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A semana que mudou o mundoA Sentinela — 1992 | 1.° de março
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A semana que mudou o mundo
“Bendito é aquele que vem em nome de Jeová!” — MATEUS 21:9.
1. Que dois grupos contrastantes foram afetados pelos eventos de agosto último?
“TRÊS DIAS ANGUSTIANTES QUE ABALARAM O MUNDO.” Em agosto de 1991, manchetes como esta acentuaram o fato de que o mundo pode ser convulsionado em questão de dias. Deveras, os últimos dias de agosto foram muito significativos, não apenas para o mundo, mas também para um grupo sobre o qual Jesus disse: “Não fazem parte do mundo.” Este grupo é conhecido hoje como Testemunhas de Jeová. — João 17:14.
2, 3. (a) De que modo foi realçada a liberdade em Zagreb, apesar das nuvens de guerra? (b) De que modo a forte fé foi recompensada em Odessa?
2 O primeiro congresso internacional das Testemunhas de Jeová na Iugoslávia, de todos os tempos, havia sido programado para 16 a 18 de agosto. E resultou ser também o primeiro grande congresso do povo de Jeová dentro de uma nação à beira da guerra civil. Testemunhas locais, junto com voluntários de países vizinhos, haviam trabalhado por dois meses na faxina e reparos gerais do estádio de futebol HAŠK Građanski, em Zagreb. O local ficou impecavelmente limpo, ideal para o Congresso “Amantes da Liberdade Divina”. Milhares de congressistas internacionais haviam planejado comparecer, incluindo 600 dos Estados Unidos. Quando a ameaça de uma guerra civil se tornou forte, ouvia-se o rumor: “Os americanos com certeza não virão.” Mas eles vieram, além de congressistas de muitos outros países. Esperava-se uma assistência de 10.000 pessoas, mas, no último dia, 14.684 compareceram ao estádio! Todos foram muito abençoados por não ‘deixarem de se ajuntar’. — Hebreus 10:25.
3 Durante os três dias que se seguiram ao congresso em Zagreb, houve um malsucedido golpe de estado na União Soviética. Naquela ocasião, os amantes da liberdade divina ultimavam os preparativos para seu congresso em Odessa, na Ucrânia. Seria possível realizar o congresso? Com forte fé, os irmãos davam os últimos retoques nos reparos gerais do estádio, e os congressistas não paravam de chegar. Como que por um milagre, o golpe de estado fracassou. Realizou-se um feliz congresso nos dias 24 e 25 de agosto, com a presença de 12.115 pessoas, sendo que 1.943 — 16 por cento da assistência máxima — foram batizadas! Estas novas Testemunhas, junto com outras que há muito mantêm a integridade, alegraram-se de terem ido ao congresso com plena confiança em Jeová. — Provérbios 3:5, 6.
4. As Testemunhas na Europa Oriental têm seguido que padrão estabelecido por Jesus?
4 Essas Testemunhas fiéis seguiam o padrão estabelecido por nosso Exemplo, Jesus Cristo. Ele jamais deixou de ir às festividades ordenadas por Jeová, mesmo quando os judeus procuravam matá-lo. Quando Jesus chegou a Jerusalém para a sua última Páscoa, esses judeus que estavam no templo perguntavam-se: ‘Qual é a vossa opinião? Que ele absolutamente não virá à festividade?’ (João 11:56) Mas ele foi! Isto preparou o cenário para uma semana que culminou numa reversão do curso da história humana. Que tal recapitularmos alguns destaques daquela semana — 8 a 14 de nisã do calendário judaico?
8 de Nisã
5. Do que estava Jesus ciente ao viajar a Betânia em 8 de nisã de 33 EC?
5 Neste dia, Jesus e seus discípulos chegam a Betânia. Ali, Jesus passa seis noites na casa de seu amado amigo Lázaro, a quem recentemente levantara dentre os mortos. Betânia fica perto de Jerusalém. Em particular, Jesus já prevenira seus discípulos: “Eis que estamos subindo a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e escribas, e eles o condenarão à morte, e o entregarão a homens das nações, para se divertirem às custas dele e para o açoitarem e pregarem numa estaca, e no terceiro dia ele será levantado.” (Mateus 20:18, 19) Jesus está plenamente ciente de que chegou o momento de enfrentar provações agonizantes. Contudo, à medida que o supremo teste se aproxima, ele não mede esforços em servir amorosamente seus irmãos. Tenhamos sempre “esta atitude mental que houve também em Cristo Jesus”. — Filipenses 2:1-5; 1 João 3:16.
9 de Nisã
6. Na noitinha de 9 de nisã, o que fez Maria, e o que disse Jesus a Judas?
6 Depois do pôr-do-sol, quando se inicia o 9 de nisã, Jesus toma uma refeição na casa do ex-leproso Simão. É ali que Maria, irmã de Lázaro, derrama um dispendioso óleo perfumado sobre a cabeça e os pés de Jesus e, humildemente, enxuga os pés dele com os seus cabelos. Confrontado com a objeção de Judas, Jesus diz: “Deixai-a, para que ela mantenha esta observância, em vista do dia do meu enterro.” Ouvindo falar que muitos judeus estão indo para Betânia e depositando fé nele, os principais sacerdotes tramam matar tanto Jesus como Lázaro. — João 12:1-7.
7. Na manhã de 9 de nisã, como foi honrado o nome de Jeová, e o que predisse Jesus?
7 Cedo de manhã, Jesus parte para Jerusalém. A multidão vai ao seu encontro, agitando ramos de palmeira e bradando: “Salva, rogamos-te! Bendito aquele que vem em nome de Jeová, sim, o rei de Israel!” Jesus cumpre então a profecia de Zacarias 9:9, dirigindo-se à cidade montado num jumento. Aproximando-se de Jerusalém ele chora por causa dela, predizendo que os romanos a cercarão com estacas pontiagudas e a destruirão completamente — uma profecia que haveria de ter um notável cumprimento 37 anos mais tarde. (Isto é também um mau agouro para a cristandade, que se apostatou assim como a antiga Jerusalém.) Os governantes judeus não querem que Jesus seja seu rei. Irados, exclamam: ‘Eis que o mundo foi atrás dele!’ — João 12:13, 19.
10 de Nisã
8. Em 10 de nisã, como mostrou Jesus profundo respeito pela casa de oração de Jeová, e o que se seguiu?
8 Jesus vai novamente ao templo. Pela segunda vez expulsa dali comerciantes e cambistas gananciosos. O comercialismo — “o amor ao dinheiro” — não deve tomar conta da casa de oração de Jeová! (1 Timóteo 6:9, 10) A morte de Jesus se aproxima. Ele se refere ao plantio de uma semente para ilustrar isso. A semente morre, mas germina e produz um talo que dá muitos grãos. Similarmente, a morte de Jesus resultará na vida eterna para a multidão que exerce fé nele. Aflito diante da aproximação de sua morte, Jesus ora para que, através dela, o nome de seu Pai seja glorificado. Em resposta, a voz de Deus ressoa do céu, aos ouvidos de todos os presentes: “Eu tanto o glorifiquei como o glorificarei de novo.” — João 12:27, 28.
11 de Nisã — Um Dia de Atividade
9. (a) Cedo no dia 11 de nisã, que ilustrações usou Jesus para condenar os judeus apóstatas? (b) Segundo a parábola de Jesus, quem desperdiçou uma grande oportunidade?
9 Jesus e seus discípulos partem novamente de Betânia, para um dia repleto de atividades. Jesus usa três ilustrações para mostrar por que o judaísmo apóstata é condenado. Ele havia amaldiçoado uma figueira infrutífera, e a sua então condição ressequida retratava a nação judaica infrutífera e sem fé. Ao entrar no templo, ele conta a respeito de desprezíveis lavradores do vinhedo de um amo que, por fim, assassinam até mesmo o filho e herdeiro do amo — retratando assim a traição dos judeus àquilo que Jeová lhes confiara, traição esta que haveria de culminar em eles matarem Jesus. Fala também sobre uma festa de casamento organizada por um rei — Jeová — cujos convidados (os judeus) egoisticamente dão desculpas para não comparecer. Assim, faz-se o convite a estranhos — os gentios — alguns dos quais aceitam. No entanto, certo homem flagrado sem a roupa de casamento é expulso da festa. Ele representa os cristãos de imitação, da cristandade. Muitos judeus dos dias de Jesus foram convidados “mas poucos escolhidos” para fazerem parte dos 144.000 selados que herdam o Reino celestial. — Mateus 22:14; Revelação (Apocalipse) 7:4.
10-12. (a) Por que Jesus censurou fortemente o clero judaico, e que dura denúncia fez ele contra aqueles hipócritas? (b) Como por fim se aplicou a condenação contra os judeus apóstatas?
10 O hipócrita clero judaico busca uma oportunidade para apoderar-se de Jesus, mas este refuta várias perguntas capciosas deles e os confunde diante do povo. Ah, esses renegados judeus religiosos! Quão francamente Jesus os censura! Eles gostam de destaque, vestes distintivas e títulos altissonantes, tais como “Rabi” [“Rabino”] e “Pai”, similar a muitos clérigos da atualidade. Jesus enuncia a regra: “Quem se enaltecer, será humilhado, e quem se humilhar, será enaltecido.” — Mateus 23:12.
11 Jesus faz uma dura denúncia contra aqueles líderes religiosos. Sete vezes exclama: ‘Ai de vós!’, chamando-os de guias cegos e hipócritas. E fornece sempre os claros motivos para a condenação. Esses religiosos bloqueiam a entrada para o Reino dos céus. Quando engodam um prosélito, este se torna duplamente objeto para a Geena, provavelmente por já estar sujeito à destruição devido a anteriores pecados crassos ou fanatismo. “Tolos e cegos!”, declara Jesus, pois os fariseus centralizam seu interesse no ouro do templo em vez de em perpetuar a adoração pura ali. Eles desconsideram a justiça, a misericórdia e a fidelidade ao darem o décimo das cobiçadas hortelã, endro e cominho, e desconsideram os assuntos mais importantes da Lei. Lavagens ritualísticas jamais removerão a sua sujeira interna — apenas um coração purificado por meio da fé no iminente sacrifício de Jesus pode conseguir isto. Nenhuma ‘caiação’ exterior consegue disfarçar-lhes o interior, que é hipócrita e transgressor da lei. — Mateus 23:13-29.
12 Sim, realmente, ‘ai dos fariseus’, legítimos “filhos daqueles que assassinaram os profetas” da antiguidade! São serpentes, descendência de víboras, condenados à Geena, pois matarão não apenas Jesus, mas também aqueles a quem ele enviar. Trata-se de uma condenação a ser executada “sobre esta geração”. Em cumprimento disto, Jerusalém foi totalmente destruída 37 anos mais tarde. — Mateus 23:30-36.
13. As observações de Jesus sobre contribuições no templo se refletem em que situações hoje?
13 Antes de deixar o templo, Jesus tece comentários elogiosos sobre uma viúva necessitada que lança no cofre do templo duas pequenas moedas — “todo o seu meio de vida”. Deveras um contraste com os ricos gananciosos, que lançam apenas contribuições formais! Como no caso da viúva necessitada, as Testemunhas de Jeová hoje espontaneamente sacrificam tempo, energia e recursos financeiros para apoiar e expandir a obra mundial do Reino. Quão diferente isto é daqueles televangelistas imorais que tosquiam seus rebanhos para construir impérios de riqueza pessoal! — Lucas 20:45-21:4.
Momentos Finais de 11 de Nisã
14. Que tristeza expressou Jesus, e como respondeu ele às indagações adicionais de seus discípulos?
14 Jesus chora por causa de Jerusalém e de seu povo, e exclama: “De modo algum me vereis doravante, até que digais: ‘Bendito aquele que vem em nome de Jeová!’” (Mateus 23:37-39) Mais tarde, quando estão sentados no monte das Oliveiras, os discípulos íntimos de Jesus indagam-lhe a respeito disso e, em resposta, Jesus descreve o sinal que marcará a sua presença no poder do Reino e a terminação do iníquo sistema de coisas, de Satanás. — Mateus 24:1-25:46; Marcos 13:1-37; Lucas 21:5-36.
15. Que sinal deu Jesus concernente à sua presença para julgar, e desde quando isto se cumpre?
15 Referindo-se à iminente destruição do templo, como expressão de julgamento de Jeová, Jesus indica que isto prefigura futuros acontecimentos catastróficos na terminação do inteiro sistema de coisas. Aquela época de sua presença será marcada pelo irrompimento de guerras em escala sem precedentes, bem como fomes, terremotos e pestilências, junto com falta de amor e de respeito à lei. Quão exatamente isto descreve o mundo do século 20, desde 1914!
16, 17. Que acontecimentos mundiais descreveu Jesus, e como devem os cristãos reagir diante dessa profecia?
16 Alcançar-se-á um clímax numa “grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo”. Visto que isto será tão devastador como o Dilúvio dos dias de Noé, Jesus adverte contra absorver-se em empenhos mundanos. “Portanto, mantende-vos vigilantes, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.” Quão felizes nos podemos sentir de que o Amo designou um ungido “escravo fiel e discreto” para soar o aviso e suprir abundante alimento espiritual para este dia de sua presença! — Mateus 24:21, 42, 45-47.
17 No nosso século 20, temos visto “na terra angústia de nações, não sabendo o que fazer . . . os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”. Mas Jesus nos diz: “Quando estas coisas principiarem a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando.” E nos acautela: “Prestai atenção a vós mesmos, para que os vossos corações nunca fiquem sobrecarregados com o excesso no comer, e com a imoderação no beber, e com as ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vós instantaneamente como um laço.” Apenas por nos manter despertos é que podemos permanecer aprovados diante de Jesus, o “Filho do homem”, na sua presença. — Lucas 21:25-28, 34-36.
18. Que encorajamento podemos derivar das ilustrações de Jesus a respeito das dez virgens e dos talentos?
18 Concluindo a sua magistral previsão dos eventos de nossos dias, Jesus faz três ilustrações. Primeiro, na parábola das dez virgens, novamente frisa a necessidade de ‘manter-se vigilante’. Daí, na ilustração dos escravos e dos talentos, ele mostra como a diligência é recompensada com um convite para ‘entrar na alegria do Amo’. Os cristãos ungidos, a quem essas parábolas prefiguram, bem como as outras ovelhas, podem derivar muito encorajamento dessas linguagens figuradas. — Mateus 25:1-30.
19, 20. Que deleitoso relacionamento hodierno é apresentado na ilustração de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos?
19 A terceira ilustração refere-se à presença de Jesus no poder do Reino, depois que ele chega para sentar-se no seu glorioso trono celestial. É uma época para julgar as nações e para separar os povos da Terra em dois grupos, um deles de pessoas mansas comparáveis a ovelhas, e o outro de pessoas obstinadas comparáveis a cabritos. As ovelhas desdobram-se no seu apoio aos irmãos do Rei — os ungidos remanescentes que estão na Terra neste tempo do fim do mundo. Essas ovelhas são recompensadas com a vida, ao passo que os ingratos cabritos vão para a destruição eterna. — Mateus 25:31-46.
20 Que maravilhoso relacionamento vemos entre as outras ovelhas e os irmãos do Rei nesta terminação do sistema de coisas! Embora tenha sido o restante ungido quem carregasse a responsabilidade da obra no começo da presença do Rei, os milhões de zelosas outras ovelhas compõem agora 99,8 por cento dos servos de Deus na Terra. (João 10:16) E elas também se têm mostrado dispostas a suportar ‘fome, sede, nudez, doença e prisão’ como companheiros dos íntegros ungidos.a
12 de Nisã
21. O que ganhou ímpeto em 12 de nisã, e como?
21 A trama para matar Jesus ganha ímpeto. Judas contata os principais sacerdotes no templo, concordando em trair Jesus por 30 moedas de prata. Até mesmo isto fora profetizado. — Zacarias 11:12.
13 de Nisã
22. Que preparativos se fizeram em 13 de nisã?
22 Jesus, que permanece em Betânia, provavelmente para orar e meditar, envia seus discípulos a Jerusalém para localizar certo “fulano”. Na casa deste homem, num grande sobrado, eles aprontam a Páscoa. (Mateus 26:17-19) Enquanto o sol se põe em 13 de nisã, Jesus se junta a eles naquele local para a mais significativa celebração de toda a História. O que acontece em 14 de nisã? Veremos isto no próximo artigo.
[Nota(s) de rodapé]
a O artigo seguinte nos ajudará a apreciar ainda mais a íntima relação existente entre o ungido pequeno rebanho e as outras ovelhas.
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O dia a ser lembradoA Sentinela — 1992 | 1.° de março
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O dia a ser lembrado
“Eu vos disse estas coisas para que, por meio de mim, tenhais paz. No mundo tereis tribulação, mas, coragem! eu venci o mundo.” — JOÃO 16:33.
1, 2. Que dia na História se destaca de todos os outros, e por quê?
O MUNDO hoje tem muito a dizer sobre paz. No fim da Segunda Guerra Mundial, a paz foi associada ao Dia V-E e ao Dia V-J.a Todos os anos, o Natal faz as pessoas pensarem em ‘paz na Terra’. (Lucas 2:14) Há, porém, um dia na História humana que se destaca de todos os outros. É o dia em que Jesus Cristo proferiu as palavras acima citadas. Dentre os mais de dois milhões de dias que a humanidade existe na Terra, esse é o dia que mudou totalmente o curso da humanidade para seu bem eterno.
2 Esse momentoso dia foi 14 de nisã, no calendário judaico. No ano 33 da Era Comum, o 14 de nisã começou ao pôr-do-sol de 1.º de abril. Consideremos os eventos daquele memorável dia.
14 de Nisã!
3. Como aproveitou Jesus essas horas finais?
3 Ao cair da noite, provavelmente uma bela lua cheia brilha como lembrete de que Jeová determina os tempos e as épocas. (Atos 1:7) E o que está acontecendo naquela sala de sobrado onde Jesus e seus 12 apóstolos se reuniram para celebrar a Páscoa anual dos judeus? Ao se preparar ‘para se transferir deste mundo para o Pai, Jesus demonstra amor pelos seus até o fim’. (João 13:1) Como é que faz isto? Por meio de palavras e de exemplo, Jesus continua a instilar em seus discípulos qualidades que os ajudarão a vencer o mundo.
Revestir-se de Humildade e Amor
4. (a) Como demonstrou Jesus a seus discípulos uma qualidade básica? (b) Como sabemos que Pedro aprendeu a importância da humildade?
4 Os apóstolos ainda precisam livrar-se de certo grau de ambicioso ciúme e de orgulho. Assim, Jesus cinge-se duma toalha e passa a lavar-lhes os pés. Não é uma pretensa humildade, como aquela que o papa da cristandade encena anualmente, em Roma. Certamente que não! A verdadeira humildade é um dar de si que emana da ‘humildade mental que considera os outros superiores’. (Filipenses 2:2-5) De início, Pedro não entende a questão e se recusa a deixar que Jesus lave seus pés. Uma vez corrigido, porém, ele pede que Jesus lave seu corpo inteiro. (João 13:1-10) Mas Pedro com certeza entendeu a lição. Anos depois, encontramo-lo aconselhando outros corretamente. (1 Pedro 3:8, 9; 5:5) Quão importante é que todos nós hoje trabalhemos humildemente como ‘escravos’ para Cristo! — Veja também Provérbios 22:4; Mateus 23:8-12.
5. Que mandamento de Jesus mostrou a importância de ainda outra qualidade fundamental?
5 Um dos 12 não se beneficia dos conselhos de Jesus. É Judas Iscariotes. Com a refeição Pascoal em andamento, Jesus fica aflito em espírito, identifica Judas como seu traidor e despede-o. Somente depois disso é que Jesus diz a seus 11 discípulos fiéis: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:34, 35) Este é deveras um novo mandamento, ilustrado pelo próprio exemplo superlativo de Jesus! À medida que o momento de sua morte sacrificial se aproxima, Jesus demonstra notável amor. Aproveita todos os preciosos minutos para ensinar e encorajar aqueles discípulos. Mais tarde, ele frisa a importância do amor, dizendo: “Este é o meu mandamento, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, que alguém entregue a sua alma a favor de seus amigos.” — João 15:12, 13.
“O Caminho, e a Verdade, e a Vida”
6. Que objetivo apresenta Jesus a seus discípulos mais íntimos?
6 Jesus diz aos 11 fiéis: “Não se aflijam os vossos corações. Exercei fé em Deus, exercei fé também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não, eu vos teria dito, porque vou embora para vos preparar um lugar.” (João 14:1, 2) Este lugar será no “reino dos céus”. (Mateus 7:21) Jesus explica como este grupo íntimo de discípulos leais poderá alcançar esse objetivo. Diz ele: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6) Isto se aplica também aos dentre a humanidade que ganham a vida eterna na Terra. — Revelação (Apocalipse) 7:9, 10; 21:1-4.
7-9. Por que Jesus descreveu a si mesmo como “o caminho, e a verdade, e a vida”?
7 Jesus é “o caminho”. O único e exclusivo meio de chegar a Deus em oração é através de Jesus Cristo. O próprio Jesus assegura a seus discípulos que o Pai lhes dará tudo o que pedirem em seu nome. (João 15:16) Orações dirigidas a ícones ou a “santos” religiosos, ou repletas de ave-marias e repetitivas ladainhas — nenhuma delas são ouvidas e aceitas pelo Pai. (Mateus 6:5-8) Ademais, sobre Jesus, lemos em Atos 4:12: “Não há outro nome debaixo do céu, que tenha sido dado entre os homens, pelo qual tenhamos de ser salvos.”
8 Jesus é “a verdade”. O apóstolo João diz a seu respeito: “A Palavra se tornou carne e residiu entre nós, e observamos a sua glória, uma glória tal como a de um filho unigênito dum pai; e ele estava cheio de benignidade imerecida e de verdade.” (João 1:14) Jesus tornou-se a verdade referente a centenas de profecias das Escrituras Hebraicas por tê-las cumprido. (2 Coríntios 1:20; Revelação 19:10) Ele tornou conhecida a verdade ao falar a seus discípulos e às multidões que o escutavam, ao discutir com o clero hipócrita e por meio de seu exemplo na vida.
9 Jesus é “a vida”. Como Filho de Deus, ele disse: “Quem exerce fé no Filho tem vida eterna; quem desobedece ao Filho não verá a vida, mas o furor de Deus permanece sobre ele.” (João 3:36) A fé exercida no sacrifício de Jesus leva à vida eterna — vida imortal no céu para um “pequeno rebanho” de cristãos ungidos e vida eterna num paraíso terrestre para uma grande multidão de “outras ovelhas”. — Lucas 12:32; 23:43; João 10:16.
Suportar Perseguição
10. Por que temos de ‘vencer o mundo’, e que encorajamento deu Jesus neste sentido?
10 Os que esperam viver no novo sistema de Jeová têm de contender com um mundo que “jaz no poder do iníquo”, Satanás, o Diabo. (1 João 5:19) Quão encorajadoras, pois, são as palavras de Jesus em João 15:17-19! Ele diz: “Estas coisas eu vos mando, que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabeis que me odiou antes de odiar a vós. Se vós fizésseis parte do mundo, o mundo estaria afeiçoado ao que é seu. Agora, porque não fazeis parte do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por esta razão o mundo vos odeia.” Os cristãos verdadeiros têm sido odiados até este ano de 1992, e quanto nos alegram os excelentes exemplos dos que continuam firmes, humildemente encontrando forças sob a mão poderosa de Deus! (1 Pedro 5:6-10) Todos nós podemos suportar provações por exercermos fé em Jesus, que conclui a sua palestra com estas palavras acalentadoras: “No mundo tereis tribulação, mas, coragem! eu venci o mundo.” — João 16:33.
Institui-se um Novo Pacto
11. O que profetizou Jeremias a respeito de um novo pacto?
11 Naquela noitinha, tendo terminado a celebração da Páscoa, Jesus fala sobre um novo pacto. O profeta Jeremias predisse isto com séculos de antecedência, dizendo: “‘Eis que vêm dias’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu vou concluir um novo pacto com a casa de Israel e com a casa de Judá . . . Vou pôr a minha lei no seu íntimo e a escreverei no seu coração. E vou tornar-me seu Deus e eles mesmos se tornarão meu povo. . . . Perdoarei seu erro e não me lembrarei mais do seu pecado’.” (Jeremias 31:31-34) Em 14 de nisã de 33 EC, o sacrifício que validará este novo pacto está prestes a se consumar!
12. Como instituiu Jesus o novo pacto, e o que realiza este?
12 Jesus diz aos 11 fiéis que desejara muito comer aquela Páscoa com eles. Daí apanha um pão, dá graças, parte-o e distribui a eles, dizendo: “Isto significa meu corpo que há de ser dado em vosso benefício. Persisti em fazer isso em memória de mim.” Do mesmo modo, passa-lhes um copo de vinho tinto, dizendo: “Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue, que há de ser derramado em vosso benefício.” (Lucas 22:15, 19, 20) O novo pacto passa a vigorar por meio do “sangue precioso” de Jesus, de valor muito superior ao sangue animal que foi aspergido quando se validou o pacto da Lei de Israel! (1 Pedro 1:19; Hebreus 9:13, 14) Os que são introduzidos no novo pacto recebem o completo perdão de pecados. Podem assim se habilitar para ser dos 144.000, que recebem uma herança eterna qual Israel espiritual. — Gálatas 6:16; Hebreus 9:15-18; 13:20; Revelação 14:1.
“Em Memória de Mim”
13. (a) Sobre o que devemos refletir na época da Comemoração? (b) Somente quem deve tomar dos emblemas, e por quê?
13 A Comemoração anual da morte de Jesus já foi realizada 1.959 vezes. A próxima será no dia 17 de abril de 1992. Com a aproximação dessa data, faremos bem em refletir sobre tudo o que o sacrifício perfeito de Jesus realiza. Este arranjo realça a sabedoria de Jeová e seu profundo amor à humanidade. A impecável integridade de Jesus, mesmo em face de morte agonizante, vindica Jeová contra o escárnio de Satanás, que alega que a criação humana de Deus é defeituosa e fracassará sob teste. (Jó 1:8-11; Provérbios 27:11) Com seu sangue sacrificial, Jesus medeia o novo pacto, que é o instrumento de Jeová para selecionar uma “raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial”. Enquanto ainda estão na Terra, estes ‘divulgam as excelências’ de seu Deus, Jeová, que ‘os chamou da escuridão para a Sua maravilhosa luz’. (1 Pedro 2:9; compare com Êxodo 19:5, 6.) Apropriadamente, apenas estes tomam dos emblemas na Comemoração anual.
14. De que modo são enriquecidos os milhões de observadores?
14 Na Comemoração do ano passado estiveram presentes 10.650.158 pessoas em toda a Terra, mas, dentre estas, apenas 8.850 — menos de um décimo de 1 por cento — tomaram dos emblemas. De que benefício é, então, essa celebração para os milhões de observadores? De grande benefício! Embora não tomem dos emblemas, eles são enriquecidos espiritualmente por essa associação com a vasta fraternidade global, ao ouvirem a respeito das grandiosas coisas que Jeová realiza por meio do sacrifício de seu Filho.
15. De que modo outros além dos ungidos se beneficiam do sacrifício de Jesus?
15 Ademais, o apóstolo nos informa em 1 João 2:1, 2: “Temos um ajudador junto ao Pai, Jesus Cristo, um justo. E ele é um sacrifício propiciatório pelos nossos pecados, contudo, não apenas pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro.” Sim, o sacrifício de Jesus, embora beneficie primeiro a classe representada por João, que é admitida no novo pacto, faz também provisão para o perdão dos pecados “do mundo inteiro”. É “um sacrifício propiciatório” pelos pecados de todos os demais do mundo da humanidade que exercem fé no sangue derramado de Jesus, que lhes abre a feliz perspectiva de vida eterna num paraíso terrestre. — Mateus 20:28.
“No Reino de Meu Pai”
16. (a) Em que Jesus e seus co-herdeiros aparentemente participam agora? (b) O que se exige hoje tanto do restante ungido como da grande multidão?
16 Continuando a encorajar seus apóstolos, Jesus aponta para o dia em que, simbolicamente, ele beberá o produto novo da videira com seus discípulos no Reino de seu Pai. (Mateus 26:29) Ele lhes diz: “Vós sois os que ficastes comigo nas minhas provações; e eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu reino, e vos senteis em tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Lucas 22:28-30) Visto que Jesus assumiu o poder do Reino, nos céus, em 1914, podemos concluir que a maior parte dos co-herdeiros de Jesus, reunida ao longo dos séculos, já foi ressuscitada para ‘sentar-se em tronos’ junto a ele. (1 Tessalonicenses 4:15, 16) Aproxima-se rapidamente o dia para os anjos soltarem “os quatro ventos” da “grande tribulação”! Até então, a selagem dos 144.000 do Israel espiritual e o ajuntamento dos milhões dos da grande multidão já terão sido completados. Todos estes têm de manter a integridade, como Jesus, para receberem o prêmio da vida eterna. — Revelação 2:10; 7:1-4, 9.
17 e quadro. (a) Se um ungido viesse a ser rejeitado como desleal, quem razoavelmente o substituiria? (b) Artigos na Torre de Vigia de 1938 lançaram que interessante luz sobre a edificação e posterior expansão da organização teocrática na Terra?
17 Que dizer se alguns dos ungidos deixarem de manter a integridade? Nesta hora avançada, o número desses desleais sem dúvida será pequeno. Razoavelmente, qualquer substituição viria, não dentre os recém-batizados, mas dentre aqueles que se têm apegado a Jesus nas Suas provações durante muitos anos de serviço fiel. Os lampejos de luz espiritual vindos através de A Sentinela nas décadas de 20 e de 30 indicam que o ajuntamento do restante dos ungidos estava praticamente concluído naquele período. Aqueles que “lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro” desde então têm uma jubilosa esperança diferente. Por meio de Cristo, o espírito de Jeová os guia a “fontes de águas da vida”, no Paraíso terrestre. — Revelação 7:10, 14, 17.
Uma Oração Mui Fervorosa
18. Que poderosas lições aprendemos da oração de Jesus em João, capítulo 17?
18 Jesus encerra a reunião da Comemoração com os seus discípulos proferindo a fervorosa oração registrada em João 17:1-26. Inicialmente, ele ora para que seu Pai o glorifique, ao se mostrar íntegro até o fim. Deste modo Jeová também será glorificado, seu nome sendo santificado — limpo de todo vitupério. Pois, deveras, o homem perfeito Jesus provou que a criação humana de Deus pode ser inculpe, até mesmo sob o mais severo teste. (Deuteronômio 32:4, 5; Hebreus 4:15) Ademais, a morte sacrificial de Jesus abre uma grandiosa oportunidade para a prole de Adão. Diz Jesus: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” Quão essencial é adquirir conhecimento exato de Jeová Deus e de seu Filho, o Cordeiro de Deus, que deu a sua vida pela vindicação de Jeová e pela salvação da humanidade! (João 1:29; 1 Pedro 2:22-25) Aprecia você esse muitíssimo amoroso sacrifício a ponto de dar-se por inteiro a Jeová e ao seu precioso serviço?
19. Como podem o restante e a grande multidão usufruir preciosa união?
19 Ademais, Jesus ora a seu Santo Pai para que vigie sobre os discípulos, à medida que estes mostram que não fazem parte do mundo, aderem à Sua palavra como verdade e mantêm preciosa unicidade com o Pai e o Filho. Não tem sido esta oração maravilhosamente atendida até os dias de hoje, à medida que o restante ungido e a grande multidão servem juntos unidamente vinculados pelo amor, ao passo que se mantêm neutros para com o mundo, sua violência e sua iniqüidade? Quão preciosas são as palavras finais de Jesus a seu Pai, Jeová! “Eu lhes tenho dado a conhecer o teu nome e o hei de dar a conhecer”, disse ele, “a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu em união com eles”. — João 17:14, 16, 26.
20. Por que é 14 de nisã de 33 EC certamente o dia a ser lembrado?
20 Retirando-se para o jardim de Getsêmani, Jesus passa mais um breve momento com os seus discípulos e os edifica. Daí, seus inimigos atacam! Faltam palavras para descrever a agonia física de Jesus, sua dolorosa tristeza diante do vitupério lançado contra Jeová, e sua exemplar integridade em tudo isso. Jesus permanece firme até o fim, durante a noite e a maior parte do período diurno daquele dia. Demonstra claramente que o seu Reino não faz parte do mundo. E, no seu último suspiro, ele brada: “Está consumado!” (João 18:36, 37; 19:30) A sua vitória sobre o mundo é completa. O 14 de nisã de 33 EC é, deveras, o dia a ser lembrado!
[Nota(s) de rodapé]
a Dia da Vitória na Europa e Dia da Vitória sobre o Japão.
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