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Boas novas de que todos precisamA Sentinela — 2011 | 15 de junho
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5. Sobre que real necessidade Paulo falou no livro de Romanos?
5 Todos precisam saber a respeito de Jesus e ter fé nele. No livro de Romanos, Paulo falou dessa necessidade. Quase no início, ele escreveu sobre “Deus, a quem presto serviço sagrado com o meu espírito, em conexão com as boas novas a respeito de seu Filho”. Ele acrescentou: “Eu não me envergonho das boas novas; são, de fato, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que tem fé.” Mais adiante, ele se referiu ao tempo “em que Deus, por intermédio de Cristo Jesus, [julgará] as coisas secretas da humanidade, segundo as boas novas que eu declaro”. E relatou: “Desde Jerusalém e num circuito até Ilírico, preguei cabalmente as boas novas a respeito do Cristo.”a (Rom. 1:9, 16; 2:16; 15:19) Por que, na sua opinião, Paulo enfatizou a pessoa de Jesus Cristo aos romanos?
6, 7. O que podemos dizer sobre como foi formada e de quem se compunha a congregação romana?
6 Não sabemos como foi formada a congregação romana. Será que judeus ou prosélitos que estiveram no Pentecostes de 33 EC retornaram a Roma como cristãos? (Atos 2:10) Ou teriam mercadores e viajantes cristãos divulgado a verdade em Roma? Seja como for, quando Paulo escreveu o livro, por volta de 56 EC, já fazia tempo que a congregação estava estabelecida. (Rom. 1:8) Que tipo de pessoas compunha essa congregação?
7 Algumas tinham formação judaica. Paulo enviou saudações a Andrônico e Júnias como “meus parentes”, provavelmente significando parentes que também eram judeus. O fabricante de tendas, Áquila, que estava em Roma com a esposa, Priscila, também era judeu. (Rom. 4:1; 9:3, 4; 16:3, 7; Atos 18:2) Mas muitos dos irmãos e irmãs aos quais Paulo enviou saudações provavelmente eram gentios. É possível que alguns fossem “da família de César”, talvez seus escravos e autoridades menores. — Fil. 4:22; Rom. 1:6; 11:13.
8. Em que situação desfavorável se encontravam aqueles a quem Paulo escreveu?
8 Todo cristão em Roma se encontrava numa situação desfavorável que afeta também a todos nós. Paulo expressou isso desta maneira: “Todos pecaram e não atingem a glória de Deus.” (Rom. 3:23) Obviamente, todos a quem Paulo escreveu precisavam reconhecer que eram pecadores e que tinham de ter fé nos meios providos por Deus para sanar essa necessidade.
Reconhecer o problema do pecado
9. A que possível resultado das boas novas Paulo chamou a atenção?
9 Mais no início da carta aos romanos, Paulo falou do possível resultado maravilhoso das boas novas às quais ele constantemente se referia. Ele disse: “Eu não me envergonho das boas novas; são, de fato, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que tem fé, primeiro para o judeu, e também para o grego.” Sim, a salvação era possível. Mas era preciso fé, em harmonia com uma verdade profunda citada de Habacuque 2:4: “O justo — por meio da fé é que viverá.” (Rom. 1:16, 17; Gál. 3:11; Heb. 10:38) Mas que relação essas boas novas, que podem resultar em salvação, tem com o fato de que “todos pecaram”?
10, 11. Por que o conceito mencionado em Romanos 3:23 talvez seja comum para alguns, mas não para outros?
10 Antes de alguém desenvolver o tipo de fé que salva a vida, ele tem de reconhecer que é pecador. A ideia de ser pecador talvez seja comum entre os que desde pequenos foram ensinados a crer em Deus e que conhecem um pouco a Bíblia. (Leia Eclesiastes 7:20.) Quer concordem com isso, quer duvidem, pessoas assim pelo menos têm uma ideia do que Paulo quis dizer com a afirmação: “Todos pecaram.” (Rom. 3:23) No entanto, é possível que no nosso ministério encontremos muitos que não entendem essa declaração.
11 Há países em que a pessoa mediana não aprende desde criança que ela nasceu pecadora, ou que herdou o pecado. É verdade que ela provavelmente reconheça que comete erros, que tem certos traços de personalidade indesejáveis e que já fez algumas coisas ruins. E ela vê que outros se encontram numa situação parecida. No entanto, dada sua formação, a pessoa realmente não entende por que ela e outros são assim. De fato, em alguns idiomas, se você disser que alguém é pecador, outros possivelmente entenderão que você quer dizer que ele é um criminoso, ou, no mínimo, alguém que violou algumas regras. É óbvio que uma pessoa criada nesse tipo de cultura talvez não se julgue de imediato uma pecadora no sentido que Paulo tinha em mente.
12. Por que muitos não acreditam que todos são pecadores?
12 Mesmo nos países da cristandade, muitos não creem no conceito de que são pecadores. Por que não? Apesar de irem de vez em quando a uma igreja, eles acham que o relato bíblico sobre Adão e Eva é mera fábula ou mito. Outros crescem num ambiente antideus. Duvidam da existência de Deus e, assim, não se dão conta de que um Ser Supremo estabeleceu normas morais para os humanos, e que violar tais normas significa pecar. Em certo sentido, são como as pessoas do primeiro século descritas por Paulo como ‘sem esperança’ e ‘sem Deus no mundo’. — Efé. 2:12.
13, 14. (a) Qual é uma das razões pelas quais aqueles que não creem em Deus e no pecado são inescusáveis? (b) Ao que a descrença tem levado muitas pessoas?
13 Na carta aos romanos, Paulo apresentou duas razões pelas quais esse tipo de formação não podia — e não pode — ser usado como desculpa. A primeira é que a própria criação atesta a existência de um Criador. (Leia Romanos 1:19, 20.) Isso condiz com uma observação de Paulo ao escrever, de Roma, aos hebreus: ‘Cada casa é construída por alguém, mas quem construiu todas as coisas é Deus.’ (Heb. 3:4) Esse raciocínio aponta para o fato de que existe um Criador que construiu, ou trouxe à existência, o inteiro Universo.
14 Portanto, Paulo estava bem fundamentado quando escreveu aos romanos que qualquer pessoa — incluindo os israelitas do passado — que prestasse devoção a imagens sem vida ‘era inescusável’. Pode-se dizer o mesmo dos que praticavam atos sexuais imorais contrários ao uso natural dos corpos masculino e feminino. (Rom. 1:22-27) Referindo-se a esse raciocínio, Paulo concluiu corretamente que “tanto os judeus como os gregos estão todos debaixo de pecado”. — Rom. 3:9.
‘Dá testemunho’
15. Quem tem a faculdade da consciência, e com que efeito?
15 O livro de Romanos identifica outra razão pela qual as pessoas devem reconhecer que são pecadoras e que precisam de um meio de sair dessa situação desfavorável. A respeito do código dado por Deus ao Israel antigo, Paulo escreveu: “Todos os que pecaram debaixo de lei, serão julgados por lei.” (Rom. 2:12) Prosseguindo seu raciocínio, ele destacou que até mesmo pessoas de nações ou grupos étnicos que não conhecem esse código divino muitas vezes “fazem por natureza as coisas da lei”. Por exemplo, por que é comum tais pessoas proibirem o incesto, o assassinato e o roubo? Paulo identificou a razão: elas têm uma consciência. — Leia Romanos 2:14, 15.
16. Por que ter uma consciência não significa necessariamente evitar o pecado?
16 No entanto, é provável que tenha observado que ter uma consciência que funciona como testemunha interior não significa que a pessoa seguirá sem falta a sua orientação. O caso dos israelitas do passado mostra isso. Embora tivessem recebido de Deus uma consciência e leis específicas, eles muitas vezes violavam tanto a sua consciência como a Lei de Jeová. (Rom. 2:21-23) Eles eram duplamente culpados e, portanto, com certeza pecadores, em desalinho com os padrões e a vontade de Deus. Isso prejudicou seriamente a relação deles com o seu Criador. — Lev. 19:11; 20:10; Rom. 3:20.
17. Que encorajamento há no livro de Romanos?
17 O que vimos no livro de Romanos parece pintar um quadro sombrio da situação humana, incluindo a nossa, perante o Altíssimo. Mas o apóstolo Paulo estendeu o assunto. Citando as palavras de Davi no Salmo 32:1, 2, ele escreveu: “Felizes aqueles cujas ações contra a lei foram perdoadas e cujos pecados foram encobertos; feliz o homem cujo pecado Jeová de modo algum levará em conta.” (Rom. 4:7, 8) Deus providenciou um adequado meio legal para o perdão de pecados.
Boas novas centralizadas em Jesus
18, 19. (a) Que aspecto das boas novas Paulo focalizou em Romanos? (b) O que temos de reconhecer para ganhar as bênçãos do Reino?
18 Você talvez exclame: “Essas são realmente boas novas!” E são mesmo, o que nos leva de volta ao aspecto das boas novas que Paulo destacou no livro de Romanos. Como já citado, ele escreveu: “Eu não me envergonho das boas novas; são, de fato, o poder de Deus para a salvação.” — Rom. 1:15, 16.
19 Essas boas novas centralizam-se no papel de Jesus na realização do propósito de Deus. Paulo podia aguardar o “dia em que Deus, por intermédio de Cristo Jesus, [julgará] as coisas secretas da humanidade, segundo as boas novas”. (Rom. 2:16) Ao dizer isso, ele não estava minimizando o “reino do Cristo e de Deus” ou o que Deus fará por meio do Reino. (Efé. 5:5) Mas ele mostrou que, para podermos viver e desfrutar das futuras bênçãos sob o Reino de Deus, temos de reconhecer (1) a nossa condição de pecadores aos olhos de Deus e (2) por que precisamos exercer fé em Jesus Cristo para o perdão de pecados. Quando a pessoa entende e aceita essas particularidades do propósito de Deus e vê o futuro que isso lhe apresenta, ela pode corretamente exclamar: “Essas são realmente boas novas!”
20, 21. No nosso ministério, por que devemos ter em mente as boas novas destacadas no livro de Romanos, e com que possíveis resultados?
20 Devemos sem falta ter em mente esse aspecto das boas novas ao realizar o nosso ministério cristão. Referindo-se a Jesus, Paulo citou as palavras de Isaías: “Ninguém que basear nele a sua fé ficará desapontado.” (Rom. 10:11; Isa. 28:16) A mensagem básica sobre Jesus talvez não cause estranheza para quem tem conhecimento do que a Bíblia diz a respeito do pecado. Para outros, porém, essa mensagem será bastante nova, algo desconhecido ou alheio às crenças na sua cultura. Quando pessoas assim passam a crer em Deus e a confiar nas Escrituras, nós temos de explicar-lhes o papel de Jesus. O próximo artigo mostrará como Romanos, capítulo 5, explica esse aspecto das boas novas. Você com certeza verá a utilidade desse estudo para o seu ministério.
21 É muito recompensador ajudar os sinceros a entender as boas novas mencionadas repetidas vezes no livro de Romanos, boas novas que “são, de fato, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que tem fé”. (Rom. 1:16) Além de sermos assim recompensados, veremos outros concordarem com a impressão que Paulo citou em Romanos 10:15: “Quão lindos são os pés daqueles que declaram boas novas de coisas boas!” — Isa. 52:7.
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Deus nos recomenda o seu amorA Sentinela — 2011 | 15 de junho
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Deus nos recomenda o seu amor
“A benignidade imerecida [reinará] por intermédio da justiça, visando a vida eterna.” — ROM. 5:21.
1, 2. Que duas dádivas podem ser analisadas, e qual é a maior delas?
‘O MAIOR legado dos romanos aos que os sucederam foi a sua lei e seu senso de que é preciso viver de acordo com a lei.’ (Dr. David J. Williams, da Universidade de Melbourne, Austrália) Por mais verdadeiro que isso possa ser, existe um legado, ou dádiva, muito mais valioso. Trata-se de um meio divino de alcançar uma condição aprovada e justa perante Deus e a perspectiva de salvação e vida eterna.
2 Em certo sentido, havia aspectos legais ligados à maneira como Deus disponibilizou essa dádiva. Em Romanos, capítulo 5, o apóstolo Paulo não apresentou esses aspectos como um tratado frio e legalista. Em vez disso, ele começou com esta emocionante garantia: “Temos sido declarados justos em resultado da fé, [assim] gozemos de paz com Deus por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.” Os que recebem a dádiva divina sentem-se movidos a corresponder ao amor de Deus. Paulo foi um deles. Ele escreveu: “O amor de Deus tem sido derramado em nossos corações por intermédio do espírito santo.” — Rom. 5:1, 5.
3. Que perguntas surgem logicamente?
3 Mas por que era necessária essa dádiva amorosa? Como Deus poderia oferecê-la de modo justo e equitativo? E o que se espera que as pessoas façam para se habilitar a recebê-la? Vejamos as respostas satisfatórias e como elas acentuam o amor de Deus.
Amor de Deus versus pecado
4, 5. (a) De que modo grandioso Jeová expressou seu amor? (b) Que conhecimento básico torna possível entendermos Romanos 5:12?
4 Num ato de grande amor, Jeová enviou seu Filho unigênito para ajudar os humanos. Paulo disse: “Deus recomenda a nós o seu próprio amor, por Cristo ter morrido por nós enquanto éramos ainda pecadores.” (Rom. 5:8) Pense num fato ali mencionado: “Éramos ainda pecadores.” Todos precisam saber como isso se deu.
5 Paulo esboçou o assunto, começando com esta verdade: “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” (Rom. 5:12) Nós temos condições de entender isso porque Deus providenciou um registro de como a vida humana começou. Jeová criou dois humanos, Adão e Eva. O Criador é perfeito, e assim eram esses dois primeiros humanos, nossos ancestrais. Deus lhes deu apenas uma ordem restritiva, informando-os de que desobedecê-la resultaria em pena de morte. (Gên. 2:17) No entanto, eles decidiram agir desastrosamente, violando a razoável ordem de Deus, rejeitando-o como Legislador e Soberano. — Deut. 32:4, 5.
6. (a) Por que os descendentes de Adão estavam sujeitos à morte tanto antes como depois de Deus ter dado a Lei mosaica? (b) O que pode ser ilustrado com uma doença como a hemofilia?
6 Adão só teve filhos depois de se ter tornado pecador. Assim, ele passou a todos eles o pecado e seus efeitos. Naturalmente, eles não violaram a lei divina que Adão violou, de modo que não foram acusados do mesmo pecado; e ainda não havia sido fornecido um conjunto de leis. (Gên. 2:17) Mesmo assim, os descendentes de Adão herdaram o pecado. Por conseguinte, o pecado e a morte ‘reinaram’ até a época em que Deus forneceu aos israelitas um código, que mostrava claramente que eles eram pecadores. (Leia Romanos 5:13, 14.) O efeito do pecado herdado pode ser ilustrado com certas doenças ou distúrbios, como anemia mediterrânea ou hemofilia. Talvez tenha lido que Alexei, filho do czar russo Nicolau II e Alexandra, herdou o distúrbio hemorrágico hemofilia. É verdade que, mesmo numa família assim afetada, alguns filhos não desenvolvem a doença, mas podem ser portadores. É diferente no caso do pecado. O distúrbio, ou defeito, do pecado originário de Adão era inevitável. Todos o têm. É sempre fatal. E passa para todos os filhos. Será que essa condição desfavorável poderia ser superada algum dia?
A provisão de Deus por meio de Jesus Cristo
7, 8. Como o proceder de dois homens perfeitos levou a resultados diferentes?
7 Jeová amorosamente fez uma provisão para livrar os humanos da pecaminosidade herdada. Paulo explicou que isso foi possível por meio de outro homem, um posterior homem perfeito — na realidade um segundo Adão. (1 Cor. 15:45) Mas o proceder de cada um desses dois homens perfeitos tem levado a resultados muito diferentes. Como assim? — Leia Romanos 5:15, 16.
8 “Não é com o dom [dádiva] como é com a falha”, escreveu Paulo. Adão foi culpado dessa falha e, merecidamente, recebeu uma sentença adversa — ele morreu. Mas não foi o único a morrer. Lemos: ‘Por aquela falha de um só homem muitos morreram.’ A sentença justa aplicada contra Adão recaía também sobre toda a sua descendência imperfeita, incluindo nós. No entanto, é consolador saber que o homem perfeito, Jesus, poderia produzir um resultado oposto. Que resultado? Vemos a resposta na menção de Paulo a “homens de toda sorte serem declarados justos para a vida”. — Rom. 5:18.
9. O que Deus realizava ao ‘declarar justos’ os humanos, conforme Romanos 5:16, 18?
9 Qual é o sentido das palavras gregas por trás das expressões “declaração de justiça” e “serem declarados justos”? Certo tradutor da Bíblia explicou: “É uma metáfora legal que assenta uma questão quase jurídica. Fala de uma mudança na posição de uma pessoa com relação a Deus, não de uma mudança interior na pessoa . . . A metáfora retrata Deus como juiz que tomou uma decisão em favor do acusado, que fora levado perante a corte de Deus, por assim dizer, sob a acusação de se encontrar na condição de injusto. Mas Deus absolve o acusado.”
10. O que Jesus fez, provendo assim uma base para humanos serem declarados justos?
10 Com que base o justo “Juiz de toda a terra” podia absolver uma pessoa injusta? (Gên. 18:25) Estabelecendo o fundamento, Deus amorosamente enviou seu Filho unigênito à Terra. Jesus fez a vontade de seu Pai com perfeição, apesar de tentações, extrema zombaria e abusos. Ele manteve a integridade a ponto de morrer numa estaca de tortura. (Heb. 2:10) Ao sacrificar sua vida humana perfeita, Jesus ofereceu um resgate que poderia livrar, ou redimir, do pecado e da morte a descendência de Adão. — Mat. 20:28; Rom. 5:6-8.
11. O que significa a expressão “resgate correspondente”?
11 Em outro lugar, Paulo chamou isso de “resgate correspondente”. (1 Tim. 2:6) Em que sentido era correspondente? Adão legou a imperfeição e a morte a bilhões de pessoas, seus descendentes. É verdade que Jesus, como homem perfeito, poderia ter produzido bilhões de descendentes perfeitos.a Assim, pensava-se que a vida de Jesus, em conjunto com a de todos os seus possíveis descendentes perfeitos, formava um sacrifício equivalente ao de Adão e seus descendentes imperfeitos. No entanto, a Bíblia não diz que alguma descendência de Jesus em potencial formou parte do resgate. Romanos 5:15-19 destaca que a morte de “um só homem” proveu o livramento. Sim, a vida perfeita de Jesus correspondeu à de Adão. O foco é, e deve ser, apenas Jesus Cristo. Isso possibilitou que homens de toda sorte recebessem a dádiva gratuita e vida eterna graças a “um só ato de justificação” de Jesus, sua obediência e integridade mesmo em face da morte. (2 Cor. 5:14, 15; 1 Ped. 3:18) Como se deu esse resultado?
Absolvição com base no resgate
12, 13. Por que os declarados justos precisam da misericórdia e do amor de Deus?
12 Jeová Deus aceitou o sacrifício de resgate oferecido pelo seu Filho. (Heb. 9:24; 10:10, 12) Ainda assim, os discípulos de Jesus na Terra, incluindo seus apóstolos fiéis, continuavam imperfeitos. Embora se esforçassem em não fazer coisas erradas, nem sempre conseguiam isso. Por quê? Por causa da herança do pecado. (Rom. 7:18-20) Mas Deus podia fazer, e fez, algo a respeito. Ele aceitou o “resgate correspondente” e, de bom grado, o aplicou em favor de seus servos humanos.
13 A questão não era que Deus tivesse de aplicar o resgate em favor dos apóstolos e outros como recompensa por terem praticado certas boas obras. Em vez disso, Deus aplicou o resgate em favor deles com base na sua misericórdia e grande amor. Ele decidiu inocentar os apóstolos e outros da acusação contra eles, considerando-os absolvidos da culpa herdada. Paulo deixou isso claro, dizendo: “Por esta benignidade imerecida é que fostes salvos por intermédio da fé; e isto não se deve a vós, é dádiva de Deus.” — Efé. 2:8.
14, 15. Que recompensa foi oferecida aos declarados justos por Deus, mas o que ainda tinham de fazer?
14 Que grandiosa dádiva do Altíssimo é o perdão, tanto do pecado que a pessoa herdou como dos erros que ela cometeu! Não dá para imaginar quantos pecados a pessoa cometeu antes de se tornar cristã; no entanto, à base do resgate, Deus pode perdoá-los. Paulo escreveu que esse dom, ou dádiva, “resultou de muitas falhas numa declaração de justiça”. (Rom. 5:16) Os apóstolos e outros que recebessem essa dádiva amorosa (ser declarados justos) teriam de continuar a adorar o Deus verdadeiro com fé. Com que recompensa futura? “Aqueles que recebem a abundância da benignidade imerecida e da dádiva gratuita da justiça reinarão em vida por intermédio de um só, Jesus Cristo.” Realmente, a dádiva da justiça opera na direção oposta. Essa dádiva resulta em vida. — Rom. 5:17; leia Lucas 22:28-30.
15 Os que recebem essa dádiva, ser declarados justos, tornam-se filhos espirituais de Deus. Como co-herdeiros de Cristo, eles têm a perspectiva de ser ressuscitados para o céu como genuínos filhos espirituais para ‘reinar’ com Jesus Cristo. — Leia Romanos 8:15-17, 23.
O amor de Deus manifesto a outros
16. Que dádiva já agora os que têm esperança terrestre podem receber?
16 Nem todos os que exercem fé e servem a Deus como cristãos leais esperam reinar com Cristo no céu. Muitos, com base na Bíblia, têm uma esperança similar à dos servos de Deus pré-cristãos. Esperam viver para sempre numa Terra paradísica. Será que eles já podem receber agora uma amorosa dádiva de Deus e ser encarados como justos com a vida terrestre em vista? Com base nos escritos de Paulo aos romanos, a animadora resposta é sim!
17, 18. (a) Em vista da fé de Abraão, como Deus o considerava? (b) Em que base foi possível que Jeová encarasse Abraão como justo?
17 Paulo considerou um exemplo típico, o de Abraão, um homem de fé que viveu antes de Jeová ter provido um código a Israel e muito antes de Cristo ter aberto o caminho para a vida celestial. (Heb. 10:19, 20) Lemos: “Não foi por intermédio de lei que Abraão, ou seu descendente, teve a promessa de ser herdeiro dum mundo, mas foi por intermédio da justiça pela fé.” (Rom. 4:13; Tia. 2:23, 24) Assim, o fiel Abraão foi considerado justo por Deus. — Leia Romanos 4:20-22.
18 Isso não pode significar que Abraão nunca pecou ao servir a Jeová por décadas. Não, ele não era justo nesse sentido. (Rom. 3:10, 23) No entanto, na sua ilimitada sabedoria, Jeová levou em conta a fé excepcional de Abraão e as obras resultantes dessa fé. Em especial, Abraão exerceu fé no prometido “descendente” que viria na sua linhagem. Esse Descendente mostrou ser o Messias, ou Cristo. (Gên. 15:6; 22:15-18) Concordemente, à base do “resgate pago por Cristo Jesus”, o Juiz divino pode perdoar pecados ocorridos no passado. Assim, Abraão e outros homens de fé dos tempos pré-cristãos têm a perspectiva de uma ressurreição. — Leia Romanos 3:24, 25; Sal. 32:1, 2.
Tenha uma posição justa agora
19. Por que o conceito de Deus sobre Abraão deve ser animador para muitos hoje?
19 Ter o Deus de amor atribuído justiça a Abraão deve ser animador para os cristãos verdadeiros. Jeová não o declarou justo no mesmo sentido em que o faz com aqueles que unge com espírito para serem “co-herdeiros de Cristo”. Os desse grupo de número limitado são “chamados para serem santos” e são aceitos como “filhos de Deus”. (Rom. 1:7; 8:14, 17, 33) Em contraste, Abraão tornou-se “amigo de Jeová”, e isso antes de o sacrifício de resgate ter sido oferecido. (Tia. 2:23; Isa. 41:8) Mas que dizer dos cristãos verdadeiros que esperam viver no restaurado Paraíso terrestre?
20. O que Deus espera dos que ele hoje considera justos, assim como considerou Abraão?
20 Esses não receberam a “dádiva gratuita da justiça” com a vida celestial em vista “por intermédio do livramento pelo resgate pago por Cristo Jesus”. (Rom. 3:24; 5:15, 17) Não obstante, eles exercem profunda fé em Deus e nas suas provisões, e manifestam sua fé por meio de boas obras. Uma dessas obras é ‘pregar o reino de Deus e ensinar as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo’. (Atos 28:31) Portanto, Jeová pode considerá-los justos assim como fez com Abraão. A dádiva que esses recebem — a amizade com Deus — difere da “dádiva gratuita” que os ungidos recebem. Mas é certamente uma dádiva que eles aceitam com muita gratidão.
21. Que benefícios estão disponíveis graças ao amor e à justiça de Jeová?
21 Se a sua esperança é viver para sempre na Terra, você deve entender que essa oportunidade não surgiu por conta de um capricho de um governante humano. Em vez disso, reflete o sábio propósito do Soberano do Universo. Jeová tem dado passos progressivos na realização de seu propósito. Esses passos têm sido dados em harmonia com a verdadeira justiça. Mais do que isso, refletem o grande amor de Deus. Paulo podia dizer com razão: “Deus recomenda a nós o seu próprio amor, por Cristo ter morrido por nós enquanto éramos ainda pecadores.” — Rom. 5:8.
[Nota(s) de rodapé]
a Por exemplo, esse conceito envolvendo descendentes, ou progênie, foi incluído em Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 3, página 425, parágrafos 2 e 3.
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