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  • Os “novos” avós
    Despertai! — 1999 | 22 de março
    • Os “novos” avós

      “Bem-vindos à casa da vovó e do vovô — mimamos seus filhos enquanto você espera”. Assim diz um bem-humorado letreiro na entrada da casa de Gene e Jane, nos EUA.

      LÁ DENTRO, porém, você não encontra um casal de idosos sentados em cadeiras de balanço, mas sim um casal jovem e dinâmico, de 40 e poucos anos. Longe de evitar seus papéis de ‘veteranos conselheiros’, Gene e Jane assumiram entusiasticamente sua função de avós. “É verdade que esse é um daqueles sinaizinhos de que você está envelhecendo”, diz Gene, “mas esta é uma das recompensas, o prêmio por ter criado filhos: os netos”.

      Diz um antigo provérbio: “A coroa dos anciãos são os netos.” (Provérbios 17:6) Muitos avós e netos desfrutam de um vínculo muito especial de amor e apego. E, segundo a revista Generations, “um número sem precedentes de pessoas na sociedade americana são avós”. A razão? “Maior expectativa de vida e novos ritmos no ciclo da vida familiar”, explica o artigo. ‘Mudanças nas taxas de mortalidade e de fertilidade significam que calculadamente três quartos dos adultos serão avós. A maioria das pessoas de meia-idade tornam-se avós por volta dos 45 anos.’

      Em alguns países, surgiu um novo modelo de avós, muitos dos quais ficam cada vez mais envolvidos em criar os netos. Por exemplo, o filho e a ex-nora de Gene e Jane se divorciaram e dividem a guarda do filho. “Cuidamos do neto enquanto o nosso filho trabalha”, explica Jane. Segundo uma pesquisa nos Estados Unidos, avós que cuidam de netos dedicam em média 14 horas semanais a essa tarefa. Isso equivale a 29 bilhões de dólares em mão-de-obra por ano!

      Quais são as alegrias dos avós de hoje? E seus desafios? Os próximos artigos consideram essas perguntas.

  • As alegrias e os desafios dos avós
    Despertai! — 1999 | 22 de março
    • As alegrias e os desafios dos avós

      “Eu amo ser avô! A gente pode desfrutar da companhia dos netos sem se sentir totalmente responsável por eles. Sabemos que influímos na vida deles, mas a palavra final não é nossa. É dos pais.” — Gene, um avô.

      O QUE há de tão bom em ser avô (ou avó) que provoque tamanho entusiasmo? Os pesquisadores dizem que as exigências normais que os pais impõem aos filhos podem gerar muita tensão. Visto que os avós em geral não precisam fazer essas exigências, podem manter uma relação menos tensa com os netos. Como diz o Dr. Arthur Kornhaber, os avós podem amar seus netos simplesmente “porque são seus netos”. Esther, uma avó, diz: “Com meus filhos, minhas emoções cotidianas ficavam muito envolvidas em tudo o que eles faziam. Como avó, posso simplesmente desfrutar da companhia dos netos e amá-los.”

      Existe também maior sabedoria e competência que vêm com a idade. (Jó 12:12) Não sendo mais jovens e inexperientes, os avós têm anos de experiência na criação de filhos. Tendo aprendido de seus erros, talvez tenham mais habilidade de lidar com crianças do que tinham quando eram mais jovens.

      O Dr. Kornhaber conclui: “Um vínculo sadio e amoroso entre avós e netos é necessário para a saúde emocional e a felicidade de todas as três gerações. Esse vínculo é um direito inato das crianças, . . . um legado dos mais velhos que beneficia a todos na família.” A revista Family Relations também observa: “Os avós que assumem o papel de avós e se identificam com ele desenvolvem um maior senso de bem-estar e bom ânimo.”

      O papel dos avós

      Há muitos papéis valiosos que os avós podem desempenhar. “Podem dar apoio a seus filhos casados”, diz Gene. “Por fazerem isso, acho que podem amenizar algumas das dificuldades em que os jovens pais se encontrem.” Podem também ajudar muito os próprios netos. Em geral, são os avós que transmitem as “histórias” que criam na criança a noção de histórico familiar. E muitos avós cumprem um papel-chave na transmissão da herança religiosa da família.

      Em muitas famílias, os avós servem como conselheiros. “As crianças talvez lhe falem de coisas sobre as quais não se sentem à vontade para falar com seus pais”, diz Jane, mencionada no primeiro artigo. Os pais, em geral, apreciam esse apoio extra. Segundo um estudo, “mais de 80% dos adolescentes tinham seus avós como confidentes. . . . Uma grande proporção de netos adultos mantém contato regular com seus avós mais íntimos”.

      Avós amorosos podem ser especialmente importantes para a criança ou adolescente que não encontra em casa o apoio necessário. “Minha avó foi a pessoa mais importante na minha infância”, escreve Selma Wassermann. “Foi ela que me apoiou e supriu meu mundo de cuidados e atenção. Seu colo era ‘maior do que a praia de Miami’ e, quando ela me levava ao colo, eu sabia que estava segura. . . . Foi de minha avó que aprendi as coisas mais importantes sobre mim mesma — que eu era amada e digna de ser amada.” — The Long Distance Grandmother.

      Tensões familiares

      Ser avós, porém, não é uma tarefa isenta de possíveis tensões e problemas. Certa mãe, por exemplo, lembra-se de uma discussão áspera que teve com sua mãe a respeito da melhor maneira de fazer um bebê arrotar. “Isso abriu uma brecha entre nós num momento muito delicado para mim.” É compreensível que os jovens pais esperem que seus pais aprovem a sua maneira de criar os filhos. Assim, as sugestões de seus bem-intencionados pais podem parecer críticas devastadoras.

      Em seu livro Between Parents and Grandparents (Entre Pais e Avós), o Dr. Kornhaber fala de outro problema comum. Diz uma mãe: “Meus pais vão a minha casa todos os dias e se aborrecem quando não me encontram lá. . . . Eles não pensam em mim — nos meus sentimentos e na minha privacidade.” Um pai se queixa: “Meus pais querem se ‘apossar’ de minha filhinha. Eles comem, dormem, sempre pensando em Susie, vinte e quatro horas por dia. . . . Estamos pensando em nos mudar para longe.”

      Outros avós são acusados de mimar os netos, cobrindo-os de presentes. Naturalmente, para muitos avós a generosidade é tão natural como respirar, mas alguns parecem exagerar nisso. Às vezes, porém, as queixas dos pais podem ser motivadas por ciúme. (Provérbios 14:30) “Meus pais eram rígidos e duros comigo”, revela Mildred. “Com meus filhos eles são generosos e [permissivos]. Sinto ciúme porque não mudaram em nada o modo de me tratar.” Sejam quais forem as motivações ou as razões, podem surgir problemas se os avós não respeitarem a vontade dos pais na questão de presentear os netos.

      Portanto, é sensato que os avós sejam criteriosos nas suas demonstrações de generosidade. Segundo a Bíblia, o excesso, até mesmo do que é bom, pode ser ruim. (Provérbios 25:27) Se tiver dúvidas sobre como presentear os netos, pergunte aos pais deles. Assim você ‘saberá dar boas dádivas’. — Lucas 11:13.

      As chaves: amor e respeito

      Infelizmente, alguns avós lamentam que são tratados como se fossem obrigados a cuidar dos netos. Outros acham que recebem pouca oportunidade de estar com eles. Ainda outros dizem que seus filhos adultos evitam o contato com eles sem nem mesmo explicar por quê. Muitos desses problemas dolorosos podem ser evitados se os familiares tiverem amor e respeito entre si. A Bíblia diz: ‘O amor é longânime e benigno. Não é ciumento, não procura seus próprios interesses, não fica encolerizado. Suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas.’ — 1 Coríntios 13:4, 5, 7.

      Talvez você seja uma jovem mãe e a vovó, mesmo bem-intencionada, sugere ou diz algo irritante. Você realmente tem motivos para ‘ficar encolerizada’? Afinal, a Bíblia mostra que as mulheres cristãs mais idosas devem ensinar ‘as mais jovens a amar seus maridos, a amar seus filhos, a ser ajuizadas, castas, operosas em casa’. (Tito 2:3-5) E não é verdade que tanto você como os avós desejam a mesma coisa — o melhor para as crianças? Sendo que o amor “não procura os seus próprios interesses”, talvez seja melhor concentrar-se nas necessidades da criança — não nos seus próprios sentimentos. Isso contribuirá para que se evite ‘compelir uns aos outros a uma confrontação’ em cada irritação trivial. — Gálatas 5:26, nota de rodapé na edição com referências.

      Está certo, você talvez tema que a generosidade exagerada possa mimar seus filhos. Mas, via de regra, a generosidade dos avós não é mal-intencionada. A maioria dos especialistas em educação infantil concorda que a maneira como você educa e disciplina os filhos terá um impacto muito maior do que a intervenção ocasional dos avós. Certo psicólogo aconselha: “Um bom senso de humor ajuda.”

      Se você tiver razões legítimas para se preocupar com algum aspecto da criação dos filhos, não corte o relacionamento dos avós com as crianças. Diz a Bíblia: “Há frustração de planos quando não há palestra confidencial.” (Provérbios 15:22) No “tempo certo”, tenha uma conversa séria sobre o assunto e revele as suas preocupações. (Provérbios 15:23) Em muitos casos se encontram soluções.

      Se você é avô ou avó, mostrar respeito pelos pais de seus netos é essencial. Naturalmente, você se sentiria obrigado a protestar, caso achasse que seus netos corriam perigo. Mas, embora seja natural que ame e preze seus netos, é dos pais — não dos avós — o dever de criar os filhos. (Efésios 6:4) A Bíblia ordena que os netos respeitem e obedeçam aos pais deles. (Efésios 6:1, 2; Hebreus 12:9) Portanto, não mine a autoridade dos pais nem os inunde de conselhos não-solicitados. — Note 1 Tessalonicenses 4:11.

      Não se envolver, segurar a língua — e talvez o fôlego — e deixar que seus filhos cuidem da tarefa de pais nem sempre é fácil, é verdade. Mas, como diz Gene, “a menos que peçam conselhos, deve-se aceitar o que eles acham ser melhor para seus filhos”. Jane acrescenta: “Eu evito dizer: ‘É assim que tem de ser feito!’. Há muitas maneiras diferentes de fazer as coisas, e ser opinioso pode causar problemas.”

      A contribuição que os avós podem dar

      A Bíblia fala dos netos como bênção da parte de Deus. (Salmo 128:3-6) Você poderá exercer uma tremenda influência sobre a vida deles por interessar-se por eles, ajudando-os a desenvolver valores divinos. (Deuteronômio 32:7) Nos tempos bíblicos, a avó Lóide teve uma participação importante na educação de seu neto, Timóteo, que se tornou um notável servo de Deus. (2 Timóteo 1:5) De modo similar, você poderá ter alegria, à medida que seus netos forem acatando o ensino divino.

      Os avós podem também ser uma fonte dos necessários amor e afeto. Talvez você não seja daquele tipo especialmente efusivo ou carinhoso. Mas o amor piedoso pode também ser demonstrado por meio de interesse sincero e altruísta em seus netos. Como diz a escritora Selma Wassermann, “interessar-se pelo que a criança lhe diz . . . certamente indica seu interesse por ela. Ouvir atentamente, não interromper, não ser crítico — tudo isso revela consideração, afeto, apreço”. Para um neto, essa atenção cordial pode ser um dos melhores presentes que os avós lhe podem dar.

      Até aqui focalizamos os papéis tradicionais dos avós. Muitos avós de hoje, porém, têm uma carga de responsabilidade muito maior.

      [Destaque na página 6]

      “Foi de minha avó que aprendi as coisas mais importantes sobre mim mesma — que eu era amada e digna de ser amada”

      [Quadro na página 6]

      Dicas para avós que moram distante

      • Peça a seus filhos que enviem fitas de vídeo ou fotos dos netos.

      • Envie “cartas” em fitas de áudio aos netos. Para os bem pequenos, grave você mesmo lendo histórias bíblicas ou entoando canções de ninar.

      • Envie aos netos cartões postais e cartas. Se possível, corresponda-se regularmente com eles.

      • Se sua situação financeira permitir, telefone para seus netos. Ao falar com os bem pequenos, comece com perguntas simples, tais como “o que é que você comeu hoje no café da manhã?”

      • Se possível, faça visitas periódicas e breves.

      • Através dos pais, programe visitas de seus netos a sua casa. Planeje atividades divertidas, como ir a zoológicos, museus e parques.

  • Quando os avós se tornam pais
    Despertai! — 1999 | 22 de março
    • Quando os avós se tornam pais

      “Eu acabara de chegar de uma reunião no Salão do Reino. Houve uma batida forte na porta. Lá fora estavam dois policiais e duas crianças sujas, de cabelos emaranhados e que pareciam não ter tomado banho há meses. Nem pareciam crianças! Eram meus netos, e a mãe deles — viciada em drogas — os havia negligenciado. Eu era viúva e já tinha seis filhos. Mas não pude dizer ‘não’.” — Sally.a

      “Minha filha me pediu para cuidar de seus filhos até que ela endireitasse a sua vida. Eu não sabia que ela era viciada em drogas. Acabei criando os dois filhos dela. Anos depois, ela teve outro bebê, uma menina. Eu não queria ficar com ela, mas meu neto me implorou: ‘Vovó, podemos aceitar só mais um?’” — Willie Mae.

      SER avós costumava ser descrito como “prazer sem responsabilidade”. Mas não é mais assim. Calcula-se que só nos Estados Unidos mais de três milhões de crianças vivem com seus avós. E o número aumenta rapidamente.

      O que há por trás dessa tendência perturbadora? Os filhos de pais divorciados talvez passem a morar com os avós. Como também as crianças negligenciadas ou que sofrem abusos dos pais. A revista Child Welfare diz que por causa de seus efeitos imobilizadores sobre pais viciados, o narcótico ‘crack (à base de cocaína) está criando uma geração perdida’. Há também milhões de crianças “sem pais” em resultado de abandono, da morte ou de doença mental dos pais. Crianças cuja mãe morre de Aids talvez também acabem sendo criadas pelos avós.

      Assumir a responsabilidade de cuidar de crianças na meia-idade ou nos “dias calamitosos” da velhice pode ser arrasador. (Eclesiastes 12:1-7) Muitos simplesmente não têm suficiente energia para ficar o tempo todo de olho em crianças pequenas. Alguns avós cuidam também de seus próprios pais idosos. Ainda outros são viúvos ou divorciados que têm de se virar sem o apoio de um cônjuge. E muitos descobrem que não têm condições financeiras para assumir esse encargo. Uma pesquisa mostrou que a renda de 4 em cada 10 avós que tinham a guarda de netos era próxima à linha de pobreza. “As crianças estavam doentes”, lembra-se Sally. “Tive de gastar muito dinheiro com remédios. Recebi pouca ajuda do Estado.” Uma mulher idosa lembra-se: “Tive de usar o dinheiro de minha aposentadoria para criar meus netos.”

      Tensões e pressões

      Não é de admirar que, segundo um estudo, “criar netos é muito estressante para os avós, sendo que 86% dos 60 avós entrevistados disseram que se sentem ‘quase sempre deprimidos ou ansiosos’”. De fato, muitos falam de problemas de saúde. “Isso me afetou física, mental e espiritualmente”, diz Elizabeth, uma mulher que cuidou de sua neta adolescente. Willie Mae tem problemas de coração e pressão alta. “Minha médica acredita que isso tem a ver com a tensão de cuidar de crianças”, diz ela.

      Muitos não estão preparados para mudar seu estilo de vida a fim de poderem criar os netos. “Às vezes eu não posso ir a certos lugares”, diz um avô. “Eu me sentiria culpado . . . de deixá-los com outra pessoa, de modo que deixo de ir a certos lugares ou de fazer certas coisas.” Uma avó diz que tempo para si mesma “não existe”. O isolamento social e a solidão são comuns. Certa avó disse: “Na nossa faixa etária a maioria dos nossos amigos não têm filhos pequenos, de modo que muitas vezes recusamos convites porque nossos netos não são convidados.”

      As pressões emocionais também são dolorosas. Um artigo na revista U.S.News & World Report declara: “Muitos [avós] sentem-se envergonhados e culpados pelo fato de seus próprios filhos terem fracassado como pais — e muitos culpam a si mesmos, perguntando-se em que falharam como pais. Para dar aos netos um lar seguro e amoroso, alguns avós têm de renunciar emocionalmente a seus próprios filhos que abusam das crianças ou que são viciados em drogas.”

      Segundo certa pesquisa, ‘mais de um quarto dos avós disseram que sua alegria com a vida conjugal diminuiu devido à responsabilidade de criar netos’. Maridos, em especial, muitas vezes se sentem negligenciados à medida que a esposa assume a maior parte do trabalho de cuidar das crianças. Alguns maridos acham que simplesmente não podem suportar a pressão. Certa mulher disse a respeito de seu marido: “Ele nos deixou . . . Acho que se sentiu num beco sem saída.”

      Crianças rancorosas

      “As tensões se agravam porque algumas das crianças [que os avós] recebem para criar são as mais carentes, as mais prejudicadas emocionalmente e as mais rancorosas do país”, diz U.S.News & World Report.

      Veja o caso da neta de Elizabeth. Seu pai literalmente a abandonou na esquina em que Elizabeth trabalhava como guarda, auxiliando os escolares a atravessar a rua. “É uma criança rancorosa”, diz Elizabeth. “Muito magoada.” Os netos de Sally têm cicatrizes similares. “Meu neto é ressentido. Ele acha que ninguém o quer.” Ter pais amorosos é um direito inato da criança. Imagine como se sente a criança abandonada, negligenciada ou rejeitada por eles! Entender esses sentimentos pode ser a chave para lidar pacientemente com crianças que apresentam problemas de comportamento. Provérbios 19:11 reza: “A perspicácia do homem certamente torna mais vagarosa a sua ira.”

      Por exemplo, a criança abandonada talvez resista aos seus esforços de cuidar dela. Entender os seus temores e ansiedades pode ajudar você a reagir com compaixão. De fato, reconhecer os temores da criança e assegurá-la de que você fará todo o possível para cuidar dela, pode ajudar muito a diminuir esses temores.

      Como enfrentar as pressões

      ‘Estou muito magoada e lamento a minha sorte. Não merecemos isso.’ Assim se expressou uma avó que tem a guarda de netos. Se você estiver nessa situação, talvez também pense assim. Mas a questão não é de modo algum desesperadora. Por um lado, a idade pode limitar as suas energias, mas pode também ser uma vantagem no que diz respeito a sabedoria, paciência e habilidade. Não é de admirar que um estudo tenha revelado que “crianças criadas somente pelos avós saíram-se muito bem em comparação com as que foram criadas em famílias que contavam apenas com o pai ou a mãe biológicos”.

      A Bíblia exorta-nos a ‘lançar sobre Jeová toda a nossa ansiedade, pois ele cuida de nós’. (1 Pedro 5:7) Portanto, ore sempre a ele em busca de força e de orientação, como fez o salmista. (Salmo 71:18) Dê atenção às suas próprias necessidades espirituais. (Mateus 5:3) “O que me ajudou a sobreviver foram as reuniões na congregação e pregar a outros”, diz uma cristã. Se possível, tente ensinar aos netos os caminhos de Deus. (Deuteronômio 4:9) Deus certamente apoiará seus esforços de criá-los “na disciplina e na regulação mental de Jeová”. — Efésios 6:4.b

      Não receie pedir ajuda. Em muitos casos, os amigos podem dar assistência, especialmente no âmbito da congregação cristã. Sally se recorda: “Os irmãos na fé me deram muito apoio. Quando eu caía, eles me levantavam. Alguns até mesmo me ajudaram financeiramente.”

      Não desperceba uma possível ajuda do governo. (Romanos 13:6) Curiosamente, segundo uma pesquisa feita com avós, “a maioria deles não sabe que benefícios existem ou onde pedir ajuda”. (Child Welfare) Assistentes sociais e órgãos locais de amparo aos idosos talvez possam orientá-lo a como se beneficiar de certos serviços.

      Em muitos casos, avós com a guarda de netos são fruto dos atuais “tempos críticos, difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1-5) Felizmente, esses tempos difíceis indicam que Deus em breve intervirá e criará “uma nova terra” em que as situações trágicas que hoje afligem tantas famílias serão coisas do passado. (2 Pedro 3:13; Revelação [Apocalipse] 21:3, 4) No ínterim, os avós que têm a guarda de netos devem fazer tudo ao seu alcance. Muitos estão se saindo muito bem! Lembre-se sempre de que, apesar da frustração, pode haver alegrias. Ora, você poderá ter até mesmo a alegria de ver seus netos se tornarem pessoas íntegras que amam a Deus. Não compensaria isso todo o seu trabalho árduo?

      [Nota(s) de rodapé]

      a Alguns nomes foram mudados.

      b O livro O Segredo de Uma Família Feliz (publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados) considera muitos princípios bíblicos práticos para os avós que criam netos.

      [Quadro na página 10]

      Questões legais

      Obter ou não a guarda dos netos é uma questão sensível e complexa. Maria Fron, especialista no assunto, explica: “Por um lado, você tem poucos direitos legais sem a guarda. Na maioria dos casos, os pais biológicos podem vir e retirar a criança ou as crianças quando quiserem. Por outro lado, muitos avós relutam em pedir a guarda, pois isso significa declarar em juízo que seu filho ou sua filha não servem para ser pai ou mãe.” — Good Housekeeping.

      Sem a guarda, os avós podem enfrentar dificuldades em matricular seus netos na escola ou até mesmo em conseguir tratamento médico para eles. Obter a guarda, porém, pode ser uma provação cara, demorada e emocionalmente esgotante. E, mesmo se for conseguida, os avós talvez sejam cortados da ajuda financeira do Estado. Assim, a revista Child Welfare sugere que os avós “procurem aconselhamento jurídico de um advogado local experiente em leis do Estado que regulam a família, os casos de guarda e o bem-estar de crianças e adolescentes”.

      [Quadro na página 11]

      Calcule o custo

      Ver uma criança necessitada — especialmente se for parente consangüíneo — é angustiante. E a Bíblia ordena que os cristãos cuidem “dos seus”. (1 Timóteo 5:8, Almeida) Não obstante, em muitos casos, os avós devem sabiamente pensar bem antes de assumir essa responsabilidade. (Provérbios 14:15; 21:5) Deve-se calcular o custo. — Note Lucas 14:28.

      Considere seriamente: você realmente tem condições físicas, emocionais, espirituais e financeiras para atender às necessidades dessa criança? O que seu cônjuge pensa disso? Existe alguma maneira de incentivar ou ajudar os pais a cuidarem eles mesmos da criança? Lamentavelmente, alguns pais faltosos simplesmente continuam a levar uma vida imoral. Certa avó, amargurada, se recorda: “Eu tomei conta de vários filhos dela. Mas ela não parava de usar drogas e de ter filhos. Cheguei a um ponto em que tive de dizer ‘não!’.”

      Por outro lado, se você não se importar com seus netos, o que acontecerá com eles? Suportaria a pressão de saber que estão sendo criados por outros, talvez até mesmo por estranhos? E as necessidades espirituais das crianças? Será que outros saberão criá-las segundo as normas de Deus? Alguns talvez concluam que, apesar das dificuldades, não há outra escolha senão assumir a responsabilidade.

      Trata-se de preocupações aflitivas, e cada pessoa tem de tomar a sua própria decisão.

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