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    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 22

      Parte 1 — Testemunhas até à parte mais distante da terra

      Esta é a primeira de cinco partes de um capítulo que relata como a atividade das Testemunhas de Jeová tem coberto a Terra. A Parte 1, que cobre o período a partir da década de 1870 até 1914, está nas páginas 404 a 422. A sociedade humana jamais se recuperou das convulsões causadas pela Primeira Guerra Mundial, que começou em 1914. Este foi o ano para o qual os Estudantes da Bíblia há muito haviam apontado como o ano que marcaria o fim dos Tempos dos Gentios.

      ANTES de ascender ao céu, Jesus Cristo comissionou seus apóstolos, dizendo: “Sereis testemunhas de mim . . . até à parte mais distante da terra.” (Atos 1:8) Ele predissera também que ‘estas boas novas do reino seriam pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações’. (Mat. 24:14) Esse trabalho não foi terminado no primeiro século. Uma parte significativa dele tem sido feita nos tempos modernos. E o registro dos resultados alcançados da década de 1870 até o presente é realmente emocionante.

      Embora Charles Taze Russell viesse a ficar bem conhecido pelos seus amplamente divulgados discursos sobre a Bíblia, seu interesse não se limitava a grandes audiências pois se interessava também pelas próprias pessoas. Assim, pouco depois de ter começado a publicar a revista Watch Tower (A Sentinela), em 1879, ele fez muitas viagens para visitar pequenos grupos de leitores da revista para considerar as Escrituras com eles.

      Charles T. Russell instou os que criam nas preciosas promessas da Palavra de Deus a que participassem em divulgá-las a outros. Aqueles cujos corações se sentiam tocados pelo que aprendiam mostraram verdadeiro zelo em fazer justamente isso. Para ajudar na obra, providenciou-se matéria impressa. Em princípios de 1881 surgiram diversos tratados. Matéria destes foi então combinada com matéria adicional para formar o mais abrangente Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos), sendo produzidos 1.200.000 exemplares para distribuição. Mas como poderia aquele pequeno grupo de Estudantes da Bíblia (talvez 100 na época) distribuir todos eles?

      Distribuição a membros de igrejas

      Alguns foram dados a parentes e amigos. Bom número de jornais concordou em enviar um exemplar a cada assinante. (Deu-se preferência a jornais semanais e mensais, para que Food for Thinking Christians chegasse a muitos que moravam em áreas rurais.) Grande parte da distribuição, porém, foi feita em vários domingos consecutivos na frente de igrejas nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Não havia Estudantes da Bíblia suficientes para fazer isso pessoalmente, de modo que contrataram outros para ajudar.

      O irmão Russell enviou dois associados seus, J. C. Sunderlin e J. J. Bender, à Grã-Bretanha para supervisionar a distribuição de 300.000 exemplares ali. O irmão Sunderlin foi a Londres, e o irmão Bender para o norte, até a Escócia, e de lá seguiu rumo ao sul. Deu-se atenção primária a cidades maiores. Por meio de anúncios em jornais foram localizados homens capazes e fizeram-se contratos com eles para que providenciassem ajudantes suficientes para distribuir a sua quota de exemplares. Cerca de 500 distribuidores foram recrutados somente em Londres. O trabalho foi feito rapidamente, em dois domingos consecutivos.

      Naquele mesmo ano, tomaram-se medidas para que os Estudantes da Bíblia que pudessem dedicar metade ou mais de seu tempo exclusivamente à obra do Senhor fossem colportores, para a distribuição de publicações para estudo bíblico. Esses precursores dos que hoje são conhecidos como pioneiros levaram a efeito uma divulgação realmente notável das boas novas.

      Durante a década seguinte, o irmão Russell preparou vários tratados de fácil manejo na disseminação de algumas verdades bíblicas de destaque que se haviam aprendido. Escreveu também vários volumes de Millennial Dawn (Aurora do Milênio, depois conhecido como Studies in the Scriptures [Estudos das Escrituras]). Daí ele começou a fazer viagens pessoais de evangelização a outros países.

      Russell viaja ao exterior

      Em 1891 ele visitou o Canadá, onde o suficiente interesse criado desde 1880 possibilitou a realização de uma assembléia de 700 pessoas, em Toronto. Russell viajou também à Europa, em 1891, para ver o que se poderia fazer para promover a divulgação da verdade ali. Nessa viagem ele foi à Irlanda, à Escócia, à Inglaterra, a muitos países do continente europeu, à Rússia (na região agora conhecida como Moldova) e ao Oriente Médio.

      O que concluiu ele de seus contatos nessa viagem? “Não vimos nenhuma abertura ou prontidão para a verdade na Rússia . . . Nada vimos que nos encorajasse a esperar uma colheita na Itália, na Turquia, na Áustria ou na Alemanha”, relatou. “Mas a Noruega, a Suécia, a Dinamarca, a Suíça, e especialmente a Inglaterra, a Irlanda e a Escócia são campos maduros à espera da colheita. Esses campos pareciam bradar: ‘Vinde ajudar-nos!’” Era uma época em que a Igreja Católica ainda proibia a leitura da Bíblia, quando muitos protestantes abandonavam as igrejas, e quando não poucos, desiludidos com as suas igrejas, rejeitavam categoricamente a Bíblia.

      Para ajudar essas pessoas espiritualmente famintas, depois da viagem do irmão Russell em 1891 intensificaram-se os empenhos para traduzir publicações para os idiomas da Europa. Providenciou-se também a impressão e a estocagem de publicações em Londres, para que estivessem mais prontamente disponíveis na Grã-Bretanha. O campo britânico mostrou que, de fato, estava maduro para a colheita. Em 1900, já havia nove congregações e 138 Estudantes da Bíblia — entre os quais alguns zelosos colportores. Quando o irmão Russell visitou novamente a Grã-Bretanha, em 1903, mil pessoas se reuniram em Glasgow para ouvi-lo falar sobre “Esperanças e Perspectivas do Milênio”; 800 compareceram em Londres e 500 a 600 em cada uma das outras cidades.

      Confirmando as observações do irmão Russell, porém, só 17 anos após a sua visita foi formada a primeira congregação de Estudantes da Bíblia na Itália, em Pinerolo. E que dizer da Turquia? Em fins da década de 1880, Basil Stephanoff havia pregado na Macedônia, na então Turquia européia. Embora alguns parecessem interessados, certos elementos que se diziam irmãos prestaram depoimentos falsos, levando à prisão de Basil. Foi só em 1909 que uma carta de um grego de Esmirna (agora Izmir), Turquia, informou que um grupo ali estudava com apreço as publicações da Torre de Vigia. Quanto à Áustria, o próprio irmão Russell voltou em 1911 para falar em Viena, mas a reunião foi interrompida por uma turba. Na Alemanha, a reação apreciativa também demorava a acontecer. Os escandinavos, porém, mostravam maior consciência de sua necessidade espiritual.

      Os escandinavos partilham entre si

      Muitos suecos viviam na América. Em 1883, uma amostra da Watch Tower traduzida para o sueco tornou-se disponível para distribuição entre eles. Logo foram enviadas amostras a amigos e parentes na Suécia. Ainda não havia sido produzida nenhuma publicação em norueguês. Não obstante, em 1892, o ano depois da viagem do irmão Russell à Europa, Knud Pederson Hammer, um norueguês que aprendera a verdade na América, voltou à Noruega para testemunhar a seus parentes.

      Daí, em 1894, quando se começou a publicar literatura em dano-norueguês, Sophus Winter, um américo-dinamarquês de 25 anos, foi enviado à Dinamarca com um suprimento para distribuir. Na primavera seguinte, ele já havia colocado 500 volumes de Millennial Dawn. Em pouco tempo, outros que haviam lido as publicações se juntaram a ele no trabalho. Infelizmente, mais tarde ele perdeu de vista o valor desse seu privilégio precioso; mas outros continuaram a deixar a luz brilhar.

      Antes de abandonar o serviço, contudo, Winter trabalhou um pouco como colportor na Suécia. Pouco depois, na casa de um amigo seu na ilha de Sturkö, August Lundborg, um jovem capitão do Exército de Salvação, viu dois volumes de Millennial Dawn. Ele os tomou emprestado, leu-os avidamente, renunciou à igreja e passou a partilhar com outros o que aprendera. Outro homem jovem, P. J. Johansson, abriu os olhos em resultado da leitura de um tratado que achou no banco de um parque.

      À medida que o grupo sueco aumentava, alguns foram à Noruega para distribuir publicações bíblicas. Mesmo antes disso, já haviam chegado à Noruega publicações enviadas por parentes na América. Foi assim que Rasmus Blindheim começou no serviço de Jeová. Entre outros na Noruega, Theodor Simonsen, um pregador da Missão Livre, recebeu a verdade naqueles primórdios. Passou a refutar o ensino do inferno de fogo nos seus sermões na Missão Livre. Seus ouvintes pulavam de alegria, emocionados com essa maravilhosa novidade; mas, quando se descobriu que ele tinha contatos com a “Millennial Dawn”, foi demitido da igreja. Mas ele simplesmente continuou a falar das boas coisas que havia aprendido. Outro jovem senhor que recebeu algumas publicações foi Andreas Øiseth. Uma vez convencido de que tinha a verdade, ele deixou a fazenda da família e entrou no serviço de colportor. Trabalhou sistematicamente em direção ao norte, daí para o sul ao longo dos fiordes, sem excluir nenhuma localidade. No inverno ele carregava seus pertences — alimentos, roupas e publicações — num trenó impulsionado com um pé, e pessoas hospitaleiras arranjavam-lhe um lugar para dormir. Numa viagem de oito anos, ele cobriu quase todo o país com as boas novas.

      A esposa de August Lundborg, Ebba, foi da Suécia à Finlândia para trabalhar como colportora, em 1906. Por volta dessa época, certos homens que voltavam dos Estados Unidos trouxeram algumas publicações da Torre de Vigia e passaram a partilhar com outros o que aprendiam. Assim, depois de alguns anos, Emil Österman, que procurava algo melhor do que as igrejas ofereciam, veio a possuir The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras). Ele o partilhava com seu amigo Kaarlo Harteva, que também procurava algo melhor. Reconhecendo o valor do que tinham, Harteva traduziu-o para o finlandês e, com o apoio financeiro de Österman, providenciou a sua publicação. Juntos passaram a distribuí-la. Demonstrando genuíno espírito evangelizador, eles falavam a pessoas em locais públicos, faziam visitas de casa em casa e proferiam discursos em grandes auditórios superlotados. Em Helsinque, depois de expor as doutrinas falsas da cristandade, o irmão Harteva convidou a assistência a usar a Bíblia para defender a crença na imortalidade da alma, se pudessem. Todos os olhos se voltaram para os clérigos presentes. Ninguém se manifestou; ninguém pôde refutar as claras palavras de Ezequiel 18:4. Alguns disseram que mal puderam dormir naquela noite depois daquilo que ouviram.

      Humilde jardineiro torna-se evangelizador na Europa

      No ínterim, Adolf Weber, incentivado por um amigo anabatista idoso, saiu da Suíça para os Estados Unidos em busca de um entendimento mais pleno das Escrituras. Ali, atendendo a um anúncio, tornou-se jardineiro do irmão Russell. Com a ajuda de The Divine Plan of the Ages (já então disponível em alemão) e de reuniões dirigidas pelo irmão Russell, Adolf adquiriu o conhecimento bíblico que procurava e foi batizado em 1890. Os ‘olhos de seu coração foram iluminados’, de modo que realmente teve apreço pela grande oportunidade que lhe fora aberta. (Efé. 1:18) Depois de zelosamente dar testemunho por algum tempo nos Estados Unidos, ele voltou ao seu país de origem para realizar o serviço “no vinhedo do Senhor” ali. Assim, em meados da década de 1890, ele estava de volta à Suíça, partilhando a verdade bíblica com os de coração receptivo.

      Adolf ganhava a vida como jardineiro e guarda florestal, mas seu interesse primário era a evangelização. Ele dava testemunho aos com quem trabalhava, bem como a pessoas nas vizinhas cidadezinhas e aldeias suíças. Conhecia vários idiomas, e usou esse conhecimento para traduzir as publicações da Sociedade para o francês. Com a chegada do inverno, ele enchia sua mochila de publicações bíblicas e ia a pé à França, e, às vezes, rumava para o nordeste, até a Bélgica, e para o sul, até a Itália.

      Para alcançar os que não pudesse contatar pessoalmente, ele colocava anúncios em jornais e em revistas, chamando atenção às publicações disponíveis para estudo bíblico. Elie Thérond, na França central, respondeu a um desses anúncios, reconhecendo o tom da verdade no que leu, e logo passou a também divulgar a mensagem. Na Bélgica, Jean-Baptiste Tilmant também viu um dos anúncios, em 1901, e adquiriu dois volumes de Millennial Dawn. Quão emocionante foi para ele ver a verdade bíblica ser apresentada tão claramente! Jamais poderia deixar de falar disso a seus amigos! No ano seguinte, um grupo de estudo reunia-se regularmente na sua casa. Pouco depois, a atividade desse grupinho produzia frutos até mesmo na região norte da França. O irmão Weber manteve-se em contato com eles, visitando periodicamente os vários grupos que haviam surgido, edificando-os espiritualmente e ensinando-lhes como partilhar as boas novas com outros.

      As boas novas chegam à Alemanha

      Pouco depois que algumas publicações começaram a sair em alemão, em meados da década de 1880, germano-americanos que as apreciavam passaram a enviar exemplares a parentes em sua terra natal. Uma enfermeira que trabalhava num hospital em Hamburgo distribuiu exemplares de Millennial Dawn a outros no hospital. Em 1896, Adolf Weber, na Suíça, colocava anúncios em jornais de língua alemã e enviava tratados para a Alemanha pelo correio. No ano seguinte foi aberto um depósito de publicações na Alemanha, para facilitar a distribuição da Watch Tower em alemão, mas os resultados eram lentos. Contudo, em 1902, Margarethe Demut, que aprendera a verdade na Suíça, mudou-se para Tailfingen, a leste da Floresta Negra. Seu zeloso testemunho pessoal ajudou a lançar a base para um dos primeiros grupos de Estudantes da Bíblia na Alemanha. Samuel Lauper, da Suíça, mudou-se para Bergisches Land, a nordeste de Colônia, para divulgar as boas novas naquela região. Em 1904, realizavam-se reuniões nessa região, em Wermelskirchen. Entre os que freqüentavam havia um homem de 80 anos, Gottlieb Paas, que havia procurado a verdade. No seu leito de morte, não muito tempo depois de essas reuniões terem começado, Paas ergueu uma Watch Tower e disse: “Esta é a verdade; apegai-vos a ela.”

      O número de interessados nessas verdades bíblicas aumentava gradativamente. Embora fosse dispendioso, providenciou-se inserir exemplares grátis da Watch Tower em jornais da Alemanha. Um relatório de 1905 diz que mais de 1.500.000 exemplares dessas amostras da Watch Tower haviam sido distribuídos. Foi uma consecução e tanto para um grupo tão pequeno.

      Nem todos os Estudantes da Bíblia achavam que por terem alcançado as pessoas perto de sua casa já haviam feito o que era necessário. Já em 1907, o irmão Erler, da Alemanha, fez viagens a Boêmia, no que era então a Áustria-Hungria (posteriormente parte da Tchecoslováquia). Ele distribuiu publicações que alertavam a respeito do Armagedom e falavam das bênçãos que viriam à humanidade depois. Em 1912, outro Estudante da Bíblia havia distribuído publicações bíblicas na região de Memel, no que agora é a Lituânia. Muitos reagiram entusiasticamente à mensagem, e vários grupos um tanto grandes de Estudantes da Bíblia logo foram formados. Contudo, quando perceberam que os cristãos verdadeiros precisam também ser testemunhas, seu número começou a minguar. Não obstante, uns poucos mostraram ser imitadores genuínos de Cristo, “a testemunha fiel e verdadeira”. — Rev. 3:14.

      Quando Nikolaus von Tornow, um barão alemão dono de grandes propriedades na Rússia, esteve na Suíça por volta de 1907, foi-lhe entregue um dos tratados da Sociedade Torre de Vigia. Dois anos mais tarde ele apareceu na Congregação de Berlim, Alemanha, trajado com a sua melhor roupa e acompanhado de seu ajudante de ordens. Levou algum tempo para que ele compreendesse por que Deus confiaria verdades tão inestimáveis a pessoas tão despretensiosas, mas, o que ele leu em 1 Coríntios 1:26-29 o ajudou: “Observais a vossa chamada da parte dele, irmãos, que não foram chamados muitos sábios em sentido carnal, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre estirpe . . . a fim de que nenhuma carne se jacte à vista de Deus.” Convencido de que encontrara a verdade, von Tornow vendeu suas propriedades na Rússia e dedicou a si mesmo e seus recursos à promoção dos interesses da adoração pura.

      Em 1911, quando o irmão Herkendell se casou, a noiva pediu ao pai dela, como dote, dinheiro para uma lua-de-mel incomum. O jovem casal alemão pretendia fazer uma árdua viagem de muitos meses. A lua-de-mel deles seria uma viagem de pregação à Rússia, para alcançar pessoas de língua alemã ali. Assim, de muitas maneiras, pessoas de toda sorte partilhavam com outros o que aprendiam sobre o maravilhoso propósito de Deus.

      Crescimento no campo britânico

      Depois da intensa distribuição de publicações na Grã-Bretanha, em 1881, alguns freqüentadores de igreja viram a necessidade de agir à base do que haviam aprendido. Tom Hart, de Islington, Londres, foi um dos que seguiram o conselho bíblico da Watch Tower: “Saí dela, povo meu” — isto é, sair das religiões babilônicas da cristandade e seguir os ensinamentos da Bíblia. (Rev. 18:4) Ele desligou-se da igreja em 1884, seguido de diversos outros.

      Muitos dos que se associavam com os grupos de estudo tornaram-se evangelizadores eficientes. Alguns ofereciam publicações bíblicas nos parques de Londres e em outros lugares em que as pessoas se descontraíam. Outros se concentravam em casas de comércio. O método mais comum, porém, eram visitas de casa em casa.

      Sarah Ferrie, assinante da Watch Tower, escreveu ao irmão Russell dizendo que ela e alguns amigos em Glasgow colocavam-se à disposição para participar na distribuição de tratados. Que surpresa foi quando um caminhão estacionou à sua porta com 30.000 panfletos para distribuição gratuita! Puseram mãos à obra. Minnie Greenlees, junto com seus três filhos rapazes, usando como transporte uma “pequena carroça a cavalo”, empenharam-se na distribuição de publicações bíblicas no interior escocês. Mais tarde, Alfred Greenlees e Alexander MacGillivray, viajando de bicicleta, distribuíram tratados em boa parte da Escócia. Em vez de se pagar a outros para distribuir as publicações, o serviço agora era feito por voluntários dedicados.

      Seu coração os impeliu

      Numa de suas parábolas, Jesus disse que as pessoas que ‘ouvissem a palavra com um coração excelente e bom’ produziriam frutos. O apreço sincero pelas provisões amorosas de Deus as induziria a partilhar as boas novas sobre o Reino de Deus com outros. (Luc. 8:8, 11, 15) Independentemente de suas circunstâncias, achariam um meio de fazê-lo.

      Assim, foi de um marujo italiano que um viajante argentino obteve um suprimento do tratado Food for Thinking Christians. Quando de passagem pelo Peru, o viajante escreveu solicitando mais tratados e, com interesse aumentado, ele escreveu de novo, da Argentina, em 1885, ao editor da Watch Tower pedindo publicações. Naquele mesmo ano um membro da Marinha Britânica, que foi enviado com a sua unidade de artilharia para Cingapura, levou a Watch Tower consigo. Ficou radiante com o que aprendeu da revista e usou-a amplamente para divulgar o conceito da Bíblia sobre tópicos que eram temas de discussão pública. Em 1910, um navio que levava a bordo duas mulheres cristãs fez escala no porto de Colombo, Ceilão, (agora Sri Lanka). Elas aproveitaram a oportunidade para dar testemunho ao Sr. Van Twest, o chefe aduaneiro. Falaram-lhe entusiasticamente das boas coisas que aprenderam no livro The Divine Plan of the Ages. Em resultado, o Sr. Van Twest tornou-se Estudante da Bíblia, e a pregação das boas novas teve início em Sri Lanka.

      Mesmo os que não podiam viajar procuravam meios de partilhar verdades bíblicas acalentadoras com pessoas de outros países. Como indica uma carta de apreço publicada em 1905, alguém nos Estados Unidos enviou The Divine Plan of the Ages para certo homem em São Tomás, no que era então as Índias Ocidentais Dinamarquesas. Depois de lê-lo, esse homem ajoelhou-se e expressou seu fervoroso desejo de ser usado por Deus na execução de Sua vontade. Em 1911, Bellona Ferguson, do Brasil, citou seu caso como “prova positiva e viva de que não há ninguém longe demais para ser alcançado” pelas águas da verdade. Pelo visto, ela recebia publicações da Sociedade pelo correio desde 1899. Algum tempo antes da Primeira Guerra Mundial, um imigrante alemão no Paraguai encontrou um tratado da Sociedade na caixa de correio. Ele encomendou mais publicações e logo rompeu seus vínculos com as igrejas da cristandade. Não havendo mais ninguém no país para fazer isso, ele e seu cunhado decidiram batizar um ao outro. Deveras, dava-se testemunho nas partes distantes da Terra, e isso produzia frutos.

      Outros Estudantes da Bíblia, porém, sentiram-se impelidos a viajar à sua terra natal, ou à de seus pais, para falar a amigos e a parentes sobre o maravilhoso propósito de Jeová e como poderiam ter parte nele. Assim, em 1895, o irmão Oleszynski retornou à Polônia com as boas novas sobre “o resgate, a restituição e a soberana vocação”; embora, infelizmente, não tenha perseverado nesse serviço. Em 1898, um ex-professor, húngaro, deixou o Canadá para divulgar a urgente mensagem da Bíblia em sua terra natal. Em 1905, um homem que se tornara Estudante da Bíblia na América retornou à Grécia para dar testemunho. E, em 1913, um homem jovem levou sementes da verdade bíblica de Nova Iorque de volta à cidade natal de sua família, Ramalá, perto de Jerusalém.

      Abertura na região do Caribe

      Ao passo que o número de evangelizadores aumentava nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa, a verdade bíblica começava também a penetrar no Panamá, na Costa Rica, na Guiana Holandesa (agora Suriname) e na Guiana Inglesa (agora Guiana). Joseph Brathwaite, que estava na Guiana Inglesa quando foi ajudado a entender os propósitos de Deus, partiu para Barbados, em 1905, para dedicar tempo integral a ensinar essas verdades ao povo local. Louis Facey e H. P. Clarke, que ouviram as boas novas quando trabalhavam na Costa Rica, retornaram à Jamaica em 1897 para partilhar sua recém-encontrada fé com o seu próprio povo. Os que aceitaram a verdade ali eram trabalhadores muito zelosos. Só em 1906, o grupo da Jamaica distribuiu cerca de 1.200.000 tratados e outros tipos de publicações. Outro trabalhador imigrante, que aprendera a verdade no Panamá, levou a mensagem de esperança da Bíblia de volta para Granada.

      A revolução no México em 1910-11 foi mais um fator que contribuiu para levar a mensagem do Reino de Deus a pessoas famintas da verdade. Muitos fugiram para o norte, para os Estados Unidos. Ali, alguns deles entraram em contato com os Estudantes da Bíblia, aprenderam a respeito do propósito de Jeová de trazer paz duradoura à humanidade e enviaram publicações de volta ao México. Contudo, esta não era a primeira vez que o México havia sido alcançado com essa mensagem. Já em 1893, a Watch Tower publicou uma carta de F. de P. Stephenson, do México, que havia lido algumas publicações da Sociedade Torre de Vigia e desejava obter mais para distribuir entre seus amigos tanto no México como na Europa.

      Para que a pregação das verdades bíblicas e a organização de reuniões regulares para estudo chegasse a ainda outros países do Caribe, o irmão Russell enviou E. J. Coward ao Panamá, em 1911, e daí para as ilhas. O irmão Coward era um orador enfático e expressivo, e freqüentemente centenas de pessoas se reuniam para ouvir seus discursos em que refutava as doutrinas do inferno de fogo e da imortalidade da alma humana, falando também a respeito do glorioso futuro da Terra. Ele ia de cidade em cidade e de ilha em ilha — Sta. Lúcia, Dominica, São Cristóvão, Barbados, Granada e Trinidad — alcançando o maior número possível de pessoas. Falou também na Guiana Inglesa. No Panamá, o irmão Coward conheceu W. R. Brown, um zeloso jovem irmão jamaicano, que depois serviu junto com ele em várias ilhas caribenhas. Mais tarde, o irmão Brown ajudou a abrir ainda outros campos.

      Em 1913, o próprio irmão Russell falou no Panamá, em Cuba e na Jamaica. Num discurso público que proferiu em Kingston, Jamaica, dois auditórios ficaram superlotados e mais umas 2.000 pessoas não puderam entrar. O fato de o orador não ter falado em dinheiro e não ter sido feito coleta chamou a atenção da imprensa.

      A luz da verdade chega à África

      Nesse período, a luz da verdade penetrava também na África. Uma carta enviada da Libéria, em 1884, revelou que um leitor da Bíblia local adquirira um exemplar de Food for Thinking Christians e desejava exemplares adicionais para distribuição. Alguns anos depois, foi relatado que um clérigo da Libéria abandonara o púlpito para poder ensinar livremente as verdades bíblicas que ele aprendia com a ajuda da Watch Tower e que um grupo de Estudantes da Bíblia se reunia regularmente ali.

      Um ministro da Igreja Reformada Holandesa levou consigo algumas publicações de C. T. Russell quando foi enviado da Holanda à África do Sul, em 1902. Embora não tivesse tirado benefício perene delas, o mesmo não se deu com Frans Ebersohn e Stoffel Fourie, que viram essas publicações na biblioteca do ministro. Alguns anos depois, as fileiras nessa parte do campo foram reforçadas quando duas zelosas Estudantes da Bíblia emigraram da Escócia para Durbã, na África do Sul.

      Infelizmente, entre os que adquiriam publicações escritas pelo irmão Russell e as usavam para ensinar certas partes a outros, havia uns poucos, como Joseph Booth e Elliott Kamwana, que introduziam idéias próprias para criar agitação visando mudanças sociais. Para alguns observadores na África do Sul e na Niassalândia (mais tarde Malaui), isso tendia a confundir a identidade dos Estudantes da Bíblia genuínos. Não obstante, muitos ouviam e mostravam apreço pela mensagem que dirigia atenção ao Reino de Deus como solução dos problemas da humanidade.

      Uma pregação ampla na África, porém, ainda estava por vir.

      Para o Oriente e ilhas do Pacífico

      Pouco depois de as publicações bíblicas preparadas por C. T. Russell terem sido pela primeira vez distribuídas na Grã-Bretanha, elas também chegaram ao Oriente. Em 1883, a Srta. C. B. Downing, missionária presbiteriana em Chefu (Ientai), China, recebeu um exemplar da Watch Tower. Ela gostou do que aprendeu sobre a ‘restituição’ e passou a revista a outros missionários, inclusive Horace Randle, ligado ao Conselho da Missão Batista. Mais tarde, seu interesse foi estimulado ainda mais por um anúncio da série Millennial Dawn no jornal Times de Londres, e também pelos próprios livros — um deles recebido da Srta. Downing e outro enviado pela mãe dele, da Inglaterra. De início, ele ficou chocado com o que leu. Mas, uma vez convencido de que a Trindade não é um ensino bíblico, desligou-se da Igreja Batista e passou a transmitir a outros missionários o que aprendera. Em 1900 ele informou que havia enviado 2.324 cartas e uns 5.000 tratados a missionários na China, no Japão, na Coréia e em Sião (Tailândia). Naquele tempo, no Oriente, o testemunho era dado principalmente a missionários da cristandade.

      Durante esse mesmo período, as sementes da verdade também estavam sendo lançadas na Austrália e na Nova Zelândia. A primeira dessas “sementes” que chegaram à Austrália talvez tenha sido levada em 1884, ou pouco depois, por um homem que teve seu primeiro contato com um Estudante da Bíblia num parque na Inglaterra. Outras “sementes” chegaram pelo correio, enviadas por amigos e parentes no além-mar.

      Poucos anos depois que a Comunidade da Austrália foi formada, em 1901, centenas de pessoas locais eram assinantes da Watch Tower. Em resultado da atividade dos que viam o privilégio de partilhar a verdade com outros, milhares de tratados foram enviados a pessoas cujos nomes constavam nas listas eleitorais. Outros foram distribuídos nas ruas, e maços deles eram lançados de janelas de trem a trabalhadores e moradores isolados nas áreas remotas ao longo das ferrovias. As pessoas estavam sendo notificadas da aproximação do fim dos Tempos dos Gentios, que se daria em 1914. Arthur Williams falava sobre isso a todos os fregueses de sua loja, na Austrália Ocidental, e convidava os interessados à sua casa para palestras adicionais.

      Quem primeiro chegou à Nova Zelândia com a verdade bíblica não se sabe no momento. Mas em 1898, Andrew Anderson, morador da Nova Zelândia, já havia lido o suficiente das publicações da Torre de Vigia para sentir-se induzido a divulgar a verdade ali como colportor. Em 1904 recebeu reforço de outros colportores que vieram da América e da filial da Sociedade que foi aberta no mesmo ano na Austrália. A esposa de Thomas Barry, em Christchurch, adquiriu seis volumes de Studies in the Scriptures de um dos colportores. Seu filho Bill leu-os em 1909 durante uma viagem de seis semanas de navio à Inglaterra e reconheceu a veracidade de seu conteúdo. Anos mais tarde, o filho deste, Lloyd, tornou-se membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

      Entre os trabalhadores zelosos daqueles primórdios havia Ed Nelson, que, embora não tivesse o tato como seu ponto forte, dedicou tempo integral por 50 anos à divulgação da mensagem do Reino desde a ponta norte da Nova Zelândia até o sul. Depois de alguns anos ele recebeu a companhia de Frank Grove, que desenvolveu sua memória para compensar a visão fraca e também trabalhou como pioneiro por mais de 50 anos, até a sua morte.

      Turnê mundial para promover a pregação das boas novas

      Outro grande empenho para ajudar as pessoas do Oriente foi feito em 1911-12. A Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia enviou uma comissão de sete homens, encabeçada por C. T. Russell, para examinar em primeira mão as condições locais. Aonde quer que fossem, eles falavam sobre o propósito de Deus de trazer bênçãos à humanidade por meio do Reino messiânico. Às vezes a assistência era pequena, mas, nas Filipinas e na Índia, era de milhares. Eles não endossavam a campanha, então popular na cristandade, de coletar fundos para a conversão do mundo. O que constataram foi que a maior parte dos empenhos dos missionários da cristandade voltava-se para a promoção da educação secular. Mas o irmão Russell estava convencido de que o que o povo necessitava era “o Evangelho da amorosa provisão de Deus, o vindouro Reino do Messias”. Em vez de esperarem converter o mundo, os Estudantes da Bíblia entendiam das Escrituras que o que se devia fazer então era dar testemunho, e que isso levaria ao ajuntamento de “poucos eleitos de todas as nações, povos, tribos e línguas como membros da classe-Noiva [de Cristo] — para sentar-se com Ele em Seu trono durante os mil anos, cooperando na obra de erguer a raça [humana] como um todo”.a — Rev. 5:9, 10; 14:1-5.

      Depois de passarem algum tempo no Japão, na China, nas Filipinas e em outros lugares, os membros da comissão estenderam a sua viagem por mais uns 6.500 quilômetros, na Índia. Algumas pessoas que viviam na Índia haviam lido as publicações da Sociedade e escrito cartas de apreço já em 1887. Também, desde 1905 havia sido dado testemunho ativo entre o povo de língua tâmil por um homem jovem que, quando estudava na América, havia conhecido o irmão Russell e aprendido a verdade. Esse homem ajudou a formar 40 grupos de estudo bíblico no sul da Índia. Mas, depois de pregar a outros, ele mesmo se desqualificou, abandonando as normas cristãs. — Compare com 1 Coríntios 9:26, 27.

      Por volta dessa época, contudo, A. J. Joseph, de Travancore (Querala), em resposta a uma pergunta que enviara a um destacado adventista, recebeu um volume de Studies in the Scriptures. Neste ele encontrou respostas bíblicas satisfatórias às suas perguntas sobre a Trindade. Não muito depois, ele e outros membros da família percorriam os arrozais e as plantações de coco no sul da Índia partilhando suas recém-encontradas crenças. Depois da visita do irmão Russell em 1912, o irmão Joseph entrou no serviço de tempo integral. Ele viajava de trem, de carro de boi, de barcaça e a pé para distribuir publicações bíblicas. Seus discursos públicos muitas vezes eram interrompidos pelo clero e seus seguidores. Em Kundara, quando um clérigo “cristão” usava seus seguidores para interromper uma reunião e atirar esterco no irmão Joseph, um senhor hindu influente veio ver qual era o motivo de tanto barulho. Ele perguntou ao clérigo: ‘É este o exemplo que Cristo deixou para os cristãos, ou será que isso que o senhor está fazendo se parece à conduta dos fariseus dos dias de Jesus?’ O clérigo bateu em retirada.

      Antes de a comissão da AIEB terminar a sua turnê mundial de quatro meses, o irmão Russell providenciou que R. R. Hollister fosse o representante da Sociedade no Oriente e desse continuidade à divulgação da mensagem da amorosa provisão de Deus, o Reino messiânico, às pessoas ali. Foram preparados tratados especiais em dez línguas, e milhões destes foram distribuídos por toda a Índia, China, Japão e Coréia, por distribuidores locais. Em seguida, foram traduzidos livros para quatro dessas línguas para suprir mais alimento espiritual para os interessados. Havia ali um vasto campo, e restava muito para ser feito. Todavia, o que se conseguira realizar até então era realmente espantoso.

      Foi dado um impressionante testemunho

      Antes de começar a devastação da Primeira Guerra Mundial, havia sido dado um extensivo testemunho no mundo todo. O irmão Russell havia feito viagens de conferências a centenas de cidades nos Estados Unidos e no Canadá, fizera repetidas viagens à Europa, havia falado no Panamá, na Jamaica e em Cuba, bem como nas principais cidades do Oriente. Dezenas de milhares de pessoas haviam ouvido pessoalmente seus estimulantes discursos bíblicos e viram-no responder publicamente à base das Escrituras perguntas suscitadas tanto por amigos como por inimigos. Criou-se assim muito interesse, e milhares de jornais na América, na Europa, na África do Sul e na Austrália publicavam regularmente os sermões do irmão Russell. Milhões de livros, bem como centenas de milhões de tratados e outras publicações em 35 línguas, haviam sido distribuídos pelos Estudantes da Bíblia.

      Por mais notável que tenha sido seu papel, não era apenas o irmão Russell que pregava. Outros, espalhados em volta do globo, também uniam as suas vozes como testemunhas de Jeová e de seu Filho, Jesus Cristo. Nem todos os que participavam eram oradores públicos. Procediam de todas as classes sociais, e usavam todos os meios apropriados disponíveis para divulgar as boas novas.

      Em janeiro de 1914, faltando menos de um ano para o fim dos Tempos dos Gentios, ainda outro testemunho intenso foi iniciado. Era o “Photo-Drama of Creation” (“Fotodrama da Criação”), que frisava de maneira nova o propósito de Deus para com a Terra. Fazia isso por meio de belos slides coloridos pintados a mão e filmes sincronizados com som. A imprensa nos Estados Unidos publicou que, semanalmente, por todo o país, centenas de milhares de pessoas assistiam ao Fotodrama. No fim do primeiro ano, a assistência total nos Estados Unidos e no Canadá chegou a quase oito milhões. Em Londres, Inglaterra, multidões superlotavam a Opera House e o Royal Albert Hall para ver essa apresentação que consistia em quatro partes de duas horas cada uma. Em meio ano, mais de 1.226.000 pessoas haviam assistido à exibição em 98 cidades nas Ilhas Britânicas. Multidões na Alemanha e na Suíça superlotavam os auditórios disponíveis. Houve também grandes audiências na Escandinávia e no Pacífico Sul.

      Que testemunho notável, intenso e global foi dado naquelas primeiras décadas da história moderna das Testemunhas de Jeová! Mas, realmente, a obra estava apenas começando.

      Apenas algumas centenas haviam participado ativamente na divulgação da verdade bíblica em princípios da década de 1880. Em 1914, segundo relatórios disponíveis, havia cerca de 5.100 que participavam no trabalho. Outros talvez tivessem ocasionalmente distribuído alguns tratados. Os trabalhadores eram relativamente poucos.

      Esse pequeno grupo de evangelizadores já havia, de várias maneiras, estendido a sua proclamação do Reino de Deus a 68 países em fins de 1914. E a sua obra como pregadores e instrutores da Palavra de Deus estava estabelecida em base semiconstante em 30 desses países.

      Milhões de livros e centenas de milhões de tratados haviam sido distribuídos antes do fim dos Tempos dos Gentios. Além disso, em 1913, nada menos que 2.000 jornais publicavam regularmente sermões preparados por C. T. Russell, e no ano de 1914 assistências de mais de 9.000.000 de pessoas em três continentes viram o “Photo-Drama of Creation”.

      Realmente, fora dado um espantoso testemunho! Muito mais, porém, estava para vir.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Um relatório completo dessa turnê mundial saiu em The Watch Tower de 15 de abril de 1912.

      [Mapa/Foto na página 405]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      C. T. Russell proferiu discursos bíblicos em mais de 300 cidades (nas áreas indicadas pelos pontos) na América do Norte e no Caribe — em muitas delas 10 ou 15 vezes.

      [Mapa]

      (Veja a publicação)

      [Mapa na página 407]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Turnês de pregação de Russell à Europa, em geral a partir da Inglaterra

      1891

      1903

      1908

      1909

      1910 (duas vezes)

      1911 (duas vezes)

      1912 (duas vezes)

      1913

      1914

      [Mapa/Foto na página 408]

      Quando se convenceu de que havia encontrado a verdade, Andreas Øiseth distribuiu zelosamente publicações bíblicas em quase toda parte da Noruega.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      NORUEGA

      Círculo Ártico

      [Mapa/Foto na página 409]

      Adolf Weber, um humilde jardineiro, a partir da Suíça divulgou as boas novas a outros países na Europa.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      ALEMANHA

      BÉLGICA

      FRANÇA

      SUÍÇA

      ITÁLIA

      [Mapa/Foto na página 413]

      Bellona Ferguson, do Brasil: “Não há ninguém longe demais para ser alcançado.”

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      BRASIL

      [Mapa na página 415]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      ALASCA

      CANADÁ

      GROENLÂNDIA

      SÃO PIERRE E MIQUELON

      ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

      BERMUDAS

      BAAMAS

      ILHAS TURCOS E CAICOS

      CUBA

      MÉXICO

      BELIZE

      JAMAICA

      HAITI

      REPÚBLICA DOMINICANA

      PORTO RICO

      ILHAS CAIMÃ

      GUATEMALA

      EL SALVADOR

      HONDURAS

      NICARÁGUA

      COSTA RICA

      PANAMÁ

      VENEZUELA

      GUIANA

      SURINAME

      GUIANA FRANCESA

      COLÔMBIA

      EQUADOR

      PERU

      BRASIL

      BOLÍVIA

      PARAGUAI

      CHILE

      ARGENTINA

      URUGUAI

      ILHAS FALKLAND (MALVINAS)

      ILHAS VIRGENS (EUA)

      ILHAS VIRGENS (GRÃ-BRETANHA)

      ANGÜILA

      SÃO MARTINHO

      SABA

      STO. EUSTÁQUIO

      SÃO CRISTÓVÃO

      NEVIS

      ANTÍGUA

      MONTSERRAT

      GUADALUPE

      DOMINICA

      MARTINICA

      STA. LÚCIA

      SÃO VICENTE

      BARBADOS

      GRANADA

      TRINIDAD

      ARUBA

      BONAIRE

      CURAÇAU

      OCEANO ATLÂNTICO

      MAR DO CARIBE

      OCEANO PACÍFICO

      [Mapa nas páginas 416, 417]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      GROENLÂNDIA

      GROENLÂNDIA

      SUÉCIA

      ISLÂNDIA

      NORUEGA

      ILHAS FÉROE

      FINLÂNDIA

      RÚSSIA

      ESTÔNIA

      LETÔNIA

      LITUÂNIA

      BIELARUS

      UCRÂNIA

      MOLDOVA

      GEÓRGIA

      ARMÊNIA

      AZERBAIJÃO

      TURCOMENISTÃO

      USBEQUISTÃO

      CASAQUISTÃO

      TADJIQUISTÃO

      QUIRGUISTÃO

      POLÔNIA

      ALEMANHA

      PAÍSES BAIXOS

      DINAMARCA

      GRÃ-BRETANHA

      IRLANDA

      BÉLGICA

      LUXEMBURGO

      LIECHTENSTEIN

      SUÍÇA

      ANDORRA

      TCHECOSLOVÁQUIA

      ÁUSTRIA

      HUNGRIA

      ROMÊNIA

      IUGOSLÁVIA

      ESLOVÊNIA

      CROÁCIA

      BÓSNIA-HERZEGOVINA

      BULGÁRIA

      ALBÂNIA

      ITÁLIA

      SÃO MARINHO

      GIBRALTAR

      ESPANHA

      PORTUGAL

      AÇORES

      MADEIRA

      MARROCOS

      SAARA OCIDENTAL

      SENEGAL

      CABO VERDE

      ARGÉLIA

      LÍBIA

      EGITO

      LÍBANO

      ISRAEL

      CHIPRE

      SÍRIA

      TURQUIA

      IRAQUE

      IRÃ

      BAREIN

      KUWAIT

      JORDÂNIA

      ARÁBIA

      SAUDITA

      CATAR

      EMIRADOS

      ÁRABES UNIDOS

      OMÃ

      IÊMEN

      DJIBUTI

      SOMÁLIA

      ETIÓPIA

      SUDÃO

      CHADE

      NÍGER

      MALI

      MAURITÂNIA

      GÂMBIA

      GUINÉ-BISSAU

      SERRA LEOA

      LIBÉRIA

      CÔTE D’IVOIRE (COSTA DO MARFIM)

      GANA

      TOGO

      BENIN

      GUINÉ EQUATORIAL

      STA. HELENA

      GUINÉ

      BURKINA FASO

      NIGÉRIA

      REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

      CAMARÕES

      SÃO TOMÉ

      CONGO

      GABÃO

      ZAIRE

      ANGOLA

      ZÂMBIA

      NAMÍBIA

      BOTSUANA

      ÁFRICA DO SUL

      LESOTO

      SUAZILÂNDIA

      MOÇAMBIQUE

      MADAGASCAR

      REUNIÃO

      MAURÍCIO

      RODRIGUES

      ZIMBÁBUE

      MAYOTTE

      CÔMORAS

      SEICHELES

      MALAUI

      TANZÂNIA

      BURUNDI

      RUANDA

      UGANDA

      FRANÇA

      PAQUISTÃO

      AFEGANISTÃO

      NEPAL

      BUTÃO

      MIANMAR

      BANGLADESH

      ÍNDIA

      SRI LANKA

      GRÉCIA

      MALTA

      TUNÍSIA

      QUÊNIA

      OCEANO ATLÂNTICO

      OCEANO ATLÂNTICO

      OCEANO ÍNDICO

      ALASCA

      MONGÓLIA

      REPÚBLICA DEMOCRÁTICA POPULAR DA CORÉIA

      JAPÃO

      REPÚBLICA DA CORÉIA

      CHINA

      MACAU

      TAIWAN (FORMOSA)

      HONG KONG

      LAOS

      TAILÂNDIA

      VIETNÃ

      CAMBOJA

      FILIPINAS

      BRUNEI

      MALAÍSIA

      CINGAPURA

      INDONÉSIA

      SAIPÃ

      ROTA

      GUAM

      YAP

      BELAU

      CHUUK

      POHNPEI

      COSRAI

      ILHAS MARSHALL

      NAURU

      PAPUA NOVA GUINÉ

      AUSTRÁLIA

      NOVA ZELÂNDIA

      ILHA NORFOLK

      NOVA CALEDÔNIA

      ILHAS WALLIS E FUTUNA

      VANUATU

      TUVALU

      FIJI

      KIRIBATI

      TOQUELAU

      HAVAÍ

      ILHAS MARQUESAS

      SAMOA OCIDENTAL

      SAMOA AMERICANA

      NIUE

      TONGA

      ILHAS COOK

      TAITI

      ILHAS SALOMÃO

      OCEANO PACÍFICO

      OCEANO PACÍFICO

      OCEANO ÍNDICO

  • Parte 2 — Testemunhas até à parte mais distante da terra
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 22

      Parte 2 — Testemunhas até à parte mais distante da terra

      A obra de proclamação do Reino, de 1914 a 1935, é abrangida nas páginas 423 a 443. As Testemunhas de Jeová apontam para 1914 como o ano em que Jesus Cristo foi entronizado como Rei celestial com autoridade sobre as nações. Quando esteve na Terra, Jesus predisse que a pregação global da mensagem do Reino, apesar de intensa perseguição, seria parte do sinal de sua presença, investido do poder do Reino. O que realmente aconteceu nos anos seguintes a 1914?

      EM 1914, a Primeira Guerra Mundial rapidamente engolfou a Europa. Daí, espalhou-se por países que cobriam estimadamente 90 por cento da população mundial. Que efeito tiveram os eventos relacionados com essa guerra sobre as atividades de pregação dos servos de Jeová?

      Os anos sombrios da Primeira Guerra Mundial

      Nos primeiros anos de guerra havia poucos obstáculos, exceto na Alemanha e na França. Tratados eram distribuídos abertamente em muitos lugares e continuava-se a usar o “Photo-Drama”, embora em escala muito mais limitada depois de 1914. À medida que a febre da guerra se intensificava, o clero nas Índias Ocidentais Britânicas espalhou o rumor de que E. J. Coward, que representava a Sociedade Torre de Vigia, era um espião alemão, de modo que recebeu ordens de partir. Quando teve início a distribuição do livro The Finished Mystery (O Mistério Consumado), em 1917, a oposição se tornou generalizada.

      O público ficou ansioso para obter esse livro. O pedido inicial que a Sociedade fez aos impressores teve de ser aumentado em mais de dez vezes em apenas alguns meses. Mas o clero da cristandade se enfureceu com a exposição de suas doutrinas falsas. Aproveitou a histeria do tempo de guerra para denunciar os Estudantes da Bíblia às autoridades. Nos Estados Unidos, homens e mulheres identificados com a distribuição de publicações dos Estudantes da Bíblia eram atacados por turbas e cobertos com alcatrão e penas. No Canadá, vasculhavam-se casas, e as pessoas que possuíssem certas publicações da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia ficavam sujeitas a pesada multa ou a prisão. Todavia, Thomas J. Sullivan, que na época estava em Port Arthur, Ontário, contou que certa vez, quando ficou preso por uma noite, os policiais da cidade levaram para casa os livros proscritos, para si e para os amigos, distribuindo assim todo o estoque — uns 500 ou 600 exemplares.

      A própria sede mundial da Sociedade Torre de Vigia sofreu investidas, e membros do corpo administrativo receberam longas sentenças de prisão. Parecia aos inimigos que os Estudantes da Bíblia haviam recebido um golpe mortal. Estes praticamente pararam de dar testemunho duma maneira que atraísse generalizada atenção pública.

      No entanto, mesmo os Estudantes da Bíblia presos encontravam oportunidades de falar a outros detentos sobre os propósitos de Deus. Ao chegarem à prisão em Atlanta, Geórgia, EUA, os diretores da Sociedade e seus associados íntimos foram, a princípio, proibidos de pregar. Mas eles consideravam a Bíblia entre si, e outros se sentiram atraídos a eles por causa de seus modos, sua maneira de viver. Depois de alguns meses, o vice-diretor do presídio incumbiu-os de dar instrução religiosa a outros detentos. O número dos que assistiam às aulas chegou a umas 90 pessoas.

      Outros cristãos leais também encontraram maneiras de dar testemunho durante os anos de guerra. Isso às vezes resultava na divulgação da mensagem do Reino em países onde as boas novas ainda não haviam sido pregadas. Assim, em 1915, um Estudante da Bíblia colombiano, de Nova Iorque, EUA, enviou pelo correio a edição em espanhol de The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras) a um homem em Bogotá, na Colômbia. Depois de uns seis meses, Ramón Salgar respondeu. Ele estudara meticulosamente o livro, ficara maravilhado e desejava 200 exemplares para distribuir a outras pessoas. O irmão J. L. Mayer, de Brooklyn, Nova Iorque, enviou também por correio muitos exemplares em espanhol do Bible Students Monthly (O Mensário dos Estudantes da Bíblia). Considerável quantidade foi para a Espanha. E, quando Alfred Joseph, que na época estava em Barbados, assumiu um contrato de trabalho em Serra Leoa, África Ocidental, ele aproveitou as oportunidades para dar testemunho ali sobre as verdades da Bíblia que havia aprendido recentemente.

      Para os colportores, cujo ministério envolvia visitar residências e estabelecimentos comerciais, muitas vezes era mais difícil. Mas vários que foram para El Salvador, Honduras e Guatemala mantinham-se ocupados ali em 1916, partilhando verdades vitalizadoras com as pessoas. Nesse período, Fanny Mackenzie, colportora de nacionalidade britânica, fez duas viagens de navio ao Oriente, parando na China, no Japão e na Coréia para distribuir publicações bíblicas, e depois cultivou o interesse por meio de cartas.

      No entanto, segundo registros disponíveis, o número de Estudantes da Bíblia que de algum modo participavam na pregação das boas novas em 1918 diminuiu em 20 por cento no mundo todo, em comparação com o relatório de 1914. Depois do tratamento cruel recebido durante os anos de guerra, persistiriam eles no ministério?

      Imbuídos de renovada vida

      Em 26 de março de 1919, o presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) e seus associados foram libertados do encarceramento injusto. Logo se fizeram planos para impulsionar a proclamação mundial das boas novas do Reino de Deus.

      Num congresso geral em Cedar Point, Ohio, em setembro daquele ano, J. F. Rutherford, então presidente da Sociedade, proferiu um discurso que destacou a proclamação do estabelecimento do glorioso Reino Messiânico de Deus como a obra realmente importante para os servos de Jeová.

      No entanto, o número efetivo dos que então participavam nessa obra era pequeno. Alguns dos que temerosamente se haviam refreado em 1918 voltaram à atividade, e mais uns poucos juntaram-se a eles. Mas os registros disponíveis mostram que em 1919 apenas uns 5.700 estavam ativos em dar testemunho, em 43 países. Todavia, Jesus predissera: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações.” (Mat. 24:14) Como se conseguiria isso? Eles não sabiam, e tampouco sabiam por quanto tempo a obra de dar testemunho ainda continuaria. Entretanto, os que eram servos leais de Deus estavam dispostos e ansiosos para dar continuidade à obra. Tinham certeza de que Jeová dirigiria os assuntos em harmonia com a Sua vontade.

      Imbuídos de zelo pelo que viam claramente indicado na Palavra de Deus, puseram-se a trabalhar. Em três anos, o número dos que participavam em proclamar publicamente o Reino de Deus quase triplicou, segundo relatórios disponíveis, e em 1922 eles pregavam em 15 países a mais do que em 1919.

      Um assunto intrigante

      Que mensagem empolgante proclamavam — “milhões que agora vivem jamais morrerão!” O irmão Rutherford proferira em 1918 um discurso sobre esse assunto. Era também o título dum folheto de 128 páginas publicado em 1920. De 1920 a 1925, esse mesmo assunto foi abordado vez após vez em todo o mundo em reuniões públicas em todas as regiões em que houvesse oradores, e em mais de 30 idiomas. Em vez de ensinar, como faz a cristandade, que todos os bons vão para o céu, esse discurso focalizava a atenção na esperança bíblica de vida eterna na Terra paradísica para a humanidade obediente. (Isa. 45:18; Rev. 21:1-5) E expressava a convicção de que o tempo para a realização dessa esperança estava bem próximo.

      Os discursos eram anunciados em jornais e em cartazes. O assunto era intrigante. Em 26 de fevereiro de 1922, mais de 70.000 pessoas ouviram o discurso em 121 locais só na Alemanha. Não era incomum uma única assistência chegar a milhares. Na Cidade do Cabo, África do Sul, por exemplo, 2.000 pessoas compareceram para ouvir esse discurso na Opera House. No auditório da universidade na capital da Noruega, tantas pessoas ficaram impossibilitadas de entrar que o programa teve de ser repetido uma hora e meia depois — novamente com casa cheia.

      Em Klagenfurt, Áustria, Richard Heide disse a seu pai: “Vou ouvir este discurso apesar do que outros possam dizer. Quero saber se é apenas um blefe, ou se há alguma verdade nisso!” Ele ficou profundamente comovido com o que ouviu, e pouco tempo depois ele, sua irmã e seus pais falavam a outros sobre o assunto.

      Mas a mensagem da Bíblia não era só para pessoas que compareciam a discursos públicos. Era preciso que outros também a conhecessem. Não só o público em geral, mas também líderes políticos e religiosos precisavam ouvi-la. Como se conseguiria isso?

      Distribuição de declarações poderosas

      A página impressa era usada para alcançar milhões de pessoas que antes haviam apenas ouvido falar dos Estudantes da Bíblia e da mensagem que proclamavam. De 1922 a 1928, deu-se um testemunho eficaz por meio de sete declarações poderosas, resoluções adotadas nos congressos anuais dos Estudantes da Bíblia. A quantidade de exemplares impressos da maioria de cada uma das resoluções distribuídas após aqueles congressos chegava a 45 ou 50 milhões — um feito realmente surpreendente para o pequeno grupo de proclamadores do Reino então existente!

      A resolução de 1922 foi intitulada “Um Desafio aos Líderes do Mundo” — sim, um desafio para que justificassem a sua alegação de que podiam estabelecer paz, prosperidade e felicidade para a humanidade ou, então, se fracassassem nisso, que reconhecessem que apenas o Reino de Deus por meio de seu Messias pode fazer isso. Na Alemanha, essa resolução foi enviada como correspondência registrada ao kaiser alemão no exílio, ao presidente e a todos os membros da Dieta Imperial; e cerca de 4,5 milhões de exemplares foram distribuídos ao público. Na África do Sul, Edwin Scott, com uma sacola de publicações nas costas e uma vara na mão para se defender de cães ferozes, visitou 64 cidadezinhas, distribuindo pessoalmente 50.000 exemplares. Dali em diante, quando o clero holandês na África do Sul visitava os paroquianos para fazer coletas, muitos destes mostravam a resolução ao clérigo e diziam: “O senhor devia ler isto e assim não mais voltaria para tirar dinheiro de nós.”

      Em 1924, a resolução “Acusados os Eclesiásticos” denunciou os ensinos e as práticas antibíblicas do clero, expôs seu papel durante a guerra mundial e incentivou as pessoas a estudar a Bíblia para que aprendessem por si mesmas a respeito das provisões maravilhosas de Deus para a bênção da humanidade. Na Itália, naquela época, exigia-se dos impressores que pusessem seu nome em tudo que imprimissem, e cabia a eles a responsabilidade pelo conteúdo dos impressos. O Estudante da Bíblia que supervisionava a obra na Itália submeteu um exemplar da resolução às autoridades, que a examinaram e prontamente deram permissão para impressão e distribuição. Os impressores também concordaram em publicá-la. Os irmãos na Itália distribuíram 100.000 cópias. Certificaram-se em especial de que o papa e outras destacadas autoridades do Vaticano recebessem a sua.

      Na França, a distribuição dessa resolução resultou em reações veementes, não raro violentas, da parte do clero. Em desespero, um clérigo em Pomerânia, Alemanha, processou a Sociedade e seu diretor, mas perdeu a causa quando o tribunal tomou conhecimento do conteúdo da resolução na íntegra. Para evitar interferência na obra por parte daqueles que não desejavam que as pessoas conhecessem a verdade, os Estudantes da Bíblia na província de Quebec, no Canadá, deixavam as resoluções nas casas de madrugada, a partir das 3 horas. Eram tempos emocionantes!

      Gratidão pelas respostas satisfatórias

      Durante a Primeira Guerra Mundial, muitos armênios foram impiedosamente expulsos de suas casas e de sua terra. Apenas duas décadas antes, centenas de milhares de armênios haviam sido massacrados, e outros haviam fugido para salvar a vida. Alguns desse povo haviam lido as publicações da Sociedade Torre de Vigia em sua terra. Mas muitos outros receberam testemunho nos países em que se refugiaram.

      Depois das crueldades que sofreram, muitos tinham sérias dúvidas quanto a por que Deus permitia o mal. Por quanto tempo ainda continuaria? Quando acabaria? Alguns deles ficaram gratos por aprenderem as respostas satisfatórias encontradas na Bíblia. Rapidamente surgiram grupos de Estudantes da Bíblia armênios em várias cidades do Oriente Médio. Seu zelo pela verdade da Bíblia influía na vida de outros. Na Etiópia, na Argentina e nos Estados Unidos, outros armênios abraçavam as boas novas e aceitavam de bom grado o dever de partilhá-las com outros. Um deles foi Krikor Hatzakortzian, pioneiro que, sozinho, divulgou a mensagem do Reino na Etiópia em meados da década de 30. Certa vez, ao ser falsamente acusado por opositores, ele teve a oportunidade de dar testemunho ao imperador, Hailé Selassié.

      Levaram preciosas verdades de volta à terra natal

      O desejo ardente de partilhar verdades bíblicas vitais impeliu muitos a voltar a sua terra natal a fim de evangelizar. Sua reação foi similar à das pessoas, procedentes de muitos países, que estavam em Jerusalém, em 33 EC, e que se tornaram crentes quando o espírito santo induziu os apóstolos e seus associados a falar em muitas línguas “sobre as coisas magníficas de Deus”. (Atos 2:1-11) Assim como os crentes do primeiro século levaram consigo a verdade ao retornar a suas respectivas terras, também o fizeram esses discípulos da atualidade.

      Homens e mulheres que aprenderam a verdade no exterior retornaram à Itália. Procediam dos Estados Unidos, da Bélgica e da França, e proclamavam zelosamente a mensagem do Reino onde se estabeleciam. Colportores do cantão suíço de Ticino, de língua italiana, também se mudaram para a Itália a fim de levar avante a obra. Embora fossem poucos, em resultado de sua atividade unida eles logo alcançaram quase todas as cidades principais e muitos povoados da Itália. Não registravam as horas dedicadas a esse trabalho. Convencidos de que pregavam verdades que Deus desejava que as pessoas soubessem, muitas vezes trabalhavam desde a manhã até à noite para contatar o máximo possível de pessoas.

      Gregos que se tornaram Estudantes da Bíblia na vizinha Albânia e na distante América também deram atenção a sua terra. Ficaram emocionados ao aprender que a adoração de ícones não é bíblica (Êxo. 20:4, 5; 1 João 5:21), que os pecadores não são queimados no inferno de fogo (Ecl. 9:5, 10; Eze. 18:4; Rev. 21:8) e que o Reino de Deus é a genuína e única esperança da humanidade (Dan. 2:44; Mat. 6:9, 10). Ficaram ansiosos de partilhar essas verdades com os conterrâneos — pessoalmente ou por carta. Em resultado disso, começaram a surgir grupos de Testemunhas de Jeová na Grécia e nas ilhas gregas.

      Depois da Primeira Guerra Mundial, milhares de pessoas da Polônia mudaram-se para a França a fim de trabalhar nas minas de carvão. As congregações francesas não as passaram por alto só porque falavam outra língua. Acharam maneiras de partilhar verdades bíblicas com esses mineradores e suas famílias, e o número dos que acataram a mensagem logo ultrapassou o de Testemunhas francesas. Quando 280 pessoas tiveram de retornar à Polônia, em 1935, devido a uma ordem de deportação da parte do governo, isso apenas serviu para dar ímpeto à divulgação da mensagem do Reino ali. Assim, em 1935, havia 1.090 proclamadores do Reino que davam testemunho na Polônia.

      Outros aceitaram convites de sair de seu país para trabalhar em campos estrangeiros.

      Zelosos evangelizadores europeus ajudam em campos estrangeiros

      Com cooperação internacional, os Estados Bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) ouviram as acalentadoras verdades sobre o Reino de Deus. Nas décadas de 20 e de 30, irmãos zelosos da Alemanha, da Dinamarca, da Finlândia e da Inglaterra deram um amplo testemunho naquela região. Distribuíram-se muitas publicações, e milhares de pessoas ouviram os discursos bíblicos proferidos. Programas bíblicos transmitidos regularmente pelo rádio na Estônia, em várias línguas, chegaram até o que então era a União Soviética.

      Trabalhadores dispostos da Alemanha, nas décadas de 20 e de 30, aceitaram designações para países como Áustria, Bélgica, Bulgária, Espanha, França, Iugoslávia, Luxemburgo, Países Baixos e Tchecoslováquia. Willy Unglaube era um desses. Depois de servir algum tempo no Betel de Magdeburgo, na Alemanha, ele cumpriu designações como evangelizador de tempo integral na França, Argélia, Espanha, Cingapura, Malaísia e Tailândia.

      Quando a França pediu ajuda na década de 30, colportores da Grã-Bretanha mostraram estar cientes de que a comissão cristã de pregar requeria evangelizar em outras partes da Terra, além de em seu próprio país. (Mar. 13:10) John Cooke foi um dos trabalhadores zelosos que atenderam à chamada ‘macedônia’. (Compare com Atos 16:9, 10.) Nas seis décadas seguintes, ele cumpriu designações de serviço na França, na Espanha, na Irlanda, em Portugal, em Angola, em Moçambique e na África do Sul. Eric, irmão de John, deixou o emprego no Banco Barclay e juntou-se a ele no ministério de tempo integral na França; depois, ele também serviu na Espanha e na Irlanda, e fez serviço missionário na Rodésia do Sul (agora Zimbábue) e na África do Sul.

      Em maio de 1926, George Wright e Edwin Skinner, da Inglaterra, aceitaram o convite de ajudar a expandir a obra do Reino na Índia. Sua designação era enorme! Incluía o Afeganistão, a Birmânia (agora Mianmar), o Ceilão (agora Sri Lanka), a Índia e a Pérsia (agora Irã). Ao chegarem a Bombaim, foram saudados pelas chuvas de monção. No entanto, visto que não se preocupavam demais com conforto ou conveniências pessoais, logo estavam viajando para as regiões remotas do país a fim de localizar Estudantes da Bíblia de quem já tinham conhecimento e encorajá-los. Além disso, distribuíram enormes quantidades de publicações para estimular o interesse de outros. O trabalho foi intenso. Assim, em 1928, os 54 proclamadores do Reino em Travancore (Querala), no sul da Índia, programaram 550 reuniões públicas às quais compareceram cerca de 40.000 pessoas. Em 1929, mais quatro pioneiros do campo britânico mudaram-se para a Índia a fim de ajudar na obra. E em 1931 outros três da Inglaterra chegaram a Bombaim. Vez após vez, eles faziam esforços para alcançar várias partes desse vasto país, distribuindo publicações nas línguas indianas, além de em inglês.

      Nesse ínterim, o que acontecia na Europa Oriental?

      Uma colheita espiritual

      Antes da Primeira Guerra Mundial, sementes da verdade bíblica haviam sido espalhadas na Europa Oriental, e algumas haviam criado raízes. Em 1908, Andrásné Benedek, uma humilde senhora húngara, retornara à Áustria-Hungria, para partilhar com outros as coisas boas que aprendera. Dois anos depois, Károly Szabó e József Kiss também retornaram a esse país e divulgaram a verdade bíblica especialmente em regiões que mais tarde vieram a ser conhecidas como Romênia e Tchecoslováquia. Apesar da violenta oposição da parte do clero irado, formaram-se grupos de estudo e deu-se um amplo testemunho. Outros juntaram-se a eles na declaração pública de sua fé, e, por volta de 1935, o total de proclamadores do Reino na Hungria já havia aumentado para 348.

      A Romênia quase dobrou em tamanho quando o mapa da Europa foi reformulado pelos vitoriosos depois da Primeira Guerra Mundial. Relatou-se que naquele país aumentado havia, em 1920, cerca de 150 grupos de Estudantes da Bíblia, com os quais 1.700 pessoas se associavam. No ano seguinte, na celebração da Refeição Noturna do Senhor, umas 2.000 pessoas participaram dos emblemas da Comemoração, indicando assim que professavam ser irmãos de Cristo, ungidos pelo espírito. Esse número aumentou extraordinariamente nos quatro anos seguintes. Em 1925, 4.185 pessoas compareceram à Comemoração, e, como era o costume na época, a maioria certamente participou dos emblemas. No entanto, a fé de todos esses seria provada. Mostrar-se-iam “trigo” genuíno ou apenas imitação? (Mat. 13:24-30, 36-43) Efetuariam realmente a obra de dar testemunho, de que Jesus incumbira seus seguidores? Perseverariam nisso diante de intensa oposição? Seriam fiéis, mesmo quando outros demonstrassem um espírito como o de Judas Iscariotes?

      O relatório de 1935 indica que nem todos tinham o tipo de fé que os habilitaria a perseverar. Naquele ano, apenas 1.188 participaram de alguma forma em dar testemunho na Romênia, embora o número dos que participavam dos emblemas da Comemoração naquela época fosse mais de duas vezes maior. Todavia, os fiéis se mantiveram ocupados no serviço do Amo. Partilhavam com outras pessoas humildes as verdades da Bíblia que alegravam o seu próprio coração. Uma maneira notável de fazerem isso foi pela distribuição de publicações. Entre 1924 e 1935, eles já haviam distribuído aos interessados mais de 800.000 livros e folhetos, além de tratados.

      Que dizer da Tchecoslováquia, que se tornara uma nação em 1918, após o colapso do Império Austro-Húngaro? Um testemunho ainda mais intenso contribuía para a colheita espiritual ali. A pregação nesse país fora feita anteriormente em húngaro, russo, romeno e alemão. Daí, em 1922, vários Estudantes da Bíblia retornaram dos Estados Unidos para dar atenção à população de língua eslovaca, e, no ano seguinte, um casal da Alemanha concentrou-se no território tcheco. Assembléias regulares, embora pequenas, ajudavam a encorajar e unificar os irmãos. Depois de as congregações ficarem mais bem organizadas para a evangelização de casa em casa, em 1927, o crescimento tornou-se mais evidente. Em 1932, o congresso internacional em Praga, ao qual compareceram cerca de 1.500 pessoas da Tchecoslováquia e de países vizinhos, deu um poderoso ímpeto à obra. Além disso, multidões assistiram a uma versão de quatro horas de duração do “Photo-Drama of Creation” (Fotodrama da Criação), apresentada de ponta a ponta no país. Em apenas uma década, mais de 2.700.000 exemplares de publicações bíblicas foram distribuídos aos vários grupos lingüísticos nesse país. Toda essa obra de plantar, cultivar e regar em sentido espiritual contribuiu para uma colheita em que 1.198 proclamadores do Reino participaram em 1935.

      A Iugoslávia (conhecida primeiro como Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos) viera à existência em resultado da reformulação do mapa da Europa após a Primeira Guerra Mundial. Já em 1923, relatava-se que um grupo de Estudantes da Bíblia dava testemunho em Belgrado. Mais tarde, o “Photo-Drama of Creation” foi apresentado a multidões em todo o país. Quando as Testemunhas de Jeová passaram a sofrer severa perseguição na Alemanha, o número de publicadores na Iugoslávia aumentou devido à chegada de pioneiros alemães. Sem se preocuparem com o conforto pessoal, eles se esforçaram para levar a pregação até as partes mais remotas desse país montanhoso. Outros pioneiros foram para a Bulgária. Na Albânia também se faziam esforços para pregar as boas novas. Em todos esses lugares, lançaram-se sementes da verdade do Reino. Algumas deram frutos. Mas somente anos depois é que haveria uma colheita maior nesses lugares.

      Mais ao sul, no continente africano, as boas novas também eram divulgadas por aqueles que tinham profundo apreço pelo privilégio de ser testemunhas do Altíssimo.

      A luz espiritual brilha na África Ocidental

      Uns sete anos depois de ter ido para a África Ocidental a fim de cumprir um contrato de trabalho, um Estudante da Bíblia de Barbados escreveu à Sociedade Torre de Vigia, em Nova Iorque, para informar que muitos mostravam interesse na Bíblia. Alguns meses depois, em 14 de abril de 1923, a convite do irmão Rutherford, W. R. Brown, que servia em Trinidad, chegou a Freetown, Serra Leoa, com a família.

      Providenciou-se imediatamente que o irmão Brown proferisse um discurso no Salão Memorial de Wilberforce. Em 19 de abril, a assistência era de umas 500 pessoas, entre as quais a maioria dos clérigos de Freetown. No domingo seguinte ele falou novamente. O assunto era o mesmo que C. T. Russell abordara muitas vezes — “Ida e Volta do Inferno! Quem Está Lá.” Os discursos do irmão Brown costumavam ser recheados de citações bíblicas apresentadas à assistência por meio de slides com lanterna. À medida que proferia o discurso, ele dizia: “Não é Brown quem diz, mas é a Bíblia quem diz.” Por isso, ele veio a ser conhecido como “Bíblia Brown”. E, em resultado de sua apresentação lógica e bíblica, alguns ilustres membros de igreja renunciaram e passaram a servir a Jeová.

      “Bíblia Brown” fez extensivas viagens para dar início à obra do Reino em outras regiões. Para tanto, proferia numerosos discursos e distribuía grandes quantidades de publicações, e incentivava outros a fazer o mesmo. Sua evangelização levou-o a Costa do Ouro (agora Gana), Libéria, Gâmbia e Nigéria. A partir da Nigéria, outras pessoas levaram a mensagem do Reino para Benin (então conhecido como Daomé) e Camarões. O irmão Brown sabia que o público tinha pouca estima pelo que eles chamavam de “religião do homem branco”, de modo que, no Salão Memorial de Glover, em Lagos, ele falou sobre o fracasso da religião da cristandade. Após a reunião, a entusiástica assistência obteve 3.900 livros para ler e partilhar com outros.

      Quando o irmão Brown foi para a África Ocidental, só um punhado de pessoas havia ouvido a mensagem do Reino ali. Ao partir, 27 anos depois, bem mais de 11.000 eram ativas Testemunhas de Jeová na região. As falsidades religiosas estavam sendo expostas; a adoração verdadeira criara raízes e se espalhava rapidamente.

      Na costa leste da África

      Bem cedo no século 20, algumas publicações de C. T. Russell foram introduzidas no sudeste da África por pessoas que haviam adotado alguns conceitos apresentados nesses livros, mas que os haviam misturado com a sua própria filosofia. Isso resultou em vários dos chamados movimentos Torre de Vigia, que não tinham ligação alguma com as Testemunhas de Jeová. Alguns desses movimentos tinham orientação política e atiçavam inquietação entre os africanos nativos. Durante muitos anos, a má reputação desses grupos representou obstáculos para a obra das Testemunhas de Jeová.

      No entanto, vários africanos discerniram a diferença entre o verdadeiro e o falso. Trabalhadores itinerantes levavam as boas novas do Reino de Deus a países vizinhos e as partilhavam com pessoas que falavam línguas africanas. A população de língua inglesa no sudeste da África ouvia a mensagem principalmente através de contatos com a África do Sul. Em alguns países, porém, a forte oposição das autoridades, instigada pelo clero da cristandade, impedia que as Testemunhas européias pregassem entre os grupos de línguas africanas. Mas a verdade se difundia, embora muitos que mostravam interesse na mensagem da Bíblia precisassem de mais ajuda para aplicar corretamente o que aprendiam.

      Algumas autoridades sem preconceito não aceitavam sem questionar as acusações perversas do clero da cristandade contra as Testemunhas de Jeová. Foi o caso de um delegado de polícia na Niassalândia (agora Malaui) que se disfarçava e ia às reuniões das Testemunhas nativas para descobrir por conta própria que tipo de pessoas elas eram. Ele teve uma boa impressão. Quando o governo aprovou a entrada e a permanência de um representante europeu, Bert McLuckie e, mais tarde, seu irmão, Bill, foram enviados para aquele país em meados da década de 30. Eles se mantinham em contato com a Polícia e os delegados distritais, para que essas autoridades entendessem bem as suas atividades e não confundissem as Testemunhas de Jeová com nenhum dos movimentos falsamente chamados de Torre de Vigia. Ao mesmo tempo, trabalharam pacientemente, junto com Gresham Kwazizirah, uma Testemunha local, madura, a fim de ajudar as centenas de pessoas que desejavam associar-se com as congregações a reconhecer que a imoralidade sexual, o abuso de bebidas alcoólicas e a superstição não têm lugar na vida das Testemunhas de Jeová. — 1 Cor. 5:9-13; 2 Cor. 7:1; Rev. 22:15.

      Em 1930, havia apenas umas cem Testemunhas de Jeová em todo o sul da África. No entanto, sua designação incluía mais ou menos toda a África ao sul do equador e alguns territórios que se estendiam para o norte do equador. Cobrir essa vasta extensão de território com a mensagem do Reino exigia verdadeiros pioneiros. Frank e Gray Smith eram desses.

      Partindo da Cidade do Cabo, eles viajaram de navio 4.800 quilômetros no sentido leste e norte e depois prosseguiram de carro por quatro dias em estradas acidentadas para chegar a Nairóbi, no Quênia (na África Oriental Britânica). Em menos de um mês, distribuíram 40 caixas de publicações bíblicas. Mas, infelizmente, na viagem de retorno, Frank morreu de malária. Apesar disso, pouco tempo depois, Robert Nisbet e David Norman partiram — dessa vez com 200 caixas de publicações — para pregar no Quênia e em Uganda, além de em Tanganica e em Zanzibar (ambos agora Tanzânia), alcançando o maior número possível de pessoas. Outras viagens similares divulgaram a mensagem do Reino nas ilhas de Maurício e Madagascar, no oceano Índico, e de Sta. Helena, no oceano Atlântico. Sementes da verdade foram lançadas, mas elas não germinaram e cresceram imediatamente em toda parte.

      Da África do Sul, a pregação das boas novas também se estendeu à Basutolândia (agora Lesoto), à Bechuanalândia (agora Botsuana) e à Suazilândia, já em 1925. Uns oito anos depois, quando pioneiros novamente pregavam na Suazilândia, o Rei Sobuza II deu-lhes uma acolhida régia. Ele reuniu sua guarda pessoal de cem guerreiros, ouviu um testemunho cabal e adquiriu todas as publicações da Sociedade de que os irmãos dispunham.

      Gradualmente, o número de Testemunhas de Jeová cresceu nessa parte do campo mundial. Outros se juntaram aos poucos que deram início à obra na África no princípio deste século 20, e, por volta de 1935, 1.407 pessoas no continente africano relatavam participação na obra de dar testemunho do Reino de Deus. Boa parte delas estava na África do Sul e na Nigéria. Outros grupos grandes que se identificavam como Testemunhas de Jeová estavam na Niassalândia (agora Malaui), na Rodésia do Norte (agora Zâmbia) e na Rodésia do Sul (agora Zimbábue).

      Durante esse mesmo período, também se dava atenção a países de língua espanhola e portuguesa.

      Cultivando campos espanhóis e portugueses

      Com a Primeira Guerra Mundial ainda em andamento, publicou-se em espanhol o primeiro número de The Watch Tower (A Sentinela). Trazia o endereço de um escritório em Los Angeles, Califórnia, aberto para dar atenção especial ao campo de língua espanhola. Irmãos desse escritório deram muita ajuda pessoal aos interessados nos Estados Unidos e em países ao sul.

      Juan Muñiz, que se tornara servo de Jeová em 1917, foi incentivado pelo irmão Rutherford, em 1920, a sair dos Estados Unidos e retornar à Espanha, sua terra, para organizar ali a obra de pregação do Reino. No entanto, os resultados foram limitados, não por falta de zelo de sua parte, mas porque ele era constantemente vigiado pela Polícia; assim, depois de alguns anos, foi transferido para a Argentina.

      No Brasil, alguns adoradores de Jeová já pregavam. Oito humildes marinheiros haviam aprendido a verdade enquanto estavam de folga do navio, em Nova Iorque. De volta ao Brasil no início de 1920, ocuparam-se em partilhar a mensagem da Bíblia com outros.

      George Young, um canadense, foi enviado para o Brasil em 1923. Ele certamente ajudou a estimular a obra. Proferindo muitos discursos públicos por meio de intérpretes, mostrou o que a Bíblia diz sobre a condição dos mortos, expôs o espiritismo como demonismo e explicou o propósito de Deus para a bênção de todas as famílias da Terra. Seus discursos eram ainda mais persuasivos porque às vezes ele projetava numa tela os textos bíblicos em consideração para que a assistência os lesse em sua própria língua. Enquanto ele estava no Brasil, Bellona Ferguson, de São Paulo, finalmente pôde ser batizada, junto com quatro filhos. Ela esperara 25 anos por essa oportunidade. Entre os que aceitaram a verdade, alguns se ofereceram na época para ajudar na tradução de publicações para o português. Logo havia um bom suprimento de publicações nessa língua.

      Do Brasil o irmão Young foi para a Argentina, em 1924, e providenciou a distribuição gratuita de 300.000 exemplares de publicações em espanhol em 25 das principais cidades. Naquele mesmo ano, ele também foi pessoalmente ao Chile, ao Peru e à Bolívia para distribuir tratados.

      George Young logo recebeu uma nova designação. Dessa vez era a Espanha e Portugal. Depois de ser apresentado pelo embaixador britânico a autoridades locais, ele conseguiu providenciar que o irmão Rutherford discursasse em Barcelona, em Madri e na capital de Portugal. Após os discursos, ao todo mais de 2.350 pessoas deram o nome e o endereço com pedidos de mais informações. Depois, o discurso foi publicado num importante jornal da Espanha, e foi enviado pelo correio em forma de tratado para pessoas em todo o país. Foi publicado também pela imprensa portuguesa.

      Por esses meios, a mensagem chegou a muito além das fronteiras da Espanha e de Portugal. Em fins de 1925, as boas novas haviam penetrado nas ilhas Cabo Verde (agora República de Cabo Verde), em Madeira, na África Oriental Portuguesa (agora Moçambique), na África Ocidental Portuguesa (agora Angola) e em ilhas do oceano Índico.

      No ano seguinte, fizeram-se arranjos para a impressão da poderosa resolução “Um Testemunho aos Regentes do Mundo”, no jornal espanhol La Libertad. Transmissões radiofônicas e distribuição de livros, folhetos e tratados, bem como apresentações do “Photo-Drama of Creation”, ajudaram a intensificar o testemunho. Em 1932, vários pioneiros ingleses aceitaram o convite de dar ajuda nesse campo, e sistematicamente percorreram grandes partes do país com publicações bíblicas até que a Guerra Civil Espanhola os obrigou a partir.

      Nesse ínterim, ao chegar à Argentina, o irmão Muñiz logo começou a pregar, ao passo que se sustentava consertando relógios. Além da obra que realizava na Argentina, ele dava atenção ao Chile, ao Paraguai e ao Uruguai. A seu pedido, alguns irmãos vieram da Europa para dar testemunho à população de língua alemã. Muitos anos depois, Carlos Ott contou que eles começavam o dia de serviço às 4 da madrugada, deixando tratados debaixo de todas as portas no território. Mais tarde no mesmo dia, eles voltavam para dar um testemunho adicional e oferecer outras publicações bíblicas aos moradores interessados. Partindo de Buenos Aires, os que participavam no ministério de tempo integral espalharam-se por todo o país, primeiro seguindo as ferrovias que se irradiavam por centenas de quilômetros desde a capital, como dedos bem abertos, e depois usando todo meio de transporte que encontrassem. Eles tinham muito pouco em sentido material e suportavam muitas dificuldades, mas eram espiritualmente ricos.

      Um desses trabalhadores zelosos na Argentina era Nicolás Argyrós, um grego. Em princípios de 1930, ao obter algumas publicações da Sociedade Torre de Vigia, ele ficou especialmente impressionado com o folheto Hell (Inferno), cujos subtítulos perguntavam: “O Que É? Quem Está Lá? Podem Eles Sair?” Ficou maravilhado ao constatar que o folheto não retratava pecadores sendo assados numa grelha. Que surpresa teve ao se dar conta de que o inferno de fogo é uma mentira religiosa inventada para amedrontar as pessoas, como se dera no seu caso! Prontamente passou a partilhar a verdade — primeiro, com os gregos; depois, à medida que seu espanhol melhorava, com outros. Ele dedicava mensalmente de 200 a 300 horas a partilhar as boas novas com outros. A pé e por quaisquer outros meios de transporte disponíveis, ele divulgou verdades bíblicas em 14 das 22 províncias da Argentina. Ao passo que se mudava de um lugar para outro, ele dormia numa cama quando pessoas hospitaleiras lhe ofereciam uma, outras vezes dormia ao relento, e até mesmo num estábulo, tendo um burro como despertador!

      Outro que tinha o espírito de um verdadeiro pioneiro era Richard Traub, que aprendera a verdade em Buenos Aires. Ele ficou ansioso de partilhar as boas novas com as pessoas do outro lado dos Andes, no Chile. Em 1930, cinco anos depois de ser batizado, ele chegou ao Chile — a única Testemunha de Jeová num país de 4.000.000 de pessoas. A princípio, só tinha a Bíblia para trabalhar, mas começou a fazer visitas de casa em casa. Não havia reuniões congregacionais a que pudesse assistir, de modo que, aos domingos, na hora costumeira da reunião, ele ia para o monte San Cristóbal, sentava à sombra de uma árvore e se absorvia em estudo pessoal e oração. Depois de alugar um apartamento, passou a convidar as pessoas para reuniões ali. O único, além dele, que compareceu à primeira reunião foi Juan Flores, que perguntou: “E os outros, quando virão?” O irmão Traub simplesmente respondeu: “Eles virão.” E vieram mesmo. Em menos de um ano, 13 pessoas se tornaram servos batizados de Jeová.

      Quatro anos depois, duas Testemunhas de Jeová que não se conheciam juntaram-se para pregar as boas novas na Colômbia. Depois de um produtivo ano ali, Hilma Sjoberg teve de retornar aos Estados Unidos. Mas Kathe Palm embarcou para o Chile, usando os 17 dias no navio para dar testemunho à tripulação e aos passageiros. Durante a década seguinte, ela trabalhou de Arica, porto no extremo norte do Chile, à Terra do Fogo, território no extremo sul. Visitou o comércio e deu testemunho a autoridades. Usando um alforje nos ombros para carregar publicações e algumas coisas necessárias, como um cobertor para dormir, ela alcançou os mais distantes campos de mineração e fazendas de criação de ovelhas. Era a vida de um verdadeiro pioneiro. E havia outros que tinham o mesmo espírito — alguns solteiros, outros casados, tanto jovens como idosos.

      Em 1932, fez-se um esforço especial para divulgar a mensagem do Reino nos países da América Latina em que até então se pregara pouco. Naquele ano, o folheto The Kingdom, the Hope of the World, que em português saiu com o título de O Reino de Deus É a Felicidade do Povo, teve notável distribuição. Esse folheto continha um discurso que já havia sido ouvido numa transmissão radiofônica internacional. Dessa feita, cerca de 40.000 exemplares impressos do discurso foram distribuídos no Chile, 25.000 na Bolívia, 25.000 no Peru, 15.000 no Equador, 20.000 na Colômbia, 10.000 em Santo Domingo (agora República Dominicana) e 10.000 em Porto Rico. A mensagem do Reino estava mesmo sendo proclamada, e com grande intensidade.

      Por volta de 1935, havia na América do Sul apenas 247 pessoas que juntaram suas vozes para proclamar que somente o Reino de Deus trará verdadeira felicidade à humanidade. Mas que testemunho davam!

      Mesmo nas regiões mais remotas

      As Testemunhas de Jeová de modo algum achavam que seu dever perante Deus estaria cumprido se simplesmente conversassem com alguns que por acaso fossem seus vizinhos. Elas se empenhavam para alcançar a todos com as boas novas.

      As pessoas que moravam em lugares aonde na época as Testemunhas não tinham condições de ir pessoalmente podiam ser alcançadas de outras maneiras. Assim, em fins da década de 20, as Testemunhas de Jeová na Cidade do Cabo, África do Sul, enviaram pelo correio 50.000 folhetos a todos os agricultores, faroleiros, guardas florestais e a outros que moravam em regiões de difícil acesso. Conseguiu-se também um guia postal atualizado de toda a África do Sudoeste (agora conhecida como Namíbia), e enviou-se pelo correio um exemplar do folheto The Peoples Friend (O Amigo do Povo) a todos cujo nome constava no guia.

      Em 1929, F. J. Franske ficou encarregado da escuna Morton, pertencente à Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), e foi designado, junto com Jimmy James, a alcançar as pessoas em Labrador e em todos os povoados pesqueiros de Terra Nova. No inverno, o irmão Franske viajava pela costa com um trenó puxado por cachorros. Para cobrir o custo das publicações bíblicas que ele lhes deixava, os esquimós e os terra-novenses davam-lhe artigos de couro e peixes, entre outras coisas. Alguns anos depois, ele fez um esforço para visitar mineradores, madeireiros, caçadores, fazendeiros e índios na agreste região do Cariboo, na Colúmbia Britânica. Durante a viagem, ele caçava para obter carne, colhia frutinhas silvestres e assava pão numa frigideira numa fogueira ao ar livre. Depois, em outra ocasião, ele e um companheiro usaram um barco para pesca de salmão como meio de transporte, à medida que levavam a mensagem do Reino a toda ilha, estreito, acampamento madeireiro, farol e povoado ao longo da costa oeste do Canadá. Ele era apenas um dos muitos que faziam esforços especiais para alcançar as pessoas que moravam em regiões remotas da Terra.

      A partir de fins da década de 20, Frank Day viajou rumo ao norte pelos povoados do Alasca, pregando, distribuindo publicações, ao passo que vendia óculos para cuidar de suas necessidades materiais. Embora mancasse com uma perna artificial, ele cobriu a região que se estendia de Ketchikan até Nome, uma distância de cerca de 1.900 quilômetros. Já em 1897, um minerador de ouro obtivera exemplares de Millennial Dawn (Aurora do Milênio) e da Watch Tower enquanto esteve na Califórnia e planejava levá-los para o Alasca ao retornar. E, em 1910, o Capitão Beams, comandante dum baleeiro, distribuíra publicações em seus portos de escala no Alasca. Mas a atividade de pregação passou a se alastrar à medida que o irmão Day fazia suas viagens de verão pelo Alasca vez após vez por mais de 12 anos.

      Duas outras Testemunhas, usando um barco a motor chamado Ester, subiram pela costa norueguesa e foram longe no Ártico. Eles deram testemunho nas ilhas, em faróis, em povoados costeiros e em lugares isolados nas montanhas. Muitos os recebiam bem, e, no decorrer de um ano, eles conseguiram distribuir de 10.000 a 15.000 livros e folhetos que explicavam o propósito de Deus para com a humanidade.

      As ilhas ouvem os louvores de Jeová

      Não foram só as ilhas próximas dos continentes que receberam testemunho. Em princípios da década de 30, Sydney Shepherd viajou de barco por dois anos pelo oceano Pacífico, pregando nas ilhas Cook e no Taiti. Mais ao oeste, George Winton visitava as Novas Hébridas (agora Vanuatu) com as boas novas.

      Por volta da mesma época, Joseph dos Santos, um americano de ascendência portuguesa, também partiu para alcançar territórios até então nunca trabalhados. Primeiro, ele deu testemunho nas ilhas exteriores do Havaí; depois, empreendeu uma viagem de pregação em volta do mundo. Ao chegar às Filipinas, porém, recebeu uma carta do irmão Rutherford, solicitando-lhe que permanecesse ali para estabelecer e organizar a atividade de pregação do Reino. Ele o fez, por 15 anos.

      Nessa época, a filial da Sociedade na Austrália dava atenção à obra no Pacífico Sul e nas proximidades. Dois pioneiros foram enviados para Fiji, onde deram amplo testemunho em 1930-31. A Samoa recebeu testemunho em 1931. A Nova Caledônia foi alcançada em 1932. Um casal de pioneiros da Austrália chegou a trabalhar na China, em 1933, e deu testemunho em 13 das principais cidades nos anos seguintes.

      Os irmãos na Austrália perceberam que se poderia fazer mais se tivessem um barco. Com o tempo, eles equiparam um barco a velas, de 16 metros, a que chamaram de Lightbearer (Portador de Luz), e a partir de princípios de 1935 usaram-no como base de operações por vários anos para um grupo de irmãos zelosos, à medida que davam testemunho nas Índias Orientais Holandesas (agora Indonésia), Cingapura e Malásia. A chegada do barco sempre atraía muita atenção, e isso muitas vezes abria o caminho para os irmãos pregarem e distribuírem muitas publicações.

      Nesse ínterim, no outro lado da Terra, duas pioneiras da Dinamarca decidiram fazer uma viagem de férias às ilhas Féroe, no oceano Atlântico Norte, em 1935. Mas sua intenção era fazer mais do que uma viagem de turismo. Elas levaram milhares de exemplares de publicações, e as usaram bem. Enfrentando com destemor o vento, a chuva e a hostilidade do clero, durante a sua estada elas cobriram o máximo número possível das ilhas habitadas.

      Mais ao oeste, Georg Lindal, um canadense de ascendência islandesa, assumiu uma designação que durou muito mais tempo. Por sugestão do irmão Rutherford, ele mudou-se para a Islândia, para servir como pioneiro, em 1929. Quanta perseverança ele mostrou! Durante a maior parte dos 18 anos seguintes ele serviu ali sozinho. Visitava as cidades e povoados vez após vez. Dezenas de milhares de exemplares de publicações foram distribuídos, mas, na época, nenhum islandês juntou-se a ele no serviço de Jeová. Com exceção de apenas um ano, não havia Testemunhas de Jeová com as quais ele pudesse associar-se na Islândia até 1947, quando chegaram dois missionários treinados em Gileade.

      Quando os homens proíbem o que Deus ordena

      Ao passo que participavam no ministério público, não era incomum, especialmente da década de 20 até a década de 40, as Testemunhas de Jeová encontrarem oposição, em geral atiçada por clérigos locais e, às vezes, por autoridades.

      Numa zona rural ao norte de Viena, Áustria, as Testemunhas viram-se confrontadas por uma multidão hostil de aldeões agitados pelo sacerdote local, que tinha o apoio da Polícia. Os sacerdotes estavam decididos a não permitir a pregação das Testemunhas de Jeová em seus povoados. Mas as Testemunhas, decididas a cumprir a incumbência que Deus lhes dera, mudaram de tática e voltaram outro dia, entrando nos povoados por outros caminhos.

      Apesar de ameaças e exigências da parte de homens, as Testemunhas de Jeová davam-se conta de que tinham a obrigação perante Deus de proclamar Seu Reino. Escolhiam obedecer a Deus como governante antes que aos homens. (Atos 5:29) Quando autoridades locais procuravam negar liberdade religiosa às Testemunhas de Jeová, elas simplesmente traziam ainda mais Testemunhas de Jeová.

      Depois de repetidas detenções em certa região da Baviera, na Alemanha, em 1929, elas fretaram dois trens especiais — um que partiu de Berlim e outro de Dresden. Estes se juntaram em Reichenbach, e, às 2 horas da madrugada, os trens, já acoplados, entraram na região de Regensburg com 1.200 passageiros ansiosos de participar em dar testemunho. Viajar era caro, e cada um pagou sua própria passagem. Em cada estação ferroviária, alguns desembarcavam. Vários haviam levado bicicleta para que pudessem chegar às zonas rurais. Todo o distrito foi coberto num único dia. À medida que viam os resultados de seus esforços unidos, só lhes restava pensar na promessa de Deus aos seus servos: “Nenhuma arma que se forjar contra ti será bem sucedida.” — Isa. 54:17.

      As Testemunhas de Jeová na Alemanha eram tão zelosas que, entre 1919 e 1933, distribuíram, segundo se calcula, pelo menos 125.000.000 de livros, folhetos e revistas, bem como milhões de tratados. No entanto, havia apenas cerca de 15.000.000 de famílias na Alemanha na época. Naquele período, a Alemanha recebeu um testemunho tão cabal quanto o que fora dado em qualquer país do mundo. Naquela parte da Terra encontrava-se uma das maiores concentrações de pessoas que professavam ser seguidores de Cristo, ungidos pelo espírito. Mas, nos anos seguintes, elas também passaram por algumas das mais duras provas de integridade. — Rev. 14:12.

      Em 1933, a oposição das autoridades à obra das Testemunhas de Jeová na Alemanha intensificou-se muito. As casas das Testemunhas e a filial da Sociedade foram vasculhadas repetidas vezes pela Gestapo. Impuseram-se proscrições à atividade das Testemunhas na maioria dos estados alemães, e algumas foram presas. Muitas toneladas de Bíblias e de publicações bíblicas foram queimadas publicamente. Em 1.º de abril de 1935, promulgou-se uma lei nacional que proscrevia os Ernste Bibelforscher (Fervorosos Estudantes da Bíblia, ou Testemunhas de Jeová), e fizeram-se esforços sistemáticos para privá-los dos seus meios de vida. Por sua vez, as Testemunhas realizavam todas as suas reuniões sempre em locais diferentes e em pequenos grupos, providenciavam a duplicação do material de estudo bíblico em formas que a Gestapo não reconhecesse prontamente e adotavam métodos de pregação que não chamassem tanta atenção.

      Mesmo antes disso, desde 1925, os irmãos na Itália já viviam sob a ditadura fascista, e, em 1929, a Igreja Católica e o Estado Fascista assinaram uma concordata. Os cristãos genuínos eram caçados sem misericórdia. Alguns se reuniam em estábulos e em palheiros para evitar serem presos. As Testemunhas de Jeová na Itália naquele tempo eram bem poucas; no entanto, seus esforços de divulgar a mensagem do Reino foram reforçados em 1932 quando 20 Testemunhas da Suíça entraram na Itália e fizeram uma distribuição relâmpago de 300.000 exemplares do folheto O Reino de Deus É a Felicidade do Povo.

      A pressão aumentava também no Extremo Oriente. Algumas Testemunhas de Jeová foram presas no Japão. Grandes quantidades de suas publicações foram destruídas pelas autoridades em Seul (no que agora é a República da Coréia) e em Pyongyang (no que agora é a República Democrática Popular da Coréia).

      Em meio a essa crescente pressão, em 1935, as Testemunhas de Jeová tiveram um entendimento bíblico claro a respeito da identidade da “grande multidão” de Revelação (Apocalipse) 7:9-17. Esse entendimento conscientizou-as duma obra que não haviam previsto e que era urgente. (Isa. 55:5) Já não achavam que todos os que não eram do “pequeno rebanho” de herdeiros do Reino celestial teriam, em alguma época no futuro, a oportunidade de harmonizar sua vida com os requisitos de Jeová. (Luc. 12:32) Davam-se conta de que chegara a época de fazer discípulos dessas pessoas, visando a sua sobrevivência para o novo mundo de Deus. Não sabiam por quanto tempo prosseguiria o ajuntamento dessa grande multidão de todas as nações, embora achassem que o fim do sistema iníquo devia estar muito perto. Não tinham certeza de exatamente como a obra se realizaria em face de perseguição, que se espalhava e se tornava mais cruel. Entretanto, tinham certeza do seguinte: visto que ‘a mão de Jeová não é curta demais’, ele lhes abriria o caminho para que fizessem sua vontade. — Isa. 59:1.

      Em 1935, as Testemunhas de Jeová eram relativamente poucas — apenas 56.153 no mundo todo.

      Elas pregavam em 115 países naquele ano; mas em aproximadamente metade desses países havia menos de dez Testemunhas. Apenas dois países tinham 10.000 ou mais Testemunhas de Jeová ativas (Estados Unidos, com 23.808; Alemanha, segundo se calcula, com 10.000 dos 19.268 que puderam relatar dois anos antes). Sete outros países (Austrália, Canadá, França, Grã-Bretanha, Polônia, Romênia e Tchecoslováquia) relataram, cada um, mais de 1.000, mas menos de 6.000 Testemunhas. O registro de atividade em 21 outros países mostra que em cada um havia entre 100 e 1.000 Testemunhas de Jeová. No entanto, naquele único ano, esse zeloso grupo de Testemunhas devotou em todo o mundo 8.161.424 horas à proclamação do Reino de Deus como a única esperança da humanidade.

      Além dos países em que atuavam em 1935, elas já haviam divulgado as boas novas em outros lugares, de modo que 149 países e grupos de ilhas haviam, até então, sido alcançados com a mensagem do Reino.

      [Destaque na página 424]

      Embora presos, eles encontravam oportunidades de pregar.

      [Destaque na página 425]

      Dispostos e ansiosos de dar prosseguimento à obra!

      [Destaque na página 441]

      Eles enfrentavam com destemor o vento, a chuva e a hostilidade do clero.

      [Destaque na página 442]

      Deu-se um testemunho de proporções extraordinárias na Alemanha antes de os “Ernste Bibelforscher” serem proscritos ali.

      [Mapa/Fotos na página 423]

      Enquanto o mundo estava em guerra, R. R. Hollister e Fanny Mackenzie atarefavam-se em levar uma mensagem de paz ao povo da China, do Japão e da Coréia.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      CORÉIA

      JAPÃO

      CHINA

      OCEANO PACÍFICO

      [Mapa na página 428]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Ao aprenderem sobre os maravilhosos propósitos de Deus para abençoar a humanidade, emigrantes de cada um dos países que aparecem nesse mapa sentiram-se impelidos a levar essas novas à sua terra natal.

      AS AMÉRICAS

      ↓ ↓

      ÁUSTRIA

      BULGÁRIA

      CHIPRE

      TCHECOSLOVÁQUIA

      DINAMARCA

      FINLÂNDIA

      ALEMANHA

      GRÉCIA

      HUNGRIA

      ITÁLIA

      PAÍSES BAIXOS (HOLANDA)

      NORUEGA

      POLÔNIA

      PORTUGAL

      ROMÊNIA

      ESPANHA

      SUÉCIA

      SUÍÇA

      TURQUIA

      IUGOSLÁVIA

      [Mapa na página 432]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Durante as décadas de 20 e de 30, evangelizadores mudaram-se da Alemanha para muitos países a fim de dar testemunho.

      ALEMANHA

      ↓ ↓

      AMÉRICA DO SUL

      ÁFRICA DO NORTE

      ÁSIA

      [Mapa/Fotos na página 435]

      Pioneiros zelosos como Frank Smith e seu irmão, Gray (que aparece na foto de cima), divulgaram as boas novas subindo a costa leste da África.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      UGANDA

      QUÊNIA

      TANZÂNIA

      ÁFRICA DO SUL

      [Mapa/Foto na página 439]

      Em toda a África do Sudoeste (agora Namíbia), as pessoas receberam este folheto pelo correio em 1928.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      NAMÍBIA

      [Mapa/Fotos na página 440]

      A bordo do “Lightbearer”, pioneiros zelosos divulgavam a mensagem do Reino no sudeste da Ásia.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      MALÁSIA

      BORNÉU

      CÉLEBES

      SUMATRA

      JAVA

      TIMOR

      NOVA GUINÉ

      AUSTRÁLIA

      OCEANO PACÍFICO

      [Fotos na página 426]

      Em muitos países, o discurso “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão” atraiu grandes audiências.

      [Fotos na página 427]

      Edwin Scott, na África do Sul, distribuiu pessoalmente 50.000 exemplares de “Um Desafio aos Líderes do Mundo”.

      [Foto na página 429]

      Atendendo à convocação para evangelizadores, Willy Unglaube serviu na Europa, na África e no Oriente.

      [Fotos na página 430]

      Em 1992, Eric Cooke e seu irmão John (sentado) estavam no serviço de tempo integral já por mais de 60 anos cada um, tendo vivido experiências emocionantes na Europa e na África.

      [Foto na página 431]

      Ao ir para a Índia, em 1926, Edwin Skinner tinha uma designação que incluía cinco países; ele continuou pregando ali fielmente por 64 anos.

      [Foto na página 433]

      Alfred e Frieda Tuček, equipados com necessidades básicas da vida e publicações para dar testemunho, serviram como pioneiros na Iugoslávia Antiga.

      [Fotos na página 434]

      Por toda a África Ocidental, “Bíblia Brown” participou vigorosamente em expor a adoração falsa.

      [Foto na página 436]

      George Young participou na ampla proclamação do Reino de Deus na América do Sul, na Espanha e em Portugal.

      [Foto na página 437]

      Juan Muñiz (à esquerda), que pregava na América do Sul desde 1924, estava presente para receber N. H. Knorr em sua primeira visita à Argentina mais de 20 anos depois.

      [Foto na página 438]

      Nicolás Argyrós divulgou a verdade libertadora da Bíblia em 14 províncias argentinas.

      [Fotos na página 439]

      F. J. Franske, viajando em terra e de barco, procurou alcançar povoados remotos com a verdade da Bíblia.

  • Parte 3 — Testemunhas até à parte mais distante da terra
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 22

      Parte 3 — Testemunhas até à parte mais distante da terra

      O relatório global da pregação da mensagem do Reino, de 1935 a 1945, é apresentado nas páginas 444 a 461. O ano de 1935 é muitíssimo significativo, porque nessa época se identificou a grande multidão de Revelação (Apocalipse) 7:9. Relacionado com o ajuntamento desse grupo, as Testemunhas de Jeová passaram a discernir que a Bíblia as incumbia duma obra de proporções maiores do que as de qualquer outra já realizada. Como conseguiram fazer isso quando as nações se envolveram na Segunda Guerra Mundial e a maioria dos países impôs proscrições a elas ou às suas publicações bíblicas?

      NA DÉCADA de 30, o objetivo das Testemunhas de Jeová na sua participação no ministério era alcançar o máximo possível de pessoas com a mensagem do Reino. Se discernissem um interesse excepcional, algumas talvez passassem boa parte da noite explicando verdades da Bíblia e respondendo a perguntas para saciar os espiritualmente famintos. Mas, na maioria dos casos, as Testemunhas faziam apenas apresentações breves, elaboradas para suscitar o interesse dos moradores, e então deixavam que as publicações ou os discursos públicos bíblicos fizessem o resto. Sua obra era informar as pessoas, lançar sementes da verdade do Reino.

      Grande esforço para levar as boas novas a muitos

      A obra era realizada com senso de urgência. Por exemplo, ao ler a clara exposição da verdade bíblica nos folhetos Hell (Inferno) e Onde Estão os Mortos?, no início da década de 30, Armando Menazzi, de Córdoba, Argentina, agiu com determinação. (Sal. 145:20; Ecl. 9:5; Atos 24:15) Motivado pelo que aprendeu, e influenciado pelo zelo que Nicolás Argyrós mostrava, ele vendeu sua oficina mecânica para dedicar-se à pregação da verdade como pioneiro. Depois, em princípios da década de 40, com seu incentivo, as Testemunhas em Córdoba compraram um ônibus usado, instalaram camas e usaram esse veículo para levar dez ou mais publicadores em viagens de pregação que duravam uma ou duas semanas, ou até três meses. À medida que essas viagens eram planejadas, dava-se a diferentes irmãos da congregação a oportunidade de participar. Cada componente do grupo recebia uma tarefa — fazer limpeza, cozinhar, ou ir pescar ou caçar em busca de alimentos. Esse grupo zeloso pregou de casa em casa em pelo menos dez províncias argentinas, cobrindo cidades e povoados e alcançando fazendas espalhadas.

      Manifestava-se um espírito similar no campo australiano. Dava-se muito testemunho nas cidades costeiras densamente povoadas. Mas as Testemunhas também procuravam alcançar as pessoas em regiões remotas. Assim, em 31 de março de 1936, Arthur Willis e Bill Newlands iniciaram uma viagem de ao todo 19.710 quilômetros, que visava alcançar os que moravam nas fazendas de criação de ovelha ou de gado espalhadas pelo interior. Na maior parte do percurso não havia estradas — apenas trilhas através do sertão com seu calor sufocante e uivantes tempestades de pó. Mas eles foram em frente. Quando encontravam alguém interessado, tocavam discursos bíblicos gravados e deixavam publicações. Em outras oportunidades, John E. (Ted) Sewell os acompanhou; e depois se ofereceu para servir no sudeste da Ásia.

      O território supervisionado pela filial da Sociedade na Austrália ia muito além da própria Austrália. Incluía a China e grupos de ilhas e nações que se estendiam do Taiti, a leste, até a Birmânia (agora Mianmar), ao oeste, uma distância de 13.700 quilômetros. Nesse território havia lugares como Hong Kong, Indochina (agora Camboja, Laos e Vietnã), Índias Orientais Holandesas (incluindo ilhas como Sumatra, Java e Bornéu), Nova Zelândia, Sião (agora Tailândia) e Malásia. O superintendente de filial, Alexander MacGillivray, escocês, costumava chamar um pioneiro zeloso e jovem ao seu escritório, mostrar-lhe um mapa do território da filial e perguntar: ‘Gostaria de ser missionário?’ Daí, apontando para uma região em que pouca ou nenhuma pregação fora feita, perguntava: ‘Que acha de iniciar a obra nesse território?’

      No início da década de 30, alguns desses pioneiros já haviam trabalhado bastante nas Índias Orientais Holandesas (agora Indonésia) e em Cingapura. Em 1935, Frank Dewar, neozelandês, viajou até Cingapura com um grupo desses pioneiros a bordo do barco Lightbearer (Portador de Luz). Daí, pouco antes de o barco prosseguir para a costa noroeste da Malásia, o capitão Eric Ewins disse: “Bem, Frank, chegamos. Só podemos levar-te até aqui. Escolheste ir para Sião. Agora, vai!” Mas Frank já havia quase esquecido Sião. Estava gostando do trabalho com o grupo no barco. Dali em diante estava sozinho.

      Frank fez uma parada em Kuala Lumpur a fim de juntar dinheiro para o restante da viagem, mas, enquanto estava ali, sofreu um acidente — um caminhão o atropelou, derrubando-o da bicicleta. Recuperado, com apenas cinco dólares no bolso, tomou um trem de Cingapura para Bancoque. Com fé na capacidade de Jeová prover, prosseguiu com o trabalho. Claude Goodman pregara ali brevemente em 1931; mas, quando Frank chegou, em julho de 1936, não havia Testemunhas para recebê-lo. Nos anos seguintes, porém, outros participaram no trabalho — Willy Unglaube, Hans Thomas e Kurt Gruber, da Alemanha, e Ted Sewell, da Austrália. Distribuíram muitas publicações, mas a maior parte em inglês, chinês e japonês.

      Quando escreveram à sede da Sociedade dizendo que os irmãos precisavam de publicações na língua tai, mas que não tinham tradutor, o irmão Rutherford respondeu: “Eu não estou na Tailândia; vós é que estais. Tende fé em Jeová e trabalhai diligentemente, e encontrareis um tradutor.” E realmente encontraram. Chomchai Inthaphan, ex-diretora da Escola Feminina Presbiteriana, em Chiang Mai, aceitou a verdade e, por volta de 1941, traduzia publicações bíblicas para a língua tai.

      Uma semana depois de Frank Dewar iniciar a pregação em Bancoque, Frank Rice, que fora o pioneiro da obra do Reino em Java (agora parte da Indonésia), passou a caminho de uma nova designação no que então era a Indochina Francesa. Como fizera em seu território anterior, ele pregava aos que falavam inglês enquanto aprendia o idioma local. Depois de cobrir a cidade de Saigon (agora Ho Chi Minh), ele deu aulas de inglês a fim de comprar um carro usado que lhe fosse útil para alcançar o norte do país. Sua preocupação não era confortos materiais, mas os interesses do Reino. (Heb. 13:5) Com o carro que comprou, deu testemunho em cidadezinhas, em povoados e em casas isoladas ao longo de todo o percurso até Hanói.

      Publicidade intrépida

      Para suscitar interesse na mensagem do Reino e alertar as pessoas para a necessidade de agir com determinação, em muitos países as Testemunhas usaram recursos visuais. Começando em Glasgow, Escócia, em 1936, as Testemunhas anunciaram discursos de congressos usando cartazes presos ao corpo e distribuindo convites em áreas comerciais. Dois anos depois, em 1938, por ocasião de um congresso em Londres, Inglaterra, acrescentou-se outro notável meio de publicidade. Nathan H. Knorr e Albert D. Schroeder, que mais tarde serviram juntos no Corpo Governante, lideraram uma marcha de aproximadamente mil Testemunhas pelo distrito comercial no centro de Londres. Alternando entre um e outro, os participantes da marcha usavam cartazes presos ao corpo para anunciar o discurso público “Encare os Factos”, que seria proferido por J. F. Rutherford no Royal Albert Hall. Os que iam entre aqueles que usavam cartazes junto ao corpo levavam outros cartazes na mão, com os dizeres “A Religião É Laço e Extorsão”. (Naquele tempo, eles entendiam que religião era toda adoração que não se harmonizava com a Palavra de Deus, a Bíblia.) Mais tarde, na mesma semana, para neutralizar a reação hostil de alguns dentre o público, intercalaram-se outros cartazes com os dizeres “Sirva a Deus e a Cristo, o Rei”. Essa atividade não era fácil para muitas Testemunhas de Jeová, mas elas a consideravam como outra maneira de servir a Jeová, outra prova de sua lealdade a ele.

      Nem todos se agradavam da publicidade intrépida que as Testemunhas de Jeová davam a sua mensagem. O clero na Austrália e na Nova Zelândia pressionou os administradores de emissoras de rádio a suprimir todas as transmissões patrocinadas pelas Testemunhas de Jeová. Em abril de 1938, quando o irmão Rutherford estava a caminho da Austrália para proferir um discurso no rádio, autoridades públicas permitiram ser influenciadas a cancelar os arranjos já feitos para que ele usasse o Sydney Town Hall e a rádio. Logo foi alugado o Sydney Sports Grounds, e, em resultado da ampla publicidade em torno da oposição à visita do irmão Rutherford, uma multidão ainda maior compareceu para ouvir o discurso. Em outras ocasiões, quando se negava às Testemunhas o uso do rádio, elas reagiam fazendo intensa publicidade das reuniões em que os discursos do irmão Rutherford eram retransmitidos com fonógrafo.

      O clero na Bélgica mandava crianças jogar pedras nas Testemunhas, e os sacerdotes iam pessoalmente nas casas para recolher as publicações distribuídas. Mas alguns dos aldeões gostavam do que aprendiam das Testemunhas de Jeová. Muitas vezes diziam: “Dá-me vários folhetos; quando o sacerdote chegar, poderei dar-lhe um para satisfazê-lo e ficar com os outros para ler!”

      Os anos seguintes, porém, levaram à intensificação da oposição às Testemunhas de Jeová e à mensagem do Reino que elas proclamavam.

      Pregando na Europa apesar da perseguição do tempo de guerra

      Por não abandonarem sua fé nem desistirem de pregar, milhares de Testemunhas de Jeová na Alemanha, na Áustria, na Bélgica, na França e nos Países Baixos foram presas ou enviadas para campos de concentração nazistas. A ordem do dia ali era tratar com brutalidade. Os que ainda não estavam presos levavam avante seu ministério cautelosamente. Muitas vezes trabalhavam só com a Bíblia e ofereciam outras publicações apenas ao revisitarem interessados. Para não serem presas, as Testemunhas visitavam um apartamento num edifício e depois talvez fossem para outro prédio, ou, depois de visitarem apenas uma casa, iam para outra rua antes de se dirigirem a outra casa. Mas de modo algum temiam dar testemunho.

      Em 12 de dezembro de 1936, apenas alguns meses depois de a Gestapo ter prendido milhares de Testemunhas de Jeová e pessoas interessadas, num esforço nacional de parar sua obra, as próprias Testemunhas realizaram uma campanha. Numa operação relâmpago, elas colocaram dezenas de milhares de exemplares duma resolução em caixas de correio e debaixo das portas de pessoas em toda a Alemanha. A resolução protestava contra o tratamento cruel dispensado a seus irmãos cristãos. Uma hora após o início da distribuição, a Polícia já tentava freneticamente prender os distribuidores, mas conseguiram pegar só uns doze em todo o país.

      As autoridades ficaram chocadas por ainda se conseguir realizar uma campanha como essa depois de tudo que o governo nazista fizera para eliminar a obra. Além disso, passaram a temer a população. Por quê? Porque, quando a Polícia e outras autoridades uniformizadas visitavam as casas e perguntavam aos moradores se haviam recebido esse panfleto, a maioria negava. De fato, a maioria não o recebera mesmo. Apenas duas ou três famílias em cada prédio haviam recebido um exemplar. Mas a Polícia não sabia disso. Achava que se deixara um em cada porta.

      Nos meses seguintes, as autoridades nazistas negaram veementemente as acusações feitas naquela resolução impressa. Assim, em 20 de junho de 1937, as Testemunhas de Jeová ainda livres distribuíram outra mensagem, uma carta aberta que revelava uma abundância de pormenores sobre a perseguição, um documento que fornecia nomes de autoridades e citava datas e lugares. Foi grande a consternação da Gestapo por causa dessa exposição e da habilidade das Testemunhas de fazer essa distribuição.

      Muitas experiências da família Kusserow, de Bad Lippspringe, Alemanha, revelaram essa mesma determinação de dar testemunho. Um exemplo foi o que aconteceu depois de Wilhelm Kusserow ser executado publicamente em Münster pelo regime nazista por se recusar a transigir na fé. Hilda, a mãe de Wilhelm, foi imediatamente à prisão e solicitou com urgência o corpo para sepultamento. Ela disse a sua família: “Daremos um grande testemunho a quem o conhecia.” No funeral, Franz, pai de Wilhelm, fez uma oração que expressava fé nas provisões amorosas de Jeová. Na sepultura, Karl-Heinz, irmão de Wilhelm, disse algumas palavras de consolo à base da Bíblia. Eles não ficaram sem punição por isso, mas o importante para eles era honrar a Jeová dando um testemunho a respeito do Seu nome e do Seu Reino.

      À medida que as pressões do tempo de guerra se intensificavam nos Países Baixos, as Testemunhas prudentemente faziam ajustes em seus arranjos de reuniões. Passaram a ser realizadas apenas em grupos de dez ou menos em residências particulares. Os locais de reunião eram freqüentemente mudados. As Testemunhas só compareciam ao seu próprio grupo, e ninguém divulgava o endereço do estudo, nem para um amigo de confiança. Naquela altura dos acontecimentos, quando populações inteiras eram expulsas de sua terra por causa da guerra, as Testemunhas de Jeová sabiam que as pessoas precisavam com urgência da mensagem consoladora encontrada apenas na Palavra de Deus, e destemidamente a partilhavam com elas. Mas uma carta da filial lembrou os irmãos da cautela que Jesus demonstrara em várias ocasiões ao se confrontar com opositores. (Mat. 10:16; 22:15-22) Devido a isso, quando encontravam alguém que mostrava hostilidade, eles anotavam cuidadosamente o endereço para que se tomassem precauções especiais ao se trabalhar naquele território novamente.

      Na Grécia, a população sofreu muito durante a ocupação alemã. No entanto, o tratamento mais severo dispensado às Testemunhas de Jeová resultou da deturpação maldosa propagada pelo clero da Igreja Ortodoxa Grega, que insistia em que a Polícia e os tribunais agissem contra elas. Muitas Testemunhas foram presas ou expulsas de sua cidade natal e enviadas para povoados remotos ou confinadas a ilhas áridas sob duras condições. Todavia, elas continuaram a dar testemunho. (Compare com Atos 8:1, 4.) Muitas vezes faziam isso ao conversarem com as pessoas em bancos de parques e jardins públicos, sentando ao lado delas e falando sobre o Reino de Deus. Quando se encontrava alguém genuinamente interessado, emprestava-se a essa pessoa uma preciosa publicação bíblica. A publicação era devolvida depois e utilizada vez após vez. Muitos amantes da verdade aceitavam com gratidão a ajuda oferecida pelas Testemunhas de Jeová e até se juntavam a elas em partilhar as boas novas com outros, embora isso lhes causasse amarga perseguição.

      Um fator importante na coragem e perseverança das Testemunhas de Jeová é que elas eram edificadas por alimento espiritual. Embora os suprimentos de publicações para distribuição ao público com o tempo tenham ficado um tanto esgotados em algumas partes da Europa durante a guerra, elas conseguiam fazer circular entre si matéria para fortalecer a fé, preparada pela Sociedade para o estudo das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Arriscando a vida, August Kraft, Peter Gölles, Ludwig Cyranek, Therese Schreiber e muitos outros participavam em reproduzir e distribuir matérias de estudo introduzidas clandestinamente na Áustria, procedentes da Itália, da Suíça e da Tchecoslováquia. Nos Países Baixos, foi um bondoso carcereiro que ajudou, arranjando uma Bíblia para Arthur Winkler. Apesar de todas as precauções tomadas pelo inimigo, as águas revigorantes da verdade da Bíblia, em A Sentinela, entravam até mesmo nos campos de concentração alemães e circulavam entre as Testemunhas.

      O confinamento em prisões e campos de concentração não impedia as Testemunhas de Jeová de ser testemunhas. Na prisão, em Roma, o apóstolo Paulo escreveu: “Estou sofrendo o mal a ponto de estar em cadeias . . . Não obstante, a palavra de Deus não está amarrada.” (2 Tim. 2:9) Aconteceu o mesmo no caso das Testemunhas de Jeová na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Os guardas observavam sua conduta; alguns faziam perguntas, e uns poucos se tornaram crentes, embora isso significasse a perda da própria liberdade. Muitos que estavam presos com as Testemunhas procediam de países como a Rússia, onde se fizera pouquíssima pregação das boas novas. Depois da guerra, alguns desses retornaram à sua terra como Testemunhas de Jeová, ansiosos de divulgar a mensagem do Reino.

      A perseguição brutal e os efeitos da guerra total não foram capazes de impedir o predito ajuntamento de pessoas na grande casa espiritual de Jeová para adoração. (Isa. 2:2-4) De 1938 a 1945, a maioria dos países da Europa teve substanciais aumentos no número dos que participavam publicamente nessa adoração, proclamando o Reino de Deus. Na Finlândia, na França, na Grã-Bretanha e na Suíça, as Testemunhas tiveram aumentos de aproximadamente 100 por cento. Na Grécia, o aumento foi de quase sete vezes. Nos Países Baixos, de doze vezes. Mas, por volta do fim de 1945, ainda não haviam sido recebidos pormenores da Alemanha nem da Romênia, e apenas relatórios incompletos haviam chegado de vários outros países.

      Fora da Europa durante os anos de guerra

      No Oriente, a guerra mundial também fez surgir severas dificuldades para as Testemunhas de Jeová. No Japão e na Coréia, elas eram presas, espancadas e torturadas por advogarem o Reino de Deus e não adorarem o imperador japonês. Por fim, perderam todo contato com as Testemunhas de outros países. Para muitas delas, as únicas oportunidades de dar testemunho surgiam em interrogatórios ou em julgamentos no tribunal. No fim da guerra, o ministério público das Testemunhas de Jeová nesses países havia praticamente parado.

      Quando a guerra chegou às Filipinas, as Testemunhas foram maltratadas pelos dois lados porque não apoiavam os japoneses nem as forças de resistência. Para evitarem ser presas, muitas Testemunhas abandonaram suas casas. Mas, à medida que se mudavam de um lugar para outro, elas pregavam — emprestando publicações quando disponíveis e, mais tarde, usando apenas a Bíblia. Ao passo que a frente de batalha recuava, elas até equipavam vários barcos para levar grandes grupos de Testemunhas a ilhas onde pouco ou nenhum testemunho fora dado.

      Na Birmânia (agora Mianmar), o que causou a proscrição das publicações das Testemunhas de Jeová em maio de 1941 não foi a invasão japonesa, mas a pressão que os clérigos anglicanos, metodistas, católico-romanos e batistas americanos exerceram sobre as autoridades coloniais. Duas Testemunhas de Jeová que trabalhavam na agência de telégrafos viram um telegrama que as alertou para o que viria, de modo que os irmãos rapidamente tiraram as publicações do depósito da Sociedade para evitar que fossem confiscadas. Fizeram-se então esforços para enviar boa parte das publicações por via terrestre para a China.

      Na época, o governo dos EUA transportava de caminhão grandes quantidades de material bélico pela Estrada da Birmânia para apoiar o Governo Nacionalista da China. Os irmãos tentaram conseguir espaço num desses caminhões, mas seu pedido foi rejeitado. Fracassaram também os esforços de arranjar em Cingapura um veículo. No entanto, ao fazer a solicitação a um alto oficial dos EUA, Mick Engel, encarregado do depósito da Sociedade em Rangum (agora Yangum), conseguiu permissão para transportar as publicações em caminhões do exército.

      Todavia, depois disso, quando Fred Paton e Hector Oates procuraram o oficial que controlava o comboio que ia para a China e pediram espaço, ele quase teve um ataque! “O quê?” gritou ele. “Como lhes posso dar espaço precioso nos meus caminhões para seus miseráveis tratados quando nem tenho espaço para suprimentos militares e médicos urgentemente necessitados, que estão apodrecendo aqui ao relento?” Fred pausou, tirou da pasta a carta de autorização e salientou que seria muito grave ignorar a orientação dos oficiais de Rangum. Além de providenciar o transporte de duas toneladas de livros, o controlador rodoviário colocou uma camioneta, com motorista e suprimentos, à disposição dos irmãos. Seguiram na direção nordeste pela perigosa estrada de montanha até a China com sua preciosa carga. Depois de darem testemunho em Pao-shan, prosseguiram até Chungking (Pahsien). Milhares de exemplares de publicações sobre o Reino de Jeová foram distribuídos durante o ano em que ficaram na China. Entre aqueles a quem pessoalmente deram testemunho estava Chiang Kai-shek, o presidente do Governo Nacionalista da China.

      Nesse ínterim, à medida que os bombardeios se intensificavam na Birmânia, todas as Testemunhas, com exceção de três, deixaram o país, a maioria indo para a Índia. A atividade dos três que permaneceram era, necessariamente, limitada. Mas continuaram a dar testemunho informal, e seus esforços produziram frutos depois da guerra.

      Na América do Norte, as Testemunhas de Jeová também se confrontaram com graves obstáculos durante a guerra. A violência generalizada da parte de turbas e a aplicação inconstitucional de leis locais resultaram em grande pressão sobre a obra de pregação. Milhares foram presos por tomarem posição como cristãos neutros. Mas isso não diminuiu o ritmo do ministério de casa em casa das Testemunhas de Jeová. Ademais, a partir de fevereiro de 1940, tornou-se comum vê-las nas ruas de zonas comerciais oferecendo A Sentinela e Consolação (agora Despertai!). Seu zelo ficou ainda mais forte. Embora sofressem uma das mais intensas perseguições já ocorridas naquela parte do mundo, as Testemunhas de Jeová mais do que dobraram em número nos Estados Unidos e no Canadá de 1938 a 1945, e o tempo que dedicavam ao ministério público triplicou.

      Em muitos países identificados com a Comunidade Britânica de Nações (na América do Norte, na África, na Ásia e em ilhas do Caribe e do Pacífico), quer as Testemunhas de Jeová, quer suas publicações, sofreram proscrição governamental. Um desses países foi a Austrália. Uma nota oficial publicada em 17 de janeiro de 1941, sob a ordem do governador-geral, tornava ilegal as Testemunhas de Jeová se reunirem para adoração, distribuírem quaisquer de suas publicações ou até as possuírem. A lei possibilitava contestar a proscrição no tribunal, o que se fez prontamente. Mas levou mais de dois anos para o juiz Starke, do Supremo Tribunal, declarar que os regulamentos em que se baseava a proscrição eram “arbitrários, caprichosos e opressivos”. O Supremo Tribunal removeu unanimemente a proscrição. O que faziam as Testemunhas de Jeová nesse ínterim?

      Em imitação aos apóstolos de Jesus Cristo, elas ‘obedeciam a Deus como governante antes que aos homens’. (Atos 4:19, 20; 5:29) Continuavam pregando. Apesar de muitos obstáculos, chegaram a organizar um congresso em Hargrave Park, perto de Sídnei, de 25 a 29 de dezembro de 1941. Visto que o governo negou-se a fornecer transporte ferroviário a alguns congressistas, um grupo do oeste da Austrália equipou seus veículos com gasogênios à base de carvão e fez uma viagem de 14 dias para cruzar o país, o que incluiu passar uma semana atravessando a implacável planície de Nullarbor. Chegaram sãos e salvos e assistiram ao programa junto com seis mil outros congressistas. No ano seguinte realizou-se outra assembléia, mas dessa vez ela foi dividida em 150 grupos menores em sete cidades principais do país, com os oradores indo de um local para o outro.

      À medida que a situação na Europa deteriorava em 1939, alguns pioneiros das Testemunhas de Jeová ofereciam-se para servir em outros campos. (Compare com Mateus 10:23; Atos 8:4.) Três pioneiros alemães foram enviados da Suíça para Xangai, China. Vários foram para a América do Sul. Entre os transferidos para o Brasil estavam Otto Estelmann, que visitava e ajudava as congregações na Tchecoslováquia, e Erich Kattner, que servira na congênere da Sociedade Torre de Vigia em Praga. Sua nova designação não era fácil. Descobriram que em algumas regiões agrícolas as Testemunhas levantavam-se bem cedo, pregavam até às 7 horas da manhã, mais tarde no dia voltavam ao serviço de campo e prosseguiam às vezes até altas horas da noite. O irmão Kattner lembra-se de que, ao se mudar de um lugar para outro, muitas vezes dormia ao relento, usando a pasta de publicações como travesseiro. — Compare com Mateus 8:20.

      Os irmãos Estelmann e Kattner haviam sido procurados pela polícia secreta nazista na Europa. Ficaram livres de perseguição com a mudança para o Brasil? Pelo contrário, depois de apenas um ano, ficaram sob prolongada prisão domiciliar às instigações de autoridades que aparentemente eram simpatizantes do nazismo! Também era comum a oposição do clero católico, mas as Testemunhas persistiam na obra de que Deus lhes incumbira. Constantemente se esforçavam a chegar a cidades e a povoados no Brasil onde a mensagem do Reino ainda não havia sido pregada.

      Um exame da situação global mostra que, na maioria dos países em que havia Testemunhas de Jeová durante a Segunda Guerra Mundial, elas se confrontaram com proscrições governamentais, quer à sua organização, quer às suas publicações. Embora pregassem em 117 países em 1938, nos anos da guerra (1939-45) houve proscrições à sua organização ou às suas publicações, ou deportação de seus ministros, em mais de 60 desses países. Mesmo onde não houve proscrições, elas enfrentaram a violência de turbas e eram freqüentemente presas. Apesar de tudo isso, a pregação das boas novas não parou.

      A grande multidão começa a manifestar-se na América Latina

      Bem no meio dos anos de guerra, em fevereiro de 1943, pensando na obra que seria realizada na era pós-guerra, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) inaugurou a Escola de Gileade, no Estado de Nova Iorque, a fim de treinar missionários para o serviço no exterior. Antes do fim do ano, 12 desses missionários já serviam em Cuba. O campo ali mostrava-se muito produtivo.

      Já em 1910, algumas sementes da verdade da Bíblia haviam chegado a Cuba. C. T. Russell proferira ali um discurso em 1913. J. F. Rutherford falara pelo rádio em Havana em 1932, e a matéria foi retransmitida em espanhol. Mas o crescimento era lento. Havia amplo analfabetismo e muito preconceito religioso naquela época. A princípio, os interessados eram na maior parte dentre a população de língua inglesa procedente da Jamaica e de outros lugares. Em 1936, havia apenas 40 proclamadores do Reino em Cuba. Mas a obra de plantar e regar as sementes da verdade do Reino passou então a produzir mais frutos.

      Em 1934, os primeiros cubanos foram batizados; depois, outros seguiram o exemplo. A partir de 1940, transmissões radiofônicas diárias junto com intrépido testemunho nas ruas reforçou o ministério de casa em casa. Mesmo antes da chegada de missionários de Gileade, em 1943, 950 pessoas em Cuba aceitaram as boas novas e pregavam-nas a outros, embora nem todos o fizessem regularmente. Nos dois anos seguintes à chegada dos missionários, os números aumentaram com ainda maior rapidez. Em 1945, as Testemunhas de Jeová em Cuba totalizavam 1.894. Embora a maior parte procedesse duma religião que lhes ensinou que todos os fiéis apoiadores da Igreja iriam para o céu, a vasta maioria dos que se tornaram Testemunhas de Jeová aceitou com entusiasmo a perspectiva de vida eterna na Terra no paraíso restaurado. (Gên. 1:28; 2:15; Sal. 37:9, 29; Rev. 21:3, 4) Apenas 1,4 por cento professava ser dos irmãos de Cristo ungidos pelo espírito.

      A sede mundial da Sociedade forneceu ajuda ao campo latino-americano de ainda outra maneira. No início de 1944, N. H. Knorr, F. W. Franz, W. E. Van Amburgh e M. G. Henschel passaram dez dias em Cuba para fortalecer espiritualmente os irmãos. Realizou-se nesse período um congresso em Havana, e elaboraram-se arranjos para melhor coordenação da obra de pregação. Essa viagem também levou os irmãos Knorr e Henschel à Costa Rica, à Guatemala e ao México para ajudar as Testemunhas de Jeová nesses países.

      Em 1945 e 1946, N. H. Knorr e F. W. Franz fizeram viagens que lhes possibilitaram conversar e trabalhar com as Testemunhas de 24 países na região que vai do México ao extremo sul da América do Sul e com as do Caribe. Passaram cinco meses nessa parte do mundo, dando ajuda e orientação amorosa. Em alguns lugares, reuniram-se com apenas um punhado de pessoas interessadas. Para que houvesse arranjos regulares de reuniões e serviço de campo, ajudaram pessoalmente na organização das primeiras congregações em Lima, no Peru, e em Caracas, na Venezuela. Nos lugares em que já se realizavam reuniões regulares, eles compareciam e, às vezes, aconselhavam sobre como aprimorar seu valor prático com relação à evangelização.

      Quando possível, programavam-se palestras bíblicas para o público durante essas visitas. Essas palestras recebiam ampla publicidade por meio de cartazes que as Testemunhas de Jeová usavam presos ao corpo e pela distribuição de convites nas ruas. Em resultado disso, as 394 Testemunhas no Brasil alegraram-se com a assistência de 765 pessoas no congresso realizado em São Paulo. No Chile, onde havia 83 proclamadores do Reino, 340 pessoas foram ouvir o discurso anunciado com destaque. Na Costa Rica, as 253 Testemunhas regozijaram-se com o total de 849 pessoas presentes em suas duas assembléias. Eram ocasiões de caloroso companheirismo para os irmãos.

      O objetivo, porém, não era só realizar congressos memoráveis. Nesses roteiros, os representantes da sede davam ênfase especial à importância de revisitar os interessados e dirigir estudos bíblicos domiciliares para essas pessoas. Se elas haviam de tornar-se genuínos discípulos, precisariam de instrução regular da Palavra de Deus. Em resultado disso, o número de estudos bíblicos domiciliares aumentou rapidamente nessa parte do mundo.

      Enquanto os irmãos Knorr e Franz cumpriam esse roteiro de serviço, mais missionários treinados em Gileade chegavam a suas designações. Em fins de 1944, alguns serviam na Costa Rica, no México e em Porto Rico. Em 1945, outros missionários ajudavam a organizar melhor a obra de pregação em Barbados, no Brasil, no Chile, na Colômbia, em El Salvador, na Guatemala, no Haiti, nas Honduras Britânicas (agora Belize), na Jamaica, na Nicarágua, no Panamá e no Uruguai. Quando os dois primeiros missionários chegaram à República Dominicana, em 1945, eles eram as únicas Testemunhas no país. O efeito do ministério dos primeiros missionários logo foi sentido. Trinidad Paniagua disse sobre os primeiros missionários enviados para a Guatemala: “Era exatamente o que precisávamos — instrutores da Palavra de Deus que nos ajudassem a entender como realizar a obra.”

      Portanto, lançava-se a base para a expansão nessa parte do campo mundial. Nas ilhas do Caribe, havia 3.394 proclamadores do Reino em fins de 1945. No México 3.276 e 404 na América Central. Na América do Sul, 1.042. Para essa parte do mundo, isso era um aumento de 386 por cento nos sete anos anteriores, um período muito turbulento da história humana. Mas era só o começo. Ainda estava à frente um crescimento de proporções realmente explosivas! A Bíblia predissera que “uma grande multidão . . . de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas”, seria ajuntada como adoradores de Jeová antes da grande tribulação. — Rev. 7:9, 10, 14.

      No começo da Segunda Guerra Mundial, em 1939, havia apenas 72.475 Testemunhas de Jeová pregando em 115 países (se contados segundo as divisões nacionais do início da década de 90). Apesar da intensa perseguição que sofreram em escala global, seu número mais do que dobrou até o fim da guerra. Assim, o relatório de 1945 indicou 156.299 Testemunhas ativas nos 107 países para os quais foi possível compilar relatórios. Naquele tempo, porém, 163 países já haviam sido de fato alcançados com a mensagem do Reino.

      O testemunho dado de 1936 a 1945 foi deveras surpreendente. Durante essa década de turbulência mundial, essas zelosas Testemunhas de Jeová dedicaram 212.069.285 horas a proclamar para o mundo que o Reino de Deus é a única esperança da humanidade. Distribuíram também 343.054.579 livros, folhetos e revistas para ajudar as pessoas a entender a base bíblica dessa confiança. Para ajudar os sinceramente interessados, em 1945 elas dirigiam em média 104.814 estudos bíblicos domiciliares gratuitos.

      [Destaque na página 455]

      Embora as condições do tempo de guerra as obrigassem a fugir, elas continuaram a pregar.

      [Quadro/Fotos nas páginas 451-453]

      Mesmo Presos, Negaram-se a Parar de Dar Testemunho

      Aparecem aqui apenas alguns dos milhares que sofreram por sua fé em prisões e campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

      1. Adrian Thompson, Nova Zelândia. Preso em 1941 na Austrália; seu pedido de isenção de recrutamento foi rejeitado quando a Austrália proscreveu as Testemunhas de Jeová. Depois de ser libertado, como superintendente viajante, fortaleceu as congregações no ministério público. Serviu como missionário e foi o primeiro superintendente viajante no Japão do pós-guerra; continuou a pregar zelosamente até sua morte em 1976.

      2. Alois Moser, Áustria. Esteve em sete prisões e campos de concentração. Ainda uma Testemunha ativa em 1992, aos 92 anos.

      3. Franz Wohlfahrt, Áustria. A execução de seu pai e de seu irmão não intimidou Franz. Passou cinco anos no campo de concentração de Rollwald, na Alemanha. Ainda dando testemunho em 1992, aos 70 anos de idade.

      4. Thomas Jones, Canadá. Preso em 1944, daí mantido em dois campos de trabalho. Depois de 34 anos de serviço de tempo integral, foi designado em 1977 membro da Comissão de Filial que supervisiona a obra de pregação em todo o Canadá.

      5. Maria Hombach, Alemanha. Presa muitas vezes; ficou na solitária três anos e meio. Como mensageira, arriscava a vida para levar publicações bíblicas a outras Testemunhas. Em 1992 ainda um membro fiel da família de Betel aos 90 anos.

      6. Max e Konrad Franke, Alemanha. Pai e filho, ambos presos muitas vezes, e por muitos anos. (A esposa de Konrad, Gertrud, também esteve na prisão.) Todos permaneceram servos leais e zelosos de Jeová, e Konrad estava na vanguarda da reestruturação da obra de pregação das Testemunhas na Alemanha do pós-guerra.

      7. A. Pryce Hughes, Inglaterra. Sentenciado a duas penas no presídio de Wormwood Scrubs, Londres; também ficou preso durante a Primeira Guerra Mundial por causa de sua fé. Esteve na vanguarda da obra de pregação do Reino na Grã-Bretanha até sua morte em 1978.

      8. Adolphe e Emma Arnold, com a filha Simone; França. Depois de Adolphe ser preso, Emma e Simone continuaram a dar testemunho e também a distribuir publicações a outras Testemunhas. Na prisão, Emma foi colocada na solitária porque dava persistentemente testemunho a outras prisioneiras. Simone foi enviada a um reformatório. Todos continuaram a ser Testemunhas zelosas.

      9. Ernst e Hildegard Seliger, Alemanha. Ao todo, mais de 40 anos em prisões e campos de concentração por causa de sua fé. Mesmo presos, persistiam em partilhar verdades da Bíblia com outros. Quando em liberdade, dedicavam tempo integral à pregação das boas novas. O irmão Seliger morreu como servo leal de Deus em 1985; a irmã Seliger, em 1992.

      10. Carl Johnson, Estados Unidos. Dois anos depois de ser batizado, foi preso com centenas de outras Testemunhas em Ashland, Kentucky. Serviu como pioneiro e como superintendente de circuito; em 1992, ainda tomava a liderança no ministério de campo como ancião.

      11. August Peters, Alemanha. Separado à força da esposa e dos quatro filhos, ficou preso de 1936-37 e de 1937-45. Depois de ser libertado, em vez de pregar menos, ele pregou mais, no serviço de tempo integral. Em 1992, aos 99 anos, ainda servia como membro da família de Betel e vira o número de Testemunhas de Jeová na Alemanha aumentar para 163.095.

      12. Gertrud Ott, Alemanha. Presa em Lodz, Polônia, depois enviada para o campo de concentração de Auschwitz; daí para os de Gross-Rosen e de Bergen-Belsen, na Alemanha. Depois da guerra, serviu zelosamente como missionária na Indonésia, no Irã e em Luxemburgo.

      13. Katsuo Miura, Japão. Sete anos depois de sua detenção e prisão em Hiroxima, a maior parte da prisão em que ele estava foi destruída pela bomba atômica que devastou a cidade. No entanto, os médicos não encontraram evidência de que ele tivesse sofrido danos devido à radiação. Passou os últimos anos da vida como pioneiro.

      14. Martin e Gertrud Poetzinger, Alemanha. Poucos meses depois de se casarem, foram presos e separados à força por nove anos. Martin foi enviado para Dachau e Mauthausen; Gertrud, para Ravensbrück. Apesar do tratamento brutal, sua fé não vacilou. Depois de libertados, dedicaram todos os seus esforços ao serviço de Jeová. Durante 29 anos, ele serviu como superintendente viajante por toda a Alemanha; depois, como membro do Corpo Governante, até sua morte em 1988. Em 1992, Gertrud continuava como zelosa evangelizadora.

      15. Jizo e Matsue Ishii, Japão. Depois de distribuírem publicações bíblicas por todo o Japão durante uma década, eles foram presos. Embora a obra das Testemunhas de Jeová no Japão tenha sido esmagada durante a guerra, o irmão e a irmã Ishii voltaram a dar zeloso testemunho depois da guerra. Em 1992, Matsue Ishii viu o número de Testemunhas ativas no Japão aumentar para mais de 171.000.

      16. Victor Bruch, Luxemburgo. Preso em Buchenwald, em Lublin, em Auschwitz e em Ravensbrück. Aos 90 anos, ainda ativo como ancião das Testemunhas de Jeová.

      17. Karl Schurstein, Alemanha. Superintendente viajante antes de Hitler subir ao poder. Preso por oito anos e depois morto pelas SS, em Dachau, em 1944. Mesmo no campo de concentração, continuou a edificar outros em sentido espiritual.

      18. Kim Bong-nyu, Coréia. Presa por seis anos. Aos 72 anos, ainda falava a outros sobre o Reino de Deus.

      19. Pamfil Albu, Romênia. Após um tratamento brutal, foi enviado para um campo de trabalho na Iugoslávia, por dois anos e meio. Após a guerra, foi preso mais duas vezes, por 12 anos. Não parou de falar sobre o propósito de Deus. Antes de sua morte, ajudou milhares de pessoas na Romênia a servir com a organização global das Testemunhas de Jeová.

      20. Wilhelm Scheider, Polônia. Em campos de concentração nazistas, de 1939-45. Em prisões comunistas, de 1950-56 e 1960-64. Até sua morte, em 1971, dedicou suas energias resolutamente à proclamação do Reino de Deus.

      21. Harald e Elsa Abt, Polônia. Durante e depois da guerra, Harald passou 14 anos na prisão e em campos de concentração por causa de sua fé, mas continuou a pregar mesmo ali. Elsa foi separada à força de sua filhinha e mantida em seis campos na Polônia, na Alemanha e na Áustria. Apesar duma proscrição de 40 anos às Testemunhas de Jeová na Polônia mesmo depois da guerra, os três continuaram a ser zelosos servos de Jeová.

      22. Ádám Szinger, Hungria. Em seis julgamentos, foi sentenciado a 23 anos, dos quais serviu 8 anos e meio na prisão e em campos de trabalho. Ao ser libertado, serviu como superintendente viajante por 30 anos. Aos 69 anos, ainda era um ancião leal na congregação.

      23. Joseph dos Santos, Filipinas. Dedicou 12 anos como proclamador da mensagem do Reino por tempo integral antes de ser preso, em 1942. Revitalizou a atividade das Testemunhas de Jeová nas Filipinas após a guerra e continuou no serviço de pioneiro até sua morte, em 1983.

      24. Rudolph Sunal, Estados Unidos. Preso em Mill Point, Virgínia Ocidental. Depois de libertado, dedicou tempo integral à divulgação do conhecimento do Reino de Deus — como pioneiro, membro da família de Betel e superintendente de circuito. Ainda um pioneiro em 1992, aos 78 anos.

      25. Martin Magyarosi, Romênia. Da prisão, de 1942-44, continuou a orientar a pregação das boas novas na Transilvânia. Ao ser libertado, viajou extensivamente para incentivar outras Testemunhas na pregação e era pessoalmente uma Testemunha destemida. Preso novamente em 1950, morreu num campo de trabalho em 1953, como leal servo de Jeová.

      26. R. Arthur Winkler, Alemanha e Países Baixos. Enviado primeiro para o campo de concentração de Esterwegen; continuou pregando no campo. Mais tarde, nos Países Baixos, foi espancado pela Gestapo até ficar irreconhecível. Por fim foi enviado para Sachsenhausen. Testemunha leal e zelosa até sua morte em 1972.

      27. Park Ock-hi, Coréia. Três anos no Presídio de Sodaemun, Seul; submetida a indescritíveis torturas. Aos 91 anos, em 1992, ainda dava testemunho zelosamente como pioneira especial.

      [Mapa/Foto na página 446]

      Alexander MacGillivray, como superintendente de filial da Austrália, ajudou a planejar viagens de pregação a muitos países e ilhas.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      AUSTRÁLIA

      NOVA ZELÂNDIA

      TAITI

      TONGA

      FIJI

      NOVA GUINÉ

      JAVA

      BORNÉU

      SUMATRA

      BIRMÂNIA

      HONG KONG

      MALÁSIA

      CINGAPURA

      SIÃO

      INDOCHINA

      CHINA

      OCEANO PACÍFICO

      Os nomes dos lugares são os que estavam em uso na década de 30.

      [Mapa/Fotos na página 460]

      Em fins de 1945, missionários da Escola de Gileade já serviam em 18 países nessa parte do mundo.

      Charles e Lorene Eisenhower

      Cuba

      John e Adda Parker

      Guatemala

      Emil Van Daalen

      Porto Rico

      Olaf Olson

      Colômbia

      Don Burt

      Costa Rica

      Gladys Wilson

      El Salvador

      Hazel Burford

      Panamá

      Louise Stubbs

      Chile

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      CUBA

      COSTA RICA

      MÉXICO

      PORTO RICO

      TRINIDAD

      BELIZE

      BRASIL

      CHILE

      COLÔMBIA

      REPÚBLICA DOMINICANA

      EL SALVADOR

      GUATEMALA

      HAITI

      JAMAICA

      NICARÁGUA

      PANAMÁ

      URUGUAI

      BOLÍVIA

      BARBADOS

      [Foto na página 444]

      Alguns colportores distribuíam muitas caixas de publicações; os moradores recebiam muitos sermões bíblicos em cada livro.

      [Foto na página 445]

      Armando Menazzi (no centro, em frente) e um grupo alegre que fez com ele uma viagem de pregação em sua “casa de pioneiro sobre rodas”.

      [Foto na página 445]

      Arthur Willis, Ted Sewell e Bill Newlands — três que levaram a mensagem do Reino ao interior da Austrália.

      [Foto na página 447]

      Frank Dewar (com a esposa e as duas filhas) foi sozinho para a Tailândia como pioneiro, em 1936, e ainda era pioneiro especial em 1992.

      [Foto na página 447]

      Chomchai Inthaphan usou sua habilidade como tradutora para alcançar o povo tai com as boas novas da Bíblia.

      [Foto na página 448]

      Na Alemanha, as Testemunhas de Jeová deram a essa carta aberta ampla distribuição ao público, em 1937, embora sua adoração estivesse proscrita pelo governo.

      [Foto na página 449]

      A família de Franz e Hilda Kusserow — todos fiéis Testemunhas de Jeová, embora todos da família (exceto um filho que morrera num acidente) tenham sido confinados em campos de concentração, prisões ou escolas reformatórias, por causa de sua fé.

      [Fotos na página 450]

      Alguns na Áustria e na Alemanha que arriscaram a vida para copiar ou distribuir matéria preciosa para estudo bíblico, como a que aparece no fundo.

      Therese Schreiber

      Peter Gölles

      Elfriede Löhr

      Albert Wandres

      August Kraft

      Ilse Unterdörfer

      [Foto na página 454]

      Testemunhas de Jeová num congresso em Xangai, China, em 1936; nove desse grupo foram batizados nessa ocasião.

      [Foto na página 456]

      Apesar duma proscrição à sua adoração, essas Testemunhas realizaram um congresso em Hargrave Park, perto de Sídnei, Austrália, em 1941.

      [Foto na página 458]

      Testemunhas cubanas num congresso em Cienfuegos, em 1939.

      [Foto na página 459]

      N. H. Knorr (à esquerda) num congresso em São Paulo, em 1945, com Erich Kattner como intérprete.

  • Parte 4 — Testemunhas até à parte mais distante da terra
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 22

      Parte 4 — Testemunhas até à parte mais distante da terra

      Com a Segunda Guerra Mundial ainda em andamento, as Testemunhas de Jeová faziam planos para atividades intensificadas na era pós-guerra. O relato nas páginas 462 a 501 apresenta pormenores fascinantes do que realmente aconteceu de 1945 a 1975, à medida que elas aumentavam, alcançavam muitos outros países e se dedicavam a pregar e a ensinar a Palavra de Deus de maneira mais cabal do que nunca.

      A MAIORIA das ilhas das Índias Ocidentais havia sido alcançada de algum modo com a mensagem do Reino até 1945. Mas era preciso dar um testemunho mais cabal. Missionários treinados na Escola de Gileade desempenhariam um papel importante.

      Missionários intensificam o testemunho nas Índias Ocidentais

      Por volta de 1960, os missionários já haviam servido em 27 ilhas ou grupos de ilhas no Caribe. Em metade desses lugares não havia congregação das Testemunhas de Jeová quando os missionários chegaram. Eles passaram a dirigir estudos bíblicos domiciliares para os interessados e organizaram reuniões regulares. Onde já havia congregação, deram valioso treinamento aos publicadores locais. Assim, a qualidade das reuniões e a eficiência no ministério melhoraram.

      Os antigos Estudantes da Bíblia pregaram em Trinidad já antes da Primeira Guerra Mundial, mas, depois da chegada dos missionários de Gileade, em 1946, a obra de dirigir estudos bíblicos domiciliares para os interessados recebeu forte ímpeto. Na Jamaica, a pregação das boas novas já se fazia há quase meio século, e havia mil Testemunhas locais quando o primeiro missionário chegou; mas elas sentiam-se felizes de ter ajuda para alcançar as pessoas mais instruídas, especialmente nos bairros nobres da capital. Por outro lado, em Aruba, já se havia dado muito testemunho à comunidade de língua inglesa, de modo que os missionários deram atenção à população nativa. Todos precisavam ouvir as boas novas.

      Em 1948, para que as pessoas em todas as ilhas nessa parte da Terra tivessem oportunidade de ouvir sobre o Reino de Deus, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) transformou o barco a velas Sibia, de 18 metros, em lar missionário flutuante. A tripulação foi designada a levar a mensagem do Reino a toda ilha das Índias Ocidentais em que não houvesse ninguém ativo na pregação das boas novas. Gust Maki era o capitão, acompanhado de Stanley Carter, Ronald Parkin e Arthur Worsley. Começaram com as ilhas Externas do grupo das Baamas, depois trabalharam rumo ao sudeste pelas ilhas de Sotavento e pelas ilhas de Barlavento. Que efeito tiveram suas visitas? Em S. Martinho, um homem de negócios lhes disse: “As pessoas aqui nunca falavam sobre a Bíblia, mas, desde que vocês estiveram aqui, todo mundo está falando sobre a Bíblia.” Mais tarde, o Sibia foi substituído por um barco maior, o Light (Luz). A tripulação também mudou. Em uma década, o trabalho especial realizado com o uso desses barcos havia sido concluído, e proclamadores das boas novas com base em terra davam prosseguimento à obra.

      Primeiro nas cidades maiores

      Como se deu nas Índias Ocidentais, também na América Central e do Sul já havia pessoas em muitas regiões que tinham algumas publicações da Sociedade Torre de Vigia antes da chegada dos missionários de Gileade. Mas, para alcançar a todos com as boas novas e ajudar os sinceros a se tornar discípulos genuínos, era preciso melhor organização.

      No fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, havia centenas de Testemunhas de Jeová na Argentina e no Brasil; umas três mil no México; algumas congregações bem pequenas no Chile, na Guiana Holandesa (agora Suriname), na Guiana Inglesa (agora Guiana), no Paraguai e no Uruguai; alguns publicadores na Colômbia, na Guatemala e na Venezuela. Mas, na Bolívia, em El Salvador, no Equador, em Honduras e na Nicarágua, a atividade das Testemunhas de Jeová só foi estabelecida em base permanente com a chegada dos missionários que receberam treinamento na Escola de Gileade.

      Os missionários deram atenção especial primeiro aos principais centros urbanos. É digno de nota que no primeiro século o apóstolo Paulo efetuou boa parte da pregação em cidades ao longo das principais rotas de viagem na Ásia Menor e na Grécia. Em Corinto, uma das cidades mais destacadas da antiga Grécia, Paulo dedicou 18 meses ao ensino da Palavra de Deus. (Atos 18:1-11) Em Éfeso, uma encruzilhada de rotas e atividades comerciais no mundo antigo, ele proclamou o Reino de Deus por mais de dois anos. — Atos 19:8-10; 20:31.

      De maneira similar, quando Edward Michalec e Harold Morris, missionários da Escola de Gileade, chegaram à Bolívia em 1945, eles não procuraram um lugar com o clima mais agradável. Em vez disso, deram atenção primeiro a La Paz, a capital, que fica nos Andes, a uma elevação de quase 3.700 metros. Subir as ruas íngremes a essa altitude é uma luta para recém-chegados; seu coração muitas vezes bate como martelo de forja. Mas os missionários encontraram muitos interessados na mensagem da Bíblia. Ali, na capital, era comum lhes dizerem: “Sou católico apostólico romano, mas não gosto dos padres.” Em apenas dois meses, os dois missionários já dirigiam 41 estudos bíblicos domiciliares.

      Nos dez anos seguintes, à medida que chegavam mais missionários e o número de Testemunhas locais aumentava, dava-se atenção a outras cidades bolivianas: Cochabamba, Oruro, Santa Cruz, Sucre, Potosí e Tarija. Depois, pôde-se dar mais atenção às cidades menores e também às zonas rurais.

      De modo similar, os missionários na Colômbia organizaram a pregação na capital, Bogotá, em 1945, e na cidade costeira de Barranquilla no ano seguinte. Depois, deu-se progressivamente atenção a Cartagena, Santa Marta, Cali e Medellín. Mais pessoas podiam ser alcançadas num curto período trabalhando-se primeiro nas cidades maiores. Com a ajuda dos que aprendiam a verdade ali, a mensagem logo era levada às regiões vizinhas.

      Quando havia bem pouco interesse numa cidade, os missionários eram transferidos para outros lugares. Assim, no Equador, em meados da década de 50, depois que três anos de trabalho não haviam produzido uma única pessoa que tivesse a coragem de tomar posição a favor da verdade na fanaticamente religiosa cidade de Cuenca, Carl Dochow foi transferido para Machala, cujos habitantes eram tolerantes e de mente aberta. Uns dez anos depois, porém, o povo de Cuenca recebeu outra oportunidade. Encontrou-se um espírito diferente, os obstáculos foram superados, e, em 1992, em Cuenca e nas redondezas, mais de 1.200 pessoas já se haviam tornado Testemunhas de Jeová e estavam organizadas em 25 congregações!

      Procura paciente dos comparáveis a ovelhas

      Tem sido necessário muita paciência na procura de pessoas com genuínas características de ovelha. Para localizá-las no Suriname, as Testemunhas de Jeová pregaram a ameríndios, chineses, indonésios, judeus, libaneses, descendentes de colonos holandeses e tribos das selvas, compostas de negros cujos antepassados eram escravos foragidos. Entre todos esses têm-se encontrado centenas de pessoas realmente famintas da verdade. Algumas tiveram de romper com um profundo envolvimento com o animismo e com práticas espíritas. Um desses era Paitu, um curandeiro, que levou a sério a mensagem da Bíblia e jogou no rio seus ídolos, amuletos e poções. (Compare com Deuteronômio 7:25; 18:9-14; Atos 19:19, 20.) Em 1975, dedicou-se a Jeová, o verdadeiro Deus.

      Considerável número de habitantes do Peru vivem em pequenos povoados espalhados nas encostas dos Andes e na selva que circunda as cabeceiras do Amazonas. Como poderiam ser alcançados? Em 1971, um casal de Testemunhas dos Estados Unidos foi ao Peru para visitar o filho missionário, Joe Leydig. Ao se darem conta do grande número de povoados aninhados cá e acolá nos vales das montanhas, sua preocupação por essas pessoas induziu-os a fazer algo. Ajudaram a providenciar uma pequena casa volante, depois mais duas, bem como motocicletas, para uso em extensas viagens de pregação naquelas regiões remotas.

      Apesar do esforço, em muitos lugares parecia que bem poucos tinham interesse na mensagem da Bíblia. Pode-se imaginar como se sentia o grupo de seis jovens missionários em Barquisimeto, Venezuela, em princípios da década de 50 quando, depois de um ano inteiro de diligente pregação, praticamente não viam nenhum progresso. Embora as pessoas fossem bastante amistosas, a maioria estava profundamente envolvida em superstições e achava ser pecado até mesmo ler um texto da Bíblia. Quem quer que se interessasse era logo desestimulado pelos familiares ou vizinhos. (Mat. 13:19-21) Mas, confiantes em que devia haver pessoas comparáveis a ovelhas em Barquisimeto e em que Jeová as ajuntaria no tempo devido, os missionários continuaram a fazer visitas de casa em casa. Assim, quão acalentador foi para Penny Gavette quando, certo dia, uma senhora de cabelos grisalhos escutou-a e depois disse:

      “Senhorita, desde mocinha eu tenho esperado que alguém viesse à minha porta e explicasse as coisas que você acaba de me falar. Quando jovem, eu limpava a casa do sacerdote, e ele tinha uma Bíblia na biblioteca. Eu sabia que éramos proibidos de lê-la, mas tinha tanta curiosidade de saber o motivo disso, que, certo dia, quando não havia ninguém por perto, levei-a para casa e li-a secretamente. O que li fez-me perceber que a Igreja Católica não nos ensinara a verdade e, por isso, não era a religião verdadeira. Tive medo de dizer alguma coisa a alguém, mas tinha certeza de que um dia aqueles que ensinam a religião verdadeira viriam à nossa cidade. Quando a religião protestante chegou, pensei a princípio que deviam ser eles, mas logo descobri que ensinavam muitas das mesmas falsidades que a Igreja Católica ensinava. Agora, o que você acaba de me falar é o que eu li naquela Bíblia tantos anos atrás.” Ela concordou animadamente em estudar a Bíblia e se tornou Testemunha de Jeová. Apesar da oposição da família, serviu a Jeová fielmente até à morte.

      Era preciso grande esforço para ajuntar esses comparáveis a ovelhas em congregações e treiná-los a participar no serviço de Jeová. Como exemplo, na Argentina, Rosendo Ojeda viajava regularmente uns 60 quilômetros de General San Martín, Chaco, para dirigir uma reunião na casa de Alejandro Sozoñiuk, um interessado. A viagem muitas vezes levava dez horas, parte de bicicleta, parte a pé, às vezes cruzando rios com água quase à altura dos ombros. Durante cinco anos, ele fazia essa viagem uma vez por mês, sempre ficando na região uma semana para dar testemunho. Valeu a pena? Ele não tem dúvida disso, pois o resultado foi uma congregação feliz de louvadores de Jeová.

      Promovendo instrução para a vida

      No México, as Testemunhas de Jeová executavam sua obra em conformidade com as leis que regiam as organizações culturais locais. O objetivo das Testemunhas era fazer mais do que apenas realizar reuniões em que se proferiam discursos. Queriam que as pessoas fossem como os bereanos nos dias do apóstolo Paulo, que puderam ‘examinar cuidadosamente as Escrituras para ver se as coisas que lhes haviam sido ensinadas eram realmente assim’. (Atos 17:11) No México, como em muitos outros países, isso muitas vezes envolvia dar ajuda especial a pessoas sem escolaridade, que, no entanto, desejavam poder ler a inspirada Palavra de Deus.

      As aulas de alfabetização ministradas pelas Testemunhas de Jeová no México têm ajudado dezenas de milhares de pessoas a aprender a ler e escrever. Esse trabalho é apreciado pelo Departamento de Educação Pública, do México, e, em 1974, um diretor do Escritório Geral para Educação de Adultos escreveu a La Torre del Vigía de México, a associação civil usada pelas Testemunhas de Jeová: “Aproveito o ensejo para congratulá-los cordialmente . . . pela elogiável cooperação que sua associação tem prestado ano após ano em benefício do nosso povo.”

      Ao passo que prepara as pessoas para a vida eterna como súditos do Reino de Deus, a instrução fornecida pelas Testemunhas de Jeová também melhora sua vida familiar agora. Depois de realizar várias vezes cerimônias de casamento de Testemunhas de Jeová, um juiz de El Salta, no Estado de Durango, disse em 1952: “Nós dizemos que somos bons patriotas e cidadãos, mas somos envergonhados pelas Testemunhas de Jeová. Elas são um exemplo para nós porque não admitem nem sequer uma pessoa em sua organização que esteja vivendo consensualmente e não tenha legalizado seu relacionamento. E vocês, católicos, quase todos levam uma vida imoral e não legalizaram seu casamento.”

      Esse programa educacional também ajuda as pessoas a aprenderem a viver juntas em paz, a se amarem umas às outras em vez de se odiarem e se matarem. Quando certa Testemunha começou a pregar em Venado, Estado de Guanajuato, ela notou que praticamente todas as pessoas andavam armadas com rifles e pistolas. Velhas inimizades levavam ao extermínio de famílias. Mas a instrução bíblica causou grandes mudanças. Rifles foram vendidos para comprar Bíblias. Mais de 150 pessoas da região logo se tornaram Testemunhas de Jeová. Figurativamente, elas ‘transformaram suas espadas em relhas de arado’ e passaram a se empenhar pelos caminhos da paz. — Miq. 4:3.

      Muitos mexicanos tementes a Deus têm levado a sério o que as Testemunhas de Jeová lhes ensinam da Palavra de Deus. Em resultado disso, os poucos milhares de publicadores que havia no México depois da Segunda Guerra Mundial logo se tornaram 10.000, depois 20.000, 40.000, 80.000 e mais, à medida que as Testemunhas mostravam a outros como aplicar os conselhos da Palavra de Deus e ensiná-los a outros.

      Reunindo-se sob adversidades

      No entanto, à medida que o número de Testemunhas de Jeová aumentava, elas percebiam que, num país após outro, tinham de superar obstáculos difíceis a fim de realizar assembléias para instrução cristã. Na Argentina, foram proscritas pelo governo em 1950. Todavia, por obediência a Deus, não pararam de pregar nem deixaram de se reunir. As coisas eram um pouco mais complicadas, mas as assembléias eram realizadas.

      Por exemplo, em fins de 1953, os irmãos Knorr e Henschel visitaram a Argentina para servir a uma assembléia que se realizaria em todo o país. O irmão Knorr entrou no país pelo oeste e o irmão Henschel começou suas visitas no sul. Falaram a grupos reunidos em fazendas, num pomar, num piquenique perto de um riacho nas montanhas e em residências. Muitas vezes tinham de viajar longas distâncias entre um grupo e outro. Ao chegarem a Buenos Aires, cada um serviu em programas em nove localidades num único dia e em onze residências no dia seguinte. No total, falaram a 56 grupos, para 2.505 pessoas ao todo. Foi um programa cansativo, mas eles se alegraram de servir assim a seus irmãos.

      Ao fazerem preparativos para uma assembléia na Colômbia, em 1955, as Testemunhas de Jeová firmaram um contrato para usar um salão em Barranquilla. Mas, pressionados pelo bispo, o prefeito e o governador intervieram, e o contrato foi cancelado. Avisados apenas um dia antes, os irmãos arranjaram outro local para a assembléia, providenciando realizá-la na filial da Sociedade. Entretanto, logo no início da primeira sessão, à noite, policiais armados chegaram com ordens de dissolver a assembléia. Os irmãos persistiram. Um apelo ao prefeito na manhã seguinte resultou num pedido de desculpas de seu secretário, e quase 1.000 pessoas se comprimiram na filial da Sociedade para o último dia do programa da Assembléia “Reino Triunfante”. Apesar das circunstâncias então existentes, os irmãos foram assim fortalecidos com necessários conselhos espirituais.

      Servindo onde a necessidade é maior

      O campo era enorme, e a necessidade de trabalhadores era grande na América Latina, assim como em muitos outros lugares. Em 1957, em congressos no mundo todo, indivíduos e famílias que eram Testemunhas de Jeová maduras foram incentivados a pensar em mudar-se para áreas de maior necessidade a fim de fixar residência e efetuar ali seu ministério. Deu-se similar incentivo de várias maneiras depois disso. O convite era muito parecido ao que Deus fez ao apóstolo Paulo, que teve a visão de um homem que lhe suplicava: “Passa à Macedônia e ajuda-nos.” (Atos 16:9, 10) Qual foi a reação ao convite moderno? Os servos de Jeová ofereceram-se de bom grado. — Sal. 110:3.

      Uma família com crianças precisa de uma grande dose de fé para cortar raízes, deixar os parentes, a casa e o emprego, e viajar para um ambiente completamente novo. A mudança talvez requeira aceitar um padrão de vida muito diferente e, em alguns casos, aprender uma nova língua. No entanto, milhares de Testemunhas de Jeová, individualmente e em família, têm feito essas mudanças para ajudar outros a aprender sobre as provisões amorosas de Jeová para a vida eterna.

      Correspondendo rápido ao incentivo, várias Testemunhas de Jeová mudaram-se em fins da década de 50; outras na década de 60; ainda outras na década de 70. E a mudança de Testemunhas para regiões de maior necessidade continua até o presente.

      De onde procedem? Grandes números da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos e da Nova Zelândia. Muitos da Alemanha, da França e da Grã-Bretanha. Também da Áustria, da Bélgica, da Dinamarca, da Espanha, da Finlândia, da Itália, do Japão, da Noruega, da República da Coréia, da Suécia e da Suíça, entre outros. À medida que aumenta o número de Testemunhas de Jeová na Argentina, no Brasil, no México e em outros países latino-americanos, esses também fornecem trabalhadores dispostos a servir em outros países em que há grande necessidade. Similarmente, zelosos trabalhadores na África têm mudado de um país para outro a fim de ajudar no testemunho.

      Para que regiões têm mudado? Para terras como Afeganistão, Malaísia e Senegal, e ilhas como Reunião e Sta. Lúcia. Cerca de 1.000 mudaram-se para a Irlanda, onde serviram por variados períodos. Um número considerável foi para a Islândia, apesar de seus invernos longos e escuros, e alguns permaneceram, tornando-se colunas nas congregações e dando ajuda amorosa aos mais novos. Tem-se feito um bom trabalho especialmente na América Central e do Sul. Mais de 1.000 Testemunhas de Jeová mudaram-se para a Colômbia, mais de 870 para o Equador, mais de 110 para El Salvador.

      Harold e Anne Zimmerman estavam entre aqueles que se mudaram. Já haviam servido como instrutores missionários na Etiópia. No entanto, em 1959, quando concluíam os arranjos para mudar-se dos Estados Unidos para a Colômbia a fim de participar na divulgação da mensagem do Reino, eles criavam quatro filhos, de cinco meses a cinco anos. Harold foi na frente para procurar emprego. As notícias que encontrou no país o perturbaram. Travava-se uma guerra civil não declarada, e havia assassinatos em massa no interior. Ele se perguntava: ‘Quero mesmo trazer minha família para viver nessas condições?’ Procurou lembrar-se de algum exemplo ou princípio orientador da Bíblia. O que lhe veio à mente foi o relato bíblico sobre os espias temerosos que levaram ao acampamento israelita informações ruins sobre a Terra Prometida. (Núm. 13:25-14:4; 14:11) Isso resolveu a questão; ele não queria ser como aqueles espias! Providenciou imediatamente a mudança da família. Só arranjou serviço quando seus recursos já haviam minguado para apenas três dólares, mas eles tinham o que era realmente necessário. O quanto ele precisava trabalhar para sustentar sua família variava ao longo dos anos, mas ele sempre se esforçou a dar primazia aos interesses do Reino. Ao chegarem à Colômbia, havia umas 1.400 Testemunhas de Jeová no país. Que surpreendente crescimento eles têm visto desde então!

      Servir onde a necessidade de Testemunhas é maior nem sempre requer que a pessoa vá para outro país. Milhares de Testemunhas, individualmente e em família, mudam-se para outras regiões em seu próprio país. Uma família no Estado da Bahia, Brasil, mudou-se para a cidade de Prado, onde não havia Testemunhas. Apesar das objeções do clero, eles moraram e trabalharam nessa cidade e nas redondezas durante três anos. Uma igreja abandonada foi adquirida e transformada em Salão do Reino. Em pouco tempo, já havia mais de cem Testemunhas ativas na região. E isso foi só o começo.

      Em números sempre crescentes, os amantes da justiça na América Latina aceitam o convite registrado no Salmo 148: ‘Louvai a Jah! Louvai a Jeová desde a terra, vós grupos nacionais.’ (Vv 1, 7-11) De fato, em 1975 havia louvadores de Jeová em todos os países da América Latina. O relatório daquele ano mostrou que 80.481 pessoas, organizadas em 2.998 congregações, serviam no México. Outras 24.703, em 462 congregações, falavam sobre o reinado de Jeová na América Central. E na América do Sul havia 206.457 louvadores públicos de Jeová em 3.620 congregações.

      Alcançando as ilhas do Pacífico

      Enquanto ocorria essa rápida expansão na América do Sul, as Testemunhas de Jeová também davam atenção às ilhas do Pacífico. Existem centenas de ilhas espalhadas entre a Austrália e as Américas, muitas delas mal se projetando sobre as águas do oceano. Algumas são habitadas por apenas poucas famílias; outras, por dezenas de milhares de pessoas. Em princípios da década de 50, o preconceito das autoridades impossibilitou a Sociedade Torre de Vigia de enviar missionários a muitas dessas ilhas. Mas as pessoas ali também precisavam ouvir sobre Jeová e seu Reino. Isso está em harmonia com a profecia registrada em Isaías 42:10-12: “Cantai a Jeová um novo cântico, seu louvor desde a extremidade da terra . . . Conte-se nas ilhas até mesmo o seu louvor.” Assim, em 1951, num congresso em Sídnei, Austrália, os pioneiros e superintendentes de circuito interessados em participar na divulgação da mensagem do Reino nas ilhas foram convidados para uma reunião com o irmão Knorr. Naquela ocasião, 30 se ofereceram para pregar nas ilhas tropicais.

      Entre eles estava Tom e Rowena Kitto, que logo foram para Papua, onde, na época, não havia Testemunhas. Começaram o trabalho entre os europeus em Port Moresby. Em pouco tempo, já passavam algumas noites em Hanuabada, o “Grande Povoado”, com um grupo de 30 a 40 papuásios famintos da verdade espiritual. Desses, a mensagem se espalhou para outros povoados. Em pouco tempo, os keremas enviaram uma delegação para pedir que se dirigisse um estudo bíblico para eles. Daí, veio um chefe de Haima, suplicando: “Por favor, venham ensinar a verdade ao meu povo!” E assim a verdade se espalhava.

      Outro casal, John e Ellen Hubler, foi para a Nova Caledônia a fim de estabelecer a obra. Ao chegarem, em 1954, seus vistos eram para apenas um mês, como turistas. Mas John arranjou um emprego, e isso os ajudou a conseguir uma prorrogação. Com o tempo, outras Testemunhas — 31 ao todo — também se mudaram. A princípio, efetuavam o ministério em regiões retiradas para não chamar muita atenção. Mais tarde, passaram a pregar na capital, Nouméia. Formou-se uma congregação. Daí, em 1959, um membro da Ação Católica passou a ocupar um importante cargo no governo. As Testemunhas de Jeová não mais conseguiam renovar os vistos. Os Hublers tiveram de deixar o país. As publicações da Torre de Vigia foram proscritas. No entanto, as boas novas do Reino já se haviam firmado, e o número de Testemunhas continuou a aumentar.

      No Taiti, muitos mostraram interesse na obra das Testemunhas de Jeová quando alguns irmãos fizeram breves visitas ali. Mas, em 1957, não havia Testemunhas locais, a obra estava proscrita e os missionários da Torre de Vigia não recebiam permissão de entrar no país. Todavia, Agnes Schenck, cidadã do Taiti, que na época morava nos Estados Unidos, tornara-se Testemunha de Jeová. Ao ficarem sabendo da necessidade de proclamadores do Reino no Taiti, ela, o marido e o filho partiram da Califórnia, de navio, em maio de 1958. Pouco depois, duas outras famílias juntaram-se a eles, embora só tivessem conseguido vistos de turista para três meses. No ano seguinte, formou-se uma congregação em Papeete. E, em 1960, o governo concedeu validade legal a uma associação das Testemunhas de Jeová organizada localmente.

      Para divulgarem a mensagem do Reino, duas missionárias, no caminho de retorno à sua designação, fizeram uma escala na ilha de Niue a fim de visitar uma parenta. O mês que elas passaram ali foi bem produtivo; encontrou-se muito interesse. Mas, com a chegada do próximo navio, elas tiveram de partir. No entanto, Seremaia Raibe, fijiano, logo assinou um contrato de trabalho com o Departamento de Obras Públicas em Niue e então passou a usar todo tempo livre para pregar. Entretanto, devido à pressão do clero, o visto de permanência do irmão Raibe foi cancelado depois de alguns meses, e, em setembro de 1961, a Assembléia Legislativa decidiu não mais permitir a entrada de Testemunhas de Jeová no país. Todavia, a pregação das boas novas continuou. Como? As Testemunhas locais, embora muito novas, perseveraram no serviço de Jeová. Ademais, o governo local já havia admitido como funcionário a William Lovini, um niueano nativo, que morava na Nova Zelândia. Por que estava ansioso de retornar a Niue? Porque se tornara Testemunha de Jeová e desejava servir onde a necessidade era maior. Em 1964, o número de Testemunhas aumentou para 34.

      Em 1973, David Wolfgramm, cidadão de Tonga, morava com a esposa e oito filhos numa casa confortável na Nova Zelândia. Mas deixaram isso para trás e mudaram-se para Tonga a fim de promover os interesses do Reino. A partir dali, participaram em levar a obra a ainda outras ilhas de Tonga, umas 30 das quais são habitadas.

      É preciso muito tempo, esforço e gastos para alcançar as ilhas. Mas as Testemunhas de Jeová consideram a vida do próximo como preciosa e não poupam esforços para ajudá-lo a beneficiar-se da amorosa provisão de Jeová de vida eterna no novo mundo.

      Uma família que vendeu sua fazenda na Austrália e mudou-se para uma das ilhas do Pacífico resumiu assim seus sentimentos: “Ouvir os ilhéus dizer que vieram a conhecer a Jeová, ouvi-los chamar nossos filhos de seus filhos, em virtude do grande amor que têm a eles por causa da verdade, observar o crescimento tanto dos interesses do Reino como da assistência às reuniões, ouvir essas pessoas amáveis dizer: ‘Meus filhos vão casar somente no Senhor’, e isso depois de muitos séculos de tradição e de casamentos do tipo oriental, observá-los endireitar moral e legalmente a vida conjugal, . . . vê-los estudando enquanto zelam do gado na beira da estrada, depois do trabalho estafante no arrozal, saber que falam sobre o erro da idolatria e sobre a beleza do nome de Jeová na mercearia e em outros lugares, ser chamado de irmão e irmã por uma mãe idosa das Índias Orientais e ouvi-la pedir para acompanhá-lo a fim de conversar com as pessoas sobre o verdadeiro Deus . . . Tudo isso contribui para uma inestimável recompensa por termos dado o passo que demos em resposta à chamada procedente do Pacífico Sul.”

      Contudo, outras pessoas além desses ilhéus do Pacífico recebiam atenção. A partir de 1964, pioneiros experientes das Filipinas foram designados a ajudar missionários zelosos que já trabalhavam em Hong Kong, Indonésia, República da Coréia, Laos, Malaísia, Taiwan (Formosa), Tailândia e Vietnã.

      Em face de pressões da família e da comunidade

      Quando alguém se torna Testemunha de Jeová, isso nem sempre é aceito pela família e pela comunidade como simples questão de decisão pessoal. — Mat. 10:34-36; 1 Ped. 4:4.

      A maioria dos que se tornam Testemunhas de Jeová em Hong Kong são jovens. Mas esses jovens ficam sob tremenda pressão num sistema que dá prioridade à instrução superior e a empregos bem remunerados. Os pais consideram os filhos como um investimento que lhes garantirá conforto no fim da vida. Assim, quando os pais de um rapaz em Kwun Tong perceberam que o estudo da Bíblia, a assistência às reuniões e o serviço de campo interfeririam na carreira secular do filho, sua oposição tornou-se intensa. O pai correu atrás dele com um cutelo de açougueiro; a mãe cuspiu nele em público. Os abusos verbais foram quase ininterruptos durante meses. Certa vez, ele perguntou aos pais: “Vocês não me criaram por amor?” E eles responderam: “Não, por dinheiro!” Todavia, o rapaz continuou a dar primazia à adoração de Jeová; mas, mesmo depois de sair de casa, continuou a ajudar financeiramente os pais segundo suas possibilidades, pois sabia que isso agradaria a Jeová. — Mat. 15:3-9; 19:19.

      Em comunidades de vínculos bem achegados, muitas vezes a forte pressão não vem só da parte da família imediata. Um dos que passaram por isso foi Fuaiupolu Pele, na Samoa Ocidental. Achava-se inconcebível um samoano rejeitar os costumes e a religião dos antepassados, e Pele sabia que teria de se explicar. Estudou com afinco e orou fervorosamente a Jeová. Ao ser convocado pelo chefe principal da família para uma reunião em Faleasiu, foi confrontado por seis chefes, três oradores, dez pastores, dois professores de teologia, o chefe principal, que presidia, e anciãos e mulheres de mais idade da família. Eles amaldiçoaram e censuraram a ele e a outro membro da família que mostrava interesse nas Testemunhas de Jeová. Houve um debate; durou até às quatro da madrugada. Pele usou a Bíblia, o que irritou a alguns dos presentes, que gritaram: “Tirem dele essa Bíblia! Largue essa Bíblia!” Mas, por fim, o chefe principal disse, com voz fraca: “Você venceu, Pele.” Mas Pele disse: “Desculpe-me, senhor, eu não venci. Esta noite o senhor ouviu a mensagem do Reino. Meu desejo sincero é que a aceite.”

      Quando há intensa oposição do clero

      Os missionários da cristandade chegaram às ilhas do Pacífico no século 19. Sua chegada, em muitos lugares, fora pacífica; em outros, fora protegida por forças militares. Em algumas regiões, eles haviam dividido as ilhas entre si por um “acordo de cavalheiros”. Mas houvera também guerras religiosas, nas quais católicos e protestantes lutaram uns contra os outros por domínio. Esses “pastores” religiosos, o clero, usavam agora todos os meios ao seu dispor para manter as Testemunhas de Jeová fora do que consideravam seu próprio território. Às vezes pressionavam as autoridades a expulsar as Testemunhas de certas ilhas. Em outras ocasiões, tomavam a lei nas próprias mãos.

      Na ilha da Nova Bretanha, no povoado de Vunabal, um grupo da tribo sulca mostrava muito interesse na verdade da Bíblia. Mas, certo domingo, em 1959, enquanto John Davison dirigia um estudo da Bíblia para eles, uma turba de católicos, orientados pelo catequista católico, invadiram a casa e puseram fim ao estudo, gritando e cometendo abusos. Deu-se parte à Polícia, em Kokopo.

      Em vez de abandonar as ovelhas, as Testemunhas retornaram na semana seguinte para continuar a dar ajuda espiritual a quem tivesse apreço, em Vunabal. O sacerdote católico estava lá também, embora não tivesse sido convidado pelos aldeões, e com ele centenas de católicos de outra tribo. Depois de serem incitados pelo sacerdote, os freqüentadores de sua igreja xingaram as Testemunhas, cuspiram nelas, brandiram os punhos ameaçadoramente e estraçalharam as Bíblias dos aldeões, ao passo que o sacerdote, parado, de braços cruzados, sorria. Os policiais que procuravam controlar a situação ficaram visivelmente abalados. Muitos aldeões também ficaram amedrontados. Mas pelo menos um aldeão mostrou-se corajoso e tomou posição a favor do que sabia ser a verdade. Agora, centenas de outros naquela ilha têm feito o mesmo.

      No entanto, nem todos os instrutores religiosos mostravam um espírito antagônico para com as Testemunhas de Jeová. Shem Irofa’alu, nas ilhas Salomão, sentia uma responsabilidade sincera para com aqueles que recorriam a ele como líder religioso. Depois de ler o livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado, da Sociedade Torre de Vigia, deu-se conta de que alguém mentira para ele. Ele e os instrutores religiosos sob sua jurisdição ouviram palestras das Testemunhas, fizeram perguntas e consultaram os textos na Bíblia. Daí chegaram à conclusão de que desejavam tornar-se Testemunhas de Jeová, de modo que passaram a transformar as igrejas de seus 28 povoados em Salões do Reino.

      Torrente contínua da verdade na África

      Especialmente a partir do início da década de 20, fez-se muito esforço para que as pessoas em toda parte da África tivessem oportunidade de vir a conhecer a Jeová, o verdadeiro Deus, e beneficiar-se de suas provisões amorosas. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, havia Testemunhas de Jeová ativas em 14 países do continente africano. Outros 14 países africanos já haviam sido alcançados com a mensagem do Reino, mas em 1945 nenhuma Testemunha de Jeová relatava atividades nesses países. Nos 30 anos seguintes, até 1975, a pregação das boas novas penetrou em mais 19 países da África. Em quase todos esses países, bem como em ilhas vizinhas, começaram a surgir congregações — umas poucas em certos países, mais de mil na Zâmbia, quase duas mil na Nigéria. Como tudo isso aconteceu?

      A divulgação da mensagem do Reino era como uma torrente contínua de água. Em geral, a água corre pelos canais dos rios, embora um pouco transborde para as margens; e, se algo obstrui o fluxo, a água toma outro curso ou aumenta em volume e pressão até irromper por cima.

      Usando os costumeiros canais organizacionais, a Sociedade Torre de Vigia designou ministros de tempo integral — pioneiros, pioneiros especiais e missionários — a países em que pouca ou nenhuma pregação havia sido feita. Onde quer que iam, eles convidavam as pessoas a ‘tomar de graça a água da vida’. (Rev. 22:17) Por exemplo, no norte da África, quatro pioneiros especiais da França fizeram esse convite ao povo da Argélia, em 1952. Em pouco tempo uma adivinha aceitou a verdade, reconheceu que tinha de abandonar sua profissão para agradar a Jeová e passou a dar testemunho aos ex-clientes. (Deut. 18:10-12) Os pioneiros usaram eficazmente o livro “Seja Deus Verdadeiro” para ajudar os sinceros a ver a diferença entre a Bíblia Sagrada e as tradições religiosas. Esse livro era tão eficaz em libertar as pessoas dos costumes da religião falsa que um clérigo o expôs no púlpito e lançou uma maldição sobre ele, sobre quem o distribuía e sobre quem o lia.

      Em 1954, um missionário foi expulso da Espanha católica por ensinar a Bíblia sem a aprovação do clero; assim, no ano seguinte, ele e seu colega no serviço de pioneiro foram pregar no Marrocos. Pouco depois, juntou-se a eles uma família de cinco Testemunhas de Jeová que havia sido deportada da Tunísia, onde surgira grande agitação quando um casal judeu aceitou a Jesus como o Messias e logo passou a partilhar sua nova fé com outros. Mais ao sul, alguns pioneiros de Gana foram enviados para Mali, em 1962. Depois, pediu-se a pioneiros franceses que serviam na Argélia que também fossem ajudar em Mali. Por sua vez, grande número dos que mais tarde se tornaram Testemunhas ali ingressaram no serviço de tempo integral. Em 1966, oito pioneiros especiais da Nigéria aceitaram designações no Níger, país esparsamente habitado que inclui parte do deserto do Saara. Burundi teve oportunidade de ouvir a mensagem do Reino quando dois pioneiros especiais foram enviados da Rodésia do Norte (agora Zâmbia) para lá, em 1963, e depois quatro missionários treinados na Escola de Gileade.

      Na Etiópia também havia missionários no início da década de 50. O governo etíope pediu que estabelecessem uma missão religiosa e escola, e eles fizeram isso. Mas, além disso, mantinham-se ocupados ensinando a Bíblia, e logo era constante o movimento de pessoas que iam ao lar missionário, recém-interessados chegando todo dia para pedir que alguém os ajudasse a entender a Bíblia. Durante as três décadas após a Segunda Guerra Mundial, 39 países do continente africano beneficiaram-se da ajuda dos missionários treinados em Gileade.

      Ao mesmo tempo, as águas da verdade transbordavam para regiões espiritualmente ressequidas, mediante Testemunhas de Jeová cujo emprego as punha em contato com outros povos. Assim, um casal de Testemunhas, no Egito, cujo emprego exigiu sua mudança para a Líbia, em 1950, pregava zelosamente nas horas livres. Naquele mesmo ano, uma Testemunha, comerciante de lã, mudou-se com a família do Egito para Cartum, no Sudão. Ele adotou o costume de dar testemunho aos clientes antes de fazer negócios com eles. Uma das primeiras Testemunhas no Senegal (que então fazia parte da África Ocidental Francesa) foi para lá em 1951 como representante duma firma. Ele também reconhecia suas responsabilidades como Testemunha do Altíssimo. Em 1959, devido ao emprego, uma Testemunha mudou-se para Fort-Lamy (agora N’Djamena), no que mais tarde se tornou o Chade, e aproveitou a oportunidade para divulgar a mensagem do Reino naquele país. Em países vizinhos do Níger havia comerciantes que eram Testemunhas de Jeová; assim, embora houvesse pioneiros especiais ativos no Níger de 1966 em diante, esses comerciantes também pregavam a pessoas procedentes do Níger com quem faziam negócios. E duas Testemunhas cujos maridos foram trabalhar na Mauritânia, em 1966, aproveitaram a oportunidade para dar testemunho na região.

      As pessoas que eram revigoradas pela ‘água da vida’ partilhavam-na com outros. Por exemplo, em 1947, alguém que assistira a algumas reuniões, mas que não era Testemunha de Jeová, mudou-se de Camarões para Ubangi-Shari (agora República Centro-Africana). Ao ficar sabendo de um homem em Bangui que estava muito interessado na Bíblia, ele bondosamente providenciou que a congênere da Sociedade Torre de Vigia na Suíça lhe enviasse um livro. Etienne Nkounkou, que recebeu o livro, ficou radiante com o alimento espiritual sadio apresentado, e toda semana lia um pouco para um grupo de interessados. Eles contataram a sede da Sociedade. À medida que o conhecimento foi aumentando, esse grupo de estudo tornou-se também um grupo de pregadores. Embora a pressão do clero levasse o governo a proscrever as publicações da Torre de Vigia, essas novas Testemunhas continuaram a pregar apenas com a Bíblia. As pessoas nesse país gostam muito de ouvir palestras bíblicas, de modo que, em 1957, quando a proscrição a algumas publicações da Sociedade foi suspensa, já havia mais de 500 Testemunhas.

      Quando surgiam obstáculos

      Quando obstáculos impediam o fluxo de água vitalizadora, ele logo prosseguia de alguma outra maneira. Ayité Sessi, pioneiro de Daomé (agora Benin), pregara no Togo francês (agora Togo) por apenas um breve período em 1949, quando o governo obrigou-o a partir. Mas, no ano seguinte, Akakpo Agbetor, ex-boxeador, originário de Togo, voltou para sua terra junto com seu irmão. Por ser sua terra natal, ele pôde dar testemunho com bastante liberdade, chegando até a realizar reuniões. Embora pioneiros que haviam aceitado designações em Fernando Pó (agora parte da Guiné Equatorial), por volta de 1950, fossem deportados pouco tempo depois devido à intolerância religiosa, outras Testemunhas mais tarde conseguiram contratos de trabalho que lhes permitiram morar naquela região. E, naturalmente, em harmonia com a ordem de Jesus, elas pregavam. — Mar. 13:10.

      Em 1959, Emmanuel Mama, superintendente de circuito de Gana, foi enviado ao Alto Volta (agora Burkina Faso) para passar algumas semanas e pôde dar muito testemunho em Ouagadougou, a capital. Mas não havia Testemunhas morando no país. Quatro anos depois, sete Testemunhas, originárias do Togo, de Daomé (agora Benin) e do Congo, mudaram-se para Ouagadougou e procuraram emprego para que pudessem servir nessa região. Alguns meses depois, vários pioneiros especiais de Gana juntaram-se a eles. No entanto, em 1964, devido à pressão do clero sobre as autoridades, menos de um ano depois de as Testemunhas terem chegado, eles foram presos, detidos por 13 dias e então expulsos do país. Valeram a pena seus esforços? Emmanuel Johnson, que residia no país, ficara sabendo onde se podia encontrar a verdade da Bíblia. Ele continuou a estudar com as Testemunhas de Jeová por correspondência e foi batizado em 1969. Sim, a obra do Reino se firmara em mais um país.

      Quando se solicitaram vistos de entrada para que missionários treinados em Gileade servissem na Costa do Marfim, as autoridades francesas não concederam aprovação. Portanto, em 1950, Alfred Shooter, da Costa do Ouro (agora Gana), foi enviado como pioneiro para a capital da Costa do Marfim. Uma vez estabelecido, sua esposa juntou-se a ele; e, alguns meses depois, chegou um casal de missionários, Gabriel e Florence Paterson. Surgiram problemas. Certo dia, suas publicações foram apreendidas por não terem sido aprovadas pelo governo, e os irmãos foram multados. Mais tarde, porém, encontraram seus livros à venda no mercado, de modo que os compraram e fizeram bom uso deles.

      Entrementes, esses irmãos visitaram muitas repartições do governo no esforço de conseguir vistos permanentes. O Sr. Houphouët-Boigny, que depois se tornou presidente da Costa do Marfim, ofereceu ajuda. “Para a verdade”, comentou ele, “não existe nenhuma barreira. É como um poderoso rio; represe-o, e ele transbordará da represa”. Quando um sacerdote católico e um ministro metodista tentaram interferir, Ouezzin Coulibaly, um deputado, disse: “Eu represento o povo deste país. Nós somos o povo, e nós gostamos das Testemunhas de Jeová e, por conseguinte, queremos que permaneçam aqui neste país.”

      Discípulos que realmente entendem

      Ao instruir que se ‘fizessem discípulos de pessoas de todas as nações’, Jesus Cristo também orientou que aqueles que se tornassem discípulos — aqueles que cressem nos seus ensinos e os aplicassem — fossem batizados. (Mat. 28:19, 20) Em harmonia com isso, há arranjos para o batismo de novos discípulos nas assembléias e nos congressos periódicos das Testemunhas de Jeová. O número de batizados em cada ocasião pode ser relativamente pequeno. No entanto, num congresso na Nigéria, em 1970, 3.775 novas Testemunhas foram imersas. Todavia, o objetivo não são grandes números.

      Em 1956, ao se perceber que alguns que se batizavam na Costa do Ouro não haviam edificado sua fé sobre um alicerce adequado, instituiu-se ali o arranjo de examinar os batizandos. Ficou a cargo dos superintendentes das congregações na Costa do Ouro a responsabilidade de examinar pessoalmente cada candidato à imersão para se certificarem de que tinha conhecimento correto de verdades básicas da Bíblia, de que vivia em harmonia com os padrões da Bíblia e de que entendia claramente as obrigações das Testemunhas dedicadas e batizadas de Jeová. Com o tempo, adotou-se um procedimento similar no mundo todo. Em 1967, forneceu-se um esboço pormenorizado para a recapitulação de ensinos bíblicos básicos com candidatos ao batismo no livro “Lâmpada Para o Meu Pé É a Tua Palavra”. Depois de anos de experiência, publicou-se em 1983 outro refinamento desse esboço no livro Organizados Para Efetuar o Nosso Ministério.

      Levaram-se em conta nesse arranjo as necessidades de pessoas que têm pouca ou nenhuma escolaridade?

      O problema do analfabetismo

      Em 1957, a Organização das Nações Unidas Para a Educação, a Ciência e a Cultura calculava que aproximadamente 44 por cento da população mundial com 15 anos ou mais de idade não sabia ler nem escrever. Relatava-se que em 42 países da África, 2 das Américas, 28 da Ásia e 4 da Oceania, 75 por cento dos adultos eram analfabetos. No entanto, eles também precisavam ter oportunidade de aprender a lei de Deus, para que pudessem preparar-se para ser súditos do Seu Reino. Muitos que não sabiam ler tinham mente alerta e conseguiam lembrar-se de muita coisa que ouviam, mas ainda não podiam ler a preciosa Palavra de Deus e usar publicações para o estudo da Bíblia.

      Já por anos, algumas Testemunhas davam ajuda pessoal àqueles que quisessem aprender a ler. Mas, em 1949 e 1950, as Testemunhas de Jeová iniciaram aulas de alfabetização em todas as suas congregações em muitos países africanos. As aulas em geral eram dadas em Salões do Reino, e, em certos lugares, o povoado inteiro era convidado para tirar proveito do programa.

      Nos lugares em que o governo patrocinava um programa de alfabetização, as Testemunhas de Jeová de bom grado cooperavam com isso. Em muitas regiões, porém, as Testemunhas tiveram de elaborar e usar suas próprias cartilhas. Dezenas de milhares de pessoas, incluindo milhares de mulheres e idosos, têm sido alfabetizadas por meio das aulas dadas pelas Testemunhas de Jeová. Devido ao método de ensino elaborado, elas não só aprendem a ler e escrever, mas ao mesmo tempo se familiarizam com verdades básicas da Santa Palavra de Deus. Isso tem ajudado a habilitá-las para participar na obra de fazer discípulos ordenada por Jesus. De fato, o desejo de fazer isso eficazmente tem motivado muitos a se esforçar diligentemente para aprender a ler.

      Quando um novo publicador em Daomé (agora Benin), na África Ocidental, foi despachado por um morador por não saber ler, esse publicador decidiu vencer o problema. Além de freqüentar as aulas de alfabetização, ele se aplicou. Seis semanas depois, visitou o mesmo morador; este ficou tão surpreso de ouvir a pessoa que havia tão pouco tempo era analfabeta ler a Palavra de Deus, que mostrou interesse também no que o publicador ensinava. Com o tempo, alguns dos que foram instruídos nessas aulas de alfabetização chegaram até a se tornar superintendentes viajantes, com várias congregações para ensinar. Foi assim com Ezekiel Ovbiagele, na Nigéria.

      Instruindo mediante filmes e slides

      Para ajudar os que demonstravam interesse na Bíblia a reconhecer a magnitude da organização visível de Jeová, exibiu-se um filme em 1954. Esse filme, A Sociedade do Novo Mundo em Ação, também ajudou a eliminar o preconceito de algumas comunidades.

      No que agora é a Zâmbia, muitas vezes era preciso um gerador portátil para exibir o filme. Um pano branco estendido entre duas árvores servia de tela. Na província de Barotse, o chefe supremo assistiu ao filme com a família real, e depois quis que fosse apresentado ao público. Em resultado disso, na noite seguinte 2.500 pessoas assistiram ao filme. A assistência total às exibições em Zâmbia num período de 17 anos passou de um milhão. Os presentes deleitavam-se com o que viam. Na vizinha Tanganica (agora parte da Tanzânia), relatou-se que depois da exibição do filme a multidão bradou: “Ndaka, ndaka” (Obrigado, obrigado).

      Depois do filme A Sociedade do Novo Mundo em Ação, produziram-se outros filmes: A Felicidade da Sociedade do Novo Mundo, Proclamando as “Boas Novas Eternas” ao Redor do Mundo, Deus não Pode Mentir e Herança. Tem havido também exibições de slides, com comentários, sobre a praticidade da Bíblia nos nossos dias, as raízes pagãs de doutrinas e costumes da cristandade e o significado das condições mundiais à luz das profecias bíblicas, além de sobre as Testemunhas de Jeová como organização, apresentando uma visita à sua sede mundial, emocionantes congressos em países em que elas anteriormente estavam proscritas e uma consideração de sua história moderna. Tudo isso tem ajudado as pessoas a perceber que Jeová realmente tem um povo na Terra e que a Bíblia é Sua Palavra inspirada.

      Identificando as verdadeiras ovelhas

      Em certos países, pessoas que simplesmente possuíam algumas publicações da Sociedade Torre de Vigia se diziam Testemunhas de Jeová ou usavam o nome Torre de Vigia. Mas será que haviam mudado suas crenças e seu modo de vida para se harmonizarem aos padrões da Bíblia? Ao receberem a necessária instrução, mostrar-se-iam pessoas realmente comparáveis a ovelhas, que prestam atenção à voz do Amo, Jesus Cristo? — João 10:4, 5.

      Em 1954, a congênere da Sociedade Torre de Vigia na África do Sul recebeu uma carta surpreendente de um grupo de africanos da Baía dos Tigres, uma colônia penal no sul de Angola. O escritor, João Mancoca, disse: “O grupo de Testemunhas de Jeová em Angola se compõe de 1.000 membros. Estes têm como líder a Simão Gonçalves Toco.” Quem era Toco? Eram seus seguidores realmente Testemunhas de Jeová?

      Providenciou-se que John Cooke, missionário que sabia falar português, visitasse Angola. Depois duma longa entrevista com uma autoridade da colônia, o irmão Cooke recebeu permissão de visitar Mancoca. O irmão Cooke ficou sabendo que na década de 40, quando Toco se associava com uma missão batista no Congo Belga (agora Zaire), ele obtivera algumas publicações da Torre de Vigia e partilhara com associados íntimos o que aprendera. Mas então o grupo foi influenciado por espíritas, e com o tempo Toco deixou completamente de usar as publicações da Torre de Vigia e a Bíblia. Em vez disso, ele buscava orientação por meio de médiuns espíritas. Seus seguidores foram deportados pelo governo para Angola e daí foram dispersos para várias partes do país.

      Mancoca fora um dos associados de Toco, mas procurara persuadir outros a parar de praticar o espiritismo e a aderir à Bíblia. Alguns seguidores de Toco não gostaram disso e denunciaram Mancoca às autoridades portuguesas sob acusações falsas. Isso resultou na deportação de Mancoca e daqueles que partilhavam seus conceitos para uma colônia penal. Ali, ele entrou em contato com a Sociedade Torre de Vigia e obteve mais publicações bíblicas. Ele era humilde, de mentalidade espiritual e muito interessado em trabalhar intimamente com a organização mediante a qual aprendera a verdade. Depois de o irmão Cooke ter passado muitas horas considerando verdades bíblicas com esse grupo, não restava nenhuma dúvida em sua mente de que João Mancoca era mesmo uma das ovelhas do Senhor. Sob as mais difíceis circunstâncias, o irmão Mancoca tem provado isso já por muitos anos.

      Realizaram-se também entrevistas com Toco e alguns de seus seguidores. Com poucas exceções, porém, eles não deram evidência das qualidades comparáveis às de ovelhas dos seguidores de Cristo. Portanto, naquela época, não havia 1.000 Testemunhas de Jeová em Angola, mas apenas umas 25.

      Nesse ínterim, surgira outra confusão de identidade no Congo Belga (agora Zaire). Havia um movimento político-religioso conhecido como Kitawala, que às vezes também usava o nome Torre de Vigia. Nas casas de alguns de seus membros havia publicações das Testemunhas de Jeová, obtidas pelo correio. Mas as crenças e práticas do Kitawala (incluindo racismo, subversão da autoridade para causar mudanças políticas e sociais, e crassa imoralidade sexual em nome da adoração) de modo algum representavam as crenças das Testemunhas de Jeová. No entanto, certos relatórios publicados procuravam envolver a Sociedade Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová com o Kitawala.

      Repetidos esforços das Testemunhas de Jeová de enviar supervisores treinados para o país foram frustrados pelas autoridades belgas. Grupos católicos e protestantes se deleitaram com isso. Especialmente a partir de 1949, tomaram-se cruéis medidas repressivas no Congo Belga contra aqueles que procuravam estudar a Bíblia com a ajuda das publicações da Torre de Vigia. Mas era como disse uma das fiéis Testemunhas locais: “Somos como um saco de milho africano. Aonde quer que nos levem, a Palavra cairá, uma a uma, até o tempo em que vier a chuva, e eles nos verão crescer em todo lugar.” E foi assim que, apesar de difíceis condições, de 1949 a 1960, o número dos que relatavam atividades como Testemunhas de Jeová aumentou de 48 para 1.528.

      Gradualmente, as autoridades chegaram a reconhecer que as Testemunhas de Jeová são muito diferentes do Kitawala. Quando as Testemunhas receberam certa liberdade para reunir-se, observadores do governo muitas vezes comentavam sobre sua boa conduta e ordem. Quando ocorriam manifestações violentas pela independência política, as pessoas sabiam que as Testemunhas de Jeová não estavam envolvidas. Em 1961, uma Testemunha qualificada, Ernest Heuse, Jr., da Bélgica, finalmente pôde entrar como supervisor no país. Com muito esforço diligente, foi possível aos poucos ajudar os irmãos a harmonizar mais plenamente suas congregações e sua vida pessoal com a Palavra de Deus. Havia muito que aprender, e isso exigiu grande paciência.

      Achando que isso realçaria sua posição, o Kitawala de algumas regiões enviou longas listas dos seus membros que desejavam ser reconhecidos como Testemunhas de Jeová. Prudentemente, o irmão Heuse enviou irmãos qualificados a essas regiões para descobrir que tipo de pessoas eram. Em vez de aceitarem esses grandes grupos, eles dirigiram estudos bíblicos para cada pessoa.

      Com o tempo, as verdadeiras ovelhas, aqueles que realmente consideravam a Jesus Cristo como seu Pastor, se manifestaram. E havia muitos desses. Eles, por sua vez, ensinavam a outros. Ao longo dos anos, muitos missionários da Torre de Vigia vieram do exterior para trabalhar com eles, para ajudá-los a assimilar um conhecimento mais exato da Palavra de Deus e para dar o necessário treinamento. Em 1975, 17.477 Testemunhas de Jeová no Zaire, organizadas em 526 congregações, ocupavam-se em pregar e ensinar a Palavra de Deus a outros.

      Quebrando o poder do fetiche

      Ao oeste da Nigéria, fica Benin (antes conhecido como Daomé), com uma população dividida em 60 grupos étnicos que falam umas 50 línguas e dialetos. Como acontece na maior parte da África, o animismo é a religião tradicional, conjugada com a adoração dos antepassados. Esse ambiente religioso atormenta a vida das pessoas com superstições e medo. Muitos que professam ser cristãos também praticam o animismo.

      Do fim da década de 20 até a década de 40, as Testemunhas de Jeová da Nigéria espalharam muitas sementes da verdade da Bíblia em Daomé por meio de visitas numa ou noutra ocasião para distribuir publicações bíblicas. Muitas daquelas sementes precisavam apenas de um pouco de água para se tornarem frutíferas. Essa atenção foi providenciada em 1948, quando Nouru Akintoundé, nativo de Daomé que morava na Nigéria, retornou a Daomé para ser pioneiro. Dentro de quatro meses, 300 pessoas aceitaram a verdade e participaram com ele no ministério de campo. Essa reação superou todas as expectativas razoáveis.

      Em resultado dessa atividade, logo surgiu agitação não só entre o clero da cristandade, mas também entre os animistas. Quando a secretária do convento fetichista em Porto-Novo mostrou interesse na verdade, o chefe fetichista proclamou que a secretária morreria em sete dias. Mas essa ex-secretária do convento disse firmemente: “Se o fetiche é que fez a Jeová, eu morrerei; mas se Jeová é o supremo Deus, então ele derrotará o fetiche.” (Compare com Deuteronômio 4:35; João 17:3.) Para que sua predição se cumprisse, na noite do sexto dia, o chefe fetichista fez todo tipo de feitiçaria e então proclamou que essa ex-secretária do convento estava morta. No entanto, houve grande consternação entre os adoradores fetichistas no dia seguinte, quando ela foi ao mercado em Cotonou bem viva. Mais tarde, um dos irmãos alugou um carro e passeou com ela em Porto-Novo para que todos vissem por si mesmos que ela estava viva. Depois, muitos outros adoradores fetichistas tomaram firme posição a favor da verdade. — Compare com Jeremias 10:5.

      Devido a intensa pressão religiosa, as publicações da Torre de Vigia logo foram proscritas em Daomé. Mas, em obediência a Jeová, as Testemunhas continuaram a pregar, muitas vezes só com a Bíblia. Às vezes, realizavam o trabalho de casa em casa como “comerciantes”, com todo tipo de mercadorias. Quando a conversa era boa, elas voltavam a atenção para a Bíblia, e podiam até tirar dum grande bolso interno uma preciosa publicação bíblica.

      Quando a Polícia lhes causava muitas dificuldades nas cidades, elas pregavam nas zonas rurais. (Compare com Mateus 10:23.) E quando eram presas, pregavam na prisão. Em 1955, as Testemunhas que estavam na prisão encontraram pelo menos 18 pessoas interessadas entre prisioneiros e autoridades carcerárias em Abomey.

      Dentro de apenas uma década depois de o pioneiro daomeano ter retornado a sua terra para pregar, 1.426 já participavam no ministério — e isso embora sua obra estivesse proscrita pelo governo!

      Mais trabalhadores participam na colheita

      Mas era óbvio que havia muitas pessoas famintas da verdade na África. A colheita era grande, mas os trabalhadores poucos. Portanto, foi encorajador para os irmãos observar o Senhor da colheita, Jesus Cristo, responder suas orações por mais trabalhadores para ajudar no recolhimento espiritual. — Mat. 9:37, 38.

      Muitas publicações foram distribuídas no Quênia na década de 30 por pioneiros viajantes, mas pouco se fez para cultivar o interesse. Mas em 1949 Mary Whittington emigrou da Grã-Bretanha com os três filhos pequenos para morar em Nairóbi com o marido, que trabalhava lá. A irmã Whittington estava batizada havia apenas um ano, mas tinha espírito de pioneiro. Embora não soubesse da existência de nenhuma outra Testemunha no Quênia, ela se pôs a ajudar outros naquele grande território a aprender a verdade. Apesar dos obstáculos, ela não recuou. Outras Testemunhas também foram — da África do Sul, da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, da Suécia e da Zâmbia — fazendo arranjos pessoais para mudar-se para lá a fim de partilhar a esperança do Reino com as pessoas.

      Além disso, casais de missionários foram enviados para ajudar na colheita. A princípio, os homens eram obrigados a realizar um trabalho secular para permanecer no país, de modo que o tempo que tinham para o ministério era limitado. Mas as esposas tinham liberdade para servir como pioneiras. Com o tempo, bem mais de cem missionários treinados em Gileade foram para o Quênia. Quando a independência estava próxima, com o fim da segregação imposta pelo governo colonial britânico, as Testemunhas européias estudaram suaíli e logo ampliaram as suas atividades para alcançar os africanos nativos. O número de Testemunhas nessa parte do campo global aumentou rapidamente.

      Em 1972, Botsuana também recebeu ajuda para a colheita espiritual quando Testemunhas da África do Sul, da Grã-Bretanha e do Quênia mudaram-se para suas cidades maiores. Três anos depois, missionários treinados em Gileade também foram para lá. Mas a população, em grande parte, acha-se espalhada em povoados rurais. Para alcançar essas pessoas, as Testemunhas da África do Sul viajavam pela região desértica conhecida como Calaári. Em comunidades isoladas, elas davam testemunho aos chefes dos povoados, aos professores e muitas vezes a grupos de 10 ou 20 ouvintes apreciativos. Um homem idoso disse: “Vocês percorreram toda essa distância para nos falar essas coisas? Isso é muita bondade de sua parte.”

      “Bíblia Brown” proferira vigorosos discursos bíblicos na Libéria na década de 20, mas houve considerável oposição. Na verdade, a obra de colheita espiritual ali só progrediu com a chegada de missionários da Escola de Gileade. Harry Behannan, que foi para lá em 1946, foi o primeiro. Muitos outros participaram nos anos seguintes. Liberianos nativos gradualmente se juntaram a eles na obra, e, em 1975, o número de louvadores de Jeová passou de mil.

      Na Nigéria, “Bíblia Brown” pregara ainda mais. Era uma nação dividida em numerosos reinos, cidades-estados e sistemas sociais, em que as pessoas falavam mais de 250 línguas e dialetos. A religião era mais um fator divisório. Com pouco tato, mas com convincentes argumentos das Escrituras, as primeiras Testemunhas expuseram o clero e seus ensinos falsos. Quando as publicações foram proscritas durante a Segunda Guerra Mundial, os irmãos pregavam só com a Bíblia. As pessoas que amavam a verdade reagiram com apreço. Largavam as igrejas, abandonavam a poligamia e deixavam seus jujus, que as igrejas haviam tolerado. Em 1950, o número de Testemunhas de Jeová que participavam na proclamação da mensagem do Reino na Nigéria era de 8.370. Em 1970, havia mais de dez vezes esse número.

      Foi preciso superar persistentes obstáculos jurídicos para dar ajuda espiritual aos interessados na Rodésia do Sul (agora conhecida como Zimbábue). Os esforços para obter reconhecimento legal começaram em meados da década de 20. Em 1932, os pioneiros da África do Sul receberam ordens de deixar o país e foram informados arbitrariamente de que não seria possível apelar. Mas apelaram mesmo assim. Acusações de que as publicações da Torre de Vigia eram sediciosas tiveram de ser julgadas nos tribunais. No início da década de 40, os irmãos passaram algum tempo na prisão por distribuírem publicações que explicavam a Bíblia. Só em 1966 as Testemunhas de Jeová receberam pleno reconhecimento legal como organização religiosa em Zimbábue. Por mais de 40 anos, a obra de colheita espiritual fora realizada sob consideráveis dificuldades, mas durante esse tempo trabalhadores corajosos ajudaram mais de 11.000 pessoas a se tornarem servos de Jeová Deus.

      Dando testemunho a governadores e reis

      Jesus sabia que seus discípulos encontrariam oposição em seu ministério. Ele lhes disse que seriam entregues aos “tribunais locais”, até mesmo a “governadores e reis”, e que isso resultaria num “testemunho para eles e para as nações”. (Mat. 10:17, 18) As Testemunhas de Jeová têm passado exatamente pelo que Jesus predisse, e, em harmonia com o que ele disse, têm procurado usar essas oportunidades para dar testemunho.

      Algumas autoridades permitem que o medo as impeça de fazer o bem aos seguidores de Cristo. (João 12:42, 43) Llewelyn Phillips viu provas disso em 1948, quando teve audiências pessoais com várias autoridades do governo no Congo Belga, com a intenção de conseguir alívio para as Testemunhas perseguidas ali. Ele explicou as crenças e as atividades das Testemunhas de Jeová a esses homens. Mas, durante a entrevista, o governador-geral disse, pensativo: “E, se eu os ajudar, o que acontecerá comigo?” Ele sabia que a Igreja Católica Romana exercia grande influência naquele país.

      No entanto, o chefe supremo da nação suazi, Rei Sobhuza II, não estava muito preocupado com a opinião do clero. Ele havia conversado muitas vezes com as Testemunhas de Jeová, possuía várias publicações e tinha boa disposição para com elas. Anualmente, na “Sexta-Feira Santa”, ele convidava os clérigos africanos para sua aldeia real. Deixava-os falar, mas também convidava uma Testemunha de Jeová para falar. Em 1956, a Testemunha falou sobre a doutrina da imortalidade da alma e títulos honorários de líderes religiosos. Quando ele terminou, o chefe supremo perguntou aos clérigos: “Essas coisas ditas aqui pelas Testemunhas de Jeová são verdadeiras ou falsas? Se são falsas, digam em quê.” Eles não conseguiram refutá-las. Em certa ocasião, o chefe supremo chegou a soltar uma gargalhada diante da consternação do clero pelo que uma Testemunha dissera.

      Muitas vezes cabia à Polícia indagar das Testemunhas o porquê de suas ações. Algumas Testemunhas da congregação de Tânger, no Marrocos, viajavam regularmente a Ceuta, um porto sob controle espanhol, mas situado na costa marroquina. Detidas pela Polícia em certa ocasião, em 1967, as Testemunhas foram interrogadas por duas horas, durante as quais se deu um excelente testemunho. A certa altura, dois inspetores de polícia perguntaram se as Testemunhas acreditavam na “Virgem Maria”. Quando se lhes disse que os relatos evangélicos mostram que Maria teve outros filhos depois do nascimento virginal de Jesus, e que eles eram meios-irmãos de Jesus, os inspetores com ar de espanto disseram que isso nunca poderia ser achado na Bíblia. Quando se mostrou João 7:3-5 a um deles, este o examinou demoradamente sem dizer nada, de modo que o outro disse: “Dê-me essa Bíblia. Eu explicarei o texto!” O primeiro replicou: “Não se incomode. O texto é muito claro.” Muitas outras perguntas foram feitas e respondidas num ambiente descontraído. Depois, houve bem pouca interferência das autoridades à medida que as Testemunhas pregavam naquela área.

      Homens de destaque no governo ficam bem familiarizados com as Testemunhas de Jeová e seu ministério. Alguns reconhecem que a obra das Testemunhas é realmente proveitosa para o povo. Em fins de 1959, quando se faziam preparativos para a independência da Nigéria, o governador-geral, Dr. Nnamdi Azikiwe, solicitou que W. R. Brown comparecesse como representante das Testemunhas de Jeová. Ele disse ao seu Conselho de Ministros: “Se todas as denominações religiosas fossem como as Testemunhas de Jeová, não mais haveria assassinatos, assaltos, delinqüências, presidiários e bombas atômicas. As portas não ficariam trancadas dia e noite.”

      Uma colheita espiritual realmente grande estava em andamento na África. Em 1975, 312.754 Testemunhas pregavam as boas novas em 44 países do continente africano. Em nove desses países, menos de 50 haviam tomado posição a favor da verdade bíblica e participavam na obra de evangelização. Mas as Testemunhas consideram preciosa a vida de cada uma das pessoas. Em 19 desses países, os que participavam no ministério de casa em casa como Testemunhas de Jeová chegavam aos milhares. Relataram-se extraordinários aumentos em certas regiões. Em Angola, por exemplo, de 1970 a 1975, o número de Testemunhas aumentou de 355 para 3.055. Na Nigéria, em 1975, havia 112.164 Testemunhas de Jeová. Não eram pessoas que apenas gostavam de ler as publicações da Torre de Vigia, nem que simplesmente assistiam de vez em quando às reuniões no Salão do Reino. Todos eram proclamadores ativos do Reino de Deus.

      O Oriente produz louvadores de Jeová

      Como aconteceu em muitos outros lugares, a atividade das Testemunhas de Jeová nas Filipinas expandiu-se rapidamente depois da Segunda Guerra Mundial. Tão logo foi possível depois de sua libertação da prisão em 13 de março de 1945, Joseph dos Santos contatou o escritório da Sociedade Torre de Vigia, em Nova Iorque. Ele queria obter todas as publicações bíblicas e instruções organizacionais que os irmãos nas Filipinas haviam perdido durante a guerra. Daí, visitou pessoalmente as congregações para unificá-las e fortalecê-las. Naquele mesmo ano realizou-se um congresso nacional em Lingayen, na província de Pangasinan, em que se deram instruções sobre como ensinar pessoas famintas da verdade por meio de estudos bíblicos domiciliares. Nos anos seguintes, fez-se um esforço conjunto para traduzir e imprimir mais publicações nas línguas locais — tagalo, ilocano e cebuano. Lançava-se o alicerce para expansão, o que ocorreu rapidamente.

      Em 10 anos após o fim da guerra o número de Testemunhas nas Filipinas aumentou de umas 2.000 para mais de 24.000. Em mais 20 anos havia ali bem mais de 78.000 louvadores de Jeová.

      Um dos primeiros países do Oriente para os quais se enviaram missionários da Escola de Gileade foi a China. Harold King e Stanley Jones chegaram a Xangai em 1947; Lew Ti Himm, em 1949. Foram recebidos pelos três pioneiros alemães que começaram a trabalhar ali em 1939. Era um país em que a maioria das pessoas era budista e não se dispunha de pronto a conversar sobre a Bíblia. Nas suas casas havia santuários e altares. Com espelhos pendurados em cima das portas, procuravam afastar maus espíritos. Pedacinhos de pano vermelho com dizeres de ‘boa sorte’ e desenhos atemorizantes de deuses budistas adornavam os portões. Mas eram tempos de grandes mudanças na China. Sob o domínio comunista, todo mundo era obrigado a estudar ‘os pensamentos de Mao Tse-Tung’. Depois do trabalho, eles tinham de assistir a longas sessões de explicação do comunismo. Em meio a tudo isso, os nossos irmãos pregavam com afinco as boas novas do Reino de Deus.

      Muitos dos dispostos a estudar com as Testemunhas de Jeová já haviam tido algum contato com a Bíblia por meio das religiões da cristandade. Foi o caso de Nancy Yuen, obreira da igreja e dona-de-casa grata pelo que as Testemunhas lhe mostravam na Bíblia. Em pouco tempo ela participava zelosamente no serviço de casa em casa e dirigia seus próprios estudos bíblicos. Outros a quem eles pregavam eram de formação tipicamente chinesa e budista e não tinham nenhum conhecimento prévio da Bíblia. Em 1956, alcançou-se o auge de 57 publicadores. Mas, naquele mesmo ano, depois de ser presa seis vezes por pregar, Nancy Yuen foi mantida na prisão. Outros foram presos ou obrigados a deixar o país. Stanley Jones e Harold King foram presos em 14 de outubro de 1958. Antes de serem julgados, ficaram detidos por dois anos. Durante esse tempo, eles sofreram constantes interrogatórios. Quando finalmente foram a julgamento, em 1960, receberam longas sentenças de prisão. Assim, em outubro de 1958, a atividade pública das Testemunhas de Jeová na China foi interrompida à força. Mas a pregação nunca parou completamente. Mesmo na prisão e em campos de trabalhos forçados, havia maneiras de dar testemunho. Far-se-ia mais nesse vasto país? Isso viria a tona no tempo devido.

      Nesse ínterim, o que acontecia no Japão? Apenas umas cem Testemunhas de Jeová haviam pregado ali antes da Segunda Guerra Mundial. Confrontados com medidas repressivas brutais durante os anos de guerra, muitos transigiram. Embora alguns tenham mantido a integridade, a pregação pública organizada parou. No entanto, a proclamação do Reino de Jeová teve novo começo naquela parte do mundo quando Don Haslett, missionário treinado em Gileade, chegou a Tóquio em janeiro de 1949. Dois meses depois, sua esposa, Mabel, pôde juntar-se a ele. Era um campo em que havia muitas pessoas famintas da verdade. O imperador renunciara à sua afirmação de ser deus. O xintoísmo, o budismo, o catolicismo e o kyodan (composto de vários grupos protestantes no Japão) haviam perdido o prestígio junto ao povo por terem apoiado o esforço de guerra do Japão, que acabara em derrota.

      Em fins de 1949, 13 missionários da Escola de Gileade trabalhavam no Japão. Outros vieram depois — mais de 160 ao todo. Havia pouquíssimas publicações para o trabalho. Alguns missionários falavam o japonês antigo do Havaí, mas tiveram de aprender a língua moderna. Os demais haviam aprendido alguns fundamentos, mas tinham de recorrer muitas vezes ao dicionário japonês-inglês até conhecerem melhor a nova língua. As famílias Ishii e Miura, que não haviam abandonado sua fé durante os anos de guerra, logo contataram a organização e recomeçaram a sua participação no ministério público.

      Pouco a pouco abriram-se lares missionários em Kobe, Nagóia, Osaca, Iocoama, Quioto e Sendai. De 1949 a 1957, a tarefa mais importante foi estabelecer a obra do Reino nas cidades grandes da principal ilha do Japão. Depois os trabalhadores foram mudando para outras cidades. O campo era enorme. Era óbvio que, para que todo o Japão recebesse um testemunho cabal, seria preciso muitos ministros pioneiros. Deu-se ênfase a isso, muitos se ofereceram, e houve uma reação maravilhosa aos esforços unidos desses ministros diligentes! A primeira década produziu 1.390 louvadores de Jeová. Em meados da década de 70, havia 33.480 zelosos louvadores de Jeová espalhados por todo o Japão. E o ritmo do ajuntamento acelerava.

      No mesmo ano em que Don Haslett chegou ao Japão, 1949, a obra do Reino na República da Coréia também recebeu grande ímpeto. A Coréia estivera sob domínio japonês durante a guerra mundial, e as Testemunhas foram impiedosamente perseguidas. Embora houvesse depois da guerra um pequeno grupo que se reunia para estudo, só se fez contato com a organização internacional depois que Choi Young-won viu um relatório sobre as Testemunhas de Jeová, em 1948, no jornal Stars and Stripes do Exército Americano. No ano seguinte formou-se uma congregação de 12 publicadores em Seul. Depois, naquele mesmo ano chegaram os primeiros missionários da Escola de Gileade, Don e Earlene Steele. Sete meses depois, chegaram mais seis missionários.

      Os missionários estavam tendo resultados excelentes — uma média de 20 estudos bíblicos para cada um e assistência às reuniões de até 336 pessoas. Daí, irrompeu a Guerra da Coréia. Apenas três meses depois de aquele último grupo de missionários ter chegado, todos eles foram levados para o Japão. Só depois de mais de um ano Don Steele pôde retornar a Seul, e só depois de mais de um ano Earlene pôde juntar-se a ele. No ínterim, os irmãos coreanos permaneceram firmes e foram zelosos na pregação, apesar de alguns terem perdido a sua casa e muitos deles serem refugiados. Mas, com o fim das hostilidades, deu-se atenção à produção de mais publicações em coreano. Congressos e a chegada de mais missionários deram estímulo à obra. Em 1975, havia 32.693 Testemunhas de Jeová na República da Coréia — quase tanto quanto no Japão — e havia potencial para excelente aumento, porque se dirigiam mais de 32.000 estudos bíblicos domiciliares.

      Qual era a situação na Europa?

      O fim da Segunda Guerra Mundial na Europa não resultou em plena liberdade para as Testemunhas de Jeová realizarem sua obra de instrução bíblica sem oposição. Em alguns lugares, as autoridades as respeitavam por causa de sua posição firme durante a guerra. Mas, em outros lugares, fortes marés de nacionalismo e animosidade religiosa geraram mais perseguição.

      Entre as Testemunhas na Bélgica algumas haviam vindo da Alemanha para pregar as boas novas. Por não apoiarem o regime nazista, a Gestapo as caçara como a animais selvagens. Mas agora as autoridades belgas acusavam algumas dessas mesmas Testemunhas de ser nazistas, prendiam-nas e as deportavam. Apesar de tudo isso, o número de Testemunhas que participavam no ministério de campo na Bélgica mais do que triplicou em cinco anos depois da guerra.

      O que estava por trás da maior parte da perseguição? A Igreja Católica Romana. Onde quer que tivesse o poder para isso, ela era implacável em sua guerra para acabar com as Testemunhas de Jeová.

      Sabendo que muitos no Ocidente temiam o comunismo, o clero católico na cidade irlandesa de Cork, em 1948, incitou oposição às Testemunhas de Jeová, referindo-se constantemente a elas como “diabos comunistas”. Assim, quando certa vez Fred Metcalfe participava no ministério de campo, ele foi confrontado por uma turba que lhe deu socos e chutes, e espalhou suas publicações bíblicas na rua. Felizmente, um policial apareceu nessa hora e dispersou a turba. Apesar de tudo isso, as Testemunhas perseveraram. Nem todos os irlandeses concordavam com a violência. Mais tarde, até mesmo alguns que participaram nisso lamentaram ter participado. A maioria dos católicos na Irlanda nunca vira uma Bíblia. Mas, com amorosa paciência, alguns deles foram ajudados a aceitar a verdade que liberta os homens. — João 8:32.

      Embora em 1946 só houvesse umas cem Testemunhas na Itália, três anos depois já havia 64 congregações — pequenas, mas laboriosas. O clero ficou preocupado. Incapaz de refutar as verdades bíblicas pregadas pelas Testemunhas de Jeová, o clero católico pressionou as autoridades do Governo para tentar livrar-se delas. Assim, em 1949, os missionários das Testemunhas receberam ordens de deixar o país.

      O clero católico romano tentou vez após vez perturbar ou impedir a realização de assembléias das Testemunhas de Jeová na Itália. Usou agitadores para tentar acabar com uma assembléia em Sulmona, em 1948. Em Milão, pressionou o chefe de polícia para cancelar a permissão para um congresso no Teatro dell’Arte, em 1950. E em 1951 fez a Polícia cancelar a permissão para uma assembléia em Cerignola. Mas, em 1957, quando a Polícia mandou encerrar um congresso das Testemunhas em Milão, a imprensa italiana objetou, e surgiram debates no parlamento. O semanário Il Mondo, de Roma, de 30 de julho de 1957, não hesitou em dizer que a ação fora tomada “para satisfazer o arcebispo”, Giovanni Battista Montini, que mais tarde se tornou o Papa Paulo VI. Sabia-se muito bem que por séculos a Igreja Católica proibira a circulação da Bíblia nas línguas do público em geral. Mas as Testemunhas de Jeová persistiram em deixar que os católicos sinceros vissem por si mesmos o que a Bíblia diz. O contraste entre a Bíblia e os dogmas da Igreja era óbvio. Apesar dos intensos esforços da Igreja Católica para impedir isso, milhares deixaram a Igreja e, em 1975, havia 51.248 Testemunhas de Jeová na Itália. Todas eram evangelizadores ativos, e seus números multiplicavam-se rapidamente.

      Na Espanha católica, quando a atividade organizada das Testemunhas de Jeová foi gradualmente restaurada depois de 1946, não surpreendeu que o clero também pressionasse autoridades seculares para tentar detê-las. Reuniões congregacionais das Testemunhas de Jeová eram dissolvidas à força. Os missionários foram obrigados a deixar o país. Testemunhas eram presas simplesmente por possuírem a Bíblia ou publicações bíblicas. Muitas vezes eram detidas em prisões imundas por até três dias e depois libertadas — só para serem detidas, interrogadas e presas de novo. Muitas cumpriram sentenças de um mês ou mais. Os sacerdotes instavam autoridades seculares a ir no encalço de quem quer que estudasse a Bíblia com as Testemunhas de Jeová. Mesmo depois de promulgada a Lei de Liberdade Religiosa, em 1967, as mudanças eram lentas. No entanto, quando as Testemunhas de Jeová finalmente receberam reconhecimento legal, em 1970, já havia mais de 11.000 na Espanha. E, cinco anos depois, já eram mais de 30.000, cada uma delas um evangelizador ativo.

      E que dizer de Portugal? Ali os missionários também foram expulsos do país. Instigada pelo clero católico, a Polícia vasculhava as casas das Testemunhas de Jeová, confiscava suas publicações e dissolvia suas reuniões. Em janeiro de 1963, o comandante da Polícia de Segurança Pública, de Caldas da Rainha, chegou a emitir uma ordem escrita que as proibia de ‘exercer suas atividades de leitura da Bíblia’. Mas as Testemunhas não desistiram de seu serviço a Deus. Havia mais de 13.000 quando obtiveram reconhecimento legal em Portugal, em 1974.

      Em outras partes da Europa, as autoridades seculares levantaram obstáculos à pregação das boas novas classificando a distribuição de publicações bíblicas como atividade comercial, sujeita a leis fiscais. Em vários cantões [estados] da Suíça, decretos sobre vendas ambulantes foram aplicados à distribuição de publicações pelas Testemunhas de Jeová à base de contribuições voluntárias. Ao realizarem suas atividades, as Testemunhas muitas vezes foram presas e processadas. Quando os casos foram julgados, porém, alguns tribunais, entre os quais o Supremo Tribunal do cantão de Vaud, em 1953, decidiram que a atividade das Testemunhas de Jeová não podia ser corretamente considerada como venda ambulante. Nesse ínterim, tentava-se na Dinamarca limitar as horas durante as quais as Testemunhas podiam oferecer publicações, restringindo suas atividades a horários autorizados por lei para o funcionamento de lojas. Isso também teve de ser levado à justiça. Apesar dos obstáculos, as Testemunhas de Jeová continuaram a proclamar o Reino de Deus como a única esperança da humanidade.

      Outra questão que afetava as Testemunhas de Jeová na Europa e em outras partes da Terra era a neutralidade cristã. Visto que sua consciência cristã não lhes permitia envolver-se em conflitos entre facções do mundo, elas eram sentenciadas à prisão num país após outro. (Isa. 2:2-4) Isso tirou rapazes do ministério regular de casa em casa. Mas um resultado positivo foi que se deu amplo testemunho a advogados, juízes, militares e carcereiros. Mesmo na prisão as Testemunhas achavam uma maneira de pregar. Embora o tratamento em alguns presídios fosse brutal, as Testemunhas presas no presídio de Santa Catalina, em Cádiz, Espanha, conseguiram usar parte do tempo para dar testemunho por carta. E na Suécia fez-se muita publicidade sobre como eram tratados os casos de neutralidade de Testemunhas de Jeová. Assim, de muitos modos, as pessoas ficavam sabendo que Jeová realmente tem testemunhas na Terra e que elas aderem firmemente aos princípios bíblicos.

      Algo mais fazia com que as Testemunhas ficassem bem conhecidas. Isso também exercia um efeito poderoso e fortalecedor sobre a sua obra de evangelização.

      Congressos contribuíam para dar testemunho

      Quando as Testemunhas de Jeová realizaram um congresso internacional em Paris, França, em 1955, os noticiários na televisão transmitiram para toda a nação relances do que aconteceu. Em 1969, realizou-se perto de Paris outro congresso, e ficou evidente que o ministério das Testemunhas havia sido frutífero. Os batizados no congresso foram 3.619, ou cerca de 10 por cento da assistência média. Sobre isso, o popular vespertino France-Soir, de Paris, de 6 de agosto de 1969, disse: “O que preocupa os clérigos de outras religiões não são os meios de distribuição espetacular de publicações, usados pelas testemunhas de Jeová, mas sim como fazem prosélitos. Toda testemunha de Jeová tem a obrigação de testemunhar ou proclamar sua fé usando a Bíblia de casa em casa.”

      Durante um período de três semanas naquele mesmo verão de 1969, realizaram-se mais quatro grandes congressos internacionais na Europa — em Londres, Copenhague, Roma e Nurembergue. Ao congresso de Nurembergue compareceram 150.645 pessoas de 78 países. Além de aviões e navios, foram necessários uns 20.000 carros, 250 ônibus e 40 trens especiais para transportar os congressistas.

      Os congressos não apenas fortaleciam e equipavam as Testemunhas de Jeová para seu ministério, mas também davam ao público a oportunidade de ver por si mesmo que tipo de pessoas elas são. Em 1965, quando se programou um congresso internacional para Dublim, Irlanda, usou-se intensa pressão religiosa para forçar o cancelamento da programação. Mas o congresso foi realizado, e muitos em Dublim hospedaram os congressistas. Com que resultado? “Não nos contaram a verdade a seu respeito”, comentaram algumas donas-de-casa depois do congresso. “Os sacerdotes mentiram para nós, mas, agora que os conhecemos, sempre teremos prazer em recebê-los.”

      Quando as pessoas falam outra língua

      Em décadas recentes, as Testemunhas de Jeová na Europa têm constatado que comunicar-se com pessoas de outras nacionalidades é um desafio especial. Muitos têm-se mudado de um país para outro por causa de oportunidades de emprego. Algumas cidades européias tornaram-se sede de importantes instituições internacionais, com membros que nem sempre falam a língua local.

      Naturalmente, territórios multilíngües são uma realidade há séculos em alguns lugares. Na Índia, por exemplo, existem 14 línguas principais e talvez 1.000 línguas menos importantes e dialetos. Papua Nova Guiné tem mais de 700 línguas. Mas foi em especial nas décadas de 60 e 70 que as Testemunhas em Luxemburgo constataram que seu território passara a incluir pessoas de mais de 30 nações — e, depois disso, surgiram pelo menos mais 70 nacionalidades. A Suécia relata que deixou de ser um país com uma só língua usada por quase todos para se tornar uma sociedade que fala 100 idiomas. Como têm as Testemunhas de Jeová lidado com isso?

      A princípio, elas muitas vezes apenas procuravam descobrir a língua do morador e daí tentavam obter publicações que ele pudesse ler. Na Dinamarca, providenciaram-se gravações para que turcos sinceros ouvissem a mensagem em sua própria língua. A Suíça tinha um grande contingente de trabalhadores estrangeiros da Itália e da Espanha. A experiência de Rudolf Wiederkehr em ajudar alguns deles é típica de como as coisas começaram. Ele tentou dar testemunho a um italiano, mas nenhum dos dois conhecia bem o idioma do outro. O que fazer? Nosso irmão deixou com ele uma Sentinela em italiano. Apesar do problema com o idioma, o irmão Wiederkehr retornou. Iniciou-se um estudo bíblico com aquele homem, a esposa e o filho de 12 anos. O livro que o irmão Wiederkehr usava para o estudo era em alemão, mas ele forneceu livros em italiano àquela família. Quando faltavam palavras, usavam-se gestos. Às vezes, o rapazinho, que estudava alemão na escola, servia de intérprete. A família toda aceitou a verdade e começou logo a partilhá-la com outros.

      Mas literalmente milhões de trabalhadores da Espanha, da Grécia, da Itália, da Iugoslávia, de Portugal e da Turquia mudavam-se para a Alemanha e outros países. A ajuda espiritual podia ser mais eficaz se fosse dada em suas próprias línguas. Algumas Testemunhas locais logo passaram a aprender as línguas dos trabalhadores estrangeiros. Na Alemanha, a filial chegou a providenciar aulas de turco. Testemunhas de outros países que sabiam falar a língua necessária eram convidadas a mudar-se para lugares em que havia necessidade especial de ajuda.

      Alguns trabalhadores estrangeiros nunca haviam encontrado as Testemunhas de Jeová e estavam realmente famintos de coisas espirituais. Eram gratos pelo esforço que se fazia para ajudá-los. Formaram-se muitas congregações de língua estrangeira. Com o tempo, alguns desses estrangeiros voltaram para sua terra a fim de realizar o ministério em regiões em que antes não se dera um testemunho cabal sobre o Reino de Deus.

      Colheita abundante apesar de obstáculos

      As Testemunhas de Jeová utilizam métodos uniformes de pregação em toda a Terra. Na América do Norte elas têm evangelizado ativamente por mais de um século. Não é de surpreender, portanto, que haja uma abundante colheita espiritual ali. Em 1975, havia 624.097 Testemunhas de Jeová ativas nos Estados Unidos continentais e no Canadá. No entanto, isso não foi porque sua pregação na América do Norte era realizada sem oposição.

      Embora o governo canadense tivesse sustado a proscrição às Testemunhas de Jeová e às suas corporações legais em 1945, os benefícios dessa decisão não foram sentidos imediatamente na província de Quebec. Em setembro de 1945, turbas de católicos atacaram as Testemunhas de Jeová em Châteauguay e Lachine. Testemunhas foram presas e acusadas de sedição porque as publicações que distribuíam criticavam a Igreja Católica Romana. Outros foram presos por distribuírem publicações bíblicas que não haviam sido aprovadas pelo chefe de polícia. Em 1947, havia 1.700 processos pendentes nos tribunais de Quebec.

      Enquanto se apresentavam jurisprudências para a consideração dos tribunais, as Testemunhas eram instruídas a pregar o evangelho oralmente, usando apenas a Bíblia — a versão Douay, católica, quando possível. Ministros de tempo integral de outras partes do Canadá ofereceram-se para aprender francês e mudaram-se para Quebec a fim de participar na divulgação da verdadeira adoração.

      Muitos católicos sinceros convidavam as Testemunhas a entrar e faziam perguntas, embora muitas vezes dissessem: ‘Sou católico-romano e nunca mudarei.’ Mas, ao verem por si mesmos o que a Bíblia diz, dezenas de milhares de fato mudaram, por amor à verdade e pelo desejo de agradar a Deus.

      Nos Estados Unidos também foi necessário disputar nos tribunais pela consolidação do direito de as Testemunhas de Jeová pregarem publicamente e de casa em casa. De 1937 a 1953, 59 desses processos que envolviam as Testemunhas foram levados até o Supremo Tribunal de Washington, DC.

      Atenção a territórios não-designados

      O objetivo das Testemunhas de Jeová não é apenas fazer alguma coisa na pregação das boas novas, mas alcançar a tantos quantos possível com a mensagem do Reino. Para tanto, o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová encarrega cada filial da responsabilidade por uma parte específica do campo mundial. À medida que se formam congregações no território da filial, cada congregação recebe uma parte desse território para pregar. Daí a congregação divide essa área em setores que podem ser designados a grupos ou a ministros individuais na congregação. Esses procuram alcançar cada morador em base regular. Mas que dizer de regiões ainda não designadas às congregações?

      Em 1951 foi feita uma lista de todos os condados dos Estados Unidos para determinar quais deles não recebiam visitas regulares das Testemunhas de Jeová. Na época, cerca de 50 por cento não eram trabalhados ou eram apenas parcialmente cobertos. Fizeram-se arranjos para que as Testemunhas realizassem seu ministério nessas regiões nos meses de verão ou em outras ocasiões apropriadas, com o objetivo de formar congregações. Quando não havia ninguém em casa, às vezes se deixava uma mensagem impressa, junto com uma publicação bíblica. Dirigiam-se estudos bíblicos por correspondência. Mais tarde, enviaram-se pioneiros especiais a esses territórios para cultivar o interesse encontrado.

      Essa atividade não se limitou à década de 50. Ao redor do mundo, nos países em que as cidades principais recebem testemunho, mas que têm territórios não-designados, continua sendo feito um esforço vigoroso para se alcançar as pessoas que não são contatadas regularmente. No Alasca, na década de 70, cerca de 20 por cento da população morava em povoados remotos. Seria mais fácil encontrar muitas dessas pessoas no inverno, quando a pesca praticamente pára. Mas essa é a época em que o rigoroso congelamento e o fenômeno dos dias brancos, ou reflexão múltipla, tornam perigoso voar. No entanto, a população esquimó, indígena e aleúte precisava receber a oportunidade de aprender sobre a provisão de vida eterna sob o Reino de Deus. Para alcançá-la, um grupo de 11 Testemunhas, usando aviões pequenos, visitou uns 200 povoados espalhados numa região de 844.000 quilômetros quadrados num período de dois anos. Tudo isso foi custeado por contribuições voluntárias feitas pelas Testemunhas locais.

      Além dessas viagens de pregação, Testemunhas maduras têm sido incentivadas a considerar a possibilidade de realmente mudar-se para regiões em seu próprio país em que a necessidade de proclamadores do Reino é maior. Milhares têm correspondido ao incentivo. Entre os que se mudaram nos Estados Unidos estão Eugene e Delia Shuster, que partiram de Illinois em 1958 para servir em Hope, Arkansas. Permaneceram ali por mais de três décadas para encontrar pessoas interessadas, agrupá-las em congregação e ajudá-las a atingir a madureza cristã.

      Em 1957, incentivados pelo superintendente de circuito, Alexander B. Green e sua esposa partiram de Dayton, Ohio, para servir no Mississípi. Foram designados primeiro para Jackson e, dois anos depois, para Clarksdale. Com o tempo, o irmão Green serviu em cinco outras localidades. Em todas estas havia pequenas congregações que precisavam de ajuda. Ele se sustentava fazendo serviços de porteiro ou zelador, jardinagem, acabamento de móveis, conserto de automóveis e assim por diante. Mas seus esforços principais dirigiam-se para a pregação das boas novas. Ele ajudou as Testemunhas locais a crescer espiritualmente, trabalhou com elas para alcançar as pessoas no território e muitas vezes ajudou-as a construir um Salão do Reino antes de mudar-se.

      Em 1967, quando Gerald Cain se tornou Testemunha de Jeová no oeste dos Estados Unidos, ele e sua família sentiram fortemente a urgência da obra de evangelização. Mesmo antes de qualquer um deles ser batizado, já faziam arranjos para servir onde a necessidade fosse maior. Durante quatro anos eles trabalharam com a congregação em Needles, na Califórnia. Esta era responsável por um território que incluía partes de três estados no oeste dos Estados Unidos. E quando por razões de saúde eles tiveram de se mudar, novamente escolheram um lugar onde havia necessidade especial de ajuda e converteram parte de sua casa em Salão do Reino. Eles fizeram outras mudanças, mas sempre deram grande importância a arranjar um lugar onde pudessem ser da maior ajuda em dar testemunho.

      À medida que o número de congregações se multiplica, em alguns lugares a necessidade de anciãos habilitados é muito grande. Para suprir essa necessidade, milhares de anciãos têm-se oferecido para se deslocar regularmente (e à sua própria custa) para congregações distantes de sua casa. Eles viajam três, quatro, cinco ou mais vezes por semana — para participar nas reuniões congregacionais e no ministério de campo e também para pastorear o rebanho. Isso tem sido feito não só nos Estados Unidos, mas em El Salvador, na Espanha, no Japão, nos Países Baixos e em muitos outros países. Em alguns casos, os anciãos mudam-se com a família a fim de suprir essa necessidade.

      Quais têm sido os resultados? Veja o que aconteceu nos Estados Unidos. Em 1951, quando pela primeira vez foram anunciados os arranjos para trabalhar em território não-designado, havia umas 3.000 congregações no país, com 45 publicadores em média por congregação. Em 1975, havia 7.117 congregações, e a média de Testemunhas ativas associadas com as congregações subira para quase 80.

      O testemunho dado em favor do nome e do Reino de Jeová, de 1945 a 1975, foi bem maior do que tudo o que já se fizera antes.

      O número de Testemunhas em volta do globo aumentara de 156.299, em 1945, para 2.179.256, em 1975. Cada uma teve participação pessoal em pregar publicamente o Reino de Deus.

      Em 1975, as Testemunhas de Jeová estavam ativas em 212 terras (contadas segundo a maneira em que o mapa se achava dividido no início da década de 90). Nos EUA continentais e no Canadá, 624.097 efetuavam seu ministério. Na Europa, fora da antiga União Soviética, havia mais 614.826. A África ouvia a mensagem de verdade da Bíblia de 312.754 Testemunhas que participavam na obra ali. O México, a América Central e a América do Sul eram servidas por 311.641 Testemunhas; a Ásia, por 161.598; a Austrália e as muitas ilhas em toda a Terra, por 131.707.

      Durante os 30 anos até 1975, as Testemunhas de Jeová dedicaram 4.635.265.939 horas à pregação e ao ensino públicos. Além disso, distribuíram 3.914.971.158 livros, folhetos e revistas a pessoas interessadas para ajudá-las a ver como poderiam beneficiar-se do amoroso propósito de Jeová. Em harmonia com a ordem de Jesus de fazer discípulos, elas fizeram 1.788.147.329 revisitas a pessoas interessadas, e, em 1975, dirigiam a média de 1.411.256 estudos bíblicos domiciliares gratuitos para pessoas e famílias.

      Em 1975, a pregação das boas novas já havia alcançado 225 terras. Em mais de 80 terras alcançadas pelas boas novas até 1945, mas em que não havia congregações naquele ano, em 1975 já prosperavam congregações de zelosas Testemunhas. Entre essas terras estavam a República da Coréia com 470 congregações, a Espanha com 513, o Zaire com 526, o Japão com 787, e a Itália com 1.031.

      No período de 1945 a 1975, a vasta maioria dos que se tornaram Testemunhas de Jeová não professava ser ungida com o espírito de Deus com esperança de vida celestial. Em meados do primeiro semestre de 1935, o número dos que participaram dos emblemas da Refeição Noturna do Senhor totalizou plenos 93 por cento dos que participavam no ministério de campo. (Mais tarde naquele mesmo ano, a “grande multidão” de Revelação 7:9 foi identificada como composta de pessoas que viveriam para sempre na Terra.) Em 1945, o número de Testemunhas cuja esperança era a vida na Terra paradísica aumentara a ponto de constituir 86 por cento dos que participavam em pregar as boas novas. Em 1975, os que professavam ser cristãos ungidos pelo espírito eram menos de meio por cento da organização mundial de Testemunhas de Jeová. Embora espalhados em uns 115 países naquela época, esses ungidos continuaram a servir como corpo unificado sob Jesus Cristo.

      [Destaque na página 463]

      “Desde que vocês estiveram aqui, todo mundo está falando sobre a Bíblia.”

      [Destaque na página 466]

      “O que você acaba de me falar é o que eu li naquela Bíblia tantos anos atrás.”

      [Destaque na página 470]

      Milhares mudaram-se para outras regiões em seu próprio país onde era maior a necessidade de Testemunhas.

      [Destaque na página 472]

      “Uma inestimável recompensa”

      [Destaque na página 475]

      Testemunhas habilitadas foram enviadas a países onde havia necessidade especial.

      [Destaque na página 486]

      Com convincentes argumentos das Escrituras, as primeiras Testemunhas na Nigéria expuseram o clero e seus ensinos falsos.

      [Destaque na página 497]

      Quando faltavam palavras, usavam-se gestos.

      [Destaque na página 499]

      O objetivo? Alcançar a tantos quanto possível com a mensagem do Reino.

      [Quadro/Fotos na página 489]

      Fez-se muito esforço para se alcançar as pessoas da China com as boas novas do Reino de Jeová.

      Milhares de cartas, tratados e livros foram enviados de Chefu, entre 1891 e 1900.

      C. T. Russell falou em Xangai e visitou 15 cidades e povoados, em 1912.

      Colportores distribuíram muitas publicações por toda a extensão da costa da China, com viagens ao interior, de 1912-18.

      Colportores japoneses serviram aqui, de 1930-31.

      Fizeram-se transmissões radiofônicas em chinês de Xangai, de Pequim e de Tientsin, na década de 30; em resultado disso, chegaram cartas de muitas partes da China solicitando publicações.

      Pioneiros da Austrália e da Europa deram testemunho em Xangai, Pequim, Tientsin, Tsingtau, Pei-tai-ho, Chefu, Weihaiwei, Cantão, Suatou, Amoí, Fuchou, Hankou e Nanquim nas décadas de 30 e 40. Outros vieram pela Estrada da Birmânia e deram testemunho em Pao-shan, Chungquing, Ch’eng-tu. Pioneiros locais serviram em Shensi e Ningpo.

      [Foto]

      Missionários treinados em Gileade, como Stanley Jones (à esquerda) e Harold King (à direita), serviram aqui de 1947 a 1958, junto com famílias de zelosas Testemunhas locais.

      [Mapa]

      CHINA

      [Mapa/Fotos na página 462]

      O “Sibia” serviu como lar missionário flutuante nas Índias Ocidentais.

      G. Maki

      S. Carter

      R. Parkin

      A. Worsley

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      BAAMAS

      ILHAS DE SOTAVENTO

      ILHAS VIRGENS (EUA)

      ILHAS VIRGENS (GRÃ-BRETANHA)

      ILHAS DE BARLAVENTO

      [Mapa na página 477]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Vitalizadoras águas da verdade transbordaram pelas fronteiras nacionais em muitas direções na África.

      EGITO

      SENEGAL

      QUÊNIA

      GANA

      QUÊNIA

      MALAUI

      NIGÉRIA

      SERRA LEOA

      ZÂMBIA

      ÁFRICA DO SUL

      [Fotos na página 464]

      Como missionários na Bolívia, Edward Michalec (à esquerda) e Harold Morris (à direita) pregaram primeiro aqui em La Paz.

      [Foto na página 465]

      O barco “El Refugio”, construído por Testemunhas de Jeová no Peru, foi usado para levar a mensagem do Reino às pessoas ao longo dos rios na região do alto Amazonas.

      [Foto na página 467]

      As aulas de alfabetização ministradas pelas Testemunhas no México têm habilitado dezenas de milhares de pessoas a ler a Palavra de Deus.

      [Foto na página 468]

      O irmão Knorr (na frente, à direita) reuniu-se com as Testemunhas em pequenas assembléias realizadas em fazendas e nas montanhas na Argentina, quando se lhes negou liberdade de reunir-se mais abertamente.

      [Foto na página 469]

      Entre os milhares de Testemunhas que se mudaram para outros países a fim de servir onde a necessidade era maior havia famílias, como Harold e Anne Zimmerman com seus quatro filhinhos. (Colômbia)

      [Foto na página 471]

      Atendendo a uma convocação de voluntários, Tom e Rowena Kitto mudaram-se para Papua a fim de ensinar a verdade da Bíblia.

      [Foto na página 471]

      John e Ellen Hubler, além de outras 31 Testemunhas, mudaram-se para a Nova Caledônia. Antes de terem sido obrigados a partir, estabeleceu-se firmemente uma congregação.

      [Foto na página 473]

      Ainda jovem, na Samoa Ocidental, Fuaiupolu Pele enfrentou forte pressão da família e da comunidade ao decidir tornar-se Testemunha de Jeová.

      [Foto na página 474]

      Depois de Shem Irofa’alu e seus associados se convencerem de que o que as Testemunhas de Jeová ensinam é realmente a verdade, igrejas em 28 povoados nas ilhas Salomão foram transformadas em Salões do Reino.

      [Fotos na página 476]

      Para poderem pregar na Etiópia no início da década de 50, as Testemunhas de Jeová foram obrigadas a estabelecer uma missão e escola.

      [Foto na página 478]

      Ao ser ameaçado de deportação, Gabriel Paterson (visto aqui) foi tranqüilizado por uma autoridade de destaque: ‘A verdade é como um poderoso rio; represe-o, e ele transbordará da represa.’

      [Fotos na página 479]

      Em 1970, num congresso na Nigéria, 3.775 novas Testemunhas foram imersas; tomaram-se cuidados para certificar-se de que cada uma realmente se qualificava.

      [Fotos na página 481]

      Exibições de filmes (na África e ao redor do mundo) deram às platéias um vislumbre da magnitude da organização visível de Jeová.

      [Foto na página 482]

      João Mancoca (com sua esposa, Mary) serve lealmente a Jeová há décadas, apesar de condições muito difíceis.

      [Foto na página 483]

      Em 1961, Ernest Heuse Jr., com sua família, conseguiu entrar no Zaire (então chamado de Congo) para ajudar a dar instrução espiritual àqueles que realmente desejavam servir a Jeová.

      [Foto na página 485]

      Embora estivesse batizada por apenas um ano e não soubesse da existência de outras Testemunhas no Quênia, Mary Whittington pôs-se a ajudar outros a aprender a verdade.

      [Foto na página 487]

      Mary Nisbet (na frente, no centro), com os filhos Robert e George, que serviu como pioneira na África Oriental na década de 30, e (no fundo) seu filho William e sua nora Muriel, que serviram na África Oriental de 1956 a 1973.

      [Fotos na página 488]

      Num congresso nas Filipinas, em 1945, deram-se instruções sobre como ensinar por meio de estudos bíblicos domiciliares.

      [Fotos na página 490]

      Don e Mabel Haslett, os primeiros missionários do pós-guerra no Japão, dando testemunho nas ruas.

      [Foto na página 491]

      Durante 25 anos, Lloyd Barry (à direita) serviu no Japão, primeiro como missionário e depois como superintendente de filial.

      [Foto na página 491]

      Don e Earlene Steele, os primeiros de muitos missionários que serviram na República da Coréia.

      [Foto na página 492]

      No passado, Fred Metcalfe às vezes era perseguido por turbas ao tentar pregar a Bíblia na Irlanda; mas, tempos depois, quando as pessoas passaram a escutar, milhares tornaram-se Testemunhas de Jeová.

      [Foto na página 493]

      Apesar da oposição do clero, milhares assistiram aos congressos das Testemunhas na Itália. (Roma, 1969)

      [Foto na página 494]

      No período das proscrições, as reuniões congregacionais muitas vezes eram realizadas no interior, em estilo de piquenique, como aqui, em Portugal.

      [Fotos na página 495]

      As Testemunhas presas, em Cádiz, na Espanha, continuaram a pregar escrevendo cartas.

      [Fotos na página 496]

      Grandes congressos deram ao público a oportunidade de ver e ouvir por si mesmo que tipo de pessoas são as Testemunhas de Jeová.

      Paris, França (1955)

      Nurembergue, Alemanha (1955)

      [Fotos na página 498]

      Para alcançar a todos em Luxemburgo com as boas novas, tem sido necessário as Testemunhas de Jeová usarem publicações em pelo menos cem línguas.

  • Parte 5 — Testemunhas até à parte mais distante da terra
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 22

      Parte 5 — Testemunhas até à parte mais distante da terra

      Em 1975, tomaram-se importantes decisões no que diz respeito à maneira em que a atividade das Testemunhas de Jeová seria dirigida da sua sede mundial. Na época elas não sabiam que campos talvez ainda fossem abertos para um amplo testemunho antes do fim do atual sistema mundial ou quanta pregação ainda se faria nos países em que haviam pregado livremente por muitos anos. Mas queriam fazer o melhor uso possível de toda oportunidade. As páginas 502 a 520 relatam empolgantes acontecimentos.

      TÊM ocorrido grandes mudanças na América do Sul. Não faz muitos anos que as Testemunhas de Jeová no Equador confrontavam-se com turbas de católicos, que os sacerdotes católicos no México dominavam a bem dizer como reis em muitos povoados e que se impuseram proscrições governamentais às Testemunhas de Jeová na Argentina e no Brasil. Mas as circunstâncias mudaram significativamente. Agora, muitos dos que foram ensinados a temer ou a odiar as Testemunhas são eles mesmos Testemunhas de Jeová. Outros escutam de bom grado quando as Testemunhas os visitam para partilhar a mensagem de paz da Bíblia. As Testemunhas de Jeová são bem conhecidas e amplamente respeitadas.

      O tamanho de seus congressos e a conduta cristã dos congressistas têm chamado atenção. Dois desses congressos, realizados simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, Brasil, em 1985, tiveram o auge de assistência de 249.351. Depois, 23 outros congressos, realizados em benefício de pessoas interessadas no restante do Brasil, elevaram a assistência total para 389.387. Os resultados do trabalho das Testemunhas de Jeová no Brasil como instrutores da Palavra de Deus foram claramente evidenciados quando 4.825 pessoas simbolizaram sua dedicação a Jeová pela imersão em água nessa série de congressos. Apenas cinco anos depois, em 1990, foi necessário realizar 110 congressos no Brasil para atender os 548.517 que compareceram. Dessa vez, 13.448 se apresentaram para a imersão em água. Em todo o país, centenas de milhares de pessoas e de famílias aceitavam alegremente a instrução que as Testemunhas de Jeová lhes davam da Palavra de Deus.

      E que dizer da Argentina? Depois de décadas de restrições governamentais, as Testemunhas de Jeová puderam novamente reunir-se livremente em 1985. Que alegria foi 97.167 pessoas comparecerem à primeira série de congressos! Sob a manchete “Um Reino Que Cresce — O das Testemunhas de Jeová”, o jornal Ahora admirou-se da ordem da multidão congregada em Buenos Aires, da total ausência de racismo e de preconceito social, da pacificidade e do amor manifestado por elas. Daí concluiu: “Concordemos ou não com suas idéias e doutrinas, toda essa multidão merece o maior respeito.” No entanto, muitos argentinos foram além disso. Passaram a estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová e a assistir às reuniões no Salão do Reino para observar como as Testemunhas aplicam os princípios da Bíblia em sua vida. Daí, esses observadores tomaram uma decisão. Nos sete anos seguintes, dezenas de milhares deles dedicaram sua vida a Jeová, e o número de Testemunhas na Argentina aumentou em 71 por cento!

      A receptividade às boas novas do Reino de Deus foi ainda mais extraordinária no México. No passado, as Testemunhas de Jeová muitas vezes eram atacadas por turbas instigadas por sacerdotes. Mas as Testemunhas não retaliavam nem buscavam vingança, e isso impressionou muito as pessoas sinceras de coração. (Rom. 12:17-19) Elas observaram também que as Testemunhas baseavam todas as suas crenças na Bíblia, a inspirada Palavra de Deus, em vez de em tradições humanas. (Mat. 15:7-9; 2 Tim. 3:16, 17) Podiam ver que as Testemunhas tinham fé que realmente as sustentava ao enfrentarem adversidades. Cada vez mais famílias aceitavam um estudo bíblico domiciliar gratuito com as Testemunhas de Jeová. De fato, em 1992, 12 por cento dos estudos bíblicos dirigidos pelas Testemunhas no mundo todo estavam no México, e bom número de estudos era com famílias grandes. Em resultado disso, o número de Testemunhas de Jeová no México — não apenas aqueles que assistiam às reuniões, mas os que eram ativos pregadores públicos do Reino de Deus — subiu vertiginosamente de 80.481, em 1975, para 354.023, em 1992!

      Também na Europa eventos extraordinários contribuíram para a divulgação da mensagem do Reino.

      Surpreendentes acontecimentos na Polônia

      Embora a obra das Testemunhas de Jeová estivesse proscrita na Polônia de 1939 a 1945 (durante a dominação nazista e soviética) e novamente a partir de julho de 1950 (sob controle soviético), as Testemunhas de Jeová não pararam de pregar. Embora fossem apenas 1.039 em 1939, havia 18.116 proclamadores do Reino em 1950, e estes continuaram a ser evangelizadores zelosos (embora cautelosos). (Mat. 10:16) As assembléias, porém, eram realizadas fora da vista do público: em zonas rurais, em celeiros, em florestas. Mas, a partir de 1982, o governo polonês permitiu-lhes realizar assembléias de um dia, de tamanho moderado, em locais alugados.

      Daí, em 1985 os maiores estádios da Polônia foram postos à disposição das Testemunhas de Jeová para quatro grandes congressos no mês de agosto. Ao desembarcar no aeroporto, um congressista da Áustria ficou surpreso ao ouvir no alto-falante boas-vindas às Testemunhas de Jeová para seu congresso na Polônia. Ciente de que isso indicava uma mudança na atitude do governo, uma Testemunha polonesa idosa que fora receber o visitante chorou de alegria. A esses congressos compareceram 94.134 congressistas, incluindo grupos de 16 países. Será que o público sabia o que estava acontecendo? Sim, sabia! Durante e depois dos congressos, eles leram notícias nos principais jornais, viram as multidões de congressistas na televisão e ouviram partes do programa na emissora nacional de rádio. Muitos gostaram do que viram e ouviram.

      Planejavam-se congressos ainda maiores na Polônia, quando, em 12 de maio de 1989, o governo concedeu reconhecimento legal às Testemunhas de Jeová como associação religiosa. Dentro de três meses, realizaram-se três congressos internacionais — em Chorzów, Poznan e Varsóvia — com assistência conjunta de 166.518. Surpreendentemente, milhares de Testemunhas procedentes da ex-União Soviética (URSS) e da ex-Tchecoslováquia conseguiram obter a necessária permissão para viajar e estiveram presentes. Será que a obra de fazer discípulos realizada pelas Testemunhas de Jeová estava produzindo resultados nesses países, onde o ateísmo fora fortemente advogado pelo Estado durante décadas? A resposta foi evidente quando 6.093, entre os quais muitos jovens, apresentaram-se para a imersão em água nesses congressos.

      O público não pôde deixar de ver que as Testemunhas eram diferentes — de maneira muito salutar. A imprensa publicou declarações como a seguinte: “Aqueles que adoram a Jeová Deus — como eles mesmos chamam — estimam grandemente suas reuniões, que são certamente uma manifestação de união entre eles. . . . No que se refere à ordem, paz e limpeza, os participantes do congresso são exemplos a imitar.” (Życie Warszawy) Alguns poloneses decidiram fazer mais do que apenas observar os congressistas. Queriam que as Testemunhas de Jeová estudassem a Bíblia com eles. Devido à instrução na Palavra de Deus, o número de Testemunhas de Jeová na Polônia aumentou de 72.887, em 1985, para 107.876, em 1992; e neste ano, elas dedicaram mais de 16.800.000 horas a falar a outros sobre a maravilhosa esperança apresentada nas Escrituras.

      No entanto, a Polônia não era o único lugar em que ocorriam mudanças emocionantes.

      Outras partes da Europa Oriental abrem suas portas

      A Hungria concedeu legalidade às Testemunhas de Jeová em 1989. A antiga República Democrática Alemã (RDA) removeu em 1990 sua proscrição de 40 anos às Testemunhas, apenas quatro meses depois do início da demolição do Muro de Berlim. No mês seguinte, a Associação Cristã das Testemunhas de Jeová na Romênia foi oficialmente reconhecida pelo novo governo romeno. Em 1991, o Ministério da Justiça em Moscou declarou que o Alvará de Licença da “Organização Religiosa das Testemunhas de Jeová na URSS” estava oficialmente registrado. Naquele mesmo ano, concedeu-se reconhecimento legal à obra das Testemunhas de Jeová na Bulgária. Em 1992 concedeu-se legalidade às Testemunhas de Jeová na Albânia.

      O que fizeram as Testemunhas de Jeová com a liberdade concedida? Um jornalista perguntou a Helmut Martin, coordenador da obra das Testemunhas de Jeová na RDA: “Vai envolver-se na política?” Afinal, era isso o que muitos do clero da cristandade estavam fazendo. “Não”, respondeu o irmão Martin, “Jesus deu a seus discípulos uma designação bíblica, e reconhecemos que essa é a nossa principal tarefa”. — Mat. 24:14; 28:19, 20.

      As Testemunhas de Jeová certamente não estavam apenas começando a cuidar dessa responsabilidade naquela parte do mundo. Embora tivesse sido necessário que realizassem suas atividades em circunstâncias muito difíceis por muitos anos, na maioria desses países havia congregações (que se reuniam em pequenos grupos), e fora dado testemunho. Mas se abria então uma nova oportunidade. Elas podiam realizar reuniões para as quais era possível livremente convidar o público. Podiam pregar abertamente de casa em casa, sem medo de ser presas. Eram países com população conjunta de mais de 390.000.000, em que havia muito trabalho a ser feito. Com aguçada compreensão de que vivemos nos últimos dias do atual sistema mundial, as Testemunhas de Jeová agiram rápido.

      Mesmo antes de se conceder reconhecimento legal, membros do Corpo Governante haviam visitado vários países para ver o que se poderia fazer para ajudar seus irmãos cristãos. Depois de suspensas as proscrições, eles foram a outras dessas regiões para ajudar a organizar a obra. Em poucos anos, encontraram-se e conversaram pessoalmente com Testemunhas na Polônia, na Hungria, na Romênia, na Tchecoslováquia, na Rússia, na Ucrânia, na Estônia e na Bielarus.

      Providenciaram-se congressos para fortalecer as Testemunhas que moravam nesses países e para levar de modo destacado a mensagem do Reino de Deus ao público. Menos de cinco meses depois de a proscrição ser suspensa pelo que então era a RDA, realizou-se um desses congressos no Estádio Olympia, em Berlim. Testemunhas de 64 países aceitaram prontamente o convite de comparecer. Consideravam um privilégio desfrutar essa ocasião com irmãos cristãos que por décadas haviam demonstrado lealdade a Jeová apesar de intensa perseguição.

      Em 1990 e 1991, realizaram-se outros congressos na Europa Oriental. Depois da realização de quatro assembléias na Hungria, em 1990, tomaram-se providências para um ajuntamento internacional no Népstadion, em Budapeste, em 1991. Na assistência, havia 40.601 pessoas de 35 países. Pela primeira vez em mais de 40 anos, as Testemunhas de Jeová puderam realizar congressos públicos na Romênia em 1990. Realizou-se naquele ano uma série de assembléias em toda a nação, e mais tarde dois congressos maiores. Houve mais oito congressos em 1991, com uma assistência de 34.808. Em 1990, no que era então a Iugoslávia, realizaram-se congressos em cada uma das repúblicas que constituíam o país. No ano seguinte, embora o país estivesse ameaçado pela guerra civil, 14.684 Testemunhas de Jeová assistiram a um congresso internacional em Zagreb, capital da Croácia. A Polícia ficou abismada ao ver croatas, montenegrinos, sérvios, eslovenos e outros reunidos em paz para ouvir o programa.

      Logo se providenciaram congressos também no que na época era a Tchecoslováquia. Em 1990, compareceram 23.876 pessoas a um congresso nacional em Praga. Os administradores do estádio gostaram tanto do que viram que colocaram à disposição das Testemunhas o maior estádio do país para o próximo congresso. Naquela ocasião histórica, em 1991, 74.587 entusiásticos congressistas lotaram o Estádio Strahov, em Praga. Os congressistas tchecos e eslovacos ficaram maravilhados e aplaudiram entusiasticamente quando se anunciou o lançamento da inteira Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas em sua própria língua, para uso no ministério público e no estudo pessoal e congregacional.

      Foi também em 1991 que, pela primeira vez na história, as Testemunhas de Jeová puderam realizar congressos abertamente em lugares que na época estavam dentro da União Soviética. Depois de um congresso em Tallinn, Estônia, houve um na Sibéria. Realizaram-se quatro em importantes cidades da Ucrânia e um no Casaquistão. A assistência totalizou 74.252. E, como frutos recentes da obra de fazer discípulos das Testemunhas de Jeová nessas regiões, 7.820 pessoas apresentaram-se para a imersão em água. Não foi uma decisão por emoção devido a se sentirem emocionadas com o congresso. Os batizandos haviam sido cuidadosamente preparados de antemão durante meses e, em alguns casos, anos.

      De onde vinham todas aquelas pessoas? Era óbvio que a obra das Testemunhas de Jeová não estava apenas começando naquela parte da Terra. Em 1887, enviaram-se publicações da Torre de Vigia pelo correio para um interessado que morava na Rússia. O primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) visitou Kishinev (agora na Moldova) em 1891. Alguns Estudantes da Bíblia haviam ido para a Rússia a fim de pregar na década de 20; mas havia forte resistência das autoridades, e os poucos grupos que mostravam interesse na mensagem da Bíblia eram pequenos. Mas a situação mudou durante e depois da Segunda Guerra Mundial. As fronteiras nacionais foram redemarcadas, e grandes segmentos da população foram remanejados. Em resultado disso, mais de mil Testemunhas que falavam ucraniano, no que fora o leste da Polônia, viram-se dentro da União Soviética. Outras Testemunhas que moravam na Romênia e na Tchecoslováquia descobriram que os lugares em que moravam se haviam tornado parte da União Soviética. Além disso, russos que se haviam tornado Testemunhas de Jeová nos campos de concentração da Alemanha retornaram a sua terra e levaram consigo as boas novas do Reino de Deus. Em 1946, havia 4.797 Testemunhas ativas na União Soviética. Muitas delas foram mudadas de um lugar para outro pelo governo ao longo dos anos. Algumas foram postas novamente em campos de prisioneiros. Aonde quer que fossem, elas davam testemunho. Seu número aumentou. Mesmo antes de o governo conceder-lhes reconhecimento legal, havia grupos delas ativos desde Lvov, ao oeste, até Vladivostoque, na fronteira oriental da União Soviética, perto do mar do Japão.

      Muitos agora dispostos a ouvir

      Quando as Testemunhas realizaram congressos na antiga URSS, em 1991, o público teve oportunidade de examiná-las mais de perto. Qual foi a reação? Em Lvov, Ucrânia, um policial disse a um congressista: “Vocês se destacam em ensinar aos outros o que é bom, falam sobre Deus e não praticam violência. Estávamos conversando sobre por que os perseguíamos, e concluímos que não lhes demos ouvidos e não sabíamos nada a seu respeito.” Mas muitos já escutavam, e as Testemunhas de Jeová queriam ajudá-los.

      Para realizarem sua obra mais eficazmente nesses países, elas precisavam de publicações bíblicas. Fez-se grande esforço para providenciá-las logo. Em Selters/Taunus, Alemanha, as Testemunhas de Jeová quase dobraram suas instalações gráficas. Embora essa expansão ainda não estivesse concluída, umas duas semanas depois de a proscrição ter sido suspensa na antiga Alemanha Oriental, despacharam-se para lá 25 toneladas de publicações do parque gráfico em Selters. Desde a época da suspensão de proscrições em países da Europa Oriental até 1992, foram enviadas da Alemanha para esses vários países quase 10.000 toneladas de publicações em 14 idiomas principais, 633 toneladas da Itália e outras da Finlândia.

      Tendo ficado em geral isoladas por muitos anos, as Testemunhas em alguns países também precisavam de ajuda em assuntos de supervisão das congregações e de administração da organização. Para suprir essa necessidade urgente, anciãos experientes, aqueles que sabiam falar a língua do país, quando possível, foram contatados na Alemanha, nos Estados Unidos, no Canadá e em outros lugares. Estariam dispostos a mudar-se para esses países na Europa Oriental a fim de ajudar a suprir essa necessidade? A reação foi realmente gratificante! Quando vantajoso, anciãos treinados na Escola de Gileade ou na Escola de Treinamento Ministerial também foram enviados.

      Daí, realizou-se em 1992 um notável congresso internacional em S. Petersburgo, a segunda maior cidade na Rússia. Cerca de 17.000 congressistas eram de 27 países fora da Rússia. Fez-se ampla publicidade do congresso. Entre os presentes, havia pessoas que nunca tinham ouvido falar das Testemunhas de Jeová. A assistência chegou a 46.214 pessoas. Havia congressistas de todas as partes da Rússia, alguns da ilha Sacalina, no distante leste, perto do Japão. Grandes grupos vieram da Ucrânia, de Moldova e de outros países que antes faziam parte da URSS. Eles levaram boas novas consigo. Os relatórios mostraram que havia congregações em cidades como Kiev, Moscou e S. Petersburgo com assistências às reuniões de em média o dobro ou mais do número de Testemunhas. Muitos que desejavam que as Testemunhas de Jeová estudassem com eles tinham de ficar em listas de espera. Da Letônia, compareceram uns 600 congressistas, e ainda mais da Estônia. Uma congregação de S. Petersburgo tinha mais de cem pessoas preparadas para o batismo no congresso. Muitos dos que mostram interesse são jovens ou pessoas bem instruídas. Deveras, uma grande obra de colheita espiritual está em andamento nesse vasto território, que por muito tempo foi considerado pelo mundo como um baluarte do ateísmo!

      Campos maduros para a colheita

      À medida que as atitudes com respeito à liberdade de religião mudavam, outros países também suspendiam restrições às Testemunhas de Jeová ou lhes concediam o reconhecimento legal que por muito tempo fora negado. Em muitos desses lugares, uma abundante colheita espiritual estava pronta para ser ajuntada. As condições eram como as que Jesus mencionou aos seus discípulos ao dizer: “Erguei os vossos olhos e observai os campos, que estão brancos para a colheita.” (João 4:35) Considere apenas alguns lugares em que foi assim na África.

      O ministério de casa em casa das Testemunhas de Jeová fora proscrito em Zâmbia em 1969. Em resultado disso, as Testemunhas ali dedicavam mais tempo a dirigir estudos bíblicos domiciliares para os interessados. Outras pessoas também passaram a procurar as Testemunhas para que fossem instruídas. Gradualmente, as restrições do governo foram amainadas, e a assistência às reuniões aumentou. Em 1992, 365.828 pessoas assistiram à Refeição Noturna do Senhor em Zâmbia, 1 em cada 23 habitantes!

      Ao norte de Zâmbia, no Zaire, outros milhares queriam aprender o que as Testemunhas de Jeová ensinam sobre o modo de vida cristão e o propósito de Deus para a humanidade. Em 1990, quando as circunstâncias permitiram às Testemunhas reabrir seus Salões do Reino, em algumas regiões até 500 pessoas afluíam a suas reuniões. Em dois anos, as 67.917 Testemunhas no Zaire dirigiam 141.859 estudos bíblicos domiciliares para essas pessoas.

      O número de países em que ocorria uma abertura era surpreendente. Em 1990, missionários da Torre de Vigia que haviam sido expulsos de Benin 14 anos antes receberam oficialmente a oportunidade de retornar, e a porta estava aberta para outros. Naquele mesmo ano, o Ministro da Justiça na República de Cabo Verde assinou um decreto que aprovava os estatutos da Associação das Testemunhas de Jeová local, concedendo-lhes assim reconhecimento legal. Daí, em 1991 as autoridades removeram a proscrição às Testemunhas de Jeová em Moçambique (onde anteriores governantes as haviam perseguido severamente), em Gana (onde suas atividades haviam sofrido restrições do governo) e na Etiópia (onde não fora possível pregar livremente nem realizar assembléias por 34 anos). Antes do fim do ano, o Níger e o Congo também lhes concederam reconhecimento legal. No início de 1992, suspenderam-se as proscrições ou concedeu-se reconhecimento legal às Testemunhas de Jeová no Chade, no Quênia, em Ruanda, no Togo e em Angola.

      Nesses países os campos estavam maduros para a colheita espiritual. Em Angola, por exemplo, as Testemunhas logo tiveram um aumento de 31 por cento; além disso, os quase 19.000 proclamadores do Reino ali dirigiam quase 53.000 estudos bíblicos domiciliares. Para dar a necessária ajuda administrativa para esse vasto programa de instrução bíblica em Angola, bem como em Moçambique (onde muitos falam português), anciãos habilitados de Portugal e do Brasil foram convidados a mudar-se para a África a fim de efetuar seu ministério. Missionários que falam português foram designados para o recém-aberto território da Guiné-Bissau. E Testemunhas habilitadas da França e de outros países foram convidadas a ajudar a realizar a urgente obra de pregação e de fazer discípulos em Benin, no Chade e no Togo, onde muitos falam francês.

      Entre as regiões que têm produzido safras especialmente abundantes de louvadores de Jeová estão aquelas que antes eram baluartes católico-romanos. Além da América Latina, foi assim na França (onde o relatório de 1992 mostrou que havia 119.674 Testemunhas evangelizadoras), na Espanha (onde havia 92.282), nas Filipinas (com 114.335), na Irlanda (com um índice anual de aumento de Testemunhas de 8 a 10 por cento) e em Portugal.

      Em 1978, quando 37.567 pessoas assistiram a um congresso das Testemunhas em Lisboa, Portugal, a revista Opção disse: “Para quem já esteve em Fátima em época de romaria, isso na realidade é bem diferente. . . . Aqui [no congresso das Testemunhas de Jeová] o misticismo desaparece, dando lugar à realização de uma reunião de crentes que, de comum acordo, consideram seus problemas, sua fé e sua perspectiva espiritual. A conduta entre eles leva a característica distintiva de um relacionamento de ajuda mútua.” Na década seguinte, o número de Testemunhas em Portugal aumentou em quase 70 por cento.

      E que dizer da Itália? Uma grave falta de candidatos ao sacerdócio católico tem obrigado alguns seminários a fechar as portas. Muitas igrejas não mais têm um pároco. Em muitos casos, igrejas foram transformadas em lojas ou escritórios. Apesar de tudo isso, a Igreja tem lutado com afinco para deter as Testemunhas de Jeová. No passado, eles pressionavam autoridades para que deportassem missionários das Testemunhas e exigiam que a Polícia encerrasse suas reuniões. Em algumas regiões, na década de 80, párocos mandaram colocar adesivos nas portas de todos os moradores (incluindo alguns que eram Testemunhas de Jeová) com os dizeres: “Não bata. Somos católicos.” Os jornais traziam as manchetes: “Grito de Alerta da Igreja Contra as Testemunhas de Jeová” e “‘Guerra Santa’ Contra as Testemunhas de Jeová”.

      Quando o sacerdócio judaico do primeiro século tentou silenciar os apóstolos, Gamaliel, um instrutor da Lei, aconselhou sabiamente: “Se este desígnio ou esta obra for de homens, será derrubada; mas, se for de Deus, não podereis derrubá-los.” (Atos 5:38, 39) Qual foi o resultado quando o sacerdócio católico do século 20 tentou silenciar as Testemunhas de Jeová? A obra das 120 Testemunhas na Itália, em 1946, não foi derrubada. Em vez disso, em 1992 havia 194.013 Testemunhas ativas associadas com 2.462 congregações em todo o país. Elas praticamente inundaram a Itália com o ensino da Palavra de Deus. Desde 1946, já dedicaram mais de 550 milhões de horas a falar com outros italianos sobre o Reino de Deus. Ao fazerem isso, distribuíram milhões de exemplares da própria Bíblia e mais de 400 milhões de livros, folhetos e revistas que explicam as Escrituras. Querem ter certeza de que o povo da Itália tenha plena oportunidade de tomar posição ao lado de Jeová antes do Armagedom. Ao fazerem isso, têm presente o que o apóstolo Paulo escreveu em 2 Coríntios 10:4, 5: “As armas de nosso combate não são carnais, mas poderosas em Deus para demolir as coisas fortemente entrincheiradas. Pois estamos demolindo raciocínios e toda coisa altiva levantada contra o conhecimento de Deus.”

      Não é só a anteriores baluartes católicos que as Testemunhas de Jeová dirigem atenção. Sabem que Jesus Cristo disse: “Em todas as nações têm de ser pregadas primeiro as boas novas.” (Marcos 13:10) E essa é a obra das Testemunhas. Em 1992, havia 12.168 Testemunhas ocupadas em falar ao povo da Índia sobre o Reino de Deus. Outras 71.428 pregavam na República da Coréia. No Japão, havia 171.438, e seus números aumentam todo mês. Elas também continuaram a alcançar terras em que se fizera pouca ou nenhuma pregação.

      Assim, em fins da década de 70, elas puderam, pela primeira vez, levar a mensagem do Reino ao povo das ilhas Marquesas e de Cosrai — no oceano Pacífico. Alcançaram também Butão, na fronteira sul da China, e Cômoras, perto da costa leste da África. Na década de 80, o primeiro trabalho de pregação das Testemunhas de Jeová foi relatado das ilhas Wallis e Futuna, bem como das ilhas de Nauru e de Rota, no sudoeste do Pacífico. Alguns desses lugares são relativamente pequenos, mas há pessoas ali, e vidas são preciosas. As Testemunhas de Jeová estão muito cônscias da profecia de Jesus de que, antes de vir o fim, a mensagem do Reino será pregada “em toda a terra habitada”. — Mat. 24:14.

      Ao encontro de pessoas onde possível e sempre que possível

      Embora a pregação de casa em casa continue a ser o método principal utilizado pelas Testemunhas de Jeová para alcançar pessoas, elas se dão conta de que nem mesmo com esse método sistemático conseguem contatar todas elas. Com senso de urgência, continuam a procurar pessoas onde quer que possam ser encontradas. — Compare com João 4:5-42; Atos 16:13, 14.

      Quando navios atracam nos portos da Alemanha e dos Países Baixos, mesmo que para uma breve escala, as Testemunhas de Jeová procuram visitá-los, dando testemunho primeiro ao comandante e depois à tripulação. Levam publicações bíblicas em muitas línguas para os marinheiros. Nos mercados nativos do Chade, na África Central, é comum ver um grupo de 15 ou 20 pessoas em volta de uma Testemunha de Jeová enquanto esta lhes fala sobre a esperança do Reino de Deus. Trabalhando em turnos, as Testemunhas conversam com vendedores e com os milhares de fregueses nas manhãs de sábado no mercado de objetos usados em Auckland, Nova Zelândia. As pessoas que passam por terminais rodoviários em Guayaquil, Equador — muitas das quais de regiões distantes do país —, são abordadas pelas Testemunhas que lhes oferecem uma oportuna brochura ou La Atalaya e ¡Despertad!. Aqueles que trabalham à noite em mercados/lanchonetes que funcionam 24 horas em Nova Iorque são visitados no local de trabalho pelas Testemunhas, para que também tenham a oportunidade de ouvir as boas novas.

      Ao viajarem de avião, trem, ônibus e metrô, muitas Testemunhas de Jeová partilham preciosas verdades da Bíblia com outros passageiros. Nos intervalos de almoço no emprego, e nos intervalos de lanche na escola, bem como quando são visitadas por alguém por razões comerciais, elas aproveitam as oportunidades para dar testemunho. Sabem que muitas dessas pessoas podem não estar em casa quando as Testemunhas fazem suas visitas regulares.

      Ao darem testemunho aos outros, não se esquecem de familiares achegados e de outros parentes. Mas, quando Maria Caamano, uma Testemunha na Argentina, procurou falar a sua família sobre quão profundamente comovida estava com o que aprendia da Bíblia, uns zombaram dela e outros ficaram indiferentes. Ela não desistiu, mas fez uma viagem de 1.900 quilômetros para dar testemunho a seus parentes. Alguns foram receptivos. Pouco a pouco, outros escutaram. Em resultado disso, mais de 80 adultos e de 40 crianças entre seus parentes aceitaram as verdades da Bíblia e as partilham com outros.

      Para ajudar seus parentes, Michael Regan voltou para sua cidade natal, Boyle, no condado de Roscommon, Irlanda. Deu testemunho a todos eles. Sua sobrinha ficou impressionada pelo espírito feliz e pelo modo de vida sadio dos filhos de Michael. Pouco depois, essa sobrinha e seu marido aceitaram um estudo da Bíblia. Ao serem batizados, o pai dela proibiu-a de ir à casa dele. Gradualmente, porém, a atitude dele abrandou, e ele aceitou algumas publicações — com o objetivo de expor o “erro” das Testemunhas. Mas logo percebeu que o que lia era a verdade, de modo que, com o tempo, foi batizado. Agora, mais de 20 membros dessa família associam-se com a congregação, a maioria dos quais já estão batizados.

      Que dizer de presidiários? Podem beneficiar-se da mensagem do Reino de Deus? As Testemunhas de Jeová não os ignoram. Numa penitenciária na América do Norte, as providências de estudos bíblicos personalizados para detentos, junto com a assistência às reuniões regulares realizadas no presídio pelas Testemunhas de Jeová, foram tão boas que a administração do presídio tornou possível a realização de assembléias ali. Além dos presidiários, compareciam também milhares de Testemunhas de fora. Em outros países também se fazem esforços diligentes para dar testemunho a homens e mulheres presos.

      As Testemunhas de Jeová não acreditam que o estudo da Bíblia regenere todo presidiário. Mas sabem por experiência que alguns podem ser ajudados e querem dar-lhes a oportunidade de aceitar a esperança do Reino de Deus.

      Repetidos esforços para tocar corações

      As Testemunhas de Jeová vez após vez visitam as pessoas. Como fizeram os primitivos discípulos de Jesus, elas ‘vão continuamente’ às pessoas em seus territórios designados para procurar suscitar interesse no Reino de Deus. (Mat. 10:6, 7) Em alguns lugares, visitam todas as famílias da região apenas uma vez por ano; em outros, no intervalo de alguns meses. Em Portugal, na grande Lisboa, onde há 1 Testemunha para cada 160 habitantes, as pessoas são visitadas pelas Testemunhas mais ou menos toda semana. Na Venezuela, há cidades cujos territórios são cobertos mais de uma vez por semana.

      Fazendo repetidas visitas, as Testemunhas de Jeová não estão tentando impor a mensagem da Bíblia às pessoas. Simplesmente procuram dar-lhes oportunidade de fazer uma decisão inteligente. Hoje, alguns talvez digam não estar interessados, mas mudanças drásticas em suas vidas ou nas condições mundiais podem torná-los mais receptivos em outra ocasião. Por causa de preconceito ou apenas por estarem ocupados demais para ouvir, muitos realmente nunca ouviram o que as Testemunhas ensinam. Mas repetidas visitas amistosas podem levá-los a prestar atenção. As pessoas muitas vezes ficam impressionadas pela honestidade e integridade moral das Testemunhas que moram na vizinhança ou que são colegas de trabalho. Com o tempo, isso resulta em alguns se interessarem o bastante para descobrir o objetivo de sua mensagem. Uma dessas pessoas na Venezuela disse, depois de aceitar de bom grado publicações e um estudo bíblico domiciliar gratuito: “Ninguém nunca me explicou essas coisas.”

      As Testemunhas procuram bondosamente tocar o coração daqueles com quem conversam. Em Guadalupe, onde havia 1 Testemunha para cada 57 habitantes em 1992, é comum os moradores dizerem: “Não estou interessado.” A isso, Eric Dodote dizia: “Compreendo, e coloco-me em seu lugar.” Daí acrescentava: “Mas pergunto: Gostaria de viver em condições melhores do que as de hoje?” Depois de ouvir o que o morador dizia, ele usava a Bíblia para mostrar como Deus faria dessas condições uma realidade em Seu novo mundo.

      Cobertura mais cabal de territórios

      Em anos recentes tem ficado cada vez mais difícil achar pessoas em casa em certos países. Muitas vezes marido e mulher trabalham fora e, nos fins de semana, vão descontrair-se fora de casa. Para lidar com essa situação, as Testemunhas de Jeová em muitos países cada vez mais dão testemunho de porta em porta depois do entardecer. Na Grã-Bretanha, além de algumas Testemunhas visitarem os não-em-casa entre seis e oito horas da noite, outras, no esforço de contatar pessoas antes de saírem para o trabalho, fazem essas visitas antes das oito horas da manhã.

      Mesmo onde há pessoas em casa, pode ser muito difícil alcançá-las sem um convite prévio, devido a medidas de alta segurança tomadas em razão da alta criminalidade. Mas, no Brasil, quando algumas pessoas difíceis de ser contatadas caminham de manhã no calçadão da praia de Copacabana, elas talvez sejam abordadas por uma Testemunha zelosa que fica ali desde cedo conversando com outros sobre como o Reino de Deus resolverá os problemas da humanidade. Em Paris, França, quando as pessoas voltam para seu apartamento no fim da tarde, talvez encontrem um amistoso casal de Testemunhas perto da entrada do edifício, pronto para conversar com os moradores dispostos a gastar alguns minutos para ouvir sobre os meios que Deus usará para trazer verdadeira segurança. Em Honolulu, em Nova Iorque e em muitos outros lugares, também se fazem esforços para alcançar por telefone os moradores de edifícios de alta segurança.

      Se conseguem contatar alguém em cada casa, as Testemunhas ainda não dão sua tarefa por cumprida. Seu desejo é alcançar o máximo de pessoas em cada casa. Às vezes se consegue isso fazendo visitas em dias ou horas diferentes. Em Porto Rico, quando uma moradora disse não estar interessada, uma Testemunha perguntou se havia outra pessoa na casa com quem pudesse conversar. Isso levou a uma conversa com o dono da casa, que estava doente já por 14 anos e na maior parte do tempo ficava confinado à cama. Seu coração foi acalentado pela esperança da Palavra de Deus. Com renovado interesse pela vida, ele logo saiu da cama, passando a assistir às reuniões no Salão do Reino e partilhando sua recém-encontrada esperança com outros.

      Testemunho intensificado ao se aproximar o fim

      Outro fator tem contribuído muito para a intensificação do testemunho em anos recentes. É o aumento no número de Testemunhas que servem como pioneiros. Com intenso desejo de dedicar o máximo possível de seu tempo ao serviço de Deus e preocupação amorosa pelo próximo, elas organizam seus assuntos para dedicar mensalmente 60, 90, 140 horas ou mais ao ministério de campo. Assim como aconteceu com o apóstolo Paulo ao pregar em Corinto, na Grécia, aqueles que fazem o serviço de pioneiro ficam ‘intensamente ocupados com a palavra’, procurando dar testemunho ao máximo de pessoas sobre o Reino messiânico. — Atos 18:5.

      Em 1975, havia 130.225 pioneiros no mundo todo. Em 1992, a média mensal era 605.610 (incluindo pioneiros regulares, auxiliares e especiais). Assim, durante um período em que o número de Testemunhas mundialmente aumentou em 105 por cento, os que deram lugar ao ministério de tempo integral aumentaram em 365 por cento! Em resultado disso, a quantidade de tempo dedicada ao testemunho elevou-se de cerca de 382 milhões para mais de um bilhão de horas por ano!

      ‘O pequeno torna-se mil’

      Jesus Cristo comissionou seus seguidores para ser suas testemunhas até à parte mais distante da Terra. (Atos 1:8) Por meio do profeta Isaías, Jeová havia predito: “O próprio pequeno tornar-se-á mil e o menor, uma nação forte. Eu mesmo, Jeová, apressarei isso ao seu próprio tempo.” (Isa. 60:22) O registro mostra claramente que as Testemunhas de Jeová realizam a obra que Jesus predisse, e elas têm experimentado o tipo de crescimento que o próprio Deus prometeu.

      No fim da Segunda Guerra Mundial, elas se encontravam principalmente na América do Norte e na Europa; existiam algumas na África; e outras, em grupos menores, estavam espalhadas ao redor do globo. De modo algum haviam alcançado todos os países com a mensagem do Reino, nem todas as partes dos países em que já pregavam. Mas, essa situação tem mudado com surpreendente rapidez.

      Considere a América do Norte. O continente estende-se do Canadá, no norte, até o Panamá, com nove terras nessa faixa. Em 1945, havia 81.410 Testemunhas nessa vasta região. Quatro países relataram menos de 20 Testemunhas cada um, e num país nem mesmo havia pregação organizada. Desde então, tem-se dado um testemunho intenso e constante em todas essas terras. Em 1992, havia 1.440.165 Testemunhas de Jeová nessa parte da Terra. Na maioria dessas terras, cada Testemunha tem agora, em média, apenas algumas centenas de pessoas a quem dar testemunho. Grande proporção da população é visitada pelas Testemunhas a cada poucos meses; muitos são visitados semanalmente. Mais de 1.240.000 estudos bíblicos domiciliares são regularmente dirigidos para pessoas e grupos interessados.

      Que dizer da Europa? Essa parte do globo vai da Escandinávia ao Mediterrâneo. Com exceção da maior parte da região antes conhecida como União Soviética, já se havia dado um amplo testemunho na Europa antes da Segunda Guerra Mundial. Desde então surgiram novas gerações, e a estes também se mostra nas Escrituras que o Reino de Deus em breve substituirá todos os governos humanos. (Dan. 2:44) Dos poucos milhares de Testemunhas que realizavam sua atividade de pregação sob severas restrições durante a guerra, o número de proclamadores do Reino nos 47 países sobre os quais se publicaram relatórios em 1992 havia aumentado para 1.176.259, incluindo aqueles nos lugares que antes faziam parte da URSS, tanto na Europa como na Ásia. Em cada um dos cinco países — Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália e Polônia — havia bem mais de 100.000 Testemunhas zelosas. E o que todas essas Testemunhas faziam? Seu relatório de 1992 mostra que durante esse ano elas dedicaram mais de 230.000.000 de horas à pregação pública, às visitas de casa em casa e aos estudos bíblicos domiciliares. Na evangelização, as Testemunhas não ignoraram nem mesmo a pequena república de São Marinho, principados como Andorra e Liechtenstein, ou Gibraltar. De fato, o predito testemunho estava sendo dado.

      A África também está recebendo um amplo testemunho. O registro mostra que até 1945 as boas novas haviam alcançado 28 países nesse continente, mas na verdade se dera bem pouco testemunho na maioria desses países. Desde aquela época, porém, tem-se feito muita coisa ali. Em 1992, havia 545.044 Testemunhas zelosas no continente africano, pregando as boas novas em 45 países. Na celebração da Refeição Noturna do Senhor nesse ano, havia 1.834.863 presentes. Assim, além de o aumento ser surpreendente, o potencial para expansão adicional é extraordinário!

      O relatório da América do Sul não é menos notável. Embora apenas um dos 13 países não tenha sido alcançado com a mensagem da Bíblia antes da Segunda Guerra Mundial, naquela época havia somente 29 congregações em todo o continente, e até então a atividade de pregação não estava organizada em alguns países. A maior parte da obra de pregação do Reino seria realizada no futuro. Desde aquele tempo, as Testemunhas ali têm trabalhado vigorosamente. Os que são revigorados pela água da vida de bom grado convidam a outros, dizendo: ‘Venham, e tomem de graça a água da vida.’ (Rev. 22:17) Em 1992, havia 683.782 servos de Jeová em 10.399 congregações na América do Sul, participando alegremente nessa obra. Alguns alcançavam regiões que não haviam recebido um testemunho cabal. Outros faziam constantes visitas onde já se dera testemunho, para incentivar as pessoas a ‘saborear e ver que Jeová é bom’. (Sal. 34:8) Dirigiam regularmente 905.132 estudos bíblicos domiciliares para ajudar pessoas interessadas a fazer dos caminhos de Jeová o seu próprio modo de vida.

      Considere também a Ásia e as muitas ilhas e grupos de ilhas ao redor do globo. O que se tem feito ali? Até a era do pós-guerra, muitos desses lugares mal haviam sido alcançados com a proclamação do Reino. Mas Jesus Cristo predisse que as boas novas do Reino seriam pregadas “em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações”. (Mat. 24:14) Em harmonia com isso, nas décadas desde a Segunda Guerra Mundial, a pregação das boas novas que já havia alcançado 76 desses países, ilhas e grupos de ilhas chegou a outras 40 terras e foi intensificada em lugares alcançados antes. Em 1992, havia nesse vasto território 627.537 devotadas Testemunhas que tinham grande deleite em divulgar os “atos potentes e a glória do esplendor do seu reinado”. (Sal. 145:11, 12) Seu ministério não era fácil. Em alguns lugares, tinham de viajar por horas de navio ou de avião para alcançar ilhas remotas em seu território. Mas, em 1992, dedicaram mais de 200.000.000 de horas à obra de evangelização e dirigiram 685.211 estudos bíblicos domiciliares regulares.

      A promessa de que ‘o pequeno se tornaria mil’ certamente se tem cumprido, e de maneira abundante! Em cada uma de mais de 50 terras onde não havia nem mesmo um ‘pequeno’ — onde não existia uma única Testemunha de Jeová em 1919, onde elas não haviam feito nenhuma pregação — há hoje mais de mil louvadores de Jeová. Em algumas dessas terras, existem agora dezenas de milhares, sim, até mais de cem mil Testemunhas de Jeová, que são zelosos proclamadores do Reino de Deus! No mundo todo, as Testemunhas de Jeová têm-se tornado “uma nação forte” — mais numerosas como unida congregação global do que a população de qualquer uma de pelo menos 80 nações autônomas do mundo.

      Quanto testemunho em “outros países”?

      Incluídos em tudo isso, ainda havia, em 1992, 24 “outros países” — aqueles em que as Testemunhas de Jeová estavam sob severas restrições governamentais e sobre os quais não se publicam relatórios pormenorizados. Tem-se dado muito testemunho em alguns desses países. No entanto, em certas terras o número de Testemunhas é bem limitado. Ainda há pessoas que não ouviram a mensagem do Reino. Mas as Testemunhas de Jeová têm certeza de que o necessário testemunho será dado. Por quê?

      Porque as Escrituras mostram que o próprio Jesus Cristo, em seu trono celestial, está supervisionando a obra. (Mat. 25:31-33) Sob sua direção, um “anjo voando pelo meio do céu” está incumbido da responsabilidade de declarar boas novas eternas e de incentivar “toda nação, e tribo, e língua, e povo” a ‘temer a Deus e dar-lhe glória’. (Rev. 14:6, 7) Não há poder no céu ou na Terra que possa impedir que Jeová atraia a si os que estão “corretamente dispostos para com a vida eterna”. — Atos 13:48; João 6:44.

      Nenhuma parte do mundo é tão isolada que a mensagem do Reino não possa alcançá-la. Os parentes visitam. O telefone e o correio levam notícias. Homens de negócios, trabalhadores, estudantes e turistas entram em contato com pessoas de outras nações. Assim como no passado, também hoje as notícias vitais de que Jeová entronizou seu Rei celestial, que tem autoridade sobre as nações, continuam a ser divulgadas por esses meios. Os anjos podem cuidar de que os famintos e sedentos da verdade e da justiça sejam alcançados.

      Se for da vontade do Senhor que se faça uma pregação mais direta da mensagem do Reino em alguns lugares em que os governos a têm impedido até agora, Deus pode fazer surgir condições que façam com que esses governos mudem suas diretrizes. (Pro. 21:1) E onde se abrirem portas de oportunidade, as Testemunhas de Jeová de bom grado darão de si mesmas para que as pessoas nessas terras recebam o máximo de assistência possível para aprender o propósito amoroso de Jeová. Elas estão decididas a continuar a servir sem cessar até que Jeová por meio de Jesus Cristo diga que a obra está concluída!

      Em 1992, as Testemunhas de Jeová estavam ocupadas pregando em 229 terras. Naquele ano, as boas novas do Reino de Deus já haviam chegado de várias maneiras a 235 terras. Dez dessas só foram alcançadas depois de 1975.

      Quão intenso foi o testemunho dado? Bem, nos primeiros 30 anos depois da Segunda Guerra Mundial, as Testemunhas de Jeová dedicaram 4.635.265.939 horas à pregação e ao ensino sobre o nome e o Reino de Jeová. No entanto, com mais Testemunhas e maior proporção delas no serviço de tempo integral, nos 15 anos seguintes (apenas metade do período anterior), dedicaram-se 7.858.677.940 horas a dar testemunho em público e de casa em casa, bem como a dirigir estudos bíblicos domiciliares. E a intensidade da obra continuou a aumentar, visto que relataram mais 951.870.021 horas nessa atividade durante 1990/91 e mais de um bilhão de horas no ano seguinte.

      A quantidade de publicações bíblicas distribuídas pelas Testemunhas para divulgar o Reino, além da variedade de línguas em que elas têm sido postas à disposição, é sem igual em todo campo de empenho humano. Os registros são incompletos, mas os relatórios ainda disponíveis mostram que, em 294 línguas, 10.107.565.269 livros, folhetos, brochuras e revistas, bem como bilhões de tratados não contados, foram distribuídos a pessoas interessadas entre 1920 e 1992.

      Ao reunirmos esses dados, o testemunho global ainda não terminou. Mas a obra já realizada e as circunstâncias nas quais ela tem sido realizada dão evidência convincente da operação do espírito de Deus.

      [Destaque na página 502]

      Grandes congressos e a conduta cristã dos congressistas chamaram atenção.

      [Destaque na página 505]

      “No que se refere à ordem, paz e limpeza, os participantes do congresso são exemplos a imitar.”

      [Destaque na página 507]

      Realizaram-se congressos históricos em lugares em que as Testemunhas por décadas estiveram proscritas.

      [Destaque na página 508]

      Milhares de toneladas de publicações bíblicas foram enviadas a países da Europa Oriental.

      [Destaque na página 509]

      Anciãos habilitados ofereceram-se a mudar-se para países em que havia necessidade especial.

      [Destaque na página 516]

      Seu desejo é alcançar o máximo de pessoas em cada casa.

      [Destaque na página 518]

      Aumento surpreendente e potencial para expansão adicional

      [Gráfico/Fotos na página 513]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Aumento de proclamadores do Reino no Oriente

      Índia

      10.000

      5.000

      1950 1960 1970 1980 1992

      República da Coréia

      60.000

      30.000

      1950 1960 1970 1980 1992

      Japão

      150.000

      100.000

      50.000

      1950 1960 1970 1980 1992

      [Foto na página 503]

      Em 1985, foi preciso usar simultaneamente o Estádio do Morumbi, em São Paulo (abaixo), e o Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, Brasil, para reunir multidões para o congresso das Testemunhas de Jeová.

      [Fotos na página 504]

      Alguns dos batizandos em Chorzów, Polônia, em 1989

      [Fotos na página 506]

      Congressos Históricos em 1991

      Praga, Tchecoslováquia

      Tallinn, Estônia (à direita)

      Zagreb, Croácia (à direita)

      Budapeste, Hungria (acima)

      Baia-Mare, Romênia (à direita)

      Usolye-Sibirskoye, Rússia (abaixo)

      Alma-Ata, Casaquistão (acima)

      Kiev, Ucrânia (à esquerda)

      [Fotos na página 511]

      Congresso internacional das Testemunhas de Jeová em S. Petersburgo, Rússia, em 1992

      Um caloroso espírito internacional

      Da Rússia

      Da Moldova

      Da Ucrânia

      Muitos jovens compareceram.

      M. G. Henschel (à esquerda) conversa sobre o programa com Stepan Kozhemba (no centro), com a ajuda de um intérprete.

      Congressistas estrangeiros levaram Bíblias em russo para o uso das Testemunhas em toda a Rússia.

      [Foto na página 512]

      Na década de 80, a Igreja Católica declarou guerra contra as Testemunhas, segundo estes recortes da imprensa italiana.

      [Foto na página 514]

      Quando navios atracam em Roterdã, nos Países Baixos, as Testemunhas conversam com os marinheiros sobre o Reino de Deus.

      [Foto na página 515]

      Mesmo onde o território é coberto com freqüência, como aqui em Guadalupe, as Testemunhas continuam a tentar tocar o coração dos seus vizinhos com as boas novas.

  • Missionários dão impulso à expansão mundial
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 23

      Missionários dão impulso à expansão mundial

      A ZELOSA atividade de missionários dispostos a servir onde necessário tem sido um fator importante na proclamação global do Reino de Deus.

      Muito antes de a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) ter fundado uma escola para esse fim, já se enviavam missionários a outros países. O primeiro presidente da Sociedade, C. T. Russell, reconhecia a necessidade de pessoas qualificadas para iniciarem e liderarem a pregação das boas novas em campos estrangeiros. Ele enviou homens com esse objetivo — Adolf Weber, à Europa; E. J. Coward, à região do Caribe; Robert Hollister, ao Oriente; e Joseph Booth, à África meridional. Infelizmente, Booth mostrou-se mais interessado nos seus próprios planos; portanto, em 1910, William Johnston foi enviado da Escócia para a Niassalândia (hoje o Malaui), onde se sentira especialmente a influência adversa de Booth. Depois, o irmão Johnston foi designado para estabelecer uma filial da Sociedade Torre de Vigia em Durban, na África do Sul, e mais tarde serviu como superintendente de filial na Austrália.

      Depois da Primeira Guerra Mundial, J. F. Rutherford enviou mais missionários — por exemplo, Thomas Walder e George Phillips da Grã-Bretanha para a África do Sul; W. R. Brown, de uma designação em Trinidad para a África Ocidental; George Young, do Canadá para a América do Sul e a Europa; Juan Muñiz, primeiro para a Espanha e depois para a Argentina; George Wright e Edwin Skinner, para a Índia, seguidos por Claude Goodman, Ron Tippin e outros. Eles foram pioneiros no verdadeiro sentido da palavra, pois foram a regiões onde pouca ou nenhuma pregação das boas novas se fizera e lançaram um sólido fundamento para futuro crescimento organizacional.

      Houve também outros cujo espírito missionário os moveu a pregar fora de seu próprio país. Kate Goas e sua filha Marion estavam entre esses, e dedicaram muitos anos ao serviço zeloso na Colômbia e na Venezuela. Outro foi Joseph dos Santos, que deixou o Havaí numa viagem de pregação que resultou em 15 anos de ministério nas Filipinas. Também Frank Rice, que viajou de navio cargueiro da Austrália para iniciar a pregação das boas novas na ilha de Java (agora parte da Indonésia).

      Mas, em 1942, fizeram-se planos para fundar uma escola com um curso especialmente destinado a treinar homens e mulheres dispostos a fazer esse serviço missionário onde quer que fossem necessários no campo global.

      A Escola de Gileade

      Em meio à guerra mundial, poderia parecer inviável do ponto de vista humano planejar expansão das atividades de pregação do Reino em campos estrangeiros. Contudo, em setembro de 1942, com confiança em Jeová, os diretores de duas das principais entidades jurídicas usadas pelas Testemunhas de Jeová aprovaram a proposta de N. H. Knorr no sentido de se fundar uma escola destinada a treinar missionários e outros para serviço especializado. Seria chamada de Faculdade Bíblica de Gileade da Torre de Vigia. O nome foi mais tarde mudado para Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia. Não se cobrariam mensalidades, e os estudantes seriam hospedados e alimentados a expensas da Sociedade durante o período de treinamento.

      Entre os que foram convidados a ajudar a elaborar o curso figurava Albert D. Schroeder, que já tinha adquirido muita experiência no Departamento de Serviço na sede da Sociedade em Brooklyn e como superintendente de filial da Sociedade na Grã-Bretanha. Sua atitude positiva, abnegação e caloroso interesse nos estudantes granjearam-lhe a estima daqueles que ele ensinou durante os 17 anos em que serviu como encarregado dos registros da escola e como instrutor. Em 1974, ele se tornou membro do Corpo Governante e, no ano seguinte, foi designado para servir em sua Comissão de Ensino.

      O irmão Schroeder e os outros instrutores (Maxwell Friend, Eduardo Keller e Victor Blackwell) elaboraram um curso de estudos de cinco meses de duração que frisava o estudo da própria Bíblia e da organização teocrática, também de doutrinas bíblicas, oratória, ministério de campo, serviço missionário, história das religiões, lei divina, como lidar com autoridades governamentais, lei internacional, como manter registros, bem como um idioma estrangeiro. Houve no decorrer dos anos modificações no currículo, mas o estudo da própria Bíblia e a importância da obra de evangelização sempre têm ocupado o primeiro lugar. O objetivo do curso é fortalecer a fé dos estudantes, ajudá-los a desenvolver as qualidades espirituais necessárias para enfrentarem com êxito os desafios do serviço missionário. Tem-se ressaltado a importância da plena confiança em Jeová e da lealdade a ele. (Sal. 146:1-6; Pro. 3:5, 6; Efé. 4:24) Não se dá aos estudantes uma resposta pronta para tudo, mas eles são treinados a pesquisar e são ajudados a saber avaliar o porquê das crenças das Testemunhas de Jeová e da sua aderência a certos modos de realizar as coisas. Aprendem a discernir princípios sobre os quais se basear. Assim, lança-se uma base para maior desenvolvimento.

      Os convites aos prospectivos estudantes da primeira turma foram enviados em 14 de dezembro de 1942. Foi em meados do inverno que os 100 estudantes daquela turma se inscreveram na sede da escola que se localizava no interior do Estado de Nova Iorque, em South Lansing. Eles estavam dispostos, animados e um tanto apreensivos. Embora os estudos ali fossem o interesse imediato, não podiam deixar de pensar a que país do campo mundial seriam enviados depois da formatura.

      Num discurso àquela primeira turma, em 1.º de fevereiro de 1943, o primeiro dia da escola, o irmão Knorr disse: “Estão recebendo preparação adicional para um trabalho similar ao do apóstolo Paulo, Marcos, Timóteo e outros que viajaram em todas as partes do Império Romano proclamando a mensagem do Reino. Eles precisavam ser fortalecidos com a Palavra de Deus. Precisavam ter conhecimento claro de Seus propósitos. Em muitos lugares, tinham de enfrentar sozinhos os de alto nível e os poderosos deste mundo. O mesmo lhes poderá acontecer; e Deus será também a sua força.

      “Há muitos lugares em que não se deu extensivamente um testemunho sobre o Reino. Os que vivem em tais lugares acham-se nas trevas e são escravizados pela religião. Em alguns desses países onde há poucas Testemunhas, observa-se que as pessoas de boa vontade escutam prontamente e se associariam com a organização do Senhor, se fossem adequadamente instruídas. Deve haver centenas de milhares mais que poderiam ser alcançadas se houvesse mais trabalhadores no campo. Com a graça do Senhor, haverá mais.

      “NÃO é objetivo desta faculdade prepará-los para que sejam ministros ordenados. Vocês já o são e estão ativos no ministério por anos. . . . A finalidade exclusiva do currículo da faculdade é prepará-los para serem ministros mais habilitados nos territórios para onde irão. . . .

      “Seu principal serviço é pregar o evangelho do Reino de casa em casa como Jesus e os apóstolos fizeram. Ao encontrarem alguém que dê atenção, providenciem revisitar, iniciem um estudo domiciliar e organizem uma companhia [congregação] de todos dessa sorte numa cidade ou vila. Não só terão o prazer de organizar uma companhia, mas precisam também ajudá-los a entender a Palavra, a fortalecê-los, dirigindo-lhes de vez em quando umas palavras, ajudando-os nas suas reuniões de serviço e a se organizarem. Quando eles se tornarem fortes e puderem trabalhar sozinhos e cuidar do território, vocês poderão ir a uma outra cidade para ali proclamar o Reino. De tempos a tempos, talvez seja necessário que retornem para edificá-los na santíssima fé e para corrigir seu entendimento quanto a doutrinas; portanto, o seu trabalho será o de cuidar das ‘outras ovelhas’ do Senhor, e não abandoná-las. (João 10:16) Seu serviço real é ajudar as pessoas de boa vontade. Precisarão usar de iniciativa, buscando, porém, a orientação de Deus.”a

      Cinco meses depois, essa primeira turma completou o treinamento especializado. Obtiveram-se vistos de entrada, fizeram-se preparativos para a viagem e esses missionários foram para nove países latino-americanos. Três meses após a formatura, os primeiros missionários treinados em Gileade que partiram dos Estados Unidos estavam a caminho de Cuba. Até 1992, mais de 6.500 estudantes de mais de 110 países foram treinados e depois serviram em bem mais de 200 países e grupos de ilhas.

      Até sua morte, 34 anos depois da inauguração da Escola de Gileade, o irmão Knorr demonstrou profundo interesse pessoal no serviço dos missionários. A cada período letivo, se de todo possível, ele visitava diversas vezes a turma que estava cursando, dava preleções e levava consigo outros membros da sede para falarem aos estudantes. Depois de os formados em Gileade começarem seu serviço no estrangeiro, ele visitou pessoalmente grupos de missionários, ajudou-os a resolver problemas, e deu-lhes o necessário encorajamento. Com a multiplicação do número de grupos de missionários, ele providenciou que outros irmãos bem qualificados fizessem também tais visitas, de modo que todos os missionários, não importa onde estivessem servindo, recebessem regularmente atenção pessoal.

      Esses missionários eram diferentes

      Os missionários da cristandade têm fundado hospitais, centros de refugiados e orfanatos para cuidar das necessidades materiais das pessoas. Agindo como defensores dos pobres, fomentaram também revoluções e participaram em combates de guerrilhas. Em contraste com isso, os missionários formados na Escola de Gileade ensinam a Bíblia para as pessoas. Em vez de estabelecerem igrejas e esperarem que as pessoas os procurem, eles vão de casa em casa para encontrar e ensinar os que têm fome e sede da justiça.

      Aderindo de perto à Palavra de Deus, os missionários das Testemunhas mostram às pessoas por que a verdadeira e duradoura solução dos problemas da humanidade é o Reino de Deus. (Mat. 24:14; Luc. 4:43) O contraste entre esta obra e a dos missionários da cristandade ficou em evidência para Peter Vanderhaegen, em 1951, quando a caminho de sua designação na Indonésia. O único passageiro além dele no navio cargueiro era um missionário batista. Embora o irmão Vanderhaegen tentasse falar com ele sobre as boas novas do Reino de Deus, o batista deixou claro que seu ardente interesse era apoiar os esforços de Chiang Kai-shek, em Taiwan (Formosa), de retornar ao poder no continente.

      Entretanto, muitas outras pessoas chegaram a reconhecer o valor daquilo que se diz na Palavra de Deus. Em Barranquilla, Colômbia, quando Olaf Olson deu testemunho a Antonio Carvajalino, que era forte apoiador de certo movimento político, o irmão Olson não tomou o lado dele, tampouco advogou outra ideologia política. Em vez disso, propôs estudar gratuitamente a Bíblia com Antonio e suas irmãs. Antonio compreendeu logo que o Reino de Deus é realmente a única esperança para os pobres da Colômbia e do resto do mundo. (Sal. 72:1-4, 12-14; Dan. 2:44) Antonio e suas irmãs se tornaram zelosos servos de Deus.

      O fato de os missionários das Testemunhas serem separados e distintos do sistema religioso da cristandade ficou evidenciado de outra forma num incidente na Rodésia (agora Zimbábue). Quando Donald Morrison visitou naquele país a casa de um dos missionários da cristandade, esse missionário se queixou de que as Testemunhas não estavam respeitando os limites demarcados. Que limites? Ora, as religiões da cristandade haviam dividido o país em áreas em que cada uma operaria sem a interferência das outras. As Testemunhas de Jeová não podiam aceitar tais medidas. Jesus disse que a mensagem do Reino seria pregada em toda a terra habitada. A cristandade definitivamente não estava fazendo isso. Os missionários treinados em Gileade estavam decididos a fazer um serviço cabal, em obediência a Cristo.

      Esses missionários foram enviados não para serem servidos, mas para servir. De muitas formas tornava-se evidente que era isso que realmente procuravam fazer. Não é errado aceitar provisões materiais oferecidas espontaneamente (não solicitadas) em apreço da ajuda espiritual. Mas, para atingir o coração das pessoas no Alasca, John Errichetti e Hermon Woodard acharam proveitoso reservar pelo menos algum tempo para trabalhar com suas próprias mãos para a sua subsistência, assim como o apóstolo Paulo fizera. (1 Cor. 9:11, 12; 2 Tes. 3:7, 8) Sua principal atividade era pregar as boas novas. Mas, quando recebiam hospitalidade, ajudavam também com trabalhos que precisavam ser efetuados — por exemplo, alcatroaram o telhado da casa de certo homem, porque viram que ele precisava de ajuda. E, quando viajavam de barco de um lugar para outro, davam uma mão para descarregá-lo. As pessoas notaram logo que esses missionários não eram de forma alguma como o clero da cristandade.

      Em alguns lugares, era necessário os missionários das Testemunhas fazerem serviço secular por algum tempo para poderem fixar residência no país, a fim de efetuarem seu ministério ali. Assim, quando Jesse Cantwell foi para a Colômbia, ele lecionou Inglês no departamento médico de uma universidade até que a situação política mudou e terminaram as restrições religiosas. Depois disso, ele pôde usar sua experiência integralmente no ministério como superintendente viajante das Testemunhas de Jeová.

      Em muitos lugares, os missionários tiveram de começar com vistos de turista que lhes permitiam permanecer no país por um mês ou talvez diversos meses. Daí, tinham de deixar o país e depois retornar. Mas persistiram, repetindo o processo vez após vez até poderem obter permanência definitiva. Estavam decididos no coração a ajudar as pessoas nos países para os quais haviam sido designados.

      Esses missionários não se consideravam superiores ao povo local. Como superintendente viajante, John Cutforth, que era antes professor no Canadá, visitou congregações, bem como Testemunhas isoladas em Papua Nova Guiné. Ele se sentava no chão com eles, comia com eles e aceitava convites para dormir sobre uma esteira estendida no chão de suas casas. Ele gostava da companhia destas pessoas ao caminharem juntos no ministério de campo. Mas isso era surpreendente para observadores que não eram Testemunhas, pois os pastores europeus das missões da cristandade tinham a reputação de manter distância do povo local, associando-se com seus paroquianos apenas brevemente em algumas de suas reuniões, mas nunca comiam com eles.

      As pessoas entre as quais essas Testemunhas serviam notavam o interesse amoroso dos missionários e da organização que os enviara. Em resposta a uma carta de João Mancoca, um humilde africano confinado a uma colônia penal na África Ocidental Portuguesa (agora Angola), foi enviado um missionário da Torre de Vigia para dar ajuda espiritual. Recordando essa visita, Mancoca disse mais tarde: “Eu não tinha mais dúvidas de que esta era a verdadeira organização que tem o apoio de Deus. Nunca imaginava nem acreditava que qualquer outra organização religiosa fizesse tal coisa: enviar gratuitamente um missionário de longe para visitar uma pessoa insignificante só porque esta escreveu uma carta.”

      Condições de vida e costumes

      Muitas vezes, as condições de vida nos países para os quais os missionários eram enviados não eram tão desenvolvidas em sentido material como nos lugares donde vinham. Quando Robert Kirk desembarcou na Birmânia (hoje Mianmar) em princípios de 1947, ainda se viam os efeitos da guerra, e em poucas casas havia luz elétrica. Em muitos países, os missionários notaram que a roupa era lavada peça por peça numa tábua de esfregar ou sobre pedras num rio, em vez de com uma lavadora elétrica. Mas eles estavam ali para ensinar a verdade bíblica às pessoas, portanto ajustaram-se às condições locais e mantiveram-se ocupados no ministério.

      Naqueles tempos idos, muitas vezes não havia ninguém para recepcionar os missionários. Eles próprios tinham de procurar um lugar onde morar. Quando Charles Eisenhower e mais 11 chegaram a Cuba em 1943, na primeira noite dormiram no chão. No dia seguinte, compraram camas e fizeram armários e cômodas com caixas de maçã. Usando as contribuições que recebiam pelas publicações distribuídas, junto com a modesta mesada fornecida pela Sociedade Torre de Vigia para os pioneiros especiais, cada grupo de missionários confiava em Jeová para que abençoasse seus esforços para pagarem o aluguel, comprarem alimentos e fazerem face a outras despesas necessárias.

      Preparar refeições exigia às vezes uma mudança de conceito. Onde não havia geladeira, era necessário ir diariamente ao mercado. Em muitos países, cozinhava-se com carvão ou lenha em vez de num fogão a gás ou elétrico. George e Willa Mae Watkins, designados para a Libéria, tinham como fogão nada mais do que três pedras que sustentavam uma panela de ferro.

      Que dizer da água? Olhando para a sua nova moradia na Índia, Ruth McKay disse: ‘Eis uma moradia como eu nunca tinha visto antes. A cozinha não tem pia, apenas uma bica num canto da parede, com um ressalto de cimento no chão para impedir que a água escorra pelo chão. Não há um suprimento contínuo de água 24 horas por dia, de modo que é preciso guardar água para quando há corte do abastecimento.’

      Não estando habituados às condições locais, alguns missionários sofreram enfermidades nos primeiros meses em sua designação. Russell Yeatts teve sucessivas crises de disenteria ao chegar a Curaçau em 1946. Mas um irmão local havia feito tão fervorosa oração de agradecimentos a Jeová por causa dos missionários que estes simplesmente não podiam pensar em ir embora. Ao chegarem ao Alto Volta (agora Burkina Faso), Brian e Elke Wise encontraram-se num clima difícil, ruim para a saúde. Tiveram de aprender a agüentar temperaturas de 43°C durante o dia. No primeiro ano em que estiveram ali, o calor intenso e a malária fizeram com que Elke ficasse doente várias semanas por vez. No ano seguinte, Brian ficou acamado por cinco meses, acometido de hepatite grave. Mas logo descobriram que tinham tantos bons estudos bíblicos quantos podiam dirigir — e até mais do que podiam. O amor a essas pessoas os ajudou a perseverar; também o fato de considerarem sua designação um privilégio e um bom treinamento para o que quer que Jeová tivesse em reserva para eles no futuro.

      Com o passar dos anos, mais missionários foram acolhidos pelos que já estavam no respectivo país ou pelas Testemunhas locais. Alguns foram designados para países onde as cidades principais eram bem modernas. A partir de 1946, a Sociedade Torre de Vigia também procurou fornecer um lar adequado e mobília essencial a cada grupo de missionários, bem como fundos para alimentos, livrando-os assim dessa preocupação e habilitando-os a se concentrar mais na obra de pregação.

      Em muitos lugares, viajar era uma experiência que punha à prova sua perseverança. Depois de uma chuva, muitas missionárias em Papua Nova Guiné carregavam suprimentos numa mochila ao caminharem pelo mato numa trilha com tanta lama que às vezes lhes arrancava os sapatos dos pés. Na América do Sul, muitos missionários faziam viagens de ônibus de fazer arrepiar os cabelos ao passar por estradas estreitas no alto dos Andes. É uma experiência que a pessoa não esquece facilmente quando o ônibus em que viaja, bem à beira da estrada, se cruza com outro veículo grande numa curva onde não há grade de proteção e sente que o ônibus está inclinando para o precipício!

      As revoluções políticas pareciam fazer parte regular da vida em certos lugares, mas os missionários das Testemunhas conservavam em mente a declaração de Jesus de que seus discípulos não fariam “parte do mundo”; de modo que eram neutros para com tais conflitos. (João 15:19) Aprenderam a eliminar qualquer curiosidade que os expusesse a desnecessário perigo. Muitas vezes, a melhor coisa era simplesmente manter-se afastado das ruas até que a situação melhorasse. Nove missionários no Vietnã moravam bem no centro de Saigon (agora Cidade Ho Chi Minh) quando a guerra engolfou essa cidade. Eles viam bombas cair, incêndios em toda a cidade e milhares de pessoas que fugiam para salvar a vida. Mas, reconhecendo que Jeová os enviara ali para oferecerem o conhecimento vitalizador às pessoas famintas da verdade, confiaram na proteção dele.

      Mesmo quando havia relativa paz, era difícil os missionários efetuarem seu ministério em algumas partes das cidades asiáticas. Bastava o aparecimento de um estrangeiro nas ruas estreitas de um bairro pobre de Lahore, Paquistão, para atrair uma multidão de crianças sujas e maltrapilhas de todas as idades. Gritando e acotovelando umas às outras, seguiam o missionário de casa em casa, precipitando-se não raro dentro das casas junto com o publicador. Todos naquela rua ficavam logo sabendo o preço das revistas e que o estrangeiro estava ‘fazendo cristãos’. Em tais circunstâncias, era geralmente necessário abandonar aquela área. Seu afastamento muitas vezes vinha acompanhado de gritos, aplausos e, às vezes, até mesmo de uma chuva de pedras.

      Os costumes não raro exigiam alguns ajustes da parte dos missionários. No Japão, aprenderam a deixar os sapatos do lado de fora da casa antes de entrarem. E tiveram de se acostumar, quando possível, a sentar-se no chão diante de uma mesa baixa nos estudos bíblicos. Em algumas partes da África, aprenderam que entregar alguma coisa a alguém com a mão esquerda era considerado um insulto. E aprenderam que nessa parte do mundo não era considerado boas maneiras tentar explicar o objetivo da visita sem antes entabular uma conversa trivial — perguntando-se mutuamente sobre a saúde, respondendo a perguntas sobre a sua procedência, quantos filhos têm, e assim por diante. No Brasil, os missionários aprenderam que, em vez de baterem à porta da casa, geralmente precisavam bater palmas junto ao portão para chamar o morador.

      Entretanto, no Líbano, os missionários se viram confrontados com outros costumes. Poucos irmãos levavam a esposa e as filhas às reuniões. As mulheres que compareciam se sentavam sempre nos fundos, nunca entre os homens. Os missionários, desconhecendo esse costume, causaram não pouca inquietação na sua primeira reunião. Um casal se sentou nas primeiras fileiras e as moças missionárias se sentaram onde havia lugar vago. Mas, depois da reunião, uma palestra sobre os princípios cristãos ajudou a esclarecer o mal-entendido. (Veja Deuteronômio 31:12; Gálatas 3:28.) Terminou a segregação. Mais esposas e filhas passaram a assistir às reuniões. Acompanharam também as irmãs missionárias no ministério de casa em casa.

      O desafio de um novo idioma

      O pequeno grupo de missionários que chegou à Martinica em 1949 tinha muito pouco conhecimento do francês, mas sabia que as pessoas precisavam da mensagem do Reino. Com verdadeira fé, eles começaram a ir de porta em porta, tentando ler alguns versículos da Bíblia ou um trecho de uma publicação que ofereciam. Com paciência, melhoraram aos poucos seu francês.

      Embora desejassem ajudar as Testemunhas locais e outras pessoas interessadas, os próprios missionários muitas vezes eram os que precisavam de ajuda primeiro — aprender a língua. Os que foram enviados ao Togo descobriram que a gramática da língua eve, o principal idioma nativo, era muito diferente da das línguas européias, também que o diapasão da voz ao se enunciar uma palavra podia mudar o sentido. Assim, a palavra to, de duas letras, quando enunciada em diapasão alto, pode significar ouvido, montanha, sogro ou tribo; com diapasão baixo, significa búfalo. Os missionários que foram servir no Vietnã se viram confrontados com uma língua que empregava seis variações de tonalidade em qualquer dada palavra, resultando cada tonalidade num significado diferente.

      Edna Waterfall, designada para o Peru, não se esqueceu tão cedo da primeira casa em que tentou dar testemunho em espanhol. Suando frio, ela gaguejou a sua apresentação decorada, ofereceu a publicação e combinou dirigir estudo bíblico com uma senhora idosa. Daí, esta senhora disse em perfeito inglês: “Está bem, isto é ótimo. Eu vou estudar e faremos tudo em espanhol para ajudá-la a aprender espanhol.” Espantada, Edna replicou: “Fala inglês? E deixou-me falar no meu péssimo espanhol?” “Foi bom para você”, respondeu a senhora. E foi mesmo! Como Edna logo chegou a reconhecer, realmente falar o idioma é parte importante da aprendizagem.

      Na Itália, quando George Fredianelli tentou falar o idioma, descobriu que o que ele pensava fossem expressões italianas (mas eram na realidade palavras inglesas italianizadas) não eram entendidas. Para resolver o problema, ele decidiu escrever na íntegra os discursos que preparava para as congregações e os proferia à base de um manuscrito. Mas muitos na assistência pegavam no sono. Portanto, ele pôs de lado o manuscrito e passou a falar extemporaneamente, pedindo aos ouvintes que o ajudassem se tropeçasse em alguma palavra. Isto os mantinha despertos e o ajudou a progredir.

      Para dar aos missionários um início de aprendizagem do novo idioma, o curso de Gileade, nas primeiras turmas, incluía estudo de línguas tais como espanhol, francês, italiano, português, japonês, árabe e urdu. Com o passar dos anos, mais de 30 línguas foram ensinadas. Mas, visto que os formados de determinada turma não iam todos a lugares em que se falava o mesmo idioma, esses cursos de língua foram mais tarde substituídos por uma programação supervisionada de um intensivo estudo de língua ao chegarem às suas designações. No primeiro mês, os recém-chegados se concentravam totalmente no estudo do idioma durante 11 horas por dia; e no mês seguinte, metade do tempo era usado para o estudo da língua em casa e a outra metade para usar esse conhecimento no ministério de campo.

      Observou-se, porém, que o uso real da língua no ministério de campo era a principal chave do progresso; de modo que se fez um ajuste. Nos três primeiros meses em sua designação, os novos missionários que não conheciam o idioma local gastavam quatro horas por dia com um instrutor qualificado, e, dando já de início testemunho ao povo local sobre o Reino de Deus, exercitavam o que aprendiam.

      Muitos grupos de missionários estudavam em conjunto para melhorar seu entendimento do idioma. Consideravam algumas ou até 20 novas palavras por dia na hora do café da manhã e daí procuravam usá-las no ministério de campo.

      Aprender a língua local tem sido um fator importante para ganharem a confiança das pessoas. Em alguns lugares, há certa desconfiança de estrangeiros. Hugh e Carol Cormican serviram primeiro quando solteiros e depois quando casados em cinco diferentes países africanos. Estão bem cientes da desconfiança que não raro existe entre os africanos e os europeus. Mas dizem: “Falar a língua local logo dissipa tal sentimento. Além disso, outros que não estão inclinados a ouvir as boas novas levadas por seus conterrâneos ouvem prontamente a nós, aceitam publicações e estudam, porque fizemos o esforço de lhes falar em sua própria língua.” Para poder fazer isso, o irmão Cormican aprendeu cinco línguas, fora o inglês, e a irmã Cormican aprendeu seis.

      Naturalmente, podem surgir problemas quando se tenta aprender uma nova língua. Em Porto Rico, um irmão que oferecia tocar uma mensagem bíblica gravada para os moradores fechava logo seu fonógrafo e ia para a próxima porta quando a pessoa respondia: “¡Como no!” Para ele, isso soava: “Não”, e levou algum tempo antes de ele perceber que essa expressão quer dizer “Pois não!”. Por outro lado, os missionários às vezes não entendiam quando o morador dizia que não estava interessado, de modo que continuavam a dar testemunho. Alguns moradores compreensivos se beneficiaram disso.

      Houve também situações engraçadas. Leslie Franks, em Cingapura, aprendeu que tinha de tomar cuidado para não dizer coco (kelapa) quando queria dizer cabeça (kepala), e não dizer grama (rumput) quando queria dizer cabelo (rambut). Uma missionária na Samoa, por causa de pronúncia errada, perguntou a um nativo (sem barba): “Como está sua barba?”, quando o que tencionava era perguntar polidamente sobre como estava a esposa dele. No Equador, quando um motorista de ônibus deu partida brusca, Zola Hoffman, que estava de pé, perdeu o equilíbrio e caiu no colo de um homem. Embaraçada, tentou desculpar-se. Mas o que saiu foi: “Con su permiso” (com licença). Quando o homem bem-humorado respondeu: “Fique à vontade, senhora”, os outros passageiros caíram na risada.

      Entretanto, houve bons resultados no ministério por causa do esforço dos missionários. Lois Dyer, que chegou ao Japão em 1950, relembra o conselho dado pelo irmão Knorr: “Faça o melhor que pode, e, mesmo que cometa enganos, faça alguma coisa!” Ela fez isso, e muitos outros também o fizeram. Nos 42 anos que se seguiram, os missionários enviados ao Japão viram o número de proclamadores do Reino ali aumentar de apenas um punhado para mais de 170.000, e os aumentos continuam. Que rica recompensa porque, depois de buscarem a orientação de Jeová, estavam dispostos a fazer uma tentativa!

      Abertura de novos campos, desenvolvimento de outros

      Em dezenas de terras e arquipélagos, foram os missionários treinados em Gileade que começaram a obra de pregação do Reino ou deram o necessário impulso depois de outros terem dado testemunho limitado. Pelo que se sabe, eles foram as primeiras Testemunhas de Jeová que pregaram as boas novas na Somália, no Sudão, em Laos e em muitos arquipélagos ao redor do globo.

      Já se fizera alguma pregação em lugares tais como a Bolívia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Etiópia, Gâmbia, Libéria, Camboja, Hong Kong, Japão e Vietnã. Mas não havia nenhuma Testemunha de Jeová relatando atividade nesses países quando os primeiros missionários da Escola de Gileade chegaram. Onde possível, os missionários fizeram uma cobertura sistemática do país, concentrando-se primeiro nas cidades maiores. Não colocavam simplesmente publicações e passavam adiante, como fizeram no passado os colportores. Visitaram pacientemente os interessados, dirigiram estudos bíblicos com eles e os treinaram no ministério de campo.

      Em outros países, havia apenas uns dez proclamadores do Reino (e, em muitos casos, menos) antes da chegada dos missionários formados na Escola de Gileade. Estavam incluídos entre esses a Colômbia, Guatemala, Haiti, Porto Rico, Venezuela, Burundi, Côte d’Ivoire (Costa do Marfim), Quênia, Maurício, Senegal, África do Sudoeste (agora Namíbia), Ceilão (agora Sri Lanka), China e Cingapura, além de muitos arquipélagos. Os missionários deram um exemplo zeloso no ministério, ajudaram as Testemunhas locais a melhorar suas habilidades, organizaram congregações e ajudaram irmãos a se qualificar para assumir a liderança. Em muitos casos, iniciaram também a obra de pregação em lugares onde nunca fora feita.

      Com esta ajuda, o número de Testemunhas começou a aumentar. Na maioria desses países, há atualmente milhares de ativas Testemunhas de Jeová. Em algumas delas, há dezenas de milhares e até mesmo mais de cem mil louvadores de Jeová.

      Alguns estavam ansiosos de ouvir

      Em certos lugares, os missionários encontraram muitas pessoas dispostas e ansiosas de aprender. Quando Ted e Doris Klein, formados da primeira turma de Gileade, chegaram às ilhas Virgens em 1947, havia tantas pessoas que queriam estudar a Bíblia que muitas vezes não terminavam seu dia de serviço senão à meia-noite. Para o primeiro discurso público que o irmão Klein proferiu na Market Square de Charlotte Amalie, havia mil na assistência.

      Joseph McGrath e Cyril Charles foram enviados ao território dos amis em Taiwan, em 1949. Passaram a morar em casas com telhado de colmo e piso de chão batido. Mas estavam ali para ajudar as pessoas. Alguns homens da tribo dos amis haviam adquirido publicações da Torre de Vigia, ficaram encantados com o que leram e falaram das boas novas a outros. Agora os missionários estavam ali para ajudá-los a crescer espiritualmente. Foi-lhes dito que havia 600 pessoas interessadas na verdade, mas 1.600 assistiam às reuniões que realizavam ao se mudarem de uma aldeia para outra. Essas pessoas humildes estavam dispostas a aprender, mas faltava-lhes conhecimento exato de muitas coisas. Pacientemente, os irmãos começaram a ensiná-las, um assunto por vez, dedicando muitas vezes oito ou mais horas a palestras com perguntas e respostas sobre dado assunto em cada aldeia. Forneceu-se também treinamento para os 140 que expressaram desejo de participar em dar testemunho de casa em casa. Que experiência alegre isso foi para os missionários! Mas precisava-se ainda fazer muito para um sólido crescimento espiritual.

      Cerca de 12 anos mais tarde, Harvey e Kathleen Logan, missionários treinados em Gileade que serviam no Japão, foram designados para dar mais ajuda aos irmãos amis. O irmão Logan passou muito tempo ajudando-os a entender as doutrinas e os princípios básicos da Bíblia, bem como assuntos organizacionais. A irmã Logan trabalhou diariamente com as irmãs amis no serviço de campo, e mais tarde esforçou-se a estudar as verdades básicas da Bíblia com elas. Depois, em 1963, a Sociedade Torre de Vigia planejou que congressistas de 28 países se reunissem com as Testemunhas locais ali na aldeia de Shou Feng, em relação com um congresso ao redor do mundo. Tudo isso começou a lançar um sólido fundamento para mais aumentos.

      Em 1948, dois missionários, Harry Arnott e Ian Fergusson, chegaram à Rodésia do Norte (agora Zâmbia). Já havia 252 congregações de Testemunhas africanas nativas naquela época, mas agora a atenção se voltava também para os europeus que se mudaram para lá com relação às operações de mineração de cobre. Foi emocionante a reação. Distribuíram-se muitas publicações; os com quem se dirigiu estudo bíblico progrediram rapidamente. Houve naquele ano um aumento de 61 por cento no número de Testemunhas ativas no ministério de campo.

      Em muitos lugares, não era incomum os missionários terem listas de espera de pessoas que queriam estudos bíblicos. Às vezes, parentes, vizinhos, e outros amigos costumavam estar presentes quando se dirigiam os estudos. Mesmo antes de poderem ter seu próprio estudo bíblico, as pessoas talvez já assistissem às reuniões regularmente no Salão do Reino.

      Mas, em outros países, não obstante os missionários fazerem muito esforço, a colheita era muito limitada. Já em 1953, missionários da Torre de Vigia foram enviados para o Paquistão Oriental (agora Bangladesh), onde a população, que passa agora de 115 milhões, é predominantemente muçulmana e hindu. Fez-se muito esforço para ajudar a população local. Contudo, até 1992, havia apenas 42 adoradores de Jeová naquele país. Entretanto, aos olhos dos missionários que servem em tais regiões, cada pessoa que aceita a adoração verdadeira é especialmente preciosa — por serem tão raras pessoas assim.

      Ajuda amorosa a co-Testemunhas

      O serviço básico dos missionários é a evangelização, a pregação das boas novas do Reino de Deus. Mas, ao participarem pessoalmente nessa atividade, puderam também prestar muita ajuda às Testemunhas locais. Os missionários as têm convidado a sair junto com eles no ministério de campo e compartilhado com elas sugestões sobre como lidar com situações difíceis. Observando os missionários, as Testemunhas locais muitas vezes aprenderam a efetuar seu ministério de modo mais organizado e a se tornar instrutores mais eficientes. Por sua vez, os missionários têm sido ajudados pelas Testemunhas locais a se ajustar aos costumes locais.

      Ao chegar a Portugal em 1948, John Cooke tomou medidas para organizar a obra de casa em casa de modo sistemático. Embora dispostas, muitas das Testemunhas locais precisavam de treinamento. Mais tarde, ele disse: “Nunca esquecerei uma das primeiras vezes que saí no ministério com as irmãs em Almada. Sim, seis delas iam juntas à mesma casa. Pode imaginar seis mulheres de pé junto a uma porta enquanto uma delas dava um sermão! Mas, aos poucos, as coisas começaram a tomar forma e a progredir.”

      O corajoso exemplo dos missionários ajudou Testemunhas nas ilhas de Sotavento a ser destemidas, não se deixando intimidar por opositores que tentavam interferir com a obra. A fé demonstrada por um missionário ajudou irmãos na Espanha a iniciar o ministério de casa em casa, apesar da ditadura católica fascista sob a qual viviam naquela época. Os missionários que serviam no Japão depois da Segunda Guerra Mundial deram um exemplo em usar tato — não repisando no fracasso da religião nacional, depois de o imperador japonês ter renunciado à sua divindade, mas, antes, apresentando evidência persuasiva para se crer no Criador.

      As Testemunhas locais observavam os missionários e ficavam muitas vezes profundamente influenciadas de certas formas que os missionários talvez não se apercebessem na época. Em Trinidad, incidentes que mostravam a humildade dos missionários, sua disposição de suportar condições difíceis e seu trabalho árduo no serviço de Jeová, apesar do clima quente, ainda são comentados muitos anos depois. Testemunhas na Coréia ficaram profundamente impressionadas com o espírito abnegado dos missionários que por dez anos não deixaram o país para visitar seus familiares porque o governo se recusava a dar vistos de retorno, exceto em poucos casos “humanitários” de emergência.

      Durante e depois de seu curso inicial em Gileade, a maioria dos missionários teve uma visão de perto da operação na sede da organização visível de Jeová. Tiveram muitas vezes boas oportunidades de se associar com membros do Corpo Governante. Mais tarde, nas suas designações missionárias, puderam transmitir às Testemunhas locais e às pessoas recém-interessadas relatos de testemunha ocular sobre o funcionamento da organização, bem como o próprio apreço que eles tinham por ela. A profundeza de apreço que transmitiam pela operação teocrática da organização era amiúde um fator importante no crescimento.

      Em muitos lugares aos quais os missionários foram enviados, não havia reuniões de congregação quando chegaram. Portanto, eles tomaram as devidas providências, dirigiram as reuniões e cuidaram de quase todas as partes das reuniões até outros se qualificarem para participar nesses privilégios. Treinavam constantemente outros irmãos para que pudessem qualificar-se para assumir a responsabilidade. (2 Tim. 2:2) O primeiro local de reunião era em geral o lar missionário. Mais tarde, providenciavam-se Salões do Reino.

      Onde já existiam congregações, os missionários contribuíam para tornar as reuniões mais interessantes e mais instrutivas. Seus comentários bem preparados eram apreciados e logo serviam de exemplo para outros tentarem imitar. Fazendo uso de seu treinamento em Gileade, os irmãos davam excelente exemplo em oratória e ensino, e gastavam de bom grado tempo com os irmãos locais para ajudá-los a aprender essa arte. Nos países em que as pessoas eram tradicionalmente acomodadas e não se preocupavam muito com horários, os missionários também as ajudaram pacientemente a reconhecer o valor de se iniciarem as reuniões pontualmente, e incentivavam todos a chegar na hora certa.

      As condições que encontraram em alguns lugares indicavam que havia necessidade de ajuda para edificar apreço pela importância da fidelidade às normas justas de Jeová. Em Botsuana, por exemplo, notaram que algumas irmãs ainda colocavam cordões ou contas em seus bebês como proteção contra o mal, não entendendo plenamente que esse costume tem raízes na superstição e na feitiçaria. Em Portugal, notaram circunstâncias que causavam desunião. Com paciência, ajuda amorosa e firmeza quando necessário, tornou-se evidente uma melhora da saúde espiritual.

      Os missionários designados para ocupar cargos de supervisão na Finlândia dedicaram muito tempo e esforço para treinar irmãos locais a refletir sobre os problemas à luz dos princípios bíblicos e, assim, a chegar a uma conclusão em harmonia com o modo de pensar do próprio Deus. Na Argentina, ajudaram também os irmãos a aprender o valor de se seguir uma programação, de manter registros, a importância de manter arquivos. Na Alemanha, ajudaram irmãos leais que em alguns sentidos eram bastante rígidos nos seus conceitos, em resultado de sua luta pela sobrevivência nos campos de concentração, a imitar mais plenamente os modos brandos de Jesus Cristo ao pastorearem o rebanho de Deus. — Mat. 11:28-30; Atos 20:28.

      O serviço de alguns missionários envolvia tratos com autoridades governamentais, responder às suas perguntas e dar entrada de requerimentos para a legalização da obra das Testemunhas de Jeová. Por exemplo, por quase quatro anos, o irmão Joly, designado junto com a esposa para Camarões, fez repetidos esforços para obter a legalização. Falou muitas vezes com autoridades francesas e africanas. Finalmente, depois de uma mudança no governo, concedeu-se a legalização. A essa altura, as Testemunhas já estavam ativas em Camarões por 27 anos e passavam de 6.000.

      Os desafios do serviço como viajantes

      Alguns dos missionários foram designados para servir como superintendentes viajantes. Havia necessidade especial na Austrália, onde alguns dos esforços dos irmãos haviam sido desviados imprudentemente dos interesses do Reino para empreendimentos seculares durante a Segunda Guerra Mundial. Com o tempo, isto foi corrigido e, durante a visita do irmão Knorr em 1947, ressaltou-se a importância de conservar sempre em primeiro plano a pregação do Reino. Depois disso, o entusiasmo, o excelente exemplo e os métodos de ensino dos formados em Gileade que serviam quais superintendentes de circuito e de distrito ajudou ainda mais a cultivar uma genuína atmosfera espiritual entre as Testemunhas locais.

      A participação em tal serviço de viajante tem muitas vezes exigido disposição de fazer grande esforço e enfrentar perigos. Wallace Liverance ficou sabendo que o único modo de chegar até à casa de uma família de publicadores isolados em Volcán, na Bolívia, era caminhar 90 quilômetros de ida e volta, por terreno rochoso e desnudo debaixo de um sol abrasador, a uma altitude de cerca de 3.400 metros, e carregando ao mesmo tempo seu saco de dormir, alimentos e água, bem como publicações. Para servir congregações nas Filipinas, Neal Callaway muitas vezes viajava em ônibus rurais superlotados, nos quais o espaço não só era ocupado por pessoas, mas também por animais e mercadorias. Richard Cotterill começou seu trabalho como superintendente viajante na Índia num tempo em que milhares de pessoas estavam sendo mortas por causa de ódio religioso. Quando estava programado para ele ir servir os irmãos numa área de tumultos, o vendedor de passagens numa ferrovia procurou dissuadi-lo de ir. Foi uma viagem cheia de pesadelos para a maioria dos passageiros, mas o irmão Cotterill tinha profundo amor a seus irmãos, onde quer que vivessem e qualquer que fosse a língua que falavam. Com confiança em Jeová, ele raciocinava: “Se Jeová quiser, tentarei chegar lá.” — Tia. 4:15.

      Encorajando outros para o serviço de tempo integral

      Em resultado do zeloso espírito demonstrado pelos missionários, muitos a quem ensinaram têm imitado seu exemplo entrando no serviço de tempo integral. No Japão, onde ao todo 168 missionários já serviram, havia 75.956 pioneiros em 1992; mais de 40 por cento dos publicadores no Japão estavam em alguma modalidade do serviço de tempo integral. Na República da Coréia a proporção era similar.

      De países em que a proporção de Testemunhas com relação à população é bastante favorável, muitos ministros de tempo integral têm sido convidados para receber treinamento na Escola de Gileade, sendo depois enviados a servir em outros lugares. Grande número de missionários era dos Estados Unidos e do Canadá; cerca de 400 da Grã-Bretanha; mais de 240 da Alemanha; mais de 150 da Austrália; mais de 100 da Suécia; além de um bom número da Dinamarca, Finlândia, Havaí, Países Baixos (Holanda), Nova Zelândia e outros países. Alguns países que foram ajudados por missionários mais tarde também forneceram prospectivos missionários para o serviço em outros países.

      Preenchidas as necessidades de uma crescente organização

      Com o crescimento da organização, os próprios missionários têm assumido mais responsabilidades. Um número considerável deles tem servido quais anciãos ou servos ministeriais nas congregações que ajudaram a desenvolver. Em muitos países, foram os primeiros superintendentes de circuito e de distrito. Ao passo que o progresso adicional tornou vantajoso a Sociedade abrir novas filiais, confiou-se a diversos missionários a responsabilidade relacionada com a operação de filiais. Em alguns casos, os que chegaram a dominar bem o idioma foram convidados a ajudar na tradução e revisão de publicações bíblicas.

      Sentiram-se especialmente felizes, porém, quando aqueles com quem estudaram a Palavra de Deus, ou irmãos para cujo crescimento espiritual eles contribuíram, se tornaram qualificados para assumir tais responsabilidades. Assim, um casal no Peru ficou muito contente de ver alguns com os quais estudara servir como pioneiros especiais, ajudando a fortalecer novas congregações e a abrir novos territórios. De uma família com a qual um missionário estudara em Sri Lanka surgiu um dos membros da Comissão de Filial daquele país. Muitos outros missionários tiveram alegrias similares.

      E os missionários enfrentaram também oposição.

      Em face de oposição

      Jesus disse a seus seguidores que seriam perseguidos, assim como ele foi. (João 15:20) Visto que os missionários geralmente vêm do estrangeiro, não raro, quando surgia intensa perseguição, eles eram expulsos do país.

      Em 1967, Sona Haidostian e seus pais foram presos em Alepo, na Síria. Ficaram na prisão por cinco meses e depois foram expulsos do país sem seus pertences. Margarita Königer, da Alemanha, foi designada para Madagascar; mas as expulsões, uma após outra, fizeram-na ir a novas designações no Quênia, Daomé (Benin) e Alto Volta (Burkina Faso). Domenick Piccone e sua esposa Elsa foram expulsos da Espanha em 1957 porque pregavam, depois, de Portugal, em 1962, daí de Marrocos, em 1969. Entretanto, em cada país, enquanto se procurava frustrar a ordem da expulsão, obtinha-se algum benefício. Dava-se testemunho às autoridades. Em Marrocos, por exemplo, tiveram oportunidade de dar testemunho a autoridades da Sécurité Nationale, a um juiz do Supremo Tribunal, a um chefe de polícia em Tânger e a cônsules dos EUA em Tânger e Rabat.

      A expulsão dos missionários não pôs fim à obra das Testemunhas de Jeová, segundo esperavam algumas autoridades. As sementes da verdade lançadas não raro continuam a crescer. Por exemplo, quatro missionários efetuaram seu ministério por apenas alguns meses em Burundi antes de o governo forçá-los a deixar o país em 1964. Mas um deles manteve correspondência com uma pessoa interessada que escreveu dizendo que estava estudando a Bíblia com 26 pessoas. Uma Testemunha, natural da Tanzânia, que fazia pouco se mudara para Burundi também se manteve ocupada pregando. Gradualmente, seu número aumentou até que centenas passaram a compartilhar a mensagem do Reino com mais outros.

      Em outras partes, antes de ordenarem a expulsão, as autoridades recorreram ao uso de violência para tentarem fazer com que todos se sujeitassem às suas exigências. Em Gbarnga, Libéria, em 1963, soldados ajuntaram 400 homens, mulheres e crianças que estavam assistindo a um congresso cristão ali. Os soldados os fizeram marchar até o quartel, onde foram ameaçados, espancados e exigiu-se que todos — qualquer que fosse a nacionalidade ou crença religiosa — saudassem a bandeira liberiana. Naquele grupo estava Milton Henschel, dos Estados Unidos. Havia também alguns missionários, inclusive John Charuk, do Canadá. Um dos formados em Gileade transigiu, como já havia feito em outra ocasião (embora não o tivesse revelado), e isso sem dúvida contribuiu para a transigência de outros que estavam naquela assembléia. Tornou-se evidente quem realmente temia a Deus e quem foi enlaçado pelo medo do homem. (Pro. 29:25) Depois disso, o governo ordenou que todos os missionários das Testemunhas de Jeová, estrangeiros, deixassem o país, ainda que mais tarde naquele mesmo ano uma ordem executiva do presidente permitisse seu retorno.

      Com freqüência, a ação tomada contra os missionários pelas autoridades governamentais tem sido em resultado da pressão clerical. Às vezes, tal pressão era exercida de modo clandestino. Noutras ocasiões, todos ficavam sabendo quem eram os instigadores da oposição. George Koivisto jamais esquecerá sua primeira manhã no serviço de campo em Medellin, na Colômbia. Subitamente, apareceu uma turba barulhenta de escolares, atirando pedras e bolotas de barro. A moradora, que nunca antes o vira, puxou-o para dentro e fechou as venezianas de madeira, desculpando-se o tempo todo pela conduta da turba lá fora. Quando a Polícia chegou, alguns acusaram o professor por ter permitido aos alunos sair. Mas outra voz gritou: “Não foi assim! Foi o padre! Ele anunciou pelos alto-falantes que deixassem os alunos sair para ‘atirarem pedras nos protestantes’.”

      Foi preciso coragem divina e amor pelas ovelhas. Elfriede Löhr e Ilse Unterdörfer foram designadas para o vale de Gastein, na Áustria. Em pouco tempo, deixaram muitas publicações bíblicas com pessoas que tinham fome de alimento espiritual. Mas, com isso, os clérigos reagiram. Instigaram os escolares a gritar contra as missionárias nas ruas e a correr na frente delas avisando os moradores para que não as escutassem. O povo ficou amedrontado. Mas, com amorosa perseverança, elas iniciaram alguns estudos bons. Quando se programou uma conferência bíblica para o público, o vigário postou-se desafiadoramente bem na frente do local da reunião. Mas, quando as missionárias saíram para a rua para acolher o povo, o vigário desapareceu. Foi chamar um policial e depois retornou, na esperança de impedir a reunião. Mas seus esforços foram em vão. Com o tempo, formou-se ali uma boa congregação.

      Em cidades perto de Ibarra, Equador, Unn Raunholm e Julia Parsons enfrentavam vez após vez turbas instigadas por sacerdotes. Visto que o sacerdote causava distúrbio toda vez que as missionárias apareciam em San Antonio, as irmãs decidiram concentrar seu serviço em outra cidade chamada Atuntaqui. Mas certo dia o delegado local instou agitadamente com a irmã Raunholm que deixasse depressa a cidade. “O sacerdote está organizando uma manifestação contra vocês, e eu não tenho suficientes homens para defendê-las”, disse ele. Ela relembra vividamente: “A multidão vinha atrás de nós! A branca e amarela bandeira do Vaticano era agitada diante do grupo, com o sacerdote gritando lemas como: ‘Viva a Igreja Católica!’ ‘Abaixo os protestantes!’ ‘Viva a Virgem Maria!’ ‘Viva a confissão!’ A multidão repetia palavra por palavra os lemas do sacerdote.” Naquele instante, dois homens convidaram as Testemunhas a entrar no prédio do Sindicato local para a sua segurança. As missionárias ativamente davam testemunho às pessoas curiosas que entravam para saber o que se passava. Distribuíram todas as publicações que tinham consigo.

      Cursos destinados a preencher necessidades especiais

      Durante os anos desde que os primeiros missionários foram enviados da Escola de Gileade, a organização das Testemunhas de Jeová aumentou com surpreendente rapidez. Em 1943, quando a escola foi fundada, havia apenas 129.070 Testemunhas em 54 países (ou em 103, segundo o modo como se dividia o mapa em princípios da década de 90). Em 1992, havia 4.472.787 Testemunhas em 229 países e arquipélagos no mundo inteiro. Com tal crescimento, mudaram as necessidades da organização. Filiais que antes cuidavam de menos de cem Testemunhas agrupadas em poucas congregações estão agora supervisionando a atividade de dezenas de milhares de Testemunhas, e muitas dessas filiais constataram que se tornou necessário imprimir localmente as publicações para abastecer os que participam na obra de evangelização.

      Para atender às mudadas necessidades, 18 anos depois da abertura da Escola de Gileade programou-se, especialmente para irmãos que cuidavam de grandes responsabilidades nas filiais da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), um curso de treinamento de dez meses na sede mundial da Sociedade. Alguns deles já haviam feito o curso missionário de cinco meses em Gileade; outros não. Todos tiraram proveito do treinamento especializado para seu serviço. As palestras sobre como cuidar de diversas situações e como preencher as necessidades organizacionais em harmonia com os princípios bíblicos tiveram efeito unificador. O curso compreendia um estudo analítico, versículo por versículo, da Bíblia inteira. Abrangia também um estudo da história da religião; treinamento em pormenores relacionados com a operação de uma filial, de um Lar de Betel e de uma gráfica; e instruções sobre supervisão do ministério de campo, organização de novas congregações e iniciar o trabalho em novos campos. Esses cursos (incluindo um curso final que foi reduzido a oito meses) foram dados na sede mundial, em Brooklyn, Nova Iorque, de 1961 a 1965. Muitos dos formados foram enviados de volta aos países onde vinham servindo; alguns foram designados a outros países onde poderiam contribuir valiosamente para a obra.

      A partir de 1.º de fevereiro de 1976, uma nova provisão foi posta em operação nas filiais da Sociedade em preparação para mais expansão prevista em harmonia com a profecia bíblica. (Isa. 60:8, 22) Em vez de haver apenas um superintendente de filial, junto com seu ajudante, para a supervisão de cada filial, o Corpo Governante nomeou três ou mais irmãos qualificados para servirem como Comissão de Filial. Filiais maiores talvez tenham sete membros nessa comissão. Para o treinamento de todos esses irmãos, programou-se um curso especial de Gileade, de cinco semanas, em Brooklyn, Nova Iorque. Quatorze turmas, compostas de membros de Comissões de Filiais de todas as partes do mundo receberam este treinamento especializado na sede mundial desde fins de 1977 até 1980. Foi uma excelente oportunidade para unificar e aprimorar as operações.

      A Escola de Gileade continuou a treinar os que tinham anos de experiência no ministério de tempo integral e estavam dispostos e habilitados a ser enviados ao exterior, porém mais pessoas poderiam ser usadas. Para acelerar o treinamento, começaram a funcionar escolas em outros países como extensão de Gileade, de modo que os estudantes não precisavam aprender inglês antes de se qualificarem para o curso. Em 1980-81, a Escola Cultural de Gileade no México treinou estudantes de língua espanhola que ajudaram a preencher a necessidade premente de trabalhadores qualificados na América Central e do Sul. Em 1981-82, 1984, e de novo em 1992, houve também turmas da Extensão da Escola de Gileade na Alemanha. De lá os formados foram enviados para a África, Europa Oriental, América do Sul e para várias nações-ilhas. Houve outras turmas na Índia em 1983.

      Ao passo que zelosas Testemunhas locais se juntaram aos missionários em ampliar o testemunho do Reino, o número de Testemunhas de Jeová aumentou rapidamente, e isto tem levado à formação de mais congregações. Entre 1980 e 1987, o número de congregações no mundo inteiro aumentou 27 por cento, para um total de 54.911. Em algumas partes, embora muitos assistissem às reuniões e participassem no ministério de campo, a maioria dos irmãos eram bastante novos. Havia necessidade urgente de varões cristãos com experiência para servirem quais pastores e instrutores espirituais, bem como para tomarem a dianteira na obra de evangelização. Para ajudar a preencher essa necessidade, o Corpo Governante pôs em funcionamento, em 1987, a Escola de Treinamento Ministerial, como segmento do programa de educação bíblica da Escola de Gileade. O curso de oito semanas inclui um intensivo estudo da Bíblia, bem como atenção pessoal ao desenvolvimento espiritual de cada estudante. Consideram-se assuntos de organização e judicativos, junto com as responsabilidades dos anciãos e dos servos ministeriais, e fornece-se treinamento especializado em oratória. Sem interferir com as turmas regulares de treinamento de missionários, esta escola tem usado outras dependências para as classes em vários países. Os formados estão preenchendo necessidades vitais em muitos países.

      De modo que o treinamento expandido fornecido pela Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia tem mantido o passo com as necessidades mudadas da organização internacional em rápida expansão.

      “Eis-me aqui! Envia-me”

      O espírito demonstrado pelos missionários é como o do profeta Isaías. Quando Jeová o alertou sobre uma oportunidade para serviço especial, ele respondeu: “Eis-me aqui! Envia-me.” (Isa. 6:8) Esta disposição de espírito tem motivado milhares de jovens a deixar o lugar e os costumes que conhecem, bem como parentes, para promover a vontade de Deus onde quer que sejam necessários.

      As circunstâncias familiares causaram mudanças na vida de muitos missionários. Diversos deles que tiveram filhos depois de se tornarem missionários puderam permanecer no país para onde foram designados, fazendo o necessário serviço secular e trabalhando com as congregações. Alguns, depois de anos de serviço, tiveram de retornar para sua terra para cuidar de pais idosos, ou por outros motivos. Mas consideraram que foi um privilégio participarem no serviço missionário por tanto tempo quanto puderam.

      Outros conseguiram fazer do serviço missionário seu serviço vitalício. Para fazer isso, todos tiveram de enfrentar circunstâncias desafiadoras. Olaf Olson, com uma longa carreira como missionário na Colômbia, admitiu: “O primeiro ano foi o mais difícil.” Isso se deu em grande parte por não poder expressar-se adequadamente no novo idioma. Ele disse mais: “Se ficasse pensando no país que deixei, não me sentiria feliz, mas eu me decidi a viver de corpo e mente na Colômbia, a fazer amigos aqui entre irmãos e irmãs na verdade e manter minha vida ocupada no ministério, de modo que em pouco tempo eu me sentia em casa na minha designação.”

      A perseverança dos missionários em sua designação não foi necessariamente por acharem ideal o ambiente físico. Norman Barber, que serviu na Birmânia (agora Mianmar) e na Índia, desde 1947 até sua morte em 1986, expressou-se da seguinte forma: “Quando a pessoa se regozija de ser usada por Jeová, então para ela um lugar é tão bom quanto outro. . . . Francamente falando, o clima tropical não é minha preferência como clima ideal para morar. Tampouco o modo de vida das pessoas nas regiões tropicais é o que eu pessoalmente escolheria. Mas há coisas mais importantes a levar em conta do que esses assuntos triviais. Poder prestar ajuda a pessoas realmente pobres em sentido espiritual é um privilégio que está além das faculdades humanas para expressar.”

      Muitos outros têm o mesmo conceito, e este espírito de abnegação tem contribuído grandemente para o cumprimento da profecia de Jesus de que estas boas novas do Reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações, antes de vir o fim. — Mat 24:14.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Watchtower (A Sentinela) de 15 de fevereiro de 1943, pp. 60-4.

      [Destaque na página 523]

      Ênfase sobre a importância de plena confiança em Jeová e lealdade a ele

      [Destaque na página 534]

      Um bom senso de humor ajudava!

      [Destaque na página 539]

      Paciência, ajuda amorosa e firmeza quando necessário.

      [Destaque na página 546]

      “Prestar ajuda a pessoas realmente pobres em sentido espiritual é um privilégio que está além das faculdades humanas para expressar.”

      [Fotos na página 522]

      Estudantes da primeira turma da Escola de Gileade

      [Foto na página 524]

      Albert Schroeder palestrando sobre aspectos do tabernáculo com estudantes de Gileade.

      [Foto na página 525]

      Maxwell Friend discursando no anfiteatro da Escola de Gileade.

      [Fotos na página 526]

      As formaturas de Gileade eram destaques espirituais,

      . . . algumas em grandes congressos (Nova Iorque, 1950),

      . . . outras no campus da escola (onde N. H. Knorr pode ser visto falando na frente da biblioteca da escola, em 1956).

      [Fotos na página 527]

      Campus da Escola de Gileade em South Lansing, Nova Iorque, como era na década de 50.

      [Foto na página 528]

      Hermon Woodard (à esquerda) e John Errichetti (à direita) servindo no Alasca.

      [Foto na página 529]

      John Cutforth usando ajudas visuais para ensinar em Papua Nova Guiné.

      [Fotos na página 530]

      Missionárias na Irlanda, com um superintendente de distrito, em 1950

      Formados a caminho de suas designações missionárias no Oriente, em 1947

      Alguns missionários e co-trabalhadores no Japão em 1969

      Missionários no Brasil em 1956

      . . . no Uruguai em 1954

      . . . na Itália em 1950

      Os quatro primeiros missionários de Gileade enviados para a Jamaica.

      Primeiro lar missionário em Salisbury (agora Harare, Zimbábue), em 1950

      Malcolm Vigo (Gileade, 1956-57) com a esposa Linda Louise; juntos serviram no Malaui, Quênia e Nigéria.

      Robert Tracy (à esquerda) e Jesse Cantwell (à direita) com as respectivas esposas — missionários no serviço de viajante na Colômbia em 1960

      [Foto na página 532]

      Aula de língua num lar missionário na Costa do Marfim

      [Foto na página 535]

      Ted e Doris Klein, que encontraram muitas pessoas ansiosas de ouvir a verdade bíblica nas ilhas Virgens dos EUA, em 1947.

      [Foto na página 536]

      Harvey Logan (no centro, fileira da frente), com Testemunhas da tribo amis na frente do Salão do Reino, na década de 60.

      [Foto na página 540]

      Victor White, superintendente de distrito treinado em Gileade, discursando nas Filipinas, em 1949.

      [Foto na página 542]

      Margarita Königer, em Burkina Faso, dirigindo estudo bíblico domiciliar.

      [Foto na página 543]

      Unn Raunholm, missionária desde 1958, teve de enfrentar turbas instigadas por sacerdotes no Equador.

      [Fotos na página 545]

      Escola de Treinamento Ministerial

      Primeira turma, Coraopolis, Pa, EUA, 1987 (em cima)

      Terceira turma, Grã-Bretanha, Manchester, 1991 (à direita)

      [Quadro na página 533]

      Turmas de Gileade

      1943-60: Escola em South Lansing, Nova Iorque. Em 35 turmas, 3.639 estudantes de 95 países se formaram, sendo a maioria designada para o serviço missionário. Superintendentes de circuito e de distrito que serviam nos Estados Unidos foram também incluídos nas turmas.

      1961-65: Escola em Brooklyn, Nova Iorque. Em 5 turmas, 514 estudantes se formaram e foram enviados a países onde a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tinha filiais; a maioria dos formados foi incumbida de designações administrativas. Quatro dessas turmas recebeu curso de 10 meses; uma recebeu curso de 8 meses.

      1965-88: Escola em Brooklyn, Nova Iorque. Em 45 turmas, cada uma com um curso de 20 semanas, mais 2.198 estudantes foram treinados, a maioria destes para o serviço missionário.

      1977-80: Escola em Brooklyn, Nova Iorque. Curso de Gileade, de cinco semanas, para membros de Comissões de Filial. Houve 14 turmas.

      1980-81: A Escola Cultural de Gileade do México; curso de 10 semanas; três turmas; 72 formados, de língua espanhola, preparados para o serviço na América Latina.

      1981-82, 1984, 1992: Extensão da Escola de Gileade na Alemanha; curso de 10 semanas; quatro turmas; 98 estudantes de língua alemã de países europeus.

      1983: Turmas na Índia; curso de 10 semanas, em inglês; 3 grupos; 70 estudantes.

      1987- : Escola de Treinamento Ministerial, com um curso de 8 semanas realizado em lugares-chaves em várias partes do mundo. Em 1992, os formados já estavam servindo em mais de 35 países fora de seu país de origem.

      1988- : Escola em Wallkill, Nova Iorque. Um curso de 20 semanas em preparação para o serviço missionário funciona ali. Planeja-se mudar essa escola para o Centro Educacional da Torre de Vigia em Patterson, Nova Iorque, quando estiver terminado.

      [Quadro na página 538]

      Corpo discente internacional

      Os estudantes que cursaram a Escola de Gileade representaram dezenas de nacionalidades e vieram à escola de mais de 110 países.

      O primeiro grupo internacional foi a sexta turma, em 1945-46.

      Fez-se requerimento ao governo dos EUA para estudantes estrangeiros serem admitidos no país com vistos de estudantes não-imigrantes. Em resposta, a Secretaria de Educação dos EUA registrou a Escola de Gileade como escola com ensino equivalente ao de colégios profissionalizantes e instituições de ensino. Assim, desde 1953, a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia consta na lista dos cônsules dos EUA em todo o mundo como instituição de ensino aprovada. Em 30 de abril de 1954, esta escola apareceu na publicação intitulada “Instituições de Ensino Aprovadas Pelo Procurador-Geral” (em inglês).

  • Por poder humano? ou pelo espírito de Deus?
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 24

      Por poder humano? ou pelo espírito de Deus?

      A INCUMBÊNCIA que Jesus Cristo deu aos seus seguidores tinha proporções aparentemente impossíveis. Embora fossem poucos, deviam proclamar as boas novas do Reino de Deus em toda a Terra habitada. (Mat. 24:14; Atos 1:8) Além de a tarefa ser gigantesca, seria realizada em face de desvantagens aparentemente esmagadoras, porque, como Jesus disse com franqueza aos seus discípulos, eles seriam odiados e perseguidos em todas as nações. — Mat. 24:9; João 15:19, 20.

      Apesar da oposição global, as Testemunhas de Jeová têm-se aplicado vigorosamente na realização da obra que Jesus predisse. A extensão em que já se deu o testemunho é um fato estabelecido, e deveras espetacular. Mas o que tem tornado isso possível? Tem sido poder ou engenhosidade humanos? Ou tem sido a operação do espírito de Deus?

      O registro bíblico sobre a restauração da adoração verdadeira em Jerusalém no sexto século AEC faz-nos lembrar que nunca se deve desconsiderar o papel do próprio Deus na realização de sua vontade. Comentaristas seculares talvez procurem outras explicações para o que acontece. No entanto, ao explicar como se realizaria o seu propósito, Deus fez com que seu profeta Zacarias declarasse: “‘Não por força militar, nem por poder, mas por meu espírito’, disse Jeová dos exércitos.” (Zac. 4:6) As Testemunhas de Jeová não hesitam em dizer que é assim que se realiza hoje a pregação da mensagem do Reino — não por se recorrer a força militar, nem devido ao poder ou influência pessoal de algum destacado grupo de homens, mas em resultado da operação do espírito de Jeová. Será que as evidências apóiam sua convicção?

      ‘Não muitos sábios em sentido carnal’

      Ao escrever aos primitivos cristãos na Grécia, o apóstolo Paulo reconheceu: “Observais a vossa chamada da parte dele, irmãos, que não foram chamados muitos sábios em sentido carnal, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre estirpe; mas Deus escolheu as coisas tolas do mundo, para envergonhar os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo, para envergonhar as coisas fortes; e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo e as coisas menosprezadas, as coisas que não são, para reduzir a nada as coisas que são, a fim de que nenhuma carne se jacte à vista de Deus.” — 1 Cor. 1:26-29.

      Os próprios apóstolos de Jesus eram da classe operária. Quatro eram pescadores profissionais. Um fora coletor de impostos, profissão desprezada pelos judeus. Esses apóstolos eram considerados pelo clero judaico como “indoutos e comuns”, o que indica que sua instrução não era de escolas de ensino superior. (Atos 4:13) Isso não significa que ninguém que tivesse mais instrução secular ou religiosa se tornava cristão. O apóstolo Paulo estudara aos pés do erudito Gamaliel, membro do Sinédrio judaico. (Atos 22:3) Mas, como diz o texto, ‘não havia muitos’ assim.

      A História atesta que Celso, filósofo romano do segundo século EC, zomba de que “trabalhadores braçais, sapateiros, lavradores, os mais desinformados e cômicos dos homens sejam zelosos pregadores do Evangelho”. (História da Religião e da Igreja Cristãs, nos Três Primeiros Séculos, de Augustus Neander, em inglês) Apesar do desprezo e da violenta perseguição lançados contra os genuínos cristãos no Império Romano, o que os fortaleceu para continuarem a ser proclamadores das boas novas? Jesus dissera que seria pelo espírito santo de Deus. — Atos 1:8.

      De modo similar, em tempos mais recentes, as Testemunhas de Jeová têm sido desacreditadas por serem, em geral, pessoas comuns, sem posição social que faça com que o mundo as respeite. Entre os primeiros servos de Jeová dos tempos modernos que levaram a mensagem do Reino ao povo da Dinamarca, havia um sapateiro. Na Suíça e na França, foi um jardineiro. Em muitas partes da África, a mensagem foi levada por trabalhadores itinerantes. No Brasil, marinheiros participaram nisso. Muitas Testemunhas polonesas no norte da França eram mineradores.

      Profundamente comovidos com o que haviam aprendido da Palavra de Deus com a ajuda das publicações da Torre de Vigia, quiseram demonstrar seu amor a Jeová obedecendo-o, de modo que empreenderam a obra que a Palavra de Deus diz que os genuínos cristãos fariam. Desde então, milhões de pessoas de todas as rodas da vida têm participado nessa obra. Todos são evangelizadores.

      As Testemunhas de Jeová formam a única organização religiosa no mundo em que todos os membros pessoalmente dão testemunho a descrentes, procuram responder a suas perguntas à base da Bíblia e os incentivam a depositar fé na Palavra de Deus. Outras organizações religiosas reconhecem que todos os cristãos devem fazer isso. Alguns tentaram incentivar seus membros a fazer o mesmo. Mas apenas as Testemunhas de Jeová fazem isso sistematicamente. A orientação de quem, os conselhos de quem, a garantia de apoio amoroso da parte de quem e as promessas de quem as motivam a fazer essa obra de que outros se esquivam? Pergunte a elas. Não importa em que nação vivam, sua resposta será: “De Jeová.” Portanto, a quem cabe o mérito?

      Um papel previsto para os anjos de Deus

      Ao descrever os eventos que ocorreriam na conclusão deste sistema de coisas, Jesus mostrou que seus seguidores na Terra não seriam os únicos que participariam no ajuntamento dos amantes da justiça. Em Mateus 24:31, ele disse que ‘enviaria os seus anjos com grande som de trombeta’ para ajuntar ‘os escolhidos’, os últimos membros dos 144.000, que participariam com Cristo no Reino celestial. Estes seriam ajuntados “desde os quatro ventos”, de todas as partes do globo. (Compare com Lucas 12:32; 2 Timóteo 2:10; Revelação [Apocalipse] 14:1-4.) Será que isso tem realmente acontecido?

      Sim! Embora os Estudantes da Bíblia fossem apenas uns milhares quando o mundo entrou nos últimos dias em 1914, a mensagem do Reino que pregavam logo envolveu o globo. No Oriente, em países da Europa, da África e das Américas, e nas ilhas, pessoas aceitaram a oportunidade de servir aos interesses do Reino de Deus e foram ajuntadas numa única organização unida.

      Na Austrália Ocidental, por exemplo, a mensagem do Reino alcançou Bert Horton. A religião, como ele conhecia, não lhe interessava; estivera envolvido na política e em atividades sindicalistas. Mas, quando sua mãe lhe deu a publicação da Torre de Vigia intitulada The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras) e ele passou a lê-la junto com a Bíblia, percebeu que encontrara a verdade. Partilhou-a espontaneamente com seus colegas de trabalho. Quando conseguiu localizar os Estudantes da Bíblia, associou-se de bom grado com eles, foi batizado em 1922, ingressou no ministério de tempo integral e ofereceu-se para servir em qualquer região que a organização de Jeová orientasse.

      No outro lado da Terra, W. R. Brown, que já havia pregado nas ilhas do Caribe, partiu para a África em 1923 a fim de divulgar a mensagem do Reino ali. Ele não era um pregador independente com uma missão pessoal. Ele também trabalhava com o povo organizado de Jeová. Oferecera-se para servir onde fosse preciso, e aceitou uma designação na África Ocidental em atenção à orientação da sede. Aqueles que tiraram proveito pessoal de seu ministério também foram ajudados a reconhecer a importância de trabalhar de perto com a organização de Jeová.

      A proclamação do Reino também alcançou a América do Sul. Hermán Seegelken, em Mendoza, na Argentina, havia muito estava cônscio da hipocrisia nas igrejas católica e protestantes. Mas em 1929 ele também ouviu a mensagem do Reino, aceitou-a avidamente e passou a partilhá-la com outros, em união com os servos de Jeová em todo o mundo. Houve experiências similares ao redor do globo. Pessoas “dentre toda tribo, e língua, e povo, e nação”, embora espalhadas geograficamente e levando diferentes modos de vida, não apenas escutaram, mas se ofereceram para o serviço de Deus. Foram ajuntadas numa organização unificada para fazer a obra que Jesus havia predito para este tempo. (Rev. 5:9, 10) O que é responsável por isso?

      A Bíblia diz que os anjos de Deus desempenhariam um papel vital nisso. Devido a isso, a proclamação do Reino reverberaria ao redor do globo como o som duma trombeta duma fonte sobre-humana. De fato, em 1935 ela já havia penetrado em 149 terras — no norte, no sul, no leste e no oeste, de uma extremidade da Terra à outra.

      A princípio, apenas um “pequeno rebanho” mostrou genuíno apreço pelo Reino de Deus e estava disposto a servir aos seus interesses. Foi o que a Bíblia havia predito. Agora uma rapidamente crescente “grande multidão”, chegando a milhões de pessoas de todas as nações, veio a associar-se com aquele “pequeno rebanho”. Isso também foi predito na Palavra de Deus. (Luc. 12:32; João 10:16; Rev. 7:9, 10) Não são pessoas que apenas professam ter a mesma religião, mas que, na verdade, estão divididas entre si por todas as atitudes e filosofias que fragmentam o mundo ao seu redor. As Testemunhas de Jeová não se limitam a falar sobre o Reino de Deus, ao passo que na verdade confiam no governo de homens. Mesmo arriscando a vida, obedecem a Deus como governante. A Bíblia diz claramente que o ajuntamento dessas pessoas que ‘temem a Deus e lhe dão glória’ seria feito sob a direção dos anjos. (Rev. 14:6, 7; Mat. 25:31-46) As Testemunhas estão firmemente convencidas de que isso é o que realmente tem acontecido.

      Em incontáveis ocasiões, ao participarem no seu ministério, têm visto evidências convincentes de orientação celestial. Por exemplo, no Rio de Janeiro, Brasil, um grupo de Testemunhas terminava o serviço de casa em casa certo domingo, quando uma componente do grupo disse: “Quero continuar trabalhando mais um pouco. Por algum motivo quero ir àquela casa.” O responsável pelo grupo sugeriu que a deixassem para outro dia, mas a publicadora insistiu. Naquela porta, a Testemunha encontrou uma senhora que, em pranto, disse que estivera orando por ajuda. Ela já havia sido contatada antes pelas Testemunhas, mas não mostrara interesse na mensagem da Bíblia. No entanto, a morte súbita do marido fez com que ela se desse conta de sua necessidade de ajuda espiritual. Ela procurara o Salão do Reino, mas em vão. Estivera orando fervorosamente a Deus pedindo ajuda, e agora a ajuda estava em sua porta. Ela foi batizada não muito tempo depois. Estava convencida de que Deus ouvira sua oração e tomara a ação necessária para responder. — Sal. 65:2.

      Uma Testemunha de Jeová alemã que morava em Nova Iorque criou o hábito de orar a Deus pedindo orientação ao empenhar-se no ministério. Já por semanas ela tentava encontrar na rua uma senhora interessada, visto que não sabia seu endereço. Então, certo dia em 1987, ao iniciar o ministério, a Testemunha orou: “Jeová, tu sabes onde ela está. Por favor, ajuda-me a encontrá-la.” Poucos minutos depois, ela viu essa senhora num restaurante.

      Mera coincidência? A Bíblia diz que os genuínos cristãos são “colaboradores de Deus” e que os anjos são enviados “para ministrar aos que hão de herdar a salvação”. (1 Cor. 3:9; Heb. 1:14) Depois que a Testemunha contou a essa senhora como a havia encontrado, ela aceitou o convite de examinar mais a Bíblia naquele mesmo dia.

      Levando as boas novas a ‘territórios inacessíveis’

      As Testemunhas de Jeová têm sido persistentes em seus esforços de alcançar todas as terras com a mensagem do Reino. Mas isso não elucida de modo pleno o que se tem realizado. Elas têm visto a mensagem do Reino disseminar-se em lugares em que todos os seus esforços cuidadosamente planejados haviam sido frustrados.

      Por exemplo, em mais de uma ocasião nas décadas de 20 e de 30, fizeram-se pedidos formais às autoridades na antiga União Soviética para se obter permissão para o envio de publicações bíblicas àquele país ou para imprimi-las lá. Os pedidos na época foram indeferidos. Havia algumas Testemunhas de Jeová na União Soviética, mas se precisava de muito mais ajuda para se realizar a obra de pregação que a Palavra de Deus disse que tem de ser feita. Poder-se-ia fazer alguma coisa para fornecer essa ajuda?

      Curiosamente, no fim da Segunda Guerra Mundial, mais de mil Testemunhas de Jeová do que fora o leste da Polônia, junto com muitas outras pessoas, vieram a ficar dentro da União Soviética. No campo de concentração de Ravensbrück, centenas de jovens mulheres russas conheceram outras prisioneiras que eram Testemunhas de Jeová. Algumas dessas mulheres dedicaram-se a Jeová durante aquela época e mais tarde retornaram a várias partes da União Soviética. Centenas de outras também se tornaram habitantes da União Soviética com a mudança das fronteiras nacionais durante a guerra. O resultado não foi o tencionado pelo governo soviético. Não foi por providência do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Mas deveras serviu para a realização do que a inspirada Palavra de Deus havia predito. Comentando esses acontecimentos, The Watchtower (A Sentinela) disse: “Assim, pode-se ver de que maneira, pela providência do Senhor, ele pode suscitar testemunhas em qualquer terra, para ali defender a causa da verdade e divulgar o nome de Jeová.” — Edição de 1.º de fevereiro de 1946.

      Não foi só um país que disse às Testemunhas de Jeová: ‘Não podeis entrar aqui!, ou: ‘Não podeis pregar aqui.’ Isso tem acontecido vez após vez ao redor da Terra, em literalmente dezenas de países, muitas vezes devido à pressão do clero sobre as autoridades. Alguns desses países mais tarde concederam legalidade às Testemunhas de Jeová. Mas, mesmo antes de isso acontecer, a adoração de Jeová, o Criador do céu e da Terra, havia sido abraçada por milhares de pessoas dentro dessas fronteiras. Como se realizou isso?

      A explicação simples está na Bíblia, isto é, que os anjos de Deus têm um papel de destaque em levar às pessoas de todas as nações o apelo urgente: “Temei a Deus e dai-lhe glória, porque já chegou a hora do julgamento por ele, e assim, adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” — Rev. 14:6, 7.

      Êxito apesar de esmagadoras desvantagens

      O que as Testemunhas de Jeová têm enfrentado em muitas terras não são apenas proibições impostas a seu ministério público, mas esforços para destruí-las por completo.

      Durante a Primeira Guerra Mundial, houve um esforço conjugado da parte do clero nos Estados Unidos e no Canadá para pôr fim à obra dos Estudantes da Bíblia, como então se chamavam as Testemunhas de Jeová. Esse é um fato de conhecimento público. Apesar das garantias legais de liberdade de expressão e de religião, o clero pressionou as autoridades para proscrever publicações dos Estudantes da Bíblia. Muitos foram presos e detidos sem fiança; outros foram brutalmente espancados. Os diretores da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) e seus associados íntimos receberam longas sentenças de prisão em processos que mais tarde se mostraram inválidos. Ray Abrams disse em seu livro Preachers Present Arms (Pregadores Apresentam Armas): “Uma análise de todo o caso leva à conclusão de que as igrejas e o clero estavam originalmente por trás do movimento para eliminar os russelitas”, termo com o qual o clero depreciativamente se referia aos Estudantes da Bíblia. Mas, depois da guerra, os Estudantes da Bíblia emergiram com mais vigor do que nunca para anunciar o Rei designado por Jeová, Jesus Cristo, e seu Reino. De onde procedia esse renovado vigor? A Bíblia predissera tal fato e dissera que isso seria devido ao “espírito de vida da parte de Deus”. — Rev. 11:7-11.

      Depois da ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha, a perseguição às Testemunhas de Jeová intensificou-se em países que vieram a estar sob controle nazista. Houve prisões e tratamento brutal. Impuseram-se proscrições. Por fim, em outubro de 1934, as congregações das Testemunhas de Jeová na Alemanha enviaram cartas registradas ao governo informando claramente que não tinham objetivos políticos, mas que estavam decididas a obedecer a Deus como governante. Ao mesmo tempo, congregações das Testemunhas em todo o mundo enviaram cabogramas em apoio aos seus irmãos cristãos na Alemanha.

      Naquele mesmo dia, 7 de outubro de 1934, no escritório do Dr. Wilhelm Frick, em Berlim, Adolf Hitler, com punhos cerrados, disse sobre as Testemunhas de Jeová: “Essa raça será exterminada da Alemanha!” Não era uma ameaça vã. Houve muitas prisões. Segundo uma nota confidencial da Polícia Secreta do Estado, da Prússia, de 24 de junho de 1936, “um Comando especial da Gestapo” foi formado para combater as Testemunhas. Depois de ampla preparação, a Gestapo lançou sua campanha para capturar todas as Testemunhas de Jeová e todos os suspeitos de ser Testemunhas. Durante esse ataque, toda a rede de Polícia ficou envolvida, deixando os elementos criminosos à vontade.

      Há relatórios que indicam que, com o tempo, 6.262 Testemunhas alemãs foram presas. Karl Wittig, ex-autoridade do governo alemão, que ficou preso em vários campos de concentração, escreveu mais tarde: “Nenhum outro grupo de prisioneiros . . . ficou exposto ao sadismo dos soldados das SS como ficaram os Estudantes da Bíblia. Era um sadismo caracterizado por uma infindável cadeia de torturas físicas e mentais, cuja intensidade não há palavras que expressem.”

      Qual foi o resultado? Num livro publicado em 1982, Christine King conclui: “O governo foi malsucedido apenas com as Testemunhas [em contraste com outros grupos religiosos].” Hitler jurara exterminá-las, e centenas foram mortas. No entanto, a Dra. King comenta: “A obra [de pregação sobre o Reino de Deus] prosseguiu e, em maio de 1945, o movimento das Testemunhas de Jeová ainda estava vivo, ao passo que o nacional-socialismo não.” Ela também salienta: “Não houve transigência.” (O Estado Nazista e as Novas Religiões: Cinco Estudos Sobre Não-Conformismo, em inglês) Por que Hitler, com seu exército bem equipado, sua Polícia altamente treinada e muitos campos de extermínio, não conseguiu cumprir sua ameaça de destruir esse grupo relativamente pequeno e desarmado de pessoas que o mundo considera comuns? Por que outras nações têm sido incapazes de sustar sua atividade? Por que é que, não apenas alguns indivíduos isolados, mas as Testemunhas de Jeová como um todo têm permanecido firmes apesar de perseguição brutal?

      A resposta está em alguns conselhos sábios de Gamaliel, um instrutor da Lei, a outros membros do Sinédrio judaico ao tratarem dum caso similar a respeito dos apóstolos de Jesus Cristo. Ele disse: “Não vos metais com estes homens, mas deixai-os em paz; (porque, se este desígnio ou esta obra for de homens, será derrubada; mas, se for de Deus, não podereis derrubá-los;) senão podereis talvez ser realmente achados como lutadores contra Deus.” — Atos 5:38, 39.

      Assim, os fatos históricos mostram que a tarefa aparentemente impossível que Jesus incumbiu seus seguidores de realizar apesar de desvantagens aparentemente esmagadoras está sendo realizada não por poder humano, mas pelo espírito de Deus. Como o próprio Jesus disse em oração a Deus: “Pai, todas as coisas te são possíveis.” — Mar. 14:36.

  • Pregação pública e de casa em casa
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 25

      Pregação pública e de casa em casa

      AO ENVIAR seus discípulos, Jesus Cristo instruiu-os: “Ao irdes, pregai, dizendo: ‘O reino dos céus se tem aproximado.’” (Mat. 10:7) E, em sua ordem profética a cristãos genuínos que estivessem vivos na terminação do sistema de coisas, ele disse: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho.” (Mat. 24:14) O que significava isso?

      Não significava que tinham de construir igrejas, tocar um sino e esperar que uma congregação se reunisse para ouvi-los proferir um sermão semanal. O verbo grego aqui traduzido por “pregar” (ke·rýs·so) significa, basicamente, “fazer proclamação como arauto”. A idéia não é proferir sermões para um grupo restrito de discípulos, mas fazer declaração franca e pública.

      O próprio Jesus deu o exemplo de como se devia fazer isso. Ele ia a lugares em que podia encontrar pessoas. No primeiro século, as pessoas reuniam-se regularmente nas sinagogas para ouvir a leitura das Escrituras. Jesus aproveitava oportunidades para pregar a elas ali, não apenas numa única cidade, mas em cidades e aldeias em toda a Galiléia e a Judéia. (Mat. 4:23; Luc. 4:43, 44; João 18:20) Os relatos evangélicos revelam que ele pregava, com ainda mais freqüência, à beira do mar, nas encostas dos montes, nas estradas, em aldeias e na casa de quem o recebesse bem. Onde quer que encontrasse pessoas, ele falava sobre o propósito de Deus para a humanidade. (Luc. 5:3; 6:17-49; 7:36-50; 9:11, 57-62; 10:38-42; João 4:4-26, 39-42) E, ao enviar seus discípulos, instruiu-os a ir às casas das pessoas para procurar os merecedores e dar-lhes testemunho sobre o Reino de Deus. — Mat. 10:7, 11-13.

      As Testemunhas de Jeová nos tempos modernos têm-se esforçado a seguir o padrão estabelecido por Jesus e seus discípulos do primeiro século.

      Proclamação das novas sobre a presença de Cristo

      Ao compreenderem o padrão harmonioso da verdade apresentado na Palavra de Deus, Charles Taze Russell e seus associados ficaram profundamente comovidos com o que aprenderam sobre o objetivo e a maneira da volta de Cristo. O irmão Russell sentiu tanto a necessidade de divulgar isso como a grande urgência de fazer essa divulgação. Organizou seus assuntos para viajar a lugares onde houvesse pessoas a quem pudesse falar sobre essas verdades da Bíblia. Assistia a ofícios religiosos ao ar livre e aproveitava as oportunidades para falar aos presentes, assim como Jesus pregava nas sinagogas. Mas logo percebeu que se poderia conseguir mais de outras maneiras. Seu estudo das Escrituras mostrou que Jesus e os apóstolos fizeram a maior parte da pregação falando em particular com as pessoas e fazendo visitas de casa em casa. Ele reconheceu também o valor de dar prosseguimento às palestras particulares deixando publicações com as pessoas.

      Já em 1877, ele publicou o folheto The Object and Manner of Our Lord’s Return (O Objetivo e a Maneira da Volta de Nosso Senhor). Dois anos depois, iniciou a publicação regular da revista Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo), hoje A Sentinela. Sim, o objetivo era pregar, ou proclamar, novas vitais sobre a presença de Cristo.

      Em 1881, as publicações dos Estudantes da Bíblia já eram distribuídas gratuitamente perto das igrejas — não na porta das igrejas, mas nas proximidades, para que as pessoas de inclinação religiosa as recebessem. Muitos Estudantes da Bíblia davam essas publicações a conhecidos ou as enviavam pelo correio. Em 1903, a Watch Tower recomendou que se esforçassem a alcançar a todos com a distribuição dos tratados de casa em casa, em vez de se concentrarem nos que freqüentavam as igrejas. Nem todos os Estudantes da Bíblia fizeram isso, mas muitos corresponderam com verdadeiro zelo. Relatou-se, por exemplo, que em várias cidades grandes dos Estados Unidos, bem como em seus subúrbios num raio de 16 quilômetros ou mais, praticamente toda casa foi visitada. Milhões e milhões de tratados, ou de folhetos, foram distribuídos. Naquela época, a maioria dos Estudantes da Bíblia que participava na divulgação das boas novas fazia-o por meio de algum tipo de distribuição gratuita de tratados e de outras publicações.

      Outros Estudantes da Bíblia — em menor quantidade — serviram como evangelistas colportores, usando boa parte de seu tempo exclusivamente nessa obra.

      Colportores zelosos tomam a dianteira

      A primeira convocação de homens e mulheres dedicados que pudessem usar uma quantidade substancial de seu tempo nesse serviço foi feita em abril de 1881. Eles ofereciam aos moradores e aos homens de negócios um pequeno livro que explicava verdades da Bíblia e uma assinatura da revista Watch Tower. O objetivo era procurar os famintos da verdade e partilhar o esclarecimento com eles. Durante algum tempo, procuravam dizer apenas o suficiente para estimular o interesse, deixando em cada casa um pacote de publicações para o morador examinar, e retornavam alguns dias depois. Alguns moradores devolviam as publicações; outros talvez desejassem adquiri-las; muitas vezes surgiam oportunidades para uma palestra. Sobre seu objetivo, a Watch Tower disse: “Não é vender pacotes, nem angariar assinaturas, mas divulgar a verdade, fazendo com que as pessoas leiam.”

      O número dos que participavam no evangelismo como colportores era relativamente pequeno. Nos primeiros 30 anos, variou de uns poucos a mais ou menos 600. Esses colportores eram pioneiros no verdadeiro sentido da palavra, abrindo novos territórios. Anna Andersen perseverou nesse serviço por décadas, em geral viajando de bicicleta, e pessoalmente alcançou quase todas as cidades da Noruega com as boas novas. Outros colportores viajaram para o exterior e foram os primeiros a levar a mensagem a países como Finlândia, Barbados, El Salvador, Guatemala, Honduras e Birmânia (agora Mianmar). Havia também alguns que não tinham condições de mudar-se para outros lugares, mas que serviam como evangelistas colportores em seu próprio território.

      A obra dos colportores era notável. Um que servia na costa oeste dos Estados Unidos escreveu em 1898 que, nos dois anos e nove meses anteriores, viajara 12.800 quilômetros em sua charrete, dera testemunho em 72 cidades, fizera 18.000 visitas, distribuíra 4.500 livros, angariara 125 assinaturas, dera 40.000 tratados e vira 40 pessoas, não só aceitar a mensagem, mas também passar a partilhá-la com outros. Um casal que servia na Austrália conseguiu distribuir 20.000 livros a interessados em apenas dois anos e meio.

      Era a distribuição abundante de publicações a exceção em vez de a regra? Bem, o relatório de 1909 mostra que uns 625 colportores (o total da lista na época) receberam da Sociedade 626.981 livros para distribuir (mais de mil para cada colportor, em média), além de grande quantidade de publicações gratuitas. Muitas vezes eles não conseguiam levar suficientes livros de casa em casa, de modo que anotavam os pedidos e retornavam depois para fazer as entregas.

      No entanto, alguns objetavam: “Isso não é pregação!” Mas, de fato, como o irmão Russell explicou, era uma pregação muito eficaz. Em vez de ouvirem apenas um único sermão, as pessoas recebiam muitos sermões impressos, de modo que podiam apreciá-los vez após vez e examinar o conteúdo em sua própria Bíblia. Esse evangelismo levava em conta que a instrução geral habilitara as pessoas a ler. O livro The New Creation (A Nova Criação) salientou: “Trabalharem esses evangelistas segundo métodos adaptados aos nossos dias, em vez de segundo os do passado, não é argumento contra essa obra, como tampouco é viajarem de transporte a vapor e a eletricidade, em vez de a pé ou de camelo. A evangelização é pela apresentação da Verdade . . ., a Palavra de Deus.”

      O genuíno interesse dos Estudantes da Bíblia em ajudar as pessoas ficou manifesto na meticulosidade que, com o tempo, se tornou característica de sua obra de pregação. The Watch Tower de 1.º de março de 1917 esboçou assim o programa: Primeiro, os colportores visitavam as casas numa região, oferecendo volumes de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras). Daí, trabalhadores pastoraisa revisitavam aqueles cujos nomes foram anotados pelos colportores ou entregues em reuniões públicas. Procuravam estimular o desejo de ler as publicações, incentivavam os interessados a assistir a discursos especialmente programados e faziam esforços para providenciar turmas de estudo da Bíblia Bereana. Quando possível, os colportores cobriam a mesma região novamente, e então os trabalhadores pastorais faziam as revisitas para manter-se em contato com os interessados. Depois, outra turma de trabalhadores visitava as mesmas casas com matéria voluntária, como chamavam os tratados e outras publicações gratuitas que ofereciam. Isso possibilitava que todos recebessem pelo menos alguma coisa que estimulasse o desejo de aprender mais sobre o propósito de Deus.

      Quando apenas um ou dois colportores serviam numa região, e não havia congregação, os próprios colportores faziam as revisitas. Assim, em 1908, quando Hermann Herkendell e seu colega foram para Bielefeld, na Alemanha, como colportores, eles foram instruídos especificamente a familiarizar os interessados na região uns com os outros e a formar uma congregação. Alguns anos depois, The Watch Tower mencionou outros colportores que davam atenção especial aos interessados a ponto de estabelecer uma classe de Estudantes da Bíblia em todos os povoados e cidades em que serviam.

      Em 1921, forneceu-se uma valiosa ajuda para esse trabalho na forma do livro A Harpa de Deus. Especialmente elaborado para beneficiar os iniciantes, o livro chegou a ter a circulação de 5.819.037 exemplares em 22 línguas, inclusive em português. Para ajudar os que adquiriram o livro, a Sociedade providenciou um curso bíblico por correspondência, organizado segundo tópicos. Consistia de 12 questionários, enviados num período de 12 semanas. Usando-se esse livro, tomaram-se também providências para palestras bíblicas em grupo na casa dos interessados. Vários Estudantes da Bíblia geralmente assistiam a esses estudos.

      No entanto, as Testemunhas estavam bem apercebidas de que o campo era enorme e elas eram poucas. — Luc. 10:2.

      Alcançando a muitos com poucos

      A Watch Tower salientou que aqueles que realmente eram cristãos ungidos pelo espírito tinham a responsabilidade conferida por Deus de localizar e ajudar a todos os que fossem cristãos fervorosos, quer fossem freqüentadores de igreja, quer não. (Isa. 61:1, 2) Como se faria isso?

      Os dois Estudantes da Bíblia (J. C. Sunderlin e J. J. Bender) que foram enviados para a Inglaterra em 1881 poderiam realizar relativamente pouco sozinhos; mas, com a ajuda de centenas de rapazes cujo serviço foi remunerado, eles conseguiram distribuir em pouco tempo 300.000 exemplares de Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos). Adolf Weber, que retornou à Suíça com as boas novas em meados da década de 1890, tinha um vasto território em que pregar, que se estendia a vários países. Como poderia cobrir tudo? Ele pessoalmente viajou longas distâncias como colportor, mas também pôs anúncios em jornais e providenciou que livreiros incluíssem publicações da Torre de Vigia em seus estoques. Em 1907, o pequeno grupo de Estudantes da Bíblia na Alemanha providenciou que 4.850.000 tratados de quatro páginas fossem enviados pelo correio com jornais. Pouco depois da Primeira Guerra Mundial, um irmão da Letônia, que era membro da equipe da sede da Sociedade em Nova Iorque, pagou a publicação de anúncios em jornais de seu país natal. Um homem que respondeu a um desses anúncios tornou-se o primeiro Estudante da Bíblia na Letônia. O uso desses meios de publicidade, porém, não tomou o lugar do testemunho pessoal e da procura de casa em casa dos merecedores. Antes, ocorreu para ampliar a proclamação.

      No entanto, publicavam-se mais do que anúncios nos jornais. Nos anos antes da Primeira Guerra Mundial, sob a supervisão do irmão Russell, seus sermões eram publicados regularmente. Num curto período, isso tomou um ímpeto surpreendente. Mais de 2.000 jornais, com 15.000.000 de leitores ao todo, publicavam esses sermões simultaneamente nos Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, Austrália e África do Sul. Poder-se-ia fazer mais? O irmão Russell achava que sim.

      Depois de dois anos de preparação, a primeira exibição do “Photo-Drama of Creation” (Fotodrama da Criação) foi realizada em janeiro de 1914. O “Photo-Drama” era apresentado em quatro etapas. O programa de oito horas incluía filmes e slides, sincronizados com a gravação das vozes. Foi uma produção realmente extraordinária, elaborada para edificar apreço pela Bíblia e pelo propósito de Deus apresentado nela. As exibições eram organizadas de modo que 80 cidades fossem servidas todo dia. Fazia-se publicidade antecipada por meio de jornais, cartazes em vitrines e janelas e distribuição de grandes quantidades de impressos gratuitos, preparados para estimular o interesse no “Photo-Drama”. Onde quer que fosse exibido, multidões iam vê-lo. Em um ano, o “Photo-Drama” atingiu audiências que totalizavam mais de 8.000.000 de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá, e a Grã-Bretanha, o continente Europeu, a Austrália e a Nova Zelândia também relatavam casa lotada. Apresentava-se uma versão do “Photo-Drama” um tanto abreviada (sem os filmes) em cidadezinhas e zonas rurais. Em várias línguas, o Drama continuou em uso por pelo menos duas décadas. Suscitou-se muito interesse, os interessados deram o nome e fizeram-se revisitas.

      Daí, na década de 20, tornou-se disponível outro instrumento para dar ampla publicidade à mensagem do Reino. O irmão Rutherford tinha forte convicção de que a mão do Senhor era evidente nesse assunto. O que era? O rádio. Menos de dois anos depois de a primeira rádio comercial do mundo começar as transmissões regulares (em 1920), J. F. Rutherford, presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), foi ao ar para divulgar a verdade da Bíblia. Estava aí um instrumento capaz de alcançar milhões de pessoas simultaneamente. Dentro de mais dois anos, em 1924, a Sociedade já operava a sua própria emissora, a WBBR, em Nova Iorque. Em 1933, o ano do apogeu, usavam-se 408 emissoras para levar a mensagem a seis continentes. Além de transmissões ao vivo, gravavam-se previamente programas sobre inúmeros assuntos. Fazia-se intensa publicidade pela distribuição de anúncios impressos para que as pessoas ficassem a par das transmissões e tirassem proveito. As transmissões eliminaram muito preconceito e abriram os olhos de pessoas sinceras. Muitos, por medo dos vizinhos e do clero, refreavam-se de assistir às reuniões dos Estudantes da Bíblia, mas isso não os impedia de ouvir o rádio na privacidade de sua casa. As transmissões não substituíram a necessidade de dar testemunho de casa em casa, mas levaram a verdade da Bíblia a lugares de difícil acesso, e davam ótima base para iniciar palestras quando as Testemunhas visitavam pessoalmente as casas.

      Responsabilidade individual de dar testemunho

      A responsabilidade de ter participação pessoal em dar testemunho fora salientada na Watch Tower durante décadas. Mas, de 1919 em diante, era tópico de constante consideração em publicações e em programas de congressos. No entanto, para muitos, não era fácil dirigir-se a estranhos em suas portas, e no começo apenas um número limitado de Estudantes da Bíblia participava regularmente no testemunho de casa em casa.

      Deu-se um caloroso incentivo bíblico. “Benditos os Destemidos” foi o assunto das edições da Watch Tower de 1.º e de 15 de agosto de 1919. Alertava contra o medo do homem, chamava atenção para os 300 guerreiros corajosos de Gideão que estavam alertas e dispostos a servir como quer que o Senhor orientasse e apesar de desvantagens aparentemente esmagadoras, e elogiava a destemida confiança de Eliseu em Jeová. (Juí. 7:1-25; 2 Reis 6:11-19; Pro. 29:25) Em 1921, o artigo “Tende Boa Coragem” destacou não apenas o dever, mas o privilégio que é servir ao lado do Senhor contra as forças satânicas da escuridão, participando em realizar a obra predita em Mateus 24:14. Aqueles cujas circunstâncias lhes impunham limitações foram incentivados a não se desanimar e, ao mesmo tempo, a não se refrear de fazer o que pudessem.

      Por meio de francas considerações bíblicas, The Watch Tower conscientizou a todos que professavam ser servos ungidos de Deus da responsabilidade de ser proclamadores do Reino de Deus. A edição de 15 de agosto de 1922 publicou um artigo conciso e direto intitulado “O Serviço É Essencial” — isso é, serviço em imitação de Cristo, serviço que levaria a pessoa à casa dos outros para falar-lhes sobre o Reino de Deus. Mais tarde, naquele mesmo ano, mostrou-se que, para ter valor à vista de Deus, esse serviço tem de ser motivado pelo amor. (1 João 5:3) Um artigo na edição de 15 de junho de 1926 dizia que Deus de modo algum se impressiona com adoração formalística; o que ele quer é obediência, e isso inclui apreço por quaisquer métodos que ele use para realizar seu propósito. (1 Sam. 15:22) No ano seguinte, ao se considerar “A Missão dos Cristãos na Terra”, chamou-se atenção para o papel de Jesus como “testemunha fiel e verdadeira” e para o fato de que o apóstolo Paulo pregava “publicamente e de casa em casa”. — Rev. 3:14; Atos 20:20.

      Forneciam-se apresentações pormenorizadas para os publicadores decorarem no Bulletin, sua folha mensal de instruções de serviço. Dava-se incentivo para a participação semanal, regular, no serviço de campo. Mas o número dos que realmente davam testemunho fazendo visitas de casa em casa era pequeno a princípio, e alguns que começaram não continuaram no trabalho. Nos Estados Unidos, por exemplo, a média semanal relatada dos que participavam no serviço de campo em 1922 foi de 2.712. Mas, em 1924, isso caíra para 2.034. Em 1926, a média subiu para 2.261, com o auge de 5.937 que participaram durante uma semana de atividade especial.

      Daí, em fins de 1926, a Sociedade passou a incentivar as congregações a dedicar uma parte dos domingos ao testemunho em grupo e a oferecer, nesse período, livros para estudo da Bíblia, além de tratados. Em 1927, The Watch Tower incentivou os leais nas congregações a remover do cargo de ancião a quaisquer cuja conversa ou ações mostrassem que não aceitavam a responsabilidade de dar testemunho publicamente e de casa em casa. Por conseguinte, os ramos que não produziam frutos foram arrancados, por assim dizer, e os que permaneceram foram podados para que dessem mais frutos para o louvor de Deus. (Compare com a ilustração de Jesus em João 15:1-10.) Será que isso realmente resultou num aumento do louvor público para Jeová? Em 1928 houve um aumento de 53 por cento na média semanal dos que participavam em dar testemunho nos Estados Unidos!

      As Testemunhas não mais apenas distribuíam tratados gratuitamente e iam embora. Cada vez mais delas falavam brevemente com os moradores, procurando suscitar interesse na mensagem da Bíblia, e então lhes ofereciam livros para ler.

      Aquelas primeiras Testemunhas certamente eram corajosas, embora nem todas tivessem tato. No entanto, destacavam-se como diferentes de outros grupos religiosos. Não apenas diziam que todos deviam dar testemunho de sua fé. Em números cada vez maiores, elas realmente faziam isso.

      Cartões de testemunho e fonógrafos

      Em fins de 1933 teve início um método diferente de pregação. Como introdução, as Testemunhas davam às pessoas um cartão de testemunho em que havia uma breve mensagem para o morador. Isso era de grande ajuda especialmente para novos publicadores, que não recebiam muito treinamento naquela época. Em geral, elas dirigiam apenas uns breves comentários ao morador depois de o cartão ter sido lido; algumas falavam um pouco mais, usando a Bíblia. O uso dos cartões de testemunho continuou até bem adentro da década de 40. Permitia rápida cobertura do território e que as Testemunhas alcançassem mais pessoas, distribuíssem muitas publicações bíblicas valiosas, dessem um testemunho uniforme e até apresentassem a mensagem a pessoas de outras línguas. Também resultava em embaraços, quando os moradores ficavam com o cartão e fechavam a porta, o que tornava necessário que as Testemunhas batessem novamente na porta para recuperá-lo!

      Discursos bíblicos gravados também tiveram um papel de destaque na década de 30 e no começo da década de 40. Em 1934, algumas Testemunhas passaram a levar um fonógrafo portátil ao dar testemunho. A máquina era bem pesada, de modo que talvez a deixassem no carro ou num outro local conveniente até encontrarem pessoas dispostas a escutar um discurso bíblico gravado. Daí, em 1937, iniciou-se o uso do fonógrafo portátil na própria porta das casas. O procedimento era simples: depois de dizer que tinha uma importante mensagem da Bíblia, a Testemunha punha a agulha no disco e deixava que ele falasse. Kasper Keim, um pioneiro alemão que servia nos Países Baixos, era muito grato ao seu “Arão”, como ele chamava o fonógrafo, porque achava difícil dar testemunho em holandês. (Compare com Êxodo 4:14-16.) Por curiosidade, famílias inteiras às vezes ouviam as gravações.

      Em 1940, usavam-se mais de 40.000 fonógrafos. Naquele ano, passou-se a usar um novo modelo vertical idealizado e fabricado pelas Testemunhas, e ele foi posto em uso especialmente nas Américas. Despertava ainda maior curiosidade, porque os moradores não viam o disco enquanto era tocado. Os discos eram de 78rpm e de quatro minutos e meio de duração. Os títulos eram curtos e diretos: “Reino”, “Oração”, “O Caminho da Vida”, “Trindade”, “Purgatório”, “Por Que o Clero Opõe-se à Verdade”. Mais de 90 discursos foram gravados; mais de um milhão de discos foram usados. As apresentações eram claras e fáceis de acompanhar. Muitos moradores ouviam com apreço; alguns reagiam com violência. Mas dava-se um testemunho eficaz e coerente.

      Intrépida proclamação das boas novas em logradouros públicos

      Embora os cartões de testemunho e os discos dos fonógrafos fizessem a maior parte da “conversação”, era preciso muita coragem para ser Testemunha naqueles anos. A própria natureza do trabalho punha as Testemunhas em contato com o público.

      Depois do congresso de 1931 em Columbus, Ohio, as Testemunhas de Jeová distribuíram o folheto The Kingdom, the Hope of the World (O Reino, a Esperança do Mundo; em português foi traduzido “O Reino de Deus É a Felicidade do Povo”) que incluía a resolução “Aviso de Jeová” dirigida “Aos Guias do Povo e ao Povo”. Reconheceram que, como Testemunhas de Jeová, tinham a séria responsabilidade de divulgar o aviso apresentado em Sua Palavra. (Eze. 3:17-21) Não se limitaram a remeter os folhetos pelo correio ou colocá-los debaixo das portas. Distribuíram-nos pessoalmente. Visitaram todos os clérigos e, na medida do possível, políticos, militares e executivos de grandes empresas. Além disso, visitaram o público em geral nas cerca de cem terras em que as Testemunhas de Jeová na época davam testemunho organizado.

      Em 1933, elas usavam potentes fonógrafos para tocar gravações de discursos bíblicos francos em logradouros públicos. Os irmãos Smets e Poelmans montavam seu equipamento num triciclo e ficavam perto enquanto este retumbava a mensagem nas feiras e próximo das igrejas em Liège, na Bélgica. Muitas vezes ficavam ali dez horas por dia. As pessoas na Jamaica logo se ajuntavam ao ouvirem música; por isso, os irmãos ali tocavam música primeiro. Quando multidões saíam do mato para as estradas principais para ver o que estava acontecendo, encontravam as Testemunhas de Jeová transmitindo a mensagem do Reino.

      Alguns fonógrafos eram instalados em carros e em barcos, com alto-falantes na capota para o som propagar-se a maior distância. Bert e Vi Horton, da Austrália, usavam um furgão com uma grande corneta instalada na capota, na qual havia os dizeres “Mensagem do Reino”. Em certo ano, eles fizeram quase todas as ruas de Melbourne retumbar com emocionantes desmascaramentos da religião falsa e acalentadoras descrições das bênçãos do Reino de Deus. Naqueles anos, Claude Goodman servia como pioneiro na Índia. O uso do carro de som, com gravações nas línguas locais, permitiu-lhe alcançar multidões em bazares, parques, estradas — onde quer que houvesse gente.

      Quando os irmãos no Líbano estacionavam seu carro de som numa colina e transmitiam discursos, o som descia os vales. Sem enxergar a fonte da voz, o povo das aldeias às vezes ficava assustado, achando que Deus lhes falava dos céus!

      Mas os irmãos tiveram alguns momentos tensos. Em certa ocasião, na Síria, o sacerdote duma aldeia deixou o almoço na mesa, pegou sua grande bengala e foi até a multidão reunida para ouvir um discurso bíblico transmitido dum carro de som. Agitando sua bengala com raiva e aos gritos, ele mandou: “Parem! Ordeno que parem!” Mas os irmãos perceberam que nem todos concordavam com ele; havia quem desejava ouvir. Logo alguns da multidão levaram o sacerdote de volta para casa e o colocaram à mesa do almoço! Apesar da oposição do clero, as Testemunhas corajosamente cuidaram de que as pessoas tivessem a oportunidade de ouvir.

      Durante esse período, houve também ampla utilização de cartazes de publicidade usados pelas Testemunhas em áreas comerciais enquanto distribuíam convites para discursos especiais. Isso começou em 1936, em Glasgow, Escócia. Naquele ano, utilizou-se o mesmo método de publicidade em Londres, Inglaterra, e depois nos Estados Unidos. Dois anos depois, a publicidade foi ampliada com o uso de cartazes presos a varas. Os cartazes proclamavam: “A Religião É Laço e Extorsão”b e “Sirva a Deus e a Cristo, o Rei”. Na época de congressos, a coluna de participantes em marcha, levando esses cartazes, podia ser quilométrica. À medida que marchavam silenciosamente, em fila, em ruas bem movimentadas, o efeito era como o do exército do antigo Israel dando voltas em torno de Jericó antes de as muralhas caírem. (Jos. 6:10, 15-21) De Londres, na Inglaterra, a Manila, nas Filipinas, dava-se esse intrépido testemunho público.

      Em 1940 adotou-se ainda outro método de dar testemunho público. Em harmonia com o texto que menciona a ‘verdadeira sabedoria que grita nas ruas’, em fevereiro daquele ano as Testemunhas de Jeová iniciaram a distribuição nas ruas de The Watchtower e Consolation (Consolação, agora conhecida como Despertai!).c (Pro. 1:20) Elas bradavam frases que chamavam atenção para as revistas e para a mensagem impressa. Em cidades grandes e pequenas em todas as partes do mundo, tornou-se comum ver as Testemunhas de Jeová oferecendo suas revistas. Mas é preciso coragem para fazer esse trabalho, e essa coragem foi especialmente necessária quando esse trabalho teve início, pois era uma época de muita perseguição aliada à febre do nacionalismo do tempo de guerra.

      Ao serem convocadas para participar nesse testemunho público, as Testemunhas correspondiam com fé. O número dos que tinham uma participação pessoal na obra continuava a aumentar. Eles achavam um privilégio demonstrar sua integridade a Jeová dessa maneira. Mas eles tinham mais coisas a aprender.

      Cada um capaz de explicar sua fé

      Teve início em 1942 um extraordinário programa de instrução. Começou na sede mundial das Testemunhas de Jeová, e, no ano seguinte, passou a ser estabelecido em congregações das Testemunhas em toda a Terra. Com a certeza de que o espírito de Deus estava com elas e de que ele colocara sua palavra em suas bocas, elas estavam decididas a pregar essa palavra mesmo se os perseguidores as privassem das publicações da Torre de Vigia ou da própria Bíblia. (Isa. 59:21) Já havia países, como a Nigéria, em que as Testemunhas só tinham a Bíblia para usar na pregação, visto que o governo proscrevera todas as publicações da Torre de Vigia e chegara até a confiscar muitas publicações que os irmãos possuíam em suas bibliotecas particulares.

      Foi em 16 de fevereiro de 1942 que o irmão Knorr instituiu um curso adiantado no ministério teocrático no Lar de Betel em Brooklyn, Nova Iorque. O curso instruía em assuntos como pesquisa, expressão clara e correta, preparação de esboços de discursos, proferimento eficaz de discursos, apresentação persuasiva de idéias e tato. Irmãos e irmãs eram bem-vindos na assistência, mas apenas os varões eram convidados a matricular-se e proferir discursos de estudante, após o que eram aconselhados. Os benefícios logo se tornaram evidentes, não apenas em discursos no palco, mas também em maior eficácia na pregação de casa em casa.

      No ano seguinte, esse ensino passou a estender-se às congregações das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Primeiro em inglês, depois em outras línguas. O objetivo estabelecido da escola era ajudar todas as Testemunhas de Jeová a ser capazes de ensinar ao visitarem as pessoas de casa em casa, ao fazerem revisitas e ao dirigirem estudos bíblicos. Todas as Testemunhas seriam ajudadas a tornar-se ministros habilitados. (2 Tim. 2:2) Em 1959, as irmãs também receberam a oportunidade de matricular-se na escola e de apresentar palestras encenando situações do serviço de campo — não se dirigindo a toda a assistência, mas à irmã designada a fazer o papel de moradora. E não foi tudo.

      Desde 1926, representantes viajantes da Sociedade trabalhavam com outras Testemunhas no serviço de campo para ajudá-las a aprimorar suas habilidades. No entanto, num congresso internacional em Nova Iorque, em 1953, com superintendentes de circuito e de distrito sentados em frente ao palco, o irmão Knorr disse que o trabalho principal de todos os servos, ou superintendentes, devia ser ajudar todas as Testemunhas a ser ministros experientes no serviço de casa em casa. “Todos”, disse ele, “devem ser capazes de pregar as boas novas de casa em casa”. Lançou-se uma campanha global para se conseguir isso.

      Por que essa ênfase ao assunto? Considere, por exemplo, os Estados Unidos: na época, 28 por cento das Testemunhas limitavam sua atividade a distribuir convites ou a ficar em pé nas ruas com as revistas. E mais de 40 por cento das Testemunhas participavam no serviço de campo apenas de vez em quando, permitindo que se passassem meses sem dar testemunho. Havia necessidade de ajuda amorosa na forma de treinamento pessoal. Fizeram-se planos para tornar possível que todas as Testemunhas de Jeová que ainda não trabalhavam de casa em casa recebessem ajuda para abordar as pessoas às portas, conversando sobre a Bíblia e respondendo a suas perguntas. Aprenderiam a preparar sermões bíblicos a fim de apresentá-los em talvez três minutos para quem estivesse ocupado, ou em uns oito minutos para outras pessoas. O objetivo era ajudar todas as Testemunhas a tornar-se evangelizadores cristãos maduros.

      Não coube só aos superintendentes viajantes dar essa instrução. Coube também aos servos, ou superintendentes, locais; e, nos anos seguintes, outras Testemunhas bem qualificadas foram designadas a treinar certas pessoas. Durante anos, a Reunião de Serviço semanal da congregação apresentou demonstrações de como realizar o trabalho. Mas isso passou então a ser conjugado com reforçada ênfase ao treinamento pessoal no campo.

      Os resultados foram notáveis. O número de Testemunhas que pregavam de casa em casa aumentou, e também o dos que participavam regularmente no ministério de campo. Em uma década, o total de Testemunhas em todo o mundo aumentou em 100 por cento. Elas também faziam 126 por cento a mais de revisitas para responder a perguntas bíblicas de pessoas interessadas, e dirigiam 150 por cento a mais de estudos bíblicos domiciliares regulares para os que mostravam fome da verdade da Bíblia. Elas realmente se mostravam ministros habilitados.

      Em vista dos variados níveis de instrução e das diferentes culturas dessas Testemunhas, e do fato de estarem espalhadas por toda a Terra em pequenos grupos, é óbvio o motivo de as Testemunhas atribuírem o mérito a Jeová Deus, não a um homem, pela maneira como têm sido equipadas e treinadas para proclamar as boas novas. — João 14:15-17.

      Pregação de casa em casa — sinal identificador

      Em várias épocas, outros grupos religiosos têm incentivado seus membros a visitar as pessoas da comunidade para falar sobre religião. Alguns tentam. Há até quem chegue a fazer isso como missionário por uns dois anos, mas isso é tudo. No entanto, é só entre as Testemunhas de Jeová que efetivamente todos, jovens e idosos, homens e mulheres, participam ano após ano no ministério de casa em casa. Apenas as Testemunhas de Jeová realmente procuram alcançar toda a Terra habitada com a mensagem do Reino, em obediência à ordem profética em Mateus 24:14.

      Não é que todas as Testemunhas de Jeová achem fácil essa obra.d Pelo contrário, muitas delas, quando ainda estudavam a Bíblia, diziam: ‘Há uma coisa que nunca farei: ir de casa em casa!’ Mas é uma atividade em que quase todas as Testemunhas de Jeová participam se têm condições físicas de fazer isso. E muitas que não são fisicamente aptas fazem isso mesmo assim — em cadeiras de rodas, com bengalas, e assim por diante. Outras, completamente impossibilitadas de sair de casa, ou temporariamente confinadas, ou ainda com o objetivo de alcançar pessoas que de outra forma são inacessíveis, dão testemunho pelo telefone ou por carta. Por que esse esforço resoluto?

      Ao conhecerem a Jeová, seu amor por ele muda toda a sua perspectiva da vida. Querem falar sobre ele. As coisas maravilhosas que ele reserva para os que o amam são boas demais para serem guardadas para si mesmas. E sentem-se responsáveis perante Deus de avisar as pessoas sobre a grande tribulação à frente. (Mat. 24:21; compare com Ezequiel 3:17-19.) Mas por que fazer isso de casa em casa?

      Elas sabem que Jesus ensinou seus discípulos a ir às casas para pregar e ensinar. (Mat. 10:11-14) Sabem que, depois do derramamento do espírito santo em Pentecostes de 33 EC, os apóstolos continuaram sem cessar a declarar as boas novas “no templo [em Jerusalém] e de casa em casa”. (Atos 5:42) Toda Testemunha conhece Atos 20:20, que diz que o apóstolo Paulo ensinava “publicamente e de casa em casa”. E vêem evidência abundante da bênção de Jeová sobre essa obra nos tempos modernos. Assim, ao passo que ganham experiência no ministério de casa em casa, a atividade que outrora temiam muitas vezes torna-se algo que aguardam ansiosamente.

      E a realizam cabalmente. Mantêm registros criteriosos para que possam voltar para conversar com quem não estava em casa. Não só isso, mas visitam repetidas vezes todas as casas.

      Devido à eficácia do ministério de casa em casa, os opositores em muitos países tentam interrompê-lo. Para granjearem o respeito oficial por seu direito de pregar de casa em casa, as Testemunhas de Jeová têm apelado às autoridades. Quando necessário, vão ao tribunal para estabelecer legalmente o direito de divulgar as boas novas dessa maneira. (Fil. 1:7) E onde governos opressivos persistem em proibir essa atividade, as Testemunhas de Jeová às vezes simplesmente a realizam com mais discrição ou, se necessário, usam outros meios para alcançar as pessoas com a mensagem do Reino.

      Embora se tenha usado transmissões pelo rádio e pela televisão para divulgar a mensagem do Reino, as Testemunhas de Jeová reconhecem que o contato pessoal que as visitas de casa em casa possibilitam é muito mais eficaz. Dá melhor oportunidade de responder às perguntas dos moradores individualmente e de procurar os merecedores. (Mat. 10:11) Esse é um dos motivos de, em 1957, a Sociedade Torre de Vigia ter vendido a emissora de rádio WBBR de Nova Iorque.

      No entanto, depois de darem um testemunho pessoal, as Testemunhas de Jeová não dão por encerrado o seu trabalho. Isso é só o começo.

      ‘Fazei discípulos . . . ensinando-os’

      Jesus ordenou que seus seguidores fizessem mais do que pregar. Imitando-o, eles também devem ensinar. (Mat. 11:1) Antes de ascender ao céu, Jesus os instruiu: “Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, . . . ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei.” (Mat. 28:19, 20) Ensinar (grego: di·dá·sko) difere de pregar no sentido de que o instrutor faz mais do que proclamar; ele instrui, explica, dá provas.

      A Watch Tower, já em abril de 1881, dava breves sugestões sobre como ensinar. Alguns dos primeiros colportores faziam questão de revisitar os que mostravam interesse, para incentivá-los a ler os livros da Sociedade e a se reunir com outros para estudo regular da Palavra de Deus. O livro A Harpa de Deus (publicado em 1921) muitas vezes era usado para esse objetivo. Mais tarde, porém, fez-se ainda mais no que dizia respeito a dar atenção pessoal aos interessados. Discursos bíblicos gravados junto com guias impressos de estudo foram usados de modo destacado nessa atividade. Como isso se deu?

      Desde o início de 1933, a Sociedade suplementara as transmissões de rádio com gravações tocadas em fonógrafos em salões de reunião, em parques, em entradas de fábrica, e assim por diante. Em pouco tempo, as Testemunhas que encontravam interessados ao fazerem visitas de casa em casa providenciavam voltar para tocar algumas dessas gravações para essas pessoas em casa. Quando o livro Riquezas tornou-se disponível em 1936, faziam-se palestras à base dele, depois da exibição da gravação, com o objetivo de estabelecer grupos de estudo que pudessem ser freqüentados pelos interessados da região. Deu-se ênfase a esse trabalho especialmente visando ajudar prospectivos membros da “grande multidão” a aprender a verdade. — Rev. 7:9, Almeida, atualizada.

      Por volta daquela época, a hierarquia católica intensificou sua pressão sobre os proprietários e gerentes de emissoras de rádio, bem como sobre repartições do governo, no esforço resoluto de deter a transmissão de programas da Torre de Vigia. Um abaixo-assinado de 2.630.000 pessoas nos Estados Unidos solicitava um debate público entre J. F. Rutherford e uma elevada autoridade da Igreja Católica Romana. Nenhum dos clérigos católicos dispôs-se a aceitar o desafio. Assim, em 1937, o irmão Rutherford produziu as gravações “Expostos” e “Religião e Cristianismo”, que apresentavam ensinos bíblicos básicos, especialmente refutando doutrinas católicas antibíblicas. A mesma matéria foi publicada nos folhetos Proteção e Descobertas, e um exemplar de Descobertas foi entregue a todos os que assinaram o abaixo-assinado para que as pessoas pudessem ler as verdades da Bíblia que a hierarquia católica procurava suprimir.

      Para ajudar as pessoas a ver claramente as questões e a examinar sua base bíblica, imprimiu-se o folheto Model Study No. 1 (Estudo Modelo N.º 1) para uso em reuniões providenciadas para os interessados. O folheto continha perguntas, respostas e textos em apoio às respostas dadas. Primeiro, o dirigente tocava um ou mais discos dos discursos já mencionados para que todos pudessem ouvir o argumento na íntegra. Depois vinha a palestra, usando-se a matéria fornecida no folheto Model Study e examinando-se os próprios textos. Depois do Model Study No. 1, publicaram-se os de n.º 2 e 3, conjugados com outros discursos gravados. No começo, esses estudos eram organizados em locais onde se podia reunir grupos de interessados, mas logo passaram a ser realizados com indivíduos e com famílias.

      Desde aquela época, muitos livros excelentes já foram publicados especialmente para o uso das Testemunhas de Jeová em estudos bíblicos domiciliares. Os que tiveram a maior circulação foram “Seja Deus Verdadeiro”, A Verdade Que Conduz à Vida Eterna e Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra. Houve também folhetos de 32 páginas — “Estas Boas Novas do Reino”, O Caminho de Deus é Amor, “Eis Que Faço Novas Todas as Coisas” e muitos outros. Depois desses publicaram-se brochuras como Viva Para Sempre em Felicidade na Terra!, com uma apresentação muito simples e de fácil compreensão dos ensinos básicos da Bíblia.

      O uso desses instrumentos, junto com intensivo treinamento congregacional e pessoal, tem resultado num extraordinário aumento no número de estudos bíblicos domiciliares. Em 1950, a média de estudos bíblicos domiciliares, muitas vezes dirigidos semanalmente, era de 234.952. Os estudos que não faziam suficiente progresso eram descontinuados. Muitos estudantes progrediam até o ponto de, por sua vez, se tornarem instrutores. Apesar da constante rotatividade, o número continua a aumentar, muitas vezes com bastante rapidez. Em 1992, as Testemunhas dirigiam 4.278.127 estudos bíblicos domiciliares em todo o mundo.

      Para realizarem a enorme obra de pregar e ensinar, nas línguas de toda a Terra, as Testemunhas de Jeová têm feito amplo uso da página impressa. Isso requer operações gráficas em proporções gigantescas.

      [Nota(s) de rodapé]

      a A obra pastoral foi organizada de 1915-16 nas cerca de 500 congregações que haviam eleito o irmão Russell para ser seu pastor. Como pastor, ele lhes escrevera uma carta esboçando o trabalho, que a princípio limitava-se às irmãs. No ano seguinte, os irmãos também foram incluídos nessa atividade. A obra pastoral, realizada por um grupo selecionado, continuou até 1921.

      b Esses dizeres baseavam-se no entendimento de que o termo religião abrangia toda adoração edificada sobre tradições de homens, em vez de sobre a Palavra de Deus, a Bíblia. Mas, em 1950, quando se publicou a New World Translation of the Christian Greek Scriptures (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs), as notas referentes a Atos 26:5, Colossenses 2:18 e Tiago 1:26, 27 indicavam que o termo religião podia ser corretamente usado para referir-se à adoração verdadeira ou à adoração falsa. Isso foi adicionalmente esclarecido em The Watchtower de 15 de março de 1951, página 191, e no livro O Que Tem Feito a Religião Pela Humanidade?, páginas 8-10.

      c Fizera-se uma experiência no testemunho de rua com as revistas no ano anterior, na Califórnia, EUA. Mesmo já em 1926, os Estudantes da Bíblia participavam na distribuição geral nas ruas de folhetos com importantes mensagens. Bem antes disso, em 1881, eles distribuíam publicações perto de igrejas aos domingos.

      d A Sentinela, 15 de novembro de 1981, pp. 12-16.

      [Destaque na página 556]

      Onde quer que encontrasse pessoas, Jesus falava sobre o propósito de Deus para com a humanidade.

      [Foto na página 557]

      Dezenas de milhões desses tratados foram distribuídos, gratuitamente, perto de igrejas, de casa em casa e pelo correio.

      [Fotos na página 558]

      Evangelistas colportores distribuíam livros que explicavam a Bíblia.

      [Foto na página 559]

      Anna Andersen alcançou quase todas as cidades da Noruega com publicações bíblicas.

      [Foto na página 560]

      Anúncios em jornais ajudavam a alcançar as pessoas que não eram contatadas de outras maneiras.

      [Foto na página 561]

      Mais de 2.000 jornais em quatro continentes publicavam simultaneamente sermões do irmão Russell.

      [Fotos na página 562]

      O “Photo-Drama of Creation” deu um poderoso testemunho a milhões de pessoas em muitos países.

      [Foto na página 563]

      Por meio do rádio, J. F. Rutherford pôde dar testemunho a milhões de pessoas em todo o mundo em suas próprias casas.

      [Foto na página 564]

      Prontos para sair, de bicicleta, ao serviço de testemunho em grupo na Inglaterra.

      [Foto na página 565]

      A partir de 1933, usaram-se cartões impressos de testemunho.

      [Foto na página 566]

      Discursos bíblicos gravados deram um poderoso testemunho nas décadas de 30 e de 40.

      [Foto na página 567]

      Carros de som, às vezes muitos deles (como aqui, na Austrália), eram usados para transmitir a verdade da Bíblia em logradouros públicos.

      [Foto na página 568]

      Cartazes iluminados nas janelas das casas de Testemunhas de Jeová davam testemunho 24 horas por dia.

      [Foto na página 568]

      Cartazes de publicidade contribuíam para dar um intrépido testemunho público (como aqui, na Escócia).

      [Foto na página 569]

      A distribuição de “The Watchtower” e “Consolation” nas ruas (como aqui, nos EUA) começou em 1940.

      [Foto na página 569]

      A partir de 1943, os irmãos nas congregações receberam treinamento em oratória.

      [Fotos na página 571]

      Estudos bíblicos domiciliares são dirigidos para pessoas interessadas. Abaixo há publicações preparadas especialmente para isso — publicadas primeiro em inglês e depois em muitas outras línguas.

      [Fotos na páginas 572, 573]

      Jovens e idosos, homens e mulheres, as Testemunhas ao redor do globo participam em dar testemunho de casa em casa.

      Romênia

      Bolívia

      Zimbábue

      Hong Kong

      Bélgica

      Uruguai

      Fiji

      [Foto/Quadro na página 574]

      Usando ‘toda maneira possível’

      “Nós, os da organização do Senhor, temos tentado de toda maneira possível trazer à atenção [do mundo] a mensagem de vida. Temos usado lemas, anúncios de página inteira, o rádio, carros-sonantes, fonógrafos portáteis, congressos gigantescos, marchas com cartazes, e um crescente número de ministros que vão de casa em casa. Esta atividade tem servido para separar as pessoas — as a favor do Reino estabelecido de Deus para um lado, e as contra ele para o outro lado. Esta é a obra predita por Jesus para a minha geração.” — Escrito em 1987 por Melvin Sargent, aos 91 anos.

      [Foto]

      Melvin Sargent

      [Gráfico na página 574]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Aumento de estudos bíblicos domiciliares

      4.000.000

      3.000.000

      2.000.000

      1.000.000

      1950 1960 1970 1980 1992

      [Quadro na página 559]

      Bênção especial sobre o trabalho de casa em casa

      “Como no primeiro advento, o trabalho de casa em casa, em vez de a pregação no púlpito, parece estar recebendo a bênção especial do Senhor.” — “Watch Tower”, 15 de julho de 1892.

      [Quadro na página 570]

      Por que as Testemunhas visitam vez após vez

      Explicando por que as Testemunhas de Jeová fazem repetidas visitas, “A Sentinela” de 15 de novembro de 1962 disse: “As circunstâncias mudam constantemente. Hoje certo homem talvez não esteja em casa, na próxima vez pode estar. Pode ser que esteja muito ocupado, mas na próxima vez talvez não. Hoje um membro da família atende à porta, na próxima vez outro membro atende; e as Testemunhas estão interessadas, não só em visitar todas as casas nas suas designações, mas também, se possível, toda pessoa madura em todos os lares. Muitas vezes as famílias estão divididas em questões de religião, de modo que nem sempre é possível um membro falar pela família inteira. Além disso, as pessoas se mudam constantemente de casa, de modo que as Testemunhas nunca podem ter a certeza quanto a quem irão encontrar em certa porta.

      “Não só as circunstâncias mudam, mas as próprias pessoas mudam de parecer. . . . Por alguma coisa insignificante um homem pode estar mal-humorado e indisposto a falar sobre religião ou sobre qualquer outra coisa com quem quer que venha à sua porta, mas nem sempre se dá que em outra ocasião estará com a mesma atitude mental. Ou, só porque um homem não estava absolutamente interessado em falar sobre religião o mês passado, não quer dizer que não o esteja este mês. Visto que depois da última vez que uma Testemunha visitou esse homem talvez tenha tido uma experiência dolorosa ou de outra forma aprendeu algo que o fez humilhar-se ao invés de se tornar orgulhoso, tendo fome e estando apercebido de sua necessidade espiritual ao invés de auto-satisfeito.

      “Além do mais, a mensagem que as Testemunhas levam parece estranha aos ouvidos de muitas pessoas e não chegam a entender a sua urgência. Só por ouvi-la repetidas vezes é que aos poucos entendem o ponto.”

  • Promovida a pregação do Reino pela produção de publicações bíblicas
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Parte 5

      Promovida a pregação do Reino pela produção de publicações bíblicas

      A pregação em toda a terra habitada — como poderia ser efetuada? Conforme indica esta parte (capítulos 25 a 27), os meios empregados envolveram a instalação de parques gráficos internacionais para a produção de Bíblias e publicações bíblicas, visando alcançar pessoas de todas as nações.

      [Gravura de página inteira na página 554]

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