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  • Em Betânia, na casa de Simão
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 101

      Em Betânia, na casa de Simão

      SAINDO de Jericó, Jesus ruma para Betânia. A viagem leva quase um dia inteiro, pois é uma subida por terreno difícil, de uns 19 quilômetros. Jericó fica cerca de 250 metros abaixo do nível do mar, e Betânia, uns 760 metros acima do nível do mar. Betânia, você talvez se lembre, é onde moram Lázaro e suas irmãs. Essa pequena aldeia fica a uns 3 quilômetros de Jerusalém, na encosta leste do monte das Oliveiras.

      Muitos já estão em Jerusalém para a Páscoa. Chegaram mais cedo para se purificarem cerimonialmente. Talvez tenham tocado num cadáver ou feito outra coisa que os torna impuros. Assim, eles seguem o procedimento prescrito de purificação a fim de celebrarem aceitavelmente a Páscoa. À medida que esses primeiros a chegar se reúnem junto ao templo, muitos especulam se Jesus virá para a Páscoa.

      Jerusalém é um foco de controvérsias a respeito de Jesus. É de conhecimento geral que os líderes religiosos querem apanhá-lo a fim de o matarem. De fato, ordenaram que se alguém souber o paradeiro dele, deve avisá-los. Três vezes em meses recentes — na Festividade das Tendas (Barracas), na Festividade da Dedicação e após a ressurreição de Lázaro — esses líderes tentaram matá-lo. Assim, as pessoas se perguntam se Jesus se exporá publicamente mais uma vez. “Qual é a vossa opinião?”, perguntam uns aos outros.

      Enquanto isso, Jesus chega a Betânia numa sexta-feira, ao cair da tarde, no começo de 8 de nisã, seis dias antes da Páscoa, que cai em 14 de nisã, segundo o calendário judaico. Ele não podia fazer a viagem a Betânia no sábado, porque viajar no sábado — do pôr do sol de sexta-feira até o de sábado — é restrito pela lei judaica. Jesus provavelmente vai à casa de Lázaro, como fez antes, e passa a noite de sexta-feira ali.

      Contudo, outro morador de Betânia convida Jesus e seus companheiros para uma refeição no sábado à noite. O homem é Simão, um ex-leproso, que talvez tenha sido curado por Jesus. Fiel a seu temperamento ativo, Marta está ministrando aos convidados. Mas, como é próprio de seu jeito, Maria está atenta a Jesus, dessa vez de uma maneira que gera polêmica.

      Maria abre um vaso, ou frasco, de alabastro, que contém cerca de meio quilo de óleo perfumado, “nardo genuíno”. Isso é muito precioso. De fato, seu valor é mais ou menos equivalente ao salário de um ano inteiro! Quando Maria derrama o óleo sobre a cabeça e os pés de Jesus e, com o cabelo, enxuga os pés dele, a fragrância aromática enche a casa toda.

      Os discípulos ficam indignados e perguntam: “Por que este desperdício?” Judas Iscariotes diz então: “Por que não se vendeu este óleo perfumado por trezentos denários e se deu aos pobres?” Mas Judas não está realmente preocupado com os pobres, pois vem roubando da caixa de dinheiro mantida pelos discípulos.

      Jesus vem em defesa de Maria. “Deixai-a”, ordena ele. “Por que procurais causar-lhe aflição? Ela fez uma ação excelente para comigo. Porque vós sempre tendes convosco os pobres, e quando quiserdes, podeis sempre fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre tendes. Ela fez o que pôde; antecipou-se em derramar óleo perfumado sobre o meu corpo, em vista de meu enterro. Deveras, eu vos digo: Onde quer que se pregarem as boas novas em todo o mundo, o que esta mulher fez também será contado em lembrança dela.”

      Jesus está em Betânia já por mais de 24 horas, e a notícia a respeito de sua presença se espalhou. Assim, muitos vêm à casa de Simão para ver Jesus, bem como a Lázaro, que também está ali. Portanto, os principais sacerdotes tramam matar não somente a Jesus, mas também a Lázaro. O motivo é que muitas pessoas estão depositando fé em Jesus por verem vivo aquele a quem ele levantou dentre os mortos! Deveras, quão iníquos são esses líderes religiosos! João 11:55–12:11; Mateus 26:6-13; Marcos 14:3-9; Atos 1:12.

      ▪ Sobre o que se fala no templo, em Jerusalém, e por quê?

      ▪ Por que Jesus deve ter chegado em Betânia na sexta-feira em vez de no sábado?

      ▪ Quando Jesus chega a Betânia, provavelmente onde passa ele o sábado?

      ▪ Que gesto de Maria gera polêmica, e como Jesus a defende?

      ▪ O que ilustra a grande iniquidade dos principais sacerdotes?

  • A entrada triunfal de Cristo em Jerusalém
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 102

      A entrada triunfal de Cristo em Jerusalém

      NA MANHÃ seguinte, domingo, 9 de nisã, Jesus parte de Betânia com seus discípulos e dirige-se ao monte das Oliveiras, rumo a Jerusalém. Em pouco tempo, chegam perto de Betfagé, localizada no monte das Oliveiras. Jesus instrui a dois de seus discípulos:

      “Ide à aldeia que está ao alcance de vossa vista, e logo achareis atada uma jumenta, e um jumentinho com ela; desatai-os e trazei-mos. E, se alguém vos disser alguma coisa, tendes de dizer: ‘O Senhor precisa deles.’ Com isso, ele os enviará imediatamente.”

      Embora a princípio os discípulos não discirnam que essas instruções têm algo a ver com o cumprimento de profecia bíblica, eles entendem isso mais tarde. O profeta Zacarias predisse que o prometido Rei de Deus entraria em Jerusalém montado num jumento, sim, “num animal plenamente desenvolvido, filho de jumenta”. O Rei Salomão, de modo similar, foi receber sua unção montado na cria dum jumento.

      Quando os discípulos entram em Betfagé e tomam o jumentinho e sua mãe, alguns dos parados ali perguntam: “Que estais fazendo?” Mas, ao se lhes informar que os animais são para o Senhor, os homens deixam os discípulos levá-los para Jesus. Os discípulos põem suas roupas exteriores na jumenta e na cria, mas Jesus monta o jumentinho.

      À medida que Jesus se dirige a Jerusalém, a multidão aumenta. A maioria das pessoas estende suas roupas exteriores na estrada, enquanto outras cortam ramos das árvores e os espalham. “Bendito Aquele que vem como Rei em nome de Jeová!”, clamam elas. “Paz no céu e glória nos lugares mais altos!”

      Alguns fariseus dentre a multidão ficam aborrecidos com essas proclamações e reclamam a Jesus: “Instrutor, censura os teus discípulos.” Mas Jesus replica: “Eu vos digo: Se estes permanecessem calados, as pedras clamariam.”

      Ao se aproximar de Jerusalém, Jesus contempla a cidade e começa a chorar sobre ela, dizendo: “Se tu, sim tu, tivesses discernido neste dia as coisas que têm que ver com a paz — mas agora foram escondidas de teus olhos.” Por causa de sua desobediência deliberada, Jerusalém tem de sofrer as consequências, como prediz Jesus:

      “Teus inimigos [os romanos, sob o general Tito,] construirão em volta de ti uma fortificação de estacas pontiagudas e te cercarão, e te afligirão de todos os lados, e despedaçarão contra o chão a ti e a teus filhos dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra.” A destruição de Jerusalém, predita por Jesus, ocorre de fato, 37 anos mais tarde, em 70 EC.

      Apenas algumas semanas antes, muitos da multidão viram Jesus ressuscitar Lázaro. Eles agora estão falando a outros sobre o milagre. Portanto, quando Jesus entra em Jerusalém, a cidade inteira está em comoção. “Quem é este?”, indagam as pessoas. E as multidões dizem, sem cessar: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia!” Vendo o que está acontecendo, os fariseus lamentam não estar conseguindo absolutamente nada, pois, como dizem: “O mundo foi atrás dele.”

      Como é seu costume ao visitar Jerusalém, Jesus vai ao templo para ensinar. Ali, os cegos e os coxos aproximam-se dele, e ele os cura! Vendo as coisas maravilhosas que Jesus está fazendo e ouvindo os meninos que clamam no templo: “Salva, rogamos, o Filho de Davi!”, os principais sacerdotes e os escribas ficam furiosos. “Ouves o que estes estão dizendo?”, protestam.

      “Sim”, replica Jesus. “Nunca lestes o seguinte: ‘Da boca de pequeninos e de crianças de peito forneceste louvor’?”

      Jesus continua a ensinar e olha em volta para todas as coisas no templo. Logo escurece. Ele parte, então, junto com os 12, e viaja cerca de três quilômetros para voltar a Betânia. Passa ali a noite de domingo, provavelmente na casa de seu amigo, Lázaro. Mateus 21:1-11, 14-17; Marcos 11:1-11; Lucas 19:29-44; João 12:12-19; Zacarias 9:9.

      ▪ Quando e de que maneira Jesus entra em Jerusalém como Rei?

      ▪ Quão importante é que as multidões louvem a Jesus?

      ▪ Como se sente Jesus ao contemplar Jerusalém, e que profecia faz?

      ▪ O que acontece quando Jesus vai ao templo?

  • Mais uma visita ao templo
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 103

      Mais uma visita ao templo

      JESUS e seus discípulos acabaram de passar a terceira noite em Betânia, desde que chegaram de Jericó. Agora, o raiar da segunda-feira, 10 de nisã, pega-os já na estrada para Jerusalém. Jesus está com fome. Assim, ao avistar uma figueira com folhas, dirige-se a ela para ver se tem figos.

      As folhas da árvore são temporãs, visto que a época dos figos só começa em junho, e ainda é fim de março. Contudo, Jesus evidentemente conclui que, já que as folhas são temporãs, os figos também devem ser. Mas fica desapontado. As folhas deram à árvore uma aparência enganadora. Jesus amaldiçoa então a árvore, dizendo: “Nunca mais ninguém coma de ti fruto.” As consequências do que Jesus fez e o significado disso são entendidos na manhã seguinte.

      Prosseguindo, Jesus e seus discípulos logo chegam a Jerusalém. Ele vai ao templo, que já inspecionou na tarde anterior. Dessa vez, porém, ele age, exatamente como fez três anos antes, quando veio para a Páscoa, em 30 EC. Jesus lança fora os que vendem e compram no templo e derruba as mesas dos cambistas e as bancas dos que vendem pombas. Nem mesmo permite que alguém carregue algum utensílio através do templo.

      Condenando os cambistas e os que vendem animais no templo, ele diz: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações’? Mas vós fizestes dela um covil de salteadores.” Eles são salteadores porque cobram preços exorbitantes dos que têm poucas opções senão comprar deles os animais necessários para os sacrifícios. Portanto, Jesus encara essas transações comerciais como uma forma de extorsão ou roubo.

      Quando os principais sacerdotes, os escribas e os principais do povo ficam sabendo o que Jesus fez, novamente procuram achar um jeito de matá-lo. Provam assim que são incorrigíveis. Todavia, não sabem como destruir Jesus, pois o povo todo não o larga, querendo ouvi-lo.

      Além dos judeus naturais, gentios também vão para a Páscoa. São prosélitos, o que significa que se converteram para a religião dos judeus. Certos gregos, evidentemente prosélitos, aproximam-se de Filipe e pedem para ver Jesus. Filipe recorre a André, talvez para perguntar se seria apropriado tal encontro. Pelo que parece, Jesus ainda está no templo, onde os gregos podem vê-lo.

      Jesus sabe que lhe restam poucos dias de vida, por isso ilustra belamente sua situação: “Chegou a hora para o Filho do homem ser glorificado. Eu vos digo em toda a verdade: A menos que o grão de trigo caia ao solo e morra, permanece apenas um só grão; mas, se morre, então dá muito fruto.”

      Um único grão de trigo tem pouco valor. Contudo, que acontece se ele é colocado no solo e “morre”, terminando sua vida qual semente? Ele então germina e, no devido tempo, cresce como talo e produz muitos, muitos grãos de trigo. De maneira similar, Jesus é apenas um homem perfeito. Mas, se ele morrer em fidelidade a Deus, tornar-se-á o meio pelo qual se concederá vida eterna aos fiéis que tiverem o mesmo espírito de abnegação que ele tem. Assim, Jesus diz: “Quem estiver afeiçoado à sua alma, destruí-la-á, mas quem odiar a sua alma neste mundo, protegê-la-á para a vida eterna.”

      Obviamente Jesus não pensa só em si mesmo, pois a seguir explica: “Se alguém quiser ministrar-me, siga-me, e onde eu estiver, estará também o meu ministro. Quem quiser ministrar-me, a este o Pai honrará.” Que maravilhosa recompensa por se seguir a Jesus e ministrar-lhe! É a recompensa de ser honrado pelo Pai para associar-se com Cristo no Reino.

      Pensando no grande sofrimento e morte agonizante que o aguardam, Jesus continua: “Minha alma está aflita agora, e que hei de dizer? Pai, salva-me desta hora.” Quem dera que o que o aguarda pudesse ser evitado! Mas não, como ele diz: “Foi por isso que vim a esta hora.” Jesus está de acordo com o inteiro arranjo de Deus, até mesmo com sua própria morte sacrificial. Mateus 21:12, 13, 18, 19; Marcos 11:12-18; Lucas 19:45-48; João 12:20-27.

      ▪ Por que espera Jesus encontrar figos, embora não seja a época?

      ▪ Por que chama Jesus de “salteadores” os que vendem no templo?

      ▪ De que maneira é Jesus semelhante a um grão de trigo que morre?

      ▪ O que pensa Jesus sobre o sofrimento e a morte que o aguardam?

  • Ouve-se a voz de Deus uma terceira vez
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 104

      Ouve-se a voz de Deus uma terceira vez

      ENQUANTO ainda no templo, Jesus se sente angustiado por causa do tipo de morte que logo terá de enfrentar. Sua principal preocupação é como isso afetará a reputação do seu Pai; por isso, ele ora: “Pai, glorifica o teu nome.”

      Com isso, sai uma voz poderosa do céu, dizendo: “Eu tanto o glorifiquei como o glorificarei de novo.”

      A multidão por perto fica desnorteada. “Um anjo lhe falou”, alguns começam a dizer. Outros afirmam que trovejou. Mas, de fato, foi Jeová quem falou! Contudo, essa não é a primeira vez que se ouve a voz de Deus em conexão com Jesus.

      No batismo de Jesus, três anos e meio antes, João, o Batizador, ouviu Deus dizer sobre Jesus: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” Depois, algum tempo após a última Páscoa, quando Jesus foi transfigurado perante Tiago, João e Pedro, eles ouviram Deus declarar: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado; escutai-o.” E agora, pela terceira vez, em 10 de nisã, quatro dias antes da morte de Jesus, a voz de Deus é novamente ouvida por homens. Mas, dessa vez, Jeová fala para que as multidões possam ouvir!

      Jesus explica: “Esta voz ocorreu, não por minha causa, mas por vossa causa.” Ela prova que Jesus é mesmo Filho de Deus, o prometido Messias. “Agora há um julgamento deste mundo”, continua Jesus, “agora será lançado fora o governante deste mundo”. A vida fiel de Jesus confirma realmente que Satanás, o Diabo, o governante deste mundo, merece ser “lançado fora”, executado.

      Indicando as consequências da sua morte iminente, Jesus diz: “Contudo, eu, quando for erguido da terra, atrairei a mim toda sorte de homens.” Sua morte de modo algum significa uma derrota, pois, por meio dela, ele atrairá pessoas a si para que elas possam ter a vida eterna.

      Mas a multidão objeta: “Ouvimos da Lei que o Cristo permanece para sempre; e como é que tu dizes que o Filho do homem tem de ser erguido? Quem é este Filho do homem?”

      Apesar de toda a evidência, incluindo ouvir a voz do próprio Deus, a maioria não acredita que Jesus seja o verdadeiro Filho do homem, o prometido Messias. Contudo, como fez seis meses antes na Festividade das Tendas (Barracas), Jesus refere-se novamente a si mesmo como “a luz” e incentiva seus ouvintes: “Enquanto tendes a luz, exercei fé na luz, a fim de que vos torneis filhos da luz.” Depois de dizer essas coisas, Jesus se retira e se esconde, evidentemente porque corre risco de vida.

      Não exercerem os judeus fé em Jesus cumpre as palavras de Isaías sobre ‘os olhos das pessoas serem cegados e seu coração ser endurecido de modo que não recuam a fim de serem curadas’. Isaías teve uma visão das cortes celestiais de Jeová, e também de Jesus na sua glória pré-humana com Jeová. Ainda assim, em cumprimento das palavras de Isaías, os judeus rejeitam obstinadamente a evidência de que Ele é o seu prometido Libertador.

      Por outro lado, muitos realmente depositam fé em Jesus, até mesmo alguns dos governantes (evidentemente membros da suprema corte judaica, o Sinédrio). Nicodemos e José de Arimateia são dois desses governantes. Mas os governantes, pelo menos até o momento, esquivam-se de declarar sua fé, temendo ser destituídos de sua posição na sinagoga. Quanto estão perdendo!

      Jesus prossegue, dizendo: “Quem depositar fé em mim, deposita fé, não somente em mim, mas também naquele que me enviou; e quem me observar, observa também aquele que me enviou. . . . Mas, se alguém ouvir as minhas declarações e não as guardar, eu não o julgo; pois não vim julgar o mundo, mas salvar o mundo. . . . A palavra que eu tenho falado é que o julgará no último dia.”

      O amor de Jeová pelo mundo da humanidade moveu-o a enviar Jesus para que os que depositassem fé nele fossem salvos. O que determinará se as pessoas obterão a salvação será a obediência às coisas que Deus instruiu Jesus a falar. O julgamento ocorrerá “no último dia”, durante o Reinado Milenar de Cristo.

      Jesus conclui, dizendo: “Não falei de meu próprio impulso, mas o próprio Pai que me enviou tem-me dado um mandamento quanto a que dizer e que falar. Sei também que o seu mandamento significa vida eterna. Portanto, as coisas que eu falo, assim como o Pai mas disse, assim as falo.” João 12:28-50; 19:38, 39; Mateus 3:17; 17:5; Isaías 6:1, 8-10.

      ▪ Em que três ocasiões se ouviu a voz de Deus com respeito a Jesus?

      ▪ Como foi que o profeta Isaías viu a glória de Jesus?

      ▪ Quem são os governantes que depositam fé em Jesus, mas por que não confessam abertamente sua fé nele?

      ▪ O que é ‘o último dia’, e à base de que serão as pessoas julgadas então?

  • O começo de um dia decisivo
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 105

      O começo de um dia decisivo

      PARTINDO de Jerusalém, na segunda-feira à noitinha, Jesus volta a Betânia, na encosta leste do monte das Oliveiras. Dois dias de seu ministério final em Jerusalém chegaram ao fim. Jesus sem dúvida pernoita novamente na casa de seu amigo Lázaro. Desde que chegou de Jericó, na sexta-feira, essa é a sua quarta noite em Betânia.

      Agora, cedo na manhã de terça-feira, 11 de nisã, ele e seus discípulos estão novamente viajando. É um dia decisivo no ministério de Jesus, o mais ocupado até agora. É o último dia em que ele vai ao templo. É o último de seu ministério público antes de ser julgado e executado.

      Jesus e seus discípulos vão a Jerusalém pelo caminho de costume, subindo o monte das Oliveiras. Nessa estrada, que vem de Betânia, Pedro nota a árvore que Jesus amaldiçoou na manhã anterior. “Rabi”, exclama ele, “eis que se secou a figueira que amaldiçoaste”.

      Mas por que Jesus matou essa árvore? Ele indica a razão, ao dizer: “Deveras, eu vos digo: Se somente tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que eu fiz à figueira, mas também, se disserdes a este monte [o monte das Oliveiras, onde se encontram]: ‘Sê levantado e lançado no mar’, acontecerá isso. E todas as coisas que pedirdes em oração, tendo fé, recebereis.”

      Assim, fazendo a árvore secar, Jesus dá a seus discípulos uma lição objetiva sobre a necessidade de ter fé em Deus. Como ele declara: “Todas as coisas pelas quais orais e que pedis, tende fé que praticamente já as recebestes, e as tereis.” Que importante lição para eles, especialmente em vista dos terríveis testes que logo virão! Todavia, existe outra ligação entre a secagem da figueira e a qualidade da fé.

      A nação de Israel, como essa figueira, tem aparência enganosa. Embora esteja numa relação pactuada com Deus, e talvez aparente observar os Seus regulamentos, ela mostra não ter fé, não produzir bons frutos. Por falta de fé, está na iminência de rejeitar o próprio Filho de Deus! De modo que, fazendo com que a figueira improdutiva seque, Jesus demonstra vividamente qual será o final dessa nação infrutífera e sem fé.

      Pouco depois, Jesus e seus discípulos entram em Jerusalém e, como de costume, vão ao templo, onde Jesus passa a ensinar. Os principais sacerdotes e os anciãos do povo, sem dúvida tendo em mente a ação de Jesus, no dia anterior, contra os cambistas, desafiam-no: “Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te deu esta autoridade?”

      Em resposta, Jesus diz: “Também eu vos pergunto uma coisa. Se ma disserdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas: O batismo de João, donde se originou? Do céu ou dos homens?”

      Os sacerdotes e os anciãos passam a aconselhar-se quanto a como responderão. “Se dissermos: ‘Do céu’, ele nos dirá: ‘Então, por que não acreditastes nele?’ Se, porém, dissermos: ‘Dos homens’, temos a multidão para temer, porque todos eles consideram João como profeta.”

      Os líderes não sabem o que responder. Assim, dizem a Jesus: “Não sabemos.”

      Jesus, por sua vez, diz: “Tampouco eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.” Mateus 21:19-27; Marcos 11:19-33; Lucas 20:1-8.

      ▪ O que há de significativo quanto à terça-feira, 11 de nisã?

      ▪ Que lições dá Jesus ao fazer com que a figueira seque?

      ▪ De que modo responde Jesus aos que lhe perguntam com que autoridade ele faz as coisas?

  • Desmascarados pelas ilustrações dos vinhedos
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 106

      Desmascarados pelas ilustrações dos vinhedos

      JESUS está no templo. Ele acabou de embaraçar os líderes religiosos que exigiam saber com que autoridade ele fazia certas coisas. Antes de se recomporem, Jesus lhes pergunta: “Que achais?” Daí, usando uma ilustração, mostra-lhes que tipo de pessoas eles realmente são.

      “Um homem tinha dois filhos”, relata Jesus. “Dirigindo-se ao primeiro, disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje no vinhedo.’ Em resposta, este lhe disse: ‘Irei, senhor’, mas não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Em resposta, este lhe disse: ‘Não irei.’ Depois deplorou isso e foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?”, pergunta Jesus.

      “O último”, dizem-lhe os opositores.

      Com isso, Jesus explica: “Deveras, eu vos digo que os cobradores de impostos e as meretrizes entrarão na frente de vós no reino de Deus.” Na verdade, os cobradores de impostos e as meretrizes a princípio não quiseram servir a Deus. Mas, então, a exemplo do que fez o segundo filho, arrependeram-se e o serviram. Por outro lado, os líderes religiosos, como o primeiro filho, professavam servir a Deus, contudo, conforme Jesus diz: “João [o Batizador] veio a vós num caminho de justiça, mas vós não acreditastes nele. No entanto, os cobradores de impostos e as meretrizes acreditaram nele, e vós, embora vísseis isto, não o deplorastes depois, a ponto de acreditardes nele.”

      Jesus mostra a seguir que a falha dos líderes religiosos não está apenas em que negligenciam servir a Deus. Não, mas são homens realmente maus, iníquos. “Havia um homem, dono de casa”, relata Jesus, “que plantou um vinhedo e pôs uma cerca em volta dele, e escavou um lagar, e erigiu uma torre, e o arrendou a lavradores, e foi viajar para fora. Quando veio a estação dos frutos, mandou seus escravos aos lavradores, para receber os seus frutos. No entanto, os lavradores tomaram os escravos dele, e a um espancaram, a outro mataram, a outro apedrejaram. Mandou novamente outros escravos, mais do que os primeiros, mas fizeram-lhes a mesma coisa.”

      Os “escravos” são os profetas do “dono de casa”, Jeová Deus, enviados aos “lavradores” do Seu “vinhedo”. Esses lavradores são os principais representantes da nação de Israel, nação essa identificada na Bíblia como o “vinhedo” de Deus.

      Visto que “os lavradores” maltratam e matam os “escravos”, Jesus explica: “Por fim [o dono do vinhedo] mandou a eles seu filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho.’ Ao verem o filho, os lavradores disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança!’ Tomando-o assim, lançaram-no fora do vinhedo e o mataram.”

      Jesus pergunta então, dirigindo-se aos líderes religiosos: “Quando vier o dono do vinhedo, que fará àqueles lavradores?”

      “Por serem maus”, respondem os líderes religiosos, “trará sobre eles uma destruição calamitosa e arrendará o vinhedo a outros lavradores que lhe entregarão os frutos quando forem devidos”.

      Assim, sem se aperceberem disso, os líderes religiosos julgam a si mesmos, pois estão incluídos entre os “lavradores” israelitas do “vinhedo” nacional de Jeová, Israel. O fruto que Jeová espera de tais lavradores é fé em seu Filho, o verdadeiro Messias. Por falharem em produzir tal fruto, Jesus os adverte: “Nunca lestes nas Escrituras [no Salmo 118:22, 23]: ‘A pedra que foi rejeitada pelos construtores é a que se tem tornado a principal pedra angular. Isto procede de Jeová e é maravilhoso aos nossos olhos’? É por isso que vos digo: O reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que produza os seus frutos. Também, quem cair sobre esta pedra, será despedaçado. Quanto àquele sobre quem ela cair, será pulverizado por ela.”

      Os escribas e os principais sacerdotes dão-se conta agora de que Jesus fala sobre eles, e querem matá-lo, o “herdeiro” legítimo. Portanto, o privilégio de serem governantes no Reino de Deus ser-lhes-á tirado, como nação, e surgirá uma nova nação de ‘vinhateiros’, uma que produzirá frutos apropriados.

      Os líderes religiosos não tentam matar Jesus nessa ocasião por temerem as multidões, que o consideram profeta. Mateus 21:28-46; Marcos 12:1-12; Lucas 20:9-19; Isaías 5:1-7.

      ▪ A quem representam os dois filhos na primeira ilustração de Jesus?

      ▪ A quem representam o “dono de casa”, o “vinhedo”, “os lavradores”, os “escravos” e o “herdeiro” na segunda ilustração?

      ▪ O que acontecerá com os ‘vinhateiros’, e quem os substituirá?

  • A ilustração da festa de casamento
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 107

      A ilustração da festa de casamento

      MEDIANTE duas ilustrações, Jesus expôs os escribas e os principais sacerdotes, e eles querem matá-lo. Mas Jesus tem ainda muito a dizer-lhes. Ele prossegue contando-lhes outra ilustração:

      “O reino dos céus tem-se tornado semelhante a um homem, um rei, que fez uma festa de casamento para seu filho. E ele mandou os seus escravos chamar os convidados à festa de casamento, mas não quiseram vir.”

      Jeová Deus é o Rei que prepara uma festa de casamento para seu Filho, Jesus Cristo. Com o tempo, a noiva de Cristo, seus 144 mil seguidores ungidos, unir-se-á a ele nos céus. Os súditos do Rei são os israelitas, que receberam a oportunidade de se tornar “um reino de sacerdotes” ao serem colocados sob o pacto da Lei em 1513 AEC. Portanto, nessa ocasião, eles foram originalmente convidados para a festa de casamento.

      Contudo, não se fez a primeira chamada dos convidados até o outono setentrional de 29 EC, quando Jesus e seus discípulos (os escravos do rei) iniciaram sua obra de pregação do Reino. Mas os israelitas naturais, a quem os escravos convidaram de 29 EC a 33 EC, não quiseram aceitar a chamada. Assim, Deus concedeu outra oportunidade à nação de convidados, conforme Jesus explica:

      “Mandou novamente outros escravos, dizendo: ‘Dizei aos convidados: “Eis que tenho preparado o meu repasto, meus touros e animais cevados já foram abatidos e todas as coisas estão prontas. Vinde à festa de casamento.”’” Deu-se início a essa segunda e última chamada em Pentecostes de 33 EC, quando se derramou espírito santo sobre os seguidores de Jesus. Essa chamada estendeu-se até 36 EC.

      A grande maioria dos israelitas, contudo, rejeitou também essa chamada. “Indiferentes, foram embora”, explica Jesus, “um para o seu próprio campo, outro para o seu negócio comercial; mas os restantes, agarrando os escravos dele, trataram-nos com insolência e os mataram”. “O rei, porém”, prossegue Jesus, “ficou furioso e enviou os seus exércitos, e destruiu aqueles assassinos e queimou a cidade deles”. Isso ocorreu em 70 EC, quando Jerusalém foi arrasada pelos romanos e aqueles assassinos foram mortos.

      Daí, Jesus explica o que aconteceu nesse meio tempo. “Depois [o rei] disse aos seus escravos: ‘A festa de casamento, deveras, está pronta, mas os convidados não eram dignos. Ide, portanto, às estradas que saem da cidade e convidai a qualquer que achardes para a festa de casamento.’” Assim fizeram os escravos, e “a sala para as cerimônias do casamento ficou cheia dos que se recostavam à mesa”.

      Essa obra de ajuntar convidados, nas estradas que saem da cidade dos originalmente convidados, começou a ser realizada em 36 EC. Cornélio, oficial romano, e sua família foram os primeiros não judeus incircuncisos ajuntados. O ajuntamento desses não judeus, que na totalidade são substitutos dos que originalmente recusaram a chamada, tem continuado até os nossos dias.

      É durante os nossos dias que a sala para cerimônias de casamento fica cheia. Jesus relata o que acontece a seguir, dizendo: “Quando o rei entrou para inspecionar os convidados, avistou ali um homem que não vestia a roupa de casamento. Disse-lhe, portanto: ‘Amigo, como entraste aqui sem roupa de casamento?’ Ele ficou sem fala. O rei disse então aos seus servos: ‘Amarrai-lhe as mãos e os pés, e lançai-o na escuridão lá fora. Ali é onde haverá o seu choro e o ranger de seus dentes.’”

      O homem sem roupa de casamento representa os cristãos de imitação, da cristandade. Deus nunca os reconheceu como possuindo a identificação apropriada quais israelitas espirituais. Nunca os ungiu com espírito santo para serem herdeiros do Reino. Por isso, são lançados lá fora na escuridão onde sofrerão destruição.

      Jesus conclui sua ilustração dizendo: “Porque há muitos convidados, mas poucos escolhidos.” Sim, muitos da nação de Israel foram convidados para serem membros da noiva de Cristo, mas apenas alguns israelitas naturais foram escolhidos. A maior parte dos 144 mil convidados, que recebem a recompensa celestial, é de não israelitas. Mateus 22:1-14; Êxodo 19:1-6; Revelação (Apocalipse) 14:1-3.

      ▪ Quem são os originalmente convidados para a festa de casamento, e quando se lhes faz o convite?

      ▪ Quando se faz a primeira chamada dos convidados, e quem são os escravos usados para isso?

      ▪ Quando se faz a segunda chamada, e quem é convidado depois disso?

      ▪ A quem prefigura o homem sem a roupa de casamento?

      ▪ A quem representam os muitos convidados, e os poucos escolhidos?

  • Não conseguem enlaçar Jesus
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 108

      Não conseguem enlaçar Jesus

      POR Jesus estar ensinando no templo e por ter acabado de fazer três ilustrações a seus inimigos religiosos para expor a iniquidade deles, os fariseus se irritam e fazem uma consulta entre si para induzi-lo a dizer algo que sirva de pretexto para prendê-lo. Armam um complô e enviam seus discípulos, junto com partidários de Herodes, para tentarem fazê-lo tropeçar em palavra.

      “Instrutor”, dizem esses homens, “sabemos que és veraz e que ensinas o caminho de Deus em verdade, e que não te importas com ninguém, pois não olhas para a aparência externa dos homens. Dize-nos, portanto: Que pensas? É lícito ou não pagar a César o imposto por cabeça?”

      Jesus não se deixou enganar pela lisonja. Percebe que, se disser: ‘Não, não é lícito nem direito pagar esse imposto’, será culpado de sedição contra Roma. Contudo, se disser: ‘Sim, deve-se pagar esse imposto’, os judeus, que detestam o jugo romano, o odiarão. Assim, ele responde: “Por que me pondes à prova, hipócritas? Mostrai-me a moeda do imposto por cabeça.”

      Quando lhe trazem uma moeda, ele pergunta: “De quem é esta imagem e inscrição?”

      “De César”, respondem eles.

      “Portanto, pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” Bem, ao ouvirem essa magistral resposta, esses homens ficam maravilhados. Vão embora e o deixam em paz.

      Vendo o fracasso dos fariseus em conseguir algo para usar contra Jesus, os saduceus, que dizem não haver ressurreição, chegam-se a ele e perguntam: “Instrutor, Moisés disse: ‘Se um homem morrer sem filhos, seu irmão tem de tomar a esposa dele em casamento e suscitar descendência para seu irmão.’ Ora, havia conosco sete irmãos; e o primeiro casou-se e faleceu, e, não tendo descendência, deixou a sua esposa para seu irmão. Aconteceu do mesmo modo também com o segundo e com o terceiro, até passar por todos os sete. Por último, morreu a mulher. Consequentemente, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? Pois todos a tiveram.”

      Em resposta, Jesus diz: “Não é por isso que estais equivocados, por não conhecerdes nem as Escrituras, nem o poder de Deus? Porque, quando se levantarem dentre os mortos, nem os homens se casam, nem as mulheres são dadas em casamento, mas são como os anjos nos céus. Mas, a respeito dos mortos, que eles são levantados, não lestes no livro de Moisés, no relato sobre o espinheiro, que Deus lhe disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó’? Ele não é Deus de mortos, mas de viventes. Estais muito equivocados.”

      As multidões ficam novamente assombradas com a resposta de Jesus. Até mesmo alguns escribas reconhecem: “Instrutor, falaste bem.”

      Quando os fariseus veem que Jesus silenciou os saduceus, vão ter com Jesus num só grupo. Para testá-lo ainda mais, um escriba pergunta: “Instrutor, qual é o maior mandamento na Lei?”

      Jesus responde: “O primeiro é: ‘Ouve, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová, e tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente, e de toda a tua força.’ O segundo é este: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’ Não há outro mandamento maior do que estes.” De fato, Jesus acrescenta: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

      “Instrutor, bem disseste em harmonia com a verdade”, concorda o escriba. “‘Ele é Um só, e não há outro senão Ele’; e este amá-lo de todo o coração e de todo o entendimento, e de toda a força, e este amar o próximo como a si mesmo, vale muito mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.”

      Discernindo que o escriba respondeu inteligentemente, Jesus lhe diz: “Não estás longe do reino de Deus.”

      Já faz três dias — domingo, segunda e terça — que Jesus está ensinando no templo. O povo o tem ouvido com prazer; no entanto, os líderes religiosos querem matá-lo, mas até agora suas tentativas têm sido frustradas. Mateus 22:15-40; Marcos 12:13-34; Lucas 20:20-40.

      ▪ Que complô os fariseus armam para enlaçar Jesus, e qual seria o resultado se ele respondesse com um sim ou com um não?

      ▪ Como consegue Jesus frustrar as tentativas dos saduceus de enlaçá-lo?

      ▪ Que outra tentativa fazem os fariseus para testar Jesus, e com que resultado?

      ▪ Em seu ministério final em Jerusalém, durante quantos dias Jesus ensina no templo, e com que efeito?

  • Jesus denuncia seus opositores
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 109

      Jesus denuncia seus opositores

      JESUS deixou seus opositores religiosos tão perplexos que eles temem fazer-lhe outras perguntas. Portanto, ele toma a iniciativa de expor a ignorância deles. “Que pensais do Cristo?”, pergunta Jesus. “De quem é ele filho?”

      “De Davi”, respondem os fariseus.

      Embora não negue que Davi seja antepassado carnal do Cristo, ou Messias, Jesus pergunta: “Como é, então, que Davi, por inspiração [no Salmo 110], lhe chama ‘Senhor’, dizendo: ‘Jeová disse ao meu Senhor: “Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés”’? Se, portanto, Davi o chama de ‘Senhor’, como é ele seu filho?”

      Os fariseus ficam calados, pois não conhecem a identidade real do Cristo ou ungido. O Messias não é simplesmente um descendente humano de Davi, como aparentemente creem os fariseus, mas existiu no céu e era o superior, ou Senhor, de Davi.

      Dirigindo-se agora às multidões e aos seus discípulos, Jesus os adverte contra os escribas e os fariseus. Visto que eles ensinam a Lei de Deus, ‘sentados no assento de Moisés’, Jesus insta: “Todas as coisas que eles vos dizem, fazei e observai.” Mas acrescenta: “Não façais segundo as ações deles, pois dizem, mas não realizam.”

      São hipócritas, e Jesus os denuncia com uma linguagem semelhante à que usou ao tomar uma refeição na casa dum fariseu meses antes. “Fazem todas as suas obras”, comenta ele, “para serem observados pelos homens”. E dá exemplos, dizendo:

      “Ampliam as suas caixinhas com textos, que usam como proteção.” Essas caixas relativamente pequenas, usadas na testa ou no braço, contêm quatro trechos da Lei: Êxodo 13:1-10, 11-16 e Deuteronômio 6:4-9; 11:13-21. Mas os fariseus aumentam o tamanho dessas caixinhas para dar a impressão de serem zelosos quanto à Lei.

      Jesus continua, dizendo que eles “alargam as orlas de suas vestes”. Em Números 15:38-40, ordena-se aos israelitas que façam orlas em suas vestes, mas os fariseus alargam as suas mais do que quaisquer outros. Fazem tudo para exibir-se! “Gostam dos lugares mais destacados”, diz Jesus.

      Infelizmente, os próprios discípulos de Jesus foram influenciados por esse desejo de destaque. Por isso, ele aconselha: “Mas vós, não sejais chamados Rabi, pois um só é o vosso instrutor, ao passo que todos vós sois irmãos. Além disso, não chameis a ninguém na terra de vosso pai, pois um só é o vosso Pai, o Celestial. Tampouco sejais chamados ‘líderes’, pois o vosso Líder é um só, o Cristo.” Os discípulos têm de livrar-se do desejo de ter destaque! “O maior dentre vós tem de ser o vosso ministro”, admoesta Jesus.

      A seguir, Jesus profere uma série de ais contra os escribas e os fariseus, chamando-os repetidamente de hipócritas. ‘Fecham o reino dos céus diante dos homens’, diz ele, e “estes são os que devoram as casas das viúvas, e que, por pretexto, fazem longas orações”.

      “Ai de vós, guias cegos”, diz Jesus. Ele condena a falta de valores espirituais dos fariseus, como revelam as distinções arbitrárias que fazem. Dizem, por exemplo: “Se alguém jurar pelo templo, isto não é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do templo, ele está sob obrigação.” Dando mais ênfase ao ouro do templo do que ao valor espiritual desse local de adoração, eles revelam sua cegueira moral.

      Daí, como fez antes, Jesus condena os fariseus por sua negligência nos “assuntos mais importantes da Lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fidelidade”, embora deem muita atenção a pagar o dízimo, ou décima parte, de ervas insignificantes.

      Jesus chama os fariseus de ‘guias cegos, que coam o mosquito, mas engolem o camelo’! Eles coam mosquitos do vinho, não somente por serem insetos, mas por serem cerimonialmente impuros. Contudo, sua desconsideração de assuntos mais importantes da Lei compara-se a engolirem um camelo, animal também cerimonialmente impuro. Mateus 22:41–23:24; Marcos 12:35-40; Lucas 20:41-47; Levítico 11:4, 21-24.

      ▪ Por que os fariseus ficam calados quando Jesus lhes pergunta sobre o que Davi disse no Salmo 110?

      ▪ Por que os fariseus ampliam suas caixinhas com textos e as orlas de suas vestes?

      ▪ Que conselho dá Jesus a seus discípulos?

      ▪ Que distinções arbitrárias fazem os fariseus, e de que modo Jesus os condena por negligenciarem assuntos mais importantes?

  • Concluído o ministério no templo
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 110

      Concluído o ministério no templo

      JESUS está fazendo sua última visita ao templo. Na verdade, ele está encerrando seu ministério público na Terra, excetuando-se o seu julgamento e execução, para os quais ainda faltam três dias. Ele continua então a censurar os escribas e os fariseus.

      Ele exclama mais três vezes: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!” Primeiro, proclama ai contra eles porque limpam ‘por fora o copo e o prato, mas por dentro estão cheios de saque e de intemperança’. Por isso, admoesta: ‘Limpai primeiro por dentro o copo e o prato, para que também por fora se torne limpo.’

      A seguir, ele pronuncia ai contra os escribas e os fariseus por causa da podridão e putrefação interna que eles tentam ocultar por meio de sua piedade externa. “[Vós] vos assemelhais a sepulcros caiados”, diz ele, “que por fora, deveras, parecem belos, mas que por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda sorte de impureza”.

      Por fim, a prontidão deles em construir túmulos para os profetas e decorá-los para chamar atenção para suas próprias obras de caridade manifesta a sua hipocrisia. Contudo, conforme Jesus revela, eles “[são] filhos daqueles que assassinaram os profetas”. De fato, quem quer que ouse expor a hipocrisia deles corre perigo!

      Prosseguindo, Jesus profere suas mais fortes palavras de denúncia. “Serpentes, descendência de víboras”, diz ele, “como haveis de fugir do julgamento da Geena?” Geena é o vale usado como depósito de lixo de Jerusalém. Assim, Jesus está dizendo que, por se empenharem num modo de vida iníquo, os escribas e os fariseus sofrerão a destruição eterna.

      A respeito dos que envia como representantes seus, Jesus diz: “A alguns deles matareis e pregareis em estacas, e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; para que venha sobre vós todo o sangue justo derramado na terra, desde o sangue do justo Abel até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias [chamado Jeoiada em 2 Crônicas], a quem assassinastes entre o santuário e o altar. Deveras, eu vos digo: Todas essas coisas virão sobre esta geração.”

      Por causa da disciplina que Zacarias deu aos líderes de Israel, eles “conspiraram contra ele e atiraram pedras nele ao mandamento do rei, no pátio da casa de Jeová”. Mas, como predisse Jesus, Israel pagará por todo esse sangue justo derramado. Pagou, 37 anos depois, em 70 EC, quando os exércitos romanos destruíram Jerusalém e mais de um milhão de judeus morreram.

      Jesus se sente angustiado ao pensar nessa situação assustadora. “Jerusalém, Jerusalém”, proclama novamente, “quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo de suas asas! Mas vós não o quisestes. Eis que a vossa casa vos fica abandonada”.

      Daí, Jesus acrescenta: “De modo algum me vereis doravante, até que digais: ‘Bendito aquele que vem em nome de Jeová!’” Isso se dará na presença de Cristo, quando ele vier em seu Reino celestial e as pessoas o virem com os olhos da fé.

      Jesus vai agora para um lugar onde pode observar os cofres do tesouro no templo e as multidões lançando dinheiro neles. Os ricos lançam muitas moedas. Mas então uma viúva pobre se aproxima e lança duas pequenas moedas de muito pouco valor.

      Chamando seus discípulos, Jesus diz: “Deveras, eu vos digo que esta viúva pobre lançou neles mais do que todos estes que lançam dinheiro nos cofres do tesouro.” Eles devem estar se perguntando como pode ser isso. Portanto, Jesus explica: “Todos eles lançaram neles dos seus excedentes, mas ela, de sua carência, lançou neles tudo o que tinha, todo o seu meio de vida.” Depois de dizer essas coisas, Jesus sai do templo para não mais voltar.

      Maravilhados com o tamanho e a beleza do templo, um de seus discípulos exclama: “Instrutor, vê que sorte de pedras e que sorte de edifícios!” De fato, relata-se que as pedras têm mais de 11 metros de comprimento, mais de 5 de largura e mais de 3 de altura!

      “Observas estes grandes edifícios?”, pergunta Jesus. “De modo algum ficará aqui pedra sobre pedra sem ser derrubada.”

      Depois de dizer essas coisas, Jesus e seus apóstolos atravessam o vale do Cédron e sobem ao monte das Oliveiras. De lá, avistam o magnífico templo. Mateus 23:25–24:3; Marcos 12:41–13:3; Lucas 21:1-6; 2 Crônicas 24:20-22.

      ▪ O que faz Jesus na sua última visita ao templo?

      ▪ Como se manifesta a hipocrisia dos escribas e dos fariseus?

      ▪ O que se quer dizer com o “julgamento da Geena”?

      ▪ Por que diz Jesus que a viúva contribuiu mais do que os ricos?

  • O sinal dos últimos dias
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 111

      O sinal dos últimos dias

      É TERÇA-FEIRA de tarde. Enquanto Jesus está sentado no monte das Oliveiras, olhando para o templo abaixo, Pedro, André, Tiago e João vêm ter com ele em particular. Eles estão preocupados com o templo, pois Jesus acabou de predizer que ali não ficará pedra sobre pedra.

      Mas parece que eles têm algo mais em mente ao se aproximarem de Jesus. Poucas semanas antes, ele falou sobre sua “presença”, tempo “em que o Filho do homem há de ser revelado”. E numa ocasião anterior ele lhes falara sobre a “terminação do sistema de coisas”. Por isso, os apóstolos estão muito curiosos.

      “Dize-nos”, perguntam eles, “quando sucederão estas coisas [que resultarão na destruição de Jerusalém e do seu templo] e qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?” Na verdade, a pergunta deles é tripla. Primeiro, desejam saber sobre a destruição de Jerusalém e do seu templo, daí, a respeito da presença de Jesus no poder do Reino e, por último, sobre o fim do inteiro sistema de coisas.

      Com extensos comentários, Jesus responde às três partes da pergunta. Fornece um sinal que indica quando o sistema judaico de coisas findará; mas fornece ainda mais. Dá também um sinal que alertará seus futuros discípulos, de modo que saibam que estão vivendo durante sua presença e perto do fim do inteiro sistema de coisas.

      Com o passar dos anos, os apóstolos observam o cumprimento da profecia de Jesus. Sim, as mesmíssimas coisas por ele preditas começam a acontecer em seus dias. Portanto, os cristãos que estão vivos 37 anos mais tarde, em 70 EC, não são pegos de surpresa pela destruição do sistema judaico junto com o seu templo.

      Contudo, a presença de Cristo não ocorre em 70 EC. Sua presença no poder do Reino se dá bem mais tarde. Mas quando? Uma consideração da profecia de Jesus revela isso.

      Jesus prediz que haverá “guerras e relatos de guerras”. “Nação se levantará contra nação”, diz ele, e haverá escassez de víveres, terremotos e pestilências. Seus discípulos serão odiados e mortos. Falsos profetas surgirão e desencaminharão a muitos. Haverá aumento do que é contra a lei, e o amor da maioria se esfriará. Ao mesmo tempo, as boas novas do Reino de Deus serão pregadas em testemunho a todas as nações.

      Embora a profecia de Jesus tenha um cumprimento limitado antes da destruição de Jerusalém, em 70 EC, seu cumprimento maior ocorre durante sua presença e na terminação do sistema de coisas. Um cuidadoso exame dos eventos mundiais a partir de 1914 revela que desde esse ano a momentosa profecia de Jesus está passando pelo seu cumprimento maior.

      Outra parte do sinal que Jesus dá é o aparecimento da “coisa repugnante que causa desolação”. Em 66 EC, essa coisa repugnante aparece na forma dos “exércitos acampados”, de Roma, que cercam Jerusalém e minam o muro do templo. “A coisa repugnante” posta-se onde não devia.

      No cumprimento maior do sinal, a coisa repugnante é a Liga das Nações e sua sucessora, as Nações Unidas. Essa organização em prol da paz mundial é encarada pela cristandade como substituta do Reino de Deus. Quão repugnante! No tempo devido, portanto, os poderes políticos associados com as Nações Unidas voltar-se-ão contra a cristandade (a antitípica Jerusalém) e a desolarão.

      Por isso, Jesus prediz: “Haverá grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo.” A destruição de Jerusalém em 70 EC é deveras uma grande tribulação, relatando-se mais de um milhão de mortos. O cumprimento maior dessa parte da profecia de Jesus será muito mais abrangente.

      Confiança Durante os Últimos Dias

      Ao findar o dia 11 de nisã, terça-feira, Jesus continua sua palestra com os apóstolos a respeito do sinal da sua presença no poder do Reino e do fim do sistema de coisas. Ele os alerta contra ir atrás de falsos cristos. Serão feitas tentativas, disse ele, “de desencaminhar, se possível, até mesmo os escolhidos”. Mas, como águias de visão aguçada, tais escolhidos se ajuntarão onde o genuíno alimento espiritual há de ser encontrado, a saber, ao verdadeiro Cristo, em sua presença invisível. Não serão desencaminhados e ajuntados a um falso cristo.

      Falsos cristos só podem aparecer de modo visível. Em contraste com isso, a presença de Jesus será invisível. Jesus diz que depois de irromper a grande tribulação “o sol ficará escurecido, e a lua não dará a sua luz”. Sim, esse será o período mais negro da existência da humanidade. Será como se o sol ficasse escurecido durante o dia e como se a lua não iluminasse à noite.

      “Os poderes dos céus serão abalados”, continua Jesus. Ele indica assim que os céus físicos assumirão aspecto agourento. O medo e a violência excederão tudo já experimentado antes na história humana.

      Em resultado disso, diz Jesus, haverá “angústia de nações, não sabendo o que fazer por causa do rugido do mar e da sua agitação, os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”. Deveras, à medida que esse mais negro período da existência humana se aproximar de seu fim, “aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se baterão então em lamento”.

      Mas nem todos estarão lamentando quando ‘o Filho do homem vier em poder’ para destruir este iníquo sistema de coisas. Os “escolhidos”, os 144 mil que participarão com Cristo no seu Reino celestial, não lamentarão, nem o farão seus companheiros, aqueles a quem Jesus anteriormente chamou de “outras ovelhas”. Apesar de viverem durante o mais negro período da história humana, eles correspondem ao encorajamento de Jesus: “Quando estas coisas principiarem a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando.”

      Para que seus discípulos que vivessem nos últimos dias pudessem determinar a proximidade do fim, Jesus conta esta ilustração: “Reparai na figueira e em todas as outras árvores: Quando já estão em flor, sabeis por vós mesmos, observando isso, que já está próximo o verão. Deste modo também vós, quando virdes estas coisas ocorrer, sabei que está próximo o reino de Deus. Deveras, eu vos digo: Esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas ocorram.”

      Assim, quando os discípulos veem as diversas particularidades do sinal sendo cumpridas, devem dar-se conta de que o fim do sistema de coisas está próximo e de que o Reino de Deus em breve eliminará toda a iniquidade. Admoestando os discípulos que estariam vivos durante os momentosos últimos dias, Jesus diz:

      “Prestai atenção a vós mesmos, para que os vossos corações nunca fiquem sobrecarregados com o excesso no comer, e com a imoderação no beber, e com as ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vós instantaneamente como um laço. Pois virá sobre todos os que moram na face de toda a terra. Portanto, mantende-vos despertos, fazendo todo o tempo súplica para que sejais bem-sucedidos em escapar de todas estas coisas que estão destinadas a ocorrer, e em ficar em pé diante do Filho do homem.”

      As Virgens Sábias e as Tolas

      Jesus está respondendo à pergunta de seus apóstolos em solicitação dum sinal de sua presença no poder do Reino. Ele agora fornece aspectos adicionais do sinal em três parábolas ou ilustrações.

      O cumprimento de cada ilustração seria observável por aqueles que vivessem durante sua presença. Ele inicia a primeira ilustração com as palavras: “O reino dos céus se tornará então semelhante a dez virgens que tomaram as suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas foram tolas e cinco foram discretas.”

      Com a expressão “o reino dos céus se tornará . . . semelhante a dez virgens”, Jesus não quer dizer que metade dos herdeiros do Reino celestial é composta de pessoas tolas e metade de pessoas discretas! Não, o que ele quer dizer é que, com relação ao Reino dos céus, há uma característica semelhante a isso ou àquilo, ou que os assuntos relacionados com o Reino serão semelhantes a essa ou àquela coisa.

      As dez virgens simbolizam todos os cristãos que se candidatam ao Reino celestial ou que professam candidatar-se. Em Pentecostes de 33 EC, a congregação cristã foi prometida em casamento ao ressuscitado e glorificado Noivo, Jesus Cristo. Mas o casamento ocorreria no céu, em algum tempo não especificado, no futuro.

      Na ilustração, as dez virgens saem com o fim de acolher o noivo e de juntar-se à procissão do casamento. Quando ele chegar, elas iluminarão o caminho da procissão com suas lâmpadas, dando-lhe assim honra, ao passo que ele leva sua noiva para a casa preparada para ela. Contudo, Jesus explica: “As tolas tomaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo, ao passo que as discretas levaram óleo nos seus recipientes, junto com as suas lâmpadas. Demorando o noivo, todas elas cochilaram e adormeceram.”

      A demora prolongada do noivo indica que a presença de Cristo como Rei reinante há de ocorrer no futuro distante. Ele finalmente é entronizado em 1914. Durante a longa noite que antecedeu isso, todas as virgens adormeceram. Mas não são condenadas por isso. As virgens tolas são condenadas por não terem óleo em seus recipientes. Jesus explica de que maneira as virgens despertam antes da chegada do noivo: “Logo no meio da noite levantou-se um grito: ‘Aqui está o noivo! Ide ao encontro dele.’ Todas aquelas virgens levantaram-se então e puseram as suas lâmpadas em ordem. As tolas disseram às discretas: ‘Dai-nos do vosso óleo, porque as nossas lâmpadas estão prestes a apagar-se.’ As discretas responderam com as palavras: ‘Talvez não haja suficiente para nós e para vós. Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós.’”

      O óleo simboliza o que mantém os verdadeiros cristãos brilhando como iluminadores. Trata-se da Palavra inspirada de Deus, à qual os cristãos persistem em agarrar-se firmemente, junto com o espírito santo, que os ajuda a entender essa Palavra. O óleo espiritual habilita as virgens discretas a irradiar luz ao receber o noivo durante a procissão para a festa de casamento. Mas os da classe das virgens tolas não têm em si mesmos, em seus recipientes, o necessário óleo espiritual. Portanto, Jesus descreve o que acontece:

      “Enquanto [as virgens tolas] foram [comprar óleo], chegou o noivo, e as virgens que estavam prontas entraram com ele para a festa de casamento; e a porta foi fechada. Depois veio também o resto das virgens, dizendo: ‘Senhor, senhor, abre para nós!’ Ele disse, em resposta: ‘Eu vos digo a verdade: não vos conheço.’”

      Depois de Cristo chegar no seu Reino celestial, a classe das virgens discretas, de verdadeiros cristãos ungidos, desperta para o seu privilégio de irradiar luz neste mundo envolto em trevas, em louvor do noivo que retornou. Mas os que foram retratados pelas virgens tolas não estão preparados para dar esse louvor acolhedor. Assim, quando chega o tempo, Cristo não abre para eles a porta para a festa de casamento no céu. Ele os deixa do lado de fora, na escuridão da noite mais profunda do mundo, para perecerem junto com todos os outros obreiros do que é contra a lei. “Portanto, mantende-vos vigilantes”, conclui Jesus, “porque não sabeis nem o dia nem a hora”.

      A Ilustração dos Talentos

      Jesus continua a palestra com seus apóstolos no monte das Oliveiras contando-lhes outra ilustração, a segunda de uma série de três. Poucos dias antes, em Jericó, ele contou a ilustração das minas para mostrar que o Reino era ainda para o futuro distante. A ilustração que passa a contar agora, embora tenha diversas particularidades semelhantes, descreve, no seu cumprimento, atividades durante a presença de Cristo no poder do Reino. Ilustra que seus discípulos têm de trabalhar, enquanto ainda estão na Terra, para aumentar os “bens” de Cristo.

      Jesus começa, dizendo: “Pois [isso, ou seja, as circunstâncias relacionadas com o Reino] é assim como quando um homem, prestes a viajar para fora, convocou escravos seus e confiou-lhes os seus bens.” Jesus é o homem que, antes de viajar para fora, para o céu, confia seus bens a seus escravos — os discípulos, candidatos ao Reino celestial. Tais bens não são haveres materiais, mas representam um campo cultivado, em que ele tem desenvolvido o potencial para a produção de mais discípulos.

      Jesus confia seus bens a seus escravos pouco antes de ascender ao céu. Como ele faz isso? Instruindo-os a continuarem trabalhando no campo cultivado, pregando a mensagem do Reino até as partes mais distantes da Terra. Conforme Jesus diz: “A um deles deu cinco talentos, a outro dois, e a ainda outro um, a cada um segundo a sua própria capacidade, e viajou para fora.”

      Oito talentos — os bens de Cristo — são assim distribuídos segundo a capacidade, ou possibilidades espirituais, dos escravos. Os escravos representam classes de discípulos. No primeiro século, a classe que recebeu cinco talentos incluía, evidentemente, os apóstolos. Jesus prossegue relatando que os escravos que receberam cinco talentos, bem como os que receberam dois, duplicaram-nos por meio de sua pregação do Reino e da obra de fazer discípulos. Contudo, o escravo que recebeu um único talento escondeu-o no chão.

      “Depois de muito tempo”, continua Jesus, “voltou o amo daqueles escravos e ajustou contas com eles”. Foi só no século 20, uns 1.900 anos mais tarde, que Cristo retornou para ajustar contas; portanto, isso se deu, realmente, “depois de muito tempo”. Daí, Jesus explica:

      “Apresentou-se então o que recebera cinco talentos e trouxe cinco talentos adicionais, dizendo: ‘Amo, confiaste-me cinco talentos; eis que ganhei mais cinco talentos.’ Seu amo disse-lhe: ‘Muito bem, escravo bom e fiel! Foste fiel em poucas coisas. Designar-te-ei sobre muitas coisas. Entra na alegria do teu amo.’” Semelhantemente, o escravo que recebeu dois talentos duplicou-os e recebeu o mesmo elogio e recompensa.

      Contudo, de que maneira esses fiéis escravos entram na alegria do seu Amo? Bem, a alegria do seu Amo, Jesus Cristo, é ser empossado no Reino ao viajar para fora, para seu Pai, no céu. Quanto aos escravos fiéis nos tempos modernos, eles têm a grande alegria de ser encarregados de responsabilidades adicionais, relacionadas com o Reino, e, à medida que terminam sua carreira terrestre, terão a suprema alegria de ser ressuscitados para o Reino celestial. Mas que dizer do terceiro escravo?

      “Amo, eu sabia que és homem exigente”, queixa-se o escravo. “Por isso fiquei com medo, e fui e escondi no chão o teu talento. Aqui tens o que é teu.” O escravo recusou-se deliberadamente a trabalhar no campo cultivado, deixando de pregar e fazer discípulos. Portanto, o amo o chama de “iníquo e indolente” e profere a sentença: “Tirai-lhe o talento . . . E lançai o escravo imprestável na escuridão lá fora. Ali é onde haverá o seu choro e o ranger de seus dentes.” Os que compõem essa classe do escravo mau, tendo sido lançados fora, ficam privados de toda a alegria espiritual.

      Isso estabelece uma lição importante para todos os que professam ser seguidores de Cristo. Eles têm de trabalhar em prol do aumento dos bens de seu Amo celestial, participando plenamente na obra de pregação, para receber Seu elogio e recompensa e para evitar ser lançados na escuridão lá fora e na derradeira destruição. É você diligente em usar suas habilidades nesse respeito?

      Quando Cristo Chegar no Poder do Reino

      Jesus ainda está com seus apóstolos no monte das Oliveiras. Em resposta ao pedido dum sinal da sua presença e da terminação do sistema de coisas, ele passa a contar-lhes a última duma série de três ilustrações. “Quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos”, começa Jesus, “então se assentará no seu trono glorioso”.

      A chegada ocorre quando o fim do sistema de coisas está muito próximo. Mas com que fim? Jesus explica: “E diante dele serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à sua esquerda.”

      Ao descrever o que acontecerá aos que serão separados para o seu lado de favor, Jesus diz: “O rei dirá então aos à sua direita: ‘Vinde, vós os que tendes sido abençoados por meu Pai, herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo.’” As ovelhas dessa ilustração não reinarão com Cristo no céu, mas herdarão o Reino, no sentido de serem seus súditos terrestres. “A fundação do mundo” ocorreu quando Adão e Eva começaram a ter filhos que podiam beneficiar-se da provisão de Deus para remir a humanidade.

      Mas por que são as ovelhas separadas para o lado direito de favor, do Rei? “Pois fiquei com fome”, diz o rei, “e vós me destes algo para comer; fiquei com sede, e vós me destes algo para beber. Eu era estranho, e vós me recebestes hospitaleiramente; estava nu, e vós me vestistes. Fiquei doente, e vós cuidastes de mim. Eu estava na prisão, e vós me visitastes.”

      Visto que estão na Terra, as ovelhas desejam saber como é que poderiam ter feito tais obras excelentes em benefício do seu Rei celestial. “Senhor, quando te vimos com fome, e te alimentamos”, perguntam-lhe, “ou com sede, e te demos algo para beber? Quando te vimos como estranho, e te recebemos hospitaleiramente, ou nu, e te vestimos? Quando te vimos doente, ou na prisão, e te fomos visitar?”

      “Deveras, eu vos digo”, responde o Rei, “ao ponto que o fizestes a um dos mínimos destes meus irmãos, a mim o fizestes”. Os irmãos de Cristo são os remanescentes dos 144 mil, ainda na Terra, que reinarão com ele no céu. E fazer o bem a esses, diz Jesus, é o mesmo que fazer o bem a ele.

      A seguir, o Rei se dirige aos cabritos. “Afastai-vos de mim, vós os que tendes sido amaldiçoados, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos. Pois fiquei com fome, mas vós não me destes nada para comer, e fiquei com sede, mas vós não me destes nada para beber. Eu era estranho, mas vós não me recebestes hospitaleiramente; estava nu, mas vós não me vestistes; doente e na prisão, mas vós não cuidastes de mim.”

      Entretanto, os cabritos replicam: “Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estranho, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te ministramos?” Os cabritos são julgados adversamente na mesma base em que se julgou favoravelmente as ovelhas. “Ao ponto que não o fizestes a um destes mínimos [dos meus irmãos]”, responde Jesus, “a mim não o fizestes”.

      Portanto, a presença de Cristo no poder do Reino incluirá um tempo de julgamento. Isso ocorrerá durante a grande tribulação, imediatamente antes do fim deste sistema iníquo de coisas. Os cabritos “partirão para o decepamento eterno, mas os justos [as ovelhas], para a vida eterna”. Mateus 24:2–25:46; 13:40, 49; Marcos 13:3-37; Lucas 21:7-36; 19:43, 44; 17:20-30; 2 Timóteo 3:1-5; João 10:16.

      ▪ O que motiva a pergunta dos apóstolos, mas, pelo que parece, o que mais eles têm em mente?

      ▪ Que parte da profecia de Jesus cumpriu-se em 70 EC, mas o que não ocorre nessa ocasião?

      ▪ Quando tem a profecia de Jesus um primeiro cumprimento, mas quando tem um cumprimento maior?

      ▪ O que é a coisa repugnante no seu primeiro cumprimento e no final?

      ▪ Por que a grande tribulação não tem seu cumprimento final com a destruição de Jerusalém?

      ▪ Que condições mundiais marcam a presença de Cristo?

      ▪ Quando ‘todas as tribos da Terra se baterão em lamento’, mas o que os seguidores de Cristo estarão fazendo?

      ▪ Que ilustração conta Jesus para ajudar seus futuros discípulos a discernir quando o fim está próximo?

      ▪ Que admoestação dá Jesus para aqueles de seus discípulos que estariam vivendo nos últimos dias?

      ▪ A quem prefiguram as dez virgens?

      ▪ Quando foi a congregação cristã prometida em casamento ao noivo, mas quando chega o noivo para levar sua noiva para a festa de casamento?

      ▪ O que representa o óleo, e o que as virgens discretas estão habilitadas a fazer em razão de o possuírem?

      ▪ Onde ocorre a festa de casamento?

      ▪ Que grandiosa recompensa perdem as virgens tolas, e qual é o seu destino?

      ▪ Que lição ensina a ilustração dos talentos?

      ▪ Quem são os escravos, e o que são os bens que lhes foram confiados?

      ▪ Quando vem o amo para ajustar contas, e o que constata ele?

      ▪ Qual é a alegria em que os escravos fiéis entram, e o que acontece ao terceiro escravo, o iníquo?

      ▪ Durante a presença de Cristo, que obra de julgamento ele faz?

      ▪ Em que sentido as ovelhas herdam o Reino?

      ▪ Quando ocorreu a “fundação do mundo”?

      ▪ Em que base são as pessoas julgadas, quer como ovelhas, quer como cabritos?

  • Aproxima-se a última Páscoa de Jesus
    O Maior Homem Que Já Viveu
    • Capítulo 112

      Aproxima-se a última Páscoa de Jesus

      AO FINDAR a terça-feira, 11 de nisã, Jesus termina de ensinar os apóstolos no monte das Oliveiras. Quão repleto de atividades foi esse dia! Agora, talvez ao retornar a Betânia para pernoitar, ele diz aos apóstolos: “Sabeis que daqui a dois dias é a páscoa, e o Filho do homem há de ser entregue para ser pregado numa estaca.”

      O dia seguinte, quarta-feira, 12 de nisã, Jesus aparentemente passa em retiro com os apóstolos. No dia anterior, ele repreendeu publicamente os líderes religiosos e sabe que eles o procuram para matá-lo. Portanto, ele não aparece abertamente nessa quarta-feira, pois não quer que nada interfira na celebração da Páscoa com os apóstolos na noite seguinte.

      Nesse ínterim, os principais sacerdotes e os anciãos do povo reúnem-se no pátio do sumo sacerdote, Caifás. Ressentidos com o ataque de Jesus no dia anterior, eles estão fazendo planos para apoderar-se dele por meio dum ardil e matá-lo. No entanto, dizem: “Não durante a festividade, para que não surja alvoroço entre o povo.” Temem o povo, de cuja estima Jesus desfruta.

      Enquanto iniquamente conspiram para matar Jesus, os líderes religiosos recebem uma visita. Para sua surpresa, é um dos próprios apóstolos de Jesus, Judas Iscariotes, aquele em quem Satanás implantou a vil ideia de trair seu Amo! Quão satisfeitos ficam quando Judas pergunta: “O que me dareis para traí-lo a vós?” Concordam de bom grado em pagar-lhe 30 moedas de prata, o preço dum escravo, segundo o pacto da Lei mosaica. A partir daí, Judas passa a procurar uma boa oportunidade para trair-lhes Jesus sem uma multidão por perto.

      O dia 13 de nisã começa com o pôr do sol da quarta-feira. Jesus chegou de Jericó na sexta-feira, portanto, essa é sua sexta e última noite em Betânia. No dia seguinte, quinta-feira, será necessário fazer os preparativos finais para a Páscoa, que começará com o pôr do sol. É nessa ocasião que o cordeiro pascoal tem de ser abatido e assado inteiro. Onde celebrarão a festividade, e quem fará os preparativos?

      Jesus não forneceu esses detalhes, talvez para evitar que Judas informasse os principais sacerdotes de modo que eles pudessem prender Jesus durante a celebração da Páscoa. Mas agora, provavelmente cedo na tarde de quinta-feira, Jesus envia Pedro e João, de Betânia, dizendo: “Ide e aprontai a páscoa, para que comamos.”

      “Onde queres que a aprontemos?”, perguntam eles.

      “Ao entrardes na cidade”, explica Jesus, “virá ao encontro de vós um homem levando um vaso de barro com água. Segui-o para dentro da casa em que ele entrar. E tendes de dizer ao proprietário da casa: ‘O Instrutor te diz: “Onde está a sala dos hóspedes, em que eu possa comer a páscoa com meus discípulos?”’ E esse homem vos mostrará uma grande sala de sobrado, mobiliada. Aprontai-a ali.”

      O proprietário sem dúvida é um discípulo de Jesus, que talvez espere que Jesus peça para usar sua casa nessa ocasião especial. De qualquer forma, chegando a Jerusalém, Pedro e João encontram tudo exatamente conforme Jesus predisse. Assim, os dois cuidam de que o cordeiro esteja pronto e de que se façam todos os outros arranjos para atender as necessidades dos 13 celebrantes da Páscoa: Jesus e seus 12 apóstolos. Mateus 26:1-5, 14-19; Marcos 14:1, 2, 10-16; Lucas 22:1-13; Êxodo 21:32.

      ▪ O que aparentemente faz Jesus na quarta-feira, e por quê?

      ▪ Que reunião é realizada na casa do sumo sacerdote, e com que propósito visita Judas os líderes religiosos?

      ▪ A quem envia Jesus a Jerusalém, na quinta-feira, e com que objetivo?

      ▪ O que encontram esses enviados, que, mais uma vez, revela os poderes milagrosos de Jesus?

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