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Jesus envia 70 discípulos para pregarJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 72
Jesus envia 70 discípulos para pregar
JESUS ESCOLHE 70 DISCÍPULOS E OS ENVIA PARA PREGAR
É quase o fim de 32 EC, e faz uns três anos que Jesus foi batizado. Ele e seus discípulos estiveram na Festividade das Tendas em Jerusalém há pouco tempo. Pelo visto, ainda estão na região. (Lucas 10:38; João 11:1) Jesus passou a maior parte dos últimos seis meses de seu ministério na Judeia ou no outro lado do rio Jordão, no distrito da Pereia. Ainda é necessário pregar nessas regiões.
Depois da Páscoa de 30 EC, Jesus passou alguns meses pregando na Judeia e viajando por Samaria. Então, perto da Páscoa de 31 EC, os judeus em Jerusalém tentaram matá-lo. Depois, Jesus ensinou principalmente na Galileia, ao norte da Judeia, por um ano e meio. Durante esse período, muitos se tornaram seus seguidores. Na Galileia, ele treinou seus apóstolos e os enviou com a seguinte instrução: “Preguem, dizendo: ‘O Reino dos céus está próximo.’” (Mateus 10:5-7) Agora ele organiza uma campanha de pregação na Judeia.
Para iniciar essa campanha, Jesus escolhe 70 discípulos e os envia de dois em dois. Assim, há 35 pares de pregadores do Reino no território, onde ‘a colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos’. (Lucas 10:2) Eles devem ir aos lugares para onde Jesus talvez viaje mais tarde. Os 70 discípulos devem curar os doentes e divulgar a mesma mensagem que ele está divulgando.
Os discípulos não devem se concentrar em ensinar nas sinagogas. Jesus os instrui a ir às casas das pessoas: “Em qualquer casa onde entrarem, digam primeiro: ‘Haja paz nesta casa.’ E, se ali houver um amigo da paz, a paz de vocês descansará sobre ele.” Qual será a mensagem? Jesus diz: “Digam-lhes: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês.’” — Lucas 10:5-9.
Jesus dá aos 70 discípulos instruções parecidas às que deu aos 12 apóstolos quando os enviou cerca de um ano antes. Ele os avisa que nem todos os receberão bem. Mas seus esforços vão preparar pessoas receptivas à mensagem para quando Jesus chegar um pouco depois. Assim, muitas delas estarão ansiosas para conhecer o Senhor e aprender com ele.
Não demorou muito para os 35 pares de pregadores voltarem até Jesus. Eles dizem com muita alegria: “Senhor, até mesmo os demônios nos obedecem pelo uso do seu nome.” Jesus fica muito animado com a boa notícia, pois diz: “Vejo Satanás já caído como relâmpago do céu. Escutem: Eu dei a vocês autoridade para pisar serpentes e escorpiões.” — Lucas 10:17-19.
Assim, Jesus garante aos seus seguidores que vão superar situações difíceis, como que pisando serpentes e escorpiões. E podem estar certos de que no futuro Satanás cairá do céu. Jesus também ajuda os 70 a ver o que é realmente importante a longo prazo: “Não se alegrem porque os espíritos estão sendo sujeitos a vocês, mas alegrem-se porque os nomes de vocês foram escritos nos céus.” — Lucas 10:20.
Ele está muito feliz e louva publicamente seu Pai por usar seus servos humildes de forma tão poderosa. Então diz a seus discípulos: “Felizes são os olhos que veem as coisas que vocês estão vendo. Pois eu lhes digo: Muitos profetas e reis desejaram ver as coisas que vocês estão observando, mas não as viram, e ouvir as coisas que vocês estão ouvindo, mas não as ouviram.” — Lucas 10:23, 24.
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Um samaritano mostra o que é ser o próximoJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 73
Um samaritano mostra o que é ser o próximo
COMO HERDAR A VIDA ETERNA
O BOM SAMARITANO
Jesus ainda está perto de Jerusalém quando alguns judeus vão até ele. Alguns querem aprender com Jesus, mas outros querem prová-lo. Um judeu perito na Lei pergunta: “Instrutor, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” — Lucas 10:25.
Jesus percebe que o homem não está apenas querendo saber uma informação. Talvez queira que ele fale algo que ofenda os judeus. Jesus vê que o homem já tem uma opinião formada, então sabiamente responde de um modo que faz o homem revelar o que está pensando.
Jesus pergunta: “O que está escrito na Lei? Como você lê?” Visto que o homem estudou a Lei de Deus, baseia sua resposta nela, e cita Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18: “‘Ame a Jeová, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua força e de toda a sua mente’ e ‘o seu próximo como a si mesmo’.” (Lucas 10:26, 27) Será que essa é a resposta?
Jesus diz ao homem: “Você respondeu corretamente; persista em fazer isso e obterá a vida.” Mas será que isso encerra a conversa? O homem não quer apenas uma resposta direta. Ele quer “se mostrar justo”, confirmando que sua opinião está correta e que está tratando os outros como deveria. Então pergunta: “Quem é realmente o meu próximo?” (Lucas 10:28, 29) Essa pergunta aparentemente simples tem profundo significado. Como assim?
Os judeus acreditam que a palavra “próximo” se refere apenas aos que seguem as tradições judaicas, e pode parecer que Levítico 19:18 apoia isso. Um judeu pode até mesmo afirmar que é “proibido” se associar com um não judeu. (Atos 10:28) Assim, esse homem e talvez alguns discípulos de Jesus se consideram justos por tratar com bondade seus irmãos judeus. Mas podem desprezar um não judeu, pois ele não é realmente seu “próximo”.
Como Jesus pode corrigir esse ponto de vista sem ofender o homem e outros judeus? Ele faz isso por contar uma história: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes, que lhe arrancaram tudo, o espancaram e foram embora, deixando-o quase morto.” Jesus continua dizendo: “Por coincidência, um sacerdote descia por aquela estrada, mas, quando o viu, passou pelo lado oposto. Do mesmo modo, um levita, quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo lado oposto. Mas certo samaritano, viajando pela estrada, o encontrou e, ao vê-lo, teve pena.” — Lucas 10:30-33.
O homem que está ouvindo a história de Jesus com certeza sabe que muitos sacerdotes e levitas que ajudam no templo moram em Jericó. Para voltar do templo, precisam viajar uns 23 quilômetros. O caminho pode ser perigoso, pois ladrões ficam escondidos à beira da estrada. Se um sacerdote e um levita encontram um irmão judeu em dificuldades devem ajudá-lo. Mas, nessa história, Jesus conta que eles não fazem isso. Quem o ajuda é um samaritano, um homem de um povo desprezado pelos judeus. — João 8:48.
Como o samaritano ajuda o judeu que está machucado? Jesus continua: “[Ele] se aproximou dele e enfaixou seus ferimentos, derramando neles azeite e vinho. Então o pôs no seu próprio animal, o levou a uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: ‘Cuide dele e, tudo o que você gastar além disso, eu lhe pagarei quando voltar.’” — Lucas 10:34, 35.
Depois de contar a história, Jesus, o Grande Instrutor, faz ao homem uma intrigante pergunta: “Qual desses três você acha que mostrou ser o próximo do homem que caiu nas mãos de assaltantes?” Talvez o homem fique com vergonha de dizer “o samaritano”, por isso diz: “Aquele que agiu misericordiosamente com ele.” Então Jesus torna claro qual é a lição: “Vá e faça você o mesmo.” — Lucas 10:36, 37.
Que excelente método de ensino! Se Jesus simplesmente dissesse ao homem que os não judeus também são o seu próximo, será que o homem e os outros judeus que estão ouvindo aceitariam isso? É provável que não. Mas, por contar uma história simples usando detalhes com que os ouvintes conseguem se identificar, fica claro qual é a resposta à pergunta: “Quem é realmente o meu próximo?” Aquele que é realmente o próximo demonstra amor e bondade, conforme as Escrituras ordenam.
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Lições sobre a hospitalidade e a oraçãoJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 74
Lições sobre a hospitalidade e a oração
JESUS VISITA MARTA E MARIA
É IMPORTANTE PERSISTIR EM ORAR
Na encosta leste do monte das Oliveiras, a uns três quilômetros de Jerusalém, fica o povoado de Betânia. (João 11:18) Jesus vai para lá e entra na casa de duas irmãs, Marta e Maria. Elas e seu irmão Lázaro são amigos de Jesus e lhe dão calorosas boas-vindas.
Para eles é uma honra receber o Messias em sua casa. Marta está ansiosa para oferecer o melhor a Jesus, então começa a preparar uma refeição elaborada. Enquanto isso, sua irmã Maria se senta aos pés de Jesus para ouvi-lo. Depois de um tempo, Marta diz a Jesus: “Senhor, não se importa que minha irmã me deixou sozinha para cuidar das coisas? Diga a ela que venha me ajudar.” — Lucas 10:40.
Em vez de criticar Maria, Jesus aconselha Marta porque ela está muito preocupada com as coisas materiais: “Marta, Marta, você está ansiosa e preocupada com muitas coisas. Mas poucas coisas são necessárias, ou apenas uma. Maria, por sua vez, escolheu a boa porção, e essa não será tirada dela.” (Lucas 10:41, 42) Jesus diz que não é necessário gastar muito tempo preparando tantos pratos, uma refeição simples é suficiente.
Marta tem boa motivação, pois quer mostrar hospitalidade. Mas, como está muito preocupada com a refeição, não ouve a valiosa instrução do Filho de Deus. Assim, Jesus deixa claro que Maria faz a escolha sábia. Isso a beneficiará muito e é uma lição de que todos nós devemos nos lembrar.
Em outra ocasião, Jesus ensina mais uma lição importante. Um discípulo lhe pede: “Senhor, ensine-nos a orar, como também João ensinou os discípulos dele.” (Lucas 11:1) Há cerca de um ano e meio, Jesus fez isso no Sermão do Monte. (Mateus 6:9-13) Mas talvez esse discípulo não estivesse presente, então Jesus relembra os pontos principais. Depois faz uma ilustração enfatizando a necessidade de persistir em orar.
Jesus diz: “Digamos que um de vocês tenha um amigo e vá procurá-lo à meia-noite, e lhe diga: ‘Amigo, empreste-me três pães, porque um amigo meu acaba de chegar de uma viagem e eu não tenho nada para lhe oferecer.’ Mas ele responde lá de dentro: ‘Pare de me incomodar. A porta já está trancada e os meus filhinhos estão comigo na cama. Não posso me levantar e lhe dar algo.’ Eu lhes digo: Ele certamente se levantará para lhe dar tudo que necessita, não por ser seu amigo, mas por causa da sua persistência e ousadia.” — Lucas 11:5-8.
Com isso, Jesus não quer dizer que Jeová não está disposto a atender aos nossos pedidos. Ele mostra que, se até um amigo que não está disposto atende aos pedidos persistentes de alguém, quanto mais nosso amoroso Pai celestial atenderá aos pedidos sinceros de seus servos leais. Então Jesus diz: “Persistam em pedir, e lhes será dado; persistam em buscar, e acharão; persistam em bater, e lhes será aberto. Pois todo aquele que pede, recebe; e todo aquele que busca, acha; e a todo aquele que bate, se abrirá.” — Lucas 11:9, 10.
Depois Jesus destaca esse ponto por fazer uma comparação com pais humanos: “Qual é o pai entre vocês que, se o filho lhe pedir um peixe, lhe entregará uma serpente em vez de um peixe? Ou, se lhe pedir também um ovo, lhe entregará um escorpião? Portanto, se vocês, embora maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai, no céu, dará espírito santo aos que lhe pedirem!” (Lucas 11:11-13) Isso nos garante que nosso Pai está disposto a nos ouvir e atender às nossas necessidades.
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Jesus mostra qual é a fonte da felicidadeJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 75
Jesus mostra qual é a fonte da felicidade
ELE EXPULSA DEMÔNIOS PELO PODER DO “DEDO DE DEUS”
A FONTE DA VERDADEIRA FELICIDADE
Jesus acaba de relembrar suas instruções sobre a oração, mas esse não é o único assunto sobre o qual ele fala mais de uma vez em seu ministério. Quando realizou milagres na Galileia, enfrentou falsas acusações de que fazia isso pelo poder do governante dos demônios. Agora, na Judeia, é acusado novamente.
Quando Jesus expulsa o demônio que deixava um homem mudo, as multidões ficam maravilhadas, mas não os que o criticam. Eles fazem a mesma acusação falsa: “Ele expulsa os demônios por meio de Belzebu, o governante dos demônios.” (Lucas 11:15) Outros querem saber mais sobre a identidade de Jesus e lhe pedem um sinal do céu.
Jesus percebe que o estão testando, então diz algo similar ao que disse aos seus acusadores na Galileia. Ele declara que todo reino dividido contra si mesmo cairá: “Se Satanás também está dividido contra si mesmo, como o seu reino ficará de pé?” Depois Jesus diz diretamente: “Se é por meio do dedo de Deus que eu expulso os demônios, o Reino de Deus realmente alcançou vocês.” — Lucas 11:18-20.
O que Jesus diz sobre o “dedo de Deus” talvez lembre seus ouvintes do que aconteceu com a nação de Israel no passado. A corte de Faraó viu Moisés realizar um milagre e exclamou: “É o dedo de Deus!” Também foi o “dedo de Deus” que escreveu os Dez Mandamentos nas duas tábuas de pedra. (Êxodo 8:19; 31:18) Do mesmo modo, o “dedo de Deus” — seu espírito santo, ou força ativa — é o que habilita Jesus a expulsar demônios e curar doentes. Assim, o Reino de Deus realmente alcança seus opositores, pois Jesus, o Rei designado do Reino, está ali realizando essas obras.
A capacidade de Jesus para expulsar demônios prova que ele tem poder sobre Satanás, assim como um homem forte vem e domina o guarda bem armado de um palácio. Jesus também relembra sua ilustração sobre um espírito impuro que sai de um homem. Se o homem não ocupar a mente com coisas boas, esse espírito vai voltar com outros sete espíritos, piorando a situação do homem. (Mateus 12:22, 25-29, 43-45) E isso está acontecendo com a nação de Israel.
Uma mulher que está ouvindo Jesus diz: “Feliz o ventre que o carregou e os seios que o amamentaram!” As mulheres judias queriam ser mães de um profeta, especialmente do Messias. Então essa mulher talvez pense que Maria tem motivos para se alegrar por ser mãe de um instrutor como Jesus. Mas ele a corrige mostrando qual é a verdadeira fonte da felicidade: “Não, em vez disso, felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática!” (Lucas 11:27, 28) Jesus nunca deu a entender que Maria devia receber honra especial. Em vez disso, qualquer um pode encontrar verdadeira felicidade em ser um servo leal de Deus, não em vínculos familiares nem em realizações pessoais.
Assim como fez na Galileia, Jesus censura os que pedem um sinal do céu. Ele diz que nenhum sinal será dado, exceto “o sinal de Jonas”. Por ter passado três dias dentro de um peixe e por ter pregado corajosamente, o que levou os ninivitas a se arrepender, Jonas foi como um sinal. Jesus diz: “Mas agora alguém maior do que Jonas está aqui.” (Lucas 11:29-32) Jesus também é maior do que Salomão, que impressionou a rainha de Sabá com sua sabedoria.
Jesus continua: “Depois de acender uma lâmpada, a pessoa a coloca não num lugar oculto nem debaixo de um cesto, mas em cima de um suporte.” (Lucas 11:33) Talvez ele queira dizer que ensinar e realizar milagres na presença dessas pessoas é como esconder a luz de uma lâmpada. Como os olhos deles não estão focados, não entendem o objetivo das obras de Jesus.
Jesus expulsou um demônio e fez um mudo falar. Isso devia motivar as pessoas a dar glória a Deus e falar a outros sobre o que Jeová está realizando. Depois Jesus dá um alerta aos seus acusadores: ‘Por isso, tomem cuidado para que a luz que há em vocês não seja escuridão. Portanto, se todo o seu corpo for luminoso, sem nenhuma parte escura, todo ele será tão luminoso como uma lâmpada que ilumina vocês com a sua luz.’ — Lucas 11:35, 36.
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Ele toma uma refeição com um fariseuJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 76
Ele toma uma refeição com um fariseu
JESUS CONDENA OS FARISEUS HIPÓCRITAS
Quando está na Judeia, Jesus aceita o convite para tomar uma refeição com um fariseu, provavelmente durante o dia. (Lucas 11:37, 38; veja Lucas 14:12.) Antes de comer, os fariseus seguem o ritual de lavar as mãos até os cotovelos. Mas Jesus não faz isso. (Mateus 15:1, 2) Lavar as mãos desse modo não é uma violação da Lei de Deus, mas não é algo que Deus exige.
Esse fariseu fica surpreso porque Jesus não segue essa tradição. Jesus percebe isso e diz: “Ora, vocês, fariseus, limpam por fora o copo e o prato, mas por dentro estão cheios de ganância e de maldade. Insensatos! Aquele que fez o exterior também fez o interior, não fez?” — Lucas 11:39, 40.
Mas lavar as mãos antes de comer não é o problema, e sim a hipocrisia religiosa. Os fariseus e outros que seguem o ritual de lavar as mãos não purificam seu coração da maldade. Por isso, Jesus os aconselha: “Deem aos pobres do que está no íntimo, e então tudo a respeito de vocês será limpo.” (Lucas 11:41) Assim, a ação de dar deve ser motivada por um coração amoroso, não pelo desejo de impressionar outros por fingir ser justo.
Jesus não quer dizer que esses homens não praticam o dar. Ele diz: “[Vocês] dão o décimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas desconsideram a justiça e o amor a Deus! Essas coisas vocês tinham a obrigação de fazer, mas sem desconsiderar as outras.” (Lucas 11:42) A Lei de Deus exige o pagamento do dízimo (a décima parte) da colheita. (Deuteronômio 14:22) Isso inclui a hortelã e a arruda, ervas ou plantas usadas como tempero. Os fariseus pagam rigorosamente o décimo dessas ervas. Mas e os requisitos mais importantes da Lei, como praticar a justiça e ser modestos perante Deus? — Miqueias 6:8.
Jesus continua: “Ai de vocês, fariseus, porque amam os primeiros assentos nas sinagogas e os cumprimentos nas praças públicas! Ai de vocês, porque são como aquelas sepulturas que não são facilmente vistas, e os homens andam sobre elas sem saber!” (Lucas 11:43, 44) As pessoas podem tropeçar nessas sepulturas e ficar cerimonialmente impuras. Jesus usa isso para deixar claro que a impureza dos fariseus não é evidente. — Mateus 23:27.
Um homem perito na Lei de Deus reclama: “Instrutor, dizendo essas coisas, o senhor também insulta a nós.” Mas eles precisam entender que não estão ajudando as pessoas. Jesus diz: “Ai de vocês também, peritos na Lei, porque põem sobre os homens cargas difíceis de levar, mas vocês mesmos não tocam nas cargas nem com um só dedo! Ai de vocês, porque constroem os túmulos dos profetas, mas os seus antepassados os mataram!” — Lucas 11:45-47.
As cargas sobre as quais Jesus está falando se referem às tradições orais e à interpretação da Lei pelos fariseus. Esses homens não facilitam a vida das pessoas. Insistem que todos sigam suas tradições, que se tornam cargas pesadas para o povo. Seus ancestrais mataram os profetas de Deus, desde Abel. Agora constroem sepulturas para os profetas, fazendo parecer que os honram quando, na verdade, imitam a atitude e as ações de seus antepassados. Querem até mesmo matar o principal Profeta de Deus. Jesus diz que Deus vai ajustar contas com essa geração. E isso acontece uns 38 anos depois, em 70 EC.
Então Jesus diz: “Ai de vocês, peritos na Lei, porque se apoderaram da chave do conhecimento. Vocês mesmos não entraram e tentam impedir os que estão entrando!” (Lucas 11:52) Esses homens, que deviam ensinar o significado da Palavra de Deus, tiram a oportunidade de as pessoas a conhecerem e entenderem.
Os fariseus e os escribas ficam furiosos. Enquanto Jesus está saindo, se opõem a ele e o enchem de perguntas. Mas não fazem isso porque querem aprender. Eles querem induzir Jesus a dizer algo que lhes dê motivo para prendê-lo.
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Jesus dá conselhos sobre as riquezasJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 77
Jesus dá conselhos sobre as riquezas
ILUSTRAÇÃO DO HOMEM RICO
JESUS FALA SOBRE CORVOS E LÍRIOS
UM “PEQUENO REBANHO” ESTARÁ NO REINO
Enquanto Jesus toma uma refeição na casa de um fariseu, milhares de pessoas se reúnem do lado de fora e esperam por ele, assim como faziam as multidões na Galileia. (Marcos 1:33; 2:2; 3:9) Agora, na Judeia, muitos querem vê-lo e ouvi-lo, mostrando uma atitude bem diferente da dos fariseus que comeram com ele.
O que Jesus diz a seguir tem um significado especial para seus discípulos: “Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.” Jesus já falou sobre isso, mas o que viu durante essa refeição enfatiza a urgência desse conselho. (Lucas 12:1; Marcos 8:15) Talvez os fariseus tentem esconder sua maldade com uma demonstração de devoção, mas isso é um perigo que precisa ser exposto. Jesus explica: “Não há nada cuidadosamente oculto que não venha a ser revelado, e não há nada secreto que não se torne conhecido.” — Lucas 12:2.
Pode ser que muitos que estão reunidos em volta de Jesus sejam da Judeia e não o ouviram ensinar na Galileia. Por isso, ele relembra os pontos principais e diz a todos os seus ouvintes: “Não temam os que matam o corpo e depois disso não podem fazer mais nada.” (Lucas 12:4) Assim como fez antes, ele enfatiza a necessidade de seus seguidores confiarem que Deus vai cuidar deles. Também precisam reconhecer o Filho do Homem e entender que Deus pode ajudá-los. — Mateus 10:19, 20, 26-33; 12:31, 32.
Então um homem na multidão mostra qual é sua principal preocupação quando diz: “Instrutor, diga a meu irmão que divida comigo a herança.” (Lucas 12:13) A Lei ordena que o filho mais velho receba duas partes da herança, por isso não deve haver disputa. (Deuteronômio 21:17) Mas parece que esse homem quer mais do que tem direito. Jesus sabiamente se recusa a se envolver nesse assunto. Ele pergunta: “Homem, quem me designou como juiz ou me deu o direito de repartir os bens entre vocês dois?” — Lucas 12:14.
Depois Jesus aconselha a todos os presentes: “Mantenham os olhos abertos e resguardem-se de todo tipo de ganância, porque, mesmo quando alguém tem abundância, sua vida não vem das coisas que possui.” (Lucas 12:15) Não importa quanta riqueza um homem tenha, algum dia ele morrerá e deixará tudo para trás. Jesus destaca esse ponto usando uma ilustração marcante que também mostra o valor de se ter um bom nome perante Deus.
Ele diz: “A terra de um homem rico produziu bem. Por isso, ele começou a raciocinar no íntimo: ‘O que farei agora que não tenho onde ajuntar minhas safras?’ E disse: ‘Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores, e ali ajuntarei todo o meu cereal e todos os meus bens; e direi a mim mesmo: “Você tem muitas coisas boas armazenadas para muitos anos. Descanse, coma, beba, divirta-se.”’ Mas Deus lhe disse: ‘Insensato, esta noite exigirão de você a sua vida. Quem terá então as coisas que você acumulou?’ Isso é o que acontece com o homem que acumula tesouros para si, mas não é rico para com Deus.” — Lucas 12:16-21.
Os discípulos de Jesus e os outros que estão ouvindo podem cair na armadilha de buscar ou acumular riquezas. Ou talvez as ansiedades da vida os distraiam do serviço de Jeová. Então Jesus relembra o excelente conselho que deu no Sermão do Monte cerca de um ano e meio antes.
Ele diz: “Parem de se preocupar tanto com a sua vida, quanto ao que comer, e com o seu corpo, quanto ao que vestir. . . . Vejam os corvos: eles não semeiam nem colhem, não têm nem celeiro nem depósito; contudo, Deus os alimenta. Será que vocês não valem muito mais do que as aves? . . . Vejam como os lírios crescem: eles não trabalham nem fiam; mas eu lhes digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestia como um deles. . . . Assim, parem de procurar o que comer e o que beber, e parem de ficar excessivamente preocupados . . . O seu Pai sabe que vocês necessitam dessas coisas. . . . Continuem a buscar o Reino dele, e essas coisas lhes serão acrescentadas.” — Lucas 12:22-31; Mateus 6:25-33.
Quem buscará o Reino de Deus? Jesus revela que um pequeno número, ou “pequeno rebanho”, de humanos fiéis fará isso. Mais tarde será revelado que esse número é apenas 144 mil. Qual é a esperança dessas pessoas? Jesus lhes garante: “O seu Pai se agradou de dar o Reino a vocês.” Eles não se concentrarão em conseguir tesouros na Terra, onde os ladrões podem roubar. Seu coração estará num ‘tesouro que nunca acaba, nos céus’, onde reinarão com Cristo. — Lucas 12:32-34.
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Mantenha-se pronto, administrador fielJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 78
Mantenha-se pronto, administrador fiel
O ADMINISTRADOR FIEL DEVE SE MANTER PRONTO
JESUS VEM CAUSAR DIVISÃO
Jesus explicou que apenas um “pequeno rebanho” receberá um lugar no Reino celestial. (Lucas 12:32) Mas receber essa maravilhosa recompensa não é algo de pouca importância. Ele enfatiza que, se alguém quer fazer parte do Reino, é muito importante ter uma atitude correta.
Assim, Jesus aconselha seus discípulos a se manterem prontos para sua volta. Ele diz: “Estejam vestidos e preparados, estejam com as suas lâmpadas acesas, sejam como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento, para que, quando ele vier e bater à porta, possam imediatamente abrir-lhe. Felizes aqueles escravos cujo senhor, quando vier, os encontrar vigiando!” — Lucas 12:35-37.
Os discípulos entendem facilmente a atitude que Jesus está descrevendo. Os servos que ele menciona estão prontos, esperando seu senhor voltar. Jesus explica: “Se [o senhor] vier na segunda vigília [de cerca das 9 horas da noite à meia-noite], ou mesmo na terceira [da meia-noite a cerca das 3 horas da madrugada], e os encontrar preparados, felizes são!” — Lucas 12:38.
Essas palavras são muito mais do que um conselho sobre serem servos zelosos, e isso fica evidente porque Jesus, o Filho do Homem, se inclui na ilustração. Ele diz a seus discípulos: “Vocês também, mantenham-se prontos, porque o Filho do Homem virá numa hora que vocês não acham provável.” (Lucas 12:40) Então Jesus virá em algum momento futuro e quer que seus seguidores, especialmente os do “pequeno rebanho”, estejam prontos.
Pedro quer entender claramente o que Jesus quer dizer, então lhe pergunta: “Senhor, essa ilustração é só para nós ou também para todos?” Em vez de dar uma resposta direta a Pedro, Jesus faz uma ilustração relacionada à primeira: “Quem é realmente o administrador fiel, o prudente, a quem o seu senhor encarregará do grupo de assistentes para sempre dar a eles a sua medida de mantimentos no tempo apropriado? Feliz aquele escravo se o seu senhor, quando vier, o encontrar fazendo isso! Digo a verdade a vocês: Ele o encarregará de todos os seus bens.” — Lucas 12:41-44.
Na primeira ilustração, fica claro que o “senhor” representa Jesus, o Filho do Homem. Assim, o “administrador fiel” se refere a alguns homens do “pequeno rebanho”, que receberá o Reino. (Lucas 12:32) Agora Jesus está dizendo que alguns membros do “pequeno rebanho” darão ao seu “grupo de assistentes” o sustento, “a sua medida de mantimentos no tempo apropriado”. Assim, Pedro e os outros discípulos, que Jesus está ensinando e alimentando espiritualmente, podem concluir que o Filho do Homem virá num período futuro. E nesse período estará funcionando um sistema para alimentar espiritualmente os seguidores de Jesus, o “grupo de assistentes” do Senhor.
Jesus destaca outro motivo para seus discípulos ficarem alertas e darem atenção à atitude deles. Eles poderiam se descuidar e até chegar ao ponto de se opor aos seus irmãos. Jesus diz: “Mas, se aquele escravo disser no coração: ‘Meu senhor demora a vir’, e começar a espancar os servos e as servas, e a comer, beber e se embriagar, o senhor daquele escravo virá num dia em que ele não espera e numa hora que ele não sabe, e o punirá com a maior severidade e lhe designará um lugar entre os infiéis.” — Lucas 12:45, 46.
Jesus diz que veio “acender um fogo na terra”. Ele levanta questões que causam grandes controvérsias e resultam no fim de ensinamentos e tradições falsas. Isso até mesmo causa divisões entre pessoas que deviam estar unidas, “pai contra filho e filho contra pai, mãe contra filha e filha contra mãe, sogra contra nora e nora contra sogra”. — Lucas 12:49, 53.
Essas palavras se aplicam especialmente aos seus discípulos. Agora Jesus se dirige às multidões. Muitas pessoas se recusam obstinadamente a aceitar as provas de que Jesus é o Messias, por isso ele lhes diz: “Quando vocês veem uma nuvem surgindo no ocidente, dizem imediatamente: ‘Vem uma tempestade’, e assim acontece. E, quando vocês veem soprar um vento sul, dizem: ‘Haverá uma onda de calor’, e assim ocorre. Hipócritas! Vocês sabem examinar a aparência da terra e do céu, mas como é que não sabem examinar este tempo específico?” (Lucas 12:54-56) Assim, fica claro que elas não estão prontas.
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Por que haverá destruiçãoJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 79
Por que haverá destruição
JESUS USA DUAS TRAGÉDIAS PARA ENSINAR UMA LIÇÃO
UMA MULHER ENCURVADA É CURADA NO SÁBADO
Jesus incentivou de muitas maneiras o povo a pensar no seu relacionamento com Deus. Então surge outra oportunidade após sua conversa com as pessoas no lado de fora da casa de um fariseu.
Alguns mencionam um triste acontecimento. Falam sobre “os galileus cujo sangue [o governador romano Pôncio] Pilatos havia misturado com os sacrifícios deles”. (Lucas 13:1) O que querem dizer?
Talvez esses galileus sejam os que foram mortos quando milhares de judeus protestaram contra Pilatos por ele ter usado o tesouro do templo para construir um aqueduto a fim de trazer água até Jerusalém. Pode ser que Pilatos tenha conseguido o dinheiro com o apoio dos oficiais do templo. Os que contaram a Jesus o que aconteceu talvez pensem que os galileus sofreram essa calamidade por causa da maldade deles, mas ele não concorda com isso.
Ele pergunta: “Vocês acham que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, porque sofreram essas coisas?” Jesus diz que não e usa o incidente para alertar os judeus: “A menos que se arrependam, todos vocês serão destruídos do mesmo modo.” (Lucas 13:2, 3) Então ele menciona outra tragédia que pode ter ocorrido há pouco tempo e estar relacionada à construção desse aqueduto.
Ele diz: “Aqueles 18 sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os — vocês acham que eles eram mais culpados do que todos os outros homens que moram em Jerusalém?” (Lucas 13:4) Talvez a multidão pense que essas pessoas morreram por alguma maldade que fizeram. Novamente, Jesus não concorda, pois sabe que “o tempo e o imprevisto” provavelmente são responsáveis por essa tragédia. (Eclesiastes 9:11) Mas os que estão ouvindo podem aprender uma lição desse acontecimento. Jesus diz: “A menos que se arrependam, todos vocês serão destruídos, como eles foram.” (Lucas 13:5) Mas por que só agora ele está enfatizando isso?
É por causa do período em que Jesus está no seu ministério. Por isso, ele faz a seguinte ilustração: “Um homem tinha uma figueira plantada no seu vinhedo e foi procurar fruto nela, mas não achou nenhum. Ele disse então ao homem que cuidava do vinhedo: ‘Agora já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira, mas não achei nenhum. Corte-a! Por que ela devia ocupar o solo inutilmente?’ Em resposta, o homem lhe disse: ‘Senhor, deixe-a por mais um ano. Eu vou cavar em volta dela e pôr estrume; se no futuro ela produzir fruto, muito bem, mas, se não, pode cortá-la.’” — Lucas 13:6-9.
Por mais de três anos, Jesus tentou cultivar a fé nos judeus. Mas poucos se tornaram seus discípulos e podem ser considerados fruto de seu trabalho. Agora, no quarto ano de seu ministério, ele intensifica seus esforços. Por pregar e ensinar na Judeia e na Pereia, é como se estivesse cavando e colocando adubo na figueira dos judeus. Mas apenas alguns reagem. A nação em geral se recusa a se arrepender, e agora a destruição a aguarda.
Pouco depois, num sábado, a falta de reação da maioria mais uma vez fica evidente. Jesus está ensinando em uma sinagoga, quando vê uma mulher que está encurvada já por 18 anos por causa de um demônio. Jesus lhe mostra compaixão, dizendo: “Mulher, você está livre da sua fraqueza.” (Lucas 13:12) Ele toca nela e, no mesmo momento, ela se endireita e começa a glorificar a Deus.
Com isso, o presidente da sinagoga fica furioso e diz: “Há seis dias em que se deve trabalhar; portanto, venham nesses dias e sejam curados, e não no dia de sábado.” (Lucas 13:14) Ele não está negando que Jesus tem o poder de realizar curas, mas está condenando as pessoas por virem no sábado para ser curadas. Em resposta, Jesus usa um raciocínio claro: “Hipócritas! Cada um de vocês, no sábado, não desata o seu touro ou o seu jumento da baia e o leva para beber água? Não deveria esta mulher, que é filha de Abraão e a quem Satanás manteve presa por 18 anos, ser libertada dessa prisão no dia de sábado?” — Lucas 13:15, 16.
Os opositores ficam envergonhados, mas as multidões se alegram ao ver as coisas gloriosas que Jesus faz. Agora na Judeia ele relembra duas ilustrações proféticas sobre o Reino, sobre as quais falou antes quando estava num barco no mar da Galileia. — Mateus 13:31-33; Lucas 13:18-21.
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O Bom Pastor e os apriscosJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 80
O Bom Pastor e os apriscos
JESUS FALA SOBRE O BOM PASTOR E OS APRISCOS
Enquanto Jesus ensina na Judeia, ele fala sobre algo que seus ouvintes conseguem facilmente visualizar, ovelhas e apriscos. Mas ele está falando em sentido figurado. Os judeus talvez se lembrem das palavras de Davi: “Jeová é o meu Pastor. Nada me faltará. Ele me faz deitar em verdes pastagens.” (Salmo 23:1, 2) Em outro salmo, Davi fez um convite à nação: “Ajoelhemo-nos diante de Jeová, aquele que nos fez. Pois ele é o nosso Deus, e nós somos o povo do seu pasto.” (Salmo 95:6, 7) Os israelitas que estão sob a Lei por muito tempo têm sido comparados a um rebanho de ovelhas.
Essas “ovelhas” estão num “aprisco” por terem nascido sob o pacto da Lei mosaica. A Lei serviu como uma cerca, separando-os das práticas corruptas dos que não estavam sob esse pacto. Mas alguns israelitas maltrataram o rebanho de Deus. Jesus declara: “Digo-lhes com toda a certeza: Quem não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e saqueador. Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.” — João 10:1, 2.
Talvez os ouvintes pensem nos homens que afirmaram ser o Messias, ou Cristo. Esses impostores são como ladrões e saqueadores, que as pessoas não devem seguir. Em vez disso, devem seguir “o pastor das ovelhas”, a respeito de quem Jesus agora fala.
Ele diz: “O porteiro abre para ele, e as ovelhas escutam a sua voz. Ele chama por nome as suas ovelhas e as leva para fora. Depois de retirar todas as suas ovelhas, ele vai à frente delas, e elas o seguem, porque conhecem a sua voz. De modo algum seguirão um estranho, mas fugirão dele, porque não conhecem a voz de estranhos.” — João 10:3-5.
Algum tempo antes, João Batista, como um porteiro, identificou Jesus como aquele a quem as ovelhas simbólicas que estão sob a Lei devem seguir. E algumas delas, na Galileia e na Judeia, reconheceram a voz de Jesus. Para onde ele vai levá-las? E qual será o resultado se o seguirem? Pode ser que alguns que ouvem essa ilustração se perguntem isso, pois ‘não entendem o que ele lhes diz’. — João 10:6.
Jesus explica: “Digo-lhes com toda a certeza: Eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram em meu lugar são ladrões e saqueadores; mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá, e achará pastagem.” — João 10:7-9.
Fica claro que Jesus está falando sobre algo novo. Seus ouvintes sabem que ele não é a porta para o pacto da Lei, que já existe por séculos. Então talvez ele esteja falando que as ovelhas que ele “leva para fora” vão entrar em outro aprisco. E qual será o resultado?
Jesus dá mais detalhes sobre seu papel: “Eu vim para que tivessem vida, e a tivessem na mais plena medida. Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (João 10:10, 11) Em outra ocasião, Jesus consolou seus discípulos por dizer: “Não tema, pequeno rebanho, porque o seu Pai se agradou de dar o Reino a vocês.” (Lucas 12:32) Os que fazem parte do “pequeno rebanho” são os que Jesus vai levar até um novo aprisco, para que ‘tenham vida, e a tenham na mais plena medida’. Que bênção é fazer parte desse rebanho!
Mas Jesus ainda não encerra o assunto. Ele diz: “Tenho outras ovelhas, que não são desse aprisco; a essas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, com um só pastor.” (João 10:16) Essas “outras ovelhas” não são “desse aprisco”, são de um aprisco diferente do “pequeno rebanho” que vai herdar o Reino. Esses apriscos, ou currais de ovelhas, têm esperanças diferentes. Mesmo assim, as ovelhas dos dois apriscos se beneficiarão do papel de Jesus. Ele diz: “É por isso que o Pai me ama, porque entrego a minha vida.” — João 10:17.
Muitos na multidão dizem: “Ele tem demônio e está louco.” Mas outros demonstram que estão ouvindo com interesse e se sentem motivados a seguir o Bom Pastor. Eles dizem: “Essas não são declarações de um homem endemoninhado. Será que um demônio pode abrir os olhos de cegos?” (João 10:20, 21) Pelo visto, estão se referindo a uma ocasião recente em que Jesus curou um cego.
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Jesus e o Pai são um, mas Jesus não é DeusJesus — o Caminho, a Verdade e a Vida
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CAPÍTULO 81
Jesus e o Pai são um, mas Jesus não é Deus
“EU E O PAI SOMOS UM”
JESUS DESMENTE A ACUSAÇÃO DE QUE É DEUS
Jesus vai a Jerusalém para a Festividade da Dedicação (ou Hanuká), quando se comemora a rededicação do templo. Há mais de um século, o rei sírio Antíoco IV Epifânio construiu um altar sobre o grande altar no templo de Deus. Mais tarde, os filhos de um sacerdote judeu reconquistaram Jerusalém e dedicaram novamente o templo a Jeová. Desde então, é realizada uma comemoração no dia 25 do mês de quisleu, que vai de meados de novembro a meados de dezembro.
É inverno e faz muito frio. Jesus está no templo, no Pórtico de Salomão, quando os judeus o rodeiam e pedem o seguinte: “Por quanto tempo você nos deixará na dúvida? Se você é o Cristo, diga-nos claramente.” (João 10:22-24) Jesus responde: “Eu lhes disse, e mesmo assim vocês não acreditam.” Ele não diz claramente que é o Cristo, assim como disse à samaritana quando estavam no poço. (João 4:25, 26) Mas revela sua identidade ao dizer: “Antes de Abraão vir à existência, eu já existia.” — João 8:58.
Jesus quer que as pessoas concluam por si mesmas que ele é o Cristo por comparar suas obras com as que foram profetizadas que o Cristo faria. É por isso que, em outras ocasiões, ele disse aos seus discípulos que não contassem a ninguém que ele era o Messias. Mas agora ele diz claramente a esses judeus opositores: “As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim. Mas vocês não acreditam.” — João 10:25, 26.
Por que não acreditam que Jesus é o Cristo? Ele diz: “Vocês não acreditam porque não são minhas ovelhas. Minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou vida eterna, e elas jamais serão destruídas, e ninguém as arrancará da minha mão. O que o meu Pai me deu é maior do que todas as outras coisas.” Depois ele indica que tem um relacionamento muito achegado com seu Pai: “Eu e o Pai somos um.” (João 10:26-30) Como Jesus está na Terra e seu Pai está no céu, ele não pode estar falando que os dois são literalmente um, mas que estão unidos no mesmo propósito.
As palavras de Jesus deixam os judeus tão furiosos que novamente pegam pedras para matá-lo. Mas ele não fica com medo e diz: “Eu lhes mostrei muitas boas obras da parte do Pai. Por qual dessas obras vocês vão me apedrejar?” Eles respondem: “Nós não vamos apedrejá-lo por uma boa obra, mas por blasfêmia; pois você . . . se faz um deus.” (João 10:31-33) Jesus nunca afirmou que é um deus, então por que fazem essa acusação?
Os judeus acreditam que os poderes que Jesus afirma ter pertencem apenas a Deus. Por exemplo, em relação às “ovelhas”, Jesus diz: “Eu lhes dou vida eterna”, algo que humanos não podem fazer. (João 10:28) Os judeus ignoram que ele admitiu claramente que recebeu autoridade de seu Pai.
Jesus responde à falsa acusação deles: “Não está escrito na sua Lei [no Salmo 82:6]: ‘Eu disse: “Vocês são deuses”’? Se aqueles contra quem se dirigiu a palavra de Deus foram chamados de ‘deuses’ . . . vocês dizem a mim, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo: ‘Você blasfema’, porque eu disse: ‘Sou Filho de Deus’?” — João 10:34-36.
Se as Escrituras chamam até humanos injustos de “deuses”, por que esses judeus acusam Jesus de dizer que é “Filho de Deus”? Ele diz algo que devia convencê-los: “Se não faço as obras do meu Pai, não acreditem em mim. Mas, se eu as faço, mesmo que não acreditem em mim, acreditem nas obras, para que saibam e acreditem que o Pai está em união comigo e eu em união com o Pai.” — João 10:37, 38.
Em resposta, os judeus tentam prender Jesus, mas ele escapa novamente. Depois sai de Jerusalém e atravessa o rio Jordão até a região onde João começou a batizar quase quatro anos antes.
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