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Tratamentos de saúde: um novo rumo?Despertai! — 2000 | 22 de outubro
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Tratamentos de saúde: um novo rumo?
Para a maioria das pessoas, poucas coisas são mais importantes do que questões de saúde. Às vezes parece que cada profissional da área de saúde tem sua própria opinião sobre questões médicas. Em vez de tomar partido, Despertai! procura por meio desta série de artigos informar sobre o crescente uso dos tratamentos comumente chamados de alternativos. Não defendemos nenhum dos tratamentos de saúde mencionados, nem qualquer outro. Muitos tratamentos — alguns bem populares, outros polêmicos — não são mencionados. Achamos que é sempre útil informar sobre questões de saúde; mas as decisões nesses assuntos são inteiramente pessoais.
TODO mundo quer ter boa saúde. Mas isso não é fácil, como se pode ver pelo número de pessoas que se queixa de problemas de saúde. Alguns acham que nunca antes houve tantas pessoas doentes quanto hoje.
Para combater as doenças, muitos médicos confiam muito nos remédios que prescrevem, remédios esses que são desenvolvidos e anunciados intensamente pelas companhias farmacêuticas. É interessante que o mercado mundial desses remédios teve um crescimento astronômico nas últimas décadas, passando de poucos bilhões de dólares para centenas de bilhões de dólares por ano. Quais as conseqüências disso?
Os remédios prescritos pelos médicos já ajudaram muitas pessoas. Porém, a saúde de algumas pessoas que tomam remédios ficou inalterada ou piorou. Assim, em tempos recentes alguns têm se voltado para outros métodos de tratamento médico.
Os tratamentos a que muitos recorrem
Em lugares em que a medicina moderna convencional é o tratamento padrão, muitos agora recorrem às chamadas terapias alternativas, ou complementares. “O Muro de Berlim que por muito tempo separou as terapias alternativas da medicina tradicional parece ter começado a ruir”, disse Consumer Reports, de maio de 2000.
The Journal of the American Medical Association (JAMA), de 11 de novembro de 1998, disse: “As terapias médicas alternativas, definidas funcionalmente como intervenções, apesar de não serem amplamente ensinadas nas faculdades de medicina nem estarem, em geral, disponíveis nos hospitais dos Estados Unidos, têm atraído cada vez mais a atenção da mídia, da comunidade médica, dos órgãos do governo e do público.”
Comentando as tendências mais recentes, porém, a Journal of Managed Care Pharmacy explicou, em 1997: “No passado, os médicos alopatas eram cépticos quanto às terapias médicas alternativas, mas 27 faculdades de medicina nos Estados Unidos [um relatório mais recente diz que são 75] oferecem atualmente cursos eletivos de medicina alternativa. Entre elas estão Harvard, Stanford, a Universidade do Arizona e Yale.”
A JAMA mencionou o que muitos pacientes fazem no esforço de melhorar a saúde: “Calcula-se que, em 1990, 1 (19,9%) de cada 5 pessoas que consultavam o médico devido a uma doença principal também usava terapia alternativa. Essa porcentagem aumentou para quase 1 (31,8%) em 3, em 1997.” O artigo também observou: “Pesquisas nacionais realizadas fora dos Estados Unidos sugerem que a medicina alternativa é popular em todo o mundo industrializado.”
Segundo a JAMA, num recente período de 12 meses, 15% da população do Canadá, 33% da Finlândia e 49% da Austrália usou tratamentos alternativos. Essa mesma revista reconheceu: “A demanda por terapias alternativas é notável.” O que é mais significativo é que as terapias alternativas raramente são pagas pelos planos de saúde. Assim o artigo concluiu: “Se no futuro os planos de saúde começarem a pagar mais terapias alternativas, é provável que muito mais pessoas passem a se interessar por elas.”
Em muitos países, há muito tempo é comum usar tanto as terapias alternativas quanto as convencionais. O Dr. Peter Fisher, do Hospital Homeopático Real de Londres, comentou que as principais formas de medicina complementar já se tornaram “praticamente convencionais em muitos lugares. Não há mais dois tipos de medicina: a ortodoxa e a complementar”, afirma ele. “Há apenas medicina boa e medicina ruim.”
Assim, muitos profissionais da área médica atualmente reconhecem o valor tanto da medicina ortodoxa quanto das terapias alternativas. Em vez de insistir em que o paciente use um tipo de tratamento médico ou outro, eles recomendam que ele utilize quaisquer das várias terapias disponíveis que lhe sejam benéficas.
Quais são alguns métodos de tratamento da chamada medicina alternativa, ou complementar? Quando e onde surgiram alguns deles? E por que tantas pessoas recorrem a eles?
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Por que muitos recorrem a terapias alternativasDespertai! — 2000 | 22 de outubro
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Por que muitos recorrem a terapias alternativas
A MEDICINA alternativa, ou complementar, abrange uma ampla variedade de técnicas e tratamentos. Muitas são classificadas genericamente como naturopatia, um sistema de tratamento que enfatiza o uso de meios naturais ou físicos para condicionar o corpo e permitir que ele se cure sozinho. Diversas dessas terapias, usadas durante séculos, há muito tempo foram abandonadas ou ignoradas pela medicina moderna.
Por exemplo, o número de 27 de agosto de 1960 da Journal of the American Medical Association mencionou que a aplicação de frio em queimaduras era “conhecida pelos antigos, mas parece ter sido desconsiderada tanto pelos médicos como pelos leigos. Embora referências esparsas na literatura sejam unânimes em exaltar essa forma de tratamento, não é de uso geral atualmente. De fato, a maioria dos médicos dizem que ‘não se emprega isso’, embora ninguém saiba precisamente o porquê”.
Em décadas recentes, porém, a aplicação de água fria ou compressas frias em queimaduras voltou a ser defendida pela medicina convencional. The Journal of Trauma, de setembro de 1963, informou: “O interesse no uso de água fria no tratamento inicial de queimaduras aumentou desde os relatórios de Ofeigsson e Schulman, em 1959 e 1960. Tratamos pacientes com esse método no decorrer do ano passado e os resultados clínicos foram animadores.”
O tratamento com água fria é relativamente seguro e sem dúvida dá alívio. A hidroterapia, que usa a água de várias maneiras para tratar doenças, é utilizada na medicina alternativa e hoje vários desses tipos de tratamento são reconhecidos também pela medicina moderna.a
Além disso, os terapeutas alternativos muitas vezes usam plantas para tratar doenças. Em algumas partes da Terra, esse método tem sido usado há centenas, ou milhares, de anos. Por exemplo, o uso de ervas há muito tempo é a base da medicina indiana. Hoje, em praticamente toda parte muitos profissionais da área de saúde reconhecem o poder curativo de certas plantas.
Um caso notável
Há cerca de 100 anos, Richard Willstätter, que mais tarde se tornou um estudioso da bioquímica vegetal, foi influenciado pelo que aconteceu com um jovem amigo, Sepp Schwab, de 10 anos. Sepp tinha uma grave infecção na perna e o médico disse que era preciso amputá-la para salvar a vida dele, mas os pais de Sepp adiaram a operação para a manhã seguinte. Nesse meio tempo, procuraram um pastor que tinha a reputação de usar remédios fitoterápicos (de ervas). O pastor juntou várias plantas, cortou-as em pedaços muito finos até formarem uma pasta parecida com espinafre cozido e aplicou-a na ferida.
De manhã, a ferida já estava melhor e a operação foi adiada novamente. O tratamento continuou e, com o tempo, a ferida foi completamente curada. Willstätter foi estudar química na Universidade de Munique (Alemanha) e mais tarde ganhou o prêmio Nobel pelas suas descobertas no estudo de pigmentos vegetais, em especial a clorofila. É interessante que hoje uns 25% dos remédios usados são derivados totalmente ou em parte de substâncias químicas encontradas naturalmente nas plantas.
É preciso equilíbrio
Porém, temos de reconhecer que, no que se refere a tratamento médico, o que faz maravilhas para uma pessoa talvez não ajude outra. A eficácia de qualquer terapia depende de muitos fatores, incluindo o tipo de doença e sua gravidade, e o estado geral de saúde do paciente. Mesmo o momento em que se aplica a terapia pode influir nos resultados.
Os métodos alternativos em geral produzem resultados mais lentamente do que os métodos ortodoxos, de modo que uma doença que poderia ter sido erradicada, se tivesse sido diagnosticada e tratada cedo, pode se desenvolver a ponto de ser necessário recorrer a remédios fortes — ou até a cirurgia — para salvar a vida do paciente. Portanto, não é muito sensato se apegar a uma única terapia como se essa fosse a única forma de enfrentar um problema de saúde.
A medicina alternativa difere da convencional na maneira como trata da saúde. Em geral, seus métodos de cura se concentram mais na prevenção, no estilo de vida, no ambiente da pessoa e em como esses fatores afetam a saúde dela. Em outras palavras, os terapeutas alternativos em geral encaram a pessoa como um todo em vez de se concentrarem apenas num órgão doente ou numa enfermidade.
Muitas pessoas se sentem atraídas à medicina alternativa devido ao uso de produtos naturais e à idéia de que seus métodos de tratamento são mais suaves e menos perigosos do que os empregados na medicina convencional. Portanto, devido ao crescente interesse em encontrar tratamentos médicos seguros e eficazes, o próximo artigo analisará alguns exemplos de terapias alternativas.
[Nota(s) de rodapé]
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Conheça algumas terapias alternativasDespertai! — 2000 | 22 de outubro
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Conheça algumas terapias alternativas
“É vital iniciar diálogos profissionais entre os médicos e os terapeutas alternativos com o objetivo de cuidar melhor da saúde dos pacientes que escolhem terapias alternativas.”
ESTA declaração foi publicada no número de 11 de novembro de 1998 de The Journal of the American Medical Association (JAMA). O artigo dizia: “Pode-se esperar que essa necessidade [de diálogo] aumente com o crescimento no uso de terapias alternativas, especialmente quando os planos de saúde começarem a incluir essas terapias entre os benefícios que oferecem.”
É cada vez mais comum pacientes usarem terapias alternativas e, ao mesmo tempo, recorrerem a formas de tratamento mais convencionais. Mas alguns não informam o seu médico sobre isso. Portanto, Tufts University Health & Nutrition Letter, de abril de 2000, incentivou: “É nos seus melhores interesses cooperar com o seu médico em vez de tratar do assunto por conta própria.” E acrescentou: “Quer ele aprove seu ponto de vista, quer não, você só tem a ganhar por partilhar com ele essas informações.”
Isso se dá porque usar certas ervas em combinação com a terapia convencional pode trazer riscos para a saúde. Muitos profissionais da área médica reconhecem que alguns pacientes escolhem terapias alternativas. Assim, procuram evitar que suas próprias opiniões sobre questões de saúde os impeçam de cooperar com os terapeutas alternativos em benefício do paciente.
Para que o leitor tenha uma idéia das terapias alternativas utilizadas atualmente por um número cada vez maior de pessoas em diversos países, fornecemos a seguir uma breve descrição de algumas delas. Queira notar, porém, que Despertai! não defende nenhuma delas nem qualquer outra forma de tratamento médico.
Fitoterapia
A medicina fitoterápica é talvez a forma mais comum de medicina alternativa. Apesar de a medicina usar ervas há séculos, relativamente poucas espécies vegetais foram estudadas com cuidado pelos cientistas. E um número ainda menor de plantas e de seus extratos foi cabalmente estudado a ponto de haver informações sobre sua segurança e eficácia. A maior parte das informações sobre ervas se baseia em relatos de como têm sido usadas ao longo dos anos.
Em anos recentes, porém, publicaram-se vários estudos científicos mostrando que certas ervas são úteis no tratamento de problemas como depressão leve, perda de memória causada pela idade e sintomas de hipertrofia benigna da próstata. Uma das ervas estudadas é a cimicífuga, também conhecida como erva-de-são-cristóvão. Os índios norte-americanos cozinhavam suas raízes e usavam-na para problemas menstruais e do parto. Segundo o Harvard Women’s Health Watch, de abril de 2000, estudos recentes sugerem que um extrato comercial padronizado de cimicífuga, produzido na Alemanha, pode ser eficaz “para aliviar os sintomas da menopausa”.
Parece que muitos recorrem a esses remédios naturais por acharem que são mais seguros que as drogas sintéticas. Embora isso muitas vezes seja verdade, algumas ervas têm efeitos colaterais, em especial se usadas em combinação com outros medicamentos. Por exemplo, uma erva popularmente descrita como descongestionante natural e chá para perder peso pode aumentar a pressão sanguínea e o ritmo cardíaco.
Há também ervas que aumentam o sangramento. Se forem usadas com remédios para “afinar o sangue”, podem acarretar problemas graves. Pessoas com doenças crônicas, como diabetes ou pressão alta, ou as que tomam outros medicamentos devem ter cuidado ao usar remédios fitoterápicos. — Veja o quadro acompanhante.
Outra preocupação com os fitoterápicos é a falta de controle de qualidade na produção. Em anos recentes, ouviram-se relatos sobre produtos contaminados com metais pesados e outras substâncias. Além disso, alguns fitoterápicos continham poucos ou nenhum dos ingredientes que constavam no rótulo. Isso indica que, como qualquer outro produto farmacêutico, é necessário comprar produtos fitoterápicos de fontes conceituadas e confiáveis.
Suplementos vitamínicos
Dizem que suplementos de vitaminas e de sais minerais ajudam a prevenir e tratar vários problemas de saúde, incluindo anemia e osteoporose — e que até previnem defeitos congênitos. As doses diárias de vitaminas e sais minerais recomendadas pelo governo são consideradas relativamente seguras e úteis.
Por outro lado, as megadoses de vitaminas, que segundo se afirma ajudam no tratamento de algumas doenças, podem ser perigosas para a saúde. Podem interferir na absorção ou na atividade de outros nutrientes e às vezes causam graves efeitos colaterais. Não se deve ignorar essa possibilidade. Lembre-se também de que não existem muitas provas para apoiar o uso de megadoses de vitaminas.
Homeopatia
A homeopatia foi desenvolvida nos anos 1700 como um tipo de tratamento mais suave do que os usados na época. Ela se baseia no princípio de que “o semelhante cura o semelhante” e na teoria das doses mínimas. A preparação dos remédios homeopáticos se dá por meio da diluição repetida de uma substância curativa. Às vezes ela é tão diluída que não sobra nem uma molécula da substância original.
Contudo, descobriu-se que, em comparação com o uso de placebos, os remédios homeopáticos de fato têm efeito sobre asma, alergias, diarréia infantil, etc. Visto que são tão diluídos, os produtos homeopáticos são considerados relativamente seguros. Um artigo, publicado no número de 4 de março de 1998 da JAMA, comentou: “Para muitos pacientes que sofrem de problemas crônicos para os quais não se tem um diagnóstico específico, a homeopatia pode ser uma opção de tratamento importante e útil. Se usada dentro dos seus limites, a homeopatia pode complementar a medicina moderna como ‘outra ferramenta disponível’.” Porém, em emergências onde há o risco de a pessoa morrer pode ser sensato recorrer a tratamentos médicos mais convencionais.
Quiroprática
Há várias terapias alternativas que envolvem a manipulação do corpo. A quiroprática é uma das mais usadas, em especial nos Estados Unidos. Baseia-se na idéia de que é possível curar corrigindo desalinhamentos da coluna. Por isso, os quiropráticos se especializam na manipulação da coluna dos pacientes, a fim de ajustar as vértebras.
Nem sempre a medicina convencional consegue aliviar o desconforto na região lombar. Por outro lado, após receberem tratamento quiroprático alguns pacientes afirmam ter ficado muito satisfeitos. Há poucas evidências para apoiar o uso da manipulação quiroprática para outros problemas além da dor.
Quando a manipulação quiroprática é feita por um técnico habilitado, há poucos efeitos colaterais. Mas, ao mesmo tempo, a pessoa deve lembrar-se de que a manipulação do pescoço está associada ao risco de complicações graves, incluindo derrame e paralisia. Para reduzir o risco de complicações, alguns especialistas recomendam que a pessoa faça um exame completo para confirmar se um determinado tipo de manipulação é seguro para ela.
Massagens
Em quase todas as culturas, há muito se reconhece o benefício de massagens. Até a Bíblia menciona o seu uso. (Ester 2:12) “As técnicas de massagem têm um papel importante na medicina tradicional chinesa e indiana”, afirmava a British Medical Journal (BMJ), de 6 de novembro de 1999. “A massagem européia foi sistematizada no início do século 19, por Per Henrik Ling, que desenvolveu o que é hoje conhecido como massagem sueca.”
Afirma-se que a massagem relaxa os músculos, melhora a circulação sanguínea e remove as toxinas acumuladas nos tecidos. Os médicos atualmente prescrevem massagens para problemas como dores nas costas, dores de cabeça e distúrbios digestivos. A maioria das pessoas que passa por uma sessão de massagem afirma que ela os faz se sentir muito bem. Segundo a Dra. Sandra McLanahan, “80% das doenças estão relacionadas com o estresse e a massagem reduz o estresse”.
“A maioria das técnicas de massagem apresenta poucos riscos de efeitos adversos”, noticia a BMJ. “As contra-indicações da massagem se baseiam mais no bom senso (por exemplo, evitar friccionar queimaduras ou massagear um membro com trombose profunda) . . . Não há evidências de que a massagem em pacientes com câncer aumente a metástase.”
“À medida que as massagens se tornam mais comuns, os usuários estão se preocupando mais com as credenciais dos massagistas — e devem se preocupar mesmo”, disse E. Houston LeBrun, ex-presidente da Associação Americana de Massagem Terapêutica. A BMJ aconselha que, para evitar um comportamento pouco profissional, “os pacientes tenham certeza de que o massagista é registrado num órgão regulador apropriado”. Um informe do ano passado afirmava que havia massagistas licenciados em 28 Estados norte-americanos.
Acupuntura
A acupuntura é uma forma de tratamento que se tornou muito popular em todo o mundo. Embora o termo “acupuntura” abranja diversas técnicas, em geral se refere ao uso de agulhas bem finas que são inseridas em pontos específicos do corpo a fim de se obter resultados terapêuticos. As pesquisas nas últimas décadas sugerem que a acupuntura funciona em certos casos porque faz o corpo liberar substâncias, como endorfinas, que ajudam a aliviar a dor e a inflamação.
Algumas pesquisas sugerem que a acupuntura pode ser eficaz no tratamento de várias doenças e que é uma alternativa segura ao uso de anestésicos. A Organização Mundial da Saúde reconhece o uso de acupuntura no tratamento de 104 problemas. E uma comissão escolhida pelos Institutos Nacionais de Saúde, dos EUA, mencionou evidências de que a acupuntura é uma terapia aceitável no tratamento de dor pós-operatória, dor muscular, cólicas menstruais, náuseas e vômitos resultantes de quimioterapia ou de gravidez.
Embora raramente a acupuntura resulte em efeitos colaterais graves, algumas pessoas podem sentir um pouco de dor, dormência ou formigamento. A esterilização correta das agulhas ou o uso de agulhas descartáveis ajudam a diminuir o risco de infecções. Muitos acupunturistas não têm as qualificações médicas necessárias para fazer um diagnóstico correto ou para recomendar outras terapias mais adequadas. É sensato lembrar-se disso, em especial se você escolher a acupuntura para aliviar os sintomas de problemas crônicos.
As opções são muitas
Neste artigo demos apenas alguns exemplos das muitas terapias que hoje são em geral chamadas de alternativas em muitos lugares. É possível que, no futuro, algumas dessas — e outras não citadas aqui — passem a ser consideradas convencionais, como de fato já o são em alguns lugares. Outras, é claro, talvez caiam em desuso ou em descrédito.
Infelizmente, a dor e a doença fazem parte da vida humana e até a Bíblia corretamente declara: “Sabemos que toda a criação junta persiste em gemer e junta está em dores até agora.” (Romanos 8:22) É de esperar que os humanos busquem alívio. Mas onde podem encontrá-lo? Queira analisar alguns pontos que podem ajudá-lo a escolher um tratamento médico.
[Quadro/Foto na página 8]
QUAIS SÃO OS RISCOS de usar ervas e remédios ao mesmo tempo?
Muitas vezes o público é alertado sobre o perigo de tomar diferentes remédios simultaneamente ou de ingerir bebidas alcoólicas quando se está tomando certos remédios. Existe algum perigo em tomar chás de ervas quando se está tomando remédios? É comum as pessoas fazerem isso?
Um artigo em The Journal of the American Medical Association tratou do “uso simultâneo de remédios e ervas”. Dizia: “Entre os 44% de adultos que disseram tomar remédios regularmente, quase 1 (18,4%) em 5 admitiu usar, ao mesmo tempo, pelo menos um produto fitoterápico, megadoses de vitaminas, ou ambos.” É importante saber dos possíveis perigos de se fazer isso.
Quem usa certos produtos fitoterápicos deve tomar cuidado se for se submeter a procedimentos médicos que exijam anestesia. O Dr. John Neeld, presidente da Sociedade Americana de Anestesiologistas, explica: “Algumas pessoas nos contaram que certas ervas populares, incluindo ginseng e erva-de-são-joão, podem causar grandes oscilações na pressão arterial. Isso pode ser muito perigoso durante uma anestesia.”
Esse médico acrescentou: “Outras, como a ginkgo biloba, o gengibre e a matricária, podem interferir na coagulação do sangue, um perigo em especial durante a anestesia peridural — se houver uma hemorragia perto da medula espinhal, o resultado pode ser a paralisia. A erva-de-são-joão também pode intensificar os efeitos de alguns narcóticos e anestésicos.”
Obviamente, é vital saber dos riscos em potencial de se tomar certas ervas e remédios simultaneamente. Em especial as mulheres grávidas ou que amamentam devem se lembrar de que combinar certas ervas e remédios pode resultar em problemas para a criança. Portanto, os pacientes são incentivados a conversar com seu médico sobre os medicamentos que tomam, quer sejam eles alternativos quer não.
[Fotos na página 7]
Algumas ervas são úteis no tratamento de problemas de saúde
Cimicífuga
Erva-de-são-joão
[Crédito]
© Bill Johnson/Visuals Unlimited
[Foto na página 7]
Para se obterem os melhores resultados, é preciso haver cooperação entre pacientes e profissionais da área de saúde
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Como escolher um tratamento de saúdeDespertai! — 2000 | 22 de outubro
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Como escolher um tratamento de saúde
NO SEU livro sobre medicina alternativa, o Dr. Isadore Rosenfeld salientou o seguinte ponto: “Se escolhermos um grupo de pessoas ao acaso e lhes assegurarmos que um procedimento ou intervenção médica qualquer vai ‘funcionar’, é possível que até metade delas realmente sinta melhoras.”
Isso é chamado de efeito placebo, o que significa que até uma pílula de açúcar pode dar resultado se a pessoa acreditar que dará. O efeito placebo pode aliviar sintomas subjetivos, incluindo dor, náuseas, fadiga, tontura, ansiedade e depressão. O que esse fato revela?
Primeiro, mostra que em muitos casos confiar no tratamento é um fator importante para haver melhora. Ao mesmo tempo, é prudente verificar se o tratamento está atacando a raiz do problema ou apenas os sintomas. Pode-se fazer isso medindo os efeitos do tratamento de forma objetiva, por exames de laboratório e raios X, por exemplo.
O que mais a pessoa pode fazer para escolher o melhor tratamento médico?
Passos importantes
É sensato pesquisar antes de tomar uma decisão. Faça perguntas. Que resultados se pode esperar? Quais são as vantagens, as desvantagens, o custo e a duração do tratamento? Fale com pessoas que receberam o mesmo tratamento. Pergunte-lhes se ajudou. Mas lembre-se de que evidências baseadas em relatos pessoais podem ser enganosas.
Não é aconselhável recorrer a terapias não-convencionais que incentivem a pessoa a descontinuar um tratamento que tem um histórico de sucesso, mesmo que a taxa de êxito da terapia convencional seja limitada. Uma matéria de The New England Journal of Medicine mencionou evidências dos perigos que isso pode trazer. A revista descreveu o desenvolvimento do câncer em dois pacientes jovens que recusaram terapias convencionais enquanto usavam remédios alternativos. Um dos pacientes morreu.
É importante que pessoas com doenças crônicas ou potencialmente fatais se lembrem de que podem ser alvos fáceis para charlatães que promovem terapias fraudulentas. Cuidado com produtos que prometem curar todo tipo de doença! Um exemplo recente foi o de uma nova vitamina que, diziam, havia “ajudado a combater desde problemas respiratórios e falta de força a doenças potencialmente fatais”. Uma análise da “vitamina” revelou que não passava de água salgada.
Sem dúvida, algumas formas de terapia alternativa ajudam a promover a boa saúde. Mas tenha expectativas realistas. É bom se concentrar em ingerir alimentos nutritivos, dormir e se exercitar o suficiente, e ter cuidado com o tipo de tratamento médico que escolhe.
No futuro, todos terão saúde
É óbvio que nenhuma terapia humana pode acabar com toda doença e com a morte. Isso se dá porque herdamos essas coisas de nosso primeiro pai, Adão. (Jó 14:4; Salmo 51:5; Romanos 5:12) Muitos tratamentos médicos, de todo tipo, ajudam, mas são apenas paliativos que podem prolongar a vida e torná-la mais agradável durante um certo tempo. Porém, os problemas de saúde serão solucionados e milhões de pessoas já descobriram isso.
A cura virá da parte do nosso Criador, Jeová Deus, o Grandioso Médico. Se exercermos fé nele e utilizarmos os méritos do sacrifício resgatador do seu Filho, Jesus Cristo, poderemos desfrutar de saúde perfeita e vida eterna num mundo livre de doenças. (Mateus 20:28) A Bíblia promete que, no novo mundo, “nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’ ” — Isaías 33:24.
[Destaque na página 12]
Milhões de pessoas descobriram a única esperança segura de se ter saúde perfeita
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