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Ele defendeu a adoração puraImite a Sua Fé
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CAPÍTULO DEZ
Ele defendeu a adoração pura
1, 2. (a) O que afligia as pessoas nos dias de Elias? (b) Que oposição Elias enfrentou no monte Carmelo?
ELIAS observava a multidão que subia quase se arrastando pelas encostas do monte Carmelo. Mesmo na fraca luz do amanhecer, era fácil ver como a pobreza e a necessidade afligiam aquelas pessoas. Elas sentiam na pele os efeitos de três anos e meio de seca.
2 No meio delas, andando de maneira arrogante, estavam os 450 profetas de Baal, cheios de orgulho e ardendo de ódio por Elias, profeta de Jeová. A Rainha Jezabel tinha executado muitos servos de Jeová, mas esse homem continuava firme contra a adoração de Baal. Mas por quanto tempo? Talvez aqueles sacerdotes pensassem que um homem sozinho jamais conseguiria vencer todos eles. (1 Reis 18:4, 19, 20) O Rei Acabe os acompanhava em sua carruagem real. Ele também não gostava nem um pouco de Elias.
3, 4. (a) Por que Elias talvez tenha sentido medo à medida que aquele dia importante ia amanhecendo? (b) Que perguntas consideraremos?
3 Aquele profeta solitário tinha diante de si um dia como nenhum outro em sua vida. Enquanto Elias observava, preparava-se o cenário para um dos mais dramáticos confrontos entre o bem e o mal que o mundo já viu. Como ele se sentia à medida que ia amanhecendo? Sendo um “homem com sentimentos iguais aos nossos”, Elias também sentia medo. (Leia Tiago 5:17.) Mas podemos ter certeza de uma coisa: rodeado por aqueles sacerdotes assassinos, pelo povo sem fé e pelo rei apóstata deles, Elias sentiu que estava totalmente sozinho. — 1 Reis 18:22.
4 Mas o que levou Israel a essa crise? E o que esse relato tem a ver com você? Considere o exemplo de fé de Elias e como ele pode ser prático para nós hoje.
Uma longa luta chega ao clímax
5, 6. (a) Em que luta Israel estava envolvido? (b) De que maneiras o Rei Acabe tinha ofendido profundamente a Jeová?
5 Por quase toda a vida, Elias observou a adoração de Jeová, a melhor coisa que sua terra e seu povo tinham, ser deixada de lado e desprezada, sem poder fazer nada a respeito. Veja só: Israel estava envolvido numa longa luta, uma guerra entre a religião verdadeira e a falsa, entre a adoração de Jeová Deus e a idolatria das nações vizinhas. Nos dias de Elias, aquela luta tinha piorado ainda mais.
6 O Rei Acabe tinha ofendido profundamente a Jeová. Ele havia se casado com Jezabel, filha do rei de Sídon. Jezabel estava decidida a espalhar a adoração de Baal pela terra de Israel e a eliminar a adoração de Jeová. Acabe logo cedeu à influência dela. Ele construiu um templo e um altar a Baal e tomou a liderança em se curvar diante desse deus pagão. — 1 Reis 16:30-33.
7. (a) O que tornou a adoração de Baal tão ofensiva? (b) Com respeito ao tempo que durou a seca nos dias de Elias, por que podemos ter certeza de que a Bíblia não se contradiz? (Inclua o quadro.)
7 O que tornou a adoração de Baal tão ofensiva? Ela seduziu Israel, levando muitos a se afastar do Deus verdadeiro. Era também uma religião repugnante e cruel. Envolvia a prostituição de homens e mulheres no templo, orgias sexuais e até mesmo o sacrifício de crianças. Por causa disso, Jeová enviou Elias a Acabe para anunciar uma seca que duraria até que o profeta de Deus decretasse o fim dela. (1 Reis 17:1) Depois de vários anos, Elias compareceu novamente perante Acabe e lhe disse para reunir o povo e os profetas de Baal no monte Carmelo.a
De certo modo, a maioria dos principais aspectos que caracterizavam a adoração de Baal são cada vez mais comuns hoje
8. O que podemos aprender do relato sobre a adoração de Baal?
8 Mas o que essa luta significa para nós hoje? Alguns talvez achem que a história sobre a adoração de Baal não é importante hoje, já que não vemos templos e altares de Baal ao nosso redor. Mas esse relato não é só história antiga. (Rom. 15:4) A palavra “Baal” significa “dono” ou “amo”. Jeová disse a seu povo que eles deveriam escolher a Ele como seu “baal”, ou dono marital. (Isa. 54:5) Não concorda que as pessoas ainda servem a uma variedade de amos em vez de ao Deus Todo-Poderoso? Quer as pessoas usem sua vida para ir atrás de dinheiro, carreira, diversão, prazeres sexuais, quer para ir atrás de qualquer um dos incontáveis deuses que são adorados em vez de Jeová, elas escolhem um amo. (Mat. 6:24; leia Romanos 6:16.) De certo modo, a maioria dos principais aspectos que caracterizavam a adoração de Baal são cada vez mais comuns hoje. Refletir naquela antiga disputa entre Jeová e Baal pode nos ajudar a escolher sabiamente a quem vamos servir.
‘Mancar’ em que sentido?
9. (a) Como a situação em que o monte Carmelo se encontrava fazia dele um local ideal para expor o baalismo? (Veja também a nota.) (b) O que Elias disse ao povo?
9 Do cume do monte Carmelo é possível ter uma vista ampla — desde o vale da torrente do Quisom, abaixo, até o Grande Mar (mar Mediterrâneo) nas proximidades, e até os montes do Líbano, no horizonte do extremo norte.b Mas, à medida que o Sol nascia nesse dia decisivo, a vista era sinistra. A terra anteriormente fértil que Jeová tinha dado aos filhos de Abraão parecia estar morrendo. Agora era uma terra endurecida pelo sol causticante, arruinada por causa da tolice do próprio povo de Deus. Enquanto as pessoas se ajuntavam, Elias se aproximou e disse: “Até quando ficareis mancando em duas opiniões diferentes? Se Jeová é o verdadeiro Deus, ide segui-lo; mas se é Baal, ide segui-lo.” — 1 Reis 18:21.
10. Como as pessoas dos dias de Elias estavam “mancando em duas opiniões diferentes”, e de que verdade básica tinham se esquecido?
10 O que Elias queria dizer com a expressão “mancando em duas opiniões diferentes”? Bem, aquelas pessoas não se davam conta de que precisavam escolher entre a adoração de Jeová e a adoração de Baal. Elas pensavam que podiam fazer as duas coisas — manter a paz com Baal por meio de seus rituais repugnantes e ao mesmo tempo pedir favores a Jeová Deus. Talvez pensassem que Baal abençoaria suas plantações e seus rebanhos, ao passo que “Jeová dos exércitos” os protegeria nas batalhas. (1 Sam. 17:45) Mas tinham se esquecido de uma verdade básica, uma verdade que muitos ainda hoje despercebem: Jeová não divide sua adoração com ninguém. Ele exige e merece devoção exclusiva. Para ele, qualquer adoração que esteja misturada com outra forma de adoração é inaceitável, até mesmo ofensiva! — Leia Êxodo 20:5.
11. Como você acha que as palavras de Elias no monte Carmelo podem nos ajudar a reavaliar nossas prioridades e nossa adoração?
11 Portanto, aqueles israelitas estavam “mancando” como alguém tentando seguir dois caminhos ao mesmo tempo. Hoje muitos cometem um erro parecido, permitindo que outros “baals” se infiltrem aos poucos em sua vida, deixando de lado a adoração a Deus. Acatar o apelo alto e claro de Elias para parar de mancar pode nos ajudar a reavaliar nossas prioridades e nossa adoração.
Um teste decisivo
12, 13. (a) Que teste Elias propôs? (b) Como podemos mostrar que temos tanta confiança em Jeová como Elias tinha?
12 A seguir, Elias propôs um teste bem simples. Os sacerdotes de Baal deviam preparar um altar e colocar ali um sacrifício; depois deviam orar a seu deus para que ele acendesse o fogo. Elias faria o mesmo. Ele disse: “O verdadeiro Deus que responder por fogo é o verdadeiro Deus.” Elias sabia muito bem quem era o verdadeiro Deus. Sua fé era tão forte que ele não hesitou em dar aos seus oponentes toda a vantagem. Ele deixou os profetas de Baal fazer o teste primeiro. Assim, eles escolheram o novilho para o sacrifício e começaram a invocar a Baal.c — 1 Reis 18:24, 25.
13 Não vivemos numa época de milagres. No entanto, Jeová não mudou. Podemos ter tanta confiança nele como Elias tinha. Por exemplo, quando outros não concordam com o que a Bíblia ensina, não precisamos ter medo de deixá-los se expressar primeiro. Como Elias, podemos recorrer ao Deus verdadeiro para resolver o assunto. Fazemos isso, não por confiar em nós mesmos, mas em sua Palavra inspirada, que tem como objetivo “endireitar as coisas”. — 2 Tim. 3:16.
Elias encarava a adoração de Baal como uma fraude ridícula, e queria que o povo de Deus visse isso claramente
14. Como Elias zombou dos profetas de Baal, e por que ele fez isso?
14 Os profetas de Baal começaram a preparar o sacrifício e a invocar seu deus. “Ó Baal, responde-nos!”, clamavam vez após vez. Os minutos e as horas passavam, e eles não desistiam. “Mas não havia voz e não havia quem respondesse”, diz a Bíblia. Ao meio-dia, Elias começou a zombar deles dizendo de modo sarcástico que Baal devia estar muito ocupado para lhes responder, que estava satisfazendo suas necessidades ou tirando uma soneca e precisava que alguém o acordasse. “Clamai ao máximo da vossa voz”, exortou Elias àqueles impostores. Fica claro que ele encarava a adoração de Baal como uma fraude ridícula, e queria que o povo de Deus visse isso claramente. — 1 Reis 18:26, 27.
15. Como o caso envolvendo os sacerdotes de Baal mostra a tolice de escolher qualquer amo que não seja Jeová?
15 Os sacerdotes de Baal ficaram ainda mais exaltados, ‘clamando ao máximo da sua voz e fazendo cortes em si mesmos com punhais e com lanças, segundo o seu costume, até derramarem sangue sobre si’. Mas tudo isso foi em vão! “Não havia voz e não havia quem respondesse, e não se dava atenção.” (1 Reis 18:28, 29) De fato, não havia nenhum Baal. Ele era uma invenção de Satanás para desviar as pessoas de Jeová. A verdade é que escolher qualquer amo que não seja Jeová só traz decepção, até mesmo vergonha. — Leia Salmo 25:3; 115:4-8.
A resposta
16. (a) De que o povo talvez tenha se lembrado ao ver Elias reconstruir o altar a Jeová no monte Carmelo? (b) De que outra maneira Elias mostrou confiança em seu Deus?
16 No fim da tarde, chegou a vez de Elias oferecer um sacrifício. Ele reconstruiu um altar a Jeová, que sem dúvida tinha sido derrubado por inimigos da adoração pura. Usou 12 pedras, talvez fazendo com que muitos da nação de Israel, de dez tribos, se lembrassem que a Lei dada a todas as 12 tribos ainda estava em vigor. Depois colocou o sacrifício e fez com que tudo fosse encharcado com água, provavelmente trazida do mar Mediterrâneo ali perto. Também fez uma vala em volta do altar e a encheu com água. Ele tinha dado muitas vantagens aos profetas de Baal, mas para Jeová ele dificultou as coisas, pois tinha muita confiança em seu Deus. — 1 Reis 18:30-35.
A oração de Elias mostrou que ele ainda se preocupava com seu povo, pois estava ansioso para ver Jeová fazer “o coração deles voltar atrás”
17. Como a oração de Elias mostrou o que era mais importante para ele, e como podemos imitar seu exemplo em nossas orações?
17 Quando tudo estava pronto, Elias fez uma oração simples, mas expressiva, que deixou claro o que era mais importante para ele. Primeiro de tudo, ele queria mostrar que Jeová, não aquele tal de Baal, era “Deus em Israel”. Segundo, queria que todos soubessem que ele era apenas um servo de Jeová; toda glória e todo crédito deviam ser dados a Deus. Por fim, mostrou que ainda se preocupava com seu povo, pois estava ansioso para ver Jeová fazer “o coração deles voltar atrás”. (1 Reis 18:36, 37) Elias ainda os amava, apesar de todo o sofrimento que a infidelidade deles tinha causado. Em nossas orações, será que podemos mostrar similar humildade, interesse no nome de Deus e compaixão por outros que precisam de ajuda?
18, 19. (a) Como Jeová respondeu à oração de Elias? (b) O que Elias ordenou que o povo fizesse, e por que os sacerdotes de Baal não mereciam misericórdia?
18 Antes da oração de Elias, a multidão ali talvez tenha se perguntado se Jeová não passaria de uma mentira, assim como Baal. Mas, depois da oração, não havia mais tempo para dúvidas. O relato diz: “Nisto veio cair fogo da parte de Jeová e passou a consumir a oferta queimada e a lenha, bem como as pedras, e o pó, e lambeu a água que havia no rego.” (1 Reis 18:38) Que resposta espetacular! E qual foi a reação do povo?
“Nisto veio cair fogo da parte de Jeová”
19 Todos clamaram: “Jeová é o verdadeiro Deus! Jeová é o verdadeiro Deus!” (1 Reis 18:39) Finalmente viram a verdade. Mas ainda não haviam mostrado nenhuma fé. Convenhamos, reconhecer que Jeová é o verdadeiro Deus depois de ver fogo descer do céu em resposta a uma oração não é uma demonstração impressionante de fé. Por isso, Elias esperava mais deles. Pediu que fizessem o que deveriam ter feito muitos anos antes — obedecer à Lei de Jeová. A Lei de Deus dizia que falsos profetas e idólatras deviam ser mortos. (Deut. 13:5-9) Esses sacerdotes de Baal eram inimigos declarados de Jeová Deus e agiam deliberadamente contra Seus propósitos. Será que mereciam misericórdia? Pense bem: que misericórdia eles tinham concedido a todas as crianças inocentes que foram queimadas vivas em sacrifício a Baal? (Leia Provérbios 21:13; Jer. 19:5) Esses homens não mereciam nenhuma misericórdia! Assim, Elias ordenou que fossem executados, e foi isso o que aconteceu. — 1 Reis 18:40.
20. Por que as preocupações dos críticos modernos sobre a execução que Elias fez dos sacerdotes de Baal são infundadas?
20 Críticos modernos talvez não concordem com a conclusão desse teste no monte Carmelo. Algumas pessoas talvez receiem que fanáticos religiosos usem isso para justificar atos violentos de intolerância religiosa. E infelizmente existem hoje muitos fanáticos religiosos violentos. Mas Elias não era nenhum fanático. Ele estava agindo a favor de Jeová numa execução justa. Além disso, os cristãos verdadeiros sabem que não podem fazer o que Elias fez, ou seja, pegar uma espada e acabar com as pessoas más. Pelo contrário, eles seguem o modelo para todos os discípulos de Jesus, conforme suas palavras a Pedro: “Devolve a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada perecerão pela espada.” (Mat. 26:52) Jeová usará seu Filho para executar a justiça divina no futuro.
21. Por que o exemplo de Elias é apropriado para os cristãos verdadeiros hoje?
21 A responsabilidade dos cristãos verdadeiros é levar uma vida de fé. (João 3:16) Um modo de fazer isso é por imitar homens fiéis como Elias. Ele adorou exclusivamente a Jeová e incentivou outros a fazer o mesmo. De forma corajosa, expôs como fraude uma religião que Satanás usava para desviar as pessoas de Jeová. Para resolver os assuntos, ele confiou em Jeová e não em suas próprias habilidades ou vontade. Elias defendeu a adoração pura. Que todos nós imitemos a sua fé!
a Veja o quadro “Quanto tempo durou a seca nos dias de Elias?”.
b O monte Carmelo normalmente é viçoso e verde, visto que ventos marítimos carregados de umidade passam pelas suas encostas, com frequência trazendo chuvas e formando bastante orvalho. Uma vez que Baal recebia o crédito pelas chuvas, esse monte evidentemente era um local importante para a sua adoração. Assim, um monte Carmelo improdutivo e seco era um local ideal para expor o baalismo como uma fraude.
c É curioso que Elias tenha lhes dito: ‘Não deveis pôr fogo’ no sacrifício. Alguns eruditos dizem que esses idólatras às vezes usavam altares com uma abertura secreta por baixo para parecer que o fogo tinha sido aceso de modo sobrenatural.
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Ele observou e esperouImite a Sua Fé
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CAPÍTULO ONZE
Ele observou e esperou
1, 2. Que tarefa desagradável Elias tinha diante de si, e em que sentido ele e Acabe eram diferentes?
ELIAS queria muito ficar sozinho com seu Pai celestial. Mas a multidão em volta desse profeta verdadeiro tinha acabado de vê-lo invocar fogo do céu, e muitos sem dúvida queriam ganhar o seu favor. Antes de poder subir ao cume do monte Carmelo e orar a Jeová Deus em particular, Elias tinha diante de si uma tarefa desagradável: falar com o Rei Acabe.
2 Os dois homens eram muito diferentes. Acabe, vestido com trajes reais, era um apóstata ganancioso e sem força moral. Elias usava a vestimenta oficial de um profeta — um manto simples e rústico, provavelmente de pele de animais, ou de pelo de camelo ou de cabra. Ele era um homem de muita coragem, integridade e fé. Muita coisa sobre o caráter desses dois homens tinha sido revelada nesse dia que estava para terminar.
3, 4. (a) Por que o dia havia sido ruim para Acabe e outros adoradores de Baal? (b) Que perguntas consideraremos?
3 Havia sido um dia ruim para Acabe e outros adoradores de Baal. A religião pagã que Acabe e sua esposa, a Rainha Jezabel, promoviam no reino de Israel, de dez tribos, tinha sofrido um terrível golpe. Baal havia sido exposto como uma fraude. Aquele deus sem vida não tinha conseguido acender um simples fogo, apesar do ritual de seus profetas de cortar a si mesmos, bem como de suas danças e de seus apelos desesperados. Baal tinha fracassado em proteger aqueles 450 homens de sua merecida execução. Mas esse deus falso havia fracassado em algo mais, e esse fracasso logo seria total. Por mais de três anos, os profetas de Baal tinham implorado ao seu deus que acabasse com a seca que afligia o país, mas ele não conseguiu fazer isso. Pouco depois, o próprio Jeová mostraria sua superioridade por acabar com a seca. — 1 Reis 16:30–17:1; 18:1-40.
4 Mas quando Jeová agiria? Como Elias se comportaria até que isso acontecesse? E o que podemos aprender desse homem de fé? Vejamos isso examinando o relato. — Leia 1 Reis 18:41-46.
Um homem de oração
5. O que Elias disse para Acabe fazer, e será que Acabe aprendeu alguma lição do que havia acontecido naquele dia?
5 Elias se aproximou de Acabe e disse: “Sobe, come e bebe; pois há o ruído da turbulência dum aguaceiro.” Será que esse rei perverso aprendeu alguma lição do que havia acontecido naquele dia? O relato não diz de maneira específica, mas não vemos nenhuma palavra de arrependimento, nenhum pedido para que o profeta o ajudasse a se aproximar de Jeová e pedir perdão. Não, Acabe simplesmente “passou a subir para comer e beber”. (1 Reis 18:41, 42) Que dizer de Elias?
6, 7. O que Elias pediu em oração, e por quê?
6 “Quanto a Elias, subiu ao cume do Carmelo e começou a agachar-se no chão e a manter a face entre os joelhos.” Enquanto Acabe foi encher o estômago, Elias teve a oportunidade de orar ao seu Pai celestial. Note a postura humilde mencionada aqui — Elias, no chão, com a cabeça tão abaixada que seu rosto chegava perto dos joelhos. O que ele estava pedindo? Não precisamos adivinhar. Em Tiago 5:18, a Bíblia diz que Elias orou pelo fim da seca. Provavelmente, ele fez essa oração no cume do monte Carmelo.
As orações de Elias refletiam seu desejo sincero de ver a vontade de Deus ser realizada
7 Antes disso, Jeová tinha dito: “Estou decidido a dar chuva sobre a superfície do solo.” (1 Reis 18:1) Portanto, Elias orou para que se realizasse a vontade de Jeová, assim como Jesus ensinou seus seguidores a fazer uns mil anos mais tarde. — Mat. 6:9, 10.
8. O que o exemplo de Elias nos ensina sobre a oração?
8 O exemplo de Elias nos ensina muito sobre a oração. Para ele, o mais importante era a realização da vontade de Deus. Quando oramos, é bom nos lembrar do seguinte: “Não importa o que peçamos segundo a sua vontade [de Deus], ele nos ouve.” (1 João 5:14) Fica claro então que, para nossas orações serem aceitas, precisamos saber qual é a vontade de Deus — um bom motivo para fazer do estudo da Bíblia parte da nossa vida diária. Com certeza, Elias também queria ver o fim da seca por causa de todo o sofrimento que as pessoas de seu país estavam passando. É provável que ele se sentisse muito grato depois de ter visto o milagre que Jeová realizou naquele dia. Da mesma forma, queremos que nossas orações reflitam gratidão sincera e preocupação pelo bem-estar de outros. — Leia 2 Coríntios 1:11; Filipenses 4:6.
Confiante e vigilante
9. O que Elias pediu ao seu ajudante, e que duas qualidades consideraremos?
9 Elias tinha certeza de que Jeová acabaria com a seca, mas não sabia quando ele faria isso. Assim, o que o profeta fez nesse meio-tempo? Note o que o relato diz: “Ele disse ao seu ajudante: ‘Por favor, sobe. Olha na direção do mar.’ Ele subiu, pois, e olhou, e então disse: ‘Não há absolutamente nada.’ E ele prosseguiu, dizendo: ‘Volta’, por sete vezes.” (1 Reis 18:43) O exemplo de Elias nos ensina pelo menos duas lições. Primeiro, veja a confiança desse profeta. Depois, considere a sua vigilância.
Elias ansiosamente procurou evidências de que Jeová estava prestes a agir
10, 11. (a) Como Elias mostrou confiança na promessa de Jeová? (b) Por que podemos ter confiança similar à de Elias?
10 Visto que Elias tinha confiança na promessa de Jeová, ele ansiosamente procurou evidências de que Jeová estava prestes a agir. Ele enviou seu ajudante a um ponto alto para verificar no horizonte se havia qualquer sinal de chuva. Ao voltar, o ajudante trouxe esta notícia nem um pouco animadora: “Não há absolutamente nada.” O horizonte estava claro, e o céu, pelo visto, sem nuvens. Mas você notou algo estranho? Lembre-se que Elias tinha acabado de dizer ao Rei Acabe: “Há o ruído da turbulência dum aguaceiro.” Como o profeta podia dizer isso se não havia nenhuma nuvem?
11 Elias conhecia a promessa de Jeová. Como seu profeta e representante, ele tinha certeza de que seu Deus cumpriria Sua palavra. Elias tinha tanta confiança que era como se já estivesse ouvindo o aguaceiro. Talvez nos lembremos da descrição que a Bíblia faz de Moisés: “[Ele] permanecia constante como que vendo Aquele que é invisível.” Será que Deus é tão real assim para você? Ele fornece muitos motivos para termos esse tipo de fé nele e em suas promessas. — Heb. 11:1, 27.
12. Como Elias mostrou que era vigilante, e como reagiu ao saber que havia surgido uma pequena nuvem?
12 A seguir, veja como Elias era vigilante. Ele mandou seu ajudante voltar não uma nem duas vezes, mas sete vezes! Podemos imaginar o ajudante ficando cansado de realizar essa tarefa repetitiva, mas Elias continuou ansioso por um sinal e não desistiu. Finalmente, depois da sétima vez que voltou, o ajudante disse: “Eis que sobe do mar uma nuvem pequena, como a palma da mão dum homem.” Consegue visualizar o ajudante com o braço estendido e usando a palma da mão para medir o tamanho de uma pequena nuvem subindo no horizonte do Grande Mar? Talvez ele não tenha ficado muito impressionado. Mas para Elias aquela nuvem significava muito. Então ele deu uma tarefa urgente ao ajudante: “Sobe, dize a Acabe: ‘Atrela! E desce para que o aguaceiro não te detenha!’” — 1 Reis 18:44.
13, 14. (a) Como podemos imitar a vigilância de Elias? (b) Que razões temos para agir com urgência?
13 Mais uma vez Elias deixou um excelente exemplo para nós. Também vivemos numa época em que Deus em breve agirá para cumprir o seu propósito. Elias esperava o fim de uma seca; os servos de Deus hoje esperam o fim de um corrupto sistema mundial. (1 João 2:17) Até Jeová Deus agir, devemos nos manter sempre vigilantes, como Elias. O próprio Filho de Deus, Jesus, aconselhou seus seguidores: “Portanto, mantende-vos vigilantes, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.” (Mat. 24:42) Será que Jesus queria dizer que seus seguidores não teriam a mínima ideia de quando viria o fim? Não, pois ele falou extensivamente sobre como o mundo seria quando o fim estivesse próximo. Todos nós podemos observar o cumprimento desse sinal detalhado da “terminação do sistema de coisas”. — Leia Mateus 24:3-7.
Uma pequena nuvem foi suficiente para convencer Elias de que Jeová estava prestes a agir. O sinal dos últimos dias nos dá motivos convincentes para agir com urgência
14 Cada aspecto desse sinal fornece provas fortes e convincentes. Será que essas provas são suficientes para nos motivar a agir com urgência em nosso serviço a Jeová? Uma pequena nuvem subindo no horizonte foi suficiente para convencer Elias de que Jeová estava prestes a agir. Será que o fiel profeta ficou decepcionado?
Jeová traz alívio e bênçãos
15, 16. Que coisas aconteceram rapidamente, e o que Elias talvez tenha se perguntado sobre Acabe?
15 O relato continua dizendo: “No ínterim sucedeu que os próprios céus se enegreceram com nuvens e vento, e começou a haver um grande aguaceiro. E Acabe seguiu no carro e foi para Jezreel.” (1 Reis 18:45) As coisas começaram a acontecer muito rápido. Enquanto o ajudante de Elias estava transmitindo a mensagem do profeta a Acabe, aquela pequena nuvem se tornou muitas, deixando o céu coberto e escuro. Soprou um vento forte. Finalmente, depois de três anos e meio, caiu chuva no solo de Israel. O solo seco absorvia toda a água. À medida que a chuva se tornava um aguaceiro, o rio Quisom foi enchendo, sem dúvida levando embora o sangue dos profetas de Baal que tinham sido executados. Deu-se também aos israelitas desobedientes uma oportunidade de se livrar da terrível mancha da adoração de Baal no país.
“Começou a haver um grande aguaceiro”
16 Com certeza, Elias esperava que isso acontecesse! Talvez ele se perguntasse como Acabe reagiria àqueles acontecimentos dramáticos. Será que Acabe se arrependeria e se desviaria da poluída adoração de Baal? Os acontecimentos do dia tinham fornecido razões convincentes para se fazer essas mudanças. É claro que não temos como saber o que Acabe estava pensando naquele momento. O relato diz simplesmente que o rei “seguiu no carro e foi para Jezreel”. Será que ele aprendeu alguma lição? Estava decidido a mudar seu modo de agir? O que aconteceu mais tarde indica que não. Mas o dia ainda não tinha terminado para Acabe — nem para Elias.
17, 18. (a) O que aconteceu com Elias na estrada para Jezreel? (b) Por que foi notável Elias correr do Carmelo até Jezreel? (Veja também a nota.)
17 O profeta de Jeová começou a viajar pela mesma estrada que Acabe. Sua viagem seria longa, no escuro e debaixo de chuva. Mas algo incomum aconteceu a seguir.
18 “A própria mão de Jeová mostrou estar sobre Elias, de modo que ele cingiu seus quadris e foi correr adiante de Acabe até Jezreel.” (1 Reis 18:46) É óbvio que “a própria mão de Jeová” estava agindo sobre Elias de maneira sobrenatural. Jezreel ficava a 30 quilômetros de distância, e Elias não era mais jovem.a Visualize o profeta pegando suas vestes compridas, prendendo-as nos quadris para ter liberdade de movimento nas pernas e correndo por aquela estrada encharcada — tão rápido que chega a alcançar, ultrapassar e ir mais depressa que a carruagem real!
19. (a) A vitalidade e a resistência que Deus deu a Elias talvez nos lembrem de que profecias? (b) Enquanto corria até Jezreel, o que Elias com certeza sabia?
19 Que bênção isso deve ter sido para Elias! Sentir essa força, vitalidade e resistência — talvez até mais do que quando era jovem — deve ter sido uma experiência empolgante. Talvez nos lembremos das profecias que garantem aos fiéis saúde perfeita e vigor no futuro Paraíso terrestre. (Leia Isaías 35:6; Luc. 23:43) Enquanto corria por aquela estrada molhada, Elias com certeza sabia que tinha a aprovação de seu Pai, o único Deus verdadeiro, Jeová!
20. Como podemos obter as bênçãos de Jeová?
20 Jeová deseja muito nos abençoar. Procuremos obter suas bênçãos; vale a pena qualquer esforço para alcançá-las. Como Elias, precisamos ser vigilantes, avaliando com cuidado as evidências convincentes que mostram que Jeová logo agirá nestes tempos perigosos e urgentes. E, assim como Elias, temos todos os motivos para confiar plenamente nas promessas de Jeová, o “Deus da verdade”. — Sal. 31:5.
a Pouco depois disso, Jeová designaria Elias para treinar Eliseu, que ficaria conhecido como aquele “que despejava água sobre as mãos de Elias”. (2 Reis 3:11) Eliseu serviu como ajudante de Elias, evidentemente dando ajuda prática a esse homem mais velho.
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