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Triângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismoTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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TRIÂNGULOS ROXOS — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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ConteúdoTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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CONTEÚDO
© 1999, 2003, 2023
Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
Purple Triangles—“Forgotten Victims” of the Nazi Regime
Triângulos Roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
Portuguese (Brazil) (brfi-T)
Edição de janeiro de 2025
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PrefácioTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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PREFÁCIO
Até o final de 2002, por volta de 600 mil pessoas — inclusive muitos jovens — visitaram a exposição itinerante sobre a perseguição sofrida pelas Testemunhas de Jeová, que usavam triângulos roxos nos campos de concentração durante o Terceiro Reich. A exposição foi realizada em museus de antigos campos de concentração, como Mauthausen, Moringen, Neuengamme, Buchenwald, Sachsenhausen e Bergen-Belsen e em centros de ensino para adultos e outras instituições educacionais. Essa exposição foi fundamental para impedir que essas “vítimas esquecidas”, como os historiadores alemães as chamam, fossem apagadas da história. Quais foram outros resultados positivos dessa exposição?
O dia 27 de janeiro é o dia internacional em memória das vítimas do holocausto. Em 1998, o Museu e Memorial do Campo de Concentração de Sachsenhausen dedicou esse dia às vítimas que eram Testemunhas de Jeová. Nessa ocasião, o Ministro da Cultura e Ciência de Brandemburgo, Steffen Reiche, disse: “A conduta das Testemunhas de Jeová nos campos de concentração e nas prisões demonstra virtudes que até hoje são muito importantes para a existência de um estado constitucional democrático, a saber, sua firme posição contra a SS e sua bondade para com outros prisioneiros. Tendo em vista a crescente brutalidade contra estrangeiros e contra pessoas de diferentes conceitos políticos ou ideológicos, essas virtudes são essenciais para cada cidadão de nosso país.”
Esse comentário reforça que exposições desse tipo vão além de apenas informar sobre a terrível perseguição sofrida por uma minoria religiosa durante o nazismo. Elas também mostram a importância de documentar o passado.
Quando a exposição foi apresentada em Hamburgo em outubro de 1997, um famoso jornal comentou: “Ela consegue o que todas as exposições deste tipo deveriam buscar: além de exibir simples estatísticas de pessoas que foram hostilizadas, demitidas, presas, torturadas e assassinadas, ela destaca as dificuldades que cada uma delas enfrentou.” — Die Zeit, 10 de outubro de 1997, pág. 24.
Durante a inauguração dessa exposição promovida pelo Centro Estadual de Educação Política da Baixa Saxônia no Memorial do campo de concentração de Bergen-Belsen, um palestrante disse: “Todas as pessoas retratadas representam muitas outras que foram perseguidas, presas e torturadas porque se apegaram firmemente às suas convicções religiosas e não se conformaram ao cenário nacional-socialista. Elas não são heróis distantes e intocáveis. São pessoas comuns, mortais como todos nós, que agiram em harmonia com a sua consciência, defenderam corajosamente suas convicções e, por isso, se tornaram bons exemplos para nossa vida.” — jornal Hannoversche Allgemeine Zeitung, 20 de abril de 1998, pág. 4.
A exposição está dividida em três conjuntos, cada um com cerca de 50 painéis, com os temas: “As Testemunhas de Jeová Resistem ao Ataque Nazista” (que acompanha a apresentação do documentário com esse mesmo título produzido pela Sociedade Torre de Vigia ou outros filmes sobre o assunto produzidos por pessoas que não são Testemunhas de Jeová); “Vítimas Esquecidas” (historiadores costumam se referir às Testemunhas de Jeová como “vítimas esquecidas do nazismo”); e “Resistência Espiritual Graças à Devoção Cristã” (exposição que acompanhou fóruns científicos com os mesmos temas em Wewelsburg, Hamburgo e Frankfurt em outubro de 1997).
O conceito básico por trás dos painéis da exposição veio da exposição francesa Cercle européen des Témoins de Jéhovah anciens déportés et internés (Sociedade Europeia das Testemunhas de Jeová Ex-Prisioneiras de Campos de Concentração), criada em Paris no ano de 1990. Mas o conteúdo dos painéis alemães foi revisado e expandido. Em 6 de novembro de 1996, a exposição foi apresentada na estreia mundial do documentário alemão As Testemunhas de Jeová Resistem ao Ataque Nazista, no Museu Memorial do Campo de Concentração de Ravensbrück. Nessa ocasião, o ex-ministro-presidente do estado de Brandemburgo/Potsdam escreveu: “Esse filme é muito importante para informar o público sobre o papel que a sua associação religiosa desempenhou durante o nazismo.”
Cerca de 400 das 567 apresentações incluíram a exposição itinerante sobre as vítimas esquecidas. Em 23 de janeiro de 1998, na inauguração da exposição em Stuttgart-Bad Cannstatt, o diretor do Centro Estadual de Educação Política de Baden-Württemberg, Siegfried Schiele, declarou: “Todos os que resistiram ao ataque nazista — independentemente do motivo — merecem profunda admiração. Entre eles, um importante grupo são as Testemunhas de Jeová. Elas merecem nosso respeito, que por muito tempo deixou de ser evidente. Portanto, fico feliz que essa exposição agora pode ajudar a compensar essa falha. Já fiquei com uma boa impressão ao visitar a exposição. Também recomendo fortemente o documentário que assisti. Não podemos escolher registrar apenas a história que nos convém. As Testemunhas de Jeová têm um lugar definitivo e exemplar no capítulo que talvez seja o mais triste de toda a nossa história.”
Conforme a necessidade, a Sociedade da Torre de Vigia na Alemanha produziu painéis adicionais com referências ao local onde a exposição seria exibida. Isso foi feito, por exemplo, para a cidade de Stuttgart e para o Museu Memorial de Bautzen. (Alguns museus memoriais receberam painéis extras em caráter permanente.) Os painéis também foram produzidos em tamanho real para a estreia da versão russa do vídeo Resistem, em 15 de maio de 1997, no World Trade Center de Moscou, para a estreia na Áustria e para a exposição especial “As Vítimas Esquecidas”, em 18 de junho de 1997, no Museu Memorial do Campo de Concentração de Mauthausen. As filiais da Sociedade Torre de Vigia na Suécia, Dinamarca e Noruega produziram cópias eletrônicas de alguns dos painéis e os apresentaram no Museu Nórdico no centro de Estocolmo, em 14 de janeiro de 1998, e em Copenhague, em 30 de março de 1998. Nesses países, os painéis foram exibidos como exposição itinerante em várias cidades.
Esta brochura apenas apresenta uma seleção de fotos e documentos dos 50 painéis tridimensionais. Mas uma nova coleção de painéis foi digitalizada para ser baixada gratuitamente. Essa coleção pode ser impressa e usada como um recurso valioso em apresentações públicas e em salas de aula.
Desejamos que essa exposição continue contribuindo para que todos os cidadãos possam formar opiniões sem preconceitos.
Os editores
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CitaçõesTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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CITAÇÕES
(As referências estão em ordem cronológica e apresentam algumas importantes publicações especializadas no assunto.)
“O grau de lealdade ao Estado foi o critério usado para dar início à perseguição . . . A ‘Associação Internacional dos Fervorosos Estudantes da Bíblia’ [e] a ‘Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados’ foram as primeiras associações religiosas a ser atacadas pelos nazistas, e com maior intensidade. Quase todas as análises feitas, ou memórias escritas sobre campos de concentração, incluem uma descrição da forte fé, diligência, solicitude e martírio fanático dos Fervorosos Estudantes da Bíblia.” — Kirchenkampf in Deutschland 1933-1945 (Luta das Igrejas na Alemanha 1933-1945), de Friedrich Zipfel, Berlim, 1965, pág. 175.
“É surpreendente que nenhuma outra seita sofreu tanto nas mãos do nazismo quanto os Fervorosos Estudantes da Bíblia.” — Die Ernsten Bibelforscher im Dritten Reich (Os Fervorosos Estudantes da Bíblia no Terceiro Reich), de Michael H. Kater, publicado em Vierteljahrshefte für Zeitgeschichte, abril de 1969, Stuttgart, 1969, pág. 183.
“A distribuição da ‘Resolução’ [em 12 de dezembro de 1936] e da ‘Carta aberta’ [em 20 de junho de 1937], além de espetacular, foi também um novo método de pregação pública . . . [Essas] campanhas por todo o ‘Reich’ eram tão bem organizadas que podiam acontecer em toda a Alemanha no mesmo dia e no mesmo horário . . . Durante toda a era nazista na Alemanha, nenhuma outra organização da resistência tomou medidas comparáveis a essas.” — Widerstand “von unten.” Widerstand und Dissens aus den Reihen der Arbeiterbewegung und der Zeugen Jehovas in Lübeck und Schleswig-Holstein 1933-1945 (Resistência “de Baixo”. Resistência e Dissidência das Fileiras do Movimento Operário e das Testemunhas de Jeová em Lübeck e Schleswig-Holstein), de Elke Imberger, Neumünster, 1991, pág. 345.
“Sendo um Estado totalitário, ele exigia das pessoas plena devoção ao regime. O governo de Hitler se colocou na posição de Deus e exigiu que toda a ‘comunidade nacional’ estivesse em harmonia com o führer. E, mesmo assim, a resistência se tornou a norma de autoestima e afirmação dos próprios direitos da denominação religiosa das Testemunhas de Jeová.” Between Resistance & Martyrdom: Jehovah’s Witnesses in the Third Reich (Entre Resistência e Martírio — Testemunhas de Jeová no Terceiro Reich), do Prof. Dr. Detlef Garbe, Madison/Wisconsin, 2008, pág. 528.
“Desde o período da República de Weimar, as Testemunhas de Jeová sofreram hostilidades dos que apoiavam o nacionalismo racial, da igreja e das primeiras medidas judiciais do Estado . . . Apesar de, em 1933, a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia ter tentado se adaptar à nova situação e declarado ser estritamente neutra e de natureza anticomunista, rapidamente surgiram sérios conflitos com as agências do governo. Já no início de 1933 ocorreram severas perseguições, apreensões e proibições relacionadas a impressão, pregação e organização da obra.” — Widerstand und Emigration. Das NS-Regime und seine Gegner (Resistência e Emigração. O Regime Nazista e seus Oponentes), de Hartmut Mehringer, Munique, 1997, edição de bolso, 1998, pág. 103.
“A primeira coisa que percebemos da atitude das Testemunhas de Jeová durante a Alemanha nazista é que um pequeno grupo, baseado na fé e firme senso de solidariedade, conseguiu escapar da influência do totalitarismo nazista, apesar do alto preço . . . A segunda é que deveria ser uma obrigação de todos nós, que nascemos após o Terceiro Reich, garantir que as pessoas nunca mais tenham que morrer por permanecer fiéis a sua consciência.” The Religious Association of Jehovah’s Witnesses in Baden and Wurttemberg, 1933–1945 (A Associação Religiosa das Testemunhas de Jeová em Baden e Wurttemberg, 1933-1945), do Dr. Hubert Roser, em: Dr. Hans Hesse (ed.), Persecution and Resistance of Jehovah’s Witnesses During the Nazi Regime 1933–1945 (Perseguição e Resistência das Testemunhas de Jeová Durante o Regime Nazista 1933-1945), Bremen, 2001, pág. 207.
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ProibiçõesTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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PROIBIÇÕES
1 Prósperas congregações das Testemunhas de Jeová (Estudantes da Bíblia) na Alemanha antes de 1933. Elas eram bem conhecidas por causa de sua intensa atividade de pregação.
2 Já em 1933, as Testemunhas de Jeová sofreram as primeiras medidas repressivas, como detenções em campos de concentração, porque se recusavam a participar em eleições, não faziam a saudação a Hitler e continuavam suas atividades religiosas apesar das proibições.
3 Em 7 de outubro de 1934, as Testemunhas de Jeová na Alemanha e em outros 50 países enviaram cerca de 20 mil cartas e telegramas para o governo da Alemanha em protesto contra a perseguição. Os telegramas enviados de outros países diziam: “Ao governo de Hitler, Berlim, Alemanha. Seus maus-tratos para com as Testemunhas de Jeová deixam todas as pessoas boas da terra chocadas e desonram o nome de Deus. Pare de perseguir as Testemunhas de Jeová. Caso contrário, Deus destruirá você e o seu partido nacional. Assinado, TESTEMUNHAS DE JEOVÁ [cidade ou comunidade].”
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Às escondidasTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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ÀS ESCONDIDAS
1 Muitas Testemunhas de Jeová, como Max e Konrad Franke, continuaram suas atividades religiosas apesar da perseguição. Alguns copiavam secretamente as publicações da Torre de Vigia. Konrad foi levado para os campos de concentração de Osthofen (1933), Sachsenburg (1934) e Sachsenhausen (1936-1945), e seu pai, Max, para Sachsenburg (1934) e Buchenwald (a partir de 1935).
2 Maria Hombach atuou secretamente como mensageira. Em fevereiro de 1940, ela foi sentenciada a três anos e meio na prisão, os quais passou em confinamento na solitária. O sistema judicial a libertou em 1943 após seus pais, que eram católicos, pedirem clemência. Ela continuou suas atividades de forma discreta até 1945.
3 Parte do livro Jeová (1934) impresso às escondidas na Alemanha, reduzido fotograficamente para o tamanho de uma caixa de fósforos.
4 Em 12 de dezembro de 1936, as Testemunhas de Jeová distribuíram uma resolução impressa por toda a Alemanha, protestando contra a perseguição. Em 20 de junho de 1937, distribuíram uma “carta aberta”, com ainda mais detalhes sobre a perseguição.
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CriançasTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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CRIANÇAS
1 Anneliese Krause (nascida em janeiro de 1938), além de perder o seu pai (decapitado na prisão de Berlin-Plötzensee em 22 de dezembro de 1939), também foi separada da sua mãe. Em janeiro de 1940, sem nenhum aviso prévio, Anneliese foi levada de sua casa para uma escola nazista.
2 A mãe de Berthold Mewes (nascido em 1930) foi levada para o campo de concentração de Ravensbrück. O pai dele foi forçado a entregá-lo para as autoridades. Berthold, que reencontrou seus pais em 1945 quando tinha 15 anos, lembra: “Os nazistas me deixaram aos cuidados de um casal sem filhos que vivia em uma fazenda. De manhã, eu ia para escola e, à tarde, eu trabalhava na fazenda. Até 1943, eu só tinha permissão para escrever para os meus pais uma vez a cada seis meses. Depois disso, toda forma de comunicação com eles foi proibida.”
3 Em 1939, Elisabeth, Paul-Gerhard e Hans-Werner, os três filhos mais novos da família Kusserow, foram levados de casa e da escola e colocados em reformatórios. O relatório da escola declara: “Conduta: Muito boa . . . Até hoje, Paul-Gerhard se recusa a fazer a saudação alemã e não tem participado em hastear a bandeira.”
4 Após a Alemanha anexar a região de Alsácia-Lorena, Louis Arzt (nascido em 1930), de Mülhausen, se recusou a fazer a saudação a Hitler. Em 7 de julho de 1943, ele foi separado dos pais e obrigado a ficar em um reformatório nazista em Weingarten. — (Na foto em grupo, Louis Arzt está embaixo à direita.)
5 Os nazistas levaram Eugène Jung (nascido em 1933 em Gomelange, França), seus pais e seus cinco irmãos para a Alta Silésia. Eles tinham se recusado a fazer a saudação a Hitler e a pendurar bandeiras com suásticas nas janelas da sua casa.
6 Esta foto de Simone Arnold, com 11 anos de idade, foi tirada pouco antes da sua mãe ser obrigada a levá-la para um reformatório perto de Constança. (O pai de Simone já estava em um campo de concentração.) Lá, os sapatos dela foram tirados imediatamente — as crianças andavam descalças da Páscoa até a chegada do outono. As crianças mais velhas tinham que fazer tarefas pesadas na casa e no jardim. Simone conta: “Nós nunca brincávamos, não tínhamos nenhum objeto pessoal e conversar era proibido. Se descobrissem que uma criança tinha sido desobediente, eles batiam com força nos dedos dela usando uma vara.”
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PrisõesTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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PRISÕES
1 Moringen (perto de Göttingen) foi um dos primeiros campos de concentração para mulheres (1933-1937), antes de Lichtenburg e Ravensbrück. Estima-se que quase metade das mulheres em Moringen eram Testemunhas de Jeová.
Maßregelvollzugszentrum Niedersachsen Moringen
2 Entre as prisioneiras em Moringen, estava Katharina Thoenes, com 32 anos. Ela e suas amigas Testemunhas de Jeová foram separadas das outras prisioneiras e impedidas de enviar e receber correspondências, pacotes e dinheiro. O motivo? “Essas mulheres se recusaram a costurar para o trabalho de ajuda humanitária de inverno.”
LAV NRW R, RW 0058 Nr. 8433, Erkennungsdienstliches Photo Katharina Thoenes
3 Por ter se recusado a jurar lealdade ao führer, Jonathan Stark foi levado ao campo de concentração juvenil de Moringen em 1944, quando tinha 18 anos de idade. — (Em 1.º de novembro de 1944, ele foi enforcado como objetor de consciência em Sachsenhausen.)
4 Em maio de 1939, pouco antes de o campo de concentração de Lichtenburg ter sido fechado, mais de 40% das mulheres que estavam presas eram Testemunhas de Jeová.
Landesamt für Denkmalpflege Sachsen
5 Erna Ludolph e muitas outras mulheres Testemunhas de Jeová foram levadas para Ravensbrück em maio de 1939, para ajudar na construção de um novo campo de concentração.
6 Em Ravensbrück, as mulheres tinham que trabalhar sob as circunstâncias mais extremas. — (foto de um álbum de propagandas da SS)
Mahn- und Gedenkstätte Ravensbrück
DÖW, Vienna, Austria
7 Therese Schreiber foi uma das várias Testemunhas de Jeová austríacas que os nazistas levaram para Ravensbrück e outros campos de concentração. Mais tarde, um tribunal em Viena a condenou porque ela tinha copiado às escondidas a revista A Sentinela, das Testemunhas de Jeová.
8 Charlotte Müller e Ilse Unterdörfer foram transferidas do campo de concentração de Lichtenburg para o de Ravensbrück. As duas continuaram Testemunhas de Jeová ativas apesar das proibições.
9 Os prisioneiros com triângulos roxos nos campos de concentração ficaram conhecidos como trabalhadores de confiança. Este cartão permitia a Charlotte Müller trabalhar (a partir de 1942) como empregada doméstica para uma família de funcionários da SS que viviam próximos ao campo de concentração.
10 Em 1944, um pequeno grupo de jovens ucranianas no campo de concentração de Ravensbrück, entre elas Nadezhda Alekseyevna Yarosh, aprendeu sobre os ensinamentos das Testemunhas de Jeová e prontamente se juntou a elas.
11 Mesmo sob as circunstâncias extremas da vida em um campo de concentração, as Testemunhas de Jeová procuravam por oportunidades de conversar entre elas sobre a sua fé e ler publicações baseadas na Bíblia, mesmo sob risco de vida. — (A pintura, que está em exposição no Museu Memorial de Ravensbrück, é baseada no relato de uma testemunha ocular.)
12 Campo de concentração de Sachsenhausen (1936-1945), no norte de Berlim. Nos anos que precederam a Guerra, cerca de 5% a 10% de todos que estavam presos nos campos eram Testemunhas de Jeová. Quando Testemunhas de Jeová chegavam pela primeira vez no campo, elas eram levadas imediatamente à “unidade de trabalho penitenciário”, onde eram sujeitadas aos trabalhos mais sujos e pesados por 10 a 12 horas todo dia, inclusive aos domingos.
13 Os Estudantes da Bíblia (Testemunhas de Jeová) constituíam uma categoria separada de prisioneiros e eram rotulados com um triângulo roxo. Por causa da sua determinação, eles eram tratados com muita crueldade pelos guardas da SS e pelos kapos (prisioneiros que trabalhavam como supervisores), que queriam dominá-los.
Tabela: Kennzeichentafel Dachau, ITS Archive, Arolsen Archives
14 Entre as várias punições que existiam, o prisioneiro era amarrado e, em seguida, recebia golpes com barras de ferro em suas costas desprotegidas.
15 Independentemente do clima, os prisioneiros tinham que ficar enfileirados em pé por horas nos pátios onde eram feitas as chamadas (neste caso, em Sachsenhausen). Em 15 de setembro de 1939, exatamente neste local, a SS executou o objetor de consciência August Dickmann na presença de todos os prisioneiros do campo.
akg-images/Alamy Stock Foto
16 Os que estavam presos nos campos de concentração podiam ser punidos por causa de infrações insignificantes. Por exemplo, eram pendurados em uma estaca ou árvore, o que era extremamente doloroso.
Foto tirada no campo de concentração de Buchenwald logo após a libertação
17 Além das condições degradantes, os campos ficavam superlotados. Por um tempo, as Testemunhas de Jeová tiveram permissão para ficar juntas nos mesmos alojamentos. Mas como elas realizavam reuniões religiosas, a SS mais tarde decidiu separá-las. No entanto, as Testemunhas de Jeová começaram a pregar para outros prisioneiros e, por isso, a SS colocou-as juntas novamente. Um observador comentou: “Não dá para ignorarmos a impressão de que, psicologicamente falando, a SS nunca esteve à altura do desafio apresentado pelas Testemunhas de Jeová.” — Eugen Kogon.
Foto tirada no campo de concentração de Buchenwald logo após a libertação
18 Por causa da má alimentação, muitos morreram ou sofreram de desnutrição e outras doenças, como tifo associado com a fome.
19 Fornos especiais eram usados para eliminar a enorme quantidade de corpos.
Foto tirada no campo de concentração de Buchenwald logo após a libertação
20 A partir de 1938, no campo de concentração de Buchenwald (1937-1945), localizado próximo a Weimar, e em outros campos, a SS isolou as Testemunhas de Jeová em alojamentos especiais cercados com arame farpado. Durante nove meses, elas não tiveram permissão de escrever cartas. Nos três anos e meio seguintes, as Testemunhas de Jeová tiveram permissão de escrever no máximo 25 palavras para seus parentes apenas uma vez por mês (em Buchenwald — onde a maioria dos prisioneiros nas “unidades de trabalho penitenciário” eram Testemunhas de Jeová — isso durou até o final da guerra).
21 O texto a seguir foi impresso na papelaria do campo de concentração: “O prisioneiro continua como antes, um obstinado Estudante da Bíblia, e se recusa a rejeitar os ensinos falsos dos Estudantes da Bíblia. Por esse motivo, os privilégios normais de correspondência foram negados a ele.”
22 A SS geralmente oferecia uma declaração às Testemunhas de Jeová. Se elas a assinassem e renunciassem a sua fé, podiam ser libertadas. Mesmo assim, poucas assinaram a declaração.
23 Arriscando sua vida, Wilhelm Töllner deu discursos bíblicos em Buchenwald.
24 Campo de concentração de Mauthausen na Áustria (1938-1945). Em 27 de setembro de 1939, 145 prisioneiros usando triângulos roxos chegaram no campo de concentração de Dachau. Alguns foram forçados a fazer trabalhos pesados na pedreira conhecida por suas ‘escadas da morte’.
À esquerda: Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, cortesia da Administração de Registros e Arquivos Nacionais, College Park. À direita: DÖW, Viena, Áustria
DÖW, Viena, Áustria
25 August Kraft, de Viena, que por um tempo organizou o trabalho secreto das Testemunhas de Jeová na Áustria, foi preso em 25 de maio de 1939. Ele morreu em Mauthausen, em fevereiro de 1940.
26 A Gestapo procurou Albert Wandres (à esquerda) por três anos. O Tribunal Especial de Frankfurt o condenou a cinco anos na prisão. E Martin Pötzinger (à direita), de Munique, trabalhou ativamente apesar das proibições. Mesmo passando fome, ambos tiveram que realizar trabalho pesado em Dachau e Mauthausen. Os dois sobreviveram.
27 Hans Gärtner, um barbeiro de Zwingenberg, ficou detido em Mauthausen e em Dachau, e não sobreviveu. Atualmente, uma rua da sua cidade natal leva o seu nome.
28 Mais de 1 milhão de pessoas morreram em Auschwitz, a maioria por serem judeus. Auschwitz foi um dos maiores complexos de campos de concentração, de trabalho forçado e de extermínio (de junho de 1940 até 27 de janeiro de 1945). Poloneses, rons (ciganos), Testemunhas de Jeová e outros também morreram lá.
À esquerda: Archiwum Państwȯwego Muzeum w Oświęcimiu. À direita: Shawshots/Alamy Stock Photo
29 Em 1942, em Auschwitz, o russo Aleksej Nepotschatov teve o número 154888 tatuado em seu braço. Como era prisioneiro de guerra, ele escapou por pouco de ser assassinado. No campo de concentração de Buchenwald, ele conheceu Testemunhas de Jeová alemãs e se tornou uma delas.
30 Fotos tiradas pela Gestapo de Jan Otrebski, uma Testemunha de Jeová polonesa que recebeu números de prisioneiro em três campos de concentração: Auschwitz (n.º 63609), Gusen (n.º 13449) e Mauthausen (n.º 31208).
Archiwum Państwȯwego Muzeum w Oświęcimiu
31 Elsa Abt, de Danzig, foi detida em maio de 1942, e o seu apartamento foi interditado pela polícia. Ela deixou sua filha de 2 anos com uma família que morava no mesmo prédio. Junto com outras 11 Testemunhas de Jeová, Elsa foi levada para Auschwitz-Birkenau, e seu marido, Harald, para Buchenwald. Em janeiro de 1945, ela foi transferida de um campo para outro durante as evacuações. Passou por Gross-Rosen, Mauthausen, Bergen-Belsen e, por fim, Dora-Nordhausen, onde foi libertada. — (Harald está à esquerda.)
Cartão de prisioneiro: Häftlingspersonalbogen Theodor Sponsel, Buchenwald, 1.1.5.3/7169220/ITS Digital Archive, Arolsen Archives
32 Os campos mantinham um registro meticuloso de todos os prisioneiros. Após o fechamento do campo de concentração de Niederhagen (1939-1943; por um tempo esse campo esteve sob a jurisdição do campo de Sachsenhausen), um “grupo restante de trabalhadores”, quase todos Testemunhas de Jeová, continuou em Wewelsburg. Theodor Sponsel estava nesse grupo. — (Foto em grupo tirada logo após serem libertados em 1945.)
33 Max Hollweg lembra como a SS tentou forçar 26 objetores de consciência a trabalhar até a morte (1942). O plano não deu certo porque outras Testemunhas de Jeová secretamente deram a eles comida e ajuda.
34 Apesar das proibições e até ser enviado para prisão, Georg Klohe produziu às escondidas gravações de áudio de discursos bíblicos (1934-1936). Em 1944, quando estava no campo de concentração de Wewelsburg, ele conseguiu que alguém fabricasse um violoncelo para ele. A SS aceitou isso porque acreditava que as Testemunhas de Jeová nunca seriam soltas. No entanto, esse instrumento musical nunca veio a ser usado em uma orquestra de prisioneiros, e Georg Klohe o tocava ocasionalmente após o trabalho.
35 Os pais de Simone Arnold, Emma e Adolphe Arnold, da Alsácia (França), agiram de acordo com sua fé e, por isso, foram presos. (Na foto, Simone está no meio.) Em 1942, Adolphe Arnold foi levado para o campo de concentração de Dachau. Enquanto ainda estava livre, uma vez por mês Emma enviava a ele um bolo e escondia dentro dele três tiras de papel com artigos de A Sentinela. Adolphe memorizava o conteúdo. Quando foi libertado, ele conseguiu levar para casa três dessas tiras de papel escondidas na sua jaqueta.
36 Em janeiro de 1936, Leopold Engleitner, da Áustria, foi preso pela primeira vez. Entre outubro de 1939 e julho de 1943, ele foi levado para os campos de concentração de Buchenwald, Wewelsburg e Ravensbrück. Uma vez, bateram tanto na cabeça dele que ele permaneceu com fortes dores por um longo tempo depois. Mesmo depois de ter sido solto do campo de concentração de forma inesperada em 1943, Engleitner ainda não era um homem realmente livre, pois tinha que fazer trabalho forçado. Mas em 1945, ele conseguiu sair da região e evitar ser convocado para o exército.
37 Margarete Unterner (Alsácia) se recusou a apoiar o Serviço de Trabalho do Reich. Por isso, ela foi presa em Saverne no ano de 1942 e, depois, no campo de concentração de Schirmeck-Vorbruck. Seu marido, Marcel, se recusou a ser parte do exército alemão e foi enviado para a prisão militar em Berlim-Tegel. Por causa de um distúrbio nervoso grave, ele foi solto.
38 Apesar das proibições, Johanna e Johann Degen realizavam reuniões cristãs na sua casa, em Lorsch. Por causa disso, Johann foi condenado em 1936 a dois anos na prisão de Darmstadt. Quando terminou de cumprir sua sentença, em outubro de 1938, ele foi transferido para um campo de concentração (Dachau). Em janeiro de 1941, quando estava no campo de concentração de Mauthausen, ele morreu por causa de tifo associado à fome.
39 Quando trabalhava nas pedreiras perto de Zwingenberg, Adam Heim ajudou cidadãos que estavam sendo perseguidos. Ele foi denunciado e sentenciado pelo Tribunal Especial em Darmstadt. Daí, passou um tempo na prisão e no campo de concentração de Dachau. — (Mais tarde ele morreu em um acidente de motocicleta.)
40 Horst Schmidt (filho adotivo de Emmy Zehden) levava publicações da Torre de Vigia de Berlim até Danzig. Após ser preso, ele foi condenado à morte em 1944. Ficou aguardando sua execução em Brandemburgo-Görden, mas foi libertado em 27 de abril de 1945.
41 Por causa da sua fé, 12 membros da família Kusserow, de Lippspringe, foram enviados para várias prisões, penitenciárias, campos de concentração e reformatórios nazistas. Dois filhos foram executados como objetores de consciência.
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ExecuçõesTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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EXECUÇÕES
1 Em 15 de setembro de 1939, August Dickmann, Testemunha de Jeová, foi fuzilado na frente de todos os prisioneiros reunidos no pátio de chamada de Sachsenhausen por ordem do comandante da SS, Heinrich Himmler. Por qual motivo? August era um objetor de consciência e foi considerado um “Volksschädling” (parasita da nação). Pouco depois, jornais na Alemanha e em outros países noticiaram o acontecido.
2 Jacob von Bennekom (Holanda) ficou preso em Roterdã e no campo de concentração de Amersfoort, por ser Testemunha de Jeová. Em novembro de 1944, ele foi fuzilado quando se recusou a instalar barreiras antitanques perto da cidade de Zwolle, o que todos os outros prisioneiros fizeram. Esse incidente foi relatado por uma pessoa que estava presente na ocasião e que se tornou Testemunha de Jeová após a guerra.
3 Willi Letonja (Áustria) era um nazista determinado e serviu no exército de Hitler. Em 1941, quando aprendeu sobre a mensagem da Bíblia com sua mãe e seu irmão, Willi se tornou uma Testemunha de Jeová. Ele se recusou a voltar a prestar serviço militar e foi decapitado na guilhotina de Brandemburgo em 1.º de setembro de 1942. Pouco antes de ser executado, ele disse ao seu irmão: “Anton, por que você está chorando? Isso não é motivo para chorar, e sim para se alegrar!”
4 Depois de ter passado 13 meses na prisão de Stadelheim, em Munique, por copiar e distribuir a revista A Sentinela, Vinzenz Platajs (Áustria) foi decapitado em Brandemburgo, em 9 de outubro de 1944.
5 Heinrich Fundis, de Sulzfeld, se recusou a atender a convocação para o serviço militar. Ele foi decapitado em 18 de dezembro de 1941.
6 Paul Weseler pertencia a um grupo de Testemunhas de Jeová ativas das cidades de Oberhausen, Mühlheim an der Ruhr e Karlsruhe. Além dele, Wilhelm Bischoff, Julius Engelhard, Auguste Hetkamp, Johann Hörstgen, Friedrich Stoffels e Klara Stoffels foram todos executados em agosto de 1944.
7 Sigurd Speidel, de 19 anos, foi decapitado em 27 de janeiro de 1943 por se recusar a vestir um uniforme do exército.
8 Em 9 de maio de 1941, Kurt Liebold da cidade de Cossengrün (Turíngia) foi decapitado por ser objetor de consciência. Ele já tinha ficado dois anos na prisão por ter participado em uma das campanhas de distribuição de folhetos das Testemunhas de Jeová na década de 1930.
9 Depois de ficar preso por três anos em Fort Torgau, Max Moserth, de Burgstädt, foi decapitado em 26 de junho de 1942 acusado de Wehrkraftzersetzung (baixar o moral das tropas).
10 Rolf Appel, de Süderbrarup, dono de uma gráfica, foi executado como objetor de consciência em 1941, e seu filho Walter, de 17 anos, foi executado em 1944. Rolf e sua esposa perderam a custódia dos filhos mais novos, e as autoridades forçaram a esposa a viver na pobreza.
11 Já em 1934, Heinz Bernecker (na frente à direita), de Königsberg, foi forçado a trabalhar em um campo de concentração no leste da Prússia. Entre 1938 e 1942, ele foi preso novamente. Em 19 de junho de 1942, ele foi decapitado na guilhotina em Brandemburgo como objetor de consciência. Enquanto isso, sua esposa, Elisabeth, estava no campo de concentração de Ravensbrück. Seus três filhos ficaram aos cuidados dos avós.
12 Família Wohlfart, de Pörtschach (Áustria). Em 7 de dezembro de 1939, Gregor, o pai, foi decapitado como objetor de consciência junto com outras Testemunhas de Jeová na prisão de Plötzensee, em Berlim. Seu filho de 20 anos de idade, também chamado Gregor, foi executado em 14 de março de 1942 pelo mesmo motivo. Outro filho, Franz, foi levado para o campo de trabalhos forçados de Rollwald. O filho mais novo, Willibald, e seus irmãos, Ida, Annie e Kristian, foram enviados para um reformatório nazista localizado no monastério de Landau. Os dois meninos foram forçados a servir na linha de frente da batalha na Rússia. Willibald morreu ali, e Kristian sofreu ferimentos graves.
13 No “corredor da morte”, Johannes Harms, de Wilhelmshaven, (decapitado em 8 de janeiro de 1941) escreveu: “Uma Testemunha de Jeová tem a oportunidade de voltar atrás mesmo diante da forca. Portanto, ainda estou no meio da luta.”
14 Hans Rehwald, aos 34 anos, já havia passado 5 anos na prisão como objetor de consciência. Em 1.º de fevereiro de 1943, antes de ser executado por fuzilamento em Königsberg, ele fez uma oração tão comovente que nenhum soldado atirou. Após a segunda ordem para atirar, uma bala atingiu seu estômago. Então, o oficial usou sua pistola para matar Hans. Naquela época, sua esposa, Martha, e outros parentes estavam presos em campos de concentração.
15 Em 27 de abril de 1940, Wilhelm Kusserow, um objetor de consciência, foi fuzilado por ordem do tribunal militar em Münster. Mais tarde, seu advogado nomeado pelo tribunal escreveu uma carta para a família de Wilhelm, dizendo: “Ele me pediu para mandar lembranças a vocês. Ele esperou pela morte de maneira digna e morreu rapidamente.”
16 Wolfgang Kusserow recebeu a mesma sentença que seu irmão, Wilhelm, e foi decapitado em 28 de março de 1942 na penitenciária de Brandemburgo. Ao se defender perante o tribunal, ele disse: “Eu tenho certeza de que, se Jesus estivesse na Terra hoje, ele enfrentaria a mesma perseguição que enfrentou no passado.”
17 Karl Kühnel, um carpinteiro de Clausnitz (nas montanhas Ore), foi preso por ter enviado a petição de junho de 1933 para autoridades e cidadãos. Em 1937, ele e sua esposa perderam a custódia dos seus dois filhos. Por ter se recusado a jurar lealdade à bandeira, ele foi decapitado em 24 de outubro de 1939 na prisão de Plötzensee, em Berlim.
18 Helene Gotthold, enfermeira e mãe de dois filhos, era casada com um minerador e viveu em Herne e Bochum. Em 1926, ela se tornou Testemunha de Jeová. Em 1937, enquanto ela aguardava seu julgamento, a Gestapo (polícia secreta) bateu tanto nela que ela acabou sofrendo um aborto. Em 8 de dezembro de 1944, ela e outras três mulheres Testemunhas de Jeová foram executadas na guilhotina por praticarem a sua fé.
19 Emmy Zehden (centro), de Berlim, manteve escondidos três objetores de consciência, incluindo o seu filho adotivo e sobrinho, Horst Schmidt. Ela escreveu para ele uma carta de despedida em 9 de junho de 1944, o dia em que foi executada. O relatório da execução relata: “A prisioneira foi colocada na guilhotina sem nenhuma resistência. Ela estava calma e serena.” Hoje, há uma rua em frente da prisão de Plötzensee, em Berlim, com o nome dela.
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Marchas da morteTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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MARCHAS DA MORTE
1 À medida que as frentes de batalha se aproximavam, a SS evacuava os campos de concentração, forçando os prisioneiros a marchar nas direções oeste e sul. Nessas chamadas “marchas da morte”, os guardas matavam sem piedade todos os prisioneiros que estavam fracos demais para seguir em frente. Martin Seyferth, de Oschatz, e outras Testemunhas de Jeová sobreviveram às marchas da morte que partiram de Dachau em direção aos alpes alemães em abril de 1945.
À esquerda: akg-images/Benno Gantner
2 Havia 230 Testemunhas de Jeová entre as dezenas de milhares de prisioneiros de Sachsenhausen e de outros campos de concentração que estavam na marcha da morte em abril e maio de 1945. Todas elas sobreviveram porque permaneceram unidas e ajudaram umas às outras. — (Placa mostrando a rota da marcha da morte.)
3 Paul Rehwald, de Königsberg, estava entre os que enfrentaram a marcha da morte de Sachsenhausen. Quando a linha de frente do exército alemão foi derrotada e os aliados libertaram os prisioneiros dos campos de concentração, o regime do terror acabou, depois de 12 anos. Como muitos prisioneiros mostrados nesta foto, muitas Testemunhas de Jeová voltaram para casa, a maioria após muitos anos de detenção.
À esquerda: Süddeutsche Zeitung Photo/Alamy Stock Photo
4 A SS transferiu 9 mil prisioneiros do campo de concentração de Neuengamme para o mar Báltico e os amontoou nos navios Cap Arcona, Thielbeck e Athen. Em 3 de maio de 1945, após um ataque aéreo britânico, dois navios afundaram e apenas poucos prisioneiros sobreviveram. Entre os sobreviventes do navio Cap Arcona estava Witali Kostanda (Ucrânia), que havia conhecido os prisioneiros com triângulos roxos nos campos de concentração e agora era uma Testemunha de Jeová.
Em cima: Süddeutsche Zeitung Photo/Alamy Stock Photo. Embaixo: Arthur Drever/Photohaus
5 A SS também ordenou que o campo de concentração de Stutthof, perto de Danzig, fosse evacuado, tanto por terra como por mar. Junto com cerca de 1.900 prisioneiros, Feliks Borys, de Chojnice (Polônia), e outras nove Testemunhas de Jeová tiveram que marchar para Słupsk. “[Em pouco tempo], restavam apenas 800 de nós”, lembra ele. Ele carregou Wilhelm Scheider (Polônia), ajudando-o a sobreviver. Depois de ser libertado, Feliks voltou para casa a pé, o que levou dois meses.
6 Testemunhas de Jeová do campo de concentração de Stutthof. Após uma dramática viagem pelo mar Báltico em uma barcaça, eles chegaram à ilha dinamarquesa de Møn em 5 de maio de 1945.
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SobreviventesTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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SOBREVIVENTES
1 Após 52 anos, Anastasia Kazak (à esquerda), da Ucrânia, e Hermine Schmidt (à direita) se reencontraram em Moscou em 15 de maio de 1997, na estreia russa do documentário As Testemunhas de Jeová Resistem ao Ataque Nazista. Anastasia se tornou Testemunha de Jeová no campo de concentração de Stutthof. As duas sobreviveram à perigosa viagem dos prisioneiros através do mar Báltico para a Dinamarca. (A foto na extrema esquerda é de Hermine.)
2 Quando o campo de concentração de Ravensbrück foi evacuado, Alois Moser, de Braunau (Áustria), e outras 25 Testemunhas de Jeová receberam ordens de acompanhar um transporte da SS. Durante a noite, os guardas desapareceram. Em Schwerin, Alois Moser encontrou várias Testemunhas de Jeová que tinham feito a marcha da morte. Começando no norte da Alemanha, ele fez a longa viagem de volta para casa.
3 Gertrud Ott, de Danzig, foi prisioneira nos campos de concentração de Auschwitz (de dezembro de 1942 a janeiro de 1945), Mauthausen, Gross-Rosen e Bergen-Belsen (de janeiro a maio de 1945). Após ser libertada, ela cursou a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia em Nova York e serviu como missionária na Indonésia, no Irã e em Luxemburgo.
4 Um grupo de Testemunhas de Jeová felizes por terem sido libertadas do campo de concentração de Mauthausen, em 7 de maio de 1945. Entre elas, está Martin Poetzinger (o primeiro do lado esquerdo, em pé).
5 Erich Frost, de Leizig, tinha supervisionado o trabalho às escondidas das Testemunhas de Jeová (1936/1937) antes de a Gestapo prendê-lo e torturá-lo cruelmente. Ele foi colocado sob custódia permanente (1937-1945). No campo de concentração de Sachsenhausen, ele compôs uma música pensando em seus companheiros Testemunhas de Jeová. Essa música ficou conhecida fora dos campos de concentração e fortaleceu seus irmãos.
6 Em 1935, Arthur Winkler, de Bonn, recebeu um tratamento cruel no campo de concentração de Esterwegen. Mais tarde, ele coordenou o trabalho às escondidas das Testemunhas de Jeová da Alemanha até a Holanda. A Gestapo tentou prendê-lo quando a Alemanha ocupou a Holanda (maio de 1940), mas só conseguiu capturá-lo em outubro de 1941. Ele sobreviveu à marcha da morte de Sachsenhausen graças aos seus irmãos na fé, que o transportaram em uma carroça da SS.
7 Por ter se recusado a prestar serviço militar, Joseph Rehwald, de Königsberg, foi enviado para a prisão de Stuhm (leste da Prússia) e depois para o campo de concentração de Sachsenhausen. Dos oito membros da sua família, seis foram presos por causa da sua fé: ele mesmo, uma das suas irmãs, seus três irmãos (dos quais dois foram executados) e sua mãe.
8 Gerrit Benink (Holanda) com a lata que ele usava para comer sopa e outros alimentos. Após ser preso em março de 1941, ele foi enviado para os campos de concentração de Sachsenhausen, Buchenwald e Neuengamme. Ele foi libertado em 5 de maio de 1945.
9 Por serem Testemunhas de Jeová, Hildegard e Ernst Seliger passaram no total mais de 40 anos na prisão sob o regime nazista e o governo comunista na Alemanha Oriental.
10 Em agosto de 1940, Victor Bruch (Luxemburgo) foi preso e passou por vários campos de concentração, como Buchenwald, Lublin, Auschwitz e Ravensbrück. Após marchar por muitos dias, ele foi libertado em 3 de maio de 1945 junto com outras 49 Testemunhas de Jeová.
11 Max Henning foi detido na Holanda em março de 1943 e ficou preso em Roterdã, Scheveningen, Vught e no campo de concentração de Buchenwald. Ele foi libertado em 11 de abril de 1945.
12 Gertrud Poetzinger, que trabalhava às escondidas para as Testemunhas de Jeová em Munique e na Silésia, foi mandada para a prisão e para o campo de concentração de Ravensbrück. Em 1943, ela foi escolhida para cuidar dos filhos de uma família da SS em Oranienburg. Seu marido, Martin, passou vários anos preso nos campos de concentração de Dachau e Mauthausen. Eles se reencontraram depois da guerra, em 1945.
13 A Gestapo prendeu Evert e Ansje Dost (Holanda) em março de 1942. Evert foi enviado para os campos de concentração de Amersfoort e Neuengamme, e Ansje para o campo de Ravensbrück. Os dois foram libertados em maio de 1945.
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Linha do tempoTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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LINHA DO TEMPO
1933 Depois do incêndio do Reichstag, o decreto presidencial de emergência para a “prevenção dos atos violentos dos comunistas contra a segurança do estado” suspende muitos direitos civis fundamentais (28 de fevereiro). As atividades das Testemunhas de Jeová são proibidas na maioria dos estados do Reich com base em acusações falsas. Uma petição, enviada para o chanceler do Reich e para autoridades, é desconsiderada (abril e junho). Propriedades das congregações são confiscadas, publicações da Torre de Vigia são queimadas e as primeiras Testemunhas de Jeová são enviadas para campos de concentração (julho).
1934 As Testemunhas de Jeová fazem cópias das publicações da Torre de Vigia às escondidas, já que a polícia verifica sua correspondência para impedir a importação dessas publicações. Até março, são registradas cerca de 4 mil buscas em casas, mil detenções e 200 casos de maus-tratos. Muitas Testemunhas de Jeová são demitidas do serviço público (a partir de junho). Em 7 de outubro, milhares de telegramas com protestos são enviados para Hitler, que grita histericamente: “Esta raça vai ser exterminada da Alemanha!”
1935 Proibição geral das Testemunhas de Jeová no Reich com a intenção de removê-las do serviço público (1.º de abril). Tribunais especiais condenam inúmeras Testemunhas de Jeová a passar longos períodos na prisão e a pagar pesadas multas por realizar reuniões e distribuir suas publicações. Ignorando a legislação da época, a Gestapo ordena arbitrariamente que Testemunhas de Jeová sejam mantidas sob prisão preventiva e as envia para campos de concentração (17 de junho e 9 de setembro).
1936 O Ministro de Assuntos Internos do Reich proíbe as Testemunhas de Jeová de vender “Bíblias e outras publicações religiosas, que em geral não são ofensivas”. Isso resulta em ainda mais detenções (30 de janeiro). As autoridades têm permissão de reter benefícios de seguro-desemprego e aposentadorias das Testemunhas de Jeová (a partir de 2 de fevereiro). Muitas Testemunhas de Jeová sofrem insultos e humilhação pública por não participar nas “eleições do Reichstag” (29 de março). A Gestapo e a polícia judiciária se tornam unidades especiais, e os tribunais especiais estabelecem departamentos específicos para investigar as Testemunhas de Jeová e condená-las (junho). Apesar da grande quantidade de prisões (28 de agosto), as Testemunhas de Jeová conseguem distribuir a resolução de Lucerne, um protesto contra o nazismo, por todo o Reich (12 de dezembro).
1937 A polícia e os tribunais são instruídos a “tomar as medidas mais severas” contra as Testemunhas de Jeová. As sentenças se tornam mais longas. Depois de cumprir sua sentença, as Testemunhas de Jeová geralmente são enviadas para campos de concentração ou de volta para prisão. Por volta de 4 mil Testemunhas de Jeová são presas. Muitas delas são sentenciadas em grupo nos julgamentos dos Estudantes da Bíblia, sobre os quais os jornais falam abertamente. Os tribunais de vara de família e de juízo de órfãos e sucessões abrem processos e conseguem afastar as crianças de seus pais. As Testemunhas de Jeová organizam uma segunda campanha de distribuição de folhetos em todo o Reich com o objetivo de chamar a atenção das pessoas para o terrorismo da Gestapo (20 de junho).
1938 Cerca de 5% a 10% dos prisioneiros de campos de concentração no período pré-guerra são Testemunhas de Jeová. Elas são mantidas isoladas em alojamentos especiais, cercados por arame farpado (em alguns campos de concentração, isso já acontecia há mais tempo), e por nove meses, elas não têm permissão para enviar ou receber correspondência (março). Na Suíça, as Testemunhas de Jeová registram a perseguição na Alemanha no livro Crusade Against Christianity (Cruzada Contra o Cristianismo). Nele, mencionam que “agora 6 mil já estão sofrendo em prisões e campos de concentração” (maio). Em um discurso realizado em Nova York e transmitido por 60 estações de rádio, o presidente da Sociedade Torre de Vigia da época, Joseph Rutherford, condena abertamente Hitler e a perseguição contra os judeus (8 de outubro).
1939 August Dickmann se torna o primeiro objetor de consciência da guerra a ser condenado à morte pela polícia judiciária e é fuzilado publicamente no campo de concentração de Sachsenhausen (15 de setembro). Nos dias seguintes, isso é divulgado nas rádios e nos jornais. Com o início da guerra, aumentam os maus-tratos contra as Testemunhas de Jeová que estão presas. Durante o inverno severo, 100 das 400 Testemunhas de Jeová em Sachsenhausen morrem por causa de maus-tratos, fome e exaustão.
1940 A polícia estatal decreta a prisão de todas as Testemunhas de Jeová no Reich em uma determinada data. Em 12 de junho, as casas delas são revistadas. Em julho, autoridades suíças confiscam o livro Crusade Against Christianity (Cruzada Contra o Cristianismo), (até setembro de 1944). O sistema judiciário alemão já condenou à morte 112 objetores de consciência que são Testemunhas de Jeová (agosto). (Até o fim da guerra, o número de Testemunhas de Jeová executadas vai chegar a cerca de 270; entre elas, 50 eram da Áustria.)
1941 Ludwig Cyranek, que enviava secretamente publicações da Torre de Vigia na Alemanha e na Áustria durante 1939 e 1940, é condenado à morte (março) e executado em Dresden (3 de julho). Julius Engelhard e outros continuam seu trabalho (1939 até abril de 1943).
1942 Mitteilungsblatt der deutschen Verbreitungsstelle des W.T. an alle treuen Zeugen Jehovas in Deutschland (Boletim do Centro de Distribuição Alemão da W.T. para Todas as Testemunhas de Jeová Fiéis na Alemanha), e outros itens, circulam entre as Testemunhas de Jeová dentro e fora dos campos de concentração. A continuação da tortura brutal de Testemunhas de Jeová é oficialmente permitida. Hitler insiste que os Estudantes da Bíblia sejam exterminados (agosto). Mas a situação extrema das Testemunhas de Jeová nos campos de concentração é amenizada porque a SS passa a valorizar a força de trabalho dos prisioneiros.
1943 Em vários lugares da Alemanha e da Áustria, as Testemunhas de Jeová recebem as publicações da Torre de Vigia graças ao trabalho que alguns fazem às escondidas. Cartas são levadas secretamente para fora dos campos de concentração. A SS é forçada a reconhecer que as Testemunhas de Jeová continuam firmes apesar do seu isolamento nos campos de concentração. Assim, decidem distribui-las em outros alojamentos (setembro). No campo de Ravensbrück, Asoziale (prisioneiros considerados “antissociais”) são colocados no mesmo alojamento dos Bibelforscher (Estudantes da Bíblia).
1944 Himmler ordena buscas em vários campos de concentração, e uma grande quantidade de publicações da Torre de Vigia é encontrada (abril). Fora dos campos, a Gestapo interrompe a rede do trabalho às escondidas e prende 254 Testemunhas de Jeová. Julius Engelhard e Auguste Hetkamp são condenados à morte (junho) e executados em Brandemburgo (agosto). Mesmo assim, o trabalho às escondidas continua em vários lugares, e cópias das publicações da Torre de Vigia são feitas até mesmo no campo de Wewelsburg. O Tribunal Militar do Reich está sobrecarregado e passa os processos contra objetores de consciência — muitos sendo Testemunhas de Jeová — para tribunais subordinados (agosto). As sentenças de morte se tornam agora uma simples formalidade.
1945 Libertação de Auschwitz (27 de janeiro). Durante as evacuações forçadas dos campos de concentração e nas marchas da morte para o sul e o oeste, os prisioneiros com triângulos roxos (Testemunhas de Jeová) ajudam uns aos outros para não ser fuzilados pela SS. Ocorre a libertação dos campos de concentração de Buchenwald (11 de abril), Bergen-Belsen (15 de abril), Sachsenhausen (22 de abril), Dachau (29 de abril) e Ravensbrück (30 de abril), das penitenciárias em Brandemburgo (27 de abril) e em Waldheim (6 de maio), e de outros centros de detenção. Todas as 230 Testemunhas de Jeová sobrevivem à marcha da morte para Schwerin (3 de maio). As Testemunhas de Jeová sobreviventes do campo de concentração de Stutthof desembarcam na ilha dinamarquesa de Møn (5 de maio). O Reich alemão se rende e deixa de existir (8 de maio)! Quando a guerra acaba, há 7 mil Testemunhas de Jeová na Alemanha.
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O preço da resistênciaTriângulos roxos — As “vítimas esquecidas” do nazismo
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O PREÇO DA RESISTÊNCIA
Professor Dr. Wolfgang Benz do Centro de Pesquisa em Antissemitismo da Universidade Técnica de Berlim:
“A comunidade religiosa, que tinha 25 mil integrantes na Alemanha, foi proibida em 1933. Cerca de metade deles continuaram seu ‘trabalho de pregação’ às escondidas. As Testemunhas de Jeová se recusaram a fazer a saudação a Hitler e especialmente a fazer serviço militar. Elas foram cruelmente perseguidas. Por volta de 10 mil delas foram presas. A resistência desse grupo, que também tentou informar a população sobre a natureza criminosa do estado nazista por distribuir panfletos nos anos 1936/1937, agindo assim contra o regime de injustiça mesmo correndo riscos,custou cerca de 1.200 vidas.” — Informationen zur politischen Bildung, n.º 243, (1994): Deutscher Widerstand 1933-1945, página 21.
No topo à esquerda: Süddeutsche Zeitung Photo/Alamy Stock Photo
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