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Há espaço tanto para o homem como para o animal?Despertai! — 1993 | 8 de novembro
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Muitos caçadores clandestinos arriscam a vida por causa das enormes somas envolvidas. “Um único chifre [de rinoceronte] pode render US$ 25.000, diz um jornal africano, The Star. Um conservacionista, o Dr. Esmond Martin, visitou um país asiático em 1988 e constatou que o preço do quilo de chifre de rinoceronte havia aumentado em três anos de US$ 1.532 para US$ 4.660.
Quem vai atacar primeiro?
Têm-se tomado medidas drásticas para chamar a atenção à ameaça causada pela demanda de marfim e chifre de rinoceronte. Em julho de 1989, milhões de telespectadores em todo o mundo viram o presidente do Quênia, Daniel arap Moi, atear fogo numa enorme pilha de 12 toneladas de marfim, avaliada em três a seis milhões de dólares. Perguntou-se ao diretor da vida selvagem do Quênia, Dr. Richard Leakey, como se poderia justificar esse aparente desperdício. “Não poderíamos convencer as pessoas na América, no Canadá ou no Japão a parar de comprar marfim se nós ainda o vendêssemos”, respondeu ele. Deveras, tais medidas tiveram o impacto de levar muitas pessoas a cooperar com um bloqueio internacional contra o comércio de marfim. A demanda de produtos de marfim caiu drasticamente.
Com os rinocerontes, a história é outra. Embora o presidente do Quênia, em 1990, ateasse fogo a chifres de rinoceronte que valiam milhões de dólares, a demanda continua. (Veja o quadro “Por que o chifre de rinoceronte é tão cobiçado”, na página 9.) Para proteger as minguantes populações de rinocerontes, alguns países têm recorrido a cortar os chifres dessas criaturas. Às vezes é uma corrida desesperada para ver quem vai atacar primeiro, o conservacionista com o dardo imobilizante ou o caçador com a arma automática mortífera.
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Há espaço tanto para o homem como para o animal?Despertai! — 1993 | 8 de novembro
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[Quadro/Fotos na página 9]
Por que o chifre de rinoceronte é tão cobiçado
“ÁGUA Antitérmica Three Legs de Chifre de Rinoceronte”. Este é o nome de um bem-conhecido medicamento vendido na Malaísia, segundo os autores do livro Rhino (Rinoceronte), Daryl e Sharna Balfour. O rótulo desse suposto medicamento traz esta mensagem: “Este medicamento é preparado cuidadosamente à base do mais seleto Chifre de Rinoceronte e de Drogas Antitérmicas, e sob a supervisão direta de Especialistas. Este maravilhoso medicamento atua como que por encantamento no alívio imediato dos que sofrem de: Malária, Febre Alta, Febre que afeta o Coração e os Quatro Membros, Vertigem causada pelo Clima, Insanidade, Dor de Dente, etc.” — O grifo é nosso.
Tais crenças são comuns em países da Ásia. Chifre de rinoceronte em forma líquida ou em pó é facilmente encontrado em muitas cidades asiáticas. Na esperança de contra-atacar sua popularidade, os Balfours dizem: “Tomar uma dose de chifre de rinoceronte tem o mesmo valor medicinal que roer as unhas.”
No Iêmen, o chifre de rinoceronte é prezado por outra razão — como material para cabos de punhal. Mais de 22 toneladas foram importadas pelo país durante a década de 70, e é difícil encontrar um substituto à altura. “Os iemenitas”, explicam os Balfours, “descobriram que não existe nada melhor que chifre de rinoceronte quanto à durabilidade e aparência. . . . Quanto mais velhos ficam [os cabos de punhal] tanto mais vistosos se tornam, adquirindo com o tempo uma translucidez similar à do âmbar”.
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