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A obesidade é realmente um problema?Despertai! — 2004 | 8 de novembro
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A obesidade é realmente um problema?
“A obesidade de adolescentes se tornou uma epidemia.” — S. K. Wangnoo, endocrinologista-chefe da equipe médica do Hospital Indraprastha Apollo, Délhi, Índia.
COMO mostra o comentário acima, muitas famílias indianas de classe média adotaram um estilo de vida que leva os adolescentes a se tornarem obesos. Essa epidemia tem se tornado pandêmica, isto é, tem se difundido em muitos países à medida que as pessoas se exercitam cada vez menos e se tornam viciadas em alimentos sem valor nutritivo. Um consultor de medicina para adolescentes declarou: “A próxima geração [na Grã-Bretanha] será . . . a mais obesa na história da humanidade.” O jornal The Guardian Weekly comentou: “Antigamente a obesidade era um problema típico dos adultos. Agora a Grã-Bretanha tem uma geração jovem com hábitos alimentares e cultura sedentária, que conduz diretamente a problemas antes vistos apenas nos EUA. A longo prazo, a obesidade deixará os jovens propensos a diabetes, doenças cardíacas e câncer.”
Os autores do livro Food Fight (A Luta do Alimento) declaram: “O consumo excessivo substituiu a desnutrição no topo da lista dos problemas alimentares do mundo.” Don Peck, escrevendo na revista The Atlantic Monthly, afirmou: “Cerca de nove milhões de americanos têm ‘obesidade mórbida’, ou seja, estão aproximadamente 45 quilos ou mais acima do peso.” Problemas de saúde relacionados com o peso são responsáveis por quase 300 mil mortes prematuras por ano nos EUA, “ficando atrás apenas do fumo”. Peck concluiu: “No mundo todo, a obesidade talvez logo ultrapasse a fome e as doenças infecciosas, transformando-se no problema mais urgente da saúde pública.” Então, será que alguém pode ignorar a ameaça que a obesidade representa? O Dr. Walter C. Willett escreve no livro Eat, Drink, and Be Healthy (Coma, Beba e Seja Saudável) que, “depois do hábito de fumar, o fator mais importante para determinar como estará sua saúde no futuro é o que a balança registra”. O ponto principal aqui é a saúde no futuro.
Como definir a obesidade?
Quando é que a pessoa é considerada obesa e não apenas um pouco acima do peso? A Clínica Mayo em Rochester, Minnesota, EUA, declara: “Em termos simples, obesidade é estar seriamente acima do peso devido ao excesso de gordura corporal.” Mas como determinar o que é excesso de peso para cada pessoa? As tabelas de relação entre altura e peso fornecem dados aproximados que determinam se alguém está simplesmente acima do peso ou se já atingiu o estágio da obesidade. (Veja a tabela na página 5.) No entanto, esses dados não levam em conta as diferenças na constituição do corpo. A Clínica Mayo diz: “A gordura corporal, e não o peso, é o melhor indicador do estado de saúde.” Por exemplo, um atleta provavelmente terá mais peso devido à massa muscular ou à estrutura óssea grande. Quais são, então, as causas básicas do excesso de peso ou da obesidade? O próximo artigo considerará essa questão.
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Obesidade — quais são as causas?Despertai! — 2004 | 8 de novembro
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Obesidade — quais são as causas?
“Estamos em meio a uma epidemia que poderá afetar profundamente a saúde de nossos filhos. Se a sociedade não tomar medidas preventivas agora, o aumento da obesidade não vai parar.”— William J. Klish, professor de pediatria.
MUITOS que não têm problemas com peso tendem a julgar e encarar os que passam por isso como pessoas sem força de vontade e sem motivação. Mas o problema é tão simples assim? São as pessoas obesas simplesmente ociosas, do tipo que evita qualquer exercício físico? Ou será que, em muitos casos, existem outras causas mais abrangentes e mais difíceis de serem controladas?
Hereditariedade, hábitos de vida ou ambos?
O livro Food Fight (A Luta do Alimento) declara: “Há muito tempo existe um debate sobre a genética e os hábitos de vida na gênese da obesidade.” O que significa genética nesse contexto? Alguns defendem a teoria de que o corpo humano armazena naturalmente calorias para possíveis necessidades. A mesma fonte continua: “A genética da obesidade é estudada há décadas. . . . Muitas pesquisas já foram feitas sobre os genes humanos e a obesidade. Técnicas sofisticadas são usadas para identificar genes que fazem com que alguns tenham a tendência de ganhar peso e de desenvolver doenças como o diabetes. Na linguagem científica, 25% a 40% da variabilidade do peso corporal da população se dá devido aos genes.” O livro continua: “Visto que geralmente a culpa pela obesidade é atribuída à própria pessoa, esses números destacam a importância da biologia, mas 60% ou mais dessa variabilidade pode ser atribuída aos hábitos de vida da pessoa.” Isso significa que um fator determinante na obesidade continua sendo o estilo de vida. Será que todos os dias a pessoa consome mais calorias do que consegue queimar? Está consumindo constantemente o tipo errado de alimento? Reserva tempo para exercícios diários moderados?
A Clínica Mayo explica a causa da obesidade em termos simples: “Os genes podem predispor a pessoa para o excesso de peso ou a obesidade, mas no fim das contas, o peso corporal é determinado pela dieta e pelas atividades físicas. A longo prazo, ingerir calorias em excesso, levar uma vida sedentária, ou uma combinação desses dois fatores, causa a obesidade.” (O grifo é nosso.) A mesma fonte diz ainda: “Sua hereditariedade não quer dizer que você está destinado a ser gordo. . . . Não importa o que digam os genes, no fim as escolhas que você faz de alimentação e atividades são o que determinarão seu peso.”
A indústria do emagrecimento gera milhões de dólares com pessoas desesperadas que procuram recuperar a forma. Contudo, o que os especialistas acham desses programas? “A obesidade é muito difícil de ser tratada, e a maioria dos que perdem peso não consegue mantê-lo”, diz o livro Food Fight. “As estimativas mais otimistas são de que 25% [uma pessoa em cada quatro] perdem peso e mantêm o peso reduzido, muitas vezes só depois de várias tentativas.”
Perigos da obesidade
A obesidade pode causar problemas graves de saúde. O Dr. Scott Loren-Selco, neurologista do Centro Médico da Universidade do Sul da Califórnia, EUA, alerta sobre o perigo do diabetes tipo 2 mesmo em jovens. (Veja a Despertai! de 8 de maio de 2003.) Ele diz: “Estamos vendo isso acontecer todo o tempo, e acreditem-me, é assustador. Digo [aos pacientes obesos] que poderia levá-los ao setor de diabéticos do hospital e mostrar-lhes seu possível futuro: cegos, amputados, um número infindável de pessoas bem doentes devido ao [diabetes] tipo 2 — todos obesos.” Qual é um dos fatores que contribui para isso? “Eles podem comprar hambúrgueres enormes e batatas fritas, então compram mesmo”, diz Loren-Selco. “Ninguém lhes diz que isso é errado — menos ainda as companhias de fast-food e suas franquias e, sinceramente, nem a maioria dos médicos, que não têm experiência em nutrição.”
O Dr. Edward Taub, um bem conhecido escritor no campo de nutrição, declara: “A opinião de que estar acima do peso é apenas uma parte normal e aceitável da vida moderna está muito na moda, tornou-se até mesmo uma conduta politicamente correta. Essa é uma incrível façanha de relações públicas conseguida pelos interesses econômicos que prosperam à custa de nos engordar.”
Os especialistas dizem que os que têm o corpo em formato de pêra, ou seja, gordura extra nos quadris, podem ser mais saudáveis que aqueles com corpo em formato de maçã, com gordura distribuída ao redor dos órgãos abdominais (especialmente se a cintura mede entre uns 90 e 100 centímetros). Por quê? Porque “a gordura no abdome aumenta o risco de hipertensão arterial, doenças das artérias coronárias, diabetes, derrame e certos tipos de câncer”, diz o livro Mayo Clinic on Healthy Weight (Clínica Mayo sobre Peso Saudável). “Se tiver o corpo em formato de pêra — quadris, coxas e nádegas grandes — sua saúde não corre tantos riscos.”
Então, qual é a esperança para milhões de adultos e crianças em todo o mundo que têm excesso de peso e correm riscos de desenvolver sérias complicações de saúde? Existe uma solução eficaz?
[Quadro/Tabela na página 5]
O que é IMC? Onde você se enquadra?
IMC, o índice de massa corporal, é a proporção altura—peso que pode ajudar a definir se a pessoa tem excesso de peso ou se já está obesa. Segundo a Clínica Mayo, a proporção do IMC de 18,5 a 24,9 é considerada a mais saudável. Se seu IMC está entre 25 e 29,9, você está acima do peso ideal. Qualquer IMC acima de 30 é considerado obesidade. Onde você se enquadra nessa tabela? Será que precisa consultar um médico para pedir sugestões ou confirmar sua condição?
Para calcular o IMC, tome seu peso em quilos e divida-o pela altura em metros. Daí, divida o resultado novamente por sua altura em metros. Por exemplo, se seu peso é 90 quilos e sua altura, 1,8 metro, seu IMC é 28 (90÷1,8÷1,8=28).
[Tabela]
Saudável Excesso de peso Obeso
IMC 18,5-24,9 25-29,9 30 ou mais
Altura Peso em quilos
1,47m 53 ou menos 54-64 65 ou mais
1,50 56 ou menos 57-67 68 ou mais
1,52 57 ou menos 58-69 70 ou mais
1,55 59 ou menos 60-71 72 ou mais
1,57 61 ou menos 62-73 74 ou mais
1,60 63 ou menos 64-76 77 ou mais
1,63 66 ou menos 67-79 80 ou mais
1,65 67 ou menos 68-81 82 ou mais
1,68 70 ou menos 71-84 85 ou mais
1,70 71 ou menos 72-86 87 ou mais
1,73 74 ou menos 75-89 90 ou mais
1,75 76 ou menos 77-91 92 ou mais
1,78 79 ou menos 80-94 95 ou mais
1,80 80 ou menos 81-97 98 ou mais
1,83 83 ou menos 84-100 101 ou mais
1,85 85 ou menos 86-102 103 ou mais
1,88 89 ou menos 90-106 107 ou mais
1,90 90 ou menos 91-108 109 ou mais
[Crédito]
Adaptado de Mayo Clinic on Healthy Weight (Clínica Mayo sobre Peso Saudável)
[Quadro na página 5]
O que é caloria?
Como definir caloria? É a medida padrão da energia térmica. Por isso, quando você transpira, queima calorias, ou energia térmica. “Em nutrição, caloria é a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de um quilo de água para exatamente um grau centígrado.” (Balance Your Body, Balance Your Life [Equilibre Seu Corpo, Equilibre Sua Vida]) As necessidades diárias de calorias, ou energia, de cada pessoa diferem, dependendo de fatores como altura, peso, idade e nível de atividade.
[Quadro/Foto na página 6]
Você é sedentário se . . .
◼ Passa a maior parte do dia sentado — vendo TV, sentado à uma mesa ou num veículo — em outras palavras, não se movimenta
◼ Raramente caminha mais de 100 metros
◼ Tem um trabalho que o mantém parado
◼ Não faz 20 a 30 minutos de exercícios pelo menos uma vez por semana
[Crédito]
Baseado em Mayo Clinic on Healthy Weight (Clínica Mayo sobre Peso Saudável)
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Obesidade — qual é a solução?Despertai! — 2004 | 8 de novembro
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Obesidade — qual é a solução?
DESPERTAI! entrevistou Diane, uma dietista, e Ellen, uma enfermeira, ambas especialistas em cuidar de pacientes com excesso de peso e obesos. Elas concordam que algumas dietas que se concentram na eliminação de carboidratos e no aumento de proteínas (carne) ajudam a perder peso. Mas, a longo prazo, podem ter efeitos secundários negativos.a Isso é confirmado por uma tabela médica chamada “Mantenha um peso saudável”. A tabela menciona: “As dietas com baixo teor de carboidratos podem ser perigosas, especialmente se forem feitas sem supervisão médica.” E diz também: “São preparadas para causar perda rápida de peso por promover uma concentração altíssima de corpos cetônicos (um subproduto da utilização da gordura).” Se você está pensando em fazer uma dieta com baixo teor de carboidratos, não deixe de consultar um médico primeiro.
Se o seu objetivo é perder peso, não se desespere. “Controlar o peso não é impossível, nem necessariamente significa privação ou dietas maçantes e repetitivas”, diz o Dr. Walter C. Willett. “Com esforço consciente e criatividade, muitas pessoas conseguem controlar muito bem seu peso por bastante tempo seguindo uma dieta agradável, mas moderada, e uma programação regular de exercícios. Ter uma vida mais longa e mais saudável definitivamente vale o esforço.”b — O grifo é nosso.
Qual é a importância dos exercícios?
O Dr. Willett diz: “Além de não fumar, o exercício é a melhor coisa para você se manter saudável e para prevenir doenças crônicas.” Com que freqüência deve se exercitar? Quais são os benefícios do esforço físico?
Alguns especialistas dizem que cerca de 30 minutos de exercícios diários podem ser muito benéficos. Mas sugere-se que fazer exercícios pelo menos três vezes por semana já ajuda a evitar problemas sérios no futuro. Visto que o exercício queima calorias, a questão principal de quem tenta perder peso deveria ser: “Será que diariamente queimo mais calorias do que consumo?” Se o que ocorre é o contrário, logicamente você ganhará peso. Assim, em vez de andar de carro, dê uma caminhada ou ande de bicicleta. Suba pelas escadas em vez de tomar o elevador. Exercite-se! Queime calorias!
O Dr. Willett explica: “Para muitas pessoas, caminhar é uma alternativa excelente a outros tipos de atividades físicas, pois não requer nenhum equipamento especial, pode ser feito a qualquer hora e em qualquer lugar, e em geral é relativamente seguro.” A recomendação dele é caminhar rápido, não apenas passear. Ele recomenda 30 minutos de atividade física todos os dias, se possível.
A cirurgia é a melhor opção?
No esforço de perder peso e evitar engordar novamente no futuro, alguns pacientes muito obesos seguem os conselhos de especialistas em obesidade, chamados bariatras, que recomendam diversos procedimentos cirúrgicos. Quem deveria se submeter a esses procedimentos cirúrgicos? Os autores do livro Mayo Clinic on Healthy Weight (Clínica Mayo sobre Peso Saudável) sugerem o seguinte: “Seu médico deve pensar em cirurgia se seu índice de massa corporal estiver acima de 40, um indicador de que você é bastante obeso.” (Veja a tabela na página 5.) O boletim Mayo Clinic Health Letter aconselha: “A cirurgia para obesidade é geralmente recomendada apenas para pessoas entre 18 e 65 anos, com índice de massa corporal acima de 40 e cuja obesidade representa graves riscos à saúde.” — O grifo é nosso.
Quais são alguns desses procedimentos cirúrgicos? São redução do comprimento do intestino delgado, divisão do estômago em compartimentos, redução do tamanho do estômago com o uso de grampos e redução do tamanho do estômago por cortar parte dele. Este último procedimento consiste numa bandagem que “amarra” o estômago, criando uma pequena câmara que retém apenas cerca de 15 gramas do alimento. O intestino delgado é cortado e ligado a essa câmara. Deste modo, a maior parte do estômago e o duodeno são contornados.
E aqueles que perderam os quilos a mais? Valeu a pena o esforço?
[Nota(s) de rodapé]
a Esses incluem níveis excessivos de ferro no sangue, problemas renais e prisão de ventre.
b Cristãos dedicados que desejam usar a vida de um modo agradável no serviço sagrado de Deus têm várias razões para perder peso e ser saudáveis. Em vez da morte prematura, podem ser ativos no serviço de Deus por mais tempo. — Romanos 12:1.
[Quadro/Fotos na página 7]
Sugestão de uma pirâmide de alimentação saudável
Doces Doces industrializados (raramente; limite de 75 calorias
por dia)
Gorduras Azeite, nozes, óleo de canola, abacate (3-5 porções
diárias; uma porção sendo 1 colher de chá de óleo ou 2
colheres de sopa de nozes)
Proteínas e laticínios Feijão, peixe, carne magra, ovos,
laticínios com pouca gordura, queijo (3-7 porções diárias; uma
porção sendo 90 gramas de carne cozida ou peixe cozido)
Carboidratos Especialmente grãos integrais — massa, pão, arroz,
cereais (4-8 porções diárias; uma porção sendo uma fatia de pão)
Frutas e verduras Uma grande variedade de cada (porções
diárias ilimitadas; mínimo de 3 porções de frutas e 3 de verduras)
Despertai! não recomenda nenhum método de dieta e controle de peso, simplesmente informa seus leitores sobre algumas opções disponíveis. É melhor consultar um médico antes de adotar qualquer exercício ou dieta.
[Crédito]
Baseada em sugestões da Clínica Mayo
[Quadro/Fotos nas páginas 8, 9]
Para perder peso, alguns seguem estas dicas:
1 Conscientize-se das calorias presentes no que você está comendo ou bebendo. Nota: as bebidas podem ser uma grande fonte de calorias, especialmente sucos adoçados. Bebidas alcoólicas também têm alto teor calórico. E tenha cuidado com os famosos refrigerantes. Verifique o total de calorias mencionado no rótulo. Você talvez se surpreenda.
2 Evite tentações. Se batatinha frita, chocolate ou biscoito estiverem à mão, você inevitavelmente os comerá. Substitua-os por petiscos de baixo teor calórico, tais como maçã, cenoura e bolachas integrais.
3 Coma alguma coisa antes das refeições. Isso diminuirá seu apetite e talvez o faça comer menos.
4 Não coma tudo o que vê. Seja seletivo. Rejeite o que você sabe que tem calorias demais.
5 Coma devagar. Por que a pressa? Aprecie sua refeição por observar o que está comendo — as cores, os sabores, a interação dos alimentos. Obedeça aos sinais do corpo quando diz: “Estou satisfeito. Não preciso de mais nada.”
6 Pare de comer antes de sentir-se satisfeito.
7 Em alguns países, os restaurantes são famosos por servirem porções muito grandes. Coma apenas metade de sua porção, ou divida-a com alguém.
8 As sobremesas não são essenciais para completar a refeição. É melhor encerrá-la com uma fruta ou outra coisa de baixo teor calórico.
9 Os fabricantes de alimentos querem que você coma mais. Eles visam lucros. Procurarão explorar sua fraqueza. Não se deixe enganar por propagandas inteligentes e belas imagens. Aprenda a dizer não!
[Crédito]
Lista adaptada do livro Eat, Drink, and Be Healthy (Coma, Beba e Seja Saudável), do Dr. Walter C. Willett
[Fotos nas páginas 8, 9]
Exercite-se
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Vale a pena lutar contra a obesidade?Despertai! — 2004 | 8 de novembro
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Vale a pena lutar contra a obesidade?
DESPERTAI! entrevistou várias pessoas que vêm lutando contra os problemas da obesidade. Tiveram bons resultados? O que sugerem para os que são vítimas dessa epidemia?
◼ Vamos confirmar com Mike, de 46 anos, com 1,83 metro de altura e atualmente pesando 130 quilos. Já chegou a pesar 157 quilos.
Mike: “Mesmo quando jovem, eu tinha excesso de peso. É um problema de família — meu irmão e minhas irmãs também têm excesso de peso. Nossa tradição era não deixar nada no prato, mesmo que ele estivesse com muita comida. O que me fez mudar os hábitos alimentares? Foi quando o médico me disse que eu corria um alto risco de ter diabetes! A idéia de tomar insulina pelo resto da vida realmente me assustou. Também estava com grave problema de colesterol e tinha de tomar remédio.
“Tinha um trabalho sedentário e isso não mudou. Assim, para compensar, desenvolvi um programa regular de exercícios, que inclui meia hora de esteira pelo menos três vezes por semana. O próximo passo vital foi anotar diariamente o que eu comia. Saber que a dietista verificaria minha lista a cada semana me ajudou a pisar nos freios. Ficava pensando: ‘Se você não comer isso, não terá de colocá-lo na lista!’
“Assim, perdi 28 quilos nos últimos 15 meses, mas preciso perder mais, visto que pretendo chegar aos 100 quilos. Para emagrecer, eliminei petiscos, batatas fritas e certos pratos de alto teor calórico. Nos últimos meses, tenho comido mais saladas e legumes do que já comi em toda a minha vida!
“Outro fator que me motivou à ação foi que, como motorista de caminhão, tenho de fazer um check-up todo ano para poder renovar minha carteira de motorista. Estava para perder a carteira devido ao risco de diabetes. Agora as coisas mudaram. Não preciso mais de remédio para manter o colesterol sob controle. A pressão sanguínea baixou, e eu estou tomando menos remédio para controlá-la. Tenho mais energia e até meus problemas sérios de coluna diminuíram. Devagar estou saindo do grupo dos obesos!”
Despertai!: “A esposa pode desempenhar um papel positivo na luta para perder peso?”
Mike: “Quando você luta contra o excesso de peso, precisa de alguém para apoiá-lo. Minha esposa achava que estava sendo amorosa mantendo-me bem alimentado. Mas agora ela me ajuda a controlar o que como. Não posso baixar a vigilância, pois, se fizer isso, logo começo a ganhar peso novamente.”
◼ Considere, também, outro homem chamado Mike, do Kansas, EUA. Ele tem 43 anos e 1,73 metro de altura. Perguntamos sobre seu peso máximo e as causas do problema de peso.
Mike: “Já cheguei a quase 135 quilos. Estava sempre cansado e não tinha energia para nada. Não conseguia dormir por causa dos problemas respiratórios. Então consultei um médico, e ele disse que eu tinha apnéia do sono tipo obstrutiva como uma das conseqüências de meu problema de peso.a Notou ainda que minha pressão sanguínea estava alta.”
Despertai!: “Qual foi a solução para os seus problemas?”
Mike: “O médico prescreveu, para quando estou dormindo, o uso de um gerador de fluxo aéreo nasal contínuo com pressão positiva. Dessa maneira minha garganta não fica obstruída e eu consigo respirar normalmente. Em resultado disso, tornei-me mais ativo durante o dia e comecei a perder peso. Passei também a me exercitar numa esteira três vezes por semana. Iniciei uma dieta em que controlo as porções do que vou comer e evito repetir. Perdi 20 quilos em pouco mais de um ano, e preciso perder mais 20. É um processo lento, mas sei que vou conseguir.”
Despertai!: “O que mais o motivou a perder peso?”
Mike: “Não é nada agradável ouvir comentários sarcásticos e maldosos sobre a nossa aparência. As pessoas tendem a achar que você é apenas preguiçoso. Não sabem que a obesidade pode ter muitas causas. Acredito que no meu caso o problema se deve, em parte, a fatores hereditários, visto que a maioria da minha família tem problemas com peso.
“Mas reconheço que, para perder peso, devo me manter ativo e controlar rigorosamente minha alimentação.”
◼ Despertai! entrevistou também Wayne, do Oregon, de 38 anos. Quando tinha 31 anos, ele pesava 112 quilos.
Wayne: “Tinha um emprego sedentário e não praticava exercícios. Quando fui ao médico, fiquei chocado ao saber que estava com pressão alta e corria riscos de ter complicações cardíacas. Fui encaminhado a uma dietista. Ela me passou um programa rigoroso de exercícios e de controle da alimentação. Comecei a caminhar cinco quilômetros todos os dias, e me levantava bem cedo para fazer exercícios. Tive de fazer reeducação alimentar e controlar o que bebia. Eliminei alimentos sem valor nutritivo e reduzi pão e refrigerantes, substituindo-os por mais frutas e legumes. Agora meu peso baixou para 80 quilos!”
Despertai!: “Que benefícios notou?”
Wayne: “Sinto que estou mais saudável e que estou vivo novamente. Antes, era como se minha vida tivesse sido interrompida, me sentia estagnado. Outro benefício foi ter conseguido suspender o remédio para pressão alta. E sinto que posso olhar as pessoas nos olhos, sabendo que não serei criticado pelo excesso de peso.”
◼ Charles (nome fictício) tem 1,96 metro de altura. Já chegou a pesar 168 quilos.
Charles: “Tinha graves problemas de saúde e as coisas estavam piorando. Não conseguia subir escadas. Estava sem a energia necessária para fazer meu trabalho. Tenho um emprego sedentário e meu trabalho envolve pesquisa e responsabilidade. Sabia que tinha de fazer algo a respeito do meu peso, especialmente depois que consultei o médico. Ele me alertou dizendo que eu estava a caminho de ter um derrame. Sei o que o derrame faz com a pessoa. Isso me convenceu de que eu tinha de agir. O médico me passou um programa supervisionado de exercícios com esteira, e passei a seguir uma dieta rigorosa. Agora, quase um ano depois, cheguei a 136 quilos, mas sei que preciso emagrecer mais. Os benefícios que já posso sentir convencem-me de que vale a pena o sacrifício e o esforço. Agora posso subir escadas e tenho mais energia.”
◼ Marta, natural de El Salvador, chegou a pesar 83 quilos. Isso a fez ser classificada como obesa devido à sua altura, de 1,65 metro.
Marta: “Fui ao médico e ele insistiu que eu começasse a perder peso. Respeitei sua opinião profissional. Ele me encaminhou a uma nutricionista que me explicou os porquês do regime que eu adotaria. Ela mostrou como limitar minhas porções e como controlar o que eu comia. No início, tinha de informá-la toda semana e, mais tarde, todo mês, como eu estava me saindo. O médico e a nutricionista animaram-me pelo bom progresso que eu estava fazendo. Finalmente, perdi 12 quilos e estou me mantendo nos 68 quilos.”
Despertai!: “E o que você diria sobre os exercícios e a medicação?”
Marta: “Visto que eu não tenho problema com o colesterol, não precisei de medicação. Incluí mais caminhadas rápidas na minha rotina diária.”
Despertai!: “O que você fazia quando visitava amigos e eles insistiam para você comer mais do que suas porções normais?”
Marta: “Eu simplesmente dizia: ‘Meu médico quer que eu siga esta dieta para a minha própria saúde’, e em geral eles não insistiam.”
Assim, se você estiver com excesso de peso ou obeso, o que poderá fazer a respeito? O antigo ditado é verdadeiro: “Querer é poder.” Você tem a motivação e a força de vontade para isso? Se for uma criança ou um adulto com excesso de peso, quais são suas opções? Perder peso ou, possivelmente, perder anos de vida. Adote um estilo de vida ativo e sinta a satisfação de sua conquista — mesmo em coisas pequenas, tais como entrar numa roupa de tamanho menor!
[Nota(s) de rodapé]
a Para mais informações a respeito da apnéia do sono, veja a Despertai! de 8 de fevereiro de 2004, páginas 10-12.
[Quadro na página 11]
É a lipoaspiração a solução para você?
O que é lipoaspiração? Certo dicionário a define como: “Intervenção cirúrgica em que se aspiram, manual ou eletricamente, excessos gordurosos do contorno corporal, com objetivo estético. Também chamada de lipossucção.” (Novo Dicionário Aurélio) Mas será essa a cura para a obesidade?
O livro Mayo Clinic on Healthy Weight (Clínica Mayo sobre Peso Saudável) diz que a lipoaspiração é uma cirurgia estética. Não é um plano de perda de peso. As células de gordura são aspiradas do corpo por meio de uma cânula introduzida sob a pele. Muitos quilos podem ser removidos numa sessão. No entanto, “a cirurgia não é um tratamento para a obesidade”. É um procedimento seguro? “As pessoas com certos problemas relacionados ao peso, incluindo diabetes e doenças cardíacas, correm mais risco de sofrerem complicações decorrentes da lipoaspiração.”
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