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  • Considere os exemplos de longanimidade
    A Sentinela — 1991 | 15 de maio
    • Considere os exemplos de longanimidade

      “Deus. . . tolerou com muita longanimidade os vasos do furor, feitos próprios para a destruição.” — ROMANOS 9:22.

      1. (a) De que modo a Palavra inspirada de Deus serve para o nosso benefício? (b) Neste respeito, por que se considera aqui a qualidade da longanimidade?

      JEOVÁ Deus, o nosso Criador, deu-nos a sua Palavra inspirada, a Bíblia Sagrada. Ela visa servir como ‘lâmpada para o nosso pé e luz para a nossa senda’. (Salmo 119:105) A Palavra de Deus ajuda-nos também a nos tornarmos ‘plenamente competentes, completamente equipados para toda boa obra’. (2 Timóteo 3:16, 17) Uma das maneiras pelas quais ela nos equipa é por fornecer-nos excelentes exemplos de longanimidade. Esta qualidade é um dos frutos do espírito de Deus, indispensável para ganharmos a Sua aprovação e nos dar bem com os nossos semelhantes. — Gálatas 5:22, 23.

      2. Qual é o significado da palavra grega traduzida por “longanimidade”, e quem é o mais destacado exemplo em demonstrar esta qualidade?

      2 A palavra grega traduzida por “longanimidade” literalmente significa “longura de espírito”. A longanimidade é definida como “aquela qualidade de autocontrole em face de provocação que não retalia rapidamente nem pune prontamente”. (Dicionário Expositivo de Palavras do Velho e do Novo Testamento, de Vine [em inglês], Volume 3, página 12) Ser longânime significa exercer autocontrole e ser vagaroso em irar-se. E quem é que mais se destaca entre os que são vagarosos em irar-se, demonstrando longanimidade? É o próprio Jeová Deus. Assim, em Êxodo 34:6, lemos que Jeová é um “Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência”. De fato, mais oito vezes nas Escrituras fala-se de Jeová como “vagaroso em irar-se”. — Números 14:18; Neemias 9:17; Salmo 86:15; 103:8; 145:8; Joel 2:13; Jonas 4:2; Naum 1:3.

      3. Que qualidades explicam por que Jeová é longânime?

      3 Ser longânime, ou vagaroso em irar-se, é exatamente o que se esperaria de Jeová Deus, pois ele é infinito em poder e em sabedoria, perfeito em justiça, e a própria personificação do amor. (Deuteronômio 32:4; Jó 12:13; Isaías 40:26; 1 João 4:8) Ele exerce controle sobre as suas qualidades, mantendo-as constantemente em perfeito equilíbrio. O que revela a sua Palavra quanto a por que e como ele tem demonstrado longanimidade para com humanos imperfeitos?

      Longanimidade por Consideração a Seu Nome

      4. Por que boas razões Deus tem manifestado longanimidade para com pecadores?

      4 Por que Jeová é longânime? Por que não pune imediatamente os pecadores? Não é por indiferença ou falta de zelo pela justiça. Não, mas, por boas razões, Jeová é vagaroso em irar-se e não pune prontamente as pessoas. Uma razão é para que deste modo seu nome se torne conhecido. Outra razão é que se exigiu tempo para resolver as questões da soberania de Deus e a integridade da humanidade, levantadas pela rebelião no Éden. Ainda outra razão para a longanimidade de Deus é que ela dá aos errantes a oportunidade de corrigir os seus caminhos.

      5, 6. Por que manifestou Jeová longanimidade com relação a rebelião do homem?

      5 Jeová foi longânime nos tratos com o primeiro casal humano no jardim do Éden. Quando eles violaram seu mandamento contra comer o fruto da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, ele poderia tê-los executado imediatamente, bem como o anjo decaído que enganara Eva. Não há dúvida de que o senso de retidão e de justiça de Jeová fora ultrajado, e que ele estava irado com os três rebeldes. Estaria perfeitamente dentro de seus direitos se os tivesse executado prontamente. Deus advertira o primeiro homem, Adão: “Quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” (Gênesis 2:17) No mesmíssimo dia em que Adão pecou, Deus convocou os transgressores a uma prestação de contas e decretou a sentença de morte. Judicialmente falando, Adão e Eva morreram naquele dia. Todavia, nosso longânime Criador deixou Adão viver 930 anos. — Gênesis 5:5.

      6 Deus tinha boas razões para ser longânime, ou vagaroso em irar-se, neste caso. Executar ele prontamente esses rebeldes não teria solucionado o implícito insulto do Diabo de que Jeová Deus não merece ser adorado e que ele é incapaz de ter servos humanos que lhe sejam íntegros sob quaisquer circunstâncias. Ademais, perguntas como as seguintes ficariam sem resposta: A quem cabia a culpa pelo pecado de Adão e Eva? Será que Jeová os criara moralmente tão fracos que não poderiam resistir a tentações e daí puniu-os por não resistirem? A resposta a tudo isso é evidente do relato no livro de Jó, capítulos 1 e 2. Por permitir que a raça humana aumentasse, Jeová deu aos humanos a oportunidade de provar que as acusações de Satanás são falsas.

      7. Por que Jeová não executou imediatamente a Faraó?

      7 Quando Jeová estava prestes a libertar seu povo, os israelitas, do jugo egípcio, mais uma vez mostrou ser longânime. Jeová poderia ter destruído imediatamente a Faraó e sua força militar. Mas, em vez disso, Ele os tolerou por algum tempo. Por que boas razões? Bem, com o tempo, Faraó tornou-se ainda mais obstinado na sua recusa de deixar os israelitas saírem do Egito como povo livre de Jeová. Mostrou assim ser um ‘vaso de furor’ que merecia a destruição por desafiar a Jeová. (Romanos 9:14-24) Todavia, havia uma razão maior para que Deus fosse longânime neste caso. Por meio de Moisés, ele disse a Faraó: “Eu já poderia ter estendido minha mão para golpear a ti e a teu povo com pestilência, e para eliminar-te de cima da terra. Mas, de fato, por esta razão te deixei em existência: para mostrar-te meu poder e para que meu nome seja declarado em toda a terra.” — Êxodo 9:15, 16.

      8. Por que razão Deus não executou os rebeldes israelitas no ermo?

      8 A longanimidade de Jeová foi também demonstrada por boas razões quando os israelitas estavam no ermo. Quanto eles provaram a paciência de Deus por adorarem o bezerro de ouro e deixarem de exercer fé quando os dez espias retornaram com um mau relatório! Deus não os exterminou como povo seu visto que Seu nome e sua reputação estavam envolvidos. Sim, Jeová manifestou longanimidade por consideração a seu nome. — Êxodo 32:10-14; Números 14:11-20.

      Longanimidade por Consideração a Humanos

      9. Por que Jeová mostrou longanimidade nos dias de Noé?

      9 Jeová tem sido longânime por consideração à humanidade desde que Adão, ao pecar, prejudicou toda a sua prole em potencial, cometendo uma grande injustiça contra ela. A longanimidade de Deus possibilitou sanar esse mal, por conceder tempo para que humanos arrependidos se reconciliassem com ele. (Romanos 5:8-10) Também nos dias de Noé, Jeová Deus mostrou longanimidade para com os humanos. Naquela ocasião, “Jeová viu que a maldade do homem era abundante na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era só má, todo o tempo”. (Gênesis 6:5) Embora Deus pudesse ter exterminado a raça humana assim que viu essa condição, ele decretou que traria um fim a essa situação em 120 anos. (Gênesis 6:3) Esta expressão de longanimidade concedeu tempo para que Noé tivesse três filhos, que estes crescessem e se casassem, e para que essa família construísse a arca para a salvação de suas almas e para a preservação da criação animal. Assim, tornou possível que o propósito original de Deus para com a terra algum dia se cumprisse.

      10, 11. Por que Jeová foi tão longânime com a nação de Israel?

      10 Outra definição de longanimidade se aplica em especial aos tratos de Deus com o seu povo. É “suportar pacientemente o erro ou a provocação, junto com a recusa de perder a esperança de melhora no relacionamento perturbado”. (Ajuda ao Entendimento da Bíblia, página 1033; publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados) Isto indica ainda outro motivo de Deus ter sido longânime para com os israelitas. Eles repetidas vezes se desviaram de Jeová e passaram a estar sob o jugo de nações gentias. Não obstante, ele mostrou longanimidade por libertar os israelitas e dar-lhes oportunidade de se arrependerem. — Juízes 2:16-20.

      11 A maioria dos reis de Israel conduziu seus súditos à adoração falsa. Será que Deus rejeitou de imediato aquela nação? Não, ele não perdeu imediatamente a esperança de melhora no relacionamento abalado. Ao contrário, Jeová foi vagaroso em irar-se. Mostrando longanimidade, Deus repetidas vezes deu-lhes oportunidade de se arrependerem. Lemos em 2 Crônicas 36:15, 16: “Jeová, o Deus de seus antepassados, enviava contra eles avisos por meio dos seus mensageiros, enviando-os vez após vez, porque teve compaixão do seu povo e da sua habitação. Eles, porém, caçoavam continuamente dos mensageiros do verdadeiro Deus e desprezavam as suas palavras, e zombavam dos seus profetas até que subiu o furor de Jeová contra o seu povo, até que não havia mais cura.”

      12. Que testemunho dão as Escrituras Gregas Cristãs quanto a por que Jeová é longânime?

      12 As Escrituras Gregas Cristãs também suprem evidências de que Jeová mostra longanimidade para ajudar seu povo errante. Por exemplo, o apóstolo Paulo pergunta a cristãos transgressores: “Desprezas as riquezas de sua benignidade, e indulgência, e longanimidade, por não saberes que a qualidade benévola de Deus está tentando levar-te ao arrependimento?” (Romanos 2:4) De sentido similar são as palavras de Pedro: “Jeová não é vagaroso com respeito à sua promessa, conforme alguns consideram a vagarosidade, mas ele é paciente convosco, porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” (2 Pedro 3:9) Mui apropriadamente, somos exortados a ‘considerar a paciência de nosso Senhor como salvação’. (2 Pedro 3:15) Assim, vemos que Jeová é longânime, não por causa de sentimentalismo ou indulgência excessiva, mas porque seu nome e seus propósitos estão envolvidos e porque ele é misericordioso e amoroso.

      O Exemplo de Longanimidade de Jesus

      13. Que evidência bíblica existe de que Jesus Cristo era longânime?

      13 Um exemplo de longanimidade que fica atrás apenas do de Deus é o de Seu Filho, o Messias, Jesus Cristo. Ele é um esplêndido exemplo de autocontrole, de não retaliar precipitadamente, apesar de provocação. a Que o Messias seria longânime foi predito pelo profeta Isaías nestas palavras: “Viu-se apertado e deixou-se atribular; contudo, não abria a sua boca. Foi trazido qual ovídeo ao abate; e como a ovelha fica muda diante dos seus tosquiadores, tampouco ele abria a sua boca.” (Isaías 53:7) Num mesmo teor, há a declaração de Pedro: “Quando estava sendo injuriado, não injuriava em revide. Quando sofria, não ameaçava, mas encomendava-se àquele que julga justamente.” (1 Pedro 2:23) Quanto os discípulos de Jesus devem tê-lo provado com as suas repetidas disputas sobre quem era o maior! Todavia, quão longânime e paciente ele era com eles! — Marcos 9:34; Lucas 9:46; 22:24.

      14. O que o exemplo de longanimidade de Jesus nos deve induzir a fazer?

      14 Devemos seguir o exemplo de Jesus em ser longânime. Paulo escreveu: “Corramos com perseverança a carreira que se nos apresenta, olhando atentamente para o Agente Principal e Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus. Pela alegria que se lhe apresentou, ele aturou uma estaca de tortura, desprezando a vergonha, e se tem assentado à direita do trono de Deus. Deveras, considerai de perto aquele que aturou tal conversa contrária da parte de pecadores contra os próprios interesses deles, para que não vos canseis nem desfaleçais nas vossas almas.” — Hebreus 12:1-3.

      15. Como sabemos que Jesus era longânime e que suportava de bom grado as provações?

      15 Que Jesus era longânime e que de bom grado suportou privações vê-se da atitude que teve por ocasião de sua prisão. Tendo repreendido a Pedro por este ter sacado da espada para proteger seu Amo, Jesus disse: “Pensas que não posso apelar para meu Pai, para fornecer-me neste momento mais de doze legiões de anjos? Neste caso, como se cumpririam as Escrituras, de que tem de realizar-se deste modo?” — Mateus 26:51-54; João 18:10, 11.

      Outros Exemplos de Longanimidade

      16. Que indicação há nas Escrituras de que José, filho de Jacó, era longânime?

      16 Mesmo os imperfeitos humanos pecadores podem mostrar longanimidade. As Escrituras Hebraicas fornecem exemplos de paciente tolerância do mal da parte de pessoas imperfeitas. Por exemplo, há o caso de José, filho do patriarca hebreu Jacó. Quão pacientemente ele suportou injustiças que lhe foram infligidas por seus meios-irmãos e pela esposa de Potifar! (Gênesis 37:18-28; 39:1-20) José não permitiu que essas provações o amargurassem. Isto ficou evidente quando ele disse a seus irmãos: “Não vos sintais magoados e não estejais irados com vós mesmos, por me terdes vendido para cá; porque foi para a preservação de vida que Deus me enviou na vossa frente.” (Gênesis 45:4, 5) Que excelente exemplo de longanimidade deu José!

      17, 18. Que evidência de longanimidade temos no caso de Davi?

      17 Davi é outro exemplo de um servo fiel de Jeová que pacientemente suportou o mal, manifestando longanimidade. Perseguido como se fosse um cão pelo ciumento Rei Saul, em duas ocasiões Davi teve oportunidade de matá-lo, em retaliação. (1 Samuel 24:1-22; 26:1-25) Mas Davi esperou em Deus, como se vê de suas palavras a Abisai: “O próprio Jeová o ferirá [a Saul]; ou virá seu dia e terá de morrer, ou descerá à batalha e será certamente arrasado. É inconcebível, da minha parte, do ponto de vista de Jeová, estender a minha mão contra o ungido de Jeová!” (1 Samuel 26:10, 11) Sim, Davi tinha em suas mãos a possibilidade de acabar com a perseguição que Saul lhe movia. Em vez disso, preferiu ser longânime.

      18 Considere, também, o que aconteceu quando o Rei Davi fugia de seu filho traiçoeiro, Absalão. Simei, um benjamita da casa de Saul, atirou pedras em Davi e invocou o mal sobre ele, bradando: “Sai, sai, homem culpado de sangue e homem imprestável!” Abisai queria que Simei fosse morto, mas Davi recusou-se a retaliar. Em vez disso, ele novamente manifestou a qualidade da longanimidade. — 2 Samuel 16:5-13.

      Considere o Exemplo de Paulo

      19, 20. Como mostrou o apóstolo Paulo ser longânime?

      19 Nas Escrituras Gregas Cristãs, temos ainda outro excelente exemplo de longanimidade da parte de um humano imperfeito — o apóstolo Paulo. Ele manifestou tolerância paciente, longanimidade, tanto em relação a seus inimigos religiosos como para com indivíduos que diziam ser cristãos. Sim, Paulo manifestou longanimidade embora alguns na congregação em Corinto dissessem: “As suas cartas são ponderosas e vigorosas, mas a sua presença em pessoa é fraca e a sua palavra, desprezível.” — 2 Coríntios 10:10; 11:5, 6, 22-33.

      20 Com boa razão, pois, Paulo disse aos coríntios: “Recomendamo-nos de todo modo como ministros de Deus, na perseverança em muito, em tribulações, em necessidades, em dificuldades, em espancamentos, em prisões, em desordens, em labores, em noites sem dormir, em tempos sem comida, pela pureza, pelo conhecimento, pela longanimidade, pela benignidade, por espírito santo, pelo amor livre de hipocrisia.” (2 Coríntios 6:4-6) Similarmente, o apóstolo podia escrever a seu colaborador Timóteo: “Tu seguiste de perto o meu ensino, meu proceder na vida, meu propósito, minha fé, minha longanimidade, meu amor, minha perseverança, minhas perseguições, meus sofrimentos, . . . contudo, o Senhor me livrou de todos esses.” (2 Timóteo 3:10, 11) Que excelente exemplo de longanimidade nos deu o apóstolo Paulo!

      21. De que ajuda nos poderá ser o próximo artigo?

      21 Claramente, há muitos exemplos de longanimidade nas Escrituras. Jeová e seu amado Filho são os mais notáveis. Mas, quão encorajador é notar que essa qualidade foi demonstrada por humanos imperfeitos, como José, Davi e o apóstolo Paulo! O artigo seguinte visa ajudar-nos a imitar tais excelentes exemplos.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Ser longânime não significa simplesmente sofrer prolongadamente. A pessoa que sofre por um longo período mas se sente frustada ou amargurada porque não pode retaliar, não é longânime.

  • Sejamos longânimes para com todos
    A Sentinela — 1991 | 15 de maio
    • Sejamos longânimes para com todos

      “Exortamo-vos, irmãos: admoestai os desordeiros, falai consoladoramente às almas deprimidas, amparai os fracos, sede longânimes para com todos.” — 1 Tessalonicenses 5:14.

      1. Onde e sob que circunstâncias têm mostrado longanimidade as Testemunhas de Jeová? 

      QUE exemplo de longanimidade têm dado as hodiernas Testemunhas de Jeová! Elas suportaram muitas adversidades e perseguições em países anteriormente nazistas e fascistas, e continuam suportando, em países como o Malaui. Longânimes, também, são aquelas que vivem em famílias divididas em sentido religioso.

      2. A que dois fatores se atribui a existência do paraíso espiritual que o povo de Jeová usufrui?

      2 Apesar da perseguição e das adversidades que experimentam, o povo dedicado de Jeová tem desfrutado as bênçãos de um paraíso espiritual. Deveras, os fatos mostram que os cristãos ungidos passaram a usufruí-lo no ano de 1919. A que podemos atribuir a existência desse paraíso espiritual? Acima de tudo, tais condições paradísicas existem entre o povo de Jeová porque Deus conduziu seus servos ungidos de volta à sua “terra”, ou condição, de adoração pura. (Isaías 66:7, 8) O paraíso espiritual floresce também porque todos nele manifestam os frutos do espírito de Deus. A longanimidade é um destes. (Gálatas 5:22, 23) A importância desta qualidade, no que tange ao nosso paraíso espiritual, vê-se da seguinte declaração do perito William Barclay: “Não pode existir o que se chama de companheirismo cristão sem makrothumia [longanimidade]. . . . E a razão disto é exatamente esta — a makrothumia é a grande característica de Deus (Rom. 2:4; 9:22).” (A New Testament Wordbook [Glossário do Novo Testamento], página 84) Sim, a longanimidade é realmente tão importante assim!

      Sejamos Longânimes com os Nossos Irmãos

      3. Que lição sobre ser longânime deu Jesus a Pedro?

      3 O apóstolo Pedro, aparentemente, tinha alguma dificuldade em manifestar longanimidade, pois certa vez perguntou a Jesus: “Senhor, quantas vezes há de pecar contra mim o meu irmão e eu lhe hei de perdoar? Até sete vezes?” Jesus aconselhou-o: “Eu não te digo: Até sete vezes, mas: Até setenta e sete vezes.” (Mateus 18:21, 22) Em outras palavras, não há limite no número de vezes que devemos suportar uns aos outros e perdoar quem peque contra nós. Afinal, não se pode supor que alguém prossiga contando até completar 77 vezes! Todavia, ser perdoador assim certamente exige longanimidade.

      4. Por que em especial os anciãos tem de ser longânimes?

      4 Quando se trata de manifestar longanimidade por parte de irmãos espirituais, não há dúvida de que os anciãos congregacionais devem ser exemplares. É possível que a paciência deles seja posta à prova quando certos concrentes são descuidados ou indiferentes. Outros talvez demorem a corrigir maus hábitos. Os anciãos têm de cuidar de não se aborrecerem ou se ofenderem facilmente por causa das fraquezas de seus irmãos e irmãs cristãos. Antes, esses pastores espirituais têm de lembrar do conselho: “Nós, porém, os que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos que não são fortes, e não estar agradando a nós mesmos.” — Romanos 15:1.

      5. O que teremos condições de suportar, se formos longânimes?

      5 Além disso, podem surgir conflitos de personalidade por causa de fraquezas e falhas humanas. Devido a faltas ou idiossincrasias, talvez irritemos nossos irmãos, e talvez eles nos irritem. Portanto, quão apropriado é o conselho: “Continuai a suportar-vos uns aos outros e a perdoar-vos uns aos outros liberalmente, se alguém tiver razão para queixa contra outro. Assim como Jeová vos perdoou liberalmente, vós também o fazei.” (Colossenses 3:13) ‘Suportar-nos uns aos outros’ significa ser longânime, embora talvez tenhamos motivos válidos para queixa contra alguém. Não devemos retaliar ou punir o nosso irmão, nem mesmo suspirar contra ele. — Tiago 5:9.

      6. Por que ser longânime é o proceder de sabedoria?

      6 O mesmo sentido tem o conselho em Romanos 12:19: “Não vos vingueis amados, mas cedei lugar ao furor; pois está escrito: ‘A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová.’” ‘Ceder lugar ao furor’ significa ser vagaroso em irar-se, ou longânime. Manifestar essa qualidade é o proceder sábio, pois beneficia a nós e a outros. Se surgir um problema, e nós formos longânimes, nos sentiremos melhor, porque, pelo menos, não estaremos piorando as coisas. E aquele para com quem somos longânimes também se sentirá melhor porque não o punimos, ou, de certa forma, retaliamos. Não surpreende que Paulo exortasse os concristãos a ‘falar consoladoramente as almas deprimidas, amparar os fracos e ser longânime para com todos’! — 1 Tessalonicenses 5:14.

      No Círculo Familiar

      7. Por que os casados têm de ser longânimes?

      7 Tem-se dito acertadamente que um casamento feliz é a união de dois bons perdoadores. O que significa isso? Que aqueles que são felizes no casamento são longânimes um para com o outro. As pessoas não raro se atraem por causa de temperamentos opostos. Essas diferenças talvez exerçam um certo atrativo, mas podem também ser fonte de fricção que aumenta as tensões e as ansiedades normais que fazem com que casais cristãos tenham ‘tribulação na sua carne’. (1 Coríntios 7:28) Por exemplo, digamos que um marido não liga para detalhes, ou talvez tenda a ser um tanto descuidado ou desleixado. Isto pode ser um tanto provador para sua esposa. Mas, se sugestões bondosamente apresentadas forem inúteis, talvez ela tenha de simplesmente suportar a fraqueza dele sendo longânime.

      8. Por que o marido talvez tenha de ser longânime?

      8 Por outro lado, a esposa talvez se preocupe demais com detalhes e tenda a implicar com o marido. Isto bem que pode trazer à lembrança o texto: “É melhor morar no fundo do quintal do que dentro de casa com uma mulher briguenta.” (Provérbios 25:24, A Bíblia na Linguagem de Hoje) Neste caso, exige-se longanimidade para aplicar o conselho de Paulo: “Vós, maridos, persisti em amar as vossas esposas e não vos ireis amargamente com elas.” (Colossenses 3:19) É também necessário longanimidade para que os maridos acatem o conselho do apóstolo Pedro: “Vós, maridos, continuai a morar com [as vossas esposas] da mesma maneira, segundo o conhecimento, atribuindo-lhes honra como a um vaso mais fraco, o feminino, visto que sois também herdeiros com elas do favor imerecido da vida, a fim de que as vossas orações não sejam impedidas.” (1 Pedro 3:7) As fraquezas de sua esposa às vezes talvez sejam provadoras para o marido, mas, a longanimidade ajudá-lo-á a suportá-las.

      9. Por que precisam os pais ter longanimidade?

      9 Os pais, para que sejam bem-sucedidos na criação de seus filhos, têm de ser longânimes. Os filhos talvez cometam repetidas vezes os mesmos erros. Talvez pareçam obstinados ou lentos em aprender e continuamente submetam seus pais à prova. Sob tais circunstâncias, os pais cristãos têm de ser vagarosos em irar-se, não devem perder a paciência ou a compostura, mas sim permanecer calmos, sendo ao mesmo tempo firmes em favor de princípios justos. Os pais devem lembrar-se de que também já foram jovens e que também cometeram erros. Têm de aplicar o conselho de Paulo: “Vós, pais, não estejais exasperando os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.” — Colossenses 3:21.

      Para com os de Fora

      10. Como devemos agir em nosso local de trabalho, conforme se vê em que experiência?

      10 Devido à imperfeição e ao egoísmo humanos, talvez surjam situações desagradáveis no local de trabalho do cristão. É sábio usar de tato e suportar malefícios a bem da paz. A experiência de certo cristão, vítima de muitas intrigas causadas por um colega de trabalho invejoso, mostra quão sábio isso pode ser. Visto que esse irmão não criou um caso por causa disso, mas foi longânime, com o tempo conseguiu iniciar um estudo bíblico com esse colega anteriormente problemático.

      11. Quando, em especial, temos de ser longânimes, e por que?

      11 O povo de Jeová deve em especial ser longânime ao dar testemunho aos de fora da congregação cristã. Os cristãos muitas vezes se deparam com reações rudes ou ríspidas. Seria próprio ou sábio responder à altura? Não, pois isso não seria manifestar longanimidade. O proceder de sabedoria é lembrar-se do sábio provérbio e aplicá-lo: “Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira.” — Provérbios 15:1.

      A Fé e a Esperança Ajudam a Mostrar Longanimidade

      12, 13. Que qualidades nos ajudarão a ser longânimes?

      12 O que nos pode ajudar a mostrar longanimidade, a suportar condições aflitivas? Uma ajuda é ter fé nas promessas de Deus. Temos de realmente crer no que Deus diz. As Escrituras dizem: “Não vos tomou nenhuma tentação exceto a que é comum aos homens. Mas Deus é fiel, e ele não deixará que sejais tentados além daquilo que podeis agüentar, mas, junto com a tentação, ele proverá também a saída, a fim de que a possais agüentar.” (1 Coríntios 10:13) Em outras palavras, como disse certo irmão veterano: “Se Deus permite algo, é porque posso suportá-lo.” Sim, podemos suportar, sendo longânimes.

      13 Algo intimamente relacionado com a fé é a esperança no Reino de Deus. Quando este assumir o controle da terra, todas as más condições que nos afligem serão removidas. Sobre isso, disse o salmista Davi: “Larga a ira e abandona o furor; não te acalores apenas para fazer o mal. Pois os próprios malfeitores serão decepados, mas os que esperam em Jeová são os que possuirão a terra.” (Salmo 37:8, 9) A esperança segura de que Deus em breve eliminará todas essas circunstâncias provadoras ajuda-nos a ser longânimes.

      14. Que experiência mostra que devemos ser longânimes para com um cônjuge descrente?

      14 Como devemos reagir se um cônjuge descrente nos causa aflição? Continue a recorrer a Deus em busca de ajuda, e não perca a esperança de que o opositor venha a se tornar adorador de Jeová. A esposa de certo cristão às vezes se recusava a preparar-lhe as refeições ou a lavar-lhe as roupas. Usava linguagem suja, passava dias sem falar com ele e chegou até mesmo a tentar lançar um feitiço contra ele. “Mas”, disse ele, “em todas as ocasiões eu recorria a Jeová em oração, e confiava Nele para ajudar-me a desenvolver a boa qualidade da longanimidade, para que eu não perdesse meu equilíbrio cristão. Além disso, eu esperava que ela algum dia mudasse a atitude de seu coração”. Depois de 20 anos de tal tratamento, a esposa começou a mudar, e ele disse: “Quão grato sou a Jeová de que ele ajudou-me a cultivar esse fruto do espírito, a longanimidade, porque agora vejo o resultado: minha esposa começou a andar no caminho da vida!”

      Oração, Humildade e Amor Serão de Ajuda

      15. Por que a oração nos pode ajudar a ser longânimes?

      15 A oração é ainda outra grande ajuda em manifestar longanimidade. Paulo instou: “Não estejais ansiosos de coisa alguma, mas em tudo, por oração e súplica, junto com agradecimento, fazei conhecer as vossas petições a Deus; e a paz de Deus, que excede todo pensamento, guardará os vossos corações e as vossas faculdades mentais por meio de Cristo Jesus.” (Filipenses 4:6, 7) Lembre-se também de acatar a admoestação: “Lança o teu fardo sobre o próprio Jeová, e ele mesmo te susterá. Nunca permitirá que o justo seja abalado.” — Salmo 55:22.

      16. Quanto a sermos longânimes, como pode a humildade nos ajudar?

      16 A humildade é ainda outra grande ajuda em cultivar esse fruto do espírito, a longanimidade. A pessoa orgulhosa é impaciente. Ofende-se com facilidade, irrita-se prontamente e não suporta nenhum tratamento desfavorável. Tudo isto é o contrário de ser longânime. A pessoa humilde, porém, não se leva tão a sério assim. Ela espera em Jeová, como fez Davi quando era perseguido pelo Rei Saul e insultado pelo benjamita Simei. (1 Samuel 24:4-6; 2 Samuel 16:5-13) Assim, devemos querer andar ‘com completa humildade mental e brandura, suportando-nos uns aos outros em amor’. (Efésios 4:2) Ademais, devemos ‘humilhar-nos aos olhos de Jeová’. — Tiago 4:10.

      17. Por que o amor nos ajudará a sermos longânimes?

      17 Em especial o amor altruísta ajuda-nos a ser longânimes. Deveras, “o amor é longânime”, pois faz com que tenhamos no coração os melhores interesses dos outros. (1 Coríntios 13:4) O amor nos faz ter empatia, nos colocar na pele de alguém, por assim dizer. Ademais, o amor ajuda-nos a ser longânimes porque “suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas. O amor nunca falha”. (1 Coríntios 13:7, 8) Sim, como reza o cântico do Reino número 200 do cancioneiro Cantemos Louvores a Jeová:

      “O amor união produz.

      É do Deus que nos dá luz.

      Pronto está para levantar

      Os que venham a tropeçar.”

      Ser Longânime com Alegria?

      18. Como é possível ser longânime com alegria?

      18 Paulo orou para que seus concrentes em Colossos ficassem cheios do conhecimento exato da vontade de Deus a fim de andarem dignamente de Jeová, agradá-lo e produzirem frutos em toda boa obra. Seriam assim ‘fortalecidos com todo o poder, ao alcance de seu glorioso poderio, de modo a perseverarem plenamente e serem longânimes com alegria’. (Colossenses 1:9-11) Ainda assim, como pode alguém ser ‘longânime com alegria’? Isto não é contraditório, pois sentir a alegria a que as Escrituras se referem não é mera questão de se ser uma pessoa animada ou prazenteira. A alegria qual fruto do espírito inclui um sentimento de profunda satisfação decorrente de se fazer o que é correto aos olhos de Deus. É também uma expressão da esperança de receber a prometida recompensa resultante de exercer a longanimidade. É por isso que Jesus disse: “Felizes sois quando vos vituperarem e perseguirem, e, mentindo, disserem toda sorte de coisas iníquas contra vós, por minha causa. Alegrai-vos e pulai de alegria, porque a vossa recompensa é grande nos céus; pois assim perseguiram os profetas antes de vós.” — Mateus 5:11, 12.

      19. Que exemplos mostram que é possível ser longânime e, ao mesmo tempo, sentir-se alegre?

      19 Jesus sentia tal alegria. Deveras, “pela alegria que se lhe apresentou, ele aturou uma estaca de tortura, desprezando a vergonha”. (Hebreus 12:2) Essa alegria habilitou Jesus a ser longânime. Similarmente, considere o que aconteceu quando os apóstolos foram chibateados e se lhes ordenou que “parassem de falar à base do nome de Jesus”. Eles “retiraram-se do Sinédrio, alegrando-se porque tinham sido considerados dignos de ser desonrados a favor do nome dele. E cada dia, no templo e de casa em casa, continuavam sem cessar a ensinar e a declarar as boas novas a respeito do Cristo, Jesus”. (Atos 5:40-42) Que excelente exemplo, provando que os seguidores de Cristo podem ser longânimes com alegria!

      20. Se mostrarmos longanimidade, como pode isso influir na nossa relação com outros?

      20 A Palavra de Deus por certo nos dá bom conselho quando nos exorta a não retaliarmos, a sermos vagarosos em irar-nos, a esperar pelo melhor — enfim, a sermos longânimes! Necessitamos de oração regular e deste fruto do espírito de Deus para nos relacionarmos bem com os nossos irmãos e irmãs na congregação, com os de nosso círculo familiar, com colegas de trabalho e com pessoas que contatamos no ministério cristão. E o que nos pode ajudar a manifestar longanimidade? A fé, a esperança, a humildade, a alegria e o amor. Realmente, com tais qualidades podemos ser longânimes para com todos.

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