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    A Sentinela — 1998 | 15 de setembro
    • Tempos e épocas nas mãos de Jeová

      “Não vos cabe obter conhecimento dos tempos ou das épocas que o Pai tem colocado sob a sua própria jurisdição.” — ATOS 1:7.

      1. Como respondeu Jesus às perguntas sobre os tempos feitas pelos seus apóstolos?

      O QUE poderia ser mais natural, da parte dos que “suspiram e gemem por causa de todas as coisas detestáveis que se fazem” na cristandade e em toda a Terra, do que perguntar-se quando este sistema iníquo irá acabar e será substituído pelo novo mundo justo de Deus? (Ezequiel 9:4; 2 Pedro 3:13) Os apóstolos de Jesus, pouco antes da morte e depois da ressurreição dele, fizeram-lhe perguntas sobre os tempos. (Mateus 24:3; Atos 1:6) Em resposta, porém, Jesus não lhes deu uma indicação de como calcular datas. Numa ocasião, ele lhes deu um sinal composto, e em outra ele disse que ‘não lhes cabia obter conhecimento dos tempos ou das épocas que o Pai tinha colocado sob a sua própria jurisdição’. — Atos 1:7.

      2. Por que se pode dizer que Jesus nem sempre sabia o cronograma de seu Pai para a ocorrência dos acontecimentos no tempo do fim?

      2 Embora Jesus seja o Filho unigênito de Jeová, ele mesmo nem sempre conhecia o cronograma do Pai para os acontecimentos. Jesus reconheceu humildemente na sua profecia a respeito dos últimos dias: “Acerca daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente o Pai.” (Mateus 24:36) Jesus estava disposto a esperar pacientemente que seu Pai lhe revelasse o tempo exato da ação destrutiva a ser tomada contra este iníquo sistema de coisas.a

      3. O que podemos aprender das respostas de Jesus a perguntas sobre o propósito de Deus?

      3 Podem-se deduzir duas coisas do modo em que Jesus respondeu às perguntas sobre quando ocorreriam as coisas em cumprimento do propósito de Deus. Primeiro, que Jeová tem um cronograma; e segundo, que só ele o controla, e que seus servos não podem esperar receber com antecedência informações exatas referentes aos seus tempos ou às suas épocas.

      Os tempos e as épocas de Jeová

      4. Quais são os significados das palavras gregas traduzidas “tempos” e “épocas” em Atos 1:7?

      4 O que se quer dizer com “tempos” e com “épocas”? A declaração de Jesus, registrada em Atos 1:7, contém dois aspectos de tempo. A palavra grega traduzida “tempos” significa “tempo no sentido de duração”, um espaço de tempo (longo ou curto). “Épocas” é a tradução duma palavra que se refere a um tempo fixo ou designado, a uma época ou período específico, marcado por certas características. Referente a estas duas palavras originais, W. E. Vine declara: “Em Atos 1:7, ‘o Pai estabeleceu pela Sua própria autoridade’ tanto os tempos (chronos), a duração dos períodos, como as épocas (kairos), os períodos caracterizados por certos acontecimentos.”

      5. Quando informou Jeová a Noé sobre o Seu propósito de destruir o mundo corrupto, e que missão dupla realizou Noé?

      5 Antes do Dilúvio, Deus fixou um limite de tempo de 120 anos para o mundo corrupto, produzido pelos humanos e por anjos rebeldes, materializados. (Gênesis 6:1-3) O piedoso Noé tinha na época 480 anos. (Gênesis 7:6) Não tinha filhos e continuou assim por mais 20 anos. (Gênesis 5:32) Muito mais tarde, só depois de os filhos de Noé já terem atingido a maturidade e se terem casado, Deus informou Noé sobre o Seu propósito de eliminar da Terra a iniqüidade. (Gênesis 6:9-13, 18) Mesmo então, embora se desse a Noé a comissão dupla de construir a arca e de pregar aos seus contemporâneos, Jeová não lhe revelou Seu cronograma. — Gênesis 6:14; 2 Pedro 2:5.

      6. (a) Como mostrou Noé que deixou os fatores de tempo nas mãos de Jeová? (b) Como podemos seguir o exemplo de Noé?

      6 Durante décadas — talvez meio século — “Noé passou a fazer segundo tudo o que Deus lhe mandara”. Noé fez isso “pela fé”, sem saber alguma data exata. (Gênesis 6:22; Hebreus 11:7) Jeová só lhe deu informação sobre o tempo exato dos acontecimentos uma semana antes de o Dilúvio começar. (Gênesis 7:1-5) A implícita confiança e fé que Noé tinha em Jeová Deus habilitou-o a deixar os fatores de tempo nas mãos Dele. E como Noé deve ter ficado grato quando sentiu a proteção de Jeová durante o Dilúvio e quando mais tarde saiu da arca para uma Terra purificada! Em vista duma similar esperança de livramento, não devemos nós ter tal fé em Deus?

      7, 8. (a) Como vieram a existir nações e potências mundiais? (b) De que forma Jeová “decretou os tempos designados e os limites fixos da morada dos homens”?

      7 Após o Dilúvio, a maioria dos descendentes de Noé abandonou a verdadeira adoração de Jeová. Com o objetivo de permanecerem num só lugar, passaram a construir uma cidade e uma torre para a adoração falsa. Jeová decidiu que era tempo de intervir. Confundiu o idioma deles e “os espalhou dali [de Babel] por toda a superfície da terra”. (Gênesis 11:4, 8, 9) Mais tarde, os grupos lingüísticos desenvolveram-se em nações, algumas delas absorvendo outras nações e tornando-se potências regionais, e até mesmo potências mundiais. — Gênesis 10:32.

      8 Em harmonia com a realização do seu propósito, Deus determinou ocasionalmente fronteiras nacionais e em que época certa nação predominaria numa região ou como potência mundial. (Gênesis 15:13, 14, 18-21; Êxodo 23:31; Deuteronômio 2:17-22; Daniel 8:5-7, 20, 21) O apóstolo Paulo referiu-se a este aspecto dos tempos e das épocas de Jeová quando disse a intelectuais gregos em Atenas: “O Deus que fez o mundo e todas as coisas nele . . . fez de um só homem toda nação dos homens, para morarem sobre a superfície inteira da terra, e decretou os tempos designados e os limites fixos da morada dos homens.” — Atos 17:24, 26.

      9. Como foi que Jeová ‘mudou tempos e épocas’ com respeito a reis?

      9 Isto não significa que Jeová seja responsável por todas as conquistas e mudanças políticas entre as nações. No entanto, ele pode intervir quando decide fazer isso para realizar seu propósito. Por isso, o profeta Daniel, que iria presenciar o fim da Potência Mundial Babilônica e sua substituição pela Medo-Pérsia, disse a respeito de Jeová: “Ele muda os tempos e as épocas, removendo reis e estabelecendo reis, dando sabedoria aos sábios e conhecimento aos que têm discernimento.” — Daniel 2:21; Isaías 44:24-45:7.

      “Quando se aproximava o tempo”

      10, 11. (a) Com quanta antecedência fixou Jeová o tempo para libertar os descendentes de Abraão da servidão? (b) O que sugere que os israelitas não sabiam exatamente quando seriam libertados?

      10 Com mais de quatro séculos de antecedência, Jeová determinou o ano exato em que humilharia o rei da Potência Mundial Egípcia e libertaria os descendentes de Abraão da escravidão. Revelando seu propósito a Abraão, Deus prometeu: “Sabe com certeza que o teu descendente se tornará residente forasteiro numa terra que não é sua; e eles terão de servir-lhes, e estes certamente os atribularão por quatrocentos anos. Mas eu estou julgando a nação à qual servirão, e depois sairão com muitos bens.” (Gênesis 15:13, 14) No seu resumo da história de Israel, Estêvão, perante o Sinédrio, referiu-se a este período de 400 anos e declarou: “Justamente quando se aproximava o tempo para o cumprimento da promessa que Deus havia declarado abertamente a Abraão, o povo crescia e se multiplicava no Egito, até que se levantou um rei diferente sobre o Egito, que não sabia nada sobre José.” — Atos 7:6, 17, 18.

      11 Este novo faraó pôs os israelitas em escravidão. O livro de Gênesis ainda não havia sido escrito por Moisés, embora fosse bem provável que as promessas de Jeová a Abraão tivessem sido transmitidas, ou oralmente ou em forma escrita. Mesmo assim, parece que a informação que os israelitas tinham não lhes permitiu calcular a data exata da sua libertação da opressão. Deus sabia quando ia libertá-los, mas parece que os israelitas sofredores não foram informados disso. Lemos: “Durante esses muitos dias sucedeu que finalmente morreu o rei do Egito, mas os filhos de Israel continuaram a suspirar por causa da escravidão e a clamar em queixa, e seu clamor por ajuda, por causa da escravidão, ascendia ao verdadeiro Deus. Então, Deus ouviu seu gemido e Deus lembrou-se do seu pacto com Abraão, Isaque e Jacó. Assim, Deus olhou para os filhos de Israel e Deus reparou neles.” — Êxodo 2:23-25.

      12. Como mostrou Estêvão que Moisés se antecipou ao tempo de Jeová?

      12 Esta falta de conhecimento do tempo exato da libertação de Israel pode também ser deduzida da sinopse de Estêvão. Falando sobre Moisés, ele disse: “Quando se cumpriu o tempo de seu quadragésimo ano, veio-lhe ao coração fazer uma inspeção aos seus irmãos, os filhos de Israel. E quando avistou que um certo deles estava sendo tratado injustamente, defendeu-o e executou vingança por aquele que estava sendo maltratado, abatendo o egípcio. Supunha que os seus irmãos compreenderiam que Deus lhes estava dando salvação por sua mão, mas eles não o compreenderam.” (Atos 7:23-25) Moisés antecipou-se ali em 40 anos ao tempo de Deus. Estêvão salientou que Moisés teve de esperar mais 40 anos antes de Deus ‘dar aos israelitas salvação por sua mão’. — Atos 7:30-36.

      13. Em que sentido é nossa situação similar à dos israelitas antes da sua libertação do Egito?

      13 Embora ‘se aproximasse o tempo para o cumprimento da promessa’ e esse ano preciso tivesse sido determinado por Jeová Deus, Moisés e todo o Israel tiveram de exercer fé. Tiveram de esperar pelo tempo designado Dele, aparentemente sem poder calculá-lo de antemão. Nós também estamos convencidos de que nosso livramento do atual iníquo sistema de coisas se está aproximando. Sabemos que vivemos “nos últimos dias”. (2 Timóteo 3:1-5) Portanto, não devemos estar dispostos a demonstrar nossa fé e esperar o tempo devido de Jeová para o seu grande dia? (2 Pedro 3:11-13) Então, assim como Moisés e os israelitas, poderemos muito bem cantar um cântico glorioso de livramento, para o louvor de Jeová. — Êxodo 15:1-19.

      ‘Quando chegou o tempo’

      14, 15. Como sabemos que Deus fixara o tempo para seu Filho vir à Terra, e a que ficaram atentos profetas e mesmo anjos?

      14 Jeová fixara o tempo para seu Filho unigênito vir à Terra como o Messias. Paulo escreveu: “Quando chegou o pleno limite do tempo, Deus enviou o seu Filho, que veio a proceder duma mulher e que veio a estar debaixo de lei.” (Gálatas 4:4) Isto se deu em cumprimento da promessa de Deus, de enviar um Descendente (ou Semente) — ‘Siló, a quem pertenceria a obediência dos povos’. — Gênesis 3:15; 49:10.

      15 Profetas de Deus — e mesmo anjos — ficaram atentos à “época” em que o Messias apareceria na Terra e a salvação da humanidade pecadora se tornaria possível. “Acerca desta mesma salvação”, disse Pedro, “fizeram diligente indagação e cuidadosa pesquisa os profetas que profetizaram a respeito da benignidade imerecida que vos era destinada. Eles investigaram que época específica ou que sorte de época o espírito neles indicava a respeito de Cristo, quando de antemão dava testemunho dos sofrimentos por Cristo e das glórias que os seguiriam. . . . Nestas coisas é que os anjos estão desejosos de olhar de perto.” — 1 Pedro 1:1-5, 10-12.

      16, 17. (a) Por meio de que profecia ajudou Jeová os judeus do primeiro século a ficar na expectativa do Messias? (b) Como afetou a profecia de Daniel a expectativa do Messias pelos judeus?

      16 Jeová, por meio do seu profeta Daniel — homem de fé inabalável — dera uma profecia envolvendo “setenta semanas”. Esta profecia habilitaria os judeus do primeiro século a saber que se aproximava o aparecimento do prometido Messias. A profecia declarava em parte: “Desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém até o Messias, o Líder, haverá sete semanas, também sessenta e duas semanas.” (Daniel 9:24, 25) Eruditos judeus, católicos e protestantes, em geral, concordam que as “semanas” mencionadas são semanas de anos. As 69 “semanas” (483 anos) de Daniel 9:25 começaram em 455 AEC, quando o rei persa, Artaxerxes, autorizou Neemias a “restaurar e reconstruir Jerusalém”. (Neemias 2:1-8) Elas acabaram 483 anos mais tarde — em 29 EC, quando Jesus foi batizado e ungido com espírito santo, tornando-se assim o Messias, ou Cristo. — Mateus 3:13-17.

      17 Há dúvida se os judeus do primeiro século sabiam exatamente quando os 483 anos começaram. Mas, quando João, o Batizador, iniciou o seu ministério, “o povo estava em expectativa e todos raciocinavam nos seus corações a respeito de João: ‘Será este o Cristo?’” (Lucas 3:15) Alguns eruditos bíblicos relacionam esta expectativa com a profecia de Daniel. Comentando este versículo, Matthew Henry escreveu: “Somos aqui informados . . . como as pessoas, à base do ministério e do batismo de João, chegaram a pensar no Messias, e a achar que ele já estava às portas. . . . As setenta semanas de Daniel estavam então expirando.” O Manuel Biblique em francês, de Vigouroux, Bacuez e Brassac, declara: “O povo sabia que as setenta semanas de anos fixadas por Daniel estavam chegando ao fim; ninguém ficou surpreso ao ouvir João Batista anunciar que o reino de Deus se aproximara.” O erudito judeu Abba Hillel Silver escreveu que, segundo a “cronologia popular” daqueles dias, “o Messias era esperado por volta do segundo quarto do primeiro século EC”.

      Acontecimentos, não cálculos de tempo

      18. Embora a profecia de Daniel ajudasse os judeus a identificar o tempo em que se podia esperar o aparecimento do Messias, qual era a evidência mais convincente do Messiado de Jesus?

      18 Embora a cronologia pareça ter ajudado os judeus a ter uma idéia geral sobre quando apareceria o Messias, os acontecimentos subseqüentes mostram que não ajudou a convencer a maioria deles do Messiado de Jesus. Menos de um ano antes da sua morte, Jesus perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem as multidões que eu sou?” Eles responderam: “João Batista; mas outros, Elias, e ainda outros, que um dos antigos profetas se levantou.” (Lucas 9:18, 19) Não temos nenhum registro de que Jesus citasse alguma vez a profecia das semanas simbólicas para provar que ele era o Messias. Mas, ele disse em certa ocasião: “Eu tenho o testemunho maior do que o de João, porque as próprias obras que meu Pai me determinou efetuar, as próprias obras que eu faço, dão testemunho de mim de que o Pai me mandou.” (João 5:36) Em vez de ser alguma cronologia revelada, o que atestou que Jesus era o Messias enviado por Deus eram sua pregação, seus milagres e os acontecimentos em torno da sua morte (a escuridão milagrosa, o rasgar da cortina do templo e o terremoto). — Mateus 27:45, 51, 54; João 7:31; Atos 2:22.

      19. (a) Como saberiam os cristãos que a destruição de Jerusalém estava próxima? (b) Por que os primeiros cristãos que fugiram de Jerusalém ainda precisavam ter muita fé?

      19 De modo similar, depois da morte de Jesus, os primeiros cristãos não receberam nenhum indício para calcular o vindouro fim do sistema de coisas judaico. É verdade que a profecia de Daniel a respeito das semanas simbólicas mencionou a destruição daquele sistema. (Daniel 9:26b, 27b) Mas esta ocorreria depois do fim das “setenta semanas” (455 AEC-36 EC). Em outras palavras, depois de os primeiros gentios se terem tornado seguidores de Jesus, em 36 EC, os cristãos estavam além dos marcos cronológicos do capítulo 9 de Daniel. Para eles, os acontecimentos, não a cronologia, indicariam que o fim do sistema judaico tinha de ocorrer em breve. Esses acontecimentos, preditos por Jesus, começaram a atingir o clímax em 66 EC, quando as legiões romanas atacaram Jerusalém e depois se retiraram. Isto deu aos cristãos fiéis e atentos, em Jerusalém e na Judéia, a oportunidade de “fugir para os montes”. (Lucas 21:20-22) Não tendo nenhum marco cronológico, esses primeiros cristãos não sabiam quando ocorreria a destruição de Jerusalém. Exigiu deles muita fé abandonar suas casas, suas lavouras e suas oficinas, e ficar fora de Jerusalém por uns quatro anos, até que o exército romano voltou em 70 EC e exterminou o sistema judaico. — Lucas 19:41-44.

      20. (a) Que proveito podemos tirar dos exemplos de Noé, de Moisés e dos cristãos do primeiro século na Judéia? (b) O que será considerado no artigo que se segue?

      20 Nós, assim como Noé, Moisés e os cristãos do primeiro século na Judéia, podemos confiantemente deixar os tempos e as épocas nas mãos de Jeová. A convicção que temos, de que vivemos no tempo do fim e de que nosso livramento está próximo, não depende dum mero cálculo cronológico, mas de acontecimentos na vida real, em cumprimento de profecias bíblicas. Além disso, embora vivamos durante a presença de Cristo, não estamos livres da necessidade de exercer fé e de ficar vigilantes. Temos de continuar a viver na expectativa ansiosa dos acontecimentos emocionantes preditos nas Escrituras. Este será o assunto do artigo que se segue.

  • À espera com “expectativa ansiosa”
    A Sentinela — 1998 | 15 de setembro
    • À espera com “expectativa ansiosa”

      “A expectativa ansiosa da criação está esperando a revelação dos filhos de Deus.” — ROMANOS 8:19.

      1. Que similaridade há entre a situação dos atuais cristãos e a dos do primeiro século?

      A SITUAÇÃO atual dos verdadeiros cristãos é parecida à dos cristãos do primeiro século. Uma profecia ajudou os servos de Jeová daqueles dias a saber quando viria o Messias. (Daniel 9:24-26) A mesma profecia predizia a destruição de Jerusalém, mas não continha nenhum elemento que habilitasse os cristãos a saber de antemão quando a cidade seria destruída. (Daniel 9:26b, 27) De modo similar, uma profecia fez providencialmente com que sinceros estudantes da Bíblia, no século 19, estivessem em expectativa. Por relacionarem os “sete tempos” de Daniel 4:25 com “os tempos dos gentios”, eles esperavam que Cristo recebesse o poder do Reino em 1914. (Lucas 21:24, Almeida; Ezequiel 21:25-27) Embora o livro de Daniel contenha muitas profecias, nenhuma delas habilita os atuais estudantes da Bíblia a calcular com exatidão quando o inteiro sistema de coisas de Satanás será destruído. (Daniel 2:31-44; 8:23-25; 11:36, 44, 45) No entanto, isso ocorrerá em breve, pois vivemos no “tempo do fim”. — Daniel 12:4.a

      Vigilância durante a presença de Cristo

      2, 3. (a) Qual é a prova principal de que vivemos no tempo da presença de Cristo no poder régio? (b) O que mostra que os cristãos devem continuar vigilantes durante a presença de Jesus Cristo?

      2 É verdade que uma profecia colocou os cristãos num estado de expectativa, antes de Cristo ser investido do poder do Reino em 1914. Mas o “sinal” que Cristo deu da sua presença e da terminação do sistema de coisas destacava acontecimentos. E a maioria deles seria vista depois de sua presença ter começado. Esses acontecimentos — guerras, escassez de víveres, terremotos, pestilências, aumento do que é contra a lei, a perseguição de cristãos, e a pregação mundial das boas novas do Reino — servem de prova principal de que vivemos agora durante a presença de Cristo no poder régio. — Mateus 24:3-14; Lucas 21:10, 11.

      3 No entanto, todo o teor do conselho de despedida de Jesus aos seus discípulos foi: “Persisti em olhar, mantende-vos despertos . . . Mantende-vos vigilantes.” (Marcos 13:33, 37; Lucas 21:36) A leitura cuidadosa do contexto dessas exortações à vigilância mostra que Cristo não estava falando primariamente de que se mantivessem atentos ao sinal do começo da sua presença. Antes, ele ordenou que seus verdadeiros discípulos se mantivessem vigilantes durante a sua presença. De que deviam os cristãos ficar vigilantes?

      4. Qual seria o objetivo do sinal dado por Jesus?

      4 Jesus fez a sua grande profecia em resposta à pergunta: “Quando sucederão estas coisas [os acontecimentos que levarão à destruição do sistema de coisas judaico] e qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?” (Mateus 24:3) O sinal predito serviria para identificar não só a presença de Cristo, mas também acontecimentos que levariam ao fim do atual iníquo sistema de coisas.

      5. Como mostrou Jesus que, embora estivesse espiritualmente presente, ele ainda ‘viria’?

      5 Jesus mostrou que, durante a sua “presença” (em grego, pa·rou·sí·a), ele viria com poder e glória. Ele declarou a respeito desta ‘vinda’ (indicada por formas da palavra grega ér·kho·mai): “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se baterão então em lamento, e verão o Filho do homem vir nas nuvens do céu, com poder e grande glória. . . . Aprendei, pois, da figueira o seguinte ponto, como ilustração: Assim que os seus ramos novos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que o verão está próximo. Do mesmo modo, também, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele [Cristo] está próximo às portas. . . . Portanto, mantende-vos vigilantes, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. . . . Mostrai-vos prontos, porque o Filho do homem vem numa hora em que não pensais.” — Mateus 24:30, 32, 33, 42, 44.

      Por que vem Jesus Cristo?

      6. Como se dará a destruição de “Babilônia, a Grande”?

      6 Embora Jesus Cristo esteja presente como Rei desde 1914, ele ainda tem de julgar sistemas e pessoas antes de executar o julgamento nos que achar serem iníquos. (Note 2 Coríntios 5:10.) Dentro em breve, Jeová porá na mente dos governantes políticos que destruam “Babilônia, a Grande”, o império mundial da religião falsa. (Revelação [Apocalipse] 17:4, 5, 16, 17) O apóstolo Paulo declarou especificamente que Jesus Cristo destruirá “o homem que é contra a lei” — o clero apóstata da cristandade, uma parte destacada de “Babilônia, a Grande”. Paulo escreveu: “Será revelado aquele que é contra a lei, a quem o Senhor Jesus eliminará com o espírito de sua boca e reduzirá a nada pela manifestação de sua presença.” — 2 Tessalonicenses 2:3, 8.

      7. Quando o Filho do homem chegar na sua glória, que sentença proferirá ele?

      7 No futuro próximo, Cristo julgará as pessoas das nações à base de como trataram os irmãos dele ainda na Terra. Lemos: “Quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos, então se assentará no seu trono glorioso. E diante dele serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à sua esquerda. . . . O rei . . . dirá [às ovelhas]: ‘Deveras, eu vos digo: Ao ponto que o fizestes a um dos mínimos destes meus irmãos, a mim o fizestes.’ . . . E [os cabritos] partirão para o decepamento eterno, mas os justos, para a vida eterna.” — Mateus 25:31-46.

      8. Como descreve Paulo a vinda de Cristo para executar o julgamento dos ímpios?

      8 Conforme demonstrado na parábola das ovelhas e dos cabritos, Jesus executa o julgamento final de todos os ímpios. Paulo assegurou a concrentes sofredores um “alívio junto conosco, por ocasião da revelação do Senhor Jesus desde o céu, com os seus anjos poderosos, em fogo chamejante, ao trazer vingança sobre os que não conhecem a Deus e os que não obedecem às boas novas acerca de nosso Senhor Jesus. Estes mesmos serão submetidos à punição judicial da destruição eterna de diante do Senhor e da glória da sua força, no tempo em que ele vem para ser glorificado em conexão com os seus santos”. (2 Tessalonicenses 1:7-10) Com todos esses acontecimentos emocionantes à nossa espera, não devemos exercer fé e continuar ansiosamente vigilantes à espera da vinda de Cristo?

      Espera ansiosa pela revelação de Cristo

      9, 10. Por que é que os ungidos ainda na Terra aguardam ansiosamente a revelação de Jesus Cristo?

      9 A “revelação do Senhor Jesus desde o céu” não só causará a destruição dos iníquos, mas também trará a recompensa dos justos. Os remanescentes dos irmãos ungidos de Cristo na Terra talvez ainda sofram antes da revelação de Cristo, mas alegram-se com a sua gloriosa esperança celestial. O apóstolo Pedro escreveu aos cristãos ungidos: “Prossegui em alegrar-vos por serdes partícipes dos sofrimentos do Cristo, para que vos alegreis e estejais também cheios de alegria durante a revelação de sua glória.” — 1 Pedro 4:13.

      10 Os ungidos estão decididos a continuar fiéis até que Cristo ‘os ajunte a ele’, a fim de que “a qualidade provada” da sua fé “seja achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo”. (2 Tessalonicenses 2:1; 1 Pedro 1:7) Pode-se dizer referente a tais fiéis cristãos gerados pelo espírito: “O testemunho a respeito do Cristo foi feito firme entre vós, de modo que não deixastes de atingir nenhum dom, enquanto estais esperando ardentemente a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo.” — 1 Coríntios 1:6, 7.

      11. O que fazem os cristãos ungidos enquanto aguardam a revelação de Jesus Cristo?

      11 Os do restante ungido compartilham os sentimentos de Paulo, que escreveu: “Eu considero os sofrimentos da época atual como não importando em nada, em comparação com a glória que há de ser revelada em nós.” (Romanos 8:18) Sua fé não precisa ser sustentada por cálculos de tempo. Eles continuam atarefados no serviço de Jeová, dando um maravilhoso exemplo aos seus companheiros, os das “outras ovelhas”. (João 10:16) Esses ungidos sabem que o atual sistema iníquo está próximo do fim, e acatam a exortação de Pedro: “Avigorai as vossas mentes para atividade, mantendo inteiramente os vossos sentidos; fixai vossa esperança na benignidade imerecida que vos há de ser trazida na revelação de Jesus Cristo.” — 1 Pedro 1:13.

      “A expectativa ansiosa da criação”

      12, 13. Como ficou a criação humana “sujeita à futilidade”, e o que anseiam os das outras ovelhas?

      12 Será que os das outras ovelhas também têm o que aguardar com expectativa ansiosa? Com toda a certeza. Depois de falar da gloriosa esperança dos adotados por Jeová como seus “filhos” gerados pelo espírito e “co-herdeiros de Cristo” no Reino celestial, Paulo disse: “A expectativa ansiosa da criação está esperando a revelação dos filhos de Deus. Porque a criação estava sujeita à futilidade, não de sua própria vontade, mas por intermédio daquele que a sujeitou, à base da esperança de que a própria criação também será liberta da escravização à corrupção e terá a liberdade gloriosa dos filhos de Deus.” — Romanos 8:14-21; 2 Timóteo 2:10-12.

      13 Devido ao pecado de Adão, todos os descendentes dele ficaram ‘sujeitos à futilidade’, nascendo em servidão ao pecado e à morte. Não foram capazes de se livrar sozinhos de tal servidão. (Salmo 49:7; Romanos 5:12, 21) Como os das outras ovelhas anseiam ‘ser libertos da escravização à corrupção’! Mas, antes que isso aconteça, precisam ocorrer certas coisas segundo os tempos e as épocas de Jeová.

      14. O que estará envolvido na “revelação dos filhos de Deus” e como resultará isso em a humanidade ser “liberta da escravização à corrupção”?

      14 Os do restante dos ungidos “filhos de Deus” primeiro terão de ser ‘revelados’. O que estará envolvido nisso? No tempo devido de Deus, tornar-se-á evidente aos das outras ovelhas que os ungidos foram finalmente “selados” e glorificados para reinar com Cristo. (Revelação 7:2-4) Os ressuscitados “filhos de Deus” também serão ‘revelados’ quando participarem com Cristo na destruição do iníquo sistema de coisas de Satanás. (Revelação 2:26, 27; 19:14, 15) Daí, durante o Reinado Milenar de Cristo, serão ainda mais ‘revelados’ como instrumentos sacerdotais para a dispensação dos benefícios do sacrifício resgatador de Jesus para a “criação” humana. Isto resultará em a humanidade ser “liberta da escravização à corrupção” e por fim entrar na “liberdade gloriosa dos filhos de Deus”. (Romanos 8:21; Revelação 20:5; 22:1, 2) Em vista de perspectivas tão grandiosas, é de admirar que os das outras ovelhas estejam “esperando a revelação dos filhos de Deus” com “expectativa ansiosa”? — Romanos 8:19.

      A paciência de Jeová significa salvação

      15. De que nunca nos devemos esquecer referente à cronometragem dos acontecimentos por Jeová?

      15 Jeová é o Grandioso Cronometrista. Sua cronometragem dos acontecimentos mostrará ser perfeita. As coisas talvez nem sempre aconteçam como esperamos. No entanto, podemos ter absoluta fé em que todas as promessas de Deus se cumprirão. (Josué 23:14) Ele talvez permita que as coisas continuem por mais tempo do que muitos esperam. Mas, procuremos compreender os modos dele e admirar a sabedoria dele. Paulo escreveu: “Ó profundidade das riquezas, e da sabedoria, e do conhecimento de Deus! Quão inescrutáveis são os seus julgamentos e além de pesquisa são os seus caminhos! Pois, ‘quem veio a conhecer a mente de Jeová ou quem se tornou o seu conselheiro’?” — Romanos 11:33, 34.

      16. Quem é beneficiado pela paciência de Jeová?

      16 Pedro escreveu: “Amados, visto que aguardais estas coisas [a destruição dos velhos “céus” e “terra”, e sua substituição pelos prometidos “novos céus” e “nova terra” de Deus], fazei o máximo para serdes finalmente achados por ele sem mancha nem mácula, e em paz. Além disso, considerai a paciência de nosso Senhor como salvação.” Por causa da paciência de Jeová, outros milhões de pessoas estão recebendo a oportunidade de atravessarem a salvo o “dia de Jeová”, que virá inesperadamente “como ladrão”. (2 Pedro 3:9-15) Sua paciência também permite que cada um de nós ‘persista em produzir a sua própria salvação com temor e tremor’. (Filipenses 2:12) Jesus disse que temos de ‘prestar atenção a nós mesmos’ e a ‘manter-nos despertos’, se quisermos ser aprovados e conseguir “ficar em pé diante do Filho do homem” na ocasião em que ele vier para o julgamento. — Lucas 21:34-36; Mateus 25:31-33.

      Persistamos em esperar com perseverança

      17. Que palavras do apóstolo Paulo devemos tomar a peito?

      17 Paulo exortou seus irmãos espirituais a fixar os olhos “não nas coisas vistas, mas nas coisas não vistas”. (2 Coríntios 4:16-18) Ele não queria que algo lhes obstruísse a visão da recompensa celestial que tinham diante de si. Quer sejamos cristãos ungidos, quer das outras ovelhas, fixemos a mente na esperança maravilhosa que temos diante de nós e não desistamos. Continuemos ‘esperando com perseverança’, provando assim que “não somos dos que retrocedem para a destruição, mas dos que têm fé para preservar viva a alma”. — Romanos 8:25; Hebreus 10:39.

      18. Por que podemos deixar confiantemente os tempos e as épocas nas mãos de Jeová?

      18 Podemos deixar confiantemente os tempos e as épocas nas mãos de Jeová. O cumprimento das suas promessas “não tardará”, segundo o Seu cronograma. (Habacuque 2:3) No ínterim, a exortação de Paulo a Timóteo assume maior sentido para nós. Ele disse: “Eu te mando solenemente, perante Deus e Cristo Jesus, que está destinado a julgar os vivos e os mortos, e pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, ocupa-te nisso urgentemente, em época favorável, em época dificultosa . . . Faze a obra dum evangelizador, efetua plenamente o teu ministério.” — 2 Timóteo 4:1-5.

      19. Ainda é tempo para os do povo de Jeová fazerem o quê, e por quê?

      19 Há vidas em jogo — a nossa e a do nosso próximo. Paulo escreveu: “Presta constante atenção a ti mesmo e ao teu ensino. Permanece nestas coisas, pois, por fazeres isso, salvarás tanto a ti mesmo como aos que te escutam.” (1 Timóteo 4:16) Resta muito pouco tempo a este iníquo sistema de coisas. Ao passo que esperamos com expectativa ansiosa os acontecimentos emocionantes à nossa frente, fiquemos sempre apercebidos de que ainda é o tempo e a época de Jeová para seu povo pregar as boas novas do Reino. Esta obra tem de ser realizada para a satisfação dele. “Então virá o fim”, disse Jesus. — Mateus 24:14.

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