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    Imite a Sua Fé
    • O profeta Elias

      CAPÍTULO ONZE

      Ele observou e esperou

      1, 2. Que tarefa desagradável Elias tinha diante de si, e em que sentido ele e Acabe eram diferentes?

      ELIAS queria muito ficar sozinho com seu Pai celestial. Mas a multidão em volta desse profeta verdadeiro tinha acabado de vê-lo invocar fogo do céu, e muitos sem dúvida queriam ganhar o seu favor. Antes de poder subir ao cume do monte Carmelo e orar a Jeová Deus em particular, Elias tinha diante de si uma tarefa desagradável: falar com o Rei Acabe.

      2 Os dois homens eram muito diferentes. Acabe, vestido com trajes reais, era um apóstata ganancioso e sem força moral. Elias usava a vestimenta oficial de um profeta — um manto simples e rústico, provavelmente de pele de animais, ou de pelo de camelo ou de cabra. Ele era um homem de muita coragem, integridade e fé. Muita coisa sobre o caráter desses dois homens tinha sido revelada nesse dia que estava para terminar.

      3, 4. (a) Por que o dia havia sido ruim para Acabe e outros adoradores de Baal? (b) Que perguntas consideraremos?

      3 Havia sido um dia ruim para Acabe e outros adoradores de Baal. A religião pagã que Acabe e sua esposa, a Rainha Jezabel, promoviam no reino de Israel, de dez tribos, tinha sofrido um terrível golpe. Baal havia sido exposto como uma fraude. Aquele deus sem vida não tinha conseguido acender um simples fogo, apesar do ritual de seus profetas de cortar a si mesmos, bem como de suas danças e de seus apelos desesperados. Baal tinha fracassado em proteger aqueles 450 homens de sua merecida execução. Mas esse deus falso havia fracassado em algo mais, e esse fracasso logo seria total. Por mais de três anos, os profetas de Baal tinham implorado ao seu deus que acabasse com a seca que afligia o país, mas ele não conseguiu fazer isso. Pouco depois, o próprio Jeová mostraria sua superioridade por acabar com a seca. — 1 Reis 16:30–17:1; 18:1-40.

      4 Mas quando Jeová agiria? Como Elias se comportaria até que isso acontecesse? E o que podemos aprender desse homem de fé? Vejamos isso examinando o relato. — Leia 1 Reis 18:41-46.

      Um homem de oração

      5. O que Elias disse para Acabe fazer, e será que Acabe aprendeu alguma lição do que havia acontecido naquele dia?

      5 Elias se aproximou de Acabe e disse: “Sobe, come e bebe; pois há o ruído da turbulência dum aguaceiro.” Será que esse rei perverso aprendeu alguma lição do que havia acontecido naquele dia? O relato não diz de maneira específica, mas não vemos nenhuma palavra de arrependimento, nenhum pedido para que o profeta o ajudasse a se aproximar de Jeová e pedir perdão. Não, Acabe simplesmente “passou a subir para comer e beber”. (1 Reis 18:41, 42) Que dizer de Elias?

      6, 7. O que Elias pediu em oração, e por quê?

      6 “Quanto a Elias, subiu ao cume do Carmelo e começou a agachar-se no chão e a manter a face entre os joelhos.” Enquanto Acabe foi encher o estômago, Elias teve a oportunidade de orar ao seu Pai celestial. Note a postura humilde mencionada aqui — Elias, no chão, com a cabeça tão abaixada que seu rosto chegava perto dos joelhos. O que ele estava pedindo? Não precisamos adivinhar. Em Tiago 5:18, a Bíblia diz que Elias orou pelo fim da seca. Provavelmente, ele fez essa oração no cume do monte Carmelo.

      Elias orando de joelhos com o corpo curvado em direção ao chão

      As orações de Elias refletiam seu desejo sincero de ver a vontade de Deus ser realizada

      7 Antes disso, Jeová tinha dito: “Estou decidido a dar chuva sobre a superfície do solo.” (1 Reis 18:1) Portanto, Elias orou para que se realizasse a vontade de Jeová, assim como Jesus ensinou seus seguidores a fazer uns mil anos mais tarde. — Mat. 6:9, 10.

      8. O que o exemplo de Elias nos ensina sobre a oração?

      8 O exemplo de Elias nos ensina muito sobre a oração. Para ele, o mais importante era a realização da vontade de Deus. Quando oramos, é bom nos lembrar do seguinte: “Não importa o que peçamos segundo a sua vontade [de Deus], ele nos ouve.” (1 João 5:14) Fica claro então que, para nossas orações serem aceitas, precisamos saber qual é a vontade de Deus — um bom motivo para fazer do estudo da Bíblia parte da nossa vida diária. Com certeza, Elias também queria ver o fim da seca por causa de todo o sofrimento que as pessoas de seu país estavam passando. É provável que ele se sentisse muito grato depois de ter visto o milagre que Jeová realizou naquele dia. Da mesma forma, queremos que nossas orações reflitam gratidão sincera e preocupação pelo bem-estar de outros. — Leia 2 Coríntios 1:11; Filipenses 4:6.

      Confiante e vigilante

      9. O que Elias pediu ao seu ajudante, e que duas qualidades consideraremos?

      9 Elias tinha certeza de que Jeová acabaria com a seca, mas não sabia quando ele faria isso. Assim, o que o profeta fez nesse meio-tempo? Note o que o relato diz: “Ele disse ao seu ajudante: ‘Por favor, sobe. Olha na direção do mar.’ Ele subiu, pois, e olhou, e então disse: ‘Não há absolutamente nada.’ E ele prosseguiu, dizendo: ‘Volta’, por sete vezes.” (1 Reis 18:43) O exemplo de Elias nos ensina pelo menos duas lições. Primeiro, veja a confiança desse profeta. Depois, considere a sua vigilância.

      Elias ansiosamente procurou evidências de que Jeová estava prestes a agir

      10, 11. (a) Como Elias mostrou confiança na promessa de Jeová? (b) Por que podemos ter confiança similar à de Elias?

      10 Visto que Elias tinha confiança na promessa de Jeová, ele ansiosamente procurou evidências de que Jeová estava prestes a agir. Ele enviou seu ajudante a um ponto alto para verificar no horizonte se havia qualquer sinal de chuva. Ao voltar, o ajudante trouxe esta notícia nem um pouco animadora: “Não há absolutamente nada.” O horizonte estava claro, e o céu, pelo visto, sem nuvens. Mas você notou algo estranho? Lembre-se que Elias tinha acabado de dizer ao Rei Acabe: “Há o ruído da turbulência dum aguaceiro.” Como o profeta podia dizer isso se não havia nenhuma nuvem?

      11 Elias conhecia a promessa de Jeová. Como seu profeta e representante, ele tinha certeza de que seu Deus cumpriria Sua palavra. Elias tinha tanta confiança que era como se já estivesse ouvindo o aguaceiro. Talvez nos lembremos da descrição que a Bíblia faz de Moisés: “[Ele] permanecia constante como que vendo Aquele que é invisível.” Será que Deus é tão real assim para você? Ele fornece muitos motivos para termos esse tipo de fé nele e em suas promessas. — Heb. 11:1, 27.

      12. Como Elias mostrou que era vigilante, e como reagiu ao saber que havia surgido uma pequena nuvem?

      12 A seguir, veja como Elias era vigilante. Ele mandou seu ajudante voltar não uma nem duas vezes, mas sete vezes! Podemos imaginar o ajudante ficando cansado de realizar essa tarefa repetitiva, mas Elias continuou ansioso por um sinal e não desistiu. Finalmente, depois da sétima vez que voltou, o ajudante disse: “Eis que sobe do mar uma nuvem pequena, como a palma da mão dum homem.” Consegue visualizar o ajudante com o braço estendido e usando a palma da mão para medir o tamanho de uma pequena nuvem subindo no horizonte do Grande Mar? Talvez ele não tenha ficado muito impressionado. Mas para Elias aquela nuvem significava muito. Então ele deu uma tarefa urgente ao ajudante: “Sobe, dize a Acabe: ‘Atrela! E desce para que o aguaceiro não te detenha!’” — 1 Reis 18:44.

      13, 14. (a) Como podemos imitar a vigilância de Elias? (b) Que razões temos para agir com urgência?

      13 Mais uma vez Elias deixou um excelente exemplo para nós. Também vivemos numa época em que Deus em breve agirá para cumprir o seu propósito. Elias esperava o fim de uma seca; os servos de Deus hoje esperam o fim de um corrupto sistema mundial. (1 João 2:17) Até Jeová Deus agir, devemos nos manter sempre vigilantes, como Elias. O próprio Filho de Deus, Jesus, aconselhou seus seguidores: “Portanto, mantende-vos vigilantes, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.” (Mat. 24:42) Será que Jesus queria dizer que seus seguidores não teriam a mínima ideia de quando viria o fim? Não, pois ele falou extensivamente sobre como o mundo seria quando o fim estivesse próximo. Todos nós podemos observar o cumprimento desse sinal detalhado da “terminação do sistema de coisas”. — Leia Mateus 24:3-7.

      Uma pequena nuvem foi suficiente para convencer Elias de que Jeová estava prestes a agir. O sinal dos últimos dias nos dá motivos convincentes para agir com urgência

      14 Cada aspecto desse sinal fornece provas fortes e convincentes. Será que essas provas são suficientes para nos motivar a agir com urgência em nosso serviço a Jeová? Uma pequena nuvem subindo no horizonte foi suficiente para convencer Elias de que Jeová estava prestes a agir. Será que o fiel profeta ficou decepcionado?

      Jeová traz alívio e bênçãos

      15, 16. Que coisas aconteceram rapidamente, e o que Elias talvez tenha se perguntado sobre Acabe?

      15 O relato continua dizendo: “No ínterim sucedeu que os próprios céus se enegreceram com nuvens e vento, e começou a haver um grande aguaceiro. E Acabe seguiu no carro e foi para Jezreel.” (1 Reis 18:45) As coisas começaram a acontecer muito rápido. Enquanto o ajudante de Elias estava transmitindo a mensagem do profeta a Acabe, aquela pequena nuvem se tornou muitas, deixando o céu coberto e escuro. Soprou um vento forte. Finalmente, depois de três anos e meio, caiu chuva no solo de Israel. O solo seco absorvia toda a água. À medida que a chuva se tornava um aguaceiro, o rio Quisom foi enchendo, sem dúvida levando embora o sangue dos profetas de Baal que tinham sido executados. Deu-se também aos israelitas desobedientes uma oportunidade de se livrar da terrível mancha da adoração de Baal no país.

      O profeta Elias e outros israelitas se alegram com a chuva forte

      “Começou a haver um grande aguaceiro”

      16 Com certeza, Elias esperava que isso acontecesse! Talvez ele se perguntasse como Acabe reagiria àqueles acontecimentos dramáticos. Será que Acabe se arrependeria e se desviaria da poluída adoração de Baal? Os acontecimentos do dia tinham fornecido razões convincentes para se fazer essas mudanças. É claro que não temos como saber o que Acabe estava pensando naquele momento. O relato diz simplesmente que o rei “seguiu no carro e foi para Jezreel”. Será que ele aprendeu alguma lição? Estava decidido a mudar seu modo de agir? O que aconteceu mais tarde indica que não. Mas o dia ainda não tinha terminado para Acabe — nem para Elias.

      17, 18. (a) O que aconteceu com Elias na estrada para Jezreel? (b) Por que foi notável Elias correr do Carmelo até Jezreel? (Veja também a nota.)

      17 O profeta de Jeová começou a viajar pela mesma estrada que Acabe. Sua viagem seria longa, no escuro e debaixo de chuva. Mas algo incomum aconteceu a seguir.

      18 “A própria mão de Jeová mostrou estar sobre Elias, de modo que ele cingiu seus quadris e foi correr adiante de Acabe até Jezreel.” (1 Reis 18:46) É óbvio que “a própria mão de Jeová” estava agindo sobre Elias de maneira sobrenatural. Jezreel ficava a 30 quilômetros de distância, e Elias não era mais jovem.a Visualize o profeta pegando suas vestes compridas, prendendo-as nos quadris para ter liberdade de movimento nas pernas e correndo por aquela estrada encharcada — tão rápido que chega a alcançar, ultrapassar e ir mais depressa que a carruagem real!

      19. (a) A vitalidade e a resistência que Deus deu a Elias talvez nos lembrem de que profecias? (b) Enquanto corria até Jezreel, o que Elias com certeza sabia?

      19 Que bênção isso deve ter sido para Elias! Sentir essa força, vitalidade e resistência — talvez até mais do que quando era jovem — deve ter sido uma experiência empolgante. Talvez nos lembremos das profecias que garantem aos fiéis saúde perfeita e vigor no futuro Paraíso terrestre. (Leia Isaías 35:6; Luc. 23:43) Enquanto corria por aquela estrada molhada, Elias com certeza sabia que tinha a aprovação de seu Pai, o único Deus verdadeiro, Jeová!

      20. Como podemos obter as bênçãos de Jeová?

      20 Jeová deseja muito nos abençoar. Procuremos obter suas bênçãos; vale a pena qualquer esforço para alcançá-las. Como Elias, precisamos ser vigilantes, avaliando com cuidado as evidências convincentes que mostram que Jeová logo agirá nestes tempos perigosos e urgentes. E, assim como Elias, temos todos os motivos para confiar plenamente nas promessas de Jeová, o “Deus da verdade”. — Sal. 31:5.

      a Pouco depois disso, Jeová designaria Elias para treinar Eliseu, que ficaria conhecido como aquele “que despejava água sobre as mãos de Elias”. (2 Reis 3:11) Eliseu serviu como ajudante de Elias, evidentemente dando ajuda prática a esse homem mais velho.

  • Ele foi consolado pelo seu Deus
    Imite a Sua Fé
    • O profeta Elias

      CAPÍTULO DOZE

      Ele foi consolado pelo seu Deus

      1, 2. O que aconteceu no dia mais emocionante da vida de Elias?

      ELIAS estava correndo na chuva enquanto a noite caía. Ele tinha um longo caminho a percorrer até Jezreel, e não era mais jovem. Mesmo assim, correu sem parar, porque “a própria mão de Jeová” estava sobre ele. A energia que fluía pelo seu corpo sem dúvida era diferente de tudo o que já tinha sentido na vida. Afinal, ele havia acabado de ultrapassar os cavalos que puxavam a carruagem do Rei Acabe. — Leia 1 Reis 18:46.

      2 Agora era só ele e a estrada à sua frente. Imagine Elias correndo, com aquela chuva forte batendo em seu rosto, pensando naquele que tinha sido o dia mais emocionante da sua vida. Sem dúvida, foi uma vitória gloriosa para Jeová, o Deus de Elias, e para a adoração verdadeira. O imponente monte Carmelo tinha ficado bem para trás, perdido na escuridão da tempestade. Foi nesse monte que Jeová usou Elias para desferir um poderoso e milagroso golpe contra a adoração de Baal. Centenas de profetas de Baal foram expostos como impostores perversos e merecidamente executados. Depois, Elias orou a Jeová pedindo o fim da seca que afligia a região por três anos e meio. E as chuvas caíram! — 1 Reis 18:18-45.

      3, 4. (a) Por que Elias talvez tivesse grandes expectativas enquanto ia a Jezreel? (b) Que perguntas consideraremos?

      3 Enquanto corria aqueles 30 quilômetros até Jezreel, Elias talvez tivesse grandes expectativas. Parecia que finalmente havia chegado uma hora decisiva. Acabe teria de mudar! Depois do que esse rei viu, com certeza ele não teria outra opção senão abandonar a adoração de Baal, controlar sua esposa, a Rainha Jezabel, e acabar com a perseguição contra os servos de Jeová.

      Elias corre na chuva e ultrapassa a carruagem do Rei Acabe

      “Elias . . . foi correr adiante de Acabe até Jezreel”

      4 Quando as coisas vão bem para nós, é natural ficarmos confiantes quanto ao futuro. Talvez pensemos que tudo vai continuar melhorando e que até os nossos piores problemas finalmente ficarão para trás. E não seria de admirar se Elias pensasse dessa maneira, afinal ele era um homem “com sentimentos iguais aos nossos”. (Tia. 5:17) Mas, na verdade, os problemas de Elias estavam longe de acabar. De fato, em questão de horas ele ficaria com tanto medo, tão desanimado, que desejaria morrer. Por quê? E como Jeová ajudou esse profeta a recuperar sua fé e coragem? Vejamos.

      Uma virada nos acontecimentos

      5. Será que Acabe aprendeu a ter mais respeito por Jeová depois dos acontecimentos no monte Carmelo, e como sabemos disso?

      5 Quando Acabe chegou ao seu palácio em Jezreel, será que ele mostrou que havia mudado? O relato diz: “Acabe contou então a Jezabel tudo o que Elias tinha feito e tudo sobre como tinha matado todos os profetas à espada.” (1 Reis 19:1) Note que Acabe nem sequer mencionou o Deus de Elias, Jeová. Por ser um homem de mentalidade carnal, ele descreveu aqueles acontecimentos milagrosos em termos estritamente humanos: “O que Elias tinha feito.” Fica claro que ele não tinha aprendido a respeitar a Jeová Deus. E como sua esposa vingativa reagiu?

      6. Que mensagem Jezabel enviou a Elias, e qual era o seu significado?

      6 Jezabel ficou tão furiosa que enviou a seguinte mensagem a Elias: “Assim façam os deuses e assim lhe acrescentem mais, se nesta hora, amanhã, eu não fizer a tua alma igual à alma de cada um deles!” (1 Reis 19:2) Isso era uma terrível ameaça de morte. Na verdade, Jezabel estava jurando que ela mesma deveria morrer se não matasse Elias no dia seguinte para vingar os profetas de Baal. Imagine a cena naquela noite de tempestade: Elias é acordado de repente em algum alojamento em Jezreel e ouve as palavras aterrorizantes trazidas pelo mensageiro da rainha. Como ele se sentiu?

      Vencido pelo medo e pela falta de coragem

      7. Como Elias se sentiu diante da ameaça feita por Jezabel, e o que ele fez?

      7 Se Elias achava que a guerra contra a adoração de Baal estava para acabar, suas esperanças foram por água abaixo naquele momento. Jezabel estava irredutível. Muitos outros profetas fiéis, amigos de Elias, já tinham sido executados às ordens dela, e agora parecia que ele seria o próximo. Como Elias se sentiu diante da ameaça feita por Jezabel? A Bíblia nos diz: “Ele ficou com medo.” Será que Elias visualizou a morte terrível que Jezabel planejava para ele? Se ele ficou pensando nisso, não é de admirar que tenha sentido medo. Seja como for, Elias ‘foi embora pela sua alma’ — ele fugiu para salvar a vida. — 1 Reis 18:4; 19:3.

      Se queremos continuar corajosos, não podemos ficar pensando nos perigos que nos amedrontam

      8. (a) Como o problema de Pedro era similar ao de Elias? (b) Que lição podemos aprender do que aconteceu com Elias e Pedro?

      8 Elias não foi o único homem de fé a ser vencido pelo medo. Muito tempo depois, o apóstolo Pedro teve um problema similar. Quando Jesus fez com que Pedro andasse com ele sobre as águas, o apóstolo começou a ‘olhar para a ventania’. Então ficou com medo e começou a afundar. (Leia Mateus 14:30.) Assim, o que aconteceu com Elias e Pedro nos ensina uma lição valiosa. Se queremos continuar corajosos, não podemos ficar pensando nos perigos que nos amedrontam. Precisamos nos concentrar na Fonte de nossa esperança e força.

      “Basta!”

      9. Descreva a viagem de Elias e como ele talvez estivesse se sentindo.

      9 O medo fez com que Elias fugisse para o sudoeste. Ele andou uns 150 quilômetros até Berseba, uma cidade perto da fronteira sul de Judá. Deixou seu ajudante ali e entrou no deserto sozinho. O registro diz que ele percorreu o “caminho de um dia”, por isso podemos imaginar Elias saindo ao nascer do sol, pelo visto sem levar nenhuma provisão. Abatido e impelido pelo medo, Elias seguiu caminho, enfrentando o calor causticante daquela região árida e inóspita. À medida que o Sol, em tom avermelhado, mergulhava no horizonte, as forças de Elias se esgotavam. Exausto, ele se sentou à sombra de um arbusto — o que havia de mais parecido a um abrigo naquela terra estéril. — 1 Reis 19:4.

      10, 11. (a) Qual o significado da oração que Elias fez a Jeová? (b) Usando os textos citados, descreva os sentimentos de outros servos fiéis de Deus que ficaram abatidos.

      10 Desesperado, Elias orou a Jeová pedindo para morrer. Ele disse: “Não sou melhor do que os meus antepassados.” Ele sabia que seus antepassados eram apenas pó e ossos na sepultura. Não podiam fazer nada por ninguém. (Ecl. 9:10) Elias se sentia tão inútil quanto eles. Não é de admirar que tenha clamado: “Basta!” Em outras palavras, por que continuar vivendo?

      11 Deveríamos ficar chocados de saber que um homem de Deus ficou tão abatido assim? Não necessariamente. A Bíblia fala de muitos homens e mulheres fiéis que ficaram tão tristes que desejaram morrer — entre esses estão Rebeca, Jacó, Moisés e Jó. — Gên. 25:22; 37:35; Núm. 11:13-15; Jó 14:13.

      12. Se algum dia você se sentir muito desanimado, como poderá imitar o exemplo de Elias?

      12 Hoje vivemos em “tempos críticos, difíceis de manejar”. Por isso, não nos surpreende que muitos, até mesmo servos fiéis de Deus, às vezes se sintam desanimados. (2 Tim. 3:1) Se você algum dia se sentir assim, siga o exemplo de Elias: derrame seu coração a Deus. Afinal, Jeová é “o Deus de todo o consolo”. (Leia 2 Coríntios 1:3, 4.) Será que ele consolou Elias?

      Jeová sustentou seu profeta

      13, 14. (a) Como Jeová, por meio de um anjo, mostrou preocupação amorosa por seu profeta deprimido? (b) Por que é consolador saber que Jeová conhece bem cada um de nós, incluindo nossas limitações?

      13 Como você acha que Jeová, lá no céu, se sentiu ao ver seu amado profeta debaixo daquele arbusto no deserto suplicando para morrer? O relato nos dá a resposta. Depois de Elias cair no sono, Jeová enviou um anjo. Com um toque suave, o anjo o acordou e disse: “Levanta-te, come.” Elias fez isso, pois o anjo tinha providenciado para ele uma refeição simples — pão quente e água fresca. Será que ele pelo menos agradeceu ao anjo? O relato diz apenas que o profeta comeu, bebeu e voltou a dormir. Será que ele estava tão deprimido que nem conseguia falar? Seja como for, o anjo o acordou pela segunda vez, talvez ao amanhecer. Mais uma vez ele disse a Elias: “Levanta-te, come”, e acrescentou estas palavras tocantes: “Porque a viagem é demais para ti.” — 1 Reis 19:5-7.

      14 Graças ao discernimento dado por Deus, o anjo sabia para onde Elias estava indo. Ele também sabia que a viagem era difícil demais para Elias fazer nas suas próprias forças. Como é consolador servir a um Deus que conhece nossos objetivos e limitações melhor do que nós mesmos! (Leia Salmo 103:13, 14.) O que aquela refeição fez por Elias?

      15, 16. (a) A nutrição dada por Jeová tornou possível que Elias fizesse o quê? (b) Por que devemos ser gratos pelo modo como Jeová sustenta seus servos hoje?

      15 O relato diz: “Levantou-se . . . e comeu e bebeu, e foi indo no poder desta nutrição por quarenta dias e quarenta noites, até o monte do verdadeiro Deus, Horebe.” (1 Reis 19:8) Assim como aconteceu com Moisés uns seis séculos antes e com Jesus quase dez séculos depois, Elias jejuou por 40 dias e 40 noites. (Êxo. 34:28; Luc. 4:1, 2) Aquela refeição não resolveu todos os seus problemas, mas o sustentou de maneira milagrosa. Imagine aquele homem idoso andando com esforço por aquele deserto sem estradas dia após dia, semana após semana, por quase um mês e meio!

      16 Jeová também sustenta seus servos hoje, não com refeições milagrosas, mas de uma forma muito mais importante: ele faz provisões espirituais. (Mat. 4:4) Aprender sobre Deus por meio de sua Palavra e de publicações cuidadosamente baseadas na Bíblia nos sustenta em sentido espiritual. Absorver essa nutrição talvez não resolva todos os nossos problemas, mas nos ajuda a suportar o que seria insuportável. Esse alimento espiritual nos conduz à “vida eterna”. — João 17:3.

      17. Para onde Elias foi, e por que aquele lugar era importante?

      17 Elias caminhou quase 320 quilômetros até finalmente chegar ao monte Horebe (monte Sinai). Aquele era um lugar de grande importância, pois foi ali que Jeová Deus, muito tempo antes, havia aparecido a Moisés no espinheiro ardente por meio de um anjo, e onde mais tarde Jeová havia feito o pacto da Lei com Israel. Ali, Elias se abrigou numa caverna.

      Como Jeová fortaleceu e consolou seu profeta

      18, 19. (a) Que pergunta o anjo de Jeová fez a Elias, e como ele respondeu? (b) Por que três motivos Elias estava desanimado?

      18 No monte Horebe, Elias ouviu a “palavra” de Jeová, pelo visto por meio de um anjo: “Que estás fazendo aqui, Elias?” É provável que essa pergunta tenha sido feita de uma forma gentil, pois Elias a entendeu como um convite para desabafar. E foi isso o que ele fez! Ele disse: “Fui absolutamente ciumento por Jeová, o Deus dos exércitos; pois os filhos de Israel abandonaram o teu pacto, derrubaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada, de modo que só eu fiquei; e estão começando a procurar a minha alma para a tirar.” (1 Reis 19:9, 10) As palavras de Elias revelam pelo menos três motivos para seu desânimo.

      19 Primeiro, Elias achava que seu trabalho tinha sido em vão. Apesar de ter sido “absolutamente ciumento” no serviço de Jeová durante anos, colocando o nome sagrado de Deus e Sua adoração acima de tudo, Elias viu que as coisas pareciam estar piorando. O povo ainda não mostrava fé e era rebelde, ao passo que a religião falsa prosperava. Segundo, Elias se sentia sozinho. “Só eu fiquei”, disse ele, achando que era o único homem em Israel que ainda servia a Jeová. Terceiro, Elias estava com medo. Muitos de seus amigos, também profetas, já haviam sido mortos, e ele tinha certeza de que seria o próximo. Não deve ter sido fácil para Elias admitir esses sentimentos, mas ele não permitiu que o orgulho ou a vergonha o impedissem de fazer isso. Por abrir seu coração a Deus em oração, ele deu um excelente exemplo a todos os servos fiéis de Deus. — Sal. 62:8.

      20, 21. (a) Descreva o que Elias viu da entrada da caverna no monte Horebe. (b) O que as demonstrações do poder de Jeová ensinaram a Elias?

      20 Como Jeová lidou com os temores e as preocupações de Elias? O anjo disse a Elias para ele ficar na entrada da caverna. Ele obedeceu, sem ter ideia do que estava para acontecer. De repente, começou a soprar um vento forte! O som deve ter sido ensurdecedor, pois esse vento era tão forte que partia montes e rochedos. Imagine Elias tentando proteger seus olhos e segurando sua capa rústica de pelo, que batia nele por causa das fortes rajadas de vento. Depois ele teve de lutar para manter o equilíbrio, pois o chão começou a tremer — era um terremoto! Ele mal tinha se recuperado quando surgiu um grande fogo, forçando-o a voltar à caverna para se proteger do calor intenso. — 1 Reis 19:11, 12.

      Elias, na entrada da caverna, se protegendo do fogo

      Jeová usou seu imenso poder para consolar e encorajar Elias

      21 O relato nos traz à atenção que Jeová não estava em nenhuma dessas demonstrações espetaculares do poder da natureza. Elias sabia que Jeová não é um deus mítico da natureza, como Baal, que na ilusão de seus adoradores era considerado o “cavaleiro das nuvens”, ou aquele que trazia as chuvas. Jeová é a verdadeira Fonte de todo o espantoso poder encontrado na natureza, mas ele é muito maior do que qualquer coisa que tenha criado. Nem mesmo os céus físicos o podem conter! (1 Reis 8:27) Como tudo isso ajudou Elias? Lembre-se que ele estava com medo. Com um Deus como Jeová do seu lado, um Deus que tem todo esse imenso poder à disposição, Elias não precisava temer Acabe nem Jezabel. — Leia Salmo 118:6.

      22. (a) Como a “voz calma, baixa”, garantiu a Elias que ele tinha muito valor? (b) De quem talvez tenha sido a “voz calma, baixa”? (Veja a nota.)

      22 Depois do fogo, veio uma calmaria, e Elias ouviu “uma voz calma, baixa”. Essa voz convidou Elias a falar novamente. Então, pela segunda vez, Elias expressou suas preocupações.a Talvez isso tenha feito ele se sentir mais aliviado. Mas, sem dúvida, Elias se sentiu muito mais consolado com o que aquela “voz calma, baixa”, disse a seguir. Jeová garantiu a Elias que ele tinha muito valor. Como? Deus revelou muitas coisas que faria mais tarde contra a adoração de Baal em Israel. Com certeza, o trabalho de Elias não tinha sido em vão, visto que o propósito de Jeová estava em andamento e nada impediria o seu avanço. Além disso, Elias ainda fazia parte desse propósito, pois Jeová disse para ele retomar seu serviço, dando-lhe instruções específicas. — 1 Reis 19:12-17.

      23. De que duas maneiras Jeová ajudou Elias a lidar com sua solidão?

      23 Que dizer da solidão que Elias sentia? Jeová fez duas coisas a respeito disso. Primeiro, ele disse a Elias para ungir Eliseu como o profeta que com o tempo o sucederia. Esse jovem se tornaria o companheiro e ajudante de Elias por vários anos. Que provisão prática e consoladora! Segundo, Jeová lhe deu esta emocionante notícia: “Deixei sete mil remanescer em Israel, todos os joelhos que não se dobraram diante de Baal e toda boca que não o beijou.” (1 Reis 19:18) Elias não estava sozinho! Ele deve ter ficado muito feliz de saber que milhares de pessoas fiéis tinham se recusado a adorar Baal. Elas precisavam que Elias continuasse seu serviço fiel e fosse um exemplo de lealdade inabalável a Jeová naqueles tempos difíceis. Elias deve ter ficado profundamente emocionado de ouvir aquelas palavras do representante de Jeová, a “voz calma, baixa”. Para Elias, era como se o próprio Deus tivesse falado com ele.

      A Bíblia pode ser como aquela “voz calma, baixa”, se permitirmos que ela nos oriente hoje

      24, 25. (a) Em que sentido podemos escutar a “voz calma, baixa”, de Jeová hoje? (b) Por que podemos ter certeza de que Elias aceitou o consolo que Jeová lhe deu?

      24 Assim como Elias, talvez fiquemos assombrados com as impressionantes forças da natureza evidentes na criação. E isso é natural, pois a criação reflete de forma clara o poder do Criador. (Rom. 1:20) Jeová ainda tem prazer em usar seu poder ilimitado para ajudar seus servos fiéis. (2 Crô. 16:9) No entanto, Deus fala conosco mais plenamente por meio das páginas de sua Palavra, a Bíblia. (Leia Isaías 30:21.) Em certo sentido, a Bíblia pode ser como aquela “voz calma, baixa”, se permitirmos que ela nos oriente hoje. Em suas valiosas páginas, Jeová nos corrige, encoraja e garante seu amor.

      25 Será que Elias aceitou o consolo que Jeová lhe deu no monte Horebe? Com certeza! Em pouco tempo, aquele profeta corajoso e fiel, que havia lutado contra a religião falsa, estava de volta à ação. Se também dermos atenção às palavras inspiradas de Deus, o “consolo das Escrituras”, conseguiremos imitar a fé de Elias. — Rom. 15:4.

      a A origem dessa “voz calma, baixa”, talvez tenha sido o mesmo espírito usado para transmitir “a palavra de Jeová” mencionada em 1 Reis 19:9. No versículo 15, esse espírito é descrito simplesmente como “Jeová”. Isso talvez nos lembre do anjo que Jeová usou para guiar Israel no deserto e de quem ele disse: “Meu nome está nele.” (Êxo. 23:21) É claro que não podemos ser categóricos nesse assunto, mas vale a pena ressaltar que, em sua existência pré-humana, Jesus atuou como “a Palavra”, o Porta-Voz especial para os servos de Jeová. — João 1:1.

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