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  • Os cristãos e a sociedade humana hoje em dia
    A Sentinela — 1993 | 1.° de julho
    • Os cristãos e a sociedade humana hoje em dia

      “Sereis pessoas odiadas por todas as nações, por causa do meu nome.” — MATEUS 24:9.

      1. O que devia distinguir o cristianismo?

      OS PRIMITIVOS cristãos distinguiam-se pela sua separação do mundo. Cristo disse a respeito dos seus discípulos numa oração ao seu Pai celestial, Jeová: “Tenho-lhes dado a tua palavra, mas o mundo os tem odiado, porque não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” (João 17:14) Quando foi levado perante Pôncio Pilatos, Jesus declarou: “Meu reino não faz parte deste mundo.” (João 18:36) Que o primitivo cristianismo se manteve separado do mundo é atestado pelas Escrituras Gregas Cristãs e por historiadores.

      2. (a) Haveria com o passar do tempo alguma mudança no relacionamento dos seguidores de Jesus com o mundo? (b) Viria o Reino de Jesus pela conversão das nações?

      2 Será que Jesus revelou mais tarde que haveria uma mudança no relacionamento dos seus seguidores com o mundo, e que Seu Reino viria por meio da conversão do mundo ao cristianismo? Não. Nada do que seus seguidores foram inspirados a escrever após a morte de Jesus nem mesmo sugeriu tal coisa. (Tiago 4:4 [escrito pouco antes de 62 EC]; 1 João 2:15-17; 5:19 [escrita por volta de 98 EC]) Ao contrário, a Bíblia relaciona a “presença” de Jesus e sua subseqüente ‘vinda’ no poder do Reino com a “terminação do sistema de coisas”, culminando no “fim”, ou “destruição”, deste. (Mateus 24:3, 14, 29, 30; Daniel 2:44; 7:13, 14) No sinal da sua pa·rou·sí·a, ou presença, que Jesus forneceu ele disse a respeito dos seus verdadeiros seguidores: “Então vos entregarão a tribulação e vos matarão, e sereis pessoas odiadas por todas as nações, por causa do meu nome.” — Mateus 24:9.

      Verdadeiros cristãos hoje em dia

      3, 4. (a) Como descreve uma enciclopédia católica os primitivos cristãos? (b) Em que termos similares são descritos as Testemunhas de Jeová e os primitivos cristãos?

      3 Que grupo religioso, hoje em dia, granjeou para si a reputação de fidelidade a princípios cristãos e de separação deste mundo, seus membros sendo odiados e perseguidos? Que organização cristã, mundial, corresponde em todos os sentidos à descrição histórica dos primitivos cristãos? Sobre estes, a New Catholic Encyclopedia diz: “A primitiva comunidade cristã, embora de começo considerada apenas como mais uma seita dentro do ambiente judaico, mostrou-se ímpar no seu ensino teológico, e mais especificamente no zelo dos seus membros, que serviam como testemunhas de Cristo ‘em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra’ (Atos 1.8).” — Volume 3, página 694.

      4 Note as expressões “considerada apenas como mais uma seita”, “ímpar no seu ensino”, “zelo . . . como testemunhas”. E note agora como esta mesma enciclopédia descreve as Testemunhas de Jeová: “Uma seita . . . Testemunhas estão profundamente convencidas de que o fim do mundo virá dentro de bem poucos anos. Esta crença vívida parece ser a mais vigorosa força impelente por detrás do seu infatigável zelo. . . . A obrigação fundamental de todo membro da seita é dar testemunho de Jeová por anunciar Seu iminente Reino. . . . Consideram a Bíblia como sua única fonte de crença e de regra de conduta . . . Para se ser verdadeira Testemunha, é preciso pregar eficazmente de um ou outro modo.” — Volume 7, páginas 864-5.

      5. (a) Em que sentidos são ímpares os ensinos das Testemunhas de Jeová? (b) Cite exemplos que mostram que as crenças das Testemunhas de Jeová estão em harmonia com as Escrituras.

      5 Em que sentidos são ímpares os ensinos das Testemunhas de Jeová? A New Catholic Encyclopedia menciona alguns: “Elas [as Testemunhas de Jeová] condenam a Trindade como idolatria pagã . . . Consideram a Jesus como a maior das Testemunhas de Jeová, ‘um deus’ (assim traduzem João 1.1), inferior somente a Jeová. . . . Ele morreu como homem e foi ressuscitado como Filho espiritual, imortal. Sua Paixão e sua morte eram o preço que pagou a fim de recuperar para a humanidade o direito de viver eternamente na Terra. Deveras, a ‘grande multidão’ (Ap 7.9) de Testemunhas verdadeiras espera um Paraíso terrestre; somente 144.000 fiéis (Ap 7.4; 14.1, 4) poderão usufruir a glória celestial junto com Cristo. Os iníquos sofrerão a destruição total. . . . Batismo — que as Testemunhas praticam por imersão . . . [é] o símbolo exterior da sua dedicação ao serviço de Jeová Deus. . . . As Testemunhas de Jeová têm atraído publicidade por recusarem transfusões de sangue . . . Sua moralidade conjugal e sexual é bastante rígida.” As Testemunhas de Jeová podem ser ímpares nestes sentidos, mas a sua posição em todos esses pontos baseia-se solidamente na Bíblia. — Salmo 37:29; Mateus 3:16; 6:10; Atos 15:28, 29; Romanos 6:23; 1 Coríntios 6:9, 10; 8:6; Revelação (Apocalipse) 1:5.

      6. Que posição têm mantido as Testemunhas de Jeová? Por quê?

      6 Esta obra católica romana acrescenta que, em 1965 (evidentemente o ano em que o artigo foi escrito) “as Testemunhas ainda não se consideravam parte da sociedade [secular] em que viviam”. O autor parece ter pensado que, com o passar do tempo, e quando as Testemunhas de Jeová se tornassem mais numerosas e assumissem “mais e mais as características duma igreja, em oposição às duma seita”, elas se tornariam parte deste mundo. Mas isto não aconteceu. Atualmente, com mais de quatro vezes mais Testemunhas do que em 1965, as Testemunhas de Jeová têm mantido coerentemente sua posição com relação a este mundo. “Não fazem parte do mundo”, assim como Jesus ‘não fazia parte do mundo’. — João 17:16.

      Separados, mas não hostis

      7, 8. Assim como se deu com os primitivos cristãos, o que se dá hoje com as Testemunhas de Jeová?

      7 Robert M. Grant, citando a defesa dos primitivos cristãos feita pelo apologista do segundo século, Justino o Mártir, escreveu no livro Early Christianity and Society (O Primitivo Cristianismo e a Sociedade): “Se os cristãos fossem revolucionários, eles ficariam escondidos para atingir seu objetivo. . . . São os melhores aliados do imperador na causa da paz e da boa ordem.” Do mesmo modo, as Testemunhas de Jeová são hoje conhecidas em todo o mundo como cidadãos amantes da paz e ordeiros. Os governos, não importa de que tipo, sabem que não têm nada a temer das Testemunhas de Jeová.

      8 Um colunista norte-americano escreveu: “É preciso uma imaginação eivada de preconceitos e paranóica para se crer que as Testemunhas de Jeová representem qualquer tipo de ameaça a qualquer regime político; são tão anti-subversivas e amantes da paz quanto possa ser um grupo religioso.” Jean-Pierre Cattelain escreve no seu livro L’objection de conscience (Objeção de Consciência): “As Testemunhas são perfeitamente submissas às autoridades e em geral obedecem às leis; pagam os impostos e não procuram questionar, mudar ou destruir governos, porque não se preocupam com os assuntos deste mundo.” Cattelain passa a acrescentar que somente quando o Estado reivindica sua vida, que dedicaram plenamente a Deus, é que as Testemunhas de Jeová recusam obedecer. Nisto se assemelham bem de perto aos primitivos cristãos. — Marcos 12:17; Atos 5:29.

      Incompreendidos pelas classes governantes

      9. Quanto a estarem separados do mundo, que diferença notável existe entre os primitivos cristãos e os católicos atuais?

      9 A maioria dos imperadores romanos compreendeu mal os primitivos cristãos e os perseguiu. Mostrando o motivo disso, The Epistle to Diognetus (A Epístola a Diogneto), que alguns acham datar do segundo século EC, declara: “Os cristãos moram no mundo, mas não fazem parte do mundo nem se envolvem nele.” Por outro lado, o Concílio Vaticano II, na sua Constituição Dogmática da Igreja, declarou que os católicos devem “procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais” e ‘de dentro, contribuir para a santificação do mundo’.

      10. (a) Como eram os primitivos cristãos encarados pelos governantes? (b) Como são as Testemunhas de Jeová muitas vezes encaradas, e qual é a reação delas?

      10 O historiador E. G. Hardy declara que os imperadores romanos consideravam os primitivos cristãos como “entusiastas um tanto desprezíveis”. O historiador francês Étienne Trocmé fala do “desprezo com que gregos cultos e autoridades romanas encaravam o que consideravam ser uma seita oriental bem estranha [os cristãos]”. A correspondência trocada entre Plínio o Moço, o governador romano da Bitínia e o Imperador Trajano mostra que as classes governantes em geral desconheciam a verdadeira natureza do cristianismo. De modo similar hoje, as Testemunhas de Jeová muitas vezes são incompreendidas e até mesmo desprezadas pelas classes governantes do mundo. No entanto, isso nem surpreende nem desanima as Testemunhas. — Atos 4:13; 1 Pedro 4:12, 13.

      “Em toda a parte se fala contra ela”

      11. (a) Que se dizia dos primitivos cristãos, e o que se tem dito das Testemunhas de Jeová? (b) Por que não participam as Testemunhas de Jeová na política?

      11 Dizia-se a respeito dos primitivos cristãos: “Quanto a esta seita, é sabido por nós que em toda a parte se fala contra ela.” (Atos 28:22) No segundo século EC, o pagão Celso afirmava que o cristianismo interessava apenas à ralé da sociedade humana. De modo similar, tem-se dito das Testemunhas de Jeová que, “na maior parte, procedem dos de poucos meios na nossa sociedade”. O historiador eclesiástico Augusto Neander relatou que “os cristãos eram representados como homens mortos para o mundo, e inúteis para todos os assuntos da vida; . . . e perguntava-se o que seria da vida se todos fossem como eles?” Visto que as Testemunhas de Jeová se refreiam de participar na política, também são freqüentemente acusadas de serem inúteis na sociedade humana. Mas, como poderiam ser ativistas políticos e ao mesmo tempo advogar o Reino de Deus como única esperança da humanidade? As Testemunhas de Jeová levam a sério as palavras do apóstolo Paulo: “Assume o teu quinhão de sofrimento como bom soldado de Cristo Jesus. Ninguém, ao alistar-se no exército, implica-se nos negócios da vida civil, se quer dar satisfação a quem o alistou.” — 2 Timóteo 2:3, 4, Novo Testamento, Tradução Ecumênica da Bíblia.

      12. Em que aspecto importante de separação assemelham-se as Testemunhas de Jeová aos primitivos cristãos?

      12 O Professor K. S. Latourette escreve no seu livro A History of Christianity (História do Cristianismo): “Uma das questões em que os primitivos cristãos discordavam do mundo greco-romano era a participação na guerra. Durante os primeiros três séculos, nenhum escrito cristão que sobreviveu até nós tolerava a participação dos cristãos na guerra.” A obra de Edward Gibbon, The History of the Decline and Fall of the Roman Empire (História do Declínio e da Queda do Império Romano), declara: “Era impossível que os cristãos, sem renunciarem a um dever mais sagrado, pudessem assumir o caráter de soldados, de magistrados ou de príncipes.” As Testemunhas de Jeová, de modo similar, adotam uma posição de estrita neutralidade e seguem os princípios bíblicos delineados em Isaías 2:2-4 e Mateus 26:52.

      13. Que acusação se lança contra as Testemunhas de Jeová, mas o que revelam os fatos?

      13 As Testemunhas de Jeová são acusadas pelos seus inimigos de romper famílias. É verdade que há casos em que famílias ficam divididas quando um ou mais membros delas se tornam Testemunhas de Jeová. Jesus predisse que isso iria ocorrer. (Lucas 12:51-53) As estatísticas mostram, porém, que os casamentos rompidos por este motivo são a exceção. Por exemplo, entre as Testemunhas de Jeová na França, 1 casal em cada 3 inclui um cônjuge que não é Testemunha. No entanto, a proporção de divórcios entre estes casamentos mistos não é maior do que a média nacional na França. Por que não? Os apóstolos Paulo e Pedro deram conselhos sábios e inspirados a cristãos casados com incrédulos, e as Testemunhas de Jeová esforçam-se a acatar as suas palavras. (1 Coríntios 7:12-16; 1 Pedro 3:1-4) Quando um casamento misto se rompe, a iniciativa quase sempre é do cônjuge que não é Testemunha. Por outro lado, muitos milhares de casamentos foram salvos porque os cônjuges se tornaram Testemunhas de Jeová e passaram a aplicar os princípios bíblicos na sua vida.

      Cristãos, não trinitários

      14. Que acusação foi lançada contra os primitivos cristãos, e por que é isso irônico?

      14 É irônico que, no Império Romano, uma das acusações lançadas contra os primitivos cristãos era a de que eram ateus. O Dr. Augusto Neander escreve: “Os repudiadores dos deuses, os ateus, . . . era o apelido comum que o povo dava aos cristãos.” Quão estranho que os cristãos, que adoravam o Criador vivo e não múltiplos deuses, fossem apelidados de ateus por pagãos que adoravam os que “não eram deuses, mas trabalho das mãos de homem, madeira e pedra”. — Isaías 37:19.

      15, 16. (a) O que disseram alguns religiosos a respeito das Testemunhas de Jeová, mas que pergunta suscita isso? (b) O que mostra que as Testemunhas de Jeová são realmente cristãos?

      15 Igualmente irônico é que hoje algumas autoridades na cristandade negam que as Testemunhas de Jeová sejam cristãos. Por quê? Porque as Testemunhas rejeitam a Trindade. Segundo a definição tendenciosa da cristandade, “cristãos são aqueles que aceitam a Cristo como Deus”. Em contraste com isso, um dicionário moderno define o substantivo “cristão” como “aquele que crê em Jesus Cristo e segue seus ensinos”, e o “cristianismo” como “religião que se baseia nos ensinos de Jesus Cristo e na crença de que ele era o filho de Deus”. Que grupo se ajusta mais de perto a esta definição?

      16 As Testemunhas de Jeová aceitam o testemunho do próprio Jesus sobre quem ele é. Ele declarou: “Sou Filho de Deus”, não: “Sou Deus, o Filho.” (João 10:36; compare com João 20:31.) Aceitam a declaração inspirada do apóstolo Paulo a respeito de Cristo: “Ele que era de condição divina não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus.”a (Filipenses 2:6, Missionários Capuchinhos) O livro The Paganism in Our Christianity (O Paganismo no Nosso Cristianismo) declara: “Jesus Cristo nunca mencionou tal fenômeno [uma Trindade coigual], e, em parte alguma do Novo Testamento aparece a palavra ‘Trindade’. A idéia foi adotada pela Igreja somente trezentos anos depois da morte de nosso Senhor; e a origem do conceito é inteiramente pagã.” As Testemunhas de Jeová aceitam o ensino bíblico a respeito de Cristo. São cristãos, não trinitários.

      Nada de ecumenismo

      17. Por que não cooperam as Testemunhas de Jeová com o movimento ecumênico ou interconfessional?

      17 Duas outras queixas feitas contra as Testemunhas de Jeová são que se negam a participar no movimento ecumênico e que se empenham no que é chamado de “proselitismo agressivo”. Ambas essas críticas também foram feitas aos primitivos cristãos. A cristandade, com os seus componentes católico, ortodoxo e protestante, inegavelmente faz parte deste mundo. As Testemunhas de Jeová, iguais a Jesus, “não fazem parte do mundo”. (João 17:14) Como poderiam aliar-se por meio de movimentos ecumênicos com organizações religiosas que promovem condutas e crenças anticristãs?

      18. (a) Por que não se pode criticar as Testemunhas de Jeová por afirmarem que só elas praticam a religião verdadeira? (b) Embora creiam que tenham a religião verdadeira, o que não possuem os católicos romanos?

      18 Quem pode justificadamente criticar as Testemunhas de Jeová por crerem, assim como os primitivos cristãos, que só elas estão praticando a religião verdadeira? Até mesmo a Igreja Católica, embora afirme hipocritamente cooperar com o movimento ecumênico, proclama: “É nossa fé que essa única verdadeira Religião se encontra na Igreja católica e apostólica, a quem o Senhor Jesus confiou a tarefa de difundi-la aos homens todos, quando disse aos Apóstolos: ‘Ide pois e ensinai os povos todos.’” (Concílio Vaticano II, “Declaração sobre a Liberdade Religiosa”) Pelo visto, porém, essa crença não basta para infundir nos católicos o infatigável zelo de ir para fazer discípulos.

      19. (a) O que estão as Testemunhas de Jeová determinadas a fazer, e com que motivação? (b) O que será examinado no próximo artigo?

      19 As Testemunhas de Jeová têm tal zelo. Estão determinadas a prosseguir em dar testemunho enquanto Deus quer que o façam. (Mateus 24:14) Seu testemunho é zeloso, mas não agressivo. É motivado pelo amor ao próximo, não pelo ódio à humanidade. Esperam que o maior número possível da humanidade seja salvo. (1 Timóteo 4:16) Iguais aos primitivos cristãos, esforçam-se a ser ‘pacíficas para com todos os homens’. (Romanos 12:18) Como fazem isso será considerado no próximo artigo.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Poderá consultar a consideração desta passagem relacionada com o dogma da Trindade em A Sentinela de 1.º de janeiro de 1972, páginas 3, 4.

  • Ande em sabedoria com respeito ao mundo
    A Sentinela — 1993 | 1.° de julho
    • Ande em sabedoria com respeito ao mundo

      “Prossegui andando em sabedoria para com os de fora.” — COLOSSENSES 4:5.

      1. Com que se confrontavam os primitivos cristãos, e que conselho deu Paulo à congregação de Colossos?

      OS PRIMITIVOS cristãos que moravam nas cidades do mundo romano confrontavam-se continuamente com idolatria, busca de prazeres imorais, e ritos e costumes pagãos. Os que moravam em Colossos, cidade no centro-oeste da Ásia Menor, sem dúvida se confrontavam com a adoração duma deusa-mãe e com o espiritismo dos frígios nativos, com a filosofia pagã dos colonos gregos e com o judaísmo da colônia judaica. O apóstolo Paulo aconselhou a congregação cristã a ‘prosseguir andando em sabedoria’ para com esses “de fora”. — Colossenses 4:5.

      2. Por que precisam as Testemunhas de Jeová hoje andar em sabedoria para com os de fora?

      2 Atualmente, as Testemunhas de Jeová se confrontam com práticas erradas similares, e ainda mais. Portanto, também precisam usar de sabedoria no seu relacionamento com os de fora da verdadeira congregação cristã. Muitos em organismos religiosos e políticos, bem como nos veículos de comunicação, opõem-se a elas. Alguns destes opositores, ou por ataque direto, ou mais vezes por insinuações, procuram manchar a reputação das Testemunhas de Jeová e criar preconceito contra elas. Assim como os primitivos cristãos foram considerados injustamente como “seita” fanática e mesmo perigosa, as Testemunhas de Jeová hoje são freqüentemente alvo de preconceito e de equívoco. — Atos 24:14; 1 Pedro 4:4.

      Como vencer o preconceito

      3, 4. (a) Por que é que os verdadeiros cristãos nunca serão amados pelo mundo, mas o que devem tentar fazer? (b) O que escreveu uma autora sobre as Testemunhas de Jeová detidas num campo de concentração nazista?

      3 Os verdadeiros cristãos não esperam ser amados pelo mundo, o qual, segundo o apóstolo João, “jaz no poder do iníquo”. (1 João 5:19) Não obstante, a Bíblia incentiva os cristãos a se esforçarem a atrair pessoas a Jeová e à Sua adoração pura. Fazemos isso pelo testemunho direto e também por nosso bom comportamento. O apóstolo Pedro escreveu: “Mantende a vossa conduta excelente entre as nações, para que, naquilo em que falam de vós como de malfeitores, eles, em resultado das vossas obras excelentes, das quais são testemunhas oculares, glorifiquem a Deus no dia da sua inspeção.” — 1 Pedro 2:12.

      4 A autora Sylvia Salvesen, no seu livro Forgive—But Do Not Forget (Perdoe — Mas não Esqueça), disse a respeito de duas senhoras, Testemunhas, que haviam estado presas com ela num campo de concentração nazista: “Essas duas, Käthe e Margarethe, e muitas outras, ajudaram-me muito, não só pela sua fé, mas de maneiras práticas. Foram elas que conseguiram os primeiros trapos limpos para as nossas feridas . . . Em suma, estávamos no meio de pessoas que queriam o nosso bem e que mostravam seus sentimentos amistosos por suas ações.” Que excelente testemunho dos “de fora”!

      5, 6. (a) Que obra realiza Cristo atualmente, e o que nunca devemos esquecer? (b) Qual deve ser a nossa atitude para com as pessoas do mundo, e por quê?

      5 Podemos fazer muito para derrubar o preconceito pelo modo sábio de nos comportarmos para com os de fora. É verdade que vivemos na época em que nosso Rei reinante, Cristo Jesus, está separando as pessoas das nações, “assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos”. (Mateus 25:32) Mas nunca se esqueça de que o Juiz é Cristo; é ele quem decide quem são “ovelhas” e quem são “cabritos”. — João 5:22.

      6 Isto devia influenciar nossa atitude para com aqueles que não são parte da organização de Jeová. Talvez os consideremos pessoas do mundo, mas eles fazem parte do mundo da humanidade que “Deus amou tanto . . ., que deu o seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna”. (João 3:16) É muito melhor considerar as pessoas como prospectivas ovelhas do que presunçosamente decidir que são cabritos. Alguns dos que anteriormente se opuseram de forma violenta à verdade são agora Testemunhas dedicadas. E muitos deles foram convencidos primeiro por atos de bondade, antes de aceitarem um testemunho direto. Por exemplo, veja a foto na página 18.

      Zelosas, não agressivas

      7. Que crítica fez o papa, mas que pergunta poderíamos fazer?

      7 O Papa João Paulo II criticou as seitas em geral, e as Testemunhas de Jeová em especial, quando declarou: “O zelo quase agressivo com que alguns procuram obter novos adeptos, indo de casa em casa ou interceptando transeuntes nas esquinas das ruas, é uma falsificação sectária do fervor apostólico e missionário.” Poder-se-ia perguntar: se o nosso zelo é ‘uma falsificação do fervor apostólico e missionário’, onde se encontra o verdadeiro zelo evangelizador? Certamente não entre os católicos, e, quanto a isso, nem entre os protestantes ou os membros das igrejas ortodoxas.

      8. Como devemos realizar nosso testemunho de casa em casa, na esperança de obter que resultado?

      8 No entanto, a fim de desmentir qualquer acusação de agressividade no nosso testemunho, devemos sempre ser bondosos, respeitosos e corteses ao nos dirigirmos às pessoas. O discípulo Tiago escreveu: “Quem é sábio e entendido entre vós? Mostre ele as suas obras pela sua conduta excelente com a brandura que pertence à sabedoria.” (Tiago 3:13) O apóstolo Paulo exorta-nos a ‘não sermos beligerantes’. (Tito 3:2) Por exemplo, em vez de diretamente condenarmos as crenças de alguém a quem damos testemunho, por que não mostrar interesse sincero nas opiniões dele? Daí falemos-lhe sobre as boas novas conforme contidas na Bíblia. Por adotarmos um modo positivo de falar e mostrarmos o devido respeito pelas pessoas de outras crenças, nós as ajudaremos a ter uma disposição mental melhor para escutar, e talvez discirnam o valor da mensagem da Bíblia. O resultado pode ser que algumas cheguem a ‘glorificar a Deus’. — 1 Pedro 2:12.

      9. Como podemos aplicar o conselho que Paulo deu (a) em Colossenses 4:5, e (b) em Colossenses 4:6?

      9 O apóstolo Paulo aconselhou: “Prossegui andando em sabedoria para com os de fora, comprando para vós todo o tempo oportuno.” (Colossenses 4:5) Explicando esta última expressão, J. B. Lightfoot escreveu: “Não perca nenhuma oportunidade para dizer e fazer aquilo que possa promover a causa de Deus.” (O grifo é nosso.) Sim, temos de estar prontos com palavras e ações na ocasião oportuna. Essa sabedoria envolve também escolher a hora apropriada do dia para fazer visitas. Quando nossa mensagem é recusada, é porque as pessoas não a apreciam ou porque as visitamos numa hora que provavelmente era inoportuna? Paulo escreveu também: “Vossa pronunciação seja sempre com graça, temperada com sal, para que saibais como responder a cada um.” (Colossenses 4:6) Isto requer premeditação e verdadeiro amor ao próximo. Apresentemos a mensagem do Reino sempre com amabilidade.

      Respeitosos e “prontos para toda boa obra”

      10. (a) Que conselho deu o apóstolo Paulo aos cristãos que moravam em Creta? (b) Em que sentido têm sido as Testemunhas de Jeová exemplares em acatar o conselho de Paulo?

      10 Não podemos transigir em princípios bíblicos. Por outro lado, não devemos desnecessariamente discutir questões que não envolvem a integridade cristã. O apóstolo Paulo escreveu: “Continua a lembrar-lhes [aos cristãos em Creta] que estejam sujeitos e sejam obedientes a governos e autoridades como governantes, que estejam prontos para toda boa obra, que não ultrajem a ninguém, que não sejam beligerantes, que sejam razoáveis, exibindo toda a brandura para com todos os homens.” (Tito 3:1, 2) O erudito bíblico E. F. Scott escreveu sobre este texto: “Os cristãos não somente deviam obedecer à autoridade, mas tinham de estar prontos para toda boa obra. Isto . . . significa que, quando a ocasião o exigisse, os cristãos deviam estar entre os primeiros a mostrar interesse no bem-estar público. Haveria constantemente irrompimento de incêndios, pragas, calamidades de diversos tipos, casos em que todos os bons cidadãos desejariam ajudar seu próximo.” Em todo o mundo têm havido muitos casos de catástrofes, e as Testemunhas de Jeová têm estado entre os primeiros a prestar socorros. Têm ajudado não apenas seus irmãos, mas também os de fora.

      11, 12. (a) Como devem os cristãos agir para com as autoridades? (b) O que está incluído na sujeição às autoridades no que se refere à construção de Salões do Reino?

      11 Este mesmo trecho da carta de Paulo a Tito sublinha também a importância de se adotar uma atitude respeitosa para com as autoridades. Cristãos jovens, que por causa da sua atitude neutra têm de comparecer perante juízes, devem estar especialmente atentos a andar em sabedoria para com os de fora. Eles podem contribuir muito para melhorar a reputação do povo de Jeová, ou detrair dela, com sua aparência, seu comportamento e seu modo de falar a tais autoridades. Devem “[render] a quem exigir honra, tal honra”, fazendo sua defesa com profundo respeito. — Romanos 13:1-7; 1 Pedro 2:17; 3:15.

      12 As “autoridades” incluem funcionários governamentais locais. Agora que se constroem mais e mais Salões do Reino, é inevitável ter de lidar com autoridades locais. Freqüentemente, os anciãos confrontam-se com preconceitos. Mas verificou-se que, quando os representantes congregacionais estabelecem um bom relacionamento com as autoridades e cooperam com a comissão de planejamento da cidade, este preconceito pode ser derrubado. Muitas vezes se dá um bom testemunho a pessoas que anteriormente pouco ou nada sabiam sobre as Testemunhas de Jeová e sua mensagem.

      ‘Se possível, seja pacífico para com todos’

      13, 14. Que conselho deu Paulo aos cristãos em Roma e como podemos aplicá-lo em nosso relacionamento com os de fora?

      13 Paulo deu o seguinte conselho aos cristãos que moravam na Roma pagã: “Não retribuais a ninguém mal por mal. Provede coisas excelentes à vista de todos os homens. Se possível, no que depender de vós, sede pacíficos para com todos os homens. Não vos vingueis, amados, mas cedei lugar ao furor; pois está escrito: ‘A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová.’ Mas, ‘se o teu inimigo tiver fome, alimenta-o; se ele tiver sede, dá-lhe algo para beber; pois, por fazeres isso, amontoarás brasas acesas sobre a sua cabeça’. Não te deixes vencer pelo mal, porém, persiste em vencer o mal com o bem.” — Romanos 12:17-21.

      14 No nosso relacionamento com os de fora, nós, como verdadeiros cristãos, inevitavelmente encontramos opositores. Na passagem acima, Paulo mostra que o proceder sábio é esforçar-se a superar a oposição por meio de ações bondosas. Esses atos de bondade, iguais a brasas, talvez derretam a inimizade e persuadam o opositor a adotar uma atitude mais bondosa para com o povo de Jeová, talvez até mesmo estimulando seu interesse nas boas novas. Quando isso acontece, o mal é vencido pelo bem.

      15. Quando devem os cristãos ter cuidado especial de andar em sabedoria para com os de fora?

      15 Andar em sabedoria para com os de fora é especialmente importante nos lares onde um dos cônjuges ainda não aceitou a verdade. A observância dos princípios bíblicos produz maridos melhores, esposas melhores, pais melhores, mães melhores, e filhos que são mais obedientes e estudam mais diligentemente na escola. O descrente deve poder ver o efeito salutar dos princípios bíblicos sobre o crente. Assim, alguns talvez “sejam ganhos sem palavra, por intermédio da conduta” dos membros dedicados da família. — 1 Pedro 3:1, 2.

      “Façamos o que é bom para com todos”

      16, 17. (a) De que sacrifícios Deus se agrada bem? (b) Como devemos “fazer o bem” para com nossos irmãos e também para com os de fora?

      16 O maior bem que podemos fazer ao nosso próximo é levar-lhe a mensagem da vida e ensinar-lhe algo sobre a reconciliação com Jeová por meio de Jesus Cristo. (Romanos 5:8-11) Por isso nos diz o apóstolo Paulo: “Por intermédio dele [Cristo], ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome.” (Hebreus 13:15) Paulo acrescenta: “Além disso, não vos esqueçais de fazer o bem e de partilhar as coisas com outros, porque Deus se agrada bem de tais sacrifícios.” (Hebreus 13:16) Em adição ao nosso testemunho público, não devemos esquecer-nos de “fazer o bem”. Isto faz parte dos sacrifícios de que Deus se agrada bem.

      17 Naturalmente, fazemos o bem aos nossos irmãos espirituais que talvez tenham necessidades emocionais, espirituais, físicas ou materiais. Paulo indicou isso ao escrever: “Enquanto tivermos tempo favorável para isso, façamos o que é bom para com todos, mas especialmente para com os aparentados conosco na fé.” (Gálatas 6:10; Tiago 2:15, 16) No entanto, não devemos esquecer as palavras: “Façamos o que é bom para com todos.” Um ato de bondade para com um parente, um vizinho ou um colega de trabalho pode contribuir muito para derrubar o preconceito contra nós e tornar o coração da pessoa receptivo para com a verdade.

      18. (a) Que perigos devemos evitar? (b) Como podemos usar nossa bondade cristã em apoio de nossa obra de pregação pública?

      18 Para fazer isso não precisamos tornar-nos amigos íntimos dos de fora. Tais associações são potencialmente perigosas. (1 Coríntios 15:33) E não pretendemos ser amigos do mundo. (Tiago 4:4) Mas a nossa bondade cristã pode apoiar a nossa pregação. Em alguns países torna-se cada vez mais difícil falar com pessoas nos seus lares. Alguns prédios de apartamentos estão protegidos por sistemas que nos impedem contatar os moradores. Em países desenvolvidos o telefone oferece um meio de pregar. Na maioria dos países pode-se dar testemunho na rua. No entanto, em todos os países, ser amável, cortês, bondoso e prestimoso cria oportunidades para derrubar o preconceito e dar um bom testemunho.

      Como silenciar os opositores

      19. (a) Visto que não procuramos agradar a homens, o que podemos esperar? (b) De que modo devemos esforçar-nos a seguir o exemplo de Daniel e a aplicar o conselho de Pedro?

      19 As Testemunhas de Jeová não procuram meramente agradar a homens, nem tampouco os temem. (Provérbios 29:25; Efésios 6:6) Estão plenamente apercebidas de que, apesar de todos os seus esforços para serem exemplares pagadores de impostos e bons cidadãos, os opositores espalharão mentiras maldosas e falarão com desprezo sobre elas. (1 Pedro 3:16) Sabendo isso, elas procuram imitar Daniel, a respeito de quem os inimigos diziam: “Não acharemos neste Daniel nenhum pretexto a não ser que o encontremos contra ele na lei de seu Deus.” (Daniel 6:5) Nunca transigiremos em princípios bíblicos para agradar a homens. Por outro lado, não buscamos o martírio. Esforçamo-nos a viver pacificamente e a acatar o conselho apostólico: “Pois a vontade de Deus é que, por fazerdes o bem, possais açaimar a conversa ignorante dos homens desarrazoados.” — 1 Pedro 2:15.

      20. (a) De que estamos convencidos, e que incentivo nos deu Jesus? (b) Como podemos prosseguir andando em sabedoria para com os de fora?

      20 Estamos convencidos de que nossa posição de separação do mundo está em plena harmonia com a Bíblia. É apoiada pela história dos cristãos do primeiro século. Sentimo-nos incentivados pelas palavras de Jesus: “No mundo tereis tribulação, mas, coragem! eu venci o mundo.” (João 16:33) Não temos medo. “Deveras, quem é o homem que vos fará dano se vos tornardes zelosos do que é bom? Porém, mesmo se sofrerdes pela causa da justiça, sois felizes. No entanto, não temais o que eles temem, nem fiqueis agitados. Mas, santificai o Cristo como Senhor nos vossos corações, sempre prontos para fazer uma defesa perante todo aquele que reclamar de vós uma razão para a esperança que há em vós, fazendo-o, porém, com temperamento brando e profundo respeito.” (1 Pedro 3:13-15) Ao agirmos assim, prosseguiremos andando em sabedoria para com os de fora.

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