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  • O Caminho, a Verdade e a Vida
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus e seus 11 apóstolos fiéis

      O Caminho, a Verdade e a Vida

      Provavelmente você gosta de receber boas notícias. Sabia que existem notícias muito boas para você e as pessoas que você ama?

      Essas boas notícias estão na Bíblia, um livro que o Criador do Universo, Jeová Deus, providenciou que fosse escrito anos atrás. Nesta publicação, vamos nos concentrar em quatro livros da Bíblia que trazem notícias muito boas para todos. Eles têm o nome dos homens que Deus usou para escrevê-los: Mateus, Marcos, Lucas e João.

      Esses quatro relatos são muitas vezes chamados de os quatro Evangelhos. Eles apresentam o evangelho, ou as boas novas, sobre Jesus. Mostram que ele é o meio de salvação provido por Deus e que, como Rei do Reino celestial de Deus, Jesus trará bênçãos eternas para todos os que exercem fé nele. — Marcos 10:17, 30; 13:13.

      POR QUE QUATRO EVANGELHOS?

      Talvez você se pergunte por que Deus providenciou que fossem escritos quatro relatos sobre a vida e os ensinamentos de Jesus.

      Há benefícios em ter mais de um relato sobre Jesus. Para ilustrar, imagine quatro homens observando um famoso instrutor. O homem que está na frente do instrutor é cobrador de impostos. O que está à direita é médico. O homem que fica à esquerda é pescador e amigo muito achegado do instrutor. E o quarto, que está atrás do instrutor, é o mais jovem de todos. Os quatro homens são honestos, mas se interessam por coisas diferentes. Se eles escrevessem um relato sobre as declarações e as atividades do instrutor, é provável que os quatro relatos destacassem aspectos ou acontecimentos diferentes. Quando analisamos os quatro relatos pensando nos diferentes objetivos e pontos de vista, podemos ter uma visão completa do que o instrutor disse e fez. Isso mostra como nos beneficiamos de ter quatro relatos sobre a vida do Grande Instrutor, Jesus.

      Continuando a ilustração, o cobrador de impostos quer que seu relato seja interessante para os de formação judaica. Por isso, organiza alguns dos ensinamentos ou acontecimentos para ajudar esse público em especial. Mas o médico se concentra na cura de doentes ou deficientes. Assim, omite algumas coisas registradas pelo cobrador de impostos ou as apresenta numa ordem diferente. O amigo do instrutor dá mais atenção aos sentimentos e às qualidades dele. E o relato do homem mais jovem é mais breve e resumido. Mesmo assim, todos os relatos são exatos. Isso ilustra bem que ter os quatro relatos da vida de Jesus amplia nosso entendimento de seus ensinamentos, atividades e personalidade.

      Alguns talvez digam ‘Evangelho de Mateus’ ou ‘Evangelho de João’. Isso não está errado, pois eles contêm “boas novas a respeito de Jesus Cristo”. (Marcos 1:1) Mas, num sentido mais amplo, há apenas um evangelho, ou boas novas, sobre Jesus, disponível para nós nos quatro relatos.

      Muitos estudantes da Palavra de Deus compararam e organizaram os fatos e os acontecimentos encontrados em Mateus, Marcos, Lucas e João. Por volta de 170 EC, o escritor sírio Taciano se esforçou em fazer isso. Ele reconheceu que esses quatro livros são exatos e inspirados, e produziu o Diatessaron, uma obra que organiza os acontecimentos da vida e do ministério de Jesus em uma única narrativa.

      Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida faz algo parecido, só que é mais exato e completo porque hoje entendemos melhor o cumprimento de muitas das profecias e ilustrações de Jesus. Esse entendimento esclarece o que ele disse e fez, bem como a ordem em que os eventos aconteceram. Descobertas arqueológicas também ajudam a entender certos detalhes e o ponto de vista dos escritores. Naturalmente, não há como afirmar a sequência exata de todos os acontecimentos. Mas o livro Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida apresenta isso de forma razoável e lógica.

      O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA

      Ao ler este livro, procure ter em mente a mensagem principal que ele contém para você e as pessoas que você ama. Lembre-se de que o próprio Jesus Cristo disse ao apóstolo Tomé: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” — João 14:6.

      Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida ajudará você a entender por que Jesus realmente é “o caminho”. Somente por meio dele é possível orar a Deus. Além disso, Jesus é o caminho para sermos reconciliados com Deus. (João 16:23; Romanos 5:8) Assim, só podemos ter uma relação aprovada com Deus por meio de Jesus.

      Jesus é “a verdade”. Ele falou e viveu em harmonia com a verdade. Ele era a verdade em pessoa e cumpriu inúmeras profecias, que se tornaram “‘sim’ por meio dele”. (2 Coríntios 1:20; João 1:14) Essas profecias nos ajudam a entender o papel central de Jesus no cumprimento do propósito de Deus. — Apocalipse 19:10.

      E Jesus Cristo é “a vida”. Ao dar sua vida e seu sangue perfeitos por meio do resgate, ele tornou possível que tenhamos “verdadeira vida”, isto é, “vida eterna”. (1 Timóteo 6:12, 19; Efésios 1:7; 1 João 1:7) E, para milhões de pessoas que morreram, ele significará “a vida” quando forem ressuscitados com a perspectiva de viver para sempre no Paraíso. — João 5:28, 29.

      Todos nós precisamos entender o papel de Jesus no propósito de Deus e dar valor a isso. Esperamos que você goste de aprender mais sobre Jesus — “o caminho, a verdade e a vida”.

  • Antes do ministério de Jesus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Maria, José e os pastores observam o bebê Jesus numa manjedoura

      SEÇÃO 1

      Antes do ministério de Jesus

      “Ele será grande.” — Lucas 1:32

  • O começo do ministério de Jesus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus sai da água depois de ser batizado por João Batista

      SEÇÃO 2

      O começo do ministério de Jesus

      “Vejam o Cordeiro de Deus, que tira o pecado.” — João 1:29

  • O grande ministério de Jesus na Galileia
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus faz o Sermão do Monte

      SEÇÃO 3

      O grande ministério de Jesus na Galileia

      ‘Jesus começou a pregar: “O Reino está próximo.”’ — Mateus 4:17

  • Ministério de Jesus na Judeia
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • [Foto de página inteira nas páginas 156, 157]

      SEÇÃO 4

      Ministério de Jesus na Judeia

      “Peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores.” — Lucas 10:2

  • Ministério de Jesus ao leste do Jordão
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • [Foto de página inteira nas páginas 190, 191]

      SEÇÃO 5

      Ministério de Jesus ao leste do Jordão

      ‘Muitos depositaram fé nele.’ — João 10:42

  • Últimos dias do ministério de Jesus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • [Foto de página inteira nas páginas 234, 235]

      SEÇÃO 6

      Últimos dias do ministério de Jesus

      “Seu rei está vindo a você.” — Mateus 21:5

  • Duas mensagens de Deus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Anjo Gabriel aparece para Zacarias; Elisabete grávida

      CAPÍTULO 1

      Duas mensagens de Deus

      LUCAS 1:5-33

      • O ANJO GABRIEL PROFETIZA O NASCIMENTO DE JOÃO BATISTA

      • GABRIEL FALA A MARIA SOBRE O FUTURO NASCIMENTO DE JESUS

      Podemos dizer que a Bíblia inteira é uma mensagem de Deus. Ela foi dada por nosso Pai celestial para a nossa instrução. Vamos analisar duas mensagens especiais que foram dadas mais de 2 mil anos atrás por um anjo chamado Gabriel, que ‘está diante de Deus’. (Lucas 1:19) Quais eram as circunstâncias quando o anjo transmitiu essas importantes mensagens?

      Gabriel transmite sua primeira mensagem por volta do ano 3 AEC. Na região montanhosa da Judeia, provavelmente não muito longe de Jerusalém, mora um sacerdote de Jeová chamado Zacarias. Ele e sua esposa, Elisabete, já são idosos e não têm filhos. É a vez de Zacarias servir como sacerdote no templo de Deus em Jerusalém. Enquanto Zacarias está no templo, Gabriel aparece de repente, perto do altar de incenso.

      Naturalmente, Zacarias fica com medo. Mas o anjo o acalma, dizendo: “Não tenha medo, Zacarias, porque as suas súplicas foram ouvidas, e sua esposa, Elisabete, lhe dará um filho, e você deve pôr nele o nome de João.” Gabriel acrescenta que João “será grande aos olhos de Jeová” e ‘aprontará para Jeová um povo preparado’. — Lucas 1:13-17.

      Zacarias faz sinal com as mãos

      Zacarias não consegue acreditar nisso. Por quê? Porque ele e sua esposa são idosos. Então Gabriel diz a Zacarias: “Você ficará mudo e não poderá falar até o dia em que essas coisas ocorrerem, porque não acreditou nas minhas palavras.” — Lucas 1:20.

      Enquanto isso, as pessoas do lado de fora do templo se perguntam por que Zacarias está demorando tanto. Quando ele finalmente sai, não consegue falar, apenas faz sinais com as mãos. Assim, elas percebem que ele viu algo sobrenatural.

      Após terminar seu serviço no templo, Zacarias volta para casa. Pouco tempo depois, Elisabete fica grávida. Enquanto espera o nascimento do bebê, Elisabete fica em casa, longe das pessoas, durante cinco meses.

      Anjo Gabriel aparece para Maria

      Mais tarde, Gabriel aparece pela segunda vez. Agora a uma jovem chamada Maria, que ainda não se casou e mora na cidade de Nazaré, ao norte de Jerusalém, na região da Galileia. O que o anjo Gabriel diz a Maria? “Você achou favor diante de Deus. E agora você ficará grávida e dará à luz um filho, e deve lhe dar o nome de Jesus.” O anjo também diz: “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, . . . e ele será Rei sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu Reino.” — Lucas 1:30-33.

      Imagine como Gabriel deve ter se sentido privilegiado em transmitir essas duas mensagens! Ao ler mais sobre João e Jesus, ficará claro por que essas mensagens celestiais são tão importantes.

      • Quem transmite duas importantes mensagens que vêm do céu?

      • A quem as duas mensagens são transmitidas?

      • Na sua opinião, por que é tão difícil acreditar nessas mensagens?

  • Jesus recebe honra antes de nascer
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Maria viaja num jumento; Elisabete sente o bebê em sua barriga pular de alegria quando Maria entra em sua casa; Maria ajuda Elisabete nas tarefas domésticas

      CAPÍTULO 2

      Jesus recebe honra antes de nascer

      LUCAS 1:34-56

      • MARIA VISITA ELISABETE, SUA PARENTE

      Depois de o anjo Gabriel informar à jovem Maria que ela vai dar à luz um filho que se chamará Jesus e governará como rei para sempre, Maria pergunta: “Como isso vai acontecer, visto que não tenho relações com nenhum homem?” — Lucas 1:34.

      Gabriel responde: “Espírito santo virá sobre você e poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. E, por essa razão, aquele que nascer será chamado santo, Filho de Deus.” — Lucas 1:35.

      Talvez para ajudar Maria a acreditar nessa mensagem, Gabriel acrescenta: “Saiba que Elisabete, sua parenta, também vai ter um filho, na sua velhice, e este é o sexto mês para ela, a chamada estéril; pois não há nenhuma declaração de Deus que ele não possa cumprir.” — Lucas 1:36, 37.

      Maria aceita o que Gabriel diz, conforme notamos em sua reação: “Eu sou a escrava de Jeová! Aconteça comigo segundo a sua declaração.” — Lucas 1:38.

      Assim que Gabriel vai embora, Maria se apronta e vai visitar Elisabete, que mora com o marido, Zacarias, perto de Jerusalém, na região montanhosa da Judeia. De Nazaré, onde Maria mora, até a casa de Zacarias é uma longa viagem, que pode levar três ou quatro dias.

      Finalmente, Maria chega lá. Ao entrar, cumprimenta Elisabete, sua parente. Nesse momento, Elisabete fica cheia de espírito santo e diz a Maria: “Abençoada é você entre as mulheres, e abençoado é o fruto do seu ventre! Então, como é que eu tenho este privilégio, de que a mãe do meu Senhor venha ao meu encontro? Pois, assim que o som do seu cumprimento chegou aos meus ouvidos, o bebê no meu ventre pulou de alegria.” — Lucas 1:42-44.

      Maria responde cheia de gratidão: “Minha alma magnifica a Jeová e meu espírito não pode deixar de estar cheio de alegria por Deus, meu Salvador, porque ele olhou para a condição humilde da sua escrava. Sim, de agora em diante todas as gerações me proclamarão feliz, porque o Poderoso fez grandes ações por mim.” Observe que, apesar do privilégio que Maria recebeu, ela dá toda a honra a Deus. Ela diz: “Santo é o seu nome, e de geração em geração sua misericórdia está sobre os que o temem.” — Lucas 1:46-50.

      Maria continua louvando a Deus com palavras proféticas inspiradas: “Ele agiu poderosamente com o seu braço; dispersou os que têm planos arrogantes no coração. Derrubou de tronos homens poderosos e enalteceu humildes; saciou plenamente de coisas boas os famintos e mandou embora, de mãos vazias, os que tinham riqueza. Ele veio em socorro de Israel, seu servo, lembrando-se da sua misericórdia eterna a favor de Abraão e da sua descendência, assim como tinha prometido aos nossos antepassados.” — Lucas 1:51-55.

      Maria ajuda Elisabete nas tarefas domésticas

      Maria fica com Elisabete uns três meses, provavelmente ajudando-a durante as últimas semanas de sua gravidez. É muito bom que essas duas mulheres fiéis, que engravidaram com a ajuda de Deus, fiquem juntas nesse período da vida delas.

      Note a honra que foi dada a Jesus mesmo antes de ele nascer. Elisabete o chamou de “meu Senhor”, e seu filho por nascer “pulou de alegria” quando Maria chegou. Isso é bem diferente do modo como outros mais tarde tratam Maria e seu filho, conforme ainda veremos.

      • O que Gabriel diz a Maria para ajudá-la a entender como ela ficará grávida?

      • De que modo Jesus recebe honra antes de nascer?

      • Quanto tempo Maria fica com Elisabete, e por que ela faz isso?

  • Nasce aquele que vai preparar o caminho
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Elisabete mostra seu bebê para as pessoas

      CAPÍTULO 3

      Nasce aquele que vai preparar o caminho

      LUCAS 1:57-79

      • JOÃO BATISTA NASCE E RECEBE UM NOME

      • ZACARIAS PROFETIZA O PAPEL QUE JOÃO VAI DESEMPENHAR

      Está chegando a hora de Elisabete ganhar seu bebê. Maria, sua parente, está com ela há três meses. Mas agora é o momento de Maria se despedir e fazer a longa viagem de volta para sua casa em Nazaré. Daqui a uns seis meses, ela também terá um bebê.

      Elisabete dá à luz logo depois de Maria ir embora. Que alegria! Elisabete e o bebê estão bem depois do parto. Quando ela mostra seu filhinho aos vizinhos e aos parentes, todos se alegram com ela.

      Segundo a Lei de Deus, todo menino em Israel precisa ser circuncidado no oitavo dia após o nascimento, e então receber um nome. (Levítico 12:2, 3) Alguns acham que o menino deve ter o mesmo nome do pai, Zacarias. Mas Elisabete diz: “Não! Ele se chamará João.” (Lucas 1:60) Lembre-se de que esse é o nome que o anjo Gabriel disse que deveria ser dado à criança.

      Os vizinhos e os parentes não concordam: “Nenhum dos seus parentes tem esse nome.” (Lucas 1:61) Então, usando gestos, perguntam ao pai que nome ele quer dar ao menino. Zacarias pede uma tabuinha e escreve: “O nome dele é João.” — Lucas 1:63.

      Zacarias escreve numa pequena tábua de madeira; Zacarias volta a falar e profetiza

      Com isso, Zacarias milagrosamente volta a falar. Lembre-se de que ele perdeu a capacidade de falar quando não acreditou nas palavras do anjo de que Elisabete teria um filho. Depois que Zacarias começa a falar, seus vizinhos ficam muito surpresos e se perguntam: “O que será que esse menino vai ser?” (Lucas 1:66) Eles percebem a mão de Deus no modo como João recebeu seu nome.

      Então Zacarias fica cheio de espírito santo e diz: “Louvado seja Jeová, o Deus de Israel, porque voltou a sua atenção para o seu povo e lhe trouxe livramento. E ele fez surgir para nós um poderoso salvador na casa de Davi, seu servo.” (Lucas 1:68, 69) Esse “poderoso salvador” é o Senhor Jesus, que ainda havia de nascer. Zacarias diz que, por meio desse salvador, Deus vai “nos conceder, depois de termos sido resgatados das mãos dos inimigos, o privilégio de lhe prestar destemidamente serviço sagrado com lealdade e justiça, diante dele, todos os nossos dias”. — Lucas 1:74, 75.

      A respeito do seu filho, Zacarias profetiza: “Quanto a você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá na frente de Jeová para preparar os caminhos dele, para dar ao Seu povo conhecimento da salvação por meio do perdão dos pecados deles, por causa da terna compaixão do nosso Deus. Por causa dessa compaixão, um amanhecer nos visitará do alto, para dar luz aos sentados na escuridão e na sombra da morte e para guiar nossos pés no caminho da paz.” (Lucas 1:76-79) Que profecia encorajadora!

      Nessa época Maria, que ainda não se casou, chega à sua casa em Nazaré. O que acontecerá com ela quando outros perceberem que ela está grávida?

      • Qual é a diferença de idade entre João e Jesus?

      • O que acontece quando João tem oito dias de vida?

      • Que designação João recebe de Deus?

  • Maria — Grávida, mas não casada
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Maria fala para José que está grávida

      CAPÍTULO 4

      Grávida, mas não casada

      MATEUS 1:18-25 LUCAS 1:56

      • JOSÉ FICA SABENDO QUE MARIA ESTÁ GRÁVIDA

      • MARIA SE TORNA ESPOSA DE JOSÉ

      Maria está no quarto mês de gravidez. Lembre-se de que ela passou a primeira parte de sua gravidez com Elisabete, sua parente, na região montanhosa da Judeia. Mas agora Maria voltou para casa, em Nazaré. Logo todos vão ficar sabendo que ela está grávida, e isso a deixa muito preocupada.

      O que torna essa situação difícil é que Maria está noiva de um carpinteiro dessa cidade chamado José. Ela sabe que, segundo a lei de Deus a Israel, a noiva de um homem que concorda em ter relações sexuais com outro homem deve ser apedrejada até a morte. (Deuteronômio 22:23, 24) Por isso, mesmo que não tenha traído seu noivo, Maria provavelmente se pergunta que explicação vai dar a José e o que vai acontecer depois.

      Maria ficou três meses fora. Então, com certeza, José está ansioso para vê-la. Ao se encontrarem, Maria provavelmente lhe conta o que aconteceu, explicando da melhor maneira possível que está grávida por meio do espírito santo de Deus. Mas, como você pode imaginar, para José isso é algo bem difícil de entender e de acreditar.

      José sabe que Maria é uma boa mulher e tem uma excelente reputação, e ele a ama muito. Mas, apesar da explicação que Maria dá, José acredita que ela só pode estar grávida de outro homem. Ele não quer que Maria seja apedrejada até a morte ou desonrada em público. Por isso, decide se divorciar dela secretamente. Naquela época, os noivos eram encarados como casados, e era necessário se divorciar para terminar um noivado.

      O anjo de Jeová aparece para José num sonho

      Mais tarde, ainda pensando no assunto, José vai dormir. O anjo de Jeová lhe aparece num sonho e diz: “Não tenha medo de levar para casa Maria, sua esposa, pois o que foi concebido nela é por espírito santo. Ela dará à luz um filho, e você deve lhe dar o nome de Jesus, pois ele salvará seu povo dos pecados deles.” — Mateus 1:20, 21.

      Como José se sente grato quando acorda, pois o assunto foi esclarecido. Sem demora, ele faz o que o anjo disse e leva Maria para sua casa. Esse ato público equivale a uma cerimônia de casamento, deixando claro que José e Maria estão agora oficialmente casados. Mas José não tem relações sexuais com Maria enquanto ela está grávida de Jesus.

      Maria senta num jumento e José coloca bagagem nele

      Alguns meses depois, José e Maria precisam se preparar para sair de Nazaré numa longa viagem. Mas para onde eles vão visto que Maria está perto de dar à luz?

      • Qual é a reação de José ao saber da gravidez de Maria, e por quê?

      • Como José pode se divorciar de Maria se eles ainda não são casados?

      • O que José faz para oficializar sua união com Maria?

  • Onde e quando Jesus nasce?
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Maria sentada num jumento enquanto José os leva para Belém

      CAPÍTULO 5

      Onde e quando Jesus nasce?

      LUCAS 2:1-20

      • JESUS NASCE EM BELÉM

      • PASTORES VISITAM O BEBÊ JESUS

      O imperador romano César Augusto decreta que todos sejam registrados. Assim, José e Maria precisam viajar à sua cidade natal, Belém, que fica ao sul de Jerusalém.

      Por causa disso, Belém está lotada. O único lugar que José e Maria encontram para ficar é um estábulo, onde jumentos e outros animais ficam. É ali que Jesus nasce. Maria o enrola em faixas de pano e o deita numa manjedoura, onde se coloca comida para animais.

      Com certeza, foi por orientação de Deus que César Augusto decretou que o povo fosse registrado. Por quê? Porque isso tornou possível que Jesus nascesse em Belém, a cidade natal de seu antepassado, o rei Davi. Muito tempo antes, as Escrituras haviam predito que seria nessa cidade que o Governante prometido nasceria. — Miqueias 5:2.

      Essa é uma ocasião muito importante! À noite, uma intensa luz brilha em volta de um grupo de pastores no campo. É a glória de Jeová! Um anjo de Jeová lhes diz: “Não tenham medo, pois estou aqui para lhes declarar boas novas de uma grande alegria que todo o povo terá. Pois hoje lhes nasceu na cidade de Davi um salvador, que é Cristo, o Senhor. E este será o sinal para vocês: acharão um bebê enrolado em panos e deitado numa manjedoura.” De repente, muitos anjos aparecem e dizem: “Glória a Deus nas maiores alturas, e na terra paz entre os homens a quem ele concede o seu favor.” — Lucas 2:10-14.

      Maria, José e os pastores olham o bebê Jesus na manjedoura

      Quando os anjos vão embora, os pastores dizem uns aos outros: “Vamos sem falta a Belém e vejamos o que ocorreu, aquilo que Jeová nos fez saber.” (Lucas 2:15) Eles vão depressa procurar o recém-nascido e o encontram exatamente onde o anjo disse que Jesus estaria. Quando os pastores contam o que o anjo lhes disse, todos ficam maravilhados. Maria guarda essas declarações no coração e medita nelas.

      Hoje muitos acreditam que Jesus nasceu em 25 de dezembro. Mas dezembro é um mês chuvoso e frio em Belém, e às vezes neva. Nessa época do ano, os pastores dificilmente estariam à noite com seus rebanhos no campo. Também é improvável que o imperador romano exigisse que o povo — já descontente e revoltado com ele — fizesse uma longa viagem em pleno inverno, a fim de se registrar. Tudo indica que Jesus nasceu no mês de outubro.

      • Por que José e Maria precisam viajar para Belém?

      • Que acontecimento maravilhoso ocorre na noite do nascimento de Jesus?

      • Por que não faz sentido acreditar que Jesus nasceu em 25 de dezembro?

  • O filho prometido
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Simeão segura o bebê Jesus enquanto José, Maria e a profetisa Ana olham para ele

      CAPÍTULO 6

      O filho prometido

      LUCAS 2:21-39

      • JESUS É CIRCUNCIDADO E DEPOIS LEVADO AO TEMPLO

      Em vez de voltarem para Nazaré, José e Maria ficam em Belém. Jesus é circuncidado com oito dias, conforme exige a Lei de Deus dada a Israel. (Levítico 12:2, 3) Também é costume dar nome aos meninos no oitavo dia de vida. Por isso, José e Maria dão ao seu filho o nome de Jesus, como o anjo Gabriel havia instruído.

      Passa-se mais de um mês, e Jesus já está com 40 dias. Para onde seus pais o levam agora? Ao templo em Jerusalém, que fica a apenas alguns quilômetros de onde moram. A Lei diz que, 40 dias após o nascimento de um menino, a mãe deve apresentar no templo uma oferta de purificação. — Levítico 12:4-8.

      Assim, Maria oferece duas aves pequenas, tornando claro qual é a situação financeira dela e de José. Segundo a Lei, devem ser oferecidos um carneirinho e uma ave. Mas, se a mãe não tem condições para isso, duas rolas ou dois pombos são suficientes. Essa é a situação de Maria, e é isso o que ela oferece.

      “O TEMPO PARA A PURIFICAÇÃO DELES”

      José e Maria levam o bebê Jesus ao templo para fazer a oferta de purificação

      Quando uma israelita dava à luz um filho, ela era considerada cerimonialmente impura por um tempo. Assim que terminava esse período, uma oferta queimada era oferecida como sacrifício de purificação. Desse modo, todos eram lembrados de que o pecado e a imperfeição haviam sido transmitidos. O bebê Jesus era perfeito e santo. (Lucas 1:35) Mesmo assim, Maria e José “o levaram” ao templo “para a purificação deles”, conforme a Lei exigia. — Lucas 2:22.

      No templo, um homem idoso se aproxima de José e Maria. Seu nome é Simeão. Deus lhe havia revelado que, antes de morrer, ele veria o prometido Cristo, ou Messias, de Jeová. Conduzido pelo espírito santo, Simeão chega ao templo e encontra José e Maria com seu filho. Então ele pega o bebê no colo.

      Enquanto segura Jesus, Simeão agradece a Deus, dizendo: “Agora, Soberano Senhor, estás deixando o teu escravo ir em paz, segundo a tua declaração, porque meus olhos viram teu meio de salvação, que preparaste à vista de todos os povos, uma luz para remover o véu das nações e uma glória para o teu povo, Israel.” — Lucas 2:29-32.

      José e Maria ficam admirados ao ouvir isso. Simeão os abençoa e diz a Maria que seu filho “será motivo para a queda e para o levantamento de muitos em Israel”, e que a tristeza, igual a uma espada afiada, a atravessará. — Lucas 2:34.

      Nesse dia Ana, uma profetisa de 84 anos de idade, também está no templo. De fato, ela nunca deixa de ir ao templo. Nessa mesma hora, ela se aproxima de José, Maria e o bebê. Ana começa a agradecer a Deus e fala sobre Jesus a todos os que a ouvem.

      Imagine quanta alegria esses acontecimentos no templo dão a José e Maria! Certamente, tudo isso dá a eles a certeza de que seu filho é o Prometido por Deus.

      • Quando se costuma dar nome aos meninos israelitas?

      • O que a Lei exige de uma mãe quando seu filho tem 40 dias de vida? E o que a oferta de Maria torna claro sobre sua situação financeira?

      • No templo, quem reconhece a identidade de Jesus? E como essas pessoas demonstram isso?

  • Astrólogos visitam Jesus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Astrólogos seguem uma estrela até a casa onde moram José, Maria e Jesus

      CAPÍTULO 7

      Astrólogos visitam Jesus

      MATEUS 2:1-12

      • ASTRÓLOGOS SEGUEM UMA “ESTRELA” ATÉ JERUSALÉM E DEPOIS ATÉ JESUS

      Alguns homens vêm do Oriente. Eles são astrólogos — pessoas que estudam a posição das estrelas, afirmando que, com isso, são capazes de explicar o significado dos acontecimentos na vida das pessoas. (Isaías 47:13) Enquanto estavam em sua terra natal, no Oriente, eles viram uma “estrela” que os guiou por centenas de quilômetros, não a Belém, mas a Jerusalém.

      Quando chegam a Jerusalém, os astrólogos perguntam: “Onde está aquele que nasceu para ser rei dos judeus? Pois vimos a sua estrela quando estávamos no Oriente e viemos lhe prestar homenagem.” — Mateus 2:1, 2.

      Astrólogos se curvam diante do rei Herodes

      O rei Herodes, em Jerusalém, fica muito agitado ao saber disso. Por isso, chama os principais sacerdotes e outros líderes religiosos judeus e pergunta onde o Cristo haveria de nascer. Com base nas Escrituras, eles respondem: “Em Belém.” (Mateus 2:5; Miqueias 5:2) Com essa informação, Herodes manda chamar secretamente os astrólogos e lhes diz: “Vão, procurem cuidadosamente a criancinha e, quando a encontrarem, avisem-me, para que eu também possa ir e lhe prestar homenagem.” (Mateus 2:8) Mas, na verdade, Herodes quer encontrar a criança para matá-la.

      Depois que os astrólogos saem, ocorre algo surpreendente. A “estrela” que tinham visto quando estavam no Oriente vai adiante deles. É evidente que não se trata de uma estrela comum, ela foi enviada especialmente para guiá-los. Os astrólogos a seguem até que ela fica parada bem sobre a casa onde José e Maria estão morando com seu pequeno filho.

      Astrólogos que seguiram a estrela até Belém dão presentes a Maria e Jesus

      Quando os astrólogos entram na casa, encontram Maria com Jesus, curvam-se diante dele e o presenteiam com ouro, olíbano e mirra. Depois disso, Deus os avisa por meio de um sonho para não voltarem até Herodes. Então eles retornam para o seu país por outro caminho.

      Quem você acha que colocou a “estrela” no caminho dos astrólogos? Lembre-se de que ela não os guiou diretamente a Jesus, em Belém. Em vez disso, eles foram conduzidos a Jerusalém, onde entraram em contato com o rei Herodes, que queria matar Jesus. E ele teria feito isso se Deus não interferisse e avisasse os astrólogos para não contarem a Herodes onde Jesus estava. Com certeza, Satanás, o inimigo de Deus, que queria que Jesus fosse morto, fez tudo isso para tentar alcançar seu objetivo.

      • Como sabemos que a “estrela” que os astrólogos veem não é uma estrela comum?

      • Onde Jesus está quando os astrólogos o encontram?

      • Como sabemos que foi Satanás quem guiou os astrólogos?

  • Eles escapam de um governante cruel
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • O rei Herodes dá ordem para matar todos os meninos de 2 anos ou menos em Belém

      CAPÍTULO 8

      Eles escapam de um governante cruel

      MATEUS 2:13-23

      • A FAMÍLIA DE JESUS FOGE PARA O EGITO

      • JOSÉ LEVA SUA FAMÍLIA PARA NAZARÉ

      José acorda Maria para dar uma notícia urgente. O anjo de Jeová acaba de aparecer a ele num sonho, dizendo: “Levante-se, pegue a criancinha e a mãe dela, fuja para o Egito e fique ali até eu avisá-lo, porque Herodes está prestes a procurar a criancinha para matá-la.” — Mateus 2:13.

      José, Maria e seu filho fogem depressa durante a noite. Fazem isso na hora certa, pois o rei Herodes descobriu que os astrólogos não fizeram o que ele tinha pedido. Eles saíram do país sem contar a Herodes onde Jesus estava. O rei ficou furioso. Assim, na tentativa de matar Jesus, ele ordenou que fossem mortos todos os meninos de 2 anos ou menos que viviam em Belém e na região. Ele calculou a idade com base no que os astrólogos que vieram do Oriente disseram.

      Um soldado querendo pegar um bebê dos braços da mãe

      A matança de todos os meninos é algo horrível! Não se sabe quantos meninos foram mortos, mas o grande choro e lamento das mães que perderam seus filhos cumpre uma profecia bíblica do profeta de Deus, Jeremias. — Jeremias 31:15.

      Enquanto isso, José e sua família fogem para o Egito e ficam morando ali. Então certa noite o anjo de Jeová aparece novamente a José num sonho. O anjo diz: “Levante-se, pegue a criancinha e a mãe dela, e vá para a terra de Israel, porque os que procuravam tirar a vida da criancinha já morreram.” (Mateus 2:20) Assim, José entende que já pode voltar com sua família para sua terra natal. Desse modo se cumpre outra profecia bíblica que predisse que o Filho de Deus seria chamado do Egito. — Oseias 11:1.

      Pelo visto, José pretende morar com sua família na Judeia, talvez perto da cidade de Belém, onde viviam antes de fugirem para o Egito. Mas ele fica sabendo que o perverso filho de Herodes, Arquelau, agora é o rei da Judeia. Em outro sonho, Deus avisa José do perigo. Então José e sua família viajam para o norte e passam a morar na cidade de Nazaré, na região da Galileia, longe do centro da vida religiosa judaica. Jesus é criado nessa cidade, cumprindo assim outra profecia: “Ele será chamado Nazareno.” — Mateus 2:23.

      • Visto que os astrólogos não voltam, o que o rei Herodes faz? E como o pequeno Jesus é protegido?

      • Ao voltar do Egito, por que José e sua família não vão para Belém?

      • Que profecias bíblicas se cumprem durante esse período?

  • Jesus é criado em Nazaré
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • José treina Jesus como carpinteiro

      CAPÍTULO 9

      Jesus é criado em Nazaré

      MATEUS 13:55, 56 MARCOS 6:3

      • A FAMÍLIA DE JOSÉ E MARIA AUMENTA

      • JESUS APRENDE UMA PROFISSÃO

      Jesus cresce em Nazaré, uma cidade pequena e de pouca importância. Ela se localiza ao norte da Judeia, na região montanhosa da Galileia, ao oeste de um grande lago conhecido como mar da Galileia.

      Talvez Jesus tenha 2 anos de idade quando José e Maria o levam do Egito para Nazaré, e parece que ele é o único filho deles. Mas, com o tempo, nascem seus meios-irmãos: Tiago, José, Simão e Judas. José e Maria também têm filhas, as meias-irmãs de Jesus. Então Jesus tem pelo menos seis irmãos e irmãs mais novos.

      É claro que Jesus tem outros parentes. Já falamos de Elisabete e seu filho, João, que moram muitos quilômetros ao sul, na Judeia. Mais perto, na Galileia, mora Salomé, que pelo visto é irmã de Maria, e assim tia de Jesus. O marido de Salomé é Zebedeu. Talvez os dois filhos deles, Tiago e João, sejam primos em primeiro grau de Jesus. Não sabemos se, durante a infância, Jesus passa muito tempo com eles. Mais tarde, porém, eles se tornam companheiros achegados de Jesus, servindo como seus apóstolos.

      José tem de trabalhar muito para sustentar a família, ele é carpinteiro. José cria Jesus como seu próprio filho, por isso ele é chamado de “o filho do carpinteiro”. (Mateus 13:55) Ele ensina essa profissão a Jesus, que a aprende bem. É por isso que as pessoas dizem mais tarde sobre Jesus: ‘Este é o carpinteiro.’ — Marcos 6:3.

      José e Maria dando instrução espiritual aos seus filhos

      A vida da família de José gira em torno da adoração de Jeová. Obedecendo à Lei de Deus, José e Maria dão instrução espiritual aos filhos ‘sentados na sua casa, andando pela estrada, ao se deitarem e ao se levantarem’. (Deuteronômio 6:6-9) Há uma sinagoga em Nazaré, e podemos ter certeza de que José leva regularmente sua família para adorar a Jeová ali. Por isso, a Bíblia diz mais tarde que Jesus ia à sinagoga, “segundo o seu costume no dia de sábado”. (Lucas 4:16) Além disso, a família sente muita alegria sempre que viaja para visitar o templo de Jeová em Jerusalém.

      • Pelo menos quantos irmãos e irmãs mais novos Jesus tem?

      • Que profissão Jesus aprende, e como?

      • Que instrução importante José dá à sua família?

  • A família de Jesus viaja a Jerusalém
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus com 12 anos, questionando instrutores judeus no templo

      CAPÍTULO 10

      A família de Jesus viaja a Jerusalém

      LUCAS 2:40-52

      • AOS 12 ANOS, JESUS FAZ PERGUNTAS AOS INSTRUTORES

      • JESUS CHAMA A JEOVÁ DE “MEU PAI”

      Todo ano, na primavera, a família de José faz uma viagem a Jerusalém, junto com amigos e parentes. O objetivo da viagem é celebrar a Páscoa, conforme a Lei ordena. (Deuteronômio 16:16) De Nazaré até Jerusalém, são uns 120 quilômetros. Todos estão muito animados e ocupados com os preparativos. Jesus tem agora 12 anos e aguarda com expectativa a festividade e a oportunidade de estar perto do templo mais uma vez.

      Para Jesus e sua família, a Páscoa não é um simples evento de um dia. Um dia depois da Páscoa, começa a Festividade dos Pães sem Fermento, que dura sete dias. (Marcos 14:12) Ela faz parte dos eventos relacionados à Páscoa. A viagem de ida e volta, incluindo o tempo que ficam em Jerusalém, leva cerca de duas semanas. Mas este ano demora mais tempo por causa de algo que acontece com Jesus e que só é percebido na viagem de volta.

      VIAGENS ALEGRES

      Jesus e sua família viajam a Jerusalém

      As viagens para as três festividades anuais em Jerusalém eram eventos muito alegres. (Deuteronômio 16:15) Nessas ocasiões, Jesus podia conhecer várias partes do país, aprender sobre sua geografia e conhecer servos de Jeová de outras regiões. Eram viagens inesquecíveis!

      Durante a viagem, José e Maria acham que Jesus está com os parentes e amigos que viajam com eles. Mas, quando param a fim de passar a noite, eles não o encontram. José e Maria o procuram entre os seus companheiros de viagem, mas Jesus não está com eles. O menino não é encontrado em parte alguma. Então José e Maria voltam a Jerusalém para procurá-lo.

      Eles o procuram durante um dia inteiro, mas não o encontram. Também não conseguem achá-lo no dia seguinte. Finalmente, no terceiro dia, encontram seu filho no templo. Eles veem Jesus sentado no meio de alguns instrutores judeus. Ele está escutando, fazendo perguntas e deixando-os admirados com seu entendimento.

      José e Maria encontram Jesus

      Maria pergunta: “Filho, por que você fez isso conosco? Olhe, seu pai e eu estávamos desesperados procurando você.” — Lucas 2:48.

      Jesus fica surpreso, pois eles não sabiam onde encontrá-lo. Ele pergunta: “Por que estavam procurando por mim? Não sabiam que eu devia estar na casa do meu Pai?” — Lucas 2:49.

      Juntos de novo, Jesus volta para casa em Nazaré com José e Maria e continua a obedecer a eles. Ele progride em sabedoria e se desenvolve fisicamente. Jesus já tem o favor de Deus e dos homens, embora ainda seja jovem. Desde a infância, Jesus dá um excelente exemplo não só em se interessar por assuntos espirituais, mas também em mostrar respeito pelos pais.

      • Todo ano, na primavera, que viagem Jesus faz com sua família, e por quê?

      • Quando Jesus tem 12 anos, o que José e Maria percebem ao voltar de Jerusalém? E o que acontece depois?

      • Que exemplo Jesus dá para os jovens hoje?

  • João Batista prepara o caminho
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • João Batista prega sobre arrependimento

      CAPÍTULO 11

      João Batista prepara o caminho

      MATEUS 3:1-12 MARCOS 1:1-8 LUCAS 3:1-18 JOÃO 1:6-8, 15-28

      • JOÃO PREGA E BATIZA

      • MUITOS SÃO BATIZADOS, MAS NEM TODOS

      Já se passaram 17 anos desde que Jesus fez perguntas aos instrutores no templo. Agora é primavera de 29 EC. Muitos falam sobre João, o parente de Jesus que está pregando em toda a região ao oeste do rio Jordão.

      A aparência e o modo de falar de João impressionam as pessoas. Sua roupa é de pelo de camelo, e ele usa um cinto de couro. Seu alimento são gafanhotos e mel silvestre. E qual é sua mensagem? “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo.” — Mateus 3:2.

      Essa mensagem deixa os que vieram ouvir João bem animados. Muitos se dão conta da necessidade de realmente se arrependerem, isto é, de mudarem de atitude e abandonarem a má conduta. Eles vêm “de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região em volta do Jordão”. (Mateus 3:5) Muitos dos que vêm até João se arrependem, e ele os batiza, mergulhando-os nas águas do Jordão. Por quê?

      Judeus arrependidos vão até João para ser batizados

      João batiza as pessoas em símbolo, ou reconhecimento, do sincero arrependimento de pecados contra o pacto da Lei de Deus. (Atos 19:4) Mas nem todos mostram verdadeiro arrependimento. Quando alguns líderes religiosos, fariseus e saduceus, chegam a João, ele os chama de “descendência de víboras”. Ele diz: “Produzam fruto próprio do arrependimento. Não se atrevam a dizer a si mesmos: ‘Temos Abraão como pai.’ Pois eu lhes digo que Deus pode fazer surgir destas pedras filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. Portanto, toda árvore que não produz bom fruto será cortada e lançada no fogo.” — Mateus 3:7-10.

      Por causa de toda a atenção que João recebe, de sua poderosa mensagem e das muitas pessoas que ele batiza, os sacerdotes e levitas são enviados para lhe perguntar: “Quem é você?”

      “Eu não sou o Cristo”, declara João.

      “Então, quem é você? Elias?”, perguntam eles.

      “Não sou”, responde ele.

      “Você é o Profeta?”, perguntam eles, referindo-se ao grande Profeta que Moisés tinha predito que viria. — Deuteronômio 18:15, 18.

      “Não!”, responde João.

      Mas eles insistem: “Quem é você? Diga-nos, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. O que você diz a respeito de si mesmo?” João diz: “Eu sou a voz de alguém clamando no deserto: ‘Endireitem o caminho para Jeová’, conforme disse Isaías, o profeta.” — João 1:19-23.

      Eles perguntam: “Então, por que você batiza, se você não é o Cristo, nem Elias, nem o Profeta?” João dá uma resposta significativa: “Eu batizo em água. Entre vocês há alguém que vocês não conhecem, aquele que vem atrás de mim.” — João 1:25-27.

      João sabe que está preparando o caminho por levar as pessoas a uma condição correta de coração, para que aceitem o prometido Messias, que se tornará Rei. A respeito dele, João diz: “Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu, e não sou digno de tirar as suas sandálias.” (Mateus 3:11) Ele também diz: “Aquele que vem atrás de mim avançou na minha frente, pois existia antes de mim.” — João 1:15.

      Assim, a mensagem de João, “arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”, é mesmo apropriada. (Mateus 3:2) É um aviso público de que o ministério do futuro Rei de Jeová, Jesus Cristo, está prestes a começar.

      • Que tipo de pessoa é João, e o que ele está fazendo?

      • Por que João batiza as pessoas?

      • Qual é a mensagem de João, e por que é apropriada?

  • Jesus é batizado
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus pede para ser batizado, mas João não concorda

      CAPÍTULO 12

      Jesus é batizado

      MATEUS 3:13-17 MARCOS 1:9-11 LUCAS 3:21, 22 JOÃO 1:32-34

      • JESUS É BATIZADO E UNGIDO

      • JEOVÁ DECLARA QUE JESUS É SEU FILHO

      Uns seis meses depois de João Batista começar a pregar, Jesus, agora com cerca de 30 anos, dirige-se a ele no rio Jordão. Por quê? Não é para fazer apenas uma visita social nem para saber do progresso da obra de João. Na verdade, Jesus quer que João o batize.

      Mas João não concorda: “Eu é que preciso ser batizado pelo senhor, e o senhor vem a mim?” (Mateus 3:14) Essa reação é compreensível. João sabe que Jesus é o Filho especial de Deus. Lembre-se de que João pulou de alegria no ventre de sua mãe quando Maria, grávida de Jesus, os visitou. A mãe de João sem dúvida lhe contou isso mais tarde. Além disso, ele deve ter ouvido falar sobre o anúncio dado pelo anjo a respeito do nascimento de Jesus e também sobre os anjos que apareceram aos pastores na noite em que Jesus nasceu.

      João entende que o seu batismo é para os que se arrependem de seus pecados. Mas Jesus não tem pecado. Apesar de João não concordar, Jesus insiste: “Deixe que seja assim agora, pois é apropriado que, desta maneira, cumpramos tudo o que é justo.” — Mateus 3:15.

      Por que Jesus deve ser batizado? Porque o batismo de Jesus não é em símbolo de arrependimento de pecados, mas indica que ele está se apresentando para fazer a vontade de seu Pai. (Hebreus 10:5-7) Jesus tem trabalhado como carpinteiro, mas agora chegou o tempo para iniciar o ministério para o qual seu Pai celestial o enviou à Terra. Será que João espera que algo incomum aconteça ao batizar Jesus?

      Note o que João diz sobre isso depois: “Aquele que me enviou para batizar em água me disse: ‘Aquele sobre quem você vir o espírito descer e permanecer, esse é quem batiza em espírito santo.’” (João 1:33) Assim, João já esperava que o espírito de Deus viesse sobre alguém que ele batizaria. Por isso, quando Jesus sai da água, João talvez não se surpreenda de ver “o espírito de Deus descer como pomba e vir sobre [Jesus]”. — Mateus 3:16.

      Espírito santo desce sobre Jesus no seu batismo

      Além disso, durante o batismo de Jesus, ‘os céus se abrem’ para ele. O que isso significa? Provavelmente significa que, enquanto está sendo batizado, Jesus passa a lembrar de sua vida no céu como filho espiritual de Jeová. Ele também se lembra das verdades que Deus lhe ensinou antes de vir à Terra.

      Além disso, na ocasião do batismo de Jesus, uma voz do céu declara: “Este é meu Filho, o amado, a quem eu aprovo.” (Mateus 3:17) De quem é essa voz? Não é de Jesus, pois ele está ali com João. É a voz de Deus. Fica claro, então, que Jesus é o Filho de Deus, não o próprio Deus.

      É interessante que Jesus é um filho humano de Deus, assim como era o primeiro homem, Adão. Após descrever o batismo de Jesus, o discípulo Lucas escreve: “Quando Jesus começou a sua obra, tinha cerca de 30 anos de idade. Ele era, conforme se pensava, filho de José, filho de Eli, . . . filho de Davi, . . . filho de Abraão, . . . filho de Noé, . . . filho de Adão, filho de Deus.” — Lucas 3:23-38.

      Assim como Adão era um humano, “filho de Deus”, Jesus também é. Mas, por ocasião do seu batismo, Jesus entra numa nova relação com Deus, tornando-se Filho espiritual dele. Assim, Jesus está habilitado para ensinar a verdade divina e mostrar o caminho que conduz à vida. Os próximos acontecimentos relacionados a Jesus resultarão em ele dar sua vida humana em sacrifício pela humanidade pecadora.

      • Por que Jesus não é um desconhecido para João?

      • Visto que Jesus não cometeu nenhum pecado, por que ele é batizado por João?

      • Por que João talvez não se surpreenda quando o espírito de Deus vem sobre Jesus?

  • Siga o exemplo de Jesus ao enfrentar tentações
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus rejeita as tentações do Diabo

      CAPÍTULO 13

      Siga o exemplo de Jesus ao enfrentar tentações

      MATEUS 4:1-11 MARCOS 1:12, 13 LUCAS 4:1-13

      • SATANÁS TENTA JESUS

      Logo depois de ser batizado por João, Jesus é conduzido pelo espírito de Deus ao deserto da Judeia. Ele tem muito em que pensar. Por ocasião do seu batismo, “os céus se abriram”. (Mateus 3:16) Agora ele pode se lembrar das coisas que aprendeu e fez nos céus. Com certeza, ele tem muito em que meditar!

      Jesus passa 40 dias e 40 noites no deserto. Durante esse tempo, ele não come nada. Então, visto que Jesus está com muita fome, o Diabo se aproxima para tentá-lo, dizendo: “Se você é filho de Deus, diga a estas pedras que se transformem em pães.” (Mateus 4:3) Jesus sabe que é errado usar seus poderes milagrosos para satisfazer desejos pessoais, por isso rejeita a tentação.

      O Diabo não desiste e o tenta de outra maneira. Ele desafia Jesus a pular da muralha do templo. Mas Jesus não cede à tentação de exibir seu poder. Citando as Escrituras, ele mostra que é errado colocar Deus à prova dessa forma.

      Numa terceira tentação, o Diabo de algum modo mostra a Jesus “todos os reinos do mundo e a glória deles”. Ele diz: “Eu lhe darei tudo isto se você se prostrar e me fizer um ato de adoração.” Jesus novamente se recusa a fazer o que ele pede, dizendo com firmeza: “Vá embora, Satanás!” (Mateus 4:8-10) Jesus não se deixa vencer pela tentação, porque sabe que o serviço sagrado só pode ser prestado a Deus. Ele está decidido a permanecer fiel a Deus.

      Podemos aprender algo dessas tentações e do modo como Jesus reagiu a elas. As tentações foram reais, indicando que o Diabo não é apenas um símbolo do mal, como afirmam alguns. Ele é uma pessoa real e invisível. Esse relato também mostra que sem dúvida os governos do mundo pertencem ao Diabo e são controlados por ele. Do contrário, como a oferta do Diabo poderia ser uma tentação real para Cristo?

      Além disso, o Diabo disse que estava disposto até mesmo a dar a Jesus todos os reinos do mundo em troca de um ato de adoração. O Diabo pode muito bem nos tentar de modo parecido, talvez colocando diante de nós oportunidades de obter riquezas, poder ou posição no mundo. Mas seremos sábios se seguirmos o exemplo de Jesus, permanecendo fiéis a Deus, não importa qual seja a tentação. Lembre-se de que o Diabo foi embora, mas ficou aguardando “outra ocasião conveniente”. (Lucas 4:13) Pode acontecer o mesmo conosco, então precisamos ficar alertas!

      • Pelo visto, em que coisas Jesus medita durante 40 dias no deserto?

      • De que modos o Diabo procura tentar Jesus?

      • O que podemos aprender dessas tentações e do modo como Jesus reage a elas?

  • Jesus começa a fazer discípulos
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • João Batista identifica Jesus como o Cordeiro de Deus

      CAPÍTULO 14

      Jesus começa a fazer discípulos

      JOÃO 1:29-51

      • OS PRIMEIROS DISCÍPULOS DE JESUS SE JUNTAM A ELE

      Após 40 dias no deserto e antes de voltar para a Galileia, Jesus procura João, que o batizou. Ao ver Jesus se aproximar, João aponta para ele e diz aos que estão ali: “Vejam o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! Este é aquele a respeito de quem eu disse: ‘Atrás de mim vem um homem que avançou na minha frente, pois existia antes de mim.’” (João 1:29, 30) Apesar de João ser um pouco mais velho que Jesus, ele sabe que Jesus existia antes dele como pessoa espiritual no céu.

      Quando Jesus veio para ser batizado algumas semanas antes, parece que João não tinha certeza de que Jesus havia de ser o Messias. João reconhece: “Eu mesmo não o conhecia, mas foi por esta razão que eu vim batizando em água: para que ele se tornasse conhecido em Israel.” — João 1:31.

      Então João explica a seus ouvintes o que aconteceu quando ele batizou Jesus: “Observei o espírito descer do céu como pomba e permanecer sobre ele. Eu mesmo não o conhecia, mas Aquele que me enviou para batizar em água me disse: ‘Aquele sobre quem você vir o espírito descer e permanecer, esse é quem batiza em espírito santo.’ E eu vi isso e dei testemunho de que este é o Filho de Deus.” — João 1:32-34.

      No dia seguinte, João está com dois dos seus discípulos quando Jesus se aproxima. João diz: “Vejam o Cordeiro de Deus!” (João 1:36) Com isso, esses dois discípulos de João Batista seguem a Jesus. Um deles é André e o outro, que também se chama João, pelo visto é quem registrou esses acontecimentos. Parece que esse João, filho de Salomé, é primo de Jesus. Provavelmente ela é irmã de Maria e esposa de Zebedeu.

      Ao se virar e ver André e João o seguindo, Jesus pergunta: “O que vocês estão procurando?”

      “Rabi”, dizem eles, “onde o senhor está hospedado?”

      “Venham, e verão”, responde Jesus. — João 1:37-39.

      Jesus conversa com Filipe e Natanael

      São umas quatro horas da tarde, e André e João ficam com Jesus o resto do dia. André fica tão animado que, em algum momento, procura seu irmão Simão, também chamado Pedro, e lhe diz: “Achamos o Messias.” (João 1:41) André leva Pedro até Jesus. Os próximos acontecimentos sugerem que João também procura seu irmão Tiago e o leva até Jesus, mas João não menciona essa informação ao escrever sobre o que aconteceu.

      No dia seguinte, Jesus encontra Filipe, de Betsaida, a cidade natal de André e Pedro, que fica perto do litoral norte do mar da Galileia. Jesus convida Filipe: “Seja meu seguidor.” — João 1:43.

      Então Filipe encontra Natanael, também chamado Bartolomeu, e diz: “Achamos aquele sobre quem Moisés escreveu na Lei, e sobre quem os Profetas também escreveram: Jesus, filho de José, de Nazaré.” Natanael não acredita e diz a Filipe: “Pode sair algo bom de Nazaré?”

      Filipe o convida: “Venha e veja.” Jesus vê Natanael se aproximar e diz: “Aí está um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade.”

      “Como é que o senhor me conhece?”, pergunta Natanael.

      Jesus responde: “Antes de Filipe chamá-lo, enquanto você estava debaixo da figueira, eu vi você.”

      Admirado, Natanael diz: “Rabi, o senhor é o Filho de Deus, o senhor é o Rei de Israel.”

      Em resposta, Jesus diz: “Você acredita porque eu lhe disse que o vi debaixo da figueira? Você verá coisas maiores do que estas.” Então ele promete: “Digo-lhes com toda a certeza: Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo para o Filho do Homem.” — João 1:45-51.

      Logo depois disso, Jesus e seus novos discípulos partem do vale do Jordão e viajam para a Galileia.

      • Quem são os primeiros discípulos de Jesus?

      • De que modo Pedro e talvez Tiago são apresentados a Jesus?

      • O que convence Natanael de que Jesus é o Filho de Deus?

  • Ele realiza seu primeiro milagre
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Numa festa de casamento em Caná, Jesus pede para os que estão servindo encher os jarros com água

      CAPÍTULO 15

      Ele realiza seu primeiro milagre

      JOÃO 2:1-12

      • CASAMENTO EM CANÁ

      • JESUS TRANSFORMA ÁGUA EM VINHO

      Já faz três dias que Natanael se tornou um dos primeiros discípulos de Jesus. Junto com alguns desses discípulos, Jesus viaja para o distrito da Galileia, a terra natal deles. Eles estão indo para Caná, a cidade de Natanael, que fica na região montanhosa ao norte de Nazaré, onde Jesus foi criado. Eles foram convidados para uma festa de casamento em Caná.

      A mãe de Jesus também está no casamento. Parece que Maria está ajudando na festa, pois é amiga da família dos noivos. Assim, ela logo percebe que está faltando alguma coisa para os convidados. Então diz a Jesus: “Eles não têm vinho.” — João 2:3.

      Na verdade, Maria está sugerindo que Jesus faça algo para resolver o problema. Usando uma expressão idiomática que indica objeção, Jesus diz: “O que eu e a senhora temos a ver com isso?” (João 2:4) Jesus é o Rei designado de Deus, por isso é seu Pai celestial que deve lhe dizer o que fazer, não sua família ou seus amigos. Maria sabiamente deixa que seu filho cuide do assunto e diz aos que estão servindo: “Façam o que ele lhes disser.” — João 2:5.

      Há seis jarros grandes de pedra para água, cada um com a capacidade para cerca de 40 litros. Jesus instrui os que estão servindo: “Encham os jarros com água.” Então Jesus diz: “Agora tirem um pouco e levem ao diretor da festa.” — João 2:7, 8.

      O diretor da festa de casamento elogia o noivo pelo vinho de ótima qualidade

      O diretor fica impressionado com a excelente qualidade do vinho, mas não percebe que foi produzido milagrosamente. Ele chama o noivo e diz: “Todos servem primeiro o vinho bom e, quando as pessoas ficam embriagadas, o inferior. Você guardou o vinho bom até agora.” — João 2:10.

      Quando os novos discípulos de Jesus veem seu primeiro milagre, sua fé em Jesus é fortalecida. Depois Jesus, sua mãe e seus meios-irmãos viajam para a cidade de Cafarnaum, no litoral noroeste do mar da Galileia.

      • Durante o ministério de Jesus, quando ocorre o casamento em Caná?

      • Como Jesus responde à sugestão de sua mãe sobre o vinho?

      • Que milagre Jesus realiza, e que efeito isso tem sobre os outros?

  • Jesus mostra zelo pela adoração verdadeira
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus expulsa os cambistas do templo

      CAPÍTULO 16

      Jesus mostra zelo pela adoração verdadeira

      JOÃO 2:12-22

      • JESUS PURIFICA O TEMPLO

      Depois do casamento em Caná, Jesus viaja até Cafarnaum. Sua mãe e seus meios-irmãos — Tiago, José, Simão e Judas — viajam com ele.

      Mas por que Jesus vai para Cafarnaum? É evidente que essa cidade é maior do que Nazaré e Caná, além de estar mais bem localizada do que elas. Além disso, muitos dos novos discípulos de Jesus moram em Cafarnaum ou perto dali. Assim, Jesus pode instruí-los na terra natal deles.

      Durante o tempo em que fica em Cafarnaum, Jesus também realiza obras maravilhosas, e muitas pessoas da cidade e da região ficam sabendo disso. Mas Jesus e seus seguidores, que são judeus devotos, logo precisam viajar até Jerusalém para celebrar a Páscoa de 30 EC.

      Enquanto estão no templo em Jerusalém, os discípulos notam algo impressionante sobre Jesus, algo que nunca viram antes.

      A Lei de Deus exige que os israelitas façam sacrifícios de animais no templo, e os visitantes precisam de alimentos durante o tempo em que ficam na cidade. Assim, a Lei permite que os que viajam de longe até Jerusalém tragam dinheiro para comprar “bois, ovelhas, cabras” e outras coisas a fim de usar enquanto ficam na cidade. (Deuteronômio 14:24-26) Por isso, os comerciantes em Jerusalém vendem animais e aves em um dos pátios do templo. E alguns exploram o povo por cobrar preços muito altos.

      Muito indignado, Jesus espalha as moedas dos cambistas, vira suas mesas e expulsa os vendedores. Então ele diz: “Tirem estas coisas daqui! Parem de fazer da casa do meu Pai uma casa de comércio!” — João 2:16.

      Ao verem isso, os discípulos de Jesus se lembram da profecia a respeito do Filho de Deus: “O zelo pela tua casa me consumirá.” Mas os judeus perguntam: “Que sinal você pode nos mostrar como prova de que tem autoridade para fazer essas coisas?” Jesus responde: “Derrubem este templo, e em três dias eu o levantarei.” — João 2:17-19; Salmo 69:9.

      Os judeus acham que Jesus está falando do templo literal, por isso dizem: “Este templo foi construído em 46 anos, e você o levantará em três dias?” (João 2:20) No entanto, Jesus se refere ao seu corpo como se fosse um templo. Três anos depois, seus discípulos se lembram dessas palavras quando ele é ressuscitado.

      • Após o casamento em Caná, para onde Jesus viaja?

      • Por que Jesus fica indignado com o que vê no templo, e o que ele faz?

      • A que Jesus se refere com “este templo”, e o que isso quer dizer?

  • Ele ensina Nicodemos à noite
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus conversa à noite com Nicodemos

      CAPÍTULO 17

      Ele ensina Nicodemos à noite

      JOÃO 2:23–3:21

      • JESUS CONVERSA COM NICODEMOS

      • O SIGNIFICADO DE ‘NASCER DE NOVO’

      Enquanto está em Jerusalém para a Páscoa de 30 EC, Jesus realiza notáveis sinais, ou milagres. Por causa disso, muitos têm fé nele. Nicodemos, fariseu e membro do supremo tribunal judaico chamado Sinédrio, fica impressionado. Querendo aprender mais, ele visita Jesus à noite, provavelmente com medo de que se for visto sua reputação perante outros líderes judeus fique prejudicada.

      “Rabi”, diz Nicodemos, “sabemos que o senhor veio como instrutor da parte de Deus, pois ninguém pode realizar esses sinais que o senhor realiza a menos que Deus esteja com ele”. Em resposta, Jesus diz a Nicodemos que para alguém entrar no Reino de Deus é preciso ‘nascer de novo’. — João 3:2, 3.

      Mas será que é possível alguém nascer de novo? Nicodemos pergunta então: “Será que [alguém] pode entrar no ventre da sua mãe e nascer outra vez?” — João 3:4.

      Não, nascer de novo não significa isso. Jesus explica: “A menos que alguém nasça da água e do espírito, não pode entrar no Reino de Deus.” (João 3:5) Assim, quando foi batizado e o espírito santo desceu sobre ele, Jesus nasceu “da água e do espírito”. Nesse momento, ouviu-se uma declaração desde os céus: “Este é meu Filho, o amado, a quem eu aprovo.” (Mateus 3:16, 17) Dessa maneira, Deus anunciou que Jesus tinha se tornado seu filho espiritual com a perspectiva de entrar no Reino celestial. Mais tarde, no Pentecostes de 33 EC, outras pessoas batizadas receberiam o espírito santo e assim também nasceriam de novo como filhos de Deus gerados pelo espírito. — Atos 2:1-4.

      Nicodemos não consegue entender o que Jesus está lhe ensinando sobre o Reino. Então Jesus fala mais a respeito de seu papel especial como Filho humano de Deus. Ele diz: “Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim será erguido o Filho do Homem para que todo aquele que nele crer tenha vida eterna.” — João 3:14, 15.

      Israelitas que foram picados por cobras venenosas olham para a serpente de cobre para ser salvos

      Muito tempo antes, quando os israelitas foram picados por cobras venenosas, eles tiveram de olhar para a serpente de cobre para não morrer. (Números 21:9) Do mesmo modo, todos os humanos precisam exercer fé no Filho de Deus, a fim de serem libertados da morte e ganharem a vida eterna. Destacando o papel amoroso desempenhado por Jeová, Jesus diz o seguinte a Nicodemos: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” (João 3:16) Assim, em Jerusalém, apenas seis meses depois de iniciar seu ministério, Jesus torna claro que é o caminho para a salvação da humanidade.

      Jesus diz a Nicodemos: “Deus não enviou seu Filho ao mundo para que ele julgasse o mundo.” Isso significa que ele não foi enviado para julgar e condenar os humanos à destruição. Em vez disso, como diz Jesus, ele foi enviado “para que o mundo fosse salvo por meio dele”. — João 3:17.

      Por causa do medo, Nicodemos procurou Jesus na escuridão da noite. Assim, é interessante que Jesus conclua a conversa, dizendo: “Esta é a base para o julgamento: a luz [isto é, Jesus, por meio de sua vida e seus ensinamentos] veio ao mundo, mas os homens amaram a escuridão em vez da luz, porque as obras deles eram más. Pois quem pratica coisas ruins odeia a luz e não se chega à luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem faz o que é verdadeiro se chega à luz, para que se veja claramente que as suas obras são feitas em harmonia com a vontade de Deus.” — João 3:19-21.

      Agora Nicodemos, um fariseu e instrutor em Israel, precisa meditar no que acaba de ouvir sobre o papel de Jesus no propósito de Deus.

      • O que leva Nicodemos a visitar Jesus, e por que ele faz isso à noite?

      • O que significa ‘nascer de novo’?

      • Em que sentido Jesus não veio ‘para julgar o mundo’?

  • A obra de Jesus aumenta e a de João diminui
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • João Batista conversa com seus discípulos

      CAPÍTULO 18

      A obra de Jesus aumenta e a de João diminui

      MATEUS 4:12 MARCOS 6:17-20 LUCAS 3:19, 20 JOÃO 3:22–4:3

      • OS DISCÍPULOS DE JESUS BATIZAM MUITAS PESSOAS

      • JOÃO BATISTA É PRESO

      Após a celebração da Páscoa de 30 EC, Jesus e seus discípulos partem de Jerusalém. No entanto, não voltam para as suas casas na Galileia. Eles se dirigem à região da Judeia, onde batizam muitas pessoas. João Batista já está realizando a mesma obra por cerca de um ano, e alguns de seus discípulos continuam com ele, talvez no vale do rio Jordão.

      Jesus não realiza batismos, mas orienta seus discípulos a fazer isso. Nessa época do ministério de Jesus, tanto ele como João ensinam judeus arrependidos dos pecados contra o pacto da Lei de Deus. — Atos 19:4.

      Os discípulos de João ficam com ciúmes e se queixam de Jesus: “O homem [Jesus] que estava com o senhor . . . está batizando, e todos vão a ele.” (João 3:26) Em vez de ficar com ciúmes, João se alegra com o resultado do trabalho de Jesus e também quer que seus discípulos se alegrem. João lhes lembra: “Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: ‘Eu não sou o Cristo, mas fui enviado na frente dele.’” Ele ilustra isso de um modo que todos podem entender: “Quem tem a noiva é o noivo. Mas, quando o amigo do noivo está por perto e o ouve, tem muita alegria por causa da voz do noivo. Por isso a minha alegria ficou completa.” — João 3:28, 29.

      Assim como o amigo do noivo, João se alegrou meses antes quando apresentou seus discípulos a Jesus. Alguns deles seguiram Jesus, e com o tempo esses seriam ungidos com espírito santo. João quer que seus atuais discípulos também sigam a Jesus. Seu objetivo é preparar o caminho para o ministério de Cristo. João explica: “Ele tem de continuar aumentando, mas eu tenho de continuar diminuindo.” — João 3:30.

      Outro João, que tinha se tornado seguidor de Jesus, mais tarde escreve a respeito da origem de Jesus e do seu importante papel na salvação da humanidade: “Aquele que vem do alto está acima de todos os outros. . . . O Pai ama o Filho e entregou todas as coisas em suas mãos. Quem exerce fé no Filho tem vida eterna; quem desobedece ao Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.” (João 3:31, 35, 36) Essa é uma importante verdade que as pessoas devem conhecer.

      João Batista é jogado na prisão

      Pouco depois de dizer que sua obra tem de diminuir, João Batista é preso pelo rei Herodes. Esse rei tinha tomado Herodias, esposa de Filipe, seu meio-irmão, e se casado com ela. Quando João expôs publicamente suas ações adúlteras, Herodes mandou colocá-lo na prisão. Ao saber que João está preso, Jesus sai da Judeia com seus discípulos e ‘parte para a Galileia’. — Mateus 4:12; Marcos 1:14.

      • Qual é o objetivo tanto do batismo realizado por João como do batismo realizado sob a orientação de Jesus antes da sua ressurreição?

      • Como João mostra que seus discípulos não devem ficar com ciúmes da obra de Jesus?

      • Por que João é colocado na prisão?

  • Jesus ensina uma samaritana
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus conversa com uma samaritana junto a um poço

      CAPÍTULO 19

      Jesus ensina uma samaritana

      JOÃO 4:3-43

      • JESUS ENSINA UMA SAMARITANA E OUTRAS PESSOAS

      • A ADORAÇÃO QUE DEUS APROVA

      Ao viajar da Judeia para a Galileia, Jesus e seus discípulos vão para o norte, passando pelo distrito de Samaria. Eles estão cansados da viagem. Então, por volta do meio-dia, param perto da cidade de Sicar para descansar junto a um poço que Jacó escavou ou pagou para escavar séculos antes. Até hoje, há um poço como esse perto da atual cidade de Nablus.

      Jesus está descansando próximo ao poço, e seus discípulos vão à cidade comprar alimentos. Enquanto estão fora, uma samaritana vem tirar água. Jesus pede a ela: “Dê-me um pouco de água.” — João 4:7.

      Jesus descansa junto a um poço, seus discípulos saem, e uma samaritana chega para retirar água

      Em geral, os judeus não se dão bem com os samaritanos por causa de um antigo preconceito. Por isso, a mulher fica surpresa e pergunta: “Como é que o senhor, sendo judeu, pede água a mim, apesar de eu ser samaritana?” Jesus responde: “Se você soubesse da dádiva de Deus e soubesse quem é que lhe diz: ‘Dê-me um pouco de água’, você lhe teria pedido, e ele lhe teria dado água viva.” Então ela diz: “O senhor não tem nem mesmo um balde para tirar água, e o poço é fundo. De onde tira então essa água viva? Será que o senhor é maior do que o nosso antepassado Jacó, que nos deu o poço e bebeu dele junto com seus filhos e seus rebanhos?” — João 4:9-12.

      Jesus diz: “Todo aquele que beber desta água ficará novamente com sede. Quem beber da água que eu lhe der nunca mais ficará com sede, mas a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para dar vida eterna.” (João 4:13, 14) Embora cansado, Jesus está disposto a falar à samaritana sobre as verdades que dão vida.

      Então a mulher diz: “Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha sede nem venha mais aqui para tirar água.” Mas parece que Jesus muda de assunto e lhe diz: “Vá, chame seu marido e volte para cá.” A mulher responde: “Não tenho marido.” Talvez ela fique muito impressionada com o que Jesus diz a respeito dela: “Você está certa em dizer: ‘Não tenho marido.’ Pois você teve cinco maridos, e o homem que você tem agora não é seu marido.” — João 4:15-18.

      Ela entende claramente o sentido das palavras de Jesus e diz admirada: “Vejo que o senhor é um profeta.” Então ela demonstra que tem interesse em assuntos espirituais: “Nossos antepassados [os samaritanos] adoraram neste monte [o monte Gerizim, que fica perto dali], mas vocês [os judeus] dizem que o lugar onde as pessoas devem adorar é em Jerusalém.” — João 4:19, 20.

      No entanto, Jesus explica que o lugar de adoração não é importante. Ele diz: “Vem a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém, vocês adorarão o Pai.” E continua dizendo: “Vem a hora, e agora é, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai com espírito e verdade. Pois, realmente, o Pai está procurando a esses para o adorarem.” — João 4:21, 23, 24.

      Do ponto de vista do Pai, o mais importante não é onde os verdadeiros adoradores adoram, mas como eles adoram. A mulher fica impressionada e diz: “Eu sei que vem o Messias, que é chamado Cristo. Quando ele vier, dirá abertamente todas as coisas a nós.” — João 4:25.

      Então Jesus revela uma importante verdade: “Eu, que estou falando com você, sou ele.” (João 4:26) Essa mulher vem apenas tirar água do poço, mas Jesus lhe diz claramente que é o Messias! Ele lhe diz algo que, pelo visto, ainda não disse a ninguém de forma tão direta.

      MUITOS SAMARITANOS PASSAM A ACREDITAR

      Os discípulos de Jesus voltam de Sicar com alimento. Eles o encontram ainda junto ao poço de Jacó, mas agora o veem conversando com uma samaritana. Assim que eles chegam, ela deixa seu jarro de água e vai à cidade.

      Os discípulos de Jesus voltam para o poço e a samaritana vai embora

      Em Sicar, a mulher fala às pessoas sobre o que Jesus lhe disse. Ela diz com convicção: “Venham ver um homem que me disse tudo o que eu fiz.” Então, talvez para despertar a curiosidade delas, ela diz: “Será que ele não é o Cristo?” (João 4:29) Essa pergunta é muito importante e tem interessado às pessoas desde os dias de Moisés. (Deuteronômio 18:18) Isso faz com que os moradores dessa cidade queiram ver com seus próprios olhos quem é Jesus.

      A samaritana conta para as pessoas de Sicar as coisas que Jesus lhe disse.

      Enquanto isso, os discípulos insistem que Jesus coma o que eles trouxeram. Mas ele diz: “Tenho para comer um alimento que vocês não conhecem.” Com isso, os discípulos se perguntam: “Será que alguém trouxe algo para ele comer?” Jesus bondosamente explica o significado disso a todos os seus seguidores: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e terminar a sua obra.” — João 4:32-34.

      Jesus não está falando sobre a colheita de cereais, que começará em uns quatro meses. Mas está se referindo à colheita espiritual, e isso fica claro quando ele diz: “Ergam os olhos e observem os campos, que estão brancos para a colheita. Desde já o ceifeiro está recebendo salário e ajuntando frutos para a vida eterna, para que o semeador e o ceifeiro se alegrem juntos.” — João 4:35, 36.

      Talvez Jesus já perceba o resultado de sua conversa com a samaritana. Muitas pessoas de Sicar estão demonstrando fé nele por causa do testemunho que ela deu: “Ele me disse tudo o que eu fiz.” (João 4:39) Portanto, quando vão de Sicar até o poço, pedem que Jesus fique mais um pouco e fale algo para eles. Jesus concorda e fica em Samaria por dois dias.

      Ao ouvir as palavras de Jesus, muitos samaritanos passam a acreditar nele. Dizem à mulher: “Não é mais só por causa do que você disse que nós cremos, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que esse homem é realmente o salvador do mundo.” (João 4:42) Sem dúvida, a samaritana nos dá um excelente exemplo de como podemos dar testemunho sobre Cristo, despertando o interesse de nossos ouvintes para que queiram aprender mais.

      Lembre-se de que faltam quatro meses para a colheita, pelo visto a colheita da cevada, que nessa região ocorre na primavera. É provável que agora seja novembro ou dezembro. Isso quer dizer que, após a Páscoa de 30 EC, Jesus e seus discípulos ficam mais ou menos oito meses na Judeia, ensinando e batizando. Agora eles vão para sua terra natal, ao norte da Galileia. O que os espera ali?

      QUEM ERAM OS SAMARITANOS?

      A região de Samaria fica entre o norte da Judeia e o sul da Galileia. Após a morte do rei Salomão, as dez tribos de Israel, ao norte, se separaram das tribos de Judá e de Benjamim.

      O povo dessas dez tribos se envolveu com a adoração de bezerros. Então, em 740 AEC, Jeová permitiu que os assírios dominassem Samaria. Os invasores levaram muitos dos habitantes cativos, colocando em seu lugar pessoas de outras partes do Império Assírio. Esses adoradores de deuses estrangeiros se casaram com israelitas que ficaram no país. Com o tempo, o povo da região desenvolveu uma forma de adoração que incluía algumas das crenças e práticas da Lei de Deus, como a circuncisão. Ainda assim, suas práticas religiosas não podiam ser chamadas de adoração verdadeira. — 2 Reis 17:9-33; Isaías 9:9.

      Nos dias de Jesus, os samaritanos aceitavam os livros de Moisés, mas não adoravam no templo em Jerusalém. Durante anos, eles usaram um templo construído no monte Gerizim, que ficava perto de Sicar, e continuaram adorando nesse monte mesmo depois da destruição desse templo. Durante o ministério de Jesus, a inimizade entre os samaritanos e os judeus era bem evidente. — João 8:48.

      • Por que a samaritana fica surpresa quando Jesus fala com ela?

      • O que Jesus ensina à mulher sobre a água viva e onde adorar a Deus?

      • Como Jesus revela à samaritana quem ele é? E o que ele diz sobre o tipo de adoração que agrada a Deus?

      • O que a samaritana conclui sobre Jesus, e o que ela faz depois?

      • O que Jesus e seus discípulos realizam após a Páscoa de 30 EC?

  • O segundo milagre em Caná
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um funcionário do rei implora que Jesus cure seu filho doente

      CAPÍTULO 20

      O segundo milagre em Caná

      MARCOS 1:14, 15 LUCAS 4:14, 15 JOÃO 4:43-54

      • JESUS PREGA QUE “O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO”

      • ELE CURA UM JOVEM À DISTÂNCIA

      Após uns dois dias em Samaria, Jesus vai para sua terra. Ele realizou uma grande obra de pregação na Judeia, mas não está voltando à Galileia para descansar. Em vez disso, ele começa um ministério ainda maior na região onde cresceu. Talvez Jesus não espere ser bem recebido, pois ele havia dito: “Um profeta não recebe honra na sua própria terra.” (João 4:44) Em vez de ficarem com ele, seus discípulos voltam para casa, para suas famílias e para suas antigas profissões.

      Qual é a mensagem que Jesus começa a pregar? “O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e tenham fé nas boas novas.” (Marcos 1:15) E qual é a reação das pessoas? Muitos galileus recebem bem a Jesus e lhe dão honra, não só por causa de sua mensagem, mas porque alguns deles estavam na Páscoa em Jerusalém poucos meses antes e viram os impressionantes sinais que Jesus realizou. — João 2:23.

      Onde Jesus começa seu grande ministério na Galileia? Pelo visto em Caná, onde ele transformou água em vinho em uma festa de casamento. Dessa vez, Jesus fica sabendo que um jovem está muito doente, quase morrendo. Ele é filho de um funcionário do rei Herodes Antipas, o rei que mais tarde mandou decapitar João Batista. Esse funcionário ouve dizer que Jesus veio da Judeia para Caná. Então ele sai de sua terra natal, em Cafarnaum, e viaja a Caná para encontrar Jesus. Muito triste, o funcionário lhe diz: “Senhor, venha antes que meu filhinho morra.” — João 4:49.

      Talvez a resposta de Jesus deixe o homem maravilhado: “Pode ir; seu filho está vivo.” (João 4:50) O funcionário de Herodes acredita em Jesus e vai embora para sua cidade. No caminho, ele encontra seus escravos ansiosos para lhe dar a boa notícia de que seu filho está vivo e passa bem. ‘A que hora ele melhorou?’, pergunta o homem, tentando entender o que aconteceu.

      Eles respondem: “A febre o deixou ontem, à sétima hora.” — João 4:52.

      Os escravos do funcionário se encontram com ele; o funcionário volta para casa e vê que seu filho foi curado por Jesus

      O funcionário percebe que foi a mesma hora em que Jesus disse: “Seu filho está vivo.” Depois disso, esse homem muito rico, sua família e todos os seus escravos se tornam discípulos de Cristo.

      Assim, Jesus realiza dois milagres em Caná: transforma água em vinho e cura um rapaz à distância de uns 25 quilômetros. É claro que esses não são os únicos milagres que ele realiza. Mas esse segundo milagre em Caná é importante porque indica o momento de sua volta à Galileia. Sem dúvida, ele é um profeta aprovado por Deus. Mas até que ponto esse ‘profeta receberá honra na sua própria terra’?

      Isso vai ficar claro quando Jesus voltar para sua casa, em Nazaré. O que acontecerá lá?

      • Ao voltar para a Galileia, que mensagem Jesus começa a pregar? E qual é a reação das pessoas?

      • Que milagre Jesus realiza em sua segunda viagem a Caná? E o que isso leva alguns a fazer?

      • O que é especialmente notável no modo como Jesus cura um jovem em Cafarnaum?

  • Na sinagoga em Nazaré
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus lê o rolo de Isaías na sinagoga

      CAPÍTULO 21

      Na sinagoga em Nazaré

      LUCAS 4:16-31

      • JESUS LÊ O ROLO DE ISAÍAS

      • AS PESSOAS DE NAZARÉ TENTAM MATAR JESUS

      As pessoas em Nazaré estão muito empolgadas. Antes de ser batizado por João há pouco mais de um ano, Jesus era carpinteiro nessa cidade. Mas agora ele é conhecido como um homem que realiza obras poderosas. Os moradores da cidade estão ansiosos para ver Jesus realizar algumas dessas obras entre eles.

      A expectativa das pessoas aumenta quando Jesus vai à sinagoga, segundo o seu costume. Assim como é feito “nas sinagogas todo sábado”, nesse dia também se faz oração e a leitura dos livros de Moisés. (Atos 15:21) Além disso, são lidas partes dos livros proféticos. Quando Jesus se levanta para ler, talvez reconheça muitos dos que, durante anos, frequentaram a sinagoga com ele. Ele recebe o rolo do profeta Isaías e procura o trecho que fala sobre Aquele que foi ungido pelo espírito de Jeová. Hoje essas palavras se encontram em Isaías 61:1, 2.

      Jesus lê sobre como Aquele que tinha sido prometido pregaria o livramento dos cativos, a cura para os cegos e o futuro ano aceitável da parte de Jeová. Ele entrega o rolo ao assistente e se senta. Todos olham atentamente para ele. Então Jesus fala, talvez por um bom tempo, e suas palavras incluem a importante declaração: “Hoje se cumpriu essa passagem das Escrituras que vocês acabam de ouvir.” — Lucas 4:21.

      As pessoas ficam maravilhadas com ‘as palavras cativantes que saem da sua boca’ e dizem umas às outras: “Não é este o filho de José?” Mas, ao ver que as pessoas esperam que ele realize obras poderosas como as obras de que ouviram falar, Jesus diz: “Sem dúvida vocês aplicarão a mim o seguinte ditado: ‘Médico, cure a si mesmo’, e dirão: ‘Faça também aqui na sua própria cidade as coisas que ouvimos dizer que foram feitas em Cafarnaum.’” (Lucas 4:22, 23) É provável que os antigos vizinhos de Jesus achem que as curas devem ser realizadas primeiro na sua cidade, em benefício do seu povo. Por isso, talvez se sintam desprezados por Jesus.

      Percebendo a motivação deles, Jesus menciona alguns acontecimentos da história de Israel. Ele diz que, nos dias de Elias, havia muitas viúvas no país, mas Elias não foi enviado a nenhuma delas. Em vez disso, foi até uma viúva não israelita em Sarefá, uma cidade perto de Sídon, onde realizou um milagre que salvou vidas. (1 Reis 17:8-16) E nos dias de Eliseu, havia muitos leprosos em Israel, mas o profeta curou apenas o sírio Naamã. — 2 Reis 5:1, 8-14.

      Homens da sinagoga levam Jesus para a beira do monte

      Talvez as pessoas da cidade de Jesus achem essas comparações históricas desfavoráveis, pois expõem o egoísmo e a falta de fé delas. Assim, como elas reagem? Os que estão na sinagoga ficam furiosos, se levantam e arrastam Jesus para fora da cidade. Eles o levam à beira do monte, onde a cidade de Nazaré foi construída, e tentam jogá-lo para baixo. Mas Jesus consegue escapar e foge em segurança. Depois ele vai a Cafarnaum, no litoral noroeste do mar da Galileia.

      • Por que as pessoas em Nazaré estão empolgadas?

      • Como as pessoas reagem às palavras de Jesus? Mas por que ficam furiosas depois?

      • O que os moradores de Nazaré tentam fazer com Jesus?

  • Quatro discípulos se tornarão pescadores de homens
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus conversa com Pedro, André, Tiago e João às margens do mar da Galileia

      CAPÍTULO 22

      Quatro discípulos se tornarão pescadores de homens

      MATEUS 4:13-22 MARCOS 1:16-20 LUCAS 5:1-11

      • JESUS CHAMA DISCÍPULOS PARA SEGUI-LO CONTINUAMENTE

      • PESCADORES SE TORNAM PESCADORES DE HOMENS

      Depois que as pessoas de Nazaré tentam matar Jesus, ele vai a Cafarnaum, perto do mar da Galileia, também chamado de “lago de Genesaré”. (Lucas 5:1) Isso cumpre a profecia de Isaías de que os que moram junto ao mar da Galileia veriam uma grande luz. — Isaías 9:1, 2.

      Agora, na Galileia, Jesus continua a pregar que “o Reino dos céus está próximo”. (Mateus 4:17) Ele encontra quatro de seus discípulos. Eles já tinham viajado com Jesus, mas, quando retornaram com ele da Judeia, voltaram ao seu negócio de pesca. (João 1:35-42) Mas chegou a hora de seguir Jesus continuamente, a fim de que ele possa treiná-los para realizar o ministério depois que for embora.

      Ao caminhar à beira do mar, Jesus vê Simão Pedro, seu irmão André e alguns de seus colegas cuidando das redes. Jesus vai até eles, sobe no barco de Pedro e pede que se afastem da margem. Depois de se distanciarem um pouco, Jesus se senta e começa a ensinar verdades do Reino às multidões que estão à beira do mar.

      Em seguida, Jesus diz a Pedro: “Vá para onde é fundo, e abaixem as suas redes para uma pesca.” Pedro diz em resposta: “Instrutor, trabalhamos arduamente a noite toda e não apanhamos nada, mas, como o senhor pediu, abaixarei as redes.” — Lucas 5:4, 5.

      André, Tiago e João fazem força para colocar a rede no barco; Pedro se ajoelha diante de Jesus

      Eles abaixam as redes e pegam tantos peixes que elas começam a se rasgar. Imediatamente, os homens acenam para seus sócios num barco próximo para que venham ajudá-los. Logo os dois barcos ficam tão cheios de peixes que começam a afundar. Ao ver isso, Pedro se ajoelha diante de Jesus e diz: “Afaste-se de mim, Senhor, porque sou homem pecador.” Jesus diz em resposta: “Pare de ter medo. De agora em diante você apanhará a homens.” — Lucas 5:8, 10.

      Jesus diz a Pedro e André: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens.” (Mateus 4:19) Ele chama mais dois pescadores, Tiago e João, filhos de Zebedeu, que também aceitam o convite sem demora. Assim, esses quatro homens abandonam seu negócio e se tornam os primeiros discípulos de Jesus por tempo integral.

      • Quem Jesus chama para segui-lo continuamente, e qual a profissão deles?

      • Que milagre deixa Pedro com medo?

      • Que tipo de pesca os quatro discípulos farão agora?

  • Jesus realiza grandes obras em Cafarnaum
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Pessoas doentes vão à casa de Pedro, e Jesus as cura.

      CAPÍTULO 23

      Jesus realiza grandes obras em Cafarnaum

      MATEUS 8:14-17 MARCOS 1:21-34 LUCAS 4:31-41

      • JESUS EXPULSA UM DEMÔNIO

      • A SOGRA DE PEDRO É CURADA

      Jesus convidou quatro discípulos — Pedro, André, Tiago e João — para ser pescadores de homens. Agora é sábado, e todos eles vão à sinagoga em Cafarnaum. Jesus ensina ali, e novamente as pessoas ficam maravilhadas com o seu modo de ensinar. Ele faz isso como quem tem autoridade, não como os escribas.

      Nesse dia, um homem endemoninhado está na sinagoga. Ali mesmo, o homem grita bem alto: “O que você quer conosco, Jesus Nazareno? Veio nos destruir? Eu sei exatamente quem você é: o Santo de Deus!” Jesus censura o demônio que está controlando o homem, dizendo: “Cale-se e saia dele!” — Marcos 1:24, 25.

      Com isso, o espírito mau joga o homem no chão em convulsão e grita ao máximo da sua voz. Mas o demônio sai do homem “sem feri-lo”. (Lucas 4:35) As pessoas na sinagoga ficam simplesmente admiradas. “O que é isso?”, perguntam elas. “Ele dá ordens com autoridade até mesmo a espíritos impuros, e eles lhe obedecem.” (Marcos 1:27) Não nos surpreende que se fale em toda a Galileia sobre esse impressionante acontecimento.

      Jesus e seus discípulos saem da sinagoga e vão para a casa de Simão, ou Pedro. Quando chegam lá, a sogra de Pedro está muito doente, com febre alta. Pedem a Jesus que a ajude. Então Jesus se dirige a ela, pega-a pela mão e a levanta. Na mesma hora, ela é curada e começa a servir Jesus e os discípulos, talvez preparando uma refeição para eles.

      Quando o sol está quase se pondo, pessoas de toda a parte vêm até a casa de Pedro trazendo doentes. Em pouco tempo, parece que toda a cidade está à sua porta. Por quê? Eles querem ser curados. De fato, ‘todos os que têm consigo doentes, com as mais variadas enfermidades, os levam até ele. Ele põe as mãos sobre cada um deles e os cura’. (Lucas 4:40) Assim como profetizado, Jesus ajuda essas pessoas, não importa qual seja a doença delas. (Isaías 53:4) Ele até mesmo liberta os que estão endemoninhados. Quando os espíritos maus saem, gritam: “Você é o Filho de Deus.” (Lucas 4:41) Mas Jesus os censura e não permite que falem mais. Sabem que Jesus é o Cristo, e ele não quer que eles deem a impressão de que servem o Deus verdadeiro.

      POSSESSÃO DE DEMÔNIOS

      Uma pessoa pode sofrer muito quando é possuída por um ou mais demônios. (Mateus 17:14-18) Mas, quando essa pessoa é libertada dos demônios, volta ao seu estado normal, tanto física como mentalmente. Em várias ocasiões, Jesus demonstrou seu poder ao expulsar demônios por meio do espírito santo de Deus. — Lucas 8:39; 11:20.

      • O que acontece no sábado, na sinagoga em Cafarnaum?

      • Quando sai da sinagoga, para onde Jesus vai, e o que ele faz ali?

      • Qual é a reação das pessoas ao que Jesus faz na casa de Pedro?

  • O ministério de Jesus em outras partes da Galileia
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Pedro, André, Tiago e João encontram Jesus

      CAPÍTULO 24

      O ministério de Jesus em outras partes da Galileia

      MATEUS 4:23-25 MARCOS 1:35-39 LUCAS 4:42, 43

      • JESUS VIAJA PELA GALILEIA COM QUATRO DISCÍPULOS

      • SUA PREGAÇÃO E SUAS OBRAS SE TORNAM AMPLAMENTE CONHECIDAS

      Jesus e seus quatro discípulos passam um dia muito ocupado em Cafarnaum. No fim da tarde, as pessoas na cidade levam doentes para ser curados. Jesus tem tido pouco tempo para ficar sozinho.

      De manhã cedo, enquanto ainda está escuro, Jesus se levanta e sai para procurar um lugar isolado, onde possa orar ao seu Pai em particular. Mas ele fica sozinho por pouco tempo. Quando percebem que Jesus não está com eles, “Simão e os que estavam com ele” o procuram. Visto que Jesus esteve na casa de Simão, ou Pedro, talvez ele tenha tomado a iniciativa de procurar Jesus. — Marcos 1:36; Lucas 4:38.

      Quando encontram Jesus, Pedro diz: “Todos estão procurando o senhor.” (Marcos 1:37) É compreensível que as pessoas em Cafarnaum não queiram que ele vá embora. Elas são muito gratas pelo que ele fez, por isso tentam ‘impedir que ele as deixe’. (Lucas 4:42) Mas será que Jesus veio à Terra principalmente para realizar essas curas milagrosas? E será que ele vai realizar suas obras apenas nessa região? O que Jesus diz sobre isso?

      Jesus aponta para uma cidade vizinha enquanto conversa com Pedro, André, Tiago e João

      Jesus diz aos seus discípulos: “Vamos a outro lugar, às cidades vizinhas, para que eu também pregue ali, pois foi por isso que vim.” De fato, Jesus até mesmo diz às pessoas que querem que ele fique: “Tenho de declarar as boas novas do Reino de Deus também a outras cidades, porque fui enviado para isso.” — Marcos 1:38; Lucas 4:43.

      Um dos principais motivos de Jesus ter vindo à Terra foi para pregar sobre o Reino de Deus. Esse Reino vai santificar o nome do seu Pai e resolver os problemas da humanidade para sempre. Por realizar curas milagrosas, Jesus demonstra que foi enviado por Deus. De modo similar, séculos antes, Moisés realizou obras extraordinárias para provar que tinha sido enviado por Deus. — Êxodo 4:1-9, 30, 31.

      Então Jesus e seus quatro discípulos deixam Cafarnaum para pregar em outras cidades. Esses discípulos são: Pedro e seu irmão André, e João e seu irmão Tiago. Uma semana antes, eles foram os primeiros a ser convidados para acompanhar Jesus em uma viagem de pregação.

      A viagem de Jesus com esses discípulos na Galileia tem resultados tão bons que pessoas em toda a parte ouvem falar dele. ‘As notícias sobre ele se espalham por toda a Síria’, bem como pela região das dez cidades, chamada Decápolis, e chegam até o outro lado do rio Jordão. (Mateus 4:24, 25) Um grande número de pessoas dessas regiões, e também da Judeia, segue Jesus e seus discípulos. Muitos levam doentes para que ele os cure. E Jesus cura os doentes e expulsa espíritos maus das pessoas.

      • Depois que Jesus teve um dia muito ocupado em Cafarnaum, o que acontece logo cedo no dia seguinte?

      • Por que Jesus foi enviado à Terra, e por que ele realiza milagres?

      • Quem acompanha Jesus na sua viagem de pregação pela Galileia? E qual é o resultado dessa viagem?

  • Ele mostra compaixão ao curar um leproso
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus toca num leproso que se ajoelha diante dele

      CAPÍTULO 25

      Ele mostra compaixão ao curar um leproso

      MATEUS 8:1-4 MARCOS 1:40-45 LUCAS 5:12-16

      • JESUS CURA UM LEPROSO

      Enquanto Jesus e seus quatro discípulos pregam ‘nas sinagogas, em toda a Galileia’, pessoas de muitos lugares ouvem falar das coisas maravilhosas que Jesus está fazendo. (Marcos 1:39) Notícias sobre suas obras chegam até a cidade onde vive um leproso. Segundo o médico Lucas, o homem está “coberto de lepra”. (Lucas 5:12) Em estágios avançados, essa terrível doença deforma lentamente algumas partes do corpo.

      Esse leproso está em uma situação deplorável e é obrigado a viver isolado das pessoas. Além disso, quando alguém se aproxima, ele deve avisar: “Impuro, impuro!” para evitar que a pessoa chegue muito perto e seja contaminada. (Levítico 13:45, 46) Mas o que esse leproso faz? Ele se aproxima de Jesus e se ajoelha diante dele, implorando: “Senhor, se apenas quiser, pode me purificar.” — Mateus 8:2.

      Veja quanta fé esse homem tem em Jesus! E imagine como sua doença deve tê-lo deixado em um estado lamentável! Como Jesus reage? O que você faria se estivesse lá? Movido por compaixão, Jesus estende a mão e toca no homem. Ele lhe diz: “Eu quero! Seja purificado.” (Mateus 8:3) Parece difícil de as pessoas acreditarem, mas a lepra desaparece imediatamente.

      O que você acha de um rei tão poderoso e compassivo como Jesus? O modo como Jesus lida com o leproso nos dá a certeza de que, quando Jesus for Rei sobre toda a Terra, se cumprirá a seguinte profecia bíblica: “Terá pena do humilde e do pobre, e salvará a vida dos pobres.” (Salmo 72:13) Sem dúvida, Jesus realizará o seu desejo sincero de ajudar todos os que sofrem.

      Lembre-se de que, mesmo antes de curar esse leproso, o ministério de Jesus criou grande expectativa nas pessoas. Agora todos vão ouvir falar sobre esse maravilhoso milagre que ele realizou. Mas Jesus não quer que as pessoas tenham fé nele apenas por causa das coisas que outros dizem a seu respeito. Jesus sabe que a profecia diz que ele ‘não faria que a sua voz fosse ouvida na rua’, ou seja, que não contariam relatos sensacionalistas sobre ele. (Isaías 42:1, 2) Por isso, Jesus dá ao leproso a seguinte ordem: “Tenha o cuidado de não contar nada a ninguém, mas vá, mostre-se ao sacerdote e ofereça a dádiva que Moisés determinou.” — Mateus 8:4.

      No entanto, como você pode imaginar, o homem fica tão feliz por ser curado que não consegue deixar de falar sobre o milagre. Ele sai e espalha por toda a parte o que aconteceu. Isso desperta tanto interesse e curiosidade nas pessoas que Jesus não consegue entrar em uma cidade sem ser reconhecido. Então ele procura ficar um tempo onde não há ninguém por perto. Mesmo assim, pessoas de toda a região vêm para ser curadas e ensinadas por ele.

      • O que a lepra pode causar em uma pessoa? E o que um leproso é obrigado a fazer?

      • O que um leproso pede a Jesus? E que certeza a reação de Jesus nos dá?

      • O que o homem faz depois de ser curado por Jesus, e como isso afeta outros?

  • “Seus pecados estão perdoados”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um homem paralítico chega até Jesus passando por uma abertura no telhado

      CAPÍTULO 26

      “Seus pecados estão perdoados”

      MATEUS 9:1-8 MARCOS 2:1-12 LUCAS 5:17-26

      • JESUS PERDOA OS PECADOS DE UM PARALÍTICO E O CURA

      Pessoas de todas as partes já ouviram falar de Jesus. Muitos viajam até lugares afastados para ouvi-lo ensinar e para ver suas obras maravilhosas. Mas depois de alguns dias ele volta para Cafarnaum, onde se concentram suas atividades. Logo, muitos nessa cidade à margem do mar da Galileia ficam sabendo que ele voltou e, por isso, vão até a casa onde ele está. Alguns são fariseus e instrutores da Lei que vieram de muitos lugares da Galileia e da Judeia, incluindo Jerusalém.

      ‘Então se ajuntam tantas pessoas que não há mais lugar, nem mesmo perto da porta, e ele começa a lhes falar a palavra.’ (Marcos 2:2) Agora está para acontecer algo maravilhoso. Isso nos ajudará a ver que Jesus tem o poder de acabar com a causa do sofrimento humano e devolver a saúde a todos que ele quiser.

      Enquanto Jesus ensina dentro da casa cheia de pessoas, quatro homens trazem um paralítico numa maca. Eles querem que Jesus cure o amigo deles. Mas, por causa da multidão, eles não ‘podem levá-lo diretamente a Jesus’. (Marcos 2:4) Imagine como eles ficam decepcionados. Então sobem no telhado plano da casa e fazem uma abertura removendo algumas telhas. Depois abaixam a maca com o paralítico para dentro da casa.

      Será que Jesus fica irritado com essa interrupção? De modo algum! Ele fica muito impressionado com a fé que eles têm e diz ao homem paralítico: “Seus pecados estão perdoados.” (Mateus 9:2) Mas Jesus realmente pode perdoar pecados? Inconformados com isso, os escribas e os fariseus se perguntam: “Por que este homem fala dessa maneira? Ele está blasfemando. Quem pode perdoar pecados a não ser um só, Deus?” — Marcos 2:7.

      Visto que conhece os pensamentos deles, Jesus diz: “Por que vocês estão raciocinando essas coisas no coração? O que é mais fácil dizer ao paralítico: ‘Seus pecados estão perdoados’, ou: ‘Levante-se, apanhe a sua maca e ande’?” (Marcos 2:8, 9) Com base no sacrifício que Jesus oferecerá ao dar sua vida, ele pode perdoar os pecados do homem.

      Então Jesus mostra à multidão, incluindo os que o criticam, que ele tem autoridade para perdoar pecados na Terra. Ele olha para o paralítico e ordena: “Levante-se, apanhe a sua maca e vá para casa.” O homem se levanta imediatamente e, diante de todos os que estão na casa, sai carregando a maca. As pessoas ficam admiradas e dão glória a Deus, exclamando: “Nunca vimos nada igual”! — Marcos 2:11, 12.

      É interessante que Jesus relaciona o pecado à doença, e o perdão de pecados à saúde física. A Bíblia ensina que nosso primeiro pai, Adão, pecou e que todos nós herdamos as consequências do pecado, isto é, a doença e a morte. Mas sob o governo do Reino de Deus, Jesus perdoará os pecados de todos que amam e servem a Deus. Assim, a doença será eliminada para sempre. — Romanos 5:12, 18, 19.

      • O que leva Jesus a curar um paralítico em Cafarnaum?

      • Como o homem consegue chegar até Jesus?

      • O que esse acontecimento nos ensina sobre a relação entre o pecado e a doença? E que esperança isso nos dá?

  • Um convite para Mateus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Fariseus observam Jesus na companhia de cobradores de impostos e pecadores na casa de Mateus

      CAPÍTULO 27

      Um convite para Mateus

      MATEUS 9:9-13 MARCOS 2:13-17 LUCAS 5:27-32

      • JESUS CONVIDA MATEUS, O COBRADOR DE IMPOSTOS

      • CRISTO PROCURA A COMPANHIA DE PECADORES PARA AJUDÁ-LOS

      Jesus continua na região de Cafarnaum, perto do mar da Galileia, e faz pouco tempo que ele curou o paralítico. Mais uma vez, multidões vão até Jesus, e ele as ensina. Enquanto está andando, ele vê Mateus, também chamado Levi, sentado na coletoria. Jesus lhe faz um convite especial: “Seja meu seguidor.” — Mateus 9:9.

      É bem provável que Mateus, assim como Pedro, André, Tiago e João, já conheça alguns ensinamentos de Jesus e as obras que ele realizou na região. Mateus também o segue sem demora. Ele descreve isso no seu Evangelho: ‘Então ele [ou seja, Mateus] se levanta e segue’ a Jesus. (Mateus 9:9) Assim, Mateus deixa suas responsabilidades como cobrador de impostos e se torna discípulo de Jesus.

      Jesus vê Mateus na coletoria e o convida para ser seu seguidor

      Algum tempo depois, talvez para agradecer o convite especial de Jesus, Mateus dá um banquete na sua casa. Além de Jesus e seus discípulos, ele também convida seus anteriores colegas, cobradores de impostos. Eles recolhem impostos para as autoridades romanas, que são odiadas pelo povo. Esses incluem taxas cobradas dos barcos que atracam no cais, taxas para caravanas de comerciantes que passam pelas principais estradas e taxas para itens importados. Como a maioria dos judeus encara esses cobradores de impostos? Eles os desprezam, pois costumam ser desonestos, cobrando impostos maiores do que o valor exigido. No banquete também há pecadores, pessoas conhecidas por praticar o que é errado. — Lucas 7:37-39.

      Quando veem Jesus com essas pessoas no banquete, os orgulhosos fariseus perguntam aos seus discípulos: “Por que o seu instrutor come com cobradores de impostos e pecadores?” (Mateus 9:11) Ao escutar o que eles dizem, Jesus responde: “As pessoas saudáveis não precisam de médico, mas sim os doentes. Portanto, vão e aprendam o que significa: ‘Quero misericórdia, e não sacrifício.’ Pois eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.” (Mateus 9:12, 13; Oseias 6:6) Os fariseus não são sinceros ao chamar Jesus de “instrutor”, mas mesmo assim podem aprender o que é certo com Jesus.

      Tudo indica que Mateus convida cobradores de impostos e pecadores para o banquete para que possam ouvir Jesus e ser curados em sentido espiritual, ‘pois muitos deles o seguem’. (Marcos 2:15) Jesus quer ajudá-los para que tenham um bom relacionamento com Deus. Diferentemente dos orgulhosos fariseus, Jesus não os despreza. Ele tem compaixão e é misericordioso; é capaz de ajudar todos os que estão doentes em sentido espiritual.

      Jesus mostra misericórdia aos cobradores de impostos e pecadores. Embora não tolere seus pecados, demonstra compaixão por eles assim como demonstrou pelos doentes em sentido literal. Lembre-se, por exemplo, de quando ele mostrou compaixão ao tocar no leproso e disse: “Eu quero! Seja purificado.” (Mateus 8:3) Não devemos cultivar a mesma atitude de Jesus por ser misericordiosos com os necessitados, prestando-lhes ajuda especialmente em sentido espiritual?

      • O que Mateus está fazendo quando Jesus o vê?

      • Por que a maioria dos judeus despreza os cobradores de impostos?

      • Por que Jesus se associa com pecadores?

  • Por que os discípulos de Jesus não fazem jejum?
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Os discípulos de João Batista perguntam a Jesus sobre o jejum

      CAPÍTULO 28

      Por que os discípulos de Jesus não fazem jejum?

      MATEUS 9:14-17 MARCOS 2:18-22 LUCAS 5:33-39

      • OS DISCÍPULOS DE JOÃO PERGUNTAM A JESUS SOBRE O JEJUM

      João Batista foi preso algum tempo depois de Jesus celebrar a Páscoa de 30 EC. João queria que seus discípulos se tornassem seguidores de Jesus, mas já faz alguns meses que ele está na prisão, e nem todos fizeram isso.

      À medida que a Páscoa de 31 EC se aproxima, alguns dos discípulos de João vão até Jesus e perguntam: “Por que nós e os fariseus praticamos o jejum, mas os seus discípulos não jejuam?” (Mateus 9:14) Os fariseus costumam jejuar como um ritual religioso. Mais tarde, Jesus conta uma ilustração sobre um fariseu orgulhoso que faz a seguinte oração: “Ó Deus, eu te agradeço que não sou como todos os outros . . . Jejuo duas vezes por semana.” (Lucas 18:11, 12) Talvez os discípulos de João também tenham o costume de jejuar. Ou pode ser que façam jejum para lamentar a prisão de João. Eles se perguntam por que os discípulos de Jesus não fazem jejum, talvez se juntando a eles em lamentar o que aconteceu com João.

      Jesus responde usando um exemplo: “Será que os amigos do noivo têm motivo para ficar de luto enquanto o noivo está com eles? Mas virão dias em que o noivo será tirado deles, e então jejuarão.” — Mateus 9:15.

      O próprio João se referiu a Jesus como sendo um noivo. (João 3:28, 29) Assim, enquanto Jesus está com eles, os discípulos não jejuam. Mais tarde, quando Jesus morrer, seus discípulos lamentarão e não terão vontade de comer. Porém, quando ele for ressuscitado, a mudança será grande, pois eles não terão mais motivo para jejuar por causa do pesar.

      A seguir, Jesus conta duas ilustrações: “Ninguém costura um remendo de pano novo numa roupa velha, pois o remendo de pano novo repuxará a roupa, e o rasgão ficará pior. Também não se põe vinho novo em odres velhos. Caso se faça isso, os odres arrebentarão, o vinho se derramará e os odres ficarão arruinados. Mas põe-se vinho novo em odres novos.” (Mateus 9:16, 17) O que Jesus quer dizer com isso?

      Ele quer ajudar os discípulos de João a entender que não devem esperar que os seguidores de Jesus se apeguem a antigas práticas do judaísmo como, por exemplo, jejuar como um ritual. Ele não veio remendar uma forma de adoração desgastada nem fazer com que ela seja praticada por mais tempo. Jesus não está incentivando uma forma de adoração que se adapte ao judaísmo da época e às tradições judaicas inventadas por homens. Ele não está tentando colocar um remendo em uma roupa velha ou vinho novo em um odre (um tipo de recipiente de pele) velho e endurecido.

      ILUSTRAÇÕES SOBRE O JEJUM

      Um odre

      Jesus usou uma ilustração que muitos podiam entender facilmente, a costura. O que acontece se alguém costura um pedaço de pano novo, que ainda não foi encolhido, numa roupa usada ou num pano velho? Quando a roupa é lavada, o remendo novo encolhe e repuxa o pano velho, rasgando-o.

      Do mesmo modo, muitas vezes o vinho é guardado em recipientes feitos de pele de animais. Com o tempo, a pele endurece e perde a elasticidade. Colocar vinho novo num recipiente velho pode resultar na perda do vinho. O vinho novo pode continuar a fermentar, aumentando a pressão no recipiente. Isso pode estourar a pele velha e endurecida.

      • Nos dias de Jesus, quem pratica o jejum e por quê?

      • Por que os discípulos de Jesus não jejuam enquanto ele está com eles? Mas depois talvez terão que motivo para jejuar?

      • O que significam as ilustrações de Jesus sobre o remendo novo e o vinho novo?

  • Será que alguém pode fazer boas obras no sábado?
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus fala com um homem doente no reservatório de Betezata

      CAPÍTULO 29

      Será que alguém pode fazer boas obras no sábado?

      JOÃO 5:1-16

      • JESUS PREGA NA JUDEIA

      • ELE CURA UM HOMEM DOENTE NUM RESERVATÓRIO DE ÁGUA

      Jesus conseguiu fazer muitas coisas durante seu grande ministério na Galileia. Mas ele não pensa apenas na Galileia quando diz: “Tenho de declarar as boas novas do Reino de Deus também a outras cidades.” Então ele vai ‘pregar nas sinagogas da Judeia’. (Lucas 4:43, 44) Isso faz sentido, pois já é primavera e a festividade em Jerusalém está se aproximando.

      Em comparação com o que lemos sobre o ministério de Jesus na Galileia, temos poucas informações nos Evangelhos sobre sua atividade na Judeia. Apesar de as pessoas em geral serem apáticas na Judeia, isso não impede Jesus de sempre estar ativo na pregação e fazer boas obras onde quer que esteja.

      Em breve, Jesus irá à principal cidade da Judeia, Jerusalém, para a Páscoa de 31 EC. Perto do Portão das Ovelhas, onde há muito movimento, fica um reservatório de água com um pórtico em volta, chamado Betezata. Muitos doentes, cegos e mancos vão até esse reservatório. Por quê? Porque se acredita que as pessoas podem ser curadas por entrar no reservatório quando as águas estão agitadas.

      É um sábado, e Jesus vê no reservatório um homem que está doente há 38 anos. Jesus lhe pergunta: “Você quer ficar bom?” E o homem responde: “Senhor, não tenho ninguém para me colocar no reservatório quando a água fica agitada; mas, quando eu estou indo, outro desce na minha frente.” — João 5:6, 7.

      Jesus diz algo que com certeza deixa surpresos o homem e qualquer um que está por perto: “Levante-se! Pegue a sua esteira e ande.” (João 5:8) E o homem é curado imediatamente, pega sua esteira e começa a andar.

      Judeus conversam com o homem que foi curado por Jesus

      Em vez de se alegrarem com esse maravilhoso acontecimento, quando os judeus veem o homem, dizem com desaprovação: “Hoje é sábado; não é permitido que você carregue a esteira.” E ele responde: “O mesmo homem que me curou disse: ‘Pegue a sua esteira e ande.’” (João 5:10, 11) Esses judeus criticam alguém que está curando as pessoas no sábado.

      “Quem é o homem que lhe disse: ‘Pegue-a e ande’?”, querem saber. Por que lhe perguntam isso? Porque Jesus ‘desapareceu no meio da multidão’, e o homem que foi curado não sabe quem ele é. (João 5:12, 13) Mas esse homem vai ver Jesus de novo. Mais tarde, no templo, ele encontra Jesus e descobre que foi ele que o curou no reservatório.

      Esse homem vê os judeus que tinham lhe perguntado como ele havia sido curado. Ele lhes diz que foi Jesus. Assim, os judeus vão até Jesus. Será que querem saber como ele consegue fazer essas coisas maravilhosas? Pelo contrário! Vão criticar Jesus por ter feito boas obras no sábado e começam a persegui-lo.

      • Por que Jesus vai para a Judeia, e o que ele continua fazendo ali?

      • Por que muitas pessoas vão até o reservatório de água chamado Betezata?

      • Que milagre Jesus realiza no reservatório, e qual é a reação dos judeus?

  • Jesus é o Filho de Deus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Judeus acusam Jesus de violar o sábado

      CAPÍTULO 30

      Jesus é o Filho de Deus

      JOÃO 5:17-47

      • DEUS É O PAI DE JESUS

      • A PROMESSA DA RESSURREIÇÃO

      Quando alguns judeus acusam Jesus de violar o sábado ao curar um homem, Jesus responde: “Meu Pai está trabalhando até agora, e eu estou trabalhando.” — João 5:17.

      O que Jesus está fazendo não é proibido pela lei de Deus a respeito do sábado. Ele imita as boas obras de Deus ao pregar e curar as pessoas. Assim, Jesus continua a fazer o bem todos os dias. Mas sua resposta aos que o acusam os deixa mais enfurecidos, e eles tentam matar Jesus. Por que reagem assim?

      Além de concluírem de modo errado que Jesus violou o sábado ao curar os doentes, eles ficam muito ofendidos quando ele diz que é o Filho de Deus. Acham que ele blasfema ao dizer que Deus é seu pai. Para eles, é como se Jesus dissesse isso para se fazer igual a Deus. Mas Jesus não se intimida e ainda lhes fala sobre seu relacionamento especial com Deus. Ele diz: “O Pai ama o Filho e lhe mostra todas as coisas que Ele mesmo faz.” — João 5:20.

      O Pai é o Dador da Vida, e no passado ele demonstrou isso ao dar poder para os homens ressuscitar os mortos. Jesus continua dizendo: “Assim como o Pai levanta os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem ele quer.” (João 5:21) Essa importante declaração dá esperança para o futuro. Desde agora, o Filho está levantando os que estão espiritualmente mortos. Por isso, Jesus diz: “Quem ouve as minhas palavras e acredita naquele que me enviou tem vida eterna, e não será julgado, mas passou da morte para a vida.” — João 5:24.

      Não há registro de que até o momento Jesus trouxe alguém de volta à vida, mas ele diz aos seus acusadores que haverá ressurreições em sentido literal. Jesus diz: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a voz dele e sairão.” — João 5:28, 29.

      Apesar de Jesus ter um papel muito importante, ele deixa claro que está sujeito a Deus, ao afirmar: “Não posso fazer nem uma única coisa de minha própria iniciativa. . . . Não procuro fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (João 5:30) Assim, Jesus descreve a importância de seu papel no propósito de Deus, algo que ainda não declarou tão abertamente. Mas os que acusam Jesus não têm só o testemunho dele. Ele lhes lembra: “Vocês enviaram homens a João [Batista], e ele deu testemunho da verdade.” — João 5:33.

      É provável que os acusadores de Jesus tenham ouvido isso há dois anos. João falou aos líderes religiosos judeus sobre Aquele que viria depois dele, conhecido como “o Profeta” e “o Cristo”. (João 1:20-25) Lembrando aos seus acusadores o bom conceito que tinham a respeito de João, que está preso, Jesus diz: “Por pouco tempo vocês estavam dispostos a se alegrar muito na sua luz.” (João 5:35) Desse modo, Jesus dá um testemunho maior do que o de João Batista.

      “As obras que eu faço [incluindo a cura que acabou de realizar] dão testemunho de que o Pai me enviou.” Além disso, Jesus diz: “O próprio Pai, que me enviou, deu testemunho de mim.” (João 5:36, 37) Por exemplo, Deus deu testemunho sobre Jesus na ocasião do seu batismo. — Mateus 3:17.

      Na verdade, os que acusam Jesus não têm motivos para rejeitá-lo. As próprias Escrituras que eles afirmam pesquisar dão testemunho dele. Jesus conclui, dizendo: “Se acreditassem em Moisés, vocês acreditariam em mim, porque ele escreveu a meu respeito. Mas, se vocês não acreditam nos escritos dele, como acreditarão no que eu digo?” — João 5:46, 47.

      • Por que Jesus não viola a Lei ao fazer boas obras no sábado?

      • Como Jesus descreve seu importante papel no propósito de Deus?

      • Que testemunhos provam que Jesus é o Filho de Deus?

  • Eles colhem cereais no sábado
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Discípulos de Jesus colhem e comem cereais no sábado

      CAPÍTULO 31

      Eles colhem cereais no sábado

      MATEUS 12:1-8 MARCOS 2:23-28 LUCAS 6:1-5

      • OS DISCÍPULOS COLHEM CEREAIS NO SÁBADO

      • JESUS É O “SENHOR DO SÁBADO”

      Jesus e seus discípulos viajam agora para o norte, em direção à Galileia. É primavera, e o cereal está maduro nos campos. Visto que estão com fome, os discípulos colhem algumas espigas e comem. Mas é sábado, e os fariseus observam o que eles estão fazendo.

      Faz pouco tempo que alguns judeus em Jerusalém, que queriam matar Jesus, o acusaram de violar o sábado. Agora os fariseus fazem a seguinte acusação: “Veja! Seus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer no sábado.” — Mateus 12:2.

      Os fariseus afirmam que pegar cereais e esfregá-los com as mãos é o mesmo que colher e debulhar. (Êxodo 34:21) A rigorosa interpretação que eles fazem do que significa trabalhar torna o sábado um fardo. Mas esse dia era para ser alegre e espiritualmente edificante. Jesus prova que eles estão errados usando exemplos que mostram que Jeová Deus nunca quis que a lei sobre o sábado fosse seguida desse modo.

      O primeiro exemplo que Jesus dá é sobre o que aconteceu com Davi e seus homens. Quando eles estavam com fome, pararam no tabernáculo e comeram os pães da apresentação. Esses pães já tinham sido retirados de diante de Jeová e substituídos por pães frescos. Normalmente, os pães retirados do tabernáculo eram reservados para os sacerdotes. Mas, em vista das circunstâncias, Davi e seus homens não foram condenados por comer os pães. — Levítico 24:5-9; 1 Samuel 21:1-6.

      No segundo exemplo, Jesus diz: “Não leram na Lei que, nos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e permanecem sem culpa?” Ele quer dizer que até nos sábados os sacerdotes abatem animais para sacrifícios e fazem outros serviços no templo. Então Jesus acrescenta: “Mas eu lhes digo que algo maior do que o templo está aqui.” — Mateus 12:5, 6; Números 28:9.

      Mais uma vez, Jesus cita as Escrituras para deixar claro que estão errados: “Se vocês tivessem entendido o que significa: ‘Quero misericórdia, e não sacrifício’, não teriam condenado os inocentes.” E ele conclui: “Porque o Filho do Homem é Senhor do sábado.” Jesus está se referindo ao futuro reinado pacífico do Reino de mil anos. — Mateus 12:7, 8; Oseias 6:6.

      Há muito tempo a humanidade tem sido escravizada por Satanás e sofre com guerras e violência. Mas durante o reinado de Cristo será diferente! Pois esse reinado será como um grande sábado que trará o descanso que tanto aguardamos e de que precisamos.

      • De que os fariseus acusam os discípulos de Jesus, e por quê?

      • Como Jesus prova que os fariseus estão errados?

      • De que modo Jesus é o “Senhor do sábado”?

  • O que é permitido fazer no sábado?
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus prestes a curar um homem com a mão atrofiada

      CAPÍTULO 32

      O que é permitido fazer no sábado?

      MATEUS 12:9-14 MARCOS 3:1-6 LUCAS 6:6-11

      • JESUS CURA UMA MÃO ATROFIADA NO SÁBADO

      Em outro sábado, Jesus visita uma sinagoga, provavelmente na Galileia. Ali ele encontra um homem com a mão direita atrofiada. (Lucas 6:6) Os escribas e os fariseus ficam observando Jesus. Por quê? Eles deixam claro qual é o verdadeiro motivo, quando perguntam: “É permitido curar no sábado?” — Mateus 12:10.

      Os líderes religiosos judeus acreditam que é permitido tratar um doente no sábado apenas se a vida estiver em perigo. Então, por exemplo, no sábado não é permitido colocar um osso no lugar ou enfaixar uma lesão, pois isso não apresenta risco de vida. Os escribas e os fariseus não estão questionando Jesus por estarem sinceramente preocupados com o sofrimento desse pobre homem. Eles estão procurando um motivo para condenar Jesus.

      Mas Jesus conhece o pensamento distorcido deles. Sabe que adotaram um conceito rigoroso, que não é baseado nas Escrituras, sobre o que significa violar a lei por trabalhar no sábado. (Êxodo 20:8-10) Jesus já foi alvo de críticas injustas por causa de suas boas obras. Agora ele faz algo que resulta num confronto dramático. Diz ao homem com a mão atrofiada: “Levante-se e venha para o centro [da sinagoga].” — Marcos 3:3.

      Virando-se para os escribas e os fariseus, Jesus diz: “Se um de vocês tiver uma ovelha, e essa ovelha cair num buraco no sábado, será que não vai agarrá-la e tirá-la dali?” (Mateus 12:11) Uma ovelha representa um investimento financeiro, assim eles não a deixariam no buraco até o dia seguinte. Pois ela poderia morrer, e isso lhes causaria prejuízo. Além disso, as Escrituras dizem: “O justo cuida dos seus animais domésticos.” — Provérbios 12:10.

      Traçando um claro paralelo, Jesus continua: “Quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Por isso, é permitido fazer algo bom no sábado.” (Mateus 12:12) Portanto, Jesus não violaria a lei do sábado por curar o homem. Os líderes religiosos não podem contradizer esse raciocínio lógico e compassivo, por isso apenas ficam calados.

      Indignado e, ao mesmo tempo, triste por causa da forma errada de eles pensarem, Jesus olha em volta. Então diz ao homem: “Estenda a mão.” (Mateus 12:13) Assim que o homem estende a mão atrofiada, ela é curada. O homem fica muito feliz, mas como reagem os que estão tentando apanhar Jesus?

      Líderes religiosos judeus conspiram para matar Jesus

      Em vez de ficarem felizes porque a mão do homem foi curada, os fariseus saem e conspiram imediatamente “com os partidários de Herodes contra Jesus, para matá-lo”. (Marcos 3:6) Pelo visto, esse partido político inclui membros do grupo religioso chamado saduceus. Normalmente, os saduceus e os fariseus são inimigos, mas agora estão bem unidos para se opor a Jesus.

      • O que Jesus faz que resulta num confronto entre ele e os líderes religiosos judeus?

      • Qual é o conceito errado dos líderes religiosos judeus sobre a lei do sábado?

      • Como Jesus sabiamente expõe conceitos errados sobre o sábado?

  • O cumprimento da profecia de Isaías
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus ensina uma multidão de um barco

      CAPÍTULO 33

      O cumprimento da profecia de Isaías

      MATEUS 12:15-21 MARCOS 3:7-12

      • JESUS É RODEADO POR MULTIDÕES

      • ELE CUMPRE A PROFECIA DE ISAÍAS

      Quando fica sabendo que os fariseus e os que seguem Herodes planejam matá-lo, Jesus e seus discípulos saem dali e vão para o mar da Galileia. Multidões de todas as partes vão até ele — da Galileia, das cidades litorâneas de Tiro e Sídon, do lado leste do rio Jordão, de Jerusalém e da Idumeia, ao sul. Jesus cura muitas pessoas. Por isso, os que têm doenças graves tentam chegar perto dele para que ele os toque. Mas não conseguem esperar, então ansiosamente se esticam para tocá-lo. — Marcos 3:9, 10.

      São tantas pessoas que Jesus diz aos discípulos que preparem um pequeno barco para que ele possa se afastar da margem e da multidão que o rodeia. Assim, ele pode ensiná-las do barco ou ir até outro lugar para ajudar mais pessoas.

      O discípulo Mateus relata que as atividades de Jesus cumprem “as palavras de Isaías, o profeta”. (Mateus 12:17) Qual profecia Jesus cumpre?

      “Vejam o meu servo a quem escolhi, meu amado, a quem aprovo! Porei sobre ele o meu espírito, e ele esclarecerá às nações o que é justiça. Não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas ruas principais. Não esmagará nenhuma cana machucada, nem apagará um pavio que ainda estiver fumegando, até trazer a justiça com êxito. Realmente, em seu nome as nações esperarão.” — Mateus 12:18-21; Isaías 42:1-4.

      Sem dúvida, Jesus é o amado servo a quem Deus aprova. Jesus esclarece o que é a verdadeira justiça, que está sendo ocultada por falsas tradições religiosas. Visto que os fariseus aplicam a Lei de Deus do seu próprio modo, agem de modo injusto e nem mesmo vão até uma pessoa doente no sábado para ajudá-la. Ao explicar claramente o que é a justiça de Deus e provar que o espírito de Deus está sobre ele, Jesus livra as pessoas do fardo de tradições injustas. É por isso que os líderes religiosos querem matá-lo. Que atitude lamentável!

      E o que significa “não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas ruas principais”? Quando cura as pessoas, Jesus não permite que nem elas nem os demônios ‘digam a outros quem ele é’. (Marcos 3:12) Ele não quer que divulguem pelas ruas o que ele faz nem que espalhem notícias distorcidas sobre ele.

      Jesus também leva sua mensagem consoladora aos que são como uma cana quebrada, que foi dobrada ao meio e está caída. Esses são como um pavio que ainda está fumegando, prestes a se apagar. Jesus não quebra a cana machucada nem deixa o pavio que ainda solta fumaça se apagar. Pelo contrário, ele reanima os mansos com muito amor e ternura. Com certeza, Jesus é a esperança das nações!

      • Como Jesus esclarece o que é a justiça sem discutir ou gritar nas ruas?

      • Quem é como uma cana quebrada e um pavio que ainda está fumegando? E como Jesus os trata?

  • Jesus escolhe os doze apóstolos
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus sobe até um monte

      CAPÍTULO 34

      Jesus escolhe os doze apóstolos

      MARCOS 3:13-19 LUCAS 6:12-16

      • OS 12 APÓSTOLOS

      Já se passou quase um ano e meio desde que João Batista apresentou Jesus como o Cordeiro de Deus. Quando Jesus começou seu ministério, alguns homens sinceros se tornaram seus discípulos, como André, Simão Pedro, João, talvez Tiago (irmão de João), Filipe e Bartolomeu (também chamado Natanael). Com o tempo, muitos outros se juntaram a eles para seguir a Cristo. — João 1:45-47.

      Agora Jesus está pronto para escolher seus apóstolos. Esses trabalharão bem de perto com ele, recebendo um treinamento especial. Mas, antes de escolhê-los, Jesus sobe até um monte, talvez perto do mar da Galileia, próximo de Cafarnaum. Ele passa uma noite toda orando, pedindo sabedoria e a bênção de Deus. No dia seguinte, ele chama seus discípulos e escolhe 12 deles como seus apóstolos.

      Jesus escolhe os seis já mencionados, bem como Mateus, que estava na coletoria quando foi chamado. Os outros cinco escolhidos são Judas (também chamado Tadeu e “filho de Tiago”), Simão, o Cananita, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, e Judas Iscariotes. — Mateus 10:2-4; Lucas 6:16.

      Jesus ora antes de escolher seus 12 apóstolos

      Esses 12 já viajaram com Jesus, e ele os conhece bem. Alguns são seus parentes. Pelo visto, os irmãos Tiago e João são primos de primeiro grau de Jesus. Alguns acreditam que Alfeu é irmão de José, o pai adotivo de Jesus. Então pode ser que o apóstolo Tiago, filho de Alfeu, seja primo de Jesus.

      É claro que Jesus não tem nenhuma dificuldade para lembrar os nomes dos seus apóstolos. Mas será que você consegue lembrá-los? Uma ajuda é lembrar que há dois apóstolos chamados Simão, dois chamados Tiago, e dois Judas. Simão (Pedro) tem um irmão, André; e Tiago (filho de Zebedeu) tem um irmão, João. Assim você conseguirá lembrar os nomes de oito apóstolos. Mas ainda faltam quatro, que são: um cobrador de impostos (Mateus), um que mais tarde duvidou (Tomé), um chamado de debaixo de uma árvore (Natanael) e o amigo de Natanael (Filipe).

      Onze dos apóstolos são da Galileia, terra onde Jesus morava. Natanael é de Caná. Filipe, Pedro e André são naturais de Betsaida. Depois Pedro e André mudaram para Cafarnaum, onde pelo visto Mateus morou. Tiago e João também moram em Cafarnaum, ou perto dali, e lá eles tinham um negócio de pesca. Parece que Judas Iscariotes, que mais tarde traiu Jesus, é o único apóstolo da Judeia.

      • Que escolha importante Jesus faz depois de passar uma noite toda orando?

      • Quais são os nomes dos apóstolos de Jesus? E como você pode se lembrar dos nomes deles?

  • O famoso Sermão do Monte
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus faz o Sermão do Monte para seus apóstolos e discípulos

      CAPÍTULO 35

      O famoso Sermão do Monte

      MATEUS 5:1–7:29 LUCAS 6:17-49

      • SERMÃO DO MONTE

      Jesus deve estar cansado depois de passar a noite toda orando e de escolher 12 discípulos para serem seus apóstolos. Já amanheceu, mas ele ainda tem energia e disposição para ajudar as pessoas. Ele está na encosta de um monte na Galileia, talvez não muito longe de Cafarnaum, onde se concentram suas atividades.

      Multidões de partes distantes vão até ele. Alguns vêm de Jerusalém e de lugares da Judeia, ao sul. Outros vêm de cidades litorâneas de Tiro e Sídon, ao noroeste. Por que procuram Jesus? “Para ouvi-lo e para ser curados das suas doenças.” E Jesus ‘cura a todos eles’. Imagine isso! Jesus também ajuda “os afligidos por espíritos impuros”, pessoas que são atormentadas por demônios perversos de Satanás. — Lucas 6:17-19.

      Jesus acha um lugar plano na encosta do monte, e a multidão se ajunta em volta dele. Provavelmente seus discípulos, em especial os 12 apóstolos, estão mais perto dele. Todos estão ansiosos para ouvir esse instrutor que pode realizar obras poderosas. Jesus faz um sermão que com certeza beneficia seus ouvintes. Desde então, um incontável número de pessoas tem se beneficiado dele. Nós também podemos nos beneficiar dos profundos assuntos espirituais desse sermão, que são apresentados de forma simples e clara. Jesus usa experiências do dia a dia e coisas com que as pessoas estão familiarizadas. Assim, todos os que procuram ter uma vida melhor por fazer o que Deus deseja, entendem o que ele diz. Que aspectos importantes do sermão de Jesus o tornam tão valioso?

      QUEM É REALMENTE FELIZ?

      Todos querem ser felizes. Sabendo disso, Jesus começa descrevendo os que são realmente felizes. Imagine como isso prende a atenção dos seus ouvintes. Mas o que ele diz também os faz pensar.

      Ele começa: “Felizes os que têm consciência de sua necessidade espiritual, porque a eles pertence o Reino dos céus. Felizes os que choram, porque serão consolados. . . . Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. . . . Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque a eles pertence o Reino dos céus. Felizes são vocês quando as pessoas os insultam e perseguem . . . por minha causa. Alegrem-se e fiquem cheios de alegria.” — Mateus 5:3-12.

      Um homem muito triste fica feliz

      O que Jesus quer dizer com a palavra “felizes”? Ele não está se referindo a se sentir contente ou alegre, como alguém que está se divertindo. A verdadeira felicidade é algo mais profundo. Envolve genuíno contentamento, um senso de satisfação e realização na vida.

      Jesus diz que as pessoas que são realmente felizes são as que reconhecem sua necessidade espiritual, ficam tristes por causa de sua condição pecaminosa e vêm a conhecer e a servir a Deus. Mesmo que sejam odiadas ou perseguidas por fazer a vontade de Deus, são felizes, pois sabem que estão agradando a ele e que serão recompensadas com vida eterna.

      Muitos acham que a riqueza e os prazeres dão felicidade, mas Jesus não diz isso. Fazendo um contraste que deve deixar muitos dos seus ouvintes pensando, ele diz: “Ai de vocês, ricos, pois já receberam todo o seu conforto. Ai de vocês que agora estão saciados, pois passarão fome. Ai de vocês que agora riem, pois lamentarão e chorarão. Ai de vocês, sempre que todos os homens falarem bem de vocês, pois é isso que os antepassados deles fizeram aos falsos profetas.” — Lucas 6:24-26.

      Um grande monte de sal perto do altar do templo de Deus

      Por que alguém deve se lamentar por ter riquezas, se divertir muito e receber elogios? Porque, quando uma pessoa possui essas coisas e dá muito valor a elas, servir a Deus perde a importância, e ela acaba abrindo mão da verdadeira felicidade. Jesus não quer dizer que apenas ser pobre ou passar fome faz alguém feliz. Mas geralmente são os desfavorecidos que reagem aos ensinamentos de Cristo e recebem a bênção da verdadeira felicidade.

      Pensando nos seus discípulos, Jesus diz: “Vocês são o sal da terra.” (Mateus 5:13) É claro que eles não são o sal literal. O sal é um conservante. Uma grande quantidade de sal era mantida junto ao altar no templo de Deus e colocada nas ofertas. O sal também representa a ausência de corrupção. (Levítico 2:13; Ezequiel 43:23, 24) Os discípulos de Jesus são “o sal da terra” no sentido de que a influência deles nas pessoas tem um efeito conservante, ajudando-as a evitar a corrupção moral e espiritual. De fato, sua mensagem pode preservar a vida de todos que reagem a ela.

      Uma lâmpada em cima de um suporte

      Jesus também diz aos discípulos: “Vocês são a luz do mundo.” Uma lâmpada não é colocada debaixo de um cesto, mas em cima de um suporte, onde pode brilhar. Assim, Jesus os incentiva: “Deixem brilhar sua luz perante os homens, para que vejam suas boas obras e deem glória ao seu Pai, que está nos céus.” — Mateus 5:14-16.

      UM PADRÃO ELEVADO PARA OS SEUS SEGUIDORES

      Os líderes religiosos judeus acham que Jesus viola a Lei de Deus e há pouco tempo conspiraram para matá-lo. Por isso, Jesus diz de forma clara: “Não pensem que vim destruir a Lei ou os Profetas. Não vim destruir, mas cumprir.” — Mateus 5:17.

      Jesus tem profundo respeito pela Lei de Deus e incentiva outros a também fazer isso: “Portanto, quem violar o menor desses mandamentos e ensinar outros a fazer o mesmo será chamado menor com relação ao Reino dos céus.” Ele quer dizer que de modo algum essas pessoas entrarão no Reino. E continua: “Mas quem os cumprir e ensinar será chamado grande com relação ao Reino dos céus.” — Mateus 5:19.

      Um homem muito nervoso

      Jesus condena até mesmo atitudes que levam a pessoa a desobedecer à Lei de Deus. Depois de lembrar que a Lei diz “não assassine”, ele acrescenta: “Todo aquele que continuar irado com seu irmão terá de prestar contas ao tribunal de justiça.” (Mateus 5:21, 22) Continuar irado com outra pessoa é algo grave, talvez até leve ao assassinato. Assim, Jesus explica até onde a pessoa deve ir para conseguir a paz: “Então, se você levar a sua dádiva ao altar e ali se lembrar de que o seu irmão tem algo contra você, deixe a sua dádiva ali na frente do altar e vá. Faça primeiro as pazes com o seu irmão, então volte e ofereça a sua dádiva.” — Mateus 5:23, 24.

      Um homem olha para uma mulher bonita

      Outro mandamento da Lei é contra o adultério. Jesus diz: “Vocês ouviram que se disse: ‘Não cometa adultério.’ Mas eu lhes digo que todo aquele que persiste em olhar para uma mulher, a ponto de sentir paixão por ela, já cometeu no coração adultério com ela.” (Mateus 5:27, 28) Jesus não está falando simplesmente de ter um pensamento imoral passageiro. Mas está destacando a seriedade de ‘persistir em olhar’. Continuar olhando para outra pessoa muitas vezes pode despertar fortes sentimentos de paixão. Então, se surge uma oportunidade, isso pode levar ao adultério. Assim, pode ser necessário tomar medidas drásticas para se evitar isso. Jesus diz: “Então, se seu olho direito o faz tropeçar, arranque-o e lance-o para longe de você. . . . Se a sua mão direita o faz tropeçar, corte-a e lance-a para longe de você.” — Mateus 5:29, 30.

      Para salvar a vida, algumas pessoas estão dispostas a amputar um membro muito infeccionado. É por isso que Jesus diz que é mais importante ‘lançar para longe’ qualquer coisa, até mesmo algo tão precioso como um olho ou uma mão, para evitar pensamentos que podem levar a ações imorais. Jesus explica: “É melhor que você perca um dos seus membros do que todo o seu corpo acabar na Geena.” A Geena era um local fora das muralhas de Jerusalém, onde o lixo era queimado, e simboliza a completa destruição.

      Um homem dá um tapa na cara de outro homem

      Jesus também dá conselhos sobre como lidar com pessoas que ofendem e causam o mal a outros. Ele diz: “Não resistam àquele que é mau, mas a quem lhe der uma bofetada na face direita, ofereça também a outra.” (Mateus 5:39) Isso não quer dizer que alguém não pode defender a si mesmo ou à sua família se forem atacados. Jesus fala de uma bofetada, que não é dada para machucar ou matar alguém, mas para insultar. Ele está dizendo que não se deve revidar se alguém tentar provocar uma briga ou discussão, quer por dar uma bofetada quer por usar palavras insultantes.

      O conselho de Jesus está de acordo com a lei de Deus sobre amar o próximo. Então ele diz aos seus ouvintes: “Continuem a amar os seus inimigos e a orar pelos que perseguem vocês.” Ele dá um importante motivo para fazer isso: “Para que vocês mostrem ser filhos de seu Pai, que está nos céus, visto que ele faz o seu sol se levantar sobre os maus e sobre os bons.” — Mateus 5:44, 45.

      Jesus faz um resumo dessa parte do sermão, dizendo: “Portanto, sejam perfeitos, assim como o seu Pai celestial é perfeito.” (Mateus 5:48) Ele não quer dizer que devemos ser completamente perfeitos. Mas, por imitar a Deus, podemos demonstrar amor até mesmo pelos nossos inimigos. Em outras palavras: “Sejam sempre misericordiosos, assim como o seu Pai é misericordioso.” — Lucas 6:36.

      ORAÇÃO E CONFIANÇA EM DEUS

      Jesus continua seu sermão e alerta seus ouvintes: “Tomem cuidado para não praticar sua justiça diante dos homens a fim de ser vistos por eles.” Ele desaprova essa demonstração de falsa piedade, ao dizer: “Quando você der algo a um pobre, não toque a trombeta diante de si, como fazem os hipócritas.” (Mateus 6:1, 2) Assim, é melhor dar algo a alguém em particular.

      Um homem ora de joelhos num quarto com portas fechadas para ter mais privacidade

      Em seguida, Jesus diz: “Quando orarem, não ajam como os hipócritas, pois eles gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas principais, para serem vistos pelos homens.” E acrescenta: “Quando você orar, entre no seu aposento reservado e, depois de fechar a porta, ore a seu Pai, que está em secreto.” (Mateus 6:5, 6) Jesus não desaprova todo tipo de oração feita em público, pois ele mesmo orou dessa maneira. Ele está condenando orações feitas para impressionar os ouvintes e receber elogios.

      Jesus aconselha a multidão: “Quando orar, não diga as mesmas coisas vez após vez, como fazem as pessoas das nações.” (Mateus 6:7) Ele não quer dizer que é errado orar repetidas vezes sobre o mesmo assunto. Mas desaprova o uso de palavras decoradas, repetidas “vez após vez” de modo mecânico. Então ele deixa um modelo de oração que inclui sete pedidos. Os três primeiros estão relacionados ao direito de Deus governar e aos seus propósitos — que seu nome seja santificado, que seu Reino venha e que sua vontade seja feita. Só depois de orar sobre esses assuntos, é que podemos orar por coisas pessoais. Devemos pedir o alimento diário e o perdão de pecados, bem como para não sermos tentados além do que podemos suportar e para ser livrados do inimigo.

      Uma caixa de joias cheia de joias, moedas de ouro e de prata e jarros de ouro

      Quanta importância as coisas materiais devem ter para nós? Jesus alerta a multidão: “Parem de acumular para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam.” Como isso é razoável! Os bens materiais algum dia deixarão de existir, e possuí-los não melhora o conceito de Deus sobre nós. Por isso, Jesus diz: “Acumulem para vocês tesouros no céu.” Podemos fazer isso por colocar o serviço de Deus em primeiro lugar na nossa vida. Ninguém poderá impedir que recebamos a recompensa da vida eterna por termos mantido um bom nome perante Deus. Assim, são verdadeiras as palavras de Jesus: “Onde estiver o seu tesouro, ali estará também o seu coração.” — Mateus 6:19-21.

      Um olho humano

      Para enfatizar esse ponto, Jesus faz uma ilustração: “A lâmpada do corpo é o olho. Então, se o seu olho for focado, todo o seu corpo será luminoso. Mas, se o seu olho for invejoso, todo o seu corpo será escuro.” (Mateus 6:22, 23) Quando o olho figurativo funciona como deveria, ele é como uma lâmpada para o corpo. Mas, para funcionar assim, o olho precisa estar focado em apenas uma coisa. De modo contrário, podemos desenvolver um conceito errado sobre a vida. Se em vez de servir a Deus nos concentrarmos em coisas materiais, ‘todo o nosso corpo será escuro’, possivelmente nos sentiremos atraídos à escuridão, ou seja, às coisas do mundo.

      Então Jesus dá um importante exemplo: “Ninguém pode ser escravo de dois senhores; pois ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vocês não podem ser escravos de Deus e das Riquezas.” — Mateus 6:24.

      Talvez alguns dos que estão ouvindo Jesus fiquem preocupados com o conceito que devem ter sobre as coisas materiais. Assim, ele dá a garantia de que não precisam ficar ansiosos se colocarem o serviço a Deus em primeiro lugar: “Observem atentamente as aves do céu; elas não semeiam nem colhem, nem ajuntam em celeiros, contudo o Pai de vocês, que está nos céus, as alimenta.” — Mateus 6:26.

      E o que dizer dos lírios que crescem ali no monte? Jesus diz que “nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestia como um deles”. O que isso significa? “Se Deus veste assim a vegetação do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vestirá ele ainda mais a vocês?” (Mateus 6:29, 30) Jesus os aconselha sabiamente: “Nunca fiquem ansiosos, dizendo: ‘O que vamos comer?’ ou: ‘O que vamos beber?’ ou: ‘O que vamos vestir?’ . . . O seu Pai celestial sabe que vocês necessitam de todas essas coisas. Persistam, então, em buscar primeiro o Reino e a justiça de Deus, e todas essas outras coisas lhes serão acrescentadas.” — Mateus 6:31-33.

      COMO ALCANÇAR A VIDA

      Os apóstolos e outras pessoas sinceras querem viver de um modo que agrada a Deus, mas isso não é fácil em vista das suas circunstâncias. Por exemplo, muitos fariseus são críticos, pois julgam outros de modo severo. Por isso, Jesus adverte seus ouvintes: “Parem de julgar, para que não sejam julgados; pois, com o julgamento com que julgam, vocês serão julgados.” — Mateus 7:1, 2.

      É perigoso imitar os fariseus que são excessivamente críticos, como Jesus ilustra: “Será que um cego pode guiar outro cego? Não cairão ambos num buraco?” Então como os ouvintes de Jesus devem encarar os outros? Não de modo crítico, pois seria um pecado grave. Ele diz: “Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco que está no seu olho’, enquanto você mesmo não vê a trave que está no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu próprio olho e depois verá claramente como tirar o cisco que está no olho do seu irmão.” — Lucas 6:39-42.

      Uma mão cheia de pérolas; porcos em segundo plano

      Isso não significa que os discípulos nunca devem julgar uma pessoa. Jesus os aconselha: “Não deem aos cães o que é santo, nem lancem suas pérolas diante dos porcos.” (Mateus 7:6) As verdades da Palavra de Deus são preciosas como pérolas figurativas. Se alguns agem como animais e não mostram apreço por essas verdades preciosas, os discípulos devem se afastar deles e procurar os que são receptivos.

      Um homem dá um pedaço de pão para seu filho

      Jesus volta ao assunto da oração e enfatiza a necessidade de persistir em orar: “Persistam em pedir, e lhes será dado.” Deus está disposto a responder às orações, conforme Jesus destaca: “Quem de vocês, se o seu filho lhe pedir pão, lhe entregará uma pedra? . . . Portanto, se vocês, embora maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o seu Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem!” — Mateus 7:7-11.

      Jesus estabelece então o que se torna uma conhecida regra de conduta: “Portanto, todas as coisas que querem que os homens façam a vocês, façam também a eles.” Todos nós devemos obedecer de coração a esse conselho positivo e aplicá-lo em nossos relacionamentos com outros. Mas isso pode ser desafiador, como mostra a instrução de Jesus: “Entrem pelo portão estreito, porque largo é o portão e espaçosa é a estrada que conduz à destruição, e muitos entram por ele; ao passo que estreito é o portão e apertada a estrada que conduz à vida, e poucos a acham.” — Mateus 7:12-14.

      Um lobo em pele de ovelha

      Visto que alguns estão tentando desviar os discípulos do caminho que leva à vida, Jesus aconselha: “Tomem cuidado com os falsos profetas, que se chegam a vocês em pele de ovelha, mas que por dentro são lobos vorazes.” (Mateus 7:15) Jesus observa que tanto árvores boas como árvores ruins são reconhecidas pelos seus frutos. O mesmo acontece com as pessoas. Então podemos reconhecer os falsos profetas pelos seus ensinamentos e pelas suas ações. Jesus explica que não é apenas o que uma pessoa diz que faz dela seu discípulo, mas também o que ela faz. Alguns afirmam que Jesus é seu Senhor, mas será que isso é possível se não estão fazendo a vontade de Deus? Jesus diz: ‘Eu lhes declararei: “Nunca os conheci! Afastem-se de mim, vocês que fazem o que é contra a lei!”’ — Mateus 7:23.

      Ao concluir seu sermão, Jesus diz: “Todo aquele que ouve essas minhas palavras e as pratica será como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. E caiu a chuva, vieram as inundações, e os ventos sopraram com força contra aquela casa, mas ela não desmoronou, pois tinha sido fundada sobre a rocha.” (Mateus 7:24, 25) Por que a casa ficou em pé? Porque o homem “cavou bem fundo e lançou o alicerce sobre a rocha”. (Lucas 6:48) Portanto, fica claro que não basta ouvir as palavras de Jesus, também devemos nos esforçar para ‘praticá-las’.

      Então, o que dizer de quem ‘ouve essas palavras’, mas “não as pratica”? Esse é “como um homem tolo, que construiu sua casa sobre a areia”. (Mateus 7:26) A chuva, as enchentes e os ventos podem fazer a casa desmoronar.

      As multidões ficam admiradas com o modo de Jesus ensinar nesse sermão. Ele faz isso como quem tem autoridade, não como os líderes religiosos. Provavelmente, muitos que o ouvem se tornam seus discípulos.

      USO DE REPETIÇÃO AO ENSINAR

      Jesus de braços abertos

      Houve ocasiões em que Jesus repetiu ensinamentos essenciais. Por exemplo, no Sermão do Monte, ele ensinou seus ouvintes a orar e os ajudou a ter um conceito correto sobre as coisas materiais. — Mateus 6:9-13, 25-34.

      Cerca de um ano e meio depois, Jesus voltou a ensinar essas coisas. (Lucas 11:1-4; 12:22-31) Essa repetição beneficiou os que não estavam presentes na primeira ocasião e ajudou seus discípulos a gravar na mente os pontos principais.

      • Onde Jesus faz seu sermão mais conhecido, e quem está presente?

      • O que torna o sermão de Jesus tão valioso?

      • Quem é realmente feliz, e por quê?

      • Em contraste com os que são realmente felizes, quem se lamenta e por quê?

      • Em que sentido os discípulos de Jesus são “o sal da terra” e “a luz do mundo”?

      • Explique como Jesus mostra profundo respeito pela Lei de Deus.

      • Que instruções Jesus dá para evitar pensamentos que podem levar ao assassinato e ao adultério?

      • O que Jesus quer dizer com dar a outra face para alguém?

      • Como podemos ser perfeitos assim como Deus é perfeito?

      • Que instruções Jesus dá sobre a oração?

      • Por que os tesouros no céu são superiores, e como se consegue obtê-los?

      • Por que os discípulos de Jesus não precisam ficar ansiosos?

      • O que Jesus diz sobre julgar os outros? Mas por que às vezes precisamos fazer alguns julgamentos?

      • O que mais Jesus diz sobre a oração? E que regra de conduta ele estabelece?

      • Como Jesus mostra que não é fácil ser seu discípulo e que existe o perigo de ser desviado?

  • A grande fé de um centurião
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um centurião olha para seu servo doente; em segundo plano, anciãos judeus falam com Jesus

      CAPÍTULO 36

      A grande fé de um centurião

      MATEUS 8:5-13 LUCAS 7:1-10

      • UM ESCRAVO DE UM OFICIAL DO EXÉRCITO É CURADO

      • OS QUE TÊM FÉ SERÃO ABENÇOADOS

      Anciãos judeus falam com Jesus

      Depois do Sermão do Monte, Jesus vai para a cidade de Cafarnaum. Ali alguns anciãos judeus se aproximam dele. Eles foram enviados por um homem de outra formação, que é um oficial do exército romano, um centurião.

      O servo desse oficial, de quem ele gosta muito, está doente e prestes a morrer. Embora seja um gentio, o centurião está procurando a ajuda de Jesus. Os judeus dizem a Jesus que o servo do homem “está de cama em casa, com paralisia, e está sofrendo terrivelmente”, talvez com muitas dores. (Mateus 8:6) Os anciãos judeus afirmam a Jesus que o centurião merece ajuda e explicam: “[Ele] ama a nossa nação e . . . construiu nossa sinagoga.” — Lucas 7:4, 5.

      Quando Jesus se aproxima da casa do centurião, ele é recebido pelos amigos do oficial

      Então Jesus vai com os anciãos para a casa do oficial do exército. Quando se aproximam da casa, o oficial envia amigos para lhe dizer: “Senhor, não se incomode, pois não sou digno de recebê-lo debaixo do meu teto. É por isso que não me considerei digno de ir até o senhor.” (Lucas 7:6, 7) Que demonstração de humildade de alguém que está acostumado a dar ordens! Isso mostra como esse homem é diferente dos romanos que tratam os escravos de modo cruel. — Mateus 8:9.

      Sem dúvida, o centurião sabe que os judeus evitam qualquer contato com os não judeus. (Atos 10:28) Talvez pensando nisso, o oficial envia seus amigos, que pedem a Jesus: “Diga a palavra, e meu servo será curado.” — Lucas 7:7.

      Jesus fica admirado de ouvir isso e diz: “Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.” (Lucas 7:9) Ao voltar para a casa do centurião, seus amigos ficam sabendo que o escravo que estava muito doente agora está curado.

      Depois de realizar essa cura, Jesus aproveita a ocasião para confirmar que os não judeus que têm fé serão abençoados. Ele diz: “Muitos virão do leste e do oeste e se recostarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó, no Reino dos céus.” Mas que dizer dos judeus que não demonstram fé? Jesus diz que esses “serão lançados na escuridão lá fora. Ali é que haverá o seu choro e o ranger dos seus dentes”. — Mateus 8:11, 12.

      Portanto, os judeus naturais que não aceitam a oportunidade, oferecida primeiro a eles, de fazer parte do Reino junto com Cristo serão rejeitados. Mas os gentios serão aceitos para se recostar à sua mesa, por assim dizer, “no Reino dos céus”.

      • Por que os judeus fazem um pedido a favor de um gentio oficial do exército?

      • Qual pode ser o motivo de o centurião não convidar Jesus para entrar na sua casa?

      • Que esperança Jesus dá aos gentios?

  • Jesus ressuscita o filho de uma viúva
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus e seus apóstolos se aproximam do cortejo fúnebre do filho de uma viúva

      CAPÍTULO 37

      Jesus ressuscita o filho de uma viúva

      LUCAS 7:11-17

      • UMA RESSURREIÇÃO EM NAIM

      Logo depois de curar o servo de um oficial do exército, Jesus vai para Naim, uma cidade a pouco mais de 30 quilômetros ao sudoeste de Cafarnaum. Ele não está sozinho. Seus discípulos e uma grande multidão viajam com ele. Está quase anoitecendo quando se aproximam de Naim. Ali encontram um grande grupo de judeus em um cortejo fúnebre. O corpo de um jovem está sendo levado para fora da cidade a fim de ser sepultado.

      A pessoa mais triste é a mãe do jovem. Ela é viúva, e agora seu único filho morreu. Quando seu marido morreu, ela ainda tinha seu querido filho. Suas perspectivas para um futuro seguro dependiam dele, assim podemos imaginar como ela era apegada a ele. Agora ele também morreu. Então quem lhe fará companhia e dará apoio?

      Quando vê a mulher, Jesus se sente muito comovido por causa do grande pesar e da tristeza dela. De um modo que inspira confiança, ele diz ternamente a ela: “Pare de chorar.” Então se aproxima e toca no esquife em que o corpo está sendo carregado. (Lucas 7:13, 14) A atitude de Jesus impressiona tanto as pessoas que elas param de andar. É possível que muitos se perguntem: ‘O que ele quer dizer com isso? O que ele vai fazer?’

      Jesus entrega o jovem ressuscitado à mãe; uma multidão olha admirada

      Mas o que dizer dos que estão viajando com Jesus, que já o viram curar milagrosamente muitas pessoas doentes? Pelo visto, eles nunca viram Jesus ressuscitar ninguém. Embora haja relatos de ressurreições que ocorreram no passado distante, será que Jesus pode fazer isso? (1 Reis 17:17-23; 2 Reis 4:32-37) Ele ordena: “Jovem, eu lhe digo: Levante-se!” (Lucas 7:14) E o jovem se levanta e começa a falar. Jesus o entrega à sua mãe que está assustada, mas muito feliz, pois não está mais sozinha.

      Quando as pessoas veem o jovem vivo, louvam a Jeová, o Dador da Vida. Alguns dizem: “Um grande profeta surgiu em nosso meio.” Entendendo o significado do maravilhoso ato de Jesus, outros dizem: “Deus voltou sua atenção para seu povo.” (Lucas 7:16) As notícias sobre esse acontecimento extraordinário se espalham rapidamente pela região e é provável que cheguem até Nazaré, cidade de Jesus, que fica a uns 10 quilômetros de distância. Até mesmo na Judeia, ao sul, ficam sabendo do que ele fez.

      João Batista ainda está preso e quer muito saber das obras que Jesus está realizando. Os discípulos de João lhe falam sobre esses milagres. Qual é a reação dele?

      • O que está acontecendo quando Jesus se aproxima de Naim?

      • Como essa cena afeta Jesus? E o que ele faz a seguir?

      • Como as pessoas reagem ao ver o que Jesus faz?

  • João quer que Jesus diga se é o Messias
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • João Batista na prisão

      CAPÍTULO 38

      João quer que Jesus diga se é o Messias

      MATEUS 11:2-15 LUCAS 7:18-30

      • JOÃO BATISTA PERGUNTA SOBRE O PAPEL DE JESUS

      • JESUS ELOGIA JOÃO

      Já faz quase um ano que João Batista está preso. Mesmo assim, ele fica sabendo das maravilhosas obras de Jesus. Podemos imaginar como João se sente quando seus discípulos lhe contam que Jesus ressuscitou o filho da viúva de Naim. Mas João quer saber do próprio Jesus o que tudo isso significa. Então manda chamar dois dos seus discípulos para que perguntem a Jesus: “O senhor é Aquele Que Vem, ou devemos esperar outro?” — Lucas 7:19.

      João é um homem piedoso, portanto parece estranho que ele pergunte isso. Quando Jesus foi batizado há uns dois anos, ele viu o espírito de Deus descer sobre Jesus e também ouviu a voz de Deus aprovando seu filho. Não temos motivo para pensar que a fé de João está enfraquecendo. Se fosse o caso, Jesus não falaria tão bem de João, assim como está fazendo. Mas, se João não tem dúvida, por que manda perguntar isso a Jesus?

      Provavelmente, João quer apenas que o próprio Jesus confirme que é o Messias. Isso fortaleceria João, que se sente abatido na prisão. Pelo visto, a pergunta de João também tem outro sentido. Ele conhece as profecias bíblicas que dizem que o Ungido de Deus seria rei e libertador. Mas já se passaram alguns meses desde que Jesus foi batizado, e João continua preso. Então João se pergunta se virá outra pessoa, por assim dizer, um sucessor de Jesus, que acabará de cumprir tudo que foi predito que o Messias faria.

      Um homem manco e uma mulher cega se alegram depois de serem curados por Jesus

      Em vez de simplesmente dizer aos discípulos de João, ‘Sim, eu sou Aquele que vem’, Jesus prova que tem o apoio de Deus por curar muitas pessoas de todo tipo de doença. Então ele diz aos discípulos: “Vão, contem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos agora veem, os mancos estão andando, os leprosos estão sendo purificados, os surdos estão ouvindo, os mortos estão sendo levantados e as boas novas estão sendo anunciadas aos pobres.” — Mateus 11:4, 5.

      A pergunta de João pode indicar que ele espera que Jesus faça mais do que já está fazendo e que talvez o livre da prisão. Mas Jesus quer dizer que João não deve esperar mais milagres do que os que ele já está realizando.

      Quando os discípulos de João vão embora, Jesus deixa claro à multidão que João é mais do que um profeta. Ele é “o mensageiro” de Jeová, conforme a profecia de Malaquias 3:1. E, como predito em Malaquias 4:5, 6, também é o profeta Elias. Jesus explica: “Digo-lhes a verdade: Entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João Batista; mas aquele que é menor no Reino dos céus é maior do que ele.” — Mateus 11:11.

      Por dizer que o menor no Reino dos céus é maior do que João, Jesus mostra que João não estará no Reino celestial. Apesar de preparar o caminho para Jesus, João morre antes de Cristo abrir o caminho para o céu. (Hebreus 10:19, 20) Assim, João é um fiel profeta de Deus e será súdito terrestre do Reino de Deus.

      • Por que João pergunta se Jesus é “Aquele Que Vem” ou se viria outra pessoa?

      • Segundo Jesus, que profecias João Batista cumpre?

      • Por que João Batista não estará no céu com Jesus?

  • Jesus condena uma geração indiferente
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um menino toca flauta, mas as outras crianças se recusam a dançar

      CAPÍTULO 39

      Jesus condena uma geração indiferente

      MATEUS 11:16-30 LUCAS 7:31-35

      • JESUS CENSURA ALGUMAS CIDADES

      • ELE DÁ ALÍVIO E REVIGORAMENTO

      Jesus respeita muito João Batista, mas qual é o conceito das pessoas sobre João? “Esta geração”, diz Jesus, “é semelhante a crianças sentadas nas praças, que gritam para seus colegas: ‘Nós tocamos flauta para vocês, mas vocês não dançaram; nós lamentamos, mas vocês não bateram no peito de pesar.’” — Mateus 11:16, 17.

      O que Jesus quer dizer com isso? Ele explica: “João veio sem comer e sem beber, mas as pessoas dizem: ‘Ele tem demônio.’ O Filho do Homem veio comendo e bebendo, mas elas dizem: ‘Vejam! Um homem glutão e dado a beber vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores.’” (Mateus 11:18, 19) João leva uma vida simples como nazireu e não bebe vinho. Mas essa geração diz que ele é endemoninhado. (Números 6:2, 3; Lucas 1:15) Por outro lado, Jesus vive como uma pessoa comum. Tem equilíbrio ao comer e beber, mas é acusado de excessos. Parece que é impossível agradar as pessoas.

      Jesus compara essa geração a crianças sentadas nas praças, que se recusam a dançar quando outras crianças tocam flauta ou a ficar tristes quando outras choram. Ele diz: “No entanto, a sabedoria se prova justa pelas suas obras.” (Mateus 11:16, 19) Portanto, essas “obras”, isto é, as ações de João e de Jesus, provam que as acusações contra eles são falsas.

      Depois de dizer que essa geração é indiferente, Jesus censura as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, onde realizou obras poderosas. Ele diz que, se realizasse essas obras nas cidades fenícias de Tiro e Sídon, elas se arrependeriam. Mas em Cafarnaum, que tem sido a base das suas atividades já por algum tempo, a maioria das pessoas é indiferente. Jesus diz o seguinte sobre essa cidade: “No Dia do Julgamento será mais suportável para a terra de Sodoma do que para você.” — Mateus 11:24.

      Então Jesus louva seu Pai, que oculta preciosas verdades espirituais “dos sábios e dos intelectuais”, mas as revela aos humildes, que são como pequeninos. (Mateus 11:25) Ele lhes faz um caloroso convite: “Venham a mim, todos vocês que estão trabalhando duro e estão sobrecarregados, e eu os reanimarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou de temperamento brando e humilde de coração, e acharão revigoramento para si mesmos. Pois o meu jugo é suave e a minha carga é leve.” — Mateus 11:28-30.

      Como Jesus dá revigoramento? Os líderes religiosos sobrecarregam as pessoas com tradições opressivas como, por exemplo, regulamentos sabáticos muito rígidos. Mas Jesus as revigora por ensinar a verdade de Deus, que está livre dessas tradições corrompidas. Ele também mostra como os que se sentem esmagados pelas autoridades políticas e sobrecarregados por causa do pecado podem obter alívio. Jesus lhes ensina como seus pecados podem ser perdoados e como eles podem estar em paz com Deus.

      Todos os que aceitam o jugo suave de Jesus podem se dedicar a Deus e servir nosso compassivo e misericordioso Pai celestial. Fazer isso não envolve levar um fardo pesado, pois os requisitos de Deus de modo algum são pesados. — 1 João 5:3.

      • Em que sentido as pessoas da geração de Jesus são como crianças?

      • O que motiva Jesus a louvar seu Pai celestial?

      • De que maneiras muitos são sobrecarregados, mas que alívio Jesus oferece?

  • Uma lição sobre perdoar
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Uma mulher se ajoelha aos pés de Jesus enquanto ele se reclina à mesa

      CAPÍTULO 40

      Uma lição sobre perdoar

      LUCAS 7:36-50

      • UMA MULHER PECADORA DERRAMA ÓLEO NOS PÉS DE JESUS

      • ILUSTRAÇÃO SOBRE DÍVIDAS PARA EXPLICAR O PERDÃO

      As pessoas reagem de modo diferente ao que Jesus diz e faz, dependendo da condição do coração delas. E isso fica claro numa casa na Galileia. Um fariseu chamado Simão convida Jesus para tomar uma refeição, talvez para conhecer melhor aquele que realiza obras impressionantes. Percebendo que isso pode ser uma oportunidade para ensinar os que estarão presentes, Jesus aceita o convite, assim como aceitou comer com cobradores de impostos e pecadores em outras ocasiões.

      Mas Jesus não recebe a cordial atenção que geralmente é dada aos convidados. Nas estradas poeirentas da Palestina, quem calçasse sandálias ficava com os pés quentes e sujos. Assim, era costume demonstrar hospitalidade por lavar os pés do convidado com água fresca e lhe dar um beijo de boas-vindas. No entanto, Jesus não recebe essa atenção. Também se costuma derramar óleo no cabelo de um convidado para demonstrar bondade e hospitalidade, mas não fazem isso com Jesus. Então será que ele é bem recebido?

      A refeição começa, e os convidados estão recostados à mesa. Enquanto comem, uma mulher que não foi convidada entra na sala discretamente. Ela é “conhecida na cidade como pecadora”. (Lucas 7:37) Todos os humanos imperfeitos são pecadores, mas parece que essa mulher leva uma vida imoral, talvez como prostituta. Pode ser que ela ouviu falar sobre os ensinamentos de Jesus, inclusive sobre seu convite para que ‘todos que estão sobrecarregados venham até ele para ser reanimados’. (Mateus 11:28, 29) É provável que as palavras e as obras de Jesus a motivaram a procurá-lo.

      Ela chega por trás de Jesus na mesa e se ajoelha aos seus pés. Suas lágrimas caem sobre os pés dele, e ela os enxuga com o próprio cabelo. Então beija ternamente os seus pés e derrama neles um pouco do óleo perfumado que trouxe. Simão observa com desaprovação e diz a si mesmo: “Se este homem realmente fosse um profeta, saberia quem o está tocando e que tipo de mulher ela é, que ela é pecadora.” — Lucas 7:39.

      Um devedor agradece ao credor enquanto outro devedor vai embora

      Percebendo o que Simão está pensando, Jesus diz: “Simão, tenho algo para lhe dizer.” Ele responde: “Diga, Instrutor!” Jesus continua: “Dois homens eram devedores de certo credor: um devia 500 denários, mas o outro 50. Como não tinham nada com que lhe pagar, ele perdoou liberalmente a ambos. Portanto, qual deles o amará mais?” Talvez com indiferença, Simão responde: “Suponho que seja aquele a quem ele perdoou mais.” — Lucas 7:40-43.

      Jesus concorda, então diz a Simão: “Está vendo esta mulher? Entrei na sua casa e você não me deu água para os pés. Mas esta mulher molhou os meus pés com as suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Você não me deu nenhum beijo, mas esta mulher, desde a hora em que entrei, não parou de beijar ternamente os meus pés. Você não derramou óleo na minha cabeça, mas esta mulher derramou óleo perfumado nos meus pés.” Jesus percebe que a mulher está sinceramente arrependida de sua vida imoral. Assim, ele conclui: “Os pecados dela, embora sejam muitos, estão perdoados, porque ela amou muito. Mas aquele a quem se perdoa pouco, ama pouco.” — Lucas 7:44-47.

      Jesus não está justificando a imoralidade. Está mostrando que a compaixão faz com que ele entenda os que cometem pecados graves, mas que demonstram que estão arrependidos e vão até Cristo em busca de alívio. E a mulher fica aliviada quando Jesus diz: “Seus pecados estão perdoados. . . . Sua fé salvou você. Vá em paz.” — Lucas 7:48, 50.

      • Como Jesus é recebido por Simão?

      • Por que uma mulher da Galileia procura Jesus?

      • Que ilustração Jesus usa, e que aplicação ele faz?

  • Pelo poder de quem Jesus realiza milagres?
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Uma multidão se reúne se reúne em volta da casa onde Jesus está

      CAPÍTULO 41

      Pelo poder de quem Jesus realiza milagres?

      MATEUS 12:22-32 MARCOS 3:19-30 LUCAS 8:1-3

      • JESUS INICIA SUA SEGUNDA VIAGEM DE PREGAÇÃO

      • ELE EXPULSA DEMÔNIOS

      • ELE ALERTA CONTRA O PECADO IMPERDOÁVEL

      Logo depois de falar na casa do fariseu Simão sobre perdoar, Jesus começa outra viagem de pregação pela Galileia. É o segundo ano do seu ministério, e ele não está viajando sozinho. Os 12 apóstolos o acompanham, bem como algumas mulheres que foram “curadas de espíritos maus e de doenças”. (Lucas 8:2) Entre elas estão Maria Madalena, Susana e Joana, cujo marido é um oficial do rei Herodes Antipas.

      Quanto mais pessoas aprendem sobre Jesus, mais aumentam as controvérsias sobre suas atividades. Isso fica claro quando um homem endemoninhado, que é cego e mudo, é levado até Jesus e curado. Agora o homem não é mais controlado pelo demônio e pode ver e falar. As pessoas estão maravilhadas e dizem: “Será que este não é o Filho de Davi?” — Mateus 12:23.

      A multidão que se ajunta em volta da casa onde Jesus está é tão grande que ele e seus discípulos não conseguem nem tomar uma refeição. Mas nem todos acham que ele é o prometido “Filho de Davi”. Alguns escribas e fariseus vêm até de Jerusalém, mas não para aprender com Jesus ou para apoiá-lo. Eles dizem às pessoas que “ele está com Belzebu” e assim serve o “governante dos demônios”. (Marcos 3:22) Quando ficam sabendo do tumulto, os parentes de Jesus vêm tirá-lo dali. Por quê?

      Até o momento, os irmãos de Jesus não acreditam que ele é o Filho de Deus. (João 7:5) O Jesus que parece estar causando esse alvoroço não se parece com o Jesus que cresceu com eles em Nazaré. Eles chegam à conclusão de que há algo errado com Jesus e dizem: “Ele perdeu o juízo.” — Marcos 3:21.

      Mas será que isso é verdade? Jesus acaba de curar um homem endemoninhado, que agora consegue ver e falar. Ninguém pode negar isso. Assim, os escribas e os fariseus tentam prejudicar a reputação de Jesus com uma acusação falsa. Eles dizem: “Esse homem não expulsa os demônios senão por meio de Belzebu, o governante dos demônios.” — Mateus 12:24.

      Jesus tenta raciocinar com os escribas e fariseus e alguns que viajam com ele observam

      Visto que Jesus sabe o que os escribas e os fariseus estão pensando, ele declara: “Todo reino dividido contra si mesmo cai em ruína, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não ficará de pé. Do mesmo modo, se Satanás expulsa a Satanás, ele ficou dividido contra si mesmo. Então, como o seu reino ficará de pé?” — Mateus 12:25, 26.

      Não há como questionar o que Jesus diz. Os fariseus sabem que alguns judeus também expulsam demônios. (Atos 19:13) Assim, ele lhes pergunta: “Se eu expulso os demônios por meio de Belzebu, por meio de quem seus filhos os expulsam?” Em outras palavras, a acusação que fazem contra Jesus se aplica a eles mesmos. Ele continua o raciocínio: “Mas, se é por meio do espírito de Deus que eu expulso os demônios, o Reino de Deus realmente alcançou vocês.” — Mateus 12:27, 28.

      Para deixar claro que tem poder sobre Satanás quando expulsa demônios, Jesus diz: “Como pode alguém invadir a casa de um homem forte e se apoderar de seus bens, a menos que primeiro amarre o homem forte? Só então poderá saquear a casa dele. Quem não está do meu lado está contra mim, e quem comigo não ajunta, espalha.” (Mateus 12:29, 30) Com certeza, os escribas e os fariseus estão contra Jesus, provando assim que servem a Satanás. Eles afastam as pessoas do Filho de Deus, que tem o apoio de Jeová.

      Jesus repreende esses servos de Satanás: “Todas as coisas serão perdoadas aos filhos dos homens, não importa que pecados cometam e que blasfêmias digam. No entanto, quem blasfema contra o espírito santo nunca terá perdão, mas é culpado de pecado eterno.” (Marcos 3:28, 29) Pense no que isso significa para os que estão atribuindo a Satanás o que evidentemente é realizado pelo espírito de Deus.

      • Quem acompanha Jesus na sua segunda viagem pela Galileia?

      • Por que os parentes de Jesus tentam tirá-lo de um tumulto?

      • Como os escribas e os fariseus tentam desacreditar os milagres de Jesus? E o que Jesus diz em resposta?

  • Jesus condena os fariseus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • A rainha de Sabá se aproxima do trono do rei Salomão

      CAPÍTULO 42

      Jesus condena os fariseus

      MATEUS 12:33-50 MARCOS 3:31-35 LUCAS 8:19-21

      • JESUS FALA SOBRE “O SINAL DE JONAS”

      • ELE É MAIS ACHEGADO AOS DISCÍPULOS DO QUE À FAMÍLIA

      Por dizer que Jesus não expulsa demônios pelo poder de Deus, os escribas e os fariseus podem estar blasfemando contra o espírito santo. Assim, de que lado vão ficar — de Deus ou de Satanás? Jesus diz: “Se vocês cultivarem uma árvore boa, o fruto será bom; se cultivarem uma árvore ruim, o fruto será ruim. Pois é pelo fruto que se conhece a árvore.” — Mateus 12:33.

      Um galho de árvore com um fruto

      É tolice afirmar que Jesus só consegue expulsar demônios porque serve a Satanás. Conforme Jesus explicou no Sermão do Monte, se o fruto é bom, a árvore é boa, não ruim. Então o que o fruto dos fariseus, suas acusações absurdas contra Jesus, prova? Que eles são ruins. Jesus lhes diz: “Descendência de víboras, como vocês podem falar coisas boas se são maus? Pois a boca fala do que o coração está cheio.” — Mateus 7:16, 17; 12:34.

      Nossas palavras refletem a condição de nosso coração, e é por meio delas que somos julgados. Por isso, Jesus diz: “Eu lhes digo que os homens prestarão contas no Dia do Julgamento por toda declaração sem valor que fizerem; pois pelas suas palavras você será declarado justo e pelas suas palavras será condenado.” — Mateus 12:36, 37.

      Apesar de já ter realizado obras poderosas, os escribas e os fariseus exigem que Jesus faça mais obras: “Instrutor, queremos ver um sinal da sua parte.” Mesmo que eles não tenham visto pessoalmente Jesus realizar milagres, muitas pessoas viram o que ele fez. Assim, Jesus pode dizer aos líderes judeus: “Uma geração má e adúltera persiste em buscar um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal de Jonas, o profeta.” — Mateus 12:38, 39.

      Um peixe grande engole Jonas

      Jesus logo esclarece o que quer dizer: “Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do enorme peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.” Jonas foi engolido por um enorme peixe, mas depois saiu dele como se tivesse sido ressuscitado. Então Jesus prediz que morrerá e será levantado no terceiro dia. Mais tarde, quando isso acontece, os líderes judeus rejeitam “o sinal de Jonas”, recusando-se a se arrepender e mudar de atitude. (Mateus 27:63-66; 28:12-15) Mas os “homens de Nínive” se arrependeram quando Jonas pregou a eles. Assim, esses homens condenarão essa geração. Jesus diz que o exemplo da rainha de Sabá também os condenará. Ela quis ouvir sobre a sabedoria de Salomão e ficou maravilhada. Agora, Jesus diz que “alguém maior do que Salomão está aqui”. — Mateus 12:40-42.

      Jesus compara a condição dessa geração má a um homem de quem saiu um espírito impuro. (Mateus 12:45) Visto que o homem não ocupa a mente com coisas boas, o espírito mau volta com mais sete espíritos, piores do que ele, e então esses possuem o homem. Do mesmo modo, a nação israelita foi purificada e renovada, assim como o homem de quem saiu o espírito impuro. Mas a nação rejeitou os profetas de Deus e acabou se opondo a Jesus, que sem dúvida tem o espírito de Deus. Isso mostra que a situação dessa nação é pior do que era no início.

      Enquanto Jesus está falando, sua mãe e seus irmãos chegam e ficam perto da multidão. Alguns que estão sentados próximo de Jesus dizem: “Sua mãe e seus irmãos estão lá fora, querendo vê-lo.” Então Jesus mostra quanto se sente achegado a seus discípulos, que são como verdadeiros irmãos, irmãs e mães para ele. Apontando para seus discípulos, ele diz: “Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a praticam.” (Lucas 8:20, 21) Assim, ele mostra que, por mais valor que seus laços familiares tenham, seu relacionamento com seus discípulos é ainda mais precioso. Como é animador ter um relacionamento achegado com nossos irmãos espirituais, especialmente quando outros duvidam de nossa motivação ou nos condenam e criticam o que fazemos.

      • Em que sentido os fariseus são como uma árvore ruim?

      • Qual é “o sinal de Jonas”, e depois como esse sinal é rejeitado?

      • De que modo a nação de Israel do primeiro século é comparada ao homem de quem saiu um espírito impuro?

      • Como Jesus demonstra que tem um relacionamento achegado com seus discípulos?

  • Ilustrações sobre o Reino
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • De um barco, Jesus ensina a multidão reunida na margem do mar da Galileia

      CAPÍTULO 43

      Ilustrações sobre o Reino

      MATEUS 13:1-53 MARCOS 4:1-34 LUCAS 8:4-18

      • JESUS USA ILUSTRAÇÕES SOBRE O REINO

      Pelo visto, Jesus está em Cafarnaum quando censura os fariseus. Mais tarde naquele dia, ele sai da casa onde está hospedado e vai para o mar da Galileia, que fica perto dali. Quando as multidões se ajuntam, Jesus entra num barco, se afasta da margem e começa a ensinar as pessoas sobre o Reino dos céus, usando ilustrações, ou parábolas. Seus ouvintes estão familiarizados com muitas das situações e coisas que ele menciona, tornando fácil para eles entenderem vários aspectos do Reino.

      Primeiro, Jesus fala sobre um semeador que está semeando. Algumas sementes caem à beira da estrada, e as aves as comem. Outras caem em solo rochoso, onde não há muita terra. As raízes que nascem não conseguem se aprofundar, e as plantas novas são queimadas pelo sol e murcham. Ainda outras sementes caem entre espinhos, que sufocam as plantas quando começam a crescer. Por último, algumas sementes caem em solo bom e produzem fruto, “esta 100 vezes mais, aquela 60 vezes mais, outra 30 vezes mais”. — Mateus 13:8.

      Em outra ilustração, Jesus compara o Reino a um homem que semeia. Embora o homem “não saiba exatamente como”, as sementes crescem sozinhas, quer ele esteja acordado quer dormindo. (Marcos 4:27) Então produzem cereal, que ele pode colher.

      Depois Jesus conta uma terceira ilustração. Um homem semeia o tipo certo de semente, mas ‘enquanto os homens dormem’, um inimigo semeia joio entre o trigo. Os escravos do homem perguntam se devem arrancar o joio. Ele responde: “Não, pois, ao ajuntarem o joio, poderiam arrancar também o trigo. Deixem ambos crescer juntos até a colheita, e na época da colheita eu direi aos ceifeiros: Ajuntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; depois ajuntem o trigo no meu celeiro.” — Mateus 13:24-30.

      Muitos que estão ouvindo Jesus estão familiarizados com a agricultura. Então ele lhes fala sobre o pequeno grão de mostarda, que pode crescer e virar uma árvore tão grande que as aves podem se abrigar nos seus galhos. A respeito dessa semente, ele diz: “O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem pegou e plantou no seu campo.” (Mateus 13:31) Mas Jesus não está dando uma aula de botânica. Está falando de um crescimento extraordinário, sobre como algo muito pequeno pode crescer ou se espalhar até se tornar muito grande.

      Agora Jesus fala de um processo bem conhecido por seus ouvintes. Ele compara o Reino dos céus ao ‘fermento que uma mulher pega e mistura com três grandes medidas de farinha’. (Mateus 13:33) Embora não dê para ver o fermento, ele penetra em toda a massa. O fermento faz a massa crescer bastante e causa mudanças que não são logo percebidas.

      Depois dessas ilustrações, Jesus dispensa a multidão e volta para a casa onde está hospedado. Logo seus discípulos vão até ele, pois querem entender o que ele quis dizer.

      AS ILUSTRAÇÕES DE JESUS BENEFICIAM OS OUVINTES

      Os discípulos já ouviram ilustrações de Jesus, mas nunca ouviram tantas de uma vez só. Então lhe perguntam: “Por que o senhor lhes fala usando ilustrações?” — Mateus 13:10.

      Um dos motivos é para cumprir uma profecia bíblica. O relato de Mateus declara: “Nada lhes falava sem ilustração, para que se cumprissem as palavras do profeta, que disse: ‘Abrirei a minha boca com ilustrações; proclamarei as coisas escondidas desde a fundação [do mundo].’” — Mateus 13:34, 35, nota; Salmo 78:2.

      Mas há mais um motivo para Jesus usar ilustrações. Elas revelam a verdadeira motivação das pessoas. Muitos estão interessados em Jesus apenas porque ele realiza milagres e tem muita habilidade para contar histórias. Não veem Jesus como alguém a quem devem seguir de modo altruísta e obedecer como Senhor. (Lucas 6:46, 47) Não querem mudar seu ponto de vista nem seu modo de vida. Nem querem que a mensagem penetre tão profundamente neles.

      Em resposta aos discípulos, Jesus diz: “É por isso que falo a eles usando ilustrações; porque olham, mas olham em vão, e ouvem, mas ouvem em vão, e não compreendem. E está se cumprindo no caso deles a profecia de Isaías, que diz: ‘. . . O coração deste povo ficou insensível.’” — Mateus 13:13-15; Isaías 6:9, 10.

      Jesus explica para seus discípulos a ilustração da semente semeada em vários tipos de solo

      Mas isso não se aplica a todos que estão ouvindo Jesus. Ele explica: “Felizes são os olhos de vocês porque veem e os seus ouvidos porque ouvem. Pois, digo-lhes a verdade: Muitos profetas e homens justos desejaram ver as coisas que vocês estão observando, mas não as viram, e ouvir as coisas que vocês estão ouvindo, mas não as ouviram.” — Mateus 13:16, 17.

      Os 12 apóstolos e outros discípulos leais têm coração receptivo. Por isso, Jesus diz: “A vocês é concedido entender os segredos sagrados do Reino dos céus, mas a eles não é concedido.” (Mateus 13:11) Visto que os discípulos têm o desejo sincero de ter mais entendimento, Jesus lhes explica o significado da ilustração do semeador.

      Jesus diz: “A semente é a palavra de Deus.” (Lucas 8:11) E o solo representa o coração. Essas informações são essenciais para se entender o sentido de sua ilustração.

      A respeito da semente semeada à beira da estrada, no solo que é pisoteado, ele diz: “Vem o Diabo e tira do coração deles a palavra, a fim de que não creiam e não sejam salvos.” (Lucas 8:12) Ao falar da semente semeada em solo rochoso, Jesus se refere ao coração das pessoas que recebem a palavra com alegria, mas não cria raiz profunda no coração delas. “Quando surge dificuldade ou perseguição por causa da palavra” elas tropeçam. Quando vem uma “época de prova”, talvez oposição da família ou de outros, elas se desviam. — Mateus 13:21; Lucas 8:13.

      E a semente que cai entre os espinhos? Jesus diz aos discípulos que essa se refere às pessoas que ouvem a palavra, mas ficam sobrecarregadas por causa das “ansiedades deste mundo e o poder enganoso das riquezas”. (Mateus 13:22) A palavra estava no coração delas, mas agora está sufocada e deixa de dar fruto.

      Por último, Jesus fala sobre o solo bom. Esse se refere aos que ouvem a palavra e a aceitam no coração, entendendo o verdadeiro sentido dela. Em resultado, eles “dão fruto”. Por causa de suas circunstâncias, como idade ou saúde, nem todos podem fazer o mesmo. Um produz 100 vezes mais, outro 60 vezes mais, e ainda outro 30 vezes mais. Aqueles que “depois de ouvirem a palavra com um coração sincero e bom, a retêm e dão fruto com perseverança” são os que recebem as bênçãos de servir a Deus. — Lucas 8:15.

      Essas palavras devem impressionar especialmente os discípulos que procuraram Jesus para que ele lhes explicasse seus ensinamentos. Agora eles têm mais do que um entendimento superficial das ilustrações. Jesus quer que entendam suas ilustrações para que também possam transmitir a verdade a outros. Ele pergunta: “Será que se pega uma lâmpada para colocá-la debaixo de um cesto ou debaixo de uma cama? Não é para colocá-la em cima de um suporte?” Assim, Jesus aconselha: “Escute quem tem ouvidos para escutar.” — Marcos 4:21-23.

      ABENÇOADOS COM MAIS ILUSTRAÇÕES

      Depois que Jesus explica a ilustração do semeador aos discípulos, eles querem aprender mais, então pedem: “Explique-nos a ilustração do joio no campo.” — Mateus 13:36.

      Com isso, eles demonstram uma atitude bem diferente do restante da multidão que está na praia. Pelo visto, aquelas pessoas ouvem, mas não querem saber o sentido das ilustrações nem a aplicação delas. Estão satisfeitas com uma explicação básica das ilustrações. Jesus mostra a diferença entre os ouvintes na praia e seus discípulos, que vão até ele e fazem perguntas porque querem aprender mais.

      Ele diz: “Prestem atenção ao que estão ouvindo. A mesma medida com que vocês medem será usada com vocês, e mais lhes será acrescentado.” (Marcos 4:24) Os discípulos estão prestando atenção no que estão ouvindo e estão muito interessados, por isso são abençoados com mais instrução e esclarecimento. Então Jesus responde ao pedido que seus discípulos fazem para que ele explique a ilustração do trigo e do joio.

      Ele diz: “O semeador da boa semente é o Filho do Homem; o campo é o mundo. Quanto à boa semente, são os filhos do Reino, mas o joio são os filhos do Maligno, e o inimigo que o semeou é o Diabo. A colheita é o final de um sistema de coisas, e os ceifeiros são os anjos.” — Mateus 13:37-39.

      Depois de identificar cada parte da ilustração, Jesus descreve o que acontecerá. No final do sistema de coisas, os ceifeiros (os anjos) separarão o joio (os cristãos de imitação) dos verdadeiros “filhos do Reino”. “Os justos” serão ajuntados e brilharão claramente “no Reino do seu Pai”. Mas que dizer dos “filhos do Maligno”? O fim deles será a destruição, e isso causará “o seu choro e o ranger dos seus dentes”. — Mateus 13:41-43.

      Um homem encontra um tesouro escondido no campo
      Um comerciante encontra uma pérola de grande valor

      A seguir, Jesus abençoa seus discípulos por contar mais três ilustrações. Primeiro, ele diz: “O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem achou e escondeu novamente; e, na sua alegria, ele foi, vendeu todas as coisas que tinha e comprou aquele campo.” — Mateus 13:44.

      E ele continua: “O Reino dos céus é semelhante a um comerciante viajante que buscava pérolas de boa qualidade. Ao achar uma pérola de grande valor, foi, vendeu prontamente todas as coisas que tinha e a comprou.” — Mateus 13:45, 46.

      Essas duas ilustrações de Jesus falam sobre alguém que está disposto a fazer sacrifícios para obter algo realmente valioso. O comerciante logo vende ‘todas as coisas que tem’ para comprar uma pérola de grande valor, e os discípulos de Jesus conseguem entender esse exemplo. O homem que encontra um tesouro escondido no campo também vende ‘todas as coisas que tem’ para obtê-lo. As duas ilustrações falam sobre algo valioso. E quem consegue esse tesouro, com certeza o considera muito precioso. Isso pode ser comparado aos sacrifícios que alguém faz para satisfazer suas necessidades espirituais. (Mateus 5:3) Alguns dos que estão ouvindo essas ilustrações já se mostraram dispostos a fazer grandes esforços para satisfazer suas necessidades espirituais e se tornar verdadeiros seguidores de Jesus. — Mateus 4:19, 20; 19:27.

      Por fim, Jesus compara o Reino dos céus a uma rede de arrasto que apanha vários tipos de peixe. (Mateus 13:47) Quando os peixes são separados, os bons são mantidos em recipientes, mas os que não prestam são jogados fora. Jesus diz que acontecerá o mesmo no final do sistema de coisas, os anjos separarão os maus dos justos.

      Um pescador puxa uma rede de arrasto cheia de peixes

      Jesus estava fazendo um tipo de pesca espiritual quando chamou seus primeiros discípulos para serem “pescadores de homens”. (Marcos 1:17) Mas ele diz que a ilustração sobre a rede de arrasto se aplica ao futuro, o “final do sistema de coisas”. (Mateus 13:49) Assim, os apóstolos e outros discípulos que estão ouvindo Jesus percebem que ainda acontecerão coisas muito importantes.

      Os que estavam na praia ouvindo Jesus contando as ilustrações foram ainda mais beneficiados. Ele está disposto a ‘explicar tudo em particular aos seus discípulos’. (Marcos 4:34) Jesus é “semelhante a um homem, dono de uma casa, que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas”. (Mateus 13:52) Ao usar essas ilustrações, ele não está exibindo sua habilidade de instrutor. Em vez disso, está compartilhando com seus discípulos verdades que são como um tesouro precioso. Com certeza, Jesus é um “instrutor público” sem igual.

      • Quando e onde Jesus ensina as multidões usando ilustrações?

      • Quais são as cinco primeiras ilustrações de Jesus?

      • Por que Jesus fala usando ilustrações?

      • Como os discípulos de Jesus mostram que são diferentes das multidões?

      • Como Jesus explica a ilustração do semeador?

      • Na ilustração do trigo e do joio, o que representam o semeador, o campo e a boa semente? E o joio e o inimigo? E a colheita e os ceifeiros?

      • Que outras três ilustrações Jesus conta? E o que podemos aprender delas?

  • Jesus acalma uma tempestade no mar
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus silencia uma tempestade no mar da Galileia

      CAPÍTULO 44

      Jesus acalma uma tempestade no mar

      MATEUS 8:18, 23-27 MARCOS 4:35-41 LUCAS 8:22-25

      • JESUS SILENCIA UMA TEMPESTADE NO MAR DA GALILEIA

      Jesus teve um dia longo e cansativo. Quando anoitece, ele diz aos discípulos: “Passemos para a outra margem”, o lado contrário à região de Cafarnaum. — Marcos 4:35.

      No litoral leste do mar da Galileia fica a região dos gerasenos, também conhecida como Decápolis. As cidades de Decápolis eram um centro de cultura grega, embora muitos judeus também morassem ali.

      Jesus não passa despercebido ao partir de Cafarnaum, pois outros barcos também fazem a travessia do mar. (Marcos 4:36) No entanto, essa viagem não é longa. O mar da Galileia é um grande lago de água doce. Tem uns 21 quilômetros de comprimento e aproximadamente 12 quilômetros de largura, mas não é raso.

      Embora Jesus seja perfeito, é compreensível que ele esteja cansado por causa de seu ministério. Assim, depois que o barco sai, ele se deita na popa do barco, coloca a cabeça num travesseiro e dorme.

      Alguns apóstolos são bons marinheiros, mas não será uma viagem fácil. Há montanhas em volta do mar, e geralmente a superfície do mar da Galileia é morna. Às vezes, o ar frio das montanhas desce rapidamente, encontra-se com a água morna do mar e, de repente, causa violentos vendavais. E logo acontece isso, pois as ondas batem contra o barco, que começa ‘a ficar inundado e em perigo’. (Lucas 8:23) Mesmo assim, Jesus continua dormindo.

      Baseando-se em suas experiências anteriores com tempestades, os marinheiros tentam desesperadamente controlar o barco. Mas dessa vez é diferente. Temendo pela própria vida, acordam Jesus e dizem: “Senhor, salve-nos, pois estamos prestes a morrer!” (Mateus 8:25) Os discípulos estão com medo de morrer afogados.

      Quando Jesus acorda, diz aos apóstolos: “Por que vocês estão com tanto medo, homens de pouca fé?” (Mateus 8:26) Então Jesus ordena ao vento e ao mar: “Silêncio! Cale-se!” (Marcos 4:39) O vento forte para e o mar fica calmo. (Marcos e Lucas relatam esse impressionante acontecimento. Primeiro, enfatizam que Jesus acalma milagrosamente a tempestade, depois mencionam a falta de fé dos discípulos.)

      Imagine o que os discípulos estão sentindo! Eles acabam de ver o mar, numa violenta tempestade, se tornar totalmente calmo. Um medo incomum toma conta deles. Dizem uns aos outros: “Quem é realmente este homem? Até mesmo o vento e o mar lhe obedecem.” E eles conseguem atravessar o mar em segurança. (Marcos 4:41–5:1) Provavelmente os outros barcos que navegavam com eles conseguiram voltar à margem oeste.

      Como é consolador saber que o Filho de Deus pode controlar as forças da natureza! Quando toda a sua atenção se voltar para a Terra durante o seu reinado, todas as pessoas morarão em segurança, pois não haverá mais terríveis catástrofes.

      • O que pode ter causado a violenta tempestade no mar da Galileia?

      • Desesperados, o que os discípulos fazem?

      • Por que esse acontecimento nos consola?

  • Jesus tem poder sobre os demônios
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um homem possuído por demônios se aproxima de Jesus

      CAPÍTULO 45

      Jesus tem poder sobre os demônios

      MATEUS 8:28-34 MARCOS 5:1-20 LUCAS 8:26-39

      • JESUS EXPULSA MUITOS DEMÔNIOS

      • OS DEMÔNIOS ENTRAM NOS PORCOS

      Depois de passarem por uma situação terrível no mar, os discípulos saem do barco e ficam muito chocados com o que acontece. Dois homens muito perigosos, endemoninhados, saem correndo de um cemitério próximo e vão em direção a Jesus. Os Evangelhos descrevem o que acontece com um deles, possivelmente por ser mais violento e estar sob o controle dos demônios há mais tempo.

      O homem nessa situação deplorável anda nu. Noite e dia, ele ‘grita nos túmulos e nos montes, e se corta com pedras’. (Marcos 5:5) Ele é tão feroz que as pessoas têm medo de passar por aquele trecho da estrada. Alguns tentam prendê-lo, mas ele arrebenta as correntes das mãos e dos pés. Ninguém tem força para dominá-lo.

      Quando o homem se aproxima de Jesus e cai aos seus pés, os demônios que o controlam fazem com que ele grite: “O que você quer comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Jure por Deus que não me atormentará.” Jesus mostra que tem autoridade sobre os demônios, ao ordenar: “Saia do homem, espírito impuro!” — Marcos 5:7, 8.

      Na verdade, o homem está possuído por muitos demônios. Jesus pergunta: “Qual é o seu nome?” E a resposta é: “Meu nome é Legião, porque há muitos de nós.” (Marcos 5:9) Uma legião romana é formada por milhares de soldados. Assim, muitos demônios atormentam esse homem, divertindo-se com o sofrimento dele. Eles imploram a Jesus ‘que não os mande para o abismo’. Pelo visto, percebem o que vai acontecer com eles e o seu líder, Satanás. — Lucas 8:31.

      Uma manada de porcos se joga do penhasco, afogando-se no mar

      Pastando ali perto, há uma manada de cerca de 2 mil porcos, animais que são impuros segundo a Lei e que os judeus nem mesmo devem possuir. Os demônios dizem: “Mande-nos para os porcos, para que entremos neles.” (Marcos 5:12) Jesus diz que podem ir, e eles entram nos porcos. Com isso, todos os 2 mil porcos saem correndo e se jogam de um penhasco, afogando-se no mar.

      Quando os que cuidavam dos porcos veem isso, correm para contar na cidade e na zona rural o que aconteceu, e as pessoas vão ver. Ao chegar, elas veem que agora o homem de quem os demônios saíram está bem e agindo normalmente. Até está vestido e sentado aos pés de Jesus!

      Jesus fala para um homem que era endemoninhado ir para casa e contar a seus parentes sobre sua cura

      Os que veem o homem ou ficam sabendo do que aconteceu se assustam por não entender o que isso pode significar para eles. Então pedem que Jesus saia da região. Enquanto Jesus entra no barco, o homem que não está mais endemoninhado implora que o deixe ir junto. Mas Jesus diz a ele: “Vá para casa, para seus parentes, e conte-lhes tudo o que Jeová fez por você e a misericórdia que ele lhe demonstrou.” — Marcos 5:19.

      Normalmente, Jesus orienta os que são curados por ele para que não falem nada a ninguém porque não quer que as pessoas tirem conclusões a seu respeito, baseadas em relatos sensacionalistas. Mas, nesse caso, o homem que não está mais endemoninhado é uma prova do poder de Jesus e pode dar testemunho às pessoas com quem Jesus não pode falar pessoalmente. O que esse homem diz também pode acabar com qualquer comentário negativo sobre a perda de tantos porcos. Por isso, o homem começa a declarar em toda a Decápolis o que Jesus fez por ele.

      • Por que apenas um dos homens endemoninhados é o foco da atenção?

      • O que os demônios sabem a respeito do seu próprio futuro?

      • Por que Jesus pede ao homem que não está mais endemoninhado que fale a outros sobre o que ele fez?

  • Curada por tocar na roupa de Jesus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Uma mulher toca na roupa de Jesus e ele percebe que alguém tocou nele

      CAPÍTULO 46

      Curada por tocar na roupa de Jesus

      MATEUS 9:18-22 MARCOS 5:21-34 LUCAS 8:40-48

      • UMA MULHER É CURADA POR TOCAR NA ROUPA DE JESUS

      As notícias sobre a volta de Jesus da região de Decápolis se espalham entre os judeus que moram no litoral noroeste do mar da Galileia. É provável que muitos tenham ouvido que Jesus acalmou o vento e as águas durante uma tempestade recente. E alguns também devem saber que ele expulsou demônios de dois homens. Por isso, “uma grande multidão” se ajunta à beira do mar, pelo visto na região de Cafarnaum, para receber Jesus. (Marcos 5:21) Quando ele desembarca, as pessoas estão ansiosas e na expectativa.

      Um dos que estão ansiosos para ver Jesus é Jairo, um dos presidentes da sinagoga, talvez de Cafarnaum. Ele se curva aos pés de Jesus e implora muitas vezes: “Minha filhinha está gravemente doente. Por favor, venha e ponha as mãos sobre ela, para que possa ficar boa e viver.” (Marcos 5:23) Como Jesus vai reagir ao sincero apelo de Jairo para que ajude sua única filha? Pois ela tem apenas 12 anos e é muito amada pelo seu pai. — Lucas 8:42.

      A caminho da casa de Jairo, Jesus se depara com outra situação comovente. Muitas pessoas que acompanham Jesus estão empolgadas, na expectativa de vê-lo realizar outro milagre. Mas uma mulher na multidão está preocupada com um grave problema de saúde.

      Essa mulher judia tem um fluxo de sangue há 12 anos. Ela procura a ajuda de um médico após outro e usa todo o seu dinheiro nos tratamentos recomendados, mas nenhum dá certo. Na verdade, seu problema ‘tem ficado pior’. — Marcos 5:26.

      É compreensível que, além de deixá-la fraca, sua doença é constrangedora e humilhante. Geralmente, não se fala em público sobre esse problema. E, de acordo com a Lei mosaica, um fluxo de sangue torna a mulher cerimonialmente impura. Se alguém tocar nela ou em suas roupas manchadas de sangue, precisará se lavar e ficará impuro até o anoitecer. — Levítico 15:25-27.

      Essa mulher ‘ouviu falar de Jesus’, e agora o procura. Por causa da sua impureza, caminha entre a multidão tentando não chamar atenção. Diz a si mesma: “Se eu apenas tocar na sua roupa, ficarei boa.” Quando ela toca na borda da roupa de Jesus, sente que seu fluxo de sangue parou. Ela ‘foi curada daquela doença aflitiva’. — Marcos 5:27-29.

      Então Jesus pergunta: “Quem me tocou?” Como será que a mulher se sente ao ouvir isso? Pedro diz a Jesus, como que o repreendendo: “As multidões rodeiam e apertam o senhor.” Então por que Jesus pergunta quem o tocou? Ele explica: “Alguém me tocou, pois eu sei que saiu poder de mim.” (Lucas 8:45, 46) A cura que Jesus realizou tirou força dele.

      Ao perceber que foi descoberta, a mulher se curva diante de Jesus, tremendo de medo. Ela conta a verdade sobre sua doença na frente de todos e diz que foi curada. Jesus bondosamente a consola: “Filha, a sua fé fez você ficar boa. Vá em paz e fique curada da sua doença aflitiva.” — Marcos 5:34.

      Assim fica claro que Aquele que Deus escolheu para governar a Terra é alguém amoroso e compassivo, que além de se preocupar com as pessoas tem o poder de ajudá-las.

      • Por que as pessoas se ajuntam para receber Jesus quando ele volta à região de Cafarnaum?

      • Que problema de saúde uma mulher tem, e por que ela está procurando a ajuda de Jesus?

      • Como a mulher é curada, e que consolo Jesus lhe dá?

  • Uma menina volta a viver
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus ressuscita a filha de Jairo

      CAPÍTULO 47

      Uma menina volta a viver

      MATEUS 9:18, 23-26 MARCOS 5:22-24, 35-43 LUCAS 8:40-42, 49-56

      • JESUS RESSUSCITA A FILHA DE JAIRO

      Jairo viu que a mulher com o fluxo de sangue foi curada por Jesus. Sem dúvida, Jesus também pode ajudar sua filha, embora ache que ela “já deve estar morta”. (Mateus 9:18) Será que ela ainda pode ser ajudada?

      Enquanto Jesus conversa com a mulher que ele curou, alguns homens chegam da casa de Jairo e dizem: “Sua filha morreu! Por que incomodar mais o Instrutor?” — Marcos 5:35.

      Como ele fica arrasado! Esse homem tão respeitado e influente na comunidade agora não pode fazer nada. Sua única filha morreu. Mas Jesus acaba ouvindo a conversa e, virando-se para Jairo, diz de modo animado: “Não tenha medo, apenas exerça fé.” — Marcos 5:36.

      Pessoas choram ao lado da filha de Jairo morta

      Então Jesus acompanha Jairo até a sua casa. Ao chegarem, encontram todos muito aflitos. As pessoas estão chorando, lamentando e batendo no peito. Jesus entra na casa e faz uma surpreendente declaração: “A menina não morreu; ela está dormindo.” (Marcos 5:39) Quando ouvem isso, as pessoas riem de Jesus, pois sabem que a menina está morta. Mas, usando os poderes que Deus lhe deu, Jesus vai mostrar que é possível as pessoas serem trazidas de volta à vida, assim como podem ser acordadas de um sono profundo.

      Jesus manda que todos saiam da casa, a não ser Pedro, Tiago, João e os pais da menina que está morta. Ele leva esses cinco até onde a menina está deitada. Pegando-a pela mão, ele diz: “‘Talita cumi’, que traduzido significa: ‘Menina, digo-lhe: Levante-se!’” (Marcos 5:41) Imediatamente, ela se levanta e começa a andar. Imagine a grande alegria que Jairo e sua esposa sentem! E, dando mais uma prova de que ela está mesmo viva, Jesus pede que deem algo para ela comer.

      Em ocasiões anteriores, Jesus ordenou que os que ele tinha curado não falassem a ninguém sobre o que ele havia feito, e agora também diz isso aos pais da menina. Mas, visto que estão muito felizes, os pais dela e outras pessoas espalham “por toda aquela região” o que aconteceu. (Mateus 9:26) Se você tivesse visto pessoas que ama ser levantadas dentre os mortos, não ficaria muito empolgado e falaria sobre isso? Esse é o segundo caso registrado de uma ressurreição realizada por Jesus.

      • Que notícia Jairo recebe, e o que Jesus diz para animá-lo?

      • Qual é a situação quando Jesus e Jairo chegam na casa?

      • Por que Jesus diz que a menina está apenas dormindo?

  • Apesar dos milagres, ele é rejeitado em Nazaré
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Quando Jesus sai da casa de Jairo, uma multidão vai atrás dele

      CAPÍTULO 48

      Apesar dos milagres, ele é rejeitado em Nazaré

      MATEUS 9:27-34; 13:54-58 MARCOS 6:1-6

      • JESUS CURA CEGOS E MUDOS

      • AS PESSOAS DE NAZARÉ O REJEITAM

      Jesus está tendo um dia bem ocupado. Depois de voltar da região de Decápolis, ele curou a mulher com o fluxo de sangue e ressuscitou a filha de Jairo. Mas o dia ainda não acabou. Quando Jesus sai da casa de Jairo, dois cegos vão atrás dele, gritando: “Tenha misericórdia de nós, Filho de Davi.” — Mateus 9:27.

      Ao chamar Jesus de “Filho de Davi”, esses homens indicam que acreditam que Jesus é o herdeiro do trono de Davi e, portanto, o Messias. Jesus parece ignorar o pedido deles, talvez para ver se são persistentes, e eles são mesmo. Quando Jesus entra em uma casa, os dois homens vão atrás e também entram. Jesus lhes pergunta: “Vocês têm fé em que eu posso fazer isso?” E eles respondem com confiança: “Sim, Senhor.” Então Jesus toca nos olhos deles e diz: “Que lhes aconteça segundo a sua fé.” — Mateus 9:28, 29.

      E de repente eles começam a enxergar! Jesus pede que não contem a ninguém o que ele fez, assim como já pediu a outros. Mas, como eles estão muito felizes, mais tarde falam sobre ele em toda a parte.

      Enquanto os dois homens estão indo embora, as pessoas trazem um homem que não consegue falar porque está endemoninhado. Jesus expulsa o demônio, e no mesmo instante o homem começa a falar. As multidões ficam maravilhadas e dizem: “Nunca se viu nada igual em Israel.” Mas os fariseus também estão presentes. Eles não podem negar os milagres de Jesus, assim voltam a acusá-lo, dizendo o seguinte sobre quem está por trás do seu poder: “É pelo governante dos demônios que ele expulsa os demônios.” — Mateus 9:33, 34.

      Pouco depois, Jesus volta para Nazaré, sua cidade, agora com seus discípulos. Cerca de um ano antes, ele ensinou na sinagoga dessa cidade. No início, as pessoas ficaram maravilhadas com o que ele disse, mas depois ficaram ofendidas por causa dos seus ensinamentos e tentaram matá-lo. Agora ele tenta ajudar de novo seus anteriores vizinhos.

      No sábado, ele volta à sinagoga para ensinar. Muitos estão maravilhados e perguntam: “Onde este homem obteve essa sabedoria e essa habilidade de realizar obras poderosas? Não é este o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E não estão todas as suas irmãs conosco? Então, onde ele obteve tudo isso?” — Mateus 13:54-56.

      Eles pensam que Jesus é um homem como eles: ‘Nós o vimos crescer, então como ele pode ser o Messias?’ Por isso, apesar de todas as evidências, incluindo a grande sabedoria de Jesus e suas obras poderosas, eles o rejeitam. Visto que os parentes de Jesus o conhecem desde pequeno, também tropeçam por causa disso. Assim, ele diz: “Um profeta não fica sem honra a não ser na sua própria terra e na sua própria casa.” — Mateus 13:57.

      Jesus fica admirado com a falta de fé deles. Por isso, não realiza nenhum milagre ali, “a não ser pôr as mãos sobre alguns doentes e curá-los”. — Marcos 6:5, 6.

      • Ao chamar Jesus de “Filho de Davi”, em que os cegos demonstram que acreditam?

      • Quanto aos milagres de Jesus, sobre o que os fariseus o acusam?

      • Como Jesus é recebido em Nazaré, e por quê?

  • Pregação na Galileia e treinamento dos apóstolos
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus envia seus apóstolos para pregar

      CAPÍTULO 49

      Pregação na Galileia e treinamento dos apóstolos

      MATEUS 9:35–10:15 MARCOS 6:6-11 LUCAS 9:1-5

      • JESUS PREGA NOVAMENTE PELA GALILEIA

      • ELE ENVIA OS APÓSTOLOS PARA PREGAR

      Nos últimos dois anos, Jesus está muito ocupado com a pregação. Será que está na hora de diminuir o ritmo e descansar? Pelo contrário, Jesus intensifica sua atividade por iniciar “uma viagem por todas as cidades e aldeias [da Galileia], ensinando nas sinagogas deles, pregando as boas novas do Reino e curando todo tipo de doenças e todo tipo de enfermidades”. (Mateus 9:35) O que ele vê o convence da necessidade de intensificar a obra. Mas como fará isso?

      Quando viaja, Jesus vê pessoas que precisam ser ajudadas e consoladas em sentido espiritual. Elas são como ovelhas sem pastor, esfoladas e empurradas de um lado para outro. Ele tem pena delas e diz aos seus discípulos: “A colheita, realmente, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a Sua colheita.” — Mateus 9:37, 38.

      Os discípulos de Jesus pregam a mensagem do Reino de casa em casa

      Jesus sabe do que precisam. Ele convoca os 12 apóstolos, divide-os em seis pares de pregadores e dá instruções específicas: “Não se desviem para a estrada das nações e não entrem em cidade samaritana; mas, em vez disso, vão somente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ao irem, preguem, dizendo: ‘O Reino dos céus está próximo.’” — Mateus 10:5-7.

      Eles irão pregar o Reino sobre o qual Jesus falou na oração-modelo. ‘O Reino está próximo’ no sentido de que o Rei designado por Deus, Jesus Cristo, está presente. Mas o que confirmará que seus discípulos realmente representam esse Reino? Jesus lhes dá poder para curar doentes e até mesmo ressuscitar os mortos, e eles não devem cobrar nada. Então como os apóstolos irão cuidar das próprias necessidades, como o alimento de cada dia?

      Jesus diz aos discípulos para não se preocuparem em fazer preparativos para essa viagem de pregação. Não devem levar nas suas bolsas nem ouro, nem prata, nem cobre. Também não precisam de uma bolsa de provisões para a viagem nem de roupas e sandálias extras. Por que não? Jesus lhes dá a seguinte garantia: “O trabalhador merece o seu alimento.” (Mateus 10:10) Os discípulos encontrarão pessoas que apreciam a mensagem, e elas cuidarão das necessidades básicas deles. Jesus diz: “Em qualquer casa em que entrarem, fiquem ali até saírem daquele lugar.” — Marcos 6:10.

      Jesus também os ensina a abordar as pessoas em suas casas com a mensagem do Reino: “Ao entrarem na casa, cumprimentem a família. Se a casa for merecedora, venha sobre ela a paz que lhe desejam; mas, se ela não for merecedora, que a paz volte a vocês. Onde quer que alguém não os receber nem ouvir as suas palavras, ao saírem daquela casa ou daquela cidade, sacudam o pó dos seus pés.” — Mateus 10:12-14.

      Pode ser que uma cidade ou uma aldeia rejeite a mensagem deles. Qual será o resultado? Jesus explica que isso resultará num julgamento muito desfavorável: “Digo-lhes a verdade: No Dia do Julgamento será mais suportável para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.” — Mateus 10:15.

      • Quando Jesus começa outra viagem de pregação na Galileia? E o que ele observa a respeito das pessoas?

      • Como Jesus envia os 12 apóstolos, e que instruções ele lhes dá?

      • Em que sentido ‘o Reino está próximo’?

  • Preparados para pregar apesar de perseguição
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Ovelhas no meio de lobos

      CAPÍTULO 50

      Preparados para pregar apesar de perseguição

      MATEUS 10:16–11:1 MARCOS 6:12, 13 LUCAS 9:6

      • JESUS TREINA E ENVIA OS APÓSTOLOS

      Os apóstolos de Jesus saem em pares, e ele lhes dá boas instruções sobre como realizar a obra de pregação. Mas, de modo bondoso, também os alerta sobre os opositores: “Eu os envio como ovelhas no meio de lobos . . . Tenham cuidado com os homens, pois eles os entregarão aos tribunais locais e os açoitarão nas sinagogas deles. E vocês serão levados diante de governadores e reis, por minha causa.” — Mateus 10:16-18.

      Os seguidores de Jesus podem enfrentar forte perseguição, mas ele lhes faz uma promessa consoladora: “Quando entregarem vocês, não fiquem preocupados com o que falar ou como falar, porque naquela hora lhes será dado o que falar. Pois quem fala não são apenas vocês, mas é o espírito do seu Pai que fala por meio de vocês.” Jesus continua: “Irmão entregará irmão à morte, e o pai ao seu filho, e os filhos se levantarão contra os pais e farão com que sejam mortos. E vocês serão odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim será salvo.” — Mateus 10:19-22.

      Visto que a pregação é a atividade mais importante, Jesus destaca a necessidade de seus seguidores serem prudentes a fim de continuarem livres para realizar essa obra. Ele diz: “Quando os perseguirem numa cidade, fujam para outra; pois eu lhes digo a verdade: Vocês de modo algum percorrerão todas as cidades de Israel antes de chegar o Filho do Homem.” — Mateus 10:23.

      Certamente, Jesus dá importantes instruções, avisos e encorajamento aos seus 12 apóstolos. Mas entendemos que essas palavras também são dirigidas aos que participarão na obra de pregação depois da morte e da ressurreição de Jesus. Isso fica claro por ele dizer que seus discípulos serão “odiados por todos”, não apenas por aqueles a quem os apóstolos estão sendo enviados para pregar. Além disso, não há relatos sobre os apóstolos serem levados perante governadores e reis durante essa breve campanha de pregação na Galileia nem de eles serem entregues à morte pela sua família.

      Então fica claro que Jesus está pensando no futuro ao dizer aos apóstolos que seus seguidores não conseguirão pregar em todos os lugares “antes de chegar o Filho do Homem”. Com isso, Jesus quer dizer que seus discípulos não terminarão a obra de pregação sobre o Reino de Deus antes de o glorificado Rei Jesus Cristo vir como juiz enviado por Deus.

      Os apóstolos não devem ficar surpresos se enfrentarem oposição enquanto realizam a obra de pregação, pois Jesus diz: “O discípulo não está acima do seu instrutor, nem o escravo acima do seu senhor.” Jesus está sendo bem claro. Eles serão maltratados e perseguidos por pregar o Reino de Deus assim como já acontece com Jesus. Mas ele os aconselha: “Não fiquem com medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma; em vez disso, temam aquele que pode destruir na Geena tanto a alma como o corpo.” — Mateus 10:24, 28.

      Jesus deu um bom exemplo nesse sentido. Em vez de ser desleal a Jeová, a fonte de todo o poder, ele enfrentou a morte com coragem. É o Deus Todo-Poderoso que pode destruir a “alma” de alguém (sua esperança de vida futura) ou ressuscitá-lo para a vida eterna. Isso deve ter sido consolador para os apóstolos!

      Jesus ilustra o cuidado amoroso que Deus tem por seus seguidores: “Não se vendem dois pardais por uma moeda de pequeno valor? Contudo, nem mesmo um deles cairá no chão sem o conhecimento do Pai de vocês. . . . Portanto, não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais.” — Mateus 10:29, 31.

      A pregação de um discípulo do primeiro século causa divisão na família

      A mensagem que os discípulos de Jesus pregam irá dividir famílias, alguns aceitarão, outros não. Jesus explica: “Não pensem que vim trazer paz à terra.” Então exige coragem para um membro da família aceitar a verdade da Bíblia. Mas ele continua: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.” — Mateus 10:34, 37.

      Mas alguns receberão bem seus discípulos. Ele diz: “Quem der a um destes pequenos ainda que seja um copo de água fria para beber, porque ele é discípulo, garanto a vocês que de modo algum perderá a sua recompensa.” — Mateus 10:42.

      Bem preparados com as instruções, os avisos e o encorajamento dados por Jesus, os apóstolos saem e viajam pela região, “de aldeia em aldeia, declarando as boas novas e realizando curas em toda a parte”. — Lucas 9:6.

      • Que avisos Jesus dá aos seus discípulos?

      • Que encorajamento e consolo ele lhes dá?

      • Por que as instruções de Jesus também se aplicam a nós hoje?

  • Assassinato durante uma festa de aniversário
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • 1. Salomé dança na festa de aniversário de Herodes; 2. Salomé leva a cabeça de João Batista a Herodias

      CAPÍTULO 51

      Assassinato durante uma festa de aniversário

      MATEUS 14:1-12 MARCOS 6:14-29 LUCAS 9:7-9

      • HERODES MANDA DECAPITAR JOÃO BATISTA

      Enquanto os apóstolos de Jesus realizam seu ministério na Galileia, João Batista, que tornou Jesus conhecido, não tem liberdade para fazer isso. Ele está preso há quase dois anos.

      João acusou publicamente o rei Herodes Antipas de ter tomado por esposa Herodias, esposa de seu meio-irmão Filipe. Herodes tinha se divorciado de sua primeira esposa para se casar com Herodias. Segundo a Lei mosaica, que Herodes afirma seguir, esse casamento é adúltero e ilegal. Em resposta à acusação de João, Herodes mandou prendê-lo, talvez por insistência de Herodias.

      Herodes não sabe o que fazer com João, porque o povo ‘o considera profeta’. (Mateus 14:5) Mas Herodias não tem dúvidas do que fazer, pois ‘nutre ressentimento’ contra João e quer que ele seja morto. (Marcos 6:19) Finalmente, surge a oportunidade.

      Pouco antes da Páscoa de 32 EC, Herodes prepara uma grande festa para comemorar seu aniversário. Todos os altos funcionários e oficiais do exército de Herodes, e também as pessoas mais importantes da Galileia, estão presentes. Durante a festa, Salomé, a jovem filha de Herodias com seu ex-marido Filipe, dança para os convidados. Os homens ficam encantados com sua apresentação.

      Herodes gosta de ver Salomé dançando em sua festa de aniversário

      Herodes fica tão contente com sua enteada que lhe diz: “Peça-me o que quiser, e eu darei a você.” E até faz um juramento: “O que for que você me pedir, até a metade do meu reino, eu darei a você.” Antes de responder, Salomé sai para consultar sua mãe: “O que devo pedir?” — Marcos 6:22-24.

      Essa é a oportunidade que Herodias tanto esperava. Ela responde sem hesitar: “A cabeça de João, o Batizador.” Salomé volta rapidamente a Herodes com seu pedido: “Quero que o senhor me dê sem demora, numa bandeja, a cabeça de João Batista.” — Marcos 6:24, 25.

      Herodes fica muito aflito com esse pedido. Mas seus convidados ouviram seu juramento a Salomé, e ele fica com vergonha de não cumprir o que prometeu, mesmo que isso signifique a morte de um inocente. Por isso, Herodes envia um guarda à prisão com terríveis instruções. Pouco depois, o guarda volta com a cabeça de João numa bandeja. Ele entrega a bandeja a Salomé, e ela a leva à sua mãe.

      Quando os discípulos de João ficam sabendo, eles vêm e levam o corpo para enterrar. Depois, contam tudo o que aconteceu a Jesus.

      Mais tarde, Herodes ouve falar que Jesus está curando pessoas e expulsando demônios, e fica com medo. Ele se pergunta se Jesus, o homem que está realizando essas obras, é na verdade João Batista que foi “levantado dentre os mortos”. (Lucas 9:7) Assim, Herodes Antipas quer muito ver Jesus, mas não para ouvi-lo pregar. Herodes quer saber se realmente tem motivos para ficar preocupado.

      • Por que João Batista está preso?

      • Como Herodias consegue fazer com que João finalmente seja morto?

      • Por que Herodes Antipas quer ver Jesus após a morte de João?

  • Ele alimenta multidões com alguns pães e peixes
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus divide cinco pães e dois peixes e dá aos discípulos para que distribuam ao povo

      CAPÍTULO 52

      Ele alimenta multidões com alguns pães e peixes

      MATEUS 14:13-21 MARCOS 6:30-44 LUCAS 9:10-17 JOÃO 6:1-13

      • JESUS ALIMENTA 5 MIL HOMENS

      Os 12 apóstolos ficaram felizes em participar na pregação em toda a Galileia e contam a Jesus ‘tudo o que fizeram e ensinaram’. Como é de esperar, eles estão cansados. Mas não têm tempo nem para comer, pois muitas pessoas estão vindo para vê-los. Então Jesus diz: “Venham comigo, vamos sozinhos a um lugar isolado para descansar um pouco.” — Marcos 6:30, 31.

      Eles entram num barco, provavelmente perto de Cafarnaum, e vão para um lugar afastado ao leste do rio Jordão, do outro lado de Betsaida. Mas muitas pessoas os veem saindo, e outros ficam sabendo disso. Então todos correm pela margem e chegam lá antes deles.

      Quando Jesus desce do barco, vê a multidão e sente pena dela, pois são como ovelhas sem pastor. Então começa “a lhes ensinar muitas coisas” sobre o Reino. (Marcos 6:34) Jesus também cura os doentes. (Lucas 9:11) Depois de um tempo, os discípulos lhe dizem: “O lugar é isolado, e já é tarde. Dispense as multidões, para que possam ir às aldeias comprar alimento.” — Mateus 14:15.

      Em resposta, Jesus diz: “Eles não precisam ir embora; deem-lhes vocês algo para comer.” (Mateus 14:16) Jesus já sabe o que vai fazer, mas testa Filipe, dizendo: “Onde vamos comprar pão para eles comerem?” Com certeza, Filipe sabe, pois morava ali perto, em Betsaida. Mas comprar pão não vai resolver o problema. Há uns 5 mil homens ali. E, contando as mulheres e as crianças, o número talvez seja o dobro. Por isso, Filipe responde: “Pães no valor de 200 denários [um denário é o salário de um dia de trabalho] não são suficientes nem para que cada um coma um pouco.” — João 6:5-7.

      Jesus fala com o menino que tem os cinco pães e dois peixinhos

      Talvez para mostrar que seria impossível alimentar tantas pessoas, André diz: “Há aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos. Mas o que é isso para tanta gente?” — João 6:9.

      Visto que é primavera, pouco antes da Páscoa de 32 EC, a encosta está coberta de grama verde. Jesus pede a seus discípulos que mandem o povo se sentar na grama em grupos de 50 e 100. Pega os cinco pães e os dois peixes e faz uma oração de agradecimento a Deus. Depois parte os pães e divide os peixes, então os entrega aos discípulos para que distribuam ao povo. E todos comem até ficar satisfeitos.

      Depois de comerem, Jesus diz aos seus discípulos: “Juntem os pedaços que sobraram, para que nada se desperdice.” (João 6:12) E eles conseguem encher 12 cestos com o que sobrou.

      • Por que Jesus procura um lugar para ficar sozinho com seus apóstolos?

      • Para onde Jesus e seus discípulos vão, e o que acontece quando chegam lá?

      • O que os discípulos pedem que Jesus faça, mas o que ele faz?

  • O governante que controla a natureza
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Pedro começa a afundar quando anda sobre o mar; Jesus segura Pedro

      CAPÍTULO 53

      O governante que controla a natureza

      MATEUS 14:22-36 MARCOS 6:45-56 JOÃO 6:14-25

      • O POVO QUER FAZER DE JESUS REI

      • JESUS ANDA SOBRE A ÁGUA E ACALMA O VENTO

      O milagre de Jesus de alimentar milhares de pessoas impressiona muito o povo. Eles concluem que ele “é realmente o Profeta que devia vir ao mundo”, o Messias, e que sem dúvida é o governante que todos querem ter. (João 6:14; Deuteronômio 18:18) Então o povo planeja pegar Jesus e fazê-lo rei.

      Mas Jesus percebe o que o povo quer fazer. Então dispensa as multidões e instrui seus discípulos a voltar para o barco. Ele os envia a Betsaida e depois a Cafarnaum. No entanto, se retira para as montanhas a fim de orar sozinho naquela noite.

      Sob a luz da lua, pouco antes do amanhecer, Jesus vê o barco à distância. Um vento forte faz com que as ondas do mar fiquem agitadas, e os apóstolos estão com “grandes dificuldades para remar por causa do vento contrário”. (Marcos 6:48) Jesus desce o monte e começa a caminhar sobre a água, na direção deles. Eles já ‘remaram uns cinco ou seis quilômetros’. (João 6:19) Os discípulos veem Jesus e acham que ele vai passar direto por eles. Então gritam de medo: “É uma aparição!” — Marcos 6:49.

      Jesus os acalma, dizendo: “Coragem! Sou eu; não tenham medo.” Mas Pedro diz: “Se é o senhor, ordene-me, Senhor Jesus, que eu vá ao seu encontro por cima das águas.” Jesus diz em resposta: “Venha!” Com isso, Pedro sai do barco e caminha sobre a água ao encontro de Jesus. Mas, quando olha para a tempestade, fica com medo e começa a afundar. Ele grita: “Senhor, salve-me!” Estendendo a mão, Jesus segura Pedro e diz: “Homem de pouca fé, por que você cedeu à dúvida?” — Mateus 14:27-31.

      Pedro e Jesus sobem no barco, e o vento para. Os discípulos ficam impressionados, mas não há motivo para isso. Se tivessem entendido “o significado dos pães”, o milagre que Jesus realizou algumas horas antes quando alimentou milhares de pessoas, eles não teriam ficado surpresos ao ver Jesus andar sobre a água e acalmar o vento. Agora se curvam diante dele, dizendo: “O senhor realmente é o Filho de Deus.” — Marcos 6:52; Mateus 14:33.

      Logo chegam à bela e fértil planície de Genesaré, ao sul de Cafarnaum. Então ancoram o barco e descem. As pessoas reconhecem Jesus e, junto com outros da região, levam os doentes até ele. Esses são completamente curados por apenas tocar na borda da roupa de Jesus.

      Enquanto isso, a multidão que viu Jesus alimentar milagrosamente milhares de pessoas percebe que ele foi embora. Então, quando os barcos de Tiberíades chegam, o povo embarca e viaja a Cafarnaum para encontrar Jesus. Quando o encontram, perguntam: “Rabi, quando o senhor chegou aqui?” (João 6:25) Jesus os repreende, e com razão, conforme ainda veremos.

      • Depois de Jesus alimentar milhares de pessoas, o que o povo quer fazer com ele?

      • Por que os discípulos não têm motivos para ficar impressionados ao ver Jesus andar sobre a água e acalmar o vento?

      • O que acontece quando Jesus desembarca em Cafarnaum?

  • Jesus é “o pão da vida”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Homens pegam o maná; mulheres moem o maná e fazem pães redondos

      CAPÍTULO 54

      Jesus é “o pão da vida”

      JOÃO 6:25-48

      • JESUS É “O PÃO DO CÉU”

      Ao leste do mar da Galileia, Jesus alimentou milagrosamente milhares de pessoas e depois escapou quando quiseram fazê-lo rei. Naquela noite, ele andou sobre o mar agitado e salvou Pedro, que também andou sobre a água, mas começou a afundar quando lhe faltou fé. Além disso, Jesus acalmou o vento, o que provavelmente salvou seus discípulos de naufragar.

      Agora Jesus volta à região de Cafarnaum, ao oeste do mar. As pessoas que ele alimentou milagrosamente o encontram e perguntam: “Quando o senhor chegou aqui?” Jesus as repreende dizendo que elas o procuram apenas porque querem ser alimentadas de novo. Ele as incentiva a ‘trabalhar, não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna’. Então elas perguntam: “O que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” — João 6:25-28.

      Talvez se refiram às obras especificadas na Lei, mas Jesus fala de uma obra muito mais importante: “Esta é a obra de Deus: que vocês exerçam fé naquele que ele enviou.” Apesar de tudo o que Jesus fez, o povo não tem fé nele. Exigem que realize um sinal para que possam acreditar nele, dizendo: “Que obra o senhor fará? Nossos antepassados comeram o maná no deserto, assim como está escrito: ‘Ele lhes deu pão do céu para comer.’” — João 6:29-31; Salmo 78:24.

      Respondendo ao pedido deles, Jesus chama a atenção para a verdadeira Fonte do alimento provido de forma milagrosa, dizendo: “Moisés não lhes deu o pão do céu, mas o meu Pai lhes dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.” Visto que não entendem o que Jesus quer dizer, imploram: “Senhor, dê-nos sempre desse pão.” (João 6:32-34) Mas de que “pão” Jesus está falando?

      Ele explica: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem exerce fé em mim nunca mais terá sede. Mas, como eu lhes disse, vocês me viram, e mesmo assim não creem. . . . Desci do céu não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou. Esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum de todos os que ele me deu, mas que eu os ressuscite no último dia. Pois esta é a vontade do meu Pai: que todo aquele que reconhece o Filho e exerce fé nele tenha vida eterna.” — João 6:35-40.

      As palavras de Jesus deixam as pessoas furiosas, e os judeus começam a falar contra ele. Como ele pode afirmar que é “o pão que desceu do céu”? (João 6:41) Para eles, Jesus é apenas um filho de pais humanos, que são da cidade de Nazaré, na Galileia. O povo pergunta: “Este não é Jesus, filho de José? Não conhecemos o pai e a mãe dele?” — João 6:42.

      Então Jesus diz ao povo: “Parem de resmungar entre si. Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai, que me enviou, o atraia, e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos eles serão ensinados por Jeová.’ Todo aquele que ouve o Pai e aprende vem a mim. Não é que alguém tenha visto o Pai, exceto aquele que vem de Deus. Esse viu o Pai. Digo-lhes com toda a certeza: Quem crê, tem vida eterna.” — João 6:43-47; Isaías 54:13.

      Quando conversou com Nicodemos há algum tempo, Jesus disse que ‘todo aquele que exercesse fé [no Filho unigênito de Deus] não seria destruído, mas teria vida eterna’. (João 3:15, 16) Com essas palavras, ele relacionou a vida eterna à fé no Filho do Homem. Mas agora está falando a uma assistência muito maior sobre o papel que desempenha para que ganhem a vida eterna, que nem o maná nem o pão que há na Galileia podem lhes dar. Então como alguém pode ganhar a vida eterna? Jesus diz novamente: “Eu sou o pão da vida.” — João 6:48.

      A discussão sobre o pão do céu continua e fica mais intensa quando Jesus ensina em uma sinagoga em Cafarnaum.

      • Em vista do que Jesus já fez, por que não é necessário pedir que ele realize um sinal?

      • Como os judeus reagem quando Jesus diz que é o verdadeiro “pão do céu”?

      • Por que o pão sobre o qual Jesus fala é superior ao maná ou ao pão literal?

  • As palavras de Jesus deixam muitos chocados
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Enquanto Jesus conversa com seus 12 apóstolos, Judas olha para o lado com desconfiança; outros discípulos começam a falar mal de Jesus e vão embora

      CAPÍTULO 55

      As palavras de Jesus deixam muitos chocados

      JOÃO 6:48-71

      • COMER A CARNE DE JESUS E BEBER O SEU SANGUE

      • MUITAS PESSOAS TROPEÇAM E DEIXAM DE SEGUI-LO

      Na sinagoga em Cafarnaum, Jesus ensina que ele é o verdadeiro pão do céu. É provável que suas palavras sejam uma continuação do que disse ao povo que voltou do litoral leste do mar da Galileia, os que comeram os pães e os peixes que ele providenciou.

      Jesus continua dizendo: “Seus antepassados comeram o maná no deserto, no entanto morreram.” Então faz um contraste ao dizer: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre; de fato, o pão que eu darei é a minha carne a favor da vida do mundo.” — João 6:48-51.

      Na primavera de 30 EC, Jesus disse a Nicodemos que Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho como Salvador. Agora Jesus enfatiza a necessidade de comer sua carne por ter fé no sacrifício que ele fará. Somente assim alguém pode ganhar a vida eterna.

      No entanto, as pessoas não concordam com as palavras de Jesus. Elas perguntam: “Como este homem pode nos dar sua carne para comer?” (João 6:52) Jesus quer que entendam que ele está falando em sentido figurado, não literal. E o que ele diz a seguir deixa isso claro.

      “A menos que comam a carne do Filho do Homem e bebam o seu sangue, vocês não têm vida em si mesmos. Quem se alimenta da minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna, . . . pois a minha carne é verdadeiro alimento, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem se alimenta da minha carne e bebe o meu sangue permanece em união comigo.” — João 6:53-56.

      Imagine como os judeus que estão ouvindo devem estar chocados! Talvez pensem que Jesus está falando sobre o canibalismo ou sobre uma violação da lei de Deus a respeito do sangue. (Gênesis 9:4; Levítico 17:10, 11) Mas Jesus não está se referindo a comer carne e beber sangue literalmente. Está mostrando que todos os que querem ganhar vida eterna devem demonstrar fé no sacrifício que ele fará quando oferecer seu corpo humano perfeito e derramar seu sangue. Mas muitos dos seus discípulos não entendem o que ele está ensinando. Alguns dizem: “Essas palavras são chocantes. Quem pode escutar isso?” — João 6:60.

      Jesus percebe que alguns dos discípulos estão falando contra ele, então pergunta: “Isso os faz tropeçar? O que aconteceria então se vocês vissem o Filho do Homem subir para onde estava antes? . . . As declarações que eu lhes fiz são espírito e são vida. Mas há alguns de vocês que não creem.” Com isso, muitos discípulos vão embora e deixam de segui-lo. — João 6:61-64.

      Jesus pergunta aos 12 apóstolos: “Será que vocês também querem ir?” Pedro responde: “Senhor, para quem iremos? O senhor tem declarações de vida eterna. Nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo de Deus.” (João 6:67-69) Que bela expressão de lealdade! Pedro e os outros apóstolos permanecem leais a Jesus, mesmo sem entender plenamente o que ele está ensinando.

      Embora fique feliz com a resposta de Pedro, Jesus declara: “Não fui eu que escolhi vocês doze? Contudo, um de vocês é um caluniador.” (João 6:70) Ele está se referindo a Judas Iscariotes. Talvez Jesus já perceba que Judas está desenvolvendo desejos errados.

      Apesar disso, Jesus fica muito contente de saber que Pedro e os outros apóstolos não desistiram de segui-lo e de participar com ele na obra que salva vidas.

      • Em que sentido Jesus dá sua carne às pessoas? E como alguém pode ‘comer a carne de Jesus’?

      • Por que as pessoas ficam chocadas com o que Jesus diz sobre sua carne e seu sangue? Mas o que ele quer dizer?

      • Como Pedro reage quando muitos deixam de seguir a Jesus?

  • O que torna uma pessoa impura?
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um fariseu lava as mãos até os cotovelos e olha de modo crítico para um homem que já começou a comer

      CAPÍTULO 56

      O que torna uma pessoa impura?

      MATEUS 15:1-20 MARCOS 7:1-23 JOÃO 7:1

      • JESUS EXPÕE AS TRADIÇÕES DE HOMENS

      Está chegando a Páscoa de 32 EC, e Jesus está ocupado ensinando na Galileia. É provável que ele viaje a Jerusalém para a Páscoa, conforme a Lei de Deus exige. Mas Jesus sai da região discretamente, pois os judeus querem matá-lo. (João 7:1) Depois disso, volta para a Galileia.

      Talvez Jesus esteja em Cafarnaum quando os fariseus e os escribas vêm de Jerusalém até ele. Por que fazem essa viagem? Eles procuram motivos para acusar Jesus de desrespeitar seus costumes religiosos. Então perguntam: “Por que os seus discípulos transgridem a tradição dos homens dos tempos antigos? Por exemplo, não lavam as mãos quando vão tomar uma refeição.” (Mateus 15:2) Deus nunca ordenou que seu povo seguisse o ritual de “lavar as mãos até os cotovelos”. (Marcos 7:3) Mas os fariseus acham que deixar de fazer isso é uma grave ofensa.

      Em vez de dar uma resposta direta à acusação deles, Jesus demonstra que eles violam a Lei de Deus intencionalmente. Ele lhes diz: “Por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da sua tradição? Por exemplo, Deus disse: ‘Honre seu pai e sua mãe’ e ‘Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe seja morto’. Mas vocês dizem: ‘Quem disser ao seu pai ou à sua mãe: “Tudo o que eu tenho que poderia beneficiá-lo é uma dádiva dedicada a Deus”, esse de modo algum precisa honrar seu pai.’” — Mateus 15:3-6; Êxodo 20:12; 21:17.

      Os fariseus afirmam que dinheiro, bens ou qualquer coisa dedicada a Deus pertence ao templo e não pode ser usada para outros objetivos. Mas a pessoa ainda possui o que foi dedicado. Por exemplo, um filho pode dizer que seu dinheiro ou seus bens são “corbã”, uma dádiva dedicada a Deus ou ao templo, como se o templo tivesse mais direito à dádiva do que seus pais. O dinheiro ou os bens ainda podem ser usados pelo filho, mas ele diz que não pode usá-los para ajudar seus pais idosos, que passam por dificuldades. Assim, ele foge da sua responsabilidade. — Marcos 7:11.

      Jesus tem razão de estar indignado, pois distorcem a Lei de Deus. Ele diz: “Vocês invalidaram a palavra de Deus por causa da sua tradição. Hipócritas! Isaías profetizou apropriadamente a respeito de vocês, quando disse: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está muito longe de mim. É em vão que continuam a me adorar, pois ensinam as regras de homens como doutrinas.’” Com essas palavras, Jesus faz uma dura crítica contra os fariseus, e eles ficam sem resposta. Então ele pede que a multidão se aproxime e diz: “Escutem e compreendam o sentido disto: Não é o que entra pela boca do homem que o torna impuro, mas é o que sai da boca que o torna impuro.” — Mateus 15:6-11; Isaías 29:13.

      Depois, quando estão em uma casa, os discípulos perguntam a Jesus: “Sabe que os fariseus tropeçaram ao ouvir o que o senhor disse?” Ele responde: “Toda planta que o meu Pai celestial não tiver plantado será arrancada. Não se preocupem com eles. Guias cegos é o que eles são. E, se um cego guiar outro cego, ambos cairão num buraco.” — Mateus 15:12-14.

      Jesus parece ficar surpreso quando Pedro, falando em nome dos discípulos, pede que ele explique o que torna um homem impuro. Jesus diz: “Não percebem que tudo o que entra pela boca passa pelo estômago e é expelido para o esgoto? No entanto, tudo o que sai da boca vem do coração, e essas coisas tornam o homem impuro. Por exemplo, do coração vêm raciocínios maus, assassinatos, adultérios, imoralidade sexual, roubos, falsos testemunhos, blasfêmias. Essas são as coisas que tornam o homem impuro; mas tomar uma refeição sem lavar as mãos não torna o homem impuro.” — Mateus 15:17-20.

      Jesus não está dizendo que uma pessoa não precisa ter bons hábitos de higiene nem lavar as mãos antes de preparar uma refeição ou comer. Em vez disso, está condenando a hipocrisia dos líderes religiosos que deixam de lado as justas leis de Deus ao seguir tradições de homens. São as más ações que vêm do coração que tornam o homem impuro.

      • Que acusação os fariseus e os escribas fazem?

      • Segundo as palavras de Jesus, como os fariseus violam intencionalmente a Lei de Deus?

      • O que torna um homem impuro?

  • Jesus cura uma menina e um surdo
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Uma mulher fenícia implora a Jesus; Jesus coloca seus dedos nos ouvidos de um homem surdo

      CAPÍTULO 57

      Jesus cura uma menina e um surdo

      MATEUS 15:21-31 MARCOS 7:24-37

      • JESUS CURA A FILHA DE UMA MULHER FENÍCIA

      • ELE CURA UM HOMEM SURDO E MUDO

      Depois de condenar as tradições egoístas dos fariseus, Jesus vai embora com seus discípulos. Ele viaja muitos quilômetros ao noroeste, para a região de Tiro e Sídon, na Fenícia.

      Jesus encontra uma casa para ficar, mas não quer que as pessoas saibam que está ali. Mesmo assim, descobrem onde ele está. Uma mulher grega, que nasceu nessa região, encontra Jesus e começa a suplicar: “Tenha misericórdia de mim, Senhor, Filho de Davi. Minha filha está possuída por um demônio que a atormenta cruelmente.” — Mateus 15:22; Marcos 7:26.

      Depois de um tempo, os discípulos pedem a Jesus: “Mande-a embora, porque ela continua a gritar atrás de nós.” Em resposta, Jesus explica por que não dá atenção a ela: “Fui enviado apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel.” Mas a mulher não desiste. Ela se aproxima e se curva diante de Jesus, implorando: “Senhor, ajude-me!” — Mateus 15:23-25.

      Talvez para testar sua fé, Jesus usa uma ilustração para falar sobre o preconceito dos judeus contra pessoas de outras nacionalidades: “Não é certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos.” (Mateus 15:26) Ao usar a palavra “cachorrinhos”, Jesus demonstra que sente compaixão pelos não judeus. Pode ser que isso também fique evidente na sua expressão facial e no seu amoroso tom de voz.

      Em vez de ficar ofendida, a mulher entende que Jesus se refere ao preconceito dos judeus e humildemente declara: “Sim, Senhor, mas na verdade os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos.” Jesus reconhece a boa condição do coração dela e diz: “Ó mulher, grande é a sua fé! Que lhe aconteça conforme você deseja.” (Mateus 15:27, 28) E a menina é completamente curada, apesar de não estar ali. Quando volta para casa, a mulher encontra sua filha deitada na cama, e “o demônio a tinha deixado”. — Marcos 7:30.

      Jesus e seus discípulos saem da região da Fenícia e atravessam o país em direção ao rio Jordão. Pelo visto, cruzam o rio em algum lugar ao norte do mar da Galileia e entram na região de Decápolis. Quando chegam lá, sobem um monte, mas as multidões os encontram. Levam até Jesus mancos, aleijados, cegos e mudos. Colocam os doentes aos seus pés, e ele os cura. Admirados, glorificam o Deus de Israel.

      No entanto, Jesus presta mais atenção em um homem surdo que tem um problema na fala. Imagine como esse homem deve se sentir no meio de tantas pessoas. Talvez Jesus perceba como ele está nervoso e o leva para longe da multidão. Quando estão sozinhos, Jesus mostra o que vai fazer. Coloca os dedos nos ouvidos do homem e, depois de cuspir, toca na língua dele. E, olhando para o céu, pronuncia uma expressão semítica que significa: “Abra-se.” Com isso, o homem volta a ouvir e consegue falar normalmente. Jesus não quer que ninguém fique sabendo disso, pois prefere que acreditem nele por causa do que veem e ouvem pessoalmente. — Marcos 7:32-36.

      O poder que Jesus tem para realizar essas curas tem profundo efeito nas pessoas que o observam. Elas ficam ‘extremamente admiradas’ e dizem: “Ele faz bem todas as coisas. Faz até os surdos ouvir e os mudos falar.” — Marcos 7:37.

      • Por que Jesus não cura imediatamente a filha de uma mulher fenícia?

      • Depois de deixar a região da Fenícia, para onde Jesus e seus discípulos vão?

      • Como Jesus demonstra compaixão ao lidar com um homem surdo e mudo?

  • Ele multiplica pães e alerta contra o fermento
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus e alguns discípulos num barco

      CAPÍTULO 58

      Ele multiplica pães e alerta contra o fermento

      MATEUS 15:32–16:12 MARCOS 8:1-21

      • JESUS ALIMENTA 4 MIL HOMENS

      • ELE ALERTA CONTRA O FERMENTO DOS FARISEUS

      Multidões se juntam em volta de Jesus na região de Decápolis, ao leste do mar da Galileia. Elas vêm para ouvi-lo e ser curadas, e trazem grandes cestos com alimentos.

      Mas, algum tempo depois, Jesus diz a seus discípulos: “Tenho pena da multidão, porque já estão comigo há três dias, e eles não têm nada para comer. Se eu os mandar para casa com fome, desfalecerão na estrada, e alguns deles vieram de longe.” Os discípulos perguntam: “Onde alguém poderia encontrar neste lugar isolado pão suficiente para satisfazê-los?” — Marcos 8:2-4.

      Um homem segura uma cesta enquanto Jesus parte os pães

      Jesus diz: “Quantos pães vocês têm?” Os discípulos respondem: “Sete, e alguns peixinhos.” (Mateus 15:34) Então Jesus pede que as pessoas se sentem no chão. Ele pega os pães e os peixes, faz uma oração a Deus e os entrega aos discípulos para que os distribuam. E todos comem até ficar satisfeitos! Os pedaços que sobram são recolhidos e enchem sete cestos grandes. Nessa ocasião, cerca de 4 mil homens, além de mulheres e crianças, comem.

      Depois de dispensar as multidões, Jesus e os discípulos atravessam o mar de barco até Magadã, no litoral oeste do mar da Galileia. Nesse lugar, os fariseus e alguns da seita dos saduceus testam Jesus, pedindo que ele realize um sinal do céu.

      Percebendo qual é a motivação deles, Jesus responde: “Ao cair a noite, vocês dizem: ‘Fará tempo bom, pois o céu está vermelho’, e, de manhã: ‘Hoje fará tempo frio e chuvoso, pois o céu está vermelho, mas sombrio.’ Vocês sabem interpretar a aparência do céu, mas não conseguem interpretar os sinais dos tempos.” (Mateus 16:2, 3) Depois Jesus diz aos fariseus e aos saduceus que nenhum sinal será dado a eles, exceto o sinal de Jonas.

      Jesus e seus discípulos entram num barco e vão a Betsaida, no litoral nordeste do mar. No caminho, os discípulos percebem que se esqueceram de levar pães. Eles têm apenas um pão. Lembrando-se da última discussão com os fariseus e os saduceus que apoiam Herodes, Jesus alerta: “Mantenham os olhos abertos; cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.” Os discípulos acham que ele se refere aos pães que se esqueceram de levar. Jesus percebe que entenderam errado e diz: “Por que vocês estão discutindo sobre não terem pães?” — Marcos 8:15-17.

      Não faz muito tempo que Jesus providenciou pães para milhares de pessoas. Por isso, os discípulos deviam saber que ele não está preocupado com a falta de pães. Jesus lhes pergunta: “Não se lembram de quantos cestos cheios de pedaços vocês recolheram, quando parti os cinco pães para os 5.000 homens?” Eles respondem: “Doze.” Jesus continua dizendo: “E quando parti os sete pães para os 4.000 homens, quantos cestos grandes, cheios de pedaços, vocês recolheram?” Eles respondem: “Sete.” — Marcos 8:18-20.

      Jesus diz: “Como é que vocês não compreendem que não lhes falei de pão? Eu lhes disse que tomassem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus.” — Mateus 16:11.

      Finalmente, os discípulos entendem o que Jesus quer dizer. O fermento é usado para fazer a massa crescer. Assim, Jesus está usando o fermento para simbolizar a corrupção. Ele está alertando os discípulos contra “os ensinamentos dos fariseus e dos saduceus”, que têm um efeito corrompedor. — Mateus 16:12.

      • Por que as pessoas se juntam em volta de Jesus?

      • Quando Jesus fala sobre o fermento, a que conclusão errada os discípulos chegam?

      • O que Jesus quer dizer com a expressão “o fermento dos fariseus e dos saduceus”?

  • Quem é o Filho do Homem?
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Pedro fala com Jesus e os outros apóstolos observam

      CAPÍTULO 59

      Quem é o Filho do Homem?

      MATEUS 16:13-27 MARCOS 8:22-38 LUCAS 9:18-26

      • JESUS CURA UM CEGO

      • PEDRO RECEBE AS CHAVES DO REINO

      • JESUS PROFETIZA SUA MORTE E RESSURREIÇÃO

      Jesus e seus discípulos chegam a Betsaida. Então as pessoas levam até Jesus um cego e imploram que ele o toque para curá-lo.

      Jesus pega na mão do homem e o leva para fora do vilarejo. Depois de cuspir nos olhos do cego, ele lhe pergunta: “Vê alguma coisa?” O homem responde: “Vejo pessoas, mas elas parecem árvores andando.” (Marcos 8:23, 24) Jesus coloca as mãos nos olhos do homem, e ele recupera a visão. Depois manda para casa o homem, que agora enxerga nitidamente, e o instrui a não entrar no vilarejo.

      Então Jesus e seus discípulos viajam em direção ao norte, para a região de Cesareia de Filipe. A subida é longa, uns 40 quilômetros. O vilarejo fica numa montanha, e ao nordeste se pode ver o monte Hermom coberto de neve. Provavelmente a viagem leva uns dois dias.

      A certa altura da viagem, Jesus se afasta para orar sozinho. Faltam apenas nove ou dez meses para sua morte, e ele está preocupado com seus discípulos. Recentemente, muitos deixaram de segui-lo, e pelo visto outros estão confusos ou desapontados. Podem estar se perguntando por que Jesus não aceitou que o povo o fizesse rei ou por que ele não realiza um sinal para deixar claro quem realmente é.

      Quando os discípulos vão até onde Jesus está orando, ele pergunta: “Quem os homens dizem que o Filho do Homem é?” Eles respondem: “Alguns dizem João Batista; outros, Elias; e ainda outros, Jeremias ou um dos profetas.” Na verdade, as pessoas pensam que Jesus é um desses homens que foi ressuscitado. Para saber o que os discípulos pensam, ele pergunta: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Pedro logo responde: “O senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivente.” — Mateus 16:13-16.

      Jesus diz que Pedro pode se alegrar por Deus lhe ter revelado isso. E também diz: “Você é Pedro, e sobre esta rocha construirei a minha congregação, e os portões da Sepultura não a vencerão.” Jesus quer dizer que é ele mesmo quem vai construir a congregação e que, se os seus membros levarem uma vida fiel na Terra, nem a Sepultura os prenderá. Ele promete a Pedro: “Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus.” — Mateus 16:18, 19.

      Jesus não dá a Pedro o primeiro lugar entre os apóstolos, nem faz dele o alicerce da congregação. O próprio Jesus é a Rocha sobre a qual sua congregação será construída. (1 Coríntios 3:11; Efésios 2:20) Mas Pedro recebe três chaves e terá o privilégio de abrir a oportunidade para outras pessoas entrarem no Reino dos céus.

      Pedro vai usar a primeira chave no Pentecostes de 33 EC, mostrando aos judeus e prosélitos arrependidos o que precisam fazer para ser salvos. Ele usará a segunda chave para dar aos samaritanos a oportunidade de entrar no Reino de Deus. Então, em 36 EC, Pedro vai usar a terceira chave para estender essa oportunidade aos gentios incircuncisos, sendo os primeiros Cornélio, seus parentes e seus amigos. — Atos 2:37, 38; 8:14-17; 10:44-48.

      Jesus vira as costas para Pedro

      Durante a conversa, os apóstolos ficam preocupados quando Jesus profetiza o sofrimento e a morte que vai enfrentar em Jerusalém. Visto que não entendem que ele será ressuscitado para a vida celestial, Pedro o leva à parte e o censura: “Tenha compaixão de si mesmo, Senhor! Isso de modo algum lhe acontecerá.” Mas Jesus vira as costas e diz: “Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não tem os pensamentos de Deus, mas os de homens.” — Mateus 16:22, 23.

      Agora Jesus chama outras pessoas e explica que não será fácil segui-lo: “Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, apanhe sua estaca de tortura e siga-me sempre. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa e por causa das boas novas a salvará.” — Marcos 8:34, 35.

      Para serem dignos de receber o favor de Jesus, seus seguidores precisam ser corajosos e abnegados. Jesus declara: “Quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, desse o Filho do Homem também se envergonhará quando vier na glória do seu Pai, com os santos anjos.” (Marcos 8:38) Assim, quando Jesus vier, “retribuirá a cada um segundo o seu comportamento”. — Mateus 16:27.

      • Quem algumas pessoas pensam que Jesus é? Mas o que os apóstolos pensam?

      • Que chaves Pedro recebe, e como as usará?

      • Como Pedro é corrigido, e por quê?

  • A transfiguração é uma visão da glória de Cristo
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus é transfigurado diante de Pedro, Tiago e João; as imagens de Moisés e Elias aparecem

      CAPÍTULO 60

      A transfiguração é uma visão da glória de Cristo

      MATEUS 16:28–17:13 MARCOS 9:1-13 LUCAS 9:27-36

      • VISÃO DA TRANSFIGURAÇÃO

      • OS APÓSTOLOS OUVEM A VOZ DE DEUS

      Enquanto Jesus está ensinando as pessoas na região de Cesareia de Filipe, que fica a uns 25 quilômetros do monte Hermom, ele fala algo inesperado aos seus discípulos: “Digo-lhes a verdade: Há alguns dos que estão aqui que de modo algum provarão a morte antes de verem o Filho do Homem vir no seu Reino.” — Mateus 16:28.

      Talvez os discípulos se perguntem o que Jesus quer dizer com isso. Cerca de uma semana depois, ele leva três apóstolos — Pedro, Tiago e João — até um monte alto. Pelo visto já é noite, pois os três homens estão com sono. Enquanto está orando, Jesus é transfigurado diante deles. Os apóstolos veem seu rosto brilhar como o sol e suas roupas se tornarem tão brancas e brilhantes como a luz.

      Então dois homens, que a Bíblia identifica como “Moisés e Elias”, aparecem. Eles começam a conversar com Jesus sobre “a partida dele”, que aconteceria em Jerusalém. (Lucas 9:30, 31) Essa partida evidentemente se refere à morte e ressurreição de Jesus, das quais ele falou há pouco tempo. (Mateus 16:21) Essa conversa prova que, ao contrário do que Pedro disse, a morte humilhante de Jesus é inevitável.

      Agora bem acordados, os três discípulos ficam maravilhados com o que veem e ouvem. Embora seja uma visão, ela parece tão real que Pedro começa a se envolver, dizendo: “Rabi, é bom que estejamos aqui. Vamos armar, então, três tendas: uma para o senhor, uma para Moisés e uma para Elias.” (Marcos 9:5) Será que Pedro quer armar as tendas porque quer que a visão continue?

      Enquanto Pedro está falando, uma nuvem luminosa os encobre, e uma voz vinda da nuvem diz: “Este é meu Filho, o amado, a quem eu aprovo. Escutem-no.” Quando ouvem a voz de Deus, os apóstolos ficam com medo e se lançam com o rosto no chão, mas Jesus lhes diz: “Levantem-se. Não tenham medo.” (Mateus 17:5-7) Os três apóstolos se levantam e só veem Jesus, pois a visão acabou. Enquanto descem o monte na manhã seguinte, Jesus ordena: “Não contem essa visão a ninguém, até que o Filho do Homem seja levantado dentre os mortos.” — Mateus 17:9.

      Os apóstolos ficam em dúvida sobre a aparição de Elias na visão. Por isso, perguntam: “Por que então os escribas dizem que Elias tem de vir primeiro?” Jesus responde: “Elias já veio e eles não o reconheceram.” (Mateus 17:10-12) Jesus está falando de João Batista, que cumpriu um papel parecido ao de Elias. Assim como Elias preparou o caminho para Eliseu, João fez o mesmo para Cristo.

      Como essa visão é fortalecedora para Jesus e seus apóstolos! Eles veem como será a glória de Cristo no seu Reino. Assim, os discípulos veem “o Filho do Homem vir no seu Reino”, conforme Jesus prometeu. (Mateus 16:28) Enquanto estavam no monte, eles foram “testemunhas oculares do seu esplendor”. Os fariseus queriam um sinal para provar que Jesus era o Rei escolhido de Deus, mas ele não lhes deu nenhum. No entanto, os discípulos achegados de Jesus viram a transfiguração dele, confirmando profecias sobre o Reino. Assim, mais tarde Pedro escreve: “Temos a palavra profética ainda mais confirmada.” — 2 Pedro 1:16-19.

      • Antes da morte dos discípulos, como alguns veem Jesus vir no seu Reino?

      • Na visão, sobre o que Moisés e Elias conversam com Jesus?

      • Como a visão da transfiguração fortalece os seguidores de Cristo?

  • Jesus expulsa o demônio de um menino
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um pai pede que Jesus cure seu filho endemoninhado

      CAPÍTULO 61

      Jesus expulsa o demônio de um menino

      MATEUS 17:14-20 MARCOS 9:14-29 LUCAS 9:37-43

      • É NECESSÁRIO FORTE FÉ PARA EXPULSAR O DEMÔNIO DE UM MENINO

      Quando Jesus, Pedro, Tiago e João descem do monte, encontram uma multidão. Algo está errado. Os escribas estão reunidos em volta dos discípulos, discutindo com eles. As pessoas ficam animadas de ver Jesus e correm para cumprimentá-lo. Ele pergunta: “Sobre o que vocês estão discutindo com eles?” — Marcos 9:16. 

      Um homem se ajoelha diante de Jesus e explica: “Instrutor, eu trouxe meu filho para o senhor, porque ele tem um espírito mudo. Onde quer que esse espírito o apanhe, lança-o no chão, e ele espuma pela boca, range os dentes e perde a força. Eu pedi aos seus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não foram capazes de fazer isso.” — Marcos 9:17, 18.

      Pelo visto, os escribas estão criticando os discípulos por não conseguirem curar o menino, talvez zombando de seus esforços. Então, em vez de responder ao pai, que está desesperado, Jesus diz à multidão: “Ó geração sem fé e pervertida, até quando terei de continuar com vocês? Até quando terei de suportá-los?” Com certeza, essas fortes palavras se aplicam aos escribas, que estão causando problemas aos discípulos de Jesus enquanto ele está fora. Depois Jesus diz ao pai aflito: ‘Traga-o aqui.’ — Mateus 17:17.

      Quando o menino se aproxima de Jesus, o demônio que está nele o joga no chão e o lança em fortes convulsões. O menino fica rolando no chão, espumando pela boca. Jesus pergunta ao pai: “Há quanto tempo isso acontece com ele?” O pai responde: “Desde a infância, e o espírito o lança muitas vezes no fogo e também na água, para matá-lo.” Então o homem implora: “Se o senhor puder fazer algo, tenha pena de nós e ajude-nos.” — Marcos 9:21, 22.

      O pai está desesperado porque nem os discípulos de Jesus conseguiram ajudá-lo. Em resposta ao forte apelo do homem, Jesus dá uma garantia consoladora: “Esta expressão: ‘Se puder’! Ora, tudo é possível para quem tem fé.” E o pai imediatamente implora: “Eu tenho fé! Ajude-me onde preciso de fé!” — Marcos 9:23, 24.

      Jesus cura um menino endemoninhado

      Jesus percebe a multidão se aproximando dele. Na presença dessas pessoas, ele censura o demônio: “Espírito mudo e surdo, eu lhe ordeno que saia dele e não entre nele novamente!” Ao sair, o demônio faz o menino gritar e ter muitas convulsões. Agora o menino está deitado no chão, sem se mexer. Ao ver isso, muitas pessoas dizem: “Ele está morto!” (Marcos 9:25, 26) Mas, quando Jesus pega na mão do menino, ele se levanta e fica “curado daquele momento em diante”. (Mateus 17:18) Não nos surpreende que as pessoas fiquem impressionadas com o que Jesus faz.

      Um pouco antes, quando Jesus enviou os discípulos para pregar, eles conseguiram expulsar demônios. Por isso, quando estão sozinhos em uma casa, eles lhe perguntam: “Por que nós não conseguimos expulsá-lo?” Jesus explica que foi por causa da falta de fé deles, dizendo: “Essa espécie só sai por oração.” (Marcos 9:28, 29) Era necessário ter forte fé e orar pela ajuda do poder de Deus para expulsar aquele demônio poderoso.

      Jesus conclui, dizendo: “Se tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, vocês dirão a este monte: ‘Mova-se daqui para lá’, e ele se moverá, e nada lhes será impossível.” (Mateus 17:20) Como a fé pode ser poderosa!

      Dificuldades e obstáculos que impedem nosso progresso no serviço de Jeová podem parecer insuperáveis, assim como uma montanha não pode ser movida nem facilmente escalada. Mas, se nós desenvolvermos fé, poderemos superar esses enormes obstáculos e dificuldades.

      • Que situação Jesus encontra ao descer do monte?

      • Por que os discípulos não conseguem expulsar o demônio do menino?

      • Até que ponto nossa fé pode ser poderosa?

  • Uma importante lição sobre humildade
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus e uma criança

      CAPÍTULO 62

      Uma importante lição sobre humildade

      MATEUS 17:22–18:5 MARCOS 9:30-37 LUCAS 9:43-48

      • JESUS PROFETIZA DE NOVO SUA MORTE

      • ELE PAGA IMPOSTO COM MOEDA TIRADA DA BOCA DE UM PEIXE

      • QUEM VAI SER O MAIOR NO REINO?

      Depois da transfiguração e de expulsar o demônio de um menino na região de Cesareia de Filipe, Jesus vai para Cafarnaum. Ele viaja só com seus discípulos a fim de que as multidões não ‘saibam disso’. (Marcos 9:30) Assim, Jesus tem mais oportunidades de preparar seus discípulos para sua morte e para o trabalho que vão realizar depois. Ele explica: “O Filho do Homem será entregue às mãos dos homens, e eles o matarão, e no terceiro dia ele será levantado.” — Mateus 17:22, 23.

      Esse assunto não devia ser novo para os discípulos. Há algum tempo, Jesus falou sobre sua morte, mas Pedro se recusou a acreditar que isso aconteceria. (Mateus 16:21, 22) Também, três apóstolos viram a transfiguração de Jesus e ouviram a conversa sobre a sua “partida”. (Lucas 9:31) Agora seus seguidores ficam “muito tristes” com o que ele está dizendo, mesmo sem entender plenamente o significado de suas palavras. (Mateus 17:23) Mas eles estão com medo de lhe perguntar mais sobre isso.

      Depois eles chegam a Cafarnaum, a cidade natal de vários apóstolos e onde se concentram as atividades de Jesus. Alguns homens que cobram o imposto do templo se aproximam de Pedro. Talvez tentem acusar Jesus de não pagar os impostos e perguntam: “O seu instrutor não paga as duas dracmas de imposto?” — Mateus 17:24.

      Pedro responde: “Sim, ele paga.” Quando Pedro volta à casa, Jesus já está sabendo do que aconteceu. Então, antes de Pedro falar alguma coisa, Jesus pergunta: “O que acha, Simão? De quem os reis da terra recebem tributos ou imposto por cabeça? Dos seus filhos ou dos estranhos?” Pedro responde: “Dos estranhos.” Então Jesus declara: “Realmente, então, os filhos estão isentos de impostos.” — Mateus 17:25, 26.

      Peixe com um anzol e uma moeda na boca

      O Pai de Jesus é o Rei do Universo e Aquele que é adorado no templo. Por isso, a lei não exige que o Filho de Deus pague o imposto do templo. Jesus diz: “Mas, para que não os façamos tropeçar, vá ao mar, lance o anzol e pegue o primeiro peixe que você pescar; quando abrir a boca dele, você achará uma moeda de prata [um estáter, ou tetradracma]. Pegue-a e entregue-a a eles por mim e por você.” — Mateus 17:27.

      Pouco depois, os discípulos estão reunidos e querem perguntar a Jesus qual deles será o maior no Reino. Não faz muito tempo que esses homens estavam com medo de perguntar a Jesus sobre sua morte que está próxima. Mas agora eles não têm medo de perguntar sobre o futuro deles. Jesus sabe o que estão pensando. Eles já discutiram sobre isso quando viajavam de volta a Cafarnaum, e ele estava um pouco à frente deles. Então ele pergunta: “Sobre o que vocês estavam discutindo na estrada?” (Marcos 9:33) Envergonhados, os discípulos ficam quietos, porque estavam discutindo sobre quem é o maior. Finalmente, os apóstolos fazem a Jesus a pergunta sobre a qual discutiam: “Quem é realmente o maior no Reino dos céus?” — Mateus 18:1.

      É difícil de acreditar que, após uns três anos vendo e ouvindo Jesus, os discípulos estão discutindo sobre isso. Mas eles são imperfeitos e cresceram em um ambiente religioso onde se dá destaque a cargos e posição social. Além disso, Pedro ouviu recentemente Jesus lhe prometer as “chaves” do Reino. Será que ele se sente superior por causa disso? Talvez Tiago e João também se sintam assim, pois testemunharam a transfiguração de Jesus.

      Não importa o motivo, Jesus corrige o modo de pensar deles. Chama uma criança, coloca-a no meio dos discípulos e lhes diz: “A menos que vocês deem meia-volta e se tornem como criancinhas, de modo algum entrarão no Reino dos céus. Por isso, quem se humilha, como esta criancinha, é aquele que é o maior no Reino dos céus; e quem recebe em meu nome uma criancinha como esta, recebe também a mim.” — Mateus 18:3-5.

      Que impressionante método de ensino! Jesus não fica irritado com seus discípulos nem os chama de gananciosos ou ambiciosos. Mas lhes ensina uma lição prática, pois as criancinhas não têm uma posição de destaque. Assim, Jesus mostra a seus discípulos que eles precisam desenvolver esse conceito sobre si mesmos. Então ele conclui, dizendo aos seus seguidores: “Quem se comporta como menor entre todos vocês é o que é grande.” — Lucas 9:48.

      • Ao voltar a Cafarnaum, que importante informação Jesus relembra? E como seus discípulos reagem?

      • Por que Jesus não é obrigado a pagar o imposto do templo, mas com que objetivo faz isso?

      • O que pode ter contribuído para os discípulos se preocuparem em ter destaque? E como Jesus os corrige?

  • Jesus dá conselhos sobre tropeçar e pecar
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um homem fica feliz por ter encontrado sua ovelha perdida

      CAPÍTULO 63

      Jesus dá conselhos contra tropeçar e pecar

      MATEUS 18:6-20 MARCOS 9:38-50 LUCAS 9:49, 50

      • CONSELHO CONTRA TROPEÇAR

      • QUANDO UM IRMÃO COMETE UM PECADO

      Jesus acaba de usar uma ilustração para mostrar aos seus seguidores qual é o modo correto de pensar. Eles devem encarar a si mesmos como crianças, que são humildes e não têm destaque. Os discípulos devem ‘receber em seu nome criancinhas como estas, e assim receber também a Jesus’. — Mateus 18:5.

      Um pouco antes, os apóstolos estavam discutindo sobre quem é o maior, por isso talvez achem que Jesus os está repreendendo. Agora o apóstolo João fala sobre algo que acaba de acontecer: “Instrutor, vimos alguém expulsar demônios usando o seu nome e tentamos impedi-lo, porque ele não segue o senhor conosco.” — Lucas 9:49.

      Será que João acha que os apóstolos são os únicos autorizados a curar doentes ou expulsar demônios? Se isso é verdade, por que esse homem judeu consegue expulsar espíritos maus? Talvez João ache que o homem não deve realizar obras poderosas porque não está acompanhando Jesus e os apóstolos.

      Para a surpresa de João, Jesus diz: “Não tentem impedi-lo, porque ninguém que faça uma obra poderosa em meu nome pode logo depois falar mal de mim. Pois quem não é contra nós é a favor de nós. E eu garanto a vocês que quem lhes der um copo de água para beber, por vocês pertencerem a Cristo, de modo algum perderá sua recompensa.” — Marcos 9:39-41.

      Assim, o homem não precisa acompanhar a Cristo para estar do lado de Jesus. A congregação cristã ainda será formada, e embora esse homem não esteja viajando com Jesus, isso não quer dizer que ele é um opositor ou que está promovendo uma religião falsa. É evidente que ele tem fé no nome de Jesus, e o que Jesus diz dá a entender que o homem não vai perder a sua recompensa.

      Um homem com uma pedra de moinho em volta do pescoço sendo lançado no mar

      Por outro lado, seria muito grave se o homem tropeçasse por causa das palavras e ações dos apóstolos. Jesus declara: “Quem fizer tropeçar um destes pequenos que têm fé, seria melhor para ele que pusessem no seu pescoço uma pedra de moinho daquelas que o jumento faz girar, e que fosse lançado no mar.” (Marcos 9:42) Então Jesus diz que seus seguidores devem arrancar algo tão precioso como uma mão, um pé ou um olho se isso os faz tropeçar. É melhor ficar sem uma parte do corpo e entrar no Reino de Deus do que se apegar a ela e acabar na Geena (vale de Hinom). Provavelmente os apóstolos já viram esse vale perto de Jerusalém, onde o lixo é queimado. Assim, entendem que ele representa a destruição eterna.

      Jesus também alerta: “Tomem cuidado para não desprezar um destes pequenos, pois eu lhes digo que os anjos deles no céu estão sempre vendo a face do meu Pai.” Até que ponto esses “pequenos” são preciosos para seu Pai? Jesus fala de um homem que tem cem ovelhas e perde uma. O homem deixa as 99 ovelhas para procurar a ovelha perdida e, ao encontrá-la, ele se alegra mais com ela do que com as outras 99. Jesus diz: “Não é o desejo do meu Pai, que está no céu, que se perca nem mesmo um destes pequenos.” — Mateus 18:10, 14.

      Talvez pensando na discussão dos apóstolos sobre quem será o maior, Jesus diz: “Tenham sal em vocês mesmos e mantenham a paz uns com os outros.” (Marcos 9:50) O sal dá mais sabor aos alimentos. O sal figurativo torna mais fácil aceitar o que alguém diz e pode ajudar a manter a paz, algo que não se consegue discutindo. — Colossenses 4:6.

      Às vezes, vão surgir problemas graves, e Jesus ensina a lidar com isso: “Se o seu irmão cometer um pecado, vá mostrar-lhe o seu erro, somente você e ele. Se ele o escutar, você ganhou o seu irmão.” Mas se não escutar, Jesus diz: “Leve com você mais um ou dois, para que, com base no depoimento de duas ou três testemunhas, toda questão seja estabelecida.” Se isso não resolver o problema, devem falar “à congregação”, ou seja, aos anciãos responsáveis que podem tomar uma decisão. E se o pecador ainda não escutar? “Seja ele para você apenas como homem das nações e como cobrador de impostos”, pessoas com quem os judeus não se associariam. — Mateus 18:15-17.

      Os anciãos precisam se apegar à Palavra de Deus. Se acharem que um pecador é culpado e precisa ser disciplinado, o julgamento deles “já terá sido amarrado no céu”. Mas, se acharem que a pessoa é inocente, o julgamento “terá sido solto no céu”. As orientações de Jesus serão de ajuda quando a congregação cristã for formada. Sobre casos sérios como esses, ele diz: “Onde há dois ou três reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles.” — Mateus 18:18-20.

      • Por que o homem que expulsa demônios não deve ser encarado como um opositor?

      • Qual é a gravidade de fazer alguém “pequeno” tropeçar? E como Jesus ilustra a importância desses “pequenos”?

      • Que orientações Jesus dá sobre o que fazer quando um irmão comete um pecado?

  • A importância de ser perdoador
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um escravo tenta enforcar outro escravo

      CAPÍTULO 64

      A importância de ser perdoador

      MATEUS 18:21-35

      • DEVEMOS PERDOAR ATÉ SETE VEZES?

      • ILUSTRAÇÃO DO ESCRAVO QUE NÃO MOSTROU MISERICÓRDIA

      Pedro ouviu o conselho de Jesus sobre como lidar com problemas entre irmãos por tentar resolvê-los pessoalmente. Mas parece que Pedro quer saber o número exato de vezes que alguém deve fazer isso.

      Pedro pergunta: “Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão se ele pecar contra mim? Até sete vezes?” Alguns líderes religiosos ensinam que uma pessoa deve perdoar até três vezes. Então Pedro talvez ache que ele seria muito bondoso se perdoasse um irmão “até sete vezes”. — Mateus 18:21.

      Mas a ideia de alguém ficar contando quantas vezes foi ofendido não está de acordo com o ensinamento de Jesus. Por isso, ele corrige Pedro: “Eu não lhe digo até sete vezes, mas até 77 vezes.” (Mateus 18:22) Em outras palavras, sempre se deve perdoar. Não deve haver um limite de vezes para Pedro perdoar seu irmão.

      O rei perdoa a dívida de um escravo

      Depois Jesus faz uma ilustração a Pedro e aos outros para destacar a obrigação de serem perdoadores. É sobre um escravo que não imita a misericórdia do seu senhor. O rei quer ajustar contas com seus escravos. Um escravo, que tem uma enorme dívida de 10 mil talentos (60 milhões de denários), é levado até ele. O escravo não tem condições de pagar o que deve. Então o rei ordena que ele, sua esposa e seus filhos sejam vendidos, e que a dívida seja paga. Com isso, o escravo se curva aos pés do seu senhor e implora: “Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei tudo.” — Mateus 18:26.

      Um escravo acusa outro escravo e faz com ele seja preso

      O rei fica com pena do escravo e mostra misericórdia por cancelar a sua grande dívida. Depois disso, o escravo vai encontrar um coescravo, que lhe deve 100 denários. Ele o agarra e começa a estrangulá-lo, dizendo: “Pague o que você deve.” O coescravo se curva aos seus pés e implora: “Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei.” (Mateus 18:28, 29) Mas o escravo que foi perdoado pelo rei não imita seu senhor. Ele manda seu coescravo, que deve muito menos, ser jogado na prisão até que pague o que deve.

      O rei manda o escravo que não mostrou misericórdia para a prisão

      Então Jesus diz que outros escravos veem esse escravo agir sem misericórdia e contam isso ao seu senhor, que fica furioso e manda chamar o escravo. E o rei lhe diz: “Escravo mau, eu lhe cancelei toda aquela dívida quando você me suplicou. Não devia você também ter tido misericórdia do seu coescravo, como eu tive misericórdia de você?” Furioso, o rei entrega o escravo mau aos carcereiros até que pague tudo o que deve. Jesus conclui: “Meu Pai celestial tratará vocês da mesma forma, se cada um de vocês não perdoar de coração ao seu irmão.” — Mateus 18:32-35.

      Que excelente lição sobre ser perdoador! Deus nos perdoou uma dívida muito grande, os nossos pecados. Qualquer pecado que um irmão cristão cometa contra nós é pequeno em comparação a isso. E Jeová nos perdoa não uma vez, mas milhares de vezes. Será que não podemos perdoar nosso irmão muitas vezes, mesmo que tenhamos razão para nos queixar? Conforme Jesus ensinou no Sermão do Monte, Deus vai ‘perdoar as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos os nossos devedores’. — Mateus 6:12.

      • Por que Pedro pergunta sobre perdoar seu irmão? E por que ele acha bondoso perdoar alguém sete vezes?

      • Como o rei reage ao pedido de misericórdia de seu escravo? Mas como o escravo lida com seu coescravo?

      • Que lição aprendemos da ilustração de Jesus?

  • Ele ensina durante uma viagem a Jerusalém
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus e seus discípulos viajando para Jerusalém

      CAPÍTULO 65

      Ele ensina durante uma viagem a Jerusalém

      MATEUS 8:19-22 LUCAS 9:51-62 JOÃO 7:2-10

      • COMO OS IRMÃOS DE JESUS O ENCARAM

      • QUANTA IMPORTÂNCIA TEM O SERVIÇO DO REINO?

      Há algum tempo, Jesus concentra suas atividades na Galileia, onde tem conseguido melhores resultados do que na Judeia. Pois, quando curou um homem no sábado em Jerusalém, ‘os judeus procuraram matá-lo’. — João 5:18; 7:1.

      É setembro ou outubro de 32 EC, e está chegando a Festividade das Tendas (ou Barracas). Essa festividade dura sete dias, e no oitavo dia há uma assembleia solene. A festividade marca o fim do ano agrícola e é uma ocasião de muita alegria e agradecimento.

      Jesus com seus discípulos Tiago e João

      Tiago, Simão, José e Judas, os meios-irmãos de Jesus, o aconselham: “Saia daqui e vá à Judeia.” Visto que é o centro religioso do país, Jerusalém fica muito cheia durante as três festividades anuais. Os irmãos de Jesus dizem: “Ninguém faz as coisas em segredo quando procura ser conhecido publicamente. Se você está fazendo essas coisas, mostre-se ao mundo.” — João 7:3, 4.

      Na verdade, esses irmãos de Jesus ‘não exercem fé nele’ como o Messias, mas querem que as pessoas reunidas na festividade o vejam realizar algumas obras poderosas. Sabendo do perigo, Jesus lhes diz: “O mundo não tem razão para odiar vocês, mas odeia a mim, porque dou testemunho dele, de que as suas obras são más. Subam para a festividade; eu ainda não vou a essa festividade, porque o meu tempo ainda não se cumpriu.” — João 7:5-8.

      Alguns dias depois de os irmãos de Jesus e a maioria dos viajantes saírem da cidade, Jesus e seus discípulos saem sem deixar que outros os vejam. Eles vão por um caminho direto, que passa por Samaria, em vez de ir pelo caminho que a maioria prefere, próximo do rio Jordão. Jesus e seus discípulos precisarão de um lugar para ficar em Samaria, por isso ele envia mensageiros na frente para fazer os preparativos. As pessoas em uma aldeia se recusam a recebê-los ou a mostrar hospitalidade porque Jesus está indo a Jerusalém para a festividade judaica. Furiosos, Tiago e João perguntam: “Senhor, quer que mandemos que desça fogo do céu e os destrua?” (Lucas 9:54) Jesus os repreende por isso, e eles continuam a viagem.

      No caminho, um escriba diz a Jesus: “Instrutor, eu o seguirei para onde quer que o senhor vá.” Jesus responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde deitar a cabeça.” (Mateus 8:19, 20) Ele quer dizer que o escriba vai passar por dificuldades se ele se tornar seguidor de Jesus. Pelo visto, o escriba é muito orgulhoso para aceitar esse modo de vida. Por isso, cada um de nós pode se perguntar: “Até que ponto estou disposto a ser seguidor de Jesus?”

      1. Raposa numa toca; 2. Pássaro num ninho

      Jesus diz a outro homem: “Seja meu seguidor.” O homem responde: “Senhor, permita-me primeiro ir enterrar meu pai.” Conhecendo a situação do homem, Jesus diz: “Deixe que os mortos enterrem seus mortos, mas você, vá e divulgue o Reino de Deus.” (Lucas 9:59, 60) É evidente que o pai dele ainda não morreu. Se isso fosse verdade, seria pouco provável que o filho estivesse conversando com Jesus. O filho não está preparado para colocar o Reino de Deus em primeiro lugar na sua vida.

      Ao descer a estrada em direção a Jerusalém, outro homem diz a Jesus: “Eu o seguirei, Senhor, mas permita-me primeiro me despedir da minha família.” Ele responde: “Ninguém que tiver posto a mão num arado e olhar para trás está apto para o Reino de Deus.” — Lucas 9:61, 62.

      Os que querem ser verdadeiros discípulos de Jesus devem se concentrar no serviço do Reino. Se um agricultor não ficar olhando para frente, o sulco poderá ficar torto. Se ele colocar o arado no chão e olhar para trás, o serviço no campo vai atrasar. De modo similar, quem olhar para trás neste sistema poderá acabar se desviando do caminho que leva à vida eterna.

      • O que os quatro meios-irmãos de Jesus acham dele?

      • Por que os samaritanos não recebem a Jesus? E o que Tiago e João querem fazer com eles?

      • Que três conversas Jesus tem na sua viagem, e o que ele enfatiza sobre o serviço de Deus?

  • Ele vai a Jerusalém para a Festividade das Tendas
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus ensinando no templo em Jerusalém

      CAPÍTULO 66

      Ele vai a Jerusalém para a festividade das tendas

      JOÃO 7:11-32

      • JESUS ENSINA NO TEMPLO

      Jesus ficou bem conhecido desde seu batismo, há alguns anos. Milhares de judeus viram os milagres que ele realizou, e em todo o país se ouviu falar sobre suas obras. Agora, na Festividade das Tendas (ou Barracas) em Jerusalém, muitos o procuram.

      As pessoas têm muitas opiniões sobre Jesus. Alguns dizem: “Ele é um homem bom.” E outros dizem: “Não é. Ele está enganando a multidão.” (João 7:12) Esses comentários ocorrem principalmente nos primeiros dias da festividade. Mas ninguém tem coragem de defender Jesus em público, pois muitos têm medo de como os líderes judeus vão reagir.

      Durante a festividade, Jesus vai ao templo. Muitas pessoas ficam impressionadas com sua excelente habilidade de ensinar. Visto que ele nunca foi às escolas rabínicas, os judeus se perguntam: “Como é que este homem tem tanto conhecimento das Escrituras, se não estudou nas escolas?” — João 7:15.

      Jesus explica: “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou. Se alguém desejar fazer a Sua vontade, saberá se os ensinamentos são de Deus ou se o que falo se origina de mim.” (João 7:16, 17) Os ensinamentos de Jesus estão de acordo com a Lei de Deus, assim fica claro que ele está buscando a glória de Deus, não de si mesmo.

      Então Jesus diz: “Moisés lhes deu a Lei, não deu? Mas nenhum de vocês obedece à Lei. Por que procuram me matar?” Alguns na multidão, talvez visitantes de outra cidade, não sabem que estão tentando matá-lo. Não conseguem acreditar que alguém quer matar um instrutor como ele. Assim, concluem que algo deve estar errado com Jesus para ele fazer essa afirmação. Eles dizem: “Você tem demônio. Quem está procurando matá-lo?” — João 7:19, 20.

      Há um ano e meio, os líderes judeus quiseram matar Jesus após ele curar um homem no sábado. Agora Jesus usa uma linha de raciocínio que os faz refletir e expõe a falta de razoabilidade deles. Ele chama a atenção para a Lei, que exige que um menino seja circuncidado no oitavo dia, mesmo que seja um sábado. Então pergunta: “Se um homem recebe a circuncisão num sábado para que a Lei de Moisés não seja violada, por que vocês estão tão irados comigo por eu ter curado completamente um homem num sábado? Parem de julgar pelas aparências, mas façam um julgamento justo.” — João 7:23, 24.

      Os habitantes de Jerusalém que sabem da situação dizem: “Não é este o homem que [os nossos líderes] procuram matar? No entanto, ele está aqui falando em público, e não lhe dizem nada. Será que os nossos líderes realmente acham que ele é o Cristo?” Então por que as pessoas não acreditam nisso? Elas dizem: “Nós sabemos de onde é esse homem; ao passo que, quando o Cristo vier, ninguém saberá de onde ele é.” — João 7:25-27.

      Ali mesmo no templo, Jesus responde: “Vocês me conhecem e sabem de onde eu sou. E eu não vim de minha própria iniciativa, mas Aquele que me enviou é real, e vocês não o conhecem. Eu o conheço, porque sou representante dele, e ele me enviou.” (João 7:28, 29) Em resposta a essas palavras tão diretas, as pessoas tentam pegar Jesus, talvez para prendê-lo ou matá-lo. Mas não conseguem fazer isso porque ainda não chegou a hora de ele morrer.

      Mas muitos demonstram fé em Jesus, e deviam fazer isso. Pois ele andou sobre a água, acalmou os ventos, alimentou milagrosamente milhares de pessoas com alguns pães e peixes, curou os doentes, fez os mancos andar, abriu os olhos dos cegos, curou os leprosos e até ressuscitou os mortos. Sem dúvida, eles têm bons motivos para se perguntar: “Quando o Cristo vier, será que realizará mais sinais do que esse homem realizou?” — João 7:31.

      Quando os fariseus ouviram a multidão dizer essas coisas, eles e os principais sacerdotes enviaram guardas para prender Jesus.

      • O que as pessoas dizem sobre Jesus quando ele chega à festividade?

      • Que raciocínio Jesus usa para mostrar que não está violando a Lei de Deus?

      • Por que muitas pessoas demonstram fé em Jesus?

  • “Nunca homem algum falou assim”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Soldados enviados para prender Jesus voltam sem ele

      CAPÍTULO 67

      “Nunca homem algum falou assim”

      JOÃO 7:32-52

      • GUARDAS SÃO ENVIADOS PARA PRENDER JESUS

      • NICODEMOS FALA EM DEFESA DE JESUS

      Jesus ainda está em Jerusalém para a Festividade das Tendas (ou Barracas). Ele está feliz porque “muitos da multidão depositaram fé nele”. Mas isso não agrada aos líderes religiosos, que enviam guardas para prendê-lo. (João 7:31, 32) No entanto, Jesus não tenta se esconder.

      Ele continua a ensinar publicamente em Jerusalém, dizendo: “Ficarei com vocês mais um pouco, antes de ir para Aquele que me enviou. Vocês me procurarão, mas não me acharão, e, para onde eu vou, vocês não podem ir.” (João 7:33, 34) Visto que não entendem, os judeus se perguntam: “Para onde esse homem pretende ir, de modo que não poderemos achá-lo? Será que ele pretende ir aos judeus dispersos entre os gregos e ensinar os gregos? O que ele quer dizer com as palavras: ‘Vocês me procurarão, mas não me acharão, e, para onde eu vou, vocês não podem ir’?” (João 7:35, 36) Jesus está falando sobre sua morte e ressurreição para a vida no céu, e seus inimigos não podem segui-lo até lá.

      Chega o sétimo dia da festividade. Durante a festividade, toda manhã um sacerdote derrama numa bacia a água que foi tirada do reservatório de Siloé, para que a água escorra até a base do altar. Talvez para lembrar as pessoas dessa prática, Jesus diz bem alto: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem depositar fé em mim, assim como disse uma passagem das Escrituras, ‘do seu íntimo fluirão correntes de água viva’.” — João 7:37, 38.

      Jesus se refere ao que vai acontecer quando seus discípulos forem ungidos com espírito santo e chamados para ter a esperança de vida celestial. Essa unção vai ocorrer após a morte de Jesus. No dia de Pentecostes do próximo ano, as correntes de água que dão vida começarão a fluir quando os discípulos ungidos por espírito divulgarem a verdade às pessoas.

      Em resposta a esse ensinamento de Jesus, alguns dizem: “Este é realmente o Profeta”, talvez se referindo ao prometido profeta maior do que Moisés. Outros dizem: “Este é o Cristo.” Mas alguns dizem: “Será que o Cristo vem da Galileia? Não dizem as Escrituras que o Cristo virá da descendência de Davi e de Belém, a aldeia de onde Davi era?” — João 7:40-42.

      Assim, a multidão está dividida. Alguns querem que Jesus seja preso, mas ninguém se atreve a tocar nele. Quando os guardas voltam até os líderes religiosos sem Jesus, os principais sacerdotes e os fariseus perguntam: “Por que vocês não o trouxeram para cá?” Os homens respondem: “Nunca homem algum falou assim!” Furiosos, os líderes religiosos começam a zombar deles: “Será que vocês também foram enganados? Por acaso algum dos nossos líderes ou dos fariseus depositou fé nele? Mas essa multidão, que não conhece a Lei, são pessoas amaldiçoadas.” — João 7:45-49.

      Nicodemos fala em defesa de Jesus

      Com isso, Nicodemos, fariseu e membro do Sinédrio, fala corajosamente em defesa de Jesus. Uns dois anos e meio atrás, Nicodemos foi até Jesus à noite e demonstrou fé nele. Agora Nicodemos diz: “Será que a nossa Lei julga um homem sem que primeiro o ouça e saiba o que ele está fazendo?” Os homens se defendem, dizendo: “Será que você também é da Galileia? Pesquise e veja que nenhum profeta surgirá na Galileia.” — João 7:51, 52.

      As Escrituras não dizem diretamente que um profeta viria da Galileia. Mas a Palavra de Deus fala que o Cristo viria de lá. Ela profetizou que “uma grande luz” seria vista na “Galileia das nações”. (Isaías 9:1, 2; Mateus 4:13-17) Além disso, conforme profetizado, Jesus nasceu em Belém e é descendente de Davi. Embora os fariseus saibam disso, é provável que sejam responsáveis por espalhar muitos dos conceitos errados que as pessoas têm sobre Jesus.

      • O que Jesus diz para lembrar as pessoas de uma prática realizada toda manhã durante a festividade?

      • Por que os guardas não prendem Jesus, e como os líderes religiosos reagem?

      • O que indica que o Cristo viria da Galileia?

  • O Filho de Deus é “a luz do mundo”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus ensina no templo à noite

      CAPÍTULO 68

      O Filho de Deus é “a luz do mundo”

      JOÃO 8:12-36

      • JESUS EXPLICA QUEM O FILHO DE DEUS É

      • EM QUE SENTIDO OS JUDEUS SÃO ESCRAVOS?

      No último dia da Festividade das Tendas, o sétimo dia, Jesus está ensinando no templo, na área chamada de “tesouro”. (João 8:20; Lucas 21:1) Pelo visto, essa área fica no Pátio das Mulheres, onde as pessoas colocam suas contribuições.

      À noite na festividade, essa área do templo tem uma iluminação especial. Quatro candelabros enormes ficam ali, cada um com quatro bacias grandes com óleo. A luz dessas lâmpadas é forte o bastante para iluminar uma grande área. O que Jesus diz agora talvez lembre seus seguidores desses candelabros: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue de modo algum andará na escuridão, mas terá a luz da vida.” — João 8:12.

      Os fariseus se opõem à declaração de Jesus, dizendo: “Você dá testemunho de si mesmo; seu testemunho não é verdadeiro.” Jesus diz em resposta: “Mesmo que eu dê testemunho de mim mesmo, meu testemunho é verdadeiro, porque eu sei de onde vim e para onde vou. Mas vocês não sabem de onde eu vim nem para onde vou.” Depois continua dizendo: “Na própria Lei de vocês está escrito: ‘O testemunho de dois homens é verdadeiro.’ Eu sou um que dá testemunho de mim mesmo, e o Pai, que me enviou, dá testemunho de mim.” — João 8:13-18.

      Os fariseus não concordam com o raciocínio de Jesus e lhe perguntam: “Onde está o seu Pai?” Ele dá uma resposta direta: “Vocês não conhecem nem a mim nem ao meu Pai. Se me conhecessem, conheceriam também o meu Pai.” (João 8:19) Os fariseus ainda querem que Jesus seja preso, mas ninguém se atreve a tocá-lo.

      Novamente, Jesus declara: “Eu vou embora, e vocês me procurarão, contudo morrerão nos seus pecados. Para onde eu vou, vocês não podem ir.” Os judeus entendem completamente errado as palavras de Jesus, por isso se perguntam: “Será que ele vai se matar? Porque ele diz: ‘Para onde eu vou, vocês não podem ir.’” Eles não entendem o que Jesus quer dizer porque não sabem de onde ele veio. Jesus explica: “Vocês são dos domínios de baixo; eu sou dos domínios de cima. Vocês são deste mundo; eu não sou deste mundo.” — João 8:21-23.

      Jesus está falando sobre a sua vida pré-humana no céu e sobre ser o prometido Messias, ou Cristo, alguém que esses líderes religiosos deviam ter reconhecido. Mas eles perguntam com muito desprezo: “Quem é você?” — João 8:25.

      Diante da oposição e rejeição deles, Jesus diz: “Por que é que estou falando com vocês?” Então ele dirige a atenção para seu Pai e explica por que os judeus deviam ouvir o Filho: “Aquele que me enviou é verdadeiro, e aquilo que ouvi dele eu digo ao mundo.” — João 8:25, 26.

      Em seguida, Jesus mostra confiança em seu Pai, algo que os judeus não têm: “Depois que vocês tiverem erguido o Filho do Homem, então saberão que eu sou ele e que não faço nada de minha própria iniciativa, mas falo aquilo que o Pai me ensinou. E Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou só, porque faço sempre o que lhe agrada.” — João 8:28, 29.

      Mas alguns judeus demonstram fé em Jesus, e ele lhes diz: “Se vocês permanecerem nas minhas palavras, são realmente meus discípulos; vocês conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.” — João 8:31, 32.

      Alguns acham estranho o que Jesus diz sobre serem libertados. Por isso, dizem: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como é que você diz: ‘Vocês ficarão livres’?” Os judeus sabem que às vezes foram dominados por estrangeiros, mas se recusam a ser chamados de escravos. No entanto, Jesus mostra que eles ainda são escravos: “Digo-lhes com toda a certeza: Todo aquele que peca é escravo do pecado.” — João 8:33, 34.

      Os judeus se recusam a reconhecer que são escravos do pecado, e isso os coloca numa situação perigosa. Jesus explica: “O escravo não permanece na casa para sempre; o filho permanece para sempre.” (João 8:35) Um escravo não tem direito a receber herança e pode ser dispensado a qualquer momento. Somente o filho legítimo ou adotado pela família permanece “para sempre”, ou seja, enquanto ele viver.

      Assim, a verdade sobre o Filho é a verdade que liberta para sempre as pessoas do pecado, que resulta na morte. Jesus diz: “Se o Filho os libertar, vocês serão realmente livres.” — João 8:36.

      • O que acontece à noite na festividade, e como isso está relacionado ao ensinamento de Jesus?

      • O que Jesus diz sobre de onde ele veio, e o que isso revela sobre sua identidade?

      • Em que sentido os judeus são escravos, mas que verdade os libertará?

  • Quem é o pai deles — Abraão ou o Diabo?
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Judeus tentam apedrejar Jesus, mas ele sai ileso

      CAPÍTULO 69

      Quem é o pai deles — Abraão ou o Diabo?

      JOÃO 8:37-59

      • OS JUDEUS DIZEM QUE ABRAÃO É O PAI DELES

      • JESUS JÁ EXISTIA ANTES DE ABRAÃO

      Jesus ainda está em Jerusalém para a Festividade das Tendas (ou Barracas) e continua ensinando importantes verdades. Alguns judeus que estão na festividade dizem: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém.” Jesus diz em resposta: “Sei que vocês são descendentes de Abraão. Mas vocês procuram me matar, porque não aceitam as minhas palavras. Eu falo do que vi enquanto estava com o meu Pai, mas vocês fazem o que ouviram do seu pai.” — João 8:33, 37, 38.

      Jesus quer dizer que seu Pai não é o mesmo que o pai deles. Os judeus não entendem isso, então dizem novamente: “Nosso pai é Abraão.” (João 8:39; Isaías 41:8) E realmente são descendentes de Abraão. Por isso, acham que têm a mesma fé que ele, que foi amigo de Deus.

      Mas Jesus dá uma resposta surpreendente: “Se vocês fossem filhos de Abraão, fariam as obras de Abraão.” Realmente, um filho de verdade imita o pai. Então Jesus continua: “Mas o fato é que vocês procuram matar a mim, um homem que lhes disse a verdade que ouviu de Deus. Abraão não agiu assim.” Depois Jesus faz uma intrigante declaração: “Vocês fazem as obras do seu pai.” — João 8:39-41.

      Os judeus ainda não entendem de quem Jesus está falando. Afirmam que são filhos legítimos, dizendo: “Não nascemos de imoralidade. Temos um só Pai, Deus.” Mas será que Deus é realmente o Pai deles? Jesus diz: “Se Deus fosse o seu Pai, vocês me amariam, pois vim de Deus e estou aqui. Eu não vim de minha própria iniciativa, mas foi ele que me enviou.” Então Jesus faz uma pergunta e ele mesmo responde: “Por que vocês não entendem o que estou dizendo? Porque são incapazes de ouvir as minhas palavras.” — João 8:41-43.

      Jesus tentou mostrar as consequências de rejeitá-lo. Mas agora fala de forma bem direta: “Vocês são filhos do seu pai, o Diabo, e querem satisfazer os desejos do seu pai.” O que sabemos do pai deles? Jesus revela claramente quem ele é: “Ele foi um assassino quando começou, e não permaneceu na verdade.” Depois diz: “Quem é de Deus escuta as declarações de Deus. É por isso que vocês não escutam, porque não são de Deus.” — João 8:44, 47.

      Os judeus ficam furiosos com essa acusação e dizem: “Não estamos certos em dizer que você é samaritano e tem demônio?” Ao chamar Jesus de “samaritano”, eles o desrespeitam. Mas ele ignora o insulto e responde: “Eu não tenho demônio, mas honro o meu Pai, e vocês me desonram.” Percebemos a seriedade do assunto na sua surpreendente promessa: “Se alguém obedecer às minhas palavras, nunca jamais verá a morte.” Jesus não quer dizer que os apóstolos e outros que o seguem nunca morrerão, mas que não verão a destruição eterna, “a segunda morte”, sem esperança de ressurreição. — João 8:48-51; Apocalipse 21:8.

      Mas os judeus entendem as palavras de Jesus literalmente e dizem: “Agora sabemos que você tem demônio. Abraão morreu, os profetas também, mas você diz: ‘Se alguém obedecer às minhas palavras, nunca jamais provará a morte.’ Será que você é maior do que nosso pai Abraão, que morreu? . . . Quem você pensa que é?” — João 8:52, 53.

      É claro que Jesus está falando sobre ser o Messias. Mas, em vez de responder diretamente à pergunta deles sobre quem ele é, Jesus diz: “Se eu glorificar a mim mesmo, a minha glória não é nada. É o meu Pai quem me glorifica, aquele que vocês dizem ser o seu Deus. No entanto, vocês não o conhecem, mas eu o conheço. E, se eu dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vocês.” — João 8:54, 55.

      Depois Jesus volta a falar sobre o exemplo do fiel antepassado deles: “Abraão, o pai de vocês, alegrou-se muito com a perspectiva de ver o meu dia, e ele o viu e se alegrou.” Abraão acreditava na promessa de Deus e esperava com expectativa a vinda do Messias. Os judeus não acreditam e dizem: “Você não tem nem 50 anos, e ainda assim viu Abraão?” Jesus responde: “Digo-lhes com toda a certeza: Antes de Abraão vir à existência, eu já existia.” Ele se refere à sua existência pré-humana no céu como um anjo poderoso. — João 8:56-58.

      Os judeus ficam furiosos quando Jesus diz que viveu antes de Abraão e querem apedrejá-lo. Mas ele consegue escapar sem ser ferido.

      • Como Jesus mostra que o seu Pai não é o mesmo que o pai dos seus inimigos?

      • Por que não é apropriado que os judeus insistam que Abraão é o pai deles?

      • Em que sentido os seguidores de Jesus ‘nunca jamais verão a morte’?

  • Jesus cura um homem que nasceu cego
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Depois de se lavar no reservatório de Siloé, um cego começa a enxergar

      CAPÍTULO 70

      Jesus cura um homem que nasceu cego

      JOÃO 9:1-18

      • UM MENDIGO CEGO DE NASCENÇA É CURADO

      Jesus ainda está em Jerusalém no sábado. Enquanto ele e seus discípulos andam pela cidade, veem um mendigo que nasceu cego. Os discípulos perguntam a Jesus: “Rabi, quem pecou, este homem ou os seus pais, para ele ter nascido cego?” — João 9:2.

      Os discípulos sabem que o homem não tem uma alma invisível, que existia antes de ele nascer, mas talvez se perguntem se alguém pode pecar enquanto está no ventre da mãe. Jesus responde: “Nem este homem pecou, nem os seus pais, mas é para que se mostrem as obras de Deus no caso dele.” (João 9:3) Então nem o homem nem seus pais são culpados de um erro ou pecado que pode ter causado sua cegueira. Em vez disso, em resultado do pecado de Adão, todos os humanos nascem imperfeitos e podem ter deficiências como a cegueira. A situação desse homem dá a Jesus a oportunidade de fazer as obras de Deus, assim como ele curou doentes em outras ocasiões.

      Jesus enfatiza a urgência de fazer essas obras, dizendo: “Temos de fazer as obras Daquele que me enviou enquanto é dia; está chegando a noite, quando ninguém poderá trabalhar. Enquanto eu estou no mundo, sou a luz do mundo.” (João 9:4, 5) Em breve, a morte de Jesus vai lançá-lo na escuridão da sepultura, onde ele não poderá fazer nada. Enquanto isso, ele é a fonte da verdadeira luz para o mundo.

      Jesus coloca lama nos olhos de um homem cego

      Mas será que Jesus vai curar o homem? Nesse caso, como ele fará isso? Jesus cospe no chão e faz lama com a saliva. Depois coloca um pouco dela sobre os olhos do cego e diz: “Vá e lave-se no reservatório de Siloé.” (João 9:7) O homem obedece. Depois de se lavar, ele consegue enxergar. Imagine a alegria desse homem ao enxergar pela primeira vez em sua vida!

      Os vizinhos e outros que sabem que ele era cego ficam maravilhados. Eles perguntam: “Este não é o homem que ficava sentado mendigando?” Alguns respondem: “É ele.” Mas outros não conseguem acreditar e dizem: “Não é, mas se parece com ele.” Então o próprio homem responde: “Sou eu mesmo.” — João 9:8, 9.

      Assim, eles lhe perguntam: “Como os seus olhos foram abertos?” Ele responde: “O homem chamado Jesus fez lama, passou-a nos meus olhos e me disse: ‘Vá a Siloé e lave-se.’ Então eu fui, me lavei e comecei a enxergar.” Daí eles perguntam: “Onde está esse homem?” O mendigo responde: “Não sei.” — João 9:10-12.

      As pessoas levam o homem até os fariseus, que também querem saber como ele foi curado. Ele lhes diz: “Ele pôs lama nos meus olhos, eu me lavei e agora posso enxergar.” Os fariseus deviam se alegrar com o mendigo que foi curado. Mas alguns deles acusam Jesus: “Esse homem não é de Deus, pois não guarda o sábado.” Ainda outros dizem: “Como pode um homem que é pecador realizar sinais desse tipo?” (João 9:15, 16) Assim, eles estão divididos.

      Diante dessas opiniões conflitantes, perguntam ao homem: “O que você diz a respeito dele, visto que foram os seus olhos que ele abriu?” Ele não tem dúvidas sobre Jesus e responde: “Ele é um profeta.” —  João 9:17.

      Os fariseus se recusam a acreditar nisso. Talvez achem que Jesus e o homem combinaram para enganar as pessoas. Concluem que o único modo de resolver o assunto é perguntar aos pais do mendigo se ele realmente era cego.

      • O que os discípulos acham que causou a cegueira do homem? Mas qual é a verdadeira causa?

      • Como os que conhecem o cego reagem depois que ele é curado?

      • Por que os fariseus ficam divididos sobre a cura do homem?

  • Os fariseus questionam o homem que era cego
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • O homem que era cego fala com os fariseus furiosos e os pais dele observam

      CAPÍTULO 71

      Os fariseus questionam o homem que era cego

      JOÃO 9:19-41

      • OS FARISEUS QUESTIONAM O HOMEM QUE ERA CEGO

      • OS LÍDERES RELIGIOSOS SÃO “CEGOS”

      Os fariseus não conseguem aceitar que Jesus curou um homem que nasceu cego, então chamam os pais do homem. Os pais sabem que correm o risco de ser ‘expulsos da sinagoga’. (João 9:22) Não ter mais associação com outros judeus teria sérias consequências na situação financeira e social da família.

      Os fariseus fazem duas perguntas: “Este é o seu filho que vocês dizem que nasceu cego? Como é que agora ele está enxergando?” Os pais respondem: “Sabemos que este é o nosso filho e que ele nasceu cego. Mas não sabemos como é que agora ele está enxergando, nem sabemos quem abriu os olhos dele.” Mesmo que o filho tenha contado aos pais o que aconteceu, eles são cautelosos com o que respondem: “Perguntem a ele. Ele é maior de idade; pode falar por si mesmo.” — João 9:19-21.

      Então os fariseus chamam o homem de novo e o intimidam, dizendo que têm provas contra Jesus. Eles exigem: “Dê glória a Deus! Sabemos que esse homem é pecador.” Invalidando a acusação deles, o homem que era cego diz: “Se ele é pecador, não sei. O que eu sei é que eu era cego e agora posso enxergar.” — João 9:24, 25.

      Insatisfeitos com a resposta, os fariseus dizem: “O que ele lhe fez? Como abriu os seus olhos?” O homem corajosamente responde: “Eu já lhes disse, mas vocês não escutaram. Por que querem ouvir de novo? Será que vocês também querem se tornar discípulos dele?” Furiosos, os fariseus o acusam: “Você é discípulo daquele homem, mas nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés, mas, quanto a esse homem, não sabemos de onde ele vem.” — João 9:26-29.

      O mendigo fica surpreso e diz: “Certamente isso é de admirar! Vocês não sabem de onde ele vem e, contudo, ele abriu os meus olhos.” Então o homem usa um raciocínio claro sobre quem Deus ouve e aprova: “Sabemos que Deus não escuta pecadores, mas, se alguém teme a Deus e faz a sua vontade, ele escuta a essa pessoa. Desde a antiguidade, nunca se ouviu falar que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença.” Isso o leva a concluir: “Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer absolutamente nada.” — João 9:30-33.

      Os fariseus não conseguem desmentir o mendigo e o insultam: “Você nasceu inteiramente em pecado e mesmo assim ensina a nós?” Depois o expulsam dali. — João 9:34.

      Quando Jesus fica sabendo o que aconteceu, procura o homem e lhe pergunta: “Você tem fé no Filho do Homem?” O homem responde: “Quem é ele, senhor, para que eu possa ter fé nele?” Jesus não deixa dúvidas ao dizer: “Você o viu e, na verdade, é ele quem está falando com você.” — João 9:35-37.

      O homem diz em resposta: “Eu tenho fé nele, Senhor!” Mostrando fé e respeito, ele se curva diante de Jesus, que faz uma intrigante declaração: “Vim ao mundo para um julgamento, para que os que não veem possam ver e os que veem se tornem cegos.” — João 9:38, 39.

      Esses fariseus sabem que não são cegos. Mas que dizer do seu suposto papel como instrutores espirituais? Para se justificar, eles perguntam: “Será que nós também somos cegos?” Jesus diz: “Se vocês fossem cegos, não seriam culpados de pecado. Mas, como vocês dizem: ‘Nós vemos’, seu pecado permanece.” (João 9:40, 41) Se não fossem instrutores em Israel, seria compreensível rejeitar Jesus como o Messias. Mas, visto que eles têm conhecimento da Lei, rejeitá-lo é um pecado grave.

      • Por que os pais de um mendigo que era cego ficam com medo quando são chamados pelos fariseus? E como eles lhes respondem?

      • Que raciocínio claro deixa os fariseus furiosos?

      • Por que os fariseus não têm desculpas para se opor a Jesus?

  • Jesus envia 70 discípulos para pregar
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Alguns dos 70 que foram enviados para pregar sobre o Reino contam a Jesus como foi a pregação

      CAPÍTULO 72

      Jesus envia 70 discípulos para pregar

      LUCAS 10:1-24

      • JESUS ESCOLHE 70 DISCÍPULOS E OS ENVIA PARA PREGAR

      É quase o fim de 32 EC, e faz uns três anos que Jesus foi batizado. Ele e seus discípulos estiveram na Festividade das Tendas em Jerusalém há pouco tempo. Pelo visto, ainda estão na região. (Lucas 10:38; João 11:1) Jesus passou a maior parte dos últimos seis meses de seu ministério na Judeia ou no outro lado do rio Jordão, no distrito da Pereia. Ainda é necessário pregar nessas regiões.

      Depois da Páscoa de 30 EC, Jesus passou alguns meses pregando na Judeia e viajando por Samaria. Então, perto da Páscoa de 31 EC, os judeus em Jerusalém tentaram matá-lo. Depois, Jesus ensinou principalmente na Galileia, ao norte da Judeia, por um ano e meio. Durante esse período, muitos se tornaram seus seguidores. Na Galileia, ele treinou seus apóstolos e os enviou com a seguinte instrução: “Preguem, dizendo: ‘O Reino dos céus está próximo.’” (Mateus 10:5-7) Agora ele organiza uma campanha de pregação na Judeia.

      Para iniciar essa campanha, Jesus escolhe 70 discípulos e os envia de dois em dois. Assim, há 35 pares de pregadores do Reino no território, onde ‘a colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos’. (Lucas 10:2) Eles devem ir aos lugares para onde Jesus talvez viaje mais tarde. Os 70 discípulos devem curar os doentes e divulgar a mesma mensagem que ele está divulgando.

      Os discípulos não devem se concentrar em ensinar nas sinagogas. Jesus os instrui a ir às casas das pessoas: “Em qualquer casa onde entrarem, digam primeiro: ‘Haja paz nesta casa.’ E, se ali houver um amigo da paz, a paz de vocês descansará sobre ele.” Qual será a mensagem? Jesus diz: “Digam-lhes: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês.’” — Lucas 10:5-9.

      Jesus dá aos 70 discípulos instruções parecidas às que deu aos 12 apóstolos quando os enviou cerca de um ano antes. Ele os avisa que nem todos os receberão bem. Mas seus esforços vão preparar pessoas receptivas à mensagem para quando Jesus chegar um pouco depois. Assim, muitas delas estarão ansiosas para conhecer o Senhor e aprender com ele.

      Não demorou muito para os 35 pares de pregadores voltarem até Jesus. Eles dizem com muita alegria: “Senhor, até mesmo os demônios nos obedecem pelo uso do seu nome.” Jesus fica muito animado com a boa notícia, pois diz: “Vejo Satanás já caído como relâmpago do céu. Escutem: Eu dei a vocês autoridade para pisar serpentes e escorpiões.” — Lucas 10:17-19.

      Assim, Jesus garante aos seus seguidores que vão superar situações difíceis, como que pisando serpentes e escorpiões. E podem estar certos de que no futuro Satanás cairá do céu. Jesus também ajuda os 70 a ver o que é realmente importante a longo prazo: “Não se alegrem porque os espíritos estão sendo sujeitos a vocês, mas alegrem-se porque os nomes de vocês foram escritos nos céus.” — Lucas 10:20.

      Ele está muito feliz e louva publicamente seu Pai por usar seus servos humildes de forma tão poderosa. Então diz a seus discípulos: “Felizes são os olhos que veem as coisas que vocês estão vendo. Pois eu lhes digo: Muitos profetas e reis desejaram ver as coisas que vocês estão observando, mas não as viram, e ouvir as coisas que vocês estão ouvindo, mas não as ouviram.” — Lucas 10:23, 24.

      • Onde Jesus prega nos últimos seis meses de seu ministério, e por que concentra suas atividades ali?

      • Que instrução Jesus dá aos 70 discípulos sobre onde encontrar as pessoas?

      • Embora os 70 discípulos realizem um grande trabalho, o que Jesus diz que é mais importante?

  • Um samaritano mostra o que é ser o próximo
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um samaritano se aproxima de um homem ferido depois que um sacerdote e um levita passam por ele do outro lado da estrada

      CAPÍTULO 73

      Um samaritano mostra o que é ser o próximo

      LUCAS 10:25-37

      • COMO HERDAR A VIDA ETERNA

      • O BOM SAMARITANO

      Jesus ainda está perto de Jerusalém quando alguns judeus vão até ele. Alguns querem aprender com Jesus, mas outros querem prová-lo. Um judeu perito na Lei pergunta: “Instrutor, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” — Lucas 10:25.

      Jesus percebe que o homem não está apenas querendo saber uma informação. Talvez queira que ele fale algo que ofenda os judeus. Jesus vê que o homem já tem uma opinião formada, então sabiamente responde de um modo que faz o homem revelar o que está pensando.

      Jesus pergunta: “O que está escrito na Lei? Como você lê?” Visto que o homem estudou a Lei de Deus, baseia sua resposta nela, e cita Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18: “‘Ame a Jeová, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua força e de toda a sua mente’ e ‘o seu próximo como a si mesmo’.” (Lucas 10:26, 27) Será que essa é a resposta?

      Jesus diz ao homem: “Você respondeu corretamente; persista em fazer isso e obterá a vida.” Mas será que isso encerra a conversa? O homem não quer apenas uma resposta direta. Ele quer “se mostrar justo”, confirmando que sua opinião está correta e que está tratando os outros como deveria. Então pergunta: “Quem é realmente o meu próximo?” (Lucas 10:28, 29) Essa pergunta aparentemente simples tem profundo significado. Como assim?

      Os judeus acreditam que a palavra “próximo” se refere apenas aos que seguem as tradições judaicas, e pode parecer que Levítico 19:18 apoia isso. Um judeu pode até mesmo afirmar que é “proibido” se associar com um não judeu. (Atos 10:28) Assim, esse homem e talvez alguns discípulos de Jesus se consideram justos por tratar com bondade seus irmãos judeus. Mas podem desprezar um não judeu, pois ele não é realmente seu “próximo”.

      Como Jesus pode corrigir esse ponto de vista sem ofender o homem e outros judeus? Ele faz isso por contar uma história: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes, que lhe arrancaram tudo, o espancaram e foram embora, deixando-o quase morto.” Jesus continua dizendo: “Por coincidência, um sacerdote descia por aquela estrada, mas, quando o viu, passou pelo lado oposto. Do mesmo modo, um levita, quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo lado oposto. Mas certo samaritano, viajando pela estrada, o encontrou e, ao vê-lo, teve pena.” — Lucas 10:30-33.

      O homem que está ouvindo a história de Jesus com certeza sabe que muitos sacerdotes e levitas que ajudam no templo moram em Jericó. Para voltar do templo, precisam viajar uns 23 quilômetros. O caminho pode ser perigoso, pois ladrões ficam escondidos à beira da estrada. Se um sacerdote e um levita encontram um irmão judeu em dificuldades devem ajudá-lo. Mas, nessa história, Jesus conta que eles não fazem isso. Quem o ajuda é um samaritano, um homem de um povo desprezado pelos judeus. — João 8:48.

      Como o samaritano ajuda o judeu que está machucado? Jesus continua: “[Ele] se aproximou dele e enfaixou seus ferimentos, derramando neles azeite e vinho. Então o pôs no seu próprio animal, o levou a uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: ‘Cuide dele e, tudo o que você gastar além disso, eu lhe pagarei quando voltar.’” — Lucas 10:34, 35.

      Depois de contar a história, Jesus, o Grande Instrutor, faz ao homem uma intrigante pergunta: “Qual desses três você acha que mostrou ser o próximo do homem que caiu nas mãos de assaltantes?” Talvez o homem fique com vergonha de dizer “o samaritano”, por isso diz: “Aquele que agiu misericordiosamente com ele.” Então Jesus torna claro qual é a lição: “Vá e faça você o mesmo.” — Lucas 10:36, 37.

      Que excelente método de ensino! Se Jesus simplesmente dissesse ao homem que os não judeus também são o seu próximo, será que o homem e os outros judeus que estão ouvindo aceitariam isso? É provável que não. Mas, por contar uma história simples usando detalhes com que os ouvintes conseguem se identificar, fica claro qual é a resposta à pergunta: “Quem é realmente o meu próximo?” Aquele que é realmente o próximo demonstra amor e bondade, conforme as Escrituras ordenam.

      • Qual pode ser o motivo de um homem perguntar a Jesus sobre como ganhar a vida eterna?

      • Quem os judeus acreditam que são o seu próximo, e por quê?

      • Como Jesus esclarece quem realmente é o nosso próximo?

  • Lições sobre a hospitalidade e a oração
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Maria senta aos pés de Jesus enquanto ele aconselha Marta

      CAPÍTULO 74

      Lições sobre a hospitalidade e a oração

      LUCAS 10:38–11:13

      • JESUS VISITA MARTA E MARIA

      • É IMPORTANTE PERSISTIR EM ORAR

      Na encosta leste do monte das Oliveiras, a uns três quilômetros de Jerusalém, fica o povoado de Betânia. (João 11:18) Jesus vai para lá e entra na casa de duas irmãs, Marta e Maria. Elas e seu irmão Lázaro são amigos de Jesus e lhe dão calorosas boas-vindas.

      Para eles é uma honra receber o Messias em sua casa. Marta está ansiosa para oferecer o melhor a Jesus, então começa a preparar uma refeição elaborada. Enquanto isso, sua irmã Maria se senta aos pés de Jesus para ouvi-lo. Depois de um tempo, Marta diz a Jesus: “Senhor, não se importa que minha irmã me deixou sozinha para cuidar das coisas? Diga a ela que venha me ajudar.” — Lucas 10:40.

      Em vez de criticar Maria, Jesus aconselha Marta porque ela está muito preocupada com as coisas materiais: “Marta, Marta, você está ansiosa e preocupada com muitas coisas. Mas poucas coisas são necessárias, ou apenas uma. Maria, por sua vez, escolheu a boa porção, e essa não será tirada dela.” (Lucas 10:41, 42) Jesus diz que não é necessário gastar muito tempo preparando tantos pratos, uma refeição simples é suficiente.

      Marta tem boa motivação, pois quer mostrar hospitalidade. Mas, como está muito preocupada com a refeição, não ouve a valiosa instrução do Filho de Deus. Assim, Jesus deixa claro que Maria faz a escolha sábia. Isso a beneficiará muito e é uma lição de que todos nós devemos nos lembrar.

      Em outra ocasião, Jesus ensina mais uma lição importante. Um discípulo lhe pede: “Senhor, ensine-nos a orar, como também João ensinou os discípulos dele.” (Lucas 11:1) Há cerca de um ano e meio, Jesus fez isso no Sermão do Monte. (Mateus 6:9-13) Mas talvez esse discípulo não estivesse presente, então Jesus relembra os pontos principais. Depois faz uma ilustração enfatizando a necessidade de persistir em orar.

      Jesus diz: “Digamos que um de vocês tenha um amigo e vá procurá-lo à meia-noite, e lhe diga: ‘Amigo, empreste-me três pães, porque um amigo meu acaba de chegar de uma viagem e eu não tenho nada para lhe oferecer.’ Mas ele responde lá de dentro: ‘Pare de me incomodar. A porta já está trancada e os meus filhinhos estão comigo na cama. Não posso me levantar e lhe dar algo.’ Eu lhes digo: Ele certamente se levantará para lhe dar tudo que necessita, não por ser seu amigo, mas por causa da sua persistência e ousadia.” — Lucas 11:5-8.

      Com isso, Jesus não quer dizer que Jeová não está disposto a atender aos nossos pedidos. Ele mostra que, se até um amigo que não está disposto atende aos pedidos persistentes de alguém, quanto mais nosso amoroso Pai celestial atenderá aos pedidos sinceros de seus servos leais. Então Jesus diz: “Persistam em pedir, e lhes será dado; persistam em buscar, e acharão; persistam em bater, e lhes será aberto. Pois todo aquele que pede, recebe; e todo aquele que busca, acha; e a todo aquele que bate, se abrirá.” — Lucas 11:9, 10.

      Depois Jesus destaca esse ponto por fazer uma comparação com pais humanos: “Qual é o pai entre vocês que, se o filho lhe pedir um peixe, lhe entregará uma serpente em vez de um peixe? Ou, se lhe pedir também um ovo, lhe entregará um escorpião? Portanto, se vocês, embora maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai, no céu, dará espírito santo aos que lhe pedirem!” (Lucas 11:11-13) Isso nos garante que nosso Pai está disposto a nos ouvir e atender às nossas necessidades.

      • A que coisas Marta e Maria dão atenção? E o que aprendemos disso?

      • Por que Jesus relembra suas instruções sobre a oração?

      • Como Jesus ilustra a necessidade de persistir em orar?

  • Jesus mostra qual é a fonte da felicidade
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus corrige uma mulher que deu honra especial à mãe dele, Maria

      CAPÍTULO 75

      Jesus mostra qual é a fonte da felicidade

      LUCAS 11:14-36

      • ELE EXPULSA DEMÔNIOS PELO PODER DO “DEDO DE DEUS”

      • A FONTE DA VERDADEIRA FELICIDADE

      Jesus acaba de relembrar suas instruções sobre a oração, mas esse não é o único assunto sobre o qual ele fala mais de uma vez em seu ministério. Quando realizou milagres na Galileia, enfrentou falsas acusações de que fazia isso pelo poder do governante dos demônios. Agora, na Judeia, é acusado novamente.

      Quando Jesus expulsa o demônio que deixava um homem mudo, as multidões ficam maravilhadas, mas não os que o criticam. Eles fazem a mesma acusação falsa: “Ele expulsa os demônios por meio de Belzebu, o governante dos demônios.” (Lucas 11:15) Outros querem saber mais sobre a identidade de Jesus e lhe pedem um sinal do céu.

      Jesus percebe que o estão testando, então diz algo similar ao que disse aos seus acusadores na Galileia. Ele declara que todo reino dividido contra si mesmo cairá: “Se Satanás também está dividido contra si mesmo, como o seu reino ficará de pé?” Depois Jesus diz diretamente: “Se é por meio do dedo de Deus que eu expulso os demônios, o Reino de Deus realmente alcançou vocês.” — Lucas 11:18-20.

      O que Jesus diz sobre o “dedo de Deus” talvez lembre seus ouvintes do que aconteceu com a nação de Israel no passado. A corte de Faraó viu Moisés realizar um milagre e exclamou: “É o dedo de Deus!” Também foi o “dedo de Deus” que escreveu os Dez Mandamentos nas duas tábuas de pedra. (Êxodo 8:19; 31:18) Do mesmo modo, o “dedo de Deus” — seu espírito santo, ou força ativa — é o que habilita Jesus a expulsar demônios e curar doentes. Assim, o Reino de Deus realmente alcança seus opositores, pois Jesus, o Rei designado do Reino, está ali realizando essas obras.

      A capacidade de Jesus para expulsar demônios prova que ele tem poder sobre Satanás, assim como um homem forte vem e domina o guarda bem armado de um palácio. Jesus também relembra sua ilustração sobre um espírito impuro que sai de um homem. Se o homem não ocupar a mente com coisas boas, esse espírito vai voltar com outros sete espíritos, piorando a situação do homem. (Mateus 12:22, 25-29, 43-45) E isso está acontecendo com a nação de Israel.

      Uma mulher que está ouvindo Jesus diz: “Feliz o ventre que o carregou e os seios que o amamentaram!” As mulheres judias queriam ser mães de um profeta, especialmente do Messias. Então essa mulher talvez pense que Maria tem motivos para se alegrar por ser mãe de um instrutor como Jesus. Mas ele a corrige mostrando qual é a verdadeira fonte da felicidade: “Não, em vez disso, felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática!” (Lucas 11:27, 28) Jesus nunca deu a entender que Maria devia receber honra especial. Em vez disso, qualquer um pode encontrar verdadeira felicidade em ser um servo leal de Deus, não em vínculos familiares nem em realizações pessoais.

      Assim como fez na Galileia, Jesus censura os que pedem um sinal do céu. Ele diz que nenhum sinal será dado, exceto “o sinal de Jonas”. Por ter passado três dias dentro de um peixe e por ter pregado corajosamente, o que levou os ninivitas a se arrepender, Jonas foi como um sinal. Jesus diz: “Mas agora alguém maior do que Jonas está aqui.” (Lucas 11:29-32) Jesus também é maior do que Salomão, que impressionou a rainha de Sabá com sua sabedoria.

      Jesus continua: “Depois de acender uma lâmpada, a pessoa a coloca não num lugar oculto nem debaixo de um cesto, mas em cima de um suporte.” (Lucas 11:33) Talvez ele queira dizer que ensinar e realizar milagres na presença dessas pessoas é como esconder a luz de uma lâmpada. Como os olhos deles não estão focados, não entendem o objetivo das obras de Jesus.

      Jesus expulsou um demônio e fez um mudo falar. Isso devia motivar as pessoas a dar glória a Deus e falar a outros sobre o que Jeová está realizando. Depois Jesus dá um alerta aos seus acusadores: ‘Por isso, tomem cuidado para que a luz que há em vocês não seja escuridão. Portanto, se todo o seu corpo for luminoso, sem nenhuma parte escura, todo ele será tão luminoso como uma lâmpada que ilumina vocês com a sua luz.’ — Lucas 11:35, 36.

      • Quando Jesus cura um homem, como algumas pessoas na Judeia reagem?

      • O que é o “dedo de Deus”, e como o Reino de Deus alcança os ouvintes de Jesus?

      • Como alguém pode encontrar a verdadeira felicidade?

  • Ele toma uma refeição com um fariseu
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus condena os fariseus por suas tradições religiosas e hipocrisia

      CAPÍTULO 76

      Ele toma uma refeição com um fariseu

      LUCAS 11:37-54

      • JESUS CONDENA OS FARISEUS HIPÓCRITAS

      Quando está na Judeia, Jesus aceita o convite para tomar uma refeição com um fariseu, provavelmente durante o dia. (Lucas 11:37, 38; veja Lucas 14:12.) Antes de comer, os fariseus seguem o ritual de lavar as mãos até os cotovelos. Mas Jesus não faz isso. (Mateus 15:1, 2) Lavar as mãos desse modo não é uma violação da Lei de Deus, mas não é algo que Deus exige.

      Esse fariseu fica surpreso porque Jesus não segue essa tradição. Jesus percebe isso e diz: “Ora, vocês, fariseus, limpam por fora o copo e o prato, mas por dentro estão cheios de ganância e de maldade. Insensatos! Aquele que fez o exterior também fez o interior, não fez?” — Lucas 11:39, 40.

      Mas lavar as mãos antes de comer não é o problema, e sim a hipocrisia religiosa. Os fariseus e outros que seguem o ritual de lavar as mãos não purificam seu coração da maldade. Por isso, Jesus os aconselha: “Deem aos pobres do que está no íntimo, e então tudo a respeito de vocês será limpo.” (Lucas 11:41) Assim, a ação de dar deve ser motivada por um coração amoroso, não pelo desejo de impressionar outros por fingir ser justo.

      Jesus não quer dizer que esses homens não praticam o dar. Ele diz: “[Vocês] dão o décimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas desconsideram a justiça e o amor a Deus! Essas coisas vocês tinham a obrigação de fazer, mas sem desconsiderar as outras.” (Lucas 11:42) A Lei de Deus exige o pagamento do dízimo (a décima parte) da colheita. (Deuteronômio 14:22) Isso inclui a hortelã e a arruda, ervas ou plantas usadas como tempero. Os fariseus pagam rigorosamente o décimo dessas ervas. Mas e os requisitos mais importantes da Lei, como praticar a justiça e ser modestos perante Deus? — Miqueias 6:8.

      Jesus continua: “Ai de vocês, fariseus, porque amam os primeiros assentos nas sinagogas e os cumprimentos nas praças públicas! Ai de vocês, porque são como aquelas sepulturas que não são facilmente vistas, e os homens andam sobre elas sem saber!” (Lucas 11:43, 44) As pessoas podem tropeçar nessas sepulturas e ficar cerimonialmente impuras. Jesus usa isso para deixar claro que a impureza dos fariseus não é evidente. — Mateus 23:27.

      Um homem perito na Lei de Deus reclama: “Instrutor, dizendo essas coisas, o senhor também insulta a nós.” Mas eles precisam entender que não estão ajudando as pessoas. Jesus diz: “Ai de vocês também, peritos na Lei, porque põem sobre os homens cargas difíceis de levar, mas vocês mesmos não tocam nas cargas nem com um só dedo! Ai de vocês, porque constroem os túmulos dos profetas, mas os seus antepassados os mataram!” — Lucas 11:45-47.

      As cargas sobre as quais Jesus está falando se referem às tradições orais e à interpretação da Lei pelos fariseus. Esses homens não facilitam a vida das pessoas. Insistem que todos sigam suas tradições, que se tornam cargas pesadas para o povo. Seus ancestrais mataram os profetas de Deus, desde Abel. Agora constroem sepulturas para os profetas, fazendo parecer que os honram quando, na verdade, imitam a atitude e as ações de seus antepassados. Querem até mesmo matar o principal Profeta de Deus. Jesus diz que Deus vai ajustar contas com essa geração. E isso acontece uns 38 anos depois, em 70 EC.

      Então Jesus diz: “Ai de vocês, peritos na Lei, porque se apoderaram da chave do conhecimento. Vocês mesmos não entraram e tentam impedir os que estão entrando!” (Lucas 11:52) Esses homens, que deviam ensinar o significado da Palavra de Deus, tiram a oportunidade de as pessoas a conhecerem e entenderem.

      Os fariseus e os escribas ficam furiosos. Enquanto Jesus está saindo, se opõem a ele e o enchem de perguntas. Mas não fazem isso porque querem aprender. Eles querem induzir Jesus a dizer algo que lhes dê motivo para prendê-lo.

      • Por que Jesus condena os fariseus e os escribas?

      • Que cargas as pessoas são pressionadas a carregar?

      • O que acontecerá com os que se opõem a Jesus e querem matá-lo?

  • Jesus dá conselhos sobre as riquezas
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um homem rico aproveita a vida enquanto pensa sobre as coisas que acumulou

      CAPÍTULO 77

      Jesus dá conselhos sobre as riquezas

      LUCAS 12:1-34

      • ILUSTRAÇÃO DO HOMEM RICO

      • JESUS FALA SOBRE CORVOS E LÍRIOS

      • UM “PEQUENO REBANHO” ESTARÁ NO REINO

      Enquanto Jesus toma uma refeição na casa de um fariseu, milhares de pessoas se reúnem do lado de fora e esperam por ele, assim como faziam as multidões na Galileia. (Marcos 1:33; 2:2; 3:9) Agora, na Judeia, muitos querem vê-lo e ouvi-lo, mostrando uma atitude bem diferente da dos fariseus que comeram com ele.

      O que Jesus diz a seguir tem um significado especial para seus discípulos: “Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.” Jesus já falou sobre isso, mas o que viu durante essa refeição enfatiza a urgência desse conselho. (Lucas 12:1; Marcos 8:15) Talvez os fariseus tentem esconder sua maldade com uma demonstração de devoção, mas isso é um perigo que precisa ser exposto. Jesus explica: “Não há nada cuidadosamente oculto que não venha a ser revelado, e não há nada secreto que não se torne conhecido.” — Lucas 12:2.

      Pode ser que muitos que estão reunidos em volta de Jesus sejam da Judeia e não o ouviram ensinar na Galileia. Por isso, ele relembra os pontos principais e diz a todos os seus ouvintes: “Não temam os que matam o corpo e depois disso não podem fazer mais nada.” (Lucas 12:4) Assim como fez antes, ele enfatiza a necessidade de seus seguidores confiarem que Deus vai cuidar deles. Também precisam reconhecer o Filho do Homem e entender que Deus pode ajudá-los. — Mateus 10:19, 20, 26-33; 12:31, 32.

      Então um homem na multidão mostra qual é sua principal preocupação quando diz: “Instrutor, diga a meu irmão que divida comigo a herança.” (Lucas 12:13) A Lei ordena que o filho mais velho receba duas partes da herança, por isso não deve haver disputa. (Deuteronômio 21:17) Mas parece que esse homem quer mais do que tem direito. Jesus sabiamente se recusa a se envolver nesse assunto. Ele pergunta: “Homem, quem me designou como juiz ou me deu o direito de repartir os bens entre vocês dois?” — Lucas 12:14.

      Depois Jesus aconselha a todos os presentes: “Mantenham os olhos abertos e resguardem-se de todo tipo de ganância, porque, mesmo quando alguém tem abundância, sua vida não vem das coisas que possui.” (Lucas 12:15) Não importa quanta riqueza um homem tenha, algum dia ele morrerá e deixará tudo para trás. Jesus destaca esse ponto usando uma ilustração marcante que também mostra o valor de se ter um bom nome perante Deus.

      Ele diz: “A terra de um homem rico produziu bem. Por isso, ele começou a raciocinar no íntimo: ‘O que farei agora que não tenho onde ajuntar minhas safras?’ E disse: ‘Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores, e ali ajuntarei todo o meu cereal e todos os meus bens; e direi a mim mesmo: “Você tem muitas coisas boas armazenadas para muitos anos. Descanse, coma, beba, divirta-se.”’ Mas Deus lhe disse: ‘Insensato, esta noite exigirão de você a sua vida. Quem terá então as coisas que você acumulou?’ Isso é o que acontece com o homem que acumula tesouros para si, mas não é rico para com Deus.” — Lucas 12:16-21.

      Os discípulos de Jesus e os outros que estão ouvindo podem cair na armadilha de buscar ou acumular riquezas. Ou talvez as ansiedades da vida os distraiam do serviço de Jeová. Então Jesus relembra o excelente conselho que deu no Sermão do Monte cerca de um ano e meio antes.

      Ele diz: “Parem de se preocupar tanto com a sua vida, quanto ao que comer, e com o seu corpo, quanto ao que vestir. . . . Vejam os corvos: eles não semeiam nem colhem, não têm nem celeiro nem depósito; contudo, Deus os alimenta. Será que vocês não valem muito mais do que as aves? . . . Vejam como os lírios crescem: eles não trabalham nem fiam; mas eu lhes digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestia como um deles. . . . Assim, parem de procurar o que comer e o que beber, e parem de ficar excessivamente preocupados . . . O seu Pai sabe que vocês necessitam dessas coisas. . . . Continuem a buscar o Reino dele, e essas coisas lhes serão acrescentadas.” — Lucas 12:22-31; Mateus 6:25-33.

      Quem buscará o Reino de Deus? Jesus revela que um pequeno número, ou “pequeno rebanho”, de humanos fiéis fará isso. Mais tarde será revelado que esse número é apenas 144 mil. Qual é a esperança dessas pessoas? Jesus lhes garante: “O seu Pai se agradou de dar o Reino a vocês.” Eles não se concentrarão em conseguir tesouros na Terra, onde os ladrões podem roubar. Seu coração estará num ‘tesouro que nunca acaba, nos céus’, onde reinarão com Cristo. — Lucas 12:32-34.

      • Como Jesus responde uma pergunta sobre uma herança?

      • Por que a ilustração de Jesus merece toda a nossa atenção?

      • O que Jesus revela sobre os que estarão com ele no Reino?

  • Mantenha-se pronto, administrador fiel
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Dois homens com lâmpadas acesas enquanto esperam a volta de seu amo

      CAPÍTULO 78

      Mantenha-se pronto, administrador fiel

      LUCAS 12:35-59

      • O ADMINISTRADOR FIEL DEVE SE MANTER PRONTO

      • JESUS VEM CAUSAR DIVISÃO

      Jesus explicou que apenas um “pequeno rebanho” receberá um lugar no Reino celestial. (Lucas 12:32) Mas receber essa maravilhosa recompensa não é algo de pouca importância. Ele enfatiza que, se alguém quer fazer parte do Reino, é muito importante ter uma atitude correta.

      Assim, Jesus aconselha seus discípulos a se manterem prontos para sua volta. Ele diz: “Estejam vestidos e preparados, estejam com as suas lâmpadas acesas, sejam como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento, para que, quando ele vier e bater à porta, possam imediatamente abrir-lhe. Felizes aqueles escravos cujo senhor, quando vier, os encontrar vigiando!” — Lucas 12:35-37.

      Os discípulos entendem facilmente a atitude que Jesus está descrevendo. Os servos que ele menciona estão prontos, esperando seu senhor voltar. Jesus explica: “Se [o senhor] vier na segunda vigília [de cerca das 9 horas da noite à meia-noite], ou mesmo na terceira [da meia-noite a cerca das 3 horas da madrugada], e os encontrar preparados, felizes são!” — Lucas 12:38.

      Essas palavras são muito mais do que um conselho sobre serem servos zelosos, e isso fica evidente porque Jesus, o Filho do Homem, se inclui na ilustração. Ele diz a seus discípulos: “Vocês também, mantenham-se prontos, porque o Filho do Homem virá numa hora que vocês não acham provável.” (Lucas 12:40) Então Jesus virá em algum momento futuro e quer que seus seguidores, especialmente os do “pequeno rebanho”, estejam prontos.

      Pedro quer entender claramente o que Jesus quer dizer, então lhe pergunta: “Senhor, essa ilustração é só para nós ou também para todos?” Em vez de dar uma resposta direta a Pedro, Jesus faz uma ilustração relacionada à primeira: “Quem é realmente o administrador fiel, o prudente, a quem o seu senhor encarregará do grupo de assistentes para sempre dar a eles a sua medida de mantimentos no tempo apropriado? Feliz aquele escravo se o seu senhor, quando vier, o encontrar fazendo isso! Digo a verdade a vocês: Ele o encarregará de todos os seus bens.” — Lucas 12:41-44.

      Na primeira ilustração, fica claro que o “senhor” representa Jesus, o Filho do Homem. Assim, o “administrador fiel” se refere a alguns homens do “pequeno rebanho”, que receberá o Reino. (Lucas 12:32) Agora Jesus está dizendo que alguns membros do “pequeno rebanho” darão ao seu “grupo de assistentes” o sustento, “a sua medida de mantimentos no tempo apropriado”. Assim, Pedro e os outros discípulos, que Jesus está ensinando e alimentando espiritualmente, podem concluir que o Filho do Homem virá num período futuro. E nesse período estará funcionando um sistema para alimentar espiritualmente os seguidores de Jesus, o “grupo de assistentes” do Senhor.

      Jesus destaca outro motivo para seus discípulos ficarem alertas e darem atenção à atitude deles. Eles poderiam se descuidar e até chegar ao ponto de se opor aos seus irmãos. Jesus diz: “Mas, se aquele escravo disser no coração: ‘Meu senhor demora a vir’, e começar a espancar os servos e as servas, e a comer, beber e se embriagar, o senhor daquele escravo virá num dia em que ele não espera e numa hora que ele não sabe, e o punirá com a maior severidade e lhe designará um lugar entre os infiéis.” — Lucas 12:45, 46.

      Jesus diz que veio “acender um fogo na terra”. Ele levanta questões que causam grandes controvérsias e resultam no fim de ensinamentos e tradições falsas. Isso até mesmo causa divisões entre pessoas que deviam estar unidas, “pai contra filho e filho contra pai, mãe contra filha e filha contra mãe, sogra contra nora e nora contra sogra”. — Lucas 12:49, 53.

      Essas palavras se aplicam especialmente aos seus discípulos. Agora Jesus se dirige às multidões. Muitas pessoas se recusam obstinadamente a aceitar as provas de que Jesus é o Messias, por isso ele lhes diz: “Quando vocês veem uma nuvem surgindo no ocidente, dizem imediatamente: ‘Vem uma tempestade’, e assim acontece. E, quando vocês veem soprar um vento sul, dizem: ‘Haverá uma onda de calor’, e assim ocorre. Hipócritas! Vocês sabem examinar a aparência da terra e do céu, mas como é que não sabem examinar este tempo específico?” (Lucas 12:54-56) Assim, fica claro que elas não estão prontas.

      • Quem é o “senhor”, e quem é o “administrador fiel”?

      • Por que os discípulos podem concluir que no futuro haverá um administrador fiel? E qual será o papel desse administrador?

      • Por que o conselho de Jesus sobre ‘manter-se pronto’ é tão importante?

  • Por que haverá destruição
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus cura uma mulher no sábado e o presidente da sinagoga fica furioso

      CAPÍTULO 79

      Por que haverá destruição

      LUCAS 13:1-21

      • JESUS USA DUAS TRAGÉDIAS PARA ENSINAR UMA LIÇÃO

      • UMA MULHER ENCURVADA É CURADA NO SÁBADO

      Jesus incentivou de muitas maneiras o povo a pensar no seu relacionamento com Deus. Então surge outra oportunidade após sua conversa com as pessoas no lado de fora da casa de um fariseu.

      Alguns mencionam um triste acontecimento. Falam sobre “os galileus cujo sangue [o governador romano Pôncio] Pilatos havia misturado com os sacrifícios deles”. (Lucas 13:1) O que querem dizer?

      Talvez esses galileus sejam os que foram mortos quando milhares de judeus protestaram contra Pilatos por ele ter usado o tesouro do templo para construir um aqueduto a fim de trazer água até Jerusalém. Pode ser que Pilatos tenha conseguido o dinheiro com o apoio dos oficiais do templo. Os que contaram a Jesus o que aconteceu talvez pensem que os galileus sofreram essa calamidade por causa da maldade deles, mas ele não concorda com isso.

      Ele pergunta: “Vocês acham que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, porque sofreram essas coisas?” Jesus diz que não e usa o incidente para alertar os judeus: “A menos que se arrependam, todos vocês serão destruídos do mesmo modo.” (Lucas 13:2, 3) Então ele menciona outra tragédia que pode ter ocorrido há pouco tempo e estar relacionada à construção desse aqueduto.

      Ele diz: “Aqueles 18 sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os — vocês acham que eles eram mais culpados do que todos os outros homens que moram em Jerusalém?” (Lucas 13:4) Talvez a multidão pense que essas pessoas morreram por alguma maldade que fizeram. Novamente, Jesus não concorda, pois sabe que “o tempo e o imprevisto” provavelmente são responsáveis por essa tragédia. (Eclesiastes 9:11) Mas os que estão ouvindo podem aprender uma lição desse acontecimento. Jesus diz: “A menos que se arrependam, todos vocês serão destruídos, como eles foram.” (Lucas 13:5) Mas por que só agora ele está enfatizando isso?

      Uma figueira com folhas, mas sem fruto

      É por causa do período em que Jesus está no seu ministério. Por isso, ele faz a seguinte ilustração: “Um homem tinha uma figueira plantada no seu vinhedo e foi procurar fruto nela, mas não achou nenhum. Ele disse então ao homem que cuidava do vinhedo: ‘Agora já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira, mas não achei nenhum. Corte-a! Por que ela devia ocupar o solo inutilmente?’ Em resposta, o homem lhe disse: ‘Senhor, deixe-a por mais um ano. Eu vou cavar em volta dela e pôr estrume; se no futuro ela produzir fruto, muito bem, mas, se não, pode cortá-la.’” — Lucas 13:6-9.

      Por mais de três anos, Jesus tentou cultivar a fé nos judeus. Mas poucos se tornaram seus discípulos e podem ser considerados fruto de seu trabalho. Agora, no quarto ano de seu ministério, ele intensifica seus esforços. Por pregar e ensinar na Judeia e na Pereia, é como se estivesse cavando e colocando adubo na figueira dos judeus. Mas apenas alguns reagem. A nação em geral se recusa a se arrepender, e agora a destruição a aguarda.

      Pouco depois, num sábado, a falta de reação da maioria mais uma vez fica evidente. Jesus está ensinando em uma sinagoga, quando vê uma mulher que está encurvada já por 18 anos por causa de um demônio. Jesus lhe mostra compaixão, dizendo: “Mulher, você está livre da sua fraqueza.” (Lucas 13:12) Ele toca nela e, no mesmo momento, ela se endireita e começa a glorificar a Deus.

      Um israelita leva seu touro para fora

      Com isso, o presidente da sinagoga fica furioso e diz: “Há seis dias em que se deve trabalhar; portanto, venham nesses dias e sejam curados, e não no dia de sábado.” (Lucas 13:14) Ele não está negando que Jesus tem o poder de realizar curas, mas está condenando as pessoas por virem no sábado para ser curadas. Em resposta, Jesus usa um raciocínio claro: “Hipócritas! Cada um de vocês, no sábado, não desata o seu touro ou o seu jumento da baia e o leva para beber água? Não deveria esta mulher, que é filha de Abraão e a quem Satanás manteve presa por 18 anos, ser libertada dessa prisão no dia de sábado?” — Lucas 13:15, 16.

      Os opositores ficam envergonhados, mas as multidões se alegram ao ver as coisas gloriosas que Jesus faz. Agora na Judeia ele relembra duas ilustrações proféticas sobre o Reino, sobre as quais falou antes quando estava num barco no mar da Galileia. — Mateus 13:31-33; Lucas 13:18-21.

      • Que duas tragédias Jesus menciona, e que alerta ele dá sobre isso?

      • Como a ilustração da figueira infrutífera destaca a situação da nação judaica?

      • O que o presidente da sinagoga critica, e como Jesus expõe a hipocrisia desse homem?

  • O Bom Pastor e os apriscos
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Pastor abre a porta e um grande rebanho de ovelhas entra no aprisco

      CAPÍTULO 80

      O Bom Pastor e os apriscos

      JOÃO 10:1-21

      • JESUS FALA SOBRE O BOM PASTOR E OS APRISCOS

      Enquanto Jesus ensina na Judeia, ele fala sobre algo que seus ouvintes conseguem facilmente visualizar, ovelhas e apriscos. Mas ele está falando em sentido figurado. Os judeus talvez se lembrem das palavras de Davi: “Jeová é o meu Pastor. Nada me faltará. Ele me faz deitar em verdes pastagens.” (Salmo 23:1, 2) Em outro salmo, Davi fez um convite à nação: “Ajoelhemo-nos diante de Jeová, aquele que nos fez. Pois ele é o nosso Deus, e nós somos o povo do seu pasto.” (Salmo 95:6, 7) Os israelitas que estão sob a Lei por muito tempo têm sido comparados a um rebanho de ovelhas.

      Essas “ovelhas” estão num “aprisco” por terem nascido sob o pacto da Lei mosaica. A Lei serviu como uma cerca, separando-os das práticas corruptas dos que não estavam sob esse pacto. Mas alguns israelitas maltrataram o rebanho de Deus. Jesus declara: “Digo-lhes com toda a certeza: Quem não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e saqueador. Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.” — João 10:1, 2.

      Talvez os ouvintes pensem nos homens que afirmaram ser o Messias, ou Cristo. Esses impostores são como ladrões e saqueadores, que as pessoas não devem seguir. Em vez disso, devem seguir “o pastor das ovelhas”, a respeito de quem Jesus agora fala.

      Ele diz: “O porteiro abre para ele, e as ovelhas escutam a sua voz. Ele chama por nome as suas ovelhas e as leva para fora. Depois de retirar todas as suas ovelhas, ele vai à frente delas, e elas o seguem, porque conhecem a sua voz. De modo algum seguirão um estranho, mas fugirão dele, porque não conhecem a voz de estranhos.” — João 10:3-5.

      Algum tempo antes, João Batista, como um porteiro, identificou Jesus como aquele a quem as ovelhas simbólicas que estão sob a Lei devem seguir. E algumas delas, na Galileia e na Judeia, reconheceram a voz de Jesus. Para onde ele vai levá-las? E qual será o resultado se o seguirem? Pode ser que alguns que ouvem essa ilustração se perguntem isso, pois ‘não entendem o que ele lhes diz’. — João 10:6.

      Jesus explica: “Digo-lhes com toda a certeza: Eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram em meu lugar são ladrões e saqueadores; mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá, e achará pastagem.” — João 10:7-9.

      Fica claro que Jesus está falando sobre algo novo. Seus ouvintes sabem que ele não é a porta para o pacto da Lei, que já existe por séculos. Então talvez ele esteja falando que as ovelhas que ele “leva para fora” vão entrar em outro aprisco. E qual será o resultado?

      Jesus dá mais detalhes sobre seu papel: “Eu vim para que tivessem vida, e a tivessem na mais plena medida. Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (João 10:10, 11) Em outra ocasião, Jesus consolou seus discípulos por dizer: “Não tema, pequeno rebanho, porque o seu Pai se agradou de dar o Reino a vocês.” (Lucas 12:32) Os que fazem parte do “pequeno rebanho” são os que Jesus vai levar até um novo aprisco, para que ‘tenham vida, e a tenham na mais plena medida’. Que bênção é fazer parte desse rebanho!

      Mas Jesus ainda não encerra o assunto. Ele diz: “Tenho outras ovelhas, que não são desse aprisco; a essas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, com um só pastor.” (João 10:16) Essas “outras ovelhas” não são “desse aprisco”, são de um aprisco diferente do “pequeno rebanho” que vai herdar o Reino. Esses apriscos, ou currais de ovelhas, têm esperanças diferentes. Mesmo assim, as ovelhas dos dois apriscos se beneficiarão do papel de Jesus. Ele diz: “É por isso que o Pai me ama, porque entrego a minha vida.” — João 10:17.

      Muitos na multidão dizem: “Ele tem demônio e está louco.” Mas outros demonstram que estão ouvindo com interesse e se sentem motivados a seguir o Bom Pastor. Eles dizem: “Essas não são declarações de um homem endemoninhado. Será que um demônio pode abrir os olhos de cegos?” (João 10:20, 21) Pelo visto, estão se referindo a uma ocasião recente em que Jesus curou um cego.

      • O que os judeus entendem quando Jesus fala sobre ovelhas e apriscos?

      • De acordo com as palavras de Jesus, quem é o Bom Pastor, e para onde ele vai levar as ovelhas?

      • Para que dois apriscos as ovelhas que seguem Jesus serão levadas?

  • Jesus e o Pai são um, mas Jesus não é Deus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Judeus pegam pedras para matar Jesus, mas ele consegue fugir

      CAPÍTULO 81

      Jesus e o Pai são um, mas Jesus não é Deus

      JOÃO 10:22-42

      • “EU E O PAI SOMOS UM”

      • JESUS DESMENTE A ACUSAÇÃO DE QUE É DEUS

      Jesus vai a Jerusalém para a Festividade da Dedicação (ou Hanuká), quando se comemora a rededicação do templo. Há mais de um século, o rei sírio Antíoco IV Epifânio construiu um altar sobre o grande altar no templo de Deus. Mais tarde, os filhos de um sacerdote judeu reconquistaram Jerusalém e dedicaram novamente o templo a Jeová. Desde então, é realizada uma comemoração no dia 25 do mês de quisleu, que vai de meados de novembro a meados de dezembro.

      É inverno e faz muito frio. Jesus está no templo, no Pórtico de Salomão, quando os judeus o rodeiam e pedem o seguinte: “Por quanto tempo você nos deixará na dúvida? Se você é o Cristo, diga-nos claramente.” (João 10:22-24) Jesus responde: “Eu lhes disse, e mesmo assim vocês não acreditam.” Ele não diz claramente que é o Cristo, assim como disse à samaritana quando estavam no poço. (João 4:25, 26) Mas revela sua identidade ao dizer: “Antes de Abraão vir à existência, eu já existia.” — João 8:58.

      Jesus quer que as pessoas concluam por si mesmas que ele é o Cristo por comparar suas obras com as que foram profetizadas que o Cristo faria. É por isso que, em outras ocasiões, ele disse aos seus discípulos que não contassem a ninguém que ele era o Messias. Mas agora ele diz claramente a esses judeus opositores: “As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim. Mas vocês não acreditam.” — João 10:25, 26.

      Por que não acreditam que Jesus é o Cristo? Ele diz: “Vocês não acreditam porque não são minhas ovelhas. Minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou vida eterna, e elas jamais serão destruídas, e ninguém as arrancará da minha mão. O que o meu Pai me deu é maior do que todas as outras coisas.” Depois ele indica que tem um relacionamento muito achegado com seu Pai: “Eu e o Pai somos um.” (João 10:26-30) Como Jesus está na Terra e seu Pai está no céu, ele não pode estar falando que os dois são literalmente um, mas que estão unidos no mesmo propósito.

      As palavras de Jesus deixam os judeus tão furiosos que novamente pegam pedras para matá-lo. Mas ele não fica com medo e diz: “Eu lhes mostrei muitas boas obras da parte do Pai. Por qual dessas obras vocês vão me apedrejar?” Eles respondem: “Nós não vamos apedrejá-lo por uma boa obra, mas por blasfêmia; pois você . . . se faz um deus.” (João 10:31-33) Jesus nunca afirmou que é um deus, então por que fazem essa acusação?

      Os judeus acreditam que os poderes que Jesus afirma ter pertencem apenas a Deus. Por exemplo, em relação às “ovelhas”, Jesus diz: “Eu lhes dou vida eterna”, algo que humanos não podem fazer. (João 10:28) Os judeus ignoram que ele admitiu claramente que recebeu autoridade de seu Pai.

      Jesus responde à falsa acusação deles: “Não está escrito na sua Lei [no Salmo 82:6]: ‘Eu disse: “Vocês são deuses”’? Se aqueles contra quem se dirigiu a palavra de Deus foram chamados de ‘deuses’ . . . vocês dizem a mim, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo: ‘Você blasfema’, porque eu disse: ‘Sou Filho de Deus’?” — João 10:34-36.

      Se as Escrituras chamam até humanos injustos de “deuses”, por que esses judeus acusam Jesus de dizer que é “Filho de Deus”? Ele diz algo que devia convencê-los: “Se não faço as obras do meu Pai, não acreditem em mim. Mas, se eu as faço, mesmo que não acreditem em mim, acreditem nas obras, para que saibam e acreditem que o Pai está em união comigo e eu em união com o Pai.” — João 10:37, 38.

      Em resposta, os judeus tentam prender Jesus, mas ele escapa novamente. Depois sai de Jerusalém e atravessa o rio Jordão até a região onde João começou a batizar quase quatro anos antes. Pelo visto, essa região fica perto do litoral sul do mar da Galileia.

      As multidões vão até Jesus e dizem: “João não realizou nenhum sinal, mas todas as coisas que João disse a respeito deste homem eram verdadeiras.” (João 10:41) Assim, muitos judeus demonstram fé em Jesus.

      • Por que Jesus chama a atenção das pessoas às suas obras?

      • Em que sentido Jesus e seu Pai são um?

      • Ao citar os Salmos, como Jesus desmente a acusação dos judeus sobre ele estar se fazendo um deus ou igual a Deus?

  • O ministério de Jesus na Pereia
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Uma galinha ajunta os filhotes debaixo das asas

      CAPÍTULO 82

      O ministério de Jesus na Pereia

      LUCAS 13:22–14:6

      • É NECESSÁRIO ESFORÇO PARA ENTRAR PELA PORTA ESTREITA

      • JESUS DEVE MORRER EM JERUSALÉM

      Enquanto estava na Judeia e em Jerusalém, Jesus ensinou e curou pessoas. Agora ele atravessa o rio Jordão para ensinar de cidade em cidade no distrito da Pereia. Mas em breve voltará a Jerusalém.

      Um homem se esforça para entrar por uma porta estreita.

      Quando Jesus está na Pereia, um homem lhe pergunta: “Senhor, são poucos os que estão sendo salvos?” Talvez o homem saiba das discussões entre os líderes religiosos sobre muitas pessoas serem salvas ou apenas algumas. Em vez de Jesus falar sobre quantos serão salvos, ele muda de assunto e fala sobre o que é necessário para ser salvo: “Esforcem-se vigorosamente para entrar pela porta estreita.” Sem dúvida, é necessário esforço. Por quê? Jesus explica: “Muitos procurarão entrar, mas não poderão.” — Lucas 13:23, 24.

      Jesus ilustra a importância de se esforçar muito, ao dizer: “Depois que o dono da casa tiver se levantado e trancado a porta, vocês ficarão do lado de fora batendo na porta e dizendo: ‘Senhor, abra para nós.’ . . . Mas ele lhes dirá: ‘Não sei de onde vocês são. Afastem-se de mim, todos vocês que fazem o que é injusto!’” — Lucas 13:25-27.

      Isso ilustra a situação de alguém que chega atrasado, pelo visto quando é bom para ele, e encontra a porta fechada e trancada. Ele devia ter chegado mais cedo, mesmo que não fosse bom para ele. Isso acontece com muitos que podiam se beneficiar dos ensinamentos de Jesus. Eles não aproveitam a oportunidade de fazer da adoração verdadeira seu principal objetivo na vida. A maioria das pessoas a quem Jesus foi enviado não aceita a provisão de Deus para a salvação. Jesus diz que elas vão ‘chorar e ranger os dentes’ quando forem lançadas fora. Mesmo assim, pessoas “do leste e do oeste, do norte e do sul”, de todas as nações, “se recostarão à mesa no Reino de Deus”. — Lucas 13:28, 29.

      Jesus explica: “Há últimos [como os não judeus e os judeus oprimidos] que serão primeiros, e há primeiros [líderes religiosos que se orgulham de ser descendentes de Abraão] que serão últimos.” (Lucas 13:30) Ao falar dos que serão os “últimos”, ele quer dizer que essas pessoas ingratas não estarão no Reino de Deus.

      Então alguns fariseus vão até Jesus e o alertam: “Saia e vá embora daqui, porque Herodes [Antipas] quer matá-lo.” Talvez o próprio rei Herodes tenha começado esse boato para fazer Jesus fugir da região. Pode ser que Herodes esteja com medo de se envolver na morte de outro profeta, assim como aconteceu na morte de João Batista. Mas Jesus diz aos fariseus: “Vão dizer àquela raposa: ‘Veja, estou expulsando demônios e curando pessoas hoje e amanhã, e no terceiro dia terei terminado.’” (Lucas 13:31, 32) Ao chamar Herodes de “raposa”, talvez Jesus esteja se referindo à astúcia das raposas. Mas ele não será manipulado nem pressionado por Herodes nem por ninguém. Jesus vai cumprir a designação que seu Pai lhe deu, de acordo com o cronograma de Deus, não o dos homens.

      Jesus continua sua viagem até Jerusalém porque ele diz que “é inadmissível que um profeta seja morto fora de Jerusalém”. (Lucas 13:33) Por que Jesus diz isso se nenhuma profecia bíblica diz que o Messias deve morrer nessa cidade? Porque Jerusalém é a capital, onde fica o Sinédrio, supremo tribunal judaico composto de 71 membros, e onde os acusados de ser falsos profetas são julgados. Também é onde são oferecidos os sacrifícios de animais. Assim, Jesus entende que seria inadmissível que fosse morto em outro lugar.

      Uma galinha ajunta os filhotes debaixo das asas

      Jesus lamenta: “Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados . . . Quantas vezes eu quis ajuntar seus filhos, assim como a galinha ajunta sua ninhada de pintinhos debaixo das asas! Mas vocês não quiseram. Agora a sua casa ficará abandonada.” (Lucas 13:34, 35) A nação rejeita o Filho de Deus e sofrerá as consequências.

      Antes de Jesus chegar a Jerusalém, um líder dos fariseus o convida para uma refeição em sua casa no sábado. Os convidados ficam atentos para ver o que Jesus vai fazer a respeito de um homem que sofre de hidropisia (uma acumulação excessiva de líquido no corpo, muitas vezes nas pernas e nos pés). Jesus pergunta aos fariseus e aos peritos na Lei: “É permitido ou não curar no sábado?” — Lucas 14:3.

      Ninguém responde. Então Jesus cura o homem e pergunta: “Quem de vocês não puxará imediatamente para fora o seu filho ou o seu touro se ele cair num poço no dia de sábado?” (Lucas 14:5) Mais uma vez, eles ficam sem resposta por causa do seu raciocínio lógico.

      • O que é necessário para ser salvo? E por que muitas pessoas ficam trancadas do lado de fora?

      • Quem são os “últimos” que serão os “primeiros”, e os “primeiros” que serão os “últimos”?

      • Com o que o rei Herodes talvez esteja preocupado?

      • Por que Jesus diz que será morto em Jerusalém?

  • Convite para uma refeição
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • O pobre, o aleijado, o manco e o cego em um banquete

      CAPÍTULO 83

      Convite para uma refeição

      LUCAS 14:7-24

      • UMA LIÇÃO DE HUMILDADE

      • OS CONVIDADOS INVENTAM DESCULPAS

      Depois de curar um homem que sofria de hidropisia, Jesus ainda está na casa do fariseu. Ele percebe que outros convidados estão escolhendo os lugares de mais destaque, por isso aproveita a oportunidade para ensinar uma lição sobre a humildade.

      Jesus diz: “Quando você for convidado por alguém para uma festa de casamento, não se recoste no lugar mais destacado. Talvez uma pessoa de mais destaque do que você também tenha sido convidada. Então aquele que convidou a ambos chegará e dirá a você: ‘Dê o seu lugar a este homem.’ Então você irá, envergonhado, ocupar o último lugar.” — Lucas 14:8, 9.

      Depois Jesus diz: “Quando você for convidado, vá se recostar no último lugar, para que, quando chegar o homem que o convidou, ele lhe diga: ‘Amigo, passe para um lugar mais importante.’ Então você terá honra na frente de todos os outros convidados.” Isso envolve muito mais do que apenas mostrar boas maneiras. Jesus explica: “Porque todo aquele que se enaltecer será humilhado, e aquele que se humilhar será enaltecido.” (Lucas 14:10, 11) Assim, ele incentiva seus ouvintes a cultivar a humildade.

      Então Jesus ensina outra lição aos fariseus que o convidaram. Ele fala sobre como dar uma refeição que tem real valor para Deus: “Quando você oferecer um almoço ou um jantar, não chame seus amigos, nem seus irmãos, nem seus parentes, nem seus vizinhos ricos. Pois eles, por sua vez, poderiam convidá-lo também, e isso seria para você uma retribuição. Mas, quando oferecer um banquete, convide os pobres, os aleijados, os mancos, os cegos; e você será feliz, porque eles não têm nada com que recompensá-lo.” — Lucas 14:12-14.

      É normal convidar os amigos, parentes ou vizinhos para uma refeição, e Jesus não está dizendo que isso é errado. Mas enfatiza que os que dão uma refeição para os necessitados, como os pobres, os mancos ou os cegos, podem ser muito abençoados. Jesus explica ao seu anfitrião: “Você será recompensado na ressurreição dos justos.” Um dos convidados concorda: “Feliz é aquele que participa do banquete no Reino de Deus.” (Lucas 14:15) Ele percebe que isso seria um privilégio. Mas nem todos têm esse apreço, conforme Jesus ilustra a seguir.

      Ele diz: “Um homem estava oferecendo um grande banquete, e convidou muitas pessoas. Ele enviou seu escravo . . . para dizer aos convidados: ‘Venham, porque já está tudo pronto.’ Mas todos, sem exceção, começaram a dar desculpas. O primeiro disse: ‘Comprei um campo, e preciso sair e vê-lo. Peço-lhe que me desculpe.’ E outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois e vou examiná-las. Peço-lhe que me desculpe.’ Ainda outro disse: ‘Acabei de me casar e por isso não posso ir.’” — Lucas 14:16-20.

      Essas não são boas desculpas. Geralmente, um homem examina um campo ou o gado antes de comprar, então não é urgente ir vê-los depois de fazer isso. O terceiro homem não está se preparando para se casar. Ele já é casado, e isso não devia impedi-lo de aceitar um importante convite. Ao ouvir essas desculpas, o senhor fica furioso.

      Ele diz ao seu escravo: “Vá depressa às ruas principais e aos becos da cidade, e traga para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos.” O escravo faz isso, mas ainda há lugar na casa. Então o senhor lhe diz: “Vá para as estradas e os caminhos, e obrigue-os a vir para dentro, a fim de que a minha casa fique cheia. Pois eu digo a vocês: Nenhum daqueles homens que foram convidados provará o meu banquete.” — Lucas 14:21-24.

      O que Jesus diz ilustra bem como Jeová Deus mandou Cristo convidar pessoas para estar entre os que vão participar do Reino dos céus. Os líderes religiosos judeus em especial foram os primeiros a ser convidados. A maioria deles rejeitou o convite durante o ministério de Jesus. Mas outros também seriam convidados. Fica claro que Jesus está sugerindo que no futuro será feito um segundo convite aos judeus humildes e aos prosélitos. Depois haverá um terceiro e último convite às pessoas que os judeus encaram como indignas perante Deus. — Atos 10:28-48.

      Sem dúvida, o que Jesus diz confirma as palavras de um dos convidados: “Feliz é aquele que participa do banquete no Reino de Deus.”

      • Como Jesus ensina uma lição sobre a humildade?

      • Como alguém pode dar uma refeição que tem real valor para Deus? E por que isso dá felicidade?

      • O que Jesus ensina em sua ilustração sobre dar uma refeição?

  • Qual é a importância de ser um discípulo?
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um rei vai para a batalha seguido por seu exército

      CAPÍTULO 84

      Qual é a importância de ser um discípulo?

      LUCAS 14:25-35

      • O QUE É PRECISO PARA SER UM DISCÍPULO

      Jesus ensinou lições valiosas enquanto tomava uma refeição na casa de um líder dos fariseus. Depois Jesus continua sua viagem até Jerusalém, e multidões viajam com ele. Por quê? Será que estão realmente interessadas em ser seus verdadeiros seguidores, sem se importar com o que isso pode exigir delas?

      Durante a viagem, Jesus diz algo que talvez deixe muitos surpresos: “Se alguém vem a mim e não odeia o pai, a mãe, a esposa, os filhos, os irmãos, as irmãs, sim, e até mesmo a própria vida, não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:26) Mas o que ele quer dizer com isso?

      Jesus não está dizendo que todos os que se tornam seus seguidores devem literalmente odiar os seus parentes, mas que devem amá-los menos do que o amam. Não devem ser como o homem na ilustração da refeição, que rejeitou um importante convite porque tinha acabado de se casar. (Lucas 14:20) A Bíblia diz que Jacó, antepassado dos judeus, ‘odiou’ Leia e amou Raquel, ou seja, amou menos Leia do que sua irmã Raquel. — Gênesis 29:31, nota.

      Além disso, Jesus diz que um discípulo deve odiar “até mesmo a própria vida”, ou alma. Isso significa que o verdadeiro discípulo deve amar Jesus mais do que ama a própria vida, até mesmo estando disposto a morrer se necessário. Sem dúvida, ser um discípulo de Cristo é uma grande responsabilidade. Deve-se meditar muito no assunto e encará-lo com seriedade.

      Ser um discípulo talvez envolva enfrentar dificuldades e perseguição, pois Jesus diz: “Quem não carrega sua estaca de tortura e não me segue, não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:27) O verdadeiro discípulo de Jesus deve estar disposto a ser desonrado assim como ele foi. Jesus até mesmo diz que morrerá às mãos de seus inimigos.

      Um cristão do primeiro século calcula o custo de uma construção

      Assim, as multidões que viajam com ele precisam analisar cuidadosamente o que significa ser discípulo de Cristo. Ele enfatiza isso com uma ilustração: “Por exemplo, quem de vocês, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula a despesa, para ver se tem o suficiente para completá-la? Senão, ele lançará o alicerce dela, mas não conseguirá terminá-la.” (Lucas 14:28, 29) Então, antes de se tornarem seus discípulos, os que viajam com ele até Jerusalém devem estar firmemente decididos a cumprir com a sua responsabilidade. Jesus destaca isso usando outra ilustração.

      Ele diz: “Que rei, antes de marchar para guerrear contra outro rei, não se senta e se aconselha para ver se consegue com 10.000 soldados enfrentar o que vem contra ele com 20.000? De fato, se ele vê que não consegue, envia um grupo de embaixadores e propõe um acordo de paz, enquanto o outro ainda está longe.” Para destacar o ponto principal, Jesus diz: “Da mesma forma, podem estar certos de que nenhum de vocês que não se despedir de todos os seus bens poderá ser meu discípulo.” — Lucas 14:31-33.

      Jesus não está dizendo isso apenas às multidões que o seguem pela estrada. Todos os que aprendem de Cristo devem estar dispostos a fazer o que ele diz. Isso significa que precisam estar prontos a sacrificar tudo o que têm, seus bens e até sua vida, se quiserem ser discípulos de Jesus. E precisam meditar e orar sobre isso.

      Depois Jesus fala de um assunto sobre o qual falou no Sermão do Monte, quando disse que seus discípulos são “o sal da terra”. (Mateus 5:13) Pelo visto, ele quis dizer que, assim como o sal literal é um conservante, seus discípulos têm um efeito conservante nas pessoas, protegendo-as contra a decadência moral e espiritual. Então, enquanto seu ministério chega ao fim, ele diz: “O sal, certamente, é bom. Mas, se o sal perder a sua força, como se recuperará o seu sabor?” (Lucas 14:34) Seus ouvintes sabem que o sal disponível na região às vezes é impuro, misturado com substâncias do solo, e que depois de perder suas propriedades não serve mais para nada.

      Assim, Jesus mostra que até os que são seus discípulos por muito tempo não devem deixar sua determinação enfraquecer. Se isso acontecesse, eles se tornariam sem valor, assim como o sal que perdeu o sabor. Então o mundo poderia zombar deles. Pior ainda, seriam indignos perante Deus e trariam desonra ao seu nome. Jesus enfatiza a importância de evitar que isso aconteça: “Quem tem ouvidos para escutar, escute.” — Lucas 14:35.

      • O que Jesus quer dizer quando aconselha os discípulos a ‘odiar’ seus parentes e até mesmo “a própria vida”?

      • O que as ilustrações de Jesus sobre construir uma torre e sobre o rei com um exército nos ensinam?

      • Qual é o ponto principal das palavras de Jesus sobre o sal?

  • Alegria por um pecador que se arrepende
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Uma mulher se alegra por ter encontrado a dracma que havia perdido

      CAPÍTULO 85

      Alegria por um pecador que se arrepende

      LUCAS 15:1-10

      • ILUSTRAÇÕES DA OVELHA E DA MOEDA PERDIDAS

      • OS ANJOS SE ALEGRAM NO CÉU

      Em várias ocasiões no seu ministério, Jesus enfatizou a importância da humildade. (Lucas 14:8-11) Ele está se esforçando para encontrar homens e mulheres que desejam humildemente servir a Deus. Algumas dessas pessoas talvez sejam conhecidas por praticar o pecado.

      Um judeu com olhar de desprezo usando um filactério na testa

      Os fariseus e os escribas veem que essas pessoas, que eles consideram indignas, são atraídas a Jesus e à sua mensagem. Eles reclamam: “Este homem acolhe pecadores e come com eles.” (Lucas 15:2) Os fariseus e os escribas se sentem superiores e tratam as pessoas comuns como a poeira debaixo dos seus pés. Mostrando o desprezo que sentem por essas pessoas, os líderes religiosos usam a expressão hebraica ‛am ha’árets, ou “povo da terra”, para se referir a elas.

      Em contraste, Jesus trata todos com dignidade, bondade e compaixão. Muitas pessoas humildes, incluindo algumas que são conhecidas por praticar o pecado, estão ansiosas para ouvir Jesus. Mas como ele reage ao ser criticado por ajudar esses humildes?

      Podemos ver qual é sua reação quando ele faz uma comovente ilustração, parecida com a que fez um pouco antes em Cafarnaum. (Mateus 18:12-14) Na ilustração de Jesus, os fariseus são os justos que estão em segurança no rebanho de Deus, enquanto os humildes são os que se desviaram e se perderam, conforme Jesus diz a seguir.

      Um pastor se alegra por ter encontrado sua ovelha perdida

      Ele diz: “Que homem entre vocês que, tendo 100 ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as 99 para trás no deserto e vai em busca da perdida, até achá-la? E, quando a acha, ele a põe nos ombros e se alegra. E, ao chegar em casa, ele reúne seus amigos e seus vizinhos, e diz a eles: ‘Alegrem-se comigo, porque achei a minha ovelha que estava perdida.’” — Lucas 15:4-6.

      Jesus faz a seguinte aplicação: “Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria no céu por causa de um pecador que se arrepende do que por causa de 99 justos que não precisam de arrependimento.” — Lucas 15:7.

      As palavras de Jesus sobre o arrependimento devem incomodar os fariseus. Eles se consideram justos e acham que não precisam se arrepender. Quando alguns deles criticaram Jesus uns dois anos antes por ter comido com cobradores de impostos e pecadores, ele respondeu: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.” (Marcos 2:15-17) Visto que os fariseus arrogantes não reconhecem que precisam se arrepender, não causam alegria no céu. Como isso é diferente quando um pecador se arrepende!

      Jesus faz outra ilustração para enfatizar que, quando pecadores se arrependem, isso é motivo de grande alegria no céu. Ele fala sobre o que acontece numa casa: “Que mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma dracma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente até achá-la? E, quando a acha, ela reúne as suas amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrem-se comigo, porque achei a dracma que havia perdido.’” — Lucas 15:8, 9.

      Jesus faz uma aplicação semelhante à que fez da ilustração sobre a ovelha perdida: “Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria entre os anjos de Deus por causa de um pecador que se arrepende.” — Lucas 15:10.

      Imagine isso! Os anjos de Deus desejam muito que os pecadores se recuperem. Isso é importante porque os que se arrependem e ganham um lugar no Reino celestial de Deus terão uma posição maior do que a dos anjos. (1 Coríntios 6:2, 3) Mas os anjos não ficam com ciúmes. Então como devemos nos sentir quando um pecador se arrepende e volta para Deus?

      • Por que Jesus se associa com pessoas conhecidas por serem pecadoras?

      • Como os fariseus encaram as pessoas comuns, e o que acham de Jesus se associar com elas?

      • Que lição Jesus ensina usando duas ilustrações?

  • O filho que estava perdido retorna
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um pai abraça seu filho

      CAPÍTULO 86

      O filho que estava perdido retorna

      LUCAS 15:11-32

      • ILUSTRAÇÃO DO FILHO PRÓDIGO

      Enquanto Jesus está na Pereia, ao leste do rio Jordão, ele faz as ilustrações da ovelha e da dracma perdidas. Essas ilustrações ensinam que devemos nos alegrar quando um pecador se arrepende e volta para Deus. Os fariseus e os escribas acusam Jesus de se associar com pecadores. Mas será que esses acusadores aprendem algo das duas ilustrações de Jesus? Será que entendem como nosso Pai celestial se sente em relação aos pecadores arrependidos? Agora Jesus faz uma emocionante ilustração que destaca essa importante lição.

      O filho mais novo pede sua herança ao pai

      A ilustração fala de um pai que tem dois filhos, e ela se concentra no filho mais novo. Os fariseus e os escribas, bem como outros que estão ouvindo Jesus, deviam aprender do que ele diz sobre o filho mais novo. Mas não devemos ignorar o que Jesus diz sobre o pai e o filho mais velho, pois também podemos aprender do exemplo deles. Por isso, pense nesses três homens enquanto Jesus faz a ilustração.

      Ele começa dizendo: “Um homem tinha dois filhos. E o mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, dê-me a parte dos bens a que tenho direito.’ Então ele dividiu os seus bens entre eles.” (Lucas 15:11, 12) O filho mais novo quer sua herança enquanto o pai está vivo. Ele quer sua parte agora para poder ser independente e gastar sua herança como desejar. Então o que ele faz?

      O filho pródigo comendo, bebendo e rodeado de mulheres

      Jesus explica: “Poucos dias depois, o filho mais novo juntou tudo que tinha e viajou para um país distante, e ali esbanjou os seus bens levando uma vida devassa.” (Lucas 15:13) Em vez de ficar na tranquilidade do seu lar, sob os cuidados do pai, esse filho vai embora para outro país. Ali, desperdiça toda a sua herança em busca de prazeres sexuais. Depois passa dificuldades, conforme Jesus relata a seguir.

      Ele diz: “Quando já tinha gastado tudo, ocorreu uma fome severa em todo aquele país, e ele começou a passar necessidade. Ele até mesmo se pôs a serviço de um dos cidadãos daquele país, que o enviou aos seus campos para cuidar de porcos. E ele desejava matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada.” — Lucas 15:14-16.

      O filho pródigo sentado debaixo de uma árvore vendo os porcos comerem alfarrobas

      A Lei de Deus diz que os porcos são impuros, mas esse filho tem que trabalhar cuidando de porcos. Ele tem tanta fome que fica com vontade de comer o que normalmente é dado apenas a animais, ou seja, os porcos de que está cuidando. Visto que está sofrendo e desesperado, ele ‘cai em si’. E o que faz depois? Diz a si mesmo: “Quantos empregados do meu pai têm fartura de pão, enquanto eu estou aqui morrendo de fome! Vou partir e voltar para a casa do meu pai e lhe dizer: ‘Pai, pequei contra o céu e contra o senhor. Não sou mais digno de ser chamado seu filho. Trate-me como um dos seus empregados.’” Então ele se levanta e vai encontrar seu pai. — Lucas 15:17-20.

      Como o pai vai reagir? Será que vai ficar furioso e repreender o filho pela tolice de ter saído de casa? Ou será que vai ser insensível e se recusar a receber o filho? Como você reagiria se fosse seu filho ou sua filha?

      O FILHO PERDIDO É ENCONTRADO

      Jesus descreve os sentimentos e a atitude do pai: “Enquanto [o filho] ainda estava longe, seu pai o avistou e teve pena; então correu, e o abraçou e beijou ternamente.” (Lucas 15:20) Mesmo que tenha ouvido a respeito da vida devassa que seu filho levou, o pai lhe dá boas-vindas. Será que com isso os líderes judeus, que dizem conhecer e adorar a Deus, percebem como nosso Pai celestial se sente quando um pecador se arrepende? Será que também reconhecem que Jesus está mostrando o mesmo espírito acolhedor?

      Mostrando discernimento, talvez o pai conclua que a tristeza no rosto do filho demonstra que ele está arrependido. E o pai amorosamente toma a iniciativa de cumprimentá-lo, tornando mais fácil para o filho confessar seus pecados. Jesus continua: “O filho lhe disse então: ‘Pai, pequei contra o céu e contra o senhor. Não sou mais digno de ser chamado seu filho.’” — Lucas 15:21.

      O pai ordena aos seus escravos: “Depressa! Tragam uma veste comprida, a melhor, e vistam-no com ela, e ponham-lhe um anel na mão e sandálias nos pés. Tragam também o bezerro gordo, abatam-no, e vamos comer e festejar, porque este meu filho estava morto e voltou a viver, estava perdido e foi achado.” Então começam “a festejar”. — Lucas 15:22-24.

      O pai conversa com seu filho mais velho

      Enquanto isso, o filho mais velho está no campo. Jesus diz sobre ele: “Ao voltar, quando se aproximava da casa, ouviu o som de música e dança. De modo que chamou um dos servos e perguntou o que estava acontecendo. Este lhe disse: ‘Seu irmão chegou, e seu pai abateu o bezerro gordo porque o recebeu de volta com boa saúde.’ Mas ele ficou irado e se recusou a entrar. Então seu pai saiu e começou a lhe suplicar que entrasse. Em resposta, ele disse ao pai: ‘Trabalhei tantos anos como escravo para o senhor e nunca desobedeci às suas ordens. Mesmo assim, nem uma vez o senhor me deu um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas assim que chegou esse seu filho, que esbanjou os bens do senhor com as prostitutas, o senhor abateu o bezerro gordo para ele.’” — Lucas 15:25-30.

      Assim como o filho mais velho, os escribas e os fariseus criticam a compaixão de Jesus e a atenção que ele dá às pessoas comuns e aos pecadores. As críticas deles sobre Jesus se associar com pecadores foram o que o motivaram a fazer essa ilustração. É claro que qualquer pessoa que critica a compaixão de Deus deve aprender dessa lição.

      Jesus conclui sua ilustração falando sobre o apelo do pai ao filho mais velho: “Meu filho, você sempre esteve comigo e todas as minhas coisas são suas. Mas nós simplesmente tivemos de festejar e nos alegrar, porque seu irmão estava morto e voltou a viver, estava perdido e foi achado.” — Lucas 15:31, 32.

      Jesus não diz o que o filho mais velho faz depois disso. Mas, após a morte e ressurreição de Jesus, ‘uma grande multidão de sacerdotes se torna obediente à fé’. (Atos 6:7) Pode ser que isso inclua até mesmo alguns dos que ouviram a emocionante ilustração de Jesus sobre o filho que estava perdido. Sem dúvida, é possível que eles caiam em si, se arrependam e voltem para Deus.

      Daquele dia em diante, os discípulos de Jesus podem e devem aprender as principais lições que ele ensina nessa excelente ilustração. A primeira lição é sobre ser sábios por permanecer em segurança entre o povo de Deus, sob os cuidados do nosso Pai que nos ama, em vez de nos desviar à procura de prazeres em “um país distante”.

      Outra lição é que, se nos desviarmos dos caminhos de Deus, precisamos humildemente voltar para nosso Pai e recuperar seu favor.

      Ainda podemos aprender outra lição do contraste entre a atitude receptiva e perdoadora do pai e o ressentimento e a indiferença do irmão mais velho. Sem dúvida, os servos de Deus desejam ser perdoadores e receptivos quando alguém que se desviou se arrepende sinceramente e volta para a ‘casa do Pai’. Assim, fiquemos alegres quando um irmão que ‘estava morto volta a viver’ e o que ‘estava perdido é achado’.

      • Para quem Jesus conta essa ilustração, e por quê?

      • Em quem a ilustração se concentra, e o que acontece com ele?

      • Como o pai reage quando o filho mais novo volta para casa?

      • Como a compaixão do pai reflete a personalidade de Jeová e de Jesus?

      • Em que sentido a reação do filho mais velho é semelhante ao comportamento dos escribas e dos fariseus?

      • Que lições você aprendeu das ilustrações de Jesus?

  • O valor da sabedoria prática
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um homem rico manda seu administrador embora

      CAPÍTULO 87

      O valor da sabedoria prática

      LUCAS 16:1-13

      • ILUSTRAÇÃO DO ADMINISTRADOR INJUSTO

      • “FAÇAM AMIGOS” POR MEIO DAS SUAS RIQUEZAS

      A ilustração que Jesus acaba de contar sobre o filho que estava perdido devia deixar claro aos cobradores de impostos, aos escribas e aos fariseus que estavam ali que Deus está disposto a perdoar os pecadores arrependidos. (Lucas 15:1-7, 11) Agora Jesus fala aos seus discípulos usando uma ilustração sobre um homem rico que descobre que o administrador da sua casa não agiu de modo correto.

      1. O administrador pensa no que vai fazer; 2. O administrador reduz o valor da dívida que um devedor deve ao seu senhor

      Jesus conta que o administrador é acusado de desperdiçar os bens do seu senhor. Então o senhor diz que o administrador será mandado embora. O administrador se pergunta: “O que eu vou fazer, visto que o meu senhor está me tirando a administração? Não sou bastante forte para cavar e tenho vergonha de mendigar.” Preparando-se para o que acontecerá, ele conclui: “Já sei o que vou fazer para que, quando eu for afastado da administração, as pessoas me recebam em suas casas.” Ele chama rapidamente cada um dos devedores e pergunta: “Quanto você deve ao meu senhor?” — Lucas 16:3-5.

      O primeiro responde: “Cem medidas de azeite.” Isso equivale a 2.200 litros de azeite. Talvez o devedor seja um vendedor de azeite ou tenha uma plantação de oliveiras. O administrador lhe diz: “Pegue de volta o seu acordo escrito, sente-se e escreva rapidamente 50 [1.100 litros].” — Lucas 16:6.

      O administrador pergunta a outro devedor: “Agora você, quanto deve?” Ele responde: “Cem grandes medidas de trigo.” Isso dá uns 22 mil litros de trigo. O administrador diz ao devedor: “Pegue de volta o seu acordo escrito e escreva 80.” Assim, ele reduz 20 por cento do valor da dívida. — Lucas 16:7.

      O administrador ainda é responsável pelos assuntos financeiros do seu senhor. Então tem o direito de reduzir o que outros devem ao seu senhor. Por cancelar parte das dívidas, o administrador está fazendo amizade com quem talvez lhe faça favores depois que ele perder o emprego.

      Com o tempo, seu senhor fica sabendo o que aconteceu. O que o administrador fez traz prejuízo para o senhor. Apesar disso, ele fica impressionado com o administrador e o elogia porque ele ‘foi injusto’, mas “agiu com sabedoria prática”. Jesus continua dizendo: “Os filhos deste sistema de coisas são mais sábios em sentido prático, ao lidar com a sua própria geração, do que os filhos da luz.” — Lucas 16:8.

      Jesus não está incentivando ninguém a usar os métodos do administrador nem a trapacear nos negócios. Então o que está ensinando? Ele incentiva os discípulos: “Façam amigos por meio das riquezas injustas, para que, quando essas faltarem, eles os recebam nas moradas eternas.” (Lucas 16:9) Jesus está ensinando uma lição sobre ser perspicaz e ter sabedoria prática. Os servos de Deus, “os filhos da luz”, devem usar seus bens materiais de modo sábio, tendo em mente a vida eterna.

      Apenas Jeová Deus e seu Filho podem receber alguém no Reino celestial ou no paraíso terrestre sob esse Reino. Devemos estar decididos a fazer amizade com eles por usar nossas riquezas materiais para apoiar os interesses do Reino. Assim, nosso futuro eterno estará garantido quando o ouro, a prata e outras riquezas materiais falharem ou deixarem de existir.

      Além disso, Jesus diz que as pessoas que são fiéis em cuidar e usar suas riquezas materiais também serão fiéis em cuidar de assuntos mais importantes. Ele declara: “Portanto, se vocês não se mostrarem fiéis em usar as riquezas injustas, quem lhes confiará o que é verdadeiro [como os interesses do Reino]?” — Lucas 16:11.

      Jesus mostra aos seus discípulos que será cobrado muito deles se quiserem ser recebidos “nas moradas eternas”. Ninguém pode ser um verdadeiro servo de Deus e ao mesmo tempo ser escravo das riquezas injustas. Jesus conclui: “Nenhum servo pode ser escravo de dois senhores, pois ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vocês não podem ser escravos de Deus e das Riquezas.” — Lucas 16:9, 13.

      • Na ilustração de Jesus, como o administrador faz amizade com quem talvez o ajude depois?

      • O que são as “riquezas injustas”, e como um cristão pode ‘fazer amigos’ por meio delas?

      • Quem nos receberá “nas moradas eternas” se formos fiéis em usar nossas “riquezas injustas”?

  • Mudança na situação do homem rico e de Lázaro
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um cachorro lambe as feridas de Lázaro

      CAPÍTULO 88

      Mudança na situação do homem rico e de Lázaro

      LUCAS 16:14-31

      • ILUSTRAÇÃO DO HOMEM RICO E DE LÁZARO

      Jesus dá aos seus discípulos excelentes conselhos sobre usar as riquezas materiais. Mas os discípulos não são os únicos que estão ouvindo. Os fariseus também estão presentes e deviam levar a sério o conselho de Jesus. Por quê? Porque ‘amam o dinheiro’. Ao ouvir o que Jesus está dizendo, eles ‘começam a zombar dele’. — Lucas 15:2; 16:13, 14.

      Mas Jesus não se intimida com isso. Ele lhes diz: “Vocês são os que se declaram justos diante dos homens, mas Deus conhece o coração de vocês. Pois aquilo que tem muito valor para os homens é repugnante à vista de Deus.” — Lucas 16:15.

      Por um longo tempo, os fariseus têm tido “muito valor para os homens”, mas chegou o momento para uma mudança total na situação. As pessoas de muito destaque, que são ricas por ter bens materiais, poder político e influência religiosa, serão derrubadas. E as pessoas comuns, que reconhecem sua necessidade espiritual, serão enaltecidas. Jesus deixa claro que está acontecendo uma grande mudança.

      Ele diz: “A Lei e os Profetas foram declarados até João. Desde então, o Reino de Deus está sendo declarado como boas novas, e todo tipo de pessoas avança vigorosamente em direção a ele. Realmente, é mais fácil passarem céu e terra do que ficar sem se cumprir um só traço de uma letra da Lei.” (Lucas 3:18; 16:16, 17) Como as palavras de Jesus mostram que está acontecendo uma mudança?

      Os líderes religiosos judeus dizem com muito orgulho que seguem a Lei de Moisés. Lembre-se de que, quando Jesus curou um cego em Jerusalém, os fariseus orgulhosos disseram: “Nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés.” (João 9:13, 28, 29) Um dos objetivos da Lei dada por Moisés era levar os humildes até o Messias, isto é, a Jesus. João Batista identificou Jesus como o Cordeiro de Deus. (João 1:29-34) Começando com o ministério de João, judeus humildes, especialmente os pobres, têm ouvido sobre “o Reino de Deus”. Sem dúvida, há “boas novas” para todos os que querem ser súditos do Reino de Deus e ser beneficiados por ele.

      A Lei mosaica não deixou de se cumprir. Em vez disso, ela levou até o Messias. E logo as pessoas não precisarão mais segui-la. Por exemplo, a Lei permitia o divórcio por vários motivos, mas agora Jesus explica que “todo aquele que se divorcia da sua esposa e se casa com outra comete adultério, e quem se casa com uma mulher divorciada do marido comete adultério”. (Lucas 16:18) Imagine como essas palavras enfurecem os fariseus, que gostam de criar regras para tudo.

      Então Jesus conta uma ilustração que destaca a importância da mudança que está acontecendo. Ele fala sobre dois homens e uma drástica mudança na situação deles. Ao considerar essa ilustração, tenha em mente que entre os ouvintes estão os fariseus que amam o dinheiro e são considerados muito importantes pelos homens.

      Um homem rico vestido de púrpura olha pela janela

      Jesus diz: “Havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho, e levava uma vida de prazeres e luxo. Mas um mendigo, chamado Lázaro, costumava ser colocado junto ao portão dele, e estava coberto de feridas; ele desejava matar a fome com as coisas que caíam da mesa do rico. Até os cães vinham lamber as suas feridas.” — Lucas 16:19-21.

      Se os fariseus amam o dinheiro, há alguma dúvida sobre quem é o “homem rico” na ilustração de Jesus? Esses líderes religiosos judeus também gostam de se vestir com roupas caras e elegantes. E, além da riqueza que possuem, parecem ricos em ainda outro sentido: eles têm muitos privilégios e melhores oportunidades. Assim, a ilustração do homem que se vestiu de púrpura reflete bem a posição favorecida dos fariseus, e o linho branco reflete o orgulho deles. — Daniel 5:7.

      Como esses líderes ricos e orgulhosos encaram as pessoas comuns, os pobres? Eles os encaram com desprezo, chamando-os de ‛am ha’árets, ou povo da terra, que não conhecem a Lei nem merecem aprender sobre ela. (João 7:49) Isso reflete a situação do “mendigo, chamado Lázaro”, que tem tanta fome que deseja qualquer ‘coisa que caia da mesa do rico’. Assim como Lázaro, que está coberto de feridas, as pessoas comuns são desprezadas como se estivessem espiritualmente doentes.

      Essa triste situação existe há algum tempo, mas Jesus sabe que chegou o momento para uma grande mudança na situação dos que são como o homem rico e dos que são como Lázaro.

      CHEGA O MOMENTO PARA A MUDANÇA

      Lázaro ao lado de Abraão

      Jesus descreve a seguir essa grande mudança nas circunstâncias: “Com o tempo, o mendigo morreu e foi carregado pelos anjos para junto de Abraão. O rico também morreu e foi enterrado. Na Sepultura ele ergueu os olhos, em tormentos, e viu Abraão de longe, com Lázaro ao seu lado.” — Lucas 16:22, 23.

      Os que estão ouvindo Jesus sabem que Abraão morreu há muito tempo e está na Sepultura. As Escrituras deixam claro que ninguém na Sepultura, ou Seol, pode ver ou falar, incluindo Abraão. (Eclesiastes 9:5, 10) O que será então que esses líderes religiosos acham que a ilustração de Jesus significa? O que talvez ele esteja indicando sobre as pessoas comuns e os líderes religiosos que amam o dinheiro?

      Jesus indica que houve uma mudança ao dizer que ‘a Lei e os Profetas foram declarados até João Batista, mas, desde então, o Reino de Deus está sendo declarado como boas novas’. Assim, com a pregação de João e de Jesus Cristo, Lázaro e o homem rico morrem em relação à sua antiga situação e ganham novas posições perante Deus.

      Os humildes ou pobres são carentes em sentido espiritual. Mas estão sendo ajudados e estão reagindo à mensagem do Reino levada primeiro por João Batista e depois por Jesus. Antes, eles tinham que se contentar com as ‘coisas que caíam da mesa espiritual’ dos líderes religiosos. Agora estão sendo alimentados com importantes verdades bíblicas, especialmente com as coisas maravilhosas que Jesus está explicando. É como se finalmente estivessem numa posição favorecida aos olhos de Jeová Deus.

      Em contraste, os líderes religiosos, que são ricos e influentes, se recusam a aceitar a mensagem do Reino que João proclamou e que Jesus está pregando em toda a região. (Mateus 3:1, 2; 4:17) Eles ficam furiosos, ou irritados, por causa da mensagem que fala sobre o futuro julgamento ardente de Deus. (Mateus 3:7-12) Seria um alívio para os líderes religiosos que amam o dinheiro se Jesus e seus discípulos deixassem de declarar a mensagem de Deus. Esses líderes são como o homem rico na ilustração, que diz: “Pai Abraão, tenha misericórdia de mim e envie Lázaro para mergulhar a ponta do dedo na água e refrescar a minha língua, porque estou sofrendo neste fogo intenso.” — Lucas 16:24.

      Homem rico sendo atormentado no fogo

      Contudo, isso não vai acontecer. A maioria dos líderes religiosos não vai mudar. Eles se recusam a ‘escutar Moisés e os Profetas’, mas deviam ser motivados pelos escritos deles a aceitar Jesus como o Messias de Deus e Rei. (Lucas 16:29, 31; Gálatas 3:24) Não se humilham nem se deixam influenciar pelos pobres que aceitaram Jesus e que agora têm o favor divino. Por outro lado, os discípulos de Jesus não podem corromper ou suavizar a verdade apenas para satisfazer os líderes religiosos ou lhes dar alívio. Em sua ilustração, Jesus descreve essa realidade usando as palavras do “Pai Abraão” ao homem rico.

      Ele diz: “Filho, lembre-se de que você teve a sua medida de coisas boas durante a vida, mas Lázaro, por sua vez, recebeu coisas ruins. Agora, porém, ele está tendo consolo aqui, mas você está sofrendo. E, além de tudo isso, estabeleceu-se um grande abismo entre nós e vocês, de modo que os que querem passar daqui para o lado de vocês não podem, nem podem pessoas passar daí para o nosso lado.” — Lucas 16:25, 26.

      Líderes religiosos judaicos ficam furiosos com Jesus

      Como é justo e apropriado que essa grande mudança aconteça! Isso significa uma mudança de posição entre os orgulhosos líderes religiosos e os humildes que aceitam o apelo de Jesus e finalmente são revigorados e alimentados espiritualmente. (Mateus 11:28-30) Essa mudança ficará ainda mais evidente em alguns meses, quando o pacto da Lei for substituído pelo novo pacto. (Jeremias 31:31-33; Colossenses 2:14; Hebreus 8:7-13) Quando Deus derramar espírito santo no Pentecostes de 33 EC, ficará bem claro que, ao contrário dos fariseus e seus associados religiosos, os discípulos de Jesus têm o favor de Deus.

      • Que contraste existe entre a situação dos líderes religiosos judeus e a das pessoas comuns?

      • Conforme as palavras de Jesus, que mudança acontece no começo do ministério de João?

      • Na ilustração de Jesus, quem é como o homem rico e quem é como Lázaro?

      • Como Jesus mostra que houve uma mudança na situação?

      • Como os líderes religiosos reagem à mensagem de João e de Jesus? E como Jesus ilustra isso?

      • O que os líderes religiosos gostariam que acontecesse, mas por que isso não acontece?

      • Quando o abismo entre os líderes religiosos e os discípulos de Jesus fica ainda maior?

  • Jesus ensina a caminho da Judeia
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um mensageiro conta para Jesus que Lázaro está doente

      CAPÍTULO 89

      Jesus ensina a caminho da Judeia

      LUCAS 17:1-10 JOÃO 11:1-16

      • É GRAVE FAZER OUTROS TROPEÇAR

      • LIÇÃO SOBRE PERDÃO E MOSTRAR FÉ

      Por algum tempo, Jesus está na região conhecida como Pereia, que fica do “outro lado do Jordão”. (João 10:40) Agora ele viaja para o sul, em direção a Jerusalém.

      Jesus não está sozinho. Seus discípulos viajam com ele, bem como “grandes multidões”, incluindo cobradores de impostos e pecadores. (Lucas 14:25; 15:1) Fariseus e escribas, que criticam Jesus pelo que ele diz e faz, também estão ali. Eles têm muito em que pensar depois de Jesus contar as ilustrações sobre a ovelha perdida, o filho pródigo, e o homem rico e Lázaro. — Lucas 15:2; 16:14.

      Jesus volta a atenção para seus discípulos, talvez com as críticas e a zombaria de seus opositores ainda em mente. Ele toca em alguns pontos que já ensinou na Galileia.

      Por exemplo, Jesus diz: “É inevitável que surjam motivos para tropeço. Contudo, ai daquele por meio de quem eles surgem! . . . Prestem atenção a si mesmos. Se o seu irmão cometer um pecado, censure-o e, se ele se arrepender, perdoe-lhe. Mesmo que ele peque contra você sete vezes por dia e volte a você sete vezes, dizendo: ‘Eu me arrependo’, você tem de lhe perdoar.” (Lucas 17:1-4) Esse último comentário talvez relembre a Pedro a pergunta sobre perdoar alguém sete vezes. — Mateus 18:21.

      Será que os discípulos agirão em harmonia com as palavras de Jesus? Quando eles dizem, “Dê-nos mais fé”, ele lhes garante: “Se vocês tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda, diriam a esta amoreira-preta: ‘Arranque-se daí e plante-se no mar!’ e ela lhes obedeceria.” (Lucas 17:5, 6) Assim, se tiverem um pouco de fé, farão grandes coisas.

      Jesus continua a ensinar a importância de ter um ponto de vista humilde e equilibrado sobre si mesmo. Ele diz aos apóstolos: “Quem de vocês, caso tenha um escravo que esteja arando ou cuidando do rebanho, lhe dirá quando ele chegar do campo: ‘Venha imediatamente à mesa para comer’? Em vez disso, não lhe dirá: ‘Prepare algo para o meu jantar, ponha o avental e sirva-me até eu acabar de comer e beber; depois você pode comer e beber’? Será que ele sentirá gratidão pelo escravo porque este fez o que lhe foi designado? Da mesma forma, quando vocês tiverem feito todas as coisas que lhes foram designadas, digam: ‘Somos escravos imprestáveis. O que fizemos é o que devíamos fazer.’” — Lucas 17:7-10.

      Cada um dos servos de Deus deve entender a importância de colocar os interesses de Deus em primeiro lugar. Além disso, todos devem reconhecer que é um privilégio adorar a Deus como parte de sua família.

      Parece que depois disso chega um mensageiro enviado por Maria e Marta. Elas são irmãs de Lázaro e moram em Betânia da Judeia. O mensageiro diz: “Senhor, aquele que o senhor ama está doente.” — João 11:1-3.

      Embora saiba que seu amigo Lázaro está muito doente, Jesus não fica paralisado pela tristeza. Em vez disso, diz: “O resultado dessa doença não será a morte, mas a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela.” Ele fica ali dois dias, então diz aos discípulos: “Vamos novamente à Judeia.” Eles protestam: “Rabi, há pouco tempo os da Judeia queriam apedrejá-lo, e o senhor vai novamente para lá?” — João 11:4, 7, 8.

      Jesus responde: “Não há 12 horas de luz no dia? Se alguém anda na luz do dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas, se alguém anda de noite, tropeça, porque nele não há luz.” (João 11:9, 10) Parece que Jesus quer dizer que o tempo que Deus lhe deu para completar seu ministério ainda não acabou. Por isso, ele precisa usar bem o pouco tempo que resta.

      Jesus acrescenta: “Lázaro, nosso amigo, adormeceu, mas eu vou lá para acordá-lo.” Pelo visto, eles pensam que Lázaro está simplesmente dormindo e que ficará bem. Por isso, dizem: “Senhor, se ele está dormindo, ficará bom.” Então Jesus diz sem rodeios: “Lázaro morreu . . . Mas vamos até onde ele está.” — João 11:11-15.

      Tomé sabe que Jesus pode ser morto na Judeia. Querendo ajudá-lo, ele sugere aos discípulos: “Vamos também, para morrermos com ele.” — João 11:16.

      • Onde Jesus tem pregado?

      • Que ensinamento Jesus repete, e que situação ele usa para ilustrar a importância da humildade?

      • Que notícia Jesus recebe, e por que Tomé fala sobre morrer com Jesus?

  • “A ressurreição e a vida”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus e Maria choram e outros observam

      CAPÍTULO 90

      “A ressurreição e a vida”

      JOÃO 11:17-37

      • JESUS CHEGA APÓS A MORTE DE LÁZARO

      • “A RESSURREIÇÃO E A VIDA”

      Vindo da Pereia, Jesus chega a Betânia, um povoado a uns três quilômetros ao leste de Jerusalém. Maria e Marta, irmãs de Lázaro, estão de luto, visto que ele morreu há alguns dias. Muitas pessoas vieram para consolá-las.

      Marta corre ao encontro de Jesus

      Então alguém diz a Marta que Jesus está chegando, e ela se apressa para encontrá-lo. Marta diz a Jesus o que ela e sua irmã talvez tenham pensado nos últimos quatro dias: “Senhor, se estivesse aqui, meu irmão não teria morrido.” Não é que ela não tenha esperança, pois diz: “Eu sei que tudo o que o senhor pedir a Deus, Deus lhe dará.” (João 11:21, 22) Ela acha que Jesus talvez ainda possa ajudar seu irmão.

      Jesus responde: “Seu irmão se levantará.” Marta conclui que ele está se referindo à futura ressurreição na Terra, a esperança que Abraão e outros tinham. Ela mostra que acredita nisso: “Sei que ele se levantará na ressurreição, no último dia.” — João 11:23, 24.

      Mas será que Jesus pode oferecer ajuda imediata nesse caso? Ele relembra Marta que Deus lhe deu poder sobre a morte: “Quem exercer fé em mim, ainda que morra, voltará a viver; e todo aquele que vive e exerce fé em mim não morrerá jamais.” — João 11:25, 26.

      Jesus não está sugerindo que seus discípulos, que estão vivos nesse momento, nunca morrerão. Até mesmo ele morrerá, como disse a seus apóstolos. (Mateus 16:21; 17:22, 23) Jesus está destacando que, por exercer fé nele, eles podem ganhar a vida eterna. Para muitas pessoas, essa vida será obtida através da ressurreição. No entanto, os fiéis que vivem no final desse sistema talvez nunca tenham de morrer. Em ambos os casos, todos os que exercem fé em Jesus podem estar certos de que a morte não é algo permanente.

      Mas será que Jesus, que disse “eu sou a ressurreição e a vida”, pode ajudar Lázaro, que está morto há dias? Jesus pergunta a Marta: “Você acredita nisso?” Ela responde: “Sim, Senhor, eu acredito que o senhor é o Cristo, o Filho de Deus, aquele que tinha de vir ao mundo.” Com fé que Jesus pode fazer algo nesse mesmo dia, Marta corre até sua casa e chama sua irmã em particular: “O Instrutor está aqui e está chamando você.” (João 11:25-28) Com isso, Maria sai da casa e é seguida por outros que concluem que ela está indo ao túmulo de Lázaro.

      Em vez disso, Maria vai até Jesus e se ajoelha aos seus pés chorando. Ela tem o mesmo sentimento que sua irmã: “Senhor, se estivesse aqui, meu irmão não teria morrido.” Ao ver que Maria e a multidão estão chorando, Jesus geme, fica aflito e até começa a chorar. Isso comove os observadores. Mas alguns se perguntam: ‘Será que Jesus, que abriu os olhos de um homem que nasceu cego, não poderia ter impedido que Lázaro morresse?’ — João 11:32, 37.

      • O que está acontecendo quando Jesus chega a Betânia?

      • Que motivos Marta tem para acreditar na ressurreição?

      • Como Jesus mostra que pode fazer algo a respeito da morte de Lázaro?

  • Lázaro é ressuscitado
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Marta e Maria veem Jesus ressuscitar Lázaro

      CAPÍTULO 91

      Lázaro é ressuscitado

      JOÃO 11:38-54

      • A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO

      • O SINÉDRIO PLANEJA MATAR JESUS

      Após Jesus encontrar Marta e Maria perto de Betânia, eles vão ao túmulo de Lázaro, uma caverna com uma pedra que cobre a entrada. Jesus ordena: “Retirem a pedra.” Marta está preocupada, pois não entende o que Jesus vai fazer. Ela diz: “Senhor, ele já deve estar cheirando, porque já faz quatro dias.” Mas Jesus diz: “Eu não lhe disse que, se você acreditasse, veria a glória de Deus?” — João 11:39, 40.

      Então a pedra é removida. Jesus olha para o céu e ora: “Pai, eu te agradeço porque me ouviste. Na verdade, eu sei que sempre me ouves, mas falei por causa da multidão que está ao meu redor, para que acreditem que tu me enviaste.” A oração que Jesus faz em voz alta mostra aos observadores que ele vai fazer algo por meio do poder de Deus. Então Jesus diz bem alto: “Lázaro, venha para fora!” E Lázaro sai com as mãos e os pés ainda enrolados com as faixas de sepultamento e o rosto coberto com um pano. Jesus diz: “Tirem as faixas dele e deixem-no ir.” — João 11:41-44.

      Muitos judeus que vieram consolar Marta e Maria veem esse milagre e depositam fé em Jesus. Mas outros vão embora e contam aos fariseus o que Jesus fez. Os fariseus e os principais sacerdotes reúnem a suprema corte judaica, o Sinédrio. Esse grupo inclui o sumo sacerdote, Caifás. Alguns deles reclamam: “O que faremos, visto que esse homem realiza muitos sinais? Se o deixarmos continuar assim, todos depositarão fé nele, e os romanos virão e tirarão tanto o nosso lugar como a nossa nação.” (João 11:47, 48) Eles ouviram o testemunho de pessoas que estavam presentes quando Jesus ‘realizou muitos sinais’, mas não estão contentes com o que Deus está fazendo por meio dele. Estão mais preocupados com sua posição e autoridade.

      Judeus falam para os fariseus sobre a ressurreição de Lázaro

      A ressurreição de Lázaro é uma derrota para os saduceus, que não acreditam na ressurreição. Caifás, um saduceu, diz: “Vocês não sabem nada, nem refletiram que é para o seu bem que um só homem morra a favor do povo, em vez de toda a nação ser destruída.” — João 11:49, 50; Atos 5:17; 23:8.

      Visto que Caifás é o sumo sacerdote, é Deus que o faz dizer isso, ele ‘não diz isso por si mesmo’. Caifás quer dizer que Jesus deve ser morto para evitar que continue enfraquecendo a autoridade e a influência dos líderes religiosos judeus. Assim, a profecia de Caifás indica que Jesus providenciaria um resgate por meio de sua morte, não apenas para os judeus, mas para todos “os filhos de Deus que estavam espalhados”. — João 11:51, 52.

      Caifás consegue influenciar o Sinédrio a fazer planos para matar Jesus. Será que Nicodemos, um membro do Sinédrio que é favorável a Jesus, revelará esses planos a ele? De qualquer forma, Jesus sai da região de Jerusalém e assim evita ser morto antes do tempo designado por Deus.

      • Como as pessoas que veem a ressurreição de Lázaro reagem?

      • O que mostra que os membros do Sinédrio são perversos?

      • Embora Caifás tenha más intenções, o que Deus o faz profetizar?

  • Jesus cura dez leprosos, mas apenas um agradece
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um dos leprosos que Jesus curou volta para o agradecer

      CAPÍTULO 92

      Jesus cura dez leprosos, mas apenas um agradece

      LUCAS 17:11-19

      • JESUS CURA DEZ LEPROSOS

      Jesus viaja para a cidade de Efraim, ao nordeste de Jerusalém, frustrando os planos do Sinédrio para matá-lo. Ele fica ali com os discípulos, longe dos seus inimigos. (João 11:54) Mas a época da Páscoa de 33 EC se aproxima, e logo Jesus viaja novamente. Atravessando Samaria, ele vai em direção ao norte e chega à Galileia. É a última vez, antes da sua morte, que Jesus visita essa região.

      No início da viagem, enquanto vai de um vilarejo a outro, ele encontra dez leprosos. Em alguns casos, essa doença pode aos poucos fazer a pessoa perder partes do corpo, como as orelhas e os dedos das mãos e dos pés. (Números 12:10-12) A Lei de Deus exige que um leproso viva isolado e que, ao avistar alguém, avise: “Impuro, impuro!” — Levítico 13:45, 46.

      De acordo com isso, os dez leprosos mantêm distância de Jesus. Mas gritam com voz bem alta: “Jesus, Instrutor, tenha misericórdia de nós!” Vendo os leprosos, ele ordena: “Vão se mostrar aos sacerdotes.” (Lucas 17:13, 14) Assim, ele mostra respeito pela Lei de Deus, que autoriza que os sacerdotes declarem limpos os que foram curados da lepra. Depois disso, eles podem novamente viver entre pessoas saudáveis. — Levítico 13:9-17.

      Jesus encontra dez homens que têm lepra

      Os dez leprosos confiam nos poderes milagrosos de Jesus. Vão até os sacerdotes, mesmo antes de serem curados. Enquanto estão a caminho, sua fé em Jesus é recompensada. Eles podem ver e sentir que sua saúde foi restabelecida.

      Nove dos homens curados seguem seu caminho. Mas por que será que apenas um deles, um samaritano, volta para procurar Jesus? Esse homem está profundamente grato pelo que aconteceu. O ex-leproso percebe que Deus é o responsável pelo restabelecimento da sua saúde e ‘glorifica a Deus em voz alta’. (Lucas 17:15) Quando encontra Jesus, o homem cai aos seus pés e o agradece.

      Jesus diz aos que estão à sua volta: “Todos os dez foram purificados, não foram? Então, onde estão os outros nove? Nenhum deles voltou para dar glória a Deus, a não ser este homem de outra nação?” Jesus diz então ao samaritano: “Levante-se e vá. A sua fé fez você ficar bom.” — Lucas 17:17-19.

      Por curar os dez leprosos, Jesus mostra que tem o apoio de Jeová Deus. Além de ser curado por Jesus, esse homem talvez tenha encontrado o caminho da vida. Não vivemos mais no tempo em que Deus está usando Jesus para realizar curas. No entanto, pela fé em Jesus, podemos achar o caminho da vida, a vida eterna, e mostrar que somos gratos, assim como o samaritano foi.

      • Para onde Jesus vai, frustrando os planos para matá-lo?

      • Por que os dez leprosos ficam parados à distância? E por que Jesus os manda ir até os sacerdotes?

      • Considerando o que aconteceu com o samaritano, que lição aprendemos?

  • O Filho do Homem será revelado
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • A arca de Noé no mar

      CAPÍTULO 93

      O Filho do Homem será revelado

      LUCAS 17:20-37

      • O REINO DE DEUS ESTÁ NO MEIO DELES

      • O QUE ACONTECERÁ QUANDO JESUS FOR REVELADO?

      Jesus ainda está em Samaria ou na Galileia. Agora os fariseus querem saber sobre a vinda do Reino, que para eles virá de forma ostentosa e com muita cerimônia. Mas Jesus diz: “O Reino de Deus não vem de modo claramente observável, nem as pessoas dirão: ‘Vejam, está aqui!’ ou: ‘Está ali!’ Pois saibam que o Reino de Deus está no meio de vocês.” — Lucas 17:20, 21.

      Alguns acham que Jesus está dizendo que o Reino está no coração dos servos de Deus. Contudo, esse não é o caso, pois o Reino não está no coração dos fariseus com quem Jesus está falando. Mas está no meio deles porque Jesus, o rei escolhido por Deus, está ali entre eles. — Mateus 21:5.

      Provavelmente depois de os fariseus irem embora, Jesus dá mais detalhes aos seus discípulos sobre a vinda do Reino. A respeito de sua presença no poder do Reino, ele avisa: “Virá o tempo em que vocês desejarão ver um dos dias do Filho do Homem, mas não verão.” (Lucas 17:22) Jesus quer dizer que o domínio do Filho do Homem no Reino ocorrerá no futuro. Antes desse tempo, alguns discípulos talvez procurem ansiosamente por ele, mas terão de continuar esperando até chegar o tempo designado por Deus para o Filho do Homem vir.

      Jesus continua: “As pessoas lhes dirão: ‘Vejam, está ali!’ ou: ‘Vejam, está aqui!’ Não saiam nem corram atrás delas. Pois, assim como o relâmpago ilumina o céu de um lado a outro, assim será o Filho do Homem no seu dia.” (Lucas 17:23, 24) Como os discípulos de Jesus serão protegidos contra seguir falsos messias? Jesus diz que a vinda do verdadeiro Messias será como o relâmpago que pode ser visto numa região inteira. A evidência da sua presença no poder do Reino será claramente visível a todos os observadores atentos.

      Então Jesus faz uma comparação com eventos antigos para mostrar a atitude que as pessoas teriam durante esse período futuro: “Assim como ocorreu nos dias de Noé, assim será nos dias do Filho do Homem . . . Do mesmo modo, será como ocorreu nos dias de Ló: as pessoas comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam, construíam. Mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, e destruiu a todos. Acontecerá o mesmo naquele dia em que o Filho do Homem for revelado.” — Lucas 17:26-30.

      Jesus não está dizendo que as pessoas dos dias de Noé e de Ló foram destruídas porque realizavam coisas comuns como comer, beber, comprar, vender, plantar e construir. Noé, Ló e suas famílias faziam algumas dessas atividades. Mas as outras pessoas faziam isso sem se importar com a vontade de Deus e ignoravam o tempo em que viviam. Por essa razão, Jesus aconselha os discípulos a estar atentos à vontade de Deus e a ter plena participação ao realizá-la. Ele está mostrando a eles o que precisa ser feito para sobreviverem quando Deus trouxer a destruição no futuro.

      A mulher de Ló vira uma estátua de sal

      Os discípulos devem evitar se distrair com as coisas do mundo, “as coisas deixadas atrás”. Jesus diz: “Naquele dia, quem estiver no terraço, mas cujas coisas estiverem na casa, não desça para apanhá-las, e, do mesmo modo, quem estiver no campo não deve voltar para as coisas deixadas atrás. Lembrem-se da mulher de Ló.” (Lucas 17:31, 32) Ela se tornou uma coluna de sal.

      Continuando a descrição de qual será a situação quando o Filho do Homem começar a reinar, Jesus diz aos discípulos: “Naquela noite, duas pessoas estarão numa cama; uma será levada, mas a outra será abandonada.” (Lucas 17:34) Assim, alguns ganharão a salvação, mas outros serão abandonados, perdendo a vida.

      Os discípulos perguntam: “Onde, Senhor?” Jesus responde: “Onde estiver o corpo, ali também se ajuntarão as águias.” (Lucas 17:37) Esses discípulos teriam uma visão aguçada como as águias e se reuniriam ao verdadeiro Cristo, o Filho do Homem. Nessa época futura, Jesus daria a seus discípulos a verdade, que salva a vida dos que têm fé.

      • Em que sentido o Reino está no meio dos fariseus?

      • De que maneira a presença de Cristo será como o relâmpago?

      • Por que os discípulos de Jesus precisam estar atentos durante a presença do Filho do Homem?

  • A importância de orar e ser humilde
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um fariseu e um cobrador de impostos oram

      CAPÍTULO 94

      A importância de orar e ser humilde

      LUCAS 18:1-14

      • A ILUSTRAÇÃO DA VIÚVA PERSISTENTE

      • O FARISEU E O COBRADOR DE IMPOSTOS

      Jesus já contou aos discípulos uma ilustração sobre ser persistente em orar. (Lucas 11:5-13) Agora talvez esteja em Samaria ou na Galileia e novamente enfatiza a necessidade de nunca desistir de orar. Então ele conta outra ilustração.

      Uma viúva implora que o juiz ouça o seu caso

      Ele diz: “Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava homem algum. Havia também naquela cidade uma viúva, e ela persistia em ir a ele e a dizer: ‘Faça-me justiça contra o meu adversário.’ Pois bem, por um tempo ele não estava disposto a fazer isso, mas depois disse para si mesmo: ‘Eu não temo a Deus nem respeito nenhum homem, mas, visto que essa viúva fica me incomodando, farei justiça a ela para que não continue vindo me importunar com seu pedido até eu não suportar mais.’” — Lucas 18:2-5.

      Jesus faz a seguinte aplicação: “Ouçam o que o juiz, embora injusto, disse! Certamente, então, será que Deus não providenciará que seja feita justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite, ao passo que é paciente com eles?” (Lucas 18:6, 7) O que Jesus quer dizer sobre seu Pai?

      Jesus não está dizendo que Jeová é como o juiz injusto. Trata-se de um contraste: se até um juiz humano injusto atende a súplicas persistentes, sem dúvida Deus fará o mesmo. Ele é justo e bom, e responderá se o seu povo não desistir de orar. Entendemos isso pelo que Jesus acrescenta: “[Deus] providenciará que seja feita justiça a eles rapidamente.” — Lucas 18:8.

      Geralmente, não se faz justiça aos humildes e aos pobres, enquanto os ricos e os poderosos muitas vezes são favorecidos. Mas esse não é o modo de Deus agir. Quando chegar o tempo, ele fará justiça por punir os perversos, mas dará vida eterna aos seus servos.

      Quem tem fé como essa viúva? E quantos acreditam que Deus “providenciará que seja feita justiça a eles rapidamente”? Com isso, Jesus ilustra a necessidade de persistir em orar. Para destacar o poder da fé e da oração, ele pergunta: “Quando o Filho do Homem chegar, achará realmente essa fé na terra?” (Lucas 18:8) Ele quer dizer que a fé talvez não seja comum quando Cristo vier.

      Alguns que estão ouvindo Jesus são autoconfiantes com respeito à sua fé. Isso os leva a se achar justos e desprezar os outros. Jesus lhes conta uma ilustração.

      Ele diz: “Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu, o outro era cobrador de impostos. O fariseu ficou em pé e começou a orar o seguinte no íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço que não sou como todos os outros: extorsores, injustos, adúlteros; nem mesmo como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana, dou o décimo de tudo que adquiro.’” — Lucas 18:10-12.

      Os fariseus são conhecidos por expor publicamente sua aparente justiça, mas fazem isso para impressionar outros. Costumam impor um jejum a si mesmos, às segundas e quintas-feiras. Nesses dias, os grandes mercados estão cheios e muitos podem vê-los. Também seguem à risca o pagamento do dízimo, até de pequenas plantas. (Lucas 11:42) Alguns meses antes, eles expressaram desprezo pelas pessoas comuns: “Essa multidão, que não conhece a Lei [segundo o ponto de vista dos fariseus], são pessoas amaldiçoadas.” — João 7:49.

      Jesus continua a ilustração: “Mas o cobrador de impostos, parado à distância, não queria nem levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: ‘Ó Deus, tem misericórdia de mim, um pecador.’” O cobrador de impostos reconhece humildemente suas falhas. Jesus conclui: “Este homem desceu para casa mais justo do que aquele fariseu. Porque todo aquele que se enaltecer será humilhado, mas quem se humilhar será enaltecido.” — Lucas 18:13, 14.

      Assim, Jesus destaca a necessidade de ser humildes. Esse conselho beneficia seus discípulos, que foram criados em uma sociedade onde os fariseus que se acham justos dão valor a cargos e posição social. Esse é um valioso conselho para todos os seguidores de Jesus.

      • O que Jesus ensina na ilustração do juiz injusto que atende ao pedido da viúva?

      • Que tipo de fé Jesus encontrará quando vier?

      • Que atitude comum entre os fariseus os seguidores de Jesus precisam evitar?

  • Ele ensina sobre o divórcio e o amor às crianças
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • As pessoas levam seus filhos até Jesus

      CAPÍTULO 95

      Ele ensina sobre o divórcio e o amor às crianças

      MATEUS 19:1-15 MARCOS 10:1-16 LUCAS 18:15-17

      • JESUS MOSTRA O PONTO DE VISTA DE DEUS SOBRE O DIVÓRCIO

      • O DOM DO ESTADO DE SOLTEIRO

      • A IMPORTÂNCIA DE SER COMO CRIANÇAS

      Jesus e os discípulos saem da Galileia, atravessam o rio Jordão e seguem para o sul, através da Pereia. Quando esteve pela última vez na Pereia, Jesus falou aos fariseus sobre o padrão divino para o divórcio. (Lucas 16:18) Agora, eles falam sobre isso para testar Jesus.

      Moisés escreveu que era permitido se divorciar de uma mulher caso se descobrisse “alguma coisa indecente” da parte dela. (Deuteronômio 24:1) Há diferentes opiniões sobre o que seria um motivo para o divórcio. Alguns acreditam que isso inclui assuntos de menor importância. Por isso, os fariseus perguntam: “É permitido que um homem se divorcie da sua esposa por qualquer motivo?” — Mateus 19:3.

      Em vez de recorrer à opinião de humanos, Jesus habilmente se refere ao conceito de Deus sobre o casamento: “Não leram que aquele que os criou no princípio os fez homem e mulher, e disse: ‘Por essa razão o homem deixará seu pai e sua mãe e se apegará à sua esposa, e os dois serão uma só carne’? De modo que não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus pôs sob o mesmo jugo, o homem não deve separar.” (Mateus 19:4-6) Ao unir Adão e Eva no casamento, Deus não abriu exceção para o divórcio.

      Os fariseus não concordam com Jesus: “Então, por que Moisés mandou que o homem desse a ela um certificado de divórcio e a mandasse embora?” (Mateus 19:7) Jesus lhes diz: “Foi por causa da dureza do coração de vocês que Moisés lhes fez a concessão de se divorciarem de suas esposas, mas não era assim no princípio.” (Mateus 19:8) Esse “princípio” não se refere aos dias de Moisés, mas a quando Deus instituiu o casamento no Éden.

      Então Jesus apresenta uma importante verdade: “Quem se divorcia da sua esposa, a não ser por causa de imoralidade sexual [em grego, porneía], e se casa com outra, comete adultério.” (Mateus 19:9) Assim, a imoralidade sexual é a única base bíblica para o divórcio.

      Os discípulos chegam à seguinte conclusão: “Se essa é a situação entre o homem e sua esposa, não é aconselhável se casar.” (Mateus 19:10) Assim, quem pensa em se casar deve considerar o casamento como algo permanente.

      Com respeito ao estado de solteiro, Jesus explica que alguns nascem eunucos, incapazes de ter relações sexuais. Outros são feitos eunucos e se tornam incapazes de ter relações. Mas há também aqueles que decidem controlar seu desejo de ter relações. Fazem isso a fim de se concentrar mais plenamente nos assuntos do Reino. Jesus encoraja seus ouvintes: “Dê lugar a isso [o estado de solteiro] aquele que pode dar lugar a isso.” — Mateus 19:12.

      Agora as pessoas começam a trazer seus filhos até Jesus. Mas os discípulos as repreendem, provavelmente querendo impedir que o incomodem. Vendo isso, Jesus fica indignado e lhes diz: “Deixem as criancinhas vir a mim. Não tentem impedi-las, pois o Reino de Deus pertence aos que são como elas. Eu lhes digo a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, de modo algum entrará nele.” — Marcos 10:14, 15; Lucas 18:15.

      Que excelente lição! Para entrar no Reino de Deus, precisamos ser humildes e estar dispostos a aprender, como as crianças. Então Jesus mostra como ama os pequeninos por pegá-los nos braços e abençoá-los. Ele demonstra terno amor por todos que ‘recebem o Reino de Deus como uma criancinha’. — Lucas 18:17.

      • Como os fariseus testam Jesus na questão do divórcio?

      • De acordo com Jesus, qual é o padrão divino para o divórcio?

      • Por que alguns discípulos talvez decidam ficar solteiros?

      • Que lição Jesus ensina pelo modo como trata as crianças?

  • Jesus fala com um jovem governante rico
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um jovem rico se ajoelha diante de Jesus

      CAPÍTULO 96

      Jesus fala com um jovem governante rico

      MATEUS 19:16-30 MARCOS 10:17-31 LUCAS 18:18-30

      • UM HOMEM RICO PERGUNTA SOBRE A VIDA ETERNA

      Jesus ainda está viajando pela Pereia em direção a Jerusalém. Um jovem rico vai até ele e se ajoelha. O homem é “um dos líderes”, talvez seja presidente da sinagoga ou membro do Sinédrio. Ele pergunta: “Bom Instrutor, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” — Lucas 8:41; 18:18; 24:20.

      Jesus responde: “Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um só, Deus.” Provavelmente o homem usa “bom” como título, assim como os rabinos fazem. Embora Jesus seja um bom instrutor, ele deixa claro para o homem que o título “Bom” pertence apenas a Deus.

      Jesus o aconselha: “Porém, se você quer entrar na vida, obedeça sempre aos mandamentos.” Por isso, o homem pergunta: “Quais?” Jesus cita cinco dos Dez Mandamentos: não assassinar, não cometer adultério, não roubar, não dar falso testemunho e honrar os pais. Então acrescenta um mandamento mais importante: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” — Mateus 19:17-19.

      O homem diz: “Tenho cumprido todos esses. O que me falta ainda?” (Mateus 19:20) Talvez ele ache que ainda tem de fazer alguma boa ação ou algo extraordinário que o qualifique para a vida eterna. Percebendo que o seu pedido é sincero, Jesus ‘sente amor por ele’. (Marcos 10:21) No entanto, o homem tem um obstáculo diante de si.

      O homem tem muito apego aos seus bens materiais. Então Jesus diz: “Falta uma coisa a seu respeito: vá, venda o que você tem e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu; e venha ser meu seguidor.” O homem podia distribuir seu dinheiro aos pobres, que não têm como lhe pagar, e se tornar discípulo de Jesus. Provavelmente sentindo pena do homem, Jesus o vê se levantar e ir embora triste. Por se apegar às riquezas, suas “muitas posses”, o verdadeiro tesouro fica escondido do homem. (Marcos 10:21, 22) Jesus diz: “Como será difícil para os que têm dinheiro entrar no Reino de Deus!” — Lucas 18:24.

      Os discípulos ficam surpresos com essas palavras e com o que Jesus diz a seguir: “De fato, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha de costura, do que um rico entrar no Reino de Deus.” Isso leva os discípulos a perguntar: “Quem é que pode ser salvo?” Ele diz: “As coisas impossíveis para os homens são possíveis para Deus.” — Lucas 18:25-27.

      Pedro destaca que eles fizeram uma escolha diferente da feita pelo homem rico, dizendo: “Veja, deixamos tudo e seguimos o senhor. O que haverá então para nós?” Jesus menciona o resultado dessa escolha correta: “Na recriação, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono glorioso, vocês que me seguiram se sentarão em 12 tronos e julgarão as 12 tribos de Israel.” — Mateus 19:27, 28.

      Fica claro que Jesus está falando do futuro, quando haverá a recriação das condições que existiam no jardim do Éden. Pedro e os outros discípulos serão recompensados por governar com Jesus sobre o Paraíso terrestre, uma recompensa que vale qualquer sacrifício.

      Contudo, as recompensas não são apenas futuras. Os discípulos já são recompensados agora, pois Jesus diz: “Não há ninguém que tenha deixado casa, esposa, irmãos, pais ou filhos por causa do Reino de Deus que não receba muitas vezes mais neste tempo e, no futuro sistema de coisas, a vida eterna.” — Lucas 18:29, 30.

      Não importa para onde vão, a amizade que os discípulos de Jesus podem ter com seus irmãos na fé é mais achegada e valiosa do que a amizade com pessoas da própria família. Infelizmente, parece que o jovem governante rico vai perder essa bênção, bem como a recompensa da vida no Reino celestial de Deus.

      Jesus acrescenta: “Mas muitos que são primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.” (Mateus 19:30) O que ele quer dizer?

      O jovem governante rico está entre os “primeiros”, pois é um dos líderes dos judeus. Por obedecer aos mandamentos de Deus, ele tem potencial para o futuro e pode se esperar muito dele. Mas está colocando as riquezas à frente de tudo na vida. Por outro lado, as pessoas comuns percebem que os ensinamentos de Jesus são a verdade e o caminho para a vida. Elas têm sido as ‘últimas’, por assim dizer, mas agora se tornam as ‘primeiras’, pois têm a perspectiva de se sentar em tronos no céu com Jesus e governar sobre o Paraíso terrestre.

      • Que tipo de homem se aproxima de Jesus?

      • Por que Jesus se recusa a ser chamado de “bom”?

      • Que recompensa Jesus promete a seus seguidores?

      • Em que sentido os “primeiros” se tornam “últimos”, e os “últimos” se tornam “primeiros”?

  • A ilustração dos trabalhadores no vinhedo
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Homens trabalham num vinhedo

      CAPÍTULO 97

      A ilustração dos trabalhadores no vinhedo

      MATEUS 20:1-16

      • OS “ÚLTIMOS” TRABALHADORES NO VINHEDO SE TORNAM OS “PRIMEIROS”

      Jesus acaba de dizer aos seus ouvintes na Pereia que “muitos que são primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros”. (Mateus 19:30) Ele enfatiza isso com uma ilustração sobre trabalhadores em um vinhedo.

      Jesus diz: “Pois o Reino dos céus é semelhante a um proprietário, que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para o seu vinhedo. Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os ao seu vinhedo. Por volta da terceira hora, ao sair novamente, viu outros que estavam na praça principal sem trabalhar, e disse a eles: ‘Vão vocês também ao vinhedo, e eu lhes darei o que for justo.’ De modo que eles foram. Ele saiu novamente por volta da sexta hora e da nona hora, e fez o mesmo. Finalmente, por volta da décima primeira hora, ele saiu e encontrou outros parados ali, e lhes perguntou: ‘Por que ficaram aqui o dia todo sem trabalhar?’ Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou.’ Disse-lhes: ‘Vão também ao vinhedo.’” — Mateus 20:1-7.

      É provável que os ouvintes pensem em Jeová Deus quando Jesus fala sobre “o Reino dos céus” e “um proprietário”. As Escrituras identificam Jeová como o proprietário de um vinhedo, que representa a nação de Israel. (Salmo 80:8, 9; Isaías 5:3, 4) Os que estão debaixo do pacto da Lei são comparados a trabalhadores no vinhedo. Mas Jesus não está fazendo uma ilustração sobre o passado. Ele está descrevendo uma situação dos seus dias.

      Assim como os fariseus, que há pouco tempo testaram Jesus sobre o divórcio, os líderes religiosos aparentemente estão sempre trabalhando no serviço a Deus. Eles são como os que trabalham o dia todo e que esperam receber um denário, o pagamento completo de um dia de trabalho.

      Para os sacerdotes e outros como eles, os judeus comuns não servem tão plenamente a Deus e são comparados aos que trabalham menos tempo no vinhedo. Nessa ilustração, esses são os homens contratados “por volta da terceira hora” (9 horas) ou mais tarde: na sexta, na nona e finalmente na décima primeira hora (17 horas).

      Os que seguem Jesus são vistos como “pessoas amaldiçoadas”. (João 7:49) Eles têm trabalhado como pescadores ou em outra ocupação braçal durante quase toda a vida. Então, por volta de outubro de 29 EC, “o dono do vinhedo” envia Jesus para chamar esses humildes a fim de trabalhar para Deus como discípulos de Cristo. Eles são “os últimos” mencionados por Jesus, os trabalhadores da décima primeira hora no vinhedo.

      Concluindo, Jesus descreve o que ocorre no final do dia de trabalho: “Quando anoiteceu, o dono do vinhedo disse ao seu administrador: ‘Chame os trabalhadores e pague-lhes seu salário, começando com os últimos e terminando com os primeiros.’ Quando os homens da décima primeira hora chegaram, cada um deles recebeu um denário. Então, quando os primeiros chegaram, concluíram que receberiam mais, mas eles também receberam o pagamento de um denário cada um. Após recebê-lo, começaram a reclamar contra o proprietário e disseram: ‘Esses últimos homens trabalharam só uma hora; ainda assim o senhor os igualou a nós, que suportamos o fardo do dia e o calor intenso!’ Mas ele disse, em resposta, a um deles: ‘Amigo, não lhe faço nenhuma injustiça. Você não concordou comigo em um denário? Pegue o que é seu e vá. Eu quero dar a esse último o mesmo que a você. Não tenho o direito de fazer o que quero com as minhas próprias coisas? Ou você ficou com inveja porque eu fui bom com eles?’ Desse modo, os últimos serão primeiros; e os primeiros, últimos.” — Mateus 20:8-16.

      Os discípulos talvez se perguntem sobre o significado do final da ilustração. Como os líderes religiosos judeus, que pensam ser “os primeiros”, se tornarão “últimos”? E como os discípulos de Jesus se tornarão “primeiros”?

      Os discípulos de Jesus, a quem os fariseus e outros veem como “últimos”, serão os “primeiros”, pois receberão o pagamento completo. Com a morte de Jesus, a Jerusalém terrestre será rejeitada, e Deus escolherá uma nova nação, “o Israel de Deus”. (Gálatas 6:16; Mateus 23:38) João Batista se referiu aos que fariam parte do “Israel de Deus” quando falou sobre o futuro batismo com espírito santo. Esses, que têm sido “últimos”, serão os primeiros a ter esse batismo e a receber o privilégio de ser testemunhas de Jesus “até a parte mais distante da terra”. (Atos 1:5, 8; Mateus 3:11) Pelo que entenderam da grande mudança de que Jesus está falando, pode ser que os discípulos imaginem a forte oposição que enfrentarão por parte dos líderes religiosos, que se tornam “os últimos”.

      • Por que se pode concluir que Jeová é o “dono do vinhedo”? E quem são os “trabalhadores”?

      • A que grande mudança Jesus se refere com essa ilustração?

      • Quando essa mudança se torna evidente?

  • Os apóstolos mais uma vez buscam ter destaque
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Salomé se aproxima de Jesus e faz um pedido especial a favor de seus filhos

      CAPÍTULO 98

      Os apóstolos mais uma vez buscam ter destaque

      MATEUS 20:17-28 MARCOS 10:32-45 LUCAS 18:31-34

      • JESUS PREDIZ A SUA MORTE DE NOVO

      • COMO ELE LIDA COM O DESEJO DOS APÓSTOLOS DE TER DESTAQUE

      Jesus e seus discípulos estão viajando pela Pereia, indo em direção a Jerusalém ao sul. Quase no final da viagem, atravessam o rio Jordão, próximo de Jericó. Outras pessoas os acompanham para a Páscoa de 33 EC.

      Jesus caminha na frente dos discípulos, decidido a chegar à cidade a tempo para a Páscoa. Mas os discípulos estão com medo. Numa ocasião anterior, quando Lázaro morreu e Jesus estava saindo da Pereia em direção à Judeia, Tomé disse aos outros discípulos: “Vamos também, para morrermos com ele.” (João 11:16, 47-53) Portanto, a viagem para Jerusalém é arriscada, e podemos entender por que os discípulos estão com medo.

      A fim de prepará-los para o que vem pela frente, Jesus leva os discípulos à parte e lhes diz: “Estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte e o entregarão a homens das nações para que zombem dele, o açoitem, e o matem na estaca; e no terceiro dia ele será levantado.” — Mateus 20:18, 19.

      Essa é a terceira vez que Jesus fala a seus discípulos sobre a sua morte e ressurreição. (Mateus 16:21; 17:22, 23) Mas, desta vez, ele menciona que será morto numa estaca. Eles ouvem Jesus, mas não entendem o significado das suas palavras. Talvez achem que o reino de Israel será restaurado na Terra e, assim, querem ter glória e honra junto com Cristo num reino terrestre.

      Tiago e João

      A mãe dos apóstolos Tiago e João, que provavelmente é Salomé, está entre os viajantes. Jesus deu a esses dois apóstolos um nome que significa “filhos do trovão”, com certeza por causa do temperamento impetuoso deles. (Marcos 3:17; Lucas 9:54) Já faz algum tempo que eles querem ter destaque no Reino do Cristo. A mãe deles sabe disso. Agora ela se aproxima de Jesus, se curva e lhe pede um favor em nome deles. Jesus pergunta: “O que você quer?” Ela responde: “Declare que estes dois filhos meus se sentarão um à sua direita e outro à sua esquerda, no seu Reino.” — Mateus 20:20, 21.

      O pedido na verdade vem de Tiago e João. Jesus acabou de falar sobre a vergonha e a humilhação que está para sofrer. Por isso, ele lhes diz: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Será que podem beber o cálice que eu estou para beber?” Eles respondem: “Podemos.” (Mateus 20:22) É provável que não entendam o que isso realmente significa para eles.

      Apesar disso, Jesus lhes diz: “De fato, vocês beberão o meu cálice, mas sentar-se à minha direita e à minha esquerda não cabe a mim conceder; esses lugares pertencem àqueles para quem o meu Pai os preparou.” — Mateus 20:23.

      Quando os outros dez apóstolos descobrem o que Tiago e João pediram, ficam indignados. Será que Tiago e João foram os que mais expressaram seu desejo de ser o maior quando os apóstolos disputaram sobre isso anteriormente? (Lucas 9:46-48) Não sabemos, mas esse último pedido revela que os apóstolos ainda não aplicaram o conselho que Jesus deu sobre se comportar como alguém menor. Eles ainda têm o desejo de ter destaque.

      Jesus decide abordar esse assunto e o desconforto que isso está criando. Ele chama os Doze e os aconselha amorosamente: “Vocês sabem que os que são considerados governantes das nações dominam sobre elas, e seus grandes exercem autoridade sobre elas. Não deve ser assim entre vocês; mas quem quiser se tornar grande entre vocês tem de ser o seu servo, e quem quiser ser o primeiro entre vocês tem de ser o escravo de todos.” — Marcos 10:42-44.

      Então Jesus apresenta o exemplo que eles devem imitar: “O Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em troca de muitos.” (Mateus 20:28) Já faz três anos que Jesus tem servido aos outros. E ele fará isso a ponto de morrer pela humanidade. Os discípulos precisam cultivar a mesma disposição de Cristo, isto é, querer servir a outros em vez de ser servido, e ser como alguém menor em vez de ter destaque.

      • O que Jesus faz para preparar seus discípulos para o que vem pela frente?

      • Que pedido dois apóstolos fazem? E qual é a reação dos outros?

      • Como Jesus lida com o desejo dos apóstolos de ter destaque?

  • Jesus cura dois cegos e ajuda Zaqueu
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Zaqueu em cima de uma árvore

      CAPÍTULO 99

      Jesus cura dois cegos e ajuda Zaqueu

      MATEUS 20:29-34 MARCOS 10:46-52 LUCAS 18:35–19:10

      • JESUS CURA DOIS CEGOS EM JERICÓ

      • ZAQUEU, UM COBRADOR DE IMPOSTOS, SE ARREPENDE

      Jesus e os que viajam com ele chegam a Jericó, que está a um dia de distância de Jerusalém. Jericó é formada por duas partes: a cidade antiga está a quase dois quilômetros da cidade nova, a qual foi construída durante a época romana. Enquanto Jesus e a multidão saem de uma dessas cidades e se aproximam da outra, dois mendigos cegos ouvem a agitação. O nome de um deles é Bartimeu.

      Ao ouvirem que Jesus está passando por ali, Bartimeu e seu amigo começam a gritar: “Senhor, Filho de Davi, tenha misericórdia de nós!” (Mateus 20:30) Alguns na multidão mandam que eles fiquem quietos, mas os dois gritam ainda mais alto. Ouvindo a agitação, Jesus para e pede aos que o acompanham que chamem os homens que estão gritando. Eles vão até os mendigos e dizem a um deles: “Coragem! Levante-se, ele está chamando você.” (Marcos 10:49) Animado, o homem cego tira sua capa, levanta-se e vai até Jesus.

      Jesus cura um cego

      Jesus pergunta: “O que vocês querem que eu faça por vocês?” Os dois cegos suplicam: “Senhor, faça com que nossos olhos se abram.” (Mateus 20:32, 33) Movido por compaixão, Jesus toca nos olhos deles e diz especialmente a um deles: “Vá, sua fé fez você ficar bom.” (Marcos 10:52) Os dois mendigos cegos passam a enxergar e, sem dúvida, começam a glorificar a Deus. Vendo o que aconteceu, as pessoas também dão glória a Deus. Os homens que agora conseguem enxergar começam a seguir Jesus.

      Enquanto Jesus passa por Jericó, há uma grande multidão em volta dele. Todos querem ver aquele que curou os cegos. As pessoas se aglomeram em volta de Jesus, e alguns nem conseguem vê-lo, como é o caso de Zaqueu. Ele é chefe dos cobradores de impostos da região de Jericó. Por ser baixo, não consegue ver o que está acontecendo. Então corre na frente e sobe num sicômoro (ou figueira-brava) que está no caminho em que Jesus está passando. Lá de cima, ele tem uma boa visão de tudo. Quando Jesus se aproxima e vê Zaqueu em cima da árvore, ele diz: “Zaqueu, desça depressa, pois hoje tenho de ficar na sua casa.” (Lucas 19:5) Ele desce e corre para dar boas-vindas ao seu ilustre visitante.

      Quando as pessoas veem o que está acontecendo, começam a resmungar. Acham que não está certo Jesus ser hóspede de um homem que elas consideram pecador. Zaqueu ficou rico por ser desonesto e extorquir dinheiro ao cobrar impostos.

      Quando Jesus entra na casa de Zaqueu, as pessoas reclamam: “Ele foi se hospedar na casa de um homem que é pecador.” No entanto, Jesus vê que Zaqueu pode se arrepender. E ele não fica desapontado. Zaqueu se levanta e lhe diz: “Senhor, escute, vou dar aos pobres a metade dos meus bens e, o que quer que eu tenha extorquido de alguém, vou restituir quatro vezes mais.” — Lucas 19:7, 8.

      Essa é uma excelente maneira de Zaqueu provar que está sinceramente arrependido. É provável que ele consiga calcular, com base nos seus registros fiscais, quanto recebeu dos judeus e promete restituir quatro vezes mais. Isso é mais do que a Lei de Deus exige. (Êxodo 22:1; Levítico 6:2-5) Além disso, Zaqueu promete dar metade dos seus bens aos pobres.

      Jesus está contente por Zaqueu demonstrar que está arrependido e diz: “Hoje entrou a salvação nesta casa, porque ele também é filho de Abraão. Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.” — Lucas 19:9, 10.

      Há pouco tempo, Jesus falou sobre a situação dos que estão ‘perdidos’, usando a ilustração do filho pródigo. (Lucas 15:11-24) Agora ele usa um exemplo da vida real, de alguém que estava perdido e foi encontrado. Os líderes religiosos e seus seguidores talvez reclamem de Jesus e o critiquem por dar atenção a pessoas como Zaqueu. Mas Jesus continua a procurar e restaurar os filhos perdidos de Abraão.

      • Pelo visto, onde Jesus encontra dois mendigos cegos, e o que faz por eles?

      • Quem é Zaqueu, e como ele prova que está arrependido?

      • Que lição podemos aprender do modo como Jesus trata Zaqueu?

  • A ilustração das dez minas
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um escravo devolve sua mina para seu senhor

      CAPÍTULO 100

      A ilustração das dez minas

      LUCAS 19:11-28

      • JESUS CONTA A ILUSTRAÇÃO DAS DEZ MINAS

      Talvez Jesus ainda esteja na casa de Zaqueu com seus discípulos, embora Jerusalém seja o seu destino. Eles acreditam que “o Reino de Deus” está para ser estabelecido e que Jesus será o Rei. (Lucas 19:11) Os discípulos não entendem isso, assim como não conseguem entender que Jesus precisa morrer. Então ele conta uma ilustração para ajudá-los a ver que o Reino ainda é para um tempo futuro.

      Ele diz: “Um homem de origem nobre viajou para um país distante, a fim de se tornar rei e voltar.” (Lucas 19:12) Uma viagem como essa levaria tempo. Fica claro que Jesus é o “homem de origem nobre” que viaja para um “país distante”, isto é, o céu, onde seu Pai lhe dará poder real.

      Na ilustração, antes de o “homem de origem nobre” partir, ele chama dez escravos e dá a cada um deles uma mina de prata, dizendo: “Façam negócios com essas minas até eu voltar.” (Lucas 19:13) Uma mina era uma quantidade razoável de moedas de prata. Um agricultor precisava trabalhar pouco mais de três meses para receber esse valor.

      Talvez os discípulos compreendam que são como os dez escravos na ilustração, pois Jesus já os comparou a trabalhadores na colheita. (Mateus 9:35-38) É claro que ele não pediu para eles participarem de uma colheita literal. Em vez disso, ele se referia a uma colheita de discípulos que poderão fazer parte do Reino de Deus. Os discípulos usam suas habilidades e recursos para produzir mais herdeiros do Reino.

      O que mais Jesus ensina na ilustração? Ele diz que os conterrâneos do homem de origem nobre “o odiavam e enviaram um grupo de embaixadores atrás dele, para dizer: ‘Não queremos que este homem se torne rei sobre nós.’” (Lucas 19:14) Os discípulos sabem que os judeus não aceitam Jesus, alguns até querem matá-lo. Mesmo após a morte de Jesus e sua partida para o céu, os judeus perseguem seus discípulos, mostrando que não o aceitam. Fica claro que não querem Jesus como rei. — João 19:15, 16; Atos 4:13-18; 5:40.

      Como os dez escravos usam as minas até que o ‘homem de origem nobre se torne rei e volte’? Jesus diz: “Por fim, quando ele voltou depois de se tornar rei, convocou esses escravos a quem tinha dado o dinheiro, a fim de saber o que tinham ganhado com sua atividade comercial. Então o primeiro se aproximou e disse: ‘Senhor, a sua mina rendeu dez minas.’ Ele lhe disse: ‘Muito bem, escravo bom! Visto que você se mostrou fiel num assunto muito pequeno, receba autoridade sobre dez cidades.’ Então chegou o segundo, dizendo: ‘Senhor, a sua mina produziu cinco minas.’ Ele disse também a este: ‘Você também, tome conta de cinco cidades.’” — Lucas 19:15-19.

      Se os discípulos entenderem que são como os escravos que usam suas habilidades e recursos para fazer discípulos, podem estar certos de que Jesus ficará contente e recompensará sua diligência. Naturalmente, as circunstâncias dos discípulos de Cristo são diferentes, e eles não têm as mesmas oportunidades ou habilidades. Mas Jesus, que ‘se tornará rei’, reconhecerá e abençoará seus esforços leais para fazer discípulos. — Mateus 28:19, 20.

      Jesus conclui com um contraste: “Mas outro [escravo] chegou, dizendo: ‘Senhor, aqui está a sua mina, que deixei escondida num pano. Pois eu tive medo do senhor, visto que é homem severo; retira o que não depositou e colhe o que não semeou.’ Ele lhe disse: ‘Pelas suas próprias palavras eu o julgo, escravo mau. Quer dizer que você sabia que sou homem severo, que retiro o que não depositei e colho o que não semeei? Então, por que você não pôs meu dinheiro num banco? Assim, na minha vinda, eu o teria cobrado com juros.’ Com isso, ele disse aos que estavam ali: ‘Tirem dele a mina e deem-na àquele que tem dez minas.’” — Lucas 19:20-24.

      Visto que esse escravo foi negligente em aumentar a riqueza do reino do seu senhor, ele perde sua mina. Os apóstolos estão na expectativa do reinado de Jesus no Reino de Deus. Com base no que ele diz sobre o último escravo, talvez percebam que, se não forem diligentes, não terão lugar no Reino.

      As palavras de Jesus encorajam os discípulos leais a se esforçar mais. Ele conclui: “A todo aquele que tem, mais será dado; mas daquele que não tem, até mesmo o que tem será tirado.” Ele acrescenta que seus inimigos, que não querem que ele ‘se torne rei sobre eles’, serão executados. Então Jesus continua sua viagem para Jerusalém. — Lucas 19:26-28.

      • Por que Jesus conta a ilustração das minas?

      • Quem é o “homem de origem nobre”, e qual é a terra para a qual ele vai?

      • Quem são os escravos? E quem são os conterrâneos que o odeiam?

      • Qual a diferença entre os escravos que são recompensados e o escravo de quem a mina é tirada?

  • Uma refeição na casa de Simão em Betânia
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Maria derrama óleo perfumado na cabeça de Jesus

      CAPÍTULO 101

      Uma refeição na casa de Simão em Betânia

      MATEUS 26:6-13 MARCOS 14:3-9 JOÃO 11:55–12:11

      • JESUS VOLTA PARA BETÂNIA, PERTO DE JERUSALÉM

      • MARIA DERRAMA ÓLEO PERFUMADO EM JESUS

      Ao sair de Jericó, Jesus vai para Betânia, na encosta leste do monte das Oliveiras, onde Lázaro e suas duas irmãs moram. Essa pequena vila fica a cerca de três quilômetros de Jerusalém. Na viagem há uma subida de uns 20 quilômetros em terreno acidentado. Jericó está a 250 metros abaixo do nível do mar, e Betânia está a mais de 600 metros acima do nível do mar.

      Muitos judeus já chegaram a Jerusalém para a Páscoa. Eles vêm mais cedo “a fim de se purificar cerimonialmente” caso tenham tocado em um cadáver ou feito alguma coisa que os tornou impuros. (João 11:55; Números 9:6-10) Alguns dos que chegam mais cedo se reúnem no templo. Eles se perguntam se Jesus virá para a Páscoa. — João 11:56.

      Há muita controvérsia a respeito de Jesus. Alguns líderes religiosos querem prendê-lo para poder matá-lo. De fato, eles ordenam que qualquer um que souber onde ele está, informe isso ‘para que possam prendê-lo’. (João 11:57) Esses líderes já tentaram matar Jesus depois que ele ressuscitou Lázaro. (João 11:49-53) Por esse motivo, alguns talvez duvidem que Jesus aparecerá em público.

      Jesus chega a Betânia na sexta-feira, “seis dias antes da Páscoa”. (João 12:1) Um novo dia (sábado, 8 de nisã) começa com o pôr do sol. Assim, ele termina a viagem antes do sábado visto que não podia vir de Jericó nesse dia. A lei judaica proíbe fazer viagens no sábado, que começa no pôr do sol da sexta e vai até o pôr do sol do sábado. Provavelmente Jesus vai até a casa de Lázaro, assim como fez antes.

      Simão, que também mora em Betânia, convida Jesus e os que o acompanham, incluindo Lázaro, para uma refeição no sábado à noite. Simão é chamado de “o leproso”, talvez porque tenha sido curado por Jesus. Visto que é trabalhadora, Marta serve os convidados. Maria dá atenção especial a Jesus, de uma forma que causa controvérsia.

      Maria abre um vaso de alabastro, ou um pequeno frasco, que contém “quase meio quilo de óleo perfumado, nardo genuíno”. (João 12:3) Esse óleo é muito caro, seu valor (300 denários) equivale a um ano de salário. Maria derrama o óleo sobre a cabeça e os pés de Jesus, e então enxuga os pés dele com seus cabelos. O cheiro do perfume se espalha por toda a casa.

      Os discípulos estão furiosos: “Por que se desperdiçou esse óleo perfumado?” (Marcos 14:4) Judas Iscariotes reclama: “Por que esse óleo perfumado não foi vendido por 300 denários, e o dinheiro dado aos pobres?” (João 12:5) Ele não está realmente interessado nos pobres, pois está roubando da caixa de dinheiro que está aos seus cuidados.

      Jesus defende Maria: “Por que vocês estão perturbando a mulher? Ela me fez uma coisa muito boa. Porque vocês sempre têm consigo os pobres, mas nem sempre terão a mim. Quando essa mulher derramou esse óleo perfumado sobre o meu corpo, fez isso a fim de me preparar para o sepultamento. Eu lhes digo a verdade: Onde quer que se preguem as boas novas em todo o mundo, o que essa mulher fez também será relatado, em memória dela.” — Mateus 26:10-13.

      Jesus está em Betânia há mais de um dia, e a notícia sobre a sua presença se espalha. Muitos judeus vêm até a casa de Simão para ver Jesus e também Lázaro, ‘a quem Jesus levantou dentre os mortos’. (João 12:9) Agora os principais sacerdotes fazem planos para matar Jesus e Lázaro. Esses líderes religiosos acham que muitas pessoas depositam fé em Jesus porque Lázaro está vivo novamente. Que maldade desses líderes religiosos!

      • Sobre o que os judeus no templo estão falando?

      • Por que Jesus deve ter chegado a Betânia na sexta em vez de no sábado?

      • O que Maria faz que causa uma controvérsia, e como Jesus a defende?

      • O que mostra que os principais sacerdotes são muito maus?

  • O rei entra em Jerusalém montado num jumento
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus entra em Jerusalém montado num jumento e a multidão o chama de rei

      CAPÍTULO 102

      O rei entra em Jerusalém montado num jumento

      MATEUS 21:1-11, 14-17 MARCOS 11:1-11 LUCAS 19:29-44 JOÃO 12:12-19

      • JESUS ENTRA EM JERUSALÉM DE MODO TRIUNFANTE

      • ELE PREDIZ A DESTRUIÇÃO DE JERUSALÉM

      No dia seguinte, 9 de nisã, domingo, Jesus sai de Betânia com os discípulos e se dirige a Jerusalém. Quando se aproximam de Betfagé, no monte das Oliveiras, Jesus fala com dois discípulos.

      Ele diz: “Vão à aldeia que está ao alcance da vista e logo acharão uma jumenta amarrada, e um jumentinho com ela. Desamarrem-nos e tragam-nos para mim. Se alguém lhes disser alguma coisa, digam: ‘O Senhor precisa deles.’ Com isso, imediatamente os deixará trazê-los.” — Mateus 21:2, 3.

      Os discípulos não percebem que as instruções de Jesus estão relacionadas a uma profecia bíblica. Mas depois entenderão o cumprimento da profecia de Zacarias. Ele predisse que o Rei prometido por Deus entraria em Jerusalém com humildade e “montado num jumento, num jumentinho, filhote de uma jumenta”. — Zacarias 9:9.

      Quando os discípulos chegam a Betfagé e pegam o jumentinho e sua mãe, as pessoas que estão ali perto perguntam: “O que vocês estão fazendo, desamarrando o jumentinho?” (Marcos 11:5) Mas, quando ficam sabendo que os animais são para o Senhor, deixam os discípulos levá-los. Eles colocam suas capas na jumenta e no filhote, mas Jesus monta no filhote.

      A multidão aumenta ao passo que Jesus, montado no jumento, se aproxima de Jerusalém. Muitos espalham suas capas na estrada. Outros cortam galhos de árvores ou “ramos dos campos” e também os espalham. Gritam: “Salva, rogamos! Bendito é aquele que vem em nome de Jeová! Bendito é o Reino que virá, do nosso pai Davi!” (Marcos 11:8-10) Os fariseus que estão no meio da multidão ficam irritados com essas declarações e dizem a Jesus: “Instrutor, censure os seus discípulos.” Jesus responde: “Eu lhes digo que, se eles ficassem calados, as pedras clamariam.” — Lucas 19:39, 40.

      Quando vê Jerusalém, Jesus começa a chorar e diz: “Se você, sim, você, tivesse discernido neste dia as coisas que têm a ver com a paz . . . Mas agora elas foram escondidas dos seus olhos.” Jerusalém vai sofrer as consequências de sua deliberada desobediência. Jesus profetiza: “Seus inimigos construirão em sua volta uma fortificação de estacas pontiagudas, cercarão você e a sitiarão, por todos os lados. Eles lançarão por terra você e seus filhos no seu meio, e não deixarão em você pedra sobre pedra.” (Lucas 19:42-44) Cumprindo as palavras de Jesus, Jerusalém é destruída em 70 EC.

      Quando Jesus entra em Jerusalém, ‘a cidade inteira fica em alvoroço e diz: “Quem é este?”’ E as multidões não param de dizer: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia!” (Mateus 21:10, 11) Alguns deles que viram Jesus ressuscitar Lázaro contam a outros sobre esse milagre. Os fariseus lamentam que não estão tendo resultados. Dizem uns aos outros: “O mundo inteiro foi atrás dele!” — João 12:18, 19.

      Como de costume ao visitar Jerusalém, Jesus vai ao templo para ensinar. Ali cura cegos e mancos. Os principais sacerdotes e os escribas ficam furiosos quando veem o que ele está fazendo e ouvem os meninos no templo gritar: “Salva, rogamos, o Filho de Davi!” Os líderes religiosos perguntam a Jesus: “Está ouvindo o que eles estão dizendo?” Ele responde: “Vocês nunca leram o seguinte: ‘Da boca de crianças e de bebês fizeste sair louvor’?” — Mateus 21:15, 16.

      Jesus olha em volta para as coisas no templo. Já é tarde, então vai embora com os apóstolos. Antes de começar 10 de nisã, ele volta para Betânia, onde passa a noite de domingo.

      • Quando e como Jesus entra em Jerusalém como rei?

      • O que Jesus sente ao ver Jerusalém, e o que ele profetiza?

      • O que acontece quando Jesus chega ao templo?

  • O templo é purificado mais uma vez
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus vira a mesa de um cambista

      CAPÍTULO 103

      O templo é purificado mais uma vez

      MATEUS 21:12, 13, 18, 19 MARCOS 11:12-18 LUCAS 19:45-48 JOÃO 12:20-27

      • JESUS AMALDIÇOA UMA FIGUEIRA E PURIFICA O TEMPLO

      • PARA DAR VIDA A MUITOS, JESUS PRECISA MORRER

      Jesus e seus discípulos passam três noites em Betânia desde que chegaram de Jericó. Cedo na manhã de 10 de nisã, segunda-feira, eles estão indo para Jerusalém. Jesus está com fome. Assim, quando vê uma figueira, se dirige a ela para ver se há figos.

      Agora é fim de março, mas a época dos figos é só em junho. No entanto, a figueira brotou cedo e tem folhas, o que leva Jesus a achar que ela já tem figos. Ele descobre, porém, que não há frutos. As folhas dão à árvore uma aparência enganosa. Por isso, Jesus diz: “Nunca mais ninguém coma do seu fruto.” (Marcos 11:14) Imediatamente a árvore começa a secar. O significado disso será esclarecido na manhã seguinte.

      Não demora muito e Jesus e seus discípulos chegam a Jerusalém. Ele vai ao templo, que inspecionou na tarde do dia anterior. Hoje ele faz mais do que uma inspeção. Faz algo similar ao que fez três anos antes, na Páscoa de 30 EC. (João 2:14-16) Desta vez, Jesus expulsa ‘os que vendem e compram no templo’. Também derruba ‘as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendem pombas’. (Marcos 11:15) Não permite nem mesmo que alguém carregue coisas para outra parte da cidade, atravessando o pátio do templo só para encurtar o caminho.

      Por que Jesus toma uma ação imediata contra os cambistas e os que vendem animais no templo? Ele diz: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações’? Mas vocês fizeram dela um abrigo de ladrões.” (Marcos 11:17) Ele chama esses homens de ladrões porque eles cobram muito caro daqueles que precisam comprar animais para oferecer como sacrifícios. Para Jesus, o que eles fazem é extorsão, ou roubo.

      É claro que os principais sacerdotes, os escribas e os líderes do povo descobrem o que Jesus fez e ficam ainda mais determinados a matá-lo. No entanto, eles têm um problema. Não sabem como acabar com Jesus, visto que as pessoas se juntam para ouvi-lo.

      Tanto judeus naturais como prosélitos, pessoas que se convertem ao judaísmo, vêm para a Páscoa. Entre eles estão os gregos que vêm adorar na festividade. Esses procuram Filipe, talvez por causa de seu nome grego, e pedem para ver Jesus. Pode ser que Filipe não tenha certeza se esse encontro é apropriado, por isso fala com André. Os dois levam o assunto a Jesus, que pelo visto ainda está no templo.

      Jesus sabe que vai morrer em poucos dias e que por isso não é ocasião para satisfazer a curiosidade das pessoas ou para tentar ser popular. Ele responde aos dois apóstolos com uma ilustração: “Chegou a hora para o Filho do Homem ser glorificado. Digo-lhes com toda a certeza: Se o grão de trigo não cai no solo e não morre, continua sendo apenas um grão; mas, se morre, ele dá muito fruto.” — João 12:23, 24.

      Um só grão de trigo talvez pareça ter pouco valor. Mas, se for colocado no solo e ‘morrer’, ou seja, deixar de ser semente, ele pode brotar e com o tempo se transformar numa haste cheia de grãos. Assim como um único grão, Jesus é um só, um homem perfeito. Mas, por ser fiel a Deus até a morte, ele se tornará o meio de dar vida eterna a muitos que são abnegados como ele. Por isso, Jesus diz: “Quem ama a sua vida a perderá, mas quem odeia a sua vida neste mundo a preservará para a vida eterna.” — João 12:25.

      Jesus não está pensando apenas em si mesmo, pois ele diz: “Se alguém quiser me servir, siga-me; e, onde eu estiver, ali estará também o meu servo. Se alguém quiser me servir, o Pai o honrará.” (João 12:26) Que recompensa! Os que são honrados pelo Pai se tornarão associados de Cristo no Reino.

      Tendo em mente o grande sofrimento e a morte agonizante que o aguardam, Jesus diz: “Agora eu estou aflito, e o que direi? Pai, salva-me desta hora.” Não é que Jesus quer deixar de fazer a vontade de Deus. Ele acrescenta: “Contudo, foi para isto que eu vim, para esta hora.” (João 12:27) Jesus está de acordo com tudo o que Deus propôs, incluindo sua própria morte sacrificial.

      • Por que Jesus espera encontrar frutos na figueira apesar de ainda não estar na época?

      • Por que é apropriado que Jesus chame de “ladrões” os que vendem no templo?

      • Em que sentido Jesus pode ser comparado a um grão de trigo? E como ele se sente em relação ao sofrimento e à morte que o aguardam?

  • Os judeus mostrarão fé ao ouvir a voz de Deus?
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus diz: “Pai, glorifica o teu nome”, e os judeus presentes ali ouvem a voz de Deus

      CAPÍTULO 104

      Os judeus mostrarão fé ao ouvir a voz de Deus?

      JOÃO 12:28-50

      • MUITOS OUVEM A VOZ DE DEUS

      • A BASE PARA JULGAMENTO

      É 10 de nisã, segunda-feira, e Jesus está no templo, falando sobre sua morte, que está próxima. Preocupado com o efeito que isso terá sobre o bom nome de Deus, ele diz: “Pai, glorifica o teu nome.” Uma voz poderosa responde desde os céus: “Eu já o glorifiquei e o glorificarei de novo.” — João 12:27, 28.

      As pessoas que estão por perto ficam confusas. Algumas acham que ouviram um trovão. Outras dizem: “Um anjo falou com ele.” (João 12:29) No entanto, é a voz de Jeová que eles ouviram, e não é a primeira vez que humanos ouvem a voz de Deus dizer algo relacionado a Jesus.

      Três anos e meio antes, no batismo de Jesus, João Batista ouviu Deus dizer: “Este é meu Filho, o amado, a quem eu aprovo.” Mais tarde, depois da Páscoa de 32 EC, Tiago, João e Pedro presenciaram a transfiguração de Jesus. Esses três homens ouviram Deus declarar: “Este é meu Filho, o amado, a quem eu aprovo. Escutem-no.” (Mateus 3:17; 17:5) Mas agora, desta terceira vez, quando Jeová fala, muitos podem ouvir.

      Jesus diz: “Essa voz não veio por minha causa, mas por causa de vocês.” (João 12:30) Essa é uma prova de que ele é realmente o Filho de Deus, o prometido Messias.

      Além disso, o modo de vida fiel de Jesus exemplifica como os humanos devem viver e confirma que Satanás, o Diabo, o governante do mundo, merece ser destruído. Jesus diz: “Agora este mundo está sendo julgado; agora será expulso o governante deste mundo.” Em vez de ser uma derrota, a morte de Jesus, que está próxima, será uma vitória. Como assim? Ele explica: “Mas, quando eu for erguido da terra, atrairei a mim todo tipo de pessoas.” (João 12:31, 32) Por meio de sua morte numa estaca, Jesus atrairá outros a si mesmo, abrindo o caminho para a vida eterna.

      Em resposta ao que Jesus diz sobre ‘ser erguido’, a multidão diz: “Ouvimos da Lei que o Cristo permanece para sempre. Como é que você diz que o Filho do Homem tem de ser erguido? Quem é esse Filho do Homem?” (João 12:34) Apesar de todas as evidências, incluindo ouvir a voz do próprio Deus, a maioria deles não aceita Jesus como o verdadeiro Filho do Homem, o prometido Messias.

      Jesus fala de si mesmo como “a luz”, algo que já fez antes. (João 8:12; 9:5) Ele incentiva a multidão: “A luz estará entre vocês por mais um pouco de tempo. Andem enquanto vocês ainda têm a luz, para que a escuridão não os vença . . . Enquanto vocês têm a luz, exerçam fé na luz, para que possam se tornar filhos da luz.” (João 12:35, 36) Então Jesus se retira, visto que 10 de nisã não é o dia para ele morrer. É na Páscoa de 14 de nisã que ele será “erguido”, pregado numa estaca. — Gálatas 3:13.

      Ao relembrar o ministério de Jesus, fica claro que o fato de os judeus não depositarem fé nele cumpre uma profecia. Isaías predisse que os olhos do povo seriam cegados e que seus corações seriam endurecidos de modo que não dariam meia-volta a fim de ser curados. (Isaías 6:10; João 12:40) A maioria dos judeus de modo obstinado rejeita a evidência de que Jesus é o prometido Libertador, o caminho para a vida.

      Nicodemos, José de Arimateia e muitos outros líderes dos judeus ‘realmente depositam fé’ em Jesus. Mas será que eles vão agir com fé? Ou será que vão deixar de fazer isso, quer por medo de ser expulsos da sinagoga, quer por ‘amarem a glória dos homens’? — João 12:42, 43.

      O próprio Jesus explica o que envolve exercer fé nele: “Quem deposita fé em mim deposita fé não somente em mim, mas também naquele que me enviou.” As verdades que Deus instruiu Jesus a ensinar e que Jesus proclama são tão importantes que ele pode dizer: “Quem me desconsidera e não aceita as minhas declarações tem quem o julgue. As palavras que eu falei é que o julgarão no último dia.” — João 12:44, 45, 48.

      Então Jesus conclui: “Não falei de minha própria iniciativa, mas o Pai, que me enviou, ele mesmo me deu um mandamento sobre o que dizer e o que falar. E eu sei que o seu mandamento significa vida eterna.” (João 12:49, 50) Jesus sabe que em breve derramará seu sangue sustentador da vida em sacrifício pelos humanos que exercem fé nele. — Romanos 5:8, 9.

      • Em que três ocasiões se ouve a voz de Deus dizer algo relacionado a Jesus?

      • Que líderes dos judeus depositam fé em Jesus, mas por que talvez não façam isso abertamente?

      • “No último dia”, as pessoas serão julgadas com base em quê?

  • Uma figueira é usada para ensinar sobre a fé
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus e seus discípulos notam que a figueira secou

      CAPÍTULO 105

      Uma figueira é usada para ensinar sobre a fé

      MATEUS 21:19-27 MARCOS 11:19-33 LUCAS 20:1-8

      • A FIGUEIRA QUE SECOU DÁ UMA LIÇÃO SOBRE A FÉ

      • A AUTORIDADE DE JESUS É QUESTIONADA

      Na segunda-feira à tarde, Jesus deixa Jerusalém e volta para Betânia, na encosta leste do monte das Oliveiras. Provavelmente ele passa a noite na casa de Lázaro, Marta e Maria, seus amigos.

      Na manhã de 11 de nisã, Jesus e seus discípulos viajam novamente rumo a Jerusalém. É a última vez que ele irá ao templo. E é o último dia de seu ministério público antes de ele celebrar a Páscoa, instituir a Celebração de sua morte e então enfrentar seu julgamento e execução.

      Passando pelo monte das Oliveiras, no caminho de Betânia para Jerusalém, Pedro observa a árvore que Jesus amaldiçoou na manhã anterior. Ele diz: “Rabi, veja! A figueira que o senhor amaldiçoou secou.” — Marcos 11:21.

      Mas por que Jesus fez a figueira secar? Ele diz o motivo: “Eu lhes digo a verdade: Se tiverem fé e não duvidarem, vocês não só farão o que eu fiz à figueira, mas até mesmo se disserem a este monte: ‘Levante-se e jogue-se no mar’, isso acontecerá. E tudo o que pedirem em oração, tendo fé, vocês receberão.” (Mateus 21:21, 22) Com isso, ele repete o que já disse anteriormente sobre a fé ser capaz de mover um monte. — Mateus 17:20.

      Ao fazer a figueira secar, Jesus ensina uma lição prática sobre a necessidade de ter fé em Deus. Ele diz: “Todas as coisas que vocês pedirem em oração, tenham fé em que já as receberam, e as terão.” (Marcos 11:24) Essa é uma lição muito importante para todos os seguidores de Jesus. E é especialmente importante para os apóstolos em vista das provas que enfrentarão em breve. Mas ainda há outra ligação entre a figueira secar e a fé.

      Assim como a figueira, a nação de Israel tem uma aparência enganosa. As pessoas dessa nação estão numa relação pactuada com Deus e podem dar a impressão de que obedecem à Lei. No entanto, a nação como um todo mostra que não tem fé e que não produz bons frutos. Até mesmo rejeitam o Filho de Deus. Assim, ao fazer essa figueira improdutiva secar, Jesus demonstra qual será o fim daquela nação sem fé e sem frutos.

      Não demora muito e Jesus e seus discípulos chegam a Jerusalém. Como de costume, Jesus vai ao templo e começa a ensinar. Talvez pensando no que Jesus fez com os cambistas no dia anterior, os principais sacerdotes e os anciãos do povo o desafiam: “Com que autoridade você faz essas coisas? E quem lhe deu autoridade para fazer essas coisas?” — Marcos 11:28.

      Jesus responde: “Eu lhes farei uma pergunta. Respondam-me, e eu lhes direi com que autoridade faço essas coisas. O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondam-me.” Agora são os seus opositores que são desafiados. Os sacerdotes e os anciãos se consultam para saber como responder: “Se dissermos: ‘Do céu’, ele dirá: ‘Então, por que vocês não acreditaram nele?’ Mas nos atrevemos a dizer: ‘Dos homens’?” Eles raciocinam assim porque têm medo da multidão, ‘pois todos acham que João realmente foi um profeta’. — Marcos 11:29-32.

      Os opositores de Jesus não conseguem pensar numa resposta apropriada. Por isso, dizem: “Não sabemos.” Jesus, por sua vez, diz: “Então eu também não lhes digo com que autoridade faço essas coisas.” — Marcos 11:33.

      • Por que 11 de nisã é um dia significativo?

      • Que lições Jesus ensina usando a figueira que ele fez secar?

      • Como Jesus deixa confusos os que lhe perguntam com que autoridade ele faz as coisas?

  • Duas ilustrações sobre vinhedos
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Lavradores matam o filho do dono do vinhedo

      CAPÍTULO 106

      Duas ilustrações sobre vinhedos

      MATEUS 21:28-46 MARCOS 12:1-12 LUCAS 20:9-19

      • ILUSTRAÇÃO SOBRE DOIS FILHOS

      • ILUSTRAÇÃO SOBRE OS LAVRADORES DE UM VINHEDO

      No templo, Jesus acaba de deixar os principais sacerdotes e os anciãos sem saber o que dizer. Eles o desafiaram, questionando com que autoridade ele faz as coisas. A resposta de Jesus os deixa sem reação. Em seguida, ele faz uma ilustração que expõe quem eles realmente são.

      Jesus diz: “Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: ‘Filho, vá trabalhar hoje no vinhedo.’ Em resposta, esse lhe disse: ‘Não irei’, mas depois se arrependeu e foi. Aproximando-se do segundo, o pai disse a mesma coisa. Esse respondeu: ‘Sim, senhor’, mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?” (Mateus 21:28-31) Sem dúvida, foi o primeiro filho que por fim fez a vontade do pai.

      Então Jesus diz aos seus opositores: “Garanto a vocês que os cobradores de impostos e as prostitutas entrarão antes de vocês no Reino de Deus.” Assim como o primeiro filho, os cobradores de impostos e as prostitutas a princípio não serviam a Deus. Mas depois se arrependeram e agora o servem. Em contraste com isso, os líderes religiosos são como o segundo filho: dizem servir a Deus, mas na verdade não fazem isso. Jesus observa: “João [Batista] veio a vocês num caminho de justiça, mas vocês não acreditaram nele. No entanto os cobradores de impostos e as prostitutas acreditaram nele; e nem mesmo depois de verem isso vocês se arrependeram a ponto de acreditar nele.” — Mateus 21:31, 32.

      Jesus conta outra ilustração em seguida. Desta vez, ele mostra que a falha dos líderes religiosos vai além de sua negligência em servir a Deus. Eles são perversos. Jesus diz: “Um homem plantou um vinhedo, pôs uma cerca em volta dele, cavou um tanque como lagar de vinho e ergueu uma torre; então arrendou o vinhedo a lavradores e viajou para fora. Na época devida, enviou um escravo aos lavradores para receber deles alguns dos frutos do vinhedo. Mas eles o pegaram e espancaram, e o mandaram embora de mãos vazias. Enviou-lhes outro escravo, e eles lhe bateram na cabeça e o humilharam. Então enviou outro, e eles o mataram; e enviou muitos outros: a uns eles espancaram, a outros mataram.” — Marcos 12:1-5.

      Será que aqueles que estão ouvindo Jesus vão entender a ilustração? Talvez eles se lembrem da crítica de Isaías: “O vinhedo de Jeová dos exércitos é a casa de Israel; os homens de Judá são a plantação de que ele gostava. Ele ficou esperando justiça, mas havia injustiça.” (Isaías 5:7) A ilustração de Jesus é parecida. O proprietário de terra é Jeová, e o vinhedo é a nação de Israel, que estava como que cercada, ou protegida, pela Lei de Deus. Jeová enviou profetas para instruir seu povo e ajudá-los a produzir bons frutos.

      No entanto, “os lavradores” maltrataram e mataram os “escravos” que lhes foram enviados. Jesus explica: “[O proprietário do vinhedo] tinha mais um, um filho amado. Por fim o enviou a eles, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho.’ Mas aqueles lavradores disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo, e a herança será nossa.’ Assim, eles o pegaram [e] o mataram.” — Marcos 12:6-8.

      Então Jesus pergunta: “O que fará o dono do vinhedo?” (Marcos 12:9) Os líderes religiosos respondem: “Por serem maus, trará sobre eles uma destruição terrível e arrendará o vinhedo a outros lavradores, que lhe darão os frutos no seu tempo devido.” — Mateus 21:41.

      Sem perceber, eles condenam a si mesmos, pois estão entre “os lavradores” do “vinhedo” de Jeová, a nação de Israel. Entre os frutos que Jeová tem o direito de esperar que eles produzam está a fé no seu Filho, o Messias. Olhando diretamente para os líderes religiosos, Jesus diz: “Vocês nunca leram esta passagem das Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram, essa se tornou a principal pedra angular. Isso procede de Jeová e é maravilhoso aos nossos olhos’?” (Marcos 12:10, 11) Então Jesus esclarece o assunto: “É por isso que lhes digo: O Reino de Deus será tirado de vocês e será dado a uma nação que produza os seus frutos.” — Mateus 21:43.

      Os escribas e os principais sacerdotes percebem que Jesus ‘conta essa ilustração pensando neles’. (Lucas 20:19) Mais do que nunca, eles querem matar Jesus, o “herdeiro” legítimo. Mas como têm medo das multidões, que encaram Jesus como um profeta, não tentam matá-lo naquela ocasião.

      • Quem representam os dois filhos na ilustração de Jesus?

      • Na segunda ilustração, quem representam: o “proprietário”, o “vinhedo”, os “lavradores”, os “escravos” e o “herdeiro”?

      • O que os “lavradores” podem esperar do futuro?

  • Um rei faz um convite para uma festa de casamento
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • O rei expulsa da festa de casamento um homem que não estava vestido com roupa de casamento

      CAPÍTULO 107

      Um rei faz um convite para uma festa de casamento

      MATEUS 22:1-14

      • ILUSTRAÇÃO DA FESTA DE CASAMENTO

      O ministério de Jesus está acabando, e ele continua a usar ilustrações para expor os escribas e os principais sacerdotes. Por isso, querem matá-lo. (Lucas 20:19) Mas Jesus ainda não terminou de expô-los. Ele conta outra ilustração.

      Ele diz: “O Reino dos céus pode ser comparado a um rei que fez uma festa de casamento para o seu filho. Ele mandou seus escravos chamar os convidados à festa de casamento, mas estes não quiseram ir.” (Mateus 22:2, 3) Jesus começa a ilustração mencionando “o Reino dos céus”. O “rei” deve ser Jeová. E o filho do rei e os convidados para a festa de casamento? Mais uma vez, a resposta parece fácil: o filho do rei é o Filho de Jeová, aquele que está contando a ilustração; os convidados são os que estarão no Reino dos céus com o Filho.

      Quem são os primeiros a ser convidados? A quem Jesus e os apóstolos estão pregando sobre o Reino? Aos judeus. (Mateus 10:6, 7; 15:24) Essa nação aceitou o pacto da Lei em 1513 AEC, tornando-se os primeiros candidatos a fazer parte de “um reino de sacerdotes”. (Êxodo 19:5-8) Mas quando eles seriam chamados para a “festa de casamento”? Pode-se concluir que o convite foi feito em 29 EC, quando Jesus começou a pregar sobre o Reino dos céus.

      De que modo a maioria dos israelitas reagiu a esse convite? Como Jesus disse, eles “não quiseram ir”. Boa parte dos líderes religiosos e do povo não o aceitou como o Messias e como o Rei designado por Deus.

      Mas Jesus diz que os judeus teriam mais uma oportunidade: “[O rei] mandou novamente outros escravos, dizendo: ‘Digam aos convidados: “Já preparei o banquete; meus touros e meus animais gordos já foram abatidos e tudo está pronto. Venham à festa de casamento.”’ Mas os convidados, indiferentes, foram embora, um para seu próprio campo, outro para seu negócio; e os outros agarraram os escravos dele, os maltrataram e os mataram.” (Mateus 22:4-6) Isso indica o que aconteceria quando a congregação cristã fosse formada. Naquele tempo, os judeus ainda tinham a oportunidade de fazer parte do Reino, mas a maioria rejeitou esse convite e até maltratou os ‘escravos do rei’. — Atos 4:13-18; 7:54, 58.

      Qual o resultado para a nação? Jesus diz: “O rei ficou furioso e enviou seus exércitos, matou aqueles assassinos e queimou a cidade deles.” (Mateus 22:7) Isso aconteceu com os judeus em 70 EC quando os romanos destruíram “a cidade deles”, Jerusalém.

      Será que o fato de eles rejeitarem o convite do rei significa que ninguém mais seria convidado? De acordo com a ilustração de Jesus, não. Ele prossegue dizendo: “Depois [o rei] disse aos seus escravos: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não eram dignos. Portanto, vão às estradas que saem da cidade e convidem para a festa de casamento a qualquer um que encontrarem.’ Então, esses escravos foram às estradas e reuniram todos os que encontraram, tanto maus como bons, e a sala para a cerimônia do casamento ficou cheia de convidados.” — Mateus 22:8-10.

      É interessante que o apóstolo Pedro mais tarde começaria a ajudar os gentios, que não eram judeus de nascimento nem convertidos, a se tornarem cristãos verdadeiros. Em 36 EC, Cornélio, oficial do exército romano, e sua família receberam o espírito de Deus e passaram a ter a perspectiva de fazer parte do Reino dos céus que Jesus mencionou. — Atos 10:1, 34-48.

      Jesus indica que nem todos que vão à festa de casamento serão considerados dignos pelo “rei”. Ele diz: “Quando o rei entrou para verificar os convidados, viu um homem que não estava usando roupa de casamento. Disse-lhe, portanto: ‘Amigo, como você entrou aqui sem roupa de casamento?’ Ele ficou sem fala. O rei disse então aos seus servos: ‘Amarrem as mãos e os pés dele, e lancem-no na escuridão lá fora. Ali é que haverá o seu choro e o ranger dos seus dentes.’ Porque há muitos convidados, mas poucos escolhidos.” — Mateus 22:11-14.

      Talvez os líderes religiosos que estão ouvindo Jesus não compreendam o significado nem as implicações de tudo que ele está dizendo. Mesmo assim, não estão contentes e ficam mais decididos ainda a se livrar daquele que lhes está causando tanto constrangimento.

      • Na ilustração de Jesus, quem é “o rei”, quem é “o seu filho”, e quem são os primeiros a serem convidados para a festa de casamento?

      • Quando o convite é feito aos judeus? E quem é convidado mais tarde?

      • O que é indicado pelo fato de que muitos são chamados, mas poucos são escolhidos?

  • Jesus frustra as tentativas de enlaçá-lo
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus segura uma moeda do imposto e responde às perguntas dos fariseus

      CAPÍTULO 108

      Jesus frustra as tentativas de enlaçá-lo

      MATEUS 22:15-40 MARCOS 12:13-34 LUCAS 20:20-40

      • A CÉSAR AS COISAS DE CÉSAR

      • HAVERÁ CASAMENTO APÓS A RESSURREIÇÃO?

      • OS DOIS MAIORES MANDAMENTOS

      Os inimigos religiosos de Jesus estão irritados. Ele acaba de contar ilustrações que expõem a maldade deles. Agora os fariseus tramam enlaçá-lo. Querem fazer Jesus dizer algo pelo qual possa ser entregue ao governador romano. Então pagam alguns dos seguidores deles para enlaçá-lo. — Lucas 6:7.

      Eles dizem: “Instrutor, sabemos que o senhor fala e ensina corretamente, e não mostra parcialidade, mas ensina o caminho de Deus em harmonia com a verdade: É permitido ou não pagarmos a César o imposto por cabeça?” (Lucas 20:21, 22) Jesus não é enganado pelos seus elogios falsos, pois por trás dessas palavras há hipocrisia e astúcia. Se ele disser: ‘Não, não é correto pagar esse imposto’, pode ser acusado de sedição contra Roma. Mas, se disser: ‘Sim, paguem o imposto’, as pessoas, irritadas por estarem sob o jugo romano, podem tirar conclusões erradas e se voltar contra ele. Então como ele responde?

      Jesus diz: “Hipócritas, por que vocês me põem à prova? Mostrem-me a moeda do imposto.” Ao lhe trazerem um denário, ele pergunta: “De quem é esta imagem e inscrição?” Eles respondem: “De César.” Com muita habilidade, ele dá a seguinte orientação: “Portanto, paguem a César o que é de César, mas a Deus o que é de Deus.” — Mateus 22:18-21.

      Os homens ficam admirados com as palavras de Jesus. Sem ter o que dizer após essa resposta inteligente, vão embora. Mas o dia ainda não acabou, nem as tentativas de enlaçá-lo. Depois da tentativa fracassada dos fariseus, outro grupo de líderes religiosos se aproxima dele.

      Os saduceus, que dizem não haver ressurreição, fazem uma pergunta sobre a ressurreição e o casamento de cunhado: “Instrutor, Moisés disse: ‘Se um homem morrer sem deixar filhos, o irmão dele deve se casar com a viúva para dar descendência ao seu irmão.’ Acontece que havia conosco sete irmãos. O primeiro se casou e morreu, e, visto que não tinha descendente, deixou a sua esposa para o seu irmão. O mesmo aconteceu com o segundo e com o terceiro, e assim com todos os sete. Por último, morreu a mulher. Assim, na ressurreição, de qual dos sete ela será esposa? Pois todos a tiveram como esposa.” — Mateus 22:24-28.

      Referindo-se aos escritos de Moisés, que são aceitos pelos saduceus, Jesus responde: “Não é por isso que vocês estão enganados, porque não conhecem nem as Escrituras, nem o poder de Deus? Pois, quando se levantam dentre os mortos, os homens não se casam, nem as mulheres são dadas em casamento, mas são como os anjos nos céus. Quanto aos mortos serem levantados, vocês não leram no livro de Moisés, no relato sobre o espinheiro, que Deus lhe disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’? Ele é Deus, não de mortos, mas de vivos. Vocês estão muito enganados.” (Marcos 12:24-27; Êxodo 3:1-6) As multidões ficam maravilhadas com essa resposta.

      Vendo que Jesus silencia tanto os fariseus como os saduceus, alguns membros desses grupos religiosos se juntam para testar Jesus mais uma vez. Um escriba pergunta: “Instrutor, qual é o maior mandamento da Lei?” — Mateus 22:36.

      Jesus responde: “O primeiro é: ‘Ouve, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová. Ame a Jeová, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua mente e de toda a sua força.’ O segundo é: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo.’ Não há outro mandamento maior do que esses.” — Marcos 12:29-31.

      Ao ouvir a resposta de Jesus, o escriba diz: “Instrutor, o senhor disse bem, em harmonia com a verdade: ‘Ele é um só, e não há outro além dele’; e amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de toda a força, e amar o próximo como a si mesmo vale muito mais do que todas as ofertas queimadas e sacrifícios.” Vendo que o escriba responde de modo inteligente, Jesus lhe diz: “Você não está longe do Reino de Deus.” — Marcos 12:32-34.

      Jesus está ensinando no templo há três dias (9, 10 e 11 de nisã). Alguns, como esse escriba, o ouvem com prazer. Mas esse não é o caso dos líderes religiosos, que ainda não têm “coragem de lhe fazer mais perguntas”.

      • Que tentativa os fariseus fazem para enlaçar Jesus, e qual é o resultado?

      • Como Jesus frustra a tentativa dos saduceus para enlaçá-lo?

      • Ao responder à pergunta de um escriba, o que Jesus diz que é muito importante?

  • Jesus condena opositores religiosos
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus expõe opositores religiosos

      CAPÍTULO 109

      Jesus condena opositores religiosos

      MATEUS 22:41–23:24 MARCOS 12:35-40 LUCAS 20:41-47

      • O CRISTO É FILHO DE QUEM?

      • JESUS EXPÕE OPOSITORES HIPÓCRITAS

      Opositores religiosos falham em desacreditar Jesus ou pegá-lo em suas palavras para entregá-lo aos romanos. (Lucas 20:20) É 11 de nisã, e Jesus ainda está no templo. Agora ele inverte a situação e revela sua verdadeira identidade. Tomando a iniciativa, pergunta: “O que vocês pensam do Cristo? De quem ele é filho?” (Mateus 22:42) Todos sabem que o Cristo, ou Messias, é da linhagem de Davi, e é isso que respondem. — Mateus 9:27; 12:23; João 7:42.

      Jesus pergunta: “Como é, então, que Davi, sob inspiração, o chama de Senhor, dizendo: ‘Jeová disse ao meu Senhor: “Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés”’? Então, se Davi o chama de Senhor, como é que ele é seu filho?” — Mateus 22:43-45.

      Os fariseus não dizem nada, pois esperam que um descendente de Davi os livre do domínio romano. Mas, ao citar as palavras de Davi no Salmo 110:1, 2, Jesus demonstra que o Messias é mais do que um governante humano. Ele é o Senhor de Davi, e depois de se sentar à direita de Deus, ele governará. A resposta de Jesus silencia seus opositores.

      Os discípulos e muitos outros estão ouvindo. Agora Jesus se dirige a eles, alertando-os contra os escribas e os fariseus. Aqueles homens “se sentaram no lugar de Moisés” para ensinar a Lei de Deus. Jesus instrui seus ouvintes: “Façam e cumpram tudo o que eles dizem a vocês, mas não ajam como eles, pois falam, mas não praticam o que dizem.” — Mateus 23:2, 3.

      Então Jesus cita exemplos da hipocrisia deles: “[Eles] ampliam as caixinhas com textos que usam como proteção.” Alguns judeus usam na testa ou no braço caixinhas com algumas passagens da Lei. Os fariseus usam caixas maiores para dar a impressão de que têm muito zelo pela Lei. Além disso, eles “alongam as franjas das suas roupas”. Os israelitas deviam fazer franjas nas suas roupas, mas os fariseus se certificam de que as suas franjas sejam bem longas. (Números 15:38-40) Eles fazem tudo isso “para serem vistos pelos homens”. — Mateus 23:5.

      Até mesmo os discípulos de Jesus podem ser influenciados pelo desejo de ter destaque. Por isso, ele os aconselha: “Não sejam chamados ‘Rabi’, pois um só é o seu Instrutor, e todos vocês são irmãos. Além disso, não chamem a ninguém na terra de seu pai, pois um só é o seu Pai, o celestial. Nem sejam chamados de líderes, pois o seu Líder é um só, o Cristo.” Então como os discípulos devem agir e encarar a si mesmos? Jesus lhes diz: “O maior entre vocês tem de ser o seu servo. Quem se enaltecer será humilhado, e quem se humilhar será enaltecido.” — Mateus 23:8-12.

      A seguir, Jesus declara uma série de calamidades contra os escribas e os fariseus hipócritas: “Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! Porque fecham o Reino dos céus diante dos homens; pois vocês mesmos não entram, nem deixam entrar os que estão a caminho para entrar.” — Mateus 23:13.

      Jesus condena a falta de valores espirituais dos fariseus, e isso fica claro no ponto de vista distorcido que eles têm. Por exemplo, dizem: “Se alguém jurar pelo templo, isso não é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do templo, ele está sob obrigação.” Isso mostra que são espiritualmente cegos, pois para eles o ouro do templo é mais importante do que o aspecto espiritual do local de adoração de Jeová. E eles “desconsideram as questões mais importantes da Lei, isto é, a justiça, a misericórdia e a fidelidade”. — Mateus 23:16, 23; Lucas 11:42.

      Jesus chama esses fariseus de “guias cegos, que coam o mosquito, mas engolem o camelo”. (Mateus 23:24) Eles coam o vinho para não engolir um mosquito porque esse inseto é cerimonialmente impuro. Mas desconsideram questões mais importantes da Lei, e isso é como engolir um camelo, que também é um animal cerimonialmente impuro, só que muito maior. — Levítico 11:4, 21-24.

      • Por que os fariseus ficam em silêncio quando Jesus lhes pergunta sobre o que Davi disse no Salmo 110?

      • Por que os fariseus ampliam as caixinhas com textos e alongam as franjas das suas roupas?

      • Que conselho Jesus dá a seus discípulos?

  • Jesus vai ao templo pela última vez
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus vê uma viúva colocar duas moedas de pequeno valor no cofre do tesouro do templo

      CAPÍTULO 110

      Jesus vai ao templo pela última vez

      MATEUS 23:25–24:2 MARCOS 12:41–13:2 LUCAS 21:1-6

      • JESUS CONTINUA A CONDENAR OS LÍDERES RELIGIOSOS

      • O TEMPLO DE JERUSALÉM SERÁ DESTRUÍDO

      • UMA VIÚVA POBRE DÁ DUAS PEQUENAS MOEDAS

      Esta é a última vez que Jesus vai ao templo, e ele continua a expor a hipocrisia dos escribas e dos fariseus, chamando-os publicamente de hipócritas. Usando linguagem figurada, ele diz: “[Vocês] limpam por fora o copo e o prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e de imoderação. Fariseu cego, limpe primeiro a parte de dentro do copo e do prato, para que a parte de fora também fique limpa.” (Mateus 23:25, 26) Os fariseus são rigorosos no que diz respeito à pureza cerimonial e à aparência, mas negligenciam o que são no íntimo e não purificam o seu coração figurativo.

      Pode-se observar sua hipocrisia até na sua disposição de construir e decorar os túmulos dos profetas. Mas, como Jesus diz, eles “são filhos daqueles que assassinaram os profetas”. (Mateus 23:31) Isso fica claro nos seus esforços de matar Jesus. — João 5:18; 7:1, 25.

      Então Jesus indica o que aguarda esses líderes religiosos se não se arrependerem: “Serpentes, descendência de víboras, como fugirão do julgamento da Geena?” (Mateus 23:33) A palavra Geena significa “vale de Hinom”. Esse vale é usado para queimar lixo e ilustra bem a destruição eterna que aguarda os perversos escribas e fariseus.

      Os discípulos de Jesus vão representá-lo como “profetas, sábios e instrutores públicos”. Como eles serão tratados? Dirigindo-se aos líderes religiosos, Jesus diz: “A alguns [de meus discípulos] vocês matarão e pregarão em estacas, e a outros açoitarão nas suas sinagogas e perseguirão de cidade em cidade, para que venha sobre vocês todo o sangue justo derramado na terra, desde o sangue do justo Abel até o sangue de Zacarias . . . a quem vocês assassinaram.” Ele avisa: “Eu garanto a vocês: Todas essas coisas virão sobre esta geração.” (Mateus 23:34-36) Foi isso que aconteceu em 70 EC quando os exércitos romanos destruíram Jerusalém e morreram milhares de judeus.

      Pensar nessa situação assustadora deixa Jesus angustiado. Ele diz com tristeza: “Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados . . . Quantas vezes eu quis ajuntar seus filhos, assim como a galinha ajunta seus pintinhos debaixo das asas! Mas vocês não quiseram. Agora a sua casa ficará abandonada.” (Mateus 23:37, 38) Os que estão ouvindo Jesus devem estar se perguntando a que “casa” ele se refere. Será que ele pode estar se referindo ao magnífico templo em Jerusalém, que parece ter a proteção de Deus?

      Então Jesus acrescenta: “De agora em diante, vocês de modo algum me verão, até que digam: ‘Bendito é aquele que vem em nome de Jeová!’” (Mateus 23:39) Ele está citando as palavras proféticas do Salmo 118:26: “Bendito é aquele que vem em nome de Jeová. Da casa de Jeová, nós abençoamos vocês.” Fica claro então que, quando o templo literal for destruído, ninguém irá até ele em nome de Deus.

      Agora Jesus se dirige a outra parte do templo, onde há cofres do tesouro. As pessoas podem colocar suas contribuições na pequena abertura na parte de cima. Jesus vê vários judeus fazendo exatamente isso, os ricos colocam “muitas moedas” como dádivas. Então ele observa uma viúva pobre colocar “duas pequenas moedas de pouquíssimo valor”. (Marcos 12:41, 42) Sem dúvida, Jesus sabe como Deus está feliz com a dádiva dessa mulher.

      Chamando seus discípulos, Jesus diz: “Esta viúva pobre pôs nos cofres do tesouro mais do que todos os outros.” Como assim? Ele explica: “Todos eles puseram do que lhes sobrava, mas ela, da sua carência, pôs tudo que possuía, tudo que tinha para viver.” (Marcos 12:43, 44) A maneira de pensar e de agir da viúva é bem diferente da dos líderes religiosos.

      Conforme 11 de nisã vai chegando ao fim, Jesus deixa o templo pela última vez. Um dos discípulos diz: “Instrutor, veja que pedras e que edifícios maravilhosos!” (Marcos 13:1) Realmente, algumas das pedras das muralhas do templo são enormes e dão a impressão de que ele vai durar muito tempo. Por isso, parece estranho Jesus dizer: “Está vendo estes grandes edifícios? De modo algum ficará aqui pedra sobre pedra sem ser derrubada.” — Marcos 13:2.

      Depois de dizer essas coisas, Jesus e seus apóstolos atravessam o vale do Cédron e sobem ao monte das Oliveiras. A certa altura, ele fica com quatro apóstolos: Pedro, André, Tiago e João. De onde eles estão, conseguem ver o magnífico templo mais abaixo.

      • O que Jesus faz na sua última visita ao templo?

      • O que Jesus prediz que acontecerá com o templo?

      • Por que Jesus diz que a contribuição da viúva é maior do que a dos ricos?

  • Os apóstolos pedem um sinal
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus responde as perguntas de quatro apóstolos

      CAPÍTULO 111

      Os apóstolos pedem um sinal

      MATEUS 24:3-51 MARCOS 13:3-37 LUCAS 21:7-38

      • QUATRO DISCÍPULOS PEDEM UM SINAL

      • CUMPRIMENTO DE PROFECIAS NO PRIMEIRO SÉCULO E NO FUTURO

      • TEMOS DE NOS MANTER VIGILANTES

      É terça-feira à tarde, e o dia 11 de nisã está chegando ao fim. Também estão terminando os dias de intensa atividade de Jesus na Terra. Ele ensinava no templo durante o dia, e à noite voltava à sua hospedagem fora da cidade. Havia muito interesse entre o povo, que “se dirigia a ele, de manhã cedo, para ouvi-lo no templo”. (Lucas 21:37, 38) Mas esses dias ficaram para trás, agora Jesus está no monte das Oliveiras com quatro apóstolos: Pedro, André, Tiago e João.

      Eles vêm falar com Jesus em particular. Jesus acaba de predizer que não restará pedra sobre pedra no templo e isso os deixa preocupados. Mas não é só isso que os preocupa. Numa ocasião anterior, Jesus os aconselhou: “Mantenham-se prontos, porque o Filho do Homem virá numa hora que vocês não acham provável.” (Lucas 12:40) Ele também falou sobre o ‘dia em que o Filho do Homem seria revelado’. (Lucas 17:30) Será que essas palavras de Jesus têm algo a ver com o que ele acaba de dizer sobre o templo? Os apóstolos estão muito curiosos. Eles perguntam: “Quando acontecerão essas coisas e qual será o sinal da sua presença e do final do sistema de coisas?” — Mateus 24:3.

      Talvez estejam pensando na destruição do templo, que pode ser visto de onde estão. Além disso, eles perguntam sobre a presença do Filho do Homem. É provável que se lembrem da ilustração de Jesus sobre “um homem de origem nobre” que ‘viaja a fim de se tornar rei e voltar’. (Lucas 19:11, 12) Eles também se perguntam sobre o que acontecerá no “final do sistema de coisas”.

      Jesus dá uma resposta com muitos detalhes, fornecendo um sinal que indica quando será o fim do sistema de coisas judaico, incluindo o templo. Mas ele dá mais informações. Esse sinal também ajudará os cristãos no futuro a saber se estão vivendo durante sua “presença” e se estão próximos do fim do inteiro sistema de coisas na Terra.

      Conforme os anos vão passando, os apóstolos veem a profecia de Jesus se cumprir. Na verdade, muitas das coisas que ele prediz começam a acontecer durante a vida deles. Assim, 37 anos depois, em 70 EC, os cristãos que estão vigilantes não são pegos de surpresa pela destruição do sistema de coisas judaico e do templo. Mas nem tudo o que Jesus prediz acontece até 70 EC ou durante esse ano. Então o que mais marcaria a presença dele no poder do Reino? Jesus dá a resposta aos seus apóstolos.

      Ele prediz que haverá “guerras e notícias de guerras” e que “nação se levantará contra nação e reino contra reino”. (Mateus 24:6, 7) Também diz que “haverá grandes terremotos e, num lugar após outro, falta de alimentos e pestilências”. (Lucas 21:11) Jesus avisa seus discípulos que eles serão ‘presos e perseguidos’. (Lucas 21:12) Surgirão falsos profetas e desencaminharão a muitos. O que é contra a lei aumentará, e o amor da maioria esfriará. Além disso, ele diz que as “boas novas do Reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”. — Mateus 24:14.

      Embora certos aspectos da profecia de Jesus se cumpram antes e durante a destruição de Jerusalém pelos romanos, será que Jesus tem em mente um cumprimento maior no futuro? Consegue perceber que o principal cumprimento da importante profecia de Jesus está ocorrendo em nossos dias?

      Algo que Jesus inclui no sinal da sua presença é o surgimento da “coisa repugnante que causa desolação”. (Mateus 24:15) Em 66 EC, essa coisa repugnante surge na forma de “exércitos acampados” de Roma, com seus estandartes, ou bandeiras, idólatras. Os romanos cercam Jerusalém e escavam algumas partes da muralha, deixando-a fraca. (Lucas 21:20) Dessa forma, “a coisa repugnante” fica em pé onde não devia, no lugar que os judeus encaram como “lugar santo”.

      Jesus também prediz: “Haverá grande tribulação, como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem ocorrerá de novo.” Em 70 EC, os romanos destroem Jerusalém. Essa conquista devastadora da ‘cidade santa’ dos judeus, incluindo do templo, é realmente uma grande tribulação, pois centenas de milhares de pessoas são mortas. (Mateus 4:5; 24:21) Ela é maior do que qualquer outra destruição que a cidade e o povo judeu já sofreram. Acaba com o sistema religioso que os judeus seguem há séculos. Assim, qualquer cumprimento futuro e maior das palavras proféticas de Jesus com certeza será terrível.

      COMO TER CONFIANÇA DURANTE OS DIAS PREDITOS POR JESUS

      A conversa de Jesus com seus apóstolos sobre o sinal da sua presença no poder do Reino e o fim do sistema de coisas continua. Agora ele os alerta sobre seguirem “falsos cristos e falsos profetas”. Ele diz que tentarão “enganar, se possível, até mesmo os escolhidos”. (Mateus 24:24) Mas os escolhidos não serão enganados. A presença dos falsos cristos é apenas física, ao passo que a presença de Jesus será invisível.

      Referindo-se a uma tribulação ainda maior que aconteceria no fim do atual sistema de coisas, Jesus diz: “O sol escurecerá, a lua não dará a sua luz, as estrelas cairão do céu, e os poderes dos céus serão abalados.” (Mateus 24:29) Os apóstolos não sabem exatamente como essas palavras assustadoras que estão ouvindo se cumprirão, mas sem dúvida será algo aterrorizante.

      Como esses acontecimentos chocantes afetarão a humanidade? Jesus responde: “Pessoas desfalecerão de medo, na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada, pois os poderes dos céus serão abalados.” (Lucas 21:26) O que ele descreve será sem dúvida o período mais sombrio da história humana.

      De modo animador, Jesus esclarece aos apóstolos que nem todos estarão se lamentando quando o ‘Filho do Homem vier com poder e grande glória’. (Mateus 24:30) Ele já disse que Deus agirá “por causa dos escolhidos”. (Mateus 24:22) Então como esses discípulos fiéis devem reagir diante dos acontecimentos chocantes que Jesus está descrevendo? Ele encoraja seus seguidores: “Quando essas coisas começarem a ocorrer, ponham-se de pé e levantem a cabeça, porque o seu livramento está se aproximando.” — Lucas 21:28.

      Como os discípulos de Jesus, que estariam vivendo durante esse período que ele predisse, poderiam saber se o fim está próximo? Jesus faz uma ilustração sobre uma figueira: “Assim que os ramos novos ficam tenros e brotam folhas, vocês sabem que o verão está próximo. Do mesmo modo, quando virem todas essas coisas, saibam que ele está próximo, às portas. Eu lhes garanto que esta geração de modo algum passará até que todas essas coisas aconteçam.” — Mateus 24:32-34.

      Dessa forma, quando os discípulos virem as várias características do sinal se cumprindo, entenderão que o fim está próximo. Agora Jesus dá um conselho aos discípulos que estiverem vivendo naquele importante período.

      Ele diz: “A respeito daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas somente o Pai. Pois, assim como eram os dias de Noé, assim será a presença do Filho do Homem. Porque naqueles dias antes do dilúvio as pessoas comiam e bebiam, os homens se casavam e as mulheres eram dadas em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não fizeram caso, até que veio o dilúvio e varreu a todos eles; assim será na presença do Filho do Homem.” (Mateus 24:36-39) Com isso, Jesus faz uma comparação com o dilúvio dos dias de Noé, um acontecimento que teve impacto global.

      Os apóstolos que estão com Jesus no monte das Oliveiras sem dúvida reconhecem a necessidade de se manter vigilantes. Jesus diz: “Prestem atenção a si mesmos, para que o seu coração nunca fique sobrecarregado com o excesso no comer e no beber e com as ansiedades da vida, e de repente aquele dia os apanhe de surpresa, como uma armadilha. Pois ele virá sobre todos os que moram na face de toda a terra. Portanto, mantenham-se despertos, fazendo todo o tempo súplicas para que consigam escapar de todas essas coisas que têm de ocorrer e consigam ficar em pé diante do Filho do Homem.” — Lucas 21:34-36.

      Mais uma vez Jesus mostra que sua profecia não terá um cumprimento limitado. Ele não está profetizando algo que aconteceria dentro de algumas décadas e que afetaria apenas a cidade de Jerusalém ou a nação judaica. Está falando de acontecimentos que ‘virão sobre todos os que moram na face de toda a terra’.

      Jesus diz que seus discípulos precisarão se manter alertas, ser vigilantes e estar prontos. Ele reforça esse ponto com outra ilustração: “Entendam isto: se o dono da casa soubesse em que vigília o ladrão viria, ficaria acordado e não permitiria que sua casa fosse arrombada. Por essa razão, vocês também mostrem-se prontos, porque o Filho do Homem vem numa hora que vocês não imaginam.” — Mateus 24:43, 44.

      Jesus passa a dar motivos para seus discípulos serem otimistas. Ele lhes garante que, quando sua profecia estiver se cumprindo, haverá um “escravo” que estará alerta e ativo. Jesus usa uma ilustração que os apóstolos logo conseguem entender: “Quem é realmente o escravo fiel e prudente, a quem o seu senhor encarregou dos seus domésticos, para lhes dar o alimento no tempo apropriado? Feliz aquele escravo se o seu senhor, quando vier, o encontrar fazendo isso! Digo a verdade a vocês: Ele o encarregará de todos os seus bens.” No entanto, se o “escravo” passar a ter uma atitude ruim e maltratar os outros, o senhor “o punirá com a maior severidade”. — Mateus 24:45-51; veja Lucas 12:45, 46.

      Mas Jesus não está dizendo que um grupo de seus seguidores passaria a ter uma atitude ruim. Então qual é a lição que ele quer deixar clara na mente dos seus discípulos? Jesus quer que eles se mantenham alertas e ativos, conforme esclarece em outra ilustração.

      • O que leva os apóstolos a perguntar sobre eventos futuros? O que mais eles talvez tenham em mente?

      • Quando a profecia de Jesus começa a se cumprir, e como?

      • Quais são algumas das características que marcariam a presença de Cristo?

      • Como surge a “coisa repugnante”, e que eventos ocorrem a seguir?

      • Qual será a reação das pessoas ao presenciarem o cumprimento da profecia de Jesus?

      • Que ilustração Jesus faz para ajudar seus discípulos a saber se o fim está próximo?

      • O que indica que o cumprimento da profecia de Jesus é global?

      • Que conselho Jesus dá aos discípulos que viverem perto do fim do sistema de coisas?

  • Ilustração das virgens — lição sobre vigilância
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • As cinco virgens discretas com suas lâmpadas acesas

      CAPÍTULO 112

      Ilustração das virgens — lição sobre vigilância

      MATEUS 25:1-13

      • JESUS FAZ A ILUSTRAÇÃO DAS DEZ VIRGENS

      Jesus está respondendo à pergunta dos seus apóstolos sobre o sinal da sua presença e do final do sistema de coisas. Com isso em mente, agora ele dá um conselho sábio por meio de mais uma ilustração. Seu cumprimento será visto pelos que estiverem vivendo durante sua presença.

      Ele começa a ilustração dizendo: “O Reino dos céus pode ser comparado a dez virgens que pegaram suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram tolas e cinco eram prudentes.” — Mateus 25:1, 2.

      Jesus não quer dizer que metade dos discípulos que vão herdar o Reino dos céus é tola e que a outra metade é prudente. Ele quer dizer que, com respeito ao Reino, cada um dos seus discípulos tem a capacidade de escolher ser vigilante ou ser desatento. Mas Jesus não tem dúvida de que cada um dos seus servos pode se manter fiel e receber as bênçãos do seu Pai.

      Na ilustração, as dez virgens saem para receber o noivo e se juntar ao cortejo matrimonial. Quando ele chegar, elas iluminarão o caminho com suas lâmpadas, dando honra ao noivo ao passo que ele leva a noiva para a casa preparada para ela. Será que os preparativos dão certo?

      Jesus explica: “As tolas pegaram suas lâmpadas, mas não levaram óleo, ao passo que as prudentes levaram óleo em frascos, junto com suas lâmpadas. Como o noivo estava demorando, todas elas ficaram com sono e adormeceram.” (Mateus 25:3-5) O noivo não chega na hora em que se esperava. Parece que ele demora, e as virgens acabam dormindo. Os apóstolos talvez se lembrem do que Jesus disse sobre um homem de origem nobre que viajou e por fim “voltou depois de se tornar rei”. — Lucas 19:11-15.

      Na ilustração das dez virgens, Jesus descreve o que acontece quando o noivo finalmente chega: “Bem no meio da noite se ouviu um grito: ‘Aqui está o noivo! Saiam ao encontro dele.’” (Mateus 25:6) Será que as virgens demonstram prontidão e vigilância?

      Jesus continua: “Todas as virgens se levantaram então e puseram suas lâmpadas em ordem. As tolas disseram às prudentes: ‘Deem-nos um pouco do seu óleo, porque nossas lâmpadas estão quase apagando.’ As prudentes responderam: ‘Talvez não haja suficiente para nós e para vocês. Em vez disso, vão aos que vendem óleo e comprem um pouco para vocês.’” — Mateus 25:7-9.

      As cinco virgens tolas não estão vigilantes nem preparadas para a chegada do noivo. Precisam conseguir óleo, visto que não têm o suficiente para suas lâmpadas. Jesus relata: “Enquanto foram comprar o óleo, veio o noivo. As virgens que estavam prontas entraram com ele para a festa de casamento, e a porta foi fechada. Depois chegaram também as outras virgens, dizendo: ‘Senhor, senhor, abra para nós!’ Ele disse em resposta: ‘Eu lhes digo a verdade: Não conheço vocês.’” (Mateus 25:10-12) Sem dúvida, um resultado triste por não se manterem preparadas e vigilantes.

      Os apóstolos conseguem entender que o noivo mencionado por Jesus é ele mesmo. Ele já se comparou a um noivo. (Lucas 5:34, 35) E quanto às virgens sábias? Ao falar sobre o “pequeno rebanho”, a quem seria dado o Reino, Jesus usa as seguintes palavras: “Estejam vestidos e preparados, estejam com as suas lâmpadas acesas.” (Lucas 12:32, 35) Por isso, na ilustração sobre as virgens, os apóstolos entendem que Jesus está se referindo a discípulos fiéis como eles. Assim, que lição ele ensina com essa ilustração?

      Jesus não deixa nenhuma dúvida. Ele conclui sua ilustração com estas palavras: “Portanto, mantenham-se vigilantes, porque vocês não sabem nem o dia nem a hora.” — Mateus 25:13.

      Fica claro então que Jesus está dando um alerta a seus fiéis seguidores. Com respeito à sua presença, precisarão ‘manter-se vigilantes’. Ele virá, e eles precisam estar preparados e vigilantes, como as cinco virgens prudentes, a fim de não perder sua preciosa esperança e a recompensa que pode ser deles.

      • Com respeito à vigilância e à prontidão, em que sentido as cinco virgens prudentes são diferentes das cinco virgens tolas?

      • Quem é o noivo, e quem são as virgens?

      • Que lição Jesus ensina com a ilustração sobre as dez virgens?

  • Ilustração dos talentos — lição sobre diligência
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Um escravo esconde um saco de dinheiro num buraco no chão

      CAPÍTULO 113

      Ilustração dos talentos — lição sobre diligência

      MATEUS 25:14-30

      • JESUS FAZ A ILUSTRAÇÃO DOS TALENTOS

      Enquanto está com seus quatro apóstolos no monte das Oliveiras, Jesus conta mais uma ilustração. Alguns dias antes, quando estava em Jericó, ele fez a ilustração das minas para mostrar que o Reino ainda está num futuro distante. A ilustração que ele conta agora tem várias características similares. Ela faz parte da resposta à pergunta sobre a sua presença e o final do sistema de coisas. E mostra que seus discípulos devem ser diligentes em cuidar do que lhes é confiado.

      Jesus começa: “É como um homem que, antes de viajar para fora, convocou seus escravos e lhes confiou os seus bens.” (Mateus 25:14) Visto que Jesus já se comparou a um homem que viaja para um país distante “a fim de se tornar rei”, os apóstolos podem entender facilmente que Jesus é esse “homem”. — Lucas 19:12.

      Antes de o homem da ilustração viajar, ele confia bens valiosos a seus escravos. Durante os três anos e meio do seu ministério terrestre, Jesus se concentrou em pregar as boas novas do Reino de Deus e treinou seus discípulos para fazer essa obra. Agora ele está indo embora, confiante de que eles continuarão a realizar o trabalho para o qual ele os treinou. — Mateus 10:7; Lucas 10:1, 8, 9; veja João 4:38; 14:12.

      Na ilustração, como o homem distribui os seus bens? Jesus diz: “A um deu cinco talentos, a outro dois e a ainda outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e viajou para fora.” (Mateus 25:15) O que esses escravos vão fazer com o que lhes é confiado? Será que serão diligentes em usá-los para promover os interesses do seu senhor? Jesus passa a explicar isso aos apóstolos.

      Ele diz: “Aquele que recebeu cinco talentos foi imediatamente negociar com o dinheiro, e ganhou mais cinco. Do mesmo modo, aquele que recebeu dois ganhou mais dois. Mas o escravo que recebeu apenas um foi embora, cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor.” (Mateus 25:16-18) O que acontecerá quando o senhor voltar?

      Jesus continua: “Depois de muito tempo o senhor daqueles escravos voltou e ajustou contas com eles.” (Mateus 25:19) Os dois primeiros fizeram tudo que podiam, “cada um segundo a sua capacidade”. Cada um deles foi diligente, esforçado e produtivo. Tanto o que recebeu cinco talentos como o que recebeu dois talentos duplicaram a quantia que lhes foi confiada. (Naquela época, uma pessoa teria de trabalhar uns 19 anos para ganhar o equivalente a um talento.) O senhor dá a cada um deles o mesmo elogio: “Muito bem, escravo bom e fiel! Você foi fiel ao cuidar de poucas coisas. Vou encarregá-lo de muitas coisas. Participe da alegria do seu senhor.” — Mateus 25:21.

      1. Um escravo esconde um saco de dinheiro num buraco no chão; 2. O mesmo escravo é lançado para fora na escuridão

      Mas não é isso o que acontece com o escravo que recebeu um talento. Ele diz: “Eu sabia que o senhor é um homem exigente, que colhe onde não semeou e ajunta onde não espalhou. Por isso fiquei com medo e fui esconder no chão o seu talento. Aqui está o que é seu.” (Mateus 25:24, 25) Esse escravo nem mesmo depositou o dinheiro com os banqueiros, o que teria rendido algum lucro ao seu senhor. Pode-se dizer que ele trabalhou contra os interesses do seu senhor.

      É bem apropriado que o senhor diga que esse escravo é “mau e preguiçoso”. O talento é tirado dele e dado ao escravo que está disposto a se esforçar diligentemente. Então o senhor estabelece um padrão: “A todo aquele que tem, mais será dado, e ele terá abundância. Mas daquele que não tem, até mesmo o que tem será tirado.” — Mateus 25:26, 29.

      Discípulos de Jesus pregando

      Os discípulos de Jesus têm muito em que pensar, especialmente com relação a essa última ilustração. Eles percebem que o precioso privilégio de fazer discípulos, que Jesus lhes está confiando, é de grande valor. E ele confia que eles serão diligentes ao fazer isso. Com respeito à obra de pregação, Jesus não espera o mesmo de todos. Como ilustrado, cada um deve fazer tudo o que pode “segundo a sua capacidade”. Isso de forma alguma quer dizer que Jesus se agrada quando alguém é “preguiçoso” e deixa de fazer o seu melhor em promover os interesses do Senhor.

      Os apóstolos devem ficar muito contentes com esta garantia: “A todo aquele que tem, mais será dado.”

      • Na ilustração dos talentos, quem é o senhor e quem são os escravos?

      • Que lições Jesus ensina a seus discípulos?

  • Como rei, Jesus julga as ovelhas e os cabritos
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Pessoas de todas as nações olham para o céu e esperam o julgamento de Jesus

      CAPÍTULO 114

      Como rei, Jesus julga as ovelhas e os cabritos

      MATEUS 25:31-46

      • JESUS FAZ A ILUSTRAÇÃO DAS OVELHAS E DOS CABRITOS

      No monte das Oliveiras, Jesus acaba de contar as ilustrações das dez virgens e dos talentos como parte da sua resposta à pergunta dos apóstolos sobre o sinal da sua presença e do final do sistema de coisas. Como ele conclui sua resposta? Ele faz isso com uma última ilustração, sobre as ovelhas e os cabritos.

      Jesus começa por estabelecer o cenário: “Quando o Filho do Homem vier na sua glória, e com ele todos os anjos, então se sentará no seu trono glorioso.” (Mateus 25:31) Jesus não deixa dúvidas de que é o personagem principal dessa ilustração. Muitas vezes ele se referiu a si mesmo como “o Filho do Homem”. — Mateus 8:20; 9:6; 20:18, 28.

      Jesus senta no seu trono glorioso e julga pessoas fiéis como ovelhas

      Essa ilustração se cumpre quando Jesus “vier na sua glória” com os anjos e se sentar “no seu trono glorioso”. Ele já falou sobre “o Filho do Homem vir nas nuvens do céu, com poder e grande glória” e com os seus anjos. Isso acontece “imediatamente depois da tribulação”. (Mateus 24:29-31; Marcos 13:26, 27; Lucas 21:27) Assim, essa ilustração se cumpre no futuro, quando Jesus vier em sua glória. O que ele fará então?

      Ele explica: “Quando o Filho do Homem vier . . . , todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará as pessoas umas das outras, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à sua esquerda.” — Mateus 25:31-33.

      As ovelhas são separadas para receber o favor de Jesus. Ele diz sobre elas: “O Rei dirá então aos à sua direita: ‘Venham vocês, abençoados por meu Pai, herdem o Reino preparado para vocês desde a fundação do mundo.’” (Mateus 25:34) Por que as ovelhas recebem o favor do Rei?

      O Rei explica: “Fiquei com fome, e vocês me deram algo para comer; fiquei com sede, e vocês me deram algo para beber. Eu era um estranho, e vocês me receberam hospitaleiramente; estava nu, e vocês me vestiram. Fiquei doente, e vocês cuidaram de mim. Eu estava na prisão, e vocês me visitaram.” Quando essas ovelhas, “os justos”, perguntam em que sentido fizeram essas boas coisas, ele responde: “O que vocês fizeram a um dos menores destes meus irmãos, a mim o fizeram.” (Mateus 25:35, 36, 40, 46) Elas não fazem essas boas obras no céu, pois lá não há pessoas doentes nem com fome. Sendo assim, essas obras têm de ser feitas aos irmãos de Cristo na Terra.

      Um grupo de pessoas infiéis são julgadas como cabritos

      E quanto aos cabritos, que são colocados do lado esquerdo? Jesus diz: “Então [o Rei] dirá aos à sua esquerda: ‘Afastem-se de mim, amaldiçoados; vão para o fogo eterno preparado para o Diabo e seus anjos. Pois fiquei com fome, mas vocês não me deram nada para comer; e fiquei com sede, mas vocês não me deram nada para beber. Eu era um estranho, mas vocês não me receberam hospitaleiramente; estava nu, mas vocês não me vestiram; doente e na prisão, mas vocês não cuidaram de mim.’” (Mateus 25:41-43) Os cabritos merecem esse julgamento, pois não trataram com bondade os irmãos de Cristo aqui na Terra, como deveriam ter feito.

      Os apóstolos aprendem que o futuro tempo de julgamento terá consequências permanentes, eternas. Jesus lhes diz: “Então [o Rei] lhes [dirá]: ‘Eu lhes digo a verdade: O que vocês não fizeram a um destes menores, a mim não o fizeram.’ Estes partirão para o decepamento eterno; mas os justos, para a vida eterna.” — Mateus 25:45, 46.

      A resposta que Jesus dá aos apóstolos deixa seus seguidores muito pensativos, ajudando-os a avaliar suas atitudes e ações.

      • Na ilustração de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos, quem é “o Rei”? E quando a ilustração se cumprirá?

      • Por que as ovelhas são consideradas dignas de receber o favor de Jesus?

      • Com base em que algumas pessoas serão consideradas como cabritos, e que futuro terão as ovelhas e os cabritos?

  • Aproxima-se a última Páscoa de Jesus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Judas visita líderes religiosos e pergunta quanto ele vai receber para trair Jesus

      CAPÍTULO 115

      Aproxima-se a última Páscoa de Jesus

      MATEUS 26:1-5, 14-19 MARCOS 14:1, 2, 10-16 LUCAS 22:1-13

      • JUDAS ISCARIOTES É PAGO PARA TRAIR JESUS

      • DOIS APÓSTOLOS FAZEM PREPARATIVOS PARA A PÁSCOA

      Jesus termina de ensinar quatro de seus apóstolos no monte das Oliveiras, respondendo à pergunta deles sobre sua futura presença e o final do sistema de coisas.

      O dia 11 de nisã está sendo um dia atarefado. Talvez seja na volta para Betânia, a fim de passar a noite, que Jesus diz a seus apóstolos: “Vocês sabem que daqui a dois dias é a Páscoa, e o Filho do Homem será entregue para ser morto na estaca.” — Mateus 26:2.

      Parece que o dia seguinte, quarta-feira, é um dia tranquilo para Jesus e seus apóstolos. Na terça-feira, ele repreendeu os líderes religiosos e os expôs publicamente. Eles querem matá-lo. Por isso, ele não aparece em público no dia 12 de nisã. Ele não quer que nada o impeça de celebrar a Páscoa com seus apóstolos após o pôr do sol na noite seguinte, quando começa o dia 14 de nisã.

      Mas os principais sacerdotes e os anciãos do povo não estão nada tranquilos. Antes da Páscoa, eles se reúnem no pátio da casa do sumo sacerdote, Caifás. Estão irritados porque Jesus os tem exposto. Então tramam, “com astúcia, prender Jesus e matá-lo”. Como e quando eles farão isso? Eles dizem: “Não durante a festividade, para que não haja um alvoroço entre o povo.” (Mateus 26:4, 5) Estão com medo porque muitos gostam de Jesus.

      Nesse meio-tempo, os líderes religiosos recebem um visitante. Para sua surpresa, é um dos apóstolos de Jesus, Judas Iscariotes. Satanás colocou nele a ideia de trair o Senhor. Judas lhes pergunta: “O que me darão para entregá-lo a vocês?” (Mateus 26:15) Felizes com isso, eles ‘concordam em lhe dar dinheiro de prata’. (Lucas 22:5) Quanto? Ficam contentes em pagar 30 moedas de prata. É interessante notar que o preço de um escravo é 30 siclos. (Êxodo 21:32) Com isso, os líderes religiosos mostram como desprezam Jesus. Para eles, Jesus tem pouco valor. Agora Judas começa a ‘procurar uma boa oportunidade para entregá-lo a eles sem que haja uma multidão em volta’. — Lucas 22:6.

      O dia 13 de nisã começa após o pôr do sol de quarta-feira, e esta é a última das seis noites que Jesus passa em Betânia. Os últimos preparativos para a Páscoa serão feitos no dia seguinte. Será necessário providenciar um cordeiro para ser abatido e assado inteiro depois que o dia 14 de nisã começar. Onde eles vão fazer a refeição, e quem vai prepará-la? Jesus não dá esses detalhes. Por isso, Judas não tem como contá-los aos principais sacerdotes.

      Pedro e João seguem um homem que carrega um jarro de barro com água

      Provavelmente no início da tarde de quinta-feira, Jesus envia Pedro e João, de Betânia a Jerusalém, dizendo: “Vão e aprontem a refeição pascoal para que a comamos.” Eles perguntam: “Onde o senhor quer que a aprontemos?” Jesus explica: “Ao entrarem na cidade, um homem levando um jarro de barro com água encontrará vocês. Sigam-no para dentro da casa em que ele entrar. E digam ao proprietário da casa: ‘O Instrutor mandou lhe dizer: “Onde está a sala dos hóspedes, em que eu possa tomar a refeição pascoal com os meus discípulos?”’ E esse homem lhes mostrará uma grande sala mobiliada no andar de cima. Aprontem-na ali.” — Lucas 22:8-12.

      Sem dúvida, o proprietário da casa é discípulo de Jesus. Talvez ele já espere que Jesus peça para usar sua casa nessa ocasião. Quando os dois apóstolos chegam a Jerusalém, encontram tudo do jeito que Jesus disse. Então providenciam que o cordeiro seja preparado e que os outros preparativos para a Páscoa sejam feitos para os 13, Jesus e seus 12 apóstolos.

      • Pelo visto, o que Jesus faz na quarta-feira, 12 de nisã, e por quê?

      • Por que os líderes religiosos se reúnem, e por que Judas vai até eles?

      • Quem Jesus envia a Jerusalém na quinta-feira, e o que eles fazem ali?

  • Uma lição de humildade na última Páscoa
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus lava os pés dos apóstolos e os ensina sobre humildade

      CAPÍTULO 116

      Uma lição de humildade na última Páscoa

      MATEUS 26:20 MARCOS 14:17 LUCAS 22:14-18 JOÃO 13:1-17

      • JESUS CELEBRA SUA ÚLTIMA PÁSCOA COM OS APÓSTOLOS

      • ELE ENSINA UMA LIÇÃO AO LAVAR OS PÉS DOS APÓSTOLOS

      Pedro e João já estão em Jerusalém para fazer os preparativos para a Páscoa, seguindo as instruções de Jesus. Mais tarde, Jesus e os outros dez apóstolos também vão para lá. Ele e seus discípulos descem o monte das Oliveiras com o sol se pondo. Jesus só verá a cidade à luz do dia novamente depois da sua ressurreição.

      Em pouco tempo, Jesus e os que o acompanham chegam à cidade e vão para a casa onde terão a refeição da Páscoa. Eles sobem as escadas até a grande sala no andar de cima. Lá encontram tudo preparado para a refeição. Jesus aguarda com expectativa essa ocasião, pois ele diz: “Desejei muito comer esta refeição pascoal com vocês antes de sofrer.” — Lucas 22:15.

      Muitos anos antes, teve início o costume de passar alguns cálices de vinho entre os participantes da Páscoa. Agora, depois de receber um dos cálices, Jesus dá graças e diz: “Peguem este cálice e passem-no de um para o outro, pois eu lhes digo: De agora em diante não beberei de novo do produto da videira até que venha o Reino de Deus.” (Lucas 22:17, 18) Isso devia deixar claro que a morte dele está próxima.

      Em certo momento durante a refeição pascoal, algo notável acontece. Jesus se levanta, tira sua capa, pega uma toalha e coloca água numa bacia. Normalmente, um anfitrião se certifica de que os pés dos convidados sejam lavados, talvez por um empregado. (Lucas 7:44) Mas nessa ocasião não há nenhum anfitrião presente, então Jesus faz esse serviço. Qualquer um dos apóstolos podia fazer isso, mas nenhum deles faz. Será que é porque ainda existe alguma rivalidade entre eles? Qualquer que seja o caso, eles estão envergonhados por Jesus estar lavando os pés deles.

      Quando chega a vez de Pedro, ele protesta: “O senhor nunca lavará os meus pés.” Jesus responde: “Se eu não lavar você, você não tem parte comigo.” Pedro diz animado: “Senhor, então lave não só os meus pés, mas também as minhas mãos e a minha cabeça.” A resposta de Jesus certamente o surpreende: “Quem se banhou está completamente limpo e não precisa lavar nada, só os pés. E vocês estão limpos, mas nem todos.” — João 13:8-10.

      Jesus lava os pés dos 12 apóstolos, incluindo os pés de Judas Iscariotes. Depois de colocar novamente sua capa e de se recostar à mesa, Jesus diz: “Vocês entendem o que eu lhes fiz? Vocês me chamam de ‘Instrutor’ e ‘Senhor’, e estão certos, pois eu sou mesmo. Portanto, se eu, o Senhor e Instrutor, lavei os seus pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Pois estabeleci o modelo para vocês, a fim de que, assim como eu lhes fiz, vocês também façam. Digo-lhes com toda a certeza: O escravo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. Se vocês sabem essas coisas, felizes serão se as praticarem.” — João 13:12-17.

      Que belo exemplo de humildade! Os seguidores de Jesus não devem buscar o primeiro lugar, achando que são importantes e que devem ser servidos. Antes, devem seguir o exemplo de Jesus, não por realizar um ritual de lavar os pés dos outros, mas por estar dispostos a servir com humildade e sem parcialidade.

      • Durante a refeição da Páscoa, o que Jesus diz aos apóstolos, indicando que sua morte está próxima?

      • Por que é notável que Jesus lave os pés dos apóstolos?

      • Que lição Jesus ensina ao realizar a humilde tarefa de lavar os pés dos apóstolos?

  • A Ceia do Senhor
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus institui a Ceia do Senhor com seus 11 apóstolos fiéis

      CAPÍTULO 117

      A Ceia do Senhor

      MATEUS 26:21-29 MARCOS 14:18-25 LUCAS 22:19-23 JOÃO 13:18-30

      • JUDAS É IDENTIFICADO COMO UM TRAIDOR

      • JESUS INSTITUI UMA CELEBRAÇÃO

      Mais cedo naquela noite, Jesus ensinou aos apóstolos uma lição de humildade por lavar os pés deles. Agora, pelo visto depois da refeição pascoal, ele cita as palavras proféticas de Davi: “O homem que estava em paz comigo e em quem eu confiava, que comia do meu pão, se voltou contra mim.” Então explica: “Um de vocês me trairá.” — Salmo 41:9; João 13:18, 21.

      Os apóstolos olham uns para os outros, e cada um pergunta: “Senhor, por acaso sou eu?” Até Judas Iscariotes faz isso. Pedro pede que João, que está ao lado de Jesus, descubra de quem ele está falando. Assim, João se inclina, aproximando-se de Jesus, e pergunta: “Senhor, quem é?” — Mateus 26:22; João 13:25.

      Jesus responde: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão que vou molhar na tigela.” Ele molha um pedaço de pão numa tigela e o entrega a Judas, dizendo: “O Filho do Homem vai embora, assim como está escrito a respeito dele, mas ai daquele que trai o Filho do Homem! Seria melhor para esse homem que não tivesse nascido.” (João 13:26; Mateus 26:24) Então Satanás entra em Judas, que já havia se corrompido. Agora ele se entrega ao Diabo para fazer sua vontade, tornando-se “o filho da destruição”. — João 6:64, 70; 12:4; 17:12.

      Jesus diz a Judas: “Faça mais depressa o que você está fazendo.” Os apóstolos acham que Jesus está dizendo a Judas, que cuida da caixa de dinheiro: “‘Compre o que precisamos para a festividade’, ou que devia dar algo aos pobres.” (João 13:27-30) Mas Judas sai para trair Jesus.

      Nessa noite da refeição pascoal, Jesus inicia algo totalmente novo. Ele pega um pão, dá graças, parte-o e dá para os apóstolos comerem: “Isto representa o meu corpo, que será dado em benefício de vocês. Persistam em fazer isso em memória de mim.” (Lucas 22:19) Os apóstolos passam o pão e comem dele.

      Agora Jesus pega um cálice de vinho, dá graças e o passa entre eles. Cada um bebe um pouco. Jesus diz: “Este cálice representa o novo pacto com base no meu sangue, que será derramado em seu benefício.” — Lucas 22:20.

      Assim, Jesus estabelece a celebração de sua morte, que seus seguidores devem realizar todos os anos em 14 de nisã. Essa celebração relembra o que Jesus e seu Pai fizeram para que humanos fiéis se livrassem do pecado e da morte. Essa celebração tem um significado maior do que a Páscoa dos judeus, pois destaca que a verdadeira libertação não é apenas para eles, mas para a humanidade que exerce fé.

      Jesus diz que seu sangue “será derramado em benefício de muitos, para o perdão de pecados”. Entre os muitos que receberão esse perdão estão os apóstolos fiéis e outros discípulos como eles. Esses são os que estarão com Jesus no Reino de seu Pai. — Mateus 26:28, 29.

      • Que profecia bíblica Jesus cita sobre alguém próximo dele, e que aplicação ele faz?

      • O que Jesus pede para Judas fazer, e como os outros apóstolos entendem as palavras de Jesus?

      • A que celebração totalmente nova Jesus dá início, e qual é o objetivo dela?

  • Uma discussão sobre quem é o maior
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Os apóstolos de Jesus discutem sobre quem é o maior

      CAPÍTULO 118

      Uma discussão sobre quem é o maior

      MATEUS 26:31-35 MARCOS 14:27-31 LUCAS 22:24-38 JOÃO 13:31-38

      • JESUS DÁ CONSELHOS CONTRA QUERER SER O MAIOR

      • É PREDITO QUE PEDRO NEGARIA A JESUS

      • O AMOR IDENTIFICA OS SEGUIDORES DE JESUS

      Durante sua última noite com os apóstolos, Jesus lhes deu uma excelente lição sobre humildade ao lavar os pés deles. Por que isso foi apropriado? Por causa da fraqueza deles. Eles são devotados a Deus, mas ainda se preocupam com qual deles é o maior. (Marcos 9:33, 34; 10:35-37) Nesta noite, mais uma vez demonstram essa fraqueza.

      Os apóstolos se envolvem numa ‘discussão acalorada sobre qual deles é o maior’. (Lucas 22:24) Jesus deve estar muito triste por vê-los discutindo novamente. O que ele faz?

      Em vez de repreender os apóstolos pela sua atitude e comportamento, Jesus pacientemente raciocina com eles: “Os reis das nações dominam sobre elas, e os que têm autoridade sobre elas são chamados de ‘benfeitores’. Vocês, porém, não devem ser assim. . . . Pois quem é maior: aquele que está à mesa ou aquele que serve?” Então, lembrando a eles do exemplo que sempre lhes dá, Jesus diz: “Mas eu estou no meio de vocês como quem serve.” — Lucas 22:25-27.

      Apesar de suas imperfeições, os apóstolos têm estado com Jesus em muitas situações desafiadoras. Por isso, ele diz: “Eu faço com vocês um pacto para um reino, assim como o meu Pai fez um pacto comigo.” (Lucas 22:29) Esses homens são leais seguidores de Jesus. Com esse pacto, Jesus lhes garante que eles estarão no Reino e reinarão junto com ele.

      Embora os apóstolos tenham essa maravilhosa perspectiva, ainda são humanos imperfeitos. Jesus lhes diz: “Satanás exigiu que todos vocês fossem peneirados como trigo”, que se espalha quando é peneirado. (Lucas 22:31) Jesus também lhes dá um aviso: “Esta noite, todos vocês tropeçarão no que diz respeito a mim, pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão espalhadas.’” — Mateus 26:31; Zacarias 13:7.

      Pedro não concorda com isso e diz de modo confiante: “Ainda que todos os outros tropecem no que diz respeito ao senhor, eu nunca tropeçarei!” (Mateus 26:33) Jesus diz a Pedro que, antes de o galo cantar duas vezes naquela noite, ele o negará. Mas Jesus acrescenta: “Tenho feito súplicas por você para que a sua fé não fraqueje; e você, quando tiver voltado, fortaleça os seus irmãos.” (Lucas 22:32) Ainda assim, Pedro afirma sem hesitar: “Mesmo que eu tenha de morrer com o senhor, de modo algum o negarei.” (Mateus 26:35) Os outros apóstolos dizem a mesma coisa.

      Jesus diz a seus discípulos: “Estou com vocês mais um pouco. Vocês me procurarão e, assim como eu disse aos judeus, agora digo também a vocês: ‘Para onde eu vou, vocês não podem ir.’” Então ele acrescenta: “Eu lhes dou um novo mandamento: Amem uns aos outros; assim como eu amei vocês, amem também uns aos outros. Por meio disto todos saberão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor entre si.” — João 13:33-35.

      Ao ouvir Jesus dizer que estará com eles apenas mais um pouco, Pedro pergunta: “Senhor, para onde vai?” Jesus responde: “Para onde eu vou, você não pode me seguir agora, mas me seguirá depois.” Intrigado, Pedro diz: “Senhor, por que não posso segui-lo agora? Eu darei a minha vida pelo senhor.” — João 13:36, 37.

      Agora Jesus se refere a quando enviou os apóstolos para pregar na Galileia. Naquela ocasião, eles não deviam levar nem bolsa de dinheiro nem bolsa de provisões. (Mateus 10:5, 9, 10) Ele pergunta: “Será que lhes faltou alguma coisa?” Eles respondem: “Não!” Mas o que devem fazer nos dias à frente? Jesus dá a seguinte orientação: “Quem tiver bolsa de dinheiro, leve-a consigo, e também uma bolsa de provisões; e quem não tiver espada, venda a sua capa e compre uma. Pois eu lhes digo que tem de se cumprir em mim aquilo que foi escrito: ‘Ele foi contado entre os transgressores.’ Sim, isso está se cumprindo em mim.” — Lucas 22:35-37.

      Jesus está se referindo à ocasião em que será pregado numa estaca ao lado de malfeitores, ou transgressores. Depois disso, seus seguidores serão duramente perseguidos. Eles acham que estão preparados e dizem: “Senhor, temos aqui duas espadas.” Ele responde: “É o suficiente.” (Lucas 22:38) O fato de terem espadas em breve dará a Jesus uma oportunidade de ensinar outra lição importante.

      • Por que os apóstolos estão discutindo, e como Jesus lida com a situação?

      • O que será realizado por meio do pacto que Jesus faz com seus apóstolos?

      • Como Jesus lida com a autoconfiança de Pedro?

  • Jesus é o caminho, a verdade e a vida
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus com seus 11 apóstolos na sala do andar de cima

      CAPÍTULO 119

      Jesus é o caminho, a verdade e a vida

      JOÃO 14:1-31

      • JESUS VAI EMBORA PARA PREPARAR UM LUGAR

      • ELE PROMETE UM AJUDADOR A SEUS SEGUIDORES

      • O PAI É MAIOR DO QUE JESUS

      A refeição terminou, e Jesus ainda está na sala do andar de cima com os apóstolos. Ele lhes dá um encorajamento: “Não fiquem com o coração aflito. Exerçam fé em Deus; exerçam fé também em mim.” — João 13:36; 14:1.

      Jesus dá a seus fiéis apóstolos um motivo para não ficarem aflitos com sua partida: “Na casa do meu Pai há muitas moradas. . . . Depois que eu for embora e lhes preparar um lugar, virei novamente e os levarei comigo, para que, onde eu estiver, vocês também estejam.” Mas os apóstolos não entendem que ele está falando sobre ir para o céu. Tomé pergunta: “Senhor, não sabemos para onde vai. Como podemos saber o caminho?” — João 14:2-5.

      Jesus responde: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Apenas por aceitar Jesus e seus ensinamentos e por imitar seu modo de vida é que alguém pode entrar na casa celestial do seu Pai. Jesus diz: “Ninguém vem ao Pai senão por mim.” — João 14:6.

      Filipe, que está ouvindo atentamente, faz um pedido: “Senhor, mostre-nos o Pai, e isso é suficiente para nós.” Parece que Filipe quer alguma manifestação da parte de Deus, como as visões que Moisés, Elias e Isaías tiveram. Mas os apóstolos têm algo melhor do que visões. Jesus destaca isso ao responder: “Já faz tanto tempo que estou com vocês, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me vê, vê também o Pai.” Jesus reflete perfeitamente a personalidade do Pai; por isso, conviver com Jesus e observá-lo é como ver o Pai. Naturalmente, o Pai é superior ao Filho, pois Jesus comenta: “O que eu lhes digo não se origina de mim.” (João 14:8-10) Os apóstolos percebem que Jesus dá todo o crédito de seus ensinamentos a seu Pai.

      Os apóstolos de Jesus já presenciaram suas obras maravilhosas e já o ouviram anunciar as boas novas sobre o Reino de Deus. Agora ele lhes diz: “Quem exercer fé em mim fará também as obras que eu faço. E ele fará obras maiores do que essas.” (João 14:12) Jesus não está dizendo que eles farão milagres maiores do que ele. No entanto, realizarão o ministério por muito mais tempo, cobrindo uma área muito maior e atingindo muito mais pessoas.

      Mas eles não ficarão abandonados quando Jesus for embora, pois ele promete: “Qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome, eu farei.” Além disso, ele diz: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro ajudador para estar com vocês para sempre: o espírito da verdade.” (João 14:14, 16, 17) Ele garante que eles receberão o espírito santo, esse outro ajudador. Isso acontece no dia de Pentecostes.

      Jesus diz: “Em breve o mundo não me verá mais, contudo vocês me verão, porque eu vivo e vocês viverão.” (João 14:19) Após sua ressurreição, Jesus vai aparecer a eles em corpo físico e, com o tempo, vai ressuscitá-los para estarem com ele no céu como criaturas espirituais.

      Agora Jesus diz uma verdade simples: “Quem aceita os meus mandamentos e obedece a eles é o que me ama. Por sua vez, quem me ama será amado pelo meu Pai, e eu o amarei e me mostrarei claramente a ele.” Com isso, o apóstolo Judas, também chamado Tadeu, pergunta: “Senhor, o que aconteceu que o senhor pretende se mostrar claramente a nós e não ao mundo?” Jesus responde: “Se alguém me amar, obedecerá à minha palavra, e o meu Pai o amará . . . Quem não me ama não obedece às minhas palavras.” (João 14:21-24) Diferentemente dos seus seguidores, o mundo não reconhece Jesus como o caminho, a verdade e a vida.

      Quando Jesus for embora, como os discípulos vão se lembrar de tudo o que ele lhes ensinou? Ele explica: “O ajudador, o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinará todas as coisas a vocês e os fará lembrar de todas as coisas que eu lhes disse.” Os apóstolos viram como o espírito santo é poderoso. Por isso, essa garantia é consoladora para eles. Jesus acrescenta: “Deixo-lhes a paz; dou-lhes a minha paz. . . . Não fiquem com o coração aflito, nem com medo.” (João 14:26, 27) Os discípulos têm motivos para não ficar aflitos, pois terão a orientação e a proteção do Pai de Jesus.

      Logo a proteção de Deus ficará evidente. Jesus diz: “O governante do mundo está chegando, e ele não tem nenhum poder sobre mim.” (João 14:30) O Diabo conseguiu entrar em Judas e influenciá-lo. Mas, como Jesus não é pecador, ele não tem nenhuma fraqueza que possa ser usada por Satanás para desviá-lo de servir a Deus. E o Diabo também não conseguirá prender Jesus na morte para sempre. Por que não? Jesus diz: “Faço assim como o Pai me ordenou.” Ele tem certeza de que o seu Pai o ressuscitará. — João 14:31.

      • Para onde Jesus está indo, e qual é sua resposta a Tomé sobre o caminho para esse lugar?

      • Pelo visto, o que Filipe quer que Jesus faça?

      • Em que sentido os seguidores de Jesus farão obras maiores do que as dele?

      • Por que é consolador saber que o Pai é maior do que Jesus?

  • Eles devem dar fruto e ser amigos de Jesus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus conversa com seus apóstolos ao saírem da sala do andar de cima

      CAPÍTULO 120

      Eles devem dar fruto e ser amigos de Jesus

      JOÃO 15:1-27

      • A VERDADEIRA VIDEIRA E OS RAMOS

      • COMO PERMANECER NO AMOR DE JESUS

      Jesus está encorajando seus apóstolos fiéis numa conversa sincera. Está tarde, talvez já passe da meia-noite. Agora ele conta uma ilustração motivadora.

      Ele começa: “Eu sou a verdadeira videira, e o meu Pai é o lavrador.” (João 15:1) Sua ilustração relembra o que foi dito séculos antes sobre a nação de Israel, que foi chamada de videira de Jeová. (Jeremias 2:21; Oseias 10:1, 2) Mas Jeová está rejeitando essa nação. (Mateus 23:37, 38) Por isso, Jesus apresenta um novo conceito. Ele é a videira que o Pai tem cultivado desde que o ungiu com espírito santo em 29 EC. No entanto, Jesus mostra que a videira simboliza algo mais.

      Ele diz: “[Meu Pai] tira todo ramo em mim que não dá fruto, e limpa todo ramo que dá fruto, para que dê mais fruto. . . . Assim como um ramo não pode dar fruto por si mesmo a menos que permaneça na videira, vocês também não podem dar fruto a menos que permaneçam em união comigo. Eu sou a videira; vocês são os ramos.” — João 15:2-5.

      Jesus prometeu a seus discípulos que depois que fosse embora, enviaria um ajudador, o espírito santo. Quando os apóstolos e outros receberem esse espírito, 51 dias depois, eles se tornarão ramos da videira. E todos os “ramos” terão de ficar unidos com Jesus. Por quê?

      Ele explica: “Quem permanece em união comigo, e eu em união com ele, esse dá muito fruto, pois separados de mim vocês não podem fazer nada.” Esses “ramos”, os fiéis seguidores de Jesus, dariam muito fruto por imitar suas qualidades, falar diligentemente a outros sobre o Reino e fazer mais discípulos. E se alguém não permanecer em união com Jesus e não der fruto? Ele explica: “Se alguém não permanece em união comigo, ele é lançado fora.” Por outro lado, Jesus diz: “Se vocês permanecerem em união comigo e as minhas declarações permanecerem em vocês, peçam o que quiserem e assim lhes acontecerá.” — João 15:5-7.

      A seguir, Jesus fala novamente sobre obedecer a seus mandamentos, algo que já mencionou duas vezes. (João 14:15, 21) Ele fala sobre uma maneira importante de os discípulos provarem que estão fazendo isso: “Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeço aos mandamentos do Pai e permaneço no amor dele.” No entanto, é necessário mais do que amar a Jeová Deus e seu Filho. Jesus diz: “Este é o meu mandamento: Amem uns aos outros, assim como eu amei vocês. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos. Vocês são meus amigos, se fizerem o que lhes mando.” — João 15:10-14.

      Em poucas horas, Jesus mostrará seu amor por dar a vida por todos que exercem fé nele. Seu exemplo devia motivar seus seguidores a mostrar o mesmo amor abnegado uns pelos outros. Como Jesus declarou antes, esse amor é o que os identificará: “Por meio disto todos saberão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor entre si.” — João 13:35.

      É importante que os apóstolos percebam que Jesus os chama de “amigos”. Ele explica por que os considera assim: “Eu os chamo de amigos, porque lhes revelei tudo que ouvi do meu Pai.” Eles têm uma amizade muito preciosa: são amigos íntimos de Jesus e sabem o que o Pai disse a ele. Mas, para continuarem a ter essa amizade, precisam ‘dar fruto’. Se fizerem isso, Jesus garante: “Não importa o que pedirem ao Pai em meu nome, ele [dará] a vocês.” — João 15:15, 16.

      O amor entre esses “ramos”, seus discípulos, os ajudará a suportar o que está para acontecer. Ele os alerta de que o mundo os odiará, mas lhes dá o seguinte consolo: “Se o mundo os odeia, vocês sabem que odiou a mim antes de odiar vocês. Se vocês fizessem parte do mundo, o mundo os amaria por pertencerem a ele. Agora, visto que vocês não fazem parte do mundo, . . . o mundo os odeia.” — João 15:18, 19.

      Explicando um pouco mais o motivo de o mundo os odiar, Jesus acrescenta: “Farão todas essas coisas contra vocês por causa do meu nome, porque não conhecem Aquele que me enviou.” Ele diz que suas obras milagrosas na verdade condenam aqueles que o odeiam: “Se eu não tivesse feito entre eles as obras que ninguém mais fez, não seriam culpados de pecado; mas agora eles me viram e odiaram a mim e ao meu Pai.” Com certeza, o ódio deles cumpre profecias. — João 15:21, 24, 25; Salmo 35:19; 69:4.

      Mais uma vez, Jesus promete enviar o ajudador, o espírito santo. Essa força poderosa está disponível a todos os seus seguidores e pode ajudá-los a dar fruto, a ‘dar testemunho’. — João 15:27.

      • Na ilustração de Jesus, quem é o lavrador, quem é a videira, e quem são os ramos?

      • Que fruto Deus espera que os ramos deem?

      • Como os discípulos de Jesus podem ser seus amigos? E o que os ajudará a enfrentar o ódio do mundo?

  • “Coragem! Eu venci o mundo”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Os apóstolos parecem preocupados quando Jesus dá um aviso a eles

      CAPÍTULO 121

      “Coragem! Eu venci o mundo”

      JOÃO 16:1-33

      • EM BREVE OS APÓSTOLOS NÃO VERÃO MAIS A JESUS

      • A TRISTEZA DOS APÓSTOLOS SE TRANSFORMARÁ EM ALEGRIA

      Jesus e os apóstolos estão prontos para sair da sala onde tiveram a refeição pascoal. Depois de lhes dar importantes conselhos, Jesus diz: “Eu lhes disse essas coisas para que vocês não tropecem.” Ele indica por que esse conselho é apropriado: “Os homens os expulsarão da sinagoga. De fato, vem a hora em que quem matar vocês pensará que está prestando um serviço sagrado a Deus.” — João 16:1, 2.

      Talvez essas palavras deixem os apóstolos preocupados. Embora Jesus lhes tenha dito antes que o mundo os odiaria, ele não disse diretamente que eles seriam mortos. Por que não? Ele diz: “Eu não lhes disse essas coisas no princípio porque eu estava com vocês.” (João 16:4) Agora ele os está alertando antes de partir. Isso talvez os ajude a não tropeçar mais tarde.

      Jesus continua: “Vou para Aquele que me enviou; mesmo assim, nenhum de vocês me pergunta: ‘Para onde o senhor vai?’” Mais cedo naquela noite, eles perguntaram a Jesus aonde ele estava indo. (João 13:36; 14:5; 16:5) Mas agora, abalados pelo que ele disse sobre serem perseguidos, eles só conseguem pensar em sua tristeza. Por isso, não perguntam sobre a glória que aguarda Jesus ou o que isso significará para os verdadeiros adoradores. Jesus observa: “O coração de vocês está cheio de tristeza porque eu lhes disse essas coisas.” — João 16:6.

      Então Jesus explica: “É em seu benefício que vou embora. Pois, se eu não for embora, o ajudador não virá a vocês; mas, se eu for, o enviarei a vocês.” (João 16:7) Só depois de Jesus morrer e ir para o céu é que seus discípulos poderão receber o espírito santo. De lá, Jesus poderá enviá-lo como ajudador para o seu povo em qualquer lugar da Terra.

      O espírito santo “dará ao mundo provas convincentes do pecado, da justiça e do julgamento”. (João 16:8) Ficará evidente que o mundo não exerce fé no Filho de Deus. O fato de Jesus ir para o céu dará provas convincentes de sua justiça e mostrará que Satanás, “o governante deste mundo”, merece punição. — João 16:11.

      Jesus diz: “Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas agora vocês não são capazes de suportá-las.” Quando ele derramar o espírito santo, este os guiará ao entendimento de “toda a verdade”, e eles terão condições de viver de acordo com essa verdade. — João 16:12, 13.

      Os apóstolos ficam intrigados com a seguinte declaração de Jesus: “Em breve vocês não me verão mais; e também em breve vocês me verão.” Eles perguntam uns aos outros o que isso quer dizer. Percebendo que querem lhe perguntar sobre isso, Jesus explica: “Digo-lhes com toda a certeza: Vocês chorarão e lamentarão, mas o mundo se alegrará; vocês ficarão tristes, mas a sua tristeza será transformada em alegria.” (João 16:16, 20) Quando Jesus for morto na tarde seguinte, os líderes religiosos vão se alegrar, mas os discípulos vão lamentar. No entanto, quando ele for ressuscitado, a tristeza dos apóstolos se transformará em alegria. E também se alegrarão quando Jesus derramar sobre eles o espírito santo de Deus.

      Comparando a situação dos apóstolos à de uma mulher com dores de parto, Jesus diz: “Quando uma mulher está dando à luz, ela sofre porque chegou a sua hora; mas, quando nasce o seu bebê, ela não se lembra mais da aflição, por causa da alegria de um ser humano ter vindo ao mundo.” Jesus encoraja seus apóstolos: “Agora vocês estão tristes; mas eu os verei novamente, e o seu coração se alegrará, e ninguém tirará a sua alegria.” — João 16:21, 22.

      Até então, os apóstolos não faziam petições no nome de Jesus. Mas agora ele diz: “Naquele dia vocês pedirão ao Pai em meu nome.” Por que devem fazer isso? Não é que o Pai não quer responder. Na verdade, Jesus diz: “O próprio Pai ama vocês, porque vocês me amam . . . como representante de Deus.” — João 16:26, 27.

      As palavras encorajadoras de Jesus aos apóstolos talvez lhes dê coragem para afirmar: “Por isso acreditamos que o senhor veio de Deus.” Mas essa convicção logo será posta à prova. Jesus descreve o que acontecerá a seguir: “Escutem: Vem a hora — realmente já veio — em que vocês serão espalhados, cada um para a sua própria casa, e me deixarão sozinho.” No entanto, ele lhes garante: “Eu lhes disse essas coisas para que, por meio de mim, vocês tenham paz. No mundo vocês terão tribulação, mas coragem! Eu venci o mundo.” (João 16:30-33) Jesus não os está abandonando. Ele tem certeza de que, assim como ele, os apóstolos podem vencer o mundo. Como? Por fielmente fazerem a vontade de Deus, apesar das tentativas de Satanás e seu mundo para que deixem de ser leais.

      • Que aviso de Jesus deixa os apóstolos preocupados?

      • Por que os apóstolos param de fazer perguntas a Jesus?

      • A que Jesus compara a transformação da tristeza dos apóstolos em alegria?

  • A última oração de Jesus na sala do andar de cima
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus levanta os olhos para o céu e ora na frente de seus apóstolos

      CAPÍTULO 122

      A última oração de Jesus na sala do andar de cima

      JOÃO 17:1-26

      • O RESULTADO DE SE CONHECER A DEUS E A SEU FILHO

      • A UNIÃO DE JEOVÁ, JESUS E OS DISCÍPULOS

      É por profundo amor aos apóstolos que Jesus os tem preparado para sua partida tão próxima. Ele olha para o céu e ora a seu Pai: “Glorifica o teu filho, para que o teu filho te glorifique, assim como lhe deste autoridade sobre todas as pessoas, para que ele dê vida eterna a todos aqueles que lhe deste.” — João 17:1, 2.

      Fica claro que Jesus reconhece que dar glória a Deus é de grande importância. Mas como é consoladora a perspectiva que Jesus apresenta — vida eterna! Por ter recebido “autoridade sobre todas as pessoas”, Jesus pode estender os benefícios do seu resgate a toda a humanidade. No entanto, somente alguns terão essa bênção. Por que apenas alguns? Porque Jesus só aplicará os benefícios do resgate aos que agem em harmonia com o que ele menciona a seguir: “Isto significa vida eterna: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo.” — João 17:3.

      Alguém deve conhecer intimamente tanto o Pai como o Filho e ter um relacionamento achegado com eles. Deve ter o mesmo conceito que eles sobre os assuntos. Além disso, deve se esforçar em imitar suas qualidades inigualáveis ao lidar com outros. E deve compreender que Deus ser glorificado é mais importante do que os humanos receberem vida eterna. Agora Jesus aborda esse assunto.

      Ele diz: “Eu te glorifiquei na terra e terminei a obra que me deste para fazer. E agora, Pai, glorifica-me ao teu lado com a glória que eu tive junto de ti antes de o mundo existir.” (João 17:4, 5) Jesus pede que, após sua ressurreição, ele tenha novamente a glória que tinha no céu.

      Mas Jesus não se esqueceu do que realizou no seu ministério. Ele ora: “Tornei o teu nome conhecido aos homens que me deste do mundo. Eles eram teus, e tu os deste a mim, e eles obedeceram à tua palavra.” (João 17:6) No seu ministério, Jesus fez mais do que pronunciar o nome de Deus, Jeová. Ele ajudou seus apóstolos a conhecer o que esse nome representa: as qualidades de Deus e o modo de ele lidar com os humanos.

      Os apóstolos aprenderam sobre Jeová, o papel do seu Filho e as coisas que Jesus ensinou. Jesus humildemente diz: “Eu lhes transmiti as declarações que me deste, e eles as aceitaram e certamente sabem que vim como teu representante, e acreditam que tu me enviaste.” — João 17:8.

      Então Jesus reconhece a diferença entre seus seguidores e a humanidade em geral: “Eu peço por eles; peço, não pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque eles são teus . . . Santo Pai, vigia sobre eles por causa do teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como nós somos um. . . . Eu os protegi, e nenhum deles foi perdido, exceto o filho da destruição”, isto é, Judas Iscariotes, que está para trair Jesus. — João 17:9-12.

      Jesus continua a orar: “O mundo os odeia. . . . Não te peço que os tires do mundo, mas que vigies sobre eles, por causa do Maligno. Eles não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” (João 17:14-16) Os apóstolos e outros discípulos estão no mundo, a sociedade humana governada por Satanás. Mas precisam se manter separados do mundo e da sua maldade. Como?

      Eles devem se manter santos, separados para servir a Deus, por colocar em prática as verdades encontradas nas Escrituras Hebraicas e as verdades ensinadas pelo próprio Jesus. Ele ora: “Santifica-os por meio da verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:17) Mais tarde, alguns dos apóstolos escreverão livros inspirados que também farão parte da “verdade” que pode ajudar alguém a se tornar santo.

      Com o tempo, outros aceitarão a “verdade”. Então Jesus ora “não somente por estes [os que estão ali], mas também por aqueles que depositam fé [nele] por meio das palavras deles”. Jesus pede em favor de todos eles: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em união comigo e eu estou em união contigo, para que eles também estejam em união conosco.” (João 17:20, 21) Jesus e seu Pai não são literalmente uma pessoa só. Eles são um no sentido de que concordam em todas as coisas. Assim, Jesus ora para que seus seguidores também estejam unidos com eles.

      Pouco antes, Jesus disse a Pedro e aos outros que estava indo preparar um lugar para eles, um lugar no céu. (João 14:2, 3) Agora Jesus volta a esse assunto em oração: “Pai, quero que aqueles que me deste estejam comigo onde eu estiver, para que possam ver a glória que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (João 17:24) Com isso, ele confirma que muito tempo atrás, antes de Adão e Eva terem filhos, Deus amava seu Filho unigênito, que se tornou Jesus Cristo.

      Concluindo sua oração, Jesus enfatiza novamente o nome do Pai e o amor de Deus pelos apóstolos e por outros que ainda vão aceitar a “verdade”: “Eu tornei o teu nome conhecido a eles, e o tornarei conhecido, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu em união com eles.” — João 17:26.

      • O que significa conhecer a Deus e a seu Filho?

      • De que maneiras Jesus tornou conhecido o nome de Deus?

      • Em que sentido Deus, seu Filho e todos os verdadeiros adoradores são um?

  • Jesus está profundamente triste e ora
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus ora no jardim de Getsêmani enquanto Pedro, Tiago e João dormem

      CAPÍTULO 123

      Jesus está profundamente triste e ora

      MATEUS 26:30, 36-46 MARCOS 14:26, 32-42 LUCAS 22:39-46 JOÃO 18:1

      • JESUS NO JARDIM DE GETSÊMANI

      • SEU SUOR É COMO GOTAS DE SANGUE

      Jesus acaba de orar com seus apóstolos fiéis. Então, ‘depois de cantarem louvores, saem para o monte das Oliveiras’. (Marcos 14:26) Eles vão para o leste, a um jardim chamado Getsêmani, onde Jesus costuma ir.

      Eles chegam a um lugar agradável entre as oliveiras. Jesus deixa oito apóstolos para trás, talvez perto da entrada do jardim, pois ele lhes diz: “Sentem-se aqui enquanto eu vou ali para orar.” Jesus leva consigo Pedro, Tiago e João, e entra no jardim. Ele fica muito aflito e diz aos três: “Estou profundamente triste, a ponto de morrer. Fiquem aqui e mantenham-se vigilantes comigo.” — Mateus 26:36-38.

      Afastando-se um pouco deles nesse momento de fortes emoções, Jesus ‘se prostra no chão e começa a orar’ a Deus: “Pai, todas as coisas são possíveis para ti; afasta de mim este cálice. Contudo, não o que eu quero, mas o que tu queres.” (Marcos 14:35, 36) O que ele quer dizer com isso? Será que está desistindo de ser o Resgatador? Claro que não.

      Do céu, Jesus viu o grande sofrimento dos que foram mortos pelos romanos. Agora que é humano, com sentimentos iguais aos nossos e capaz de sentir dor, Jesus se preocupa com o que o aguarda. Porém, mais importante do que isso, ele está aflito por perceber que sua morte como criminoso desprezível pode trazer vitupério sobre o nome de seu Pai. Em algumas horas, ele será pendurado numa estaca como se tivesse blasfemado contra Deus.

      Depois de uma longa oração, Jesus volta e encontra os três apóstolos dormindo. Ele diz a Pedro: “Vocês não conseguiram se manter vigilantes comigo nem mesmo por uma hora? Mantenham-se vigilantes e orem continuamente para que não caiam em tentação.” Jesus percebe que os apóstolos também estão sob estresse, e está tarde. Ele acrescenta: “Naturalmente, o espírito está disposto, mas a carne é fraca.” — Mateus 26:40, 41.

      Então Jesus sai pela segunda vez e pede a Deus que remova dele ‘o cálice’. Ao retornar, ele mais uma vez encontra os três apóstolos dormindo em vez de estarem orando para não entrar em tentação. Jesus fala com eles, mas os apóstolos ‘não sabem o que lhe responder’. (Marcos 14:40) Ele sai pela terceira vez e se ajoelha para orar.

      Jesus está profundamente preocupado com o vitupério que sua morte como criminoso trará ao nome de seu Pai. Mas Jeová está ouvindo as orações de seu Filho e em determinado momento envia um anjo para fortalecê-lo. Mesmo assim, Jesus não para de fazer súplicas a seu Pai e continua a ‘orar ainda mais intensamente’. O estresse é enorme. Que peso sobre os ombros de Jesus! Sua própria vida eterna e a de humanos fiéis estão em jogo. Tanto é que ‘seu suor se torna como gotas de sangue que caem no chão’. — Lucas 22:44.

      Quando Jesus volta até os apóstolos pela terceira vez, novamente os encontra dormindo. Ele diz: “Numa ocasião como esta, vocês estão dormindo e descansando! Vejam! Está se aproximando a hora de o Filho do Homem ser entregue às mãos de pecadores. Levantem-se, vamos embora. Vejam! Aquele que me trai está chegando.” — Mateus 26:45, 46.

      SEU SUOR É COMO GOTAS DE SANGUE

      O médico Lucas não explica como o suor de Jesus “se tornou como gotas de sangue”. (Lucas 22:44) Talvez ele estivesse usando linguagem simbólica, como se o suor fosse sangue escorrendo de um ferimento. Outra possibilidade é descrita pelo Dr. William Edwards, na revista The Journal of the American Medical Association: “Embora seja um fenômeno raro, suor com sangue (hematidrose . . . ) pode ocorrer em casos extremos de estresse . . . Ocorre uma hemorragia das glândulas que produzem suor, e a pele fica frágil e fina.”

      • Depois de sair da sala do andar de cima, para onde Jesus leva os apóstolos?

      • O que três apóstolos fazem enquanto Jesus ora?

      • Saber que o suor de Jesus se torna como gotas de sangue nos ensina o que sobre seu estado emocional?

  • Cristo é traído e preso
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus repreende Pedro por usar uma espada para cortar a orelha de Malco; os soldados estão prontos para prender Jesus

      CAPÍTULO 124

      Cristo é traído e preso

      MATEUS 26:47-56 MARCOS 14:43-52 LUCAS 22:47-53 JOÃO 18:2-12

      • JUDAS TRAI JESUS NO JARDIM

      • PEDRO CORTA A ORELHA DE UM HOMEM

      • JESUS É PRESO

      Já passa da meia-noite. Os sacerdotes concordam em pagar a Judas 30 moedas de prata para que ele traia Jesus. Assim, Judas conduz um grande grupo de principais sacerdotes e fariseus, tentando encontrar Jesus. Junto com eles há um destacamento de soldados romanos armados e um comandante militar.

      Pelo visto, depois de ser dispensado por Jesus da refeição pascoal, Judas foi direto aos principais sacerdotes. (João 13:27) Eles reuniram seus guardas e um grupo de soldados. Talvez Judas os tenha levado primeiro à sala do andar de cima onde Jesus e os apóstolos celebraram a Páscoa. Agora a turba atravessa o vale do Cédron em direção ao jardim. Além das armas, eles carregam lâmpadas e tochas, e estão decididos a encontrar Jesus.

      Judas tem certeza de que sabe onde encontrar Jesus ao conduzir a multidão pelo monte das Oliveiras. Jesus e os apóstolos viajaram várias vezes entre Betânia e Jerusalém. Nessas viagens, eles costumavam parar no jardim de Getsêmani. Agora é noite, e talvez Jesus esteja numa parte bem escura do jardim, entre as oliveiras. Como os soldados, que talvez nunca viram Jesus, vão conseguir identificá-lo? Para ajudá-los, Judas dará um sinal. Ele diz: “Aquele que eu beijar é ele; prendam-no e levem-no embora sob vigilância.” — Marcos 14:44.

      Conduzindo a multidão pelo jardim, Judas vê Jesus com os apóstolos e vai direto a ele. Judas diz: “Olá, Rabi!” Então o beija ternamente. Jesus pergunta: “Amigo, com que objetivo você está aqui?” (Mateus 26:49, 50) Respondendo à própria pergunta, Jesus diz: “Judas, você está traindo o Filho do Homem com um beijo?” (Lucas 22:48) E Jesus se volta para a multidão.

      Ele se aproxima das tochas e das lâmpadas, e pergunta: “Quem vocês estão procurando?” Da multidão vem a resposta: “Jesus, o Nazareno.” Jesus corajosamente diz: “Sou eu.” (João 18:4, 5) Surpresos, os homens caem no chão.

      Em vez de aproveitar a escuridão para fugir, Jesus mais uma vez pergunta quem estão procurando. Quando dizem novamente “Jesus, o Nazareno”, ele diz de modo calmo: “Eu lhes disse que sou eu. Então, se é a mim que vocês estão procurando, deixem estes homens ir.” Até nesse momento decisivo, Jesus se lembra do que disse antes, que não perderia nenhum dos seus discípulos. (João 6:39; 17:12) Ele protegeu seus apóstolos fiéis e nenhum deles foi perdido, “exceto o filho da destruição”, Judas. (João 18:7-9) Assim, agora ele pede que deixem seus fiéis seguidores ir embora.

      Quando os soldados se levantam e vão em direção a Jesus, os apóstolos entendem o que está acontecendo. Eles perguntam: “Senhor, devemos atacá-los com a espada?” (Lucas 22:49) Antes que Jesus possa responder, Pedro pega uma das duas espadas que trouxeram. Ele ataca Malco, um escravo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.

      Jesus toca na orelha de Malco, curando o ferimento. Então ensina uma importante lição a Pedro: “Devolva a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada morrerão pela espada.” Jesus está disposto a ser preso, pois explica: “Como se cumpririam as Escrituras que dizem que as coisas têm de acontecer deste modo?” (Mateus 26:52, 54) Ele acrescenta: “Por acaso não devo beber o cálice que o Pai me deu?” (João 18:11) Jesus aceita a vontade de Deus para ele, estando disposto até a morrer.

      Ele pergunta à multidão: “Vocês vieram me prender com espadas e bastões, como se eu fosse um bandido? Dia após dia eu ficava sentado no templo, ensinando; contudo, vocês não me prenderam. Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem os escritos dos profetas.” — Mateus 26:55, 56.

      Os soldados, o comandante militar e os guardas enviados pelos judeus agarram Jesus e o prendem. Quando veem isso, os apóstolos fogem. No entanto, “um jovem”, talvez o discípulo Marcos, fica entre a multidão para poder acompanhar Jesus. (Marcos 14:51) Quando esse jovem é reconhecido, a multidão tenta prendê-lo, e isso o leva a fugir deixando para trás sua roupa de linho.

      • Por que Judas procura Jesus no jardim de Getsêmani?

      • O que Pedro faz ao tentar proteger Jesus? Mas o que Jesus diz sobre isso?

      • Como Jesus mostra que aceita a vontade de Deus para ele?

      • Quando os apóstolos abandonam Jesus, quem continua ali? E o que acontece então?

  • Jesus é levado a Anás e depois a Caifás
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Caifás rasga suas roupas; outros batem no rosto de Jesus e zombam dele

      CAPÍTULO 125

      Jesus é levado a Anás e depois a Caifás

      MATEUS 26:57-68 MARCOS 14:53-65 LUCAS 22:54, 63-65 JOÃO 18:13, 14, 19-24

      • JESUS É LEVADO A ANÁS, O EX-SUMO SACERDOTE

      • O SINÉDRIO REALIZA UM JULGAMENTO ILEGAL

      Depois de ser amarrado como um criminoso comum, Jesus é levado a Anás. Quando Jesus era jovem e deixou os instrutores no templo impressionados, Anás era o sumo sacerdote. (Lucas 2:42, 47) Alguns filhos de Anás mais tarde serviram como sumo sacerdote, e agora seu genro Caifás ocupa essa posição.

      Enquanto Anás estava interrogando Jesus, Caifás tem tempo de reunir o Sinédrio. Essa corte é formada por 71 membros, incluindo o sumo sacerdote e ex-sumos sacerdotes.

      Anás pergunta a Jesus “sobre os seus discípulos e sobre os seus ensinamentos”. Jesus simplesmente diz: “Falei ao mundo publicamente. Sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem, e não disse nada em segredo. Por que o senhor me faz perguntas? Pergunte aos que ouviram o que eu lhes disse.” — João 18:19-21.

      Dando-lhe uma bofetada, um guarda que estava ali repreende Jesus: “É assim que você responde ao principal sacerdote?” Jesus sabe que não fez nada errado. Por isso, diz: “Se eu disse algo errado, diga o que foi que eu disse de errado; mas, se o que eu disse está certo, por que você me bate?” (João 18:22, 23) Então Anás o manda para Caifás, seu genro.

      A essa altura, todos os membros do Sinédrio — o atual sumo sacerdote, os anciãos do povo e os escribas — já estão reunidos na casa de Caifás. É ilegal realizar um julgamento como esse na noite da Páscoa, mas isso não os impede de ir em frente com sua trama perversa.

      Esse grupo está longe de ser imparcial. Depois que Jesus ressuscitou Lázaro, o Sinédrio decidiu que Jesus devia morrer. (João 11:47-53) E não faz muitos dias que as autoridades religiosas conspiraram para prender e matar Jesus. (Mateus 26:3, 4) Realmente, é como se Jesus já estivesse condenado à morte antes mesmo de começar o julgamento.

      Além de realizarem essa reunião ilegal, os principais sacerdotes e outros do Sinédrio tentam encontrar testemunhas a fim de reunir provas para apoiar suas acusações contra Jesus. Eles encontram muitas pessoas, mas o testemunho delas é contraditório. Por fim, duas se apresentam e afirmam: “Nós o ouvimos dizer: ‘Derrubarei este templo feito por mãos humanas e em três dias construirei outro, não feito por mãos humanas.’” (Marcos 14:58) No entanto, esses homens não concordam em tudo.

      Caifás pergunta a Jesus: “Você não diz nada em resposta? O que diz do testemunho destes homens contra você?” (Marcos 14:60) Jesus fica em silêncio diante da acusação falsa feita por testemunhas que se contradizem. Então o sumo sacerdote Caifás muda de tática.

      Caifás sabe que, para os judeus, é um assunto delicado afirmar ser o Filho de Deus. Antes, quando Jesus chamou a Deus de Pai, os judeus quiseram matá-lo, afirmando que Jesus estava “fazendo-se igual a Deus”. (João 5:17, 18; 10:31-39) Sabendo do que os judeus acham disso, Caifás astutamente exige de Jesus: “Pelo Deus vivente, eu ponho você sob juramento para que nos diga se você é o Cristo, o Filho de Deus!” (Mateus 26:63) Naturalmente, Jesus já admitiu que é o Filho de Deus. (João 3:18; 5:25; 11:4) Então, se ele não responder agora, isso pode ser interpretado como se ele estivesse negando que é o Filho de Deus e o Cristo. Por isso, ele diz: “Sou; e vocês verão o Filho do Homem sentado à direita de poder e vindo com as nuvens do céu.” — Marcos 14:62.

      Sendo dramático, Caifás rasga suas roupas e diz: “Ele blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Vejam! Agora vocês ouviram a blasfêmia. Qual é a opinião de vocês?” O Sinédrio decreta a sentença injusta: “Ele merece morrer.” — Mateus 26:65, 66.

      Então começam a zombar de Jesus e a esmurrá-lo. Outros lhe dão bofetadas e cospem em seu rosto. Depois de lhe cobrirem o rosto e baterem nele, dizem de modo sarcástico: “Profetize! Quem foi que bateu em você?” (Lucas 22:64) Assim, o Filho de Deus é maltratado num julgamento ilegal no meio da noite.

      • Para onde Jesus é levado primeiro, e o que acontece com ele ali?

      • Para onde Jesus é levado em seguida, e como Caifás consegue fazer o Sinédrio declarar que Jesus merece morrer?

      • Como Jesus é maltratado durante o julgamento?

  • Pedro nega Jesus na casa de Caifás
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • De uma sacada, Jesus vê Pedro, que acaba de negá-lo; um galo ao fundo

      CAPÍTULO 126

      Pedro nega Jesus na casa de Caifás

      MATEUS 26:69-75 MARCOS 14:66-72 LUCAS 22:54-62 JOÃO 18:15-18, 25-27

      • PEDRO NEGA JESUS

      Depois de Jesus ser preso no jardim de Getsêmani, os apóstolos o abandonam e fogem amedrontados. No entanto, dois deles param de correr. Eles são Pedro “bem como um outro discípulo”, pelo visto o apóstolo João. (João 18:15; 19:35; 21:24) Talvez tenham alcançado Jesus quando ele estava sendo levado até Anás. Quando Anás envia Jesus para o sumo sacerdote Caifás, Pedro e João o seguem de longe. Provavelmente estão divididos entre o medo de morrer e a preocupação com o que acontecerá com seu Senhor.

      João é conhecido do sumo sacerdote, por isso o deixam entrar no pátio da casa de Caifás. Pedro fica junto à porta, do lado de fora, até João voltar e falar com a serva que toma conta da porta. Então Pedro é autorizado a entrar.

      A noite é fria, e os que estão no pátio acenderam um braseiro. Pedro se senta com eles para se aquecer enquanto espera ‘para ver o que vai acontecer’ com Jesus. (Mateus 26:58) A serva que deixou Pedro entrar consegue vê-lo melhor com a luz do fogo. Ela pergunta: “Você também não é um dos discípulos desse homem?” (João 18:17) E ela não é a única a reconhecer Pedro e acusá-lo de ter estado com Jesus. — Mateus 26:69, 71-73; Marcos 14:70.

      Isso deixa Pedro muito aborrecido. Como ele está tentando passar despercebido, até mesmo se retira para a entrada do pátio. Então Pedro nega que estava com Jesus, chegando a dizer: “Não o conheço nem sei do que você está falando.” (Marcos 14:67, 68) Ele também começa “a amaldiçoar a si mesmo e a jurar”, o que indica que está disposto a jurar que está dizendo a verdade e a enfrentar calamidades caso não esteja fazendo isso. — Mateus 26:74.

      Enquanto isso, o julgamento de Jesus está em andamento, talvez numa parte da casa de Caifás acima do pátio. É possível que Pedro e os outros que estão esperando embaixo vejam a movimentação de várias pessoas que são trazidas para testemunhar.

      Pedro é galileu, e seu sotaque indica que ele mentiu ao negar Jesus. Além disso, uma pessoa do grupo é parente de Malco, cuja orelha Pedro cortou. Por isso, acusam Pedro: “Não vi você no jardim com ele?” Quando Pedro nega isso pela terceira vez, um galo canta, como profetizado. — João 13:38; 18:26, 27.

      Nessa hora, parece que Jesus está numa sacada acima do pátio. Ele se vira e olha diretamente para Pedro. Isso deve atingir Pedro como uma facada. Ele se lembra do que Jesus disse horas antes na sala do andar de cima. Imagine como Pedro se sente ao se dar conta do que fez. Ele sai e chora amargamente. — Lucas 22:61, 62.

      Como isso pôde acontecer? Como é que Pedro, que tinha certeza de sua lealdade e forte espiritualidade, pôde negar seu Senhor? A verdade está sendo distorcida, e Jesus está sendo retratado como um criminoso desprezível. Quando Pedro teve a oportunidade de defender um homem inocente, ele virou as costas para Aquele que tem “declarações de vida eterna”. — João 6:68.

      Esse episódio triste na vida de Pedro mostra que até mesmo uma pessoa de fé e devoção pode perder o equilíbrio se não estiver preparada para provações e tentações inesperadas. Que esse exemplo sirva de aviso para os servos de Deus!

      • Como Pedro e João conseguem entrar no pátio da casa de Caifás?

      • Enquanto Pedro e João estão no pátio, o que acontece na casa?

      • O que indica o fato de Pedro amaldiçoar a si mesmo e jurar?

      • Que importante lição aprendemos do que aconteceu com Pedro?

  • Julgado pelo Sinédrio e então levado a Pilatos
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus fica diante de Pôncio Pilatos

      CAPÍTULO 127

      Julgado pelo Sinédrio e então levado a Pilatos

      MATEUS 27:1-11 MARCOS 15:1 LUCAS 22:66–23:3 JOÃO 18:28-35

      • O SINÉDRIO SE REÚNE DE MANHÃ PARA JULGAR JESUS

      • JUDAS ISCARIOTES TENTA SE ENFORCAR

      • JESUS É ENVIADO A PILATOS PARA SER CONDENADO

      A noite está chegando ao fim quando Pedro nega Jesus pela terceira vez. Os membros do Sinédrio terminaram seu suposto julgamento e foram embora. Mas na manhã de sexta-feira se reúnem de novo, provavelmente para dar certa aparência de legalidade ao julgamento feito à noite. Jesus é levado à presença deles.

      De novo a corte exige: “Se você é o Cristo, diga-nos.” Jesus responde: “Mesmo que eu lhes dissesse, vocês de modo algum acreditariam. Além disso, se eu lhes fizesse perguntas, vocês não me responderiam.” Mas Jesus corajosamente indica que a profecia de Daniel 7:13 fala sobre ele: “De agora em diante o Filho do Homem estará sentado à direita poderosa de Deus.” — Lucas 22:67-69; Mateus 26:63.

      Eles insistem: “Então, você é o Filho de Deus?” Jesus responde: “Vocês mesmos dizem que eu sou.” Isso parece ser uma justificativa para matar Jesus sob a acusação de blasfêmia. Eles perguntam: “Por que precisamos de mais testemunho?” (Lucas 22:70, 71; Marcos 14:64) Então amarram Jesus e o levam ao governador romano Pôncio Pilatos.

      Talvez Judas Iscariotes veja Jesus sendo levado a Pilatos. Quando Judas percebe que Jesus foi condenado, sente remorso e fica desesperado. Mas, em vez de buscar a Deus com verdadeiro arrependimento, vai devolver as 30 moedas de prata. Judas diz aos principais sacerdotes: “Pequei quando traí sangue inocente.” Mas esta é a resposta fria que recebe: “O que nós temos a ver com isso? Isso é com você!” — Mateus 27:4.

      Judas joga as 30 moedas no templo e aumenta seus pecados por tentar se matar. Parece que, quando Judas tenta se enforcar, o galho onde ele amarra a corda quebra. Seu corpo cai nas rochas abaixo e se arrebenta. — Atos 1:17, 18.

      De manhã cedo Jesus é levado ao palácio de Pôncio Pilatos. Mas os judeus que levam Jesus se recusam a entrar. Eles acham que ter esse contato com gentios os deixará impuros, impedindo-os de tomar a refeição em 15 de nisã, primeiro dia da Festividade dos Pães sem Fermento, considerada parte da época da Páscoa.

      Pilatos sai e pergunta: “Que acusação vocês levantam contra esse homem?” Eles respondem: “Se esse homem não fosse um criminoso, não o teríamos entregado ao senhor.” Talvez Pilatos ache que eles o estão pressionando, por isso diz: “Levem-no vocês mesmos e julguem-no segundo a sua lei.” A resposta dos judeus mostra que eles querem que Jesus seja morto: “Não nos é permitido matar ninguém.” — João 18:29-31.

      Se matarem Jesus durante a festividade da Páscoa, isso pode causar um alvoroço entre as pessoas. Mas, se conseguirem que os romanos o executem por um crime contra o governo, algo que os romanos têm autoridade para fazer, isso como que isentaria esses judeus de responsabilidade perante o povo.

      Os líderes religiosos não dizem a Pilatos que condenaram Jesus por blasfêmia, mas inventam outras acusações: “Encontramos este homem [1] subvertendo a nossa nação, [2] proibindo o pagamento de impostos a César e [3] dizendo que ele mesmo é Cristo, um rei.” — Lucas 23:2.

      Por representar Roma, Pilatos tem motivo para se preocupar com a acusação de que Jesus afirma ser rei. Por isso, entra de novo no palácio, chama Jesus e pergunta: “Você é o Rei dos judeus?” Em outras palavras: ‘Você violou a lei do império por dizer que é rei em oposição a César?’ Talvez para saber o que Pilatos ouviu sobre ele, Jesus diz: “O senhor está perguntando porque acha isso, ou outros lhe contaram a meu respeito?” — João 18:33, 34.

      Alegando não saber nada sobre Jesus, mas com vontade de saber, Pilatos diz: “Por acaso eu sou judeu?” E acrescenta: “A sua própria nação e os principais sacerdotes o entregaram a mim. O que você fez?” — João 18:35.

      Jesus não tenta evitar a questão principal, o fato de ele ser rei. Sua resposta sem dúvida deixa o governador Pilatos impressionado.

      O CAMPO DE SANGUE

      Judas joga as 30 moedas de prata no templo

      Os principais sacerdotes não sabem o que fazer com as moedas que Judas jogou no templo. Eles dizem: “Não é permitido colocá-las no tesouro sagrado, porque são o preço de sangue.” Então usam o dinheiro para comprar o campo do oleiro para enterrar pessoas desconhecidas. Esse campo passa a ser chamado de “Campo de Sangue”. — Mateus 27:6-8.

      • Por que o Sinédrio se reúne de novo de manhã?

      • Como Judas morre, e o que acontece com as 30 moedas de prata?

      • Com base em que acusações os judeus querem que Pilatos condene Jesus à morte?

  • Inocentado por Pilatos e por Herodes
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Herodes e seus soldados zombam de Jesus

      CAPÍTULO 128

      Inocentado por Pilatos e por Herodes

      MATEUS 27:12-14, 18, 19 MARCOS 15:2-5 LUCAS 23:4-16 JOÃO 18:36-38

      • JESUS É INTERROGADO POR PILATOS E POR HERODES

      Jesus realmente é rei e não tenta esconder isso de Pilatos. Mas o seu Reino não é uma ameaça para Roma. Jesus diz: “Meu Reino não faz parte deste mundo. Se meu Reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o fato é que o meu Reino não é daqui.” (João 18:36) Jesus tem um Reino que não é deste mundo.

      No entanto, para Pilatos o assunto não está encerrado. Ele pergunta: “Pois bem, você é rei?” Jesus indica que Pilatos chegou à conclusão certa: “O senhor mesmo está dizendo que eu sou rei. Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que está do lado da verdade escuta a minha voz.” — João 18:37.

      Anteriormente, Jesus disse a Tomé: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Agora até Pilatos fica sabendo que o objetivo de Jesus ter vindo à Terra é dar testemunho da “verdade”, especificamente a verdade sobre seu Reino. Jesus está decidido a ser fiel mesmo que isso custe sua vida. Pilatos pergunta: “O que é verdade?” Mas ele não espera nenhuma explicação adicional. Para ele, o que ouviu já é suficiente para julgar esse homem. — João 14:6; 18:38.

      Pilatos volta para a multidão que está esperando do lado de fora do palácio. Parece que Jesus está ao seu lado quando ele diz aos principais sacerdotes e aos que os acompanham: “Não acho motivo para condenar este homem.” Furiosos com essa decisão, a multidão insiste: “Ele atiça o povo ensinando em toda a Judeia, começando da Galileia até aqui.” — Lucas 23:4, 5.

      O fanatismo cego dos judeus deve deixar Pilatos impressionado. Enquanto os principais sacerdotes e os anciãos gritam, Pilatos pergunta a Jesus: “Não está ouvindo quantas coisas testemunham contra você?” (Mateus 27:13) Ele não responde. Sua tranquilidade diante dessas acusações absurdas surpreende Pilatos.

      Os judeus disseram que Jesus ‘começou na Galileia’. Por meio dessa informação, Pilatos descobre que Jesus, na verdade, é galileu. Com isso, Pilatos tem uma ideia de como escapar da responsabilidade de julgar Jesus. Herodes Antipas (filho de Herodes, o Grande) é o governador da Galileia e está em Jerusalém para a Páscoa. Por isso, Pilatos envia Jesus a Herodes. Foi Herodes Antipas que mandou decapitar João Batista. Mais tarde, ao saber dos milagres de Jesus, Herodes ficou preocupado, se perguntando se Jesus era João levantado dentre os mortos. — Lucas 9:7-9.

      Herodes fica contente com a perspectiva de ver Jesus. Mas não é porque quer ajudar Jesus ou deseja realmente saber se as acusações contra ele são válidas. Herodes está apenas curioso e ‘espera ver algum sinal realizado por ele’. (Lucas 23:8) Mas Jesus não satisfaz a curiosidade de Herodes. Na verdade, Jesus não diz nenhuma palavra enquanto é interrogado por ele. Desapontado, Herodes e seus soldados tratam Jesus “com desprezo”. (Lucas 23:11) Eles o vestem com uma roupa esplêndida e zombam dele. Então Herodes envia Jesus de volta para Pilatos. Herodes e Pilatos são inimigos, mas agora se tornam bons amigos.

      Quando Jesus retorna, Pilatos reúne os principais sacerdotes, os líderes judeus e o povo, e diz: “Eu o interroguei na frente de vocês, mas não achei neste homem base para as acusações que vocês levantam contra ele. De fato, nem Herodes achou, pois o mandou de volta para nós. Como podem ver, ele não fez nada que mereça a morte. Portanto, eu o castigarei e o soltarei.” — Lucas 23:14-16.

      Pilatos está ansioso para libertar Jesus, pois percebe que os sacerdotes o entregaram por inveja. Enquanto Pilatos tenta libertá-lo, surge mais um motivo para ele fazer isso. Quando está no tribunal, Pilatos recebe uma mensagem de sua esposa: “Não tenha nada a ver com esse homem justo, pois hoje eu sofri muito, num sonho [pelo visto de origem divina], por causa dele.” — Mateus 27:19.

      Pilatos devia libertar esse homem inocente. Será que ele vai conseguir fazer isso?

      • Como Jesus explica a “verdade” sobre ele ser rei?

      • A que conclusão Pilatos chega com respeito a Jesus? Qual é a reação do povo, e o que Pilatos faz?

      • Por que Herodes Antipas fica contente de ver Jesus, e o que ele faz com Jesus?

      • Por que Pilatos quer libertar Jesus?

  • Pilatos declara: “Eis o homem!”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus, usando uma coroa de espinhos e vestido de púrpura, é levado para fora por Pilatos

      CAPÍTULO 129

      Pilatos declara: “Eis o homem!”

      MATEUS 27:15-17, 20-30 MARCOS 15:6-19 LUCAS 23:18-25 JOÃO 18:39–19:5

      • PILATOS TENTA LIBERTAR JESUS

      • OS JUDEUS PEDEM QUE BARRABÁS SEJA SOLTO

      • ZOMBAM DE JESUS E O MALTRATAM

      A multidão quer ver Jesus morto. Pilatos disse a eles: “Eu . . . não achei neste homem base para as acusações que vocês levantam contra ele. De fato, nem Herodes achou.” (Lucas 23:14, 15) Agora, tentando salvar Jesus, Pilatos usa outra abordagem, dizendo ao povo: “Vocês têm o costume de que eu liberte um homem por ocasião da Páscoa. Portanto, querem que eu solte o Rei dos judeus?” — João 18:39.

      Pilatos sabe de um prisioneiro chamado Barrabás, que é conhecido por roubo, sedição e assassinato. Por isso, Pilatos pergunta: “Qual deles vocês querem que eu solte: Barrabás ou Jesus, o chamado Cristo?” Por terem sido incitados pelos principais sacerdotes, o povo pede que Barrabás seja libertado, não Jesus. Pilatos pergunta novamente: “Qual dos dois vocês querem que eu solte?” A multidão grita: “Barrabás!” — Mateus 27:17, 21.

      Desapontado, Pilatos pergunta: “O que, então, devo fazer com Jesus, o chamado Cristo?” O povo grita: “Para a estaca com ele!” (Mateus 27:22) Para a vergonha do povo, eles exigem a morte de um inocente. Pilatos faz um apelo: “Por quê? O que este homem fez de mau? Não achei nele nada que mereça a morte. Portanto, eu o castigarei e o soltarei.” — Lucas 23:22.

      Apesar dos repetidos esforços de Pilatos, a multidão enfurecida grita numa só voz: “Para a estaca com ele!” (Mateus 27:23) Os líderes religiosos incitaram a multidão a ponto de eles quererem sangue. E não é o sangue de um criminoso, um assassino, mas de um homem inocente que cinco dias antes foi recebido em Jerusalém como rei. Caso os discípulos de Jesus estejam ali, ficam calados e não se manifestam.

      Pilatos vê que seus apelos não estão adiantando nada e que o alvoroço está aumentando. Por isso, pega um pouco de água e lava as mãos diante da multidão. Ele diz: “Eu sou inocente do sangue deste homem. Isso é com vocês.” Nem assim a multidão volta atrás. Em vez disso, dizem: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos.” — Mateus 27:24, 25.

      Mais para satisfazer a multidão do que para fazer o que sabe ser certo, Pilatos cumpre a exigência deles: liberta Barrabás. Manda tirar as roupas de Jesus e ordena que ele seja açoitado.

      Depois desse espancamento cruel, os soldados levam Jesus ao palácio do governador. O grupo de soldados maltrata ainda mais Jesus. Eles fazem uma coroa de espinhos e a afundam na sua cabeça. Também colocam uma cana na mão direita de Jesus e um manto escarlate sobre ele, como o usado pela realeza. Zombando de Jesus, dizem: “Salve, Rei dos judeus!” (Mateus 27:28, 29) Além disso, cospem em Jesus e ficam batendo em seu rosto. Pegam a cana que estava com ele e batem na sua cabeça, afundando ainda mais na sua pele os espinhos da sua humilhante “coroa”.

      A notável dignidade e força de Jesus diante de tudo isso impressionam tanto a Pilatos que ele tenta mais uma vez se isentar dessa responsabilidade: “Escutem! Vou trazê-lo para fora a vocês, para que saibam que não vejo motivo para acusá-lo.” Será que Pilatos pensa que as multidões mudariam de ideia ao ver Jesus machucado e ensanguentado? Quando Jesus fica de pé diante da turba insensível, Pilatos diz: “Eis o homem!” — João 19:4, 5.

      Embora espancado e machucado, de modo silencioso e calmo Jesus mantém a dignidade. Pilatos talvez reconheça isso, pois suas palavras parecem ser um misto de pena e respeito.

      AÇOITAMENTO

      Um chicote para bater

      Na revista The Journal of the American Medical Association, o Dr. William Edwards descreve como os romanos açoitavam as pessoas.

      Ele diz: “O instrumento normalmente usado era um chicote curto (flagrum ou flagellum) com várias tiras de couro, simples ou trançadas, de diversos comprimentos, nas quais pequenas bolas de ferro ou afiadas lascas de ossos de ovelha eram amarradas em intervalos. . . . À medida que os soldados romanos batiam nas costas da vítima com toda a força, as bolas de ferro causavam profundos hematomas, e as tiras e os ossos de ovelha cortavam os tecidos cutâneos e subcutâneos. Assim, ao passo que o açoitamento prosseguia, os ferimentos dilaceravam os músculos mais próximos do esqueleto e produziam tiras de carne viva que ficavam tremendo.”

      • Como Pilatos tenta libertar Jesus e assim se isentar da responsabilidade?

      • Como é um açoitamento?

      • Depois de ser açoitado, que outros maus-tratos Jesus sofre?

  • Jesus é entregue para ser morto
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus tem dificuldade para carregar a estaca, e um soldado manda Simão de Cirene carregar a estaca para Jesus

      CAPÍTULO 130

      Jesus é entregue para ser morto

      MATEUS 27:31, 32 MARCOS 15:20, 21 LUCAS 23:24-31 JOÃO 19:6-17

      • PILATOS TENTA LIBERTAR JESUS

      • JESUS É CONDENADO E LEVADO PARA SER MORTO

      Apesar de Jesus ter sido cruelmente maltratado e ridicularizado, os esforços de Pilatos de libertá-lo não têm efeito nos principais sacerdotes e seus cúmplices. Eles não querem que nada os impeça de matar Jesus. Continuam gritando: “Para a estaca com ele! Para a estaca com ele!” Pilatos responde: “Levem-no vocês mesmos e executem-no, pois eu não vejo nenhum motivo para acusá-lo.” — João 19:6.

      Os judeus não convencem Pilatos de que Jesus cometeu um crime contra o governo que mereça a morte. Mas que dizer de um crime religioso? Eles recorrem à acusação de blasfêmia, feita contra Jesus no julgamento diante do Sinédrio. Dizem: “Nós temos uma lei, e é segundo a lei que ele deve morrer, porque se fez filho de Deus.” (João 19:7) Para Pilatos, essa acusação é nova.

      Ele volta para seu palácio e tenta encontrar uma maneira de libertar esse homem que já suportou terríveis maus-tratos e sobre o qual a própria esposa de Pilatos teve um sonho. (Mateus 27:19) Que tipo de acusação é essa que os judeus estão fazendo, de que o prisioneiro é “filho de Deus”? Pilatos sabe que Jesus é da Galileia. (Lucas 23:5-7) Mesmo assim, pergunta a Jesus: “De onde você é?” (João 19:9) Pode ser que Pilatos esteja se perguntando se Jesus viveu antes e, de alguma forma, é de origem divina.

      Pilatos ouviu Jesus dizer que é rei de um Reino que não faz parte deste mundo. Como não precisa acrescentar mais nada, Jesus fica em silêncio. Isso fere o orgulho de Pilatos. Inconformado, ele pergunta a Jesus: “Você está se recusando a falar comigo? Não sabe que tenho autoridade para libertá-lo e que tenho autoridade para executá-lo?” — João 19:10.

      Jesus simplesmente diz: “O senhor não teria absolutamente nenhuma autoridade sobre mim se não lhe tivesse sido concedida de cima. É por isso que o homem que me entregou ao senhor tem maior pecado.” (João 19:11) É provável que Jesus não esteja se referindo a uma pessoa específica. Em vez disso, ele quer dizer que Caifás, seus cúmplices e Judas Iscariotes têm uma responsabilidade maior do que Pilatos.

      Impressionado com as palavras e o comportamento de Jesus, e cada vez mais receoso de que ele seja de origem divina, Pilatos novamente tenta libertá-lo. No entanto, os judeus mencionam mais uma coisa que talvez preocupe Pilatos. Eles ameaçam: “Se o senhor libertar esse homem, não é amigo de César. Todo aquele que se faz rei fala contra César.” — João 19:12.

      De novo, o governador leva Jesus para fora e, sentando-se no tribunal, diz ao povo: “Eis o seu rei!” Mas os judeus não desistem. Gritam: “Mate-o! Mate-o! Para a estaca com ele!” Pilatos faz um apelo: “Devo executar o seu rei?” Há muito tempo que os judeus estão revoltados com o governo romano. Apesar disso, os principais sacerdotes afirmam: “Não temos rei senão César.” — João 19:14, 15.

      Sem coragem de contrariar as persistentes exigências da multidão, Pilatos cede e entrega Jesus para a execução. Os soldados tiram de Jesus o manto escarlate e colocam de volta nele as suas roupas. Ele é levado embora e obrigado a carregar sua estaca de tortura.

      Já é quase meio-dia de sexta-feira, 14 de nisã. Jesus está acordado desde quinta-feira bem cedo e sofreu dolorosos maus-tratos. Ele luta para aguentar o peso da estaca, mas suas forças se esgotam. Por isso, os soldados fazem com que um homem que passa por ali, chamado Simão, de Cirene, na África, carregue a estaca até o local de execução. Muitas pessoas seguem Jesus, algumas batem no peito de pesar e lamentam o que está acontecendo.

      Jesus diz às mulheres que estão chorando: “Filhas de Jerusalém, parem de chorar por mim. Em vez disso, chorem por vocês mesmas e pelos seus filhos; pois saibam que virão dias em que as pessoas dirão: ‘Felizes as mulheres estéreis, os ventres que não deram à luz e os peitos que não amamentaram!’ Então começarão a dizer às montanhas: ‘Caiam sobre nós!’ e às colinas: ‘Cubram-nos!’ Se eles fazem isso quando a árvore está verde, o que ocorrerá quando estiver seca?” — Lucas 23:28-31.

      Jesus está se referindo à nação judaica. Ela é como uma árvore que está morrendo, mas que ainda está “verde”, ou tem alguma seiva, pois Jesus ainda está presente e alguns judeus depositam fé nele. Quando esses forem tirados da nação, só sobrará uma nação espiritualmente seca, como uma árvore morta. Haverá muito lamento quando os exércitos romanos forem usados por Deus para executar essa nação.

      • Que acusação os líderes religiosos fazem contra Jesus?

      • Por que Pilatos fica receoso?

      • Como os principais sacerdotes convencem Pilatos a executar Jesus?

      • O que Jesus quer dizer ao falar de uma árvore que está “verde” e depois “seca”?

  • Um rei inocente sofre na estaca
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus promete ao criminoso ao lado dele: “Você estará comigo no Paraíso”

      CAPÍTULO 131

      Um rei inocente sofre na estaca

      MATEUS 27:33-44 MARCOS 15:22-32 LUCAS 23:32-43 JOÃO 19:17-24

      • JESUS É PREGADO NUMA ESTACA DE TORTURA

      • INSCRIÇÃO NA ESTACA CAUSA ZOMBARIA

      • JESUS DÁ ESPERANÇA DE VIDA NO PARAÍSO NA TERRA

      Jesus e os dois ladrões são levados a um lugar perto da cidade onde serão executados. O lugar se chama Gólgota, ou Lugar da Caveira, e é visível a “certa distância”. — Marcos 15:40.

      As roupas dos três condenados são tiradas. Então oferecem a eles vinho misturado com mirra e fel. Parece que essa mistura, um tipo de droga para aliviar a dor, é preparada por mulheres de Jerusalém. Os romanos não proíbem que essa bebida seja dada aos prisioneiros que estão para ser executados. Mas, depois de prová-la, Jesus se recusa a beber. Por quê? Ele quer ter total controle dos seus sentidos durante esse grande teste; quer estar consciente e ser fiel até a morte.

      Jesus é deitado sobre a estaca. (Marcos 15:25) Os soldados cravam pregos nas mãos e nos pés dele, perfurando a pele e os ligamentos, causando dor intensa. Quando a estaca é levantada, a dor causada pelo peso do seu corpo rasgando as feridas é insuportável. Mesmo assim, Jesus não repreende os soldados. Ele ora: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo.” — Lucas 23:34.

      Os romanos costumam colocar uma inscrição com o crime cometido pelo condenado. A fim de que todos possam ler, Pilatos manda escrever em hebraico, latim e grego: “Jesus, o Nazareno, Rei dos judeus”. Essa ação de Pilatos mostra seu desprezo pelos judeus que insistiram que Jesus fosse morto. Irritados, os principais sacerdotes reclamam: “Não escreva: ‘O Rei dos judeus’, mas sim que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos judeus.’” Mas Pilatos não quer ser usado por eles novamente, por isso diz: “O que escrevi, escrevi.” — João 19:19-22.

      Furiosos, os sacerdotes repetem o falso testemunho que deram nos julgamentos diante do Sinédrio. Como era de esperar, os que passam por ali balançam a cabeça em sinal de zombaria e insultam a Jesus, dizendo: “Ah! você que ia derrubar o templo e construí-lo em três dias, salve a si mesmo, descendo da estaca.” Também, os principais sacerdotes e os escribas dizem uns aos outros: “Que o Cristo, o Rei de Israel, desça agora da estaca, para que vejamos e possamos crer.” (Marcos 15:29-32) Até os ladrões à esquerda e à direita de Jesus o censuram, embora ele seja o único realmente inocente.

      Quatro soldados romanos também zombam de Jesus. Talvez eles estejam bebendo vinho acre e, para se divertir às custas de Jesus, pode ser que coloquem um pouco da bebida diante dele, que obviamente não pode alcançá-la. Referindo-se à inscrição acima da cabeça de Jesus, os romanos dizem de forma provocativa: “Se você é o Rei dos judeus, salve a si mesmo.” (Lucas 23:36, 37) Imagine só! O homem que provou ser o caminho, a verdade e a vida agora está sofrendo maus-tratos e zombaria, tudo sem merecer. Mas, com forte determinação, ele enfrenta tudo isso sem censurar os judeus que estão presentes, os soldados que estão zombando dele e os dois criminosos que estão pendurados em estacas ao seu lado.

      Soldados jogam sortes pela roupa de Jesus

      Quatro soldados pegam as roupas de Jesus e as dividem em quatro partes, lançando sortes para ver quem fica com cada parte. Mas a túnica de Jesus é de boa qualidade, ‘não tem costura, pois é tecida de alto a baixo’. Os soldados dizem: “Não vamos rasgá-la, mas vamos lançar sortes para decidir de quem será.” Assim, cumprem a passagem das Escrituras que diz: “Repartiram entre si as minhas roupas e lançaram sortes sobre a minha vestimenta.” — João 19:23, 24; Salmo 22:18.

      Com o tempo, um dos criminosos percebe que Jesus deve mesmo ser um rei. Ele repreende o outro: “Você não tem nenhum temor de Deus, agora que recebeu o mesmo julgamento? E no nosso caso isso é justo, pois estamos recebendo o que merecemos pelas coisas que fizemos. Mas este homem não fez nada errado.” Então suplica a Jesus: “Lembre-se de mim quando entrar no seu Reino.” — Lucas 23:40-42.

      Jesus responde: “Em verdade, eu lhe digo hoje: Você estará comigo”, não no Reino, mas “no Paraíso”. (Lucas 23:43) Essa promessa é diferente da que Jesus fez a seus apóstolos, de que eles reinariam junto com ele no Reino. (Mateus 19:28; Lucas 22:29, 30) Mas talvez esse criminoso judeu tenha ouvido falar do Paraíso terrestre que Jeová deu para Adão e Eva e seus descendentes morarem. Agora, prestes a morrer, o ladrão tem essa esperança diante de si.

      • Por que Jesus se recusa a beber o vinho que lhe é oferecido?

      • Que inscrição é colocada na estaca de Jesus? E como os judeus reagem a isso?

      • Como o que é feito com as roupas de Jesus cumpre uma profecia?

      • Que esperança Jesus apresenta a um dos criminosos?

  • “Certamente este homem era o Filho de Deus”
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Depois de Jesus morrer na estaca ao lado de dois criminosos, um oficial do exército diz: “Certamente este homem era o Filho de Deus”

      CAPÍTULO 132

      “Certamente este homem era o Filho de Deus”

      MATEUS 27:45-56 MARCOS 15:33-41 LUCAS 23:44-49 JOÃO 19:25-30

      • JESUS MORRE NA ESTACA

      • OCORREM COISAS EXTRAORDINÁRIAS NA MORTE DE JESUS

      Agora é “a sexta hora”, ou meio-dia. Uma estranha escuridão cai “sobre toda aquela terra, até a nona hora”, ou as três horas da tarde. (Marcos 15:33) Essa misteriosa escuridão não é causada por um eclipse solar. Esses eclipses ocorrem na lua nova, mas estamos na lua cheia, visto que é a época da Páscoa. E essa escuridão dura bem mais do que os minutos de um eclipse. Sem dúvida, ela é causada por Deus.

      Imagine o efeito que isso deve ter nos que estão zombando de Jesus. Durante a escuridão, quatro mulheres se aproximam da estaca de tortura. Elas são a mãe de Jesus e também Salomé, Maria Madalena e Maria, mãe do apóstolo Tiago, o Menor.

      O apóstolo João está com a mãe de Jesus “junto à estaca”. Maria está triste, pois vê a agonia do filho que ela deu à luz e criou. Para ela, é como se “uma longa espada” a atravessasse. (João 19:25; Lucas 2:35) Mas apesar de sentir uma dor imensa, Jesus se preocupa com o bem-estar dela. Com esforço, ele acena com a cabeça para João e diz à sua mãe: “Este é o seu filho!” E, acenando para Maria, diz a João: “Esta é a sua mãe!” — João 19:26, 27.

      Jesus deixa sua mãe, que pelo visto é viúva, aos cuidados do apóstolo a quem ele ama especialmente. Jesus sabe que seus meios-irmãos, os outros filhos de Maria, ainda não têm fé nele. Assim, providencia que alguém cuide dela não só em sentido físico, mas também em sentido espiritual. Que excelente exemplo!

      Quando a escuridão termina, Jesus diz: “Estou com sede.” Com isso, ele cumpre as Escrituras. (João 19:28; Salmo 22:15) Ele sente que seu Pai como que tirou sua proteção, de modo que a integridade de seu Filho possa ser testada até o limite. Cristo clama, talvez num dialeto galileu do aramaico: “Eli, Eli, lama sabactâni?”, que significa “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” Alguns não entendem muito bem o que ele diz e exclamam: “Vejam! Ele está chamando Elias.” Um deles corre, molha uma esponja em vinho acre, coloca-a na ponta de uma cana e dá para ele beber. Mas outros dizem: “Deixem-no! Vamos ver se Elias vem tirá-lo dali.” — Marcos 15:34-36.

      Então Jesus clama: “Está consumado!” (João 19:30) Sim, ele conseguiu realizar tudo o que seu Pai o enviou para fazer na Terra. Por fim, Jesus diz: “Pai, às tuas mãos confio o meu espírito.” (Lucas 23:46) Assim, Jesus confia a Jeová sua força de vida, certo de que Deus a dará a ele novamente. Com total confiança em Deus, Cristo inclina a cabeça e morre.

      Naquele momento, acontece um violento terremoto, que parte as rochas. É tão forte que os túmulos nos arredores de Jerusalém se abrem e os corpos são jogados para fora. Pessoas que veem os cadáveres expostos entram na “cidade santa” e relatam o que acabam de presenciar. — Mateus 12:11; 27:51-53.

      Quando Jesus morre, a longa e pesada cortina que separa o Santo do Santíssimo no templo de Deus se rasga em duas, de alto a baixo. Esse evento espantoso é uma demonstração da ira de Deus contra os que mataram seu Filho e significa que agora é possível entrar no Santíssimo, ou no próprio céu. — Hebreus 9:2, 3; 10:19, 20.

      É compreensível que as pessoas fiquem apavoradas. O oficial do exército responsável pela execução declara: “Certamente este homem era o Filho de Deus.” (Marcos 15:39) Talvez ele tenha estado no julgamento de Jesus perante Pilatos, quando foi questionado se Jesus era filho de Deus. Agora ele está convencido de que Jesus é justo e que é mesmo o Filho de Deus.

      Outros, impressionados com esses acontecimentos extraordinários, voltam para casa “batendo no peito”, demonstrando seu grande pesar e vergonha. (Lucas 23:48) Alguns observam à distância, como as mulheres que seguiam Jesus e às vezes o acompanhavam em suas viagens. Elas também estão muito abaladas com todos esses acontecimentos marcantes.

      “PARA A ESTACA”

      Os inimigos de Jesus gritam: “Para a estaca com ele!” (João 19:15) A palavra grega para “estaca” usada nos Evangelhos é staurós. O livro History of the Cross (História da Cruz) diz: “Staurós significa ‘um poste reto’ e nada mais é do que uma estaca forte, como as que os lavradores fincam na terra para fazer uma cerca ou uma paliçada.”

      • Por que as três horas de escuridão não podem ter sido causadas por um eclipse solar?

      • Que excelente exemplo Jesus dá quanto a cuidar de pais idosos?

      • Que estragos são causados pelo terremoto? E o que significa a cortina do templo ser rasgada em duas?

      • Que efeito a morte de Jesus e os acontecimentos relacionados com ela têm sobre as pessoas presentes?

  • O corpo de Jesus é preparado e sepultado
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Corpo de Jesus sendo preparado para ser sepultado

      CAPÍTULO 133

      O corpo de Jesus é preparado e sepultado

      MATEUS 27:57–28:2 MARCOS 15:42–16:4 LUCAS 23:50–24:3 JOÃO 19:31–20:1

      • O CORPO DE JESUS É TIRADO DA ESTACA

      • O CORPO É PREPARADO PARA O SEPULTAMENTO

      • MULHERES ENCONTRAM O TÚMULO VAZIO

      É fim de tarde, sexta-feira, 14 de nisã. O sábado 15 de nisã começará com o pôr do sol. Jesus já morreu, mas os dois ladrões ainda estão vivos. Segundo a Lei, um corpo “não deve ficar a noite toda no madeiro”, mas deve ser enterrado no mesmo dia. — Deuteronômio 21:22, 23.

      Além disso, a tarde de sexta-feira é chamada de Preparação, pois é o dia em que as pessoas preparam refeições e terminam de realizar tarefas que não podem ficar para depois de sábado. Neste pôr do sol, começa um sábado duplo, ou um “grande” sábado. (João 19:31) Isso acontece porque 15 de nisã será o primeiro dia da Festividade dos Pães sem Fermento. Essa festividade dura sete dias, e o primeiro dia é sempre considerado um sábado. (Levítico 23:5, 6) Desta vez, o primeiro dia da festividade coincide com o sábado normal, o sétimo dia da semana.

      Por isso, os judeus pedem a Pilatos que apresse a morte de Jesus e dos dois ladrões. Como? Por quebrar as pernas deles. Assim não será possível usarem as pernas para erguer o corpo a fim de respirar. Então os soldados quebram as pernas dos dois ladrões. Mas não quebram as pernas de Jesus, pois ele parece estar morto. Isso cumpre o Salmo 34:20: “Ele protege todos os seus ossos; nem mesmo um deles foi quebrado.”

      Para eliminar qualquer dúvida de que Jesus está morto, um soldado lhe fura o lado com uma lança, atingindo a região do coração. ‘Imediatamente sai sangue e água.’ (João 19:34) Isso cumpre outra profecia: “Eles olharão para aquele que traspassaram.” — Zacarias 12:10.

      José da cidade de Arimateia, “um homem rico” e membro bem-conceituado do Sinédrio, também presencia a execução. (Mateus 27:57) Ele é descrito como “um homem bom e justo”, que ‘aguarda o Reino de Deus’. Na verdade, como é ‘discípulo de Jesus, mas secretamente, pois tem medo dos judeus’, ele não apoiou a decisão do tribunal no julgamento de Jesus. (Lucas 23:50; Marcos 15:43; João 19:38) José cria coragem e pede a Pilatos o corpo de Jesus. Pilatos chama o oficial do exército, que confirma que Jesus está morto. Então Pilatos atende ao pedido de José.

      José compra linho fino e tira o corpo de Jesus da estaca. Ele enrola o corpo no linho em preparação para o sepultamento. Nicodemos, ‘que foi ao encontro de Jesus pela primeira vez de noite’, ajuda na preparação. (João 19:39) Ele traz uns 33 quilos de uma mistura cara de mirra e aloés. O corpo de Jesus é enrolado em faixas que contêm esses aromas, conforme os judeus costumam fazer no sepultamento.

      José tem um túmulo novo, escavado na rocha, ali perto. E o corpo de Jesus é colocado nele. Então uma grande pedra é rolada até a entrada do túmulo. Isso é feito às pressas, antes de o sábado começar. Talvez Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, o Menor, ajudem a preparar o corpo. Elas correm para casa a fim de “preparar aromas e óleos perfumados” para passar no corpo de Jesus depois do sábado. — Lucas 23:56.

      No dia seguinte, sábado, os principais sacerdotes e os fariseus vão até Pilatos e dizem: “Nós nos lembramos de que aquele impostor dizia, enquanto ainda estava vivo: ‘Depois de três dias eu serei levantado.’ Portanto, ordene que se mantenha a sepultura em segurança até o terceiro dia, para que não venham os discípulos dele e o furtem, e digam ao povo: ‘Ele foi levantado dentre os mortos!’ Então esta última mentira seria pior do que a primeira.” Pilatos responde: “Vocês podem levar soldados. Vão, mantenham a sepultura tão segura quanto puderem.” — Mateus 27:63-65.

      Bem cedo na manhã de domingo, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e outras mulheres vão ao túmulo passar aromas no corpo de Jesus. Dizem umas às outras: “Quem rolará a pedra da entrada do túmulo para nós?” (Marcos 16:3) Mas ocorreu um terremoto. E o anjo de Deus tirou a pedra da entrada do túmulo, os soldados não estão ali e o túmulo parece vazio.

      • Por que a sexta-feira é chamada de Preparação? E por que esse sábado é chamado de “grande”?

      • Como José e Nicodemos participam do sepultamento de Jesus? E qual é a relação deles com Jesus?

      • O que os sacerdotes querem que seja feito, mas o que acontece no domingo de manhã?

  • O túmulo está vazio — Jesus está vivo!
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Mulheres ficam impressionadas de ver que a sepultura de Jesus está vazia

      CAPÍTULO 134

      O túmulo está vazio — Jesus está vivo!

      MATEUS 28:3-15 MARCOS 16:5-8 LUCAS 24:4-12 JOÃO 20:2-18

      • JESUS É RESSUSCITADO

      • ACONTECIMENTOS NO TÚMULO DE JESUS

      • ELE APARECE A VÁRIAS MULHERES

      As mulheres ficam muito surpresas ao ver que o túmulo parece vazio. Maria Madalena corre até ‘Simão Pedro e o discípulo que Jesus amava’ — o apóstolo João. (João 20:2) Mas as outras mulheres que foram ao túmulo veem um anjo. E dentro do túmulo há outro anjo, que usa “uma veste comprida, branca”. — Marcos 16:5.

      Um dos anjos diz a elas: “Não tenham medo, pois eu sei que vocês estão procurando Jesus, que foi morto na estaca. Ele não está aqui, pois foi levantado, assim como ele tinha dito. Venham, vejam o lugar onde ele estava deitado. Depois vão depressa e digam aos discípulos dele: ‘Ele foi levantado dentre os mortos e agora está indo adiante de vocês para a Galileia.’” (Mateus 28:5-7) Assim, “tremendo e tomadas de emoção”, as mulheres vão depressa contar isso aos discípulos. — Marcos 16:8.

      A essa altura, Maria já encontrou Pedro e João. Sem fôlego, ela diz: “Retiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram.” (João 20:2) Pedro e João saem correndo. João é mais rápido e chega ao túmulo primeiro. Ele olha para dentro do túmulo e vê as faixas, mas fica do lado de fora.

      Quando Pedro chega, vai logo entrando. Ele vê os panos de linho e o pano usado para enrolar a cabeça de Jesus. Agora João entra e acredita no que Maria disse. Apesar do que Jesus disse antes, nenhum deles entende que ele foi ressuscitado. (Mateus 16:21) Confusos, voltam para casa. Mas Maria, que voltou ao túmulo, permanece ali.

      No entanto, as outras mulheres vão contar aos discípulos que Jesus foi ressuscitado. Enquanto estão correndo para fazer isso, Jesus as encontra e diz: “Bom dia!” Elas se jogam aos seus pés e ‘lhe prestam homenagem’. Então Jesus diz: “Não tenham medo! Vão, contem isso a meus irmãos, para que eles vão para a Galileia, e ali me verão.” — Mateus 28:9, 10.

      Antes, quando ocorreu o terremoto e os anjos apareceram, os soldados que vigiavam o túmulo “tremeram e ficaram como que mortos”. Ao se recuperar, entraram na cidade e “comunicaram aos principais sacerdotes tudo o que tinha acontecido”. Depois de os sacerdotes consultarem os anciãos dos judeus, decidiram esconder o assunto, subornando os soldados para dizerem: “Os discípulos dele vieram de noite e o furtaram enquanto estávamos dormindo.” — Mateus 28:4, 11, 13.

      Visto que os soldados romanos podem ser mortos se dormirem no posto, os sacerdotes prometem: “Se isso [a mentira de que caíram no sono] chegar aos ouvidos do governador, nós lhe daremos explicações, e vocês não precisarão se preocupar.” (Mateus 28:14) Os soldados aceitam o suborno e fazem o que os sacerdotes dizem. Em resultado disso, a história falsa de que o corpo de Jesus foi roubado se espalha amplamente entre os judeus.

      Maria Madalena ainda está chorando no túmulo. Inclinando-se para frente a fim de olhar o túmulo, ela vê dois anjos de branco. Estão sentados, um no lugar onde estava a cabeça de Jesus, e o outro onde estavam os pés. Eles perguntam: “Mulher, por que está chorando?” Maria responde: “Levaram embora o meu Senhor, e não sei onde o colocaram.” Virando-se, Maria vê mais alguém. Ele repete a pergunta dos anjos e acrescenta: “Quem você está procurando?” Pensando que é o jardineiro, ela diz: “Se o senhor o tirou daqui, diga-me onde o colocou, e eu o levarei embora.” — João 20:13-15.

      Na verdade, Maria está falando com o ressuscitado Jesus, mas ela não o reconhece imediatamente. No entanto, quando ele diz “Maria!”, ela percebe que é Jesus pelo jeito como ele fala com ela. Maria diz cheia de alegria: “Rabôni!” (que significa: “Instrutor!”). Mas, com medo de que ele esteja para subir ao céu, ela segura Jesus. Por isso, ele lhe diz: “Pare de me segurar, porque ainda não subi para o Pai. Mas vá aos meus irmãos e diga-lhes: ‘Eu vou subir para o meu Pai e Pai de vocês, para o meu Deus e Deus de vocês.’” — João 20:16, 17.

      Maria corre até onde os apóstolos e outros discípulos estão. Ela diz: “Eu vi o Senhor!”, acrescentando seu relato ao que as outras mulheres disseram. (João 20:18) Mas o que elas dizem ‘parece tolice para eles’. — Lucas 24:11.

      • Depois de Maria Madalena encontrar o túmulo vazio, o que acontece com ela e as outras mulheres?

      • Como Pedro e João reagem ao encontrar o túmulo vazio?

      • Quem as outras mulheres encontram quando estão indo falar com os discípulos? E o que acontece quando Maria Madalena volta ao túmulo?

      • Como os discípulos reagem ao que lhes é contado?

  • Depois de ressuscitado, Jesus aparece a muitos
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus ressuscitado aparece para Tomé

      CAPÍTULO 135

      Depois de ressuscitado, Jesus aparece a muitos

      LUCAS 24:13-49 JOÃO 20:19-29

      • JESUS APARECE NA ESTRADA PARA EMAÚS

      • ELE EXPLICA CLARAMENTE AS ESCRITURAS A SEUS DISCÍPULOS

      • TOMÉ PARA DE DUVIDAR

      É domingo, 16 de nisã, e os discípulos estão desanimados. Eles não compreendem por que o túmulo está vazio. (Mateus 28:9, 10; Lucas 24:11) Mais tarde naquele dia, Cléopas e outro discípulo vão de Jerusalém para Emaús, que fica a uns 11 quilômetros de distância.

      No caminho, eles conversam sobre o que aconteceu. Um homem se junta a eles e pergunta: “Sobre o que é que vocês estão conversando enquanto caminham?” Cléopas diz: “Será que você é um estrangeiro que vive sozinho em Jerusalém e não sabe das coisas que ocorreram lá nestes dias?” O homem pergunta: “Que coisas?” — Lucas 24:17-19.

      Eles dizem: “As coisas a respeito de Jesus, o Nazareno. . . . Nós esperávamos que esse homem fosse aquele que ia livrar Israel.” — Lucas 24:19-21.

      Cléopas e seu amigo continuam contando o que aconteceu naquele dia. Eles dizem que algumas mulheres encontraram vazio o túmulo onde Jesus foi sepultado. Além disso, essas mulheres presenciaram algo sobrenatural — dois anjos apareceram e disseram que Jesus estava vivo. Os homens contam que outros também foram ao túmulo e “encontraram tudo exatamente como as mulheres tinham dito”. — Lucas 24:24.

      Os dois discípulos estão muito confusos com tudo o que aconteceu. Com autoridade, o homem corrige o modo de pensar deles, pois ainda não acreditam no que está acontecendo: “Como vocês são insensatos e demoram a crer em todas as coisas faladas pelos profetas! Não era necessário que o Cristo sofresse essas coisas e entrasse na sua glória?” (Lucas 24:25, 26) Ele passa a explicar muitas passagens das Escrituras relacionadas ao Cristo.

      Por fim, os três chegam perto de Emaús. Os dois discípulos querem ouvir mais, por isso pedem ao homem: “Fique conosco, porque já está anoitecendo e o dia está quase terminando.” Ele concorda, e tomam uma refeição juntos. Quando observam o homem fazer uma oração, partir e distribuir o pão, eles o reconhecem. Mas então ele desaparece. (Lucas 24:29-31) Agora eles têm certeza de que Jesus está vivo!

      Animados, os dois discípulos comentam entre si o que aconteceu: “Não sentíamos arder o coração dentro de nós quando ele nos falava na estrada, ao nos abrir plenamente as Escrituras?” (Lucas 24:32) Eles voltam logo para Jerusalém, onde encontram os apóstolos e os que estão com eles. Mas, antes que Cléopas e seu amigo possam falar sobre o que aconteceu, eles ouvem outros dizer: “De fato, o Senhor foi levantado e apareceu a Simão!” (Lucas 24:34) Então os dois contam como Jesus apareceu a eles, pois também viram isso.

      Agora todos ficam espantados — Jesus aparece na sala! Não dá para acreditar, visto que trancaram as portas com medo dos judeus. Mesmo assim, Jesus está ali no meio deles. De modo calmo, ele diz: “Que a paz esteja com vocês.” Mas eles estão assustados. Mais uma vez ‘pensam que estão vendo um espírito’. — Lucas 24:36, 37; Mateus 14:25-27.

      Para provar que não é uma aparição nem fruto da imaginação deles, mas que é uma pessoa de carne e osso, Jesus mostra as mãos e os pés, e diz: “Por que estão aflitos e por que surgem dúvidas no seu coração? Vejam minhas mãos e meus pés, que sou eu mesmo. Toquem-me e vejam, pois um espírito não tem carne nem ossos assim como vocês veem que eu tenho.” (Lucas 24:36-39) Eles estão muito felizes e maravilhados, mas ainda acham difícil acreditar.

      Tentando mais uma vez ajudá-los a entender que é uma pessoa real, Jesus pergunta: “Vocês têm aqui algo para comer?” Ele aceita um pedaço de peixe assado e come. Então diz: “Estas são as minhas palavras, que lhes falei enquanto ainda estava com vocês [antes da minha morte], que todas as coisas escritas a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos têm de se cumprir.” — Lucas 24:41-44.

      Jesus ajudou Cléopas e seu amigo a entender as Escrituras, agora ele faz o mesmo com todos os presentes: “Está escrito que o Cristo sofreria e no terceiro dia seria levantado dentre os mortos, e que, em seu nome, se pregaria arrependimento para o perdão de pecados em todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês serão testemunhas dessas coisas.” — Lucas 24:46-48.

      Por algum motivo, o apóstolo Tomé não está presente. Nos dias seguintes, outros contam a ele com alegria: “Nós vimos o Senhor!” Tomé diz: “Se eu não vir nas mãos dele a marca dos pregos, não colocar o dedo na marca dos pregos e não colocar a mão no lado dele, de modo algum acreditarei.” — João 20:25.

      Oito dias depois, os discípulos se reúnem novamente com as portas trancadas, mas desta vez Tomé está presente. Jesus aparece entre eles num corpo materializado e os cumprimenta: “Que a paz esteja com vocês.” Virando-se para Tomé, Jesus diz: “Coloque o dedo aqui e veja as minhas mãos; estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e acredite.” Tomé diz: “Meu Senhor e meu Deus!” (João 20:26-28) Agora ele não tem dúvidas de que Jesus está vivo como poderosa criatura espiritual, que representa a Jeová Deus.

      Jesus diz: “Você acreditou porque me viu? Felizes os que não viram, mas mesmo assim acreditam.” — João 20:29.

      • Que pergunta um homem faz a dois discípulos que estão indo para Emaús?

      • Por que os discípulos começam a sentir o coração arder dentro deles?

      • Que emocionante notícia Cléopas e seu amigo escutam quando voltam a Jerusalém? E o que acontece depois?

      • Como Tomé por fim se convence de que Jesus está vivo?

  • Às margens do mar da Galileia
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Pedro encontra Jesus às margens do mar, enquanto os outros apóstolos o seguem num barco

      CAPÍTULO 136

      Às margens do mar da Galileia

      JOÃO 21:1-25

      • JESUS APARECE NO MAR DA GALILEIA

      • PEDRO E OUTROS DEVEM ALIMENTAR AS OVELHAS

      Na última noite com os apóstolos, Jesus lhes disse: “Depois que eu for levantado, irei adiante de vocês para a Galileia.” (Mateus 26:32; 28:7, 10) Agora, muitos dos seus seguidores fazem essa viagem, mas o que vão fazer lá?

      Em certo momento, Pedro diz a seis dos apóstolos: “Vou pescar.” Os seis respondem: “Nós vamos com você.” (João 21:3) Eles não conseguem pescar nada a noite toda. Ao amanhecer, Jesus aparece na praia, mas eles não o reconhecem. Jesus grita: “Filhos, vocês têm alguma coisa para comer?” Eles respondem: “Não.” Jesus lhes diz: “Lancem a rede do lado direito do barco e acharão.” (João 21:5, 6) Pegam tantos peixes que não conseguem puxar a rede.

      João diz a Pedro: “É o Senhor!” (João 21:7) Sem demora, Pedro coloca sua roupa, pois estava pouco vestido durante a pesca. Ele se joga no mar e nada cerca de 90 metros até a margem. Os outros o acompanham devagar no barco, puxando a rede cheia de peixes.

      Ao chegar à margem, eles veem “um fogo, com peixe sobre as brasas, e pão”. Jesus diz: “Tragam alguns dos peixes que vocês acabaram de apanhar.” Pedro puxa a rede, que tem 153 peixes grandes. Jesus os convida: “Venham comer.” Nenhum deles tem coragem de perguntar quem ele é, pois percebem que é Jesus. (João 21:9-12) Essa é a terceira vez que ele aparece a seus discípulos como grupo.

      Jesus dá a cada um deles pão e peixe para comer. Então, talvez olhando para os peixes que apanharam, ele pergunta: “Simão, filho de João, você me ama mais do que a estes?” O que é mais importante para Pedro: seu trabalho como pescador ou a obra que Jesus lhe designou? Pedro diz: “Sim, Senhor; o senhor sabe que eu o amo.” Assim, Jesus o incentiva: “Alimente os meus cordeiros.” — João 21:15.

      Mais uma vez, Jesus pergunta: “Simão, filho de João, você me ama?” Talvez intrigado, Pedro responde com determinação: “Sim, Senhor; o senhor sabe que eu o amo.” Jesus dá uma resposta parecida: “Pastoreie as minhas ovelhinhas.” — João 21:16.

      Na terceira vez, Jesus pergunta: “Simão, filho de João, você me ama?” Talvez Pedro esteja se perguntando se Jesus duvida de sua lealdade. Pedro insiste: “Senhor, o senhor sabe todas as coisas. O senhor sabe que eu o amo.” De novo Jesus enfatiza o que Pedro deve fazer: “Alimente as minhas ovelhinhas.” (João 21:17) Realmente, os que exercem liderança precisam cuidar dos que são atraídos ao rebanho de Deus.

      Jesus foi amarrado e executado porque fez a obra que Deus lhe designou. Agora Jesus revela que algo similar acontecerá com Pedro: “Quando você era mais jovem, você se vestia e andava por onde queria. Mas, quando envelhecer, estenderá as mãos, e outro homem o vestirá e o levará para onde você não quer.” Mesmo assim, Jesus o incentiva: “Continue a me seguir.” — João 21:18, 19.

      Pedro vê o apóstolo João e pergunta: “Senhor, e o que acontecerá a este homem?” Sim, o que será que vai acontecer com o apóstolo por quem Jesus tinha especial afeição? Jesus diz: “Se eu quiser que ele permaneça até eu vir, o que importa isso a você?” (João 21:21-23) Pedro precisa seguir a Jesus sem se preocupar com o que os outros vão fazer. Mas com isso Jesus indica que João vai viver mais do que os outros apóstolos e vai receber uma visão da vinda de Jesus como Rei.

      Naturalmente, Jesus fez muitas coisas, mais do que pode ser registrado em muitos rolos.

      • O que mostra que os apóstolos não sabem bem o que vão fazer na Galileia?

      • Como os apóstolos conseguem reconhecer Jesus no mar da Galileia?

      • O que Jesus enfatiza que os que exercem liderança devem fazer?

      • Como Jesus indica a maneira como Pedro vai morrer?

  • Centenas veem Jesus antes do Pentecostes
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus sobe ao céu

      CAPÍTULO 137

      Centenas veem Jesus antes do Pentecostes

      MATEUS 28:16-20 LUCAS 24:50-52 ATOS 1:1-12; 2:1-4

      • JESUS APARECE A MUITOS

      • ELE SOBE AO CÉU

      • JESUS DERRAMA O ESPÍRITO SANTO SOBRE 120 DISCÍPULOS

      Após sua ressurreição, Jesus providencia que os 11 apóstolos se encontrem com ele num monte na Galileia. Cerca de 500 discípulos também estão presentes, mas alguns duvidam se ele está vivo. (Mateus 28:17; 1 Coríntios 15:6) No entanto, o que Jesus diz os convence disso.

      Jesus explica que Deus lhe deu toda a autoridade no céu e na Terra. Ele os incentiva: “Portanto, vão e façam discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo, ensinando-as a obedecer a todas as coisas que lhes ordenei.” (Mateus 28:18-20) Jesus está vivo e ainda deseja que as boas novas sejam pregadas.

      Todos os seguidores de Jesus — homens, mulheres e crianças — recebem a mesma ordem de fazer discípulos. Os opositores podem tentar impedir a pregação e ensino deles, mas Jesus lhes garante: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.” O que isso significa para seus seguidores? Ele diz: “Saibam que eu estou com vocês todos os dias, até o final do sistema de coisas.” Jesus não diz que todos os que pregarem as boas novas realizarão obras milagrosas. Ainda assim, terão o apoio do espírito santo.

      Ao todo, Jesus aparece a seus discípulos “durante 40 dias” depois da sua ressurreição. Ele faz isso por se materializar em diferentes corpos e mostra ‘a eles, por meio de muitas provas convincentes, que está vivo’. Ele os instrui “sobre o Reino de Deus”. — Atos 1:3; 1 Coríntios 15:7.

      Pelo visto, enquanto os apóstolos ainda estão na Galileia, Jesus os orienta a voltar a Jerusalém. Ao se encontrar com eles na cidade, ele diz: “Não saiam de Jerusalém, mas continuem esperando o que o Pai prometeu, conforme eu lhes falei; pois João, realmente, batizou com água, mas vocês serão batizados com espírito santo dentro de poucos dias.” — Atos 1:4, 5.

      Mais tarde, Jesus se encontra novamente com seus apóstolos. Ele ‘os leva para fora, até Betânia’, que fica na encosta leste do monte das Oliveiras. (Lucas 24:50) Apesar de tudo que Jesus lhes disse sobre sua partida, eles ainda acreditam que de alguma forma o Reino será na Terra. — Lucas 22:16, 18, 30; João 14:2, 3.

      Os apóstolos perguntam a Jesus: “Senhor, é agora que o senhor vai restabelecer o reino a Israel?” Ele apenas responde: “Não cabe a vocês saber os tempos ou as épocas que o Pai colocou sob sua própria autoridade.” Então, enfatizando o trabalho que eles devem realizar, diz: “Quando o espírito santo vier sobre vocês, receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até a parte mais distante da terra.” — Atos 1:6-8.

      Jesus sobe ao céu e seus apóstolos fiéis observam

      Os apóstolos estão com o ressuscitado Jesus no monte das Oliveiras quando ele começa a subir ao céu. Uma nuvem cobre Jesus, e não conseguem mais vê-lo. Após ser ressuscitado, Jesus se materializou em corpos de carne e osso. Mas agora ele desmaterializa o corpo que usou nessa ocasião e sobe ao céu como criatura espiritual. (1 Coríntios 15:44, 50; 1 Pedro 3:18) Enquanto os apóstolos observam Jesus, “dois homens com roupas brancas” surgem ao lado deles. Esses anjos materializados perguntam: “Homens da Galileia, por que estão parados aí olhando para o céu? Este Jesus, que do meio de vocês foi levado para o céu, virá da mesma maneira que o viram ir para o céu.” — Atos 1:10, 11.

      Jesus deixa a Terra sem alarde. Os únicos observadores são seus fiéis seguidores. Ele voltará “da mesma maneira”, ou seja, sem alarde e apenas seus seguidores fiéis discernirão sua presença no poder do Reino.

      Os apóstolos voltam para Jerusalém. Nos dias seguintes, eles se reúnem com outros discípulos, incluindo “Maria, a mãe de Jesus, e . . . os irmãos dele”. (Atos 1:14) Esse grupo ora constantemente, e um dos assuntos de suas orações é a escolha de um discípulo que substitua Judas Iscariotes para que volte a haver 12 apóstolos. (Mateus 19:28) Eles querem um discípulo que tenha visto as atividades de Jesus e testemunhado sua ressurreição. Essa é a última vez que a Bíblia fala sobre lançar sortes para saber a vontade de Deus. (Salmo 109:8; Provérbios 16:33) Matias, que talvez seja um dos 70 que Jesus enviou para pregar, é escolhido e “contado com os 11 apóstolos”. — Atos 1:26.

      Dez dias depois de Jesus subir ao céu, começa a festividade judaica de Pentecostes, de 33 EC. Cerca de 120 discípulos se reúnem numa sala em Jerusalém. De repente, um barulho parecido ao de uma forte rajada de vento enche a casa. Passam a ver o que parecem ser línguas de fogo, uma sobre a cabeça de cada um dos presentes. Os discípulos começam a falar em diferentes línguas. Esse é o derramamento do espírito santo que Jesus prometeu. — João 14:26.

      • Quem está presente quando Jesus dá instruções num monte na Galileia, e o que ele diz?

      • Depois de sua ressurreição, por quanto tempo Jesus aparece aos seus discípulos? E o que ele faz durante esse período?

      • Baseado na maneira como Jesus parte, de que modo ele volta?

      • O que acontece no Pentecostes de 33 EC?

  • Cristo à direita de Deus
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Saulo é cegado por uma luz milagrosa vinda do céu

      CAPÍTULO 138

      Cristo à direita de Deus

      ATOS 7:56

      • JESUS SE SENTA À DIREITA DE DEUS

      • SAULO SE TORNA DISCÍPULO

      • TEMOS MOTIVOS PARA NOS ALEGRAR

      Dez dias após Jesus subir ao céu, houve o derramamento do espírito santo no dia de Pentecostes. Isso é uma prova de que Jesus está mesmo no céu. E outra prova está para acontecer. Pouco antes de ser apedrejado por ter fielmente dado testemunho, o discípulo Estêvão exclamou: “Estou vendo o céu aberto, e o Filho do homem em pé à direita de Deus.” — Atos 7:56.

      Uma vez que estivesse com seu Pai no céu, Jesus esperaria uma ordem específica predita na Palavra de Deus. Davi escreveu sob inspiração: “Jeová declarou ao meu Senhor [Jesus]: ‘Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés.’” Após esse período de espera, ele ‘dominaria no meio dos seus inimigos’. (Salmo 110:1, 2) Mas o que Jesus faria no céu enquanto aguardasse o tempo para agir contra seus inimigos?

      No Pentecostes de 33 EC, a congregação cristã foi formada. Desde o céu, Jesus começou a governar, ou reinar, sobre seus discípulos ungidos pelo espírito. (Colossenses 1:13) Ele passou a orientá-los na obra de pregação e a prepará-los para o papel que teriam no futuro. Que papel? Com o tempo, os que fossem fiéis até a morte seriam ressuscitados para ser reis com Jesus no Reino.

      Um notável exemplo de alguém que no futuro seria rei é o de Saulo, mais conhecido como Paulo, seu nome romano. Ele era um judeu que sempre teve zelo pela Lei de Deus, mas foi tão enganado pelos líderes religiosos judeus que até mesmo aprovou o apedrejamento de Estêvão. Então, “respirando ainda ameaça e morte contra os discípulos do Senhor”, Saulo foi a Damasco. Ele tinha autorização do sumo sacerdote Caifás para prender os discípulos de Jesus e levá-los a Jerusalém. (Atos 7:58; 9:1) No entanto, enquanto Saulo estava a caminho, uma forte luz brilhou em volta dele e ele caiu no chão.

      Uma voz vinda de uma fonte invisível disse: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” Saulo perguntou: “Quem é o senhor?” A resposta foi: “Eu sou Jesus, a quem você persegue.” — Atos 9:4, 5.

      Jesus disse para Saulo entrar em Damasco e aguardar instruções. Ele teve de ser conduzido até a cidade porque a luz milagrosa o deixou cego. Em outra visão, Jesus apareceu a Ananias, um discípulo que vivia em Damasco. Jesus deu um endereço a Ananias e disse para ele ir encontrar Saulo. Ananias ficou com medo de fazer isso, mas Jesus lhe garantiu: “Esse homem é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome às nações, bem como a reis e aos filhos de Israel.” Saulo recuperou a visão e ali em Damasco “começou a pregar sobre Jesus, que ele é o Filho de Deus”. — Atos 9:15, 20.

      Com o apoio de Jesus, Paulo e outros evangelizadores continuaram a obra de pregação que Jesus iniciou. E Deus os abençoou com excelentes resultados. Cerca de 25 anos depois de Jesus ter aparecido a ele na estrada para Damasco, Paulo escreveu que as boas novas tinham sido “pregadas em toda a criação debaixo do céu”. — Colossenses 1:23.

      Anos mais tarde, Jesus deu ao seu amado apóstolo João uma série de visões, que são encontradas no livro bíblico de Apocalipse. Pode-se dizer que, por meio dessas visões, João viveu para ver Jesus retornar no poder do Reino. (João 21:22) ‘Por inspiração João esteve no dia do Senhor.’ (Apocalipse 1:10) Quando seria o dia do Senhor?

      Um estudo cuidadoso da profecia bíblica revela que o “dia do Senhor” começou nos tempos modernos. Em 1914, estourou o que veio a ser chamado de Primeira Guerra Mundial. E as próximas décadas têm sido marcadas por guerras, epidemias, fome, terremotos e outras evidências que mostram que o “sinal” que Jesus deu a seus apóstolos sobre sua “presença” e o “fim” está se cumprindo em larga escala. (Mateus 24:3, 7, 8, 14) E a pregação das boas novas do Reino hoje é feita em toda a Terra, não apenas na região do antigo Império Romano.

      João foi inspirado a descrever o que tudo isso significa: “Agora se realizou a salvação, o poder e o Reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo.” (Apocalipse 12:10) Realmente, o Reino de Deus nos céus, que Jesus proclamou tão amplamente, é uma realidade.

      Essa é uma notícia maravilhosa para todos os leais discípulos de Jesus. Eles podem se alegrar com as palavras de João: “Por essa razão, alegrem-se, ó céus, e vocês que residem neles! Ai da terra e do mar, porque o Diabo desceu a vocês com grande ira, pois sabe que lhe resta pouco tempo.” — Apocalipse 12:12.

      Assim, Jesus não está mais esperando à direita de seu Pai. Ele está governando como Rei e em breve vai destruir todos os seus inimigos. (Hebreus 10:12, 13) Que acontecimentos empolgantes podemos aguardar?

      • O que Jesus fez depois de subir ao céu?

      • Quando começou o “dia do Senhor”, e o que aconteceu depois?

      • Por que temos bons motivos para nos alegrar?

  • Jesus trará o Paraíso e cumprirá sua designação
    Jesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
    • Jesus trará o Paraíso e cumprirá sua designação

      1 CORÍNTIOS 15:24-28

      • O QUE ACONTECERÁ COM AS OVELHAS E OS CABRITOS

      • MUITOS VIVERÃO NO PARAÍSO NA TERRA

      • JESUS É O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA

      Logo após seu batismo, antes mesmo de começar seu ministério, Jesus enfrentou um inimigo que estava determinado a fazê-lo fracassar. O Diabo vez após vez procurou maneiras de tentar Jesus. Mais tarde, Jesus disse sobre essa criatura perversa: “O governante do mundo está chegando, e ele não tem nenhum poder sobre mim.” — João 14:30.

      O apóstolo João teve uma visão sobre o futuro do “grande dragão, a serpente original, o chamado Diabo e Satanás”. Esse cruel inimigo da humanidade seria expulso do céu, “com grande ira, pois sabe que lhe resta pouco tempo”. (Apocalipse 12:9, 12) Os cristãos têm bons motivos para acreditar que estão vivendo nesse curto período e que em breve “o dragão, a serpente original”, será lançado no abismo e ficará inativo por mil anos. Durante esse tempo, Jesus governará como Rei do Reino de Deus. — Apocalipse 20:1, 2.

      Nesse período, o que vai acontecer na Terra, nosso lar? Quem vai viver aqui e como será a vida? O próprio Jesus deu as respostas. Na sua ilustração das ovelhas e dos cabritos, ele mostrou qual será o futuro dos humanos justos que são como ovelhas e fazem o bem para os irmãos de Jesus e cooperam com eles. Ele também deixou claro o que vai acontecer com os que não fazem isso, os que são como cabritos. Jesus disse: “Estes [os cabritos] partirão para o decepamento eterno; mas os justos [as ovelhas], para a vida eterna.” — Mateus 25:46.

      Isso nos ajuda a entender as palavras de Jesus ao criminoso que estava ao seu lado na estaca. Jesus não ofereceu àquele homem a mesma recompensa que prometeu aos seus apóstolos fiéis, a promessa de reinar no Reino dos céus. Em vez disso, Jesus prometeu ao malfeitor arrependido: “Em verdade, eu lhe digo hoje: Você estará comigo no Paraíso.” (Lucas 23:43) Portanto, o que aquele homem recebeu foi a perspectiva de viver no Paraíso, um lindo jardim semelhante a um parque. Assim, os que hoje forem como ovelhas e receberem a “vida eterna” também estarão no Paraíso.

      Isso está em harmonia com a descrição que o apóstolo João fez de como será a vida na Terra naquele tempo. Ele disse: “A tenda de Deus está com a humanidade; ele residirá com eles, e eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais tristeza, nem choro, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Apocalipse 21:3, 4.

      Para que aquele criminoso possa viver no Paraíso, ele terá de voltar a viver. E ele não será o único a ser ressuscitado. Jesus deixou isso claro ao dizer: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a voz dele e sairão: os que fizeram coisas boas, para uma ressurreição de vida; e os que praticaram coisas ruins, para uma ressurreição de julgamento.” — João 5:28, 29.

      Mas e que dizer dos apóstolos fiéis e de um número limitado de pessoas que vão estar com Jesus no céu? A Bíblia diz: “[Eles] serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos.” (Apocalipse 20:6) Os que vão reinar com Cristo são homens e mulheres que viveram na Terra. Por isso, esses governantes celestiais com certeza serão compreensivos e compassivos com os que estiverem na Terra. — Apocalipse 5:10.

      Jesus aplicará os benefícios de seu resgate aos humanos na Terra e os livrará da maldição do pecado herdado. Ele e os que governarão com ele levarão a humanidade fiel à perfeição. Então os humanos poderão ter a vida que Deus queria que tivessem quando disse a Adão e Eva que se multiplicassem e enchessem a Terra. Até mesmo a morte causada pelo pecado de Adão deixará de existir.

      Dessa forma, Jesus terá realizado tudo o que Jeová lhe pediu para fazer. No final do seu reinado de mil anos, Jesus entregará o Reino e a família humana perfeita a seu Pai. Sobre essa maravilhosa demonstração de humildade da parte de Jesus, o apóstolo Paulo escreveu: “Quando todas as coisas lhe tiverem sido sujeitas, então o próprio Filho também se sujeitará Àquele que lhe sujeitou todas as coisas, para que Deus seja todas as coisas para com todos.” — 1 Coríntios 15:28.

      Fica claro que Jesus tem um papel vital na realização dos maravilhosos propósitos de Deus. E, conforme esses propósitos forem se cumprindo durante a eternidade, ele certamente viverá à altura da descrição que fez de si mesmo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” — João 14:6.

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