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Prova visível do holocaustoDespertai! — 1993 | 8 de novembro
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O Museu Memorial do Holocausto em Washington, DC, Estados Unidos, inaugurado em 22 de abril de 1993, ergue-se como duro e solene lembrete de tecnologia desvirtuada por demagogos amorais numa indescritível máquina de morte. O catálogo de vítimas indefesas assassinadas pela tirania nazista é estonteante — cerca de seis milhões de judeus e milhões de outras pessoas, incluindo poloneses, eslavos, testemunhas de Jeová, ciganos, homossexuais e deficientes físicos.
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Prova visível do holocaustoDespertai! — 1993 | 8 de novembro
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Em 1933, Hitler lançou uma campanha para aniquilar as Testemunhas de Jeová. Milhares de testemunhas de Jeová — da Alemanha, Áustria, Polônia, ex-Tchecoslováquia, Holanda, França e outros países — foram transportadas para campos de concentração. Foram perseguidas apenas à base de razões religiosas. Dois sobreviventes de campos de concentração foram convidados para a inauguração do museu.
Sobreviventes do Holocausto
Quinze membros da família imediata e outros parentes de um dos sobreviventes, Franz Wohlfahrt, 73 anos, foram presos porque eram testemunhas de Jeová. “Sete deles foram executados, a maioria na guilhotina. Um foi morto numa câmara de gás e os outros morreram em campos de concentração e nas prisões da Gestapo”, recorda ele.
Achava ele que sairia vivo dos campos de concentração? “Eu realmente duvidava”, diz Franz. “Quase diariamente os guardas lembravam-me de que, se a Alemanha perdesse a guerra, ainda teriam munição suficiente para me executar.”
Lamenta-se ele de ter sido prisioneiro por causa de suas crenças religiosas? “Jamais! Jamais!”, diz Franz, como se essa idéia fosse um insulto à sua determinação. “Tínhamos sempre uma disposição alegre. Muitas vezes eu era parado por guardas que perguntavam: ‘Com toda essa desgraça, ainda encontras motivo para sorrir? O que há contigo?’ Daí eu dizia: ‘Tenho razões para sorrir porque temos uma esperança para além desse tempo difícil — uma esperança baseada no Reino de Deus, quando tudo será restaurado e tudo o que temos de passar hoje será compensado.’”
Joseph Schoen, nascido em 1910, mantinha-se ocupado nas operações às ocultas de imprimir e distribuir literatura bíblica na Áustria, sempre escapando por pouco da Gestapo — até 1940, quando o prenderam. De 1943 a 1945, estava sob constante ameaça de morte. Em 1943, o líder do campo de concentração, perante todo o pessoal reunido, escolheu Joseph e vociferou: “Ainda te apegas ao Deus Jeová?”
“Sim, ainda me apego”, respondeu Joseph.
“Então a tua cabeça vai rolar!”
No ano de 1945 Joseph participou na marcha da morte a caminho de Dachau. “Do ponto de vista físico eu estava um bagaço”, recorda. “Todavia, nunca estive tão forte na fé como durante aquela marcha.”
Agora, percorrendo o museu e refletindo nos seus dias de prisão, ele diz: “De modo algum me sentia apavorado. Jeová dá à pessoa o que ela necessita, quando ela o necessita. A pessoa tem de aprender a confiar em Jeová e ver quão real ele é quando acontece o pior. Todo o mérito cabe a ele. Nenhum de nós era um herói. Simplesmente confiávamos em Jeová.”
O valor do museu
“Acho que há muitíssimo significado nesse museu”, diz a historiadora Dra. Christine Elizabeth King, vice-reitora substituta da Universidade de Staffordshire, na Inglaterra. “Em primeiro lugar, há o registro. E está aqui para contestar os que dizem: ‘Isto nunca aconteceu.’ Existe evidência abundante, bem como as testemunhas que sobreviveram ao Holocausto. Em segundo lugar, o museu é um excelente instrumento educacional.”
“E para as Testemunhas de Jeová”, continua ela, “é muito importante poder ver seus irmãos e irmãs que sofreram, que morreram e que deram suas vidas. Ver isto registrado é algo muito especial”.
[Quadro na página 18]
O texto na coluna reza:
“TESTEMUNHAS DE JEOVÁ”
“A fustigação nazista contra as Testemunhas de Jeová começou em 1933. Por se recusarem a prestar serviço militar e não jurarem lealdade ao regime, testemunhas de Jeová muitas vezes eram acusadas de espionagem e conspiração contra o Estado. Os nazistas interpretavam como ameaças revolucionárias as predições de uma anarquia futura feitas pelas Testemunhas de Jeová, e suas profecias sobre o retorno dos judeus à Palestina como declarações sionistas.
“Não obstante, as Testemunhas de Jeová continuaram a se reunir, a pregar e a distribuir literatura. Perderam seus empregos, pensões e todos os direitos civis e, a partir de 1937, foram enviadas a campos de concentração. Ali, os nazistas as classificaram como ‘prisioneiros voluntários’: as testemunhas de Jeová que renunciassem às suas crenças podiam ser libertadas. Nem sequer uma delas abjurou.”
[Quadro na página 19]
“Uma importante história a contar”
“As Testemunhas de Jeová são um dos casos mais notáveis. Por causa de suas crenças religiosas, foram uma das primeiras religiões banidas . . . pelo governo nazista alemão em 1933. Foi simplesmente porque compreenderam que deviam obediência e obrigação a uma lei superior, a lei de Deus. Em resultado disso, foram perseguidas tão impiedosamente como os judeus e os ciganos e colocados em campos de concentração onde muitas delas perderam a vida.
“É uma importante história a contar. Talvez o aspecto mais trágico disso [tenha sido] o de filhos de testemunhas de Jeová. Quando o pai tinha de ser levado a um campo e a mãe estava detida, eles eram colocados numa fileira dos fundos, na escola, junto com crianças judias e ciganas. Se as crianças persistissem em não fazer a saudação ‘Heil Hitler!’ ou prestar outras homenagens ao Estado nazista, elas eram classificadas como delinqüentes juvenis só por causa de suas crenças. E essas crianças, naturalmente, pagavam não apenas pelos pretensos e alegados crimes de seus pais, que eram crimes de consciência, mas também pelo fato de serem seus filhos.” — Dra. Sybil Milton, historiadora-chefe do museu.
[Foto na página 16]
Uniformes de campo de concentração com a insígnia do triângulo roxo identificavam as testemunhas de Jeová
[Foto na página 17]
Sobreviventes do Holocausto, Franz Wohlfahrt (à esquerda) e Joseph Schoen, com a historiadora Dra. Christine King na exposição “As Vítimas”
[Foto na página 17]
Vagões parecidos com este transportaram Wohlfahrt e Schoen a campos de concentração
[Foto na página 18]
Acima: Os sobreviventes Wohlfahrt (à esquerda) e Schoen na exposição do vídeo histórico “Inimigos do Estado”, que inclui testemunhas de Jeová
[Foto na página 18]
Abaixo: Maria e Franz Wohlfahrt, na exposição que inclui a Bíblia de Johann Stossier, irmão de Maria. “Johann de algum modo conseguiu esconder essa Bíblia por um bom tempo antes de isso ser descoberto”, diz Franz. “A Bíblia foi o único pertence que foi enviado de volta à sua mãe após a execução”
[Foto na página 18]
Junto à Bíblia exposta, o texto reza: “Esta Bíblia pertencia a Johann Stossier, uma testemunha de Jeová presa no campo de concentração de Sachsenhausen. Stossier morreu pouco antes de as tropas soviéticas libertarem o campo”
[Foto na página 19]
“Como são frágeis as salvaguardas da civilização!”, disse o presidente Clinton, dos EUA, na inauguração do museu. “O Holocausto lembra-nos para sempre que o conhecimento divorciado de valores pode apenas servir para aprofundar o pesadelo humano, que o ser humano perde todo o seu caráter humano quando só há cabeça sem coração”
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