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“Venha para a Macedônia”‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
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CAPÍTULO 16
“Venha para a Macedônia”
Os missionários são abençoados por aceitar uma designação e enfrentar a perseguição com alegria
Baseado em Atos 16:6-40
1-3. (a) Como Paulo e seus companheiros viram a orientação do espírito santo? (b) Que acontecimentos vamos examinar?
UM GRUPO de mulheres deixa a cidade de Filipos na Macedônia. Não demora muito e elas chegam a um rio estreito chamado Gangites. Como de costume, elas se sentam à margem do rio para orar ao Deus de Israel. Jeová as observa. — 2 Crô. 16:9; Sal. 65:2.
2 Enquanto isso, mais de 800 quilômetros a leste de Filipos, um grupo de homens parte da cidade de Listra, no sul da Galácia. Dias depois, eles chegam a uma estrada romana pavimentada que vai em direção ao oeste, rumo à região mais povoada do distrito da Ásia. Os homens — Paulo, Silas e Timóteo — estão ansiosos para viajar por essa estrada a fim de visitar Éfeso e outras cidades onde milhares de pessoas precisam ouvir as boas novas sobre Cristo. Mas, antes mesmo de começarem essa viagem, o espírito santo os impede de prosseguir de uma forma não mencionada. Eles são proibidos de pregar na Ásia. Por quê? Jesus, por meio do espírito de Deus, quer fazer com que o grupo de Paulo atravesse toda a Ásia Menor, cruze o mar Egeu e vá em direção às margens do pequeno rio Gangites.
3 O modo como Jesus guiou Paulo e seus companheiros durante essa viagem incomum até a Macedônia nos ensina lições valiosas hoje. Assim, vejamos alguns dos acontecimentos que ocorreram durante a segunda viagem missionária de Paulo, que começou por volta de 49 EC.
“Deus havia nos chamado” (Atos 16:6-15)
4, 5. (a) O que aconteceu com o grupo de Paulo perto da Bitínia? (b) Que decisão os discípulos tomaram, e qual foi o resultado?
4 Impedidos de pregar na Ásia, Paulo e seus companheiros foram em direção ao norte para pregar nas cidades da Bitínia. A fim de chegarem lá, eles talvez tenham caminhado vários dias por estradas não pavimentadas entre as regiões pouco povoadas da Frígia e da Galácia. Mas, ao se aproximarem da Bitínia, Jesus usou mais uma vez o espírito santo para impedi-los. (Atos 16:6, 7) A essa altura, os homens já deviam estar confusos. Sabiam o que pregar e como pregar, mas não sabiam onde pregar. Haviam batido, por assim dizer, na porta que dava para a Ásia, mas em vão. Haviam batido na porta que dava para a Bitínia, mas novamente em vão. Mesmo assim, Paulo estava decidido a continuar batendo até encontrar alguma porta que se abrisse. Os homens tomaram, então, uma decisão que não parecia fazer sentido: foram para o oeste e andaram 550 quilômetros, passando por várias cidades até chegarem ao porto de Trôade, de onde poderiam navegar para a Macedônia. (Atos 16:8) Foi em Trôade que Paulo bateu em uma terceira porta, mas dessa vez ela se abriu amplamente.
5 Lucas, escritor do Evangelho que leva seu nome, se juntou ao grupo de Paulo em Trôade. Ele relata o que aconteceu: “Durante a noite, Paulo teve uma visão: um macedônio estava em pé suplicando-lhe: ‘Venha para a Macedônia e ajude-nos.’ Logo depois que ele teve a visão, procuramos ir à Macedônia, concluindo que Deus havia nos chamado para lhes declarar as boas novas.”a (Atos 16:9, 10) Finalmente Paulo soube onde pregar. Ele deve ter ficado muito feliz por não ter desistido na metade do caminho. Sem demora, os quatro homens navegaram para a Macedônia.
“Assim, embarcamos em Trôade.” — Atos 16:11
6, 7. (a) O que podemos aprender do que aconteceu durante a viagem de Paulo? (b) A exemplo do que aconteceu com Paulo, que certeza podemos ter?
6 Que lição podemos aprender desse relato? Observe o seguinte: foi somente depois de Paulo ter partido para a Ásia que o espírito santo indicou a vontade de Deus; foi somente depois de Paulo ter se aproximado da Bitínia que Jesus interveio; e foi somente depois de Paulo ter chegado a Trôade que Jesus o orientou a ir à Macedônia. Jesus, como Cabeça da congregação, pode nos orientar de modo similar hoje. (Col. 1:18) Por exemplo, talvez estejamos pensando já por algum tempo em servir como pioneiros ou em nos mudar para uma região onde há maior necessidade de publicadores do Reino. Mas pode ser somente depois de darmos passos específicos para alcançar nosso alvo que Jesus, por meio do espírito de Deus, nos guiará. Por quê? Pense no seguinte exemplo: um motorista pode virar seu carro para a direita ou para a esquerda somente se o carro estiver em movimento. Da mesma forma, no que diz respeito a expandir nosso ministério, Jesus nos orienta, mas apenas se estivermos em “movimento”, ou seja, se estivermos realmente nos esforçando a fazer isso.
7 Mas e se nossos esforços não produzem logo resultado? Devemos desistir, achando que o espírito de Deus não nos está orientando? Não. Lembre-se de que Paulo também enfrentou contratempos. Mesmo assim, ele continuou procurando até achar uma porta que se abrisse. Podemos ter certeza de que nossa perseverança em procurar “uma porta ampla para atividade” também será recompensada. — 1 Cor. 16:9.
8. (a) Descreva a cidade de Filipos. (b) Qual foi o resultado alegre da pregação de Paulo no “lugar de oração”?
8 Depois de chegarem ao distrito da Macedônia, o grupo de Paulo viajou para Filipos, uma cidade cujos habitantes tinham orgulho de ser cidadãos romanos. Para os soldados romanos reformados que moravam ali, a colônia de Filipos era como uma pequena Itália — uma Roma em miniatura bem no meio da Macedônia. Fora do portão da cidade, ao lado de um rio estreito, os missionários encontraram um local que acharam ser “um lugar de oração”.b No sábado, eles foram àquele local e encontraram várias mulheres reunidas ali para adorar a Deus. Os discípulos se sentaram e falaram com elas. Uma mulher chamada Lídia “estava escutando”, e “Jeová lhe abriu amplamente o coração”. Lídia ficou tão comovida com o que aprendeu dos missionários que ela e os de sua casa foram batizados. Então ela insistiu para que Paulo e seus companheiros ficassem na sua casa.c — Atos 16:13-15.
9. Como muitos hoje imitam o exemplo de Paulo, e que bênçãos recebem?
9 Imagine a alegria que o batismo de Lídia causou. Paulo deve ter ficado muito feliz por ter aceitado o convite para ‘vir para a Macedônia’ e por Jeová ter usado a ele e seus companheiros para responder às orações daquelas mulheres que temiam a Deus. Hoje, muitos irmãos — jovens e idosos, solteiros e casados — também se mudam para regiões onde a necessidade de publicadores do Reino é maior. É verdade que eles enfrentam dificuldades, mas isso não é nada comparado à satisfação que sentem quando encontram pessoas como Lídia, que aceitam as verdades da Bíblia. Será que você pode fazer ajustes que lhe permitiriam ir a um território onde a necessidade é maior? Você receberá muitas bênçãos se fizer isso. Por exemplo, veja o caso de Aaron, um irmão de 20 e poucos anos que se mudou para um país da América Central. Suas palavras refletem os sentimentos de muitos outros irmãos: “Servir em outro país tem me ajudado a crescer espiritualmente e a me achegar mais a Jeová. E o serviço de campo é muito bom — dirijo oito estudos bíblicos!”
Como nós hoje podemos ‘ir para a Macedônia’?
“A multidão se levantou contra eles” (Atos 16:16-24)
10. Como os demônios estavam envolvidos na reviravolta que aconteceu com Paulo e seus companheiros?
10 Satanás com certeza ficou furioso pelas boas novas terem se estabelecido numa parte do mundo onde ele e seus demônios dominavam sem interferência. Não é de admirar que os demônios estivessem envolvidos na reviravolta que estava para acontecer com Paulo e seus companheiros. Enquanto eles visitavam o lugar de oração, uma serva possuída por um demônio, e que ganhava muito dinheiro para seus donos fazendo predições, começou a seguir o grupo de Paulo. Ela gritava: “Estes homens são escravos do Deus Altíssimo e estão proclamando a vocês o caminho da salvação.” Pode ser que o demônio tenha feito a serva gritar essas palavras para dar a entender que as predições feitas por ela e os ensinos de Paulo vinham da mesma fonte. Dessa forma, as pessoas ali prestariam atenção à serva em vez de aos verdadeiros seguidores de Cristo. Mas Paulo silenciou a serva expulsando o demônio. — Atos 16:16-18.
11. O que aconteceu com Paulo e Silas depois que Paulo expulsou da serva o demônio?
11 Quando os donos da serva viram que haviam perdido seu meio fácil de ganhar dinheiro, ficaram furiosos. Eles arrastaram Paulo e Silas até a praça principal, onde os magistrados — autoridades que representavam Roma — realizavam audiências. Os donos se aproveitaram do preconceito e do patriotismo dos juízes, como que dizendo: ‘Esses judeus estão causando muita confusão por ensinarem costumes que nós romanos não podemos aceitar.’ Suas palavras logo surtiram efeito. “Toda a multidão [na praça principal] se levantou contra [Paulo e Silas]”, e os magistrados deram ordens para que eles fossem “espancados com varas”. Depois disso, Paulo e Silas foram levados à força para a prisão. O carcereiro jogou os homens feridos na prisão interior e prendeu os pés deles no tronco. (Atos 16:19-24) Quando o carcereiro fechou a porta, a escuridão naquela masmorra devia ter sido tão grande que Paulo e Silas mal conseguiam enxergar um ao outro. No entanto, Jeová os estava vendo. — Sal. 139:12.
12. (a) Como os discípulos de Cristo encararam a perseguição, e por quê? (b) Que tipos de oposição ainda são usados por Satanás e seus agentes?
12 Anos antes, Jesus havia alertado seus seguidores que eles seriam perseguidos. (João 15:20) Por isso, quando o grupo de Paulo passou à Macedônia, eles sabiam que podiam enfrentar oposição. Assim, quando a perseguição veio, em vez de acharem que tinham perdido o favor de Jeová, eles a encararam como demonstração da ira de Satanás. Hoje, os agentes de Satanás ainda usam os mesmos métodos usados em Filipos. Na escola e no local de trabalho, opositores falam mentiras a nosso respeito, provocando oposição. Em alguns países, opositores religiosos levantam acusações contra nós em tribunais, como que dizendo: ‘Essas Testemunhas de Jeová causam muita confusão por ensinarem costumes que nós “tradicionalistas” não podemos aceitar.’ Em alguns lugares, nossos irmãos são espancados e jogados na prisão. No entanto, Jeová os está vendo. — 1 Ped. 3:12.
“Batizados sem demora” (Atos 16:25-34)
13. O que levou o carcereiro a perguntar: “O que tenho de fazer para ser salvo?”
13 Paulo e Silas devem ter precisado de algum tempo para se recuperarem dos acontecimentos turbulentos daquele dia. Por volta da meia-noite, porém, eles já se haviam recuperado do espancamento o suficiente para ‘orar e louvar a Deus com cânticos’. De repente, um terremoto abalou a prisão. O carcereiro acordou e, vendo que as portas estavam abertas, ficou com medo de que os prisioneiros tivessem fugido. Sabendo que seria punido por deixá-los fugir, ele “puxou sua espada e ia se matar”. Mas Paulo gritou: “Não faça nenhum mal a si mesmo, pois estamos todos aqui!” O aflito carcereiro perguntou: “Senhores, o que tenho de fazer para ser salvo?” Paulo e Silas não podiam salvá-lo; apenas Jesus podia. Então eles responderam: “Creia no Senhor Jesus e será salvo.” — Atos 16:25-31.
14. (a) Que ajuda Paulo e Silas deram ao carcereiro? (b) Que bênção Paulo e Silas receberam por enfrentar a perseguição com alegria?
14 Será que a pergunta do carcereiro era sincera? Paulo não duvidou da sinceridade do homem. O carcereiro era gentio; não tinha conhecimento das Escrituras. Antes de poder se tornar cristão, ele precisava aprender e aceitar verdades bíblicas básicas. De modo que Paulo e Silas tiraram tempo para falar “a palavra de Jeová a ele”. Os homens ficaram tão envolvidos em ensinar as Escrituras que talvez se tenham esquecido da dor dos golpes que haviam recebido. Mas o carcereiro viu as feridas profundas nas costas deles e as limpou. Então ele e os de sua casa “foram batizados sem demora”. Que bênção Paulo e Silas receberam por enfrentar a perseguição com alegria! — Atos 16:32-34.
15. (a) Como muitas Testemunhas de Jeová hoje imitam o exemplo de Paulo e Silas? (b) Por que devemos continuar a revisitar os moradores em nosso território?
15 Assim como Paulo e Silas, muitas Testemunhas de Jeová hoje pregam as boas novas enquanto estão presas por causa de sua fé, com ótimos resultados. Por exemplo, em certo país onde nossas atividades eram proibidas, houve uma época em que 40% de todas as Testemunhas de Jeová haviam aprendido a verdade enquanto estavam na prisão! (Isa. 54:17) Observe, também, que o carcereiro só pediu ajuda depois que o terremoto abalou a prisão. Da mesma forma hoje, algumas pessoas que nunca deram atenção à mensagem do Reino talvez a aceitem quando sua vida pessoal é abalada por alguma tragédia. Não deixarmos de fielmente visitar e revisitar os moradores em nosso território garantirá que estejamos ali para ajudar quando uma situação dessas surgir.
“Agora nos mandam embora secretamente?” (Atos 16:35-40)
16. Como a situação mudou de figura no dia após o espancamento de Paulo e Silas?
16 Na manhã após o espancamento, os magistrados ordenaram que Paulo e Silas fossem libertados. Mas Paulo disse: “Eles nos açoitaram publicamente sem termos sido julgados, embora sejamos romanos, e nos lançaram na prisão. Agora nos mandam embora secretamente? Não! Que venham eles próprios e nos levem para fora.” Ao saberem que os dois homens eram cidadãos romanos, os magistrados “ficaram com medo”, pois tinham violado os direitos daqueles discípulos.d Agora a situação havia mudado de figura. Os discípulos tinham sido espancados publicamente; então os magistrados tinham de pedir desculpas publicamente. Eles imploraram a Paulo e Silas que deixassem Filipos. Os dois concordaram, mas primeiro tiraram tempo para encorajar o crescente grupo de novos discípulos. Só partiram depois disso.
17. Que importante lição os novos discípulos aprenderiam por observar a perseverança de Paulo e Silas?
17 Caso seus direitos como cidadãos romanos tivessem sido respeitados antes, pode ser que Paulo e Silas não tivessem sido espancados. (Atos 22:25, 26) Mas, se isso acontecesse, os discípulos em Filipos poderiam ficar com a impressão de que aqueles homens tinham usado esses direitos para evitar sofrer em nome de Cristo. Como isso afetaria a fé dos discípulos que não tinham cidadania romana? Afinal, para eles a lei não serviria de proteção contra espancamentos. Por isso, ao suportarem a punição, Paulo e Silas deram exemplo aos novos discípulos, mostrando que os seguidores de Cristo podem se manter firmes diante de perseguição. Além disso, por exigirem o reconhecimento de sua cidadania, Paulo e Silas obrigaram os magistrados a admitir publicamente que tinham violado a lei. Isso, por sua vez, talvez fizesse os magistrados pensar duas vezes antes de maltratar os companheiros de adoração de Paulo e poderia fornecer certa medida de proteção legal contra ataques similares no futuro.
18. (a) Como os superintendentes cristãos hoje imitam o exemplo de Paulo? (b) Como nós ‘defendemos e estabelecemos legalmente as boas novas’ em nossos dias?
18 Hoje, os superintendentes também orientam a congregação cristã por meio de seu exemplo. O que quer que esperem que seus companheiros de adoração façam, os pastores cristãos estão dispostos a fazer. Da mesma forma, assim como Paulo, nós avaliamos bem quando e como usar nossos direitos legais para obter proteção. Se necessário, nós recorremos a tribunais locais, nacionais e até mesmo internacionais a fim de obter proteção legal para realizar livremente nossa adoração. Nosso objetivo não é promover alguma reforma social, mas “defender e estabelecer legalmente as boas novas”, conforme Paulo escreveu à congregação em Filipos uns dez anos depois de ter ficado preso ali. (Fil. 1:7) Ainda assim, independentemente do resultado desses processos legais, nós, como Paulo e seus companheiros, estamos decididos a continuar ‘declarando as boas novas’ onde quer que o espírito de Deus nos oriente a fazer isso. — Atos 16:10.
a Veja o quadro “Lucas — escritor do livro de Atos”.
b Os judeus talvez fossem proibidos de ter uma sinagoga em Filipos por causa da característica militar da cidade. Ou pode ser que ali não houvesse dez homens judeus, o mínimo necessário para estabelecer uma sinagoga.
c Veja o quadro “Lídia — vendedora de púrpura”.
d A lei romana estabelecia que um cidadão sempre tinha o direito de ser julgado perante um tribunal e nunca deveria ser punido em público sem antes ter sido condenado.
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Paulo “raciocinou com eles usando as Escrituras”‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
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CAPÍTULO 17
Paulo “raciocinou com eles usando as Escrituras”
A base para um bom ensino e o excelente exemplo dos bereanos
Baseado em Atos 17:1-15
1, 2. Quem estava fazendo a viagem desde Filipos até Tessalônica, e que coisas talvez estivessem passando pela mente deles?
A ESTRADA muito movimentada, construída por excelentes engenheiros romanos, atravessa montanhas escarpadas. Vez por outra, os sons se misturam nessa estrada — o zurro de jumentos, o barulho das rodas das carroças ao passarem sobre grossas pedras de pavimentação, e vozes de viajantes de todo tipo, incluindo provavelmente soldados, comerciantes e artesãos. Três amigos — Paulo, Silas e Timóteo — estão nessa estrada fazendo uma viagem de aproximadamente 130 quilômetros desde Filipos até Tessalônica. A viagem não é nada fácil, especialmente para Paulo e Silas. Eles ainda estão se recuperando dos ferimentos causados pelo espancamento que sofreram em Filipos. — Atos 16:22, 23.
2 O que esses três homens fazem para não pensar no longo caminho que têm pela frente? Conversar com certeza ajuda. Eles ainda têm bem viva na mente a emoção que sentiram quando o carcereiro lá em Filipos e sua família se tornaram discípulos. Aquele acontecimento deixou esses viajantes ainda mais decididos a continuar proclamando a palavra de Deus. Mas, conforme se aproximam da cidade costeira de Tessalônica, eles talvez se perguntem como os judeus nessa cidade vão recebê-los. Será que eles vão ser atacados, ou até mesmo espancados, como aconteceu em Filipos?
3. Como o exemplo de Paulo em reunir coragem para pregar pode nos ajudar?
3 Mais tarde, Paulo escreveu aos cristãos em Tessalônica sobre como se sentiu naquela ocasião: “Embora tivéssemos sofrido e sido maltratados em Filipos, como sabem, reunimos coragem com a ajuda do nosso Deus para lhes falar as boas novas de Deus diante de muita oposição.” (1 Tes. 2:2) Com essas palavras, Paulo parece indicar que tinha receio de entrar na cidade de Tessalônica, especialmente depois do que aconteceu em Filipos. Você já se sentiu como Paulo? Às vezes acha muito difícil proclamar as boas novas? Paulo confiava em Jeová para fortalecê-lo — ajudá-lo a reunir a coragem que precisava. Estudar o exemplo de Paulo pode ajudar você a fazer o mesmo. — 1 Cor. 4:16.
Paulo “raciocinou . . . usando as Escrituras” (Atos 17:1-3)
4. Por que é provável que Paulo tenha ficado mais do que apenas três semanas em Tessalônica?
4 O relato nos diz que, enquanto esteve em Tessalônica, Paulo pregou na sinagoga por três sábados. Será que isso quer dizer que sua visita àquela cidade durou apenas três semanas? Não necessariamente. Nós não sabemos quando Paulo foi à sinagoga pela primeira vez depois de chegar à cidade. Além disso, as cartas de Paulo indicam que, enquanto em Tessalônica, ele e seus companheiros trabalharam para se sustentar. (1 Tes. 2:9; 2 Tes. 3:7, 8) Também, durante o tempo em que ficou ali, por duas vezes Paulo recebeu suprimentos de seus irmãos em Filipos. (Fil. 4:16) De modo que ele provavelmente ficou em Tessalônica mais do que apenas três semanas.
5. Como Paulo procurava raciocinar com as pessoas?
5 Tendo criado coragem para pregar, Paulo falou aos que estavam reunidos na sinagoga. Como de costume, Paulo “raciocinou com eles usando as Escrituras: explicava e provava, com base no que estava escrito, que era necessário que o Cristo sofresse e fosse levantado dentre os mortos. Ele dizia: ‘Este é o Cristo, este Jesus, que eu lhes estou proclamando.’” (Atos 17:2, 3) Observe que Paulo não tentava apelar para a emoção; ele apelava para a razão. Ele sabia que os que frequentavam a sinagoga conheciam e respeitavam as Escrituras. Mas eles não as entendiam plenamente. Assim, Paulo usava as Escrituras para argumentar, explicar e provar que Jesus de Nazaré era o prometido Messias, ou Cristo.
6. Como Jesus raciocinava usando as Escrituras, e com que resultado?
6 Paulo seguiu o modelo estabelecido por Jesus, que usava as Escrituras como base de seu ensino. Durante seu ministério, por exemplo, Jesus mostrou a seus seguidores que, segundo as Escrituras, o Filho do homem teria de sofrer, morrer e ser ressuscitado. (Mat. 16:21) Depois de sua ressurreição, Jesus apareceu a seus discípulos. Sem dúvida, esse fato em si seria o suficiente para mostrar que ele tinha falado a verdade. Mas Jesus fez mais do que isso. Sobre o que ele disse a certos discípulos, lemos: “Começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes as coisas a respeito de si mesmo em todas as Escrituras.” Com que resultado? Os discípulos disseram: “Não sentíamos arder o coração dentro de nós quando ele nos falava na estrada, ao nos abrir plenamente as Escrituras?” — Luc. 24:13, 27, 32.
7. Por que é importante basear nas Escrituras aquilo que ensinamos?
7 A mensagem da Palavra de Deus tem poder. (Heb. 4:12) Por isso, os cristãos hoje baseiam seus ensinos nessa Palavra, assim como Paulo, os outros apóstolos e o próprio Jesus fizeram. Nós também raciocinamos com as pessoas, explicamos o significado das Escrituras e provamos aquilo que ensinamos abrindo a Bíblia e mostrando aos moradores o que ela diz. Afinal, a mensagem que levamos não é nossa. Por usarmos sempre a Bíblia, ajudamos as pessoas a ver que proclamamos não as nossas próprias ideias, mas os ensinos de Deus. Nós também somos ajudados a sempre nos lembrar de que a mensagem que pregamos se baseia firmemente na Palavra de Deus. É totalmente confiável. Saber isso não lhe dá confiança para pregar com coragem, assim como Paulo?
‘Alguns se tornaram crentes’ (Atos 17:4-9)
8-10. (a) De que formas as pessoas em Tessalônica reagiram às boas novas? (b) Por que alguns judeus estavam com ciúmes de Paulo? (c) Como os opositores judeus reagiram?
8 Paulo já havia visto pessoalmente como eram verdadeiras as palavras de Jesus: “O escravo não é maior do que o seu senhor. Se perseguiram a mim, perseguirão também a vocês; se obedeceram às minhas palavras, obedecerão também às suas.” (João 15:20) Foi exatamente isso que Paulo viu acontecer em Tessalônica — alguns estavam ansiosos para ‘obedecer à palavra’, ao passo que outros se opunham a ela. Quanto àqueles que reagiram bem, Lucas escreveu: “Alguns deles [dos judeus] se tornaram crentes [cristãos] e se juntaram a Paulo e Silas, e uma grande multidão de gregos que adoravam a Deus fez o mesmo, bem como um bom número de mulheres de destaque.” (Atos 17:4) Sem dúvida esses novos discípulos ficaram felizes por terem recebido ajuda para entender mais claramente as Escrituras.
9 Apesar de alguns terem gostado das palavras de Paulo, outros ficaram com raiva dele. Alguns judeus em Tessalônica ficaram com ciúmes de Paulo por ele ter sido bem-sucedido em convencer “uma grande multidão de gregos” a aceitar a mensagem. Com a intenção de fazerem prosélitos, aqueles judeus haviam ensinado as Escrituras Hebraicas aos gentios gregos e, por isso, achavam que esses gregos pertenciam a eles. Mas agora era como se Paulo estivesse roubando aqueles gregos — bem ali na sinagoga! Os judeus ficaram furiosos.
Estavam “à procura de Paulo e Silas, para trazê-los para fora, à turba”. — Atos 17:5
10 Lucas nos informa o que aconteceu a seguir: “Os judeus ficaram com ciúme; reuniram então alguns homens maus que vadiavam na praça, formaram uma turba e provocaram um tumulto na cidade. Invadiram a casa de Jasão, à procura de Paulo e Silas, para trazê-los para fora, à turba. Como não os acharam, arrastaram Jasão e alguns irmãos até as autoridades da cidade, gritando: ‘Aqueles homens que têm causado alvoroço na terra habitada também estão aqui, e Jasão os recebeu como hóspedes. Todos esses homens agem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus.’” (Atos 17:5-7) Como a ação dessa turba afetaria Paulo e seus companheiros?
11. Que acusações foram feitas contra Paulo e seus companheiros de pregação, e que decreto os acusadores talvez tivessem em mente? (Veja a nota.)
11 Turbas são terríveis. São como as águas violentas e descontroladas de um rio durante uma enchente — arrastam tudo que estiver no caminho. Essa foi a arma que os judeus usaram na tentativa de se livrar de Paulo e Silas. Então, depois de os judeus terem provocado “um tumulto” na cidade, eles tentaram convencer as autoridades de que os discípulos haviam cometido crimes graves. Primeiro acusaram Paulo e os outros proclamadores do Reino de terem “causado alvoroço na terra habitada”, embora Paulo e seus companheiros não tivessem causado o tumulto em Tessalônica. Já a segunda acusação foi bem mais grave. Os judeus disseram que os missionários proclamavam a existência de outro rei, Jesus, violando assim os decretos do imperador.a
12. O que mostra que as acusações contra os cristãos em Tessalônica poderiam ter tido sérias consequências?
12 Lembre-se de que os líderes religiosos haviam feito uma acusação similar contra Jesus. Eles disseram a Pilatos: “Encontramos este homem subvertendo a nossa nação . . . e dizendo que ele mesmo é Cristo, um rei.” (Luc. 23:2) Pilatos, possivelmente temendo que o imperador pudesse concluir que ele tolerava alta traição, condenou Jesus à morte. Da mesma forma, as acusações contra os cristãos em Tessalônica poderiam ter tido sérias consequências. Uma obra de referência menciona: “Não é exagero dizer que os cristãos estavam em grande perigo por causa dessa acusação, pois ‘a mera insinuação de traição contra os imperadores quase sempre era fatal para o acusado’.” Será que esse odioso ataque alcançaria seu objetivo?
13, 14. (a) Por que a turba falhou em parar a obra de pregação em Tessalônica? (b) De que forma Paulo seguiu o conselho de Cristo sobre ser cauteloso, e como podemos imitar o seu exemplo?
13 A turba falhou em parar a obra de pregação em Tessalônica. Por quê? Um dos motivos foi que Paulo e Silas não puderam ser encontrados. Além disso, parece que os governantes da cidade não ficaram convencidos de que as acusações eram válidas. Depois de exigirem “a fiança estipulada”, eles libertaram Jasão e os outros irmãos. (Atos 17:8, 9) Seguindo o conselho de Jesus para os cristãos serem “cautelosos como as serpentes, mas inocentes como as pombas”, Paulo prudentemente fugiu do perigo para que pudesse continuar sua pregação em outro lugar. (Mat. 10:16) Fica claro que o fato de Paulo criar coragem não o levou a ser imprudente. Como os cristãos hoje podem imitar seu exemplo?
14 Atualmente, os clérigos da cristandade muitas vezes instigam turbas contra as Testemunhas de Jeová. Acusando-as de sedição e traição, eles manipulam os governantes para que se oponham a elas. Assim como aqueles perseguidores do primeiro século, os opositores atuais são motivados pelo ciúme. Seja como for, os cristãos verdadeiros procuram não se envolver sem necessidade em problemas. Sempre que possível, evitamos confrontos com pessoas iradas e desarrazoadas, procurando continuar nossa obra em paz, talvez voltando mais tarde quando as coisas tiverem acalmado.
Eles tinham “mentalidade mais nobre” (Atos 17:10-15)
15. Como os bereanos reagiram às boas novas?
15 Pelo bem da segurança, Paulo e Silas foram enviados a Bereia, a aproximadamente 65 quilômetros de Tessalônica. Quando eles chegaram lá, Paulo foi à sinagoga e falou com as pessoas reunidas ali. Como era bom encontrar uma assistência receptiva! Lucas escreveu que os judeus de Bereia “tinham mentalidade mais nobre do que os de Tessalônica, pois aceitaram a palavra com vivo interesse, e examinavam cuidadosamente as Escrituras, todo dia, para ver se tudo era assim mesmo”. (Atos 17:10, 11) Será que essas palavras desmereciam as pessoas em Tessalônica que aceitaram a verdade? De forma alguma. Mais tarde, Paulo lhes escreveu: “Agradecemos a Deus incessantemente, porque, quando receberam a palavra de Deus, que ouviram de nós, vocês a aceitaram não como a palavra de homens, mas pelo que ela realmente é, a palavra de Deus, que também atua em vocês, crentes.” (1 Tes. 2:13) Mas o que fazia com que esses judeus em Bereia fossem de mentalidade tão nobre?
16. Por que os bereanos foram apropriadamente descritos como pessoas de ‘mentalidade nobre’?
16 Os bereanos ouviram algo totalmente novo, mas não ficaram desconfiados nem foram críticos. Ao mesmo tempo, não se mostraram ingênuos. Primeiro, eles ouviram com atenção o que Paulo tinha a dizer. Daí, verificaram nas Escrituras o que Paulo lhes havia explicado. Eles estudaram diligentemente a Palavra de Deus não apenas aos sábados, mas todos os dias. E fizeram isso com “vivo interesse”, dedicando-se a entender as Escrituras à luz daquele novo ensino. Por fim, eles mostraram que eram humildes o suficiente para fazer mudanças, pois “muitos deles se tornaram crentes”. (Atos 17:12) Não é de admirar que Lucas os descreva como pessoas de ‘mentalidade nobre’.
17. Por que o exemplo dos bereanos é tão elogiável, e como podemos continuar a imitar esse exemplo mesmo depois de servir a Jeová por muito tempo?
17 Mal sabiam os bereanos que o registro de sua reação às boas novas seria preservado na Palavra de Deus como um excelente exemplo de ‘mentalidade nobre’ e espiritual. Eles fizeram exatamente o que Paulo esperava e o que Jeová Deus queria que fizessem. Nós também incentivamos as pessoas a agir assim: examinar a Bíblia com atenção para que adquiram uma fé baseada firmemente na Palavra de Deus. Mas, depois de nos tornarmos cristãos, será que não há mais necessidade de ter mentalidade nobre? Ao contrário, torna-se ainda mais importante ter o forte desejo de aprender de Jeová e aplicar prontamente seus ensinos. Desse modo, permitimos que Jeová nos molde e nos treine de acordo com a sua vontade. (Isa. 64:8) Assim, continuaremos agradando ao nosso Pai celestial, sendo produtivos no seu serviço.
18, 19. (a) Por que Paulo deixou Bereia, mas como demonstrou perseverança digna de ser imitada? (b) A quem Paulo pregaria a seguir, e onde?
18 Paulo não ficou muito tempo em Bereia. Lemos: “Quando os judeus de Tessalônica souberam que Paulo estava proclamando a palavra de Deus também em Bereia, foram para lá a fim de provocar e agitar as multidões. Então, os irmãos mandaram Paulo imediatamente embora, para o mar; mas Silas e Timóteo ficaram ali. Os que acompanhavam Paulo, no entanto, levaram-no até Atenas e depois partiram, incumbidos de transmitir instruções para que Silas e Timóteo fossem ao encontro de Paulo o mais rápido possível.” (Atos 17:13-15) Aqueles inimigos das boas novas eram muito persistentes. Como se não bastasse terem expulsado Paulo de Tessalônica, eles viajaram até Bereia e tentaram causar ali o mesmo tipo de problema, mas tudo em vão. Paulo sabia que seu território era extenso, de modo que simplesmente foi pregar em outro lugar. Que nós também estejamos decididos a frustrar os esforços daqueles que querem parar a obra de pregação!
19 Por ter dado testemunho cabal aos judeus em Tessalônica e em Bereia, Paulo certamente aprendeu muito sobre a importância de dar testemunho com coragem e de raciocinar usando as Escrituras. Nós também aprendemos. Mas agora Paulo pregaria a uma assistência diferente: os gentios de Atenas. Como ele se sairia nessa cidade? Veremos isso no próximo capítulo.
a De acordo com um erudito, houve naquele tempo um decreto de César proibindo qualquer predição “da vinda de um novo rei ou reino, especialmente um que fosse suplantar ou julgar o imperador”. Os inimigos de Paulo podem muito bem ter deturpado a mensagem do apóstolo, afirmando que era uma violação desse decreto. Veja o quadro “Os imperadores romanos e o livro de Atos”.
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Incentivo para ‘buscar a Deus e realmente o achar’‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
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CAPÍTULO 18
Incentivo para ‘buscar a Deus e realmente o achar’
Paulo estabelece uma base de comum acordo com seus ouvintes e se adapta a eles
Baseado em Atos 17:16-34
1-3. (a) Por que o apóstolo Paulo ficou muito incomodado ao chegar a Atenas? (b) O que podemos aprender estudando o exemplo de Paulo?
PAULO está muito incomodado. Ele está em Atenas, Grécia, o centro de erudição onde Sócrates, Platão e Aristóteles ensinaram. Atenas é uma cidade muito religiosa. Em toda a parte — nos templos, nas praças públicas e nas ruas — Paulo vê inúmeros ídolos, pois os atenienses adoram um panteão de deuses. Paulo sabe o que Jeová, o Deus verdadeiro, pensa a respeito da idolatria. (Êxo. 20:4, 5) O fiel apóstolo tem o mesmo ponto de vista de Jeová — ele tem aversão a ídolos.
2 O que Paulo vê ao entrar na ágora, ou praça principal, o deixa muito escandalizado. Enfileiradas ao longo do canto noroeste da praça, perto da entrada principal, há um grande número de estátuas fálicas do deus Hermes. A praça está cheia de santuários. Como esse zeloso apóstolo vai pregar nessa cidade tomada pela idolatria? Será que ele conseguirá reprimir sua aversão a ídolos e encontrar uma base de comum acordo com seus ouvintes? Vai conseguir ajudar alguém a buscar o Deus verdadeiro e realmente o achar?
3 O discurso de Paulo aos homens cultos de Atenas, conforme registrado em Atos 17:22-31, é um modelo de eloquência, tato e discernimento. Por estudarmos o exemplo de Paulo, podemos aprender muito sobre como estabelecer uma base de comum acordo com nossos ouvintes e, assim, ajudá-los a raciocinar.
Paulo ensina “na praça principal” (Atos 17:16-21)
4, 5. Onde Paulo pregou em Atenas, e por que não seria nada fácil convencer as pessoas ali?
4 Paulo visitou Atenas em cerca de 50 EC, durante sua segunda viagem missionária.a Enquanto esperava Silas e Timóteo chegarem de Bereia, Paulo “começou a raciocinar na sinagoga com os judeus”, como era seu costume. Ele também encontrou um território onde pudesse falar com os não judeus de Atenas — “na praça principal”, ou ágora. (Atos 17:17) Localizada a noroeste da Acrópole, a ágora de Atenas tinha aproximadamente 250 metros de comprimento por 200 metros de largura. A ágora era muito mais do que uma feira; era a praça principal da cidade. Uma obra de referência diz que esse lugar era “o centro econômico, político e cultural da cidade”. Os atenienses gostavam muito de se reunir ali para participar em debates filosóficos.
5 Não seria nada fácil convencer as pessoas na ágora. Entre elas estavam os epicureus e os estoicos, membros de escolas rivais de filosofia.b Os epicureus acreditavam que a vida surgiu por acaso. Seu conceito a respeito da vida se resumia no seguinte: “Não há por que temer a Deus; não há dor na morte; o bem é alcançável; o mal é suportável.” Os estoicos davam ênfase à razão e à lógica e não acreditavam que Deus fosse uma Pessoa. Nem os epicureus nem os estoicos acreditavam na ressurreição conforme era ensinada pelos discípulos de Cristo. Evidentemente, os conceitos filosóficos desses dois grupos eram incompatíveis com as elevadas verdades do verdadeiro cristianismo, sobre o qual Paulo pregava.
6, 7. Como alguns filósofos gregos reagiram ao ensino de Paulo, e que reação similar nós às vezes encontramos hoje?
6 Como os filósofos gregos reagiram ao ensino de Paulo? Alguns usaram uma palavra que significa “tagarela” ou “apanhador de sementes” para se referir a ele. (Veja a nota de estudo em Atos 17:18, nwtsty.) Sobre essa palavra grega, certo erudito disse: “A palavra originalmente se referia a um pequeno pássaro que ficava apanhando sementes. Mais tarde, passou a ser aplicada a pessoas que apanhavam sobras de alimentos e outras coisas sem valor na feira. Depois disso, passou a se referir, em sentido figurado, a pessoas que colhiam informações a esmo apenas para repeti-las, sem realmente entendê-las.” Em outras palavras, aqueles homens cultos estavam dizendo que Paulo era um plagiador ignorante. Mas, conforme veremos, Paulo não se deixou intimidar por esses rótulos depreciativos.
7 Hoje não é diferente. Como Testemunhas de Jeová, nós temos sido frequentemente rotulados de modo depreciativo por causa de nossas crenças baseadas na Bíblia. Por exemplo, alguns educadores ensinam que a evolução é um fato e insistem que quem é inteligente aceita esse ensino. Em outras palavras, eles rotulam de ignorantes os que se recusam a acreditar nessa teoria. Esses homens instruídos querem fazer as pessoas acreditar que nós somos ‘apanhadores de sementes’ pelo fato de apresentarmos o que a Bíblia diz e mostrarmos evidências de projeto na natureza. Mas nós não nos deixamos intimidar por essa atitude. Em vez disso, falamos com convicção quando defendemos nossa crença de que a vida na Terra é resultado do trabalho de um Projetista inteligente, Jeová Deus. — Apo. 4:11.
8. (a) Como alguns reagiram à pregação de Paulo? (b) Quando a Bíblia diz que Paulo foi levado ao Areópago, o que isso talvez signifique? (Veja a nota.)
8 Outros que ouviram Paulo na praça principal tiveram uma reação diferente. Diziam: “Ele parece ser pregador de divindades estrangeiras.” (Atos 17:18) Será que Paulo estava mesmo apresentando novos deuses aos atenienses? Esse era um assunto sério, pois lembrava uma das acusações pelas quais Sócrates havia sido julgado e condenado à morte séculos antes. Não é de admirar que Paulo tenha sido levado até o Areópago a fim de explicar os ensinos que para os atenienses pareciam estranhos.c Como Paulo defenderia sua mensagem perante pessoas que não tinham nenhum conhecimento das Escrituras?
“Homens de Atenas, eu vejo” (Atos 17:22, 23)
9-11. (a) Como Paulo procurou estabelecer uma base de comum acordo com sua assistência? (b) Como podemos imitar o exemplo de Paulo em nosso ministério?
9 Lembre-se de que Paulo estava muito incomodado com toda a idolatria que havia visto. Mas, em vez de fazer um ataque descontrolado contra a adoração de ídolos, ele manteve a calma. Com bastante tato, Paulo procurou convencer seus ouvintes estabelecendo uma base de comum acordo. Ele começou dizendo: “Homens de Atenas, eu vejo que em todas as coisas vocês parecem ter mais temor às divindades do que outros.” (Atos 17:22) De certa forma, Paulo estava dizendo: ‘Vejo que vocês são muito religiosos.’ Desse modo, Paulo sabiamente os elogiou por terem inclinação espiritual. Ele reconhecia que alguns que são cegados por crenças falsas talvez tenham um bom coração. Afinal, Paulo sabia que ele mesmo já havia agido “em ignorância e não tinha fé”. — 1 Tim. 1:13.
10 Construindo sobre a base que tinha lançado, Paulo mencionou algo que ele havia observado; uma prova concreta da religiosidade dos atenienses — um altar dedicado “A um Deus Desconhecido”. De acordo com certa fonte, “os gregos e outros povos costumavam dedicar altares a ‘deuses desconhecidos’ por medo de ofender algum deus que talvez não tivessem incluído em sua adoração”. Por meio desse altar, os atenienses reconheciam a existência de um Deus desconhecido a eles. Paulo usou o fato de haver esse altar ali como ponto de partida para falar das boas novas. Ele explicou: “Aquele que vocês adoram sem conhecer, esse é o que eu lhes estou proclamando.” (Atos 17:23) O argumento de Paulo era sutil, mas poderoso. Ele não estava pregando um deus novo ou ‘estrangeiro’, como alguns o haviam acusado. Ele estava ensinando sobre o Deus que eles não conheciam — o Deus verdadeiro.
11 Como podemos imitar o exemplo de Paulo em nosso ministério? Se formos atentos, talvez observemos objetos religiosos que uma pessoa está usando ou tem à mostra em sua casa ou no seu jardim, indicando que ela é religiosa. Talvez possamos dizer: ‘Vejo que você é uma pessoa religiosa. Gosto de falar com pessoas que dão valor a assuntos espirituais.’ Por usarmos de tato e levarmos em conta os sentimentos religiosos da pessoa, podemos lançar uma base de comum acordo sobre a qual construir. Lembre-se de que não é nosso objetivo prejulgar outros com base em suas crenças. Entre nossos irmãos há muitos que no passado acreditavam sinceramente nos ensinos da religião falsa.
Procure estabelecer uma base de comum acordo sobre a qual construir
Deus ‘não está longe de cada um de nós’ (Atos 17:24-28)
12. Como Paulo adaptou o seu modo de pregar aos seus ouvintes?
12 Paulo havia lançado uma base de comum acordo, mas será que conseguiria continuar a construir sobre ela ao dar testemunho? Sabendo que seus ouvintes eram instruídos na filosofia grega e não conheciam as Escrituras, ele adaptou de diversas maneiras seu modo de pregar. Primeiro, ele apresentou ensinos bíblicos sem citar diretamente as Escrituras. Segundo, ele se incluiu nas suas declarações por às vezes usar as palavras “nos” e “nós”, mostrando assim que não era diferente de seus ouvintes. Terceiro, fez citações da literatura grega para mostrar que algumas coisas que estava ensinando se harmonizavam com escritos que eles aceitavam. Examinemos agora o poderoso discurso de Paulo. Que verdades importantes ele transmitiu a respeito do Deus que era desconhecido pelos atenienses?
13. O que Paulo explicou a respeito da origem do Universo, e que mensagem suas palavras transmitiram?
13 Deus criou o Universo. Paulo disse: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, Ele, sendo Senhor do céu e da terra, não mora em templos feitos por mãos humanas.”d (Atos 17:24) O Universo não surgiu por acaso. O Deus verdadeiro é o Criador de todas as coisas. (Sal. 146:6) Diferentemente de Atena ou das outras divindades cuja glória dependia de templos, santuários e altares, nenhum templo feito por mãos humanas pode conter o Soberano Senhor do céu e da Terra. (1 Reis 8:27) A mensagem de Paulo era clara: o Deus verdadeiro é maior do que quaisquer ídolos ou templos feitos pelo homem. — Isa. 40:18-26.
14. Como Paulo mostrou que Deus não depende dos humanos?
14 Deus não depende de humanos. Os idólatras costumavam vestir suas imagens com roupas ostentosas, enchê-las de presentes caros ou dar-lhes comida e bebida — como se os ídolos precisassem dessas coisas. Mas alguns dos filósofos gregos que assistiam ao discurso de Paulo talvez acreditassem que um deus não precisaria de nada dos humanos. Nesse caso, eles sem dúvida concordaram com as palavras de Paulo de que Deus não “precisa ser servido por mãos humanas, como se lhe faltasse algo”. Realmente, não há nada material que os humanos possam dar ao Criador. Na realidade, é Deus quem dá aos humanos o que eles precisam — “vida, fôlego e todas as coisas”, incluindo o sol, a chuva e o solo produtivo. (Atos 17:25; Gên. 2:7) Assim, Deus, Aquele que dá todas as coisas, não depende dos humanos, os que se beneficiam de suas dádivas.
15. Como Paulo abordou a questão de os atenienses se considerarem superiores a quem não era grego, e o que podemos aprender desse exemplo?
15 Deus criou o homem. Os atenienses se consideravam superiores a quem não era grego. Mas o nacionalismo e o orgulho racial vão contra a verdade bíblica. (Deut. 10:17) Paulo abordou esse assunto delicado usando de tato e habilidade. Referindo-se ao relato de Gênesis sobre Adão, o pai de toda a raça humana, ele disse: “[Deus] fez de um só homem todas as nações dos homens.” (Gên. 1:26-28; Atos 17:26) Suas palavras com certeza fizeram com que seus ouvintes parassem para pensar, e dificilmente eles deixaram de entender o ponto: visto que todos os humanos têm um ancestral em comum, nenhuma raça ou nacionalidade é superior a outra. Aprendemos uma importante lição desse exemplo. Embora queiramos ter tato e ser razoáveis ao dar testemunho, não amenizamos a força da verdade bíblica apenas para torná-la mais aceitável a outros.
16. Qual é o propósito do Criador para os humanos?
16 Deus intencionou que os humanos fossem achegados a ele. Mesmo que os filósofos presentes ao discurso de Paulo tenham tentado por muito tempo, eles jamais conseguiram explicar satisfatoriamente o objetivo da existência humana. Mas Paulo revelou aos atenienses o propósito do Criador para os humanos, dizendo que Deus criou os homens para que “buscassem a Deus, que tateassem à procura dele e realmente o achassem, embora, na verdade, ele não esteja longe de cada um de nós”. (Atos 17:27) O Deus que era desconhecido pelos atenienses não é de forma alguma impossível de conhecer. Ao contrário, ele não está longe daqueles que realmente querem achá-lo e aprender sobre ele. (Sal. 145:18) Observe que Paulo usou a palavra “nós”, incluindo a si mesmo entre aqueles que precisavam ‘buscar’ a Deus e ‘tatear’ por ele.
17, 18. Por que os humanos devem se sentir atraídos a Deus, e o que podemos aprender da forma como Paulo tornou a mensagem mais atraente à sua assistência?
17 Os humanos devem se sentir atraídos a Deus. Paulo disse que, por causa de Deus, nós “temos vida, nos movemos e existimos”. Alguns eruditos dizem que Paulo estava se referindo às palavras de Epimênides, um poeta da ilha de Creta que viveu no sexto século AEC e que era “um personagem importante na tradição religiosa de Atenas”. Paulo deu uma outra razão pela qual os humanos deveriam se sentir atraídos a Deus: “Alguns dos poetas de vocês [disseram]: ‘Pois nós também somos filhos dele.’” (Atos 17:28) Os humanos devem sentir que têm um vínculo com Deus, pois ele criou o homem de quem todos os humanos são descendentes. Para tornar a mensagem mais atraente à assistência, Paulo sabiamente citou trechos de escritos gregos que seus ouvintes sem dúvida respeitavam.e Em harmonia com o exemplo de Paulo, podemos vez por outra fazer citações da História, de enciclopédias ou de outras obras de referência bem conhecidas. Por exemplo, uma citação apropriada de uma fonte respeitada talvez ajude alguém que não é Testemunha de Jeová a se convencer da origem pagã de certas práticas ou costumes da religião falsa.
18 Até esse ponto de seu discurso, Paulo transmitiu importantes verdades sobre Deus, adaptando com habilidade suas palavras à sua assistência. O que o apóstolo queria que seus ouvintes atenienses fizessem com essas informações vitais? Sem demora, ele passou a falar sobre isso ao dar continuidade ao seu discurso.
É da vontade de Deus que ‘todos, em toda a parte, se arrependam’ (Atos 17:29-31)
19, 20. (a) Como Paulo usou de tato ao expor a tolice de adorar ídolos feitos pelos homens? (b) O que os ouvintes de Paulo precisavam fazer?
19 Paulo estava pronto para incentivar seus ouvintes a agir. Referindo-se novamente aos escritos gregos, ele disse: “Portanto, visto que somos filhos de Deus, não devemos pensar que o Ser Divino é semelhante a ouro, prata ou pedra, como algo esculpido pela arte e imaginação do homem.” (Atos 17:29) De fato, se os humanos foram criados por Deus, então como Deus poderia assumir a forma de ídolos, que são criados por homens? O argumento sutil de Paulo expôs a tolice de adorar ídolos feitos pelo homem. (Sal. 115:4-8; Isa. 44:9-20) Ao dizer “[nós] não devemos . . . ”, Paulo de certa forma tornou sua repreensão menos dolorosa.
20 O apóstolo deixou claro que eles precisavam agir: “Deus não levou em conta os tempos de tal ignorância [do fato de que Deus desaprova os que adoram ídolos]; mas agora ele está dizendo a todos, em toda a parte, que se arrependam.” (Atos 17:30) Alguns dos ouvintes talvez tenham ficado chocados ao ouvir que deveriam se arrepender. Mas o poderoso discurso de Paulo deixou claro que eles deviam a vida a Deus e que, por isso, tinham de prestar contas a Ele. Os atenienses precisavam buscar a Deus, aprender a verdade sobre ele e harmonizar toda a sua vida com essa verdade. Para os atenienses isso significava reconhecer que a idolatria é um pecado e deixar de praticá-la.
21, 22. Com que palavras Paulo terminou o seu discurso, e o que elas significam para nós?
21 Paulo terminou seu discurso com palavras que davam muito em que pensar: “[Deus] determinou um dia em que vai julgar a terra habitada com justiça, por meio de um homem a quem designou. E ele deu garantia disso a todos os homens por ressuscitá-lo dentre os mortos.” (Atos 17:31) Um futuro Dia de Julgamento — que motivo sério para buscar o Deus verdadeiro e achá-lo! Paulo não mencionou o nome do Juiz designado. Em vez disso, Paulo disse algo surpreendente sobre esse Juiz: ele tinha vivido como homem, morrido e sido ressuscitado por Deus!
22 Essa conclusão motivadora é cheia de significado para nós. Sabemos que o Juiz designado por Deus é o ressuscitado Jesus Cristo. (João 5:22) Também sabemos que o Dia do Julgamento durará mil anos e que se aproxima rapidamente. (Apo. 20:4, 6) Não temos medo do Dia do Julgamento, pois entendemos que ele trará indescritíveis bênçãos aos que forem julgados fiéis. A realização de nossa esperança de ter um futuro glorioso é garantida pelo maior dos milagres: a ressurreição de Jesus Cristo.
“Alguns . . . se tornaram crentes” (Atos 17:32-34)
23. Que diferentes reações o discurso de Paulo provocou?
23 O discurso de Paulo provocou diferentes reações. “Alguns começaram a zombar” quando ouviram falar de uma ressurreição. Outros foram educados, mas não tomaram uma posição. Disseram: “Nós o ouviremos falar novamente sobre isso.” (Atos 17:32) Mas houve os que reagiram favoravelmente: “Alguns se juntaram a ele e se tornaram crentes. Entre eles estava Dionísio, que era juiz do tribunal do Areópago, uma mulher chamada Dâmaris, além de outros.” (Atos 17:34) Encontramos reações similares em nosso ministério. Algumas pessoas talvez zombem de nós, ao passo que outras são educadas, mas indiferentes. No entanto, ficamos muito felizes quando alguns aceitam a mensagem do Reino e se tornam cristãos.
24. O que podemos aprender do discurso que Paulo fez no Areópago?
24 Refletir no discurso de Paulo nos ensina muitas coisas: como fazer apresentações lógicas e convincentes; como nos adaptar à assistência; a necessidade de ser pacientes e de usar de tato com aqueles que estão cegados pela religião falsa; e a importância de nunca amenizar a verdade bíblica apenas para agradar os ouvintes. Por imitar o exemplo do apóstolo Paulo, nós podemos nos tornar instrutores mais eficientes no ministério de campo. E os superintendentes, por sua vez, podem se tornar instrutores mais bem qualificados na congregação. Assim estaremos bem equipados para ajudar outros a ‘buscar a Deus e realmente o achar’. — Atos 17:27.
a Veja o quadro “Atenas — capital cultural do mundo antigo”.
b Veja o quadro “Os epicureus e os estoicos”.
c Localizado a noroeste da Acrópole, o Areópago era uma colina que servia como local onde o conselho principal de Atenas costumava se reunir. O termo “Areópago” pode se referir tanto ao conselho como à própria colina. Assim, há diferenças de opinião entre os estudiosos quanto a se Paulo foi levado para essa colina ou para perto dali, ou se ele foi levado para uma reunião do conselho em outro lugar, talvez na ágora.
d A palavra grega traduzida “mundo” é kósmos, que os gregos usavam para se referir ao Universo. É possível que nessa ocasião Paulo, que estava tentando manter uma base de comum acordo com seus ouvintes gregos, tenha usado o termo nesse sentido.
e Paulo citou um trecho de Fenômenos, poema sobre astronomia escrito pelo poeta estoico Arato. Outros escritos gregos, incluindo o Hino a Zeus, do poeta estoico Cleanto, usam fraseologia similar.
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“Persista em falar e não fique calado”‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
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CAPÍTULO 19
“Persista em falar e não fique calado”
Paulo trabalha para se sustentar, mas dá prioridade ao ministério
Baseado em Atos 18:1-22
1-3. Por que o apóstolo Paulo foi a Corinto, e que desafios ele enfrenta ali?
O ANO de 50 EC está para terminar. O apóstolo Paulo está em Corinto, um rico centro comercial onde há uma grande população de gregos, romanos e judeus.a Paulo não está ali para comprar ou vender mercadorias nem para procurar trabalho. Ele está em Corinto por um motivo muito mais nobre: dar testemunho sobre o Reino de Deus. Ao mesmo tempo, Paulo precisa de um lugar para ficar e está decidido a não ser uma carga em sentido financeiro para outros. Ele não quer dar a ninguém a impressão de que está vivendo à custa da palavra de Deus. O que ele vai fazer?
2 Paulo tem uma profissão — fabricar tendas. Por ser um trabalho braçal, ele não é fácil, mas Paulo está disposto a fazer isso para se sustentar. Será que ele vai encontrar trabalho nessa cidade movimentada? Encontrará um lugar adequado para ficar? Apesar desses desafios, Paulo não perde de vista seu principal trabalho, o ministério.
3 Paulo acabou ficando em Corinto por um bom tempo, e seu ministério ali deu muito fruto. O que podemos aprender das atividades de Paulo em Corinto que nos ajudará a dar testemunho cabal sobre o Reino de Deus em nosso território?
“Eram fabricantes de tendas” (Atos 18:1-4)
4, 5. (a) Onde Paulo ficou enquanto esteve em Corinto, e que trabalho fez para se sustentar? (b) Como Paulo talvez tenha aprendido a fabricar tendas?
4 Pouco depois de chegar a Corinto, Paulo conheceu um casal hospitaleiro — um judeu chamado Áquila, e sua esposa, Priscila, ou Prisca. O casal se mudou para Corinto por causa de um decreto do Imperador Cláudio ordenando que “todos os judeus deixassem Roma”. (Atos 18:1, 2) Áquila e Priscila não só receberam Paulo em sua casa como o convidaram a trabalhar com eles. Lemos: “Visto que tinham a mesma profissão, [Paulo] ficou na casa deles e trabalhou com eles, pois eram fabricantes de tendas.” (Atos 18:3) Paulo ficou na casa desse bondoso casal durante seu ministério em Corinto. No período em que morou com eles, Paulo talvez tenha escrito algumas das cartas que mais tarde se tornaram parte do cânon da Bíblia.b
5 Como é que Paulo, um homem instruído “aos pés de Gamaliel”, também sabia fabricar tendas? (Atos 22:3) Pelo visto, os judeus do primeiro século não achavam que ensinar uma profissão a seus filhos fosse algo que estivesse abaixo de sua dignidade, mesmo que esses jovens ainda fossem receber educação adicional. Paulo era de Tarso, na Cilícia, região famosa por um tecido chamado cilicium, usado para fabricar tendas. Sendo assim, é provável que Paulo tenha aprendido essa profissão ainda jovem. O que estava envolvido na fabricação de tendas? Esse trabalho podia envolver tecer o pano de tenda ou cortar e costurar o tecido grosso e rústico a fim de fabricar as tendas. Seja como for, era um trabalho duro.
6, 7. (a) Como Paulo encarava a fabricação de tendas, e o que indica que Áquila e Priscila tinham um ponto de vista parecido? (b) Como os cristãos hoje seguem o exemplo de Paulo, Áquila e Priscila?
6 Paulo não considerava a fabricação de tendas sua vocação, ou carreira. Ele trabalhava nisso apenas para se sustentar enquanto realizava seu ministério, declarando as boas novas “sem custo”. (2 Cor. 11:7) E como Áquila e Priscila encaravam a profissão que tinham? Por serem cristãos, eles sem dúvida tinham o mesmo ponto de vista de Paulo. De fato, quando Paulo deixou Corinto em 52 EC, Áquila e Priscila deixaram casa e trabalho e foram com ele para Éfeso, onde sua casa passou a ser usada como local de reunião da congregação ali. (1 Cor. 16:19) Mais tarde, eles voltaram para Roma e depois foram novamente para Éfeso. Esse zeloso casal colocava os interesses do Reino em primeiro lugar e, de coração, dava de si para servir a outros, ganhando assim a gratidão de “todas as congregações das nações”. — Rom. 16:3-5; 2 Tim. 4:19.
7 Os cristãos hoje seguem o exemplo de Paulo, Áquila e Priscila. Ministros zelosos trabalham arduamente ‘para não ser um peso financeiro’ a outros. (1 Tes. 2:9) É elogiável que muitos proclamadores do Reino de tempo integral trabalhem meio período ou realizem trabalhos temporários para se sustentar no que realmente é sua vocação, o ministério cristão. Como Áquila e Priscila, muitos servos de Jeová bondosos oferecem hospedagem aos superintendentes de circuito. Os que ‘mostram hospitalidade’ dessa forma sabem como é animador e encorajador fazer isso. — Rom. 12:13.
“Muitos coríntios . . . passaram a crer” (Atos 18:5-8)
8, 9. Como Paulo reagiu quando os judeus se opuseram ao seu intenso testemunho, e onde ele foi pregar a partir de então?
8 Que Paulo encarava seu trabalho secular apenas como um meio para alcançar seu objetivo principal ficou evidente quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia com presentes generosos. (2 Cor. 11:9) Imediatamente, Paulo “passou a se dedicar inteiramente à pregação da palavra”. (Atos 18:5) Mas esse intenso testemunho aos judeus gerou grande oposição. Para deixar claro que não tinha culpa pelo fato de os judeus terem recusado a mensagem salvadora de vidas sobre o Cristo, Paulo sacudiu suas roupas e disse a esses opositores: “Que o sangue de vocês recaia sobre a sua própria cabeça. Eu estou limpo. De agora em diante irei às pessoas das nações.” — Atos 18:6; Eze. 3:18, 19.
9 Onde Paulo pregaria então? Um homem chamado Tício Justo, pelo visto um prosélito que morava ao lado da sinagoga, abriu as portas de sua casa para Paulo. Assim, Paulo saiu da sinagoga e entrou na casa desse homem. (Atos 18:7) Paulo continuou morando com Áquila e Priscila enquanto estava em Corinto, mas a casa de Tício Justo se tornou o centro de suas atividades de pregação.
10. O que mostra que Paulo não estava decidido a pregar apenas às pessoas das nações?
10 Será que a afirmação de Paulo de que ele iria a pessoas das nações significa que ele parou completamente de pregar a todos os judeus e prosélitos, mesmo os receptivos? Dificilmente esse era o caso. Por exemplo, “Crispo, presidente da sinagoga, tornou-se crente no Senhor, junto com todos os da sua casa”. Pelo visto, muitos dos que frequentavam a sinagoga se juntaram a Crispo, pois a Bíblia diz: “Muitos coríntios que tinham ouvido a palavra passaram a crer e foram batizados.” (Atos 18:8) Assim, a casa de Tício Justo se tornou o local onde a recém-formada congregação cristã de Corinto se reunia. Se esse relato tiver sido escrito em ordem cronológica, como é o estilo de Lucas, então a conversão daqueles judeus ou prosélitos aconteceu depois de Paulo ter sacudido suas roupas. Nesse caso, isso revelaria muito sobre a razoabilidade do apóstolo.
11. Como as Testemunhas de Jeová hoje imitam a Paulo ao pregar às pessoas que afirmam ser cristãs?
11 Em muitos países hoje, as igrejas da cristandade estão bem estabelecidas e exercem forte influência sobre seus membros. Em alguns países e ilhas, os missionários da cristandade converteram um grande número de pessoas. Muitos que afirmam ser cristãos estão presos a tradições, assim como os judeus em Corinto no primeiro século. Mas, iguais a Paulo, nós, Testemunhas de Jeová, zelosamente pregamos a essas pessoas, aproveitando qualquer conhecimento das Escrituras que elas talvez tenham ao lhes transmitir as verdades bíblicas. Mesmo quando elas se opõem a nós ou quando seus líderes religiosos nos perseguem, não perdemos a esperança. Entre aqueles que “têm zelo por Deus, mas não segundo o conhecimento exato”, pode haver muitos mansos que precisam ser encontrados. — Rom. 10:2.
“Muitas pessoas nesta cidade pertencem a mim” (Atos 18:9-17)
12. Que garantia Paulo recebeu em uma visão?
12 Caso Paulo se tenha perguntado se deveria continuar ou não seu ministério em Corinto, ele logo obteve a resposta na noite em que o Senhor Jesus apareceu a ele em uma visão e disse: “Não tenha medo, mas persista em falar e não fique calado, porque eu estou com você e ninguém o atacará de modo a lhe fazer mal. Pois muitas pessoas nesta cidade pertencem a mim.” (Atos 18:9, 10) Que visão encorajadora! O próprio Senhor garantiu a Paulo que o protegeria de qualquer dano e que havia muitos merecedores na cidade. Qual foi a reação de Paulo àquela visão? Lemos: “Ele permaneceu ali um ano e seis meses, ensinando a palavra de Deus entre eles.” — Atos 18:11.
13. Do que Paulo talvez se tenha lembrado ao se aproximar do tribunal, mas por que podia esperar um resultado diferente?
13 Depois de passar cerca de um ano em Corinto, Paulo obteve uma prova adicional do apoio do Senhor. “Os judeus, num esforço conjunto, atacaram Paulo e o levaram ao tribunal”, chamado béma. (Atos 18:12) Considerado por alguns como uma plataforma elevada, feita de mármore azul e branco e repleta de figuras entalhadas, o béma talvez ficasse perto do centro da praça principal de Corinto. A área em frente ao béma talvez fosse grande o suficiente para reunir um número grande de pessoas. Descobertas arqueológicas sugerem que o tribunal ficava a apenas alguns passos da sinagoga e, portanto, perto da casa de Tício Justo. Ao se aproximar do béma, Paulo talvez se tenha lembrado do apedrejamento de Estêvão, que às vezes é chamado de primeiro mártir cristão. Paulo, na época conhecido como Saulo, havia aprovado “o assassinato dele”. (Atos 8:1) Será que algo parecido aconteceria agora com Paulo? Não, pois Jesus havia prometido: “Ninguém lhe . . . fará mal.” — Atos 18:10; Bíblia Fácil de Ler.
“Então os expulsou do tribunal.” — Atos 18:16
14, 15. (a) Que acusação os judeus lançaram contra Paulo, e por que Gálio deu o caso por encerrado? (b) O que aconteceu com Sóstenes, e qual pode ter sido o resultado disso?
14 O que aconteceu quando Paulo chegou ao tribunal? O magistrado era Gálio, procônsul da Acaia e irmão mais velho do filósofo romano Sêneca. Os judeus lançaram a seguinte acusação contra Paulo: “Este homem está persuadindo as pessoas a adorar a Deus de uma maneira contrária à lei.” (Atos 18:13) Os judeus deram a entender que Paulo estava convertendo pessoas ilegalmente. Mas Gálio viu que Paulo não havia cometido “algo errado” e que não era culpado de nenhum “crime grave”. (Atos 18:14) Gálio não tinha a menor intenção de se envolver nas controvérsias dos judeus. Tanto é que, antes mesmo que Paulo pudesse dizer qualquer coisa em sua defesa, Gálio deu o caso por encerrado. Os acusadores ficaram com raiva e a descarregaram em Sóstenes, que talvez tivesse substituído Crispo como presidente da sinagoga. Eles agarraram Sóstenes “e começaram a espancá-lo diante do tribunal”. — Atos 18:17.
15 Por que Gálio não impediu que a multidão espancasse Sóstenes? Gálio talvez achasse que Sóstenes fosse o líder da turba que se virou contra Paulo e que, portanto, estava tendo o que merecia. Qualquer que tenha sido o caso, é possível que esse incidente tenha tido um resultado positivo. Em sua primeira carta à congregação de Corinto, escrita vários anos mais tarde, Paulo se referiu a certo Sóstenes como irmão. (1 Cor. 1:1, 2) Será que esse era o mesmo Sóstenes que havia sido espancado em Corinto? Em caso afirmativo, aquela experiência dolorosa talvez tenha ajudado Sóstenes a aceitar o cristianismo.
16. Que influência devem ter sobre nosso ministério as seguintes palavras do Senhor: “Persista em falar e não fique calado, porque eu estou com você”?
16 Lembre-se de que foi depois de os judeus terem rejeitado a pregação de Paulo que o Senhor Jesus lhe garantiu: “Não tenha medo, mas persista em falar e não fique calado, porque eu estou com você.” (Atos 18:9, 10) Fazemos bem em ter essas palavras em mente, especialmente quando nossa mensagem não é aceita. Nunca se esqueça de que Jeová vê o coração e atrai os sinceros. (1 Sam. 16:7; João 6:44) Isso é um grande incentivo para nos mantermos ocupados no ministério. Todos os anos, centenas de milhares de pessoas são batizadas — centenas a cada dia. Aos que obedecem ao mandamento de ‘fazer discípulos de pessoas de todas as nações’, Jesus garante: “Eu estou com vocês todos os dias, até o final do sistema de coisas.” — Mat. 28:19, 20.
“Se Jeová quiser” (Atos 18:18-22)
17, 18. Em que Paulo talvez tenha refletido ao viajar para Éfeso?
17 Não se pode afirmar se a atitude de Gálio em relação aos acusadores de Paulo resultou num período de paz para a recém-formada congregação cristã de Corinto. Mas Paulo ficou ali “vários dias” antes de se despedir dos irmãos. Em meados do primeiro semestre de 52 EC, ele fez planos de ir à Síria de navio, partindo do porto de Cencreia, que ficava uns 11 quilômetros a leste de Corinto. Antes de sair de Cencreia, porém, Paulo “cortou rente o cabelo, pois tinha feito um voto”.c (Atos 18:18) Depois disso, ele levou Áquila e Priscila com ele e atravessou o mar Egeu rumo a Éfeso, na Ásia Menor.
18 Enquanto o navio partia de Cencreia, Paulo provavelmente refletia no período que passou em Corinto. Ele tinha muitas boas lembranças e motivos para ter um grande senso de realização. Seu ministério de um ano e meio ali deu muitos frutos. A primeira congregação em Corinto havia sido formada, e a casa de Tício Justo era seu local de reunião. Entre os que se haviam tornado cristãos estavam Tício Justo, Crispo e sua família, e muitos outros. Paulo amava esses novos irmãos, pois os havia ajudado a se tornarem cristãos. Mais tarde, Paulo escreveria a eles, descrevendo-os como uma carta de recomendação inscrita em seu coração. Nós também nos sentimos achegados àqueles a quem tivemos o privilégio de ajudar a aceitar a adoração verdadeira. Como é recompensador ver essas “cartas [vivas] de recomendação”! — 2 Cor. 3:1-3.
19, 20. O que Paulo fez ao chegar a Éfeso, e o que aprendemos dele a respeito de buscar alvos espirituais?
19 Ao chegar a Éfeso, Paulo foi direto ao trabalho; ele “entrou na sinagoga e raciocinou com os judeus”. (Atos 18:19) Dessa vez, Paulo ficou pouco tempo em Éfeso. Embora lhe tivessem pedido para ficar mais tempo, Paulo “não aceitou”. Ao se despedir, ele disse aos efésios: “Voltarei novamente para cá, se Jeová quiser.” (Atos 18:20, 21) Paulo certamente reconhecia que havia muito trabalho de pregação a ser feito em Éfeso. O apóstolo pretendia voltar, mas decidiu deixar esse assunto nas mãos de Jeová. Não é esse um bom exemplo para termos em mente? Ao buscarmos alcançar alvos espirituais, precisamos tomar a iniciativa. Mas sempre devemos confiar na orientação de Jeová e procurar agir de acordo com sua vontade. — Tia. 4:15.
20 Depois de deixar Áquila e Priscila em Éfeso, Paulo foi de navio até Cesareia. Pelo visto, ele “subiu” a Jerusalém e cumprimentou a congregação ali. (Veja a nota de estudo em Atos 18:22, nwtsty.) Então Paulo foi para Antioquia da Síria, local que servia como uma espécie de base para as suas atividades missionárias. Sua segunda viagem missionária havia sido concluída com sucesso. O que o aguardava na sua próxima e última viagem missionária?
a Veja o quadro “Corinto — senhora de dois mares”.
b Veja o quadro “Cartas inspiradas que forneceram encorajamento”.
c Veja o quadro “O voto de Paulo”.
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