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  • “Fortalecendo as congregações”
    ‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
    • CAPÍTULO 15

      “Fortalecendo as congregações”

      Ministros viajantes ajudam as congregações a serem firmadas na fé

      Baseado em Atos 15:36–16:5

      1-3. (a) Quem era o novo companheiro de viagem de Paulo, e como ele era? (b) O que aprenderemos neste capítulo?

      À MEDIDA que os viajantes seguem caminho através de estradas acidentadas entre uma cidade e outra, o apóstolo Paulo está pensativo ao olhar para o jovem ao seu lado. O nome do rapaz é Timóteo. Cheio de energia, Timóteo talvez tenha uns 20 anos. Cada passo nessa nova viagem o leva para mais longe de casa. Conforme o dia vai chegando ao fim, a região de Listra e Icônio fica cada vez mais para trás. O que os aguarda? Paulo tem uma boa noção, pois essa é a sua segunda viagem missionária. Ele sabe que haverá muitos perigos e dificuldades. Mas como esse jovem ao seu lado vai se sair?

      2 Paulo confia em Timóteo, talvez mais do que esse humilde jovem confie em si mesmo. Acontecimentos recentes deixaram Paulo mais convencido do que nunca de que ele precisa do companheiro certo de viagem. Paulo sabe que o trabalho à frente — visitar as congregações e fortalecê-las — exigirá que os ministros viajantes sejam unidos e bem determinados. Por que Paulo talvez se sinta assim? Um dos fatores pode ser um desacordo que levou Paulo e Barnabé a se separarem.

      3 Neste capítulo, aprenderemos muito sobre a melhor maneira de resolver desacordos. Também vamos aprender por que Paulo escolheu Timóteo como companheiro de viagem e entender melhor o papel vital dos que servem como superintendentes de circuito hoje.

      “Agora, vamos voltar e visitar os irmãos” (Atos 15:36)

      4. Quais eram os objetivos da segunda viagem missionária de Paulo?

      4 No capítulo anterior, vimos como um grupo de quatro irmãos — Paulo, Barnabé, Judas e Silas — encorajou a congregação em Antioquia com a decisão do corpo governante a respeito da circuncisão. O que Paulo fez a seguir? Ele apresentou a Barnabé um novo plano de viagem, dizendo: “Agora, vamos voltar e visitar os irmãos em cada uma das cidades em que proclamamos a palavra de Jeová, para ver como estão.” (Atos 15:36) Paulo não estava sugerindo uma mera visita social a esses cristãos recém-convertidos. O livro de Atos revela os verdadeiros objetivos da segunda viagem missionária de Paulo. Primeiro, ele continuaria a transmitir as decisões tomadas pelo corpo governante. (Atos 16:4) Segundo, como superintendente viajante, Paulo estava decidido a encorajar as congregações em sentido espiritual, ajudando-as a serem firmadas na fé. (Rom. 1:11, 12) Como a organização das Testemunhas de Jeová hoje segue esse modelo estabelecido pelos apóstolos?

      5. Como o Corpo Governante hoje dá orientação e encorajamento às congregações?

      5 Hoje, Cristo usa o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová para orientar sua congregação. Por meio de cartas, publicações (tanto impressas como on-line), reuniões e outros meios de comunicação, esses fiéis homens ungidos dão orientação e encorajamento às congregações no mundo inteiro. O Corpo Governante também procura manter contato mais direto com as congregações por meio dos superintendentes viajantes. O próprio Corpo Governante designa milhares de anciãos qualificados em todo o mundo para servirem como superintendentes de circuito.

      6, 7. Quais são algumas responsabilidades dos superintendentes de circuito?

      6 Os superintendentes viajantes atuais se concentram em dar atenção individual e encorajamento espiritual a todos os irmãos nas congregações que visitam. Como? Por seguirem o modelo estabelecido por cristãos do primeiro século como Paulo. Ele deu o seguinte incentivo a outro superintendente como ele: “Pregue a palavra; faça isso urgentemente, em tempos favoráveis e em tempos difíceis; repreenda, censure, exorte, com toda a paciência e arte de ensino. . . . Faça a obra de um evangelizador.” — 2 Tim. 4:2, 5.

      7 Em harmonia com essas palavras, o superintendente de circuito — e sua esposa, se for casado — participa com os publicadores locais em diversos aspectos do ministério. Esses irmãos e irmãs viajantes são zelosos na pregação e habilidosos instrutores, características que têm um efeito positivo sobre o rebanho. (Rom. 12:11; 2 Tim. 2:15) Os que participam nessa modalidade de serviço se destacam por seu amor abnegado. De boa vontade, dão de si mesmos, enfrentando condições climáticas desfavoráveis e até mesmo viajando por regiões perigosas. (Fil. 2:3, 4) Os superintendentes de circuito também encorajam, ensinam e aconselham as congregações por meio de discursos baseados na Bíblia. Todos os irmãos na congregação são beneficiados por observar a conduta desses ministros viajantes e imitar sua fé. — Heb. 13:7.

      “Uma forte discussão” (Atos 15:37-41)

      8. Como Barnabé reagiu ao convite de Paulo?

      8 Barnabé gostou da sugestão de Paulo de “visitar os irmãos”. (Atos 15:36) Os dois haviam feito um bom trabalho como companheiros de viagem e já conheciam as regiões e os povos que visitariam. (Atos 13:2–14:28) Portanto, parecia uma boa ideia servir juntos nessa designação. Mas surgiu um problema. Atos 15:37 relata: “Barnabé estava decidido a levar João, que era chamado Marcos.” Barnabé não estava apenas dando uma sugestão. Ele “estava decidido” a levar seu primo Marcos nessa viagem missionária.

      9. Por que Paulo não concordou com Barnabé?

      9 Paulo não concordou. Por quê? O relato diz: “Paulo, no entanto, não concordava que o levassem [Marcos] junto, visto que ele tinha se separado deles na Panfília, e não os tinha acompanhado no trabalho.” (Atos 15:38) Marcos havia acompanhado Paulo e Barnabé na primeira viagem missionária, mas não ficou com eles até o fim. (Atos 12:25; 13:13) No começo da viagem, ainda na Panfília, Marcos deixou a designação e foi para casa, em Jerusalém. A Bíblia não diz por que ele foi embora, mas, pelo visto, o apóstolo Paulo encarou a atitude de Marcos como irresponsável. Paulo talvez tivesse dúvidas quanto a se Marcos era um homem de confiança.

      10. A que levou o desentendimento entre Paulo e Barnabé, e com que resultado?

      10 Mesmo assim, Barnabé insistia em levar Marcos. Mas Paulo era tão insistente quanto ele em não querer fazer isso. “Em vista disso, tiveram uma forte discussão, de modo que se separaram um do outro”, diz Atos 15:39. Barnabé navegou para Chipre, a ilha onde havia nascido, levando Marcos junto com ele. Paulo deu continuidade a seus planos. Lemos: “Paulo escolheu Silas e partiu, depois de os irmãos o entregarem à bondade imerecida de Jeová.” (Atos 15:40) Juntos, eles viajaram “pela Síria e pela Cilícia, fortalecendo as congregações”. — Atos 15:41.

      11. Que qualidades são essenciais para evitarmos que um desentendimento abale permanentemente a relação entre nós e alguém que nos ofendeu?

      11 Esse relato talvez nos lembre de nossa natureza imperfeita. Paulo e Barnabé haviam sido designados como representantes especiais do corpo governante, e é provável que o próprio Paulo se tenha tornado membro desse grupo. Mas, no caso envolvendo Marcos, as imperfeições humanas de Paulo e Barnabé falaram mais alto. Será que eles permitiram que essa situação abalasse permanentemente o relacionamento entre eles? Embora fossem imperfeitos, Paulo e Barnabé eram humildes, tendo a mente de Cristo. Com o tempo, eles sem dúvida perdoaram um ao outro, demonstrando um espírito cristão de amor fraternal. (Efé. 4:1-3) Mais tarde, Paulo e Marcos trabalharam juntos em outras designações teocráticas.a — Col. 4:10.

      12. Que qualidades os atuais superintendentes cristãos devem ter, imitando Paulo e Barnabé?

      12 Essa forte discussão foi um incidente isolado; não era da natureza de Paulo e Barnabé agir assim. Barnabé era conhecido por ser um homem bondoso e generoso, tanto que, em vez de chamá-lo de José, seu nome próprio, os apóstolos lhe deram o nome Barnabé, que significa “filho do consolo”. (Atos 4:36) Paulo também era conhecido por ser amoroso e gentil. (1 Tes. 2:7, 8) Imitando Paulo e Barnabé, todos os superintendentes cristãos hoje, incluindo os superintendentes de circuito, sempre devem se esforçar para demonstrar humildade e para tratar com amor outros anciãos e todo o rebanho. — 1 Ped. 5:2, 3.

      “Falavam bem dele” (Atos 16:1-3)

      13, 14. (a) Quem era Timóteo, e como Paulo talvez o tenha conhecido? (b) O que levou Paulo a ver que Timóteo tinha bom potencial? (c) Que designação Timóteo recebeu?

      13 Em sua segunda viagem missionária, Paulo passou pela província romana da Galácia, onde algumas congregações já haviam sido formadas. Por fim, ele “chegou a Derbe e a Listra”. O relato continua: “Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma mulher judia crente, mas de pai grego.” — Atos 16:1.b

      14 Pelo visto, Paulo havia conhecido a família de Timóteo durante sua primeira viagem àquela região, por volta de 47 EC. Passados dois ou três anos desde aquela ocasião, na sua segunda visita, Paulo percebeu que o jovem Timóteo tinha bom potencial, pois os irmãos “falavam bem dele”. Não era apenas em Listra, sua cidade natal, que os irmãos tinham um bom conceito de Timóteo. O relato explica que também em Icônio, a uns 30 quilômetros, os irmãos diziam boas coisas a respeito dele. (Atos 16:2) Guiados pelo espírito santo, os anciãos deram a Timóteo uma séria responsabilidade: servir como ministro viajante, ajudando Paulo e Silas. — Atos 16:3.

      15, 16. Como Timóteo conseguiu fazer um nome tão bom para si mesmo?

      15 Como Timóteo conseguiu fazer um nome tão bom para si apesar de ser bem jovem? Será que foi por causa de sua inteligência, sua aparência ou suas habilidades naturais? Em geral, são essas coisas que impressionam as pessoas. Até mesmo o profeta Samuel se deixou influenciar demais pelas aparências em certa ocasião. Mas Jeová lembrou a ele: “Deus não vê como o homem vê; o homem vê a aparência, mas Jeová vê o coração.” (1 Sam. 16:7) Não foram as características físicas ou intelectuais de Timóteo que fizeram com que ele tivesse um bom nome entre seus irmãos, mas sim o que ele era no coração.

      16 Anos mais tarde, o apóstolo Paulo mencionou algumas qualidades espirituais de Timóteo. Paulo descreveu a boa disposição de Timóteo, seu amor abnegado e seu zelo ao cuidar de designações teocráticas. (Fil. 2:20-22) Timóteo também era conhecido por ter fé “sem hipocrisia”. — 2 Tim. 1:5.

      17. Como os jovens podem imitar a Timóteo?

      17 Hoje, muitos jovens imitam a Timóteo por cultivar qualidades que agradam a Deus. Assim, fazem um bom nome perante Jeová e seu povo apesar de sua pouca idade. (Pro. 22:1; 1 Tim. 4:15) Eles demonstram fé sem hipocrisia, recusando-se a levar uma vida dupla. (Sal. 26:4) Em resultado disso, podem ser bem úteis na congregação, assim como Timóteo. Quando eles se qualificam como publicadores das boas novas e, com o tempo, se dedicam a Jeová e são batizados, todos os seus amigos e parentes que amam a Jeová se sentem muito encorajados!

      “Fortalecidas na fé” (Atos 16:4, 5)

      18. (a) Que privilégios Paulo e Timóteo tiveram como ministros viajantes? (b) Como as congregações foram abençoadas?

      18 Paulo e Timóteo trabalharam juntos por anos. Como ministros viajantes, eles cumpriram muitas designações representando o corpo governante. A Bíblia diz: “Ao viajarem pelas cidades, transmitiam aos irmãos as decisões tomadas pelos apóstolos e pelos anciãos em Jerusalém, para que obedecessem a esses decretos.” (Atos 16:4) Pelo visto, as congregações realmente seguiam as orientações dos apóstolos e anciãos de Jerusalém. Por serem obedientes, “as congregações eram fortalecidas na fé e cresciam a cada dia”. — Atos 16:5.

      19, 20. Por que os cristãos devem ser obedientes aos que “exercem liderança”?

      19 De modo similar, hoje as Testemunhas de Jeová são abençoadas por serem submissas e obedientes às orientações que recebem dos que “exercem liderança” entre elas. (Heb. 13:17) Visto que a cena do mundo está sempre mudando, é vital que os cristãos se mantenham em dia com o alimento espiritual fornecido pelo “escravo fiel e prudente”. (Mat. 24:45; 1 Cor. 7:29-31) Fazermos isso pode evitar a ruína espiritual e nos ajudar a permanecer sem mancha do mundo. — Tia. 1:27.

      20 É verdade que os superintendentes cristãos atuais, incluindo os membros do Corpo Governante, são imperfeitos, assim como eram Paulo, Barnabé, Marcos e outros anciãos ungidos do primeiro século. (Rom. 5:12; Tia. 3:2) Mas, visto que os irmãos do Corpo Governante seguem de perto a Palavra de Deus e se apegam ao padrão estabelecido pelos apóstolos, eles são dignos de confiança. (2 Tim. 1:13, 14) Em resultado disso, as congregações são fortalecidas na fé.

      TIMÓTEO SE EMPENHA “NA PROMOÇÃO DAS BOAS NOVAS”

      Timóteo era um assistente muito estimado pelo apóstolo Paulo. Depois de terem trabalhado juntos por uns 11 anos, Paulo podia escrever a respeito de Timóteo: “Não tenho a nenhum outro de disposição igual à dele, que cuidará genuinamente de vocês. . . . Vocês conhecem a prova que ele deu de si mesmo: ele trabalhou como escravo comigo na promoção das boas novas, como um filho junto ao pai.” (Fil. 2:20, 22) Timóteo sempre estava disposto a dar de si mesmo a fim de promover a obra de pregação, tornando-se assim alguém muito amado pelo apóstolo Paulo e deixando um excelente exemplo para nós.

      Timóteo.

      Filho de pai grego e de mãe judia, Timóteo parece ter sido criado na cidade de Listra. Sua mãe, Eunice, e sua avó Loide lhe ensinaram as Escrituras desde a infância. (Atos 16:1, 3; 2 Tim. 1:5; 3:14, 15) Tanto elas como Timóteo provavelmente aceitaram o cristianismo durante a primeira visita de Paulo a Listra.

      Quando Paulo voltou a Listra alguns anos mais tarde, Timóteo talvez tivesse uns 20 anos. Já nessa época, “os irmãos em Listra e em Icônio falavam bem dele”. (Atos 16:2) O espírito de Deus havia inspirado “profecias” a respeito desse jovem e, em harmonia com elas, Paulo e os anciãos locais convidaram Timóteo para um privilégio especial de serviço: ser missionário junto com Paulo. (1 Tim. 1:18; 4:14; 2 Tim. 1:6) Timóteo teve de deixar sua família e, a fim de evitar uma possível causa para tropeço entre os judeus a quem Timóteo visitaria, ele teve de se submeter à circuncisão. — Atos 16:3.

      Timóteo viajou muito. Ele pregou com Paulo e Silas em Filipos, com Silas na Bereia, e depois sozinho em Tessalônica. Quando se encontrou novamente com Paulo em Corinto, Timóteo tinha boas notícias sobre o amor e a fé dos tessalonicenses, apesar das tribulações que eles sofriam. (Atos 16:6–17:14; 1 Tes. 3:2-6) Ao receber notícias perturbadoras sobre os irmãos em Corinto, Paulo, que estava em Éfeso, pensou em enviar Timóteo de volta a Corinto. (1 Cor. 4:17) De Éfeso, Paulo mais tarde enviou Timóteo e Erasto à Macedônia. Mas, quando Paulo escreveu aos romanos, Timóteo estava mais uma vez com ele em Corinto. (Atos 19:22; Rom. 16:21) Essas são apenas algumas das viagens que Timóteo fez pela “promoção das boas novas”.

      Timóteo talvez hesitasse um pouco em exercer autoridade, o que é indicado pelo encorajamento que Paulo lhe deu: “Nunca deixe que ninguém o menospreze por você ser jovem.” (1 Tim. 4:12) Mas Paulo confiava em Timóteo a ponto de lhe dar as seguintes instruções ao enviá-lo a uma congregação problemática: “Ordene a certas pessoas que não ensinem outras doutrinas.” (1 Tim. 1:3) Paulo também deu a Timóteo autoridade para designar superintendentes e servos ministeriais nas congregações. — 1 Tim. 5:22.

      As excelentes qualidades de Timóteo fizeram dele alguém muito amado por Paulo. As Escrituras revelam que esse homem mais jovem era um amigo achegado, fiel e afetuoso, como um filho. Paulo podia escrever que se lembrava das lágrimas de Timóteo, ansiava vê-lo e orava por ele. Como um pai preocupado, Paulo também deu a Timóteo conselhos porque ele ‘adoecia frequentemente’, pelo visto com problemas de estômago. — 1 Tim. 5:23; 2 Tim. 1:3, 4.

      Quando Paulo foi preso pela primeira vez em Roma, Timóteo ficou ao seu lado. Pelo menos em uma ocasião, Timóteo também ficou preso. (Filêm. 1; Heb. 13:23) Pode-se notar a profunda amizade que havia entre esses dois homens no pedido que Paulo fez quando percebeu que estava para morrer. Ele escreveu a Timóteo: “Faça todo o possível para me visitar em breve.” (2 Tim. 4:6-9) As Escrituras não mencionam se Timóteo chegou a tempo de ver seu querido instrutor.

      MARCOS RECEBE MUITOS PRIVILÉGIOS

      O Evangelho de Marcos relata que aqueles que prenderam Jesus também tentaram prender “um jovem” que “escapou nu”. (Mar. 14:51, 52) Visto que Marcos, também conhecido como João Marcos, foi o único que registrou essa história, o jovem que ele mencionou pode ter sido ele próprio. Se esse for o caso, Marcos teve pelo menos algum contato com Jesus.

      Marcos ouvindo um homem idoso falar e fazendo anotações.

      Uns 11 anos mais tarde, durante a perseguição movida por Herodes Agripa contra os cristãos, “muitos” membros da congregação de Jerusalém se reuniram para orar na casa de Maria, mãe de Marcos. Foi para essa casa que o apóstolo Pedro se dirigiu ao ser milagrosamente libertado da prisão. (Atos 12:12) Assim, Marcos talvez tenha sido criado numa casa que mais tarde foi usada para realizar reuniões cristãs. Sem dúvida, Marcos conhecia bem os primeiros discípulos de Jesus, que por sua vez exerceram uma boa influência sobre ele.

      Marcos serviu lado a lado com vários superintendentes das congregações cristãs do primeiro século. Até onde sabemos, seu primeiro privilégio de serviço foi trabalhar com o seu primo Barnabé e o apóstolo Paulo na designação deles em Antioquia da Síria. (Atos 12:25) Quando Barnabé e Paulo iniciaram sua primeira viagem missionária, Marcos viajou com eles, primeiro para Chipre e depois para a Ásia Menor. Dali, Marcos voltou para Jerusalém por motivos não mencionados. (Atos 13:4, 13) Depois de um desentendimento entre Barnabé e Paulo a respeito de Marcos, conforme descrito em Atos capítulo 15, Marcos e Barnabé continuaram seu serviço missionário em Chipre. — Atos 15:36-39.

      Com certeza, qualquer lembrança daquele desentendimento já havia sido esquecida por volta de 60 EC ou 61 EC, ano em que Marcos estava novamente trabalhando com Paulo, dessa vez em Roma. Paulo, que estava preso naquela cidade, escreveu à congregação em Colossos: “Aristarco, meu companheiro de prisão, lhes manda saudações, e também Marcos, primo de Barnabé, (a respeito de Marcos, vocês receberam instruções para o acolher se ele for visitá-los).” (Col. 4:10) Assim, Paulo estava pensando em enviar João Marcos de Roma a Colossos como seu representante.

      Em algum momento entre 62 EC e 64 EC, Marcos serviu com o apóstolo Pedro em Babilônia. Conforme menciona o Capítulo 10 deste livro, eles desenvolveram um relacionamento achegado, pois Pedro se referiu a esse homem mais jovem como “Marcos, meu filho”. — 1 Ped. 5:13.

      Então, por volta de 65 EC, quando o apóstolo Paulo foi preso pela segunda vez em Roma, ele escreveu a seu companheiro de serviço Timóteo, que estava em Éfeso: “Traga Marcos com você, porque ele é útil para mim no ministério.” (2 Tim. 4:11) Sem dúvida, Marcos aceitou prontamente o convite e fez a viagem de Éfeso a Roma. Não é de admirar que Barnabé, Paulo e Pedro gostassem tanto de Marcos!

      O maior de todos os privilégios de Marcos foi ser inspirado por Jeová para escrever um Evangelho. Segundo a tradição, Marcos obteve muitas informações do apóstolo Pedro. Os fatos parecem apoiar essa ideia, pois o relato de Marcos contém detalhes que apenas uma testemunha ocular, como Pedro, saberia. Mas parece que Marcos escreveu seu Evangelho em Roma, não em Babilônia quando estava com Pedro. Marcos usou muitas expressões em latim e traduziu termos hebraicos que de outra forma seriam difíceis para os não judeus entenderem. Assim, parece que ele escreveu primariamente para os gentios.

      a Veja o quadro “Marcos recebe muitos privilégios”.

      b Veja o quadro “Timóteo se empenha ‘na promoção das boas novas’”.

  • “Venha para a Macedônia”
    ‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
    • CAPÍTULO 16

      “Venha para a Macedônia”

      Os missionários são abençoados por aceitar uma designação e enfrentar a perseguição com alegria

      Baseado em Atos 16:6-40

      1-3. (a) Como Paulo e seus companheiros viram a orientação do espírito santo? (b) Que acontecimentos vamos examinar?

      UM GRUPO de mulheres deixa a cidade de Filipos na Macedônia. Não demora muito e elas chegam a um rio estreito chamado Gangites. Como de costume, elas se sentam à margem do rio para orar ao Deus de Israel. Jeová as observa. — 2 Crô. 16:9; Sal. 65:2.

      2 Enquanto isso, mais de 800 quilômetros a leste de Filipos, um grupo de homens parte da cidade de Listra, no sul da Galácia. Dias depois, eles chegam a uma estrada romana pavimentada que vai em direção ao oeste, rumo à região mais povoada do distrito da Ásia. Os homens — Paulo, Silas e Timóteo — estão ansiosos para viajar por essa estrada a fim de visitar Éfeso e outras cidades onde milhares de pessoas precisam ouvir as boas novas sobre Cristo. Mas, antes mesmo de começarem essa viagem, o espírito santo os impede de prosseguir de uma forma não mencionada. Eles são proibidos de pregar na Ásia. Por quê? Jesus, por meio do espírito de Deus, quer fazer com que o grupo de Paulo atravesse toda a Ásia Menor, cruze o mar Egeu e vá em direção às margens do pequeno rio Gangites.

      3 O modo como Jesus guiou Paulo e seus companheiros durante essa viagem incomum até a Macedônia nos ensina lições valiosas hoje. Assim, vejamos alguns dos acontecimentos que ocorreram durante a segunda viagem missionária de Paulo, que começou por volta de 49 EC.

      “Deus havia nos chamado” (Atos 16:6-15)

      4, 5. (a) O que aconteceu com o grupo de Paulo perto da Bitínia? (b) Que decisão os discípulos tomaram, e qual foi o resultado?

      4 Impedidos de pregar na Ásia, Paulo e seus companheiros foram em direção ao norte para pregar nas cidades da Bitínia. A fim de chegarem lá, eles talvez tenham caminhado vários dias por estradas não pavimentadas entre as regiões pouco povoadas da Frígia e da Galácia. Mas, ao se aproximarem da Bitínia, Jesus usou mais uma vez o espírito santo para impedi-los. (Atos 16:6, 7) A essa altura, os homens já deviam estar confusos. Sabiam o que pregar e como pregar, mas não sabiam onde pregar. Haviam batido, por assim dizer, na porta que dava para a Ásia, mas em vão. Haviam batido na porta que dava para a Bitínia, mas novamente em vão. Mesmo assim, Paulo estava decidido a continuar batendo até encontrar alguma porta que se abrisse. Os homens tomaram, então, uma decisão que não parecia fazer sentido: foram para o oeste e andaram 550 quilômetros, passando por várias cidades até chegarem ao porto de Trôade, de onde poderiam navegar para a Macedônia. (Atos 16:8) Foi em Trôade que Paulo bateu em uma terceira porta, mas dessa vez ela se abriu amplamente.

      5 Lucas, escritor do Evangelho que leva seu nome, se juntou ao grupo de Paulo em Trôade. Ele relata o que aconteceu: “Durante a noite, Paulo teve uma visão: um macedônio estava em pé suplicando-lhe: ‘Venha para a Macedônia e ajude-nos.’ Logo depois que ele teve a visão, procuramos ir à Macedônia, concluindo que Deus havia nos chamado para lhes declarar as boas novas.”a (Atos 16:9, 10) Finalmente Paulo soube onde pregar. Ele deve ter ficado muito feliz por não ter desistido na metade do caminho. Sem demora, os quatro homens navegaram para a Macedônia.

      O apóstolo Paulo e Timóteo em pé no convés superior de um navio. Timóteo aponta para algo distante; a tripulação do navio está trabalhando.

      “Assim, embarcamos em Trôade.” — Atos 16:11

      6, 7. (a) O que podemos aprender do que aconteceu durante a viagem de Paulo? (b) A exemplo do que aconteceu com Paulo, que certeza podemos ter?

      6 Que lição podemos aprender desse relato? Observe o seguinte: foi somente depois de Paulo ter partido para a Ásia que o espírito santo indicou a vontade de Deus; foi somente depois de Paulo ter se aproximado da Bitínia que Jesus interveio; e foi somente depois de Paulo ter chegado a Trôade que Jesus o orientou a ir à Macedônia. Jesus, como Cabeça da congregação, pode nos orientar de modo similar hoje. (Col. 1:18) Por exemplo, talvez estejamos pensando já por algum tempo em servir como pioneiros ou em nos mudar para uma região onde há maior necessidade de publicadores do Reino. Mas pode ser somente depois de darmos passos específicos para alcançar nosso alvo que Jesus, por meio do espírito de Deus, nos guiará. Por quê? Pense no seguinte exemplo: um motorista pode virar seu carro para a direita ou para a esquerda somente se o carro estiver em movimento. Da mesma forma, no que diz respeito a expandir nosso ministério, Jesus nos orienta, mas apenas se estivermos em “movimento”, ou seja, se estivermos realmente nos esforçando a fazer isso.

      7 Mas e se nossos esforços não produzem logo resultado? Devemos desistir, achando que o espírito de Deus não nos está orientando? Não. Lembre-se de que Paulo também enfrentou contratempos. Mesmo assim, ele continuou procurando até achar uma porta que se abrisse. Podemos ter certeza de que nossa perseverança em procurar “uma porta ampla para atividade” também será recompensada. — 1 Cor. 16:9.

      8. (a) Descreva a cidade de Filipos. (b) Qual foi o resultado alegre da pregação de Paulo no “lugar de oração”?

      8 Depois de chegarem ao distrito da Macedônia, o grupo de Paulo viajou para Filipos, uma cidade cujos habitantes tinham orgulho de ser cidadãos romanos. Para os soldados romanos reformados que moravam ali, a colônia de Filipos era como uma pequena Itália — uma Roma em miniatura bem no meio da Macedônia. Fora do portão da cidade, ao lado de um rio estreito, os missionários encontraram um local que acharam ser “um lugar de oração”.b No sábado, eles foram àquele local e encontraram várias mulheres reunidas ali para adorar a Deus. Os discípulos se sentaram e falaram com elas. Uma mulher chamada Lídia “estava escutando”, e “Jeová lhe abriu amplamente o coração”. Lídia ficou tão comovida com o que aprendeu dos missionários que ela e os de sua casa foram batizados. Então ela insistiu para que Paulo e seus companheiros ficassem na sua casa.c — Atos 16:13-15.

      9. Como muitos hoje imitam o exemplo de Paulo, e que bênçãos recebem?

      9 Imagine a alegria que o batismo de Lídia causou. Paulo deve ter ficado muito feliz por ter aceitado o convite para ‘vir para a Macedônia’ e por Jeová ter usado a ele e seus companheiros para responder às orações daquelas mulheres que temiam a Deus. Hoje, muitos irmãos — jovens e idosos, solteiros e casados — também se mudam para regiões onde a necessidade de publicadores do Reino é maior. É verdade que eles enfrentam dificuldades, mas isso não é nada comparado à satisfação que sentem quando encontram pessoas como Lídia, que aceitam as verdades da Bíblia. Será que você pode fazer ajustes que lhe permitiriam ir a um território onde a necessidade é maior? Você receberá muitas bênçãos se fizer isso. Por exemplo, veja o caso de Aaron, um irmão de 20 e poucos anos que se mudou para um país da América Central. Suas palavras refletem os sentimentos de muitos outros irmãos: “Servir em outro país tem me ajudado a crescer espiritualmente e a me achegar mais a Jeová. E o serviço de campo é muito bom — dirijo oito estudos bíblicos!”

      Duas irmãs pregando para uma jovem na rua. Um jovem está olhando para tentar saber do que estão falando.

      Como nós hoje podemos ‘ir para a Macedônia’?

      “A multidão se levantou contra eles” (Atos 16:16-24)

      10. Como os demônios estavam envolvidos na reviravolta que aconteceu com Paulo e seus companheiros?

      10 Satanás com certeza ficou furioso pelas boas novas terem se estabelecido numa parte do mundo onde ele e seus demônios dominavam sem interferência. Não é de admirar que os demônios estivessem envolvidos na reviravolta que estava para acontecer com Paulo e seus companheiros. Enquanto eles visitavam o lugar de oração, uma serva possuída por um demônio, e que ganhava muito dinheiro para seus donos fazendo predições, começou a seguir o grupo de Paulo. Ela gritava: “Estes homens são escravos do Deus Altíssimo e estão proclamando a vocês o caminho da salvação.” Pode ser que o demônio tenha feito a serva gritar essas palavras para dar a entender que as predições feitas por ela e os ensinos de Paulo vinham da mesma fonte. Dessa forma, as pessoas ali prestariam atenção à serva em vez de aos verdadeiros seguidores de Cristo. Mas Paulo silenciou a serva expulsando o demônio. — Atos 16:16-18.

      11. O que aconteceu com Paulo e Silas depois que Paulo expulsou da serva o demônio?

      11 Quando os donos da serva viram que haviam perdido seu meio fácil de ganhar dinheiro, ficaram furiosos. Eles arrastaram Paulo e Silas até a praça principal, onde os magistrados — autoridades que representavam Roma — realizavam audiências. Os donos se aproveitaram do preconceito e do patriotismo dos juízes, como que dizendo: ‘Esses judeus estão causando muita confusão por ensinarem costumes que nós romanos não podemos aceitar.’ Suas palavras logo surtiram efeito. “Toda a multidão [na praça principal] se levantou contra [Paulo e Silas]”, e os magistrados deram ordens para que eles fossem “espancados com varas”. Depois disso, Paulo e Silas foram levados à força para a prisão. O carcereiro jogou os homens feridos na prisão interior e prendeu os pés deles no tronco. (Atos 16:19-24) Quando o carcereiro fechou a porta, a escuridão naquela masmorra devia ter sido tão grande que Paulo e Silas mal conseguiam enxergar um ao outro. No entanto, Jeová os estava vendo. — Sal. 139:12.

      12. (a) Como os discípulos de Cristo encararam a perseguição, e por quê? (b) Que tipos de oposição ainda são usados por Satanás e seus agentes?

      12 Anos antes, Jesus havia alertado seus seguidores que eles seriam perseguidos. (João 15:20) Por isso, quando o grupo de Paulo passou à Macedônia, eles sabiam que podiam enfrentar oposição. Assim, quando a perseguição veio, em vez de acharem que tinham perdido o favor de Jeová, eles a encararam como demonstração da ira de Satanás. Hoje, os agentes de Satanás ainda usam os mesmos métodos usados em Filipos. Na escola e no local de trabalho, opositores falam mentiras a nosso respeito, provocando oposição. Em alguns países, opositores religiosos levantam acusações contra nós em tribunais, como que dizendo: ‘Essas Testemunhas de Jeová causam muita confusão por ensinarem costumes que nós “tradicionalistas” não podemos aceitar.’ Em alguns lugares, nossos irmãos são espancados e jogados na prisão. No entanto, Jeová os está vendo. — 1 Ped. 3:12.

      “Batizados sem demora” (Atos 16:25-34)

      13. O que levou o carcereiro a perguntar: “O que tenho de fazer para ser salvo?”

      13 Paulo e Silas devem ter precisado de algum tempo para se recuperarem dos acontecimentos turbulentos daquele dia. Por volta da meia-noite, porém, eles já se haviam recuperado do espancamento o suficiente para ‘orar e louvar a Deus com cânticos’. De repente, um terremoto abalou a prisão. O carcereiro acordou e, vendo que as portas estavam abertas, ficou com medo de que os prisioneiros tivessem fugido. Sabendo que seria punido por deixá-los fugir, ele “puxou sua espada e ia se matar”. Mas Paulo gritou: “Não faça nenhum mal a si mesmo, pois estamos todos aqui!” O aflito carcereiro perguntou: “Senhores, o que tenho de fazer para ser salvo?” Paulo e Silas não podiam salvá-lo; apenas Jesus podia. Então eles responderam: “Creia no Senhor Jesus e será salvo.” — Atos 16:25-31.

      14. (a) Que ajuda Paulo e Silas deram ao carcereiro? (b) Que bênção Paulo e Silas receberam por enfrentar a perseguição com alegria?

      14 Será que a pergunta do carcereiro era sincera? Paulo não duvidou da sinceridade do homem. O carcereiro era gentio; não tinha conhecimento das Escrituras. Antes de poder se tornar cristão, ele precisava aprender e aceitar verdades bíblicas básicas. De modo que Paulo e Silas tiraram tempo para falar “a palavra de Jeová a ele”. Os homens ficaram tão envolvidos em ensinar as Escrituras que talvez se tenham esquecido da dor dos golpes que haviam recebido. Mas o carcereiro viu as feridas profundas nas costas deles e as limpou. Então ele e os de sua casa “foram batizados sem demora”. Que bênção Paulo e Silas receberam por enfrentar a perseguição com alegria! — Atos 16:32-34.

      15. (a) Como muitas Testemunhas de Jeová hoje imitam o exemplo de Paulo e Silas? (b) Por que devemos continuar a revisitar os moradores em nosso território?

      15 Assim como Paulo e Silas, muitas Testemunhas de Jeová hoje pregam as boas novas enquanto estão presas por causa de sua fé, com ótimos resultados. Por exemplo, em certo país onde nossas atividades eram proibidas, houve uma época em que 40% de todas as Testemunhas de Jeová haviam aprendido a verdade enquanto estavam na prisão! (Isa. 54:17) Observe, também, que o carcereiro só pediu ajuda depois que o terremoto abalou a prisão. Da mesma forma hoje, algumas pessoas que nunca deram atenção à mensagem do Reino talvez a aceitem quando sua vida pessoal é abalada por alguma tragédia. Não deixarmos de fielmente visitar e revisitar os moradores em nosso território garantirá que estejamos ali para ajudar quando uma situação dessas surgir.

      “Agora nos mandam embora secretamente?” (Atos 16:35-40)

      16. Como a situação mudou de figura no dia após o espancamento de Paulo e Silas?

      16 Na manhã após o espancamento, os magistrados ordenaram que Paulo e Silas fossem libertados. Mas Paulo disse: “Eles nos açoitaram publicamente sem termos sido julgados, embora sejamos romanos, e nos lançaram na prisão. Agora nos mandam embora secretamente? Não! Que venham eles próprios e nos levem para fora.” Ao saberem que os dois homens eram cidadãos romanos, os magistrados “ficaram com medo”, pois tinham violado os direitos daqueles discípulos.d Agora a situação havia mudado de figura. Os discípulos tinham sido espancados publicamente; então os magistrados tinham de pedir desculpas publicamente. Eles imploraram a Paulo e Silas que deixassem Filipos. Os dois concordaram, mas primeiro tiraram tempo para encorajar o crescente grupo de novos discípulos. Só partiram depois disso.

      17. Que importante lição os novos discípulos aprenderiam por observar a perseverança de Paulo e Silas?

      17 Caso seus direitos como cidadãos romanos tivessem sido respeitados antes, pode ser que Paulo e Silas não tivessem sido espancados. (Atos 22:25, 26) Mas, se isso acontecesse, os discípulos em Filipos poderiam ficar com a impressão de que aqueles homens tinham usado esses direitos para evitar sofrer em nome de Cristo. Como isso afetaria a fé dos discípulos que não tinham cidadania romana? Afinal, para eles a lei não serviria de proteção contra espancamentos. Por isso, ao suportarem a punição, Paulo e Silas deram exemplo aos novos discípulos, mostrando que os seguidores de Cristo podem se manter firmes diante de perseguição. Além disso, por exigirem o reconhecimento de sua cidadania, Paulo e Silas obrigaram os magistrados a admitir publicamente que tinham violado a lei. Isso, por sua vez, talvez fizesse os magistrados pensar duas vezes antes de maltratar os companheiros de adoração de Paulo e poderia fornecer certa medida de proteção legal contra ataques similares no futuro.

      18. (a) Como os superintendentes cristãos hoje imitam o exemplo de Paulo? (b) Como nós ‘defendemos e estabelecemos legalmente as boas novas’ em nossos dias?

      18 Hoje, os superintendentes também orientam a congregação cristã por meio de seu exemplo. O que quer que esperem que seus companheiros de adoração façam, os pastores cristãos estão dispostos a fazer. Da mesma forma, assim como Paulo, nós avaliamos bem quando e como usar nossos direitos legais para obter proteção. Se necessário, nós recorremos a tribunais locais, nacionais e até mesmo internacionais a fim de obter proteção legal para realizar livremente nossa adoração. Nosso objetivo não é promover alguma reforma social, mas “defender e estabelecer legalmente as boas novas”, conforme Paulo escreveu à congregação em Filipos uns dez anos depois de ter ficado preso ali. (Fil. 1:7) Ainda assim, independentemente do resultado desses processos legais, nós, como Paulo e seus companheiros, estamos decididos a continuar ‘declarando as boas novas’ onde quer que o espírito de Deus nos oriente a fazer isso. — Atos 16:10.

      LUCAS — ESCRITOR DO LIVRO DE ATOS

      Até o capítulo 16, versículo 9, o livro de Atos é narrado apenas em terceira pessoa, ou seja, o escritor se limita a descrever as palavras e ações de outras pessoas, não se incluindo na narrativa. Em Atos 16:10, 11, porém, esse estilo de escrita muda. No versículo 11, por exemplo, o escritor diz: “[Nós] embarcamos em Trôade e fomos diretamente para a Samotrácia.” É nesse ponto da narrativa que o escritor, Lucas, passa a participar dos acontecimentos. Mas, visto que o nome Lucas não aparece em nenhum lugar em Atos dos Apóstolos, como sabemos que ele foi realmente o escritor?

      Lucas sentado escrevendo num rolo.

      Podemos saber a resposta por considerar a introdução do livro de Atos e a do Evangelho de Lucas. As duas introduções são dirigidas a um certo “Teófilo”. (Luc. 1:1, 3; Atos 1:1) O livro de Atos começa com as seguintes palavras: “No primeiro relato, Teófilo, escrevi sobre todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar.” Visto que muitas autoridades dos tempos antigos concordam que o “primeiro relato”, o Evangelho, foi escrito por Lucas, ele também deve ter sido o escritor do livro de Atos.

      Não sabemos muito sobre Lucas. Seu nome só aparece três vezes na Bíblia. O apóstolo Paulo chama Lucas de “o médico amado” e de um de seus “colaboradores”. (Col. 4:14; Filêm. 24) As partes do livro de Atos em que Lucas se inclui na narrativa indicam que ele primeiro acompanhou o apóstolo Paulo de Trôade até Filipos, por volta de 50 EC, mas que quando Paulo deixou Filipos, Lucas não estava mais com ele. Os dois se encontraram novamente em Filipos por volta de 56 EC e viajaram com mais sete irmãos desde Filipos até Jerusalém, onde Paulo foi preso. Dois anos mais tarde, Lucas acompanhou Paulo, que ainda estava preso, desde Cesareia até Roma. (Atos 16:10-17, 40; 20:5–21:17; 24:27; 27:1–28:16) Quando Paulo, que havia sido preso pela segunda vez em Roma, percebeu que sua execução estava próxima, “apenas Lucas” estava com ele. (2 Tim. 4:6, 11) Fica claro que Lucas viajava longas distâncias e estava disposto a enfrentar dificuldades por causa das boas novas.

      Lucas não afirmou ter presenciado o que escreveu sobre Jesus. Em vez disso, ele disse ter procurado “compilar um relato dos fatos” baseado em relatos de “testemunhas oculares”. Além do mais, ele ‘pesquisou todas as coisas com exatidão desde o início’, para ‘escrevê-las em ordem lógica’. (Luc. 1:1-3) O resultado dos esforços de Lucas mostra que ele era um pesquisador cuidadoso. A fim de reunir informações, ele talvez tenha entrevistado Elisabete, Maria (mãe de Jesus) e outras pessoas. Muito do que ele escreveu não é encontrado nos outros Evangelhos. — Luc. 1:5-80.

      Paulo disse que Lucas era médico, e podemos ver em seus escritos o interesse que um médico tem naqueles que sofrem. Para citar apenas alguns exemplos: Lucas disse que, quando Jesus curou um homem endemoninhado, o demônio saiu do homem “sem feri-lo”; que a sogra do apóstolo Pedro estava com “febre alta”; e que uma mulher que Jesus ajudou tinha “um espírito de fraqueza havia 18 anos; [e que] ela estava encurvada e não conseguia de modo algum se endireitar”. — Luc. 4:35, 38; 13:11.

      É evidente que Lucas sempre colocou a “obra do Senhor” em primeiro lugar na vida. (1 Cor. 15:58) Seu objetivo não era buscar destaque ou uma carreira secular, mas ajudar outros a conhecer e a servir a Jeová.

      LÍDIA — VENDEDORA DE PÚRPURA

      Lídia morava em Filipos, uma cidade importante na Macedônia. Ela era natural de Tiatira, uma cidade na região chamada Lídia, no oeste da Ásia Menor. O trabalho de Lídia como vendedora de púrpura a levou a cruzar o mar Egeu e ir morar em Filipos. Pelo visto, ela comercializava artigos variados de púrpura — tapetes, tapeçarias, tecidos e até mesmo corantes. Uma inscrição encontrada em Filipos comprova que havia uma associação de vendedores de púrpura nessa cidade.

      Lídia mostrando um tecido.

      Lídia é descrita como “adoradora de Deus”, o que pode indicar que ela era prosélita. (Atos 16:14) Ela talvez se tenha tornado adoradora de Jeová em Tiatira. Ali, diferentemente de Filipos, havia um local onde os judeus se reuniam. Alguns acham que Lídia era um apelido que significa “mulher de Lídia” e que esse nome lhe foi dado em Filipos. Mas existem provas documentais que mostram que a palavra Lídia também era usada como nome próprio.

      Desde os dias de Homero, no nono ou oitavo século AEC, os lídios e os habitantes da região eram famosos por sua habilidade em usar púrpura para tingir tecidos. Realmente, as águas de Tiatira eram conhecidas por produzir “as tonalidades mais brilhantes e duráveis”.

      Os artigos de púrpura eram considerados de luxo; apenas os ricos tinham condições de adquiri-los. Embora o corante púrpura pudesse ser extraído de diferentes fontes, o melhor e mais caro, usado no tratamento de linho fino, vinha de moluscos do Mediterrâneo. Os tecidos dessa cor eram muito caros, pois só era possível extrair uma quantidade extremamente pequena de corante de cada molusco, sendo necessários uns 8 mil moluscos para obter apenas 1 grama desse precioso líquido.

      É bem provável que Lídia fosse uma comerciante rica e bem-sucedida, pois trabalhar com púrpura exigia investir muito dinheiro. Além disso, Lídia tinha uma casa grande o suficiente para hospedar quatro pessoas — Paulo, Silas, Timóteo e Lucas. A referência que a Bíblia faz aos “da sua casa” pode significar que ela morava com parentes. Mas a palavra grega traduzida “casa” pode indicar que ela tinha escravos e servos. (Atos 16:15) E o fato de Paulo e Silas terem se encontrado com alguns irmãos na casa dessa mulher hospitaleira antes de deixarem a cidade sugere que essa casa se tornou um local de reuniões para os primeiros cristãos em Filipos. — Atos 16:40.

      Quando Paulo escreveu à congregação em Filipos uns dez anos mais tarde, ele não mencionou Lídia. Assim, tudo que sabemos sobre ela se encontra em Atos capítulo 16.

      a Veja o quadro “Lucas — escritor do livro de Atos”.

      b Os judeus talvez fossem proibidos de ter uma sinagoga em Filipos por causa da característica militar da cidade. Ou pode ser que ali não houvesse dez homens judeus, o mínimo necessário para estabelecer uma sinagoga.

      c Veja o quadro “Lídia — vendedora de púrpura”.

      d A lei romana estabelecia que um cidadão sempre tinha o direito de ser julgado perante um tribunal e nunca deveria ser punido em público sem antes ter sido condenado.

  • “Venha para a Macedônia”
    ‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
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