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  • A perda das boas maneiras
    Despertai! — 1994 | 22 de julho
    • A perda das boas maneiras

      Milhões de pessoas ainda praticam boas maneiras. Outros milhões as pisoteiam.

      NA VIRADA do século, a etiqueta começou com o pé esquerdo, segundo a The New Encyclopædia Britannica, que diz: “Em fins do século 19 e início do século 20, as pessoas das altas camadas da sociedade encaravam a observância das mais triviais demandas da etiqueta tanto como diversão como, para as mulheres, uma obrigatoriedade. Foram desenvolvidos rituais cada vez mais sofisticados, que visavam criar um senso de exclusivismo para os iniciados e manter os indignos, que desconheciam tais rituais, à distância.”

      Isto é uma aberração do que deveriam ser as boas maneiras. Amy Vanderbilt, uma respeitada conhecedora do assunto, escreve em seu New Complete Book of Etiquette (Novo Livro Completo Sobre Etiqueta): “As melhores regras de comportamento se encontram no Capítulo 13 da Primeira aos Coríntios, a bela dissertação sobre caridade feita por São Paulo. Tais regras nada têm a ver com as minúcias quanto à roupa apropriada à ocasião, nem com aquelas sobre boas maneiras superficiais. Dizem respeito a sentimentos e atitudes, amabilidade e consideração para com outros.”

      Amy Vanderbilt refere-se à passagem bíblica em 1 Coríntios 13:4-8, que diz: “O amor é longânime e benigno. O amor não é ciumento, não se gaba, não se enfuna, não se comporta indecentemente, não procura os seus próprios interesses, não fica encolerizado. Não leva em conta o dano. Não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade. Suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas. O amor nunca falha.”

      Que raridade seria ver um amor assim ser praticado hoje em dia! Em toda a parte, as boas maneiras seriam impecáveis! O ponto de partida no ensino e no aprendizado dessas boas maneiras é o lar cristão. A família é comparável a uma delicada máquina cujas peças estão em estreito contato umas com as outras. Apenas uma lubrificação bem feita pode mantê-la funcionando suavemente. Saber ser prestativo, cortês, agradável e polido contribuirá muito para a felicidade de um lar. Aprender a expressar as convencionais expressões cotidianas de cortesia e consideração — tais como “obrigado”, “por favor”, “desculpe-me”, “lamento” — ajudará muito a eliminar a fricção destrutiva nos nossos relacionamentos. São pequenas palavras com grandes significados. Qualquer pessoa sabe dizê-las corretamente. Não nos custam nada, mas com elas fazemos amigos. Se praticarmos diariamente boas maneiras em casa, elas não nos abandonarão ao sairmos do círculo familiar e nos misturarmos com o público.

      Boas maneiras inclui mostrar consideração para com os sentimentos dos outros, conferir-lhes respeito, tratá-los como nós gostaríamos que eles nos tratassem. Muitos têm notado, porém, que tem havido uma deterioração nas boas maneiras. Disse certa escritora: “Há falta de cortesia porque o individualismo ganhou preeminência.” O filósofo Arthur Schopenhauer escreveu: “O egoísmo é algo tão horrível que nós inventamos a polidez para camuflá-lo.” Muitos hoje acreditam que “polido” significa “fraco”, e que dar primazia a outros é ingenuidade. Não foi a década de 70, com seu conceito de Primeiro Eu, que nos lançou no atual modo individualista de viver? Certo jornal de cidade grande disse: “O problema atingiu o ponto em que a decência comum não pode mais ser chamada de comum.”

      O jornal Daily Mail, de Londres, diz que crianças de cinco anos já demonstram uma crescente beligerância, desrespeito à propriedade de outras crianças, falta de respeito aos adultos e uso de linguagem obscena. A maioria dos professores pesquisados acha que os pais estão mimando os filhos, e que esta é a causa basilar do aumento do comportamento anti-social. Dentre os professores entrevistados numa pesquisa, 86% culpam a “falta de normas e expectativas claras no lar”; 82% apontam como réu a falta de exemplo dos pais. Lares desfeitos, divórcio, viver juntos sem se casar, ver televisão demais, nenhuma disciplina, nenhuma sanção — tudo isso resulta na destruição da família.

      Disse certa diretora de escola de primeiro grau: “Preocupo-me com a falta de respeito entre as crianças de hoje. Elas parecem não se importar se humilham colegas ou ofendem adultos. . . . Mostram seu desrespeito de muitas maneiras — gestos ofensivos, obscenidades, recusa de obedecer ordens simples . . ., desejo de prender a bola [nos jogos] . . . [Por outro lado,] crianças de certas famílias tendem a respeitar os outros. Não são necessariamente os ‘queridinhos’ do professor . . ., mas se comportam respeitosamente para com outros. Esperam a sua vez, enquanto que outras furam a fila . . . É uma questão de se isso está instilado [na criança], ou não.”

      Outro veterano diretor de escola de primeiro grau vai mais além: “Estamos presenciando um aumento da pura e simples maldade. No pátio de recreio, parece que as crianças não brincam mais como costumavam brincar; elas perambulam em gangues. Identificam rapidamente os fracos, as crianças marginalizadas, as que não usam o último modelo de tênis ou de jeans. Perseguem-nas, zombam delas; há um requinte de maldade nisso. Temos tentado refrear isso, mas com pouco êxito.”

      “Muitos dirigem carro de maneira incrivelmente grosseira”, diz o professor Jonathan Freedman, da universidade americana de Columbia. “As rodovias quase parecem um campo de batalha.” O Monthly Letter, do Royal Bank of Canada, fala da “implacável carnificina nas estradas” e conclui que “o cerne do problema é o comportamento mal-educado. A cortesia, a consideração, a indulgência, a tolerância e o respeito pelos direitos humanos, que são os pilares da civilização, estão vergonhosamente ausentes”.

      O jornal The New York Times caracteriza assim as ruas de Nova York: “Motoristas versus Ambulâncias”. Um crescente número de motoristas nessa cidade se recusa a dar passagem para veículos de emergência, como ambulâncias e carros do corpo de bombeiros — aumentando o risco de alguém gravemente doente ou ferido morrer por não poder ser recolhido ou transportado logo para um hospital. A capitã Ellen Scibelli, dos Serviços Médicos de Emergência, fala de certo motorista no Pelham Parkway, no Bronx, Nova York, que não queria dar passagem para uma ambulância que ia socorrer uma vítima de ataque cardíaco. “Ele tentou ser durão e não abrir caminho, mas, ao chegar em casa, percebeu a sua grande estupidez. A mãe dele sofrera um ataque cardíaco e a ambulância estava indo socorrê-la.”

      O The New York Times International referiu-se a uma organização inglesa chamada Sociedade da Polidez, que foi formada porque “as pessoas se tornaram definitivamente animalescas entre si, e algo tinha de ser feito”. Numa coluna no The Evening Standard, um jornalista se queixou: “Uma nação outrora famosa por sua civilidade está se tornando um país de grosseirões.” Uma companhia escocesa de seguros “concluiu que 47% dos acidentes de estrada podem ser atribuídos a um ato de descortesia”.

      A televisão contribui muito para a erosão das boas maneiras, em especial entre crianças e adolescentes. Como as pessoas se vestem, como falam, como lidam com as relações humanas, como freqüentemente resolvem problemas com violência — a televisão é mestra. Se nós e nossos filhos assimilarmos uma dieta de programas ilusórios e frívolos, por fim as nossas maneiras refletirão as atitudes insolentes, desrespeitosas e sarcásticas dos personagens a que assistimos. Não raro os pais são representados como bobalhões e os filhos como espertos.

      O mundo gosta de falar alto e de modo autoritário, de interromper os outros, de orgulhar-se de ser dominante, impetuoso, pomposo, provocativo, desafiador. A grosseria costumava ser desaprovada pela comunidade em geral, e quem a praticava era repudiado. Na sociedade moderna, porém, a pessoa pode cometer um ato rude sem ser estigmatizada. E, se alguém objetar, poderá sofrer um ataque verbal ou físico! Alguns jovens que viajam em grupos ruidosos enchem o ar com conversa tola, gestos obscenos, ofendendo os observadores com a sua conduta grosseira, visando deliberadamente atrair a atenção para a sua rebeldia desafiadora e chocar os adultos com a sua espalhafatosa demonstração de rudeza. Contudo, como já se disse, “a rudeza é a imitação que o homem fraco faz da força”.

      O conjunto de leis que os homens compilaram para reger a conduta da humanidade daria para encher uma biblioteca, no entanto, não resultaram ser a direção de que a humanidade necessita. Necessitamos de mais leis? Ou quem sabe de menos? Tem-se dito que quanto melhor é uma sociedade, tanto menos leis ela necessita. Que dizer de existir apenas uma lei? Esta, por exemplo: “Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles; isto, de fato, é o que a Lei e os Profetas querem dizer.” — Mateus 7:12.

      Obedecer a essa lei eliminaria a maioria dos problemas atuais, mas, mesmo assim, para atender por completo às necessidades da sociedade é preciso acrescentar uma lei ainda mais importante: “Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente, e de toda a tua força.” — Marcos 12:30.

      A moderna sociedade rejeita como desnecessários a ambos esses requisitos bíblicos, bem como quaisquer outras diretrizes da Bíblia. A Bíblia alude a pessoas assim em Jeremias 8:9: “Os sábios ficaram envergonhados. . . . Rejeitaram a própria palavra de Jeová, e que sabedoria é que eles têm?” Tais pessoas também não vêem a necessidade de haver um consenso público a respeito de verdadeiros valores que tradicionalmente têm sido reconhecidos como essenciais à nossa orientação. A sua nova moralidade é uma estrada larga com espaço para qualquer estilo de vida alternativo que se queira escolher — a estrada larga que Jesus identificou como aquela que leva à destruição — e são muitos os que trafegam por ela. — Mateus 7:13, 14.

      O exemplo perfeito

      Jesus Cristo, “que está na posição junto ao seio do Pai”, é um exemplo notável digno de imitar. (João 1:18) Nos seus tratos com as pessoas ele era meigo e compassivo, por um lado, e vigoroso e firme, por outro; mas nunca foi rude ou indelicado com alguém. Comentando “seu extraordinário dom de sentir-se à vontade com todo tipo de pessoas”, o livro The Man From Nazareth (O Homem de Nazaré) diz a respeito de Jesus: “Quer em público, quer em particular, ele se associava tanto com homens como com mulheres em termos de igualdade. Sentia-se à vontade com criancinhas em sua inocência e, mui curiosamente, também com elementos desonestos afligidos pela consciência, como Zaqueu. Honradas donas-de-casa, como Maria e Marta, podiam falar com ele com franqueza natural, mas também as cortesãs o procuravam, como se estivessem certas de que ele as entenderia e as auxiliaria . . . A sua curiosa capacidade de desprevenção dos limites, que cercavam as pessoas comuns, é uma de suas qualidades mais características.”

      Jeová Deus sempre demonstra boas maneiras ao lidar com seus subordinados, não raro acrescentando “por favor” aos seus pedidos. Ao conceder uma bênção ao seu amigo Abraão, ele disse: “Levanta os teus olhos, por favor, e olha desde o lugar onde estás.” E num outro exemplo: “Olha para os céus, por favor, e conta as estrelas.” (Gênesis 13:14; 15:5) Ao dar a Moisés um sinal de Seu poder, Deus disse: “Por favor, mete tua mão na dobra superior da tua roupa.” (Êxodo 4:6) Muitos anos depois, Jeová, por meio de seu profeta Miquéias, disse até mesmo ao seu povo obstinado: “Ouvi, por favor, vós cabeças de Jacó e vós comandantes da casa de Israel. . . . Por favor, ouvi isto, vós cabeças.” (Miquéias 3:1, 9) Somos, neste respeito, “imitadores de Deus” em dizer “por favor” nos nossos tratos com outros? — Efésios 5:1.

      Portanto, que diretrizes ou preceitos morais oferecem os sábios segundo o mundo em substituição aos preceitos da Bíblia, que eles acham ser inaceitáveis? O próximo artigo considera isso.

      [Destaque na página 4]

      “A decência comum não pode mais ser chamada de comum.”

      [Destaque na página 5]

      A ambulância tentava socorrer a mãe dele

      [Destaque na página 6]

      “A rudeza é a imitação que o homem fraco faz da força”

      [Crédito da foto na página 3]

      Esquerda: Life; direita: Grandville

  • Rejeitou a “nova moralidade” as boas maneiras?
    Despertai! — 1994 | 22 de julho
    • Rejeitou a “nova moralidade” as boas maneiras?

      ‘Ai dos que dizem que o mau é bom, que põem a escuridão por luz, o amargo pelo doce.’ — Isaías 5:20.

      O SÉCULO 20 viu mudanças radicais nos costumes e na moral. Nas décadas que se seguiram às duas guerras mundiais, os velhos sistemas de valores aos poucos passaram a ser encarados como antiquados. Mudadas condições e novas teorias nos campos do comportamento humano e da ciência convenceram muitos de que os velhos valores não mais eram válidos. Maneiras antes tidas em alta estima foram descartadas como estorvo. As normas da Bíblia, antes respeitadas, foram rejeitadas como antiquadas. Eram coibitivas demais para a irrestrita e liberada sociedade de indivíduos ultramodernos do século 20.

      O ano dessa virada na história humana foi 1914. Os escritos de historiadores sobre aquele ano e a Primeira Guerra Mundial estão repletos de observações que declaram 1914 o ano de mudanças momentosas, um verdadeiro divisor de épocas na história humana. Os Prósperos Anos 20 vieram na esteira da guerra e as pessoas tentavam recuperar os prazeres que perderam durante aqueles anos de guerra. Velhos valores e restrições morais inconvenientes foram repelidos para abrir caminho à explosão de prazeres. Instalou-se informalmente uma nova moralidade, indulgente com os desejos da carne — basicamente um vale-tudo. O novo código moral inevitavelmente causou uma mudança nas maneiras.

      O historiador Frederick Lewis Allen comentou sobre isso: “Outro resultado da revolução foi que as boas maneiras não se tornaram meramente diferentes, mas — por alguns anos — se transformaram em descortesia. . . . Durante essa década as garçonetes . . . descobriram que os fregueses não mais faziam questão de cumprimentá-las ao chegarem ou irem embora; que entrar ‘de penetra’ em bailes tornara-se uma prática comum, os ‘grã-finos’ chegavam atrasados a recepções, largavam cigarros acesos em qualquer lugar, deixavam cair cinzas nos carpetes sem se desculpar. As velhas restrições estavam demolidas, nenhuma nova havia sido criada no ínterim, cada qual fazia o que bem entendia. Algum dia, talvez, os dez anos que se seguiram à guerra poderão ser bem chamados de década das Más Maneiras. . . . Se a década foi de más maneiras, foi também uma década infeliz. Com a velha ordem de coisas deixaram de existir valores que davam riqueza e significado à vida, e não foi fácil encontrar valores substitutos.”

      Valores substitutos que devolvessem a riqueza e o significado à vida jamais foram encontrados. Não foram procurados. O excitante estilo de vida do vale-tudo dos Prósperos Anos 20 libertou as pessoas de restrições morais, o que lhes veio bem a calhar. Elas não estavam descartando a moralidade; estavam apenas revisando-a, afrouxando-a um pouco. Com o tempo, chamaram-na de Nova Moralidade. Segundo esta, cada qual faz o que acha ser certo. A pessoa está acima de tudo e de todos. Faz o que bem entende. Traça o seu próprio rumo.

      Ou, é assim que ela pensa. Na verdade, três mil anos atrás, o sábio Rei Salomão disse: “Não há nada de novo debaixo do sol.” (Eclesiastes 1:9) Mesmo antes, durante o período dos Juízes, os israelitas tinham uma considerável latitude quanto a obedecer à Lei de Deus, ou não: “Naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um costumava fazer o que era direito aos seus próprios olhos.” (Juízes 21:25) Mas a maioria não queria acatar a Lei. Por semear dessa maneira, Israel colheu centenas de anos de desastres nacionais. Similarmente, as nações hoje têm colhido séculos de dor e de sofrimento — e o pior ainda está por vir.

      Há outro termo que identifica mais especificamente a Nova Moralidade, a saber, o “relativismo”. O Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary define-o assim: “O conceito de que as verdades éticas dependem dos indivíduos e dos grupos que as defendem.” Em síntese, os discípulos do relativismo afirmam que aquilo que é bom para eles, é também ético para eles. Certo escritor discorreu sobre o relativismo, dizendo: “O relativismo, há muito à espreita abaixo da superfície, emergiu como filosofia prevalecente da ‘década do primeiro eu’, os anos 70; ainda reina no yuppieism [estilo de vida de jovens ricos das grandes cidades] dos anos 80. Talvez da boca para fora louvemos os valores tradicionais, mas, na prática, o correto é o que quer que seja bom para ‘mim’.”

      E isso inclui as maneiras — ‘Se me agrada, faço; se não me agrada, não faço. Não me convém, mesmo que você ache ser mais polido. Arruinaria meu individualismo radical, eu pareceria um fraco, me tornaria um imbecil.’ Parece que para tais pessoas isso se aplica não só para grosserias mas também para as pequenas delicadezas do dia-a-dia, como dizer ‘por favor’, ‘desculpe’, ‘obrigado’, abrir a porta para alguém, ceder seu lugar para outro, ou oferecer-se para carregar um pacote. Estas e outras atitudes são como lubrificantes finos que suavizam e tornam agradáveis as relações humanas. ‘Mas mostrar boas maneiras’, talvez objete o individualista, ‘comprometeria o meu viver à altura e a projeção da minha imagem de número um’.

      O sociólogo James Q. Wilson atribui a aumentada fricção e conduta criminal ao colapso daquilo que hoje “é sarcasticamente chamado de ‘valores da classe média’”, e o informe continua: “A rejeição desses valores — e o aumento do relativismo moral — parece ser o correlativo do aumentado índice de crimes.” Certamente é correlativo da tendência moderna de rejeitar qualquer restrição à auto-expressão, independentemente de quão mal-educada ou ofensiva possa ser. É como disse outro sociólogo, Jared Taylor: “A nossa sociedade passou firmemente do autocontrole para a auto-expressão, e muitos rejeitam como repressivos os valores fora de moda.”

      A prática do relativismo faz de você o juiz de sua conduta pessoal, ignorando o critério de quem quer que seja, inclusive o de Deus. Você decidirá por si mesmo o que é certo e o que é errado, exatamente como fez o primeiro casal humano no Éden, quando rejeitou a ordem de Deus e decidiu por si mesmo o que era certo e o que era errado. A Serpente levou Eva a crer que, se desobedecesse a Deus e comesse do fruto proibido, aconteceria o que ela lhe havia dito: “Forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” Assim, Eva tomou do fruto e comeu-o, e daí deu parte dele a Adão, que também comeu. (Gênesis 3:5, 6) A decisão de comer do fruto proibido foi desastroso para o casal e calamitoso para a sua prole.

      Depois de apresentar um extenso apanhado da corrupção entre políticos, empresários, atletas, cientistas, um ganhador do prêmio Nobel e um clérigo, certo observador secular disse o seguinte, num discurso na Escola de Comércio de Harvard: “Creio que estamos passando no nosso país [EUA] por aquilo que eu prefiro chamar de crise de caráter, a perda daquilo que tradicionalmente na civilização ocidental tem sido encarado como restrições íntimas e virtudes íntimas que nos impedem de gratificar os nossos instintos mais baixos.” Ele falou de “palavras que soarão quase como exóticas se forem pronunciadas nesses meios, palavras tais como valor, honra, dever, responsabilidade, compaixão, civilidade — palavras que quase caíram em desuso”.

      Nos anos 60, explodiram certas questões nos campi universitários. Muitos afirmavam que ‘Deus não existe, Deus está morto, nada de real existe, não existe valor transcendental, a vida é totalmente sem significado, você pode vencer a nulidade da vida apenas pelo heróico individualismo’. A geração hippie entendeu o recado e pôs-se a vencer a nulidade da vida ‘cheirando cocaína, fumando maconha, praticando sexo livre e buscando a paz pessoal’. Que nunca encontrou.

      Daí houve os movimentos de protesto dos anos 60. Mais do que simples modismos, aqueles movimentos foram esposados pelo veio da cultura americana e desembocaram na década do Primeiro Eu, os anos 70. Assim, entramos na década que o crítico social Tom Wolfe chamou de “década do Primeiro Eu”. Isto adentrou nos anos 80, que alguns ironicamente chamam de “idade de ouro da ganância”.

      O que tudo isso tem a haver com boas maneiras? É que isso envolve colocar a si mesmo em primeiro lugar, e, se você faz isso, não lhe será fácil ceder aos interesses de outros, não poderá dar primazia a outros, nem mostrar boas maneiras. Por colocar a si mesmo em primeiro plano, talvez esteja, na realidade, praticando uma forma de auto-adoração, a adoração do Eu. Que classificação dá a Bíblia a quem faz isso? “Pessoa gananciosa — que significa ser idólatra”, que mostra “cobiça, que é idolatria”. (Efésios 5:5; Colossenses 3:5) A quem realmente servem tais pessoas? “O seu deus é o ventre.” (Filipenses 3:19) Os imundos estilos de vida alternativos que muitos escolheram como moralmente corretos para si, e as calamitosas e mortíferas conseqüências desses estilos de vida confirmam a veracidade de Jeremias 10:23: “Bem sei, ó Jeová, que não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.”

      A Bíblia previu essa situação e predisse isso como aspecto alertador dos “últimos dias”, conforme registrado em 2 Timóteo 3:1-5, segundo A Bíblia na Linguagem de Hoje: “Lembre-se disto: nos últimos dias haverá tempos difíceis. Pois os homens serão egoístas, avarentos, orgulhosos, vaidosos, xingadores, ingratos, desobedientes aos pais e não terão respeito à religião. Não terão amor para com os outros e serão duros, caluniadores, sem domínio próprio, violentos e inimigos do bem. Serão traidores, atrevidos e cheios de orgulho. Amarão mais os prazeres do que a Deus, terão a forma exterior da nossa religião, mas rejeitarão o seu verdadeiro poder. Afasta-te dessa gente.”

      Nós nos desviamos muito daquilo que fomos criados para ser — à imagem e à semelhança de Deus. Ainda temos dentro de nós os potenciais atributos do amor, sabedoria, justiça e poder, mas eles se tornaram desequilibrados e distorcidos. O primeiro passo para o retorno se manifesta na última frase do texto supracitado: “Afasta-te dessa gente.” Procure um novo ambiente, que mude até mesmo seus sentimentos íntimos. Instrutivas para esse fim são as sábias palavras escritas anos atrás no periódico The Ladies’ Home Journal, por Dorothy Thompson. A citação abre com a declaração de que, para vencer a delinqüência juvenil, é preciso educar as emoções do jovem, em vez de seu intelecto:

      “As ações e atitudes da criança determinam em grande parte suas ações e atitudes quando adulto. Mas estas não são inspiradas pelo cérebro, mas sim pelos sentimentos. A criança se torna aquilo que foi encorajada e treinada a amar, a admirar, a adorar, a prezar e pelo qual se sacrificar. . . . Em tudo isso o comportamento desempenha um papel importante, pois os bons modos não são nada mais nada menos do que a expressão de consideração para com outros. . . . Os sentimentos internos refletem no comportamento externo, mas o comportamento externo contribui também para o cultivo de sentimentos íntimos. É difícil sentir-se agressivo quando se age com consideração. No início, os bons modos talvez sejam apenas superficiais, mas raras vezes permanecem assim.”

      Ela observou também que, com raras exceções, a bondade e a maldade “não são determinadas pelo cérebro, mas sim pelas emoções”, e que “os criminosos não se tornaram tais pelo endurecimento das artérias, mas sim pelo endurecimento do coração”. Ela frisou que o que governa a nossa conduta é mais a emoção do que a mente, e que o modo como fomos treinados, o modo de agirmos, mesmo que forçados a princípio, influencia os sentimentos íntimos e muda o coração.

      Contudo, é a Bíblia que sobressai em fornecer a fórmula inspirada para mudar a pessoa íntima do coração.

      Primeiro, Efésios 4:22-24: ‘Deveis pôr de lado a velha personalidade que se conforma ao vosso procedimento anterior e que está sendo corrompida segundo os seus desejos enganosos. Deveis ser feitos novos na força que ativa a vossa mente, e vos revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade.’

      Segundo, Colossenses 3:9, 10, 12-14: “Desnudai-vos da velha personalidade com as suas práticas e revesti-vos da nova personalidade, a qual, por intermédio do conhecimento exato, está sendo renovada segundo a imagem Daquele que a criou. Concordemente, como escolhidos de Deus, santos e amados, revesti-vos das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade. Continuai a suportar-vos uns aos outros e a perdoar-vos uns aos outros liberalmente, se alguém tiver razão para queixa contra outro. Assim como Jeová vos perdoou liberalmente, vós também o fazei. Além de todas estas coisas, porém, revesti-vos de amor, pois é o perfeito vínculo de união.”

      O historiador Will Durant disse: “A maior questão dos nossos tempos não é comunismo versus individualismo, ou Europa versus América, nem mesmo Oriente versus Ocidente; é se os homens podem ou não viver sem Deus.”

      Para sermos bem-sucedidos na vida temos de acatar os conselhos de Jeová. “Filho meu, não te esqueças da minha lei, e observe teu coração os meus mandamentos, porque te serão acrescentados longura de dias e anos de vida e paz. Não te abandonem a própria benevolência e veracidade. Ata-as à tua garganta. Inscreve-as na tábua do teu coração, e acha assim favor e boa perspicácia aos olhos de Deus e do homem terreno. Confia em Jeová de todo o teu coração e não te estribes na tua própria compreensão. Nota-o em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas. Não te tornes sábio aos teus próprios olhos. Teme a Jeová e desvia-te do mal. Torne-se isso uma cura para o teu umbigo e refrigério para os teus ossos.” — Provérbios 3:1-6.

      A bondade e a consideração que se mostra através de boas maneiras, aprendidas por séculos de convivência, de modo algum são um estorvo, e as diretrizes bíblicas para a vida definitivamente não são antiquadas, mas resultarão na salvação eterna da humanidade. Sem Jeová, a humanidade não pode continuar a viver, pois ‘com Jeová está a fonte da vida’. — Salmo 36:9.

      [Destaque na página 11]

      O modo de agirmos, mesmo que forçados a princípio, influencia os sentimentos íntimos e muda o coração

      [Quadro/Foto na página 10]

      Impecáveis boas maneiras à mesa que as pessoas fariam bem em imitar

      Pássaros-dos-cedros, belos, de boas maneiras, muito sociáveis, banqueteando-se num grande arbusto carregado de frutinhas maduras. Dispostos em fila num galho, eles comem as frutas, mas não vorazmente. De bico em bico, eles passam a frutinha uns para os outros, para um lado e depois de volta, até que por fim um deles graciosamente a come. Nunca esquecem seus “filhos”, trazendo-lhes incansavelmente o alimento, de frutinha em frutinha, até saciar todas as bocas vazias.

      [Crédito]

      H. Armstrong Roberts

      [Foto na página 8]

      Alguns dizem: ‘Livre-se da Bíblia e dos valores morais’

      [Foto na página 9]

      “Deus está morto”

      “A vida não tem significado!”

      “Fume maconha, cheire cocaína”

      [Crédito da foto na página 7]

      Esquerda: Life; direita: Grandville

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