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Agrademos a Jeová por mostrarmos benignidadeA Sentinela — 1991 | 15 de julho
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Agrademos a Jeová por mostrarmos benignidade
“O que é que Jeová pede de volta de ti senão que exerças a justiça, e ames a benignidade, e andes modestamente com o teu Deus?” — MIQUÉIAS 6:8.
1. Por que não nos deve surpreender que Jeová espere que seu povo mostre benignidade?
JEOVÁ espera que seu povo demonstre benignidade. Isto não nos devia surpreender. O próprio Deus é benigno para com todos, até mesmo para com iníquos ingratos. Sobre isto, Jesus Cristo disse a seus discípulos: “Continuai a amar os vossos inimigos e a fazer o bem, e a emprestar sem juros, não esperando nada de volta; e a vossa recompensa será grande, e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é benigno para com os ingratos e os iníquos. Continuai a tornar-vos misericordiosos, assim como vosso Pai é misericordioso.” — Lucas 6:35, 36.
2. Que perguntas sobre benignidade merecem nossa consideração?
2 Como diz Miquéias 6:8, os que andam com Deus têm de realmente ‘amar a benignidade’. Obviamente, Jeová se agrada quando seus servos amam a benignidade e demonstram-na com sinceridade. Mas o que é benignidade? Que benefícios resultam de demonstrá-la? E como se pode demonstrar esta qualidade?
O Que É Benignidade
3. Como definiria benignidade?
3 Benignidade é a qualidade de interessar-se ativamente em outros. É demonstrada por meio de ações prestimosas e palavras atenciosas. Ser benigno significa fazer o bem, em vez de o mal. A pessoa benigna é amistosa, gentil, compreensiva e afável. Sua atitude para com outros é generosa e atenciosa. E a benignidade é parte do tecido da vestimenta figurativa de todo cristão verdadeiro, pois Paulo instou: “Revesti-vos das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade.” — Colossenses 3:12.
4. De que modo Jeová tem tomado a dianteira em mostrar benignidade para com a humanidade?
4 Jeová toma a dianteira em mostrar benignidade. Como disse o apóstolo Paulo, foi “quando se manifestou a benignidade e o amor ao homem da parte de nosso Salvador, Deus”, “segundo a sua misericórdia, [que] ele nos salvou por intermédio do banho que nos trouxe à vida, e por nos fazer novos por espírito santo”. (Tito 3:4, 5) Deus purifica, ou ‘banha’, os cristãos ungidos no sangue de Jesus, aplicando o mérito do sacrifício de resgate de Cristo em favor deles. São também feitos novos por meio do espírito santo, tornando-se “uma nova criação” como filhos de Deus gerados pelo espírito. (2 Coríntios 5:17) Naturalmente, a benignidade e o amor de Deus para com o homem estendem-se também a uma internacional “grande multidão”, que ‘lavou as suas vestes compridas e as embranqueceu no sangue do Cordeiro’. (Revelação [Apocalipse] 7:9, 14; 1 João 2:1, 2) Ademais, os ungidos e a grande multidão, esta com esperança terrestre, estão todos sob o jugo “benévolo” de Jesus. — Mateus 11:30.
5. Por que devemos esperar que os que são conduzidos pelo espírito de Deus mostrem benignidade para com outros?
5 A benignidade é também um dos frutos do espírito santo, ou força ativa, de Deus. Disse Paulo: “Os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio. Contra tais coisas não há lei.” (Gálatas 5:22, 23) Portanto, o que devemos esperar daqueles que são conduzidos pelo espírito de Deus? Por certo, mostrarão benignidade para com outros.
6. A benignidade deve fazer com que anciãos e outros cristãos ajam de que maneira?
6 Pode-se demonstrar benignidade de muitas maneiras. Mostramos benignidade quando somos misericordiosos. Por exemplo, os anciãos cristãos são benignos quando estendem misericórdia a um transgressor arrependido e tentam ajudá-lo espiritualmente. A qualidade da benignidade que emana de Deus faz com que os superintendentes sejam pacientes, compreensivos, compassivos e brandos. Leva-os a ‘tratar o rebanho com ternura’. (Atos 20:28, 29) De fato, a benignidade, como fruto do espírito, devia tornar todos os cristãos misericordiosos, pacientes, compreensivos, compassivos, amigáveis e hospitaleiros.
Evite a Falsa Benignidade
7. Por que diria que a falsa benignidade é fraqueza?
7 Alguns consideram a benignidade como fraqueza. Acham que a pessoa tem de ser dura, até mesmo rude, às vezes, para que outros se impressionem com a sua força. Mas, tem-se dito acertadamente que a “rudeza é a imitação que o homem fraco faz da força”. Na verdade, é necessário força tanto para ser realmente benigno como para evitar a falsa benignidade. A benignidade como fruto do espírito de Deus não é uma atitude fraca e transigente para com a conduta errada. Na realidade, a falsa benignidade é uma fraqueza que leva a pessoa a tolerar a transgressão.
8. (a) Com respeito a seus filhos, como mostrou Eli ser indulgente? (b) Por que os anciãos têm de precaver-se contra sucumbir à falsa benignidade?
8 O sumo sacerdote Eli, de Israel, era indulgente na disciplina de seus filhos, Hofni e Finéias, que serviam como sacerdotes no tabernáculo. Não satisfeitos com a parte dos sacrifícios que lhes cabia segundo a Lei de Deus, eles faziam com que um ajudante exigisse carne crua dos ofertantes antes que a gordura da oferta fosse feita fumegar sobre o altar. Os filhos de Eli mantinham também relações imorais com mulheres que serviam na entrada do tabernáculo. Mas, em vez de destituir do cargo Hofni e Finéias, Eli meramente os repreendia brandamente, honrando seus filhos mais do que a Deus. (1 Samuel 2:12-29) Não é de admirar que “a palavra da parte de Jeová havia ficado rara naqueles dias!” (1 Samuel 3:1) Portanto, os anciãos cristãos não devem sucumbir ao falso raciocínio ou manifestar uma falsa benignidade que poderia pôr em risco a espiritualidade da congregação. A verdadeira benignidade não é cega a palavras e a ações vis que violam as normas de Deus.
9. (a) Que atitude pode ajudar-nos a evitar sucumbir à falsa benignidade? (b) Como mostrou Jesus força ao lidar com religiosos apóstatas?
9 Se havemos de evitar mostrar falsa benignidade, temos de orar pela ajuda de Deus para que tenhamos tal força, como era evidente nas palavras do salmista: “Afastai-vos de mim, malfeitores, para que eu observe os mandamentos de meu Deus.” (Salmo 119:115) Temos também de seguir o exemplo de Jesus Cristo, que nunca mostrou falsa benignidade. De fato, Jesus era a própria personificação da verdadeira benignidade. Por exemplo, ‘ele sentia terna afeição pelas pessoas porque eram esfoladas e empurradas dum lado para outro como ovelhas sem pastor’. Por conseguinte, pessoas sinceras sentiam-se à vontade para se aproximar de Jesus, até mesmo trazendo-lhe seus filhinhos. E imagine a benignidade e compaixão demonstradas por Jesus quando “tomou as criancinhas nos seus braços e começou a abençoá-las”! (Mateus 9:36; Marcos 10:13-16) Embora fosse benigno, Jesus era não obstante firme pelo que era direito aos olhos de seu Pai celestial. Jesus nunca fechou os olhos ao mal; ele tinha a força conferida por Deus para denunciar os hipócritas líderes religiosos. Em Mateus 23:13-26, ele repetiu várias vezes a declaração: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!” Em todas as vezes, Jesus deu o motivo da condenação divina.
A Benignidade Relacionada com o Amor
10. Como demonstram os discípulos de Jesus benignidade e amor com relação a concrentes?
10 A respeito de seus seguidores, disse Jesus: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) E qual é uma das facetas do amor que identifica os verdadeiros discípulos de Jesus? Paulo disse: “O amor é longânime e benigno.” (1 Coríntios 13:4) Ser longânime e benigno significa que suportamos as imperfeições e falhas de outros, como Jeová tão benignamente faz. (Salmo 103:10-14; Romanos 2:4; 2 Pedro 3:9, 15) O amor e a benignidade cristãos manifestam-se também quando concrentes em alguma parte da terra sofrem dificuldades. Reagindo com mais do que mero “humanitarismo”, cristãos em outras partes mostram amor fraternal doando coisas materiais para ajudar a tais adoradores de Jeová. — Atos 28:2.
11. Em sentido bíblico, o que é benevolência?
11 A benignidade relaciona-se com o amor na palavra “benevolência”, usada muitas vezes nas Escrituras. Trata-se de benignidade derivada de amor leal. O substantivo hebraico traduzido por “benevolência” (hhé·sedh) inclui mais do que terna consideração. Trata-se de benignidade que amorosamente se apega a um objeto até que seu propósito com relação a este se realize. A benevolência, ou amor leal, de Jeová, é demonstrada de várias maneiras. Por exemplo, vê-se nos seus atos de livramento e proteção. — Salmo 6:4; 40:11; 143:12.
12. Quando os servos de Jeová oram por ajuda ou livramento, do que podem estar certos?
12 Não é de admirar que a benevolência de Jeová atraia pessoas a ele! (Jeremias 31:3) Quando os servos fiéis de Deus necessitam de livramento ou ajuda, eles sabem que a Sua benevolência é deveras amor leal, que não os deixará na mão. Assim, podem orar com fé, como fez o salmista, que disse: “Quanto a mim, confiei na tua benevolência; jubile meu coração na tua salvação.” (Salmo 13:5) Visto que o amor de Deus é leal, seus servos não confiam na Sua benevolência em vão. Quando oram por ajuda ou livramento, eles têm esta garantia: “Jeová não abandonará seu povo, nem deixará sua própria herança.” — Salmo 94:14.
Recompensas da Benignidade
13, 14. Por que uma pessoa benigna tem amigos leais?
13 Em imitação de Jeová, seus servos ‘praticam mutuamente benevolência e misericórdias’. (Zacarias 7:9; Efésios 5:1) “A coisa desejável no homem terreno é a sua benevolência”, e a pessoa que manifesta esta qualidade colhe ricas recompensas. (Provérbios 19:22) Quais são algumas destas?
14 A benignidade faz com que usemos de tato, ajudando-nos assim a manter uma boa relação com outros. A pessoa de tato diz e faz coisas, ou lida com situações difíceis, de modo polido e sem ofender. Ao passo que a “pessoa cruel” sofre banimento, “o homem de benevolência age de modo recompensador com a sua própria alma”. (Provérbios 11:17) As pessoas evitam alguém cruel, mas sentem-se atraídas a quem lhes mostra benevolência. Assim, a pessoa benigna tem amigos leais. — Provérbios 18:24.
15. Que efeito pode a benignidade ter numa casa dividida em sentido religioso?
15 A esposa cristã que tem marido descrente pode atraí-lo à verdade de Deus por meio da qualidade da benignidade. Antes de ter aprendido a verdade e se revestido da “nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade”, ela talvez tivesse sido maldosa, até mesmo contenciosa. (Efésios 4:24) Se seu marido conhecesse alguns provérbios, talvez concordasse prontamente que “as contendas duma esposa são como a goteira do telhado, que afugenta”, e “melhor é morar numa terra erma, do que com uma esposa contenciosa junto com vexame”. (Provérbios 19:13; 21:19) Mas agora, a conduta casta e o profundo respeito da esposa cristã, junto com qualidades tais como a benignidade, talvez ajudem a ganhar o marido para a verdadeira fé. (1 Pedro 3:1, 2) Sim, esta pode ser uma recompensa de sua benignidade.
16. Como nos podemos beneficiar da benignidade que nos é demonstrada?
16 A benignidade que nos é demonstrada pode ser benéfica por tornar-nos mais compassivos e perdoadores. Por exemplo, se temos necessidade de receber ajuda espiritual e somos tratados de modo benigno e brando, não nos torna isso mais propensos a tratar os outros da mesma maneira? Bem, o tratamento brando e benigno é esperado de homens espiritualmente qualificados, pois Paulo escreveu: “Irmãos, mesmo que um homem dê um passo em falso antes de se aperceber disso, vós, os que tendes qualificações espirituais, tentai reajustar tal homem num espírito de brandura, ao passo que cada um olha para si mesmo, para que tu não sejas também tentado.” (Gálatas 6:1) Anciãos designados falam branda e benignamente ao tentarem ajudar concrentes errantes. Quer tenhamos pessoalmente recebido tal tipo de ajuda, quer não, contudo, o que espera Deus de todos os que o servem? Todos os cristãos devem ser benignos para com outros e devem acatar o conselho de Paulo: “Tornai-vos benignos uns para com os outros, ternamente compassivos, perdoando-vos liberalmente uns aos outros, assim como também Deus vos perdoou liberalmente por Cristo.” (Efésios 4:32) Naturalmente, se tivermos sido perdoados por alguém, ou tivermos sido ajudados a superar uma dificuldade espiritual de modo benigno, isto deve aumentar a nossa própria capacidade de sermos perdoadores, compassivos e benignos.
Tenhamos Apreço Pela Benignidade Imerecida de Deus
17. Visto que somos pecadores de nascença, por que benignidade devemos ser especialmente gratos?
17 Visto que todos nós nascemos como pecadores condenados à morte, existe uma benignidade pela qual temos de ser especialmente gratos. Trata-se da benignidade imerecida de Jeová Deus. O fato de pecadores serem livrados da condenação à morte e serem declarados justos é benignidade totalmente imerecida. Paulo, que nas suas 14 cartas inspiradas referiu-se 90 vezes à benignidade imerecida de Deus, disse aos cristãos na antiga Roma: “Todos pecaram e não atingem a glória de Deus, e é como dádiva gratuita que estão sendo declarados justos pela benignidade imerecida dele, por intermédio do livramento pelo resgate pago por Cristo Jesus.” (Romanos 3:23, 24) Quão grande deve ser o nosso apreço pela benignidade imerecida de Jeová Deus!
18, 19. Como podemos evitar desacertar o propósito da benignidade imerecida de Deus?
18 Se não tivermos apreço, talvez desacertemos o propósito da benignidade imerecida de Deus. Sobre isso, Paulo disse: “Somos, portanto, embaixadores, substituindo a Cristo, como se Deus instasse por nosso intermédio. Rogamos, como substitutos de Cristo: ‘Sede reconciliados com Deus.’ Aquele que não conheceu pecado, ele fez pecado por nós, para que, por meio dele, nos tornássemos a justiça de Deus. Cooperando com ele, também nós instamos convosco para que não aceiteis a benignidade imerecida de Deus e desacerteis o propósito dela. Pois ele diz [em Isaías 49:8, Septuaginta]: ‘Num tempo aceitável te ouvi e num dia de salvação te ajudei.’ Eis que agora é o tempo especialmente aceitável. Eis que agora é o dia de salvação. De modo algum damos qualquer causa para tropeço, para que não se ache falta no nosso ministério; mas, recomendamo-nos de todo modo como ministros de Deus.” (2 Coríntios 5:20-6:4) O que tinha Paulo em mente?
19 Os cristãos ungidos são embaixadores que substituem a Cristo, e a grande multidão são Seus enviados. Juntos, instam as pessoas a se reconciliarem com Deus, para que ganhem a salvação. Paulo não queria que alguém recebesse a benignidade imerecida de Jeová Deus, por meio de Jesus Cristo, e desacertasse o propósito dela. Isto pode acontecer conosco, se deixamos de fazer a obra para a qual essa benignidade imerecida nos habilitou. Tendo boas relações com Deus quais pessoas reconciliadas com ele, não estaremos recebendo sua benignidade imerecida em vão se executarmos “o ministério da reconciliação, a saber, que Deus, por meio de Cristo, estava reconciliando o mundo consigo mesmo”. (2 Coríntios 5:18, 19) Nós também estaremos demonstrando aos outros a maior benignidade por ajudá-los a se reconciliarem com Deus.
20. O que examinaremos a seguir?
20 Os servos de Jeová usam seu tempo e seus recursos em atos de benignidade quando tentam ajudar espiritualmente as pessoas por meio do ministério cristão. Mas, o que podemos aprender de exemplos bíblicos de benignidade em ação? Examinemos alguns destes, e consideremos outras maneiras de agradar a Jeová por mostrar benignidade.
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Empenhemo-nos sempre pela benevolênciaA Sentinela — 1991 | 15 de julho
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Empenhemo-nos sempre pela benevolência
“Quem se empenha pela justiça e pela benevolência achará vida, justiça e glória.” — PROVÉRBIOS 21:21.
1. Por que devemos esperar que os que são guiados pelo espírito de Deus mostrem benignidade?
JEOVÁ é benigno e compassivo. Ele é um “Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e em verdade”. (Êxodo 34:6, 7) Portanto, é compreensível que entre os frutos de seu espírito santo figurem o amor e a benignidade. — Gálatas 5:22, 23.
2. Que exemplos consideraremos agora?
2 Os que são guiados pelo espírito santo, ou força ativa, de Jeová, demonstram benignidade, um dos frutos deste espírito. Mostram benevolência nos seus relacionamentos com outros. Realmente, seguem o exemplo do apóstolo Paulo, recomendando a si mesmos como ministros de Deus “pela benignidade” e de outras maneiras. (2 Coríntios 6:3-10) Sua índole benigna, compassiva e perdoadora harmoniza-se com a personalidade de Jeová, que é “abundante em benevolência” e em cuja Palavra há muitos exemplos de benignidade. (Salmo 86:15; Efésios 4:32) O que podemos aprender de alguns destes?
A Benignidade Nos Torna Altruístas e Hospitaleiros
3. De que modo Abraão foi exemplar em mostrar benignidade, e que encorajamento dá Paulo neste respeito?
3 O patriarca Abraão (Abrão) — “amigo de Jeová” e “pai de todos os que têm fé” — deu excelente exemplo em mostrar benignidade. (Tiago 2:23; Romanos 4:11) Ele e sua família, incluindo seu sobrinho Ló, deixaram a cidade caldéia de Ur e entraram em Canaã, sob as ordens de Deus. Embora Abraão fosse o mais velho e o cabeça da família, foi benigno e altruísta ao deixar Ló ficar com as melhores terras de pastagem, ao passo que ele mesmo ficou com o que sobrara. (Gênesis 13:5-18) Similar benignidade pode mover-nos a permitir que outros tenham vantagens à nossa custa. Tal benignidade altruísta se harmoniza com o conselho do apóstolo Paulo: “Que cada um persista em buscar, não a sua própria vantagem, mas a da outra pessoa.” O próprio Paulo ‘agradava a todos em todas as coisas, não buscando a sua própria vantagem, mas a dos muitos, a fim de que fossem salvos’. — 1 Coríntios 10:24, 33.
4. Como foram Abraão e Sara recompensados por mostrarem benignidade na forma de hospitalidade?
4 Às vezes, a benignidade assume a forma de hospitalidade sincera. Abraão e sua esposa, Sara, foram benignos e hospitaleiros com três estranhos que certo dia passaram por onde eles moravam. Abraão conseguiu convencê-los a ficar por algum tempo, enquanto ele e Sara rapidamente prepararam uma excelente refeição para tais visitantes. Esses estranhos eram na verdade anjos de Jeová, um dos quais sendo portador da promessa de que a idosa Sara, que não tinha filhos, teria um filho. (Gênesis 18:1-15) Que recompensa pela bondosa hospitalidade!
5. De que modo Gaio mostrou benignidade, e como podemos fazer algo similar?
5 Uma das maneiras pelas quais todos os cristãos podem mostrar benignidade é sendo hospitaleiros. (Romanos 12:13; 1 Timóteo 3:1, 2) Assim, os servos de Jeová benignamente mostram hospitalidade para com superintendentes viajantes. Isto faz lembrar a benignidade demonstrada por Gaio, um cristão do primeiro século. Ele fez uma “obra fiel” em acolher hospitaleiramente irmãos visitantes — e estes eram “estranhos”, que ele não conhecia antes. (3 João 5-8) Em geral, nós conhecemos os a quem podemos bondosamente mostrar hospitalidade. Talvez notemos que certa irmã espiritual se sente desalentada. Seu esposo talvez seja descrente, ou até mesmo desassociado. Que oportunidade de mostrar benignidade por convidá-la de tempos a tempos a usufruir companheirismo espiritual e uma refeição com a nossa família! Embora talvez não possamos oferecer um banquete, certamente nossa família encontrará alegria em mostrar benignidade a tal irmã. (Compare isto com Provérbios 15:17.) E ela sem dúvida expressará sua gratidão por isso oralmente ou por meio de uma gentil nota de agradecimentos.
6. Como mostrou Lídia benignidade, e por que é importante mostrar apreço por atos benignos?
6 Depois que a devota Lídia fora batizada, ela “disse, suplicando: ‘Se vós [Paulo e seus companheiros] me julgastes fiel a Jeová, entrai na minha casa e ficai.’ E ela simplesmente nos fez ir”, acrescentou Lucas. Sem dúvida, a benignidade de Lídia foi apreciada. (Atos 16:14, 15, 40) Deixar de mostrar apreço, porém, pode ser devastador. Certa vez, uma irmã de 80 anos, de limitadas forças e recursos, bondosamente se esforçou para preparar uma refeição para alguns convidados. Ela ficou especialmente desapontada porque um dos jovens varões convidados nem mesmo avisou-a de que não poderia comparecer. Noutra ocasião, duas irmãs não compareceram a uma refeição que uma jovem mulher preparara especialmente para elas. “Fiquei arrasada”, disse ela, “pois nenhuma das duas havia-se esquecido. . . . Eu preferiria saber que elas tivessem esquecido a respeito da refeição, mas, em vez disso, nenhuma das duas foi suficientemente bondosa e amorosa para me avisar”. Será que a benignidade, como fruto do espírito santo, o induziria a ser apreciativo e atencioso sob circunstâncias similares?
A Benignidade Faz-nos Mostrar Consideração
7. Que ponto sobre benignidade ilustra o esforço feito para atender aos desejos de Jacó relacionados com o seu sepultamento?
7 A benignidade faz com que mostremos consideração para com outros e seus desejos corretos. Para ilustrar: Jacó (Israel) pediu a seu filho José que mostrasse benevolência para com ele por não sepultá-lo no Egito. Embora isso exigisse que o corpo de Jacó fosse transportado a uma boa distância, José e os outros filhos de Jacó “transportaram-no assim para a terra de Canaã e enterraram-no na caverna do campo de Macpela, o campo que Abraão comprara de Efrom, o hitita, como propriedade duma sepultura, defronte de Manre”. (Gênesis 47:29; 49:29-31; 50:12, 13) Em harmonia com este exemplo, não devia a benevolência nos induzir a atender aos desejos biblicamente aceitáveis, relacionados com arranjos de sepultamento de um membro de uma família cristã?
8. O que nos ensina o caso de Raabe a respeito de recompensar a benignidade?
8 Quando outros nos mostram benevolência, não devíamos de algum modo expressar apreço ou reciprocidade? Certamente que sim. Raabe, a meretriz, mostrou benignidade por esconder os espias israelitas. Assim, os israelitas mostraram benevolência por preservar a ela e a membros de sua família quando destruíram a cidade de Jericó. (Josué 2:1-21; 6:20-23) Que excelente exemplo, indicando que devemos corresponder à benignidade por mostrarmos consideração e ser benignos!
9. Por que diria que é correto pedir a alguém que nos trate com benevolência?
9 Neste respeito, é correto pedir a alguém que mostre benevolência para conosco. Isto foi feito por Jonatã, filho do primeiro rei de Israel, Saul. Jonatã pediu a seu amado amigo mais novo, Davi, que mostrasse benevolência para com ele e sua casa. (1 Samuel 20:14, 15; 2 Samuel 9:3-7) Davi lembrou-se disso quando vingou os gibeonitas, injustiçados por Saul. Lembrando-se do “juramento de Jeová” entre ele e Jonatã, Davi mostrou benevolência poupando a vida do filho de Jonatã, Mefibosete. (2 Samuel 21:7, 8) Será que nós também ‘fazemos com que o nosso Sim signifique Sim’? (Tiago 5:12) E, se somos anciãos congregacionais, somos similarmente compassivos quando é necessário mostrar benevolência a concrentes?
A Benignidade Fortalece os Vínculos
10. De que modo foi abençoada a benevolência de Rute?
10 A benevolência fortalece os vínculos familiares e promove a felicidade. Foi assim no caso da moabita Rute. Ela respigava diligentemente no campo do idoso Boaz, perto de Belém, providenciando alimento para si mesma e para sua sogra enviuvada e necessitada, Noemi. (Rute 2:14-18) Boaz mais tarde disse a Rute: “Expressaste a tua benevolência melhor no último caso do que no primeiro, não indo atrás dos jovens, quer o de condição humilde, quer o rico.” (Rute 3:10) Primeiro, Rute mostrou benevolência com Noemi. “No último caso”, a moabita mostrou benevolência por estar disposta a se casar com o idoso Boaz, a fim de suscitar um nome para seu falecido esposo e para a idosa Noemi. Por meio de Boaz, Rute tornou-se mãe do avô de Davi, Obede. E Deus deu a ela o “salário perfeito” de ser ancestral de Jesus Cristo. (Rute 2:12; 4:13-17; Mateus 1:3-6, 16; Lucas 3:23, 31-33) Quantas bênçãos a benevolência de Rute trouxe para si mesma e para sua família! Também hoje, quando a benevolência floresce em lares piedosos, o resultado são bênçãos, felicidade e o fortalecimento de vínculos familiares.
11. Que efeito teve a benignidade de Filêmon?
11 A benignidade fortalece os vínculos nas congregações do povo de Jeová. O cristão Filêmon era conhecido por ser benevolente com concrentes. Paulo disse-lhe: “Sempre agradeço a meu Deus ao fazer menção de ti nas minhas orações, pois continuo a ouvir falar do teu amor e da fé que tens para com o Senhor Jesus e para com todos os santos . . . tive muita alegria e consolo com o teu amor, visto que as ternas afeições dos santos foram reanimadas por intermédio de ti, irmão.” (Filêmon 4-7) As Escrituras não dizem de que modo as ternas afeições dos santos foram reanimadas por meio de Filêmon. Contudo, ele deve ter mostrado benevolência para com seus companheiros ungidos de várias maneiras, o que mostrou ser reanimador para eles, e isto sem dúvida fortaleceu os vínculos entre eles. Coisas similares acontecem quando os cristãos hoje demonstram benevolência.
12. O que resultou da benignidade mostrada por Onesíforo?
12 A benignidade de Onesíforo também teve bom efeito. “O Senhor conceda misericórdia à família de Onesíforo”, disse Paulo, “porque ele muitas vezes me trouxe revigoramento e não se envergonhou das minhas cadeias. Ao contrário, quando ele estava em Roma, procurou-me diligentemente e me achou. O Senhor lhe conceda achar naquele dia misericórdia da parte de Jeová. E sabes muito bem todos os serviços que ele prestou em Éfeso”. (2 Timóteo 1:16-18) Se nos esforçamos para sermos benevolentes com co-adoradores, seremos felizes e estaremos fortalecendo os vínculos de afeição fraternal na congregação cristã.
13, 14. De que modo era exemplar a congregação em Filipos, e como correspondeu Paulo à benignidade dela?
13 Quando uma inteira congregação mostra benevolência com co-adoradores, isto fortalece os vínculos entre eles. Tal vínculo estreito existia entre Paulo e a congregação na cidade de Filipos. De fato, um dos motivos pelos quais ele escreveu sua carta aos filipenses foi para expressar gratidão pela benignidade deles e pela ajuda material que lhe deram. Ele escreveu: “Quando se principiou a declarar as boas novas, quando parti da Macedônia, nenhuma congregação tomou parte comigo no assunto de dar e de receber, exceto somente vós; porque até mesmo me enviastes algo a Tessalônica, tanto uma vez como uma segunda vez, para as minhas necessidades. . . . tenho plenamente todas as coisas e tenho abundância. Estou suprido, agora que recebi de Epafrodito as coisas provenientes de vós, um cheiro fragrante, um sacrifício aceitável, bem agradável a Deus.” — Filipenses 4:15-18.
14 Não é de admirar que os benignos filipenses fossem lembrados nas orações de Paulo! Ele disse: “Agradeço sempre a meu Deus, cada vez que me lembro de vós em toda súplica minha a favor de todos vós, ao oferecer a minha súplica com alegria, por causa da contribuição que fizestes para as boas novas, desde o primeiro dia até este momento.” (Filipenses 1:3-5) Tal apoio benigno e generoso à obra de pregação do Reino jamais empobrece uma congregação. Depois que os filipenses benignamente fizeram o possível neste respeito, Paulo assegurou-lhes: “Meu Deus, por sua vez, suprirá plenamente todas as vossas necessidades ao alcance das suas riquezas, em glória, por meio de Cristo Jesus.” (Filipenses 4:19) Sim, Deus recompensa a benignidade e a generosidade. A sua Palavra diz: “Cada um, qualquer que seja o bem que fizer, receberá isso de volta de Jeová.” — Efésios 6:8.
Quando Mulheres São Benignas
15, 16. (a) De que modo foi lembrada a benignidade de Dorcas, e o que aconteceu quando ela morreu? (b) De que modo bondosas mulheres cristãs são abundantes em boas ações hoje?
15 A benevolência da discípula Dorcas (Tabita), de Jope, não ficou sem recompensa. “Ela abundava em boas ações e nas dádivas de misericórdia”, e, quando “adoeceu e morreu”, os discípulos mandaram chamar Pedro, em Lida. Ao chegar, “conduziram-no para cima ao quarto de andar superior; e todas as viúvas apresentaram-se a ele chorando e mostrando muitas roupas interiores e roupas exteriores que Dorcas costumava fazer enquanto estava com elas”. Visualize a cena: Tristes viúvas em prantos diziam ao apóstolo quão benigna Dorcas havia sido, e mostravam-lhe aquelas vestimentas como evidência de seu amor e benignidade. Despedindo a todos, Pedro ajoelhou-se em oração e voltou-se para o corpo. Ouça! Ele disse: “Tabita, levanta-te!” Imagine! “Ela abriu os olhos, e, avistando Pedro, sentou-se. Dando-lhe a mão, ele a levantou e chamou os santos, e as viúvas, e a apresentou viva.” (Atos 9:36-41) Que bênção da parte de Deus!
16 Esta foi a primeira ressurreição realizada por um apóstolo de Jesus Cristo de que há registro. E as circunstâncias que levaram a este milagre maravilhoso enraizavam-se na benignidade. Quem garante que Dorcas teria sido ressuscitada se não fosse pródiga em boas ações e dádivas de misericórdia — se não fosse abundante em benevolência? Dorcas e aquelas viúvas não apenas foram abençoadas, mas, o milagre de sua ressurreição foi um testemunho para a glória de Deus. Sim, “isto se tornou conhecido em toda a Jope, e muitos ficaram crentes no Senhor”. (Atos 9:42) Atualmente, bondosas mulheres cristãs também são abundantes em boas ações — talvez costurando para concrentes, preparando refeições para os idosos no nosso meio, sendo hospitaleiras. (1 Timóteo 5:9, 10) Que testemunho para os observadores! Acima de tudo, quão felizes somos de que a devoção piedosa e a benevolência induz este ‘grande exército de mulheres a declarar as boas novas’ para a glória de nosso Deus, Jeová! — Salmo 68:11.
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17. O que diz Provérbios 21:21, e como se aplicam essas palavras a pessoas piedosas?
17 Todos os que desejam ter o favor de Deus têm de empenhar-se pela benevolência. “Quem se empenha pela justiça e pela benevolência achará vida, justiça e glória”, diz um sábio provérbio. (Provérbios 21:21) A pessoa piedosa empenha-se diligentemente pela justiça de Deus, sendo sempre guiada por padrões divinos. (Mateus 6:33) Mostra continuamente amor leal, ou benevolência, a outros em sentido material e, especialmente, espiritual. Assim, ela ‘acha’ a justiça, pois o espírito de Jeová ajuda-a a viver de maneira justa. De fato, ela está ‘vestida de justiça’, como estava o piedoso Jó. (Jó 29:14) Tal pessoa não busca a sua própria glória. (Provérbios 25:27) Em vez disso, ela obtém a glória que Jeová permite que ela receba, talvez em forma de respeito da parte de outros seres humanos induzidos por Deus a lidarem benignamente com ela por causa de sua própria benevolência para com eles. Ademais, os que lealmente fazem a vontade de Deus encontrarão a vida — não apenas para poucos anos fugazes, mas, para sempre.
18. Por que nos devemos empenhar pela benevolência?
18 Por conseguinte, que todos os que amam a Jeová Deus continuem a empenhar-se pela benevolência. Esta qualidade nos torna benquistos a Deus e a outros. Promove a hospitalidade e faz-nos mostrar consideração. A benignidade fortalece os vínculos na família e na congregação cristã. As mulheres que mostram benevolência são apreciadas e altamente estimadas. E todos os que se empenham por essa esplêndida qualidade trazem glória para o Deus de benevolência, Jeová.
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