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Parte 3 — Testemunhas até à parte mais distante da terraTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Pregando na Europa apesar da perseguição do tempo de guerra
Por não abandonarem sua fé nem desistirem de pregar, milhares de Testemunhas de Jeová na Alemanha, na Áustria, na Bélgica, na França e nos Países Baixos foram presas ou enviadas para campos de concentração nazistas. A ordem do dia ali era tratar com brutalidade. Os que ainda não estavam presos levavam avante seu ministério cautelosamente. Muitas vezes trabalhavam só com a Bíblia e ofereciam outras publicações apenas ao revisitarem interessados. Para não serem presas, as Testemunhas visitavam um apartamento num edifício e depois talvez fossem para outro prédio, ou, depois de visitarem apenas uma casa, iam para outra rua antes de se dirigirem a outra casa. Mas de modo algum temiam dar testemunho.
Em 12 de dezembro de 1936, apenas alguns meses depois de a Gestapo ter prendido milhares de Testemunhas de Jeová e pessoas interessadas, num esforço nacional de parar sua obra, as próprias Testemunhas realizaram uma campanha. Numa operação relâmpago, elas colocaram dezenas de milhares de exemplares duma resolução em caixas de correio e debaixo das portas de pessoas em toda a Alemanha. A resolução protestava contra o tratamento cruel dispensado a seus irmãos cristãos. Uma hora após o início da distribuição, a Polícia já tentava freneticamente prender os distribuidores, mas conseguiram pegar só uns doze em todo o país.
As autoridades ficaram chocadas por ainda se conseguir realizar uma campanha como essa depois de tudo que o governo nazista fizera para eliminar a obra. Além disso, passaram a temer a população. Por quê? Porque, quando a Polícia e outras autoridades uniformizadas visitavam as casas e perguntavam aos moradores se haviam recebido esse panfleto, a maioria negava. De fato, a maioria não o recebera mesmo. Apenas duas ou três famílias em cada prédio haviam recebido um exemplar. Mas a Polícia não sabia disso. Achava que se deixara um em cada porta.
Nos meses seguintes, as autoridades nazistas negaram veementemente as acusações feitas naquela resolução impressa. Assim, em 20 de junho de 1937, as Testemunhas de Jeová ainda livres distribuíram outra mensagem, uma carta aberta que revelava uma abundância de pormenores sobre a perseguição, um documento que fornecia nomes de autoridades e citava datas e lugares. Foi grande a consternação da Gestapo por causa dessa exposição e da habilidade das Testemunhas de fazer essa distribuição.
Muitas experiências da família Kusserow, de Bad Lippspringe, Alemanha, revelaram essa mesma determinação de dar testemunho. Um exemplo foi o que aconteceu depois de Wilhelm Kusserow ser executado publicamente em Münster pelo regime nazista por se recusar a transigir na fé. Hilda, a mãe de Wilhelm, foi imediatamente à prisão e solicitou com urgência o corpo para sepultamento. Ela disse a sua família: “Daremos um grande testemunho a quem o conhecia.” No funeral, Franz, pai de Wilhelm, fez uma oração que expressava fé nas provisões amorosas de Jeová. Na sepultura, Karl-Heinz, irmão de Wilhelm, disse algumas palavras de consolo à base da Bíblia. Eles não ficaram sem punição por isso, mas o importante para eles era honrar a Jeová dando um testemunho a respeito do Seu nome e do Seu Reino.
À medida que as pressões do tempo de guerra se intensificavam nos Países Baixos, as Testemunhas prudentemente faziam ajustes em seus arranjos de reuniões. Passaram a ser realizadas apenas em grupos de dez ou menos em residências particulares. Os locais de reunião eram freqüentemente mudados. As Testemunhas só compareciam ao seu próprio grupo, e ninguém divulgava o endereço do estudo, nem para um amigo de confiança. Naquela altura dos acontecimentos, quando populações inteiras eram expulsas de sua terra por causa da guerra, as Testemunhas de Jeová sabiam que as pessoas precisavam com urgência da mensagem consoladora encontrada apenas na Palavra de Deus, e destemidamente a partilhavam com elas. Mas uma carta da filial lembrou os irmãos da cautela que Jesus demonstrara em várias ocasiões ao se confrontar com opositores. (Mat. 10:16; 22:15-22) Devido a isso, quando encontravam alguém que mostrava hostilidade, eles anotavam cuidadosamente o endereço para que se tomassem precauções especiais ao se trabalhar naquele território novamente.
Na Grécia, a população sofreu muito durante a ocupação alemã. No entanto, o tratamento mais severo dispensado às Testemunhas de Jeová resultou da deturpação maldosa propagada pelo clero da Igreja Ortodoxa Grega, que insistia em que a Polícia e os tribunais agissem contra elas. Muitas Testemunhas foram presas ou expulsas de sua cidade natal e enviadas para povoados remotos ou confinadas a ilhas áridas sob duras condições. Todavia, elas continuaram a dar testemunho. (Compare com Atos 8:1, 4.) Muitas vezes faziam isso ao conversarem com as pessoas em bancos de parques e jardins públicos, sentando ao lado delas e falando sobre o Reino de Deus. Quando se encontrava alguém genuinamente interessado, emprestava-se a essa pessoa uma preciosa publicação bíblica. A publicação era devolvida depois e utilizada vez após vez. Muitos amantes da verdade aceitavam com gratidão a ajuda oferecida pelas Testemunhas de Jeová e até se juntavam a elas em partilhar as boas novas com outros, embora isso lhes causasse amarga perseguição.
Um fator importante na coragem e perseverança das Testemunhas de Jeová é que elas eram edificadas por alimento espiritual. Embora os suprimentos de publicações para distribuição ao público com o tempo tenham ficado um tanto esgotados em algumas partes da Europa durante a guerra, elas conseguiam fazer circular entre si matéria para fortalecer a fé, preparada pela Sociedade para o estudo das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Arriscando a vida, August Kraft, Peter Gölles, Ludwig Cyranek, Therese Schreiber e muitos outros participavam em reproduzir e distribuir matérias de estudo introduzidas clandestinamente na Áustria, procedentes da Itália, da Suíça e da Tchecoslováquia. Nos Países Baixos, foi um bondoso carcereiro que ajudou, arranjando uma Bíblia para Arthur Winkler. Apesar de todas as precauções tomadas pelo inimigo, as águas revigorantes da verdade da Bíblia, em A Sentinela, entravam até mesmo nos campos de concentração alemães e circulavam entre as Testemunhas.
O confinamento em prisões e campos de concentração não impedia as Testemunhas de Jeová de ser testemunhas. Na prisão, em Roma, o apóstolo Paulo escreveu: “Estou sofrendo o mal a ponto de estar em cadeias . . . Não obstante, a palavra de Deus não está amarrada.” (2 Tim. 2:9) Aconteceu o mesmo no caso das Testemunhas de Jeová na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Os guardas observavam sua conduta; alguns faziam perguntas, e uns poucos se tornaram crentes, embora isso significasse a perda da própria liberdade. Muitos que estavam presos com as Testemunhas procediam de países como a Rússia, onde se fizera pouquíssima pregação das boas novas. Depois da guerra, alguns desses retornaram à sua terra como Testemunhas de Jeová, ansiosos de divulgar a mensagem do Reino.
A perseguição brutal e os efeitos da guerra total não foram capazes de impedir o predito ajuntamento de pessoas na grande casa espiritual de Jeová para adoração. (Isa. 2:2-4) De 1938 a 1945, a maioria dos países da Europa teve substanciais aumentos no número dos que participavam publicamente nessa adoração, proclamando o Reino de Deus. Na Finlândia, na França, na Grã-Bretanha e na Suíça, as Testemunhas tiveram aumentos de aproximadamente 100 por cento. Na Grécia, o aumento foi de quase sete vezes. Nos Países Baixos, de doze vezes. Mas, por volta do fim de 1945, ainda não haviam sido recebidos pormenores da Alemanha nem da Romênia, e apenas relatórios incompletos haviam chegado de vários outros países.
Fora da Europa durante os anos de guerra
No Oriente, a guerra mundial também fez surgir severas dificuldades para as Testemunhas de Jeová. No Japão e na Coréia, elas eram presas, espancadas e torturadas por advogarem o Reino de Deus e não adorarem o imperador japonês. Por fim, perderam todo contato com as Testemunhas de outros países. Para muitas delas, as únicas oportunidades de dar testemunho surgiam em interrogatórios ou em julgamentos no tribunal. No fim da guerra, o ministério público das Testemunhas de Jeová nesses países havia praticamente parado.
Quando a guerra chegou às Filipinas, as Testemunhas foram maltratadas pelos dois lados porque não apoiavam os japoneses nem as forças de resistência. Para evitarem ser presas, muitas Testemunhas abandonaram suas casas. Mas, à medida que se mudavam de um lugar para outro, elas pregavam — emprestando publicações quando disponíveis e, mais tarde, usando apenas a Bíblia. Ao passo que a frente de batalha recuava, elas até equipavam vários barcos para levar grandes grupos de Testemunhas a ilhas onde pouco ou nenhum testemunho fora dado.
Na Birmânia (agora Mianmar), o que causou a proscrição das publicações das Testemunhas de Jeová em maio de 1941 não foi a invasão japonesa, mas a pressão que os clérigos anglicanos, metodistas, católico-romanos e batistas americanos exerceram sobre as autoridades coloniais. Duas Testemunhas de Jeová que trabalhavam na agência de telégrafos viram um telegrama que as alertou para o que viria, de modo que os irmãos rapidamente tiraram as publicações do depósito da Sociedade para evitar que fossem confiscadas. Fizeram-se então esforços para enviar boa parte das publicações por via terrestre para a China.
Na época, o governo dos EUA transportava de caminhão grandes quantidades de material bélico pela Estrada da Birmânia para apoiar o Governo Nacionalista da China. Os irmãos tentaram conseguir espaço num desses caminhões, mas seu pedido foi rejeitado. Fracassaram também os esforços de arranjar em Cingapura um veículo. No entanto, ao fazer a solicitação a um alto oficial dos EUA, Mick Engel, encarregado do depósito da Sociedade em Rangum (agora Yangum), conseguiu permissão para transportar as publicações em caminhões do exército.
Todavia, depois disso, quando Fred Paton e Hector Oates procuraram o oficial que controlava o comboio que ia para a China e pediram espaço, ele quase teve um ataque! “O quê?” gritou ele. “Como lhes posso dar espaço precioso nos meus caminhões para seus miseráveis tratados quando nem tenho espaço para suprimentos militares e médicos urgentemente necessitados, que estão apodrecendo aqui ao relento?” Fred pausou, tirou da pasta a carta de autorização e salientou que seria muito grave ignorar a orientação dos oficiais de Rangum. Além de providenciar o transporte de duas toneladas de livros, o controlador rodoviário colocou uma camioneta, com motorista e suprimentos, à disposição dos irmãos. Seguiram na direção nordeste pela perigosa estrada de montanha até a China com sua preciosa carga. Depois de darem testemunho em Pao-shan, prosseguiram até Chungking (Pahsien). Milhares de exemplares de publicações sobre o Reino de Jeová foram distribuídos durante o ano em que ficaram na China. Entre aqueles a quem pessoalmente deram testemunho estava Chiang Kai-shek, o presidente do Governo Nacionalista da China.
Nesse ínterim, à medida que os bombardeios se intensificavam na Birmânia, todas as Testemunhas, com exceção de três, deixaram o país, a maioria indo para a Índia. A atividade dos três que permaneceram era, necessariamente, limitada. Mas continuaram a dar testemunho informal, e seus esforços produziram frutos depois da guerra.
Na América do Norte, as Testemunhas de Jeová também se confrontaram com graves obstáculos durante a guerra. A violência generalizada da parte de turbas e a aplicação inconstitucional de leis locais resultaram em grande pressão sobre a obra de pregação. Milhares foram presos por tomarem posição como cristãos neutros. Mas isso não diminuiu o ritmo do ministério de casa em casa das Testemunhas de Jeová. Ademais, a partir de fevereiro de 1940, tornou-se comum vê-las nas ruas de zonas comerciais oferecendo A Sentinela e Consolação (agora Despertai!). Seu zelo ficou ainda mais forte. Embora sofressem uma das mais intensas perseguições já ocorridas naquela parte do mundo, as Testemunhas de Jeová mais do que dobraram em número nos Estados Unidos e no Canadá de 1938 a 1945, e o tempo que dedicavam ao ministério público triplicou.
Em muitos países identificados com a Comunidade Britânica de Nações (na América do Norte, na África, na Ásia e em ilhas do Caribe e do Pacífico), quer as Testemunhas de Jeová, quer suas publicações, sofreram proscrição governamental. Um desses países foi a Austrália. Uma nota oficial publicada em 17 de janeiro de 1941, sob a ordem do governador-geral, tornava ilegal as Testemunhas de Jeová se reunirem para adoração, distribuírem quaisquer de suas publicações ou até as possuírem. A lei possibilitava contestar a proscrição no tribunal, o que se fez prontamente. Mas levou mais de dois anos para o juiz Starke, do Supremo Tribunal, declarar que os regulamentos em que se baseava a proscrição eram “arbitrários, caprichosos e opressivos”. O Supremo Tribunal removeu unanimemente a proscrição. O que faziam as Testemunhas de Jeová nesse ínterim?
Em imitação aos apóstolos de Jesus Cristo, elas ‘obedeciam a Deus como governante antes que aos homens’. (Atos 4:19, 20; 5:29) Continuavam pregando. Apesar de muitos obstáculos, chegaram a organizar um congresso em Hargrave Park, perto de Sídnei, de 25 a 29 de dezembro de 1941. Visto que o governo negou-se a fornecer transporte ferroviário a alguns congressistas, um grupo do oeste da Austrália equipou seus veículos com gasogênios à base de carvão e fez uma viagem de 14 dias para cruzar o país, o que incluiu passar uma semana atravessando a implacável planície de Nullarbor. Chegaram sãos e salvos e assistiram ao programa junto com seis mil outros congressistas. No ano seguinte realizou-se outra assembléia, mas dessa vez ela foi dividida em 150 grupos menores em sete cidades principais do país, com os oradores indo de um local para o outro.
À medida que a situação na Europa deteriorava em 1939, alguns pioneiros das Testemunhas de Jeová ofereciam-se para servir em outros campos. (Compare com Mateus 10:23; Atos 8:4.) Três pioneiros alemães foram enviados da Suíça para Xangai, China. Vários foram para a América do Sul. Entre os transferidos para o Brasil estavam Otto Estelmann, que visitava e ajudava as congregações na Tchecoslováquia, e Erich Kattner, que servira na congênere da Sociedade Torre de Vigia em Praga. Sua nova designação não era fácil. Descobriram que em algumas regiões agrícolas as Testemunhas levantavam-se bem cedo, pregavam até às 7 horas da manhã, mais tarde no dia voltavam ao serviço de campo e prosseguiam às vezes até altas horas da noite. O irmão Kattner lembra-se de que, ao se mudar de um lugar para outro, muitas vezes dormia ao relento, usando a pasta de publicações como travesseiro. — Compare com Mateus 8:20.
Os irmãos Estelmann e Kattner haviam sido procurados pela polícia secreta nazista na Europa. Ficaram livres de perseguição com a mudança para o Brasil? Pelo contrário, depois de apenas um ano, ficaram sob prolongada prisão domiciliar às instigações de autoridades que aparentemente eram simpatizantes do nazismo! Também era comum a oposição do clero católico, mas as Testemunhas persistiam na obra de que Deus lhes incumbira. Constantemente se esforçavam a chegar a cidades e a povoados no Brasil onde a mensagem do Reino ainda não havia sido pregada.
Um exame da situação global mostra que, na maioria dos países em que havia Testemunhas de Jeová durante a Segunda Guerra Mundial, elas se confrontaram com proscrições governamentais, quer à sua organização, quer às suas publicações. Embora pregassem em 117 países em 1938, nos anos da guerra (1939-45) houve proscrições à sua organização ou às suas publicações, ou deportação de seus ministros, em mais de 60 desses países. Mesmo onde não houve proscrições, elas enfrentaram a violência de turbas e eram freqüentemente presas. Apesar de tudo isso, a pregação das boas novas não parou.
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Parte 3 — Testemunhas até à parte mais distante da terraTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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[Quadro/Fotos nas páginas 451-453]
Mesmo Presos, Negaram-se a Parar de Dar Testemunho
Aparecem aqui apenas alguns dos milhares que sofreram por sua fé em prisões e campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.
1. Adrian Thompson, Nova Zelândia. Preso em 1941 na Austrália; seu pedido de isenção de recrutamento foi rejeitado quando a Austrália proscreveu as Testemunhas de Jeová. Depois de ser libertado, como superintendente viajante, fortaleceu as congregações no ministério público. Serviu como missionário e foi o primeiro superintendente viajante no Japão do pós-guerra; continuou a pregar zelosamente até sua morte em 1976.
2. Alois Moser, Áustria. Esteve em sete prisões e campos de concentração. Ainda uma Testemunha ativa em 1992, aos 92 anos.
3. Franz Wohlfahrt, Áustria. A execução de seu pai e de seu irmão não intimidou Franz. Passou cinco anos no campo de concentração de Rollwald, na Alemanha. Ainda dando testemunho em 1992, aos 70 anos de idade.
4. Thomas Jones, Canadá. Preso em 1944, daí mantido em dois campos de trabalho. Depois de 34 anos de serviço de tempo integral, foi designado em 1977 membro da Comissão de Filial que supervisiona a obra de pregação em todo o Canadá.
5. Maria Hombach, Alemanha. Presa muitas vezes; ficou na solitária três anos e meio. Como mensageira, arriscava a vida para levar publicações bíblicas a outras Testemunhas. Em 1992 ainda um membro fiel da família de Betel aos 90 anos.
6. Max e Konrad Franke, Alemanha. Pai e filho, ambos presos muitas vezes, e por muitos anos. (A esposa de Konrad, Gertrud, também esteve na prisão.) Todos permaneceram servos leais e zelosos de Jeová, e Konrad estava na vanguarda da reestruturação da obra de pregação das Testemunhas na Alemanha do pós-guerra.
7. A. Pryce Hughes, Inglaterra. Sentenciado a duas penas no presídio de Wormwood Scrubs, Londres; também ficou preso durante a Primeira Guerra Mundial por causa de sua fé. Esteve na vanguarda da obra de pregação do Reino na Grã-Bretanha até sua morte em 1978.
8. Adolphe e Emma Arnold, com a filha Simone; França. Depois de Adolphe ser preso, Emma e Simone continuaram a dar testemunho e também a distribuir publicações a outras Testemunhas. Na prisão, Emma foi colocada na solitária porque dava persistentemente testemunho a outras prisioneiras. Simone foi enviada a um reformatório. Todos continuaram a ser Testemunhas zelosas.
9. Ernst e Hildegard Seliger, Alemanha. Ao todo, mais de 40 anos em prisões e campos de concentração por causa de sua fé. Mesmo presos, persistiam em partilhar verdades da Bíblia com outros. Quando em liberdade, dedicavam tempo integral à pregação das boas novas. O irmão Seliger morreu como servo leal de Deus em 1985; a irmã Seliger, em 1992.
10. Carl Johnson, Estados Unidos. Dois anos depois de ser batizado, foi preso com centenas de outras Testemunhas em Ashland, Kentucky. Serviu como pioneiro e como superintendente de circuito; em 1992, ainda tomava a liderança no ministério de campo como ancião.
11. August Peters, Alemanha. Separado à força da esposa e dos quatro filhos, ficou preso de 1936-37 e de 1937-45. Depois de ser libertado, em vez de pregar menos, ele pregou mais, no serviço de tempo integral. Em 1992, aos 99 anos, ainda servia como membro da família de Betel e vira o número de Testemunhas de Jeová na Alemanha aumentar para 163.095.
12. Gertrud Ott, Alemanha. Presa em Lodz, Polônia, depois enviada para o campo de concentração de Auschwitz; daí para os de Gross-Rosen e de Bergen-Belsen, na Alemanha. Depois da guerra, serviu zelosamente como missionária na Indonésia, no Irã e em Luxemburgo.
13. Katsuo Miura, Japão. Sete anos depois de sua detenção e prisão em Hiroxima, a maior parte da prisão em que ele estava foi destruída pela bomba atômica que devastou a cidade. No entanto, os médicos não encontraram evidência de que ele tivesse sofrido danos devido à radiação. Passou os últimos anos da vida como pioneiro.
14. Martin e Gertrud Poetzinger, Alemanha. Poucos meses depois de se casarem, foram presos e separados à força por nove anos. Martin foi enviado para Dachau e Mauthausen; Gertrud, para Ravensbrück. Apesar do tratamento brutal, sua fé não vacilou. Depois de libertados, dedicaram todos os seus esforços ao serviço de Jeová. Durante 29 anos, ele serviu como superintendente viajante por toda a Alemanha; depois, como membro do Corpo Governante, até sua morte em 1988. Em 1992, Gertrud continuava como zelosa evangelizadora.
15. Jizo e Matsue Ishii, Japão. Depois de distribuírem publicações bíblicas por todo o Japão durante uma década, eles foram presos. Embora a obra das Testemunhas de Jeová no Japão tenha sido esmagada durante a guerra, o irmão e a irmã Ishii voltaram a dar zeloso testemunho depois da guerra. Em 1992, Matsue Ishii viu o número de Testemunhas ativas no Japão aumentar para mais de 171.000.
16. Victor Bruch, Luxemburgo. Preso em Buchenwald, em Lublin, em Auschwitz e em Ravensbrück. Aos 90 anos, ainda ativo como ancião das Testemunhas de Jeová.
17. Karl Schurstein, Alemanha. Superintendente viajante antes de Hitler subir ao poder. Preso por oito anos e depois morto pelas SS, em Dachau, em 1944. Mesmo no campo de concentração, continuou a edificar outros em sentido espiritual.
18. Kim Bong-nyu, Coréia. Presa por seis anos. Aos 72 anos, ainda falava a outros sobre o Reino de Deus.
19. Pamfil Albu, Romênia. Após um tratamento brutal, foi enviado para um campo de trabalho na Iugoslávia, por dois anos e meio. Após a guerra, foi preso mais duas vezes, por 12 anos. Não parou de falar sobre o propósito de Deus. Antes de sua morte, ajudou milhares de pessoas na Romênia a servir com a organização global das Testemunhas de Jeová.
20. Wilhelm Scheider, Polônia. Em campos de concentração nazistas, de 1939-45. Em prisões comunistas, de 1950-56 e 1960-64. Até sua morte, em 1971, dedicou suas energias resolutamente à proclamação do Reino de Deus.
21. Harald e Elsa Abt, Polônia. Durante e depois da guerra, Harald passou 14 anos na prisão e em campos de concentração por causa de sua fé, mas continuou a pregar mesmo ali. Elsa foi separada à força de sua filhinha e mantida em seis campos na Polônia, na Alemanha e na Áustria. Apesar duma proscrição de 40 anos às Testemunhas de Jeová na Polônia mesmo depois da guerra, os três continuaram a ser zelosos servos de Jeová.
22. Ádám Szinger, Hungria. Em seis julgamentos, foi sentenciado a 23 anos, dos quais serviu 8 anos e meio na prisão e em campos de trabalho. Ao ser libertado, serviu como superintendente viajante por 30 anos. Aos 69 anos, ainda era um ancião leal na congregação.
23. Joseph dos Santos, Filipinas. Dedicou 12 anos como proclamador da mensagem do Reino por tempo integral antes de ser preso, em 1942. Revitalizou a atividade das Testemunhas de Jeová nas Filipinas após a guerra e continuou no serviço de pioneiro até sua morte, em 1983.
24. Rudolph Sunal, Estados Unidos. Preso em Mill Point, Virgínia Ocidental. Depois de libertado, dedicou tempo integral à divulgação do conhecimento do Reino de Deus — como pioneiro, membro da família de Betel e superintendente de circuito. Ainda um pioneiro em 1992, aos 78 anos.
25. Martin Magyarosi, Romênia. Da prisão, de 1942-44, continuou a orientar a pregação das boas novas na Transilvânia. Ao ser libertado, viajou extensivamente para incentivar outras Testemunhas na pregação e era pessoalmente uma Testemunha destemida. Preso novamente em 1950, morreu num campo de trabalho em 1953, como leal servo de Jeová.
26. R. Arthur Winkler, Alemanha e Países Baixos. Enviado primeiro para o campo de concentração de Esterwegen; continuou pregando no campo. Mais tarde, nos Países Baixos, foi espancado pela Gestapo até ficar irreconhecível. Por fim foi enviado para Sachsenhausen. Testemunha leal e zelosa até sua morte em 1972.
27. Park Ock-hi, Coréia. Três anos no Presídio de Sodaemun, Seul; submetida a indescritíveis torturas. Aos 91 anos, em 1992, ainda dava testemunho zelosamente como pioneira especial.
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