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Um resgate correspondente por todosA Sentinela — 1991 | 15 de fevereiro
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Um resgate correspondente por todos
“O Filho do homem não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos.” — MATEUS 20:28.
1, 2. (a) Por que se pode dizer que o resgate é a maior dádiva de Deus à humanidade? (b) Que benefício advém de se examinar a doutrina do resgate?
O RESGATE é a maior dádiva de Deus à humanidade. Através do “livramento por meio de resgate”, podemos ter “o perdão de nossas falhas”. (Efésios 1:7) O resgate é a base da esperança de vida eterna, quer no céu, quer numa terra paradísica. (Lucas 23:43; João 3:16) E, graças a ele, os cristãos podem ter mesmo agora uma posição limpa perante Deus. — Revelação (Apocalipse) 7:14, 15.
2 O resgate, portanto, não é algo vago ou abstrato. Com base legal em princípios divinos, o resgate pode trazer benefícios reais, tangíveis. Certos aspectos dessa doutrina talvez sejam “difíceis de entender”. (2 Pedro 3:16) Mas, verá que vale a pena o esforço de examinar cuidadosamente o resgate, pois ele reflete o superlativo amor de Deus pela humanidade. Captar o sentido do resgate significa entender um aspecto-chave das insondáveis ‘riquezas, sabedoria e conhecimento’ de Deus. — Romanos 5:8; 11:33.
Questões a Resolver
3. Por que se fez necessário um resgate, e por que Deus não podia simplesmente escusar a pecaminosidade da humanidade?
3 O resgate tornou-se necessário devido ao pecado do primeiro homem, Adão, que transmitiu à sua prole um legado fútil de doenças, tristeza e dor. (Romanos 8:20) Devido à imperfeição herdada, todos os descendentes de Adão são “filhos do furor”, que merecem a morte. (Efésios 2:3; Deuteronômio 32:5) Deus não poderia ceder a um sentimento sem princípios e simplesmente perdoar a humanidade sem mais nem menos. A sua própria Palavra mostra que “o salário pago pelo pecado é a morte”. (Romanos 6:23) Escusar a pecaminosidade da humanidade significaria que Deus teria de ignorar seus próprios padrões justos, invalidar a sua própria justiça legal! (Jó 40:8) Todavia, ‘justiça e juízo são o lugar estabelecido do trono de Deus’. (Salmo 89:14) Qualquer desvio da justiça, da parte de Deus, apenas encorajaria a violação da lei e minaria a sua posição como Soberano Universal. — Veja Eclesiastes 8:11.
4. A rebelião de Satanás levantou que questões?
4 Deus tinha também de resolver outras questões levantadas pela rebelião de Satanás, questões de importância muito maior do que a situação humana. Satanás lançou uma mancha negra sobre o bom nome de Deus, acusando-o de ser mentiroso e cruel ditador, que priva suas criaturas de conhecimento e de liberdade. (Gênesis 3:1-5) Ademais, por aparentemente frustrar o propósito de Deus de encher a terra com humanos justos, Satanás fez Deus parecer um fracassado. (Gênesis 1:28; Isaías 55:10, 11) Satanás ousou também caluniar os servos leais de Deus, alegando que estes o servem apenas por motivos egoístas. Se fossem pressionados, jactou-se ele, nenhum deles permaneceria leal a Deus! — Jó 1:9-11.
5. Por que Deus não podia simplesmente ignorar os desafios de Satanás?
5 Esses desafios não podiam ser ignorados. Se ficassem sem resposta, a confiança no governo de Deus, e o apoio dado a ele, por fim se desgastariam. (Provérbios 14:28) Se a lei e a ordem se deteriorassem, não reinaria o caos em todo o universo? Portanto, Deus devia a si mesmo e à sua maneira justa de proceder a obrigação de vindicar a sua soberania. Devia também a seus fiéis servos a obrigação de permitir que estes demonstrassem a sua inquebrantável lealdade a ele. Isto significava lidar com a difícil situação da humanidade pecaminosa duma maneira que abrisse precedência para as questões preeminentes. Ele disse mais tarde a Israel: “Eu é que sou aquele que oblitera as tuas transgressões por minha própria causa.” — Isaías 43:25.
Resgate: Uma Cobertura
6. Quais são alguns dos termos usados na Bíblia para descrever os meios de Deus salvar a humanidade?
6 No Salmo 92:5 lemos: “Quão grandes são os teus trabalhos, ó Jeová! Muito profundos são os teus pensamentos.” Portanto, exige esforço de nossa parte entendermos o que Deus fez pela humanidade. (Compare isso com Salmo 36:5, 6.) Felizmente, a Bíblia ajuda-nos a entender as coisas usando vários termos que descrevem ou ilustram as grandiosas obras de Deus de uma variedade de pontos de vista. A Bíblia fala do resgate em termos de compra, de reconciliação, de propiciação, de redenção e de expiação. (Salmo 49:8; Daniel 9:24; Gálatas 3:13; Colossenses 1:20; Hebreus 2:17) Mas, talvez a palavra que melhor designe as coisas é aquela usada pelo próprio Jesus em Mateus 20:28: “O Filho do homem não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate [grego, lyʹtron] em troca de muitos.”
7, 8. (a) O que aprendemos das palavras grega e hebraica para resgate? (b) Ilustre de que modo um resgate envolve equivalência.
7 O que é um resgate? A palavra grega lyʹtron origina-se de um verbo que significa “soltar”. Era usado para se referir a dinheiro pago em troca da libertação de prisioneiros de guerra. Nas Escrituras Hebraicas, porém, a palavra para resgate, kó·fer, vem de um verbo que significa “cobrir” ou “revestir”. Por exemplo, Deus disse a Noé que cobrisse (ka·fár) a arca com alcatrão. (Gênesis 6:14) Deste ponto de vista, portanto, resgatar, ou fazer expiação pelos pecados, significa cobrir pecados. — Salmo 65:3.
8 O Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento) diz que kó·fer “sempre denota um equivalente”, ou correspondência. Assim, a cobertura (kap·pó·reth) da arca do pacto correspondia, em formato, à própria arca. Igualmente, ao fazer expiação pelo pecado, ou resgatar, a justiça divina exige ‘alma por alma, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé’. (Deuteronômio 19:21) Em certos casos, porém, pode-se satisfazer a justiça oferecendo um equivalente, em vez de estrita punição. Para ilustrar: Êxodo 21:28-32 fala de um touro que matasse uma pessoa a chifradas. Se o dono do touro conhecesse a índole do animal, mas, mesmo assim, não tivesse tomado as devidas precauções, ele podia ser obrigado a cobrir, ou a pagar, pela vida do morto com a sua própria vida! Mas, que dizer se o dono fosse apenas parcialmente responsável? Ele necessitaria de um kó·fer, algo para cobrir o seu erro. Juízes designados podiam impor-lhe um resgate, ou multa, como preço de redenção.
9. De que modo uma situação que envolvia os primogênitos de Israel ilustra a equivalência exata necessária num preço de redenção?
9 Outro termo hebraico relacionado com “resgatar” é pa·dháh, um verbo que basicamente significa “redimir”. Números 3:39-51 ilustra quão exato tinha de ser o preço de redenção. Tendo salvado os primogênitos israelitas da execução na Páscoa de 1513 AEC, Deus tornara-se dono deles. Podia assim exigir que todo primogênito israelita o servisse no templo. Em vez disso, Deus aceitou um “preço de redenção” (pidh·yóhm, substantivo derivado de pa·dháh), decretando: “Os levitas tens de tomar para mim. . . em lugar de todos os primogênitos entre os filhos de Israel.” Mas, a substituição tinha de ser exata. Fez-se um censo da tribo de Levi: 22.000 varões. A seguir, um censo de todos os primogênitos israelitas: 22.273 varões. Apenas pelo pagamento de um “preço de resgate” de cinco siclos por pessoa podiam os excedentes 273 primogênitos ser redimidos, dispensados do serviço no templo.
Um Resgate Correspondente
10. Por que os sacrifícios de animais não podiam adequadamente cobrir os pecados da humanidade?
10 O acima ilustra que o resgate tem de ser o equivalente daquilo que ele substitui, ou cobre. Os sacrifícios de animais que homens de fé de Abel em diante ofereciam não podiam realmente cobrir os pecados dos homens, visto que os humanos são superiores aos animais irracionais. (Salmo 8:4-8) De modo que Paulo podia escrever que “não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados”. Tais sacrifícios podiam servir simplesmente como cobertura pictórica, ou simbólica, em antecipação do resgate que havia de vir. — Hebreus 10:1-4.
11, 12. (a) Por que não é necessário que bilhões de humanos tenham uma morte sacrificial para cobrir a pecaminosidade da humanidade? (b) Somente quem podia servir como “resgate correspondente”, e a que objetivo serve a morte dele?
11 Este prefigurado resgate teria de ser o equivalente exato de Adão, visto que a pena de morte que Deus com justiça aplicou a Adão resultou na condenação da raça humana. “Em Adão todos morrem”, diz 1 Coríntios 15:22. Assim, não seria necessário que bilhões de humanos individualmente tivessem morte sacrificial para corresponder a cada indivíduo da descendência de Adão. “Por intermédio de um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado.” (Romanos 5:12) E, “visto que a morte é por intermédio dum homem”, a redenção da humanidade também podia vir “por intermédio dum homem”. — 1 Coríntios 15:21.
12 O homem que podia ser o resgate tinha de ser um humano perfeito de carne e sangue — o equivalente exato de Adão. (Romanos 5:14) Uma criatura espiritual, ou um “Deus-homem”, não equilibraria a balança da justiça. Apenas um humano perfeito, alguém que não estivesse sob a sentença de morte adâmica, podia oferecer um “resgate correspondente”, que equivalesse perfeitamente a Adão. (1 Timóteo 2:6)a Por voluntariamente sacrificar a sua vida, esse “último Adão” podia pagar o salário pelo pecado do “primeiro homem, Adão”. — 1 Coríntios 15:45; Romanos 6:23.
13, 14. (a) Será que Adão e Eva se beneficiam do resgate? Explique. (b) De que modo o resgate beneficia os descendentes de Adão? Ilustre.
13 Nem Adão nem Eva, porém, se beneficiam do resgate. A Lei mosaica continha este princípio: “Não deveis aceitar nenhum resgate pela alma dum assassino que merece morrer.” (Números 35:31) Adão não foi enganado, de modo que seu pecado foi proposital, deliberado. (1 Timóteo 2:14) Equivalia ao assassinato de sua descendência, pois esta agora herdaria a imperfeição dele, vindo assim a estar sob a sentença de morte. Claramente, Adão merecia morrer, pois, como homem perfeito, escolhera voluntariamente desobedecer à lei de Deus. Seria contrário aos justos princípios de Jeová se ele aplicasse o resgate em favor de Adão. Pagar o salário pelo pecado de Adão, contudo, deveras aprovisiona a anulação da sentença de morte contra a prole de Adão! (Romanos 5:16) Em sentido legal, o poder destrutivo do pecado é cortado bem na fonte. O resgatador ‘prova a morte por todo o homem’, sofrendo as conseqüências do pecado por todos os filhos de Adão. — Hebreus 2:9; 2 Coríntios 5:21; 1 Pedro 2:24.
14 Para ilustrar: Imagine uma grande fábrica com centenas de empregados. Um administrador desonesto leva os negócios à falência; a fábrica fecha as portas. Centenas de pessoas estão agora desempregadas, sem poderem pagar as suas contas. Seus cônjuges, seus filhos e, sim, seus credores, todos sofrem por causa da corrupção de um único homem! Surge então um rico benfeitor que liquida a dívida da empresa e reabre a fábrica. A liquidação dessa única dívida, por sua vez, traz pleno alívio para os muitos empregados, para suas famílias e para os credores. Mas, será que o antigo administrador participa da nova prosperidade? Não, ele está na cadeia, e, portanto, permanentemente afastado de suas funções! Similarmente, a liquidação da única dívida de Adão traz benefícios a milhões de seus descendentes — mas não a Adão.
Quem Provê o Resgate?
15. Quem podia prover um resgate para a humanidade, e por quê?
15 O salmista lamentou: “Nenhum deles pode de modo algum remir até mesmo um irmão, nem dar a Deus um resgate por ele, (e o preço de redenção da alma deles é tão precioso, que cessou por tempo indefinido).” A The New English Bible (A Nova Bíblia em Inglês) diz que o preço de resgate estava “para sempre além de sua capacidade de pagar”. (Salmo 49:7, 8) Quem, então, proveria o resgate? Apenas Jeová poderia prover o perfeito “Cordeiro. . . que tira o pecado do mundo”. (João 1:29) Deus não enviou algum anjo para resgatar a humanidade. Ele fez o supremo sacrifício de enviar seu Filho unigênito, “aquele de quem ele gostava especialmente”. — Provérbios 8:30; João 3:16.
16. (a) De que modo o Filho de Deus veio a nascer como humano perfeito? (b) Que nome podia-se dar a Jesus em sentido legal?
16 Por sua participação voluntária no arranjo divino, o Filho de Deus “se esvaziou” de sua natureza celestial. (Filipenses 2:7) Jeová transferiu a força de vida e o padrão de personalidade de seu primogênito Filho celestial para o ventre de uma virgem judia chamada Maria. Daí o espírito santo ‘a encobriu’, garantindo que a criança que se desenvolvia em seu ventre fosse santa, absolutamente livre de pecado. (Lucas 1:35; 1 Pedro 2:22) Como homem, seria chamado de Jesus. Mas, em sentido legal, ele podia ser chamado de ‘segundo Adão’, pois correspondia perfeitamente a Adão. (1 Coríntios 15:45, 47) Assim, Jesus podia oferecer a si mesmo em sacrifício como “cordeiro sem mácula nem mancha”, um resgate para a humanidade pecaminosa. — 1 Pedro 1:18, 19.
17. (a) A quem é pago o resgate, e por quê? (b) Visto que Deus tanto supre como recebe o resgate, por que, afinal, se faz essa troca?
17 A quem, porém, seria pago tal resgate? Por séculos, os teólogos da cristandade argumentavam que era pago a Satanás, o Diabo. O fato é que a humanidade tem sido ‘vendida sob’ o pecado e, assim, veio a estar sob o controle de Satanás. (Romanos 7:14; 1 João 5:19) Ainda assim, é Jeová, e não Satanás, quem “exige punição” pela transgressão. (1 Tessalonicenses 4:6) Por conseguinte, como o Salmo 49:7 explicitamente declara, o resgate deve ser pago “a Deus”. Jeová torna disponível o resgate, mas, depois que o Cordeiro de Deus é sacrificado, o valor de seu resgate tem de ser pago a Deus. (Veja Gênesis 22:7, 8, 11-13; Hebreus 11:17.) Isto não reduz o resgate a uma troca inútil e mecânica, como tirar dinheiro de um bolso e pôr no outro. O resgate envolve não propriamente uma troca física mas uma transação legal. Por ter insistido que se pague um resgate — mesmo sob grande custo para si mesmo — Jeová confirmou seu inabalável apego a princípios justos. — Tiago 1:17.
“Está Consumado!”
18, 19. Por que era necessário que Jesus sofresse?
18 Na primavera de 33 EC, era chegado o tempo para o pagamento do resgate. Jesus Cristo foi preso sob falsas acusações, julgado culpado e pregado numa estaca de execução. Ele rogou a Deus com “fortes clamores e lágrimas”, devido à intensa dor e humilhação envolvidas. (Hebreus 5:7) Era necessário Jesus sofrer dessa maneira? Sim, pois, por permanecer “leal, cândido, imaculado, separado dos pecadores” até o fim, Jesus resolveu de forma espetacularmente decisiva a questão da integridade dos servos de Deus. — Hebreus 7:26.
19 Os sofrimentos de Cristo serviram também para aperfeiçoá-lo para seu papel de Sumo Sacerdote para a humanidade. Como tal, não seria um frio e desinteressado burocrata. “Por ter ele mesmo sofrido, ao ser posto à prova, pode vir em auxílio daqueles que estão sendo postos à prova”. (Hebreus 2:10, 18; 4:15) Com seu último suspiro, Jesus podia bradar em triunfo: “Está consumado!” (João 19:30) Ele não apenas provara a sua própria integridade mas também lançara com êxito a base para a salvação da humanidade — e, o que é mais importante — para a vindicação da soberania de Jeová!
20, 21. (a) Por que foi Cristo ressuscitado? (b) Por que foi Jesus Cristo “vivificado no espírito”?
20 Mas, de que maneira o resgate seria realmente aplicado à humanidade pecadora? Quando? Como? Tais assuntos não foram deixados ao acaso. No terceiro dia após a morte de Cristo, Jeová o ressuscitou. (Atos 3:15; 10:40) Por meio deste ato monumental, um acontecimento atestado por centenas de testemunhas oculares, Jeová não apenas recompensou o serviço fiel de seu Filho mas deu-lhe também a oportunidade de terminar a sua obra redentora. — Romanos 1:4; 1 Coríntios 15:3-8.
21 Jesus foi “vivificado no espírito”, sendo seus restos mortais terrenos eliminados de alguma maneira não revelada. (1 Pedro 3:18; Salmo 16:10; Atos 2:27) Como criatura espiritual, o ressuscitado Jesus podia então fazer um triunfante retorno ao céu. Que irreprimível júbilo deve ter havido no céu nessa ocasião! (Compare isso com Jó 38:7.) Jesus não retornou simplesmente para receber essa acolhida. Ele ali foi para realizar tarefas adicionais, incluindo a de possibilitar à inteira raça humana beneficiar-se de seu resgate. (Veja João 5:17, 20, 21.) Exatamente como ele realizou isso, e o que isso significa para a humanidade, será considerado no próximo artigo.
[Nota(s) de rodapé]
a A palavra grega usada aqui, an·tí·ly·tron, não aparece em nenhum outro lugar na Bíblia. É aparentada com a palavra que Jesus usou para resgate (lyʹtron), em Marcos 10:45. Contudo, The New International Dictionary of New Testament Theology (O Novo Dicionário Internacional da Teologia do Novo Testamento) destaca que an·tí·ly·tron ‘acentua a noção de troca’. Apropriadamente, a Tradução do Novo Mundo verte isso por “resgate correspondente”.
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“Fostes comprados por um preço”A Sentinela — 1991 | 15 de fevereiro
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“Fostes comprados por um preço”
“Fostes comprados por um preço. Acima de tudo, glorificai a Deus no corpo de vós em conjunto.” — 1 CORÍNTIOS 6:20.
1, 2. (a) O que foi que abriu o caminho para “as saídas da morte”? (b) O que tinha de ser feito para tornar o sacrifício de Cristo legalmente válido, conforme prefigurado pelo quê?
“O VERDADEIRO Deus é para nós um Deus de atos salvadores”, disse o salmista, “e a Jeová, o Soberano Senhor, pertencem as saídas da morte”. (Salmo 68:20) Neste respeito, o sacrifício de Jesus Cristo abriu o caminho. Mas, para que tal sacrifício fosse legalmente válido, Cristo teve de comparecer pessoalmente perante o próprio Deus.
2 Isto foi prefigurado pelo Dia da Expiação, quando o sumo sacerdote entrava no Santíssimo. (Levítico 16:12-15) “No entanto”, escreveu o apóstolo Paulo, “quando Cristo veio como sumo sacerdote . . . , ele entrou no lugar santo, não, não com o sangue de bodes e de novilhos, mas com o seu próprio sangue, de uma vez para sempre, e obteve para nós um livramento eterno. Porque Cristo entrou, não num lugar santo feito por mãos, que é uma cópia da realidade, mas no próprio céu, para aparecer agora por nós perante a pessoa de Deus”. — Hebreus 9:11, 12, 24.
O Poder do Sangue
3. (a) De que modo os adoradores de Jeová encaram o sangue, e por quê? (b) Que indicação há de que o sangue tem poder legal de expiar pecados?
3 Que papel desempenha o sangue de Cristo na nossa salvação? Desde os dias de Noé, os adoradores verdadeiros encaram o sangue como sagrado. (Gênesis 9:4-6) O sangue cumpre um papel importante no processo da vida, pois a Bíblia diz que “a alma [ou vida] da carne está no sangue”. (Levítico 17:11) Assim, a Lei mosaica exigia que o sangue do animal sacrificado fosse derramado perante Jeová. Às vezes, o sangue era também colocado sobre os chifres do altar. Obviamente, o poder expiador dum sacrifício estava em seu sangue. (Levítico 8:15; 9:9) “Quase todas as coisas são purificadas com sangue, segundo a Lei, e a menos que se derrame sangue, não há perdão.” — Hebreus 9:22.
4. (a) A que objetivo serviu a restrição ao uso do sangue imposta por Deus? (b) O que havia de significativo na maneira de Jesus ter sido morto?
4 Portanto, não é de admirar que, sob a Lei, o mau uso do sangue fosse punido com a morte! (Levítico 17:10) Todos nós sabemos que, quando se faz com que certa substância escasseie, ou quando seu uso é severamente restrito, seu valor aumenta. Ter Jeová coibido seu uso garantiria que o sangue não fosse encarado como algo de valor comum, mas sim como precioso, valioso. (Atos 15:29; Hebreus 10:29) Isto se adequava ao elevado objetivo a que o sangue de Cristo serviria. Apropriadamente, ele morreu dum modo que fez com que seu sangue fosse derramado. Assim, era evidente que Cristo não apenas sacrificou seu corpo humano mas também derramou a sua alma, sacrificou a sua própria vida como humano perfeito! (Isaías 53:12) Cristo não perdeu o direito legal a essa vida por causa da imperfeição, portanto, seu sangue derramado tinha grande valor e podia per apresentado perante Deus como expiação pelos pecados da humanidade.
5. (a) O que levou Cristo ao céu, e por quê? (b) Como ficou evidente que Deus aceitara o sacrifício de Cristo?
5 Cristo não podia levar seu sangue literal para o céu. (1 Coríntios 15:50) Em vez disso, ele levou aquilo que o sangue simbolizava: o valor legal de sua vida humana perfeita dada em sacrifício. Perante a pessoa de Deus, ele podia fazer uma apresentação formal dessa vida como resgate em troca da humanidade pecaminosa. Que Jeová aceitara esse sacrifício ficou evidente em Pentecostes de 33 EC, quando o espírito santo veio sobre os 120 discípulos em Jerusalém. (Atos 2:1-4) Cristo, por assim dizer, era agora dono da raça humana, por meio duma compra. (Gálatas 3:13; 4:5; 2 Pedro 2:1) Assim, os benefícios do resgate podiam fluir para a humanidade.
Os Primeiros Beneficiários do Resgate
6. Que medidas tem tomado Deus para a aplicação dos benefícios do resgate de Cristo?
6 Isto não significava, porém, que a humanidade receberia instantaneamente a perfeição física, pois, a menos que se vencesse a natureza pecaminosa do homem, a perfeição física não seria possível. (Romanos 7:18-24) Como e quando seria vencida a pecaminosidade? Deus primeiro providenciou 144.000 celestiais ‘sacerdotes para o nosso Deus, para reinarem sobre a terra’ com Cristo Jesus. (Revelação [Apocalipse] 5:9, 10; 7:4; 14:1-3) Através deles, os benefícios do resgate serão gradativamente aplicados à humanidade por um período de mil anos. — 1 Coríntios 15:24-26; Revelação 21:3, 4.
7. (a) O que é o novo pacto, quem são os pactuantes, e a que objetivo serve? (b) Por que tinha de ocorrer uma morte para tornar possível o novo pacto, e que papel desempenha o sangue de Cristo?
7 Com esse objetivo, os 144.000 reis-sacerdotes são “comprados dentre a humanidade”. (Revelação 14:4) Isto se faz por meio dum “novo pacto”. Este pacto é um contrato entre Jeová Deus e o Israel espiritual de Deus, para que os membros deste sirvam como reis e sacerdotes. (Jeremias 31:31-34; Gálatas 6:16; Hebreus 8:6-13; 1 Pedro 2:9) Todavia, como é possível um pacto entre Deus e o homem imperfeito? Paulo explica: “Onde há um pacto, [entre Deus e o homem imperfeito], precisa ser provida a morte do pactuante humano. Porque um pacto é válido baseado em vítimas mortas, visto que nunca está em vigor enquanto o pactuante humano está vivo.” — Hebreus 9:16, 17.
8, 9. Que relação tem o resgate com o novo pacto?
8 Assim, o sacrifício de resgate é fundamental para o novo pacto, do qual Jesus é o Mediador. Paulo escreveu: “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos — isto é o que se há de testemunhar nos seus próprios tempos específicos.” (1 Timóteo 2:5, 6) Estas palavras aplicam-se em especial aos 144.000, com quem o novo pacto é feito.
9 Quando Deus fez um pacto com o Israel carnal, este não teve validade legal sem antes ter sido derramado sangue animal em sacrifício. (Hebreus 9:18-21) Similarmente, para que o novo pacto entrasse em vigor, Cristo tinha de derramar o “sangue do pacto”. (Mateus 26:28; Lucas 22:20) Com Cristo atuando como Sumo Sacerdote e como “mediador de um novo pacto”, Deus aplica o valor do sangue de Jesus aos que são introduzidos no novo pacto, creditando-lhes legalmente a justiça humana. (Hebreus 9:15; Romanos 3:24; 8:1, 2) Deus pode então introduzi-los no novo pacto para serem reis-sacerdotes celestiais! Como seu Mediador e Sumo Sacerdote, Jesus ajuda-os a manterem uma posição limpa perante Deus. — Hebreus 2:16; 1 João 2:1, 2.
O Ajuntamento das Coisas na Terra
10, 11. (a) De que modo o resgate se estende além dos cristãos ungidos? (b) O que é a grande multidão, e que posição têm seus integrantes com Deus?
10 Será que apenas os cristãos ungidos podem receber o livramento pelo resgate, o perdão de seus pecados? Não, Deus está reconciliando consigo mesmo todas as outras coisas, promovendo a paz através do sangue derramado na estaca de tortura, como Colossenses 1:14, 20 indica. Isto envolve as coisas nos céus (os 144.000) bem como as coisas na terra. Estas ‘coisas na terra’ são os que se habilitam para a vida terrestre, humanos que usufruirão a vida perfeita no Paraíso na terra. Especialmente desde 1935 tem havido um esforço concentrado para juntar a tais. Revelação 7:9-17 descreve-os como “grande multidão” que deve a salvação a Deus e ao Cordeiro. Ainda terão de sobreviver à “grande tribulação” e ser ‘guiados a fontes de águas da vida’, pois Revelação 20:5 mostra que ficarão plenamente vivos, com vida humana perfeita, só por volta do fim do Reinado Milenar de Cristo. Os que então passarem por um teste final em seu estado humano perfeito serão declarados justos para a vida eterna na terra. — Revelação 20:7, 8.
11 Não obstante, de maneira preliminar, os da grande multidão já “lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro”. (Revelação 7:14) Cristo não atua como Mediador do novo pacto para com eles, todavia, eles se beneficiam desse pacto através da operação do Reino de Deus. Não obstante, Cristo ainda atua junto a eles como Sumo Sacerdote, por meio de quem Jeová pode e deveras aplica o resgate a ponto de agora serem declarados justos como amigos de Deus. (Compare isso com Tiago 2:23.) Durante o Milênio, eles serão gradativamente ‘libertados da escravização à corrupção e, por fim, terão a liberdade gloriosa dos filhos de Deus’. — Romanos 8:21.
12. Em que base lidou Deus com os homens fiéis dos tempos pré-cristãos?
12 Quanto à sua posição perante Deus, parece que os da grande multidão diferem pouco dos adoradores pré-cristãos. Contudo, Deus lidou com esses últimos com a futura provisão do resgate em mente. (Romanos 3:25, 26) Eles obtiveram o perdão de seus pecados apenas em base provisória. (Salmo 32:1, 2) Em vez de livrá-los plenamente da “consciência de pecados”, os sacrifícios de animais provocavam “uma lembrança dos pecados”. — Hebreus 10:1-3.
13. Que vantagens temos sobre os servos pré-cristãos de Deus?
13 É diferente no caso dos cristãos verdadeiros hoje. Eles adoram à base de um resgate já pago! Através de seu Sumo Sacerdote, eles ‘se aproximam com franqueza no falar do trono de benignidade imerecida’. (Hebreus 4:14-16) Serem reconciliados com Deus não é algo ainda a aguardar, mas sim uma realidade presente! (2 Coríntios 5:20) Quando erram, podem receber real perdão. (Efésios 1:7) Usufruem uma consciência realmente limpa. (Hebreus 9:9; 10:22; 1 Pedro 3:21) Tais bênçãos são um antegosto da gloriosa liberdade dos filhos de Deus que os servos de Jeová usufruirão no futuro!
A Profundeza da Sabedoria e do Amor de Deus
14, 15. De que modo o resgate realça a insondável sabedoria de Jeová, bem como sua justiça e seu amor?
14 Que maravilhosa dádiva de Jeová é o resgate! É de fácil compreensão, porém suficientemente profunda para provocar reverência no maior dos intelectos. Nossa análise das operações do resgate mal arranhou a superfície. Todavia, exclamamos como o apóstolo Paulo: “Ó profundidade das riquezas, e da sabedoria, e do conhecimento de Deus! Quão inescrutáveis são os seus julgamentos e além de pesquisa são os seus caminhos!” (Romanos 11:33) A sabedoria de Jeová se manifesta pelo fato de ele poder tanto resgatar a humanidade como vindicar a Sua soberania. Por meio do resgate, ‘foi manifestada a justiça de Deus. Deus apresentou a Cristo como oferta de propiciação por intermédio da fé no seu sangue’. — Romanos 3:21-26.
15 Não se pode criticar a Deus por ter ele perdoado os pecados cometidos no passado por adoradores pré-cristãos. Também, não se pode criticar a Jeová por ter ele declarado justos os ungidos como filhos seus, ou os da grande multidão como amigos. (Romanos 8:33) Sob grande custo para si mesmo, Deus tem agido de maneira perfeitamente legal, ou correta, em seus tratos, refutando totalmente a mentirosa afirmação de Satanás de que Jeová é um governante injusto! O amor altruísta de Deus para com suas criaturas tem também sido demonstrado de maneira indisputável. — Romanos 5:8-11.
16. (a) De que modo o resgate fez com que se solucionasse a questão da integridade dos servos de Deus? (b) De que modo o resgate dá-nos base para fé num vindouro novo mundo de justiça?
16 A maneira pela qual o resgate foi suprido resolveu também as questões que envolvem a integridade dos servos de Deus. Só a obediência de Jesus já foi suficiente para resolver isso. (Provérbios 27:11; Romanos 5:18, 19) Mas, acrescente a isso o proceder de vida de 144.000 cristãos que, apesar da oposição de Satanás, permanecem fiéis até a morte! (Revelação 2:10) O resgate possibilita a estes receberem como recompensa a imortalidade — a vida indestrutível! (1 Coríntios 15:53; Hebreus 7:16) Isto torna absurda a afirmação de Satanás de que os servos de Deus são indignos de confiança! O resgate deu-nos também uma sólida base para termos fé nas promessas de Deus. Podemos atentar a um modelo de salvação “estabelecido legalmente” por meio do sacrifício de resgate. (Hebreus 8:6) Um novo mundo de justiça é, portanto, garantido! — Hebreus 6:16-19.
Não Desacerte o Seu Propósito
17. (a) Como mostram alguns que desacertaram o propósito do resgate? (b) O que nos pode motivar a permanecer moralmente limpos?
17 Para beneficiar-se do resgate, é necessário que a pessoa assimile conhecimento, exerça fé e viva segundo as normas bíblicas. (João 3:16; 17:3) Relativamente poucos, porém, desejam fazer isso. (Mateus 7:13, 14) Mesmo entre os cristãos verdadeiros, alguns talvez ‘aceitem a benignidade imerecida de Deus mas desacertam o propósito dela’. (2 Coríntios 6:1) Por exemplo, no decorrer dos anos, milhares foram desassociados por má conduta sexual. Que vergonha, em vista do que Jeová e Cristo tem feito por nós! Não devia o apreço pelo resgate induzir a pessoa a não ‘se esquecer da purificação de seus pecados de há muito’? (2 Pedro 1:9) Apropriadamente, então, Paulo lembra os cristãos: “Fostes comprados por um preço. Acima de tudo, glorificai a Deus no corpo de vós em conjunto.” (1 Coríntios 6:20) Lembrarmos disso nos dá uma poderosa motivação para permanecer moralmente limpos! — 1 Pedro 1:14-19.
18. Como pode o cristão que incorre em grave pecado ainda assim beneficiar-se do resgate?
18 Que dizer se a pessoa já incorreu em pecado grave? Ela deve aproveitar-se do perdão que o resgate possibilita, e receber ajuda de amorosos superintendentes. (Tiago 5:14, 15) Mesmo se for preciso uma forte disciplina, o cristão arrependido não deve fraquejar sob tal correção. (Hebreus 12:5) Temos esta maravilhosa garantia bíblica: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os nossos pecados e para nos purificar de toda a injustiça.” — 1 João 1:9.
19. Que conceito pode o cristão adotar a respeito de sua má conduta antes de ter aprendido a verdade?
19 Às vezes, os cristãos ficam indevidamente desanimados por causa de má conduta no passado. “Antes de conhecermos a verdade”, escreveu certo irmão desalentado, “eu e minha esposa contraímos herpes genital. Às vezes sentimo-nos impuros, como que ‘inadequados’ na organização limpa de Jeová”. Admite-se que, mesmo depois de se tornarem cristãos, alguns talvez ainda colham certa medida de sofrimento de erros passados. (Gálatas 6:7) Mas, mesmo assim, não há por que sentir-se impuro aos olhos de Jeová, caso a pessoa se tenha arrependido. “O sangue do Cristo” pode ‘purificar as nossas consciências de obras mortas’. — Hebreus 9:14.
20. Como pode a fé no resgate aliviar o cristão de desnecessários sentimentos de culpa?
20 Sim, a fé no resgate pode ajudar a livrar-nos de desnecessárias cargas de sentimentos de culpa. Certa jovem irmã admitiu: “Já luto contra o impuro hábito da masturbação há 11 anos. A certa altura, quase deixei a congregação, achando que Jeová jamais desejaria uma pessoa tão repulsiva maculando a sua congregação.” Temos de nos lembrar, porém, que Jeová é ‘bom e está pronto a perdoar’, contanto que conscienciosamente lutemos contra a injustiça, não sucumbindo a ela! — Salmo 86:5.
21. Como deve o resgate afetar o nosso conceito sobre os que nos ofendem?
21 O resgate deve também influir em nossos tratos com outros. Por exemplo, como reage quando um concristão lhe ofende? Concede amplamente o perdão semelhante ao de Cristo? (Lucas 17:3, 4) É você ‘ternamente compassivo, perdoando liberalmente os outros, assim como também Deus lhe perdoou liberalmente por Cristo’? (Efésios 4:32) Ou tende a abrigar rancores ou nutrir ressentimentos? Isto certamente seria desacertar o propósito do resgate. — Mateus 6:15.
22, 23. (a) Como deve o resgate influir nos nossos objetivos e no nosso estilo de vida? (b) Que determinação devem ter todos os cristãos a respeito do resgate?
22 Por fim, o apreço pelo resgate deve afetar profundamente os nossos alvos e o nosso estilo de vida. Disse Paulo: “Vós fostes comprados por um preço; parai de vos tornardes escravos de homens.” (1 Coríntios 7:23) São as necessidades econômicas — lar, emprego, alimento, roupa — ainda o centro de sua vida? Ou está buscando primeiro o Reino, pondo fé na promessa de Deus de prover-lhe do necessário? (Mateus 6:25-33) Será que você ‘trabalha como escravo’ para seu patrão mas não reserva suficiente tempo para atividades teocráticas? Lembre-se, Cristo “se entregou por nós, a fim de. . . purificar para si mesmo um povo peculiarmente seu, zeloso de obras excelentes”. — Tito 2:14; 2 Coríntios 5:15.
23 “Graças a Deus, por intermédio de Jesus Cristo”, por essa dádiva superlativa — o resgate! (Romanos 7:25) Jamais desacertemos o propósito do resgate, mas permitamos que seja uma força real na nossa vida. Em pensamentos, em palavras e em ações, glorifiquemos sempre a Deus, sempre nos lembrando com gratidão de que fomos comprados por um preço.
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