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  • “Tenha coragem!”
    ‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
    • “Falo prontamente em minha defesa” (Atos 23:35–24:21)

      10. Que acusações sérias foram levantadas contra Paulo?

      10 Em Cesareia, Paulo foi “detido no palácio de Herodes”, para esperar até que os acusadores chegassem de Jerusalém. (Atos 23:35) Cinco dias depois, eles chegaram — o Sumo Sacerdote Ananias, um orador público chamado Tértulo e um grupo de anciãos. Tértulo primeiro elogiou Félix pelo que ele estava fazendo em prol dos judeus, pelo visto para deixá-lo lisonjeado e obter seu favor.b Então, indo para o ponto em questão, Tértulo se referiu a Paulo da seguinte maneira: “Este homem é uma praga e atiça sedições entre todos os judeus, por toda a terra habitada, e ele é um dos líderes da seita dos nazarenos. Ele também tentou profanar o templo; então nós o agarramos.” Os judeus que estavam com ele “também apoiaram a acusação, garantindo que essas coisas eram verdade”. (Atos 24:5, 6, 9) Atiçar sedição, liderar uma seita perigosa e profanar o templo — essas eram acusações sérias e poderiam resultar em pena de morte.

      11, 12. Como Paulo refutou as acusações contra ele?

      11 Paulo então teve permissão para falar. “Falo prontamente em minha defesa”, começou ele. Paulo foi taxativo ao negar todas as acusações. O apóstolo não tinha profanado o templo nem tinha tentado atiçar sedição. Ele destacou que, na verdade, havia ficado fora de Jerusalém por “vários anos” e que tinha chegado com “uma contribuição” — para os cristãos cuja pobreza talvez fosse resultado da fome e da perseguição. Paulo insistiu que estava “cerimonialmente puro” antes de entrar no templo e que se esforçava para ter a consciência limpa “diante de Deus e dos homens”. — Atos 24:10-13, 16-18.

      12 Paulo admitiu, porém, ter prestado serviço sagrado ao Deus de seus antepassados ‘segundo o caminho que eles chamavam de “seita”’. Mas ele insistiu que acreditava em “tudo que está declarado na Lei e que está escrito nos Profetas” e que, assim como seus acusadores, ele tinha a esperança de “uma ressurreição tanto de justos como de injustos”. Paulo então desafiou seus acusadores: “Que estes homens aqui digam que crime acharam em mim quando eu estava perante o Sinédrio. A não ser que se trate desta única frase que clamei quando estava no meio deles: ‘É por causa da ressurreição dos mortos que hoje estou sendo julgado diante dos senhores!’” — Atos 24:14, 15, 20, 21.

      13-15. Por que podemos considerar Paulo um bom exemplo de alguém que deu um corajoso testemunho diante de autoridades?

      13 Paulo estabeleceu um bom exemplo para nós imitarmos caso sejamos alguma vez levados perante autoridades por causa de nossa adoração e sejamos acusados falsamente de ser agitadores, sediciosos ou membros de uma “seita perigosa”. Diferentemente de Tértulo, Paulo não tentou bajular o governador com palavras lisonjeiras. Paulo permaneceu calmo e foi respeitoso. Usando de tato, ele deu um testemunho claro e verdadeiro. Ele mencionou que os “judeus da província da Ásia” que o haviam acusado de profanar o templo não estavam presentes e que, legalmente, ele tinha o direito de confrontá-los e ouvir suas acusações. — Atos 24:18, 19.

      14 O mais notável é que Paulo não se refreou de dar testemunho sobre suas crenças. Com coragem, o apóstolo reiterou sua crença na ressurreição, a mesma questão que havia criado um tumulto quando ele estava diante do Sinédrio. (Atos 23:6-10) Por que Paulo enfatizou a esperança da ressurreição ao fazer sua defesa? Porque era a questão da ressurreição — e, mais especificamente, a crença em Jesus e na sua ressurreição — que estava no centro da controvérsia. De fato, Paulo estava nessa situação por ter dado testemunho sobre Jesus e sobre sua ressurreição — algo que aqueles opositores se recusavam a aceitar. — Atos 26:6-8, 22, 23.

      15 Como Paulo, nós podemos dar um testemunho corajoso e derivar forças do que Jesus disse a seus discípulos: “Vocês serão odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim será salvo.” Será que devemos nos preocupar com o que dizer? Não, pois Jesus deu a seguinte garantia: “Quando levarem vocês para entregá-los, não fiquem preocupados com o que dizer, mas digam o que lhes for dado naquela hora. Pois quem fala não são vocês, mas é o espírito santo.” — Mar. 13:9-13.

      “Félix ficou com medo” (Atos 24:22-27)

      16, 17. (a) Como Félix agiu no julgamento de Paulo? (b) Por que talvez Félix tenha ficado com medo, mas por qual motivo continuou a ver Paulo?

      16 Essa não foi a primeira vez que o Governador Félix tinha ouvido sobre a fé cristã. O relato diz: “Visto que Félix estava bem informado a respeito desse Caminho [primeiro termo usado para se referir ao cristianismo], adiou a questão, dizendo: ‘Quando Lísias, o comandante militar, descer, decidirei essas questões de vocês.’ Ele ordenou então ao oficial do exército que o mantivesse preso, mas que lhe desse certa liberdade e permitisse que os do seu povo cuidassem de suas necessidades.” — Atos 24:22, 23.

      17 Alguns dias mais tarde, Félix, com sua esposa Drusila, uma judia, mandou chamar Paulo e “o ouviu falar sobre a crença em Cristo Jesus”. (Atos 24:24) No entanto, quando Paulo falou sobre “a justiça, o autodomínio e o julgamento por vir, Félix ficou com medo”, possivelmente porque essas coisas incomodavam sua consciência devido ao proceder mau dele. Então ele dispensou Paulo, dizendo: “Por enquanto, pode se retirar, mas, quando eu tiver uma oportunidade, mandarei buscá-lo novamente.” Félix viu Paulo muitas vezes depois disso não porque queria aprender a verdade, mas porque esperava que Paulo o subornasse. — Atos 24:25, 26.

      18. Por que Paulo falou com Félix e sua esposa sobre “a justiça, o autodomínio e o julgamento por vir”?

      18 Por que Paulo falou com Félix e sua esposa sobre “a justiça, o autodomínio e o julgamento por vir”? Lembre-se de que eles queriam saber o que estava envolvido na “crença em Cristo Jesus”. Paulo, que conhecia o histórico de imoralidade, crueldade e injustiça que eles tinham, estava deixando bem claro o que se esperava de todos que quisessem se tornar seguidores de Jesus. O que Paulo disse mostrou o nítido contraste entre os padrões justos de Deus e o modo de vida que Félix e sua esposa levavam. Isso deveria tê-los ajudado a ver que todos os humanos têm de prestar contas a Deus pelo que pensam, dizem e fazem, e que mais importante do que o julgamento que Paulo receberia era o julgamento que eles teriam diante de Deus. Não é de admirar que Félix tenha ‘ficado com medo’!

      19, 20. (a) No nosso ministério, como devemos lidar com pessoas que parecem interessadas na verdade, mas que na realidade não querem mudar seu proceder egoísta? (b) Como sabemos que Félix não estava realmente interessado no bem-estar de Paulo?

      19 No nosso ministério, talvez encontremos pessoas como Félix. A princípio, elas podem parecer interessadas na verdade, mas na realidade não querem mudar seu proceder egoísta. Devemos ser cautelosos ao ajudar tais pessoas. Mas, assim como Paulo, podemos usar de tato ao lhes mostrar os padrões justos de Deus. Talvez a verdade toque o coração delas. No entanto, se ficar evidente que elas não têm nenhum interesse em abandonar o modo de vida pecaminoso, nós não insistiremos em convencê-las a mudar. Em vez disso, usaremos nosso tempo para procurar pessoas que realmente estão buscando a verdade.

      20 No caso de Félix, vemos a verdadeira condição de seu coração nestas palavras: “Passados dois anos, Félix foi sucedido por Pórcio Festo; e, visto que desejava ganhar o favor dos judeus, Félix deixou Paulo na prisão.” (Atos 24:27) Félix com certeza não estava realmente interessado no bem-estar de Paulo. Félix sabia que os seguidores do “Caminho” não eram sediciosos nem revolucionários. (Atos 19:23) Ele também sabia que Paulo não tinha violado nenhuma lei romana. Mesmo assim, Félix manteve o apóstolo preso para poder “ganhar o favor dos judeus”.

      21. O que aconteceu com Paulo depois que Pórcio Festo se tornou governador, e o que sem dúvida continuou a fortalecer Paulo?

      21 Conforme mostra o último versículo do capítulo 24 de Atos, Paulo ainda estava preso quando Pórcio Festo sucedeu Félix como governador. Com isso, Paulo foi entregue a essa outra autoridade, e uma série de audiências começou. De fato, esse corajoso apóstolo foi ‘levado diante de reis e governadores’. (Luc. 21:12) Como veremos, ele mais tarde deu testemunho ao governante mais poderoso de seus dias. Durante tudo isso, Paulo nunca vacilou na sua fé. Sem dúvida ele continuou a derivar forças das palavras de Jesus: “Tenha coragem!”

      FÉLIX — PROCURADOR DA JUDEIA

      Por volta de 52 EC, o imperador romano Cláudio designou Antônio Félix, um de seus protegidos, como procurador, ou governador, da Judeia. Félix era um escravo libertado que, assim como seu irmão Palas, havia sido escravo da família do imperador. A designação de um ex-escravo para o cargo de procurador com poderes militares era algo sem precedentes.

      Felix.

      Por causa da influência que seu irmão tinha sobre o imperador, Félix “acreditava que podia cometer todo tipo de barbaridade sem ser punido”, diz o historiador romano Tácito. Como procurador, Félix “praticava toda espécie de crueldade e lascívia, exercendo o poder de rei com todos os instintos dum escravo”. Durante seu mandato como procurador, Félix se casou com Drusila, filha de Herodes Agripa I, depois de a ter seduzido a abandonar o marido. Félix tratou o apóstolo Paulo de forma corrupta e ilegal, achando que poderia receber suborno dele.

      A administração de Félix era tão corrupta e opressiva que em 58 EC o Imperador Nero o destituiu do cargo e mandou que voltasse para Roma. Um grupo de judeus viajou para lá a fim de acusá-lo de corrupção, mas se relata que Palas livrou seu irmão da punição.

      a Veja o quadro “Félix — procurador da Judeia”.

      b Tértulo agradeceu a Félix pela “grande paz” que ele trouxe à nação. No entanto, a verdade era que durante o governo de Félix houve menos paz na Judeia do que em qualquer outra administração até a revolta contra Roma. Também estava longe de ser verdade dizer que os judeus tinham “muita gratidão” pelas reformas que Félix tinha feito. Na realidade, Félix era desprezado pela maioria dos judeus por ter tornado a vida deles opressiva e por usar de brutalidade para acabar com as revoltas do povo. — Atos 24:2, 3.

  • “Apelo para César!”
    ‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
    • CAPÍTULO 25

      “Apelo para César!”

      Paulo estabelece um exemplo de como defender as boas novas

      Baseado em Atos 25:1–26:32

      1, 2. (a) Em que situação Paulo se encontrava? (b) Que pergunta surge quanto à decisão de Paulo de apelar para César?

      PAULO continua sob forte vigilância em Cesareia. Dois anos antes, quando havia retornado à Judeia, os judeus tentaram matá-lo pelo menos três vezes em questão de poucos dias. (Atos 21:27-36; 23:10, 12-15, 27) Até agora seus inimigos não foram bem-sucedidos, mas ainda não desistiram. Ao perceber que pode cair nas mãos deles, Paulo diz ao governador romano Festo: “Apelo para César!” — Atos 25:11.

      2 Será que Jeová apoiou a decisão de Paulo de apelar para o imperador de Roma? A resposta é importante para nós que damos testemunho cabal sobre o Reino de Deus neste tempo do fim. Precisamos saber se Paulo estabeleceu um exemplo para nós no que se refere a “defender e estabelecer legalmente as boas novas”. — Fil. 1:7.

      “Perante o tribunal” (Atos 25:1-12)

      3, 4. (a) O que estava por trás do pedido dos judeus de levar Paulo a Jerusalém, e como ele escapou da morte? (b) Como Jeová sustenta seus servos hoje, assim como fez com Paulo?

      3 Três dias depois de tomar posse como governador da Judeia, Festo foi a Jerusalém.a Lá ele ouviu os principais sacerdotes e os homens de destaque dos judeus acusarem Paulo de ter cometido crimes graves. Eles sabiam que o novo governador estava sendo pressionado a manter a paz com eles e com todos os judeus. Assim, pediram um favor a Festo: trazer Paulo a Jerusalém e julgá-lo ali. Mas havia um plano maligno por trás desse pedido. Os inimigos de Paulo estavam planejando matá-lo na estrada que ia de Cesareia a Jerusalém. Festo recusou o pedido, dizendo: “Desçam comigo [a Cesareia] alguns dos líderes de vocês e o acusem, se é que o homem fez alguma coisa errada.” (Atos 25:5) Desse modo, Paulo escapou mais uma vez da morte.

      4 Durante todas as provações de Paulo, Jeová o sustentou por meio do Senhor Jesus Cristo. Lembre-se de que, em uma visão, Jesus disse a seu apóstolo: “Tenha coragem!” (Atos 23:11) Hoje, os servos de Deus também enfrentam obstáculos e ameaças. Jeová não nos protege de todas as dificuldades, mas nos dá a sabedoria e a força necessárias para perseverar. Sempre podemos contar com “o poder além do normal” que nosso amoroso Deus nos dá. — 2 Cor. 4:7.

      5. Como Festo lidou com Paulo?

      5 Alguns dias mais tarde, Festo “se sentou no tribunal” em Cesareia.b Diante dele estavam Paulo e os acusadores. Em resposta às acusações infundadas de seus inimigos, Paulo rebateu: “Não cometi nenhum pecado contra a Lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César.” O apóstolo era inocente e merecia ser libertado. Qual seria a decisão de Festo? Querendo obter o favor dos judeus, ele perguntou a Paulo: “Você deseja subir a Jerusalém e ser julgado ali, diante de mim, a respeito dessas coisas?” (Atos 25:6-9) Que proposta absurda! Se Paulo fosse enviado de volta a Jerusalém, ele seria julgado por seus acusadores, e sua morte seria certa. Nesse respeito, Festo estava colocando seus interesses políticos acima da verdadeira justiça. Um governador anterior, Pôncio Pilatos, havia agido de forma parecida num caso envolvendo um prisioneiro muito mais importante. (João 19:12-16) Atualmente, alguns juízes talvez também cedam à pressão política. Assim, não devemos ficar surpresos quando tribunais tomam uma decisão contrária às provas em casos envolvendo o povo de Deus.

      6, 7. Por que Paulo apelou para César, e que precedente ele estabeleceu para os cristãos verdadeiros hoje?

      6 O desejo de Festo de agradar os judeus poderia ter colocado a vida de Paulo em perigo. Por isso, Paulo se valeu de um direito que tinha como cidadão romano. Ele disse a Festo: “Estou perante o tribunal de César, onde devo ser julgado. Não fiz nada de errado contra os judeus, como Vossa Excelência está percebendo muito bem. . . . Apelo para César!” Uma vez feito, um apelo como esse geralmente não podia ser revogado. Festo enfatizou isso ao dizer: “Você apelou para César, para César irá.” (Atos 25:10-12) Por apelar a uma autoridade jurídica superior, Paulo estabeleceu um precedente para os cristãos verdadeiros hoje. Quando opositores tentam ‘em nome da lei, tramar a desgraça’, as Testemunhas de Jeová se valem de recursos jurídicos para defender as boas novas.c — Sal. 94:20.

      7 Assim, depois de dois anos na prisão, acusado de crimes que não cometeu, foi concedida a Paulo a oportunidade de apresentar seu caso em Roma. Mas, antes de Paulo partir, outro governante quis vê-lo.

      Pessoas num tribunal reagindo ao ouvirem a sentença. Um irmão, seus advogados e várias Testemunhas de Jeová presentes permanecem sérios. Pessoas que não são Testemunhas de Jeová estão felizes e cumprimentam os advogados que acusaram o irmão.

      Nós apelamos de decisões judiciais desfavoráveis

      “Não desobedeci” (Atos 25:13–26:23)

      8, 9. Por que o Rei Agripa visitou Cesareia?

      8 Alguns dias depois de Paulo ter apelado para César na presença de Festo, o Rei Agripa e sua irmã Berenice fizeram “uma visita de cortesia” ao novo governador.d Nos dias do Império Romano, as autoridades tinham o costume de fazer tais visitas a novos governadores. Ao parabenizar Festo por sua nomeação, Agripa estava sem dúvida tentando fortalecer laços políticos e pessoais que poderiam lhe ser úteis no futuro. — Atos 25:13.

      APELAÇÕES A FAVOR DA ADORAÇÃO VERDADEIRA NOS TEMPOS ATUAIS

      As Testemunhas de Jeová às vezes apelam a supremos tribunais com o objetivo de remover obstáculos à pregação das boas novas do Reino de Deus. Vejamos dois exemplos.

      Em 28 de março de 1938, a Suprema Corte dos Estados Unidos revogou a decisão de um tribunal estadual, inocentando assim um grupo de Testemunhas de Jeová que haviam sido presas por distribuir publicações bíblicas na cidade de Griffin, Geórgia, EUA. Essa foi a primeira de muitas apelações feitas a esse supremo tribunal no que se refere ao direito das Testemunhas de Jeová de pregar as boas novas.g

      Outro caso aconteceu na Grécia, envolvendo uma Testemunha de Jeová chamada Minos Kokkinakis. Num período de 48 anos, ele foi preso mais de 60 vezes, acusado de “proselitismo”. Em 18 ocasiões ele foi levado a julgamento. Ele passou anos na prisão e no exílio em ilhas remotas do mar Egeu. Após sua última condenação, em 1986, o irmão Kokkinakis perdeu as apelações que fez aos tribunais superiores da Grécia. Então recorreu à Corte Europeia dos Direitos Humanos (CEDH). Em 25 de março de 1993, essa Corte declarou que a Grécia havia violado a liberdade de religião do irmão Kokkinakis.

      As Testemunhas de Jeová têm apelado à CEDH em dezenas de casos, sendo vitoriosas na maioria deles. Nenhuma outra organização, religiosa ou não, tem sido tão bem-sucedida em defender os direitos humanos básicos diante da CEDH.

      Será que outros se beneficiam das vitórias jurídicas das Testemunhas de Jeová? O erudito Charles C. Haynes escreveu: “Todos nós temos uma dívida de gratidão às Testemunhas de Jeová. Não importa quantas vezes sejam insultadas, expulsas de uma cidade, ou mesmo sofram agressões físicas, elas continuam a lutar por sua (e, por conseguinte, pela nossa) liberdade de religião. E, quando elas ganham, todos nós ganhamos.”

      g Veja o relato a respeito da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre liberdade de expressão publicado na revista Despertai! de 8 janeiro de 2003, páginas 3-11.

      9 Festo falou a respeito de Paulo ao rei, e Agripa ficou curioso para ouvir o apóstolo. No dia seguinte, os dois governantes se sentaram no tribunal. Mas todo aquele poder e ostentação não eram de modo algum mais impressionantes do que as palavras que o prisioneiro diante deles estava para dizer. — Atos 25:22-27.

      10, 11. Como Paulo mostrou respeito por Agripa, e que detalhes a respeito de seu próprio passado o apóstolo revelou ao rei?

      10 Paulo respeitosamente agradeceu ao Rei Agripa a oportunidade de se defender perante ele, reconhecendo que o rei era perito em todos os costumes bem como nas controvérsias entre os judeus. Paulo passou a descrever sua vida no passado: “Vivi como fariseu, segundo a seita mais rigorosa da nossa religião.” (Atos 26:5) Como fariseu, Paulo esperava pela vinda do Messias. Agora, como cristão, Paulo corajosamente identificava Jesus Cristo como o tão aguardado Messias. Uma crença que ele e seus acusadores tinham em comum, a de que Deus cumpriria a promessa que havia feito aos antepassados deles, era o motivo de Paulo estar sendo julgado naquele dia. Essa questão deixou Agripa ainda mais interessado no que Paulo tinha a dizer.e

      11 Relembrando a época em que tratava os cristãos com crueldade, Paulo disse: “Eu mesmo estava convencido de que devia combater de todas as formas o nome de Jesus, o Nazareno. . . . Como eu estava extremamente furioso com eles [os seguidores de Cristo], cheguei a persegui-los até mesmo em cidades afastadas.” (Atos 26:9-11) Paulo não estava exagerando. Muitas pessoas sabiam do modo violento como ele havia perseguido os cristãos. (Gál. 1:13, 23) Agripa talvez se perguntasse: ‘O que poderia ter levado um homem assim a mudar?’

      12, 13. (a) Como Paulo descreveu sua conversão? (b) Em que sentido Paulo estava ‘resistindo às aguilhadas’?

      12 Essa pergunta foi respondida pelas seguintes palavras de Paulo: “Eu estava viajando para Damasco, com plenos poderes e autoridade concedidos pelos principais sacerdotes. E na estrada, ó rei, ao meio-dia, vi uma luz do céu, mais resplandecente que o sol, brilhar em volta de mim e em volta dos que viajavam comigo. Todos nós caímos no chão, e então ouvi uma voz me dizer em hebraico: ‘Saulo, Saulo, por que você me persegue? Ao resistir às aguilhadas, você só faz mal a si mesmo.’ E eu perguntei: ‘Quem é o senhor?’ E o Senhor respondeu: ‘Eu sou Jesus, a quem você persegue.’”f — Atos 26:12-15.

      13 Antes desse acontecimento sobrenatural, Paulo estava como que ‘resistindo às aguilhadas’. Assim como um animal de carga se machucaria desnecessariamente por ficar chutando a ponta afiada de uma aguilhada, Paulo havia se ferido em sentido espiritual por agir contra a vontade de Deus. Por aparecer a Paulo na estrada para Damasco, o ressuscitado Jesus fez com que esse homem sincero, porém obviamente mal orientado, mudasse seu modo de pensar. — João 16:1, 2.

      14, 15. O que Paulo disse com respeito às mudanças que havia feito em sua vida?

      14 Paulo realmente fez mudanças drásticas em sua vida. Dirigindo-se a Agripa, ele disse: “Não desobedeci à visão celestial, mas, primeiro aos de Damasco, depois aos de Jerusalém e de toda a região da Judeia, e também às nações, levei a mensagem de que deviam se arrepender e se converter a Deus, praticando obras próprias de arrependimento.” (Atos 26:19, 20) Já por muitos anos Paulo estava cumprindo a comissão que Jesus Cristo lhe tinha dado naquela visão ao meio-dia. Com que resultados? Os que aceitavam as boas novas que Paulo pregava se arrependiam de sua conduta imoral e desonesta e passavam a servir a Deus. Essas pessoas se tornavam bons cidadãos, demonstrando respeito pela lei e pela ordem pública.

      15 Mas esses benefícios não significavam nada para os opositores judeus de Paulo. Ele disse: “É por isso que os judeus me agarraram no templo e tentaram me matar. No entanto, visto que Deus tem me ajudado, continuo até hoje a dar testemunho tanto a pequenos como a grandes.” — Atos 26:21, 22.

      16. Como podemos imitar a Paulo ao falar com juízes e governantes sobre as nossas crenças?

      16 Como cristãos verdadeiros, devemos estar “sempre prontos para fazer uma defesa” de nossa fé. (1 Ped. 3:15) Ao falarmos com juízes e governantes sobre as nossas crenças, pode ser de ajuda imitar o modo como Paulo falou com Agripa e Festo. Se respeitosamente falarmos como as verdades bíblicas têm melhorado a vida das pessoas — não só a nossa, mas também a dos que aceitam a nossa mensagem — talvez consigamos tocar o coração dessas altas autoridades.

      “Você me persuadiria a me tornar cristão” (Atos 26:24-32)

      17. Como Festo reagiu à defesa de Paulo, e que atitude similar é vista hoje?

      17 À medida que escutavam o testemunho convincente de Paulo, os dois governantes não conseguiam continuar indiferentes. Veja o que aconteceu: “Enquanto Paulo falava em sua defesa, Festo disse bem alto: ‘Você está ficando louco, Paulo! Seu grande saber o está levando à loucura!’” (Atos 26:24) A forte reação de Festo talvez tenha revelado uma atitude vista também hoje. Muitas pessoas encaram como fanáticos os que ensinam o que a Bíblia realmente diz. Os intelectuais do mundo muitas vezes acham difícil aceitar o ensino bíblico da ressurreição.

      18. Como Paulo respondeu a Festo, e de que maneira Agripa reagiu a essa resposta?

      18 Mas Paulo tinha uma resposta para o governador: “Não estou ficando louco, Excelentíssimo Festo, mas estou dizendo palavras de verdade e de bom senso. Na realidade, o rei a quem estou falando com franqueza conhece muito bem tudo isso. . . . Crê nos Profetas, rei Agripa? Sei que crê.” Agripa respondeu: “Em pouco tempo você me persuadiria a me tornar cristão.” (Atos 26:25-28) Essas palavras, quer tenham sido sinceras, quer não, mostram que o testemunho de Paulo afetou profundamente o rei.

      19. A que conclusão Festo e Agripa chegaram a respeito de Paulo?

      19 Então Agripa e Festo se levantaram, indicando assim que a audiência estava encerrada. “Ao saírem, comentavam entre si: ‘Esse homem não faz nada que mereça a morte ou a prisão.’ Então Agripa disse a Festo: ‘Esse homem poderia ter sido solto se não tivesse apelado para César.’” (Atos 26:31, 32) Eles sabiam que aquele homem que estivera diante deles era inocente. A partir de então, eles talvez passassem a ter um conceito mais positivo sobre os cristãos.

      20. Em que resultou o testemunho que Paulo deu a autoridades?

      20 Nenhum dos dois governantes poderosos mencionados nesse relato parece ter aceitado as boas novas do Reino de Deus. Será que foi proveitoso o apóstolo Paulo comparecer diante desses homens? A resposta é sim. O fato de Paulo ter sido ‘levado diante de reis e governadores’ na Judeia resultou num testemunho a autoridades romanas que de outra forma não teria sido possível. (Luc. 21:12, 13) Além disso, o que ele passou e a fé que demonstrou durante as provações fortaleceu seus irmãos espirituais. — Fil. 1:12-14.

      21. Que resultados positivos podemos ter por perseverarmos na obra do Reino?

      21 O mesmo acontece hoje. Por perseverarmos na obra do Reino, apesar de provações e oposição, podemos ter muitos resultados positivos. Talvez consigamos dar testemunho a autoridades que não conseguiríamos alcançar de outra forma. E a nossa perseverança fiel pode ser uma fonte de encorajamento para nossos irmãos cristãos, motivando-os a demonstrar ainda mais coragem na obra de dar testemunho cabal sobre o Reino de Deus.

      O PROCURADOR ROMANO PÓRCIO FESTO

      Os únicos relatos de testemunhas oculares que temos a respeito de Pórcio Festo estão registrados no livro de Atos e nos escritos de Flávio Josefo. Festo sucedeu Félix como procurador da Judeia por volta de 58 EC e pelo visto morreu no cargo depois de ter governado apenas dois ou três anos.

      Pórcio Festo.

      Em geral, Festo parece ter sido um procurador competente e prudente, em contraste com seu antecessor, Félix, e seu sucessor, Albino. No início do mandato de Festo, havia muitos bandidos na Judeia. De acordo com Josefo, “Festo . . . resolveu punir os que causavam problemas no país. Assim ele capturou a maioria dos assaltantes e executou um grande número deles”. Durante o governo de Festo, os judeus construíram um muro para impedir o Rei Agripa de ver o que acontecia na área do templo. De início, Festo ordenou que os judeus derrubassem o muro. Mas, a pedido deles, Festo mais tarde permitiu que apresentassem o assunto ao imperador romano Nero.

      Festo parece ter sido firme contra os criminosos e rebeldes. Mas, a fim de manter boas relações com os judeus, ele estava disposto a deixar a justiça de lado, pelo menos nos seus tratos com o apóstolo Paulo.

      REI HERODES AGRIPA II

      O Agripa mencionado em Atos capítulo 25 era o Rei Herodes Agripa II, bisneto de Herodes, o Grande, e filho do Herodes que havia perseguido a congregação de Jerusalém 14 anos antes. (Atos 12:1) Agripa foi o último príncipe da dinastia dos Herodes.

      Rei Herodes Agripa II.

      Quando seu pai morreu, em 44 EC, Agripa, então com 17 anos, estava em Roma sendo educado na corte do imperador romano Cláudio. Os conselheiros do imperador consideravam Agripa muito jovem para herdar o domínio de seu pai; por isso, um governador romano foi nomeado. Mesmo assim, de acordo com Flávio Josefo, enquanto Agripa ainda estava em Roma, ele intervinha a favor dos judeus e representava os interesses deles.

      Por volta de 50 EC, Cláudio designou Agripa rei de Cálcis e, em 53 EC, rei da Itureia, de Traconites e de Abilene. Agripa também recebeu a supervisão do templo de Jerusalém e autoridade para designar os sumos sacerdotes judeus. Nero, sucessor de Cláudio, estendeu o domínio de Agripa, que passou a incluir partes da Galileia e da Pereia. Na época em que conheceu Paulo, Agripa estava em Cesareia com sua irmã Berenice, que havia abandonado o marido, rei da Cilícia. — Atos 25:13.

      Em 66 EC, quando os esforços de Agripa para acalmar a rebelião dos judeus contra Roma falharam, ele mesmo se tornou alvo dos rebeldes e foi obrigado a se juntar aos romanos. Depois que os judeus foram derrotados, o novo imperador, Vespasiano, deu a Agripa outros territórios como recompensa.

      a Veja o quadro “O procurador romano Pórcio Festo”.

      b O “tribunal” era uma cadeira colocada sobre uma plataforma. Ficava nessa posição elevada para indicar que as decisões do juiz tinham peso e caráter decisivo. Pilatos se sentou num tribunal quando examinou as acusações contra Jesus.

      c Veja o quadro “Apelações a favor da adoração verdadeira nos tempos atuais”.

      d Veja o quadro “Rei Herodes Agripa II”.

      e Por ser cristão, Paulo aceitava Jesus como o Messias. Os judeus, que rejeitavam Jesus, encaravam Paulo como apóstata. — Atos 21:21, 27, 28.

      f No que se refere às palavras de Paulo de que ele estava viajando “ao meio-dia”, certo erudito bíblico diz: “A menos que estivesse com muita pressa, um viajante costumava descansar durante o calor do meio-dia. Assim vemos como Paulo estava empenhando toda a sua força em cumprir essa missão de perseguição.”

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