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Ele vai a Jerusalém para a Festividade das TendasJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 66
Ele vai a Jerusalém para a festividade das tendas
JESUS ENSINA NO TEMPLO
Jesus ficou bem conhecido desde seu batismo, há alguns anos. Milhares de judeus viram os milagres que ele realizou, e em todo o país se ouviu falar sobre suas obras. Agora, na Festividade das Tendas (ou Barracas) em Jerusalém, muitos o procuram.
As pessoas têm muitas opiniões sobre Jesus. Alguns dizem: “Ele é um homem bom.” E outros dizem: “Não é. Ele está enganando a multidão.” (João 7:12) Esses comentários ocorrem principalmente nos primeiros dias da festividade. Mas ninguém tem coragem de defender Jesus em público, pois muitos têm medo de como os líderes judeus vão reagir.
Durante a festividade, Jesus vai ao templo. Muitas pessoas ficam impressionadas com sua excelente habilidade de ensinar. Visto que ele nunca foi às escolas rabínicas, os judeus se perguntam: “Como é que este homem tem tanto conhecimento das Escrituras, se não estudou nas escolas?” — João 7:15.
Jesus explica: “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou. Se alguém desejar fazer a Sua vontade, saberá se os ensinamentos são de Deus ou se o que falo se origina de mim.” (João 7:16, 17) Os ensinamentos de Jesus estão de acordo com a Lei de Deus, assim fica claro que ele está buscando a glória de Deus, não de si mesmo.
Então Jesus diz: “Moisés lhes deu a Lei, não deu? Mas nenhum de vocês obedece à Lei. Por que procuram me matar?” Alguns na multidão, talvez visitantes de outra cidade, não sabem que estão tentando matá-lo. Não conseguem acreditar que alguém quer matar um instrutor como ele. Assim, concluem que algo deve estar errado com Jesus para ele fazer essa afirmação. Eles dizem: “Você tem demônio. Quem está procurando matá-lo?” — João 7:19, 20.
Há um ano e meio, os líderes judeus quiseram matar Jesus após ele curar um homem no sábado. Agora Jesus usa uma linha de raciocínio que os faz refletir e expõe a falta de razoabilidade deles. Ele chama a atenção para a Lei, que exige que um menino seja circuncidado no oitavo dia, mesmo que seja um sábado. Então pergunta: “Se um homem recebe a circuncisão num sábado para que a Lei de Moisés não seja violada, por que vocês estão tão irados comigo por eu ter curado completamente um homem num sábado? Parem de julgar pelas aparências, mas façam um julgamento justo.” — João 7:23, 24.
Os habitantes de Jerusalém que sabem da situação dizem: “Não é este o homem que [os nossos líderes] procuram matar? No entanto, ele está aqui falando em público, e não lhe dizem nada. Será que os nossos líderes realmente acham que ele é o Cristo?” Então por que as pessoas não acreditam nisso? Elas dizem: “Nós sabemos de onde é esse homem; ao passo que, quando o Cristo vier, ninguém saberá de onde ele é.” — João 7:25-27.
Ali mesmo no templo, Jesus responde: “Vocês me conhecem e sabem de onde eu sou. E eu não vim de minha própria iniciativa, mas Aquele que me enviou é real, e vocês não o conhecem. Eu o conheço, porque sou representante dele, e ele me enviou.” (João 7:28, 29) Em resposta a essas palavras tão diretas, as pessoas tentam pegar Jesus, talvez para prendê-lo ou matá-lo. Mas não conseguem fazer isso porque ainda não chegou a hora de ele morrer.
Mas muitos demonstram fé em Jesus, e deviam fazer isso. Pois ele andou sobre a água, acalmou os ventos, alimentou milagrosamente milhares de pessoas com alguns pães e peixes, curou os doentes, fez os mancos andar, abriu os olhos dos cegos, curou os leprosos e até ressuscitou os mortos. Sem dúvida, eles têm bons motivos para se perguntar: “Quando o Cristo vier, será que realizará mais sinais do que esse homem realizou?” — João 7:31.
Quando os fariseus ouviram a multidão dizer essas coisas, eles e os principais sacerdotes enviaram guardas para prender Jesus.
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“Nunca homem algum falou assim”Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 67
“Nunca homem algum falou assim”
GUARDAS SÃO ENVIADOS PARA PRENDER JESUS
NICODEMOS FALA EM DEFESA DE JESUS
Jesus ainda está em Jerusalém para a Festividade das Tendas (ou Barracas). Ele está feliz porque “muitos da multidão depositaram fé nele”. Mas isso não agrada aos líderes religiosos, que enviam guardas para prendê-lo. (João 7:31, 32) No entanto, Jesus não tenta se esconder.
Ele continua a ensinar publicamente em Jerusalém, dizendo: “Ficarei com vocês mais um pouco, antes de ir para Aquele que me enviou. Vocês me procurarão, mas não me acharão, e, para onde eu vou, vocês não podem ir.” (João 7:33, 34) Visto que não entendem, os judeus se perguntam: “Para onde esse homem pretende ir, de modo que não poderemos achá-lo? Será que ele pretende ir aos judeus dispersos entre os gregos e ensinar os gregos? O que ele quer dizer com as palavras: ‘Vocês me procurarão, mas não me acharão, e, para onde eu vou, vocês não podem ir’?” (João 7:35, 36) Jesus está falando sobre sua morte e ressurreição para a vida no céu, e seus inimigos não podem segui-lo até lá.
Chega o sétimo dia da festividade. Durante a festividade, toda manhã um sacerdote derrama numa bacia a água que foi tirada do reservatório de Siloé, para que a água escorra até a base do altar. Talvez para lembrar as pessoas dessa prática, Jesus diz bem alto: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem depositar fé em mim, assim como disse uma passagem das Escrituras, ‘do seu íntimo fluirão correntes de água viva’.” — João 7:37, 38.
Jesus se refere ao que vai acontecer quando seus discípulos forem ungidos com espírito santo e chamados para ter a esperança de vida celestial. Essa unção vai ocorrer após a morte de Jesus. No dia de Pentecostes do próximo ano, as correntes de água que dão vida começarão a fluir quando os discípulos ungidos por espírito divulgarem a verdade às pessoas.
Em resposta a esse ensinamento de Jesus, alguns dizem: “Este é realmente o Profeta”, talvez se referindo ao prometido profeta maior do que Moisés. Outros dizem: “Este é o Cristo.” Mas alguns dizem: “Será que o Cristo vem da Galileia? Não dizem as Escrituras que o Cristo virá da descendência de Davi e de Belém, a aldeia de onde Davi era?” — João 7:40-42.
Assim, a multidão está dividida. Alguns querem que Jesus seja preso, mas ninguém se atreve a tocar nele. Quando os guardas voltam até os líderes religiosos sem Jesus, os principais sacerdotes e os fariseus perguntam: “Por que vocês não o trouxeram para cá?” Os homens respondem: “Nunca homem algum falou assim!” Furiosos, os líderes religiosos começam a zombar deles: “Será que vocês também foram enganados? Por acaso algum dos nossos líderes ou dos fariseus depositou fé nele? Mas essa multidão, que não conhece a Lei, são pessoas amaldiçoadas.” — João 7:45-49.
Com isso, Nicodemos, fariseu e membro do Sinédrio, fala corajosamente em defesa de Jesus. Uns dois anos e meio atrás, Nicodemos foi até Jesus à noite e demonstrou fé nele. Agora Nicodemos diz: “Será que a nossa Lei julga um homem sem que primeiro o ouça e saiba o que ele está fazendo?” Os homens se defendem, dizendo: “Será que você também é da Galileia? Pesquise e veja que nenhum profeta surgirá na Galileia.” — João 7:51, 52.
As Escrituras não dizem diretamente que um profeta viria da Galileia. Mas a Palavra de Deus fala que o Cristo viria de lá. Ela profetizou que “uma grande luz” seria vista na “Galileia das nações”. (Isaías 9:1, 2; Mateus 4:13-17) Além disso, conforme profetizado, Jesus nasceu em Belém e é descendente de Davi. Embora os fariseus saibam disso, é provável que sejam responsáveis por espalhar muitos dos conceitos errados que as pessoas têm sobre Jesus.
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O Filho de Deus é “a luz do mundo”Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 68
O Filho de Deus é “a luz do mundo”
JESUS EXPLICA QUEM O FILHO DE DEUS É
EM QUE SENTIDO OS JUDEUS SÃO ESCRAVOS?
No último dia da Festividade das Tendas, o sétimo dia, Jesus está ensinando no templo, na área chamada de “tesouro”. (João 8:20; Lucas 21:1) Pelo visto, essa área fica no Pátio das Mulheres, onde as pessoas colocam suas contribuições.
À noite na festividade, essa área do templo tem uma iluminação especial. Quatro candelabros enormes ficam ali, cada um com quatro bacias grandes com óleo. A luz dessas lâmpadas é forte o bastante para iluminar uma grande área. O que Jesus diz agora talvez lembre seus seguidores desses candelabros: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue de modo algum andará na escuridão, mas terá a luz da vida.” — João 8:12.
Os fariseus se opõem à declaração de Jesus, dizendo: “Você dá testemunho de si mesmo; seu testemunho não é verdadeiro.” Jesus diz em resposta: “Mesmo que eu dê testemunho de mim mesmo, meu testemunho é verdadeiro, porque eu sei de onde vim e para onde vou. Mas vocês não sabem de onde eu vim nem para onde vou.” Depois continua dizendo: “Na própria Lei de vocês está escrito: ‘O testemunho de dois homens é verdadeiro.’ Eu sou um que dá testemunho de mim mesmo, e o Pai, que me enviou, dá testemunho de mim.” — João 8:13-18.
Os fariseus não concordam com o raciocínio de Jesus e lhe perguntam: “Onde está o seu Pai?” Ele dá uma resposta direta: “Vocês não conhecem nem a mim nem ao meu Pai. Se me conhecessem, conheceriam também o meu Pai.” (João 8:19) Os fariseus ainda querem que Jesus seja preso, mas ninguém se atreve a tocá-lo.
Novamente, Jesus declara: “Eu vou embora, e vocês me procurarão, contudo morrerão nos seus pecados. Para onde eu vou, vocês não podem ir.” Os judeus entendem completamente errado as palavras de Jesus, por isso se perguntam: “Será que ele vai se matar? Porque ele diz: ‘Para onde eu vou, vocês não podem ir.’” Eles não entendem o que Jesus quer dizer porque não sabem de onde ele veio. Jesus explica: “Vocês são dos domínios de baixo; eu sou dos domínios de cima. Vocês são deste mundo; eu não sou deste mundo.” — João 8:21-23.
Jesus está falando sobre a sua vida pré-humana no céu e sobre ser o prometido Messias, ou Cristo, alguém que esses líderes religiosos deviam ter reconhecido. Mas eles perguntam com muito desprezo: “Quem é você?” — João 8:25.
Diante da oposição e rejeição deles, Jesus diz: “Por que é que estou falando com vocês?” Então ele dirige a atenção para seu Pai e explica por que os judeus deviam ouvir o Filho: “Aquele que me enviou é verdadeiro, e aquilo que ouvi dele eu digo ao mundo.” — João 8:25, 26.
Em seguida, Jesus mostra confiança em seu Pai, algo que os judeus não têm: “Depois que vocês tiverem erguido o Filho do Homem, então saberão que eu sou ele e que não faço nada de minha própria iniciativa, mas falo aquilo que o Pai me ensinou. E Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou só, porque faço sempre o que lhe agrada.” — João 8:28, 29.
Mas alguns judeus demonstram fé em Jesus, e ele lhes diz: “Se vocês permanecerem nas minhas palavras, são realmente meus discípulos; vocês conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.” — João 8:31, 32.
Alguns acham estranho o que Jesus diz sobre serem libertados. Por isso, dizem: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como é que você diz: ‘Vocês ficarão livres’?” Os judeus sabem que às vezes foram dominados por estrangeiros, mas se recusam a ser chamados de escravos. No entanto, Jesus mostra que eles ainda são escravos: “Digo-lhes com toda a certeza: Todo aquele que peca é escravo do pecado.” — João 8:33, 34.
Os judeus se recusam a reconhecer que são escravos do pecado, e isso os coloca numa situação perigosa. Jesus explica: “O escravo não permanece na casa para sempre; o filho permanece para sempre.” (João 8:35) Um escravo não tem direito a receber herança e pode ser dispensado a qualquer momento. Somente o filho legítimo ou adotado pela família permanece “para sempre”, ou seja, enquanto ele viver.
Assim, a verdade sobre o Filho é a verdade que liberta para sempre as pessoas do pecado, que resulta na morte. Jesus diz: “Se o Filho os libertar, vocês serão realmente livres.” — João 8:36.
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Jesus cura um homem que nasceu cegoJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 70
Jesus cura um homem que nasceu cego
UM MENDIGO CEGO DE NASCENÇA É CURADO
Jesus ainda está em Jerusalém no sábado. Enquanto ele e seus discípulos andam pela cidade, veem um mendigo que nasceu cego. Os discípulos perguntam a Jesus: “Rabi, quem pecou, este homem ou os seus pais, para ele ter nascido cego?” — João 9:2.
Os discípulos sabem que o homem não tem uma alma invisível, que existia antes de ele nascer, mas talvez se perguntem se alguém pode pecar enquanto está no ventre da mãe. Jesus responde: “Nem este homem pecou, nem os seus pais, mas é para que se mostrem as obras de Deus no caso dele.” (João 9:3) Então nem o homem nem seus pais são culpados de um erro ou pecado que pode ter causado sua cegueira. Em vez disso, em resultado do pecado de Adão, todos os humanos nascem imperfeitos e podem ter deficiências como a cegueira. A situação desse homem dá a Jesus a oportunidade de fazer as obras de Deus, assim como ele curou doentes em outras ocasiões.
Jesus enfatiza a urgência de fazer essas obras, dizendo: “Temos de fazer as obras Daquele que me enviou enquanto é dia; está chegando a noite, quando ninguém poderá trabalhar. Enquanto eu estou no mundo, sou a luz do mundo.” (João 9:4, 5) Em breve, a morte de Jesus vai lançá-lo na escuridão da sepultura, onde ele não poderá fazer nada. Enquanto isso, ele é a fonte da verdadeira luz para o mundo.
Mas será que Jesus vai curar o homem? Nesse caso, como ele fará isso? Jesus cospe no chão e faz lama com a saliva. Depois coloca um pouco dela sobre os olhos do cego e diz: “Vá e lave-se no reservatório de Siloé.” (João 9:7) O homem obedece. Depois de se lavar, ele consegue enxergar. Imagine a alegria desse homem ao enxergar pela primeira vez em sua vida!
Os vizinhos e outros que sabem que ele era cego ficam maravilhados. Eles perguntam: “Este não é o homem que ficava sentado mendigando?” Alguns respondem: “É ele.” Mas outros não conseguem acreditar e dizem: “Não é, mas se parece com ele.” Então o próprio homem responde: “Sou eu mesmo.” — João 9:8, 9.
Assim, eles lhe perguntam: “Como os seus olhos foram abertos?” Ele responde: “O homem chamado Jesus fez lama, passou-a nos meus olhos e me disse: ‘Vá a Siloé e lave-se.’ Então eu fui, me lavei e comecei a enxergar.” Daí eles perguntam: “Onde está esse homem?” O mendigo responde: “Não sei.” — João 9:10-12.
As pessoas levam o homem até os fariseus, que também querem saber como ele foi curado. Ele lhes diz: “Ele pôs lama nos meus olhos, eu me lavei e agora posso enxergar.” Os fariseus deviam se alegrar com o mendigo que foi curado. Mas alguns deles acusam Jesus: “Esse homem não é de Deus, pois não guarda o sábado.” Ainda outros dizem: “Como pode um homem que é pecador realizar sinais desse tipo?” (João 9:15, 16) Assim, eles estão divididos.
Diante dessas opiniões conflitantes, perguntam ao homem: “O que você diz a respeito dele, visto que foram os seus olhos que ele abriu?” Ele não tem dúvidas sobre Jesus e responde: “Ele é um profeta.” — João 9:17.
Os fariseus se recusam a acreditar nisso. Talvez achem que Jesus e o homem combinaram para enganar as pessoas. Concluem que o único modo de resolver o assunto é perguntar aos pais do mendigo se ele realmente era cego.
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Os fariseus questionam o homem que era cegoJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 71
Os fariseus questionam o homem que era cego
OS FARISEUS QUESTIONAM O HOMEM QUE ERA CEGO
OS LÍDERES RELIGIOSOS SÃO “CEGOS”
Os fariseus não conseguem aceitar que Jesus curou um homem que nasceu cego, então chamam os pais do homem. Os pais sabem que correm o risco de ser ‘expulsos da sinagoga’. (João 9:22) Não ter mais associação com outros judeus teria sérias consequências na situação financeira e social da família.
Os fariseus fazem duas perguntas: “Este é o seu filho que vocês dizem que nasceu cego? Como é que agora ele está enxergando?” Os pais respondem: “Sabemos que este é o nosso filho e que ele nasceu cego. Mas não sabemos como é que agora ele está enxergando, nem sabemos quem abriu os olhos dele.” Mesmo que o filho tenha contado aos pais o que aconteceu, eles são cautelosos com o que respondem: “Perguntem a ele. Ele é maior de idade; pode falar por si mesmo.” — João 9:19-21.
Então os fariseus chamam o homem de novo e o intimidam, dizendo que têm provas contra Jesus. Eles exigem: “Dê glória a Deus! Sabemos que esse homem é pecador.” Invalidando a acusação deles, o homem que era cego diz: “Se ele é pecador, não sei. O que eu sei é que eu era cego e agora posso enxergar.” — João 9:24, 25.
Insatisfeitos com a resposta, os fariseus dizem: “O que ele lhe fez? Como abriu os seus olhos?” O homem corajosamente responde: “Eu já lhes disse, mas vocês não escutaram. Por que querem ouvir de novo? Será que vocês também querem se tornar discípulos dele?” Furiosos, os fariseus o acusam: “Você é discípulo daquele homem, mas nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés, mas, quanto a esse homem, não sabemos de onde ele vem.” — João 9:26-29.
O mendigo fica surpreso e diz: “Certamente isso é de admirar! Vocês não sabem de onde ele vem e, contudo, ele abriu os meus olhos.” Então o homem usa um raciocínio claro sobre quem Deus ouve e aprova: “Sabemos que Deus não escuta pecadores, mas, se alguém teme a Deus e faz a sua vontade, ele escuta a essa pessoa. Desde a antiguidade, nunca se ouviu falar que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença.” Isso o leva a concluir: “Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer absolutamente nada.” — João 9:30-33.
Os fariseus não conseguem desmentir o mendigo e o insultam: “Você nasceu inteiramente em pecado e mesmo assim ensina a nós?” Depois o expulsam dali. — João 9:34.
Quando Jesus fica sabendo o que aconteceu, procura o homem e lhe pergunta: “Você tem fé no Filho do Homem?” O homem responde: “Quem é ele, senhor, para que eu possa ter fé nele?” Jesus não deixa dúvidas ao dizer: “Você o viu e, na verdade, é ele quem está falando com você.” — João 9:35-37.
O homem diz em resposta: “Eu tenho fé nele, Senhor!” Mostrando fé e respeito, ele se curva diante de Jesus, que faz uma intrigante declaração: “Vim ao mundo para um julgamento, para que os que não veem possam ver e os que veem se tornem cegos.” — João 9:38, 39.
Esses fariseus sabem que não são cegos. Mas que dizer do seu suposto papel como instrutores espirituais? Para se justificar, eles perguntam: “Será que nós também somos cegos?” Jesus diz: “Se vocês fossem cegos, não seriam culpados de pecado. Mas, como vocês dizem: ‘Nós vemos’, seu pecado permanece.” (João 9:40, 41) Se não fossem instrutores em Israel, seria compreensível rejeitar Jesus como o Messias. Mas, visto que eles têm conhecimento da Lei, rejeitá-lo é um pecado grave.
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Quem é o pai deles — Abraão ou o Diabo?Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 69
Quem é o pai deles — Abraão ou o Diabo?
OS JUDEUS DIZEM QUE ABRAÃO É O PAI DELES
JESUS JÁ EXISTIA ANTES DE ABRAÃO
Jesus ainda está em Jerusalém para a Festividade das Tendas (ou Barracas) e continua ensinando importantes verdades. Alguns judeus que estão na festividade dizem: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém.” Jesus diz em resposta: “Sei que vocês são descendentes de Abraão. Mas vocês procuram me matar, porque não aceitam as minhas palavras. Eu falo do que vi enquanto estava com o meu Pai, mas vocês fazem o que ouviram do seu pai.” — João 8:33, 37, 38.
Jesus quer dizer que seu Pai não é o mesmo que o pai deles. Os judeus não entendem isso, então dizem novamente: “Nosso pai é Abraão.” (João 8:39; Isaías 41:8) E realmente são descendentes de Abraão. Por isso, acham que têm a mesma fé que ele, que foi amigo de Deus.
Mas Jesus dá uma resposta surpreendente: “Se vocês fossem filhos de Abraão, fariam as obras de Abraão.” Realmente, um filho de verdade imita o pai. Então Jesus continua: “Mas o fato é que vocês procuram matar a mim, um homem que lhes disse a verdade que ouviu de Deus. Abraão não agiu assim.” Depois Jesus faz uma intrigante declaração: “Vocês fazem as obras do seu pai.” — João 8:39-41.
Os judeus ainda não entendem de quem Jesus está falando. Afirmam que são filhos legítimos, dizendo: “Não nascemos de imoralidade. Temos um só Pai, Deus.” Mas será que Deus é realmente o Pai deles? Jesus diz: “Se Deus fosse o seu Pai, vocês me amariam, pois vim de Deus e estou aqui. Eu não vim de minha própria iniciativa, mas foi ele que me enviou.” Então Jesus faz uma pergunta e ele mesmo responde: “Por que vocês não entendem o que estou dizendo? Porque são incapazes de ouvir as minhas palavras.” — João 8:41-43.
Jesus tentou mostrar as consequências de rejeitá-lo. Mas agora fala de forma bem direta: “Vocês são filhos do seu pai, o Diabo, e querem satisfazer os desejos do seu pai.” O que sabemos do pai deles? Jesus revela claramente quem ele é: “Ele foi um assassino quando começou, e não permaneceu na verdade.” Depois diz: “Quem é de Deus escuta as declarações de Deus. É por isso que vocês não escutam, porque não são de Deus.” — João 8:44, 47.
Os judeus ficam furiosos com essa acusação e dizem: “Não estamos certos em dizer que você é samaritano e tem demônio?” Ao chamar Jesus de “samaritano”, eles o desrespeitam. Mas ele ignora o insulto e responde: “Eu não tenho demônio, mas honro o meu Pai, e vocês me desonram.” Percebemos a seriedade do assunto na sua surpreendente promessa: “Se alguém obedecer às minhas palavras, nunca jamais verá a morte.” Jesus não quer dizer que os apóstolos e outros que o seguem nunca morrerão, mas que não verão a destruição eterna, “a segunda morte”, sem esperança de ressurreição. — João 8:48-51; Apocalipse 21:8.
Mas os judeus entendem as palavras de Jesus literalmente e dizem: “Agora sabemos que você tem demônio. Abraão morreu, os profetas também, mas você diz: ‘Se alguém obedecer às minhas palavras, nunca jamais provará a morte.’ Será que você é maior do que nosso pai Abraão, que morreu? . . . Quem você pensa que é?” — João 8:52, 53.
É claro que Jesus está falando sobre ser o Messias. Mas, em vez de responder diretamente à pergunta deles sobre quem ele é, Jesus diz: “Se eu glorificar a mim mesmo, a minha glória não é nada. É o meu Pai quem me glorifica, aquele que vocês dizem ser o seu Deus. No entanto, vocês não o conhecem, mas eu o conheço. E, se eu dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vocês.” — João 8:54, 55.
Depois Jesus volta a falar sobre o exemplo do fiel antepassado deles: “Abraão, o pai de vocês, alegrou-se muito com a perspectiva de ver o meu dia, e ele o viu e se alegrou.” Abraão acreditava na promessa de Deus e esperava com expectativa a vinda do Messias. Os judeus não acreditam e dizem: “Você não tem nem 50 anos, e ainda assim viu Abraão?” Jesus responde: “Digo-lhes com toda a certeza: Antes de Abraão vir à existência, eu já existia.” Ele se refere à sua existência pré-humana no céu como um anjo poderoso. — João 8:56-58.
Os judeus ficam furiosos quando Jesus diz que viveu antes de Abraão e querem apedrejá-lo. Mas ele consegue escapar sem ser ferido.
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