-
Quão felizes são os de temperamento brando!A Sentinela — 1991 | 15 de outubro
-
-
Quão felizes são os de temperamento brando!
“Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra.” — MATEUS 5:5.
1. O que é a brandura de temperamento a que Jesus se referiu no seu Sermão do Monte?
EM SEU Sermão do Monte, Jesus Cristo disse: “Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra.” (Mateus 5:5) Esta brandura de temperamento, ou mansidão, não é um verniz de delicadeza hipócrita, tampouco um simples traço natural de personalidade. Trata-se, na verdade, de genuína brandura e serenidade interior, exercidas primariamente em acatamento à vontade e à orientação de Jeová Deus. Pessoas que deveras são de temperamento brando têm um profundo senso de dependência de Deus, que se reflete na conduta branda para com seus semelhantes. — Romanos 12:17-19; Tito 3:1, 2.
2. Por que Jesus declarou felizes os de temperamento brando?
2 Jesus declarou felizes os de temperamento brando porque estes herdarão a Terra. Na qualidade de Filho de Deus de temperamento brando perfeito, Jesus é o Herdeiro Principal da Terra. (Salmo 2:8; Mateus 11:29; Hebreus 1:1, 2; 2:5-9) Mas, qual messiânico “filho de homem”, ele teria governantes associados no seu Reino celestial. (Daniel 7:13, 14, 22, 27) Quais “co-herdeiros” de Cristo, tais ungidos, de temperamento brando, partilharão de Sua herança da Terra. (Romanos 8:17) Outros de temperamento brando, pessoas comparáveis a ovelhas, terão vida eterna no Paraíso, no domínio terrestre do Reino. (Mateus 25:33, 34, 46; Lucas 23:43) Tal perspectiva certamente os torna felizes.
3. Que exemplo deram Deus e Cristo quanto à brandura?
3 O Principal Herdeiro, de temperamento brando, recebe a Terra de seu Pai, Jeová, o exemplo superlativo de brandura de temperamento. Quantas vezes as Escrituras dizem que Deus é “vagaroso em irar-se e abundante em benevolência”! (Êxodo 34:6; Neemias 9:17; Salmo 86:15) Ele tem grande poder, não obstante, demonstra tamanha brandura que seus adoradores podem chegar-se a ele sem medo. (Hebreus 4:16; 10:19-22) O Filho de Deus, que era “de temperamento brando e humilde de coração”, ensinou seus discípulos a serem brandos. (Mateus 11:29; Lucas 6:27-29) Por sua vez, esses escravos brandos de Deus e de seu Filho imitaram a “brandura e benignidade do Cristo” e escreveram a respeito. — 2 Coríntios 10:1; Romanos 1:1; Tiago 1:1, 2; 2 Pedro 1:1.
4 (a) Segundo Colossenses 3:12, o que tem sido conseguido por aqueles que são deveras de temperamento brando? (b) Que perguntas merecem nossa consideração?
4 Hoje, tanto os cristãos ungidos como seus companheiros que têm esperança terrestre precisam ser de temperamento brando. Tendo-se despojado de toda maldade, engano, hipocrisia, inveja e calúnia, têm sido ajudados pelo espírito santo de Deus a tornarem-se novos na ‘força que ativa suas mentes’. (Efésios 4:22-24; 1 Pedro 2:1, 2) Insta-se-lhes a se revestirem “das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade”. (Colossenses 3:12) Mas, exatamente o que inclui a brandura? Por que é benéfico ser de temperamento brando? E como pode esta qualidade contribuir para a nossa felicidade?
Um Exame da Brandura
5. Como se pode definir a brandura?
5 A pessoa de temperamento brando é dócil de disposição e de comportamento. Em certas versões da Bíblia, é o adjetivo pra·ýs que é traduzido por “manso”, “brando”, “de temperamento brando” e “dócil”. No grego clássico, o adjetivo pra·ýs pode aplicar-se a uma brisa ou voz suave. Pode também denotar alguém que seja gracioso. O perito W. E. Vine diz: “A prática do [substantivo pra·ý·tes] é primária e principalmente para com Deus. É aquela disposição de espírito em que aceitamos Seus tratos conosco como bons, e, por conseguinte, sem discutir ou resistir; relaciona-se intimamente com a palavra tapeinofrosunē [humildade].”
6. Por que se pode dizer que a brandura não é fraqueza?
6 Brandura não é fraqueza. “Há docilidade em praus”, escreveu o perito William Barclay, “mas por trás da docilidade há a força do aço”. Exige força ser de temperamento brando. Por exemplo, requer força ser brando sob provocação ou quando somos perseguidos. O brando Filho de Deus, Jesus Cristo, deu excelente exemplo neste respeito. “Quando estava sendo injuriado, não injuriava em revide. Quando sofria, não ameaçava, mas encomendava-se àquele [Jeová Deus] que julga justamente.” (1 Pedro 2:23) Como o brando Jesus, podemos sentir-nos confiantes em que Deus saberá lidar com os nossos vituperadores e perseguidores. (1 Coríntios 4:12, 13) Podemos permanecer tranqüilos, como o perseguido Estêvão se manteve, dando-nos conta de que, se formos fiéis, Jeová nos sustentará e não permitirá que algo nos cause dano permanente. — Salmo 145:14; Atos 6:15; Filipenses 4:6, 7, 13.
7. O que indica Provérbios 25:28 a respeito da pessoa sem brandura?
7 Jesus era de temperamento brando, não obstante, mostrou força em permanecer firme pelo que é direito. (Mateus 21:5; 23:13-39) Quem quer que tenha “a mente de Cristo” será semelhante a ele neste respeito. (1 Coríntios 2:16) A pessoa que não é branda não é semelhante a Cristo. Em vez disso, enquadra-se nestas palavras: “Como uma cidade arrombada, sem muralha, é o homem que não domina seu espírito.” (Provérbios 25:28) Tal indivíduo sem brandura é vulnerável à invasão de pensamentos errados que poderiam levá-lo a agir de maneiras impróprias. Ao passo que o cristão de temperamento brando não é um fraco, ele sabe que “uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira”. — Provérbios 15:1.
8. Por que não é fácil ser de temperamento brando?
8 Não é fácil ser de temperamento brando, por causa de nossa herança de imperfeição e pecado. (Romanos 5:12) Se somos servos de Jeová, temos também uma luta contra forças espirituais iníquas que talvez provem a nossa brandura por meio de perseguição. (Efésios 6:12) E a maioria de nós trabalha entre os que têm o rude espírito do mundo, que está sob o controle do Diabo. (1 João 5:19) Assim, como podemos desenvolver a brandura?
Como Desenvolver a Brandura
9. Que conceito nos ajudará a desenvolver a brandura?
9 A convicção, baseada na Bíblia, de que se exige de nós que mostremos brandura nos ajudará a desenvolver esta qualidade. Diariamente temos de empenhar-nos em cultivar a brandura. Senão, seremos como aqueles que encaram a brandura como fraqueza e que pensam que o sucesso resulta de ser arrogante, duro, até mesmo cruel. Contudo, a Palavra de Deus condena o orgulho, e certo provérbio sábio diz: “O homem de benevolência age de modo recompensador com a sua própria alma, mas a pessoa cruel traz banimento ao seu próprio organismo.” (Provérbios 11:17; 16:18) As pessoas se afastam duma pessoa rude, maldosa, mesmo que o façam principalmente para evitar ser feridas por sua crueldade e falta de brandura.
10. Se havemos de ser de temperamento brando, ao que temos de nos submeter?
10 Para sermos de temperamento brando, temos de submeter-nos à influência do espírito santo, ou força ativa, de Deus. Assim como Jeová possibilitou que a terra produzisse colheitas, ele capacita seus servos a produzirem os frutos de seu espírito, inclusive a brandura. Paulo escreveu: “Os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio. Contra tais coisas não há lei.” (Gálatas 5:22, 23) Sim, a brandura é um dos frutos do espírito de Deus demonstrada por aqueles que o agradam. (Salmo 51:9, 10) E que mudanças a brandura produz! Para ilustrar: Havia um certo vilão chamado Tony, que brigava, assaltava, traficava drogas, chefiava uma gangue de motoqueiros e mais de uma vez chegou a ser colocado na prisão. Todavia, por adquirir conhecimento da Bíblia e com a ajuda do espírito de Deus, ele se transformou num brando servo de Jeová. O caso de Tony não é incomum. O que, então, pode a pessoa fazer se a falta de brandura for uma característica dominante de sua personalidade?
11. Ao desenvolver brandura, que papel desempenha a oração?
11 A oração de coração, pedindo o espírito de Deus e esse seu fruto, a brandura, ajudar-nos-á a cultivar esta qualidade. Talvez tenhamos de ‘persistir em pedir’, como disse Jesus, e Jeová Deus concederá o nosso pedido. Depois de indicar que os pais humanos dão a seus filhos coisas boas, Jesus disse: “Se vós, embora [pecaminosos e, por conseguinte, em certa medida] iníquos, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o Pai, no céu, dará espírito santo aos que lhe pedirem!” (Lucas 11:9-13) A oração pode ajudar a fazer da brandura um traço permanente de nosso temperamento — uma qualidade que contribui para a nossa felicidade e a de nossos associados.
12. Por que ter em mente que os humanos são imperfeitos pode ajudar-nos a ser de temperamento brando?
12 Termos em mente que os humanos são imperfeitos pode ajudar-nos a ser de temperamento brando. (Salmo 51:5) Somos incapazes de pensar ou de agir com perfeição, como outros também não podem, de modo que temos de mostrar empatia e tratá-los assim como gostaríamos de ser tratados. (Mateus 7:12) Termos presente que todos nós cometemos erros deve levar-nos a ser perdoadores e de temperamento brando nos nossos tratos com outros. (Mateus 6:12-15; 18:21, 22) Afinal, não nos sentimos gratos de que Deus mostra amor e brandura para conosco? — Salmo 103:10-14.
13. De que modo o reconhecimento de que Deus dotou os humanos de livre-arbítrio pode ajudar-nos a cultivar a brandura?
13 Reconhecermos que Deus dotou os humanos de livre-arbítrio pode também nos ajudar a cultivar a brandura. Isto não permite que alguém viole impunemente as leis de Jeová, mas deveras dá margem para uma variedade de predileções, gostos e aversões, entre seu povo. Portanto, reconheçamos que ninguém é obrigado a ajustar-se ao molde que consideramos ser o melhor. Esta mentalidade nos ajudará a ser de temperamento brando.
14. Quanto à brandura, qual deve ser a nossa determinação?
14 A determinação de não abandonar a brandura nos ajudará a persistir em cultivar esta qualidade. Submeter-se à influência do espírito de Jeová causou uma transformação na nossa maneira de pensar. (Romanos 12:2) Um espírito brando, semelhante ao de Cristo, agora ajuda a refrear-nos de nos envolver em “ações de conduta desenfreada, em concupiscências, em excessos com vinho, em festanças, em competições no beber e em idolatrias ilegais”. Jamais devemos abandonar a brandura por razões de ordem financeira, social ou outras, ou porque as pessoas façam comentários abusivos a respeito de nossa qualidade piedosa. (1 Pedro 4:3-5) Não devemos permitir que nada nos leve a praticar “as obras da carne”, para que não percamos a nossa brandura e deixemos de herdar o Reino de Deus ou de fruir as suas bênçãos. (Gálatas 5:19-21) Prezemos sempre o privilégio de ser os de temperamento brando que pertencem a Deus, quer ungidos para a vida celestial, quer com esperança terrestre. Para esse fim, consideremos alguns benefícios da brandura.
Benefícios da Brandura
15. Segundo Provérbios 14:30, por que é sábio ser brando?
15 A pessoa branda é calma de coração, mente e corpo. Dá-se isso porque ela não se envolve em contendas, não se deixa abater por causa de ações de outros, nem se atormenta com implacável ansiedade. A brandura ajuda a pessoa a manter as suas emoções sob controle, que é benéfico mental e fisicamente. Certo provérbio diz: “O coração calmo é a vida do organismo carnal.” (Provérbios 14:30) A falta de brandura talvez leve à ira que, por sua vez, pode elevar a pressão sangüínea ou causar problemas digestivos, asma, distúrbios nos olhos, e outros males. O cristão de temperamento brando goza de vários benefícios, inclusive “a paz de Deus” que guarda seu coração e suas faculdades mentais. (Filipenses 4:6, 7) Quão sábio é ser de temperamento brando!
16-18. Que efeito tem a brandura sobre a nossa relação com outros?
16 A qualidade da brandura melhora nosso relacionamento com outros. Talvez outrora estivéssemos habituados a pressionar as coisas até conseguir o que queríamos. Outros talvez se tenham irado conosco por nos ter faltado humildade e brandura. Nessas circunstâncias, não nos devia surpreender caso tenhamos ficado envolvidos em sucessivas controvérsias. Mas, certo provérbio diz: “Onde não há lenha, apaga-se o fogo, e onde não há caluniador, aquieta-se a contenda. Como o carvão de lenha para as brasas e a lenha para o fogo, assim é o homem contencioso por tornar acesa a altercação.” (Provérbios 26:20, 21) Se somos de temperamento brando, em vez de ‘lançar lenha na fogueira’ e provocar outros, teremos um bom relacionamento com eles.
17 A pessoa de temperamento brando provavelmente tem bons amigos. As pessoas gostam de associar-se com ela porque ela tem uma atitude positiva, e suas palavras são reanimadoras e doces como mel. (Provérbios 16:24) Foi assim com Jesus, que podia dizer: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, pois sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas. Pois o meu jugo é benévolo e minha carga é leve.” (Mateus 11:29, 30) Jesus não era rude, e seu jugo não era opressivo. Os que o buscavam eram bem tratados e espiritualmente revigorados. A situação é similar quando nos associamos com um amigo cristão de temperamento brando.
18 A brandura faz-nos ser estimados pelos concrentes. Sem dúvida, a maioria dos cristãos em Corinto sentiu-se atraída a Paulo porque ele lhes instava “pela brandura e benignidade do Cristo”. (2 Coríntios 10:1) Os tessalonicenses por certo acataram as palavras do apóstolo, pois ele era um instrutor brando e gentil. (1 Tessalonicenses 2:5-8) Não há dúvida de que os anciãos efésios aprenderam muito de Paulo e amavam-no ternamente. (Atos 20:20, 21, 37, 38) Demonstra você a brandura que o torna benquisto por outros?
19. De que modo a brandura ajuda os do povo de Jeová a manterem seu lugar na Sua organização?
19 O temperamento brando ajuda os do povo de Jeová a serem submissos e a manter seu lugar na Sua organização. (Filipenses 2:5-8, 12-14; Hebreus 13:17) A brandura restringe-nos de buscar glória, que se baseia no orgulho e desagrada a Deus. (Provérbios 16:5) A pessoa humilde não se considera superior a concrentes, e não tenta sobressair-se à custa deles. (Mateus 23:11, 12) Em vez disso, ela reconhece sua condição pecaminosa e sua necessidade do resgate, providenciado por Deus.
A Brandura Promove Felicidade
20. Que efeito tem a brandura sobre a vida familiar?
20 Todos os servos de Deus devem lembrar-se de que a brandura é um fruto de Seu espírito que promove a felicidade. Por exemplo, em virtude de os do povo de Jeová mostrarem qualidades tais como amor e brandura, há muitas famílias felizes em seu meio. Quando marido e esposa se tratam com brandura, os filhos são criados num ambiente calmo, não numa família dada a palavras e ações rudes. À medida que o pai aconselha seus filhos com brandura, isto exerce bom efeito sobre suas mentes jovens, e, provavelmente, um espírito brando tornar-se-á parte da personalidade deles. (Efésios 6:1-4) O temperamento brando ajuda o marido a continuar a amar sua esposa. Ajuda a esposa a sujeitar-se a seu marido e induz os filhos a obedecer seus pais. A brandura faz também com que membros da família tenham um espírito perdoador que contribui para a felicidade. — Colossenses 3:13, 18-21.
21. Em essência, que conselho deu o apóstolo Paulo em Efésios 4:1-3?
21 Famílias e pessoas de temperamento brando promovem a felicidade na congregação com que se associam. Portanto, os do povo de Jeová têm de empenhar-se a fundo para serem pessoas de temperamento brando. Está você fazendo isto? O apóstolo Paulo instou seus companheiros cristãos ungidos a andarem dignamente de sua chamada celestial, fazendo isto “com completa humildade mental e brandura, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor, diligenciando observar a unidade do espírito no vínculo unificador da paz”. (Efésios 4:1-3) Cristãos com esperança terrestre também têm de mostrar brandura e outras qualidades piedosas. Este é o proceder que traz verdadeira felicidade. Felizes deveras são os de temperamento brando!
-
-
Revistamo-nos de brandura!A Sentinela — 1991 | 15 de outubro
-
-
Revistamo-nos de brandura!
“Como escolhidos de Deus, santos e amados, revesti-vos das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade.” — COLOSSENSES 3:12.
1-3. Em Colossenses 3:12-14, o que disse o apóstolo Paulo a respeito da brandura e de outras qualidades piedosas?
JEOVÁ fornece a seu povo o que há de melhor em vestimenta figurativa. De fato, todos os que desejam seu favor têm de estar trajados com vestes de fortes fibras de brandura. Esta qualidade é confortadora porque minimiza a tensão em situações estressantes. É também protetora, pois evita contendas.
2 O apóstolo Paulo instou a companheiros cristãos ungidos: “Como escolhidos de Deus, santos e amados, revesti-vos das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade.” (Colossenses 3:12) O tempo do verbo grego traduzido por “revesti-vos” denota ação a ser tomada com senso de urgência. Os ungidos, que eram escolhidos, santos e amados por Deus, não se deviam demorar em revestir-se de qualidades tais como a brandura.
3 Paulo acrescentou: “Continuai a suportar-vos uns aos outros e a perdoar-vos uns aos outros liberalmente, se alguém tiver razão para queixa contra outro. Assim como Jeová vos perdoou liberalmente, vós também o fazei. Além de todas estas coisas, porém, revesti-vos de amor, pois é o perfeito vínculo de união.” (Colossenses 3:13, 14) O amor, a brandura e outras qualidades piedosas tornam possível que as Testemunhas de Jeová ‘morem juntas em união’. — Salmo 133:1-3.
São Necessários Pastores de Temperamento Brando
4. Os cristãos verdadeiros usam uma roupa figurativa tecida de que qualidades?
4 Os cristãos verdadeiros empenham-se em ‘amortecer os membros de seu corpo com respeito a fornicação, impureza, apetite sexual, desejo nocivo e cobiça’, e empenham-se em remover qualquer vestimenta antiga tecida de ira, furor, maldade, linguagem abusiva e conversa obscena. (Colossenses 3:5-11) Eles desnudam-se da “velha personalidade” (literalmente: “o velho homem”) e revestem-se “da nova personalidade” (ou: “o novo homem”), uma vestimenta adequada. (Efésios 4:22-24, Kingdom Interlinear [Interlinear do Reino]) A sua nova vestimenta, tecida de compaixão, bondade, humildade mental, brandura e longanimidade, ajuda-os a resolver problemas e a levar uma vida piedosa. — Mateus 5:9; 18:33; Lucas 6:36; Filipenses 4:2, 3.
5. O que a respeito do funcionamento da congregação cristã torna tão alegre pertencer a ela?
5 Os homens tidos como bem-sucedidos neste mundo não raro são duros, até mesmo cruéis. (Provérbios 29:22) Quão reanimadoramente diferente é entre o povo de Jeová! A congregação cristã não funciona assim como alguns homens dirigem uma empresa — de maneira eficiente, porém dura, que pode tornar infelizes as pessoas. Ao contrário, é uma alegria pertencer à congregação. Uma das razões é que a brandura de temperamento é uma característica da sabedoria demonstrada pelos cristãos em geral e, em especial, pelos homens qualificados para ensinar concrentes. Sim, instruções e conselhos ministrados por anciãos designados que ensinam “com a brandura que pertence à sabedoria” produz alegria. — Tiago 3:13.
6. Por que os anciãos cristãos precisam ser de temperamento brando?
6 O espírito, ou atitude dominante, do povo de Deus requer que os homens a quem se confiou supervisão na congregação sejam de temperamento brando, razoáveis e compreensíveis. (1 Timóteo 3:1-3) Os servos de Jeová são como as dóceis ovelhas, não como cabritos obstinados, mulas teimosas, ou lobos vorazes. (Salmo 32:9; Lucas 10:3) Sendo semelhantes a ovelhas, têm de ser tratados com brandura e delicadeza. (Atos 20:28, 29) Sim, Deus espera que os anciãos sejam brandos, bondosos, amorosos e pacientes com as Suas ovelhas. — Ezequiel 34:17-24.
7. De que modo devem os anciãos ministrar instrução ou ajudar os espiritualmente doentes?
7 Como “escravo do Senhor”, o ancião “precisa ser meigo para com todos, qualificado para ensinar, restringindo-se sob o mal, instruindo com brandura os que não estiverem favoravelmente dispostos, visto que talvez Deus lhes dê arrependimento conduzindo a um conhecimento exato da verdade”. (2 Timóteo 2:24, 25) Os pastores cristãos devem mostrar terna consideração ao tentarem ajudar os espiritualmente doentes, pois as ovelhas pertencem a Deus. Os anciãos não as devem tratar como um mercenário as trataria, mas têm de ser de temperamento brando, como o Pastor Excelente, Jesus Cristo. — João 10:11-13.
8. O que aconteceu com o brando Moisés, e por quê?
8 Às vezes, o ancião talvez ache difícil manter um espírito brando. “Moisés era em muito o mais manso de todos os homens na superfície do solo.” (Números 12:3) Todavia, quando os israelitas enfrentaram uma escassez de água em Cades, eles contenderam com Moisés e acusaram-no de tirá-los do Egito para um ermo desolado. Apesar de tudo o que Moisés mansamente suportara, ele falou irrefletida e rudemente. Ele e Arão levantaram-se perante o povo e dirigiram a atenção a si mesmos, Moisés dizendo: “Ouvi, agora, rebeldes! É deste rochedo que faremos sair água para vós?” Moisés então golpeou o rochedo com seu bastão duas vezes, e Deus fez com que saísse “muita água” para o povo e seus animais. Jeová se desagradou porque Moisés e Arão não O santificaram, de modo que Moisés não foi privilegiado de conduzir os israelitas para a Terra Prometida. — Números 20:1-13; Deuteronômio 32:50-52; Salmo 106:32, 33.
9. Como pode ser provada a brandura dum ancião?
9 A brandura de um ancião cristão também pode ser provada de várias maneiras. Por exemplo, Paulo alertou Timóteo que poderia surgir alguém “enfunado de orgulho” e “tendo mania de criar questões e debates sobre palavras”. Paulo acrescentou: “Destas coisas procedem inveja, rixa, linguagem ultrajante, suspeitas iníquas, disputas violentas sobre ninharias, da parte de homens corrompidos na mente e espoliados da verdade.” O superintendente Timóteo não devia agir duramente, mas sim ‘fugir destas coisas’ e ‘empenhar-se pela justiça, pela devoção piedosa, pela fé, pelo amor, pela perseverança, pela brandura de temperamento’. — 1 Timóteo 6:4, 5, 11.
10. O que devia Tito lembrar às congregações?
10 Embora os anciãos tenham de ser brandos, eles têm de ser firmes pelo que é correto. Tito era assim, lembrando aos associados com a congregação em Creta a ‘não ultrajar a ninguém, a não ser beligerantes, a ser razoáveis, exibindo toda a brandura para com todos os homens’. (Tito 3:1, 2) Para mostrar por que os cristãos devem ser de temperamento brando para com todos, cabia a Tito dirigir a atenção a quão bondoso e amoroso Jeová havia sido. Deus não salvara crentes por causa de quaisquer atos justos que eles tivessem realizado, mas sim segundo a Sua misericórdia por meio de Jesus Cristo. A brandura e a paciência de Jeová significa salvação para nós também. Como Tito, por conseguinte, os anciãos da atualidade devem lembrar as congregações a estarem em sujeição a Deus, imitando-O por tratar outros de maneira branda. — Tito 3:3-7; 2 Pedro 3:9, 15.
A Brandura Guia o Conselheiro Sábio
11. Segundo Gálatas 6:1, 2, como deve ser dado o conselho?
11 Que dizer se uma ovelha figurativa comete um erro? Paulo disse: “Irmãos, mesmo que um homem dê um passo em falso antes de se aperceber disso, vós, os que tendes qualificações espirituais, tentai reajustar tal homem num espírito de brandura, ao passo que cada um olha para si mesmo, para que tu não sejas também tentado. Prossegui em levar os fardos uns dos outros e cumpri assim a lei do Cristo.” (Gálatas 6:1, 2) O conselho é mais eficaz se for dado num espírito de brandura. Mesmo se os anciãos estiverem tentando aconselhar uma pessoa irada, eles devem mostrar autocontrole, dando-se conta de que a “língua suave pode quebrar um osso”. (Provérbios 25:15) Uma pessoa de personalidade dura como osso pode ser abrandada por meio duma declaração branda, e sua dureza pode ser ‘quebrada’.
12. Em que sentido o espírito brando é útil a quem dá conselhos?
12 Jeová é um Instrutor de temperamento brando e sua maneira branda de ensinar é eficaz na congregação. Dá-se isso em especial quando os anciãos acham necessário aconselhar aqueles que necessitam de ajuda espiritual. O discípulo Tiago escreveu: “Quem é sábio e entendido entre vós? Mostre ele as suas obras pela sua conduta excelente com a brandura que pertence à sabedoria.” A brandura brota do respeito e da gratidão pela “sabedoria de cima”, junto com o reconhecimento modesto das próprias limitações da pessoa. O espírito brando e humilde protege o conselheiro contra fazer observações ou cometer erros prejudiciais e faz com que seu conselho seja fácil de aceitar. — Tiago 3:13, 17.
13. De que modo “a brandura que pertence à sabedoria” influi na maneira de aconselhar?
13 “A brandura que pertence à sabedoria” impede que o conselheiro seja irrefletidamente indelicado ou duro. Todavia, a preocupação com a amizade ou com ter a aprovação de alguém não deve induzir o ancião a dizer coisas destinadas a agradar, em vez de, com brandura, dar conselhos claros e diretos baseados na Palavra de Deus. (Provérbios 24:24-26; 28:23) O conselho que Amnom recebeu de seu primo satisfez seu desejo, mas custou-lhe a vida. (2 Samuel 13:1-19, 28, 29) Os anciãos da atualidade, portanto, não devem atenuar os princípios bíblicos a fim de aliviar a consciência de alguém, pois fazer isto poderia pôr em risco a vida dessa pessoa. Como Paulo, os anciãos não devem refrear-se de falar a outros “todo o conselho de Deus”. (Atos 20:26, 27; 2 Timóteo 4:1-4) O maduro conselheiro cristão mostra temor piedoso e dá conselhos justos com a brandura que pertence à sabedoria.
14. Por que deve o ancião cuidar de não tomar decisões que outros deviam tomar por si mesmos?
14 A brandura junto com a sabedoria celestial evitará que o ancião faça duras exigências. Deve também dar-se conta de que é insensato e inapropriado que ele faça uma decisão que outra pessoa devia fazer por si mesma. O ancião seria responsável pelos resultados se tomasse decisões por outros e partilharia da culpa por qualquer má conseqüência. O ancião pode trazer à atenção o que a Bíblia diz, mas, se não houver nenhuma lei bíblica sobre um determinado assunto, o julgamento e a consciência da própria pessoa têm de determinar o que ela fará ou não fará. Como Paulo disse: “Cada um levará a sua própria carga.” (Gálatas 6:5; Romanos 14:12) Contudo, o indagador pode ser ajudado a tomar a decisão correta através das perguntas dum ancião, que ajudam a pessoa a raciocinar sobre os textos bíblicos relacionados com procederes opcionais que talvez lhe estejam abertos.
15. O que deve ser feito se o ancião não souber a resposta a uma pergunta?
15 Se o ancião não souber a resposta a uma pergunta, não deve responder apenas para salvar as aparências. A brandura que pertence à sabedoria impediria que ele adivinhasse e talvez desse uma resposta errada que mais tarde poderia causar dificuldades. Há “tempo para ficar quieto e tempo para falar”. (Eclesiastes 3:7; compare isso com Provérbios 21:23.) O ancião deve “falar” apenas quando sabe a resposta a uma pergunta ou fez suficiente pesquisa para dar uma resposta correta. É sábio deixar sem resposta perguntas especulativas. — Provérbios 12:8; 17:27; 1 Timóteo 1:3-7; 2 Timóteo 2:14.
O Valor de Uma Multidão de Conselheiros
16, 17. Por que é apropriado que os anciãos consultem uns aos outros?
16 A oração e o estudo ajudarão os anciãos a responder a perguntas e a lidar com problemas difíceis, mas convém lembrar que “na multidão de conselheiros há consecução”. (Provérbios 15:22) Consultar outros anciãos resulta numa valiosa combinação de sabedoria. (Provérbios 13:20) Nem todos os anciãos têm igual experiência ou conhecimento bíblico. Assim, a brandura que pertence à sabedoria deve induzir o ancião menos experiente a consultar anciãos que tenham maior conhecimento e mais experiência, especialmente quando é necessário tratar de um assunto sério.
17 Quando anciãos são escolhidos para cuidar de um assunto sério, ainda assim podem confidencialmente buscar ajuda. Para ajudá-lo em julgar os israelitas, Moisés selecionou ‘homens capazes, tementes a Deus, homens fidedignos, que odiavam o lucro injusto’. Embora fossem anciãos, não tinham tanto conhecimento e experiência como Moisés. Assim, ‘qualquer causa difícil traziam a Moisés, mas toda causa pequena resolviam eles mesmos como juízes’. (Êxodo 18:13-27) Se necessário, então, os anciãos que cuidam de um caso difícil hoje podem apropriadamente buscar ajuda de superintendentes experientes, embora façam eles mesmos a decisão final.
18. Ao cuidar de assuntos judicativos, quais são os fatores decisivos que garantem decisões acertadas?
18 A Míxena judaica diz que em Israel aqueles que compunham as cortes de aldeias variavam em número segundo a gravidade do caso. Há verdadeira vantagem na multidão de conselheiros, ainda que a quantidade em si não garanta a retidão, pois a maioria pode estar errada. (Êxodo 23:2) Os fatores decisivos que garantem decisões acertadas são as Escrituras e o espírito de Deus. A sabedoria e a brandura induzirão os cristãos a se submeterem a tais.
Dar Testemunho com Brandura
19. De que modo a brandura ajuda os do povo de Jeová a testemunhar a outros?
19 A brandura ajuda também os servos de Jeová a dar testemunho a pessoas de variados temperamentos. (1 Coríntios 9:22, 23) Visto que Jesus ensinava com brandura, os humildes não o temiam, como temiam os rudes líderes religiosos. (Mateus 9:36) Naturalmente, seus modos brandos atraíam “ovelhas”, não “cabritos” iníquos. (Mateus 25:31-46; João 3:16-21) Embora Jesus usasse termos fortes nos tratos com hipócritas semelhantes a cabritos, as Testemunhas de Jeová têm de ser brandas ao declararem as mensagens de julgamento de Deus hoje, visto que não têm a mesma percepção e autoridade que Jesus tinha. (Mateus 23:13-36) Ao ouvirem a mensagem do Reino ser pregada com brandura, ‘os corretamente dispostos para com a vida eterna tornam-se crentes’, assim como fizeram aqueles semelhantes a ovelhas que ouviram Jesus. — Atos 13:48.
20. De que modo o estudante da Bíblia se beneficia quando é ensinado com brandura?
20 O testemunho e a instrução dados com brandura, atraindo as pessoas à base da lógica, de princípios bíblicos e da verdade, produzem bons resultados. “Santificai o Cristo como Senhor nos vossos corações”, escreveu Pedro, “sempre prontos para fazer uma defesa perante todo aquele que reclamar de vós uma razão para a esperança que há em vós, fazendo-o, porém, com temperamento brando e profundo respeito”. (1 Pedro 3:15) O estudante que é ensinado duma maneira branda pode concentrar-se na matéria em vez de ser distraído, ou talvez até mesmo tropeçar, por causa de um estilo rude ou belicoso. Como Paulo, os ministros que instruem com brandura podem dizer: “De modo algum damos qualquer causa para tropeço, para que não se ache falta no nosso ministério.” (2 Coríntios 6:3) Até mesmo opositores às vezes reagem bem aos que instruem com brandura.
Todos Precisam Ter Brandura
21, 22. De que modo a brandura beneficia a todos os do povo de Jeová?
21 A brandura cristã não deve ser adotada apenas para impressionar os de fora da organização de Jeová. Esta qualidade é também vital nos relacionamentos entre os do povo de Deus. (Colossenses 3:12-14; 1 Pedro 4:8) Quando anciãos e servos ministeriais brandos trabalham juntos em harmonia, as congregações são edificadas espiritualmente. Mostrar brandura e outras qualidades piedosas é importante para cada um dos do povo de Jeová porque há apenas “uma só lei” para todos. — Êxodo 12:49; Levítico 24:22.
22 A brandura contribui para a paz e a felicidade do povo de Deus. Ela deve, por conseguinte, ser parte da textura de qualidades que compõem a vestimenta usada por todos os cristãos no lar, na congregação e em outras partes. Sim, todos os servos de Jeová devem revestir-se de brandura.
-