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Ele ensina sobre o divórcio e o amor às criançasJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 95
Ele ensina sobre o divórcio e o amor às crianças
MATEUS 19:1-15 MARCOS 10:1-16 LUCAS 18:15-17
JESUS MOSTRA O PONTO DE VISTA DE DEUS SOBRE O DIVÓRCIO
O DOM DO ESTADO DE SOLTEIRO
A IMPORTÂNCIA DE SER COMO CRIANÇAS
Jesus e os discípulos saem da Galileia, atravessam o rio Jordão e seguem para o sul, através da Pereia. Quando esteve pela última vez na Pereia, Jesus falou aos fariseus sobre o padrão divino para o divórcio. (Lucas 16:18) Agora, eles falam sobre isso para testar Jesus.
Moisés escreveu que era permitido se divorciar de uma mulher caso se descobrisse “alguma coisa indecente” da parte dela. (Deuteronômio 24:1) Há diferentes opiniões sobre o que seria um motivo para o divórcio. Alguns acreditam que isso inclui assuntos de menor importância. Por isso, os fariseus perguntam: “É permitido que um homem se divorcie da sua esposa por qualquer motivo?” — Mateus 19:3.
Em vez de recorrer à opinião de humanos, Jesus habilmente se refere ao conceito de Deus sobre o casamento: “Não leram que aquele que os criou no princípio os fez homem e mulher, e disse: ‘Por essa razão o homem deixará seu pai e sua mãe e se apegará à sua esposa, e os dois serão uma só carne’? De modo que não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus pôs sob o mesmo jugo, o homem não deve separar.” (Mateus 19:4-6) Ao unir Adão e Eva no casamento, Deus não abriu exceção para o divórcio.
Os fariseus não concordam com Jesus: “Então, por que Moisés mandou que o homem desse a ela um certificado de divórcio e a mandasse embora?” (Mateus 19:7) Jesus lhes diz: “Foi por causa da dureza do coração de vocês que Moisés lhes fez a concessão de se divorciarem de suas esposas, mas não era assim no princípio.” (Mateus 19:8) Esse “princípio” não se refere aos dias de Moisés, mas a quando Deus instituiu o casamento no Éden.
Então Jesus apresenta uma importante verdade: “Quem se divorcia da sua esposa, a não ser por causa de imoralidade sexual [em grego, porneía], e se casa com outra, comete adultério.” (Mateus 19:9) Assim, a imoralidade sexual é a única base bíblica para o divórcio.
Os discípulos chegam à seguinte conclusão: “Se essa é a situação entre o homem e sua esposa, não é aconselhável se casar.” (Mateus 19:10) Assim, quem pensa em se casar deve considerar o casamento como algo permanente.
Com respeito ao estado de solteiro, Jesus explica que alguns nascem eunucos, incapazes de ter relações sexuais. Outros são feitos eunucos e se tornam incapazes de ter relações. Mas há também aqueles que decidem controlar seu desejo de ter relações. Fazem isso a fim de se concentrar mais plenamente nos assuntos do Reino. Jesus encoraja seus ouvintes: “Dê lugar a isso [o estado de solteiro] aquele que pode dar lugar a isso.” — Mateus 19:12.
Agora as pessoas começam a trazer seus filhos até Jesus. Mas os discípulos as repreendem, provavelmente querendo impedir que o incomodem. Vendo isso, Jesus fica indignado e lhes diz: “Deixem as criancinhas vir a mim. Não tentem impedi-las, pois o Reino de Deus pertence aos que são como elas. Eu lhes digo a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, de modo algum entrará nele.” — Marcos 10:14, 15; Lucas 18:15.
Que excelente lição! Para entrar no Reino de Deus, precisamos ser humildes e estar dispostos a aprender, como as crianças. Então Jesus mostra como ama os pequeninos por pegá-los nos braços e abençoá-los. Ele demonstra terno amor por todos que ‘recebem o Reino de Deus como uma criancinha’. — Lucas 18:17.
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Jesus fala com um jovem governante ricoJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 96
Jesus fala com um jovem governante rico
MATEUS 19:16-30 MARCOS 10:17-31 LUCAS 18:18-30
UM HOMEM RICO PERGUNTA SOBRE A VIDA ETERNA
Jesus ainda está viajando pela Pereia em direção a Jerusalém. Um jovem rico vai até ele e se ajoelha. O homem é “um dos líderes”, talvez seja presidente da sinagoga ou membro do Sinédrio. Ele pergunta: “Bom Instrutor, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” — Lucas 8:41; 18:18; 24:20.
Jesus responde: “Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um só, Deus.” Provavelmente o homem usa “bom” como título, assim como os rabinos fazem. Embora Jesus seja um bom instrutor, ele deixa claro para o homem que o título “Bom” pertence apenas a Deus.
Jesus o aconselha: “Porém, se você quer entrar na vida, obedeça sempre aos mandamentos.” Por isso, o homem pergunta: “Quais?” Jesus cita cinco dos Dez Mandamentos: não assassinar, não cometer adultério, não roubar, não dar falso testemunho e honrar os pais. Então acrescenta um mandamento mais importante: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” — Mateus 19:17-19.
O homem diz: “Tenho cumprido todos esses. O que me falta ainda?” (Mateus 19:20) Talvez ele ache que ainda tem de fazer alguma boa ação ou algo extraordinário que o qualifique para a vida eterna. Percebendo que o seu pedido é sincero, Jesus ‘sente amor por ele’. (Marcos 10:21) No entanto, o homem tem um obstáculo diante de si.
O homem tem muito apego aos seus bens materiais. Então Jesus diz: “Falta uma coisa a seu respeito: vá, venda o que você tem e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu; e venha ser meu seguidor.” O homem podia distribuir seu dinheiro aos pobres, que não têm como lhe pagar, e se tornar discípulo de Jesus. Provavelmente sentindo pena do homem, Jesus o vê se levantar e ir embora triste. Por se apegar às riquezas, suas “muitas posses”, o verdadeiro tesouro fica escondido do homem. (Marcos 10:21, 22) Jesus diz: “Como será difícil para os que têm dinheiro entrar no Reino de Deus!” — Lucas 18:24.
Os discípulos ficam surpresos com essas palavras e com o que Jesus diz a seguir: “De fato, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha de costura, do que um rico entrar no Reino de Deus.” Isso leva os discípulos a perguntar: “Quem é que pode ser salvo?” Ele diz: “As coisas impossíveis para os homens são possíveis para Deus.” — Lucas 18:25-27.
Pedro destaca que eles fizeram uma escolha diferente da feita pelo homem rico, dizendo: “Veja, deixamos tudo e seguimos o senhor. O que haverá então para nós?” Jesus menciona o resultado dessa escolha correta: “Na recriação, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono glorioso, vocês que me seguiram se sentarão em 12 tronos e julgarão as 12 tribos de Israel.” — Mateus 19:27, 28.
Fica claro que Jesus está falando do futuro, quando haverá a recriação das condições que existiam no jardim do Éden. Pedro e os outros discípulos serão recompensados por governar com Jesus sobre o Paraíso terrestre, uma recompensa que vale qualquer sacrifício.
Contudo, as recompensas não são apenas futuras. Os discípulos já são recompensados agora, pois Jesus diz: “Não há ninguém que tenha deixado casa, esposa, irmãos, pais ou filhos por causa do Reino de Deus que não receba muitas vezes mais neste tempo e, no futuro sistema de coisas, a vida eterna.” — Lucas 18:29, 30.
Não importa para onde vão, a amizade que os discípulos de Jesus podem ter com seus irmãos na fé é mais achegada e valiosa do que a amizade com pessoas da própria família. Infelizmente, parece que o jovem governante rico vai perder essa bênção, bem como a recompensa da vida no Reino celestial de Deus.
Jesus acrescenta: “Mas muitos que são primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.” (Mateus 19:30) O que ele quer dizer?
O jovem governante rico está entre os “primeiros”, pois é um dos líderes dos judeus. Por obedecer aos mandamentos de Deus, ele tem potencial para o futuro e pode se esperar muito dele. Mas está colocando as riquezas à frente de tudo na vida. Por outro lado, as pessoas comuns percebem que os ensinamentos de Jesus são a verdade e o caminho para a vida. Elas têm sido as ‘últimas’, por assim dizer, mas agora se tornam as ‘primeiras’, pois têm a perspectiva de se sentar em tronos no céu com Jesus e governar sobre o Paraíso terrestre.
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A ilustração dos trabalhadores no vinhedoJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 97
A ilustração dos trabalhadores no vinhedo
OS “ÚLTIMOS” TRABALHADORES NO VINHEDO SE TORNAM OS “PRIMEIROS”
Jesus acaba de dizer aos seus ouvintes na Pereia que “muitos que são primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros”. (Mateus 19:30) Ele enfatiza isso com uma ilustração sobre trabalhadores em um vinhedo.
Jesus diz: “Pois o Reino dos céus é semelhante a um proprietário, que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para o seu vinhedo. Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os ao seu vinhedo. Por volta da terceira hora, ao sair novamente, viu outros que estavam na praça principal sem trabalhar, e disse a eles: ‘Vão vocês também ao vinhedo, e eu lhes darei o que for justo.’ De modo que eles foram. Ele saiu novamente por volta da sexta hora e da nona hora, e fez o mesmo. Finalmente, por volta da décima primeira hora, ele saiu e encontrou outros parados ali, e lhes perguntou: ‘Por que ficaram aqui o dia todo sem trabalhar?’ Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou.’ Disse-lhes: ‘Vão também ao vinhedo.’” — Mateus 20:1-7.
É provável que os ouvintes pensem em Jeová Deus quando Jesus fala sobre “o Reino dos céus” e “um proprietário”. As Escrituras identificam Jeová como o proprietário de um vinhedo, que representa a nação de Israel. (Salmo 80:8, 9; Isaías 5:3, 4) Os que estão debaixo do pacto da Lei são comparados a trabalhadores no vinhedo. Mas Jesus não está fazendo uma ilustração sobre o passado. Ele está descrevendo uma situação dos seus dias.
Assim como os fariseus, que há pouco tempo testaram Jesus sobre o divórcio, os líderes religiosos aparentemente estão sempre trabalhando no serviço a Deus. Eles são como os que trabalham o dia todo e que esperam receber um denário, o pagamento completo de um dia de trabalho.
Para os sacerdotes e outros como eles, os judeus comuns não servem tão plenamente a Deus e são comparados aos que trabalham menos tempo no vinhedo. Nessa ilustração, esses são os homens contratados “por volta da terceira hora” (9 horas) ou mais tarde: na sexta, na nona e finalmente na décima primeira hora (17 horas).
Os que seguem Jesus são vistos como “pessoas amaldiçoadas”. (João 7:49) Eles têm trabalhado como pescadores ou em outra ocupação braçal durante quase toda a vida. Então, por volta de outubro de 29 EC, “o dono do vinhedo” envia Jesus para chamar esses humildes a fim de trabalhar para Deus como discípulos de Cristo. Eles são “os últimos” mencionados por Jesus, os trabalhadores da décima primeira hora no vinhedo.
Concluindo, Jesus descreve o que ocorre no final do dia de trabalho: “Quando anoiteceu, o dono do vinhedo disse ao seu administrador: ‘Chame os trabalhadores e pague-lhes seu salário, começando com os últimos e terminando com os primeiros.’ Quando os homens da décima primeira hora chegaram, cada um deles recebeu um denário. Então, quando os primeiros chegaram, concluíram que receberiam mais, mas eles também receberam o pagamento de um denário cada um. Após recebê-lo, começaram a reclamar contra o proprietário e disseram: ‘Esses últimos homens trabalharam só uma hora; ainda assim o senhor os igualou a nós, que suportamos o fardo do dia e o calor intenso!’ Mas ele disse, em resposta, a um deles: ‘Amigo, não lhe faço nenhuma injustiça. Você não concordou comigo em um denário? Pegue o que é seu e vá. Eu quero dar a esse último o mesmo que a você. Não tenho o direito de fazer o que quero com as minhas próprias coisas? Ou você ficou com inveja porque eu fui bom com eles?’ Desse modo, os últimos serão primeiros; e os primeiros, últimos.” — Mateus 20:8-16.
Os discípulos talvez se perguntem sobre o significado do final da ilustração. Como os líderes religiosos judeus, que pensam ser “os primeiros”, se tornarão “últimos”? E como os discípulos de Jesus se tornarão “primeiros”?
Os discípulos de Jesus, a quem os fariseus e outros veem como “últimos”, serão os “primeiros”, pois receberão o pagamento completo. Com a morte de Jesus, a Jerusalém terrestre será rejeitada, e Deus escolherá uma nova nação, “o Israel de Deus”. (Gálatas 6:16; Mateus 23:38) João Batista se referiu aos que fariam parte do “Israel de Deus” quando falou sobre o futuro batismo com espírito santo. Esses, que têm sido “últimos”, serão os primeiros a ter esse batismo e a receber o privilégio de ser testemunhas de Jesus “até a parte mais distante da terra”. (Atos 1:5, 8; Mateus 3:11) Pelo que entenderam da grande mudança de que Jesus está falando, pode ser que os discípulos imaginem a forte oposição que enfrentarão por parte dos líderes religiosos, que se tornam “os últimos”.
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Os apóstolos mais uma vez buscam ter destaqueJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 98
Os apóstolos mais uma vez buscam ter destaque
MATEUS 20:17-28 MARCOS 10:32-45 LUCAS 18:31-34
JESUS PREDIZ A SUA MORTE DE NOVO
COMO ELE LIDA COM O DESEJO DOS APÓSTOLOS DE TER DESTAQUE
Jesus e seus discípulos estão viajando pela Pereia, indo em direção a Jerusalém ao sul. Quase no final da viagem, atravessam o rio Jordão, próximo de Jericó. Outras pessoas os acompanham para a Páscoa de 33 EC.
Jesus caminha na frente dos discípulos, decidido a chegar à cidade a tempo para a Páscoa. Mas os discípulos estão com medo. Numa ocasião anterior, quando Lázaro morreu e Jesus estava saindo da Pereia em direção à Judeia, Tomé disse aos outros discípulos: “Vamos também, para morrermos com ele.” (João 11:16, 47-53) Portanto, a viagem para Jerusalém é arriscada, e podemos entender por que os discípulos estão com medo.
A fim de prepará-los para o que vem pela frente, Jesus leva os discípulos à parte e lhes diz: “Estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte e o entregarão a homens das nações para que zombem dele, o açoitem, e o matem na estaca; e no terceiro dia ele será levantado.” — Mateus 20:18, 19.
Essa é a terceira vez que Jesus fala a seus discípulos sobre a sua morte e ressurreição. (Mateus 16:21; 17:22, 23) Mas, desta vez, ele menciona que será morto numa estaca. Eles ouvem Jesus, mas não entendem o significado das suas palavras. Talvez achem que o reino de Israel será restaurado na Terra e, assim, querem ter glória e honra junto com Cristo num reino terrestre.
A mãe dos apóstolos Tiago e João, que provavelmente é Salomé, está entre os viajantes. Jesus deu a esses dois apóstolos um nome que significa “filhos do trovão”, com certeza por causa do temperamento impetuoso deles. (Marcos 3:17; Lucas 9:54) Já faz algum tempo que eles querem ter destaque no Reino do Cristo. A mãe deles sabe disso. Agora ela se aproxima de Jesus, se curva e lhe pede um favor em nome deles. Jesus pergunta: “O que você quer?” Ela responde: “Declare que estes dois filhos meus se sentarão um à sua direita e outro à sua esquerda, no seu Reino.” — Mateus 20:20, 21.
O pedido na verdade vem de Tiago e João. Jesus acabou de falar sobre a vergonha e a humilhação que está para sofrer. Por isso, ele lhes diz: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Será que podem beber o cálice que eu estou para beber?” Eles respondem: “Podemos.” (Mateus 20:22) É provável que não entendam o que isso realmente significa para eles.
Apesar disso, Jesus lhes diz: “De fato, vocês beberão o meu cálice, mas sentar-se à minha direita e à minha esquerda não cabe a mim conceder; esses lugares pertencem àqueles para quem o meu Pai os preparou.” — Mateus 20:23.
Quando os outros dez apóstolos descobrem o que Tiago e João pediram, ficam indignados. Será que Tiago e João foram os que mais expressaram seu desejo de ser o maior quando os apóstolos disputaram sobre isso anteriormente? (Lucas 9:46-48) Não sabemos, mas esse último pedido revela que os apóstolos ainda não aplicaram o conselho que Jesus deu sobre se comportar como alguém menor. Eles ainda têm o desejo de ter destaque.
Jesus decide abordar esse assunto e o desconforto que isso está criando. Ele chama os Doze e os aconselha amorosamente: “Vocês sabem que os que são considerados governantes das nações dominam sobre elas, e seus grandes exercem autoridade sobre elas. Não deve ser assim entre vocês; mas quem quiser se tornar grande entre vocês tem de ser o seu servo, e quem quiser ser o primeiro entre vocês tem de ser o escravo de todos.” — Marcos 10:42-44.
Então Jesus apresenta o exemplo que eles devem imitar: “O Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em troca de muitos.” (Mateus 20:28) Já faz três anos que Jesus tem servido aos outros. E ele fará isso a ponto de morrer pela humanidade. Os discípulos precisam cultivar a mesma disposição de Cristo, isto é, querer servir a outros em vez de ser servido, e ser como alguém menor em vez de ter destaque.
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Jesus cura dois cegos e ajuda ZaqueuJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 99
Jesus cura dois cegos e ajuda Zaqueu
MATEUS 20:29-34 MARCOS 10:46-52 LUCAS 18:35–19:10
JESUS CURA DOIS CEGOS EM JERICÓ
ZAQUEU, UM COBRADOR DE IMPOSTOS, SE ARREPENDE
Jesus e os que viajam com ele chegam a Jericó, que está a um dia de distância de Jerusalém. Jericó é formada por duas partes: a cidade antiga está a quase dois quilômetros da cidade nova, a qual foi construída durante a época romana. Enquanto Jesus e a multidão saem de uma dessas cidades e se aproximam da outra, dois mendigos cegos ouvem a agitação. O nome de um deles é Bartimeu.
Ao ouvirem que Jesus está passando por ali, Bartimeu e seu amigo começam a gritar: “Senhor, Filho de Davi, tenha misericórdia de nós!” (Mateus 20:30) Alguns na multidão mandam que eles fiquem quietos, mas os dois gritam ainda mais alto. Ouvindo a agitação, Jesus para e pede aos que o acompanham que chamem os homens que estão gritando. Eles vão até os mendigos e dizem a um deles: “Coragem! Levante-se, ele está chamando você.” (Marcos 10:49) Animado, o homem cego tira sua capa, levanta-se e vai até Jesus.
Jesus pergunta: “O que vocês querem que eu faça por vocês?” Os dois cegos suplicam: “Senhor, faça com que nossos olhos se abram.” (Mateus 20:32, 33) Movido por compaixão, Jesus toca nos olhos deles e diz especialmente a um deles: “Vá, sua fé fez você ficar bom.” (Marcos 10:52) Os dois mendigos cegos passam a enxergar e, sem dúvida, começam a glorificar a Deus. Vendo o que aconteceu, as pessoas também dão glória a Deus. Os homens que agora conseguem enxergar começam a seguir Jesus.
Enquanto Jesus passa por Jericó, há uma grande multidão em volta dele. Todos querem ver aquele que curou os cegos. As pessoas se aglomeram em volta de Jesus, e alguns nem conseguem vê-lo, como é o caso de Zaqueu. Ele é chefe dos cobradores de impostos da região de Jericó. Por ser baixo, não consegue ver o que está acontecendo. Então corre na frente e sobe num sicômoro (ou figueira-brava) que está no caminho em que Jesus está passando. Lá de cima, ele tem uma boa visão de tudo. Quando Jesus se aproxima e vê Zaqueu em cima da árvore, ele diz: “Zaqueu, desça depressa, pois hoje tenho de ficar na sua casa.” (Lucas 19:5) Ele desce e corre para dar boas-vindas ao seu ilustre visitante.
Quando as pessoas veem o que está acontecendo, começam a resmungar. Acham que não está certo Jesus ser hóspede de um homem que elas consideram pecador. Zaqueu ficou rico por ser desonesto e extorquir dinheiro ao cobrar impostos.
Quando Jesus entra na casa de Zaqueu, as pessoas reclamam: “Ele foi se hospedar na casa de um homem que é pecador.” No entanto, Jesus vê que Zaqueu pode se arrepender. E ele não fica desapontado. Zaqueu se levanta e lhe diz: “Senhor, escute, vou dar aos pobres a metade dos meus bens e, o que quer que eu tenha extorquido de alguém, vou restituir quatro vezes mais.” — Lucas 19:7, 8.
Essa é uma excelente maneira de Zaqueu provar que está sinceramente arrependido. É provável que ele consiga calcular, com base nos seus registros fiscais, quanto recebeu dos judeus e promete restituir quatro vezes mais. Isso é mais do que a Lei de Deus exige. (Êxodo 22:1; Levítico 6:2-5) Além disso, Zaqueu promete dar metade dos seus bens aos pobres.
Jesus está contente por Zaqueu demonstrar que está arrependido e diz: “Hoje entrou a salvação nesta casa, porque ele também é filho de Abraão. Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.” — Lucas 19:9, 10.
Há pouco tempo, Jesus falou sobre a situação dos que estão ‘perdidos’, usando a ilustração do filho pródigo. (Lucas 15:11-24) Agora ele usa um exemplo da vida real, de alguém que estava perdido e foi encontrado. Os líderes religiosos e seus seguidores talvez reclamem de Jesus e o critiquem por dar atenção a pessoas como Zaqueu. Mas Jesus continua a procurar e restaurar os filhos perdidos de Abraão.
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A ilustração das dez minasJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 100
A ilustração das dez minas
JESUS CONTA A ILUSTRAÇÃO DAS DEZ MINAS
Talvez Jesus ainda esteja na casa de Zaqueu com seus discípulos, embora Jerusalém seja o seu destino. Eles acreditam que “o Reino de Deus” está para ser estabelecido e que Jesus será o Rei. (Lucas 19:11) Os discípulos não entendem isso, assim como não conseguem entender que Jesus precisa morrer. Então ele conta uma ilustração para ajudá-los a ver que o Reino ainda é para um tempo futuro.
Ele diz: “Um homem de origem nobre viajou para um país distante, a fim de se tornar rei e voltar.” (Lucas 19:12) Uma viagem como essa levaria tempo. Fica claro que Jesus é o “homem de origem nobre” que viaja para um “país distante”, isto é, o céu, onde seu Pai lhe dará poder real.
Na ilustração, antes de o “homem de origem nobre” partir, ele chama dez escravos e dá a cada um deles uma mina de prata, dizendo: “Façam negócios com essas minas até eu voltar.” (Lucas 19:13) Uma mina era uma quantidade razoável de moedas de prata. Um agricultor precisava trabalhar pouco mais de três meses para receber esse valor.
Talvez os discípulos compreendam que são como os dez escravos na ilustração, pois Jesus já os comparou a trabalhadores na colheita. (Mateus 9:35-38) É claro que ele não pediu para eles participarem de uma colheita literal. Em vez disso, ele se referia a uma colheita de discípulos que poderão fazer parte do Reino de Deus. Os discípulos usam suas habilidades e recursos para produzir mais herdeiros do Reino.
O que mais Jesus ensina na ilustração? Ele diz que os conterrâneos do homem de origem nobre “o odiavam e enviaram um grupo de embaixadores atrás dele, para dizer: ‘Não queremos que este homem se torne rei sobre nós.’” (Lucas 19:14) Os discípulos sabem que os judeus não aceitam Jesus, alguns até querem matá-lo. Mesmo após a morte de Jesus e sua partida para o céu, os judeus perseguem seus discípulos, mostrando que não o aceitam. Fica claro que não querem Jesus como rei. — João 19:15, 16; Atos 4:13-18; 5:40.
Como os dez escravos usam as minas até que o ‘homem de origem nobre se torne rei e volte’? Jesus diz: “Por fim, quando ele voltou depois de se tornar rei, convocou esses escravos a quem tinha dado o dinheiro, a fim de saber o que tinham ganhado com sua atividade comercial. Então o primeiro se aproximou e disse: ‘Senhor, a sua mina rendeu dez minas.’ Ele lhe disse: ‘Muito bem, escravo bom! Visto que você se mostrou fiel num assunto muito pequeno, receba autoridade sobre dez cidades.’ Então chegou o segundo, dizendo: ‘Senhor, a sua mina produziu cinco minas.’ Ele disse também a este: ‘Você também, tome conta de cinco cidades.’” — Lucas 19:15-19.
Se os discípulos entenderem que são como os escravos que usam suas habilidades e recursos para fazer discípulos, podem estar certos de que Jesus ficará contente e recompensará sua diligência. Naturalmente, as circunstâncias dos discípulos de Cristo são diferentes, e eles não têm as mesmas oportunidades ou habilidades. Mas Jesus, que ‘se tornará rei’, reconhecerá e abençoará seus esforços leais para fazer discípulos. — Mateus 28:19, 20.
Jesus conclui com um contraste: “Mas outro [escravo] chegou, dizendo: ‘Senhor, aqui está a sua mina, que deixei escondida num pano. Pois eu tive medo do senhor, visto que é homem severo; retira o que não depositou e colhe o que não semeou.’ Ele lhe disse: ‘Pelas suas próprias palavras eu o julgo, escravo mau. Quer dizer que você sabia que sou homem severo, que retiro o que não depositei e colho o que não semeei? Então, por que você não pôs meu dinheiro num banco? Assim, na minha vinda, eu o teria cobrado com juros.’ Com isso, ele disse aos que estavam ali: ‘Tirem dele a mina e deem-na àquele que tem dez minas.’” — Lucas 19:20-24.
Visto que esse escravo foi negligente em aumentar a riqueza do reino do seu senhor, ele perde sua mina. Os apóstolos estão na expectativa do reinado de Jesus no Reino de Deus. Com base no que ele diz sobre o último escravo, talvez percebam que, se não forem diligentes, não terão lugar no Reino.
As palavras de Jesus encorajam os discípulos leais a se esforçar mais. Ele conclui: “A todo aquele que tem, mais será dado; mas daquele que não tem, até mesmo o que tem será tirado.” Ele acrescenta que seus inimigos, que não querem que ele ‘se torne rei sobre eles’, serão executados. Então Jesus continua sua viagem para Jerusalém. — Lucas 19:26-28.
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