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Preconceito — Um problema mundialA Sentinela — 2013 | 1.° de junho
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MATÉRIA DE CAPA: QUANDO FICAREMOS LIVRES DO PRECONCEITO?
Preconceito — Um problema mundial
JONATHAN, um americano filho de coreanos, sofreu preconceito racial quando era criança. Depois de adulto, foi morar num lugar onde achava que as pessoas não o julgariam por sua aparência ou origem. Ele se tornou médico numa cidade no norte do Alasca, Estados Unidos, onde a fisionomia das pessoas era parecida com a dele. Jonathan tinha esperança de que ali ele finalmente conseguiria escapar do preconceito.
Mas ele perdeu todas as esperanças quando atendeu uma jovem de 25 anos que estava em coma. Quando a jovem acordou e viu Jonathan, o insultou com vários palavrões, mostrando que desprezava profundamente os coreanos. Foi muito doloroso perceber que todas as suas tentativas de fugir do preconceito não haviam adiantado nada.
O que aconteceu com Jonathan revela uma triste realidade. Existe preconceito em todo lugar, onde quer que haja pessoas.
Embora seja muito comum, o preconceito é condenado pela maioria das pessoas. Mas como uma atitude tão criticada pode ser ao mesmo tempo tão comum? Pelo visto, muitos que desaprovam o preconceito não o percebem em si mesmos. Será que isso pode acontecer com você?
UMA QUESTÃO PESSOAL
Muitas vezes é difícil perceber se temos algum tipo de preconceito. A Bíblia explica o motivo: “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa.” (Jeremias 17:9, Nova Versão Internacional) Assim, é fácil nos enganar achando que não somos preconceituosos ou que temos motivos válidos para ter um conceito ruim sobre pessoas de determinados grupos.
Como você sentiria ao se deparar com uma cena assim?
Para ilustrar como é difícil perceber se somos influenciados por algum preconceito, imagine a seguinte situação: Você está andando numa rua sozinho à noite. Dois homens que você nunca viu antes se aproximam. Eles são fortes, e um deles parece carregar algo na mão.
Você concluiria que esses homens representam uma ameaça? É claro que sua intuição talvez lhe diga para ser cauteloso numa situação como essa. Mas não há como determinar se esses homens são realmente perigosos só com base em sua intuição. Uma questão mais importante seria: de qual raça ou grupo étnico você imaginou que esses homens eram? Sua resposta pode revelar muito. Pode indicar até que ponto você foi afetado pelo preconceito.
Na verdade, se pensarmos bem, todos nós somos influenciados por algum tipo de preconceito. A própria Bíblia menciona uma forma de preconceito muito comum: julgar as pessoas pela aparência. (1 Samuel 16:7) Essa é uma tendência humana, e os resultados muitas vezes são desastrosos. Em vista disso, será que é possível superar ou eliminar o preconceito? Algum dia ficaremos livres do preconceito?
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Quando ficaremos livres do preconceito?A Sentinela — 2013 | 1.° de junho
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Quando ficaremos livres do preconceito?
“EU TENHO um sonho.” Foi o que disse o líder dos direitos civis Martin Luther King Jr. há 50 anos, em 28 de agosto de 1963, no seu discurso mais famoso. Embora ele tenha dito essa frase cativante num discurso nos Estados Unidos, sua ideia de que um dia as pessoas estariam livres do preconceito racial tem sido adotada por pessoas de muitos países.
Martin Luther King Jr., em seu discurso sobre direitos civis
Em 20 de novembro de 1963, três meses depois do discurso de King, mais de cem países assinaram a Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. Outras iniciativas elogiáveis foram adotadas em todo o mundo nas décadas seguintes. Qual foi o resultado desses esforços?
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse em 21 de março de 2012: “Há muitos tratados e dispositivos, bem como um programa global, para impedir e erradicar o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância. Mas o racismo continua a causar sofrimento a milhões de pessoas em todo o mundo.”
Que dizer de países que até certo ponto têm conseguido lidar com o racismo e outras formas de preconceito? Será que seus esforços conseguiram eliminar os sentimentos por trás do preconceito? Ou apenas impediram a demonstração desses sentimentos? Alguns acreditam que, na melhor das hipóteses, o que se conseguiu foi apenas diminuir a discriminação, mas não eliminar o preconceito. Por quê? Porque a discriminação é um ato que pode ser visto e punido por lei, ao passo que o preconceito não, pois tem a ver com emoções e pensamentos profundos.
Portanto, qualquer tentativa de eliminar o preconceito não deve apenas impedir atos de discriminação. Deve ser capaz de mudar os pensamentos e sentimentos de alguém em relação às pessoas de outro grupo. Será que isso é possível? Se for, como? Veja alguns casos reais que mostram que as pessoas podem mudar e o que pode ajudá-las a fazer isso.
A BÍBLIA OS AJUDOU A VENCER O PRECONCEITO
“Agora estou livre do preconceito.” — Linda
Linda: Nasci na África do Sul. Eu achava que todo sul-africano que não era branco era inferior, ignorante e desonesto, e apenas um empregado dos brancos. Eu não fazia ideia do quanto estava sendo influenciada pelo preconceito. Mas minha atitude mudou quando comecei a estudar a Bíblia. Aprendi que “Deus não é parcial” e que o coração é mais importante do que a cor da pele ou o idioma da pessoa. (Atos 10:34, 35; Provérbios 17:3) O texto de Filipenses 2:3 me ajudou a ver que, se considerasse os outros como superiores a mim, eu poderia vencer o preconceito. Aplicar princípios bíblicos como esses tem me ajudado a tratar outras pessoas com consideração sem me importar com a cor de sua pele. Agora estou livre do preconceito.
“Compreendi como Deus encara as pessoas.” — Michael
Michael: Cresci numa região onde havia muitos australianos brancos e desenvolvi um preconceito muito forte contra asiáticos, principalmente os chineses. Quando passava pela rua de carro e via alguém que parecia asiático, eu gritava coisas ofensivas como: “Volte para seu país, seu china!” Tempos depois, quando comecei a estudar a Bíblia, compreendi como Deus encara as pessoas. Ele as ama sem se importar com sua origem ou aparência. Esse amor me comoveu, e meu ódio se transformou em amor. Nem acredito no quanto eu mudei. Hoje me sinto muito feliz por ter amigos de vários países e formações. Isso amplia meus horizontes e me dá muita alegria.
“Mudei minha maneira de pensar e fiz as pazes.” — Sandra
Sandra: Minha mãe era de Umunede, no Estado de Delta, Nigéria. Mas a família do meu pai era do Estado de Edo e falava o idioma esan. Por causa dessas diferenças, minha mãe sofreu forte preconceito da família do meu pai até o dia de sua morte. Por isso, jurei que nunca teria nada a ver com alguém que falasse esan nem me casaria com alguém de Edo. Mas quando comecei a estudar a Bíblia, passei a ver as coisas de um ângulo diferente. Já que a Bíblia diz que Deus não é parcial e que ele aceita qualquer pessoa que o teme, quem sou eu para odiar as pessoas por causa de sua tribo ou idioma? Mudei minha maneira de pensar e fiz as pazes com a família do meu pai. Aplicar os princípios bíblicos me deu felicidade e paz mental. Também aprendi a me dar bem com outros sem levar em conta sua criação, raça, idioma ou nacionalidade. E acabei me casando com quem? Com um homem de Edo que fala esan!
Por que a Bíblia ajudou essas e muitas outras pessoas a vencer o ódio e o preconceito? Porque a Bíblia é a Palavra de Deus. Ela tem o poder de mudar o que a pessoa pensa e como ela se sente em relação a outros. Além disso, a Bíblia mostra como todo preconceito acabará.
O REINO DE DEUS ACABARÁ COM TODO PRECONCEITO
O conhecimento da Bíblia pode ajudar a controlar e eliminar fortes emoções negativas, mas é necessário lidar com outros dois fatores para que o preconceito deixe de existir por completo. O primeiro fator é o pecado e a imperfeição humana. A Bíblia diz claramente: “Não há homem que não peque.” (1 Reis 8:46) Assim, não importa o quanto tentemos, todos nós temos o mesmo conflito interno que o apóstolo Paulo tinha: “Quando quero fazer o que é direito, está presente em mim aquilo que é mau.” (Romanos 7:21) Por isso, vez por outra nosso coração imperfeito pode ter “raciocínios prejudiciais” que levam ao preconceito. — Marcos 7:21.
O segundo fator é a influência de Satanás, o Diabo. A Bíblia o descreve como “homicida” e diz que ele “está desencaminhando toda a terra habitada”. (João 8:44; Revelação [Apocalipse] 12:9) Isso explica por que o preconceito é tão comum e por que a humanidade é incapaz de combater o fanatismo, a discriminação, os genocídios e outras formas de intolerância racial, religiosa e social.
Portanto, para que o preconceito seja completamente eliminado, é preciso antes de tudo acabar com o pecado, a imperfeição e a influência de Satanás, o Diabo. A Bíblia mostra que é exatamente isso o que o Reino de Deus fará.
Jesus Cristo ensinou seus seguidores a orar: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” (Mateus 6:10) O Reino de Deus é o meio pelo qual as injustiças, incluindo todas as formas de preconceito, serão eliminadas.
Quando o Reino de Deus assumir o controle da Terra, Satanás será ‘amarrado’, ou ficará totalmente fora de ação, para que ‘não mais desencaminhe as nações’. (Revelação 20:2, 3) Então haverá uma “nova terra”, ou sociedade humana, em que ‘morará a justiça’.a — 2 Pedro 3:13.
Os que viverem nessa sociedade justa se tornarão perfeitos, livres do pecado. (Romanos 8:21) Como súditos do Reino de Deus, ‘não farão dano, nem causarão ruína’. Por quê? “Porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar.” (Isaías 11:9) Naquele tempo, toda a humanidade aprenderá sobre Jeová Deus e imitará sua personalidade amorosa. Isso significará o fim de todo preconceito, “pois, com Deus não há parcialidade”. — Romanos 2:11.
a Para mais informações sobre o Reino de Deus e o que ele fará em breve, veja os capítulos 3, 8 e 9 do livro O Que a Bíblia Realmente Ensina?, publicado pelas Testemunhas de Jeová.
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