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Precisamos realmente dos outros?A Sentinela — 2003 | 15 de julho
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Precisamos realmente dos outros?
“QUANDO analisamos nossas vidas e as coisas pelas quais nos empenhamos, logo percebemos que quase todas as nossas ações e desejos estão relacionados à existência de outros seres humanos”, disse o famoso cientista Albert Einstein. Ele acrescentou: “Comemos alimentos que outros produziram, vestimos roupas que outros fizeram e vivemos em casas que outros construíram. . . . A pessoa é o que ela é e tem a importância que tem, não tanto em virtude de sua individualidade, mas por ser membro de uma grande comunidade, a qual direciona sua existência material e espiritual do berço ao túmulo.”
No mundo animal é comum observarmos o companheirismo instintivo. Os elefantes andam em manadas, protegendo cuidadosamente os filhotes. As leoas caçam juntas e compartilham o alimento com os machos. Os golfinhos brincam juntos e até já foram vistos protegendo outros animais e mergulhadores em situações difíceis.
Entre os humanos, porém, os cientistas sociais têm notado uma tendência que gera crescente preocupação. De acordo com um jornal publicado no México, alguns cientistas defendem a idéia de que “décadas de isolamento pessoal e a erosão da vida em comunidade têm cobrado um tributo pesado da sociedade americana”. O jornal declarou que “o bem-estar da nação dependia de mudanças sociais abrangentes, o que envolvia um retorno à vida em comunidade”.
Esse problema tem aumentado especialmente entre a população de países desenvolvidos. Há uma tendência crescente de muitos quererem se isolar. As pessoas querem ‘viver sua própria vida’ e resistem fortemente à idéia de outros ‘invadirem seu espaço’. Divulga-se o conceito de que essa atitude tem deixado a sociedade humana mais propensa a problemas emocionais, depressão e suicídio.
Abordando essa questão, o Dr. Daniel Goleman disse: “O isolamento social — a idéia de não se ter ninguém com quem compartilhar sentimentos ou manter contato achegado — dobra a possibilidade de doença ou morte.” Um relatório publicado no periódico Science concluiu que o isolamento social ‘influi tanto no índice de mortalidade quanto o hábito de fumar, a hipertensão arterial, o colesterol elevado, a obesidade e a falta de exercícios físicos’.
Como vimos, realmente precisamos dos outros por vários motivos. Não conseguimos viver sozinhos. Diante disso, como se pode resolver o problema de se isolar? O que tem dado verdadeiro sentido à vida de muitas pessoas? O artigo seguinte tratará dessas questões.
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Por que não conseguimos viver sozinhosA Sentinela — 2003 | 15 de julho
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Por que não conseguimos viver sozinhos
“Melhor dois do que um . . . Se um deles cair, o outro pode levantar seu associado.” — Rei Salomão
O REI Salomão, do Israel antigo, declarou: “Melhor dois do que um, porque eles têm boa recompensa pelo seu trabalho árduo. Pois, se um deles cair, o outro pode levantar seu associado. Mas, como será com apenas aquele um que cai, não havendo outro para levantá-lo?” (Eclesiastes 4:9, 10) Com essas palavras, esse sábio observador do comportamento humano destaca a necessidade que temos de companheirismo e a importância de não nos isolarmos. Mas essa não era simplesmente a opinião de um homem. A declaração de Salomão foi resultado da sabedoria e inspiração divinas.
Não é sábio isolar-se. Todos precisamos do apoio e da ajuda de nossos semelhantes. “Quem se isola procurará o seu próprio desejo egoísta”, diz um provérbio bíblico. “Estourará contra toda a sabedoria prática.” (Provérbios 18:1) Por isso, não é de estranhar que cientistas sociais incentivem as pessoas a fazer parte de um grupo e a interessar-se pelos outros.
Entre as recomendações para se restaurar a vida em comunidade, o Professor Robert Putnam inclui “fortalecer a influência da fé em Deus”. As Testemunhas de Jeová se destacam nesse respeito porque desfrutam de proteção nas congregações — que são como famílias — em toda a Terra. Em harmonia com as palavras do apóstolo Pedro, elas ‘têm amor à associação inteira dos irmãos’, que têm reverente “temor de Deus”. (1 Pedro 2:17) Além disso, as Testemunhas de Jeová evitam isolar-se e os efeitos prejudiciais que isso traz, porque as muitas atividades positivas relacionadas à adoração verdadeira as mantêm ocupadas em ajudar seus semelhantes a aprender a verdade encontrada na Palavra de Deus, a Bíblia. — 2 Timóteo 2:15.
O amor e o companheirismo mudaram suas vidas
As Testemunhas de Jeová constituem uma comunidade unida onde cada membro desempenha um papel importante. Por exemplo, considere o caso de Miguel, Froylán e Alma Ruth, membros de uma família latino-americana. Eles nasceram com uma doença óssea que produz um tipo de nanismo. Os três vivem confinados em cadeiras de rodas. Que efeito o fato de se associarem com as Testemunhas de Jeová teve sobre suas vidas?
Miguel comenta: “Eu já tive períodos de crise, mas quando comecei a me associar com o povo de Jeová, minha vida mudou. Isolar-se é muito perigoso. O companheirismo com os irmãos nas reuniões cristãs e estar com eles toda semana me ajudaram muito a encontrar contentamento e satisfação.”
Alma Ruth acrescenta: “Eu tinha momentos de extrema depressão e me sentia muito triste. Mas quando aprendi sobre Jeová, percebi que poderia ter um relacionamento achegado com ele. Isso se tornou para mim a coisa mais valiosa na vida. Minha família nos apóia bastante em sentido emocional e espiritual, o que nos une ainda mais.”
O pai de Miguel amorosamente o ensinou a ler e a escrever. Depois Miguel ajudou Froylán e Alma Ruth a fazer o mesmo. Isso foi essencial para a espiritualidade deles. “Aprender a ler nos beneficiou muito porque podíamos nos nutrir espiritualmente lendo a Bíblia e publicações baseadas nela”, diz Alma Ruth.
Agora, Miguel serve como ancião cristão. Froylán já leu a Bíblia inteira nove vezes. Alma Ruth expandiu seu serviço a Jeová e tem servido como pioneira, ou proclamadora do Reino por tempo integral, desde 1996. Ela comenta: “Alcancei este alvo com as bênçãos de Jeová e com o apoio de minhas queridas irmãs cristãs que me ajudam não só a pregar, mas também me acompanham quando dirijo os 11 estudos bíblicos que consegui iniciar.”
Outro bom exemplo é o de Emelia, que anda de cadeira de rodas por causa de problemas nas pernas e na espinha em resultado de um acidente. Ela estudou a Bíblia com as Testemunhas de Jeová na Cidade do México e foi batizada em 1996. Emelia conta: “Antes de conhecer a verdade, queria me suicidar. Eu não queria mais viver. Sentia um grande vazio. Chorava dia e noite. Mas quando comecei a me associar com o povo de Jeová, senti o amor dos irmãos. O interesse sincero que eles demonstram por mim me encoraja muito. Um dos anciãos tem sido como um irmão ou pai para mim. Ele e alguns servos ministeriais me levam para as reuniões e para a pregação em minha cadeira de rodas.”
José, que foi batizado como Testemunha de Jeová em 1992, mora sozinho. Tem 70 anos de idade e se aposentou em 1990. Ele tinha depressão, mas após ter sido contatado por uma Testemunha de Jeová, começou imediatamente a assistir às reuniões cristãs. Gostou do que ouviu e viu ali. Por exemplo, observou o companheirismo dos irmãos e sentiu que se interessavam sinceramente por ele. Os anciãos e os servos ministeriais em sua congregação agora cuidam dele. (Filipenses 1:1; 1 Pedro 5:2) Esses companheiros cristãos são “um auxílio fortificante” para ele. (Colossenses 4:11) Eles o levam ao médico, visitam-no em casa, e o apoiaram emocionalmente nas quatro cirurgias que teve de fazer. Ele diz: “Eles se interessam por mim. São minha verdadeira família. Eu gosto muito da companhia deles.”
Há verdadeira felicidade em dar
Quando o Rei Salomão disse que é “melhor dois do que um”, ele havia acabado de falar sobre a futilidade de devotarmos todas as nossas energias na busca de riquezas materiais. (Eclesiastes 4:7-9) Isso é exatamente o que muitos buscam hoje com avidez, embora signifique sacrificar relacionamentos com a família e com outros.
Esse espírito de ganância e egoísmo tem levado muitos a se isolar. Isso não lhes tem trazido felicidade nem satisfação, pois quem se deixa levar por tal espírito geralmente sente frustração e desespero. Em contraste, os relatos acima mostram o bom efeito de se associar com aqueles que servem a Jeová e que são motivados pelo amor a ele e ao próximo. A presença regular às reuniões cristãs, o apoio e o interesse de companheiros cristãos, e a participação zelosa no ministério foram fatores vitais para ajudar essas pessoas a superar sentimentos negativos que resultam de alguém se isolar. — Provérbios 17:17; Hebreus 10:24, 25.
Já que dependemos uns dos outros, é natural sentirmos satisfação ao fazermos coisas pelos outros. Albert Einsten, cujo trabalho beneficiou outros, disse: “O valor de um homem . . . deve ser medido por aquilo que ele dá e não por aquilo que ele é capaz de receber.” Isso está de acordo com as seguintes palavras do nosso Senhor Jesus Cristo: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” (Atos 20:35) Assim, embora seja bom receber amor, é também muito benéfico mostrar amor pelos outros.
Um superintendente viajante que há anos visita congregações prestando auxílio espiritual e já ajudou a construir locais de reuniões para cristãos de poucos recursos define seus sentimentos da seguinte maneira: “A alegria de servir meus irmãos e o apreço que demonstram me motivam a continuar buscando oportunidades de ajudar. Aprendi que mostrar interesse pessoal nos outros é a chave da felicidade. E eu sei que, como anciãos, devemos ser ‘como abrigo contra o vento e . . . como correntes de água numa terra árida, como a sombra dum pesado rochedo numa terra esgotada’.” — Isaías 32:2.
É realmente agradável viver em união!
Com certeza há grandes benefícios e verdadeira felicidade em ajudar outros e em procurar companheirismo com quem serve a Jeová. O salmista exclamou: “Eis que quão bom e quão agradável é irmãos morarem juntos em união!” (Salmo 133:1) Como ficou claro no caso de Miguel, Froylán e Alma Ruth, para haver apoio mútuo entre os membros da família, é fundamental que haja união. E que bênção é estarmos unidos com outros na adoração verdadeira! Após dar conselhos a maridos e esposas cristãos, o apóstolo Pedro escreveu: “Finalmente, sede todos da mesma mentalidade, compartilhando os sentimentos, exercendo afeição fraternal, ternamente compassivos, humildes na mente.” — 1 Pedro 3:8.
Amizades genuínas são muito benéficas, tanto em sentido emocional como espiritual. Dirigindo-se a companheiros na fé, o apóstolo Paulo exortou: “Falai consoladoramente às almas deprimidas, amparai os fracos, sede longânimes para com todos. . . . Empenhai-vos sempre pelo que é bom de uns para com os outros e para com todos os demais.” — 1 Tessalonicenses 5:14, 15.
Assim, procure maneiras práticas de fazer o bem a outros. ‘Faça o que é bom para com todos, mas especialmente para com os seus aparentados na fé.’ Isso trará verdadeiro sentido à sua vida e contribuirá para seu contentamento e satisfação. (Gálatas 6:9, 10) Tiago, discípulo de Jesus, escreveu: “Se um irmão ou uma irmã estiverem em nudez e lhes faltar alimento suficiente para o dia, contudo, alguém de vós lhes disser: ‘Ide em paz, mantende-vos aquecidos e bem alimentados’, mas não lhes derdes o necessário para os seus corpos, de que proveito é?” (Tiago 2:15, 16) A resposta para essa pergunta é óbvia. Precisamos ‘visar, em interesse pessoal, não apenas os nossos próprios assuntos, mas também, em interesse pessoal, os dos outros’. — Filipenses 2:4.
Além de ajudar outros materialmente quando há uma necessidade especial ou quando ocorre alguma calamidade, as Testemunhas de Jeová estão bastante ocupadas ajudando pessoas de uma maneira especialmente importante — por pregar-lhes as boas novas do Reino de Deus. (Mateus 24:14) A participação de mais de 6.000.000 de Testemunhas de Jeová na proclamação dessa mensagem de esperança e consolo é evidência de seu interesse amoroso e genuíno em outros. Mas prover ajuda por meio das Escrituras Sagradas ajuda a satisfazer outra necessidade humana. Qual é essa necessidade?
Como satisfazer uma necessidade vital
Para obter felicidade genuína, precisamos ter um relacionamento apropriado com Deus. Certo escritor disse: “O fato de que o homem, em toda parte e em todas as épocas, desde o início até os dias atuais, sente o impulso de invocar a algo que ele crê ser superior e mais poderoso do que ele próprio, mostra que a religiosidade é inata e deve ser cientificamente reconhecida. . . . Deveríamos sentir admiração, surpresa e reverência ao ver a universalidade da busca do homem por um ser supremo, e sua crença nele.” — Man Does Not Stand Alone (O Homem não Está Só), de A. Cressy Morrison.
Jesus Cristo declarou: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual.” (Mateus 5:3) O homem não é bem-sucedido quando se isola por muito tempo de outros. Contudo, mais sério ainda é nos isolar do Criador. (Revelação [Apocalipse] 4:11) Adquirir e aplicar “o próprio conhecimento de Deus” deve ser algo importante em nossa vida. (Provérbios 2:1-5) Devemos estar realmente determinados a satisfazer nossas necessidades espirituais, pois não podemos viver sozinhos e independentes de Deus. Uma vida verdadeiramente recompensadora e feliz depende de termos um bom relacionamento com Jeová, “o Altíssimo sobre toda a terra”. — Salmo 83:18.
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