BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • Crescimento no conhecimento exato da verdade
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Em princípios da década de 1870, Charles Taze Russell e seus associados passaram a se dedicar a um diligente estudo da Bíblia. Tornou-se óbvio para eles que a cristandade se desviara muito dos ensinamentos e das práticas do primitivo cristianismo. O irmão Russell não alegou ser o primeiro a discernir isto, e reconheceu abertamente estar endividado com outros pela ajuda que prestaram durante seus primeiros anos de estudo das Escrituras. Falou com apreço da boa obra que vários movimentos da Reforma fizeram visando deixar brilhar a verdade cada vez mais. Ele citou nominalmente certos homens de mais idade, como Jonas Wendell, George Stetson, George Storrs e Nelson Barbour, que contribuíram pessoalmente de vários modos para seu entendimento da Palavra de Deus.a

      Ele declarou também: “Diversas doutrinas que apoiamos e que parecem tão novas, atuais e diferentes eram sustentadas de alguma forma muito tempo atrás: por exemplo — Eleição, Graça Gratuita, Restauração, Justificação, Santificação, Glorificação, Ressurreição.” Com freqüência, porém, um grupo religioso se distinguia pelo entendimento mais claro de certa verdade bíblica; outro grupo, por outra verdade. O progresso adicional deles era muitas vezes impedido porque estavam presos a doutrinas e credos que continham crenças originárias da antiga Babilônia e Egito ou haviam sido emprestadas dos filósofos gregos.

      Mas, que grupo, com a ajuda do espírito de Deus, paulatinamente se apegaria de novo ao inteiro “modelo de palavras salutares”, prezado pelos cristãos do primeiro século? (2 Tim. 1:13) No caso de quem revelaria ser sua vereda “como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido”? (Pro. 4:18) Quem realmente faria a obra ordenada por Jesus, ao dizer: “Sereis testemunhas de mim . . . até à parte mais distante da terra”? Quem não só faria discípulos, mas também ‘os ensinaria a observar todas as coisas’ que Jesus ordenara? (Atos 1:8; Mat. 28:19, 20) Deveras, estava próximo o tempo em que o Senhor faria uma clara distinção entre os cristãos verdadeiros, que ele assemelhou ao trigo, e os de imitação, aos quais se referiu como joio (realmente um tipo de erva daninha que até amadurecer se parece muito com o trigo)?b (Mat. 13:24-30, 36-43) Quem provaria ser “o escravo fiel e discreto” a quem o Amo, Jesus Cristo, na sua presença, empossado no Reino, confiaria maiores responsabilidades relacionadas com a obra predita para a terminação deste sistema de coisas? — Mat. 24:3, 45-47.

      Deixar brilhar a luz

      Jesus instruiu seus discípulos no sentido de partilharem com outros a luz da verdade divina que receberam dele. “Vós sois a luz do mundo”, disse ele. “Deixai brilhar a vossa luz perante os homens.” (Mat. 5:14-16; Atos 13:47) Charles Taze Russell e seus associados reconheciam que tinham a obrigação de fazer isso.

      Achavam eles que tinham todas as respostas, a plena luz da verdade? A essa pergunta o irmão Russell respondeu de modo explícito: “Certamente que não; tampouco as teremos até o ‘dia perfeito’.” (Pro. 4:18, Almeida) Referiam-se com freqüência às suas crenças bíblicas como “a verdade atual” — não com a idéia de que a verdade em si mudasse, mas sim no sentido de que o entendimento por parte deles era progressivo.

      Esses zelosos estudantes da Bíblia não se esquivavam da idéia de que, em matéria de religião, existe a verdade. Reconheciam a Jeová como “Deus da verdade” e a Bíblia como sua Palavra veraz. (Sal. 31:5; Jos. 21:45; João 17:17) Davam-se conta de que ainda havia muita coisa que não conheciam, mas não deixavam de declarar com convicção o que haviam aprendido da Bíblia. E, quando doutrinas e práticas religiosas tradicionais contradiziam o que eles encontravam claramente expresso na inspirada Palavra de Deus, então, imitando a Jesus Cristo, eles expunham a falsidade, embora isso lhes acarretasse ridicularização e ódio da parte do clero. — Mat. 15:3-9.

      Para alcançar e alimentar outros espiritualmente, C. T. Russell começou a publicar, em julho de 1879, a revista Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence.

      A Bíblia — realmente a Palavra de Deus

      A confiança que Charles Taze Russell tinha na Bíblia não era meramente aceitar um ponto de vista tradicional que estivesse em voga na época. Ao contrário, o comumente aceito naquela época era a alta crítica. Os que a aceitavam desafiavam a confiabilidade do registro bíblico.

      Quando jovem, Russell se filiara à Igreja Congregacional onde veio a ser ativo, mas a irracionalidade dos dogmas tradicionais o levaram a se tornar céptico. Ele descobriu que o que lhe fora ensinado não podia ser defendido de modo satisfatório pela Bíblia. Portanto, abandonou os dogmas dos credos da igreja e, junto com tais, a Bíblia. Daí, pesquisou as principais religiões orientais, mas essas também se mostraram insatisfatórias. Então, começou a se perguntar se a Bíblia estava sendo talvez mal representada pelos credos da cristandade. Incentivado pelo que ouvira certa noite numa reunião adventista, começou a fazer um estudo sistemático das Escrituras. O que ele viu desvendar-se diante de si era deveras a inspirada Palavra de Deus.

      Ficou profundamente impressionado com a harmonia da própria Bíblia e com a personalidade Daquele identificado como seu Autor Divino. Para ajudar outros a tirar proveito disto, ele mais tarde escreveu o livro The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras), que publicou em 1886. Nele incluiu uma extensiva análise sobre o assunto “A Bíblia Como Revelação Divina Considerada à Luz da Razão”. Perto do fim do capítulo, ele declarou inequivocamente: “A profundeza, e o poder, e a sabedoria, e o escopo do testemunho da Bíblia nos convencem de que o autor dos planos e das revelações que ela engloba não é o homem, mas sim o Deus Todo-Poderoso.”

      A confiança na Bíblia inteira como a Palavra de Deus continua sendo o fundamento das crenças das Testemunhas de Jeová hoje. Em todo o mundo, elas têm compêndios bíblicos que as habilitam a examinar pessoalmente a evidência de sua inspiração. Aspectos deste assunto são freqüentemente considerados nas suas revistas. Em 1969, publicaram o livro É a Bíblia Realmente a Palavra de Deus? Vinte anos mais tarde, o livro A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem? considerou com novo enfoque a autenticidade da Bíblia, chamou atenção para as evidências adicionais e chegou à mesma conclusão: a Bíblia é, realmente, a inspirada Palavra de Deus. Outro de seus livros, publicado primeiro em 1963 e atualizado em 1990, é “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”. Mais pormenores acham-se na sua enciclopédia bíblica Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada em 1988.

      Pelo estudo pessoal e congregacional dessa matéria, convenceram-se de que, embora cerca de 40 homens, durante um período de 16 séculos, fossem usados para escrever o que se acha nos 66 livros da Bíblia, o próprio Deus orientou ativamente a escrita mediante seu espírito. O apóstolo Paulo escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus.” (2 Tim. 3:16; 2 Ped. 1:20, 21) Esta convicção é um poderoso fator na vida das Testemunhas de Jeová. Comentando isso, um jornal britânico observou: “Por trás de tudo o que uma Testemunha [de Jeová] faz há uma razão bíblica. Deveras, seu único princípio fundamental é reconhecer a Bíblia como . . . verdadeira.”

      Conhecimento do verdadeiro Deus

      Ao passo que o irmão Russell e seus associados estudavam as Escrituras, não levou muito tempo para entenderem que o Deus apresentado na Bíblia não é o deus da cristandade. Isto foi um assunto importante, pois, conforme Jesus Cristo disse, a perspectiva de vida eterna das pessoas depende de conhecerem o único Deus verdadeiro e aquele que ele enviou, seu Agente Principal da salvação. (João 17:3; Heb. 2:10) C. T. Russell e o grupo que participava com ele no estudo da Bíblia discerniram que a justiça de Deus está em perfeito equilíbrio com a Sua sabedoria, amor e poder, e que estes atributos são manifestos em todas as suas obras. Com base no conhecimento que eles tinham então sobre o propósito de Deus, prepararam uma análise sobre por que se permite o mal e a incluíram numa de suas primeiras e mais distribuídas publicações, o livro de 162 páginas Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos), lançado primeiro como edição especial da Zion’s Watch Tower em setembro de 1881.

      Seu estudo da Palavra de Deus os ajudou a compreender que o Criador tem um nome pessoal e que torna possível a humanos conhecê-lo e gozar de estreita relação com ele. (1 Crô. 28:9; Isa. 55:6; Tia. 4:8) A Watch Tower de outubro-novembro de 1881 destacava: “JEOVÁ é o nome que identifica nenhum outro senão o Ser Supremo — nosso Pai e aquele a quem Jesus chamou de Pai e Deus.” — Sal. 83:18; João 20:17.

      No ano seguinte, em resposta à pergunta: “Afirmais que a Bíblia não ensina que há três pessoas em um só Deus?” foi dito: “Sim: ao contrário, ela nos diz de fato que há um só Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo de quem são todas as coisas (ou que criou todas as coisas). Cremos assim em Um só Deus e Pai, e também em um só Senhor Jesus Cristo . . . Mas estes são dois, e não um só ser. Eles são um apenas no sentido de estarem em harmonia. Cremos também num espírito de Deus . . . Mas não é uma pessoa, como o espírito de demônios, o espírito do Mundo e o espírito do Anticristo tampouco são pessoas.” — Zion’s Watch Tower, de junho de 1882; João 17:20-22.

  • Crescimento no conhecimento exato da verdade
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Exposta a Trindade

      Quais testemunhas de Jeová, C. T. Russell e seus associados compreendiam que tinham a grande responsabilidade de expor os ensinamentos que representavam mal a Deus, para ajudar os amantes da verdade a compreender que tais não se baseiam na Bíblia. Eles não foram os primeiros a reconhecer que a Trindade não é bíblica,c mas reconheciam que, se haviam de ser servos fiéis de Deus, tinham a responsabilidade de tornar conhecida a verdade sobre isso. Corajosamente, em benefício dos amantes da verdade, expuseram as raízes pagãs dessa doutrina central da cristandade.

      A Watch Tower de junho de 1882 dizia: “Muitos filósofos pagãos, descobrindo que seria boa política juntar-se à religião emergente [uma forma de cristianismo apóstata endossado pelos imperadores romanos do quarto século EC], passaram a preparar um terreno fácil para ela, tentando descobrir correspondências entre o cristianismo e o paganismo, e assim mesclar os dois. Conseguiram fazer isso com êxito. . . . Visto que a antiga teologia tinha diversos deuses principais, com muitos semideuses de ambos os sexos, os pagano-cristãos (se é que podemos cunhar tal palavra) passaram a reconstruir a lista da nova teologia. Nessa ocasião, portanto, inventou-se a doutrina de três Deuses — Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.”

      Alguns dos clérigos se empenharam em dar um colorido bíblico ao seu ensinamento, citando passagens como de 1 João 5:7, mas o irmão Russell apresentou evidência que mostrava ser de amplo conhecimento dos eruditos que um trecho desse texto era uma interpolação, uma inserção espúria, feita por um escriba em apoio de um ensinamento que não se encontra nas Escrituras. Outros apologistas da Trindade recorreram a João 1:1, mas a Watch Tower analisou essa passagem com base tanto no conteúdo como no contexto para mostrar que isto de forma alguma apoiava a crença da Trindade. Em harmonia com isto, a Watch Tower de julho de 1883 dizia: “Mais estudo da Bíblia e menos teologia de hinário teria tornado o assunto mais claro para todos. A doutrina da trindade é totalmente contrária à Escritura.”

      O irmão Russell expôs abertamente a insensatez de afirmar crer na Bíblia e, ao mesmo tempo, ensinar uma doutrina como a Trindade que contradiz a Bíblia. De modo que escreveu: “Em que embrulhada de contradições e confusão se acham os que dizem que Jesus e o Pai são um só Deus! Isto daria a idéia de que nosso Senhor Jesus foi hipócrita quando esteve na Terra e que simplesmente fingia dirigir-se a Deus em oração, sendo Ele Próprio o mesmo Deus. . . . Também, o Pai sempre foi imortal, por conseguinte, não podia morrer. Então, como podia Jesus morrer? Todos os Apóstolos foram testemunhas falsas ao falarem da morte e da ressurreição de Jesus, se é que Ele não morreu. As Escrituras declaram, porém, que Ele morreu realmente.”d

      Assim, cedo na sua história moderna, as Testemunhas de Jeová rejeitaram terminantemente o dogma da Trindade, da cristandade, a favor do ensinamento lógico e animador da própria Bíblia.e O trabalho que têm feito em divulgar essas verdades e em dar às pessoas em toda a parte a oportunidade de ouvi-las tem assumido proporções nunca antes alcançadas por qualquer indivíduo ou grupo, no passado ou no presente.

      Qual é a condição dos mortos?

      O que o futuro reservava para os que não aceitaram a provisão divina de salvação era uma profunda preocupação para C. T. Russell desde jovem. Quando menino, ele acreditava no que os clérigos diziam sobre o inferno de fogo; pensava que eles pregavam a Palavra de Deus. Ele saía de noite para escrever com giz passagens da Bíblia em lugares visíveis para que operários que passassem por lá fossem avisados e salvos da terrível condenação ao tormento eterno.

      Mais tarde, depois de ter constatado pessoalmente o que a Bíblia realmente ensina, foi citado por um de seus associados como tendo dito: “Se a Bíblia realmente ensina que a tortura eterna é o destino de todos exceto dos santos, isto deve ser pregado — sim, gritado do alto das casas a cada semana, dia e hora; se ela não ensina isso, deve-se dar a conhecer esse fato, e a sórdida mancha que macula o nome santo de Deus deve ser removida.”

      No início de seu estudo da Bíblia, C. T. Russell viu claramente que o inferno não é um lugar de tormento para as almas após a morte. Ele foi bem provavelmente ajudado nisto por George Storrs, editor da Bible Examiner, a quem o irmão Russell mencionava com caloroso apreço nos seus escritos e que havia escrito muito sobre o que tinha discernido da Bíblia a respeito da condição dos mortos.

      Mas o que dizer da alma? Apoiavam os Estudantes da Bíblia a crença de que ela é uma parte espiritual do homem, algo que sobrevive à morte do corpo? Ao contrário, em 1903, a Watch Tower dizia: “Precisamos notar cuidadosamente que o ponto em questão não é que o homem tem uma alma, mas sim que o homem é uma alma, ou ser. Usemos uma ilustração da natureza — o ar que respiramos: ele é composto de oxigênio e nitrogênio, mas nenhum destes é atmosfera, ou ar; porém, quando os dois são juntados, em proporções químicas adequadas, resulta em atmosfera. Assim se dá com a alma. Deus fala de nós deste ponto de vista, de cada um de nós ser uma alma. Ele não se dirige aos nossos corpos nem ao nosso fôlego de vida, mas dirige-se realmente a nós como seres inteligentes, ou almas. Ao declarar a penalidade pela violação de sua lei, ele não se dirigiu especificamente ao corpo de Adão, mas ao homem, a alma, o ser inteligente: ‘Tu!’ ‘No dia em que tu comeres dela, certamente tu morrerás.’ ‘A alma que pecar, essa morrerá.’ — Gên. 2:17; Eze. 18:20.” Isto estava em harmonia com o que a Watch Tower havia declarado já em abril de 1881.f

      Como se desenvolveu então a crença na imortalidade inerente da alma humana? Quem foi seu autor? Após examinar cuidadosamente tanto a Bíblia como a história religiosa, o irmão Russell escreveu na Watch Tower de 15 de abril de 1894: “Evidentemente não partiu da Bíblia . . . A Bíblia declara distintamente que o homem é mortal, que a morte lhe é possível. . . . Examinando as páginas da história, descobrimos que, embora a doutrina da imortalidade humana não seja ensinada pelas testemunhas inspiradas por Deus, é a própria essência de todas as religiões pagãs. . . . Não é verdade, portanto, que Sócrates e Platão foram os primeiros a ensinar essa doutrina: ela teve um instrutor anterior a esses dois, e ainda mais capaz. . . . O primeiro registro deste ensinamento falso se acha na mais antiga história conhecida pelo homem — a Bíblia. O instrutor falso foi Satanás.”g

      Apontando a “mangueira” contra o inferno

      Em harmonia com o forte desejo do irmão Russell de remover do nome de Deus a sórdida mancha resultante do ensinamento do tormento eterno no inferno de fogo, ele escreveu um tratado sobre o assunto: “Ensinam as Escrituras que o Tormento Eterno É o Salário do Pecado?” (The Old Theology [A Velha Teologia], 1889) Nele ele dizia:

      “A teoria do tormento eterno teve origem pagã, embora no conceito dos pagãos não fosse aquela doutrina sem misericórdia como veio a ser depois, quando começou gradativamente a se ligar ao cristianismo nominal no período em que tal cristianismo se mesclou com filosofias pagãs, no segundo século. Foi a grande apostasia que acrescentou à filosofia pagã os horríveis pormenores agora tão geralmente cridos, que os pintou nas paredes das igrejas, como fez na Europa, que os escreveu nos seus credos e hinos e perverteu tanto a Palavra de Deus para dar um aparente apoio divino a essa blasfêmia que desonra a Deus. Por conseguinte, a credulidade de hoje a recebe não como um legado do Senhor, ou dos apóstolos, ou dos profetas, mas do espírito de transigência que sacrificou a verdade e a lógica e vergonhosamente perverteu as doutrinas do cristianismo, por causa de ambição profana e luta por poder, riqueza e números. O tormento eterno como penalidade pelo pecado era desconhecido dos patriarcas dos tempos antigos; era desconhecido dos profetas da era judaica; e era desconhecido do Senhor e dos apóstolos; mas tem sido a principal doutrina do Cristianismo Nominal desde a grande apostasia — o flagelo por meio do qual os crédulos, os ignorantes e os supersticiosos do mundo têm sido levados a uma obediência servil à tirania. O tormento eterno era a condenação proferida contra todos os que resistissem à autoridade de Roma ou a repelissem, e a punição começava na vida atual sempre que ela [a Igreja] retinha o poder.”

      O irmão Russell estava bem ciente de que a maioria das pessoas sensatas não cria realmente na doutrina do inferno de fogo. Mas, conforme ele disse, em 1896, no folheto What Say the Scriptures About Hell? (Que Dizem as Escrituras Sobre o Inferno?), “já que pensam que a Bíblia o ensina, todo passo dado por eles em direção à verdadeira inteligência e benignidade fraterna . . . é na maioria dos casos um passo em sentido oposto da Palavra de Deus que falsamente acusam de ensinar tal doutrina”.

      Para atrair essas pessoas refletidas de volta à Palavra de Deus, ele apresentou nesse folheto todas as passagens da King James Version em que se encontrava a palavra inferno, para que os leitores pudessem ver por si mesmos o que diziam, e daí declarou: “Graças a Deus, não encontramos tal lugar de tortura eterna que os credos, os hinários e muitos sermões do púlpito erroneamente ensinam. Entretanto, encontramos um ‘inferno’, seol, hades, ao qual toda a raça humana foi condenada por causa do pecado de Adão, e do qual todos são remidos pela morte de nosso Senhor; e esse ‘inferno’ é o túmulo — a condição de morte. E encontramos outro ‘inferno’ (geena — a segunda morte — a destruição total) para o qual se chama nossa atenção como a penalidade final de todos os que, depois de serem remidos e levados a um pleno conhecimento da verdade, e a uma plena capacidade de obedecer, escolherem não obstante a morte decidindo seguir um proceder de oposição a Deus e à justiça. E nosso coração diz: Amém. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? pois só tu és santo; por isso todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos.” — Rev. 15:3, 4, Almeida, atualizada.

      O que ele ensinava era fonte de irritação e embaraço para o clero da cristandade. Em 1903, ele foi desafiado para um debate público. A condição dos mortos foi um dos pontos da série de debates entre C. T. Russell e o Dr. E. L. Eaton que servia como porta-voz de uma aliança extra-oficial de ministros protestantes do oeste de Pensilvânia.

      Durante esses debates, o irmão Russell defendeu firmemente a proposição de que a “morte é morte, que nossos entes queridos, ao nos deixarem, estão realmente mortos e não vivos nem com os anjos nem com os demônios num lugar de desespero”. Em apoio disso, ele citou passagens bíblicas tais como Eclesiastes 9:5, 10; Romanos 5:12; 6:23; e Gênesis 2:17. Também disse: “As escrituras estão em plena harmonia com o que vós e eu e qualquer outra pessoa sensata e racional no mundo admitirá que é o caráter razoável e próprio de nosso Deus. O que está declarado sobre nosso Pai celestial? Que ele é justo, que ele é sábio, que ele é amoroso, que ele é poderoso. Todo cristão reconhecerá estes atributos do caráter divino. Se assim for, podemos imaginar, em algum sentido da palavra, que Deus seja justo e ao mesmo tempo castigue uma criatura, produto de Suas próprias mãos, por toda a eternidade, não importa qual tenha sido seu pecado? Não sou apologista do pecado; eu mesmo não vivo no pecado, e nunca prego o pecado. . . . Mas eu vos digo que todas essas pessoas a nossa volta aqui que nosso irmão [o Dr. Eaton] diz que falam irreverentemente, blasfemando a Deus e o santo nome de Jesus Cristo, são todas elas pessoas a quem se ensinou esta doutrina do tormento eterno. E a todos os assassinos, ladrões e malfeitores nas penitenciárias se ensinou essa doutrina. . . . São doutrinas ruins; prejudicaram o mundo por todo esse tempo; absolutamente não fazem parte do ensinamento do Senhor, e nosso prezado irmão ainda não retirou a nuvem do obscurantismo de seus olhos.”

      Relatou-se que, depois do debate, um clérigo que estava na assistência se aproximou de Russell e disse: “Estou contente de vê-lo apontar a mangueira contra o inferno e apagar o fogo.”

      Para dar ainda mais ampla publicidade à verdade sobre a condição dos mortos, o irmão Russell participou duma extensiva série de congressos de um dia de duração, entre 1905 e 1907, em que proferiu o discurso público “Ida e Volta do Inferno! Quem Está Lá? A Esperança do Retorno de Muitos”. O título era curioso e atraía muita atenção. As pessoas superlotavam os salões de assembléia nas cidades, tanto grandes como pequenas, nos Estados Unidos e no Canadá, para ouvir o discurso.

      Entre os que ficaram profundamente impressionados com o que a Bíblia diz sobre a condição dos mortos estava um estudante universitário em Cincinnati, Ohio, que se preparava para se tornar pastor presbiteriano. Em 1913, ele recebeu de seu irmão carnal o folheto Onde Estão os Mortos?, escrito por John Edgar, um Estudante da Bíblia que era médico na Escócia. O estudante que recebeu esse folheto foi Frederick Franz. Depois de o ler cuidadosamente, disse com firmeza: “Esta é a verdade.” Sem hesitação, mudou seus alvos na vida e entrou no ministério de tempo integral como evangelizador colportor. Em 1920, tornou-se membro da equipe da sede da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Muitos anos depois, tornou-se membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová e, mais tarde, presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA).

      O sacrifício de resgate de Jesus Cristo

      Em 1872, em relação com sua pesquisa das Escrituras, o irmão Russell e seus associados reexaminaram o assunto da restauração, do ponto de vista do resgate provido por Jesus Cristo. (Atos 3:21, Imprensa Bíblica Brasileira) Ele ficou radiante ao ver em Hebreus 2:9 que ‘Jesus, pela graça de Deus, provou a morte por todo homem’. Isso não o levou a crer na salvação universal, pois ele sabia que as Escrituras também dizem que a pessoa precisa exercer fé em Jesus Cristo para ser salva. (Atos 4:12; 16:31) Mas começou a entender — embora não duma só vez — a maravilhosa oportunidade que o sacrifício de resgate de Jesus Cristo tornou possível para a humanidade. Abriu o caminho para ela ter o que Adão perdeu, a perspectiva da vida eterna em perfeição humana. O irmão Russell não era passivo sobre o assunto; ele discerniu o profundo significado do resgate e vigorosamente o defendeu, mesmo quando associados íntimos se deixaram corromper em seu raciocínio por conceitos filosóficos.

      Em meados de 1878, o irmão Russell já era, por cerca de um ano e meio, co-editor da revista Herald of the Morning (Arauto da Aurora), da qual N. H. Barbour era o editor principal. Mas, quando Barbour, na edição de agosto de 1878 dessa revista, desprezou o ensinamento bíblico do resgate, Russell respondeu com uma vigorosa defesa dessa verdade bíblica vital.

      Sob o título “A Expiação”, Barbour ilustrara o que ele achava desse ensinamento, dizendo: “Digo a meu filho, ou a um dos criados: se o Jaime morder sua irmã, apanhe uma mosca, espete um alfinete no corpo desta e prenda-a na parede, e eu perdoarei ao Jaime. Isto ilustra a doutrina da substituição.” Embora professasse crer no resgate, Barbour dizia que a idéia de que Cristo, pela sua morte, pagou a penalidade pelo pecado para a descendência de Adão era “antibíblica e repugnante a todo o nosso conceito de justiça”.h

      Logo no número seguinte de Herald of the Morning (setembro de 1878), o irmão Russell discordou fortemente daquilo que Barbour havia escrito. Russell analisou o que as Escrituras realmente diziam e sua harmonia com “a perfeição da justiça [de Deus], e finalmente sua grande misericórdia e amor”, segundo expressos por meio da provisão do resgate. (1 Cor. 15:3; 2 Cor. 5:18, 19; 1 Ped. 2:24; 3:18; 1 João 2:2) Na primavera seguinte, após repetidos esforços de ajudar Barbour a ver as coisas de modo bíblico, Russell retirou seu apoio à revista Herald; e, a partir da edição de junho de 1879, seu nome não aparecia mais como co-editor dessa publicação. Sua corajosa e intransigente posição quanto a este ensinamento central da Bíblia teve efeitos de grande alcance.

      Em toda a sua história moderna, as Testemunhas de Jeová têm coerentemente defendido o ensinamento bíblico do resgate. Já a primeira edição da Zion’s Watch Tower (julho de 1879) salientava que “o mérito perante Deus está . . . no sacrifício perfeito de Cristo”. Em 1919, num congresso patrocinado pela Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, em Cedar Point, Ohio, EUA, o programa impresso trazia em destaque as palavras “Bem-vindos! Todos os Que Crêem no Grandioso Sacrifício de Resgate”. Na contracapa de A Sentinela continua-se a chamar atenção para o resgate, onde se diz a respeito do objetivo da revista: “Exorta à fé em Jesus Cristo, o agora reinante Rei designado por Deus, cujo sangue derramado abre o caminho para a humanidade obter vida eterna.”

      Progressivos, não presos a credos

      O entendimento claro da Palavra de Deus não foi obtido de uma vez. Não raro, os Estudantes da Bíblia captavam um pormenor do padrão geral da verdade, mas não entendiam a questão toda. No entanto, estavam dispostos a aprender. Não estavam presos a credos; eram progressivos. O que aprendiam, partilhavam com outros. Não atribuíam a si o mérito pelo que ensinavam; procuravam ser “ensinados por Jeová”. (João 6:45) E reconheceram que Jeová torna possível o entendimento dos pormenores de seu propósito na devida época e de sua própria maneira. — Dan. 12:9; compare com João 16:12, 13.

      Aprender coisas novas requer ajustes de pontos de vista. Admitir erros e fazer mudanças benéficas exige humildade. Essa qualidade e seus frutos são desejáveis a Jeová, e tal proceder atrai fortemente aos que amam a verdade. (Sof. 3:12) Mas é ridicularizado pelos que se glorificam em credos que têm permanecido imutáveis por muitos séculos, embora formulados por homens imperfeitos.

      A maneira da volta do Senhor

      Foi em meados da década de 1870 que o irmão Russell e os que com ele examinavam diligentemente as Escrituras discerniram que, na sua volta, o Senhor seria invisível aos olhos humanos. — João 14:3, 19.

      O irmão Russell disse mais tarde: “Sentimo-nos muito tristes diante do erro dos adventistas, que esperavam Cristo na carne e ensinavam que o mundo e tudo o que há nele, exceto os adventistas, seriam queimados em 1873 ou 1874, cuja fixação de datas e desapontamentos e idéias geralmente vagas sobre o objetivo e a maneira de sua vinda trouxeram até certo ponto descrédito sobre nós e sobre todos os que aguardavam e proclamavam seu vindouro Reino. Esses conceitos errados, tão generalizados, tanto sobre o objetivo como sobre a maneira da volta do Senhor, levaram-me a escrever um panfleto — ‘The Object and Manner of Our Lord’s Return’ (O Objetivo e a Maneira da Volta de Nosso Senhor).” Esse panfleto foi publicado em 1877. O irmão Russell mandou imprimir e distribuir uns 50.000 exemplares dele.

      Nesse panfleto, ele escreveu: “Cremos que as escrituras ensinam que, na Sua vinda e por algum tempo depois de ter vindo, Ele permanecerá invisível, manifestando-Se depois ou mostrando-Se em julgamentos e várias formas, de modo que ‘todo olho O verá’.” Em apoio disso, considerou textos tais como Atos 1:11 (‘ele virá da mesma maneira em que o observastes ir’ — isto é, não visto pelo mundo) e João 14:19, (“ainda um pouco, e o mundo não me verá mais”). O irmão Russell referiu-se também ao fato de que The Emphatic Diaglott, que em 1864 fora publicada pela primeira vez em forma completa, com tradução interlinear palavra por palavra, em inglês, dava evidência de que a expressão grega pa·rou·sí·a significava “presença”. Ao analisar o uso bíblico desse termo, Russell explicou nesse panfleto: “A palavra grega geralmente usada para se referir ao segundo advento — Parousia, muitas vezes traduzida por vinda — significa invariavelmente presença pessoal, como já tendo vindo, chegado, e nunca significa estar a caminho, como na palavra chegando.”

      Ao considerar o objetivo da presença de Cristo, Russell tornou claro que não se tratava de algo que se realizaria num único momento de abalar o mundo. “O segundo advento, como o primeiro”, escreveu ele, “abrange um período, e não é um evento momentâneo”. Nesse período, escreveu ele, os do “pequeno rebanho” receberiam sua recompensa junto com o Senhor como co-herdeiros no Seu Reino; outros, talvez bilhões de pessoas, receberiam a oportunidade de uma vida perfeita na Terra restaurada em beleza edênica. — Luc. 12:32.

      Em apenas alguns anos, com base num estudo adicional das Escrituras, Russell compreendeu que Cristo não só voltaria de modo invisível, mas também permaneceria invisível, mesmo ao manifestar sua presença executando a sentença contra os iníquos.

      Em 1876, quando Russell leu pela primeira vez um exemplar de Herald of the Morning, ficou sabendo de outro grupo que cria que a volta de Cristo seria invisível e relacionava essa volta com as bênçãos para todas as famílias da Terra. Por meio do Sr. Barbour, editor daquela publicação, Russell também ficou persuadido de que a presença invisível de Cristo começara em 1874.i Mais tarde, chamou-se atenção para isso mediante o subtítulo “Arauto da Presença de Cristo” que aparecia na capa da revista Zion’s Watch Tower.

      O reconhecimento de que a presença de Cristo seria invisível tornou-se um importante fundamento sobre o qual se basearia o entendimento de muitas profecias bíblicas. Aqueles primeiros Estudantes da Bíblia entenderam que a presença do Senhor devia ser de interesse primário para todos os verdadeiros cristãos. (Mar. 13:33-37) Estavam vividamente interessados na volta do Amo e atentos ao fato de que tinham o dever de divulgar isso, mas ainda não discerniam bem todos os pormenores. Contudo, foi realmente notável o que o espírito de Deus bem no início já os habilitou a entender. Uma dessas verdades dizia respeito a uma data muito significativa apontada nas profecias bíblicas.

      Fim dos Tempos dos Gentios

      O assunto sobre cronologia bíblica tinha sido por muito tempo de grande interesse para os estudantes da Bíblia. Comentaristas haviam apresentado vários conceitos sobre a profecia de Jesus a respeito dos “tempos dos gentios” e do relato do profeta Daniel sobre o sonho de Nabucodonosor dum toco de árvore que ficou atado por “sete tempos”. — Luc. 21:24, Al; Dan. 4:10-17.

      Já em 1823, John A. Brown, cuja obra foi publicada em Londres, Inglaterra, calculara os “sete tempos” de Daniel 4 como sendo de 2.520 anos de duração. Mas ele não discerniu claramente a data em que o período profético começou, ou quando terminaria. Contudo, relacionou esses “sete tempos” com os Tempos dos Gentios de Lucas 21:24. Em 1844, E. B. Elliott, um clérigo britânico, chamou atenção para 1914 como possível data do fim dos “sete tempos” de Daniel, mas apresentou também um conceito alternativo que apontava para o tempo da Revolução Francesa. Robert Seeley, de Londres, em 1849, considerou o assunto de modo similar. O mais tardar em 1870, uma publicação de Joseph Seiss e seus associados, impressa em Filadélfia, Pensilvânia, apresentava cálculos que indicavam 1914 como data importante, embora o raciocínio contido se baseasse numa cronologia que C. T. Russell mais tarde rejeitou.

      Depois, nas edições de Herald of the Morning, de agosto, setembro e outubro de 1875, N. H. Barbour ajudou a harmonizar pormenores indicados por outros. Usando a cronologia compilada por Christopher Bowen, um clérigo da Inglaterra, e publicada por E. B. Elliott, Barbour identificou o início dos Tempos dos Gentios com a remoção do Rei Zedequias do reinado, conforme predita em Ezequiel 21:25, 26, e apontou para 1914 como marcando o fim dos Tempos dos Gentios.

      Em princípios de 1876, C. T. Russell recebeu um exemplar de Herald of the Morning. Ele escreveu prontamente para Barbour e daí passou algum tempo com ele em Filadélfia durante o verão, quando consideraram, entre outras coisas, os tempos proféticos. Pouco depois, num artigo intitulado “Os Tempos dos Gentios: Quando Terminam?” Russell também raciocinou sobre o assunto com base nas Escrituras e disse que a evidência mostrava que “os sete tempos terminarão em 1914 EC”. Esse artigo foi impresso na edição de outubro de 1876 da Bible Examiner.j O livro Three Worlds, and the Harvest of This World (Três Mundos e a Colheita Deste Mundo), produzido em 1877 por N. H. Barbour com a cooperação de C. T. Russell, apresentava a mesma conclusão. Depois, alguns dos primeiros números da Watch Tower, como os de dezembro de 1879 e de julho de 1880, chamavam atenção para 1914 EC como um ano altamente significativo do ponto de vista das profecias bíblicas. Em 1889, o inteiro quarto capítulo do Volume II de Millennial Dawn (Aurora do Milênio), mais tarde chamado Studies in the Scriptures, fez um estudo sobre “Os Tempos dos Gentios”. Mas o que significaria o fim dos Tempos dos Gentios?

      Os Estudantes da Bíblia não estavam plenamente seguros do que aconteceria. Estavam convencidos de que não resultaria na queima da Terra nem no desaparecimento da vida humana. Mas sabiam que marcaria um ponto significativo com respeito ao governo divino. De início, pensaram que nessa data o Reino de Deus teria assumido pleno controle universal. Quando isso não aconteceu, sua confiança nas profecias bíblicas que marcavam essa data não vacilou. Concluíram que, em vez disso, a data marcava apenas um ponto de partida quanto ao domínio do Reino.

      Similarmente, pensaram também de início que as dificuldades globais, que culminariam numa anarquia (entendiam que esta estaria associada com a guerra do “grande dia de Deus, o Todo-poderoso”), precederiam essa data. (Rev. 16:14) Mas, depois, dez anos antes de 1914, a Watch Tower sugeria que um tumulto mundial que resultaria no aniquilamento das instituições humanas ocorreria logo após o fim dos Tempos dos Gentios. Esperavam que o ano de 1914 marcasse um significativo momento decisivo para Jerusalém, pois a profecia dizia que ‘Jerusalém seria pisada’ até terminarem os Tempos dos Gentios. Quando viram que 1914 estava terminando e eles ainda não tinham morrido quais humanos nem sido ‘arrebatados nas nuvens’ para se encontrarem com o Senhor — segundo as expectativas anteriores — passaram a esperar sinceramente que sua mudança se daria no fim dos Tempos dos Gentios. — 1 Tes. 4:17.

      Com o passar dos anos, examinando e reexaminando as Escrituras, sua fé nas profecias permaneceu firme, e eles não deixaram de declarar o que esperavam que ocorresse. Com variados graus de êxito, esforçaram-se em evitar ser dogmáticos a respeito de pormenores não declarados explicitamente nas Escrituras.

      Será que o “despertador” tocou cedo demais?

      Um grande tumulto certamente irrompeu no mundo em 1914 com a deflagração da Primeira Guerra Mundial, que por muitos anos foi chamada simplesmente de a Grande Guerra, mas não conduziu imediatamente à queda de todos os governos humanos existentes. Com o desenrolar dos eventos relacionados com a Palestina após 1914, os Estudantes da Bíblia achavam ter visto evidência de mudanças significativas para Israel. Mas, passaram meses e depois anos, e os Estudantes da Bíblia não receberam a recompensa celestial na época que esperavam. Como reagiram a isso?

      A Watch Tower de 1.º de fevereiro de 1916 chamava especificamente atenção para 1.º de outubro de 1914 e dizia: “Este foi o último ponto relacionado com tempo que a cronologia bíblica nos indicava com respeito às experiências da Igreja. Disse o Senhor que seríamos levados para lá [para o céu]? Não. O que disse Ele? Sua Palavra e o cumprimento das profecias pareciam indicar inequivocamente que essa data marcou o fim dos Tempos dos Gentios. Nós deduzimos disso que a ‘mudança’ da Igreja se daria nessa data ou antes. Mas Deus não nos disse que seria assim. Ele permitiu que fizéssemos essa dedução; e cremos que revelou ser um necessário teste dos estimados santos de Deus em toda parte.” Mas mostraram esses acontecimentos que sua gloriosa esperança foi em vão? Não. Simplesmente significava que nem tudo estava acontecendo tão cedo como esperavam.

      Alguns anos antes de 1914, Russell havia escrito: “A cronologia (as profecias cronológicas em geral) evidentemente não se destinava a dar ao povo de Deus informações cronológicas exatas todo o tempo através dos séculos. Evidentemente, destinava-se mais a servir como despertador para acordar e energizar o povo do Senhor no tempo certo. . . . Mas, suponhamos, por exemplo, que outubro de 1914 passe e não ocorra nenhuma queda séria do poder gentio. O que provará ou deixará de provar isso? Não deixará de provar nenhuma parte do Plano Divino das Eras. O preço de resgate consumado no Calvário ainda permanecerá como garantia do cumprimento final do grande Programa Divino para a restauração humana. A ‘sublime chamada’ da Igreja para sofrer com o Redentor e ser glorificada com ele quais membros seus ou Noiva ainda será a mesma. . . . A única coisa afetada pela cronologia será o tempo do cumprimento dessas gloriosas esperanças para a Igreja e para o mundo. . . . E, se essa data passar, provará meramente que a nossa cronologia, o nosso ‘despertador’, tocou um pouco antes da hora. Consideraríamos uma grande calamidade se nosso despertador nos acordasse alguns momentos mais cedo na manhã de um grande dia cheio de alegria e prazer? Certamente que não!”

      Mas esse “despertador” não tocou cedo demais. Na realidade, foram as coisas para as quais o “despertador” os acordara que não eram exatamente o que eles esperavam.

      Anos mais tarde, quando a luz se tornou mais clara, eles reconheceram: “Muitos dos estimados santos pensavam que todo o trabalho já estava feito. . . . Regozijaram-se por causa da clara prova de que o mundo terminara, que o reino do céu estava próximo, e que o dia de sua libertação era iminente. Mas desperceberam outra coisa que precisava ser feita. As boas novas que haviam recebido tinham de ser divulgadas; porque Jesus ordenara: ‘Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim.’ (Mateus 24:14)” — The Watch Tower de 1.º de maio de 1925.

      Quando começaram a se desenrolar os eventos após 1914 e os Estudantes da Bíblia compararam esses com o que o Amo predissera, compreenderam gradativamente que estavam vivendo nos últimos dias do velho sistema, e isso desde 1914. Compreenderam também que no ano de 1914 começou a presença invisível de Cristo e que isso se deu não mediante ele voltar em pessoa (nem mesmo invisivelmente) à vizinhança da Terra, mas por voltar a sua atenção à Terra como Rei reinante. Entenderam e aceitaram sua responsabilidade vital de proclamar “estas boas novas do Reino” para testemunho a todas as nações neste período crítico da história humana. — Mat. 24:3-14.

      O que era precisamente a mensagem a respeito do Reino que tinham de pregar? Era de algum modo diferente da mensagem dos cristãos do primeiro século?

      O Reino de Deus, a única esperança da humanidade

      Em resultado do estudo meticuloso da Palavra de Deus, os Estudantes da Bíblia associados com o irmão Russell entenderam que o Reino de Deus era o governo que Jeová prometera estabelecer por meio de seu Filho para a bênção da humanidade. Jesus Cristo, no céu, teria um “pequeno rebanho” de associados quais governantes selecionados por Deus dentre a humanidade. Entenderam que esse governo seria representado por homens fiéis da antiguidade que serviriam como príncipes em toda a Terra. Estes eram chamados os “dignos da antiguidade”. — Luc. 12:32; Dan. 7:27; Rev. 20:6; Sal. 45:16.

      A cristandade por muito tempo ensinou ‘o direito divino dos reis’ como meio de manter o povo em sujeição. Mas esses Estudantes da Bíblia compreenderam pelas Escrituras que o futuro dos governos humanos não era assegurado por nenhuma garantia divina. Em harmonia com o que aprendiam, a Watch Tower de dezembro de 1881 declarava: “O estabelecimento desse reino obviamente significará a queda de todos os reinos da Terra, pois todos eles — mesmo os melhores — fundam-se na injustiça e nos direitos desiguais, bem como na opressão de muitos a favor de poucos — conforme lemos: ‘Esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre.’” — Dan. 2:44.

      Quanto a como esses reinos opressivos seriam esmagados, os Estudantes da Bíblia ainda tinham muito que aprender. Ainda não entendiam claramente como os benefícios do Reino de Deus alcançariam toda a humanidade. Mas não confundiam o Reino de Deus com um sentimento vago no coração ou com o governo de uma hierarquia religiosa que usasse o Estado secular como braço.

      Até 1914, os fiéis servos pré-cristãos de Deus não haviam sido ressuscitados na Terra quais representantes principescos do Reino messiânico, conforme se esperava, tampouco foram os do restante do “pequeno rebanho” juntados a Cristo no Reino celestial naquele ano. Contudo, a Watch Tower de 15 de fevereiro de 1915 dizia confiantemente que 1914 era o tempo devido “para nosso Senhor assumir Seu grande poder e reino”, terminando assim os milênios da ininterrupta dominação gentia.

  • Crescimento no conhecimento exato da verdade
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • A guerra do grande dia de Deus, o Todo-Poderoso

      A guerra mundial que começou em 1914 abalou os alicerces do existente sistema. Por algum tempo, parecia que os eventos ocorreriam como os Estudantes da Bíblia esperavam.

      Em agosto de 1880, o irmão Russell escrevera: “Entendemos que antes que a família humana seja restaurada, ou até mesmo comece a ser abençoada, os atuais reinos da Terra que escravizam e oprimem a humanidade serão todos derrubados e que o reino de Deus assumirá o controle, e que a bênção e a restauração virão através do novo reino.” Como aconteceria tal ‘derrubada dos reinos’? Com base nas condições que ele via desenvolverem-se no mundo naquela época, Russell acreditava que na guerra do Armagedom Deus usaria facções da humanidade em disputa para derrubar as instituições existentes. Ele disse: “A obra de demolição do império humano está começando. O poder que os derrubará está operando. O povo já está reunindo suas forças sob o nome de comunistas, socialistas, niilistas, etc.”

      O livro The Day of Vengeance (O Dia da Vingança; chamado mais tarde de The Battle of Armageddon, A Batalha do Armagedom), publicado em 1897, ampliou ainda mais o modo como os Estudantes da Bíblia entendiam o assunto na época, dizendo: “O Senhor, por meio de sua providência preponderante, assumirá um domínio geral deste grande exército de descontentes — patriotas, reformadores, socialistas, moralistas, anarquistas, ignorantes e desesperançados — e usará suas esperanças, seus temores, suas loucuras e seu egoísmo, segundo Sua sabedoria divina, a fim de cumprir seu grandioso propósito de derrubar as atuais instituições, para a preparação do homem para o Reino de Justiça.” Assim, entendiam que a guerra do Armagedom estaria associada com uma violenta revolução social.

  • Crescimento no conhecimento exato da verdade
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • [Quadro na página 126]

      ‘Devemos contradizer o próprio Cristo?’

      Depois de expor a doutrina da Trindade como antibíblica e ilógica, C. T. Russell expressou justa indignação quando perguntou: “Devemos contradizer assim os Apóstolos e os Profetas e o próprio Jesus, e desconsiderar a lógica e o bom senso, para nos apegar a um dogma que nos foi transmitido desde um passado obscuro e supersticioso por uma Igreja corrupta e apóstata? Não! ‘À Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva.’” — “The Watch Tower” de 15 de agosto de 1915.

      [Quadro na página 133]

      A verdade progressiva

      Em 1882, C. T. Russell escreveu: “A Bíblia é o nosso único padrão, e seus ensinamentos, o nosso único credo, e, reconhecendo o caráter progressivo do desvendamento das verdades bíblicas, estamos prontos e preparados para aumentar ou modificar nosso credo (fé — crença) à medida que recebemos mais luz de nosso Padrão.” — “Watch Tower” de abril de 1882, p. 7.

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar