcante ano de 1914. Como já vimos no início deste capítulo, nenhum humano presenciou os gloriosos acontecimentos no céu. Mas o apóstolo João teve uma visão que descreve em termos simbólicos o que aconteceu. Imagine: João viu “um grande sinal” no céu. A “mulher” de Deus — sua organização de criaturas espirituais no céu — estava grávida e deu à luz um filho, “um varão”. Segundo o relato bíblico, esse filho simbólico em breve ‘pastorearia todas as nações com vara de ferro’. Assim que nasceu, porém, ele foi “arrebatado para Deus e para o seu trono”. Uma voz alta no céu disse: “Agora se realizou a salvação, e o poder, e o reino de nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo.” — Rev. 12:1, 5, 10.
28 Não há dúvida de que a visão de João se refere ao nascimento do Reino messiânico. Esse acontecimento certamente foi glorioso, mas não agradou a todos. Satanás e seus demônios guerrearam contra os anjos fiéis, que estavam sendo liderados por Miguel, ou Cristo. O resultado? Lemos: “Foi lançado para baixo o grande dragão, a serpente original, o chamado Diabo e Satanás, que está desencaminhando toda a terra habitada; ele foi lançado para baixo, à terra, e os seus anjos foram lançados para baixo junto com ele.” — Rev. 12:7, 9.
Em 1914, os Estudantes da Bíblia começaram a discernir o sinal da presença invisível de Cristo
29, 30. Após o nascimento do Reino messiânico, como as condições mudaram (a) na Terra? e (b) no céu?
29 Muito antes de 1914, os Estudantes da Bíblia diziam que uma época de dificuldades começaria naquele ano marcante. Mas nem mesmo eles imaginavam que suas palavras se cumpririam com tanta exatidão! Conforme revelado pela visão de João, Satanás começaria a ter uma influência ainda maior sobre a sociedade humana: “Ai da terra e do mar, porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo.” (Rev. 12:12) Em 1914, estourou a Primeira Guerra Mundial, e o sinal da presença de Cristo em seu poder régio começou a ter cumprimento global. Era o início dos “últimos dias” deste sistema. — 2 Tim. 3:1.
30 Mas houve alegria no céu. Satanás e seus demônios foram expulsos para sempre. O relato de João diz: “Por esta razão, regozijai-vos, ó céus, e vós os que neles residis!” (Rev. 12:12) Com os céus purificados e Jesus entronizado, o Reino messiânico estava pronto para agir em favor do povo de Deus na Terra. Que ação ele tomaria? Como vimos no início do capítulo, Cristo, como “o mensageiro do pacto”, agiria primeiro como refinador dos servos de Deus. O que isso significaria?
Período de provações
31. O que Malaquias predisse sobre o período de refinamento, e como essa profecia começou a se cumprir? (Veja também a nota.)
31 Malaquias predisse que o processo de refinamento não seria fácil. Ele escreveu: “Quem aguentará o dia da sua vinda e quem se manterá de pé quando ele aparecer? Pois ele será como o fogo do refinador e como a barrela dos lavadeiros.” (Mal. 3:2) Essas palavras não poderiam ter sido mais verdadeiras! Começando em 1914, o povo de Deus na Terra enfrentou uma série de grandes testes e dificuldades. Durante a Primeira Guerra Mundial, muitos Estudantes da Bíblia foram vítimas de violenta perseguição e aprisionamentos.e
32. Que dificuldades internas afligiram o povo de Deus depois de 1916?
32 Houve também dificuldades dentro da organização. Em 1916, o irmão Russell morreu com apenas 64 anos de idade, o que deixou muitos servos de Deus em estado de choque. Sua morte revelou que alguns estavam dando importância demais a um homem exemplar. Embora o irmão Russell não quisesse esse tipo de reverência, havia se desenvolvido certa medida de adoração em torno de sua pessoa. Com sua morte, muitos achavam que a revelação progressiva da verdade tinha acabado, e alguns obstinadamente se recusaram a apoiar os esforços de seguir em frente. Isso contribuiu para o surgimento de uma onda de apostasia que dividiu a organização.
33. De que modo expectativas frustradas testaram o povo de Deus?
33 Expectativas frustradas foram outra provação. Embora a revista A Sentinela tivesse dito acertadamente que 1914 marcaria o fim dos Tempos dos Gentios, os irmãos ainda não entendiam o que aconteceria naquele ano. (Luc. 21:24) Eles achavam que Cristo levaria sua classe ungida da noiva para o céu para governar com ele. Essas expectativas não se tornaram realidade. No fim de 1917, A Sentinela anunciou que um período de colheita de 40 anos terminaria na primavera de 1918. Mas a obra de pregação não acabou. Ela continuou progredindo após essa data. No ano seguinte, a revista sugeriu que a colheita havia acabado mesmo, mas que ainda restava um período de respiga. Apesar disso, muitos pararam de servir a Jeová por causa de desapontamento.
34. Que grande provação surgiu em 1918, e por que a cristandade achou que o povo de Deus estava “morto”?
34 Uma grande provação surgiu em 1918. O irmão Joseph Rutherford, que sucedeu o irmão Russell na dianteira do povo de Deus, foi preso com outros sete irmãos em posições de responsabilidade. Eles foram injustamente condenados a longas sentenças na penitenciária federal de Atlanta, Geórgia, EUA. Por um tempo, a obra do povo de Deus parecia estar parada. Muitos clérigos da cristandade se alegraram com isso. Pensaram: ‘Agora que os “líderes” deles estão presos, que a sede em Brooklyn está fechada e que a obra de pregação está sendo atacada na América e na Europa, esses desprezíveis Estudantes da Bíblia estão “mortos” — não são mais uma ameaça.’ (Rev. 11:3, 7-10) Eles não podiam estar mais enganados!
Período de reavivamento
35. Por que Jesus permitiu que seus seguidores fossem afligidos por dificuldades, e que ação ele tomou para reavivá-los?
35 Mal sabiam os inimigos da verdade que Jesus só permitiu que seus seguidores fossem afligidos por essas dificuldades porque Jeová estava ‘assentado como refinador e purificador de prata’. (Mal. 3:3) Jeová e seu Filho estavam certos de que, após aquelas provações comparáveis ao fogo, os fiéis estariam numa condição refinada, purificada e mais preparada do que nunca para servir ao Rei. A partir do início de 1919, não houve dúvida de que o espírito de Deus tinha feito o que os inimigos de seu povo achavam impossível. Os fiéis haviam sido reavivados! (Rev. 11:11) Naquela época, Cristo cumpriu um aspecto vital do sinal dos últimos dias. Ele designou “o escravo fiel e discreto”, um pequeno grupo de homens ungidos que tomaria a dianteira entre seu povo por dar alimento espiritual no tempo apropriado. — Mat. 24:45-47.
36. O que mostrou que o povo de Deus estava sendo espiritualmente reavivado?
36 O irmão Rutherford e seus associados foram libertados da prisão em 26 de março de 1919. Um congresso foi logo programado para setembro daquele ano. Também se começou a planejar uma segunda revista, A Idade de Ouro, para ser usada no ministério de campo junto com a revista A Sentinela.f No mesmo ano, foi publicado o primeiro número de Bulletin (Boletim), que hoje é a apostila para a reunião Nossa Vida e Ministério Cristão. Desde o início, ele impulsionou a obra de pregação. Sem dúvida, a partir de 1919, os irmãos passaram a dar cada vez mais prioridade à pregação de casa em casa.
37. Nos anos seguintes a 1919, como alguns foram desleais?
37 A obra de pregação continuou a refinar os servos de Cristo, visto que aqueles que eram orgulhosos e arrogantes não estavam dispostos a participar nessa humilde obra. Aqueles que não acompanharam o passo da obra se separaram dos fiéis. Nos anos seguintes a 1919, alguns desleais ficaram amargurados e recorreram a calúnias e difamações, chegando a apoiar perseguidores dos servos fiéis de Jeová.
38. Os avanços e vitórias dos seguidores de Cristo na Terra têm que efeito em nós?
38 No entanto, apesar desses ataques, os seguidores de Cristo continuaram aumentando e progredindo espiritualmente. A partir de então, cada avanço e cada vitória nos convencem de que o Reino de Deus está governando! Só com a ajuda e a bênção de Deus — por meio de seu Filho e do Reino messiânico — é que um grupo de humanos imperfeitos conseguiria obter sucessivas vitórias contra Satanás e seu mundo perverso. — Leia Isaías 54:17.
O irmão Rutherford proferindo um empolgante discurso num congresso realizado poucos meses após ter sido libertado da prisão
39, 40. (a) Quais são algumas características deste livro? (b) Como estudar este livro pode ajudar você?
39 Nos próximos capítulos, analisaremos o que o Reino de Deus realizou na Terra nos cem anos desde seu nascimento no céu. Cada seção deste livro abrangerá um aspecto distinto da obra do Reino aqui na Terra. Em cada capítulo, um quadro de recapitulação nos ajudará individualmente a avaliar se o Reino é mesmo real para nós. Nos capítulos finais, veremos o que podemos esperar quando o Reino vier num futuro próximo para destruir os maus e transformar a Terra num paraíso. Como estudar este livro pode ajudar você?
40 Satanás quer minar sua fé no Reino de Deus. Mas Jeová quer fortalecer sua fé para que ela o proteja e o mantenha forte. (Efé. 6:16) Por isso, nós o incentivamos a estudar bem este livro. Ao fazer isso, tenha em mente a pergunta: ‘O Reino de Deus é real para mim?’ Quanto mais real ele for agora, maior será a probabilidade de você estar lá, apoiando-o ativa e fielmente, no dia em que todas as pessoas verão que o Reino de Deus é real e está governando!
a Para saber mais sobre Grew, Stetson e Storrs, veja o livro Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus, páginas 45-46.
b Em todo este livro, usaremos o nome A Sentinela, mesmo nos casos em que essa revista não estava disponível em português. O primeiro número em português foi publicado em 1923.
c Embora os Estudantes da Bíblia vissem a necessidade de se separar de organizações religiosas que tinham amizade com o mundo, eles continuaram por anos encarando como irmãos cristãos pessoas que, mesmo sem ser Estudantes da Bíblia, professavam crer no resgate e afirmavam ser dedicadas a Deus.
d Um fator que enfraqueceu a força desses alertas iniciais foi o fato de terem sido aplicados principalmente ao pequeno rebanho de Cristo, composto de 144 mil escolhidos. Veremos no Capítulo 5 que, antes de 1935, acreditava-se que a “grande multidão” descrita em Revelação 7:9, 10 incluiria incontáveis membros das igrejas da cristandade e que receberia a recompensa de formar uma classe celestial secundária por estarem ao lado de Cristo quando viesse o fim.
e Em setembro de 1920, a revista The Golden Age (A Idade de Ouro, hoje Despertai!) publicou um número especial que descrevia vários casos de perseguição na época da guerra — alguns dos quais extremamente brutais — na Alemanha, Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. Em contraste com isso, nas décadas antes da Primeira Guerra Mundial, houve muito pouca perseguição desse tipo.
f Por muitos anos, a revista A Sentinela tinha como público principal os membros do pequeno rebanho, com o objetivo de encorajá-los.
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Jeová revela seu propósitoO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 3
Jeová revela seu propósito
1, 2. Como Jeová tem revelado seu propósito em relação à humanidade?
PAIS amorosos incluem os filhos nas conversas sobre assuntos da família. Mas eles têm cuidado em relação à quantidade de informações que passam aos filhos. Revelam apenas os detalhes que acham que seus filhos terão madureza suficiente para assimilar.
2 Da mesma forma, Jeová tem revelado de modo progressivo seu propósito em relação à família humana. Mas ele só faz isso no momento certo. Analise um breve resumo de como Jeová revelou verdades sobre o Reino ao longo da História.
Por que o Reino é necessário?
3, 4. Jeová predestinou o rumo da história humana? Explique.
3 O Reino messiânico não fazia parte do propósito original de Jeová. Por que não? Porque Jeová não predestinou o rumo da história humana; afinal, ele criou os humanos com livre-arbítrio. Ele informou a Adão e Eva seu propósito para a humanidade quando disse: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a.” (Gên. 1:28) Jeová exigiu também que eles respeitassem os padrões divinos do que é bom e do que é mau. (Gên. 2:16, 17) Adão e Eva poderiam ter escolhido permanecer leais. Se eles e seus descendentes tivessem feito isso, não precisaríamos do Reino às mãos de Jesus para cumprir o propósito de Deus. Nosso planeta hoje estaria repleto de pessoas perfeitas, todas adorando a Jeová.
4 A rebelião de Satanás, Adão e Eva não fez com que Jeová abandonasse seu propósito de encher a Terra com uma família humana perfeita. Em vez disso, ele adaptou o método para realizá-lo. Seu propósito não é como um trem que só consegue chegar ao destino se estiver num determinado trilho e que pode descarrilar por causa das ações de outros. Quando Jeová declara seu propósito, nenhuma força no Universo pode impedir que ele se cumpra. (Leia Isaías 55:11.) Se uma dificuldade ameaça bloquear um trilho, Jeová usa outro.a (Êxo. 3:14, 15) Quando acha apropriado, ele informa seus servos leais do novo método que usará para cumprir seu propósito.
5. O que Jeová fez em resposta à rebelião no Éden?
5 Em resposta à rebelião no Éden, Jeová incluiu em seu propósito o estabelecimento do Reino. (Mat. 25:34) Naquele momento sombrio da história humana, Jeová começou a revelar informações sobre o instrumento que usaria para restaurar a humanidade e reverter os danos causados pelos fúteis esforços de Satanás de assumir poder. (Gên. 3:14-19) Mesmo assim, Jeová não forneceu de uma vez todos os detalhes sobre o Reino.
Jeová começa a revelar verdades sobre o Reino
6. O que Jeová prometeu, mas o que ele não revelou?
6 Logo na primeira profecia, Jeová prometeu que um “descendente” esmagaria a serpente. (Leia Gênesis 3:15.) Mas a identidade desse descendente e a do descendente da serpente não foram reveladas naquela época. Jeová só esclareceu esses detalhes depois de 2 mil anos.b
7. Por que Abraão foi escolhido, e que lição fundamental aprendemos disso?
7 Por fim, Jeová escolheu Abraão como aquele por meio de quem viria o descendente prometido. Abraão foi escolhido porque ‘escutou a voz’ de Jeová. (Gên. 22:18) Aprendemos uma lição fundamental disso: Jeová revela seu propósito apenas aos que o temem. — Leia Salmo 25:14.
8, 9. Que fatos sobre o descendente prometido Jeová revelou a Abraão e a Jacó?
8 Quando falou com seu amigo Abraão por meio de um anjo, Jeová revelou pela primeira vez o seguinte fato vital sobre o descendente prometido: ele seria humano. (Gên. 22:15-17; Tia. 2:23) Mas como é que esse humano esmagaria a serpente? Quem era a serpente? Revelações feitas mais tarde esclareceriam essas questões.
9 Jeová determinou que o descendente prometido viria de um dos netos de Abraão, Jacó, que demonstrou grande fé em Deus. (Gên. 28:13-22) Por meio de Jacó, Jeová revelou que o Prometido seria descendente de um dos filhos de Jacó, Judá. Jacó profetizou que esse descendente de Judá receberia um “cetro” — bastão que simboliza autoridade régia — e que ‘a ele pertenceria a obediência dos povos’. (Gên. 49:1, 10) Com essas palavras, Jeová indicou que o Prometido seria um governante, um rei.
10, 11. Por que Jeová revelou seu propósito a Davi e a Daniel?
10 Uns 650 anos depois dos dias de Judá, Jeová revelou mais detalhes sobre seu propósito ao Rei Davi, um descendente de Judá. Jeová descreveu Davi como um ‘homem que agradava o seu coração’. (1 Sam. 13:14; 17:12; Atos 13:22) Visto que Davi tinha um temor reverente por Deus, Jeová fez um pacto com ele, prometendo-lhe que um de seus descendentes governaria para sempre. — 2 Sam. 7:8, 12-16.
11 Cerca de 500 anos mais tarde, Jeová revelou por meio do profeta Daniel o ano exato em que esse Ungido, ou Messias, apareceria na Terra. (Dan. 9:25) Jeová considerava Daniel como “alguém muito desejável”. Por quê? Porque Daniel tinha profundo respeito por Jeová e servia a ele continuamente. — Dan. 6:16; 9:22, 23.
12. O que Daniel foi orientado a fazer, e por quê?
12 Jeová usou profetas fiéis, como Daniel, para registrar inúmeros detalhes sobre o descendente prometido, o Messias. Apesar disso, ainda não havia chegado o tempo de Jeová para que seus servos tivessem o entendimento completo do que eles foram inspirados a escrever. Por exemplo, depois de receber uma visão sobre o estabelecimento do Reino de Deus, Daniel foi orientado a selar a profecia até o tempo designado por Jeová. Quando chegasse esse tempo, o verdadeiro conhecimento ‘se tornaria abundante’. — Dan. 12:4.
Jeová usou homens fiéis, como Daniel, para registrar detalhes sobre o Reino messiânico
Jesus lança luz sobre o propósito de Deus
13. (a) Quem é o descendente prometido? (b) Como Jesus lançou luz sobre a profecia registrada em Gênesis 3:15?
13 Jeová identificou claramente Jesus como o descendente prometido, que veio da linhagem de Davi e que governaria como Rei. (Luc. 1:30-33; 3:21, 22) Quando Jesus começou seu ministério, foi como se o sol raiasse sobre o conhecimento da humanidade a respeito do propósito de Deus. (Mat. 4:13-17) Por exemplo, Jesus não deixou nenhuma dúvida sobre a identidade da “serpente” mencionada em Gênesis 3:14, 15 ao chamar o Diabo de “homicida” e “o pai da mentira”. (João 8:44) Na revelação que deu a João, Jesus identificou “a serpente original” como “o chamado Diabo e Satanás”.c (Leia Revelação 1:1; 12:9.) Nessa mesma revelação, Jesus mostrou como ele — o descendente prometido — finalmente cumprirá a profecia feita no Éden e esmagará Satanás, destruindo-o por completo. — Rev. 20:7-10.
14-16. Os discípulos do primeiro século sempre tiveram o entendimento completo das verdades reveladas por Jesus? Explique.
14 Como vimos no Capítulo 1 deste livro, Jesus falou extensivamente sobre o Reino. Mas ele nem sempre revelou todos os detalhes que seus discípulos queriam saber. Mesmo quando forneceu detalhes específicos, foi só mais tarde — em alguns casos, vários séculos depois — que seus seguidores começaram a discernir o pleno significado das verdades que seu Mestre havia revelado. Veja alguns exemplos.
15 Em 33 EC, Jesus deixou claro que os corregentes que apoiariam o Rei do Reino de Deus seriam tirados da Terra e ressuscitados como criaturas espirituais para a vida no céu. Mas seus discípulos não entenderam isso de imediato. (Dan. 7:18; João 14:2-5) Naquele mesmo ano, Jesus indicou por meio de ilustrações que o Reino só seria estabelecido um bom tempo depois que ele tivesse subido ao céu. (Mat. 25:14, 19; Luc. 19:11, 12) Os discípulos não entenderam esse ponto essencial e mais tarde perguntaram ao ressuscitado Jesus: “É neste tempo que restabeleces o reino a Israel?” Jesus, porém, decidiu não revelar nenhum detalhe adicional naquela ocasião. (Atos 1:6, 7) Ele ensinou também que haveria “outras ovelhas”, que não fariam parte do “pequeno rebanho” composto por seus corregentes. (João 10:16; Luc. 12:32) Os seguidores de Cristo só tiveram o entendimento correto da identidade desses dois grupos algum tempo depois que o Reino foi estabelecido em 1914.
16 Jesus poderia ter dito muitas coisas a seus discípulos enquanto esteve com eles na Terra, mas sabia que eles não eram capazes de suportá-las. (João 16:12) É verdade que muitas informações sobre o Reino foram reveladas no primeiro século. Mas ainda não havia chegado a hora para que o conhecimento sobre esse assunto se tornasse abundante.
O verdadeiro conhecimento se torna abundante no “tempo do fim”
17. O que devemos fazer para entender as verdades sobre o Reino, mas o que também é preciso?
17 Jeová prometeu a Daniel que no “tempo do fim” muitos ‘percorreriam’ a Palavra de Deus “e o verdadeiro conhecimento” do propósito divino se tornaria abundante. (Dan. 12:4) Aqueles que querem esse conhecimento precisam se esforçar para obtê-lo. Certa obra de referência diz que uma forma do verbo hebraico ‘percorrer’ transmite a ideia de alguém examinando um livro de modo minucioso e completo. Contudo, por mais completa que seja nossa análise da Bíblia, não podemos ter o entendimento correto das verdades sobre o Reino a menos que Jeová nos conceda esse privilégio. — Leia Mateus 13:11.
18. Como os que temem a Jeová têm demonstrado fé e humildade?
18 Assim como Jeová revelou as verdades sobre o Reino de modo progressivo nos anos que antecederam 1914, ele continua a fazer isso no tempo do fim. Como os Capítulos 4 e 5 deste livro mostrarão, nos últimos cem anos o povo de Deus precisou ajustar seu entendimento em várias ocasiões. Será que isso significa que eles não têm o apoio de Jeová? Muito pelo contrário! Por que podemos dizer isso? Porque aqueles que temem a Jeová têm demonstrado duas qualidades que ele ama: fé e humildade. (Heb. 11:6; Tia. 4:6) Os servos de Jeová têm fé em que todas as promessas da Palavra de Deus se cumprirão. E eles mostram humildade quando admitem que não entenderam corretamente como essas promessas se cumpririam. Essa atitude humilde pode ser observada no número de 1.º de março de 1925 de A Sentinela, em inglês, que disse: “Sabemos que o Senhor é seu próprio intérprete, e que ele interpretará sua Palavra ao seu povo da sua maneira e no seu tempo devido.”
“O Senhor . . . interpretará sua Palavra ao seu povo da sua maneira e no seu tempo devido”
19. O que Jeová nos tem permitido entender, e por quê?
19 Quando o Reino foi estabelecido em 1914, o povo de Deus tinha apenas um conhecimento parcial de como as profecias relacionadas ao Reino se cumpririam. (1 Cor. 13:9, 10, 12) Em nosso zelo de ver o cumprimento das promessas de Deus, já aconteceu de chegarmos a conclusões equivocadas. Com o passar dos anos, ficou evidente a sabedoria de outra declaração feita no número de A Sentinela citado no parágrafo anterior. O artigo disse: “Parece uma regra segura a ser seguida, de que só podemos entender as profecias depois que se cumprem ou durante o seu cumprimento.” Agora que estamos bem avançados no tempo do fim, muitas profecias sobre o Reino foram e estão sendo cumpridas. Visto que o povo de Deus é humilde e disposto a ser corrigido, Jeová tem permitido que o entendimento que eles têm de seu propósito se torne mais completo. O verdadeiro conhecimento se tornou abundante!
Refinamentos no entendimento testam o povo de Deus
20, 21. Como refinamentos no entendimento afetaram os cristãos no primeiro século?
20 Quando Jeová refina nosso entendimento da verdade, a condição de nosso coração é testada. Será que nossa fé e humildade nos motivarão a aceitar as mudanças? Os cristãos que viviam em meados do primeiro século enfrentaram um teste assim. Por exemplo, imagine que você fosse um cristão judeu naquela época. Você tem profundo respeito pela Lei mosaica e se orgulha de seu legado nacional. Então, você recebe cartas inspiradas do apóstolo Paulo dizendo que não é mais uma obrigação obedecer à Lei e que Jeová rejeitou o Israel natural para ajuntar um Israel espiritual composto tanto de judeus como de gentios. (Rom. 10:12; 11:17-24; Gál. 6:15, 16; Col. 2:13, 14) Como você teria reagido?
21 Os cristãos humildes aceitaram a explicação inspirada de Paulo e foram abençoados por Jeová. (Atos 13:48) Outros ficaram ressentidos com os refinamentos e preferiram continuar com o seu próprio entendimento. (Gál. 5:7-12) Se não mudassem seu modo de pensar, aquelas pessoas perderiam a oportunidade de reinar com Cristo. — 2 Ped. 2:1.
22. Como você se sente em relação aos ajustes em nosso entendimento do propósito de Deus?
22 Em décadas recentes, Jeová refinou nosso entendimento sobre o Reino. Por exemplo, ele nos ajudou a entender melhor quando os futuros súditos do Reino serão separados dos que rejeitam as boas novas, assim como se separam ovelhas de cabritos. Também nos ensinou quando o número total dos 144 mil será completado, o que as ilustrações do Reino contadas por Jesus significam e quando o último ungido será ressuscitado para a vida celestial.d Como você reage a esclarecimentos assim? Sua fé fica mais forte? Você os encara como evidência de que Jeová continua instruindo seus humildes servos? As informações que encontrará neste livro reforçarão sua convicção de que Jeová está revelando progressivamente seu propósito aos que o temem.
a O nome de Jeová é uma forma de um verbo hebraico que significa “vir a ser”, “tornar-se”. Esse nome indica que ele é o Cumpridor de suas promessas. Veja o quadro “O significado do nome de Deus”, na página 43.
b Embora esse período pareça muito longo hoje, devemos nos lembrar de que os humanos viviam muito mais tempo. Por exemplo, a duração da vida de apenas quatro pessoas foi suficiente para abranger o período entre Adão e Abraão. Adão foi contemporâneo de Lameque, pai de Noé; Lameque foi contemporâneo de Sem, filho de Noé; e Sem foi contemporâneo de Abraão. — Gên. 5:5, 31; 9:29; 11:10, 11; 25:7.
c O nome “Satanás” aparece 18 vezes nas Escrituras Hebraicas. Mas esse termo aparece mais de 30 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs. Apropriadamente, as Escrituras Hebraicas não deram ênfase indevida a Satanás, mas se concentraram em identificar o Messias. Quando o Messias chegou, ele expôs totalmente a Satanás, fato registrado nas Escrituras Gregas Cristãs.
d Para uma consideração de alguns desses refinamentos em nosso entendimento, veja os seguintes números de A Sentinela: 15 de outubro de 1995, páginas 23-28; 15 de janeiro de 2008, páginas 20-24; 15 de julho de 2008, páginas 17-21; 15 de julho de 2013, páginas 9-14.
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Jeová exalta seu nomeO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 4
Jeová exalta seu nome
1, 2. Como a Tradução do Novo Mundo exalta o nome de Deus?
NA MANHÃ fresca, porém ensolarada, da terça-feira de 2 de dezembro de 1947, um pequeno grupo de irmãos ungidos do Betel de Brooklyn, Nova York, deu início a um enorme empreendimento. O trabalho exigia muito esforço, mas eles não desistiram nos 12 anos que se seguiram. Finalmente, no domingo de 13 de março de 1960, eles terminaram o texto final de uma nova tradução da Bíblia. Três meses depois, em 18 de junho de 1960, o irmão Nathan Knorr lançou o último volume da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas num congresso em Manchester, Inglaterra. Esse lançamento causou muita emoção na assistência. O orador descreveu bem os sentimentos de todos os presentes quando disse: ‘Hoje é um dia de alegria para as Testemunhas de Jeová no mundo todo!’ Aquela nova tradução tinha um aspecto notável que foi motivo especial de alegria: o uso frequente do nome de Deus.
A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs foi lançada na assembleia de 1950, Aumento da Teocracia (à esquerda: Estádio Ianque, Nova York; à direita: Gana)
2 Muitas traduções da Bíblia omitem o nome de Deus. Mas os servos ungidos de Jeová tomaram ação contra a trama de Satanás para fazer o nome de Deus cair no esquecimento. A introdução que aparece na Tradução do Novo Mundo lançada naquele dia declara: “O mais destacado aspecto desta tradução é o restabelecimento do nome divino no seu lugar legítimo.” De fato, o nome de Deus, Jeová, aparece mais de 7 mil vezes na Tradução do Novo Mundo. Sem dúvida, essa tradução tem exaltado de forma impressionante o nome de nosso Pai celestial — Jeová!
3. (a) O que nossos irmãos entendiam a respeito do significado do nome de Deus? (b) Como devemos entender Êxodo 3:13, 14? (Veja o quadro “O significado do nome de Deus”.)
3 Em anos anteriores, os Estudantes da Bíblia entendiam que o significado do nome de Deus era “Eu sou o que sou”. (Êxo. 3:14, King James Version [Versão Rei Jaime]) Assim, A Sentinela de 1.º de janeiro de 1926, em inglês, disse: “O nome Jeová significa Aquele que é autoexistente, . . . Aquele que não teve início nem terá fim.” No entanto, quando os tradutores da Tradução do Novo Mundo começaram seu trabalho, Jeová já havia ajudado seu povo a entender que o nome dele não significa apenas que ele é autoexistente, mas que acima de tudo ele é um Deus de propósitos e de ação. Eles tinham aprendido que o nome Jeová significa literalmente “Ele Causa que Venha a Ser”. Ele causou a existência do Universo e das criaturas inteligentes e continua a fazer com que sua vontade e propósito venham a se tornar realidade. Por que, então, é de máxima importância que o nome de Deus seja exaltado, e como podemos ter uma participação nisso?
A santificação do nome de Deus
4, 5. (a) O que pedimos quando oramos: “Santificado seja o teu nome”? (b) Como e quando Deus santificará seu nome?
4 Jeová deseja que seu nome seja exaltado. Seu principal propósito é santificar seu nome, conforme o primeiro pedido de Jesus em sua oração-modelo: “Santificado seja o teu nome.” (Mat. 6:9) Quando fazemos essa oração, o que estamos pedindo?
5 Como vimos no Capítulo 1 deste livro, as palavras “santificado seja o teu nome” são um dos três pedidos da oração-modelo de Jesus relacionados com o propósito de Jeová. Os outros dois são: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade.” (Mat. 6:10) Portanto, assim como pedimos para Jeová agir a fim de que seu Reino venha e sua vontade seja realizada, pedimos para Jeová agir a fim de que seu nome seja santificado. Em outras palavras, pedimos que Jeová aja para limpar seu nome de toda difamação lançada sobre ele desde a rebelião no Éden. Como Jeová atenderá esse pedido? Ele diz: “Hei de santificar meu grande nome que tem sido profanado entre as nações.” (Eze. 36:23; 38:23) Quando Jeová acabar com toda a maldade no Armagedom, ele santificará seu nome diante de toda a criação.
6. Como podemos participar na santificação do nome de Deus?
6 Ao longo da História, Jeová tem permitido que seus servos participem na santificação de seu nome. É claro que não podemos tornar o nome de Deus mais santo. Ele já é santo, ou sagrado, em sentido absoluto. Então, como podemos santificá-lo? Isaías diz: “Jeová dos exércitos — é a Ele que deveis tratar como santo.” E o próprio Jeová disse que seus servos santificariam o seu nome e reverenciariam ao seu Deus. (Isa. 8:13; 29:23) Assim, santificamos o nome de Deus por tratá-lo como distinto e mais elevado do que qualquer outro nome, por respeitar o que ele representa e por ajudar outros a tratá-lo como santo. Mostramos nossa reverência pelo nome de Deus principalmente por reconhecer a Jeová como nosso Governante e por lhe obedecer de todo o coração. — Pro. 3:1; Rev. 4:11.
Preparados para levar e exaltar o nome de Deus
7, 8. (a) Por que levou tempo até que o povo de Deus pudesse levar o seu nome? (b) O que veremos agora?
7 Os servos de Deus dos tempos modernos têm usado o nome de Deus em suas publicações desde a década de 1870. Por exemplo, a revista A Sentinela de agosto de 1879 e o cancioneiro Songs of the Bride (Cânticos da Noiva), publicado no mesmo ano, mencionam o nome Jeová. Mas, antes que o povo de Deus pudesse usar o nome divino para se identificar publicamente, parece que Jeová se certificou de que eles cumprissem os requisitos para esse grandioso privilégio. Como Jeová preparou aqueles primeiros Estudantes da Bíblia para levar o seu nome?
8 Quando olhamos para trás, para o fim do século 19 e o início do século 20, vemos como Jeová deu ao seu povo um entendimento mais claro de importantes verdades relacionadas ao seu nome. Vejamos três delas.
9, 10. (a) Por que os primeiros artigos de A Sentinela davam destaque a Jesus? (b) Que mudança ocorreu a partir de 1919, e com que resultados? (Veja também o quadro “Como A Sentinela tem exaltado o nome de Deus”.)
9 Primeira verdade: os servos de Deus passaram a ter o conceito correto sobre a importância do nome de Deus. Os fiéis Estudantes da Bíblia daquela época encaravam a provisão do resgate como o principal ensinamento da Bíblia. Isso explica por que a revista A Sentinela com frequência dava destaque a Jesus. Por exemplo, no primeiro ano em que foi publicada, a revista mencionou o nome Jesus dez vezes a mais que o nome Jeová. A respeito dos primeiros anos dos Estudantes da Bíblia, A Sentinela de 15 de setembro de 1976 observou que havia sido dada demasiada importância a Jesus. Mas, com o tempo, Jeová os ajudou a entender a importância que a Bíblia dá ao nome pessoal de Deus. Como isso afetou os Estudantes da Bíblia? Principalmente a partir de 1919, diz o mesmo número de A Sentinela, eles “começaram a mostrar maior apreço pelo Pai celestial do Messias, Jeová”. Prova disso foi que, na década seguinte, a revista A Sentinela citou o nome de Deus mais de 6.500 vezes!
10 Por darem o devido reconhecimento ao nome Jeová, nossos irmãos mostraram seu amor pelo nome de Deus. Assim como Moisés, eles passaram a ‘declarar o nome de Jeová’. (Deut. 32:3; Sal. 34:3) Jeová, por sua vez, conforme prometido nas Escrituras, notou o amor deles por Seu nome e lhes mostrou favor. — Sal. 119:132; Heb. 6:10.
11, 12. (a) Nossas publicações passaram por qual mudança pouco depois de 1919? (b) Para o que Jeová estava chamando a atenção de seus servos, e por quê?
11 Segunda verdade: os cristãos verdadeiros adquiriram o entendimento correto sobre a obra designada por Deus. Pouco depois de 1919, os irmãos ungidos na dianteira fizeram uma análise da profecia de Isaías. A partir de então, nossas publicações passaram a ter um novo enfoque. Por que podemos dizer que esse ajuste foi “alimento no tempo apropriado”? — Mat. 24:45.
12 Antes de 1919, a revista A Sentinela nunca havia feito uma consideração detalhada desta declaração de Isaías: “‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘sim, meu servo a quem escolhi’.” (Leia Isaías 43:10-12.) Mas, pouco depois de 1919, nossas publicações começaram a dar atenção a esses versículos, incentivando todos os ungidos a participar na obra que Jeová lhes designou — a de dar testemunho sobre ele. De fato, só no período de 1925 a 1931, o capítulo 43 de Isaías foi considerado em 57 números de A Sentinela, e cada número aplicou as palavras de Isaías aos cristãos verdadeiros. Ficou claro que, durante aqueles anos, Jeová estava chamando a atenção de seus servos para a obra que eles deviam fazer. Por quê? De certa forma, para que eles fossem “primeiro examinados quanto à aptidão”. (1 Tim. 3:10) Antes de estarem à altura de levar o nome de Deus, os Estudantes da Bíblia tiveram de provar a Jeová por ações que realmente eram suas testemunhas. — Luc. 24:47, 48.
13. De que modo a Palavra de Deus mostra qual é a questão mais importante a ser resolvida?
13 Terceira verdade: o povo de Jeová passou a entender a importância da santificação do nome de Deus. Durante a década de 20, eles discerniram que a santificação do nome de Deus é a questão mais importante que precisa ser resolvida. Como a Palavra de Deus mostra essa verdade fundamental? Vejamos dois exemplos. Qual foi o motivo principal de Deus ter resgatado Israel do Egito? Jeová disse: “Para que meu nome seja declarado em toda a terra.” (Êxo. 9:16) E por que Jeová foi misericordioso com Israel quando eles se rebelaram contra ele? Mais uma vez, Jeová disse que ‘agiu em prol do seu nome para que ele não fosse profanado perante as nações’. (Eze. 20:8-10) O que os Estudantes da Bíblia aprenderam desses e de outros relatos bíblicos?
14. (a) No fim da década de 20, o que o povo de Deus discerniu? (b) Que impacto o entendimento mais claro obtido pelos Estudantes da Bíblia teve na obra de pregação? (Veja também o quadro “Um forte motivo para pregar”.)
14 No fim da década de 20, o povo de Deus discerniu a importância do que Isaías havia dito uns 2.700 anos antes. O profeta disse sobre Jeová: “Assim conduziste o teu povo, a fim de fazer para ti mesmo um belo nome.” (Isa. 63:14) Os Estudantes da Bíblia entenderam que a questão principal não era a salvação pessoal, mas a santificação do nome de Deus. (Isa. 37:20; Eze. 38:23) Em 1929, o livro Prophecy (Profecia) resumiu essa verdade ao dizer: “O nome de Jeová é a questão mais importante diante de toda a criação.” Esse entendimento ajustado motivou mais ainda os servos de Deus a dar testemunho sobre Jeová e a limpar seu nome de toda difamação.
15. (a) Na década de 30, o que nossos irmãos haviam adquirido? (b) Havia chegado o tempo para quê?
15 No início da década de 30, nossos irmãos haviam adquirido um conceito correto sobre a importância do nome de Deus, um entendimento mais claro sobre a obra que Deus lhes havia designado e uma percepção mais profunda da principal questão a ser resolvida. Havia chegado o tempo para Jeová dar aos seus servos a honra de levarem publicamente o seu nome. Para vermos como isso ocorreu, analisemos alguns acontecimentos do passado.
Jeová separa “um povo para o seu nome”
16. (a) De que modo notável Jeová exalta seu nome? (b) No passado, quem serviu primeiro como povo para o nome de Deus?
16 Um modo notável de Jeová exaltar seu nome é por ter um povo na Terra que leva seu nome. A partir de 1513 AEC, a nação de Israel representou Jeová como seu povo. (Isa. 43:12) Mas eles falharam em cumprir sua parte no pacto com Deus e, em 33 EC, perderam a relação especial com ele. Pouco depois, Jeová “voltou a sua atenção para as nações, a fim de tirar delas um povo para o seu nome”. (Atos 15:14) Esse povo recém-escolhido ficou conhecido como “o Israel de Deus”, que é formado por seguidores ungidos de Cristo de várias nações. — Gál. 6:16.
17. Satanás foi bem-sucedido em que trama?
17 Por volta de 44 EC, os discípulos de Cristo, “por providência divina, foram chamados cristãos”. (Atos 11:26) Inicialmente, esse nome por si só servia para diferenciá-los, pois se referia apenas aos cristãos verdadeiros. (1 Ped. 4:16) No entanto, conforme indicado na parábola de Jesus do trigo e do joio, Satanás foi bem-sucedido em sua trama de fazer com que o exclusivo nome cristão se aplicasse a todos os tipos de cristãos de imitação. Em consequência disso, por muitos séculos, não foi possível distinguir claramente os cristãos verdadeiros dos cristãos de imitação. Mas isso começou a mudar durante a “época da colheita”, que começou em 1914. Por quê? Porque os anjos começaram a separar os cristãos de imitação dos cristãos verdadeiros. — Mat. 13:30, 39-41.
18. O que ajudou nossos irmãos a ver que precisavam de um novo nome?
18 Após a designação do escravo fiel em 1919, Jeová ajudou seus servos a entender melhor a obra que ele lhes havia designado. Eles logo perceberam que a pregação de casa em casa os distinguia de todos os cristãos de imitação. Quando se deram conta disso, não demorou para entenderem que o nome “Estudantes da Bíblia” não bastava para diferenciá-los. Seu objetivo principal na vida não era apenas estudar a Bíblia, mas dar testemunho sobre Deus e honrar e exaltar o seu nome. Então, que nome seria apropriado para a obra que eles realizavam? Essa pergunta foi respondida em 1931.
Programa do congresso, 1931
19, 20. (a) Que resolução emocionante foi apresentada num congresso em 1931? (b) Como nossos irmãos reagiram quando souberam do novo nome?
19 Em julho de 1931, cerca de 15 mil Estudantes da Bíblia chegaram a Columbus, Ohio, EUA, para um congresso. Quando viram o programa impresso, eles ficaram intrigados com as duas letras grandes que apareciam na capa: J e W. Eles se perguntaram: “O que significam essas letras?” Daí, no domingo, 26 de julho, o irmão Joseph Rutherford apresentou uma resolução contendo uma poderosa declaração: “Desejamos ser conhecidos e chamados pelo nome, a saber, Testemunhas de Jeová.” Naquele momento, todos na assistência entenderam o significado daquelas letras intrigantes — Jehovah’s Witnesses (Testemunhas de Jeová, em inglês), um nome bíblico baseado em Isaías 43:10.
20 A assistência reagiu à resolução com um estrondoso brado e longos aplausos. Essa reação entusiástica em Columbus foi ouvida até no outro lado do mundo por meio de uma transmissão de rádio. Ernest e Naomi Barber, que estavam na Austrália, recordam: “Quando os aplausos irromperam nos Estados Unidos, os irmãos em Melbourne se levantaram animados e aplaudiram por um bom tempo. Nunca vamos esquecer aquele dia!”a
O nome de Deus exaltado no mundo todo
21. Como o novo nome deu impulso à obra de pregação?
21 Depois que receberam o nome bíblico Testemunhas de Jeová, os servos de Deus ficaram mais determinados a participar na obra de pregação. Edward e Jessie Grimes, um casal de pioneiros nos Estados Unidos que estava naquele congresso, observaram: “Saímos de casa como Estudantes da Bíblia, mas voltamos como Testemunhas de Jeová. Estávamos felizes de que tínhamos agora um nome que nos ajudaria a magnificar o nome de nosso Deus.” Depois do congresso, algumas Testemunhas de Jeová usaram um novo método para fazer exatamente isso. Quando se apresentavam aos moradores, elas entregavam um cartão com a mensagem: “Testemunha de JEOVÁ pregando o Reino de JEOVÁ, nosso Deus.” Não há dúvida de que o povo de Deus tinha orgulho de levar o nome Jeová e estava pronto para proclamar aos quatro ventos a sua importância. — Isa. 12:4.
“Saímos de casa como Estudantes da Bíblia, mas voltamos como Testemunhas de Jeová”
22. O que prova que o povo de Jeová tem uma identidade exclusiva?
22 Muitos anos se passaram desde que Jeová motivou os irmãos ungidos a adotar nosso exclusivo nome. Desde então, será que Satanás conseguiu ofuscar a identidade do povo de Deus? Conseguiu fazer com que nos tornássemos como apenas mais uma religião do mundo? De forma alguma! Pelo contrário, nossa identidade exclusiva como testemunhas de Deus nunca foi tão evidente como hoje. (Leia Miqueias 4:5; Malaquias 3:18.) As pessoas nos associam tanto ao nome de Deus que, quando alguém o usa, é logo identificado como uma Testemunha de Jeová. Em vez de ser ofuscada por incontáveis religiões falsas, a adoração verdadeira de Jeová está ‘firmemente estabelecida acima do cume dos montes’. (Isa. 2:2) Hoje, a adoração de Jeová e seu nome sagrado são de fato grandemente exaltados.
23. De acordo com o Salmo 121:5, que importante verdade sobre Jeová nos encoraja muito?
23 Como é encorajador saber que Jeová nos protegerá contra os ataques presentes e futuros de Satanás! (Sal. 121:5) Com bons motivos, compartilhamos dos sentimentos do salmista que escreveu: “Feliz a nação cujo Deus é Jeová, o povo que ele escolheu como sua herança.” — Sal. 33:12.
a Para detalhes sobre o uso do rádio, veja o Capítulo 7, páginas 72-74.
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O Rei lança luz sobre o ReinoO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 5
O Rei lança luz sobre o Reino
1, 2. Em que sentido Jesus foi um guia sábio?
IMAGINE que você esteja fazendo um passeio numa cidade linda e impressionante, e um guia experiente está conduzindo seu grupo. É a primeira vez que vocês visitam a cidade; por isso, todos estão atentos a cada palavra que o guia diz. Às vezes, você e os outros turistas ficam empolgados querendo saber sobre alguns pontos da cidade que ainda não viram. Mas, quando fazem perguntas ao guia sobre esses pontos, ele deixa para responder no momento certo, em geral só quando o grupo está quase chegando ao lugar em questão. Conforme o tempo vai passando, você fica cada vez mais impressionado com a maneira sábia de ele agir, pois ele lhe diz o que você precisa saber exatamente na hora certa.
2 A situação dos cristãos verdadeiros é similar à daqueles turistas. Estamos aprendendo com entusiasmo sobre a cidade mais impressionante, “a cidade que tem verdadeiros alicerces”, o Reino de Deus. (Heb. 11:10) Quando esteve na Terra, Jesus guiou pessoalmente seus seguidores, conduzindo-os a um conhecimento mais profundo desse Reino. Será que ele respondeu a todas as dúvidas deles e lhes revelou tudo sobre o Reino de uma só vez? Não. Ele disse: “Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não sois atualmente capazes de suportá-las.” (João 16:12) Como o mais sábio dos guias, Jesus nunca sobrecarregou os discípulos com informações que eles não estavam preparados para receber.
3, 4. (a) Como Jesus continua a ensinar pessoas fiéis sobre o Reino de Deus? (b) O que veremos neste capítulo?
3 Jesus disse as palavras registradas em João 16:12 na última noite de sua vida na Terra. Após sua morte, como ele continuaria ensinando pessoas fiéis sobre o Reino de Deus? Ele deu esta garantia aos seus apóstolos: “O espírito da verdade . . . vos guiará a toda a verdade.”a (João 16:13) Podemos pensar no espírito santo como um guia paciente. O espírito é o meio que Jesus usa para ensinar a seus seguidores qualquer coisa que eles precisam saber sobre o Reino de Deus — exatamente na hora certa.
4 Vejamos como o espírito santo de Jeová tem guiado os cristãos sinceros a um conhecimento mais profundo sobre o Reino. Primeiro vamos considerar como chegamos a entender quando o Reino de Deus começou a governar. Daí, vamos analisar quem são os governantes do Reino e seus súditos, e quais são suas esperanças. Por último, vamos ver como os seguidores de Cristo passaram a ter um entendimento mais claro sobre o que é necessário para mostrar lealdade ao Reino.
Entendendo um ano marcante
5, 6. (a) Que conceitos equivocados os Estudantes da Bíblia tinham sobre o estabelecimento do Reino e a colheita? (b) Esses conceitos equivocados significavam que Jesus não estava guiando seus seguidores? Explique.
5 Como vimos no Capítulo 2 deste livro, os Estudantes da Bíblia passaram décadas dizendo que o ano de 1914 seria marcante no cumprimento de profecias bíblicas. Mas, naquela época, eles acreditavam que a presença de Cristo tinha se iniciado em 1874, que ele havia começado a governar no céu em 1878 e que o Reino só estaria totalmente estabelecido em outubro de 1914. A colheita ocorreria entre 1874 e 1914 e chegaria ao seu clímax com o ajuntamento dos ungidos ao céu. Será que conceitos equivocados como esses significavam que Jesus não estava guiando aqueles fiéis por meio do espírito santo?
6 De forma alguma! Pense de novo na ilustração no início deste capítulo. Será que o fato de os turistas terem ideias precipitadas e ficarem ansiosos para receber uma resposta às suas perguntas significa que o guia não é confiável? É claro que não! De modo similar, embora o povo de Deus às vezes tente entender detalhes do propósito de Jeová antes que chegue o tempo para o espírito santo os guiar a essas verdades, isso não quer dizer que Jesus não os esteja guiando. Assim, os fiéis mostram que estão dispostos a ser corrigidos e humildemente ajustam seus conceitos. — Tia. 4:6.
7. O povo de Deus foi abençoado com que esclarecimentos espirituais?
7 Nos anos depois de 1919, o povo de Deus foi abençoado com cada vez mais esclarecimentos espirituais. (Leia Salmo 97:11.) Em 1925, foi publicado em A Sentinela um artigo marcante intitulado “Nascimento da nação”. Ele apresentou evidências bíblicas convincentes de que o Reino messiânico havia nascido em 1914, cumprindo o quadro profético da mulher celestial de Deus dando à luz, registrado em Revelação capítulo 12.b O artigo também mostrou que a perseguição e os problemas que o povo de Jeová enfrentou naqueles anos de guerra eram sinais claros de que Satanás havia sido expulso do céu, “tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo”. — Rev. 12:12.
8, 9. (a) Como a importância do Reino de Deus passou a ganhar destaque? (b) Que perguntas consideraremos?
8 Qual a importância do Reino? Em 1928, A Sentinela passou a destacar que o Reino é mais importante do que a salvação pessoal por meio do resgate. De fato, é por meio do Reino messiânico que Jeová santificará seu nome, vindicará sua soberania e realizará todos os seus propósitos em relação à humanidade.
9 Quem governaria com Cristo nesse Reino? Quem seriam os súditos terrestres desse Reino? E em que obra os seguidores de Cristo deveriam se empenhar?
A colheita se concentra nos ungidos
10. Que entendimento o povo de Deus tem há muito tempo sobre os 144 mil?
10 Algumas décadas antes de 1914, os cristãos verdadeiros já entendiam que 144 mil seguidores fiéis de Cristo governariam com ele no céu.c Aqueles Estudantes da Bíblia compreendiam que o número era literal e que seus membros começaram a ser ajuntados no primeiro século EC.
11. Como os membros da classe da noiva de Cristo passaram a entender melhor o que deviam fazer enquanto ainda estivessem na Terra?
11 Mas o que os prospectivos membros da classe da noiva de Cristo foram designados a fazer enquanto ainda estivessem na Terra? Eles entendiam que Jesus tinha dado ênfase à obra de pregação e a tinha relacionado com um período de colheita. (Mat. 9:37; João 4:35) Conforme vimos no Capítulo 2, por um tempo eles acreditaram que o período de colheita duraria 40 anos, terminando com o ajuntamento dos ungidos ao céu. No entanto, visto que a obra não terminou depois de passados os 40 anos, houve necessidade de mais esclarecimentos. Hoje sabemos que a colheita — a época de separar o trigo do joio, ou seja, os fiéis cristãos ungidos dos cristãos de imitação — começou em 1914. Havia chegado o tempo de voltar a atenção para o ajuntamento dos últimos membros daquela classe celestial.
O ano de 1914 marcou o início do período de colheita (Veja o parágrafo 11.)
12, 13. Como as ilustrações de Jesus sobre as dez virgens e sobre os talentos têm se cumprido nos últimos dias?
12 Começando em 1919, Cristo guiou continuamente o escravo fiel e discreto para dar destaque à obra de pregação. Ele deu essa comissão de pregar no primeiro século. (Mat. 28:19, 20) Indicou também as qualidades que seus seguidores ungidos precisariam ter para cumprir essa comissão. Como assim? Em sua ilustração das dez virgens, ele mostrou que os ungidos teriam de se manter vigilantes, ou espiritualmente alertas, para alcançar seu maior objetivo, ou seja, o de participar na grande festa de casamento no céu. Nesse contexto celestial, os fiéis ungidos são retratados de outra maneira, como a “noiva” celestial composta de 144 mil membros. (Rev. 21:2) Daí, em sua ilustração dos talentos, Jesus ensinou que seus servos ungidos realizariam com zelo a obra de pregação que lhes havia sido confiada. — Mat. 25:1-30.
13 Os ungidos têm se mantido alertas e zelosos nos últimos cem anos. Não há dúvida de que eles serão recompensados por isso. Mas será que a grande colheita se resumiria a ajuntar o restante dos 144 mil corregentes de Cristo?
O Reino ajunta seus súditos terrestres
14, 15. Que quatro grupos foram considerados no livro O Mistério Consumado?
14 A “grande multidão” mencionada em Revelação 7:9-14 por muito tempo despertou a curiosidade de homens e mulheres fiéis. Não é de surpreender que, antes de chegar o tempo para Cristo revelar a identidade desse grande grupo, muito do que era dito sobre esse assunto era bem diferente das verdades claras e simples que conhecemos e amamos hoje.
15 Em 1917, o livro The Finished Mystery (O Mistério Consumado) afirmou que existem “dois graus ou tipos de salvação celestial, e dois graus ou tipos de salvação terrestre”. Quem compunha os quatro grupos de pessoas com essas diferentes esperanças de salvação? Primeiro, havia os 144 mil que reinariam com Cristo. Segundo, havia a grande multidão. Naquela época, achava-se que essa grande multidão era formada por professos cristãos que ainda estavam nas igrejas da cristandade. Eles tinham certa medida de fé, mas não o suficiente para manter uma posição íntegra. Por isso, eles ocupariam posições inferiores no céu. Quanto à Terra, acreditava-se que um terceiro grupo, os “dignos da antiguidade” — pessoas fiéis, como Abraão, Moisés e outros —, teriam posições de autoridade sobre o quarto grupo, o mundo da humanidade.
16. Que esclarecimentos espirituais ocorreram em 1923 e 1932?
16 Como o espírito santo guiou os seguidores de Cristo ao entendimento que prezamos hoje? Foi de modo progressivo, por meio de uma série de esclarecimentos espirituais. Em 1923, A Sentinela chamou atenção para um grupo que não esperava ir para o céu, mas viver na Terra sob o reinado de Cristo. Em 1932, a revista falou de Jonadabe (Jeonadabe), que se apegou a Jeú, rei israelita ungido por Deus, para apoiá-lo na guerra contra a adoração falsa. (2 Reis 10:15-17) O artigo disse que havia uma classe de pessoas nos tempos modernos que eram como Jonadabe e que Jeová conduziria essa classe “através da tribulação do Armagedom” para viver aqui na Terra.
17. (a) Em 1935, que esclarecimento espiritual ocorreu? (b) Que impacto o novo entendimento da grande multidão teve nos cristãos fiéis? (Veja o quadro “Muitos suspiraram de alívio”.)
17 Em 1935 houve um esclarecimento espiritual marcante. No congresso realizado em Washington, DC, a grande multidão foi identificada como classe terrestre, a mesma que as ovelhas da parábola de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos. (Mat. 25:33-40) A grande multidão estaria incluída nas “outras ovelhas”, sobre as quais Jesus disse: “Estas também tenho de trazer.” (João 10:16) Quando o orador, Joseph Rutherford, pediu “Queiram todos os que têm esperança de viver para sempre na Terra pôr-se de pé”, mais da metade dos presentes se levantou. Então ele disse: “Eis a grande multidão!” Muitos ficaram profundamente comovidos ao entender por fim qual era a sua esperança para o futuro.
18. Como os seguidores de Cristo têm concentrado seus esforços no ministério, e com que resultado?
18 Desde aquela época, Cristo tem guiado seus seguidores para que eles concentrem seus esforços em ajuntar os prospectivos membros dessa grande multidão que sairá sã e salva da grande tribulação. No início, esse ajuntamento não parecia impressionante. O irmão Rutherford certa vez até comentou: “Parece que a ‘grande multidão’, afinal, não vai ser tão grande assim.” Hoje, naturalmente, vemos que Jeová abençoou muito a colheita desde então! Sob a orientação de Jesus e do espírito santo, os ungidos e seus companheiros das “outras ovelhas” se tornaram exatamente o que Jesus predisse — “um só rebanho” servindo sob “um só pastor”.
O irmão Rutherford não podia prever que a grande multidão seria tão numerosa assim (da esquerda para a direita: Nathan H. Knorr, Joseph F. Rutherford e Hayden C. Covington)
19. Como podemos contribuir para o aumento da grande multidão?
19 A vasta maioria dos fiéis viverão para sempre no Paraíso terrestre, governados por Cristo e seus 144 mil corregentes. Não nos dá alegria refletir em como Cristo tem guiado o povo de Deus para ter uma esperança bíblica tão clara para o futuro? Temos o grande privilégio de compartilhar essa esperança com os que encontramos no ministério. Que demos o nosso melhor nessa obra, segundo as nossas circunstâncias, para que a grande multidão continue a aumentar, fazendo com que o brado de louvor ao nome de Jeová seja cada vez maior! — Leia Lucas 10:2.
A grande multidão está ficando cada vez maior
O que é preciso para ser leal ao Reino
20. Que elementos compõem a organização de Satanás, e como a lealdade cristã está envolvida?
20 À medida que o povo de Deus continuava a aprender sobre o Reino, eles também precisavam entender plenamente o que significa ser leal a esse governo celestial. Nesse sentido, em 1922, A Sentinela destacou que há duas organizações em ação, a de Jeová e a de Satanás, sendo a de Satanás composta pelos elementos comercial, religioso e político. Os que são leais ao Reino de Deus às mãos de Cristo não podem violar sua lealdade por se envolverem indevidamente com qualquer aspecto da organização de Satanás. (2 Cor. 6:17) O que isso significa?
21. (a) Como o escravo fiel tem alertado o povo de Deus contra grandes negócios? (b) Em 1963, o que A Sentinela revelou sobre “Babilônia, a Grande”?
21 O alimento espiritual fornecido pelo escravo fiel tem exposto vez após vez a corrupção de grandes negócios e tem alertado o povo de Deus contra o desenfreado materialismo que eles promovem. (Mat. 6:24) Nossas publicações também têm exposto com frequência o elemento religioso da organização de Satanás. Em 1963 (em português, 1964), A Sentinela mostrou claramente que “Babilônia, a Grande”, representava não apenas a cristandade, mas o inteiro império mundial das religiões falsas. Por isso, como veremos em mais detalhes no Capítulo 10 deste livro, os servos de Deus em todos os países e culturas têm sido ajudados a ‘sair dela’, purificando-se de todas as práticas da religião falsa. — Rev. 18:2, 4.
22. Durante a Primeira Guerra Mundial, como muitos servos de Deus entendiam a ordem de Romanos 13:1?
22 Mas que dizer do elemento político da organização de Satanás? Será que os cristãos verdadeiros poderiam participar nas guerras e conflitos das nações? Durante a Primeira Guerra Mundial, os Estudantes da Bíblia em geral entendiam que os seguidores de Cristo não devem ter nenhum envolvimento em tirar a vida do próximo. (Mat. 26:52) No entanto, por causa da ordem encontrada em Romanos 13:1 de obedecer “às autoridades superiores”, muitos achavam que deviam se alistar no Exército, usar uniformes militares e até mesmo portar armas; mas, se alguém pedisse que matassem o inimigo, eles deviam atirar para o alto.
23, 24. Qual era o nosso entendimento de Romanos 13:1 durante a Segunda Guerra Mundial, e a que entendimento mais exato os seguidores de Cristo foram guiados?
23 Logo no início da Segunda Guerra Mundial, A Sentinela publicou em 1939 (em português, 1940) uma consideração detalhada sobre neutralidade. O artigo mostrou claramente que os cristãos não devem ter nenhuma participação sequer nas guerras e conflitos das nações do mundo de Satanás. Com certeza, uma orientação bem oportuna! Os seguidores de Cristo estavam assim protegidos da terrível culpa de sangue que recaiu sobre as nações naquela guerra. No entanto, a partir de 1929, nossas publicações haviam publicado também que as autoridades superiores de Romanos 13:1 não eram os governantes seculares, mas Jeová e Jesus. Ainda era preciso ter um entendimento mais exato.
24 O espírito santo ajudou os seguidores de Cristo a chegar a esse entendimento em 1962, quando artigos marcantes sobre Romanos 13:1-7 foram publicados nos números de 15 de novembro e 1.º de dezembro de A Sentinela.d Por fim, o povo de Deus entendeu o princípio da sujeição relativa que Jesus tinha revelado em suas famosas palavras: ‘Pagai a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.’ (Luc. 20:25) Hoje, os cristãos verdadeiros entendem que as autoridades superiores são os poderes seculares deste mundo e que os cristãos precisam estar sujeitos a eles. Mas essa sujeição é relativa. Quando autoridades seculares pedem que desobedeçamos a Jeová Deus, dizemos a mesma coisa que os apóstolos disseram no passado: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” (Atos 5:29) No Capítulo 14 deste livro, aprenderemos mais sobre como o povo de Deus seguiu o princípio da neutralidade cristã.
Que privilégio é falar a outros sobre a esperança bíblica da vida eterna!
25. Por que você valoriza a orientação do espírito santo para entender verdades sobre o Reino de Deus?
25 Pense em tudo que os seguidores de Cristo aprenderam sobre o Reino nos últimos cem anos. Aprendemos quando o Reino de Deus foi estabelecido no céu e quão importante ele é. Entendemos claramente as duas esperanças que os fiéis têm, a celestial e a terrestre. E sabemos como demonstrar nossa lealdade ao Reino de Deus ao passo que estamos em sujeição relativa às autoridades do mundo. Pergunte-se: ‘Será que eu conheceria alguma dessas preciosas verdades se Jesus Cristo não tivesse orientado seu escravo fiel na Terra para entendê-las e ensiná-las?’ Que bênção é termos a Cristo e o espírito santo para nos guiar!
a De acordo com certa obra de referência, a palavra grega para ‘guiar’ nesse versículo significa “mostrar o caminho”.
b Antes disso, achava-se que a visão se referia a uma guerra entre a Roma pagã e o papado romano.
c Em junho de 1880, A Sentinela indicou que os 144 mil se referiam a judeus carnais convertidos até 1914. No entanto, mais tarde em 1880, foi publicado um entendimento que se aproxima mais do que temos atualmente.
d Em português, esses artigos foram publicados em 1963, nos números de 15 de junho e 1.º de julho.
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Um povo que prega — ministros se oferecem voluntariamenteO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 6
Um povo que prega — ministros se oferecem voluntariamente
1, 2. Que grande obra Jesus predisse, e que pergunta importante surge?
GOVERNANTES políticos muitas vezes fazem promessas que não cumprem. Mesmo os mais bem-intencionados nem sempre conseguem cumprir o que prometem. Felizmente, o Rei messiânico, Jesus Cristo, sempre cumpre sua palavra.
2 Depois que se tornou Rei em 1914, Jesus estava pronto para cumprir uma profecia que havia feito uns 1.900 anos antes. Pouco antes de morrer, ele predisse: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada.” (Mat. 24:14) O cumprimento dessas palavras faria parte do sinal de sua presença como Rei. Mas surge uma pergunta importante: como o Rei conseguiria convocar um exército de pregadores voluntários nos últimos dias — período que seria marcado pelo egoísmo, falta de amor e descrença em Deus? (Mat. 24:12; 2 Tim. 3:1-5) Precisamos saber a resposta, pois ela envolve todos os cristãos verdadeiros.
3. Que confiança Jesus expressou, e de onde ela vinha?
3 Veja de novo a profecia de Jesus. As palavras “serão pregadas” expressam confiança? Sim, com certeza! Jesus confiava que teria apoiadores dispostos nos últimos dias. De onde vinha essa confiança? De seu Pai. (João 12:45; 14:9) Em sua existência pré-humana, Jesus viu de perto que Jeová tem confiança no espírito disposto de Seus adoradores. Vejamos como Jeová expressou essa confiança.
“Teu povo se oferecerá voluntariamente”
4. Jeová convidou os israelitas a apoiar que obra, e como eles reagiram?
4 Pense no que aconteceu quando Jeová orientou Moisés a construir o tabernáculo, ou tenda, que seria o centro da adoração para a nação de Israel. Por meio de Moisés, Jeová convidou todo o povo a apoiar a obra. Moisés solicitou que ‘cada um de coração disposto trouxesse uma contribuição a Jeová’. O resultado? O povo continuou a trazer “uma oferta voluntária, manhã após manhã”. A contribuição foi tanta que tiveram de ‘conter o povo de trazer’ mais! (Êxo. 35:5; 36:3, 6) Os israelitas corresponderam à confiança que Jeová havia depositado neles.
5, 6. De acordo com o Salmo 110:1-3, que espírito Jeová e consequentemente Jesus esperavam encontrar entre os adoradores verdadeiros no tempo do fim?
5 Será que Jeová esperava encontrar um espírito voluntário assim entre os seus adoradores nos últimos dias? Sim, sem dúvida! Mais de mil anos antes de Jesus nascer na Terra, Jeová inspirou Davi a escrever sobre o tempo em que o Messias começaria a governar. (Leia Salmo 110:1-3.) Jesus, o Rei recém-entronizado, teria inimigos que se oporiam a ele. Mas ele teria também um exército de apoiadores. Não seria necessário obrigá-los a servir ao Rei. Mesmo os jovens entre eles se ofereceriam de bom grado, tornando-se uma multidão tão grande que poderia muito bem ser comparada a inúmeras gotas de orvalho cobrindo o solo ao amanhecer.a
Os apoiadores dispostos do Reino são tão numerosos como gotas de orvalho (Veja o parágrafo 5.)
6 Jesus sabia que a profecia registrada no Salmo 110 se referia a ele. (Mat. 22:42-45) Por isso, ele tinha todos os motivos para confiar que teria apoiadores leais que se ofereceriam voluntariamente para pregar as boas novas em toda a Terra. O que os fatos históricos mostram? Será que o Rei realmente convocou um exército de pregadores voluntários nestes últimos dias?
“Meu privilégio e dever é anunciar essa mensagem”
7. Depois de ser entronizado, que medidas Jesus tomou para preparar seus apoiadores para a obra à frente?
7 Pouco depois de ser entronizado, Jesus tomou medidas para preparar seus seguidores para a grande obra a ser feita. Como vimos no Capítulo 2, ele fez uma obra de inspeção e purificação de 1914 até o início de 1919. (Mal. 3:1-4) Mais tarde em 1919, ele designou o escravo fiel para tomar a dianteira entre seus seguidores. (Mat. 24:45) A partir de então, esse escravo começou a fornecer alimento espiritual — por meio de discursos de congressos e publicações impressas — que enfatizou repetidas vezes a responsabilidade de todos os cristãos em ter uma participação pessoal na pregação.
8-10. Como os congressos deram impulso à obra de pregação? Dê um exemplo. (Veja também o quadro “Congressos antigos que deram impulso à obra de pregação”.)
8 Discursos de congressos. Ansiosos por orientação, os Estudantes da Bíblia se reuniram em Cedar Point, Ohio, EUA, de 1.º a 8 de setembro de 1919 para seu primeiro grande congresso depois da Primeira Guerra Mundial. No segundo dia do congresso, o irmão Rutherford proferiu um discurso em que disse de forma bem direta aos congressistas: “A missão do cristão na Terra . . . é proclamar a mensagem do Reino . . . do Senhor.”
9 O ponto alto daquele congresso ocorreu três dias depois quando o irmão Rutherford proferiu o discurso “Comunicado aos colaboradores”, que foi publicado em A Sentinela sob o título “Anunciando o Reino”. Ele declarou: “Nos momentos sérios, é natural o cristão se perguntar: por que estou na Terra? E a resposta com certeza deve ser: o Senhor graciosamente fez de mim seu embaixador para levar a mensagem divina de reconciliação ao mundo, e meu privilégio e dever é anunciar essa mensagem.”
10 Naquele discurso histórico, o irmão Rutherford anunciou que uma nova revista, The Golden Age (A Idade de Ouro, hoje chamada Despertai!), seria publicada para atrair as pessoas ao Reino, mostrando que ele é a única esperança da humanidade. Daí, ele perguntou quantos dos presentes gostariam de participar na distribuição dessa revista. Um relatório sobre o congresso explicou: “Ver a reação dos presentes foi algo emocionante! Seis mil pessoas se levantaram como se fossem uma só pessoa.”b Ficou claro que o Rei tinha apoiadores dispostos que estavam ansiosos para proclamar o seu Reino.
11, 12. Em 1920, o que A Sentinela disse sobre o tempo em que a obra predita por Jesus seria realizada?
11 Publicações impressas. Por meio das páginas de A Sentinela, a importância da obra predita por Jesus — isto é, a pregação das boas novas do Reino — ficou cada vez mais clara. Veja alguns exemplos do início da década de 20.
12 Que mensagem seria proclamada em cumprimento de Mateus 24:14? Quando essa obra seria realizada? O número de 1.º de julho de 1920 de A Sentinela, no artigo “Evangelho do Reino”, explicou essa mensagem, dizendo: “As boas novas referidas aqui são a respeito do fim da velha ordem de coisas e do estabelecimento do reino do Messias.” O artigo mostrou claramente quando essa mensagem seria pregada, dizendo: “Esta mensagem tem de ser proferida entre o tempo da grande guerra mundial [Primeira Guerra Mundial] e o tempo da ‘grande tribulação’.” Então, o artigo observou: “Agora é a hora . . . de proclamar essas boas novas por toda a parte da cristandade.”
13. Em 1921, como A Sentinela apelou para o espírito voluntário dos cristãos ungidos?
13 Será que o povo de Deus seria pressionado a fazer a obra que Jesus predisse? Não. O artigo “Tende boa coragem”, de A Sentinela de 15 de março de 1921, apelou para o espírito voluntário dos cristãos ungidos. Cada um foi incentivado a se perguntar: “Encaro como meu maior privilégio, bem como meu dever, participar nessa obra?” O artigo disse também: “Nós nos sentimos confiantes de que, quando você encara [sua participação na obra como um privilégio], será como Jeremias, em cujo coração a palavra do Senhor era ‘como um fogo aceso encerrado nos [seus] ossos’, impelindo-o de tal modo que ele não podia deixar de falar.” (Jer. 20:9) Esse incentivo caloroso refletia a confiança que Jeová e Jesus têm nos leais apoiadores do Reino.
14, 15. Em 1922, A Sentinela orientou os cristãos ungidos a contatar as pessoas de que maneira?
14 Como os cristãos verdadeiros deviam contatar as pessoas com a mensagem do Reino? Em 1922, A Sentinela de 15 de agosto publicou um artigo curto, porém poderoso, intitulado “O serviço é essencial”. Ele orientou os cristãos ungidos a “ativamente levar a mensagem impressa às pessoas e conversar com elas nas portas, dando testemunho de que o reino dos céus está próximo”.
15 Sem dúvida, a partir de 1919, Cristo usou seu escravo fiel e discreto para enfatizar repetidas vezes que proclamar a mensagem do Reino é um privilégio e um dever do cristão na Terra. Mas como os Estudantes da Bíblia reagiram ao incentivo de participar na obra de proclamar o Reino?
“Os fiéis serão voluntários”
16. Como alguns anciãos reagiram à ideia de que todos deviam participar no ministério?
16 Nas décadas de 20 e 30, alguns resistiram à ideia de que todos os cristãos ungidos deviam participar no ministério. A Sentinela de 1.º de novembro de 1927, em inglês, explicou o que estava acontecendo: “Há aqueles hoje na igreja [congregação] que ocupam a responsável posição de ancião . . . que recusam encorajar seus irmãos a ter parte no serviço e eles mesmos recusam participar. . . . Zombam da sugestão de ir de porta em porta levando a mensagem de Deus, seu Rei e seu reino ao povo.” O artigo disse sem rodeios: “Chegou o tempo para os fiéis tomarem nota desses e evitá-los, e dizer-lhes que não confiaremos mais a esses homens o ofício de ancião.”c
17, 18. Como a maioria das congregações reagiu à orientação do escravo fiel, e como milhões têm reagido nos últimos cem anos?
17 Felizmente, a maioria das congregações reagiu com entusiasmo à orientação do escravo fiel. Para elas era um privilégio divulgar a mensagem do Reino. A Sentinela de 15 de março de 1926, em inglês, comentou: “Os fiéis serão voluntários . . . para levar essa mensagem às pessoas.” Esses fiéis viveram à altura das palavras proféticas do Salmo 110:3 e mostraram ser apoiadores dispostos do Rei messiânico.
18 Nos últimos cem anos, milhões de pessoas têm se oferecido para realizar a obra de proclamar o Reino. Nos próximos capítulos, analisaremos como elas têm pregado — os métodos e as ferramentas que têm usado — e qual tem sido o resultado disso. Mas primeiro vejamos por que milhões têm participado na obra do Reino voluntariamente apesar de viverem num mundo egoísta. À medida que considerarmos o motivo, faremos bem em nos perguntar: ‘Por que eu prego as boas novas?’
“Persisti . . . em buscar primeiro o reino”
19. Por que acatamos o conselho de Jesus de ‘persistir em buscar primeiro o reino’?
19 Jesus aconselhou seus seguidores a ‘persistir em buscar primeiro o reino’. (Mat. 6:33) Por que acatamos esse conselho? Basicamente porque reconhecemos a importância do Reino, que ele é fundamental para a realização do propósito de Deus. Como vimos no capítulo anterior, o espírito santo tem revelado aos poucos verdades emocionantes sobre o Reino. Quando as preciosas verdades do Reino tocam nosso coração, nos sentimos motivados a buscar primeiro esse Reino.
Assim como um homem que fica feliz ao encontrar um tesouro escondido, os cristãos se alegram por terem encontrado as verdades do Reino (Veja o parágrafo 20.)
20. De que modo a ilustração de Jesus sobre o tesouro escondido mostra como seus seguidores reagiriam ao conselho de persistir em buscar primeiro o Reino?
20 Jesus sabia como seus seguidores reagiriam ao conselho de persistir em buscar primeiro o Reino. Analise sua ilustração do tesouro escondido. (Leia Mateus 13:44.) Enquanto está trabalhando, o lavrador na ilustração encontra por acaso um tesouro escondido e imediatamente reconhece seu valor. O que ele faz? “Na sua alegria, vai e vende todas as coisas que tem e compra aquele campo.” O que aprendemos disso? Quando encontramos a verdade do Reino e reconhecemos seu valor, fazemos com alegria qualquer sacrifício necessário para manter os interesses do Reino no seu devido lugar — em primeiro lugar na vida.d
21, 22. Como os apoiadores leais do Reino mostram que estão buscando primeiro o Reino? Dê um exemplo.
21 Os apoiadores leais do Reino mostram por ações, não apenas por palavras, que estão buscando primeiro o Reino. Eles dedicam sua vida, habilidades e recursos à obra de pregar o Reino. Muitos fazem grandes sacrifícios para ingressar no ministério de tempo integral. Todos esses pregadores dispostos têm comprovado que Jeová abençoa os que buscam primeiro o Reino. Veja um exemplo do século passado.
22 Avery e Lovenia Bristow serviram juntos como colportores (pioneiros) no sul dos Estados Unidos a partir do fim da década de 20. Anos mais tarde, Lovenia recordou: “Desde o início, eu e Avery tivemos muita alegria servindo juntos no serviço de pioneiro. Houve muitas ocasiões em que não sabíamos de onde viria o dinheiro para a gasolina e os mantimentos. Mas, de uma maneira ou de outra, Jeová nunca deixou faltar o necessário. Nós simplesmente continuávamos em frente. Sempre tivemos o que realmente precisávamos.” Lovenia se lembrou de uma ocasião em que eles estavam servindo na cidade de Pensacola, Flórida, e o dinheiro e os mantimentos estavam quase acabando. Quando eles chegaram em seu trailer, encontraram duas sacolas grandes cheias de alimento com um bilhete dizendo: “Com amor, da Companhia Pensacola.”e Refletindo nas décadas de serviço de tempo integral, Lovenia disse: “Jeová nunca nos abandona. Ele nunca trai a confiança que depositamos nele.”
23. Como você encara as verdades do Reino que encontrou, e qual é a sua determinação?
23 Nem todos podem dedicar a mesma quantidade de horas à pregação. Nossas circunstâncias variam. Mas todos podemos encarar como um privilégio declarar as boas novas de toda a alma. (Col. 3:23) Visto que valorizamos as preciosas verdades do Reino que encontramos, estamos dispostos — sim, desejosos — a fazer qualquer sacrifício para servir a Deus da melhor maneira possível. Não é essa a sua determinação?
24. Qual é uma das maiores realizações do Reino nos últimos dias?
24 Nos últimos cem anos, o Rei sem dúvida tem cumprido suas palavras proféticas registradas em Mateus 24:14. E ele tem feito isso sem obrigar as pessoas. Depois que saíram deste mundo egoísta, seus seguidores têm se oferecido voluntariamente para pregar. Sua pregação mundial das boas novas faz parte do sinal da presença de Jesus como Rei — e é uma das maiores realizações do Reino nos últimos dias.
a Na Bíblia, o orvalho está relacionado a grandes quantidades. — Gên. 27:28; Miq. 5:7.
b O panfleto To Whom the Work Is Entrusted (A Quem se Confia a Obra) explicou: “O trabalho com a revista A Idade de Ouro é uma campanha de casa em casa com a mensagem do reino. . . . Além da palestra com o morador, deve-se deixar um exemplar de A Idade de Ouro em cada casa, quer se obtenha uma assinatura, quer não.” Por anos depois disso, os irmãos foram incentivados a oferecer às pessoas a assinatura tanto de A Idade de Ouro como de A Sentinela. A partir de 1.º de fevereiro de 1940, o povo de Jeová foi incentivado a distribuir as revistas avulsas e a relatar o total distribuído.
c Naquela época, os anciãos eram eleitos democraticamente pela congregação. Por isso, uma congregação podia se recusar a votar em homens que se opunham à pregação. A mudança para designações teocráticas de anciãos será considerada no Capítulo 12.
d Jesus disse algo parecido em sua ilustração de um comerciante viajante que busca pérolas de grande valor. Quando encontra uma, ele vende tudo o que tem e a compra. (Mat. 13:45, 46) As duas parábolas nos ensinam também que podemos aprender a verdade do Reino de maneiras diferentes. Alguns a encontram por acaso; outros vão em busca dela. Mas não importa como a encontramos, estamos dispostos a fazer sacrifícios para colocar o Reino em primeiro lugar na vida.
e Naquela época as congregações eram chamadas de companhias.
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Métodos de pregação — usando todos os meios para alcançar as pessoasO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 7
Métodos de pregação — usando todos os meios para alcançar as pessoas
1, 2. (a) Que método Jesus usou para falar a uma grande assistência? (b) Como os discípulos fiéis de Cristo seguiram seu exemplo, e por quê?
UMA multidão se aglomera ao redor de Jesus nas margens de um lago, mas ele sobe num barco e se afasta um pouco. Por quê? Ele sabe que a superfície da água amplificará sua voz, ajudando a grande assistência a ouvir sua mensagem mais claramente. — Leia Marcos 4:1, 2.
2 Por volta da época do nascimento do Reino, os discípulos fiéis de Cristo seguiram seu exemplo, usando métodos criativos de divulgar as boas novas do Reino a grandes públicos. Sob a orientação do Rei, o povo de Deus continua a inovar e se adaptar à medida que as circunstâncias mudam e novas tecnologias se tornam disponíveis. Queremos alcançar o maior número possível de pessoas antes do fim. (Mat. 24:14) Veja alguns dos métodos já usados para alcançar as pessoas em todos os lugares. Pense também em como você pode imitar a fé daqueles que divulgaram as boas novas no início da obra nos tempos modernos.
Alcançando grandes públicos
3. Como o nosso uso de jornais deixou os inimigos da verdade frustrados?
3 Jornais. O irmão Russell e seus associados já publicavam A Sentinela desde 1879, levando a mensagem do Reino a muitas pessoas. Mas, na década que antecedeu 1914, parece que Cristo manobrou os assuntos para que as boas novas alcançassem um público ainda maior. Tudo começou em 1903. Naquele ano, o Dr. Ephraim L. Eaton, um porta-voz de um grupo de ministros protestantes da Pensilvânia, desafiou Russell para uma série de debates sobre assuntos bíblicos. Numa carta a Russell, Eaton escreveu: “Achei que um debate público sobre algumas questões em que nós dois temos opiniões diferentes . . . seria de grande interesse para o público.” Russell e seus associados também acharam que o público se interessaria; assim, providenciaram que os debates fossem publicados num importante jornal, The Pittsburgh Gazette. Os artigos desse jornal eram tão populares e as explicações claras de Russell sobre a verdade bíblica eram tão convincentes que o jornal se ofereceu para publicar as palestras de Russell toda semana. Imagine como isso deve ter deixado os inimigos da verdade frustrados!
Em 1914, mais de 2 mil jornais publicavam os sermões de Russell
4, 5. Que qualidade Russell mostrou, e como aqueles em posição de responsabilidade podem imitar seu exemplo?
4 Não demorou para que outros jornais quisessem publicar as palestras de Russell. Em 1908, A Sentinela podia dizer que os sermões já estavam sendo publicados “regularmente em 11 jornais”. No entanto, irmãos que entendiam do ramo de jornais sugeriram que Russell mudasse os escritórios da Sociedade de Pittsburgh para uma cidade mais conhecida, visto que mais jornais poderiam publicar os artigos bíblicos. Depois de refletir nessa sugestão e em outros fatores, Russell mudou os escritórios para Brooklyn, Nova York, em 1909. O resultado? Em questão de meses, cerca de 400 jornais estavam publicando as palestras — e o número não parava de aumentar. Quando o Reino foi estabelecido em 1914, mais de 2 mil jornais em quatro idiomas estavam publicando os sermões e os artigos de Russell.
5 Que lição importante aprendemos disso? Aqueles que hoje têm certa medida de autoridade na organização de Deus fariam bem em imitar a humildade de Russell. De que forma? Por refletir no conselho de outros antes de tomar decisões importantes. — Leia Provérbios 15:22.
6. Que impacto as verdades publicadas em artigos de jornal tiveram em Ora Hetzel?
6 As verdades do Reino publicadas naqueles artigos de jornal mudaram a vida das pessoas. (Heb. 4:12) Por exemplo, Ora Hetzel, batizada em 1917, foi uma das muitas pessoas que entraram em contato com a verdade por meio daqueles artigos. “Depois que me casei”, disse ela, “fui visitar minha mãe em Rochester, Minnesota. Quando cheguei, vi que ela estava recortando artigos de um jornal. Eram sermões de Russell. Minha mãe me contou as coisas que tinha aprendido naqueles artigos”. Ora aceitou as verdades que aprendeu e, por cerca de 60 anos, foi uma fiel proclamadora do Reino de Deus.
7. Por que os irmãos da dianteira reavaliaram o uso de jornais?
7 Em 1916, dois acontecimentos significativos levaram os irmãos da dianteira a reavaliar o uso de jornais na divulgação das boas novas. Primeiro, a Grande Guerra que assolava o mundo dificultou a aquisição de materiais para impressão. Em 1916, um relatório de nosso departamento de jornais na Grã-Bretanha comentou o desafio, dizendo: “Há pouco mais de 30 jornais publicando os Sermões atualmente. É bem provável que esse número seja reduzido consideravelmente em vista do constante aumento do preço do papel.” O segundo acontecimento foi a morte do irmão Russell, em 31 de outubro de 1916. Por isso, A Sentinela de 15 de dezembro de 1916 anunciou: “Agora que o irmão Russell se foi, a publicação de sermões [nos jornais] será descontinuada por completo.” Embora essa modalidade de pregação tivesse terminado, outros métodos, como o “Fotodrama da Criação”, continuaram a ter grande êxito.
8. O que estava envolvido na produção do “Fotodrama da Criação”?
8 Exibições de filme. Russell e seus associados trabalharam por uns três anos na produção do “Fotodrama da Criação”, que foi lançado em 1914. (Pro. 21:5) O Drama, como era chamado, era uma combinação inovadora de imagens animadas, gravações em áudio e slides coloridos. Centenas de pessoas participaram na encenação de passagens bíblicas, que foram gravadas num filme, incluindo até animais. De acordo com um relatório de 1913, “para a parte de Noé neste grande espetáculo, quase todos os animais de um dos maiores jardins zoológicos foram usados para produzir imagens animadas, com áudio”. Quanto às centenas de slides usados na produção, artistas em Filadélfia, Londres, Nova York e Paris pintaram à mão cada um deles.
9. Por que se investiu tanto tempo e dinheiro na produção do “Fotodrama”?
9 Por que se investiu tanto tempo e dinheiro na produção do “Fotodrama”? Uma resolução adotada na série de congressos de 1913 explica: “O sucesso sem precedentes dos jornais americanos em moldar a opinião pública usando desenhos e ilustrações . . ., junto com a incrível popularidade e adaptabilidade dos filmes, demonstrou plenamente seu valor e, como acreditamos, nos sentimos totalmente justificados, como pregadores progressivos e instrutores da Bíblia, a dar nosso total apoio ao uso de filmes e projetores de slides como um método eficaz e desejável para evangelizadores e instrutores.”
No alto: Uma cabine de projeção do “Fotodrama”; embaixo: Slides do “Fotodrama”
10. Qual foi o alcance do “Fotodrama”?
10 Durante 1914, o “Fotodrama” foi exibido em 80 cidades por dia. Quase 8 milhões de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá assistiram a ele. Naquele mesmo ano, o “Fotodrama” foi exibido na Alemanha, Austrália, Dinamarca, Finlândia, Grã-Bretanha, Noruega, Nova Zelândia, Suécia e Suíça. Uma versão simplificada dessa produção, sem os trechos de filme, foi preparada para ser usada em cidades menores. Essa versão — o “Drama Eureka” — era mais barata para produzir e mais fácil para transportar. Em 1916, o “Fotodrama” e o “Drama Eureka” já tinham sido traduzidos para o alemão, armênio, dano-norueguês, espanhol, francês, grego, italiano, polonês e sueco.
Em 1914, o “Fotodrama” foi exibido em auditórios lotados
11, 12. Que impacto o “Fotodrama” teve em certo jovem, e que exemplo ele deixou?
11 A tradução do “Fotodrama” para o francês teve grande impacto num rapaz de 18 anos chamado Charles Rohner. “[O “Fotodrama”] foi exibido em minha cidade — Colmar, Alsácia, França”, conta Charles. “Desde o início, fiquei impressionado com a apresentação clara da verdade bíblica.”
12 Em resultado disso, Charles foi batizado e, em 1922, ingressou no serviço de tempo integral. Uma de suas primeiras designações foi ajudar a apresentar o “Fotodrama” na França. Descrevendo seu trabalho, Charles diz: “Minha designação incluía várias tarefas — tocar violino e cuidar das contas e das publicações. Também incluía pedir que a assistência ficasse em silêncio antes do programa. Durante o intervalo, oferecíamos publicações. Nós designávamos uma seção do auditório a cada irmão e irmã, que carregava uma pilha de publicações e abordava cada pessoa de sua seção. Além disso, tínhamos mesas cheias de publicações na entrada do auditório.” Em 1925, Charles foi convidado para servir no Betel de Brooklyn, Nova York. Ali, ele foi designado para reger uma orquestra para a recém-formada estação de rádio WBBR. Depois de considerarmos o exemplo do irmão Charles, poderíamos nos perguntar: ‘Estou disposto a aceitar qualquer designação que eu receba para ajudar a divulgar a mensagem do Reino?’ — Leia Isaías 6:8.
13, 14. Como o rádio foi usado para divulgar as boas novas? (Veja também os quadros “Programas da WBBR” e “Um congresso marcante”.)
13 Rádio: Na década de 20, o trabalho com o “Fotodrama” começou a diminuir, mas o rádio surgiu como um meio significativo de divulgar as boas novas do Reino. Em 16 de abril de 1922, o irmão Rutherford fez uma transmissão de rádio histórica diretamente do Teatro Metropolitano de Ópera de Filadélfia, Pensilvânia. Calcula-se que 50 mil pessoas tenham ouvido o discurso “Milhões que agora vivem jamais morrerão”. Daí, em 1923, houve a primeira transmissão de uma sessão de congresso. Além de usar estações comerciais, os que estavam na dianteira decidiram que seria prudente ter nossa própria estação, que foi construída em Staten Island, Nova York, e registrada como WBBR. A primeira transmissão foi feita em 24 de fevereiro de 1924.
Calcula-se que, em 1922, um total de 50 mil pessoas tenha ouvido a transmissão por rádio do discurso “Milhões que agora vivem jamais morrerão”
14 Explicando o objetivo da WBBR, A Sentinela de 1.º de dezembro de 1924, em inglês, disse: “Acreditamos que o rádio é o meio mais econômico e eficaz já usado para divulgar a mensagem da verdade.” Daí, acrescentou: “Se o Senhor achar apropriado construir outras estações de rádio para divulgar a verdade, ele proverá o dinheiro segundo sua boa vontade.” (Sal. 127:1) Em 1926, o povo de Jeová já possuía seis estações de rádio. Duas estavam nos Estados Unidos — a WBBR, em Nova York, e a WORD, perto de Chicago. As outras quatro estavam no Canadá, localizadas em Alberta, Colúmbia Britânica, Ontário e Saskatchewan.
15, 16. (a) Como o clero no Canadá reagiu às nossas transmissões? (b) Por que podemos dizer que as palestras transmitidas por rádio e a pregação de casa em casa se complementavam?
15 Essa ampla transmissão da verdade bíblica não passou despercebida do clero da cristandade. Albert Hoffman, que estava familiarizado com o trabalho feito na estação de rádio em Saskatchewan, Canadá, disse: “Cada vez mais pessoas passaram a conhecer os Estudantes da Bíblia [como as Testemunhas de Jeová eram conhecidas]. Um excelente testemunho foi dado até 1928, quando o clero pressionou autoridades, e todas as estações dos Estudantes da Bíblia no Canadá perderam suas licenças.”
16 Apesar do fechamento de nossas estações de rádio no Canadá, as palestras bíblicas continuaram a ser transmitidas por estações comerciais. (Mat. 10:23) Para aumentar a eficácia desses programas, A Sentinela e The Golden Age (A Idade de Ouro, hoje chamada Despertai!) incluíam uma lista das estações comerciais que transmitiam a verdade bíblica a fim de que, ao pregar de casa em casa, os publicadores pudessem incentivar as pessoas a ouvir as palestras nas estações locais. Que impacto isso teve? O Bulletin (Boletim) de janeiro de 1931 disse: “O uso do rádio tem dado verdadeiro incentivo aos irmãos em sua pregação de casa em casa. Muitos relatórios chegaram ao escritório dizendo que as pessoas, por terem ouvido as palestras do irmão Rutherford, aceitavam prontamente os livros oferecidos.” O Boletim descreveu as transmissões de rádio e o ministério de casa em casa como “os dois maiores métodos de pregação usados pela organização do Senhor”.
17, 18. Apesar das novas circunstâncias, como o rádio continuou a ser útil?
17 Durante a década de 30, nosso uso de estações de rádio comerciais sofreu forte oposição. Então, no fim de 1937, o povo de Jeová se adaptou às novas circunstâncias. Eles pararam de usar estações comerciais e se concentraram ainda mais na pregação de casa em casa.a No entanto, o rádio continuou desempenhando um papel importante na divulgação da mensagem do Reino em alguns lugares remotos ou politicamente isolados. Por exemplo, de 1951 a 1991, uma estação na Berlim Ocidental, Alemanha, transmitiu regularmente discursos bíblicos a fim de que a mensagem do Reino pudesse chegar aos que viviam em partes do que era conhecida como Alemanha Oriental. A partir de 1961 e por mais de 30 anos, uma estação nacional de rádio no Suriname, América do Sul, transmitiu um programa semanal de 15 minutos que apresentava verdades bíblicas. De 1969 a 1977, a organização produziu mais de 350 programas gravados de rádio na série “Toda a Escritura É Proveitosa”. Nos Estados Unidos, 291 estações de rádio, em 48 estados, transmitiram esses programas. Em 1996, uma estação de rádio em Apia, capital de Samoa, localizada no Pacífico Sul, transmitiu um programa semanal chamado “Respostas às Suas Perguntas Bíblicas”.
18 No fim do século 20, o rádio deixou de ter um papel importante na divulgação das boas novas. Mas surgiu outra tecnologia que possibilitou alcançar um grande número de pessoas como nunca antes.
19, 20. Por que o povo de Jeová criou o site jw.org, e que resultados ele tem tido? (Veja também o quadro “JW.ORG”.)
19 A internet. Em 2013, mais de 2,7 bilhões de pessoas, quase 40% da população mundial, tinham acesso à internet. De acordo com algumas pesquisas, cerca de 2 bilhões a acessam usando aparelhos portáteis, como smartphones e tablets. Esse número continua a subir no mundo todo, mas o aumento mais rápido no uso da internet por meio de aparelhos portáteis ocorre na África, onde existem mais de 90 milhões de assinaturas para acessá-la pelo celular. Isso provocou uma mudança radical no modo como muitas pessoas recebem informações.
20 A partir de 1997, o povo de Jeová adotou esse método de comunicação de massa. Em 2013, o site jw.org foi disponibilizado em cerca de 300 idiomas, e informações bíblicas podiam ser baixadas em mais de 520 idiomas. Todos os dias, o site recebe mais de 750 mil acessos. Todo mês, além de verem vídeos, as pessoas baixam mais de 3 milhões de livros completos, 4 milhões de revistas completas e 22 milhões de faixas de áudio.
21. O que você aprendeu com a experiência de Sina?
21 Nosso site se tornou um poderoso método para divulgar as boas novas do Reino de Deus, até mesmo em países onde nossa obra de pregação está proscrita. Por exemplo, no início de 2013, um homem chamado Sina encontrou o site jw.org e telefonou para a sede mundial, localizada nos Estados Unidos, pedindo mais informações sobre a Bíblia. Por que esse telefonema foi incomum? Sina é de formação muçulmana e mora num povoado isolado num país onde a obra das Testemunhas de Jeová está sob severas restrições. Em resultado dessa ligação, providências foram tomadas para que Sina estudasse a Bíblia duas vezes por semana com uma Testemunha de Jeová dos Estados Unidos. O estudo era dirigido por meio de chamadas de vídeo pela internet.
Ensinando pessoas
22, 23. (a) Os métodos para alcançar grandes públicos substituíram a pregação de casa em casa? (b) Como o Rei tem abençoado nossos esforços?
22 Nenhum dos métodos usados para alcançar grandes públicos, como os jornais, o “Fotodrama”, os programas de rádio e o nosso site, foi preparado com o objetivo de substituir a pregação de casa em casa. Por que não? Porque o povo de Jeová aprendeu do modelo estabelecido por Jesus. Ele fazia mais do que pregar a grandes multidões; ele se concentrava em ajudar as pessoas individualmente. (Luc. 19:1-5) Além disso, treinou seus discípulos a fazer o mesmo e lhes deu uma mensagem para pregar. (Leia Lucas 10:1, 8-11.) Como vimos no Capítulo 6, os que estão na dianteira sempre incentivaram todos os servos de Jeová a falar com as pessoas pessoalmente. — Atos 5:42; 20:20.
23 Hoje, cem anos após o nascimento do Reino, quase 8 milhões de publicadores estão ativos em ensinar os propósitos de Deus a outras pessoas. Sem dúvida, o Rei tem abençoado os métodos que usamos para anunciar o Reino. Como veremos no próximo capítulo, ele também tem nos fornecido as ferramentas necessárias para levar as boas novas a toda nação, tribo e língua. — Rev. 14:6.
a Em 1957, os irmãos da dianteira decidiram fechar a WBBR, em Nova York, a última de nossas estações de rádio.
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Ferramentas para a pregação — produzindo publicações para o campo mundialO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 8
Ferramentas para a pregação — produzindo publicações para o campo mundial
1, 2. (a) No primeiro século, o que ajudou a espalhar as boas novas por todo o Império Romano? (b) Que evidência temos do apoio de Jeová em nossos tempos? (Veja também o quadro “Boas novas em mais de 670 idiomas”.)
PESSOAS que visitavam Jerusalém mal podiam acreditar no que estavam ouvindo. Galileus estavam falando fluentemente idiomas estrangeiros, e a mensagem que transmitiam prendia a atenção de seus ouvintes. Era o Pentecostes de 33 EC, e os discípulos haviam recebido de modo milagroso o dom de falar em vários idiomas — prova de que tinham o apoio de Deus. (Leia Atos 2:1-8, 12, 15-17.) As boas novas que eles pregaram naquele dia alcançaram pessoas de diferentes formações e assim se espalharam por todo o Império Romano. — Col. 1:23.
2 Hoje, os servos de Deus não falam milagrosamente em vários idiomas. Mesmo assim, abrangendo muito mais idiomas do que no primeiro século, eles traduzem a mensagem do Reino para mais de 670 idiomas. (Atos 2:9-11) O povo de Deus tem produzido publicações numa quantidade tão grande e em tantos idiomas que a mensagem do Reino tem alcançado os quatro cantos da Terra.a Isso também é uma evidência inegável de que Jeová está usando o Rei Jesus Cristo para dirigir nossa obra de pregação. (Mat. 28:19, 20) À medida que analisarmos algumas das ferramentas que temos usado para realizar essa obra nos últimos cem anos, observe como o Rei tem progressivamente nos treinado para mostrar interesse nas pessoas e nos incentivado a ser instrutores da Palavra de Deus. — 2 Tim. 2:2.
O Rei equipa seus servos para plantar sementes da verdade
3. Por que usamos várias ferramentas em nossa pregação?
3 Jesus comparou a “palavra do reino” a sementes, e o coração das pessoas ao solo. (Mat. 13:18, 19) Assim como um jardineiro pode usar vários tipos de ferramentas para afofar o solo e prepará-lo para receber sementes, o povo de Jeová tem usado várias ferramentas para preparar o coração de milhões de pessoas para receber a mensagem do Reino. Algumas dessas ferramentas foram úteis apenas por certo tempo. Outras, como livros e revistas, continuam sendo de grande ajuda. Ao contrário da maioria dos métodos de comunicação de massa mencionados no capítulo anterior, todas as ferramentas consideradas aqui têm ajudado os publicadores do Reino a contatar as pessoas pessoalmente. — Atos 5:42; 17:2, 3.
Fabricação de fonógrafos e equipamentos sonoros em Toronto, Canadá
4, 5. Como os fonógrafos eram usados, mas o que eles deixavam a desejar?
4 Discursos gravados. Da década de 30 até meados da década de 40, os publicadores usaram gravações de palestras bíblicas tocadas em fonógrafos portáteis. Cada gravação durava menos de cinco minutos. Algumas delas tinham títulos curtos, como “Trindade”, “Purgatório” e “Reino”. Como essas gravações eram usadas? O irmão Clayton Woodworth Jr., que foi batizado em 1930 nos Estados Unidos, disse: “Eu levava um pequeno fonógrafo em forma de maleta, movido à corda, e um braço removível que eu tinha de colocar exatamente na extremidade do disco para que tocasse da maneira correta. Eu me aproximava da porta, abria a maleta, colocava o braço na posição certa e apertava a campainha. Quando o morador abria a porta, eu dizia: ‘Tenho uma mensagem importante que gostaria que o senhor ouvisse.’” Como as pessoas reagiam? “Muitas vezes”, conta o irmão Clayton, “a pessoa reagia bem. Em outras, ela simplesmente fechava a porta. Às vezes, os moradores pensavam que eu estava vendendo fonógrafos”.
Em 1940, mais de 90 discursos gravados estavam disponíveis e mais de um milhão de discos haviam sido produzidos
5 Em 1940, mais de 90 discursos gravados estavam disponíveis e mais de um milhão de discos haviam sido produzidos. John E. Barr, que servia como pioneiro na Grã Bretanha naquela época e mais tarde serviu no Corpo Governante, disse: “De 1936 a 1945, o fonógrafo era o meu fiel companheiro. Tanto era assim que eu me sentia perdido sem ele. Ouvir a voz do irmão Rutherford à porta era muito encorajador; era como se ele estivesse ali em pessoa. Naturalmente, o uso do fonógrafo ainda deixava a desejar na questão do ensino, ou seja, a habilidade de tocar o coração das pessoas.”
6, 7. (a) Quais eram os benefícios e as limitações dos cartões de testemunho? (b) Como Jeová ‘colocaria palavras em nossa boca’?
6 Cartões de testemunho. A partir de 1933, os publicadores foram incentivados a usar cartões de testemunho na pregação de casa em casa. Um cartão de testemunho media uns 8 centímetros por 13 centímetros. Nele havia uma breve mensagem da Bíblia e uma descrição das publicações bíblicas que o morador podia obter. O publicador simplesmente entregava o cartão ao morador e pedia que ele o lesse. Lilian Kammerud, que mais tarde serviu como missionária em Porto Rico e Argentina, disse: “Gostei da ideia de usar cartões de testemunho.” Por quê? “Nem todos nós conseguíamos fazer uma boa apresentação”, disse ela. “Então o cartão me ajudou a ficar mais à vontade para abordar as pessoas.”
Cartão de testemunho (italiano)
7 O irmão David Reusch, que foi batizado em 1918, comentou: “Os cartões de testemunho ajudaram os irmãos, pois bem poucos se sentiam capazes de falar da maneira correta.” Mas essa ferramenta tinha suas limitações. “Às vezes”, disse o irmão David, “encontrávamos pessoas que achavam que éramos mudos. E, em certo sentido, muitos de nós não sabíamos falar. Mas Jeová estava nos preparando para falar como seus ministros. Ele logo colocaria as palavras em nossa boca por nos ensinar a usar as Escrituras nas portas. Conseguiu-se isso por meio da Escola do Ministério Teocrático, que teve início na década de 40”. — Leia Jeremias 1:6-9.
8. Como você pode permitir que Cristo o treine?
8 Livros. Desde 1914, o povo de Jeová produziu mais de cem livros que tratam de assuntos bíblicos. Alguns deles foram preparados especificamente para treinar publicadores a fim de serem ministros eficientes. Anna Larsen, da Dinamarca, que é publicadora há 70 anos, conta: “Jeová tem nos ajudado a ser publicadores mais eficientes por meio da Escola do Ministério Teocrático e dos livros usados nela. Eu me lembro que o primeiro desses livros foi o Theocratic Aid to Kingdom Publishers (Auxílio Teocrático aos Publicadores do Reino), lançado em 1945. Depois dele veio o “Equipado Para Toda Boa Obra”, publicado em 1946 (em português, 1952). Agora temos o Beneficie-se da Escola do Ministério Teocrático, publicado em 2001.” Sem dúvida, a Escola do Ministério Teocrático e seus livros têm sido de muita importância à medida que Jeová ‘nos habilita adequadamente para sermos ministros’. (2 Cor. 3:5, 6) Você está matriculado na Escola do Ministério Teocrático? Leva o livro Escola do Ministério à reunião toda semana e acompanha nele os pontos destacados pelo superintendente da escola? Nesse caso, você está permitindo que Cristo o treine para ser um instrutor melhor. — 2 Cor. 9:6; 2 Tim. 2:15.
9, 10. Como os livros têm sido usados para plantar e regar as sementes da verdade?
9 Por meio de sua organização, Jeová também tem provido livros que ajudam os publicadores a explicar ensinamentos básicos da Bíblia. A Verdade Que Conduz à Vida Eterna foi um livro que teve ótimos resultados. Ele foi publicado em 1968 e teve um impacto imediato. O Ministério do Reino de novembro de 1968, em inglês, disse: “Os pedidos para o livro Verdade foram tantos que em setembro a gráfica da Sociedade em Brooklyn precisou ter um turno especial à noite.” O artigo também explicou: “Em agosto, os pedidos dos livros Verdade excederam o estoque em mais de um milhão e meio de exemplares.” Em 1982, mais de cem milhões de exemplares do livro haviam sido impressos em 116 idiomas. Nos 14 anos de 1968 a 1982, o livro Verdade ajudou mais de um milhão de pessoas a se tornar publicadores do Reino.b
10 Em 2005, foi lançado outro livro marcante para estudar a Bíblia, O Que a Bíblia Realmente Ensina?. Cerca de 200 milhões de exemplares já foram publicados em 256 idiomas! Com que resultado? Em apenas sete anos, de 2005 a 2012, cerca de 1,2 milhão de pessoas se tornaram publicadores das boas novas. Durante o mesmo período, o número de pessoas que estudavam a Bíblia conosco aumentou de cerca de 6 milhões para mais de 8,7 milhões. Não há dúvida de que Jeová está abençoando nossos esforços de plantar e regar as sementes da verdade do Reino. — Leia 1 Coríntios 3:6, 7.
11, 12. De acordo com os textos citados, nossas revistas foram preparadas para alcançar que públicos?
11 Revistas. No início, o público-alvo de A Sentinela era principalmente o “pequeno rebanho”, os que tinham a “chamada celestial”. (Luc. 12:32; Heb. 3:1) Em 1.º de outubro de 1919, a organização de Jeová lançou outra revista, que foi preparada para atrair um grupo diferente de pessoas, o público. Ela se tornou tão popular entre os Estudantes da Bíblia e o público que, por muitos anos, sua circulação foi bem maior que a de A Sentinela. Essa revista foi inicialmente chamada de The Golden Age (A Idade de Ouro). Em 1937 (em português, 1938), o nome foi mudado para Consolação. Daí, em 1946, ela passou a ser chamada Despertai!.
12 Ao longo das décadas, o estilo e o formato de A Sentinela e Despertai! mudaram, mas o objetivo é o mesmo — anunciar o Reino de Deus e incentivar a fé na Bíblia. Hoje, A Sentinela possui uma edição de estudo e outra para o público. Os “domésticos” constituem o público-alvo da edição de estudo — ou seja, tanto o “pequeno rebanho” como as “outras ovelhas”.c (Mat. 24:45; João 10:16) A edição para o público é preparada especialmente para os que ainda não conhecem a verdade, mas têm respeito pela Bíblia e por Deus. (Atos 13:16) Despertai! é voltada para os que sabem pouco sobre a Bíblia e o Deus verdadeiro, Jeová. — Atos 17:22, 23.
13. O que você acha impressionante sobre nossas revistas? (Considere o quadro “Recordes mundiais de publicações”.)
13 No início do ano de serviço de 2014, eram publicados todo mês mais de 44 milhões de exemplares de Despertai! e cerca de 46 milhões de exemplares de A Sentinela. A revista Despertai! era traduzida para aproximadamente 100 idiomas, e A Sentinela para mais de 200, o que fez delas as revistas mais traduzidas e distribuídas do mundo! Por mais impressionantes que esses números pareçam, eles não deveriam nos surpreender. Essas revistas contêm a mensagem que Jesus disse que seria pregada em toda a Terra habitada. — Mat. 24:14.
14. O que temos promovido zelosamente, e por quê?
14 A Bíblia. Em 1896, o irmão Russell e seus associados mudaram o nome da entidade legal que usavam para produzir publicações a fim de que incluísse a palavra Bíblia; ela passou a ser chamada Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Essa mudança foi apropriada porque a Bíblia sempre foi a principal ferramenta para divulgarmos as boas novas sobre o Reino. (Luc. 24:27) Em harmonia com o nome da entidade legal, os servos de Deus têm zelosamente promovido a distribuição e a leitura da Bíblia. Por exemplo, em 1926, imprimimos em nossa gráfica a The Emphatic Diaglott, uma tradução das Escrituras Gregas Cristãs feita por Benjamin Wilson. A partir de 1942, imprimimos e distribuímos cerca de 700 mil exemplares da versão completa da King James Version (Versão Rei Jaime). Apenas dois anos depois, começamos a imprimir a American Standard Version (Versão Americana Padrão), que usa o nome de Jeová em 6.823 lugares. Em 1950, já tínhamos distribuído mais de 250 mil exemplares.
15, 16. (a) Que aspecto da Tradução do Novo Mundo você mais gosta? (Veja o quadro “Acelerando a tradução da Bíblia”.) (b) Como você pode permitir que Jeová toque o seu coração?
15 O ano de 1950 viu o lançamento da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs (em português, 1963). A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas completa, num só volume, foi lançada em 1961 (em português, 1967). Essa tradução honra o nome de Jeová por restaurá-lo nos lugares onde ele aparecia no texto hebraico original. O nome divino também aparece 237 vezes no texto principal das Escrituras Gregas Cristãs. Para garantir que seja a mais exata e natural possível, a Tradução do Novo Mundo foi revisada algumas vezes — a revisão mais recente sendo em 2013, em inglês. Em 2013, mais de 201 milhões de exemplares da Tradução do Novo Mundo, inteira ou em parte, haviam sido publicados em 121 idiomas.
16 Como alguns têm reagido à leitura da Tradução do Novo Mundo em seu próprio idioma? Um homem nepalês disse: “Para muitos, a antiga tradução nepalesa era difícil de entender, visto que usava uma linguagem clássica. Mas agora podemos entender a Bíblia bem melhor, visto que ela usa a linguagem do dia a dia.” Quando uma mulher na República Centro-Africana começou a ler a tradução sanga, ela começou a chorar e disse: “Essa é a língua do meu coração.” Assim como essa mulher, cada um de nós pode permitir que Jeová toque nosso coração por ler Sua Palavra todos os dias. — Sal. 1:2; Mat. 22:36, 37.
Gratidão pelas ferramentas e treinamento
17. Como você pode mostrar que valoriza as ferramentas e o treinamento que recebe, e qual será o resultado se fizer isso?
17 Você valoriza as ferramentas e o treinamento progressivo que o Rei Jesus Cristo tem nos dado? Reserva tempo para ler as publicações que a organização de Deus produz e faz uso delas para ajudar outros? Nesse caso, você se identificará com o comentário feito pela irmã Opal Betler, batizada em 4 de outubro de 1914. Ela disse: “Ao longo dos anos, eu e meu marido [Edward] usamos o fonógrafo e os cartões de testemunho. Pregamos de casa em casa com livros, livretos e revistas. Participamos de campanhas e marchas e distribuímos proclamações impressas. Mais tarde, recebemos treinamento para fazer revisitas e dirigir estudos bíblicos na casa das pessoas interessadas. Tem sido uma vida atarefada e feliz.” Jesus prometeu que seus súditos estariam ocupados semeando, colhendo e se alegrando juntos. Milhões de pessoas como Opal podem comprovar a veracidade dessa promessa. — Leia João 4:35, 36.
18. Que privilégio nós temos?
18 Muitos que ainda não servem ao Rei talvez achem que os servos de Deus são “indoutos e comuns”. (Atos 4:13) Mas pare para pensar. O Rei fez com que seu povo, formado por pessoas comuns, se tornasse uma potência no ramo gráfico, produzindo algumas das publicações mais traduzidas e distribuídas na História! Mais importante, ele nos tem treinado e motivado a usar essas ferramentas para divulgar as boas novas a pessoas de todas as nações. Que privilégio temos de trabalhar com Cristo na obra de semear a verdade e fazer discípulos!
a Só na última década, o povo de Jeová produziu mais de 20 bilhões de publicações bíblicas. Além disso, nosso site, jw.org, está disponível a mais de 2,7 bilhões de pessoas no mundo todo que têm acesso à internet.
b Algumas outras publicações de estudo da Bíblia que ajudaram publicadores a ensinar verdades bíblicas foram A Harpa de Deus (1921), “Seja Deus Verdadeiro” (1946; em português, 1949), Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra (1982; em português, 1983) e Conhecimento Que Conduz à Vida Eterna (1995).
c Veja A Sentinela de 15 de julho de 2013, página 23, parágrafo 13, que considera nosso entendimento ajustado sobre quem compõe os “domésticos”.
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Resultados da pregação — “Os campos . . . estão brancos para a colheita”O Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 9
Resultados da pregação — “Os campos . . . estão brancos para a colheita”
1, 2. (a) Por que os discípulos estão perplexos? (b) Jesus fala sobre que tipo de colheita?
OS DISCÍPULOS estão perplexos. Jesus lhes disse: “Erguei os vossos olhos e observai os campos, que estão brancos para a colheita.” Eles olham na direção para onde Jesus está apontando, mas não veem nenhum campo branco, apenas verde — a cor da cevada que acabou de brotar. ‘Que colheita?’, eles provavelmente se perguntam. ‘Vai levar meses para começar a colheita.’ — João 4:35.
2 Mas Jesus não está falando de uma colheita literal. Em vez disso, está aproveitando a ocasião para ensinar a seus discípulos duas importantes lições sobre uma colheita espiritual — uma colheita de pessoas. Que lições são essas? Para descobrir, analisemos o relato em mais detalhes.
Jesus convoca à ação e promete alegria
3. (a) Possivelmente, o que levou Jesus a dizer “os campos . . . estão brancos para a colheita”? (Veja a nota.) (b) Como Jesus deixou claro o que havia dito?
3 A conversa de Jesus com seus discípulos aconteceu no fim de 30 EC, perto da cidade samaritana de Sicar. Enquanto os discípulos entravam na cidade, Jesus ficou para trás próximo a um poço, onde falou de verdades espirituais a uma mulher que logo entendeu a importância de seus ensinamentos. Quando os discípulos voltaram, a mulher foi rapidamente a Sicar contar às pessoas as coisas maravilhosas que ela tinha aprendido. O relato dela despertou grande interesse, e muitos foram depressa até o poço para encontrar Jesus. Possivelmente foi nesse momento — enquanto Jesus olhava para os campos a certa distância e via uma multidão de samaritanos se aproximando — que ele disse: “Observai os campos, que estão brancos para a colheita.”a Daí, para esclarecer que estava se referindo a uma colheita espiritual, não literal, ele acrescentou: “O ceifeiro está . . . ajuntando fruto para a vida eterna.” — João 4:5-30, 36.
4. (a) Que duas lições sobre a colheita Jesus ensinou? (b) Que perguntas consideraremos?
4 Que duas lições importantes sobre a colheita espiritual Jesus ensinou? Primeira: o trabalho é urgente. Ao dizer “os campos . . . estão brancos para a colheita”, ele estava convocando seus seguidores à ação. Para enfatizar aos discípulos o grau de urgência, Jesus acrescentou: “Desde já o ceifeiro está recebendo salário.” Realmente, a colheita já havia começado — não havia tempo a perder! Segunda: os trabalhadores se alegram. Semeadores e ceifeiros ‘se alegrarão juntos’, disse Jesus. (João 4:35b, 36) Assim como o próprio Jesus deve ter se alegrado ao ver que “muitos samaritanos . . . depositaram nele fé”, seus discípulos sentiriam muita alegria à medida que trabalhassem de toda a alma na colheita. (João 4:39-42) Esse relato do primeiro século tem um significado especial para nós, porque ilustra o que está acontecendo hoje durante a maior colheita espiritual de todos os tempos. Quando essa colheita moderna começou? Quem participa nela? Quais têm sido os resultados?
Nosso Rei lidera a maior colheita de todos os tempos
5. Quem lidera a colheita mundial, e como a visão de João indica que o trabalho é urgente?
5 Numa visão dada ao apóstolo João, Jeová revela que designou Jesus para liderar uma colheita mundial de pessoas. (Leia Revelação 14:14-16.) Nessa visão, Jesus é descrito como tendo uma coroa e uma foice. A “coroa de ouro na cabeça [de Jesus]” confirma sua posição como Rei reinante. A “foice afiada na [sua] mão” confirma seu papel como Ceifeiro. Ao dizer por meio de um anjo que “a colheita da terra está inteiramente madura”, Jeová enfatiza que o trabalho é urgente. De fato, “chegou a hora para ceifar” — não há tempo a perder! Em resposta à ordem de Deus de ‘meter a foice’, Jesus apanha sua foice e ‘a Terra é ceifada’ — ou seja, ocorre uma colheita de pessoas. Essa emocionante visão nos lembra mais uma vez que “os campos . . . estão brancos para a colheita”. Será que essa visão nos ajuda a saber quando essa colheita mundial começou? Sim!
6. (a) Quando começou a “época da colheita”? (b) Quando começou “a colheita da terra” propriamente dita? Explique.
6 Visto que a visão de João em Revelação capítulo 14 retrata Jesus, o Ceifeiro, usando uma coroa (versículo 14), isso indica que sua designação como Rei em 1914 já havia ocorrido. (Dan. 7:13, 14) Algum tempo depois disso, ordena-se que Jesus comece a colheita (versículo 15). A mesma sequência de acontecimentos é vista na parábola de Jesus sobre a colheita do trigo, na qual ele diz: “A colheita é a terminação dum sistema de coisas.” Assim, a época da colheita e a terminação deste sistema começaram no mesmo período — 1914. Mais tarde “na época da colheita”, ou seja, durante esse período, começou a colheita propriamente dita. (Mat. 13:30, 39) Olhando para trás, de nossa condição privilegiada no tempo, podemos ver que a colheita começou alguns anos depois que Jesus se tornou Rei. Primeiro, de 1914 até o início de 1919, Jesus realizou uma obra de purificação entre os seus seguidores ungidos. (Mal. 3:1-3; 1 Ped. 4:17) Daí, em 1919, “a colheita da terra” começou. Sem perder tempo, Jesus usou o recém-designado escravo fiel para ajudar nossos irmãos a ver a urgência de nossa pregação. Considere o que aconteceu.
7. (a) Que análise ajudou nossos irmãos a ver a urgência da obra de pregação? (b) O que nossos irmãos foram incentivados a fazer?
7 Em julho de 1920, A Sentinela disse: “Uma análise das Escrituras deixa claro que é concedido à igreja o grande privilégio de transmitir uma mensagem a respeito do reino.” Por exemplo, as palavras proféticas de Isaías ajudaram os irmãos a ver que as boas novas do Reino tinham de ser anunciadas em todo o mundo. (Isa. 49:6; 52:7; 61:1-3) Como esse trabalho seria realizado, eles não sabiam, mas confiavam que Jeová abriria o caminho para eles. (Leia Isaías 59:1.) Em resultado desse entendimento mais claro sobre a urgência da obra de pregação, nossos irmãos foram incentivados a acelerar suas atividades. Como eles reagiram?
8. Em 1921, que dois fatos sobre a obra de pregação os irmãos entenderam?
8 Em dezembro de 1921, A Sentinela anunciou: “Este tem sido o melhor ano de todos; e mais pessoas têm ouvido a mensagem da verdade em 1921 do que em qualquer outro ano.” A revista acrescentou: “Ainda há muito a ser feito. . . . Que façamos isso com um coração alegre!” Observe que os irmãos entenderam os mesmos dois fatos importantes sobre a obra de pregação que Jesus havia enfatizado a seus apóstolos: o trabalho é urgente, e os trabalhadores se alegram.
9. (a) Em 1954, o que A Sentinela disse sobre a obra da colheita, e por quê? (b) Que aumento mundial no número de publicadores houve nos últimos 50 anos? (Veja o gráfico “Aumento mundial”.)
9 Na década de 30, depois que os irmãos entenderam que uma grande multidão de outras ovelhas aceitaria a mensagem do Reino, a obra de pregação se intensificou ainda mais. (Isa. 55:5; João 10:16; Rev. 7:9) Qual foi o resultado? O número dos que pregavam a mensagem do Reino aumentou de 41 mil em 1934 para 500 mil em 1953! A Sentinela de 1.º de dezembro de 1954, em inglês, chegou a esta conclusão correta: “É o espírito de Jeová e o poder de sua Palavra que têm realizado essa grande colheita mundial.”b — Zac. 4:6.
AUMENTO MUNDIAL
País
1962
1987
2013
Austrália
15.927
46.170
66.023
Brasil
26.390
216.216
756.455
França
18.452
96.954
124.029
Itália
6.929
149.870
247.251
Japão
2.491
120.722
217.154
México
27.054
222.168
772.628
Nigéria
33.956
133.899
344.342
Filipinas
36.829
101.735
181.236
Estados Unidos
289.135
780.676
1.203.642
Zâmbia
30.129
67.144
162.370
AUMENTO NO NÚMERO DE ESTUDOS BÍBLICOS
1950
234.952
1960
646.108
1970
1.146.378
1980
1.371.584
1990
3.624.091
2000
4.766.631
2010
8.058.359
O resultado da colheita — predito em vívidos quadros mentais
10, 11. Na parábola do grão de mostarda, que aspectos do crescimento da semente são destacados?
10 Em suas parábolas sobre o Reino, Jesus predisse em linguagem vívida o resultado da obra da colheita. Consideremos as parábolas sobre o grão de mostarda e sobre o fermento. Nós nos concentraremos especialmente em como elas têm se cumprido no tempo do fim.
11 A parábola do grão de mostarda. Um homem planta um grão de mostarda. O grão cresce e se torna uma árvore onde os pássaros buscam abrigo. (Leia Mateus 13:31, 32.) Que aspectos do crescimento do grão são destacados nessa parábola? (1) O grau do crescimento é impressionante. “A menor de todas as sementes” se torna uma árvore com “grandes ramos”. (Mar. 4:31, 32) (2) O crescimento é garantido. “Depois de semeado, [o grão] brota”, ou cresce. Jesus não diz que o grão “talvez brote”. Em vez disso, ele diz que o grão “brota”, tornando-se maior do que todas as outras hortaliças. Seu crescimento é inevitável. (3) A árvore em crescimento atrai visitantes e lhes fornece abrigo. “As aves do céu vêm” e ‘acham pousada sob a sua sombra’. Como esses três aspectos se aplicam à colheita espiritual nos tempos modernos?
12. Como a parábola do grão de mostarda se aplica à colheita atual? (Veja também o gráfico “Aumento no número de estudos bíblicos”.)
12 (1) Grau do crescimento: A parábola destaca o crescimento da mensagem do Reino e da congregação cristã. Desde 1919, os zelosos trabalhadores da colheita têm sido ajuntados na restaurada congregação. Naquela época, o número de trabalhadores era pequeno, mas cresceu rapidamente. De fato, seu crescimento desde o início do século 20 tem sido fenomenal. (Isa. 60:22) (2) Garantia: O crescimento da congregação cristã tem sido inevitável. Por maior que tenha sido a oposição causada pelos inimigos de Deus, como rochas sufocando o crescimento de uma pequena semente, ela continuou crescendo — vencendo todos os obstáculos. (Isa. 54:17) (3) Abrigo: “As aves do céu” que encontram abrigo na árvore representam muitos milhões de pessoas sinceras, vindas de cerca de 240 países, que aceitaram a mensagem do Reino por fazer parte da congregação cristã. (Eze. 17:23) Ali elas recebem alimento, revigoramento e proteção espiritual. — Isa. 32:1, 2; 54:13.
A parábola do grão de mostarda mostra que os membros da congregação cristã encontram abrigo e proteção (Veja os parágrafos 11 e 12.)
13. A parábola do fermento destaca que aspectos do crescimento?
13 A parábola do fermento. Depois que uma mulher acrescenta fermento a uma massa de farinha, ele fermenta a massa toda. (Leia Mateus 13:33.) Que aspectos do crescimento são destacados nessa parábola? Consideremos dois. (1) O crescimento causa transformação. O fermento se espalha ‘até que a massa inteira fica levedada’, ou fermentada. (2) O crescimento é extensivo. O fermento faz crescer toda a massa, as “três grandes medidas de farinha”. Como esses dois aspectos se aplicam à colheita espiritual nos tempos modernos?
14. Como a parábola do fermento se aplica à colheita atual?
14 (1) Transformação: O fermento representa a mensagem do Reino, e a massa de farinha a humanidade. Assim como o fermento causa uma mudança na farinha depois que os dois são misturados, a mensagem do Reino causa uma transformação no coração das pessoas que a aceitam. (Rom. 12:2) (2) Crescimento extensivo: O processo de fermentação representa o modo como a mensagem do Reino se espalha. O fermento age em toda a massa, espalhando seu efeito até fermentar toda ela. Da mesma forma, a mensagem do Reino tem se espalhado “até à parte mais distante da terra”. (Atos 1:8) Esse aspecto da parábola também indica que, mesmo em países onde nossa obra está proscrita, a mensagem do Reino se espalhará, embora nossa pregação nesses lugares talvez passe despercebida pela maioria das pessoas.
15. Como as palavras de Isaías 60:5, 22 têm se cumprido? (Veja também os quadros “Jeová tornou isso possível”, página 93, e “Como o ‘pequeno’ se tornou uma ‘nação forte’”, páginas 96-97.)
15 Uns 800 anos antes de Jesus contar essas parábolas, Jeová, por meio de Isaías, predisse em linguagem marcante o alcance da colheita espiritual nos tempos modernos e a alegria resultante dela.c Jeová descreve pessoas que vêm “de longe”, afluindo à sua organização. Dirigindo-se a uma “mulher”, que hoje simboliza o restante ungido na Terra, ele diz: “Verás e certamente ficarás radiante, e teu coração realmente tremerá e se expandirá, porque a ti se encaminhará a opulência do mar; os próprios recursos das nações chegarão a ti.” (Isa. 60:1, 4, 5, 9) Essas palavras não podiam ser mais verdadeiras. Hoje, servos veteranos de Jeová irradiam alegria à medida que veem como o número de publicadores do Reino em seu país aumentou de apenas uns poucos para muitos milhares.
Por que todos os servos de Jeová têm motivo para se alegrar
16, 17. Qual é um motivo pelo qual ‘o semeador e o ceifeiro se alegram juntos’? (Veja também o quadro “Como dois folhetos tocaram dois corações na Amazônia”.)
16 Você se lembrará de que Jesus disse a seus apóstolos: “O ceifeiro está . . . ajuntando fruto para a vida eterna, para que o semeador e o ceifeiro se alegrem juntos.” (João 4:36) Por que ‘nos alegramos juntos’ na colheita mundial? Temos vários motivos. Vejamos três.
17 Primeiro, nos alegramos ao ver a mão de Jeová na obra. Quando pregamos a mensagem do Reino, estamos lançando sementes. (Mat. 13:18, 19) Quando ajudamos alguém a se tornar discípulo de Cristo, estamos colhendo frutos. E todos nós sentimos profunda alegria ao observar admirados como Jeová faz uma semente do Reino ‘brotar e crescer alta’. (Mar. 4:27, 28) Algumas sementes que lançamos brotam mais tarde e são colhidas por outros. Você talvez tenha tido uma experiência parecida com a de Joan, uma irmã na Grã-Bretanha que foi batizada 60 anos atrás. Ela disse: “Já encontrei pessoas que me contaram que plantei uma semente no seu coração quando preguei a elas anos antes. Sem eu saber, outras Testemunhas de Jeová estudaram a Bíblia com elas depois e as ajudaram a se tornar servos de Jeová. Eu me alegro de que a semente que plantei cresceu e foi colhida.” — Leia 1 Coríntios 3:6, 7.
18. Que motivo de alegria é mencionado em 1 Coríntios 3:8?
18 Segundo, permanecemos alegres na obra por ter em mente o que Paulo disse: “Cada um receberá a sua própria recompensa, segundo o seu próprio labor.” (1 Cor. 3:8) A recompensa é dada de acordo com o trabalho, não de acordo com os resultados obtidos. Essa garantia é muito animadora para os que pregam em territórios em que há pouca aceitação. Para Deus, cada Testemunha de Jeová que participa de todo o coração na obra da semeadura ‘dá muito fruto’ e, portanto, tem motivo para se alegrar. — João 15:8; Mat. 13:23.
19. (a) Que relação a profecia de Jesus em Mateus 24:14 tem com a nossa alegria? (b) O que devemos ter em mente caso não sejamos bem-sucedidos em ajudar alguém a se tornar um discípulo?
19 Terceiro, nos alegramos porque nossa obra cumpre uma profecia. Considere a resposta de Jesus a seus apóstolos quando eles perguntaram: “Qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?” Ele disse que um dos aspectos desse sinal seria uma obra de pregação mundial. Será que ele estava se referindo à obra de fazer discípulos? Não. Ele disse: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações.” (Mat. 24:3, 14) Assim, a pregação do Reino — lançar sementes — é um aspecto do sinal. Portanto, à medida que pregamos as boas novas do Reino, temos em mente que, mesmo se não formos bem-sucedidos em ajudar alguém a se tornar um discípulo, seremos bem-sucedidos em dar “testemunho”.d Não importa a reação das pessoas, participamos no cumprimento da profecia de Jesus e temos a honra de servir como “colaboradores de Deus”. (1 Cor. 3:9) Sem dúvida, um grande motivo para nos alegrar!
“Desde o nascente do sol até o seu poente”
20, 21. (a) Como as palavras de Malaquias 1:11 estão se cumprindo? (b) Quanto à obra da colheita, o que você está determinado a fazer, e por quê?
20 No primeiro século, Jesus ajudou seus apóstolos a ver que a obra da colheita era urgente. A partir de 1919, Jesus tem ajudado seus discípulos a entender essa mesma verdade. O povo de Deus tem reagido por intensificar suas atividades. De fato, nada tem conseguido impedir a obra da colheita. Conforme predito pelo profeta Malaquias, a obra de pregação é realizada hoje “desde o nascente do sol até o seu poente”. (Mal. 1:11) Sim, do nascer do sol ao pôr do sol — de leste a oeste, não importa onde eles estejam na Terra —, os semeadores e os ceifeiros trabalham e se alegram juntos. E do nascer do sol ao pôr do sol — de manhã até a noite, ou o dia inteiro —, trabalhamos com senso de urgência.
21 Ao refletirmos nos últimos cem anos e vermos como um pequeno grupo de servos de Deus cresceu e se tornou “uma nação forte”, nosso coração sem dúvida transborda de alegria. (Isa. 60:5, 22) Que nossa alegria e nosso amor a Jeová, o “Senhor da colheita”, motivem cada um de nós a continuar tendo nossa participação em terminar a maior colheita de todos os tempos! — Luc. 10:2.
a O comentário de Jesus sobre ‘os campos estarem brancos’ podia ser uma referência às roupas brancas que os samaritanos talvez estivessem usando quando ele os viu se aproximando em grande número.
b Para saber mais sobre aqueles anos e as décadas que se seguiram, incentivamos você a ler as páginas 425-520 do livro Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus, que falam da obra da colheita realizada de 1919 a 1992.
c Para mais detalhes sobre essa empolgante profecia, veja Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II, páginas 303-320.
d Essa importante verdade já havia sido entendida pelos primeiros Estudantes da Bíblia. A Sentinela de 15 de novembro de 1895 disse: “Mesmo que se consiga pouco trigo, pelo menos um abundante testemunho da verdade é dado. . . . Todos podem pregar o evangelho.”
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O Rei refina seu povo espiritualmenteO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 10
O Rei refina seu povo espiritualmente
1-3. O que Jesus fez quando viu que estavam contaminando o templo?
JESUS tinha grande respeito pelo templo em Jerusalém porque sabia o que ele representava. Por séculos, o templo havia sido o centro da adoração verdadeira na Terra. Mas essa adoração — a adoração do Deus santo, Jeová — devia ser limpa e pura. Então, imagine como Jesus se sentiu quando chegou ao templo em 10 de nisã de 33 EC e viu que estavam contaminando aquele lugar. O que estava acontecendo? — Leia Mateus 21:12, 13.
2 No Pátio dos Gentios, comerciantes e cambistas gananciosos estavam se aproveitando dos adoradores que iam apresentar suas ofertas a Jeová.a Jesus “lançou fora todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas”. (Note Neemias 13:7-9.) Ele condenou aqueles homens egoístas por fazerem da casa de seu Pai um “covil de salteadores”. Jesus mostrou assim respeito pelo templo e pelo que ele representava. A adoração de seu Pai tinha de ser mantida limpa.
3 Séculos mais tarde, depois que Jesus se tornou Rei messiânico, ele mais uma vez purificou um templo — dessa vez, um templo que hoje envolve todos os que querem adorar a Jeová do modo aceitável. Que templo é esse que ele purificou?
Purificando “os filhos de Levi”
4, 5. (a) Como os cristãos ungidos foram refinados e purificados de 1914 ao início de 1919? (b) Significa isso que o povo de Deus não foi mais refinado e purificado? Explique.
4 Como vimos no Capítulo 2 deste livro, depois de ter sido entronizado em 1914, Jesus veio com seu Pai inspecionar o templo espiritual — o arranjo para a adoração pura.b Em resultado dessa inspeção, o Rei viu que os cristãos ungidos, “os filhos de Levi”, precisavam ser refinados e purificados. (Mal. 3:1-3) De 1914 ao início de 1919, o Refinador, Jeová, permitiu que seu povo passasse por várias provas e dificuldades que serviram para refiná-los e purificá-los. Felizmente, esses ungidos saíram daquelas provações comparáveis ao fogo numa condição mais pura, desejosos de mostrar seu apoio ao Rei messiânico.
5 Significa isso que o povo de Deus não foi mais refinado e purificado depois disso? Não. Ao longo dos últimos dias, Jeová, por meio do Rei messiânico, continua ajudando seus seguidores a se manter puros para que possam permanecer no templo espiritual. Nos próximos dois capítulos, veremos como ele os tem refinado em sentido moral e organizacional. Mas primeiro consideraremos a purificação espiritual. Nossa fé será fortalecida ao analisarmos o que Jesus tem feito — quer de maneiras claramente discerníveis, quer não — para ajudar seus seguidores a se manter puros em sentido espiritual.
“Mantende-vos puros”
6. Como as ordens de Jeová aos exilados judeus nos ajudam a entender o que está envolvido na pureza espiritual?
6 O que é pureza espiritual? Para responder, analisemos palavras proféticas de Jeová dirigidas aos judeus exilados no sexto século AEC, que estavam prestes a sair de Babilônia. (Leia Isaías 52:11.) Aqueles exilados estavam voltando para Jerusalém principalmente para reconstruir o templo e restaurar a adoração verdadeira. (Esd. 1:2-4) Jeová queria que seu povo deixasse para trás todos os vestígios da religião babilônica. Note que ele lhes deu uma série de ordens: “Não toqueis em nada impuro”, “saí do meio dela” e “mantende-vos puros”. A adoração pura de Jeová não devia ser contaminada pela adoração falsa. O que podemos concluir disso? A pureza espiritual envolve manter-se livre dos ensinamentos e práticas da religião falsa.
7. Por meio de que canal Jesus tem ajudado seus seguidores a se manter espiritualmente puros?
7 Pouco depois de ser entronizado, Jesus estabeleceu algo claramente discernível: um canal por meio do qual tem ajudado seus seguidores a se manter espiritualmente puros. Esse canal é o escravo fiel e discreto, que foi designado por Cristo em 1919. (Mat. 24:45) Naquele ano, os Estudantes da Bíblia já tinham se purificado de muitos ensinamentos da religião falsa. Mesmo assim, eles precisavam ser purificados ainda mais. Por meio de seu escravo fiel, Cristo deu esclarecimentos progressivos a seus seguidores sobre várias comemorações e práticas que eles tinham de abandonar. (Pro. 4:18) Vejamos alguns exemplos disso.
Os cristãos devem comemorar o Natal?
8. O que os Estudantes da Bíblia já reconheciam sobre o Natal, mas o que eles não viam claramente?
8 Fazia muito tempo que os Estudantes da Bíblia reconheciam que o Natal tem origem pagã e que Jesus não nasceu em 25 de dezembro. A Sentinela de dezembro de 1881 declarou: “Milhões pertenciam ao paganismo antes de vir para a igreja. Mas a mudança foi praticamente só de nome, pois os sacerdotes pagãos se tornaram sacerdotes cristãos, e os feriados pagãos passaram a ter nomes cristãos — o Natal sendo um desses feriados.” Em 1883, sob o título “Quando Jesus nasceu?”, A Sentinela explicou que Jesus nasceu por volta do início de outubro.c Mas os Estudantes da Bíblia naquela época não viram claramente a necessidade de parar de comemorar o Natal. Até mesmo os membros da família do Betel de Brooklyn não deixaram de comemorá-lo. Depois de 1926, porém, as coisas começaram a mudar. Por quê?
9. O que os Estudantes da Bíblia chegaram a entender sobre o Natal?
9 Em resultado de uma pesquisa detalhada e profunda sobre esse assunto, os Estudantes da Bíblia chegaram a entender que a origem do Natal e das práticas relacionadas a ele na verdade desonram a Deus. O artigo “A origem do Natal”, em The Golden Age (A Idade de Ouro) de 14 de dezembro de 1927, observou que o Natal é uma comemoração pagã, gira em torno de prazeres e envolve adoração de ídolos. O artigo deixou claro que Cristo não tinha ordenado a observância dessa comemoração e concluiu com a seguinte declaração franca sobre o Natal: “O fato de que o mundo, a carne e o Diabo são a favor de sua perpetuação e observância . . . é um argumento final e conclusivo contra sua comemoração por aqueles que são totalmente dedicados ao serviço de Jeová.” Não é de surpreender que a família de Betel não tenha comemorado o Natal naquele ano — nem em nenhum outro ano depois disso.
10. (a) Como o Natal foi ainda mais exposto em dezembro de 1928? (Veja também o quadro “Natal, sua origem e objetivo”.) (b) Como o povo de Deus foi alertado contra outros feriados e comemorações que deviam ser evitados? (Veja o quadro “Outros feriados e comemorações desmascarados”.)
10 No ano seguinte, os Estudantes da Bíblia receberam informações que expuseram ainda mais a verdade sobre o Natal. Em 12 de dezembro de 1928, o irmão Richard H. Barber, da sede mundial, proferiu um discurso de rádio que desmascarou as origens impuras desse feriado. Como o povo de Deus reagiu a essa orientação clara vinda da sede? O irmão Charles Brandlein, relembrando quando ele e sua família pararam de comemorar o Natal, disse: “Será que achamos ruim ter que abrir mão dessas coisas pagãs? De forma alguma! . . . Foi como tirar uma roupa suja e jogá-la fora.” Mostrando uma atitude similar, o irmão Henry A. Cantwell, que mais tarde serviu como superintendente viajante, recordou: “Ficamos felizes em conseguir abandonar algo como prova do nosso amor por Jeová.” Os seguidores leais de Cristo estavam dispostos a fazer os ajustes necessários e não ter nenhum envolvimento com uma comemoração que tem origem na adoração impura.d — João 15:19; 17:14.
11. Como podemos mostrar que apoiamos o Rei messiânico?
11 Sem dúvida, aqueles fiéis Estudantes da Bíblia deixaram um excelente exemplo para nós! Refletindo nisso, fazemos bem em nos perguntar: ‘Como encaro as orientações que recebo da sede mundial? Será que as aceito de bom grado e aplico o que aprendo?’ Nossa prontidão em obedecer mostra que apoiamos o Rei messiânico, que está usando o escravo fiel para fornecer alimento espiritual no tempo apropriado. — Atos 16:4, 5.
Os cristãos devem usar a cruz?
Broche da cruz e da coroa (Veja os parágrafos 12 e 13.)
12. Por muitos anos, como os Estudantes da Bíblia encararam a cruz?
12 Por muitos anos, os Estudantes da Bíblia encararam a cruz como um símbolo aceitável do cristianismo. De forma alguma eles achavam que a cruz devia ser adorada, pois sabiam que a idolatria é errada. (1 Cor. 10:14; 1 João 5:21) Em 1883, A Sentinela disse sem rodeios que “toda idolatria é algo abominável para Deus”. Mas a princípio havia certos usos da cruz que os Estudantes da Bíblia achavam apropriados. Por exemplo, eles tinham orgulho de usar um broche que tinha uma cruz e uma coroa como forma de identificação. Para eles, aquele broche tinha um significado: se permanecessem fiéis até a morte, receberiam a coroa da vida. Em 1891, o símbolo da cruz e da coroa passou a aparecer na capa de A Sentinela.
13. Que esclarecimento os seguidores de Cristo receberam sobre o uso da cruz? (Veja também o quadro “Esclarecimentos progressivos sobre o uso da cruz”.)
13 Os Estudantes da Bíblia prezavam o emblema da cruz e da coroa. No entanto, a partir do fim da década de 20, os seguidores de Cristo receberam esclarecimentos progressivos sobre o uso da cruz. Refletindo na assembleia de 1928, realizada em Detroit, Michigan, EUA, o irmão Grant Suiter, que mais tarde serviu no Corpo Governante, comentou: “Na assembleia, mostrou-se que o emblema da cruz e da coroa não só era desnecessário, mas também inaceitável.” Nos anos seguintes, houve mais esclarecimentos. Ficou claro que a cruz não tinha lugar na adoração que é espiritualmente pura.
14. Como os servos de Deus reagiram ao esclarecimento progressivo que receberam sobre a cruz?
14 Como os servos de Deus reagiram aos esclarecimentos progressivos que receberam sobre a cruz? Será que continuaram usando o emblema da cruz e da coroa, de que tanto gostavam? “Quando entendemos o que ele representava, foi fácil parar de usá-lo”, contou Lela Roberts, uma serva veterana de Jeová. Outra irmã fiel, Ursula Serenco, expressou o sentimento de muitos quando disse: “Passamos a entender que aquilo que antes prezávamos como símbolo ou representação da morte de nosso Senhor e de nossa devoção cristã era na verdade um símbolo pagão. De acordo com Provérbios 4:18, nos sentimos gratos de que a vereda estava ficando mais iluminada.” Os seguidores leais de Cristo não queriam ter nenhum envolvimento com práticas impuras da religião falsa.
15, 16. Como podemos mostrar que estamos decididos a manter puros os pátios terrestres do templo espiritual de Jeová?
15 Temos a mesma determinação hoje. Entendemos que Cristo tem usado um canal claramente discernível — seu escravo fiel e discreto — para ajudar seu povo a se manter espiritualmente puro. Assim, quando o alimento espiritual que recebemos nos alerta contra comemorações, práticas ou costumes contaminados pela religião falsa, nós obedecemos prontamente. Assim como nossos irmãos que viveram no início da presença de Cristo, estamos decididos a manter puros os pátios terrestres do templo espiritual de Jeová.
16 Ao longo dos últimos dias, Cristo também tem feito coisas que não são claramente discerníveis para proteger as congregações do povo de Jeová contra pessoas que poderiam causar contaminação espiritual. Como ele tem feito isso? Vejamos.
Separando “os iníquos dos justos”
17, 18. Na ilustração sobre a rede de arrasto, o que significa (a) lançar a rede, (b) apanhar peixes de toda espécie, (c) reunir os peixes excelentes em vasos, e (d) lançar fora os peixes imprestáveis?
17 O Rei Jesus Cristo observa com atenção as congregações do povo de Deus no mundo todo. Cristo e os anjos têm feito uma obra de separação de maneiras que não conseguimos entender totalmente. Jesus descreveu essa obra em sua ilustração sobre a rede de arrasto. (Leia Mateus 13:47-50.) O que essa ilustração significa?
A rede de arrasto representa a pregação do Reino, que está sendo feita em todo o mar da humanidade (Veja o parágrafo 18.)
18 Lançar “uma rede de arrasto . . . ao mar”. A rede representa a pregação do Reino, que está sendo feita em todo o mar da humanidade. ‘Apanhar peixes de toda espécie.’ As boas novas atraem todo tipo de pessoas — as que tomam ação para se tornar cristãos verdadeiros, bem como muitas outras que de início mostram algum interesse, mas não tomam posição a favor da adoração pura.e ‘Reunir os excelentes em vasos.’ Os sinceros são ajuntados nas congregações, comparáveis aos “vasos” da ilustração, onde eles podem prestar adoração pura a Jeová. Lançar fora os peixes “imprestáveis”. Ao longo dos últimos dias, Cristo e os anjos têm separado “os iníquos dos justos”.f Em resultado, não se tem permitido que aqueles que não têm a condição correta de coração — os que talvez não queiram abandonar crenças e práticas erradas — contaminem as congregações.g
19. Como você se sente em relação ao que Cristo tem feito para manter a limpeza do povo de Deus e a pureza da adoração verdadeira?
19 Não é encorajador saber que nosso Rei, Jesus Cristo, protege os que estão sob os seus cuidados? E não é consolador saber que o zelo dele pela adoração verdadeira — e pelos adoradores verdadeiros — é tão ardente hoje como na ocasião em que ele purificou o templo no primeiro século EC? De fato, somos muito gratos por Cristo estar agindo para manter a limpeza espiritual do povo de Deus e a pureza da adoração verdadeira. Podemos mostrar que apoiamos o Rei e seu Reino por evitar qualquer contato com a religião falsa.
a Judeus que vinham de fora tinham de usar uma determinada moeda para o imposto anual do templo, e os cambistas cobravam para trocar o dinheiro estrangeiro pela moeda exigida. Além disso, os visitantes talvez precisassem comprar animais para as ofertas. Jesus chamou os comerciantes de “salteadores”, provavelmente porque cobravam taxas exorbitantes por seus serviços.
b Os servos de Jeová na Terra o adoram nos pátios terrestres de seu grande templo espiritual.
c Segundo esse artigo, dizer que Jesus nasceu num dia de inverno “não está de acordo com o relato dos pastores que cuidavam de seus rebanhos ao ar livre”. — Luc. 2:8.
d Numa carta pessoal de 14 de novembro de 1927, o irmão Frederick Franz escreveu: “Não teremos Natal neste ano. A família de Betel decidiu que o Natal não será mais comemorado.” Alguns meses depois, numa carta de 6 de fevereiro de 1928, o irmão Franz escreveu: “Pouco a pouco o Senhor está nos purificando dos erros da organização babilônica do Diabo.”
e Note, por exemplo, que em 2013 houve um auge de 7.965.954 publicadores, ao passo que 19.241.252 pessoas assistiram à Celebração anual da morte de Cristo.
f A separação dos peixes excelentes dos imprestáveis não é a mesma que a das ovelhas e dos cabritos. (Mat. 25:31-46) A separação, ou julgamento final, das ovelhas e dos cabritos ocorre durante a vindoura grande tribulação. Enquanto isso, os que são como peixes imprestáveis talvez retornem a Jeová e sejam reunidos nas congregações, comparáveis a “vasos”. — Mal. 3:7.
g Por fim, os imprestáveis serão simbolicamente lançados numa fornalha ardente, indicando sua futura destruição.
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Refinamentos morais — refletindo a santidade de DeusO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 11
Refinamentos morais — refletindo a santidade de Deus
Imagine-se entrando pelo portão do pátio externo do grande templo espiritual de Jeová
1. O que Ezequiel vê que nos deixa maravilhados?
IMAGINE se você pudesse ter uma experiência parecida à que o profeta Ezequiel teve uns 2.500 anos atrás. A cena seria esta: você se aproxima do complexo gigantesco e reluzente de um templo. Um anjo poderoso está ali para lhe mostrar aquele lugar impressionante! Você sobe os sete degraus que levam a um dos três portões. Ver esses portões deixa você maravilhado. Cada um deles tem cerca de 30 metros de altura. Depois de entrar, você nota que há saletas da guarda. As pilastras retratam elegantes palmeiras. — Eze. 40:1-4, 10, 14, 16, 22; 41:20.
2. (a) O que o templo da visão de Ezequiel representa? (Veja também a nota.) (b) O que podemos aprender das características das entradas do templo?
2 Esse é o templo espiritual da visão de Ezequiel. Ele o descreveu com tantos detalhes que seu relato abrange os capítulos 40 a 48 de seu livro profético. Esse templo representa o arranjo de Jeová para a adoração pura. Cada detalhe dele tem um significado para nossa adoração nestes últimos dias.a O que os enormes portões significam? Eles nos lembram que aqueles que entram no arranjo de Jeová para adoração pura precisam viver segundo os padrões elevados e justos de Deus. Até mesmo as palmeiras retratadas nas pilastras têm uma aplicação similar, visto que essas árvores às vezes são usadas na Bíblia para representar justiça, ou retidão. (Sal. 92:12) Que dizer das saletas da guarda? Sem dúvida, não se permite que pessoas que não respeitam os padrões divinos entrem nessa bela forma de adoração pura que conduz à vida. — Eze. 44:9.
3. Por que os seguidores de Cristo precisaram de contínuo refinamento?
3 Como a visão de Ezequiel tem se cumprido? Como vimos no Capítulo 2 deste livro, Jeová usou Cristo para fazer seu povo passar por um processo especial de refinamento de 1914 ao início de 1919. Será que não houve mais refinamentos depois disso? Muito pelo contrário! Nos últimos cem anos, Cristo continuou defendendo os santos padrões de conduta de Jeová. Seus seguidores precisaram assim de contínuo refinamento. Por quê? Porque Cristo recolheu seus seguidores deste mundo moralmente impuro e Satanás nunca para de tentar levá-los de volta para o lamaçal da imoralidade. (Leia 2 Pedro 2:20-22.) Vejamos três áreas em que os cristãos verdadeiros aos poucos foram sendo refinados. Primeiro, consideraremos alguns refinamentos envolvendo a conduta cristã. Depois, veremos uma provisão essencial para manter a congregação pura. Por último, analisaremos refinamentos referentes ao casamento e à vida familiar.
Refinamentos envolvendo a conduta cristã
4, 5. Que tática Satanás tem usado há muito tempo, e com que resultado?
4 O povo de Jeová sempre se interessou muito em ter uma conduta moralmente correta. Por isso, de bom grado, eles têm aceitado orientações cada vez mais claras sobre o assunto. Veja alguns exemplos.
5 Imoralidade sexual. É da vontade de Jeová que as relações sexuais entre marido e esposa sejam algo puro e belo. Satanás tem prazer em tirar essa preciosa dádiva de seu contexto correto por transformá-la em algo sujo e usá-la para tentar fazer os servos de Jeová perder o Seu favor. Satanás conseguiu usar essa tática nos dias de Balaão e o resultado foi trágico; e mais do que nunca ele a tem usado nestes últimos dias. — Núm. 25:1-3, 9; Rev. 2:14.
6. Que voto foi publicado em A Sentinela, como era usado e por que deixou de ser usado? (Veja também a nota.)
6 Para contra-atacar os esforços de Satanás, a revista A Sentinela de 15 de junho de 1908 publicou um voto que incluía esta promessa: “Eu me comportarei em todas as ocasiões e em todos os lugares, para com os do sexo oposto, em particular, exatamente como eu faria com eles em público.”b Embora o voto não fosse obrigatório, muitos o faziam e davam seus nomes para ser publicados em A Sentinela. Anos mais tarde, concluiu-se corretamente que, apesar de o voto ter sido de ajuda para muitos na época, ele se tornou um simples ritual; por isso, parou de ser usado. Mas o povo de Jeová sempre se apegou aos elevados padrões de moral que ele representava.
7. Em 1935, A Sentinela abordou que problema, e que padrão ela reforçou?
7 Os ataques de Satanás só se intensificaram. A Sentinela de 1.º de março de 1935, em inglês, abordou sem rodeios um problema que se tornava cada vez mais comum entre o povo de Deus. Pelo visto, alguns achavam que participar no ministério de alguma forma os isentava de se apegar aos padrões de moral de Jeová na vida pessoal. A Sentinela disse francamente: “A pessoa deve lembrar-se de que a simples participação na obra de testemunho não é tudo o que se requer. As testemunhas de Jeová são seus representantes, e sobre elas recai a obrigação de representar de modo apropriado a Jeová e seu reino.” O artigo deu então conselhos claros sobre o casamento e a moralidade sexual, ajudando assim o povo de Deus a ‘fugir da fornicação’. — 1 Cor. 6:18.
8. Por que A Sentinela enfatizou vez após outra o significado completo da palavra grega para fornicação?
8 Em décadas mais recentes, A Sentinela enfatizou vez após outra qual é a definição correta da palavra usada nas Escrituras Gregas para fornicação — por·neí·a. O significado não se limita à relação sexual propriamente dita. Em vez disso, inclui uma grande variedade de atos imorais, o que geralmente abrange todos os atos obscenos praticados em casas de prostituição. Os seguidores de Cristo têm sido assim protegidos da praga da perversão sexual que tem enlaçado tantos no mundo de hoje. — Leia Efésios 4:17-19.
9, 10. (a) Que questão moral A Sentinela abordou em 1935? (b) Qual é o conceito equilibrado da Bíblia sobre o uso do álcool?
9 Abuso do álcool. A Sentinela de 1.º de março de 1935 levantou outra questão moral: “Observou-se também que alguns participam no serviço de campo e cumprem outras obrigações na organização enquanto estão sob o efeito do [álcool]. Em que situações o uso do vinho é aprovado nas Escrituras? Seria apropriado consumir vinho a ponto de afetar o serviço que alguém presta na organização do Senhor?”
10 A resposta considerou o conceito equilibrado sobre as bebidas alcoólicas contido na Palavra de Deus. A Bíblia não condena o uso moderado do vinho e de outras bebidas alcoólicas, mas condena fortemente a bebedeira. (Sal. 104:14, 15; 1 Cor. 6:9, 10) Quanto a realizar serviço sagrado sob o efeito do álcool, os servos de Deus há muito tempo são lembrados do relato sobre os filhos de Arão, que foram mortos por Deus por terem oferecido fogo ilegítimo no altar de Deus. Pouco depois, o relato revela o que provavelmente levou aqueles homens a fazer algo tão inapropriado, pois Deus deu uma lei proibindo todos os sacerdotes de consumir álcool enquanto cumpriam suas obrigações sagradas. (Lev. 10:1, 2, 8-11) Aplicando esse princípio básico hoje, os seguidores de Cristo tomam cuidado para não estar sob o efeito do álcool quando prestam serviço sagrado.
11. Por que tem sido uma bênção para o povo de Deus ter um entendimento maior sobre o alcoolismo?
11 Em décadas mais recentes, os seguidores de Cristo foram abençoados ainda mais com um entendimento maior sobre o alcoolismo, situação em que o abuso do álcool se torna persistente e um vício. Graças ao alimento espiritual no tempo apropriado, muitos têm sido ajudados a lidar com esse problema e a recuperar o controle de sua vida. Muitos outros têm sido ajudados a nem mesmo cair nessa armadilha. Ninguém precisa deixar que o álcool o prive de sua dignidade, de sua família e, acima de tudo, de seu privilégio de participar na adoração pura de Jeová.
“Não conseguimos imaginar nosso Senhor cheirando a fumaça de cigarro ou colocando na boca algo impuro.” — C. T. Russell
12. Como os servos de Cristo encaravam o uso do tabaco mesmo antes do início dos últimos dias?
12 Uso do tabaco. Os servos de Cristo começaram a ter um conceito negativo sobre o uso do tabaco mesmo antes do início dos últimos dias. Muitos anos atrás, um irmão idoso, Charles Capen, lembrou-se de quando conheceu o irmão Russell no fim do século 19. Aos 13 anos, o irmão Capen estava com três de seus irmãos na escada da Casa da Bíblia em Allegheny, Pensilvânia. Quando Russell passou por eles, perguntou: “Meninos, vocês estão fumando? Estou sentindo cheiro de cigarro.” Eles lhe garantiram que não estavam fumando. Isso deixou bem claro para eles qual era o conceito de Russell sobre o assunto. Em A Sentinela de 1.º de agosto de 1895, o irmão Russell disse o seguinte sobre 2 Coríntios 7:1: “Não vejo como seria para a glória de Deus, nem em benefício do próprio cristão, usar tabaco em qualquer forma. . . . Não conseguimos imaginar nosso Senhor cheirando a cigarro ou colocando na boca algo impuro.”
13. Que refinamento moral houve em 1973?
13 Em 1935, A Sentinela chamou o tabaco de “erva imunda” e observou que ninguém que o mascasse ou fumasse poderia continuar na família de Betel ou servir como representante da organização de Deus no serviço de pioneiro ou de viajante. Em 1973, veio outro refinamento moral. A Sentinela de 1.º de junho (em português, 1.º de dezembro) explicou que nenhuma Testemunha de Jeová podia continuar como membro aprovado da congregação enquanto estivesse envolvido nessa prática impura que demonstra falta de amor e coloca a vida em risco. Os que se recusassem a abandonar o mau uso do tabaco deveriam ser desassociados.c Assim, Cristo tomou outra medida importante para refinar seus seguidores.
14. Qual é o padrão de Deus no que diz respeito ao sangue, e como as transfusões se tornaram comuns?
14 Mau uso do sangue. Nos dias de Noé, Deus disse que era errado comer sangue. Ele reafirmou essa posição na Lei dada à nação de Israel e similarmente orientou a congregação cristã a ‘se abster de sangue’. (Atos 15:20, 29; Gên. 9:4; Lev. 7:26) Satanás, como é de esperar, encontrou um modo de levar muitos a desconsiderar esse padrão divino nos tempos modernos. No século 19, os médicos estavam fazendo experiências envolvendo a transfusão de sangue, mas, depois que se descobriu que existem tipos sanguíneos diferentes, a prática se tornou mais difundida. Em 1937, começou-se a coletar sangue e armazená-lo em bancos de sangue, e a Segunda Guerra Mundial deu um grande impulso a essa prática. Em pouco tempo, as transfusões se tornaram comuns no mundo todo.
15, 16. (a) As Testemunhas de Jeová tomaram que posição referente a transfusões de sangue? (b) Que apoio tem sido dado aos seguidores de Cristo nesse assunto, e com que resultado?
15 Em 1944, A Sentinela (em português, 1945) mostrou que receber transfusão de sangue era na verdade outra maneira de comer sangue. No ano seguinte, essa posição bíblica foi reforçada e esclarecida. Em 1951 (em português, 1959), publicou-se uma lista de perguntas e respostas para ajudar o povo de Deus a lidar com profissionais da área médica. Em todo o mundo, os fiéis seguidores de Cristo estavam tomando uma posição corajosa, muitas vezes diante de zombaria, hostilidade e até mesmo perseguição direta. Mas Cristo continuou orientando sua organização a dar o apoio necessário. Brochuras e artigos detalhados e bem pesquisados foram publicados.
16 Em 1979, alguns anciãos começaram a visitar hospitais a fim de ajudar médicos a entender melhor nossa posição, bem como a base bíblica para ela e a disponibilidade de outras opções terapêuticas. Em 1980, anciãos em 39 cidades nos Estados Unidos receberam treinamento especializado nesse trabalho. Com o tempo, o Corpo Governante aprovou a formação de Comissões de Ligação com Hospitais em todo o mundo. Será que esses esforços deram resultado com o passar dos anos? Hoje, muitos milhares de profissionais da área médica — incluindo médicos, cirurgiões e anestesiologistas — cooperam com pacientes Testemunhas de Jeová, mostrando respeito por nossa escolha de tratamentos sem sangue. Cada vez mais hospitais oferecem procedimentos isentos de sangue, e alguns até consideram tais procedimentos como o padrão mais elevado de tratamento médico. Não é emocionante pensar em como Jesus tem protegido seus seguidores dos esforços de Satanás para contaminá-los? — Leia Efésios 5:25-27.
Cada vez mais hospitais oferecem procedimentos isentos de sangue, e alguns até consideram tais procedimentos como o padrão mais elevado de tratamento médico
17. Como podemos mostrar que valorizamos o modo como Cristo tem refinado seus seguidores?
17 Faríamos bem em nos perguntar: ‘Valorizo o modo como Cristo tem refinado seus seguidores, treinando-os para se apegar aos elevados padrões de moral de Jeová?’ Nesse caso, que tenhamos em mente que Satanás está sempre tentando nos afastar de Jeová e Jesus por minar nosso respeito pelos padrões divinos. Para combater essa influência, a organização de Jeová fornece constantemente alertas e lembretes amorosos sobre as práticas imorais deste mundo. Que permaneçamos despertos e obedientes a esses bons conselhos! — Pro. 19:20.
Protegendo a congregação de vitupério
18. Que lembrete claro a visão de Ezequiel nos dá referente aos que escolhem se rebelar contra os padrões de Deus?
18 A segunda área em que houve refinamentos morais se refere às medidas tomadas para manter a congregação limpa. Infelizmente, nem todos os que aceitam os padrões de conduta de Jeová e se dedicam a ele continuam leais à sua decisão. Alguns acabam mudando de atitude e escolhem se rebelar contra esses padrões. O que deve ser feito com pessoas assim? A visão que Ezequiel teve do templo espiritual, já considerada neste capítulo, nos ajuda a achar a resposta. Lembra-se dos enormes portões? Em cada entrada havia saletas da guarda. Os guardas protegiam o templo, evidentemente para impedir que os “de coração incircunciso” entrassem. (Eze. 44:9) Isso é um lembrete claro de que a adoração pura é um privilégio concedido apenas aos que se esforçam para viver de acordo com os puros padrões de conduta de Jeová. Da mesma forma hoje, o privilégio de se associar com outros cristãos na adoração não é concedido a todos.
19, 20. (a) Como Cristo aos poucos tem ajudado seus seguidores a refinar o modo de lidar com pecados graves? (b) Quais são três motivos para desassociar pecadores que não se arrependem?
19 Já em 1892, A Sentinela observou que é “nossa obrigação desassociar os cristãos que, direta ou indiretamente, negam que Cristo se entregou como resgate [um preço correspondente] por todos”. (Leia 2 João 10.) Em 1904, o livro The New Creation (A Nova Criação) reconheceu que os que persistem na conduta errada representam um perigo real para a congregação, podendo enfraquecê-la. Naquela época, a congregação inteira participava em “julgamentos na igreja” para analisar casos de pecados graves. No entanto, situações assim eram raras. Em 1944 (em português, 1945), A Sentinela deixou claro que apenas irmãos em posições de responsabilidade deveriam cuidar desses assuntos. Em 1952, foi publicado em A Sentinela um procedimento bíblico para lidar com assuntos judicativos, enfatizando um motivo básico para desassociar os que não se arrependem — manter a congregação limpa.
20 Desde então, Cristo tem ajudado seus seguidores a entender melhor e refinar o modo de lidar com casos de pecados graves. Os anciãos recebem um bom treinamento para cuidar de assuntos judicativos do modo de Jeová, mantendo o equilíbrio apropriado entre justiça e misericórdia. Hoje, entendemos claramente pelo menos três motivos para desassociar da congregação um pecador não arrependido: (1) manter o nome de Jeová livre de vitupério; (2) proteger a congregação dos efeitos contaminadores de pecados graves; e (3) levar o pecador a se arrepender, se possível.
21. De que modo a provisão da desassociação tem sido uma bênção para o povo de Deus?
21 Consegue ver como a provisão da desassociação tem sido uma bênção para os seguidores de Cristo hoje em dia? No Israel antigo, os pecadores com frequência se tornavam uma má influência na nação, às vezes chegando até a ser mais numerosos do que os que amavam a Jeová e buscavam fazer o que era certo. Por isso, a nação muitas vezes trouxe vitupério sobre o nome de Jeová e perdeu o favor divino. (Jer. 7:23-28) Hoje, porém, Jeová está lidando com uma fraternidade de homens e mulheres espirituais. Visto que pecadores obstinados são removidos do nosso meio, isso impede que eles se tornem como se fossem armas nas mãos de Satanás para causar ainda mais estragos à congregação e à sua condição pura. Com isso, sua influência se torna a menor possível, garantindo que nós, como grupo, não percamos o favor de Jeová. Lembre-se da promessa de Jeová: “Nenhuma arma que se forjar contra ti será bem-sucedida.” (Isa. 54:17) Será que apoiamos lealmente os anciãos, que têm a pesada responsabilidade de cuidar de casos judicativos?
Glorificando Aquele a quem toda família deve o seu nome
22, 23. Por que somos gratos aos irmãos da primeira metade do século 20, mas por que era preciso ter mais equilíbrio no que diz respeito à vida familiar?
22 A terceira área em que os seguidores de Cristo têm se beneficiado pelos contínuos refinamentos tem a ver com o casamento e a vida familiar. Será que nosso conceito sobre vida familiar foi refinado com o passar dos anos? Sim. Por exemplo, quando lemos sobre os servos de Deus na primeira metade do século 20, é impossível não ficarmos impressionados e até maravilhados com seu espírito abnegado. Somos muito gratos pelo modo como eles colocaram seu serviço sagrado acima de qualquer outra coisa na vida. Ao mesmo tempo, porém, fica evidente que era preciso ter mais equilíbrio. Como assim?
23 Não era raro irmãos aceitarem designações no ministério ou no serviço de viajante que exigiam que ficassem muitos meses longe de casa. O casamento às vezes era desencorajado com mais força do que justificado pelas Escrituras, e ao mesmo tempo se falava pouco sobre como ter um casamento forte. Será que essa situação ainda ocorre entre os seguidores de Cristo? De forma alguma!
As designações teocráticas não são cumpridas às custas de obrigações familiares
24. Como Cristo tem ajudado seus servos fiéis a ter um conceito mais equilibrado sobre o casamento e a vida familiar?
24 Hoje, as designações teocráticas não são cumpridas às custas de obrigações familiares. (Leia 1 Timóteo 5:8.) Além disso, Cristo tem fornecido a seus seguidores fiéis na Terra um suprimento constante de conselhos bíblicos úteis e equilibrados sobre casamento e vida familiar. (Efé. 3:14, 15) Em 1978, foi publicado o livro Torne Feliz Sua Vida Familiar. Dezoito anos depois, veio o livro O Segredo de Uma Família Feliz. E A Sentinela tem publicado muitos artigos para ajudar os casais a aplicar princípios bíblicos em seu relacionamento.
25-27. Como as necessidades de jovens e crianças têm recebido cada vez mais atenção ao longo dos anos?
25 Que dizer dos jovens? Ao longo dos anos, as necessidades deles têm recebido cada vez mais atenção. A organização de Jeová há muito tempo fornece ótimas matérias para jovens e crianças. Mas o que antes parecia uma gota se transformou num fluxo volumoso e constante. Por exemplo, de 1919 a 1921, a revista The Golden Age (A Idade de Ouro) incluiu a seção “Estudo Bíblico Juvenil”. Depois, em 1920, veio a brochura The Golden Age ABC (O ABC da Idade de Ouro) e, em 1941 (em português, 1944), o livro Filhos. Na década de 70, foram lançados os livros Escute o Grande Instrutor, Sua Juventude — O Melhor Modo de Usufruí-la e Meu Livro de Histórias Bíblicas. Em 1982, Despertai! começou a publicar a seção “Os Jovens Perguntam”, que deu origem ao livro Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas, publicado em 1989.
A brochura Minhas Primeiras Lições da Bíblia foi recebida com alegria neste congresso na Alemanha
26 Hoje, temos dois volumes atualizados de Os Jovens Perguntam, e a seção continua em nosso site jw.org. Também temos o livro Aprenda do Grande Instrutor. Nosso site tem inúmeras ferramentas para os jovens, incluindo cartões bíblicos, atividades divertidas e outras de estudo para crianças de todas as idades, vídeos e histórias bíblicas ilustradas, bem como lições da Bíblia para crianças com 3 anos ou menos. Naturalmente, o conceito de Cristo sobre os jovens não mudou desde que ‘tomou criancinhas nos seus braços’ no primeiro século. (Mar. 10:13-16) Ele quer que crianças e jovens entre nós se sintam amados e bem alimentados em sentido espiritual.
27 Jesus também quer que as crianças sejam protegidas. À medida que este mundo imoral fica cada vez mais depravado, a praga do abuso infantil se torna mais comum. Por isso, têm se publicado matérias claras e diretas para ajudar os pais a proteger seus filhos dessa prática cruel.d
28. (a) O que se exige de nós para participarmos na adoração pura, conforme ilustrado pelo templo da visão de Ezequiel? (b) O que você está determinado a fazer?
28 Não é emocionante ver como Cristo tem continuado a refinar seus seguidores, treinando-os a respeitar, seguir e se beneficiar dos elevados padrões de moral de Jeová? Pense de novo no templo da visão de Ezequiel. Você se lembra dos enormes portões? É verdade que aquele templo não é um lugar físico, mas espiritual. Mesmo assim, será que o encaramos como real? Nós não entramos nele apenas quando vamos ao Salão do Reino, abrimos a Bíblia ou batemos numa casa no serviço de campo. Essas são ações físicas que envolvem coisas que podemos ver. Um hipócrita poderia fazer essas coisas sem nunca entrar no templo de Jeová. No entanto, se fazemos essas coisas e, ao mesmo tempo, vivemos segundo os elevados padrões de moral de Jeová e participamos na adoração pura com a atitude correta de coração, pode-se dizer que entramos e estamos servindo neste lugar muitíssimo sagrado: o arranjo para a adoração pura de Jeová Deus. Que sempre prezemos esse grandioso privilégio! Que também continuemos dando nosso melhor para refletir a santidade de Jeová por nos apegar aos seus justos padrões!
a Em 1932, o Volume 2 do livro Vindication (Vindicação) mostrou que as profecias bíblicas sobre a restauração do povo de Deus à sua terra natal tiveram um cumprimento moderno, não referente ao Israel carnal, mas ao Israel espiritual. Aquelas profecias indicavam a restauração da adoração pura. A Sentinela de 1.º de março de 1999 explicou que a visão que Ezequiel teve do templo é uma dessas profecias de restauração e por isso tem um cumprimento espiritual importante durante os últimos dias.
b O voto proibia um homem e uma mulher de ficar a sós num cômodo, a menos que a porta estivesse bem aberta — ou a menos que fossem casados ou parentes próximos. Por anos, esse voto foi recitado diariamente como parte do programa da Adoração Matinal em Betel.
c O mau uso do tabaco inclui fumá-lo, mascá-lo ou cultivá-lo para esses fins.
d Por exemplo, veja o capítulo 32 do livro Aprenda do Grande Instrutor; veja também a série de capa “Proteja seus filhos”, na Despertai! de outubro de 2007.
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Organizados para servir “o Deus de paz”O Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 12
Organizados para servir “o Deus de paz”
1, 2. Que mudança houve em A Sentinela de janeiro de 1895, e como os irmãos reagiram?
QUANDO o zeloso Estudante da Bíblia John A. Bohnet recebeu A Sentinela de janeiro de 1895, ele ficou animado com o que viu. A revista tinha uma nova capa que chamava atenção: a ilustração de um farol diante de um mar tempestuoso projetando seus feixes de luz num céu escuro. O anúncio na revista sobre o novo formato era intitulado “Nossa nova roupa”.
2 Impressionado, o irmão Bohnet enviou uma carta ao irmão Russell. “É bom ver a TORRE com uma aparência nova”, escreveu ele. “Ficou muito bom.” Outro fiel Estudante da Bíblia, John H. Brown, escreveu o seguinte sobre a capa: “É bem atraente. Como é sólida a fundação sob a torre, com a tempestade e as fortes ondas batendo nela.” Aquela capa nova foi apenas a primeira mudança que nossos irmãos viram naquele ano. Em novembro, eles ficaram sabendo de ainda outra mudança significativa. É interessante que mais uma vez estava envolvido um mar tempestuoso.
3, 4. Que problema foi abordado em A Sentinela de 15 de novembro de 1895, e que mudança de grande alcance foi anunciada?
3 Um artigo detalhado publicado em A Sentinela de 15 de novembro de 1895 expôs um problema: ondas tempestuosas de dificuldades estavam perturbando a paz na associação, ou organização, dos Estudantes da Bíblia. Os irmãos debatiam cada vez mais sobre quem deveria ser o líder na congregação local. Para ajudar os irmãos a ver o que era preciso para corrigir aquele espírito divisório de rivalidade, o artigo comparou a organização a um navio. Daí, admitiu com franqueza que os que estavam na dianteira haviam falhado em preparar a organização, comparável a um navio, para uma tempestade. O que tinha de ser feito?
4 O artigo observou que um capitão capaz se certifica de que haja coletes salva-vidas a bordo e que a tripulação esteja preparada para tomar as medidas necessárias quando se aproxima uma tempestade. De modo similar, os que estavam na dianteira da organização precisavam garantir que todas as congregações estivessem preparadas para suportar condições turbulentas. Com esse objetivo, o artigo anunciou uma mudança de grande alcance. Ela dizia que, de imediato, “em todas as companhias, anciãos deviam ser escolhidos” para “‘supervisionar’ o rebanho”. — Atos 20:28.
5. (a) Por que o primeiro arranjo de anciãos foi um avanço oportuno? (b) Que perguntas consideraremos?
5 Aquele primeiro arranjo de anciãos foi um avanço oportuno para o estabelecimento de uma estrutura congregacional estável. Ele ajudou nossos irmãos a navegar através das violentas ondas provocadas pela Primeira Guerra Mundial. Nas décadas seguintes, outras melhorias organizacionais ajudaram o povo de Deus a estar mais bem preparado para servir a Jeová. Que profecia bíblica predisse esse progresso? Que mudanças organizacionais você já presenciou? Como foi beneficiado por elas?
“Vou designar a paz como teus superintendentes”
6, 7. (a) Qual é o significado de Isaías 60:17? (b) O que a menção de “superintendentes” e “feitores” indica?
6 Como vimos no Capítulo 9, Isaías predisse que Jeová abençoaria seu povo com aumentos. (Isa. 60:22) Mas Jeová prometeu fazer ainda mais. Na mesma profecia, ele disse: “Em lugar de cobre trarei ouro, e em lugar de ferro trarei prata, e em lugar de madeira, cobre, e em lugar de pedras, ferro; e eu vou designar a paz como teus superintendentes e a justiça como teus feitores.” (Isa. 60:17) O que essa profecia significa? Como se aplica a nós hoje?
As substituições não são mudanças de algo ruim para bom, mas de algo bom para melhor
7 A profecia de Isaías diz que um material seria substituído por outro. Mas observe que as substituições não são mudanças de algo ruim para bom, mas de algo bom para melhor. Substituir o cobre por ouro é uma melhoria, e o mesmo se dá com os outros materiais mencionados. Assim, com esse quadro mental, Jeová predisse que a condição de seu povo melhoraria passo a passo. A que tipo de melhoria essa profecia se refere? Por mencionar “superintendentes” e “feitores”, Jeová indicou melhorias gradativas no modo como seus servos eram cuidados e organizados.
8. (a) Quem é o responsável pelas melhorias mencionadas na profecia de Isaías? (b) Como somos beneficiados pelas melhorias? (Veja também o quadro “Ele humildemente aceitou correção”.)
8 Quem é o responsável por esse progresso organizacional? Jeová diz: “Trarei ouro, . . . trarei prata, . . . e eu vou designar a paz.” De fato, as melhorias na organização das congregações têm sido feitas pelo próprio Jeová, não por esforços humanos. E desde que Jesus foi empossado como Rei, Jeová tem feito essas melhorias por meio de seu Filho. Como somos beneficiados por essas mudanças? O mesmo texto bíblico diz que essas melhorias resultariam em “paz” e “justiça”. À medida que aceitamos a orientação de Deus e fazemos ajustes, a paz prevalece entre nós e o amor pela justiça nos leva a servir a Jeová, a quem o apóstolo Paulo descreveu como “o Deus de paz”. — Fil. 4:9.
9. Qual é o alicerce para a ordem e a união na congregação, e por quê?
9 A respeito de Jeová, Paulo também escreveu: “Deus não é Deus de desordem, mas de paz.” (1 Cor. 14:33) Note que Paulo não contrastou desordem com ordem, mas com paz. Por quê? Pense nisto: a ordem propriamente dita não resulta automaticamente em condições pacíficas. Por exemplo, um grupo de soldados pode marchar de modo ordeiro até a frente de batalha, mas seu avanço ordeiro resulta em guerra, não em paz. Assim, como cristãos, queremos ter em mente este importante fato: qualquer estrutura ordeira que não tem a paz como seu alicerce mais cedo ou mais tarde cairá. Por outro lado, a paz que vem de Deus promove o tipo de ordem que permanece. Em vista disso, com certeza somos muito gratos por nossa organização ser guiada e refinada pelo ‘Deus que dá paz’. (Rom. 15:33) A paz de Deus forma o alicerce para a boa ordem e a sincera união que temos e que tanto prezamos nas congregações no mundo todo. — Sal. 29:11.
10. (a) Que melhorias ocorreram em nossa organização no início de nossa história moderna? (Veja o quadro “Melhorias na supervisão da congregação”.) (b) Que perguntas serão consideradas agora?
10 O quadro “Melhorias na supervisão da congregação” nos dá uma visão geral das mudanças benéficas e ordeiras que ocorreram na organização no início de nossa história moderna. Mas que mudanças ‘de cobre para ouro’ Jeová fez mais recentemente por meio do nosso Rei? Como esses ajustes na dianteira têm fortalecido a paz e a união das congregações em toda a Terra? Como eles têm ajudado você a servir “o Deus de paz”?
Como Cristo lidera a congregação
11. (a) Um estudo das Escrituras levou a que ajuste em nosso entendimento? (b) O que os irmãos do corpo governante estavam determinados a fazer?
11 De 1964 a 1971, o corpo governante supervisionou um projeto de estudo detalhado da Bíblia que analisou, dentre muitas outras coisas, o funcionamento da congregação cristã no primeiro século.a A respeito da estrutura organizacional, descobriu-se que a supervisão das congregações no primeiro século era feita por um corpo de anciãos, em vez de apenas um ancião, ou superintendente. (Leia Filipenses 1:1; 1 Timóteo 4:14.) Quando esse ponto foi entendido melhor, o corpo governante percebeu que seu Rei, Jesus, os estava guiando no que diz respeito a melhorias na estrutura organizacional do povo de Deus — e os irmãos do corpo governante estavam determinados a se sujeitar à orientação do Rei. Eles prontamente fizeram ajustes para que a organização estivesse mais em harmonia com o arranjo de anciãos estabelecido nas Escrituras. Quais foram alguns dos ajustes feitos no início da década de 70?
12. (a) Que ajuste ocorreu dentro do corpo governante? (b) Descreva como o Corpo Governante é organizado hoje. (Veja o quadro “Como o Corpo Governante cuida dos interesses do Reino”, na página 130.)
12 O primeiro ajuste se aplicou ao próprio corpo governante. Até aquela época, esse grupo de irmãos ungidos era composto pelos sete membros da diretoria da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia, EUA. No entanto, em 1971, o corpo governante aumentou de 7 para 11 membros e passou a ser considerado como um grupo à parte da diretoria da Sociedade. Os membros se consideravam iguais entre si e começaram um rodízio anual de sua presidência em ordem alfabética.
13. (a) Que arranjo existiu de 1932 a 1972? (b) O que o Corpo Governante fez em 1972?
13 O próximo ajuste afetou todas as congregações. De que modo? De 1932 a 1972, a supervisão nas congregações basicamente ficava a cargo de um irmão. Até 1936, esse irmão designado era chamado de diretor de serviço. Então esse nome mudou para servo de companhia, daí para servo de congregação e por fim para superintendente de congregação. Aqueles irmãos designados cuidavam de modo zeloso do bem-estar espiritual do rebanho. O superintendente de congregação geralmente tomava decisões pela congregação sem consultar outros. Mas em 1972 o Corpo Governante preparou o caminho para uma mudança histórica. O que estava envolvido nessa mudança?
14. (a) Que novo arranjo começou a funcionar em 1.º de outubro de 1972? (b) Como o coordenador do corpo de anciãos aplica o conselho de Filipenses 2:3?
14 Em vez de haver um irmão servindo como superintendente de congregação em cada congregação, outros irmãos que estavam biblicamente qualificados também seriam teocraticamente designados para servir como anciãos congregacionais. Juntos, eles formariam um corpo de anciãos que supervisionaria a congregação local. Esse novo arranjo de anciãos começou a funcionar em 1.º de outubro de 1972. Hoje, o coordenador do corpo de anciãos não acha que tem mais autoridade que os outros anciãos, mas se considera “como [alguém] menor”. (Luc. 9:48) Que bênção esses humildes irmãos são para a fraternidade mundial! — Fil. 2:3.
Fica claro que, com sabedoria, nosso Rei tem fornecido os necessários pastores a seus seguidores no tempo certo
15. (a) O arranjo de corpo de anciãos tem resultado em que benefícios? (b) O que mostra que nosso Rei tem agido com sabedoria?
15 Dividir responsabilidades congregacionais entre membros do corpo de anciãos foi uma grande melhoria. Pense nestes três benefícios: primeiro e mais importante, esse arranjo ajuda todos os anciãos — por mais pesadas que sejam suas responsabilidades congregacionais — a ter sempre em mente que Jesus é o Cabeça da congregação. (Efé. 5:23) O segundo benefício é descrito em Provérbios 15:22: “Na multidão de conselheiros há consecução.” À medida que os anciãos se consultam sobre assuntos que afetam o bem-estar espiritual da congregação e consideram as sugestões uns dos outros, eles são ajudados a tomar decisões que se harmonizam com os princípios bíblicos. (Pro. 27:17) Jeová abençoa essas decisões, beneficiando a congregação. Terceiro, por existirem mais irmãos qualificados servindo como anciãos, a organização tem conseguido atender a crescente necessidade de supervisão e pastoreio nas congregações. (Isa. 60:3-5) Pense nisto: o número de congregações no mundo todo aumentou de mais de 27 mil em 1971 para mais de 113 mil em 2013! Fica claro que, com sabedoria, nosso Rei tem fornecido os necessários pastores a seus seguidores no tempo certo. — Miq. 5:5.
“Tornando-vos exemplos para o rebanho”
16. (a) Que responsabilidade os anciãos têm? (b) Como os Estudantes da Bíblia encararam a exortação de Jesus de ‘pastorear as ovelhas’?
16 Logo no início da história dos Estudantes da Bíblia, os anciãos já entendiam que eles tinham a responsabilidade de ajudar seus irmãos cristãos a permanecer como servos de Deus. (Leia Gálatas 6:10.) Em 1908, um artigo de A Sentinela considerou a exortação de Jesus: “Pastoreia minhas ovelhinhas.” (João 21:15-17) O artigo disse aos anciãos: “É muito importante que a comissão do Amo com respeito ao rebanho tenha um lugar importante em nosso coração, que consideremos apropriadamente um grande privilégio alimentar e cuidar dos seguidores do Senhor.” Em 1925, enfatizando mais uma vez a importância de os anciãos servirem como pastores, A Sentinela, em inglês, deu o seguinte lembrete: “A igreja de Deus é dele, . . . e todos serão responsáveis perante ele por seu privilégio de servir aos seus irmãos.”
17. Como os anciãos têm sido ajudados a se tornar pastores capazes?
17 Como a organização de Deus tem ajudado os anciãos a transformar suas habilidades de pastoreio — de ‘ferro para prata’? Por dar treinamento. Em 1959, foi realizada a primeira Escola do Ministério do Reino para anciãos. Uma aula considerou o assunto: “Dando atenção pessoal”. Aqueles irmãos responsáveis foram incentivados a “elaborar um horário para visitar os publicadores nos seus lares”. A aula apresentou várias maneiras como os anciãos poderiam tornar essas visitas encorajadoras. Em 1966, começou uma Escola do Ministério do Reino atualizada. Ela considerou o assunto: “A importância da obra de pastoreio”. Qual foi o foco dessa aula? Os irmãos da dianteira “devem participar em fornecer cuidado amoroso ao rebanho de Deus, ao passo que não deixam de dar a devida atenção às suas próprias famílias e ao ministério de campo”. Em anos recentes, têm sido realizadas outras escolas para anciãos. Qual é o resultado do treinamento contínuo que a organização de Jeová tem fornecido? Hoje, a congregação cristã tem milhares de irmãos qualificados que servem como pastores espirituais.
Escola do Ministério do Reino nas Filipinas, 1966
18. (a) Que pesada responsabilidade foi confiada aos anciãos? (b) Por que Jeová e Jesus têm afeto pelos diligentes anciãos?
18 O arranjo de anciãos foi estabelecido por Jeová por meio de nosso Rei, Jesus, para que se cumpra uma tarefa de peso. Que tarefa é essa? Guiar as ovelhas de Deus através da época mais crítica da história humana. (Efé. 4:11, 12; 2 Tim. 3:1) Jeová e Jesus têm muito afeto pelos diligentes anciãos, porque esses irmãos obedecem à exortação bíblica: “Pastoreai o rebanho de Deus, que está aos vossos cuidados . . . espontaneamente . . . com anelo . . . tornando-vos exemplos para o rebanho.” (1 Ped. 5:2, 3) Vejamos dois dos muitos modos como os pastores cristãos são exemplos para o rebanho e contribuem grandemente para a paz e a alegria da congregação.
Como os anciãos hoje pastoreiam o rebanho de Deus
19. Como nos sentimos em relação aos anciãos que nos acompanham no ministério?
19 Primeiro, os anciãos trabalham com os membros da congregação. O evangelista Lucas disse o seguinte sobre Jesus: “Ele viajava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e declarando as boas novas do reino de Deus. E os doze estavam com ele.” (Luc. 8:1) Assim como Jesus pregava com seus apóstolos, os anciãos exemplares hoje trabalham lado a lado com seus irmãos na obra de pregação. Eles se dão conta de que, por fazerem isso, estão contribuindo bastante para o bom espírito da congregação. Como os membros da congregação se sentem em relação a tais anciãos? Jeannine, uma irmã com quase 90 anos, comenta: “Trabalhar com um ancião no serviço de campo me dá uma excelente oportunidade para conversar com ele e conhecê-lo melhor.” Steven, um irmão de 30 e poucos anos, diz: “Quando um ancião trabalha comigo na pregação de casa em casa, sinto que ele quer me ajudar. Receber essa ajuda me dá muita alegria.”
Assim como um pastor procura uma ovelha perdida, os anciãos se esforçam para encontrar os que não têm mais contato com a congregação
20, 21. Como os anciãos podem imitar o pastor da parábola de Jesus? Cite um exemplo. (Veja também o quadro “Visitas semanais produtivas”.)
20 Segundo, a organização de Jeová tem treinado os anciãos para mostrarem preocupação pelos que não têm mais contato com a congregação. (Heb. 12:12) Por que os anciãos devem ajudar esses irmãos que estão espiritualmente fracos, e como devem dar essa ajuda? A parábola de Jesus sobre um pastor e uma ovelha perdida nos dá as respostas. (Leia Lucas 15:4-7.) Quando o pastor da parábola percebe que está faltando uma ovelha, ele procura por ela como se fosse a única que ele tem. Como os anciãos hoje imitam o exemplo desse pastor? Assim como a ovelha perdida continua sendo valiosa para o pastor, os que não têm mais contato com o povo de Deus continuam sendo valiosos para os anciãos. Para eles, uma pessoa espiritualmente fraca é como uma ovelha perdida — não um caso perdido. Além disso, assim como o pastor decide ‘ir em busca da perdida até a achar’, os anciãos tomam a iniciativa de procurar e ajudar os que estão fracos.
21 O que o pastor da parábola faz quando encontra a ovelha? Ele a levanta gentilmente, “a põe sobre os seus ombros” e a leva de volta para o rebanho. De modo similar, as sinceras expressões de preocupação de um ancião podem levantar gentilmente alguém em sentido espiritual e ajudá-lo a voltar para a congregação. Foi isso que aconteceu com Victor, um irmão na África que deixou de se associar com a congregação. Ele conta: “Durante os oito anos em que fiquei inativo, os anciãos não desistiram de mim.” O que em especial tocou seu coração? Ele explica: “Certo dia, John, um ancião com quem cursei a Escola do Serviço de Pioneiro, tirou tempo para me visitar e me mostrou algumas fotos que ele tinha tirado de nós durante a escola. Elas trouxeram tantas boas lembranças que comecei a querer ter a alegria que eu sentia quando servia a Jeová.” Pouco após a visita de John, Victor retornou à congregação. Com o tempo, ele voltou a servir como pioneiro. De fato, anciãos amorosos contribuem muito para nossa alegria. — 2 Cor. 1:24.b
Supervisão aprimorada fortalece a união do povo de Deus
22. Como a justiça e a paz fortalecem a união da congregação? (Veja também o quadro “Ficamos maravilhados”.)
22 Como já mencionado, Jeová predisse que a justiça e a paz aumentariam de modo constante entre o povo de Deus. (Isa. 60:17) Essas duas qualidades fortalecem a união das congregações. De que modos? Em relação à justiça, ‘Deus é um só Jeová’. (Deut. 6:4) Seus justos padrões não diferem de uma congregação para outra, nem de um país para outro. Seus padrões do que é certo e errado são um só, e eles são os mesmos para “todas as congregações dos santos”. (1 Cor. 14:33) Assim, uma congregação só prospera quando os padrões de Deus são seguidos. Em relação à paz, nosso Rei quer não apenas que tenhamos paz na congregação, mas também que sejamos “pacificadores”. (Mat. 5:9, nota) Por isso, “empenhemo-nos pelas coisas que produzem paz”. Tomamos a iniciativa em resolver diferenças que às vezes surgem entre nós. (Rom. 14:19) Desse modo, contribuímos tanto para a paz como para a união de nossa congregação. — Isa. 60:18.
23. Como povo de Deus, que condição maravilhosa temos hoje?
23 Lá em novembro de 1895, quando A Sentinela anunciou o primeiro arranjo de anciãos, ela também mencionou o desejo sincero expresso pelos irmãos na dianteira da organização. Que desejo era esse? Eles queriam que esse novo arranjo congregacional ajudasse o povo de Deus a “chegar rapidamente à unidade da fé”, e oravam por isso. Olhando para trás, ao longo das décadas, ficamos felizes de ver que os refinamentos gradativos na supervisão feitos por Jeová por meio de nosso Rei realmente fortaleceram nossa união na adoração. (Sal. 99:4) Em resultado disso, todos os servos de Jeová no mundo inteiro hoje se alegram à medida que andam “no mesmo espírito”, seguem “nas mesmas pisadas” e servem “o Deus de paz” “ombro a ombro”. — 2 Cor. 12:18; leia Sofonias 3:9.
a Os resultados dessa pesquisa detalhada foram publicados na obra de referência Ajuda ao Entendimento da Bíblia.
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Os pregadores do Reino vão aos tribunaisO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 13
Os pregadores do Reino vão aos tribunais
1, 2. (a) O que os líderes religiosos conseguiram fazer com a obra de pregação, mas como os apóstolos reagiram? (b) Por que os apóstolos se recusaram a acatar a ordem de não pregar?
O PENTECOSTES de 33 EC ocorreu há pouco tempo. A congregação cristã em Jerusalém tem apenas algumas semanas de existência. Com certeza, para Satanás é a hora certa de agir. Antes que a congregação se fortaleça, ele quer eliminá-la. Sem demora, Satanás manobra os acontecimentos de tal modo que os líderes religiosos proíbem a obra de pregação do Reino. Os apóstolos, porém, continuam pregando com coragem, e muitos homens e mulheres se tornam “crentes no Senhor”. — Atos 4:18, 33; 5:14.
Os apóstolos se alegraram “porque tinham sido considerados dignos de ser desonrados a favor do nome dele”
2 Enfurecidos, os opositores atacam de novo — dessa vez por prender todos os apóstolos. Mas, à noite, o anjo de Jeová abre as portas da prisão, e de madrugada os apóstolos já estão pregando de novo. Eles são presos novamente e levados perante as autoridades, que os acusam de desacatar a ordem de não pregar. Em resposta, os apóstolos dizem com coragem: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” As autoridades ficam tão furiosas que querem “eliminá-los”. Mas, naquele momento crítico, Gamaliel, respeitado instrutor da Lei, se pronuncia, alertando as autoridades: “Não vos metais com estes homens, mas deixai-os em paz.” Por incrível que pareça, as autoridades aceitam seu conselho e libertam os apóstolos. O que aqueles homens fiéis fazem? Destemidamente, continuam “sem cessar a ensinar e a declarar as boas novas a respeito do Cristo, Jesus”. — Atos 5:17-21, 27-42; Pro. 21:1, 30.
3, 4. (a) Que método antigo Satanás tem usado para atacar o povo de Deus? (b) O que analisaremos neste e nos próximos dois capítulos?
3 Aquele julgamento em 33 EC foi a primeira vez que a congregação cristã sofreu oposição de autoridades, mas com certeza não a única. (Atos 4:5-8; 16:20; 17:6, 7) Em nossos dias, Satanás ainda influencia opositores da adoração verdadeira para instigar autoridades a impor proibições à nossa obra de pregação. Opositores têm levantado várias acusações contra o povo de Deus. Uma delas é que somos perturbadores da ordem pública, ou desordeiros. Outra é que somos sediciosos, ou seja, que promovemos rebeliões contra o governo; ainda outra é que somos comerciantes, ou vendedores. Em ocasiões apropriadas, nossos irmãos foram aos tribunais para provar que essas acusações são falsas. Quais foram os resultados desses casos? Como as decisões dos tribunais proferidas décadas atrás afetam você hoje? Analisemos alguns casos judiciais para ver como eles nos ajudaram a “defender e estabelecer legalmente as boas novas”. — Fil. 1:7.
4 Neste capítulo nos concentraremos em como temos defendido nosso direito à liberdade de pregação. Os dois capítulos seguintes analisarão algumas das batalhas jurídicas que travamos com o objetivo de permanecermos separados do mundo e vivermos segundo os padrões do Reino.
Desordeiros ou defensores leais do Reino de Deus?
5. No fim dos anos 30, por que pregadores do Reino foram presos, e o que os da dianteira cogitaram fazer?
5 No fim dos anos 30, cidades e estados em todos os Estados Unidos da América tentaram forçar as Testemunhas de Jeová a obter algum tipo de autorização legal ou licença para pregar. Mas nossos irmãos não fizeram isso. Uma licença pode ser revogada, e eles acreditavam que nenhum governo tinha autoridade para impedi-los de cumprir a ordem dada por Jesus de pregar a mensagem do Reino. (Mar. 13:10) Isso resultou na prisão de centenas de pregadores do Reino. Os irmãos da dianteira, por sua vez, cogitaram ir aos tribunais. Eles esperavam provar que o Estado havia imposto restrições ilegais ao direito das Testemunhas de Jeová de praticar livremente sua religião. E em 1938 um incidente levou a uma ação judicial que estabeleceu um precedente para casos futuros. O que aconteceu?
6, 7. O que aconteceu com a família Cantwell?
6 Na manhã de terça-feira de 26 de abril de 1938, Newton Cantwell, de 60 anos, sua esposa, Esther, e seus filhos Henry, Russell e Jesse — todos pioneiros especiais — saíram para um dia de pregação na cidade de New Haven, Connecticut. Na realidade, eles estavam prontos para ficar fora mais de um dia. Por quê? Eles já tinham sido presos várias vezes, então sabiam que podiam ser presos de novo. Mas essa perspectiva não diminuiu o desejo da família de pregar a mensagem do Reino. Eles chegaram a New Haven em dois carros. Newton dirigiu o carro da família que estava carregado de publicações e fonógrafos portáteis, e Henry, de 22 anos, dirigiu o carro de som. E, conforme esperavam, em poucas horas eles foram parados pela polícia.
7 Primeiro Russell, de 18 anos, foi preso; depois Newton e Esther. A certa distância, Jesse, de 16 anos, viu seus pais e seu irmão serem levados pela polícia. Visto que Henry estava pregando em outra parte da cidade, o jovem Jesse ficou sozinho. Mesmo assim, ele pegou seu fonógrafo e continuou pregando. Dois homens católicos deixaram que Jesse tocasse a gravação de um discurso do irmão Rutherford chamado “Inimigos”. Mas, enquanto escutavam, eles ficaram tão furiosos que quiseram bater em Jesse. Com calma, Jesse se afastou, mas pouco depois um policial o parou. Assim, Jesse também foi preso. A polícia não indiciou a irmã Esther, mas indiciou o irmão Newton e seus filhos. No entanto, eles foram libertados sob fiança no mesmo dia.
8. Por que Jesse Cantwell foi declarado culpado de ser um desordeiro?
8 Poucos meses depois, em setembro de 1938, a família foi a julgamento perante o juízo de primeira instância em New Haven. Newton, Russell e Jesse foram acusados de solicitar donativos sem licença. Apesar das apelações à Suprema Corte de Connecticut, Jesse foi declarado culpado de incitar perturbação da paz — de ser um desordeiro. Por quê? Porque os dois homens católicos que tinham ouvido a gravação disseram no tribunal que ela tinha insultado sua religião e os tinha provocado. Em razão da condenação, os irmãos responsáveis em nossa organização recorreram à Suprema Corte dos Estados Unidos — o tribunal de maior instância do país.
9, 10. (a) Qual foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso da família Cantwell? (b) Como nós ainda nos beneficiamos dessa decisão?
9 Começando em 29 de março de 1940, o juiz-presidente Charles E. Hughes e mais oito juízes ouviram os argumentos apresentados pelo irmão Hayden Covington, um dos advogados das Testemunhas de Jeová.a Quando o advogado representando o Estado de Connecticut apresentou seus argumentos numa tentativa de provar que as Testemunhas de Jeová eram desordeiras, um dos juízes perguntou: “Não é verdade que a mensagem que Cristo Jesus divulgou era impopular nos dias dele?” O advogado do estado respondeu: “Sim, era, e se não me falha a memória a Bíblia diz o que aconteceu com Jesus por divulgar essa mensagem.” Que declaração reveladora! Sem se dar conta, o advogado associou as Testemunhas de Jeová com Jesus, e o estado com os que o condenaram. Em 20 de maio de 1940, a Corte decidiu unanimemente a favor das Testemunhas de Jeová.
Hayden Covington (na frente, no centro), Glen How (à esquerda) e outros saindo de um tribunal após uma vitória jurídica
10 Quais foram as implicações da decisão da Corte? Ela aumentou a proteção do direito ao livre exercício de religião para que nenhum governo — federal, estadual ou local — pudesse legalmente limitar a liberdade religiosa. Além disso, a Corte não encontrou na conduta de Jesse “nenhuma . . . ameaça à paz e à ordem pública”. Assim, a decisão deixou bem claro que as Testemunhas de Jeová não são perturbadoras da ordem pública. Com certeza, foi uma vitória decisiva para o povo de Deus! Como nós ainda nos beneficiamos disso? Um advogado Testemunha de Jeová observou: “O direito de exercer livremente nossa religião sem medo de restrições injustas nos permite, como Testemunhas de Jeová hoje, divulgar uma mensagem de esperança às pessoas onde moramos.”
Sediciosos ou divulgadores da verdade?
Folheto O Ódio Ardente de Quebec a Deus, a Cristo e à Liberdade É uma Vergonha para Todo o Canadá
11. Que campanha nossos irmãos organizaram no Canadá, e por quê?
11 Durante os anos 40, as Testemunhas de Jeová no Canadá enfrentaram dura oposição. Por isso, em 1946, para divulgar o desrespeito do governo ao direito de liberdade de adoração, nossos irmãos ali organizaram uma campanha de 16 dias para distribuir um folheto chamado Quebec’s Burning Hate for God and Christ and Freedom Is the Shame of All Canada (O Ódio Ardente de Quebec a Deus, a Cristo e à Liberdade É uma Vergonha para Todo o Canadá). Esse folheto de quatro páginas expôs em detalhes os tumultos instigados pelo clero, a brutalidade policial e a violência de turbas contra nossos irmãos na província de Quebec. “As prisões ilegais de testemunhas de Jeová continuam”, dizia o folheto. “Há cerca de 800 acusações acumuladas contra as testemunhas de Jeová na Grande Montreal.”
12. (a) Como os opositores reagiram à campanha do folheto? (b) Nossos irmãos foram acusados de que crime? (Veja também a nota.)
12 Maurice Duplessis, primeiro-ministro de Quebec, trabalhando em estreita cooperação com o cardeal católico-romano Villeneuve, reagiu à campanha do folheto por declarar uma “guerra sem misericórdia” contra as Testemunhas de Jeová. O número de acusações logo dobrou de 800 para 1.600. “A polícia nos prendeu tantas vezes que perdemos a conta”, disse uma pioneira. Irmãos que foram pegos distribuindo o folheto foram acusados de cometer o crime de “difamação sediciosa”.b
13. Quem foram os primeiros a ser julgados pelo crime de sedição, e qual foi a decisão do tribunal?
13 Em 1947, o irmão Aimé Boucher e suas filhas Gisèle, de 18 anos, e Lucille, de 11 anos, foram os primeiros a ser julgados sob acusação de sedição. Eles haviam distribuído folhetos Ódio Ardente de Quebec perto de sua pequena fazenda, nas colinas ao sul da cidade de Quebec, mas era difícil imaginá-los como desordeiros rebeldes. O irmão Boucher era um homem simples e manso que cuidava de sua fazenda e, de vez em quando, ia até a cidade de carroça. Mesmo assim, sua família havia sofrido exatamente alguns dos maus-tratos mencionados no folheto. O juiz, que odiava as Testemunhas de Jeová, se recusou a aceitar provas da inocência da família Boucher. Em vez disso, ele aceitou o argumento da acusação de que o folheto incitava hostilidade e que, por isso, aquela família devia ser condenada. Então, a decisão do juiz se resumiu no seguinte: é crime falar a verdade! Aimé e Gisèle foram condenados por difamação sediciosa, e até mesmo a pequena Lucille passou dois dias na prisão. Os irmãos recorreram à Suprema Corte do Canadá, a maior instância do país, que concordou em examinar o caso.
14. Como os irmãos em Quebec agiram nos anos de perseguição?
14 Nesse meio-tempo, nossos corajosos irmãos em Quebec continuaram a pregar a mensagem do Reino diante de constantes ataques violentos — muitas vezes com resultados surpreendentes. Nos quatro anos após o início da campanha do folheto em 1946, o número de Testemunhas de Jeová em Quebec aumentou de 300 para 1.000!c
15, 16. (a) Qual foi a decisão da Suprema Corte do Canadá no caso da família Boucher? (b) Que efeito essa vitória teve sobre nossos irmãos e outros?
15 Em junho de 1950, toda a Suprema Corte do Canadá, composta de nove juízes, considerou o caso de Boucher. Seis meses depois, em 18 de dezembro de 1950, a Corte decidiu em nosso favor. Por quê? O irmão Glen How, advogado das Testemunhas de Jeová, explicou que a Corte concordou com o argumento da defesa de que é preciso haver instigação à violência ou insurreição contra o governo para que um ato seja considerado “sedição”. O folheto, porém, “não incitava a isso e, portanto, era uma forma legal de exercer a liberdade de expressão”. O irmão How acrescentou: “Vi de primeira mão como Jeová deu a vitória.”d
16 A decisão da Suprema Corte foi uma grandiosa vitória para o Reino de Deus. Com essa decisão, não havia mais base para levar adiante nenhum dos outros 122 casos pendentes de Testemunhas de Jeová em Quebec que haviam sido acusadas de difamação sediciosa. Além disso, a decisão da Corte significava que os cidadãos do Canadá e dos outros países da Comunidade Britânica tinham agora a liberdade de expressar suas opiniões sobre o governo. Essa vitória também foi um duro golpe contra o ataque conjunto da Igreja e do Estado de Quebec contra os direitos das Testemunhas de Jeová.e
Vendedores ou proclamadores do Reino de Deus?
17. Como alguns governos tentam controlar nossas atividades de pregação?
17 Assim como os primeiros cristãos, nós, como servos de Jeová, “não somos vendedores ambulantes da palavra de Deus”. (Leia 2 Coríntios 2:17.) Mesmo assim, alguns governos tentam controlar nossa pregação por meio de leis que regulamentam o comércio. Analisemos dois casos judiciais que consideraram se as Testemunhas de Jeová são vendedores ou ministros.
18, 19. Como as autoridades na Dinamarca tentaram restringir a obra de pregação?
18 Dinamarca. Em 1.º de outubro de 1932, entrou em vigor uma lei que proibia a venda de material impresso sem uma licença de vendedor. Mas nossos irmãos não requereram nenhuma licença. No dia seguinte, cinco publicadores passaram o dia pregando em Roskilde, uma cidade que fica uns 30 quilômetros ao oeste de Copenhague, capital do país. No fim do dia, um dos publicadores, August Lehmann, tinha desaparecido. Ele havia sido preso por vender produtos sem licença.
19 Em 19 de dezembro de 1932, Lehmann foi a julgamento. Ele declarou que havia visitado algumas pessoas para oferecer publicações bíblicas, mas negou que as estava vendendo. O tribunal de primeira instância concordou com ele, dizendo: “O réu . . . tem condições de se sustentar financeiramente, e [ele] não recebeu nenhum benefício monetário nem tinha qualquer intenção de recebê-lo; pelo contrário, suas atividades resultaram em perda financeira para ele.” O tribunal foi a favor das Testemunhas de Jeová e decidiu que a atividade do irmão não podia “ser caracterizada como comercial”. Mas os inimigos do povo de Deus estavam determinados a restringir a obra de pregação em todo o país. (Sal. 94:20) O promotor público recorreu em todas as instâncias até a Suprema Corte do país. Como os irmãos reagiram?
20. Qual foi a decisão da Suprema Corte da Dinamarca, e como os irmãos reagiram?
20 Na semana anterior à audiência na Suprema Corte, as Testemunhas de Jeová em toda a Dinamarca intensificaram suas atividades de pregação. Na terça-feira de 3 de outubro de 1933, a Suprema Corte anunciou sua decisão. Ela concordou com a corte de primeira instância que Lehmann não havia infringido a lei. Essa decisão significava que os irmãos podiam continuar pregando livremente. Para expressar sua gratidão a Jeová por essa vitória, os publicadores intensificaram ainda mais suas atividades de pregação. Desde então, nossos irmãos na Dinamarca têm realizado seu ministério sem interferência do governo.
Testemunhas de Jeová corajosas na Dinamarca, década de 30
21, 22. Qual foi a decisão da Suprema Corte dos EUA no caso do irmão Murdock?
21 Estados Unidos. No domingo de 25 de fevereiro de 1940, o pioneiro Robert Murdock Jr. e outros sete irmãos foram presos enquanto pregavam em Jeannette, cidade perto de Pittsburgh, no Estado de Pensilvânia. Eles foram condenados por não terem adquirido uma licença para oferecer publicações. No recurso, a Suprema Corte dos EUA concordou em examinar o caso.
22 Em 3 de maio de 1943, a Suprema Corte anunciou sua decisão a favor das Testemunhas de Jeová. Ela rejeitou a exigência de se obter uma licença, porque isso impunha “um custo para o usufruto de um direito concedido pela Constituição Federal”. A Corte invalidou o regulamento municipal, descrevendo-o como “uma limitação à liberdade de imprensa e uma restrição ao livre exercício de religião”. Ao apresentar o parecer da maioria da Corte, o juiz William O. Douglas disse que a atividade das Testemunhas de Jeová “é mais do que pregar; é mais do que distribuir literatura religiosa. É uma combinação de ambos”. Ele acrescentou: “Esta forma de atividade religiosa tem o mesmo destaque . . . que a adoração nas igrejas e a pregação dos púlpitos.”
23. Por que as vitórias judiciais de 1943 são importantes para nós hoje?
23 Essa decisão da Suprema Corte foi uma vitória legal significativa para o povo de Deus. Confirmou o que realmente somos: ministros cristãos, não comerciantes. Naquele dia marcante em 1943, as Testemunhas de Jeová ganharam 12 de seus 13 casos na Suprema Corte, incluindo o caso Murdock. Essas decisões judiciais serviram como poderoso precedente em casos mais recentes em que opositores questionaram novamente nosso direito de pregar a mensagem do Reino publicamente e de casa em casa.
“Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens”
24. Como reagimos quando governos proíbem nossa obra de pregação?
24 Como servos de Jeová, ficamos muito felizes quando governos nos concedem o direito legal de pregar livremente a mensagem do Reino. Mas, quando um governo proíbe nossa pregação, nós simplesmente ajustamos nossos métodos, continuando a realizar nossa obra de qualquer forma possível. Assim como os apóstolos, “temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens”. (Atos 5:29; Mat. 28:19, 20) Ao mesmo tempo, recorremos aos tribunais para suspender a proibição às nossas atividades. Veja dois exemplos.
25, 26. Que acontecimentos na Nicarágua resultaram no julgamento de um caso pela Suprema Corte, e qual foi o desfecho?
25 Nicarágua. No dia 19 de novembro de 1952, Donovan Munsterman, missionário e servo de filial, entrou no Departamento de Imigração em Manágua, capital do país. Ele havia sido convocado a comparecer perante o capitão Arnoldo García, que era o responsável pelo departamento. O capitão disse a Donovan que todas as Testemunhas de Jeová na Nicarágua estavam “proibidas de continuar pregando suas doutrinas e promovendo suas atividades religiosas”. Quando indagado do motivo disso, o capitão García explicou que as Testemunhas de Jeová não tinham permissão do ministro do governo para realizar sua pregação e que elas haviam sido acusadas de ser comunistas. Quem eram nossos acusadores? O clero da Igreja Católica Romana.
Irmãos na Nicarágua durante a proscrição
26 O irmão Donovan imediatamente recorreu ao Ministério do Governo e das Religiões, bem como ao presidente Anastasio Somoza García — mas em vão. Então, os irmãos ajustaram seus métodos. Eles fecharam o Salão do Reino, passaram a se reunir em grupos menores e pararam de pregar nas ruas; mas ainda pregavam a mensagem do Reino. Ao mesmo tempo, eles protocolaram uma petição na Suprema Corte da Nicarágua, solicitando que a Corte invalidasse a proscrição. Jornais noticiaram amplamente a proscrição e o conteúdo da petição, e a Suprema Corte concordou em examinar o caso. Qual foi o desfecho? Em 19 de junho de 1953, a Suprema Corte publicou sua decisão unânime em favor das Testemunhas de Jeová. A Corte constatou que a proscrição violava garantias constitucionais de liberdade de expressão, de consciência e de manifestação de crenças. Ela também ordenou que as relações entre o governo da Nicarágua e as Testemunhas de Jeová fossem restauradas.
27. Por que os nicaraguenses ficaram impressionados com a decisão da Corte, e como os irmãos encararam essa vitória?
27 Os nicaraguenses ficaram impressionados com o fato de a Suprema Corte ter tomado o lado das Testemunhas de Jeová. Até então, a influência dos clérigos havia sido tão forte que a Corte evitava entrar em conflito com eles. Além disso, o poder das autoridades governamentais era tão grande que a Corte dificilmente ia contra suas decisões. Nossos irmãos tinham certeza de que obtiveram essa vitória porque haviam recebido proteção de nosso Rei e não haviam parado de pregar. — Atos 1:8.
28, 29. Em meados dos anos 80, que mudança de situação ocorreu no Zaire?
28 Zaire. Em meados dos anos 80, havia cerca de 35 mil Testemunhas de Jeová no Zaire (agora, República Democrática do Congo). Para acompanhar o constante aumento nas atividades do Reino, a filial estava construindo novas instalações. Em dezembro de 1985, foi realizado um congresso internacional na capital do país, Kinshasa, e 32 mil congressistas de muitas partes do mundo lotaram o estádio municipal. Mas então a situação dos servos de Jeová começou a mudar. O que aconteceu?
29 O irmão Marcel Filteau, missionário de Quebec, Canadá, que tinha vivenciado a perseguição durante o regime de Duplessis, servia no Zaire naquela época. Ele contou o que aconteceu: “Em 12 de março de 1986, os irmãos que dirigiam a obra no país receberam uma carta declarando ilegal a associação das Testemunhas de Jeová do Zaire.” A proscrição havia sido assinada pelo presidente do país, Mobutu Sese Seko.
30. Que decisão importante a Comissão de Filial tinha de tomar, e o que decidiram fazer?
30 No dia seguinte, a rádio nacional anunciou: “Nunca mais ouviremos falar das Testemunhas de Jeová no [Zaire].” Imediatamente começou a perseguição. Salões do Reino foram destruídos e nossos irmãos foram roubados, presos e espancados. Até mesmo filhos de nossos irmãos foram presos. Em 12 de outubro de 1988, o governo confiscou os bens de nossa organização, e a Guarda Civil, uma unidade militar, ocupou a propriedade da sede. Os irmãos em posição de responsabilidade recorreram ao presidente Mobutu, mas em vão. A essa altura, a Comissão de Filial tinha de tomar uma decisão importante: “Devemos recorrer à Suprema Corte ou esperar?” Timothy Holmes, que era missionário e o coordenador da Comissão de Filial na época, relembra: “Recorremos a Jeová em busca de sabedoria e orientação.” Após considerar o assunto com oração, a comissão achou que não era o momento certo para uma ação legal. Em vez disso, eles se concentraram em cuidar da fraternidade e em encontrar maneiras de continuar a obra de pregação.
“Durante o período daquela ação judicial, vimos como Jeová pode mudar as coisas”
31, 32. Que decisão surpreendente a Suprema Corte do Zaire tomou, e como ela afetou nossos irmãos?
31 Vários anos se passaram. A pressão sobre as Testemunhas de Jeová diminuiu, e o respeito pelos direitos humanos no país aumentou. A Comissão de Filial concluiu que havia chegado a hora de recorrer à Suprema Corte de Justiça do Zaire para questionar a proscrição. Surpreendentemente, a Suprema Corte concordou em examinar o caso. Então, em 8 de janeiro de 1993, quase sete anos depois que o decreto presidencial tinha entrado em vigor, a Corte decidiu que a ação do governo contra as Testemunhas de Jeová havia sido ilegal, e a proscrição foi suspensa. Pense no que isso significava: colocando a própria vida em risco, os juízes anularam uma decisão do próprio presidente! O irmão Timothy diz: “Durante o período daquela ação judicial, vimos como Jeová pode mudar as coisas.” (Dan. 2:21) Essa vitória fortaleceu a fé dos nossos irmãos. Eles sentiram que o Rei, Jesus, havia orientado seu povo a saber quando e como agir.
Testemunhas de Jeová na República Democrática do Congo se alegram com sua liberdade para adorar a Jeová
32 Com a proscrição suspensa, a filial tinha permissão para trazer missionários, construir novas instalações para a sede e importar publicações bíblicas.f Com certeza, os servos de Deus no mundo inteiro se alegram ao ver como Jeová protege o bem-estar espiritual de seu povo! — Isa. 52:10.
“Jeová é o meu ajudador”
33. O que aprendemos dessa breve análise de alguns casos jurídicos?
33 Nossa análise de algumas batalhas jurídicas prova que Jesus tem cumprido sua promessa: “Eu vos darei uma boca e sabedoria, à qual todos os vossos opositores juntos não poderão resistir, nem a disputar.” (Leia Lucas 21:12-15.) É evidente que, vez por outra, Jeová tem usado Gamaliéis modernos para proteger seu povo e motivado juízes e advogados corajosos a defender a justiça. Ele tem inutilizado as armas de nossos opositores. (Leia Isaías 54:17.) Nenhuma oposição pode impedir a obra de Deus.
34. Por que nossas vitórias jurídicas são tão notáveis, e o que elas provam? (Veja também o quadro “Vitórias notáveis em tribunais superiores que promoveram a pregação do Reino”.)
34 Por que nossas vitórias jurídicas são tão notáveis? Pense nisto: as Testemunhas de Jeová não são pessoas importantes nem influentes. Não votamos, não apoiamos campanhas políticas nem tentamos influenciar políticos. Além disso, aqueles de nós envolvidos em casos julgados por tribunais superiores geralmente são encarados como “indoutos e comuns”. (Atos 4:13) Então, do ponto de vista humano, os tribunais têm poucos motivos para decidir contra nossos poderosos opositores religiosos e políticos e nos ajudar. Mas os tribunais têm decidido repetidas vezes em nosso favor. Nossas vitórias jurídicas provam que estamos andando “sob a vista de Deus, em companhia de Cristo”. (2 Cor. 2:17) Por isso, assim como o apóstolo Paulo, declaramos: “Jeová é o meu ajudador; não terei medo.” — Heb. 13:6.
a Esse caso, Cantwell vs. Estado de Connecticut, foi o primeiro de 43 casos levados à Suprema Corte dos EUA que o irmão Hayden Covington cuidou para defender os irmãos. Ele morreu em 1978. Sua esposa, Dorothy, serviu fielmente até a morte em 2015, aos 92 anos.
b Essa acusação se baseava numa lei que entrou em vigor em 1606. Ela permitia que um júri declarasse uma pessoa culpada se achasse que o que ela disse provocou hostilidade — mesmo se o que foi dito fosse verdade.
c Em 1950, 164 ministros de tempo integral serviam em Quebec — incluindo 63 formados em Gileade que tinham aceitado de bom grado sua designação, apesar da dura oposição que os aguardava.
d O irmão W. Glen How era um advogado corajoso que, de 1943 a 2003, travou com habilidade centenas de batalhas jurídicas pelas Testemunhas de Jeová no Canadá e em outros países.
e Para mais detalhes sobre esse caso, veja o artigo “A batalha não é vossa, mas de Deus”, na Despertai! de 22 de abril de 2000, páginas 18-24.
f A Guarda Civil por fim abandonou a propriedade da filial; mas as novas instalações da sede foram construídas em outro lugar.
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Apoio leal e exclusivo ao governo de DeusO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 14
Apoio leal e exclusivo ao governo de Deus
1, 2. (a) Que princípio tem guiado os seguidores de Jesus até os nossos dias? (b) Como os inimigos tentaram nos derrotar, mas com que resultado?
JESUS estava diante de Pilatos, o juiz mais poderoso da nação judaica, e declarou um princípio que tem guiado seus seguidores genuínos até os nossos dias. “Meu reino não faz parte deste mundo”, disse ele. “Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte.” (João 18:36) Pilatos ordenou a execução de Jesus, mas a vitória não durou muito tempo. Jesus foi ressuscitado. Imperadores do poderoso Império Romano tentaram exterminar os seguidores de Cristo, mas seus esforços foram em vão. Os cristãos divulgaram a mensagem do Reino em todo o mundo antigo. — Col. 1:23.
2 Depois que o Reino foi estabelecido em 1914, algumas das maiores potências militares da História tentaram eliminar o povo de Deus. No entanto, nenhuma delas nos derrotou. Muitos governos e facções políticas tentaram nos obrigar a tomar partido em seus conflitos, mas não conseguiram nos dividir. Hoje, os súditos do Reino vivem em praticamente todas as nações da Terra. Mesmo assim, eles estão unidos numa verdadeira fraternidade mundial, mantendo estrita neutralidade em relação aos assuntos políticos do mundo. Nossa união dá provas convincentes de que o Reino de Deus já governa e que o Rei Jesus Cristo continua guiando, refinando e protegendo seus súditos. Considere como ele tem feito isso e veja apenas algumas das edificantes vitórias jurídicas que ele tem nos concedido à medida que continuamos ‘não fazendo parte do mundo’. — João 17:14.
Uma questão vem à tona
3, 4. (a) O que aconteceu logo após o nascimento do Reino? (b) O povo de Deus sempre entendeu a questão da neutralidade? Explique.
3 Logo após o nascimento do Reino, ocorreu uma guerra no céu, e Satanás foi lançado para a Terra. (Leia Revelação 12:7-10, 12.) Ocorreu também uma guerra na Terra, uma que testou a determinação do povo de Deus. Eles estavam determinados a seguir o exemplo de Jesus de não fazer parte do mundo. Mas, a princípio, eles não entendiam plenamente tudo que se exigia deles para se manterem separados de todos os assuntos políticos.
4 Por exemplo, o Volume VI da série Millennial Dawn (Aurora do Milênio),a publicado em 1904, incentivou os cristãos a não participar na guerra. Mas o livro argumentou que, se um cristão fosse recrutado, deveria se esforçar para conseguir algum tipo de serviço não combatente. Se isso não desse certo e ele fosse enviado para combate, deveria se certificar de não cometer assassinato. Comentando a situação naquela época, Herbert Senior, que morava na Grã-Bretanha e foi batizado em 1905, disse: “Havia muita confusão entre os irmãos e nenhum conselho claro especificando se era correto entrar no exército como soldado, mas apenas para trabalho não combatente.”
5. Como A Sentinela de 1.º de setembro de 1915 começou a refinar nosso entendimento?
5 Mas A Sentinela de 1.º de setembro de 1915 começou a refinar nosso entendimento sobre essa questão. Referente às recomendações feitas em Estudos das Escrituras, ela disse: “Nós nos perguntamos se agir assim não significaria transigir.” Mas que dizer se um cristão fosse ameaçado de ser fuzilado por se recusar a usar um uniforme ou servir no exército? O artigo perguntou: “Seria pior ser fuzilado por ser leal ao Príncipe da Paz e se recusar a desobedecer a Sua ordem do que ser fuzilado por estar servindo a esses reis terrestres, parecendo que lhes está dando apoio, e, pelo menos na aparência, que está transigindo os ensinos de nosso Rei Celestial?” Daí, acrescentou: “Das duas mortes, preferiríamos a primeira — preferiríamos morrer por causa de nossa fidelidade ao nosso Rei Celestial.” Apesar dessa declaração convincente, o artigo concluiu: “Não estamos obrigando ninguém a fazer isso. Estamos apenas sugerindo.”
6. O que você aprendeu do exemplo do irmão Herbert Senior?
6 Alguns irmãos entenderam bem o assunto e estavam dispostos a enfrentar as consequências. Herbert Senior, já mencionado, disse: “Para mim, basicamente não havia diferença entre descarregar munição de um navio [ou seja, um serviço não combatente] e colocar essa munição em uma arma para ser disparada.” (Luc. 16:10) Em resultado de sua objeção de consciência ao serviço militar, o irmão Senior foi preso. Ele e outros quatro irmãos estavam entre 16 objetores de consciência, incluindo homens de outras denominações religiosas, que cumpriram parte de sua sentença na prisão de Richmond, na Grã-Bretanha, e mais tarde ficaram conhecidos como os Dezesseis de Richmond. Senior e outros na mesma situação acabaram sendo enviados secretamente para a frente de batalha na França. Daí, foram condenados à morte. Ele e muitos outros ficaram alinhados em frente a um pelotão de fuzilamento, mas não foram mortos. Sua sentença foi mudada para dez anos de prisão.
“Passei a entender que o povo de Deus devia ter paz entre si, mesmo em meio a ameaças de guerra.” — Simon Kraker (Veja o parágrafo 7.)
7. Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, o que o povo de Deus já tinha entendido?
7 Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, o povo de Jeová como um todo já tinha entendido mais claramente o que significava ser neutro e o que era preciso para seguir o exemplo de Jesus. (Mat. 26:51-53; João 17:14-16; 1 Ped. 2:21) Por exemplo, A Sentinela de 1.º de novembro de 1939 (em português, fevereiro de 1940) publicou o artigo histórico “Neutralidade”, que dizia: “A regra que deve governar o povo pactuado de Jeová é a estricta neutralidade entre as nações em guerra.” Simon Kraker, que mais tarde serviu na sede mundial, em Brooklyn, Nova York, disse o seguinte sobre esse artigo: “Passei a entender que o povo de Deus devia ter paz entre si, mesmo em meio a ameaças de guerra.” Esse alimento espiritual foi fornecido no tempo apropriado e ajudou a preparar o povo de Deus para um ataque inédito à sua lealdade ao Reino.
Ameaçados por um “rio” de oposição
8, 9. Como a profecia do apóstolo João se cumpriu?
8 O apóstolo João profetizou que, após o nascimento do Reino em 1914, o dragão, Satanás, o Diabo, tentaria eliminar os apoiadores do Reino de Deus por expelir um rio simbólico de sua boca.b (Leia Revelação 12:9, 15.) Como a profecia de João se cumpriu? Começando nos anos 20, surgiu uma onda de perseguição contra o povo de Deus. Assim como muitos outros irmãos que viviam na América do Norte durante a Segunda Guerra Mundial, o irmão Kraker foi preso por sua lealdade ao Reino de Deus. De fato, durante a guerra as Testemunhas de Jeová representavam mais de dois terços de todos os presos que, por causa de sua objeção religiosa à guerra, foram mantidos em prisões federais nos Estados Unidos.
9 O Diabo e seus agentes estavam determinados a fazer os súditos do Reino violar sua integridade onde quer que eles vivessem. Em toda a África, Europa e Estados Unidos, eles foram levados perante tribunais e comissões de liberdade condicional. Por causa de sua inabalável determinação de se manter neutros, eles foram presos, espancados e mutilados. Na Alemanha, o povo de Deus enfrentou enorme pressão por se recusar a saudar Hitler ou apoiar a guerra. Calcula-se que cerca de 6 mil Testemunhas de Jeová foram levadas para campos de prisioneiros durante o nazismo, e mais de 1.600 delas, alemãs e não alemãs, morreram às mãos de seus carrascos. Mesmo assim, o Diabo não conseguiu causar danos permanentes ao povo de Deus. — Mar. 8:34, 35.
“A terra” engole “o rio”
10. O que “a terra” simboliza, e como ela interveio em favor do povo de Deus?
10 A profecia registrada pelo apóstolo João revelou que “a terra” — elementos deste sistema que são mais razoáveis — engoliria “o rio” de perseguição, ajudando assim o povo de Deus. Como essa parte da profecia se cumpriu? Nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, “a terra” muitas vezes interveio em favor dos leais apoiadores do Reino messiânico. (Leia Revelação 12:16.) Por exemplo, muitos tribunais importantes protegeram o direito das Testemunhas de Jeová de recusar o serviço militar e de não participar de cerimônias nacionalistas. Primeiro, veja algumas das grandes vitórias que Jeová deu ao seu povo com respeito à questão do serviço militar. — Sal. 68:20.
11, 12. Que questões os irmãos Sicurella e Thlimmenos enfrentaram, e qual foi o resultado?
11 Estados Unidos. Anthony Sicurella era um de seis filhos criados por pais Testemunhas de Jeová. Aos 15 anos ele foi batizado. Quando fez 21 anos, ele se registrou na junta militar como ministro religioso. Dois anos depois, em 1950, ele requereu a alteração do seu registro como objetor de consciência. Embora o relatório do Departamento Federal de Investigações (FBI) não tivesse encontrado nada desfavorável, o Departamento de Justiça negou seu pedido. Após vários procedimentos judiciais, a Suprema Corte dos EUA considerou o caso do irmão Sicurella e reverteu a decisão da instância inferior por decidir a favor dele. Essa decisão ajudou a estabelecer um precedente para outros cidadãos dos Estados Unidos que se recusavam a prestar serviço militar por motivo de consciência.
12 Grécia. Em 1983, Iakovos Thlimmenos foi condenado por insubordinação quando se recusou a usar uniforme militar, e foi sentenciado à prisão. Após ser libertado, ele tentou obter o registro de contador, mas seu pedido foi negado porque ele tinha registros criminais. Ele recorreu à Justiça, mas depois de perder o caso nos tribunais da Grécia apelou para a Corte Europeia dos Direitos Humanos (CEDH). Em 2000, a Grande Câmara da CEDH, composta por 17 juízes, decidiu a seu favor, criando um precedente contra a discriminação. Antes dessa decisão, mais de 3.500 irmãos na Grécia possuíam registros criminais por terem sido presos por causa de sua neutralidade. Depois dessa decisão favorável, a Grécia aprovou uma lei para limpar os antecedentes criminais desses irmãos. Além disso, quando a Constituição da Grécia foi revisada, ratificou-se uma lei que tinha sido aprovada poucos anos antes, dando a todos os cidadãos gregos o direito de realizar serviço civil alternativo.
“Antes de entrar no tribunal, orei fervorosamente a Jeová, e então senti como ele me deu tranquilidade.” — Ivailo Stefanov (Veja o parágrafo 13.)
13, 14. Na sua opinião, que lições podemos aprender dos casos dos irmãos Ivailo Stefanov e Vahan Bayatyan?
13 Bulgária. Em 1994, Ivailo Stefanov tinha 19 anos quando foi recrutado para o exército. Ele se recusou a servir no exército ou cumprir tarefas não combatentes organizadas pelo exército. Ele foi sentenciado a 18 meses de prisão, mas recorreu da decisão, baseando-se em seu direito como objetor de consciência. Seu caso por fim foi encaminhado para a CEDH. Em 2001, antes que o caso pudesse ser analisado, chegou-se a um acordo amigável com o irmão Stefanov. O governo da Bulgária concedeu anistia não apenas ao nosso irmão, mas também a todos os cidadãos búlgaros que estivessem dispostos a realizar serviço civil alternativo.c
14 Armênia. Em 2001, Vahan Bayatyan atingiu a idade para o alistamento militar.d Por causa de sua consciência, ele rejeitou o serviço militar, mas perdeu todos os recursos nos tribunais locais. Em setembro de 2002, começou a cumprir sua pena de dois anos e meio de prisão, mas foi libertado depois de cumprir dez meses e meio. Durante esse tempo, ele recorreu à CEDH, que aceitou seu caso. Contudo, em 27 de outubro de 2009, a decisão dessa Corte também foi desfavorável. O veredicto foi um duro golpe para os irmãos na Armênia que estavam na mesma situação. Mas a Grande Câmara da CEDH reavaliou o caso. Em 7 de julho de 2011, a Corte decidiu a favor de Vahan Bayatyan. Foi a primeira vez que a CEDH reconheceu que a objeção de consciência ao serviço militar baseada em crenças religiosas deve ser assegurada pelo direito de liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Essa decisão não protege apenas os direitos das Testemunhas de Jeová, mas também de centenas de milhões de pessoas em países que são membros do Conselho da Europa.e
Os irmãos na Armênia são libertados da prisão após uma decisão favorável da CEDH
A questão das cerimônias nacionalistas
15. Por que o povo de Jeová se recusa a participar de cerimônias nacionalistas?
15 O povo de Jeová permanece leal ao Reino messiânico não apenas por recusar o serviço militar, mas também por respeitosamente se negar a participar de cerimônias nacionalistas. Em especial depois do irrompimento da Segunda Guerra Mundial, uma onda de fervor nacionalista se espalhou pelo mundo. Muitos países exigiram que seus cidadãos jurassem lealdade à sua pátria por recitar um juramento, cantar o hino nacional ou saudar a bandeira do país. Mas nós damos nossa devoção exclusiva a Jeová. (Êxo. 20:4, 5) Em resultado disso, enfrentamos uma enxurrada de perseguição. Mesmo assim, Jeová mais uma vez usou “a terra” para engolir parte dessa oposição. Veja apenas algumas das vitórias marcantes que Jeová, por meio de Cristo, nos concedeu nesse sentido. — Sal. 3:8.
16, 17. Que questão Lillian e William Gobitas enfrentaram, e o que você aprendeu do caso deles?
16 Estados Unidos. Em 1940, a Suprema Corte dos EUA, por 8 votos a 1, decidiu contra as Testemunhas de Jeová no caso conhecido como Distrito Escolar de Minersville vs. Gobitis. Lillian Gobitas,f de 12 anos, e seu irmão William, de 10 anos, queriam manter sua lealdade a Jeová e por isso se recusaram a saudar a bandeira e a fazer o juramento. Por causa disso, eles foram expulsos da escola. O caso chegou à Suprema Corte, que concluiu que as ações da escola eram constitucionais, porque visava os interesses da “união nacional”. Essa decisão foi o estopim de intensa perseguição. Mais filhos de Testemunhas de Jeová foram expulsos da escola, Testemunhas de Jeová adultas perderam o emprego e muitas outras foram cruelmente atacadas por turbas. O livro The Lustre of Our Country (O Brilho do Nosso País) diz que a “perseguição às Testemunhas de Jeová de 1941 a 1943 foi a maior onda de intolerância religiosa na América do século 20”.
17 A vitória dos inimigos de Deus não durou muito. Em 1943, a Suprema Corte considerou um caso parecido ao caso Gobitis. Ele ficou conhecido como Secretaria da Educação do Estado da Virgínia Ocidental vs. Barnette. Dessa vez, a Suprema Corte concedeu vitória às Testemunhas de Jeová. Foi a primeira vez na história dos Estados Unidos que a Suprema Corte reverteu sua própria decisão em tão pouco tempo. Após essa decisão, a perseguição aberta contra o povo de Jeová nos Estados Unidos diminuiu drasticamente. No processo, os direitos de todos os cidadãos dos Estados Unidos foram fortalecidos.
18, 19. Segundo Pablo Barros, o que o ajudou a se manter firme, e como outros servos de Jeová podem imitar seu exemplo?
18 Argentina. Pablo e Hugo Barros, com 8 e 7 anos respectivamente, foram expulsos da escola em 1976 por não participarem numa cerimônia de hasteamento da bandeira. Certa vez, a diretora da escola empurrou Pablo e lhe bateu na cabeça. Ela manteve os dois na escola depois da aula por uma hora, tentando forçá-los a participar em cerimônias patrióticas. Lembrando-se daquela provação, Pablo disse: “Sem a ajuda de Jeová, eu não teria conseguido aguentar a pressão para violar minha integridade.”
19 Quando o caso foi para o tribunal, o juiz manteve a decisão da escola de expulsar Pablo e Hugo. Mas o caso foi levado à Suprema Corte da Argentina. Em 1979, a Corte reverteu a decisão do tribunal de menor instância, dizendo: “Essa punição [expulsão] fere o direito constitucional de aprender (Artigo 14) e o dever do Estado de assegurar a educação primária (Artigo 5.°).” Essa vitória beneficiou cerca de mil filhos de Testemunhas de Jeová. Algumas expulsões não foram adiante e, em outros casos, como o dos pequenos Pablo e Hugo, os alunos foram aceitos novamente em escolas públicas.
Muitas Testemunhas de Jeová jovens e crianças têm permanecido fiéis diante de provações
20, 21. Como o caso envolvendo Roel e Emily Embralinag fortalece sua fé?
20 Filipinas. Em 1990, Roel Embralinag,g de 9 anos, e sua irmã Emily, de 10 anos, junto com mais de 65 alunos que também eram Testemunhas de Jeová, foram expulsos da escola por não saudar a bandeira. Leonardo, pai de Roel e Emily, tentou raciocinar com as autoridades da escola, mas em vão. A situação piorou e Leonardo entrou com um pedido na Suprema Corte. Ele não tinha dinheiro e nenhum advogado para representá-lo. A família orou fervorosamente a Jeová em busca de orientação. Durante o tempo todo, as crianças foram ridicularizadas e provocadas. Leonardo achava que não tinha chance de ganhar o caso, visto que tinha pouco conhecimento de assuntos jurídicos.
21 Mas a família acabou sendo representada por Felino Ganal, um advogado que já havia trabalhado para um dos escritórios de advocacia mais renomados do país. Na época desse caso, Ganal tinha saído daquele escritório e se tornado Testemunha de Jeová. Quando o caso foi considerado pela Suprema Corte, a decisão foi unânime a favor das Testemunhas de Jeová e a Corte anulou as ordens de expulsão. Mais uma vez, aqueles que tentaram fazer os servos de Deus violar sua integridade falharam.
Neutralidade resulta em união
22, 23. (a) Por que conseguimos tantas vitórias jurídicas marcantes? (b) Nossa fraternidade mundial e pacífica é prova de quê?
22 Por que o povo de Jeová conseguiu tantas vitórias jurídicas marcantes? Nós não temos nenhuma influência política. Mesmo assim, num país após outro e num tribunal após outro, juízes justos têm nos protegido dos ataques de opositores obstinados e, em resultado, têm estabelecido precedentes na lei constitucional. Sem dúvida, Cristo tem apoiado nossos esforços para obter essas vitórias. (Leia Revelação 6:2.) Por que travamos tais batalhas jurídicas? Nosso objetivo não é reformar o sistema jurídico, mas garantir que possamos continuar servindo nosso Rei, Jesus Cristo, sem impedimento. — Atos 4:29.
23 Em meio a um mundo dividido por rixas políticas e desvirtuado por seu ódio arraigado, nosso Rei, Jesus Cristo, tem abençoado os esforços de seus seguidores em toda a Terra para manter a neutralidade. Satanás tem falhado em suas tentativas para nos dividir e nos derrotar. O Reino tem reunido milhões de pessoas que se recusam a ‘aprender a guerra’. Só o fato de nossa fraternidade mundial e pacífica existir já é um milagre — uma prova irrefutável de que o Reino de Deus já governa! — Isa. 2:4.
a Esse volume também é conhecido como The New Creation (A Nova Criação). Mais tarde, os volumes de Aurora do Milênio foram chamados Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras).
b Para uma consideração dessa profecia, veja o livro Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo!, capítulo 27, páginas 184-186.
c O acordo exigiu também que o governo búlgaro oferecesse serviço civil alternativo sob administração civil a todos os objetores de consciência.
d Para mais detalhes, veja o artigo “A Corte Europeia defende o direito à objeção de consciência”, na Sentinela de 1.º de novembro de 2012.
e Durante um período de 20 anos, o governo da Armênia havia prendido mais de 450 Testemunhas de Jeová jovens. Em novembro de 2013, o último desses homens foi libertado da prisão.
f Nos registros da Corte, o nome da família foi grafado incorretamente.
g Nos registros da Corte, o nome da família foi grafado incorretamente como Ebralinag.
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Batalhas pela liberdade de adoraçãoO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 15
Batalhas pela liberdade de adoração
1, 2. (a) Qual é a prova de que você é cidadão do Reino de Deus? (b) Por que as Testemunhas de Jeová vez por outra têm de lutar por sua liberdade religiosa?
VOCÊ é um cidadão do Reino de Deus? Como Testemunha de Jeová, com certeza é. E qual é a prova de sua cidadania? Não é um passaporte nem qualquer outro documento oficial. Em vez disso, a prova está no modo como você adora a Jeová Deus. A adoração verdadeira envolve mais do que suas crenças. Envolve o que você faz — sua obediência às leis do Reino de Deus. Para todos nós, nossa adoração afeta cada aspecto da vida, incluindo o modo como criamos nossos filhos e até mesmo o modo como lidamos com determinadas questões de saúde.
2 Mas o mundo em que vivemos nem sempre respeita nossa prezada cidadania ou seus requisitos. Alguns governos têm tentado restringir nossa adoração ou até mesmo eliminá-la por completo. Vez por outra, os súditos de Cristo têm de lutar pela liberdade de viver segundo as leis do Rei messiânico. Isso é de surpreender? Não. O povo de Jeová nos tempos bíblicos muitas vezes teve de lutar pela liberdade de adorar a Jeová.
3. Que batalha o povo de Deus enfrentou nos dias da Rainha Ester?
3 Nos dias da Rainha Ester, por exemplo, o povo de Deus precisou lutar pela própria vida. Por quê? O primeiro-ministro Hamã, um homem perverso, sugeriu ao rei persa Assuero que todos os judeus que viviam sob o domínio do rei fossem mortos, porque ‘suas leis eram diferentes das de todo outro povo’. (Ester 3:8, 9, 13) Será que Jeová abandonou seus servos? Não. Ele abençoou os esforços de Ester e Mordecai quando eles recorreram ao rei persa para proteger o povo de Deus. — Ester 9:20-22.
4. O que consideraremos neste capítulo?
4 Que dizer dos tempos modernos? Como vimos no capítulo anterior, os governos às vezes se opõem às Testemunhas de Jeová. Neste capítulo, consideraremos alguns métodos usados por eles para restringir nossa adoração. Nós nos concentraremos em três áreas gerais: (1) nosso direito de existir como organização e exercer nossa forma de adoração, (2) a liberdade para escolher tratamentos médicos em harmonia com princípios bíblicos, e (3) o direito dos pais de criar os filhos segundo os padrões de Jeová. Cada área analisará exemplos de cidadãos leais do Reino messiânico que lutaram corajosamente para proteger sua preciosa cidadania e como seus esforços foram abençoados.
Lutando por reconhecimento legal e liberdades básicas
5. O reconhecimento legal proporciona que benefícios aos cristãos verdadeiros?
5 Será que precisamos de reconhecimento legal de governos humanos para adorar a Jeová? Não, mas isso facilita praticarmos nossa adoração — por exemplo, nos reunir livremente em nossos Salões do Reino e Salões de Assembleias, imprimir e importar publicações bíblicas, e divulgar as boas novas ao nosso próximo sem impedimento. Em muitos países, as Testemunhas de Jeová estão legalmente registradas e têm a mesma liberdade de adoração que os membros de outras religiões legalmente reconhecidas. Mas o que acontece quando governos negam reconhecimento legal ou tentam limitar nossas liberdades básicas?
6. As Testemunhas de Jeová na Austrália enfrentaram que desafio no início dos anos 40?
6 Austrália. No início dos anos 40, o governador-geral da Austrália considerou nossas crenças “prejudiciais” aos empenhos militares. O resultado foi proscrição. As Testemunhas de Jeová não podiam se reunir nem pregar abertamente, as atividades de Betel foram impedidas e Salões do Reino foram confiscados. Era proibido até mesmo possuir publicações bíblicas. Depois de agir em secreto por alguns anos, as Testemunhas de Jeová na Austrália finalmente encontraram alívio. Em 14 de junho de 1943, a Suprema Corte da Austrália reverteu a proscrição.
7, 8. Descreva a luta pela liberdade de adoração que nossos irmãos na Rússia têm travado ao longo dos anos.
7 Rússia. As Testemunhas de Jeová ficaram décadas sob proscrição comunista, mas foram finalmente registradas em 1991. Após a dissolução da ex-União Soviética, recebemos reconhecimento legal na Federação Russa em 1992. Mas em pouco tempo alguns opositores — em especial os associados com a Igreja Ortodoxa Russa — se sentiram incomodados com o rápido crescimento de nossa organização. Opositores moveram uma série de cinco ações penais contra as Testemunhas de Jeová entre 1995 e 1998. Em nenhuma delas o promotor encontrou prova de delito. Os obstinados opositores moveram então uma ação civil em 1998. As Testemunhas de Jeová tiveram uma vitória inicial, mas os opositores rejeitaram o veredicto e nossos irmãos perderam no recurso em maio de 2001. Um novo julgamento começou em outubro daquele ano, levando a uma decisão em 2004 que dissolveu a entidade legal registrada usada pelas Testemunhas de Jeová em Moscou e proscreveu suas atividades.
8 Seguiu-se uma onda de perseguição. (Leia 2 Timóteo 3:12.) As Testemunhas de Jeová enfrentaram hostilidade e agressões físicas. Publicações religiosas foram confiscadas; alugar ou construir locais de adoração se tornou muito difícil. Imagine como nossos irmãos se sentiram quando enfrentaram essas dificuldades. Eles tinham levado o caso à Corte Europeia dos Direitos Humanos (CEDH) em 2001, e enviaram informações adicionais em 2004. Em 2010, a CEDH deu seu veredicto. Ficou evidente para a Corte que a proscrição da Rússia havia sido motivada por intolerância religiosa, e ela decidiu que não havia motivo para manter as decisões dos tribunais de menor instância, visto que não havia prova de violação da lei por parte de nenhuma Testemunha de Jeová. A Corte também observou que a proscrição tinha por objetivo remover os direitos legais das Testemunhas de Jeová. A decisão confirmou o nosso direito à liberdade de religião. Embora várias autoridades russas não tenham acatado a decisão da CEDH, o povo de Deus naquele país se sentiu mais encorajado com essas vitórias.
Titos Manoussakis (Veja o parágrafo 9.)
9-11. Na Grécia, como o povo de Jeová tem lutado pela liberdade de se reunir, e quais têm sido os resultados?
9 Grécia. Em 1983, Titos Manoussakis alugou um cômodo em Heraklion, Creta, para que um pequeno grupo de Testemunhas de Jeová se reunisse ali para adoração. (Heb. 10:24, 25) Pouco depois, porém, um sacerdote ortodoxo prestou queixa à polícia, protestando contra o uso daquele local pelos irmãos. Por quê? Simplesmente porque as crenças das Testemunhas de Jeová são diferentes das da Igreja Ortodoxa. As autoridades deram início a um processo penal contra Manoussakis e outros três irmãos locais. Eles foram multados e sentenciados a dois meses de prisão. Como cidadãos leais do Reino de Deus, as Testemunhas de Jeová encararam o julgamento como uma violação de sua liberdade de adoração e, por isso, prosseguiram com o caso nos tribunais locais e por fim recorreram à CEDH.
10 Finalmente, em 1996, a CEDH aplicou um golpe inesperado nos opositores da adoração verdadeira. Ela observou que “as Testemunhas de Jeová se enquadram na definição de ‘religião conhecida’, conforme previsto pela lei grega”, e que as decisões dos tribunais de menor instância tiveram um “impacto direto sobre a liberdade de religião dos requerentes”. Também julgou que não cabia ao governo da Grécia “estabelecer se crenças religiosas ou os meios usados para expressar tais crenças são aceitáveis ou não”. As sentenças contra as Testemunhas de Jeová foram revertidas, e sua liberdade de adoração foi assegurada.
11 Será que essa vitória resolveu a situação na Grécia? Infelizmente, não. Em 2012, um caso similar foi finalmente resolvido em Kassandreia, Grécia, após uma batalha jurídica de quase 12 anos. Nesse caso, a oposição foi instigada por um bispo ortodoxo. O Conselho de Estado, tribunal administrativo de instância superior da Grécia, resolveu a questão a favor do povo de Deus. A decisão citou a garantia constitucional de liberdade de religião da própria Grécia e rejeitou a acusação muito comum de que as Testemunhas de Jeová não são uma religião conhecida. A Corte declarou: “As doutrinas das Testemunhas de Jeová não são secretas e, por isso, elas professam uma religião conhecida.” Os membros da pequena congregação em Kassandreia se alegram de que agora podem se reunir tranquilamente para adoração em seu próprio Salão do Reino.
12, 13. Na França, como os opositores tentaram ‘forjar a desgraça por meio de decreto’, e com que resultado?
12 França. Alguns opositores do povo de Deus têm usado a tática de ‘forjar a desgraça por meio de decreto’. (Leia Salmo 94:20.) Por exemplo, em meados da década de 90, autoridades fiscais na França deram início a uma auditoria das finanças da Association Les Témoins de Jéhovah (ATJ), uma das entidades legais usadas pelas Testemunhas de Jeová no país. O ministro do Orçamento revelou o verdadeiro objetivo da auditoria: “A auditoria poderia resultar numa liquidação judicial ou em ações penais . . . , o que provavelmente desestabilizaria as operações da associação ou forçaria o encerramento de suas atividades em nosso território.” Embora a auditoria não tivesse encontrado nenhuma irregularidade, as autoridades fiscais cobraram um tributo exorbitante da ATJ. Se essa tática fosse bem-sucedida, a única opção de nossos irmãos seria fechar a filial e vender os prédios a fim de pagar o enorme tributo. Foi um golpe duro, mas o povo de Deus não desistiu. As Testemunhas de Jeová protestaram ativamente contra esse tratamento injusto e por fim apresentaram o caso à CEDH em 2005.
13 A Corte anunciou sua decisão em 30 de junho de 2011. Ela raciocinou que o direito à liberdade de religião deve impedir o Estado, exceto em casos extremos, de avaliar a legitimidade de crenças religiosas ou de como elas são expressas. Também declarou: “A tributação . . . teve o efeito de cortar os recursos vitais da associação, impedindo que ela assegurasse a seus membros o livre exercício de sua adoração em seus aspectos práticos.” A Corte decidiu unanimemente a favor das Testemunhas de Jeová. Para a alegria do povo de Jeová, o governo francês finalmente devolveu com juros o tributo cobrado da ATJ e, acatando a decisão da Corte, removeu as restrições sobre os bens da sede.
Você pode orar regularmente por seus irmãos que estão sofrendo por causa de questões legais
14. Como você pode ter uma participação na luta pela liberdade de adoração?
14 Assim como Ester e Mordecai, o povo de Jeová hoje luta pela liberdade de adorar a Jeová como ele ordenou. (Ester 4:13-16) Você pode ter uma participação nisso? Sim. Você pode orar regularmente por seus irmãos que estão sofrendo por causa de questões legais. Essas orações podem ser de muita ajuda para nossos irmãos que enfrentam dificuldades e perseguição. (Leia Tiago 5:16.) Será que Jeová leva em conta essas orações? Nossas vitórias judiciais são prova disso! — Heb. 13:18, 19.
Liberdade para escolher tratamentos médicos que não violam nossas crenças
15. O que o povo de Deus leva em conta a respeito de tratamentos médicos?
15 Como vimos no Capítulo 11, os cidadãos do Reino de Deus receberam orientação bíblica clara para evitar o uso indevido do sangue, algo muito comum hoje. (Gên. 9:5, 6; Lev. 17:11; leia Atos 15:28, 29.) Embora não aceitemos transfusões de sangue, queremos o melhor tratamento médico possível para nós e nossa família, desde que não entre em conflito com as leis de Deus. Os tribunais superiores de muitos países têm reconhecido que as pessoas têm o direito de escolher ou recusar tratamentos médicos de acordo com sua consciência e crenças religiosas. Em alguns países, porém, o povo de Deus tem enfrentado enormes desafios nesse sentido. Veja alguns exemplos.
16, 17. Que procedimento médico uma irmã no Japão recebeu contra sua vontade, e como as orações dela foram respondidas?
16 Japão. Misae Takeda, uma dona de casa de 63 anos, precisava passar por uma grande cirurgia. Por ser uma cidadã leal do Reino de Deus, ela deixou claro para o médico que queria ser tratada sem sangue. Mas, meses depois, ficou chocada ao saber que haviam lhe dado uma transfusão de sangue durante a cirurgia. Sentindo-se violentada e enganada, a irmã Takeda entrou com uma ação judicial contra os médicos e o hospital em junho de 1993. Aquela mulher humilde e meiga tinha uma fé inabalável. Ela deu um testemunho destemido perante uma sala de audiências lotada, permanecendo no banco de testemunhas por mais de uma hora apesar de sua saúde debilitada. Nossa irmã compareceu ao tribunal pela última vez apenas um mês antes de morrer. Não concorda que esse é um grande exemplo de coragem e fé? A irmã Takeda disse que pediu constantemente a Jeová que ele abençoasse sua luta. Ela tinha certeza de que suas orações seriam respondidas. Foram mesmo?
17 Três anos após a morte da irmã Takeda, a Suprema Corte do Japão decidiu a seu favor — concordando que havia sido errado lhe dar transfusão contra sua vontade expressa. A decisão, anunciada em 29 de fevereiro de 2000, dizia que “o direito de decidir” em tais casos “deve ser respeitado como parte dos direitos pessoais”. Graças à determinação da irmã Takeda de lutar por sua liberdade de escolher um tratamento que não violasse sua consciência treinada pela Bíblia, as Testemunhas de Jeová no Japão agora podem se submeter a um tratamento médico sem medo de receber uma transfusão de sangue forçada.
Pablo Albarracini (Veja os parágrafos 18 a 20.)
18-20. (a) Como tribunais na Argentina garantiram o direito de um irmão de recusar transfusões de sangue por meio de um documento de diretivas antecipadas? (b) A respeito do uso indevido do sangue, como podemos mostrar submissão à liderança de Cristo?
18 Argentina. Como os cidadãos do Reino se preparam para o caso de estarem inconscientes quando for preciso tomar uma decisão numa emergência médica? Podemos ter sempre conosco um documento legal que falará por nós, como fez Pablo Albarracini. Em maio de 2012, ele foi vítima de uma tentativa de roubo e foi baleado várias vezes. Ele chegou ao hospital inconsciente e por isso não pôde explicar sua posição sobre a questão do sangue. Mas ele tinha um documento de diretivas médicas antecipadas devidamente preenchido, que havia assinado mais de quatro anos antes. Embora seu quadro fosse grave e alguns médicos achassem que uma transfusão de sangue era necessária para salvar sua vida, a equipe médica estava preparada para respeitar sua vontade. No entanto, o pai de Pablo, que não era Testemunha de Jeová, conseguiu uma autorização judicial para desconsiderar a vontade de seu filho.
19 O advogado que representava a esposa de Pablo entrou com um recurso. Em questão de horas, o tribunal de apelação reverteu a ordem do juízo de primeira instância e decidiu que a vontade do paciente, conforme expressa no documento de diretivas antecipadas, devia ser respeitada. O pai de Pablo recorreu à Suprema Corte da Argentina. A Corte, porém, não encontrou “nenhuma razão para duvidar que [o documento de diretivas de Pablo expressando sua recusa de transfusão de sangue] tivesse sido preenchido com discernimento, intenção e liberdade”. A Corte declarou: “Toda pessoa capaz e adulta tem a faculdade de estabelecer diretivas antecipadas sobre [sua] saúde, e pode aceitar ou rejeitar certos tratamentos médicos . . . Essas diretivas devem ser aceitas pelo médico responsável.”
Você já preencheu seu documento de diretivas médicas antecipadas?
20 O irmão Albarracini se recuperou totalmente. Ele e a esposa se sentem felizes por ele ter preenchido aquele documento. Por tomar essa medida simples, porém importante, ele mostrou submissão a Cristo, Rei do Reino de Deus. Você e sua família já tomaram medidas como essa?
April Cadoreth (Veja os parágrafos 21 a 24.)
21-24. (a) Como a Suprema Corte do Canadá chegou a uma decisão significativa no que diz respeito a menores e o uso do sangue? (b) Como esse caso pode encorajar servos de Jeová jovens?
21 Canadá. Em geral, os tribunais reconhecem os direitos dos pais de decidir qual o melhor tratamento médico para seus filhos. Houve ocasiões em que tribunais até mesmo decidiram que um menor maduro deve ter sua vontade respeitada no que se refere a tomar decisões médicas. Esse foi o caso de April Cadoreth. Aos 14 anos, ela deu entrada num hospital com uma grave hemorragia interna. Alguns meses antes, ela havia preenchido um documento de diretivas médicas antecipadas que deixava claro seu desejo de não receber transfusões de sangue, mesmo em caso de emergência. O médico que lhe atendeu preferiu ignorar a vontade expressa de April e conseguiu uma autorização judicial para lhe administrar sangue. Contra sua vontade, ela recebeu três unidades de concentrado de hemácias. Mais tarde, April comparou esse ato a um estupro.
22 April e seus pais recorreram aos tribunais em busca de justiça. Dois anos depois, o caso chegou à Suprema Corte do Canadá. Embora April tecnicamente tivesse perdido no que se refere à sua objeção constitucional, a Corte a isentou das despesas processuais e decidiu em favor dela e de outros menores que procuram exercer seu direito de decidir por si mesmos que tratamento aceitarão. A Corte declarou: “No contexto de tratamento médico, deve-se permitir que jovens menores de 16 anos demonstrem que suas opiniões sobre a escolha de determinado tratamento reflitam um grau suficiente de independência de pensamento e maturidade.”
23 Esse caso é significativo no sentido de que a Suprema Corte discutiu os direitos constitucionais de menores maduros. Antes dessa decisão, um tribunal canadense podia autorizar que um procedimento médico fosse administrado em um jovem menor de 16 anos, desde que o tribunal julgasse que tal procedimento fosse nos melhores interesses do menor. Mas, após essa decisão, um tribunal não pode autorizar o uso de nenhum procedimento médico contra a vontade de um jovem menor de 16 anos sem antes lhe dar a chance de provar que é suficientemente maduro para tomar suas próprias decisões.
“Fico muito feliz de saber que tive uma pequena participação em glorificar o nome de Deus e provar que Satanás é um mentiroso”
24 Será que os três anos de batalha jurídica valeram a pena? “Sim”, diz April, que hoje é pioneira regular e tem boa saúde. Ela acrescenta: “Fico muito feliz de saber que tive uma pequena participação em glorificar o nome de Deus e provar que Satanás é um mentiroso.” A experiência de April mostra que nossos jovens podem tomar uma posição corajosa, provando que são verdadeiros cidadãos do Reino de Deus. — Mat. 21:16.
Liberdade de criar filhos segundo os padrões de Jeová
25, 26. Que situação às vezes surge depois de um divórcio?
25 Jeová confia aos pais a responsabilidade de criar os filhos segundo Seus padrões. (Deut. 6:6-8; Efé. 6:4) Isso é desafiador, mas pode ser mais ainda quando os pais se divorciam. Eles talvez tenham conceitos bem diferentes sobre como criar os filhos. Por exemplo, um pai ou uma mãe Testemunha de Jeová não tem dúvida de que o filho deve ser criado segundo os padrões cristãos, ao passo que seu ex-cônjuge, que não é Testemunha de Jeová, talvez discorde. Naturalmente, o pai ou mãe Testemunha de Jeová precisa reconhecer que, embora o divórcio corte os laços matrimoniais, o relacionamento entre pais e filhos permanece intacto.
26 O ex-cônjuge talvez entre com uma ação judicial para garantir a guarda do filho e o controle sobre a educação religiosa dele. Alguns alegam que ser criado como Testemunha de Jeová é prejudicial. Pode ser que argumentem que o filho será impedido de participar em festas de aniversário, de comemorar datas festivas e, em caso de emergência médica, de receber uma transfusão de sangue que “salvará” sua vida. Felizmente, a maioria dos tribunais considera o que é melhor para o filho em vez de julgar se a religião de um dos pais é prejudicial ou não. Vejamos alguns exemplos.
27, 28. Como a Suprema Corte de Ohio julgou a acusação de que é prejudicial para um filho ser criado como Testemunha de Jeová?
27 Estados Unidos. Em 1992, a Suprema Corte de Ohio considerou certo caso em que um pai não Testemunha de Jeová alegou que seria prejudicial para seu filho ser criado como Testemunha de Jeová. O tribunal de instância inferior havia concedido a guarda ao pai. A mãe, Jennifer Pater, recebeu o direito de visitar o filho, mas não podia “lhe ensinar ou o expor às crenças das Testemunhas de Jeová de nenhuma forma”. Essa ordem do tribunal de primeira instância era tão abrangente que, se levada ao pé da letra, significava que a irmã Jennifer não podia nem mesmo conversar com o filho, Bobby, sobre a Bíblia ou seus padrões de moral. Consegue imaginar como ela deve ter se sentido? Jennifer ficou arrasada, mas disse que aprendeu a ser paciente e a esperar Jeová agir. Ela se lembra: “Jeová sempre estava ao meu lado.” Sua advogada, auxiliada pela organização de Jeová, recorreu à Suprema Corte de Ohio.
28 A corte discordou da decisão do tribunal de instância inferior, declarando que “os pais têm o direito fundamental de educar os filhos, incluindo o direito de lhes ensinar seus valores morais e religiosos”. Declarou também que, a menos que se pudesse provar que os valores religiosos defendidos pelas Testemunhas de Jeová são prejudiciais ao bem-estar físico e mental do filho, a corte não tinha o direito de restringir os direitos da guarda de um pai ou de uma mãe por causa de sua religião. A Corte não encontrou nenhuma prova de que as crenças religiosas das Testemunhas de Jeová teriam um efeito negativo na saúde mental ou física do filho.
Muitos tribunais têm decidido a favor dos direitos de guarda de pais cristãos
29-31. Por que uma irmã na Dinamarca perdeu a guarda de sua filha, e qual foi a decisão da Suprema Corte da Dinamarca?
29 Dinamarca. Anita Hansen se deparou com um problema parecido quando seu ex-marido entrou com uma ação judicial para ter a guarda de Amanda, de 7 anos. Embora o juízo distrital tivesse concedido a guarda à irmã Hansen em 2000, o pai de Amanda recorreu ao Tribunal Superior, o qual reverteu a decisão do juízo distrital e lhe garantiu a guarda. O Tribunal Superior fundamentou que, visto que os pais tinham conceitos conflitantes sobre a vida com base em suas crenças religiosas, o pai estaria numa posição melhor para resolver esses conflitos. Assim, em outras palavras, a irmã Hansen perdeu a guarda de Amanda por ser Testemunha de Jeová.
30 Ao longo daquele período difícil, houve ocasiões em que a irmã Hansen ficou tão desesperada que nem sabia o que pedir nas orações. “Mas”, conta ela, “as palavras de Romanos 8:26 e 27 foram de muito consolo. Sempre achei que Jeová entendia o que eu queria dizer. Ele estava atento a mim, sempre me apoiando”. — Leia Salmo 32:8; Isaías 41:10.
31 A irmã Hansen recorreu à Suprema Corte da Dinamarca. Em sua decisão, a Corte declarou: “A questão sobre a guarda deve ser decidida com base numa avaliação concreta do que será nos melhores interesses da criança.” Além disso, a Corte confirmou que uma decisão sobre guarda de filhos deve se basear no modo como os pais lidam com dificuldades, não com base nas “doutrinas e posições” das Testemunhas de Jeová. Para o grande alívio da irmã Hansen, a Corte reconheceu sua aptidão como mãe e lhe devolveu a guarda de Amanda.
32. Como a Corte Europeia dos Direitos Humanos tem protegido pais Testemunhas de Jeová de discriminação?
32 Vários países na Europa. Em alguns casos, controvérsias jurídicas sobre a guarda de filhos foram além dos tribunais superiores nacionais. A Corte Europeia dos Direitos Humanos (CEDH) também tem considerado essa questão. Em dois casos, a CEDH admitiu que tribunais nacionais de menor instância haviam tratado pais de modo diferente pelo simples fato de um ser Testemunha de Jeová e o outro não. Chamando esse tratamento de discriminatório, a CEDH decidiu que “uma distinção baseada essencialmente na diferença de religião não é aceitável”. Uma mãe Testemunha de Jeová que foi beneficiada por uma decisão assim da CEDH expressou seu alívio, dizendo: “Doeu demais ser acusada de prejudicar meus filhos, quando tudo o que eu queria era dar a eles o que achava ser o melhor — uma formação cristã.”
33. Como os pais Testemunhas de Jeová podem aplicar o princípio de Filipenses 4:5?
33 Naturalmente, quando pais Testemunhas de Jeová enfrentam desafios legais ao seu direito de incutir padrões bíblicos no coração de seus filhos, eles se esforçam para ser razoáveis. (Leia Filipenses 4:5.) Assim como eles prezam o direito de ensinar seus filhos no caminho de Deus, reconhecem que seu ex-cônjuge também tem responsabilidades parentais, caso queira assumi-las. Será que os pais Testemunhas de Jeová levam mesmo a sério sua responsabilidade de educar os filhos?
34. Como os pais cristãos hoje podem se beneficiar do exemplo dos judeus dos dias de Neemias?
34 Algo que aconteceu nos dias de Neemias pode ajudar nesse sentido. Os judeus não mediram esforços para reformar e reconstruir as muralhas de Jerusalém. Sabiam que fazer isso protegeria a si mesmos e suas famílias de nações inimigas em sua volta. Por esse motivo, Neemias os orientou: “Lutai por vossos irmãos, vossos filhos e vossas filhas, vossas esposas e vossos lares.” (Nee. 4:14) Para aqueles judeus, a luta valia qualquer esforço. Da mesma forma hoje, pais que são Testemunhas de Jeová não medem esforços para criar os filhos na verdade. Eles sabem que seus filhos são bombardeados por influências corrompedoras na escola e na vizinhança. Essas influências podem até mesmo se infiltrar em casa por meio da mídia. Pais, nunca se esqueçam de que vale qualquer esforço proporcionar aos filhos um ambiente seguro em que possam progredir espiritualmente.
Confie no apoio de Jeová à adoração verdadeira
35, 36. Que benefícios as Testemunhas de Jeová têm recebido por lutarem por seus direitos legais, e qual é a sua determinação?
35 Jeová sem dúvida tem abençoado os esforços de sua organização atual na luta pelo direito de adorá-lo livremente. Por travar tais batalhas jurídicas, o povo de Deus muitas vezes tem conseguido dar um poderoso testemunho aos presentes em tribunais e ao público geral. (Rom. 1:8) Outro benefício de suas muitas vitórias jurídicas é que elas reafirmam os direitos de muitas pessoas que não são Testemunhas de Jeová. No entanto, como povo de Deus, não nos empenhamos em reformas sociais, nem estamos interessados em provar que estamos com a razão. Acima de tudo, as Testemunhas de Jeová defendem seus direitos legais nos tribunais num esforço para estabelecer e promover a adoração pura. — Leia Filipenses 1:7.
36 Que sempre demos valor às lições de fé que aprendemos daqueles que lutaram pela liberdade de adorar a Jeová! Que também permaneçamos fiéis, confiantes de que Jeová está apoiando nossa obra e continua a nos dar a força necessária para fazer sua vontade. — Isa. 54:17.
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Reunidos para adoraçãoO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 16
Reunidos para adoração
1. Quando os discípulos se reuniram, que ajuda receberam, e por que a receberam?
POUCO depois da ressurreição de Jesus, os discípulos se reuniram para se encorajar. Com medo de seus inimigos, eles trancaram as portas. Mas provavelmente não sentiram mais medo quando Jesus apareceu no meio deles e disse: ‘Recebam espírito santo.’ (Leia João 20:19-22.) Mais tarde, os discípulos se reuniram de novo, e Jeová derramou espírito santo sobre eles. Como isso os fortaleceu para a obra de pregação que eles realizariam! — Atos 2:1-7.
2. (a) Como Jeová nos dá força, e por que precisamos dela? (b) Por que a Adoração em Família é tão importante? (Veja a nota e o quadro “Adoração em Família”, página 175.)
2 Enfrentamos desafios similares aos de nossos irmãos do primeiro século. (1 Ped. 5:9) Vez por outra, alguns de nós somos vítimas do medo do homem. E precisamos da força vinda de Jeová para perseverar na obra de pregação. (Efé. 6:10) Recebemos boa parte dessa força por meio de nossas reuniões. Atualmente temos a oportunidade de assistir a duas instrutivas reuniões semanais — a Reunião Pública junto com o Estudo de A Sentinela, e a reunião do meio da semana chamada Nossa Vida e Ministério Cristão.a Também temos quatro eventos anuais — um congresso regional, duas assembleias de circuito e a Celebração da morte de Cristo. Por que é fundamental que você assista a todas essas reuniões? Como nossas reuniões chegaram a ter a estrutura que têm hoje? E o que nossa atitude em relação às reuniões revela sobre nós?
Por que nos reunimos?
3, 4. O que Jeová requer de seu povo? Dê exemplos.
3 Não é de hoje que Jeová requer que seu povo se reúna para adorá-lo. Por exemplo, em 1513 AEC, Jeová deu sua Lei à nação de Israel, e essa Lei incluía o sábado semanal para que todas as famílias pudessem adorá-lo e ser instruídas na Lei. (Deut. 5:12; 6:4-9) Quando os israelitas seguiam essa ordem, as famílias eram fortalecidas e a nação como um todo permanecia espiritualmente pura e forte. Quando a nação deixava de aplicar a Lei, negligenciando requisitos como se reunir regularmente para adorar a Jeová, ela perdia o favor de Deus. — Lev. 10:11; 26:31-35; 2 Crô. 36:20, 21.
4 Pense também no exemplo que Jesus deixou. Ele tinha o costume de ir à sinagoga toda semana no sábado. (Luc. 4:16) Depois da morte e ressurreição de Jesus, seus discípulos continuaram se reunindo regularmente embora não estivessem mais debaixo da lei do sábado. (Atos 1:6, 12-14; 2:1-4; Rom. 14:5; Col. 2:13, 14) Nessas reuniões, os cristãos do primeiro século não apenas recebiam instruções e encorajamento, mas também ofereciam sacrifícios de louvor a Deus por meio de suas orações, comentários e cânticos. — Col. 3:16; Heb. 13:15.
Os discípulos de Jesus se reuniam para se fortalecer e se encorajar
5. Por que assistimos a reuniões semanais e a assembleias e congressos anuais? (Veja também o quadro “Reuniões anuais que unem o povo de Deus”, página 176.)
5 Da mesma maneira, quando assistimos às nossas reuniões semanais e assembleias e congressos anuais, mostramos apoio ao Reino de Deus, recebemos força do espírito santo e encorajamos outros por meio de nossas expressões de fé. Mais importante, temos a oportunidade de adorar a Jeová por meio de nossas orações, comentários e cânticos. Comparadas com as reuniões dos israelitas e dos cristãos do primeiro século, as que realizamos hoje podem ser diferentes na estrutura, mas têm a mesma importância. Como nossas reuniões chegaram a ser como são hoje?
Reuniões semanais que incentivam “ao amor e a obras excelentes”
6, 7. (a) Qual é o objetivo de nossas reuniões? (b) Como as reuniões variavam de um grupo para outro?
6 Quando o irmão Charles Taze Russell começou a procurar a verdade da Palavra de Deus, ele percebeu a necessidade de se reunir com outros que tinham o mesmo objetivo. Em 1879, Russell escreveu: “Eu, na companhia de outros em Pittsburgh, organizei e mantive uma classe bíblica para pesquisar as Escrituras, reunindo-nos todo domingo.” Os leitores de A Sentinela foram incentivados a se reunir, e em 1881 já se realizavam reuniões em Pittsburgh, Pensilvânia, todo domingo e toda quarta-feira. A Sentinela de novembro de 1895 disse que o objetivo daquelas reuniões era cultivar “o companheirismo, o amor e a comunhão cristã” e dar aos presentes a oportunidade de se encorajar uns aos outros. — Leia Hebreus 10:24, 25.
7 Por muitos anos, a estrutura e a frequência das reuniões variavam de um grupo de estudantes da Bíblia para outro. Por exemplo, uma carta de um grupo nos Estados Unidos, publicada em 1911, dizia: “Realizamos pelo menos cinco reuniões por semana.” Eles realizavam aquelas reuniões na segunda-feira, quarta-feira, sexta-feira e duas vezes no domingo. Outra carta, de um grupo da África, que foi publicada em 1914, dizia: “Realizamos reuniões duas vezes por mês, começando na sexta-feira e terminando no domingo.” Com o tempo, porém, nossas reuniões foram tomando o formato atual. Analise brevemente a história de cada reunião.
8. Quais foram alguns dos assuntos abordados nos primeiros discursos públicos?
8 Reunião Pública. Em 1880, um ano depois que o irmão Russell começou a publicar A Sentinela, ele seguiu o exemplo de Jesus e iniciou uma viagem de pregação. (Luc. 4:43) Ao fazer isso, o irmão Russell deixou um modelo para o que se tornou nossa atual Reunião Pública. Anunciando a viagem, A Sentinela disse que Russell “ficaria feliz de falar à assistência em reuniões públicas sobre ‘Coisas concernentes ao reino de Deus’”. Em 1911, depois que foram formadas classes, ou congregações, em vários países, cada classe foi incentivada a enviar oradores habilitados a regiões vizinhas para proferir uma série de seis palestras sobre assuntos como julgamento e o resgate. No fim de cada discurso, o nome do orador e o tema do discurso para a semana seguinte eram anunciados.
9. Como a Reunião Pública mudou ao longo dos anos, e como você pode apoiar essa reunião?
9 Em 1945, A Sentinela anunciou o início de uma campanha mundial de Reuniões Públicas envolvendo uma série de oito discursos bíblicos que tratavam de “problemas urgentes dos tempos”. Por muitas décadas, oradores designados não só usaram os tópicos fornecidos pelo escravo fiel, mas também proferiram discursos que eles mesmos elaboravam. Em 1981, porém, todos os oradores foram orientados a basear seus discursos nos esboços fornecidos às congregações.b Até 1990, alguns esboços de discursos públicos incluíam a participação da assistência ou demonstrações; mas, naquele ano, houve ajustes nas instruções e os discursos públicos passaram a ser proferidos apenas na forma de discurso. Outro ajuste veio em janeiro de 2008, quando os discursos públicos foram reduzidos de 45 para 30 minutos. Embora tenha havido mudanças no formato, discursos públicos bem preparados continuam a fortalecer nossa fé na Palavra de Deus e a nos instruir nos vários aspectos do Reino de Deus. (1 Tim. 4:13, 16) Você convida de modo animado aqueles a quem revisita e outros que não são Testemunhas de Jeová para ouvir esses importantes discursos bíblicos?
10-12. (a) O formato do Estudo de A Sentinela já passou por quais mudanças? (b) Que perguntas seria bom você fazer a si mesmo?
10 Estudo de A Sentinela. Em 1922, irmãos conhecidos como peregrinos — ministros enviados pela Sociedade Torre de Vigia para proferir discursos às congregações e tomar a dianteira na obra de pregação — recomendaram que se realizasse regularmente uma reunião para estudar a revista A Sentinela. Essa sugestão foi aceita e, no início, os estudos de A Sentinela eram realizados durante a semana ou aos domingos.
Estudo de A Sentinela, Gana, 1931
11 A Sentinela de 15 de junho de 1932, em inglês, deu mais orientações sobre como essa reunião devia ser realizada. Usando como modelo o estudo que era realizado no lar de Betel, o artigo disse que um irmão devia presidir a reunião. Três irmãos podiam sentar nas primeiras fileiras do local de reunião e se revezar para ler os parágrafos. Visto que os artigos naquela época não tinham perguntas impressas, o dirigente pedia que a assistência formulasse perguntas sobre a matéria em consideração. Depois, ele pedia que os irmãos na assistência respondessem àquelas perguntas. Se fosse preciso dar mais explicações, a orientação era que o dirigente fizesse isso de forma “breve e sucinta”.
12 Inicialmente, cada congregação podia escolher o assunto da revista que a maioria queria estudar. No entanto, A Sentinela de 15 de abril de 1933, em inglês, sugeriu que todas as congregações usassem o número corrente. Em 1937, foi dada orientação para que o estudo fosse realizado aos domingos. Outros ajustes que reestruturaram a reunião para a forma que conhecemos hoje foram publicados em A Sentinela de 1.º de outubro de 1942 (em português, janeiro de 1944). Primeiro, a revista anunciou que haveria perguntas na parte inferior de cada página dos artigos de estudo e que essas perguntas deveriam ser usadas. Daí, disse que a reunião deveria durar uma hora. Também incentivou os que comentassem a se expressar “em suas próprias palavras”, em vez de lerem trechos do parágrafo. O Estudo de A Sentinela continua a ser a principal reunião por meio da qual o escravo fiel fornece alimento espiritual no tempo apropriado. (Mat. 24:45) Cada um de nós faria bem em se perguntar: ‘Eu me preparo para o estudo da revista A Sentinela toda semana? E procuro comentar, se possível?’
13, 14. Qual é a história do Estudo Bíblico de Congregação, e o que você mais gosta nessa reunião?
13 Estudo Bíblico de Congregação. No início da década de 1890, após o lançamento de vários volumes de Millennial Dawn (Aurora do Milênio), o irmão H. N. Rahn, um Estudante da Bíblia que morava na cidade de Baltimore, Maryland, EUA, sugeriu a realização de “Círculos da Aurora” para estudar a Bíblia. No início, essas reuniões, que muitas vezes eram realizadas em casas particulares, tinham um caráter experimental. Em setembro de 1895, porém, os Círculos da Aurora já estavam sendo realizados com sucesso em muitas cidades dos Estados Unidos. A Sentinela daquele mês sugeriu por isso que todos os estudantes da verdade fizessem essas reuniões. Ela orientou que o dirigente fosse um bom leitor. Ele deveria ler uma frase e esperar a assistência comentar. Depois de ler todas as frases de um parágrafo e considerá-las, ele deveria ler na Bíblia todos os textos citados. No fim de um capítulo, todos na assistência deveriam fazer um breve resumo da matéria.
14 O nome dessa reunião mudou algumas vezes. Ela ficou conhecida como Círculos Bereanos de Estudos Bíblicos, uma referência aos bereanos do primeiro século que examinavam cuidadosamente as Escrituras. (Atos 17:11) Com o tempo o nome foi mudado para Estudo de Livro de Congregação. Hoje, ela é chamada Estudo Bíblico de Congregação, e a congregação inteira se reúne no Salão do Reino, não mais em grupos nas casas dos irmãos. Ao longo das décadas, vários livros, brochuras e até mesmo artigos de A Sentinela foram usados como matéria de estudo. Desde o início, todos os presentes foram incentivados a participar no estudo. Essa reunião tem feito muito para aumentar nosso conhecimento da Bíblia. Você tem o hábito de se preparar para essa reunião e participa nela dando o seu melhor?
15. Qual era o objetivo da Escola do Ministério Teocrático?
15 Escola do Ministério Teocrático. “Na noite de segunda-feira de 16 de fevereiro de 1942, todos os varões da família de Betel de Brooklyn foram convidados a se matricular no que mais tarde se chamaria Escola do Ministério Teocrático”, recordou Carey Barber, que na época servia na sede mundial em Brooklyn, Nova York. O irmão Barber, que depois se tornou membro do Corpo Governante, descreveu a escola como “um dos avanços mais notáveis dos tratos de Jeová com seu povo nos tempos modernos”. O curso era tão eficaz em ajudar os irmãos a aprimorar suas habilidades de ensino e pregação que, começando em 1943, o livreto Course in Theocratic Ministry (Curso do Ministério Teocrático) aos poucos se tornou disponível às congregações ao redor do mundo. A Sentinela de 1.º de junho de 1943 (em português, fevereiro de 1944) disse que a Escola do Ministério Teocrático foi elaborada para treinar o povo de Deus a fim de “serem melhores testemunhas na proclamação do Reino”. — 2 Tim. 2:15.
16, 17. A Escola do Ministério Teocrático só ensinava aspectos técnicos? Explique.
16 De início, falar diante de uma grande assistência deixava muitos apavorados. Clayton Woodworth Jr., cujo pai tinha sido preso injustamente com o irmão Rutherford e outros em 1918, comentou como se sentiu quando se matriculou na escola, em 1943. “Para mim, era muito difícil fazer discursos”, disse ele. “Minha língua parecia ficar grande, minha boca ficava totalmente seca e minha voz saía desafinada.” No entanto, à medida que as habilidades de Clayton melhoravam, ele recebia muitos privilégios como orador público. A escola lhe ensinou muito mais do que meros aspectos técnicos. Ela lhe ensinou o valor da humildade e a importância de confiar em Jeová. Ele disse: “Cheguei à conclusão de que o orador em si não é importante. Mas, se ele se preparar bem e confiar totalmente em Jeová, a assistência o ouvirá com prazer e aprenderá algo.”
17 Em 1959, as irmãs foram convidadas a participar na escola. A irmã Edna Bauer se lembra de ouvir o anúncio dado numa assembleia. “Eu me lembro da empolgação das irmãs”, disse ela. “Agora, elas tinham mais oportunidades.” Ao longo dos anos, muitos irmãos aproveitaram a oportunidade para se matricular na Escola do Ministério Teocrático e ser ensinados por Jeová. Hoje, continuamos recebendo esse treinamento em nossa reunião de meio de semana. — Leia Isaías 54:13.
18, 19. (a) Como recebemos hoje orientações práticas para a pregação? (b) Por que cantamos em nossas reuniões? (Veja o quadro “Cantando a verdade”.)
18 Reunião de Serviço. Já em 1919, realizavam-se reuniões para organizar o serviço de campo. Na época, nem todos na congregação assistiam a essas reuniões — só os que estavam diretamente envolvidos na distribuição de publicações. Durante boa parte do ano de 1923, uma Reunião de Serviço era realizada mensalmente, e todos na classe, ou congregação, deviam assistir a ela. Em 1928, as congregações foram exortadas a realizar essa reunião semanalmente e, em 1935, A Sentinela incentivou todas as congregações a basear a Reunião de Serviço nas informações publicadas no Director (mais tarde chamado Informante, e depois Nosso Ministério do Reino). Essa reunião logo passou a fazer parte da programação de todas as congregações.
19 Hoje, recebemos orientações práticas para o ministério em nossa reunião do meio da semana. (Mat. 10:5-13) Se você está qualificado para receber um exemplar da Apostila da Reunião Vida e Ministério, você a estuda e aplica as sugestões contidas nela ao pregar as boas novas?
A reunião mais importante do ano
Desde o primeiro século EC, os cristãos se reúnem anualmente para celebrar a morte de Cristo (Veja o parágrafo 20.)
20-22. (a) Por que celebramos a morte de Jesus? (b) Que benefício você recebe por assistir à Celebração todo ano?
20 Jesus pediu que seus seguidores celebrassem sua morte até que ele voltasse. Assim como a Páscoa, a Celebração da morte de Cristo é um evento anual. (1 Cor. 11:23-26) Essa reunião atrai milhões de pessoas todo ano. Ela lembra aos ungidos o privilégio que eles têm de ser coerdeiros do Reino. (Rom. 8:17) Que dizer das outras ovelhas? Essa reunião aumenta o respeito e a lealdade delas pelo Rei do Reino de Deus. — João 10:16.
21 O irmão Russell e seus associados reconheciam a importância de celebrar a Refeição Noturna do Senhor e sabiam que ela devia ser realizada apenas uma vez por ano. A Sentinela de abril de 1880 disse: “Já faz vários anos que é costume de muitos de nós aqui em Pittsburgh . . . lembrar a Páscoa [Celebração] e comer dos emblemas do corpo e do sangue de nosso Senhor.” Pouco tempo depois, passaram-se a realizar congressos na época da Celebração. Os primeiros registros que se têm dessa reunião são de 1889, quando 225 pessoas compareceram e 22 foram batizadas.
22 Hoje, não realizamos mais a Celebração como parte da programação de um congresso. Mas, não importa onde moramos, convidamos todos a estar conosco num Salão do Reino ou num local alugado. Em 2013, mais de 19 milhões de pessoas celebraram a morte de Cristo. Que privilégio temos, não só de assistir à Celebração, mas também de incentivar outros a estar conosco nessa noite tão sagrada! Você convida com entusiasmo o maior número possível de pessoas para a Celebração todo ano?
O que nossa atitude revela
23. Como você encara nossas reuniões?
23 Os servos leais de Jeová não encaram a ordem de se reunir como um fardo. (Heb. 10:24, 25; 1 João 5:3) Para o Rei Davi, por exemplo, era um prazer ir à casa de Jeová para adorá-lo. (Sal. 27:4) Ele gostava especialmente de fazer isso na companhia de outros que amavam a Deus. (Sal. 35:18) E pense no exemplo de Jesus. Mesmo na juventude, ele sentia profundo desejo de estar na casa de adoração de seu Pai. — Luc. 2:41-49.
O grau de nosso desejo de nos reunir revela quanto o Reino de Deus é real para nós
24. Quando assistimos às reuniões, que oportunidades temos?
24 Quando assistimos às reuniões, mostramos que amamos a Jeová e que desejamos encorajar nossos companheiros cristãos. Também expressamos o desejo de aprender a viver como súditos do Reino de Deus, pois é principalmente em nossas reuniões, assembleias e congressos que recebemos esse treinamento. Além disso, nossas reuniões nos dão as habilidades e a força necessárias para perseverarmos numa das atividades mais importantes realizadas pelo Reino de Deus hoje — fazer e treinar discípulos do Rei Jesus Cristo. (Leia Mateus 28:19, 20.) Sem dúvida, o grau de nosso desejo de nos reunir revela quanto o Reino de Deus é real para nós. Que sempre valorizemos nossas reuniões!
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Treinando ministros do ReinoO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 17
Treinando ministros do Reino
1-3. Como Jesus expandiu a obra de pregação, e que perguntas surgem?
POR dois anos, Jesus pregou em toda a Galileia. (Leia Mateus 9:35-38.) Ele visitou muitas cidades e povoados, ensinando nas sinagogas e pregando as boas novas do Reino. Onde quer que ele pregasse, as multidões afluíam a ele. “A colheita é grande”, observou Jesus, e precisava-se de mais trabalhadores.
2 Jesus tomou medidas para expandir a obra de pregação. Como? Por enviar seus 12 apóstolos para “pregar o reino de Deus”. (Luc. 9:1, 2) Os apóstolos talvez tivessem dúvidas sobre como realizariam essa obra. Antes de enviá-los, Jesus amorosamente lhes deu algo que seu Pai celestial havia lhe dado — treinamento.
3 Surgem então várias perguntas: que treinamento Jesus recebeu de seu Pai? Que treinamento ele deu a seus apóstolos? E que dizer de hoje — será que o Rei messiânico tem treinado seus seguidores para realizar seu ministério? Em caso afirmativo, como?
“Assim como o Pai me ensinou, . . . eu falo”
4. Quando e onde Jesus foi ensinado por seu Pai?
4 Jesus claramente admitia que havia sido ensinado por seu Pai. Durante seu ministério, Jesus disse: “Assim como o Pai me ensinou, estas coisas eu falo.” (João 8:28) Quando e onde Jesus foi ensinado? Tudo indica que seu treinamento começou logo depois que ele — o Filho primogênito de Deus — foi criado. (Col. 1:15) Ao lado de seu Pai no céu, o Filho passou incontáveis eras ouvindo e observando o “Grandioso Instrutor”. (Isa. 30:20) Em resultado disso, o Filho recebeu uma incomparável educação sobre as qualidades, obras e propósitos de seu Pai.
5. Que instruções o Pai deu ao Filho sobre o ministério que ele realizaria na Terra?
5 No tempo devido, Jeová ensinou seu Filho sobre o ministério que ele realizaria na Terra. Considere uma profecia que descreve o relacionamento entre o Grandioso Instrutor e seu Filho primogênito. (Leia Isaías 50:4, 5.) Jeová despertava seu Filho “de manhã em manhã”, diz a profecia. Esse quadro mental transmite a ideia de um instrutor que acorda seu aluno bem cedo de manhã para ensiná-lo. Certa obra de referência bíblica declara: “Jeová . . . o leva, por assim dizer, para a escola como se ele fosse um aluno e lhe ensina o que e como pregar.” Nessa “escola” celestial, Jeová ensinou ao seu Filho o “que dizer e [o] que falar”. (João 12:49) O Pai deu também a seu Filho instruções sobre como ensinar.a Enquanto esteve na Terra, Jesus fez bom uso do seu treinamento não apenas por realizar o seu ministério, mas também por treinar seus seguidores a realizar o ministério deles.
6, 7. (a) Que treinamento Jesus deu a seus apóstolos, e isso os equipou para fazer o quê? (b) Jesus tem fornecido que tipo de treinamento a seus seguidores em nossos dias?
6 Que treinamento Jesus deu a seus apóstolos, conforme mencionado no início deste capítulo? De acordo com o capítulo 10 de Mateus, ele lhes deu instruções específicas referentes ao ministério, incluindo as seguintes: onde pregar (versículos 5, 6), que mensagem pregar (versículo 7), a necessidade de confiar em Jeová (versículos 9, 10), como abordar os moradores (versículos 11-13), como lidar com a rejeição (versículos 14, 15) e como reagir à perseguição (versículos 16-23).b O treinamento claro que Jesus deu a seus apóstolos os equipou para tomar a dianteira na obra de pregar as boas novas no primeiro século EC.
7 Que dizer dos nossos dias? Jesus, o Rei do Reino de Deus, deu a seus seguidores a mais importante das designações, isto é, pregar “estas boas novas do reino . . . em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações”. (Mat. 24:14) Será que o Rei tem nos treinado para realizar essa obra de máxima importância? Sim, sem dúvida! Do céu, o Rei tem fornecido treinamento a seus seguidores sobre como pregar fora da congregação e como cumprir com responsabilidades especiais dentro dela.
Treinando ministros para ser evangelizadores
8, 9. (a) Qual era o objetivo principal da Escola do Ministério Teocrático? (b) Como a reunião de meio de semana tem ajudado você a ser mais eficiente no ministério?
8 A organização de Jeová há muito tempo tem usado assembleias, congressos e reuniões congregacionais — como a Reunião de Serviço — para treinar o povo de Deus para o ministério. A partir dos anos 40, porém, os irmãos da dianteira na sede mundial começaram a providenciar treinamento por meio de várias escolas.
9 Escola do Ministério Teocrático. Como vimos no capítulo anterior, essa escola começou a ser realizada em 1943. Será que o objetivo dela era apenas treinar os estudantes para proferir bons discursos nas reuniões congregacionais? Não. O objetivo principal da escola sempre foi o mesmo, isto é, treinar o povo de Deus para usar seu dom da fala a fim de louvar a Jeová no ministério. (Sal. 150:6) A escola preparou todos os irmãos e irmãs matriculados para ser ministros do Reino mais eficientes. Hoje, esse treinamento é dado por meio da reunião de meio de semana.
10, 11. Hoje, quem pode cursar a Escola de Gileade, e qual é o objetivo de seu currículo?
10 Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia. O que hoje é chamado de Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia teve início na segunda-feira de 1.º de fevereiro de 1943. A escola foi originalmente elaborada para treinar pioneiros e outros servos de tempo integral para o serviço missionário em algum lugar no campo mundial. Mas, desde outubro de 2011, só podem cursar a escola aqueles que já estão em alguma modalidade do serviço de tempo integral especial — pioneiros especiais, superintendentes viajantes e suas esposas, betelitas e missionários em campo que ainda não cursaram a escola.
11 Qual é o objetivo do currículo da Escola de Gileade? Certo instrutor veterano responde: “Fortalecer a fé dos alunos por meio de um estudo cabal da Palavra de Deus e ajudá-los a desenvolver as qualidades espirituais necessárias para enfrentar com êxito os desafios de suas designações. Além disso, um objetivo fundamental do currículo é incutir nos alunos um desejo mais forte de participar na obra de evangelização.” — Efé. 4:11.
12, 13. Que impacto a Escola de Gileade tem tido na obra mundial de pregação? Dê um exemplo.
12 Que impacto a Escola de Gileade tem tido na obra mundial de pregação? Desde 1943, mais de 8.500 pessoas passaram pela escola,c e os missionários formados em Gileade já serviram em mais de 170 países. Eles fazem bom uso de seu treinamento, deixando um exemplo de zelo no ministério e treinando outros para fazer o mesmo. Em muitos casos, os missionários tomaram a dianteira na obra em lugares onde havia poucos publicadores do Reino ou deram início à obra onde não havia nenhum publicador.
13 Considere o que aconteceu no Japão, onde a pregação pública organizada quase parou por completo durante a Segunda Guerra Mundial. Em agosto de 1949, havia menos de dez publicadores locais no país. No entanto, no fim daquele ano, 13 missionários formados em Gileade estavam ativos na pregação no Japão. Muitos outros foram enviados depois. A princípio, os missionários concentraram seus esforços em cidades maiores; depois, passaram para outras cidades. Eles incentivaram com entusiasmo seus estudantes e outros a se tornar pioneiros. Os zelosos esforços dos missionários surtiram excelentes resultados. Hoje, há mais de 216 mil publicadores do Reino no Japão, e quase 40% deles servem como pioneiros!d
14. As escolas teocráticas são uma poderosa prova de quê? (Veja também o quadro “Escolas que treinam ministros do Reino”, página 188.)
14 Outras escolas teocráticas. A Escola do Serviço de Pioneiro, a Escola Bíblica para Casais Cristãos e a Escola Bíblica para Irmãos Solteiros já ajudaram muitos a se desenvolver em sentido espiritual e a tomar zelosamente a dianteira na obra de evangelização.e Todas essas escolas teocráticas são uma poderosa prova de que nosso Rei tem equipado plenamente seus seguidores para cumprir seu ministério. — 2 Tim. 4:5.
Treinando irmãos para cuidar de responsabilidades especiais
15. De que maneira homens em posições de responsabilidade querem imitar a Jesus?
15 Pense na profecia de Isaías que fala de Jesus sendo instruído por Deus. Naquela “escola” celestial, o Filho aprendeu a “responder ao cansado com uma palavra”. (Isa. 50:4) Jesus aplicou essa instrução. Enquanto esteve na Terra, revigorou os que ‘labutavam e estavam sobrecarregados’. (Mat. 11:28-30) Imitando a Jesus, homens que servem em posições de responsabilidade querem ser uma fonte de revigoramento para seus irmãos. Por isso, várias escolas foram criadas para ajudar irmãos qualificados a ser mais eficientes em servir a seus companheiros de adoração.
16, 17. Qual é o objetivo da Escola do Ministério do Reino? (Veja também a nota.)
16 Escola do Ministério do Reino. A primeira turma dessa escola começou em 9 de março de 1959, em South Lansing, Nova York. Superintendentes viajantes, bem como servos de congregação, foram convidados para um curso de um mês de duração. Mais tarde, o curso foi traduzido do inglês para outros idiomas, e a escola aos poucos começou a treinar irmãos em todo o mundo.f
O irmão Lloyd Barry ensinando na Escola do Ministério do Reino no Japão, 1970
17 Referente ao objetivo da Escola do Ministério do Reino, o Anuário das Testemunhas de Jeová de 1962, em inglês, disse: “Neste mundo muito corrido, um superintendente na congregação das testemunhas de Jeová deve ser um homem que pode organizar a vida para dar a devida atenção a todos na congregação e ser uma bênção para eles. Ao mesmo tempo, ele não pode ser um homem que ignora sua própria família em benefício da congregação, mas deve usar de bom juízo. Que oportunidade maravilhosa tem sido concedida aos servos de congregação em todo o mundo para se reunir na Escola do Ministério do Reino a fim de receber o treinamento que os ajudará a fazer exatamente o que a Bíblia diz que um superintendente deve fazer!” — 1 Tim. 3:1-7; Tito 1:5-9.
18. Como todo o povo de Deus é beneficiado pela Escola do Ministério do Reino?
18 Todo o povo de Deus tem sido beneficiado pela Escola do Ministério do Reino. Como assim? Quando anciãos e servos ministeriais põem em prática o que aprenderam na escola, eles, assim como Jesus, são uma fonte de revigoramento para seus irmãos. Você não valoriza uma palavra bondosa, um ouvido atencioso ou uma visita encorajadora de um ancião ou servo ministerial amoroso? (1 Tes. 5:11) Esses homens qualificados são uma verdadeira bênção para suas congregações.
19. Que outras escolas a Comissão de Ensino supervisiona, e qual é o objetivo delas?
19 Outras escolas teocráticas. A Comissão de Ensino do Corpo Governante supervisiona outras escolas que dão treinamento para irmãos em posições de responsabilidade dentro da organização. Essas escolas foram preparadas para ajudar irmãos responsáveis — anciãos congregacionais, superintendentes viajantes e membros de Comissão de Filial — a ser mais eficientes em cumprir suas muitas responsabilidades. Os cursos baseados na Bíblia incentivam os irmãos a cuidar de sua própria espiritualidade e a pôr em prática princípios bíblicos nos seus tratos com as preciosas ovelhas que Jeová confiou aos seus cuidados. — 1 Ped. 5:1-3.
Primeira turma da Escola de Treinamento Ministerial realizada em Malaui, 2007
20. Por que Jesus pôde dizer que todos nós somos “ensinados por Jeová”, e o que você está decidido a fazer?
20 Sem dúvida, o Rei messiânico tem se certificado de que seus seguidores sejam bem treinados. Todo o treinamento que recebemos vem da fonte mais elevada: Jeová treinou seu Filho, e seu Filho tem treinado seus seguidores. Por isso, Jesus pôde dizer que todos nós somos “ensinados por Jeová”. (João 6:45; Isa. 54:13) Que nós estejamos decididos a tirar pleno proveito do treinamento que nosso Rei tem colocado à nossa disposição. E que nos lembremos de que o principal objetivo de todo esse treinamento é nos ajudar a nos manter espiritualmente fortes para que possamos realizar plenamente o nosso ministério.
a Como sabemos que o Pai instruiu o Filho sobre como ensinar? Pense nisto: o amplo uso que Jesus fez de ilustrações em seu ensino cumpriu uma profecia registrada séculos antes do seu nascimento. (Sal. 78:2; Mat. 13:34, 35) Com certeza, o Autor dessa profecia, Jeová, determinou com muita antecedência que seu Filho ensinaria por meio de ilustrações, ou parábolas. — 2 Tim. 3:16, 17.
b Meses depois, Jesus “indicou outros setenta e os enviou, aos dois”, para pregar. Ele também lhes deu treinamento. — Luc. 10:1-16.
c Alguns cursaram a Escola de Gileade mais de uma vez.
d Para mais detalhes sobre o impacto que missionários formados em Gileade têm no campo mundial, veja o capítulo 23 do livro Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus.
e As últimas duas escolas mencionadas foram substituídas pela Escola para Evangelizadores do Reino.
f Hoje, todos os anciãos são beneficiados por sessões da Escola do Ministério do Reino, que têm durações variadas e são realizadas com intervalos de alguns anos. Desde 1984, servos ministeriais também recebem treinamento nessa escola.
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Como as atividades do Reino são financiadasO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 18
Como as atividades do Reino são financiadas
1, 2. (a) Como o irmão Russell respondeu a um ministro que queria saber como as atividades dos Estudantes da Bíblia eram financiadas? (b) O que veremos neste capítulo?
CERTA vez, um ministro da Igreja Reformada perguntou ao irmão Charles Russell como as atividades dos Estudantes da Bíblia eram financiadas.
“Nunca fazemos coleta”, explicou o irmão Russell.
“Como vocês conseguem o dinheiro?”, perguntou o ministro.
“Se eu lhe disser a mais simples verdade sobre isso, você dificilmente acreditará”, respondeu Russell. “Quando as pessoas vêm às nossas reuniões, não veem nenhum cesto [de coleta] passando em sua frente. Mas notam que há gastos. Dizem a si mesmas: ‘Este salão custa algo . . . Como posso dar algum dinheiro para essa causa?’”
O ministro olhou para o irmão Russell pasmado.
“Estou lhe dizendo a pura verdade”, continuou Russell. “Elas realmente me perguntam ‘Como posso dar algum dinheiro para essa causa?’ Quando alguém recebe uma bênção e tem condições, deseja usá-la para o Senhor. Se ele não tem condições, por que deveríamos pressioná-lo a fazer isso?”a
2 O irmão Russell estava realmente falando “a pura verdade”. O povo de Deus tem um longo histórico de fazer contribuições voluntárias para apoiar a adoração verdadeira. Neste capítulo, veremos alguns exemplos bíblicos e modernos disso. À medida que considerarmos como as atividades do Reino são financiadas hoje, cada um de nós fará bem em se perguntar: ‘Como posso mostrar que apoio o Reino?’
‘Cada um de coração disposto traga uma contribuição’
3, 4. (a) Que confiança Jeová tem em seus adoradores? (b) Como os israelitas mostraram seu apoio à construção do tabernáculo?
3 Jeová confia em seus adoradores verdadeiros. Ele sabe que se eles tiverem a oportunidade mostrarão com prazer sua devoção por dar voluntariamente. Veja dois exemplos da história de Israel.
4 Após guiar os israelitas para fora do Egito, Jeová ordenou que eles construíssem uma tenda móvel, ou tabernáculo, para a adoração. A estrutura e sua mobília exigiriam recursos consideráveis. Jeová instruiu Moisés a dar ao povo a oportunidade de apoiar o projeto, dizendo: ‘Cada um de coração disposto traga uma contribuição a Jeová.’ (Êxo. 35:5) Como o povo, que não muito tempo antes havia trabalhado “como escravos sob tirania”, reagiu? (Êxo. 1:14) Eles não mediram esforços e de modo voluntário trouxeram ouro, prata e outras coisas valiosas — a maioria delas provavelmente obtidas de seus anteriores amos, os egípcios. (Êxo. 12:35, 36) Os israelitas deram mais do que era necessário e, por isso, foi preciso ‘conter o povo de trazer’ mais contribuições. — Êxo. 36:4-7.
5. Como os israelitas reagiram quando Davi os convidou a contribuir para a construção do templo?
5 Cerca de 475 anos depois, Davi retirou recursos de seu próprio tesouro para apoiar a construção do templo, o primeiro centro permanente da adoração verdadeira na Terra. Daí, ele convidou o povo a contribuir, perguntando: “Quem se oferece voluntariamente para encher hoje a sua mão com um presente para Jeová?” Eles reagiram fazendo ‘de pleno coração ofertas voluntárias a Jeová’. (1 Crô. 29:3-9) Reconhecendo a verdadeira fonte das contribuições, Davi disse em oração a Jeová: “Tudo procede de ti e da tua própria mão o demos a ti.” — 1 Crô. 29:14.
6. Por que se precisa de dinheiro para realizar a obra do Reino hoje, e que perguntas surgem?
6 Nem Moisés nem Davi precisaram pressionar o povo a dar. Em vez disso, o povo deu de coração. Que dizer de hoje? Sabemos muito bem que a obra que o Reino de Deus está realizando exige dinheiro. É preciso uma quantia considerável para produzir e distribuir Bíblias e publicações bíblicas; construir e manter locais de adoração e instalações de filiais; e prestar ajuda humanitária a irmãos afetados por catástrofes. Em vista disso, surgem perguntas importantes: como se obtêm os fundos necessários? Será que os seguidores do Rei precisam ser pressionados a contribuir?
“Jamais solicitará nem pedirá aos homens que a custeiem”
7, 8. Por que o povo de Jeová não pede dinheiro?
7 O irmão Russell e seus associados se recusavam a imitar os esquemas para levantar fundos tão comuns nas igrejas da cristandade. No segundo número de Zion’s Watch Tower (A Torre de Vigia de Sião, hoje A Sentinela), sob o título “Você deseja receber ‘A Torre de Vigia de Sião’?”, Russell declarou: “[Ela] tem, cremos, a JEOVÁ como seu apoiador, e, enquanto este for o caso, jamais solicitará nem pedirá aos homens que a custeiem. Quando Aquele que diz: ‘Todo o ouro e a prata das montanhas são meus’ deixar de prover os fundos necessários, entenderemos que é o tempo de suspender a publicação.” (Ageu 2:7-9) Mais de 130 anos depois, A Sentinela e a organização que a publica continuam firmes!
8 O povo de Jeová não pede dinheiro. Eles não passam pratos de coleta nem enviam cartas solicitando dinheiro. Também não precisam organizar bingos, bazares ou rifas para levantar fundos. Eles seguem o que A Sentinela disse muito tempo atrás: “Nunca achamos apropriado solicitar dinheiro para a causa do Senhor, seguindo o costume comum . . . Nossa opinião é que o dinheiro arrecadado por meio dos vários métodos de solicitação no nome de nosso Senhor é repulsivo e inaceitável para ele, e não traz sua bênção sobre os dadores nem sobre a obra realizada.”b
“Faça cada um conforme tem resolvido no seu coração”
9, 10. Qual é um motivo pelo qual fazemos contribuições voluntárias?
9 Como súditos do Reino hoje, não precisamos ser pressionados a contribuir. Muito pelo contrário, usamos com alegria nosso dinheiro e outros recursos para apoiar as atividades do Reino. Por que temos essa disposição? Considere três motivos.
10 Primeiro, fazemos contribuições voluntárias porque amamos a Jeová e queremos fazer “as coisas que são agradáveis aos seus olhos”. (1 João 3:22) Jeová fica realmente feliz com um adorador que dá de coração. Vejamos as palavras do apóstolo Paulo sobre a disposição cristã de dar. (Leia 2 Coríntios 9:7.) Um cristão verdadeiro não contribui de modo relutante ou forçado. Em vez disso, ele contribui porque está “resolvido no seu coração”.c Ou seja, ele dá depois de pensar numa necessidade e em como ajudar. Jeová valoriza alguém assim, pois “Deus ama o dador animado”. Outras traduções dizem: “Deus ama quem dá com alegria.”
Nossas crianças em Moçambique também contribuem com alegria
11. O que nos motiva a dar a Jeová a melhor dádiva possível?
11 Segundo, fazemos contribuições voluntárias como um modo de agradecer a Jeová por nossas muitas bênçãos. Considere um princípio na Lei mosaica que revelava o que a pessoa tinha no íntimo. (Leia Deuteronômio 16:16, 17.) Quando compareciam às três festividades anuais, cada homem israelita devia apresentar uma dádiva “proporcional à bênção” que Jeová havia lhe dado. Assim, antes de irem à festividade, todos os homens tinham de pensar nas bênçãos recebidas e decidir no íntimo qual seria a melhor dádiva a ser apresentada. De modo similar, quando refletimos nas muitas maneiras em que Jeová tem nos abençoado, nós nos sentimos motivados a lhe dar a melhor dádiva possível. Nossa dádiva de todo o coração, que inclui nossas contribuições materiais, é um reflexo do grau de nosso apreço pelas bênçãos que Jeová tem derramado sobre nós. — 2 Cor. 8:12-15.
12, 13. Como nossas contribuições voluntárias mostram nosso amor pelo Rei, e quanto cada um dá?
12 Terceiro, por meio de nossas contribuições voluntárias, mostramos nosso amor pelo Rei Jesus Cristo. Como assim? Note o que Jesus disse a seus discípulos na última noite de sua vida na Terra. (Leia João 14:23.) “Se alguém me amar”, disse ele, “observará a minha palavra”. A “palavra” de Jesus inclui sua ordem de pregar as boas novas do Reino em toda a Terra. (Mat. 24:14; 28:19, 20) Nós observamos essa “palavra” por fazer tudo ao nosso alcance — usando nosso tempo, energia e recursos materiais — para promover a obra de pregação do Reino. Mostramos assim nosso amor pelo Rei messiânico.
13 Como súditos leais do Reino, queremos de todo o coração mostrar nosso apoio ao Reino por fazer donativos. Como fazemos isso? Essa é uma decisão pessoal. Cada um dá o melhor que pode. Muitos de nossos irmãos, porém, possuem poucos recursos. (Mat. 19:23, 24; Tia. 2:5) Mas eles podem obter consolo de saber que Jeová e seu Filho dão valor até mesmo a pequenas contribuições feitas com um coração disposto. — Mar. 12:41-44.
Como o dinheiro é recebido?
14. Por muitos anos, como as Testemunhas de Jeová ofereceram suas publicações?
14 Por muitos anos, as Testemunhas de Jeová ofereceram publicações bíblicas por um donativo específico. O valor sugerido era mantido o menor possível para que mesmo as pessoas de poucos meios pudessem adquirir as publicações. Naturalmente, se um morador mostrasse interesse, mas não pudesse contribuir, os publicadores do Reino tinham o maior prazer de deixar com ele a publicação. Seu desejo de coração era colocar as publicações nas mãos de pessoas sinceras que fossem lê-las e tirar proveito delas.
15, 16. (a) Que ajuste na maneira como oferecemos nossas publicações começou a ser feito pelo Corpo Governante em 1990? (b) Como os donativos são feitos? (Veja também o quadro “Para onde vão os donativos?”)
15 Em 1990, o Corpo Governante começou a ajustar o modo de oferecermos nossas publicações. A partir daquele ano, nos Estados Unidos, todas as publicações passaram a ser oferecidas sem pedir um donativo específico. Uma carta a todas as congregações naquele país explicou: “As revistas e as publicações serão fornecidas aos publicadores e ao público interessado sem se pedir uma contribuição específica como requisito para se receber alguma delas. . . . Quem quiser fazer um donativo para cobrir as despesas de nossa obra educativa pode fazê-lo, mas pode receber a publicação, quer faça, quer não faça um donativo.” Essa provisão serviu para destacar a natureza voluntária e religiosa de nossa obra e esclarecer que “não somos vendedores ambulantes da palavra de Deus”. (2 Cor. 2:17) Com o tempo, o sistema de donativos foi implementado em outras filiais ao redor do mundo.
16 Como os donativos são feitos? Nos Salões do Reino das Testemunhas de Jeová, existem caixas de contribuição discretamente posicionadas. As pessoas podem colocar seus donativos nelas ou enviá-los diretamente para uma das entidades legais usadas pelas Testemunhas de Jeová. Todo ano, um artigo em A Sentinela explica como esses donativos podem ser feitos.
Como o dinheiro é usado?
17-19. Explique como os fundos doados são usados para (a) a obra mundial, (b) a construção mundial de Salões do Reino, e (c) as despesas da congregação local.
17 Obra mundial. Os fundos são usados para cobrir as despesas com a obra mundial de pregação. Essas despesas incluem os custos com a produção de publicações para distribuição mundial, com a construção e manutenção de filiais e com a realização de várias escolas teocráticas. Além disso, os fundos são usados para cuidar de missionários, superintendentes viajantes e pioneiros especiais. Nossos donativos também são usados para fornecer ajuda humanitária a irmãos quando há calamidades.d
18 Construção mundial de Salões do Reino. Os fundos são usados para ajudar congregações a construir ou reformar um Salão do Reino. À medida que as contribuições são recebidas, mais fundos podem ser disponibilizados para beneficiar outras congregações.e
19 Despesas da congregação local. Os fundos são usados para cobrir os gastos relacionados ao funcionamento e à manutenção do Salão do Reino. Os anciãos podem recomendar que parte desses fundos seja enviada para a filial local a fim de ser usada na expansão da obra mundial. Nesses casos, os anciãos apresentam uma resolução à congregação. Se aprovada, os fundos recomendados são enviados. Todo mês, o irmão que cuida das contas da congregação prepara um relatório financeiro, que é lido para a congregação.
20. Como você pode honrar a Jeová com suas “coisas valiosas”?
20 Quando consideramos tudo que está envolvido na obra de pregar o Reino e fazer discípulos no mundo todo, nos sentimos motivados a ‘honrar a Jeová com as nossas coisas valiosas’. (Pro. 3:9, 10) Nossas coisas valiosas incluem o que podemos dar em sentido físico, mental e espiritual. Sem dúvida, queremos usá-las ao máximo na obra do Reino. Lembre-se, porém, que nossas coisas valiosas também incluem o que temos em sentido material. Que estejamos decididos a dar o que podemos e quando podemos. Nossos donativos trazem honra a Jeová e revelam nosso apoio ao Reino messiânico.
a A Sentinela, 15 de julho de 1915, páginas 218-219.
b A Sentinela, 1.º de agosto de 1899, página 201.
c Certo erudito diz que o termo grego vertido “resolvido” “tem a ideia de predeterminação”. Ele acrescenta: “Embora haja uma alegria espontânea em dar, essa ação ainda deve ser planejada e sistemática.” — 1 Cor. 16:2.
d Veja o Capítulo 20 para mais informações sobre o ministério de socorros.
e Veja o Capítulo 19 para detalhes sobre a construção de Salões do Reino.
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Construções que honram a JeováO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 19
Construções que honram a Jeová
1, 2. (a) O que os servos de Jeová há muito tempo gostam de fazer? (b) O que Jeová valoriza?
OS SERVOS leais de Jeová há muito tempo gostam de construir locais que trazem louvor ao seu nome. Os israelitas, por exemplo, participaram com entusiasmo na construção do tabernáculo e forneceram de modo generoso materiais para esse objetivo. — Êxo. 35:30-35; 36:1, 4-7.
2 Para Jeová, não são os materiais de construção em si as principais coisas que lhe dão honra, nem são essas coisas o que ele mais valoriza. (Mat. 23:16, 17) O que Jeová valoriza, a dádiva que lhe traz honra acima de qualquer outra coisa, é a adoração prestada a ele por seus servos, incluindo sua atitude disposta e trabalho zeloso. (Êxo. 35:21; Mar. 12:41-44; 1 Tim. 6:17-19) Esse fato é significativo. Por quê? Porque os prédios vêm e vão. Por exemplo, o tabernáculo e o templo não existem mais. Apesar disso, Jeová não se esqueceu da generosidade e do trabalho de seus servos leais que apoiaram a construção daquelas estruturas. — Leia 1 Coríntios 15:58; Hebreus 6:10.
3. O que analisaremos neste capítulo?
3 Hoje, os servos de Jeová também trabalham arduamente para construir locais de adoração. E as coisas que conseguimos realizar sob a direção de nosso Rei Jesus Cristo são realmente impressionantes! Sem dúvida, Jeová tem abençoado nossos esforços. (Sal. 127:1) Neste capítulo, analisaremos apenas parte do trabalho que tem sido feito e como ele tem trazido honra a Jeová. Também veremos comentários de alguns que têm participado nessa obra.
Construção de Salões do Reino
4. (a) Por que precisamos de mais locais de adoração? (b) Por que tem havido fusões de filiais? (Veja o quadro “Construção de filiais — adaptando-se a novas necessidades”.)
4 Como vimos no Capítulo 16, Jeová requer que nos reunamos para adorá-lo. (Heb. 10:25) Nossas reuniões não apenas fortalecem nossa fé, mas também aumentam nosso entusiasmo pela obra de pregação. À medida que os últimos dias avançam, Jeová continua a acelerar essa obra. Em resultado, centenas de milhares de pessoas afluem à sua organização todo ano. (Isa. 60:22) Com o aumento no número de súditos do Reino, aumenta também a necessidade de instalações gráficas para produzir publicações bíblicas. Além disso, precisamos de mais locais de adoração.
5. Por que o nome Salão do Reino é apropriado? (Veja também o quadro “A igreja Nova Luz”.)
5 No início da história moderna do povo de Jeová, os Estudantes da Bíblia começaram a ver a necessidade de possuírem seus próprios locais de reunião. Parece que um dos primeiros locais de adoração foi no Estado da Virgínia Ocidental, EUA, em 1890. Nos anos 30, o povo de Jeová já havia construído ou reformado muitos salões, mas aqueles locais de reunião ainda não tinham recebido um nome que os diferenciasse bem. Em 1935, porém, o irmão Rutherford visitou o Havaí, onde um salão estava sendo construído na mesma propriedade que uma nova filial. Quando lhe perguntaram que nome aquele local deveria receber, o irmão Rutherford respondeu: “Não acha que devemos chamá-lo de ‘Salão do Reino’, visto que é isso que estamos fazendo, pregando as boas novas do Reino?” (Mat. 24:14) Aquele nome apropriado logo seria dado não só àquele salão, mas à maioria dos locais de reunião usados pelas congregações do povo de Jeová no mundo todo.
6, 7. O que tem resultado da construção rápida de Salões do Reino?
6 Nos anos 70, a necessidade de Salões do Reino aumentava rapidamente. Por causa disso, irmãos nos Estados Unidos desenvolveram um método eficiente de construir estruturas atraentes e funcionais em poucos dias. Em 1983, cerca de 200 desses Salões do Reino haviam sido construídos nos Estados Unidos e no Canadá. Para realizar esse trabalho, os irmãos começaram a formar comissões regionais de construção. Esse método funcionou tão bem que, em 1986, o Corpo Governante formalizou o arranjo, e em 1987 havia 60 Comissões Regionais de Construção (CRCs) nos Estados Unidos.a Em 1992, CRCs também já haviam sido formadas na África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Espanha, França, Japão e México. Sem dúvida, os diligentes irmãos que constroem Salões do Reino e Salões de Assembleias merecem nosso apoio, pois o trabalho que eles realizam é um serviço sagrado.
7 Aqueles Salões do Reino construídos rapidamente deram um excelente testemunho às comunidades onde foram construídos. Um jornal na Espanha, por exemplo, publicou o artigo “A fé move montanhas”. Comentando a construção de um desses Salões do Reino na cidade de Martos, o jornal perguntou: “Como é possível que no mundo de hoje, cujo alicerce é o egoísmo, pessoas de várias regiões [da Espanha] se desloquem para Martos, e isso de modo altruísta, para realizar uma obra que bateu todos os recordes de rapidez, perfeição e organização?” O artigo respondeu a essa pergunta citando as palavras de um dos irmãos voluntários: “O mérito está no fato de sermos um povo ensinado por Jeová.”
Construção em países com recursos limitados
8. Em 1999, que programa novo foi aprovado pelo Corpo Governante, e por quê?
8 No fim do século 20, multidões se achegavam à organização de Jeová em países onde os irmãos têm recursos limitados. As congregações faziam o que podiam para construir locais de reunião. Mas, em alguns países, elas tinham de enfrentar zombaria e preconceito porque os Salões do Reino locais eram muito primitivos em comparação com outros locais de adoração. No entanto, a partir de 1999, o Corpo Governante aprovou um programa para acelerar a construção de Salões do Reino em países em desenvolvimento. Fundos provenientes de países mais prósperos foram disponibilizados para que houvesse uma “reciprocidade”. (Leia 2 Coríntios 8:13-15.) E irmãos e irmãs de outros países se colocaram à disposição para ajudar nesse trabalho.
9. Que tarefa parecia impossível, mas o que foi realizado?
9 A princípio, a tarefa parecia impossível. Um relatório em 2001 revelou que era preciso construir mais de 18.300 Salões do Reino em 88 países em desenvolvimento. Mas, com o apoio do espírito de Deus e de nosso Rei Jesus Cristo, nenhuma tarefa é impossível. (Mat. 19:26) Num período de cerca de 15 anos, de 1999 a 2013, o povo de Deus construiu 26.849 Salões do Reino por meio desse programa.b Visto que Jeová continua abençoando a obra de pregação, ainda havia em 2013 a necessidade de uns 6.500 Salões do Reino naqueles países, e atualmente centenas de outros salões são necessários todo ano.
Construir Salões do Reino em países com recursos limitados tem seus próprios desafios
10-12. Como a construção de Salões do Reino traz honra ao nome de Jeová?
10 Como a construção desses Salões do Reino traz honra ao nome de Jeová? Um relatório da filial do Zimbábue disse: “Um mês após a construção de um Salão do Reino, a assistência costuma dobrar.” Em muitos países, parece que as pessoas hesitam em se associar conosco até que haja um local apropriado. Mas, assim que um Salão do Reino é construído, ele em pouco tempo fica cheio e daí é preciso construir outro. No entanto, é mais do que a aparência dos prédios que atrai as pessoas a Jeová. O verdadeiro amor cristão demonstrado pelos que constroem os salões também influencia o modo como as pessoas encaram a organização dele. Veja alguns exemplos.
11 Indonésia. Quando um homem que esteve observando a construção de um Salão do Reino descobriu que todos os trabalhadores eram voluntários, ele disse: “Vocês são simplesmente incríveis! Vi como cada um trabalha de todo o coração e com alegria, mesmo sem receber nenhum pagamento. Acho que não existe nenhuma outra organização religiosa como a de vocês!”
12 Ucrânia. Uma mulher que havia passado em frente à construção de um Salão do Reino todos os dias concluiu que os trabalhadores eram Testemunhas de Jeová e que aquele local seria um Salão do Reino. Ela disse: “Eu tinha ouvido falar das Testemunhas de Jeová pela minha irmã, que agora é da religião de vocês. Depois de observar essa construção, decidi que eu também queria fazer parte dessa família espiritual. Aqui eu vejo o amor em ação.” Essa mulher aceitou um estudo bíblico e foi batizada em 2010.
13, 14. (a) O que você aprendeu da reação de um casal que observou a construção de um Salão do Reino? (b) O que você pode fazer para garantir que seu local de adoração traga honra ao nome de Jeová?
13 Argentina. Um casal foi falar com o irmão encarregado da construção de um Salão do Reino. O marido disse: “Temos observado atentamente essa construção de vocês e . . . decidimos que queremos aprender sobre Deus neste local.” Daí perguntou: “O que precisamos fazer para poder assistir às reuniões aqui?” O casal aceitou a oferta de um estudo bíblico, mas sob a condição de que a família inteira pudesse participar. Os irmãos concordaram com o maior prazer.
14 Você talvez não tenha tido o privilégio de ajudar na construção do Salão do Reino onde se reúne, mas ainda pode ter uma boa participação em ajudar seu local de adoração a trazer honra ao nome de Jeová. Por exemplo, pode convidar com entusiasmo seus estudantes da Bíblia, as pessoas a quem revisita e outras a assistir às reuniões com você no Salão do Reino. Você também tem a oportunidade de apoiar a limpeza e a manutenção de seu local de adoração. Com bom planejamento, talvez possa fazer donativos para ajudar a cobrir as despesas de seu Salão do Reino ou para ajudar a construir salões em outras partes do mundo. (Leia 1 Coríntios 16:2.) Todas essas atividades são para o louvor do nome de Jeová.
Trabalhadores que ‘se oferecem voluntariamente’
15-17. (a) Quem realiza boa parte do trabalho de construção? (b) O que você aprendeu dos comentários de casais que apoiam construções internacionais?
15 Boa parte do trabalho envolvido na construção de Salões do Reino, Salões de Assembleias e prédios de filiais é feita por irmãos e irmãs locais. Mas, muitas vezes, eles recebem o apoio de irmãos e irmãs de outros países que têm experiência em construção. Alguns desses voluntários organizam sua vida para que possam trabalhar num projeto internacional por várias semanas. Outros se colocam à disposição para servir por muitos anos, ajudando em uma construção após outra.
Timo e Lina Lappalainen (Veja o parágrafo 16.)
16 O trabalho de construção internacional tem seus próprios desafios, mas também oferece excelentes recompensas. Timo e Lina, por exemplo, já viajaram para países na América do Sul, Ásia e Europa para apoiar a construção de Salões do Reino, Salões de Assembleias e prédios de filiais. Timo diz: “Nos últimos 30 anos, em média tive uma mudança de designação a cada dois anos.” Lina, que se casou com Timo 25 anos atrás, conta: “Já servi com Timo em dez países. Leva tempo e exige esforço se adaptar a uma nova alimentação, um novo clima, um novo idioma e um novo território de pregação, bem como fazer novos amigos.”c Será que esse esforço vale a pena? Lina diz: “Os desafios resultaram nas maiores bênçãos de nossa vida. Sentimos o amor e a hospitalidade cristãos e o cuidado amoroso de Jeová por nós. Também vimos o cumprimento da promessa feita por Jesus a seus discípulos em Marcos 10:29, 30. Recebemos cem vezes mais em termos de irmãos, irmãs e mães espirituais.” Timo diz: “É muito gratificante usar nossas habilidades para o mais nobre dos objetivos, participar na expansão dos bens do Rei.”
17 Darren e Sarah, que já ajudaram em construções na África, América Central, América do Sul, Ásia, Europa e Pacífico Sul acham que recebem mais do que dão. Apesar dos desafios, Darren comenta: “É um privilégio trabalhar com irmãos de várias partes do mundo. Vi que o amor que temos em comum por Jeová é como um cordão ao redor da Terra que une a todos nós.” Sarah diz: “Aprendi muito com irmãos e irmãs de culturas diferentes. Ver os sacrifícios que fazem para servir a Jeová me motiva a continuar dando meu melhor.”
18. Como a profecia registrada no Salmo 110:1-3 está se cumprindo?
18 O Rei Davi profetizou que, embora os súditos do Reino de Deus viessem a enfrentar desafios, eles ‘se ofereceriam voluntariamente’ para servir aos interesses do Reino. (Leia Salmo 110:1-3.) Todos os que estão envolvidos em algum trabalho que apoia o Reino estão tendo uma participação no cumprimento dessas palavras proféticas. (1 Cor. 3:9) As dezenas de prédios de filiais, as centenas de Salões de Assembleias e as dezenas de milhares de Salões do Reino em todo o mundo são prova convincente de que o Reino de Deus é real e já governa. Que privilégio temos em servir ao Rei Jesus Cristo num trabalho que dá a Jeová a honra que ele tanto merece!
a Em 2013, havia mais de 230 mil voluntários aprovados trabalhando nas 132 CRCs nos Estados Unidos. Nesse país, essas comissões coordenaram anualmente a construção de cerca de 75 Salões do Reino e ajudaram a reformar e fazer reparos em aproximadamente 900 salões.
b Esse número não inclui os muitos Salões do Reino que foram construídos em países que não fazem parte desse programa.
c Voluntários e servos internacionais passam a maior parte do tempo trabalhando no canteiro de obras, mas também apoiam as congregações locais na pregação nos fins de semana ou à noitinha.
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O ministério de socorrosO Reino de Deus já Governa!
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CAPÍTULO 20
O ministério de socorros
1, 2. (a) Que dificuldade os cristãos na Judeia enfrentaram? (b) Que ato de amor beneficiou os cristãos da Judeia?
É POR volta do ano 46 EC, e a Judeia é afligida por uma terrível fome. Os discípulos judeus de Cristo que moram ali não têm condições de pagar os preços exorbitantes do escasso suprimento de cereais disponível. Eles estão famintos, correndo o risco de perder a vida. Mas estão prestes a sentir a mão protetora de Jeová de uma forma como nenhum outro discípulo de Cristo já sentiu. O que está para acontecer?
2 Comovidos com o sofrimento dos cristãos judeus em Jerusalém e na Judeia, cristãos judeus e gentios em Antioquia, Síria, recolhem fundos para seus irmãos. Daí eles escolhem dois irmãos responsáveis dentre si, Barnabé e Saulo, para entregar os suprimentos de emergência aos anciãos das congregações em Jerusalém. (Leia Atos 11:27-30; 12:25.) Imagine como os irmãos afetados na Judeia devem ter ficado emocionados com esse ato de amor por parte de seus irmãos em Antioquia.
3. (a) Como o povo de Deus nos tempos modernos ainda segue o modelo deixado pelos cristãos em Antioquia? Dê um exemplo. (Veja também o quadro “Nossa primeira prestação de socorros nos tempos modernos”.) (b) Que perguntas analisaremos neste capítulo?
3 Esse acontecimento, que remonta ao primeiro século EC, é o primeiro de que se tem registro em que cristãos numa parte do mundo enviaram ajuda material a cristãos em outra parte. Hoje, seguimos o modelo deixado pelos irmãos em Antioquia. Quando ficamos sabendo que cristãos são afligidos por uma catástrofe ou outras dificuldades, nós agimos para ajudá-los.a Para entendermos a relação entre ajuda humanitária e nossas outras atividades ministeriais, analisemos três perguntas sobre o ministério de socorros: por que encaramos esse tipo de serviço como um ministério? Quais são os objetivos dessa ajuda? Como nos beneficiamos do ministério de socorros?
Por que o serviço humanitário é “serviço sagrado”
4. O que Paulo disse aos coríntios sobre o ministério cristão?
4 Em sua segunda carta aos coríntios, Paulo explicou que os cristãos têm um ministério duplo. Embora essa carta fosse dirigida aos cristãos ungidos, hoje suas palavras também se aplicam às “outras ovelhas” de Cristo. (João 10:16) Uma parte de nosso ministério é “o ministério da reconciliação”, ou seja, a obra de pregação e ensino. (2 Cor. 5:18-20; 1 Tim. 2:3-6) A outra envolve um “ministério destinado aos santos”, conforme mencionado por Paulo, ou seja, o ministério de socorros que realizamos em benefício de nossos irmãos. (2 Cor. 8:4) Quanto às expressões “ministério da reconciliação” e “ministério destinado aos santos”, nos dois casos a palavra “ministério” é a tradução de uma forma da palavra grega di·a·ko·ní·a. Por que isso é significativo?
5. Por que é significativo que Paulo tenha se referido ao serviço humanitário como um ministério?
5 Por usar a mesma palavra grega para essas duas atividades, Paulo associou o serviço humanitário a outros tipos de ministério que eram realizados na congregação cristã. Ele havia dito: “Há variedades de ministérios, contudo há o mesmo Senhor; e há variedades de operações, . . . Mas [elas] são realizadas pelo mesmíssimo espírito.” (1 Cor. 12:4-6, 11) De fato, Paulo relacionou os vários ministérios congregacionais com “serviço sagrado”.b (Rom. 12:1, 6-8) Não é de surpreender que ele tenha achado apropriado dedicar parte de seu tempo “para ministrar aos santos”. — Rom. 15:25, 26.
6. (a) Conforme Paulo explicou, por que o serviço humanitário faz parte de nossa adoração? (b) Descreva como a ajuda humanitária que prestamos é realizada hoje no mundo todo. (Veja o quadro “Quando ocorre uma catástrofe”, na página 214.)
6 Paulo ajudou os coríntios a ver por que o serviço humanitário fazia parte do ministério deles e da adoração que prestavam a Jeová. Note o raciocínio dele: os cristãos que prestam ajuda humanitária fazem isso porque são “submissos às boas novas a respeito do Cristo”. (2 Cor. 9:13) Assim, motivados pelo desejo de colocar em prática os ensinos de Cristo, os cristãos ajudam seus irmãos. Conforme Paulo disse, suas ações bondosas a favor dos irmãos não são nada mais do que expressões “da sobrepujante benignidade imerecida de Deus”. (2 Cor. 9:14; 1 Ped. 4:10) Referindo-se a servir aos irmãos em necessidade, o que inclui prestar ajuda humanitária, A Sentinela de 1.º de março de 1976 disse com razão: “Não devemos duvidar de que Jeová Deus e seu Filho Jesus Cristo deem real importância a esta espécie de serviço.” Fica claro assim que prestar ajuda humanitária é uma forma importante de serviço sagrado. — Rom. 12:1, 7; 2 Cor. 8:7; Heb. 13:16.
Ajuda humanitária com objetivos claros
7, 8. Qual é o primeiro objetivo de nosso ministério de socorros? Explique.
7 Quais são os objetivos de nosso ministério de socorros? Paulo considerou essa questão em sua segunda carta aos coríntios. (Leia 2 Coríntios 9:11-15.) Nesses versículos, Paulo destaca três objetivos que alcançamos por meio do “ministério deste serviço público”, ou seja, o de prestar ajuda humanitária. Analisemos um de cada vez.
8 Primeiro, nosso ministério de socorros traz glória a Jeová. Note quantas vezes nos cinco versículos citados no parágrafo anterior Paulo dirige a atenção de seus irmãos para Jeová Deus. O apóstolo os lembra de “uma expressão de agradecimento a Deus” e “muitas expressões de agradecimentos a Deus”. (Versículos 11, 12) Ele menciona como o serviço humanitário faz com que os cristãos ‘glorifiquem a Deus’ e louvem a “sobrepujante benignidade imerecida de Deus”. (Versículos 13, 14) E Paulo conclui sua consideração sobre o ministério de socorros com a declaração: “Graças a Deus.” — Versículo 15; 1 Ped. 4:11.
9. Que mudança no modo de pensar os serviços humanitários podem causar? Cite um exemplo.
9 Assim como Paulo, os servos de Deus hoje encaram a ajuda humanitária como uma oportunidade para trazer glória a Jeová e adornar seus ensinamentos. (1 Cor. 10:31; Tito 2:10) De fato, prestar esse tipo de ajuda muitas vezes tem um papel importante em eliminar conceitos negativos que alguns têm sobre Jeová e suas Testemunhas. Para ilustrar: uma mulher que vivia numa área atingida por um furacão tinha uma placa em sua porta que dizia “Testemunhas de Jeová — não batam”. Daí, certo dia, ela viu pessoas prestando ajuda humanitária do outro lado de sua rua, consertando uma casa danificada. Por dias, ela observou aqueles trabalhadores simpáticos e então foi até lá para descobrir quem eram eles. Quando soube que eram Testemunhas de Jeová, ela ficou impressionada e disse: “Eu os julguei mal.” O resultado? Ela tirou a placa de sua porta.
10, 11. (a) Que exemplos mostram que estamos cumprindo o segundo objetivo de nosso serviço humanitário? (b) Que publicação auxilia os que prestam ajuda humanitária? (Veja o quadro “Uma ferramenta adicional para os que prestam socorros”.)
10 Segundo, ‘suprimos abundantemente a carência’ de nossos irmãos. (2 Cor. 9:12a) Nós suprimos prontamente as necessidades imediatas de nossos irmãos e ajudamos a aliviar o sofrimento deles. Por quê? Porque os membros da congregação constituem “um só corpo” e, “se um membro sofre, todos os outros membros sofrem com ele”. (1 Cor. 12:20, 26) Por isso, a afeição fraternal e a compaixão motivam muitos irmãos e irmãs a deixar de lado o que estão fazendo, apanhar suas ferramentas e se dirigir a áreas atingidas por desastres a fim de ajudar seus irmãos. (Tia. 2:15, 16) Por exemplo, depois que um tsunami atingiu o Japão em 2011, a filial dos Estados Unidos enviou uma carta às Comissões Regionais de Construção nos Estados Unidos indagando se “alguns irmãos qualificados” estariam disponíveis para ajudar a reconstruir Salões do Reino ali. Qual foi a reação? Em poucas semanas, quase 600 voluntários se colocaram à disposição — e concordaram em pagar suas próprias passagens aéreas. “Ficamos impressionados com a reação dos irmãos”, comentou a filial dos Estados Unidos. Quando um irmão no Japão perguntou a um voluntário de outro país por que ele tinha ido ajudar, a resposta foi: “Nossos irmãos no Japão fazem parte do ‘nosso corpo’. Nós sentimos a dor e o sofrimento deles.” Motivados por amor altruísta, os voluntários que prestam ajuda humanitária às vezes chegam a arriscar a vida para ajudar seus irmãos.c — 1 João 3:16.
11 Pessoas que não são Testemunhas de Jeová também valorizam nosso serviço humanitário. Por exemplo, depois que uma catástrofe castigou o Estado de Arkansas, EUA, em 2013, um jornal comentou a rápida reação dos voluntários Testemunhas de Jeová, dizendo: “A estrutura organizacional das Testemunhas de Jeová colocou a prestação voluntária de socorros num patamar elevado.” Conforme dito pelo apóstolo Paulo, ‘suprimos abundantemente a carência’ de nossos irmãos.
12-14. (a) Por que é tão importante cumprir o terceiro objetivo de nossos serviços humanitários? (b) Que comentários destacam a importância de continuarmos com nossas atividades espirituais?
12 Terceiro, ajudamos as vítimas a retomar sua rotina espiritual. Por que isso é importante? Paulo disse que os que recebem ajuda humanitária se sentem motivados a fazer “muitas expressões de agradecimentos a Deus”. (2 Cor. 9:12b) Existe maneira melhor para as vítimas expressar sua gratidão a Jeová do que retomar sua rotina espiritual o mais rápido possível? (Fil. 1:10) A Sentinela em inglês comentou em 1945: “Paulo aprovou . . . o recolhimento de contribuições porque isso ajudava . . . os irmãos cristãos necessitados a receber socorros materiais e assim poder participar mais livre e vigorosamente na obra de Jeová de dar testemunho.” Nosso objetivo não mudou. Por voltarem a pregar, nossos irmãos fortalecem não apenas outras vítimas, mas também a si mesmos. — Leia 2 Coríntios 1:3, 4.
13 Veja comentários de alguns que receberam a tão necessária ajuda humanitária, retomaram o ministério e foram fortalecidos por fazer isso. “Foi uma bênção para nossa família sair no campo”, comentou um irmão. “Enquanto tentávamos consolar outros, deixamos um pouco de lado nossas próprias preocupações.” Uma irmã disse: “Me concentrar em atividades espirituais me fez esquecer um pouco a destruição ao meu redor. Isso me deu um senso de segurança.” Outra irmã disse: “Embora muitas coisas estivessem fora do nosso controle, o ministério deu rumo à minha família. Falar a outros sobre a esperança do novo mundo fortaleceu nossa confiança de que Deus fará novas todas as coisas.”
14 Assistir às reuniões é outra atividade espiritual que nossos irmãos afligidos por catástrofes precisam voltar a fazer o mais rápido possível. Veja o que aconteceu com Kiyoko, uma irmã que na época tinha quase 60 anos. Depois de perder tudo que tinha num tsunami, com exceção da roupa e das sandálias que estava usando, ela não fazia ideia de como sobreviveria. Daí, um ancião lhe disse que eles realizariam sua reunião cristã no carro dele. Kiyoko diz: “No carro estávamos eu, o ancião com a esposa e outra irmã. A reunião foi simples, mas, por incrível que pareça, as lembranças do tsunami simplesmente desapareceram. Senti paz mental. Aquela reunião me mostrou a força do companheirismo cristão.” Comentando as reuniões a que assistiu após uma catástrofe, outra irmã disse: “Sem elas, eu não teria sobrevivido.” — Rom. 1:11, 12; 12:12.
O ministério de socorros traz benefícios duradouros
15, 16. (a) Que benefícios os cristãos em Corinto e em outros lugares receberam por participar na prestação de socorros? (b) De modo similar, como somos beneficiados pela ajuda humanitária prestada hoje?
15 Em sua consideração sobre o ministério de socorros, Paulo também explicou aos coríntios os benefícios que eles e outros cristãos receberiam por participar nesse trabalho. Ele disse: “Eles [os cristãos judeus em Jerusalém que receberam a ajuda], com súplicas por vós, têm saudade de vós, por causa da sobrepujante benignidade imerecida de Deus para convosco.” (2 Cor. 9:14) A generosidade dos coríntios motivou os cristãos judeus a orar em benefício de seus irmãos em Corinto, incluindo gentios, e aumentou a afeição que tinham por eles.
16 Aplicando as palavras de Paulo sobre os benefícios do serviço humanitário, A Sentinela de 1.º de dezembro de 1945, em inglês, declarou: “Quando uma parte do povo consagrado de Deus contribui para as necessidades de outra parte, pense no efeito unificador que isso tem!” É exatamente esse o benefício recebido pelos que prestam ajuda humanitária hoje. “Participar nesse serviço me fez sentir mais próximo de meus irmãos como nunca antes”, diz um ancião que ajudou vítimas de uma enchente. Uma irmã que recebeu ajuda expressou assim sua gratidão: “Nossa fraternidade é a coisa que mais se aproxima do Paraíso.” — Leia Provérbios 17:17.
17. (a) Como as palavras de Isaías 41:13 se aplicam ao serviço humanitário? (b) Cite alguns exemplos de como o serviço humanitário honra a Jeová e fortalece nossa união. (Veja também o quadro “Voluntários em todo o mundo prestam ajuda”.)
17 Quando voluntários chegam a um local onde houve uma calamidade, nossos irmãos atingidos sentem de maneira especial a veracidade da promessa de Deus: “Eu, Jeová, teu Deus, agarro a tua direita, Aquele que te diz: ‘Não tenhas medo. Eu mesmo te ajudarei.’” (Isa. 41:13) Depois de sobreviver a uma catástrofe, uma irmã disse: “Eu me senti desalentada ao ver os estragos, mas Jeová me estendeu a mão. Não tenho palavras para descrever a ajuda que recebi dos irmãos.” Depois que uma catástrofe assolou uma região, dois anciãos escreveram em nome das congregações em que servem: “O terremoto causou grande sofrimento, mas sentimos a ajuda de Jeová por meio de nossos irmãos. Já tínhamos lido sobre ajuda humanitária, mas pudemos vê-la em ação diante de nossos olhos.”
Você pode ajudar?
18. O que você pode fazer se tem o desejo de participar em ajuda humanitária? (Veja também o quadro “Um serviço que traçou o rumo da vida dele”.)
18 Você gostaria de sentir a alegria proporcionada pelo serviço de ajuda humanitária? Nesse caso, tenha em mente que os que participam nesse serviço geralmente são escolhidos dentre os que já apoiam construções de Salões do Reino. Então diga aos anciãos que você gostaria de preencher uma petição. Um ancião com muita experiência em prestar ajuda humanitária dá o seguinte lembrete: “Viaje para o local atingido só depois de receber um convite oficial de uma Comissão de Ajuda Humanitária.” Assim, nossos socorros serão prestados de modo organizado.
19. Como os que prestam serviço humanitário ajudam a provar que somos realmente discípulos de Cristo?
19 Prestar ajuda humanitária é sem dúvida uma maneira notável de obedecermos à ordem de Cristo de ‘nos amar uns aos outros’. Por mostrar esse amor, provamos que somos realmente discípulos de Cristo. (João 13:34, 35) Que bênção é para nós hoje ter tantos trabalhadores dispostos que trazem glória a Jeová à medida que prestam a necessária ajuda humanitária aos que apoiam lealmente o Reino de Deus!
a Este capítulo considera serviços humanitários prestados em benefício de nossos irmãos. No entanto, em muitos casos, nossos serviços também beneficiam pessoas que não são Testemunhas de Jeová. — Gál. 6:10.
b Paulo usou a forma plural di·á·ko·nos (ministro) para descrever “servos ministeriais”. — 1 Tim. 3:12.
c Veja o artigo “Ajudamos nossa família da fé na Bósnia”, no número de 1.º de novembro de 1994 de A Sentinela, páginas 23-27.
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Verdades do Reino — fornecendo alimento espiritualO Reino de Deus já Governa!
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À esquerda: Uma irmã no Alabama, EUA, tocando a gravação de um discurso do irmão Rutherford no fim da década de 30; à direita: Suíça
SEÇÃO 1
Verdades do Reino — fornecendo alimento espiritual
VOCÊ vê os olhos de seu estudante brilhar à medida que ele entende o significado do texto bíblico que vocês acabaram de ler juntos. Ele diz pausadamente: “Isso quer dizer que nós poderemos viver para sempre num paraíso — aqui mesmo, na Terra?” O irmão que está com você sorri e diz: “Bem, o que você viu na Bíblia?” O estudante fica admirado e diz balançando a cabeça: “Não acredito que nunca ninguém me ensinou isso!” Daí, você se lembra de que ele disse algo parecido algumas semanas antes quando aprendeu que o nome de Deus é Jeová.
Você já teve uma experiência assim? Muitos servos de Deus já tiveram. Poucas coisas podem nos fazer lembrar da valiosa dádiva que recebemos — o conhecimento da verdade. Pare e pense: como essa dádiva chegou até você? Nesta seção, consideraremos essa pergunta. O modo como o povo de Deus tem recebido esclarecimento espiritual progressivo é uma prova irrefutável de que o Reino de Deus é real. Por um século, o Rei desse Reino, Jesus Cristo, tem tomado providências para garantir que o povo de Deus aprenda a verdade.
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Pregação do Reino — divulgando as boas novas em todo o mundoO Reino de Deus já Governa!
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À esquerda: Uma irmã colportora pregando na Coreia, 1931; À direita: Pregando em língua de sinais na Coreia, hoje
SEÇÃO 2
Pregação do Reino — divulgando as boas novas em todo o mundo
VOCÊ está se preparando logo cedo para o serviço de campo no seu dia de folga do trabalho. Por um instante, pensa em desistir, porque está cansado. Uma manhã de descanso seria muito bem-vinda. Mas você faz uma oração e resolve ir. Então é designado para trabalhar com uma fiel irmã idosa e fica comovido com a perseverança e o jeito cordial dela. E, à medida que vai pregando a mensagem da verdade de casa em casa, você lembra que seus irmãos no mundo todo estão pregando a mesma mensagem, usando as mesmas publicações, todos tirando proveito do mesmo treinamento. Quando chega em casa, você se sente revigorado. Sente-se feliz por não ter ficado em casa.
O ministério cristão é a principal obra do Reino de Deus hoje. Jesus predisse que a obra de pregação teria um alcance impressionante nos últimos dias. (Mat. 24:14) Como essa profecia tem se cumprido? Nesta seção, analisaremos o povo, os métodos e as ferramentas que têm sido tão importantes para o ministério cristão, que está ajudando milhões no mundo inteiro a ver que o Reino de Deus é real.
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Padrões do Reino — buscando a justiça de DeusO Reino de Deus já Governa!
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À esquerda: A família do Betel de Brooklyn comemorou seu último Natal em 1926; à direita: As pessoas reparam que as Testemunhas de Jeová são diferentes
SEÇÃO 3
Padrões do Reino — buscando a justiça de Deus
VOCÊ acena para seu vizinho quando o vê. Ultimamente você reparou que ele tem observado você e sua família. Ele também acena e faz um sinal indicando que quer lhe falar algo. Ele diz: “Posso fazer uma pergunta? Por que vocês são tão diferentes?” “Como assim?”, você pergunta. “Bem”, diz ele, “sua família é Testemunha de Jeová, certo? Vocês são diferentes de todo mundo. Não são como as outras religiões — vocês não comemoram feriados e não se envolvem na política nem nas guerras. Também não fumam. E parece que sua família tem uma moral impecável. Por que vocês são tão diferentes?”
Você sabe que a resposta se resume a um simples fato: vivemos sob o governo do Reino de Deus. Como Rei, Jesus nos refina constantemente. Ele está nos ajudando a seguir seu exemplo e, assim, nos destacar como diferentes neste mundo perverso. Nesta seção, vamos ver como o Reino messiânico tem refinado o povo de Deus em sentido espiritual, moral e organizacional — tudo para a glória de Jeová.
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Vitórias do Reino — estabelecendo legalmente as boas novasO Reino de Deus já Governa!
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À esquerda: Um irmão sendo preso por pregar em Eindhoven, Holanda, 1945; à direita: O direito de pregar é protegido pela lei onde você mora?
SEÇÃO 4
Vitórias do Reino — estabelecendo legalmente as boas novas
ENQUANTO prega de casa em casa, você ouve uma sirene a certa distância. O som dela vai ficando cada vez mais alto. Quando você começa a falar com o próximo morador, seu companheiro de pregação se distrai ao ver um carro de polícia parar ali perto. Um policial sai da viatura e se aproxima, perguntando: “São vocês dois que estão indo de casa em casa falando sobre a Bíblia? Recebemos reclamações.” Você responde com respeito, identificando-se como Testemunha de Jeová. O que acontecerá a seguir?
A resposta depende em grande parte da História. Com o passar dos anos, como o governo do país onde você mora tem tratado as Testemunhas de Jeová? Há certa medida de liberdade religiosa? Nesse caso, isso provavelmente é resultado das décadas de trabalho árduo de seus irmãos e irmãs espirituais para “defender e estabelecer legalmente as boas novas”. (Fil. 1:7) Não importa onde você more, refletir no histórico de vitórias legais das Testemunhas de Jeová pode fortalecer muito sua fé. Nesta seção, analisaremos parte desse impressionante histórico. Nossas vitórias são uma emocionante prova de que o Reino é uma realidade, pois jamais teríamos obtido tais vitórias sozinhos!
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Educação do Reino — treinando os servos do ReiO Reino de Deus já Governa!
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À esquerda: Reunião ao ar livre em Londres, Inglaterra, 1945; à direita: Dia de assembleia especial em Malaui, África, 2012
SEÇÃO 5
Educação do Reino — treinando os servos do Rei
VOCÊ abre um sorriso animador ao olhar para o orador na tribuna. Ele é um irmão jovem de sua congregação e está fazendo sua primeira parte num programa de assembleia. Enquanto ouve com prazer o discurso dele, você pensa como é maravilhoso o treinamento que o povo de Deus recebe. Você se lembra das primeiras vezes que ele foi à tribuna — e veja até onde ele chegou! Depois de cursar a Escola do Serviço de Pioneiro, ele progrediu muito. Mais recentemente, ele e a esposa cursaram a Escola para Evangelizadores do Reino. Enquanto aplaude o excelente discurso do irmão, você olha em volta e pensa na instrução que todos os servos de Deus recebem.
A Bíblia predisse uma época em que todos os servos de Deus seriam ‘ensinados por Jeová’. (Isa. 54:13) Estamos vivendo nessa época. Recebemos instrução não apenas por meio de nossas publicações, mas também por meio de nossas reuniões, assembleias, congressos e várias escolas cujo objetivo é nos preparar para cumprir determinadas designações na organização de Jeová. Nesta seção, veremos como toda essa educação fornece provas convincentes de que o Reino de Deus está governando hoje.
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Apoio ao Reino — construindo locais de adoração e prestando ajuda humanitáriaO Reino de Deus já Governa!
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À esquerda: Suprimentos de socorros enviados da Suíça para os irmãos na Alemanha, 1946; à direita: Reconstrução de um Salão do Reino no Japão após um tsunami, 2011
SEÇÃO 6
Apoio ao Reino — construindo locais de adoração e prestando ajuda humanitária
VOCÊ entra em seu Salão do Reino e mal dá para reconhecê-lo. Você sempre teve orgulho desse lugar. Talvez tenha até boas lembranças de quando participou na construção dele alguns anos atrás. Mas, de certa forma, você tem ainda mais orgulho dele agora, pois está sendo usado temporariamente como centro de ajuda humanitária. Depois que uma recente tempestade causou inundações e enormes estragos na região, a Comissão de Filial organizou sem demora uma forma de prestar ajuda às vítimas, fornecendo coisas como alimento, roupa e água potável. Os itens doados são arrumados de modo ordeiro. Irmãos e irmãs fazem fila para entrar e pegam o que precisam, muitos deles enxugando lágrimas de alegria.
Jesus disse que uma característica marcante de seu povo seria o amor uns pelos outros. (João 13:34, 35) Nesta seção, analisaremos como as Testemunhas de Jeová têm demonstrado amor cristão por meio de suas construções e serviços de ajuda humanitária. Todo esse amor é prova de que vivemos sob o governo do Reino às mãos de Jesus.
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