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EspiritismoEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 1
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Visita do Rei Saul a uma médium. Quando Saul se dirigiu à médium, o espírito de Jeová já por algum tempo fora removido dele, e, de fato, Deus não lhe respondia às indagações por meio de sonhos, nem pelo Urim (usado pelo sumo sacerdote), nem por profetas. (1Sa 28:6) Deus não queria ter mais nada que ver com ele; e Samuel, profeta de Deus, não vira Saul já por bastante tempo, desde antes de Davi ser ungido para ser rei. De modo que seria desarrazoado pensar que Samuel, mesmo se ainda estivesse vivo, viesse agora dar conselhos a Saul. E Deus certamente não faria com que Samuel, a quem não havia enviado a Saul antes da sua morte, voltasse dentre os mortos para falar com Saul. — 1Sa 15:35.
Que Jeová de modo algum aprovaria ou cooperaria com a ação de Saul é mostrado pela sua declaração posterior por meio de Isaías: “E caso vos digam: ‘Recorrei aos médiuns espíritas ou aos que têm espírito de predição, que chilram e fazem pronunciações em voz baixa’, não é a seu Deus que qualquer povo devia recorrer? Acaso se deve recorrer a pessoas mortas a favor de pessoas vivas? À lei e à atestação!” — Is 8:19, 20.
Portanto, quando o relato diz: “Quando a mulher viu ‘Samuel’, começou a clamar ao máximo da sua voz”, obviamente relata o evento do ponto de vista da médium, que foi enganada pelo espírito que se fazia de Samuel. (1Sa 28:12) Quanto ao próprio Saul, aplicou-se o princípio declarado pelo apóstolo Paulo: “Assim como não aprovaram reter Deus com um conhecimento exato, Deus entregou-os a um estado mental reprovado, para fazerem as coisas que não são próprias . . . Embora estes conhecessem muito bem o decreto justo de Deus, de que os que praticam tais coisas merecem a morte, não somente persistem em fazê-las, mas também consentem com os que as praticam.” — Ro 1:28-32.
O Commentary on the Old Testament (Comentário Sobre o Velho Testamento), de C. F. Keil e F. Delitzsch (1973, Vol. II, Primeiro Samuel, p. 265) refere-se à Septuaginta grega, em 1 Crônicas 10:13, que acrescentou as palavras “e Samuel, o profeta, lhe respondeu”. (Bagster) O Commentary apoia o conceito subentendido por estas palavras não inspiradas na Septuaginta, mas acrescenta: “Todavia, os padres, os reformadores e os primitivos teólogos cristãos, com raríssimas exceções, julgaram não ter havido real aparecimento de Samuel, mas apenas um imaginário. De acordo com a explanação dada por Efraem Syrus, uma imagem aparente de Samuel se apresentou ao olho de Saul por meio das artes demoníacas. Lutero e Calvino adotaram este mesmo conceito, e os mais antigos teólogos protestantes os acompanhavam em considerar tal aparição como não sendo nada mais do que um espectro diabólico, um fantasma, ou um espectro diabólico em forma de Samuel, e o anúncio de Samuel como não sendo senão uma revelação diabólica, feita com permissão divina, em que a verdade se acha misturada com a falsidade.”
Numa nota de rodapé (Primeiro Samuel, pp. 265, 266), este Commentary diz: “Assim, Lutero diz . . . ‘O Samuel suscitado por uma vaticinadora ou feiticeira, em 1 Sam. xxviii. 11, 12, certamente era apenas um espectro do diabo; isso não somente porque as Escrituras declaram que foi algo realizado por uma mulher cheia de diabos (pois, quem acreditaria que as almas dos crentes, que estão na mão de Deus, . . . estavam sob o poder do diabo, e de simples homens?), mas também porque isso era evidentemente contrário à ordem de Deus, de que Saul e a mulher inquirissem os mortos. O Espírito Santo por si mesmo não pode fazer nada contrário a isto, nem pode Ele ajudar os que agem em oposição a isso.’ Também Calvino considera a aparição apenas como um espectro . . .: ‘Isto é certo’, diz ele, ‘que não foi realmente Samuel, porque Deus nunca permitiria que Seus profetas fossem sujeitos a tal conjura diabólica. Pois, aqui, uma feiticeira suscita o falecido da sepultura. Imaginaria alguém que Deus quisesse que Seu profeta fosse exposto a tal ignomínia; como se o diabo tivesse poder sobre os corpos e as almas dos santos, guardados por Ele? Diz-se que as almas dos santos estão repousando . . . em Deus, aguardando a sua feliz ressurreição. Além disso, devemos crer que Samuel levou consigo a sua capa à sepultura? Por todos estes motivos, parece evidente que a aparição não era nada mais que um espectro, e que os sentidos da própria mulher foram assim enganados, a ponto de pensar que ela via a Samuel, ao passo que realmente não era ele.’ Os anteriores teólogos ortodoxos também questionavam a realidade da aparição do falecido Samuel pelos mesmíssimos motivos.”
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EspiritismoEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 1
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Sua Fonte. Uma das características principais do espiritismo é a alegada comunicação com os mortos. Visto que os mortos “não estão cônscios de absolutamente nada”, a comunicação com tais mortos é realmente impossível. (Ec 9:5) A lei de Deus para Israel proibia que alguém indagasse dos mortos, e fazia da prática do espiritismo um crime capital. (Le 19:31; 20:6, 27; De 18:9-12; compare isso com Is 8:19.) E nas Escrituras Gregas Cristãs faz-se a declaração de que aqueles que praticam o espiritismo “não herdarão o reino de Deus”. (Gál 5:20, 21; Re 21:8) Por conseguinte, segue-se logicamente que qualquer alegada comunicação com os mortos, se não for mentira deliberada daquele que a alega, tem de ser duma fonte maligna, fonte esta que está em oposição a Jeová Deus.
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EspiritismoEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 1
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ESPIRITISMO
Crença ou doutrina de que os espíritos dos humanos mortos, sobrevivendo à morte do corpo físico, podem comunicar-se e deveras se comunicam com os vivos, primariamente por intermédio de alguém (um médium) especialmente suscetível à influência deles.
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