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  • Presos num casamento sem amor
    Despertai! — 2001 | 8 de janeiro
    • Presos num casamento sem amor

      “Numa sociedade com elevado índice de divórcios, a probabilidade de casamentos infelizes terminarem em divórcio é maior. E é provável também que mais pessoas deixem de encontrar a felicidade no casamento.” — Conselho da Família na América.

      TEM-SE dito que grande parte da felicidade e da infelicidade na vida provém da mesma fonte — o casamento. De fato, poucas coisas na vida podem trazer tanta alegria — ou tanto sofrimento. Como mostra o quadro acompanhante, para muitos o casamento trouxe uma medida bem maior de sofrimento do que de alegria.

      Mas as estatísticas de divórcio revelam apenas parte do problema. Para cada casamento que vai por água abaixo, pode-se dizer que inúmeros outros permanecem flutuando, mas em águas estagnadas. “Éramos uma família feliz, mas os últimos 12 anos têm sido horríveis”, confidenciou uma mulher casada há mais de 30 anos. “Meu marido não se preocupa com meus sentimentos. Ele é, na verdade, a pessoa que mais fere meus sentimentos.” Similarmente, um homem casado há mais de 25 anos lamentou: “Minha mulher me disse que não me ama mais. Ela diz que a única forma de continuarmos juntos é convivermos apenas como colegas de quarto e ficarmos cada um para o seu lado nas horas de folga.”

      Naturalmente, alguns que chegam a esse ponto se separam. Mas para muitos, o divórcio está fora de cogitação. Segundo a Dra. Karen Kayser, fatores como filhos, estigma social, finanças, amigos, parentes e crenças religiosas podem manter um casal junto, mesmo que não exista mais amor. “Esses casais dificilmente se divorciam legalmente, preferindo permanecer com alguém de quem estão emocionalmente divorciados”, diz.

      Será que um casal cuja relação se desgastou precisa se conformar com uma vida de insatisfação? É o casamento sem amor a única alternativa para o divórcio? A experiência mostra que muitos casamentos com problemas podem ser salvos — não só da dor da separação, mas também da infelicidade de viver uma relação sem amor.

  • Por que o amor acaba?
    Despertai! — 2001 | 8 de janeiro
    • Por que o amor acaba?

      “É mais fácil se apaixonar do que continuar apaixonado.” — Dra. Karen Kayser.

      TALVEZ não surpreenda que haja tantos casamentos sem amor. O matrimônio é um relacionamento humano complexo, e muitos entram nele sem estar preparados. “Para tirar a carteira de motorista, a pessoa tem de saber dirigir”, diz o Dr. Dean S. Edell, “mas basta uma assinatura para obter a certidão de casamento”.

      Assim, ao passo que muitos casamentos vão bem e são realmente felizes, inúmeros outros estão em crise. Talvez um ou ambos os parceiros tenham se casado com expectativas elevadas, mas não estavam devidamente preparados para manter uma relação duradoura. “Quando duas pessoas começam um relacionamento”, explica o Dr. Harry Reis, “elas se identificam muito uma com a outra”. Acham que aquela pessoa é a “única no mundo que enxerga as coisas como ela. Com o tempo talvez descubram que não é bem assim, e essa constatação pode corroer o casamento”.

      Felizmente, muitos casamentos não chegam a esse ponto. Mas consideremos brevemente alguns fatores que em determinados casos acabaram destruindo o amor.

      Decepção: “Não era isso o que eu esperava”

      “Quando me casei com Jim”, diz Rose, “pensei que seríamos a versão moderna da Bela Adormecida e do Príncipe Encantado — tudo era romance, carinho e consideração um pelo outro”. Mas não demorou muito e o seu “Príncipe Encantado” perdeu o encanto. “Acabei me decepcionando muito com ele”, diz ela.

      Muitos filmes, livros e canções populares pintam um quadro irrealista do amor. Durante o namoro, o casal pode achar que está vivendo a realização de um sonho. Mas depois de alguns anos de casados, talvez cheguem à conclusão de que tudo realmente não passou de um sonho! Se a realidade não corresponde às expectativas de viver um conto de fadas, a pessoa pode achar que seu casamento, que tem o potencial de dar certo, é um fracasso total.

      É claro que algumas expectativas num casamento são totalmente justificadas. Por exemplo, é apropriado esperar amor, atenção e apoio do cônjuge. No entanto, até mesmo esse desejo pode não ser satisfeito. “Nem parece que sou casada”, diz Meena, uma jovem recém-casada da Índia. “Eu me sinto só e abandonada.”

      Incompatibilidade: “Não temos nada em comum”

      “Eu e meu marido somos diametralmente opostos em quase tudo”, diz certa mulher. “Não passa um dia em que não me arrependa amargamente de ter me casado com ele. Somos totalmente incompatíveis.”

      Em geral não leva muito tempo para um casal descobrir que não tem tantas coisas em comum como parecia durante o namoro. “O casamento muitas vezes traz à tona certas características de personalidade que a própria pessoa desconhecia quando era solteira”, escreve a Dra. Nina S. Fields.

      O resultado é que depois do casamento alguns casais podem chegar à conclusão de que são totalmente incompatíveis. “Apesar de terem algumas coisas em comum com relação a gostos e personalidade, a maioria se casa com grandes diferenças no estilo de vida, hábitos e atitudes”, diz o Dr. Aaron T. Beck. Muitos casais não sabem lidar com essas diferenças.

      Conflitos: “A gente vive brigando”

      Cindy, lembrando o começo de sua vida de casada, diz: “É incrível como nós brigávamos — gritávamos, ou, pior ainda, ficávamos emburrados por vários dias.”

      Diferenças de opinião são inevitáveis no casamento. Mas como se lida com elas? “Num casamento saudável”, escreve o Dr. Daniel Goleman, “marido e mulher não têm receio de expressar suas queixas. Mas o que acontece muitas vezes é que na hora da raiva as queixas são desferidas de forma destrutiva, como ataque à personalidade do outro”.

      Quando isso acontece, a conversa se transforma num campo de batalha: os pontos de vista são defendidos com unhas e dentes, e as palavras são usadas como armas, não como meio de comunicação. Um grupo de estudiosos diz: “Nas brigas que fogem ao controle, uma das coisas mais destrutivas é que o casal tende a dizer um ao outro coisas que ameaçam o próprio âmago do casamento.”

      Indiferença: “Cansamos”

      “Cansei de tentar fazer o meu casamento dar certo”, confessou certa mulher casada há cinco anos. “Hoje eu sei que não tem jeito mesmo. Por isso, a única coisa que me preocupa são as crianças.”

      Tem-se dito que o contrário do amor na verdade não é o ódio, mas a indiferença. De fato, a indiferença pode ser tão destrutiva no casamento quanto a hostilidade.

      É triste dizer que alguns ficam tão acostumados a um casamento sem amor que perdem qualquer esperança de haver uma melhora. Por exemplo, certo marido comparou seu casamento de 23 anos a “estar num emprego de que não gosta”. Acrescentou: “A gente faz o que pode na situação.” De forma similar, Wendy, casada há sete anos, cansou de lutar pelo seu casamento. “Tentei tantas vezes”, diz, “e ele sempre me decepcionou. Caí em depressão. Não quero passar por isso de novo. Não quero criar expectativa, para não me magoar. Prefiro não esperar nada. Não vou ser feliz, mas pelo menos não fico deprimida.”

      Decepção, incompatibilidade, conflitos e indiferença são apenas alguns dos fatores que podem destruir o amor num casamento. Naturalmente há muitos outros — apresentamos alguns no quadro da página 5. Não importa quais sejam as causas, há esperança para quem se sente preso num casamento sem amor?

      [Quadro/Foto na página 5]

      OUTROS FATORES QUE PODEM MINAR O AMOR

      • Dinheiro: “A pessoa talvez ache que elaborar um orçamento ajuda o casal a entender a necessidade de haver colaboração, de juntar seus recursos para as necessidades básicas a fim de usufruir o fruto de seus labores. Mas também nessa questão, o que poderia unir um casal num empreendimento conjunto com freqüência contribui para separá-los.” — Dr. Aaron T. Beck.

      • Filhos: “Constatamos que, depois da chegada do primeiro filho, 67% dos casais experimentam um significativo declínio no prazer da vida a dois, e os conflitos aumentam oito vezes. Isso ocorre em parte porque os pais estão cansados e não têm muito tempo para si mesmos.” — Dr. John Gottman.

      • Mentiras: “Quem é infiel costuma mentir, e mentir não é nada mais nada menos que trair a confiança do outro. Se a confiança é um dos principais pilares dos casamentos felizes e duradouros, não é de admirar que as mentiras destruam a relação marital.” — Dra. Nina S. Fields.

      • Sexo: “Quando dão entrada no processo de divórcio, é muito comum que o casal já não tenha vida sexual há anos. Em alguns casos nunca houve entrosamento sexual e, em outros, o sexo era mecânico, apenas um meio de satisfazer a necessidade biológica de um dos parceiros.” — Judith S. Wallerstein, psicóloga clínica.

      [Quadro/Foto na página 6]

      COMO OS FILHOS SÃO AFETADOS?

      Será que a qualidade do seu casamento pode afetar os filhos? Segundo o Dr. John Gottman, pesquisador de assuntos matrimoniais por uns 20 anos, a resposta é sim. “Em dois estudos que abrangeram um período de dez anos cada um”, diz, “descobrimos que os batimentos cardíacos de bebês que têm pais infelizes são mais rápidos quando brincam com outros e que eles são mais agitados. Com o tempo, o conflito marital faz com que a criança não tenha um bom rendimento na escola, independentemente do seu QI.” Já os filhos de casais bem ajustados, acrescenta, “se saem melhor tanto nos estudos como socialmente, porque os pais lhes ensinaram a tratar outros com respeito e a lidar com problemas emocionais”.

  • Há razão para esperança?
    Despertai! — 2001 | 8 de janeiro
    • Há razão para esperança?

      “Um dos problemas dos casamentos em crise é a forte convicção de que as coisas não vão melhorar. Isso impede que haja uma mudança porque se perde toda a motivação de tentar algo construtivo.” — Dr. Aaron T. Beck.

      IMAGINE que você não esteja se sentindo bem e vai ao médico para fazer um check-up. A sua preocupação se justifica — afinal, sua saúde, ou quem sabe sua vida, pode estar correndo risco. Mas suponha que depois de examiná-lo, o médico lhe dê a boa notícia de que embora seu problema seja grave, tem cura. De fato, ele lhe diz que se você seguir cuidadosamente um programa razoável de dieta e exercícios, poderá ficar totalmente curado. Você sem dúvida ficaria muito aliviado e seguiria com prazer as recomendações do médico.

      Compare essa ilustração com o assunto em pauta. Seu casamento não vai bem? Naturalmente, todos os casais têm a sua parcela de problemas e desavenças. Assim, fases difíceis no relacionamento não significam que o amor tenha acabado. Mas e se a situação não vai bem por semanas, meses ou mesmo anos? Se for assim, sua preocupação se justifica, pois o caso é grave: a qualidade de seu casamento pode afetar praticamente todos os aspectos de sua vida — e a de seus filhos. Acredita-se, por exemplo, que a crise conjugal pode ser uma das causas principais da depressão, da baixa produtividade no trabalho e de as crianças não se saírem bem na escola. Mas isso não é tudo. Os cristãos reconhecem que a relação com o cônjuge pode afetar até mesmo sua relação com Deus. — 1 Pedro 3:7.

      O fato de existirem problemas entre você e seu cônjuge não significa que a situação não tem esperança. Encarar o casamento com realismo — reconhecendo que as dificuldades são inevitáveis — pode ajudar o casal a não superdimensionar os problemas e a empenhar-se em buscar soluções. Isaac, que é casado, diz: “Nunca pensei que fosse normal os casais terem altos e baixos com relação à felicidade no casamento. Achei que havia algo de errado com a gente!”

      Mesmo que o amor tenha acabado, é possível salvar seu casamento. É verdade que as feridas resultantes de um relacionamento conturbado podem ser profundas, em especial se os problemas persistiram por anos. Mas ainda assim há forte razão para esperança. O fator crucial é a motivação. Mesmo duas pessoas com graves problemas no casamento podem fazer melhoras se isso for importante para ambas.a

      Assim, analise: ‘Quero mesmo ter uma relação satisfatória?’ Estão você e seu cônjuge dispostos a se esforçar nesse sentido? O Dr. Beck, já citado, diz: “Muitas vezes fico admirado de ver como um relacionamento aparentemente ruim melhora quando ambas as partes se empenham para corrigir as falhas e para reforçar os pontos fortes no casamento.” Mas e se o seu cônjuge não está disposto a colaborar? Ou parece não se dar conta de que existe um problema? Adianta alguma coisa lutar sozinho pelo casamento? Sem dúvida que sim! “Se você fizer algumas mudanças”, diz o Dr. Beck, “isso em si já pode estimular algumas mudanças em seu parceiro — é muito comum acontecer isso”.

      Não se precipite em achar que isso não vai acontecer em seu caso. Esse conceito derrotista pode em si mesmo ser a maior ameaça para o seu casamento! Um de vocês precisa dar o primeiro passo. Por que não você? Uma vez que se tome a iniciativa, seu cônjuge talvez se dê conta do benefício de colaborar com você em tornar o casamento mais feliz.

      O que você ou vocês dois podem fazer para salvar o casamento? A Bíblia é de imensa ajuda em responder a essa pergunta. Vejamos como.

  • Você pode salvar seu casamento!
    Despertai! — 2001 | 8 de janeiro
    • Você pode salvar seu casamento!

      A Bíblia traz muitos conselhos práticos para os que são casados. Isso não surpreende, pois Aquele que inspirou a Bíblia também é o Originador do casamento.

      A BÍBLIA apresenta um quadro realista sobre o casamento. Ela reconhece que os que se casam terão “tribulação”, ou seja, dor e aflição. (1 Coríntios 7:28) No entanto, diz também que o casamento pode e deve proporcionar alegria, até mesmo êxtase. (Provérbios 5:18, 19) Não se trata de declarações contraditórias. Elas apenas mostram que, apesar de problemas graves, o casal pode cultivar a intimidade e o amor no seu relacionamento.

      Faltam esses ingredientes no seu casamento? Será que mágoas e desapontamentos acabaram com a intimidade e a alegria que havia no começo? Mesmo que o amor já tenha acabado há muitos anos, o que foi perdido ainda pode ser resgatado. Naturalmente, é preciso ser realista — um casamento perfeito está além do alcance de homens e mulheres imperfeitos. Mas há medidas que podem ser tomadas para reverter tendências negativas.

      Ao ler a matéria que se segue, tente identificar que pontos específicos se aplicam no seu caso. Em vez de apontar as falhas de seu cônjuge, escolha algumas sugestões que você pode colocar em prática, e aplique os conselhos da Bíblia. Poderá descobrir que ainda há muita chance de salvar seu casamento.

      Consideremos primeiro a questão da atitude. Isso porque seu conceito sobre comprometimento e seus sentimentos para com o cônjuge são de importância fundamental.

      Seu conceito sobre comprometimento

      Para fazer o casamento dar certo, é preciso adotar um conceito de longo prazo. Afinal, o matrimônio foi uma provisão feita por Deus para unir duas pessoas de forma permanente. (Gênesis 2:24; Mateus 19:4, 5) Assim sendo, sua relação com o cônjuge não é como um emprego que pode deixar ou como um apartamento do qual pode sair simplesmente desfazendo um contrato. Muito pelo contrário, ao casar-se você prometeu solenemente apegar-se ao seu cônjuge, independentemente do que o futuro pudesse trazer. Um profundo senso de comprometimento está implícito nas palavras de Jesus Cristo, declaradas há quase 2.000 anos: “O que Deus pôs sob o mesmo jugo, não o separe o homem.” — Mateus 19:6.

      Alguns poderiam dizer: ‘Bem, nós ainda estamos juntos. Isso em si já não é uma prova de que respeitamos o nosso compromisso?’ Talvez. No entanto, conforme observado na abertura desta série, alguns casais que ficam juntos simplesmente se acomodaram como que em águas estagnadas, presos num casamento sem amor. Você quer que seu casamento seja feliz, não apenas suportável. O comprometimento deve refletir lealdade não só à instituição do casamento, mas também à pessoa a quem prometeu amar e prezar. — Efésios 5:33.

      O que você diz ao seu cônjuge pode revelar o grau de seu comprometimento. Por exemplo, no calor de uma discussão, alguns fazem comentários impensados como “Vou me separar de você!” ou “Vou procurar alguém que me dê valor”. Mesmo que a pessoa diga isso da boca para fora, comentários desse tipo minam o senso de comprometimento, dando a entender que a porta está sempre aberta, e que quem fala isso está disposto a deixar o relacionamento a qualquer momento.

      Se quiser fortalecer o amor em seu relacionamento, elimine essas ameaças de seu vocabulário. Afinal, você decoraria um apartamento se soubesse que poderia sair dele a qualquer momento? Então como esperar que o seu parceiro se empenhe por um casamento que pode acabar? Esteja decidido a fazer um esforço sincero em solucionar os problemas.

      Foi exatamente isso o que fez certa esposa depois de passar por uma fase conturbada no seu relacionamento. “Por mais que eu ficasse com raiva dele às vezes, nunca pensei em me separar”, diz. “Estávamos dispostos a consertar o que estivesse errado. E hoje, depois de dois anos bem turbulentos, posso dizer com sinceridade que somos muito felizes novamente.”

      Como vimos, comprometimento significa trabalhar em equipe — não meramente coexistir, mas batalhar pelo mesmo objetivo. Mas a esta altura você talvez ache que estão juntos somente por um senso de dever. Se é assim, não se desespere. Talvez o amor ainda possa ser resgatado. Como?

      Honre o seu cônjuge

      A Bíblia declara: “O matrimônio seja honroso entre todos.” (Hebreus 13:4; Romanos 12:10) Formas da palavra grega aqui traduzida “honroso” são vertidas em outros lugares na Bíblia como “estimado” e “precioso”. Quando damos muito valor a algo, não medimos esforços para cuidar dele. Você talvez já tenha tido a oportunidade de comprovar isso ao observar um homem cuidar de seu carro novo e caro. Ele conserva a sua preciosa máquina sempre brilhando e em bom estado. Para ele, até mesmo um arranhãozinho é uma tragédia! Outros têm o mesmo zelo pela saúde, porque prezam o seu bem-estar e querem preservá-lo.

      Tenha o mesmo cuidado protetor com seu casamento. A Bíblia diz que o amor “espera todas as coisas”. (1 Coríntios 13:7) Em vez de ceder a pensamentos derrotistas, talvez descartando o potencial de melhora com expressões como “A gente nunca se amou de verdade”, “Nós nos casamos muito cedo”, ou “Não sabíamos o que estávamos fazendo”, por que não esperar o melhor e empenhar-se por aprimorar a relação, esperando pacientemente pelos resultados? “Ouço muitos dos meus clientes dizerem: ‘Não agüento mais!’”, diz uma conselheira matrimonial. “Em vez de analisar a relação para ver onde está a falha, as pessoas precipitadamente jogam tudo para o alto, incluindo os valores que têm em comum, a história que construíram juntos e o potencial para o futuro.”

      Que história você construiu com seu cônjuge? Não importa quais sejam as dificuldades no seu relacionamento, certamente consegue lembrar-se de momentos felizes, de realizações e de dificuldades que enfrentaram juntos. Pense nessas ocasiões, e mostre que honra seu casamento e o seu cônjuge fazendo um esforço sincero de melhorar a relação. A Bíblia mostra que Jeová Deus se importa muito com a maneira com que os cônjuges tratam um ao outro. Por exemplo, nos dias do profeta Malaquias, Jeová censurou os maridos israelitas que traíam as mulheres e se divorciavam delas por motivos frívolos. (Malaquias 2:13-16) Os cristãos querem que seu casamento traga honra a Jeová Deus.

      Será que os conflitos são tão graves?

      Um fator preponderante em casamentos sem amor parece ser a incapacidade de marido e mulher administrarem conflitos. Visto que não existem duas pessoas exatamente iguais, todos os casais se desentendem de vez em quando. Mas casais que vivem discutindo podem acabar desgastando a relação no decorrer dos anos. Talvez até concluam: ‘Simplesmente não somos compatíveis. Estamos sempre brigando!’

      Mas a mera presença de um conflito não precisa significar o fim do casamento. A questão é saber administrar os conflitos. Numa relação bem-sucedida, marido e mulher aprenderam a falar sobre seus problemas sem se tornarem, nas palavras de um especialista, “inimigos íntimos”.

      O “poder da língua”

      Será que você e seu cônjuge sabem conversar sobre seus problemas? Ambos devem estar dispostos a dialogar para chegar a uma solução. É verdade que essa arte nem sempre é fácil de aprender, pois, devido à imperfeição, todos nós vez por outra ‘tropeçamos em palavras’. (Tiago 3:2) E também há o fato de que alguns foram criados num lar onde o pai ou a mãe sempre davam vazão à ira. Assim, desde cedo foram condicionados a achar que explosões de ira e linguagem agressiva são normais. Um menino criado num ambiente assim pode tornar-se um adulto “dado à ira” e “disposto ao furor”. (Provérbios 29:22) Da mesma forma, uma menina que cresce em tal ambiente talvez se torne uma mulher “briguenta e de mau gênio”. (Provérbios 21:19, Bíblia Vozes) Pode ser difícil livrar-se de padrões bem arraigados de pensamento e interação.a

      Administrar conflitos, assim, envolve aprender novas maneiras de expressar os pensamentos. Não se trata de uma questão de somenos importância, pois um provérbio bíblico diz: “Morte e vida estão no poder da língua.” (Provérbios 18:21) De fato, simples como isso possa parecer, a maneira de falar com seu cônjuge pode destruir ou fortalecer o relacionamento. “Existe aquele que fala irrefletidamente como que com as estocadas duma espada”, diz outro provérbio bíblico, “mas a língua dos sábios é uma cura”. — Provérbios 12:18.

      Mesmo que seu cônjuge pareça ser o principal ofensor nesse respeito, pense no que você diz durante uma discussão. Suas palavras ferem ou curam? Provocam a ira ou a aplacam? “A palavra que causa dor faz subir a ira”, diz a Bíblia. Por outro lado, “uma resposta, quando branda, faz recuar o furor”. (Provérbios 15:1) Palavras que ferem, mesmo que ditas com calma, só jogam lenha na fogueira.

      Naturalmente, se algo o incomoda, você tem o direito de se expressar. (Gênesis 21:9-12) Mas você pode fazer isso sem recorrer a sarcasmo, insultos e sem rebaixar o outro. Estabeleça firmes limites para si — decida não dizer coisas como “Odeio você” ou “Eu me arrependi de ter casado com você”. E, embora o apóstolo cristão Paulo não estivesse falando especificamente sobre o casamento, convém evitar envolver-se no que ele chamou de “debates sobre palavras” e “disputas violentas sobre ninharias”.b (1 Timóteo 6:4, 5) Se seu cônjuge usa esses métodos, você não precisa pagar na mesma moeda. Faça a sua parte para manter a paz. — Romanos 12:17, 18; Filipenses 2:14.

      É verdade que na hora da raiva é difícil controlar as palavras. “A língua é um fogo”, diz Tiago, um dos escritores da Bíblia. “Ninguém da humanidade a pode domar. É uma coisa indisciplinada e prejudicial, cheia de veneno mortífero.” (Tiago 3:6, 8) Então, o que você pode fazer quando os ânimos ficam exaltados? Como falar de forma a apagar a fogueira e não alimentá-la?

      Tire a lenha da fogueira

      Alguns constataram que é mais fácil acalmar os ânimos e cuidar de questões subjacentes quando procuram chamar atenção para os seus sentimentos e não para o que o outro fez ou deixou de fazer. Por exemplo, dizer “Eu fiquei chateada com o que você disse”, surte muito mais efeito do que “Você me ofendeu” ou “Você devia pensar antes de falar as coisas”. Naturalmente, ao falar sobre como se sente, não use um tom de desprezo nem de amargura. Seu objetivo não é agredir a pessoa, mas chamar a atenção para o problema. — Gênesis 27:46-28:1.

      Além disso, lembre-se sempre de que há “tempo para ficar quieto e tempo para falar”. (Eclesiastes 3:7) Quando duas pessoas falam ao mesmo tempo, nenhuma delas está escutando e não se chega a um acordo. Assim, quando for sua vez de escutar, seja “rápido no ouvir, vagaroso no falar”. Igualmente importante é ser “vagaroso no furor”. (Tiago 1:19) Não leve a sério cada palavra rude de seu cônjuge, nem ‘se precipite no seu espírito em ficar ofendido’. (Eclesiastes 7:9) Procure perceber os sentimentos por trás das palavras. “A perspicácia do homem certamente torna mais vagarosa a sua ira”, diz a Bíblia, e “é beleza da sua parte passar por alto a transgressão”. (Provérbios 19:11) A perspicácia pode ajudar marido e mulher a enxergar o que está por detrás do problema.

      Por exemplo, a esposa que se queixa de que o marido não dedica tempo para ela provavelmente não está fazendo questão de horas e minutos. É mais provável que ela não esteja se sentindo valorizada e apreciada. De forma similar, quando a mulher compra algo por impulso, o marido talvez se irrite não tanto pelo dinheiro gasto, mas por não ter sido consultado. O casal que tem discernimento enxerga além do óbvio, atacando a raiz do problema. — Provérbios 16:23.

      Isso é mais fácil na teoria do que na prática? Sem dúvida. Às vezes, apesar dos melhores esforços, palavras duras acabam escapando e os ânimos ficam exaltados. Quando perceber que a situação começa a fugir ao controle, você talvez tenha de seguir o conselho de Provérbios 17:14: “Retira-te antes de estourar a altercação.” Não há nada de errado em adiar a discussão para quando as coisas estiverem mais calmas. Se for difícil conversar sem perder o controle, talvez seja aconselhável ter junto um amigo maduro como mediador.c

      Tenha um conceito realista

      Não desanime se o seu casamento não é o que você sonhava na época do namoro. Certa equipe de especialistas declara: “Para a maioria das pessoas, o casamento não é um eterno mar de rosas. Há fases maravilhosas e outras bem espinhosas.”

      De fato, o casamento pode não ser um conto de fadas, mas também não precisa ser uma tragédia. Embora possa haver momentos em que você e seu cônjuge simplesmente tenham de suportar um ao outro, haverá também ocasiões em que poderão deixar de lado as divergências e simplesmente desfrutar a companhia um do outro, descontrair-se e conversar como amigos. (Efésios 4:2; Colossenses 3:13) São momentos em que poderão reavivar o sentimento que tinham um pelo outro.

      Lembre-se de que dois seres humanos imperfeitos não podem ter um casamento perfeito. Mas é possível encontrarem certa medida de felicidade. Na realidade, mesmo com dificuldades, a relação entre você e seu cônjuge pode proporcionar imensa satisfação. Uma coisa é certa: se você e seu cônjuge fizerem um esforço conjunto e estiverem dispostos a ser flexíveis e procurarem os interesses um do outro, há bons motivos para acreditar que é possível salvar seu casamento. — 1 Coríntios 10:24.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Embora a influência parental não seja desculpa para ser rude com o cônjuge, talvez explique como essa tendência pode tornar-se profundamente enraizada, sendo difícil livrar-se dela.

      b A palavra original grega traduzida “disputas violentas sobre ninharias” também pode ser vertida como “irritações mútuas”.

      c As Testemunhas de Jeová podem recorrer aos anciãos congregacionais. Embora não caiba a eles intrometer-se nos assuntos pessoais do casal, os anciãos podem ser de grande ajuda a casais com problemas. — Tiago 5:14, 15.

      [Destaque na página 12]

      Suas palavras ferem ou curam?

      [Quadro/Fotos na página 10]

      PASSE A BOLA COM JEITO

      A Bíblia declara: “Vossa pronunciação seja sempre com graça, temperada com sal, para que saibais como responder a cada um.” (Colossenses 4:6) Isso sem dúvida se aplica ao casamento! Para ilustrar: ao brincar de bola, você a arremessa suavemente, não com força para machucar. Aplique o mesmo princípio ao falar com seu cônjuge. Atirar farpas apenas machuca. Fale com bondade, com jeito, de maneira que seu cônjuge possa entender a questão.

      [Quadro/Foto na página 11]

      RECORDE MOMENTOS FELIZES

      Leia cartas e cartões que vocês trocaram. Olhe para as fotos. Pergunte-se: ‘O que me atraiu ao meu cônjuge? Que qualidades eu mais admirava nele(a)? O que fazíamos juntos? O que nos fazia rir?’ Fale sobre essas lembranças com seu cônjuge. Uma conversa que começa com: “Você se lembra quando . . .?” pode ajudá-los a reavivar o amor que tinham um pelo outro.

      [Quadro na página 12]

      NOVO CASAMENTO, VELHOS PROBLEMAS

      Alguns que se sentem presos num casamento sem amor são tentados a começar tudo de novo com um novo parceiro. Mas a Bíblia condena o adultério, declarando que quem o pratica “é falto de coração [‘é tolo’, Bíblia Vozes]” e “arruína a sua própria alma”. (Provérbios 6:32) Por fim, o adúltero que não se arrepende acaba perdendo o favor de Deus — não pode haver uma ruína maior do que esta. — Hebreus 13:4.

      A tolice de um proceder adúltero também se manifesta de outras formas. Por exemplo, o adúltero que se casa de novo provavelmente se confrontará com os mesmos problemas que teve no primeiro casamento. A Dra. Diane Medved salienta ainda outro fator a ser considerado: “A primeira coisa que o seu novo cônjuge soube a seu respeito”, diz, “é que você pode ser infiel. Ele ou ela sabe que você é capaz de enganar a pessoa a quem prometeu honrar. Que você é mestre em arrumar desculpas. Que você não leva a sério o compromisso. Que você não consegue resistir ao prazer dos sentidos e à gratificação do ego. . . . Como o novo cônjuge pode ter certeza de que você não vai fazer a mesma coisa com ele?”

      [Quadro na página 14]

      O QUE APRENDEMOS DOS PROVÉRBIOS BÍBLICOS

      • Provérbios 10:19: “Na abundância de palavras não falta transgressão, mas quem refreia seus lábios age com discrição.”

      Quando ficamos irritados, podemos falar coisas de que nos arrependeremos mais tarde.

      • Provérbios 15:18: “O homem enfurecido suscita contenda, mas aquele que é vagaroso em irar-se sossega a altercação.”

      Acusações ferinas provavelmente colocarão seu cônjuge na defensiva. Por outro lado, escutar com paciência ajudará ambos a chegar a um acordo.

      • Provérbios 17:27: “Quem refreia as suas declarações é possuído de conhecimento e o homem de discernimento é de espírito frio.”

      Ao perceber que está perdendo a paciência, é melhor se calar para evitar uma briga.

      • Provérbios 29:11: “Todo o seu espírito é o que o estúpido deixa sair, mas aquele que é sábio o mantém calmo até o último.”

      É muito importante saber controlar-se. Uma explosão temperamental de ira só servirá para afastar o seu cônjuge.

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