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Mensagem de esperança para cativos desalentadosProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
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[Foto na página 239]
Jesus mostrou ser “líder e comandante” para os grupos nacionais
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Mensagem de esperança para cativos desalentadosProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
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Capítulo Dezesseis
Mensagem de esperança para cativos desalentados
1. Descreva a situação dos judeus exilados em Babilônia.
ERA um período sombrio na história de Judá. O povo pactuado de Deus fora levado à força de sua terra natal e agora penava no cativeiro em Babilônia. Eles tinham certa liberdade para cuidar de seu dia a dia, é verdade. (Jeremias 29:4-7) Alguns aprenderam uma profissão ou se envolveram no comércio.a (Neemias 3:8, 31, 32) Mesmo assim, a vida para os judeus cativos não era fácil. Estavam em servidão, física e espiritual. Vejamos como.
2, 3. Como o exílio afetou a adoração dos judeus a Jeová?
2 Quando os exércitos babilônicos destruíram Jerusalém, em 607 AEC, não só devastaram uma nação; também golpearam a adoração verdadeira. Saquearam e destruíram o templo de Jeová, desmantelaram o arranjo sacerdotal, levando alguns da tribo de Levi como cativos e matando outros. Sem casa de adoração, sem altar e sem sacerdócio organizado, os judeus não podiam oferecer sacrifícios ao Deus verdadeiro segundo prescrito na Lei.
3 Os judeus fiéis ainda podiam preservar sua identidade religiosa praticando a circuncisão e observando a Lei dentro do possível. Por exemplo, podiam evitar alimentos proibidos e guardar o sábado. Mas, com isso, arriscavam-se a atrair a zombaria de seus captores, pois, para os babilônios, os rituais religiosos dos judeus eram tolice. Percebe-se o desalento dos exilados nas palavras do salmista: “Junto aos rios de Babilônia — ali nos sentamos. Também choramos quando nos lembramos de Sião. Nos choupos no meio dela penduramos as nossas harpas. Pois aqueles que nos mantinham cativos nos pediram ali as palavras duma canção, e os que mofavam de nós — alegria: ‘Cantai-nos uma das canções de Sião.’” — Salmo 137:1-3.
4. Por que seria inútil os judeus recorrerem a outras nações em busca de libertação, mas a quem poderiam pedir ajuda?
4 De quem, então, podiam os judeus cativos obter consolo? De onde viria sua salvação? Certamente não de alguma nação vizinha! Todas elas eram impotentes diante dos exércitos de Babilônia, e muitas hostilizavam os judeus. Mas a situação não era desesperadora. Jeová, contra quem se haviam rebelado quando eram um povo livre, afavelmente lhes fez um convite caloroso, apesar de estarem no exílio.
“Vinde à água”
5. O que significam as palavras “vinde à água”?
5 Por meio de Isaías, Jeová fala profeticamente aos judeus cativos em Babilônia: “Eh! todos vós sedentos! Vinde à água. E vós os que não tendes dinheiro! Vinde, comprai e comei. Sim, vinde, comprai vinho e leite mesmo sem dinheiro e sem preço.” (Isaías 55:1) Essas palavras são cheias de simbolismos. Veja, por exemplo, o convite: “Vinde à água.” É impossível viver sem água. Sem esse líquido precioso nós, humanos, sobrevivemos apenas por cerca de uma semana. Assim, foi apropriado Jeová ter usado a água como metáfora do efeito que suas palavras teriam sobre os judeus cativos. A sua mensagem os reanimaria, como água fresca num dia quente. Isso os tiraria de seu desânimo e saciaria sua sede de verdade e de justiça. E lhes infundiria a esperança de libertação do cativeiro. Mas, para isso, os judeus exilados teriam de ‘beber’ a mensagem de Deus, prestar atenção a ela e agir de acordo.
6. Que benefícios teriam os judeus se comprassem “vinho e leite”?
6 Jeová ofereceu também “vinho e leite”. O leite fortalece organismos jovens e ajuda no desenvolvimento das crianças. Similarmente, as palavras de Jeová fortaleceriam espiritualmente seu povo, possibilitando que solidificassem sua relação com ele. Mas que dizer do vinho? O vinho muitas vezes é usado em ocasiões festivas. Na Bíblia, é associado com prosperidade e alegria. (Salmo 104:15) Por mandar seu povo ‘comprar vinho’, Jeová lhes garantia que o retorno sincero à adoração verdadeira os deixaria ‘de todo alegres’. — Deuteronômio 16:15; Salmo 19:8; Provérbios 10:22.
7. Por que era notável a compaixão de Jeová para com os exilados, e o que isso nos ensina a Seu respeito?
7 Quão misericordioso foi Jeová em oferecer tal refrigério espiritual aos judeus exilados! Sua compaixão é ainda mais notável quando nos lembramos do histórico de desobediência e rebeldia dos judeus. Eles não mereciam a aprovação de Jeová. Entretanto, o salmista Davi escrevera séculos antes: “Jeová é misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência. Não ralhará para sempre, nem ficará ressentido por tempo indefinido.” (Salmo 103:8, 9) Longe de renegar seu povo, Jeová dava o primeiro passo para a reconciliação. Realmente, ele é um Deus que “se agrada na benevolência”. — Miqueias 7:18.
Confiança mal depositada
8. Em quem muitos judeus haviam confiado, apesar de que aviso?
8 Até então, muitos judeus não haviam confiado plenamente em Jeová para a salvação. Antes da queda de Jerusalém, por exemplo, seus governantes haviam buscado o apoio de nações poderosas, prostituindo-se, por assim dizer, tanto com o Egito como com Babilônia. (Ezequiel 16:26-29; 23:14) Com boa razão, Jeremias os alertara: “Maldito o varão vigoroso que confia no homem terreno e que realmente faz da carne o seu braço, e cujo coração se desvia do próprio Jeová.” (Jeremias 17:5) Mas foi exatamente isso o que o povo de Deus fizera!
9. Em que sentido muitos judeus talvez estivessem ‘pagando dinheiro por aquilo que não era pão’?
9 Agora eles estavam escravizados a uma das nações em que haviam confiado. Aprenderam a lição? Possivelmente muitos não aprenderam, pois Jeová pergunta: “Por que continuais a pagar dinheiro por aquilo que não é pão e por que é a vossa labuta por aquilo que não resulta em saciedade?” (Isaías 55:2a) Se os judeus cativos estavam confiando em outro que não fosse Jeová, estavam ‘pagando dinheiro por aquilo que não era pão’. Certamente não seriam libertados por Babilônia, com sua política de jamais permitir que os cativos voltassem para sua terra. Na verdade, Babilônia, com seu imperialismo, comercialismo e adoração falsa, nada tinha a oferecer aos judeus exilados.
10. (a) Como Jeová recompensaria os judeus exilados caso o escutassem? (b) Que pacto Jeová fizera com Davi?
10 Jeová suplica a seu povo: “Escutai-me atentamente e comei o que é bom, e deleite-se a vossa alma com a própria gordura. Inclinai o vosso ouvido e vinde a mim. Escutai, e a vossa alma ficará viva, e eu concluirei convosco prontamente um pacto de duração indefinida referente às benevolências para com Davi, que são fiéis.” (Isaías 55:2b, 3) A única esperança para esse povo espiritualmente desnutrido era Jeová, que agora lhes falava profeticamente por meio de Isaías. A própria vida deles dependia de escutarem a mensagem de Deus, pois ele declarou que, por fazerem isso, a ‘alma deles ficaria viva’. Mas o que era o “pacto de duração indefinida” que Jeová selaria com os que o atendessem? Esse pacto era “referente às benevolências para com Davi”. Séculos antes, Jeová prometera a Davi que seu trono ficaria “firmemente estabelecido por tempo indefinido”. (2 Samuel 7:16) Assim, o “pacto de duração indefinida”, aqui mencionado, diz respeito a reinado.
Herdeiro permanente de um Reino eterno
11. Por que o cumprimento da promessa de Deus a Davi podia parecer irrealista para os exilados em Babilônia?
11 Admitidamente, a ideia de um reinado na linhagem de Davi podia parecer irrealista para aqueles judeus exilados. Eles haviam perdido sua terra e até mesmo sua identidade nacional! Mas isso seria apenas temporário. Jeová não se esquecera de seu pacto com Davi. Não importava quão improvável pudesse parecer do ponto de vista humano, o propósito de Deus concernente a um Reino eterno na linhagem de Davi seria realizado. Mas como e quando? Em 537 AEC, Jeová libertou seu povo do cativeiro babilônico e o levou de volta para sua terra natal. Resultou disso o estabelecimento de um reino indefinidamente duradouro? Não, eles continuaram sujeitos a outro império pagão, a Medo-Pérsia. “Os tempos designados” para as nações exercerem seu domínio ainda não haviam expirado. (Lucas 21:24) Sem rei em Israel, a promessa de Jeová a Davi ficaria sem se cumprir por séculos à frente.
12. Que medida Jeová tomou para cumprir seu pacto do Reino feito com Davi?
12 Mais de 500 anos após o livramento de Israel do cativeiro babilônico, Jeová tomou uma medida importante para cumprir o pacto do Reino ao transferir a vida de seu Filho primogênito (o princípio de suas obras criativas) da glória celestial para o ventre da virgem judia Maria. (Colossenses 1:15-17) Ao anunciar esse evento, o anjo de Jeová disse a Maria: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” (Lucas 1:32, 33) Portanto, Jesus nasceu na linhagem real de Davi e herdou o direito ao trono. Uma vez entronizado, Jesus governaria “por tempo indefinido”. (Isaías 9:7; Daniel 7:14) Assim, estava aberto o caminho para se cumprir a secular promessa de Jeová de dar ao Rei Davi um herdeiro permanente.
“Comandante para os grupos nacionais”
13. Em que sentido Jesus foi “testemunha para os grupos nacionais”, tanto durante seu ministério como depois de sua ascensão?
13 O que faria esse futuro rei? Jeová diz: “Eis que o dei como testemunha para os grupos nacionais, como líder e comandante para os grupos nacionais.” (Isaías 55:4) Quando Jesus cresceu, ele se tornou o representante de Jeová na Terra, a testemunha de Deus para as nações. Durante sua vida como humano, seu ministério foi dirigido “às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Contudo, pouco antes de sua ascensão ao céu, Jesus disse a seus seguidores: “Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações . . . Eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” (Mateus 10:5, 6; 15:24; 28:19, 20) Assim, com o tempo, a mensagem do Reino foi levada aos não judeus, e alguns deles participaram no cumprimento do pacto feito com Davi. (Atos 13:46) Desse modo, mesmo depois de sua morte, ressurreição e ascensão ao céu, Jesus continuou a ser “testemunha [de Jeová] para os grupos nacionais”.
14, 15. (a) Como Jesus mostrou ser “líder e comandante”? (b) Que perspectiva tinham os seguidores de Jesus no primeiro século?
14 Jesus seria também “líder e comandante”. Fiel a essa descrição profética, quando esteve na Terra, Jesus aceitou plenamente as responsabilidades de sua liderança e tomou a dianteira em todos os sentidos, atraindo grandes multidões, ensinando-lhes a verdade e indicando os benefícios resultantes de se seguir a sua liderança. (Mateus 4:24; 7:28, 29; 11:5) Ele treinou bem os seus discípulos, preparando-os para empreenderem a campanha de pregação à frente. (Lucas 10:1-12; Atos 1:8; Colossenses 1:23) Em apenas três anos e meio, Jesus lançou o alicerce de uma congregação internacional unida, com milhares de membros de muitas raças! Apenas um verdadeiro “líder e comandante” poderia ter realizado tal tarefa monumental.b
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