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O descanso de Deus — de que se trata?A Sentinela — 2011 | 15 de julho
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Não “caia no mesmo exemplo de desobediência”
6. Que exemplos nos servem de alerta, e que lição podemos aprender deles?
6 Deus explicou de modo claro a Adão e Eva qual era seu propósito, mas eles não cooperaram para a sua realização. Naturalmente, Adão e Eva foram apenas os primeiros humanos a preferir a desobediência. Tem havido milhões de outros desde então. Até mesmo o povo escolhido de Deus, a nação de Israel, frequentemente o desobedecia. E é digno de nota que Paulo tenha alertado os cristãos do primeiro século de que mesmo alguns deles poderiam cair na armadilha em que caíram os israelitas antigos. Ele escreveu: “Façamos, portanto, o máximo para entrar naquele descanso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.” (Heb. 4:11) Note que Paulo relaciona desobedecer com não entrar no descanso de Deus. O que isso significa para nós? Se de alguma maneira nos rebelarmos contra o propósito de Deus, será que correremos o risco de não entrar no descanso de Deus? Obviamente, a resposta a essa pergunta é muito importante, e mais adiante nós a consideraremos. Por ora, vejamos o que mais o péssimo exemplo dos israelitas nos ensina sobre entrar no descanso de Deus.
“Não entrarão no meu descanso”
7. Qual era a intenção de Jeová ao libertar os israelitas da escravidão no Egito, e o que se esperava deles?
7 Em 1513 AEC, Jeová revelou ao seu servo Moisés qual era seu objetivo com relação aos israelitas. Deus disse: “Estou para descer, a fim de livrá-los da mão dos egípcios e para fazê-los subir daquela terra [o Egito] para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel.” (Êxo. 3:8) Exatamente como Jeová prometera ao antepassado deles, Abraão, o objetivo de Deus em livrar os israelitas “da mão dos egípcios” era fazer desses israelitas o Seu povo. (Gên. 22:17) Deus forneceu aos israelitas um conjunto de leis que lhes tornaria possível ter uma relação pacífica com ele. (Isa. 48:17, 18) Ele lhes disse: “Se obedecerdes estritamente à minha voz e deveras guardardes meu pacto [especificado na Lei], então vos haveis de tornar minha propriedade especial dentre todos os outros povos, pois minha é toda a terra.” (Êxo. 19:5, 6) Assim, para terem uma relação privilegiada com Deus, os israelitas tinham de obedecer à sua voz.
8. Que tipo de vida os israelitas poderiam ter tido se tivessem sido obedientes a Deus?
8 Imagine que vida os israelitas teriam se tão somente tivessem obedecido à voz de Deus! Jeová abençoaria seus campos, seus vinhedos e seus rebanhos. Os seus inimigos não os dominariam indefinidamente. (Leia 1 Reis 10:23-27.) Quando viesse, o Messias provavelmente encontraria Israel prosperando como nação independente, não subjugada à tirania romana. Israel poderia ter sido um reino-modelo para seus vizinhos, como prova concreta de que obedecer ao Deus verdadeiro traz bênçãos espirituais e materiais.
9, 10. (a) Por que o desejo de Israel de voltar para o Egito era um assunto sério? (b) Como uma volta para o Egito poderia ter afetado a adoração dos israelitas?
9 Que privilégio os israelitas tiveram — colaborar na realização do propósito de Jeová, o que resultaria em bênçãos não apenas para eles, mas, por fim, para todas as famílias da Terra! (Gên. 22:18) No entanto, como um todo, os daquela geração rebelde pouco se interessaram em estabelecer um reino-modelo sob o domínio teocrático. Eles até mesmo desejaram voltar para o Egito! (Leia Números 14:2-4.) Mas como poderia a volta deles para o Egito promover o objetivo de Deus de transformar Israel num reino-modelo? Não poderia. Na realidade, se os israelitas voltassem à custódia de seus captores pagãos, jamais conseguiriam seguir a Lei mosaica e aproveitar a provisão de Jeová para o perdão de seus pecados. Que mentalidade carnal e que falta de visão eles tinham! Não é para menos que Jeová dissesse a esses rebeldes: “[Eu] me aborreci desta geração e disse: ‘Eles sempre se perdem nos seus corações, e eles mesmos não chegaram a conhecer os meus caminhos.’ De modo que jurei na minha ira: ‘Não entrarão no meu descanso.’” — Heb. 3:10, 11; Sal. 95:10, 11.
10 O desejo de voltar para o Egito mostrou que aquela nação obstinada não prezava as bênçãos espirituais que recebera, preferindo o alho-porro, a cebola e o alho disponíveis no Egito. (Núm. 11:5) Como o ingrato Esaú, os rebeldes estavam dispostos a renunciar a uma preciosa herança espiritual em troca de uma boa refeição. — Gên. 25:30-32; Heb. 12:16.
11. Como a falta de fé dos israelitas nos dias de Moisés afetou o propósito de Deus?
11 Apesar da falta de fé da geração de israelitas que saiu do Egito, Jeová ‘trabalhava’ pacientemente no cumprimento de seu propósito, voltando agora a sua atenção para a geração seguinte. Os membros dessa nova geração eram mais obedientes do que seus pais. Sob as ordens de Jeová, eles entraram na Terra Prometida e passaram a conquistá-la. Em Josué 24:31, lemos: “Israel continuou a servir a Jeová todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que prolongaram seus dias depois de Josué e que tinham conhecido todo o trabalho de Jeová, que ele fez para Israel.”
12. Como sabemos que é possível entrar no descanso de Deus hoje?
12 Mas aquela geração obediente aos poucos desapareceu e foi substituída por outra, que “não conhecia a Jeová, nem o trabalho que tinha feito para Israel”. Assim, “os filhos de Israel puseram-se a fazer o que era mau aos olhos de Jeová e a servir aos Baalins”. (Juí. 2:10, 11) A Terra Prometida não mostrou ser um verdadeiro “lugar de descanso” para eles. Por causa de sua desobediência, a paz com Deus não durou muito tempo. Referindo-se a um período posterior, Paulo escreveu: “Se Josué os tivesse conduzido [os israelitas] a um lugar de descanso, Deus não teria depois falado de outro dia. De modo que resta um descanso sabático para o povo de Deus.” (Heb. 4:8, 9) “O povo de Deus” a que Paulo se referia eram cristãos. Significa isso que os cristãos podiam entrar no descanso de Deus? Certamente que sim — cristãos tanto judeus como não judeus!
Alguns não entram no descanso de Deus
13, 14. Que relação existia entre seguir a Lei mosaica e entrar no descanso de Deus (a) nos dias de Moisés? (b) no primeiro século?
13 Ao escrever aos cristãos hebreus, Paulo manifestou sua preocupação de que alguns deles não estavam cooperando com o propósito progressivo de Deus. (Leia Hebreus 4:1.) Como assim? Ironicamente, tinha a ver com a observância da Lei mosaica. Por uns 1.500 anos, todo israelita que desejasse viver em harmonia com o propósito de Deus tinha de seguir a Lei. No entanto, com a morte de Jesus, a Lei foi tirada do caminho. Alguns cristãos não reconheciam isso, insistindo em continuar a observar certos preceitos da Lei.b
14 Para os cristãos decididos a seguir a Lei, Paulo explicou que o sumo sacerdócio de Jesus, o novo pacto e o templo espiritual eram superiores aos seus equivalentes pré-cristãos. (Heb. 7:26-28; 8:7-10; 9:11, 12) Assim, provavelmente pensando na guarda do sábado semanal sob a Lei, Paulo escreveu o seguinte sobre o privilégio de entrar no dia de descanso de Jeová: “Resta um descanso sabático para o povo de Deus. Porque o homem que entrou no descanso de Deus descansou também das suas próprias obras, assim como Deus das suas.” (Heb. 4:8-10) Aqueles cristãos hebreus tinham de parar de pensar que poderiam ganhar a aprovação de Jeová por meio de obras baseadas na Lei mosaica. Desde o Pentecostes de 33 EC, Deus concede generosamente seu favor aos que exercem fé em Jesus Cristo.
15. Por que a obediência é essencial para entrarmos no descanso de Deus?
15 O que impediu os israelitas nos dias de Moisés de entrar na Terra Prometida? A desobediência. O que impedia alguns cristãos nos dias de Paulo de entrar no descanso de Deus? O mesmo: a desobediência. Eles não reconheceram que a Lei havia servido ao seu objetivo e que Jeová estava agora conduzindo seu povo numa direção diferente.
Entrar no descanso de Deus hoje
16, 17. (a) O que significa entrar no descanso de Deus hoje? (b) O que será considerado no próximo artigo?
16 Poucos cristãos hoje insistiriam em seguir algum preceito da Lei mosaica a fim de ganhar a salvação. As palavras inspiradas de Paulo aos efésios são bem claras: “Por esta benignidade imerecida é que fostes salvos por intermédio da fé; e isto não se deve a vós, é dádiva de Deus. Não, não se deve a obras, a fim de que nenhum homem tenha base para jactância.” (Efé. 2:8, 9) Como, então, os cristãos podem entrar no descanso de Deus? Jeová reservou o sétimo dia — seu dia de descanso — para levar seu propósito com relação à Terra a um glorioso cumprimento. Podemos entrar, ou participar, no descanso de Jeová por trabalharmos obedientemente em harmonia com o seu propósito progressivo, ao passo que este nos é revelado por meio de sua organização.
17 Por outro lado, desconsiderar os conselhos bíblicos da classe do escravo fiel e discreto, preferindo seguir um proceder independente, significaria resistir ao desenrolar do propósito de Deus. Isso poria em risco a nossa relação pacífica com Jeová. No próximo artigo, veremos algumas situações comuns que podem afetar o povo de Deus. Também, como as nossas decisões — obedecer ou adotar um espírito independente — podem determinar se realmente entramos no descanso de Deus.
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Você entrou no descanso de Deus?A Sentinela — 2011 | 15 de julho
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Você entrou no descanso de Deus?
“A palavra de Deus é viva e exerce poder.” — HEB. 4:12.
1. Qual é uma das maneiras de entrarmos no descanso de Deus hoje, mas por que isso pode ser mais fácil dizer do que fazer?
VIMOS no artigo anterior que podemos entrar no descanso de Deus por apoiar obedientemente a realização de seus propósitos. Isso talvez seja mais fácil dizer do que fazer. Por exemplo, quando aprendemos que Jeová desaprova algo de que gostamos, a nossa reação inicial pode ser de rebeldia. Isso indica que temos de melhorar na questão de estar ‘prontos para obedecer’. (Tia. 3:17) Neste artigo, veremos algumas situações em que a nossa disposição de nos ajustar ao propósito de Deus — ser obedientes de coração — pode ser testada.
2, 3. Que esforços contínuos temos de fazer para agradar a Jeová?
2 Como você se sai na questão de aceitar conselhos baseados na Bíblia? As Escrituras dizem que Deus deseja juntar a si “as coisas desejáveis de todas as nações”. (Ageu 2:7) Naturalmente, a maioria de nós não era nada ‘desejável’ antes de aprender a verdade. No entanto, o amor a Deus e ao seu querido Filho nos levou a fazer mudanças significativas na nossa atitude e hábitos, a fim de nos tornar pessoas plenamente aceitáveis a Deus. Por fim, depois de muitas orações e esforço de nossa parte, chegou o abençoado dia em que pudemos nos apresentar para o batismo cristão. — Leia Colossenses 1:9, 10.
3 Não obstante, o nosso batismo não pôs fim à batalha contra a imperfeição. A luta continuou, e vai continuar enquanto formos imperfeitos. Mas temos esta garantia: se continuarmos a luta, decididos a nos tornar pessoas de quem Jeová se agrada cada vez mais, ele abençoará os nossos esforços.
Quando conselhos são necessários
4. De que três maneiras podemos receber conselhos bíblicos?
4 Antes de podermos começar a combater as nossas imperfeições, temos de saber quais são elas. Um discurso tocante no Salão do Reino, ou um bem ponderado artigo nas nossas publicações, podem expor uma falha grave de nossa parte. Mas, caso despercebamos o ponto apresentado num discurso ou não apliquemos o conselho impresso, Jeová talvez use um companheiro cristão para trazer a falha à nossa atenção. — Leia Gálatas 6:1.
5. Cite algumas reações indesejáveis que poderíamos ter ao ser aconselhados, e explique por que é preciso que os pastores cristãos persistam em seus esforços de nos ajudar.
5 Não é fácil aceitar conselhos de um humano imperfeito, mesmo que sejam dados com o maior tato e amor possível. No entanto, como Gálatas 6:1 destaca, Jeová ordena os que têm qualificações espirituais a ‘tentar’ nos reajustar “num espírito de brandura”. Se reagirmos bem, nós agradaremos ainda mais a Deus. Curiosamente, quando oramos, nós admitimos com facilidade que somos imperfeitos. No entanto, quando alguém nos aponta uma falha, a tendência é tentar nos justificar, minimizar o problema, questionar a motivação do conselheiro ou objetar ao modo como o conselho foi dado. (2 Reis 5:11) E se o conselho toca num aspecto especialmente sensível — ações de um membro de nossa família, maneira de nos vestir, nossa higiene pessoal ou um tipo de diversão de que gostamos, mas que Jeová odeia — talvez a nossa reação seja bastante negativa, para nossa surpresa e para consternação de quem nos aconselha. Mas, depois de pensar bem, em geral admitimos que o conselho foi apropriado.
6. Como a palavra de Deus revela “os pensamentos e as intenções do coração”?
6 O texto principal deste artigo nos lembra de que a palavra de Deus “exerce poder”. Sim, ela exerce poder para mudar vidas. Ela é tão eficaz em nos ajudar a fazer as mudanças necessárias depois do nosso batismo assim como foi antes de darmos esse passo. Na sua carta aos hebreus, Paulo escreveu também que a palavra de Deus “penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e da sua medula, e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração”. (Heb. 4:12) Em outras palavras, quando entendemos bem o propósito de Deus para nós, a nossa reação revela o que somos no íntimo. Será que existe às vezes uma diferença entre o que aparentamos ser (a “alma”) e o que realmente somos (o “espírito”)? (Leia Mateus 23:27, 28.) Analise como você reagiria nas seguintes situações.
Acompanhe o passo da organização de Jeová
7, 8. (a) O que talvez tenha motivado alguns cristãos judeus a se apegarem a certas práticas da Lei mosaica? (b) Será que as suas obras se harmonizavam com o propósito progressivo de Jeová?
7 Muitos de nós sabem de cor o texto de Provérbios 4:18: “A vereda dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido.” Isso significa que a nossa conduta e o nosso entendimento dos propósitos de Deus melhoram com o passar do tempo.
8 Como vimos no artigo anterior, depois da morte de Jesus muitos cristãos judeus achavam difícil abandonar a Lei mosaica. (Atos 21:20) Embora Paulo habilmente ponderasse que os cristãos não estavam mais sujeitos à Lei, alguns rejeitaram sua argumentação inspirada. (Col. 2:13-15) Talvez achassem que, se continuassem a seguir pelo menos algumas partes da Lei, evitariam a perseguição. Seja como for, quando escreveu aos cristãos hebreus, Paulo deixou claro que eles não podiam entrar no descanso de Deus enquanto se recusassem a cooperar com o desenrolar do propósito divino.a (Heb. 4:1, 2, 6; leia Hebreus 4:11.) Para ganhar a aprovação de Jeová, eles teriam de aceitar o fato de que Deus estava conduzindo seu povo numa direção diferente.
9. Qual deve ser a nossa atitude quando são feitos ajustes no nosso entendimento de assuntos bíblicos?
9 Nos tempos modernos, tem havido refinamentos no nosso entendimento de alguns ensinos bíblicos. Isso não nos deve abalar; deve reforçar a nossa confiança na classe do escravo fiel e discreto. Quando membros representativos do “escravo” discernem que o nosso conceito sobre certo aspecto da verdade precisa ser esclarecido ou corrigido, eles não deixam de fazer o ajuste. A classe do escravo está mais interessada em cooperar com o propósito progressivo de Deus do que em poupar-se de críticas por causa de um entendimento ajustado. Como você reage quando é apresentado um ajuste no nosso entendimento das Escrituras? — Leia Lucas 5:39.
10, 11. O que podemos aprender da reação de alguns a novos métodos de pregar as boas novas?
10 Vejamos outro exemplo. Em fins do século 19 e começo do século 20, certos Estudantes da Bíblia que eram excelentes oradores públicos achavam que podiam cumprir melhor a missão de pregar por proferir bons discursos para ouvintes apreciativos. Eles gostavam de falar em público, e alguns se deleitavam na calorosa bajulação de seus ouvintes. No entanto, mais tarde ficou evidente que Jeová desejava que seu povo se empenhasse em formas diversas de pregar, incluindo o serviço de casa em casa. Alguns oradores públicos bem-sucedidos recusaram-se terminantemente a tentar algo novo. Por fora, pareciam homens de boa espiritualidade, bem devotados ao Senhor. Contudo, diante das claras evidências sobre o que Deus desejava com relação à pregação, os seus reais pensamentos, intenções e motivações vieram à tona. Jeová não se agradou deles. Por isso, não os abençoou. Eles abandonaram a organização. — Mat. 10:1-6; Atos 5:42; 20:20.
11 Isso não significa que pregar publicamente tenha sido fácil para todos os que permaneceram leais à organização. Muitos acharam desafiador esse trabalho, em especial no início. Mas eram obedientes. Com o tempo, venceram a ansiedade e foram muito abençoados por Jeová. Como você reage quando é convidado a participar em alguma forma de pregação que no momento é diferente do que você costuma fazer? Está disposto a tentar algo novo?
Quando alguém que amamos abandona a Jeová
12, 13. (a) Qual é o objetivo de Jeová ao exigir que transgressores não arrependidos sejam desassociados? (b) Que prova alguns pais cristãos enfrentam, e por que é uma prova tão difícil?
12 Sem dúvida, todos nós concordamos com o princípio de que, para agradar a Deus, temos de ser física, moral e espiritualmente limpos. (Leia Tito 2:14.) Mas podem surgir situações em que a nossa lealdade a esse aspecto do propósito de Deus seja severamente provada. Suponha, por exemplo, que o filho único de um casal cristão exemplar abandona a verdade. Preferindo “o usufruto temporário do pecado” a uma relação pessoal com Jeová e com seus pais cristãos, o rapaz é desassociado. — Heb. 11:25.
13 Os pais ficam arrasados. Quanto à desassociação, eles obviamente sabem que a Bíblia ordena ‘cessar de ter convivência com qualquer que se chame irmão, que for fornicador, ganancioso, idólatra, injuriador, beberrão ou extorsor, nem sequer comendo com tal homem’. (1 Cor. 5:11, 13) Eles sabem também que a palavra “qualquer” nesse versículo inclui membros da família que não vivem na mesma casa. Mas eles amam muito o seu filho! Fortes emoções talvez os levem a raciocinar: ‘Como poderemos ajudar o nosso filho a voltar para Jeová se cortarmos quase por completo a nossa associação com ele? Não seria mais produtivo manter um contato regular com ele?’b
14, 15. O que está realmente envolvido na decisão que os pais de filhos desassociados têm de tomar?
14 Nós nos compadecemos desses pais. O filho podia escolher, e ele escolheu levar uma vida não cristã em vez de preservar a sua estreita associação com os pais e outros irmãos na fé. Os pais, por outro lado, não podiam controlar as decisões do filho. Não é para menos que se sintam tão angustiados!
15 Mas o que esses pais queridos vão fazer? Obedecerão às claras orientações de Jeová? Ou será que vão achar que podem se associar regularmente com o filho desassociado e chamar isso de “assuntos familiares necessários”? Ao tomar sua decisão, eles não devem desconsiderar o que Jeová vai achar do que farão. O objetivo de Deus é manter limpa a organização e, se possível, levar transgressores a cair em si. Como os pais cristãos podem apoiar esse objetivo?
16, 17. O que podemos aprender por meditar no exemplo de Arão?
16 Arão, irmão de Moisés, enfrentou uma situação difícil envolvendo dois de seus filhos, Nadabe e Abiú. Imagine como ele deve ter se sentido quando esses filhos ofereceram fogo ilegítimo a Jeová, que então os executou. Naturalmente, isso pôs fim a qualquer associação que esses homens ainda poderiam ter tido com seus pais. Havia algo mais, porém. Por meio de Moisés, Jeová ordenou a Arão e seus filhos fiéis: “Não deixeis as vossas cabeças ficar desgrenhadas e não deveis rasgar as vossas roupas [em sinal de luto], para que não morrais e para que [Jeová] não fique indignado contra toda a assembleia.” (Lev. 10:1-6) A mensagem é clara. O nosso amor a Jeová tem de ser mais forte do que o nosso amor a familiares infiéis.
17 Hoje, Jeová não executa de imediato os que violam as suas leis. Amorosamente, ele lhes dá uma chance de se arrependerem de suas obras más. Mas como Jeová se sentiria se os pais de um transgressor não arrependido e desassociado persistissem em se associar desnecessariamente com ele? Não seria isso pôr Jeová à prova?
18, 19. Que bênçãos talvez recebam os familiares que seguem as instruções de Jeová com relação a desassociados?
18 Muitos desassociados, agora readmitidos, reconhecem abertamente que a posição firme adotada por seus amigos e familiares os ajudou a cair em si. Os anciãos que recomendaram a readmissão de certa jovem escreveram que ela havia limpado a sua vida “em parte por causa do respeito de seu irmão pelo arranjo da desassociação”. Ela disse que “o apego fiel dele às orientações das Escrituras a ajudou a desejar voltar”.
19 Que conclusão devemos tirar? Que é preciso lutar contra a tendência de nosso coração imperfeito de se rebelar contra os conselhos bíblicos. Temos de ter absoluta certeza de que o modo de Deus lidar com os nossos problemas é sempre o melhor.
“A palavra de Deus é viva”
20. De que duas maneiras pode-se aplicar Hebreus 4:12? (Veja a nota.)
20 Quando Paulo escreveu que “a palavra de Deus é viva”, ele não se referia especificamente à Palavra escrita de Deus, a Bíblia.c O contexto mostra que ele se referia às promessas de Deus. O argumento de Paulo era que Deus não se esquece das promessas que faz. Jeová deixou isso claro por meio do profeta Isaías: ‘A minha palavra não voltará a mim sem resultados, mas terá êxito certo naquilo para que a enviei.’ (Isa. 55:11) Assim, não precisamos ficar impacientes quando as coisas não avançam tão rapidamente quanto gostaríamos. Jeová ‘segue trabalhando’ para concretizar seu propósito. — João 5:17.
21. Que encorajamento Hebreus 4:12 pode dar aos fiéis membros mais velhos da “grande multidão”?
21 Fiéis membros mais velhos da “grande multidão” servem a Jeová há décadas. (Rev. 7:9) Muitos não esperavam envelhecer neste sistema. Ainda assim, não desanimaram. (Sal. 92:14) Eles sabem que as promessas de Deus não são uma questão morta — a sua ‘palavra é viva’, e Jeová está trabalhando para cumpri-la. Visto que Deus preza muito o seu propósito, nós o alegramos quando colocamos esse propósito acima de qualquer outro interesse. Durante este sétimo dia, Jeová tem descansado, certo de que seu propósito será cumprido e de que, como grupo, seu povo o apoiará. E você? Já entrou no descanso de Deus?
[Nota(s) de rodapé]
a Muitos líderes judeus seguiam à risca a Lei mosaica, mas, quando o Messias chegou, eles não o reconheceram. Não acompanharam o propósito progressivo de Deus.
b Veja ‘Mantenha-se no Amor de Deus’, páginas 207-209.
c Hoje, Deus nos fala por meio de sua Palavra escrita, que tem poder para influenciar a nossa vida. Assim, por extensão, as palavras de Paulo em Hebreus 4:12 podem ser aplicadas à Bíblia.
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