BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • g97 22/3 pp. 24-27
  • Maré alta: a hora do rush

Nenhum vídeo disponível para o trecho selecionado.

Desculpe, ocorreu um erro ao carregar o vídeo.

  • Maré alta: a hora do rush
  • Despertai! — 1997
  • Subtítulos
  • Matéria relacionada
  • Importância dos estuários
  • Marés de lua
  • A maré vai subindo
  • Começa o rush
  • A “pousada”
  • Pernaltas — as aves que nunca param de viajar
    Despertai! — 2006
  • A maravilha de nossas refluentes marés
    Despertai! — 1984
  • Já viu um peixe caminhando?
    Despertai! — 1999
  • “Armero desaparece do mapa!”
    Despertai! — 1986
Veja mais
Despertai! — 1997
g97 22/3 pp. 24-27

Maré alta: a hora do rush

Do correspondente de Despertai! na Grã-Bretanha

TODOS os anos, perto de dez milhões de aves passam o inverno no noroeste da Europa. Elas vêm não só das regiões em que se reproduzem, no Ártico, mas até do Canadá e do centro da Sibéria. A caminho da África, muitas outras convergem para uma rota migratória no leste do Atlântico, que cruza as ilhas Britânicas.

Mais de 30 grandes estuários em águas britânicas lhes dão comida e abrigo. Cada estuário alimenta mais de 20.000 aves, mas o mais importante deles é o Wash, na costa leste da Inglaterra, que abriga mais de um quarto de milhão de aves, inclusive maçaricos-reais, pilritos-de-peito-preto, pardas, milherangos, seixoeiras, ostraceiros, tarambolas, pernas-vermelhas e maçaricos-turcos. Que espécie de alimento há nesses estuários, e por que são tão importantes?

Importância dos estuários

Os estuários são áreas costeiras semicerradas em que a água do mar e a água doce se misturam. Suas águas quentes, ricas em nutrientes orgânicos e minerais, sustentam metade dos seres vivos dos oceanos do planeta. Na areia há camarões, pulgas-do-mar e outras formas de vida, mas a lama dos estuários sustenta uma abundância de vida ainda maior.

A lama varia conforme o tamanho do sedimento do qual ela é feita. Cada tipo de lama contém espécies diferentes de animais marinhos, alimento das aves pernaltas. Por exemplo, num metro quadrado de um determinado tipo de lama, pode haver milhões de minúsculas lesmas, com menos de 3 milímetros de comprimento. A lama também nutre moluscos, arenícolas e nereidas, além de outros invertebrados.

Marés de lua

Embora talvez haja muitos milhares de pernaltas num estuário, pode ser difícil encontrá-las porque normalmente elas ficam espalhadas por uma vasta área. Com a chegada das marés de lua, porém, isso muda drasticamente. A preamar acaba inundando a areia e a lama do estuário, obrigando as pernaltas a procurar pouso nos terrenos salgadosa e em outros lugares mais altos. Ali fica bem mais fácil observá-las, quando elas se ajuntam, formando enormes bandos mistos.

Uma maré de lua é esperada para hoje, uma manhã clara e ensolarada de abril. Sopra um vento frio do nordeste, enquanto nos dirigimos para um estuário pequeno e pitoresco, onde o rio Alde meandra pelo condado inglês de Suffolk, indo desaguar no mar do Norte. Aqui, a população de pernaltas no inverno chega a pouco mais de 11.000 aves, e será bem mais fácil observá-las em atividade, porque o estuário só tem cerca de 800 metros de largura.

Um conjunto intermitente de diques, feitos para barrar o avanço do mar, acompanha o curso do rio. Algumas ribanceiras estão cobertas de juncos, outras de feno-das-areias. O restante consiste em construções simples de madeira e em pedra. Avançando-se um pouco rio acima, em meio a um interessante agrupamento de prédios em estilo vitoriano, acha-se a Sala de Concertos Snape Maltings, sede dos festivais de música de Aldeburgh. Mas temos de seguir rio abaixo, rumo a uma pequena enseada. O vento está forte e cortante, e nossos olhos logo começam a arder.

Mal chegamos à margem do rio (veja a foto, ponto A), somos saudados pelos piados límpidos e melodiosos de um casal de avocetas. Elas estão a não mais de 40 metros de nós, do nosso lado do estuário, no momento ocupadas em pentear as penas uma da outra, o que é uma maneira de fortalecerem sua relação. Com a ponta de seu bico fino, recurvado para cima, cada ave dá umas bicadinhas nos lados da parte superior do seu peito. É algo encantador de observar, mas temos de nos apressar, pois ainda há muito para ver.

A maré vai subindo

A maré está subindo depressa agora e, por isso, apertamos o passo para chegar logo ao ponto de observação que escolhemos. (Veja a foto, ponto B.) No caminho, um perna-vermelha — zelando por sua reputação de sentinela do estuário — levanta vôo dos terrenos salgados, soltando um piado estridente, de alarme: “Tuhuhu-tuhuhu!” Suas pernas vermelhas fazem contraste com a borda branca e brilhante da ponta das suas asas, que cintila ao sol. Quando chegamos ao nosso destino, corremos os olhos na areia e na lama que vão sumindo rapidamente.

À distância, uns vinte pernas-vermelhas dedicam-se a bicar a lama à cata de alimento, enquanto outros procuram comida em pequenas enseadas, menos expostas. Os pilritos-de-peito-preto, com seu bico caracteristicamente encurvado para baixo, ajuntam-se mais, formando pequenos grupos. Em fila irregular, vão bicando a lama enquanto caminham apressados, tendendo a ficar perto da beirada da água. Maçaricos-reais espalhados passeiam tranqüilos, bicando com cuidado a vaza macia e pegajosa. Rio acima, um casal de maçaricos-turcos procura comida usando o bico curto, ligeiramente curvo para cima, para revirar entulho na linha da maré alta, no velho banco marítimo.

Repentinamente, o assobio incontido, melancólico e trissilábico do gray plover enche o ar. Ao sobrevoar as nossas cabeças, as axilas pretas da ave se destacam nitidamente da palidez de suas partes inferiores. Quatrocentas tarambolas-douradas, em compacta formação oval, descansam com a cabeça sob a asa, todas de frente para o vento. Vez por outra, brigam pela reafirmação da hierarquia social. A maioria ainda possui a plumagem salpicada do inverno — com o dorso dourado e escuro; uma coloração pálida em volta dos olhos, face e partes inferiores; e bico preto. Girando a luneta, avistamos tarambolas-coleiradas também.

Um bando disperso de uns 1.000 abibes chega de repente. Aproximam-se exuberantes, rasgando o céu com movimentos inigualáveis. Os abibes e as tarambolas-douradas têm ficado nas terras agrícolas ao oeste, sua praça de alimentação predileta. Eles não vêm ao estuário só para se alimentar, mas também para banhar-se e pentear as penas.

O principal som que se ouve ao fundo é o chamado gorgolejante dos maçaricos-reais, o trinado musical mais contido dos pernas-vermelhas e o grasnido das gaivotas-de-dorso-escuro. Duas pardas fincam o bico na lama. Com o bico grosso, vermelho-alaranjado, alguns ostraceiros arrancam arenícolas. Um gray plover solitário dá alguns passos pomposos, pára, balança o pé direito, depois vai-se em busca de uma presa e a engole. Mas a maré está rapidamente alcançando a todos eles.

Começa o rush

De repente, as aves levantam vôo para formar bandos, principalmente de suas próprias espécies. É impressionante ver pernaltas voarem em formação cerrada. Inclinando-se de um lado para o outro, os bandos mudam de cor ao sabor dos raios do sol — de marrom-escuro para um prateado brilhante — num instante bem visíveis e no outro quase fundindo-se com o fundo turvo da maré que vai chegando. De um tom escuro para prata, de prata para um tom escuro, num ritmo perfeito e, ao mesmo tempo, alterando a formação sem parar — de um quase oval viram um círculo, uma espiral e, por fim, uma linha vertical. A maioria pousa nas áreas em que a lama ainda não foi coberta pela maré.

Logo a lama e a areia à nossa volta serão inundadas; por isso, nos apressamos rio acima, acompanhados de uma enxurrada de pernaltas. Os primeiros a nos ultrapassar são uns pequenos bandos de minúsculos pilritos-de-peito-preto, com sua célere batida de asas, mantendo contato por ocasionalmente emitir seu chamado curto e estridente. Em seguida, passam pernas-vermelhas, maiores, num bando mais disperso e imponente. Maçaricos-reais do tamanho de gaivotas grandes nos deixam para trás, assobiando seu belíssimo trinado gorgolejante e melódico enquanto voam. As avocetas seguem num único e grande bando, o preto e o branco contrastando com o azul do céu. Pousam no alto do estuário, mal sendo possível enxergar suas compridas pernas azul-cinzentas acima da água.

A “pousada”

Firmamos o passo para chegar a um ponto mais elevado, onde o estuário se estreita. (Veja a foto, ponto C.) Cada espécie tende a formar um só bando, embora isto definitivamente não seja uma regra. Enquanto a maré continua a subir depressa, mais aves juntam-se à multidão. Isso causa uma constante troca de lugar, com a diminuição do espaço nos bancos e uma sempre crescente demanda por um cantinho das que chegam atrasadas.

A maré alta já chegou. Os abibes e as tarambolas-douradas regressaram às terras agrícolas. Todas as aves que ficaram foram obrigadas a sair da lama e achar um lugar para pousar nas velhas ribanceiras do rio. O silvo incessante dos ostraceiros é completamente desproporcional ao seu número. Os pernas-vermelhas e os maçaricos-reais aumentam a gritaria ao fundo, agora superada por uma cotovia que canta acima de nossas cabeças — uma atmosfera realmente maravilhosa.

Partimos enquanto as pernaltas gozam o seu bem-merecido descanso da tarde, aguardando o fim da maré de lua. Apesar de algumas estarem atrás do quebra-mar e não poderem ver a água, saberão quando voltar aos lamaçais ou à areia das praias. Com uma perfeita noção de tempo, instintivamente sábias, sabem como as marés funcionam.

É emocionante assistir à hora do rush durante a maré alta, especialmente pela primeira vez!

[Nota(s) de rodapé]

a Extensões de terra regularmente inundadas pelas marés.

[Quadro/Foto na página 26]

Tire bom proveito da hora do rush

Para aproveitar bem a hora do rush durante a maré alta, é preciso primeiro achar um estuário de fácil acesso. Você precisará de algumas informações sobre a região, como, por exemplo, aonde as pernaltas vão e onde vê-las. Procure nas tábuas de maré uma maré alta que ocorra logo após a lua cheia ou a lua nova. Além do tempo da viagem, acrescente três horas para poder olhar à vontade as aves, e chegue pelo menos duas horas antes da maré alta.

O que é bom levar? Caso não conheça muito bem as pernaltas, leve um livro para ajudar na identificação. Um binóculo também pode ser muito útil. Você logo aprenderá que cada espécie de pernalta tem suas próprias características e apanha alimento do jeito próprio do seu bico. Uma luneta não chega a ser imprescindível, mas não se esqueça de levar agasalho impermeável. Fique alerta aos perigos. É melhor não se atrever a caminhar pelos lamaçais, a menos que os conheça bem. É fácil ser encurralado por uma maré que sobe rapidamente. Basta também um nevoeiro para você se perder. E é bom levar o vento em conta. Ventos fortes e tempestuosos podem causar uma subida rápida da maré, o que pode ser muito perigoso em qualquer estuário.

[Quadro/Foto na página 27]

Principais estuários do mundo

O Waddenzee, na Holanda, é a região entremarés mais importante da Europa e às vezes chega a ter provavelmente mais de quatro milhões de pernaltas. Estende-se ao norte até o sudoeste da Jutlândia. Três lugares bons de visitar nesta vasta região são o elevado para Rømø, na Dinamarca; o estuário do rio Weser, um dos principais lugares que as aves procuram para pousar durante a maré alta, na Alemanha; e Lauwerszee, perto de Groningen, na Holanda. Na península ibérica, o santuário mais importante é o do rio Tagus, em Portugal.

Os estuários que ficam ao longo da costa do Pacífico, na América do Norte e do Sul, alimentam uns seis a oito milhões de pernaltas migrantes. Entre os principais locais estão as baías de San Francisco e de Humboldt, na Califórnia; os 200 quilômetros quadrados no Canadá, da baía Boundary de Vancouver até a ilha de Iona, Colúmbia Britânica; e o estuário Stikine e o delta do rio Copper do Alasca.

Outros lugares excelentes para as pernaltas também podem ser encontrados em Bolivar Flat e Galveston, no Texas, EUA; em Tai-Po, Hong Kong; em Cairns, no nordeste da Austrália; e perto de Mombasa, no Quênia.

[Foto]

Acima: maçaricos-reais

[Foto na página 25]

ESTUÁRIO DE ALDE, SUFFOLK

Sala de Concertos Snape Maltings

Ponto de observação B

Ponto de observação C

Ponto inicial A

[Crédito]

Snape Maltings Riverside Centre

[Foto na página 24]

Cinco ostraceiros

[Foto na página 25]

Seixoeiras saindo apressadas do lugar

[Foto na página 26]

Seixoeira

[Foto na página 26]

Perna-vermelha

Maçarico-real

    Publicações em Português (1950-2026)
    Sair
    Login
    • Português (Brasil)
    • Compartilhar
    • Preferências
    • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
    • Termos de Uso
    • Política de Privacidade
    • Configurações de Privacidade
    • JW.ORG
    • Login
    Compartilhar