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O encanto da músicaDespertai! — 2011 | agosto
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O encanto da música
CONSEGUE imaginar como seria o mundo sem a música? Sem as suaves canções de ninar. Sem as românticas serenatas de amor. Sem as animadas músicas populares. Sem as emocionantes sinfonias. E sem os motivadores cânticos de louvor. Para a maioria das pessoas, um mundo assim seria monótono e sem graça.
A música mexe praticamente com todos os sentimentos humanos. Ela pode acalmar, empolgar, alegrar e inspirar. Também é capaz de nos deixar eufóricos ou nos fazer chorar. Não há dúvida de que ela toca o coração. Mas por que a música tem tanto poder? A resposta é simples: ela é um belo presente de Deus. (Tiago 1:17) E, como qualquer presente de Deus, ela deve ser valorizada. Além disso, deve ser sadia e estar disponível a pessoas de todas as idades.
A história da música é muito antiga. Por exemplo, descobertas arqueológicas mostram que, séculos antes de nossa Era Comum, tribos africanas tocavam tambores, buzinas e sinos. Os antigos chineses tocavam um tipo de gaita e flauta de Pã. Os povos do Egito, da Índia, de Israel e da Mesopotâmia tocavam harpa. Talvez uma das referências históricas mais específicas à música seja a encontrada na Bíblia em Gênesis 4:21. Segundo ela, um homem chamado Jubal foi “o fundador de todos os que manejam a harpa e o pífaro”. Muitos séculos mais tarde, o Rei Salomão de Israel mostrou muito interesse na música e conseguiu a melhor madeira disponível para a fabricação de harpas e de outros instrumentos de cordas. — 1 Reis 10:11, 12.
Naturalmente, para escutar música instrumental naquela época, você precisaria saber tocar um instrumento ou ouvir alguém tocando. Hoje em dia, porém, milhões de pessoas têm acesso à música com um simples toque de botão ou um clique de mouse. Todo tipo de música pode ser gravada ou baixada da internet e tocada em aparelhos que cabem no bolso. Uma pesquisa feita em 2009 num país ocidental constatou que jovens de 8 a 18 anos gastam mais de duas horas por dia ouvindo música e outras gravações de áudio.
Essa tendência, comum em muitas partes do mundo, ajuda a explicar por que a música e todo tipo de tecnologia relacionada se tornaram importantes produtos comerciais. Ninguém pode negar que a música é uma indústria bem lucrativa. Mas o que faz uma música virar um sucesso?
[Quadro/Foto na página 3]
Música on-line
DOWNLOAD: Muitos usuários compram todo arquivo que baixam da internet. Outros têm assinaturas — muitas vezes em conjunto com planos de celular ou com outros produtos — que permitem baixar e tocar músicas apenas durante o período especificado no contrato.
STREAMING: Refere-se a músicas em formato digital que são executadas imediatamente sem a necessidade de armazenar os arquivos. A maioria das músicas pode ser ouvida gratuitamente, embora certos conteúdos estejam disponíveis apenas para assinantes.
[Tabela/Fotos na página 3]
Avanços na gravação de áudio
anos 1880
Disco de fonógrafo
anos 1890
Fio de aço
anos 1940
Fita magnética
anos 1960
Fita cassete
anos 1980
Compact disc (CD)
anos 1990
Arquivos digitais (MP3, AAC, WAV, etc.)
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Como uma música se torna um sucesso?Despertai! — 2011 | agosto
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Como uma música se torna um sucesso?
A INDÚSTRIA da música é muito dinâmica, instável e extremamente competitiva. Os gostos musicais mudam, as pessoas cansam das músicas de sucesso e novas tendências e tecnologias tomam o lugar das antigas. Os empresários “estão sempre procurando um novo som”, diz Kelli S. Burns, especialista em mídia social. Mas transformar esse “som” numa música de sucesso não é fácil. De acordo com um livro sobre o assunto, “muitos jovens sonham em se tornar astros da música, . . . mas a trajetória entre esse sonho e o contrato com uma gravadora costuma ser longa e penosa”. — Veja o quadro “Mudanças na indústria da música”, na página 6.
Letra e música
Os compositores (1) procuram criar letras que tocam o coração das pessoas — seus sonhos, aspirações e sentimentos mais profundos. Qual o tema mais comum nas músicas? Se você disse amor, acertou. Os compositores também tentam compor melodias com um refrão que capta a atenção do ouvinte e fica na mente dele.
Depois, o compositor faz uma gravação piloto, ou demo, da música. Se os executivos de uma gravadora acham que a música vai ser rentável, eles oferecem ao artista um contrato de gravação (2). Mas se eles têm algum receio em relação ao cantor (talvez por não ser muito conhecido), pode ser que comprem a música para que um artista mais conhecido a interprete.
No estúdio
Para supervisionar o processo de gravação (3), as gravadoras geralmente contratam um produtor experiente. Ele escolhe o estilo da música e aprova a gravação final. Ele também contrata e supervisiona um estúdio, arranjadores, copistas, músicos, vocalistas de apoio, engenheiros de gravação e os equipamentos necessários para que o produto final seja profissional e tenha apelo comercial.
A maioria das gravações é feita em etapas, geralmente começando com bateria, guitarra, baixo e teclado. Depois, vocais principais, vocais de apoio, solos instrumentais e efeitos sonoros especiais são acrescentados e mixados para se gravar um máster digital (4).
Marketing
Para divulgar seus produtos, as gravadoras costumam produzir videoclipes (5). Esses vídeos de três a cinco minutos podem transmitir um pouco da emoção de shows ao vivo e projetar artistas na mídia. Além disso, os videoclipes por si sós podem gerar muito lucro para a gravadora.
As vendas de álbuns são maiores nos lugares onde os artistas fazem shows ao vivo (6). Por isso, eles costumam fazer shows ou turnês para divulgar um novo álbum. A maioria dos artistas também tem um site (7) com fotos, vídeos, blog pessoal, amostras de músicas e programação de shows, além de links para fã-clubes e, o mais importante, para lojas virtuais de música.
Quem decide se uma música será um sucesso ou não? Basicamente, é você: o ouvinte. O que influencia sua escolha de músicas? É apenas a melodia e o artista, ou os valores que você preza também têm um papel nisso? Essas perguntas são importantes, pois a música pode exercer forte influência em nós. Isso nos lembra do importante conselho dado pelo nosso Criador: “Mais do que qualquer outra coisa a ser guardada, resguarda teu coração, pois dele procedem as fontes da vida.” — Provérbios 4:23.
Como você pode seguir esse conselho sábio em relação à música? E se você tem filhos, como pode cumprir sua responsabilidade de protegê-los de danos espirituais, mentais e emocionais?
[Quadro na página 6]
Mudanças na indústria da música
A internet, programas de computador e equipamentos de gravação a preços acessíveis têm contribuído para uma revolução na indústria da música. Hoje em dia, músicos conseguem gravar em casa música de qualidade profissional e disponibilizá-la a pessoas do mundo todo. Segundo a revista The Economist, “vários grandes nomes da música dispensaram por completo as gravadoras”.
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Escolha bem suas músicasDespertai! — 2011 | agosto
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Escolha bem suas músicas
“As músicas que meus pais ouvem são muito chatas”, reclama Jordan, de 17 anos.a
“As músicas que meu filho ouve são deprimentes e cheias de ódio”, lamenta sua mãe, Denise.
POR QUE a música costuma gerar conflitos entre pais e filhos adolescentes? Um motivo é que o gosto musical da pessoa pode mudar à medida que fica mais velha. Outro é que a própria música muda. Assim, o que faz sucesso hoje talvez esteja fora de moda amanhã.
Qualquer que seja o caso, a música nos influencia. Já percebeu como ela afeta seus sentimentos? Quando o Rei Saul do Israel antigo se sentia aflito, a música suave o acalmava. (1 Samuel 16:23) De certa forma, as músicas são como as pessoas com quem nos associamos. Algumas despertam em nós sentimentos positivos, como alegria e amor. Outras desenterram sentimentos negativos, como raiva e ódio. — Provérbios 13:20.
Visto que a música exerce forte influência, pais e filhos precisam escolher bem o que ouvem. Se você tem filhos, mostra interesse sincero pelo gosto musical deles? Você impõe regras sobre esse assunto?
Isso não significa simplesmente proibir certos álbuns ou estilos musicais, mas também ajudar os filhos a encontrar alternativas aceitáveis. O livro On Becoming Teenwise (Aprendendo a Lidar com Adolescentes) diz: “Você não pode apenas tirar de uma pessoa algo que ela gosta muito e deixar um vazio. É preciso achar algo novo para preencher esse vazio ou então ela vai voltar para seus velhos hábitos.”
Outro ponto para pensar: quanto tempo seus filhos gastam ouvindo música? Será que esse tempo interfere no dever de casa, nas atividades espirituais, nas responsabilidades domésticas e em outros assuntos mais importantes? Como diz a Bíblia, “para tudo há um tempo determinado”. — Eclesiastes 3:1.
Outro problema é a tendência de se isolar. Sem dúvida, todos nós precisamos de privacidade e de tranquilidade para meditar. Isso é importante para não nos tornarmos pessoas superficiais. (Salmo 1:2, 3) Mas, se não houver equilíbrio, a pessoa pode acabar ficando introvertida e egoísta. (Provérbios 18:1) Para Felipe, que hoje tem 20 anos, ouvir música era uma oportunidade de ter um tempo para si mesmo. Ele conta: “Mas minha mãe ficava preocupada achando que eu estava me isolando.”
O que pode ajudar jovens como Felipe e seus pais a transformar um ponto de discórdia em um ponto em comum? Como todos nós podemos escolher bem as músicas que ouvimos? Muitos descobriram que os princípios da Bíblia são de ajuda. Que acha de considerar as seguintes perguntas com seus filhos?
● Que mensagem a música transmite? “A fornicação e a impureza de toda sorte, ou a ganância, não sejam nem mesmo mencionadas entre vós.” (Efésios 5:3) A letra de muitas músicas é inofensiva. Já a de outras, de modo sutil ou explícito, aprova e até incentiva comportamentos que violam valores morais, como os princípios da Bíblia. Alguns estilos musicais são conhecidos por sua depravação, ódio e violência. “Algumas letras de rap são chocantes, às vezes agressivas, cheias de misoginia (ódio às mulheres) e obscenidades”, comenta a autora Karen Sternheimer. As letras de heavy metal em geral incluem violência e ocultismo. Até mesmo a música pop pode incentivar comportamento questionável. Assim, para tomar boas decisões na escolha de músicas, use sua “faculdade de raciocínio”. (Romanos 12:1) Não se deixe levar apenas pelo bom som ou pela popularidade de uma música.
● Como a música afeta meus sentimentos? “Resguarda teu coração, pois dele procedem as fontes da vida.” (Provérbios 4:23) Sua escolha de música faz mais do que revelar o que você tem na mente e no coração. Ela também pode influenciá-los. “Certos tipos de música me deixavam irritado e agressivo”, conta Jordan, já mencionado. Pergunte-se: ‘Como as músicas que escuto afetam meus pensamentos e humor? Depois de ouvi-las, me sinto relaxado e revigorado ou tenso e aborrecido? Será que incitam pensamentos indecentes?’ (Colossenses 3:5) Se uma música estimula sentimentos indesejáveis ou pensamentos impróprios, seria bom eliminá-la da sua coleção. (Mateus 5:28, 29) Hannah, de 17 anos, diz: “Já notei os danos que a música ruim pode causar, e não quero isso para mim.”
● Será que a música vai influenciar meus valores? “Odiai o que é mau e amai o que é bom”, diz Amós 5:15. Não é fácil fazer isso hoje em dia, porque estamos vendo o cumprimento de uma profecia bíblica que diz que os seres humanos de modo geral seriam “amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, . . . mais amantes de prazeres do que amantes de Deus”. (2 Timóteo 3:1-4) Daí, o versículo 5 diz: “E destes afasta-te.”
O que você faz para se afastar desse tipo de pessoas? É claro que não basta apenas ficar longe delas. Você também precisa rejeitar qualquer produto que reflita a conduta ruim dessas pessoas. (Efésios 4:25, 29, 31) Mas será que isso vai limitar demais sua escolha de música? De forma alguma!
Amplie seus horizontes
Em muitas famílias, pais e filhos adolescentes gostam de conhecer as preferências musicais uns dos outros. Lena comenta: “Minha filha de 13 anos me mostrou as músicas favoritas dela, e agora eu também gosto delas.” Heather, de 16 anos, e seus pais gostam das mesmas músicas e costumam trocar CDs.
No mundo todo, milhões de Testemunhas de Jeová de todas as idades e culturas ouvem uma ampla variedade de músicas, incluindo as melodias do cancioneiro Cantemos a Jeová, que fortalecem nossa fé.b Isso também é verdade onde essas melodias diferem da música típica da região.
Não importa se você é um pai ou um filho, quando for comprar um álbum ou baixar uma música, pergunte-se: ‘Quem me deu a capacidade de apreciar a música? Não foi meu Criador, Jeová Deus? Então, como posso mostrar a ele que eu realmente dou valor a isso? Será que não é por levar a sério seus padrões do que é certo e errado ou do que é bom e ruim?’ Pensar nessas perguntas ajudará você a escolher bem suas músicas, alegrando assim seu coração e o de seu Criador. — Provérbios 27:11.
[Nota(s) de rodapé]
a Alguns nomes foram mudados.
b Disponíveis para download sem custo no site www.pr418.com.
[Destaque na página 7]
Alguns estilos musicais são conhecidos por sua depravação
[Destaque na página 8]
Existe uma ampla variedade de músicas que você pode ouvir
[Quadro na página 7]
Por que fiz mudanças
“Tudo que lembro de minha adolescência se resume em álcool, drogas e violência”, conta Ashley, de 24 anos, “e a música que estimulava isso era o heavy metal e o rap. As letras cheias de sacrilégio e ódio, acompanhadas da batida forte e constante, me davam uma sensação de poder. A música também acabou me aproximando mais de amigos que usavam drogas. Cantores de rap e bandas de heavy metal eram nossa inspiração e nossos heróis.
“Mas não demorou muito para eu perder o controle de minha vida. Aos 17 anos, quase morri de overdose. Quando acordei, orei a Deus pedindo ajuda. Lembrei que certa vez um garoto tinha me dito que o nome de Deus é Jeová, e associei isso às Testemunhas de Jeová. Então peguei uma lista telefônica, liguei para as Testemunhas de Jeová e comecei a estudar a Bíblia com elas.
“Abandonei meus hábitos ruins e me livrei de tudo relacionado às músicas que costumava ouvir. Mas, quando joguei meus CDs no lixo, fiquei ali parado olhando para eles. Foi de partir o coração. Então lembrei que aquelas músicas e os meus vícios estavam acabando comigo. Daí virei as costas e fui embora.
“Hoje, anos depois, ainda me sinto atraído ao heavy metal e ao rap. Por isso, evito essas músicas como se fossem drogas. Agora eu aprecio muitos outros estilos musicais, incluindo baladas, soft rock e um pouco de música clássica. Mas o melhor de tudo é que hoje consigo controlar minha vida.”
[Quadro na página 9]
Dicas para os pais
Você fica preocupado com as músicas que seu filho escuta? Como você pode ajudá-lo sem provocar uma guerra? Veja as sugestões abaixo:
Informe-se Faça uma pesquisa antes de falar com seu filho. Ouça as músicas, preste atenção na letra e analise o encarte do álbum, ou acesse o site da banda e veja seus videoclipes. Pergunte-se: ‘Há motivo para eu me preocupar ou estou sendo implicante?’ A Bíblia diz: “O homem sábio pensa antes de falar; por isso o que ele diz convence mais.” — Provérbios 16:23, Bíblia na Linguagem de Hoje.
Tenha discernimento A música pode revelar como é o mundo e o coração de seu filho. Com jeito, tente ajudá-lo a expressar seus sentimentos. Pergunte a ele: “O que você gosta nesta música? A letra fala de algum problema que você está tendo?” Daí, ouça com atenção a resposta. Provérbios 20:5 diz: “Os pensamentos de uma pessoa são como água em poço fundo, mas quem é inteligente sabe como tirá-los para fora.” — BLH.
Seja construtivo O ponto não é apenas fazer seu filho jogar fora um CD com música questionável. Seu objetivo é treinar as “faculdades perceptivas [dele] . . . para distinguir tanto o certo como o errado”, para que ele consiga tomar decisões sábias por si mesmo. (Hebreus 5:14) Então, ensine-o a fazer pesquisas e a raciocinar à base de princípios bíblicos — algo que será de valor pelo resto da vida. Assim, você o ajudará a raciocinar melhor e a desenvolver a sabedoria divina, habilidades que são muito mais valiosas do que todo o ouro do mundo. — Provérbios 2:10-14; 3:13, 14.
Seja firme, mas compreensivo e bondoso ‘Revista-se das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade.’ (Colossenses 3:12) Ao raciocinar com seu filho, não seja intolerante nem implicante. Lembre-se de que você também já foi adolescente.
[Foto na página 8]
Mantenha padrões elevados ao escolher suas músicas
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