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  • Há vida após a morte?
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • Há vida após a morte?

      “Até mesmo para uma árvore há esperança. Se for decepada, brotará novamente . . . Morrendo o varão vigoroso, pode ele viver novamente?” — MOISÉS, PROFETA DA ANTIGUIDADE.

      1-3. Como é que muitos procuram consolo quando perdem um ente querido na morte?

      NUMA sala de velório, na cidade de Nova York, amigos e membros da família passam em silêncio pelo caixão aberto. Olham para o cadáver de um rapaz de 17 anos. Seus amigos de escola quase não o reconhecem. A quimioterapia reduziu-lhe os cabelos; o câncer o fez perder peso. Seria este mesmo o seu amigo? Apenas poucos meses antes, ele estava cheio de ideias, de perguntas, de energia — de vida! A mãe do rapaz, arrasada, procura obter alguma esperança e consolo com a ideia de que seu filho, de algum modo, ainda esteja vivo. Vez após vez ela repete com lágrimas o que lhe foi ensinado: “O Tom é agora mais feliz. Deus queria que Tom estivesse com ele no céu.”

      2 A uns 11 mil quilômetros dali, em Jamnagar, na Índia, os três filhos dum comerciante de 58 anos ajudam a deitar o cadáver do pai numa pira funerária. No forte sol do meio da manhã, o filho mais velho começa a cremação por acender com uma tocha as toras de madeira e derramar uma mistura de especiarias e de incenso, de cheiro suave, sobre o cadáver do pai. A crepitação do fogo é abafada pela voz do Brâmane repetindo mantras sânscritas, com o sentido: “Que a alma que nunca morre continue em seus esforços de se tornar um com a suprema realidade.”

      3 Enquanto os três irmãos observam a cremação, cada um deles se pergunta no íntimo: ‘Será que acredito na vida após a morte?’ Por terem sido educados em partes diferentes do mundo, têm respostas diferentes. O mais jovem confia que seu querido pai reencarnará para uma vida num nível mais alto. O irmão do meio acredita que os mortos em certo sentido estão adormecidos, não estando cônscios de nada. O mais velho simplesmente procura aceitar a realidade da morte, porque acha que ninguém sabe ao certo o que acontece conosco quando morremos.

      Uma pergunta, muitas respostas

      4. Que pergunta aflige a humanidade já por séculos?

      4 Há vida após a morte? Esta é uma pergunta que tem deixado a humanidade perplexa por milênios. “Até mesmo os teólogos ficam embaraçados quando se confrontam com [ela]”, diz Hans Küng, erudito católico. No decorrer dos tempos, as pessoas em todas as sociedades têm refletido sobre este assunto, e não faltam respostas a essa pergunta.

      5-8. Que ensinam diversas religiões a respeito da vida após a morte?

      5 Muitos cristãos nominais acreditam em céu e inferno. Os hindus, por outro lado, acreditam na reencarnação. Comentando o conceito muçulmano, Amir Muawiyah, assistente num centro religioso islâmico, diz: “Cremos que haverá um dia de julgamento após a morte, quando se comparecerá perante Deus, Alá, o que será assim como entrar num tribunal.” Segundo a crença islâmica, Alá avaliará então o proceder de cada um na vida e destinará a pessoa ao paraíso ou ao inferno.

      6 Em Sri Lanka, tanto os budistas como os católicos deixam as portas e as janelas bem abertas quando morre alguém de sua família. Acende-se uma lâmpada a óleo e o caixão é colocado de modo que os pés do defunto fiquem na direção da porta da frente. Eles acreditam que essas medidas facilitam a saída do espírito, ou alma, do defunto de dentro da casa.

      7 Os aborígines da Austrália, diz Ronald M. Berndt, da Universidade da Austrália Ocidental, acreditam que “os seres humanos são espiritualmente indestrutíveis”. Certas tribos africanas acreditam que, depois da morte, as pessoas comuns se tornam fantasmas, ao passo que as pessoas de destaque se tornam espíritos ancestrais, aos quais se dará honra e se farão súplicas como líderes invisíveis da comunidade.

      8 Em alguns países, as crenças referentes às supostas almas dos mortos são uma mistura de tradições locais com o cristianismo nominal. Por exemplo, entre muitos católicos e protestantes da África Ocidental é costume cobrir os espelhos quando alguém falece, para que ninguém olhe num espelho e veja o espírito da pessoa morta. Daí, 40 dias após o falecimento do ente querido, a família e os amigos celebram a ascensão da alma para o céu.

      Um tema comum

      9, 10. Com que crença fundamental concorda a maioria das religiões?

      9 As respostas à pergunta sobre o que acontece quando morremos são tão diversas como os costumes e as crenças das pessoas a quem se pergunta. No entanto, a maioria das religiões concorda com uma ideia fundamental: algo dentro da pessoa — uma alma, um espírito, um fantasma — é imortal e continua vivendo após a morte.

      10 A crença na imortalidade da alma é quase que universal nos milhares de religiões e seitas da cristandade. É também uma doutrina oficial do judaísmo. No hinduísmo, esta crença é a própria base do ensino da reencarnação. Os muçulmanos acreditam que a alma vem à existência junto com o corpo, mas continua vivendo depois de o corpo morrer. Outras crenças — o animismo africano, o xintoísmo e mesmo o budismo — ensinam variantes do mesmo tema.

      11. Como encaram alguns eruditos a ideia de que a alma seja imortal?

      11 Alguns adotam o ponto de vista oposto, de que a vida consciente termina por ocasião da morte. Para eles, a ideia de que a vida emocional e intelectual continue numa alma impessoal, indistinta, separada do corpo, parece não ser racional. O escritor e erudito espanhol Miguel de Unamuno, do século 20, escreve: “Crer na imortalidade da alma é querer que a alma seja imortal, mas querer isso com tanta determinação, que esta vontade pisoteia a razão e vai além dela.” Entre os que se negavam a crer na imortalidade pessoal estavam os famosos filósofos antigos Aristóteles e Epicuro, o médico Hipócrates, o filósofo escocês David Hume, o erudito árabe Averroés e o primeiro dos primeiros-ministros da Índia, após a independência, Jawaharlal Nehru.

      12, 13. Que perguntas importantes surgem a respeito do ensino da imortalidade da alma?

      12 A questão é: temos mesmo uma alma imortal? Se a alma realmente não é imortal, então como pode este ensino falso constituir uma parte importante da maioria das religiões atuais? Onde se originou esta ideia? E se a alma realmente deixa de existir por ocasião da morte, que esperança há para os mortos?

      13 É possível encontrar respostas verazes e satisfatórias a essas perguntas? Sim, é possível! Essas e outras perguntas serão respondidas nas páginas que se seguem. Primeiro, examinemos como surgiu a doutrina da imortalidade da alma.

  • A imortalidade da alma — a origem da doutrina
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • A imortalidade da alma — a origem da doutrina

      “Nenhum assunto relacionado com a vida psíquica absorve tanto a mente do homem quanto sua condição após a morte.” — “ENCYCLOPÆDIA OF RELIGION AND ETHICS.”

      1-3. Como promoveram Sócrates e Platão a ideia de que a alma é imortal?

      UM PROFESSOR e erudito, de 70 anos, é acusado de irreverência e de corromper a mente dos jovens com o seu ensino. Embora ele faça uma defesa brilhante no seu julgamento, o júri preconceituoso o considera culpado e o sentencia à morte. Poucas horas antes da sua execução, o idoso professor fornece aos alunos em volta dele uma série de argumentos para afirmar que a alma é imortal e que não se deve temer a morte.

      2 O homem condenado foi o próprio Sócrates, o famoso filósofo grego do quinto século AEC.a Seu estudante, Platão, registrou esses incidentes nos ensaios Apologia e Fédon. Acredita-se que Sócrates e Platão estavam entre os primeiros a promover a ideia de que a alma é imortal. Mas eles não foram os originadores desse ensino.

      3 Conforme veremos, as origens da ideia da imortalidade humana remontam a tempos muito mais antigos. No entanto, Sócrates e Platão retocaram esse conceito e o transformaram num ensino filosófico, tornando-o assim mais atraente às classes cultas dos seus dias e depois.

      Desde Pitágoras até às pirâmides

      4. Antes de Sócrates, quais eram os conceitos dos gregos sobre o Além?

      4 Os gregos anteriores a Sócrates e Platão também criam que a alma continuava viva após a morte. Pitágoras, famoso matemático grego do sexto século AEC, sustentava que a alma era imortal e estava sujeita à transmigração. Antes dele, Tales de Mileto, considerado o mais antigo filósofo grego conhecido, achava que a alma imortal não existia apenas em homens, animais e plantas, mas também em objetos tais como um ímã, visto que pode mover ferro. Os antigos gregos afirmavam que as almas dos mortos eram transportadas através do rio Estige para um vasto domínio subterrâneo chamado de o mundo dos mortos. Ali, juízes sentenciavam as almas quer ao tormento numa prisão com muros enormes, quer à bem-aventurança no Elísio.

      5, 6. Que ideia formaram os persas sobre a alma?

      5 No Irã, ou Pérsia, ao leste, um profeta chamado Zoroastro surgiu no sétimo século AEC. Ele introduziu uma forma de adoração que veio a ser conhecida como zoroastrismo. Era a religião do Império Persa, que dominou o cenário mundial antes de a Grécia se tornar uma grande potência. As escrituras zoroastrianas dizem: “Na Imortalidade, a alma do Justo estará sempre em Alegria, mas a alma do Mentiroso estará certamente em tormento. E essas Leis foram decretadas por Auramazda [significando “um deus sábio”] pela Sua autoridade suprema.”

      6 O ensino da imortalidade da alma era também parte da religião iraniana antes de Zoroastro. Por exemplo, antigas tribos do Irã cuidavam das almas dos falecidos por oferecer-lhes comida e roupa, a fim de beneficiá-los no mundo do Além.

      7, 8. Que acreditavam os antigos egípcios a respeito de a alma sobreviver à morte do corpo?

      7 A crença na vida após a morte era fundamental para a religião egípcia. Os egípcios sustentavam que a alma da pessoa morta seria julgada por Osíris, o deus principal do mundo do Além. Por exemplo, um documento em papiro, supostamente do século 14 AEC, mostra Anúbis, deus dos mortos, levando a alma do escriba Hunefer perante Osíris. Numa balança, o coração do escriba, representando a sua consciência, é pesado contra a pena que a deusa da verdade e da justiça usa na cabeça. Tot, outro deus, registra o resultado. Visto que o coração de Hunefer não está pesado devido a culpa, pesa menos do que a pena, e permite-se que Hunefer entre no domínio de Osíris e receba a imortalidade. O papiro mostra também um monstro feminino parado ao lado da balança, pronto para devorar o falecido se o coração não passar pela prova. Os egípcios também mumificavam seus mortos e preservavam os cadáveres de faraós em impressionantes pirâmides, visto que achavam que a sobrevivência da alma dependia da preservação do corpo.

      8 Portanto, diversas civilizações antigas tinham um ensino em comum: a imortalidade da alma. Será que obtiveram este ensino da mesma fonte?

      O ponto de partida

      9. Que religião influenciou o mundo antigo do Egito, da Pérsia e da Grécia?

      9 “No mundo antigo”, diz o livro The Religion of Babylonia and Assyria (A Religião de Babilônia e Assíria), “o Egito, a Pérsia e a Grécia sentiram a influência da religião babilônica”. O livro prossegue, explicando: “Em vista do anterior contato entre o Egito e Babilônia, conforme revelam as tabuinhas El-Amarna, certamente havia muitas oportunidades para a infusão de conceitos e costumes babilônicos nos cultos egípcios. Na Pérsia, o culto de Mitra revela a inconfundível influência de conceitos babilônicos . . . A forte mistura de elementos semíticos, tanto na primitiva mitologia grega como nos cultos gregos, é agora tão geralmente admitida pelos eruditos que dispensa comentário adicional. Tais elementos semíticos são em grande parte mais especificamente babilônicos.”b

      10, 11. Que conceito tinham os babilônios sobre a vida após a morte?

      10 Mas será que o conceito babilônico sobre o que acontece após a morte não difere consideravelmente daquele dos egípcios, dos persas e dos gregos? Por exemplo, considere a babilônica Epopeia de Gilgamés. Seu herói idoso, Gilgamés, sentindo-se amedrontado pela realidade da morte, sai em busca da imortalidade, mas não consegue encontrá-la. Uma moça que servia vinho, que ele encontra durante a viagem, até mesmo o incentiva a aproveitar a vida ao máximo, porque não irá encontrar a vida infindável que procura. A mensagem de toda a epopeia é que a morte é inevitável e que a esperança da imortalidade é uma ilusão. Significa isso que os babilônios não acreditavam num Além?

      11 O Professor Morris Jastrow Jr., da Universidade de Pensilvânia, EUA, escreveu: “Nem o povo nem os líderes do pensamento religioso [em Babilônia] jamais encararam a possibilidade de aniquilamento total daquilo que uma vez veio a existir. A morte [no conceito deles] era uma passagem para outra espécie de vida, e negar a imortalidade apenas enfatizava a impossibilidade de se escapar da mudança na existência causada pela morte.” Deveras, os babilônios também acreditavam que alguma espécie de vida, em alguma forma, continuava após a morte. Expressavam isso por enterrar objetos junto com os mortos, para o uso deles no Além.

      12-14. (a) Depois do Dilúvio, onde se originou o ensino da imortalidade da alma? (b) Como se espalhou essa doutrina pela Terra?

      12 É evidente que o ensino da imortalidade da alma remonta à antiga Babilônia. Segundo a Bíblia, que é um livro de História exata, a cidade de Babel, ou Babilônia, foi fundada por Ninrode, bisneto de Noé.c Após o Dilúvio global dos dias de Noé, havia uma só língua e uma só religião. Pela fundação da cidade e pela construção duma torre nela, Ninrode iniciou outra religião. O registro bíblico mostra que, depois da confusão de línguas em Babel, os malogrados construtores da torre se espalharam e empreenderam novos começos, levando consigo a sua religião. (Gênesis 10:6-10; 11:4-9) O ensino religioso, babilônico, espalhou-se assim sobre a face da Terra.

      13 Segundo a tradição, Ninrode teve uma morte violenta. Depois da sua morte, é razoável pensar que os babilônios estivessem inclinados a tê-lo em alta estima como fundador, construtor e primeiro rei da sua cidade. Visto que o deus Marduque (Merodaque) era considerado o fundador de Babilônia, alguns eruditos sugeriram que Marduque representa o deificado Ninrode. Neste caso, a ideia de que a pessoa tem uma alma que sobrevive à morte deve ter sido comum pelo menos na época do falecimento de Ninrode. De qualquer modo, as páginas da História revelam que, depois do Dilúvio, o lugar de origem do ensino da imortalidade da alma foi Babel, ou Babilônia.

      14 No entanto, como esta doutrina se tornou fundamental na maioria das religiões do nosso tempo? A próxima seção examinará como ela se introduziu nas religiões orientais.

  • A ideia se introduz nas religiões orientais
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • A ideia se introduz nas religiões orientais

      “Eu sempre achei que a imortalidade da alma era uma verdade universal, aceita por todos. Por isso fiquei realmente surpreso de saber que alguns intelectuais, tanto do Oriente como do Ocidente, têm argumentado fervorosamente contra esta crença. Agora eu me pergunto como a ideia da imortalidade penetrou no pensamento hindu.” — UM ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO, CRIADO COMO HINDU.

      1. Por que nos interessa conhecer o desenvolvimento e a difusão da doutrina da imortalidade humana em diversas religiões?

      COMO se introduziu no hinduísmo e em outras religiões orientais a ideia de que o homem tem uma alma imortal? Esta pergunta interessa até mesmo aos do Ocidente, que talvez não conheçam bem essas religiões, já que a crença afeta o conceito de todos sobre o futuro. Visto que o ensino da imortalidade humana é hoje um denominador comum na maioria das religiões, saber como este conceito se desenvolveu pode deveras promover melhor entendimento e comunicação.

      2. Por que a Índia se destacou como notável fonte de influência religiosa na Ásia?

      2 Ninian Smart, professor de estudos religiosos na Universidade de Lancaster, na Grã-Bretanha, menciona: “O centro mais importante de influência religiosa na Ásia tem sido a Índia. Isto se dá não apenas porque a própria Índia deu origem a várias crenças — hinduísmo, budismo, jainismo, siquismo, etc. — mas também porque uma delas, o budismo, passou a influenciar profundamente a cultura de virtualmente toda a Ásia Oriental.” Muitas culturas influenciadas assim “ainda consideram a Índia como sua pátria espiritual”, diz o erudito hindu Nikhilananda. Mas como se introduziu na Índia e em outras partes da Ásia este ensino da imortalidade?

      O ensino da reencarnação pelo hinduísmo

      3. De acordo com um historiador, quem possivelmente levou a ideia da transmigração da alma à Índia?

      3 No sexto século AEC, enquanto Pitágoras e seus seguidores, na Grécia, promoviam a teoria da transmigração da alma, alguns sábios hindus, que viviam à margem dos rios Indo e Ganges, na Índia, desenvolviam o mesmo conceito. O surgimento simultâneo desta crença “no mundo grego e na Índia dificilmente pode ter sido acidental”, diz o historiador Arnold Toynbee. “Uma possível fonte comum [de influência]”, salienta Toynbee, “é a sociedade nômade eurásica que, no oitavo e no sétimo séculos AEC, invadiu a Índia, o sudoeste da Ásia e as estepes ao longo da margem setentrional do mar Negro, e as penínsulas balcânica e anatólia”. As tribos eurásicas, migratórias, evidentemente trouxeram consigo à Índia a ideia da transmigração.

      4. Por que agradou aos sábios hindus o conceito da transmigração da alma?

      4 O hinduísmo tivera seu início na Índia muito antes, com a chegada dos arianos por volta de 1500 AEC. O hinduísmo, desde o começo, adotou a crença de que a alma diferia do corpo e que ela sobrevivia à morte. Os hindus praticavam assim o culto dos antepassados e ofereciam alimentos às almas dos seus mortos. Séculos mais tarde, quando a ideia da transmigração da alma chegou à Índia, deve ter agradado aos sábios hindus, que lutavam com o problema universal do mal e do sofrimento entre os humanos. Combinando-a com o que é chamado de lei do carma, a lei de causa e efeito, sábios hindus desenvolveram a teoria da reencarnação, pela qual os méritos e deméritos em uma vida são recompensados ou punidos na próxima.

      5. Segundo o hinduísmo, qual é o derradeiro objetivo da alma?

      5 No entanto, havia mais outro conceito que influenciou o ensino do hinduísmo sobre a alma. “Parece ser verdade que na própria época em que se desenvolveu a teoria da transmigração e do karma, ou mesmo antes”, diz a Encyclopædia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética), “outro conceito . . . aos poucos tomava forma num pequeno círculo intelectual no Norte da Índia — o conceito filosófico de Brahman-Atman [o Brâmane supremo e eterno, a suprema realidade]”. Esta ideia foi combinada com a teoria da reencarnação para definir o derradeiro objetivo dos hindus — ficar livre do ciclo da transmigração, a fim de unir-se com a suprema realidade. Os hindus acreditam que isto é conseguido pelo esforço em prol dum comportamento socialmente aceitável e dum conhecimento hindu especial.

      6, 7. Qual é a crença do hinduísmo atual a respeito do Além?

      6 Os sábios hindus transformaram assim a ideia da transmigração da alma na doutrina da reencarnação por combiná-la com a lei do carma e o conceito do Brâmane. Octavio Paz, poeta ganhador do Prêmio Nobel e ex-embaixador mexicano na Índia, escreve: “Com a expansão do hinduísmo, também se expandiu uma ideia . . . que é básica para o bramanismo, para o budismo e para outras religiões asiáticas: a metempsicose, a transmigração da alma através de existências sucessivas.”

      7 A doutrina da reencarnação é o suporte principal do hinduísmo atual. Nikhilananda, filósofo hindu, diz: “Que alcançar a imortalidade não é prerrogativa de uns poucos escolhidos, mas o direito inato de todos, é a convicção de todo bom hindu.”

      O ciclo de renascimentos no budismo

      8-10. (a) Como é a existência definida pelo budismo? (b) Como é o renascimento explicado por um erudito budista?

      8 O budismo foi fundado na Índia por volta de 500 AEC. Segundo a tradição budista, um príncipe indiano de nome Sidarta Gautama, que passou a ser conhecido como Buda depois de receber iluminação, fundou o budismo. Visto que este se originou do hinduísmo, seus ensinos são de certa forma similares aos do hinduísmo. De acordo com o budismo, a existência é um ciclo contínuo de renascimentos e mortes, e como no hinduísmo, a condição de cada pessoa na vida atual é determinada pelo seu comportamento na vida anterior.

      9 Mas o budismo não define a existência em termos de uma alma pessoal que sobrevive à morte. “[Buda] via na psique humana apenas uma transitória série de condições psicológicas descontínuas, mantidas unidas apenas pelo desejo”, observou Arnold Toynbee. No entanto, Buda acreditava que algo — alguma condição ou força — é transmitido de uma vida para outra. O Dr. Walpola Rahula, erudito budista, explica:

      10 “Um ser nada mais é senão uma combinação de forças ou energias físicas e mentais. O que chamamos de morte é o total não funcionamento do corpo físico. Será que todas essas forças e energias cessam completamente com o não funcionamento do corpo? O budismo diz: ‘Não.’ Vontade, volição, desejo, ânsia de existir, de continuar, de tornar-se sempre mais importante, é uma tremenda força que move inteiras vidas, inteiras existências, que move até mesmo o mundo inteiro. Esta é a maior força, a maior energia do mundo. Segundo o budismo, essa força não cessa com o não funcionamento do corpo, que é a morte; mas continua a manifestar-se em outra forma, produzindo a reexistência, chamada de renascimento.”

      11. Qual é o conceito budista sobre o Além?

      11 O conceito budista sobre o Além é o seguinte: a existência é eterna, a menos que a pessoa alcance o objetivo final do nirvana, estar livre do ciclo de renascimentos. O nirvana não é nem um estado de eterna felicidade, nem de ficar unido com a suprema realidade. É simplesmente um estado de inexistência — o “lugar sem morte” além da existência individual. O Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary define “Nirvana” como “lugar ou estado de desligamento da preocupação, da dor ou da realidade externa”. Os budistas, em vez de procurarem a imortalidade, são incentivados a transcendê-la por alcançar o nirvana.

      12-14. Como é a ideia da imortalidade transmitida por várias formas de budismo?

      12 Ao passo que o budismo se espalhou por vários lugares na Ásia, modificaram-se seus ensinos para ajustar-se às crenças locais. Por exemplo, o budismo maaiana, a forma predominante na China e no Japão, sustenta a crença em bodisatvas celestiais ou Budas futuros. Os bodisatvas adiam seu nirvana durante inúmeras vidas, a fim de servir outros e ajudá-los a alcançá-lo. De modo que se pode escolher continuar no ciclo de renascimentos mesmo depois de alcançar o nirvana.

      13 Outro ajuste que se tornou especialmente influente na China e no Japão é a doutrina da Terra Pura ao Oeste, criada pelo Buda Amitabha ou Amida. Aqueles que invocam o nome de Buda com fé renascem na Terra Pura, ou paraíso, onde as condições são mais propícias para se alcançar a iluminação final. O que se desenvolveu à base deste ensino? O Professor Smart, já mencionado, explica: “Como era de esperar, os esplendores do paraíso, descritos vividamente em algumas das escrituras maaianas, passaram a substituir o nirvana como objetivo derradeiro na imaginação popular.”

      14 O budismo tibetano incorpora outros elementos locais. Por exemplo, o livro tibetano dos mortos descreve a sorte da pessoa no estado intermediário antes de renascer. Diz-se que os mortos ficam expostos à luz forte da suprema realidade, e aqueles que não conseguem suportar essa luz não ganham a liberação, mas renascem. É evidente que o budismo, nas suas diversas formas, transmite a ideia da imortalidade.

      O culto dos antepassados no xintoísmo do Japão

      15-17. (a) Como se desenvolveu no xintoísmo o culto dos espíritos dos antepassados? (b) Em que sentido a crença na imortalidade da alma é fundamental no xintoísmo?

      15 Havia religião no Japão antes da chegada do budismo no sexto século EC. Era uma religião sem nome, e consistia em crenças associadas com a moral e os costumes do povo. No entanto, com a introdução do budismo, surgiu a necessidade de diferenciar a religião do Japão da estrangeira. E assim surgiu a designação “xintó”, que significa “caminho dos deuses”.

      16 Qual era a crença do xintoísmo original a respeito do Além? Com o advento do cultivo do arroz em terras pantaneiras, “a cultura da terra pantanosa necessitava de comunidades bem organizadas e estáveis”, explica a Kodansha Encyclopedia of Japan, “e os ritos agrícolas — que mais tarde desempenharam um papel importante no xintoísmo — se desenvolveram”. O medo das almas que partiam levou esse povo antigo a conceber ritos para apaziguá-las. Isto se desenvolveu num culto dos espíritos de antepassados.

      17 Segundo a crença xintoísta, a alma “que partiu” ainda conserva a sua personalidade, mas fica manchada por causa da morte. Quando os enlutados realizam ritos em memória do falecido, a alma é purificada a ponto de remover toda a maldade, e ela assume um caráter pacífico e benevolente. Com o tempo, o espírito ancestral alcança a posição de deidade ou guardião ancestral. Na coexistência com o budismo, o xintoísmo incorporou certos ensinos budistas, inclusive a doutrina do paraíso. Verificamos assim que a crença na imortalidade é fundamental no xintoísmo.

      A imortalidade no taoísmo,

      o culto dos antepassados no confucionismo

      18. Qual é o conceito taoísta sobre a imortalidade?

      18 O taoísmo foi fundado por Lao-Tsé (ou Lao-tzu), que supostamente viveu na China no sexto século AEC. O objetivo da vida, segundo o taoísmo, é harmonizar a atividade humana com Tao — o caminho da natureza. O modo de pensar taoísta a respeito da imortalidade pode ser resumido da seguinte forma: Tao é o princípio governante do Universo. Tao não teve princípio nem terá fim. Por se viver segundo Tao, a pessoa participa nele e se torna eterna.

      19-21. A que empenhos levou a especulação taoísta?

      19 Na sua tentativa de estar em união com a natureza, os taoístas, com o tempo, ficaram especialmente interessados na sua perenidade e resiliência. Especulavam que talvez, por se viver em harmonia com Tao, ou o caminho da natureza, pode-se de algum modo descobrir os segredos da natureza e tornar-se imune ao dano físico, a doenças e até mesmo à morte.

      20 Os taoístas passaram a fazer experiências com meditação, exercícios respiratórios e dieta, que supostamente podiam retardar a degeneração física e a morte. Logo começaram a circular lendas a respeito de imortais que podiam voar sobre nuvens, e aparecer e desaparecer a seu bel-prazer, e que viviam em montanhas sagradas ou em ilhas remotas por incontáveis anos, sustentados pelo orvalho ou por frutas mágicas. A história chinesa conta que, em 219 AEC, o imperador Ch’in Shih Huang Ti enviou uma frota de navios com 3 mil meninos e meninas para encontrar a lendária ilha de P’eng-lai, a morada dos imortais, para trazer de volta a erva da imortalidade. É desnecessário dizer que eles não retornaram com o elixir.

      21 A busca da vida eterna levou os taoístas a experimentar a produção de pílulas de imortalidade pela alquimia. No conceito taoísta, a vida resulta da combinação das forças opostas yin e yang (feminina e masculina). Assim, fundindo chumbo (escuro, ou yin) com mercúrio (claro, ou yang), os alquimistas estavam imitando o processo da natureza e pensavam que o produto seria uma pílula de imortalidade.

      22. Em que resultou a influência budista na vida religiosa chinesa?

      22 No sétimo século EC, o budismo já se tinha introduzido na vida religiosa chinesa. O resultado foi uma fusão que abrangia elementos do budismo, do espiritismo e do culto dos antepassados. “Tanto o budismo como o taoísmo”, diz o Professor Smart, “deram forma e substância às crenças a respeito da vida após a morte, que eram um tanto superficiais no antigo culto chinês dos antepassados”.

      23. Qual era a atitude de Confúcio para com o culto de antepassados?

      23 Confúcio, outro eminente sábio chinês do sexto século AEC, cuja filosofia tornou-se a base do confucionismo, não comentava muito sobre o Além. Em vez disso, enfatizava a importância da retidão moral e do comportamento socialmente aceitável. Mas ele tinha uma atitude favorável para com o culto dos antepassados e dava muita ênfase à observância dos ritos e das cerimônias relacionados com os espíritos dos antepassados falecidos.

      Outras religiões orientais

      24. O que ensina o jainismo a respeito da alma?

      24 O jainismo foi fundado na Índia no sexto século AEC. Seu fundador, Maavira, ensinava que todas as coisas vivas têm alma eterna e que salvar a alma dos laços do carma só é possível pela extrema abnegação e autodisciplina e pela rígida aplicação da não violência para com todas as criaturas. Os jainistas sustentam estas crenças até hoje.

      25, 26. Que crenças hindus se encontram também no siquismo?

      25 A Índia é também o berço do siquismo, religião praticada por 19 milhões de pessoas. Esta religião teve seu começo no século 16, quando o guru Nanaque decidiu juntar o melhor do hinduísmo e do islamismo e formar uma religião unificada. O siquismo adotou as crenças hindus da imortalidade da alma, da reencarnação e do carma.

      26 É evidente que a crença de que a vida continua após a morte do corpo constitui uma parte importante da maioria das religiões orientais. No entanto, que dizer da cristandade, do judaísmo e do islamismo?

  • A ideia se introduz no judaísmo, na cristandade e no islamismo
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • A ideia se introduz no judaísmo, na cristandade e no islamismo

      “Religião é, entre outras coisas, uma maneira de fazer as pessoas se resignarem com o fato de que algum dia terão de morrer, seja com a promessa de uma vida melhor no além, seja com o renascimento, ou com ambos.” — GERHARD HERM, AUTOR ALEMÃO.

      1. Em que crença fundamental a maioria das religiões baseia a sua promessa de vida após a morte?

      AO FAZEREM a promessa de haver vida após a morte, praticamente todas as religiões dependem da crença de que o homem tem uma alma que é imortal e que, na morte, ela viaja para outro domínio ou transmigra para outra criatura. Conforme mencionado na seção anterior, a crença na imortalidade humana tem sido parte integrante das religiões orientais desde o seu começo. Mas que dizer do judaísmo, da cristandade e do islamismo? Como se tornou este ensino um ponto central dessas crenças?

      O judaísmo absorve conceitos gregos

      2, 3. Segundo a Encyclopaedia Judaica, ensinavam os sagrados escritos hebraicos a imortalidade da alma?

      2 As raízes do judaísmo remontam a uns 4 mil anos, ao tempo de Abraão. Os escritos sagrados hebraicos tiveram início no século 16 AEC e estavam completos na época em que Sócrates e Platão deram forma à teoria da imortalidade da alma. Será que essas Escrituras ensinam a imortalidade da alma?

      3 A Encyclopaedia Judaica responde: “Somente no período pós-bíblico é que a crença firme e clara na imortalidade da alma se estabeleceu . . . e se tornou um dos fundamentos das crenças judaica e cristã.” Ela declara também: “No período bíblico, a pessoa era considerada como um todo. De modo que a alma não era nitidamente diferenciada do corpo.” Os judeus primitivos criam na ressurreição dos mortos, e isto “deve ser distinguido da crença [na] imortalidade da alma”, salienta esta enciclopédia.

      4-6. Como se tornou a doutrina da imortalidade da alma “um dos fundamentos” do judaísmo?

      4 Então, como se tornou esta doutrina “um dos fundamentos” do judaísmo? A História fornece a resposta. Em 332 AEC, Alexandre, o Grande, conquistou grande parte do Oriente Médio numa vitória rápida. Quando ele chegou a Jerusalém, os judeus o acolheram de braços abertos. Segundo o historiador judeu Flávio Josefo, do primeiro século, eles até lhe mostraram a profecia do livro de Daniel, escrita mais de 200 anos antes, que descreve claramente as conquistas de Alexandre no papel de “o rei da Grécia”. (Daniel 8:5-8, 21) Os sucessores de Alexandre levaram avante seu plano de helenização, permeando todas as partes do império com a língua, a cultura e a filosofia gregas. A fusão das duas culturas — a grega e a judaica — foi inevitável.

      5 No começo do terceiro século AEC, foi iniciada a primeira tradução das Escrituras Hebraicas para o grego, chamada de Septuaginta. Por meio dela, muitos gentios passaram a respeitar a religião judaica e a familiarizar-se com ela, alguns até mesmo se convertendo. Os judeus, por outro lado, tornaram-se entendidos no pensamento grego, e alguns se tornaram filósofos, algo inteiramente novo para eles. Filo de Alexandria, do primeiro século EC, foi um de tais filósofos judeus.

      6 Filo reverenciava Platão e se esforçava a explicar o judaísmo em termos da filosofia grega. “Por criar uma síntese ímpar de filosofia platônica e tradição bíblica”, diz o livro Heaven—A History (Céu — Uma História), “Filo preparou o caminho para posteriores pensadores cristãos [bem como judeus]”. E qual era a crença de Filo a respeito da alma? O livro prossegue: “Para ele, a morte restabelece a alma no seu estado pré-natal, original. Visto que a alma pertence ao mundo espiritual, a vida no corpo torna-se nada mais do que um episódio breve, muitas vezes desafortunado.” Outros pensadores judeus, que criam na imortalidade da alma, incluíam Isaac Israeli, bem conhecido médico judeu do décimo século, e Moisés Mendelssohn, filósofo judeu-alemão do século 18.

      7, 8. (a) Como é a alma descrita pelo Talmude? (b) O que diz a literatura judaica posterior, mística, sobre a alma?

      7 Um livro que também influenciou profundamente as ideias e a vida dos judeus é o Talmude — um resumo escrito, com posteriores comentários e explicações, da chamada lei oral, compilado por rabinos a partir do segundo século EC até a Idade Média. “Os rabinos do Talmude”, diz a Encyclopaedia Judaica, “criam na existência continuada da alma após a morte”. O Talmude até mesmo fala de os mortos contatarem os vivos. “Provavelmente pela influência do platonismo”, diz a Encyclopædia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética), “[os rabinos] criam na preexistência das almas”.

      8 Posterior literatura judaica mística, a Cabala, até vai ao ponto de ensinar a reencarnação. Sobre esta crença diz The New Standard Jewish Encyclopedia (Nova Enciclopédia Judaica Padrão): “A ideia parece ter-se originado na Índia. . . . Na Cabala ela se apresenta pela primeira vez no livro Bahir, e depois, de Zohar em diante, foi comumente aceita por místicos, desempenhando um papel importante na crença e na literatura do hassidismo.” No Israel atual, a reencarnação é amplamente aceita como ensino judaico.

      9. Qual é o ponto de vista da maioria das facções do atual judaísmo a respeito da imortalidade da alma?

      9 Portanto, a ideia da imortalidade da alma foi introduzida no judaísmo através da influência da filosofia grega, e o conceito é hoje aceito pela maioria das suas facções. O que se pode dizer a respeito da introdução desse ensino na cristandade?

      A cristandade adota as ideias de Platão

      10. Qual foi a conclusão dum eminente erudito espanhol a respeito da crença de Jesus na imortalidade da alma?

      10 O cristianismo genuíno começou com Cristo Jesus. Miguel de Unamuno, eminente erudito espanhol do século 20, escreveu a respeito de Jesus: “Ele cria na ressurreição da carne, à maneira judaica, não na imortalidade da alma, à maneira platônica [grega]. . . . Podem-se ver as provas disso em qualquer livro de interpretação honesto.” Ele concluiu: “A imortalidade da alma . . . é um dogma filosófico pagão.”

      11. Quando começou a filosofia grega a infiltrar-se no cristianismo?

      11 Quando e como é que este “dogma filosófico pagão” se infiltrou no cristianismo? A New Encyclopædia Britannica salienta: “A partir de meados do 2.º século AD, os cristãos que tinham conhecimentos de filosofia grega passaram a sentir necessidade de expressar a sua fé em termos desta, tanto para a sua própria satisfação intelectual como para converter pagãos instruídos. A filosofia que mais lhes convinha era o platonismo.”

      12-14. Que papéis desempenharam Orígenes e Agostinho na fusão da filosofia platônica com o cristianismo?

      12 Dois desses antigos filósofos exerceram muita influência sobre as doutrinas da cristandade. Um deles foi Orígenes de Alexandria (c. 185-254 EC), e o outro, Agostinho de Hippo (354-430 EC). Sobre eles diz a New Catholic Encyclopedia: “Apenas com Orígenes no Oriente e com S. Agostinho no Ocidente é que a alma foi estabelecida como substância espiritual e se formou um conceito filosófico da sua natureza.” Em que base formularam Orígenes e Agostinho seus conceitos sobre a alma?

      13 Orígenes foi discípulo de Clemente de Alexandria, que foi “o primeiro dos Pais que explicitamente adotou a tradição grega referente à alma”, diz a New Catholic Encyclopedia. As ideias de Platão sobre a alma devem ter influenciado profundamente a Orígenes. “[Orígenes] introduziu na doutrina cristã todo o drama cósmico da alma, que ele adotou de Platão”, observou o teólogo Werner Jaeger em The Harvard Theological Review.

      14 Agostinho é encarado por alguns na cristandade como o maior pensador da antiguidade. Antes de se converter ao “cristianismo” à idade de 33 anos, Agostinho tinha profundo interesse na filosofia e se tornara neoplatônico.a Depois da sua conversão, continuou neoplatônico no seu modo de pensar. “Sua mente foi o cadinho em que a religião do Novo Testamento foi mais completamente fundida com a tradição platônica de filosofia grega”, diz The New Encyclopædia Britannica. A New Catholic Encyclopedia admite que a “doutrina [da alma, por parte de Agostinho], que até os fins do século 12 se tornou padrão no Ocidente, deve muito . . . ao neoplatonismo”.

      15, 16. Alterou o interesse que houve no século 13 nos ensinos de Aristóteles a atitude da Igreja para com o ensino da imortalidade da alma?

      15 No século 13, os ensinos de Aristóteles ficaram populares na Europa, na maior parte pela disponibilidade em latim das obras de eruditos árabes que haviam comentado extensamente os escritos de Aristóteles. Um erudito católico, de nome Tomás de Aquino, ficou profundamente impressionado com o pensamento aristotélico. Por causa dos escritos de Aquino, os conceitos de Aristóteles exerceram maior influência sobre o ensino da Igreja do que os de Platão. Esta tendência, porém, não afetou o ensino da imortalidade da alma.

      16 Aristóteles ensinava que a alma estava inseparavelmente ligada ao corpo e não continuava a ter existência individual após a morte, e que, se existia algo eterno no homem, era o intelecto abstrato, impessoal. Esta maneira de encarar a alma não estava em harmonia com a crença da Igreja, de que as almas pessoais sobrevivem à morte. Por isso, Aquino modificou o conceito de Aristóteles sobre a alma, afirmando que a imortalidade da alma pode ser provada pela razão. De modo que a crença da Igreja na imortalidade da alma continuou intacta.

      17, 18. (a) Causou a Reforma do século 16 uma reforma no ensino sobre a alma? (b) Qual é a posição da maioria das denominações da cristandade com respeito à imortalidade da alma?

      17 Nos séculos 14 e 15, no início da Renascença, reavivou-se o interesse em Platão. A famosa família Médici, na Itália, até mesmo ajudou a fundar uma academia em Florença, para promover o estudo da filosofia platônica. Nos séculos 16 e 17, o interesse em Aristóteles diminuiu. E a Reforma do século 16 não reformou o ensino a respeito da alma. Embora os Reformadores protestantes se opusessem ao ensino do purgatório, aceitaram a ideia de punição ou recompensa eternas.

      18 De modo que o ensino da imortalidade da alma prevalece na maioria das denominações da cristandade. Observando isso, um erudito norte-americano escreveu: “A religião, de fato, para a grande maioria da nossa própria raça, significa imortalidade, e nada mais. Deus é o produtor da imortalidade.”

      A imortalidade e o islamismo

      19. Quando foi fundado o islamismo, e por quem?

      19 O islamismo começou com a chamada de Maomé para ser profeta, quando tinha cerca de 40 anos. Os muçulmanos creem em geral que ele recebeu revelações durante um período de uns 20 a 23 anos, desde por volta de 610 EC até à sua morte em 632 EC. Essas revelações encontram-se registradas no Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Na época em que o islamismo veio à existência, o conceito platônico sobre a alma já se tinha infiltrado no judaísmo e na cristandade.

      20, 21. Qual é a crença dos muçulmanos a respeito do Além?

      20 Os muçulmanos creem que sua crença é a culminação das revelações dadas aos fiéis hebreus e cristãos da antiguidade. O Alcorão cita tanto as Escrituras Hebraicas como as Gregas. Mas com respeito ao ensino da imortalidade da alma, o Alcorão diverge desses escritos. O Alcorão ensina que o homem tem uma alma que continua viva após a morte. Ele fala também da ressurreição dos mortos, dum dia de juízo e do destino final da alma — quer vida num celestial jardim paradísico, quer punição num inferno de fogo.

      21 Os muçulmanos sustentam que a alma de uma pessoa falecida vai para o Barzakh, ou “Barreira”, “o lugar ou estado em que as pessoas estarão após a morte e antes do Julgamento”. (Surata 23:99, 100, The Holy Qur-an, nota de rodapé.) A alma está consciente, sofrendo ali o que se chama de “Punição do Túmulo”, se a pessoa tiver sido má, ou desfrutando a felicidade se tiver sido fiel. Mas os fiéis também têm de sofrer algum tormento, por causa dos seus poucos pecados cometidos enquanto vivos. No dia do juízo, cada qual encara seu destino eterno, que acaba com esse estado intermediário.

      22. Que teorias divergentes sobre o destino da alma foram apresentadas por alguns filósofos árabes?

      22 A ideia da imortalidade da alma, no judaísmo e na cristandade, surgiu por causa da influência platônica, mas esse conceito fez parte do islamismo desde o início. Isto não quer dizer que eruditos árabes não tenham tentado sintetizar ensinos islâmicos e a filosofia grega. Na realidade, o mundo árabe foi muito influenciado pela obra de Aristóteles. E famosos eruditos árabes, tais como Avicena e Averroés, expuseram e ampliaram o modo de pensar aristotélico. No entanto, na sua tentativa de harmonizar o pensamento grego com o ensino muçulmano sobre a alma, criaram teorias diferentes. Por exemplo, Avicena declarou que a alma da pessoa é imortal. Averroés, por outro lado, argumentou contra este conceito. Apesar destes pontos de vista, a imortalidade da alma continua a ser a crença dos muçulmanos.

      23. Qual é a posição do judaísmo, da cristandade e do islamismo na questão da imortalidade da alma?

      23 Portanto, é evidente que o judaísmo, a cristandade e o islamismo ensinam todos a doutrina da imortalidade da alma.

  • Onde se obtêm as respostas
    Que Acontece Conosco Quando Morremos?
    • Onde se obtêm as respostas

      “A teoria do sofrimento eterno não combina com a crença no amor de Deus pelas coisas criadas. . . . Crer na punição eterna da alma pelos erros de uns poucos anos, sem dar-lhe a chance de se corrigir, é contrário a todos os ditames da razão.” — NIKHILANANDA, FILÓSOFO HINDU.

      1, 2. Em vista da variedade de crenças sobre o Além, que perguntas surgem?

      ASSIM como o filósofo hindu Nikhilananda, muitos não se sentem hoje confortáveis com o ensino do tormento eterno. Da mesma forma, outros têm dificuldade de entender conceitos tais como alcançar o nirvana e estar em união com Tao.

      2 No entanto, por causa da ideia de que a alma é imortal, religiões tanto do Oriente como do Ocidente desenvolveram um caleidoscópio desconcertante de crenças a respeito do Além. Será que se pode saber a verdade sobre o que acontece conosco quando morremos? É a alma mesmo imortal? Onde podemos obter as respostas?

      Ciência e filosofia

      3. Podem a ciência ou o método científico de investigação dar as respostas às perguntas sobre a vida após a morte?

      3 Será que a ciência, ou o método científico de investigação, tem as respostas às perguntas referentes ao Além? Baseados em relatos recentes sobre experiências de quase morte ou ‘fora do corpo’, alguns pesquisadores têm tentado fazer observações sobre a vida após a morte. Examinando algumas dessas afirmações na sua palestra sobre “A morte é como entrar na luz?”, o teólogo católico Hans Küng concluiu: “Experiências deste tipo não provam nada a respeito duma possível vida após a morte: trata-se aqui dos últimos cinco minutos antes da morte e não de uma vida eterna após a morte.” Ele acrescentou: “A questão de uma possível vida após a morte é de enorme importância para a vida antes da morte. Requer uma resposta que precisa ser procurada em outra parte, se não puder ser dada pela medicina.”

      4. Pode a filosofia ajudar-nos a achar as respostas entre as muitas possibilidades de uma vida após a morte, oferecidas por diversas religiões?

      4 Que dizer da filosofia? Pode ela ajudar-nos a achar as respostas entre as muitas possibilidades de uma vida após a morte, oferecidas por diversas religiões? A investigação filosófica inclui “atividade especulativa”, diz o filósofo britânico Bertrand Russell, do século 20. A filosofia, segundo The World Book Encyclopedia (Enciclopédia World Book), é “uma forma de pesquisa — um processo de análise, de crítica, de interpretação e de especulação”. Sobre o tópico do Além, as especulações filosóficas têm variado desde classificar a imortalidade como mera ilusão a proclamá-la como direito inato de todo humano.

      Uma fonte ímpar de respostas

      5. Qual é o livro mais antigo já escrito?

      5 No entanto, há um livro que contém respostas verídicas às perguntas importantes sobre a vida e a morte. Trata-se do livro mais antigo já escrito, partes dele tendo sido compostas há uns 3.500 anos. A primeira parte desse livro foi escrita poucos séculos antes de se formularem os hinos mais antigos das escrituras hindus, os Vedas, e cerca de mil anos antes de Buda, Maavira e Confúcio andarem na Terra. Esse livro foi terminado em 98 EC, mais de 500 anos antes de Maomé fundar o islamismo. Essa fonte ímpar de sabedoria superior é a Bíblia.a

      6. Por que podemos esperar que a Bíblia nos diga o que é a alma?

      6 A Bíblia contém a História antiga mais exata do que a apresentada em qualquer outro livro existente. A História registrada na Bíblia remonta ao começo da família humana e explica como viemos a estar aqui na Terra. Até nos leva ao tempo antes de os humanos serem criados. Um livro assim deveras pode dar-nos compreensão de como o homem foi feito e o que é a alma.

      7, 8. Por que podemos com confiança recorrer à Bíblia em busca de respostas verídicas e satisfatórias sobre o que acontece quando morremos?

      7 Além disso, a Bíblia é um livro de profecias que tiveram infalível cumprimento. Por exemplo, ela predisse em muitos pormenores a ascensão e a queda dos impérios medo-persa e grego. Essas palavras mostraram-se tão exatas que alguns críticos tentaram em vão provar que foram escritas depois dos acontecimentos. (Daniel 8:1-7, 20-22) Algumas profecias registradas na Bíblia estão-se cumprindo em pormenores no nosso próprio tempo.b — Mateus, capítulo 24; Marcos, capítulo 13; Lucas, capítulo 21; 2 Timóteo 3:1-5, 13.

      8 Nenhum humano, não importa quão inteligente fosse, poderia ter predito com tanta exatidão acontecimentos futuros. Apenas o todo-poderoso e todo-sábio Criador do Universo o poderia fazer. (2 Timóteo 3:16, 17; 2 Pedro 1:20, 21) A Bíblia deveras é um livro da parte de Deus. Esse livro certamente pode dar-nos respostas verídicas e satisfatórias sobre o que acontece conosco quando morremos. Vejamos primeiro o que ela diz sobre a alma.

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