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Mulheres — são respeitadas hoje em dia?Despertai! — 1992 | 8 de julho
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Mulheres — são respeitadas hoje em dia?
‘POR QUE essa pergunta?’, alguns homens surpresos talvez perguntem. Porém, quando examinamos o tratamento dado às mulheres no curso da História, e atualmente em todo o mundo, umas poucas perguntas simples nos dão a chave da resposta.
Nas relações humanas, quem principalmente têm sido as vítimas e quem os opressores? Quem principalmente tem sido espancado no casamento? O homem ou a mulher? Quem tem sido violentado em tempos de paz e de guerra? Quem têm sido as principais vítimas do abuso sexual de crianças? Meninos ou meninas? A quem muitas vezes se tem imputado uma cidadania de segunda classe em decretos feitos por homens? A quem se tem negado o direito ao voto? Quem tem tido limitadas oportunidades de educação? O homem ou a mulher?
As perguntas poderiam continuar indefinidamente, mas os fatos falam por si. Em seu livro Que Você Seja Mãe de Cem Filhos Homens (em inglês), Elisabeth Bumiller escreve, com base em suas experiências na Índia: “A indiana ‘típica’, que representa uns 75 por cento dos quatrocentos milhões de mulheres e crianças do sexo feminino na Índia, vive numa aldeia. . . . Não sabe ler nem escrever, embora gostasse de saber, e raramente viajou mais de 30 quilômetros de seu local de nascimento.” Essa desigualdade na educação é um problema não só na Índia, mas em todo o mundo.
No Japão, como em muitos outros países, ainda existe uma disparidade. Segundo The Asahi Yearbook (Anuário Asahi), de 1991, o número de estudantes homens nos cursos universitários de quatro anos é de 1.460.000, ao passo que o de mulheres é 600.000. Sem dúvida, mulheres em todo o mundo podem atestar que suas oportunidades no campo da educação são menores. ‘Educação é para os rapazes’, é a atitude com que se deparam.
Em seu livro recente Contra-Reação — A Guerra Não-Declarada Contra as Mulheres Americanas (em inglês), Susan Faludi faz algumas perguntas pertinentes sobre a situação das mulheres nos Estados Unidos. “Se as mulheres americanas desfrutam de tanta igualdade, por que constituem elas dois terços dos adultos pobres? . . . Por que, com probabilidade muito maior do que os homens, elas ainda vivem em moradias precárias e não recebem seguro de saúde, e com probabilidade duas vezes maior não recebem pensão?”
Por maioria esmagadora, são as mulheres que mais têm sofrido. Elas têm suportado o grosso das indignidades, insultos, importunação sexual e desrespeito às mãos de homens. Tais maus-tratos de modo algum se limitam aos chamados países em desenvolvimento. A Comissão de Justiça do Senado dos EUA recentemente preparou um relatório sobre a violência contra as mulheres. Este revelou certos fatos chocantes. “A cada 6 minutos, uma mulher é estuprada; a cada 15 segundos, uma mulher é espancada. . . . Mulher alguma é imune a crime violento neste país. Das mulheres americanas vivas hoje, três de cada quatro serão vítimas de pelo menos um crime violento.” Num ano, de três a quatro milhões de mulheres sofreram abusos da parte de seus maridos. Foi esta situação deplorável que levou à aprovação do Estatuto da Violência Contra as Mulheres, de 1990. — Relatório do Senado, The Violence Against Women Act of 1990.
Examinemos algumas das situações em que as mulheres, em todo o mundo, têm sofrido falta de respeito da parte de homens. Daí, nos dois últimos artigos desta série veremos como homens e mulheres, em todas as rodas da vida, podem demonstrar respeito mútuo.
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Mulheres — são respeitadas em casa?Despertai! — 1992 | 8 de julho
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Mulheres — são respeitadas em casa?
“Uma após outra, as mulheres sofreram uma morte horrível. . . . E, embora a maneira de sua morte variasse, as circunstâncias básicas não: a Polícia de Quebec [Canadá] diz que todas essas mulheres foram mortas por um anterior ou atual marido ou namorado. Ao todo, 21 mulheres em Quebec foram mortas este ano [1990], vítimas de um surto de violência conjugal.” — Revista Maclean’s, 22 de outubro de 1990.
A VIOLÊNCIA doméstica, que alguns chamam de “o lado negro da vida familiar”, colhe uma safra de famílias rompidas e produz filhos que vêm a ter um conceito distorcido sobre o que são relações conjugais. Os filhos ficam divididos na sua lealdade aos pais, enquanto tentam entender por que o pai bate na mãe. (Menos comum, é a pergunta: por que mamãe é tão cruel com papai?) Os frutos da violência doméstica não raro incluem filhos que, por sua vez, se tornam espancadores de esposa. A marca paternal os deixa com graves problemas psicológicos e de personalidade.
A publicação As Mulheres do Mundo — 1970-1990, da ONU (em inglês), diz: “Os ataques de homens contra mulheres em suas casas são presumivelmente os crimes menos notificados — em parte porque tal violência é vista como mal social, não como crime.”
Quão grave é o abuso contra a esposa nos Estados Unidos? O relatório do Senado, mencionado no artigo anterior, diz: “A expressão ‘violência doméstica’ talvez soe suave, mas o comportamento que ela descreve nada tem de brando. As estatísticas fornecem um quadro arrepiante de quão sério — deveras letal — pode ser o abuso contra a esposa. De 2.000 a 4.000 mulheres morrem anualmente de abusos. . . . Diferente de outros crimes, o abuso contra a esposa é violência ‘crônica’. Trata-se de intimidação constante e repetidos danos físicos.”
A revista World Health diz: “A violência contra as mulheres ocorre em todos os países e em todas as classes sociais e econômicas. Em muitas culturas, bater na esposa é considerado um direito do marido. Muitíssimas vezes, os rotineiros espancamentos e violação de mulheres e moças são considerados ‘assuntos privados’ que não dizem respeito a terceiros — sejam estes autoridades constituídas ou pessoal da área de saúde.” Esta violência no lar pode facilmente se alastrar para o âmbito da escola.
Exemplo disso foi o que aconteceu num internato misto, no Quênia, em julho de 1991. Segundo o jornal The New York Times, “71 alunas adolescentes foram violentadas por alunos e 19 outras morreram numa noite de violência no dormitório que, segundo divulgado, . . . prosseguiu sem ser reprimida pela Polícia ou pelos professores locais”. Como explicar tal turbilhão de violência sexual? “Esta tragédia pôs em evidência o abominável chauvinismo masculino que domina a vida social queniana”, escreveu Hilary Ng’Weno, redator-chefe da The Weekly Review, a revista mais lida do Quênia. “A situação de nossas mulheres e moças é lamentável. . . . Criamos nossos rapazes dum modo que vêm a ter pouco ou nenhum respeito pelas moças.”
Este é mundialmente o ponto crucial do problema — os meninos não raro são criados dum modo que vêm a encarar as moças e as mulheres como criaturas inferiores, exploráveis. As mulheres são tidas como vulneráveis e facilmente domináveis. Daí, para o desrespeito às mulheres e o flagrante chauvinismo masculino é um passo curto, como é também um passo curto para o estupro entre conhecidos ou em encontro. E sobre estupro, não se desperceba que “um ataque pode ser desfechado em instantes, mas sentido por toda a vida”. — Relatório do Senado.
Muitos homens, embora não sejam necessariamente violentos contra as mulheres em sentido físico, podem ser descritos como misóginos subliminais, ou seja, odiadores de mulheres. Em vez de violência física, recorrem a abusos ou agressões psicológicas. Em seu livro Homens Que Odeiam as Mulheres & as Mulheres Que os Amam (em inglês), a Dra. Susan Forward diz: “Segundo suas companheiras os descreveram, [esses homens] não raro eram fascinantes e até mesmo amorosos, mas capazes de subitamente mudar para um comportamento cruel, crítico e insultante. Seu comportamento abrangia uma ampla gama, de intimidações e ameaças óbvias a ataques mais sutis, encobertos, que assumiam a forma de constantes rebaixamentos ou crítica erosiva. Independentemente do estilo, os resultados eram os mesmos. O homem ganhava controle tiranizando a mulher. Esses homens recusaram-se também a assumir qualquer responsabilidade pelo que seus ataques causaram aos sentimentos de suas companheiras.”
Yasuko,a uma japonesa franzina, casada há 15 anos, falou a Despertai! sobre a sua família: “Meu pai regularmente espancava e maltratava minha mãe. Ele a chutava e socava, puxava-a pelos cabelos, e até mesmo atirava-lhe pedras. E sabe por quê? Porque ela ousava desafiar a infidelidade dele com outra mulher. Como sabe, na cultura japonesa, tem sido considerado bem normal que certos homens tenham amante. Minha mãe estava à frente de seu tempo e recusava-se a aceitar isso. Depois de 16 anos de casamento e quatro filhos, ela se divorciou. Ficou sem ajuda de custeio para os filhos, da parte de meu pai.”
Todavia, mesmo nos casos em que o espancamento da esposa foi notificado às autoridades, muitas vezes isto não impediu que um homem vingativo assassinasse sua esposa. Em muitas situações, em países como os Estados Unidos, a lei tem sido inadequada para proteger uma ameaçada e aterrorizada esposa. “Um estudo mostrou que em mais da metade de todos os assassinatos de esposa cometidos pelo marido, a Polícia havia sido chamada à casa cinco vezes no ano prévio para investigar uma queixa de violência doméstica.” (Relatório do Senado) Em alguns casos extremos, para poupar-se de abusos adicionais, a esposa matou o marido.
A violência doméstica, na qual a mulher em geral é a vítima, manifesta-se de muitas formas. Na Índia, o divulgado número das chamadas mortes por causa do dote (maridos que matam a esposa por insatisfação com o dote que a família da esposa paga) aumentou de 2.209, em 1988, para 4.835, em 1990. Mas estes números não podem ser considerados completos ou exatos, pois muitas mortes de esposa são dissimuladas em acidentes domésticos — em geral por queima deliberada com querosene usado para cozinhar. Há também os suicídios de esposas que não mais suportam a desgraça doméstica.
Quando a Escolha É Filhos ou Filhas
As mulheres sofrem discriminação desde o nascimento, e até mesmo antes. Como assim? Despertai! entrevistou Madhu, de Bombaim, Índia, que declarou: “Quando nasce um menino numa família indiana, isto gera grande alegria. Os problemas da mãe estão resolvidos. Os pais têm agora um filho varão para cuidar deles na velhice. Sua ‘seguridade social’ está garantida. Mas se ela der à luz uma menina, isto será considerado como falha de sua parte. É como se ela tivesse trazido ao mundo apenas mais uma carga. Os pais terão de providenciar um custoso dote para que a filha se case. E se a mãe continuar a produzir meninas, será considerada um fracasso.”b
A revista Indian Express disse a respeito de meninas na Índia: “A sua sobrevivência não é considerada realmente importante para a sobrevivência da família.” A mesma fonte cita um levantamento feito em Bombaim que “revelou que de 8.000 fetos abortados após testes para determinar o sexo, 7.999 eram meninas”.
Elisabeth Bumiller escreve: “A condição de algumas indianas é tão desventurada que, se a sua aflição recebesse a atenção que recebem as minorias étnicas e raciais em outras partes do mundo, a causa delas seria esposada por grupos de direitos humanos.” — Que Você Seja Mãe de Cem Filhos Homens (em inglês).
“O Trabalho da Mulher Nunca Acaba”
“O trabalho da mulher nunca acaba”, pode parecer um simples chavão. Mas ele diz uma verdade que muitos homens despercebem. A mulher com crianças não tem a regalia de um horário fixo de trabalho, das oito às cinco, como no caso de muitos homens. Se o bebê chora de noite, quem provavelmente atende? Quem limpa a casa, lava e passa a roupa? Quem prepara e serve as refeições quando o marido volta do trabalho? Quem lava a louça e limpa a cozinha depois das refeições e daí prepara as crianças para dormir? E em muitos países, além de tudo isso, de quem se espera que busque água para a família, e até mesmo trabalhe na roça com um bebê nas costas? Em geral, é a mãe. Seu horário de trabalho não é apenas 8 ou 9 horas por dia; não raro é 12 a 14 horas, ou mais. Contudo, não lhe pagam horas extras — e são muito raras as expressões de agradecimento!
Segundo a revista World Health, na Etiópia, muitas “mulheres têm de trabalhar 16 a 18 horas por dia, [e] sua renda é tão baixa que não podem sustentar a si e a sua família. . . . A fome é um fenômeno diário; na maioria dos casos, elas [as recolhedoras e carregadoras de lenha para combustível] tomam apenas uma refeição incompleta por dia e, em geral, saem de casa sem o desjejum”.
Siu, natural de Hong Kong, casada há 20 anos, disse: “No contexto chinês, os homens tendem a rebaixar as mulheres, encarando-as como auxiliares domésticas e procriadoras, ou, então, no outro extremo, como ídolos, brinquedos, ou objetos sexuais. Mas o que nós, mulheres, realmente queremos é ser tratadas como criaturas inteligentes. Queremos que os homens nos escutem quando falamos, e não ajam simplesmente como se fôssemos palermas!”
Não surpreende que o livro Men and Women (Homens e Mulheres) diga: “Em toda a parte, mesmo onde as mulheres são tidas em alta estima, as atividades dos homens são mais valorizadas do que as das mulheres. Pouco importa como a sociedade distribui papéis e tarefas entre os sexos; os que pertencem aos homens inevitavelmente valem mais aos olhos da inteira comunidade.”
A verdade é que o papel da mulher no lar em geral não é valorizado. Assim, o prefácio do livro As Mulheres do Mundo — 1970-1990 (em inglês) declara: “As condições de vida das mulheres — e suas contribuições à família, à economia e ao lar — em geral passam despercebidas. Muitas estatísticas têm sido definidas em termos que representam as condições e as contribuições dos homens, não das mulheres, ou que simplesmente ignoram o sexo. . . . Grande parte do trabalho feito por mulheres ainda não é considerado como tendo algum valor econômico — e não é nem mesmo medido.”
Em 1934, o escritor norte-americano Gerald W. Johnson emitiu certas opiniões sobre as mulheres no local de trabalho: “A mulher muitas vezes ganha o trabalho de um homem mas raramente o salário de um homem. A razão é que não existe uma forma imaginável de labor diário que não possa ser feito melhor por um homem do que por qualquer mulher. Os maiores modistas e chapeleiros são homens. . . . Os maiores cozinheiros invariavelmente são homens. . . . É um fato concreto que qualquer empregador está disposto a pagar mais a um homem do que a uma mulher, pelo mesmo trabalho, porque ele tem razões para crer que o homem o fará melhor.” Este comentário, embora talvez irônico, refletia os preconceitos da época, ainda presentes em muitas mentes masculinas.
Falta de Respeito — Um Problema Mundial
Toda cultura desenvolveu suas atitudes, preconceitos e predisposições para com o papel das mulheres na sociedade. Mas resta perguntar: Mostram essas atitudes o devido respeito à dignidade das mulheres? Ou será que refletem o domínio masculino ao longo dos séculos em função da em geral superior força física do homem? Se as mulheres são tratadas como escravas, ou como objetos exploráveis, onde fica o respeito pela sua dignidade? Em maior ou menor grau, a maioria das culturas têm subvertido o papel da mulher e minado a sua auto-estima.
Um exemplo dentre muitos ao redor do mundo vem da África: “As mulheres iorubas [da Nigéria] precisam fingir ser ignorantes e aquiescentes na presença do marido, e, ao servirem as refeições, são obrigadas a se ajoelharem aos pés do marido.” (Homens e Mulheres) Noutras partes do mundo, essa subserviência talvez se manifeste de outras formas — a esposa ter de caminhar a certa distância atrás do marido, andar a pé ao passo que ele monta um cavalo ou um mulo, carregar fardos ao passo que o marido não carrega nenhum, comer em separado, e assim por diante.
Em seu livro The Japanese, Edwin Reischauer, nascido e criado no Japão, escreveu: “Atitudes de chauvinismo masculino são gritantemente evidentes no Japão. . . . Um duplo padrão moral, que deixa o homem livre e a mulher restrita, ainda é comum. . . . Das mulheres casadas, além do mais, espera-se que sejam muito mais fiéis do que os homens.”
Como em muitos países, a importunação sexual é também um problema no Japão, especialmente nos superlotados trens de metrô nas horas de maior movimento. Yasuko, de Hino, um subúrbio de Tóquio, disse a Despertai!: “Quando mais jovem, eu sempre ia de trem a Tóquio. Era muito embaraçoso, pois alguns homens aproveitavam a situação para beliscar e apalpar sempre que podiam. O que é que nós, mulheres, podíamos fazer a respeito? Tínhamos de agüentar. Mas era vergonhoso. Nas horas de maior movimento, de manhã, havia um vagão só para mulheres, de modo que pelo menos algumas podiam fugir dessas indignidades.”
Sue, que morava no Japão, tinha seu próprio jeito de livrar-se dessas libertinagens. Ela dizia em voz alta: “Fuzakenai de kudasai”, que significa: “Pare de se engraçar!” Diz ela: “Isto resultava em imediata atenção e ação. Ninguém queria passar vergonha na frente dos outros. Subitamente não havia mais nenhum deles tocando em mim!”
O desrespeito às mulheres no círculo doméstico é evidentemente um problema mundial. Mas que dizer do papel das mulheres no local de trabalho? Granjeiam elas maior respeito e reconhecimento ali?
[Nota(s) de rodapé]
a As entrevistadas pediram para ficar no anonimato. Usam-se nomes substitutos nestes artigos.
b Os maridos quase sempre presumem que a esposa é culpada por ter filhas. As leis da genética nem entram nas suas cogitações. (Veja o quadro nesta página.)
[Quadro na página 6]
Como se Determina o Sexo da Criança?
“O sexo duma criança por nascer é decidido no momento da concepção, e o fator decisivo é o espermatozóide do pai. Todo óvulo que a mulher produz é feminino no sentido que contém um cromossomo sexual X, ou feminino. No homem, apenas metade dos espermatozóides contém um cromossomo X, ao passo que metade contém um Y, que é o cromossomo sexual masculino.” Assim, se forem juntados dois cromossomos X, o resultado será uma menina; se um masculino Y se juntar a um feminino X, o bebê será um menino. Portanto, se a mulher terá meninos ou meninas é decidido pelo fator do cromossomo no espermatozóide masculino. (ABC’s of the Human Body [ABC do Corpo Humano], uma publicação da Reader’s Digest) É ilógico o homem culpar a esposa por produzir apenas meninas. A ninguém se deve culpar. É simplesmente a loteria da procriação.
[Quadro/Foto na página 8]
Tragédia de Vastas Proporções
Em seu livro Feminismo sem Ilusões (em inglês), Elizabeth Fox-Genovese escreveu: “Há boa razão para crer que muitos homens . . . sofrem crescente tentação de usar [sua] força naquela única situação que ainda lhes dá claramente uma vantagem — sua relação pessoal com as mulheres. Se minha suspeita estiver certa, estaremos contemplando uma tragédia de vastas proporções.” E esta tragédia de vastas proporções atinge os milhões de mulheres que sofrem diariamente às mãos de um marido, pai, ou qualquer outro homem tirano — um homem que “fracassa nos testes de eqüidade e justiça”.
“Em trinta Estados [dos Estados Unidos], geralmente ainda é legal o marido violentar a esposa; e apenas dez Estados têm leis que autorizam a prisão por violência doméstica . . . Mulheres sem outra opção senão fugir descobrem que esta tampouco é uma boa alternativa. . . . Um terço do 1 milhão de mulheres espancadas que anualmente buscam abrigo de emergência não encontram nenhum.” — Prefácio de Contra-Reação — A Não Declarada Guerra Contra as Mulheres Americanas, de Susan Faludi (em inglês).
[Foto]
Para milhões, a violência doméstica é o lado negro da vida familiar.
[Foto na página 7]
Centenas de milhões vivem em casas sem água encanada, esgoto e eletricidade — se é que têm casa.
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Mulheres — são respeitadas no local de trabalho?Despertai! — 1992 | 8 de julho
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Mulheres — são respeitadas no local de trabalho?
“Solteiros ou casados, a maioria dos homens encarava as mulheres como ‘caça permitida’.” — Jenny, ex-secretária de advocacia.
“A importunação sexual e o abuso de mulheres nos hospitais é notável.” — Sarah, enfermeira formada.
“Eu recebia muitas propostas no trabalho, isto é, propostas imorais.” — Jean, enfermeira formada.
REPRESENTAM tais casos uma situação excepcional, ou são generalizados? Despertai! entrevistou muitas mulheres que trabalharam fora. Eram elas respeitadas e tratadas com dignidade pelos colegas masculinos? Eis alguns comentários:
Sarah, enfermeira de Nova Jérsei, EUA, com nove anos de experiência em hospitais militares americanos: “Lembro-me de quando eu trabalhava em San Antonio, no Texas, e surgiu uma vaga no Setor de Hemodiálise. Perguntei a um grupo de médicos o que eu devia fazer para ganhar a vaga. Um deles respondeu com um sorriso malicioso: ‘Vá para a cama com o médico-chefe.’ Eu só respondi: ‘Nestes termos eu não quero a vaga.’ Mas é assim que muitas vezes as promoções e vagas são decididas. A mulher tem de ceder ao lascivo homem que está no comando.
“Noutra ocasião, eu estava numa unidade de tratamento intensivo, colocando cateteres intravenosos num paciente, e um médico passou e me beliscou nas nádegas. Fiquei furiosa e saí para uma outra sala. Ele me seguiu e disse algo vulgar. Eu lhe dei um murro e ele foi parar dentro de uma lata de lixo! Voltei diretamente ao meu paciente. Nem é preciso dizer, aquele homem nunca mais me molestou!”
Miriam, uma mulher casada, procedente do Egito, que trabalhava como secretária no Cairo, explicou a situação das mulheres que trabalham num ambiente egípcio muçulmano. “As mulheres se vestem com mais modéstia do que na sociedade ocidental. Não observei nenhuma importunação sexual física no meu local de trabalho. Mas existe importunação sexual no metrô do Cairo, a tal ponto que agora o primeiro vagão é só para mulheres.”
Jean, uma reservada, porém decidida mulher com 20 anos de experiência como enfermeira, disse: “Eu seguia a estrita diretriz de jamais namorar alguém no emprego. Mas havia importunação tanto da parte de médicos como de atendentes. Todos achavam que tinham a vantagem psicológica. Se nós, enfermeiras, não ‘cooperássemos’ com eles nos seus desejos sexuais, os atendentes não estariam ao dispor quando precisássemos de ajuda para colocar um paciente na cama, ou coisas assim.”
Jenny trabalhou como secretária de advocacia por sete anos. Ela conta o que viu ao trabalhar com advogados. “Solteiros ou casados, a maioria dos homens encarava as mulheres como ‘caça permitida’. A atitude deles era: ‘Como advogados, nós merecemos, e as mulheres são um de nossos privilégios.’” E as evidências parecem indicar que outros profissionais pensam da mesma maneira. Mas o que pode a mulher fazer para reduzir o assédio?
Darlene, uma mulher negra americana que trabalhou como secretária e como recepcionista de restaurante, disse: “As coisas podem sair mal se você não estabelece limites de conduta. Se um homem vem com gracejos e você corresponde, as coisas podem facilmente se descontrolar. Várias vezes tive de expressar claramente a minha posição. Tenho usado expressões como: ‘Gostaria que não falasse comigo nestes termos.’ Noutra ocasião, eu disse: ‘Como mulher casada, considero ofensivo o que você me disse, e acho que meu marido não iria gostar disso.’
“O ponto é, se você quiser ser respeitada, tem de granjear o respeito. E não vejo como uma mulher pode granjear respeito se tenta competir com os homens no que eu chamo de conversa a portas fechadas — piadas picantes e insinuações sexuais. Se você anuviar o limite entre linguagem aceitável e não-aceitável, algum sujeito tentará cruzá-lo.”
O Tipo Fanfarrão
Connie, enfermeira com 14 anos de experiência, fala sobre outro tipo de importunação que pode aflorar em muitos lugares. “Eu estava trabalhando com um médico numa rotineira troca de ataduras. Eu seguia todos os procedimentos normais que aprendera. Sei tudo sobre técnicas de esterilização, e coisas assim. Mas para esse médico nada estava certo. Ele esbravejava e criticava tudo o que eu fazia. Este tipo de coisa, rebaixar as mulheres, é muito comum. Alguns homens têm um problema de ego, e parece que têm necessidade de impor a sua autoridade às mulheres que trabalham com eles.”
Sarah, já citada, acrescentou a sua experiência neste respeito. “Certa vez, ao trabalhar na preparação de uma cirurgia, verifiquei os sinais vitais do paciente. O registro de seu ECG [eletrocardiograma] estava tão irregular que eu sabia que ele não podia ser operado. Cometi o erro de trazer isso à atenção do cirurgião. Ele ficou furioso, e respondeu: ‘Enfermeiras têm de prestar atenção aos penicos, e não aos ECGs.’ De modo que simplesmente comuniquei isso ao anestesiologista-chefe e ele disse que, nessas circunstâncias, sua equipe não cooperaria com o cirurgião. Daí, surpreendentemente, o cirurgião comunicou à esposa do paciente que a culpada de o marido dela ainda não ter sido operado era eu! Neste clima a mulher não pode se sair bem. Por que não? Porque sem querer ameaçou o orgulho de um homem.”
É óbvio que as mulheres não raro estão sujeitas à importunação e à conduta degradante no local de trabalho. Mas qual é a posição delas perante a lei?
As Mulheres e a Lei
Em alguns países levou muitos séculos para que as mulheres conseguissem até mesmo igualdade teórica perante a lei. E onde as leis garantem essa igualdade, um amplo abismo muitas vezes separa a teoria da prática.
A publicação As Mulheres do Mundo — 1970-1990, da ONU (em inglês), declara: “Muito dessa lacuna [na diretriz governamental] está embutida em leis que negam às mulheres igualdade com os homens em seus direitos de possuir terras, tomar empréstimos e assinar contratos.” Como disse certa mulher de Uganda: “Continuamos sendo cidadãos de segunda classe — não, de terceira, porque nossos filhos homens vêm antes de nós. Em alguns casos, até mesmo jumentos e tratores são melhor tratados.”
A publicação Men and Women (Homens e Mulheres), da Time-Life, diz: “Em 1920, a 19.ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos garantiu às mulheres o direito ao voto — muito depois de já terem adquirido este direito em muitos países europeus. Mas este direito só foi concedido na Grã-Bretanha em 1928 (e só depois da Segunda Guerra Mundial no Japão).” Para denunciar a injustiça política contra as mulheres, a sufragista britânica Emily Wilding Davison atirou-se na frente do cavalo do Rei no grande prêmio (Derby) de 1913, e morreu. Tornou-se mártir na causa dos direitos iguais para as mulheres.
O próprio fato de que só em 1990 o Senado dos EUA apreciou o “Estatuto da Violência Contra as Mulheres”, mostra que os legislativos dominados por homens têm sido lentos em atender às necessidades das mulheres.
Esta breve visão do tratamento dispensado às mulheres em todo o mundo nos induz às perguntas: Será que algum dia as coisas serão diferentes? O que é preciso para mudar a situação? Os próximos dois artigos abordarão essas perguntas.
[Quadro na página 11]
A Situação de Quem É Pior?
“As mulheres executam dois terços do trabalho no mundo. Produzem 60 a 80 por cento dos alimentos na África e na Ásia, 40 por cento na América Latina. Todavia, ganham apenas um décimo da renda do mundo e possuem menos de um por cento das propriedades no mundo. Estão entre os mais pobres dos pobres do mundo.” — Que Você Seja Mãe de Cem Filhos Homens, de Elisabeth Bumiller (em inglês).
“O fato é que meninas não vão à escola [em certas partes do mundo] porque não existe água potável. . . . Já vi adolescentes que iam buscar água potável a 20 e até 30 quilômetros de distância, o que lhes tomava o dia inteiro. . . . essas meninas chegam aos 14 e 15 anos sem ter freqüentado a escola, sem ter aprendido coisa alguma.” — Jacques-Yves Cousteau, O Correio da Unesco, janeiro de 1992.
[Foto na página 10]
Não há por que tolerar a importunação sexual.
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Respeito às mulheres no dia-a-diaDespertai! — 1992 | 8 de julho
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Respeito às mulheres no dia-a-dia
SE O RESPEITO pelas mulheres há de aumentar, quando e onde deve começar essa mudança? Bem, quando e onde, em geral, se formam os preconceitos e as discriminações? No lar e na escola, durante os anos formativos. Desenvolvemos as nossas atitudes em larga escala sob a influência parental. Portanto, quem logicamente pode influenciar poderosamente as futuras atitudes de rapazes em relação às mulheres? Obviamente, o pai e a mãe. Uma das chaves do problema, pois, é uma adequada educação que penetre nos lares e influencie os pais.
Como São Encaradas as Mulheres
Que o preconceito se forma em casa é exemplificado por Jenny, uma secretária casada, a mais velha de quatro irmãs, que disse: “Como mulheres jovens, sempre soubemos que, nos Estados Unidos, há mais mulheres do que homens. Portanto, caso queira se casar, você tem de tornar-se ‘desejável’.
“Além disso, as mulheres são condicionadas a pensar que são criaturas inferiores. Às vezes, até mesmo os pais nos levam a pensar que valemos menos do que os rapazes. Quando entra um homem na nossa vida, ele transmite a mesma mensagem: você é inferior aos homens.
“E por que a nossa auto-estima tem de basear-se primariamente nas formas e dotes físicos ou na falta deles? São os homens julgados assim?”
Betty, casada há 32 anos, ex-gerente de loja, fez outra colocação: “Por que as mulheres são julgadas à base de seu sexo, em vez de sua experiência, habilidade e inteligência? Tudo o que peço aos homens é que dêem atenção à minha mente. Não me rebaixem à base de meu sexo!
“É muito comum os homens nos encararem como se fôssemos todas ingênuas ou estúpidas — ingênuas demais para tomar uma decisão certa. Entende o que quero dizer? Que eles nos tratem como gostariam de ser tratados. Isto logo mudará a perspectiva deles!” Tudo o que ela quer é que os homens apliquem a Regra de Ouro: ‘Fazei aos outros o que quereis que os outros vos façam.’ — Mateus 7:12.
Essas mulheres suscitaram alguns pontos válidos. O real valor duma mulher não precisa basear-se na superficial aparência física e charme, ou em preconceitos culturais. Um provérbio espanhol expressa isso assim: “Uma bela mulher agrada aos olhos; uma boa mulher agrada ao coração. Se a primeira é uma jóia, a última é um tesouro.”
A Bíblia diz algo similar de maneira diferente: “Vosso adorno não deve consistir em exterioridades, como cabeleiras artísticas, jóias de ouro, trajes de gala, mas deve ser a pessoa humana interior, com o coração repleto de espírito de mansidão e tranqüilidade. Isto, sim, é altamente precioso diante de Deus.” E assim como não devemos julgar um livro pela capa, não devemos julgar pessoas pelo sexo. — 1 Pedro 3:3, 4, Bíblia Mensagem de Deus.
Respeito no Lar
Uma queixa legítima de muitas mulheres, especialmente das que trabalham fora e são mães, é que os maridos não reconhecem que as tarefas domésticas são um trabalho adicional e, em geral, não ajudam. Susan Faludi, anteriormente citada, disse: “As mulheres tampouco usufruem igualdade na sua própria casa, onde ainda assumem 70 por cento dos deveres domésticos.” Qual é a solução para essa injustiça?
Embora isso talvez não agrade a muitos maridos em certas culturas, deve-se elaborar um arranjo doméstico justo, em especial se a mulher também precisa trabalhar fora. Naturalmente, qualquer partilha de deveres pode também levar em conta os serviços que normalmente cabem ao homem — cuidar do carro, do quintal e do jardim, serviços hidráulicos e elétricos, e assim por diante — os quais, porém, raras vezes igualam em tempo ao que a esposa gasta nos afazeres domésticos. Em alguns países os maridos até mesmo esperam que a esposa lave e mantenha limpo o carro, como se este fosse uma extensão do lar!
De certo modo, essa sugestão de ajudar nas tarefas domésticas harmoniza-se com o conselho do apóstolo Pedro de que os maridos devem morar com as esposas “segundo o conhecimento”. (1 Pedro 3:7) Entre outras coisas, isto significa que o marido não deve ser simplesmente um impessoal e insensível companheiro de quarto ou ocupante da mesma casa. Ele deve respeitar a inteligência e a experiência de sua esposa. Deve também entender as necessidades dela como mulher, esposa e mãe. Isto envolve mais do que ser preciso um arrimo de família para pôr dinheiro em casa; muitas mulheres que trabalham fora também fazem isso. O marido precisa entender as necessidades físicas, emocionais, psicológicas, sexuais e, acima de tudo, espirituais de sua esposa.
O marido que afirma seguir os princípios cristãos tem um dever ainda maior — imitar o exemplo de Cristo. Jesus estendeu um belo convite a todos os que ‘labutavam e estavam sobrecarregados’, dizendo: “Eu vos reanimarei. . . . sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas.” (Mateus 11:28, 29) Que desafio para maridos e pais cristãos! Cada qual deve perguntar-se: ‘Reanimo minha esposa ou a reprimo? Sou bondoso e acessível, ou tendo a ser tirano, déspota ou ditador? Mostro “afeição fraternal” nas reuniões cristãs mas, daí, sou intratável em casa?’ Não deve haver nenhum ‘médico e monstro’ na congregação cristã. — 1 Pedro 3:8, 9.
Portanto, não há justificativa para a descrição de um marido, feita por uma mulher cristã que sofria abusos: “O cabeça machão cristão que é muito gentil no Salão do Reino e compra presentes para outros, mas trata a esposa como lixo.” O devido respeito pela esposa não dá margem para repressão e humilhação. Naturalmente, é uma moeda de duas faces; a esposa deve também mostrar o devido respeito pelo marido. — Efésios 5:33; 1 Pedro 3:1, 2.
Confirmando o acima, a Dra. Susan Forward escreve: “Uma boa relação baseia-se no respeito recíproco.” Isto torna ambos os cônjuges responsáveis pelo sucesso. Ela continua: “Envolve preocupação e sensibilidade em relação aos sentimentos e necessidades um do outro, bem como apreço pelas coisas que tornam cada cônjuge tão especial. . . . Cônjuges amorosos encontram meios eficazes de lidar com as suas diferenças; não consideram todo confronto como uma batalha a ser ganha ou perdida.” — Homens Que Odeiam as Mulheres & as Mulheres Que os Amam (em inglês).
A Bíblia também dá excelente conselho aos maridos, em Efésios 5:28: “Os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio.” Por que é isto verdade? Porque o casamento é como uma conta bancária conjunta, na qual ambos depositam 50 por cento. Se o marido usar mal qualquer parte desse dinheiro, prejudicará a situação financeira de ambos. Igualmente, se o marido de alguma maneira causar dano à esposa, a curto ou a longo prazo estará causando dano também a si mesmo. Por quê? Porque seu casamento é um investimento conjunto. Prejudicar esse investimento significa prejudicar ambos os participantes.
Há um ponto vital a ser lembrado sobre o respeito — este não deve ser exigido. Embora cada cônjuge deva ao outro o respeito, este precisa também ser granjeado. Cristo jamais granjeou respeito tentando impor seu poder ou posição superior.a Da mesma forma, no casamento o marido e a esposa granjeiam o respeito por meio de atos de consideração recíprocos, não usando textos bíblicos como marretas para exigi-lo.
Respeito no Trabalho
Precisam os homens encarar as mulheres como ameaça ao seu ego masculino? Em seu livro Feminismo sem Ilusões (em inglês), Elizabeth Fox-Genovese escreveu: “Na verdade, muitas mulheres hoje querem o mesmo que muitos homens querem: um salário adequado, uma vida pessoal recompensadora e progredir no mundo sem causar muitos atropelos. Deveria esse desejo ou ambição configurar-se como ameaça para os homens? Ela diz também: “Por que não reconhecer que, não obstante todas as mudanças ocorridas no mundo, ou que possam ocorrer, as diferenças persistem e podem ser agradáveis?”
Em especial os homens cristãos que são chefes ou supervisores têm de respeitar a dignidade de suas colegas de trabalho e lembrar-se de que a mulher casada tem apenas um homem como “cabeça” no sentido bíblico, seu marido. Outros homens talvez exerçam cargos de supervisão e são respeitados por isso; mas novamente no sentido estritamente bíblico, nenhum homem exceto o marido dela é seu “cabeça”. — Efésios 5:22-24.
As conversas no local de trabalho devem sempre ser edificantes. Os homens que usam palavras de duplo sentido ou insinuações sexuais não estarão mostrando respeito pelas mulheres, tampouco melhorando a sua própria imagem. Paulo escreveu aos cristãos: “A fornicação e a impureza de toda sorte, ou a ganância, não sejam nem mesmo mencionadas entre vós, assim como é próprio dum povo santo; nem conduta vergonhosa, nem conversa tola, nem piadas obscenas, coisas que não são decentes, mas, antes, ações de graças.” — Efésios 5:3, 4.
Mudar uma designação de serviço sem atentar aos sentimentos da mulher é outra maneira de não mostrar respeito. Jean, enfermeira, disse: “Quão bom seria se houvesse algum tipo de consulta antes de proceder a mudanças nas nossas designações de serviço! Certamente seria bom psicologicamente. As mulheres necessitam de compassividade e precisam sentir que têm valor e que são estimadas.”
Outro aspecto do respeito no emprego é a barreira que algumas mulheres chamam de “redoma de vidro”. Isto significa “os preconceitos institucionais que impedem as mulheres de galgar posições de comando efetivo na indústria privada”. (The New York Times, 3 de janeiro de 1992) Assim, um estudo recente feito nos Estados Unidos mostrou que uma baixa porcentagem de empregos de nível mais elevado são ocupados por mulheres, variando de 14 por cento no Havaí e 18 por cento em Utah a 39 por cento em Luisiana. Havendo respeito, a promoção no emprego secular não se baseará no sexo, mas sim na capacidade e experiência. A diretora de pesquisas Sharon Harlan disse: “Está melhorando, mas . . . ainda há muitas barreiras estruturais para as mulheres.”
[Nota(s) de rodapé]
a Veja A Sentinela de 15 de maio de 1989, páginas 10-20, “Mostre Amor e Respeito Como Marido” e “. . . Como Esposa”.
[Quadro na página 14]
RESPEITO
O Que Podem as Mulheres Fazer?
● Tenha e preserve seu RESPEITO PRÓPRIO.
● Deixe claro o que você permite que seja dito e feito na sua presença.
● Estabeleça adequados limites de conduta e fala aceitáveis.
● Não tente competir com os homens no campo da obscenidade e piadas de duplo sentido; isto detrai de você como dama e não os torna cavalheiros.
● Não se vista de modo provocante, qualquer que seja a moda; sua maneira de vestir mostra seu próprio grau de auto-estima.
● Granjeie respeito pelo seu comportamento; trate os homens com o respeito que espera deles.
● Não seja dada a flertar.
RESPEITO
O Que Podem os Homens Fazer?
● Trate todas as mulheres com respeito e dignidade; não se sinta ameaçado por uma mulher positiva e dinâmica.
● Não use de excessiva liberdade com quem não é sua esposa, usando termos de afeto não solicitados.
● Evite piadas picantes e olhares sugestivos.
● Não seja por demais lisonjeiro, e evite toques inconvenientes.
● Não rebaixe nem minimize o trabalho da mulher, nem a ela como pessoa.
● Consulte, escute e comunique-se de modo objetivo.
● Expresse apreço pelo trabalho da mulher.
● Ajude nas tarefas domésticas. Se acha que isso fere a sua dignidade, que dizer da dignidade dela?
● Se mora com seus pais, seja sensível às pressões que sua esposa suporta. Ela é agora sua responsabilidade primária e necessita de seu apoio. (Mateus 19:5)
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Respeito às mulheres na congregaçãoDespertai! — 1992 | 8 de julho
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Respeito às mulheres na congregação
PARA os cristãos, a Bíblia estabelece uma cadeia teocrática de comando, com Cristo em sujeição a Deus, o homem em sujeição a Cristo e a mulher em sujeição ao marido. (1 Coríntios 11:3) Contudo, essa sujeição não envolve ditadura. O comando na família jamais é estabelecido por meio de violência — física, psicológica ou verbal. Ademais, o comando cristão é relativo e não significa que o marido pode ser um déspota que se considera infalível.a Saber como e quando dizer “desculpe, você tem razão”, poderia ajudar muitos casamentos a ser mutuamente reanimadores e duradouros. Mas como é fácil essas expressões de humildade ficarem presas na garganta! — Colossenses 3:12-14, 18.
Ao aconselhar sobre casamento, os apóstolos cristãos Paulo e Pedro constantemente nos apontam o exemplo de Cristo. O que granjeia o respeito é o exemplo reanimador do marido, ao passo que ele segue o modelo que Cristo deixou, “porque o marido é cabeça de sua esposa, assim como também o Cristo é cabeça da congregação, sendo ele salvador deste corpo”. — Efésios 5:23.
O conselho de Pedro aos maridos é explícito: “Vós, maridos, continuai a morar com [vossas esposas] da mesma maneira, segundo o conhecimento.” (1 Pedro 3:7) Uma moderna tradução espanhola parafraseia essas idéias, dizendo: “A respeito dos maridos: usem de tato na sua vida em comum, mostrando consideração pela mulher.” Essas expressões implicam em muitos fatores, que incluem a sensibilidade na relação marital. O marido não deve encarar a esposa como simples veículo de satisfação sexual. Certa esposa que sofreu abusos quando criança escreveu: “Somente gostaria que falassem mais sobre o apoio que o marido pode dar à esposa que passou por isso. O que a maioria de nós, esposas, temos de ter certeza é que alguém realmente nos ama e se importa conosco, não que existimos apenas para satisfazer desejos físicos ou como dona-de-casa, sem apego emocional algum.”b O casamento foi instituído por Deus para que marido e esposa pudessem ser companheiros e colaboradores um do outro. É uma questão de trabalho em equipe e estima mútua. — Gênesis 2:18; Provérbios 31:28, 29.
Em Que Sentido um “Vaso Mais Fraco”?
Pedro também aconselha os maridos a atribuir honra à esposa “como a um vaso mais fraco, o feminino”. (1 Pedro 3:7) O que Pedro podia ter em mente quando disse que a mulher é “um vaso mais fraco”? Certamente, no geral, a mulher é fisicamente mais fraca do que o homem. A diferença de estrutura óssea e muscular responde por isso. Mas se falarmos de força moral íntima, a mulher de modo algum é mais fraca do que o homem. Mulheres têm suportado por anos situações que talvez a maioria dos homens não toleraria nem momentaneamente — incluindo abusos da parte de um marido violento ou alcoólatra. E imagine o que a mulher suporta a fim de gerar uma criança, incluindo as horas de dores de parto! Qualquer marido sensível que já testemunhou o milagre do nascimento deve ter aumentado seu respeito pela esposa e sua força íntima.
Sobre esse assunto de força moral íntima, Hannah Levy-Haas, uma judia que foi prisioneira no campo de concentração nazista de Ravensbrück, escreveu no seu diário em 1944: “Há algo aqui que me abala terrivelmente, e isto é ver que os homens são muito mais fracos e muito menos capazes de suportar durezas do que as mulheres — fisicamente, e não raro também moralmente. Incapazes de se controlar, demonstram tal falta de fibra moral que nos resta apenas sentir pena deles.” — Mães na Pátria, de Claudia Koonz (em inglês).
Este caso serve para ilustrar que não existe base sólida para discriminar as mulheres só porque podem ser fisicamente mais fracas. Edwin Reischauer escreveu: “Nos tempos modernos, é em geral aceito que as mulheres têm mais força de vontade e força psicológica do que os homens.” (Os Japoneses) Esta força pode ser utilizada na congregação cristã, na forma de mulheres maduras ajudarem outras mulheres que sofrem de grave estresse emocional. Certamente, sob dadas circunstâncias, a mulher que sofreu abusos e busca alívio imediato acha mais fácil recorrer a uma mulher madura do que a um homem. Se preciso for, um ancião cristão pode ser consultado para orientação adicional. — 1 Timóteo 5:9, 10; Tiago 5:14, 15.
Rejeitar sumariamente as reações da mulher como sendo emocionais, atribuindo-as ao “período do mês”, irrita muitas mulheres. Betty, uma cristã praticante, declarou: “Sabemos, como o apóstolo Pedro escreveu, que em certos sentidos nós somos o ‘vaso mais fraco’, o feminino, com uma constituição biológica mais delicada. Mas isto não significa que um chefe ou supervisor tenha de ser condescendente e paternalista, atribuindo toda e qualquer reação feminina ao nosso ciclo mensal. Temos inteligência e queremos ser ouvidas com respeito.”
Nem todas as mulheres são emotivas, como nem todos os homens são não-emotivos. Cada pessoa deve ser encarada como indivíduo. Betty, já antes citada, disse a Despertai!: “Não gosto de ser categorizada à base de gênero. Tenho visto homens chorar e suscetíveis a mudanças de humor. E há mulheres que podem ser duras como pedra. Portanto, que os homens nos escutem objetivamente, sem pensar no gênero.”
O Que É Preciso Para Uma Mudança?
Se há de haver uma mudança para melhor, alguns dizem que não basta que as mulheres façam campanha em favor de seus direitos e em favor de justiça; tampouco basta que os homens façam alguns simbólicos gestos de respeito pelas mulheres. Em todas as culturas e ambiências, os homens têm de examinar seu papel na situação e perguntar a si mesmos o que podem fazer para tornar mais feliz e mais reanimadora a vida das mulheres. — Mateus 11:28, 29.
A escritora e poetisa Katha Pollitt escreveu na revista Time: “A maioria dos homens, naturalmente, não estupra, nem espanca nem mata. Mas isto não significa, como tantos deles parecem pensar, que nada têm a ver com a violência contra as mulheres. Cada um de nós na nossa vida diária ajuda a moldar os conceitos e as suposições culturais que definem os limites do permissível . . . Refiro-me a homens empenharem-se em algum sério auto-escrutínio, analisando seus preconceitos e privilégios, assumindo a sua justa parcela de responsabilidade pelo caos em que nos metemos.”
Mas mesmo que os homens em todo o mundo mudassem radicalmente a sua atitude para com as mulheres, isto ainda assim não seria a solução completa das injustiças que afligem a humanidade. Por que não? Porque os homens estão infligindo injustiças e barbaridades, não apenas contra mulheres, mas também contra outros homens. Guerra, violência, assassinatos, esquadrões da morte e terrorismo ainda são a ordem do dia em muitos países. O que se precisa é de um inteiro novo sistema de governo para toda a Terra. E uma nova educação para toda a humanidade. E isto é o que Deus prometeu fazer por meio de seu Reino, que do céu governará a Terra. Somente então haverá verdadeira justiça e igualdade para todos — homens, mulheres e crianças. Somente então haverá o verdadeiro respeito mútuo entre homens e mulheres. A Bíblia coloca isso da seguinte maneira em Isaías 54:13: “Todos os teus filhos serão pessoas ensinadas por Jeová e a paz de teus filhos será abundante.” Sim, a adequada instrução segundo os princípios justos de Jeová contribuirá para um novo mundo de respeito mútuo.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja “O Que Significa Sujeição no Casamento?”, na Sentinela de 15 de dezembro de 1991, páginas 19-21.
[Foto na página 16]
Muitas vezes uma mulher madura pode dar conselhos úteis.
[Foto na página 17]
Ajudar em tarefas domésticas é uma das maneiras de o marido mostrar respeito pela esposa.
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