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Dois reis em conflitoPreste Atenção à Profecia de Daniel!
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CAPÍTULO TREZE
Dois reis em conflito
1, 2. Por que nos deve interessar a profecia registrada no capítulo 11 de Daniel?
DOIS reis rivais estão travando uma luta implacável pela supremacia. Com o passar dos anos, primeiro um e depois outro ganha vantagem. Às vezes, um rei atua como supremo, ao passo que o outro fica inativo, e há períodos sem conflito. Mas então irrompe de repente outra batalha, e o conflito prossegue. Entre os participantes desse drama estiveram o rei sírio Seleuco I Nicátor, o rei egípcio Ptolomeu Lago, a princesa síria e rainha egípcia Cleópatra I, os imperadores romanos Augusto e Tibério, e a rainha palmirena Zenóbia. Ao se aproximar o fim desse conflito, a Alemanha nazista, o bloco comunista de nações, a Potência Mundial Anglo-Americana, a Liga das Nações e as Nações Unidas também ficaram envolvidas. O término é um episódio imprevisto por qualquer dessas entidades políticas. O anjo de Jeová declarou essa emocionante profecia ao profeta Daniel há uns 2.500 anos. — Daniel, capítulo 11.
2 Como Daniel deve ter ficado emocionado ao ouvir o anjo revelar-lhe em pormenores a rivalidade entre dois reis futuros! O drama interessa também a nós, porque a luta pelo poder entre os dois reis se estende aos nossos dias. Observarmos que a História confirma a primeira parte da profecia fortalecerá a nossa fé e confiança na certeza do cumprimento da última parte do relato profético. Prestarmos atenção a essa profecia nos fornecerá uma visão clara de onde nos encontramos na corrente do tempo. Reforçará também a nossa determinação de permanecer neutros no conflito, ao passo que esperamos pacientemente que Deus aja em nosso favor. (Salmo 146:3, 5) Assim, escutemos com detida atenção o que o anjo de Jeová diz a Daniel.
CONTRA O REINO DA GRÉCIA
3. Quem foi apoiado pelo anjo “no primeiro ano de Dario, o medo”?
3 “Quanto a mim”, disse o anjo, “no primeiro ano de Dario, o medo [539/538 AEC], pus-me de pé como fortalecedor e como baluarte para ele”. (Daniel 11:1) Dario não estava mais vivo, mas o anjo se referiu ao reinado dele como ponto de partida da mensagem profética. Fora esse rei que mandara que Daniel fosse tirado da cova dos leões. Dario havia também decretado que todos os seus súditos temessem o Deus de Daniel. (Daniel 6:21-27) Todavia, aquele a favor de quem o anjo se pôs de pé como apoiador não foi Dario, o Medo, mas o associado do anjo, Miguel — o príncipe do povo de Daniel. (Note Daniel 10:12-14.) O anjo de Deus deu esse apoio enquanto Miguel lutava com o príncipe demoníaco da Medo-Pérsia.
4, 5. Quem eram os preditos quatro reis da Pérsia?
4 O anjo de Deus prosseguiu: “Eis que ainda se porão de pé três reis para a Pérsia, e o quarto acumulará maiores riquezas do que todos os outros. E assim que se tiver tornado forte nas suas riquezas, incitará tudo contra o reino da Grécia.” (Daniel 11:2) Quem eram esses governantes persas?
5 Os primeiros três reis foram Ciro, o Grande, Cambises II e Dario I. Visto que Bardiia (ou talvez um usurpador chamado Gaumata) governou apenas por sete meses, a profecia não levou em consideração seu reinado curto. Em 490 AEC, o terceiro rei, Dario I, tentou invadir a Grécia pela segunda vez. No entanto, os persas foram derrotados em Maratona e recuaram para a Ásia Menor. Embora Dario fizesse cuidadosos preparativos para uma campanha adicional contra a Grécia, não conseguiu levá-la avante antes da sua morte quatro anos depois. Isso ficou para o seu filho e sucessor, o “quarto” rei, Xerxes I. Esse foi o Rei Assuero que se casou com Ester. — Ester 1:1; 2:15-17.
6, 7. (a) Como foi que o quarto rei ‘incitou tudo contra o reino da Grécia’? (b) Qual foi o resultado da campanha de Xerxes contra a Grécia?
6 Xerxes I deveras ‘incitou tudo contra o reino da Grécia’, quer dizer, os estados gregos independentes como grupo. “Impelido por cortesãos ambiciosos”, diz o livro The Medes and Persians—Conquerors and Diplomats (Os Medos e os Persas — Conquistadores e Diplomatas), “Xerxes lançou um ataque por terra e por mar”. O historiador grego Heródoto, do quinto século AEC, escreve que “nenhuma outra expedição se comparava com esta em qualquer ponto”. Seu registro diz que a força marítima “ao todo era de 517.610 homens. O número dos soldados de infantaria era 1.700.000; o dos cavalarianos, 80.000; a isso precisa-se acrescentar os árabes que andavam a camelo e os líbios que combatiam em carros de guerra, que calculo terem sido 20.000. Portanto, o total conjunto das forças terrestres e marítimas era de 2.317.610 homens”.
7 Planejando nada menos do que uma conquista total, Xerxes I fez a sua enorme força avançar contra a Grécia em 480 AEC. Vencendo a ação de retardamento dos gregos nas Termópilas, os persas devastaram Atenas. Em Salamina, porém, sofreram uma terrível derrota. Outra vitória grega ocorreu em Plateia, em 479 AEC. Nenhum dos sete reis que sucederam a Xerxes no trono do Império Persa nos próximos 143 anos invadiu a Grécia. Mas então se levantou um poderoso rei na Grécia.
UM GRANDE REINO É DIVIDIDO EM QUATRO
8. Que “rei poderoso” se pôs de pé e como passou a “dominar com domínio extenso”?
8 “Um rei poderoso se há de pôr de pé, e ele há de dominar com domínio extenso e fazer segundo o seu bel-prazer”, disse o anjo. (Daniel 11:3) Alexandre, de 20 anos de idade, ‘pôs-se de pé’ como rei da Macedônia em 336 AEC. Ele se tornou “um rei poderoso” — Alexandre, o Grande. Impelido por um plano de seu pai, Filipe II, apoderou-se das províncias persas no Oriente Médio. Cruzando os rios Eufrates e Tigre, seus 47 mil homens dispersaram a tropa de 250 mil soldados de Dario III, em Gaugamela. Subsequentemente, Dario fugiu e foi assassinado, o que acabou com a dinastia persa. A Grécia tornou-se então a potência mundial e Alexandre ‘governou com domínio extenso e fez segundo o seu bel-prazer’.
9, 10. Como se mostrou veraz a profecia de que o reino de Alexandre não passaria para a sua posteridade?
9 O domínio de Alexandre sobre o mundo seria curto, porque o anjo de Deus acrescentou: “Quando se tiver posto de pé, seu reino será destroçado e repartido para os quatro ventos dos céus, mas não para a sua posteridade e não segundo o seu domínio com que tinha dominado; porque seu reino será desarraigado, sim, para outros fora destes.” (Daniel 11:4) Alexandre não tinha nem 33 anos de idade quando uma repentina doença lhe tirou a vida em Babilônia, em 323 AEC.
10 O vasto império de Alexandre não passou para a “sua posteridade”. Seu irmão Filipe III Arrideu reinou menos de sete anos e foi assassinado às instâncias de Olímpia, mãe de Alexandre, em 317 AEC. O filho de Alexandre, Alexandre IV, governou até 311 AEC, quando foi morto por Cassandro, um dos generais de seu pai. O filho ilegítimo de Alexandre, Héracles, procurou governar em nome de seu pai, mas foi assassinado em 309 AEC. Assim acabou a linhagem de Alexandre, “seu domínio” deixando de ser da sua família.
11. Como foi o reino de Alexandre “repartido para os quatro ventos dos céus”?
11 Depois da morte de Alexandre, seu reino foi “repartido para os quatro ventos”. Os seus muitos generais brigaram entre si pela posse de território. O General Antígono I, cego de um olho, tentou controlar todo o império de Alexandre. Mas ele foi morto na batalha de Ipsos, na Frígia. Por volta do ano 301 AEC, quatro dos generais de Alexandre já dominavam o vasto território que seu comandante havia conquistado. Cassandro governava a Macedônia e a Grécia. Lisímaco passou a controlar a Ásia Menor e a Trácia. Seleuco I Nicátor apoderou-se da Mesopotâmia e da Síria. E Ptolomeu Lago tomou o Egito e a Palestina. Fiel à palavra profética, o grande império de Alexandre foi dividido em quatro reinos helenísticos.
SURGEM DOIS REIS RIVAIS
12, 13. (a) Como ficaram os quatro reinos helenísticos reduzidos a dois? (b) Que dinastia estabeleceu Seleuco na Síria?
12 Poucos anos depois de assumir o poder, Cassandro faleceu, e em 285 AEC Lisímaco apoderou-se da parte europeia do Império Grego. Em 281 AEC, Lisímaco foi morto em batalha diante de Seleuco I Nicátor, dando a esse o controle sobre a maior parte dos territórios asiáticos. Em 276 AEC, Antígono II Gônatas, neto de um dos generais de Alexandre, ascendeu ao trono da Macedônia. Com o tempo, a Macedônia tornou-se dependente de Roma e em 146 AEC acabou sendo uma província romana.
13 Destacavam-se então apenas dois dos quatro reinos helenísticos — um sob Seleuco I Nicátor e o outro sob Ptolomeu Lago. Seleuco estabeleceu a dinastia selêucida na Síria. Entre as cidades que ele fundou estava Antioquia — a nova capital síria — e o porto marítimo de Selêucia. O apóstolo Paulo, mais tarde, ensinou em Antioquia, onde os seguidores de Jesus pela primeira vez passaram a ser chamados de cristãos. (Atos 11:25, 26; 13:1-4) Seleuco foi assassinado em 281 AEC, mas a sua dinastia governou até 64 AEC, quando o general romano Cneu Pompeu fez da Síria uma província romana.
14. Quando se estabeleceu a dinastia ptolomaica no Egito?
14 Dos quatro reinos helenísticos, o que durou mais tempo foi o de Ptolomeu Lago, ou Ptolomeu I, que assumiu o título de rei em 305 AEC. A dinastia ptolomaica estabelecida por ele continuou a governar o Egito até cair diante de Roma em 30 AEC.
15. Que dois reis fortes emergiram dos quatro reinos helenísticos, e que luta começaram eles?
15 De modo que dos quatro reinos helenísticos emergiram dois reis fortes — Seleuco I Nicátor sobre a Síria e Ptolomeu I sobre o Egito. Com esses dois reis começou a longa luta entre “o rei do norte” e “o rei do sul”, descrita no capítulo 11 de Daniel. O anjo de Jeová não mencionou os nomes desses reis, porque a identidade e a nacionalidade desses dois reis mudariam no decorrer dos séculos. Omitindo pormenores desnecessários, o anjo só mencionou governantes e acontecimentos relacionados com o conflito.
COMEÇA O CONFLITO
16. (a) Ao norte e ao sul de quem estavam os dois reis? (b) Que reis assumiram no começo os papéis de “rei do norte” e “rei do sul”?
16 Escute! Ao descrever o começo desse conflito dramático, o anjo de Jeová diz: “O rei do sul se tornará forte, sim, um dos seus príncipes [i.e., de Alexandre]; e [o rei do norte] prevalecerá contra ele e certamente dominará com domínio extenso, maior do que o poder dominante dele.” (Daniel 11:5) As designações “rei do norte” e “rei do sul” referem-se a reis ao norte e ao sul do povo de Daniel, que então já estava livre do cativeiro babilônico e restabelecido na terra de Judá. O primeiro “rei do sul” foi Ptolomeu I do Egito. Um dos generais de Alexandre, que prevaleceu contra Ptolomeu I e que governou “com domínio extenso”, foi o rei sírio Seleuco I Nicátor. Ele assumiu o papel de “rei do norte”.
17. Sob o domínio de quem estava a terra de Judá no começo do conflito entre o rei do norte e o rei do sul?
17 No início do conflito, a terra de Judá estava sob o domínio do rei do sul. A partir de cerca de 320 AEC, Ptolomeu I influenciou os judeus a irem ao Egito como colonos. Uma colônia judaica passou a florescer em Alexandria, onde Ptolomeu I fundou uma famosa biblioteca. Os judeus em Judá continuaram sob o controle do Egito ptolomaico, o rei do sul, até 198 AEC.
18, 19. No decorrer do tempo, como estabeleceram os dois reis rivais “um acordo equitativo”?
18 O anjo profetizou a respeito dos dois reis: “Ao fim de alguns anos aliar-se-ão um ao outro e a própria filha do rei do sul chegará ao rei do norte para estabelecer um acordo equitativo. Mas ela não reterá o poder do seu braço; e ele não ficará de pé, nem tampouco seu braço; e ela mesma será entregue, bem como os que a trouxeram e aquele que causou seu nascimento, e aquele que a tornou forte naqueles tempos.” (Daniel 11:6) Como aconteceu isso?
19 A profecia não faz referência ao filho e sucessor de Seleuco I Nicátor, Antíoco I, porque esse não travou uma guerra decisiva contra o rei do sul. Mas o seu sucessor, Antíoco II, travou uma longa guerra contra Ptolomeu II, filho de Ptolomeu I. Antíoco II e Ptolomeu II constituíam respectivamente o rei do norte e o rei do sul. Antíoco II era casado com Laódice, e eles tiveram um filho chamado Seleuco II, ao passo que Ptolomeu II teve uma filha chamada Berenice. Em 250 AEC, esses dois reis entraram num “acordo equitativo”. Para pagar o preço dessa aliança, Antíoco II divorciou-se da sua esposa Laódice e casou-se com Berenice, “a própria filha do rei do sul”. Com Berenice, ele teve um filho que se tornou herdeiro do trono sírio, em vez de os filhos de Laódice.
20. (a) Como é que o “braço” de Berenice não reteve poder? (b) Como foram entregues Berenice, “os que a trouxeram” e “aquele que a tornou forte”? (c) Quem se tornou o rei sírio depois de Antíoco II perder “seu braço”, ou poder?
20 O “braço”, ou poder de apoio, de Berenice era seu pai, Ptolomeu II. Quando este morreu em 246 AEC, ela ‘não reteve o poder do seu braço’ com seu marido. Antíoco II rejeitou-a, casou-se de novo com Laódice, e nomeou o filho deles seu sucessor. Conforme Laódice planejou, Berenice e seu filho foram assassinados. Pelo visto, os ajudantes que levaram Berenice do Egito para a Síria — “os que a trouxeram” — tiveram o mesmo fim. Laódice até mesmo envenenou Antíoco II, e assim o ‘braço dele’, ou poder, tampouco ‘ficou de pé’. Portanto, o pai de Berenice — “aquele que causou seu nascimento” — e seu marido sírio — aquele que temporariamente a tornou “forte” — morreram. Isso deixou Seleuco II, o filho de Laódice, como rei sírio. Como reagiria o próximo rei ptolomaico a tudo isso?
UM REI VINGA O ASSASSINATO DA SUA IRMÃ
21. (a) Quem era “alguém procedente do rebentão” das “raízes” de Berenice, e como ‘pôs-se ele de pé’? (b) Como é que Ptolomeu III ‘veio contra o baluarte do rei do norte’ e prevaleceu contra ele?
21 “Alguém procedente do rebentão das suas raízes há de pôr-se de pé na sua posição”, disse o anjo, “e ele chegará à força militar e virá contra o baluarte do rei do norte, e certamente agirá contra ele e prevalecerá”. (Daniel 11:7) “Alguém procedente do rebentão” dos pais de Berenice, ou das suas “raízes”, era seu irmão. Quando o pai dele faleceu, ele ‘pôs-se de pé’ como o rei do sul, o faraó egípcio Ptolomeu III. Ele partiu imediatamente para vingar o assassinato da sua irmã. Marchando contra o rei sírio Seleuco II, que Laódice havia usado para assassinar Berenice e o filho desta, ele foi contra “o baluarte do rei do norte”. Ptolomeu III tomou a parte fortificada de Antioquia e matou Laódice. Avançando para o leste através do domínio do rei do norte, saqueou Babilônia e marchou para a Índia.
22. O que foi que Ptolomeu III levou de volta ao Egito, e por que ‘se manteve alguns anos longe do rei do norte’?
22 O que aconteceu a seguir? O anjo de Deus nos diz: “E chegará ao Egito também com os deuses deles, com as suas imagens fundidas, com os seus objetos desejáveis de prata e de ouro, e com os cativos. E ele mesmo se manterá alguns anos longe do rei do norte.” (Daniel 11:8) Mais de 200 anos antes, o rei persa Cambises II havia conquistado o Egito e levado para sua terra deuses egípcios, “suas imagens fundidas”. Saqueando a anterior capital real da Pérsia, Susa, Ptolomeu III recuperou esses deuses e os levou como “cativos” ao Egito. Levou também de volta como despojo de guerra uma grande quantidade de “objetos desejáveis de prata e de ouro”. Obrigado a sufocar uma revolta na sua terra, Ptolomeu III ‘se manteve longe do rei do norte’, não lhe infligindo mais danos.
O REI SÍRIO REVIDA
23. Por que é que o rei do norte ‘retornou ao seu próprio solo’ depois de entrar no reino do rei do sul?
23 Como reagiu o rei do norte? Daniel foi informado: “Ele entrará realmente no reino do rei do sul e retornará ao seu próprio solo.” (Daniel 11:9) O rei do norte — o rei sírio Seleuco II — revidou. Entrou “no reino” ou domínio do egípcio rei do sul, mas sofreu derrota. Apenas com um pequeno restante do seu exército, Seleuco II ‘retornou ao seu próprio solo’, retirando-se para a capital síria, Antioquia, por volta de 242 AEC. Quando morreu, seu filho Seleuco III sucedeu-lhe.
24. (a) O que aconteceu a Seleuco III? (b) Como foi que o rei sírio Antíoco III ‘chegou, e inundou, e passou’ pelo domínio do rei do sul?
24 O que se predisse a respeito da descendência do rei sírio Seleuco II? O anjo disse a Daniel: “Ora, no que se refere aos seus filhos, excitar-se-ão e realmente ajuntarão uma multidão de grandes forças militares. E entrando, ele certamente chegará, e inundará, e passará. Mas retornará e se excitará até chegar ao seu baluarte.” (Daniel 11:10) O assassinato de Seleuco III acabou com o seu reinado em menos de três anos. Seu irmão, Antíoco III, sucedeu-lhe no trono sírio. Esse filho de Seleuco II reuniu grandes forças para um ataque contra o rei do sul, que então era Ptolomeu IV. O novo rei do norte, sírio, lutou com êxito contra o Egito e recuperou o porto marítimo de Selêucia, a província de Coele-Síria, as cidades de Tiro e Ptolemaida, e cidades vizinhas. Derrotou um exército do Rei Ptolomeu IV e tomou muitas cidades de Judá. Na primavera de 217 AEC, Antíoco III deixou Ptolemaida e foi para o norte, “até chegar ao seu baluarte” na Síria. Mas iria haver em breve uma mudança.
A SITUAÇÃO MUDA
25. Onde foi que Ptolomeu IV e Antíoco III se encontraram em batalha, e o que foi “entregue na mão” do egípcio rei do sul?
25 Nós, assim como Daniel, prestamos atenção ao que o anjo de Jeová prediz a seguir: “O rei do sul ficará amargurado e terá de sair e lutar contra ele, isto é, contra o rei do norte; e [este] certamente fará erguer-se uma grande massa de gente, e a massa de gente será realmente entregue na mão daquele.” (Daniel 11:11) Com uma tropa de 75 mil soldados, o rei do sul, Ptolomeu IV, avançou para o norte contra o inimigo. O sírio rei do norte, Antíoco III, ajuntara “uma grande massa de gente”, de 68 mil, para resistir a ele. Mas “a massa de gente” foi “entregue na mão” do rei do sul na batalha na cidade costeira de Ráfia, não muito longe da fronteira egípcia.
26. (a) Que “massa de gente” foi levada embora pelo rei do sul na batalha em Ráfia, e quais foram os termos do tratado de paz feito ali? (b) Como foi que Ptolomeu IV ‘não usou a sua forte posição’? (c) Quem se tornou o próximo rei do sul?
26 A profecia prossegue: “E a massa de gente há de ser levada embora. Seu coração se enaltecerá e fará cair realmente dezenas de milhares; mas não usará a sua forte posição.” (Daniel 11:12) Ptolomeu IV, o rei do sul, ‘levou embora’ 10 mil soldados da infantaria e 300 cavalarianos dos sírios para a morte e tomou 4 mil como presos. Os reis fizeram então um tratado, pelo qual Antíoco III ficou com seu porto sírio de Selêucia, mas perdeu Fenícia e Coele-Síria. Por causa dessa vitória, o coração do egípcio rei do sul ‘se enalteceu’, especialmente contra Jeová. Judá continuou sob o controle de Ptolomeu IV. No entanto, ele ‘não usou a sua forte posição’ para levar avante a sua vitória contra o sírio rei do norte. Em vez disso, Ptolomeu IV entregou-se a uma vida de devassidão, e seu filho de cinco anos, Ptolomeu V, tornou-se o próximo rei do sul alguns anos antes da morte de Antíoco III.
O EXPLORADOR RETORNA
27. Como retornou o rei do norte “no fim dos tempos” para recuperar território das mãos do Egito?
27 Por causa de todas as suas façanhas, Antíoco III passou a ser chamado de Antíoco, o Grande. O anjo disse a seu respeito: “O rei do norte terá de voltar e dispor uma massa de gente maior do que a primeira; e no fim dos tempos, de alguns anos, chegará, fazendo-o com uma grande força militar e com muitos bens.” (Daniel 11:13) Esses “tempos” foram 16 anos ou mais depois de os egípcios terem derrotado os sírios em Ráfia. Quando o jovem Ptolomeu V se tornou rei do sul, Antíoco III foi com “uma massa de gente maior do que a primeira” para recuperar os territórios perdidos para o egípcio rei do sul. Para esse fim, aliou-se com o rei macedônio Filipe V.
28. Que dificuldades teve o jovem rei do sul?
28 O rei do sul também teve dificuldades dentro do seu reino. “Naqueles tempos haverá muitos que se erguerão contra o rei do sul”, disse o anjo. (Daniel 11:14a) Deveras, muitos ‘se ergueram contra o rei do sul’. O jovem rei do sul, além de se confrontar com as forças de Antíoco III e seu aliado macedônio, confrontou-se com problemas em sua terra, no Egito. Visto que seu guardião Agátocles, que governava em nome dele, tratava os egípcios de forma arrogante, muitos se revoltaram. O anjo acrescentou: “E os filhos dos salteadores do teu povo, da sua parte, serão levados a tentar fazer uma visão tornar-se realidade; e terão de tropeçar.” (Daniel 11:14b) Até mesmo alguns do povo de Daniel tornaram-se ‘filhos de salteadores’, ou revolucionários. Mas qualquer “visão” que esses homens judeus tivessem a respeito de acabar com a dominação gentia da sua pátria era falsa, e eles fracassariam, ou ‘tropeçariam’.
29, 30. (a) Como sucumbiram os “braços do sul” diante do ataque do norte? (b) Como é que o rei do norte veio a ‘estar de pé na terra do Ornato’?
29 O anjo de Jeová predisse adicionalmente: “O rei do norte chegará e levantará um aterro de sítio, e realmente capturará uma cidade com fortificações. E quanto aos braços do sul, não se manterão firmes, tampouco o povo dos seus selecionados; e não haverá poder para se manter firme. E aquele que chegará contra ele fará segundo o seu bel-prazer, e ninguém se manterá firme diante dele. E estará de pé na terra do Ornato, e haverá extermínio na sua mão.” — Daniel 11:15, 16.
30 As forças militares sob Ptolomeu V, ou os “braços do sul”, sucumbiram diante do ataque do norte. Em Paneas (Cesareia de Filipe), Antíoco III obrigou o general egípcio Escopas e 10 mil homens de elite, ou “selecionados”, a se refugiar em Sídon, “uma cidade com fortificações”. Ali, Antíoco III ‘levantou um aterro de sítio’ tomando aquele porto fenício em 198 AEC. Ele agiu “segundo o seu bel-prazer”, porque as forças do egípcio rei do sul não conseguiram resistir a ele. Antíoco III marchou então contra Jerusalém, a capital da “terra do Ornato”, Judá. Em 198 AEC, Jerusalém e Judá passaram do domínio do egípcio rei do sul para o do sírio rei do norte. E Antíoco III, o Grande, o rei do norte, começou a ‘estar de pé na terra do Ornato’. Havia “extermínio na sua mão” para todos os judeus e egípcios oponentes. Por quanto tempo conseguiria esse rei do norte fazer o que bem entendesse?
ROMA RESTRINGE O EXPLORADOR
31, 32. Por que acabou o rei do norte fazendo “um acordo equitativo” de paz com o rei do sul?
31 O anjo de Jeová nos dá a seguinte resposta: “Ele [o rei do norte] fixará a sua face para vir com o poderio de todo o seu reino, e haverá um acordo equitativo com ele; e agirá com eficiência. E quanto à filha de mulher, ser-lhe-á concedido arruiná-la. E ela não se manterá firme e não continuará a pertencer-lhe.” — Daniel 11:17.
32 O rei do norte, Antíoco III, ‘fixou a sua face’ para dominar o Egito “com o poderio de todo o seu reino”. Mas acabou fazendo “um acordo equitativo” de paz com Ptolomeu V, o rei do sul. As exigências de Roma haviam induzido Antíoco III a mudar de plano. Quando ele e o Rei Filipe V da Macedônia se aliaram contra o jovem rei egípcio, para se apoderarem dos seus territórios, os guardiães de Ptolomeu V recorreram a Roma em busca de proteção. Aproveitando-se da oportunidade para expandir sua esfera de influência, Roma começou a mostrar seu poder.
33. (a) Quais foram os termos de paz entre Antíoco III e Ptolomeu V? (b) Qual foi o objetivo do casamento entre Cleópatra I e Ptolomeu V, e por que fracassou o plano?
33 Coagido por Roma, Antíoco III levou termos de paz ao rei do sul. Em vez de entregar territórios conquistados, conforme Roma exigira, Antíoco III planejou fazer uma transferência nominal deles por fazer sua filha Cleópatra I — a “filha de mulher” — casar-se com Ptolomeu V. Como dote dela, dar-se-iam províncias que incluíam Judá, a “terra do Ornato”. No entanto, por ocasião do casamento em 193 AEC, o rei sírio não deixou que essas províncias fossem entregues a Ptolomeu V. Tratava-se dum casamento político, feito para sujeitar o Egito à Síria. Mas a trama fracassou, porque Cleópatra I ‘não continuou a pertencer-lhe’, pois ela depois passou a tomar o lado do marido. Quando irrompeu a guerra entre Antíoco III e os romanos, o Egito tomou o lado de Roma.
34, 35. (a) Para quais “terras litorâneas” voltou o rei do norte a sua face? (b) Como acabou Roma com “o vitupério” causado pelo rei do norte? (c) Como morreu Antíoco III, e quem se tornou o próximo rei do norte?
34 Referindo-se aos reveses do rei do norte, o anjo acrescentou: “E ele [Antíoco III] voltará a sua face para as terras litorâneas e realmente capturará muitas. E um comandante [Roma] terá de fazer o vitupério procedente dele cessar para si [Roma], de modo que não existirá seu vitupério [o causado por Antíoco III]. [Roma] fará que retorne àquele. E ele [Antíoco III] voltará a sua face para os baluartes da sua própria terra, e certamente tropeçará e cairá, e não será mais achado.” — Daniel 11:18, 19.
35 As “terras litorâneas” eram as da Macedônia, da Grécia e da Ásia Menor. Em 192 AEC irrompeu uma guerra na Grécia, e Antíoco III foi induzido a ir à Grécia. Não se agradando dos esforços do rei sírio, de conquistar mais territórios ali, Roma formalmente declarou-lhe guerra. Nas Termópilas, ele sofreu derrota às mãos dos romanos. Cerca de um ano depois de perder a batalha de Magnésia, em 190 AEC, ele teve de renunciar a tudo na Grécia, na Ásia Menor e nas regiões ao oeste dos montes Tauro. Roma impôs uma multa pesada e passou a dominar o sírio rei do norte. Expulso da Grécia e da Ásia Menor, e tendo perdido quase toda a sua frota, Antíoco III ‘voltou a sua face para os baluartes da sua própria terra’, a Síria. Os romanos lhe haviam ‘retornado seu vitupério contra eles’. Antíoco III morreu ao tentar roubar um templo em Elimais, na Pérsia, em 187 AEC. Ele assim ‘caiu’ na morte e foi sucedido pelo seu filho Seleuco IV, o próximo rei do norte.
O CONFLITO CONTINUA
36. (a) Como tentou o rei do sul continuar a luta, mas o que aconteceu com ele? (b) Como caiu Seleuco IV e quem o sucedeu?
36 Ptolomeu V, como o rei do sul, tentou conseguir as províncias que devia ter recebido como dote de Cleópatra, mas ele foi envenenado, o que pôs fim aos seus esforços. Ele foi sucedido por Ptolomeu VI. Que dizer de Seleuco IV? Precisando de dinheiro para pagar a multa pesada que devia a Roma, enviou seu tesoureiro Heliodoro para se apoderar das riquezas que se dizia estarem armazenadas no templo em Jerusalém. Heliodoro, querendo ocupar o trono, assassinou Seleuco IV. No entanto, o Rei Êumenes, de Pérgamo, e seu irmão Átalo mandaram entronizar Antíoco IV, o irmão do rei assassinado.
37. (a) Como procurou Antíoco IV mostrar-se mais poderoso do que Jeová Deus? (b) Em que resultou a profanação do templo em Jerusalém por Antíoco IV?
37 O novo rei do norte, Antíoco IV, procurou mostrar-se mais poderoso do que Deus por tentar erradicar a forma de adoração de Jeová. Desafiando a Jeová, ele dedicou o templo de Jerusalém a Zeus, ou Júpiter. Em dezembro de 167 AEC, erigiu-se um altar pagão no alto do grande altar no pátio do templo, onde se haviam feito diariamente ofertas queimadas a Jeová. Dez dias mais tarde, ofereceu-se no altar pagão um sacrifício a Zeus. Essa profanação provocou um levante dos judeus sob os macabeus. Antíoco IV combateu-os por três anos. Em 164 AEC, no aniversário da profanação, Judas Macabeu rededicou o templo a Jeová e instituiu-se a festividade da dedicação — o Hanucá. — João 10:22.
38. Como acabou o domínio macabeu?
38 Os macabeus provavelmente fizeram um acordo com Roma, em 161 AEC, e estabeleceram um reino em 104 AEC. Mas o atrito entre eles e o sírio rei do norte continuou. Por fim, pediu-se que Roma interviesse. O general romano Cneu Pompeu tomou Jerusalém em 63 AEC, após um sítio de três meses. Em 39 AEC, o Senado romano nomeou Herodes — um edomita — para ser rei da Judeia. Acabando com o domínio macabeu, ele tomou Jerusalém em 37 AEC.
39. Como beneficiou a você a consideração de Daniel 11:1-19?
39 Como é emocionante ver o cumprimento inicial em pormenores da profecia a respeito dos dois reis em conflito! Deveras, como é empolgante examinar a história de uns 500 anos depois de a mensagem profética ter sido transmitida a Daniel e identificar os governantes que ocuparam as posições de rei do norte e de rei do sul! No entanto, as identidades políticas desses dois reis mudaram com a continuação da batalha entre eles durante o tempo em que Jesus Cristo andou na Terra e até os nossos dias. Por compararmos os acontecimentos históricos com os pormenores curiosos, revelados nessa profecia, poderemos identificar esses dois reis rivais.
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Dois reis em conflitoPreste Atenção à Profecia de Daniel!
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[Tabela/Fotos na página 228]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
OS REIS EM DANIEL 11:5-19
O rei do norte O rei do sul
Daniel 11:5 Seleuco I Nicátor Ptolomeu I
Daniel 11:6 Antíoco II Ptolomeu II
(esposa Laódice) (filha Berenice)
Daniel 11:7-9 Seleuco II Ptolomeu III
Daniel 11:10-12 Antíoco III Ptolomeu IV
Daniel 11:13-19 Antíoco III Ptolomeu V
(filha Cleópatra I) Sucessor:
Sucessores: Ptolomeu VI
Seleuco IV e
Antíoco IV
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Os dois reis mudam de identidadePreste Atenção à Profecia de Daniel!
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CAPÍTULO CATORZE
Os dois reis mudam de identidade
1, 2. (a) O que levou Antíoco IV a ceder às exigências de Roma? (b) Quando se tornou a Síria uma província romana?
O MONARCA sírio Antíoco IV invade o Egito e se coroa rei. A pedido do rei egípcio Ptolomeu VI, Roma envia ao Egito o Embaixador Caio Popílio Lenate. Ele é acompanhado por uma impressionante frota e tem ordens do Senado romano de fazer Antíoco IV renunciar ao seu reinado sobre o Egito e se retirar do país. Em Elêusis, um subúrbio de Alexandria, o rei sírio e o embaixador romano se confrontam. Antíoco IV pede tempo para poder consultar seus conselheiros, mas Lenate traça um círculo em torno do rei e o manda responder antes de ultrapassar a linha. Humilhado, Antíoco IV acata as exigências romanas e volta à Síria em 168 AEC. Assim acaba o confronto entre o sírio rei do norte e o egípcio rei do sul.
2 Roma, desempenhando um papel dominante nos assuntos do Oriente Médio, continua a mandar na Síria. Portanto, embora outros reis da dinastia selêucida governem a Síria depois da morte de Antíoco IV em 163 AEC, eles não ocupam a posição de “rei do norte”. (Daniel 11:15) A Síria, por fim, torna-se em 64 AEC uma província romana.
3. Quando e como obteve Roma a supremacia sobre o Egito?
3 A dinastia ptolomaica do Egito continua a ocupar a posição de “rei do sul” por pouco mais de 130 anos após a morte de Antíoco IV. (Daniel 11:14) Durante a batalha de Actium, em 31 AEC, o governante romano Otaviano derrota as forças combinadas da última rainha ptolomaica, Cleópatra VII, e de seu amante romano, Marco Antônio. Depois do suicídio de Cleópatra no ano seguinte, o Egito também se torna uma província romana e não mais desempenha o papel de rei do sul. Em 30 AEC, Roma já exerce a supremacia tanto sobre a Síria como sobre o Egito. Devemos agora esperar que outros governos assumam os papéis de rei do norte e de rei do sul?
UM NOVO REI ENVIA “UM EXATOR”
4. Por que devíamos esperar que outra entidade governamental assumisse a identidade do rei do norte?
4 Na primavera de 33 EC, Jesus Cristo disse aos seus discípulos: “Quando avistardes a coisa repugnante que causa desolação, conforme falado por intermédio de Daniel, o profeta, estar em pé num lugar santo, . . . então, os que estiverem na Judeia comecem a fugir para os montes.” (Mateus 24:15, 16) Citando Daniel 11:31, Jesus advertiu seus seguidores sobre uma futura ‘coisa repugnante que causaria desolação’. Essa profecia, envolvendo o rei do norte, foi dada uns 195 anos depois da morte de Antíoco IV, o último rei sírio que desempenhou esse papel. Certamente, outra entidade governamental teria de assumir a identidade do rei do norte. Quem seria?
5. Quem se ergueu como o rei do norte, tomando a posição antes ocupada por Antíoco IV?
5 O anjo de Jeová Deus predisse: “Na sua posição [na de Antíoco IV] terá de erguer-se alguém que fará um exator passar pelo esplendoroso reino e em poucos dias será destroçado, mas não em ira nem em guerra.” (Daniel 11:20) Aquele que ‘se ergueu’ assim mostrou ser o primeiro imperador romano, Otaviano, conhecido como César Augusto. — Veja “Um foi honrado, o outro, desprezado”, na página 248.
6. (a) Quando se fez “um exator” passar pelo “esplendoroso reino”, e que importância teve isso? (b) Por que se pode dizer que Augusto morreu “não em ira nem em guerra”? (c) Que mudança houve na identidade do rei do norte?
6 O “esplendoroso reino” de Augusto incluía a “terra do Ornato” — a província romana da Judeia. (Daniel 11:16) Em 2 AEC, Augusto enviou “um exator” por ordenar um registro, ou censo, provavelmente para saber o número da população para fins de taxação e de recrutamento militar. Por causa desse decreto, José e Maria viajaram a Belém para se registrarem, o que resultou no nascimento de Jesus naquele lugar predito. (Miqueias 5:2; Mateus 2:1-12) Em agosto de 14 EC — “em poucos dias”, ou não muito depois de decretar o registro — Augusto morreu à idade de 76 anos, nem “em ira” às mãos dum assassino, nem “em guerra”, mas em resultado de doença. O rei do norte deveras havia mudado de identidade! Esse rei se tornara então o Império Romano na pessoa dos seus imperadores.
‘ERGUE-SE O DESPREZADO’
7, 8. (a) Quem se ergueu em lugar de Augusto como o rei do norte? (b) Por que foi “a dignidade do reino” concedida a contragosto ao sucessor de Augusto César?
7 Continuando com a profecia, o anjo disse: “Na sua posição [a de Augusto] terá de erguer-se um que há de ser desprezado, e certamente não colocarão sobre ele a dignidade do reino; e realmente chegará durante a despreocupação e apossar-se-á do reino por meio de insídia. E quanto aos braços da inundação, serão inundados por sua causa e serão destroçados; assim como também o será o Líder do pacto.” — Daniel 11:21, 22.
8 Esse “um que há de ser desprezado” foi Tibério César, filho de Lívia, a terceira esposa de Augusto. (Veja “Um foi honrado, o outro, desprezado”, na página 248.) Augusto odiava esse enteado por causa das tendências más dele, e não queria que se tornasse o próximo César. “A dignidade do reino” só lhe foi concedida a contragosto depois do falecimento de todos os prováveis sucessores. Augusto adotou Tibério em 4 EC e o fez herdeiro do trono. Depois da morte de Augusto, ‘ergueu-se’ Tibério, de 54 anos de idade — o desprezado — assumindo o poder como imperador romano e como o rei do norte.
9. Como Tibério ‘apossou-se do reino por meio de insídia’?
9 “Tibério”, diz a New Encyclopædia Britannica, “manipulou o Senado e, por quase um mês [depois da morte de Augusto], não permitiu que este o nomeasse imperador”. Ele disse ao Senado que somente Augusto tinha a capacidade para poder governar o Império Romano, e pediu que os senadores restabelecessem a república, por encarregar dessa autoridade um grupo de homens, em vez de apenas um só homem. “Não ousando aceitar sua proposta como sincera”, escreveu o historiador Will Durant, “o Senado desmanchou-se em cortesias e insistências, até que ele aceitou o mando supremo”. Durant acrescentou: “A peça foi bem representada dos dois lados. Tibério queria o Principado, pois do contrário não o teria aceito; o Senado detestava-o e temia-o, mas não tinha ânimo de restabelecer uma República teoricamente baseada, como a antiga, em Assembleias soberanas.” De modo que Tibério ‘apossou-se do reino por meio de insídia’.
10. Como foram ‘destroçados os braços da inundação’?
10 “Quanto aos braços da inundação” — as forças militares dos reinos ao redor —, o anjo disse: ‘Serão inundados e serão destroçados.’ Quando Tibério se tornou o rei do norte, seu sobrinho Germânico César era comandante das tropas romanas junto ao rio Reno. Em 15 EC, Germânico comandou suas forças com certo êxito contra o herói germânico Armínio. No entanto, as vitórias limitadas foram obtidas a muito custo, e Tibério cancelou depois disso as operações na Germânia. Em vez disso, por promover uma guerra civil, tentou impedir que as tribos germânicas se unissem. Tibério favorecia em geral uma política externa defensiva e concentrava-se no fortalecimento das fronteiras. Essa atitude foi razoavelmente bem-sucedida. Foi assim que os “braços da inundação” foram controlados e “destroçados”.
11. Como foi ‘destroçado o Líder do pacto’?
11 Também foi ‘destroçado’ “o Líder do pacto” que Jeová Deus havia feito com Abraão para a bênção de todas as famílias da Terra. Jesus Cristo era o Descendente de Abraão prometido nesse pacto. (Gênesis 22:18; Gálatas 3:16) Em 14 de nisã de 33 EC, Jesus estava diante de Pôncio Pilatos no palácio do governador romano em Jerusalém. Os sacerdotes judeus tinham acusado Jesus de traição contra o imperador. Mas Jesus disse a Pilatos: “Meu reino não faz parte deste mundo. . . . O meu reino não é desta fonte.” Para que o governador romano não libertasse o inculpe Jesus, os judeus gritaram: “Se livrares este homem, não és amigo de César. Todo homem que se faz rei fala contra César.” Depois de exigirem a execução de Jesus, eles disseram: “Não temos rei senão César.” Segundo a lei de “lesa-majestade”, que Tibério havia ampliado para incluir praticamente qualquer insulto a César, Pilatos entregou Jesus para ser ‘destroçado’, ou pregado numa estaca de tortura. — João 18:36; 19:12-16; Marcos 15:14-20.
UM TIRANO ‘MAQUINA SEUS ARDIS’
12. (a) Quem se aliou a Tibério? (b) Como Tibério ‘se tornou forte por meio de uma nação pequena’?
12 Ainda profetizando a respeito de Tibério, o anjo disse: “Por se aliarem a ele, praticará o engano e realmente subirá e se tornará forte por meio de uma nação pequena.” (Daniel 11:23) Membros do Senado romano se haviam constitucionalmente ‘aliado’ a Tibério, e ele dependia deles formalmente. Mas era enganoso, na realidade tornando-se “forte por meio de uma nação pequena”. Essa nação pequena era a Guarda Pretoriana romana, acampada perto das muralhas de Roma. Sua proximidade intimidava o Senado e ajudava Tibério a reprimir quaisquer levantes contra a sua autoridade entre a população. Portanto, por meio de uns 10 mil guardas, Tibério continuou poderoso.
13. Em que sentido superou Tibério seus antepassados?
13 O anjo acrescentou profeticamente: “Durante a despreocupação entrará até mesmo na fartura do distrito jurisdicional e fará realmente aquilo que seus pais e os pais de seus pais não fizeram. Espalhará entre eles saque, e despojo, e bens; e maquinará os seus ardis contra as praças fortes, mas apenas até um tempo.” (Daniel 11:24) Tibério era extremamente desconfiado, e em seu reinado ordenou-se o assassinato de muitos. Em grande parte por causa da influência de Sejano, comandante da Guarda Pretoriana, a última parte do seu reinado foi marcada pelo terror. Por fim, o próprio Sejano ficou sob suspeita e foi executado. Tibério superou seus antepassados em tiranizar o povo.
14. (a) Como Tibério espalhou “saque, e despojo, e bens” pelas províncias romanas? (b) Como era Tibério considerado na época em que morreu?
14 Todavia, Tibério espalhou “saque, e despojo, e bens” pelas províncias romanas. Na época em que morreu, todos os povos sob o seu domínio gozavam de prosperidade. Os impostos eram baixos, e ele pôde ser generoso para com aqueles em regiões que passavam dificuldades. Quando soldados ou oficiais oprimiam alguém ou promoviam irregularidades em cuidar de assuntos, podiam esperar sofrer a vingança imperial. O controle firme do poder mantinha a segurança pública, e um sistema melhorado de comunicações ajudava o comércio. Tibério certificava-se de que os assuntos fossem administrados de modo justo e firme, dentro e fora de Roma. As leis haviam sido melhoradas, e os códigos sociais e morais aprimorados pela promoção de reformas instituídas por Augusto César. No entanto, Tibério ‘maquinava os seus ardis’, de modo que o historiador romano Tácito o descreveu como homem hipócrita, hábil em dissimulações. Na época em que morreu, em março de 37 EC, Tibério era considerado tirano.
15. Em que condição estava Roma no fim do primeiro século EC e no começo do segundo?
15 Os sucessores de Tibério, que desempenharam o papel de rei do norte, incluíam Caio César (Calígula), Cláudio I, Nero, Vespasiano, Tito, Domiciano, Nerva, Trajano e Adriano. “Na maior parte”, diz The New Encyclopædia Britannica, “os sucessores de Augusto continuaram sua política administrativa e seu programa de construção, embora com menos inovações e com mais ostentação”. A mesma obra de referência salienta adicionalmente: “No fim do 1.º século e no começo do 2.º, Roma estava no auge de sua grandiosidade e de sua população.” Embora durante esse tempo Roma tivesse algumas dificuldades nas fronteiras imperiais, seu primeiro confronto predito com o rei do sul só ocorreu no terceiro século EC.
DESPERTADO CONTRA O REI DO SUL
16, 17. (a) Quem assumiu o papel de rei do norte, mencionado em Daniel 11:25? (b) Quem veio a ocupar a posição de rei do sul, e como aconteceu isso?
16 O anjo de Deus prosseguiu com a profecia, dizendo: “Ele [o rei do norte] despertará seu poder e seu coração contra o rei do sul, com uma grande força militar; e o rei do sul, da sua parte, excitar-se-á para a guerra com uma força militar extraordinariamente grande e poderosa. E ele [o rei do norte] não se manterá de pé, porque maquinarão ardis contra os seus ardis. E os mesmos que comem os seus petiscos causarão a sua derrocada. E quanto à sua força militar, será levada de enxurrada e muitos hão de cair mortos.” — Daniel 11:25, 26.
17 Cerca de 300 anos depois de Otaviano ter feito do Egito uma província romana, o imperador romano Aureliano assumiu o papel de rei do norte. No ínterim, a Rainha Septímia Zenóbia, da colônia romana de Palmira, ocupava a posição de rei do sul.a (Veja “Zenóbia, a rainha guerreira de Palmira”, na página 252.) O exército de Palmira ocupou o Egito em 269 EC, sob o pretexto de garanti-lo para Roma. Zenóbia queria fazer de Palmira a cidade dominante no leste e queria governar as províncias orientais de Roma. Alarmado pelas ambições dela, Aureliano despertou “seu poder e seu coração” para agir contra Zenóbia.
18. Qual foi o resultado do conflito entre o Imperador Aureliano, como o rei do norte, e a Rainha Zenóbia, como o rei do sul?
18 O rei do sul, como a entidade governamental chefiada por Zenóbia, ‘excitou-se’ para a guerra contra o rei do norte “com uma força militar extraordinariamente grande e poderosa” sob dois generais, Zabas e Zabai. Mas Aureliano tomou o Egito, e depois iniciou uma expedição na Ásia Menor e na Síria. Zenóbia foi derrotada em Emesa (agora Homs), recuando então para Palmira. Quando Aureliano sitiou essa cidade, Zenóbia defendeu-a valentemente, mas sem êxito. Ela e seu filho fugiram em direção à Pérsia, mas foram capturados pelos romanos junto ao rio Eufrates. Os habitantes de Palmira entregaram sua cidade em 272 EC. Aureliano poupou Zenóbia, tornando-a a atração principal da sua procissão triunfal em Roma, em 274 EC. Ela passou o resto da sua vida como matrona romana.
19. Como Aureliano caiu ‘por causa de ardis maquinados contra ele’?
19 O próprio Aureliano ‘não se manteve de pé porque maquinaram ardis contra ele’. Em 275 EC ele empreendeu uma expedição contra os persas. Enquanto esperava na Trácia pela oportunidade de atravessar o estreito para a Ásia Menor, os que ‘comiam seus alimentos’ executaram ardis contra ele e causaram sua “derrocada”. Ele ia exigir uma prestação de contas de seu secretário Eros por causa de irregularidades. Eros, porém, falsificou uma lista de nomes de certos oficiais como destinados a serem mortos. Essa lista induziu os oficiais a tramar o assassinato de Aureliano e a matá-lo.
20. Como foi a “força militar” do rei do norte “levada de enxurrada”?
20 A carreira do rei do norte não terminou com a morte do Imperador Aureliano. Seguiram-se outros governantes romanos. Por algum tempo, havia um imperador do ocidente e outro do oriente. A “força militar” do rei do norte, sob esses homens, foi “levada de enxurrada”, ou “espalhada”,b e muitos ‘caíram mortos’ por causa das invasões das tribos germânicas vindas do norte. Os godos irromperam através das fronteiras romanas no quarto século EC. As invasões continuaram uma após outra. Em 476 EC, o líder germânico, Odoacro, removeu o último imperador a governar em Roma. No começo do sexto século, o Império Romano, no Ocidente, havia sido desfeito, e reis germânicos governavam na Bretanha, na Gália, na Itália, na África do Norte e na Espanha. A parte oriental do império durou até o século 15.
A DIVISÃO DUM GRANDE IMPÉRIO
21, 22. Que mudanças realizou Constantino no quarto século EC?
21 Sem fornecer pormenores desnecessários sobre a desintegração do Império Romano, que se estendeu por séculos, o anjo de Jeová passou a predizer proezas adicionais do rei do norte e do rei do sul. No entanto, uma breve recapitulação de certos acontecimentos no Império Romano nos ajudará a identificar os dois reis rivais em épocas posteriores.
22 No quarto século, o imperador romano Constantino concedeu o reconhecimento do Estado ao cristianismo apóstata. Ele até mesmo convocou em 325 EC um concílio eclesiástico em Niceia, na Ásia Menor, ao qual ele mesmo presidiu. Mais tarde, Constantino mudou a residência imperial de Roma para Bizâncio, ou Constantinopla, tornando essa cidade a sua nova capital. O Império Romano continuou sob o governo de um único imperador até a morte do Imperador Teodósio I, em 17 de janeiro de 395 EC.
23. (a) Que divisão do Império Romano ocorreu após a morte de Teodósio? (b) Quando acabou o Império Oriental? (c) Quem governava o Egito em 1517?
23 Após a morte de Teodósio, o Império Romano foi dividido entre os seus filhos. Honório recebeu a parte ocidental, e Arcádio, a oriental, tendo Constantinopla por capital. A Bretanha, a Gália, a Itália, a Espanha e a África do Norte estavam entre as províncias da parte ocidental. A Macedônia, a Trácia, a Ásia Menor, a Síria e o Egito eram províncias da parte oriental. Em 642 EC, Alexandria, a capital egípcia, caiu nas mãos dos sarracenos (árabes) e o Egito tornou-se uma província dos califas. Em janeiro de 1449, Constantino XI tornou-se o último imperador do Oriente. Turcos otomanos, sob o sultão Mehmet II, tomaram Constantinopla em 29 de maio de 1453, acabando com o Império Romano Oriental. No ano de 1517, o Egito tornou-se uma província turca. Com o tempo, porém, essa terra do antigo rei do sul passaria a ficar sob o controle de outro império do setor ocidental.
24, 25. (a) Segundo alguns historiadores, o que marcou o início do Sacro Império Romano? (b) O que aconteceu finalmente ao título de “imperador” do Sacro Império Romano?
24 Na parte ocidental do Império Romano ascendeu o bispo católico de Roma, notavelmente o Papa Leão I, famoso por impor a autoridade papal no quinto século EC. Com o tempo, o papa assumiu ele mesmo a responsabilidade de coroar o imperador do setor ocidental. Isso aconteceu em Roma no dia de Natal de 800 EC, quando o Papa Leão III coroou o rei franco Carlos (Magno) imperador do novo Império Romano Ocidental. Essa coroação fez reviver o imperialismo em Roma e, segundo alguns historiadores, marcou o começo do Sacro Império Romano. Daí em diante, existiam o Império Oriental e o Sacro Império Romano, ao oeste, ambos afirmando ser cristãos.
25 Com o passar do tempo, os sucessores de Carlos Magno mostraram ser governantes ineficazes. O cargo de imperador até ficou vago por algum tempo. No ínterim, o rei germânico Oto I obteve o controle sobre grande parte da Itália setentrional e central. Ele se proclamou rei da Itália. Em 2 de fevereiro de 962 EC, o Papa João XII coroou Oto I como imperador do Sacro Império Romano. Sua capital se encontrava na Germânia, e os imperadores eram germânicos, assim como a maioria dos seus súditos. Cinco séculos mais tarde, a casa austríaca de Habsburgo recebeu o título de “imperador” e o reteve durante a maior parte dos anos restantes do Sacro Império Romano.
OS DOIS REIS DE NOVO IDENTIFICADOS
26. (a) O que se pode dizer a respeito do fim do Sacro Império Romano? (b) Quem emergiu como o rei do norte?
26 Napoleão I deu o golpe final no Sacro Império Romano quando se recusou a reconhecer sua existência depois das suas vitórias na Alemanha, no ano de 1805. Incapaz de defender a coroa, o Imperador Francisco II renunciou à condição imperial romana em 6 de agosto de 1806 e retirou-se para seu governo nacional como imperador da Áustria. Depois de 1.006 anos, o Sacro Império Romano — fundado por Leão III, um papa católico-romano, e por Carlos Magno, um rei franco — chegou ao fim. Em 1870, Roma tornou-se a capital do reino da Itália, independente do Vaticano. No ano seguinte, começou um império germânico em que Guilherme I foi nomeado césar, ou kaiser. Assim surgiu no cenário mundial o rei do norte dos tempos modernos — a Alemanha.
27. (a) Como se tornou o Egito um protetorado britânico? (b) Quem passou a ocupar a posição de rei do sul?
27 Mas qual tem sido a identidade do rei do sul na era atual? A História mostra que a Grã-Bretanha assumiu poder imperial no século 17. Napoleão I, querendo romper as rotas comerciais britânicas, conquistou o Egito em 1798. Houve guerra, e a aliança britânico-otomana obrigou os franceses a se retirar do Egito, que no começo do conflito era identificado como o rei do sul. No século que se seguiu, aumentou a influência britânica no Egito. Depois de 1882, o Egito realmente era uma dependência britânica. Quando irrompeu a Primeira Guerra Mundial em 1914, o Egito pertencia à Turquia e era governado por um quediva, ou vice-rei. No entanto, depois de a Turquia tomar o lado da Alemanha naquela guerra, a Grã-Bretanha depôs o quediva e declarou que o Egito era um protetorado britânico. A Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América aos poucos estabeleceram vínculos estreitos, tornando-se a Potência Mundial Anglo-Americana. Juntos, passaram a ocupar a posição de rei do sul.
[Nota(s) de rodapé]
a Visto que as designações “o rei do norte” e “o rei do sul” são títulos, podem referir-se a qualquer entidade governamental, inclusive a um rei, a uma rainha ou a um bloco de nações.
b Veja a nota de rodapé sobre Daniel 11:26 na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências, publicada pelas Testemunhas de Jeová.
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Os dois reis mudam de identidadePreste Atenção à Profecia de Daniel!
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[Quadro/Foto nas páginas 248-251]
UM FOI HONRADO, O OUTRO, DESPREZADO
UM DELES transformou uma república cheia de lutas num império mundial. O outro aumentou a riqueza deste vinte vezes em 23 anos. Um foi honrado quando morreu, mas o outro foi desprezado. Os reinados desses dois imperadores de Roma abrangeram a vida e o ministério de Jesus. Quem foram eles? E por que um deles foi honrado, ao passo que o outro não foi?
‘ENCONTROU UMA ROMA DE TIJOLOS E DEIXOU-A DE MÁRMORE’
Em 44 AEC, quando Júlio César foi assassinado, o neto da sua irmã, Caio Otaviano, tinha apenas 18 anos de idade. Sendo filho adotivo de Júlio César e seu principal herdeiro pessoal, o jovem Otaviano imediatamente foi a Roma para reivindicar sua herança. Ali encontrou um terrível opositor — o principal tenente de César, Marco Antônio, que esperava ser o principal herdeiro. A intriga política e a luta pelo poder que se seguiram duraram 13 anos.
Somente depois de derrotar as forças conjuntas da rainha egípcia Cleópatra e de seu amante Marco Antônio (em 31 AEC) foi que Otaviano emergiu como incontestável governante do Império Romano. No ano seguinte, Antônio e Cleópatra suicidaram-se, e Otaviano anexou o Egito. O último vestígio do Império Grego foi assim eliminado, e Roma tornou-se a potência mundial.
Lembrando-se de que o poder despótico exercido por Júlio César tinha provocado seu assassinato, Otaviano cuidou de não repetir o erro. Para não ofender os sentimentos romanos a favor duma república, ele disfarçou sua monarquia com um manto republicano. Recusou os títulos de “rei” e “ditador”. Indo mais além, anunciou sua intenção de entregar o controle de todas as províncias ao Senado romano e ofereceu-se a renunciar aos cargos que ocupava. Essa tática funcionou. O Senado apreciativo instou com Otaviano a que continuasse nas suas posições e que mantivesse algumas das províncias sob o seu controle.
Além disso, em 16 de janeiro de 27 AEC, o Senado concedeu a Otaviano o título de “Augusto”, que significa “Elevado, Venerado”. Otaviano não só aceitou esse título, mas também denominou um mês com o seu nome e tirou um dia do mês de fevereiro para que o mês de agosto tivesse tantos dias quantos o de julho, mês que recebeu o nome de Júlio César. Otaviano tornou-se assim o primeiro imperador de Roma e ficou depois conhecido como César Augusto ou “O Augusto”. Mais tarde, ele assumiu também o título de Pontifex Maximus (Sumo Pontífice), e em 2 AEC — o ano do nascimento de Jesus — o Senado deu-lhe o título de Pater Patriae, “Pai da Pátria”.
Naquele mesmo ano, “saiu um decreto da parte de César Augusto, para que toda a terra habitada se registrasse; . . . e todos viajaram para se registrarem, cada um na sua própria cidade”. (Lucas 2:1-3) Em resultado desse decreto, Jesus nasceu em Belém, em cumprimento de profecia bíblica. — Daniel 11:20; Miqueias 5:2.
O governo sob Augusto destacou-se por certa medida de honestidade e por uma moeda sólida. Augusto estabeleceu também um sistema postal eficaz, e construiu estradas e pontes. Reorganizou o exército, criou uma marinha permanente e formou um grupo de elite de guarda-costas imperiais, conhecido como Guarda Pretoriana. (Filipenses 1:13) Sob o seu patrocínio, floresceram escritores tais como Virgílio e Horácio, e escultores criaram belas obras no que é agora conhecido como estilo clássico. Augusto concluiu prédios deixados inacabados por Júlio César e restaurou muitos templos. A Pax Romana (Paz Romana) que ele introduziu durou mais de 200 anos. Augusto faleceu em 19 de agosto de 14 EC à idade de 76 anos, e foi depois deificado.
Augusto gabou-se de ter ‘encontrado uma Roma de tijolos e de tê-la deixado de mármore’. Não querendo que Roma voltasse aos dias cheios de lutas da república anterior, ele pretendia treinar o próximo imperador. Mas tinha pouca escolha quanto ao sucessor. Seu sobrinho, dois netos, um genro e um enteado tinham todos morrido, ficando apenas seu enteado Tibério para assumir o cargo.
AQUELE “QUE HÁ DE SER DESPREZADO”
Menos de um mês após a morte de Augusto, o Senado romano nomeou Tibério, de 54 anos de idade, como imperador. Tibério viveu e governou até março de 37 EC. Portanto, ele era o imperador de Roma durante o ministério público de Jesus.
Como imperador, Tibério tinha tanto virtudes como defeitos. Entre as suas virtudes estava a relutância em gastar dinheiro com luxos. Em resultado disso, o império prosperou, e ele tinha fundos para ajudar na recuperação depois de calamidades e de tempos difíceis. Deve-se reconhecer que Tibério se considerava apenas um homem, rejeitando muitos títulos honoríficos, e em geral mandava que a adoração ao imperador fosse dirigida a Augusto em vez de a ele mesmo. Não deu seu nome a um mês calendar, assim como fizeram Augusto e Júlio César, nem permitiu que outros o honrassem assim.
No entanto, os defeitos de Tibério superavam as suas virtudes. Ele era extremamente suspeitoso e hipócrita nos tratos com outros, e em seu reinado ordenou-se um grande número de assassinatos, muitos dos seus ex-amigos estando entre as vítimas. Ele ampliou a lei de lesa-majestade para incluir, além de atos sediciosos, meras palavras caluniosas contra a sua própria pessoa. Presumivelmente à base dessa lei, os judeus pressionaram o governador romano Pôncio Pilatos a mandar matar Jesus. — João 19:12-16.
Tibério concentrou a Guarda Pretoriana nas proximidades de Roma por construir barracas fortificadas ao norte das muralhas da cidade. A presença da Guarda intimidava o Senado romano, que era uma ameaça para o seu poder, e continha a indisciplina do povo. Tibério incentivou também um sistema de informantes, e a parte final do seu governo foi marcada pelo terror.
Na época do seu falecimento, Tibério era considerado tirano. Quando morreu, os romanos alegraram-se e o Senado negou-se a deificá-lo. Por esses e por outros motivos, vemos em Tibério um cumprimento da profecia que dizia que ‘um que havia de ser desprezado’ surgiria como “o rei do norte”. — Daniel 11:15, 21.
O QUE DISCERNIU?
• Como Otaviano tornou-se o primeiro imperador de Roma?
• O que se pode dizer a respeito das consecuções do governo de Augusto?
• Quais eram as virtudes e os defeitos de Tibério?
• Como se cumpriu em Tibério a profecia a respeito de ‘um que havia de ser desprezado’?
[Foto]
Tibério
[Quadro/Foto nas páginas 252-255]
ZENÓBIA, A RAINHA GUERREIRA DE PALMIRA
“ELA tinha pele morena . . . Seus dentes eram brancos como pérolas, e seus grandes olhos negros brilhavam como fogo, suavizados pelo mais atraente encanto. Sua voz era forte e harmoniosa. O entendimento brioso dela era fortalecido e adornado pelo estudo. Não desconhecia a língua latina, mas era igualmente perfeita nas línguas grega, siríaca e egípcia.” Foi assim que o historiador Edward Gibbon louvou Zenóbia, a rainha guerreira da cidade síria de Palmira.
O marido de Zenóbia era o nobre palmiriano Odenato, que em 258 EC foi promovido ao posto de cônsul de Roma, por causa da sua campanha bem-sucedida contra a Pérsia a favor do Império Romano. Dois anos depois, Odenato recebeu do imperador romano Galieno o título de corrector totius Orientis (governador de todo o Oriente). Isso foi em reconhecimento da sua vitória sobre o Rei Sapor, da Pérsia. Por fim, Odenato autodenominou-se “rei dos reis”. Esses êxitos de Odenato podem em grande parte ser atribuídos à coragem e cautela de Zenóbia.
ZENÓBIA PRETENDE CRIAR UM IMPÉRIO
Em 267 EC, no auge de sua carreira, Odenato e seu herdeiro foram assassinados. Zenóbia assumiu a posição do marido, já que seu filho era ainda muito novo. Bela, ambiciosa, administradora capaz, acostumada a participar em campanhas militares com o marido e fluente em diversos idiomas, ela conseguiu conquistar o respeito e o apoio de seus súditos. Zenóbia tinha verdadeira paixão pelo aprendizado e rodeava-se de intelectuais. Um de seus conselheiros era o filósofo e retórico Cássio Longino — tido como “uma biblioteca viva e um museu ambulante”. No livro Palmyra and Its Empire—Zenobia’s Revolt Against Rome (Palmira e Seu Império — A Revolta de Zenóbia Contra Roma), o autor Richard Stoneman destaca: “Durante os cinco anos após a morte de Odenato . . . , Zenóbia havia ganho, entre o seu povo, a reputação de ser a senhora do Oriente.”
De um lado do domínio de Zenóbia estava a Pérsia, que ela e seu marido haviam enfraquecido, e do outro estava a cambaleante Roma. Com respeito às condições no Império Romano naquela época, o historiador J. M. Roberts diz: “O terceiro século foi . . . uma época terrível para Roma, tanto na fronteira oriental como na ocidental, à medida que na sua própria terra se havia iniciado um novo período de guerra civil e de disputa de sucessões. Vinte e dois imperadores (excluindo-se os pretendentes) assumiram e deixaram o poder.” Por outro lado, a senhora síria era uma monarca absoluta, bem estabelecida, em seu domínio. “Controlando o equilíbrio de dois impérios [persa e romano]”, observa Stoneman, “ela podia ambicionar a formação de um terceiro que dominaria a ambos”.
Em 269 EC, surgiu uma oportunidade para Zenóbia expandir seus poderes régios, quando apareceu no Egito um pretendente disputando o domínio romano. O exército de Zenóbia marchou rapidamente para o Egito, esmagou o rebelde e tomou posse do país. Proclamando-se rainha do Egito, ela cunhou moedas em seu nome. Seu reino estendia-se então do rio Nilo ao rio Eufrates. Foi nesse ponto da sua vida que Zenóbia passou a ocupar a posição de “o rei do sul”. — Daniel 11:25, 26.
A CAPITAL DE ZENÓBIA
Zenóbia fortaleceu e embelezou a sua capital, Palmira, a tal ponto que ela se igualava às maiores cidades do mundo romano. Calcula-se que sua população era de mais de 150 mil habitantes. A cidade era repleta de esplêndidos edifícios públicos, templos, jardins, colunas e monumentos, dentro de muralhas que, segundo se dizia, tinham 21 quilômetros de circunferência. Uma colunata de pilares coríntios de mais de 15 metros de altura — cerca de 1.500 deles — ladeava a avenida principal. A cidade era repleta de estátuas e bustos de heróis e de benfeitores ricos. Em 271 EC, Zenóbia erigiu estátuas de si mesma e de seu falecido marido.
O Templo do Sol era uma das mais belas construções em Palmira, e sem dúvida dominava o cenário religioso na cidade. A própria Zenóbia provavelmente também adorava uma deidade associada com o deus-sol. Mas a Síria do terceiro século era um lugar de muitas religiões. No domínio de Zenóbia havia cristãos professos, judeus e adoradores do Sol e da Lua. Qual era a atitude dela para com essas diversas formas de adoração? O autor Stoneman observa: “Um governante sábio não negligencia nenhum costume que pareça apropriado ao seu povo. . . . Os deuses, . . . esperava-se, haviam tomado posição a favor de Palmira.” Pelo que parece, Zenóbia era tolerante para com a religião.
Por causa da sua notável personalidade, Zenóbia conquistou a admiração de muitos. Mas de maior significado foi o seu papel em representar uma entidade política predita na profecia de Daniel. Seu reinado não durou mais de cinco anos. O imperador romano Aureliano derrotou Zenóbia em 272 EC, e subsequentemente saqueou Palmira, deixando-a além de recuperação. Teve-se clemência com Zenóbia. Diz-se que ela se casou com um senador romano e presumivelmente passou o resto da vida em retiro.
O QUE DISCERNIU?
• Como se tem descrito a personalidade de Zenóbia?
• Quais foram algumas das suas façanhas?
• Qual era a atitude de Zenóbia para com a religião?
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A Rainha Zenóbia falando aos seus soldados
[Tabela/Fotos na página 246]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
OS REIS EM DANIEL 11:20-26
O rei do norte O rei do sul
Daniel 11:20 Augusto
Daniel 11:21-24 Tibério
Daniel 11:25, 26 Aureliano Rainha Zenóbia
A predita O Império A Grã-Bretanha,
desintegração Germânico seguida pela
do Império Potência Mundial
Romano resulta Anglo-Americana
em se formar
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Tibério
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Aureliano
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Estatueta de Carlos Magno
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Augusto
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Navio de guerra britânico do século 17
[Foto de página inteira na página 230]
[Foto na página 233]
Augusto
[Foto na página 234]
Tibério
[Foto na página 235]
Por causa do decreto de Augusto, José e Maria viajaram a Belém
[Foto na página 237]
Conforme predito, Jesus foi ‘destroçado’ na morte
[Foto na página 245]
1. Carlos Magno 2. Napoleão I 3. Guilherme I 4. Soldados alemães, Primeira Guerra Mundial
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Os reis rivais chegam ao século 20Preste Atenção à Profecia de Daniel!
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CAPÍTULO QUINZE
Os reis rivais chegam ao século 20
1. Segundo certo historiador, quem eram os líderes da Europa do século 19?
“HÁ UM certo dinamismo referente à Europa do século dezenove que ultrapassa em muito tudo o que já se conheceu”, escreve o historiador Norman Davies. Ele acrescenta: “A Europa vibrava com poder como nunca antes: com poder técnico, poder econômico, poder cultural, poder intercontinental.” Os líderes do “triunfante ‘século de poder’ da Europa”, diz Davies, “em primeiro lugar eram a Grã-Bretanha . . . e nas décadas posteriores, a Alemanha”.
‘INCLINADOS A FAZER O QUE É MAU’
2. Que potências desempenhavam os papéis de “rei do norte” e de “rei do sul” no fim do século 19?
2 Quando o século 19 se aproximava do fim, o Império Alemão era “o rei do norte” e a Grã-Bretanha ocupava a posição de “rei do sul”. (Daniel 11:14, 15) “No que se refere a estes dois reis”, disse o anjo de Jeová, “seu coração se inclinará a fazer o que é mau, e a uma só mesa continuarão a falar mentira”. Ele prosseguiu: “Mas nada será bem-sucedido, porque o fim é ainda para o tempo designado.” — Daniel 11:27.
3, 4. (a) Quem se tornou o primeiro imperador do Reich Alemão, e que aliança se formou? (b) Qual era a política do Kaiser Guilherme?
3 Em 18 de janeiro de 1871, Guilherme I tornou-se o primeiro imperador do Reich, ou Império Alemão. Ele nomeou Otto von Bismarck como chanceler. Visando o desenvolvimento do novo império, Bismarck evitou conflitos com outras nações e formou uma aliança com a Áustria-Hungria e a Itália, conhecida como a Tríplice Aliança. Mas os interesses desse novo rei do norte logo se chocaram com os do rei do sul.
4 Após a morte de Guilherme I e de seu sucessor Frederico III, em 1888, ascendeu ao trono Guilherme II, aos 29 anos de idade. Guilherme II, ou Kaiser Guilherme, obrigou Bismarck a renunciar e adotou uma política de expansão da influência alemã em todo o mundo. “Sob Guilherme II”, diz certo historiador, “[a Alemanha] assumiu um ar arrogante e agressivo”.
5. Como se sentaram os dois reis “a uma só mesa”, e o que falaram ali?
5 Quando o Czar Nicolau II, da Rússia, convocou uma conferência de paz em Haia, na Holanda, em 24 de agosto de 1898, o clima era de tensão internacional. Essa conferência e a que se seguiu em 1907 instituíram a Corte Permanente de Arbitragem, situada em Haia. Por se tornarem membros dessa corte, tanto o Reich Alemão como a Grã-Bretanha davam a impressão de favorecerem a paz. Sentaram-se “a uma só mesa”, parecendo ser amigáveis, mas ‘seu coração estava inclinado a fazer o que é mau’. A tática diplomática de ‘a uma só mesa falar mentiras’ não podia promover a verdadeira paz. Quanto às suas ambições políticas, comerciais e militares, ‘nada seria bem-sucedido’, porque o fim dos dois reis “é ainda para o tempo designado” por Jeová Deus.
“CONTRA O PACTO SAGRADO”
6, 7. (a) De que modo é que o rei do norte ‘retornou à sua terra’? (b) Como reagiu o rei do sul à expansão da influência do rei do norte?
6 Continuando, o anjo de Deus disse: “E ele [o rei do norte] retornará à sua terra com grande quantidade de bens, e seu coração será contra o pacto sagrado. E agirá com eficiência e certamente retornará à sua terra.” — Daniel 11:28.
7 O Kaiser Guilherme voltou à “terra”, ou condição terrestre, do antigo rei do norte. De que modo? Por desenvolver um governo imperial destinado a expandir o Reich alemão e estender sua influência. Guilherme II empenhou-se por objetivos coloniais na África e em outros lugares. Querendo desafiar a supremacia marítima britânica, passou a desenvolver uma marinha poderosa. “O poderio naval alemão passou do insignificante para ser secundário apenas ao da Grã-Bretanha em pouco mais de uma década”, diz The New Encyclopædia Britannica. Para manter a supremacia, a Grã-Bretanha realmente teve de ampliar seu próprio programa naval. A Grã-Bretanha negociou também a entente cordiale (entendimento amigável) com a França e um acordo similar com a Rússia, formando a Tríplice Entente. A Europa estava então dividida em dois campos militares — a Tríplice Aliança dum lado e a Tríplice Entente do outro.
8. Como o Império Alemão veio a ter uma “grande quantidade de bens”?
8 O Império Alemão adotou uma política agressiva, que resultou em uma “grande quantidade de bens” para a Alemanha, porque ela era a parte principal da Tríplice Aliança. A Áustria-Hungria e a Itália eram católico-romanas. Portanto, a Tríplice Aliança tinha também o favor do papa, ao passo que o rei do sul, com sua Tríplice Entente que na maior parte era não católica, não o tinha.
9. De que forma era o coração do rei do norte “contra o pacto sagrado”?
9 Que dizer dos do povo de Jeová? Por muito tempo eles haviam declarado que “os tempos designados das nações” acabariam em 1914.a (Lucas 21:24) Naquele ano foi estabelecido nos céus o Reino de Deus nas mãos do Herdeiro do Rei Davi, Jesus Cristo. (2 Samuel 7:12-16; Lucas 22:28, 29) Já em março de 1880, a revista A Sentinela, em inglês, relacionou o governo do Reino de Deus com o fim dos “tempos designados das nações”, ou “tempos dos gentios”. (Almeida) Mas o coração do germânico rei do norte era ‘contra o pacto sagrado do Reino’. Em vez de reconhecer o governo do Reino, o Kaiser Guilherme ‘agiu com eficiência’ por promover seu programa de dominação do mundo. No entanto, por agir assim, lançou as sementes da Primeira Guerra Mundial.
O REI FICA “DESALENTADO” NUMA GUERRA
10, 11. Como começou a Primeira Guerra Mundial e como foi isso “no tempo designado”?
10 “[O rei do norte] retornará no tempo designado”, predisse o anjo, “e virá realmente contra o sul; mas no fim não virá a ser como foi no princípio”. (Daniel 11:29) O “tempo designado” de Deus, para acabar com o domínio gentio da Terra, chegou em 1914, quando ele estabeleceu o Reino celestial. Em 28 de junho daquele ano, o arquiduque austríaco Francisco Ferdinando e sua esposa foram assassinados por um terrorista sérvio em Sarajevo, na Bósnia. Essa foi a centelha que desencadeou a Primeira Guerra Mundial.
11 O Kaiser Guilherme exortou a Áustria-Hungria a reagir contra a Sérvia. Assegurada do apoio da Alemanha, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia em 28 de julho de 1914. Mas a Rússia veio em ajuda da Sérvia. Quando a Alemanha declarou guerra à Rússia, a França (aliada na Tríplice Entente) deu apoio à Rússia. A Alemanha declarou então guerra à França. Para tornar mais rápido o acesso a Paris, a Alemanha invadiu a Bélgica, cuja neutralidade havia sido garantida pela Grã-Bretanha. De modo que esta declarou guerra à Alemanha. Outras nações ficaram envolvidas e a Itália mudou de lado. Durante a guerra, a Grã-Bretanha fez do Egito seu protetorado, para impedir que o rei do norte cortasse o acesso ao canal de Suez e invadisse o Egito, a terra antiga do rei do sul.
12. Durante a Primeira Guerra Mundial, como é que as coisas não vieram a ser ‘como foram no princípio’?
12 “Apesar do tamanho e da força dos Aliados”, diz The World Book Encyclopedia, “a Alemanha parecia prestes a ganhar a guerra”. Nos conflitos anteriores entre os dois reis, o Império Romano, como o rei do norte, fora constantemente vitorioso. Mas dessa vez, ‘as coisas não foram como no princípio’. O rei do norte perdeu a guerra. Mencionando o motivo disso, o anjo disse: “Certamente virão contra ele os navios de Quitim e ele terá de ficar desalentado.” (Daniel 11:30a) O que eram “os navios de Quitim”?
13, 14. (a) Principalmente, o que eram “os navios de Quitim” que vieram contra o rei do norte? (b) Como apareceram mais navios de Quitim na continuação da Primeira Guerra Mundial?
13 No tempo de Daniel, Quitim era Chipre. No começo da Primeira Guerra Mundial, o Chipre foi anexado pela Grã-Bretanha. Além disso, segundo The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible (A Enciclopédia Pictórica da Bíblia, de Zondervan), o nome Quitim “é estendido para incluir o O[este] em geral, mas esp[ecificamente] o O[este] navegante”. A New International Version verte a expressão “os navios de Quitim” como “navios dos litorais ocidentais”. Na Primeira Guerra Mundial, os navios de Quitim mostraram ser principalmente os navios da Grã-Bretanha, ao largo da costa ocidental da Europa.
14 Com o prolongamento da guerra, a Marinha britânica foi reforçada por mais navios de Quitim. Em 7 de maio de 1915, o submarino alemão U-20 afundou o navio civil Lusitania, ao largo da costa sul da Irlanda. Entre os mortos havia 128 americanos. Mais tarde, a Alemanha estendeu a guerra submarina ao Atlântico. Subsequentemente, em 6 de abril de 1917, o Presidente Woodrow Wilson, dos Estados Unidos, declarou guerra à Alemanha. Reforçado por navios de guerra e por tropas dos Estados Unidos, o rei do sul — então a Potência Mundial Anglo-Americana — estava em plena guerra com o seu rei rival.
15. Quando o rei do norte ficou “desalentado”?
15 Sofrendo o ataque da Potência Mundial Anglo-Americana, o rei do norte ficou “desalentado” e admitiu a derrota em novembro de 1918. Guilherme II fugiu para o exílio na Holanda, e a Alemanha tornou-se uma república. Mas o rei do norte ainda não havia chegado ao fim.
O REI AGE “COM EFICIÊNCIA”
16. Segundo a profecia, como reagiria o rei do norte à sua derrota?
16 “Ele [o rei do norte] realmente voltará e lançará verberações contra o pacto sagrado e agirá com eficiência; e terá de voltar e dará consideração aos que abandonam o pacto sagrado.” (Daniel 11:30b) Assim profetizou o anjo, e assim veio a acontecer.
17. O que levou à ascensão de Adolf Hitler?
17 Depois do fim da guerra, em 1918, os Aliados vitoriosos impuseram à Alemanha um punitivo tratado de paz. O povo alemão achou duros os termos do tratado, e a nova república era fraca desde o começo. A Alemanha cambaleou alguns anos em extrema aflição e sofreu a Grande Depressão que por fim deixou 6 milhões de pessoas sem emprego. No começo dos anos 30, as condições eram propícias para a ascensão de Adolf Hitler. Ele se tornou chanceler em janeiro de 1933, e no ano seguinte assumiu a presidência do que os nazistas chamaram de Terceiro Reich.b
18. Como Hitler ‘agiu com eficiência’?
18 Logo após assumir o poder, Hitler lançou um violento ataque contra “o pacto sagrado”, representado pelos irmãos ungidos de Jesus Cristo. (Mateus 25:40) Nisso ele agiu “com eficiência” contra esses cristãos leais, perseguindo cruelmente a muitos deles. Hitler obteve êxitos econômicos e diplomáticos, agindo também nesses campos “com eficiência”. Em poucos anos, ele fez da Alemanha uma potência a ser levada em conta no cenário do mundo.
19. A quem cortejou Hitler em busca de apoio?
19 Hitler deu ‘consideração aos que abandonavam o pacto sagrado’. Quem eram eles? Evidentemente eram os líderes da cristandade, que afirmavam ter uma relação pactuada com Deus, mas tinham deixado de ser discípulos de Jesus Cristo. Hitler teve êxito em recorrer ao apoio dos ‘que abandonavam o pacto sagrado’. Por exemplo, fez uma concordata com o papa em Roma. Em 1935, ele criou o Ministério de Assuntos de Igrejas. Um dos objetivos de Hitler era colocar as igrejas evangélicas sob o controle do Estado.
OS “BRAÇOS” PROCEDEM DO REI
20. Que “braços” usou o rei do norte, e contra quem?
20 Hitler logo foi travar guerra, assim como o anjo predissera corretamente: “Erguer-se-ão braços procedentes dele; e eles hão de profanar o santuário, o baluarte, e remover o sacrifício contínuo.” (Daniel 11:31a) Os “braços” eram as forças militares usadas pelo rei do norte para lutar contra o rei do sul na Segunda Guerra Mundial. Em 1.º de setembro de 1939, “braços” nazistas invadiram a Polônia. Dois dias depois, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha para ajudar a Polônia. Assim começou a Segunda Guerra Mundial. A Polônia foi logo derrotada, e pouco depois forças alemãs ocuparam a Dinamarca, a Noruega, a Holanda, a Bélgica, Luxemburgo e a França. “No fim de 1941”, diz The World Book Encyclopedia, “a Alemanha nazista dominava o continente”.
21. Como o curso dos acontecimentos voltou-se contra o rei do norte durante a Segunda Guerra Mundial e com que resultado?
21 Embora a Alemanha e a União Soviética tivessem assinado um Tratado de Amizade, de Cooperação e de Demarcação, Hitler invadiu território soviético em 22 de junho de 1941. Essa ação levou a União Soviética para o lado da Grã-Bretanha. O exército soviético ofereceu forte resistência, apesar dos espetaculares avanços iniciais das forças alemãs. Em 6 de dezembro de 1941, o exército alemão foi realmente derrotado em Moscou. No dia seguinte, o aliado da Alemanha, o Japão, bombardeou Pearl Harbor, no Havaí. Sabendo disso, Hitler disse aos seus ajudantes: “Agora é impossível que percamos a guerra.” Em 11 de dezembro, ele temerariamente declarou guerra aos Estados Unidos. Mas subestimou a força tanto da União Soviética como dos Estados Unidos. Com o ataque do exército soviético no leste e as forças britânicas e americanas fechando o cerco ao oeste, o curso dos acontecimentos voltou-se contra Hitler. As forças alemãs começaram a perder um território após outro. Após o suicídio de Hitler, a Alemanha se rendeu aos Aliados em 7 de maio de 1945.
22. Como o rei do norte ‘profanou o santuário e removeu o sacrifício contínuo’?
22 “Eles [os braços nazistas] hão de profanar o santuário, o baluarte, e remover o sacrifício contínuo”, disse o anjo. No antigo Judá, o santuário era parte do templo em Jerusalém. No entanto, quando os judeus rejeitaram a Jesus, Jeová rejeitou a eles e ao templo deles. (Mateus 23:37–24:2) Desde o primeiro século EC, o templo de Jeová na realidade tem sido espiritual, tendo o santíssimo nos céus e um pátio espiritual na Terra, no qual servem os irmãos ungidos de Jesus, o Sumo Sacerdote. A partir da década de 30, os da “grande multidão” têm adorado juntamente com os do restante ungido e, portanto, diz-se que servem ‘no templo de Deus’. (Revelação [Apocalipse] 7:9, 15; 11:1, 2; Hebreus 9:11, 12, 24) Nos países sob o seu controle, o rei do norte profanou o pátio terrestre do templo por perseguir impiedosamente os do restante ungido e seus companheiros. A perseguição foi tão severa, que se removeu “o sacrifício contínuo” — o sacrifício de louvor público ao nome de Jeová. (Hebreus 13:15) Os fiéis cristãos ungidos, junto com os das “outras ovelhas”, porém, continuaram a pregar durante a Segunda Guerra Mundial apesar de sofrimento horrível. — João 10:16.
‘CONSTITUÍDA A COISA REPUGNANTE’
23. O que foi “a coisa repugnante” no primeiro século?
23 Quando se aproximava o fim da Segunda Guerra Mundial, houve outro acontecimento, assim como o anjo de Deus predissera. “Hão de constituir a coisa repugnante que causa desolação.” (Daniel 11:31b) Jesus também havia falado da “coisa repugnante”. No primeiro século, ela foi o exército romano que viera a Jerusalém em 66 EC para acabar com a rebelião judaica.c — Mateus 24:15; Daniel 9:27.
24, 25. (a) O que é “a coisa repugnante” nos tempos modernos? (b) Quando e como foi ‘constituída a coisa repugnante’?
24 Que “coisa repugnante” foi ‘constituída’ nos tempos modernos? Pelo visto, foi uma falsificação “repugnante” do Reino de Deus. Foi a Liga das Nações, a fera cor de escarlate que foi ao abismo, ou deixou de existir como organização de paz mundial, ao irromper a Segunda Guerra Mundial. (Revelação 17:8) “A fera”, porém, estava “para ascender do abismo”. Isso se deu quando as Nações Unidas, com 50 nações como membros, incluindo a então União Soviética, foram estabelecidas em 24 de outubro de 1945. Assim foi constituída “a coisa repugnante” predita pelo anjo — as Nações Unidas.
25 A Alemanha havia sido um dos principais inimigos do rei do sul durante ambas as guerras mundiais e tinha ocupado a posição de rei do norte. Quem seria o próximo para ocupar essa posição?
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Os reis rivais chegam ao século 20Preste Atenção à Profecia de Daniel!
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[Tabela/Fotos na página 268]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
OS REIS EM DANIEL 11:27-31
O rei do norte O rei do sul
Daniel 11:27-30a Império Alemão Grã-Bretanha, seguida
(Primeira Guerra Mundial) pela Potência Mundial
Anglo-Americana
Daniel 11:30b, 31 Terceiro Reich de Hitler Potência Mundial
(Segunda Guerra Mundial) Anglo-Americana
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Muitos cristãos foram perseguidos em campos de concentração
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Líderes da cristandade apoiaram Hitler
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O Presidente Woodrow Wilson com o Rei George V
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O automóvel em que o Arquiduque Ferdinando foi assassinado
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Soldados alemães na Primeira Guerra Mundial
[Foto na página 257]
Em Yalta, em 1945, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, o presidente Franklin D. Roosevelt, dos Estados Unidos, e o primeiro-ministro soviético, Joseph Stalin, concordaram por meio de planos em ocupar a Alemanha, formar um novo governo na Polônia e realizar uma conferência para constituir as Nações Unidas
[Fotos na página 258]
1. Arquiduque Ferdinando 2. Marinha alemã 3. Marinha britânica 4. Lusitania 5. Declaração de guerra dos EUA
[Fotos na página 263]
Adolf Hitler confiava na vitória depois que o Japão, aliado da Alemanha na guerra, bombardeou Pearl Harbor
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Os reis em conflito chegam ao seu fimPreste Atenção à Profecia de Daniel!
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CAPÍTULO DEZESSEIS
Os reis em conflito chegam ao seu fim
1, 2. Como mudou a identidade do rei do norte depois da Segunda Guerra Mundial?
REFLETINDO sobre o clima político existente nos Estados Unidos e na Rússia, o filósofo e historiador francês Alexis de Tocqueville escreveu em 1835: “Um [país] tem a liberdade como o principal instrumento de ação; o outro tem a servidão. Seus . . . caminhos [são] diferentes; não obstante, cada um parece ter sido chamado por algum projeto secreto da Providência para algum dia ter nas mãos os destinos de metade do mundo.” Até que ponto se cumpriu essa predição após a Segunda Guerra Mundial? O historiador J. M. Roberts escreve: “Ao terminar uma segunda Guerra Mundial, parecia por fim provável que os destinos do mundo fossem dominados por dois grandes e bem diferentes sistemas de poder, um baseado no que tinha sido a Rússia, outro, nos Estados Unidos.”
2 Durante as duas guerras mundiais, a Alemanha tinha sido o principal inimigo do rei do sul — a Potência Mundial Anglo-Americana — e tinha ocupado a posição de rei do norte. No entanto, depois da Segunda Guerra Mundial, essa nação ficou dividida. A Alemanha Ocidental tornou-se aliada do rei do sul, e a Alemanha Oriental aliou-se com outra poderosa entidade — o bloco comunista de nações, chefiado pela União Soviética. Esse bloco, ou entidade política, ergueu-se como o rei do norte, em forte oposição à aliança anglo-americana. E a rivalidade entre os dois reis tornou-se uma Guerra Fria, que durou de 1948 a 1989. Anteriormente, o rei do norte, alemão, havia agido “contra o pacto sagrado”. (Daniel 11:28, 30) Como atuaria o bloco comunista para com o pacto?
VERDADEIROS CRISTÃOS TROPEÇAM, MAS PREVALECEM
3, 4. Quem são os que ‘agem iniquamente contra o pacto’, e qual é a sua relação com o rei do norte?
3 “Os que agirem iniquamente contra o pacto”, disse o anjo de Deus, “ele [o rei do norte] levará à apostasia por meio de palavras macias”. O anjo acrescentou: “Mas, quanto ao povo que conhece seu Deus, eles prevalecerão e agirão com eficiência. E quanto aos que dentre o povo tiverem perspicácia, darão entendimento a muitos. E certamente se fará que tropecem, pela espada e pela chama, pelo cativeiro e pelo saque, por alguns dias.” — Daniel 11:32, 33.
4 Os que ‘agem iniquamente contra o pacto’ só podem ser os líderes da cristandade, que afirmam ser cristãos, mas pelas suas ações profanam o próprio nome do cristianismo. Walter Kolarz, no seu livro Religion in the Soviet Union (Religião na União Soviética), diz: “[Durante a Segunda Guerra Mundial,] o Governo Soviético fez empenho para conseguir a ajuda material e moral das igrejas em defesa da pátria.” Depois da guerra, os líderes eclesiásticos tentaram manter essa amizade, apesar da política ateísta da potência que então era o rei do norte. A cristandade tornou-se assim mais do que nunca uma parte deste mundo — uma apostasia repugnante aos olhos de Jeová. — João 17:16; Tiago 4:4.
5, 6. Quem eram os do “povo que conhece seu Deus” e como se saíram enquanto estavam sob o rei do norte?
5 Que dizer dos genuínos cristãos — o “povo que conhece seu Deus” e ‘que tem perspicácia’? Embora estivessem corretamente ‘sujeitos às autoridades superiores’, os cristãos que viviam sob o domínio do rei do norte não faziam parte deste mundo. (Romanos 13:1; João 18:36) Cuidando de pagar de volta “a César as coisas de César”, também davam “a Deus as coisas de Deus”. (Mateus 22:21) Por causa disso, questionou-se a sua integridade. — 2 Timóteo 3:12.
6 Em resultado disso, verdadeiros cristãos tanto ‘tropeçaram’ como ‘prevaleceram’. Tropeçaram no sentido de sofrerem intensa perseguição, alguns deles até mesmo sendo mortos. Mas prevaleceram no sentido de que a vasta maioria deles permaneceu fiel. Venceram o mundo assim como Jesus o venceu. (João 16:33) Além disso, nunca pararam de pregar, mesmo quando em prisão ou em campos de concentração. Por fazerem isso, ‘deram entendimento a muitos’. Apesar da perseguição na maioria dos países governados pelo rei do norte, o número de Testemunhas de Jeová aumentou. Graças à fidelidade ‘dos que têm perspicácia’, surgiu nesses países uma parte cada vez maior da “grande multidão”. — Revelação (Apocalipse) 7:9-14.
OS DO POVO DE JEOVÁ SÃO REFINADOS
7. Que “pouco de ajuda” receberam os cristãos ungidos que viviam sob o domínio do rei do norte?
7 “Quando se fizer que [os do povo de Deus] tropecem serão ajudados com um pouco de ajuda”, disse o anjo. (Daniel 11:34a) O triunfo do rei do sul na Segunda Guerra Mundial resultou em algum alívio para os cristãos que viviam sob o domínio do rei rival. (Note Revelação 12:15, 16.) De forma similar, os que foram perseguidos pelo rei sucessor de vez em quando sentiram alívio. Quando a Guerra Fria estava chegando ao fim, muitos líderes passaram a dar-se conta de que os cristãos fiéis não são nenhuma ameaça e assim lhes concederam reconhecimento legal. Houve também ajuda da parte do crescente número dos da grande multidão, que aceitaram a pregação fiel dos ungidos e os ajudaram. — Mateus 25:34-40.
8. Como se juntaram alguns ao povo de Deus “por meio de insídia”?
8 Nem todos os que professavam estar interessados em servir a Deus durante a Guerra Fria tinham boa motivação. O anjo havia advertido: “Muitos hão de juntar-se a eles por meio de insídia.” (Daniel 11:34b) Um número considerável mostrou interesse na verdade, mas não estava disposto a fazer uma dedicação a Deus. Ainda outros dos que pareciam aceitar as boas novas na realidade eram espiões das autoridades. Um relatório de certo país diz: “Alguns desses personagens sem escrúpulos eram manifestos comunistas que se insinuaram na organização do Senhor, fizeram grande ostentação de zelo, e até se lhes tinham designado altos cargos de serviço.”
9. Por que permitiu Jeová que alguns cristãos fiéis ‘tropeçassem’ por causa dos que se infiltraram?
9 O anjo prosseguiu: “E far-se-á que tropecem alguns dos que têm perspicácia, a fim de se fazer uma obra de refinação por causa deles, e para se fazer uma limpeza e um embranquecimento, até o tempo do fim; porque é ainda para o tempo designado.” (Daniel 11:35) Os que se infiltraram fizeram com que alguns dos fiéis caíssem nas mãos das autoridades. Jeová permitiu que isso acontecesse para haver uma refinação e uma limpeza do seu povo. Assim como Jesus “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”, assim esses fiéis aprenderam da prova da sua fé a ter perseverança. (Hebreus 5:8; Tiago 1:2, 3; note Malaquias 3:3.) Foram assim ‘refinados, limpos e embranquecidos’.
10. O que se quer dizer com a expressão “até o tempo do fim”?
10 Os do povo de Jeová haviam de sofrer tropeços e ser refinados “até o tempo do fim”. Naturalmente, esperam ser perseguidos até o fim deste iníquo sistema de coisas. No entanto, a limpeza e o embranquecimento do povo de Deus, em resultado da invasão do rei do norte, era “para o tempo designado”. Portanto, “o tempo do fim”, em Daniel 11:35, deve relacionar-se com o fim do período necessário para os do povo de Deus serem refinados ao suportarem o ataque do rei do norte. Os tropeços, evidentemente, terminaram no tempo designado por Jeová.
O REI SE MAGNIFICA
11. O que disse o anjo a respeito da atitude do rei do norte para com a soberania de Jeová?
11 Com respeito ao rei do norte, o anjo acrescentou: “O rei fará realmente segundo o seu bel-prazer, e ele se enaltecerá e magnificará acima de todo deus; e [recusando-se a reconhecer a soberania de Jeová] falará coisas prodigiosas contra o Deus dos deuses. E certamente se mostrará bem-sucedido até ter acabado a verberação; porque a coisa determinada terá de ser feita. E não dará consideração ao Deus de seus pais; e não dará consideração ao desejo de mulheres, nem a todo outro deus, porém, magnificar-se-á acima de todos os outros.” — Daniel 11:36, 37.
12, 13. (a) De que modo rejeitou o rei do norte o “Deus de seus pais”? (b) Quem eram as “mulheres” a cujo “desejo” o rei do norte não deu consideração? (c) A que “deus” é que o rei do norte deu glória?
12 Em cumprimento dessas palavras proféticas, o rei do norte rejeitou o “Deus de seus pais”, tal como a divindade trinitária da cristandade. O bloco comunista promoveu o flagrante ateísmo. O rei do norte constituiu-se assim em deus, ‘magnificando-se acima de todos’. Não dando nenhuma consideração “ao desejo de mulheres” — os países subservientes, tais como o Vietnã do Norte, que agiram como criadas do seu regime —, o rei agiu “segundo o seu bel-prazer”.
13 Continuando com a profecia, o anjo disse: “Dará glória ao deus dos baluartes, na sua posição; e dará glória a um deus que seus pais não conheceram, por meio de ouro, e por meio de prata, e por meio de pedras preciosas, e por meio de coisas desejáveis.” (Daniel 11:38) De fato, o rei do norte depositou sua confiança no moderno militarismo científico, no “deus dos baluartes”. Procurou obter salvação por meio desse “deus”, sacrificando enormes riquezas no altar dele.
14. Como ‘agiu com eficiência’ o rei do norte?
14 “Agirá com eficiência contra os baluartes mais fortificados, junto com um deus estrangeiro. Àquele que lhe der reconhecimento ele fará abundar com glória, e realmente fará tais dominar entre muitos; e repartirá o solo por um preço.” (Daniel 11:39) Confiando no seu militarista “deus estrangeiro”, o rei do norte agiu com muita “eficiência”, mostrando ser uma formidável potência militar nos “últimos dias”. (2 Timóteo 3:1) Os que apoiavam a ideologia dele foram recompensados com apoio político, financeiro e às vezes militar.
“EMPURRÕES” NO TEMPO DO FIM
15. Como se empenhou o rei do sul “em dar empurrões” no rei do norte?
15 “No tempo do fim, o rei do sul se empenhará com ele em dar empurrões”, disse o anjo a Daniel. (Daniel 11:40a) Tem o rei do sul ‘empurrado’ o rei do norte durante o “tempo do fim”? (Daniel 12:4, 9) Deveras, tem. Depois da Primeira Guerra Mundial, o punitivo tratado de paz, imposto ao que então era o rei do norte — a Alemanha — certamente foi ‘um empurrão’, uma instigação à retaliação. Depois da sua vitória na Segunda Guerra Mundial, o rei do sul tomou seu rival como alvo das suas temíveis armas nucleares e organizou contra ele uma poderosa aliança militar, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Sobre a função da Otan, diz um historiador britânico: “Era o instrumento primário para a ‘contenção’ da URSS, então considerada a principal ameaça para a paz europeia. Sua missão durou 40 anos, e foi cumprida com indisputável êxito.” No decorrer da Guerra Fria, os “empurrões” do rei do sul incluíram espionagem de alta tecnologia, bem como ofensivas diplomáticas e militares.
16. Como reagiu o rei do norte aos empurrões do rei do sul?
16 Como reagiu o rei do norte? “O rei do norte arremeterá contra ele com carros, e com cavaleiros, e com muitos navios; e ele há de entrar nas terras, e inundar, e passar.” (Daniel 11:40b) A história dos últimos dias tem destacado o expansionismo do rei do norte. Durante a Segunda Guerra Mundial, o “rei” nazista transbordou suas fronteiras para os países vizinhos. No fim daquela guerra, o “rei” sucessor desenvolveu um poderoso império. Durante a Guerra Fria, o rei do norte combateu seu rival em guerras e insurgências por apoiar outros na África, na Ásia e na América Latina. Ele perseguiu os cristãos genuínos, estorvando, mas de modo algum acabando com a atividade deles. E suas ofensivas militares e políticas puseram vários países sob o seu controle. Isso é exatamente o que o anjo havia profetizado: “Também entrará realmente na terra do Ornato [o domínio espiritual do povo de Jeová] e haverá muitas terras que se farão tropeçar.” — Daniel 11:41a.
17. Que limitações teve o expansionismo do rei do norte?
17 No entanto, o rei do norte não conseguiu conquistar o mundo. O anjo predisse: “Estes são os que escaparão da sua mão: Edom e Moabe, e a parte principal dos filhos de Amom.” (Daniel 11:41b) Na antiguidade, Edom, Moabe e Amom ficavam entre os domínios do egípcio rei do sul e o sírio rei do norte. Nos tempos modernos, eles representam nações e organizações que o rei do norte tomou por alvo trazer sob a sua influência, mas não o conseguiu.
O EGITO NÃO ESCAPA
18, 19. Como sentiu o rei do sul a influência do seu rival?
18 O anjo de Jeová prosseguiu: “[O rei do norte] continuará a estender a sua mão contra as terras; e no que se refere à terra do Egito, não virá a ser uma que escapou. E ele dominará realmente sobre os tesouros ocultos de ouro e de prata e sobre todas as coisas desejáveis do Egito. E os líbios e os etíopes acompanharão os seus passos.” (Daniel 11:42, 43) Nem mesmo o rei do sul, o “Egito”, escapou dos efeitos da política expansionista do rei do norte. Por exemplo, o rei do sul sofreu uma notável derrota no Vietnã. E que dizer ‘dos líbios e dos etíopes’? Esses vizinhos do antigo Egito podem muito bem prefigurar nações que, em sentido geográfico, são vizinhas do “Egito” moderno (o rei do sul). Às vezes, esses foram seguidores do rei do norte — ‘acompanhando os seus passos’.
19 Chegou o rei do norte a dominar ‘os tesouros ocultos do Egito’? Ele deveras tem exercido uma forte influência sobre o modo em que o rei do sul tem usado seus recursos financeiros. O rei do sul, por temer o seu rival, tem aplicado consideráveis somas para manter um enorme exército, marinha e força aérea. Nesse sentido, o rei do norte ‘dominou’, ou controlou, o uso da riqueza do rei do sul.
A CAMPANHA FINAL
20. Como descreve o anjo a campanha final do rei do norte?
20 A rivalidade entre o rei do norte e o rei do sul — quer militar, quer econômica ou por outros meios — está chegando ao fim. Revelando pormenores de um conflito ainda futuro, o anjo de Jeová disse: “Haverá notícias que o perturbarão [i.e., o rei do norte], procedentes do nascente e do norte, e ele há de sair em grande furor para aniquilar e para devotar muitos à destruição. E armará suas tendas palaciais entre o grande mar e o monte santo do Ornato; e terá de chegar até o seu fim, e não haverá quem o ajude.” — Daniel 11:44, 45.
21. O que ainda teremos de saber a respeito do rei do norte?
21 Com a dissolução da União Soviética, em dezembro de 1991, o rei do norte sofreu um sério revés. Quem será esse rei quando se cumprir Daniel 11:44, 45? Será um dos países que faziam parte da anterior União Soviética? Ou mudará ele completamente de identidade, assim como já fez várias vezes no passado? Resultará o desenvolvimento de armas nucleares por mais nações numa nova corrida armamentista, afetando a identidade desse rei? Somente o tempo fornecerá as respostas a essas perguntas. É sábio não especularmos sobre isso. Quando o rei do norte empreender sua campanha final, todos os que têm perspicácia baseada na Bíblia discernirão claramente o cumprimento de profecia. — Veja “Os reis no capítulo 11 de Daniel”, na página 284.
22. Que perguntas surgem sobre o ataque final do rei do norte?
22 Todavia, nós sabemos que ação o rei do norte tomará em breve. Induzido pelas notícias “procedentes do nascente e do norte”, ele empreenderá uma campanha ‘para aniquilar muitos’. Contra quem fará essa campanha? E que “notícias” provocarão esse ataque?
ALARMADO POR NOTÍCIAS PERTURBADORAS
23. (a) Que acontecimento notável terá de ocorrer antes do Armagedom? (b) Quem são “os reis do nascente do sol”?
23 Considere o que o livro de Revelação diz sobre o fim de Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa. Antes da “guerra do grande dia de Deus, o Todo-Poderoso”, o Armagedom, essa grande inimiga da verdadeira adoração “será completamente queimada em fogo”. (Revelação 16:14, 16; 18:2-8) A destruição dela é prefigurada pelo derramamento da sexta tigela da ira de Deus sobre o simbólico rio Eufrates. Faz-se o rio secar, a fim de ‘se preparar o caminho para os reis do nascente do sol’. (Revelação 16:12) Quem são esses reis? São o próprio Jeová Deus e Jesus Cristo! — Note Isaías 41:2; 46:10, 11.
24. Que ato de Jeová pode perturbar o rei do norte?
24 A destruição de Babilônia, a Grande, é vividamente descrita no livro de Revelação, que declara: “Os dez chifres que viste [os reis que governam no tempo do fim], e a fera [as Nações Unidas], estes odiarão a meretriz e a farão devastada e nua, e comerão as suas carnes e a queimarão completamente no fogo.” (Revelação 17:16) Por que Babilônia, a Grande, será destruída pelos governantes? Porque ‘Deus põe nos seus corações executarem o pensamento dele’. (Revelação 17:17) Entre esses governantes está o rei do norte. O que ele ouve ‘procedente do nascente’ pode muito bem referir-se a esse ato de Jeová, quando ele puser no coração de líderes humanos que acabem com a grande meretriz religiosa.
25. (a) Qual é o alvo especial do rei do norte? (b) Onde é que o rei do norte “armará suas tendas palaciais”?
25 Mas o furor do rei do norte tem um alvo especial. Ele “armará suas tendas palaciais entre o grande mar e o monte santo do Ornato”, diz o anjo. No tempo de Daniel, o grande mar era o Mediterrâneo e o monte santo era Sião, antigamente o lugar do templo de Deus. Portanto, no cumprimento da profecia, o enfurecido rei do norte fará uma campanha contra o povo de Deus. Em sentido espiritual, o lugar “entre o grande mar e o monte santo” representa o domínio espiritual dos servos ungidos de Jeová. Eles saíram do “mar” da humanidade afastada de Deus e têm a esperança de governar no monte Sião celestial junto com Jesus Cristo. — Isaías 57:20; Hebreus 12:22; Revelação 14:1.
26. Conforme indicado pela profecia de Ezequiel, de onde se originaria a notícia ‘procedente do norte’?
26 Ezequiel, contemporâneo de Daniel, também profetizou um ataque contra o povo de Deus “na parte final dos dias”. Ele disse que as hostilidades seriam iniciadas por Gogue de Magogue, quer dizer, por Satanás, o Diabo. (Ezequiel 38:14, 16) De forma simbólica, de que direção vem Gogue? “Das partes mais remotas do norte”, diz Jeová por meio de Ezequiel. (Ezequiel 38:15) Não importa quão feroz seja esse ataque, ele não destruirá o povo de Jeová. Esse encontro dramático será o resultado duma ação estratégica da parte de Jeová para aniquilar as forças de Gogue. Portanto, Jeová diz a Satanás: “Hei de . . . pôr ganchos nas tuas maxilas, e hei de fazer-te sair.” “Eu vou . . . fazer-te subir das partes mais remotas do norte, e vou fazer-te chegar aos montes de Israel.” (Ezequiel 38:4; 39:2) A notícia ‘procedente do norte’ que enfurece o rei do norte, portanto, deve originar-se de Jeová. Mas exatamente qual será por fim o conteúdo das notícias “procedentes do nascente e do norte” só Deus determinará e o tempo dirá.
27. (a) Por que instigará Gogue as nações, inclusive o rei do norte, a atacarem o povo de Jeová? (b) Será bem-sucedido o ataque de Gogue?
27 Quanto a Gogue, ele organiza seu ataque total por causa da prosperidade do “Israel de Deus”, o qual, junto com a “grande multidão” das “outras ovelhas”, não faz mais parte do seu mundo. (Gálatas 6:16; Revelação 7:9; João 10:16; 17:15, 16; 1 João 5:19) Gogue não vê com bons olhos “um povo reunido dentre as nações, que está acumulando riqueza e bens [espirituais]”. (Ezequiel 38:12) Encarando o domínio espiritual dos cristãos como “terra campestre”, pronta para ser tomada, Gogue faz um esforço supremo para eliminar esse obstáculo a ele exercer o controle total sobre a humanidade. Mas ele fracassa. (Ezequiel 38:11, 18; 39:4) Quando os reis da Terra, inclusive o rei do norte, atacarem o povo de Jeová, ‘terão de chegar ao seu fim’.
‘O REI CHEGARÁ AO SEU FIM’
28. O que sabemos sobre o futuro do rei do norte e do rei do sul?
28 A campanha final do rei do norte não é dirigida contra o rei do sul. Por isso, o rei do norte não chegará ao seu fim pelas mãos do seu grande rival. De modo similar, o rei do sul não é destruído pelo rei do norte. O rei do sul é destruído “sem mão” humana, pelo Reino de Deus.a (Daniel 8:25) Deveras, na batalha do Armagedom, todos os reis terrestres hão de ser eliminados pelo Reino de Deus, e isso é o que evidentemente acontece com o rei do norte. (Daniel 2:44) Daniel 11:44, 45, descreve acontecimentos que levam a essa batalha final. Não é de admirar que “não haverá quem o ajude” quando o rei do norte tiver seu fim!
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Os reis em conflito chegam ao seu fimPreste Atenção à Profecia de Daniel!
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[Tabela/Foto na página 284]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
OS REIS NO CAPÍTULO 11 DE DANIEL
O rei do norte O rei do sul
Daniel 11:5 Seleuco I Nicátor Ptolomeu I
Daniel 11:6 Antíoco II Ptolomeu II
(esposa Laódice) (filha Berenice)
Daniel 11:7-9 Seleuco II Ptolomeu III
Daniel 11:10-12 Antíoco III Ptolomeu IV
Daniel 11:13-19 Antíoco III Ptolomeu V
(filha Cleópatra I) Sucessor:
Sucessores: Ptolomeu VI
Seleuco IV e
Antíoco IV
Daniel 11:20 Augusto
Daniel 11:21-24 Tibério
Daniel 11:25, 26 Aureliano Rainha Zenóbia
Desintegração do
Império Romano
Daniel 11:27-30a Império Alemão Grã-Bretanha,
(Primeira Guerra seguida pela
Mundial) Potência Mundial
Anglo-Americana
Daniel 11:30b, 31 Terceiro Reich de Hitler Potência Mundial
(Segunda Guerra Mundial) Anglo-Americana
Daniel 11:32-43 Bloco comunista Potência Mundial
(Guerra Fria) Anglo-Americana
Daniel 11:44, 45 Ainda a surgir* Potência Mundial
Anglo-Americana
[Nota(s) de rodapé]
A profecia no capítulo 11 de Daniel não prediz os nomes das entidades políticas que ocupam a posição de rei do norte e de rei do sul nas diversas épocas. Suas identidades só ficam conhecidas depois do começo dos acontecimentos. Além disso, visto que o conflito ocorre em episódios, há intervalos sem conflito — um rei predomina ao passo que o outro permanece inativo.
[Foto de página inteira na página 271]
[Foto na página 279]
Os “empurrões” do rei do sul incluíram espionagem de alta tecnologia e a ameaça de ação militar
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