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  • “Vosso Pai é misericordioso”
    A Sentinela — 2007 | 15 de setembro
    • “Vosso Pai é misericordioso”

      “Continuai a tornar-vos misericordiosos, assim como vosso Pai é misericordioso.” — LUCAS 6:36.

      1, 2. Como as palavras de Jesus aos escribas e fariseus e aos Seus seguidores mostram que a misericórdia é uma qualidade desejável?

      A LEI dada por meio de Moisés tinha cerca de 600 requisitos e regulamentos. Embora fosse necessário cumprir as obrigações da Lei mosaica, era também de suma importância ser misericordioso. Considere o que Jesus disse aos desapiedados fariseus. Em duas ocasiões ele os censurou, destacando que Deus havia decretado: “Misericórdia quero, e não sacrifício.” (Mateus 9:10-13; 12:1-7; Oséias 6:6) Perto do fim de seu ministério, Jesus disse: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o décimo da hortelã, e do endro, e do cominho, mas desconsiderastes os assuntos mais importantes da Lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fidelidade.” — Mateus 23:23.

      2 Não se pode negar que Jesus dava muito valor à misericórdia. Ele disse a seus seguidores: “Continuai a tornar-vos misericordiosos, assim como vosso Pai é misericordioso.” (Lucas 6:36) Para ‘imitarmos a Deus’ nesse respeito, porém, precisamos saber o que realmente é misericórdia. (Efésios 5:1) E entender os benefícios dessa qualidade nos moverá a mostrá-la de modo mais pleno na nossa vida.

      Misericórdia para com os menos favorecidos

      3. Por que devemos considerar Jeová como exemplo do que realmente é misericórdia?

      3 O salmista cantou: “Jeová é clemente e misericordioso, vagaroso em irar-se e grande em benevolência. Jeová é bom para com todos, e suas misericórdias estão sobre todos os seus trabalhos.” (Salmo 145:8, 9) Ele é “o Pai de ternas misericórdias e o Deus de todo o consolo”. (2 Coríntios 1:3) Mostramos misericórdia quando tratamos alguém de modo compassivo, um dos principais aspectos da personalidade de Deus. Seu exemplo e suas instruções nos ensinam o que realmente é misericórdia.

      4. O que Isaías 49:15 nos ensina sobre misericórdia?

      4 Em Isaías 49:15 Jeová diz: “Pode a mulher esquecer-se de seu nenê, de modo a não se apiedar do filho de seu ventre?” Palavras hebraicas estreitamente relacionadas com o termo traduzido aqui como “apiedar” são usadas em relação à misericórdia no Salmo 145:8, 9, já citado. O sentimento que leva Jeová a ser misericordioso é comparável ao carinho que uma mãe que amamenta normalmente tem por seu bebê. Quando este está com fome ou tem outra necessidade, a mãe, movida pelos sentimentos de compaixão ou de empatia, atende às necessidades do filho. São esses mesmos ternos sentimentos que Jeová tem por aqueles a quem ele mostra misericórdia.

      5. Como Jeová mostrou ser “rico em misericórdia” para com Israel?

      5 Uma coisa é sentir compaixão; outra bem diferente é fazer algo em favor dos menos favorecidos. Note a reação de Jeová quando seus adoradores estavam escravizados no Egito, uns 3.500 anos atrás. Ele disse a Moisés: “Indubitavelmente, tenho visto a tribulação do meu povo que está no Egito e tenho ouvido seu clamor por causa daqueles que os compelem a trabalhar; porque eu bem sei das dores que sofrem. E estou para descer, a fim de livrá-los da mão dos egípcios e para fazê-los subir daquela terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel.” (Êxodo 3:7, 8) Uns 500 anos depois de os israelitas terem sido libertados do Egito, Jeová os relembrou: “Fui eu quem fez Israel subir do Egito e quem vos foi livrar da mão do Egito e da mão de todos os reinos que vos oprimiam.” (1 Samuel 10:18) Por se desviarem dos padrões justos de Deus, os israelitas muitas vezes passavam por sérios apuros. Mas Jeová se compadecia deles e vez após vez os socorreu. (Juízes 2:11-16; 2 Crônicas 36:15) Isso ilustra como o Deus amoroso age em favor dos necessitados, dos que estão em perigo ou em dificuldade. Jeová é “rico em misericórdia”. — Efésios 2:4.

      6. Como Jesus Cristo imitou seu Pai quanto a ser misericordioso?

      6 Quando esteve na Terra, Jesus Cristo imitou com perfeição a seu Pai na questão de ser misericordioso. Por exemplo, como ele reagiu quando dois cegos lhe suplicaram: “Senhor, tem misericórdia de nós, Filho de Davi”? Eles imploraram que Jesus lhes restabelecesse milagrosamente a visão. Ele fez isso, mas não realizou esse milagre de maneira mecânica. “Penalizado”, diz a Bíblia, “Jesus tocou-lhes os olhos e eles receberam imediatamente visão”. (Mateus 20:30-34) Por compaixão, Jesus realizou muitos milagres que trouxeram alívio a cegos, endemoninhados, leprosos e pais de filhos afligidos. — Mateus 9:27; 15:22; 17:15; Marcos 5:18, 19; Lucas 17:12, 13.

      7. O que os exemplos de Jeová Deus e de seu Filho nos ensinam sobre a misericórdia?

      7 Os exemplos de Jeová Deus e Jesus Cristo mostram que a misericórdia tem dois componentes: (1) sentimentos de compaixão, empatia ou pena em relação aos menos favorecidos e (2) ação que lhes traga alívio. Ser misericordioso exige a aplicação desses dois componentes. Nas Escrituras, misericórdia quase sempre se refere a um ato de bondade para com os necessitados. Mas como manifestar misericórdia num caso judicativo? Será que envolve também o que poderia parecer uma ação negativa, como refrear-se de punir?

      Misericórdia para com transgressores

      8, 9. A misericórdia demonstrada a Davi depois de seu pecado com Bate-Seba envolveu o quê?

      8 Veja o que aconteceu depois que o profeta Natã falou com o Rei Davi, do Israel antigo, sobre o relacionamento adúltero deste com Bate-Seba. O arrependido Davi orou: “Mostra-me favor, ó Deus, segundo a tua benevolência. Segundo a abundância das tuas misericórdias, extingue as minhas transgressões. Lava cabalmente de mim o meu erro e purifica-me mesmo do meu pecado. Pois eu mesmo conheço as minhas transgressões e meu pecado está constantemente diante de mim. Pequei contra ti, somente contra ti, e fiz o que é mau aos teus olhos.” — Salmo 51:1-4.

      9 Davi ficou arrasado. Jeová perdoou seu pecado e refreou-se de punir a ele e a Bate-Seba. Segundo a Lei mosaica, Davi e Bate-Seba deviam ter sido mortos. (Deuteronômio 22:22) Apesar de não terem escapado de todas as conseqüências de seu pecado, suas vidas foram poupadas. (2 Samuel 12:13) Um dos aspectos da misericórdia de Deus é perdoar erros. Mas ele não se refreia de dar punição adequada.

      10. Embora Jeová seja misericordioso ao aplicar punição, por que não devemos abusar de sua misericórdia?

      10 Visto que “por intermédio de um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo” e “o salário pago pelo pecado é a morte”, todos os humanos merecem morrer. (Romanos 5:12; 6:23) Como somos gratos de que Jeová usa de misericórdia ao aplicar punição! Mas é preciso cuidar para não abusar de sua misericórdia. “Todos os . . . caminhos [de Jeová] são justiça”, diz Deuteronômio 32:4. Ao conceder misericórdia, Deus não ignora seus padrões perfeitos de justiça.

      11. Como Jeová mostrou o devido respeito pela justiça ao cuidar do pecado de Davi com Bate-Seba?

      11 No caso de Davi e Bate-Seba, antes de ter sido possível não aplicar a pena de morte havia a necessidade de perdoar o pecado deles. Os juízes israelitas não tinham autorização para fazer isso. Se eles tivessem que julgar esse caso, sua única alternativa seria declarar a pena de morte. Era isso o que a Lei exigia. Por causa de seu pacto com Davi, porém, Jeová quis verificar se havia base para perdoar o pecado de Davi. (2 Samuel 7:12-16) Por isso, Jeová Deus, “o Juiz de toda a terra”, aquele ‘que examina o coração’, decidiu cuidar pessoalmente do assunto. (Gênesis 18:25; 1 Crônicas 29:17) Ele podia ver com precisão o coração de Davi, avaliar a genuinidade de seu arrependimento e conceder o perdão.

      12. Como humanos pecaminosos podem se beneficiar da misericórdia de Deus?

      12 A misericórdia de Jeová, que torna possível nos livrar da penalidade pelo pecado herdado, está de acordo com a Sua justiça. Para possibilitar o perdão de pecados sem violar a justiça, Jeová providenciou o sacrifício de resgate de seu Filho, Jesus Cristo — a maior expressão de misericórdia já demonstrada. (Mateus 20:28; Romanos 6:22, 23) Para nos beneficiar da misericórdia de Deus, a qual pode nos livrar da penalidade resultante do pecado herdado, temos de ‘exercer fé no Filho’. — João 3:16, 36.

      Um Deus de misericórdia e de justiça

      13, 14. Será que a misericórdia de Deus ameniza a sua justiça? Explique.

      13 Embora a misericórdia de Jeová não viole seu padrão de justiça, será que ela de alguma forma afeta a sua justiça? Será que a misericórdia de Jeová enfraquece o impacto da justiça divina por amenizá-la? Não, não enfraquece.

      14 Por meio do profeta Oséias, Jeová disse aos israelitas: “Vou tomar-te por noiva por tempo indefinido e vou tomar-te por noiva em justiça, e em juízo, e em benevolência, e em misericórdias.” (Oséias 2:19) Essas palavras mostram claramente que a misericórdia de Jeová sempre se harmoniza com as suas outras qualidades, incluindo a justiça. Jeová é “Deus misericordioso e clemente, . . . perdoando o erro, e a transgressão, e o pecado, mas de modo algum isentará da punição”. (Êxodo 34:6, 7) Ele é um Deus de misericórdia e de justiça. A Bíblia diz a Seu respeito: “A Rocha, perfeita é a sua atuação, pois todos os seus caminhos são justiça.” (Deuteronômio 32:4) A justiça de Deus é perfeita, bem como a sua misericórdia. Uma não é superior à outra, e uma não precisa da outra para amenizar seus efeitos. As duas qualidades atuam em perfeita harmonia.

      15, 16. (a) O que mostra que a justiça divina não é dura? (b) De que os adoradores de Jeová podem estar certos quando ele executar seu julgamento contra este mundo perverso?

      15 A justiça de Jeová não é dura. A justiça, quase sempre, tem implicações legais e, em geral, o julgamento exige que se execute a merecida punição contra os transgressores. Mas a justiça de Deus pode também significar a salvação dos merecedores. Por exemplo, quando os perversos habitantes das cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídos, o patriarca Ló e suas duas filhas foram salvos. — Gênesis 19:12-26.

      16 Podemos estar certos de que, quando Jeová executar seu julgamento contra este mundo perverso, a “grande multidão” de adoradores verdadeiros, que “lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro”, será poupada. Assim, esses adoradores ‘sairão da grande tribulação’. — Revelação (Apocalipse) 7:9-14.

      Por que ser misericordioso?

      17. Qual é uma das razões principais para ser misericordioso?

      17 Os exemplos de Jeová e Jesus Cristo de fato nos ensinam o que é a verdadeira misericórdia. Dando-nos uma das razões principais para sermos misericordiosos, Provérbios 19:17 diz: “Aquele que mostra favor ao de condição humilde está emprestando a Jeová, e Ele lhe retribuirá o seu tratamento.” Jeová fica feliz quando imitamos a ele e a seu Filho sendo misericordiosos nos nossos relacionamentos. (1 Coríntios 11:1) E os que se beneficiam disso são encorajados a ser misericordiosos, pois misericórdia gera misericórdia. — Lucas 6:38.

      18. Por que devemos nos esforçar em ser misericordiosos?

      18 Misericórdia é uma combinação de muitas boas qualidades. Envolve clemência, amor, benignidade e bondade. Sentimentos de compaixão ou de empatia são a base para os atos de misericórdia. Ao passo que a misericórdia divina não compromete a justiça, Jeová é vagaroso em irar-se e, pacientemente, dá aos transgressores tempo suficiente para se arrependerem. (2 Pedro 3:9, 10) Assim, a misericórdia se relaciona com a paciência e a longanimidade. Por ser uma combinação de muitas características desejáveis — incluindo vários frutos do espírito de Deus —, a misericórdia se torna a base para cultivar tais qualidades. (Gálatas 5:22, 23) Como é vital nos esforçar em ser misericordiosos!

      “Felizes os misericordiosos”

      19, 20. Em que sentido a misericórdia ‘exulta sobre o julgamento’?

      19 O discípulo Tiago explica por que devemos fazer da misericórdia uma qualidade essencial na vida. Ele escreveu: “A misericórdia exulta triunfantemente sobre o julgamento.” (Tiago 2:13b) Tiago falava sobre a misericórdia que o adorador de Jeová mostra para com outros. Ela “exulta triunfantemente” sobre o julgamento no sentido de que, ao chegar a hora de a pessoa ‘prestar contas de si mesma a Deus’, Jeová levará em conta os atos de misericórdia dela e a perdoará à base do sacrifício de resgate de Seu Filho. (Romanos 14:12) Sem dúvida, uma das razões de o pecado de Davi com Bate-Seba ter sido tratado com misericórdia foi que ele mesmo era um homem misericordioso. (1 Samuel 24:4-7) Por outro lado, “quem não praticar a misericórdia terá o seu julgamento sem misericórdia”. (Tiago 2:13a) Não é de admirar que os “desapiedados”, ou sem misericórdia, estejam entre aqueles que para Deus “merecem a morte”! — Romanos 1:31, 32.

      20 Em seu Sermão do Monte, Jesus disse: “Felizes os misericordiosos, porque serão tratados com misericórdia.” (Mateus 5:7) Essas palavras mostram enfaticamente que aqueles que buscam a misericórdia de Deus devem eles mesmos ser misericordiosos. O próximo artigo considerará como mostrar misericórdia no nosso dia-a-dia.

  • Como praticar a misericórdia?
    A Sentinela — 2007 | 15 de setembro
    • Como praticar a misericórdia?

      “Façamos o que é bom para com todos, mas especialmente para com os aparentados conosco na fé.” — GÁLATAS 6:10.

      1, 2. O que a parábola do bom samaritano nos ensina sobre misericórdia?

      AO FALAR com Jesus, certo homem versado na Lei perguntou-lhe: “Quem é realmente o meu próximo?” Em resposta, Jesus contou a seguinte parábola: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu entre salteadores, que tanto o despojaram como lhe infligiram golpes, e foram embora, deixando-o semimorto. Ora, por coincidência, certo sacerdote descia por aquela estrada, mas, quando o viu, passou pelo lado oposto. Do mesmo modo também um levita, quando, descendo, chegou ao lugar e o viu, passou pelo lado oposto. Mas, certo samaritano, viajando pela estrada, veio encontrá-lo, e, vendo-o, teve pena. De modo que se aproximou dele e lhe atou as feridas, derramando nelas azeite e vinho. Depois o pôs no seu próprio animal e o trouxe a uma hospedaria, e tomou conta dele. E no dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: ‘Toma conta dele, e tudo o que gastares além disso, eu te pagarei de volta ao retornar para cá.’” Daí, Jesus perguntou ao seu ouvinte: “Qual destes três te parece ter-se feito próximo do homem que caiu entre os salteadores?” O homem respondeu: “Aquele que agiu misericordiosamente para com ele.” — Lucas 10:25, 29-37a.

      2 O tratamento que o samaritano deu ao homem ferido ilustra vividamente o que é a verdadeira misericórdia. Movido por compaixão, o samaritano agiu de um modo que trouxe alívio para a vítima. Além disso, o homem que precisava de socorro era um desconhecido para o samaritano. Diferenças nacionais, religiosas ou culturais não são obstáculo à misericórdia. Depois de contar a parábola do bom samaritano, Jesus aconselhou seu ouvinte: “Vai e faze tu o mesmo.” (Lucas 10:37b) Podemos acatar essa exortação e nos esforçar em ser misericordiosos. Mas como? De que maneiras podemos praticar a misericórdia na vida diária?

      ‘Se um irmão estiver em nudez’

      3, 4. Por que devemos desejar praticar a misericórdia em especial dentro da congregação cristã?

      3 “Enquanto tivermos tempo favorável para isso”, disse o apóstolo Paulo, “façamos o que é bom para com todos, mas especialmente para com os aparentados conosco na fé”. (Gálatas 6:10) Assim, vejamos primeiro como ser generosos em atos de misericórdia para com “os aparentados conosco na fé”.

      4 Exortando os cristãos verdadeiros a ser misericordiosos uns para com os outros, o discípulo Tiago escreveu: “Quem não praticar a misericórdia terá o seu julgamento sem misericórdia.” (Tiago 2:13) O contexto dessas palavras inspiradas indica algumas maneiras de praticar a misericórdia. Por exemplo, em Tiago 1:27 lemos: “A forma de adoração que é pura e imaculada do ponto de vista de nosso Deus e Pai é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas na sua tribulação, e manter-se sem mancha do mundo.” E Tiago 2:15, 16 diz: “Se um irmão ou uma irmã estiverem em nudez e lhes faltar alimento suficiente para o dia, contudo, alguém de vós lhes disser: ‘Ide em paz, mantende-vos aquecidos e bem alimentados’, mas não lhes derdes o necessário para os seus corpos, de que proveito é?”

      5, 6. Como podemos ser generosos em atos de misericórdia na nossa associação com a congregação local?

      5 Preocupar-se com outros e ajudar os necessitados é uma característica da religião verdadeira. Nosso modo de adoração não permite limitar nossa preocupação com o próximo a apenas dizer que desejamos que tudo corra bem com ele. Em vez disso, o terno sentimento de compaixão nos move a fazer algo em favor dos muito necessitados. (1 João 3:17, 18) Sim, preparar uma refeição para um doente, ajudar um idoso a realizar tarefas domésticas, prover transporte para as reuniões cristãs quando necessário e não ser mesquinho com os merecedores está entre os muitos atos de misericórdia que devemos realizar. — Deuteronômio 15:7-10.

      6 Ainda mais importante do que dar em sentido material é dar em sentido espiritual para ajudar os membros da crescente congregação cristã. Somos exortados a ‘falar consoladoramente às almas deprimidas, amparar os fracos’. (1 Tessalonicenses 5:14) “As mulheres idosas” são incentivadas a ser “instrutoras do que é bom”. (Tito 2:3) Quanto aos superintendentes cristãos, a Bíblia diz: “Cada um deles terá de mostrar ser como abrigo contra o vento e como esconderijo contra o temporal.” — Isaías 32:2.

      7. O que aprendemos dos discípulos na Antioquia da Síria com respeito a ser misericordioso?

      7 Além de cuidar localmente de viúvas, órfãos e outros que precisassem de ajuda e encorajamento, as congregações no primeiro século às vezes organizavam campanhas de ajuda humanitária a cristãos em outros lugares. Por exemplo, quando o profeta Ágabo predisse que “uma grande fome estava para vir sobre toda a terra habitada”, os discípulos na Antioquia da Síria “resolveram, cada um deles segundo o que podia, prover aos irmãos que moravam na Judéia uma subministração de socorros”. Os recursos foram enviados aos anciãos da Judéia “pela mão de Barnabé e Saulo”. (Atos 11:28-30) E nos nossos dias? “O escravo fiel e discreto” tem organizado comissões de ajuda humanitária em favor de nossos irmãos vítimas de desastres naturais, como furacões, terremotos ou tsunamis. (Mateus 24:45) Usar voluntariamente nosso tempo, nossos esforços e recursos em cooperação com esse arranjo é uma excelente maneira de mostrar misericórdia.

      “Se continuardes a mostrar favoritismo”

      8. De que modo o favoritismo se opõe à misericórdia?

      8 Alertando sobre uma característica que se opõe à misericórdia e à “lei régia” do amor, Tiago escreveu: “Se continuardes a mostrar favoritismo, estais praticando um pecado, porque sois repreendidos pela lei como transgressores.” (Tiago 2:8, 9) Mostrar favor indevido às pessoas materialmente ricas ou de destaque pode nos tornar menos sensíveis ao “clamor queixoso do de condição humilde”. (Provérbios 21:13) O favoritismo reprime o espírito misericordioso. Praticamos misericórdia quando tratamos os outros com imparcialidade.

      9. Por que não é errado mostrar consideração especial pelos merecedores?

      9 Será que ser imparcial significa que nunca devemos mostrar consideração especial por alguém? De modo algum. Aos cristãos em Filipos, o apóstolo Paulo escreveu o seguinte a respeito de seu colaborador Epafrodito: “Tende em estima a homens desta sorte.” Por quê? “Porque ele chegou quase a morrer por causa da obra do Senhor, expondo a sua alma ao perigo, a fim de compensar plenamente o não estardes aqui para me prestar serviço particular.” (Filipenses 2:25, 29, 30) O serviço fiel de Epafrodito merecia reconhecimento. Além disso, lemos em 1 Timóteo 5:17: “Os anciãos, que presidem de modo excelente, sejam contados dignos de dupla honra, especialmente os que trabalham arduamente no falar e no ensinar.” Boas qualidades espirituais também merecem reconhecimento. Mostrar tal consideração não é favoritismo.

      “A sabedoria de cima é . . . cheia de misericórdia”

      10. Por que devemos controlar a língua?

      10 A respeito da língua, Tiago disse: “É uma coisa indisciplinada e prejudicial, cheia de veneno mortífero. Com ela bendizemos a Jeová, sim, o Pai, e ainda assim amaldiçoamos com ela a homens que vieram a existir ‘na semelhança de Deus’. Da mesma boca procedem bênção e maldição.” Nesse contexto, Tiago acrescentou: “Se tiverdes ciúme amargo e briga nos vossos corações, não vos jacteis e não mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce de cima, mas é a terrena, animalesca, demoníaca. Porque, onde há ciúme e briga, ali há desordem e toda coisa ruim. Mas a sabedoria de cima é primeiramente casta, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, sem hipocrisia.” — Tiago 3:8-10a, 14-17.

      11. Como podemos ser misericordiosos no uso da língua?

      11 Assim, o modo como usamos a língua revela se temos, ou não, a sabedoria “cheia de misericórdia”. E que dizer se nós, por causa de ciúme ou briga, nos jactarmos, mentirmos ou espalharmos tagarelice prejudicial? O Salmo 94:4 diz: “Todos os que praticam o que é prejudicial continuam a gabar-se.” E com quanta rapidez a conversa injuriosa pode prejudicar a reputação de uma pessoa inocente! (Salmo 64:2-4) Além disso, pense no prejuízo que pode causar uma “testemunha falsa [que] profere apenas mentiras”. (Provérbios 14:5; 1 Reis 21:7-13) Depois de falar sobre o mau uso da língua, Tiago diz: “Não é correto, meus irmãos, que estas coisas se dêem assim.” (Tiago 3:10b) A verdadeira misericórdia requer que usemos a língua de modo casto, pacífico e razoável. Jesus disse: “Eu vos digo que de toda declaração sem proveito que os homens fizerem prestarão contas no Dia do Juízo.” (Mateus 12:36) Como é importante usar a língua de modo misericordioso!

      ‘Perdoe aos homens as suas falhas’

      12, 13. (a) O que a parábola do escravo que devia uma enorme quantia ao seu amo nos ensina sobre misericórdia? (b) O que significa perdoar nosso irmão “até setenta e sete vezes”?

      12 A parábola de Jesus a respeito do escravo que devia 60 milhões de denários ao seu amo, um rei, mostra outra maneira de ser misericordioso. Não tendo como pagar a dívida, o escravo suplicou misericórdia. “Penalizado”, o amo perdoou a dívida. No entanto, esse escravo foi à procura de um co-escravo que lhe devia apenas cem denários e, sem misericórdia, mandou prendê-lo. Quando o amo soube disso, mandou chamar o escravo que fora perdoado e lhe disse: “Escravo iníquo, eu te cancelei toda aquela dívida, quando me suplicaste. Não devias tu, por tua vez, ter tido misericórdia do teu co-escravo, assim como eu também tive misericórdia de ti?” Com isso, o amo o entregou aos carcereiros. Jesus concluiu a parábola, dizendo: “Do mesmo modo lidará também convosco o meu Pai celestial, se não perdoardes de coração cada um ao seu irmão.” — Mateus 18:23-35.

      13 Essa parábola mostra enfaticamente que a misericórdia inclui a prontidão de perdoar. Jeová nos perdoou uma enorme dívida de pecado. Não devemos nós também ‘perdoar aos homens as suas falhas’? (Mateus 6:14, 15) Antes de Jesus ter contado a parábola do escravo impiedoso, Pedro havia lhe perguntado: “Senhor, quantas vezes há de pecar contra mim o meu irmão e eu lhe hei de perdoar? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Eu não te digo: Até sete vezes, mas: Até setenta e sete vezes.” (Mateus 18:21, 22) Sim, a pessoa misericordiosa se dispõe a perdoar “até setenta e sete vezes”, ou seja, quantas vezes for necessário.

      14. De acordo com Mateus 7:1-4, como podemos praticar a misericórdia todos os dias?

      14 Mostrando ainda outro modo de ser misericordioso, Jesus disse no Sermão do Monte: “Parai de julgar, para que não sejais julgados; pois, com o julgamento com que julgais, vós sereis julgados . . . Então, por que olhas para o argueiro no olho do teu irmão, mas não tomas em consideração a trave no teu próprio olho? Ou, como podes dizer a teu irmão: ‘Permite-me tirar o argueiro do teu olho’, quando, eis que há uma trave no teu próprio olho?” (Mateus 7:1-4) Portanto, podemos praticar a misericórdia todos os dias tolerando as fraquezas dos outros sem ser excessivamente crítico.

      ‘Fazer o que é bom para com todos’

      15. Por que os atos de misericórdia não se limitam aos da mesma fé?

      15 Embora o livro bíblico de Tiago destaque a misericórdia entre os da mesma fé, isso não significa que os atos de misericórdia se limitem aos membros da congregação cristã. “Jeová é bom para com todos”, diz o Salmo 145:9, “e suas misericórdias estão sobre todos os seus trabalhos”. Somos exortados a ‘imitar a Deus’ e a ‘fazer o que é bom para com todos’. (Efésios 5:1; Gálatas 6:10) Embora não amemos “o mundo, nem as coisas no mundo”, não somos insensíveis às necessidades das pessoas que vivem no mundo. — 1 João 2:15.

      16. Que fatores afetam o modo de mostrar misericórdia a outros?

      16 Como cristãos, não hesitamos em prestar a ajuda que pudermos a vítimas do “imprevisto” ou aos que se encontram em situação difícil. (Eclesiastes 9:11) Naturalmente, as circunstâncias ditam o que e quanto podemos fazer. (Provérbios 3:27) Ao dar ajuda material, é preciso ter cuidado para que uma ação bem-intencionada não promova a preguiça. (Provérbios 20:1, 4; 2 Tessalonicenses 3:10-12) Assim, um genuíno ato de misericórdia é uma reação que combina o terno sentimento de compaixão, ou de empatia, com o bom senso.

      17. Qual é a melhor maneira de ser misericordioso com os de fora da congregação cristã?

      17 A melhor maneira de ser misericordioso com os de fora da congregação cristã é transmitir-lhes as verdades bíblicas. Por quê? Porque a maioria dos humanos hoje está tateando na escuridão espiritual. Não tendo como lidar com seus problemas, nem esperança real para o futuro, a maioria das pessoas são “esfoladas e empurradas dum lado para outro como ovelhas sem pastor”. (Mateus 9:36) A mensagem da Palavra de Deus pode ser como uma ‘lâmpada para o pé’ dessas pessoas, ajudando-as a lidar com os problemas da vida. Pode ser também a ‘luz para a sua senda’, ou caminho, no sentido de que a Bíblia revela o propósito de Deus para o futuro, dando-lhes base para ter uma brilhante esperança. (Salmo 119:105) Que privilégio é transmitir a maravilhosa mensagem da verdade aos que precisam dela desesperadamente! Em vista da proximidade da “grande tribulação”, agora é o tempo para ser zeloso na obra de pregar o Reino e fazer discípulos. (Mateus 24:3-8, 21, 22, 36-41; 28:19, 20) Não existe ato de misericórdia mais importante do que esse.

      Dê “as coisas que estão no íntimo”

      18, 19. Por que devemos nos esforçar em ser cada vez mais misericordiosos?

      18 “Dai como dádivas de misericórdia as coisas que estão no íntimo”, disse Jesus. (Lucas 11:41) Para que uma boa ação seja um ato de verdadeira misericórdia, tem de ser uma dádiva que venha do íntimo — de um coração amoroso e voluntário. (2 Coríntios 9:7) Num mundo em que a maldade, o egoísmo e a indiferença para com o sofrimento e os problemas dos outros são a regra geral, como é revigorante essa misericórdia!

      19 Portanto, esforcemo-nos para sermos cada vez mais misericordiosos. Quanto mais misericordiosos formos, tanto mais estaremos imitando a Deus. Isso nos ajuda a ter uma vida realmente significativa e satisfatória. — Mateus 5:7.

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