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  • “O amor do Cristo nos impele”
    ‘Venha Ser Meu Seguidor’
    • SEÇÃO 3

      “O Amor Do Cristo Nos Impele”

      O que nos motiva a continuar seguindo a Jesus? O apóstolo Paulo responde: “O amor do Cristo nos impele.” (2 Coríntios 5:14) Esta seção falará sobre o amor de Jesus por Jeová, pela humanidade e por nós individualmente. É um estudo que toca nosso coração e nos motiva a agir, a imitar cada vez mais o exemplo de nosso Mestre.

  • “Eu amo o Pai”
    ‘Venha Ser Meu Seguidor’
    • CAPÍTULO TREZE

      “Eu amo o Pai”

      1, 2. O que o apóstolo João revelou sobre os últimos momentos que Jesus passou com os apóstolos antes de sua morte?

      COM a mente cheia de lembranças, um homem idoso mergulha uma pena num tinteiro. Seu nome é João, o último apóstolo vivo de Jesus Cristo. Com aproximadamente 100 anos de idade, João está pensando numa noite inesquecível há cerca de sete décadas — os últimos momentos que Jesus passou com seus apóstolos antes de morrer. Com a ajuda do espírito santo de Deus, João consegue lembrar e registrar em detalhes o que aconteceu naquela noite.

      2 Naquela ocasião Jesus deixou claro que seria morto dali a algumas horas. Apenas João revela por que Jesus disse que se sujeitaria àquela morte terrível: “Para que o mundo saiba que eu amo o Pai, faço assim como o Pai me ordenou. Levantem-se, vamos embora daqui.” — João 14:31.

      3. Como Jesus demonstrou que amava seu Pai?

      3 “Eu amo o Pai.” Para Jesus nada era mais importante do que esse amor. Isso não significa que ele ficava sempre repetindo que amava o Pai. Na verdade, João 14:31 é o único texto bíblico que menciona Jesus expressando amor pelo Pai de modo tão direto. O fato é que Jesus viveu segundo essas palavras. Seu amor por Jeová era evidente no seu dia a dia. Sua coragem, obediência e perseverança eram evidência de que ele amava a Deus. Também foi esse amor que o motivou a realizar o seu ministério.

      4, 5. A Bíblia dá destaque a que tipo de amor, e o que podemos dizer sobre o amor de Jesus por Jeová?

      4 Hoje em dia, alguns talvez achem que o amor é uma qualidade fraca. Talvez pensem em canções e poemas que falam de amor, ou até na frivolidade que às vezes está relacionada ao amor romântico. A Bíblia também fala sobre o amor romântico, mas de modo mais digno do que a forma em que geralmente é apresentado hoje. (Provérbios 5:15-21) No entanto, a Palavra de Deus fala muito mais de outro tipo de amor. Esse amor não é apenas uma paixão ou emoção passageira; nem alguma filosofia intelectual e fria. Envolve tanto o coração como a mente. É um amor que vem do íntimo e é governado por princípios nobres. Além disso, é demonstrado por meio de boas ações. É tudo menos frívolo. A Palavra de Deus diz: “O amor nunca acaba.” — 1 Coríntios 13:8.

      5 De todos os humanos que já viveram, Jesus foi o que mais amou a Jeová. Ele disse que o maior de todos os mandamentos divinos é: “Ame a Jeová, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua mente e de toda a sua força.” (Marcos 12:30) Ninguém cumpriu melhor essas palavras do que Jesus. Como ele cultivou esse amor? Como manteve forte seu amor por Deus durante o tempo em que permaneceu na Terra? E como podemos imitá-lo?

      O mais forte e antigo vínculo de amor

      6, 7. Como sabemos que Provérbios 8:22-31 descreve o Filho de Deus e não apenas a sabedoria?

      6 Já realizou alguma tarefa junto com um amigo? Percebeu que sua amizade ficou mais achegada por causa disso? Essa experiência agradável pode ajudar você a ter uma ideia do amor que se desenvolveu entre Jeová e seu Filho unigênito. Já citamos Provérbios 8:30 algumas vezes, mas vamos analisar mais detalhadamente esse versículo no seu contexto. Do versículo 22 ao 31, encontramos uma descrição inspirada da sabedoria personificada. Como sabemos que essas palavras se referem ao Filho de Deus?

      7 No versículo 22, a sabedoria diz: “Jeová me produziu como o princípio do seu caminho, a primeira das suas realizações mais antigas.” Aqui, deve estar se referindo a algo mais do que a sabedoria, porque essa qualidade nunca foi ‘produzida’. Ela nunca teve um início, pois Jeová sempre existiu e sempre foi sábio. (Salmo 90:2) O Filho de Deus, porém, foi “o primogênito de toda a criação”. Ele foi produzido, ou criado; ele é a mais antiga de todas as realizações de Jeová. (Colossenses 1:15) O Filho já existia antes da Terra e do céu, conforme descrito em Provérbios. Como a Palavra, ou o Porta-Voz do próprio Jeová, ele era a expressão perfeita da sabedoria de Jeová. — João 1:1.

      8. O que o Filho fez durante sua existência pré-humana, e do que podemos nos lembrar ao admirar a criação?

      8 O que o Filho fez durante seu longo tempo de vida antes de vir à Terra? O versículo 30 diz que ele estava ao lado de Deus, “como trabalhador perito”. O que significa isso? Colossenses 1:16 explica: “Por meio dele foram criadas todas as outras coisas nos céus e na terra . . . Todas as outras coisas foram criadas por meio dele e para ele.” Assim, Jeová, o Criador, trouxe à existência todas as outras criações por meio de seu Filho, o Trabalhador Perito — das criaturas espirituais nos céus ao imenso Universo físico, da Terra e sua extraordinária variedade de plantas e animais à criação terrestre mais importante: o ser humano. De certo modo, podemos comparar esse trabalho em equipe entre Pai e Filho à cooperação que há entre um arquiteto e um construtor. O construtor é alguém especializado em executar os projetos engenhosos do arquiteto. Quando ficamos impressionados com algum aspecto da criação, na verdade estamos louvando o Grande Arquiteto. (Salmo 19:1) Mas podemos nos lembrar também do longo e feliz trabalho em equipe entre o Criador e o seu “trabalhador perito”.

      9, 10. (a) O que fortaleceu o vínculo de amor entre Jeová e seu Filho? (b) O que pode fortalecer seu vínculo de amor com seu Pai celestial?

      9 Quando dois humanos imperfeitos trabalham juntos, às vezes surgem dificuldades de relacionamento. Isso não aconteceu entre Jeová e seu Filho. O Filho trabalhou com o Pai durante incontáveis eras e disse: “Alegrava-me diante dele todo o tempo.” (Provérbios 8:30) Ele tinha prazer na companhia do Pai, que por sua vez apreciava a companhia do Filho. Naturalmente, o Filho se tornou cada vez mais parecido com o Pai, aprendendo a imitar as Suas qualidades. Assim, não é de admirar que o vínculo entre Pai e Filho tenha se tornado tão forte! Pode ser apropriadamente considerado o mais forte e antigo vínculo de amor de todo o Universo.

      10 Mas qual é a importância disso para nós? Talvez você ache que nunca conseguirá cultivar esse vínculo com Jeová. De fato, ninguém tem uma posição tão elevada quanto à do Filho. No entanto, temos uma oportunidade maravilhosa. Lembre-se de que Jesus se achegou mais ao Pai por trabalhar junto com Ele. Jeová amorosamente nos oferece a oportunidade de ser seus “colaboradores”. (1 Coríntios 3:9) Ao passo que seguimos o exemplo de Jesus no ministério, devemos sempre ter em mente que somos colaboradores de Deus. Assim, o vínculo de amor que nos une a Jeová fica cada vez mais forte. Pode haver privilégio maior do que esse?

      Como Jesus manteve forte seu amor por Jeová

      11-13. (a) Por que é de ajuda pensar no amor como algo vivo, e como Jesus manteve forte seu amor por Jeová quando era jovem? (b) Como o Filho de Deus mostrou que tinha interesse em aprender de Jeová antes de vir à Terra e depois, como homem?

      11 Pensar no amor como algo vivo pode ser de muita ajuda. Assim como uma planta, o amor precisa de nutrição e cuidados para crescer e se desenvolver. Sem cuidados e nutrição, o amor enfraquece e morre. Jesus não considerava seu amor por Jeová como algo de pouca importância. Ele o manteve forte e o desenvolveu durante o tempo em que esteve na Terra. Vamos ver como ele fez isso.

      12 Pense novamente na ocasião em que Jesus era jovem e expressou seu ponto de vista quando estava no templo em Jerusalém. Lembre-se do que ele disse a seus pais, que haviam ficado preocupados: “Por que estavam procurando por mim? Não sabiam que eu devia estar na casa do meu Pai?” (Lucas 2:49) Quando era criança, Jesus evidentemente ainda não tinha nenhuma lembrança de sua existência pré-humana. Mesmo assim, o amor que tinha por seu Pai, Jeová, era muito forte. Ele sabia que o modo natural de expressar esse amor era por meio da adoração. Assim, a casa de adoração pura de seu Pai era o lugar onde ele mais queria estar. Ele não via a hora de estar lá, e não gostava de ir embora. Além disso, Jesus não ficava apenas assistindo passivamente o que ocorria ali. Ele gostava muito de aprender sobre Jeová e falar sobre o que sabia. Esses sentimentos não surgiram quando ele tinha 12 anos, nem acabaram quando ele ficou mais velho.

      13 O Filho aprendeu de seu Pai durante sua existência pré-humana. A profecia registrada em Isaías 50:4-6 revela que Jeová deu instrução específica a seu Filho sobre seu papel como Messias. Embora isso envolvesse ficar sabendo que o Ungido de Jeová passaria por algumas dificuldades, o Filho queria muito aprender. Mais tarde, quando Jesus veio à Terra e se tornou adulto, ainda tinha prazer em ir à casa de seu Pai e participar na adoração e na instrução que Jeová desejava que fosse dada ali. A Bíblia relata que Jesus comparecia fielmente ao templo e à sinagoga. (Lucas 4:16; 19:47) Se queremos que nosso amor por Jeová continue vivo e cada vez mais forte, precisamos ser diligentes em assistir às reuniões cristãs, onde adoramos a Jeová e aprofundamos nosso conhecimento e apreço por ele.

      Jesus orando num monte.

      Jesus “subiu sozinho ao monte para orar”

      14, 15. (a) Por que Jesus procurava ficar sozinho? (b) Como as orações de Jesus a seu Pai revelavam intimidade e respeito?

      14 Outra maneira pela qual Jesus manteve forte seu amor por Jeová foi por orar regularmente. Embora ele fosse amistoso e sociável, é interessante notar que ele gostava de tirar tempo para ficar sozinho. Por exemplo, Lucas 5:16 diz: “Ele muitas vezes ia a lugares desertos para orar.” Do mesmo modo, Mateus 14:23 declara: “Depois de dispensar as multidões, ele subiu sozinho ao monte para orar. Quando anoiteceu, ele estava ali sozinho.” Jesus procurou ficar a sós nessas e em outras ocasiões não porque fosse um eremita ou não gostasse da companhia de outros, mas porque queria ficar a sós com Jeová para falar livremente com seu Pai em oração.

      15 Ao orar, Jesus às vezes usava a expressão: “Aba, Pai.” (Marcos 14:36) Nos dias de Jesus, “aba” era uma palavra carinhosa para “pai” usada no âmbito familiar. Em geral, estava entre as primeiras palavras que a criança aprendia a falar. Mesmo assim, era um termo respeitoso. Desse modo, além de revelar a intimidade de Jesus conversando com seu amado Pai, essa palavra também transmitia profundo respeito pela autoridade paterna de Jeová. Percebemos essa intimidade e esse respeito em todas as orações de Jesus registradas na Bíblia. Por exemplo, João capítulo 17 contém a oração longa e sincera que Jesus fez em sua última noite. É muito motivador estudar essa oração e é vital que a tomemos como exemplo — não por repeti-la, é claro, mas por encontrar maneiras de falar de coração com o nosso Pai celestial, tanto quanto pudermos. Fazer isso manterá vivo e forte o nosso amor por ele.

      16, 17. (a) Como Jesus expressou em palavras o amor que tinha por seu Pai? (b) De que modo Jesus descreveu a generosidade de seu Pai?

      16 Conforme vimos no início deste capítulo, Jesus não ficava sempre dizendo “eu amo o Pai”. Mas ele muitas vezes expressou esse amor por meio de palavras. Como? O próprio Jesus disse: “Eu te louvo publicamente, Pai, Senhor do céu e da terra.” (Mateus 11:25) Na Seção 2 deste livro, vimos que Jesus tinha prazer em louvar a seu Pai por ajudar as pessoas a conhecê-Lo. Por exemplo, ele comparou Jeová a um pai que estava tão ansioso para perdoar seu filho desobediente que esperou a chegada do jovem arrependido e, quando o viu de longe, correu até ele e o abraçou. (Lucas 15:20) É impossível ler essa passagem sem ficar emocionado com a descrição que Jesus fez do amor e do perdão de Jeová!

      17 Jesus elogiou seu Pai muitas vezes por Sua generosidade. Ele usou o exemplo de pais imperfeitos para mostrar que podemos estar certos de que o nosso Pai nos dará espírito santo na medida que precisarmos. (Lucas 11:13) Jesus também falou sobre a esperança que o Pai dá de modo generoso. Ele mencionou a sua própria esperança de estar novamente ao lado de seu Pai no céu. (João 14:28; 17:5) Falou também a seus seguidores sobre a esperança que Jeová estendeu ao “pequeno rebanho” de Cristo — viver no céu e governar junto com o Rei messiânico. (Lucas 12:32; João 14:2) Ele consolou um criminoso à beira da morte com a esperança de vida no Paraíso. (Lucas 23:43) Falar sobre a grande generosidade de seu Pai certamente ajudou Jesus a manter forte seu amor por Jeová. Muitos seguidores de Jesus descobriram que nada fortalece mais sua fé e seu amor por Jeová do que falar a respeito dele e da esperança que ele dá aos que o amam.

      Você imitará o amor de Jesus por Jeová?

      18. Qual é a maneira mais importante de seguirmos a Jesus, e por quê?

      18 Há muitas maneiras de seguirmos a Jesus, mas nenhuma é mais importante do que amar a Jeová de todo o nosso coração, alma, mente e força. (Lucas 10:27) O que prova quanto amamos a Jeová não é apenas a intensidade dos nossos sentimentos; nossas ações também são importantes. Jesus não se contentou apenas em sentir amor por seu Pai, nem apenas em dizer “eu amo o Pai”. Ele explicou: “Para que o mundo saiba que eu amo o Pai, faço assim como o Pai me ordenou.” (João 14:31) Satanás alegou que nenhum humano serviria a Jeová por amor altruísta. (Jó 2:4, 5) A fim de dar a melhor resposta à calúnia maldosa de Satanás, Jesus corajosamente tomou ação e mostrou ao mundo quanto ele ama seu Pai. Ele foi obediente até mesmo a ponto de dar a sua vida pela humanidade. Você seguirá a Jesus? Mostrará ao mundo que realmente ama a Jeová Deus?

      19, 20. (a) Por que motivo importante devemos ser regulares em assistir às reuniões? (b) Como devemos encarar o estudo pessoal, a meditação e as orações?

      19 Temos grande necessidade de demonstrar esse amor. Assim, Jeová fez provisões para o adorarmos de um modo que nosso amor por Ele seja nutrido e fortalecido. Ao assistir às reuniões cristãs, tente lembrar que você está ali para adorar o seu Deus. Aspectos dessa adoração incluem fazer orações sinceras, entoar cânticos de louvor, ouvir atentamente e participar quando possível. As reuniões também dão oportunidade para encorajar seus irmãos cristãos. (Hebreus 10:24, 25) Adorar a Jeová regularmente nas reuniões cristãs o ajudará a fortalecer cada vez mais seu amor a Deus.

      20 Podemos dizer praticamente o mesmo a respeito do estudo pessoal, da meditação e das orações. Encare essas atividades como oportunidades para estar a sós com Jeová. Quando você estuda a Palavra de Deus e medita nela, Jeová está transmitindo os pensamentos dele a você. Quando ora, você está abrindo o coração a ele. Lembre-se de que orar envolve mais do que apenas fazer pedidos a Deus. A oração também é uma oportunidade de agradecer a Jeová pelas bênçãos recebidas e de louvá-lo por suas obras maravilhosas. (Salmo 146:1) Além disso, louvar a Jeová publicamente com alegria e entusiasmo é o melhor modo de lhe agradecer e mostrar que você o ama.

      21. Por que o amor a Jeová é importante, e o que será considerado nos capítulos à frente?

      21 O amor a Deus é a chave para a felicidade eterna. Era tudo o que Adão e Eva precisavam para ser obedientes, mas foi justamente esse amor que eles deixaram de cultivar. O amor a Deus é a coisa mais importante para vencer qualquer teste de fé, rejeitar qualquer tentação e perseverar sob qualquer tipo de tribulação. É a base para seguir a Jesus. Evidentemente, o amor a Deus está relacionado com o amor ao próximo. (1 João 4:20) Nos capítulos à frente veremos como Jesus demonstrou amor pelas pessoas. No próximo capítulo, consideraremos por que tantas pessoas achavam Jesus acessível.

      Como Ser Seguidor de Jesus?

      • Quando oramos, como podemos mostrar confiança em Jeová assim como Jesus? — João 11:41, 42; Hebreus 11:6.

      • Como podemos expressar amor de coração por Jeová pelo modo como usamos seu nome? — João 17:6-8.

      • Por que o amor por Jeová requer que permaneçamos separados do mundo, assim como Jesus? — João 17:14-16; Tiago 4:8.

      • Como podemos aplicar o conselho de Jesus sobre manter intenso amor por Jeová? — Apocalipse 2:1-5.

  • ‘Grandes multidões se aproximavam dele’
    ‘Venha Ser Meu Seguidor’
    • CAPÍTULO CATORZE

      ‘Grandes multidões se aproximavam dele’

      Jesus abraçando carinhosamente crianças de várias idades; os pais observam felizes.

      “Deixem as criancinhas vir a mim”

      1-3. O que acontece quando alguns pais trazem seus filhos até Jesus, e o que isso nos ensina sobre ele?

      JESUS sabe que sua vida terrestre está chegando rapidamente ao fim. Ele só tem mais algumas semanas de vida e ainda há muita coisa a fazer. Está pregando com seus apóstolos na Pereia, uma região ao leste do rio Jordão. Eles vão pregando em direção a Jerusalém, ao sul, onde Jesus vai comemorar sua última Páscoa, que será muito marcante.

      2 Depois de uma importante conversa entre Jesus e alguns líderes religiosos, ocorre uma pequena agitação. Alguns pais trazem seus filhos para ver Jesus. Pelo visto há crianças de várias idades, pois Marcos se refere a elas usando a mesma palavra que antes havia usado ao mencionar uma criança de 12 anos, ao passo que Lucas usa uma palavra que pode ser traduzida “crianças de colo”. (Lucas 18:15; Marcos 5:41, 42; 10:13) É claro que, onde há crianças, em geral há muita agitação e barulho. Os discípulos de Jesus repreendem os pais, talvez achando que o Mestre está ocupado demais para dar atenção às crianças. Como Jesus reage?

      3 Ao ver o que está acontecendo, Jesus fica indignado. Com quem? Com as crianças? Com os pais? Não — com os discípulos! Ele diz: “Deixem as criancinhas vir a mim. Não tentem impedi-las, pois o Reino de Deus pertence aos que são como elas. Eu lhes digo a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, de modo algum entrará nele.” Daí Jesus pega as crianças “nos braços” e as abençoa. (Marcos 10:13-16) As palavras que Marcos usou aqui sugerem que Jesus abraçou as crianças carinhosamente, talvez até pegando algumas delas “no colo”, conforme diz um tradutor. Fica claro que Jesus gosta de crianças. Mas aprendemos algo mais sobre ele nessa passagem: Jesus é acessível.

      4, 5. (a) O que nos dá certeza de que Jesus era acessível? (b) Que perguntas analisaremos neste capítulo?

      4 Se Jesus fosse um homem orgulhoso, de aparência séria ou hostil, é provável que aquelas crianças não se sentissem atraídas a ele; seus pais também não se sentiriam à vontade para se aproximar de Jesus. Consegue imaginar a cena, vendo os pais radiantes enquanto aquele homem bondoso abençoava seus filhos, mostrava afeição por eles e reconhecia que eram preciosos para Deus? Embora Jesus estivesse sobrecarregado com a maior de todas as responsabilidades, não deixou de ser o homem mais acessível de todos.

      5 Quem mais achava Jesus uma pessoa acessível? Por que era fácil se achegar a ele? Como podemos aprender a imitá-lo nesse sentido? Vejamos.

      Quem achava Jesus acessível?

      6-8. Jesus estava frequentemente na companhia de quem, e como sua atitude para com essas pessoas era diferente da atitude dos líderes religiosos?

      6 Ao ler os Evangelhos, você talvez fique surpreso de ver que multidões não tinham receio de se aproximar de Jesus. Muitas vezes ele é mencionado como estando cercado por “grandes multidões”: “Grandes multidões o seguiam, vindas da Galileia.” ‘As multidões se reuniram em volta dele.’ “Grandes multidões se aproximaram dele.” ‘Grandes multidões viajavam com ele.’ (Mateus 4:25; 13:2; 15:30; Lucas 14:25) Sim, Jesus estava frequentemente cercado por muitas pessoas.

      7 Em geral essas pessoas faziam parte do povo — pessoas a quem os líderes religiosos se referiam com desprezo como “povo da terra”. Os fariseus e os sacerdotes diziam abertamente: “Essa multidão, que não conhece a Lei, são pessoas amaldiçoadas.” (João 7:49) Escritos rabínicos posteriores confirmam que eles tinham mesmo esse conceito. Muitos líderes religiosos achavam aquelas pessoas desprezíveis e se recusavam a tomar refeições com elas, comprar algo delas ou se associar com elas. Alguns afirmavam que não havia esperança de ressurreição para os que não conheciam a lei oral! Muitas pessoas humildes devem ter evitado aqueles líderes em vez de recorrer a eles em busca de ajuda ou orientação. Mas com Jesus era diferente.

      8 Jesus se misturava com as pessoas comuns. Tomava refeições com elas, as curava, as ensinava e lhes dava esperança. É claro que Jesus era realista; reconhecia que a maioria ia rejeitar a oportunidade de servir a Jeová. (Mateus 7:13, 14) Mas ele tinha um ponto de vista otimista sobre cada um individualmente e via em muitos o potencial para fazer o que é certo. Que contraste com os sacerdotes e fariseus insensíveis! Surpreendentemente, porém, até mesmo sacerdotes e fariseus se sentiram atraídos a Jesus, e muitos deles mudaram de atitude e o seguiram. (Atos 6:7; 15:5) Algumas pessoas ricas e influentes também achavam Jesus acessível. — Marcos 10:17, 22.

      9. Por que as mulheres consideravam Jesus acessível?

      9 As mulheres também não tinham receio de se dirigir a Jesus. Elas muitas vezes se sentiam humilhadas por causa do desprezo dos líderes religiosos. Os rabinos geralmente não aprovavam que as mulheres fossem instruídas. Não se lhes permitia serem testemunhas em julgamentos; elas não eram encaradas como testemunhas confiáveis. Os rabinos até faziam uma oração em que agradeciam a Deus por não terem nascido mulher! Mas as mulheres não se sentiam desprezadas por Jesus. Muitas se dirigiam a ele, ansiosas para aprender. Podemos citar como exemplo Maria, irmã de Lázaro; ela se sentou aos pés do Senhor, escutando-o atentamente, ao passo que sua irmã, Marta, estava muito atarefada e preocupada em preparar a refeição. Jesus elogiou Maria por estabelecer prioridades corretas. — Lucas 10:39-42.

      10. Em que sentido Jesus era diferente dos líderes religiosos no modo como tratava os doentes?

      10 Os doentes também iam até Jesus, embora em geral fossem rejeitados pelos líderes religiosos. A Lei mosaica determinava a quarentena para leprosos a fim de evitar contaminação, mas não dava margem para a falta de bondade. (Levítico, capítulo 13) No entanto, regras posteriores criadas pelos rabinos diziam que os leprosos eram tão repulsivos quanto excremento. Alguns líderes religiosos chegavam a jogar pedras nos leprosos para mantê-los afastados! É difícil imaginar como alguém que tivesse sido tratado desse modo conseguiria criar coragem para se aproximar de algum instrutor, mas leprosos se aproximaram de Jesus. Um deles fez a bem conhecida expressão de fé dizendo: “Senhor, se apenas quiser, pode me purificar.” (Lucas 5:12) No próximo capítulo veremos o que Jesus fez nessa ocasião. Por enquanto, basta dizer que dificilmente haveria prova mais clara de que Jesus era acessível.

      11. Que exemplo mostra que os que eram oprimidos por sentimentos de culpa se sentiam à vontade para ir até Jesus, e por que isso é importante?

      11 Pessoas oprimidas por sentimentos de culpa se sentiam à vontade para ir até Jesus. Considere, por exemplo, a ocasião em que ele estava jantando na casa de um fariseu. Uma mulher conhecida como pecadora se ajoelhou aos pés de Jesus chorando por causa de seu sentimento de culpa. Suas lágrimas caíam sobre os pés dele e ela as enxugava com o cabelo. Ao passo que o fariseu achou isso repulsivo e condenou Jesus por permitir que a mulher chegasse perto dele, Jesus bondosamente a elogiou por seu arrependimento sincero e garantiu a ela o perdão de Jeová. (Lucas 7:36-50) Hoje, mais do que nunca, os que estão sobrecarregados com sentimentos de culpa precisam se sentir à vontade para se dirigir aos que podem ajudá-los a recuperar seu relacionamento com Deus. Mas o que fez de Jesus uma pessoa tão acessível?

      O que fez de Jesus alguém acessível?

      12. Por que não é de admirar que Jesus fosse acessível?

      12 Lembre-se de que Jesus imitou perfeitamente seu amado Pai celestial. (João 14:9) A Bíblia nos diz que Jeová ‘não está longe de cada um de nós’. (Atos 17:27) Jeová, o “Ouvinte de oração”, está sempre acessível a seus servos fiéis e a todos que desejam sinceramente encontrá-lo e servi-lo. (Salmo 65:2) Imagine! A Pessoa mais poderosa e importante do Universo é também a mais acessível! Assim como o Pai, Jesus ama as pessoas. Nos próximos capítulos, consideraremos esse profundo amor de Jesus. Mas uma das principais razões de ele ser acessível é que seu amor pelas pessoas era facilmente observado. Vamos analisar algumas características de Jesus que tornavam evidente esse amor.

      13. Como os pais podem imitar a Jesus?

      13 As pessoas logo percebiam que Jesus se interessava pessoalmente por elas. Mesmo sob pressão, ele não deixava de mostrar esse interesse. Conforme já vimos, quando aqueles pais levaram seus filhos até Jesus, ele continuou sendo acessível, mesmo estando ocupado e sobrecarregado com grandes responsabilidades. Que exemplo para os pais! Criar filhos é um desafio no mundo de hoje. Mas é muito importante que os filhos percebam que seus pais são acessíveis. Você que é pai ou mãe sabe que às vezes está muito ocupado para dar a seu filho a atenção que ele precisa. Nessas ocasiões, que tal dizer que falará com ele assim que puder? Ao passo que você cumpre sua palavra, seu filho aprenderá que vale a pena esperar. Ele vai aprender também que sempre poderá levar a você qualquer problema ou preocupação que tiver.

      14-16. (a) Que circunstâncias levaram Jesus a realizar seu primeiro milagre, e por que isso foi maravilhoso? (b) O que o milagre de Jesus em Caná nos ensina, dando que exemplo para os pais?

      14 Jesus deixava claro que se importava com as preocupações das pessoas. Para exemplificar, considere seu primeiro milagre. Ele estava numa festa de casamento em Caná, uma cidade da Galileia. Surgiu um problema constrangedor — o vinho acabou! A mãe de Jesus, Maria, lhe contou o que tinha acontecido. O que ele fez? Pediu que os ajudantes enchessem de água seis jarros grandes de pedra. Quando se pediu ao diretor da festa que experimentasse um pouco do que estava nos jarros, que surpresa, era vinho da melhor qualidade! Será que era algum truque? Não, a água “tinha sido transformada em vinho”. (João 2:1-11) Os humanos sempre sonharam em conseguir transformar uma coisa em outra. Por séculos, homens chamados alquimistas tentaram transformar chumbo em ouro. Nunca conseguiram, embora chumbo e ouro sejam na verdade elementos muito parecidos.a Que dizer da água e do vinho? Quimicamente, a água é simples, uma combinação de dois elementos básicos. O vinho, por outro lado, contém quase mil componentes, muitos deles bem complexos! Por que Jesus realizaria um ato tão maravilhoso por causa de algo insignificante, como faltar vinho numa festa de casamento?

      15 Bem, para a noiva e para o noivo, o problema não era insignificante. Antigamente no Oriente Médio se dava muita importância à hospitalidade. Faltar vinho na festa de casamento deixaria a noiva e o noivo muito envergonhados e constrangidos, estragaria o dia do casamento e deixaria más lembranças que durariam muitos anos. O problema tinha muita importância para eles, por isso, era muito importante para Jesus também. Assim, ele tomou providências. Percebe por que as pessoas levavam suas preocupações a Jesus?

      Uma mãe consolando a filhinha que está triste porque o ursinho de pelúcia perdeu um braço.

      Deixe claro a seu filho que você é acessível e está interessado nos problemas dele

      16 Mais uma vez vemos aqui uma lição prática para os pais. O que fazer se seu filho vier até você preocupado com alguma coisa? Você talvez fique tentado a achar que a preocupação dele seja insignificante. Talvez até sinta vontade de rir ao ouvir o que ele tem a dizer. É verdade que, em comparação com os seus problemas, o problema da criança talvez até pareça insignificante. Mas lembre-se de que não é assim para ela. Se é importante para alguém que você ama muito, não deveria ser importante para você também? Deixar claro para seu filho que você se importa com as preocupações dele fará de você um pai acessível.

      17. Jesus deu que exemplo de brandura, e por que essa qualidade é evidência de força?

      17 Conforme vimos no Capítulo 3, Jesus era brando e humilde. (Mateus 11:29) A brandura é uma bela qualidade, uma prova incontestável de que a pessoa é humilde no coração. A brandura é um dos frutos do espírito santo e está relacionada à sabedoria de Deus. (Gálatas 5:22, 23; Tiago 3:13) Mesmo sob a pior provocação, Jesus manteve o autocontrole. Sua brandura de modo algum era sinal de fraqueza. Um erudito disse sobre essa qualidade: “Por trás da suavidade está a força do aço.” De fato, em geral é necessário força da nossa parte para controlar nosso temperamento e tratar outros com brandura. Mas, ao passo que Jeová abençoa nossos esforços, podemos imitar a Jesus em mostrar brandura; isso nos tornará mais acessíveis.

      18. Que exemplo mostra a razoabilidade de Jesus, e por que você acha que essa qualidade torna a pessoa acessível?

      18 Jesus era razoável. Quando estava em Tiro, uma mulher se dirigiu a ele porque sua filha estava ‘possuída por um demônio que a atormentava cruelmente’. Jesus indicou de três maneiras que não pretendia fazer o que ela queria. Primeiro ele ficou em silêncio; depois falou à mulher por que motivo não atenderia o pedido dela; por fim, fez uma ilustração que esclareceu ainda mais o ponto em questão. Mas será que ele a tratou de modo frio e inflexível? Será que deu a entender que ela estava se arriscando por ousar rebater as palavras de alguém tão importante? Não, era evidente que aquela mulher se sentia à vontade para falar com Jesus. Além de pedir ajuda, ela insistiu, apesar de ele aparentemente não querer ajudá-la. Jesus viu a notável fé que a fez insistir, e curou sua filha. (Mateus 15:22-28) Sem dúvida, a razoabilidade de Jesus e sua disposição em escutar e ceder quando apropriado fez com que as pessoas se sentissem atraídas a ele!

      Você é acessível?

      19. Como podemos saber se somos realmente acessíveis?

      19 As pessoas em geral acham que são acessíveis. Alguns em posição de autoridade, por exemplo, gostam de dizer que estão sempre à disposição, que seus subordinados podem procurá-los a qualquer hora. A Bíblia, porém, adverte claramente: “Muitos homens proclamam o seu próprio amor leal, mas quem pode encontrar um homem fiel?” (Provérbios 20:6) É fácil dizer que somos acessíveis, mas estamos mesmo imitando fielmente esse aspecto do amor de Jesus? A resposta pode estar, não em como encaramos a nós mesmos, mas em como outros nos encaram. Paulo disse: “Que a sua razoabilidade seja conhecida de todos os homens.” (Filipenses 4:5) Cada um de nós precisa perguntar-se: ‘Como outros me veem? Qual é a minha reputação?’

      Um ancião cumprimentando de modo amigável um irmão que foi conversar com ele.

      Os anciãos se esforçam em ser acessíveis

      20. (a) Por que é importante que os anciãos sejam acessíveis? (b) Por que devemos ser razoáveis no que esperamos dos anciãos?

      20 Os anciãos cristãos, em especial, se esforçam em ser acessíveis. Desejam de coração fazer jus à descrição registrada em Isaías 32:1, 2: “Cada um deles será como abrigo contra o vento, como esconderijo contra o temporal, como correntes de água numa terra árida, como a sombra de um enorme rochedo num deserto.” O ancião só poderá prover proteção, ânimo e alívio se for acessível. É verdade que nem sempre é fácil fazer isso, pois os anciãos têm uma pesada responsabilidade nestes tempos difíceis. Mas eles se esforçam em nunca parecer ocupados demais para cuidar das necessidades das ovelhas de Jeová. (1 Pedro 5:2) Os outros membros da congregação, por serem humildes e colaboradores, tentam ser razoáveis no que esperam desses homens fiéis. — Hebreus 13:17.

      21. Como os pais podem ser acessíveis aos filhos, e o que vamos considerar no próximo capítulo?

      21 Os pais procuram ser sempre acessíveis a seus filhos. Isso é de grande importância. Tanto o pai como a mãe querem que seus filhos saibam que podem ficar à vontade para conversar com eles. Assim, pais cristãos se preocupam em ser brandos e razoáveis, não reagindo de modo exagerado quando um filho conta que fez algo errado ou demonstra um modo de pensar incorreto. Ao passo que educam os filhos, os pais se esforçam para manter abertas as linhas de comunicação. De fato, todos nós queremos ser acessíveis assim como Jesus. No próximo capítulo, vamos analisar a profunda compaixão de Jesus — uma das principais qualidades que o tornaram acessível.

      a Estudantes de química sabem que o chumbo e o ouro estão bem próximos na tabela periódica de elementos. Um átomo de chumbo tem simplesmente três prótons a mais no seu núcleo do que o átomo de ouro. Hoje em dia, físicos até já transformaram pequenas quantidades de chumbo em ouro, mas o processo demanda tanta energia que não é economicamente viável.

      Como Ser Seguidor de Jesus?

      • Por que fazer perguntas e ouvir atentamente as respostas pode motivar as pessoas a se aproximar de nós? — Mateus 16:13-17.

      • Como Jesus foi acessível mesmo quando seu descanso foi interrompido, e como podemos seguir seu exemplo? — Marcos 6:31-34.

      • Como Jesus encarava os que não acreditavam nele, e como imitar seu ponto de vista equilibrado nos tornará acessíveis? — Lucas 5:29-32.

      • De que modo imitar o ponto de vista positivo de Jesus em relação às pessoas nos ajudará a ser mais acessíveis? — João 1:47.

  • Jesus “teve pena”
    ‘Venha Ser Meu Seguidor’
    • CAPÍTULO QUINZE

      Jesus “teve pena”

      Jesus curando dois cegos.

      “Senhor, faça com que nossos olhos se abram”

      1-3. (a) O que Jesus faz quando dois mendigos cegos imploram sua ajuda? (b) O que significa a expressão “teve pena”? (Veja a nota.)

      DOIS cegos estão sentados à beira da estrada, perto de Jericó. Todos os dias eles procuram um lugar movimentado e ficam ali pedindo esmola. Hoje, porém, acontecerá algo marcante que mudará a vida desses homens.

      2 De repente, eles ouvem o som de uma multidão que se aproxima. Sem poder ver o que está acontecendo, um deles pergunta o porquê daquela agitação. As pessoas lhe dizem: “Jesus, o Nazareno, está passando!” Jesus está a caminho de Jerusalém pela última vez. Mas não está sozinho; uma multidão o segue. Ao ouvir que é Jesus quem está passando, os mendigos começam a causar certo tumulto, gritando: “Senhor, Filho de Davi, tenha misericórdia de nós!” Incomodadas, as pessoas mandam os mendigos se calarem, mas eles estão desesperados e se recusam a fazer isso.

      3 Apesar do barulho da multidão, Jesus ouve os mendigos gritando. O que ele faz? Ele está muito preocupado e aflito, pois lhe restam apenas mais alguns dias de vida na Terra. Jesus sabe que em breve passará por muitos sofrimentos e terá uma morte cruel em Jerusalém. Mesmo assim, não desconsidera os pedidos insistentes dos mendigos. Jesus para e pede que os que estão gritando sejam trazidos até ele. “Senhor, faça com que nossos olhos se abram”, imploram eles. Jesus ‘tem pena’, toca os olhos dos cegos e eles recuperam a visão.a Sem demora, eles passam a seguir a Jesus. — Lucas 18:35-43; Mateus 20:29-34.

      4. Como Jesus cumpriu a profecia de que ‘teria pena do humilde’?

      4 Esse não foi um caso isolado. Em muitas ocasiões e circunstâncias, Jesus se sentiu profundamente motivado a demonstrar compaixão. A profecia bíblica predisse que ele ‘teria pena do humilde’. (Salmo 72:13) Em cumprimento dessas palavras, Jesus era sensível aos sentimentos dos outros. Ele também tomava a iniciativa de ajudar as pessoas. E sua compaixão o motivava a pregar. Vamos ver como os Evangelhos revelam a terna compaixão por trás das palavras e das ações de Jesus e como nós podemos demonstrar a mesma compaixão.

      Teve consideração pelos sentimentos dos outros

      5, 6. Que exemplos mostram que Jesus demonstrava empatia?

      5 Jesus demonstrava muita empatia. Compreendia os sentimentos dos que sofriam e se compadecia. Embora não estivesse nas mesmas circunstâncias daquelas pessoas, ele realmente sentia a dor delas em seu próprio coração. (Hebreus 4:15) Quando curou uma mulher que já sofria de um fluxo de sangue por 12 anos, Jesus se referiu ao problema dela como uma “doença aflitiva”, reconhecendo assim que a doença lhe havia causado muito sofrimento e aflição. (Marcos 5:25-34) Ver Maria e outras pessoas chorando por causa da morte de Lázaro tocou tanto a Jesus que ele ficou aflito no íntimo. Embora soubesse que ressuscitaria Lázaro, ele ficou tão comovido que chorou. — João 11:33, 35.

      6 Em outra ocasião, um leproso se aproximou de Jesus e implorou: “Se o senhor apenas quiser, pode me purificar.” Como Jesus reagiu, embora fosse perfeito e nunca tivesse ficado doente? Ele compreendeu como o leproso se sentia. De fato, a Bíblia diz que ele “teve pena”. (Marcos 1:40-42) Daí Jesus fez algo extraordinário. Ele sem dúvida sabia que os leprosos eram impuros segundo a Lei e que não deviam se aproximar de outros. (Levítico 13:45, 46) Jesus com certeza podia curar aquele homem sem tocar nele. (Mateus 8:5-13) Ainda assim, preferiu estender a mão e tocar no leproso, dizendo: “Eu quero! Seja purificado.” A lepra desapareceu imediatamente. Que demonstração de terna empatia!

      Uma irmã consolando outra irmã.

      Mostre empatia

      7. O que pode nos ajudar a desenvolver empatia, e como podemos demonstrar essa qualidade?

      7 Como cristãos, somos incentivados a imitar a Jesus por mostrar empatia. A Bíblia nos incentiva a ‘ter empatia’.b (1 Pedro 3:8) Talvez não seja fácil compreender os sentimentos dos que sofrem de depressão ou de uma doença crônica, principalmente se nunca passamos por problemas desse tipo. Mas lembre-se de que para ter empatia não é preciso estar nas mesmas circunstâncias da outra pessoa. Jesus teve empatia pelos doentes, embora ele mesmo nunca tivesse ficado doente. Então, como podemos desenvolver empatia? Por ouvir pacientemente quando outros abrem o coração e expressam o que sentem. Podemos nos perguntar: ‘Como eu me sentiria se estivesse no lugar dessa pessoa?’ (1 Coríntios 12:26) Quanto maior for a nossa sensibilidade aos sentimentos dos outros, tanto mais fácil será ‘consolar os que estão deprimidos’. (1 Tessalonicenses 5:14) Às vezes podemos demonstrar empatia não apenas com palavras, mas também com lágrimas. “Chorem com os que choram”, diz Romanos 12:15.

      8, 9. Como Jesus mostrava consideração pelos sentimentos dos outros?

      8 Jesus era bondoso e levava em consideração os sentimentos dos outros. Talvez se lembre da ocasião em que um homem surdo e que mal conseguia falar foi levado até ele. Pelo visto Jesus percebeu que o homem estava um pouco aflito, por isso fez algo que não costumava fazer ao curar outras pessoas: “Ele . . . levou [o homem] à parte, longe da multidão.” Daí, fora dos olhares das pessoas, Jesus curou o homem. — Marcos 7:31-35.

      9 Jesus também teve consideração quando as pessoas lhe trouxeram um homem cego e pediram que o curasse. Ele “pegou o cego pela mão e o levou para fora da aldeia”. Daí curou o homem aos poucos. Talvez isso tenha permitido que o cérebro e os olhos do homem se ajustassem gradativamente às imagens ofuscantes e ao complexo cenário do mundo iluminado ao seu redor. (Marcos 8:22-26) Que consideração da parte de Jesus!

      10. De que modo podemos mostrar consideração pelos sentimentos dos outros?

      10 Para seguirmos a Jesus, é necessário mostrarmos consideração pelos sentimentos dos outros. Assim, lembrando que palavras impensadas podem ferir os sentimentos das pessoas, damos atenção ao que falamos. (Provérbios 12:18; 18:21) Em vista disso, entre os cristãos não deve haver palavras duras, comentários depreciativos e sarcasmo. (Efésios 4:31) Anciãos, como vocês podem mostrar consideração pelos sentimentos dos outros? Ao aconselhar, falem com bondade, contribuindo para preservar a dignidade da pessoa. (Gálatas 6:1) Pais, como podem levar em conta os sentimentos de seus filhos? Ao disciplinar, se esforcem para não causar constrangimentos desnecessários. — Colossenses 3:21.

      Tomou a iniciativa de ajudar outros

      11, 12. Que relatos bíblicos mostram que Jesus demonstrava compaixão sem precisar que alguém lhe pedisse ajuda?

      11 Jesus não demonstrava compaixão apenas quando as pessoas pediam ajuda. Afinal, a compaixão não é uma qualidade passiva, mas ativa. Portanto, não é de admirar que a terna compaixão de Jesus o motivasse a tomar a iniciativa de ajudar outros. Por exemplo, quando uma grande multidão ficou com ele durante três dias, sem comer, ninguém teve de dizer a Jesus que as pessoas estavam com fome nem teve de pedir que ele fizesse algo a respeito. O relato diz: “Jesus chamou os seus discípulos e disse: ‘Tenho pena da multidão, porque já estão comigo há três dias, e eles não têm nada para comer. Eu não quero mandá-los embora com fome, pois poderiam desfalecer na estrada.’” Daí, de sua própria iniciativa, Jesus alimentou a multidão milagrosamente. — Mateus 15:32-38.

      12 Considere outra passagem bíblica. Ao chegar à cidade de Naim em 31 EC, Jesus se deparou com uma cena triste. Um cortejo fúnebre saía da cidade, talvez em direção a túmulos que ficavam na encosta de um monte perto dali. Era o enterro do ‘filho único de uma viúva’. Consegue imaginar o sofrimento daquela mãe? Ela ia enterrar seu único filho, e seu marido já não estava mais lá para compartilhar sua dor. No meio de todos os que seguiam o cortejo, Jesus “viu” aquela viúva, agora sem o seu filho. Isso o tocou profundamente; sim, Jesus “teve pena dela”. Ninguém precisou implorar que ele fizesse um milagre. Sua compaixão de coração o motivou a tomar a iniciativa. Ele “se aproximou e tocou no esquife”, trazendo o jovem de volta à vida. O que Jesus fez em seguida? Não pediu que o jovem se juntasse à multidão que viajava com Ele. Em vez disso, “o entregou à sua mãe”, unindo-os novamente como família e garantindo que a viúva tivesse alguém para cuidar dela. — Lucas 7:11-15.

      Uma jovem ajudando uma irmã idosa a plantar algumas flores.

      Tome a iniciativa de ajudar outros em necessidade

      13. Como podemos imitar a Jesus tomando a iniciativa de ajudar os que passam necessidade?

      13 Como podemos seguir o exemplo de Jesus? É verdade que não podemos multiplicar alimentos milagrosamente nem ressuscitar mortos. Mas podemos imitar a Jesus tomando a iniciativa de ajudar os que passam necessidade. Um irmão cristão talvez sofra um revés financeiro ou perca o emprego. (1 João 3:17) A casa de uma viúva talvez esteja precisando urgentemente de reparos. (Tiago 1:27) Pode ser que conheçamos uma família enlutada que precise de consolo ou ajuda prática. (1 Tessalonicenses 5:11) Em casos de real necessidade, não precisamos esperar que outros nos peçam para só então oferecer ajuda. (Provérbios 3:27) A compaixão nos motivará a tomar a iniciativa de ajudar, conforme nossas circunstâncias permitirem. Nunca se esqueça de que um pequeno ato de bondade ou algumas palavras de consolo vindas do coração podem ser grandes demonstrações de compaixão. — Colossenses 3:12.

      A compaixão o motivou a pregar

      14. Por que Jesus deu prioridade à obra de pregação das boas novas?

      14 Como vimos na Seção 2 deste livro, Jesus nos deixou um excelente exemplo por pregar as boas novas. Ele disse: “Tenho de declarar as boas novas do Reino de Deus também a outras cidades, porque fui enviado para isso.” (Lucas 4:43) Por que Jesus deu prioridade a essa obra? Em primeiro lugar por causa de seu amor a Deus. Mas havia outro motivo: sua compaixão de coração o motivou a agir para atender às necessidades espirituais das pessoas. Ele demonstrou compaixão de muitas maneiras, mas a principal foi por prover a outros o que precisavam em sentido espiritual. Vamos considerar duas ocasiões que mostram como Jesus encarava as pessoas a quem pregava. Isso nos ajudará a analisar nossas próprias motivações ao participar no ministério de pregação.

      15, 16. Comente duas ocasiões que mostram como Jesus encarava as pessoas a quem pregava.

      15 Em 31 EC, após cerca de dois anos de serviço ativo no ministério, Jesus intensificou seus esforços por iniciar “uma viagem por todas as cidades e aldeias” da Galileia. O que ele viu o tocou profundamente. O apóstolo Mateus relatou: “Vendo as multidões, sentia pena delas, porque eram esfoladas e jogadas de um lado para outro como ovelhas sem pastor.” (Mateus 9:35, 36) Jesus sentia pena das pessoas comuns. Ele estava bem ciente da lastimável condição espiritual delas. Sabia que elas eram maltratadas e desprezadas, justamente por quem devia pastoreá-las — os líderes religiosos. Motivado por profunda compaixão, Jesus se empenhou em levar uma mensagem de esperança às pessoas. O que elas mais precisavam eram as boas novas do Reino de Deus.

      16 Algo parecido ocorreu alguns meses depois, pouco antes da Páscoa de 32 EC. Jesus e seus apóstolos entraram num barco e atravessaram o mar da Galileia em busca de um lugar tranquilo para descansar. Mas uma multidão correu ao longo da costa e chegou ao outro lado antes do barco. Qual foi a reação de Jesus? “Ao desembarcar, ele viu uma grande multidão e teve pena deles, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a lhes ensinar muitas coisas.” (Marcos 6:31-34) Mais uma vez Jesus “teve pena” por causa da triste condição espiritual das pessoas. Como “ovelhas sem pastor”, elas estavam famintas em sentido espiritual e entregues à própria sorte. Era a compaixão que motivava Jesus a pregar, não um mero senso de dever.

      Uma irmã mostra compaixão ao pregar a uma mulher.

      Pregue motivado pela compaixão

      17, 18. (a) O que nos motiva a pregar? (b) Como podemos cultivar compaixão por outros?

      17 Como seguidores de Jesus, o que nos motiva a pregar? Conforme vimos no Capítulo 9, temos uma comissão, uma responsabilidade: pregar e fazer discípulos. (Mateus 28:19, 20; 1 Coríntios 9:16) Mas não devemos realizar essa obra apenas por mero senso de dever ou obrigação. Em primeiro lugar, é o amor a Jeová que nos motiva a pregar as boas novas do Reino. A compaixão pelos que não têm as mesmas crenças que nós também nos motiva a fazer isso. (Marcos 12:28-31) Então, como podemos cultivar compaixão por outros?

      18 Precisamos ver as pessoas como Jesus as via — “esfoladas e jogadas de um lado para outro como ovelhas sem pastor”. Imagine que você encontre um cordeirinho perdido. O pobre animalzinho está faminto e com sede, pois não há um pastor que o leve até onde há água e boas pastagens. Você não teria pena dele? Não se esforçaria para dar a ele um pouco de água e comida? Muitas pessoas que ainda não conhecem as boas novas são como esse cordeirinho. Negligenciadas pelos falsos líderes religiosos, elas estão sedentas e famintas em sentido espiritual e não têm verdadeira esperança para o futuro. Nós temos o que elas precisam: o nutritivo alimento espiritual e as refrescantes águas da verdade encontradas na Palavra de Deus. (Isaías 55:1, 2) Quando pensamos nas necessidades espirituais das pessoas à nossa volta, sentimos compaixão por elas. Se, assim como Jesus, tivermos pena das pessoas, faremos todo o possível para levar a elas a esperança do Reino.

      19. O que podemos fazer para motivar um estudante da Bíblia a começar a participar na obra de pregação?

      19 Como podemos ajudar outros a seguir o exemplo de Jesus? Digamos que temos um estudante da Bíblia que já esteja em condições de participar no ministério e queremos incentivá-lo a começar a pregar. Ou talvez queiramos ajudar um irmão inativo a voltar a ter plena participação no ministério. Como podemos ajudá-los? Precisamos tocar seu coração. Lembre-se de que primeiro Jesus “teve pena” das pessoas, depois passou a ensiná-las. (Marcos 6:34) Portanto, se pudermos ajudar o estudante ou o irmão inativo a cultivar compaixão, é bem provável que o coração deles os motive a imitar a Jesus e pregar as boas novas a outros. Podemos lhes perguntar: “Como a mensagem do Reino mudou sua vida para melhor? Que dizer das pessoas que ainda não conhecem essa mensagem — não acha que elas também precisam ouvir as boas novas? O que você pode fazer para ajudá-las?” É claro que a principal motivação para participar na pregação é o amor a Deus e o desejo de servi-lo.

      20. (a) O que está envolvido em ser seguidor de Jesus? (b) O que será considerado no próximo capítulo?

      20 Seguir a Jesus envolve mais do que apenas repetir suas palavras e copiar suas ações. Precisamos cultivar a mesma “atitude” que ele tinha. (Filipenses 2:5) Por essa razão, somos muito gratos de que a Bíblia nos revela os pensamentos e os sentimentos por trás das palavras e ações de Jesus! Por nos familiarizarmos com “a mente de Cristo”, estaremos mais aptos a cultivar sensibilidade e profunda compaixão e assim tratar outros do modo como ele tratava as pessoas. (1 Coríntios 2:16) No próximo capítulo, vamos considerar as várias maneiras pelas quais Jesus mostrou amor em especial por seus seguidores.

      a A palavra grega traduzida “teve pena” já foi descrita como uma das palavras mais enfáticas em grego para o sentimento da compaixão. Certa obra de referência diz que essa palavra indica “não apenas sentir dó diante do sofrimento, mas também um forte desejo de aliviá-lo e acabar com ele”.

      b O adjetivo grego traduzido ‘ter empatia’ significa literalmente “sofrer com”.

      Como Ser Seguidor de Jesus?

      • Como Jesus demonstrou compaixão no modo como exerceu autoridade, e como podemos imitá-lo? — Mateus 11:28-30.

      • Por que é importante seguirmos o exemplo de Jesus em mostrar misericórdia, ou compaixão, por outros? — Mateus 9:9-13; 23:23.

      • De que modo Jesus demonstrou que compreendia os sentimentos dos outros, e como podemos imitar seu exemplo? — Lucas 7:36-50.

      • Como a parábola do bom samaritano mostra que a compaixão é uma excelente qualidade, e de que modo podemos aplicar o que aprendemos dessa história? — Lucas 10:29-37.

  • Jesus “os amou até o fim”
    ‘Venha Ser Meu Seguidor’
    • CAPÍTULO DEZESSEIS

      Jesus “os amou até o fim”

      1, 2. Como Jesus aproveita suas últimas horas com os apóstolos, e por que esses últimos momentos são tão preciosos para ele?

      AO REUNIR seus apóstolos numa sala no andar de cima de uma casa em Jerusalém, Jesus sabe que essa é a última noite que estará com eles. Em breve ele voltará para seu Pai. Em poucas horas será preso e sua fé será testada como nunca antes. Ainda assim, nem mesmo sua morte iminente faz com que ele deixe de lado as necessidades de seus apóstolos.

      2 Jesus já preparou os apóstolos para sua partida, porém, ainda tem mais a dizer a fim de fortalecê-los para o que vai acontecer no futuro. Assim, ele usa esses últimos momentos preciosos para ensinar importantes lições que os ajudarão a permanecer fiéis. Jesus nunca falou com eles de forma tão calorosa e amistosa como nessa ocasião. Mas por que ele está mais preocupado com seus apóstolos do que consigo mesmo? Por que motivo essas últimas horas com eles são tão preciosas para Jesus? A resposta está numa única palavra: amor. Jesus os ama profundamente.

      3. Como sabemos que Jesus não esperou até a última noite para mostrar que amava seus discípulos?

      3 Décadas mais tarde, ao iniciar sua narrativa sobre os acontecimentos daquela última noite, o apóstolo João escreveu: “Jesus sabia, antes da Festividade da Páscoa, que havia chegado a hora de deixar este mundo e ir para o Pai. Assim, tendo amado os seus que estavam no mundo, ele os amou até o fim.” (João 13:1) Jesus não esperou até aquela ocasião para mostrar que amava seus discípulos. Ao longo de seu ministério, deixou isso claro de muitas maneiras. Vale a pena analisar algumas delas, pois por imitá-lo mostramos que somos seus verdadeiros discípulos.

      Teve paciência

      4, 5. (a) Por que Jesus precisou de paciência ao lidar com seus discípulos? (b) Como Jesus reagiu quando três de seus apóstolos não permaneceram vigilantes no jardim de Getsêmani?

      4 O amor e a paciência estão interligados. “O amor é paciente”, diz 1 Coríntios 13:4, e a paciência envolve tolerar outros. Será que Jesus precisou de paciência para lidar com seus discípulos? Com certeza! Conforme vimos no Capítulo 3, os apóstolos demoraram a cultivar humildade. Eles discutiram várias vezes sobre qual deles era o mais importante. Qual foi a reação de Jesus? Ficou irado, irritado ou ressentido? Não, ele raciocinou de modo paciente com os discípulos, mesmo quando surgiu “uma discussão acalorada” sobre esse assunto na última noite que estava com eles. — Lucas 22:24-30; Mateus 20:20-28; Marcos 9:33-37.

      5 Mais tarde naquela noite, quando Jesus foi com os 11 apóstolos fiéis ao jardim de Getsêmani, sua paciência foi testada mais uma vez. Afastando-se de oito dos apóstolos, ele entrou um pouco mais no jardim com Pedro, Tiago e João. Então lhes disse: “Estou profundamente triste, a ponto de morrer. Fiquem aqui e mantenham-se vigilantes comigo.” Jesus se distanciou um pouco e começou a orar fervorosamente. Após uma longa oração, voltou até o local onde se encontravam os três apóstolos. O que eles estavam fazendo? Estavam dormindo; justamente na ocasião em que Jesus ia enfrentar a pior prova de sua vida! Será que Jesus os repreendeu severamente por não terem ficado acordados? Não, ele os exortou com paciência. Suas palavras mostraram que ele compreendia o estresse que os apóstolos haviam passado e a fraqueza deles.a “Naturalmente, o espírito está disposto”, disse Jesus, “mas a carne é fraca”. Ele continuou sendo paciente naquela noite, mesmo nas outras duas vezes em que voltou e encontrou os apóstolos dormindo novamente! — Mateus 26:36-46.

      6. Como podemos imitar a Jesus ao lidar com outros?

      6 É muito animador ver que Jesus não desistiu de seus apóstolos. Sua paciência acabou dando resultado, pois aqueles homens fiéis aprenderam a importância de ser humildes e vigilantes. (1 Pedro 3:8; 4:7) Como podemos imitar a Jesus ao lidar com outros? Os anciãos, em especial, precisam ser pacientes. Irmãos cristãos talvez levem seus problemas a um ancião quando ele próprio está cansado ou preocupado com problemas pessoais. Às vezes, também, os que precisam de ajuda não acatam logo os conselhos. Apesar disso, anciãos pacientes darão orientações “com brandura” e “tratarão o rebanho com ternura”. (2 Timóteo 2:24, 25; Atos 20:28, 29) Os pais também precisam imitar a Jesus por ser pacientes porque, vez por outra, os filhos talvez não reajam prontamente aos conselhos e à correção. O amor e a paciência ajudarão os pais a não desistir de instruir seus filhos. Mostrar paciência pode resultar em grandes recompensas. — Salmo 127:3.

      Cuidou das necessidades dos discípulos

      7. De que maneiras Jesus cuidou das necessidades físicas e materiais de seus discípulos?

      7 O amor é demonstrado por gestos altruístas. (1 João 3:17, 18) O amor “não procura os seus próprios interesses”. (1 Coríntios 13:5) Foi o amor que motivou Jesus a cuidar das necessidades físicas e materiais de seus discípulos. Ele muitas vezes fazia isso antes que eles lhe pedissem. Quando Jesus percebeu que os apóstolos estavam cansados, sugeriu que fossem com ele “sozinhos a um lugar isolado para descansar um pouco”. (Marcos 6:31) Ao perceber que eles estavam com fome, tomou a iniciativa de alimentá-los; alimentou também milhares de outros que tinham vindo para ouvi-lo ensinar. — Mateus 14:19, 20; 15:35-37.

      8, 9. (a) O que prova que Jesus reconhecia as necessidades espirituais de seus discípulos e fazia provisões para supri-las? (b) Quando estava na estaca, como Jesus mostrou profunda preocupação com o bem-estar de sua mãe?

      8 Jesus também reconhecia que seus discípulos tinham necessidades espirituais e fazia provisões para supri-las. (Mateus 4:4; 5:3) Ao ensinar, muitas vezes lhes dava atenção especial. O Sermão do Monte foi proferido especialmente para os discípulos. (Mateus 5:1, 2, 13-16) Quando ensinava usando ilustrações, Jesus “explicava tudo em particular aos seus discípulos”. (Marcos 4:34) Ele predisse que designaria um “escravo fiel e prudente” para garantir que Seus seguidores fossem bem nutridos espiritualmente nos últimos dias. Esse escravo fiel, composto de um pequeno grupo dos irmãos ungidos de Jesus que estão na Terra, tem providenciado “alimento [espiritual] no tempo apropriado” desde 1919 EC. — Mateus 24:45.

      9 No dia da sua morte, Jesus mostrou de forma tocante sua preocupação pelo bem-estar espiritual daqueles a quem amava. Visualize esta cena: Jesus estava pregado na estaca, sentindo uma dor excruciante. Para respirar, ele provavelmente tinha de fazer força para cima, apoiando-se nos pés. Isso sem dúvida causava uma dor terrível, ao passo que o peso do seu corpo fazia com que o prego rasgasse ainda mais seus pés, e suas costas em carne viva raspavam na estaca. Falar devia ser muito difícil e doloroso, pois envolvia controlar também a respiração. Mesmo assim, pouco antes de morrer, Jesus disse algo que demonstrou seu profundo amor por Maria, sua mãe. Vendo Maria e o apóstolo João ali perto, Jesus disse à sua mãe, com voz suficientemente alta para que todos ali ouvissem: “Este é o seu filho!” Depois disse a João: “Esta é a sua mãe!” (João 19:26, 27) Jesus sabia que aquele apóstolo fiel cuidaria não só das necessidades físicas e materiais de Maria, mas também de seu bem-estar espiritual.b

      Conjunto de imagens: 1. Um pai fazendo adoração em família com a esposa e seus três filhos. 2. A família empinando pipa. 3. A família tomando uma refeição juntos.

      Pais amorosos são pacientes e cuidam das necessidades de seus filhos

      10. Como os pais podem imitar a Jesus ao cuidar das necessidades de seus filhos?

      10 Pais que se preocupam com o bem-estar de seus filhos podem se beneficiar por meditar no exemplo de Jesus. O pai que realmente ama sua família fará provisões materiais para ela. (1 Timóteo 5:8) Chefes de família equilibrados e amorosos de vez em quando providenciam descanso e diversão. Ainda mais importante, os pais cristãos cuidam das necessidades espirituais de seus filhos. Como? Por programar um estudo bíblico regular em família e por se esforçar em tornar essas ocasiões edificantes e agradáveis para os filhos. (Deuteronômio 6:6, 7) Por meio de palavras e ações, os pais ensinam a seus filhos que o ministério é uma atividade importante, e que se preparar para as reuniões e assistir a elas é parte essencial da rotina espiritual da família. — Hebreus 10:24, 25.

      Estava disposto a perdoar

      11. O que Jesus ensinou a seus seguidores sobre o perdão?

      11 O perdão é uma característica do amor. (Colossenses 3:13, 14) O amor “não leva em conta o dano”, diz 1 Coríntios 13:5. Em várias ocasiões Jesus ensinou a seus seguidores a importância do perdão. Ele os incentivou a perdoar outros ‘não até sete vezes, mas até 77 vezes’ — ou seja, um número ilimitado de vezes. (Mateus 18:21, 22) Ele ensinou que um pecador deve ser perdoado se, quando for censurado, mostrar arrependimento. (Lucas 17:3, 4) Mas Jesus não era como os fariseus hipócritas, que ensinavam apenas por palavras; ele ensinava também por meio de seu exemplo. (Mateus 23:2-4) Vejamos como ele mostrou que estava disposto a perdoar, até mesmo quando um amigo em quem confiava o decepcionou.

      Jesus está olhando para baixo e vê, no pátio, Pedro negando que o conhece.

      12, 13. (a) Como Pedro decepcionou Jesus na noite em que ele foi preso? (b) Como as ações de Jesus após sua ressurreição deixaram claro que ele fez muito mais do que apenas falar sobre o perdão?

      12 Jesus tinha amizade achegada com o apóstolo Pedro, um homem amigável que às vezes era impulsivo. Jesus reconheceu as boas qualidades dele e lhe deu privilégios especiais. Pedro, junto com Tiago e João, presenciou alguns milagres que os outros apóstolos não viram. (Mateus 17:1, 2; Lucas 8:49-55) Conforme já mencionado, Pedro foi um dos apóstolos que acompanhou Jesus quando ele entrou no jardim de Getsêmani na noite em que foi preso. Mas quando Jesus foi traído e detido naquela mesma noite, Pedro e os outros apóstolos o abandonaram e fugiram. Mais tarde, ele mostrou que tinha coragem quando foi até o lugar onde Jesus estava sendo julgado ilegalmente e ficou esperando do lado de fora. Apesar disso, naquela ocasião Pedro ficou com medo e cometeu um erro sério — mentindo, até mesmo negou três vezes que conhecia Jesus! (Mateus 26:69-75) Como Jesus reagiu? O que você teria feito se um amigo achegado o decepcionasse desse modo?

      13 Jesus estava disposto a perdoar Pedro. Sabia que ele estava arrasado por causa do pecado. Afinal, o apóstolo arrependido, “muito abalado, . . .  começou a chorar”. (Marcos 14:72) No dia de Sua ressurreição, Jesus apareceu a Pedro provavelmente para o consolar e reanimar. (Lucas 24:34; 1 Coríntios 15:5) Menos de dois meses mais tarde, Jesus deu a Pedro o privilégio de tomar a dianteira em pregar às multidões em Jerusalém no dia de Pentecostes. (Atos 2:14-40) É digno de nota também que Jesus não guardou ressentimento dos apóstolos como grupo por eles o terem abandonado. Pelo contrário, após sua ressurreição ele continuou a chamá-los de “meus irmãos”. (Mateus 28:10) Não deixa isso claro que Jesus fez muito mais do que apenas falar sobre o perdão?

      14. Por que precisamos aprender a perdoar, e como podemos demonstrar que estamos dispostos a fazer isso?

      14 Como discípulos de Cristo, precisamos aprender a perdoar. Por quê? Diferentemente de Jesus, somos imperfeitos — assim como os que talvez pequem contra nós. Vez por outra todos nós tropeçamos em palavras e ações. (Romanos 3:23; Tiago 3:2) Por perdoarmos outros quando há base para misericórdia, abrimos caminho para que os nossos pecados sejam perdoados por Deus. (Marcos 11:25) Então, como podemos demonstrar que estamos dispostos a perdoar os que pecam contra nós? Em muitos casos, o amor nos ajuda a desconsiderar os pecados e as imperfeições menores de outros. (1 Pedro 4:8) Quando os que erram contra nós demonstram arrependimento sincero, assim como Pedro, devemos certamente imitar a disposição de Jesus de perdoar. Em vez de guardar ressentimento, é muito melhor esquecer o assunto. (Efésios 4:32) Desse modo, contribuímos para a paz da congregação e para a nossa paz mental e emocional. — 1 Pedro 3:11.

      Mostrou que confiava nos discípulos

      15. Por que Jesus confiava nos discípulos apesar das suas imperfeições?

      15 O amor e a confiança andam de mãos dadas. O amor “acredita em todas as coisas”.c (1 Coríntios 13:7) Motivado pelo amor, Jesus estava disposto a confiar em seus discípulos apesar de suas imperfeições. Tinha confiança neles e sabia que, no coração, eles realmente amavam a Jeová e desejavam fazer Sua vontade. Mesmo quando erravam, Jesus não questionava suas motivações. Por exemplo, quando os apóstolos Tiago e João pediram por meio de sua mãe que Jesus lhes desse um lugar ao seu lado no Reino, Jesus não duvidou de sua lealdade nem tirou deles o privilégio de ser apóstolos. — Mateus 20:20-28.

      16, 17. Que responsabilidades Jesus deu a seus discípulos?

      16 Jesus demonstrou que confiava em seus discípulos por dar a eles várias responsabilidades. Nas duas vezes em que multiplicou milagrosamente alimento para as multidões, ele delegou aos discípulos a responsabilidade de distribuí-lo. (Mateus 14:19; 15:36) Também designou Pedro e João para ir a Jerusalém e fazer os preparativos para a última Páscoa. Eles providenciaram o cordeiro, o vinho, o pão não fermentado, as ervas amargas e todas as outras coisas necessárias. Aquela tarefa não era algo insignificante, pois celebrar a Páscoa da maneira correta era uma exigência da Lei mosaica, e Jesus tinha de cumprir a Lei. Além disso, mais tarde naquela noite Jesus usou o vinho e o pão não fermentado como importantes símbolos ao instituir a Celebração da sua morte. — Mateus 26:17-19; Lucas 22:8, 13.

      17 Jesus também achou apropriado dar responsabilidades ainda maiores a seus discípulos. Lembre-se de que Jesus deu a seus seguidores a importante comissão de pregar e fazer discípulos. (Mateus 28:18-20) Conforme já consideramos, ele predisse que delegaria a um pequeno grupo de seus seguidores ungidos na Terra a grande responsabilidade de preparar e distribuir o alimento espiritual. (Lucas 12:42-44) Mesmo hoje, embora governe do céu de modo invisível, Jesus confia sua congregação na Terra aos cuidados de homens com qualificações espirituais, como dádivas da parte dele. — Efésios 4:8, 11, 12.

      18-20. (a) Como podemos demonstrar confiança em nossos irmãos? (b) Como podemos imitar a disposição de Jesus de delegar responsabilidades? (c) O que será considerado no próximo capítulo?

      18 Como podemos imitar o exemplo de Jesus em nossos tratos com outros? Mostrar confiança em nossos irmãos cristãos é uma demonstração de amor. Lembre-se de que o amor é uma qualidade positiva, não negativa. Quando outros nos decepcionarem, o que de vez em quando vai acontecer, o amor nos impedirá de concluir precipitadamente que suas motivações são más. (Mateus 7:1, 2) Se tivermos um conceito positivo sobre nossos irmãos, vamos tratá-los de um modo que os edifique, não que os prejudique. — 1 Tessalonicenses 5:11.

      19 Será que podemos imitar a disposição de Jesus de delegar responsabilidades? Os que estão em posições de responsabilidade na congregação fazem bem em delegar a outros tarefas apropriadas e necessárias, confiando que eles farão o seu melhor. Desse modo, anciãos experientes podem dar treinamento valioso e necessário aos jovens qualificados que ‘se esforçam para’ ajudar na congregação. (1 Timóteo 3:1; 2 Timóteo 2:2) Esse treinamento é muito importante. Ao passo que Jeová continua a acelerar o crescimento da obra do Reino, é necessário treinar homens qualificados para cuidar do aumento. — Isaías 60:22.

      20 Ao demonstrar seu amor por outros, Jesus nos deixou um maravilhoso exemplo. Há muitas maneiras de segui-lo, mas imitar seu amor é a mais importante. No próximo capítulo, vamos considerar a maior demonstração de seu amor — sua disposição de dar a vida por nós.

      a A sonolência dos apóstolos não foi causada apenas pelo cansaço físico. O relato paralelo em Lucas 22:45 diz que Jesus “encontrou-os adormecidos, exaustos de tristeza”.

      b Maria aparentemente já era viúva e é provável que seus outros filhos ainda não fossem discípulos de Jesus. — João 7:5.

      c Isso sem dúvida não significa que o amor é ingênuo. Antes, significa que não é indevidamente crítico nem desconfiado. O amor nos impede de nos apressarmos em julgar as motivações de outros e de pensar o pior a respeito deles.

      Como Ser Seguidor de Jesus?

      • Por que é importante acatarmos os conselhos de Jesus sobre perdoar? — Mateus 6:14, 15.

      • De que maneira podemos aplicar o que Jesus ensinou na ilustração que fala da importância de perdoar? — Mateus 18:23-35.

      • Como Jesus mostrou consideração pelos discípulos, e de que modo podemos imitá-lo? — Mateus 20:17-19; João 16:12.

      • Como Jesus mostrou a Pedro que confiava nele, e como podemos demonstrar confiança em outros? — Lucas 22:31, 32.

  • “Ninguém tem maior amor”
    ‘Venha Ser Meu Seguidor’
    • CAPÍTULO DEZESSETE

      “Ninguém tem maior amor”

      Pôncio Pilatos aponta para Jesus. As mãos de Jesus estão amarradas, e ele está usando um manto púrpura e uma coroa de espinhos.

      1-4. (a) O que acontece quando Pilatos apresenta Jesus à furiosa multidão reunida em frente ao palácio do governador? (b) Como Jesus reage à humilhação e ao sofrimento, e que perguntas importantes surgem?

      “EIS o homem!” Com essas palavras, o governador romano Pôncio Pilatos apresenta Jesus Cristo a uma multidão furiosa que está reunida em frente ao palácio do governador, na manhã da Páscoa de 33 EC. (João 19:5) Há apenas alguns dias, Jesus foi saudado pelas multidões em sua entrada triunfal em Jerusalém como Rei divinamente designado. Agora, no entanto, a multidão hostil o encara de modo muito diferente.

      2 Jesus está com um manto púrpura, semelhante ao usado pelos membros da realeza, e tem uma coroa na cabeça. Mas o manto sobre suas costas em carne viva e a coroa de espinhos, colocada com força em sua cabeça, que agora está sangrando, são para zombar de sua posição régia. Instigado pelos principais sacerdotes, o povo rejeita o homem ferido à sua frente. Os sacerdotes gritam: “Para a estaca com ele! Para a estaca com ele!” Cheio de ódio no coração, o povo grita: ‘Ele deve morrer!’ — João 19:1-7.

      3 Com dignidade e coragem, Jesus enfrenta a humilhação e o sofrimento sem se queixar.a Ele está pronto para morrer. Mais tarde naquele dia de Páscoa, ele voluntariamente se sujeita a uma morte dolorosa numa estaca de tortura. — João 19:17, 18, 30.

      4 Por dar a sua vida, Jesus provou ser um verdadeiro amigo para seus seguidores. Ele disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos”. (João 15:13) Isso levanta algumas perguntas importantes. Era realmente necessário que Jesus passasse por todo esse sofrimento e morresse? Por que ele estava disposto a tudo isso? Como podemos imitar seu exemplo, visto que somos “seus amigos” e seguidores?

      Por que era necessário que Jesus sofresse e morresse?

      5. Como Jesus sabia das provações que o aguardavam?

      5 Como prometido Messias, Jesus sabia o que o aguardava. Conhecia as muitas profecias das Escrituras Hebraicas que prediziam em detalhes o sofrimento e a morte do Messias. (Isaías 53:3-7, 12; Daniel 9:26) Por mais de uma vez, ele preparou seus discípulos para as provações que enfrentaria. (Marcos 8:31; 9:31) Na viagem a Jerusalém para sua última Páscoa, Jesus disse claramente aos apóstolos: “O Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte e o entregarão a homens das nações, e esses zombarão dele, cuspirão nele, o açoitarão e o matarão.” (Marcos 10:33, 34) Essas palavras de fato tinham significado. Como já vimos, as pessoas realmente zombaram de Jesus, cuspiram nele, o açoitaram e o mataram.

      6. Por que era necessário que Jesus sofresse e morresse?

      6 Mas por que era necessário que Jesus sofresse e morresse? Por vários motivos muito importantes. Primeiro, por permanecer leal Jesus provaria sua integridade e defenderia a soberania de Jeová. Lembre-se de que Satanás alegou falsamente que os humanos servem a Deus apenas por interesse egoísta. (Jó 2:1-5) Por permanecer fiel “a ponto de enfrentar a morte . . . numa estaca”, Jesus deu a resposta definitiva à acusação infundada de Satanás. (Filipenses 2:8; Provérbios 27:11) Segundo, o sofrimento e a morte de Jesus serviriam para expiar o pecado de outros. (Isaías 53:5, 10; Daniel 9:24) Ele deu “a sua vida como resgate em troca de muitos”, abrindo caminho para termos um relacionamento aprovado com Deus. (Mateus 20:28) Terceiro, por suportar todo tipo de dificuldade e sofrimento, Jesus “foi provado em todos os sentidos como nós”. Assim, ele é um Sumo Sacerdote que pode “compreender as nossas fraquezas”. — Hebreus 2:17, 18; 4:15.

      Por que Jesus estava disposto a dar sua vida?

      7. Do que Jesus abriu mão ao vir à Terra?

      7 Para ter uma ideia do que Jesus estava disposto a fazer, pense no seguinte: quem deixaria sua família e sua casa e se mudaria para um país estrangeiro sabendo que não seria aceito pela maioria das pessoas daquele lugar, que estaria sujeito a humilhação e sofrimento, e que por fim seria assassinado? Agora pense no que Jesus fez. Antes de vir à Terra, ele tinha uma posição privilegiada no céu ao lado de seu Pai. Mas voluntariamente deixou seu lar celestial e veio como humano à Terra. Ele fez isso sabendo que seria rejeitado pela maioria, que teria de enfrentar humilhação cruel, muito sofrimento e uma morte dolorosa. (Filipenses 2:5-7) O que o motivou a fazer esse sacrifício?

      8, 9. O que motivou Jesus a dar sua vida?

      8 Acima de tudo, Jesus foi motivado por profundo amor a seu Pai, Jeová. Foi esse amor que o fez perseverar. Também fez com que ele se preocupasse com o nome e a reputação do Pai. (Mateus 6:9; João 17:1-6, 26) Mais do que qualquer outra coisa, Jesus queria ver o nome de seu Pai livre do vitupério lançado sobre ele. Assim, para Jesus, sofrer por causa da justiça foi a maior honra e o maior privilégio que poderia ter, pois sabia que sua integridade seria muito importante na santificação do grandioso nome de seu Pai. — 1 Crônicas 29:13.

      9 Jesus tinha outro motivo para sacrificar a sua vida — amor pela humanidade. Esse amor existe desde o início da história humana. Veja como Jesus se sentia muito antes de vir à Terra: “Minha maior alegria eram os filhos dos homens.” (Provérbios 8:30, 31) Esse amor ficou evidente quando ele esteve na Terra. Conforme vimos nos três capítulos anteriores, Jesus demonstrou de muitos modos seu amor pelos humanos, e em especial por seus seguidores. Em 14 de nisã de 33 EC ele voluntariamente deu a sua vida por nós. (João 10:11) De fato, essa foi a maior demonstração de seu amor por nós. Será que devemos imitá-lo nesse sentido? Devemos, sim. Na verdade, recebemos um mandamento para fazer isso.

      ‘Amem uns aos outros como eu amei vocês’

      10, 11. Qual é o novo mandamento que Jesus deu a seus seguidores, o que envolve, e por que é importante obedecer a ele?

      10 Na noite antes de sua morte, Jesus disse a seus discípulos mais achegados: “Eu lhes dou um novo mandamento: Amem uns aos outros; assim como eu amei vocês, amem também uns aos outros. Por meio disto todos saberão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor entre si.” (João 13:34, 35) ‘Amar uns aos outros’ — por que isso é “um novo mandamento”? A Lei mosaica já determinava: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” (Levítico 19:18) O novo mandamento, porém, exige um amor ainda mais intenso, um amor que nos motiva a dar a vida por outros. O próprio Jesus deixou isso claro ao dizer: “Este é o meu mandamento: Amem uns aos outros, assim como eu amei vocês. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” (João 15:12, 13) Na verdade, o novo mandamento diz: “Ame aos outros não como a si mesmo, porém, mais do que a si mesmo.” Por meio de sua vida e de sua morte Jesus demonstrou o que esse amor realmente significa.

      11 Por que é importante que obedeçamos ao novo mandamento? Lembre-se de que Jesus disse: “Por meio disto [o amor abnegado] todos saberão que vocês são meus discípulos.” Sim, o amor abnegado nos identifica como cristãos verdadeiros. Podemos comparar esse amor a um crachá. Ao assistirem a seus congressos todo ano, as Testemunhas de Jeová usam crachás. Eles servem como identificação, informando o nome e a congregação da pessoa. O amor abnegado uns pelos outros é o “crachá” que identifica os cristãos verdadeiros. Em outras palavras, esse amor deve ser tão evidente a ponto de servir como uma identificação, um crachá, indicando aos que nos observam que realmente somos verdadeiros seguidores de Cristo. Cada um de nós deve se perguntar: ‘Será que o meu “crachá”, o amor abnegado, é bem evidente em minha vida?’

      O que está envolvido no amor abnegado?

      12, 13. (a) Até que ponto devemos estar dispostos a fazer sacrifícios para demonstrar amor uns pelos outros? (b) O que significa ser abnegado?

      12 Como seguidores de Jesus, precisamos amar uns aos outros assim como ele nos amou. Isso envolve estarmos dispostos a fazer sacrifícios por nossos irmãos cristãos. Até que ponto devemos estar dispostos a fazer isso? A Bíblia nos diz: “Por meio disto chegamos a conhecer o amor: ele entregou a vida por nós, e nós temos a obrigação de entregar a vida pelos nossos irmãos.” (1 João 3:16) Assim como Jesus, devemos estar dispostos a morrer uns pelos outros se necessário. Em época de perseguição, preferimos sacrificar nossa própria vida a trair nossos irmãos espirituais e colocar sua vida em risco. Em países divididos por causa de diferenças raciais ou étnicas, arriscamos a nossa própria vida para proteger os irmãos, não importa sua raça ou etnia. Quando nações entram em guerra, preferimos ser presos e até morrer a guerrear contra nossos irmãos — ou qualquer outra pessoa. — João 17:14, 16; 1 João 3:10-12.

      13 Estarmos dispostos a dar a vida pelos nossos irmãos não é a única maneira de mostrar amor abnegado. Afinal, poucos de nós talvez tenhamos de chegar a esse ponto. Mas, se amamos nossos irmãos a ponto de dar a vida por eles, não deveríamos estar dispostos a fazer pequenos sacrifícios, nos esforçando a ajudá-los já agora? Sermos abnegados significa abrir mão de vantagens pessoais ou confortos em benefício de outros. Colocamos os interesses e o bem-estar deles à frente dos nossos, mesmo que isso não seja o melhor para nós. (1 Coríntios 10:24) De que maneiras práticas podemos mostrar amor abnegado?

      Amor abnegado na congregação e na família

      14. (a) Que sacrifícios os anciãos fazem? (b) O que você acha dos esforços dos anciãos abnegados de sua congregação?

      14 Os anciãos fazem muitos sacrifícios para ‘pastorear o rebanho’. (1 Pedro 5:2, 3) Além de cuidar da família, precisam tirar tempo à noite ou nos fins de semana para cuidar de assuntos congregacionais, como preparar discursos para as reuniões, fazer visitas de pastoreio e cuidar de casos judicativos. Muitos anciãos fazem outros sacrifícios, trabalhando arduamente em assembleias e congressos e servindo como membros de Comissões de Ligação com Hospitais ou Grupos de Visitas a Pacientes. Outros servem como voluntários do Departamento Local de Projeto/Construção. Anciãos, nunca se esqueçam de que por servir com um espírito disposto — gastando seu tempo, energia e recursos para pastorear o rebanho — vocês estão demonstrando amor abnegado. (2 Coríntios 12:15) Seus esforços altruístas são apreciados não só por Jeová, mas também pela congregação que vocês pastoreiam. — Filipenses 2:29; Hebreus 6:10.

      15. (a) Quais são alguns sacrifícios que as esposas dos anciãos fazem? (b) O que você acha das esposas que estão dispostas a ceder parte de seu tempo com o marido em benefício da congregação?

      15 Que dizer das esposas dos anciãos? Não é verdade que essas mulheres apoiadoras também fazem sacrifícios para que seus maridos possam cuidar do rebanho? Com certeza é um sacrifício para a esposa quando seu marido tem de dedicar o tempo que poderia gastar com a família aos assuntos congregacionais. Pense também nas esposas dos superintendentes de circuito e nos sacrifícios que fazem para acompanhar seus maridos de congregação em congregação e de circuito em circuito. Elas abrem mão de ter seu próprio lar e talvez às vezes tenham de dormir numa cama diferente cada semana. As esposas que voluntariamente põem os interesses da congregação à frente dos seus próprios interesses merecem elogios por suas generosas expressões de amor abnegado. — Filipenses 2:3, 4.

      16. Os pais cristãos fazem que sacrifícios a favor de seus filhos?

      16 Como podemos demonstrar amor abnegado na família? Pais e mães, vocês fazem muitos sacrifícios para cuidar de seus filhos e criá-los “na disciplina e na instrução de Jeová”. (Efésios 6:4) Talvez tenham de trabalhar por longas horas em serviços cansativos só para seus filhos terem o que comer, o que vestir e onde morar. Vocês preferem se privar de algumas coisas a ver seus filhos passar necessidade. Também fazem muito esforço para estudar com seus filhos, levá-los às reuniões cristãs e acompanhá-los no ministério de campo. (Deuteronômio 6:6, 7) Seu amor abnegado agrada o Originador da família e pode significar vida eterna para seus filhos. — Provérbios 22:6; Efésios 3:14, 15.

      17. Como os maridos cristãos podem imitar o altruísmo de Jesus?

      17 Maridos, como vocês podem imitar a Jesus e mostrar amor abnegado? A Bíblia responde: “Marido, continue a amar a sua esposa, assim como também o Cristo amou a congregação e se entregou por ela.” (Efésios 5:25) Conforme vimos, Jesus amou tanto seus seguidores que morreu por eles. O marido cristão imita a atitude altruísta de Jesus, que ‘não agradou a si mesmo’. (Romanos 15:3) Ele põe as necessidades e os interesses de sua esposa à frente dos seus. Não é rígido, insistindo que as coisas sejam feitas do seu modo, mas está disposto a ceder quando não há nenhum princípio bíblico envolvido. O marido que mostra amor abnegado tem a aprovação de Jeová e ganha o amor e o respeito da esposa e dos filhos.

      O que você fará?

      18. O que nos motiva a seguir o novo mandamento de amar uns aos outros?

      18 Obedecer ao novo mandamento de amar uns aos outros não é fácil, mas temos um motivo muito forte para fazer isso. Paulo escreveu: “O amor do Cristo nos impele, porque nós concluímos o seguinte: um só homem morreu por todos . . . E ele morreu por todos para que os que vivem não vivessem mais para si mesmos, mas para aquele que morreu por eles e foi levantado.” (2 Coríntios 5:14, 15) Visto que Jesus morreu por nós, não deveríamos nos sentir motivados a viver para ele? Podemos fazer isso por seguir o seu exemplo de amor abnegado.

      19, 20. Que presente maravilhoso Jeová nos deu, e como podemos mostrar que o aceitamos?

      19 Jesus não estava exagerando quando disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” (João 15:13) A disposição de Jesus de dar a sua vida em nosso favor foi a maior demonstração de seu amor por nós. Mas houve alguém que mostrou um amor ainda maior. Jesus explicou: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” (João 3:16) Deus nos ama tanto que deu seu Filho como resgate, tornando possível que fôssemos libertados do pecado e da morte. (Efésios 1:7) O resgate é um maravilhoso presente de Jeová, mas ele não nos obriga a aceitá-lo.

      20 Aceitar esse presente de Jeová depende apenas de nós. Como? Por “exercer fé” em seu Filho. No entanto, isso não envolve apenas dizer que temos fé. Mostramos nossa fé por meio de ações, pelo modo como vivemos. (Tiago 2:26) Demonstramos nossa fé em Jesus Cristo por segui-lo dia após dia. Fazer isso resultará em ricas bênçãos agora e no futuro, conforme será explicado no último capítulo deste livro.

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