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Como estimular o desejo de aprenderDespertai! — 2004 | 8 de agosto
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Como estimular o desejo de aprender
“Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele.” — PROVÉRBIOS 22:6, BÍBLIA NA LINGUAGEM DE HOJE.
JÁ TENTOU fazer uma criança dormir enquanto algo interessante acontecia? Mesmo cansada, chorando e até irritada, ela se esforça para ficar desperta e não perder nada. Sua “necessidade de entender o mundo e ser capaz de fazer as coisas é tão profunda e tão forte quanto sua necessidade de comer, de descansar ou de dormir. Às vezes, pode ser ainda mais forte”, escreve o autor John Holt.
O desafio é fazer com que as crianças mantenham o desejo de aprender durante toda a vida, incluindo, é claro, os anos escolares. Embora não exista uma fórmula segura para o sucesso, há muitas estratégias que pais, professores e crianças podem pôr em prática. Mais importante do que qualquer estratégia, porém, é o amor.
Deixe o amor revelar o que há de melhor
As crianças precisam do amor dos pais. O amor lhes dá um senso de segurança, fazendo com que tenham mais vontade de se comunicar, fazer perguntas e explorar o mundo à sua volta. O amor move os pais a conversar regularmente com os filhos e a mostrar interesse em sua educação. Pesquisas indicam que “os pais parecem ser a influência primária sobre a motivação da criança para aprender”, salienta o livro Eager to Learn—Helping Children Become Motivated and Love Learning (Ansiosas por Aprender — Como Motivar Crianças a Gostar de Aprender). Os efeitos dessa influência são mais profundos quando os pais trabalham junto com os professores. “Nenhuma força é tão poderosa para reavivar a motivação de uma criança para aprender quanto a colaboração entre os pais e o professor”, declara o livro.
Os pais também influenciam a capacidade de aprendizagem dos filhos. Num estudo a longo prazo envolvendo 43 famílias, relatado no livro Inside the Brain (Dentro do Cérebro), os pesquisadores “descobriram que os filhos de pais que conversavam bastante com eles [durante os três primeiros anos de vida] tinham QI [quociente de inteligência] notavelmente mais elevado do que aqueles cujos pais não conversavam muito”. O livro acrescenta que “os pais que mais conversam com os filhos tendem a elogiar suas realizações, responder suas perguntas, fornecer orientações em vez de dar ordens, usando uma diversidade de palavras com diferentes sentidos”. Se você é pai ou mãe, tem uma comunicação regular e significativa com seus filhos?
O amor é bondoso e compreensivo
Os filhos têm diferentes habilidades e aptidões. Naturalmente, os pais não devem permitir que essas diferenças influenciem seu amor por eles. No entanto, no mundo atual, as pessoas com freqüência são julgadas segundo suas habilidades, o que pode fazer com que alguns filhos “encarem as conquistas que podem ser obtidas por meio de competição como um teste para determinar seu valor pessoal”, diz o livro Thinking and Learning Skills (Habilidades de Raciocinar e de Aprender). Além de fazer com que os filhos se sintam “facilmente ameaçados pelo fracasso”, essa crença pode também causar indevida ansiedade e estresse. A revista India Today observa que a ansiedade resultante da pressão acadêmica e da falta de apoio familiar é considerada um fator-chave para o aumento nos índices de suicídio de adolescentes na Índia, que triplicaram nos últimos 25 anos.
Serem os filhos tachados de “burros” ou “imbecis” pode também resultar em dano emocional. Tais observações cruéis desestimulam a aprendizagem, em vez de incentivá-la. Os pais devem ser sempre bondosos e amorosos, apoiando o desejo natural que o filho tem de aprender — e no seu próprio ritmo, sem que tenha medo de ser humilhado. (1 Coríntios 13:4) Se a criança tem problema de aprendizagem, pais amorosos procuram ajudá-la, nunca fazendo com que se sinta tola ou inútil. Isso pode exigir paciência e tato, mas certamente vale a pena o esforço. Como cultivar esse amor? Ter um ponto de vista espiritual é um passo importante.
Um ponto de vista espiritual serve de equilíbrio
A espiritualidade baseada na Bíblia é especialmente valiosa por várias razões. Por um lado, ajuda-nos a colocar a aprendizagem secular na perspectiva correta, encarando-a como importante, mas não como a coisa mais importante. A matemática, por exemplo, pode ser de muita utilidade prática, mas não pode fazer com que alguém tenha princípios morais.
A Bíblia também nos incentiva a ser equilibrados com respeito à quantidade de tempo que dedicamos à educação secular, dizendo: “De se fazer muitos livros não há fim, e muita devoção a eles é fadiga para a carne.” (Eclesiastes 12:12) É verdade que as crianças precisam obter uma boa educação básica, mas esta não deve consumir todo o seu tempo. Elas também precisam de tempo para outras atividades salutares, especialmente as de natureza espiritual, que educam a pessoa interior.
A modéstia é outra faceta da espiritualidade baseada na Bíblia. (Miquéias 6:8) Pessoas modestas aceitam suas limitações e não se deixam influenciar pela ambição intensa e competição acirrada, tão evidentes em muitas instituições de ensino. Essas tendências prejudiciais “podem deixar as pessoas deprimidas”, diz India Today. Quer sejamos jovens quer idosos, nos saímos muito melhor quando acatamos o conselho inspirado da Bíblia: “Não fiquemos egotistas, atiçando competição entre uns e outros, invejando-nos uns aos outros.” “Mas, prove cada um quais são as suas próprias obras, e então terá causa para exultação, apenas com respeito a si próprio e não em comparação com outra pessoa.” — Gálatas 5:26; 6:4.
Como os pais podem aplicar isso na educação dos filhos? Uma maneira é por incentivar cada filho a estabelecer alvos pessoais e fazer comparações com o que fez anteriormente. Por exemplo, se seu filho fez há pouco tempo uma prova de matemática ou de português, peça-lhe que compare os resultados atuais com os obtidos numa prova anterior. Daí, dê elogios ou encorajamento adequados. Dessa forma, você o ajudará a estabelecer alvos atingíveis, a monitorar seu próprio progresso e a lidar com qualquer fraqueza, ao passo que não o compara com outros.
No entanto, hoje em dia, alguns jovens competentes preferem não se sair bem na escola por medo de serem ridicularizados. Alguns adotam o ponto de vista de que “ser aluno aplicado não é encarado com bons olhos”. Será que ter um ponto de vista espiritual nesse caso pode ser de ajuda? Com certeza! Considere o que diz Colossenses 3:23: “O que vocês fizerem façam de todo o coração, como se estivessem servindo o Senhor e não as pessoas.” (BLH) Pode haver motivo maior para se esforçar diligentemente do que agradar a Deus? Tal ponto de vista nobre dá à pessoa a força necessária para resistir à influência prejudicial dos colegas.
Ensine os filhos a gostar de ler
A leitura e a escrita são essenciais para uma boa educação — secular e espiritual. Os pais podem promover o gosto pela matéria escrita lendo para os filhos desde a infância. Daphne, que trabalha como revisora, sente-se grata por seus pais terem lido para ela regularmente quando criança. Ela explica: “Eles estimularam em mim o gosto pela matéria escrita. Em resultado disso, antes de ir à escola eu já sabia ler. Meus pais também me ensinaram a fazer pesquisas, para que eu mesma pudesse encontrar respostas às minhas perguntas. Esse treinamento tem sido de valor inestimável até hoje.”
Por outro lado, Holt, citado anteriormente, adverte que ler para as crianças “não é um tipo de pílula mágica”. E diz ainda: “Se a leitura não for divertida para os pais e para a criança, fará mais mal do que bem. . . . Mesmo crianças que gostam que se leia para elas em voz alta . . . não sentem prazer quando percebem que os pais não gostam de fazer isso.” Assim, Holt sugere que os pais escolham livros que eles também gostem, lembrando-se de que os filhos podem querer ouvir a leitura desses livros muitas vezes! Dois livros que milhões de pais em todo o mundo gostam de ler para seus filhos são Aprenda do Grande Instrutor e Meu Livro de Histórias Bíblicas, publicados pelas Testemunhas de Jeová. Especialmente preparadas para as crianças, essas publicações estão repletas de ilustrações, estimulam o raciocínio e ensinam princípios bíblicos.
Timóteo, um cristão do primeiro século, foi abençoado porque a mãe e a avó tinham muito interesse em sua educação, especialmente a educação espiritual. (2 Timóteo 1:5; 3:15) Timóteo tornou-se excepcionalmente responsável e confiável — qualidades que a aprendizagem secular por si só não pode produzir. (Filipenses 2:19, 20; 1 Timóteo 4:12-15) Hoje as congregações das Testemunhas de Jeová ao redor do mundo têm em seu meio muitos excelentes “Timóteos” — rapazes e moças —, graças a pais amorosos e de mentalidade espiritual.
Ensine com entusiasmo!
Para os professores que querem instilar amor pela aprendizagem, “uma palavra resume tudo — entusiasmo”, diz o livro Eager to Learn (Ansiosas por Aprender). “Pela própria presença, professores entusiásticos mostram aos alunos que amam o que estão ensinando, e eles irradiam esse conceito com vitalidade.”
Mas nem todo pai, mãe ou professor consegue demonstrar tal entusiasmo. Bons alunos, portanto, procuram motivar a si mesmos por encarar a aprendizagem como sua própria responsabilidade. Afinal, diz o livro já mencionado, “ninguém estará com os filhos pelo resto da vida para ajudá-los a estudar, a realizar um trabalho de qualidade, a pensar e a fazer o esforço extra que desenvolve habilidades excelentes”.
De novo isso enfatiza que o lar, e não a escola, é o mais importante na hora de as crianças aprenderem valores. Pais, vocês são entusiásticos no que diz respeito à aprendizagem? Será que seu lar propicia um ambiente para aprendizagem salutar, que enfatiza os valores espirituais? (Efésios 6:4) Lembrem-se de que tanto seu exemplo como seu ensino influenciarão seus filhos por muito tempo depois de eles terminarem os estudos e saírem de casa. — Vejam o quadro “Famílias que tornaram a aprendizagem um sucesso”, na página 7.
Reconheça que as pessoas aprendem de maneiras diferentes
Nenhuma mente é igual a outra; cada uma tem a sua própria maneira de aprender. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Por isso, o Dr. Mel Levine, em seu livro A Mind at a Time (Uma Mente por Vez), declara: “Tratar todas as crianças da mesma forma significa tratá-las de modo injusto. Crianças diferentes têm necessidades de aprendizagem diferentes e elas têm o direito de ter suas necessidades atendidas.”
Por exemplo, algumas pessoas compreendem e se lembram melhor de idéias quando vêem quadros ou diagramas. Outras preferem a palavra escrita ou falada — melhor ainda, talvez uma combinação de ambas. “A melhor maneira de lembrar alguma coisa é mudá-la, transformar a informação de algum modo”, diz Levine. “Se ela é visual, transforme-a em verbal, se é verbal, crie um diagrama ou um quadro mental disso.” Esse método faz com que o estudo não apenas dê bons resultados, mas também seja agradável.
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Como estimular o desejo de aprenderDespertai! — 2004 | 8 de agosto
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[Quadro/Fotos na página 7]
Famílias que tornaram a aprendizagem um sucesso
Os seguintes hábitos e características podem ajudar sua família a tornar a aprendizagem um sucesso:
◼ Lembrar amorosa e constantemente os filhos do elevado, mas razoável, padrão de comportamento que se espera deles
◼ Encarar o trabalho diligente como chave para o sucesso
◼ Manter um estilo de vida ativo, não sedentário
◼ Toda semana, gastar muitas horas em casa com a aprendizagem dos filhos e atividades que incluem lições de casa, leitura como lazer, passatempos, projetos em família, tarefas e treinamento para realizar serviços domésticos
◼ Encarar a família como sistema de apoio mútuo e ajuda para resolver problemas
◼ Fazer com que as regras domésticas sejam bem entendidas e coerentemente cumpridas
◼ Manter contato freqüente com os professores
◼ Dar ênfase ao crescimento espiritual
[Foto]
Pais, estão ensinando seus filhos a gostar de ler?
[Crédito]
Baseados no livro Eager to Learn—Helping Children Become Motivated and Love Learning (Ansiosas por Aprender — Como Motivar Crianças a Gostar de Aprender).
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